Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA II 
Prof. Italo Trigueiro 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A EMERGÊNCIA DE CONFLITOS REGIONAIS E A 
QUESTÃO DAS IDENTIDADES SOCIOCULTURAIS: 
ÉTNICAS, TRIBAIS E RELIGIOSAS I 
 
Nas últimas décadas do século XX, ao mesmo tempo em que se 
intensificava o processo de globalização ampliavam-se os conflitos 
étnicos-nacionalistas, muitos deles relacionados a movimentos 
separatistas. Um fato marcante nesses novos conflitos é que as 
guerras entre países não constituem mais a forma predominante 
de luta pelo poder. Outra característica é que todos eles atingem 
profundamente a população civil, sujeita a fome, abusos de todos 
os tipos e deslocamentos forçados, criando uma enorme massa de 
refugiados e asilados políticos. 
 
As guerras civis, outro aspecto desses conflitos, são cada vez mais 
longas e acabam por se internacionalizar, envolvendo países 
vizinhos ou grandes potências, como é o caso da guerra da 
República Democrática do Congo, no Mali, e dos conflitos no 
Oriente Médio, em especial na Sìria. 
 
De acordo com o relatório do desenvolvimento 2015: racismo, 
pobreza e violência, publicado pela ONU, o século XX foi o mais 
violento da história da humanidade: o número de mortos em 
conflitos armados e guerras durante ele foi mais do que três vezes 
maior do que nos quatro séculos anteriores. 
 
O século XX foi marcado pelas duas grandes guerras mundiais e 
pela Guerra Fria, durante a qual revoluções e movimentos de 
libertação nacional foram manipulados pelas superpotências, que 
ajudaram a disseminar a violência na África, América e Ásia. Além 
disso, muitos conflitos internos foram incentivados pelas potências 
da Europa ou pelas superpotências Estados Unidos e União 
Soviética. 
 
Na última década do século XX, o encerramento da Guerra Fria 
resultou na diminuição dos conflitos entre Estados (que caíram de 
51, em 1991, para 29, em 2003). Essa tendência de declínio das 
guerras tradicionais, ou seja, do enfrentamento armado entre 
Estados soberanos, prossegue na primeira década do século XXI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na primeira década do século XXI, mais de 90% dos mortos e 
feridos nos conflitos eram civis, enquanto 95% dos mortos e feridos 
nas duas guerras mundiais eram militares, participando dos 
exércitos regulares. Em geral as guerras civis surgem da 
fragilidade dos Estados, incapazes de resolver e conter tensões 
entre os grupos. 
 
Entre as razões motivadoras desses conflitos, destacam-se: 
• Disputa pelo poder: Estruturas políticas não democráticas, crise 
externas e mudanças sociais podem acirrar rivalidades políticas, a 
ponto de transformá-las em enfrentamentos violentos. 
• Reivindicações ou disputa por territórios: Diversas guerras 
têm ocorrido no mundo por invasão, ocupação de territórios e 
delimitação de fronteiras. Isso ocorreu, por exemplo, quando da 
desintegração da Iugoslávia. 
• Insegurança econômica e pobreza: As crises econômicas e a 
pobreza podem levar a tensões e conflitos. Em 2005, 46 Estados 
apresentavam um terço de pessoas vivendo com menos de um 
dólar por dia, e seus governos não conseguem exercer controle 
territorial, oferecer segurança ou administrar recursos e serviços 
públicos. Entre esses Estados, 35 registraram conflitos civis na 
década de 1990. 
• Desigualdades sociais: Apesar de não resultarem 
necessariamente em guerras civis, representam um fator de 
acirramento de tensões. As desigualdades verticais, que se 
baseiam em diferenças de rendimentos entre os indivíduos de uma 
sociedade, geralmente ocasionam problemas sociais. As 
desigualdades horizontais, entre regiões ou grupos com 
diferenças étnicas, religiosas e culturais, são mais comumente 
associadas a conflitos. 
 
 
Marcas da Guerra Civil em Ruanda entre Hutus e Tutsis nos anos 1990. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO-NAÇÃO E TERRITÓRIO 
CONFLITOS CIVIS NO INÍCIO DO SÉCULO XXI 
 
Fonte: L’Atlas du Monde Diplomatique: um monde à l’envers. Paris: Le Monde Diplomatique, 2009.p.116 
Aula 19 – Conflitos Regionais na Ordem Global I 
 
 
 
 
 
427 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
As fronteiras definem a extensão geográfica da soberania do 
Estado. No interior do espaço que delimitam, ou seja, no território 
nacional, o poder do Estado é soberano. É ele que estabelece as 
divisões internas, realiza os censos, organiza as informações sobre 
a população e as atividades econômicas e formula estratégias de 
desenvolvimento ou de proteção deste território. 
 
A noção política de fronteira foi elaborada pelo Império Romano. O 
Limes – uma linha demarcatória dos limites do Império – separava 
os romanos dos “bárbaros”. As célebres legiões romanas 
protegiam o império, guarnecendo o limes. Estar no interior do 
espaço demarcado pelo limes era fazer parte da civilização 
romana. 
 
A noção contemporânea de fronteira política internacional 
separando Estados soberanos, porém, surgiu no final da Idade 
Média, junto com os Estados territoriais. 
 
Durante a Idade Média, o poder político não estava unificado 
geograficamente, mas encontrava-se fragmentado em um mosaico 
de principados, condados, ducados e domínios eclesiásticos, cada 
um com as suas leis e regras. Os reis não podiam aplicar impostos 
sem antes obter a concordância das aristocracias regionais. Cada 
uma das grandes linhagens aristocráticas possuía seu próprio 
exército. Alguns desses exércitos eram maiores que o do rei. O 
poder político nessa época não era territorial, mas pessoal. No 
auge do feudalismo europeu, as leis escritas foram substituídas 
pelas tradições locais, interpretadas pelo senhor de terras. 
Casamentos entre aristocratas de linhagens diferentes unificavam 
domínios, reorganizando o poder político segundo as ligações 
familiares. 
 
O Estado territorial originou-se na Europa do Renascimento, 
quando o poder político foi unificado pelas monarquias e ganhou 
uma base geográfica definida, passível de ser delimitada por 
fronteiras lineares. Nessa época, foram criados exércitos regulares 
sob as ordens do rei e corpos estáveis de funcionários 
burocráticos, que, entre outras coisas, organizavam a coleta dos 
impostos. Algumas cidades tornaram-se capitais permanentes, 
residência fixa do monarca e sede do aparelho administrativo. 
 
O Estado territorial correspondeu à monarquia absolutista. Nele, o 
território era patrimônio do monarca, fonte de toda a soberania. Os 
súditos, ou seja, todos aqueles que viviam nos territórios unificados 
pela soberania do monarca, deviam-lhe obediência e lealdade. 
 
A Revolução Francesa de 1789 assinalou um momento-chave da 
transformação do Estado territorial absolutista em Estado Nacional. 
A revolta da burguesia contra o poder absolutista da monarquia e 
contra os privilégios da nobreza explodiu em 20 de junho de 1789 
quando seus representantes exigiram que o rei convocasse uma 
Assembleia Constituinte. Depois da Queda da Bastilha, a 
Assembleia Constituinte revogou os privilégios da nobreza e do 
clero: servidão, dízimo, monopólios, isenções de impostos e 
tribunais especiais. No dia 26 de agosto daquele ano, era 
divulgada a Declaração dos Direitos dos Homens. Pouco depois, o 
novo Estado encontrou a sua moldura jurídica. A Constituição 
francesa de 1791 adotou a doutrina dos três poderes de 
Montesquieu, estabelecendo a separação entre os poderes básicos 
do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Em 1792, a 
Revolução derrubou a monarquia e proclamou a república. Definia-
se, assim, o formato do Estado Nacional contemporâneo. 
Barão de Montesquieu. 
 
O ESPÍRITO DAS LEIS 
CAPÍTULO I 
 
Das leis em sua relação com os diversos seres 
As leis, em seu significado mais extenso, são as relações 
necessárias que derivam da natureza das coisas; e, neste 
sentido, todos os seres têm suas leis; a Divindade possui suas 
leis, o mundo material possui suas leis, as inteligências 
superiores ao homem possuemsuas leis, os animais possuem 
suas leis, o homem possui suas leis. Aqueles que afirmaram 
que uma fatalidade cega produziu todos os efeitos que 
observamos no mundo proferiram um grande absurdo: pois o 
que poderia ser mais absurdo do que uma fatalidade cega que 
teria produzido seres inteligentes? 
 
Existe, portanto, uma razão primitiva; e as leis são as relações 
que se encontram entre ela e os diferentes seres, e as relações 
destes diferentes seres entre si. Deus possui uma relação com 
o universo, como criador e como conservador: as leis 
segundo as quais criou são aquelas segundo as quais 
conserva. Ele age segundo estas regras porque as conhece; 
conhece-as porque as fez, e as fez porque elas possuem uma 
relação com sua sabedoria e sua potência. 
 
Como observamos que o mundo, formado pelo movimento da 
matéria e privado de inteligência, ainda subsiste, é necessário 
que seus movimentos possuam leis invariáveis; e se 
pudéssemos imaginar um mundo diferente deste ele possuiria 
regras constantes ou seria destruído. 
 
Assim, a criação, que parece ser um ato arbitrário, supõe 
regras tão invariáveis quanto a fatalidade dos ateus. Seria 
absurdo dizer que o Criador poderia, sem estas regras, 
governar o mundo, já que o mundo não subsistiria sem elas. 
 
Estas regras consistem numa relação constantemente 
estabelecida. Entre um corpo movido e outro corpo movido, é 
segundo as relações da massa e da velocidade que todos os 
movimentos são recebidos, aumentados, diminuídos, 
perdidos; cada diversidade é uniformidade, cada mudança é 
constância. Os seres particulares inteligentes podem ter leis 
que eles próprios elaboraram; mas possuem também leis que 
não elaboraram. Antes de existirem seres inteligentes, eles 
eram possíveis; possuíam, portanto, relações possíveis e, 
consequentemente, leis possíveis. Antes da existência das leis 
elaboradas, havia relações de justiça possíveis. Dizer que não 
há nada de justo ou de injusto além daquilo que as leis 
positivas ordenam ou proíbem é dizer que antes de se traçar o 
círculo todos os raios não são iguais. 
Montesquieu. 
 
 
 
 
 428 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
Os conflitos contemporâneos são bem mais complexos do que a 
simples busca pelo poder. Eles envolvem uma série de fatores 
econômicos, sociais, ideológicos, religiosos e políticos em 
diferentes escalas. Além disso, esses embates apresentam 
diferentes modalidades e diversas estratégias, como veremos a 
seguir em algumas regiões conflituosas. 
 
FOCOS DE CONFLITOS NA ÁSIA 
O continente asiático abriga cerca de 60% da população mundial e 
milhares de etnias. Nas duas últimas décadas do século XX, 
alguns conflitos étnico-nacionalistas destacaram-se pelo grande 
número de pessoas envolvidas e a violência empregada. 
 
Índia, Paquistão e China são as áreas de grande tensão. 
Entretanto, localiza-se também na Ásia a região mais conturbada 
do planeta, o Oriente Médio, berço das três religiões monoteístas 
do planeta, que são as mais praticadas, o Oriente Médio é uma 
região muito importante do ponto de vista econômico e geopolítico. 
 
Rota de passagem entre o Extremo Oriente (Japão e China), o 
Sudeste Asiático e a bacia do Mediterrâneo, o Oriente Médio está 
estrategicamente posicionado entre três continente, Europa, Ásia e 
África. 
 
A posição estratégica é atestada pelos limites do território, 
marcados por pontos geopolíticos e economicamente muito 
importantes: 
• Canal de Suez: construído pelos ingleses em terras do Egito, faz 
a ligação artificial entre o Mediterrâneo e o Vermelho. 
• Estreito de Ormuz: liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico, sendo 
rota obrigatória dos petroleiros dos países árabes que se dirigem a 
todos os mercados mundiais. 
• Estreito de Bósforo: ponto de comunicação entre o mar 
Mediterrâneo e o mar Negro, é passagem da Europa a vários 
países asiáticos. 
• Estreito de Tiran: única ligação de Israel com o mar Vermelho, 
através do Golfo de Aqaba. 
• Estreito de Bab-el-Mandeb: separa o Oriente Médio da instável 
região conhecida como “Chifre da África” (Somália, Eritreia, Etiópia 
e Dijbuti) no encontro com o mar Vermelho. 
 
ORIENTE MÉDIO: PONTOS ESTRATÉGICOS 
 
 
Na península Arábica estão localizados os “países do petróleo” 
(Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Iêmen). 
Outro “país do petróleo” é o Bahrein, formado por trinta e cinco 
ilhas situadas no Golfo Pérsico. 
 
Na costa banhada pelo Mediterrâneo estão localizados os países 
que se destacam pela instabilidade que a criação em 1948, do 
Estado de Israel, em território Palestino, trouxe para a região: 
Jordânia, Síria, Líbano e o próprio Estado de Israel. Todos com 
exceção da Jordânia, localizam-se em terras da antiga Fenícia e 
Palestina. Na costa mediterrânea também localiza-se o Chipre, 
pertencente ao continente europeu. 
Com uma pequena porção de seu território situado na Europa, a 
Turquia tem uma localização geográfica privilegiada e é o país de 
maior estabilidade política na região. A posição geográfica 
aproxima a Turquia mais da União Europeia do que do Oriente 
Médio. 
É necessário ressaltar que a Turquia é um Estado com uma 
dimensão geográfica muito grande, quando aferida por padrões 
europeus. O seu território, com 769.604 km2, é superior ao 
conjunto dos dez novos Estados-membros que entraram para a 
União Europeia em 2004, os quais totalizam apenas 736.482 km2 e 
representa cerca de 1,5 vezes a dimensão do maior país da atual 
UE, que é a França. Por sua vez, a soma total das suas fronteiras 
terrestres ascende a 2648 km, abrangendo oito países muito 
diversos como a Arménia, o Azerbaijão – no enclave do 
Nakhichevan, sem ligação com o restante território –, a Bulgária, a 
Geórgia, a Grécia, o Irã, o Iraque e a Síria. 
Geograficamente, a Turquia pertence à Europa e à Ásia, ao 
Cáucaso e ao Oriente Médio, ao mar Negro e ao Mediterrâneo, ao 
mar Egeu e ao mar de Mármara. Esta grande diversidade 
geográfica, associada ao passado do multissecular Império 
Otomano, que perdurou até à sua dissolução no pós - 1ª Guerra 
Mundial, tem significativas implicações econômicas, políticas, 
estratégicas e culturais. Em termos étnicos e culturais determina a 
existência de continuidades étnico-culturais das populações, para 
além das atuais fronteiras políticas da República fundada em 1923, 
e reflete-se na estabilidade/instabilidade dessas mesmas 
fronteiras. 
 
SÍNTESE DOS PRINCIPAIS CONFLITOS FRONTEIRIÇOS 
TURCO 
• ARMÊNIA: A Turquia não reconhece os massacres da 
população armênia – cerca de um milhão de vítimas –, ocorridos 
na fase final do Império Otomano (1915-1917), como genocídio, 
em contradição com o reconhecimento da Assembleia Geral das 
Nações Unidas, do Parlamento Europeu, de seis Estados da UE: 
França, Bélgica, Grécia, Itália, Suécia e Eslováquia e de diversos 
outros Estados a nível mundial. Existem ambições irredentistas, 
não oficiais, sobre os antigos territórios históricos da Armênia, 
situados na atual Turquia, sendo as mais simbólicas as que 
recaem sobre o monte Ararat (a montanha da Arca de Noé, 
segundo a Bíblia) e Ani, a antiga capital do reino medieval da 
Grande Armênia. 
• BULGÁRIA: O principal ponto de discórdia, aparentemente 
sanado, é o da minoria islâmica da Bulgária, os pomaks, herdada 
do Império Otomano (12% população). Após a tensão de 1989, que 
levou à emigração de cerca de 300 mil pomaks para a Turquia, a 
queda do regime comunista trouxe uma melhoria das relações 
entre os dois países, permitindo o regresso da maioria dos que 
tinham fugido a uma política de bulgarização forçada. 
• CHIPRE: A Turquia ocupa militarmente a parte norte da ilha onde 
mantém cerca de 36 mil efetivos que garantem a existência de 
facto da República Turca do Norte de Chipre, a qual só é 
reconhecida de jure, a nível internacional, pela própria Turquia. 
• GEÓRGIA: Após a independência da ex-URSS não foram 
reiteradas (pelo menos até agora)as reivindicações territoriais 
Aula 19 – Conflitos Regionais na Ordem Global I 
 
 
 
 
 
429 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
sobre as regiões vizinhas da Turquia, cedidas pelo Tratado de Kars 
(1921), efetuado entre a Rússia bolchevique e os nacionalistas 
turcos, provavelmente devido à existência dentro da própria 
Geórgia de significativas minorias muçulmanas (cerca de 11 por 
cento da população do país), localizadas essencialmente na 
república autónoma da Abkhazia e da região autónoma da Ossétia 
do Sul. 
• GRÉCIA: Litígio sobre as águas territoriais marítimas e os 
corredores aéreos no mar Egeu, sobre os direitos da minoria 
muçulmana turca na Grécia (Trácia Oriental) e sobre os direitos do 
Patriarcado da Igreja Ortodoxa grega de Constantinopla/Istambul. 
• IRÃ: Não existem litígios territoriais fronteiriços. Todavia, há uma 
importante disputa político-estratégica em curso sobre a influência 
no Médio Oriente e nas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, 
que coloca normalmente turcos e iranianos em campos opostos 
nos conflitos da região (por exemplo, no conflito do Nagorno-
Karabach a Turquia apoia o Azerbaijão, enquanto o Irão apoia a 
Arménia). 
• IRAQUE: Ambições irredentistas da Turquia sobre o Norte o 
Iraque (região de Mossul e Kirkuk), que foi a principal reivindicação 
territorial não conseguida pela República da Turquia em 1923, 
após a extinção do Império Otomano. O Iraque, pelos menos até à 
deposição de Saddam Hussein em 2003, contestava a diminuição 
unilateral dos caudais dos rios Tigre e Eufrates, devido à 
construção da barragem de Atatürk e aos planos de irrigação das 
províncias do território turco junto à sua fronteira, que levam a seca 
e águas poluídas ao seu território. 
• SÍRIA: A Síria reclama a província turca do Hatay (onde se 
encontra a cidade de Antioquia), não reconhecendo a soberania da 
Turquia sobre esse território, anexado em 1938, na sequência de 
um referendo alegadamente fraudulento. 
O Egito, apesar de ter a maior parte de seu território na África, tem 
a península do Sinai localizada no continente asiático e já esteve 
envolvido em vários conflitos no Oriente Médio. As importantes 
rotas comerciais que existem no Oriente Médio, como a rota do 
petróleo, o fato de a região se limitar com outras áreas ricas em 
petróleo, como os países da Ásia Central (Cazaquistão, 
Usbequistão e Quirquízia), e com países que vivem em conflitos 
como o Paquistão e a Índia e os países do Chifre da África, são 
determinantes para a sua grande importância estratégica. 
Além das questões étnico-culturais, podemos destacar a questão 
econômica, uma vez que o Oriente Médio detém cerca de 54% do 
total mundial de petróleo. Das sete maiores reservas mundiais do 
produto, cinco estão localizadas na região. 
A região tem importante participação na OPEP, a Organização dos 
Países Exportadores de Petróleo, com seis países-membros: Irã, 
Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait. 
Como membro da organização, os países produtores do Oriente 
Médio conseguem controlar a produção e o preço do petróleo no 
mercado mundial, criando um verdadeiro cartel. 
 
MAIORES RESERVAS MUNDIAIS DE PETRÓLEO – 2014 
País Bilhões de barris 
Venezuela 297.5 
Arábia Saudita 265,4 
Irã 154,5 
Iraque 141,3 
Kuwait 101,5 
Emirados Árabes Unidos 97,8 
Rússia 79,7 
Anual Statistic Bulletin, OPEP 
QUESTÃO PALESTINA 
A região da Palestina foi ocupada e conquistada por muitos povos, 
entre eles os judeus e os árabes. No século VI a.C., o povo judeu 
iniciou sua diáspora, devido à repressão imposta pelo Império 
Romano, mas continuou a considerar a região como sua terra de 
origem. Os palestinos são formados por uma mistura de povos, 
como filisteus1 (que ocupavam a Faixa de Gaza), cananeus2 (que 
habitavam a Cisjordânia) e os árabes, os quais impuseram sua 
cultura, tradição e a religião islâmica. Os palestinos habitaram a 
região por um período de cerca de 2.000 anos. 
 
A partir do final do século XIX, com a criação da Organização 
Sionista Mundial (1897), cuja sede fica na Suíça, o movimento 
sionista começou a organizar a migração de judeus à Palestina, 
visando a formação de uma pátria judaica. Na primeira metade do 
século XX, o aumento da população judaica na região, estimulado 
pela compra de terra e pelo estabelecimento de diversas colônias, 
foi contínuo e relativamente pacífico. 
 
 
 
No entanto, depois da Primeira Guerra Mundial, quando os 
britânicos, que passaram a controlar a região, cogitaram a criação 
de um Estado judaico (Declaração de Balfour), essa migração 
tornou-se bastante conflituosa. O secretário de relações exteriores 
britânico, Arthur Balfour, encorajava a colonização da Palestina por 
judeus e apoiava o estabelecimento de um “lar nacional judaico na 
Palestina”, o qual teria proteção britânica. 
 
 
Arthur Balfour e a Declaração Balfour. 
 
1 A origem dos filisteus (do hebraico plishtim) ainda hoje é motivo de controvérsias. Há polêmica 
até mesmo sobre o fato se se tratava de um único povo ou de uma confederação de povos que 
migraram do Mar Egeu para o leste do Mar Mediterrâneo no século XIII a.C. 
2 O nome cananeu deriva de Canaã, um dos filhos de Cam, filho de Noé. Esta descendência 
lhes foi atribuída por sua grande dependência política em relação aos egípcios camitas. No 
entanto, sabe-se que a maioria dos habitantes de Canaã – Palestina e Fenícia – era formada 
por semitas imigrados em diversos períodos, provavelmente entre o 4º e 2º milênios anteriores 
ao nascimento de Cristo. 
 
 
 
 
 430 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Italo Trigueiro) 
A perseguição e o massacre imposto aos judeus pelos nazistas na 
Segunda Guerra Mundial, foram fundamentais para o apoio 
internacional à formação do Estado de Israel, em 1948. A divisão 
do território da Palestina entre judeus e palestinos fazia parte de 
acordos firmados entre Estados Unidos, Reino Unido e URSS. Em 
1947, a ONU aprovou o plano de partilha da região da Palestina e 
a criação do Estado de Israel, que ocupava 57% daquele território. 
 
A formação de um Estado judaico no Oriente Médio provocou a 
reação contrária dos países árabes. Ainda em 1948, Egito, 
Jordânia, Líbano e Síria invadiram Israel, dando início a Primeira 
Guerra Árabe-Israelense (1948-1949). 
Em 1949, foi estabelecido um armistício, que retirou totalmente dos 
palestinos as decisões sobre os seus tradicionais territórios, 
inclusive dos que tinham sido delimitados pela ONU, em 1947. O 
acordo de paz estabeleceu que o Estado Árabe da Palestina seria 
dividido entre Israel (que conquistara a Galileia e o deserto de 
Neguev); Transjordânia, que incorporaria a Cisjordânia (a oeste do 
rio Jordão); e Egito, que ocuparia a faixa da Gaza. Após o 
armistício, os conflitos não cessaram. Diversas questões opuseram 
árabes e israelenses. Os palestinos reagiram à ocupação de suas 
terras organizando atos terroristas contra os judeus. 
Em 1956 o Egito nacionalizou o Canal de Suez e proibiu a 
passagem de navios israelenses na região, dando origem a 
Segunda Guerra Árabe-Israelense. Israel, apoiado por França e 
Reino Unido, ocupou toda a região do Sinai. A pressão de EUA e 
URSS fez com que Israel recuasse e abandonassem o Sinai, assim 
como os egípcios retroagissem em sua decisão. 
Em 1967, a Síria tentou desviar o fluxo de água do rio Jordão 
mediante a construção de uma grande represa, nas colinas de 
Golã. Com o apoio da Jordânia e do Egito, a Síria bloqueou o golfo 
de Ácaba – utilizado pelos navios israelenses para chegar ao Mar 
Vermelho. O crescimento das tensões colocou em alerta as tropas 
de todos os países envolvidos. 
Entre 5 e 10 de junho de 1967, os israelenses iniciaram fulminante 
ataque ao Egito, à Jordânia e à Síria, que imobilizaram totalmente 
as tropas árabes numa das guerras mais curtas da história,denominada Guerra dos Seis Dias ou Terceira Guerra Árabe-
Israelense. Nesse terceiro conflito, os israelenses anexaram a 
península do Sinai e a faixa da Gaza, pertencentes aos egípcios; 
as colinas de Golã, que pertenciam a Síria; e a Cisjordânia, que 
fazia parte da Jordânia. 
Em 1973, na tentativa de reaver os territórios ocupados, Egito e 
Síria atacaram Israel de surpresa, dando início à Quarta Guerra 
Árabe-Israelense, conhecida pelos judeus como Guerra de Yom 
Kippur e pelos palestinos como Guerra de Novembro. A princípio, 
conquistaram algumas posições, mas foram obrigados a recuar 
com a forte reação do exército israelense, que conseguiu mobilizar 
e organizar as suas tropas rapidamente. A guerra durou três 
semanas, e Israel manteve sob seu domínio as conquistas da 
Guerra dos Seis Dias. Em 1979, Israel concordou em devolver ao 
Egito a península do Sinai, mediante acordo de Camp David, 
intermediado pelos Estados Unidos. 
As guerras envolvendo árabes e israelenses expulsaram milhares 
de palestinos de suas terras, que se refugiaram em acampamentos 
no Líbano, na Síria, no Egito e na Jordânia. Desorganizados, 
espalhados por diversos países e enfraquecidos militarmente, os 
palestinos criaram várias organizações terroristas para lutar contra 
o Estado de Israel, entre ela a Al Fatah, em 1959, e a Organização 
para a Libertação da Palestina (OLP), em 1964. No final da década 
de 1960, a OLP foi reconhecida pela ONU como única e legítima 
organização representante do interesse do povo palestino. Em 
1969, Yasser Arafat, palestino nascido no Egito, assumiu a 
presidência da organização. Até 1987, Arafat utilizava métodos 
extremistas – atos de terrorismo – para alcançar seus objetivos. 
Em 14 de dezembro de 1988, o líder da OLP apresentou um plano 
de paz na Assembleia Geral da ONU, no qual reconhecia o Estado 
de Israel. 
Esse acontecimento marcou uma nova faze para a OLP, que 
conquistou mais espaço no campo diplomático, passando a 
negociar com os Estados Unidos e, posteriormente, com Israel. No 
dia 13 de setembro de 1993, após seis meses de negociações 
secretas mediadas pelo governo da Noruega, Arafat e o primeiro-
ministro israelense Yitzak Rabin, assinaram uma acordo de paz na 
Casa Branca, Estados Unidos, que ficou conhecido como Acordo 
de Oslo. 
 
 
Por esse acordo, a faixa da Gaza e a parte da Cisjordânia - 
incorporadas a Israel, em 1967, na Guerra dos Seis Dias – foram 
devolvidas aos palestinos e se tornaram regiões autônomas. Foi 
criada, também, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), entidade 
liderada por Arafat com sede em Ramallah, na Cisjordânia. A ANP 
passou a ser a representação legal dos palestinos e responsável 
pela administração dos seus territórios. Em setembro de 1995, um 
novo acordo estendeu a autonomia a outras 456 cidades na 
Cisjordânia. 
No final da década de 1990, as negociações entre Israel e ANP 
tornaram-se extremamente difíceis. Em 2000 Ariel Sharon, que no 
ano seguinte seria escolhido primeiro-ministro de Israel, visitou a 
Esplanada das Mesquitas (local mais sagrado para os muçulmanos 
em Jerusalém), provocando a Segunda Intifada. 
 
 
Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas. 
 
A partir desse acontecimento, instaurou-se uma espiral de 
violência: de um lado, atentados suicidas fomentados por grupos 
Aula 19 – Conflitos Regionais na Ordem Global I 
 
 
 
 
 
431 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
radicais palestinos contra israelenses; de outro, retaliações a essas 
agressões, com ações militares promovidas pelo exército de Israel, 
que colocou o exército dentro do território da ANP e passou a 
retaliar todos os suspeitos de integrar grupos terroristas, 
promovendo ao mesmo tempo, ataques à população civil palestina. 
 
 
 
Com a morte de Arafat em 2004, a ANP passou a ser presidida por 
Mahmoud Abbas, eleito num processo livre e democrático, no início 
de 2005. As ações de Abbas foram pautadas pelas negociações 
com o governo de Israel e com os grupos radicais palestinos com o 
objetivo de retomar a avançar as questões traçadas pelo Mapa do 
Caminho. Essas negociações levaram, à retirada dos 
assentamentos judaicos da faixa de Gaza e de uma pequena parte 
da Cisjordânia. 
 
Apesar disso, o governo de Israel insistiu em dar continuidade à 
construção de um muro que separa Israel da parte da Cisjordânia, 
controlada pelos palestinos. Iniciada em 2002, a imensa muralha 
tem postos de vigilância de entrada e saída. Uma extensa região 
controlada pelo exército israelense, chamada de zona tampão, 
isola a comunidade palestina em seu próprio território. Além disso, 
o muro incorpora terras palestinas ao território israelense. 
 
Israel declara a cidade de Jerusalém como capital indivisível do 
país; já os palestinos não abrem mão de incorporá-la a um futuro 
Estado da Palestina. O extremismo de grupos judeus e palestinos, 
contrários a qualquer processo de negociação, constitui outro 
obstáculo à paz na região. Em 2006 o Hamas conquistou 
legitimamente o poder e manteve a posição de não 
reconhecimento do Estado de Israel e a oposição a qualquer 
negociação de paz. 
 
 
 
Em 2009, o governo de Binyamin Netanyahu entravou as 
negociações com a ANP ao permitir a ampliação dos 
assentamentos judaicos na Cisjordânia, o que inviabilizaria a 
formação de um território palestino contínuo. Israel passou a 
admitir a existência de um Estado Palestino desmilitarizado, sem a 
possibilidade de controle de suas fronteiras, de seu espaço aéreo e 
sem capacidade de defesa. 
 
Embora os conflitos entre as populações árabes e israelenses e os 
desentendimentos entre seus governantes continuem a acontecer, 
impedindo paz efetiva na região, em 2012, os territórios ocupados 
pelos palestinos foram finalmente reconhecidos pela Assembleia 
Geral das Nações Unidas na categoria de Estado não membro, 
mesmo status do Vaticano. 
PALESTINA RECONHECIDA COMO ESTADO OBSERVADOR 
DA ONU 
 
A Assembleia Geral das Nações Unidas aceitou a entrada da 
Palestina como Estado Observador, ao aprovar uma resolução 
por 138 votos a favor, nove contra e 41 abstenções. O status 
permite que os palestinos opinem, mas sem direito a voto, e, 
segundo especialistas, abre espaço para as discussões sobre 
a criação de um Estado independente. 
 
Por 138 votos a nove, a Assembleia Geral da ONU aprovou 
nesta quinta-feira uma ascensão do status dos palestinos nas 
Nações Unidas, de “entidade observadora” a “Estado 
observador não-membro”. 
 
 
O Brasil está entre os países que votaram a favor da medida, 
que precisava apenas de maioria simples para ser aprovada. A 
maior oposição veio de EUA e Israel, que estão entre os nove 
membros que votaram contra. Os países que se abstiveram 
somam 41. 
 
O pleito se segue a uma fracassada tentativa dos palestinos de 
integrar a ONU como membros permanentes, em 2011, quando 
não obtiveram apoio do Conselho de Segurança da ONU. O 
presidente palestino Mahmoud Abbas disse mais cedo que 
essa seria a “última chance” de uma solução para o conflito 
com Israel. Ele havia solicitado que a comunidade 
internacional desse uma “certidão de nascimento” para a 
Palestina. 
 
O novo status é principalmente simbólico, mas a liderança 
palestina argumenta que ele ajudará a delimitar o território que 
quer para seu Estado próprio – gradativamente tomado pelo 
avanço dos assentamentos israelenses. Também pode ajudar 
que essa delimitação de território ganhe reconhecimento 
formal. O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, havia 
dito que a aprovação é “um passo muito importante para 
salvar a solução de dois Estados”. A mudança também 
significa que palestinos poderão participar dos debates da 
Assembleia Geral da ONU, aumentando suas chances de 
	SEMANA 19 - GEOGRAFIA II - CONFLITOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL I - TRIGUEIRO

Mais conteúdos dessa disciplina