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CPE - Aulas 2019-2

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1.10. Concordância: verbal e nominal
 
Objectivos:
Compreender a concordância verbal como elemento indispensável à clareza e coesão textuais;
Usar a concordância verbal de acordo com a norma padrão nos casos em que são exigidas;
Fazer a concordância correcta nos casos especiais que a requerem.
	
 
Sempre foi ensinado que o verbo tem de concordar com o sujeito da oração.
	
Isso está correcto, contudo é preciso esclarecer que existem outros níveis de língua em que a concordância não obedece às normas da língua padrão.
	
As regras de concordância valem para a língua padrão e devem ser seguidas sempre que você precisar.
	
Agora, é altura de abordar as regras de concordância verbal.
Regra Geral: o verbo concorda em número e pessoa com o seu sujeito.
Ex.1: O aluno entrou na sala.
Ex.2: Os alunos e o professor entraram.
Percebeu que o verbo concordou com o seu sujeito?
No ex. 1, o sujeito (aluno) está no singular, portanto, o verbo, que concorda com ele, fica também no singular.
No ex. 2, o sujeito é composto por dois agentes (aluno e professor), logo, o verbo vai para o plural.
Além da regra geral, existem casos especiais que, na maioria, não são muito bem explicados pelos gramáticos, o que acarreta contradições entre esses especialistas. Vejamos os mais interessantes.
1.10.1. Casos Especiais de Concordância Verbal
Concordância do verbo com o sujeito simples: 
Quando o sujeito é uma expressão partitiva (a maioria, uma parte de, o grosso de, grande número de e etc.) o verbo fica no singular.
Ex.1: A maioria dos angolanos votou a favor da implementação do IVA em Julho de 2019.
X Ex.1: A maioria dos angolanos votaram a favor da implementação do IVA em Julho de 2019.
Quando o sujeito é uma forma de tratamento. O verbo fica sempre na terceira pessoa (do singular/plural), de acordo com o sujeito (singular/plural).
Ex.1: Vossa Excelência está certa.
 Ex.2: Vossas Excelências estão certas.
Quando o sujeito é o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente do pronome.
Ex.: Fui eu que quebrei o copo.
Quando o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo deve ficar na terceira pessoa do singular.
Ex.1: Fui eu quem quebrou o copo.
Quando o sujeito é um substantivo que só é usado no plural:
O verbo ficará no singular se o sujeito não vier precedido por um artigo. 
Ex.: Quedas de Kalandula é um importante pólo turístico.
Caso venha precedido por um artigo, o verbo concordará com ele. 
Ex. : As Quedas de Kalandula Ficam em Malanje.
Quando o sujeito é formado pelas expressões mais de um, menos de dois, cerca de, etc., o verbo concorda com o numeral. 
Ex.1 : Mais de um homem comprou o livro.
Ex.1 : Cerca de dez alunos vieram ao concerto.
Conclusão
	Pudemos concluir que:
	concordância é o mecanismo pelo qual os termos da frase se modificam para entrar em acordo com outros.
A regra geral da concordância verbal é que o verbo varia em número e pessoa de acordo com o seu sujeito.
Exercícios
	1. Complete as lacunas com a forma verbal adequada que se encontra entre parênteses, de forma a tornar correcta a concordância.
Os Estados Unidos não _______ imigrantes ilegais. (acolhe/acolhem)
Alagoas _______ na região Nordeste. (localiza-se/localizam-se)
Mais de um comentarista _______ a actuação do juiz do jogo. (elogiaram/elogiou)
d) Não foram vocês quem _____ o recado? (mandaram/mandou)
e) Qual de nós ________ a calma nesta situação? (manteriam/manteria)
f) Fui eu que _______ passar as férias em Cabinda. (decidiu/decidi)
g) Foram os rapazes quem ________ a discussão. (iniciou/iniciaram)
h) Os Andes ______ a cadeia de montanhas mais alta da América do Sul. (é/são)
Grande número de pessoas ______ sem emprego. (continua/continuam)
j) Vossa Excelência ______ o decreto? (assinaste/assinou)
2. Reescreva apenas as frases que apresentam desvios de concordância verbal, adequando-as à norma padrão.
a) Começa a nascer um novo partido político.
b) A carga tributária oneram as pequenas empresas.
c) Fica claro os desvios cometidos por alguns membros da direcção da empresa.
d) Os hospitais públicos encontram-se sobrecarregados com os casos de dengue.
e) O povo das áreas de conflito se acostumaram à violência quotidiana.
1.11. Regência: nominal e verbal 
Objectivos:
Compreender o que é regência verbal e nominal;
Perceber essas regras como factores que colaboram na elaboração de textos coesos e coerentes.
Reconhecer a regência de uma série de verbos e nomes (substantivos, adjectivos e advérbios) mais usados na língua portuguesa.
O que é a regência?
É a relação que se estabelece entre dois termos (nomes, adjectivos, verbos e advérbios) de modo que um rege o outro que o complementa.
Então, regência nominal é o nome que se dá à relação entre as expressões supracitadas e os termos que os complementam.
Assim, quando eu digo: ‘‘Tenho uma grande admiração...’’ você vai perguntar-me imediatamente: ‘‘Por quem? A quê? ’’ Isso quer dizer que não basta dizer eu tenho admiração, logo, é preciso dizer por quem, por que coisa ou a que coisa.
Pudemos constactar que o termo admiração não se completa, pois, precisa de um complemento, sendo assim, admiração rege a expressão que vier a seguir e que será sempre introduzida por uma preposição. Nesse caso por ou a, conforme os exs. embaixo:
Ex.1: Temos enorme admiração por governos justos.
Ex.2: Tenho enorme admiração por tudo que representa cultura.
Vejamos mais um caso. Observemos a frase seguinte:
Ex.: Tenho certeza de que agora você vai mesmo se lembrar.
A palavra certeza (que é um nome) não consegue ficar sozinha de forma alguma. Toda vez que dissermos ‘‘tenho a certeza’’ terá de completar com algo que responde à pergunta: certeza de quê? Para tal, ela precisa de um elo que a conecte à palavra que completa o seu sentido, logo, precisa de preposição de.
Outros nomes exigem uma outra palavra ou expressão para completar-lhes o sentido. À semelhança de atenção, estes termos são chamados de termos regentes, pois, regem o outro termo ou expressão que lhes completa o sentido. Esse relacionamento de mando e submissão é sempre intermediado por uma preposição.
Nota: Todo segredo da regência nominal e verbal está em saber exactamente qual a preposição que o termo regente vai exigir para se relacionar com o seu complemento.
Agora que já conhecemos o fenómeno e o seu processo de construção, segue-se uma ‘‘pequena’’ lista de nomes com a sua regência.
Acessível a;
Acostumado a, com;
Adaptado a, para;
Afável com, para com;
Aflito com, em, para;
Agradável a;
Alheio a, de;
Alienado a, de;
Alusão a;
Amante de;
Análogo a;
Ansioso para, de, por;
Apto a, para;
Atento a, em;
Aversão a, para, por;
Ávido de, por;
Benéfico a;
Capaz de, para;
Certo de;
Compatível com;
Compreensível a;
Comum a, de;
Constante em;
Consulta a;
Desatento a;
Descontente com;
Desejoso de;
Desfavorável a;
Devoto a, de;
Diferente de;
Difícil de;
Digno de;
Entendido em;
Equivalente a;
Fácil de;
Falta a;
Favorável a;
Fiel a;
Firme em;
Generoso com;
Grato a;
Grudado a;
Hábil em;
Habituado a;
Horror a;
Hostil a;
Idêntico a;
Impossível de;
Impróprio para;
Imune a;
Leal a;
Lento em;
Liberal com;
Liderança sobre;
Longe de;
Medo de;
Natural de;
Negligente em;
Nocivo a;
Ódio contra;
Passível de;
Perito em;
Permissivo a;
Perpendicular a;
Pertinaz em;
Perto de;
Possível de;
Posterior a;
Relacionado com;
Propício a;
Propenso a;
Seguro de;
Semelhante a;
Sensível a;
Situado em;
Suspeito de;
Versado em.
Conclusão
No estudo da regência nominal, verificámos que alguns termos (nomes, adjectivos e advérbios) muitas vezes exigem uma outra palavra para completar-lhes o sentido. Geralmente, esta relaçãoé intermediada por uma preposição.
Recomenda-se a consulta constante das regras de regência para que nos habituemos ao uso padrão, evitando erros recorrentes na escrita e na fala em situações formais de comunicação.
Exercícios
As frases seguintes precisam ser acrescidas de uma preposição para que fiquem coesas e de acordo com a norma padrão. Acrescente a preposição correcta ao lugar apropriado.
O chefe estava acostumado que lhe obedecessem.
Os alunos ficam ansiosos que as férias cheguem logo.
Estamos desejosos que a empresa obtenha grande sucesso.
d) A polícia suspeita que os traficantes tenham criado novas rotas para o narcotráfico.
e) As castanheiras são árvores enormes cujas sombras se abrigam pequenos animais.
f) Essas ferramentas são úteis a carpintaria.
g) Fui favorável que mudassem o nome do jornal.
h) A directoria foi contrária que os funcionários reduzissem o horário de trabalho.
i) O público estava aflito que o jogo começasse.
2. Redija pequenos textos utilizando os grupos de palavras abaixo. Observe a regência nominal.
Fiel, medo, desejoso, prestes;
Próximo, residente, natural, responsável;
Ansioso, generoso, acostumado, indeciso;
3. Complete as frases seguintes com a preposição adequada.
A Igreja Católica é fiel ___ vaticano.
 O software está lento ___ processamento de dados.
Os pais são muito liberais _____ seus filhos.
d) Muitas pessoas têm medo ___ voar.
e) Pepetela é natural ___ Benguela.
f) A regência nominal é necessária ___ boa construção textual.
h) O ar da cidade cada dia se torna mais nocivo ___ saúde.
Certas pessoas têm ojeriza ___ lagarta.
A Rua da Liberdade é paralela ___ Rua Espírito Santo.
l) O verbo geralmente vem depois ___ sujeito.
m) Quando se está na praia, o sol é preferível ___ chuva.
n) Marco é perito ____ electrónica.
o) Exercícios em excesso são danosos __ articulações.
p) A represa estava prestes ___ explodir.
q) Pessoas sedentárias são propensas ___ doenças cardiovasculares.

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