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CÓD: SL-117FV-24 7908433250814 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CAIXA Técnico Bancário Novo - Tecnologia da Informação a solução para o seu concurso! Editora EDITAL Nº 01/2024/NM, DE 22 DE FEVEREIRO DE 2024 INTRODUÇÃO a solução para o seu concurso! Editora Como passar em um concurso público? Todos nós sabemos que é um grande desafio ser aprovado em concurso público, dessa maneira é muito importante o concurseiro estar focado e determinado em seus estudos e na sua preparação. É verdade que não existe uma fórmula mágica ou uma regra de como estudar para concursos públicos, é importante cada pessoa encontrar a melhor maneira para estar otimizando sua preparação. Algumas dicas podem sempre ajudar a elevar o nível dos estudos, criando uma motivação para estudar. Pensando nisso, a Solução preparou esta introdução com algumas dicas que irão fazer toda a diferença na sua preparação. Então mãos à obra! • Esteja focado em seu objetivo: É de extrema importância você estar focado em seu objetivo: a aprovação no concurso. Você vai ter que colocar em sua mente que sua prioridade é dedicar-se para a realização de seu sonho; • Não saia atirando para todos os lados: Procure dar atenção a um concurso de cada vez, a dificuldade é muito maior quando você tenta focar em vários certames, pois as matérias das diversas áreas são diferentes. Desta forma, é importante que você defina uma área e especializando-se nela. Se for possível realize todos os concursos que saírem que englobe a mesma área; • Defina um local, dias e horários para estudar: Uma maneira de organizar seus estudos é transformando isso em um hábito, determinado um local, os horários e dias específicos para estudar cada disciplina que irá compor o concurso. O local de estudo não pode ter uma distração com interrupções constantes, é preciso ter concentração total; • Organização: Como dissemos anteriormente, é preciso evitar qualquer distração, suas horas de estudos são inegociáveis. É praticamente impossível passar em um concurso público se você não for uma pessoa organizada, é importante ter uma planilha contendo sua rotina diária de atividades definindo o melhor horário de estudo; • Método de estudo: Um grande aliado para facilitar seus estudos, são os resumos. Isso irá te ajudar na hora da revisão sobre o assunto estudado. É fundamental que você inicie seus estudos antes mesmo de sair o edital, buscando editais de concursos anteriores. Busque refazer a provas dos concursos anteriores, isso irá te ajudar na preparação. • Invista nos materiais: É essencial que você tenha um bom material voltado para concursos públicos, completo e atualizado. Esses materiais devem trazer toda a teoria do edital de uma forma didática e esquematizada, contendo exercícios para praticar. Quanto mais exercícios você realizar, melhor será sua preparação para realizar a prova do certame; • Cuide de sua preparação: Não são só os estudos que são importantes na sua preparação, evite perder sono, isso te deixará com uma menor energia e um cérebro cansado. É preciso que você tenha uma boa noite de sono. Outro fator importante na sua preparação, é tirar ao menos 1 (um) dia na semana para descanso e lazer, renovando as energias e evitando o estresse. A motivação é a chave do sucesso na vida dos concurseiros. Compreendemos que nem sempre é fácil, e às vezes bate aquele desânimo com vários fatores ao nosso redor. Porém tenha garra ao focar na sua aprovação no concurso público dos seus sonhos. Como dissemos no começo, não existe uma fórmula mágica, um método infalível. O que realmente existe é a sua garra, sua dedicação e motivação para realizar o seu grande sonho de ser aprovado no concurso público. Acredite em você e no seu potencial. A Solução tem ajudado, há mais de 36 anos, quem quer vencer a batalha do concurso público. Vamos juntos! ÍNDICE a solução para o seu concurso! Editora Língua Portuguesa 1. Compreensão e interpretação de textos ................................................................................................................................... 9 2. Argumentação e persuasão ....................................................................................................................................................... 20 3. Comunicação assertiva: Linguagem simples, concisa, objetiva ................................................................................................. 21 4. Organização textual ................................................................................................................................................................... 21 5. Coesão e Coerência.................................................................................................................................................................... 21 6. Tipologia textual ........................................................................................................................................................................ 22 7. Ortografia oficial ........................................................................................................................................................................ 25 8. Acentuação gráfica ..................................................................................................................................................................... 26 9. Emprego do sinal indicativo de crase ......................................................................................................................................... 28 10. Sintaxe da oração e do período ................................................................................................................................................. 28 11. Pontuação .................................................................................................................................................................................. 31 12. Concordância nominal e verbal ................................................................................................................................................. 33 13. Regência nominal e verbal ......................................................................................................................................................... 34 14. Significação das palavras ............................................................................................................................................................ 37 15. Colocação do pronome átono .................................................................................................................................................... 38 16. Redação Oficial: escrita de textos formais e Manual de Redação da Presidência da República (disponível no sítio do Planalto na internet) ................................................................................................................................................................................ 38 17. Novo Acordo ortográfico............................................................................................................................................................ 50 Língua Inglesa 1. Conhecimento de um vocabulário fundamental e dos aspectos gramaticais básicos para a compreensão de textos .............. 67 Matemática Financeira 1. Conceitos gerais: valor do dinheiro no tempo, valor presente, valor futuro, juro, taxa de juro, prazo da operação. Equivalência de Capitais em fluxos regulares ou irregulares: VP, VF, prazos e taxas de retorno..................................................................... 95 2. Sequências numéricas: leis de formação expressas de forma geral (em função da posição do termo) ou de forma recursiva (em função de um ou mais termos anteriores); progressões aritméticas; progressões geométricas ....................................... 108 3. Juros Simples. Juros Compostos ................................................................................................................................................110 4. Sistemas de Amortização de qualquer tipo, incluindo os sistemas com amortizações constantes (SAC) e com prestações cons- tantes (Francês ou PRICE) .......................................................................................................................................................... 111 5. Descontos: racional composto e comercial simples .................................................................................................................. 117 6. Séries Uniformes ........................................................................................................................................................................ 119 Noções de Probabilidade E Estatística 1. Conceitos gerais: variável, tipos de variáveis, população, amostra, frequências: absoluta e relativa, frequências acumuladas, representações em gráficos e tabelas (linhas, colunas, setores e histogramas) ........................................................................ 129 2. Medidas de tendência central (em dados brutos ou agrupados em classes): média aritmética, média geométrica, média ponderada, moda e mediana ..................................................................................................................................................... 140 3. Medidas de Posição: quartis e percentis ................................................................................................................................... 143 4. Medidas de dispersão (em dados brutos ou agrupados em classes): amplitude, variância, desvio padrão e coeficiente de variação ...................................................................................................................................................................................... 147 5. Probabilidade: experimento aleatório, espaço amostral, evento; espaços equiprováveis; probabilidade de Laplace; espaços não equiprováveis ...................................................................................................................................................................... 149 6. teorema do produto ................................................................................................................................................................. 154 7. probabilidade condicional e independência ............................................................................................................................. 154 8. distribuição binomial ................................................................................................................................................................. 155 Comportamentos Éticos e Compliance 1. Prevenção à lavagem de dinheiro: Lei nº 9.613/98 e suas alterações ....................................................................................... 163 2. Circular nº 3.978, de 23 de janeiro de 2020 e Carta Circular nº 4.001, de 29 de janeiro de 2020 e suas alterações ................ 168 3. Resolução CVM 50/2021 ............................................................................................................................................................ 183 4. Conceitos e medidas de enfrentamento ao assédio moral e sexual ......................................................................................... 196 5. Atitudes éticas, respeito, valores e virtudes .............................................................................................................................. 197 6. noções de ética empresarial e profissional; A gestão da ética nas empresas públicas e privadas ............................................ 199 7. Código de Ética, Conduta e integridade ..................................................................................................................................... 200 8. Segurança da informação: fundamentos, conceitos e mecanismos de segurança; Segurança cibernética: Resolução CMN nº 4893, de 26 de fevereiro de 2021 .............................................................................................................................................. 220 9. Artigo 37 da Constituição Federal (Princípios constitucionais da Administração Pública: Princípios da legalidade, impessoali- dade, moralidade, publicidade e eficiência) .............................................................................................................................. 221 10. Sigilo Bancário: Lei Complementar nº 105/2001 e suas alterações ........................................................................................... 223 11. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 e suas alterações ........................................ 226 12. Legislação anticorrupção: Lei nº 12.846/2013 e DECRETO Nº 11.129, DE 11 DE JULHO DE 2022 ............................................ 239 13. Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática - PRASC CAIXA .............................................................................. 252 14. Boas práticas de governança corporativa .................................................................................................................................. 256 Tecnologia da Informação 1. Engenharia de software: Processos de software: Processo Unificado (UP): conceitos gerais, disciplinas, fases, papéis, ativi- dades e artefatos; UX; Análise e projeto orientados a objetos; A Linguagem UML: modelos e diagramas; Padrões de projeto; Engenharia de requisitos ........................................................................................................................................................... 261 2. Estrutura de dados e algoritmos: Busca sequencial e busca binária sobre arrays; Ordenação (métodos da bolha, ordenação por seleção, ordenação por inserção); Lista encadeada; Pilha; Fila; Noções de árvore binária ................................................. 262 3. Linguagens de programação: linguagens de programação, linguagens orientadas a objeto e procedurais; Padrões de Projeto; Linguagens Java SE; JEE, Microprofile, C#, .NET, AngularJS; Angular; TypeScript 4.X; Javascript; Python 3.9.X (bibliotecas Pan- das, NumPy, SciPy, Matplotlib, Tensorflow, PyTorch e Scikit-learn); Scala; R; Kotlin; Objective-C; .Net; Flutter; Swift, Cobol ... 263 ÍNDICE a solução para o seu concurso! Editora 4. Desenvolvimento de software para a Web: sistemas distribuídos e microsserviços; Arquitetura e padrões de projeto Java EE8; Servlets; JSF; JSP; Ajax; Interoperabilidade de sistemas; SOA e Web Services (Quarkus); Padrões REST, Padrões HTML 4.01, HTTP response Status code, XHTML 1.0, XML, XSLT, UDDI, WSDL e SOAP ........................................................................ 265 5. Teste de software (Qualidade): Controle da qualidade estático: revisão, inspeção, medição estática, análise estática; Princí- pios e técnicas de teste de software: teste de unidade, teste de integração, teste de regressão, teste alfa, teste beta, teste de segurança, teste de aceitação e de aprovação; Desenvolvimento dirigido por testes .............................................................. 266 6. Bancos de dados: Modelagem conceitual de dados: a abordagem entidade-relacionamento; Modelo relacional de dados (conceitos básicos e normalização); Conceitos de banco de dados e sistemas gerenciadores de bancos de dados (SGBD); Lin- guagem SQL; Data Warehouse – modelagem física de dados: tabelas, índices, particionamento, desempenho; modelagem conceitual para data warehouses, dados multidimensionais; Big data: Fundamentos, técnicas de preparação e apresentação de dados; soluções de big data .................................................................................................................................................. 266 7. Agilidade: Lean; Lean IT; frameworks (XP; SCRUM; Kanban; SAFe SA; Nexus); ágil em escala e ágil escalado; ferramentas; artefatos, métricase indicadores ágeis; management 3.0; Lean UX; Design Thinking; História de Usuário; O backlog do pro- duto e as técnicas para priorização (Moscow, Scorecard, BUC, Testes de Suposição e Valor de negócio x risco); técnica para estimativa de escopo (planning poker, Story points, enquete, T-shirt sizing); kanban e o fluxo de valor; técnicas/cerimônias para colaboração e integração do time ágil (SoS, PoSinc, planning, review, retrospectiva, daily, PI Plannig); Integração contí- nua; Deploy contínuo; Entrega contínua; tratamento de débito técnicos e incidentes; Arquitetura e Qualidade ágeis; DevSe- cOps ........................................................................................................................................................................................... 275 8. Organização e arquitetura de computadores: Arquitetura básica de um computador: CPU e hierarquia de memória; Arma- zenamento e representação de dados: base binária e complemento a dois, ponto flutuante e caracteres; Armazenamento e representação de instruções; Modos de endereçamento; Conjunto típico de instruções de uma CPU; Subsistema de entrada/ saída e dispositivos de armazenamento secundário ................................................................................................................. 276 9. Sistemas Operacionais: Funções e estrutura de um sistema operacional; Processos: conceitos básicos, comunicação, sincro- nização e escalonamento; Gerência de memória: partições fixas e variáveis, realocação, memória virtual, swapping, sistemas de arquivos; Windows 10 (32-64 bits) e ambiente Linux (SUSE SLES 15 SP2) e IBM z/OS ......................................................... 278 10. Arquiteturas de software: arquitetura em camadas, arquitetura MVC, arquitetura orientada a serviços; arquitetura monolí- tica, arquitetura microsserviço, micro front end, Nuvem pública e privada, métricas e estimativas de software, Análise por pontos de função: conceitos básicos e aplicações; Estratégias de Migração de Aplicações para o ambiente de nuvem, Gover- nança, Computação Serverless, Segurança Compartilhada ....................................................................................................... 279 11. Gerência de configuração: Conceitos e práticas; Uso de ferramentas de gerência de configuração; Controle de defeitos: con- ceitos e práticas ......................................................................................................................................................................... 297 12. Portais corporativos: Arquitetura da informação, portlets e RSS; Ferramentas de Gestão de Conteúdos; Modelo de Acessibi- lidade do Governo Eletrônico .................................................................................................................................................... 303 13. Qualidade de software: CMMI/MPS-BR: Conceitos básicos e objetivos; Disciplinas e formas de representação; Níveis de ca- pacidade e maturidade .............................................................................................................................................................. 306 14. Conceitos de Arquitetura de Referência: arquitetura de solução para o desenvolvedor básico ............................................... 308 15. Gestão e governança de TI: ITIL v.4; COBIT ................................................................................................................................ 309 Conhecimentos e Comportamentos Digitais 1. Mindset de crescimento, Paradigma da abundância ................................................................................................................. 315 2. Intraempreendedorismo ............................................................................................................................................................ 315 3. Design Thinking, Design de Serviço ........................................................................................................................................... 316 4. Metodologias ágeis, Lean Manufacturing, SCRUM .................................................................................................................... 316 5. Resolução de problemas complexos, visão sistêmica e estratégica ........................................................................................... 317 6. Ciência de dados ........................................................................................................................................................................ 317 7. Senso colaborativo e disposição para somar pontos de dista divergentes ................................................................................ 318 8. Pensamento computacional ...................................................................................................................................................... 318 ÍNDICE a solução para o seu concurso! Editora 9. Análise de Negócios ................................................................................................................................................................... 319 10. Liderança, autoliderança e liderança de equipes ....................................................................................................................... 319 11. Autodesenvolvimento ................................................................................................................................................................ 320 12. Experiência do consumidor (Customer experience) .................................................................................................................. 321 13. Inteligência emocional ............................................................................................................................................................... 321 14. Desenvolvimento sustentável (Pacto global e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS) ........................................... 321 15. Objetivos-chaves para resultados (OKR) .................................................................................................................................... 324 16. Gestão do tempo e produtividade ............................................................................................................................................. 324 17. Técnicas e boas práticas para o trabalho à distância ................................................................................................................. 325 18. Aprender a aprender e Aprendizagem contínua (Life long learning) ......................................................................................... 325 9 a solução para o seu concurso! Editora LÍNGUA PORTUGUESA COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS Definição Geral Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamente um texto e o objeti- vo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões específicas. Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, a res- posta será localizada no próprio no texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão fundamentada em nossos conhecimentos prévios. Compreensão de Textos Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na identificação da men- sagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de entender, atinar, perceber, compreender. Compreender um texto é apreender de forma objetiva a mensa- gem transmitida por ele. Portanto, a compreensão textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo leitor. Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a men- sagem transmitida por ela, assim como o seu propósito comunicati- vo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento.Interpretação de Textos É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os re- sultados aos quais chegamos por meio da associação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido de um texto por indução. A interpretação de textos compreende a habilidade de se che- gar a conclusões específicas após a leitura de algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual. Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que foi sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente entre leitores. Exemplo de compreensão e interpretação de textos Para compreender melhor a compreensão e interpretação de textos, analise a questão abaixo, que aborda os dois conceitos em um texto misto (verbal e visual): FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Espe- cial > 2015 Português > Compreensão e interpretação de textos A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social. “A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.” A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta. (A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 1988. (B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos severas. (C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes ou não. (D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser in- cluídos socialmente. (E) “Educação para todos” inclui também os deficientes. Comentário da questão: Em “A” o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão de pessoas na sociedade. = afir- mativa correta. Em “B” o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às leis. = afirmativa incorreta. Em “C” o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/ adição das pessoas portadoras de deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições. = afirmativa correta. Em “D” além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser “permanentes ou temporárias”. = afir- mativa correta. Em “E” este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes. = afirmativa correta. Resposta: Logo, a Letra B é a resposta Certa para essa questão, visto que é a única que contém uma afirmativa incorreta sobre o texto. LÍNGUA PORTUGUESA 1010 a solução para o seu concurso! Editora IDENTIFICANDO O TEMA DE UM TEXTO O tema é a ideia principal do texto. É com base nessa ideia principal que o texto será desenvolvido. Para que você consiga identificar o tema de um texto, é necessário relacionar as diferen- tes informações de forma a construir o seu sentido global, ou seja, você precisa relacionar as múltiplas partes que compõem um todo significativo, que é o texto. Em muitas situações, por exemplo, você foi estimulado a ler um texto por sentir-se atraído pela temática resumida no título. Pois o título cumpre uma função importante: antecipar informações sobre o assunto que será tratado no texto. Em outras situações, você pode ter abandonado a leitura por- que achou o título pouco atraente ou, ao contrário, sentiu-se atraí- do pelo título de um livro ou de um filme, por exemplo. É muito comum as pessoas se interessarem por temáticas diferentes, de- pendendo do sexo, da idade, escolaridade, profissão, preferências pessoais e experiência de mundo, entre outros fatores. Mas, sobre que tema você gosta de ler? Esportes, namoro, se- xualidade, tecnologia, ciências, jogos, novelas, moda, cuidados com o corpo? Perceba, portanto, que as temáticas são praticamente in- finitas e saber reconhecer o tema de um texto é condição essen- cial para se tornar um leitor hábil. Vamos, então, começar nossos estudos? Propomos, inicialmente, que você acompanhe um exercício bem simples, que, intuitivamente, todo leitor faz ao ler um texto: reconhecer o seu tema. Vamos ler o texto a seguir? CACHORROS Os zoólogos acreditam que o cachorro se originou de uma espécie de lobo que vivia na Ásia. Depois os cães se juntaram aos seres humanos e se espalharam por quase todo o mundo. Essa ami- zade começou há uns 12 mil anos, no tempo em que as pessoas precisavam caçar para se alimentar. Os cachorros perceberam que, se não atacassem os humanos, podiam ficar perto deles e comer a comida que sobrava. Já os homens descobriram que os cachorros podiam ajudar a caçar, a cuidar de rebanhos e a tomar conta da casa, além de serem ótimos companheiros. Um colaborava com o outro e a parceria deu certo. Ao ler apenas o título “Cachorros”, você deduziu sobre o pos- sível assunto abordado no texto. Embora você imagine que o tex- to vai falar sobre cães, você ainda não sabia exatamente o que ele falaria sobre cães. Repare que temos várias informações ao longo do texto: a hipótese dos zoólogos sobre a origem dos cães, a asso- ciação entre eles e os seres humanos, a disseminação dos cães pelo mundo, as vantagens da convivência entre cães e homens. As informações que se relacionam com o tema chamamos de subtemas (ou ideias secundárias). Essas informações se integram, ou seja, todas elas caminham no sentido de estabelecer uma unida- de de sentido. Portanto, pense: sobre o que exatamente esse texto fala? Qual seu assunto, qual seu tema? Certamente você chegou à conclusão de que o texto fala sobre a relação entre homens e cães. Se foi isso que você pensou, parabéns! Isso significa que você foi capaz de identificar o tema do texto! Fonte: https://portuguesrapido.com/tema-ideia-central-e-ideias-se- cundarias/ IDENTIFICAÇÃO DE EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM TEXTOS VARIADOS Ironia Ironia é o recurso pelo qual o emissor diz o contrário do que está pensando ou sentindo (ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem). A ironia consiste na utilização de determinada palavra ou ex- pressão que, em um outro contexto diferente do usual, ganha um novo sentido, gerando um efeito de humor. Exemplo: Na construção de um texto, ela pode aparecer em três mo- dos: ironia verbal, ironia de situação e ironia dramática (ou satírica). Ironia verbal Ocorre quando se diz algo pretendendo expressar outro sig- nificado, normalmente oposto ao sentido literal. A expressão e a intenção são diferentes. Exemplo: Você foi tão bem na prova! Tirou um zero incrível! Ironia de situação A intenção e resultado da ação não estão alinhados, ou seja, o resultado é contrário ao que se espera ou que se planeja. Exemplo: Quando num texto literário uma personagem planeja uma ação, mas os resultados não saem como o esperado. No li- vro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, a personagem título tem obsessão por ficar conhecida. Ao longo da vida, tenta de muitas maneiras alcançar a notoriedade sem suces- LÍNGUA PORTUGUESA 11 a solução para o seu concurso! Editora so. Após a morte, a personagem se torna conhecida. A ironia é que planejou ficar famoso antes de morrer e se tornou famoso após a morte. Ironia dramática (ou satírica) A ironia dramática é um efeito de sentido que ocorre nos textos literários quando o leitor, a audiência, tem mais informações do que tem um personagem sobre os eventos da narrativa e sobre inten- ções de outros personagens. É um recurso usado para aprofundar os significados ocultos em diálogos e ações e que, quando captado pelo leitor, gera um clima de suspense, tragédia ou mesmo comé- dia, visto que um personagem é posto em situações que geram con- flitos e mal-entendidos porque ele mesmo não tem ciência do todo da narrativa. Exemplo: Em livros com narrador onisciente, que sabe tudo o que se passa na história com todas as personagens, é mais fácil apa- recer esse tipo de ironia. A peça como Romeu e Julieta, por exem- plo, se inicia com a fala que relataque os protagonistas da história irão morrer em decorrência do seu amor. As personagens agem ao longo da peça esperando conseguir atingir seus objetivos, mas a plateia já sabe que eles não serão bem-sucedidos. Humor Nesse caso, é muito comum a utilização de situações que pare- çam cômicas ou surpreendentes para provocar o efeito de humor. Situações cômicas ou potencialmente humorísticas comparti- lham da característica do efeito surpresa. O humor reside em ocor- rer algo fora do esperado numa situação. Há diversas situações em que o humor pode aparecer. Há as ti- rinhas e charges, que aliam texto e imagem para criar efeito cômico; há anedotas ou pequenos contos; e há as crônicas, frequentemente acessadas como forma de gerar o riso. Os textos com finalidade humorística podem ser divididos em quatro categorias: anedotas, cartuns, tiras e charges. Exemplo: ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊ- NERO EM QUE SE INSCREVE Compreender um texto trata da análise e decodificação do que de fato está escrito, seja das frases ou das ideias presentes. Inter- pretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao conectar as ideias do texto com a realidade. Interpretação trabalha com a subjetividade, com o que se entendeu sobre o texto. Interpretar um texto permite a compreensão de todo e qual- quer texto ou discurso e se amplia no entendimento da sua ideia principal. Compreender relações semânticas é uma competência imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos. Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode- -se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento pro- fissional, mas também o desenvolvimento pessoal. Busca de sentidos Para a busca de sentidos do texto, pode-se retirar do mesmo os tópicos frasais presentes em cada parágrafo. Isso auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Isso porque é ali que se fazem necessários, estabelecem uma relação hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explici- tadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Deve-se ater às ideias do autor, o que não quer dizer que o leitor precise ficar preso na superfície do texto, mas é fun- damental que não sejam criadas suposições vagas e inespecíficas. Importância da interpretação A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a inter- pretação. A leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos, aprimora a escrita. Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fa- tores. Muitas vezes, apressados, descuidamo-nos dos detalhes pre- sentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz sufi- ciente. Interpretar exige paciência e, por isso, sempre releia o texto, pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreen- são do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não es- tão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleató- ria, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo au- tor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes. Diferença entre compreensão e interpretação A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do texto e verificar o que realmente está escrito nele. Já a interpreta- ção imagina o que as ideias do texto têm a ver com a realidade. O leitor tira conclusões subjetivas do texto. Gêneros Discursivos Romance: descrição longa de ações e sentimentos de perso- nagens fictícios, podendo ser de comparação com a realidade ou totalmente irreal. A diferença principal entre um romance e uma LÍNGUA PORTUGUESA 1212 a solução para o seu concurso! Editora novela é a extensão do texto, ou seja, o romance é mais longo. No romance nós temos uma história central e várias histórias secun- dárias. Conto: obra de ficção onde é criado seres e locais totalmente imaginário. Com linguagem linear e curta, envolve poucas perso- nagens, que geralmente se movimentam em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo temático e conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho. Novela: muito parecida com o conto e o romance, diferencia- do por sua extensão. Ela fica entre o conto e o romance, e tem a história principal, mas também tem várias histórias secundárias. O tempo na novela é baseada no calendário. O tempo e local são de- finidos pelas histórias dos personagens. A história (enredo) tem um ritmo mais acelerado do que a do romance por ter um texto mais curto. Crônica: texto que narra o cotidiano das pessoas, situações que nós mesmos já vivemos e normalmente é utilizado a ironia para mostrar um outro lado da mesma história. Na crônica o tempo não é relevante e quando é citado, geralmente são pequenos intervalos como horas ou mesmo minutos. Poesia: apresenta um trabalho voltado para o estudo da lin- guagem, fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos homens através de figuras que possibilitam a criação de imagens. Editorial: texto dissertativo argumentativo onde expressa a opinião do editor através de argumentos e fatos sobre um assunto que está sendo muito comentado (polêmico). Sua intenção é con- vencer o leitor a concordar com ele. Entrevista: texto expositivo e é marcado pela conversa de um entrevistador e um entrevistado para a obtenção de informações. Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de destaque sobre algum assunto de interesse. Cantiga de roda: gênero empírico, que na escola se materiali- za em uma concretude da realidade. A cantiga de roda permite as crianças terem mais sentido em relação a leitura e escrita, ajudando os professores a identificar o nível de alfabetização delas. Receita: texto instrucional e injuntivo que tem como objetivo de informar, aconselhar, ou seja, recomendam dando uma certa li- berdade para quem recebe a informação. DISTINÇÃO DE FATO E OPINIÃO SOBRE ESSE FATO Fato O fato é algo que aconteceu ou está acontecendo. A existência do fato pode ser constatada de modo indiscutível. O fato é uma coisa que aconteceu e pode ser comprovado de alguma maneira, através de algum documento, números, vídeo ou registro. Exemplo de fato: A mãe foi viajar. Interpretação É o ato de dar sentido ao fato, de entendê-lo. Interpretamos quando relacionamos fatos, os comparamos, buscamos suas cau- sas, previmos suas consequências. Entre o fato e sua interpretação há uma relação lógica: se apon- tamos uma causa ou consequência, é necessário que seja plausível. Se comparamos fatos, é preciso que suas semelhanças ou diferen- ças sejam detectáveis. Exemplos de interpretação: A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou- tro país. A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão do que com a filha. Opinião A opinião é a avaliação que se faz de um fato considerando um juízo de valor. É um julgamento que tem como base a interpretação que fazemos do fato. Nossas opiniões costumam ser avaliadas pelo grau de coerên- cia que mantêmcom a interpretação do fato. É uma interpretação do fato, ou seja, um modo particular de olhar o fato. Esta opinião pode alterar de pessoa para pessoa devido a fatores socioculturais. Exemplos de opiniões que podem decorrer das interpretações anteriores: A mãe foi viajar porque considerou importante estudar em ou- tro país. Ela tomou uma decisão acertada. A mãe foi viajar porque se preocupava mais com sua profissão do que com a filha. Ela foi egoísta. Muitas vezes, a interpretação já traz implícita uma opinião. Por exemplo, quando se mencionam com ênfase consequên- cias negativas que podem advir de um fato, se enaltecem previsões positivas ou se faz um comentário irônico na interpretação, já esta- mos expressando nosso julgamento. É muito importante saber a diferença entre o fato e opinião, principalmente quando debatemos um tema polêmico ou quando analisamos um texto dissertativo. Exemplo: A mãe viajou e deixou a filha só. Nem deve estar se importando com o sofrimento da filha. Definições e diferenciação: tipos textuais e gêneros textuais são dois conceitos distintos, cada qual com sua própria linguagem e estrutura. Os tipos textuais gêneros se classificam em razão da estrutura linguística, enquanto os gêneros textuais têm sua classi- ficação baseada na forma de comunicação. Assim, os gêneros são variedades existente no interior dos modelos pré-estabelecidos dos tipos textuais. A definição de um gênero textual é feita a partir dos conteúdos temáticos que apresentam sua estrutura específica. Logo, para cada tipo de texto, existem gêneros característicos. Como se classificam os tipos e os gêneros textuais As classificações conforme o gênero podem sofrer mudanças e são amplamente flexíveis. Os principais gêneros são: romance, conto, fábula, lenda, notícia, carta, bula de medicamento, cardápio de restaurante, lista de compras, receita de bolo, etc. Quanto aos ti- pos, as classificações são fixas, e definem e distinguem o texto com LÍNGUA PORTUGUESA 13 a solução para o seu concurso! Editora base na estrutura e nos aspectos linguísticos. Os tipos textuais são: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo e injuntivo. Resumin- do, os gêneros textuais são a parte concreta, enquanto as tipolo- gias integram o campo das formas, da teoria. Acompanhe abaixo os principais gêneros textuais inseridos e como eles se inserem em cada tipo textual: Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em: apresenta- ção, desenvolvimento, clímax e desfecho. Esses textos se caracteri- zam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado. Os principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas e fábulas. Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares ou seres ou relatam acontecimentos. Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros, abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc. Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmi- tir ideias utilizando recursos de definição, comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos escolares, entre outros, fazem parte dos textos ex- positivos. Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o obje- tivo de apresentar um assunto recorrendo a argumentações, isto é, caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. Os tex- tos argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e abaixo-assinado. Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade de orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é sua característica principal. Perten- cem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, ma- nuais de instruções, entre outros. Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto. Os gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, edital de concursos públicos. Gêneros textuais predominantemente do tipo textual narra- tivo Romance É um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidosl. Pode ter partes em que o tipo narrativo dá lugar ao des- critivo em função da caracterização de personagens e lugares. As ações são mais extensas e complexas. Pode contar as façanhas de um herói em uma história de amor vivida por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. Entretanto, existem romances com diferentes temáticas: romances históricos (tratam de fatos li- gados a períodos históricos), romances psicológicos (envolvem as reflexões e conflitos internos de um personagem), romances sociais (retratam comportamentos de uma parcela da sociedade com vis- tas a realização de uma crítica social). Para exemplo, destacamos os seguintes romancistas brasileiros: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Eça de Queiroz, entre outros. Conto É um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores. Inicialmen- te, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi- -lo de forma escrita com a publicação de Decamerão. Ele é um gênero da esfera literária e se caracteriza por ser uma narrativa densa e concisa, a qual se desenvolve em torno de uma única ação. Geralmente, o leitor é colocado no interior de uma ação já em desenvolvimento. Não há muita especificação sobre o antes e nem sobre o depois desse recorte que é narrado no conto. Há a construção de uma tensão ao longo de todo o conto. Diversos contos são desenvolvidos na tipologia textual narrati- va: conto de fadas, que envolve personagens do mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem personagens em um contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto popular); con- tos de terror ou assombração, que se desenrolam em um contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos de misté- rio, que envolvem o suspense e a solução de um mistério. Fábula É um texto de caráter fantástico que busca ser inverossímil. As personagens principais não são humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral. Novela É um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevi- dade do romance e a brevidade do conto. Esse gênero é constituído por uma grande quantidade de personagens organizadas em dife- rentes núcleos, os quais nem sempre convivem ao longo do enredo. Como exemplos de novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e A Metamorfose, de Kafka. Crônica É uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou arti- go de jornal, revistas e programas da TV. Há na literatura brasileira vários cronistas renomados, dentre eles citamos para seu conhe- cimento: Luís Fernando Veríssimo, Rubem Braga, Fernando Sabido entre outros. Diário É escrito em linguagem informal, sempre consta a data e não há um destinatário específico, geralmente, é para a própria pessoa que está escrevendo, é um relato dos acontecimentos do dia. O objetivo desse tipo de texto é guardar as lembranças e em alguns momentos desabafar. Veja um exemplo: “Domingo, 14 de junho de 1942 Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando o vi na mesa, no meio dos meus outros presentes de aniversário. (Eu estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.) Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é de espantar; afinal, era meu aniversário. Mas não me deixam le- vantar a essa hora; por isso, tivede controlar minha curiosidade até quinze para as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a sala de jantar, onde Moortje (a gata) me deu as boas-vindas, esfre- gando-se em minhas pernas.” Trecho retirado do livro “Diário de Anne Frank”. LÍNGUA PORTUGUESA 1414 a solução para o seu concurso! Editora Gêneros textuais predominantemente do tipo textual descri- tivo Currículo É um gênero predominantemente do tipo textual descritivo. Nele são descritas as qualificações e as atividades profissionais de uma determinada pessoa. Laudo É um gênero predominantemente do tipo textual descritivo. Sua função é descrever o resultado de análises, exames e perícias, tanto em questões médicas como em questões técnicas. Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos descritivos são: folhetos turísticos; cardápios de restaurantes; clas- sificados; etc. Gêneros textuais predominantemente do tipo textual expo- sitivo Resumos e Resenhas O autor faz uma descrição breve sobre a obra (pode ser cine- matográfica, musical, teatral ou literária) a fim de divulgar este tra- balho de forma resumida. Na verdade resumo e/ou resenha é uma análise sobre a obra, com uma linguagem mais ou menos formal, geralmente os rese- nhistas são pessoas da área devido o vocabulário específico, são estudiosos do assunto, e podem influenciar a venda do produto de- vido a suas críticas ou elogios. Verbete de dicionário Gênero predominantemente expositivo. O objetivo é expor conceitos e significados de palavras de uma língua. Relatório Científico Gênero predominantemente expositivo. Descreve etapas de pesquisa, bem como caracteriza procedimentos realizados. Conferência Predominantemente expositivo. Pode ser argumentativo tam- bém. Expõe conhecimentos e pontos de vistas sobre determinado assunto. Gênero executado, muitas vezes, na modalidade oral. Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos expositivos são: enciclopédias; resumos escolares; etc. Gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos Artigo de Opinião É comum1 encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmen- te apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo de opinião. Nos tipos textuais argumentativos, o autor geralmente tem a intenção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa apresentar bons argumentos, que consistem em verdades e opini- ões. 1 http://www.odiarioonline.com.br/noticia/43077/VENDEDOR-BRASILEIRO- ESTA-MENOS-SIMPATICO O artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do texto e, por isso, são fáceis de contestar. Discurso Político O discurso político2 é um texto argumentativo, fortemente per- suasivo, em nome do bem comum, alicerçado por pontos de vista do emissor ou de enunciadores que representa, e por informações compartilhadas que traduzem valores sociais, políticos, religiosos e outros. Frequentemente, apresenta-se como uma fala coletiva que procura sobrepor-se em nome de interesses da comunidade e constituir norma de futuro. Está inserido numa dinâmica social que constantemente o altera e ajusta a novas circunstâncias. Em períodos eleitorais, a sua maleabilidade permite sempre uma res- posta que oscila entre a satisfação individual e os grandes objetivos sociais da resolução das necessidades elementares dos outros. Hannah Arendt (em The Human Condition) afirma que o dis- curso político tem por finalidade a persuasão do outro, quer para que a sua opinião se imponha, quer para que os outros o admirem. Para isso, necessita da argumentação, que envolve o raciocínio, e da eloquência da oratória, que procura seduzir recorrendo a afetos e sentimentos. O discurso político é, provavelmente, tão antigo quanto a vida do ser humano em sociedade. Na Grécia antiga, o político era o cidadão da “pólis” (cidade, vida em sociedade), que, responsável pelos negócios públicos, decidia tudo em diálogo na “agora” (praça onde se realizavam as assembleias dos cidadãos), mediante pala- vras persuasivas. Daí o aparecimento do discurso político, baseado na retórica e na oratória, orientado para convencer o povo. O discurso político implica um espaço de visibilidade para o ci- dadão, que procura impor as suas ideias, os seus valores e projetos, recorrendo à força persuasiva da palavra, instaurando um processo de sedução, através de recursos estéticos como certas construções, metáforas, imagens e jogos linguísticos. Valendo-se da persuasão e da eloquência, fundamenta-se em decisões sobre o futuro, prome- tendo o que pode ser feito. Requerimento Predominantemente dissertativo-argumentativo. O requeri- mento tem a função de solicitar determinada coisa ou procedimen- to. Ele é dissertativo-argumentativo pela presença de argumenta- ção com vistas ao convencimento Outros exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos argumentativos são: abaixo-assinados; manifestos; sermões; etc. Gêneros textuais predominantemente do tipo textual injun- tivo Bulas de remédio A bula de remédio traz também o tipo textual descritivo. Nela aparecem as descrições sobre a composição do remédio bem como instruções quanto ao seu uso. Manual de instruções O manual de instruções tem como objetivo instruir sobre os procedimentos de uso ou montagem de um determinado equipa- mento. 2 https://www.infopedia.pt/$discurso-politico LÍNGUA PORTUGUESA 15 a solução para o seu concurso! Editora Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos injunti- vos são: receitas culinárias, instruções em geral. Gêneros textuais predominantemente do tipo textual prescri- tivo Exemplos de gêneros textuais pertencentes aos textos prescri- tivos são: leis; cláusulas contratuais; edital de concursos públicos; receitas médicas, etc. Outros Exemplos Carta Esta, dependendo do destinatário pode ser informal, quando é destinada a algum amigo ou pessoa com quem se tem intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou que não se tenha intimidade. Dependendo do objetivo da carta a mesma terá diferentes es- tilos de escrita, podendo ser dissertativa, narrativa ou descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a saudação, o corpo da carta e para finalizar a despedida. Propaganda Este gênero aparece também na forma oral, diferente da maio- ria dos outros gêneros. Suas principais características são a lingua- gem argumentativa e expositiva, pois a intenção da propaganda é fazer com que o destinatário se interesse pelo produto da propa- ganda. O texto pode conter algum tipo de descrição e sempre é claro e objetivo. Notícia Este é um dos tipos de texto que é mais fácil de identificar. Sua linguagem é narrativa e descritiva e o objetivo desse texto é infor- mar algo que aconteceu. A notícia é um dos principais tipos de textos jornalísticos exis- tentes e tem como intenção nos informar acerca de determinada ocorrência. Bastante recorrente nos meios de comunicação em ge- ral, seja na televisão, em sites pela internet ou impresso em jornais ou revistas. Caracteriza-se por apresentar uma linguagem simples, clara, objetiva e precisa, pautando-se no relato de fatos que interessam ao público em geral. A linguagem é clara, precisa e objetiva, uma vez que se trata de uma informação. Editorial O editorial é um tipo de texto jornalístico que geralmente apa- rece no início das colunas. Diferente dos outros textos que com- põem um jornal, de caráter informativo, os editoriais são textos opinativos. Embora sejam textos de caráter subjetivo, podem apresentar certa objetividade. Isso porque são os editoriais que apresentam os assuntos que serão abordados em cada seção do jornal, ou seja, Política, Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classifi- cados, entre outros. Os textos são organizados pelos editorialistas, que expressam as opiniões da equipe e, por isso, não recebem a assinaturado au- tor. No geral, eles apresentam a opinião do meio de comunicação (revista, jornal, rádio, etc.). Tanto nos jornais como nas revistas podemos encontrar os edi- toriais intitulados como “Carta ao Leitor” ou “Carta do Editor”. Em relação ao discurso apresentado, esse costuma se apoiar em fatos polêmicos ligados ao cotidiano social. E quando falamos em discurso, logo nos atemos à questão da linguagem que, mesmo em se tratando de impressões pessoais, o predomínio do padrão formal, fazendo com que prevaleça o emprego da 3ª pessoa do sin- gular, ocupa lugar de destaque. Reportagem Reportagem é um texto jornalístico amplamente divulgado nos meios de comunicação de massa. A reportagem informa, de modo mais aprofundado, fatos de interesse público. Ela situa-se no ques- tionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, so- mando as diferentes versões de um mesmo acontecimento. A reportagem não possui uma estrutura rígida, mas geralmen- te costuma estabelecer conexões com o fato central, anunciado no que chamamos de lead. A partir daí, desenvolve-se a narrativa do fato principal, ampliada e composta por meio de citações, trechos de entrevistas, depoimentos, dados estatísticos, pequenos resu- mos, dentre outros recursos. É sempre iniciada por um título, como todo texto jornalístico. O objetivo de uma reportagem é apresentar ao leitor várias versões para um mesmo fato, informando-o, orientando-o e contri- buindo para formar sua opinião. A linguagem utilizada nesse tipo de texto é objetiva, dinâmi- ca e clara, ajustada ao padrão linguístico divulgado nos meios de comunicação de massa, que se caracteriza como uma linguagem acessível a todos os públicos, mas pode variar de formal para mais informal dependendo do público a que se destina. Embora seja im- pessoal, às vezes é possível perceber a opinião do repórter sobre os fatos ou sua interpretação.3 Gêneros Textuais e Gêneros Literários Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se refe- rem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêneros literários se re- ferem apenas aos textos literários. Os gêneros literários são divisões feitas segundo características formais comuns em obras literárias, agrupando-as conforme crité- rios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros. - Gênero lírico; - Gênero épico ou narrativo; - Gênero dramático. Gênero Lírico É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no po- ema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emo- ções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva da linguagem. Elegia Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a mor- te é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William Shakespeare. 3 CEREJA, William Roberto & MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação. São Paulo, Atual Editora, 2000 LÍNGUA PORTUGUESA 1616 a solução para o seu concurso! Editora Epitalâmia Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites ro- mânticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais. Ode (ou hino) É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acom- panhamento musical. Idílio (ou écloga) Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos (muito rara). Sátira É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte sarcasmo, pode abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assun- tos políticos, ou pessoas de relevância social. Acalanto Canção de ninar. Acróstico Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso for- mam uma palavra ou frase. Ex.: Amigos são Muitas vezes os Irmãos que escolhemos. Zelosos, eles nos Ajudam e Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e Eterna https://www.todamateria.com.br/acrostico/ Balada Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam à dança. Canção (ou Cantiga, Trova) Poema oral com acompanhamento musical. Gazal (ou Gazel) Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio. Soneto É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quarte- tos e dois tercetos. Vilancete São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escár- nio e de maldizer); satíricas, portanto. Gênero Épico ou Narrativo Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com características diferentes: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Épico (ou Epopeia) Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta- ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exem- plos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero. Ensaio É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em for- malidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Lo- cke. Gênero Dramático Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando a história. Ela “aconte- ce” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis das personagens nas cenas. Tragédia É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma re- presentação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror”. Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare. Farsa A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de processos como o absurdo, as incongruências, os equívocos, a ca- ricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o engano. Comédia É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas popu- lares. Tragicomédia Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômi- cos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário. Poesia de cordel Texto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade vivida por este povo. LÍNGUA PORTUGUESA 17 a solução para o seu concurso! Editora Discurso Religioso4 A Análise Crítica do Discurso (ADC) tem como fulcro a aborda- gem das relações (internas e recíprocas) entre linguagem e socie- dade. Os textos produzidos socialmente em eventos autênticos são resultantes da estruturação social da linguagem que os consome e os faz circular. Por outro lado, esses mesmos textos são também potencialmente transformadores dessa estruturação social da lin- guagem, assim como os eventos sociais são tanto resultado quanto substratodessas estruturas sociais. O discurso religioso é “aquele em que há uma relação espon- tânea com o sagrado” sendo, portanto, “mais informal”; enquanto o teológico é o tipo de “discurso em que a mediação entre a alma religiosa e o sagrado se faz por uma sistematização dogmática das verdades religiosas, e onde o teólogo (...) aparece como aquele que faz a relação entre os dois mundos: o mundo hebraico e o mundo cristão”, sendo, assim, “mais formal”. Porém, podemos falar em DR de maneira globalizante. Assim, temos: - Desnivelamento, assimetria na relação entre o locutor e o ou- vinte – o locutor está no plano espiritual (Deus), e o ouvinte está no plano temporal (os adoradores). As duas ordens de mundo são to- talmente diferentes para os sujeitos, e essa ordem é afetada por um valor hierárquico, por uma desigualdade, por um desnivelamento. Deus, o locutor, é imortal, eterno, onipotente, onipresente, onis- ciente, em resumo, o todo-poderoso. Os seres humanos, os ouvin- tes, são mortais, efêmeros e finitos. - Modos de representação. A voz no discurso religioso (DR) se fala em seus representantes (Padre, pastor, profeta), essa é uma forma de relação simbólica. Essa apropriação ocorre sem explicitar os mecanismos de incorporação da voz, aspecto que caracteriza a mistificação. - O ideal do DR é que o ‘representante’, o que se apropria do discurso de Deus’, não o modifique. Ele deve seguir regras restritas reguladas pelo texto sagrado, pela Igreja, pelas liturgias. Deve-se manter distância entre ‘o dito de Deus’ e ‘o dizer do homem’. - A interpretação da palavra de Deus é regulada. “Os sentidos não podem ser quaisquer sentidos: o discurso religioso tende forte- mente para a monossemia”. - Dualismos, as formas da ilusão da reversibilidade: plano hu- mano e plano divino; ordem temporal e ordem espiritual; sujeitos e Sujeito; homem e Deus. A ilusão ocorre na passagem de um plano para outro e pode ter duas direções: de cima para baixo, ou seja, de Deus para os homens, momento em que Ele compartilha suas propriedades (ministração de sacramentos, bênçãos); de baixo para cima, quando o homem se alça a Deus, principalmente, através da visão, da profecia. Estas são formas de ‘ultrapassagem’. - Escopo do discurso religioso. A fé separa os fiéis dos não-fiéis, “os convictos dos não-convictos. Logo, é o parâmetro pelo qual de- limita a comunidade e constitui o escopo do discurso religioso em suas duas formações características: para os que creem, o discurso religioso é uma promessa, para os que não creem é uma ameaça. Os discursos religiosos, como já vimos, se mostram com estru- turas rígidas quanto aos papéis dos interlocutores (a divindade e os seres humanos). Os dogmas sagrados, por exemplos, fé e Deus, são 4 https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/soletras/article/ download/4694/3461#:~:text=O%20discurso%20religioso%20%C3%A9%20 aquele,discurso%20(Orlandi%2C%201996).&text=locutor%20est%C3%A1%20 no%20plano%20espiritual,plano%20temporal%20(os%20adoradores). intocáveis. “Deus define-se (...) a si mesmo como sujeito por exce- lência, aquele que é por si e para si (Sou aquele que É) e aquele que interpela seu sujeito (...) eis quem tu és: é Pedro.” Outros traços do DR se configuram com o uso do imperativo e do vocativo – características inerentes de discursos de doutrinação; uso de metáforas – explicitadas por paráfrases que indicam a leitura apropriada para as metáforas utilizadas; uso de citações no original (grego, hebraico, latim) – traduzidas para a língua em uso através de perífrases extensas e explicativas em que se busca aproveitar o má- ximo o efeito de sentido advindo da língua original; o uso de perfor- mativos – uso de verbos em que o ‘dizer’ representa o ‘fazer’; o uso de sintagmas cristalizados – usadas em orações e funções fáticas. Ainda em relação às unidades textuais, podemos acrescentar o uso de determinadas formas simbólicas do DR como as parábolas, a utilização de certos temas, como a efemeridade da vida humana, a vida eterna, o galardão, entre outros. Acrescenta-se também como marca a intertextualidade. Discurso Jurídico5 O discurso legal caracteriza-se como um discurso hierárquico e dominante, baseado numa estrutura de exclusão e discriminação de várias minorias sociais, como os pobres, os negros, os homos- sexuais, as mulheres, etc. A especificidade da linguagem jurídica, e as restrições educacionais quanto a quem pode militar na Área (advogados, promotores, juízes, etc.), são apenas algumas das es- tratégias utilizadas pelo sistema jurídico para manter o discurso le- gal inacessível à maioria das pessoas, e desta forma protege-lo de análises e críticas. Como em todo discurso dominante, as posições de poder cria- das para os participantes de textos legais são particularmente assi- métricas, como é o caso num julgamento (e.g. entre o juiz e o réu; entre o juiz e as testemunhas; etc.). Os juízes, por exemplo, detêm um poder especial devido ao seu status social e ao seu acesso privi- legiado ao discurso legal (são eles que produzem a forma final dos textos legais). Portanto, é a visão de mundo do juiz que prevalece nas sentenças, em detrimento de outras posições alternativas. Além de relações de poder, os textos legais também expressam relações de gênero. A lei e a cultura masculina estão intimamen- te ligadas; o sistema jurídico é quase que inteiramente dominado por homens (só recentemente as mulheres passaram a fazer parte de instituições jurídicas) e, de forma geral, ele expressa uma visão masculina do mundo. As mulheres que são parte em processos le- gais (e.g. reclamantes, rés, testemunhas, etc.) estão expostas a um duplo grau de discriminação e exclusão: primeiro, como leigas, elas ocupam uma posição desfavorecida se comparadas com militantes legais (advogados, juízes, promotores, etc.); segundo, elas são estig- matizadas também por serem mulheres, e têm seu comportamento social e sexual avaliado e controlado pelo discurso jurídico. Discurso Técnico6 Para o desempenho de tal papel, eles contam com suas carac- terísticas intrínsecas, as quais são responsáveis pelo “rótulo” que cada tipo textual carrega. 5 https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/ download/23353/21030/0 6 https://revistas.ufg.br/lep/article/download/32601/17331/ LÍNGUA PORTUGUESA 1818 a solução para o seu concurso! Editora Tais características se evidenciam formal e funcionalmente e são percebidas, de maneira mais ou menos clara pelo leitor/ouvin- te. Afinal, todos os tipos de texto têm um público fiel, ao qual se destinam. Os autores que têm o texto técnico como objeto de estudo con- cordam que ele apresenta as seguintes características: • Linguagem monossêmica; • Vocabulário específico ou léxico especializado; • Objetividade; • Emprego de voz passiva; • Preferência pelo emprego do tempo verbal presente. As características apontadas acima coadunam-se com o obje- tivo principal de qualquer produção de cunho técnico: transmissão de conhecimentos de forma clara e imparcial. Embora a objetivida- de e a neutralidade sejam fiéis parceiras do texto técnico, não se pode afirmar que esse tipo textual seja isento das marcas de seu autor, enquanto produtor de ideias e veiculador de informações. Quando há a troca da 3ª pessoa do singular pela 1ª pessoa do plu- ral, por exemplo, o autor tem a intenção de conquistar o seu in- terlocutor, tornando-o um parceiro “na assunção das informações dadas, numa forma de estratégia argumentativa.” Todo tipo textual possui a argumentatividade, porém essa apa- rece de modo mais intenso e explícito em alguns textos e de modo menos intenso e explícito em outros. Para complementar a afirma- ção dessas autoras, cita-se Benveniste para o qual, o sujeito está sempre presente no texto, não havendo, portanto, texto neutro ou imparcial. Percebe-se, então, que o texto técnico possui características que o diferenciam dos demais tipos de textos. No entanto, não se deve afirmar que ele seja desprovidode marcas autorais. Tanto é verdade, que alguns autores de textos técnicos não dispensam o uso de certos advérbios e conjunções, por exemplo, expedientes que têm a função de modalizar o discurso. A modalização, nesse tipo de texto, pode aparecer de forma implícita e/ou explícita. Sob essa última forma, verificam-se o apa- recimento de construções específicas, tais como as nominalizações, a voz passiva, o emprego de determinadas conjunções e preposi- ções. Discurso Acadêmico/Científico7 O texto como objeto abstrato se configura no campo da lin- guística como teoria geral. Já discurso é uma realidade de intera- ção-enunciação objeto de análises discursivas. Enquanto os textos, como objetos concretos, são aqueles que se apresentam completos constituídos de um ato de enunciação que visa à interação entre produtor e interlocutor. Partindo dessas concepções, percebe- se que texto e discurso se complementam, pois, para o autor, “a sepa- ração do textual e do discursivo é essencialmente metodológica”, o que leva à distinção entre os dois a anular-se. Neste caso, texto e discurso são unidades complementares. A partir da compreensão de discurso, passa-se a refletir sobre o que vem ser discurso científico. Para Guimarães é aquele em que “o autor pretende fazer o leitor saber.” Ou seja, a intenção do autor 7 http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/4823/ MARIA%20DE%20F%c3%81TIMA%20RIBEIRO%20DOS%20SANTOS_. pdf?sequence=1&isAllowed=y é fazer o leitor ou pesquisador saber como os resultados daquela pesquisa foram alcançados, dando-lhe oportunidade de repetir os procedimentos metodológicos em outras pesquisas similares. Para Carioca, “o discurso científico é a forma de apresentação da linguagem que circula na comunidade científica em todo o mun- do. Sua formulação depende de uma pesquisa minuciosa e efetiva sobre um objeto, que é metodologicamente analisado à luz de uma teoria.” Outra posição é que o discurso científico não se dá apenas pela comprovação ou refutação do que foi escrito, dá-se também pela aceitabilidade dos pares que compõem a comunidade espe- cífica. Desse modo, pode-se dizer que a estrutura global da comunica- ção científica está respaldada em parâmetros normativos referen- tes à produção de gêneros e à produção da linguagem, ou seja, o discurso acadêmico se estabeleceu dentro de convenções instituí- das pela comunidade científica, que, ao longo do tempo, se expres- sa por características, como impessoalidade, objetividade, clareza, precisão, modéstia, simplicidade, fluência, dentre outros. É importante apresentar a posição de Charaudeau sobre a problemática entre o discurso informativo (DI) e discurso científico (DC). Para o autor, o que eles têm em comum é a problemática da prova. “[...] o primeiro se atém essencialmente a uma prova pela designação e pela figuração (a ordem da constatação, do testemu- nho, do relato de reconstituição dos fatos), o segundo inscreve a prova num programa de demonstração racional.”. Percebe-se que o interesse principal do discurso informativo é transmitir uma verdade através dos fatos. Já o discurso científico se impõe pela prova da racionalidade que reside na força da argumen- tatividade. E mais, este deve se comprometer com a logicidade das ideias para estas se tornem mais convincentes. Como se viu, o discurso acadêmico é produzido dentro de uma esfera de comunicação relativamente definida chamada de comuni- dade científica. Em geral, no ensino superior, vão se encontrar mo- delos de discurso acadêmico que já se tornaram consagrados para essa comunidade. Na subseção que segue se mostrará especifica- mente alguns deles. O primeiro modelo, monografia de análise teórica, evidencia uma organização de ideias advindas de bibliografias selecionadas sobre um determinado assunto. Nesse tipo, pode-se fazer uma aná- lise crítica ou comparativa de uma teoria ou modelo já consagrado pela comunidade científica. O modelo metodológico indicado pelos autores é: escolha do assunto/ delimitação do tema; bibliografia pertinente ao tema; levantamento de dados específicos da área sob estudo; fundamentação teórica; metodologia e modelos aplicáveis; análise e interpretação das informações; conclusões e resultados. No segundo modelo, monografia de análise teórico-empírica, faz-se uma análise interpretativa de dados primários, com apoio de fontes secundárias, passando-se para o teste de hipóteses, mode- los ou teorias. A partir dos dados primários e secundários, o autor /pesquisador mostrará um trabalho inovador. Quanto ao modelo metodológico, tem-se: realidade observável; pergunta problema e objetivo proposto; bibliografia e dados secundários; teoria perti- nente ao tema (conceitos, técnicas, constructos) e dados secundá- rios; instrumentos de pesquisa (questionário); pesquisa empírica; análise; conclusões e resultados. No terceiro modelo, monografia de estudo de caso, o autor/ pesquisador faz uma análise específica da relação existente entre um caso e hipóteses, modelos e teorias. O modelo metodológico adotado obedece aos seguintes passos: escolha do assunto/delimi- tação do tema; bibliografia pertinente ao tema (área específica sob LÍNGUA PORTUGUESA 19 a solução para o seu concurso! Editora estudo); fundamentação teórica; levantamento de dados da organi- zação sob estudo; caracterização da organização; análise e interpre- tação das informações; conclusões e resultados. Observa-se que esses modelos possuem suas particularidades, mas também aspectos que coincidem. Este é o caso da pesquisa bibliográfica, que é imprescindível em qualquer trabalho científico. Discurso Literário8 O discurso literário pode não ser apenas ligado aos procedi- mentos adotados pelo autor, mas também, e talvez mais direta- mente do que se pensa, ligado ao contexto sociocultural no qual está inserido, evidenciando-se, nem sempre claramente, uma influ- ência das instituições que o cercam na escolha de determinados procedimentos de linguagem. A ideia de que o discurso literário constrói-se a partir de ele- mentos intrínsecos ao texto literário tomou corpo com os estudos realizados no início do século XX. Foram os formalistas russos que demonstraram uma preocupação com a materialidade do texto lite- rário, recusando, num primeiro momento, explicações de base ex- traliterária. Neste sentido, o que importava para os integrantes do movimento era o procedimento, ou seja, o princípio da organização da obra como produto estético. Assim, a preocupação dos formalis- tas era investigar e explicar o que faz de uma determinada obra uma obra literária, nas palavras de Jakobson: “a poesia é linguagem em sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determina- da obra uma obra literária”. A questão da literariedade como pro- cesso ou procedimento de elaboração está centrado nas estruturas que diferenciam o texto literário de outros textos. A literariedade é conceituada não só pela linguagem diferen- ciada que gera o estranhamento, mas também histórica e cultural- mente. Uma obra literária não pode ser apenas uma construção bem elaborada, mas deve também retratar o homem de sua época ou época anterior, com todas as suas angústias, desejos e forma de pensar. Tornando-se, assim, não apenas um material para ser estu- dado linguisticamente, mas também e, principalmente, uma obra viva em que toda vez que se relê encontre-se algo novo e represen- tativo do ser humano. INTERTEXTUALIDADE — Definições gerais Intertextualidade é, como o próprio nome sugere, uma relação entre textos que se exerce com a menção parcial ou integral de elementos textuais (formais e/ou semânticos) que fazem referência a uma ou a mais produções pré-existentes; é a inserção em um texto de trechos extraídos de outros textos. Esse diálogo entre textos não se restringe a textos verbais (livros, poemas, poesias, etc.) e envolve, também composições de natureza não verbal(pinturas, esculturas, etc.) ou mista (filmes, peças publicitárias, música, desenhos animados, novelas, jogos digitais, etc.). — Intertextualidade Explícita x Implícita – Intertextualidade explícita: é a reprodução fiel e integral da passagem conveniente, manifestada aberta e diretamente nas palavras do autor. Em caso de desconhecimento preciso sobre a 8 http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_ teses/LinguaPortuguesa/artigo12.pdf obra que originou a referência, o autor deve fazer uma prévia da existência do excerto em outro texto, deixando a hipertextualidade evidente. As características da intertextualidade explícita são: – Conexão direta com o texto anterior; – Obviedade, de fácil identificação por parte do leitor, sem necessidade de esforço ou deduções; – Não demanda que o leitor tenha conhecimento preliminar do conteúdo; – Os elementos extraídos do outro texto estão claramente transcritos e referenciados. – Intertextualidade explícita direta e indireta: em textos acadêmicos, como dissertações e monografias, a intertextualidade explícita é recorrente, pois a pesquisa acadêmica consiste justamente na contribuição de novas informações aos saberes já produzidos. Ela ocorre em forma de citação, que, por sua vez, pode ser direta, com a transcrição integral (cópia) da passagem útil, ou indireta, que é uma clara exploração das informações, mas sem transcrição, re-elaborada e explicada nas palavras do autor. – Intertextualidade implícita: esse modo compreende os textos que, ao aproveitarem conceitos, dados e informações presentes em produções prévias, não fazem a referência clara e não reproduzem integralmente em sua estrutura as passagens envolvidas. Em outras palavras, faz-se a menção sem revelá-la ou anunciá-la. De qualquer forma, para que se compreenda o significado da relação estabelecida, é indispensável que o leitor seja capaz de reconhecer as marcas intertextuais e, em casos mais específicos, ter lido e compreendido o primeiro material. As características da intertextualidade implícita são: conexão indireta com o texto fonte; o leitor não a reconhece com facilidade; demanda conhecimento prévio do leitor; exigência de análise e deduções por parte do leitor; os elementos do texto pré-existente não estão evidentes na nova estrutura. — Tipos de Intertextualidade 1 – Paródia: é o processo de intertextualidade que faz uso da crítica ou da ironia, com a finalidade de subverter o sentido original do texto. A modificação ocorre apenas no conteúdo, enquanto a estrutura permanece inalterada. É muito comum nas músicas, no cinema e em espetáculos de humor. Observe o exemplo da primeira estrofe do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira: TEXTO ORIGINAL “Vou-me embora para Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei?” PARÓDIA DE MILLÔR FERNANDES “Que Manoel Bandeira me perdoe, mas vou-me embora de Pasárgada Sou inimigo do Rei Não tenho nada que eu quero Não tenho e nunca terei” 2 – Paráfrase: aqui, ocorre a reafirmação sentido do texto inicial, porém, a estrutura da nova produção nada tem a ver com a primeira. É a reprodução de um texto com as palavras de quem LÍNGUA PORTUGUESA 2020 a solução para o seu concurso! Editora escreve o novo texto, isto é, os conceitos do primeiro texto são preservados, porém, são relatados de forma diferente. Exemplos: observe as frases originais e suas respectivas paráfrases: “Deus ajuda quem cedo madruga” – A professora ajuda quem muito estuda. “To be or not to be, that is the question” – Tupi or not tupi, that is the question. 3 – Alusão: é a referência, em um novo texto, de uma dada obra, situação ou personagem já retratados em textos anteriores, de forma simples, objetiva e sem quaisquer aprofundamentos. Veja o exemplo a seguir: “Isso é presente de grego” – alusão à mitologia em que os troianos caem em armadilhada armada pelos gregos durante a Guerra de Troia. 4 – Citação: trata-se da reescrita literal de um texto, isto é, consiste em extrair o trecho útil de um texto e copiá-lo em outro. A citação está sempre presente em trabalhos científicos, como artigos, dissertações e teses. Para que não configure plágio (uma falta grave no meio acadêmico e, inclusive, sujeita a processo judicial), a citação exige a indicação do autor original e inserção entre aspas. Exemplo: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier, Antoine-Laurent, 1773). 5 – Crossover: com denominação em inglês que significa “cru- zamento”, esse tipo de intertextualidade tem sido muito explorado nas mídias visuais e audiovisuais, como televisão, séries e cinema. Basicamente, é a inserção de um personagem próprio de um uni- verso fictício em um mundo de ficção diferente. Freddy & Jason” é um grande crossover do gênero de horror no cinema. Exemplo: Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br 6) Epígrafe: é a transição de uma pequena passagem do texto de origem na abertura do texto corrente. Em geral, a epígrafe está localizada no início da página, à direita e em itálico. Mesmo sendo uma passagem “solta”, esse tipo de intertextualidade está sempre relacionado ao teor do novo texto. Exemplo: “A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauser ARGUMENTAÇÃO E PERSUASÃO Argumentação e persuasão são poderosos instrumentos da comunicação humana, fundamentais nos mais diversos âmbitos da vida, estando presentes não somente em situações estratégi- cas, como na venda de produtos e debates políticos, mas também no cotidiano de todos nós. Na língua portuguesa, a habilidade de articulação de ideias com coerência e convencimento é essencial para se atingir os propósitos desejados. A argumentação é útil na sustentação de nossos pontos de vista, enquanto a persuasão visa a influenciar o ouvinte ou leitor (público-alvo) por meio de técnicas emocionais e de retórica. Ter o domínio das competências de argumentar e persua- dir demanda além do mero conhecimento do idioma, requerendo, também, o entendimento das especificidades culturais e sociais re- guladoras da comunicação. Assim, pode-se afirmar que as habilida- des de argumentação e persuasão em língua portuguesa são signifi- cativos mecanismos para expressão de ideias, defesa de opiniões e alcance de objetivos de ordem profissional e pessoal. Argumentar e persuadir são habilidades relevantes so- bretudo em situações formais, como negociações comerciais, dis- cursos políticos, discussões acadêmicas, ou mesmo nas interações informais do dia a dia, momentos nos quais um convencimento sutil pode ter influência sobre as decisões. Assim, uma cuidadosa sele- ção vocabular, o emprego apropriado de técnicas retóricas e a ela- boração de argumentos fundamentados e irrefutáveis são elemen- tares para a conquista da confiança e a aprovação do público-alvo/ receptor. Ademais, compreender esse público e adequar a aborda- gem conforme seus valores, interesses e até mesmo crenças eleva de forma significativa o êxito da argumentação e da persuasão. Argumentação e persuasão operam de modos distintos, porém, ao passo que todo discurso argumentativo é, ao mesmo tempo, persuasivo, o oposto não se verifica, já que nem todo discur- so persuasivo constitui-se também de uma argumentação. O obje- tivo fundamental da argumentação é convencer com base na lógica e na razão. À medida que o discurso argumentativo se sustentar meio de informações e dados factuais, a persuasão faz uso dessa argumentação aliada a outros elementos psicológicos, comporta- mentais e retóricos. A habilidade de se comunicar de forma persuasiva em língua portuguesa proporciona muito além do que uma sólida co- nexão entre os elementos desse processo comunicativo (falante e ouvinte), como também não somente fortalece a conexão entre fa- lante e ouvinte, mas também modela atitudes, influencia compor-tamentos e promove mudanças sociais e culturais LÍNGUA PORTUGUESA 21 a solução para o seu concurso! Editora COMUNICAÇÃO ASSERTIVA: LINGUAGEM SIMPLES, CON- CISA, OBJETIVA Comunicação assertiva é a habilidade de informar o que é ne- cessário de modo efetivo, ou seja, é expressar-se de forma adequa- da e completamente compreensível, com clareza, objetividade e coerência. Essa habilidade é fundamental para construir relaciona- mentos saudáveis e atingir objetivos determinados. Contrariamente à comunicação passiva, na qual as pes- soas envolvidas poupam-se de conflitos e exprimem suas neces- sidades indiretamente, e apostamente também à comunicação agressiva, que impõe ideias sem levar os demais em consideração, a comunicação assertiva visa ao equilíbrio saudável entre expressar opiniões e respeitar os direitos e sentimentos dos outros. Ter o do- mínio da comunicação assertiva demanda prática e compreensão de si mesmo e dos demais. Isso abrange capacidades como comuni- car pensamentos de modo claro e objetivo, fazer uso da linguagem corporal e tom de voz apropriados, além de ser receptivo a críticas construtivas. Na comunicação assertiva, os envolvidos manifestam suas concepções, emoções e necessidades com clareza, respeito e de modo direto. Isso envolve a capacidade de defender de seus próprios interesses e opiniões sem desconsiderar os demais, como também dar atenção aos pontos de vista alheios e pensar em solu- ções colaborativas para conflitos. A comunicação assertiva é um ins- trumento importante para diversos elementos e aspectos do dia a dia, como a construção de relações saudáveis, a resolução de confli- tos de modo construtivo e o alcance de êxito pessoal e profissional. Ao cultivar e aprimorar essa capacidade, as pessoas podem obter mais confiança, respeito e efetividade nas suas interações cotidia- nas. Características básicas da comunicação assertiva: objetivida- de, adequação ao contexto, respeito, entendimento simplificado, articulação, planejamento e embasamento. Os 4 Cs da Comunicação assertiva: clareza, consistência, coe- rência e confiança. Tratam-se de aspectos fundamentais para que a comunicação assertiva se efetive. ORGANIZAÇÃO TEXTUAL A organização textual está relacionada ao emprego dado à linguagem para determinados propósitos comunicativos, como re- latar, definir, descrever, comparar, explicar, justificar, argumentar, entre outros. Constitui-se um aspecto crucial na escrita, que requer a estruturação das informações com coerência e lógica, para asse- gurar a clareza e o entendimento do leitor. Um texto organizado adequadamente segue, em geral, parágrafos conectados e articula- dos entre si, além de uma hierarquia lógica que compreende intro- dução, desenvolvimento e conclusão. No entanto, existem diversos modos de organização textual, sendo que cada qual apropriado a diferentes públicos-alvo e objetivos de escrita diversos. Entre os principais, tem narração, descrição, exposição e argumentação. Narração: esse modo de organização textual tem o objetivo de relatar uma sequência de fatos ou mesmo de contar uma história. Em geral, é abordado nas prosas literárias, como romances, crô- nicas e contos, podendo ser também encontrado em reportagens jornalísticas, narrativas de experiências pessoais ou ainda mesmo em certos tipos de redações acadêmicas. A estrutura narrativa nor- malmente consiste em uma introdução para apresentação dos per- sonagens e do cenário; em seguida, um desenvolvimento para des- crever os principais acontecimentos; e, por fim, um desfecho que dá conclusão à narrativa. Descrição: trata-se de um modo de de organização que des- creve características físicas, sensoriais ou emocionais de um obje- to, pessoa, lugar ou experiência. É amplamente utilizado em textos descritivos, como descrições de paisagens naturais, retratos de per- sonagens ou análises detalhadas de obras de arte. A organização geralmente segue uma ordem espacial, temporal ou de importân- cia, para garantir uma representação precisa e vívida do objeto des- crito. Exposição: esse modo de organização apresenta informações de forma objetiva e informativa, geralmente com o objetivo de explicar conceitos, teorias ou processos. É comumente encontra- do em textos didáticos, científicos e técnicos, onde a clareza e a precisão são essenciais. A organização pode seguir uma estrutura sequencial, comparativa, causal ou problemática, dependendo do conteúdo e do propósito do texto. Argumentação: esse modo de organização defende um pon- to de vista ou uma tese, apresentando argumentos, evidências e exemplos para persuadir o leitor. É amplamente utilizado em textos persuasivos, como ensaios, discursos políticos e editoriais de jor- nais. Sua organização geralmente segue uma estrutura lógica que inclui uma introdução que apresenta a tese, um desenvolvimento que apresenta os argumentos principais e uma conclusão que re- força a posição do autor. COESÃO E COERÊNCIA — Definições e diferenciação Coesão e coerência são dois conceitos distintos, tanto que um texto coeso pode ser incoerente, e vice-versa. O que existe em comum entre os dois é o fato de constituírem mecanismos funda- mentais para uma produção textual satisfatória. Resumidamente, a coesão textual se volta para as questões gramaticais, isto é, na articulação interna do texto. Já a coerência textual tem seu foco na articulação externa da mensagem. — Coesão Textual Consiste no efeito da ordenação e do emprego adequado das palavras que proporcionam a ligação entre frases, períodos e pará- grafos de um texto. A coesão auxilia na sua organização e se realiza por meio de palavras denominadas conectivos. As técnicas de coesão A coesão pode ser obtida por meio de dois mecanismos princi- pais, a anáfora e a catáfora. Por estarem relacionados à mensagem expressa no texto, esses recursos classificam-se como endofóricas. Enquanto a anáfora retoma um componente, a catáfora o antecipa, contribuindo com a ligação e a harmonia textual. As regras de coesão Para que se garanta a coerência textual, é necessário que as regras relacionadas abaixo sejam seguidas. LÍNGUA PORTUGUESA 2222 a solução para o seu concurso! Editora Referência – Pessoal: emprego de pronomes pessoais e possessivos. Exemplo: «Ana e Sara foram promovidas. Elas serão gerentes de depar- tamento.” Aqui, tem-se uma referência pessoal anafórica (retoma termo já mencionado). – Comparativa: emprego de comparações com base em seme- lhanças. Exemplo: “Mais um dia como os outros…”. Temos uma referência com- parativa endofórica. – Demonstrativa: emprego de advérbios e pronomes demons- trativos. Exemplo: “Inclua todos os nomes na lista, menos este: Fred da Silva.” Te- mos uma referência demonstrativa catafórica. – Substituição: consiste em substituir um elemento, quer seja nome, verbo ou frase, por outro, para que ele não seja repetido. Analise o exemplo: “Iremos ao banco esta tarde, elas foram pela manhã.” Perceba que a diferença entre a referência e a substituição é evidente principalmente no fato de que a substituição adiciona ao texto uma informação nova. No exemplo usado para a referência, o pronome pessoal retoma as pessoas “Ana e Sara”, sem acrescentar quaisquer informações ao texto. – Elipse: trata-se da omissão de um componente textual – no- minal, verbal ou frasal – por meio da figura denominando eclipse. Exemplo: “Preciso falar com Ana. Você a viu?” Aqui, é o contexto que proporciona o entendimento da segunda oração, pois o leitor fica ciente de que o locutor está procurando por Ana. – Conjunção: é o termo que estabelece ligação entre as ora- ções. Exemplo: “Embora eu não saiba os detalhes, sei que um acidente aconte- ceu.” Conjunção concessiva. – Coesão lexical: consiste no emprego de palavras que fazem parte de um mesmo campo lexical ou que carregam sentido apro- ximado. É o caso dos nomes genéricos, sinônimos, hiperônimos, entre outros. Exemplo:“Aquele hospital público vive lotado. A instituição não está dando conta da demanda populacional.” — Coerência Textual A Coerência é a relação de sentido entre as ideias de um texto que se origina da sua argumentação – consequência decorrente dos saberes conhecimentos do emissor da mensagem. Um texto redun- dante e contraditório, ou cujas ideias introduzidas não apresentam conclusão, é um texto incoerente. A falta de coerência prejudica a fluência da leitura e a clareza do discurso. Isso quer dizer que a falta de coerência não consiste apenas na ignorância por parte dos inter- locutores com relação a um determinado assunto, mas da emissão de ideias contrárias e do mal uso dos tempos verbais. Observe os exemplos: “A apresentação está finalizada, mas a estou concluindo até o momento.” Aqui, temos um processo verbal acabado e um inaca- bado. “Sou vegana e só como ovos com gema mole.” Os veganos não consomem produtos de origem animal. Princípios Básicos da Coerência – Relevância: as ideias têm que estar relacionadas. – Não Contradição: as ideias não podem se contradizer. – Não Tautologia: as ideias não podem ser redundantes. Fatores de Coerência – As inferências: se partimos do pressuposto que os interlo- cutores partilham do mesmo conhecimento, as inferências podem simplificar as informações. Exemplo: “Sempre que for ligar os equipamentos, não se esqueça de que voltagem da lavadora é 220w”. Aqui, emissor e receptor compartilham do conhecimento de que existe um local adequado para ligar determinado aparelho. – O conhecimento de mundo: todos nós temos uma bagagem de saberes adquirida ao longo da vida e que é arquivada na nos- sa memória. Esses conhecimentos podem ser os chamados scripts (roteiros, tal como normas de etiqueta), planos (planejar algo com um objetivo, tal como jogar um jogo), esquemas (planos de funcio- namento, como a rotina diária: acordar, tomar café da manhã, sair para o trabalho/escola), frames (rótulos), etc. Exemplo: “Coelhinho e ovos de chocolate! Vai ser um lindo Natal!” O conhecimento cultural nos leva a identificar incoerência na frase, afinal, “coelho” e “ovos de chocolate” são elementos, os cha- mados frames, que pertencem à comemoração de Páscoa, e nada têm a ver com o Natal. Elementos da organização textual: segmentação, encadea- mento e ordenação. A segmentação é a divisão do texto em pequenas partes para melhorar a compreensão. A encadeamento é a ligação dessas par- tes, criando uma lógica e coesão no texto. A ordenação é a dispo- sição dessas partes de forma a transmitir uma mensagem clara e coerente. Juntos, esses elementos ajudam a criar uma estrutura eficiente para o texto. TIPOLOGIA TEXTUAL Definição Geral: as tipologia textuais classificam os textos de acordo com seus aspectos linguísticos, em termos de estruturação e apresentação. Também podem ser denominados tipos textuais, modo textual ou ainda de organização do discurso, essas categori- LÍNGUA PORTUGUESA 23 a solução para o seu concurso! Editora zações consistem em formas distintas sob as quais um texto pode ser apresentado, com fins de responder a diferentes propósitos co- municativos. Critérios utilizados pela tipologia textual: elementos sintáti- cos, objetivo da comunicação, vocabulário, estrutura, construções frásicas, linguagem, emprego dos tempos verbais, modo de intera- ção com o leitor, conexões lógicas, entre outros. Objetivos comunicativos: os elementos que compõem um texto diversificam-se conforme a finalidade do texto, que pode ser narrar, argumentar, informar, descrever e etc. Os tipos de texto: de acordo com as tipologias textuais, um texto pode ser narrativo, descritivo, dissertativo (argumentativo e expositivo) ou explicativo (prescritivo e injuntivo). Tipologia textual x gênero textual: são dois modos de classifi- cação de um texto que se baseiam em critérios distintos. Enquanto o gênero textual se dedica aos aspectos formais (modelo de apre- sentação do texto e função social), as tipologias textuais têm seu foco na estrutura linguística de um texto, na organização do discur- so e suas características morfossintáticas. — Texto dialogal Essa tipologia apresenta um diálogo entre, pelo menos, dois locutores. O que difere essa classe da narração é o fato de que, no texto dialogal, o narrador não é obrigatório e, nos casos em que ele se apresenta, sua função se limita a introduzir o diálogo; este, por sua vez, se dará na primeira pessoa. Os principais gêneros textuais que se enquadram nessa tipologia são: peças de teatro, debates, entrevistas, conversas em aplicativos eletrônicos. As principais características do texto dialogal: – Predomínio dos verbos na primeira pessoa do singular; – Discurso direto: emprego de verbos elocutivos e dos sinais dois-pontos, aspas ou travessões para, respectivamente, indicar o princípio de uma fala ou para marcá-las; – Traços na linguagem oral. — Texto explicativo A finalidade básica dessa tipologia é instruir o leitor em relação a um procedimento específico. Para isso, o texto expõe informações que prepara o leitor para agir conforme uma determinada condu- ta. Essa tipologia se divide dois subtipos: – Texto explicativo prescritivo: exige que o leitor se conduza de um modo determinado. Ex.: editais de concursos, leis e cláusulas contratuais. – Texto explicativo injuntivo: permite que o leitor proceda com certa autonomia. Ex.: manuais de instruções, receitas culinárias e bulas. Texto narrativo: esse tipo textual se estrutura em: apresenta- ção, desenvolvimento, clímax e desfecho. Esses textos se caracteri- zam pela apresentação das ações de personagens em um tempo e espaço determinado. Os principais gêneros textuais que pertencem ao tipo textual narrativo são: romances, novelas, contos, crônicas e fábulas. Texto descritivo: esse tipo compreende textos que descrevem lugares ou seres ou relatam acontecimentos. Em geral, esse tipo de texto contém adjetivos que exprimem as emoções do narrador, e, em termos de gêneros, abrange diários, classificados, cardápios de restaurantes, folhetos turísticos, relatos de viagens, etc. Texto expositivo: corresponde ao texto cuja função é transmi- tir ideias utilizando recursos de definição, comparação, descrição, conceituação e informação. Verbetes de dicionário, enciclopédias, jornais, resumos escolares, entre outros, fazem parte dos textos ex- positivos. Texto argumentativo: os textos argumentativos têm o obje- tivo de apresentar um assunto recorrendo a argumentações, isto é, caracteriza-se por defender um ponto de vista. Sua estrutura é composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. Os tex- tos argumentativos compreendem os gêneros textuais manifesto e abaixo-assinado. Texto injuntivo: esse tipo de texto tem como finalidade de orientar o leitor, ou seja, expor instruções, de forma que o emissor procure persuadir seu interlocutor. Em razão disso, o emprego de verbos no modo imperativo é sua característica principal. Perten- cem a este tipo os gêneros bula de remédio, receitas culinárias, ma- nuais de instruções, entre outros. Texto prescritivo: essa tipologia textual tem a função de instruir o leitor em relação ao procedimento. Esses textos, de certa forma, impedem a liberdade de atuação do leitor, pois decretam que ele siga o que diz o texto. Os gêneros que pertencem a esse tipo de texto são: leis, cláusulas contratuais, edital de concursos públicos. Descrever, narrar, dissertar Tudo o que se escreve é redação. Elaboramos bilhetes, cartas, telegramas, respostas de questões discursivas, contos, crônicas, romances, empregando as modalidades redacionais ou tipos de composição: descrição, narração ou dissertação. Geralmente as modalidades redacionais aparecem combinadas entre si. Seja qual for o tipo de composição, a criação de um texto envolve conteúdo (nível de ideias, mensagem, assunto), estrutura (organização das ideias, distribuição adequada em introdução, desenvolvimento econclusão), linguagem (expressividade, seleção de vocabulário) e gramática (norma da língua). Narra-se o que tem história, o que é factual, o que acontece no tempo; afinal, o narrador só conta o que viu acontecer, o que lhe contaram como tendo acontecido ou aquilo que ele próprio criou para acontecer. Descreve-se o que tem sensorialidade e, principalmente, per- ceptibilidade; afinal, o descrevedor é um discriminador de sensa- ções. Assim, descreve-se o que se vê ou imagina-se ver, o que se ouve ou imagina-se ouvir, o que se pega ou imagina-se pegar, o que se prova gustativamente ou imagina-se provar, o que se cheira ou imagina-se cheirar. Em outras palavras, descreve-se o que tem li- nhas, forma, volume, cor, tamanho, espessura, consistência, cheiro, gosto etc. Sentimentos e sensações também podem ser caracteriza- dos pela descrição (exemplos: paixão abrasadora, raiva surda). Disserta-se sobre o que pode ser discutido; o dissertador tra- balha com ideias, para montar juízos e raciocínios. Descrição A descrição procura apresentar, com palavras, a imagem de se- res animados ou inanimados — em seus traços mais peculiares e marcantes —, captados através dos cinco sentidos. A caracterização desses entes obedece a uma delimitação espacial. LÍNGUA PORTUGUESA 2424 a solução para o seu concurso! Editora O quarto respirava todo um ar triste de desmazelo e boemia. Fazia má impressão estar ali: o vômito de Amâncio secava-se no chão, azedando o ambiente; a louça, que servia ao último jantar, ainda coberta pela gordura coalhada, aparecia dentro de uma lata abominável, cheia de contusões e roída de ferrugem. Uma banqui- nha, encostada à parede, dizia com seu frio aspecto desarranjado que alguém estivera aí a trabalhar durante a noite, até que se extin- guira a vela, cujas últimas gotas de estearina se derramavam me- lancolicamente pelas bordas de um frasco vazio de xarope Larose, que lhe fizera as vezes de castiçal. (Aluísio Azevedo) Narração A narração constitui uma sequência temporal de ações desen- cadeadas por personagens envoltas numa trama que culmina num clímax e que, geralmente, esclarecesse no desfecho. Ouvimos passos no corredor; era D. Fortunata. Capitu compôs- se depressa, tão depressa que, quando a mãe apontou à porta, ela abanava a cabeça e ria. Nenhum laivo amarelo, nenhuma contra- ção de acanhamento, um riso espontâneo e claro, que ela explicou por estas palavras alegres: — Mamãe, olhe como este senhor cabeleireiro me penteou; pe- diu-me para acabar o penteado, e fez isto. Veja que tranças! — Que tem? acudiu a mãe, transbordando de benevolência. Está muito bem, ninguém dirá que é de pessoa que não sabe pen- tear. — O quê, mamãe? Isto? redarguiu Capitu, desfazendo as tran- ças. Ora, mamãe! E com um enfadamento gracioso e voluntário que às vezes ti- nha, pegou do pente e alisou os cabelos para renovar o penteado. D. Fortunata chamou-lhe tonta, e disse-lhe que não fizesse caso, não era nada, maluquices da filha. Olhava com ternura para mim e para ela. Depois, parece-me que desconfiou. Vendo-me calado, enfiado, cosido à parede, achou talvez que houvera entre nós algo mais que penteado, e sorriu por dissimulação... (Machado de Assis) O narrador conta fatos que ocorrem no tempo, recordando, imaginando ou vendo... O descrevedor caracteriza entes localizados no espaço. Para isso, basta sentir, perceber e, principalmente, ver. O dissertador expõe juízos estruturados racionalmente. A trama narrativa apreende a ocorrência na sua dinâmica temporal. O processo descritivo suspende o tempo e capta o ente na sua espacialidade atemporal. A estrutura dissertativa articula ideias, relaciona juízos, monta raciocínios e engendra teses. O texto narrativo é caracterizado pelos verbos nocionais (ações, fenômenos e movimentos); o descritivo, pelos verbos rela- cionais (estados, qualidades e condições) ou pela ausência de ver- bos; o dissertativo, indiferentemente, pelos verbos nocionais e/ou relacionais. Dissertação A dissertação consiste na exposição lógica de ideias discutidas com criticidade por meio de argumentos bem fundamentados. Homens e livros Monteiro Lobato dizia que um país se faz com homens e livros. O Brasil tem homens e livros. O problema é o preço. A vida humana está valendo muito pouco, já as cifras cobradas por livros exorbi- tam. A notícia de que uma mãe vendeu o seu filho à enfermeira por R$ 200,00, em duas prestações, mostra como anda baixa a cotação da vida humana neste país. Se esse é o valor que uma mãe atribui a seu próprio filho, o que dizer quando não existem vínculos de pa- rentesco. De uma fútil briga de trânsito aos interesses da indústria do tráfico, no Brasil, hoje, mata-se por nada. A falta de instrução, impedindo a maioria dos brasileiros de co- nhecer o conceito de cidadania, está entre as causas das brutais taxas de violência registradas no país. Os livros são, como é óbvio, a principal fonte de instrução já inventada pelo homem. E, para aprender com os livros, são neces- sárias apenas duas condições: saber lê-los e poder adquiri-los. Pelo menos 23% dos brasileiros já encontram um obstáculo intransponí- vel na primeira condição. Um número incalculável, mas certamente bastante alto, esbarra na segunda. Aqui, um exemplar de uma obra de cerca de cem páginas sai por cerca de R$ 15,00, ou seja, 15% do salário mínimo. Nos EUA, uma obra com quase mil páginas custa US$ 7,95, menos da metade da brasileira e com 900 páginas a mais. O principal fator para explicar o alto preço das edições nacio- nais são as pequenas tiragens. Num país onde pouco se lê, de nada adianta fazer grandes tiragens. Perde-se, assim, a possibilidade de reduzir o custo do produto por meio dos ganhos de produção de escala. Numa aparente contradição à famosa lei da oferta e da procu- ra, o livro no Brasil é caro porque o brasileiro não lê. Vencer esse suposto paradoxo, alfabetizando a população e incentivando-a a ler cada vez mais, poderia resultar num salutar processo de queda do preço do livro e valorização da vida. Um país se faz com homens e livros. Mas é preciso que os ho- mens valham mais, muito mais, do que os livros. (Folha de S. Paulo) Na narração, encontramos traços descritivos que caracterizam cenários, personagens ou outros elementos da história. A descrição pode iniciar-se com um pequeno parágrafo narrati- vo para precisar a localização espacial. A dissertação pode apresentar tese ou breves trechos argu- mentativos de natureza descritiva ou narrativa, desde que sejam exemplificativos para o assunto abordado. Resumindo: A descrição caracteriza seres num determinado espaço → fo- tografia. A narração sequencia ações num determinado tempo → his- tória. A dissertação expõe, questiona e avalia juízos → discussão. LÍNGUA PORTUGUESA 25 a solução para o seu concurso! Editora Tipo Textual Predominante Gêneros Textuais Descritivo Diário Relatos (viagens, históricos, etc.) Biografia e autobiografia Notícia Currículo Lista de compras Cardápio Anúncios de classificados Injuntivo Receita culinária Bula de remédio Manual de instruções Regulamento Textos prescritivos Expositivo Seminários Palestras Conferências Entrevistas Trabalhos acadêmicos Enciclopédia Verbetes de dicionários Dissertativo-argumentativo Editorial Jornalístico Carta de opinião Resenha Artigo Ensaio Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado Narrativo Romance Novela Crônica Contos de Fada Fábula Lendas ORTOGRAFIA OFICIAL — Definições Com origem no idioma grego, no qual orto significa “direito”, “exato”, e grafia quer dizer “ação de escrever”, ortografia é o nome dado ao sistema de regras definido pela gramática normativa que indica a escrita correta das palavras. Já a Ortografia Oficial se refere às práticas ortográficas que são consideradas oficialmente como adequadas no Brasil. Os principais tópicos abordados pela ortografia são: o emprego de acentos gráficos que sinalizam vogais tônicas, abertas ou fechadas; os processosfonológicos (crase/acento grave); os sinais de pontuação elucidativos de funções sintáticas da língua e decorrentes dessas funções, entre outros. Os acentos: esses sinais modificam o som da letra sobre a qual recaem, para que palavras com grafia similar possam ter leituras di- ferentes, e, por conseguinte, tenham significados distintos. Resumidamente, os acentos são agudo (deixa o som da vogal mais aberto), circunflexo (deixa o som fechado), til (que faz com que o som fique nasalado) e acento grave (para indicar crase). O alfabeto: é a base de diversos sistemas de escrita. Nele, estão estabelecidos os sinais gráficos e os sons representados por cada um dos sinais; os sinais, por sua vez, são as vogais e as consoantes. As letras K, Y e W: antes consideradas estrangeiras, essas letras foram integradas oficialmente ao alfabeto do idioma português brasi- leiro em 2009, com a instauração do Novo Acordo Ortográfico. As possibilidades da vogal Y e das consoantes K e W são, basicamente, para nomes próprios e abreviaturas, como abaixo: – Para grafar símbolos internacionais e abreviações, como Km (quilômetro), W (watt) e Kg (quilograma). – Para transcrever nomes próprios estrangeiros ou seus derivados na língua portuguesa, como Britney, Washington, Nova York etc. LÍNGUA PORTUGUESA 2626 a solução para o seu concurso! Editora Relação som X grafia: confira abaixo os casos mais complexos do emprego da ortografia correta das palavras e suas principais re- gras: «ch” ou “x”?: deve-se empregar o X nos seguintes casos: – Em palavras de origem africana ou indígena. Exemplo: oxum, abacaxi. – Após ditongos. Exemplo: abaixar, faixa. – Após a sílaba inicial “en”. Exemplo: enxada, enxergar. – Após a sílaba inicial “me”. Exemplo: mexilhão, mexer, mex- erica. s” ou “x”?: utiliza-se o S nos seguintes casos: – Nos sufixos “ese”, “isa”, “ose”. Exemplo: síntese, avisa, ver- minose. – Nos sufixos “ense”, “osa” e “oso”, quando formarem adjeti- vos. Exemplo: amazonense, formosa, jocoso. – Nos sufixos “ês” e “esa”, quando designarem origem, título ou nacionalidade. Exemplo: marquês/marquesa, holandês/holan- desa, burguês/burguesa. – Nas palavras derivadas de outras cujo radical já apresenta “s”. Exemplo: casa – casinha – casarão; análise – analisar. Porque, Por que, Porquê ou Por quê? – Porque (junto e sem acento): é conjunção explicativa, ou seja, indica motivo/razão, podendo substituir o termo pois. Portanto, toda vez que essa substituição for possível, não haverá dúvidas de que o emprego do porque estará correto. Exemplo: Não choveu, porque/pois nada está molhado. – Por que (separado e sem acento): esse formato é empregado para introduzir uma pergunta ou no lugar de “o motivo pelo qual”, para estabelecer uma relação com o termo anterior da oração. Exemplos: Por que ela está chorando? / Ele explicou por que do cancelamento do show. – Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e, por isso, pode estar acompanhado por artigo, adjetivo, pronome ou numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento do show. – Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi embora novamente. Por quê? Parônimos e homônimos – Parônimos: são palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, mas se divergem no significado. Exemplos: absolver (perdoar) e absorver (aspirar); aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar). – Homônimos: são palavras com significados diferentes, mas que coincidem na pronúncia. Exemplos: “gosto” (substantivo) e “gosto” (verbo gostar) / “este” (ponto cardeal) e “este” (pronome demonstrativo). Uso de hífen Regra básica: Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-ho- mem. Outros casos 1. Prefixo terminado em vogal: – Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo. – Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo. – Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracis- mo, antissocial, ultrassom. – Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-on- das. 2. Prefixo terminado em consoante: – Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub- -bibliotecário. – Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, su- persônico. – Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante. Observações: • Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade. • Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de pala- vra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano. • O prefixo co aglutina-se, em geral, com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, coope- rar, cooperação, cooptar, coocupante. • Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-al- mirante. • Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista. • Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu. ACENTUAÇÃO GRÁFICA — Definição A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas pala- vras grafadas com a finalidade de estabelecer, com base nas regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras. Isso quer dizer que os acentos gráficos servem para indicar a sílaba tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo com as regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na língua portuguesa: – Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som aberto. Ex.: área, relógio, pássaro. – Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e “o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada. Ex.: acadêmico, ân- cora, avô. – Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse acento não indica sílaba tônica! – Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de determina- da palavra tem som nasal, e nem sempre recai sobre a sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que indica que a sílaba forte é “o” (ou seja, é acento tônico), e um til (˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro exemplo se- melhante é a palavra bênção. LÍNGUA PORTUGUESA 27 a solução para o seu concurso! Editora — Monossílabas Tônicas e Átonas Mesmo as palavras com apenas uma sílaba podem sofrer alte- ração de intensidade de voz na sua pronúncia. Exemplo: observe o substantivo masculino “dó” e a preposição “do” (contração da pre- posição “de” + artigo “o”). Ao comparar esses termos, perceber- mos que o primeiro soa mais forte que o segundo, ou seja, temos uma monossílaba tônica e uma átona, respectivamente. Diante de palavras monossílabas, a dica para identificar se é tônica (forte) ou fraca átona (fraca) é pronunciá-las em uma frase, como abaixo: “Sinto grande dó ao vê-la sofrer.” “Finalmente encontrei a chave do carro.” Recebem acento gráfico: – As monossílabas tônicas terminadas em: -a(s) → pá(s), má(s); -e(s) → pé(s), vê(s); -o(s) → só(s), pôs. – As monossílabas tônicas formados por ditongos abertos -éis, -éu, -ói. Ex: réis, véu, dói. Não recebem acento gráfico: – As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis. – As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”. Antes do novo acor- do ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles lêem leem. Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, já que a terceira pessoa termina em “-êm”. Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem → Eles têm; Ele vem → Eles vêm. Acentuação das palavras Oxítonas As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas as oxítonascom sílaba tônica terminada em vogal tônica -a, -e e -o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé, vocês. Logo, não se acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”. Ex.: caqui, urubu. Acentuação das palavras Paroxítonas São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima sílaba é tônica. De acordo com a regra geral, não se acentuam as palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados abaixo. Observe as exceções: – Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis, hóquei, jóquei, pônei, saudáveis. – Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex, esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil, tórax. – Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis, grátis, júri, lápis, oásis, táxi. – Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus, tônus. – Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons. – Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns, quórum, quóruns. – Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs, órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos. Acentuação das palavras Proparoxítonas Classificam-se assim as palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica, e todas recebem acento, sem exceções. Ex.: ácaro, árvore, bárbaro, cálida, exército, fétido, lâmpada, líquido, médico, pássaro, tática, trânsito. Ditongos e Hiatos Acentuam-se: – Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”, “_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.: anéis, fiéis, herói, mausoléu, sóis, véus. – As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por “_s” na sílaba. Ex.: caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú). Não se acentuam: – A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.: moi- nho, rainha, bainha. – As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.: juuna, xiita. xiita. – Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem, enjoo, magoo. O Novo Acordo Ortográfico Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem acentuação em razão do Acordo Ortográfico de 1990, que entrou em vigor em 2009: 1 – Vogal tônica fechada -o de -oo em paroxítonas. Exemplos: enjôo – enjoo; magôo – magoo; perdôo – perdoo; vôo – voo; zôo – zoo. 2 – Ditongos abertos -oi e -ei em palavras paroxítonas. Exemplos: alcalóide – alcaloide; andróide – androide; alcalóide – alcaloide; assembléia – assembleia; asteróide – asteroide; euro- péia – europeia. 3 – Vogais -i e -u precedidas de ditongo em paroxítonas. Exemplos: feiúra – feiura; maoísta – maoista; taoísmo – taois- mo. 4 – Palavras paroxítonas cuja terminação é -em, e que pos- suem -e tônico em hiato. Isso ocorre com a 3a pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo. Exemplos: deem; lêem – leem; relêem – releem; revêem. 5 – Palavras com trema: somente para palavras da língua por- tuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; enxágüe – enxágue; linguïça – linguiça. 6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma grafia, mas apresentam significados diferentes. Exemplo: o verbo PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo “parar” era acentuada para que fosse diferenciada da preposição “para”. Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim: Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo / pre- posição] LÍNGUA PORTUGUESA 2828 a solução para o seu concurso! Editora Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo / pre- posição] EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE Definição: na gramática grega, o termo quer dizer “mistura “ou “contração”, e ocorre entre duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido. Basicamente, desse modo: a (pre- posição) + a (artigo feminino) = aa à; a (preposição) + aquela (pro- nome demonstrativo feminino) = àquela; a (preposição) + aquilo (pronome demonstrativo feminino) = àquilo. Por ser a junção das vogais, a crase, como regra geral, ocorre diante de palavras femi- ninas, sendo a única exceção os pronomes demonstrativos aquilo e aquele, que recebem a crase por terem “a” como sua vogal ini- cial. Crase não é o nome do acento, mas indicação do fenômeno de união representado pelo acento grave. A crase pode ser a contração da preposição a com: – O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não assis- tiu às aulas.” – O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.” – Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Retorne àquele mesmo local.” – O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às quais devemos o maior respeito e consideração”. Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de duas vogais a (preposição + artigo ou preposição + pronome) na construção sintática. Técnicas para o emprego da crase 1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe se- melhante. Se a combinação ao aparecer, ocorrerá crase diante da palavra feminina. Exemplos: “Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.” “Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.” “Comprei o carro / a moto.” “Irei ao evento / à festa.” 2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir, chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar. Se aparecer a preposição da, ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não deve ser empregado. Exemplos: “Vou a São Paulo. / Voltei de São Paulo.” “Vou à festa dos Silva. / Voltei da Silva.” “Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.” 3 – Troque o termo regente da preposição a por um que es- tabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas preposições não se façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas pela(s), na(s) ou da(s), a crase não ocorrerá. Exemplos: “Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar / Gosta de estudar / Insiste em estudar.” “Refiro-me à sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.” “Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você / Gos- to de você / Penso em você.” 4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que ex- pressam uma única ideia, a crase somente deve ser empregada se a locução for iniciada por preposição e essa locução tiver como nú- cleo uma palavra feminina, ocorrerá crase. Exemplos: “Tudo às avessas.” “Barcos à deriva.” 5 – Outros casos envolvendo locuções e crase: Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão “moda de”, ficando somente o à explícito. Exemplos: “Arroz à (moda) grega.” “Bife à (moda) parmegiana.” Nas locuções relativas a horários, ocorra crase apenas no caso de horas especificadas e definidas: Exemplos: “À uma hora.” “Às cinco e quinze”. SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO Definição: sintaxe é a área da Gramática que se dedica ao es- tudo da ordenação das palavras em uma frase, das frases em um discurso e também da coerência (relação lógica) que estabelecem entre si. Sempre que uma frase é construída, é fundamental que ela contenha algum sentido para que possa ser compreendida pelo receptor. Por fazer a mediação da combinação entre palavras e ora- ções, a sintaxe é essencial para que essa compreensão se efetive. Para que se possa compreender a análise sintática, é importante retomarmos alguns conceitos, como o de frase, oração e período. Vejamos: Frase Trata-se de um enunciado que carrega um sentido completo que possui sentido integral, podendo ser constituída por somen- te uma ou várias palavras podendo conter verbo (frase verbal) ou não (frase nominal). Uma frase pode exprimir ideias, sentimentos, apelos ou ordens. Exemplos: “Saia!”, “O presidente vai fazer seu discurso.”, “Atenção!”, “Que horror!”. A ordem das palavras: associada à pontuação apropriada, a dis- posição das palavras na frase também é fundamental para a com- preensão da informação escrita, e deve seguir os padrões da Língua Portuguesa. Observe que a frase “A professora já vai falar.” Podeser modificada para, por exemplo, “Já vai falar a professora.” , sem que haja prejuízo de sentido. No entanto, a construção “Falar a já professora vai.” , apesar da combinação das palavras, não poderá ser compreendida pelo interlocutor. Oração É uma unidade sintática que se estrutura em redor de um ver- bo ou de uma locução verbal. Uma frase pode ser uma oração, des- de que tenha um verbo e um predicado; quanto ao sujeito, nem LÍNGUA PORTUGUESA 29 a solução para o seu concurso! Editora sempre consta em uma oração, assim como o sentido completo. O importante é que seja compreensível pelo receptor da mensagem. Analise, abaixo, uma frase que é oração com uma que não é. 1 – Silêncio!”: É uma frase, mas não uma oração, pois não con- tém verbo. 2 – “Eu quero silêncio.”: A presença do verbo classifica a frase como oração. Unidade sintática (ou termo sintático): a sintaxe de uma oração é formada por cada um dos termos, que, por sua vez, estabelecem relação entre si para dar atribuir sentido à frase. No exemplo supra- citado, a palavra “quero” deve unir-se às palavras “Eu” e “silêncio” para que o receptor compreenda a mensagem. Dessa forma, cada palavra desta oração recebe o nome de termo ou unidade sintática, desempenhando, cada qual, uma função sintática diferente. Classificação das orações: as orações podem ser simples ou compostas. As orações simples apresentam apenas uma frase; as compostas apresentam duas ou mais frases na mesma oração. Analise os exemplos abaixo e perceba que a oração composta tem duas frases, e cada uma tem seu próprio sentido. – Oração simples: “Eu quero silêncio.” – Oração composta: “Eu quero silêncio para poder ouvir o no- ticiário”. Período É a construção composta por uma ou mais orações, sempre com sentido completo. Assim como as orações, o período também pode ser simples ou composto, que se diferenciam em razão do nú- mero de orações que apresenta: o período simples contém apenas uma oração, e o composto mais de uma. Lembrando que a oração é uma frase que contém um verbo. Assim, para não ter dúvidas quan- to à classificação, basta contar quantos verbos existentes na frase. – Período simples: “Resolvo esse problema até amanhã.” - apresenta apenas um verbo. – Período composto: Resolvo esse problema até amanhã ou fi- carei preocupada.” - contém dois verbos. — Análise Sintática É o nome que se dá ao processo que serve para esmiuçar a estrutura de um período e das orações que compõem um período. Termos da oração: é o nome dado às palavras que atribuem sentido a uma frase verbal. A reunião desses elementos forma o que chamamos de estrutura de um período. Os termos essenciais se subdividem em: essenciais, integrantes e acessórios. Acompanhe a seguir as especificidades de cada tipo. 1 – Termos Essenciais (ou fundamentais) da oração Sujeito e Predicado: enquanto um é o ser sobre quem/o qual se declara algo, o outro é o que se declara sobre o sujeito e, por isso, sempre apresenta um verbo ou uma locução verbal, como nos respectivos exemplos a seguir: Exemplo: em “Fred fez um lindo discurso.”, o sujeito é “Fred”, que “fez um lindo discurso” (é o restante da oração, a declaração sobre o sujeito). Nem sempre o sujeito está no início da oração (sujeito direto), podendo apresentar-se também no meio da fase ou mesmo após o predicado (sujeito inverso). Veja um exemplo para cada um dos respectivos casos: “Fred fez um lindo discurso.” “Um lindo discurso Fred fez.” “Fez um lindo discurso, Fred.” – Sujeito determinado: é aquele identificável facilmente pela concordância verbal. – Sujeito determinado simples: possui apenas um núcleo ligado ao verbo. Ex.: “Júlia passou no teste”. – Sujeito determinado composto: possui dois ou mais núcleos. Ex.: “Júlia e Felipe passaram no teste.” – Sujeito determinado implícito: não aparece facilmente na oração, mas a frase é dotada de entendimento. Ex.: “Passamos no teste.” Aqui, o termo “nós” não está explícito na oração, mas a concordância do verbo o destaca de forma indireta. – Sujeito indeterminado: é o que não está visível na oração e, diferente do caso anterior, não há concordância verbal para deter- miná-lo. Esse sujeito pode aparecer com: – Verbo na 3a pessoa do plural. Ex.: “Reformaram a casa velha”. – Verbo na 3a pessoa do singular + pronome “se”: “Contrata-se padeiro.”». – Verbo no infinitivo impessoal: “Vai ser mais fácil se você es- tiver lá.” – Orações sem sujeito: são compostas somente por predicado, e sua mensagem está centralizada no verbo, que é impessoal. Essas orações podem ter verbos que constituam fenômenos da natureza, ou os verbos ser, estar, haver e fazer quando indicativos de fenôme- no meteorológico ou tempo. Observe os exemplos: “Choveu muito ontem”. “Era uma hora e quinze”. – Predicados Verbais: resultam da relação entre sujeito e verbo, ou entre verbo e complementos. Os verbos, por sua vez, também recebem sua classificação, conforme abaixo: – Verbo transitivo: é o verbo que transita, isto é, que vai adian- te para passar a informação adequada. Em outras palavras, é o ver- bo que exige complemento para ser entendido. Para produzir essa compreensão, esse trânsito do verbo, o complemento pode ser di- reto ou indireto. No primeiro caso, a ligação direta entre verbo e complemento. Ex.: “Quero comprar roupas.”. No segundo, verbo e complemento são unidos por preposição. Ex.: “Preciso de dinheiro.” – Verbo intransitivo: não requer complemento, é provido de sentido completo. São exemplos: morrer, acordar, nascer, nadar, cair, mergulhar, correr. – Verbo de ligação: servem para expressar características de estado ao sujeito, sendo eles: estado permanente (“Pedro é alto.”), estado de transição (“Pedro está acamado.”), estado de mutação (“Pedro esteve enfermo.”), estado de continuidade (“Pedro conti- nua esbelto.”) e estado aparente (“Pedro parece nervoso.”). – Predicados nominais: são aqueles que têm um nome (subs- tantivo ou adjetivo) como cujo núcleo significativo da oração. Ade- mais, ele se caracteriza pela indicação de estado ou qualidade, e é composto por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito. – Predicativo do sujeito: é um termo que atribui características ao sujeito por meio de um verbo. Exemplo: em “Marta é inteligen- te.”, o adjetivo é o predicativo do sujeito “Marta”, ou seja, é sua característica de estado ou qualidade. Isso é comprovado pelo “ser” (é), que é o verbo de ligação entre Marta e sua característica atual. LÍNGUA PORTUGUESA 3030 a solução para o seu concurso! Editora Esse elemento não precisa ser, obrigatoriamente, um adjetivo, mas pode ser uma locução adjetiva, ou mesmo um substantivo ou pala- vra substantivada. – Predicado Verbo-Nominal: esse tipo deve apresentar sempre um predicativo do sujeito associado a uma ação do sujeito acresci- da de uma qualidade sua. Exemplo: “As meninas saíram mais cedo da aula. Por isso, estavam contentes. O sujeito “As meninas” possui como predicado o verbo “sair” e também o adjetivo “contentes”. Logo, “estavam contentes” é o predicativo do sujeito e o verbo de ligação é “estar”. 2 – Termos integrantes da oração Basicamente, são os termos que completam os verbos de uma oração, atribuindo sentindo a ela. Eles podem ser complementos verbais, complementos nominais ou mesmo agentes da passiva. – Complementos Verbais: como sugere o nome, esses termos completam o sentido de verbos, e se classificam da seguinte forma: – Objeto direto: completa verbos transitivos diretos, não exi- gindo preposição. – Objeto indireto: complementam verbos transitivos indiretos, isto é, aqueles que dependem de preposição para que seu sentido seja compreendido. Quanto ao objeto direto, podemos ter: – Um pronome substantivo: “A equipe que corrigiu as provas.” – Um pronome oblíquo direto: “Questionei-a sobre o aconte- cido.” – Um substantivo ou expressão substantivada: “Ele consertou os aparelhos.» – Complementos Nominais:esses termos completam o senti- do de uma palavra, mas não são verbos; são nomes (substantivos, adjetivos ou advérbios), sempre seguidos por preposição. Observe os exemplos: – “Maria estava satisfeita com seus resultados.” – observe que “satisfeita” é adjetivo, e “com seus resultados” é complemento no- minal. – “O entregador atravessou rapidamente pela viela. – “rapida- mente” é advérbio de modo. – “Eu tenho medo do cachorro.” – Nesse caso, “medo” é um substantivo. – Agentes da Passiva: são os termos de uma oração que prati- cam a ação expressa pelo verbo, quando este está na voz passiva. Assim, estão normalmente acompanhados pelas preposições de e por. Observe os exemplos do item anterior modificados para a voz passiva: – “Os resultados foram motivo de satisfação de Maria.” – “O cachorro foi alvo do meu medo.” – “A viela foi atravessada rapidamente pelo entregador.” 3 – Termos acessórios da oração Diversamente dos termos essenciais e integrantes, os termos acessórios não são fundamentais o sentido da oração, mas servem para complementar a informação, exprimindo circunstância, deter- minando o substantivo ou caracterizando o sujeito. Confira abaixo quais são eles: – Adjunto adverbial: são os termos que modificam o sentido do verbo, do adjetivo ou do advérbio. Analise os exemplos: “Dormimos muito.” O termo acessório “muito” classifica o verbo “dormir”. “Ele ficou pouco animado com a notícia.” O termo acessório “pouco” classifica o adjetivo “animado” “Maria escreve bastante bem.” O termo acessório “bastante” modifica o advérbio “bem”. Os adjuntos adverbiais podem ser: – Advérbios: pouco, bastante, muito, ali, rapidamente longe, etc. – Locuções adverbiais: o tempo todo, às vezes, à beira-mar, etc. – Orações: «Quando a mercadoria chegar, avise.” (advérbio de tempo). – Adjunto adnominal: é o termo que especifica o substantivo, com função de adjetivo. Em razão disso, pode ser representado por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, numerais adjetivos ou prono- mes adjetivos. Analise o exemplo: “O jovem apaixonado presenteou um lindo buquê à sua colega de escola.” – Sujeito: “jovem apaixonado” – Núcleo do predicado verbal: “presenteou” – Objeto direto do verbo entregar: “um lindo buquê” – Objeto indireto: “à amiga de classe” – Adjuntos adnominais: no sujeito, temos o artigo “o” e “apaixonado”, pois caracterizam o “jovem”, núcleo do sujeito; o numeral “um” e o adjetivo “lindo” fazem referência a “buquê” (substantivo); o artigo “à” (contração da preposição + artigo feminino) e a locução “de trabalho” são os adjuntos adnominais de “colega”. – Aposto: é o termo que se relaciona com o sujeito para carac- terizá-lo, contribuindo para a complementação uma informação já completa. Observe os exemplos: “Michael Jackson, o rei do pop, faleceu há uma década.” “Brasília, capital do Brasil, foi construída na década de 1950.” – Vocativo: esse termo não apresenta relação sintática nem com sujeito nem com predicado, tendo sua função no chamamento ou na interpelação de um ouvinte, e se relaciona com a 2a pessoa do discurso. Os vocativos são o receptor da mensagem, ou seja, a quem ela é dirigida. Podem ser acompanhados de interjeições de apelo. Observe: “Ei, moça! Seu documento está pronto!” “Senhor, tenha misericórdia de nós!” “Vista o casaco, filha!” — Estudo da relação entre as orações Os períodos compostos são formados por várias orações. As orações estabelecem entre si relações de coordenação ou de su- bordinação. – Período composto por coordenação: é formado por orações independentes. Apesar de estarem unidas por conjunções ou vírgu- las, as orações coordenadas podem ser entendidas individualmen- te porque apresentam sentidos completos. Acompanhe a seguir a classificação das orações coordenadas: – Oração coordenada aditiva: “Assei os salgados e preparei os doces.” – Oração coordenada adversativa: “Assei os salgados, mas não preparei os doces.” – Oração coordenada alternativa: “Ou asso os salgados ou pre- paro os doces.” LÍNGUA PORTUGUESA 31 a solução para o seu concurso! Editora – Oração coordenada conclusiva: “Marta estudou bastante, logo, passou no exame.” – Oração coordenada explicativa: “Marta passou no exame por- que estudou bastante.” – Período composto por subordinação: são constituídos por orações dependentes uma da outra. Como as orações subordina- das apresentam sentidos incompletos, não podem ser entendidas de forma separada. As orações subordinadas são divididas em subs- tantivas, adverbiais e adjetivas. Veja os exemplos: – Oração subordinada substantiva subjetiva: “Ficou provado que o suspeito era realmente o culpado.” – Oração subordinada substantiva objetiva direta: “Eu não que- ria que isso acontecesse.” – Oração subordinada substantiva objetiva indireta: “É obriga- tório de que todos os estudantes sejam assíduos.” – Oração subordinada substantiva completiva nominal: “Tenho expectativa de que os planos serão melhores em breve!” – Oração subordinada substantiva predicativa: “O que importa é que meus pais são saudáveis.” – Oração subordinada substantiva apositiva: “Apenas saiba dis- to: que tudo esteja organizado quando eu voltar!” – Oração subordinada adverbial causal: “Não posso me demo- rar porque tenho hora marcada na psicóloga.” – Oração subordinada adverbial consecutiva: “Ficamos tão feli- zes que pulamos de alegria.” – Oração subordinada adverbial final: “Eles ficaram vigiando para que nós chegássemos a casa em segurança.” – Oração subordinada adverbial temporal: “Assim que eu che- guei, eles iniciaram o trabalho.” – Oração subordinada adverbial condicional: “Se você vier logo, espero por você.» – Oração subordinada adverbial concessiva: “Ainda que esti- vesse cansado, concluiu a maratona.” – Oração subordinada adverbial comparativa: “Marta sentia como se ainda vivesse no interior.” – Oração subordinada adverbial conformativa: “Conforme combinamos anteriormente, entregarei o produto até amanhã.” – Oração subordinada adverbial proporcional: “Quanto mais me exercito, mais tenho disposição.” – Oração subordinada adjetiva explicativa: “Meu filho, que pas- sou no concurso, mudou-se para o interior.” – Oração subordinada adjetiva restritiva: “A aluna que esteve enferma conseguiu ser aprovada nas provas.” PONTUAÇÃO — Visão Geral O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráfi- cos que, em um período sintático, têm a função primordial de indi- car um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasio- nalmente, manifestar as propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreen- são da frase. O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades: – Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais; – Garantir os efeitos de sentido dos enunciados; – Demarcar das unidades de um texto; – Sinalizar os limites das estruturas sintáticas. — Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado Vírgula De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados, embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário, houver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo tem- po que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada. Confira os casos em que a vírgula deve ser empregada: • No interior da sentença 1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição: ENUMERAÇÃO Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate. Paguei as contas de água, luz, telefone e gás. REPETIÇÃO Os arranjos estão lindos, lindos! Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada. 2 – Isolar o vocativo “Crianças, venham almoçar!” “Quando será a prova, professora?” 3 – Separar apostos“O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.” 4 – Isolar expressões explicativas: “As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi res- ponsabilizado.” 5 – Separar conjunções intercaladas “Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.” 6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado: “Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários do setor.” “Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.” 7 – Separar o complemento pleonástico antecipado: “Estas alegações, não as considero legítimas.” 8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas por conjunções) “Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.” 9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas: “São Paulo, 16 de outubro de 2022”. 10 – Marcar a omissão de um termo: LÍNGUA PORTUGUESA 3232 a solução para o seu concurso! Editora “Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo “fa- zer”). • Entre as sentenças 1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas “Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.” 2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéti- cas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”: “Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedi para que nos ajudasse.” 3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal: “Quando será publicado, ainda não foi divulgado.” 4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvi- das ou reduzidas, especialmente as que antecedem a oração prin- cipal: Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá atenção! Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá atenção! 5 – Separar as sentenças intercaladas: “Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu leito, até que você se recupere por completo.” • Antes da conjunção “e” 1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire valo- res que não expressam adição, como consequência ou diversidade, por exemplo. “Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.” 2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sem- pre que a conjunção “e” é reiterada com com a finalidade de desta- car alguma ideia, por exemplo: “(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha) 3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo: “A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.” O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente). Ponto 1 – Para indicar final de frase declarativa: “O almoço está pronto e será servido.” 2 – Abrevia palavras: – “p.” (página) – “V. Sra.” (Vossa Senhoria) – “Dr.” (Doutor) 3 – Para separar períodos: “O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.” Ponto e Vírgula 1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula: “Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nos- sa amiga, de praticar esportes.” 2 – Para separar os itens de uma sequência de itens: “Os planetas que compõem o Sistema Solar são: Mercúrio; Vênus; Terra; Marte; Júpiter; Saturno; Urano; Netuno.” Dois Pontos 1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumer- ações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem ideias anteriores. “Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.” “Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.” 2 – Para introduzirem citação direta: “Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transfor- ma’.” 3 – Para iniciar fala de personagens: “Ele gritava repetidamente: – Sou inocente!” Reticências 1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintati- camente: “Quem sabe um dia...” 2 – Para indicar hesitação ou dúvida: “Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar ainda.” 3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o objetivo de prolongar o raciocínio: “Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar). 4 – Suprimem palavras em uma transcrição: “Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner). Ponto de Interrogação 1 – Para perguntas diretas: “Quando você pode comparecer?” 2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado: “Não brinca, é sério?!” Ponto de Exclamação LÍNGUA PORTUGUESA 33 a solução para o seu concurso! Editora 1 – Após interjeição: “Nossa Que legal!” 2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva “Infelizmente!” 3 – Após vocativo “Ana, boa tarde!” 4 – Para fechar de frases imperativas: “Entre já!” Parênteses a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo substituir o travessão ou a vírgula: “Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sem- pre) quem seria promovido.” Travessão 1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto: “O rapaz perguntou ao padre: — Amar demais é pecado?” 2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos: “— Vou partir em breve. — Vá com Deus!” 3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários: “Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.” 4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicati- vas: “Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.” Aspas 1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologismos, estrangeirismos, ar- caísmos, palavrões, e neologismos. “Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.” “A reunião será feita ‘online’.” 2 – Para indicar uma citação direta: “A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de Assis) CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL Visão Geral: sumariamente, as concordâncias verbal e nominal estudam a sintonia entre os componentes de uma oração. – Concordância verbal: refere-se ao verbo relacionado ao su- jeito, sendo que o primeiro deve, obrigatoriamente, concordar em número (flexão em singular e plural) e pessoa (flexão em 1a, 2a, ou 3a pessoa) com o segundo. Isto é, ocorre quando o verbo é flexiona- do para concordar com o sujeito. – Concordância nominal: corresponde à harmonia em gênero (flexão em masculino e feminino) e número entre os vários nomes da oração, ocorrendo com maior frequência sobre os substantivos e o adjetivo. Em outras palavras, refere-se ao substantivo e suas formas relacionadas: adjetivo, numeral, pronome, artigo. Tal con- cordância ocorre em gênero e pessoa Casos específicos de concordância verbal Concordância verbal com o infinitivo pessoal: existem três si- tuações em que o verbo no infinitivo é flexionado: I – Quando houver um sujeito definido; II – Sempre que se quiser determinar o sujeito; III – Sempre que os sujeitos da primeira e segunda oração fo- rem distintos. Observe os exemplos: “Eu pedir para eles fazerem a solicitação.” “Isto é para nós solicitarmos.” Concordância verbal com o infinitivo impessoal: não há flexão verbal quando o sujeito não for definido, ou sempre que o sujeito da segunda oração for igual ao da primeira oração, ou mesmo em locuções verbais, com verbos preposicionados e com verbos impe- rativos. Exemplos: “Os membros conseguiram fazer a solicitação.” “Foram proibidos de realizar o atendimento.” Concordância verbal com verbos impessoais: nesses casos, verbo ficará sempre em concordância com a 3a pessoa do singular, tendo em vista que não existe um sujeito. Observe os casos a seguir: – Verbos que indicam fenômenosda natureza, como anoitecer, nevar, amanhecer. Exemplo: “Não chove muito nessa região” ou “Já entardeceu.» – O verbo haver com sentido de existir. Exemplo: “Havia duas professoras vigiando as crianças.” – O verbo fazer indicando tempo decorrido. Exemplo: “Faz duas horas que estamos esperando.” Concordância verbal com o verbo ser: diante dos pronomes tudo, nada, o, isto, isso e aquilo como sujeito, há concordância ver- bal com o predicativo do sujeito, podendo o verbo permanecer no singular ou no plural: – “Tudo que eu desejo é/são férias à beira-mar.” – “Isto é um exemplo do que o ocorreria.” e “Isto são exemplos do que ocorreria.” Concordância verbal com pronome relativo quem: o verbo, ou faz concordância com o termo precedente ao pronome, ou perma- nece na 3a pessoa do singular: – “Fui eu quem solicitou.» e “Fomos nós quem solicitou.» Concordância verbal com pronome relativo que: o verbo con- corda com o termo que antecede o pronome: – “Foi ele que fez.» e “Fui eu que fiz.» – “Foram eles que fizeram.” e “Fomos nós que fizemos.» LÍNGUA PORTUGUESA 3434 a solução para o seu concurso! Editora Concordância verbal com a partícula de indeterminação do sujeito se: nesse caso, o verbo cria concordância com a 3a pessoa do singular sempre que a oração for constituída por verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: – «Precisa-se de cozinheiro.” e «Precisa-se de cozinheiros.” Concordância com o elemento apassivador se: aqui, verbo concorda com o objeto direto, que desempenha a função de sujeito pa- ciente, podendo aparecer no singular ou no plural: – Aluga-se galpão.” e “Alugam-se galpões.” Concordância verbal com as expressões a metade, a maioria, a maior parte: preferencialmente, o verbo fará concordância com a 3° pessoa do singular. Porém, a 3a pessoa do plural também pode ser empregada: – “A maioria dos alunos entrou” e “A maioria dos alunos entraram.” – “Grande parte das pessoas entendeu.” e “Grande parte das pessoas entenderam.” Concordância nominal muitos substantivos: o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo, mas também concordar com a forma no masculino plural: – “Casa e galpão alugado.” e “Galpão e casa alugada.” – “Casa e galpão alugados.” e “Galpão e casa alugados.” Concordância nominal com pronomes pessoais: o adjetivo concorda em gênero e número com os pronomes pessoais: – “Ele é prestativo.” e “Ela é prestativa.” – “Eles são prestativos.” e “Elas são prestativas.” Concordância nominal com adjetivos: sempre que existir dois ou mais adjetivos no singular, o substantivo permanece no singular, se houver um artigo entre os adjetivos. Se o artigo não aparecer, o substantivo deve estar no plural: – “A blusa estampada e a colorida.” e “O casaco felpudo e o xadrez.” – “As blusas estampada e colorida.” e “Os casacos felpudo e xadrez.” Concordância nominal com é proibido e é permitido: nessas expressões, o adjetivo flexiona em gênero e número, sempre que houver um artigo determinando o substantivo. Caso não exista esse artigo, o adjetivo deve permanecer invariável, no masculino singular: – “É proibida a circulação de pessoas não identificadas.” e “É proibido circulação de pessoas não identificadas.” – “É permitida a entrada de crianças.” e “É permitido entrada de crianças acompanhadas.” Concordância nominal com menos: a palavra menos permanece é invariável independente da sua atuação, seja ela advérbio ou ad- jetivo: – “Menos pessoas / menos pessoas”. – “Menos problema /menos problemas.” Concordância nominal com muito, pouco, bastante, longe, barato, meio e caro: esses termos instauram concordância em gênero e número com o substantivo quando exercem função de adjetivo: – “Tomei bastante suco.” e “Comprei bastantes frutas.” – “A jarra estava meia cheia.” e “O sapato está meio gasto”. – “Fizemos muito barulho.” e “Compramos muitos presentes.” REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL subordinação entre dois termos. Quando, em um enunciado ou oração, existe influência de um tempo sobre o outro, identificamos o que se denomina termo determinante, essa relação entre esses termos denominamos regência. — Regência Nominal É a relação entre um nome o seu complemento por meio de uma preposição. Esse nome pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio e será o termo determinante. O complemento preenche o significado do nome, cujo sentido estaria impreciso ou ambíguo se não fosse pelo complemento. Observe os exemplos: “A nova entrada é acessível a cadeirantes.” “Eu tenho o sonho de viajar para o nordeste.” “Ele é perito em investigações como esta.” LÍNGUA PORTUGUESA 35 a solução para o seu concurso! Editora Na primeira frase, adjetivo “acessível” exige a preposição a, do contrário, seu sentido ficaria incompleto. O mesmo ocorre com os substantivos “sonho“ e “perito”, nas segunda e terceira frases, em que os nomes exigem as preposições de e em para completude de seus sentidos. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem uma preposição para que seu sentido seja completo. REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO A acessível a cego a fiel a nocivo a agradável a cheiro a grato a oposto a alheio a comum a horror a perpendicular a análogo a contrário a idêntico a posterior a anterior a desatento a inacessível a prestes a apto a equivalente a indiferente a surdo a atento a estranho a inerente a visível a avesso a favorável a necessário a REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO POR admiração por devoção por responsável por ansioso por respeito por REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO DE amante de cobiçoso de digno de inimigo de natural de sedento de amigo de contemporâneo de dotado de livre de obrigação de seguro de ávido de desejoso de fácil de longe de orgulhoso de sonho de capaz de diferente de impossível de louco de passível de cheio de difícil de incapaz de maior de possível de REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO EM doutor em hábil em interesse em negligente em primeiro em exato em incessante em lento em parco em versado em firme em indeciso em morador em perito em REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO PARA apto para essencial para mau para bastante para impróprio para pronto para bom para inútil para próprio para REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO COM amoroso com compatível com descontente com intolerante com aparentado com cruel com furioso com liberal com caritativo com cuidadoso com impaciente com solícito com — Regência Verbal Os verbos são os termos regentes, enquanto os objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os termos regidos. Um verbo possui a mesma regência do nome do qual deriva. LÍNGUA PORTUGUESA 3636 a solução para o seu concurso! Editora Observe as duas frases: I – “Eles irão ao evento.” O verbo ir requer a preposição a (quem vai, vai a algum lugar), e isso o classifica como verbo transitivo direto; “ao evento” são os termos regidos pelo verbo, isto é, constituem seu complemento. II – “Ela mora em região pantanosa.” O verbo morar exige a preposição em (quem mora mora em algum lugar), portanto, é verbo transitivo indireto. VERBO No sentido de / pela transi-tividade REGE PREPOSIÇÃO? EXEMPLO Assistir ajudar, dar assistência NÃO “Por favor, assista o time.” ver SIM “Você assistiu ao jogo?” pertencer SIM “Assiste aos cidadãos o direito de protestar.” Custar valor, preço NÃO “Esse imóvel custa caro.” desafio, dano, peso moral SIM “Dizer a verdade custou a ela.” Proceder fundamento / verbo ins- transitivo NÃO “Isso não procede.” origem SIM “Essa conclusão procede de muito vivência.” Visar finalidade, objetivo SIM “Visando à garantia dos direitos.” avistar, enxergar NÃO “O vigia logo visou o suspeito.” Querer desejo NÃO “Queremos sair cedo.” estima SIM “Quero muito aos meus sogros.” Aspirar pretensão SIM “Aspiro a ascensão política.” absorção ou respiração NÃO “Evite aspirar fumaça.” Implicar consequência / verbo tran- sitivo direto NÃO “A sua solicitação implicará alteração do meu trajeto.” insistência,birra SIM “Ele implicou com o cachorro.” Chamar convocação NÃO “Chame todos!” apelido Rege complemento, com e sem preposição “Chamo a Talita de Tatá.” “Chamo Talita de Tatá.” “Chamo a Talita Tatá.” “Chamo Talita Tatá.” Pagar o que se paga NÃO “Paguei o aluguel.” a quem se paga SIM “Pague ao credor.” Chegar quem chega, chega a algum lugar / verbo transitivo in- direto SIM “Quando chegar ao local, espere.” Obedecer quem obedece a algo / alguém / transitivo indireto SIM “Obedeçam às regras.” Esquecer verbo transitivo direito NÃO “Esqueci as alianças.” Informar verbo transitivo direito e indireto, portanto... ... exige um complemen- to sem e outro com pre- posição “Informe o ocorrido ao gerente.” Ir quem vai vai a algum lugar / verbo transitivo indireto SIM “Vamos ao teatro.” Morar Quem mora em algum lugar (verbo transitivo indireto) SIM “Eles moram no interior.” (Preposição “em” + artigo “o”). LÍNGUA PORTUGUESA 37 a solução para o seu concurso! Editora Namorar verbo transitivio direito NÃO “Júlio quer namorar Maria.” Preferir verbo bi transitivo (direto e indireto) SIM “Prefira assados a frituras.” Simpatizar quem simpatiza simpatiza com algo/ alguém/ verbo transitivo indireto SIM “Simpatizei-me com todos.” SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudo da semântica, a área da gramática que se dedica ao sentido das palavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas. Denotação e conotação Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao sentido figurado das palavras. Exemplos: “O gato é um animal doméstico.” “Meu vizinho é um gato.” No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de animal. Na segunda frase, a palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma de dizer que ele é tão bonito quanto o bichano. Hiperonímia e hiponímia Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abrangente, engloba um hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito. Exemplos: – Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia. – Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho. Polissemia e monossemia A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de acordo com o contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas um significado. Exemplos: – “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma ou um órgão do corpo, dependendo do contexto em que é inserida. – A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra monossêmica. Sinonímia e antonímia A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se refere aos significados opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximidade e contrariedade. Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = veloz. Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x atrasado. Homonímia e paronímia A homonímia diz respeito à propriedade das palavras apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas, mas distinção de sentido (pala- vras homônimas), semelhanças homófonas, mas distinção gráfica e de sentido (palavras homófonas) semelhanças gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas). A paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de forma parecida, mas que apresentam significados diferentes. Veja os exemplos: – Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo morrer). – Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com força) e arroxar (tornar roxo). – Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro (pranto) e choro (verbo chorar) . – Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e cumprimento (saudação). LÍNGUA PORTUGUESA 3838 a solução para o seu concurso! Editora COLOCAÇÃO DO PRONOME ÁTONO A colocação do pronome átono está relacionada à harmonia da frase. A tendência do português falado no Brasil é o uso do prono- me antes do verbo – próclise. No entanto, há casos em que a norma culta prescreve o emprego do pronome no meio – mesóclise – ou após o verbo – ênclise. De acordo com a norma culta, no português escrito não se ini- cia um período com pronome oblíquo átono. Assim, se na lingua- gem falada diz-se “Me encontrei com ele”, já na linguagem escrita, formal, usa-se “Encontrei-me’’ com ele. Sendo a próclise a tendência, é aconselhável que se fixem bem as poucas regras de mesóclise e ênclise. Assim, sempre que estas não forem obrigatórias, deve-se usar a próclise, a menos que preju- dique a eufonia da frase. Próclise Na próclise, o pronome é colocado antes do verbo. Palavra de sentido negativo: Não me falou a verdade. Advérbios sem pausa em relação ao verbo: Aqui te espero pa- cientemente. Havendo pausa indicada por vírgula, recomenda-se a ênclise: Ontem, encontrei-o no ponto do ônibus. Pronomes indefinidos: Ninguém o chamou aqui. Pronomes demonstrativos: Aquilo lhe desagrada. Orações interrogativas: Quem lhe disse tal coisa? Orações optativas (que exprimem desejo), com sujeito ante- posto ao verbo: Deus lhe pague, Senhor! Orações exclamativas: Quanta honra nos dá sua visita! Orações substantivas, adjetivas e adverbiais, desde que não se- jam reduzidas: Percebia que o observavam. Verbo no gerúndio, regido de preposição em: Em se plantando, tudo dá. Verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição: Seus in- tentos são para nos prejudicarem. Ênclise Na ênclise, o pronome é colocado depois do verbo. Verbo no início da oração, desde que não esteja no futuro do indicativo: Trago-te flores. Verbo no imperativo afirmativo: Amigos, digam-me a verdade! Verbo no gerúndio, desde que não esteja precedido pela pre- posição em: Saí, deixando-a aflita. Verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a. Com outras preposições é facultativo o emprego de ênclise ou próclise: Apressei-me a convidá-los. Mesóclise Na mesóclise, o pronome é colocado no meio do verbo. É obrigatória somente com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito que iniciam a oração. Dir-lhe-ei toda a verdade. Far-me-ias um favor? Se o verbo no futuro vier precedido de pronome reto ou de qualquer outro fator de atração, ocorrerá a próclise. Eu lhe direi toda a verdade. Tu me farias um favor? Colocação do pronome átono nas locuções verbais Verbo principal no infinitivo ou gerúndio: Se a locução verbal não vier precedida de um fator de próclise, o pronome átono deve- rá ficar depois do auxiliar ou depois do verbo principal. Exemplos: Devo-lhe dizer a verdade. Devo dizer-lhe a verdade. Havendo fator de próclise, o pronome átono deverá ficar antes do auxiliar ou depois do principal. Exemplos: Não lhe devo dizer a verdade. Não devo dizer-lhe a verdade. Verbo principal no particípio: Se não houver fator de próclise, o pronome átono ficará depois do auxiliar. Exemplo: Havia-lhe dito a verdade. Se houver fator de próclise, o pronome átono ficará antes do auxiliar. Exemplo: Não lhe havia dito a verdade. Haver de e ter de + infinitivo: Pronome átono deve ficar depois do infinitivo. Exemplos: Hei de dizer-lhe a verdade. Tenho de dizer-lhe a verdade. Observação Não se deve omitir o hífen nas seguintes construções: Devo-lhe dizer tudo. Estava-lhe dizendo tudo. Havia-lhe dito tudo. REDAÇÃO OFICIAL: ESCRITA DE TEXTOS FORMAIS E MA- NUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (DIS- PONÍVEL NO SÍTIO DO PLANALTO NA INTERNET) A terceira edição do Manual de Redação da Presidência da Re- pública foi lançado no final de 2018 e apresenta algumas mudanças quanto ao formato anterior. Para contextualizar,o manual foi criado em 1991 e surgiu de uma necessidade de padronizar os protocolos à moderna administração pública. Assim, ele é referência quando se trata de Redação Oficial em todas as esferas administrativas. O Decreto de nº 9.758 de 11 de abril de 2019 veio alterar re- gras importantes, quanto aos substantivos de tratamento. Expres- sões usadas antes (como: Vossa Excelência ou Excelentíssimo, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, doutor, ilustre ou ilustríssimo, digno ou digníssimo e respeitável) foram retiradas e substituídas apenas por: Senhor (a). Excepciona a nova regra quando o agente público entender que não foi atendido pelo decreto e exigir o tratamento diferenciado. LÍNGUA PORTUGUESA 39 a solução para o seu concurso! Editora A redação oficial é A maneira pela qual o Poder Público redige comunicações oficiais e atos normativos e deve caracterizar-se pela: clareza e precisão, objetividade, concisão, coesão e coerência, impessoalidade, formalidade e padronização e uso da norma padrão da língua portuguesa. SINAIS E ABREVIATURAS EMPREGADOS • Indica forma (em geral sintática) inaceitável ou agramatical § Parágrafo adj. adv. Adjunto adverbial arc. Arcaico art.; arts. Artigo; artigos cf. Confronte CN Congresso Nacional Cp. Compare EM Exposição de Motivos f.v. Forma verbal fem. Feminino ind. Indicativo ICP - Brasil Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira masc. Masculino obj. dir. Objeto direto obj. ind. Objeto indireto p. Página p. us. Pouco usado pess. Pessoa pl. Plural pref. Prefixo pres. Presente Res. Resolução do Congresso Nacional RICD Regimento Interno da Câmara dos Deputados RISF Regimento Interno do Senado Federal s. Substantivo s.f. Substantivo feminino s.m. Substantivo masculino SEI! Sistema Eletrônico de Informações sing. Singular tb. Também v. Ver ou verbo v.g. verbi gratia var. pop. Variante popular A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a) alguém que comunique: o serviço público. b) algo a ser comunicado: assunto relativo às atribuições do órgão que comunica. c) alguém que receba essa comunicação: o público, uma instituição privada ou outro órgão ou entidade pública, do Poder Executivo ou dos outros Poderes. LÍNGUA PORTUGUESA 4040 a solução para o seu concurso! Editora Além disso, deve-se considerar a intenção do emissor e a finalidade do documento, para que o texto esteja adequado à situação co- municativa. Os atos oficiais (atos de caráter normativo) estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, regulam o funcionamento dos órgãos e entidades públicos. Para alcançar tais objetivos, em sua elaboração, precisa ser empregada a linguagem adequada. O mesmo ocorre com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua é a de informar com clareza e objetividade. Atributos da redação oficial: • clareza e precisão; • objetividade; • concisão; • coesão e coerência; • impessoalidade; • formalidade e padronização; e • uso da norma padrão da língua portuguesa. Clareza Precisão Para a obtenção de clareza, sugere-se: a) utilizar palavras e expressões simples, em seu sentido comum, salvo quando o texto versar sobre assunto técnico, hipótese em que se utiliza- rá nomenclatura própria da área; b) usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar as orações na ordem direta e evitar intercalações excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambiguidade, sugere-se a adoção da ordem inversa da oração; c) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo o texto; d) não utilizar regionalismos e neologismos; e) pontuar adequadamente o texto; f) explicitar o significado da sigla na primeira referência a ela; e g) utilizar palavras e expressões em outro idioma apenas quando indis- pensáveis, em razão de serem designações ou expressões de uso já con- sagrado ou de não terem exata tradução. Nesse caso, grafe-as em itálico. O atributo da precisão complemen- ta a clareza e caracteriza-se por: a) articulação da linguagem comum ou técnica para a perfeita com- preensão da ideia veiculada no texto; b) manifestação do pensamento ou da ideia com as mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilís- tico; e c) escolha de expressão ou palavra que não confira duplo sentido ao texto. Por sua vez, ser objetivo é ir diretamente ao assunto que se deseja abordar, sem voltas e sem redundâncias. Para conseguir isso, é fundamental que o redator saiba de antemão qual é a ideia principal e quais são as secundárias. A objetividade conduz o leitor ao contato mais direto com o assunto e com as informações, sem subterfúgios, sem excessos de palavras e de ideias. É errado supor que a objetivida- de suprime a delicadeza de expressão ou torna o texto rude e grosseiro. Conciso é o texto que consegue transmitir o máximo de informações com o mínimo de palavras. Não se deve de forma alguma enten- dê-la como economia de pensamento, isto é, não se deve eliminar passagens substanciais do texto com o único objetivo de reduzi-lo em tamanho. Trata-se, exclusivamente, de excluir palavras inúteis, redundâncias e passagens que nada acrescentem ao que já foi dito. É indispensável que o texto tenha coesão e coerência. Tais atributos favorecem a conexão, a ligação, a harmonia entre os elementos de um texto. Percebe-se que o texto tem coesão e coerência quando se lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns aos outros. Alguns mecanismos que estabelecem a coesão e a coerência de um texto são: • Referência (termos que se relacionam a outros necessários à sua interpretação); • Substituição (colocação de um item lexical no lugar de outro ou no lugar de uma oração); • Elipse (omissão de um termo recuperável pelo contexto); • Uso de conjunção (estabelecer ligação entre orações, períodos ou parágrafos). A redação oficial é elaborada sempre em nome do serviço público e sempre em atendimento ao interesse geral dos cidadãos. Sendo assim, os assuntos objetos dos expedientes oficiais não devem ser tratados de outra forma que não a estritamente impessoal. As comunicações administrativas devem ser sempre formais, isto é, obedecer a certas regras de forma. Isso é válido tanto para as comunicações feitas em meio eletrônico, quanto para os eventuais documentos impressos. Recomendações: • A língua culta é contra a pobreza de expressão e não contra a sua simplicidade; • O uso do padrão culto não significa empregar a língua de modo rebuscado ou utilizar figuras de linguagem próprias do estilo literário; • A consulta ao dicionário e à gramática é imperativa na redação de um bom texto. O único pronome de tratamento utilizado na comunicação com agentes públicos federais é “senhor”, independentemente do nível hierárquico, da natureza do cargo ou da função ou da ocasião. Obs. O pronome de tratamento é flexionado para o feminino e para o plural. São formas de tratamento vedadas: I - Vossa Excelência ou Excelentíssimo; LÍNGUA PORTUGUESA 41 a solução para o seu concurso! Editora II - Vossa Senhoria; III - Vossa Magnificência; IV - doutor; V - ilustre ou ilustríssimo; VI - digno ou digníssimo; e VII - respeitável. Todavia, o agente público federal que exigir o uso dos pronomes de tratamento, mediante invocação de normas especiais referentes ao cargo ou carreira, deverá tratar o interlocutor do mesmo modo. Ademais, é vedado negar a realização de ato administrativo ou admo- estar o interlocutor nos autos do expediente caso haja erro na forma de tratamento empregada. O endereçamento das comunicações dirigidas a agentes públicos federais não conterá pronome de tratamento ou o nome do agente público. Poderão constar o pronome de tratamento e o nome do destinatário nas hipóteses de: I – A mera indicação do cargo ou da função e do setor da administração ser insuficiente para a identificação do destinatário; ou II - A correspondência ser dirigida à pessoa de agente públicoespecífico. Até a segunda edição deste Manual, havia três tipos de expedientes que se diferenciavam antes pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o memorando. Com o objetivo de uniformizá-los, deve-se adotar nomenclatura e diagramação únicas, que sigam o que chamamos de padrão ofício. Consistem em partes do documento no padrão ofício: • Cabeçalho: O cabeçalho é utilizado apenas na primeira página do documento, centralizado na área determinada pela formatação. No cabeçalho deve constar o Brasão de Armas da República no topo da página; nome do órgão principal; nomes dos órgãos secundários, quando necessários, da maior para a menor hierarquia; espaçamento entrelinhas simples (1,0). Os dados do órgão, tais como endereço, telefone, endereço de correspondência eletrônica, sítio eletrônico oficial da instituição, podem ser informados no rodapé do documento, centralizados. • Identificação do expediente: a) nome do documento: tipo de expediente por extenso, com todas as letras maiúsculas; b) indicação de numeração: abreviatura da palavra “número”, padronizada como Nº; c) informações do documento: número, ano (com quatro dígitos) e siglas usuais do setor que expede o documento, da menor para a maior hierarquia, separados por barra (/); d) alinhamento: à margem esquerda da página. • Local e data: a) composição: local e data do documento; b) informação de local: nome da cidade onde foi expedido o documento, seguido de vírgula. Não se deve utilizar a sigla da unidade da federação depois do nome da cidade; c) dia do mês: em numeração ordinal se for o primeiro dia do mês e em numeração cardinal para os demais dias do mês. Não se deve utilizar zero à esquerda do número que indica o dia do mês; d) nome do mês: deve ser escrito com inicial minúscula; e) pontuação: coloca-se ponto-final depois da data; f) alinhamento: o texto da data deve ser alinhado à margem direita da página. • Endereçamento: O endereçamento é a parte do documento que informa quem receberá o expediente. Nele deverão constar : a) vocativo; b) nome: nome do destinatário do expediente; c) cargo: cargo do destinatário do expediente; d) endereço: endereço postal de quem receberá o expediente, dividido em duas linhas: primeira linha: informação de localidade/lo- gradouro do destinatário ou, no caso de ofício ao mesmo órgão, informação do setor; segunda linha: CEP e cidade/unidade da federação, separados por espaço simples. Na separação entre cidade e unidade da federação pode ser substituída a barra pelo ponto ou pelo traves- são. No caso de ofício ao mesmo órgão, não é obrigatória a informação do CEP, podendo ficar apenas a informação da cidade/unidade da federação; e) alinhamento: à margem esquerda da página. • Assunto: O assunto deve dar uma ideia geral do que trata o documento, de forma sucinta. Ele deve ser grafado da seguinte maneira: a) título: a palavra Assunto deve anteceder a frase que define o conteúdo do documento, seguida de dois-pontos; b) descrição do assunto: a frase que descreve o conteúdo do documento deve ser escrita com inicial maiúscula, não se deve utilizar verbos e sugere-se utilizar de quatro a cinco palavras; c) destaque: todo o texto referente ao assunto, inclusive o título, deve ser destacado em negrito; d) pontuação: coloca-se ponto-final depois do assunto; e) alinhamento: à margem esquerda da página. LÍNGUA PORTUGUESA 4242 a solução para o seu concurso! Editora • Texto: Nos casos em que não seja usado para encaminhamen- to de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura: Quando forem usados para encaminhamento de documentos, a estru- tura é modificada: a) introdução: em que é apresentado o objetivo da comu- nicação. Evite o uso das formas: Tenho a honra de, Tenho o prazer de, Cumpre-me informar que. Prefira empregar a forma direta: Informo, Solicito, Comunico; b) desenvolvimento: em que o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição; e c) conclusão: em que é afirmada a posição sobre o assunto. a) introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que é encami- nhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminha- do (tipo, data, origem ou signatário e assunto de que se trata) e a razão pela qual está sendo encaminhado; b) desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito do documento que encaminha, poderá acrescen- tar parágrafos de desenvolvimento. Caso contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em expediente usado para encaminhamento de documentos. Em qualquer uma das duas estruturas, o texto do documento deve ser formatado da seguinte maneira: a) alinhamento: justificado; b) espaçamento entre linhas: simples; c) parágrafos: espaçamento entre parágrafos: de 6 pontos após cada parágrafo; recuo de parágrafo: 2,5 cm de distância da margem esquerda; numeração dos parágrafos: apenas quando o documento tiver três ou mais parágrafos, desde o primeiro parágrafo. Não se numeram o vocativo e o fecho; d) fonte: Calibri ou Carlito; corpo do texto: tamanho 12 pontos; citações recuadas: tamanho 11 pontos; notas de Rodapé: tamanho 10 pontos. e) símbolos: para símbolos não existentes nas fontes indicadas, pode-se utilizar as fontes Symbol e Wingdings. • Fechos para comunicações: O fecho das comunicações oficiais objetiva, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, saudar o destinatário. a) Para autoridades de hierarquia superior a do remetente, inclusive o Presidente da República: Respeitosamente, b) Para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior ou demais casos: Atenciosamente, • Identificação do signatário: Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações ofi- ciais devem informar o signatário segundo o padrão: a) nome: nome da autoridade que as expede, grafado em letras maiúsculas, sem negrito. Não se usa linha acima do nome do signa- tário; b) cargo: cargo da autoridade que expede o documento, redigido apenas com as iniciais maiúsculas. As preposições que liguem as palavras do cargo devem ser grafadas em minúsculas; e c) alinhamento: a identificação do signatário deve ser centralizada na página. Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assi- natura em página isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. • Numeração de páginas: A numeração das páginas é obrigatória apenas a partir da segunda página da comunicação. Ela deve ser centralizada na página e obedecer à seguinte formatação: a) posição: no rodapé do documento, ou acima da área de 2 cm da margem inferior; e b) fonte: Calibri ou Carlito. Quanto a formatação e apresentação, os documentos do padrão ofício devem obedecer à seguinte forma: a) tamanho do papel: A4 (29,7 cm x 21 cm); b) margem lateral esquerda: no mínimo, 3 cm de largura; c) margem lateral direita: 1,5 cm; d) margens superior e inferior: 2 cm; e) área de cabeçalho: na primeira página, 5 cm a partir da margem superior do papel; f) área de rodapé: nos 2 cm da margem inferior do documento; g) impressão: na correspondência oficial, a impressão pode ocorrer em ambas as faces do papel. Nesse caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (margem espelho); h) cores: os textos devem ser impressos na cor preta em papel branco, reservando-se, se necessário, a impressão colorida para gráfi- cos e ilustrações; LÍNGUA PORTUGUESA 43 a solução para o seu concurso! Editora i) destaques: para destaques deve-se utilizar, sem abuso, o negrito. Deve-se evitar destaques com uso de itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a sobriedade e a padronizaçãodo do- cumento; j) palavras estrangeiras: palavras estrangeiras devem ser grafadas em itálico; k) arquivamento: dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto preservado para consulta pos- terior ou aproveitamento de trechos para casos análogos. Deve ser utilizado, preferencialmente, formato de arquivo que possa ser lido e editado pela maioria dos editores de texto utilizados no serviço público, tais como DOCX, ODT ou RTF. l) nome do arquivo: para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento + número do documento + ano do documento (com 4 dígitos) + palavras-chaves do conteúdo. LÍNGUA PORTUGUESA 4444 a solução para o seu concurso! Editora Os documentos oficiais podem ser identificados de acordo com algumas possíveis variações: a) [NOME DO EXPEDIENTE] + CIRCULAR: Quando um órgão envia o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. A sigla na epígrafe será apenas do órgão remetente. b) [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO: Quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expediente para um único órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes constarão na epígrafe. c) [NOME DO EXPEDIENTE] + CONJUNTO CIRCULAR: Quando mais de um órgão envia, conjuntamente, o mesmo expediente para mais de um órgão receptor. As siglas dos órgãos remetentes constarão na epígrafe. Nos expedientes circulares, por haver mais de um receptor, o órgão remetente poderá inserir no rodapé as siglas ou nomes dos órgãos que receberão o expediente. Exposição de motivos (EM) É o expediente dirigido ao Presidente da República ou ao VicePresidente para: a) propor alguma medida; b) submeter projeto de ato normativo à sua consideração; ou c) informa-lo de determinado assunto. A exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um ministério, a exposição de motivos será assinada por todos os ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de inter- ministerial. Independentemente de ser uma EM com apenas um autor ou uma EM interministerial, a sequência numérica das exposições de motivos é única. A numeração começa e termina dentro de um mesmo ano civil. A exposição de motivos é a principal modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pelos ministros. Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário. O Sistema de Geração e Tramitação de Documentos Oficiais (Sidof) é a ferramenta eletrônica utilizada para a elaboração, a redação, a alteração, o controle, a tramitação, a administração e a gerência das exposições de motivos com as propostas de atos a serem encami- nhadas pelos Ministérios à Presidência da República. Ao se utilizar o Sidof, a assinatura, o nome e o cargo do signatário são substituídos pela assinatura eletrônica que informa o nome do ministro que assinou a exposição de motivos e do consultor jurídico que assinou o parecer jurídico da Pasta. LÍNGUA PORTUGUESA 45 a solução para o seu concurso! Editora A Mensagem é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato da administração pública; para expor o plano de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa; para submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de deliberação de suas Casas; para apresentar veto; enfim, fazer comunicações do que seja de interesse dos Poderes Públicos e da Nação. Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos ministérios à Presidência da República, a cujas assessorias caberá a redação final. As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes finalidades: a) Encaminhamento de proposta de emenda constitucional, de projeto de lei ordinária, de projeto de lei complementar e os que com- preendem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais. b) Encaminhamento de medida provisória. c) Indicação de autoridades. d) Pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente da República se ausentarem do país por mais de 15 dias. e) Encaminhamento de atos de concessão e de renovação de concessão de emissoras de rádio e TV. f) Encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior. g) Mensagem de abertura da sessão legislativa. h) Comunicação de sanção (com restituição de autógrafos). i) Comunicação de veto. j) Outras mensagens remetidas ao Legislativo, ex. Apreciação de intervenção federal. As mensagens contêm: a) brasão: timbre em relevo branco; b) identificação do expediente: MENSAGEM Nº, alinhada à margem esquerda, no início do texto; c) vocativo: alinhado à margem esquerda, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do destinatário, com o recuo de pará- grafo dado ao texto; d) texto: iniciado a 2 cm do vocativo; e) local e data: posicionados a 2 cm do final do texto, alinhados à margem direita. A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente da República, não traz identificação de seu signatário. A utilização do e-mail para a comunicação tornou-se prática comum, não só em âmbito privado, mas também na administração públi- ca. O termo e-mail pode ser empregado com três sentidos. Dependendo do contexto, pode significar gênero textual, endereço eletrônico ou sistema de transmissão de mensagem eletrônica. Como gênero textual, o e-mail pode ser considerado um documento oficial, assim como o ofício. Portanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial. Como endereço eletrônico utiliza- do pelos servidores públicos, o e-mail deve ser oficial, utilizando-se a extensão “.gov.br”, por exemplo. Como sistema de transmissão de mensagens eletrônicas, por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na principal forma de envio e recebimento de documentos na administração pública. Nos termos da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, para que o e-mail tenha valor documental, isto é, para que possa ser aceito como documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a identidade do remetente, segundo os parâ- metros de integridade, autenticidade e validade jurídica da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICPBrasil. O destinatário poderá reconhecer como válido o e-mail sem certificação digital ou com certificação digital fora ICP-Brasil; contudo, caso haja questionamento, será obrigatório a repetição do ato por meio documento físico assinado ou por meio eletrônico reconhecido pela ICP-Brasil. Salvo lei específica, não é dado ao ente público impor a aceitação de documento eletrônico que não atenda os parâmetros da ICP-Brasil. Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir padronização da mensagem comunicada. O assunto deve ser o mais claro e específico possível, relacionado ao conteúdo global da mensagem. Assim, quem irá receber a mensagem identificará rapidamente do que se trata; quem a envia poderá, posteriormente, localizar a mensagem na caixa do correio eletrônico. O texto dos correios eletrônicos deve ser iniciado por uma saudação. Quando endereçado para outras instituições, para receptores desconhecidos ou para particulares, deve-se utilizar o vocativo conforme os demais documentos oficiais, ou seja, “Senhor” ou “Senhora”, seguido do cargo respectivo, ou “Prezado Senhor”, “Prezada Senhora”. Atenciosamente é o fecho padrão em comunicações oficiais. Com o uso do e-mail, popularizou-se o uso de abreviações como “Att.”, e de outros fechos, como “Abraços”, “Saudações”, que, apesar de amplamente usados, não são fechos oficiais e, portanto, não devem ser utilizados em e-mails profissionais. Sugere-se que todas as instituições da administração pública adotem um padrão de texto de assinatura. A assinatura do e-mail deve conter o nome completo, o cargo, a unidade, o órgão eo telefone do remetente. A possibilidade de anexar documentos, planilhas e imagens de diversos formatos é uma das vantagens do e-mail. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre o conteúdo do anexo. Os arquivos anexados devem estar em formatos usuais e que apresentem poucos riscos de segurança. Quando se tratar de documento ainda em discussão, os arquivos devem, necessariamente, ser enviados, em formato que possa ser editado. A correção ortográfica é requisito elementar de qualquer texto, e ainda mais importante quando se trata de textos oficiais. Muitas vezes, uma simples troca de letras pode alterar não só o sentido da palavra, mas de toda uma frase. O que na correspondência particular seria apenas um lapso na digitação pode ter repercussões indesejáveis quando ocorre no texto de uma comunicação oficial ou de um ato normativo. Assim, toda revisão que se faça em determinado documento ou expediente deve sempre levar em conta também a correção ortográfica. LÍNGUA PORTUGUESA 4646 a solução para o seu concurso! Editora HÍFEN ASPAS ITÁLICO NEGRITO E SUBLINHADO O hífen é um sinal usado para: a) ligar os elementos de palavras compostas: vice-ministro; b) para unir pronomes átonos a verbos: agradeceu-lhe; e c) para, no final de uma linha, indi- car a separação das sílabas de uma palavra em duas partes (a chamada translineação): com-/parar, gover-/ no. As aspas têm os seguintes empregos: a) antes e depois de uma citação textual direta, quando esta tem até três linhas, sem utilizar itálico; b) quando necessário, para diferenciar títulos, termos técnicos, expressões fixas, definições, exemplificações e assemelhados. Emprega-se itálico em: a) títulos de publicações (livros, revis- tas, jornais, periódicos etc.) ou títulos de congressos, conferências, slogans, lemas sem o uso de aspas (com inicial maiúscula em todas as palavras, exceto nas de ligação); b) palavras e as expressões em latim ou em outras línguas estrangeiras não incorporadas ao uso comum na língua portuguesa ou não aportuguesadas. Usa-se o negrito para realce de palavras e trechos. Deve-se evitar o uso de subli- nhado para realçar palavras e trechos em comunicações oficiais. PARÊNTESES E TRAVESSÃO USO DE SIGLAS E ACRÔNIMOS Os parênteses são empregados para intercalar, em um tex- to, explicações, indicações, comentários, observações, como por exemplo, indicar uma data, uma referência bibliográfica, uma sigla. O travessão, que é representado graficamente por um hífen prolongado (–), substitui parênteses, vírgulas, dois-pontos. Para padronizar o uso de siglas e acrônimos nos atos normativos, serão adotados os conceitos sugeridos pelo Manual de Elaboração de Textos da Consultoria Legislativa do Senado Federal (1999), em que: a) sigla: constitui-se do resultado das somas das iniciais de um título; e b) acrônimo: constitui-se do resultado da soma de algumas síla- bas ou partes dos vocábulos de um título. Sintaxe é a parte da Gramática que estuda a palavra, não em si, mas em relação às outras, que, com ela, se unem para exprimir o pensamento. Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos elementos que compõem uma oração: SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO + ADJUNTO ADVERBIAL O sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na oração. De acordo com a gramática normativa, o sujeito da oração não pode ser preposicionado. Ele pode ter complemento, mas não ser complemento. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. A omissão de certos termos, ao fazermos uma comparação, omissão própria da língua falada, deve ser evitada na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, o termo omitido. A ausência indevida de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase. Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão. A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa. A concordância é o processo sintático segundo o qual certas palavras se acomodam, na sua forma, às palavras de que dependem. Essa acomodação formal se chama flexão e se dá quanto a gênero e número (nos adjetivos – nomes ou pronomes), números e pessoa (nos verbos). Daí, a divisão: concordância nominal e concordância verbal. CONCORDÂNCIA VERBAL CONCORDÂNCIA NOMINAL O verbo concorda com seu sujeito em pessoa e número. Adjetivos (nomes ou pronomes), artigos e numerais concordam em gênero e número com os substantivos de que dependem. Regência é, em gramática, sinônimo de dependência, subordinação. Assim, a sintaxe de regência trata das relações de dependência que as palavras mantêm na frase. Dizemos que um termo rege o outro que o complementa. Numa frase, os termos regentes ou subordi- nantes (substantivos, adjetivos, verbos) regem os termos regidos ou subordinados (substantivos, adjetivos, preposições) que lhes comple- tam o sentido. Os sinais de pontuação, ligados à estrutura sintática, têm as seguintes finalidades: a) assinalar as pausas e as inflexões da voz (a entoação) na leitura; b) separar palavras, expressões e orações que, segundo o autor, devem merecer destaque; e c) esclarecer o sentido da frase, eliminando ambiguidades. LÍNGUA PORTUGUESA 47 a solução para o seu concurso! Editora A vírgula serve para marcar as separações breves de sentido entre termos vizinhos, as inversões e as intercalações, quer na ora- ção, quer no período. O ponto e vírgula, em princípio, separa es- truturas coordenadas já portadoras de vírgulas internas. É também usado em lugar da vírgula para dar ênfase ao que se quer dizer. Emprega-se este sinal de pontuação para introduzir citações, marcar enunciados de diálogo e indicar um esclarecimento, um re- sumo ou uma consequência do que se afirmou. O ponto de interrogação, como se depreende de seu nome, é utilizado para marcar o final de uma frase interrogativa direta. O ponto de exclamação é utilizado para indicar surpresa, espanto, admiração, súplica etc. Seu uso na redação oficial fica geralmente restrito aos discursos e às peças de retórica. O uso do pronome demonstrativo obedece às seguintes cir- cunstâncias: a) Emprega-se este(a)/isto quando o termo referente estiver próximo ao emissor, ou seja, de quem fala ou redige. b) Emprega-se esse(a)/isso quando o termo referente estiver próximo ao receptor, ou seja, a quem se fala ou para quem se re- dige. c) Emprega-se aquele(a)/aquilo quando o termo referente es- tiver distante tanto do emissor quanto do receptor da mensagem. d) Emprega-se este(a) para referir-se ao tempo presente; e) Emprega-se esse(a) para se referir ao tempo passado; f) Emprega-se aquele(a)/aquilo em relação a um tempo passa- do mais longínquo, ou histórico. g) Usa-se este(a)/isto para introduzir referência que, no texto, ainda será mencionado; h) Usa-se este(a)para se referir ao próprio texto; i) Emprega-se esse(a)/isso quando a informação já foi mencio- nada no texto. A Semântica estuda o sentido das palavras, expressões, frases e unidades maiores da comunicação verbal, os significados que lhe são atribuídos. Ao considerarmos o significado de determinada pa- lavra, levamos em conta sua história, sua estrutura (radical, prefi- xos, sufixos que participam da sua forma) e, por fim, o contexto em que se apresenta. Sendo a clareza um dos requisitos fundamentais de todo texto oficial, deve-se atentar para a tradição no emprego de determina- da expressão com determinado sentido. O emprego de expressões ditas de uso consagrado confere uniformidade e transparência ao sentido do texto. Mas isso não quer dizer que os textosoficiais de- vam limitar-se à repetição de chavões e de clichês. Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utilizadas. Certifique-se de que não há repetições desnecessárias ou redundâncias. Procure sinônimos ou termos mais precisos para as palavras repetidas; mas se sua substituição for comprometer o sentido do texto, tornando-o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto como está. É importante lembrar que o idioma está em constante muta- ção. A própria evolução dos costumes, das ideias, das ciências, da política, enfim da vida social em geral, impõe a criação de novas palavras e de formas de dizer. A redação oficial não pode alhear-se dessas transformações, nem incorporá-las acriticamente. Quanto às novidades vocabula- res, por um lado, elas devem sempre ser usadas com critério, evi- tando-se aquelas que podem ser substituídas por vocábulos já de uso consolidado sem prejuízo do sentido que se lhes quer dar. De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto pu- rismo, a linguagem das comunicações oficiais fique imune às cria- ções vocabulares ou a empréstimos de outras línguas. A rapidez do desenvolvimento tecnológico, por exemplo, impõe a criação de inúmeros novos conceitos e termos, ditando de certa forma a ve- locidade com que a língua deve incorporá-los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente, buscar o equivalente portu- guês quando houver ou conformar a palavra estrangeira ao espírito da Língua Portuguesa. O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou emprega- dos em contextos em que não cabem, é em geral causado ou pelo desconhecimento da riqueza vocabular de nossa língua, ou pela in- corporação acrítica do estrangeirismo. • A homonímia é a designação geral para os casos em que pa- lavras de sentidos diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a mesma pronúncia (os homônimos homófonos). • Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos exemplos: quarto (aposento) e quarto (ordinal), manga (fruta) e manga (de camisa), em que temos pronúncia idêntica; e apelo (pedido) e apelo (com e aberto, 1ª pess. Do sing. Do pres. Do ind. Do verbo apelar), consolo (alívio) e consolo (com o aberto, 1ª pess. Do sing. Do pres. Do ind. Do verbo consolar), com pronúncia diferente. Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto em que são empregados. • Já o termo paronímia designa o fenômeno que ocorre com palavras semelhantes (mas não idênticas) quanto à grafia ou à pro- núncia. É fonte de muitas dúvidas, como entre descrição (ato de descrever) e discrição (qualidade do que é discreto), retificar (corri- gir) e ratificar (confirmar). No Estado de Direito, as normas jurídicas cumprem a tarefa de concretizar a Constituição. Elas devem criar os fundamentos de justiça e de segurança que assegurem um desenvolvimento social harmônico em um contexto de paz e de liberdade. Esses complexos objetivos da norma jurídica são expressos nas funções: I) de integração: a lei cumpre função de integração ao com- pensar as diferenças jurídico-políticas no quadro de formação da vontade do Estado (desigualdades sociais, regionais); II) de planificação: a lei é o instrumento básico de organização, de definição e de distribuição de competências; III) de proteção: a lei cumpre função de proteção contra o arbí- trio ao vincular os próprios órgãos do Estado; IV) de regulação: a lei cumpre função reguladora ao direcionar condutas por meio de modelos; V) de inovação: a lei cumpre função de inovação na ordem ju- rídica e no plano social. Requisitos da elaboração normativa: • Clareza e determinação da norma; • Princípio da reserva legal; • Reserva legal qualificada (algumas providências sejam prece- didas de específica autorização legislativa, vinculada à determinada situação ou destinada a atingir determinado objetivo); • Princípio da legalidade nos âmbitos penal, tributário e admi- nistrativo; • Princípio da proporcionalidade; • Densidade da norma (a previsão legal contenha uma discipli- na suficientemente concreta); • Respeito ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coi- sa julgada; LÍNGUA PORTUGUESA 4848 a solução para o seu concurso! Editora • Remissões legislativas (se as remissões forem inevitáveis, se- jam elas formuladas de tal modo que permitam ao intérprete apre- ender o seu sentido sem ter de compulsar o texto referido). Além do processo legislativo disciplinado na Constituição (pro- cesso legislativo externo), a doutrina identifica o chamado processo legislativo interno, que se refere à forma de fazer adotada para a tomada da decisão legislativa. Antes de decidir sobre as providências a serem tomadas, é es- sencial identificar o problema a ser enfrentado. Realizada a iden- tificação do problema em decorrência de impulsos externos (ma- nifestações de órgãos de opinião pública, críticas de segmentos especializados) ou graças à atuação dos mecanismos próprios de controle, o problema deve ser delimitado de forma precisa. A análise da situação questionada deve contemplar as causas ou o complexo de causas que eventualmente determinaram ou contribuíram para o seu desenvolvimento. Essas causas podem ter influências diversas, tais como condutas humanas, desenvolvimen- tos sociais ou econômicos, influências da política nacional ou inter- nacional, consequências de novos problemas técnicos, efeitos de leis antigas, mudanças de concepção etc. Para verificar a adequação dos meios a serem utilizados, deve- -se realizar uma análise dos objetivos que se esperam com a apro- vação da proposta. A ação do legislador, nesse âmbito, não difere, fundamentalmente, da atuação do homem comum, que se caracte- riza mais por saber exatamente o que não quer, sem precisar o que efetivamente pretende. A avaliação emocional dos problemas, a crítica generalizada e, às vezes, irrefletida sobre o estado de coisas dominante acabam por permitir que predominem as soluções negativistas, que têm por escopo, fundamentalmente, suprimir a situação questionada sem contemplar, de forma detida e racional, as alternativas possíveis ou as causas determinantes desse estado de coisas negativo. Outras vezes, deixa-se orientar por sentimento inverso, buscando, pura e simplesmente, a preservação do status quo. Essas duas posições podem levar, nos seus extremos, a uma imprecisa definição dos objetivos. A definição da decisão legislati- va deve ser precedida de uma rigorosa avaliação das alternativas existentes, seus prós e contras. A existência de diversas alternativas para a solução do problema não só amplia a liberdade do legislador, como também permite a melhoria da qualidade da decisão legis- lativa. Antes de decidir sobre a alternativa a ser positivada, devem- -se avaliar e contrapor as alternativas existentes sob dois pontos de vista: a) De uma perspectiva puramente objetiva: verificar se a aná- lise sobre os dados fáticos e prognósticos se mostra consistente; b) De uma perspectiva axiológica: aferir, com a utilização de critérios de probabilidade (prognósticos), se os meios a serem empregados mostram-se adequados a produzir as consequências desejadas. De- vem-se contemplar, igualmente, as suas deficiências e os eventuais efeitos colaterais negativos. O processo de decisão normativa estará incompleto caso se en- tenda que a tarefa do legislador se encerre com a edição do ato nor- mativo. Uma planificação mais rigorosa do processo de elaboração normativa exige um cuidadoso controle das diversas consequências produzidas pelo novo ato normativo. É recomendável que o legislador redija as leis dentro de um espírito de sistema, tendo em vista não só a coerência e a harmonia interna de suas disposições, mas também a sua adequada inserção no sistema jurídico como um todo. Essa sistematização expressa uma característica da cientificidade do Direito e corresponde às exigências mínimas de segurança jurídica, à medida que impedem uma ruptura arbitrária com a sistemáticaadotada na aplicação do Direito. Costuma-se distinguir a sistemática da lei em sistemática interna (compatibilidade teleológica e ausência de contradição ló- gica) e sistemática externa (estrutura da lei). Regras básicas a serem observadas para a sistematização do texto do ato normativo, com o objetivo de facilitar sua estruturação: a) matérias que guardem afinidade objetiva devem ser tratadas em um mesmo contexto ou agrupamento; b) os procedimentos devem ser disciplinados segundo a ordem cronológica, se possível; c) a sistemática da lei deve ser concebida de modo a permitir que ela forneça resposta à questão jurídica a ser disciplinada; e d) institutos diversos devem ser tratados separadamente. • O artigo de alteração da norma deve fazer menção expressa ao ato normativo que está sendo alterado. • Na hipótese de alteração parcial de artigo, os dispositivos que não terão o seu texto alterado serão substituídos por linha ponti- lhada, cujo uso é obrigatório para indicar a manutenção e a não alteração do trecho do artigo. O termo “republicação” é utilizado para designar apenas a hi- pótese de o texto publicado não corresponder ao original assina- do pela autoridade. Não se pode cogitar essa hipótese por motivo de erro já constante do documento subscrito pela autoridade ou, muito menos, por motivo de alteração na opinião da autoridade. Considerando que os atos normativos somente produzem efeitos após a publicação no Diário Oficial da União, mesmo no caso de re- publicação, não se poderá cogitar a existência de efeitos retroativos com a publicação do texto corrigido. Contudo, o texto publicado sem correspondência com aquele subscrito pela autoridade poderá ser considerado inválido com efeitos retroativos. Já a retificação se refere aos casos em que texto publicado corresponde ao texto subscrito pela autoridade, mas que continha lapso manifesto. A retificação requer nova assinatura pelas autori- dades envolvidas e, em muitos casos, é menos conveniente do que a mera alteração da norma. A correção de erro material que não afete a substância do ato singular de caráter pessoal e as retificações ou alterações da de- nominação de cargos, funções ou órgãos que tenham tido a deno- minação modificada em decorrência de lei ou de decreto superve- niente à expedição do ato pessoal a ser apostilado são realizadas por meio de apostila. O apostilamento é de competência do setor de recurso humanos do órgão, autarquia ou fundação, e dispensa nova assinatura da autoridade que subscreveu o ato originário. Atenção: Deve-se ter especial atenção quando do uso do apos- tilamento para os atos relativos à vacância ou ao provimento de- corrente de alteração de estrutura de órgão, autarquia ou funda- ção pública. O apostilamento não se aplica aos casos nos quais a essência do cargo em comissão ou da função de confiança tenham sido alterados, tais como nos casos de alteração do nível hierárqui- co, transformação de atribuição de assessoramento em atribuição de chefia (ou vice-versa) ou transferência de cargo para unidade com outras competências. Também deve-se alertar para o fato que a praxe atual tem sido exigir que o apostilamento decorrente de alteração em estrutura regimental seja realizado na mesma data da entrada em vigor de seu decreto. LÍNGUA PORTUGUESA 49 a solução para o seu concurso! Editora A estrutura dos atos normativos é composta por dois elemen- tos básicos: a ordem legislativa e a matéria legislada. A ordem legis- lativa compreende a parte preliminar e o fecho da lei ou do decreto; a matéria legislada diz respeito ao texto ou ao corpo do ato. A lei ordinária é ato normativo primário e contém, em regra, normas gerais e abstratas. Embora as leis sejam definidas, normal- mente, pela generalidade e pela abstração (lei material), estas con- têm, não raramente, normas singulares (lei formal ou ato normati- vo de efeitos concretos). As leis complementares são um tipo de lei que não têm a ri- gidez dos preceitos constitucionais, e tampouco comportam a re- vogação por força de qualquer lei ordinária superveniente. Com a instituição de lei complementar, o constituinte buscou resguardar determinadas matérias contra mudanças céleres ou apressadas, sem deixá-las exageradamente rígidas, o que dificultaria sua modifi- cação. A lei complementar deve ser aprovada pela maioria absoluta de cada uma das Casas do Congresso Nacional. Lei delegada é o ato normativo elaborado e editado pelo Pre- sidente da República em decorrência de autorização do Poder Le- gislativo, expedida por meio de resolução do Congresso Nacional e dentro dos limites nela traçados. Medida provisória é ato normativo com força de lei que pode ser editado pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência. Decretos são atos administrativos de competência exclusiva do Chefe do Executivo, destinados a pro- ver as situações gerais ou individuais, abstratamente previstas, de modo expresso ou implícito, na lei. • Decretos singulares ou de efeitos concretos: Os decretos po- dem conter regras singulares ou concretas (por exemplo, decretos referentes à questão de pessoal, de abertura de crédito, de desa- propriação, de cessão de uso de imóvel, de indulto, de perda de nacionalidade, etc.). • Decretos regulamentares: Os decretos regulamentares são atos normativos subordinados ou secundários. • Decretos autônomos: Limita-se às hipóteses de organização e funcionamento da administração pública federal, quando não im- plicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos pú- blicos, e de extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos. Portaria é o instrumento pelo qual Ministros ou outras autori- dades expedem instruções sobre a organização e o funcionamento de serviço, sobre questões de pessoal e outros atos de sua compe- tência. O processo legislativo abrange não só a elaboração das leis propriamente ditas (leis ordinárias, leis complementares, leis de- legadas), mas também a elaboração das emendas constitucionais, das medidas provisórias, dos decretos legislativos e das resoluções. A iniciativa é a proposta de edição de direito novo. A iniciati- va comum ou concorrente compete ao Presidente da República, a qualquer Deputado ou Senador, a qualquer comissão de qualquer das Casas do Congresso, e aos cidadãos – iniciativa popular. A Cons- tituição confere a iniciativa da legislação sobre certas matérias, privativamente, a determinados órgãos, denominada de iniciativa reservada. A Constituição prevê, ainda, sistema de iniciativa vincu- lada, na qual a apresentação do projeto é obrigatória. Nesse caso, o Chefe do Executivo Federal deve encaminhar ao Congresso Nacio- nal os projetos referentes às leis orçamentárias (plano plurianual, lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual). A disciplina sobre a discussão e a instrução do projeto de lei é confiada, fundamentalmente, aos Regimentos das Casas Legislativas. Emenda é a proposição apresentada como acessória de outra proposição. Nem todo titular de iniciativa tem poder de emenda. Essa faculdade é reservada aos parlamentares. Se, entretanto, for de iniciativa do Poder Executivo ou do Poder Judiciário, o seu titular também pode apresentar modificações, acréscimos, o que fará por meio de mensagem aditiva, dirigida ao Presidente da Câmara dos Deputados, que justifique a necessidade do acréscimo. A apresen- tação de emendas a qualquer projeto de lei oriundo de iniciativa re- servada é autorizada, desde que não implique aumento de despesa e que tenha estrita pertinência temática. A Constituição não impede a apresentação de emendas ao pro- jeto de lei orçamentária. Elas devem ser, todavia, compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias e devem indicar os recursos necessários, sendo admitidos apenas aqueles provenientes de anulação de despesa. A Constituição veda a propo- situra de emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias que não guardem compatibilidade com o planoplurianual. A votação da matéria legislativa constitui ato coletivo das Casas do Congresso. Realiza-se, normalmente, após a instrução do proje- to nas comissões e dos debates no plenário. A sanção é o ato pelo qual o Chefe do Executivo manifesta a sua anuência ao projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo. Verifica-se aqui a fusão da von- tade do Congresso Nacional com a do Presidente, da qual resulta a formação da lei. O veto é o ato pelo qual o Chefe do Poder Executivo nega san- ção ao projeto – ou a parte dele –, obstando à sua conversão em lei. Dois são os fundamentos para a recusa de sanção: a) inconstitucio- nalidade; ou b) contrariedade ao interesse público. O veto deve ser expresso e motivado, e oposto no prazo de 15 dias úteis, contado da data do recebimento do projeto, e comunica- do ao Congresso Nacional nas 48 horas subsequentes à sua oposi- ção. O veto não impede a conversão do projeto em lei, podendo ser superado por deliberação do Congresso Nacional. A promulgação e a publicação constituem fases essenciais da eficácia da lei. A promulgação das leis compete ao Presidente da República. Ela deverá ocorrer dentro do prazo de 48 horas, decor- rido da sanção ou da superação do veto. Nesse último caso, se o Presidente não promulgar a lei, competirá a promulgação ao Pre- sidente do Senado Federal, que disporá, igualmente, de 48 horas para fazê-lo; se este não o fizer, deverá fazê-lo o Vice-Presidente do Senado Federal, em prazo idêntico. O período entre a publicação da lei e a sua entrada em vigor é chamado de período de vacância ou vacatio legis. Na falta de dis- posição especial, vigora o princípio que reconhece o decurso de um lapso de tempo entre a data da publicação e o termo inicial da obri- gatoriedade (45 dias). Podem-se distinguir seis tipos de procedimento legislativo: a) procedimento legislativo normal: Trata da elaboração das leis ordinárias (excluídas as leis financeiras e os códigos) e comple- mentares. b) procedimento legislativo abreviado: Este procedimento dispensa a competência do Plenário, ocorrendo, por isso, a deli- beração terminativa sobre o projeto de lei nas próprias Comissões Permanentes. LÍNGUA PORTUGUESA 5050 a solução para o seu concurso! Editora c) procedimento legislativo sumário: Entre as prerrogativas regimentais das Casas do Congresso Nacional existe a de conferir urgência a certas proposições. d) procedimento legislativo sumaríssimo: Existe nas duas Ca- sas do Congresso Nacional mecanismo que assegura deliberação instantânea sobre matérias submetidas à sua apreciação. e) procedimento legislativo concentrado: O procedimento le- gislativo concentrado tipifica-se, basicamente, pela apresentação das matérias em reuniões conjuntas de deputados e senadores. Ex. para leis financeiras e delegadas. f) procedimento legislativo especial: Nesse procedimento, englobam-se dois ritos distintos com características próprias, um destinado à elaboração de emendas à Constituição; outro, à de có- digos. NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO Prezado Candidato, o tema acima supracitado, já foi abordado em tópicos anteriores. QUESTÕES 1-CESGRANRIO - 2023 À moda brasileira 1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a pequena história da literatura brasileira. 2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei qua- se num susto depois que li os primeiros versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e sepultura. 3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?! O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escre- via (e já escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer que era a sepultura que esperava por esses meus escritos? 4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas minhas sonda- gens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ou- vindo com paciência enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior. 5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens, só pelo Bra- sil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália... Não esquecer que a minha avó, Pedrina Pe- rucchi, era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade? 6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra, desaparece! 7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao lado. Pe- gou os óculos. O soneto é muito bonito, disse me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso de querer renegar a própria lín- gua. Se você chegar a escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo, está me compreendendo? E as traduções? Renegar a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te assim, desconhecida e obscura, veja que confissão de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta que entrou na varan- da: Já fez a sua lição de casa? 8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira de vime e ia para a rede ou simplesmente começava a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega. Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta. 9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou, se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a porta! TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111. Fragmento adapta- do. Em “O soneto é muito bonito, disse me encarando com severi- dade” (parágrafo 7), a palavra que pode substituir severidade, sem alteração no sentido da frase, é (A) firmeza (B) rispidez (C) discrição (D) desgosto (E) incompreensão 2-CESGRANRIO - 2023 À moda brasileira 1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a pequena história da literatura brasileira. 2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei qua- se num susto depois que li os primeiros versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e sepultura. 3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?! O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escre- via (e já escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer que era a sepultura que esperava por esses meus escritos? 4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas minhas sonda- gens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ou- vindo com paciência enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior. 5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens, só pelo Bra- sil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália... Não esquecer que a minha avó, Pedrina Pe- rucchi, era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade? 6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo em italiano, italiano! – fiqueirepetindo e abri o livro que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente LÍNGUA PORTUGUESA 51 a solução para o seu concurso! Editora fizer vai para debaixo da terra, desaparece! 7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao lado. Pe- gou os óculos. O soneto é muito bonito, disse me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso de querer renegar a própria lín- gua. Se você chegar a escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo, está me compreendendo? E as traduções? Renegar a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te assim, desconhecida e obscura, veja que confissão de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta que entrou na varan- da: Já fez a sua lição de casa? 8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira de vime e ia para a rede ou simplesmente começava a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega. Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta. 9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou, se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a porta! TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111. Fragmento adapta- do. No parágrafo 6, “nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra, desaparece!”, o segmento em destaque pode articular-se com o segmento anterior, sem alteração do sentido original, empregando-se o conector (A) quando (B) portanto (C) enquanto (D) embora (E) ou 3-CESGRANRIO - 2023 À moda brasileira 1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a pequena história da literatura brasileira. 2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei qua- se num susto depois que li os primeiros versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e sepultura. 3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?! O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escre- via (e já escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer que era a sepultura que esperava por esses meus escritos? 4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas minhas sonda- gens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ou- vindo com paciência enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior. 5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens, só pelo Bra- sil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália... Não esquecer que a minha avó, Pedrina Pe- rucchi, era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade? 6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra, desaparece! 7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao lado. Pe- gou os óculos. O soneto é muito bonito, disse me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso de querer renegar a própria lín- gua. Se você chegar a escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo, está me compreendendo? E as traduções? Renegar a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te assim, desconhecida e obscura, veja que confissão de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta que entrou na varan- da: Já fez a sua lição de casa? 8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira de vime e ia para a rede ou simplesmente começava a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega. Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta. 9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou, se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a porta! TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111. Fragmento adapta- do. A frase em que as vírgulas estão empregadas com a mesma função que em “Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi, era italiana” (parágrafo 5) é: (A) Mude de lugar, meu pai, porque a morte vai chegar. (B) A filha, preocupada e triste, questionava a própria língua materna. (C) A língua portuguesa, embora inculta, constrói belos textos literários. (D) Os poemas, textos de uma beleza sem igual, encantam seus leitores. (E) Colocou os óculos e, caminhando pela sala, revelou a beleza do poema. 4-CESGRANRIO - 2023 À moda brasileira 1 Estou me vendo do debaixo de uma árvore, lendo a pequena história da literatura brasileira. 2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei qua- se num susto depois que li os primeiros versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e sepultura. 3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?! O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, LÍNGUA PORTUGUESA 5252 a solução para o seu concurso! Editora disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escre- via (e já escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer que era a sepultura que esperava por esses meus escritos? 4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas minhas sonda- gens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ou- vindo com paciência enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior. 5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens, só pelo Bra- sil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália... Não esquecer que a minha avó, Pedrina Pe- rucchi, era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade? 6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra, desaparece! 7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao lado. Pe- gou os óculos. O soneto é muito bonito, disse me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso de querer renegar a própria lín- gua. Se você chegar a escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo, está me compreendendo? E as traduções? Renegar a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (elevoltou a abrir o livro), olha que beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te assim, desconhecida e obscura, veja que confissão de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta que entrou na varan- da: Já fez a sua lição de casa? 8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira de vime e ia para a rede ou simplesmente começava a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega. Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta. 9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou, se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a porta! TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111. Fragmento adapta- do. A palavra que funciona como um mecanismo de coesão textu- al, retomando um antecedente, em: (A) “parei quase num susto depois que li os primeiros versos”. (parágrafo 2) (B) “Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi, era ita- liana”. (parágrafo 5) (C) “ficou olhando a borboleta que entrou na varanda” (pará- grafo 7) (D) “Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar”. (parágrafo 8) (E) “quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido”. (parágrafo 9) 5-CESGRANRIO - 2023 À moda brasileira 1 Estou me vendo do debaixo de uma árvore, lendo a pequena história da literatura brasileira. 2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei qua- se num susto depois que li os primeiros versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e sepultura. 3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?! O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escre- via (e já escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer que era a sepultura que esperava por esses meus escritos? 4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas minhas sonda- gens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ou- vindo com paciência enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior. 5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens, só pelo Bra- sil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália... Não esquecer que a minha avó, Pedrina Pe- rucchi, era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade? 6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra, desaparece! 7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao lado. Pe- gou os óculos. O soneto é muito bonito, disse me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso de querer renegar a própria lín- gua. Se você chegar a escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo, está me compreendendo? E as traduções? Renegar a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te assim, desconhecida e obscura, veja que confissão de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta que entrou na varan- da: Já fez a sua lição de casa? 8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira de vime e ia para a rede ou simplesmente começava a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega. Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta. 9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou, se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a porta! TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá: perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111. Fragmento adapta- do. O emprego do acento grave em “soneto à língua portuguesa” (parágrafo 2) explica-se a partir do entendimento de que Olavo Bi- lac escreveu um soneto LÍNGUA PORTUGUESA 53 a solução para o seu concurso! Editora (A) em língua portuguesa (B) com a língua portuguesa (C) para a língua portuguesa (D) sobre a língua portuguesa (E) por causa da língua portuguesa 6-CESGRANRIO - 2023 Lixo nos mares 1 Os oceanos sofrem os efeitos das atividades humanas há milênios. Dejetos e resíduos orgânicos e inorgânicos gerados por essas atividades são levados para o mar por ventos, chuvas e rios, ou despejados diretamente ali. Os oceanos suportam toda essa so- brecarga? A resposta vem de análises que constatam sérios danos aos ecossistemas oceânicos: o lixo marinho, portanto, já é um grave problema ambiental. 2 O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado “giro” do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as cor- rentes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes “lixões” oceâni- cos. 3 Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são comumente clas- sificadas como “marinhas” (descartes por embarcações e platafor- mas de petróleo e gás) e “terrestres” (depósitos e descartes incor- retos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo). 4 Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estu- do do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mun- do, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos en- gajados na luta pela diminuição desse problema social e ambiental. 5 Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas somente em 1975 foi definido o termo “lixo marinho”, hoje consagrado. Essa defini- ção, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho todo material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, córregos, esgotos e descar- gas domésticas e industriais. 6 O número de publicações mundiais, científicas e não cien- tíficas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980. Esse aumento se deve a três processos: 1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a se acumu- lar; 2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarteno ambiente e 3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho. 7 Mas como evitar que o “lixo nosso de cada dia” chegue ao mar? E como retirar o que já está lá? É nesse ponto que a con- servação marinha e a gestão de resíduos sólidos se encontram e se complementam. 8 Em 2013, realizou-se no Brasil a IV Conferência Nacio- nal de Meio Ambiente, que formalizou 60 propostas sobre o meio ambiente. Duas enfocam o lixo marinho: a primeira está ligada à redução de impactos ambientais e a segunda é ligada à educação ambiental, com campanhas educativas de sensibilização sobre as consequências da disposição incorreta do lixo, com ênfase no am- biente marinho e nos danos causados à população humana. OLIVEIRA, A. et al. Revista Ciência Hoje, n. 313, v. 53. Rio de Janeiro: SBPC. Abril 2014. Adaptado. O sinal grave indicativo de crase está empregado de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa em: (A) As atitudes dos defensores do meio ambiente revelam que eles são favoráveis à projetos que assegurem a defesa de maior qualidade de vida para todos. (B) As pesquisas relativas ao lixo marinho têm sido incentivadas por meio da realização de estudos destinados à preservar os oceanos. (C) Os detritos que resistem, por maior período de tempo, à decomposição nas águas dos oceanos são o petróleo e os plás- ticos. (D) Os especialistas estão dedicados à realizar pesquisas para elaborar um tipo de plástico que se dissolva ao entrar em con- tato com a água salgada dos oceanos. (E) Os maiores obstáculos à serem superados, para evitar que o lixo contamine as águas do mar, são os detritos terrestres car- regados pelos rios e pelas chuvas. 7-CESGRANRIO - 2023 Lixo nos mares 1 Os oceanos sofrem os efeitos das atividades humanas há milênios. Dejetos e resíduos orgânicos e inorgânicos gerados por essas atividades são levados para o mar por ventos, chuvas e rios, ou despejados diretamente ali. Os oceanos suportam toda essa so- brecarga? A resposta vem de análises que constatam sérios danos aos ecossistemas oceânicos: o lixo marinho, portanto, já é um grave problema ambiental. 2 O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado “giro” do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as cor- rentes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes “lixões” oceâni- cos. 3 Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são comumente clas- sificadas como “marinhas” (descartes por embarcações e platafor- mas de petróleo e gás) e “terrestres” (depósitos e descartes incor- retos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo). 4 Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estu- do do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mun- do, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos en- LÍNGUA PORTUGUESA 5454 a solução para o seu concurso! Editora gajados na luta pela diminuição desse problema social e ambiental. 5 Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas somente em 1975 foi definido o termo “lixo marinho”, hoje consagrado. Essa defini- ção, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho todo material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, córregos, esgotos e descar- gas domésticas e industriais. 6 O número de publicações mundiais, científicas e não cien- tíficas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980. Esse aumento se deve a três processos: 1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a se acumu- lar; 2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarte no ambiente e 3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho. 7 Mas como evitar que o “lixo nosso de cada dia” chegue ao mar? E como retirar o que já está lá? É nesse ponto que a con- servação marinha e a gestão de resíduos sólidos se encontram e se complementam. 8 Em 2013, realizou-se no Brasil a IV Conferência Nacio- nal de Meio Ambiente, que formalizou 60 propostas sobre o meio ambiente. Duas enfocam o lixo marinho: a primeira está ligada à redução de impactos ambientais e a segunda é ligada à educação ambiental, com campanhas educativas de sensibilização sobre as consequências da disposição incorreta do lixo, com ênfase no am- biente marinho e nos danos causados à população humana. OLIVEIRA, A. et al. Revista Ciência Hoje, n. 313, v. 53. Rio de Janeiro: SBPC. Abril 2014. Adaptado. De acordo com as regras de concordância nominal da norma- -padrão da língua portuguesa, a palavra destacada está empregada corretamente em: (A) O estudo dos problemas ambientais e a mudança de com- portamento dos cidadãos com relação aos perigos dos lixos nos mares estão relacionadas à necessidade de transformação de nossa sociedade. (B) A preocupação com os estragos causados aos oceanos pelo lixo e o descarte correto dos materiais vencidos nas prateleiras de supermercado foram iniciadas em época anterior à atual e já são amplamente conhecidas. (C) A falta de reprodução de peixes para a sobrevivência da população local e a dificuldade de pescar nos rios e lagos são derivadas da ocupação depredadora dos homens. (D) O aumento de publicações, na época atual, sobre o lixo nos mares e a reivindicação dos ambientalistas para a solução dos problemas da poluição devem ser interpretadas como sinais de avanço da humanidade. (E) A ingestão de saquinhos e canudinhos plásticos pelas tar- tarugas e o sufocamento gerado por essa situação são provo- cadas pela falta de leis rígidas que impeçam o descarte desses produtos. 8-CESGRANRIO - 2023 Lixo nos mares 1 Os oceanos sofrem os efeitos das atividades humanas há milênios. Dejetos e resíduos orgânicos e inorgânicos gerados por essas atividades são levados para o mar por ventos, chuvas e rios, ou despejados diretamente ali. Os oceanos suportam toda essa so- brecarga? A resposta vem de análises que constatam sérios danos aos ecossistemas oceânicos: o lixo marinho, portanto, já é um grave problema ambiental. 2 O lixo de origem humana que entra no mar está presente nas imagens, hoje comuns, de animais emaranhados em materiais de todo tipo ou que ingeriram ou sufocaram com diferentes itens. Também é conhecida a imensa mancha de lixo que se acumula no chamado “giro” do oceano Pacífico Norte – os giros, existentes em todos os oceanos, são áreas em torno das quais se deslocam as cor- rentes marinhas. Nas zonas centrais desses giros, as correntes têm baixa intensidade e quase não há ventos. Os resíduos que chegam ali ficam retidos e se acumulam, gerando enormes “lixões” oceâni- cos. 3 Detritos orgânicos (vegetais, animais, fezes e restos de alimento) não são considerados lixo marinho, porque em geral se decompõem rapidamente e se tornam nutrientes e alimentos para outros organismos. As fontes do lixo oceânico são comumente clas- sificadas como “marinhas” (descartes por embarcações e platafor- mas de petróleoe gás) e “terrestres” (depósitos e descartes incor- retos feitos em terra e levados para os rios pelas chuvas e daí para o mar, onde também chegam carregados pelo vento e até pelo gelo). 4 Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estu- do do lixo marinho tem bases científicas e envolve, em todo o mun- do, cada vez mais pesquisadores e tomadores de decisão. Todos en- gajados na luta pela diminuição desse problema social e ambiental. 5 Os impactos ligados à presença do lixo no mar começaram a ser observados a partir da década de 1950, mas somente em 1975 foi definido o termo “lixo marinho”, hoje consagrado. Essa defini- ção, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, diz que é lixo marinho todo material sólido de origem humana descartado nos oceanos ou que os atinge por rios, córregos, esgotos e descar- gas domésticas e industriais. 6 O número de publicações mundiais, científicas e não cien- tíficas, sobre lixo marinho começou a aumentar a partir da década de 1980. Esse aumento se deve a três processos: 1) a contínua e crescente substituição, em vários tipos de utensílios, de materiais naturais pelos sintéticos – estes, como o plástico, resistem por mais tempo à degradação no ambiente marinho e tendem a se acumu- lar; 2) o baixo custo dos materiais sintéticos, que não incentiva sua reciclagem e favorece o descarte no ambiente e 3) o aumento, na zona costeira, do número de habitantes e embarcações, que podem contribuir para o descarte de lixo no ambiente marinho. 7 Mas como evitar que o “lixo nosso de cada dia” chegue ao mar? E como retirar o que já está lá? É nesse ponto que a con- servação marinha e a gestão de resíduos sólidos se encontram e se complementam. 8 Em 2013, realizou-se no Brasil a IV Conferência Nacio- nal de Meio Ambiente, que formalizou 60 propostas sobre o meio ambiente. Duas enfocam o lixo marinho: a primeira está ligada à redução de impactos ambientais e a segunda é ligada à educação ambiental, com campanhas educativas de sensibilização sobre as consequências da disposição incorreta do lixo, com ênfase no am- LÍNGUA PORTUGUESA 55 a solução para o seu concurso! Editora biente marinho e nos danos causados à população humana. OLIVEIRA, A. et al. Revista Ciência Hoje, n. 313, v. 53. Rio de Janeiro: SBPC. Abril 2014. Adaptado. No trecho “Apesar do sensacionalismo em torno desse tema, o estudo do lixo marinho tem bases científicas” (parágrafo 4), a expres- são destacada veicula a relação de (A) causa (B) concessão (C) conclusão (D) condição (E) consequência 9-CESGRANRIO - 2023 O afogado mais bonito do mundo 1 Sou antropófago. Devoro livros. Quem me ensinou foi Murilo Mendes: livros são feitos com a carne e o sangue dos que os escre- veram. Os hábitos de antropófago determinam a maneira como escolho livros. Só leio livros escritos com sangue. Depois que os devoro, deixam de pertencer ao autor. São meus porque circulam na minha carne e no meu sangue. 2 É o caso do conto “O Afogado Mais Bonito do Mundo”, de Gabriel García Márquez. Ele escreveu. Eu li e devorei. Agora é meu. Eu o reconto. 3 É sobre uma vila de pescadores perdida em nenhum lugar, o enfado misturado com o ar, cada novo dia já nascendo velho, as mesmas palavras ocas, os mesmos gestos vazios, os mesmos corpos opacos, a excitação do amor sendo algo de que ninguém mais se lembrava... 4 Aconteceu que, num dia como todos os outros, um menino viu uma forma estranha flutuando longe no mar. E ele gritou. Todos correram. Num lugar como aquele até uma forma estranha é motivo de festa. E ali ficaram na praia, olhando, esperando. Até que o mar, sem pressa, trouxe a coisa e a colocou na areia, para o desapontamento de todos: era um homem morto. 5 Todos os homens mortos são parecidos porque há apenas uma coisa a se fazer com eles: enterrar. E, naquela vila, o costume era que as mulheres preparassem os mortos para o sepultamento. Assim, carregaram o cadáver para uma casa, as mulheres dentro, os homens fora. E o silêncio era grande enquanto o limpavam das algas e liquens, mortalhas verdes do mar. 6 Mas, repentinamente, uma voz quebrou o silêncio. Uma mulher balbuciou: “Se ele tivesse vivido entre nós, ele teria de ter cur- vado a cabeça sempre ao entrar em nossas casas. Ele é muito alto...”. 7 Todas as mulheres, sérias e silenciosas, fizeram sim com a cabeça. 8 De novo o silêncio foi profundo, até que uma outra voz foi ouvida. Outra mulher... “Fico pensando em como teria sido a sua voz... Como o sussurro da brisa? Como o trovão das ondas? Será que ele conhecia aquela palavra secreta que, quando pronunciada, faz com que uma mulher apanhe uma flor e a coloque no cabelo?” E elas sorriram e olharam umas para as outras. 9 De novo o silêncio. E, de novo, a voz de outra mulher... “Essas mãos... Como são grandes! Que será que fizeram? Brincaram com crianças? Navegaram mares? Travaram batalhas? Construíram casas? Essas mãos: será que elas sabiam deslizar sobre o rosto de uma mu- lher, será que elas sabiam abraçar e acariciar o seu corpo?” 10 Aí todas elas riram que riram, suas faces vermelhas, e se surpreenderam ao perceber que o enterro estava se transformando numa ressurreição: sonhos esquecidos, que pensavam mortos, retornavam, cinzas virando fogo, os corpos vivos de novo e os rostos opacos brilhando com a luz da alegria. 11 Os maridos, de fora, observavam o que estava acontecendo e ficaram com ciúmes do afogado, ao perceberem que um morto tinha um poder que eles mesmos não tinham mais. E pensaram nos sonhos que nunca haviam tido, nos poemas que nunca haviam escrito, nos mares que nunca tinham navegado, nas mulheres que nunca haviam desejado. 12 A história termina dizendo que finalmente enterraram o morto. Mas a aldeia nunca mais foi a mesma. ALVES, R. Sobre como da morte brota a vida. F. de São Paulo. Cotidiano. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br. Acessoem: 20 abr. 2023. Adaptado. A frase em que a concordância nominal do elemento em destaque se dá de acordo com as regras da norma-padrão é: (A) As mulheres da vila eram bastantes sérias e silenciosas. (B) As lembranças e o sentimento novas causaram muita surpresa. (C) Foi solicitado muita dedicação para preparar os corpos para a sepultura. (D) O morto está quite com a vila: pagou o sepultamento com a ressurreição. (E) Os olhos do morto eram azuis-celeste e de uma profundidade impressionante. LÍNGUA PORTUGUESA 5656 a solução para o seu concurso! Editora 10-CESGRANRIO - 2021 IDOETA, P.A. 8 lições após um ano de ensino remoto na pandemia. Disponível em:<https://educacao.uol.com.br/ultimas/bbc/2021/04/24/8-lico- es-apos-um-de-ensino-remoto-na-pandemia.htm>. Acesso em: 21 jul. 2021. Adaptado. O pronome oblíquo átono em destaque está colocado de acordo com a norma-padrão em: (A) No processo ensino-aprendizagem, o objetivo deve ser desenvolver aptidões para que os alunos sempre mantenham-se em dia com os avanços da ciência. (B) Se reclama muito das dificuldades do ensino remoto devido a problemas de conexão. (C) Os profissionais da educação nunca cansam-se de estudar os conteúdos que possam interessar os alunos nas aulas. (D) Para garantir o progresso dos estudantes, os professores sempre dedicam-se a pesquisar novos métodos de ensino. (E) Quando as escolas se preocuparem em empregar novas metodologias no ensino-aprendizagem, alcançarão melhores resultados. LÍNGUA PORTUGUESA 57 a solução para o seu concurso! Editora 11-CESGRANRIO - 2021 VERSIGNASSI, A. A palavra salário vem mesmo de “sal”? VC S/A, São Paulo: Abril, p. 67, Jun. 2021. Adaptado. O período em que a palavra ou a expressão em destaque NÃO está empregada de acordo com a norma-padrão é: (A) As professoras de que falamos são ótimas. (B) A folha em que deve ser feita a prova é essa. (C) A argumentação onde é provado o crime foi dele. (D) O aluno cujo pai chegou é Pedro. (E) As meninas que querem cortar os cabelos são aquelas. LÍNGUA PORTUGUESA5858 a solução para o seu concurso! Editora 12-CESGRANRIO - 2019 A palavra saíam (ℓ. 29) contém hiato acentuado. Deve também ser acentuado o hiato de (A) juizes (B) rainha (C) coroo (D) veem (E) suada LÍNGUA PORTUGUESA 59 a solução para o seu concurso! Editora 13-CESGRANRIO - 2021 - Caixa - Técnico Bancário Novo BANCO CENTRAL DO BRASIL. Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais. Brasília: BCB, 2013. p. 12. Adaptado. Considerando-se a organização composicional do texto lido, compreende-se que ele se classifica como (A) argumentativo, pois defende a ideia de que é importante saber lidar com o dinheiro. (B) narrativo, pois relata o episódio de uma conversa sobre gestão financeira entre amigos. (C) descritivo, pois reproduz uma cena de elaboração de orçamento no cotidiano de uma família. (D) expositivo, pois apresenta informações objetivas sobre conceitos da área de educação financeira. (E) injuntivo, pois instrui acerca da elaboração de orçamentos para uma vida financeira mais saudável. LÍNGUA PORTUGUESA 6060 a solução para o seu concurso! Editora 14-CESGRANRIO - 2022 LÍNGUA PORTUGUESA 61 a solução para o seu concurso! Editora SEIXAS, Heloisa. Contos mínimos. Rio de Janeiro: Record, 2001. A redação oficial tem como atributo a clareza, não se admitindo, para os textos, mais de um entendimento possível. A frase que teria de ser reescrita para se adequar a essa regra da escrita oficial é (A) O porteiro ajudou a velha senhora a se sentar sob as árvores. (B) Todas as manhãs, aquela senhora observava os pássaros cantando. (C) A população da cidade do Rio precisa cuidar melhor dos espaços públicos. (D) O pedido da população por mais segurança será discutido pelos vereadores. (E) Observando o sol e o mar, o poeta escolheu o tema para um novo poema. LÍNGUA PORTUGUESA 6262 a solução para o seu concurso! Editora 15-CESGRANRIO - 2022 LÍNGUA PORTUGUESA 63 a solução para o seu concurso! Editora SEIXAS, Heloisa. Contos mínimos. Rio de Janeiro: Record, 2001. O caráter público dos textos oficiais exige que eles sejam escritos de forma estritamente impessoal, característica que se observa em: (A) Considero, portanto, o excesso de grades uma agressão à paisagem da cidade. (B) Lastimavelmente, o decreto regulamenta os casos de construção de prédios na orla. (C) Os porteiros têm direito a ter pausa para o almoço e a receber por horas extras trabalhadas. (D) Aprovou-se, na Câmara, a tão acertada lei que trata da colocação de grades em espaços públicos. (E) Foi ignorada, no documento, a excessiva preocupação dos parlamentares com o volume de carros nas ruas. 16-FGV - 2023 Nas opções a seguir há uma série de recomendações mostradas aos frequentadores de um parque público. A fim de que elas se tor- nem mais persuasivas, foram acrescentadas razões lógicas a essas recomendações. Assinale a opção em que esse acréscimo está ligado de forma lógica ao aviso inicial. (A) Não colha ou corte flores e frutas / porque se perde parte da beleza original. (B) Não faça barulho / porque distrai os que vêm estudar no silêncio do parque. (C) Não leve cães, mesmo na coleira / porque podem escapar e não serem mais encontrados. (D) Não jogue lixo / porque atrai insetos. (E) Não acenda fogueira / porque há risco de provocar incêndios. 17-IBFC - 2022 O gerenciamento de crise, muitas vezes, exige que o profissional que esteja responsável por realizar essa tarefa tome a decisão de se comunicar rapidamente com os públicos de interesse quando alguma crise é instalada. No entanto, quando isso ocorre de maneira não assertiva pode ocorrer prejuízos futuros à imagem da empresa. Sobre comunicação não assertiva e suficientemente rápida em momentos de crise, analise as afirmativas a seguir. I. Quando se trata de catástrofes envolvendo vidas humanas, toda vez que o assunto surge à tona, a imagem da organização é man- chada de novo. II. Assuntos que envolvam escândalos pessoais são rapidamente esquecidos e, nesse caso específico, não há prejuízo que não possa ser corrigido, mesmo em caso de comunicação não assertiva. III. A imagem de uma organização apenas sofre novos impactos quando a exposição nos meios de comunicação for grande. IV. A comunicação, para que evite futuros prejuízos de imagem, deve ser feita, prioritariamente, na sequência dos fatos e pelo Presi- dente da organização. Estão corretas as afirmativas: (A) II, III e IV apenas (B) I apenas (C) I e IV apenas (D) I, II, III e IV LÍNGUA PORTUGUESA 6464 a solução para o seu concurso! Editora 18-FUNCERN - 2022 TEXTO Quem tem medo da liberdade de expressão? Alexandre Cruz Com o advento das redes sociais, debates sobre os limites da liberdade de expressão têm ganhado força na sociedade brasileira e, com a proximidade das eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entrou no baile. Sob argumento de que notícias e opiniões falsas ou desinformativas podem causar danos a grupos sociais ou até mesmo interferir no resultado final de uma eleição, aumenta-se perigosamente o apoio à formulação de uma espécie de “index prohibitorum” digital, contendo palavras e opiniões que devem ser previa- mente censuradas sob o risco potencial de causar danos sociais ou eleitorais. O Youtube, por exemplo, já filtra palavras que não podem ser ditas, podendo gerar a desmonetização de um vídeo ou, no limite, a sua exclusão da plataforma. O resultado, no final, é o surgimento de uma variedade de neologismos cifrados utilizados por youtubers para substituir as palavras indesejadas. A perspectiva na qual palavras, ideias e opiniões devem ser censuradas pelo seu dano presumido não é nova. Além de ser utilizada levianamente por grupos para cercear opiniões divergentes sem ter o trabalho de argumentar, tende a focar mais nos possíveis prejuízos do que nos benefícios de uma amplíssima liberdade de expressão para a sociedade em geral. Entre a independência dos Estados Unidos e o fim da 1ª Guerra Mundial, por exemplo, diversos casos contestando os limites da liberdade de expressão e de imprensa tiveram curso em tribunais estaduais e na Suprema Corte daquele país. Neste período, como aponta o historiador Michael Curtis, prevaleceu no judiciário norte-americano a chamada “Doutrina da Tendência Ruim”, onde opiniões conside- radas com potencial para causar eventuais danos sociais deveriam ser suprimidas. Na esteira dessa doutrina, obras que criticavam a escravidão, por exemplo, foram censuradas em diversas cortes de estados escra- vagistas sob o argumento de causar danos ao direito de propriedade. Coube a jornalistas, advogados, intelectuais e ativistas contestar essa doutrina e muitas vezes promover a circulação de obras abolicionistas ilegalmente. Ou seja, enquanto setores do judiciário norte-america- no impunham uma visão restritiva e racista da liberdade de expressão, coube à sociedade civil ampliar os seus limites na prática. Ecos de uma concepção de liberdade de expressão mais ampla, de raiz popular, chegariam à Suprema Corte dos Estados Unidos apenas na década de 1920. Anos antes, Benjamin Gitlow, membro do Partido Socialista, foi processado pelo estado de Nova Iorque pelo crime de anarquia após ter publicado no periódico “The Revolutionary Age” o texto “The Left Wing Manifesto”. Embora sua defesa tenha alegado que o artigo se tratava de uma análise histórica, não de uma incitação revolucionária, Gitlow foi considerado culpado pela corte estadual, tendo sua condenação confirmada pela maioria da Suprema Corte em 1925. Porém, durante o julgamento, foi possível vislumbrar a penetração de uma concepção mais ampla da liberdade de expressão entre juízes da corte. Em um histórico voto dissidente, o juiz Oliver Wendell Holmes Jr. registraria que: “toda ideia é um incitamento. Ela se oferece para a crença e, se acreditada, é praticada a menos que outra crença a supere, ou a falta de empenho sufoque o movimento em seu nascimento. A única diferença entre a expressão de uma opinião e uma incitação, no sentidomais restrito, é o entusiasmo do orador pelo resultado”. No Brasil, também a liberdade de expressão e de imprensa foram uma conquista da sociedade civil após décadas de censura ao longo do século 20, não uma concessão da burocracia estatal. Historicamente, a ampla liberdade de expressão sempre foi um instrumento popular para fustigar o poder estabelecido em prol de mudanças sociais. Não podemos deixar que contextos políticos nublados nos façam esquecer disso. Os benefícios de uma ampla liberdade de expressão e de imprensa são maiores do que os malefícios de sua utilização para o cometimento de crimes (que devem ser punidos através do devido processo legal). Aceitar a premissa de que uma ideia ou opinião deva ser censurada, talvez até por algoritmos, antes de alcançar o espaço público devido ao seu possível dano social ou eleitoral, sem crime determinado e comprovado, é lançar um bumerangue autoritário que mais cedo ou mais tarde voltará. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 14 set. 2022. A organização textual revela a dominância da sequência (A) argumentativa, caracterizada pela contestação de uma afirmação preexistente, que é confrontada com uma nova afirmação a ser sustentada por fatos, visando à conclusão. (B) argumentativa, caracterizada pela existência de uma situação inicial, seguida de situações complicadoras que, após serem resolvi- das, geram uma situação final. (C) narrativa, caracterizada pela contestação de uma afirmação preexistente, que é confrontada com uma nova afirmação a ser sus- tentada por fatos, visando à conclusão. (D) narrativa, caracterizada pela existência de uma situação inicial, seguida de situações complicadoras que, após serem resolvidas, geram uma situação final. 19- CS-UFG - 2023 Leia o Texto 1 para responder a questão. Texto 1 Como se referir a pessoas que possuem deficiência? A pergunta é feita com frequência ao Núcleo de Inclusão. A resposta é muito simples: Pessoa com Deficiência, que é a forma correta e oficial. LÍNGUA PORTUGUESA 65 a solução para o seu concurso! Editora Essa terminologia foi definida pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, sendo aprovado em 13 de dezembro de 2006 pela Assembleia Geral da ONU. O termo foi ratificado no Brasil, com equivalência de emenda constitucional, pelo Decreto Legislativo nº 186/2008 e promulgado pelo Decreto nº 6.949/2009. Pessoa Portadora de Deficiência (PPD) ou Portador de Necessidades Especiais (PNE) são termos incorretos e devem ser evitados, uma vez que não traduzem a realidade de quem possui deficiência. A deficiência não se porta, ela é uma condição existencial da pessoa. Esperamos que essa primeira Semente da Inclusão tenha sido útil para você. Acreditamos que o respeito à diversidade é solo fértil para o desenvolvimento de ideias inovadoras e garantia de uma Justiça acessível para todos. Para mais informações, procure o Núcleo de Inclusão do TJDFT. MORAGAS, Vicente Junqueira. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Território. Disponível em:<https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade/pu- blicacoes/sementes-da-inclusao/como-se-referir-a-pessoas-que-possuem-deficiencia>. Acesso em: 10 nov. 2023. [Adaptado]. Em relação à organização textual e ao tema abordado, o segundo parágrafo apresenta característica (A) dialogal, por meio de interlocução dinâmica, acerca de mudanças de estado formal e de conteúdo ocorridas com uma terminologia usada para se referir a um público específico. (B) descritiva, a partir de uma percepção subjetiva, de acontecimentos relacionados ao emprego de termos técnicos para se referir a um determinado grupo de pessoas. (C) argumentativa, por meio da apresentação de motivos e evidências, para convencimento do uso de determinada terminologia para fazer referência a um grupo social. (D) injuntiva, por intermédio de orientações e instruções, sobre o uso de uma terminologia específica para fazer referência a um de- terminado grupo de pessoas. 20-CESGRANRIO - 2022 LÍNGUA PORTUGUESA 6666 a solução para o seu concurso! Editora No texto, os dois primeiros parágrafos estabelecem entre si a seguinte relação: (A) apresentação de problema / definição de conceitos (B) definição de termos / exemplificação de casos (C) proposição de tese / desenvolvimento de argumentos (D) situação hipotética / comprovação por evidências (E) relato de caso / explicitação de motivação GABARITO 1 A 2 B 3 D 4 C 5 C 6 C 7 C 8 B 9 D 10 E 11 C 12 A 13 A 14 B 15 C 16 E 17 B 18 A 19 C 20 A ANOTAÇÕES _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 67 a solução para o seu concurso! Editora LÍNGUA INGLESA CONHECIMENTO DE UM VOCABULÁRIO FUNDAMENTAL E DOS ASPECTOS GRAMATICAIS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DE TEXTOS Vestimentas Vestimentas T-shirt camiseta Sweatshirt Blusa de moletom Shirt camisa Suit terno Pants calça Tie gravata LÍNGUA INGLESA 6868 a solução para o seu concurso! Editora Wedding dress vestido de noiva Jacket jaqueta Skirt saia Coat casaco Shorts Bermuda Dress vestido Underpants cueca Panties calcinha Bra sutiã Nightgown camisola Pajamas pijama Robe roupão Scarf cachecol Uniform uniforme Singlet regata Swimming Trunks sunga Swimsuit maiô Bikini biquíni Cotidiano U.S. Money U.S. Money US$ 1 Dollar 100 cents bills $1, $5, $10, $20, $50, $100 Coins 1c, 5c, 10c, 25c, $1 Penny 1 cent Nickel 5 cents Dime 10 cents Quarter 25 cents Ways to pay Check cheque Cash em dinheiro Note/bill nota Coin moeda Credit card cartão de crédito Materials Acrylic acrílico Cotton algodão Denim brim Fleece/wool lã Gold ouro Leather couro Linen linho Plastic plástico Rubber borracha Silk seda Silver prata Educação Nursery School pré-escola Elementary school ou Primary School Ensino fundamental I Secondary school Ensino fundamental II High school Ensino médio College/University Faculdade/universidade Subjects Inglês English Matemática Mathematics (Math) História History Geografia Geography Química Chemistry Física Physics Ciência Science Biologia Biology Educação Física Physical Education (P.E.) Artes Arts Música Music Literatura Literature Redação Writing Português Portuguese Espanhol Spanish Diversão e mídia Movies/cinema cnema Theater teatro Bar/Pub bar Restaurant restaurante Café lanchonete Park parque Concert show Play peça de teatro LÍNGUA INGLESA 69 a solução para o seu concurso! Editora Tecnologia Cellphone/mobile phone celular Laptop notebook Personal computer(PC) Computador Printer impressora Keyboard teclado Mouse mouse Television televisão Meio ambiente Environment meio ambiente Ozone layer camada de ozônio Water água Tree árvore Weather clima Animals animais Air ar Wind vento Rain chuva Snow neve Fogneblina Hurricane furacão Storm tempestade Lightning relâmpago Thunder trovão Comida e bebida Bread Pão Butter Manteiga Cake Bolo Cheese Queijo Chicken Frango Chips Salgadinhos Chocolate Chocolate Corn flakes Cereal Egg Ovo Fish Peixe French fries Batata-frita Ham Presunto Ice cream Sorvete Jam Geleia Jello Gelatina Margarine Margarina Mashed potatoes Purê de batatas Meat Carne Pancacke Panqueca Pasta Macarrão Peanut Amendoim Peanut butter pasta de amendoim Pepper Pimenta Pie Torta Pizza Pizza Popsicle Picolé Potato chips Batata-frita Rice Arroz Salt Sal Sandwich Sanduíche Sliced bread Pão fatiado Soup Sopa Sugar Açúcar Toast Torrada Water cracker Bolacha de água e sal Meat (carne) Bacon Bacon Barbecue Churrasco Beef Carne de vaca Beef Jerky Carne seca Blood sausage Chouriço Carp Carpa Chicken Frango Chicken legs Pernas de Frango Chicken wings Asas de Frango Cod Bacalhau Crab Caranguejo Duck Pato Fish Peixe Grilled fish Peixe grelhado Ground beef Carne moída Hamburger Hambúrguer Lobster Lagosta Meatball Almôndega Mortadella Mortadela Pork chops Costeletas de porco LÍNGUA INGLESA 7070 a solução para o seu concurso! Editora Pork legs Pernas de porco Pork loin Lombo de porco Rib cuts Costela Roast chicken Frango assado Salami Salame Salmon Salmão Sausage Linguiça Shrimp Camarão Sirloin Lombo Smoked sausage salsicha defumada Squid Lula Steak Bife Stew meat Guisado de carne T-bone steak Bife t-bone Tenderloin Filé mignon Tuna Atum Turkey Peru Veal Vitela Vegetables (vegetais) Anise Anis Asparagus Espargos Beans Feijão Beet Beterraba Broccoli Brócolis Cabbage Repolho Carrot Cenoura Cauliflower Couve-flor Celery Aipo/Salsão Corn Milho Cucumbers Pepinos Eggplant Berinjela Garlic Alho Ginger Gengibre Green onion Cebolinha verde Heart of Palms Palmito Leeks Alho-poró Lettuce Alface Manioc Mandioca Mushroom Cogumelo Okra Quiabo Olives Azeitonas Onion Cebola Pepper Pimenta Pickles Picles Potato Batata Pumpkin Abóbora Radish Rabanete Rucola Rúcula Snow pea Ervilha Spinach Espinafre Sweet potato Batata doce Tomato Tomate Turnip Nabo Watercress Agrião Yams Inhame Fruits (frutas) Apple Maçã Apricots Damascos Avocado Abacate Banana Banana Blackberry Amora Blueberry Mirtilo Cashew nut Castanha de Cajú Cherry Cereja Coconut Coco Figs Figos Grapes Uvas Guava Goiaba Honeydew melon Melão Jackfruit Jaca Kiwi Kiwi Lemon Limão Mango Manga Orange Laranja Papaya Mamão Passion fruit Maracujá Peach Pêssego Pear Pera Pineapple Abacaxi Plum Ameixa Prune Ameixa-seca Start fruit Carambola Strawberry Morango Tamarind Tamarindo LÍNGUA INGLESA 71 a solução para o seu concurso! Editora Tangerine Tangerina Watermelon Melancia Drinks (bebidas) Beer Cerveja Brandy Aguardente Champagne Champanhe Chocolate Chocolate Cocktail Coquetel Coffee Café Coffee-and-milk Café-com-leite Draft beer Chope Gin Gim Hot chocolate Chocolate quente Juice Suco Lime juice Limonada Liqueur Licor Milk Leite Mineral water Água mineral Red wine Vinho tinto Rum Rum Soda Refrigerante Sparkling mineral water Água mineral com gás Still mineral water Água mineral sem gás Tonic water Água tônica Vodka Vodca Water Água Whiskey Uísque White wine Vinho branco Yogurt Iogurte Tempo livre, “hobbies” e lazer Bowling boliche Camping acampar Canoeing canoagem Card games jogos de baralho Chess xadrez Cooking cozinhar Crossword puzzl palavras cruzadas Dancing dançar Drawing desenhar Embroidery bordado LÍNGUA INGLESA 7272 a solução para o seu concurso! Editora Fishing pesca Gardening jardinagem Hiking caminhar Hunting caçar Jogging corrida Knitting tricotar Mountaineering escalar montanhas Painting pintar Photography fotografia Playing video games jogar vídeo games Reading leitura Riding a bike andar de bicicleta Sculpting esculpir Sewing costurar Singing cantar Skating andar de patins ou skate Skiing esquiar Stamp collecting colecionar selos Surfing surfar Working out malhar Saúde e exercícios LÍNGUA INGLESA 73 a solução para o seu concurso! Editora Health Problems and Diseases (problemas de saúde e doenças) Skin occurrences (Ocorrências na pele) Blemish mancha Bruise contusão Dandruff caspa Freckle sarda Itching coceira Pimple espinha Rasch erupção da pele Scar cicatriz Spot sinal, marca Wart verruga Wound ferida Wrinkle ruga Aches (Dores) Backache dor nas costas Earache dor de ouvido Headache dor de cabeça Heartache dor no peito stomachache dor de estômago Toothache dor de dente Cold and Flu (Resfriado e Gripe) Cough tosse Fever febre Running nose nariz entupido Sneeze espirro Sore throat garganta inflamada Tonsilitis amigdalitis Other Diseases (Outras doenças) Aneurism aneurisma Appendicitis apendicite Asthma asma Bronchitis bronquite Cancer câncer Cirrhosis - cirrose Diabetes diabetes Hepatitis hepatite High Blood Pressure hipertensão (pressão alta) LÍNGUA INGLESA 7474 a solução para o seu concurso! Editora Pneumonia pneumonia Rheumatism reumatismo Tuberculosis tuberculose Povos e línguas Sentimentos, opiniões e experiências Happy feliz Afraid com medo Sad triste Hot com calor Amused divertido Bored entediado Anxious ansioso Confident confiante Cold com frio Suspicious suspeito Surprised surpreso Loving amoroso Curious curioso LÍNGUA INGLESA 75 a solução para o seu concurso! Editora Envious invejoso Jealous ciumento Miserable miserável Confused confuso Stupid burro Angry com raiva Sick enjoado/doente Ashamed envergonhado Indifferent indiferente Determined determinado Crazy louco Depressed depressivo Frightened assustado Interested interessado Shy tímido Hopeful esperançoso Regretful arrependido Scared assustado Stubborn teimoso Thirsty com sede Guilty culpado Nervous nervoso Embarrassed envergonhado Disgusted enojado Proud orgulhoso Lonely solitário Frustrated frustrado Hurt magoado Hungry com fome Tired cansado Thoughtful pensativo Optimistic otimista Relieved aliviado Shocked chocado Sleepy com sono Excited animado Bad mal Worried preocupado Identificação pessoal First name Primeiro nome Middle name Nome do meio Last name Último nome Full name Nome completo Date of Birth Data de nascimento Age Idade Sex Sexo Place of Birth Local de nascimento Nationality Nacionalidade Occupation Ocupação/profissão Address Endereço City Cidade Country País Zip code/Post code Código postal (CEP) Phone number Número de telefone E-mail address Endereço de e-mail Lugares e edificações Airport Aeroporto Amusement park Parque de diversões Aquarium Aquário Art gallery Galeria de arte ATM (Automatic Teller Ma- chine) Caixa eletrônico Auto repair shop ou Garage Oficina mecânica Avenue Avenida Baby store Loja infantil ou bebê Barber shop Barbearia Bakery Padaria Bank Banco Beach Praia Beauty salon/parlor/shop Salão de beleza Block Quarteirão Bookstore ou Bookshop Livraria Bridge Ponte Building Edifício ou Prédio Bus station Rodoviária Bus stop Ponto de ônibus Butcher shop Açougue Cabstand ou Taxi stand Ponto de taxi Capital Capital Cathedral Catedral Cemetery Cemitério Chapel Capela Church Igreja Circus Circo LÍNGUA INGLESA 7676 a solução para o seu concurso! Editora City Cidade Clothing store Loja de roupas Club Clube Coffee shop Cafeteria College Faculdade Computer store Loja de informática Concert hall Casa de espetáculos ou Sala de concertos Convenience store Loja de conveniência Corner Esquina Costume store Loja de Fantasia Court Quadra de esportes ou pode ser Tribunal ou comu-mente chamado de Fórum, depende do contexto. Crosswalk/Pedestrian cros- sing/Zebra crossing Faixa de pedestres Cul-de-sac ou Dead end street Beco ou Rua sem saída City hall Prefeitura Dental clinic Clinica dentária ou Consul-tório Odontológico Downtown Centro da cidade Driving school Auto escola Drugstore Farmácia ou Drogaria Factory Fábrica Field Campo Fire station Posto ou Quartel de bom-beiros Fishmonger’s Peixaria Flower show Floricultura Food Truck Food Truck ou Caminhão que vende comida Gas station Posto de gasolina Glasses store ou Optical store Loja de Ótica Greengrocer Quitanda Grocery store Mercearia Gym Academia de ginástica Hair salon Cabeleireiro Hardware store Loja de ferramentas Health Clinic/Center Clinica ou Posto de saúde Hospital Hospital Hotel Hotel House Casa Ice Cream Shop/Parlor Sorveteria Intersection ou Crossroad Cruzamento Jail ou Prison Cadeia ou Prisão Jewelry store Joalheria Kiosk Quiosque Lake Lago Laundromat ou Laundry Lavanderia Library Biblioteca Lottery retailer ou Lottery kiosk Casa lotérica Mall Shopping center Metropolis metrópole Monument Monumento Mosque Mesquita Movie theater Cinema Museum Museu Neighborhood Bairro Newsstand Banca de jornal Office Escritório One-way street Rua de mão única ou senti-do único Outskirts ou Suburb Periferia ou Subúrbio Park Parque Parking lot Estacionamento Penitentiary Presídio ou Penitenciária Perfume shop Perfumaria Pet Shop Pet Shop Pizzeria Pizzaria Place Lugar Playground Parque infantil Police station Delegacia de polícia Port Porto Post office Agência de correios Pub Bar Real estate agency Imobiliária Reference point ou Landmark Ponto de referência Restaurant Restaurante River Rio Road Estrada Rotary ou Roundabout Rotatória School Escola Shoe store Sapataria Sidewalk Calçada Snack bar Lanchonete LÍNGUA INGLESA 77 a solução para o seu concurso! Editora Square Praça Stadium Estádio Station Estação Stationery store Papelaria Steak House Churrascaria Store Loja Street Rua Subway station Estação de metrô Supermarket Supermercado Synagogue Sinagoga Temple Templo Town Cidade pequena ou Muni-cípio Toy store ou Toy shop Loja de brinquedos Train station Estação de trem Travel agency Agência de viagens University Universidade Zoo Zoológico Relacionamento com outras pessoas Parents pais Father pai Mother mãe Son filho Daughter filha Siblings irmãos Brother irmão Sister irmã Halfbrother meio-irmão Halfsister meia-irmã Only child filho único Wife esposa Husband esposo Fiancé noivo Bride noiva Uncle tio Aunt tia Cousin primo e prima Nephew sobrinho Niece sobrinha Grandparents avós Grandfather avô Grandmother avó Grandson neto Granddaughter neta Great grandfather bisavô Great grandmother bisavó Great grandson bisneto Great granddau- ghter bisneta Father-in-law sogro Mother-in-law sogra Brother-in-law cunhado Sister-in-law cunhada Stepfather padrasto Stepmother madrasta Stepson enteado Stepdaughter enteada Foster parents pais adotivos Foster father pai adotivo Foster mother mãe adotiva Transporte e serviços Airliner Avião comercial (Aviões maio- res geralmente chamados de boeing) Airplane ou apenas plane Avião Bike Bicicleta Boat Barco ou bote Bus Ônibus Canoe Canoa Car Carro Carriage Carruagem Cruiser Cruzeiro Ferry Balsa Glider Planador Helicopter ou chopper (informal) Helicóptero Jet Jato ou como falamos às vezes, jatinho Moped ou scooter Motocicleta ou mobilete (Patinete também pode ser chamado de scooter) Motorbike Motocicleta ou simplesmente moto Motorboat Lancha Ocean liner Transatlântico On foot A pé LÍNGUA INGLESA 7878 a solução para o seu concurso! Editora Pickup truck Caminhonete Raft Jangada Roller skates Patins Sailboat Veleiro ou barco à vela School bus Ônibus escolar Ship Navio Skateboard Skate Streetcar ou trolley Bonde Subway ou metro (inglês americano) ou The under- ground ou informalmente the tube (inglês britânico) Metrô Taxi ou cab Táxi Train Trem Truck Caminhão Van Furgão ou van Compras Algumas placas com informações importantes Out to lunch Horário de almoço Buy one get one free Pague um, leve dois. Outras formas de passar essa mesma ideia são BOGOF (sigla para a mesma expressão) e two for one (dois por um). Clearance sale/Reduced to clear/Closing down sale Liquidação Conversando com atendentes Excuse me, I’m looking for… Licença, eu estou procurando por… I’m just looking/browsing, thanks. Estou só olhando, obrigado(a). Do you have this in… Você tem isso em…Complete com o que você precisa que mude na peça A bigger size (um tamanho maior)? / Yellow (amarelo)? / Pink (rosa)? Could I return this? Eu poderia devolver isso? Could I try this on? Posso provar? What are the store’s opening hours? Qual o horário em que a loja abre? Esporte Individual Sports Esportes Indivi-duais Athletics Atletismo Automobilism Automobilismo Artistic Gymnastics Ginástica Artística Boxing Boxe Bowling Boliche LÍNGUA INGLESA 79 a solução para o seu concurso! Editora Canoeing Canoagem Cycling Ciclismo Equestrianism Hipismo Fencing Esgrima Golf Golfe Jiujitsu Jiu Judo Judô Karate Caratê Motorcycling Motociclismo Mountaineering Alpinismo Olympic Diving Salto Ornamental Skiing Esqui Sumo Sumô Surfing Surfe Swimming Natação Table tennis Tênis de mesa/Pingue Taekwon Do Tennis Tênis Triathlon Triatlo Weightlifting Halterofilismo Team Sports Esportes Coletivos Badminton Badminton Baseball Beisebol Basketball Basquete Beach Soccer Futebol de Areia Beach Volleyball Vôlei de Praia Football Futebol Americano Footvolley Futevôlei Futsal Futsal Handball Handebol Hockey Hóquei Polo Polo Rhythmic Gymnastics Ginástica Rítmica Rugby Rúgbi Soccer Futebol Synchronized Swimming Nado Sincronizado Volleyball Vôlei Water Polo Polo Aquático Mundo natural Animais em inglês principais animais domésticos (pets) Bird Pássaro; Bunny Coelhinho; Cat Gato; Dog Cachorro; GuineaPig Porquinho da Índia; Mouse Rato/Camundongo; Parrot Papagaio; Rabbit Coelho; Turtle Tartaruga. Animais em inglês principais nomes de aves Chicken Galinha; Rooster Galo; Pigeon Pomba; Peacock Pavão; Hawk Falcão; Swan Cisne; Sparrow Pardal; Duck Pato. Animais em inglês principais animais selvagens Alligator Jacaré; Bat Morcego; Bear Urso; Crocodile Crocodilo; Deer Viado; Elephant Elefante; Eagle Águia; Giraffe Girafa; Hippo Hipopótamo; Kangaroo Canguru; Lion Leão; Monkey Macaco; Owl curuja; Pig Porco; Snake Cobra; Squirrel Esquilo; Stag Cervo; Tiger Tigre; LÍNGUA INGLESA 8080 a solução para o seu concurso! Editora Zebra Zebra; Wolf Lobo. Animais em inglês principais insetos Ant Formiga; Mite Ácaro; Bee Abelha; Beetle Besouro; Butterfly Borboleta; Caterpillar Lagarta; Cockroach Barata; Cricket Grilo; Fly Mosca; Flea Pulga; Firefly Vagalume; Grasshoper Grilo; Ladybug Joaninha; Louseorlice Piolho; Mosquito Pernilongo/Mos- quito; Snail Caracol; Spider Aranha; Tick Carrapato; Termite Cupim. Animais em inglês principais animais marítimos Crab Caranguejo; Dolphin Golfinho; Fish Peixe; Octopus Polvo; Penguin Pinguim; Seal Foca; Shark Tubarão; Whale Baleia. Animais em inglês principais tipos de peixes Carp Carpa; Dogfish Cação; Dried Salted Cod Bacalhau; Flounder Linguado; Hake Pescada; Scabbardfish PeixeEspada; Tuna Atum; Tilapia Tilápia; Trout Truta. Animais brasileiros em inglês Capivara Capybara; Boto Cor-de-rosa Pink Dolphin; Lobo guará Maned Wolf; Mico Leão Dourado Golden Lion Ta- marin; Onça Pintada Jaguar; Tamanduá Bandira Giantanteater; Tatu Armadilo; Tucano Toucan;Quati Coati. Plantas em inglês Português Inglês árvore tree alecrim rosemary ameixieira plum tree arbusto bush / shrub azaleia azalea azevinho holly açafrão turmeric bordo maple bromélia bromeliads bétula birch canela cinnamon carvalho oak castanheiro horse chestnut tree caule stem cebola onion cebolinha green onion cedro cedar cerejeira cherry tree coentro cilantro colorau red spice mix LÍNGUA INGLESA 81 a solução para o seu concurso! Editora cominho cumin coqueiro coconut tree cravo clove erva herb ervas finas fine herbs figueira fig tree folha de louro bay leaves gengibre ginger girassol sunflower grama grass lírio lily macieira apple tree manjericão basil margarida daisy melissa melissa musgo moss noz moscada nutmeg oliveira olive tree orquídea orchid orégano oregano papoula poppy pereira pear tree pinheiro pine tree planta plant páprica paprika rosa rose salgueiro willow salsa parsley samambaia fern tulipa tulip violeta violet vitória-régia waterlily Viagens e férias Vocabulário Time off. Tempo fora do trabalho. Day off. Dia de folga. Vacation. Férias. Go away. Ir viajar. Travel. Viajar. Take a trip. Fazer uma viagem. Take time off. Tirar um tempo fora do trabalho. Go to the beach. Ir para a praia. Go to the country. Ir para o interior. Como foram suas férias How was your vacation? Como foram as suas férias? It was good. Foram boas. It was amazing. Foram demais. It was very relaxing. Foi muito relaxante. Para onde você foi Where did you go? Onde você foi? We went to the beach. Nós fomos para a praia. I went to the country with my family. Eu fui para o interior com minha família. We took a trip to Hawaii. Nós fizemos uma via- gem para o Hawaii. We went to visit our family in France. Nós fomos visitar a nos- sa família na França. Who did you go with? Com quem você foi? I went with my sister and brother. Eu fui com a minha irmã e meu irmão. I went with my husband and kids. Eu fui com meu marido, esposo e crianças. I went with my wife and kids. Eu fui com a minha esposa e crianças. I went with my classma- tes. Eu fui com os meus colegas de aula. Como você viajou How did you go? Como que você foi? We went by plane. Nós fomos de avião. We went by car. Nós fomos de carro. LÍNGUA INGLESA 8282 a solução para o seu concurso! Editora Coisas para fazer nas férias Read. Ler. Read. Leu. (Só muda a pronúncia) Go swimming. Ir nadar ou nadar. Went swimming. Fui ou foi nadar. Play beach soccer. Jogar futebol de areia ou de praia. Played beach soccer. Jogou futebol de areia. Make a bonfire. Fazer uma fogueira. Made a bonfire. Fez uma fogueira Play the guitar. Tocar violão. Played the guitar. Tocou violão. Throw a bonfire party. Dar uma festa com fogueira. Threw a bonfire party. Deu uma festa com fogueira. Write messages in the sand. Escrever mensagens na areia. Wrote messages in the sand. Escreveu mensagens na areia. Walk on the boardwalk. Caminhar no calçadão de madeira. Walked on the boar- dwalk. Caminhou no calçadão de madeira. atch free summer concerts. Assistir shows de verão gra- tuito. Watched free summer concerts. Assistiu shows de verão gratuito. Have a picnic. Ter um piquenique. Had a picnic. Teve um piquenique. Play frisbee. Jogar frisbee. Played frisbee. Jogou frisbee. Look for seashells. Procurar por conchas do mar. Looked for seashells. Procurou por conchas do mar. Watch the sunset. Assistir o pôr-do-sol. Watched the sunset. Assistiu o pôr-do-sol. Search for historic sites. Procurar por lugares históri-cos. Searched for historic sites. Procurou por lugares históri- cos. Get a tan. Pegar um bronzeado. Got a tan. Pegou um bronzeado. Go sunbathing ou go tanning. Ir tomar banho de sol, se bronzear. Went sunbathing. Foi se bronzear. Get a sunburn. Pegar uma queimadura do sol. Got a sunburn. Pegou uma queimadura do sol. Get sunburn. Se queimar, ser queimado pelo sol. Got sunburn. Se queimou do sol. Wear sunscreen ou wear sunblock. Usar protetor solar. Wore sunscreen. Usou protetor solar. Use tanning lotion. Usar bronzeador. Used tanning lotion. Usou bronzeador. Tempo As horas em inglês podem vir acompanhadas de algu- mas expressões de tempo como Day dia Today hoje Yesterday ontem The day before yesterday anteontem Tomorrow amanhã The day after tomorrow depois de amanhã Morning manhã Afternoon tarde Evening noite Night noite Tonight esta noite Midday meio-dia At noon ao meio-dia Midnight meia noite At midnight à meia-noite LÍNGUA INGLESA 83 a solução para o seu concurso! Editora Para informar as horas em inglês usa-se o “it is” ou “it’s” e os números correspondentes (da hora e dos minutos) _ Exemplo _ 4 _35 _ It is four thirty-five. A expressão “o’clock” é utilizada para indicar as horas exatas _ Exemplo _ 3 _00 _ It is three o’clock. A expressão “past” é usada para indicar os minutos antes do 30 _ Exemplo _ 6 _20 _ It is six twenty ou It is twenty past six. A expressão “a quarter” é usada para indicar um quarto de hora (15 minutos) _ Exemplo _ 3 _15 _ It is three fifteen ou It is a quarter past three. A expressão “half past” é usada para indicar meia hora (30 mi- nutos) _ Exemplo _ 8 _30 _ It is eight thirty ou It is half past eight. Note que depois dos 30 minutos, em vez da expressão “past”, utilizamos o “to” _ Exemplo _ 8.45 _ It is eight forty-five ou It is a quarter to nine. Utilizamos as expressões a.m. e p.m. para indicar quando o ho- rário em inglês ocorre antes ou depois de meio-dia. a.m. _ antes do meio-dia p.m. _ depois do meio-dia Trabalho e empregos Accountant contador Actor ator Actress atriz Administrator administrador Agronomist agrônomo Anthropologist antropólogo Archaeologist / archeologist arqueólogo Architect arquiteto Astronaut astronauta Astronomer astrônomo Athlete atleta Babysitter, baby- -sitter, sitter, nanny (ame) babá Baker padeiro Bank clerk bancário Banker banqueiro; ban-cário Bank teller caixa de banco Barber barbeiro Barista barista (quem tira café em casas espe- cializadas) Bartender barman Bellhop, bellboy mensageiro (em hotel) Biologist biólogo Biomedical scientist biomédico Blacksmith ferreiro Bricklayer, mason pedreiro Broker corretor (de segu- ros, de investimen- tos etc., menos de imóveis) Butcher açougueiro Butler, major-domo mordomo Buyer comprador Cabdriver, cab driver, taxi driver, cabby, cabbie taxista Cabinet-maker marceneiro Carpenter carpinteiro Cartoonist cartunista Cattle breeder, cattle raiser, cattle farmer, cattle rancher pecuarista Cashier caixa Chef chef Chemist (bre) farmacêutico Chemist (ame) químico Civil Servant servidor público, funcionário público Clerk auxiliar de escri-tório Coach treinador, técnico esportivo Cobbler sapateiro Comedian comediante Commentator comentarista (rá-dio e TV) Composer compositor Computer program- mer programador Conference inter- preter intérprete de con- ferência Contractor empreiteiro Consultant consultor LÍNGUA INGLESA 8484 a solução para o seu concurso! Editora Cook cozinheiro Dancer dançarino Dentist dentista Designer designer, projetis-ta, desenhista Diplomat diplomata Doctor, medical doctor, physician médico Doorman porteiro Driver motorista, piloto de automóvel Economist economista Editor editor; revisor Electrician eletricista Engineer engenheiro, ma-quinista Farmer fazendeiro; produ-tor rural; agricultor Filmmaker cineasta, produtor de cinema, diretor de cinema Firefighter, fireman bombeiro Fisherman pescador Flight attendant comissário de bordo Foreman capataz; encarre-gado Garbageman (ame); dustman (bre) lixeiro Gardener jardineiro Geographer geógrafo Geologist geólogo Geogra-pher Geógrafo(a) Glazervidraceiro Graphic designer designer gráfico Gravedigger coveiro Guide guia Hairdresser, hairs- tylist cabeleireiro Headmaster, princi- pal (ame) diretor (de escola) Historian historiador Housewife dona de casa Illustrator ilustrador Interior designer designer de inte-riores, decorador Interpreter intérprete Jailer carcereiro Janitor, superinten- dent, custodian zelador Journalist jornalista Jeweller (bre), Jeweler (ame) joalheiro Judge juiz (de direito) Lawyer advogado Librarian bibliotecário Lifeguard salva-vidas, guar-da-vidas Locksmith serralheiro; cha-veiro Maid empregada domés-tica Male nurse enfermeiro Manager gerente Mathematician matemático Mechanic mecânico Medic militar do Serviço de Saúde; médico Meteorologist meteorologista Midwife parteira Miner mineiro Milkman leiteiro model modelo Musician músico Nanny (ame) babá Nurse enfermeiro, enfer-meira Occupational the- rapist terapeuta ocupa- cional Optician, optome- trist oculista Painter pintor Paleontologist paleontólogo Paramedic paramédico Personal TRAINER personal Pharmacist farmacêutico (ame) Cf. CHEMIST Philosopher filósofo Photographer fotógrafo Physicist físico Physiotherapist fisioterapeuta Pilot piloto (menos de automóvel), prático LÍNGUA INGLESA 85 a solução para o seu concurso! Editora Playwright dramaturgo Plumber encanador, bom-beiro (RJ) Poet poeta Police officer, offi- cer, constable policial Politician político Porter porteiro Postman, mailman carteiro Producer produtor (em geral artístico) Professor professor (univer-sitário) Proofreader revisor Psychiatrist psiquiatra Psychologist psicólogo Publisher editor Real estate agent, realtor corretor de imóveis Receptionist recepcionista Referee árbitro, juiz (espor- tes), perito (respon- sável por análise de artigos científicos) Reporter repórter Researcher pesquisador Sailor, seaman marinheiro Salesman* vendedor Sales representati- ve, sales rep vendedor Saleswoman* vendedora Scientist cientista Screenwriter roteirista Sculptor escultor Seamstress costureira Secretary secretária Shopkeeper (ame), storekeeper (bre), shop owner, mer- chant lojista, comer- ciante Singer, vocalist cantor Social worker assistente social Speech therapist fonoaudiólogo Statistician estatístico Systems analyst analista de siste-mas Tailor alfaiate Teacher professor Operator operador Operator, telepho- ne operator telefonista Teller caixa (geralmente de banco) Trader trader, opera- dor (em bolsa de valores) Translator tradutor Travel agent agente de viagens Treasurer tesoureiro Valet manobrista Vet, veterinarian veterinário Waiter* garçom Waitress* garçonete Welder soldador Writer escritor Zoologist zoólogo A Marinha Proa Bow Popa Stern \ astern Bombordo port Boreste starboard Convés deck Linha d aqua water line Castelo de Proa forecastle Boca beans Comprimento (LOA) length overall Obras Vivas botton Obras Mortas topsides Pontal depth Calado de Vante Draught forward Tombadilho Fanny Calado a ré draught forward Costado ribcage Plano diametral diametral plane Bochecha tack Alheta wing \ quarter Passadisso gangway \ bridge Casco hull Borda livre free board LÍNGUA INGLESA 8686 a solução para o seu concurso! Editora Displacement tonelagem Notice to marine aviso aos nave- gantes List of Lights lista de faróis Full Load plena carga Fuel combustível Cruising speed velocidade de cruzeiro Draft projeto Length comprimento Inland Waters águas interiores Bússula compass Ship navio Ocean liner navio transatlân- tico Tug rebocador Gross Tonnage arqueação bruta Tanker Ship Navio Petroleiro Plataform Ship navio plataforma Vessel navio embarcação Broken quebrado Rope cabo Boom pau de carga Starboard boreste Port bombordo Speed velocidade Ahead a frente Crew tripulação Stern popa Fire fogo Fireman bombeiro Hose mangueira Fire Hose mangueira de incêndio Tonnage Length comprimento tonelagem Scend Caturro Heel adernar (mesmo que banda) Bulkhead Antepara Flush Deck convés corrido Hold porão Bollard cabeço no cais Bitt cabeço no navio Profissões a bordo no navio Captain of Long Haul capitão de longo curso Auxiliary Health auxiliar de saúde Steward taifeiro Cook cozinheiro Pumpman bombeiro (trabalha com bombas) Nurse enfermeiro Officer oficial Skipper patrão Helmsman timoneiro Bo’sun mestre ou contra mestre Seaman homem do mar Sailor marinheiro Engineer chefe de máquinas Mid Ship meio navio Ship’s Articles rol de equipagem Ship’s Log diário de bordo Insurance Certifi- cate certificado de seguro Customs Clearance aduaneiro Charter Party Fretamento Bill of Health certificado de saúde Charts cartas hidrográficas International Convention for the Safety of Live at Sea convenção interna- cional de salvaguar- da da vida humana no mar. (Solas) STCW Standards of trai- ning certification and watchkeeping convenção inter- nacional sobre normas de forma- ção certificação e service de quarto para marinheiro. EPP personal projective equipament EPI equipamento de proteção indivi- dual. Fire Extinguisher extintor de incên-dio Rudder leme Helm timão Bosun’s Locker paiol do mestre Oars remos Buoy boia LÍNGUA INGLESA 87 a solução para o seu concurso! Editora Fire Alarm alarme de incêndio Rope Ladder escada de quebra peito Gangway passadiço Ports portos Port Captaincy capitania dos portos Yacht Harbours docas de recreio Coast Guard guarda costeira Watch Tower posto de vigia Life Boat Station Estação de Salva Vidas Dependências a bordo Galley cozinha Crew Mess refeitório da tripulação Stateroom cabine de dormir Amarração de cabos Rope cabo \ corda Dock line cabo de amarração Warp lais de guia Reef Knot nó direito Volta do Fiel clove hitch Fisherman’s Bend volta do Anete Kink coca (nó na mangueira) Yarn fibra Order ordem Anchor ancora Estivagem de carga Rope Sling linga de cabo Bags Balles bolsas de fardos Steel plates chapas de aço Homem ao mar man over board Merchant Ship Navio mercante Chamadas e comunicações Não especificado unspecified Explosion explosão Alagado flooding Collision colisão Grounding encalhando Adernado listing Capsizing emborcando Sin King naufragando Disabled sem governo Adrift a deriva Abandonar o navio abandoning ship Piracy pirataria Ataque armado armed attack Grande big QUESTÕES 1. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova A” Fed’s Jefferson says inflation is U.S. central bank’s most worri- some problem Inflation is the most serious problem facing the Federal Reserve and “may take some time” to address, Fed Governor Philip Jefferson said on Tuesday in his first public remarks since joining the U.S. cen- tral bank’s governing body. “Restoring price stability may take some time and will likely re- sult in a period of below-trend growth,” Jefferson told a conference in Atlanta, joining the current Fed consensus for continued interest rate increases to battle price pressures. “I want to assure you that my colleagues and I are resolute that we will bring inflation back down to 2% ... We are committed to taking the further steps necessary.” Monetary policy that stabilizes inflation “can produce long- -term, noninflationary economic expansions ... that economic his- tory suggests is an ideal framework or environment for inclusive growth,” Jefferson said. “So, it is important that we get back to that kind of economy. And that is what I think the intent of the Fed is.” Fed Chair Jerome Powell has admitted that the central bank’s intent to slow economic growth will cause economic “pain” and li- kely increased unemployment, but that the worst outcome would be to let inflation takeroot. In his remarks, Jefferson said there are reasons to think rigid conditions in the labor market are already easing. Indeed new data on Tuesday showed a severe decrease in job openings in August that began to bring the number of workers sought by companies more in line with the numbers of unemployed. That could help reduce salary growth, Jefferson said, and the- re were indications as well that “supply bottlenecks have, finally, begun to resolve,” and could also help slow down price increases. But it remains uncertain how that will work, and in the mean- time “inflation remains elevated, and this is the problem that con- cerns me most,” Jefferson said. “Inflation creates economic burdens for households and businesses, and everyone feels its effects.” Available at: https://www.reuters.com/markets/us/feds-jefferson- first-remarks-calls-inflation-most-concerning-problem- 2022-10-04/. Retrieved on: Oct 4, 2022. Adapted. LÍNGUA INGLESA 8888 a solução para o seu concurso! Editora The main purpose of the text is to (A) argue that slowing the economic growth will definitely cau- se inflation to take root. (B) indicate that inflation is a serious problem, and it needs to be adequately dealt with. (C) suggest that restoring price stability will certainly increase inflation. (D) show that controlling inflation is a minor concern, compa- red to unemployment. (E) inform that the U.S. central bank’s monetary policy has alre- ady decreased inflation to 2%. 2. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova B” Impacts of new age technology New age technologies such as Artificial Intelligence (AI) and Machine Learning (ML) have radically transformed the way banking works today. Thanks to AI, it is possible to conduct real-time data analysis from a large volume of data sets and provide customized solutions to banking customers. With powerful AI tools, banks can make informed decisions fas- ter by using predictive analysis, which is the central point of AI and ML. As soon as a potential customer searches for something online, the AI tools pick it up and serve related content that leads to quick sales. This improves customer service tremendously as customers find tailor-made solutions without much human intervention. Banks’ lending processes have also improved considerably as they can analyze customers’ spending patterns, study different cus- tomer data points, and determine borrowers’ credit conditions. So, there is much less paperwork. Customer-centric banking has become indispensable with the introduction of different kinds of software that utilize Natural Lan- guage Processing (NLP) to read, process and understand text and speech. Banks have successfully installed digital tools to answer customer questions, which has helped them reduce the time and effort of human capital and provide quick and consistent service. Using those resources, banks are expected to save $7.3 billion in operational costs. The changing profile of banking depends a lot on the Internet- -age generation. Their expectations from their banks to provide an omni-digital experience have enabled the shift, allowing them to fulfil their banking needs sitting from a remote location. Appropria- tely, banks quickly jumped onto the digitalization movement and refreshed their services in line with their requirements. Mobile banking, for example, is very popular among millen- nials. An Insider Intelligence’s Mobile Banking Competitive Edge study indicated that a surprising 97% of them use mobile banking! Transferring funds, checking their transactions online, downloading their account statements or even applying for a loan is possible through a click of fingers on their mobile phones. This has also eli- minated the need for physical branches, enabling banks to operate in a lean manner and cut unnecessary costs. The usage of credit cards, debit cards, mobile banking apps, mobile wallets, third-party payment apps, etc., have all increased considerably, indicating an essential shift in the customers’ pre- ferences. Banks have modernized their processes and broken the barriers between the different entities involved, such as branches, ATMs, and online banking, to create a continuous flow for their cus- tomers. The changing customer profile inclines towards bringing both physical and digital worlds closer, and this is influencing the finance and banking sector favorably. Banks give attention to this need for digitalization to retain their customers in the long run. The pandemic of Covid-19 helped the banking industry to de- pend heavily on digital technology and tech-enabled systems to stay alive. The result of the pandemic, however, resulted in new beginnings in the form of huge digital transformation and newer business models for the banks. The favorable impact of technology is obvious across banking institutions. Even though the banking arena has advanced in achie- ving digital involvement, many more unexploited opportunities exist for banks. The banks must maintain the sanctity of their customers’ data and serve them with better solutions without having to sacri- fice their security. The few challenges the banking sector still has are data breaches or escapes, lack of e-banking knowledge amongst their customers, and the permanent technological landscape that requires constant training and updating. Plausible solutions to the above are available with a positive partnership between all stake- holders involved, such as government, industry professionals and, of course, different banking institutions. Available at: https://www.idfcfirstbank.com/finfirst-blogs/beyond- -banking/what-is-the-impact-of-it-on-the-banking-sector. Retrieved on: Dec. 9, 2022. Adapted. The main purpose of the text is to describe the association be- tween (A) banking publicity and profits (B) digital technology and banking (C) banking hierarchy and efficiency (D) banking processes and corruption (E) banking tradition and customers’ confidence 3. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova B” Impacts of new age technology New age technologies such as Artificial Intelligence (AI) and Machine Learning (ML) have radically transformed the way banking works today. Thanks to AI, it is possible to conduct real-time data analysis from a large volume of data sets and provide customized solutions to banking customers. With powerful AI tools, banks can make informed decisions fas- ter by using predictive analysis, which is the central point of AI and ML. As soon as a potential customer searches for something online, the AI tools pick it up and serve related content that leads to quick sales. This improves customer service tremendously as customers find tailor-made solutions without much human intervention. Banks’ lending processes have also improved considerably as they can analyze customers’ spending patterns, study different cus- tomer data points, and determine borrowers’ credit conditions. So, there is much less paperwork. Customer-centric banking has become indispensable with the introduction of different kinds of software that utilize Natural Lan- guage Processing (NLP) to read, process and understand text and speech. Banks have successfully installed digital tools to answer LÍNGUA INGLESA 89 a solução para o seu concurso! Editora customer questions, which has helped them reduce the time and effort of human capital and provide quick and consistent service. Using those resources, banks are expected to save $7.3 billion in operational costs. The changing profile of banking depends a lot on the Internet- -age generation. Their expectations from their banks to provide an omni-digital experience have enabled the shift, allowing them to fulfil their banking needs sitting from a remote location. Appropria- tely, banks quickly jumped onto the digitalization movement and refreshed their services in line with their requirements. Mobile banking,for example, is very popular among millen- nials. An Insider Intelligence’s Mobile Banking Competitive Edge study indicated that a surprising 97% of them use mobile banking! Transferring funds, checking their transactions online, downloading their account statements or even applying for a loan is possible through a click of fingers on their mobile phones. This has also eli- minated the need for physical branches, enabling banks to operate in a lean manner and cut unnecessary costs. The usage of credit cards, debit cards, mobile banking apps, mobile wallets, third-party payment apps, etc., have all increased considerably, indicating an essential shift in the customers’ pre- ferences. Banks have modernized their processes and broken the barriers between the different entities involved, such as branches, ATMs, and online banking, to create a continuous flow for their cus- tomers. The changing customer profile inclines towards bringing both physical and digital worlds closer, and this is influencing the finance and banking sector favorably. Banks give attention to this need for digitalization to retain their customers in the long run. The pandemic of Covid-19 helped the banking industry to de- pend heavily on digital technology and tech-enabled systems to stay alive. The result of the pandemic, however, resulted in new beginnings in the form of huge digital transformation and newer business models for the banks. The favorable impact of technology is obvious across banking institutions. Even though the banking arena has advanced in achie- ving digital involvement, many more unexploited opportunities exist for banks. The banks must maintain the sanctity of their customers’ data and serve them with better solutions without having to sacri- fice their security. The few challenges the banking sector still has are data breaches or escapes, lack of e-banking knowledge amongst their customers, and the permanent technological landscape that requires constant training and updating. Plausible solutions to the above are available with a positive partnership between all stake- holders involved, such as government, industry professionals and, of course, different banking institutions. Available at: https://www.idfcfirstbank.com/finfirst-blogs/beyond- -banking/what-is-the-impact-of-it-on-the-banking-sector. Retrieved on: Dec. 9, 2022. Adapted. From paragraph, one can conclude that the pandemic of Co- vid-19 (A) helped control inflation. (B) attracted new customers. (C) interrupted bank services. (D) created new bank branches. (E) enriched bank digital technology. 4. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova C” How To Teach Your Kids Good Money Habits As a parent, you want the best for your children. This doesn’t necessarily mean you want them to have the best clothes, the latest toys or coolest gadgets. Most likely, it means you want to lay a foundation that they can build upon to do well in life. “Without a working knowledge of mo- ney, it is extraordinarily difficult to do well in life,” says Sam X. Reni- ck, cocreator of Sammy Rabbit, a children’s character and financial literacy initiative. “Money is central to managing life, day-in and day-out. Where we live, what we eat, the clothes we wear, the car we drive, health care, education, child-raising, gift giving, vacations, entertainment, heat, air-conditioning, insurance—you name it, mo- ney is involved.” If you want to play a key role in shaping your chil- dren’s feelings, thinking and values about money, you need to give them the gift of financial literacy from an early age. Lessons should begin before age seven, Renick says, because research shows that money habits and attitudes are already formed by then. Actually, showing them how money works is more effective, so let them see you buying things with cash. Your kids’ early interactions with money will likely involve spen- ding. They see you using it to buy things, including things for them. So it’s important to teach them from a young age that money isn’t just for spending— they should be saving money regularly, too. “Sa- ving teaches discipline and delayed gratification,” Renick says. “Sa- ving teaches goal-setting and planning. It emphasizes being prepa- red, and it builds security and independence.” Help your kids get in the habit of saving by giving them a piggy bank or savings jar where they can deposit coins or cash. Kids need to have money of their own so they can learn how to make decisions about using it. An allowance can accomplish that. However, you should consider requiring your kids to do certain tasks to earn their allowance. “Just about everyone values money they earn differently than money they receive,” Renick says. There are some kinds of housework the kids have to do without pay because they’re expected to help out as part of a family. But they can have specific activities they need to complete if they want to get paid. In addition to wanting his kids to understand that money is ear- ned, it is important that they can learn to live within a budget. “My two youngest children would constantly ask for money and spend like drunken sailors,” says Tim Sheehan, co-founder and CEO of Gre- enlight, a debit card for kids with parental controls. “When I started paying them an allowance, I told them that was all the money they would get and that it was up to them to manage it. Amazingly, it worked,” he says. They track how much they have coming in and going out and how much they’re saving using the Greenlight app. Learning how to budget now will help them when they enter the real world, Sheehan says. A key reason that it is important for you, as a parent, to teach your kids financial lessons is because you can share your money values through those lessons. If you value giving to others, you can introduce that value to your children by helping make it a habit for them from an early age. You could do as Chase Peckham – from the San Diego Financial Literacy Center – did with his kids, when they were little, and create spending, saving and giving jars. Then help your children plan their giving by discussing what groups or causes they want to support. LÍNGUA INGLESA 9090 a solução para o seu concurso! Editora Just as important as the lessons you teach your kids about mo- ney are the ways you discuss and handle money when you’re arou- nd them. For example, if you complain about having to spend too much on certain things and then take your kids out for compulsive shopping, you’re sending mixed messages. If you want your children to develop good spending and saving habits, they need to see you making smart spending and saving choices. In short, practice what you preach. And preach with consistency. Educating your children about personal finance is a process that can take time. But if you put in the effort and continuously communicate a clear message about money, you will instill good habits that will serve your children well. Available at: https://www.forbes.com/advisor/personal-finance/how- -to-teach-your-kids-good-money-habits/ Retrieved on: Jan. 2, 2023. Adapted. The main purpose of the text is to (A) demonstrate the ineffectiveness of teaching small children how to deal with money. (B) show parents the importance of teaching children how to use money and ways to do it. (C) prove the point that giving children money will have a nega- tive effect in their adult life. (D) list the biggest difficulties and challenges of teaching perso- nal finances to children. (E) affirm that money habits can’t be taught to children as ef- fectively before their teens. 5. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente de Tecnologia From Bartering to Bitcoin By Rich Beattie What we call “money” has always been a moving target. It changes appearance and value. Here are five key developments in the history of money that have impacted how we earn, save and spend today. Cash Cows - Before humans had money,they had stuff. In an- cient times, when you had stuff other people wanted, you bartered it for stuff you wanted. Around 9000 BC, the most popular commodities included thin- gs like cattle, sheep and camels. This was fine when people bartered close to home, but bulky creatures are cumbersome and difficult to transport. As people started to venture farther afield to trade, a more portable option became essential. In 1200 BC people started using cowries—the shells of marine mollusks taken from oceans. They were recognized as precious, and their use spread across Asia, Africa, Oceania and Europe. Having been in use for centuries — even into the 20th century in some pla- ces—cowries win the prize as the world’s longest-running currency. Three Coins in the Fountain - The issue with bartering beca- me assigning value: Just how much was a cowrie or a cow worth? So, agreeing on the value of money became essential. It was the Lydians, around 600 BC, who get credit for a critical step in this pro- cess: fashioning the first known coins, which were made of a gold and silver alloy. The metal used to make a coin—along with its weight—was im- portant, as it denoted the money’s value. Moreover, as coins gained popularity, so did the idea of adorning them with locally inspired designs. Coins were money, but they now doubled as a historic record. Eventually, they took on even more uses: People flipped them to make decisions and tossed them into wells while making wishes. They may be used less in 2020, but coins have been an integral part of our culture for centuries. The Paper Chase - Coins were obviously lighter and easier to transport than cows, but carrying bags of heavy metal still wasn’t very practical. China’s Tang Dynasty, in the seventh century, came up with a smart solution, namely, paper money. It was super-light and could feature even richer designs than coins, and it promised a certain amount of purchasing power. Gold Rush - One of the problems, though, was that counterfei- ters had great success with paper bills. The bigger problem came when governments faced economic crises; it was far too easy to print more paper money, which led to skyrocketing inflation. Paper needed a backup—something universally valued yet not easily replicated. Something like gold. The “gold standard” let governments create a fixed price for this precious metal that was tied directly to the value of their cur- rency. In the United States, the idea took root in the late 17th cen- tury, and it spread to Europe in the 19th century. But confidence in the gold standard crumbled during World War I, and it soon became apparent that in order to thrive, currencies needed the freedom to fluctuate dynamically against each other. The gold standard was dropped in the United States in 1933, and a global economy started to take shape. The E-Buck Stops Here? - Cows, cowries, coins, paper, gold: Mo- ney has always had a physical presence. But today, it is quickly evol- ving into numbers that float through the ether. This modern era of money began in 1946 with the first bank-issued charge card. Credit cards followed some 12 years later, still related to dollars. Howe- ver, technology, with cryptocurrencies like Bitcoin, is changing the world’s definition of “money.” Now, social media companies and entire countries are conside- ring digital currencies of their own. Meanwhile, artificial intelligen- ce is growing eversmarter, and perhaps one day soon your budget and expenses will be managing themselves. The debate rages about exactly where we are headed, but with history as our guide, the one thing we can absolutely count on is the inevitability of change. Available at: https://www.synchronybank.com/blog/brief-history-of- -money/. Retrieved on: Sept 10, 2022. Adapted. The main purpose of the text is to (A) present a brief history of money. (B) relate the history of money with wars. (C) regret society’s attitude regarding money. (D) deny the importance of money to humankind. (E) describe the relevance of money in the world. 6. CESGRANRIO - 2023 - Escriturário (BB)/Agente de Tecnologia From Bartering to Bitcoin By Rich Beattie What we call “money” has always been a moving target. It changes appearance and value. Here are five key developments in the history of money that have impacted how we earn, save and spend today. Cash Cows - Before humans had money, they had stuff. In an- cient times, when you had stuff other people wanted, you bartered LÍNGUA INGLESA 91 a solução para o seu concurso! Editora it for stuff you wanted. Around 9000 BC, the most popular commodities included thin- gs like cattle, sheep and camels. This was fine when people bartered close to home, but bulky creatures are cumbersome and difficult to transport. As people started to venture farther afield to trade, a more portable option became essential. In 1200 BC people started using cowries—the shells of marine mollusks taken from oceans. They were recognized as precious, and their use spread across Asia, Africa, Oceania and Europe. Having been in use for centuries — even into the 20th century in some pla- ces—cowries win the prize as the world’s longest-running currency. Three Coins in the Fountain - The issue with bartering beca- me assigning value: Just how much was a cowrie or a cow worth? So, agreeing on the value of money became essential. It was the Lydians, around 600 BC, who get credit for a critical step in this pro- cess: fashioning the first known coins, which were made of a gold and silver alloy. The metal used to make a coin—along with its weight—was im- portant, as it denoted the money’s value. Moreover, as coins gained popularity, so did the idea of adorning them with locally inspired designs. Coins were money, but they now doubled as a historic record. Eventually, they took on even more uses: People flipped them to make decisions and tossed them into wells while making wishes. They may be used less in 2020, but coins have been an integral part of our culture for centuries. The Paper Chase - Coins were obviously lighter and easier to transport than cows, but carrying bags of heavy metal still wasn’t very practical. China’s Tang Dynasty, in the seventh century, came up with a smart solution, namely, paper money. It was super-light and could feature even richer designs than coins, and it promised a certain amount of purchasing power. Gold Rush - One of the problems, though, was that counterfei- ters had great success with paper bills. The bigger problem came when governments faced economic crises; it was far too easy to print more paper money, which led to skyrocketing inflation. Paper needed a backup—something universally valued yet not easily replicated. Something like gold. The “gold standard” let governments create a fixed price for this precious metal that was tied directly to the value of their cur- rency. In the United States, the idea took root in the late 17th cen- tury, and it spread to Europe in the 19th century. But confidence in the gold standard crumbled during World War I, and it soon became apparent that in order to thrive, currencies needed the freedom to fluctuate dynamically against each other. The gold standard was dropped in the United States in 1933, and a global economy started to take shape. The E-Buck Stops Here? - Cows, cowries, coins, paper, gold: Mo- ney has always had a physical presence. But today, it is quickly evol- ving into numbers that float through the ether. This modern era of money began in 1946 with the first bank-issued charge card. Credit cards followed some 12 years later, still related to dollars. Howe- ver, technology, with cryptocurrencies like Bitcoin, is changing the world’s definition of “money.” Now, social media companies and entire countries are conside- ring digital currencies of their own. Meanwhile, artificial intelligen- ce is growing eversmarter, and perhaps one day soon your budget and expenses will bemanaging themselves. The debate rages about exactly where we are headed, but with history as our guide, the one thing we can absolutely count on is the inevitability of change. Available at: https://www.synchronybank.com/blog/brief-history-of- -money/. Retrieved on: Sept 10, 2022. Adapted. In the paragraph of the text, the author mentions that paper money first circulated in (A) Italy (B) China (C) England (D) Australia (E) Germany 7. CESGRANRIO - 2021 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova B” Revolution Accelerated How Digital Transformation is Shaping the Future of Banking Like all businesses, banks have had to act fast to respond to the unprecedented human and economic impact of Covid-19. First, they needed to keep the lights on and ensure business continuity. Second, they had to meet the changing ways customers wanted to engage. Finally, they sought to balance their business priorities with a responsibility to support society. Previous crises cast the banks as part of the problem — this time they are part of the solution. Banks who have embraced modern banking technology have fared better in meeting these challenges. They’ve moved seamles- sly to remote working, kept up service for their customers, coped with huge increases in demand and quickly adapted their products. In contrast, banks using legacy ‘spaghetti’ software have struggled. Covid-19 has accelerated the need for modern banking techno- logy, but it didn’t create it. Before coronavirus, the 2020s were alre- ady being framed as the decade for digital in the banking industry. Banks’ return on equity were too low and their cost-income ratios were too high. Meanwhile, regulation like open banking was disrup- ting the industry and increasing competition from new entrants like the GAAFAs (Google, Amazon, Alibaba, Facebook, Apple). Providing seamless digital customer experiences was therefore already a ‘must’. Every year, Temenos partners with the Economist Intelligence Unit (EIU) for a global study on the future of banking. More than 300 banking leaders are interviewed from retail, com- mercial and private banks. Over half of these are at C-suite level. In 2020, the study took place amid the Covid-19 crisis. The re- sults give a fascinating insight into banking leaders’ approach during these unprecedented times. But they also show how they see their industry in the years to come. And the findings suggest three trends which will shape the fu- ture of banking: 1. New technologies will be the key driver of banking transfor- mation over the next 5 years. 77% of respondents strongly believed that Artificial Intelligence (AI) will be the most game-changing of these technologies. They see a diverse range of uses for AI — from personalised customer experience to fraud detection. 2. Banks will overhaul their business models to create digital ecosystems. 80% of respondents believe that banking will become part of a platform of services. 45% are committed to transforming their business models into digital ecosystems. LÍNGUA INGLESA 9292 a solução para o seu concurso! Editora 3. The sun will set on branch banking. World Bank data shows that visits to branches have been steadily declining globally over the last decade. As a result of coronavirus, customers are now more concerned about visiting their branch, and so even more people are willing to try digital applications. This combination of pandemic and increasingly transformative advanced technology has led a majority of respondents (59%) to our survey with the EIU to state that tradi- tional branch-based banking model will be dead in just five years. That’s a 34% increase from last year. The current environment is undoubtedly challenging for banks. But they have the capital, customer relationships and customer data. They are regulated. And most importantly: they still enjoy their customers’ trust. In short, banks are best-placed to succeed if they commit to en- d-to-end digital transformation. That means a fully digital front of- fice which creates hyper-personalized experiences and ecosystems. And a back office driving efficient operations and rapid innovation. By embracing modern banking technology, banks can support their customers today, create new value for the future and drive new le- vels of future growth. Available at: <https://www.cnbc.com/advertorial/how-digital--trans- formation-is-shaping-the-future-of-banking>. Retrieved on: July 13th, 2021. Adapted. The overall purpose of the text is (A) to explain how the banking industry works. (B) to discuss the impact of the coronavirus pandemic on the health system. (C) to launch new investment opportunities in the banking in- dustry. (D) to state that digital transformation in banking has been ac- celerated by the coronavirus pandemic. (E) to promote new AI technology that will change the future of banking. 8. CESGRANRIO - 2021 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova C” U.S. Finds No Evidence of Alien Technology in Flying Objects, but can’t rule it out, either WASHINGTON — American intelligence officials have found no evidence that aerial phenomena observed by Navy pilots in recent years are alien spacecraft, but they still cannot explain the unusual movements that have mystified scientists and the military. The report determines that a vast majority of more than 120 incidents over the past two decades did not originate from any American military or other advanced US government technology, the officials said. That determination would appear to eliminate the possibility that Navy pilots who reported seeing unexplained air- craft might have encountered programs the government meant to keep secret. But that is about the only conclusive finding in the classified in- telligence report, the officials said. And while a forthcoming unclas- sified version, expected to be released to Congress by June 25, will present few other firm conclusions, senior officials briefed on the intelligence conceded that the very ambiguity of the findings me- ant the government could not definitively rule out theories that the phenomena observed by military pilots might be alien spacecraft. Americans’ long-running fascination with UFOs has intensified in recent weeks in anticipation of the release of the government report. Former President Barack Obama encouraged the interest when he gave an interview last month about the incidents on “The Late Late Show with James Corden” on CBS. “What is true, and I’m really being serious here,” Mr. Obama said, “is that there is film and records of objects in the skies that we don’t know exactly what they are.’’ The report concedes that much about the observed phenome- na remains difficult to explain, including their acceleration, as well as ability to change direction and submerge. One possible expla- nation — that the phenomena could be weather balloons or other research balloons — does not hold up in all cases, the officials said, because of changes in wind speed at the times of some of the in- teractions. Many of the more than 120 incidents examined in the report are from Navy personnel, officials said. The report also examined in- cidents involving foreign militaries over the last two decades. Intelli- gence officials believe that at least some of the aerial phenomena could have been experimental technology from a rival power, most likely Russia or China. One senior official said without hesitation that U.S. officials knew it was not American technology. He said there was worry among intelligence and military officials that China or Russia could be experimenting with hypersonic technology. He and other officials spoke about the classified findings in the report on the condition of anonymity. Available at: <https://www.nytimes.com/2021/06/03/us/politics/ ufos-sighting-alien-spacecraft-pentagon.html>. Retrieved on: July 7, 2021. One of the purposes of the text is to confirm that the report determines the (A)existence of life on other planets (B) imminent possibility of aliens’ attack (C) superiority of American technology (D) authorities’ ignorance about unusual aircraft (E) danger of enemy nations’ attacks to the US 9 CESGRANRIO - 2021 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova C” U.S. Finds No Evidence of Alien Technology in Flying Objects, but can’t rule it out, either WASHINGTON — American intelligence officials have found no evidence that aerial phenomena observed by Navy pilots in recent years are alien spacecraft, but they still cannot explain the unusual movements that have mystified scientists and the military. The report determines that a vast majority of more than 120 incidents over the past two decades did not originate from any American military or other advanced US government technology, the officials said. That determination would appear to eliminate the possibility that Navy pilots who reported seeing unexplained air- craft might have encountered programs the government meant to keep secret. But that is about the only conclusive finding in the classified in- telligence report, the officials said. And while a forthcoming unclas- sified version, expected to be released to Congress by June 25, will present few other firm conclusions, senior officials briefed on the intelligence conceded that the very ambiguity of the findings me- LÍNGUA INGLESA 93 a solução para o seu concurso! Editora ant the government could not definitively rule out theories that the phenomena observed by military pilots might be alien spacecraft. Americans’ long-running fascination with UFOs has intensified in recent weeks in anticipation of the release of the government report. Former President Barack Obama encouraged the interest when he gave an interview last month about the incidents on “The Late Late Show with James Corden” on CBS. “What is true, and I’m really being serious here,” Mr. Obama said, “is that there is film and records of objects in the skies that we don’t know exactly what they are.’’ The report concedes that much about the observed phenome- na remains difficult to explain, including their acceleration, as well as ability to change direction and submerge. One possible expla- nation — that the phenomena could be weather balloons or other research balloons — does not hold up in all cases, the officials said, because of changes in wind speed at the times of some of the in- teractions. Many of the more than 120 incidents examined in the report are from Navy personnel, officials said. The report also examined in- cidents involving foreign militaries over the last two decades. Intelli- gence officials believe that at least some of the aerial phenomena could have been experimental technology from a rival power, most likely Russia or China. One senior official said without hesitation that U.S. officials knew it was not American technology. He said there was worry among intelligence and military officials that China or Russia could be experimenting with hypersonic technology. He and other officials spoke about the classified findings in the report on the condition of anonymity. Available at: <https://www.nytimes.com/2021/06/03/us/politics/ ufos-sighting-alien-spacecraft-pentagon.html>. Retrieved on: July 7, 2021. In the 7th paragraph of the text, in the fragment “Intelligence officials believe that at least some of the aerial phenomena could have been experimental technology from a rival power, most likely Russia or China”, the report’s authors express (A) strong desire (B) irrefutable fact (C) equivocal probability (D) reasonable possibility (E) unrealistic hypothesis 10.CESGRANRIO - 2021 - Escriturário (BB)/Agente Comer- cial/”Prova C” U.S. Finds No Evidence of Alien Technology in Flying Objects, but can’t rule it out, either WASHINGTON — American intelligence officials have found no evidence that aerial phenomena observed by Navy pilots in recent years are alien spacecraft, but they still cannot explain the unusual movements that have mystified scientists and the military. The report determines that a vast majority of more than 120 incidents over the past two decades did not originate from any American military or other advanced US government technology, the officials said. That determination would appear to eliminate the possibility that Navy pilots who reported seeing unexplained air- craft might have encountered programs the government meant to keep secret. But that is about the only conclusive finding in the classified in- telligence report, the officials said. And while a forthcoming unclas- sified version, expected to be released to Congress by June 25, will present few other firm conclusions, senior officials briefed on the intelligence conceded that the very ambiguity of the findings me- ant the government could not definitively rule out theories that the phenomena observed by military pilots might be alien spacecraft. Americans’ long-running fascination with UFOs has intensified in recent weeks in anticipation of the release of the government report. Former President Barack Obama encouraged the interest when he gave an interview last month about the incidents on “The Late Late Show with James Corden” on CBS. “What is true, and I’m really being serious here,” Mr. Obama said, “is that there is film and records of objects in the skies that we don’t know exactly what they are.’’ The report concedes that much about the observed phenome- na remains difficult to explain, including their acceleration, as well as ability to change direction and submerge. One possible expla- nation — that the phenomena could be weather balloons or other research balloons — does not hold up in all cases, the officials said, because of changes in wind speed at the times of some of the in- teractions. Many of the more than 120 incidents examined in the report are from Navy personnel, officials said. The report also examined in- cidents involving foreign militaries over the last two decades. Intelli- gence officials believe that at least some of the aerial phenomena could have been experimental technology from a rival power, most likely Russia or China. One senior official said without hesitation that U.S. officials knew it was not American technology. He said there was worry among intelligence and military officials that China or Russia could be experimenting with hypersonic technology. He and other officials spoke about the classified findings in the report on the condition of anonymity. Available at: <https://www.nytimes.com/2021/06/03/us/politics/ ufos-sighting-alien-spacecraft-pentagon.html>. Retrieved on: July 7, 2021. After reading the last paragraph of the text “He and other offi- cials spoke about the classified findings in the report on the condi- tion of anonymity”, one can infer that the officials (A) kept secrets. (B) hid their names. (C) invented stories. (D) omitted the truth. (E) said who they were. GABARITO 1 B 2 B 3 E 4 B LÍNGUA INGLESA 9494 a solução para o seu concurso! Editora 5 A 6 B 7 D 8 D 9 D 10 B ANOTAÇÕES _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 95 a solução para o seu concurso! Editora MATEMÁTICA FINANCEIRA CONCEITOS GERAIS: VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO, VALOR PRESENTE, VALOR FUTURO, JURO, TAXA DE JURO, PRAZO DA OPERAÇÃO. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS EM FLUXOS REGULARES OU IRREGULARES: VP, VF, PRAZOS E TAXAS DE RETORNO FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA FINANCEIRA1 As operações financeiras na sua maioria, se apoiam em duas formas de capitalização: a simples e a composta. Muitas decisões tomadas pelo Banco Central (Bacen), por exemplo, afetam direta- mente tais operações. A taxa básica de juros divulgada a cada reunião do Copom (Con- selho de Política Monetária) representa o custo básico do dinheiro na economia. Quanto mais alta for essa taxa, maior será o custo do dinheiro, tanto para o consumidor quanto para as empresas. A con- trapartida está na remuneração das aplicações, que também se ele- va e pode desestimular o consumo e os investimentos na produção. Aplicações no cotidiano A capitalização simples está mais relacionada às operações com períodos de capitalização inferiores a 1 e a descontos de títulos junto aos agentes financeiros. Por exemplo: a taxa de juros do che- que especial cobrada dentro de um mês e o desconto de cheques pré-datados nos bancos. O regime de capitalização composta está mais ligado aos casos em que o período de capitalização é superior a 1. Por exemplo: um empréstimo de CDC (crédito direto ao consumidor) disponibilizado pelos bancos, o financiamento de um móvel ou veículo e a remune- ração das aplicações capitalizadas mensalmente dentro de um ano. Em ambos os casos mais exemplos poderiam ser adicionados. Tenha em mente que esses dois regimes de capitalização estão pre- sentes em sua vida financeira pessoal. Principais variáveis de um problema financeiro - Terminologia. Consiste na identificação das variáveis comuns aos problemas propostos que devem ser extraídas no ato de sua leitura inicial. - Diagrama das operações financeiras. Os dados nomeados devem ser representados em um diagrama. Sugere-se que todos os problemas sejam diagramados, pois isso facilita a organização do raciocínio e a compreensão da situação proposta. 1 GIMENES, Cristiano Marchi. Matemática Financeira com HP 12c e Excel. São Paulo: Pearso Prentice Hall, 2006 Terminologia Qualquer operação financeira deve estar estruturada em fun- ção do tempo e de uma taxa de juros (remuneração). Os componen- tes de uma operação, seja a juros simples, seja a juros compostos, têm nome. Veja a seguir. P: valor Presente. É o valor inicial de uma operação. Está repre- sentado no instante ‘zero’. Também pode ser chamado de valor de origem O, valor Principal P ou mesmo de Capital C. I: taxa de juros periódica. Vem do inglês interest rate (taxa de juros). Geralmente, está relacionada à sua forma de incidência. Pode ser diária, semanal, quinzenal, mensal, semestral, anual, en- tre outras. Essa taxa é expressa em forma percentual. Exemplo: 5%. i: a letra ‘i’ minúscula indica que a taxa I foi dividida por cem. Exemplo: 0,05 n: número de períodos envolvidos na operação. É o tempo, que deve estar em acordo com a taxa de juros. : valor Futuro, representado no instante n. É composto de amortização mais juros. Também pode ser chamado de valor de resgate, montante M ou saldo futuro S. O que é comum tanto aos juros simples quanto aos juros com- postos Principais itens: - Fórmula: ao se trabalhar com fórmulas, a taxa de juros deve ser expressa em sua forma centesimal i. - Valor dos juros: juro incide sobre o saldo devedor do período anterior. Uma parcela de juros é obtida pela multiplicação do valor Presente P, ou de origem, pela taxa i e pelo tempo n. - Valor Futuro : o montante pago/recebido em n períodos é composto pelo valo Presente P, ou de origem, mais juros. - Capitalização: quando o período de capitalização dos juros for igual a 1, os sistemas de juros simples e compostos apresentarão o mesmo valor Futuro . Diagrama das operações financeiras Para que uma operação financeira exista, é necessário a pre- sença de dois agentes: o tomador e o financiador: O tomador de um empréstimo geralmente recebe recurso no início do período, ou seja, no instante ‘zero’. O financiador concede o empréstimo para recebe-lo mais tarde, acrescido dos juros. A compreensão de uma situação que envolva valor Presente, tempo e taxa de juros pode ser apresentada em forma de diagrama. Tal diagrama é chamado de fluxo de caixa e é composto por: linha do tempo, valores de entradas e valores de saídas. MATEMÁTICA FINANCEIRA 9696 a solução para o seu concurso! Editora Método para a resolução de qualquer problema de matemática financeira. O bom estudo da matemática financeira pede uma inter- pretação seguida de uma organização de dados dos problemas. Para que isso ocorra, existe um método, aqui proposto. Embora a matemática seja uma disciplina da área das ciências exatas, em muitas situações ela depende bastante de interpretação do leitor. Quando um problema é apresentado, ele deve ser interpretado para que seus dados sejam extraídos e trabalhados de forma corre- ta. Portanto, pode-se elaborar um método de resolução de exercícios que envolve essencialmente quatro etapas: - Coleta de dados: consiste na separação dos elementos centrais do problema. - Terminologia: relaciona os elementos extraídos com as nomenclatura específicas da matemática financeira. - Diagrama: é o principal ponto a ser montado, pois é um retrato de como o problema foi interpretado. Mostra a organização da situ- ação, quais os elementos envolvidos e aonde se quer chegar. - Cálculo: esta é realmente a última etapa, e sua importância é complementar. Se o problema estiver devidamente interpretado, o resultado encontrado concluirá o processo. O cálculo pode ser feito pelo menos de três maneiras distintas:por fórmula, pela calculadora HP 12c ou pelo software Excel – mas como você candidato não poderá utilizar de recursos tecnológicos/eletrônicos, nós apresentamos em todo o conteúdo dessa apostila somente a resolução por meio das fórmulas. Uma grande importância é dada às três primeiras etapas do processo. Não que o cálculo também não seja importante, mas vale ressaltar que ele, por si só, não representa nada. Um cálculo é fruto de um processo que o exigiu. Os resultados encontrados têm de ter coerência com as situações propostas. Em síntese, não adianta calcular sem saber o porquê. Para que o método possa ser melhor entendido vamos aplica-lo no exemplo a seguir. Você toma emprestado de um amigo R$ 1.000,00. Você deverá devolver daqui a 5 meses. Se o regime de capitalização for de juros compostos e a taxa combinada, de 10% ao mês, quanto você deverá pagar a seu amigo? c. Diagrama d. Cálculo (método por fórmula) MATEMÁTICA FINANCEIRA 97 a solução para o seu concurso! Editora ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA2 O índice do correção cambial mede as variações da Taxa de Câmbio. Taxa de câmbio é definida como o preço de uma unidade de moeda estrangeira com reação a moeda nacional. A taxa de câmbio fornece a medida pela qual o dinheiro da economia pode ser convertido em dinheiro de outra economia, isto é, ela é o preço de uma moeda em termos de outra. Para cada moeda estrangeira, existem duas taxas de conversão: a taxa de compra e a taxa de venda. A taxa de venda informa, por exemplo, por quantos reais os bancos estão dispostos a vender um dólar. Já a taxa de compra informa por quantos reais os bancos estão dispostos a comprar um dólar. A taxa de venda geralmente é mais alta. A diferença entre o preço de compra e venda é o que representa o lucro dos bancos. A taxa de câmbio é influenciada pela demanda e oferta das moedas estrangeiras. As taxas de câmbio podem ser classificadas como taxa de câmbio nominal e real. A taxa de câmbio nominal ocorre quando o aplicador ou tomador de recursos conhece antecipadamente, no momento de fechar a operação, qual será a taxa de juros vigente na operação. A taxa de câmbio real, também chamada de termo de troca, é o preço relativo dos bens de dois países, ou seja, representa a taxa pelo qual os bens de uma economia podem ser trocados pelos bens em outra economia. Importadores: que desejam fazer compras no exterior e precisam utilizar moeda estrangeira nos seus pagamentos. Quanto maior for a taxa de câmbio, menor será o desejo de importar e vice e versa. Exportadores: vendem no exterior e oferecem moeda estrangeira ao Banco Central em troca de dinheiro nacional. Quanto maior for a taxa de cambio, maior será o desejo de exportar e vice e versa. Existem dois tipos de regimes para as taxas de câmbio: regime de taxa fixa e de taxa flutuante. No regime de taxa de câmbio fixa o Banco Central se compromete a comprar e a vender a moeda estrangeira de referência a um preço fixo. Quando o governo procura controlar a taxa de câmbio visando resolver os problemas do balanço de pagamentos que surgem nesse tipo de regime, dizemos que ele faz Política Cambial. No regime de taxa de câmbio flutuante, o governo não se preocupa com o nível das reservas internacionais e procura não controlar a taxa de câmbio. A FGV calcula índices de taxas de câmbio efetivas, que refletem o poder de compra da moeda nacional em relação a diferentes cestas de moedas estrangeiras. Para o Brasil é utilizado como deflator o Índice de Preços por Atacado - Produtos Industriais (IPA-PI), calculado pela FGV. Para os de- mais países, são usados os índices de preços ao produtor, por atacado ou o que melhor se aproxime de um índice de preços de produtos transacionados com o exterior. O peso atribuído a cada país depende da sua corrente de comércio com o Brasil. Este peso é revisto periodicamente. Para determinação das variações na taxa cambial, recorre-se à comparação entre o índice de inflação interna e o de inflação externa. Se o índice de correção cambial foi fixado em um valor superior ao quociente entre esses dois índices dizemos que o Real está desvalori- zado, se igual, as moedas estão em paridade. No cálculo da taxa efetiva real é utilizada a metodologia de agregação pela média geométrica das taxas de câmbio bilaterais do país e seus principais parceiros comerciais, corrigidas pelo diferencial entre a inflação interna e externa. O Cálculo de Atualização Monetária é uma ferramenta que quantifica valores devidos ou a receber. A aplicação da Atualização Mo- netária ocorre comumente nas ações de cobrança perante a Justiça, sendo assim, para ilustrar da melhor forma o cálculo da Atualização Monetária iremos utilizar, a seguir, um exemplo de uma ação de cobrança na Justiça. Maria propôs uma ação de cobrança na Justiça, com o pedido de pagamento do valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) em face de João. A cobrança foi julgada procedente e o juiz fixou os seguintes valores: - Pagamento da quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por João; - A correção monetária será a partir do vencimento do débito (10/01/2011); Deverá ser utilizado o fator do mês de Janeiro de 2011: 1,1496781. Levando em consideração a data atual 15/04/2013 (data fictícia), a tabela a ser utilizada será de Abril/2013, com fator de Atualização Monetária definido anteriormente pelo Juiz, conforme o vencimento da dívida (10/01/2011). Neste ponto, o cálculo da Atualização Monetária é realizado. 2 PUCCINI, E.C. Matemática Financeira e Análise de Investimentos. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2011. http://www.infoescola.com/economia/correcao-monetaria/ MATEMÁTICA FINANCEIRA 9898 a solução para o seu concurso! Editora Ocorrendo a multiplicação do Valor do Débito pelo Fator de Atualização Monetária. Observando que o valor do débito é R$ 10.000,00 (dez mil reais) e o Fator de Atualização Monetária é 1,1496781, temos: Principal: R$ 10.000,00 Fator: 1,1496781 Valor Atualizado = Principal x Fator Valor Atualizado = R$ 10.000,00 x 1,1496781 Valor Atualizado = R$ 11.496,78 Valor da Atualização Monetária: R$ 1.496,78 O índice para correção do valor da dívida é dado pela relação entre: Tabela de Atualização Monetária FLUXO DE CAIXA Um fluxo de caixa3 representa uma série de pagamentos ou de recebimentos que se estima ocorrer em determinado intervalo de tempo. É bastante comum, na prática, defrontar-se com operações financeiras que se representam por um fluxo de caixa. Por exemplo, empréstimos e financiamentos de diferentes tipos costumam envolver uma sequência de desembolsos periódicos de caixa. De maneira idêntica, têm-se os fluxos de pagamentos/recebimentos de aluguéis, de prestações oriundas de compras a prazo, de investimentos em- presariais, de dividendos etc. Os fluxos de caixa podem ser verificados das mais variadas formas e tipos em termos de períodos de ocorrência (postecipados, ante- cipados ou diferidos), de periodicidade (períodos iguais entre si ou diferentes), de duração (limitados ou indeferidos) e de valores (cons- tantes ou variáveis). Os termos dos fluxos de caixa são genericamente simbolizados por PMT, sendo para as demais variáveis empregada a mesma simbologia adotada em capítulos anteriores (PV, FV n, i). Modelo Padrão Os fluxos de caixa podem ser representados sob diferentes formas e tipos, exigindo cada um deles um tratamento específico em ter- mos de formulações. Esquematicamente, os fluxos de caixa são identificados com base na seguinte classificação: 1. Período de Ocorrência 2. Periodicidade 3. Duração 4. Valores 3 FARIA, Rogério Gomes de. Matemática Comercial e Financeira. 5 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2000. FRANCISCO, Walter De. Matemática Financeira. 7 ed. São Paulo: Atlas, 1991. NETO, Alexandre Assaf. Matemática Financeira e suas Aplicações.12 ed. São Paulo: Atlas, 2012. NETTO, Scipione Di Pierro; TEIXEIRA, James. Matemática Financeira. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 1998. MATEMÁTICAFINANCEIRA 99 a solução para o seu concurso! Editora O modelo-padrão de um fluxo de caixa, conforme grifado no esquema acima, é verificado quando os termos de uma sucessão de pagamentos ou recebimentos apresentam, ao mesmo tempo, as seguintes classificações: Postecipados - indica que os fluxos de pagamentos ou recebimentos começam a ocorrer ao final do primeiro intervalo de tempo. Por exemplo, não havendo carência, a prestação inicial de um financiamento é paga ao final do primeiro período do prazo contratado, vencen- do as demais em intervalos sequenciais. Limitados - o prazo total do fluxo de caixa é conhecido a priori, sendo finito o número de termos (pagamentos e recebimentos). Por exemplo, um financiamento por 2 anos envolve desembolsos neste intervalo fixo de tempo sendo, consequentemente, limitado o número de termos do fluxo (prestações do financiamento). Constantes - indica que os valores dos termos que compõem o fluxo de caixa são iguais entre si. Periódicos - é quando os intervalos entre os termos do fluxo são idênticos entre si. Ou seja, o tempo entre um fluxo e outro é cons- tante. Graficamente, o fluxo de caixa uniforme (padrão) é representado da forma seguinte: Observe que a estrutura desse fluxo obedece à classificação-padrão apresentada anteriormente: - o PMT inicial ocorre em n = 1: postecipado; - a diferença entre a data de um termo e outro é constante: periódico; - o prazo do fluxo é preestabelecido (fixo), apresentando n períodos: limitado ou finito; - os valores PMT são uniformes (iguais): constantes. Valor presente e fator de valor presente O valor presente de um fluxo de caixa uniforme, conforme discutido no item precedente, para uma taxa periódica de juros, é deter- minado pelo somatório dos valores presentes de cada um de seus valores. Reportando-se à representação gráfica do fluxo-padrão apre- sentado, tem-se: Logo: Colocando-se em evidência: FPV A expressão entre colchetes é denominada de Fator de Valor Presente, sendo representada pela Matemática Financeira da forma seguinte: FPV (i, n) MATEMÁTICA FINANCEIRA 100100 a solução para o seu concurso! Editora Com isso, a formulação genérica do valor presente assume a expressão: PV = PMT x FPV (i,n) Observe que FPV, conforme é apresentado na formulação anterior entre colchetes, equipara-se à soma de uma progressão geométri- ca (PG) DE n termos, sendo o primeiro termo (a1) e a razão (q) igual a (1 + i) -1, e o n-ésimo termo (an) igual a (1 + i) -n. A fórmula de cálculo da soma de uma PG é dada por: Substituindo-se os valores da expressão na soma dos termos de uma PG, tem-se: Seguindo-se a sequência de dedução adotada por Mathias e Gomes4 multiplica-se o numerador e o denominador por (1 + i), obten- do-se: Essa expressão é muitas vezes representada da maneira seguinte: Mediante o FPV, a fórmula do valor presente de um fluxo de caixa uniforme é apresentada da maneira seguinte: PV = PMT x 4 MATHIAS, N. Franco; GOMES, J. Maria. Matemática financeira. 2ed.. São Paulo: Atlas, 1998. p. 242. MATEMÁTICA FINANCEIRA 101 a solução para o seu concurso! Editora ou PV = PMT x FPV (i,n) Exemplo Determinar o valor presente de um fluxo de 12 pagamentos trimestrais, iguais e sucessivos de $ 700,00 sendo a taxa de juros igual a 1,7% a.m. Resposta PMT = $ 700,00 n = 12 pagamentos trimestrais i = 1,7% a.m. ou: - 1 = 5,19% a.t. PV = PMT x FPV (i, n) PV = $ 700,00 x FPV (5,19%, 12) PV = $ 700,00 x 8,769034 PV = $ 6.138,30 Valor futuro e fator de valor futuro O valor futuro, para determinada taxa de juros por período, é a soma dos momentos de cada um dos termos da série de pagamentos/ recebimentos. Graficamente, tem-se a seguinte representação: O valor futuro pelo padrão ocorre junto com o último termo do fluxo de caixa. Capitalizando-se cada um dos valores da série, apura-se a seguinte expressão: FV = PMT + PMT x (1 + i) + PMT x + PMT x + ... + PMT x - 1 Colocando-se PMT em evidência: Identicamente, a expressão entre colchetes é definida por Fator de Valor Futuro e representada por: FFV (i,n) A formulação genérica do valor futuro de um fluxo de caixa uniforme é expressa da forma seguinte: FV = PMT x FFV (i, n) Da mesma maneira em relação ao desenvolvimento da fórmula do valor presente, observe que a expressão do FFV representa a soma dos termos de uma progressão geométrica, onde = 1; q = (1 + i) e = . Pela mesma equação de cálculo da soma dos valores de uma PG, tem-se: = FFV x (i,n) = MATEMÁTICA FINANCEIRA 102102 a solução para o seu concurso! Editora Promovendo os mesmos ajustes e simplificações desenvolvidos na identidade do valor presente, chega-se a: FFV (i, n) = Assim, a partir do FFV pode-se elaborar a expressão de cálculo do valor futuro (montante) de um fluxo de caixa uniforme, ou seja: FV = PMT x Ou FV = PMT x FFV (i,n) Exemplo Calcular o montante acumulado ao final do 7º mês de uma sequência de 7 depósitos mensais e sucessivos, no valor de $ 800,00 cada, numa conta de poupança que remunera a uma taxa de juros de 2,1% a.m. Resposta O valor futuro pode ser calculado pela soma do montante de cada depósito, isto é: FV = 800,00 + 800,00 (1,021) + 800,00 + 800,00 + ... + 800,00 FV = $ 5.965,41 Aplicando-se a fórmula-padrão de apuração do valor futuro, tem-se, de forma abreviada, o mesmo resultado: FV = PMT x FFV (i,n) FV = PMT x FV = 800,00 x FV = 800,00 x 7,456763 = $ 5.965,41 EQUIVALÊNCIA FINANCEIRA E FLUXOS DE CAIXA Deve ser ressaltado também no estudo do fluxo de caixa o conceito de equivalência financeira. Esse raciocínio é de fundamental im- portância para a Matemática Financeira, permitindo o correto entendimento e uso de seus resultados. A equivalência financeira encontra extensas aplicações práticas, estando presente na tomada de decisões financeiras, na seleção de planos de empréstimos e financiamentos mais atraentes, em propostas de refinanciamento e reescalonamento de dívidas etc. De acordo com o que foi desenvolvido anteriormente, diz-se que dois ou mais fluxos de caixa (capitais) são equivalentes quando pro- duzem idênticos valores presentes num mesmo momento, convencionando-se determinada taxa de juros. Por exemplo, os 4 fluxos de caixa ilustrados a seguir são equivalentes para uma taxa de juros de 5% ao mês, pois geram, para uma mesma taxa e juros, valores iguais em qualquer data focal escolhida. MATEMÁTICA FINANCEIRA 103 a solução para o seu concurso! Editora Definindo-se (momento presente como data focal): = = = Registre-se, uma vez mais, que a equivalência financeira no regime de juros compostos, para dada taxa de juros, pode ser verificada em qualquer momento tomado como referência (data focal). Por exemplo, se a data for definida em , tem-se: 414,00 = 267,00 = 220,00 = 190,00 e assim por diante. A equivalência de dois ou mais capitais, para determinada taxa de juros, ocorre em qualquer data tomada como referência. Alteran- do-se a taxa, a equivalência evidentemente deixa de existir, dado que o conceito depende da taxa de juros. Algumas ilustrações práticas evidenciando o uso do conceito de equivalência financeira são desenvolvidas a seguir. Exemplo Admita que uma empresa esteja avaliando quatro planos de pagamentos de um financiamento de $ 300.000,00 conforme apresenta- dos a seguir. A taxa de juros considerada nas propostas é de 7% a.m. Qual a opção de pagamento economicamente mais atraente? Resposta Os planos de pagamento formulados apresentam o mesmo valor presente (data zero) quando descontados à taxa de juros de 7% a.m. O resultado atualizado continua igual, mesmo se definida outra data focal. Logo, conclui-se que os fluxos de pagamento do financiamento são equivalentes, apresentando o mesmo custo. Assim, em termos estritamente econômicos de atratividade, torna-se indiferente (equivalente) a escolha de uma ou outra forma de pagamento. Mesmo que a soma das prestações seja diferente em cada proposta, o fundamental na avaliação econômica é a comparaçãoentre valores expressos em uma mesma unidade de tempo. A decisão, dessa forma, deve ser tomada levando em conta o aspecto financeiro do desembolso, pois os fluxos de caixa são diferentes em cada plano em termos de valores e data de ocorrência. A forma de pagamento escolhida deve, evidentemente, adequar-se à capacida- de financeira do tomador de recursos e ao comportamento das taxas de juros de mercado. MATEMÁTICA FINANCEIRA 104104 a solução para o seu concurso! Editora Fluxos de caixa não convencionais Os fluxos definidos no denominado modelo-padrão foram amplamente estudados no início do capítulo. Esta parte dedica-se, mais especificamente, aos demais tipos de caixa, não considerados no modelo-padrão. A seguir são desenvolvidos as várias classificações não convencionais dos fluxos de caixa. Período de ocorrência Com relação ao período em que a ocorrer, o fluxo de caixa pode ser identificado como postecipado, antecipado e diferido. - Postecipado No tipo postecipado, a série de pagamentos/recebimentos começa a acorrer exatamente ao final do primeiro período, de acordo com a ilustração gráfica acima. Esse fluxo enquadra-se no modelo-padrão detalhado inicialmente, não havendo nada mais a acrescentar. - Antecipado O fluxo de caixa antecipado indica que a série de valores começa a ocorrer antes do final do primeiro período, conforme é represen- tado graficamente acima. Por exemplo, um aluguel pago no início do período de competência (geralmente no início do mês) enquadra-se como um fluxo de caixa antecipado por um período (mês). Se dois aluguéis forem adiantados ao locador, a antecipação é de dois períodos, e assim por diante. A determinação do valor presente e montante de um fluxo de caixa antecipado não apresenta maiores novidades. Além de ter-se sempre a opção de atualizar ou corrigir os seus termos individualmente, pode-se também utilizar a fórmula do modelo-padrão para a parte convencional do fluxo, e adicionar os termos antecipados (corrigidos) a esse resultado. Por exemplo, admita o seguinte fluxo de caixa com antecipação de dois períodos: Para uma taxa de juros de 4% por período, tem-se: PV = [70,00 FPV (4%, 8)] + 70,00 + 70,00 (1,04) PV = (70,00 6,732745) + 70,00 + 72,80 PV = 471,29 + 70,00 + 72,80 = $614,09 FV = [70,00 FPV (4%, 8) + 70,00 ] + 70,00 FV = (70,00 9,214226) + 95,80 + 99,63 FV = 645,00 + 95,80 + 99,63 = $ 840,43 MATEMÁTICA FINANCEIRA 105 a solução para o seu concurso! Editora - Diferido (Carência) O diferimento indica que os termos da série começam a ocorrer após o final do primeiro período, conforme ilustrado no gráfico an- terior. Nessa ilustração, a série inicia-se no período imediatamente após o final do primeiro intervalo de tempo, indicando consequentemen- te uma carência de um período. Se a série começar a ocorrer no momento 3 do gráfico, a carência atinge dois períodos: no momento 4 tem-se uma carência de 3 períodos; e assim por diante. Em suma, a base de comparação para se definir uma carência é o final do primeiro período. Para a matemática financeira, a carência existe quando o primeiro fluxo de caixa se verificar após o final do primeiro período, ou seja, após ter decorrido c períodos de tempo. A determinação do montante de um fluxo de caixa com carência segue a formulação desenvolvida do modelo-padrão. Deve ser res- saltado, uma vez mais, que nesse caso n representa o número de termos da série, e não o seu prazo total. A formulação do valor presente, no entanto, requer um pequeno ajuste, de forma a ser expresso na data zero, ou seja: PV = PMT x FPV (i, n) x FAC (i, c) Onde: c = número de períodos de carência. FAC = Fator de Atualização de Capital (valor presente). FAC = 1/ (1 + i)n Por exemplo, admita o seguinte fluxo de caixa diferido por 2 períodos: - Diferido (Carência) Observe que o fluxo de caixa apresenta um prazo total de 9 períodos, sendo o número determos igual a 7 (n = 7), e a carência de 2 períodos (c = 2). Para uma taxa de juros de 2,2% por período, têm-se os seguintes resultados: PV = 100,00 x FPV (2,2%, 7) x FAC (2,2%, 2) PV = 100,00 x 6,422524 x 0,957410 = $ 614,90 FV = 100,00 x FFV (2,2%, 7) FV = 100,00 x 7,479318 = $747,93 Periodicidade A periodicidade reflete os intervalos de tempo em que os fluxos de caixa ocorrem. Se esses intervalos forem sempre iguais, diz-se que os fluxos são periódicos, enquadrando-se no modelo-padrão apresentado. Se, por outro lado, os termos se verificarem em intervalos irregulares (diferentes entre si), tem-se o que se denomina de fluxos de caixa não periódicos. O gráfico a seguir ilustra um fluxo de caixa não periódico, onde os valores não se verificam uniformemente em termos de sua periodicidade. MATEMÁTICA FINANCEIRA 106106 a solução para o seu concurso! Editora Tanto o cálculo do valor presente, como o do valor futuro, devem ser processados, respectivamente, pelo somatório da atualização e capitalização de cada um dos termos. Genericamente, têm-se as seguintes expressões: Ilustrativamente, admita o seguinte fluxo de caixa não periódico: Para uma taxa de juros de 1,9% a.m., tem-se: PV = 100,00 + + + + PV= 100,00 + 94,51 + 92,75 + 86,02 + 75,40 PV = $ 448,68 FV = 100,00 + 100,00 (1,019)7 + 100,00 (1,019)11 + 100,00 (1,019)12 + 100,00 (1,019)15 FV = 100,00 + 114,08 + 123,00 + 125,34 + 132,62 FV = $ 595,04 ou FV = 448,68 x (1,019)15 = $ 595,04. Duração A duração de um fluxo de caixa pode ser finita, característica do modelo-padrão, ou indeterminada (indefinida), quando o prazo não é conhecido previamente. No caso de uma série infinita, determina-se unicamente o seu valor presente. Para algumas situações específicas podem ser atribuídas probabilidades para se definir a duração de um fluxo, como é o caso da atividade de seguros. No entanto, este tipo de situação não será tratada aqui, ficando mais restrito estudo da Matemática Atuarial. A representação gráfica de uma série indefinida pode ser ilustrada da forma seguinte: MATEMÁTICA FINANCEIRA 107 a solução para o seu concurso! Editora O cálculo do valor presente é efetuado pelo somatório do valor atualizado de cada um de seus termos, isto é: Genericamente: Detalhando a formulação: Os valores entre colchetes representam a soma dos termos de uma progressão geométrica indefinida, cuja razão é menor que 1. Aplicando-se o teorema de limite na fórmula da soma dos termos, tem-se: Processando-se as deduções e simplificações pertinentes a partir dessa expressão, chega-se ao valor presente de um fluxo de caixa igual, constante, periódico e indeterminado, ou seja: PV = Em outras palavras, o valor presente desse fluxo é determinado pela relação entre o pagamento/recebimento periódico, igual e su- cessivo, e a taxa de juros considerada. As séries indeterminadas encontram aplicações práticas principalmente em avaliações de imóveis efetuadas com base nos rendimentos de aluguéis, na apuração do preço de mercado de uma ação a partir do fluxo previsto de dividendos etc. Com o intuito de proceder a uma aplicação prática do cálculo do valor presente de um fluxo indeterminado, admita que um imóvel esteja rendendo $ 2.000,00 de aluguel mensalmente. Sendo de 2% a.m.o custo de oportunidade de mercado (ganho da melhor alternativa de aplicação disponível), pode-se avaliar preliminarmente que o valor deste imóvel atinge $ 100.000,00, isto é: O valor de referência do imóvel, válido para uma avaliação inicial, é o valor presente do fluxo de rendimentos mensais (aluguéis) pre- visto por um prazo indeterminado, descontado a um custo de oportunidade. Valores No que se refere aos valores, os termos de caixa podem ser constantes, se os fluxos de caixa apresentarem-se sempre iguais, ou va- riáveis, se os fluxos não forem sempre iguais entre si. Se os valores de caixa forem constantes, o fluxo identifica-se com o modelo-padrão estudado. No entanto, se os valores de caixa apresentarem-se desiguais (variáveis), o valor presente é calculado pela soma dos valores atualizados de cadaum de seus termos. O valor futuro, por seu lado, é determinado pelo somatório dos montantes de cada um dois ter- mos ou, ainda, capitalizando-se o valor presente para a data futura. Identicamente aos fluxos de caixa não periódicos, têm-se as seguintes generalizações: MATEMÁTICA FINANCEIRA 108108 a solução para o seu concurso! Editora Ou Por exemplo, admita um fluxo de caixa com os seguintes valores, ocorrendo respectivamente ao final de cada um dos próximos 5 anos: $ 80,00, $ 126,00, $ 194,00, $ 340,00 e $ 570,00. Para uma taxa de juros de 4% a.a., têm-se os seguintes resultados: FV = 570,00 + 340,00 (1,04) + 194 (1,04 126,00 (1,04 + 80,00 (1,04 Ou SEQUÊNCIAS NUMÉRICAS: LEIS DE FORMAÇÃO EXPRESSAS DE FORMA GERAL (EM FUNÇÃO DA POSIÇÃO DO TERMO) OU DE FORMA RECURSIVA (EM FUNÇÃO DE UM OU MAIS TERMOS ANTERIORES); PROGRESSÕES ARITMÉTICAS; PROGRESSÕES GEOMÉTRICAS SEQUÊNCIAS Sempre que estabelecemos uma ordem para os elementos de um conjunto, de tal forma que cada elemento seja associado a uma posição, temos uma sequência. O primeiro termo da sequência é indicado por a1,o segundo por a2, e o n-ésimo por an. Termo Geral de uma Sequência Algumas sequências podem ser expressas mediante uma lei de formação. Isso significa que podemos obter um termo qualquer da sequência a partir de uma expressão, que relaciona o valor do termo com sua posição. Para a posição n(n ϵ N*), podemos escrever an=f(n) PROGRESSÃO ARITMÉTICA Denomina-se progressão aritmética(PA) a sequência em que cada termo, a partir do segundo, é obtido adicionando-se uma constante r ao termo anterior. Essa constante r chama-se razão da PA. an = an-1 + r(n ≥ 2) Exemplo A sequência (2,7,12) é uma PA finita de razão 5: a1 = 2 a2 = 2 + 5 = 7 a3 = 7 + 5 = 12 MATEMÁTICA FINANCEIRA 109 a solução para o seu concurso! Editora Classificação As progressões aritméticas podem ser classificadas de acordo com o valor da razão r. r < 0, PA decrescente r > 0, PA crescente r = 0, PA constante Propriedades das Progressões Aritméticas -Qualquer termo de uma PA, a partir do segundo, é a média aritmética entre o anterior e o posterior. -A soma de dois termos equidistantes dos extremos é igual à soma dos extremos. a1 + an = a2 + an-1 = a3 + an-2 Termo Geral da PA Podemos escrever os elementos da PA(a1, a2, a3, ..., an,...) da seguinte forma: a2 = a1 + r a3 = a2 + r = a1 + 2r a4 = a3 + r = a1 + 3r Observe que cada termo é obtido adicionando-se ao primeiro número de razões r igual à posição do termo menos uma unidade. an = a1 + (n - 1)r Soma dos Termos de uma Progressão Aritmética Considerando a PA finita (6,10, 14, 18, 22, 26, 30, 34). 6 e 34 são extremos, cuja soma é 40 Numa PA finita, a soma de dois termos equidistantes dos extre- mos é igual à soma dos extremos. Soma dos Termos Usando essa propriedade, obtemos a fórmula que permite cal- cular a soma dos n primeiros termos de uma progressão aritmética. Sn - Soma dos primeiros termos a1 - primeiro termo an - enésimo termo n - número de termos Exemplo Uma progressão aritmética finita possui 39 termos. O último é igual a 176 e o central e igual a 81. Qual é o primeiro termo? Solução Como esta sucessão possui 39 termos, sabemos que o termo central é o a20, que possui 19 termos à sua esquerda e mais 19 à sua direita. Então temos os seguintes dados para solucionar a questão: Sabemos também que a soma de dois termos equidistantes dos extremos de uma P.A. finita é igual à soma dos seus extremos. Como esta P.A. tem um número ímpar de termos, então o termo central tem exatamente o valor de metade da soma dos extremos. Em notação matemática temos: Assim sendo: O primeiro termo desta sucessão é igual a -14. PROGRESSÃO GEOMÉTRICA Denomina-se progressão geométrica(PG) a sequência em que se obtém cada termo, a partir do segundo, multiplicando o anterior por uma constante q, chamada razão da PG. Exemplo Dada a sequência: (4, 8, 16) a1 = 4 a2 = 4 . 2 = 8 a3 = 8 . 2 = 16 Classificação As classificações geométricas são classificadas assim: - Crescente: Quando cada termo é maior que o anterior. Isto ocorre quando a1 > 0 e q > 1 ou quando a1 < 0 e 0 < q < 1. - Decrescente: Quando cada termo é menor que o anterior. Isto ocorre quando a1 > 0 e 0 < q < 1 ou quando a1 < 0 e q > 1. - Alternante: Quando cada termo apresenta sinal contrário ao do anterior. Isto ocorre quando q < 0. - Constante: Quando todos os termos são iguais. Isto ocorre quando q = 1. Uma PG constante é também uma PA de razão r = 0. A PG constante é também chamada de PG estacionaria. - Singular: Quando zero é um dos seus termos. Isto ocorre quando a1 = 0 ou q = 0. Termo Geral da PG Pelo exemplo anterior, podemos perceber que cada termo é obtido multiplicando-se o primeiro por uma potência cuja base é a razão. Note que o expoente da razão é igual à posição do termo menos uma unidade. MATEMÁTICA FINANCEIRA 110110 a solução para o seu concurso! Editora a2 = a1 . q 2-1 a3 = a1 . q 3-1 Portanto, o termo geral é: an = a1 . q n-1 Soma dos Termos de uma Progressão Geométrica Finita Seja a PG finita (a1, a1q, a1q 2, ...)de razão q e de soma dos ter- mos Sn: 1º Caso: q=1 Sn = n . a1 2º Caso: q≠1 Exemplo Dada a progressão geométrica (1, 3, 9, 27,..) calcular: a) A soma dos 6 primeiros termos b) O valor de n para que a soma dos n primeiros termos seja 29524 Solução: a1 = 1; q = 3; n = 6 Soma dos Termos de uma Progressão Geométrica Infinita 1º Caso:-1 < q < 1 Quando a PG infinita possui soma finita, dizemos que a série é convergente. 2º Caso: |q| > 1 A PG infinita não possui soma finita, dizemos que a série é di- vergente 3º Caso: |q| = 1 Também não possui soma finita, portanto divergente Produto dos termos de uma PG finita JUROS SIMPLES. JUROS COMPOSTOS Os juros simples e compostos são cálculos efetuados com o objetivo de corrigir os valores envolvidos nas transações financeiras, isto é, a correção que se faz ao emprestar ou aplicar uma determinada quantia durante um período de tempo5. O valor pago ou resgatado dependerá da taxa cobrada pela operação e do período que o dinheiro ficará emprestado ou aplicado. Quanto maior a taxa e o tempo, maior será este valor. — Diferença entre Juros Simples e Compostos Nos juros simples a correção é aplicada a cada período e considera apenas o valor inicial. Nos juros compostos a correção é feita em cima de valores já corrigidos. Por isso, os juros compostos também são chamados de juros sobre juros, ou seja, o valor é corrigido sobre um valor que já foi corrigido. Sendo assim, para períodos maiores de aplicação ou empréstimo a correção por juros compostos fará com que o valor final a ser recebido ou pago seja maior que o valor obtido com juros simples. 5 https://www.todamateria.com.br/juros-simples-e-compostos/ MATEMÁTICA FINANCEIRA 111 a solução para o seu concurso! Editora A maioria das operações financeiras utiliza a correção pelo sistema de juros compostos. Os juros simples se restringem as operações de curto período. — Fórmula de Juros Simples Os juros simples são calculados aplicando a seguinte fórmula: Sendo: J: juros. C: valor inicial da transação, chamado em matemática financeira de capital. i: taxa de juros (valor normalmente expresso em porcentagem). t: período da transação. Podemos ainda calcular o valor total que será resgatado (no caso de uma aplicação) ou o valor a ser quitado (no caso de um empréstimo) ao final de um período predeterminado. Esse valor, chamado de montante, é igual a soma do capital com os juros, ou seja: Podemos substituir o valor de J, na fórmula acima e encontrar a seguinte expressão para o montante: A fórmula que encontramos é uma função afim, desta forma, o valor do montante cresce linearmente em função do tempo. Exemplo: Se o capital de R$ 1 000,00 rende mensalmente R$ 25,00, qual é a taxa anual de juros no sistema de juros simples? Solução: Primeiro, vamos identificar cada grandeza indicada no problema. C = R$ 1 000,00 J = R$ 25,00 t = 1mês i = ? Agora que fizemos a identificação de todas as grandezas, podemos substituir na fórmula dos juros: Entretanto, observe que essa taxa é mensal, pois usamos o período de 1 mês. Para encontrar a taxa anual precisamos multiplicar esse valor por 12, assim temos: i = 2,5.12= 30% ao ano — Fórmula de Juros Compostos O montante capitalizado a juros compostos é encontrado aplicando a seguinte fórmula: Sendo: M: montante. C: capital. i: taxa de juros. t: período de tempo. Diferente dos juros simples, neste tipo de capitalização, a fórmula para o cálculo do montante envolve uma variação exponencial. Daí se explica que o valor final aumente consideravelmente para períodos maiores. Exemplo: Calcule o montante produzido por R$ 2 000,00 aplicado à taxa de 4% ao trimestre, após um ano, no sistema de juros compostos. Solução: Identificando as informações dadas, temos: C = 2 000 i = 4% ou 0,04 ao trimestre t = 1 ano = 4 trimestres M = ? Substituindo esses valores na fórmula de juros compostos, temos: Observação: o resultado será tão melhor aproximado quanto o número de casas decimais utilizadas na potência. Portanto, ao final de um ano o montante será igual a R$ 2 339,71. SISTEMAS DE AMORTIZAÇÃO DE QUALQUER TIPO, IN- CLUINDO OS SISTEMAS COM AMORTIZAÇÕES CONSTAN- TES (SAC) E COM PRESTAÇÕES CONSTANTES (FRANCÊS OU PRICE) Taxa Nominal A taxa nominal de juros relativa a uma operação financeira pode ser calculada pela expressão: Taxa nominal = Juros pagos / Valor nominal do empréstimo Assim, por exemplo, se um empréstimo de $100.000,00, deve ser quitado ao final de um ano, pelo valor monetário de $150.000,00, a taxa de juros nominal será dada por: Juros pagos = Jp = $150.000 – $100.000 = $50.000,00 Taxa nominal = in = $50.000 / $100.000 = 0,50 = 50% MATEMÁTICA FINANCEIRA 112112 a solução para o seu concurso! Editora Sem dúvida, se tem um assunto que gera muita confusão na Matemática Financeira são os conceitos de taxa nominal, taxa efe- tiva e taxa equivalente. Até na esfera judicial esses assuntos geram muitas dúvidas nos cálculos de empréstimos, financiamentos, con- sórcios e etc. Vamos tentar esclarecer esses conceitos, que na maioria das vezes nos livros e apostilas disponíveis no mercado, não são apre- sentados de uma maneira clara. Temos a chamada taxa de juros nominal, quando esta não é realmente a taxa utilizada para o cálculo dos juros (é uma taxa “sem efeito”). A capitalização (o prazo de formação e incorporação de ju- ros ao capital inicial) será dada através de outra taxa, numa unidade de tempo diferente, taxa efetiva. Como calcular a taxa que realmente vai ser utilizada; isto é, a taxa efetiva? Vamos acompanhar através do exemplo Taxa Efetiva Calcular o montante de um capital de R$ 1.000,00 (mil reais), aplicados durante 18 (dezoito) meses, capitalizados mensalmente, a uma taxa de 12% a.a. Explicando o que é taxa Nominal, efetiva mensal e equivalente mensal: Respostas e soluções: 1) A taxa Nominal é 12% a.a; pois o capital não vai ser capitali- zado com a taxa anual. 2) A taxa efetiva mensal a ser utilizada depende de duas con- venções: taxa proporcional mensal ou taxa equivalente mensal. a) Taxa proporcional mensal (divide-se a taxa anual por 12): 12%/12 = 1% a.m. b) Taxa equivalente mensal (é aquela que aplicado aos R$ 1.000,00, rende os mesmos juros que a taxa anual aplicada nesse mesmo capital). Cálculo da taxa equivalente mensal: onde: iq : taxa equivalente para o prazo que eu quero it : taxa para o prazo que eu tenho q : prazo que eu quero t : prazo que eu tenho iq = 0,009489 a.m ou iq = 0,949 % a.m. 3) Cálculo do montante pedido, utilizando a taxa efetiva mensal a) pela convenção da taxa proporcional: M = c (1 + i)n M = 1000 (1 + 0,01) 18 = 1.000 x 1,196147 M = 1.196,15 b) pela convenção da taxa equivalente: M = c (1 + i)n M = 1000 (1 + 0,009489) 18 = 1.000 x 1,185296 M = 1.185,29 NOTA: Para comprovar que a taxa de 0,948% a.m é equivalente a taxa de 12% a.a, basta calcular o montante utilizando a taxa anual, neste caso teremos que transformar 18 (dezoito) meses em anos para fazer o cálculo, ou seja : 18: 12 = 1,5 ano. Assim: M = c (1 + i)n M = 1000 (1 + 0,12) 1,5 = 1.000 x 1,185297 M = 1.185,29 Conclusões: – A taxa nominal é 12% a.a, pois não foi aplicada no cálculo do montante. Normalmente a taxa nominal vem sempre ao ano! – A taxa efetiva mensal, como o próprio nome diz, é aquela que foi utilizado para cálculo do montante. Pode ser uma taxa propor- cional mensal (1 % a.m.) ou uma taxa equivalente mensal (0,949 % a.m.). – Qual a taxa efetiva mensal que devemos utilizar? Em se tra- tando de concursos públicos, a grande maioria das bancas exami- nadoras utilizam a convenção da taxa proporcional. Em se tratando do mercado financeiro, utiliza-se a convenção de taxa equivalente. Taxa Equivalente Taxas Equivalentes são taxas que quando aplicadas ao mes- mo capital, num mesmo intervalo de tempo, produzem montantes iguais. Essas taxas devem ser observadas com muita atenção, em al- guns financiamentos de longo prazo, somos apenas informados da taxa mensal de juros e não tomamos conhecimento da taxa anual ou dentro do período estabelecido, trimestre, semestre entre ou- tros. Uma expressão matemática básica e de fácil manuseio que nos fornece a equivalência de duas taxas é: 1 + ia = (1 + ip)n, onde: ia = taxa anual ip = taxa período n: número de períodos Observe alguns cálculos: Exemplo 1 Qual a taxa anual de juros equivalente a 2% ao mês? Temos que: 2% = 2/100 = 0,02 1 + ia = (1 + 0,02)12 1 + ia = 1,0212 1 + ia = 1,2682 ia = 1,2682 – 1 ia = 0,2682 ia = 26,82% A taxa anual de juros equivalente a 2% ao mês é de 26,82%. As pessoas desatentas poderiam pensar que a taxa anual nesse caso seria calculada da seguinte forma: 2% x 12 = 24% ao ano. Como vimos, esse tipo de cálculo não procede, pois a taxa anual foi calcu- lada de forma correta e corresponde a 26,82% ao ano, essa variação ocorre porque temos que levar em conta o andamento dos juros compostos (juros sobre juros). MATEMÁTICA FINANCEIRA 113 a solução para o seu concurso! Editora Taxa Real A taxa real expurga o efeito da inflação. Um aspecto interes- sante sobre as taxas reais de juros, é que elas podem ser inclusive, negativas. Vamos encontrar uma relação entre as taxas de juros nominal e real. Para isto, vamos supor que um determinado capital P é aplica- do por um período de tempo unitário, a certa taxa nominal in O montante S1 ao final do período será dado por S1 = P(1 + in). Consideremos agora que durante o mesmo período, a taxa de inflação (desvalorização da moeda) foi igual a j. O capital corrigido por esta taxa acarretaria um montanteS2 = P (1 + j). A taxa real de juros, indicada por r, será aquela aplicada ao montante S2, produzirá o montante S1. Poderemos então escrever: S1 = S2 (1 + r) Substituindo S1 e S2 , vem: P(1 + in) = (1+r). P (1 + j) Daí então, vem que: (1 + in) = (1+r). (1 + j), onde: in = taxa de juros nominal j = taxa de inflação no período r = taxa real de juros Observe que se a taxa de inflação for nula no período, isto é, j = 0, teremos que as taxas nominal e real são coincidentes. Exemplo Numa operação financeira com taxas pré-fixadas, um banco empresta $120.000,00 para ser pago em um ano com $150.000,00. Sendo a inflação durante o período do empréstimo igual a 10%, pe- de-se calcular as taxas nominal e real deste empréstimo. Teremos que a taxa nominal será igual a: in = (150.000 – 120.000)/120.000 = 30.000/120.000 = 0,25 = 25% Portanto in = 25% Como a taxa de inflação no período é igual a j = 10% = 0,10, substituindo na fórmula anterior, vem: (1 + in) = (1+r). (1 + j) (1 + 0,25) = (1 + r).(1 + 0,10) 1,25 = (1 + r).1,10 1 + r = 1,25/1,10 = 1,1364 Portanto, r = 1,1364 – 1 = 0,1364 = 13,64% Se a taxa de inflação no período fosse igual a 30%, teríamos para a taxa real de juros: (1 + 0,25) = (1 + r).(1 + 0,30) 1,25 = (1 + r).1,30 1 + r = 1,25/1,30 = 0,9615 Portanto, r = 0,9615 – 1 = -,0385 =-3,85% e, portanto teríamos uma taxa real de juros negativa. Exemplo $100.000,00 foi emprestado para ser quitado por $150.000,00 ao final de um ano. Se a inflação no período foi de 20%, qual a taxa real do empréstimo? Resposta: 25% Taxas Proporcionais Para se compreender mais claramente o significado destas ta- xas deve-se reconhecer que toda operação envolve dois prazos: – o prazo a que se refere à taxa de juros; e – o prazo de capitalização (ocorrência) dos juros. (ASSAF NETO, 2001). Taxas Proporcionais: duas (ou mais) taxas de juro simples são ditas proporcionais quando seus valores e seus respectivos perío- dos de tempo, reduzidos a uma mesma unidade, forem uma pro- porção. (PARENTE, 1996). Exemplos Prestação = amortização + juros Há diferentes formas de amortização, conforme descritas a se- guir. Para os exemplos numéricos descritos nas tabelas, em todas as diferentes formas de amortização, utilizaremos o mesmo exercí- cio:uma dívida de valor inicial de R$ 100 mil, prazo de três meses e juros de 3% ao mês. Pagamento único É a quitação de toda a dívida (amortização + juros) em um úni- co pagamento, ao final do período. Utilizamos a mesma fórmula do montante: Nos juros simples: M = C (1 + i×n) M = montante C = capital inicial i= taxa de juros n = período Nos juros compostos: M = C (1+i)n M = montante C = capital inicial i = taxa de juros n = período Nos juros simples: N° Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 - - 103.000,00 2 3.000,00 - - 106.000,00 3 3.000,00 100.000,00 109.000,00 - Nos juros compostos: n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 - - 103.000,00 2 3.090,00 - - 106.090,00 3 3.182,70 100.000,00 109.272,70 - MATEMÁTICA FINANCEIRA 114114 a solução para o seu concurso! Editora Sistema Price (Sistema Francês) Foi elaborado para apresentar pagamentos iguais ao longo do período do desembolso das prestações. A fórmula para encontrar- mos a prestação é dada a seguir: PMT = VP . _i.(1+i) n_ (1+i)n -1 PMT = valor da prestação VP = valor inicial do empréstimo i = taxa de juros n = período A fórmula foi desenvolvida, considerando-se apenas a capitali- zação por juros compostos. O resultado é listado a seguir: n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 32.353,04 35.353,04 67.646,96 2 2.029,41 33.323,63 35.353,04 34.323,33 3 1.029,71 34.323,33 35.353,04 - Sistema de Amortização Misto (SAM) É a média aritmética das prestações calculadas nas duas formas anteriores (SAC e Price). É encontrado pela fórmula: PMTSAM = (PTMSAC + PMTPRICE) / 2 n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 32.843,19 35.843,19 67.156,81 2 2.014,70 33.328,49 35.343,19 33.828,32 3 1.014,87 33.828,32 34.843,19 - Sistema de Amortização Crescente (SACRE) Este sistema, criado pela Caixa Econômica Federal (CEF), é uma das formas utilizadas para o cálculo das prestações dos financia- mentos imobiliários. Usa-se, para o cálculo do valor das prestações, a metodologia do sistema de amortização constante (SAC) anual, desconsiderando-se o valor da Taxa Referencial de Juros (TR). Esta é incluída posteriormente, resultando em uma amortização variável. Chamar de “amortização crescente” parece-nos inadequado, pois pode resultar em amortizações decrescentes, dependendo da ocor- rência de TR com valor muito baixo. Sistema Alemão Neste caso, a dívida é liquidada também em prestações iguais, exceto a primeira, onde no ato do empréstimo (momento “zero”) já é feita uma cobrança dos juros da operação. As prestações, a pri- meira amortização e as seguintes são definidas pelas três seguintes fórmulas: PMT = _ Vp.i_ 1- (1+i)n PMT = valor da prestação VP = valor inicial do empréstimo i = taxa de juros n = período A1 = PMT . (1- i) n-1 A1 = primeira amortização PMT = valor da prestação i = taxa de juros n = período An = An-1_ (1- i) An = amortizações posteriores (2º, 3º, 4º, ...) An-1 = amortização anterior i = taxa de juros n = período n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 3.000,00 - 3.000,00 100.000,00 1 2.030,30 32.323,34 34.353,64 67.676,66 2 1.030,61 33.323,03 34.353,64 34.353,63 3 - 34.353,64 34.353,64 (0,01) OBS: os resíduos em centavos, como saldo devedor final na ta- bela anterior, são resultados de arredondamento do cálculo e serão desconsiderados. Sistema de Amortização Constante – SAC Consiste em um sistema de amortização de uma dívida em prestações periódicas, sucessivas e decrescentes em progressão aritmética, em que o valor da prestação é composto por uma parce- la de juros uniformemente decrescente e outra de amortização que permanece constante. Sistema de Amortização Constante (SAC) é uma forma de amortização de um empréstimo por prestações que incluem os ju- ros, amortizando assim partes iguais do valor total do empréstimo. Neste sistema o saldo devedor é reembolsado em valores de amortização iguais. Desta forma, no sistema SAC o valor das pres- tações é decrescente, já que os juros diminuem a cada prestação. O valor da amortização é calculado dividindo-se o valor do principal pelo número de períodos de pagamento, ou seja, de parcelas. O SAC é um dos tipos de sistema de amortização utilizados em financiamentos imobiliários. A principal característica do SAC é que ele amortiza um percentual fixo do saldo devedor desde o início do financiamento. Esse percentual de amortização é sempre o mesmo, o que faz com que a parcela de amortização da dívida seja maior no início do financiamento, fazendo com que o saldo devedor caia mais rapidamente do que em outros mecanismos de amortização. MATEMÁTICA FINANCEIRA 115 a solução para o seu concurso! Editora Exemplo: Um empréstimo de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) a ser pago em 12 meses, a uma taxa de juros de 1% ao mês (em juros sim- ples). Aplicando a fórmula para obtenção do valor da amortização, iremos obter um valor igual a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Essa fórmula é o valor do empréstimo solicitado divido pelo período, sendo nesse caso: R$ 120.000,00 / 12 meses = R$ 10.000,00. Logo, a tabela SAC fica: Nº Prestação Prestação Juros Amortização Saldo Devedor 0 120000 1 11200 1200 10000 110000 2 11100 1100 10000 100000 3 11000 1000 10000 90000 4 10900 900 10000 80000 5 10800 800 10000 70000 6 10700 700 10000 60000 7 10600 600 10000 50000 8 10500 500 10000 40000 9 10400 400 10000 30000 10 10300 300 10000 20000 11 10200 200 10000 10000 12 10100 100 10000 0 Note que o juro é sempre 10% do saldo devedor do mês anterior, já a prestação é a soma da amortização e o juro. Sendo assim, o juro é decrescente e diminui sempre na mesma quantidade, R$ 100,00. O mesmo comportamento tem as prestações. A soma das prestações é de R$ 127.800,00, gerando juros de R$ 7.800,00. Outra coisa a se observar é que as parcelas e juros diminuem em progressão aritmética (PA) de r=100. Sistema Americano O tomador do empréstimo paga os juros mensalmente e o principal, em um único pagamento final. Considera-se apenas o regime de juros compostos: n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 - 3.000,00 100.000,00 2 3.000,00 - 3.000,00 100.000,00 3 3.000,00 100.000,00 103.000,00 - Sistema de Amortização Constante (SAC) ou Sistema Hamburguês O tomador do empréstimo amortiza o saldo devedor em valores iguais e constantes ao longo do período. Considera-se apenas o regime de juros compostos: n Juros Amortização Prestação Saldo devedor 0 - - - 100.000,00 1 3.000,00 33.333,33 36.333,33 66.666,67 2 2.000,00 33.333,33 35.333,33 33.333,34 3 1.000,00 33.333,34 34.333,34 - MATEMÁTICA FINANCEIRA 116116 a solução para o seu concurso! Editora Qual a melhor forma de amortização? A tabela abaixo lista o fluxo de caixa nos diversos sistemas de amortização discutidos nos itens anteriores. N Pgto único (jrs comp.)