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10 Prof.ª Priscila Lima AULA 09 – GEOGRAFIA Professora Priscila Lima Você deve ter notado que no nosso esquema de rede, a cidade B é maior do que as demais. Isso acontece, porque dentro de uma rede urbana cada cidade exerce um grau de influência diferente, a depender da sua capacidade de oferecer bens e serviços. Ou seja, algumas são mais "centralizadoras", mais "atrativas" economicamente do que as outras. "Segundo o IBGE, as regiões de influência das cidades brasileiras são delimitadas principalmente pelo fluxo de consumidores que utilizam o comercio e os serviços públicos e privados no interior da rede urbana." (SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil. 6ª Edição. Volume Único. São Paulo: Ática, 2018.p. 634) Percebeu que com esse raciocínio já identificamos uma hierarquia? Essa é a chamada hierarquia urbana, e no caso brasileiro, a cidade de São Paulo (classificada pelo IBGE como a grande metrópole nacional) ocupa o nível mais elevado em tal hierarquia - seguida por Rio de Janeiro e Brasília. De acordo com o IBGE, a hierarquia urbana brasileira está dividida em 5 grupos: 1. Metrópoles - são os 12 centros mais importantes do país, e são divididos em três grupos, a depender do tamanho e poder de polarização. a. Grande metrópole nacional - São Paulo, uma vez que tem um poder de polarização em âmbito nacional, desempenhando funções de uma metrópole global (afinal, concentra a maior parte das sedes de grandes empresas, criando uma ligação entre a economia nacional e a mundial); b. Metrópole nacional - Rio de Janeiro e Brasília, que também apresentam influência nacional, mas menor que a de São Paulo. "O Rio de Janeiro é classificado como metrópole nacional. Assim como em São Paulo, na cidade são realizados eventos empresariais, científicos e culturais de significado internacional. Os dois grandes centros oferecem serviços de educação superior e saúde que atraem usuários de todo o território brasileiro. No mesmo nível de Rio de Janeiro aparece Brasília. A capital federal exerce influência econômica menor que a das duas principais metrópoles, mas é o centro onde se tomam decisões políticas de repercussão nacional e internacional." (MAGNOLI, Demétrio. Geografia para o ensino médio. 2ª edição, Volume Único São Paulo: Atual, 2012.p.268) c. Metrópoles - Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Recife, Curitiba, Campinas e Manaus - cidades que apresentam influência regional 2. Capital regional - são municípios com influência regional, destacando, especialmente, as capitais estaduais, sendo divididos em: Capital regional A, Capital regional B e Capital regional C 3. Centro sub-regional - são centros menos complexos, com área de polarização mais reduzida. São divididos em: Centro sub-regional A e Centro sub-regional B 11 Prof.ª Priscila Lima AULA 09 – GEOGRAFIA Professora Priscila Lima 4. Centro de zona - são cidades de menor porte, dispondo de serviços elementares e polarização somente às cidades vizinhas. São divididos em: Centro de zona A e Centro de zona B 5. Centro local - são as cidades restantes, onde os serviços atendem apenas à população local, não polarizando nenhum outro município. 12 Prof.ª Priscila Lima AULA 09 – GEOGRAFIA Professora Priscila Lima O Rio de Janeiro foi capital colonial e imperial, mantendo tal condição até a inauguração de Brasília, em 1960. Tal transferência afetou suas dinâmicas, afinal perder o estatuto de sede do governo federal significou a diminuição de investimentos e atratividade. Além disso, mais tarde, várias empresas estatais com sede em tal cidade foram privatizadas e, em 2000, houve o encerramento das atividades de sua bolsa de valores. Entretanto, a capital fluminense ainda sedia a maior empresa brasileira - Petrobrás - e o grande grupo de comunicação Globo. Ou seja, decisões importantes e uma forte influência cultural partem do Rio de Janeiro, além do valor simbólico das antigas funções políticas e paisagem natural que ficou consagrada como cartão-postal do Brasil - por isso é tão comum que sedie eventos políticos e esportivos de larga escala. Quanto à São Paulo, foi uma cidade secundária durante o período colonial e se manteve assim até as últimas décadas do século XIX. As mudanças que garantiram a condição de metrópole se deram com a expansão da economia cafeeira, e, posteriormente, com a industrialização - ultrapassando o Rio de Janeiro, em termos demográficos, em meados do século XX. Atualmente, a influência nacional de São Paulo é maior do que a força exercida pelo Rio de Janeiro, uma vez que concentra sedes empresariais e abriga a bolsa de valores que interliga a economia brasileira aos mercados financeiros globais "A área de atração direta de São Paulo se estende por todo o território paulista, pelo sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro e vastas áreas no Centro-Oeste, até a Amazônia ocidental. O rio de Janeiro, por sua vez, influencia diretamente, além de seu estado, a Zona da Mata mineira, o Espírito Santo e o sul da Bahia." (MAGNOLI, Demétrio. Geografia para o ensino médio. 2ª edição, Volume Único São Paulo: Atual, 2012.p.270) Em termos regionais, as redes urbanas podem ser facilmente distinguidas, sendo um padrão mais complexo encontrado no Sudeste e, em menor escala, no Sul - ou seja, são redes organizadas em torno de metrópoles e compostas por diversas cidades médias com funções de capitais regionais. Já o Nordeste apresenta uma rede menos integrada, com forte dependência de três metrópoles: Fortaleza, Salvador e Recife. Enquanto isso, a realidade encontrada no Centro-Oeste e no Norte é de carência de cidades médias, reflexos das baixas densidades demográficas.