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entregarmos, pedirmos, etc. Só os pronomes átonos se ligam por hífen às formas verbais: marcar- nos, fazer-nos, entregar-nos, pedir-nos, etc. sapé ou sapê? Ambas são corretas, a exemplo de crochê e croché, mas apenas rapé e relé. “raspar” bigode Ninguém, em sã consciência, faz isso. As pessoas que não são masoquistas preferem rapar o bigode: é bem menos dolorido! Bigode, axilas, cabeça e pelos se rapam. O que se raspa é taco, parede, porta, janelas e até bilhete de loteria. Lembre-se das palavras de Deus a Moisés: Os sacerdotes não raparão as cabeças, nem as barbas, e não farão golpes no seu corpo. A uma ordem de tamanha magnitude, obedece-se! quinta e “sexta-feiras” Não, não deve haver variação neste caso, porque feira não é adjetivo. Portanto, usaremos sem nenhum problema: O comércio estará fechado na quinta e sexta-feira. *** Não haverá aula na segunda e terça-feira. gás lacrimogêneo É o nome do gás, e não “lacrimogênio”, cacografia que recebeu nítida influência de gênio. Mas… que tem a ver lacrimogêneo com gênio? Nada. O povo, contudo, sempre vê alguma coisinha em tudo… Não só o povo; alguns jornalistas também. Eis como se leu num jornal, recentemente: Em meio ao gás “lacrimogênio”, opositores, situacionistas, policiais militares e a Guarda Nacional se misturam numa batalha campal nas ruas da capital da Venezuela. A luta continua… Cheguei agora “do” Guarujá É assim que se ouve sempre. Mas nomes de cidade rejeitam o uso do artigo. Note que todos empregamos assim: Cheguei agora de Campinas, de Santa Bárbara d’Oeste, de Santos, de Jaú, de Bauru, de Franca, etc., sempre sem o artigo. Portanto, também: Cheguei agora de Guarujá, voltei de Guarujá, estou em Guarujá, não conheço Guarujá. Existe atualmente uma certa febre, na mídia brasileira, de usar o artigo não só antes dos nomes de cidade (“o” Jaú, “o” Bauru, “a” Franca, etc.), mas agora também com nomes de Estado que não exigem essa classe de palavras. Então, ouve-se: “o” Pernambuco, “o” Goiás; cheguei agora “do” Sergipe; estou “no” Pernambuco, já voltei “do” Goiás. Veja o que saiu numa folha paulistana: Avião da FAB some em voo “no PE”. Dias depois, no mesmo jornal, apareceu esta manchete: Tornado “no” Chipre deixa 30 feridos. Dias depois, no mesmo jornal: Portuguesa contrata jogador que estava “no” Chipre. Agora, num tradicional jornal paulistano, em manchete: MST realiza sete ocupações “no” PE. Essa gente não se cansa mesmo de inventar. Outro dia, a apresentadora do jornal Hoje, da Rede Globo, anunciou: Hoje, na viagem pelo Brasil, vamos levá-lo “ao” Sergipe. (Quem aceitou a viagem, naturalmente, se deu mal…) Nessa baderna toda, quem acaba se machucando são os que se orientam pelos tais manuais de redação, que são, sem dúvida, uma parafernália!… Eles mandam usar artigos onde não há nenhuma necessidade e mandam retirá-los quando são absolutamente necessários, como em manchetes deste tipo: Brasil e Argentina assinam acordo de cooperação, em vez de: O Brasil e a Argentina assinam acordo de cooperação. Ou seja, esses manuais de redação são um festival de invenções, que só podem sair mesmo de cabecinhas altamente privilegiadas… Sergipe (de novo) O futebol brasileiro é dos melhores do mundo, e disso ninguém duvida. Mas… e o jornalismo esportivo brasileiro? É, também sem dúvida, um dos piores do mundo. A cada rodada, os homens do esporte inventam uma. A imaginação deles é extraordinariamente fértil! Recentemente, durante um jogo do campeonato brasileiro de futebol, o narrador disse (várias vezes): Amanhã, não percam: decisão da Série C do campeonato brasileiro. O Guarani de Campinas enfrenta o Confiança, “do” Sergipe. Que beleza!… É o mesmo narrador que costuma fazer gracinhas totalmente sem graça durante as partidas, que quase sempre terminam com esta frase dele, numa outra asneira: Teremos três minutos de “acréscimos”. Que beleza!… Autor de uma frase como essa mostra que não tem noção da própria língua, não conhece absolutamente nada sobre a estrutura da língua. Mas recebe, como recompensa a tamanhos dislates, altíssimo salário. Esse é o Brasil de hoje. Para encerrar, veja ainda esta manchete de um jornal: Redes de arrasto podem ter ocasionado mortes de golfinhos “no” Sergipe. Voltem à escola, senhores: seus aprendizados estão incompletos! Não continuem a fazer vítimas! mulheres alemãs e crianças catalãs Perfeito. Alemão faz no plural alemães; alemã faz no plural alemãs; catalão faz no plural catalães; no feminino, catalãs. Aliás, todas as palavras terminadas em -ã fazem o plural mediante o acréscimo de -s: fã, fãs; romã, romãs; amanhã, amanhãs, etc. De um jornalista, porém, saiu isto: Depois de uma guerra nuclear, não haverá “amanhães”. Ou seja, para esse jornalista, existe “amanhão”, e não amanhã. É brincadeira? eclampsia É a prosódia registrada pelos bons dicionários e a única vista nos dicionários portugueses. O VOLP também registra eclâmpsia, mas convém que se diga: trata-se de prosódia meramente popular. Um jornal, entre uma forma gramatical e outra, popular, deve escolher qual? Naturalmente, a gramatical. Mas o jornalismo brasileiro, maravilhoso, opta sempre pelo “surreal”. Numa de nossas revistas semanais de informação se leu recentemente: Diagnóstico da pré-eclâmpsia com exame de sangue. As grávidas podem saber se correm risco de entrar em pré-eclâmpsia muito antes dos sintomas aparecerem, apenas com uma amostra de sangue. Deus – “nEle” Em referência a Deus, grafa-se com inicial maiúscula o pronome ou a contração: Creio muito em Deus e espero que Ele sempre esteja comigo. *** Acredito em Deus e confio Nele. *** Acredito em Deus e quero estar sempre junto Dele. Há muitos, no entanto, que usam “nEle”, “dEle”, etc. visar / aspirar São verbos que exigem a presença da preposição a, no sentido de