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GABARITO COMENTADO AD2 2020 2

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Questões resolvidas

Que elementos singularizantes da prosa estão presentes no conto? Diga quais são e como se caracterizam.

Identifique duas figuras de linguagem presentes na crônica em que a ambiguidade é usada para ampliar os sentidos. Quais são elas e o que sugerem?

Qual a principal diferença que se nota no conto de Moacir Scliar em relação aos contos de histórias infanto-juvenis em que há bruxas?

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Questões resolvidas

Que elementos singularizantes da prosa estão presentes no conto? Diga quais são e como se caracterizam.

Identifique duas figuras de linguagem presentes na crônica em que a ambiguidade é usada para ampliar os sentidos. Quais são elas e o que sugerem?

Qual a principal diferença que se nota no conto de Moacir Scliar em relação aos contos de histórias infanto-juvenis em que há bruxas?

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GABARITO AD2 – 2020.2
DISCIPLINA: LITERATURA NA FORMAÇÃO DO LEITOR
Coordenação: Profª Ana Maria de Bulhões Carvalho
ATENÇÃO: ESTE GABARITO CONTÉM ALGUMAS EXPLICAÇÕES E ORIENTAÇÕES DE ORDEM GERAL, PARA ALÉM DAS RESPOSTAS ADEQUADAS.
QUESTÃO 1 (2 PONTOS)
Leia o conto de Machado de Assis, Um bilhete, e depois ouça a gravação, disponível na plataforma.
(Conto publicado em A Estação em 1885)
Antes mesmo que acabasse o baile, Maria Adelaide dizia à mãe que não queria ficar um minuto mais que fosse.
· Que é isso? disse-lhe a mãe. Deu uma hora agora mesmo.
· Não quero saber. Vamo-nos embora.
· Ora, meu Deus!
· Vamos, vamos.
Não havia que dizer, a mãe era governada pela filha, e perderia o lugar no céu, se tanto fosse preciso, para não desgostá-la. Note-se que não cedia pouco desta vez; cedia a ceia, que era excelente, e a boa viúva professava esta filosofia: — que as ceias excelentes são preferíveis às boas, as boas às más e as más às que não têm existência. Sacrificava a melhor parte do baile; mas, enfim, contanto que a filha não padecesse.
Padecer, padecia. No carro, logo que as duas entraram, Maria Adelaide começou a ralhar com tudo, com o carro, com a capa, com o calor, com o pó, com a mãe e consigo mesma. A mãe entendeu logo: era algum desgosto que o Chico Alves lhe dera. Realmente, lembrou-se que o Chico Alves, indo despedir-se delas, nem alcançou que Maria Adelaide olhasse para ele. A moça deu-lhe os dedos, a pontinha apenas, e falou-lhe de costas; naturalmente estavam brigados.
A viagem foi atribulada. Nunca o mau humor da moça foi tamanho nem tão explosivo. A mãe pagou pelo namorado, mas como era prudente e estava com fome, preferiu não dizer nada.
Em casa, continuou o mau humor. A pobre criada da moça padeceu como nunca. Maria Adelaide entrou para os seus aposentos, furiosa, despiu-se às tontas, dizendo coisas duras, rasgando uma das mangas do vestido, atirando as flores ao chão, raivosa e indignada sem causa aparente. No fim, disse à criada que se fosse embora, e ficando só rebentaram-lhe as lágrimas. Assim mesmo sozinha, ia falando, mordendo os lábios, dando punhadas nos joelhos. Depois arrancou da cadeira, foi à secretária e escreveu este bilhete:
Nunca pensei que o senhor fosse tão pérfido. Nunca imaginei que pudesse proceder como fez no baile; creia que não manifestei o meu desgosto por dois motivos: — o primeiro, porque ainda tive força de me dominar; segundo, porque depois do que o senhor me fez, nada pode haver mais entre nós. Case-se com a viúva, se quer. Mande as minhas cartas e adeus. Esta determinação é irrevogável. Qualquer tentativa de reconciliação obrigar-me-á ao que não quero.
Tinha dado expansão à cólera, deitou-se para dormir. O sono não veio logo; a raiva agitou a pobre moça, e só quando começou a madrugada foi que ela pôde dormir um pouco. No dia seguinte, o Chico Alves recebia este bilhete:
Desculpa algumas palavras que te disse ontem no baile. Estava muito zangada. Vem hoje tomar chá, e eu te explico tudo.
(https://pt.wikisource.org/wiki/Um_Bilhete, consultado em 18/9/2020)
RESPONDA:
1.1 Que elementos singularizantes da prosa estão presentes no conto? Diga quais são e como se caracterizam.
RESPOSTA:
NARRADOR - O narrador se encontra na superficie da narrativa, isto é, ele não participa da história, porém, tem acesso a todo conhecimento que se passa na trama, seja sentimentos, emoções ou pensamentos dos personagens. Ele tem como possibilidade capturar tanto aquilo que exteriormente é vivenciado pelo personagem, quanto interiormente. 
PERSONAGENS – Maria Adelaide: é a protagonista principal da narrativa. Podemos observar no conto que a mesma possui uma caracteristica autoritária e desrespeitosa, com atitudes caprichosas, principalmente quando se relaciona com sua mãe de maneira irreverente, em que nos leva a refletir e não praticar esses comportamentos. 
Mãe de Maria Adelaide: é uma viúva, emocionalmente desamparada, com uma fraqueza de caráter, estando disposta a sacrificar tudo pelos caprichos de sua filha.
Chico Alves: participa da história contada, mesmo que não tenha tido um diálogo. Assim, podemos dizer que o mesmo é o namorado de Maria Adelaide, no qual é o responsável pelo aborrecimento e fúria da jovem. 
Criada: é citada pelo narrador, mas não participa de forma oral. A mesma é quem paga pelo mau humor de sua patroa Maria Adelaide, que a trata de maneira arrogante.
AÇÃO – A narrativa do conto se baseia em uma jovem temperamental, que por conflitos amorosos desconta sua antipatia e frustação em sua mãe que deixa tudo de lado para somente viver em função de sua filha, isto é, ela simplesmente deseja ver a sua felicidade. Além dela, a moça também despeja sua ira em sua criada que está apenas exercendo o seu trabalho gentil. Dessa forma, torna-se evidente que a jovem possui atitudes explosivas e agressivas, onde ela mesma se agride verbalmente e fisicamente, quebra tudo ao seu redor e descontroladamente cai ao choro, no qual em seu momento de raiva, escreve uma carta rompendo seu relacionamento. Contudo, logo depois de não conseguir pregar o olho para dormir naquele instante, só conseguiu adormecer pela madrugada. Assim, visto que já tinha acalmado as suas emoções, ela desiste de enviar a carta anterior, escrevendo um novo bilhete dizendo estar arrependida pelo seu comportamento e pedindo ao rapaz que venha para um chá, para ambos conversarem sobre o ocorrido.
TEMPO- O tempo do acontecimento do conto é narrado quando Maria Adelaine diz a sua mãe que não queria ficar nem mais um minuto no baile, mesmo quando a sua mãe articula em dizer que só havia dado um hora naquele instante. O tempo do acontecimento também se passa a jovem decidi se deitar para dormir, mas somente no começo da madrugada, foi que ela conseguiu adormecer nem que seja um pouco.
ESPAÇO – O conto ocorre em uma festa, ou melhor, em um baile, com diversos convidados, músicas, danças e aperitivos. No entanto, por conta do desentendimento e conflito entre Maria Adelaine e seu namorado, a jovem decide ir embora naquele exato momento, em que entra em um carro com sua mãe a caminho de sua casa, e, logo ao chegar, imediatamente se dirige ao seus aposentos, onde se dá o desfecho do conto.. 
DISCURSO- É possivel observar que o conto apresenta um diálogo entre os personagens. Desse modo, podemos dizer que o narrador utiliza três tipos, o discurso direto, indireto e indireto livre. 
Discurso direto- é preciso o uso de travessão para mostrar a fala das personagens, como por exemplo, quando foi usado nesse trecho entre Maria Adelaide e sua mãe.
· “Que é isso? disse-lhe a mãe. Deu uma hora agora mesmo.
· Não quero saber. Vamo-nos embora.
· Ora, meu Deus!
· Vamos, vamos.”
Discuso indireto - é necessário um narrador para contar os fatos ocorridos, como por exemplo, no trecho.
“Antes mesmo que acabasse o baile, Maria Adelaide dizia à mãe que não queria ficar um minuto mais que fosse”.
Discurso indireto livre- é quando misturam a voz do narrador mais a voz dos personagens. Assim, como podemos ver no trecho.
“A mãe entendeu logo: era algum desgosto que o Chico Alves lhe dera. Realmente, lembrou-se que o Chico Alves, indo despedir-se delas, nem alcançou que Maria Adelaide olhasse para ele”.
Podemos dizer que nesse discurso fica mais difícil de delimitar o que é a fala do narrador e o do personagem. 
ESTA RESPOSTA FOI SUPERCOMPLETA.
A RESPOSTA ESPERADA SERIA A DE REFERIR A NARRADOR, PERSONAGENS, NOMEANDO-OS E EXPLICANDO-OS, TEMPO, ESPAÇO E AÇÃO.
Há um narrador que conduz a história. Que tipo de narrador ele é, e o que a narração do ator Othon Bastos reforça deste narrador literário?
RESPOSTA:
	O narrador que conduz a história enquadra-se em onisciente intruso, ou seja, o narrador assume sua voz de contador de história, não isento, interfere com sua opinião pessoal no que precisa ser falado ou explanado ao leitor.
Conforme a narração do ator Othon Bastos, torna-se evidente a convicção que ele reproduz ao narrar a história, sendo fiel ao conexto, enredo, pontuação. Por sua narração se transmite o conto de formamais clara e singela
MUITOS PERDERAM PONTO PORQUE IGNORARAM A PARTE DA RESPOSTA QUE DEVERIA REFERIR À NARRAÇÃO DE OTHON BASTOS, QUE REFORÇA O ASPECTO ONISCIENTE E TESTEMUNHA DO NARRADOR, QUE SE INTROMETE NA HISTÓRIA, INTERPRETANDO AS REAÇÕES DA PROTAGONISTA.. 
QUESTÃO 2 (2 PONTOS)
Leia a crônica “Máscaras e dúvidas”, que Roberto da Matta publicou dia 14 de setembro, em O globo, na página Opinião, transcrita abaixo:
Quebrei um dente e fui obrigado a romper a quarentena atual e a outra, de cinquenta anos, para visitar o Dr. Rodrigo Medina, meu competente dentista. Como era emergência, marcamos ao anoitecer, quando seria prontamente atendido.
Devidamente mascarado e me sentindo um pouco o bandido da história em quadrinhos, ou um reles político nacional, andei por intermináveis corredores do prédio e, driblando a insegurança da idade, cheguei ao consultório, sentei-me e fiquei esperando minha vez. [...]
Minutos depois, entrou no consultório uma jovem senhora. Após os reconhecimentos mútuos, demandado pela “boa educação”, começamos uma conversa trivial. Observamos o terror da pandemia que nos obrigava a usar máscaras; comentamos o nosso nojo pelos governantes que roubaram recursos médicos e construíram hospitais fantasmas. Notando da percepção de minha companheira de espera, perguntei no que ela trabalhava.
· Sou professora, disse. – E você?
· Sou do mesmo ramo, sou professor da PUC-Rio.
· De quê?
· De Antropologia Social ou Cultural – respondi de pronto, para explicar que o cultural que eu ensino nada tem a ver com o “show business”[...] mas com valores e costumes...
· O senhor conhece o Roberto da Matta? – perguntou imediatamente a minha companheira de espera.
· Acho que sim – disse o mascarado. Creio que conheço um pouco...
· Eu adoro o que ele escreve. Como ele é? Perguntou [...].
A pergunta banal me pegou. Afinal quem era mesmo eu? Seria o pai, avô, irmão, filho, viúvo, tio ou primo?Ou seria um velho professor-pesquisador conjugado por um esforço cronista e autor? Ou simplesmente um velho?
· Bem, respondi. Ele é um cara complicado, indeciso, enfático e até mesmo grosseiro. Acho que é impaciente com a burrice nacional, mas isso é um direito dele...
· Então você teve convivência com ele... – questionou a moça do rosto escondido.
· Convivo com ele desde os tempos de primeira comunhão, escola e faculdade... Aliás fui ao seu casamento e ao lançamento do seu primeiro livro aqui em Niterói... Ele é muito difícil de conviver, pois sempre usa uma máscara.
· É mascarado?
· Não, mas sofre de uma profunda e neurótica honestidade – disse, tirando a minha máscara e revelando que eu era quem, num raro momento, falava da minha própria pessoa.
A moça sorriu e pediu uma desculpa impossível, pois sempre vivemos num país no qual todos devem saber com quem falam. Exceto quando nos mascaramos, como fazem os governantes desonestos, os poderosos e os muito ricos.
Em seguida fui consertar o dente.
(O globo, 14.9.2020, caderno 1, Opinião)
2.1 Trata-se de uma crônica. Aponte duas características desse gênero literário presentes no texto, embasando sua resposta em exemplos tirados do texto.
BASTAVA, NA RESPOSTA, SE ATER AO QUE DEFINE O PARÁGRAFO 5.2 DA AULA 5. “a crônica: texto em geral curto, que se estrutura sobre fatos do cotidiano e situações simples. Pode também tratar de um fato político, porém em geral contempla dois aspectos: o presente (de uma pessoa, de uma família, de uma sociedade) e algum fato do cotidiano deste presente (político, afetivo, subjetivo, objetivo ou social); além desses temas, a crônica preserva em geral um tom leve, humorado, jocoso, irônico. A crônica é a forma literária mais ligeira, que pode ser reproduzida em jornal ou em revistas.”
AQUI NÃO SE FALA EM DIÁLOGO, EM POUCOS PERSONAGENS...
BASTAVA LER A AULA, DESTACAR NO TEXTO EXEMPLOS, E COMENTAR.
TODAS AS PERGUNTAS EXIGEM PESQUISA DE MATERIAL DIDÁTICO, DAS DIFERENTES SEÇÕES DAS AULAS.
RESPOSTA:
	De acordo com a crônica “Máscaras e dúvidas”, podemos citar alguns traços desse grupo literário, começando pelas atributos de que a geralmente a crônica se fala em primeira pessoa, como é o caso Roberto Matta. Sua linguagem é coloquial, com um número reduzido de personagens, onde temos o Professor de Antropologia Social e a Professora que é sua companheira de espera no consultório, temos também o Dr. Rodrigo Medina, que mesmo que não tenha tido um diálogo com os demais, é citado na história. Um das principais características é o fato de a crônica ser inspirada em assuntos cotidianos, através de uma conversa informal, de grande relevância ao se tratar de algo que todos estamos vivendo mediante a pandemia, mas a crônica nos traz um tempero de humor.
	Assim, citando duas dessas peculiaridades presentes no texto, é possível destacar: A linguagem coloquial, ou seja, uma linguagem simples que utilizamos em situações informais no cotidiano, em uma conversa entre família, amigos, conhecidos, etc.. Como destaca desse trecho, uma interação espontânea e descontraida entre duas pessoas. 
“Notando da percepção de minha companheira de espera, perguntei no que ela trabalhava.
· Sou professora, disse. – E você?
· Sou do mesmo ramo, sou professor da PUC-Rio.”
	
	Outra característica seria o assunto atual e de extrema importância sendo abordado através de uma simples conversa, seja fazendo uma análise crítica ao tema, no qual possibilita ao leitor refletir sobre o assunto posto em questão. Como destaca no trecho ambos dialogando de maneira espontânea sobre o cenário crítico em que todos estamos passando e sobre os impactos que eessas circunstâncias tem causado. 
“Após os reconhecimentos mútuos, demandado pela “boa educação”, começamos uma conversa trivial. Observamos o terror da pandemia que nos obrigava a usar máscaras; comentamos o nosso nojo pelos governantes que roubaram recursos médicos e construíram hospitais fantasmas”.
2.2 A crônica é literária. Sua linguagem, portanto é conotativa. Há duas frases nesta crônica em que a ambiguidade é usada para ampliar os sentidos. Quais são elas e o que sugerem?
RESPOSTA:
	Na frase “Quebrei um dente e fui obrigada a romper a quarentena atual e a outra, de cinquenta anos”. É evidente que contém uma linguagem conotativa, onde ele não está apenas falando sobre o isolamento que ocorre no presente, mas que antes mesmo da pandemia acontecer, ele já mantinha distanciamento, afastado de um certo tipo de convívio social. 
No segundo trecho “...Ele é muito difícil de conviver, pois sempre usa uma máscara.
· É mascarado?
· Não, mas sofre de uma profunda e neurótica honestidade – disse, tirando a minha máscara e revelando que eu era quem, num raro momento, falava da minha própria pessoa”. É nítido que o cronista não está dizendo apenas da máscara de prevenção ao vírus, mas também do que esconde por trás dessa máscara “fictícia”, isto é, onde ele cobre sua verdadeira face, sobre um ser humano cheio de qualidades e defeitos, como qualquer outro. 
ESSA RESPOSTA EM GERAL TODOS DERAM CORRETAMENTE.
QUESTÃO 3 (2 PONTOS)
Leia agora a crônica em versos de Arnaldo Antunes, O real resiste.
Autoritarismo não existe Sectarismo não existe Xenofobia não existe Fanatismo não existe
Bruxa fantasma bicho papão
O real resiste
É só pesadelo, depois passa Na fumaça de um rojão
É só ilusão, não, não Deve ser ilusão, não não É só ilusão, não, não
Só pode ser ilusão
Miliciano não existe Torturador não existe Fundamentalista não existe Terraplanista não existe
Monstro vampiro assombração O real resiste
É só pesadelo, depois passa Múmia zumbi medo depressão Não, não, não, não
Não, não, não, não Não, não, não, não.
Trabalho escravo não existe Desmatamento não existe Homofobia não existe Extermínio não existe
Mula sem cabeça demônio dragão O real resiste
É só pesadelo, depois passa Como o estrondo de um trovão É só ilusão, não, não…
(In:
https://www.google.com/search?q=o+real+resiste+arnaldo+antunes+letra&oq=O
+reala+resiste&aqs=chrome.6.69i57j46j0l5.16303j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF- 8, consultado em 18.9.2020)
(Assista ao vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=pIn-NmZzVMU)3.1 A crônica, no sentido estreito do gênero, é escrita em prosa. Mas há criações musicais que, pelo perfil que apresentam, podem ser lidos e ouvidos como crônica. Que elementos, neste caso epecífico, podem ser destacados? Dê exemplos tirados do texto.
RESPOSTA:
	A música sempre foi uma forma de expressar nossos sentimentos, emoções, pensamentos, desejos, entre outros. Como é o caso da música de Arnaldo Antunes – O real resiste, que foi censurado na tv, mas neste ano conseguiu alcançar seu objetivo de lançar sua música em todas as plataformas digitais. É interessante como a música pode chamar a atenção para a política, de maneira irônica através de canções de protesto, contra injustiças e principalmente a corrupção. Os elementos que compõe essa canção se fazem presentes no momento em que estamos vivendo, sobre a realidade de toda a população se encontra basicamente reclusas em prisões sem grande, rodeados pela mentira dos governantes, sendo alvo daquilo em que nós mesmos contríbuimos para estarem ali, através dos impostos que somos condenados a pagar e não termos ao menos um pingo de direito a nada. ESTA PARTE DA RESPOTAÉ PESSOAL,DEPENDEU DA PESQUISA DO ALUNO. FALOU DA MÚSICA, COMO UM TODO, MAS NÃO SE BASEOU SÓ NISTO. A RESPOSTA DESEJADAESTÁ AQUI:
	Pelo perfil em que a música apresenta, pode-se dizer que possui fatores considerados como crônica humoristica, por ser tratar de acontecimentos corriqueiros em nosso cotidiano, utilizando o humor com pitadas de irônias com o intuito de criticar fatores sobre governo, política, sociedade, etc.. Como exemplo:
ACABA SE TORNANDO UMA CRÍTICA SÉRIA, SOBRETUDO PORQUE NÃO NÃO NÃO – NEGA A RELATIVIZAÇÃO DAS ATROCIDADES NATURALIZADAS NO COTIDIANA POSSAM SER TÃO ILUSÓRIAS QUANTO A CRENAÇ EM BRUXA E DRAGÃO.
“Trabalho escravo não existe Desmatamento não existe Homofobia não existe Extermínio não existe
Mula sem cabeça demônio dragão 
O real resiste
É só pesadelo, depois passa Como o estrondo de um trovão 
É só ilusão, não, não…”
3.2 Que figuras conhecidas do imaginário popular pertencem ao maravilhoso da literatura infantil e que Arnaldo Antunes usa na composição? E qual uso ele dá, qual sentido?
RESPOSTA:
	Arnaldo Antunes utiliza em sua composição figuras da literatura infantil, que estão presentes nos trechos: “Bruxa fantasma bicho papão”, “Monstro vampiro assombração” e “Mula sem cabeça demônio dragão”. Esses trechos fazem o uso dessas figuras de linguagem com o intuito de provocar ao ouvinte a mensagem que a música busca transmitir, uma verossimilhança, ou melhor, em que consiste em uma semelhança com a realidade, já que as coisas da imaginação e as da realidade parecem estar no mesmo plano. Mas o real resiste, quer dizer, independente de crenças, aquelas ocorrências verdadeiras estão lá, não são ilusórias. 
A SEGUNDA RESPOSTA RESSALTA ESTA BANALIZAÇÃO DAS COISAS SÉRIAS, que definitivamente não estão no mesmo plano que os dragões e as bruxas.
QUESTÃO 4 (2 PONTOS)
Na mesma linha de atualização das figuras, veja o que acontece com a bruxa má, neste conto de Moacir Scliar, Bruxas não existem.
Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de "bruxa".
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande caldeirão.
Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando "bruxa, bruxa!".
Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina.
· Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida descarregaria em mim sua fúria.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma habilidade surpreendente.
· Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana Custódio.
(In: https://escolakids.uol.com.br/portugues/contos-curtinhos.htm, consultado em 17.9.2020)
4.1 Qual a principal diferença que se nota no conto de Moacir Scliar em relação aos contos de histórias infanto-juvenis em que há bruxas?
Resposta:
	Em todas histórias infanto-juvenis, a personagem da bruxa possui como principais atributos o lado negativo, isto é, de uma mulher má, velha, feia, nariz grande, verrugas, gorda, sozinha, entre outras características que sempre estarão voltadas para uma figura desumana e cruel. Assim, todas as crianças já crescem ouvindo essas histórias, criando a idéia de que qualquer pessoa em que possa ter esses traços serão vistas como “bruxas”, pessoas malvadas em que devemos manter a distância. 
	Podemos observar no conto um grande exemplo dessa situação, crianças com “conceitos formados” diante de uma simples senhora que era considerada como alguém ruim, sendo atacada, incomodada, insultada e humilhada. Alguém totalmente indefesa em ser criticada por alguém em que não era. No entanto, mesmo que por conta de toda essa frustação, no final tudo isso serviu como lição, no qual o socorro veio daquele em que menos o menino esperava, já que seus “amigos” correram e ele ficou para trás ferido. Perante a todo o ocorrido o garoto pode amadurecer, podendo conhecer a bondade e a gentileza daquela senhora, vendo de fato a realidade como ela era, aprendendo que não se deve julgar ninguém pela aparência, pelas roupas ou pelo modo de viver, pois o respeito é algo primordial em que devemos ter a obrigação de ter com todos, em razão de que não existe pessoas melhores, diferentes e superiores aos outros. Desse modo, as diferenças entre ambos, é que nas histórias em que já conhecemos sobre bruxas, literalmente nesse vasto mundo da imaginação, as bruxas são pessoas más e cruéis, portanto, nesse conto a senhora Ana Cústodio não era uma bruxa, feitiçeira, rancorosa e perversa, como o imaginário daquelas crianças acreditavam, ou seja, ela erasomente uma pessoa como qualquer outra, vítima de um preconceito por ser simplesmente ela mesma. 
	Esse conto além de trazer uma lição para os próprios participantes da história, também nos faz refletir sobre os nossos atos, pelos quais muitas vezes acabamos julgando as pessoas sem conhecermos; ressalta que precisamos respeitar qualquer um, independente de qualquer coisa e aliás, nos mostra sobre a necessidade de uma amizade verdadeira, confiavél e bondosa. 
ENTÃO, A DIFERENÇA ESTÁ QUE NAS HISTÓRIAS INFANTIS O ESTERÓTIPO DE BRUXA ESTÁ DE ACORDO COM O QUE FAZ O GÊNERO DE LITERATURA TRADICIONAL A QUE PERTENCE: UM SER DO MAL, DEDICADO À MALDADE, A ASSUSTAR, E TEM UM ASPECTO FÍSICO CONDIZENTE, NADA SIMPÁTICO;
E NESTA HISTÓRIA O ESTEREÓTIPO ESTA INCULCADO NO IMAGINÁRIO DAS CRIANAÇAS, QUE O ATRIBUEM A UMA PESSOAL REAL, APENAS FISICAMENTE FORA DOS PADRÕES ATRIBUÍDOS ÀS FIGURAS SIMPÁTICAS; ELA FOI JULGADA PELA APARÊNCIA. E A REAÇÃO DAS CRIANÇAS PERDEU O SENTIDO QUANDO ELA SE MOSTROU DIFERENTE.
4.2 Como o espírito do tradicional maravilhoso está presente no conto?
Resposta:
	No conto “Bruxas não existem” de Moacir Scliar, torna-se evidente características marcantes do “tradicional”, principalmente referente a senhora Ana Cústodio, ou melhor, a “bruxa”. Segundo a imaginação fértil das crianças, por conta da aparência física, personalidade e modo de vida, tudo se encaixava perfeitamente como uma bruxa, quando diziam que ela: “Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas” e “Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha”, assim, podemos dizer que esses traços são marcados pelas histórias tradicionais que já conhecemos, desse modo, ambos são referentes a personagens fictícios, que se faz presente no subconsciente da imaginação infantil. 
NESTE CASO, O MARAVILHOSO NÃO ESTÁ NA HISTÓRIA PROPRIAMENTE, MAS É INDICADO PELAS IDEIAS PRÉVIAS TRAZIDAS PELA CRIANÇAS QUE CONHECIAM A FIGURA DE BRUXAS DAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS E NÃO CONSEGIURAM VERALÉM DAS APARÊNCIAS.
A HISTÓRIA TRAZ ESTA “LIÇÃO DE MORAL”.
QUESTÃO 5 (2 PONTOS) DIARIO DE BORDO
Inspire-se em um dos gêneros literários (usamos crônica em forma de poesia, crônica e conto infantil) explorados nesta avaliação e crie um Diário de bordo em que apareça a figura da bruxa. Capriche na elaboração da personagem.
A autora da resposta optou por uma hisótia juvenil, deixando a ambiguidade sobre o aparecimento da bruxa, o que torna o conto interessante!
VERIFICAMOS QUE MUITOS(AS) ALUNOS (AS) IGNORARAM O CONVITE A “CRIAR” UM DIÁRO FIZERAM PESQUISA NA INTERNET E TROUXERAM UM CONTO ESCRITO POR OUTRO AUTOR.
ACEITAMOS AS RESPOSTAS, PROQUE EM GERAL RESULTARAM INTERESSANTES.
MESMO QUEM COPIOU A RESPOSTA NA PROVA SÓ FOI PONTUADO NA SEÇÃO DIÁRIO DE BORDO...

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