Prévia do material em texto
Capítulo I- História do Pensamento Contábil Todo o conhecimento contábil que temos hoje foi fruto do conhecimento adquirido ao longo dos séculos, aperfeiçoado nas diversas escolas do pensamento contábil, influenciando a atuação do profissional contábil moderno. As escolas do pensamento contábil se formam a partir da busca constante de alçar a contabilidade na direção de um objeto de estudo. Doutrinas nesse sentido foram desenvolvidas, umas que tentaram dar contornos à contabilidade com base nos fundamentos econômicos e outras que se dirigiram para uma abordagem mais jurídica. As escolas do pensamento contábil que tiveram expressão e que influenciaram os modelos de contabilidade aplicados são: 1- Escola Contista 2- Escola Personalista 3- Escola Controlista 4- Escola Aziendalista 5- Escola Patrimonialista 6- Escola Lombarda 7- Escola Americana 1- Escola do pensamento Contista Século XV até século XIX- A escola Contista ou o Contismo, como também é conhecido, é a primeira escola do pensamento contábil. É, pois, considerado o primeiro movimento em que se reuniram contadores em torno de uma linha de pensamento organizada. Tal qual se depreende do seu nome , essa escola teve como ideia central a fundamentação do mecanismo das contas , com foco no funcionamento das contas. A preocupação dos seguidores dessa escola é que “a contabilidade deveria se preocupar especialmente com o processo de escrituração e com as técnicas de registro através do sistema de contas”. Conquistado o raciocínio de que a conta é apenas a informação sobre algo que se vai observar e não o próprio objeto de estudos do conhecimento, foram amadurecendo as idéias e o entendimento sobre a matéria contábil. No início do século XIX (aproximadamente entre 1818 e 1840), a contabilidade libertou-se da estreita ótica dos registros e passou ao exame do natural conteúdo, buscando o verdadeiro “objeto” da ciência contábil. Existiram, nesta época, diversas correntes, cada uma com sua ótica própria, mas todas elas interessadas em situar a verdadeira matéria de estudos da ciência contábil. Foram elas: 2- Escola do pensamento Personalista A Escola Personalista surge na segunda metade do século XIX e teve por foco a análise da contabilidade pelo ângulo jurídico. Relaciona as contas a “pessoas de carne e osso”. – o seu e o meu – os direitos e as obrigações. A ideia da personalização já havia sido exposta desde os primórdios do nascimento do método das partidas dobradas, porém com uma base científica. À época das apresentações simplificativas do método das partidas dobradas ainda não se tratava dos bens patrimoniais como elementos autônomos, nem se cogitava sobre a criação da teoria jurídica. Aspectos práticos atuais herdados das escolas Contistas e Personalistas: 1. Métodos das partidas dobradas 2. Diversificação das contas contábeis 3. Autonomia jurídica do patrimônio da entidade. 4. Bases para o diário e razão contábil 3- Escola Controlista Idealizada por Fabio Besta (1845-1922), por volta de 1880, através de sua obra La Ragioneria. Com a visão focada no usuário interno, Besta distinguiu: administração em geral (voltada para a ação de administrar); administração econômica (destacava o patrimônio da entidade e sua utilização na geração de riquezas, com gestão, direção e controle). No controlismo aparece: O ano civil como período do exercício administrativo; A preocupação com a continuidade da gestão (que no Brasil é o princípio da continuidade). A definição de Besta para a missão contábil foi proferida como sendo: "encarregada de estabelecer um ponto de partida para que seja possível analisar de pronto os resultados da gestão; encarregada de acompanhar a gestão pondo em evidência todos os fatos ocorridos nas entidades que facilitem o julgamento do trabalho administrativo e; encarregada de demonstrar os resultados finais da administração econômica para fins de aprovação ou rejeição da gestão" Aspectos práticos atuais herdados da escola Controlista: A contabilidade como sistema de segurança importante para as empresas e importante para ajudar na tomada de decisão dos usuários internos . 4- Escola do pensamento Aziendalista Gino Zappa, como máximo representante desta escola, colocou num só plano a Gestão, a Organização e a Contabilidade, não admitindo o estudo científico da contabilidade sem o conhecimento concomitante das doutrinas que, ao seu lado, formam a economia aziendal. A doutrina da gestão está voltada para a definição de um conjunto de princípios destinados a servir de instrumento de auxílio à ação da gestão. A doutrina da organização está direcionada para o estudo da constituição e harmonização do organismo pessoal da entidade. A contabilidade tem como função a demonstração dos resultados da gestão, através da observação adequada ao estudo quantitativo dos fenômenos empresariais. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fabio_Besta https://pt.wikipedia.org/wiki/Ano_civil https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil Outro ponto importante do pensamento doutrinário de Zappa foi o de desenvolver um sistema teórico contábil a partir do resultado. Segundo ele, a contabilidade deveria ocupar-se da demonstração dos fatos da gestão e não se resumir apenas a um simples método de registro. Para que esta demonstração fosse possível, todos os fatos a demonstrar deveriam ser conhecidos. Tais fatos são fenômenos econômicos que, normalmente, fazem parte de um fluxo de trocas monetárias entre a entidade e as economias externas. A vida econômica e financeira da entidade somente será plenamente conhecida a partir da total revelação destes fatos pela contabilidade. A finalidade desta demonstração é conhecer os custos e receitas provenientes da gestão empresarial, ou seja, conhecer o resultado. Na concepção de Zappa, o resultado é definido como o acréscimo ou decréscimo sofrido pelo capital em determinado período administrativo, como conseqüência das operações da gestão. O resultado e o capital representam duas diferentes visões do mesmo fenômeno. O capital é a representação do conjunto de elementos do ativo e do passivo que irão gerar o resultado da entidade, ao passo que o resultado é a representação das mudanças dos componentes patrimoniais em um determinado período. Conhecer periodicamente o resultado do período é indispensável para a análise do desempenho da entidade e de seus dirigentes, o que levou Zappa a dedicar grande atenção a este aspecto em seus estudos. Para ele, a gestão de cada exercício, é influenciada positiva ou negativamente pelos acontecimentos que tiveram lugar em períodos anteriores e do que venha a ocorrer em períodos subsequentes. Para Zappa tanto a separação exata dos resultados de vários exercícios como tentativa de determinar com exatidão os custos de produção, é uma utopia, já que existem operações em curso no fim do exercício e no início do próximo exercício, que colaboram com a formação do resultado, ou seja, operações que iniciaram em exercícios anteriores e operações que se encerrarão em períodos posteriores. Pode-se resumir as contribuições desta escola para a comunicação contábil mencionando que para seus representantes: A teoria contábil deveria ser capaz de interpretar os acontecimentos ligados a vida da entidade e demonstrar a formação do resultado e suas relações com os fatos administrativos e com todo o contexto em que a entidade está inserida. O resultado era considerado o mais importante fenômeno econômico de uma entidade. O conhecimento e demonstração do resultado da gestão empresarial representava o principal objetivo da contabilidade. Aspectos práticos atuais herdados da escola Aziendalista: A contabilidade além de um sistema de escrituração e controle, tem também por função o fornecimento de informações para ajudar na gestãoda empresa (aziendas) e na tomada de decisão. 5- Teoria Patrimonialista É a teoria usualmente adotada no Brasil. Segundo ela, criada por Vincenzo Masi, o objeto de estudo da ciência contábil é o Patrimônio de uma entidade. A contabilidade tem como finalidade controlar este patrimônio e apurar o resultado das empresas. Estas contas se classificam da seguinte forma: a) Contas Patrimoniais: são as contas representativas dos bens e dos direitos (Ativo), das obrigações (Passivo) e do Patrimônio Líquido (PL) da entidade. b) Contas de Resultado: são as contas que representam as receitas e as despesas da entidade. Aspectos práticos atuais herdados da escola Lombarda: Juridicamente a responsabilidade dos sócios está limitada ao valor do patrimônio da empresa. 6- Escola do pensamento da escola Lombarda A Escola Lombarda, também chamada de Escola Administrativa, surgiu em 1840, com a publicação do livro La contabilità applicata alle amministrazioni private e pubbliche, de Francesco Villa, que era o principal representante desta escola de contabilidade, junto com Antonio Tonzig. A base doutrinária da Escola Lombarda estabelecia que as contas fossem abertas a valores e não a relações pessoais, e assumia a escrituração contábil como parte da mecânica de registros dos fatos econômicos. A riqueza aziendal era tida como substância de estudo. A contribuição de Villa para o desenvolvimento científico da contabilidade se destacou em diversas áreas: sobre o estudo dos meios patrimoniais, sobre a renda, sobre o regime de competência, entre outros.[1] O principal interesse desta escola era o estudo da administração das empresas. Com isto, a Contabilidade deixou de ser apenas escrituração, passando também a controlar a gestão das empresas. Não se limitou mais a cifras, passando a abranger também idéias e operações mais abstratas. Outra inovação desta escola foi a avaliação de ativos permanentes por preços correntes. Aspectos práticos atuais herdados da escola Lombarda: A contabilidade além de um sistema de escrituração e controle, tem também por função o fornecimento de informações para ajudar na gestão da empresa (aziendas) e na tomada de decisão. 7- Escola Americana O interesse dos norte-americanos pela qualificação da informação contábil caracterizou sua escola pelo desenvolvimento em duas linha de atuação: I. De um lado o progresso doutrinário da contabilidade financeira e dos relatórios contábeis e, II. De outro a contabilidade gerencial, especialmente no que tange à qualidade da informação interna para tomada de decisões. https://pt.wikipedia.org/wiki/1840 https://pt.wikipedia.org/wiki/Francesco_Villa https://pt.wikipedia.org/wiki/Contabilidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Tonzig https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_Lombarda#cite_note-1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Administra%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Escritura%C3%A7%C3%A3o Essa escola se preocupou em melhorar a qualidade da informação contábil, de modo a torná-la mais útil para as empresas. Ao mesmo tempo, se preocupou em padronizar a informação contábil, de modo a facilitar a comparação entre o desempenho das várias empresas por parte dos investidores. Foi essa escola a responsável pela divisão da contabilidade em contabilidade financeira (voltada para informar o público externo à empresa) e contabilidade gerencial (voltada para informar os administradores da empresa). Uma outra característica dessa escola foi a grande importância das associações profissionais de contadores em seu desenvolvimento teórico. Ao contrário das demais escolas, a estadunidense se preocupou em ser eminentemente prática, evitando construções teóricas muito elaboradas. Essa escola foi ainda responsável pela confecção dos "princípios de contabilidade geralmente aceitos". .