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O papel da Psicopedagogia na Educação Especial Prof.ª Andresa Aparecida Ferreira Prof.ª Patrícia Rossi Carraro Descrição A atuação psicopedagógica e sua relação com a educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Propósito A compreensão da atuação psicopedagógica junto à educação especial permite ao profissional discernir qual é seu papel mediante as demandas de uma educação na perspectiva da educação inclusiva, visando a um trabalho mais assertivo em prol da aprendizagem dos sujeitos com deficiência. Objetivos Módulo 1 Relação entre a Psicopedagogia, a família e a escola no que tange à educação de crianças com de�ciência Reconhecer a importância da relação entre a Psicopedagogia, a família e a escola no que tange à educação de crianças com deficiência. Módulo 2 Papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola inclusiva Distinguir o papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola inclusiva. Módulo 3 Processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com de�ciência Analisar o processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com deficiência. Módulo 4 Neuropsicologia, Neurociência e Psicopedagogia Relacionar o conhecimento das áreas de Neuropsicologia e Neurociência à Psicopedagogia. Introdução A compreensão do papel da Psicopedagogia na educação especial é importante para a prática profissional do psicopedagogo clínico e institucional. Neste conteúdo, destacaremos a importância da relação saudável que precisa haver entre o profissional psicopedagogo, a família, a escola e os demais profissionais que lidam com o sujeito com deficiência, com os transtornos globais do desenvolvimento e as altas habilidades/ superdotação. Na sequência, esclareceremos o papel do psicopedagogo como mediador do processo de aprendizagem junto às crianças da educação especial. Posteriormente, serão apresentadas características da prática clínica quanto ao processo de avaliação e intervenção de crianças da educação especial, utilizando como exemplo o atendimento de crianças com deficiência motora. Discutiremos ainda a relação das áreas de Neuropsicologia e Neurociência com os aspectos educacionais, sobretudo com o processo de aprendizagem. 1 - Relação entre a Psicopedagogia, a família e a escola no que tange à educação de crianças com de�ciência Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância da relação entre a Psicopedagogia, a família e a escola no que tange à educação de crianças com de�ciência. Ligando os pontos Você sabe qual é o papel de um psicopedagogo no contexto escolar? Saberia explicar qual a relação desse profissional no que diz respeito à educação de crianças com deficiência? Para entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma psicopedagoga do ensino básico. Priscila, psicopedagoga, experiente na área da educação escolar, foi convidada para trabalhar em uma escola privada de ensino básico. Para iniciar suas atividades, conheceu o espaço físico, os funcionários, os professores e também os alunos da escola. Além disso, a diretora comentou que, em momento oportuno, iria apresentá-la aos familiares dos estudantes. Após ter a visão geral da instituição, procurou compreender o funcionamento da educação inclusiva, pois notou que existiam alunos com deficiência auditiva, visual e física na escola. A psicopedagoga Priscila, a partir de informações obtidas na escola, combinou com a gestão uma reunião, a qual ocorreria, inicialmente, com o corpo docente. Nela, buscou esclarecer que o seu trabalho estaria relacionado à melhoria das condições do processo de ensino- aprendizagem, mas também à prevenção dos problemas de aprendizagem. Logo, orientaria e auxiliaria gestores, professores, alunos e familiares, por meio de estratégias e métodos próprios da área. Além disso, comentou com os professores que o seu trabalho não é clínico e sua presença na escola não deve ser confundida com a de um profissional que venha para resolver todos os problemas da instituição. O trabalho deve ser realizado em conjunto, ou seja, com todos os membros da escola. Ressaltou também a importância do seu papel, bem como da escola, na educação inclusiva. Apesar de todo amparo legal que o estudante com deficiência e seus familiares têm, eles precisam receber, principalmente, o apoio da escola. Não é a pessoa com deficiência que deve se adaptar à escola, mas o contrário. A escola precisa dar o suporte pedagógico, favorecer a socialização e a interação entre todos os discentes, bem como trabalhar com a família, contribuindo para uma relação saudável. Priscila esclareceu que também orientaria todos os professores com a finalidade de se construir uma escola inclusiva. Terminada a reunião de apresentação do trabalho, a psicopedagoga e os professores já combinaram um próximo encontro para conversarem mais a respeito da educação inclusiva. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, o psicopedagogo institucional tem uma atuação ampla no âmbito escolar. Pensando nesse assunto, de que forma o profissional pode favorecer a prática dos professores na inclusão de alunos com deficiência? A Pode utilizar procedimentos e aplicar testes psicométricos nos estudantes com deficiência, com a finalidade de averiguar o potencial intelectual de cada um para que o docente realize tarefas escolares direcionadas. B Pode orientar a elaboração de novas maneiras de planejar e executar as atividades para que o processo de ensino-aprendizagem seja efetivo, rompendo, assim, com os obstáculos do ensino e a rotulação da deficiência. C Pode contribuir para a realização de práticas psicoterápicas e orientações junto aos familiares dos alunos com deficiência. D Pode orientar os professores a conhecerem e visitarem as associações que os alunos com deficiência frequentam, com o objetivo de averiguar quais atividades são realizadas nesses locais. E Pode apenas contribuir no direito ao acesso ao conhecimento, descobrindo a área de acessibilidade Parabéns! A alternativa B está correta. O psicopedagogo pode auxiliar em diversos aspectos na educação inclusiva e no papel docente, dando suporte na parte pedagógica. Além disso, o psicopedagogo pode ajudar o professor a ampliar sua concepção de mundo e ficar aberto a várias situações que podem ocorrer no âmbito escolar, no que diz respeito também às diferenças e diversidades. O docente precisa romper barreiras e desafios, bem como elaborar novas estratégias de ensino e buscar auxílio nas metodologias a serem empregadas para que o processo de ensino- aprendizagem seja construtivo. Também pode organizar o ambiente de forma que permita a interação do estudante com deficiência com toda a sala. Questão 2 Como você notou, o psicopedagogo institucional pode desenvolver várias ações para que a escola seja inclusiva. Pensando nesse assunto, de que forma esse profissional pode favorecer a relação entre escola e família dos alunos com deficiência? e atendimento educacional especializado. A O psicopedagogo pode sugerir à escola que todas as atividades extraclasse, bem como as comemorações e as festas com os familiares, sejam feitas em dias diferentes para os alunos com deficiência e seus pais. B O psicopedagogo pode orientar a escola a ter uma sala específica para todos os alunos com deficiência, pois assim o trabalho com esses alunos poderá ser muito mais dinâmico. C O psicopedagogo pode solicitar aos pais dos alunos com deficiência que levem seus filhos, no máximo, duas vezes por semana para a escola, já que eles criam problemas com os outros alunos. Parabéns! A alternativa E está correta. Ao longo dos tempos, a relação família e escola sempre foi foco de atenção dos pesquisadores da área da educação e da saúde, seja com alunos ditos “normais”, seja com os alunos com “dificuldades, transtornos e deficiências”. Vários profissionais procuram auxiliarnessa parceria, sejam psicólogos, pedagogos e psicopedagogos. Essa relação deve ser justa, solidária, colaborativa, empática, respeitosa e com muito diálogo. Por isso, basta que os dois eduquem, instruam e entendam que existem as diferenças. Dessa forma, as instituições escolares e a família devem olhar o aluno, independentemente da deficiência, do transtorno e da dificuldade, como uma pessoa que está em formação. Questão 3 Você já sabe que a partir do momento em que a criança começa a frequentar o ambiente escolar ela amplia o seu universo social e cultural, desenvolve suas competências e potencialidades, além de influenciar a sua atuação na sociedade. Quando uma escola estabelece entre suas finalidades a inclusão de todos os alunos, com certeza ficará mais fácil aceitar as diferenças. Com base em sua experiência, como poderemos pensar em práticas inclusivas nas salas de aula? Se você fosse psicopedagogo institucional, quais orientações daria à escola para possibilitar uma ação mais inclusiva? Digite sua resposta aqui Chave de resposta D O psicopedagogo pode orientar a escola a evitar a participação dos pais dos alunos com deficiência nas reuniões gerais, pois eles gostam de interferir com frequência na parte pedagógica da escola. E O psicopedagogo pode auxiliar a escola e a família na busca por uma relação de respeito mútuo com certo nível de confiança, empatia, colaboração e diálogo. Para termos práticas mais inclusivas, é necessário pensarmos em projetos elaborados pelos professores em conjunto, nos quais a educação dos alunos com deficiências seja também prioridade, gerando assim transformações. Outro aspecto importante seria a adaptação do currículo, ou seja, adaptação dos conteúdos de aprendizagem e dos métodos pedagógicos. Os alunos com deficiência também precisam ter acesso. O psicopedagogo pode auxiliar a escola ao sugerir uma organização flexível e uma gestão envolvida com a inclusão. Para uma escola ser inclusiva, ela precisa ter uma gestão comprometida, pois esta afeta diretamente a cultura de uma escola, sua organização e a maneira de realizar as práticas pedagógicas. Outro ponto que merece destaque é a formação dos professores. Todos devem ser preparados, e não apenas os professores especialistas. Mediação com o corpo docente e família no contexto da escola inclusiva Neste módulo, vamos esclarecer a importância da relação entre a família, a escola e a Psicopedagogia para o alcance do objetivo comum de promover a aprendizagem da criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. Para tanto, inicialmente discutiremos a importância do apoio às famílias de crianças da educação especial, bem como a responsabilidade da escola em oportunizar uma educação de qualidade na perspectiva da educação inclusiva. Em seguida, resgataremos a necessidade do trabalho em equipe e, por fim, apresentaremos o papel da Psicopedagogia como mediadora desse processo de interlocução entre a família e a escola. Apoio às famílias de crianças da educação especial A família é o primeiro espaço no qual a criança estabelecerá seus vínculos afetivos e promoverá seu desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social para que se torne um sujeito com autonomia. É na família, também, que se produzem relações de cuidado, proteção, acolhimento e respeito, além da transmissão de princípios e valores inerentes à vida em sociedade. A família é o agente privilegiado pelo desenvolvimento integral da criança. Com isso, sabe-se que o período de gestação está permeado de reflexões a respeito das condições ideais para que a criança possa se desenvolver de maneira saudável. Há o acompanhamento médico pré-natal, o planejamento financeiro para custear as despesas, a organização da casa e as mudanças na rotina voltadas para o cuidado do bebê quando nascer. No entanto, é rara a preparação psicológica das famílias para a chegada de um bebê que requeira mais cuidados do que o de costume. Comentário Em outras palavras, quando há planejamento familiar para a chegada de um bebê, espera-se que ele nasça dentro dos parâmetros da “normalidade”. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Só quero que venha com saúde”? Nesse sentido, o que chama a atenção aqui é que raramente uma família se prepara para a chegada de uma criança com deficiência, com uma síndrome específica ou uma doença. O nascimento de uma criança com deficiência ou a descoberta de uma síndrome ao longo da vida de uma criança geralmente é algo que não está dentro dos planos da família, e isso requer muito cuidado e carinho dos profissionais que irão lidar com ela. São comuns, ainda, problemas com a aceitação da situação, pais que se separam após a ciência do fato, o que geralmente sobrecarrega a mãe quanto aos cuidados com a criança. Outro fator importante é a condição financeira das famílias. O tratamento de uma criança com deficiência geralmente é caro, pois requer medicamentos, materiais, serviços profissionais. Para adquiri-los, as famílias precisam dispor de recursos financeiros e/ ou ter ciência de seus direitos para pleitear os recursos junto ao poder público. Isso significa que aquelas responsabilidades ditas no início quanto à chegada de uma criança triplicam com a chegada de uma criança com deficiência, pois se trata de um caminho árduo para muitas famílias, principalmente do ponto de vista psicológico. É preciso, portanto, que os profissionais da Saúde e da Educação que lidam com famílias de crianças com deficiência tenham o conhecimento desse contexto e desenvolvam o sentimento de empatia ao lidar com as situações que ocorrem no cotidiano de trabalho. Re�exão Cabe também a você, psicopedagogo, que irá se deparar com essas famílias ― seja no consultório, seja em alguma instituição como escolas e hospitais. Ao lidar com as famílias de crianças com deficiência, é preciso exercer um olhar empático, solidário e afetuoso em quaisquer orientações profissionais. Educação especial na perspectiva da educação inclusiva A educação especial é uma modalidade de ensino que está presente em todos os níveis, desde a educação infantil até o ensino superior. A educação especial prevê o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que disponibiliza os recursos, os serviços e orienta quanto à sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. Nesse sentido, a Resolução n° 4, de 2 de outubro de 2009, que institui as diretrizes operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na educação básica, na modalidade educação especial, esclarece em seu primeiro artigo que os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Confessionais Uma escola confessional pode ser católica, presbiteriana, evangélica etc. Por ser “confessional”, esse tipo de escola professa uma doutrina ou um princípio filosófico a ser seguido e que se dissemina em suas práticas cotidianas. A inserção da criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação na escola regular e o Atendimento Educacional Especializado são os fatores que configuram a educação especial na perspectiva da educação inclusiva. São considerados direitos conquistados pelas famílias das crianças, que têm um histórico de décadas de luta, fato que deve ser considerado em qualquer ocasião que ameace a retirada desses direitos, seja do ponto de vista legal, político ou ideológico. Essa inserção das crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação na escola regular representouao longo dos anos a conquista não só de um direito, mas de um reconhecimento dessa criança enquanto sujeito. Um sujeito de direitos, que brinca, aprende, interage e se desenvolve. Por falar em desenvolvimento, pode-se dizer que a escola, como promotora de desenvolvimento, proporciona o desenvolvimento social não só à criança com deficiência, mas a todas as crianças. Comentário Esse desenvolvimento diz respeito ao aprender com o outro. Tal aprendizagem não se refere somente aos conteúdos escolares, mas à aprendizagem da vida! O profissional que vivencia o cotidiano escolar perceberá a importância dessa interação, a qual promove: O respeito pelas diferenças A empatia para com os colegas A solidariedade que se institui em pequenas situações As atitudes que representam e às vezes até modi�cam os valores humanos Tudo isso é nítido quando se trata de uma escola que trabalha na perspectiva da educação inclusiva. Exemplo Em uma sala de aula em que há um aluno com deficiência, é comum ver as crianças dispostas a ajudar, interagir, respeitar o outro tal como ele é, o que, às vezes, muitos adultos não são capazes de fazer. Para tanto, é preciso que os profissionais da escola, incluindo os professores de sala, do AEE e os professores especialistas, promovam essa relação entre os alunos, estimulando a colaboração, a empatia e a aprendizagem entre os pares. Seguindo o pensamento de Edgar Morin (2004), há uma necessidade urgente de reformar a mente das pessoas para que sejam capazes de analisar e buscar soluções para os problemas fundamentais e complexos. Edgar Morin O autor enfatiza a importância de uma educação que possa propor uma interrelação do indivíduo com a sociedade, que vislumbre o desenvolvimento da identidade do sujeito, mas também sua relação com os outros e seu meio de convivência. O ensino não pode continuar formando mentes unidimensionais, lineares e incapazes de lidar com a complexidade e diversidade. Sobre a reforma do pensamento, o autor fala que é preciso substituir o pensamento que isola e separa por outro que distingue e une, o pensamento disjuntivo e redutor pelo pensamento do complexo, que é tecido junto. Morin complementa a ideia de reforma afirmando que não se pode reformar a instituição sem uma prévia reforma das mentes, mas não se pode reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições. A partir dessa reflexão, é preciso se atentar não só à reforma da estrutura física das instituições para incluir as crianças com necessidades educativas especiais, como colocar rampas e piso tátil, adaptar os banheiros etc. É preciso, antes de mais nada, que os profissionais, o poder público e a população em geral reformem seus pensamentos para saberem o que a inclusão significa na vida de cada uma das crianças e das famílias das crianças com necessidades educativas especiais. Relação entre família, escola e Psicopedagogia O trabalho com as crianças com necessidades educativas especiais deve ser realizado por meio de um sistema colaborativo, do qual fazem parte a família, a escola e os demais profissionais envolvidos no caso, geralmente relacionados à Saúde. Isso significa que não só a aprendizagem, mas também todo o bem- estar da criança deve ser permeado de cuidados advindos de todos esses agentes. Para isso, todos devem dialogar e realizar um trabalho em equipe que esteja em consonância com o objetivo de promover o desenvolvimento integral da criança. Dentre os profissionais envolvidos nessa empreitada está o psicopedagogo, o qual poderá receber em seu consultório clínico uma criança com necessidades educativas especiais ou poderá também trabalhar em uma instituição que atende essas crianças. Há, portanto, dois contextos possíveis de atuação, sobre os quais damos mais detalhes a seguir. Quando se trata do contexto clínico, é necessário salientar que o psicopedagogo deve buscar formação específica para o trabalho com crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação, tendo em vista a especificidade e complexidade do trabalho. Quando se trata do contexto institucional, que ocorre geralmente no contexto escolar, o psicopedagogo fará um trabalho voltado para a vertente de orientação junto à família e aos profissionais que acompanham a criança. De qualquer modo, em ambas as atuações, o psicopedagogo deve sempre trabalhar em equipe, de forma colaborativa, fazendo parte da rede de apoio da criança e de sua família. A relação entre Psicopedagogia e inclusão se estabelece a partir de um trabalho que: Contexto clínico Contexto institucional Considere a criança um sujeito de direitos. Oportunize a socialização da criança, oferecendo condições à participação em seu meio social. Investigue os conhecimentos e as habilidades da criança, com o intuito de utilizá-los e otimizá-los para a aprendizagem. Tais características configuram o trabalho do psicopedagogo, tanto no contexto clínico quanto no institucional, que deve ser realizado com as crianças, sobretudo as que estão inseridas no contexto da educação especial. Atenção! É importante ressaltar que o psicopedagogo tem o papel de mediador do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, junto à família, à escola e aos demais profissionais envolvidos. A partir da entrevista de anamnese com a família, o psicopedagogo irá elaborar o plano interventivo e propor estratégias para a aprendizagem da criança. Para isso, deverá dialogar não só com a família, mas também com todos os profissionais envolvidos, principalmente da escola. No âmbito institucional, o psicopedagogo pode, inclusive, orientar os professores quanto às metodologias e estratégias que promoverão melhor desenvolvimento e aprendizagem da criança. A mediação do psicopedagogo com a Elabore junto ao sujeito as formas de aprender. Avalie as possibilidades e as di�culdades do sujeito, detectando o que a criança compreende, o quanto retém de informação nova e o quanto consegue manipular essas informações e interagir com elas. Oriente as estratégias de ensino e aprendizagem junto aos pro�ssionais da Educação, como coordenadores e professores. escola, a família e a criança Neste vídeo, a especialista reflete sobre o importante papel de mediação do psicopedagogo com a escola, a família e a criança. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Sobre a orientação às famílias de crianças da Educação Especial, podemos afirmar que: A A família deve arcar com os custos de todo o tratamento da criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação, não tendo direito a respaldo por parte do poder público. B Deve-se matricular a criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE). C As crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação não devem frequentar o Atendimento Educacional Especializado caso tenham problemas comportamentais. O Atendimento Educacional Especializado é oferecido somente às crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas Parabéns! A alternativa B está correta. A criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação deve ser matriculada no ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado, em turno contrário ao que frequenta a escola, independentemente de ter outras comorbidades ou de frequentar instituições especializadas. Questão 2 O teórico Edgar Morin, referência nas áreas da Educação, Psicologia, Sociologia e Filosofia, refere-se à educação com ideias que propõem reformas. Segundo Morin (2004), não se pode reformar a instituição sem uma prévia reforma das mentes e não se podem reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições.Assinale a alternativa que consiste na interpretação dessa afirmação, relacionando-a ao contexto da Educação Especial: D habilidades/ superdotação que não fazem acompanhamento com outros profissionais ou que frequentam instituições especializadas. E O profissional psicopedagogo não tem a responsabilidade de orientar as famílias de crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação porque já são orientados pelos professores de sala e professores do AEE. A É preciso que os profissionais da educação tenham saúde mental para trabalhar com crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. B É preciso que o poder público tome consciência para propor reformas nas instituições que visam atender crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. Parabéns! A alternativa C está correta. A afirmação do autor nos faz refletir sobre a importância da reforma do ensino, já que para ele apenas com essa mudança de paradigma é que as pessoas serão capazes de compreender e enfrentar os problemas fundamentais e complexos da humanidade, inclusive no caso da Educação Especial. Isso significa que não adianta reformar as instituições e fazer as devidas adequações quanto à estrutura física se as pessoas que dela participam não mudarem seu paradigma estigmatizante quanto à criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. Para ele, essas duas questões devem caminhar juntas e de forma interdependente. C É necessário que as instituições tenham estrutura física, recursos materiais e de pessoal e, concomitantemente, é preciso que as pessoas, sobretudo os profissionais da educação, tenham consciência de que a criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação é um sujeito de direitos. D É necessário que as pessoas contribuam na reforma das instituições, de forma voluntária, a fim de que todas as escolas tenham os recursos financeiros para se adequarem ao atendimento de crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. E É preciso que o poder público reforme as instituições e, concomitantemente, ofereça tratamento psicológico às pessoas que lidam direta ou indiretamente com as crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. 2 - Papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola inclusiva Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir o papel da Psicopedagogia na dimensão cultural da escola inclusiva. Ligando os pontos Você sabe o que é o Atendimento Educacional Escolar (AEE)? Saberia explicar o que é a sala de recursos multifuncionais? Para entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma psicopedagoga institucional. Dando continuidade ao trabalho na escola, Priscila, a psicopedagoga recém-contratada, reuniu-se com os professores que trabalhavam diretamente com alunos com deficiência, com o objetivo de entender qual era o cenário em que atuavam, isto é: número de alunos por sala de aula e se havia outros professores no apoio. Além disso, Priscila tinha interesse em compreender as facilidades e dificuldades que esses alunos tinham na instituição, e saber qual era o tipo de trabalho que se desenvolvia com eles. Os professores comentaram que os quatro alunos com deficiência visual e os três com deficiência auditiva tinham professores de apoio no turno regular e que, na escola, não havia Atendimento Educacional Escolar (AEE). Acrescentaram que aprenderam em um curso de capacitação sobre inclusão que a escola que possui alunos com deficiência deve ter o Atendimento Educacional Escolar, garantido por lei. Nesse sentido, a psicopedagoga comentou com os professores que, com apoio deles e da gestão, montaria o AEE, e duas ações seriam primordiais: organizar a sala de recursos multifuncionais e contratar professores com formação em licenciatura e especialização em educação especial. Na sala de recursos multifuncionais, precisariam ter diferentes recursos e materiais que auxiliariam o professor de AEE a trabalhar com os conteúdos escolares, oferecendo assim melhores condições aos alunos com deficiência. Uma professora relatou que dava aula para um aluno com deficiência física, mas acreditava que ele também tinha deficiência mental leve. Embora tivesse o acompanhamento de um professor de apoio na sala, acreditava que ele precisaria frequentar a sala de recursos multifuncionais. Outra professora comentou que, em sua sala de aula, tinha um aluno com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, mas que a família não colaborava e não sabia se o aluno fazia acompanhamento com o neurologista. A psicopedagoga finalizou a reunião e esclareceu que cuidaria de todos os aspectos apontados pelos professores. Além disso, o apoio da gestão e dos familiares seria fundamental para a escola ser considerada inclusiva. Os professores comentaram que estavam muito satisfeitos com o trabalho da psicopedagoga e com os novos rumos da educação inclusiva na escola. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, é fundamental a escola ter uma prática inclusiva, precisando que gestores, docentes, alunos e pais estejam envolvidos. Pensando nesse assunto, de que forma o psicopedagogo pode favorecer a implantação do Atendimento Educacional Escolar (AEE)? A O psicopedagogo pode mostrar que esse atendimento se relaciona com o reforço escolar a fim de verificar somente os conteúdos curriculares da classe regular. B O psicopedagogo pode divulgar que o AEE é um espaço para todos os alunos da escola, visando ao Parabéns! A alternativa D está correta. Nas últimas décadas, diversas ações afirmativas foram criadas para garantir os direitos dos indivíduos com deficiências e transtornos. O Atendimento Educacional Escolar, amparado por lei, é extremamente necessário para auxiliar esses alunos em todos os âmbitos do ensino básico. Esse atendimento não irá beneficiar somente os alunos com deficiência, mas também auxiliará o docente e dará mais segurança aos pais e familiares, sabendo que seus filhos estão sendo assistidos adequadamente. Questão 2 Como você notou, o Atendimento Educacional Escolar é ofertado em salas de recursos multifuncionais para alunos com deficiência, problemas de aprendizagem e transtornos. Pensando nesse assunto, de qual forma o psicopedagogo pode mostrar a importância dessa sala aos docentes? desenvolvimento do processo de aprendizagem. C O psicopedagogo pode expor que o AEE possui como objetivo utilizar metodologias ativas apenas com os discentes com deficiências visuais e/ ou auditivas por se tratarem de estratégias mais modernas e eficientes para a aprendizagem. D O psicopedagogo pode explicar que o AEE é amparado pelas políticas educacionais brasileiras e oferece auxílio na educação inclusiva, direcionado para alunos com deficiência visual, física, intelectual, auditiva e também transtorno global do desenvolvimento e altas habilidades. E O psicopedagogo pode esclarecer que o AEE dará suporte pedagógico e oferecerá cursos e supervisões aos docentes quinzenalmente. A Deve esclarecer que essas salas, dentre vários benefícios, vão disponibilizar recursos adequados imprescindíveis para promover o envolvimento e a aprendizagem desses alunos. Parabéns! A alternativa A está correta. As salas de recursos multifuncionais oferecem diversos benefícios aos alunos com deficiência, transtornos ou altas habilidades. Por isso, é fundamental que todos os educadores da escola e familiares estejam envolvidos nesse processo. Dessa maneira, são relevantes para o processo de inclusão nas instituições escolares, pois disponibilizam materiais e equipamentos de acessibilidade, efetivando,assim, os serviços de Atendimento Educacional Escolar. É importante destacar que é fundamental a presença de um professor especializado nessas salas. Questão 3 Sabemos que, durante muitas décadas, os alunos com deficiência foram excluídos do processo escolar regular e as políticas públicas conseguiram mudar esse cenário: incluindo esses estudantes na escola comum e promovendo várias ações. Com base nessa informação, explique como a prática psicopedagógica pode contribuir para a inclusão escolar. B Deve explicar que apenas um professor ficará responsável pelas salas e não será necessária a presença de um docente especializado. C Deve mostrar que a função do docente será observar o processo, pois os alunos com deficiência possuem condições de se desenvolverem sozinhos. D Deve reforçar que a sala não deve ser vista como um apoio inclusivo, mas como um espaço, no qual o estudante com deficiência deve frequentar período integral. E Deve explicar aos professores que, caso o aluno frequente associações específicas, ele não poderá se matricular na sala de recursos multifuncionais. Digite sua resposta aqui Chave de resposta A inclusão de estudantes com deficiência na instituição escolar regular impôs novos desafios aos gestores, professores e familiares. Por isso, novas ações foram pensadas no contexto escolar com a finalidade de seguirem os pressupostos de uma perspectiva inclusiva. Surge nesse contexto o Atendimento Educacional Escolar, nas salas de recursos multifuncionais. Devido a isso, as práticas pedagógicas, no contexto do AEE, são direcionadas e elaboradas aos alunos com deficiência e também aos que apresentam dificuldade de aprendizagem, com objetivo de identificar as necessidades e as capacidades desse discente, além de elaborar planos para atender e auxiliar nos materiais e recursos didáticos, os quais asseguram a acessibilidade aos conteúdos e às atividades escolares. Psicopedagogia e as contribuições de Vygotsky Vamos distinguir o papel do psicopedagogo no contexto da educação inclusiva. Primeiramente, resgata-se o conceito de mediação simbólica de Vygotsky para compreender como se dá o trabalho psicopedagógico na escola, já que o psicopedagogo é um dos agentes mediadores da aprendizagem. Em seguida, apresenta-se a configuração do Atendimento Educacional Especializado Escolar do ponto de vista da legislação e também do cotidiano vivido na escola quanto aos horários, recursos, função e formação dos professores. Por último, traça-se um paralelo entre o trabalho do professor e do psicopedagogo no contexto escolar, a fim de definir o papel de cada um deles no processo de ensino e aprendizagem de crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. Mediação no processo de ensino e aprendizagem A compreensão do conceito de mediação e como ela ocorre no processo de ensino e aprendizagem é necessária a todos os profissionais de Educação. O processo de mediação promove a aprendizagem de todas as crianças, independentemente de estarem ou não inseridas na educação especial, pois leva em conta as necessidades, as especificidades e as potencialidades de cada criança. Teoria de Vygotsky e conceito de zona proximal O conceito de mediação simbólica foi elaborado por Lev Semenovich Vygotsky, teórico que nasceu em 17 de novembro de 1896, que produziu uma obra extensa e relevante para as áreas da Psicologia e da Educação. Lev Semenovich Vygotsky (1896–1934) Vygotsky recebeu influências da psicofisiologia de Pavlov, de teóricos alemães como Lewin, Buhler, Kohler e principalmente de Karl Marx. Nesse sentido, considerava que a origem das funções superiores do comportamento deve ser buscada nas relações sociais que o homem mantém na sua cultura (OLIVEIRA, 2010). Para Oliveira (2010), Vygotsky teve dois objetos de estudo: A consciência As funções psicológicas superiores Segundo esse autor, a teoria psicológica deve explicar os meios pelos quais os processos naturais (funções elementares) se mesclam aos culturais para produzir as funções psicológicas superiores tipicamente humanas. Para Vygotsky, a gênese do desenvolvimento compõe-se de planos genéticos, a saber: A �logênese Genética. A ontogênese História de vida. A sociogênese Ambiente e cultura. A microgênese E iê i d i di íd ã d t i t Para compreender a base teórica vygotskyana, vamos nos remeter à ideia de que as funções psicológicas têm suporte biológico, uma vez que são produtos da atividade cerebral. O funcionamento psicológico fundamenta-se nas relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior, as quais se desenvolvem em um processo histórico. Essa relação entre o homem e o mundo é sempre mediada por sistemas simbólicos, ou seja, ela nunca é direta. Nesse sentido, o autor formulou, em sua teoria sobre o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, o conceito de zona de desenvolvimento proximal. Segundo Oliveira (2010), a zona de desenvolvimento proximal relaciona- se às funções emergentes, as quais se referem à diferença entre o que o sujeito já sabe (autonomia) e o que ele pode fazer com o auxílio do outro. A zona de desenvolvimento proximal está diretamente associada à aprendizagem do sujeito, ao passo que as experiências de aprendizagem entre os sujeitos geram a consolidação e a autonomização de formas de ação, “abrindo” a zona de desenvolvimento proximal. Dessa forma, o plano intersubjetivo está na gênese da atividade individual e participa da constituição das formas de ação autônoma de autorregulação. Atenção! É possível dizer que, para Vygotsky, a aprendizagem antecede ou produz o desenvolvimento. Na abordagem histórico-cultural de Vygotsky, o sujeito não é moldado pelo meio da mesma forma que a gênese do conhecimento, ou seja, não se baseia somente em recursos individuais. O sujeito não é passivo, nem ativo: é interativo. O conhecimento é construído na interação sujeito-objeto, sendo tal ação socialmente mediada. Isso nos leva a um conceito central da teoria vygotskyana: Experiências do indivíduo que são determinantes sociais, mas diferentes para cada pessoa. Que, de um modo geral, pode ser entendida como um processo de intervenção de um elemento intermediário em uma relação, a qual deixa de ser direta para ser mediada. Oliveira exemplifica a mediação da seguinte maneira: Quando um indivíduo aproxima sua mão da chama de uma vela e a retira rapidamente ao sentir dor, está estabelecida uma relação direta entre o calor da chama e a retirada da mão. Se, no entanto, o indivíduo retirar a mão quando apenas sentir o calor e lembrar-se da dor sentida em outra ocasião, a relação entre a chama da vela e a retirada da mão estará mediada pela lembrança da experiência anterior. Se, em outro caso, o indivíduo retirar a mão quando alguém lhe disse que se pode queimar, a relação estará mediada pela intervenção dessa outra pessoa. (OLIVEIRA, 2010, p. 28.) A presença de elementos mediadores introduz um elo a mais nas relações organismo/ meio, tornando-as mais complexas. Ao longo do desenvolvimento do indivíduo, as relações mediadas passam a predominar sobre as relações diretas, isto é, entre a relação do homem com o mundo real existem agentes mediadores que funcionam como ferramentas auxiliares para que o indivíduo alcance determinado A mediação conhecimento. A mediação pode ser exemplificada pelo seguinte esquema: Mediação. Por meio desse conceito de mediação, podemos entender que a zona de desenvolvimento proximal ou potencial se refere à distância entre o nível de desenvolvimento ou conhecimento atual (determinado pela capacidade de resolver problemas de forma autônoma) e o nível potencial de desenvolvimento (medido por meio da solução de problemas sob a orientação ou em colaboração com indivíduos mais experientes). Vygotsky e as crianças com necessidades educativas especiais Neste momento, é interessante citar as contribuições que essa complexateoria trouxe para a área da Educação, tanto para a aprendizagem quanto para a avaliação do conteúdo escolar, uma vez que estabelece uma relação entre desenvolvimento e aprendizagem e compara a evolução do sujeito com ele próprio. Comentário A teoria vygotskyana é pertinente quando se trata de crianças com necessidades educativas especiais, adequando-se a qualquer situação, pois parte daquilo que a criança já sabe para aquilo que pretende conhecer. Nesse sentido, o profissional pode lançar mão desse conhecimento para formular estratégias de aprendizagem, a fim de que o aluno avance de um nível X para um nível X+1 de conhecimento, por meio da mediação de um adulto. Esse adulto pode ser o professor de sala, o professor do AEE, assim como o psicopedagogo, além da possibilidade também da mediação de colegas mais velhos. Com isso, a escola desempenhará bem seu papel à medida que, partindo do conhecimento que a criança traz de seu cotidiano, suas “teorias” acerca do que observa no mundo, ela for capaz de ampliar e desafiar a construção de novos conhecimentos. É importante ressaltar que Vygotsky foi um grande defensor das crianças com necessidades educativas especiais. Na década de 1920, ele já vislumbrava que essas crianças deveriam ser educadas como todas as outras crianças, dentro do mesmo espaço, como a escola regular, não colocando como foco sua deficiência. Pode-se dizer que, já naquela época, ele trazia reflexões e até mesmo soluções para questões que atualmente estão presentes, pois aponta para um processo de educação inclusiva de crianças com necessidades educativas especiais. Em um de seus trabalhos que nos foi legado, presente no Tomo V, intitulado Fundamentos de Defectologia, ele faz inúmeras considerações, dentre elas: Em resumo, a questão, tanto no aspecto pedagógico como psicológico, se há estabelecido geralmente desde o ponto de vista estritamente físico, médico. A questão, contudo, é que para o educador os fatores biológicos não são tão importantes, mas sim as consequências sociais do desvio. [...] A humanidade sempre há sonhado como um milagre religioso: que os cegos vejam e os mudos falem. É provável que a humanidade triunfe sobre a cegueira, a surdez e a deficiência mental. Porém a vencerá no plano social e pedagógico muito antes que no plano biológico e medicinal. É possível que não esteja longe o tempo em que a pedagogia se envergonhe do próprio conceito de ‘criança com defeito’. O surdo falante e o trabalhador cego, participantes da vida geral em toda sua plenitude, não sentirão sua deficiência e não darão motivo para que outros a sintam. Está ‘em nossas mãos’ o desaparecimento das condições sociais de existência destes defeitos, ainda que o cego continue sendo cego e o surdo continue sendo surdo. (VYGOTSKY, 1989, p. 43) A partir desse trecho, percebe-se que Vygotsky também já vislumbrava questionamentos a respeito das terminologias que se utilizavam naquela época como “crianças com defeito”, não enxergando como defeito a questão da deficiência e não colocando a questão orgânica e biológica em foco. Além de ressaltar as questões das terminologias que eram mencionadas a respeito das especificidades do aprendizado para determinadas crianças, o referido autor alerta para a valorização social no processo de desenvolvimento da aprendizagem, em que o ensinar deve passar por uma oportunidade de mediação da aprendizagem. É nesse panorama que se insere a importância do profissional da Educação, sobretudo do psicopedagogo, que deverá trabalhar e/ ou orientar o processo de ensino-aprendizagem considerando o conceito de mediação, tendo como base as potencialidades da criança, fazendo com que ela aprenda por meio da experiência, da análise e da observação. Psicopedagogia e o Atendimento Educacional Especializado Escolar O Atendimento Educacional Especializado Escolar (AEE) é ofertado dentro das escolas regulares nas salas de recursos multifuncionais ou em centros especializados. O AEE tem como objetivo complementar ou suplementar a formação do aluno. De acordo com a Resolução n° 4, de 2 de outubro de 2009, que institui as diretrizes operacionais para o AEE na educação básica, considera-se como público-alvo do AEE os alunos com deficiência, ou seja: O aluno que frequenta o AEE deve estar matriculado na classe regular da escola e deve frequentar a sala de recursos multifuncionais no período oposto ao de estudo. Nessa sala, há diferentes recursos e materiais que auxiliarão o professor de AEE a trabalhar os conteúdos escolares. O professor responsável pela sala de recursos deve ter formação inicial em licenciatura e formação específica em Educação Especial, ou seja, a formação em Psicopedagogia não é suficiente para o trabalho de AEE. As atribuições do professor de AEE resumem-se em: Elaborar materiais com acessibilidade para os alunos, considerando suas necessidades especí�cas. Organizar, acompanhar e avaliar os atendimentos. Estabelecer parcerias para a elaboração de estratégias e na disponibilização dos recursos de Aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial; Alunos com transtornos globais do desenvolvimento, ou seja, aqueles que apresentam um quadro de alterações no desenvolvimento psicomotor, nas relações sociais, na comunicação ou estereotipias motoras, inclusive o transtorno do espectro autista, síndrome de Rett e psicoses; Alunos com altas habilidades/ superdotação, ou seja, aqueles que apresentam potencial elevado nas áreas intelectual, psicomotora, artes, dentre outras. acessibilidade; ensinar e utilizar a tecnologia assistiva. Estabelecer articulação com os professores e demais pro�ssionais envolvidos com os alunos de AEE. Pois bem, agora que você já sabe a função do professor responsável pela sala de recursos, é preciso voltarmos para a sua atuação enquanto psicopedagogo. Sua atuação dentro do ambiente escolar está relacionada à articulação entre o trabalho de todos os profissionais, inclusive entre o professor de sala e o professor de AEE. A orientação sobre novas estratégias de aprendizagem está dentro do seu papel, bem como investigar novas possibilidades de atuação no caso da não aprendizagem. É necessário, nesse momento, estabelecer esse paralelo entre o trabalho do professor de AEE e do psicopedagogo, pois muitas vezes se confundem. Relembrando Para tanto, resgataremos a função do psicopedagogo institucional dentro do contexto escolar, que é a de prevenir os problemas de aprendizagem e de realizar orientações, junto aos outros profissionais, quanto ao processo de ensino e aprendizagem das crianças. Enquanto o professor de AEE vai produzir recursos acessíveis para o estudo de conceitos trabalhados pelo professor da sala de aula regular, o psicopedagogo vai orientar a busca desses recursos e viabilizá-los junto à equipe gestora. Para melhor compreensão, imagine a cena a seguir em uma escola: Para melhor compreensão, imagine uma cena em determinada escola, na qual há um aluno cego, chamado Vítor, que estuda na sala do 4º ano A, período da manhã, atribuída à professora Marta. Sua família leva-o todos os dias à escola regular, e à tarde ele frequenta uma associação para cegos, três vezes por semana, onde faz atividades de canto, instrumentos e futebol. Nos outros dois dias da semana, no período da tarde, ele vai para sua escola regular frequentar a sala de recursos multifuncionais com a professora Ana do AEE. Nesses dias em que frequenta o AEE, Vítor realiza várias atividades que complementam as atividades de sala elaboradas pela professora Marta e que foram tornadas acessíveis pela professora Ana. Por exemplo, Marta está trabalhando divisão, mas Vítor está com dificuldade de compreensão conceitual e também de realizar o algoritmo. Ana elabora um plano de trabalho em que retoma o conceito de divisão com explicação em braile, simula situações concretas de divisão utilizando objetos para que ele compreenda a partirdo tato, entre outras atividades acessíveis que o levarão a uma melhor compreensão do que está sendo trabalhado na sala de aula regular. Para que todo esse trabalho se efetive, no entanto, é preciso que haja orientação, tanto da coordenação pedagógica quanto à formação desses professores, como do psicopedagogo, que pode facilitar o diálogo entre os professores de sala e de AEE, entre os professores e os demais profissionais da associação de cegos. Comentário Exemplo de utilização da sala de recursos multifuncionais no contexto escolar Ainda, o psicopedagogo pode orientar quais seriam as melhores estratégias para que Vítor alcance a compreensão do conceito de divisão, pensando em alternativas e possibilidades para que haja aprendizagem efetiva. Dessa forma, o psicopedagogo atuará como um membro, junto à gestão escolar, que realiza, a partir de um trabalho colaborativo, a mediação entre os profissionais da escola, a família e os demais profissionais envolvidos em prol do desenvolvimento e da aprendizagem da criança com necessidades educativas especiais. Função do psicopedagogo institucional dentro do contexto escolar Neste vídeo, a especialista reflete sobre afunção do psicopedagogo institucional dentro do contexto escolar, e de como ele deve facilitar e orientar o diálogo entre os profissionais e as estratégias a serem usadas. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A teoria vygotskyana, bem como o conceito de zona de desenvolvimento proximal, é considerada ideal para desenvolver o trabalho educacional com crianças da Educação Especial, porque: A introduz a ideia de que, para aprender, a criança não necessita de suas funções psicológicas superiores. Parabéns! A alternativa D está correta. A teoria vigotskiana traz em seu conceito de zona de desenvolvimento proximal a ideia de que o sujeito se desenvolve e efetiva sua aprendizagem a partir do processo de mediação que ocorre na passagem daquilo que o sujeito já sabe para aquilo que ele vai conhecer. Dessa forma, o desenvolvimento e a aprendizagem vão acontecer segundo os conhecimentos prévios e mediações estabelecidas em cada sujeito. Questão 2 Analise as afirmativas sobre a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e identifique a qual profissional elas estão relacionadas, respectivamente: I – Ensinar o aluno a utilizar a tecnologia assistiva em atividades adaptadas de conteúdos trabalhados em sala de aula. II – Orientar os profissionais envolvidos sobre novas estratégias de aprendizagem e investigar novas possibilidades de atuação quando a criança não está se desenvolvendo. III – Elaborar estratégias e dispor de recursos de acessibilidade para que o aluno realize as atividades referentes ao conteúdo de sala de aula. B foi desenvolvida exclusivamente para crianças com atraso no desenvolvimento cognitivo. C o trabalho de mediação não depende das funções psicológicas superiores. D se adequa a crianças com ou sem deficiência, já que parte daquilo que a criança já sabe para aquilo que pretende conhecer. E o autor dessa teoria tinha filhos com deficiência e pôde realizar seus experimentos neles. A Parabéns! A alternativa E está correta. Segundo a legislação vigente, o professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) é responsável por tornar acessíveis os conteúdos escolares que são trabalhados em sala de aula. Para isso, ele vai lançar mão dos recursos de acessibilidade disponíveis e ensinar os alunos a utilizá-los. O psicopedagogo exercerá o papel de mediador entre os profissionais envolvidos, pensando em estratégias para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos da Educação Especial. I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo. B I – Psicopedagogo; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE. C I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Psicopedagogo. D I – Professor AEE; II – Professor AEE; III – Psicopedagogo. E I – Professor AEE; II – Psicopedagogo; III – Professor AEE. 3 - Processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com de�ciência Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar o processo de avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com de�ciência. Ligando os pontos Você sabe qual é o papel do psicopedagogo no contexto institucional? Saberia explicar como é realizada a avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com deficiência no âmbito escolar? Para entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma professora que tem uma aluna com deficiência visual. A professora Ângela procurou a psicopedagoga da escola, pois tinha em sua sala de aula uma aluna com deficiência visual. A estudante foi transferida há dois meses para a escola e apresenta dificuldades com leitura e escrita. Notou também que os outros alunos riem dela e a excluem das atividades. Por mais que o professor de apoio interfira, os alunos parecem não gostar da menina. A professora não soube informar se a aluna tinha algum acompanhamento médico, fonoaudiológico, psicológico ou psicopedagógico. Priscila, a psicopedagoga, comentou que trabalha na escola faz pouco tempo e ainda não tinha sido apresentada a todos os alunos. Nesse sentido, precisaria de um tempo para conhecer melhor a aluna, realizar uma avaliação e, posteriormente, uma intervenção efetiva. Por isso, combinou com a professora Ângela que iria fazer algumas observações em sala de aula, a fim de verificar o comportamento da aluna, o envolvimento com as aulas, bem como analisar as atividades escolares, os materiais que a aluna utiliza como suporte para o processo de ensino-aprendizagem e ainda verificar sua leitura e escrita. Além disso, gostaria de observar como é o relacionamento da menina com as outras crianças da sala e professores. Desse modo, orientaria a professora a realizar em um caderno, todos os dias, anotações sobre o desempenho e comportamento da aluna. Em momento oportuno, a psicopedagoga esclareceu que gostaria de conhecer os pais e entender melhor a história da Ana Lúcia, de 10 anos, do 4º ano do ensino fundamental I. Por fim, após todas essas ações, iria elaborar um plano de intervenção e propor estratégias de aprendizagem. Além disso, considera que Ana Lúcia poderia inclusive se beneficiar do Atendimento Educacional Escolar, que já estava organizado e funcionando na instituição. A professora Ângela agradeceu o apoio e disse que aguardaria as próximas orientações da psicopedagoga. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, a função de um psicopedagogo em uma escola também está relacionada com a prática inclusiva. Pensando nisso, de qual forma o psicopedagogo deve orientar inicialmente os professores responsáveis pela educação de alunos com deficiência visual? A Deve solicitar que o docente tenha uma metodologia tradicional, favorecendo, assim, a memorização dos conteúdos escolares. B Deve orientar os professores a conhecerem as características mais relevantes e importantes do desenvolvimento e da aprendizagem para que possam adaptar suas ações a particularidades de cada indivíduo. Parabéns! A alternativa B está correta. De modo geral, parcela significativa da sociedade acredita equivocadamente que um cidadão com deficiência apresentará dificuldades no plano cognitivo, afetivo e social. Certamente, o desenvolvimento desse estudante não será igual ao das crianças que não apresentam deficiência. Contudo, quando os contextos nos quais a criança se desenvolve, por exemplo, com família, escola e amigos, proporcionam-lhe condições de aprendizado, as dificuldades são superadas. Devido a isso, é necessário que o docente conheça seu aluno com deficiência para que, dessa maneira, consiga intervir da melhor forma. Questão 2 Como você notou, o psicopedagogo institucional não realiza um trabalho clínico com os alunos com deficiência. Pensando nesse aspecto, de qual formaesse profissional pode intervir na educação inclusiva de alunos com deficiência visual? C Deve esclarecer aos educadores que os estudantes com deficiência visual são bastante limitados e, dificilmente, poderão aprender adequadamente. D Deve informar aos professores que existem poucos instrumentos tecnológicos capazes de auxiliar os alunos com deficiência visual na leitura e escrita. E Deve explicar aos professores que existem poucas possibilidades de ação para ajudar aos discentes com deficiências visual, como: autodescrição, ler slides da aula e usar letras ampliadas na elaboração de atividades. A O psicopedagogo deve intervir na escola e propor que o aluno com deficiência visual frequente duas vezes por semana o ensino regular e, nos outros dias, busque sua permanência em centros especializados para a sua deficiência. O psicopedagogo deve propor que o aluno com deficiência visual mantenha contato apenas com Parabéns! A alternativa C está correta. A educação inclusiva veio para ficar, beneficiar e auxiliar os alunos com deficiências, transtornos e também com altas habilidades. É um direito conquistado, inclusive por leis. Devido a isso, é necessário pensar nos avanços e não em retrocessos nessa área, que já requer muitos desafios e ainda busca conquistas. O aluno com deficiência tem direito de frequentar o ensino regular, conviver com os outros alunos que não tenham deficiências e ser assistido em suas necessidades. Quando a escola não possui o Atendimento Educacional Escolar, a família deve ser orientada a buscar os centros especializados no contraturno do aluno. Dessa forma, o papel do psicopedagogo é ser um facilitador desse processo, dando suporte aos professores, alunos, gestores e familiares. Questão 3 Sabemos que o sistema visual é muito importante para obtermos informações sobre o mundo que nos rodeia, mas também um elemento fundamental para o relacionamento entre as pessoas. Com base nessa informação, você saberia explicar qual o papel da família e da escola no desenvolvimento de uma criança com deficiência visual? A Psicopedagogia pode auxiliar essa criança? B outros alunos com deficiência, visando à aprendizagem entre pares. C O psicopedagogo pode sugerir ações pedagógicas ao docente e propor o atendimento educacional escolar, com ênfase na acessibilidade e nos recursos pedagógicos, com a finalidade de dar suporte ao aluno com deficiência visual no contraturno. D O psicopedagogo deve orientar os familiares do aluno que frequente somente a associação para deficientes visuais, pois nesse local será dado todo o suporte que precisa. E O psicopedagogo deve mostrar para a escola que os alunos com deficiência visual não devem ser matriculados na escola regular, pois não irão se beneficiar pedagógica e socialmente desse contexto. Digite sua resposta aqui Chave de resposta É inegável o valor da família e da escola no desenvolvimento de um indivíduo. Apesar de tais instituições serem muito criticadas, elas podem oferecer ambientes favoráveis e colaborativos para a aprendizagem e socialização do indivíduo. É importante tomarmos conhecimento que as crianças com deficiências vão requerer ações e intervenções que exigirão delas e dos familiares dedicação e um grande investimento emocional. A criança com deficiência visual não será curada, contudo, a intervenção precoce da família, da instituição escolar e da área da Psicopedagogia podem amenizar as dificuldades pedagógicas, sociais e emocionais. Avaliação e intervenção psicopedagógica de crianças com de�ciência Neste módulo, vamos analisar o processo de avaliação e intervenção psicopedagógica a partir de uma situação específica. Para essa análise, é preciso primeiramente compreender como se dá a demanda de avaliação dentro do contexto da educação especial. Em seguida, serão descritas as características das crianças para que você compreenda quais elementos devem ser levados em conta em uma avaliação psicopedagógica. Por fim, ressaltaremos o trabalho em equipe no levantamento das informações para que se elabore um plano de intervenção com condutas que promovam o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças com deficiência no contexto psicopedagógico. Demanda psicopedagógica na educação especial A demanda psicopedagógica de sujeitos da educação especial pode ocorrer tanto no contexto clínico como no institucional, conforme visto no módulo 1. Em ambos os casos, é preciso que se construa uma rede de apoio junto aos profissionais que atendem o sujeito a fim de pensar juntos e propor a melhor conduta profissional para ele. Isso significa que todo o trabalho do psicopedagogo está vinculado ao trabalho da equipe de Saúde e, principalmente, ao da equipe escolar. A demanda psicopedagógica, na maioria das vezes, é formulada sobre um caso concreto. Por exemplo, o profissional poderá ouvir questões como as seguinte: Meu filho não consegue aprender, o que está acontecendo? Esse aluno não evolui na aprendizagem, você pode me dizer o que fazer? Minha filha está com problemas de comportamento, você pode ajudá-la? Essa criança está muito desmotivada, o que você propõe? De maneira geral, para responder a essas questões, quando a demanda chega ao consultório psicopedagógico, iniciamos um processo de investigação da história do desenvolvimento desse sujeito, bem como de suas relações nos ambientes familiar e escolar. Além disso, podem-se aplicar testes e atividades que permitam conhecer vários aspectos do desenvolvimento, suas habilidades, potencialidades, assim como suas dificuldades. No contexto institucional, a resposta do assessoramento psicopedagógico a tais perguntas deve perpassar outras questões, por exemplo: Como tem sido o processo de ensino-aprendizagem dentro da sala de aula. Nesse sentido, o psicopedagogo, seja na clínica a partir dos instrumentos de investigação ou na instituição por meio desses questionamentos, poderia contribuir, junto aos outros profissionais, no direcionamento das condutas em prol da aprendizagem do sujeito. O processo de avaliação psicopedagógica inclui numerosas atividades entrelaçadas e interdependentes entre si. Agora, você vai conhecer algumas atividades que podem pertencer a esse processo: Observação das relações interpessoais que estabelece ou dos papeis sociais que desenvolve no contexto escolar do sujeito: sala de aula, recreio, refeitório. Entrevistas Qual metodologia utilizada com esse sujeito. Se há necessidade de �exibilização curricular. Como é feito o trabalho inclusivo na escola. Se há facilitação dos procedimentos de ajuste à diversidade dos alunos em geral. com o sujeito, a família, a professora, os profissionais da saúde que o acompanham. Solicitação de gravações audiovisuais das interações nos contextos familiar e escolar para análise das relações interpessoais. Análise dos trabalhos escolares que devem orientar não apenas sobre as dificuldades, mas também sobre os recursos de acessibilidade. Avaliação dos níveis de leitura e escrita por meio de testes ou recursos adaptados. Uso de inventários e questionários sobre comportamento, conduta e atitudes. Utilização de folhas de registro sobre o sujeito, elaboradas pelos professores. A partir dessas atividades que podem fazer parte da avaliação psicopedagógica, você poderá traçar um plano de intervenção multiprofissional, ou seja, pensar estratégias de intervenção com esse sujeito junto aos outros profissionais que participaram desse processo de investigação. Comentário É nesse âmbito coletivo que se pode propor ações variáveis e passíveis de a família assumir, ajustadas às possibilidades do sistema escolar inclusivo e, portanto, suficientemente consensuais entre as partes, o que aumentará a rede de apoio do sujeito em prol do seu desenvolvimento e aprendizagem. Avaliação psicopedagógica de crianças com de�ciência motora A título de exemplo, falaremos aqui das crianças com deficiência motora. É importantedestacar que, quando falamos desse grupo, estamos nos referindo a crianças com características diversas, embora haja esse termo que as agrupa. Por isso, não se deve pensar em um modelo de avaliação ou em um plano de intervenção específico para crianças com deficiência motora. Nesse sentido, pode-se pensar que a maioria das crianças com deficiência motora tem muito mais em comum com as outras crianças de sua idade e sexo sem dificuldades do que entre elas próprias. Isso significa que o processo de avaliação é o mesmo que será utilizado com outras crianças; o que difere são as condutas que o profissional planejará de acordo com as demandas e dificuldades específicas da criança. Para início de conversa, temos que conhecer um pouco sobre os tipos de deficiência motora. Uma das classificações mais simples é a que considera a origem da incapacidade (AUGÉ, 2008): Origem cerebral Paralisia cerebral, traumatismos cranioencefálicos, tumores etc. Origem espinhal Espinha bífida, poliomielite, traumatismos medulares, doenças medulares degenerativas etc. Origem nos órgãos eferentes Musculares (como a distrofia muscular progressiva) ou ósseo-articulares (má-formações, amputações, falta de alguma parte das extremidades etc). O conhecimento dessa classificação pode ajudar muito a pensar nas estratégias de avaliação e intervenção de acordo com as reais necessidades do sujeito. De acordo com Augé (2008), o primeiro grupo apresenta necessidades educacionais mais globais e graves do que os que compõem o último grupo. Isso ocorre porque as causas da dificuldade do primeiro grupo estão em uma lesão do sistema nervoso central, enquanto no terceiro grupo o sistema nervoso central não é afetado. Essa informação, entretanto, deve ser relativizada considerando cada caso em específico. Nesse sentido, é preciso diferenciar o sujeito que apresenta um quadro estável e aquele cujo quadro é progressivo, ou seja, o que sofre de uma patologia que não evolui e o que tem uma doença que causa uma piora gradativa. Além disso, deve-se também considerar se a deficiência é congênita ou adquirida, isto é, se o sujeito já nasceu com a deficiência ou a adquiriu ao longo da vida, em uma idade mais avançada, pois saber se o sujeito nunca executou determinado movimento ou deixou de ter esse movimento pode ser relevante ao planejar as atividades ou até mesmo ao propor planos psicopedagógicos mais assertivos do ponto de vista emocional. De todo modo, você deve sempre lembrar que não há uma regra, pois sujeitos que já nasceram com a deficiência às vezes podem ter se desenvolvido melhor do que aqueles que adquiriram a deficiência ao longo da vida e tiveram que passar por um longo processo de adaptação. Exemplo É comum vermos pessoas com deficiência se superando em muitos aspectos como, por exemplo, no esporte. As Paralimpíadas são um palco de demonstração desses casos, em que pessoas com deficiência demonstram habilidades e destreza em situações que pessoas sem aquela deficiência talvez não conseguissem. Conduta psicopedagógica para crianças com de�ciência motora É importante ressaltar que o sujeito com deficiência pode apresentar dificuldades em outras áreas, e não só na esfera físico-motora. Por esse motivo, a avaliação precisa ser multidisciplinar. A organização das informações advindas dos médicos (pediatras, neurologistas, ortopedistas), da equipe escolar (professores, coordenadores, diretores), dos demais profissionais (fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas) vai auxiliar não só no diagnóstico, mas também na compreensão da conduta que o psicopedagogo deverá ter ao intervir no sujeito, seja no ambiente da clínica ou na instituição. Dentre essas informações, o psicopedagogo deve ter ciência: Incluindo o tipo de deficiência e como foi adquirida, quais as suas possibilidades quanto ao controle postural, deslocamento e manipulação de materiais, qual é a qualidade de sua comunicação, quais aspectos cognitivos possui e que contribuem para a sua aprendizagem e quais as necessidades para a funcionalidade de sua vida diária. Quanto aos aspectos médicos e de saúde, é preciso, às vezes, conhecer alguns termos específicos da área médica para sabermos qual a necessidade da criança, se há comorbidade com outros diagnósticos como hidrocefalia, epilepsia, transtorno de déficit de atenção, entre outros. Por exemplo, é importante saber que os espasmos motores podem indicar uma paralisia cerebral. A partir dessas informações, já conseguimos definir algumas condutas, como as adaptações curriculares de que a criança necessita, se ela frequentará o período todo de aula ou apenas parte dele, se necessita de um professor de apoio constante, se participará das aulas de Educação Física e de quais adaptações necessita, entre várias outras condutas. Dos aspectos médicos e de saúde Deslocamento e manipulações também são igualmente importantes, pois devemos saber qual a melhor forma de a criança se sentar, qual tipo de cadeira, se pode ou não mudar de assento dependendo da atividade, qual a melhor postura para ler uma história, para escrever no caderno, no computador ou mesmo para desenhar. Tais informações também nos conduzem quanto aos materiais e recursos necessários: se precisará de ponteira na cabeça devido aos movimentos limitados das mãos, ou de engrossador para o lápis; se é melhor trabalhar com telas de pintura, papel ou recursos tecnológicos. Esses dados contribuem ainda para a definição de todas as adaptações curriculares e de acessibilidade de que a criança precisa, as quais podem ser variadas porque dependerão das características de cada uma das atividades. São igualmente essenciais para planejar um trabalho que leve em conta as necessidades da criança com deficiência motora. É muito comum crianças com paralisia cerebral ou com doenças degenerativas terem dificuldade na fala. Algumas podem não ter desenvolvido a linguagem verbal, outras possuem fala que não é totalmente inteligível, ou, ainda, a fala não se desenvolve devido a alguma questão neurológica. Nesses casos, temos que avaliar e pensar em formas alternativas de comunicação, por exemplo, utilizando figuras que representam cenas do cotidiano ou fazendo combinados de sinais que a criança é capaz de emitir, como piscar uma vez para “sim”, piscar duas vezes para “não”. É preciso que o psicopedagogo resgate o histórico escolar da criança, da conquista de suas aprendizagens ou até mesmo de suas defasagens ao longo do tempo. É importante também orientar os professores quanto à adequação das atividades para que elas sejam acessíveis a essa criança, bem como verificar se a Do controle postural Da linguagem e da qualidade da comunicação Dos aspectos relativos à aprendizagem da criança metodologia utilizada está sendo adequada e sendo promotora de desenvolvimento, levando a criança de um conhecimento X para um conhecimento X+1, a partir da mediação da aprendizagem. Além disso, sabe-se que a criança com deficiência motora geralmente é mais lenta que seus colegas. No contexto escolar, isso deve ser levado em conta, dispondo de mais tempo ou mais recursos para que a criança possa executar as atividades. Por exemplo, se há uma atividade em que todas as crianças devem copiar as perguntas da lousa e respondê-las, pode-se orientar que a criança com deficiência somente responda e receba as perguntas impressas, ou que utilize o computador ou algum dispositivo que compense o tempo de registro da atividade. Outra questão que não pode ser deixada de lado, principalmente quando se refere a crianças mais velhas, é com relação à funcionalidade na vida diária, ou seja, o quanto a criança tem autonomia em seus afazeres, seja em casa ou na escola. É preciso que esse aspecto também seja levado em conta pelo psicopedagogo, orientando escola e família a criarem ambientes desafiadores e que estimulem a criança a se desenvolver de acordo com suas possibilidades.Todo plano interventivo deve ser permeado por condutas que contribuam para a aprendizagem de quaisquer crianças, independentemente de ter alguma deficiência, pois a boa intervenção é aquela que promove o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito. Atenção! Para isso, o psicopedagogo deve utilizar estratégias interventivas considerando tanto o histórico quanto o contexto em que o sujeito está inserido, imbuído de informações da equipe profissional da área da Saúde e escolar, para que juntos possam construir um plano que direcione as condutas da forma mais assertiva possível. Da funcionalidade da vida diária Elaboração de um plano de intervenção multipro�ssional Neste vídeo, a especialista apresenta o processo de elaboração de um plano de intervenção, diferenciando as etapas de avaliação e intervenção psicopedagógica. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Analise as afirmativas abaixo e assinale a que contém atividades que podem ser realizadas no processo de avaliação psicopedagógica da criança da Educação Especial: I – Observação das relações que estabelece com outras pessoas, como se comunica e a qualidade da linguagem. II – Entrevistas com o sujeito, família, professores e demais profissionais da saúde envolvidos no caso. III – Pedir à família e/ ou à escola que filme situações de interação da criança. IV – Observação das atividades familiares que acontecem no cotidiano para determinar o nível de envolvimento emocional entre os membros. A I e II, apenas. B II e III, apenas. C III e IV, apenas. Parabéns! A alternativa E está correta. As atividades que podem ser propostas na investigação do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança da Educação Especial são as mesmas que se realizam com todas as crianças. O que diferencia são as adaptações necessárias, questionários específicos e análises pontuais, como a observação dos recursos de acessibilidade nas atividades escolares. Já no caso de observar e avaliar atividades na família para determinar o envolvimento emocional entre os membros, não representa uma atividade diretamente relacionada com o psicopedagogo. Questão 2 Julgue as afirmativas sobre a avaliação e intervenção de crianças com deficiência motora como verdadeira(s) ou falsa(s), de cima para baixo, e assinale a alternativa correta. ( ) O psicopedagogo precisa conhecer os tipos de deficiência, sua origem, as terminologias médicas e consequências advindas da condição do sujeito para elaborar suas condutas. ( ) A psicopedagogia dispõe de um plano interventivo específico para crianças com deficiência motora, assim como para outras deficiências, com testes e dinâmicas de sessões previamente descritas em manuais. ( ) É importante que o psicopedagogo saiba que crianças com deficiência motora podem ser mais lentas do que as outras, demandando mais tempo para executar as atividades. ( ) É necessário que na investigação psicopedagógica haja informações a respeito do controle postural, deslocamento, manipulações de objetos, qualidade da comunicação para que o profissional elabore sua conduta de forma assertiva. D I, II, IV, apenas. E I, II, III, apenas. A V, F, V, V Parabéns! A alternativa A está correta. O psicopedagogo, em sua investigação inicial, deve dispor de inúmeras informações a respeito do sujeito para que possa pensar em possibilidades de intervenção, porém não há uma orientação específica com sessões previamente programadas em manuais, ou seja, não há uma receita de bolo! Para elaborar o plano de intervenção, o psicopedagogo deve conhecer sobre a deficiência, a história do sujeito, bem como suas necessidades específicas para que possa elaborar suas condutas da forma mais assertiva possível. 4 - Neuropsicologia, Neurociência e Psicopedagogia Ao �nal deste módulo, você será capaz de relacionar o conhecimento das áreas de Neuropsicologia e Neurociência à Psicopedagogia. B V, V, F, V C F, V, V, V D V, V, V, V E V, V, V, F Ligando os pontos Você saberia explicar a relação entre as áreas de Neuropsicologia e Neurociência com a Psicopedagogia? Saberia quais são as contribuições da Neuropsicologia e Neurociência para a educação especial? Para entendermos esses aspectos na prática, vamos analisar o caso de uma psicopedagoga institucional. A psicopedagoga Priscila procurou a diretora e a coordenadora da escola para propor uma reunião com todos os professores, com a finalidade de realizar algumas explicações sobre a importância das áreas da Neuropsicologia e Neurociência para a educação especial. Além disso, justificou que, na atualidade, esse conhecimento é fundamental para a formação e prática docente e a escola tem recebido muitas demandas relacionadas a esse assunto. A gestão da escola organizou esse encontro e Priscila pôde explicar aos professores que as áreas da Neuropsicologia e Neurociência dialogam entre si e, por esse motivo, seus conhecimentos científicos contribuem significativamente para a Psicopedagogia, bem como para a educação especial. Para exemplificar melhor essa situação, relatou aos docentes que, recentemente, tinha sido procurada por uma família com interesse em matricular seu filho na escola, por saber que realizava um excelente trabalho na área da educação inclusiva. A psicopedagoga relatou que a mãe tinha um filho, chamado Samuel, de 10 anos e 6 meses, e que cursava o 3º ano do ensino fundamental I, em uma escola particular. Por ter sido diagnosticado recentemente com TDAH, parece que a escola o excluiu. As ocorrências que acontecem de ruim na sala de aula e no intervalo ele sempre é tido como o culpado. Por isso, não consegue fazer amigos e também não está se saindo bem nas atividades escolares e nas avaliações: possui dificuldades de concentração e de ficar quieto na carteira quando a professora está explicando. De acordo com os pais, Samuel já fez vários acompanhamentos, mas, no momento, encontra-se em tratamento com o neurologista e está em fase de adaptação medicamentosa. A instituição escolar na qual ele estuda não tem psicopedagogo, somente uma coordenadora pedagógica, a qual, além de não entender bem do assunto, sempre afirma em reunião que Samuel tem problemas psicológicos e que necessita mesmo de um psiquiatra, não de um neurologista. Cansada de toda essa situação, a mãe de Samuel, está em busca de uma escola que ajude seu filho, compreendendo que ele tem dificuldades, mas que também é uma pessoa com potencialidades e capacidades para aprender e se relacionar com as pessoas. Priscila esclareceu aos professores em reunião que essa criança, bem como a família, precisa ter o apoio da escola, orientações e de um contexto acolhedor e colaborativo para que Samuel supere suas dificuldades. Acrescentou ainda que a escola deve trabalhar em conjunto também com os profissionais que atendem a criança com TDAH. Após a leitura do caso, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos ligar esses pontos? Questão 1 Como você viu, uma prática inclusiva procura atender alunos com deficiência, mas também alunos diagnosticados com algum transtorno. Pensando nesse assunto, podemos afirmar que o psicopedagogo institucional ao receber um aluno diagnosticado com o transtorno do déficit atenção com hiperatividade deve A verificar de imediato se a criança toma alguma medicação para poder ficar quieta na carteira e prestar atenção nas aulas. B procurar, inicialmente, o neurologista para verificar se o aluno com TDAH tem lesão cerebral ou doença mental. C encaminhar a família para acompanhamento psicoterápico antes que efetue a matrícula do aluno com TDAH. D conhecer a situação e elaborar junto aos professores estratégias na implementação de um programa educacional adequado. Parabéns! A alternativa D está correta. Sabemos que o TDAH gera implicações significativas no âmbito familiar, escolar e social de crianças e adolescentes. Nesses contextos, precisam receber apoioadequado e compreensão das dificuldades, devendo-se buscar, junto aos profissionais que atendem a criança, melhores ações que possam amenizar os prejuízos que o transtorno ocasiona. Todos têm a ganhar, mas principalmente o jovem que sofre a exclusão social, pois, muitas vezes, o TDAH é confundido com uma doença mental. Questão 2 Como você notou, a criança diagnosticada com TDAH pode apresentar vários problemas na escola, como: maior probabilidade de repetência, dificuldades emocionais, relacionais e baixo rendimento acadêmico. Pensando nesse aspecto, de qual forma a psicopedagoga pode mediar as ações dos docentes com esses alunos? E realizar o diagnóstico na escola, a fim de avaliar a desatenção ou a instabilidade de atenção. A Pode solicitar que os docentes utilizem constantemente reforços negativos e punição, a fim de condicionar a frequência de comportamentos inadequados e inesperados. B Pode promover o desenvolvimento das capacidades que toda pessoa possui. Além disso, deve retirar o foco dos déficit e dar destaque para o potencial da criança, procurando a integração nos cenários familiares, escolares e sociais, melhorando, assim, a autoestima. C Pode solicitar que os docentes utilizem para esses alunos uma abordagem pedagógica tradicional, pois concepções interacionistas não permitirão rotinas rígidas. D Pode propor que o docente utilize diversos estímulos, principalmente as informações advindas da Parabéns! A alternativa B está correta. Várias são as propostas pedagógicas interventivas com as crianças diagnosticadas com TDAH. Existem estratégias e programas que se preocupam com a relação entre aprendizagem e a complexidade do transtorno. É importante ressaltarmos a colaboração e a comunicação entre aluno, escola, familiares e profissionais que atendem a criança com TDAH. Por esse motivo, valorizar e auxiliar no desenvolvimento das potencialidades dessa criança impactará também na parte emocional dela. A instituição escolar também precisa oferecer suporte aos professores, por exemplo: reuniões de estudo, discussões de casos e troca de experiências entre docentes que possuem essa experiência. Questão 3 Ao longo dos tempos, a Psicopedagogia agrega conhecimentos de diversas áreas da saúde e da educação; auxilia nas problemáticas de aprendizagem, deficiências e transtornos. Com base nessa informação, você saberia explicar como a Neurociência contribui para a Psicopedagogia? Podemos considerar que essa área também é fundamental para a educação especial? O que você acha? Digite sua resposta aqui Chave de resposta É importante lembrarmos de que a Psicopedagogia se preocupa com a aprendizagem e, nesse sentido, as informações provenientes da Neurociência são primordiais para a compreensão do processo da aprendizagem humana e dos seus distúrbios. tecnologia, ativando, portanto, os pensamentos, o lúdico e a criatividade. E Pode solicitar que os docentes anotem em um caderno todos os comportamentos inadequados, pois a família, na maioria das vezes, precisa levar ao psicomotricista devido a problemas de transtornos de personalidade para ajustes motores. Por isso, ressalta-se que o aprendizado se processa no cérebro, envolve atenção, percepção e também memória. Além disso, a Psicopedagogia também estuda e atua no universo da educação especial, que lida com as diversas deficiências, com os familiares e com a escola. Devido a isso, é fundamental que os psicopedagogos tenham conhecimentos de Neurociência. Logo, o correto seria que todos os profissionais, não só da área da saúde, mas também os da educação, tenham concepções básicas sobre o funcionamento dito normal e patológico do sistema nervoso central. Neuropsicologia e Neurociência – contribuições para a educação especial Passaremos agora a discutir sobre o funcionamento do cérebro para a aprendizagem. Inicialmente, apresentaremos as áreas da Neuropsicologia e da Neurociência, fazendo uma discussão a respeito de suas terminologias e de seu papel no campo educacional. Em seguida, você vai conhecer alguns aspectos do neurodesenvolvimento em relação ao funcionamento, às habilidades cognitivas e à interação no processo de aprendizagem. Por fim, será discutida a importância do conhecimento dessas habilidades para o trabalho clínico do psicopedagogo, o qual pode utilizar instrumentos de avaliação neuropsicológica para traçar planos de intervenção psicopedagógicos mais assertivos quanto aos transtornos de aprendizagem. O papel da Neuropsicologia e da Neurociência O conhecimento do funcionamento de nosso cérebro é essencial para que compreendamos o processo de aprendizagem e o comportamento do ser humano. Para início de conversa, vamos pontuar algumas questões a respeito das terminologias utilizadas na área da Psicopedagogia. Segundo Olivier (2013), a Neurologia é o ramo da Medicina especializado no estudo do sistema nervoso (periférico e central) que engloba o encéfalo e a medula espinhal. Ela é responsável por estudar e tratar as doenças do sistema nervoso. Já a Neuropsicologia surgiu para o estudo do sistema nervoso central e do cognitivo (comportamental). Da mesma forma, a Neurociência se refere ao estudo do sistema nervoso, sua estrutura, seu desenvolvimento, funcionamento, sua evolução e relação com o comportamento e a mente. Ambas estão aptas a detectar e tratar distúrbios e/ ou transtornos que podem afetar o sistema nervoso central, incluindo os de aprendizagem. Neuropsicologia É mais específica, portanto uma especialização direcionada exclusivamente aos psicólogos e médicos. Neurociência É mais ampla, considerada uma área interdisciplinar, portanto uma especialização voltada aos profissionais de diferentes áreas, como pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos. Atualmente, é comum verificarmos termos com o prefixo “neuro” em diversas ocasiões, como em nomes de cursos livres, graduações ou pós- graduações na área da Educação. Isso pode ser considerado um “modismo” desnecessário, pois a Neurologia, a Neuropsicologia e a Neurociência já dão conta do que precisamos saber e fazer no que se refere ao processo de aprendizagem. Funcionamento neurológico e sua relação com o processo de aprendizagem Para compreender as dificuldades, os problemas, os transtornos ou os distúrbios de aprendizagem, é preciso que o psicopedagogo saiba como funciona o processo de aprendizagem do ponto de vista cognitivo. Em outras palavras, é necessário conhecer como o nosso cérebro funciona quando há aprendizagem, para que então compreendamos quando a aprendizagem não ocorre. De forma simples, podemos dizer que a aprendizagem ocorre quando há uma mudança de comportamento provocada por uma experiência, ou seja, há um momento inicial, em que a informação ou tarefa ainda não é dominada, e um momento final, no qual a informação ou tarefa é internalizada, dominada ou automatizada. O que nos interessa é o que acontece no processo intermediário, que está entre o momento inicial e o final, o qual podemos chamar de processamento da informação. Unidades cerebrais segundo Luria Para explicar como se dá o processamento da informação, podemos recorrer a Luria (1981), um dos maiores teóricos da Psicologia, que conceituou o funcionamento do cérebro a partir de três unidades cerebrais funcionais, as quais funcionariam de forma hierárquica, ou seja, as estruturas inferiores serviriam de base para as atividades das superiores. A primeira unidade funcional Foi descrita como a responsável pela vigília e pelo tônus cortical, que regulam o nível de energia e estão relacionados ao controle de estímulos, atenção e concentração. A segunda unidade funcional É responsável por receber, processar e armazenar as informações, podendo ser dividida em três áreas: Projeção — registra elementos da experiência sem o conteúdo simbólico — zonas primárias; Projeção-associação — processa experiências a partir de informações das zonas primárias, apresentandoconteúdo simbólico ― zonas secundárias; Superposição — integra as zonas primárias e secundárias ― zonas terciárias. A terceira unidade funcional Regula e verifica as estratégias comportamentais e a própria atividade mental. Ela é responsável por diversos processos, como comportamento motor, produção da fala, organização e evolução do comportamento. O conhecimento dessas áreas funcionais, bem como sua integração, resulta em dimensões específicas que nos são interessantes por fazer parte do processo de aprendizagem, por exemplo, as habilidades de atenção, memória, cognição, funções executivas, entre outras. Atenção! O desenvolvimento das áreas funcionais forma as atividades cognitivas complexas, as quais são responsáveis, de forma “orquestrada”, pelo processo de aprendizagem. Isso significa que a aprendizagem é complexa e envolve várias regiões do cérebro, por isso é importante que o psicopedagogo tenha conhecimento do funcionamento neurofisiológico, para que, em sua avaliação ou intervenção, saiba o que pode estar havendo, do ponto de vista cognitivo, para a ocorrência da não aprendizagem. A aprendizagem ocorre a partir da mudança de comportamento proporcionada pela plasticidade dos processos neurais cognitivos, os quais resultam não só da maturação biológica, mas também de estímulos e experiências advindos do meio em que o sujeito está inserido. No que se refere ao desenvolvimento cognitivo, pode-se dizer que, em nosso cérebro, existe uma rede formada por milhões de sinapses que ocorrem entre os neurônios, o que resulta na capacidade do sujeito em adquirir determinadas habilidades como memorizar, movimentar, perceber, entre outras. Sinapse É uma região de proximidade entre um neurônio e outra célula por onde o impulso nervoso é transmitido. Sistemas de neurodesenvolvimento Segundo Levine (2003), as habilidades são organizadas em sistemas de neurodesenvolvimento, que podem ser descritos da seguinte forma: Responsável por distribuir a atenção e manter o sujeito concentrado, mesmo na presença de distratores. Responsável por armazenar as informações. Responsável pela capacidade de expressar ideias verbalmente ou pela escrita, pela compreensão do que lhe é dito, pela capacidade de discernir sons ou vocábulos novos de uma língua. Responsável pela capacidade de perceber que as partes formam um todo. Responsável pela capacidade de lidar com sequências e ordenações. Responsável pela conexão entre o cérebro e os músculos do corpo que capacitam o sujeito a, por exemplo, exercitar-se ou tocar um instrumento. Sistema de controle da atenção Sistema de memória Sistema de linguagem Sistema de orientação espacial Sistema de ordenação sequencial Sistema motor Responsável pelo raciocínio lógico, pela resolução de problemas, formação e uso de conceitos e percepção de uma ideia complexa. Responsável pela capacidade de ter relações interpessoais. É importante ressaltar que o neurodesenvolvimento não depende apenas desses sistemas, mas também da herança genética que o sujeito carrega e das relações que estabelece ao longo da vida, das interações e mediações que ocorrem nos ambientes familiar e escolar e em todos os contextos que vivencia. Além disso, a cultura, as experiências sociais podem também modificar o desenvolvimento neurofisiológico, por isso a família e os profissionais que lidam com a aprendizagem são essenciais na promoção do desenvolvimento do sujeito. Nesse sentido, o psicopedagogo, ao observar que uma das habilidades desses sistemas está deficitária, pode recorrer a hipóteses sobre quais serão as dificuldades do sujeito, o que pode, inclusive, indicar possíveis transtornos ou distúrbios de aprendizagem. Exemplo As crianças com dislexia geralmente apresentam dificuldades relacionadas à atenção sustentada, à discriminação de fonemas e à conversão fonema-grafema. Elas podem apresentar também dificuldades para compreender, reter e evocar informações de um texto, além de dificuldades para sintetizar informações na modalidade verbal ou escrita. Tais dificuldades ainda podem acarretar problemas emocionais, devido às frustrações e histórias de fracasso ao longo da vida escolar. Por isso, é importante que tanto a família quanto os profissionais conheçam e compreendam as dificuldades dessas crianças para que possam ser traçadas metas com estratégias eficazes a fim de minimizar tais dificuldades. Segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014), os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições com início no período Sistema do pensamento superior Sistema do pensamento social do desenvolvimento. Os déficit de desenvolvimento variam desde limitações muito específicas na aprendizagem ou no controle de funções executivas até prejuízos globais em habilidades sociais ou inteligência. Saiba mais Quanto ao transtorno específico da aprendizagem, é diagnosticado diante de déficit específicos na capacidade individual para perceber ou processar informações com eficiência e precisão. Ele se manifesta, geralmente, durante os anos de escolaridade formal, caracterizando-se por dificuldades persistentes e prejudiciais nas habilidades básicas acadêmicas de leitura, escrita e/ ou matemática. Os critérios diagnósticos devem ser preenchidos com base em uma síntese clínica da história do indivíduo (do desenvolvimento, médica, familiar, educacional), em relatórios escolares e em avaliação psicoeducacional. Avaliação, estimulação e neuroplasticidade das habilidades cognitivas Para que possamos compreender toda essa complexidade do neurodesenvolvimento, estudiosos estão realizando pesquisas para saber quais habilidades estão envolvidas no processo de aprendizagem específico da leitura, escrita ou matemática, além de investigarem quais dessas habilidades podem ser preditoras do desempenho escolar. A partir desse conhecimento, será possível para os profissionais traçar estratégias de intervenção que contemplem a estimulação cognitiva dessas habilidades. A estimulação cognitiva é muito importante por considerarmos a neuroplasticidade, a qual se refere à capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se ou se moldar às novas demandas ao longo do neurodesenvolvimento. Sendo assim, estimular as habilidades cognitivas é uma das maneiras mais eficazes de intervir em sujeitos que apresentam problemas, distúrbios ou transtornos de aprendizagem, como crianças com dislexia, transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade, transtorno do espectro autista, entre outros. A investigação do nível das habilidades cognitivas, por exemplo, memória, atenção, funções executivas, linguagem, leitura, escrita e raciocínio lógico-matemático nos sujeitos pode ser realizada a partir de instrumentos, na maioria deles não restritos a psicólogos, ou seja, são testes que podem ser usados por você, psicopedagogo! O uso desses testes psicométricos não é tão comum entre os psicopedagogos, mas já tem sido recomendado há algum tempo por inúmeros motivos, dentre os quais o fato de existirem testes padronizados para o público brasileiro, apresentando confiabilidade de comparação a partir das tabelas de pontuação-padrão. Esses testes também são um ótimo recurso em relatórios psicopedagógicos, demonstrando maior rigor e respaldo científico para as análises do psicopedagogo. Tais instrumentos também permitem detectarmos em quais habilidades o sujeito apresenta dificuldade, para que possamos, junto a outras observações clínicas, planejar o processo de intervenção. Comentário Espera-se, portanto, que o psicopedagogo faça uso desses instrumentos de avaliação para que possa relacionar o conhecimento sobre o funcionamento do neurodesenvolvimento à sua prática clínica, a fim de investigar e intervir quanto às habilidades cognitivas que podem estar interferindo no processo de aprendizagem do sujeito. Instrumentos de avaliação do psicopedagogoNeste vídeo, a especialista explica algumas formas de avaliação de habilidades cognitivas por parte do psicopedagogo e sua importância. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Assinale a alternativa que descreve a diferença entre os termos “Neuropsicologia” e “Neurociência”: Parabéns! A alternativa B está correta. O objeto de estudo da Neuropsicologia e da Neurociência é semelhante, pois se refere ao estudo da relação entre o sistema A A Neuropsicologia estuda o funcionamento neurológico das psicoses, especificamente, e a Neurociência é uma área que estuda todos os outros distúrbios ou transtornos psicológicos. B A Neuropsicologia é uma área mais específica, restrita a psicólogos e médicos, e a Neurociência é mais ampla, interdisciplinar, voltada aos profissionais de diferentes áreas. C A Neuropsicologia se refere à atuação do profissional, e a Neurociência, aos estudos teóricos dos cientistas. D A Neuropsicologia é o estudo do funcionamento neurológico aliado à Psicologia; e a Neurociência é aliada à Biologia. E A Neuropsicologia pode ser estudada apenas por psicólogos, e a Neurociência pode ser estudada apenas por cientistas que se dedicam a pesquisas em nível stricto sensu (mestrado/ doutorado). nervoso e o comportamento do sujeito. A diferença entre as duas áreas se refere, principalmente, à sua especificidade, pois a Neuropsicologia é uma área restrita a psicólogos e médicos, enquanto a Neurociência é mais ampla, abrangendo diferentes áreas para seu estudo, o que a torna acessível a vários outros profissionais como, por exemplo, pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, dentre outros. Questão 2 Assinale a alternativa que corresponde à importância do conhecimento do funcionamento neurológico para a prática profissional do psicopedagogo: Parabéns! A alternativa C está correta. A Compreensão de áreas cerebrais com déficit de sinapses, o que possibilita a utilização de aparelhos tecnológicos de estimulação. B Compreensão de quais áreas estão afetadas pelo transtorno, o que possibilita o encaminhamento para especialidades médicas. C Compreensão de habilidades que podem estar interferindo no processo de aprendizagem, o que possibilita elaborar um plano de intervenção baseado na estimulação cognitiva. D Compreensão de áreas corticais que dão origem às deficiências, possibilitando a identificação do plano interventivo em manuais psicopedagógicos. E Compreensão de habilidades cognitivas responsáveis pelo transtorno de aprendizagem, possibilitando um plano de intervenção para saná-lo. O aporte teórico que o psicopedagogo adquire ao estudar o funcionamento neurológico, ou seja, os aspectos do neurodesenvolvimento, possibilitará uma maior compreensão do processamento da informação e das habilidades cognitivas que estão envolvidas nesse processo. Assim, ao identificar quais habilidades podem interferir no processo de aprendizagem, poderá, em cada caso, propor um plano de intervenção que estimule tais habilidades a fim de otimizar a aprendizagem do sujeito. Considerações �nais Como vimos, para compreender o papel da Psicopedagogia na Educação Especial, é preciso que haja uma boa relação entre a família, a escola e os demais profissionais que lidam com a criança com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/ superdotação. Você também aprendeu que é preciso investigar a história do sujeito e ter conhecimento de suas principais características quanto às potencialidades e dificuldades, a fim de que possa compor um plano de intervenção que promova o desenvolvimento e a aprendizagem da criança. Além disso, tomou ciência de que diferentes áreas como, por exemplo, a Neuropsicologia e a Neurociência podem lhe ajudar a compor ferramentas de investigação e intervenção no ambiente psicopedagógico. Podcast Neste podcast, a especialista irá refletir sobre a atuação do psicopedagogo junto à educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Explore + Aqui está nossa sugestão para você aprender mais sobre o funcionamento do cérebro. Pesquise o trabalho O desempenho em escrita de alunos do Ensino Fundamental: relações com memória, atenção e funções executivas, de Andresa Aparecida Ferreira, que teve como objetivo investigar possíveis variáveis cognitivas que poderiam predizer o desempenho em escrita de crianças. Além disso, ao longo do trabalho, você poderá compreender melhor a história do processo de escrita, o funcionamento neurológico, as habilidades cognitivas de memória, atenção e funções executivas e como elas podem interferir no processo de aprendizagem. Os resultados foram surpreendentes. Vale a pena conferir! Assista ao vídeo Neurociência na Educação – Cérebro, que fala sobre o cérebro e suas principais características (aspectos fisiológicos e anatômicos), disponível no YouTube. Referências AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2014. AUGÉ, C. A avaliação psicopedagógica dos alunos com deficiência motora. In: SÁNCHES-CANO, M.; BONALS, J. Avaliação psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2008. BRASIL. CNE. CEB. Resolução n. 4, de 2 de outubro de 2009. Institui diretrizes operacionais para o atendimento educacional especializado na educação básica, modalidade educação especial. Brasília: 2009. LEVINE, M. Educação individualizada. Rio de Janeiro: Campus, 2003. LURIA, A. R. Fundamentos de neuropsicologia. Tradução de Juarez Aranha Ricardo. Livros Técnicos e Científicos. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1981. MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 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