Logo Passei Direto
Buscar

O papel da Psicopedagogia na Educação Especial

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Como você notou, o Atendimento Educacional Escolar é ofertado em salas de recursos multifuncionais para alunos com deficiência, problemas de aprendizagem e transtornos. Pensando nesse assunto, de qual forma o psicopedagogo pode mostrar a importância dessa sala aos docentes?
A - Deve esclarecer que essas salas, dentre vários benefícios, vão disponibilizar recursos adequados imprescindíveis para promover o envolvimento e a aprendizagem desses alunos.
B - Deve explicar que apenas um professor ficará responsável pelas salas e não será necessária a presença de um docente especializado.
C - Deve mostrar que a função do docente será observar o processo, pois os alunos com deficiência possuem condições de se desenvolverem sozinhos.
D - Deve reforçar que a sala não deve ser vista como um apoio inclusivo, mas como um espaço, no qual o estudante com deficiência deve frequentar período integral.
E - Deve explicar aos professores que, caso o aluno frequente associações específicas, ele não poderá se matricular na sala de recursos multifuncionais.

Analise as afirmativas sobre a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e identifique a qual profissional elas estão relacionadas, respectivamente:
I – Ensinar o aluno a utilizar a tecnologia assistiva em atividades adaptadas de conteúdos trabalhados em sala de aula.
II – Orientar os profissionais envolvidos sobre novas estratégias de aprendizagem e investigar novas possibilidades de atuação quando a criança não está se desenvolvendo.
III – Elaborar estratégias e dispor de recursos de acessibilidade para que o aluno realize as atividades referentes ao conteúdo de sala de aula.
A) I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo.
B) I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE.
C) I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo.
D) I – Professor AEE; II – Professor AEE; III – Psicopedagogo.
E) I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE.

Sabemos que o sistema visual é muito importante para obtermos informações sobre o mundo que nos rodeia, mas também um elemento fundamental para o relacionamento entre as pessoas. Com base nessa informação, você saberia explicar qual o papel da família e da escola no desenvolvimento de uma criança com deficiência visual? A Psicopedagogia pode auxiliar essa criança?
O psicopedagogo pode sugerir ações pedagógicas ao docente e propor o atendimento educacional escolar, com ênfase na acessibilidade e nos recursos pedagógicos, com a finalidade de dar suporte ao aluno com deficiência visual no contraturno.
A
B
C
D
E

Analise as afirmativas abaixo e assinale a que contém atividades que podem ser realizadas no processo de avaliação psicopedagógica da criança da Educação Especial:
I – Observação das relações que estabelece com outras pessoas, como se comunica e a qualidade da linguagem.
II – Entrevistas com o sujeito, família, professores e demais profissionais da saúde envolvidos no caso.
III – Pedir à família e/ ou à escola que filme situações de interação da criança.
IV – Observação das atividades familiares que acontecem no cotidiano para determinar o nível de envolvimento emocional entre os membros.

A I e II, apenas.
B II e III, apenas.
C III e IV, apenas.

Julgue as afirmativas sobre a avaliação e intervenção de crianças com deficiência motora como verdadeira(s) ou falsa(s), de cima para baixo, e assinale a alternativa correta.
(   ) O psicopedagogo precisa conhecer os tipos de deficiência, sua origem, as terminologias médicas e consequências advindas da condição do sujeito para elaborar suas condutas.
(   ) A psicopedagogia dispõe de um plano interventivo específico para crianças com deficiência motora, assim como para outras deficiências, com testes e dinâmicas de sessões previamente descritas em manuais.
(   ) É importante que o psicopedagogo saiba que crianças com deficiência motora podem ser mais lentas do que as outras, demandando mais tempo para executar as atividades.
(   ) É necessário que na investigação psicopedagógica haja informações a respeito do controle postural, deslocamento, manipulações de objetos, qualidade da comunicação para que o profissional elabore sua conduta de forma assertiva.

A V, F, V, V
B V, V, F, V
C F, V, V, V

Como você viu, uma prática inclusiva procura atender alunos com deficiência, mas também alunos diagnosticados com algum transtorno. Pensando nesse assunto, podemos afirmar que o psicopedagogo institucional ao receber um aluno diagnosticado com o transtorno do déficit atenção com hiperatividade deve

A verificar de imediato se a criança toma alguma medicação para poder ficar quieta na carteira e prestar atenção nas aulas.
B procurar, inicialmente, o neurologista para verificar se o aluno com TDAH tem lesão cerebral ou doença mental.
C encaminhar a família para acompanhamento psicoterápico antes que efetue a matrícula do aluno com TDAH.
D conhecer a situação e elaborar junto aos professores estratégias na implementação de um programa educacional adequado.

Ao longo dos tempos, a Psicopedagogia agrega conhecimentos de diversas áreas da saúde e da educação; auxilia nas problemáticas de aprendizagem, deficiências e transtornos. Com base nessa informação, você saberia explicar como a Neurociência contribui para a Psicopedagogia? Podemos considerar que essa área também é fundamental para a educação especial? O que você acha?

A
B
C
D
E

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Como você notou, o Atendimento Educacional Escolar é ofertado em salas de recursos multifuncionais para alunos com deficiência, problemas de aprendizagem e transtornos. Pensando nesse assunto, de qual forma o psicopedagogo pode mostrar a importância dessa sala aos docentes?
A - Deve esclarecer que essas salas, dentre vários benefícios, vão disponibilizar recursos adequados imprescindíveis para promover o envolvimento e a aprendizagem desses alunos.
B - Deve explicar que apenas um professor ficará responsável pelas salas e não será necessária a presença de um docente especializado.
C - Deve mostrar que a função do docente será observar o processo, pois os alunos com deficiência possuem condições de se desenvolverem sozinhos.
D - Deve reforçar que a sala não deve ser vista como um apoio inclusivo, mas como um espaço, no qual o estudante com deficiência deve frequentar período integral.
E - Deve explicar aos professores que, caso o aluno frequente associações específicas, ele não poderá se matricular na sala de recursos multifuncionais.

Analise as afirmativas sobre a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e identifique a qual profissional elas estão relacionadas, respectivamente:
I – Ensinar o aluno a utilizar a tecnologia assistiva em atividades adaptadas de conteúdos trabalhados em sala de aula.
II – Orientar os profissionais envolvidos sobre novas estratégias de aprendizagem e investigar novas possibilidades de atuação quando a criança não está se desenvolvendo.
III – Elaborar estratégias e dispor de recursos de acessibilidade para que o aluno realize as atividades referentes ao conteúdo de sala de aula.
A) I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo.
B) I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE.
C) I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo.
D) I – Professor AEE; II – Professor AEE; III – Psicopedagogo.
E) I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE.

Sabemos que o sistema visual é muito importante para obtermos informações sobre o mundo que nos rodeia, mas também um elemento fundamental para o relacionamento entre as pessoas. Com base nessa informação, você saberia explicar qual o papel da família e da escola no desenvolvimento de uma criança com deficiência visual? A Psicopedagogia pode auxiliar essa criança?
O psicopedagogo pode sugerir ações pedagógicas ao docente e propor o atendimento educacional escolar, com ênfase na acessibilidade e nos recursos pedagógicos, com a finalidade de dar suporte ao aluno com deficiência visual no contraturno.
A
B
C
D
E

Analise as afirmativas abaixo e assinale a que contém atividades que podem ser realizadas no processo de avaliação psicopedagógica da criança da Educação Especial:
I – Observação das relações que estabelece com outras pessoas, como se comunica e a qualidade da linguagem.
II – Entrevistas com o sujeito, família, professores e demais profissionais da saúde envolvidos no caso.
III – Pedir à família e/ ou à escola que filme situações de interação da criança.
IV – Observação das atividades familiares que acontecem no cotidiano para determinar o nível de envolvimento emocional entre os membros.

A I e II, apenas.
B II e III, apenas.
C III e IV, apenas.

Julgue as afirmativas sobre a avaliação e intervenção de crianças com deficiência motora como verdadeira(s) ou falsa(s), de cima para baixo, e assinale a alternativa correta.
(   ) O psicopedagogo precisa conhecer os tipos de deficiência, sua origem, as terminologias médicas e consequências advindas da condição do sujeito para elaborar suas condutas.
(   ) A psicopedagogia dispõe de um plano interventivo específico para crianças com deficiência motora, assim como para outras deficiências, com testes e dinâmicas de sessões previamente descritas em manuais.
(   ) É importante que o psicopedagogo saiba que crianças com deficiência motora podem ser mais lentas do que as outras, demandando mais tempo para executar as atividades.
(   ) É necessário que na investigação psicopedagógica haja informações a respeito do controle postural, deslocamento, manipulações de objetos, qualidade da comunicação para que o profissional elabore sua conduta de forma assertiva.

A V, F, V, V
B V, V, F, V
C F, V, V, V

Como você viu, uma prática inclusiva procura atender alunos com deficiência, mas também alunos diagnosticados com algum transtorno. Pensando nesse assunto, podemos afirmar que o psicopedagogo institucional ao receber um aluno diagnosticado com o transtorno do déficit atenção com hiperatividade deve

A verificar de imediato se a criança toma alguma medicação para poder ficar quieta na carteira e prestar atenção nas aulas.
B procurar, inicialmente, o neurologista para verificar se o aluno com TDAH tem lesão cerebral ou doença mental.
C encaminhar a família para acompanhamento psicoterápico antes que efetue a matrícula do aluno com TDAH.
D conhecer a situação e elaborar junto aos professores estratégias na implementação de um programa educacional adequado.

Ao longo dos tempos, a Psicopedagogia agrega conhecimentos de diversas áreas da saúde e da educação; auxilia nas problemáticas de aprendizagem, deficiências e transtornos. Com base nessa informação, você saberia explicar como a Neurociência contribui para a Psicopedagogia? Podemos considerar que essa área também é fundamental para a educação especial? O que você acha?

A
B
C
D
E

Prévia do material em texto

O papel da Psicopedagogia
na Educação Especial
Prof.ª Andresa Aparecida Ferreira
Prof.ª Patrícia Rossi Carraro
Descrição
A atuação psicopedagógica e sua relação com a educação especial na
perspectiva da educação inclusiva.
Propósito
A compreensão da atuação psicopedagógica junto à educação especial
permite ao profissional discernir qual é seu papel mediante as demandas
de uma educação na perspectiva da educação inclusiva, visando a um
trabalho mais assertivo em prol da aprendizagem dos sujeitos com
deficiência.
Objetivos
Módulo 1
Relação entre a Psicopedagogia, a família e a
escola no que tange à educação de crianças
com de�ciência
Reconhecer a importância da relação entre a Psicopedagogia, a
família e a escola no que tange à educação de crianças com
deficiência.
Módulo 2
Papel da Psicopedagogia na dimensão
cultural da escola inclusiva
Distinguir o papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola
inclusiva.
Módulo 3
Processo de avaliação e intervenção
psicopedagógica de crianças com
de�ciência
Analisar o processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de
crianças com deficiência.
Módulo 4
Neuropsicologia, Neurociência e
Psicopedagogia
Relacionar o conhecimento das áreas de Neuropsicologia e
Neurociência à Psicopedagogia.

Introdução
A compreensão do papel da Psicopedagogia na educação
especial é importante para a prática profissional do
psicopedagogo clínico e institucional.
Neste conteúdo, destacaremos a importância da relação saudável
que precisa haver entre o profissional psicopedagogo, a família, a
escola e os demais profissionais que lidam com o sujeito com
deficiência, com os transtornos globais do desenvolvimento e as
altas habilidades/ superdotação.
Na sequência, esclareceremos o papel do psicopedagogo como
mediador do processo de aprendizagem junto às crianças da
educação especial.
Posteriormente, serão apresentadas características da prática
clínica quanto ao processo de avaliação e intervenção de crianças
da educação especial, utilizando como exemplo o atendimento de
crianças com deficiência motora.
Discutiremos ainda a relação das áreas de Neuropsicologia e
Neurociência com os aspectos educacionais, sobretudo com o
processo de aprendizagem.
1 - Relação entre a Psicopedagogia, a família e a escola no que
tange à educação de crianças com de�ciência
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância da relação entre a
Psicopedagogia, a família e a escola no que tange à educação de crianças com de�ciência.
Ligando os pontos
Você sabe qual é o papel de um psicopedagogo no contexto escolar?
Saberia explicar qual a relação desse profissional no que diz respeito à
educação de crianças com deficiência? Para entendermos esses
aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma psicopedagoga do
ensino básico.
Priscila, psicopedagoga, experiente na área da educação escolar, foi
convidada para trabalhar em uma escola privada de ensino básico. Para
iniciar suas atividades, conheceu o espaço físico, os funcionários, os
professores e também os alunos da escola. Além disso, a diretora
comentou que, em momento oportuno, iria apresentá-la aos familiares
dos estudantes.
Após ter a visão geral da instituição, procurou compreender o
funcionamento da educação inclusiva, pois notou que existiam alunos
com deficiência auditiva, visual e física na escola.
A psicopedagoga Priscila, a partir de informações obtidas na escola,
combinou com a gestão uma reunião, a qual ocorreria, inicialmente, com
o corpo docente. Nela, buscou esclarecer que o seu trabalho estaria
relacionado à melhoria das condições do processo de ensino-
aprendizagem, mas também à prevenção dos problemas de
aprendizagem. Logo, orientaria e auxiliaria gestores, professores, alunos
e familiares, por meio de estratégias e métodos próprios da área.
Além disso, comentou com os professores que o seu trabalho não é
clínico e sua presença na escola não deve ser confundida com a de um
profissional que venha para resolver todos os problemas da instituição.
O trabalho deve ser realizado em conjunto, ou seja, com todos os
membros da escola.
Ressaltou também a importância do seu papel, bem como da escola, na
educação inclusiva. Apesar de todo amparo legal que o estudante com
deficiência e seus familiares têm, eles precisam receber, principalmente,
o apoio da escola. Não é a pessoa com deficiência que deve se adaptar à
escola, mas o contrário.
A escola precisa dar o suporte pedagógico, favorecer a socialização e a
interação entre todos os discentes, bem como trabalhar com a família,
contribuindo para uma relação saudável. Priscila esclareceu que
também orientaria todos os professores com a finalidade de se construir
uma escola inclusiva.
Terminada a reunião de apresentação do trabalho, a psicopedagoga e os
professores já combinaram um próximo encontro para conversarem
mais a respeito da educação inclusiva.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Como você viu, o psicopedagogo institucional tem uma atuação
ampla no âmbito escolar. Pensando nesse assunto, de que forma o
profissional pode favorecer a prática dos professores na inclusão de
alunos com deficiência?
A
Pode utilizar procedimentos e aplicar testes
psicométricos nos estudantes com deficiência, com
a finalidade de averiguar o potencial intelectual de
cada um para que o docente realize tarefas
escolares direcionadas.
B
Pode orientar a elaboração de novas maneiras de
planejar e executar as atividades para que o
processo de ensino-aprendizagem seja efetivo,
rompendo, assim, com os obstáculos do ensino e a
rotulação da deficiência.
C
Pode contribuir para a realização de práticas
psicoterápicas e orientações junto aos familiares
dos alunos com deficiência.
D
Pode orientar os professores a conhecerem e
visitarem as associações que os alunos com
deficiência frequentam, com o objetivo de averiguar
quais atividades são realizadas nesses locais.
E
Pode apenas contribuir no direito ao acesso ao
conhecimento, descobrindo a área de acessibilidade
Parabéns! A alternativa B está correta.
O psicopedagogo pode auxiliar em diversos aspectos na educação
inclusiva e no papel docente, dando suporte na parte pedagógica.
Além disso, o psicopedagogo pode ajudar o professor a ampliar sua
concepção de mundo e ficar aberto a várias situações que podem
ocorrer no âmbito escolar, no que diz respeito também às diferenças
e diversidades. O docente precisa romper barreiras e desafios, bem
como elaborar novas estratégias de ensino e buscar auxílio nas
metodologias a serem empregadas para que o processo de ensino-
aprendizagem seja construtivo. Também pode organizar o ambiente
de forma que permita a interação do estudante com deficiência com
toda a sala.
Questão 2
Como você notou, o psicopedagogo institucional pode desenvolver
várias ações para que a escola seja inclusiva. Pensando nesse
assunto, de que forma esse profissional pode favorecer a relação
entre escola e família dos alunos com deficiência?
e atendimento educacional especializado.
A
O psicopedagogo pode sugerir à escola que todas as
atividades extraclasse, bem como as comemorações
e as festas com os familiares, sejam feitas em dias
diferentes para os alunos com deficiência e seus
pais.
B
O psicopedagogo pode orientar a escola a ter uma
sala específica para todos os alunos com
deficiência, pois assim o trabalho com esses alunos
poderá ser muito mais dinâmico.
C
O psicopedagogo pode solicitar aos pais dos alunos
com deficiência que levem seus filhos, no máximo,
duas vezes por semana para a escola, já que eles
criam problemas com os outros alunos.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Ao longo dos tempos, a relação família e escola sempre foi foco de
atenção dos pesquisadores da área da educação e da saúde, seja
com alunos ditos “normais”, seja com os alunos com “dificuldades,
transtornos e deficiências”. Vários profissionais procuram auxiliarnessa parceria, sejam psicólogos, pedagogos e psicopedagogos.
Essa relação deve ser justa, solidária, colaborativa, empática,
respeitosa e com muito diálogo. Por isso, basta que os dois
eduquem, instruam e entendam que existem as diferenças. Dessa
forma, as instituições escolares e a família devem olhar o aluno,
independentemente da deficiência, do transtorno e da dificuldade,
como uma pessoa que está em formação.
Questão 3
Você já sabe que a partir do momento em que a criança começa a
frequentar o ambiente escolar ela amplia o seu universo social e cultural,
desenvolve suas competências e potencialidades, além de influenciar a
sua atuação na sociedade. Quando uma escola estabelece entre suas
finalidades a inclusão de todos os alunos, com certeza ficará mais fácil
aceitar as diferenças. Com base em sua experiência, como poderemos
pensar em práticas inclusivas nas salas de aula? Se você fosse
psicopedagogo institucional, quais orientações daria à escola para
possibilitar uma ação mais inclusiva?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
D
O psicopedagogo pode orientar a escola a evitar a
participação dos pais dos alunos com deficiência
nas reuniões gerais, pois eles gostam de interferir
com frequência na parte pedagógica da escola.
E
O psicopedagogo pode auxiliar a escola e a família
na busca por uma relação de respeito mútuo com
certo nível de confiança, empatia, colaboração e
diálogo.
Para termos práticas mais inclusivas, é necessário pensarmos em
projetos elaborados pelos professores em conjunto, nos quais a
educação dos alunos com deficiências seja também prioridade,
gerando assim transformações. Outro aspecto importante seria a
adaptação do currículo, ou seja, adaptação dos conteúdos de
aprendizagem e dos métodos pedagógicos. Os alunos com
deficiência também precisam ter acesso.
O psicopedagogo pode auxiliar a escola ao sugerir uma
organização flexível e uma gestão envolvida com a inclusão. Para
uma escola ser inclusiva, ela precisa ter uma gestão
comprometida, pois esta afeta diretamente a cultura de uma
escola, sua organização e a maneira de realizar as práticas
pedagógicas. Outro ponto que merece destaque é a formação dos
professores. Todos devem ser preparados, e não apenas os
professores especialistas.
Mediação com o corpo docente e
família no contexto da escola
inclusiva
Neste módulo, vamos esclarecer a importância da relação entre a
família, a escola e a Psicopedagogia para o alcance do objetivo comum
de promover a aprendizagem da criança com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação.
Para tanto, inicialmente discutiremos a importância do apoio às famílias
de crianças da educação especial, bem como a responsabilidade da
escola em oportunizar uma educação de qualidade na perspectiva da
educação inclusiva. Em seguida, resgataremos a necessidade do
trabalho em equipe e, por fim, apresentaremos o papel da
Psicopedagogia como mediadora desse processo de interlocução entre a
família e a escola.
Apoio às famílias de crianças da educação
especial
A família é o primeiro espaço no qual a criança estabelecerá seus
vínculos afetivos e promoverá seu desenvolvimento físico, cognitivo,
afetivo e social para que se torne um sujeito com autonomia.
É na família, também, que se produzem relações de cuidado, proteção,
acolhimento e respeito, além da transmissão de princípios e valores
inerentes à vida em sociedade.
A família é o agente privilegiado pelo desenvolvimento integral da
criança. Com isso, sabe-se que o período de gestação está permeado de
reflexões a respeito das condições ideais para que a criança possa se
desenvolver de maneira saudável.
Há o acompanhamento médico pré-natal, o planejamento financeiro para
custear as despesas, a organização da casa e as mudanças na rotina
voltadas para o cuidado do bebê quando nascer. No entanto, é rara a
preparação psicológica das famílias para a chegada de um bebê que
requeira mais cuidados do que o de costume.
Comentário
Em outras palavras, quando há planejamento familiar para a chegada de
um bebê, espera-se que ele nasça dentro dos parâmetros da
“normalidade”.
Quem nunca ouviu alguém dizer: “Só quero que venha com saúde”?
Nesse sentido, o que chama a atenção aqui é que raramente uma família
se prepara para a chegada de uma criança com deficiência, com uma
síndrome específica ou uma doença.
O nascimento de uma criança com deficiência ou a descoberta de uma
síndrome ao longo da vida de uma criança geralmente é algo que não
está dentro dos planos da família, e isso requer muito cuidado e carinho
dos profissionais que irão lidar com ela. São comuns, ainda, problemas
com a aceitação da situação, pais que se separam após a ciência do
fato, o que geralmente sobrecarrega a mãe quanto aos cuidados com a
criança. Outro fator importante é a condição financeira das famílias. O
tratamento de uma criança com deficiência geralmente é caro, pois
requer medicamentos, materiais, serviços profissionais.
Para adquiri-los, as famílias precisam dispor de recursos financeiros e/
ou ter ciência de seus direitos para pleitear os recursos junto ao poder
público.
Isso significa que aquelas responsabilidades ditas no início quanto à
chegada de uma criança triplicam com a chegada de uma criança com
deficiência, pois se trata de um caminho árduo para muitas famílias,
principalmente do ponto de vista psicológico.
É preciso, portanto, que os profissionais da Saúde e da Educação que
lidam com famílias de crianças com deficiência tenham o conhecimento
desse contexto e desenvolvam o sentimento de empatia ao lidar com as
situações que ocorrem no cotidiano de trabalho.
Re�exão
Cabe também a você, psicopedagogo, que irá se deparar com essas
famílias ― seja no consultório, seja em alguma instituição como escolas
e hospitais. Ao lidar com as famílias de crianças com deficiência, é
preciso exercer um olhar empático, solidário e afetuoso em quaisquer
orientações profissionais.
Educação especial na perspectiva da
educação inclusiva
A educação especial é uma modalidade de ensino que está presente em
todos os níveis, desde a educação infantil até o ensino superior. A
educação especial prevê o Atendimento Educacional Especializado
(AEE), que disponibiliza os recursos, os serviços e orienta quanto à sua
utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do
ensino regular.
Nesse sentido, a Resolução n° 4, de 2 de outubro de 2009, que institui as
diretrizes operacionais para o Atendimento Educacional Especializado
na educação básica, na modalidade educação especial, esclarece em
seu primeiro artigo que os sistemas de ensino devem matricular os
alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/ superdotação nas classes comuns do ensino regular e no
Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de
recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional
Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias,
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
Confessionais
Uma escola confessional pode ser católica, presbiteriana, evangélica etc.
Por ser “confessional”, esse tipo de escola professa uma doutrina ou um
princípio filosófico a ser seguido e que se dissemina em suas práticas
cotidianas.
A inserção da criança com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação na escola regular e o
Atendimento Educacional Especializado são os fatores que configuram a
educação especial na perspectiva da educação inclusiva.
São considerados direitos conquistados pelas famílias das crianças, que
têm um histórico de décadas de luta, fato que deve ser considerado em
qualquer ocasião que ameace a retirada desses direitos, seja do ponto de
vista legal, político ou ideológico.
Essa inserção das crianças com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/ superdotação na escola regular
representouao longo dos anos a conquista não só de
um direito, mas de um reconhecimento dessa criança
enquanto sujeito. Um sujeito de direitos, que brinca,
aprende, interage e se desenvolve.
Por falar em desenvolvimento, pode-se dizer que a escola, como
promotora de desenvolvimento, proporciona o desenvolvimento social
não só à criança com deficiência, mas a todas as crianças.
Comentário
Esse desenvolvimento diz respeito ao aprender com o outro. Tal
aprendizagem não se refere somente aos conteúdos escolares, mas à
aprendizagem da vida!
O profissional que vivencia o cotidiano escolar perceberá a importância
dessa interação, a qual promove:
O respeito pelas diferenças
A empatia para com os colegas
A solidariedade que se institui em pequenas
situações
As atitudes que representam e às vezes até
modi�cam os valores humanos
Tudo isso é nítido quando se trata de uma escola que trabalha na
perspectiva da educação inclusiva.
Exemplo
Em uma sala de aula em que há um aluno com deficiência, é comum ver
as crianças dispostas a ajudar, interagir, respeitar o outro tal como ele é,
o que, às vezes, muitos adultos não são capazes de fazer. Para tanto, é
preciso que os profissionais da escola, incluindo os professores de sala,
do AEE e os professores especialistas, promovam essa relação entre os
alunos, estimulando a colaboração, a empatia e a aprendizagem entre os
pares.
Seguindo o pensamento de Edgar Morin (2004), há uma necessidade
urgente de reformar a mente das pessoas para que sejam capazes de
analisar e buscar soluções para os problemas fundamentais e
complexos.
Edgar Morin
O autor enfatiza a importância de uma educação que possa propor uma
interrelação do indivíduo com a sociedade, que vislumbre o
desenvolvimento da identidade do sujeito, mas também sua relação com os
outros e seu meio de convivência.
O ensino não pode continuar formando mentes
unidimensionais, lineares e incapazes de lidar com a
complexidade e diversidade.
Sobre a reforma do pensamento, o autor fala que é preciso substituir o
pensamento que isola e separa por outro que distingue e une, o
pensamento disjuntivo e redutor pelo pensamento do complexo, que é
tecido junto.
Morin complementa a ideia de reforma afirmando que
não se pode reformar a instituição sem uma prévia
reforma das mentes, mas não se pode reformar as
mentes sem uma prévia reforma das instituições.
A partir dessa reflexão, é preciso se atentar não só à reforma da estrutura
física das instituições para incluir as crianças com necessidades
educativas especiais, como colocar rampas e piso tátil, adaptar os
banheiros etc. É preciso, antes de mais nada, que os profissionais, o
poder público e a população em geral reformem seus pensamentos para
saberem o que a inclusão significa na vida de cada uma das crianças e
das famílias das crianças com necessidades educativas especiais.
Relação entre família, escola e
Psicopedagogia
O trabalho com as crianças com necessidades educativas especiais
deve ser realizado por meio de um sistema colaborativo, do qual fazem
parte a família, a escola e os demais profissionais envolvidos no caso,
geralmente relacionados à Saúde.
Isso significa que não só a aprendizagem, mas também todo o bem-
estar da criança deve ser permeado de cuidados advindos de todos
esses agentes. Para isso, todos devem dialogar e realizar um trabalho
em equipe que esteja em consonância com o objetivo de promover o
desenvolvimento integral da criança.
Dentre os profissionais envolvidos nessa empreitada está o
psicopedagogo, o qual poderá receber em seu consultório clínico uma
criança com necessidades educativas especiais ou poderá também
trabalhar em uma instituição que atende essas crianças. Há, portanto,
dois contextos possíveis de atuação, sobre os quais damos mais
detalhes a seguir.
Quando se trata do contexto clínico, é necessário salientar que o
psicopedagogo deve buscar formação específica para o trabalho
com crianças com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação, tendo em
vista a especificidade e complexidade do trabalho.
Quando se trata do contexto institucional, que ocorre geralmente
no contexto escolar, o psicopedagogo fará um trabalho voltado
para a vertente de orientação junto à família e aos profissionais
que acompanham a criança.
De qualquer modo, em ambas as atuações, o psicopedagogo deve
sempre trabalhar em equipe, de forma colaborativa, fazendo parte da
rede de apoio da criança e de sua família.
A relação entre Psicopedagogia e inclusão se estabelece a partir de um
trabalho que:
Contexto clínico 
Contexto institucional 
 Considere a criança um sujeito de direitos.
 Oportunize a socialização da criança, oferecendo
condições à participação em seu meio social.
 Investigue os conhecimentos e as habilidades da
criança, com o intuito de utilizá-los e otimizá-los
para a aprendizagem.
Tais características configuram o trabalho do psicopedagogo, tanto no
contexto clínico quanto no institucional, que deve ser realizado com as
crianças, sobretudo as que estão inseridas no contexto da educação
especial.
Atenção!
É importante ressaltar que o psicopedagogo tem o papel de mediador do
processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, junto à
família, à escola e aos demais profissionais envolvidos.
A partir da entrevista de anamnese com a família, o psicopedagogo irá
elaborar o plano interventivo e propor estratégias para a aprendizagem
da criança. Para isso, deverá dialogar não só com a família, mas
também com todos os profissionais envolvidos, principalmente da
escola. No âmbito institucional, o psicopedagogo pode, inclusive,
orientar os professores quanto às metodologias e estratégias que
promoverão melhor desenvolvimento e aprendizagem da criança.
A mediação do psicopedagogo com a
 Elabore junto ao sujeito as formas de aprender.
 Avalie as possibilidades e as di�culdades do sujeito,
detectando o que a criança compreende, o quanto
retém de informação nova e o quanto consegue
manipular essas informações e interagir com elas.
 Oriente as estratégias de ensino e aprendizagem
junto aos pro�ssionais da Educação, como
coordenadores e professores.

escola, a família e a criança
Neste vídeo, a especialista reflete sobre o importante papel de mediação
do psicopedagogo com a escola, a família e a criança.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sobre a orientação às famílias de crianças da Educação Especial,
podemos afirmar que:
A
A família deve arcar com os custos de todo o
tratamento da criança com deficiência, transtornos
globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação, não tendo direito a respaldo por parte
do poder público.
B
Deve-se matricular a criança com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/ superdotação nas classes comuns do
ensino regular e no Atendimento Educacional
Especializado (AEE).
C
As crianças com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação
não devem frequentar o Atendimento Educacional
Especializado caso tenham problemas
comportamentais.
O Atendimento Educacional Especializado é
oferecido somente às crianças com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
Parabéns! A alternativa B está correta.
A criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e
altas habilidades/ superdotação deve ser matriculada no ensino
regular e no Atendimento Educacional Especializado, em turno
contrário ao que frequenta a escola, independentemente de ter
outras comorbidades ou de frequentar instituições especializadas.
Questão 2
O teórico Edgar Morin, referência nas áreas da Educação, Psicologia,
Sociologia e Filosofia, refere-se à educação com ideias que propõem
reformas. Segundo Morin (2004), não se pode reformar a instituição
sem uma prévia reforma das mentes e não se podem reformar as
mentes sem uma prévia reforma das instituições.Assinale a
alternativa que consiste na interpretação dessa afirmação,
relacionando-a ao contexto da Educação Especial:
D habilidades/ superdotação que não fazem
acompanhamento com outros profissionais ou que
frequentam instituições especializadas.
E
O profissional psicopedagogo não tem a
responsabilidade de orientar as famílias de crianças
com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação
porque já são orientados pelos professores de sala e
professores do AEE.
A
É preciso que os profissionais da educação tenham
saúde mental para trabalhar com crianças com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento
e altas habilidades/ superdotação.
B
É preciso que o poder público tome consciência para
propor reformas nas instituições que visam atender
crianças com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A afirmação do autor nos faz refletir sobre a importância da reforma
do ensino, já que para ele apenas com essa mudança de paradigma
é que as pessoas serão capazes de compreender e enfrentar os
problemas fundamentais e complexos da humanidade, inclusive no
caso da Educação Especial. Isso significa que não adianta reformar
as instituições e fazer as devidas adequações quanto à estrutura
física se as pessoas que dela participam não mudarem seu
paradigma estigmatizante quanto à criança com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação. Para ele, essas duas questões devem caminhar
juntas e de forma interdependente.
C
É necessário que as instituições tenham estrutura
física, recursos materiais e de pessoal e,
concomitantemente, é preciso que as pessoas,
sobretudo os profissionais da educação, tenham
consciência de que a criança com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/ superdotação é um sujeito de direitos.
D
É necessário que as pessoas contribuam na reforma
das instituições, de forma voluntária, a fim de que
todas as escolas tenham os recursos financeiros
para se adequarem ao atendimento de crianças com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento
e altas habilidades/ superdotação.
E
É preciso que o poder público reforme as instituições
e, concomitantemente, ofereça tratamento
psicológico às pessoas que lidam direta ou
indiretamente com as crianças com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/ superdotação.
2 - Papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola
inclusiva
Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir o papel da Psicopedagogia na dimensão
cultural da escola inclusiva.
Ligando os pontos
Você sabe o que é o Atendimento Educacional Escolar (AEE)? Saberia
explicar o que é a sala de recursos multifuncionais? Para entendermos
esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma
psicopedagoga institucional.
Dando continuidade ao trabalho na escola, Priscila, a psicopedagoga
recém-contratada, reuniu-se com os professores que trabalhavam
diretamente com alunos com deficiência, com o objetivo de entender
qual era o cenário em que atuavam, isto é: número de alunos por sala de
aula e se havia outros professores no apoio. Além disso, Priscila tinha
interesse em compreender as facilidades e dificuldades que esses alunos
tinham na instituição, e saber qual era o tipo de trabalho que se
desenvolvia com eles.
Os professores comentaram que os quatro alunos com deficiência visual
e os três com deficiência auditiva tinham professores de apoio no turno
regular e que, na escola, não havia Atendimento Educacional Escolar
(AEE). Acrescentaram que aprenderam em um curso de capacitação
sobre inclusão que a escola que possui alunos com deficiência deve ter o
Atendimento Educacional Escolar, garantido por lei.
Nesse sentido, a psicopedagoga comentou com os professores que, com
apoio deles e da gestão, montaria o AEE, e duas ações seriam
primordiais: organizar a sala de recursos multifuncionais e contratar
professores com formação em licenciatura e especialização em
educação especial.
Na sala de recursos multifuncionais, precisariam ter diferentes recursos e
materiais que auxiliariam o professor de AEE a trabalhar com os
conteúdos escolares, oferecendo assim melhores condições aos alunos
com deficiência.
Uma professora relatou que dava aula para um aluno com deficiência
física, mas acreditava que ele também tinha deficiência mental leve.
Embora tivesse o acompanhamento de um professor de apoio na sala,
acreditava que ele precisaria frequentar a sala de recursos
multifuncionais. Outra professora comentou que, em sua sala de aula,
tinha um aluno com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade,
mas que a família não colaborava e não sabia se o aluno fazia
acompanhamento com o neurologista.
A psicopedagoga finalizou a reunião e esclareceu que cuidaria de todos
os aspectos apontados pelos professores. Além disso, o apoio da gestão
e dos familiares seria fundamental para a escola ser considerada
inclusiva. Os professores comentaram que estavam muito satisfeitos
com o trabalho da psicopedagoga e com os novos rumos da educação
inclusiva na escola.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Como você viu, é fundamental a escola ter uma prática inclusiva,
precisando que gestores, docentes, alunos e pais estejam
envolvidos. Pensando nesse assunto, de que forma o
psicopedagogo pode favorecer a implantação do Atendimento
Educacional Escolar (AEE)?
A
O psicopedagogo pode mostrar que esse
atendimento se relaciona com o reforço escolar a
fim de verificar somente os conteúdos curriculares
da classe regular.
B
O psicopedagogo pode divulgar que o AEE é um
espaço para todos os alunos da escola, visando ao
Parabéns! A alternativa D está correta.
Nas últimas décadas, diversas ações afirmativas foram criadas para
garantir os direitos dos indivíduos com deficiências e transtornos. O
Atendimento Educacional Escolar, amparado por lei, é extremamente
necessário para auxiliar esses alunos em todos os âmbitos do
ensino básico. Esse atendimento não irá beneficiar somente os
alunos com deficiência, mas também auxiliará o docente e dará
mais segurança aos pais e familiares, sabendo que seus filhos
estão sendo assistidos adequadamente.
Questão 2
Como você notou, o Atendimento Educacional Escolar é ofertado em
salas de recursos multifuncionais para alunos com deficiência,
problemas de aprendizagem e transtornos. Pensando nesse
assunto, de qual forma o psicopedagogo pode mostrar a
importância dessa sala aos docentes?
desenvolvimento do processo de aprendizagem.
C
O psicopedagogo pode expor que o AEE possui
como objetivo utilizar metodologias ativas apenas
com os discentes com deficiências visuais e/ ou
auditivas por se tratarem de estratégias mais
modernas e eficientes para a aprendizagem.
D
O psicopedagogo pode explicar que o AEE é
amparado pelas políticas educacionais brasileiras e
oferece auxílio na educação inclusiva, direcionado
para alunos com deficiência visual, física, intelectual,
auditiva e também transtorno global do
desenvolvimento e altas habilidades.
E
O psicopedagogo pode esclarecer que o AEE dará
suporte pedagógico e oferecerá cursos e supervisões
aos docentes quinzenalmente.
A
Deve esclarecer que essas salas, dentre vários
benefícios, vão disponibilizar recursos adequados
imprescindíveis para promover o envolvimento e a
aprendizagem desses alunos.
Parabéns! A alternativa A está correta.
As salas de recursos multifuncionais oferecem diversos benefícios
aos alunos com deficiência, transtornos ou altas habilidades. Por
isso, é fundamental que todos os educadores da escola e familiares
estejam envolvidos nesse processo. Dessa maneira, são relevantes
para o processo de inclusão nas instituições escolares, pois
disponibilizam materiais e equipamentos de acessibilidade,
efetivando,assim, os serviços de Atendimento Educacional Escolar.
É importante destacar que é fundamental a presença de um
professor especializado nessas salas.
Questão 3
Sabemos que, durante muitas décadas, os alunos com deficiência foram
excluídos do processo escolar regular e as políticas públicas
conseguiram mudar esse cenário: incluindo esses estudantes na escola
comum e promovendo várias ações. Com base nessa informação,
explique como a prática psicopedagógica pode contribuir para a
inclusão escolar.
B
Deve explicar que apenas um professor ficará
responsável pelas salas e não será necessária a
presença de um docente especializado.
C
Deve mostrar que a função do docente será observar
o processo, pois os alunos com deficiência possuem
condições de se desenvolverem sozinhos.
D
Deve reforçar que a sala não deve ser vista como um
apoio inclusivo, mas como um espaço, no qual o
estudante com deficiência deve frequentar período
integral.
E
Deve explicar aos professores que, caso o aluno
frequente associações específicas, ele não poderá se
matricular na sala de recursos multifuncionais.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
A inclusão de estudantes com deficiência na instituição escolar
regular impôs novos desafios aos gestores, professores e
familiares. Por isso, novas ações foram pensadas no contexto
escolar com a finalidade de seguirem os pressupostos de uma
perspectiva inclusiva. Surge nesse contexto o Atendimento
Educacional Escolar, nas salas de recursos multifuncionais.
Devido a isso, as práticas pedagógicas, no contexto do AEE, são
direcionadas e elaboradas aos alunos com deficiência e também
aos que apresentam dificuldade de aprendizagem, com objetivo de
identificar as necessidades e as capacidades desse discente, além
de elaborar planos para atender e auxiliar nos materiais e recursos
didáticos, os quais asseguram a acessibilidade aos conteúdos e às
atividades escolares.
Psicopedagogia e as contribuições
de Vygotsky
Vamos distinguir o papel do psicopedagogo no contexto da educação
inclusiva. Primeiramente, resgata-se o conceito de mediação simbólica
de Vygotsky para compreender como se dá o trabalho psicopedagógico
na escola, já que o psicopedagogo é um dos agentes mediadores da
aprendizagem.
Em seguida, apresenta-se a configuração do Atendimento Educacional
Especializado Escolar do ponto de vista da legislação e também do
cotidiano vivido na escola quanto aos horários, recursos, função e
formação dos professores.
Por último, traça-se um paralelo entre o trabalho do professor e do
psicopedagogo no contexto escolar, a fim de definir o papel de cada um
deles no processo de ensino e aprendizagem de crianças com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação.
Mediação no processo de ensino e
aprendizagem
A compreensão do conceito de mediação e como ela ocorre no processo
de ensino e aprendizagem é necessária a todos os profissionais de
Educação. O processo de mediação promove a aprendizagem de todas
as crianças, independentemente de estarem ou não inseridas na
educação especial, pois leva em conta as necessidades, as
especificidades e as potencialidades de cada criança.
Teoria de Vygotsky e conceito de zona proximal
O conceito de mediação simbólica foi elaborado por Lev Semenovich
Vygotsky, teórico que nasceu em 17 de novembro de 1896, que produziu
uma obra extensa e relevante para as áreas da Psicologia e da
Educação.
Lev Semenovich Vygotsky (1896–1934)
Vygotsky recebeu influências da psicofisiologia de Pavlov, de teóricos
alemães como Lewin, Buhler, Kohler e principalmente de Karl Marx.
Nesse sentido, considerava que a origem das funções superiores do
comportamento deve ser buscada nas relações sociais que o homem
mantém na sua cultura (OLIVEIRA, 2010).
Para Oliveira (2010), Vygotsky teve dois objetos de estudo:

A consciência

As funções psicológicas superiores
Segundo esse autor, a teoria psicológica deve explicar os meios pelos
quais os processos naturais (funções elementares) se mesclam aos
culturais para produzir as funções psicológicas superiores tipicamente
humanas.
Para Vygotsky, a gênese do desenvolvimento compõe-se de planos
genéticos, a saber:
 A �logênese
Genética.
 A ontogênese
História de vida.
 A sociogênese
Ambiente e cultura.
 A microgênese
E iê i d i di íd ã d t i t
Para compreender a base teórica vygotskyana, vamos nos remeter à
ideia de que as funções psicológicas têm suporte biológico, uma vez que
são produtos da atividade cerebral.
O funcionamento psicológico fundamenta-se nas
relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior, as
quais se desenvolvem em um processo histórico. Essa
relação entre o homem e o mundo é sempre mediada
por sistemas simbólicos, ou seja, ela nunca é direta.
Nesse sentido, o autor formulou, em sua teoria sobre o
desenvolvimento das funções psicológicas superiores,
o conceito de zona de desenvolvimento proximal.
Segundo Oliveira (2010), a zona de desenvolvimento proximal relaciona-
se às funções emergentes, as quais se referem à diferença entre o que o
sujeito já sabe (autonomia) e o que ele pode fazer com o auxílio do
outro.
A zona de desenvolvimento proximal está diretamente associada à
aprendizagem do sujeito, ao passo que as experiências de aprendizagem
entre os sujeitos geram a consolidação e a autonomização de formas de
ação, “abrindo” a zona de desenvolvimento proximal. Dessa forma, o
plano intersubjetivo está na gênese da atividade individual e participa da
constituição das formas de ação autônoma de autorregulação.
Atenção!
É possível dizer que, para Vygotsky, a aprendizagem antecede ou produz
o desenvolvimento.
Na abordagem histórico-cultural de Vygotsky, o sujeito não é moldado
pelo meio da mesma forma que a gênese do conhecimento, ou seja, não
se baseia somente em recursos individuais.
O sujeito não é passivo, nem ativo: é interativo.
O conhecimento é construído na interação sujeito-objeto,
sendo tal ação socialmente mediada.
Isso nos leva a um conceito central da teoria vygotskyana:
Experiências do indivíduo que são determinantes
sociais, mas diferentes para cada pessoa.
Que, de um modo geral, pode ser entendida como um processo de
intervenção de um elemento intermediário em uma relação, a
qual deixa de ser direta para ser mediada.
Oliveira exemplifica a mediação da seguinte maneira:
Quando um indivíduo aproxima sua
mão da chama de uma vela e a
retira rapidamente ao sentir dor,
está estabelecida uma relação
direta entre o calor da chama e a
retirada da mão. Se, no entanto, o
indivíduo retirar a mão quando
apenas sentir o calor e lembrar-se
da dor sentida em outra ocasião, a
relação entre a chama da vela e a
retirada da mão estará mediada
pela lembrança da experiência
anterior. Se, em outro caso, o
indivíduo retirar a mão quando
alguém lhe disse que se pode
queimar, a relação estará mediada
pela intervenção dessa outra
pessoa.
(OLIVEIRA, 2010, p. 28.)
A presença de elementos mediadores introduz um elo a mais nas
relações organismo/ meio, tornando-as mais complexas. Ao longo do
desenvolvimento do indivíduo, as relações mediadas passam a
predominar sobre as relações diretas, isto é, entre a relação do homem
com o mundo real existem agentes mediadores que funcionam como
ferramentas auxiliares para que o indivíduo alcance determinado
A mediação 
conhecimento. A mediação pode ser exemplificada pelo seguinte
esquema:
Mediação.
Por meio desse conceito de mediação, podemos entender que a zona de
desenvolvimento proximal ou potencial se refere à distância entre o nível
de desenvolvimento ou conhecimento atual (determinado pela
capacidade de resolver problemas de forma autônoma) e o nível
potencial de desenvolvimento (medido por meio da solução de
problemas sob a orientação ou em colaboração com indivíduos mais
experientes).
Vygotsky e as crianças com necessidades
educativas especiais
Neste momento, é interessante citar as contribuições que essa complexateoria trouxe para a área da Educação, tanto para a aprendizagem
quanto para a avaliação do conteúdo escolar, uma vez que estabelece
uma relação entre desenvolvimento e aprendizagem e compara a
evolução do sujeito com ele próprio.
Comentário
A teoria vygotskyana é pertinente quando se trata de crianças com
necessidades educativas especiais, adequando-se a qualquer situação,
pois parte daquilo que a criança já sabe para aquilo que pretende
conhecer.
Nesse sentido, o profissional pode lançar mão desse conhecimento para
formular estratégias de aprendizagem, a fim de que o aluno avance de
um nível X para um nível X+1 de conhecimento, por meio da mediação
de um adulto. Esse adulto pode ser o professor de sala, o professor do
AEE, assim como o psicopedagogo, além da possibilidade também da
mediação de colegas mais velhos.
Com isso, a escola desempenhará bem seu papel à medida que, partindo
do conhecimento que a criança traz de seu cotidiano, suas “teorias”
acerca do que observa no mundo, ela for capaz de ampliar e desafiar a
construção de novos conhecimentos.
É importante ressaltar que Vygotsky foi um grande
defensor das crianças com necessidades educativas
especiais. Na década de 1920, ele já vislumbrava que
essas crianças deveriam ser educadas como todas as
outras crianças, dentro do mesmo espaço, como a
escola regular, não colocando como foco sua
deficiência.
Pode-se dizer que, já naquela época, ele trazia reflexões e até mesmo
soluções para questões que atualmente estão presentes, pois aponta
para um processo de educação inclusiva de crianças com necessidades
educativas especiais. Em um de seus trabalhos que nos foi legado,
presente no Tomo V, intitulado Fundamentos de Defectologia, ele faz
inúmeras considerações, dentre elas:
Em resumo, a questão, tanto no
aspecto pedagógico como
psicológico, se há estabelecido
geralmente desde o ponto de vista
estritamente físico, médico. A
questão, contudo, é que para o
educador os fatores biológicos não
são tão importantes, mas sim as
consequências sociais do desvio. [...]
A humanidade sempre há sonhado
como um milagre religioso: que os
cegos vejam e os mudos falem. É
provável que a humanidade triunfe
sobre a cegueira, a surdez e a
deficiência mental. Porém a vencerá
no plano social e pedagógico muito
antes que no plano biológico e
medicinal. É possível que não esteja
longe o tempo em que a pedagogia
se envergonhe do próprio conceito
de ‘criança com defeito’. O surdo
falante e o trabalhador cego,
participantes da vida geral em toda
sua plenitude, não sentirão sua
deficiência e não darão motivo para
que outros a sintam. Está ‘em
nossas mãos’ o desaparecimento
das condições sociais de existência
destes defeitos, ainda que o cego
continue sendo cego e o surdo
continue sendo surdo.
(VYGOTSKY, 1989, p. 43)
A partir desse trecho, percebe-se que Vygotsky também já vislumbrava
questionamentos a respeito das terminologias que se utilizavam naquela
época como “crianças com defeito”, não enxergando como defeito a
questão da deficiência e não colocando a questão orgânica e biológica
em foco.
Além de ressaltar as questões das terminologias que eram mencionadas
a respeito das especificidades do aprendizado para determinadas
crianças, o referido autor alerta para a valorização social no processo de
desenvolvimento da aprendizagem, em que o ensinar deve passar por
uma oportunidade de mediação da aprendizagem.
É nesse panorama que se insere a importância do profissional da
Educação, sobretudo do psicopedagogo, que deverá trabalhar e/ ou
orientar o processo de ensino-aprendizagem considerando o conceito de
mediação, tendo como base as potencialidades da criança, fazendo com
que ela aprenda por meio da experiência, da análise e da observação.
Psicopedagogia e o Atendimento
Educacional Especializado Escolar
O Atendimento Educacional Especializado Escolar (AEE) é ofertado
dentro das escolas regulares nas salas de recursos multifuncionais ou
em centros especializados. O AEE tem como objetivo complementar ou
suplementar a formação do aluno. De acordo com a Resolução n° 4, de
2 de outubro de 2009, que institui as diretrizes operacionais para o AEE
na educação básica, considera-se como público-alvo do AEE os alunos
com deficiência, ou seja:
O aluno que frequenta o AEE deve estar matriculado na classe regular da
escola e deve frequentar a sala de recursos multifuncionais no período
oposto ao de estudo. Nessa sala, há diferentes recursos e materiais que
auxiliarão o professor de AEE a trabalhar os conteúdos escolares. O
professor responsável pela sala de recursos deve ter formação inicial em
licenciatura e formação específica em Educação Especial, ou seja, a
formação em Psicopedagogia não é suficiente para o trabalho de AEE.
As atribuições do professor de AEE resumem-se em:
Elaborar materiais com acessibilidade para os alunos,
considerando suas necessidades especí�cas.
Organizar, acompanhar e avaliar os atendimentos.
Estabelecer parcerias para a elaboração de
estratégias e na disponibilização dos recursos de
 Aqueles que têm impedimentos de longo prazo de
natureza física, intelectual, mental ou sensorial;
 Alunos com transtornos globais do desenvolvimento,
ou seja, aqueles que apresentam um quadro de
alterações no desenvolvimento psicomotor, nas
relações sociais, na comunicação ou estereotipias
motoras, inclusive o transtorno do espectro autista,
síndrome de Rett e psicoses;
 Alunos com altas habilidades/ superdotação, ou
seja, aqueles que apresentam potencial elevado nas
áreas intelectual, psicomotora, artes, dentre outras.
acessibilidade; ensinar e utilizar a tecnologia assistiva.
Estabelecer articulação com os professores e demais
pro�ssionais envolvidos com os alunos de AEE.
Pois bem, agora que você já sabe a função do professor responsável
pela sala de recursos, é preciso voltarmos para a sua atuação enquanto
psicopedagogo.
Sua atuação dentro do ambiente escolar está relacionada à articulação
entre o trabalho de todos os profissionais, inclusive entre o professor de
sala e o professor de AEE. A orientação sobre novas estratégias de
aprendizagem está dentro do seu papel, bem como investigar novas
possibilidades de atuação no caso da não aprendizagem.
É necessário, nesse momento, estabelecer esse paralelo entre o trabalho
do professor de AEE e do psicopedagogo, pois muitas vezes se
confundem.
Relembrando
Para tanto, resgataremos a função do psicopedagogo institucional
dentro do contexto escolar, que é a de prevenir os problemas de
aprendizagem e de realizar orientações, junto aos outros profissionais,
quanto ao processo de ensino e aprendizagem das crianças. Enquanto o
professor de AEE vai produzir recursos acessíveis para o estudo de
conceitos trabalhados pelo professor da sala de aula regular, o
psicopedagogo vai orientar a busca desses recursos e viabilizá-los junto
à equipe gestora.
Para melhor compreensão, imagine a cena a seguir em uma escola:
Para melhor compreensão, imagine uma cena em determinada
escola, na qual há um aluno cego, chamado Vítor, que estuda na
sala do 4º ano A, período da manhã, atribuída à professora
Marta. Sua família leva-o todos os dias à escola regular, e à tarde
ele frequenta uma associação para cegos, três vezes por semana,
onde faz atividades de canto, instrumentos e futebol. Nos outros
dois dias da semana, no período da tarde, ele vai para sua escola
regular frequentar a sala de recursos multifuncionais com a
professora Ana do AEE. Nesses dias em que frequenta o AEE,
Vítor realiza várias atividades que complementam as atividades
de sala elaboradas pela professora Marta e que foram tornadas
acessíveis pela professora Ana.
Por exemplo, Marta está trabalhando divisão, mas Vítor está com
dificuldade de compreensão conceitual e também de realizar o
algoritmo. Ana elabora um plano de trabalho em que retoma o
conceito de divisão com explicação em braile, simula situações
concretas de divisão utilizando objetos para que ele compreenda
a partirdo tato, entre outras atividades acessíveis que o levarão a
uma melhor compreensão do que está sendo trabalhado na sala
de aula regular.
Para que todo esse trabalho se efetive, no entanto, é preciso que haja
orientação, tanto da coordenação pedagógica quanto à formação
desses professores, como do psicopedagogo, que pode facilitar o
diálogo entre os professores de sala e de AEE, entre os professores e os
demais profissionais da associação de cegos.
Comentário
Exemplo de utilização da sala de recursos multifuncionais
no contexto escolar 
Ainda, o psicopedagogo pode orientar quais seriam as melhores
estratégias para que Vítor alcance a compreensão do conceito de
divisão, pensando em alternativas e possibilidades para que haja
aprendizagem efetiva.
Dessa forma, o psicopedagogo atuará como um membro, junto à gestão
escolar, que realiza, a partir de um trabalho colaborativo, a mediação
entre os profissionais da escola, a família e os demais profissionais
envolvidos em prol do desenvolvimento e da aprendizagem da criança
com necessidades educativas especiais.
Função do psicopedagogo
institucional dentro do contexto
escolar
Neste vídeo, a especialista reflete sobre afunção do psicopedagogo
institucional dentro do contexto escolar, e de como ele deve facilitar e
orientar o diálogo entre os profissionais e as estratégias a serem usadas.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A teoria vygotskyana, bem como o conceito de zona de
desenvolvimento proximal, é considerada ideal para desenvolver o
trabalho educacional com crianças da Educação Especial, porque:
A
introduz a ideia de que, para aprender, a criança não
necessita de suas funções psicológicas superiores.
Parabéns! A alternativa D está correta.
A teoria vigotskiana traz em seu conceito de zona de
desenvolvimento proximal a ideia de que o sujeito se desenvolve e
efetiva sua aprendizagem a partir do processo de mediação que
ocorre na passagem daquilo que o sujeito já sabe para aquilo que
ele vai conhecer. Dessa forma, o desenvolvimento e a aprendizagem
vão acontecer segundo os conhecimentos prévios e mediações
estabelecidas em cada sujeito.
Questão 2
Analise as afirmativas sobre a Educação Especial na perspectiva da
Educação Inclusiva e identifique a qual profissional elas estão
relacionadas, respectivamente:
I – Ensinar o aluno a utilizar a tecnologia assistiva em atividades
adaptadas de conteúdos trabalhados em sala de aula.
II – Orientar os profissionais envolvidos sobre novas estratégias de
aprendizagem e investigar novas possibilidades de atuação quando
a criança não está se desenvolvendo.
III – Elaborar estratégias e dispor de recursos de acessibilidade para
que o aluno realize as atividades referentes ao conteúdo de sala de
aula.
B foi desenvolvida exclusivamente para crianças com
atraso no desenvolvimento cognitivo.
C
o trabalho de mediação não depende das funções
psicológicas superiores.
D
se adequa a crianças com ou sem deficiência, já que
parte daquilo que a criança já sabe para aquilo que
pretende conhecer.
E
o autor dessa teoria tinha filhos com deficiência e
pôde realizar seus experimentos neles.
A
Parabéns! A alternativa E está correta.
Segundo a legislação vigente, o professor de Atendimento
Educacional Especializado (AEE) é responsável por tornar acessíveis
os conteúdos escolares que são trabalhados em sala de aula. Para
isso, ele vai lançar mão dos recursos de acessibilidade disponíveis e
ensinar os alunos a utilizá-los. O psicopedagogo exercerá o papel de
mediador entre os profissionais envolvidos, pensando em
estratégias para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos da
Educação Especial.
I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III –
Psicopedagogo.
B
I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III –
Professor AEE.
C
I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III –
Psicopedagogo.
D
I – Professor AEE; II – Professor AEE; III –
Psicopedagogo.
E
I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Professor
AEE.
3 - Processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de
crianças com de�ciência
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar o processo de avaliação e intervenção
psicopedagógica de crianças com de�ciência.
Ligando os pontos
Você sabe qual é o papel do psicopedagogo no contexto institucional?
Saberia explicar como é realizada a avaliação e intervenção
psicopedagógica de crianças com deficiência no âmbito escolar? Para
entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma
professora que tem uma aluna com deficiência visual.
A professora Ângela procurou a psicopedagoga da escola, pois tinha em
sua sala de aula uma aluna com deficiência visual. A estudante foi
transferida há dois meses para a escola e apresenta dificuldades com
leitura e escrita. Notou também que os outros alunos riem dela e a
excluem das atividades. Por mais que o professor de apoio interfira, os
alunos parecem não gostar da menina. A professora não soube informar
se a aluna tinha algum acompanhamento médico, fonoaudiológico,
psicológico ou psicopedagógico.
Priscila, a psicopedagoga, comentou que trabalha na escola faz pouco
tempo e ainda não tinha sido apresentada a todos os alunos. Nesse
sentido, precisaria de um tempo para conhecer melhor a aluna, realizar
uma avaliação e, posteriormente, uma intervenção efetiva.
Por isso, combinou com a professora Ângela que iria fazer algumas
observações em sala de aula, a fim de verificar o comportamento da
aluna, o envolvimento com as aulas, bem como analisar as atividades
escolares, os materiais que a aluna utiliza como suporte para o processo
de ensino-aprendizagem e ainda verificar sua leitura e escrita.
Além disso, gostaria de observar como é o relacionamento da menina
com as outras crianças da sala e professores. Desse modo, orientaria a
professora a realizar em um caderno, todos os dias, anotações sobre o
desempenho e comportamento da aluna.
Em momento oportuno, a psicopedagoga esclareceu que gostaria de
conhecer os pais e entender melhor a história da Ana Lúcia, de 10 anos,
do 4º ano do ensino fundamental I. Por fim, após todas essas ações, iria
elaborar um plano de intervenção e propor estratégias de aprendizagem.
Além disso, considera que Ana Lúcia poderia inclusive se beneficiar do
Atendimento Educacional Escolar, que já estava organizado e
funcionando na instituição.
A professora Ângela agradeceu o apoio e disse que aguardaria as
próximas orientações da psicopedagoga.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Como você viu, a função de um psicopedagogo em uma escola
também está relacionada com a prática inclusiva. Pensando nisso,
de qual forma o psicopedagogo deve orientar inicialmente os
professores responsáveis pela educação de alunos com deficiência
visual?
A
Deve solicitar que o docente tenha uma metodologia
tradicional, favorecendo, assim, a memorização dos
conteúdos escolares.
B
Deve orientar os professores a conhecerem as
características mais relevantes e importantes do
desenvolvimento e da aprendizagem para que
possam adaptar suas ações a particularidades de
cada indivíduo.
Parabéns! A alternativa B está correta.
De modo geral, parcela significativa da sociedade acredita
equivocadamente que um cidadão com deficiência apresentará
dificuldades no plano cognitivo, afetivo e social. Certamente, o
desenvolvimento desse estudante não será igual ao das crianças
que não apresentam deficiência. Contudo, quando os contextos nos
quais a criança se desenvolve, por exemplo, com família, escola e
amigos, proporcionam-lhe condições de aprendizado, as
dificuldades são superadas. Devido a isso, é necessário que o
docente conheça seu aluno com deficiência para que, dessa
maneira, consiga intervir da melhor forma.
Questão 2
Como você notou, o psicopedagogo institucional não realiza um
trabalho clínico com os alunos com deficiência. Pensando nesse
aspecto, de qual formaesse profissional pode intervir na educação
inclusiva de alunos com deficiência visual?
C
Deve esclarecer aos educadores que os estudantes
com deficiência visual são bastante limitados e,
dificilmente, poderão aprender adequadamente.
D
Deve informar aos professores que existem poucos
instrumentos tecnológicos capazes de auxiliar os
alunos com deficiência visual na leitura e escrita.
E
Deve explicar aos professores que existem poucas
possibilidades de ação para ajudar aos discentes
com deficiências visual, como: autodescrição, ler
slides da aula e usar letras ampliadas na elaboração
de atividades.
A
O psicopedagogo deve intervir na escola e propor
que o aluno com deficiência visual frequente duas
vezes por semana o ensino regular e, nos outros
dias, busque sua permanência em centros
especializados para a sua deficiência.
O psicopedagogo deve propor que o aluno com
deficiência visual mantenha contato apenas com
Parabéns! A alternativa C está correta.
A educação inclusiva veio para ficar, beneficiar e auxiliar os alunos
com deficiências, transtornos e também com altas habilidades. É
um direito conquistado, inclusive por leis. Devido a isso, é
necessário pensar nos avanços e não em retrocessos nessa área,
que já requer muitos desafios e ainda busca conquistas. O aluno
com deficiência tem direito de frequentar o ensino regular, conviver
com os outros alunos que não tenham deficiências e ser assistido
em suas necessidades. Quando a escola não possui o Atendimento
Educacional Escolar, a família deve ser orientada a buscar os
centros especializados no contraturno do aluno. Dessa forma, o
papel do psicopedagogo é ser um facilitador desse processo, dando
suporte aos professores, alunos, gestores e familiares.
Questão 3
Sabemos que o sistema visual é muito importante para obtermos
informações sobre o mundo que nos rodeia, mas também um elemento
fundamental para o relacionamento entre as pessoas. Com base nessa
informação, você saberia explicar qual o papel da família e da escola no
desenvolvimento de uma criança com deficiência visual? A
Psicopedagogia pode auxiliar essa criança?
B outros alunos com deficiência, visando à
aprendizagem entre pares.
C
O psicopedagogo pode sugerir ações pedagógicas
ao docente e propor o atendimento educacional
escolar, com ênfase na acessibilidade e nos recursos
pedagógicos, com a finalidade de dar suporte ao
aluno com deficiência visual no contraturno.
D
O psicopedagogo deve orientar os familiares do
aluno que frequente somente a associação para
deficientes visuais, pois nesse local será dado todo o
suporte que precisa.
E
O psicopedagogo deve mostrar para a escola que os
alunos com deficiência visual não devem ser
matriculados na escola regular, pois não irão se
beneficiar pedagógica e socialmente desse contexto.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
É inegável o valor da família e da escola no desenvolvimento de
um indivíduo. Apesar de tais instituições serem muito criticadas,
elas podem oferecer ambientes favoráveis e colaborativos para a
aprendizagem e socialização do indivíduo. É importante tomarmos
conhecimento que as crianças com deficiências vão requerer ações
e intervenções que exigirão delas e dos familiares dedicação e um
grande investimento emocional.
A criança com deficiência visual não será curada, contudo, a
intervenção precoce da família, da instituição escolar e da área da
Psicopedagogia podem amenizar as dificuldades pedagógicas,
sociais e emocionais.
Avaliação e intervenção
psicopedagógica de crianças com
de�ciência
Neste módulo, vamos analisar o processo de avaliação e intervenção
psicopedagógica a partir de uma situação específica. Para essa análise,
é preciso primeiramente compreender como se dá a demanda de
avaliação dentro do contexto da educação especial.
Em seguida, serão descritas as características das crianças para que
você compreenda quais elementos devem ser levados em conta em uma
avaliação psicopedagógica. Por fim, ressaltaremos o trabalho em equipe
no levantamento das informações para que se elabore um plano de
intervenção com condutas que promovam o desenvolvimento e a
aprendizagem de crianças com deficiência no contexto
psicopedagógico.
Demanda psicopedagógica na educação
especial
A demanda psicopedagógica de sujeitos da educação especial pode
ocorrer tanto no contexto clínico como no institucional, conforme visto
no módulo 1. Em ambos os casos, é preciso que se construa uma rede
de apoio junto aos profissionais que atendem o sujeito a fim de pensar
juntos e propor a melhor conduta profissional para ele. Isso significa que
todo o trabalho do psicopedagogo está vinculado ao trabalho da equipe
de Saúde e, principalmente, ao da equipe escolar.
A demanda psicopedagógica, na maioria das vezes, é formulada sobre
um caso concreto. Por exemplo, o profissional poderá ouvir questões
como as seguinte:
Meu filho não consegue aprender, o que está
acontecendo?
Esse aluno não evolui na aprendizagem, você pode me
dizer o que fazer?
Minha filha está com problemas de comportamento,
você pode ajudá-la?
Essa criança está muito desmotivada, o que você
propõe?
De maneira geral, para responder a essas questões, quando a demanda
chega ao consultório psicopedagógico, iniciamos um processo de
investigação da história do desenvolvimento desse sujeito, bem como de
suas relações nos ambientes familiar e escolar. Além disso, podem-se
aplicar testes e atividades que permitam conhecer vários aspectos do
desenvolvimento, suas habilidades, potencialidades, assim como suas
dificuldades.
No contexto institucional, a resposta do assessoramento
psicopedagógico a tais perguntas deve perpassar outras questões, por
exemplo:
 Como tem sido o processo de ensino-aprendizagem
dentro da sala de aula.
Nesse sentido, o psicopedagogo, seja na clínica a partir dos
instrumentos de investigação ou na instituição por meio desses
questionamentos, poderia contribuir, junto aos outros profissionais, no
direcionamento das condutas em prol da aprendizagem do sujeito.
O processo de avaliação psicopedagógica inclui numerosas atividades
entrelaçadas e interdependentes entre si. Agora, você vai conhecer
algumas atividades que podem pertencer a esse processo:

Observação das relações interpessoais
que estabelece ou dos papeis sociais que desenvolve no contexto
escolar do sujeito: sala de aula, recreio, refeitório.

Entrevistas
 Qual metodologia utilizada com esse sujeito.
 Se há necessidade de �exibilização curricular.
 Como é feito o trabalho inclusivo na escola.
 Se há facilitação dos procedimentos de ajuste à
diversidade dos alunos em geral.
com o sujeito, a família, a professora, os profissionais da saúde que o
acompanham.

Solicitação de gravações audiovisuais
das interações nos contextos familiar e escolar para análise das relações
interpessoais.

Análise dos trabalhos escolares
que devem orientar não apenas sobre as dificuldades, mas também
sobre os recursos de acessibilidade.

Avaliação dos níveis de leitura e escrita
por meio de testes ou recursos adaptados.

Uso de inventários e questionários
sobre comportamento, conduta e atitudes.

Utilização de folhas de registro
sobre o sujeito, elaboradas pelos professores.
A partir dessas atividades que podem fazer parte da avaliação
psicopedagógica, você poderá traçar um plano de intervenção
multiprofissional, ou seja, pensar estratégias de intervenção com esse
sujeito junto aos outros profissionais que participaram desse processo
de investigação.
Comentário
É nesse âmbito coletivo que se pode propor ações variáveis e passíveis
de a família assumir, ajustadas às possibilidades do sistema escolar
inclusivo e, portanto, suficientemente consensuais entre as partes, o que
aumentará a rede de apoio do sujeito em prol do seu desenvolvimento e
aprendizagem.
Avaliação psicopedagógica de crianças com
de�ciência motora
A título de exemplo, falaremos aqui das crianças com deficiência
motora. É importantedestacar que, quando falamos desse grupo,
estamos nos referindo a crianças com características diversas, embora
haja esse termo que as agrupa. Por isso, não se deve pensar em um
modelo de avaliação ou em um plano de intervenção específico para
crianças com deficiência motora.
Nesse sentido, pode-se pensar que a maioria das crianças com
deficiência motora tem muito mais em comum com as outras crianças
de sua idade e sexo sem dificuldades do que entre elas próprias. Isso
significa que o processo de avaliação é o mesmo que será utilizado com
outras crianças; o que difere são as condutas que o profissional
planejará de acordo com as demandas e dificuldades específicas da
criança.
Para início de conversa, temos que conhecer um pouco sobre os tipos de
deficiência motora. Uma das classificações mais simples é a que
considera a origem da incapacidade (AUGÉ, 2008):

Origem cerebral
Paralisia cerebral, traumatismos cranioencefálicos, tumores etc.

Origem espinhal
Espinha bífida, poliomielite, traumatismos medulares, doenças
medulares degenerativas etc.

Origem nos órgãos eferentes
Musculares (como a distrofia muscular progressiva) ou ósseo-articulares
(má-formações, amputações, falta de alguma parte das extremidades
etc).
O conhecimento dessa classificação pode ajudar muito a pensar nas
estratégias de avaliação e intervenção de acordo com as reais
necessidades do sujeito.
De acordo com Augé (2008), o primeiro grupo apresenta necessidades
educacionais mais globais e graves do que os que compõem o último
grupo. Isso ocorre porque as causas da dificuldade do primeiro grupo
estão em uma lesão do sistema nervoso central, enquanto no terceiro
grupo o sistema nervoso central não é afetado. Essa informação,
entretanto, deve ser relativizada considerando cada caso em específico.
Nesse sentido, é preciso diferenciar o sujeito que apresenta um quadro
estável e aquele cujo quadro é progressivo, ou seja, o que sofre de uma
patologia que não evolui e o que tem uma doença que causa uma piora
gradativa.
Além disso, deve-se também considerar se a deficiência é congênita ou
adquirida, isto é, se o sujeito já nasceu com a deficiência ou a adquiriu
ao longo da vida, em uma idade mais avançada, pois saber se o sujeito
nunca executou determinado movimento ou deixou de ter esse
movimento pode ser relevante ao planejar as atividades ou até mesmo
ao propor planos psicopedagógicos mais assertivos do ponto de vista
emocional.
De todo modo, você deve sempre lembrar que não há uma regra, pois
sujeitos que já nasceram com a deficiência às vezes podem ter se
desenvolvido melhor do que aqueles que adquiriram a deficiência ao
longo da vida e tiveram que passar por um longo processo de
adaptação.
Exemplo
É comum vermos pessoas com deficiência se superando em muitos
aspectos como, por exemplo, no esporte. As Paralimpíadas são um palco
de demonstração desses casos, em que pessoas com deficiência
demonstram habilidades e destreza em situações que pessoas sem
aquela deficiência talvez não conseguissem.
Conduta psicopedagógica para crianças com
de�ciência motora
É importante ressaltar que o sujeito com deficiência pode apresentar
dificuldades em outras áreas, e não só na esfera físico-motora. Por esse
motivo, a avaliação precisa ser multidisciplinar.
A organização das informações advindas dos médicos (pediatras,
neurologistas, ortopedistas), da equipe escolar (professores,
coordenadores, diretores), dos demais profissionais (fonoaudiólogos,
terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas) vai auxiliar não só no
diagnóstico, mas também na compreensão da conduta que o
psicopedagogo deverá ter ao intervir no sujeito, seja no ambiente da
clínica ou na instituição.
Dentre essas informações, o psicopedagogo deve ter ciência:
Incluindo o tipo de deficiência e como foi adquirida, quais as
suas possibilidades quanto ao controle postural, deslocamento e
manipulação de materiais, qual é a qualidade de sua
comunicação, quais aspectos cognitivos possui e que contribuem
para a sua aprendizagem e quais as necessidades para a
funcionalidade de sua vida diária.
Quanto aos aspectos médicos e de saúde, é preciso, às
vezes, conhecer alguns termos específicos da área médica para
sabermos qual a necessidade da criança, se há comorbidade
com outros diagnósticos como hidrocefalia, epilepsia, transtorno
de déficit de atenção, entre outros.
Por exemplo, é importante saber que os espasmos motores
podem indicar uma paralisia cerebral. A partir dessas
informações, já conseguimos definir algumas condutas, como as
adaptações curriculares de que a criança necessita, se ela
frequentará o período todo de aula ou apenas parte dele, se
necessita de um professor de apoio constante, se participará das
aulas de Educação Física e de quais adaptações necessita, entre
várias outras condutas.
Dos aspectos médicos e de saúde 
Deslocamento e manipulações também são igualmente
importantes, pois devemos saber qual a melhor forma de a
criança se sentar, qual tipo de cadeira, se pode ou não mudar de
assento dependendo da atividade, qual a melhor postura para ler
uma história, para escrever no caderno, no computador ou
mesmo para desenhar.
Tais informações também nos conduzem quanto aos materiais e
recursos necessários: se precisará de ponteira na cabeça devido
aos movimentos limitados das mãos, ou de engrossador para o
lápis; se é melhor trabalhar com telas de pintura, papel ou
recursos tecnológicos. Esses dados contribuem ainda para a
definição de todas as adaptações curriculares e de acessibilidade
de que a criança precisa, as quais podem ser variadas porque
dependerão das características de cada uma das atividades.
São igualmente essenciais para planejar um trabalho que leve em
conta as necessidades da criança com deficiência motora. É
muito comum crianças com paralisia cerebral ou com doenças
degenerativas terem dificuldade na fala. Algumas podem não ter
desenvolvido a linguagem verbal, outras possuem fala que não é
totalmente inteligível, ou, ainda, a fala não se desenvolve devido
a alguma questão neurológica.
Nesses casos, temos que avaliar e pensar em formas alternativas
de comunicação, por exemplo, utilizando figuras que representam
cenas do cotidiano ou fazendo combinados de sinais que a
criança é capaz de emitir, como piscar uma vez para “sim”, piscar
duas vezes para “não”.
É preciso que o psicopedagogo resgate o histórico escolar da
criança, da conquista de suas aprendizagens ou até mesmo de
suas defasagens ao longo do tempo. É importante também
orientar os professores quanto à adequação das atividades para
que elas sejam acessíveis a essa criança, bem como verificar se a
Do controle postural 
Da linguagem e da qualidade da comunicação 
Dos aspectos relativos à aprendizagem da criança 
metodologia utilizada está sendo adequada e sendo promotora
de desenvolvimento, levando a criança de um conhecimento X
para um conhecimento X+1, a partir da mediação da
aprendizagem.
Além disso, sabe-se que a criança com deficiência motora
geralmente é mais lenta que seus colegas. No contexto escolar,
isso deve ser levado em conta, dispondo de mais tempo ou mais
recursos para que a criança possa executar as atividades. Por
exemplo, se há uma atividade em que todas as crianças devem
copiar as perguntas da lousa e respondê-las, pode-se orientar que
a criança com deficiência somente responda e receba as
perguntas impressas, ou que utilize o computador ou algum
dispositivo que compense o tempo de registro da atividade.
Outra questão que não pode ser deixada de lado, principalmente
quando se refere a crianças mais velhas, é com relação à
funcionalidade na vida diária, ou seja, o quanto a criança tem
autonomia em seus afazeres, seja em casa ou na escola. É
preciso que esse aspecto também seja levado em conta pelo
psicopedagogo, orientando escola e família a criarem ambientes
desafiadores e que estimulem a criança a se desenvolver de
acordo com suas possibilidades.Todo plano interventivo deve ser permeado por condutas que contribuam
para a aprendizagem de quaisquer crianças, independentemente de ter
alguma deficiência, pois a boa intervenção é aquela que promove o
desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito.
Atenção!
Para isso, o psicopedagogo deve utilizar estratégias interventivas
considerando tanto o histórico quanto o contexto em que o sujeito está
inserido, imbuído de informações da equipe profissional da área da
Saúde e escolar, para que juntos possam construir um plano que
direcione as condutas da forma mais assertiva possível.
Da funcionalidade da vida diária 

Elaboração de um plano de
intervenção multipro�ssional
Neste vídeo, a especialista apresenta o processo de elaboração de um
plano de intervenção, diferenciando as etapas de avaliação e intervenção
psicopedagógica.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Analise as afirmativas abaixo e assinale a que contém atividades
que podem ser realizadas no processo de avaliação
psicopedagógica da criança da Educação Especial:
I – Observação das relações que estabelece com outras pessoas,
como se comunica e a qualidade da linguagem.
II – Entrevistas com o sujeito, família, professores e demais
profissionais da saúde envolvidos no caso.
III – Pedir à família e/ ou à escola que filme situações de interação
da criança.
IV – Observação das atividades familiares que acontecem no
cotidiano para determinar o nível de envolvimento emocional entre
os membros.
A I e II, apenas.
B II e III, apenas.
C III e IV, apenas.
Parabéns! A alternativa E está correta.
As atividades que podem ser propostas na investigação do processo
de desenvolvimento e aprendizagem da criança da Educação
Especial são as mesmas que se realizam com todas as crianças. O
que diferencia são as adaptações necessárias, questionários
específicos e análises pontuais, como a observação dos recursos de
acessibilidade nas atividades escolares. Já no caso de observar e
avaliar atividades na família para determinar o envolvimento
emocional entre os membros, não representa uma atividade
diretamente relacionada com o psicopedagogo.
Questão 2
Julgue as afirmativas sobre a avaliação e intervenção de crianças
com deficiência motora como verdadeira(s) ou falsa(s), de cima
para baixo, e assinale a alternativa correta.
(   ) O psicopedagogo precisa conhecer os tipos de deficiência, sua
origem, as terminologias médicas e consequências advindas da
condição do sujeito para elaborar suas condutas.
(   ) A psicopedagogia dispõe de um plano interventivo específico
para crianças com deficiência motora, assim como para outras
deficiências, com testes e dinâmicas de sessões previamente
descritas em manuais.
(   ) É importante que o psicopedagogo saiba que crianças com
deficiência motora podem ser mais lentas do que as outras,
demandando mais tempo para executar as atividades.
(   ) É necessário que na investigação psicopedagógica haja
informações a respeito do controle postural, deslocamento,
manipulações de objetos, qualidade da comunicação para que o
profissional elabore sua conduta de forma assertiva.
D I, II, IV, apenas.
E I, II, III, apenas.
A V, F, V, V
Parabéns! A alternativa A está correta.
O psicopedagogo, em sua investigação inicial, deve dispor de
inúmeras informações a respeito do sujeito para que possa pensar
em possibilidades de intervenção, porém não há uma orientação
específica com sessões previamente programadas em manuais, ou
seja, não há uma receita de bolo! Para elaborar o plano de
intervenção, o psicopedagogo deve conhecer sobre a deficiência, a
história do sujeito, bem como suas necessidades específicas para
que possa elaborar suas condutas da forma mais assertiva
possível.
4 - Neuropsicologia, Neurociência e Psicopedagogia
Ao �nal deste módulo, você será capaz de relacionar o conhecimento das áreas de
Neuropsicologia e Neurociência à Psicopedagogia.
B V, V, F, V
C F, V, V, V
D V, V, V, V
E V, V, V, F
Ligando os pontos
Você saberia explicar a relação entre as áreas de Neuropsicologia e
Neurociência com a Psicopedagogia? Saberia quais são as
contribuições da Neuropsicologia e Neurociência para a educação
especial? Para entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o
caso de uma psicopedagoga institucional.
A psicopedagoga Priscila procurou a diretora e a coordenadora da escola
para propor uma reunião com todos os professores, com a finalidade de
realizar algumas explicações sobre a importância das áreas da
Neuropsicologia e Neurociência para a educação especial. Além disso,
justificou que, na atualidade, esse conhecimento é fundamental para a
formação e prática docente e a escola tem recebido muitas demandas
relacionadas a esse assunto.
A gestão da escola organizou esse encontro e Priscila pôde explicar aos
professores que as áreas da Neuropsicologia e Neurociência dialogam
entre si e, por esse motivo, seus conhecimentos científicos contribuem
significativamente para a Psicopedagogia, bem como para a educação
especial.
Para exemplificar melhor essa situação, relatou aos docentes que,
recentemente, tinha sido procurada por uma família com interesse em
matricular seu filho na escola, por saber que realizava um excelente
trabalho na área da educação inclusiva.
A psicopedagoga relatou que a mãe tinha um filho, chamado Samuel, de
10 anos e 6 meses, e que cursava o 3º ano do ensino fundamental I, em
uma escola particular. Por ter sido diagnosticado recentemente com
TDAH, parece que a escola o excluiu. As ocorrências que acontecem de
ruim na sala de aula e no intervalo ele sempre é tido como o culpado. Por
isso, não consegue fazer amigos e também não está se saindo bem nas
atividades escolares e nas avaliações: possui dificuldades de
concentração e de ficar quieto na carteira quando a professora está
explicando.
De acordo com os pais, Samuel já fez vários acompanhamentos, mas,
no momento, encontra-se em tratamento com o neurologista e está em
fase de adaptação medicamentosa.
A instituição escolar na qual ele estuda não tem psicopedagogo,
somente uma coordenadora pedagógica, a qual, além de não entender
bem do assunto, sempre afirma em reunião que Samuel tem problemas
psicológicos e que necessita mesmo de um psiquiatra, não de um
neurologista.
Cansada de toda essa situação, a mãe de Samuel, está em busca de
uma escola que ajude seu filho, compreendendo que ele tem
dificuldades, mas que também é uma pessoa com potencialidades e
capacidades para aprender e se relacionar com as pessoas.
Priscila esclareceu aos professores em reunião que essa criança, bem
como a família, precisa ter o apoio da escola, orientações e de um
contexto acolhedor e colaborativo para que Samuel supere suas
dificuldades. Acrescentou ainda que a escola deve trabalhar em conjunto
também com os profissionais que atendem a criança com TDAH.
Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Como você viu, uma prática inclusiva procura atender alunos com
deficiência, mas também alunos diagnosticados com algum
transtorno. Pensando nesse assunto, podemos afirmar que o
psicopedagogo institucional ao receber um aluno diagnosticado
com o transtorno do déficit atenção com hiperatividade deve
A
verificar de imediato se a criança toma alguma
medicação para poder ficar quieta na carteira e
prestar atenção nas aulas.
B
procurar, inicialmente, o neurologista para verificar
se o aluno com TDAH tem lesão cerebral ou doença
mental.
C
encaminhar a família para acompanhamento
psicoterápico antes que efetue a matrícula do aluno
com TDAH.
D
conhecer a situação e elaborar junto aos professores
estratégias na implementação de um programa
educacional adequado.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Sabemos que o TDAH gera implicações significativas no âmbito
familiar, escolar e social de crianças e adolescentes. Nesses
contextos, precisam receber apoioadequado e compreensão das
dificuldades, devendo-se buscar, junto aos profissionais que
atendem a criança, melhores ações que possam amenizar os
prejuízos que o transtorno ocasiona. Todos têm a ganhar, mas
principalmente o jovem que sofre a exclusão social, pois, muitas
vezes, o TDAH é confundido com uma doença mental.
Questão 2
Como você notou, a criança diagnosticada com TDAH pode
apresentar vários problemas na escola, como: maior probabilidade
de repetência, dificuldades emocionais, relacionais e baixo
rendimento acadêmico. Pensando nesse aspecto, de qual forma a
psicopedagoga pode mediar as ações dos docentes com esses
alunos?
E realizar o diagnóstico na escola, a fim de avaliar a
desatenção ou a instabilidade de atenção.
A
Pode solicitar que os docentes utilizem
constantemente reforços negativos e punição, a fim
de condicionar a frequência de comportamentos
inadequados e inesperados.
B
Pode promover o desenvolvimento das capacidades
que toda pessoa possui. Além disso, deve retirar o
foco dos déficit e dar destaque para o potencial da
criança, procurando a integração nos cenários
familiares, escolares e sociais, melhorando, assim, a
autoestima.
C
Pode solicitar que os docentes utilizem para esses
alunos uma abordagem pedagógica tradicional, pois
concepções interacionistas não permitirão rotinas
rígidas.
D
Pode propor que o docente utilize diversos estímulos,
principalmente as informações advindas da
Parabéns! A alternativa B está correta.
Várias são as propostas pedagógicas interventivas com as crianças
diagnosticadas com TDAH. Existem estratégias e programas que se
preocupam com a relação entre aprendizagem e a complexidade do
transtorno. É importante ressaltarmos a colaboração e a
comunicação entre aluno, escola, familiares e profissionais que
atendem a criança com TDAH. Por esse motivo, valorizar e auxiliar
no desenvolvimento das potencialidades dessa criança impactará
também na parte emocional dela. A instituição escolar também
precisa oferecer suporte aos professores, por exemplo: reuniões de
estudo, discussões de casos e troca de experiências entre docentes
que possuem essa experiência.
Questão 3
Ao longo dos tempos, a Psicopedagogia agrega conhecimentos de
diversas áreas da saúde e da educação; auxilia nas problemáticas de
aprendizagem, deficiências e transtornos. Com base nessa informação,
você saberia explicar como a Neurociência contribui para a
Psicopedagogia? Podemos considerar que essa área também é
fundamental para a educação especial? O que você acha?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
É importante lembrarmos de que a Psicopedagogia se preocupa
com a aprendizagem e, nesse sentido, as informações provenientes
da Neurociência são primordiais para a compreensão do processo
da aprendizagem humana e dos seus distúrbios.
tecnologia, ativando, portanto, os pensamentos, o
lúdico e a criatividade.
E
Pode solicitar que os docentes anotem em um
caderno todos os comportamentos inadequados,
pois a família, na maioria das vezes, precisa levar ao
psicomotricista devido a problemas de transtornos
de personalidade para ajustes motores.
Por isso, ressalta-se que o aprendizado se processa no cérebro,
envolve atenção, percepção e também memória. Além disso, a
Psicopedagogia também estuda e atua no universo da educação
especial, que lida com as diversas deficiências, com os familiares e
com a escola.
Devido a isso, é fundamental que os psicopedagogos tenham
conhecimentos de Neurociência. Logo, o correto seria que todos os
profissionais, não só da área da saúde, mas também os da
educação, tenham concepções básicas sobre o funcionamento dito
normal e patológico do sistema nervoso central.
Neuropsicologia e Neurociência –
contribuições para a educação
especial
Passaremos agora a discutir sobre o funcionamento do cérebro para a
aprendizagem.
Inicialmente, apresentaremos as áreas da Neuropsicologia e da
Neurociência, fazendo uma discussão a respeito de suas terminologias e
de seu papel no campo educacional.
Em seguida, você vai conhecer alguns aspectos do
neurodesenvolvimento em relação ao funcionamento, às habilidades
cognitivas e à interação no processo de aprendizagem.
Por fim, será discutida a importância do conhecimento dessas
habilidades para o trabalho clínico do psicopedagogo, o qual pode
utilizar instrumentos de avaliação neuropsicológica para traçar planos
de intervenção psicopedagógicos mais assertivos quanto aos
transtornos de aprendizagem.
O papel da Neuropsicologia e da Neurociência
O conhecimento do funcionamento de nosso cérebro é essencial para
que compreendamos o processo de aprendizagem e o comportamento
do ser humano. Para início de conversa, vamos pontuar algumas
questões a respeito das terminologias utilizadas na área da
Psicopedagogia.
Segundo Olivier (2013), a Neurologia é o ramo da Medicina
especializado no estudo do sistema nervoso (periférico e central) que
engloba o encéfalo e a medula espinhal. Ela é responsável por estudar e
tratar as doenças do sistema nervoso.
Já a Neuropsicologia surgiu para o estudo do sistema nervoso central e
do cognitivo (comportamental). Da mesma forma, a Neurociência se
refere ao estudo do sistema nervoso, sua estrutura, seu desenvolvimento,
funcionamento, sua evolução e relação com o comportamento e a
mente.
Ambas estão aptas a detectar e tratar distúrbios e/ ou transtornos que
podem afetar o sistema nervoso central, incluindo os de aprendizagem.

Neuropsicologia
É mais específica,
portanto uma
especialização
direcionada
exclusivamente aos
psicólogos e médicos.

Neurociência
É mais ampla,
considerada uma área
interdisciplinar, portanto
uma especialização
voltada aos
profissionais de
diferentes áreas, como
pedagogos, psicólogos,
fonoaudiólogos e
psicopedagogos.
Atualmente, é comum verificarmos termos com o prefixo “neuro” em
diversas ocasiões, como em nomes de cursos livres, graduações ou pós-
graduações na área da Educação. Isso pode ser considerado um
“modismo” desnecessário, pois a Neurologia, a Neuropsicologia e a
Neurociência já dão conta do que precisamos saber e fazer no que se
refere ao processo de aprendizagem.

Funcionamento neurológico e sua
relação com o processo de
aprendizagem
Para compreender as dificuldades, os problemas, os transtornos ou os
distúrbios de aprendizagem, é preciso que o psicopedagogo saiba como
funciona o processo de aprendizagem do ponto de vista cognitivo. Em
outras palavras, é necessário conhecer como o nosso cérebro funciona
quando há aprendizagem, para que então compreendamos quando a
aprendizagem não ocorre.
De forma simples, podemos dizer que a aprendizagem ocorre quando há
uma mudança de comportamento provocada por uma experiência, ou
seja, há um momento inicial, em que a informação ou tarefa ainda não é
dominada, e um momento final, no qual a informação ou tarefa é
internalizada, dominada ou automatizada.
O que nos interessa é o que acontece no processo intermediário, que está
entre o momento inicial e o final, o qual podemos chamar
de processamento da informação.
Unidades cerebrais segundo Luria
Para explicar como se dá o processamento da informação, podemos
recorrer a Luria (1981), um dos maiores teóricos da Psicologia, que
conceituou o funcionamento do cérebro a partir de três unidades
cerebrais funcionais, as quais funcionariam de forma hierárquica, ou
seja, as estruturas inferiores serviriam de base para as atividades das
superiores.
A primeira unidade funcional
Foi descrita como a responsável pela vigília e pelo tônus
cortical, que regulam o nível de energia e estão relacionados ao
controle de estímulos, atenção e concentração.
A segunda unidade funcional
É responsável por receber, processar e armazenar as
informações, podendo ser dividida em três áreas:
Projeção — registra elementos da experiência sem o
conteúdo simbólico — zonas primárias;
Projeção-associação — processa experiências a partir de
informações das zonas primárias, apresentandoconteúdo
simbólico ― zonas secundárias;
Superposição — integra as zonas primárias e secundárias
― zonas terciárias.
A terceira unidade funcional
Regula e verifica as estratégias comportamentais e a própria
atividade mental. Ela é responsável por diversos processos,
como comportamento motor, produção da fala, organização e
evolução do comportamento.
O conhecimento dessas áreas funcionais, bem como sua integração,
resulta em dimensões específicas que nos são interessantes por fazer
parte do processo de aprendizagem, por exemplo, as habilidades de
atenção, memória, cognição, funções executivas, entre outras.
Atenção!
O desenvolvimento das áreas funcionais forma as atividades cognitivas
complexas, as quais são responsáveis, de forma “orquestrada”, pelo
processo de aprendizagem. Isso significa que a aprendizagem é
complexa e envolve várias regiões do cérebro, por isso é importante que
o psicopedagogo tenha conhecimento do funcionamento
neurofisiológico, para que, em sua avaliação ou intervenção, saiba o que
pode estar havendo, do ponto de vista cognitivo, para a ocorrência da
não aprendizagem.
A aprendizagem ocorre a partir da mudança de comportamento
proporcionada pela plasticidade dos processos neurais cognitivos, os
quais resultam não só da maturação biológica, mas também de
estímulos e experiências advindos do meio em que o sujeito está
inserido.
No que se refere ao desenvolvimento cognitivo, pode-se dizer que, em
nosso cérebro, existe uma rede formada por milhões de sinapses que
ocorrem entre os neurônios, o que resulta na capacidade do sujeito em
adquirir determinadas habilidades como memorizar, movimentar,
perceber, entre outras.
Sinapse
É uma região de proximidade entre um neurônio e outra célula por onde o
impulso nervoso é transmitido.
Sistemas de neurodesenvolvimento
Segundo Levine (2003), as habilidades são organizadas em sistemas de
neurodesenvolvimento, que podem ser descritos da seguinte forma:
Responsável por distribuir a atenção e manter o sujeito
concentrado, mesmo na presença de distratores.
Responsável por armazenar as informações.
Responsável pela capacidade de expressar ideias verbalmente ou
pela escrita, pela compreensão do que lhe é dito, pela capacidade
de discernir sons ou vocábulos novos de uma língua.
Responsável pela capacidade de perceber que as partes formam
um todo.
Responsável pela capacidade de lidar com sequências e
ordenações.
Responsável pela conexão entre o cérebro e os músculos do
corpo que capacitam o sujeito a, por exemplo, exercitar-se ou
tocar um instrumento.
Sistema de controle da atenção 
Sistema de memória 
Sistema de linguagem 
Sistema de orientação espacial 
Sistema de ordenação sequencial 
Sistema motor 
Responsável pelo raciocínio lógico, pela resolução de problemas,
formação e uso de conceitos e percepção de uma ideia
complexa.
Responsável pela capacidade de ter relações interpessoais.
É importante ressaltar que o neurodesenvolvimento não depende apenas
desses sistemas, mas também da herança genética que o sujeito
carrega e das relações que estabelece ao longo da vida, das interações e
mediações que ocorrem nos ambientes familiar e escolar e em todos os
contextos que vivencia. Além disso, a cultura, as experiências sociais
podem também modificar o desenvolvimento neurofisiológico, por isso a
família e os profissionais que lidam com a aprendizagem são essenciais
na promoção do desenvolvimento do sujeito.
Nesse sentido, o psicopedagogo, ao observar que uma das habilidades
desses sistemas está deficitária, pode recorrer a hipóteses sobre quais
serão as dificuldades do sujeito, o que pode, inclusive, indicar possíveis
transtornos ou distúrbios de aprendizagem.
Exemplo
As crianças com dislexia geralmente apresentam dificuldades
relacionadas à atenção sustentada, à discriminação de fonemas e à
conversão fonema-grafema. Elas podem apresentar também
dificuldades para compreender, reter e evocar informações de um texto,
além de dificuldades para sintetizar informações na modalidade verbal
ou escrita.
Tais dificuldades ainda podem acarretar problemas emocionais, devido
às frustrações e histórias de fracasso ao longo da vida escolar. Por isso,
é importante que tanto a família quanto os profissionais conheçam e
compreendam as dificuldades dessas crianças para que possam ser
traçadas metas com estratégias eficazes a fim de minimizar tais
dificuldades.
Segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais
(AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014), os transtornos do
neurodesenvolvimento são um grupo de condições com início no período
Sistema do pensamento superior 
Sistema do pensamento social 
do desenvolvimento. Os déficit de desenvolvimento variam desde
limitações muito específicas na aprendizagem ou no controle de funções
executivas até prejuízos globais em habilidades sociais ou inteligência.
Saiba mais
Quanto ao transtorno específico da aprendizagem, é diagnosticado
diante de déficit específicos na capacidade individual para perceber ou
processar informações com eficiência e precisão. Ele se manifesta,
geralmente, durante os anos de escolaridade formal, caracterizando-se
por dificuldades persistentes e prejudiciais nas habilidades básicas
acadêmicas de leitura, escrita e/ ou matemática.
Os critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma
síntese clínica da história do indivíduo (do desenvolvimento, médica,
familiar, educacional), em relatórios escolares e em avaliação
psicoeducacional.
Avaliação, estimulação e
neuroplasticidade das habilidades
cognitivas
Para que possamos compreender toda essa complexidade do
neurodesenvolvimento, estudiosos estão realizando pesquisas para
saber quais habilidades estão envolvidas no processo de aprendizagem
específico da leitura, escrita ou matemática, além de investigarem quais
dessas habilidades podem ser preditoras do desempenho escolar. A
partir desse conhecimento, será possível para os profissionais traçar
estratégias de intervenção que contemplem a estimulação cognitiva
dessas habilidades.
A estimulação cognitiva é muito importante por considerarmos
a neuroplasticidade, a qual se refere à capacidade do sistema nervoso
de mudar, adaptar-se ou se moldar às novas demandas ao longo do
neurodesenvolvimento. Sendo assim, estimular as habilidades
cognitivas é uma das maneiras mais eficazes de intervir em sujeitos que
apresentam problemas, distúrbios ou transtornos de aprendizagem,
como crianças com dislexia, transtorno de déficit de atenção com ou
sem hiperatividade, transtorno do espectro autista, entre outros.
A investigação do nível das habilidades cognitivas, por exemplo,
memória, atenção, funções executivas, linguagem, leitura, escrita e
raciocínio lógico-matemático nos sujeitos pode ser realizada a partir de
instrumentos, na maioria deles não restritos a psicólogos, ou seja, são
testes que podem ser usados por você, psicopedagogo!
O uso desses testes psicométricos não é tão comum entre os
psicopedagogos, mas já tem sido recomendado há algum tempo por
inúmeros motivos, dentre os quais o fato de existirem testes
padronizados para o público brasileiro, apresentando confiabilidade de
comparação a partir das tabelas de pontuação-padrão.
Esses testes também são um ótimo recurso em relatórios
psicopedagógicos, demonstrando maior rigor e respaldo científico para
as análises do psicopedagogo.
Tais instrumentos também permitem detectarmos em quais habilidades
o sujeito apresenta dificuldade, para que possamos, junto a outras
observações clínicas, planejar o processo de intervenção.
Comentário
Espera-se, portanto, que o psicopedagogo faça uso desses instrumentos
de avaliação para que possa relacionar o conhecimento sobre o
funcionamento do neurodesenvolvimento à sua prática clínica, a fim de
investigar e intervir quanto às habilidades cognitivas que podem estar
interferindo no processo de aprendizagem do sujeito.
Instrumentos de avaliação do
psicopedagogoNeste vídeo, a especialista explica algumas formas de avaliação de
habilidades cognitivas por parte do psicopedagogo e sua importância.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Assinale a alternativa que descreve a diferença entre os termos
“Neuropsicologia” e “Neurociência”:
Parabéns! A alternativa B está correta.
O objeto de estudo da Neuropsicologia e da Neurociência é
semelhante, pois se refere ao estudo da relação entre o sistema
A
A Neuropsicologia estuda o funcionamento
neurológico das psicoses, especificamente, e a
Neurociência é uma área que estuda todos os outros
distúrbios ou transtornos psicológicos.
B
A Neuropsicologia é uma área mais específica,
restrita a psicólogos e médicos, e a Neurociência é
mais ampla, interdisciplinar, voltada aos
profissionais de diferentes áreas.
C
A Neuropsicologia se refere à atuação do
profissional, e a Neurociência, aos estudos teóricos
dos cientistas.
D
A Neuropsicologia é o estudo do funcionamento
neurológico aliado à Psicologia; e a Neurociência é
aliada à Biologia.
E
A Neuropsicologia pode ser estudada apenas por
psicólogos, e a Neurociência pode ser estudada
apenas por cientistas que se dedicam a pesquisas
em nível stricto sensu (mestrado/ doutorado).
nervoso e o comportamento do sujeito. A diferença entre as duas
áreas se refere, principalmente, à sua especificidade, pois a
Neuropsicologia é uma área restrita a psicólogos e médicos,
enquanto a Neurociência é mais ampla, abrangendo diferentes
áreas para seu estudo, o que a torna acessível a vários outros
profissionais como, por exemplo, pedagogos, psicólogos,
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, dentre
outros.
Questão 2
Assinale a alternativa que corresponde à importância do
conhecimento do funcionamento neurológico para a prática
profissional do psicopedagogo:
Parabéns! A alternativa C está correta.
A
Compreensão de áreas cerebrais com déficit de
sinapses, o que possibilita a utilização de aparelhos
tecnológicos de estimulação.
B
Compreensão de quais áreas estão afetadas pelo
transtorno, o que possibilita o encaminhamento para
especialidades médicas.
C
Compreensão de habilidades que podem estar
interferindo no processo de aprendizagem, o que
possibilita elaborar um plano de intervenção
baseado na estimulação cognitiva.
D
Compreensão de áreas corticais que dão origem às
deficiências, possibilitando a identificação do plano
interventivo em manuais psicopedagógicos.
E
Compreensão de habilidades cognitivas
responsáveis pelo transtorno de aprendizagem,
possibilitando um plano de intervenção para saná-lo.
O aporte teórico que o psicopedagogo adquire ao estudar o
funcionamento neurológico, ou seja, os aspectos do
neurodesenvolvimento, possibilitará uma maior compreensão do
processamento da informação e das habilidades cognitivas que
estão envolvidas nesse processo. Assim, ao identificar quais
habilidades podem interferir no processo de aprendizagem, poderá,
em cada caso, propor um plano de intervenção que estimule tais
habilidades a fim de otimizar a aprendizagem do sujeito.
Considerações �nais
Como vimos, para compreender o papel da Psicopedagogia na Educação
Especial, é preciso que haja uma boa relação entre a família, a escola e
os demais profissionais que lidam com a criança com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação.
Você também aprendeu que é preciso investigar a história do sujeito e ter
conhecimento de suas principais características quanto às
potencialidades e dificuldades, a fim de que possa compor um plano de
intervenção que promova o desenvolvimento e a aprendizagem da
criança.
Além disso, tomou ciência de que diferentes áreas como, por exemplo, a
Neuropsicologia e a Neurociência podem lhe ajudar a compor
ferramentas de investigação e intervenção no ambiente
psicopedagógico.
Podcast
Neste podcast, a especialista irá refletir sobre a atuação do
psicopedagogo junto à educação especial na perspectiva da educação
inclusiva.

Explore +
Aqui está nossa sugestão para você aprender mais sobre o
funcionamento do cérebro.
Pesquise o trabalho O desempenho em escrita de alunos do Ensino
Fundamental: relações com memória, atenção e funções executivas, de
Andresa Aparecida Ferreira, que teve como objetivo investigar possíveis
variáveis cognitivas que poderiam predizer o desempenho em escrita de
crianças.
Além disso, ao longo do trabalho, você poderá compreender melhor a
história do processo de escrita, o funcionamento neurológico, as
habilidades cognitivas de memória, atenção e funções executivas e
como elas podem interferir no processo de aprendizagem.
Os resultados foram surpreendentes. Vale a pena conferir!
Assista ao vídeo Neurociência na Educação – Cérebro, que fala sobre o
cérebro e suas principais características (aspectos fisiológicos e
anatômicos), disponível no YouTube.
Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5. Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014.
AUGÉ, C. A avaliação psicopedagógica dos alunos com deficiência
motora. In: SÁNCHES-CANO, M.; BONALS, J. Avaliação psicopedagógica.
Porto Alegre: Artmed, 2008.
BRASIL. CNE. CEB. Resolução n. 4, de 2 de outubro de 2009. Institui
diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado na
educação básica, modalidade educação especial. Brasília: 2009.
LEVINE, M. Educação individualizada. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
LURIA, A. R. Fundamentos de neuropsicologia. Tradução de Juarez
Aranha Ricardo. Livros Técnicos e Científicos. São Paulo: Ed. da
Universidade de São Paulo, 1981.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o
pensamento. Tradução de Eloá Jacobina. 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2004.
OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um
processo sócio-histórico. 5. ed. São Paulo: Scipione, 2010.
OLIVIER, L. Transtornos de comportamento e distúrbios de
aprendizagem. Rio de Janeiro: Wak, 2013.
VYGOTSKY, L. S. Fundamentos de defectologia. La Habana: Pueblo y
Educación, 1989. (Obras escogidas, tomo 5).
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do
conteúdo completo em formato PDF.
Download material
O que você achou do conteúdo?
Relatar problema
javascript:CriaPDF()

Mais conteúdos dessa disciplina