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15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 1/30 Introdução Nesta unidade, exploraremos a especi�cidade social, política e histórica da América Latina e do Norte, veri�cando quais peculiaridades existem quanto à formação de seus Estados Nacionais Modernos, implicados por contradições próprias que contrastam com a formação mais “regular” que se demonstra no contexto europeu. Observaremos o papel de movimentos emancipatórios desses territórios, compreendendo sua atuação em direção a um projeto de nação próprios, bem como entender a construção da identidade nacional desses povos. Para isso, partiremos de fatores básicos para formação do conhecimento que permitirão à você ser o vetor central na aquisição de conhecimentos e de novas problemáticas que serão levantadas ao longo da unidade. Como um território tão amplo e com uma cultura tão diversi�cada consegue coexistir? Como os primeiros movimentos de independências in�uenciaram e apoiaram os demais? O que seria necessário fazer para que as grandes potências já consolidadas à época reconhecessem a legitimidade dos países recém-emancipados? Unidade 1 - Consolidação dos estados nacionais na América Gabriela Salvador da Silva Iniciar 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 2/30 Bons estudos! 1. Estados nações O surgimento de Estados Nacionais iniciou-se, principalmente, ao �m da Idade Média com o modelo de Monarquia Absolutista de governo. Entretanto, antes de mais nada, precisamos discutir o conceito de Estado-Nação para maior compreensão dos processos ocorridos no continente americano. Para que um território seja denominado “estado-nação” é necessário que sua população possua características em comum formadoras de suas identidades como, por exemplo, uma língua vernácula, religião, moeda ou hino nacional, além de características culturais e étnicas que são praticados dentro desse estado. Os Estados-Nações são também chamados, na atualidade, de países e são consequência do processo de industrialização iniciado na Europa a partir do século XVIII que garantiu a divisão do espaço geográ�co internacional e estabeleceu uma nova con�guração espacial e política como resultado da ascensão da burguesia e das atividades comerciais. Quando falamos em Estado, devemos associá-lo a mecanismos que exercem controle político em um determinado território, estabelecendo instituições legais, como um parlamento, congresso ou um exército permanente, que são instrumentalizadas para controlar diversas esferas sociais. Como vimos anteriormente, um Estado-Nação é formado a partir da constituição de uma identidade nacional pelos cidadãos e, por isso, o nacionalismo é um dos pontos característicos dessa sociedade – já que este sentimento está atrelado a diversos símbolos determinantes desta identidade nacional e con�gura-se em uma das principais fontes de força mobilizadora e uni�cante. 1.1. Formação dos estados nacionais A conformação sociológica e política que hoje identi�camos como Estado-nação, desdobra-se dos movimentos �losó�cos e sociais desencadeados pelo Iluminismo no processo de transição entre a Idade Média e a Moderna. Por isso, para iniciarmos nossos estudos, é importante que observemos como esse processo ocorreu no contexto do continente europeu, para então, contrastarmos com este mesmo desenvolvimento no contexto americano. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 3/30 Até o início da Idade Moderna, a Europa vivia uma descentralização política bastante aguda, vivendo em um sistema denominado de feudal. A partir do século XIV, este sistema começou a viver uma crise profunda com o advento de inúmeras guerras, fome e pestes, o que resultou em uma crescente necessidade de resolução rápida das problemáticas por um governo forte e centralizado. Concomitantemente à crise, a Europa vivia um Renascimento Urbano e Comercial possibilitado pela reabertura das atividades comerciais pelo Mar Mediterrâneo com o Oriente, o que fez surgir na região uma nova camada social enriquecida chamada de burguesia. Esta nova camada efetuava um comércio fervoroso e passou a investir seu capital, cada vez mais, em artistas e estudiosos que poderiam trazer maior prestígio social às famílias burguesas – já que estas não possuíam títulos de nobreza e necessitavam de um dispositivo de legitimação de seu poder. Com isso, assistimos à eclosão do chamado Renascimento Artístico que possibilitou avanços nas ciências e nas artes. Gradativamente, feiras mercantis passaram a formar-se em toda a Europa ocidental para que estes burgueses pudessem comercializar seus produtos. Porém, essa atividade era di�cultada pela ausência de moedas uni�cadas, o que criou a necessidade de se realizar a atividade de cambistas em toda a Europa. Neste mesmo cenário de Crise do Século XIV, a Igreja Católica – poderosa e controladora ideológica até então – perdeu força ao não encontrar explicações e soluções viáveis ao crescente número de mortes causadas pela Peste Negra que assolou a Europa, dizimando cerca de um terço de sua população. Essa foi a brecha encontrada, dentro de um sistema feudal bastante engessado, pela nobreza de centralizar seu poder para que a Europa pudesse se recuperar e pudesse progredir economicamente. Para que o processo de consolidação dos Estados Nacionais pudesse ocorrer, era necessário a formação de um exército pro�ssional que garantisse a defesa das fronteiras e a ordem interna, concedendo ao Rei o monopólio do uso da força para levar a cabo o Estado Moderno Absolutista. Para isso, foi de extrema importância o apoio da burguesia à essa centralização, uma vez que ela garantiria os investimentos necessários à formação do exército e da burocracia estatal em torno de um monarca. Em contrapartida, os monarcas deveriam garantir que a burguesia tivesse a regulamentação de suas atividades através da padronização de moedas, pesos, medidas e da língua que serviria de base para a elaboração de uma política econômica mercantilista. A política mercantilista con�gura-se em um sistema de intervenção estatal na economia a �m de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do estado. Dentre as características desse sistema, encontramos o metalismo que signi�ca a busca pelo acúmulo 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 4/30 de metais preciosos nos cofres reais, pois entendia-se que um Estado seria forte dependendo da quantidade de ouro e prata que possuísse. Dessa forma, os estados europeus que conquistassem territórios na América, implantando um sistema colonial na região, tornariam- se as maiores potências, visto que a exploração de ouro e prata na América foi abundante. Entretanto, o Rei deveria tomar cuidados para que a burguesia não se fortalecesse a tal ponto que permitisse a ela dispensar o próprio Rei. Então, o monarca busca apoio na Aristocracia formada pelo Clero e pela Nobreza para legitimar seu poder – a Igreja legitimaria o poder real a�rmando que este é um poder inquestionável, enquanto a nobreza administraria o estado e sua burocracia, ambos em troca de isenção de impostos. Como resultado, temos a formação de Estados Nacionais Absolutistas na Europa que, a partir da empresa da colonização que os empossou dos territórios da América em seu conjunto, puderam transplantar para esta região o mesmo modelo de governança social e política. Serão, portanto, as medidas desse estado absoluto que permitirá a eclosão de uma série de revoltas que resultarão nas independências da América e posterior formaçãode Estados Nacionais no território. 1.2. América do Sul A América foi durante muito tempo colonizada pelos estados europeus, tendo parte – senão toda – sua riqueza explorada e escoada para as metrópoles do velho continente. Como regra geral, a colonização na América seguiu o estabelecimento de um pacto colonial, característico da política econômica mercantilista, que previa que as colônias só poderiam realizar atividades comerciais com suas metrópoles. Isto porque, as metrópoles poderiam comprar os produtos coloniais a baixos valores e vendê-los no mercado europeu por preços bem mais altos, garantindo o enriquecimento da metrópole. Além disso, ao poder comprar somente os produtos metropolitanos, as colônias garantiam que suas metrópoles tivessem mercado consumidor para escoar os produtos, garantindo, também, o enriquecimento dos Estados europeus. Consideremos agora, portanto, no contexto de colonização americana, o chamado Monopólio Comercial, também característica de Mercantilismo. Através dele, as metrópoles europeias teriam exclusividade para comerciar os produtos advindos das colônias no mercado europeu. Em outras palavras, tomemos o exemplo de Portugal: sua colônia na América, o Brasil, era uma importante empresa açucareira e, por isso, somente Portugal poderia comercializar o produto na Europa, garantindo seu enriquecimento pois ao ter o monopólio sobre um produto, o estado pode vendê-lo pelo preço que achar melhor. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 5/30 Durante muitos anos, a colonização da América do Sul rendeu muitos ganhos à Portugal e Espanha que eram as principais colonizadoras da região, fazendo com que estes Estados �cassem acomodados no antigo sistema de exploração colonial que lhes rendia extraordinários lucros. Enquanto Espanha e Portugal voltavam seus esforços para essa empresa colonial, estados como Inglaterra, Holanda e França buscavam obter outros meios de enriquecimento aperfeiçoando suas esquadras e tropas através da prática de pirataria e contrabando, por exemplo, além de formar companhias comerciais, fazendo com que portugueses e espanhóis cedessem alguns setores do comércio colonial como o transporte das mercadorias entre a América e a Europa, assim como a distribuição destes produtos. Além disso, vale ressaltar que esses Estados investiram profundamente no desenvolvimento das cidades e de o�cinas manufatureiras, fazendo com que houvesse um enorme crescimento de centros de negócios. Aliado a esses investimentos, encontramos o fato de que estes Estados começaram a tomar regiões coloniais espanholas e portuguesas a partir de acordos diplomáticos ao �m de alguns con�itos. Neste contexto, o cenário econômico na Espanha começou a sofrer efeitos degradantes. Enquanto as potências emergentes transformavam-se gradativamente em economias manufatureiras, a Espanha permaneceu como um país agrário com uma política econômica voltada apenas para o domínio colonial. Como resultados, podemos ressaltar que houve um crescimento da necessidade de Espanha importar das potências emergentes produtos manufaturados que não conseguia produzir, fazendo com que os metais preciosos e os impostos retirados da América fossem utilizados para pagar estes fornecedores. Além disso, entre os séculos XVII e XVIII, a Europa começa a entrar em contato com ideais liberais que tinham apoio da burguesia – violentamente criticados na Espanha, ao passo que França e Inglaterra já defendiam o Iluminismo. É importante salientar que mesmo nas colônias onde o controle produtivo era extremo – ou pretendia ser -, havia contrabandos e práticas corruptas. Um dos motivos pelo qual podemos justi�car essas ações é a distância geográ�ca que existia entre as colônias e suas metrópoles, ou seja, os colonos pagavam os impostos estipulados pela Espanha perante os representantes da metrópole, mas na ausência deles agiam segundos seus próprios interesses. A Inglaterra também era vista como um problema ser superado pela corte espanhola. Isto porque os mercadores ingleses eram os maiores contrabandistas da América, colocando em xeque o poderio da marinha espanhola que, até então, era a mais poderosa da época. Esses 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 6/30 contrabandos causavam enorme prejuízos à Espanha, uma vez que os ingleses forneciam aos colonos americanos os produtos manufaturados em troca de ouro e prata. A metrópole espanhola não só não conseguia impedir os contrabandos e a corrupção dentro de suas colônias como, também, não conseguia evitar que os ideais iluministas chegassem na América, já que os colonos mais ricos costumavam viajar para a Europa trazendo livros e jornais que eram, então, copiados dentro das colônias. Com isso, já no início do século XIX, o racionalismo, o liberalismo e o direito à igualdade jurídica eram temas profundamente discutidos nas Universidades, principalmente em Lima e México, assim como diversos autores, tais como John Locke, Rousseau, Montesquieu e Adam Smith. Como tentativa de controlar essa situação, a coroa espanhola com a liderança de Carlos III – da Dinastia Bourbon – implantou uma modernização inspirada no modelos francês que empregava o chamado Despotismo Esclarecido. De acordo com Leslie Bethell “A meta principal, mais do que projetar novas estruturas, era reformar as existentes, e o objetivo econômico básico era desenvolver a agricultura mais do que estimular a indústria.” (BETHEL, 2001. p.19) Este processo �cou conhecido como Reformas Bourbônicas que tinha como principal objetivo reforçar o Pacto Colonial para aumentar o controle da coroa sobre o território espanhol e suas colônias – o que diminuiria o poder das elites locais e aumentaria o capital da metrópole. Além disso, através das Reformas, a América passou a ter novas divisões administrativas, o que originou o Vice-Reino do Rio da Prata (em 1776), Nova Espanha, Peru e Vice-Reino de Nova Granada (em 1717), além da fundação de capitanias denominadas Venezuela, Chile e Cuba que se juntaram à da Guatemala. Dessa forma, a América Espanhola �cou dividida da seguinte forma: 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 7/30 Os ideais iluministas e o reforço do pacto Colonial promovido pelas Reformas Bourbônicas trouxeram, portanto, ideias de independência para a América. É importante lembrar que os processos de independência na América têm início no contexto da Revolução Francesa – em que os jacobinos tomam o poder na França e há a abolição da escravidão nas colônias. Como vimos, em 1776, o Vice-Reino do Peru – que antes compreendia todo o sul da América do Sul – foi dividido e criou-se um novo vice-reino: o Reino do Prata que acabou por tomar parte do Reino do Peru. O Reino do Peru, por sua vez, após essa divisão territorial, perdeu suas minas de Potosi para o Reino do Prata, sofrendo um profundo golpe em sua economia. Remontando o cenário histórico aos séculos XVI e XVII, devemos lembrar que o Reino do Peru era considerado a “menina dos olhos” da Espanha e possuía uma enorme população peninsular (habitantes do Peru nascidos na Espanha). Lima intitulava-se “a cidade dos reis” e foi planejada segundo os moldes urbanos europeus com ruas que saíam da praça central sempre em forma simétrica, formando quarteirões. A cidade era uma representante do glamour de representação de um projeto espanhol na América, mas perdeu esta condição a partir da criação do Vice-Reino do Rio da Prata. Neste novo reino, a Argentina era a região mais central, especi�camente a cidade de Buenos Aires. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH…8/30 Vale lembrar que no momento em que começa a eclodir as guerras de independências americanas, a América Hispânica dividia-se em três grandes reinos. O Vice-Reino de Nova Granada criado no século XVIII em um momento em que a administração espanhola na América estava sendo repensada por conta das Reformas Bourbônicas. Este reino vivia um momento de prosperidade por estar em franco crescimento econômico com a produção agrícola de cacau tornando-se muito forte. Sua capital era Bogotá, onde havia uma estrutura de administração que envolvia um número enorme de homens letrados e burocratas, fazendo com que, até hoje, essa área entre em con�ito com a região onde atualmente encontramos a Venezuela. Na região da atual Colômbia, a presença de escravos fazia parte do dia a dia. Estes escravos estavam ligados ao trabalho nas minas e, por isso, esta região as discussões sobre a abolição da escravatura foram menos intensas. A segunda divisão da região leva o nome de Vice-Reino da Prata e tinha como característica a forte presença de comerciantes, fazendo com que o tema do livre comércio fosse um bastante presente aos homens de Montevidéu e Portenhos. Montevidéu fazia parte do intenso �orescimento das atividades econômicas na região do Prata, uma vez que seus comerciantes levavam os produtos industrializados ingleses para o mercado interno da região. Isso se transformou em um grande problema para a Espanha que, até então, detinha o monopólio do comércio colonial e, ao não conseguir impedir o avanço dessas atividades, permitiu que os mercadores continuem circulando. A terceira divisão da região da América do Sul Hispânica é o Vice-Reino do Peru, do qual já falamos. 1.3. Origens comuns a todos os movimentos emancipacionistas As guerras de independência na América Hispânica remontam à invasão da Espanha pelas tropas Napoleônicas, em 1808. Para muitos historiadores, a história das guerras começa antes mesmo de 1808, tendo suas origens no século XVIII em decorrência do ressentimento das Reformas Bourbônicas em curso. Durante essas reformas, os peninsulares detinham direitos superiores aos criollos que, por sua vez, nutriam ressentimentos e começam a dar corpo a um desejo de ruptura com a Espanha. Além do ressentimento criollo, podemos mencionar que as populações indígenas 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQH… 9/30 também encontravam-se insatisfeitas, pois as reformas tiraram dos indígenas prerrogativas que elas possuíam desde o século XVI, fazendo com que tivessem seus direitos reduzidos. Saiba mais Os povos indígenas e/ou originários (curacas), de maneira geral, gozavam de uma série de direitos especiais como, por exemplo, o de frequentar escolas especiais para a nobreza indígena. Nessas escolas, estudava-se teatro, literatura e espanhol. Neste cenário pós-reformista, portanto, a imensa massa de indígenas e de mestiços têm seus modos de vida transformados e é neste momento que podemos identi�car o começo de uma consciência nativista que opõe o americano ao espanhol. Um elemento fundamental para aprofundar essa consciência nativista foram os textos produzidos pelos jesuítas exilados após sua expulsão da América Espanhola. Para o historiador Tulio Halperin Donghi em sua obra História da América Latina, antes de 1808 não existe na América uma consciência em favor da emancipação – somente depois de 1808 podemos nos perguntar até que momento as juntas foram leais a Fernando VII e a partir de quando elas começaram a pensar em emancipação. Para além de tudo, os espanhóis discutiam as ideias ilustradas nas Cortes de Cádis. Constituíam uma forma pela qual os poderes reais seriam limitados e a representação dos súditos deveria aumentar - com isso, os americanos poderiam mandar seus representantes para debater nas Cortes. Entretanto, de acordo com a vontade de Cádis, a ideia era de que as colônias espanholas permanecessem com a relação que já detinham com sua metrópole. Tal postura ascendeu uma consciência visando a independência da América, que já não queria continuar vivendo sob a égide da Espanha e que iria lutar por sua emancipação política. John Lynch, um historiador clássico sobre o tema da Independência na América oferece um excelente panorama do que são essas guerras em cada uma das regiões - em sua obra As Origens da Independência da América Espanhola de 2001 -, propondo que elas aconteceram de maneira simultânea no Vice-Reino da Espanha e da América do Sul e, no entanto, elas não ocorreram de forma articulada, possuindo características especí�cas na América do Norte e na América do Sul. Obviamente, os processos compartilham de intercâmbios entre ambas regiões, mas não há uma articulação de fato. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 10/30 Já no interior da América do Sul, encontramos articulações dos processos de independência que se dão a partir do Vice-Reino do Peru, que já possuía uma forte movimentação revolucionária. De acordo com Lynch (2001), portanto, as guerras emancipacionistas articulam-se em função do Vice-Reino do Peru, já que a região possuía dois focos revolucionários: Caracas – uma cidade em processo de modernização que irradia a revolução para Venezuela e Equador -, e Buenos Aires que irradia a revolução para o Chile, Banda Oriental e Paraguai, ao mesmo tempo que para outras províncias da Argentina. Podemos a�rmar, contudo, que as guerras de independência da América espanhola têm in�uências não só das Reformas Bourbônicas ocorridas no século XVIII, mas também da retirada do rei espanhol de cena e das revoluções anteriores como a Guerra de Independência dos Estados Unidos e do Haiti. 1.4. Processos revolucionários no Peru, Chile, Uruguai e Paraguai O processo de independência no Chile tem como ponto de partida um movimento em Buenos Aires que, por sinal, era a capital do Vice-Reino do Rio da Prata. Em 1810, esta cidade cria sua junta de governo, que vai assumir o nome de Sociedade Patriótica. Portanto, a questão de pátria está bem colocada em Buenos Aires. Devemos ressaltar que esta junta ainda não terá um consenso entre romper ou não com a metrópole espanhola. Então, as guerras de independências começam somente após a chegada de Sán Martin – um militar argentino que foi criado na Espanha. Figura 1 - General San Martin. Fonte: Museu de Bellas Artes de Argentina. Sán Martin chega, em 1812, à Argentina com um projeto muito claro de colocar em marcha o processo de emancipação. Já na Argentina, abriu-se uma loja maçônicas chamada Laurtário (nome de um indígena capturado pelos espanhóis que aprendeu técnicas de guerras 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 11/30 espanholas em seu cativeiro) e partir dela começa ganhar apoio da Sociedade Patriótica de Buenos Aires, podendo dar início à organização da guerra. Em 1813, Sán Martin consegue uma vitória na Batalha de San Lourenço contra a Espanha e a partir daí Martin resolve subir em direção à Mendoça e cria um quartel general na região, onde permaneceu por muito tempo organizando seu exército de voluntários e recrutados, chegando a 5 mil homens (grande parte desses recrutados para o exército de San Martin eram escravos que conseguiam a promessa de liberdade). Em 1817, Martin realiza o Passo de Los Andes em direção ao Chile, conseguindo apoio de Bernardo O’Higgins – um famoso líder do movimento de independência chileno. No Chile, em 1810, já havia sido criada uma junta de governo que defendia a ideia de ruptura com a Espanha e Bernardo O’Higgins fazia parte dela. Esta junta recebeu uma reação conservadora e muitos dos integrantes foram perseguidos e precisaram se refugiarcom Sán Martin em Mendoça, uma vez que viam em Martin o grande vetor para a libertação do Chile. Ainda em 1817, há a Proclamação de Independência do Chile. Após isso, há a questão de quem colocar como chefe de governo nesta região e, neste cenário, Sán Martin é indicado ao cargo, mas o recusa, pois quer continuar sua viagem em direção ao Peru para auxiliar as guerras de independências naquela região. Bernardo O’Higgins assume o cargo e nesta condição procura organizar o Estado Nacional. Inicialmente, encontra as mais gritantes di�culdades até que, em meados da década de 1820, renuncia à presidência e exila-se no Peru até a sua morte. Em 1830, através de uma batalha, ascende ao poder um grupo conservador controlado por Diego Portales – um homem poderoso que a historiogra�a chilena criou como o fundador de uma pátria organizada – através de um golpe. O historiador Gabriel Salazar, graduado em �loso�a e sociologia na Universidade do Chile, escreve, um texto chamado “Ser niño ‘huacho’ en la historia de Chile”, em 2006, no qual procura conceder à massa civil uma visibilidade histórica, ou seja, procura conferir visibilidade aos integrantes da sociedade que foram até então renegados. De forma, é natural que classi�quemos sua pesquisa em uma historiogra�a que tenta ressigni�car os processos de independências na América. Para Salazar, a revolução é marcada pela ruptura entre o antigo e a modernidade visto que as independências marcaram o advento da modernidade na América Latina. Em relação ao Uruguai, devemos lembrar que Buenos Aires é parte importantíssima do Império do Rio da Prata. Por isso, o projeto de Buenos Aires era manter sua autoridade sobre 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 12/30 as demais regiões a �m de se manter como grande centro político, mas não foi isso que ocorreu. A região passou a sofrer uma oposição signi�cante da Banda Oriental (atual Uruguai) que já havia conseguido sua independência. Para entendermos os processos emancipacionistas de Buenos Aires, devemos nos atentar ao que foi a emancipação da Banda Oriental e como ela foi conturbada. Em 1720, Montevidéu foi fundada como cidade estratégica para os espanhóis em um contexto de enorme �orescimento da região do Prata. Esta cidade, ao longo do século XVIII, desenvolve-se sempre subordinada a Buenos Aires. Apesar dessa subordinação, a cidade contou com um governador chamado J. Elio que se aproveitou das turbulências em Buenos Aires para criar uma Junta de governo na região, a �m de estabelecer comunicação com a Espanha, já que inicialmente esta Junta não se declara abertamente contrária à metrópole. Em 1810, Montevidéu acaba se apresentando como um lugar de contra-revolução, ou seja, uma região leal à Espanha, com o apoio das elites locais, colocando-se em posição de retaguarda. Em meio a essa situação, desponta uma liderança na Banda Oriental que vai representar o desejo de emancipação: José Artigas – �lho de fazendeiros pobres. Artigas era um homem que participava das práticas cotidianas populares, sendo mencionado na literatura tradicional como um caudilho, enquanto outras correntes bibliográ�cas o apresentarão como o representante dos desejos populares. Em 1811, Artigas proclama o chamado grito de Ascencio, um chamado em prol da emancipação. A partir daqui, ele inicia uma carreira política bastante convulsionada porque enfrentou diversos inimigos ao mesmo tempo. No momento do Grito, Artigas contou com o apoio de Buenos Aires e isto indica que existe uma a�nidade inicial entre Montevidéu e a Junta de governo de Buenos Aires. Em 1812, Artigas conduz milhares de pessoas para a província de Entre Rios no chamado “O Êxodo”. Com seu retorno à Montevidéu, Artigas assume o controle do governo, mas sua relação com Buenos Aires continua sendo bastante delicada visto que Buenos Aires pretendia fazer a Banda Oriental sua subordinada. Em 1813, as Províncias Unidas do Rio da Prata convocam uma Assembléia Constituinte que representa um importante passo da Argentina querendo sua emancipação, já que organização desta assembleia signi�cava o desejo de elaborar uma constituição argentina. Neste contexto, Artigas não envia representantes uruguaios para a elaboração da Constituição – é enviado apenas um documento com instruções que revelam que Artigas tinha um projeto de emancipação frente à Espanha e à Argentina. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 13/30 Por um lado, o projeto de emancipação tem cunho político e, de outro, um cunho social que envolvia a preocupação em garantir o direito das gentes, da incorporação dos mestiços à nova ordem política e reforma agrária. Isso faz com que Artigas fosse diferente de outros líderes independentistas. Em 1816, Artigas sofre um revés por parte de Portugal, pois os portugueses pretendiam reintegrar a Banda Oriental aos domínios portugueses. Este quadro só muda com a Guerra da Cisplatina que ocasiona a emancipação do Uruguai como um Estado Nacional. Como consequência, Artigas exila-se no Paraguai, onde vive poucos anos. A partir de 1850, há um enorme investimento em se resgatar a imagem desses líderes dentro do Uruguai. Em muitos casos, esse processo envolveu a repatriação dos restos mortais dos líderes que morreram no exílio. A região do Paraguai é outro caso em que Buenos Aires tem a intenção de promover a subordinação e anexação do território. Apesar disso, Buenos Aires envia tropas para o Paraguai para ajudar o país em seu processo de emancipação em relação à Espanha pois, com isso, Buenos Aires poderia anexar o território à Argentina. Ao perceber as intenções de Buenos Aires, a Junta de governo de Assunção, começa uma violenta reação, proclamando sua independência em 1811. A partir disso, o Paraguai passa a ser controlado por Gaspar Francia até sua morte – “o ditador perpétuo”. Após sua morte, ascende ao poder Solano López que foi chefe político do Paraguai durante a conhecida Guerra do Paraguai. É importante pensar que no momento da independência, Francia consegue de certa forma blindar o Paraguai. A partir do momento em que o país consegue repudiar Buenos Aires, há um movimento de reclusão para que o Estado Nacional paraguaio possa se constituir – inicialmente, de forma desorganizada e, por isso, as tensões entre Paraguai e Argentina seguiram por muitos anos. O movimento de independência no Vice-Reino da Nova Granada deu origem à Venezuela que havia se tornado uma capitania somente no século XVIII e vinha prosperando com as elites ligadas ao cacau e gêneros agrícolas. Em 1810, houve a formação de uma Junta de governo em Caracas que contou com a participação de Simón Bolívar. Bolívar, ao voltar da Europa, é convidado a participar dos acontecimentos e a primeira ação da Junta é a de convidar a retornar à América um venezuelano exilado chamado Francisco Miranda. Dessa forma, uma comissão é enviada à 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 14/30 Londres com o intuito de convidar Miranda a assumir a liderança da independência venezuelana. Em 1811, Miranda, ao ajudar a organizar um levante contra a Espanha, proclama a independência da Venezuela. Entretanto, durante o con�ito, os companheiros de Miranda o traíram, o que fez com que o líder fosse capturado pelos espanhóis e levado para uma prisão por eles comandada, onde morreu. Como consequência, os demais integrantes precisaram se reorganizar. Um fato importante deste movimento é que houve um terremoto em Caracas e ele foi usado pela Igreja Católica para a�rmar que a ordem estava sendo questionada e Deus estava castigando os rebeldes. Neste cenário, Bolívar foge paraCartagena onde escreve, em 1812, o Manifesto de Cartagena. Ao, mais tarde, deixar essa localização, Bolívar é levado a uma segunda tentativa de se proclamar uma república, em 1813 – ainda que frustrada, uma vez que a ordem colonial prevaleceu naquele momento. É a partir de 1816, que Bolívar volta de um exílio na Jamaica e lança uma campanha que avança em passos largos para a independência. Nesta campanha, Bolívar enfrenta um desa�o que os outros líderes não encontraram: a chegada de um enorme exército espanhol liderado por um general que tinha fama de ser absolutamente cruel – Morillo. O contingente se compunha por cerca de 15 mil soldados e começou a pressionar o exército libertador ao longo de anos, mas somente em 1820, Morillo assina uma espécie de rendição e volta à Espanha. Esta situação fez com que os esforços do exército libertador fossem muito árduos e toda essa vivência da guerra marca os anos de avanço das tropas comandadas por Bolívar. Em meio à isso, Bolívar foi obrigado a negociar e persuadir. Isto porque ele necessitava de escravos para compor as �leiras do exército, o que causava muito medo às elites que temiam que este segmento social fosse armado. Ao mesmo tempo, Bolívar tentava manter os escravos e grupos indígenas sob seu comando. É importante lembrar que Bolívar era um homem da elite e, por isso, direcionou toda sua campanha baseado nos interesses da elite. Ou seja, podemos pensar sobre as diferenças de processos que ocorrem neste momento em comparação aos liderados por Artigas – considerado um homem do povo. Com isso, identi�camos uma cronologia dos fatos: em 1819, o Vice-Reino já possuía ares de um território que será emancipado – neste mesmo ano, há a formação de um Congresso Constituinte que fundaria a Gran Colômbia; em 1822, Bolívar dá por acabada a guerra e, agora, o território está emancipado; em 1821, através de Sán Martin, o Peru se emancipa, mas o interior do território ainda estava infestado por forças leais à Espanha e é, nesse contexto, que Bolívar aceita a missão de libertar essa região; em 1823, Bolívar chega à Lima e organiza tropas que sobe em direção aos Andes e vence uma batalha contra o chamado 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 15/30 exército realista, permitindo que o exército libertador continue avançando nos Andes e vencendo batalhas que consolidam a emancipação do Peru e do Alto Peru (Atual Bolívia). Ao chegar na Bolívia, Bolívar redige a primeira Constituição do país, que é considerado o último grande documento elaborado por ele. Nessa constituição, há um grande autoritarismo por parte de Bolívar, o que faz com que alguns historiadores a�rmem que ele, na verdade, era um grande tirano. 1.5. Independências no México e Argentina A História colonial do México é magistral, pois lá a Espanha se fez bastante presente junto com as ordens religiosas e populações indígenas e mestiças. Figura 2 - Mural de Diego Rivera. Fonte: Blu�ton University No ano de 1808, o rei espanhol cai, ao mesmo tempo em que na colônia há um movimento de ódio aos peninsulares, que se mobiliza para expulsar o Vice-Rei da Nova Espanha da colônia. Pouco depois, esses mesmos criollos identi�cam que era necessário tomar maior cuidado ao iniciar qualquer movimento revolucionário, pois o México era habitado por uma população enorme de indígenas e mestiços. Como solução, os criollos voltaram atrás em sua decisão de expulsar o Vice-Rei e o aceitaram novamente. A parte mais radical criolla decidiu se reunir para discutir as ideias ilustradas, a opressão espanhola e seus próprios interesses, contando com a presença do padre Miguel Hidalgo. Este era um grupo que se reunia periodicamente e de forma clandestina e, logo depois, foi denunciado e todos seus integrantes seriam presos. Para evitar que isso ocorresse, 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 16/30 Hidalgo voltou ao Pueblo de Dolores e proclamou o Grito de Dolores, que seriam a primeira chamada à independência por parte dos indígenas. A partir disso, os grupos indígenas passam a aderir em peso o movimento emancipacionista, expandindo assim as ações aos setores populares, que pegam em armas e atuam, no entanto, como um exército amador e de liderança vaga, mas que rapidamente se alastra pelo Vice-Reino. Diante disso, as elites criollas peninsulares voltam-se contra o movimento, capturando e prendendo Hidalgo. Após a morte de Hidalgo, o padre Morelos toma a liderança do movimento fazendo com que, a partir de então, este tivesse um caráter popular até sua morte, em 1815. É importante salientar que apesar de ser a primeira liderança do movimento emancipacionista no México, Hidalgo ainda falava sobre lealdade à Fernando VII diferentemente da liderança de Morelos que rompe completamente com essa ideia de lealdade e fala abertamente sobre a independência. Além disso, devemos atribuir essa diferença de posicionamentos ao fato de que o padre Hidalgo era do Alto Clero da Igreja e, portanto, um homem da elite, enquanto Morelos era negro e índio e, portanto, um homem mestiço do povo. Chegando a 1821, o México alcança sua independência de forma completamente pactuada com as elites – portanto, sem guerras e mantendo todas as estruturas de direitos que havia vigorado no México colonial. Ao lado do México, as províncias Unidas do Rio da Prata com capital em Buenos Aires viviam movimentos revolucionários. Esta região é formada por estados que quando romperam o vínculo com a Espanha e precisaram trabalhar em consenso para a�rmar o lugar de cada um no cenário político, ou seja, qual concepção de República entraria em cena para reorganizar o território em novas bases, quais seriam as relações das províncias com Buenos Aires e qual a posição dos povos indígenas na sociedade. Neste contexto, a a�rmação do Estado Nacional dependia da vitória de um projeto político nacional que fosse capaz de submeter essas províncias à seu domínio. Como já vimos, a independência formal da Argentina foi proclamada em 1816 e partir dela houve a elaboração de uma Constituição que era expressão de dois ideais da Junta de governo de Buenos Aires – a Assembleia era mista, ou seja, composta por todas as províncias, mas sobressaindo os interesses de Buenos Aires. Esta Constituição era republicana e incorporava todos os interesses políticos liberais. Entretanto, foi logo colocada para fora do jogo após um levante das províncias insatisfeitas com o controle do poder central de Buenos Aires. A longa guerra de independência da região castigou muito as províncias do litoral. Essas províncias estavam com uma vida econômica bastante desestruturada na época da 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 17/30 Independência ao passo que a economia de Buenos Aires estava bem estruturada. O comércio realizado por esta cidade e por comerciantes estrangeiros realizavam importações para revender tais produtos nas províncias do sul e do litoral. Ao mesmo tempo, as elites da província de Buenos Aires aproveitam essa relativa prosperidade econômica que se dava em virtude do comércio para, também, ampliar sua produção agrícola. Em virtude, não apenas então desse privilégio de Buenos Aires no plano político nos anos da emancipação, mas também da primazia econômica, se desenhava, ainda na década de 1820, o Projeto Unitário - associado à Buenos Aires - e o Projeto Federalista - associado às províncias do interior e do litoral e, portanto, aos interesses de grandes fazendeiros que vinham perdendo espaço e poder, já que os ingleses dominavam o comércio. O Projeto Unitário advogava fundamentalmente 3 aspectos: 1. Buenos Aires queriater o controle sobre a navegação dos grandes rios, ou seja, o monopólio sobre essa navegação justamente porque ser estratégica para que se operasse o escoamento de mercadorias. 2. Distribuição das rendas alfandegárias: os produtos exportados pagavam impostos ao chegarem nos portos. Buenos Aires queria controlar as rendas alfandegárias enquanto as províncias queriam distribuí-las de maneira igualitária. 3. As políticas protecionistas do mercado interno: em que medida deveriam estar ou não presentes. Buenos Aires queria que essas políticas fossem suavizadas para que as mercadorias não sofressem grande taxação; enquanto as províncias queriam proteger seus produtos e queriam que os comerciantes pagassem, sim, taxas para que pudessem importar essas mercadorias. Em 1820, Manuel Dorrego assume a presidência da província de Buenos Aires com um projeto federalista associado a uma grande defesa da autonomia das províncias em face ao governo central. Entretanto, ainda nos 1820, a Argentina vive um momento de in�exão. Esse momento aparece nos livros de História com uma ótica liberal (que condena os caudilhos) como um momento de Experiência Feliz. Esse momento de in�exão derivou no convite de Dorrego à um argentino que vivia na Europa (era um representante diplomático) chamado B. Rivadavia - um homem muito antenado para se localizar os fundamentos de uma sociedade liberal. Ele volta pra Argentina e é nomeado presidente da República. A partir de 1826, ele tem seu poder referendado pela Assembleia Legislativa de Buenos Aires e assume o posto. Estando em condição de um novo governante, ele adota uma série de medidas que traduziam o Projeto Unitário, colocando em cena um projeto político para Nação que em alguns aspectos se pareciam com as concepções unitárias, principalmente em relação à educação. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 18/30 Dessa forma, portanto, temos a formação de um Estado Nacional argentino que prioriza e valoriza questões acerca da educação e a não participação da Igreja nos rumos desta. 2. O excepcionalismo Norte- Americano O excepcionalismo norte-americano é a concepção de que os Estados Unidos são um país “especial” pois seus valores morais e éticos são um modelo a ser seguido por toda humanidade. Ele tem suas origens em mitos protestantes (portanto, tem bases religiosas) como o da “cidade na colina” (city upon a hill), do “povo escolhido” (chosen people) e da “missão na natureza selvagem” (errand into the wilderness) que integraram a narrativa simbólica dos primeiros puritanos da Nova Inglaterra e que, portanto, iniciaram a formação da identidade nacional norte-americana. 2.1. A consolidação do Estado-Nacional nos Estados Unidos Para se entender o excepcionalismo norte-americano, devemos voltar no tempo. Em 1620, um famoso navio chamado May�ower transportou os chamados Peregrinos da Inglaterra para o Novo Mundo, mais especi�camente no atual estado do Massachussets. Esses peregrinos eram em sua maioria separatistas e buscavam se separar da Coroa e da Igreja Anglicana (que não havia se separado totalmente do catolicismo). Esses homens seriam, portanto, os primeiros colonos a se estabelecer na região. Logo após a chegada do May�ower, um segundo navio – chamado Arbella - chega à costa da região cheio de puritanos que buscavam a liberdade religiosa longe do poder da Igreja Anglicana. Esses puritanos julgavam que sua pátria havia perecido moralmente e prometiam criar uma nova sociedade na América do Norte. Essa nova região fundada por esses puritanos deveria ser a “City upon a hill” , ou seja, o farol da humanidade. John Winthrop era o comandante deste navio que, além de rea�rmar a ideologia separatista, a�rmava que puritanos e separatistas eram o “povo eleito”. Após a independência das Treze Colônias continentais, havia a necessidade de se buscar uma origem comum para um povo tão diversi�cado. Dessa forma, criou-se a lenda de que a sociedade norte-americana era descendente do povo eleito – não só os peregrinos. O 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 19/30 excepcionalismo norte-americano está ligado, portanto, à ideia de um “povo eleito” que se libertara da tirania da Inglaterra e da Igreja Anglicana e fundara um novo lugar na América (“ a city upon a hill ”). Figura 3 - City upon a hill. Fonte: Abbeville Institute. Além do mito do “povo eleito”, outro mito serve como base para a construção do excepcionalismo. Também depois da independência das 13 colônias continentais, começa-se a discutir quem são os americanos. Na literatura havia a ideia de que o homem nascidos nos Estados Unidos representava o surgimento de um homem novo. Esse homem é uma espécie de Adão – inocente, puro, sem pecados e sem culpas, espontâneo e ingênuo – que podia tudo tentar. Esse novo homem, em geral, é comum e não faz parte da elite. Um bom exemplo desse Adão Américano é Daniel Boom, romancizado como o primeiro homem comum a ir para o oeste. Um terceiro mito pode ser considerado construtivo do excepcionalismo norte-americano: a lenda do oeste. Esse mito nos é importante, pois nos fornece um modelo de conduta que tem como princípio norteador con�nar ou matar o selvagem. O oeste era o lugar por natureza do “ self made man ” Dessa forma, a nação norte-americana passa a ser construída como exclusiva e excludente. Exclusiva, pois é o único país no mundo em que a narrativa nacional tem tanta força e é tão bem sucedida; e excludente no plano interno e externo – no plano interno, o “povo eleito” é o branco, anglo-saxão e anglicano, além de não possuir a narrativa da miscigenação. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 20/30 Figura 4 - Homem esculpindo a si mesmo (“ self made man ”), de Bobbie Carlile. Fonte: Fine Art America. Você quer ler? Sobre o tema de consolidação do Estado Nacional norte-americano pautado em seus mitos de construção de sua nação, leia a obra de Leandro Karnal “Estados Unidos: a formação da Nação” . 2.2. Processo de Independência dos Estados Unidos Há um profundo con�ito entres os historiadores sobre o tema da revolução, a dividindo entre um processo conservador ou radical. Os norte americanos veem a Independência como um 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 21/30 fato muito isolado que inaugura um novo tempo, trazendo umas das principais características da cultura como, por exemplo, �guras mitológicas e os chamados “Pais da Nação”. A Independência dos EUA é um processo intimamente vinculado à crise do Antigo Regime, o que pode ser demonstrado pela proximidade temporadas independências no Atlântico (1848) e a dos Estados Unidos. Devemos lembrar que o Império Britânico na América foi obtido de forma mais irregular e fragmentada que os demais impérios espanhóis e dos britânicos. O império Britânico possuía um total de 27 colônias na América Central e América do Norte cuja base produtiva era o sistema de plantation . Em 1713, o Tratado de Ultrech estabelece possessões do Novo Mundo no qual grande parte destina-se à Espanha, deixando a Inglaterra extremamente descontente. Entretanto, os problemas começam, de fato, somente após a Guerra Franco-Índia (1756-1763) em que França une-se com alguns grupos indígenas contra os ingleses – tendo os ingleses como vitoriosos no con�ito e com suas possessões aumentadas. Além das chamadas 13 Colônias – após a guerra - , os ingleses ganham as Flóridas e aumentam seu território no Canadá, o que faz com que grande parte dos historiadores a�rmem que o processode independência dos EUA tem sua origem na Guerra Franco-Índia. A partir desta guerra, os ingleses reorganizam o Império e passam a fazer mudanças para suprir os gastos da guerra, aumentando impostos, regras e centralizações que atingiam todas as colônias e até mesmo a própria Inglaterra. Neste período, o limite territorial das 13 Colônias a Oeste era os Montes Apalaches, e o estabelecimento de novos impostos não agrada os colonos que tinham interesses para além dos Montes. Mesmo que as colônias britânicas caribenhas fossem in�nitamente mais lucrativas para a metrópole e apelidadas de “jóias da Coroa”, a plantation de tabaco na Virgínia era a mais importante colônia continental. Dentre as mudanças realizadas pela Coroa, podemos citar: · 1763: A Lei do Açúcar ( Sugar Act ) que estipulava que as regiões em que não houvesse taxação sobre o melaço deveria passar a ter. · 1773: Lei do Chá ( Tea Act ) em que os colonos boicotam o chá, que se torna o produto símbolo da revolução, da independência e da luta contra a Inglaterra, após os lordes darem o monopólio do produto para a Companhia das Índias. Este é o momento em que artesãos, desempregados, descontentes e desfavorecidos da sociedade em geral entram no porto de derramam todo o chá de um navio inglês no mar, fazendo com que Boston comece a se tornar o centro da revolução. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 22/30 A partir do momento em que o afastamento norte americano em relação à sua metrópole torna-se mais intensa, há um esforço enorme de construir uma identidade própria e, por isso, a sociedade começa a retomar referências locais que tinham origem indígenas. Um bom exemplo disso é que os colonos adotam os Mowk – uma tribo indígena guerreira difícil de conter – como maior exemplo de luta. Como consequência do derramamento do chá, a Coroa decide punir Boston reduzindo o direito da Assembleia de Massachussets colocando Thomas Cage (um líder dos militares ingleses) no comando político do estado. Esse feito, passa a ser entendido pelos colonos como uma intervenção militar. Em 1774: Primeiro Congresso: em que somente a região da Georgia não compareceu. A partir dele, começa a se formar a consciência de que é possível montar um Estado sem a presença de um rei, já que para os colonos o Parlamento estava diretamente ligado a corrupção. Este, entretanto, é um congresso de origem ilegal, não rati�cado pela Coroa. Em 1775 , há um segundo Congresso em que há a aprovação para criação de um exército continental sob comando de George Washington – um dos homens mais representativos na Virgínia. Após este feito, os colonos enviam uma petição à Inglaterra pedindo a representação no Parlamento Americano, fazendo com que ocorresse a eclosão de uma guerra de independência que se organiza de forma muito rápida que dura de 1776 a 1781. Nos é importante salientar que este processo de Independência nos Estados Unidos ocorre com a liderança da elite auxiliada de forma determinante pelo segmentos menos favorecidos. Além disso, a mão de obra escrava foi mantida no território, os indígenas tiveram profundas perdas e a partir de então passaram a ser “empurrados” para Oeste do território. 2.3. Constituição da nação Norte Americana Demorou bastante tempo para que o Estado Nacional norte americano se construísse completamente, mais especi�camente cerca de 100 anos. Logo após a Independência, os Estados Unidos encontraram um problema para construir um Estado Nacional sem uma monarquia, já que o rei era quem deveria prover a unidade desse estado. Além disso, havia a problemática de que era extremamente difícil construir uma unidade política a partir de treze organizações que eram distintas entre si: cada colônia possuía sua própria religião; as colônias do sul acreditavam que o Estado deveria ser laico, enquanto as colônias ao norte acreditavam que a religião deveria ser protegida pelo Estado. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 23/30 Um terceiro problema era como ter esta independência reconhecida pelas potências já independentes? O período entre 1776 e 1779 foi considerado um período crítico, pois os colonos decidem manter o Congresso Continental unicameral que daria arbítrio sobre as diferenças entre cada estado, tendo cada um dos estados um voto. Em 1781, há a de�nição dos Artigos da Confederação, ou seja, um Congresso para de�nir as diversas legislaturas sobre cada ente federativo, visto que os Estados Unidos constituem-se como uma Confederação – em que o poder Legislativo é o central do Estado. A partir das decisões no Congresso, �cou estipulado que cada estado teria sua própria milícia, já que o exército continental que lutou no processo de revolução se desfez. Além disso, cada estado cunharia sua própria moeda e comercializaria com quem quisesse. Entretanto, as decisões do Congresso começaram a não ser seguidas. A exemplo citamos a obrigatoriedade de pagar impostos, pois alguns estados consideravam que a Federação deveria estar acima do Congresso Continental e, neste cenário, havia o temor de que qualquer forma de governo se aproximasse da tirania. Em 1787, ocorre uma convenção com o objetivo de discutir os artigos da confederação e ao �m do movimento temos como resultado uma nova Constituição que propunha uma Federação em vez de uma Confederação, um Estado central forte, e um modelos pronto de Constituição. Os primeiros presidentes eram todos da Virgínia, demonstrando o poder do estado, com exceção de John Adams, e o eleitor era o indivíduo proprietário. Inaugura-se, então, a primeira fase do Estado Nacional norte americano, o chamado Federalismo Americano, onde o Estado tem uma esfera de ação e o governo nacional, outra. 2.4. Expansão para oeste: EUA Nos Estados Unidos recém consolidado, havia um projeto expansionista levado a cabo por vários presidentes, com bastante resistência indígena. Andrew Jackson foi um dos presidentes que instituiu o Indian Removam Act a partir do qual as populações indígenas começaram a ser empurradas para Oklahoma – entretanto, alguns grupos muito importantes permaneceram nos Montes Apalaches, na fronteira entre Estados Unidos e México. Ao mesmo tempo em que este movimento em direção ao Oeste está ocorrendo, cria-se no território uma lenda bastante romantizada desta conquista com o objetivo de legitimar e justi�car o projeto violento para as populações indígenas. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 24/30 Sobre este tema, podemos fazer a seguinte cronologia: 1750: Povoamentos a Noroeste. Cabeceiras do rio Ohio. 1767: Daniel Boone estabelece povoamentos além dos Apalaches – o primeiro homem comum à ir para Oeste. 1770: Green Mountain Boys estabelecem povoamentos ao norte da colônia de Nova York. 1803: Thomas Je�erson compra a Louisiana da França e inicia-se as expedições de Lews Clark, alcançando o Pací�co e, portanto, uma saída para a Ásia. 1812-19: Anexação da Flórida. 1845: Anexação do Alasca. 1846-48: Guerra com o México. 2.5. Guerra de secessão e escravidão Guerra de Secessão é também conhecida como Guerra Civil dos Estados Unidos e tem sua origem na divisão dos Estados Unidos entre “Norte” e “Sul” na época colonial. Como vimos, as colônias americanas eram bastante diferentes entre si pois pertenciam à três países: Inglaterra, França e Espanha. Estas diferenças começaram em decorrência da geogra�a territorial, uma vez que no Sul, os primeiros ocupantes encontraram um clima quente com um solo bastante fértil ideal para cultivo de tabaco, principalmente, enquanto ao Norte os habitantes encontraram um clima frio e solos rochosos quenão eram adequados à agricultura. O problema com os solos fez com que os colonos nortenhos buscassem outras atividades como fontes de renda como comércio e manufaturas, favorecendo a criação de grandes cidades comerciais como Boston, Filadél�a e Nova York. Como consequência, após a Independência dos Estados Unidos e até 1850 as diferenças entre um sul agropecuário e um norte industrializado aumentaram gradativamente. Outra importante diferença entre Norte e Sul é a escravidão. Ao longo da colonização, a escravidão era vista como algo necessário para melhor enriquecer a metrópole. Após o processo de independência, podemos considerar que há uma maior hegemonia da região sul do território que pode ser vista no fato dos primeiros presidentes terem sido todos desta região. Portanto, os primeiros representantes da nação eram homens, proprietários de terras e de escravos. No início do século XIX, a região Norte passou a ver na escravidão um empecilho ao seu crescimento. Isto porque abolir a escravidão signi�caria aumentar seu mercado consumidor, uma vez que a população escrava se tornaria livre e sua mão-de-obra se tornaria assalariada, 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 25/30 fazendo com que estes ex-escravos tivessem condições para comprar mercadorias nortenhas. Além disso, os nortenhos acreditavam que a escravidão era desnecessária e imoral ao país. Este clima sobre as diferenças de pensamento entre o emprego da mão-de-obra no país, gerou um clima de extrema tensão entre as regiões, fazendo com que ecloda um movimento de separação dos sulistas escravagistas e a consolidação dos estados Confederados da América, conhecidos como “Confederação”. Os estados que não se rebelaram �caram conhecidos como “União”. Após quatro anos de con�itos sangrentos, os combates deixaram cerca de 600 mil americanos mortos e destruíram boa parte da infraestrutura do sul do país. Como resultado, a houve a abolição da escravidão e da Confederação e iniciou-se um processo de reconstrução da unidade e identidade nacional a partir do estabelecimento de garantias de direitos civis aos escravos libertos. Você quer ver? Sobre o tema da Guerra de Secessão norte-americana, recomenda-se que o aluno assista ao �lme “Lincoln”, de 2012, dirigido por Steven Spielberg. O �lme retrata os esforços do então presidente Abraham Lincoln para aprovar na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos uma emenda à Constituição que visava abolir formalmente a escravidão no país. 3. Política norte-americana e a América Latina As relações entre estados Unidos e América Latina foram extremamente impactadas após a Guerra Fria. Antes disso, é importante ressaltar que os Estados Unidos con�gurava-se no principal parceiro comercial dos países latino-americanos anexado a região do Texas após a guerra contra o México, em 1846. No contexto de Guerra Hispano-Americana, os Estados Unidos passaram a intervir militarmente em alguns países da América Latina, permanecendo em alguns deles por tempo 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 26/30 indeterminado. Mas por quê os Estados Unidos agem dessa forma? Alguns historiadores defendem a ideia de que o país norte-americano, em consequência de seus recursos materiais mais exorbitantes, sente-se de certa forma no direito de in�uenciar os países sul-americanos a seguir seus princípios políticos e ideológicos. Isto explicaria a ideia vendida pelos norte-americanos de “A América para os americanos”. Ou seja, através deste movimento ideológico, os Estados Unidos defende a quebra de hegemonia e in�uência da Europa sobre o continente e rea�rma sua importância no cenário mundial. A partir desta ideia, a Europa deveria voltar sua atenção aos seus próprios problemas, enquanto Estados Unidos auxiliaria os países do restante da América em seus desenvolvimentos e enriquecimento. O resultado disso não foi, nem de perto, o desenvolvimento da região sul do continente. Pelo contrário, os Estados Unidos passaram a utilizar a região de forma autoritária e até violenta para impor suas ideologias, seu controle, bases militares e, também, para retirar possíveis matérias-primas que poderiam servir de base para o aprimoramento de suas indústrias. Assim, o Norte da América teria seu poder aumentado e consolidado através da exploração dos recursos minerais do restante da América. Saiba Mais! Assim como os Estados Unidos montaram sua Doutrina Monroe baseada na frase “A América para os americanos” com a �nalidade de controlar e intervir nas economias latinas, também o fez no caso do Brasil. O Brasil não só sofreu com as intervenções na economia de seu estado após a independência como, também, sofreu com apoios e intervenções políticas, mais tarde, à época do regime militar brasileiro. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 27/30 Figura 5 - Doutrina Monroe [no bastão Monroe Doctrine]. Fonte: Carta Maior. Com isso, é correto a�rmar que o estabelecimento dos Estados Unidos na América Latina con�gura-se em uma prática imperialista nos moldes que entendemos o Imperialismo europeu? Re�ita sobre isso e discutiremos sobre esta questão nos capítulos seguintes. Você quer ler? Sobre o tema das relações econômicas, sociais e diplomáticas entre Estados Unidos e América Latina, vale a pena ler a obra “As veias abertas da América Latina” de Eduardo Galeano. Síntese Nesta unidade, conseguimos entrar em contato com os movimentos emancipacionistas ocorridos na América que deram origem à con�guração territorial que conhecemos hoje, salvo algumas alterações posteriores. 15/03/24, 22:11 SU - BL2 - EDU_HIAMCO_19_E_1 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=JRlKhASyXau0kDosYi%2fSHw%3d%3d&l=67lo%2f1EfHrtqEdSWNhl0zg%3d%3d&cd=xQ… 28/30 Dentre os assuntos, identi�camos o conceito de Estado Nacional, a consolidação dos Estados Nacionais Modernos europeus e americanos, as Guerras de Independência da América e a relação atual da América Latina e Estados Unidos. Com base nos capítulos anteriores re�ita sobre as diferenças entre os movimentos revolucionários no que diz respeito aos agentes dos processos para responder qual ou quais destes movimentos emancipatórios têm mais proximidade com o movimento ocorrido no Brasil. Nesta unidade você teve a oportunidade de: ● Identi�car o processo de formação dos Estados Nacionais nas Américas no século XIX. ● Distinguir os processos de formação dos estados Nacionais na América Inglesa e AMérica Hispânica. ● Comparar as experiências do México e Argentina. ● Interpretar o processo de expansão do território norte-americano à Oeste. ● Analisar as relações entre Estados Unidos e América Latina. ● Detectar as políticas de intervenção dos Estados Unidos em países da América Latina. Download do PDF da unidade Bibliografia ARDAO, Arturo. Génesis de la idea y del nombre de América Latina . Caracas, Centro de Estudios Latinoamericanos ‘Romulo Gallegos’/Consejo Nacional de la Cultura, 1980. ARES, Berta; GRUZINSKI, Serge (Org.) Entre dos mundos . In: Fronteras culturales y agentes mediadores. Sevilla, CSIC, 1997 AZEVEDO, Cecília. Em nome da América . Os corpos da paz no Brasil. São Paulo: Alameda, 2008. BAYLIN, Bernard. As origens ideológicas da Revolução Americana. 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