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1.10. Concordância: verbal e nominal Objectivos: Compreender a concordância verbal como elemento indispensável à clareza e coesão textuais; Usar a concordância verbal de acordo com a norma padrão nos casos em que são exigidas; Fazer a concordância correcta nos casos especiais que a requerem. Sempre foi ensinado que o verbo tem de concordar com o sujeito da oração. Isso está correcto, contudo é preciso esclarecer que existem outros níveis de língua em que a concordância não obedece às normas da língua padrão. As regras de concordância valem para a língua padrão e devem ser seguidas sempre que você precisar. Agora, é altura de abordar as regras de concordância verbal. Regra Geral: o verbo concorda em número e pessoa com o seu sujeito. Ex.1: O aluno entrou na sala. Ex.2: Os alunos e o professor entraram. Percebeu que o verbo concordou com o seu sujeito? No ex. 1, o sujeito (aluno) está no singular, portanto, o verbo, que concorda com ele, fica também no singular. No ex. 2, o sujeito é composto por dois agentes (aluno e professor), logo, o verbo vai para o plural. Além da regra geral, existem casos especiais que, na maioria, não são muito bem explicados pelos gramáticos, o que acarreta contradições entre esses especialistas. Vejamos os mais interessantes. 1.10.1. Casos Especiais de Concordância Verbal Concordância do verbo com o sujeito simples: Quando o sujeito é uma expressão partitiva (a maioria, uma parte de, o grosso de, grande número de e etc.) o verbo fica no singular. Ex.1: A maioria dos angolanos votou a favor da implementação do IVA em Julho de 2019. X Ex.1: A maioria dos angolanos votaram a favor da implementação do IVA em Julho de 2019. Quando o sujeito é uma forma de tratamento. O verbo fica sempre na terceira pessoa (do singular/plural), de acordo com o sujeito (singular/plural). Ex.1: Vossa Excelência está certa. Ex.2: Vossas Excelências estão certas. Quando o sujeito é o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente do pronome. Ex.: Fui eu que quebrei o copo. Quando o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo deve ficar na terceira pessoa do singular. Ex.1: Fui eu quem quebrou o copo. Quando o sujeito é um substantivo que só é usado no plural: O verbo ficará no singular se o sujeito não vier precedido por um artigo. Ex.: Quedas de Kalandula é um importante pólo turístico. Caso venha precedido por um artigo, o verbo concordará com ele. Ex. : As Quedas de Kalandula Ficam em Malanje. Quando o sujeito é formado pelas expressões mais de um, menos de dois, cerca de, etc., o verbo concorda com o numeral. Ex.1 : Mais de um homem comprou o livro. Ex.1 : Cerca de dez alunos vieram ao concerto. Conclusão Pudemos concluir que: concordância é o mecanismo pelo qual os termos da frase se modificam para entrar em acordo com outros. A regra geral da concordância verbal é que o verbo varia em número e pessoa de acordo com o seu sujeito. Exercícios 1. Complete as lacunas com a forma verbal adequada que se encontra entre parênteses, de forma a tornar correcta a concordância. Os Estados Unidos não _______ imigrantes ilegais. (acolhe/acolhem) Alagoas _______ na região Nordeste. (localiza-se/localizam-se) Mais de um comentarista _______ a actuação do juiz do jogo. (elogiaram/elogiou) d) Não foram vocês quem _____ o recado? (mandaram/mandou) e) Qual de nós ________ a calma nesta situação? (manteriam/manteria) f) Fui eu que _______ passar as férias em Cabinda. (decidiu/decidi) g) Foram os rapazes quem ________ a discussão. (iniciou/iniciaram) h) Os Andes ______ a cadeia de montanhas mais alta da América do Sul. (é/são) Grande número de pessoas ______ sem emprego. (continua/continuam) j) Vossa Excelência ______ o decreto? (assinaste/assinou) 2. Reescreva apenas as frases que apresentam desvios de concordância verbal, adequando-as à norma padrão. a) Começa a nascer um novo partido político. b) A carga tributária oneram as pequenas empresas. c) Fica claro os desvios cometidos por alguns membros da direcção da empresa. d) Os hospitais públicos encontram-se sobrecarregados com os casos de dengue. e) O povo das áreas de conflito se acostumaram à violência quotidiana. 1.11. Regência: nominal e verbal Objectivos: Compreender o que é regência verbal e nominal; Perceber essas regras como factores que colaboram na elaboração de textos coesos e coerentes. Reconhecer a regência de uma série de verbos e nomes (substantivos, adjectivos e advérbios) mais usados na língua portuguesa. O que é a regência? É a relação que se estabelece entre dois termos (nomes, adjectivos, verbos e advérbios) de modo que um rege o outro que o complementa. Então, regência nominal é o nome que se dá à relação entre as expressões supracitadas e os termos que os complementam. Assim, quando eu digo: ‘‘Tenho uma grande admiração...’’ você vai perguntar-me imediatamente: ‘‘Por quem? A quê? ’’ Isso quer dizer que não basta dizer eu tenho admiração, logo, é preciso dizer por quem, por que coisa ou a que coisa. Pudemos constactar que o termo admiração não se completa, pois, precisa de um complemento, sendo assim, admiração rege a expressão que vier a seguir e que será sempre introduzida por uma preposição. Nesse caso por ou a, conforme os exs. embaixo: Ex.1: Temos enorme admiração por governos justos. Ex.2: Tenho enorme admiração por tudo que representa cultura. Vejamos mais um caso. Observemos a frase seguinte: Ex.: Tenho certeza de que agora você vai mesmo se lembrar. A palavra certeza (que é um nome) não consegue ficar sozinha de forma alguma. Toda vez que dissermos ‘‘tenho a certeza’’ terá de completar com algo que responde à pergunta: certeza de quê? Para tal, ela precisa de um elo que a conecte à palavra que completa o seu sentido, logo, precisa de preposição de. Outros nomes exigem uma outra palavra ou expressão para completar-lhes o sentido. À semelhança de atenção, estes termos são chamados de termos regentes, pois, regem o outro termo ou expressão que lhes completa o sentido. Esse relacionamento de mando e submissão é sempre intermediado por uma preposição. Nota: Todo segredo da regência nominal e verbal está em saber exactamente qual a preposição que o termo regente vai exigir para se relacionar com o seu complemento. Agora que já conhecemos o fenómeno e o seu processo de construção, segue-se uma ‘‘pequena’’ lista de nomes com a sua regência. Acessível a; Acostumado a, com; Adaptado a, para; Afável com, para com; Aflito com, em, para; Agradável a; Alheio a, de; Alienado a, de; Alusão a; Amante de; Análogo a; Ansioso para, de, por; Apto a, para; Atento a, em; Aversão a, para, por; Ávido de, por; Benéfico a; Capaz de, para; Certo de; Compatível com; Compreensível a; Comum a, de; Constante em; Consulta a; Desatento a; Descontente com; Desejoso de; Desfavorável a; Devoto a, de; Diferente de; Difícil de; Digno de; Entendido em; Equivalente a; Fácil de; Falta a; Favorável a; Fiel a; Firme em; Generoso com; Grato a; Grudado a; Hábil em; Habituado a; Horror a; Hostil a; Idêntico a; Impossível de; Impróprio para; Imune a; Leal a; Lento em; Liberal com; Liderança sobre; Longe de; Medo de; Natural de; Negligente em; Nocivo a; Ódio contra; Passível de; Perito em; Permissivo a; Perpendicular a; Pertinaz em; Perto de; Possível de; Posterior a; Relacionado com; Propício a; Propenso a; Seguro de; Semelhante a; Sensível a; Situado em; Suspeito de; Versado em. Conclusão No estudo da regência nominal, verificámos que alguns termos (nomes, adjectivos e advérbios) muitas vezes exigem uma outra palavra para completar-lhes o sentido. Geralmente, esta relaçãoé intermediada por uma preposição. Recomenda-se a consulta constante das regras de regência para que nos habituemos ao uso padrão, evitando erros recorrentes na escrita e na fala em situações formais de comunicação. Exercícios As frases seguintes precisam ser acrescidas de uma preposição para que fiquem coesas e de acordo com a norma padrão. Acrescente a preposição correcta ao lugar apropriado. O chefe estava acostumado que lhe obedecessem. Os alunos ficam ansiosos que as férias cheguem logo. Estamos desejosos que a empresa obtenha grande sucesso. d) A polícia suspeita que os traficantes tenham criado novas rotas para o narcotráfico. e) As castanheiras são árvores enormes cujas sombras se abrigam pequenos animais. f) Essas ferramentas são úteis a carpintaria. g) Fui favorável que mudassem o nome do jornal. h) A directoria foi contrária que os funcionários reduzissem o horário de trabalho. i) O público estava aflito que o jogo começasse. 2. Redija pequenos textos utilizando os grupos de palavras abaixo. Observe a regência nominal. Fiel, medo, desejoso, prestes; Próximo, residente, natural, responsável; Ansioso, generoso, acostumado, indeciso; 3. Complete as frases seguintes com a preposição adequada. A Igreja Católica é fiel ___ vaticano. O software está lento ___ processamento de dados. Os pais são muito liberais _____ seus filhos. d) Muitas pessoas têm medo ___ voar. e) Pepetela é natural ___ Benguela. f) A regência nominal é necessária ___ boa construção textual. h) O ar da cidade cada dia se torna mais nocivo ___ saúde. Certas pessoas têm ojeriza ___ lagarta. A Rua da Liberdade é paralela ___ Rua Espírito Santo. l) O verbo geralmente vem depois ___ sujeito. m) Quando se está na praia, o sol é preferível ___ chuva. n) Marco é perito ____ electrónica. o) Exercícios em excesso são danosos __ articulações. p) A represa estava prestes ___ explodir. q) Pessoas sedentárias são propensas ___ doenças cardiovasculares.