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• Síria
Em 2011, a Síria foi um dos países envolvidos na onda de movimentos pró-demo-
cracia desencadeada em vários países árabes contra os seus regimes ditatoriais, 
conhecidos como Primavera Árabe. As reivindicações comuns a todos esses movi-
mentos apontavam para maior participação popular na política, para eleições livres, 
por liberdade de expressão, para o combate à corrupção e ao desemprego.
Poucos esperavam que a Síria se envolvesse nesses movimentos. No entanto, em 
2011, as forças de segurança do governo sírio abriram fogo numa mesquita em Deraa, 
cidade do sul da Síria, onde se discutia a respeito da prisão de jovens responsáveis 
por pichações feitas contra o ditador sírio Bashar al-Assad. O massacre em Deraa 
desencadeou uma série de manifestações antigoverno e transformou-se numa guerra 
civil. A oposição ao regime se fortaleceu com a formação do Exército Livre da Síria. 
A guerra civil Síria adquiriu contornos de conflito étnico-religioso, ao opor os prin-
cipais grupos que habitam o país. Bashar al-Assad pertence ao grupo alauita (uma 
das vertentes do islamismo xiita) e é apoiado por seus integrantes que representam 
apenas 10% da população. Outros grupos também minoritários apoiam o regime: os 
cristãos ortodoxos (10%) e os drusos (3%). Essas minorias foram privilegiadas durante 
a ditadura da dinastia Assad13. Formaram o grupo social mais rico e preencheram os 
principais postos de comando do Estado sírio e do Partido Baath (partido único do 
regime). Em contraste, a maioria da população de origem sunita, entre eles a maior 
parte dos curdos, representava mais de 70% da população do país e é socialmente 
discriminada. Esses grupos não se sentem representados dentro do regime. 
13 Em 1970, o ministro da defesa, Hafez al-Assad, promoveu um golpe de Estado na Síria e elegeu-se presidente do 
país no ano seguinte. Permaneceu no poder por 30 anos e foi sucedido, após a sua morte em 2000, pelo seu filho 
Bashar al-Assad. 
Curdistão
Observe o mapa e responda à questão.
• Quais peculiaridades geográficas dificultam a 
constituição de um país curdo?
População curda – 2011
TURQUIA
ARMÊNIA
MAR NEGRO
MAR 
CÁSPIO
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Lago
Urmia
40° L
40° N
Lago Van
AZERBAIJÃO
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SÍRIA
JORDÂNIA
LÍBANOLÍBANOLÍBANO
ARÁBIAARÁBIA
SAUDITAUDIT
IRAQUE
ISRAELISRAELISRAEL
60
20
Proporção da
população curda (%)
N
0 170 km
Fonte: SMITH, Dan. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo: Nacional, 2007. 
p. 62; Institute Kurde de Paris. Disponível em: <www.institutekurde.org>. 
Acesso em: fev. 2016.
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54 Unidade 1 | Etnia, diversidade cultural e confl itos 
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Os países do Ocidente (Estados Unidos e União Europeia) e da Liga Árabe opuseram-
-se ao governo sírio e trabalharam para a sua deposição não só em função da violência 
contra a população, promovida pelo Estado e suas milícias armadas, mas pelo fato de 
Assad representar um governo contrário aos seus interesses na região. Apesar de esses 
países estabelecerem pesadas sanções econômicas unilaterais14 contra a Síria, o governo de 
Assad contou com importantes alianças que lhe permitiu evitar o total isolamento do país: 
o Irã no Oriente Médio, dominantemente xiita e seu tradicional aliado; a China e a Rússia, 
membros do Conselho de Segurança, que lhe deram cobertura diplomática na ONU. 
A Rússia tem interesses importantes a serem preservados. Desde a década de 
1970, instalou uma base naval em Tartus e, em 2015, uma base aérea em Latakia, 
cidades sírias do Mediterrâneo. Os russos têm empresas de exploração e distribui-
ção de gás natural no país. Mantêm fortes relações comerciais com o governo sírio 
e grande exportação de armamentos. Veja a figura 27. 
Até o final de 2015, a Síria vivia um impasse: o regime e as forças de oposição 
permaneciam em combate. Mas outros ingredientes tornaram o desfecho da guerra 
civil incerto. Rússia e forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos apoiam forças 
diferentes no conflito. Enquanto a coalizão dá suporte aos rebeldes sírios contrários a 
Bashar al-Assad, o governo russo apoia o presidente. No entanto, todos têm como alvo 
comum o Exército Islâmico estabelecido em terras do Iraque e da Síria. Veja figura 28.
14 As sanções na ONU foram barradas pelo Conselho de Segurança pelo veto da China e da Rússia. 
Figura 28. Soldado carrega 
criança após ataque aéreo russo 
em Alepo (Síria), 2015. 
Figura 27. Caças russos na pista 
da base militar russa na província 
de Latakia, no noroeste da Síria, 
em 16 de fevereiro de 2016. 
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55Capítulo 2 – Conflitos étnico-nacionalistas e separatismo 
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CONFLITOS SEPARATISTAS NA CHINA
Dos cerca de 1 bilhão e 370 milhões de habitantes da China, mais de 90% pertencem 
à etnia han. No entanto, outras 55 etnias que representam menos de 10% da população 
total do país ocupam mais da metade do território, especialmente em regiões que atingem 
grandes dimensões nas áreas desérticas e montanhosas do oeste e norte do país. Em 
algumas províncias dessa região, a população original e majoritária considera o povo 
chinês um ocupante ilegítimo e luta por sua independência e autonomia (figura 29).
Figura 29. China: grandes regiões geográficas – 2015
MANCHÚRIA
XINJIANG
TIBET
CHINA DO LESTE
MON
GÓ
LIA
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TE
R
IO
R
CAZAQUISTÃO
RÚSSIA
MONGÓLIA
ÍNDIA
NEPAL
BUTÃOOOBUT
VIETNÃ
FILIPINAS
TAIWAN
JAPÃO
 COREIA COREIA COREIA COREIA COREIA COREIA COREIA
 DO DO DO DO
NORNORTENORTE
COREIACOREIACOREIA
DO
SUL
MIANMAR
BANGLADESH
MAR DA
CHINA
ORIENTAL
MAR DO
JAPÃO
(MAR DO
LESTE)
MAR DA
CHINA
MERIDIONAL
 T
RÓP
ICO 
DE C
ÂNC
ER
110º L
40
º N
N
0 520 km
Fonte: OLIC, Nelson B.; CANEPA, Beatriz. Geopolíticas asiáticas. São Paulo: Moderna, 2007. p. 13. Consulado da China 
nos Estados Unidos, 2015. Disponível em: <http://guangzhou.usembassy-china.org.cn>. Acesso em: fev. 2016.
• Tibet
O Tibet é uma vasta região situada a sudoeste do território da China. Apesar de ter 
constituído um Estado independente entre 1911 e 1950, a China alega que o Tibet 
faz parte do seu território desde o século XIII. Os tibetanos afirmam que o domínio 
chinês na região não foi constante nem contínuo.
No ano posterior à Revolução Socialista de 1949, a região foi novamente anexada pela 
China Popular. Antes institucionalizado como Estado teocrático, o Tibet, sob o domínio 
chinês, passou por grandes transformações, como a supressão do poder da aristocracia 
religiosa e civil, a abolição da servidão rural e da escravidão doméstica e a redistribuição 
de terras. Além disso, o planalto tibetano e a cidade de Lhasa, capital dessa província 
autônoma, receberam um grande contingente de migrantes chineses de origem han.
A reação diante da anexação, durante a década de 1950, colocou em confronto 
as forças de ocupação e parte da população tibetana separatista, organizada no 
Exército de Defesa da Religião, que atacou a todos que apoiavam a incorporação do 
Tibet à China Popular. No entanto, essa reação foi esmagada pelo exército vermelho 
de Mao Tsé-Tung (1893-1976). O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, exilou-se, em 
1959, na cidade indiana de Dharamsala, onde vive até hoje.
Em 1989, uma onda de movimentos pela democratização do regime chinês foi 
acompanhada por uma nova revolta separatista de monges budistas e de civis. O 
governo chinês, além de impor a lei marcial, restringiu a relativa autonomia religiosa 
e cultural ainda presente no Tibet (figura 30, na próxima página).
D
A
C
O
S
T
A
 M
A
P
A
S
Teocracia 
É um governo exercido por uma 
autoridade divina representada 
por homens. Nas teocracias, os 
líderes do governo são membros 
do clero e o sistema jurídico do 
Estado estabelece suas leis com 
base na religião.Lei marcial 
Situação especial em que o 
Estado passa a ser gerido 
momentaneamente por uma 
autoridade militar. A lei marcial 
cria um Estado de exceção – 
restrição das liberdades civis, 
imposição do toque de recolher, 
poder de deter os cidadãos sem 
acusação formal etc. – que 
assegura poderes ao governo 
de tomar decisões e ações 
necessárias para garantir a 
ordem e a segurança.
56 Unidade 1 | Etnia, diversidade cultural e confl itos 
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