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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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Texto para as questões 202 e 203:
“Amor
A verdade é que devemos tudo aos amores infelizes, aos amores que não dão certo. A poesia se
faz antes ou depois do amor, ninguém jamais fez um bom poema durante um amor feliz. Pois se
o amor está tão bom, pra que interrompê-lo? O amor feliz não é assunto de poesia. Literatura é
quando o amor ainda não veio ou quando já acabou, literatura durante é mentira. Ou ela é
empolgação ou é remorso, revolta, saudade, tédio, divagação desesperada — enfim, tudo que dá
bom texto.
Desconfie de quem explica um estado de exaltação criativa dizendo que está amando. Algo
deve estar errado.
— Você está amando, mas ela não está correspondendo, é isso?
— Não, não. Ela também me ama. É maravilhoso.
— É maravilhoso, mas você sabe que não pode durar, é isso? Seu poema é sobre a transitorie-
dade de todas as coisas, sobre o efêmero, sobre o fim inevitável da felicidade num mundo em
que…
— Não! É sobre a felicidade sem fim!
— Não pode ser.
— Mas é. Acabei o poema e vou fazer uma canção. Depois, talvez, uma cantata. E estou pen-
sando num romance. Tudo inspirado no nosso amor. Não posso parar de criar. Estou transbordan-
do de amor e idéia. Crio dia e noite.
— E a mulher amada?
— Quem? Ah, ela. Bom, ela sabe que a atenção que não lhe dou, dou ao nosso amor perfeito.
Está explicado. Ele não canta a amada ou seu amor. Está fascinado por ele mesmo, amando. E
o poema certamente é ruim.
Porque o amor, para ser de verdade, tem de emburrecer. Só devem lhe ocorrer bobagens para
dizer ou escrever durante um caso de amor. Ou é kitch, de mau gosto, piegas ou copiado, ou não
é amor. Qualquer sinal de originalidade pode até ser suspeito.
— Esses seus versos para mim… Estão ótimos.
— Obrigado.
— Essas juras de amor, essas rimas, essa métrica… De onde você tirou tudo isso?
— Eu mesmo inventei. Pensando em você.
— Seu falso!
— O quê?
— Só deixando de pensar em mim por algumas horas você faria uma coisa assim pensando em
mim. Só tomando distância, escrevendo e reescrevendo, raciocinando e burilando, você faria isto.
Um verso plagiado do Vinícius eu entenderia. Um verso original, e bom desse jeito é traição. Só
não sendo sincero você seria tão inteligente!
— Mas…
— Não fale mais comigo.
Pronto. O amor acabou, agora você pode ser criativo sem remorso. Você está infeliz, mas con-
sole-se. Pense em como isso melhorará o seu estilo.”
Adap.: VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de São Paulo: 25/07/1999.
202. UFR-RJ A partir da leitura do texto, depreende-se que
a) os textos literários cujo tema é o amor tratam de um sentimento utópico.
b) os poemas feitos nos momentos de amor são criativos e interessantes.
c) fazer poemas sobre o amor exige um afastamento da relação amorosa.
d) só a reciprocidade no relacionamento amoroso enseja um bom texto poético.
e) os textos verdadeiramente literários são os que tratam da temática amorosa.
203. UFR-RJ Os diálogos, nesse texto, têm a função de
a) caracterizar o discurso indireto na narrativa.
b) refutar o ponto de vista do autor por meio dos personagens.
c) reproduzir o ponto de vista dos personagens sobre o amor.
d) servir de recurso para a argumentação às idéias do autor.
e) demonstrar o alto grau de alienação daquele que se sente amando.
Língua Portuguesa - Interpretação de texto II
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Texto para as questões 204 a 206:
“LE NOUVEL OBSERVATEUR
’Internet est à la merci
DE N’IMPORTE QUI!’
Le web est la Terre promise de la nouvelle èconomie, mais reste aussi habóné par
l’espirit libertaire de ses origines. Anatomie d’un champ de bataille…
‘Internet está à mercê de qualquer um!’
Em 7 de fevereiro, o portal americano Yahoo! foi a primeira vítima de uma série de ataques.
Damien Bancal, especialista em pirataria e responsável por um dos melhores sites franceses dedi-
cados a esse assunto, Taz (www.zataz.com), não acredita que os piratas estejam na origem do
ataque. Mas ele destaca a extrema vulnerabilidade da Internet.
Le Nouvel Observateur — Os comentários falam de ciberterrorismo, embora não tenha havi-
do saque propriamente dito. O que aconteceu realmente?
Damien Bancal — Até o momento, tinha-se assistido principalmente a incidentes isolados (…)
Esta onda de ataques é muito mais impressionante porque os sites foram bombardeados numa
extensão inédita. É como se 50 milhões de pessoas tivessem me telefonado ao mesmo tempo
para me desejar Feliz Dia dos Namorados: minha central telefônica teria explodido.
L. N. O. — Uma das hipóteses atribui os fatos a um pirata isolado. Outras acusam as empresas de
segurança de informática e, até mesmo, o governo americano, que deseja impor uma ciberpolícia…
D. Bancal — Se isso é obra de um pirata isolado, ele é um gênio que dispõe de meios impres-
sionantes. Não acredito nisso. Para o ano novo, esperava-se ‘a grande peste’, um desafio lançado
por um russo a todos os outros piratas do planeta. Talvez essa peste tenha chegado com atraso…
mas ainda continuo descrente. Pois se os autores são hackers, eles planejaram as ações com muito
tempo de antecedência. O mais desconcertante é a ausência de assinatura. Os piratas geralmente
têm sede de reconhecimento. Nesse caso, não há nenhuma reivindicação. Fala-se também de
uma operação conduzida pelos concorrentes das vítimas. Seria suicídio: abalar a imagem da rede
é como dar um tiro no próprio pé… Eu acho, na verdade, que esses ataques podem ser responsa-
bilidade das empresas especializadas em segurança, pois é preciso ter um poder de fogo colossal
[NR: as ações dessas empresas deram um salto na Bolsa no dia seguinte].
Entrevistador: Stéphane Arteta.”
Traduzido de Le Nouvel Observateur, du 17 au 23 février 2000.
204. UERJ A característica do texto que mais contribui para causar no leitor a impressão de
uma transcrição exata do que foi dito é a seguinte:
a) utilização do discurso direto.
b) introdução sobre o assunto.
c) inclusão de Nota de Redação.
d) indicação de marcas temporais.
205. UERJ A primeira pergunta de Stéphane Arteta solicita a explicação de um fato.
Para respondê-la de forma clara, Damien Bancal utiliza basicamente o seguinte recurso:
a) dedução. c) comparação.
b) suposição. d) quantificação.
206. UERJ Damien Bancal rejeita a primeira hipótese indicada pelo entrevistador. Para justi-
ficar sua opinião, utiliza uma estratégia argumentativa dividida em três momentos:
1º – parte do princípio de que a hipótese do entrevistador seria válida;
2º – deduz uma hipótese improvável;
3º – manifesta sua opinião discordante.
A alternativa que apresenta um exemplo do 2º momento desse raciocínio é:
a) “… mas ainda continuo descrente.”
b) “Para o ano novo esperava-se a ‘grande peste’…”
c) “O mais desconcertante é a ausênia de assinatura.”
d) “… ele é um gênio que dispõe de meios impressionantes.”

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