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DEFINIÇÃO Fibra óptica é um avanço tecnológico considerável que ocasionou uma revolução em ramos como medicina, engenharia espacial e telecomunicações, elevando o padrão da aplicação da teoria da Lei de Snell, que compõe a óptica geométrica. PROPÓSITO Compreender a teoria e a prática que embasam o advento da fibra óptica. ESTRUTURA DA FIBRA ÓPTICA INTRODUÇÃO Desde o início da humanidade, há interesse do homem em conseguir enviar mensagens a longas distâncias. O avanço tecnológico permitiu o aprimoramento deste fenômeno, tendo a fibra óptica como fator decisivo para chegar ao desenvolvimento existente na atualidade. A fibra óptica é um MEIO DE TRANSMISSÃO de mensagens atravessado por uma onda eletromagnética, que se move, com velocidade da luz no vácuo (3x108 m/s). A fibra óptica, portanto, funciona de forma equivalente a um duto, que conduz a onda eletromagnética de um emissor de sinal a um receptor de sinal. Antes da invenção do telefone por Alexander Graham Bell, em 1875, a voz humana só conseguia ser transmitida por poucos metros, pois dependia da capacidade vocal do locutor. Após a invenção do aparelho, o sinal de voz passou a ser convertido em sinal elétrico e assim pode ser transmitido por distâncias muito maiores do que o alcance vocal, utilizando fios condutores, permitindo as chamadas telefônicas de pessoas que se encontravam a quilômetros de distância. Imagem: Shutterstock.com Telefone castiçal. O envio de mensagem a longa distância veio evoluindo, buscando sempre o maior alcance, mas também a melhor qualidade. Até 1887, os cabos condutores eram a única forma de transmissão de mensagens, porém, neste mesmo ano, Heinrich Hertz comprovou sua teoria ondulatória, utilizando um circuito oscilador. Esta teoria propiciou que em 1906 a primeira transmissão radiofônica fosse realizada por Lee de Forest nos Estados Unidos. Dando um salto para a segunda metade do século XX (1952), tivemos a descoberta do físico indiano Narinder Singh Kapany, o qual percebeu que a fibra óptica é capaz de aprisionar a luz em seu interior devido ao fenômeno da reflexão total. Seus estudos eram voltados para a Medicina, mas, após análises, o físico Chinês Charles Kao experimentou utilizar a fibra óptica para transmitir chamadas telefônicas, conseguindo provar que era possível transmitir por essa nova fibra, tanto dados de voz, como dados de imagem (televisão, computador e transmissão de dados via internet) com um custo muito inferior ao dos cabos convencionais. Imagem: Shutterstock.com Televisão a válvula. Imagem: Shutterstock.com Computador da década de 1950. Imagem: Shutterstock.com Servidor de internet. Em 1988, foi instalado o primeiro cabo oceânico constituído de fibra óptica, dando início a era da supervelocidade da informação. FIBRAS ÓPTICAS: O QUE SÃO? Imagem: Shutterstock.com Após a invenção da fibra óptica por Narinder Singh Kapany, os cientistas se voltaram para o desafio de criar um tipo de vidro de pureza elevada que permitisse que somente 1% da potência da luz emitida para o interior da fibra fosse dissipada ao fim de uma transmissão de 1 km. Desde então, as pesquisas evoluíram ao ponto de atingirem o limite teórico do vidro confeccionado a partir da sílica. Graças a esse avanço tecnológico e ao progresso na área da eletrônica, atualmente, é possível transmitir um sinal através da fibra óptica por uma distância de 100 km, sem necessidade de amplificação de sinal. A fibra óptica é constituída de materiais dielétricos (isolantes), em geral: sílicas ou polímeros (plásticos). As fibras possuem uma estrutura muito longa e cilíndrica, porém tão finas quanto um fio de cabelo humano. Imagem: Shutterstock.com Componentes de uma fibra óptica. A estrutura cilíndrica da fibra óptica é composta por uma região central que podemos chamar de núcleo, por onde a luz é transmitida. Há também uma região periférica que podemos chamar de casca, a qual apresenta duas funções: proteger o núcleo, e participar, com um índice de refração menor do que o índice de refração do núcleo para propiciar a reflexão total da luz no interior do núcleo. A figura 1 ilustra a trajetória da luz no interior de uma fibra óptica. Vemos como a luz se propaga no interior do núcleo, e a relação dos índices de refração do material que compõe o núcleo e o material que compõe a casca. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Figura 1: Esquema ilustrativo do núcleo da fibra óptica. Vamos agora observar a Figura 2 e aprender como uma fibra óptica é composta: Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Esquema ilustrativo detalhado dos componentes do cabo de fibra óptica. 1 O núcleo é um filamento muito fino de vidro baseado em sílica ou polímero de fluoreto de carbono, cujo diâmetro está na escala de micrômetros (μm). Todavia, quanto maior for o diâmetro do filamento, maior é a quantidade de onda eletromagnética que ele pode transmitir. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Esquema ilustrativo detalhado dos componentes do cabo de fibra óptica. 2 A casca é uma camada que reveste o núcleo. O material que compõe a casca é escolhido de forma a possuir um índice de refração menor do que o índice de refração do núcleo, o que propicia a reflexão total, permitindo que a luz chegue ao destino. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Esquema ilustrativo detalhado dos componentes do cabo de fibra óptica. 3 Revestindo a casca, temos o que chamamos de capa, que em geral é um polímero termofixo, com a finalidade de proteger a casca da fibra óptica contra choques mecânicos e abrasão, além de impor um limite de curvatura à fibra para que ela não se quebre durante a sua manipulação. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Esquema ilustrativo detalhado dos componentes do cabo de fibra óptica. 4 Envolvendo a capa, estão as fibras de resistência mecânica, as quais em geral são feitas de Kevlar (o mesmo utilizado em coletes à prova de balas) e tem a função de proteger a fibra de impactos mecânicos, como também de tensões mecânicas altas que são aplicadas à fibra durante a sua instalação. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Esquema ilustrativo detalhado dos componentes do cabo de fibra óptica. 5 Neste ponto, encontra-se o revestimento externo, que também é composto de um polímero termofixo que reveste todos os componentes da fibra óptica e protege os componentes das intempéries do meio externo. O princípio básico da transmissão da luz por fibras ópticas está em garantir o processo de reflexão total no interior do núcleo, que ocorre quando o feixe de luz passa de um meio mais denso (núcleo) para um meio menos denso (casca). A fim de que este fenômeno de reflexão total ocorra, torna-se necessário que a luz atinja a interface existente entre o núcleo e a casca, em um ângulo , maior que um ângulo crítico ou seja: PASSO 1 Para garantirmos tal condição, é necessário que a luz adentre a fibra óptica com um ângulo inferior ao ângulo crítico , como demonstra a figura abaixo. Nela, o ângulo é o ângulo de incidência da luz na fibra. O ângulo é o ângulo de incidência do raio de luz na interface núcleo casca e o ângulo é o ângulo de reflexão da luz que é igual a . Figura 3: Demonstração da reflexão da luz no núcleo do cabo de fibra óptica. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo θi θc θi > θc θl < θc θl θi θr θi PASSO 2 Visto que há a condição de limitação de incidência do raio de luz na fibra óptica, podemos verificar que existe um cone de aceitação, que demonstra as faixas angulares de incidência do raio de luz, para que a luz seja transmitida pela fibra óptica. Figura 4: Cone de convergência de luz para propagação na fibra óptica. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo PASSO 3 Para garantir a existência deste cone de incidência e minimizar ou, até mesmo, extinguir ângulos maiores que , utilizamos à frente da fonte de luz uma lente convergente, que tem o papel de convergir os raios de luz (como uma lupa faz com os raiossolares) e conduzi-los para o interior da fibra. Veja: Figura 5: Demonstração da utilização de lente convergente entre a fonte de luz e a fibra óptica. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Chamamos de ângulo de aceitação da fibra, que é o ângulo máximo que o raio de luz adentra a fibra e sofre reflexão total. Ele é deduzido através da aplicação da teoria de Lei de θl θ1 Snell, tendo como condição a reflexão interna total, resultando em: � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Em que n0 é o índice de refração do meio externo à fibra, n1 é o índice de refração do núcleo e n2 é o índice de refração da casca, lembrando que n2 < n1. A partir do conceito de ângulo de aceitação, podemos inserir o conceito de abertura numérica (AN). A abertura numérica é um número real, adimensional que caracteriza os intervalos angulares pelos quais o sistema pode receber luz por um lado (entrada de luz) e emitir luz pelo outro (saída de luz). Matematicamente, expressamos a abertura numérica da seguinte maneira: Equação 1 � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Também é possível expressar a abertura numérica em relação à diferença relativa entre os índices de refração , da seguinte maneira: θl = arcsen ⎡ ⎢⎢ ⎣ ⎤ ⎥⎥ ⎦ √n21 − n 2 2 n0 AN = n0sen (θl) = √n21 − n 2 2 Equação 2 � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Porém, para a maioria das fibras ópticas temos um resultado tal que . Neste caso: Equação 3 � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Combinando as equações 1 e 2, podemos expressar a abertura em função da diferença relativa entre os índices de refração da seguinte maneira: Equação 4 � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal A abertura numérica é um recurso muito rico que nos permite medir, de forma comparativa, a capacidade da fibra de captar e transmitir luz. Δ = n 2 1 − n 2 2 2n21 Δ = n1 − n2 n1 AN = n1√2Δ PERFIS DE ÍNDICE DE REFRAÇÃO DE FRIBAS ÓPTICAS São dois os tipos de índice de refração de fibras ópticas: Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Figura 6: Fibra do tipo índice degrau. 1- Fibra do tipo índice degrau: O índice de refração é constante em todo o seu comprimento. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Figura 7: Fibra do tipo índice gradual. 2- Fibra do tipo índice gradual: O índice de refração varia de acordo com o diâmetro do núcleo, de forma parabólica. FABRICAÇÃO DAS FIBRAS ÓPTICAS O filamento de fibra óptica é produzido a partir do processamento da Preforma (matéria bruta), que é constituída 100% de sílica de vidro. No processamento, a Preforma é extrusada a quente a uma temperatura muito próxima de 2000°C. Para extrusar, é necessário derreter a ponta da fibra a fim de que seja possível puxá-la mecanicamente. Ao passar pela extrusora, a Preforma se afunila de tal modo que se torna um fio muito fino e muito longo. Após, a fibra passa pelas etapas de aplicação das camadas externas, começando pela casca, que possui índice de refração menor que o da fibra; em seguida, os fios de Kevlar para proteger a fibra contra impactos; e por fim, a capa protetora. Depois, a fibra é enrolada em uma bobina para que seja transportada. A força motriz que empurra a Preforma para o interior da extrusora é a força gravitacional. A figura a seguir ilustra o processo de fabricação. Imagem: Gabriel Burlandy Mota de Melo Figura 8: Mecanismo de fabricação da fibra óptica. TIPOS DE FIBRAS ÓPTICAS As fibras ópticas são classificadas em dois modelos: Fibra Monomodo ou Single Mode (SM) Tipo de fibra que possui o núcleo com espessura aproximada de 9 micrômetros. Ela permite a transmissão da luz cujos comprimentos de onda variam de 1310nm a 1650nm. Neste tipo de fibra, a luz trafega pelo núcleo com trajetórias lineares. Atualmente, é o tipo de fibra óptica mais utilizada para transmissão de dados em rede, a longa distância. Fibra Multimodo ou Multimode (MM) Tipo de fibra que possui o núcleo com espessura entre 50 e 62,5 micrômetros. Ela permite a transmissão da luz cujos comprimentos de onda variam de 850nm a 1300nm. Neste tipo de fibra, a luz se desloca em zigue-zague. Tais fibras são preferencialmente utilizadas em redes de curta distância. EXEMPLOS DE UTILIZAÇÃO DA FIBRA ÓPTICA Uma das notáveis aplicações da fibra óptica é a sua utilização na medicina, tal como realizar o exame de endoscopia. Com as fibras, introduzem-se dois feixes de luz na garganta do paciente, junto a uma microcâmera, permitindo ao médico visualizar os órgãos internos. Através da fibra óptica também é possível transmitir laser e realizar cirurgias como, por exemplo, a cauterização de úlceras no estômago. A fibra óptica também tem aplicação na engenharia aeroespacial, sendo aplicada em telescópios que tem como objetivo fazer observações simultâneas de diversos astros celestes. Na telecomunicação, a fibra óptica é amplamente utilizada na transmissão de pulsos eletromagnéticos, ou seja, qualquer tipo de radiação eletromagnética (luz, infravermelho, radio etc.). A fibra óptica apresenta uma grande vantagem sobre os cabos de cobre, pois em fios deste material é necessário instalar um amplificador de sinal a cada 4 km de comprimento do fio, enquanto nas fibras ópticas os amplificadores ficam instalados em comprimentos superiores a 10 km. Existem também desvantagens sobre as fibras ópticas, sendo uma delas a velocidade de transmissão de dados. Os pulsos elétricos em fio de cobre viajam a velocidades de 300.000 km/s, enquanto nas fibras ópticas os sinais eletromagnéticos percorrem em média 200.000 km/s. Outra desvantagem está no fato de a fibra óptica possuir menor resistência mecânica quando comparada ao cobre. CONSIDERAÇÕES FINAIS As fibras ópticas apresentaram um grande avanço tecnológico, principalmente no ramo de envio e recebimento de dados. O seu advento impactou também outras áreas como, por exemplo, a medicina. Utilizando o conceito de reflexão total, tornou-se capaz de criar fibras ópticas específicas para condução de determinadas radiações eletromagnéticas, controlando a faixa de comprimento de onda eletromagnética transmitida, através do controle do diâmetro do núcleo da fibra óptica. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. EM UMA FIBRA ÓPTICA, A DIFERENÇA RELATIVA ENTRE OS ÍNDICES DE REFRAÇÃO É DE 0,00006. SE O ÍNDICE DE REFRAÇÃO DO NÚCLEO É DE 1,10000, O ÍNDICE DE REFRAÇÃO DA CASCA É IGUAL A: A) 0,999934 B) b) 0,999834 C) c) 0,999634 D) d) 0,999538 E) e) 0,999439 2. UMA FONTE DE LUZ É COLOCADA EM FRENTE A UMA FIBRA ÓPTICA, CUJO MEIO É O AR (N0 = 1). ESSA FONTE EMITE LUZ BRANCA, PARA UMA FIBRA ÓPTICA, CUJO ÍNDICE DE REFRAÇÃO É IGUAL A 1,5 E POSSUI UMA CASCA COM ÍNDICE DE REFRAÇÃO DE 1,3. ASSINALE A OPÇÃO QUE REPRESENTA O ÂNGULO DE ACEITAÇÃO DA FIBRA: A) 91,30° B) 81,25° C) 71,10° D) 61,00° E) 48,59° GABARITO 1. Em uma fibra óptica, a diferença relativa entre os índices de refração é de 0,00006. Se o índice de refração do núcleo é de 1,10000, o índice de refração da casca é igual a: A alternativa "A " está correta. Como ∆≪1, temos: � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal 2. Uma fonte de luz é colocada em frente a uma fibra óptica, cujo meio é o ar (n0 = 1). Essa fonte emite luz branca, para uma fibra óptica, cujo índice de refração é igual a 1,5 e possui uma casca com índice de refração de 1,3. Assinale a opção que representa o ângulo de aceitação da fibra: A alternativa "E " está correta. Temos: Δ = n1 − n2 n1 0, 00006 = 1, 10000 − n2 1, 10000 n2 = 1,1 − 0,00006 ∙ 1,10000 = 0,999934 � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Então � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal n0 = 1, n1 = 1,5 e n2 = 1,3, assim: � Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal AN = n0sen(θl) = √n21 − n 2 2 n0sen (θl) = √n21 − n22 1 ∙ sen (θl) = √1, 52 − 1, 32 sen (θl) = 0, 75 θl = arcsen (0, 75) = 48, 59° CONTEUDISTA Gabriel Burlandy Mota de Melo CURRÍCULO LATTES javascript:void(0); javascript:void(0);