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METODOLOGIA METODOLOGIA DO ENSINO DO ENSINO DEDE HISTÓRIAHISTÓRIA Professora Professora Me. Me. Priscilla Priscilla Campiolo Campiolo Manesco PManesco Paixãoaixão GRADUAÇÃOGRADUAÇÃO PEDAGOGIAPEDAGOGIA MARINGÁ-PRMARINGÁ-PR 20122012 Reitor:Reitor: Wilson de Matos Silva Wilson de Matos Silva Vice-Reitor:Vice-Reitor: Wilson de Matos Wilson de Matos Silva FilhoSilva Filho Pró-Reitor de Administração:Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva FilhoWilson de Matos Silva Filho Presidente da Presidente da Mantenedora:Mantenedora: Cláudio FerdinandiCláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a DistânciaNEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria do NEAD:Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos SilvaWillian Victor Kendrick de Matos Silva Coordenação Pedagógica:Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino RaymundoGislene Miotto Catolino Raymundo Coordenação de Marketing:Coordenação de Marketing: Bruno JorgeBruno Jorge Coordenação ComercialCoordenação Comercial: Helder Machado: Helder Machado Coordenação de Tecnologia:Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo LazilhaFabrício Ricardo Lazilha Coordenação de Curso:Coordenação de Curso: Márcia Maria Previato de SouzaMárcia Maria Previato de Souza Supervisora Supervisora do Núcleo de do Núcleo de Produção de MaProdução de Materiais:teriais: Nalva Aparecida da Rosa MouraNalva Aparecida da Rosa Moura Capa e Editoração:Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Jaime de Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Jaime de Marchi Junior, Luiz Fernando Rokubuiti eMarchi Junior, Luiz Fernando Rokubuiti e Thayla Daiany Guimarães CripaldiThayla Daiany Guimarães Cripaldi Supervisão de Materiais:Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Nádila de Almeida ToledoToledo Revisão Textual e Normas:Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, GabrCristiane de Oliveira Alves, Gabr iela Fonseca Tofanelo, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelinaiela Fonseca Tofanelo, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina Kutsunugi e Maria Fernanda Canova Vasconcelos.Kutsunugi e Maria Fernanda Canova Vasconcelos. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMARFicha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR CENTRO UNIVERSITÁRCENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo IO DE MARINGÁ. Núcleo de Educaçãode Educação a a distância:distância: C397 C397 Metodologia Metodologia do do ensino ensino de de história/ história/ Priscilla Priscilla Campiolo Campiolo Ma-Ma- nesco Paixão - Maringá - PR, 2012.nesco Paixão - Maringá - PR, 2012. 228 228 p.p. “Graduação “Graduação em em Pedagogia Pedagogia - - EaD”.EaD”. 1. Metodologia de ensino. 2. Ensino superior. 3. História.1. Metodologia de ensino. 2. Ensino superior. 3. História. 4.EaD. I. Título.4.EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 372.89CDD - 22 ed. 372.89 CIP CIP - - NBR NBR 12899 12899 - - AACR/2AACR/2 “As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHUTTERSTOCK.COMPHOTOS.COM e SHUTTERSTOCK.COM”.”. v. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação -v. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360(44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 -NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 - (44) 3027-6363 -(44) 3027-6363 - ead@cesumar.br - www.ead.cesumar.br ead@cesumar.br - www.ead.cesumar.br METODOLOGIA DO ENSINO DEMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIAHISTÓRIA Professora Me. Priscilla Campiolo Manesco PaixãoProfessora Me. Priscilla Campiolo Manesco Paixão 55METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância APRESENTAÇÃO DO REITORAPRESENTAÇÃO DO REITOR Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos.Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades paraA busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência noliderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho.mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelose pelos nossos fará grande diferença no futuro.nossos fará grande diferença no futuro. Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromissoCom essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dosde democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros.brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreasNo cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimentodo conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-ex-de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-ex- tensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica quetensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fcontribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por f im, a democratizaçãoim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referên-Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referên- cia regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de compe-cia regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de compe- tências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensãotências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfaçãouniversitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso socialacadêmica e administrativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como tambémde inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educaçãopelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação continuada.continuada. Professor Wilson de Matos SilvaProfessor Wilson de Matos Silva Reitor Reitor 66 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Caro aluno, “Caro aluno, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a suaensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a produção ou a sua construçãosua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todasas condições para seEducação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se fazer um competente profissional e, assim, colaborfazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento daar efetivamente para o desenvolvimento da realidade social em que está inserido.realidade social em que está inserido. Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender oTodas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação,seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essasdeterminadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que,necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que, independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-seindependente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento. Neste sentido, por meio de um Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico modelo pedagógico interativointerativo, possibilitamos que, efetivamente, possibilitamos que, efetivamente,, você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciadavocê construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada especialmente no ambiente virtual de especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVaprendizagem – AVA – no A – no qual disponibilizamos, além doqual disponibilizamos, além do material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os cmaterial produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades deonteúdos abordados, atividades de estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas paraestudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seua sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competênciasprocesso de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa. Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com osPortanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dostextos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados,fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados, pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar ospois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os desafios na construção de cdesafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lheonhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencieestendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de umaa oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma comunidade mais universal e igualitária.comunidade mais universal e igualitária. Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem! Professora Gislene Miotto Catolino RaymundoProfessora Gislene Miotto Catolino Raymundo Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR 77METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO Livro:Livro: METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIAMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA Professora Professora Me. PMe. Priscilla Campiolo Manesco riscilla Campiolo Manesco PaixãoPaixão Prezado aluno,Prezado aluno, Acredito que uma breve apresentação da minha pessoa se faça necessário para que vocêAcredito que uma breve apresentação da minha pessoa se faça necessário para que você possa compreender o motivo que me possa compreender o motivo que me levou a escrever este material que faz parte da disciplinalevou a escrever este material que faz parte da disciplina de METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA.de METODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA. Desde criança sempre gostei muito de crianças e de ensinar. Minha primeira experiência foiDesde criança sempre gostei muito de crianças e de ensinar. Minha primeira experiência foi com meus próprios irmãos. Ajudei-os a descobrir o mundo letrado, ensinando-lhes a ler ecom meus próprios irmãos. Ajudei-os a descobrir o mundo letrado, ensinando-lhes a ler e escrever por meio dos gibis que tínhamos em casa, quando ainda cursava o 1° grau comoescrever por meio dos gibis que tínhamos em casa, quando ainda cursava o 1° grau como chamávamos. Pela manhã estudava e a tarde ajudava as “tias” como eram denominadas aschamávamos. Pela manhã estudava e a tarde ajudava as “tias” como eram denominadas as professoras nas turmas do pré-escolar.professoras nas turmas do pré-escolar. Quando então cheguei ao 2° grau, não pensei duas vezes, fui logo cursar o Magistério. AQuando então cheguei ao 2° grau, não pensei duas vezes, fui logo cursar o Magistério. A experiência foi fantástica e depois disso nunca mais saí da escola. Da Educação Infantil aoexperiência foi fantástica e depois disso nunca mais saí da escola. Da Educação Infantil ao Ensino Superior, pude experimentar de tudo um pouco.Ensino Superior, pude experimentar de tudo um pouco. Sou apaixonada pela educação e isto não é um discurso barato desses que a “gente” compraSou apaixonada pela educação e isto não é um discurso barato desses que a “gente” compra em qualquer lugar. Tem qualquer lugar. Tenho orgulho em enho orgulho em dizer que SOU PROFESSORA. E mais dizer que SOU PROFESSORA. E mais ainda, a História,ainda, a História, especificamente, me fascina.especificamente, me fascina. Nesta perspectiva, este material foi desenvolvido especialmente para você. É destinadoNesta perspectiva, este material foi desenvolvido especialmente para você. É destinado a estudar o Ensino de História enquadrado na Educação Infantil e anos iniciais do Ensinoa estudar o Ensino de História enquadrado na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental.Fundamental. Cabe lembrar que na Educação Infantil não temos a disciplina específica de História, aCabe lembrar que na Educação Infantil não temos a disciplina específica de História, a disciplina faz parte do eixo NATUREZA E SOCIEDADE. E com as mudanças ocasionadasdisciplina faz parte do eixo NATUREZA E SOCIEDADE. E com as mudanças ocasionadas pelo Ensino Fundamental de 9 anos, também passamos a entender os anos iniciais de umapelo Ensino Fundamental de 9 anos, também passamos a entender os anos iniciais de uma forma mais abrangente.forma mais abrangente. O ponto de partida de qualquer trabalho voltado para o ensino-aprendizagem de HistóriaO ponto de partida de qualquer trabalho voltado para o ensino-aprendizagem de História envolve considerar o repertório dos alunos,ou seja, todo o conhecimento que eles trazemenvolve considerar o repertório dos alunos, ou seja, todo o conhecimento que eles trazem consigo que denominamos conhecimento prévio, senso comum ou mesmo conhecimentoconsigo que denominamos conhecimento prévio, senso comum ou mesmo conhecimento 88 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância cotidiano. Isto porque as crianças participam de inúmeros espaços de convívio, em que secotidiano. Isto porque as crianças participam de inúmeros espaços de convívio, em que se socializam, produzem e reproduzem uma infinidade de socializam, produzem e reproduzem uma infinidade de regras, valores, hábitos e costumes.regras, valores, hábitos e costumes. Além do convívio familiar, do bairro, da escola, das festas, da Igreja, ainda contam com osAlém do convívio familiar, do bairro, da escola, das festas, da Igreja, ainda contam com os meios de comunicação e informação como a televisão, o rádio, o jornal, o cinema e o maismeios de comunicação e informação como a televisão, o rádio, o jornal, o cinema e o mais adorado de todos, a internet.adorado de todos, a internet. Em outras palavras, devemos considerar nossos alunos como sujeitos que possuem umEm outras palavras, devemos considerar nossos alunos como sujeitos que possuem um repertório cultural enorme e que exercem a cidadania constantemente. Assim, é fundamentalrepertório cultural enorme e que exercem a cidadania constantemente. Assim, é fundamental que, nós professores, possamos desenvolver o interesse destas pessoas pelo conhecimentoque, nós professores, possamos desenvolver o interesse destas pessoas pelo conhecimento histórico por meio dos mais variados recursos, cada qual exigindo as diversas habilidadeshistórico por meio dos mais variados recursos, cada qual exigindo as diversas habilidades cognitivas: da observação à análise, passando pela identificação, interpretação e compreensão.cognitivas: da observação à análise, passando pela identificação, interpretação e compreensão. É fundamental, ainda, desenvolvÉ fundamental, ainda, desenvolver o interesse pelas várias formas de acesso ao er o interesse pelas várias formas de acesso ao conhecimentoconhecimento histórico pelas diferentes fontes e linguagens. Cada um deles exigindo dos alunos diversashistórico pelas diferentes fontes e linguagens. Cada um deles exigindo dos alunos diversas habilidades.habilidades. Aqui não vamos apresentar cada uma das unidades, pois isto você descobrirá ao longo de suaAqui não vamos apresentar cada uma das unidades, pois isto você descobrirá ao longo de sua leitura e estudo. Procuramos sim, dar uma visão geral da disciplina e, como costumava dizerleitura e estudo. Procuramos sim, dar uma visão geral da disciplina e, como costumava dizer aos alunos do Esnino Fundamental, lançar um desafio: ao final de sua leitura, quero que aos alunos do Esnino Fundamental, lançar um desafio: ao final de sua leitura, quero que você,você, asism como eu, possa se sentir apaixonado pela asism como eu, possa se sentir apaixonado pela História.História. SUMÁRIOSUMÁRIO UNIDADE IUNIDADE I O ENSINO DE HISTÓRIAO ENSINO DE HISTÓRIA A A HISTÓRIA HISTÓRIA TEM TEM “HISTÓRIA” “HISTÓRIA” 1616 A A PÓS-MOPÓS-MODERNIDADE DERNIDADE E E SUAS SUAS IMPLICAÇÕEIMPLICAÇÕES S 2727 EIS EIS AÍ AÍ UM UM TEMA TEMA PARA PARA NOSSA NOSSA REFLEXÃO REFLEXÃO 3939 A A HISTÓRIA HISTÓRIA COMO COMO DISCIPLINA DISCIPLINA ESCOLAR ESCOLAR 4040 QUAL QUAL HISTÓRIA HISTÓRIA DEVE DEVE SER SER ENSINADA? ENSINADA? 4545 UNIDADE IIUNIDADE II TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE HISTÓRIATENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE HISTÓRIA MUDANÇAS MUDANÇAS E E PERMANÊNCIAS PERMANÊNCIAS NOS NOS MÉTODOS MÉTODOS DA DA HISTÓRIA HISTÓRIA ESCOLAR ESCOLAR 5656 CONCEPÇÕES CONCEPÇÕES DE DE CONTEÚDOS CONTEÚDOS ESCOLARES ESCOLARES E E DE DE APRENDIZAGEM APRENDIZAGEM 6262 A A FORMAÇÃO FORMAÇÃO DE DE CONCEITOS CONCEITOS 7744 A A FORMAÇÃFORMAÇÃO O DO DO PROFESSPROFESSOR OR DE DE HISTÓRIA HISTÓRIA E E O O COTIDIANO COTIDIANO DE DE SALA DE SALA DE AULA AULA 8282 UNIDADE IIIUNIDADE III A UTILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS HISTA UTILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS HISTÓRICOS EM SALÓRICOS EM SALA DE AULAA DE AULA HISTORIADORES E PROFESSORES: DIFERENTES USOS DAS FONTES HISTÓRICASHISTORIADORES E PROFESSORES: DIFERENTES USOS DAS FONTES HISTÓRICAS 100100 A A ANÁLIANÁLISE SE DIDÁDIDÁTICA TICA DE DE UMA UMA FONTE FONTE HISTÓRICA HISTÓRICA 103103 DOCUMENTOS DOCUMENTOS ESCRITOS ESCRITOS E E NÃO NÃO ESCRITOS ESCRITOS 107107 A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR INTERMÉDIO DAS FONTES HISTÓRICASA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR INTERMÉDIO DAS FONTES HISTÓRICAS 111818 UNIDADE IVUNIDADE IV A PRÁTICA PEDAGÓGICA E O ENSINO DE HISTÓRIAA PRÁTICA PEDAGÓGICA E O ENSINO DE HISTÓRIA EFETIVEFETIVANDO A AANDO A APRENDIZAGEM: O PLANEJAMENTO COMO O PRENDIZAGEM: O PLANEJAMENTO COMO O PONTO DE PARTIDPONTO DE PARTIDAA 130130 CULCULTURA TURA AFRO-BRAFRO-BRASILEIRA ASILEIRA E E INDÍGENA INDÍGENA 152152 AVAVALIAÇÃO ALIAÇÃO COMO PROCESSO COMO PROCESSO DE DE MELHORIMELHORIAS AS DA DA AÇÃO AÇÃO DOCENTE E DOCENTE E DISCENTE DISCENTE 172172 UNIDADE VUNIDADE V HISTÓRIA: A CIÊNCIA DO HOMEM NO HISTÓRIA: A CIÊNCIA DO HOMEM NO TEMPOTEMPO O O TEMPO: TEMPO: CACATEGORIA TEGORIA ESSENCIAL ESSENCIAL PARA PARA PENSAR PENSAR A A HISTÓRIA HISTÓRIA 194194 O O TEMPO TEMPO COMO COMO APRENDIZAGEM APRENDIZAGEM SOCIAL SOCIAL 195195 IDENTIFICIDENTIFICANDO ANDO OS OS DIFERENTEDIFERENTES S TIPOS TIPOS DE DE TEMPO TEMPO 201201 AS AS NOÇÕES NOÇÕES TEMPORAIS TEMPORAIS DA DA CRIANÇA CRIANÇA 203203 O O TRABALHO TRABALHO COM COM LINHAS LINHAS DO DO TEMPO TEMPO 212122 CONCLUSÃO 221CONCLUSÃO 221 REFERÊNCIAS 223REFERÊNCIAS 223 UNIDADE IUNIDADE I O ENSINO DE HISTÓRIAO ENSINO DE HISTÓRIA Professora Me. Priscilla Campiolo Manesco PaixãoProfessora Me. Priscilla Campiolo Manesco Paixão Objetivos de AprendizagemObjetivos de Aprendizagem • • Buscar peBuscar pelas orilas origens dgens da pala palavra Históavra História, coria, compreendendo mpreendendo seus diseus diversos sentidversos sentidos.os. • • Discutir o Discutir o ensino de ensino de História num História num momento de momento de crise de crise de paradigmas paradigmas que hora que hora atraatra-- vessamos.vessamos. • • Entender Entender questões questões epistemológicas epistemológicas do conhdo conhecimento ecimento histórico histórico e a e a problemática problemática dodo conhecimento no ensino de História.conhecimento no ensino de História. Plano de EstudoPlano de Estudo A seguirA seguir, apresentam-se os , apresentam-se os tópicos que você tópicos que você estudará nesta unidade:estudará nesta unidade: • • A A História História tem tem “história”“história” • • A A pós-modernidade pós-modernidade e e suas suas implicaçõesimplicações • • A A História História como como disciplina disciplina escolar escolar • • Qual Qual História História deve deve ser ser ensinada?ensinada? 1515METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância INTRODUÇÃOINTRODUÇÃO Para iniciarmos nossas discussões, teremos que nos remeter à Para iniciarmos nossas discussões, teremos que nos remeter à origem da palavra História, istoorigem da palavra História, isto porque tudo tem uma história, um começo, uma origem. A História não poderia ser diferente.porque tudo tem uma história, um começo, uma origem. A História não poderia ser diferente. É por isso que É por isso que dizemos que a História tem história.dizemos que a História tem história. Partiremos da definição da Partiremos da definição da palavra História, buscando suas origens e definições. Depois, nospalavra História, buscando suas origens e definições. Depois, nos remeteremos à História enquanto disciplina eremeteremos à História enquanto disciplina escolarscolar.. Talvez neste momento você já esteja pensando que estudar tal disciplina seja um tantoTalvez neste momento você já estejapensando que estudar tal disciplina seja um tanto monótono. Mas, tenho certeza que ao final deste material você se dará conta do quanto émonótono. Mas, tenho certeza que ao final deste material você se dará conta do quanto é prazeroso estudar uma disciplina que por muito tempo ficou relegada a um segundo plano.prazeroso estudar uma disciplina que por muito tempo ficou relegada a um segundo plano. A História é uma disciplina que faz parte das chamadas “humanidades”, termo pelo qual osA História é uma disciplina que faz parte das chamadas “humanidades”, termo pelo qual os franceses designam estudos humanos superiores. Mas, por muito tempo teve negado os seusfranceses designam estudos humanos superiores. Mas, por muito tempo teve negado os seus foros de ciência, sendo considerada uma disciplina de segunda categoria.foros de ciência, sendo considerada uma disciplina de segunda categoria. Lembremo-nos que no Brasil dos séculos XIX e XX, a educação escolar se limitou a ensinarLembremo-nos que no Brasil dos séculos XIX e XX, a educação escolar se limitou a ensinar a “ler, escrever e contar”. A ênfase do trabalho docente restringia-se à “alfabetização”, naa “ler, escrever e contar”. A ênfase do trabalho docente restringia-se à “alfabetização”, na maioria das vezes compreendida como aquisição da leitura, da escrita e do domínio das quatromaioria das vezes compreendida como aquisição da leitura, da escrita e do domínio das quatro operações matemáticas. Assim, raramente havia lugar para o Ensino de História. Dessa forma,operações matemáticas. Assim, raramente havia lugar para o Ensino de História. Dessa forma, os resultados nesta área do conhecimento têm sido pouco significos resultados nesta área do conhecimento têm sido pouco significativos ou, quando não, nulos.ativos ou, quando não, nulos. No entanto, compreendemos a alfabetização como a capacidade de leitura não só do texto,No entanto, compreendemos a alfabetização como a capacidade de leitura não só do texto, mas também da experiência humana vivida por todos, e como construção da própria história.mas também da experiência humana vivida por todos, e como construção da própria história.Nesta perspectiva, entendemos leitura\esNesta perspectiva, entendemos leitura\escrita não somente como a crita não somente como a habilidade mecânica, mashabilidade mecânica, mas como uma manifestação de cidadania. Estudar as informações históricas a parcomo uma manifestação de cidadania. Estudar as informações históricas a partir da realidadetir da realidade social com o objetivo de desenvolver o raciocínio histórico deve constituir o objeto das aulas desocial com o objetivo de desenvolver o raciocínio histórico deve constituir o objeto das aulas de História. Há vários encaminhamentos na defesa da disciplina.História. Há vários encaminhamentos na defesa da disciplina. Paul Valéry (18Paul Valéry (187171-1-1945) 945) considerava tal disciplina considerava tal disciplina um dos um dos produtos mais perprodutos mais perigosos do igosos do cérebrocérebro 1616 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância humano, saber indigno de ser valorizado.humano, saber indigno de ser valorizado. A partir da filosofia histórica de Karl Marx (1818-1883), a História recebeu o seu devido valor,A partir da filosofia histórica de Karl Marx (1818-1883), a História recebeu o seu devido valor, sendo considerada uma ciência que se inicia onde as outras terminam e que possui um valorsendo considerada uma ciência que se inicia onde as outras terminam e que possui um valor intrínseco, em si mesma, capaz de oferecer um repertório de reflexão às outras ciências,intrínseco, em si mesma, capaz de oferecer um repertório de reflexão às outras ciências, exatas ou biológicas. E, ainda, comunicar-se e interagir com as outras ciências humanas eexatas ou biológicas. E, ainda, comunicar-se e interagir com as outras ciências humanas e sociais, num processo de enriquecimento recíproco. Isto porque, não desmerecendo associais, num processo de enriquecimento recíproco. Isto porque, não desmerecendo as demais disciplinas, a História fascina e é capaz de transformar o sujeito, por isto dizemos quedemais disciplinas, a História fascina e é capaz de transformar o sujeito, por isto dizemos que cabe a ela cabe a ela “formar “formar um cidadão crítico, reflexivo e atuante”um cidadão crítico, reflexivo e atuante”.. Portanto, caro acadêmico de Pedagogia, podemos afirmar que a História tem história e quePortanto, caro acadêmico de Pedagogia, podemos afirmar que a História tem história e que sua aplicação como disciplina escolar passa psua aplicação como disciplina escolar passa por uma revisão que lhe confere um grande or uma revisão que lhe confere um grande valorvalor na atualidade.na atualidade. Os escritos de Ambroise Paul Toussaint Jules Valéry nos remetem a uma crítica que fica noOs escritos de Ambroise Paul Toussaint Jules Valéry nos remetem a uma crítica que fica no passado, baseada naqueles que desconsideravam a História pelo seu método indutivo, quepassado, baseada naqueles que desconsideravam a História pelo seu método indutivo, que partem do singular e como tal não chega a leis gerais.partem do singular e como tal não chega a leis gerais. A HISTÓRIA TEM “HISTÓRIA”A HISTÓRIA TEM “HISTÓRIA” Nas três dimensões básicas do tempo, passado, presente e futuro, a História tem seu destaque.Nas três dimensões básicas do tempo, passado, presente e futuro, a História tem seu destaque. Marc Bloch (1886-1Marc Bloch (1886-1944), um dos fundadores da escola 944), um dos fundadores da escola dosdos Annales Annales francesa, definiu a história francesa, definiu a história F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 1717METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância como a ciência do homem no tempo. Este historiador, vítima dos nazistas, foi executado porcomo a ciência do homem no tempo. Este historiador, vítima dos nazistas, foi executado por não concordar em por sua história a serviço dos ideais de seus torturadores, e merece todonão concordar em por sua história a serviço dos ideais de seus torturadores, e merece todo relevo por ter participado relevo por ter participado da revisão de conceitos e da revisão de conceitos e métodos, a chamada Nova História.métodos, a chamada Nova História. Para saber mais sobre a chamada Nova História vale a leitura da obra:Para saber mais sobre a chamada Nova História vale a leitura da obra: A escrita da HistóriaA escrita da História do his- do his- toriador Peter BURKE (org.) toriador Peter BURKE (org.) São Paulo: Editora São Paulo: Editora UNESPUNESP, 1992, 360p., 1992, 360p. O livroO livro A Esc A Escrita da Históriarita da História, de Peter Burke, publicado originalmente em 1991, discute as mudanças, de Peter Burke, publicado originalmente em 1991, discute as mudanças ocorridas na historiograa a partir do surgimento da corrente chamada ocorridas na historiograa a partir do surgimento da corrente chamada Nova História. Para isso, váriosNova História. Para isso, vários novos temas da história, entre eles, a história das mulheres, o renascimento da narrativa, a histórianovos temas da história, entre eles, a história das mulheres, o renascimento da narrativa, a história oral etc., merecem capítulos especiais. Os modos de escrever a História são o ponto central da obra.oral etc., merecem capítulos especiais. Os modos de escrever a História são o ponto central da obra. O autor, tentando denir a História Nova, observa que a mesma se originou associada à Escola deO autor, tentando denir a História Nova, observa que a mesma se originou associada à Escola de Annales e que, além de lutar por uma história total, opõe-se totalmente ao paradigma tradicionaldaAnnales e que, além de lutar por uma história total, opõe-se totalmente ao paradigma tradicional da historiograa.historiograa. Peter BurkePeter Burke De acordo com Burke, a Nova História diferencia-se da De acordo com Burke, a Nova História diferencia-se da tradicional em seis pontos: o tradicional em seis pontos: o paradigma tradi-paradigma tradi- cional diz respeito somente à história política, a Nova História, como dito anteriormente, preocupa-secional diz respeito somente à história política, a Nova História, como dito anteriormente, preocupa-se com uma história total, onde tudo é histórico; a história tradicional pensa na história como narraçãocom uma história total, onde tudo é histórico; a história tradicional pensa na história como narração dos grandes fatos, a nova preocupa-se em analisar as estruturas; a tradicional olha de cima, a nova,dos grandes fatos, a nova preocupa-se em analisar as estruturas; a tradicional olha de cima, a nova, de cima, de baixo e de outros ângulos possíveis; documentos ociais são os que interessam ao para-de cima, de baixo e de outros ângulos possíveis; documentos ociais são os que interessam ao para- digma tradicional, o paradigma da Nova História aceita qualquer espécie de documento; o historiadordigma tradicional, o paradigma da Nova História aceita qualquer espécie de documento; o historiador 1818 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância tradicional explica por meio da vontade do indivíduo histórico, a Nova História preocupa-se com ostradicional explica por meio da vontade do indivíduo histórico, a Nova História preocupa-se com os movimentos sociais, as tendências; e, nalmente, o paradigma tradicional considera a História umamovimentos sociais, as tendências; e, nalmente, o paradigma tradicional considera a História uma ciência objetiva, o paradigma novo não crê na possibilidade de uma objetividade total.ciência objetiva, o paradigma novo não crê na possibilidade de uma objetividade total. Peter Burke também observa que a História Nova não é assim tão nova e que já houve tentativas se-Peter Burke também observa que a História Nova não é assim tão nova e que já houve tentativas se- melhantes anteriormente, também nota que a Nova História apresenta problemas relativos à denição,melhantes anteriormente, também nota que a Nova História apresenta problemas relativos à denição, posto que os historiadores estão avançando em um posto que os historiadores estão avançando em um território não familiar, estão pouquíssimo habitua-território não familiar, estão pouquíssimo habitua- dos a relacionar acontecimentos e estruturas, quotidiano e mudança, visão de cima e visão de baixo.dos a relacionar acontecimentos e estruturas, quotidiano e mudança, visão de cima e visão de baixo. Problemas relativos ao uso fontes também são apontados, essas novas fontes precisariam de umaProblemas relativos ao uso fontes também são apontados, essas novas fontes precisariam de uma nova crítica, de um novo método de trabalho. Por m, Burke também percebe problemas de explicanova crítica, de um novo método de trabalho. Por m, Burke também percebe problemas de explica-- ção e de síntese, e diz ção e de síntese, e diz que a explicação estrutural, apesar de aumentar a que a explicação estrutural, apesar de aumentar a interdisciplinaridade, muitasinterdisciplinaridade, muitas vezes não toma conta do uxo do vezes não toma conta do uxo do tempo, o qual é uma tempo, o qual é uma das preocupações do historiador, além disso,das preocupações do historiador, além disso, está cada vez mais difícil conseguir uma síntese, em decorrência da profusão de diferentes objetos.está cada vez mais difícil conseguir uma síntese, em decorrência da profusão de diferentes objetos. O último capítulo do livro,O último capítulo do livro, A História A História dos Acontecimentos dos Acontecimentos e e o o Renascimento Renascimento da da NarrativaNarrativa, também, também escrito por Burke, está intimamente ligado à discussão referente aos métodos de explicação históricaescrito por Burke, está intimamente ligado à discussão referente aos métodos de explicação histórica propostos pelo paradigma da Nova História. Percebendo o retorno da forma narrativa à historiograa,propostos pelo paradigma da Nova História. Percebendo o retorno da forma narrativa à historiograa, o autor discute o grau de narratividade na historiograa contemporânea e observa alguns debateso autor discute o grau de narratividade na historiograa contemporânea e observa alguns debates existentes ao redor do tema, apontando as principais tendências. Burke volta a falar sobre o debateexistentes ao redor do tema, apontando as principais tendências. Burke volta a falar sobre o debate entre paradigma tradicional e Nova História, entre paradigma tradicional e Nova História, partindo em seguida para a discussão iniciada partindo em seguida para a discussão iniciada na décadana década de sessenta – principalmente estadunidense – ligada à narrativa. Destaca as idéias de Kracauer,de sessenta – principalmente estadunidense – ligada à narrativa. Destaca as idéias de Kracauer, Hayden White entre outros.Hayden White entre outros. BURKE, Peter: “A escrita da História”BURKE, Peter: “A escrita da História” O autor observa que o recurso à narrativa muitas vezes é essencial para a apreensão do uir temO autor observa que o recurso à narrativa muitas vezes é essencial para a apreensão do uir tem -- poral; entretanto, conclui que a narrativa tem de ser outra, não a narrativa tradicional, mas sim umaporal; entretanto, conclui que a narrativa tem de ser outra, não a narrativa tradicional, mas sim uma 1919METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância forma de narrativa que consiga escapar forma de narrativa que consiga escapar da supercialidade do acontecimentalismo, mas que da supercialidade do acontecimentalismo, mas que tambémtambém escapa da rigidez temporal de escapa da rigidez temporal de um discurso analítico. um discurso analítico. Para tanto, é necesPara tanto, é necessário densicar a narrati-sário densicar a narrati- va, e para isso, Burke apresenta quatro soluções encontradas nas obras de outros historiadores: ava, e para isso, Burke apresenta quatro soluções encontradas nas obras de outros historiadores: a micro-narrativa, narração da história de populares no tempo e no espaço, observando a presençamicro-narrativa, narração da história de populares no tempo e no espaço, observando a presença das estruturas; utilizar várias vozes a m de captar os conitos e as permanências; redigir de trásdas estruturas; utilizar várias vozes a m de captar os conitos e as permanências; redigir de trás para frente, mostrando o peso do passado; e, nalmente, encontrar o relacionamento dialético entrepara frente, mostrando o peso do passado; e, nalmente, encontrar o relacionamento dialético entre acontecimento e estrutura. Burke aposta na primeira solução, não por preferência, mas por observaracontecimento e estrutura. Burke aposta na primeira solução, não por preferência, mas por observar que a mesma já está crescendo.que a mesma já está crescendo. A obra de Burke mostra-se sobremaneira interessante para pensarmos os novos caminhos da A obra de Burke mostra-se sobremaneira interessante para pensarmos os novos caminhos da históriahistória e os novos caminhos da produção histórica. Além de apresentar novas tendências discutidas por es-e os novos caminhos da produção histórica. Além de apresentar novas tendências discutidas por es- pecialistas, traz uma teoria da apresentação do trabalho histórico, uma teoria que não exclui as teoriaspecialistas, traz uma teoria da apresentação do trabalho histórico, uma teoria que não exclui as teorias de longo alcance, mas que pensa a História de modo literário, sem esquecer das estruturas.de longo alcance, mas que pensa a História de modo literário,sem esquecer das estruturas. In:In: Renato Pignatari PereiraRenato Pignatari Pereira renato_pignatari@klepsidra.netrenato_pignatari@klepsidra.net Quarto Ano - História/USPQuarto Ano - História/USP download - burke.rtf - 8KBdownload - burke.rtf - 8KB Fonte: <http://Fonte: <http://www.klepswww.klepsidra.net/klepsidra10/burke.html>. Acesso em: 31 idra.net/klepsidra10/burke.html>. Acesso em: 31 maio 2011.maio 2011. Parece claro que se todos os homens pudessem perceber a realidade vivida e compará-laParece claro que se todos os homens pudessem perceber a realidade vivida e compará-la com aquela que estão vivendo, seriam mais conhecedores de seus destinos.com aquela que estão vivendo, seriam mais conhecedores de seus destinos. Existe uma libertação potencial no conhecimento do que passamos, a informar o nossoExiste uma libertação potencial no conhecimento do que passamos, a informar o nosso presente. É a nossa experiência posta a serviço de nossos “acertos” em nossas escolhas depresente. É a nossa experiência posta a serviço de nossos “acertos” em nossas escolhas de vida. É por isso que existe a necessidade de conhecer a vida. É por isso que existe a necessidade de conhecer a “história” que a disciplina histórica nos“história” que a disciplina histórica nos oferece, a sucessão de fatos passados forneoferece, a sucessão de fatos passados fornecendo exemplos a serem imitados ou rejeitadocendo exemplos a serem imitados ou rejeitados.s. Este resgate parcial da História como uma “mestra” da vida ainda persiste como um dos meiosEste resgate parcial da História como uma “mestra” da vida ainda persiste como um dos meios mais eficazes para educar as novas gerações e a elas apresentar o que o passado humanomais eficazes para educar as novas gerações e a elas apresentar o que o passado humano tem a oferecer de didático.tem a oferecer de didático. Gosto muito de citar a introdução da obra do historiador Leandro Karnal, “Gosto muito de citar a introdução da obra do historiador Leandro Karnal, “História na salaHistória na sala 2020 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância de aula: conceitos, práticas e propostasde aula: conceitos, práticas e propostas” para pensarmos sobre os sentidos da palavra” para pensarmos sobre os sentidos da palavra História.História. Para o historiador, podemos entender o exercício profissional da História de muitas formas.Para o historiador, podemos entender o exercício profissional da História de muitas formas. Ele também faz opção pelo diálogo entre o passado e o presente. Isto porque não podemosEle também faz opção pelo diálogo entre o passado e o presente. Isto porque não podemos reconstruir um passado exatamente como era, tampouco podemos nos remeter ao passadoreconstruir um passado exatamente como era, tampouco podemos nos remeter ao passado com “os olhos do com “os olhos do presente”presente”, ou melhor, com “pré, ou melhor, com “pré-conceito”. Uso o termo desta maneira, por-conceito”. Uso o termo desta maneira, porqueque definimos o “pré” como sendo algo definimos o “pré” como sendo algo que antecipa o que está por que antecipa o que está por virvir, assim olhamos o passado, assim olhamos o passado com a concepção que temos do presente.com a concepção que temos do presente. O passado existe e isto é inegável. Porém, quem lança o olhar sobre ele faz o O passado existe e isto é inegável. Porém, quem lança o olhar sobre ele faz o recorte, escolhe,recorte, escolhe, dimensiona e narra este passado, é um sujeito do tempo presente. Para ilustrar tal afirmação,dimensiona e narra este passado, é um sujeito do tempo presente. Para ilustrar tal afirmação, Karnal nos conta uma ficção.Karnal nos conta uma ficção. Imaginemos uma menina de 15 anos que esteja no seu baile de debutantes (será queImaginemos uma menina de 15 anos que esteja no seu baile de debutantes (será que ainda existem no século XXI?). Vestida de branco, emocionada, ela vive um momentoainda existem no século XXI?). Vestida de branco, emocionada, ela vive um momento muito especial. Música, amigas, um possível namorado, comida e muitos fatos paramuito especial. Música, amigas, um possível namorado, comida e muitos fatos para guardar e comentar. A festa é densamente fotografada e filmada. Passados dez anos,guardar e comentar. A festa é densamente fotografada e filmada. Passados dez anos, nossa protagonista ficcional chegou aos 25. Ela olha os filmes e as fotos e podenossa protagonista ficcional chegou aos 25. Ela olha os filmes e as fotos e pode vir a considerar tudo de extremo mau gosto. Abrindo o álbum em meio a suspiros,vir a considerar tudo de extremo mau gosto. Abrindo o álbum em meio a suspiros, poderia dizer: “Por que não fiz uma viagem com esse dinheiro?”. Passado mais meiopoderia dizer: “Por que não fiz uma viagem com esse dinheiro?”. Passado mais meio século do baile, eis nossa personagem aos 65 anos. Já de cabelos brancos, ela abreséculo do baile, eis nossa personagem aos 65 anos. Já de cabelos brancos, ela abre o álbum amarelado e comenta com seus netos: ”Olhem como eu era bonita! Que noiteo álbum amarelado e comenta com seus netos: ”Olhem como eu era bonita! Que noite maravilhosa foi aquela” (2004, p. 8).maravilhosa foi aquela” (2004, p. 8). Na ilustração, podemos verificar que Na ilustração, podemos verificar que houve um fato: o baile de debutantes, mas o olhar que sehouve um fato: o baile de debutantes, mas o olhar que se lança sobre o fato muda conforme a concepção de mundo e do tempo em que o sujeito estálança sobre o fato muda conforme a concepção de mundo e do tempo em que o sujeito está inserido.inserido. Assim, podemos verificar que a palavra História pode ser entendida sob três sentidos comoAssim, podemos verificar que a palavra História pode ser entendida sob três sentidos como afirma Glénisson (1961):afirma Glénisson (1961): •• Realidade histórica: conjunto dos fenômenos pelos quais se manifestou, se manifesta ouRealidade histórica: conjunto dos fenômenos pelos quais se manifestou, se manifesta ou se manifestará a vida da humanidade; a realidade objetiva do movimento do mundo e dasse manifestará a vida da humanidade; a realidade objetiva do movimento do mundo e das coisas.coisas. 2121METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância •• Conhecimento histórico: a observação subjetiva da realidade pelo historiador.Conhecimento histórico: a observação subjetiva da realidade pelo historiador. •• Obra histórica: o registro da observação da realidade feita pelo historiador em um relatoObra histórica: o registro da observação da realidade feita pelo historiador em um relato escrito.escrito. Se pudéssemos, desta maneira, estabelecer um comparativo entre a ficção e os sentidosSe pudéssemos, desta maneira, estabelecer um comparativo entre a ficção e os sentidos da palavra História teríamos a realidade histórica como sendo o baile de debutantes; oda palavra História teríamos a realidade histórica como sendo o baile de debutantes; o conhecimento histórico sendo o olhar subjetivo da protagonista da história e as lentes daconhecimento histórico sendo o olhar subjetivo da protagonista da história e as lentes da filmadora e da máquina fotográfica como sendo a obra histórica.filmadora e da máquina fotográfica como sendo a obra histórica. A representação do passado e do que consideramos importante representar éA representação do passado e do que consideramos importante representar é um processo constante de mudança. Se a memória muda sobre fatos concretos eum processo constante de mudança. Se a memória muda sobre fatos concretos e protagonizados por nós, tprotagonizados por nós, também muda para fatos mais amplos. A História está envolvidaambém muda para fatos mais amplos. A História está envolvida em um fazer orgânico: é viva e mutável. Um livro sobre uma guerra escrito há cemem um fazer orgânico: é viva e mutável. Um livro sobre uma guerraescrito há cem anos continua válido como documento, mas é muito provável que a visão de quem oanos continua válido como documento, mas é muito provável que a visão de quem o escreveu esteja superada. Por superação entendemos o que não é mais compartilhadoescreveu esteja superada. Por superação entendemos o que não é mais compartilhado pela maioria (KARNAL, 2004, p. 8).pela maioria (KARNAL, 2004, p. 8). Para Karnal (2004), o “fazer histórico”, ou seja, ensinar História está submetido a duasPara Karnal (2004), o “fazer histórico”, ou seja, ensinar História está submetido a duas transformações constantes: do objeto em si e da ação pedagógica. Isto porque as novastransformações constantes: do objeto em si e da ação pedagógica. Isto porque as novas descobertas arqueológicas, os debates metodológicos, as novas documentações mudamdescobertas arqueológicas, os debates metodológicos, as novas documentações mudam constantemente; o fazer histórico é mutável no tempo, sendo assim, mudam-se tambémconstantemente; o fazer histórico é mutável no tempo, sendo assim, mudam-se também seus agentes e a ação pedagógica não pode ficar presa ao passado, pelo contrário, precisaseus agentes e a ação pedagógica não pode ficar presa ao passado, pelo contrário, precisa acompanhar tais mudanças sociais e de acompanhar tais mudanças sociais e de mentalidade.mentalidade. 2222 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância VOCÊ TAMBÉM PODE LER A OBRAVOCÊ TAMBÉM PODE LER A OBRA HISTÓRIA NA SALA DE AULA/CONCEITOS, PRÁTICAS EHISTÓRIA NA SALA DE AULA/CONCEITOS, PRÁTICAS E PROPOSTASPROPOSTAS, NA ÍNTEGRA., NA ÍNTEGRA. Autor Autor : Leandro Karnal: Leandro Karnal FormatoFormato: Brochado 216 páginas: Brochado 216 páginas DataData de publicação: 2003/01 de publicação: 2003/01 Editor Editor : Contexto do Brasil: Contexto do Brasil ISBNISBN: 85-7244-216-2: 85-7244-216-2 EAN13EAN13: 9788572442169: 9788572442169 Número de páginasNúmero de páginas: 216: 216 SinopseSinopse A presente obra é, antes de tudo, uma declaração de amor ao ofício de ensinar História. Catorze pro-A presente obra é, antes de tudo, uma declaração de amor ao ofício de ensinar História. Catorze pro- ssionais reconhecidos da área unem suas experiências e concepções em um livro que lança novasssionais reconhecidos da área unem suas experiências e concepções em um livro que lança novas luzes sobre o trabalho luzes sobre o trabalho do professordo professor, tanto do ensino fundamental quanto do e, tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio. nsino médio. O livro é,O livro é, também, um libelo em deftambém, um libelo em defesa das aulas de História, que, em tempos esa das aulas de História, que, em tempos de informação instantânea e altade informação instantânea e alta competitividade prossional, corre o risco de perder espaço para disciplinas tidas como mais práticas ecompetitividade prossional, corre o risco de perder espaço para disciplinas tidas como mais práticas e úteis na preparação do estudante para o mercado úteis na preparação do estudante para o mercado de trabalho. Não podemos abrir mão de de trabalho. Não podemos abrir mão de apresentarapresentar nossos jovens ao patrimônio cultural da humanidade. E qual é nossos jovens ao patrimônio cultural da humanidade. E qual é o papel do professor senão estabelecero papel do professor senão estabelecer uma articulação entre o patrimônio cultural da humanidade e o universo cultural do aluno?uma articulação entre o patrimônio cultural da humanidade e o universo cultural do aluno? Fonte:<http://www.editoracontexto.com.br>. Acesso em: 31 maio. Fonte:<http://www.editoracontexto.com.br>. Acesso em: 31 maio. 2012011.1. 2323METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Exercitando a História, remetemo-nos ao passado para entender o presente. Parece que estaExercitando a História, remetemo-nos ao passado para entender o presente. Parece que esta é a definição mais aceita pelos historiadores. Mas, de onde e de quando vem esta origem?é a definição mais aceita pelos historiadores. Mas, de onde e de quando vem esta origem? Os gregos (ateniensOs gregos (atenienses em particular) foram os primeiros a utilizar o teres em particular) foram os primeiros a utilizar o termomo histor histor para representar para representar quem aprende pelo olhar e, mais tarde, a palavra se estendeu ao testemunho, ou seja, quemquem aprende pelo olhar e, mais tarde, a palavra se estendeu ao testemunho, ou seja, quem testemunhou acontecimentos ou a realidade.testemunhou acontecimentos ou a realidade. Aquele que é por muitos considerado o Pai da História - Heródoto de Halicarnasso (484 - 425)Aquele que é por muitos considerado o Pai da História - Heródoto de Halicarnasso (484 - 425) - foi uma espécie de repór- foi uma espécie de repórter que viajou pelo mundo conhecido, realizou pesquisas acerca daster que viajou pelo mundo conhecido, realizou pesquisas acerca das guerras entre gregos e persas que aconteciam em seu tempo e até procurou por causas queguerras entre gregos e persas que aconteciam em seu tempo e até procurou por causas que explicassem a vitória helênica pexplicassem a vitória helênica perante um exército muito mais armado e numeroso. Os erante um exército muito mais armado e numeroso. Os persaspersas contavam com um exército predominantemente mercenário, mas os gregos (atenienses,contavam com um exército predominantemente mercenário, mas os gregos (atenienses, principalmente) combatiam em causa própria, eram todos patriotas, movidos pelo fervor deprincipalmente) combatiam em causa própria, eram todos patriotas, movidos pelo fervor de defender a sua terra dos invasores. Combater com o coração lhes deu a grande vantagem,defender a sua terra dos invasores. Combater com o coração lhes deu a grande vantagem, e além de seus e além de seus generais serem grandes estragenerais serem grandes estrategistas, os tegistas, os persas tinham um epersas tinham um excesso dexcesso de confiança em seus armamentos e poder de sua esquadra.confiança em seus armamentos e poder de sua esquadra. F F o o n n t t e e : : < < p p t t . . w w i i k k i i p p e e d d i i a a . . o o r r g g / / w w i i k k i i / / H H e e r r ó ó d d o o t t o o > > F F o o n n t t e e : : < < h h t t t t p p : : / / / / w w w w w w . . p p e e r r s s i i a a . . t t e e m m p p l l o o d d e e a a p p o o l l o o . . n n e e t t > > 2424 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Com o tempo o termo História passou a significar pesquisa e os resultados dessa pesquisaCom o tempo o termo História passou a significar pesquisa e os resultados dessa pesquisa eram reunidos em uma obra histórica.eram reunidos em uma obra histórica. Segundo Glénisson Segundo Glénisson (1(1961, p.961, p.1313), esta maneira de ), esta maneira de encarar os encarar os estudos históricos parece estudos históricos parece ter-seter-se consagrado na época do historiador Políbio, no século II a.C. “com a reserva de que, como oconsagrado na época do historiador Políbio, no século II a.C. “com a reserva de que, como o saber histórico daqueles tempos não conhecia o saber histórico daqueles tempos não conhecia o rigor atualmente exigido, associando-se aindarigor atualmente exigido, associando-se ainda a fábulas e as lendas” a precisão dos fatos cedia lugar a um termo empregado para definir aa fábulas e as lendas” a precisão dos fatos cedialugar a um termo empregado para definir a disciplina, qual seja o disciplina, qual seja o de “narrativa”de “narrativa”.. O mesmo Glénisson nos adverte que, “hoje, ao pronunciarmos a palavra História”, temosO mesmo Glénisson nos adverte que, “hoje, ao pronunciarmos a palavra História”, temos de diferenciá-la entre “três sentidos possíveis: o de realidade histórica [...], de conhecimentode diferenciá-la entre “três sentidos possíveis: o de realidade histórica [...], de conhecimento histórihistórico e [..co e [...] de obra históric.] de obra histórica” (1a” (1961, pp.961, pp.13-1413-14), assim como ilust), assim como ilustramos a firamos a ficção da pcção da personersonagemagem em seu dia do baile de debutantes (KARNAL, 2004).em seu dia do baile de debutantes (KARNAL, 2004). Isto significa que existe um conjunto de fenômenos a ser estudado na vida passada daIsto significa que existe um conjunto de fenômenos a ser estudado na vida passada da humanidade, a história representando a observação deste movimento pelo historiador que,humanidade, a história representando a observação deste movimento pelo historiador que, em seguida, registra tais observações em seu relato de cunho científico numa obra histórica.em seguida, registra tais observações em seu relato de cunho científico numa obra histórica. Por este ângulo, podemos definir a Por este ângulo, podemos definir a palavra História como sendo:palavra História como sendo: • • A A ciência que ciência que estuda estuda as as mudanças mudanças e e as as permanênciaspermanências.. • • O O processo de processo de transformtransformação ação onde onde todos todos os os homens homens são são agentes.agentes. • • A A narração metódica dos narração metódica dos fatos mais fatos mais relevantes ocorridos na relevantes ocorridos na vida dos vida dos povos, em povos, em particular,particular, e na vida da humanidade, em geral.e na vida da humanidade, em geral. • • O conjunto O conjunto de conhde conhecimentos ecimentos (cultura) ad(cultura) adquiridos quiridos por intermédpor intermédio da io da tradição etradição e/ou por /ou por meiomeio dos documentos, relativos à evolução, ao passado da humanidade.dos documentos, relativos à evolução, ao passado da humanidade. A História atualmente é considerada uma ciência e tem seu devido valor reconhecido nosA História atualmente é considerada uma ciência e tem seu devido valor reconhecido nos meios acadêmicos, escolares entre outros. Essa estuda as mudanças e as permanências dosmeios acadêmicos, escolares entre outros. Essa estuda as mudanças e as permanências dos fatos e acontecimentos por meio de um método próprio, buscando fatos e acontecimentos por meio de um método próprio, buscando compreender os caminhoscompreender os caminhos 2525METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância traçados por um povo específico ou pela humanidade em geral. E ainda, busca a cultura dastraçados por um povo específico ou pela humanidade em geral. E ainda, busca a cultura das sociedades para entendê-las.sociedades para entendê-las. Costumo citar o antropólogo Darci Ribeiro para compreendermos o conceito de cultura. EleCostumo citar o antropólogo Darci Ribeiro para compreendermos o conceito de cultura. Ele trata o assunto de um jeito divertido e de fácil compreensão por meio da literatura infantiltrata o assunto de um jeito divertido e de fácil compreensão por meio da literatura infantil ““Noções das CoisasNoções das Coisas””.. CULTURACULTURA Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resultado do trabalho deles e de seus pensa-Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resultado do trabalho deles e de seus pensa- mentos. Por exemplo, uma cadeira está na mentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita cara que é cultural porque foi feita por alguém. Mesmo umpor alguém. Mesmo um banquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porquebanquinho mais vagabundo, que mal se põe em pé, é uma coisa cultural. É cultura, também, porque feita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, asfeita pelos homens, uma galinha. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras não existiriam. Só haveria animais selvagens (...)galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras não existiriam. Só haveria animais selvagens (...) Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos ho-Uma casa qualquer, ainda que material, é claramente um produto cultural, porque é feita pelos ho- mens. A mesma coisa se pode dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estasmens. A mesma coisa se pode dizer de um prato de sopa, de um picolé ou de um diário. Mas estas são coisas de cultsão coisas de cultura material, que ura material, que se podem ver, medir, pesar.se podem ver, medir, pesar. Há também, para complicar, as coisas de cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritualHá também, para complicar, as coisas de cultura imaterial, impropriamente chamadas de espiritual – muití – muitíssimo mais ssimo mais complicadas. A fala, por complicadas. A fala, por exemplo, que exemplo, que se revela se revela quando a quando a gente conversa, gente conversa, e quee que existe independente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala,existe independente de qualquer boca falante, é criação cultural. Aliás, a mais importante. Sem a fala, os homens seriam uns macacos, porque não poderiam os homens seriam uns macacos, porque não poderiam se entender uns com os outros, para se entender uns com os outros, para acumularacumular conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado.conhecimentos e mudar o mundo como temos mudado. A fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. SeA fala está aí, onde existe gente, para qualquer um aprender. Aprende-se, geralmente, a da mãe. Se ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos Xavantes, por exemplo. Se ela é carioca,ela é uma índia, aprende-se a falar a fala dos índios, dos Xavantes, por exemplo. Se ela é carioca, professora, mora na Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas, se você trocarprofessora, mora na Tijuca, a gente aprende aquele português lá dos tijucanos. Mas, se você trocar a lhinha da índia pela lhinha da professora, e criar, bem ali, na praça Saens Peña, ela vai crescera lhinha da índia pela lhinha da professora, e criar, bem ali, na praça Saens Peña, ela vai crescercomo uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo como uma menina qualquer, tijucana, dali mesmo. E vice-versa, o mesmo ocorre se a lha da profes-ocorre se a lha da profes- sora for levada para a aldeia Xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita – falando asora for levada para a aldeia Xavante: ela vai crescer lá, como uma xavantinha perfeita – falando a língua Xavante e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos.língua Xavante e xavanteando muito bem, sem nem saber que há tijucanos. Além da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homensAlém da fala, temos as crenças, as artes, que são criações culturais, porque inventadas pelos homens e transmitidas uns aos outros através das gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, atravése transmitidas uns aos outros através das gerações. Elas se tornam visíveis, se manifestam, através das criações artísticas, ou de ritos e práticas – o batizado, o casamento, a missa -, em que a gente vêdas criações artísticas, ou de ritos e práticas – o batizado, o casamento, a missa -, em que a gente vê os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem. Essa separação de coisas cósmicas,os conceitos e as idéias religiosas ou artísticas se realizarem.Essa separação de coisas cósmicas, 2626 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância coisa vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma coisa vivas, coisas culturais, ajuda a gente de alguma forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. forma? Sei não. Se não ajuda, diverte. É melhorÉ melhor que decorar um dicionário, ou que decorar um dicionário, ou aprender datas. Você não acha?aprender datas. Você não acha? Trechos retirados de Trechos retirados de RIBEIRO, Darcy.RIBEIRO, Darcy. Noções das CoisasNoções das Coisas. São Paulo: FTD, 1995, p.34.. São Paulo: FTD, 1995, p.34. Para quem já lê rapidinhoPara quem já lê rapidinho “Quem descobre uma planta nova, mesmo uma plantinha à-toa, muito sem graça e sem serventia,“Quem descobre uma planta nova, mesmo uma plantinha à-toa, muito sem graça e sem serventia, pode pôr seu nome nela. Mas precisa ser em latim, para as gentes do mundo inteiro fazerem de contapode pôr seu nome nela. Mas precisa ser em latim, para as gentes do mundo inteiro fazerem de conta que entendem.”que entendem.” “Infelizmente, os povos do mundo ainda guerreiam demais. Tudo guerra suja. Não há guerra limpa.“Infelizmente, os povos do mundo ainda guerreiam demais. Tudo guerra suja. Não há guerra limpa. Sempre quem guerreia está querendo tirar alguma coisa do outro, que não quer entregar.”Sempre quem guerreia está querendo tirar alguma coisa do outro, que não quer entregar.” NOÇÕES DE COISASNOÇÕES DE COISAS De Darcy RibeiroDe Darcy Ribeiro Ilustrações: ZiraldoIlustrações: Ziraldo O livro “O livro “Noções de CoisasNoções de Coisas” tem o título certo. Fala de tudo que existe no mundo com todo o humor” tem o título certo. Fala de tudo que existe no mundo com todo o humor e sabedoria de Darcy Ribeiro. E com as ilustrações sempre geniais do Ziraldo. É difícil resumir aqui,e sabedoria de Darcy Ribeiro. E com as ilustrações sempre geniais do Ziraldo. É difícil resumir aqui, em poucas linhas, este livrão em todos os sentidos, mas para você ter uma idéia, veja só os nomesem poucas linhas, este livrão em todos os sentidos, mas para você ter uma idéia, veja só os nomes de alguns capítulos: números, micróbios, planetas, cocô e ovos, eletricidade, caretas, seres, matéria,de alguns capítulos: números, micróbios, planetas, cocô e ovos, eletricidade, caretas, seres, matéria, poluição, unhas e barbas... e por aí vai. Ficou curioso? Ainda bem. Este é um livro ótimo até parapoluição, unhas e barbas... e por aí vai. Ficou curioso? Ainda bem. Este é um livro ótimo até para adultos. Você pode ler muitas vezes. E tem tantas frases engraçadas e interessantes, que deu umadultos. Você pode ler muitas vezes. E tem tantas frases engraçadas e interessantes, que deu um trabalhão para escolher. Daí escolhi duas!trabalhão para escolher. Daí escolhi duas! Editora: FTDEditora: FTD Fonte: <http://Fonte: <http://www.diverwww.divertudo.com.br/dicas3.htm>. Acesso em: 01 tudo.com.br/dicas3.htm>. Acesso em: 01 jun. 2011.jun. 2011. 2727METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Na relação entre a visão do geral Na relação entre a visão do geral e o saber do singular está a e o saber do singular está a pedra angular dos conhecimentospedra angular dos conhecimentos históricos promovidos pelo historiador. A relação racional então obtida pelo método indutivo,históricos promovidos pelo historiador. A relação racional então obtida pelo método indutivo, segundo Lakatos (1990), vai da conexão ascendente do particular para o geral, e é o produtosegundo Lakatos (1990), vai da conexão ascendente do particular para o geral, e é o produto visado por aquele que, segundo visado por aquele que, segundo Marc Bloch (19Marc Bloch (1976)76), se dedica , se dedica ao “ofício” de historiar e sempreao “ofício” de historiar e sempre começa pelo “ídolo” das origens, partindo do passado para o presente e, depois, em relaçãocomeça pelo “ídolo” das origens, partindo do passado para o presente e, depois, em relação inversa, do presente para o passado.inversa, do presente para o passado. Finalmente temos de lembrar alguns comentários que dão o valor aos conhecimentosFinalmente temos de lembrar alguns comentários que dão o valor aos conhecimentos históricos: “o proveito que se poderá tirar do conhecimento certo do passado, para prejulgarhistóricos: “o proveito que se poderá tirar do conhecimento certo do passado, para prejulgar acontecimentos análogos ou idênticos, a brotar futuramente no fundo comum da naturezaacontecimentos análogos ou idênticos, a brotar futuramente no fundo comum da natureza humana” (GLÉNISSON, 1961, p. 17) ou: “a história é o estudo da ação humana ao longo dohumana” (GLÉNISSON, 1961, p. 17) ou: “a história é o estudo da ação humana ao longo do tempo, concomitantemente ao estudo dos processos e tempo, concomitantemente ao estudo dos processos e dos eventos ocorridos no dos eventos ocorridos no passado”passado”.. A aula de História “nasce da própria História”, pois a “análise da dimensão temporal dasA aula de História “nasce da própria História”, pois a “análise da dimensão temporal das reflexões sociais” é o grande objetivo da disciplina. Isto equivale a considerar a história umareflexões sociais” é o grande objetivo da disciplina. Isto equivale a considerar a história uma “construção coletiva”“construção coletiva”. . É para essa direção que Nemi e Martins (É para essa direção que Nemi e Martins (1996) apontam quando fazem1996) apontam quando fazem um comentário didático: “as aulas de história para crianças das séries iniciais do Ensinoum comentário didático: “as aulas de história para crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental têm por base essa concepção de vida”, qual seja a “busca” de uma transformaçãoFundamental têm por base essa concepção de vida”, qual seja a “busca” de uma transformação “constante e possível” (1996, p.25). E esse aprimoramento do saber oferecido pela história“constante e possível” (1996, p.25). E esse aprimoramento do saber oferecido pela história como um instrumento de cidadania só pode ser obtido se confrontarmos as experiências docomo um instrumento de cidadania só pode ser obtido se confrontarmos as experiências do passado com as do presente, sempre visando a um futuro melhor passado com as do presente, sempre visando a um futuro melhor e de maior qualidade de e de maior qualidade de vidavida para todos.para todos. A PÓS-MODERNIDADE E SUAS IMPLICAÇÕESA PÓS-MODERNIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES A julgar pelas reflexões de estudiosos atuais, cientistas humanos distribuídos entreA julgar pelas reflexões de estudiosos atuais, cientistas humanos distribuídos entre filósofos (SERRES, 1999), historiadores (HOBSBAWM, 1995), sociólogos (DE MASI, 2001),filósofos (SERRES, 1999), historiadores (HOBSBAWM, 1995), sociólogos (DE MASI, 2001), administradores (DRUCKER, 1993) entre outros, estamos em transição administradores (DRUCKER, 1993) entre outros, estamos em transição entre duas sociedades,entre duas sociedades, duas épocas.duas épocas. 2828 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Aquela que estamos ultrapassando se convencionou chamar, segundo alguns, de SociedadeAquela que estamos ultrapassando se convencionou chamar, segundo alguns, de Sociedade Industrial, oriunda da Revolução Industrial de 1760 na Inglaterra.Industrial, oriunda da Revolução Industrial de 1760 na Inglaterra. A sociedade do século XXI, que estará plenamente configurada só daqui a algumas décadas,A sociedade do século XXI, que estará plenamente configurada só daqui a algumas décadas, segundo Drucker (1993), terá novos nomes: Pedagógica para Serres (1999), Pós-industrialsegundo Drucker (1993), terá novos nomes: Pedagógica para Serres (1999), Pós-industrial para De Masi (2001), Pós-capitalista para Drucker (1993), ou do Conhecimento segundo apara De Masi (2001), Pós-capitalista paraDrucker (1993), ou do Conhecimento segundo a maioria dos educadores. Será uma nova sociedade formada sob a base de novos valoresmaioria dos educadores. Será uma nova sociedade formada sob a base de novos valores e visando a um novo tipo de intelectual de ação profissional, qual seja o “trabalhador doe visando a um novo tipo de intelectual de ação profissional, qual seja o “trabalhador do conhecimento”.conhecimento”. Essa pós-modernidade é considerada a condição sociocultural e estética do capitalismoEssa pós-modernidade é considerada a condição sociocultural e estética do capitalismo contemporâneo, também denominado pós-industrial ou financeiro.contemporâneo, também denominado pós-industrial ou financeiro. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M Embora o uso do termo pós-moderno tenha se tornado corrente, há controvérsias quanto aoEmbora o uso do termo pós-moderno tenha se tornado corrente, há controvérsias quanto ao seu significado e pertinência. Essas controvérsias resultam da dificuldade de se examinaremseu significado e pertinência. Essas controvérsias resultam da dificuldade de se examinarem processos em curso com suficiente distanciamento e, principalmente, de se perceber comprocessos em curso com suficiente distanciamento e, principalmente, de se perceber com clareza os limites ou os sinais de rclareza os limites ou os sinais de ruptura nesses processos.uptura nesses processos. Esse termo apresentado por Peter Drucker em sua obra sobre a Esse termo apresentado por Peter Drucker em sua obra sobre a sociedade pós-csociedade pós-capitalista porapitalista por (1993) diz respeito a um novo tipo de trabalhador que será necessário e mesmo líder, nesse(1993) diz respeito a um novo tipo de trabalhador que será necessário e mesmo líder, nesse novo tipo de sociedade que está em gestação.novo tipo de sociedade que está em gestação. 2929METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância O que diferenciará esta nova categoria da antiga, quais serão seus atributos, competências eO que diferenciará esta nova categoria da antiga, quais serão seus atributos, competências e valores necessários? José Esteve (2004), diante de tantas mudanças, constata que está emvalores necessários? José Esteve (2004), diante de tantas mudanças, constata que está em curso uma terceira revolução educacional.curso uma terceira revolução educacional. O ponto de partida dessa nova sociedade pedagógica e da revolução educacional nelaO ponto de partida dessa nova sociedade pedagógica e da revolução educacional nela embutida começou com a chamada revolução tecnológica, iniciada em 1945 com invençõesembutida começou com a chamada revolução tecnológica, iniciada em 1945 com invenções como o computador, e ampliada em 1970, irradiando-se como o computador, e ampliada em 1970, irradiando-se para o mundo.para o mundo. A tecnologia mudou o mundo e trouxe a necessidade de um novo tipo de educação adeA tecnologia mudou o mundo e trouxe a necessidade de um novo tipo de educação adequadaquada à formação de à formação de um novo trabalhadorum novo trabalhador, sob novas exigências vindas do Estado como aquele que, sob novas exigências vindas do Estado como aquele que dita as políticas educacionais.dita as políticas educacionais. A História como instrumento de A História como instrumento de preparo dos futuros preparo dos futuros cidadãos, visava principalmente que estescidadãos, visava principalmente que estes educandos fossem engajados na socieeducandos fossem engajados na sociedade para o exercício de uma profissão.dade para o exercício de uma profissão. Nas chamadas operações mentais (da leitura, memorização Nas chamadas operações mentais (da leitura, memorização à análise e síntese) a ênfase eraà análise e síntese) a ênfase era para a segunda etapa, a decorativa. Talvez por isso, a História guarda até hoje esse rançopara a segunda etapa, a decorativa. Talvez por isso, a História guarda até hoje esse ranço que alguns ainda consideram válido, de ser uma disciplina que depende exclusivamente daque alguns ainda consideram válido, de ser uma disciplina que depende exclusivamente da memória.memória. Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos>Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos> 3030 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Podemos lembrar a obra “Podemos lembrar a obra “InfânciaInfância” de Graciliano Ramos. Publicada em 1945, “” de Graciliano Ramos. Publicada em 1945, “InfânciaInfância” ” éé uma autobiografia de uma autobiografia de Graciliano Ramos que prova ser poGraciliano Ramos que prova ser possívssível uma obra el uma obra somar os elementossomar os elementos pessoais com os sociais. Muito do que o pessoais com os sociais. Muito do que o autor confessa em suas memórias são problemas queautor confessa em suas memórias são problemas que afetaram não só a ele mesmo, mas também o seu meio. “Sua dor é também a dor do nossoafetaram não só a ele mesmo, mas também o seu meio. “Sua dor é também a dor do nosso mundo”.mundo”. O primeiro aspecto que nos chama a atenção é a descrição de Graciliano Ramos como umaO primeiro aspecto que nos chama a atenção é a descrição de Graciliano Ramos como uma criança oprimida e humilhada, pois é um ser fraco diante dos adultos, mais fortes. Este é umcriança oprimida e humilhada, pois é um ser fraco diante dos adultos, mais fortes. Este é um dos temas centrais de sua visão de mundo: a opressão. Constatamos tal afirmação quandodos temas centrais de sua visão de mundo: a opressão. Constatamos tal afirmação quando retrata que em determinado tempo de sua vida escolar os personagens históricos começaramretrata que em determinado tempo de sua vida escolar os personagens históricos começaram a fazer parte de a fazer parte de seu dia a dia, ele não coseu dia a dia, ele não compreendia o motivo de tal ênfase, mas quem era elempreendia o motivo de tal ênfase, mas quem era ele para questionar o “mestre”, então fingia que aprendia e para questionar o “mestre”, então fingia que aprendia e o professor fingia o professor fingia que ensinava.que ensinava. “O conteúdo cívico era intencionalmente funcional e pouc“O conteúdo cívico era intencionalmente funcional e pouco reflexivo, mais prático do que teóro reflexivo, mais prático do que teórico”ico”,, com isso intentando “adaptar o aluno a uma sociedade em vez de ajudá-lo a compreender ecom isso intentando “adaptar o aluno a uma sociedade em vez de ajudá-lo a compreender e questionar o meio questionar o meio social em que social em que vive” (NEMI; MARTINS,vive” (NEMI; MARTINS,1996, p.22). Era impor1996, p.22). Era importante “estudar”tante “estudar” e reproduzir o que e reproduzir o que foi ensinado, “criticar” (no sentido da reffoi ensinado, “criticar” (no sentido da reflexãolexão) nunca, como fa) nunca, como fazem notar oszem notar os autores estudados.autores estudados. Hoje, a Sociedade dita do conhecimento, pretende que ocorram invenções, fruto da criatividadeHoje, a Sociedade dita do conhecimento, pretende que ocorram invenções, fruto da criatividade provocada no aluno pelo professor e na sociedade como um todo em virtude do saber.provocada no aluno pelo professor e na sociedade como um todo em virtude do saber. Para isto é preciso que se Para isto é preciso que se ultrapasse a fase da memorultrapasse a fase da memorização e se desenvolvam as habilidadesização e se desenvolvam as habilidades cognitivas como bem nos lembra Bloom. Este estudioso liderou um grupo formado pelacognitivas como bem nos lembra Bloom. Este estudioso liderou um grupo formado pela American Psychological American Psychological AssociationAssociation para criar uma “classificação de objetivos de processos para criar uma “classificação deobjetivos de processos educacionais”.educacionais”. O primeiro passo para a definição dessa taxonomia foi a divisão do campo de trabalho em trêsO primeiro passo para a definição dessa taxonomia foi a divisão do campo de trabalho em três áreas a saber:áreas a saber: • • A A cognitiva, cognitiva, ligada ligada ao ao saber;saber; 3131METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância • • A A afetiva, afetiva, ligada ligada a a sentimentos e sentimentos e posturas eposturas e • • A A psicomotora, psicomotora, ligadas ligadas a a ações ações físicas.físicas. Aqui remetemo-nos, exclusivamente, à primeira área, a cognitiva e usamos como referênciaAqui remetemo-nos, exclusivamente, à primeira área, a cognitiva e usamos como referência sua obra “sua obra “Taxonomia e Objetivos no Domínio CognitivoTaxonomia e Objetivos no Domínio Cognitivo”, publicada pela primeira vez em”, publicada pela primeira vez em 1956. Nessa obra, Bloom classifica os objetivos do domínio cognitivo em seis níveis, que,1956. Nessa obra, Bloom classifica os objetivos do domínio cognitivo em seis níveis, que, usualmente, são apresentados numa sequência que vai do mais simples (conhecimento) aousualmente, são apresentados numa sequência que vai do mais simples (conhecimento) ao mais complexo (avaliamais complexo (avaliação); cada nível utiliza as ção); cada nível utiliza as capacidades adquiridas capacidades adquiridas nos níveis anteriores.nos níveis anteriores. As capacidades e conhecimentos adquiridos por meio de um processo de aprendizagem sãoAs capacidades e conhecimentos adquiridos por meio de um processo de aprendizagem são descritos por verbos. Para entender melhor, observe o quadro abaixo organizado por Marcosdescritos por verbos. Para entender melhor, observe o quadro abaixo organizado por Marcos TTelles e elles e encontrado no encontrado no site:site: <http:/<http://ww/www.w.dynamiclab.com/moodle/mod/forum/discussdynamiclab.com/moodle/mod/forum/discuss.php?.php?d=436>.d=436>. 3232 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Tal Taxonomia difundida no Brasil, e divulgada principalmente na década de 1970 ganhouTal Taxonomia difundida no Brasil, e divulgada principalmente na década de 1970 ganhou novo vigor em 2001, quando Anderson and Krathwohl publicou uma revisão na qual foramnovo vigor em 2001, quando Anderson and Krathwohl publicou uma revisão na qual foram combinados o tipo de combinados o tipo de conhecimento a ser adquirido (dimensão do conhecimento) e o proceconhecimento a ser adquirido (dimensão do conhecimento) e o processosso utilizado para a aquisição desse utilizado para a aquisição desse conhecimento (dimensão do processo cognitivo).conhecimento (dimensão do processo cognitivo). O quadro apresentado abaixo torna mais fácil tanto a tarefa de definir com O quadro apresentado abaixo torna mais fácil tanto a tarefa de definir com clareza objetivos declareza objetivos de aprendizagem quanto aquela de aprendizagem quanto aquela de alinhar esses objetivos com as alinhar esses objetivos com as atividades de avaliação. Comoatividades de avaliação. Como na taxonomia original, a na taxonomia original, a versão revisada apresenta verbos que definem versão revisada apresenta verbos que definem objetivos:objetivos: NNíívveel l VVeerrbbooss LLeemmbbrraarr RReeccoonnhheecceerr, , rreeccoorrddaar r CoCompmprereenendederr ClClasassisifificacarr, com, compaparararr, exe, exempmplilifificacarr, exp, explilicacarr, inf, infereririr, int, intererprpretetarar, res, resumumir ir Aplicar Aplicar Executar, Executar, realizarrealizar Analisar Analisar Atribuir, Atribuir, diferenciardiferenciar, , organizar organizar Avaliar Avaliar Criticar, Criticar, verificar verificar CCrriiaarr GGeerraarr, , ppllaanneejjaarr, , pprroodduuzziir r Fonte: <http://www.dynamiclab.com/moodle/mod/forum/discuss.php?d=436>.Fonte: <http://www.dynamiclab.com/moodle/mod/forum/discuss.php?d=436>. Note-se que a versão revisada dá nomes diferentes aos 6 níveis da hierarquia e inverte asNote-se que a versão revisada dá nomes diferentes aos 6 níveis da hierarquia e inverte as posições de posições de “sínt“síntese” (agora “criar”ese” (agora “criar”) e “avaliação” (agora “avaliar”).) e “avaliação” (agora “avaliar”). Convém lembrar que nem todos educadores concordam com tal concepção de conhecimentoConvém lembrar que nem todos educadores concordam com tal concepção de conhecimento e aprendizagem, porém outros tantos educadores entendem que seu uso pode ser muito útile aprendizagem, porém outros tantos educadores entendem que seu uso pode ser muito útil para o planejamento e desenvolvimento de processo de ensino-aprendizagem. Ademais, elapara o planejamento e desenvolvimento de processo de ensino-aprendizagem. Ademais, ela oferece um bom apoio ao esforço de compatibilizar testes de avaliação com conteúdo deoferece um bom apoio ao esforço de compatibilizar testes de avaliação com conteúdo de ensino. De fato, estudos mostram uma forte tendência, em certos níveis de ensino, de proporensino. De fato, estudos mostram uma forte tendência, em certos níveis de ensino, de propor testes com questões concentradas nas faixas de “conhecimento” e “compreensão” o quetestes com questões concentradas nas faixas de “conhecimento” e “compreensão” o que poderia levar os alunos a distorcer o processo de aprpoderia levar os alunos a distorcer o processo de aprendizagem, focando mais aquilo pelo queendizagem, focando mais aquilo pelo que julgam que vão ser a julgam que vão ser avaliados.valiados. Mas, é preciso que a escola deixe de ser aquilo que os crítico-reprodutivistas como BourdieuMas, é preciso que a escola deixe de ser aquilo que os crítico-reprodutivistas como Bourdieu 3333METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância (1930-2002) assinalam, e caminhe, além disso, porque os novos tempos exigem um melhor(1930-2002) assinalam, e caminhe, além disso, porque os novos tempos exigem um melhor uso para os conhecimentos acumulados ao longo do tempo. Por meio do uso da noção deuso para os conhecimentos acumulados ao longo do tempo. Por meio do uso da noção de violência simbólica, ele tenta desvendar o mecanismo que faz com que os indivíduos vejamviolência simbólica, ele tenta desvendar o mecanismo que faz com que os indivíduos vejam como “naturais” as representações ou as ideias sociais dominantes. A violência simbólica écomo “naturais” as representações ou as ideias sociais dominantes. A violência simbólica é desenvolvida pelas instituições e pelos agentes que as animam e sobre a qual se apoia odesenvolvida pelas instituições e pelos agentes que as animam e sobre a qual se apoia o exercício da autoridade. Bourdieu (1997) considera que a transmissão pela escola da culturaexercício da autoridade. Bourdieu (1997) considera que a transmissão pela escola da cultura escolar (conteúdos, programas, métodos de trabalho e de avaliação, relações pedagógicas,escolar (conteúdos, programas, métodos de trabalho e de avaliação, relações pedagógicas, práticas linguísticas), própria à classe dominante, revela uma violência simbólica exercidapráticas linguísticas), própria à classe dominante, revela uma violência simbólica exercida sobre os alunos de classes populares.sobre os alunos de classes populares. Bourdieu (1997) partia de um conceito central: que a dominação recobria formas variadasBourdieu (1997) partia de um conceito central: que a dominação recobria formas variadas de relações de poder, sendo a mais insidiosa a “violência simbólica”. No livro “de relações de poder, sendo a mais insidiosa a “violência simbólica”. No livro “Les héritiersLes héritiers”” (Os herdeiros) ele releva que o sucesso escolar é condicionado (Os herdeiros) ele releva que o sucesso escolar é condicionado à origem social doà origem social dos alunose,s alunos e, assim, torna-se o primeiro a revelar os mecanismos cognitivos ligados às condições sociais.assim, torna-se o primeiro a revelar os mecanismos cognitivos ligados às condições sociais. O termo violência simbólica aparece como eficaz para explicar a adesão dos dominados: àO termo violência simbólica aparece como eficaz para explicar a adesão dos dominados: à dominação imposta pela aceitação das regras, das sanções, à incapacidade de conhecer asdominação imposta pela aceitação das regras, das sanções, à incapacidade de conhecer as regras de direito ou morregras de direito ou morais, às práticas linguísticas e outras.ais, às práticas linguísticas e outras. Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Bourdieu>Fonte: <pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Bourdieu> Pierre Bourdieu (1997) elabora, assim, um sistema teórico que não cessará de desenvolver:Pierre Bourdieu (1997) elabora, assim, um sistema teórico que não cessará de desenvolver: 3434 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância as condições de participação social baseiam-se na herança social. O acúmulo de bensas condições de participação social baseiam-se na herança social. O acúmulo de bens simbólicos e outros estão inscritos nas estruturas do pensamento (mas também no corpo)simbólicos e outros estão inscritos nas estruturas do pensamento (mas também no corpo) e são constitutivos doe são constitutivos do habitushabitus por meio do qual os indivíduos elaboram suas trajetórias e por meio do qual os indivíduos elaboram suas trajetórias e asseguram a reprodução social. Esta não pode se realizar sem a ação sutil dos agentes easseguram a reprodução social. Esta não pode se realizar sem a ação sutil dos agentes e das instituições, preservando as funções sociais pela violência simbólica exercida sobre osdas instituições, preservando as funções sociais pela violência simbólica exercida sobre os indivíduos e com a adesão deles.indivíduos e com a adesão deles. A crítica de Bourdieu (1997) permanece atual como um alerta, ainda que outras tendênciasA crítica de Bourdieu (1997) permanece atual como um alerta, ainda que outras tendências e explicações sobre o fenômeno escolar a ela se acrescentem. Sua posição contrária aoe explicações sobre o fenômeno escolar a ela se acrescentem. Sua posição contrária ao neoliberalismo e ao poder neoliberalismo e ao poder da mídia é, ainda hoje, muito comentada.da mídia é, ainda hoje, muito comentada. Construir o conhecimento junto com os nossos alunos parece ser uma urgência de nossosConstruir o conhecimento junto com os nossos alunos parece ser uma urgência de nossos tempos. Isto inclui saber o que vem do cotidiano para elevá-lo ao nível da ciência. Taltempos. Isto inclui saber o que vem do cotidiano para elevá-lo ao nível da ciência. Tal postura se faz necessária por parte do docente, seja qual for a corrente por ele adotada,postura se faz necessária por parte do docente, seja qual for a corrente por ele adotada, do construtivismo de Piaget ao sociointeracionismo de Vygotsky, ou mesmo, a pedagogiado construtivismo de Piaget ao sociointeracionismo de Vygotsky, ou mesmo, a pedagogia Histórico-crítica, ressalvado que a História exige uma metodologia diferenciada daquela queHistórico-crítica, ressalvado que a História exige uma metodologia diferenciada daquela que foi característica da escola “positivista” no século XIX. Para que possamos compreenderfoi característica da escola “positivista” no século XIX. Para que possamos compreender melhor a escola melhor a escola “Positivista”“Positivista”, passamos a analisá-la., passamos a analisá-la. Remetemo-nos ao século XIX, quando a Europa presenciou amplo desenvolvimentoRemetemo-nos ao século XIX, quando a Europa presenciou amplo desenvolvimento tecnológico e industrial, permitindo sua evolução econômica e a afirmação como o continentetecnológico e industrial, permitindo sua evolução econômica e a afirmação como o continente mais poderoso do mundo até a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo em que cresciamais poderoso do mundo até a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo em que crescia internamente, o continente se expandia para fora de seus domínios, conquistando terras,internamente, o continente se expandia para fora de seus domínios, conquistando terras, pessoas e novas riquezas na África e Ásia, numa reedição do colonialismo do Antigo Regime.pessoas e novas riquezas na África e Ásia, numa reedição do colonialismo do Antigo Regime. No entanto, não bastava conquistar tais territórios e impor uma dominação à força em suasNo entanto, não bastava conquistar tais territórios e impor uma dominação à força em suas populações: era preciso justificar a rapopulações: era preciso justificar a razão daquele domínio e gerar um argumento incontestável.zão daquele domínio e gerar um argumento incontestável. Para tal fim, os pensadores e intelectuais europeus utilizaram-se do conceito de ciência,Para tal fim, os pensadores e intelectuais europeus utilizaram-se do conceito de ciência, entendida como conhecimento superior entendida como conhecimento superior e acessível a poucas pessoas.e acessível a poucas pessoas. Nesta perspectiva, os europeus, donos da ciência e do desenvolvimento, se dirigiam àquelasNesta perspectiva, os europeus, donos da ciência e do desenvolvimento, se dirigiam àquelas 3535METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância novas terras para “salvar” suas populações do estado de barbárie e abandono em quenovas terras para “salvar” suas populações do estado de barbárie e abandono em que estavam. Justificava-se, assim o Imperialismo por meio de argumentos científicos, baseadosestavam. Justificava-se, assim o Imperialismo por meio de argumentos científicos, baseados na superioridade técnica e racial do europeu branco sobre o negro africano e o asiático:na superioridade técnica e racial do europeu branco sobre o negro africano e o asiático: cientificamente falando, o europeu tinha o direito de dominar os novos colonos porque eracientificamente falando, o europeu tinha o direito de dominar os novos colonos porque era de uma civilização mais avançada, dado o desenvolvimento que mostrava e o poder de seude uma civilização mais avançada, dado o desenvolvimento que mostrava e o poder de seu conhecimento. Esta forma de se compreender o mundo, isto é, baseada no cientificismo,conhecimento. Esta forma de se compreender o mundo, isto é, baseada no cientificismo, tornou-se em pouco tempo a tônica de todo o pensamento do Velho Continente, espalhando-tornou-se em pouco tempo a tônica de todo o pensamento do Velho Continente, espalhando- se para diversos campos do saber. Renasceu a importância da Física e da Química comose para diversos campos do saber. Renasceu a importância da Física e da Química como disciplinas exadisciplinas exatas, por exemplo. Mas o caso mais destacado desse processo tas, por exemplo. Mas o caso mais destacado desse processo de construção dede construção de conhecimento é a transformação que conhecimento é a transformação que ocorre nas chamadas disciplinas humanistas, a Históriaocorre nas chamadas disciplinas humanistas, a História e a Sociologia. Ee a Sociologia. Elas também las também incorporaram a tendência cientificista, incorporaram a tendência cientificista, auxiliando a eauxiliando a explicar oxplicar o domínio europeu nas novas colônias e impondo novos métodos de se estudar as relaçõesdomínio europeu nas novas colônias e impondo novos métodos de se estudar as relações sociais e ao andamento da História dosociais e ao andamento da História dos povos.s povos. Duas correntes dominaram o pDuas correntes dominaram o pensamento europeu a essa respeito. Tratavensamento europeu a essa respeito. Tratava-se do a-se do RacionalismoRacionalismo surgido no final do século Xsurgido no final do século XVIII, com a Revolução Francesa, e do Conservadorismo, presente noVIII, coma Revolução Francesa, e do Conservadorismo, presente no pensamento do continente desde o final da Idade Mépensamento do continente desde o final da Idade Média e durante a Idade Moderna. Codia e durante a Idade Moderna. Contudo,ntudo, Nisbet não aprovava a visão individualista presente na fase pós-Revolução Francesa, a qualNisbet não aprovava a visão individualista presente na fase pós-Revolução Francesa, a qual pregava a autossuficiência e a individualidade de cada ser pregava a autossuficiência e a individualidade de cada ser humano e que servia humano e que servia de base parade base para a cientifização do conhecimento e do estudo social. Esta negava, pois, a própria existênciaa cientifização do conhecimento e do estudo social. Esta negava, pois, a própria existência da sociedade como organização e como meio de influência de comportamentos humanos.da sociedade como organização e como meio de influência de comportamentos humanos. O homem seria um ser de livre-arbítrio sobre seus atos, sem a necessidade de estabelecerO homem seria um ser de livre-arbítrio sobre seus atos, sem a necessidade de estabelecer relações com seus semelhantes. Ele se bastaria por si mesmo. Com isso, surgiram correntesrelações com seus semelhantes. Ele se bastaria por si mesmo. Com isso, surgiram correntes de pensamento relacionadas a essa forma de pensar e que se opunham a seus princípios,de pensamento relacionadas a essa forma de pensar e que se opunham a seus princípios, como o própriocomo o próprio PositivismoPositivismo.. O Positivismo pregava a cientifização do pensamento e do estudo humano, visando àO Positivismo pregava a cientifização do pensamento e do estudo humano, visando à obtenção de resultados claros, objetivos e completamente corretos. Os seguidores desseobtenção de resultados claros, objetivos e completamente corretos. Os seguidores desse movimento acreditavam num ideal de neutralidade, isto é, na separação entre o pesquisador/movimento acreditavam num ideal de neutralidade, isto é, na separação entre o pesquisador/ 3636 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância autor e sua obra: esta, em vez de mostrar as opiniões e julgamentos de seu crautor e sua obra: esta, em vez de mostrar as opiniões e julgamentos de seu criador, retratariaiador, retrataria de forma neutra e clara uma dada realidade a partir de seus fatos, mas sem os analisar. Osde forma neutra e clara uma dada realidade a partir de seus fatos, mas sem os analisar. Os positivistas creem que o conhecimento se explica por si mesmo, necessitando apenas seupositivistas creem que o conhecimento se explica por si mesmo, necessitando apenas seu estudioso recuperá-lo e colocá-lo à mostra. Não foram poucos os que seguiram a correnteestudioso recuperá-lo e colocá-lo à mostra. Não foram poucos os que seguiram a corrente positivista: Auguste Comtepositivista: Auguste Comte, na Filosofia; Émile Dur, na Filosofia; Émile Durkheim, na Sociologia; Fustel de Coulanges,kheim, na Sociologia; Fustel de Coulanges, na História, entre outros, contribuíram para fazer do Positivismo e da cientifização do saber na História, entre outros, contribuíram para fazer do Positivismo e da cientifização do saber umum posicionamento poderoso no século XIX.posicionamento poderoso no século XIX. Pode-se inclusive dizer que o Positivismo reduz o papel do homem enquanto ser pensante,Pode-se inclusive dizer que o Positivismo reduz o papel do homem enquanto ser pensante, crítico, para um mero coletor de informações e fatos presentes nos documentos, capazes decrítico, para um mero coletor de informações e fatos presentes nos documentos, capazes de fazer-se entender por sua conta. “Os fatos históricos falam por si mesmos”, dizia Coulanges,fazer-se entender por sua conta. “Os fatos históricos falam por si mesmos”, dizia Coulanges, historiador francês (BOURDÉ e historiador francês (BOURDÉ e MARTIN, 1984, p.99). Assim, para os positivistas que estudaramMARTIN, 1984, p.99). Assim, para os positivistas que estudaram a História, esta assume o caráter de ciência pura: é a História, esta assume o caráter de ciência pura: é formada pelos fatos cronológicos e formada pelos fatos cronológicos e o queo que realmente significam em si. São objetivos à medida realmente significam em si. São objetivos à medida que possuem uma verdade única que possuem uma verdade única em suaem sua formação (que é o seu sentido e sua única possibilidade de compreensão) e não requerem aformação (que é o seu sentido e sua única possibilidade de compreensão) e não requerem a ação do historiador para serem entendidos: como já dito, ação do historiador para serem entendidos: como já dito, o papel deste é coletá-los e ajeitá-o papel deste é coletá-los e ajeitá-los,los, constatando pela análise minuciosa e liberta de julgamentos pessoais sua validade ou não. Oconstatando pela análise minuciosa e liberta de julgamentos pessoais sua validade ou não. O saber histórico, dessa forma, provém do que os fatos contêm, e assume um valor tal saber histórico, dessa forma, provém do que os fatos contêm, e assume um valor tal qual umaqual uma lei da Física ou da Qlei da Física ou da Química, ciência exatas.uímica, ciência exatas. Tão objetiva é a História para os positivistas que um de seus maiores ensinamentos é aTão objetiva é a História para os positivistas que um de seus maiores ensinamentos é a busca incessante de fatos históricos e sua comprovação empírica. Daí a necessidade, comobusca incessante de fatos históricos e sua comprovação empírica. Daí a necessidade, como pregavam, de se utilizar na pesquisa e análise o máximo de documentos possíveis para sepregavam, de se utilizar na pesquisa e análise o máximo de documentos possíveis para se obter a totalidade sobre os fatos e não deixar nenhuma margem de dúvida no que se refereobter a totalidade sobre os fatos e não deixar nenhuma margem de dúvida no que se refere à sua compreensão. A busca desses fatos deve ser feita por meio da neutralidade, poisà sua compreensão. A busca desses fatos deve ser feita por meio da neutralidade, pois qualquer juízo de valor na pesquisa e análise altera o sentido e a verdade própria dos fatos,qualquer juízo de valor na pesquisa e análise altera o sentido e a verdade própria dos fatos, modificando, pois a própria História. Esta se tornaria uma ciência falha e totalmente fora demodificando, pois a própria História. Esta se tornaria uma ciência falha e totalmente fora de seu caráter científico, e, portanto destituída de valor e validade. "Coulanges chegou a afirmarseu caráter científico, e, portanto destituída de valor e validade. "Coulanges chegou a afirmar que a “que a “História não é arHistória não é arte, mas uma ciência pura [...te, mas uma ciência pura [...] a busca dos ] a busca dos fatos é feita pela obserfatos é feita pela observaçãovação 3737METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância minuciosa dos textos, da mesma maneira que o químico encontra os seus em experiênciasminuciosa dos textos, da mesma maneira que o químico encontra os seus em experiências minuciosamente conduzidas”. (BOURDÉ e MARTIN, 1984, p.100)minuciosamente conduzidas”. (BOURDÉ e MARTIN, 1984, p.100) A objetividade, a minuciosidade, o detalhe e a dedicação impessoal, porA objetividade, a minuciosidade, o detalhe e a dedicação impessoal, portanto, são as grandestanto, são as grandes lições da escola positivista para o estudo da História no século XIX e no início do XX. Oslições da escola positivista para o estudo da História no século XIX e no início do XX. Os historiadores que, nessa época, tentaram provar outras formas de se estudar a disciplina foramhistoriadores que, nessa época, tentaram provar outras formas de se estudar a disciplina foram desconsiderados e postos à margem. Numa sociedade europeia que buscava seu própriodesconsiderados e postos à margem. Numa sociedade europeia que buscavaseu próprio desenvolvimento e avançava rumo a grandes descobertas na ciência e na tecnologia, adesenvolvimento e avançava rumo a grandes descobertas na ciência e na tecnologia, a cientifização que marcou a época também se espalhou para o campo dos estudos humanos,cientifização que marcou a época também se espalhou para o campo dos estudos humanos, reduzindo o papel do profissional desse campo para um mero coletor de informações. Areduzindo o papel do profissional desse campo para um mero coletor de informações. A implicação de opiniões externas aos sentidos dos fatos históricos alterava a História, naimplicação de opiniões externas aos sentidos dos fatos históricos alterava a História, na opinião positivista, e eliminava assim sua legitimidade como saber de opinião positivista, e eliminava assim sua legitimidade como saber de importância social.importância social. Para positivistas como Fustel de CoulangesPara positivistas como Fustel de Coulanges a História é uma ciência pura [...] o historiador não deve ter outra ambição que a de vera História é uma ciência pura [...] o historiador não deve ter outra ambição que a de ver bem os fatos e compreendê-los com exatidão. Não é em sua imaginação ou lógica quebem os fatos e compreendê-los com exatidão. Não é em sua imaginação ou lógica que ele os procura, mas sim na observação minuciosa dos textos, da mesma maneira queele os procura, mas sim na observação minuciosa dos textos, da mesma maneira que o químico encontra os seus em experiências minuciosamente conduzidas (BOURDÉ eo químico encontra os seus em experiências minuciosamente conduzidas (BOURDÉ e MARTIN, MARTIN, 1984, p.1021984, p.102).). A História deveria, sob essa perspectiva, ser tratada como a química e a matemática, porA História deveria, sob essa perspectiva, ser tratada como a química e a matemática, por exemploexemplo: sua compreensão estaria na : sua compreensão estaria na perfeita operfeita observação dos fatos por parbservação dos fatos por parte do historiador, ete do historiador, e não em sua análise: a opinião humana mudaria não em sua análise: a opinião humana mudaria o verdadeiro sentido do conhecimento histórico.o verdadeiro sentido do conhecimento histórico. Os fatos falam por si mesmos e possuem uma verdade implícita que aparece quando postosOs fatos falam por si mesmos e possuem uma verdade implícita que aparece quando postos à tona. O trabalho e o ofício do pesquisador seria tão somente resgatá-los do esquecimentoà tona. O trabalho e o ofício do pesquisador seria tão somente resgatá-los do esquecimento e possibilitar sua divulgação. Mas nunca interpretá-los ou propor um entendimento para ose possibilitar sua divulgação. Mas nunca interpretá-los ou propor um entendimento para os mesmos: este seria conhecimento falho e mentiroso, por mesmos: este seria conhecimento falho e mentiroso, por se basear nos sentidos e se basear nos sentidos e na avaliaçãona avaliação de um ser humano passível de erros e de um ser humano passível de erros e que não possui a que não possui a exatidão da verdade histórica.exatidão da verdade histórica. Essa forma de se estudar a História nacional predominou até o início dos anos 1930, quandoEssa forma de se estudar a História nacional predominou até o início dos anos 1930, quando a emergente Escola dosa emergente Escola dos Annales Annales francesa, que emergia na Europa desde a década anterior, francesa, que emergia na Europa desde a década anterior, 3838 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância começou a influenciar os autores e pensadores brasileiros, forçando uma renovação nocomeçou a influenciar os autores e pensadores brasileiros, forçando uma renovação no pensamento histórico e social da nossa realidade. Tratava-se de um novo olhar dado aopensamento histórico e social da nossa realidade. Tratava-se de um novo olhar dado ao Humanismo, com a retomada do papel do historiador na formação do saber histórico: eleHumanismo, com a retomada do papel do historiador na formação do saber histórico: ele reassumiria sua atuação na escolha do que pesquisar, como o fazer e qual a linha que dariareassumiria sua atuação na escolha do que pesquisar, como o fazer e qual a linha que daria a seu trabalho.a seu trabalho. Atualmente, sob influência da Nova História, além de historiar na curta duração, com aquelaAtualmente, sob influência da Nova História, além de historiar na curta duração, com aquela orientação factual criticada por Fernand Braudel, não mais procuramos pelos heróis da pátriaorientação factual criticada por Fernand Braudel, não mais procuramos pelos heróis da pátria nem ressaltamos apenas os acontecimentos políticos. Com tal ponto de partida, procuramosnem ressaltamos apenas os acontecimentos políticos. Com tal ponto de partida, procuramos evitar a parcialidade intencional que levou a esconder evitar a parcialidade intencional que levou a esconder fatos que manchavam o patriotismo, porfatos que manchavam o patriotismo, por exemplo. Foi a orientação “positivista” que levou Rui Barbosa (1849-1923) a cometer um atoexemplo. Foi a orientação “positivista” que levou Rui Barbosa (1849-1923) a cometer um ato prejudicial contra o nosso patrimônio prejudicial contra o nosso patrimônio histórico, ordenando a destruição de histórico, ordenando a destruição de documentos (muidocumentos (muitostos deles) exisdeles) existentes sobre a tentes sobre a escravidão em nosso país.escravidão em nosso país. Para entender melhor esse segmento, recomendamos ler com muita atenção o Saiba MaisPara entender melhor esse segmento, recomendamos ler com muita atenção o Saiba Mais explicitado abaixo onde fazemos a diferença entre a corrente positivista e aquela que agoraexplicitado abaixo onde fazemos a diferença entre a corrente positivista e aquela que agora adotamos, qual seja, a Nova História. Uma consideração que se pode fazer sobre atos comoadotamos, qual seja, a Nova História. Uma consideração que se pode fazer sobre atos como aquele ordenado por um dos luminares de nossa pátria, mas que representa um ato deaquele ordenado por um dos luminares de nossa pátria, mas que representa um ato de “esconder a cabeça” como o avestruz para não ser visto, é que uma simples incineração não“esconder a cabeça” como o avestruz para não ser visto, é que uma simples incineração não pode apagar os fatos daquela à qual se chamava a “mancha negra” de nosso passado e nospode apagar os fatos daquela à qual se chamava a “mancha negra” de nosso passado e nos fazia – e faz fazia – e faz – envergonhados.– envergonhados. Por Priscilla C. M. PaixãoPor Priscilla C. M. Paixão De uma forma não muito adequada – os historiadores preferem o termo “escola metódica”, a correnteDe uma forma não muito adequada – os historiadores preferem o termo “escola metódica”, a corrente a que chamamos positivista que dominou nas universidades francesas até os anos 1940 e, entre nós,a que chamamos positivista que dominou nas universidades francesas até os anos 1940 e, entre nós, algumas décadas além. O que caracteriza esta “escola” de pensamento em História algumas décadas além. O que caracteriza esta “escola” de pensamento em História é a busca de umaé a busca de uma objetividade absoluta (impossível) e para isto aplicava técnicas rigorosas quanto ao inventário dasobjetividade absoluta (impossível) e para isto aplicava técnicas rigorosas quanto ao inventário das fontes, à crítica dos documentos e à organização das tarefas. Mas o discurso ideológico que aparecefontes, à crítica dos documentos e à organização das tarefas. Mas o discurso ideológico que aparece 3939METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância como conseqüência dessa corrente leva a venerar o regime republicano em detrimento dos outros,como conseqüência dessa corrente leva a venerar o regime republicano em detrimento dos outros, alimentar a propaganda nacionalista e aprovaras conquistas coloniais e ignorar os meios sociais ealimentar a propaganda nacionalista e aprovar as conquistas coloniais e ignorar os meios sociais e culturais dos outros povos. Exaltar apenas os heróis nacionais e fugir das explicações, se prendendoculturais dos outros povos. Exaltar apenas os heróis nacionais e fugir das explicações, se prendendo aos fatos e não o contexto é outra característica positivista.aos fatos e não o contexto é outra característica positivista. Contudo, tal vergonha não promoveu a integração do negro liberto na sociedade e levou àContudo, tal vergonha não promoveu a integração do negro liberto na sociedade e levou à formação de favelas as quais rotulamos como as formação de favelas as quais rotulamos como as grandes vilãs da violência urgrandes vilãs da violência urbana.bana. EIS AÍ UM TEMA PARA NOSSA REFLEXÃOEIS AÍ UM TEMA PARA NOSSA REFLEXÃO “Chamamos“Chamamos ideologiaideologia àquele saber que falseia a realidade apresentando um conhecimento àquele saber que falseia a realidade apresentando um conhecimento parcial sobre ela”. Assimparcial sobre ela”. Assim, ao analisar o aumento dos índices d, ao analisar o aumento dos índices de violência na cidade e violência na cidade do Rio dedo Rio de Janeiro, por exemplo, a imprensa privilegia aspectos secundários como a má atuação dosJaneiro, por exemplo, a imprensa privilegia aspectos secundários como a má atuação dos policiais na repressão ao banditismo, porém omite (propositalmente? Ou por ignorá-lo?) opoliciais na repressão ao banditismo, porém omite (propositalmente? Ou por ignorá-lo?) o fundamental: “a violência relaciona-se com problemas criados pelo homem em sociedade,fundamental: “a violência relaciona-se com problemas criados pelo homem em sociedade, como a insatisfação diante da vida material e a como a insatisfação diante da vida material e a ausência de condições culturais mínimas paraausência de condições culturais mínimas para a organização do a organização do pensamento crítico” (NEMI; MARTINS, 1pensamento crítico” (NEMI; MARTINS, 1996, 996, p. 34).p. 34). Segundo Marilena Chauí, “a ideologia é um saber cheio Segundo Marilena Chauí, “a ideologia é um saber cheio de lacunas ou de silêncios que nuncade lacunas ou de silêncios que nunca poderão ser preenchidos” isto porque, “se o forem, a ideologia se desfaz por dentro; ela tirapoderão ser preenchidos” isto porque, “se o forem, a ideologia se desfaz por dentro; ela tira sua coerência justamente do fato de só pensar e dizer as coisas pela metade e nunca até osua coerência justamente do fato de só pensar e dizer as coisas pela metade e nunca até o fim” (SOUZA, 1989, fim” (SOUZA, 1989, p.8)p.8).. A necessidade de vencer a grande distância que vai da consciência ingênua, que aceita tudoA necessidade de vencer a grande distância que vai da consciência ingênua, que aceita tudo que lhe é apresentado, à consciência crítica que procura sempre que lhe é apresentado, à consciência crítica que procura sempre avaliar e pensar por si mesmaavaliar e pensar por si mesma introduz a grande exigência – e introduz a grande exigência – e responsabilidade nova – do trabalho dresponsabilidade nova – do trabalho docente.ocente. A História pode ser um instrumento valioso nessa direção em torno da criatividade do alunoA História pode ser um instrumento valioso nessa direção em torno da criatividade do aluno que faz retornar a um pensamento de Michel de Montaigne (1533-1592) que é um mote paraque faz retornar a um pensamento de Michel de Montaigne (1533-1592) que é um mote para 4040 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância todos os professores que atuam do Ensino Fundamental ao Superior: o aluno não é umatodos os professores que atuam do Ensino Fundamental ao Superior: o aluno não é uma página em branco que está ali para ser preenchida.página em branco que está ali para ser preenchida. Homogeneizar a sociedade não é mais a finalidade de uma educação que, antes de tudo,Homogeneizar a sociedade não é mais a finalidade de uma educação que, antes de tudo, busca pelo potencial humano e este só se encontra no diferencial que pode ser trazido à tonabusca pelo potencial humano e este só se encontra no diferencial que pode ser trazido à tona pela educação.pela educação. A HISTÓRIA COMO DISCIPLINA ESCOLARA HISTÓRIA COMO DISCIPLINA ESCOLAR Ao historiar sobre a História, verificaremos que seu desempenho como disciplina teve inícioAo historiar sobre a História, verificaremos que seu desempenho como disciplina teve início na França, em um cenário presidido pelo “iluminismo” em que razão e ciência se uniamna França, em um cenário presidido pelo “iluminismo” em que razão e ciência se uniam para promover a libertação do homem e uma relativa igualdade entre eles. Esse era o idealpara promover a libertação do homem e uma relativa igualdade entre eles. Esse era o ideal da educação burguesa oferecida na França de Napoleão onde o ensino público, gratuito eda educação burguesa oferecida na França de Napoleão onde o ensino público, gratuito e obrigatório foi a “novidade” do século XIX.obrigatório foi a “novidade” do século XIX. Segundo a historiadora Elza Nadai (1986, p.106), “o século XIX acrescentou, paralelamenteSegundo a historiadora Elza Nadai (1986, p.106), “o século XIX acrescentou, paralelamente aos grandes movimentos que ocorreram visando construir os Estados Nacionais” a utilidadeaos grandes movimentos que ocorreram visando construir os Estados Nacionais” a utilidade da História como uma disciplina que atendia à necessidade de se retornar ao passado “comda História como uma disciplina que atendia à necessidade de se retornar ao passado “com o objetivo de identificar a ‘base comum’ formadora da nacionalidade”. Foi onde se começouo objetivo de identificar a ‘base comum’ formadora da nacionalidade”. Foi onde se começou a falar em conceitos que ainda hoje existem em nossas histórias ensinadas: nação, pátria,a falar em conceitos que ainda hoje existem em nossas histórias ensinadas: nação, pátria, nacionalidade e cidadania.nacionalidade e cidadania. Paralelamente a este requisito tivParalelamente a este requisito tivemos a escola metódica ou positivista sendo posta a emos a escola metódica ou positivista sendo posta a serviçoserviço da República Francesa pós-napoleônica quando ocorria aquela que Bourdé e Martin (1984,da República Francesa pós-napoleônica quando ocorria aquela que Bourdé e Martin (1984, p. 110) chamam de “exaltação permanente” da mãe pátria: uma propaganda “nacionalistap. 110) chamam de “exaltação permanente” da mãe pátria: uma propaganda “nacionalista desenfreada” trazia em primeiro lugar o que se esperava do aluno-soldado, inflamado pordesenfreada” trazia em primeiro lugar o que se esperava do aluno-soldado, inflamado por exemplos e cantos marciais:exemplos e cantos marciais: Para ser um homem é preciso saber escrever Para ser um homem é preciso saber escrever E em pequeno, aprender a trabalhar.E em pequeno, aprender a trabalhar. Pela Pátria, uma criança deve instruir-sePela Pátria, uma criança deve instruir-se 4141METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância E na escola, aprender a trabalhar.E na escola, aprender a trabalhar. Soou a hora, marchemos a passo,Soou a hora, marchemos a passo, Jovens criançasJovens crianças sejamos soldadossejamos soldados.. (BOURDÉ; MA(BOURDÉ; MARTIN 1984, p. 110)RTIN 1984, p. 110) Esse canto citado ao Esse canto citado ao nívnível da escola el da escola maternal e do atual Ensino Fundamental entrava em ummaternal e do atual Ensino Fundamental entrava em um clima onde “os manuais de história” selecionavam “os feitos de armas que clima onde “os manuais de história” selecionavam “os feitos de armas que ilustravam a defesailustravam a defesa do território contra o invasor”. Foi ainda nessa época que Joana d’Arc tornou-se “heroínado território contra o invasor”.Foi ainda nessa época que Joana d’Arc tornou-se “heroína nacional, o símbolo da resistência”nacional, o símbolo da resistência”, uma das figuras , uma das figuras mais impressionantes que apareceram namais impressionantes que apareceram na Terra; nenhum outro povo tinha em sua história “uma Joana d’Arc conforme trazia o ManualTerra; nenhum outro povo tinha em sua história “uma Joana d’Arc conforme trazia o Manual Gautier-Deschamps” (BOURDÉ e MARTIN, 1984, p.111).Gautier-Deschamps” (BOURDÉ e MARTIN, 1984, p.111). No Brasil, segundo Schmidt e Cainelli (200No Brasil, segundo Schmidt e Cainelli (2004), a trajetória da História como disciplina teve início4), a trajetória da História como disciplina teve início no Segundo Reinado e a partir do colégio Dom Pedro II, sempre sustentada pelas diferentesno Segundo Reinado e a partir do colégio Dom Pedro II, sempre sustentada pelas diferentes concepções e “escolas” históricas como querem Bourdé e Martin (1990).concepções e “escolas” históricas como querem Bourdé e Martin (1990). A República “Velha” brasileira, sob a égide de republicanos “históricos” como Rui Barbosa,A República “Velha” brasileira, sob a égide de republicanos “históricos” como Rui Barbosa, Benjamin Constant e outros, pretendia um Estado presidido pela “ordem e progresso” comoBenjamin Constant e outros, pretendia um Estado presidido pela “ordem e progresso” como até hoje lemos em nossa bandeira. E este não até hoje lemos em nossa bandeira. E este não é outro senão um dístico positivista, que em suaé outro senão um dístico positivista, que em sua origem com origem com Augusto Comte (1Augusto Comte (1798-1857) se acrescentava ainda da 798-1857) se acrescentava ainda da palavra “amor”.palavra “amor”. A Europa era então, principalmente no foco francês, a principal referência de nossosA Europa era então, principalmente no foco francês, a principal referência de nossos historiadores como Capistrano de Ahistoriadores como Capistrano de Abreu (1breu (1853-1927) na época positivista.853-1927) na época positivista. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 4242 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância É de Capistrano a tese ensinada em todas nossas escolas, até pelo menos a década de 50 doÉ de Capistrano a tese ensinada em todas nossas escolas, até pelo menos a década de 50 do século passado, que o Brasil foi descoberto por acaso. Segundo ele, teriam sido as calmariasséculo passado, que o Brasil foi descoberto por acaso. Segundo ele, teriam sido as calmarias as principais responsáveis pelo afastamento da esquadra de Cabral das costas africanasas principais responsáveis pelo afastamento da esquadra de Cabral das costas africanas para o Atlântico Sul, na latitude da atual Bahia. Mesmo após a comprovação da experiênciapara o Atlântico Sul, na latitude da atual Bahia. Mesmo após a comprovação da experiência náutica portuguesa náutica portuguesa e seu evidente conhecimento de terras que pensavam ser uma grande ilha,e seu evidente conhecimento de terras que pensavam ser uma grande ilha, décadas anteriores a Cabral, muitos ainda acreditavam na teoria décadas anteriores a Cabral, muitos ainda acreditavam na teoria do acaso.do acaso. Historiadores como Tito Lívio Ferreira e outros muitos discutiram até que a intencionalidade noHistoriadores como Tito Lívio Ferreira e outros muitos discutiram até que a intencionalidade no descobrimento português do Brasil deixasse de ser vista como obra do acaso e assumisse odescobrimento português do Brasil deixasse de ser vista como obra do acaso e assumisse o caráter de empresa de caráter de empresa de navegação planejada por uma nação navegação planejada por uma nação mercantilista, visto o mercantilismomercantilista, visto o mercantilismo como a política econômica do capitalismo em sua fase comercial.como a política econômica do capitalismo em sua fase comercial. Capistrano, como todo historiador positivista, tinha suas preferências e elegia seus ídolos ouCapistrano, como todo historiador positivista, tinha suas preferências e elegia seus ídolos ou desafetos, como podemos comprovar em notas sobre sua obra compiladas por José Honóriodesafetos, como podemos comprovar em notas sobre sua obra compiladas por José Honório Rodrigues (1Rodrigues (1979) no seu “979) no seu “História da História do História da História do Brasil (tomo I, fase coBrasil (tomo I, fase colonial)”:lonial)”: “Capistrano de Abreu, que não foi muito simpático à oratória do Padre Vieira, escreveu a“Capistrano de Abreu, que não foi muito simpático à oratória do Padre Vieira, escreveu a João Lúcio de Azevedo (historiador português) em 14 de abril de 1918: entre os colonos e osJoão Lúcio de Azevedo (historiador português) em 14 de abril de 1918: entre os colonos e os jesuítas minha posição é bem definida: sou jesuítas minha posição é bem definida: sou pelos jesuítas” (RODRIGUESpelos jesuítas” (RODRIGUES, 1979, p., 1979, p.478478). Essa). Essa parcialidade, que pode ser vista como a parcialidade intencional dos positivistas para colocarparcialidade, que pode ser vista como a parcialidade intencional dos positivistas para colocar a História a serviço de uma exaltação de valores cívicos e nacionalistas, começou a ceder aa História a serviço de uma exaltação de valores cívicos e nacionalistas, começou a ceder a outra “escola”, desta vez a marxista quando o historiador Caio Prado Júnior fez escola entreoutra “escola”, desta vez a marxista quando o historiador Caio Prado Júnior fez escola entre nós.nós. 4343METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância João Capistrano de Abreu João Capistrano de Abreu (Maranguape, CE, 23 de outubro de 1853 — Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1927) foi um historiador(Maranguape, CE, 23 de outubro de 1853 — Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1927) foi um historiador brasileiro.brasileiro. Por meio das leituras realizadas, percebemos que Capistrano de Abreu foi um dos primeirosPor meio das leituras realizadas, percebemos que Capistrano de Abreu foi um dos primeiros grandes historiadores do Brasil, produzindo ainda nos campos da etnografia e da linguística.grandes historiadores do Brasil, produzindo ainda nos campos da etnografia e da linguística. A sua obra é caracterizada por uma rigorosa investigação das fontes e por uma visão críticaA sua obra é caracterizada por uma rigorosa investigação das fontes e por uma visão crítica dos fatos históricos.dos fatos históricos. Hoje, ao lado desta explicação e de outras, entre as quais avultam as explicações tiradas àHoje, ao lado desta explicação e de outras, entre as quais avultam as explicações tiradas à Nova História, herdeira da escola dosNova História, herdeira da escola dos Annales Annales de Bloch (1976) e Braudel (o historiador da de Bloch (1976) e Braudel (o historiador da longa duração), temos historiadores que pensam em termos de descontinuidade e relação,longa duração), temos historiadores que pensam em termos de descontinuidade e relação, uma outra história que procura uma outra história que procura analisar mitos, teanalisar mitos, textos e rituais, outros que como xtos e rituais, outros que como Henri Marrou,Henri Marrou, Paul VePaul Veyne ou Michel yne ou Michel de Certeau inserem de Certeau inserem pontos de dúvida sobre a pontos de dúvida sobre a história.história. Michel Foucault mostrou, sobretudo, a intenção de “exibir os princípios” da transformação emMichel Foucault mostrou, sobretudo, a intenção de “exibir os princípios” da transformação em curso na história. A história estrutural e serial de Braudel (1965) que se esforçava por tirarcurso na história. A história estrutural e serial de Braudel (1965) que se esforçava por tirar consequências teóricas dos eventos deu lugarà conhecida “Arqueologia do Saber” de 1969.consequências teóricas dos eventos deu lugar à conhecida “Arqueologia do Saber” de 1969. F F o o n n t t e e : : < < h h t t t t p p : : / / / / p p t t . . w w i i k k i i p p e e d d i i a a . . o o r r g g / / w w i i k k i i / / C C a a p p i i s s t t r r a a n n o o __ d d e e __ A A b b r r e e u u > > 4444 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Aquilo que Bourdé e Martin, comentando Foucault, chamam de mutacionismo “que privilegiaAquilo que Bourdé e Martin, comentando Foucault, chamam de mutacionismo “que privilegia as rupturas bruscas as rupturas bruscas e a e a emergência de emergência de estruturas novas” passou a ser estruturas novas” passou a ser a tônica (1990, p.a tônica (1990, p.189)189).. Bourdé e Martin falam de um corte que configura uma escrita “etnológica que consiste emBourdé e Martin falam de um corte que configura uma escrita “etnológica que consiste em distinguir, por detrás da irredutível estranheza, a presença de certo número de invariantesdistinguir, por detrás da irredutível estranheza, a presença de certo número de invariantes que se encontram ligados a uma única e mesma natureza humana”, ou ainda, a uma lógicaque se encontram ligados a uma única e mesma natureza humana”, ou ainda, a uma lógica universal (1990, p.197).universal (1990, p.197). Paul Veyne pode ser visto como um hipercrítico que procura banir da História as filosofiasPaul Veyne pode ser visto como um hipercrítico que procura banir da História as filosofias totalizantes como o marxismo ainda que sua crítica não seja a de um ctotalizantes como o marxismo ainda que sua crítica não seja a de um cético do valor histórico:ético do valor histórico: “a história continua a ser capaz de e“a história continua a ser capaz de elaborar um conhecimento autêntico” apesar de parcial, dolaborar um conhecimento autêntico” apesar de parcial, do homem (BOURDÉ e homem (BOURDÉ e MARTIN, 1990, p.201).MARTIN, 1990, p.201). No nosso país, Brasil, continuamos as reflexões sobre impacto dessas escolas que trazemNo nosso país, Brasil, continuamos as reflexões sobre impacto dessas escolas que trazem o dinamismo à nossa disciplina, mas são muito importantes na medida em que norteiam oso dinamismo à nossa disciplina, mas são muito importantes na medida em que norteiam os rumos da escola em nível fundamental ou médio, seja qual for o objeto de nossa discussão e,rumos da escola em nível fundamental ou médio, seja qual for o objeto de nossa discussão e, ainda, os rumos dos estudos universitários ainda, os rumos dos estudos universitários ligados à disciplina histórica.ligados à disciplina histórica. Um desses momentos aconteceu durante o período de ditadura entre 1964 e 1985,Um desses momentos aconteceu durante o período de ditadura entre 1964 e 1985, aproximadamenteaproximadamente, quando não havia preocupação em , quando não havia preocupação em resgatar o homem como resgatar o homem como sujeito de suasujeito de sua história, mas sim reservar para ele um caráter de mero expectador, dentro da perspectiva dehistória, mas sim reservar para ele um caráter de mero expectador, dentro da perspectiva de que o indivíduo serve que o indivíduo serve o seu Estado. Nesse sentido, foram o seu Estado. Nesse sentido, foram introduzidas no currículo disciplinasintroduzidas no currículo disciplinas que privilegiavam o civismo em detrimento da crítica ao conhecimento advindo do passado,que privilegiavam o civismo em detrimento da crítica ao conhecimento advindo do passado, como foi o caso da Educação Moral e Cívica.como foi o caso da Educação Moral e Cívica. 4545METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Ditadura = Não à liberdade de ExpressãoDitadura = Não à liberdade de Expressão A Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (Lei Federal n. 9.394) procurou readequarA Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (Lei Federal n. 9.394) procurou readequar os conteúdos das ciências na direção da democracia e verdadeira cidadania. Sendo assim,os conteúdos das ciências na direção da democracia e verdadeira cidadania. Sendo assim, há alguns anos atrás tivemos a composição dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s)há alguns anos atrás tivemos a composição dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) programados para servirem de referência em conteúdos e metodologias de ensino para aprogramados para servirem de referência em conteúdos e metodologias de ensino para a estruturação escolar brasileira. “Na área de história, os Parâmetros Curriculares Nacionaisestruturação escolar brasileira. “Na área de história, os Parâmetros Curriculares Nacionais tiveram como proposta fundamental a modificação da estrutura dos conteúdos até entãotiveram como proposta fundamental a modificação da estrutura dos conteúdos até então apresentados”apresentados”. Mais que isso, “a idéia básica er. Mais que isso, “a idéia básica era a transformação dos a a transformação dos conteúdos organizadosconteúdos organizados de forma linear em eixos temáticos” (SHMIDT e CANELLI, 2004, p.14). Atentando-se a estede forma linear em eixos temáticos” (SHMIDT e CANELLI, 2004, p.14). Atentando-se a este assunto, aguarde, pois o mesmo será retomado na próxima unidade.assunto, aguarde, pois o mesmo será retomado na próxima unidade. QUAL HISTÓRIA DEVE SER ENSINADA?QUAL HISTÓRIA DEVE SER ENSINADA? A colocação da História como disciplina e não apenas como matéria escolar é um primeiroA colocação da História como disciplina e não apenas como matéria escolar é um primeiro passo indicado por Circe Bittencourt (2004) em que ocorre uma explanação sobre conceitos.passo indicado por Circe Bittencourt (2004) em que ocorre uma explanação sobre conceitos. A História deve ir além daquela “transposição didática” que caracterizou o nosso passado eA História deve ir além daquela “transposição didática” que caracterizou o nosso passado e F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 4646 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância se situar em um processo dinâmico de produção que obedece a uma finalidade e definição dese situar em um processo dinâmico de produção que obedece a uma finalidade e definição de métodos que garantam a sua efmétodos que garantam a sua eficácia como “disciplina”.icácia como “disciplina”. Mas, afinal, o que é uma disciplina escolar e quais são suas especificidades? Qual tem sidoMas, afinal, o que é uma disciplina escolar e quais são suas especificidades? Qual tem sido a participação dos professores na constituição da disciplina de História nas salas de aula?a participação dos professores na constituição da disciplina de História nas salas de aula? Segundo Bittencourt (2004, p. 35), “responder à pergunta 'o que é uma disciplina escolar' nãoSegundo Bittencourt (2004, p. 35), “responder à pergunta 'o que é uma disciplina escolar' não é simples, e existe séria polêmica a é simples, e existe séria polêmica a respeito desse conceito”.respeito desse conceito”. Para entendermos a disciplina escolar, em seu sentido amplo, é preciso situá-la em umPara entendermos a disciplina escolar, em seu sentido amplo, é preciso situá-la em um processo dinâmico de produção. Isto é o mesmo que dizer que toda disciplina precisa terprocesso dinâmico de produção. Isto é o mesmo que dizer que toda disciplina precisa ter estabelecida as finalidades, explicitaros conteúdos a serem ensinados e definir os métodosestabelecida as finalidades, explicitar os conteúdos a serem ensinados e definir os métodos que garantam tanto a apreensão de tais conteúdos como a avaliação de tal aprendizagem.que garantam tanto a apreensão de tais conteúdos como a avaliação de tal aprendizagem. Assim, “cada disciplina formula seus objetivos no intuito de contribuir para uma formaçãoAssim, “cada disciplina formula seus objetivos no intuito de contribuir para uma formação intelectual e cultural que desenvolva o espírito crítico e capacidades diversas de comparação,intelectual e cultural que desenvolva o espírito crítico e capacidades diversas de comparação, dedução, criatividade, argumentação, lógica e habilidades técnicas, entre outras”dedução, criatividade, argumentação, lógica e habilidades técnicas, entre outras” (BITTENCOURT, 2004, p.41).(BITTENCOURT, 2004, p.41). Um constituinte fundamental da disciplina é, ainda, seu conteúdo explícito que se articulaUm constituinte fundamental da disciplina é, ainda, seu conteúdo explícito que se articula com os outros componentes da disciplina escolar, que envolve os métodos de ensino e decom os outros componentes da disciplina escolar, que envolve os métodos de ensino e de aprendizagem.aprendizagem. A avaliação é o momento final do ensino-aprendizagem e tem de estar relacionada a métodosA avaliação é o momento final do ensino-aprendizagem e tem de estar relacionada a métodos e finalidades.e finalidades. Temos afirmado que a concepção de disciplina escolar está intimamTemos afirmado que a concepção de disciplina escolar está intimamente associada à deente associada à depedagogia e à escola e, portanto, ao papel histórico de cada um desses componentes.pedagogia e à escola e, portanto, ao papel histórico de cada um desses componentes. Ao concebermos a disciplina escolar como produçAo concebermos a disciplina escolar como produção coletiva das instituições de ensino,ão coletiva das instituições de ensino, admitimos que a pedagogia não pode ser entendida como uma atividade limitada aadmitimos que a pedagogia não pode ser entendida como uma atividade limitada a produzir métodos para melhor ‘transpor’ conteúdos externos, simplificando da maneiraproduzir métodos para melhor ‘transpor’ conteúdos externos, simplificando da maneira mais adequada possível os saberes eruditos ou acadêmicos (BITTENCOURT, 2004,mais adequada possível os saberes eruditos ou acadêmicos (BITTENCOURT, 2004, p.49).p.49). “Dar aula” é uma ação complexa que demanda do professor o domínio de saberes“Dar aula” é uma ação complexa que demanda do professor o domínio de saberes 4747METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância característicos e heterogêneos: o trabalho profissional que se define como “saber docente”característicos e heterogêneos: o trabalho profissional que se define como “saber docente” traz a necessidade de liberar esses saberes do professor “e submetê-los ao reconhecimentotraz a necessidade de liberar esses saberes do professor “e submetê-los ao reconhecimento por parte dos grupos produtores de saberes da comunidade científica, enquanto um saberpor parte dos grupos produtores de saberes da comunidade científica, enquanto um saber original sobre o qual detêm o controle é um empreendimento que lhe parece condição básicaoriginal sobre o qual detêm o controle é um empreendimento que lhe parece condição básica para um novo profissionalismo” (TARDIFF, 2002, p.232).para um novo profissionalismo” (TARDIFF, 2002, p.232). Quando pensamos em Quando pensamos em qual História devemos ensinarqual História devemos ensinar, poderemos ref, poderemos refletir sobre o letir sobre o que se escreveque se escreve a respeito dos objetivos da História no então “curso secundário” (hoje Ensino Fundamental –a respeito dos objetivos da História no então “curso secundário” (hoje Ensino Fundamental – nível 2), Emília Viotti da Costa (nível 2), Emília Viotti da Costa (apud apud BITTENCOURT, 2004, p.93), num exemplar de 1957 da BITTENCOURT, 2004, p.93), num exemplar de 1957 da Revista de HRevista de História istória mas que ainda permanece atual quantmas que ainda permanece atual quanto ao seu legado, ressalta:o ao seu legado, ressalta: “A História matéria tem uma finalidade a preencher [...] como a de formar a personalidade“A História matéria tem uma finalidade a preencher [...] como a de formar a personalidade integral do adolescente e, em segundo plano, fornecer-lhe conhecimentos básicos”. A autoraintegral do adolescente e, em segundo plano, fornecer-lhe conhecimentos básicos”. A autora cita como matéria o que hoje tomamos como disciplina, mas à parte dessa diferença avulta acita como matéria o que hoje tomamos como disciplina, mas à parte dessa diferença avulta a necessidade de formar antes de informar, no melhor sentido que lhe davam os gregos antigosnecessidade de formar antes de informar, no melhor sentido que lhe davam os gregos antigos quando pensavam em uma educação liberal, voltada para quando pensavam em uma educação liberal, voltada para a formação integral do a formação integral do ser humano.ser humano. Viotti da Costa (Viotti da Costa (apud apud BITTENCOURT BITTENCOURT, 2004, p.94) prossegue se indagando , 2004, p.94) prossegue se indagando sobre como seriasobre como seria possível à História preencher tal função, e aí encontramos um mote para a resposta quepossível à História preencher tal função, e aí encontramos um mote para a resposta que buscamos em nossa perbuscamos em nossa pergunta-título: “Inicialmentgunta-título: “Inicialmente pelo seu e pelo seu caráter informativo, amplia a visãocaráter informativo, amplia a visão intelectual, fornece conhecimentos novos. Por outro lado, ela dá margem à intelectual, fornece conhecimentos novos. Por outro lado, ela dá margem à expansão do alunoexpansão do aluno – oralmente e por escrito” – oralmente e por escrito”.. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 4848 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância A partir da informação básica e obtida por leitura em documento real ou virtual ou, tambémA partir da informação básica e obtida por leitura em documento real ou virtual ou, também aula expositiva, a expressão do aluno será consequente e natural e a esse respeito Viotti daaula expositiva, a expressão do aluno será consequente e natural e a esse respeito Viotti da Costa (Costa (apud apud BITTENCOURT, 2004, p.94) esclarece melhor: “A exposição oral contribui para BITTENCOURT, 2004, p.94) esclarece melhor: “A exposição oral contribui para dar segurança ao aluno, domínio e controle de si mesmo, hábito de falar em público. Diminuidar segurança ao aluno, domínio e controle de si mesmo, hábito de falar em público. Diminui inibições. Dessa forma, estamos contribuindo inibições. Dessa forma, estamos contribuindo para a formação para a formação de sua personalidade”.de sua personalidade”. Nesse ponto, a historiadora passa da informação para a ênfase à formação. Mas encontraNesse ponto, a historiadora passa da informação para a ênfase à formação. Mas encontra outras aplicações para o conhecimento histórico que podem nos responder sobre qual aoutras aplicações para o conhecimento histórico que podem nos responder sobre qual a melhor História a ser ensinada:melhor História a ser ensinada: A História ainda pode também desenvolver o raciocínioA História ainda pode também desenvolver o raciocínio indutivoindutivo. Educa a imaginação.. Educa a imaginação. Formulando problemas, analisando os porquês, as razões, as condições que explicamFormulando problemas, analisando os porquês, as razões, as condições que explicam um determinado fenômeno, problemas da sociedade. Enxergar soluções. Mas tudo istoumdeterminado fenômeno, problemas da sociedade. Enxergar soluções. Mas tudo isto sempre que a História ensinada permaneça num plano explicativo e não se restrinjasempre que a História ensinada permaneça num plano explicativo e não se restrinja à fastidiosa enumeração de fatos, dados, nomes, geralmente sem significado, eà fastidiosa enumeração de fatos, dados, nomes, geralmente sem significado, e que são obrigatoriamente decorados pelos alunos (acréscimo e grifo nosso) (que são obrigatoriamente decorados pelos alunos (acréscimo e grifo nosso) (apud apud BITTENCOURT, 2004, p.94).BITTENCOURT, 2004, p.94). Entre os métodos científicos de abordagem como o destacado por Bittencourt, encontramosEntre os métodos científicos de abordagem como o destacado por Bittencourt, encontramos os métodos:os métodos: • • Indutivo – Indutivo – sua aproximação sua aproximação dos fenômenos dos fenômenos se se encaminha do encaminha do particular para o particular para o geral, ougeral, ou seja, parte das constatações mais especícas para as mais abrangentes, numa conexãoseja, parte das constatações mais especícas para as mais abrangentes, numa conexão ascendente. ascendente. Podemos partir da biograa do Podemos partir da biograa do indivíduo inserido em sua indivíduo inserido em sua sociedade e sociedade e tempotempo de vida para o retrato de uma época histórica, por exemplo.de vida para o retrato de uma época histórica, por exemplo. • • Dedutivo – Dedutivo – parte das parte das teorias e teorias e leis, num leis, num âmbito geral, âmbito geral, para a para a ocorrência de ocorrência de fenômenos par fenômenos par -- ticulares, numa conexão descendente. Ou seja, podemos estudar a globalização e entãoticulares, numa conexão descendente. Ou seja, podemos estudar a globalização e então compreender suas características e aplicações na sociedade brasileira.compreender suas características e aplicações na sociedade brasileira. Percebemos que o pensamento de Viotti da Costa é basicamente ilustrativo para quePercebemos que o pensamento de Viotti da Costa é basicamente ilustrativo para que entendamos a História não mais como uma matéria meramente decorativa, mas sim comoentendamos a História não mais como uma matéria meramente decorativa, mas sim como uma disciplina que nos permite a apropriação de um conhecimento científico que tem umuma disciplina que nos permite a apropriação de um conhecimento científico que tem um método e atende a uma finalidade.método e atende a uma finalidade. 4949METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Embutida na reflexão acima, podemos agora inferir a distância que vai de matéria à disciplina:Embutida na reflexão acima, podemos agora inferir a distância que vai de matéria à disciplina: da centralização do conteúdo na informação à passagem para um conjunto ordenado deda centralização do conteúdo na informação à passagem para um conjunto ordenado de conhecimentos que se relaciona a outros e com eles interage sempre em prol do aumento doconhecimentos que se relaciona a outros e com eles interage sempre em prol do aumento do saber.saber. Leia trechos de um artigo retirado de <http://www.klepsidra.net/klepsidra7/annales.html> queLeia trechos de um artigo retirado de <http://www.klepsidra.net/klepsidra7/annales.html> que completa nossas discussões realizadas até aqui.completa nossas discussões realizadas até aqui. O Espírito dosO Espírito dos Annales Annales:: Lucien Febvre, Marc Bloch e Fernand BraudelLucien Febvre, Marc Bloch e Fernand Braudel Angela Birardi, Gláucia Rodrigues Castelani,Angela Birardi, Gláucia Rodrigues Castelani, Luiz Fernando B. BelattoLuiz Fernando B. Belatto Fonte: <www.annales.rtf>. Acesso em: 01 jun. Fonte: <www.annales.rtf>. Acesso em: 01 jun. 2012011.1. Lucien FebvreLucien Febvre O historiador, na chamada “escola metódica”, não poderia, portanto, escolher os fatos, pois a escolhaO historiador, na chamada “escola metódica”, não poderia, portanto, escolher os fatos, pois a escolha era a própria negação da era a própria negação da obra cientíca. Tobra cientíca. Tal conceito foi amplamente criticado e al conceito foi amplamente criticado e recusado pelo gruporecusado pelo grupo dosdos Annales Annales, personicado sobremaneira, na gura de , personicado sobremaneira, na gura de Lucien Febvre. Para o historiador “toda históriaLucien Febvre. Para o historiador “toda história é escolha” (FEBVRE: 1989, 19), pois o historiador cria os seus materiais, ou se se quiser, recria-os;é escolha” (FEBVRE: 1989, 19), pois o historiador cria os seus materiais, ou se se quiser, recria-os; em outras palavras, o historiador parte para o passado com uma intenção precisa, um problema aem outras palavras, o historiador parte para o passado com uma intenção precisa, um problema a resolverresolver, uma hipótese , uma hipótese de trabalho a de trabalho a vericarvericar.. Nesse sentido, Lucien Febvre enfatiza, em seu legado intelectual, a importância e, não obstante,Nesse sentido, Lucien Febvre enfatiza, em seu legado intelectual, a importância e, não obstante, a necessidade de uma história engajada que compreende e faz compreender, isto é, uma ciênciaa necessidade de uma história engajada que compreende e faz compreender, isto é, uma ciência humana constituída por fatos e textos, capazes de questionar e problematizar a existência humana…humana constituída por fatos e textos, capazes de questionar e problematizar a existência humana… “Peço-lhes que vão para o trabalho à maneira Claude Bernard, com “Peço-lhes que vão para o trabalho à maneira Claude Bernard, com uma boa hipótese na cabeça. Queuma boa hipótese na cabeça. Que nunca se façam colecionadores de fatos, nunca se façam colecionadores de fatos, ao acaso, como dantes se fao acaso, como dantes se fazia pesquisadores no cais”. Emazia pesquisadores no cais”. Em outras palavras, Lucien Febvre propunha uma História não automática, mas sim problemática. Esteoutras palavras, Lucien Febvre propunha uma História não automática, mas sim problemática. Este foi o grande ensinamento de Lucien Febvre, bem como do grupo dosfoi o grande ensinamento de Lucien Febvre, bem como do grupo dos Annales Annales: formular uma história: formular uma história engajada, cujo objetivo principal fosse responder às lacunas inerentes à condição humana.engajada, cujo objetivo principal fosse responder às lacunas inerentes à condição humana. 5050 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Marc BlochMarc Bloch Marc Bloch esforçou-se por reetir sobre o método em história, tendo em Marc Bloch esforçou-se por reetir sobre o método em história, tendo em conta a experiência do grupoconta a experiência do grupo dosdos Annales Annales. O seu manuscrito que cou incompleto, foi ordenado e publicado posteriormente por. O seu manuscrito que cou incompleto, foi ordenado e publicado posteriormente por Lucien Febvre sob o duplo título:Lucien Febvre sob o duplo título: Apologie pour l´histoire Apologie pour l´histoire ouou Métier d´histoiren Métier d´histoiren. Bloch mostra-se ligei-. Bloch mostra-se ligei- ramente menos crítico do que Lucien Febvre a respeito da “história historicizante”. Aprecia a aquisiçãoramente menos crítico do que Lucien Febvre a respeito da “história historicizante”. Aprecia a aquisição da erudição do século XIX. Para ele a escola alemã (Fustel de Coulanges), desenvolveu a erudição ada erudição do século XIX. Para ele a escola alemã (Fustel de Coulanges), desenvolveu a erudição a sua categoria intelectual. “O historiador foi levado à banca de trabalho”.sua categoria intelectual. “O historiador foi levado à banca de trabalho”. TTanto Bloch como Febvre, anto Bloch como Febvre, condenam a falta condenam a falta de ambição dos historiadores “positivistas”. de ambição dos historiadores “positivistas”. Estes, “’muitoEstes, “’muito preocupados, dada sua educação primeira,pelas diculdades, as dúvidas, os freqüentes recomeçospreocupados, dada sua educação primeira, pelas diculdades, as dúvidas, os freqüentes recomeços da crítica documental, tiraram destas constatações, antes de da crítica documental, tiraram destas constatações, antes de tudo, uma lição de humildade desiludida.tudo, uma lição de humildade desiludida. A disciplina à qual votavam os seus talentos não lhes pereceu, anal de contas, capaz, nem no preA disciplina à qual votavam os seus talentos não lhes pereceu, anal de contas, capaz, nem no pre-- sente, de conclusões bem seguras, nem no futuro de muitas perspectivas de progresso’”. (MARTIN:sente, de conclusões bem seguras, nem no futuro de muitas perspectivas de progresso’”. (MARTIN: 2000, 125)2000, 125) Com relação aos documentos históricos, Bloch arma que o “stock de documentos”, de que a históriaCom relação aos documentos históricos, Bloch arma que o “stock de documentos”, de que a história dispõe não é limitado; sugere não utilizar exclusivamente os documentos escritos e recorrer a outrosdispõe não é limitado; sugere não utilizar exclusivamente os documentos escritos e recorrer a outros materiais: arqueológicos, artísticos, numismáticos, etc. Bloch não entende apenas explorar novosmateriais: arqueológicos, artísticos, numismáticos, etc. Bloch não entende apenas explorar novos documentos, que também descobrir novos domínios. Mais que qualquer outro responsável dosdocumentos, que também descobrir novos domínios. Mais que qualquer outro responsável dos Anna- Anna- lesles, orienta-se para a análise dos fatos econômicos. Neste campo, é inuenciado, sem o reconhecer, orienta-se para a análise dos fatos econômicos. Neste campo, é inuenciado, sem o reconhecer explicitamente, pela obra de Karl Marx, que o incita a explicitamente, pela obra de Karl Marx, que o incita a relacionar as estruturas econômicas e as classesrelacionar as estruturas econômicas e as classes sociais; e é inspirado pelas investigações do economista F. Simiand, do historiador H. Hauser, que osociais; e é inspirado pelas investigações do economista F. Simiand, do historiador H. Hauser, que o empenham na apreciação das utuações econômicas na base empenham na apreciação das utuações econômicas na base das séries de preços.das séries de preços. Fernand BraudelFernand Braudel Publicado pela primeira vez em 1949, a obraPublicado pela primeira vez em 1949, a obra O Mediterrâneo na Época de Felipe II O Mediterrâneo na Época de Felipe II , representou a, representou a inovação metodológica para o estudo histórico. Tal obra, característica do espírito dosinovação metodológica para o estudo histórico. Tal obra, característica do espírito dos Annales Annales, volta, volta às costas para a tradição da “história historicizante”.às costas para a tradição da “história historicizante”. Fernand Braudel, em certo momento na sua obra, ao dar atenção à “história batalha”, fez uma conces-Fernand Braudel, em certo momento na sua obra, ao dar atenção à “história batalha”, fez uma conces- são à escola “positivista”, cuja posição continua forte na instituição universitária; todavia, como dignosão à escola “positivista”, cuja posição continua forte na instituição universitária; todavia, como digno representante da escola dosrepresentante da escola dos Annales Annales, relega esses acontecimentos para segundo plano., relega esses acontecimentos para segundo plano. Durante mais de vinte anos, de 1946 a Durante mais de vinte anos, de 1946 a 1968, em primeiro lugar junto de 1968, em primeiro lugar junto de Lucien Febvre, depois sozinhoLucien Febvre, depois sozinho nos comandos, dirige a revistanos comandos, dirige a revista Annales Annales, preside a 6.ª seção da , preside a 6.ª seção da Escola Prática dos Altos Estudos, ocu-Escola Prática dos Altos Estudos, ocu- pa uma cátedra no Colégio de França, guia as investigações de inúmeros historiadores debutantes.pa uma cátedra no Colégio de França, guia as investigações de inúmeros historiadores debutantes. Braudel, de maneira geral, permanece el às Braudel, de maneira geral, permanece el às orientações de Lucien Febvre e de orientações de Lucien Febvre e de Marc Bloch: louva aMarc Bloch: louva a unidade das ciências humanas, tenta edicar uma “história total” e mantém a ligação entre o passadounidade das ciências humanas, tenta edicar uma “história total” e mantém a ligação entre o passado e o presente. “’Depois da fundação dose o presente. “’Depois da fundação dos Annales Annales…, o historiador quis-se e fez-se economista, antropó-…, o historiador quis-se e fez-se economista, antropó- 5151METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância logo, demógrafo, psicólogo, logo, demógrafo, psicólogo, lingüista… A Hlingüista… A História é, se istória é, se se pode dizer, um dos ofícios menos se pode dizer, um dos ofícios menos estrutura-estrutura- dos da ciência social, dos da ciência social, portanto um dos mais portanto um dos mais exíveis, dos mais abertos… A História continuou, dentroexíveis, dos mais abertos… A História continuou, dentro desta mesma linha, a alimentar-se das outras ciências do homem… há um história econômica…, umadesta mesma linha, a alimentar-se das outras ciências do homem… há um história econômica…, uma maravilhosa história geográca…, uma demograa histórica…; há mesmo uma história social… Masmaravilhosa história geográca…, uma demograa histórica…; há mesmo uma história social… Mas se a história omnipresente põe em causa o social no seu todo, é sempre a partir deste movimento dose a história omnipresente põe em causa o social no seu todo, é sempre a partir deste movimento do tempo… A tempo… A História dialética da duração… é o estudo do História dialética da duração… é o estudo do social, de todo o social; e portanto social, de todo o social; e portanto do passadodo passado e portando também do presente”. (MARTIN, 2000, p. 131)e portando também do presente”. (MARTIN, 2000, p. 131) Apesar de se proibir de instaurar um “historicismo” - uma espécie de imperialismo da explicaçãoApesar de se proibir de instaurar um “historicismo” - uma espécie de imperialismo da explicação histórica -, Fernand Braudel nem por isso deixa de colocar a sua disciplina em posição dominante, nahistórica -, Fernand Braudel nem por isso deixa de colocar a sua disciplina em posição dominante, na encruzilhada das ciências humanas.encruzilhada das ciências humanas. CONSIDERAÇÕCONSIDERAÇÕES ES FINAISFINAIS Nesta primeira unidade, procuramos nos aproximar do universo da História, buscando pelasNesta primeira unidade, procuramos nos aproximar do universo da História, buscando pelas suas origens e sentidos dados a palavra História. Vimos o quanto esta ciência do tempo ésuas origens e sentidos dados a palavra História. Vimos o quanto esta ciência do tempo é necessária para o entendimento da sociedade em suas diversas nuances do passado aonecessária para o entendimento da sociedade em suas diversas nuances do passado ao presente ou vice-versa.presente ou vice-versa. Há também de considerar que a disciplina História percorreu um bom caminho para chegarHá também de considerar que a disciplina História percorreu um bom caminho para chegar ao entendimento do que concebemos hoje. De origem tradicional apoiada no positivismo,ao entendimento do que concebemos hoje. De origem tradicional apoiada no positivismo, passou a ser concebida como uma disciplina essencial na formação do cidadão consciente epassou a ser concebida como uma disciplina essencial na formação do cidadão consciente e participativo, embora entendamos que cidadania seja um direito não pparticipativo, embora entendamos que cidadania seja um direito não possívossível de ser formado,el de ser formado, mas sim uma visão de conscientização ao mas sim uma visão de conscientização ao exercíexercício pleno desta cidadania.cio pleno desta cidadania. Na unidade seguinte, nos remeteremos às mudanças e Na unidadeseguinte, nos remeteremos às mudanças e permanências dos métodos do permanências dos métodos do EnsinoEnsino de História, bem como à ação docente objetivando a formação global de nossos educandos.de História, bem como à ação docente objetivando a formação global de nossos educandos. AATIVIDADE TIVIDADE DE AUTOESTUDODE AUTOESTUDO 1. 1. InicialmentInicialmente, procuramos nesta unidade reetir sobre a e, procuramos nesta unidade reetir sobre a origem da palavra História e osorigem da palavra História e os sentidos dados a ela, segundo o historiador Glénisson. Assim,sentidos dados a ela, segundo o historiador Glénisson. Assim, procure explicar e darprocure explicar e dar exemplos para os três sentidos da palavra Históriaexemplos para os três sentidos da palavra História.. 2. 2. Ainda nesta primeira unidade, discutimos Ainda nesta primeira unidade, discutimos o ensino de História o ensino de História e suas várias perspectivase suas várias perspectivas.. Neste sentido,Neste sentido, estabeleça um contraponto entre a concepção positivista e a estabeleça um contraponto entre a concepção positivista e a Nova His-Nova His- tória ressaltando aspectos como a tória ressaltando aspectos como a utilização de documentos, o enfoque do estudo, autilização de documentos, o enfoque do estudo, a 5252 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância visão do herói e a temporalidadevisão do herói e a temporalidade.. 3. 3. Leia novamente o Leia novamente o subtítulo “Qual Hsubtítulo “Qual História deve sistória deve ser ensinada?” eer ensinada?” e posicione-se criticamen-posicione-se criticamen- te diante da disciplina escolar Históriate diante da disciplina escolar História. Lembre-se de diferenciá-la de matéria escolar.. Lembre-se de diferenciá-la de matéria escolar. APROFUNDANDO NOSSOS ESTUDOS:APROFUNDANDO NOSSOS ESTUDOS: Para aprofundamento de nossos estudos, leia asPara aprofundamento de nossos estudos, leia as “Diretrizes Curriculares da História para a“Diretrizes Curriculares da História para a Educação Básica”Educação Básica” disponível na página do Portal Educacional do Estado do Paraná: disponível na página do Portal Educacional do Estado do Paraná: <www.diaadiaeducacao.pr.gov.br>.<www.diaadiaeducacao.pr.gov.br>. UNIDADE IIUNIDADE II TENDÊNCIAS E TENDÊNCIAS E PERSPECTIVPERSPECTIVAS DO ENAS DO ENSINOSINO DE HISTÓRIADE HISTÓRIA Professora Professora Me. Priscilla Me. Priscilla Campiolo ManCampiolo Manesco Paixãoesco Paixão Objetivos de AprendizagemObjetivos de Aprendizagem • • Compreender qCompreender que ensinar ue ensinar História é História é criar a possibcriar a possibilidade de ilidade de investigação, seminvestigação, sem separar o ensino da aprendizagem e separar o ensino da aprendizagem e da pesquisa.da pesquisa. • • Reconhecer Reconhecer que o que o professor dprofessor de História e História é um é um sujeito sujeito histórico ihistórico inserido enserido em um m um grupogrupo social no qual interage e, por isso mesmo, tem um social no qual interage e, por isso mesmo, tem um papel fundamental na construçãopapel fundamental na construção do conhecimento histórico por parte dos do conhecimento histórico por parte dos alunos.alunos. • • Destacar os Destacar os conhecimentos conhecimentos prévios dos prévios dos alunos como alunos como ponto de ponto de partida e partida e das metasdas metasde aprendizagem.de aprendizagem. Plano de EstudoPlano de Estudo A seguirA seguir, apresentam-se os , apresentam-se os tópicos que você tópicos que você estudará nesta unidade:estudará nesta unidade: • • Mudanças Mudanças e e permanências permanências nos nos métodos métodos da da História História escolar escolar • • Concepções Concepções de de conteúdos conteúdos escolares escolares de de aprendizagemaprendizagem • • A A formação formação de de conceitosconceitos • • A A formação formação do profesdo professor de sor de História e História e o cotidio cotidiano de ano de sala dsala de aulae aula 5555METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância INTRODUÇÃOINTRODUÇÃO Toda ciência tem seus métodos de abordagem e procedimento, e são eles que mostram aToda ciência tem seus métodos de abordagem e procedimento, e são eles que mostram a nossa orientação ideológica.nossa orientação ideológica. Um historiador que seja herdeiro da escola dosUm historiador que seja herdeiro da escola dos Annales Annales francesa como vimos na primeira francesa como vimos na primeira unidade e, portanto se inclua entre os neo-historiadores, obedece a uma linha mestra que foiunidade e, portanto se inclua entre os neo-historiadores, obedece a uma linha mestra que foi demarcada pelos “fundadores” da corrente, Marc Bloch e Lucien Fèbvre, na década de 40 dodemarcada pelos “fundadores” da corrente, Marc Bloch e Lucien Fèbvre, na década de 40 do século passado.século passado. Estudamos que tanto Bloch (historiador) como Fèbvre (geógrafo) se insurgiram contra oEstudamos que tanto Bloch (historiador) como Fèbvre (geógrafo) se insurgiram contra o rigorismo da escola metódica (positivista) e ampliaram o sentido de documento histórico.rigorismo da escola metódica (positivista) e ampliaram o sentido de documento histórico. TTrouxeram para o estudo de nossa disciplina as outras ciências rouxeram para o estudo de nossa disciplina as outras ciências coirmãs, tais como a Gcoirmãs, tais como a Geografia,eografia, a Sociologia, a Antropologia e até a Arqueologia o valor que cada uma merece.a Sociologia, a Antropologia e até a Arqueologia o valor que cada uma merece. A segunda geração da Nova História – Fernand Braudel liderando – além de incluir a GeografA segunda geração da Nova História – Fernand Braudel liderando – além de incluir a Geografia,ia, o espaço como básico, ampliou o conceito de tempo da curta duração (fatos e datas) para ao espaço como básico, ampliou o conceito de tempo da curta duração (fatos e datas) para a média (conjunturamédia (conjuntura) e mais notadamente para a ) e mais notadamente para a longa duração, os séculos onde longa duração, os séculos onde aparecem maisaparecem mais nítidas as estruturas históricas. Assim, o feudalismo tinha uma estrutura diferente do sistemanítidas as estruturas históricas. Assim, o feudalismo tinha uma estrutura diferente do sistema capitalista que o seguiu, tais mudanças sendo sempre marcadas por época de transição ondecapitalista que o seguiu, tais mudanças sendo sempre marcadas por época de transição onde coexistem o velho e o novo até que este último definitivamente se instale. Esta é a formaçãocoexistem o velho e o novo até que este último definitivamente se instale. Esta é a formação que vai estabelecer o perfil do professor que está se formando para partir e formar o quadroque vai estabelecer o perfil do professor que está se formando para partir e formar o quadro docente que informa e forma os alunos em sala de aula.docente que informa e forma os alunos em sala de aula. Assim, nesta unidade, estudaremos as concepções de conteúdos escolares e de aprendizagem,Assim, nesta unidade, estudaremos as concepções de conteúdos escolares e de aprendizagem, dando ênfase às atuais propostas que colocam o conhecimento como centro de todo odando ênfase às atuais propostas que colocam o conhecimento como centro de todo o processo ensino-aprendizagem.processo ensino-aprendizagem. Discutiremos, ainda, a formação de conceitos, considerando os conhecimentos prévios dosDiscutiremos, ainda, a formação de conceitos, considerando os conhecimentos prévios dos alunos e o papel de relevo que o professor merece. Isto porque acreditamos que ele exercealunos e o papel de relevo que o professor merece. Isto porque acreditamos que ele exerce 5656 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância função fundamental neste processo de ensino-aprendizagem.função fundamentalneste processo de ensino-aprendizagem. MUDANÇAS E PERMANÊNCIAS NOS MÉTODOS DA HISTÓRIA ESCOLARMUDANÇAS E PERMANÊNCIAS NOS MÉTODOS DA HISTÓRIA ESCOLAR Por muito tempo, a escola denominada elementar ou escola primária como era conhecida, eraPor muito tempo, a escola denominada elementar ou escola primária como era conhecida, era o lugar de ensinar a “o lugar de ensinar a “ler, escreler, escrever e contar”. Para o ensino da leitura, os professores deveriamver e contar”. Para o ensino da leitura, os professores deveriam utilizar, entre outros, a “Constituição do Império e a história Geral”. O objetivo maior era outilizar, entre outros, a “Constituição do Império e a história Geral”. O objetivo maior era o fortalecimento do senso moral por meio de deveres para com a Pátria e seus governantes. Ofortalecimento do senso moral por meio de deveres para com a Pátria e seus governantes. O que, segundo Bittencourt (2004), se acentuou no decorrer dos séculos XIX e XX.que, segundo Bittencourt (2004), se acentuou no decorrer dos séculos XIX e XX. Seguindo preceitos do Positivismo, a escolarização das classes populares incluíaSeguindo preceitos do Positivismo, a escolarização das classes populares incluía ensinar a História para “inculcar determinados valores para a preservação da ordem,ensinar a História para “inculcar determinados valores para a preservação da ordem, da obediência à hierarquia, de modo que a Nação pudesse chegar ao progresso,da obediência à hierarquia, de modo que a Nação pudesse chegar ao progresso, modernizando-se segundo o modelo dos países europeus” (BITTENCOURT, 2004, p.modernizando-se segundo o modelo dos países europeus” (BITTENCOURT, 2004, p. 64).64). Nesta prerrogativa, aprender História significava memorizar nomes, fatos e datas, repetindoNesta prerrogativa, aprender História significava memorizar nomes, fatos e datas, repetindo exatamentexatamente o que estava escrito nos livros ou e o que estava escrito nos livros ou copiados nos cadercopiados nos cadernos. Não precisamos ir longenos. Não precisamos ir longe para constatar tal afirmação. Ainda hoje é possível verificar professores que se recusam apara constatar tal afirmação. Ainda hoje é possível verificar professores que se recusam a inovar e acompanhar as tendências atuais para o ensino inovar e acompanhar as tendências atuais para o ensino e se gabam na e se gabam na sala dos professores,sala dos professores, por exemplo, que seus alunos já “terminaram mais um caderno” ou que “todos vão bem àspor exemplo, que seus alunos já “terminaram mais um caderno” ou que “todos vão bem às provas, afinal, faz uma revisão dando-lhes um questionário para responder e cobra tal e qualprovas, afinal, faz uma revisão dando-lhes um questionário para responder e cobra tal e qual na prova”.na prova”. A História, segundo o método catecismo, era apresentada por perguntas e respostas, eA História, segundo o método catecismo, era apresentada por perguntas e respostas, e assim os alunos deviam repetir, oralmente ou por escrito, exatamente as respostas doassim os alunos deviam repetir, oralmente ou por escrito, exatamente as respostas do livro. Como castigo, pela imprecisão dos terlivro. Como castigo, pela imprecisão dos termos ou esquecimento de algumas palavras,mos ou esquecimento de algumas palavras, recebiam a famosa palmatória ou férula. O sistema de avaliação era associado arecebiam a famosa palmatória ou férula. O sistema de avaliação era associado a castigos físicos (BITTENCOURT, 2004, p. 67).castigos físicos (BITTENCOURT, 2004, p. 67). O “aprender de cor” tem sido uma constante desde fins do século XIX. O que nos chama aO “aprender de cor” tem sido uma constante desde fins do século XIX. O que nos chama a atenção é a perpetuação de um sistema que por vezes sofreu críticas e continua perpetuan-atenção é a perpetuação de um sistema que por vezes sofreu críticas e continua perpetuan- do-se, muitas vezes, em nossas escolas. Mas, precisamos ainda considerar que memorizardo-se, muitas vezes, em nossas escolas. Mas, precisamos ainda considerar que memorizar conscientemente é diferente de “aprender de corconscientemente é diferente de “aprender de cor””, ou memorizar , ou memorizar mecanicamente.mecanicamente. 5757METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Se por um lado tal método nos incomoda até hoje, a situação se agravou ainda mais quandoSe por um lado tal método nos incomoda até hoje, a situação se agravou ainda mais quando a partir dos anos de 1930 os Estudos Sociais passaram a construir disciplina escolar nasa partir dos anos de 1930 os Estudos Sociais passaram a construir disciplina escolar nas “escolas primárias” em substituição à História, à Geografia e ao Civismo. Tal substituição“escolas primárias” em substituição à História, à Geografia e ao Civismo. Tal substituição visava à integração do indivíduo na sociedade, devendo os conteúdos auxiliar a inserção dovisava à integração do indivíduo na sociedade, devendo os conteúdos auxiliar a inserção do aluno na comunidade da qual fazia parte.aluno na comunidade da qual fazia parte. Os Estudos Sociais foram adotados em algumas escolas denominadas “experimentais”Os Estudos Sociais foram adotados em algumas escolas denominadas “experimentais” ou “vocacionais”, no decorrer da década de 60, e depois da reforma educacional naou “vocacionais”, no decorrer da década de 60, e depois da reforma educacional na fase da ditadura mfase da ditadura militar, pela Lei 5.692 de agosto ilitar, pela Lei 5.692 de agosto de 197de 1971, a área foi introduzida em to1, a área foi introduzida em tododo o sistema de ensino – o qual então passou a se chamar de primeiro grau -, estendendoo sistema de ensino – o qual então passou a se chamar de primeiro grau -, estendendo-- se para as demais séries do antigo ginásio (BITTENCOURT, 2004, p. 73).se para as demais séries do antigo ginásio (BITTENCOURT, 2004, p. 73). Vale ressaltar que tal mudança provocou um esvaziamento de cada uma das disciplinas,Vale ressaltar que tal mudança provocou um esvaziamento de cada uma das disciplinas, uma vez que agora, todas elas se diluíam, assim como as categorias e conceitos básicosuma vez que agora, todas elas se diluíam, assim como as categorias e conceitos básicos provenientes das ciências de referência. Assim, os métodos, que antes eram destinados àprovenientes das ciências de referência. Assim, os métodos, que antes eram destinados à memorização, passaram a se tornar vitais para o bom resultado do então chamado Estudosmemorização, passaram a se tornar vitais para o bom resultado do então chamado Estudos Sociais, devendo destacar a observação e descrição do meio local. As crianças das escolasSociais, devendo destacar a observação e descrição do meio local. As crianças das escolas primárias deveriam observar e descrever situações de trabalho, a organização das ruas eprimárias deveriam observar e descrever situações de trabalho, a organização das ruas e praças, os transportes etc. O mais importante era criar uma atmosfera pedagógica, “parapraças, os transportes etc. O mais importante era criar uma atmosfera pedagógica, “para formar, a partir da formar, a partir da escola, um indivíduo socialmente eficiente para escola, um indivíduo socialmente eficiente para o sistema” (BITTENCOURTo sistema” (BITTENCOURT,, 2004, p. 2004, p. 75).75). F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 5858 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância TiradentesTiradentes As datas cívicas e as comemorações dos feitos dos heróis e dos grandes acontecimentosAs datas cívicas e as comemorações dos feitos dos heróis e dos grandes acontecimentos políticos nacionais eram, na prática, os únicos conteúdos históricos para os alunos daescolapolíticos nacionais eram, na prática, os únicos conteúdos históricos para os alunos da escola primária.primária. O professor deveria manter uma atitude de neutralidade diante de todos osO professor deveria manter uma atitude de neutralidade diante de todos os acontecimentos históricos do passado ou do presente. A constante solicitação daacontecimentos históricos do passado ou do presente. A constante solicitação da postura neutra do professor evidenciava, paradoxalmente, o caráter político da discippostura neutra do professor evidenciava, paradoxalmente, o caráter político da disciplinalina (BITTENCOURT, 2004, p. 89).(BITTENCOURT, 2004, p. 89). É possível percebermos que todas as mudanças dos anos de 1970 para o ensino de HistóriaÉ possível percebermos que todas as mudanças dos anos de 1970 para o ensino de História estavam ligadas especificamente aos métodos e técnicas, como deixamos evidente em nossasestavam ligadas especificamente aos métodos e técnicas, como deixamos evidente em nossas discussões, e visavam adequar-se a determinado e reduzido conhecdiscussões, e visavam adequar-se a determinado e reduzido conhecimento histórico, sem queimento histórico, sem que essencialmente os conteúdos fossem alterados, mas apenas simplificados e resumidos.essencialmente os conteúdos fossem alterados, mas apenas simplificados e resumidos. Contudo, todos os esforços por reformulações que se iniciaram no fim dos anos 80 do séculoContudo, todos os esforços por reformulações que se iniciaram no fim dos anos 80 do século passado ganharam força nos anos 1990 decorrente da nova configuração mundial, quepassado ganharam força nos anos 1990 decorrente da nova configuração mundial, que impunha um modelo econômico para submeter todos os países à lógica do mercado.impunha um modelo econômico para submeter todos os países à lógica do mercado. Vale lembrar que esta série de reformulações Vale lembrar que esta série de reformulações curriculares não foi exclusiva em âmbito nacional.curriculares não foi exclusiva em âmbito nacional. Outros tantos países também sofreram mudanças em seus currículos oficiais, e muitasOutros tantos países também sofreram mudanças em seus currículos oficiais, e muitas F F o o n n t t e e : : < < p p t t . . w w i i k k i i p p e e d d i i a a . . o o r r g g / / w w i i k k i i / / T T i i r r a a d d e e n n t t e e s s > > 5959METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância dessas propostas curriculares, como as dos países integrantes do Mercosul, a dedessas propostas curriculares, como as dos países integrantes do Mercosul, a de Portugal e a da Espanha, possuem a mesma estrutura na organização dos documentosPortugal e a da Espanha, possuem a mesma estrutura na organização dos documentos oficiais e a mesma terminologia pedagógica (BITTENCOURT, 2004, p. 100).oficiais e a mesma terminologia pedagógica (BITTENCOURT, 2004, p. 100). Consagrando-se como Consagrando-se como tendências atuais, a partir do fim da década de 1980, criaram-tendências atuais, a partir do fim da década de 1980, criaram-se váriasse várias propostas curriculares de História para o Ensino Fundamental, além dos PCN’s que explicita-propostas curriculares de História para o Ensino Fundamental, além dos PCN’s que explicita- remos ainda nesta unidade. Essas proremos ainda nesta unidade. Essas propostas tiveram em comum algumas cpostas tiveram em comum algumas características quearacterísticas que passamos a considerar tal como fez nossa historiadora e professora Circe Bittencourt em seupassamos a considerar tal como fez nossa historiadora e professora Circe Bittencourt em seu livro intitulado “livro intitulado “Ensino de História: fundamentos e métodosEnsino de História: fundamentos e métodos”, publicado pela primeira vez”, publicado pela primeira vez em 2004 pela Editora Corem 2004 pela Editora Cortez em sua coleção Docência em formação: ensino fundamental (pp.tez em sua coleção Docência em formação: ensino fundamental (pp. 111-112).111-112). • • A A alteração nas alteração nas formulações técnicas formulações técnicas dos tedos textos curriculares, xtos curriculares, que paque passaram assaram a apresentar fundamentações sobre o conhecimento histórico e sobre os demaisapresentar fundamentações sobre o conhecimento histórico e sobre os demais tópicos da disciplina;tópicos da disciplina; • • A A preocupação com preocupação com a a implementação dos implementação dos currículos, currículos, buscando buscando sua sua legitimidadelegitimidade junto junto aos aos professores, professores, justificjustificando ando sua sua produção produção e e procurando procurando diluir diluir formas formas dede resistência aos documentos oficiais;resistência aos documentos oficiais; • • A A redefinição do redefinição do papel papel do do professor, professor, fornecendofornecendo-lhe maior -lhe maior autonomia autonomia no no trabalhotrabalho pedagógico, concepção esta expressa na ausência de um rol de conteúdospedagógico, concepção esta expressa na ausência de um rol de conteúdos estabelecidos de forma obrigatória para cada série ou ciclo;estabelecidos de forma obrigatória para cada série ou ciclo; • • A A apresentação mais apresentação mais detalhada detalhada dos dos pressupostos pressupostos teóricos e teóricos e metodológicos dometodológicos do conhecimento histórico;conhecimento histórico; • • A A fundamentação de fundamentação de maneiras diversas, maneiras diversas, mas tmas tendo como endo como princípio que princípio que o aluno o aluno éé sujeito ativo no processo de aprendizagem;sujeito ativo no processo de aprendizagem; • • A A aceitação de aceitação de que o que o aluno possui aluno possui um conhecimento um conhecimento prévio sobre prévio sobre os objetos os objetos dede estudos históricos, obtido pela história de vida e pelos meios de comunicação, oestudos históricos, obtido pela história de vida e pelos meios de comunicação, o qual deve ser integrado ao processo de aprendizagem;qual deve ser integrado ao processo de aprendizagem; • • A A introdução dos introdução dos estudos estudos históricos a históricos a partir das partir das séries iniciais séries iniciais do do ensino ensino fundamental.fundamental. A partir destas características, podemos fazer uma contraposição entre a História tradicionalA partir destas características, podemos fazer uma contraposição entre a História tradicional e as tendências atuais.e as tendências atuais. Da preocupação do estudo dos fatos e a ênfase na história dos fatos políticos, debaixo daDa preocupação do estudo dos fatos e a ênfase na história dos fatos políticos, debaixo da tentativa irreal de “neutralidade” do historiador, passamos a uma história em que todos ostentativa irreal de “neutralidade” do historiador, passamos a uma história em que todos os 6060 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância componentes da mesma são vistos como homens e suas esferas de atuação (da política àcomponentes da mesma são vistos como homens e suas esferas de atuação (da política à econômica, da social à ideológica) são vistas em interação recíproca.econômica, da social à ideológica) são vistas em interação recíproca. A transdisciplinaridade é uma característica dessa nA transdisciplinaridade é uma característica dessa nova tendência, em que história se relacionaova tendência, em que história se relaciona com a sociologia, antropologia cultural, filosofia e outras ciências do homem, até a psicologiacom a sociologia, antropologia cultural, filosofia e outras ciências do homem, até a psicologia (ênfase ao inconscien(ênfase ao inconsciente coletivo, por exte coletivo, por exemplo)emplo). . Mas este é um assunto paratratarmos daquiMas este é um assunto para tratarmos daqui a pouco na a pouco na unidade IVunidade IV. Aguarde!. Aguarde! O estudo das origens da genealogia das nações, com o objetivo de formar o cidadão patriotaO estudo das origens da genealogia das nações, com o objetivo de formar o cidadão patriota voltado para o legado europeu, cedeu lugar à integração do educando em um meio cada vezvoltado para o legado europeu, cedeu lugar à integração do educando em um meio cada vez mais amplo, que evita o estudo do passado pelo passado e mais amplo, que evita o estudo do passado pelo passado e tem sempre em mente o presente.tem sempre em mente o presente. Edgar MorinEdgar Morin Só o conhecimento crítico do passado permite a construção da Só o conhecimento crítico do passado permite a construção da cidadania tal como se pretendecidadania tal como se pretende hoje, com o desenvolvimento de um senso histórico-crítico. Na apreensão da pluralidade dahoje, com o desenvolvimento de um senso histórico-crítico. Na apreensão da pluralidade da F F o o n n t t e e : : < < p p t t . . w w i i k k i i p p e e d d i i a a . . o o r r g g / / w w i i k k i i / / E E d d g g a a r r__ M M o o r r i i n n > > F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 6161METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância memória humana parece estar o caminho e não apenas na memória nacional. É esta umamemória humana parece estar o caminho e não apenas na memória nacional. É esta uma das preocupações de Edgar Morin (2001), quando afirma como o pensamento é complexo edas preocupações de Edgar Morin (2001), quando afirma como o pensamento é complexo e quantas lacunas estão aí embutidas sem que nos apercebamos quantas lacunas estão aí embutidas sem que nos apercebamos disto.disto. Nesse sentido, recomendamos a leitura da obra: “Nesse sentido, recomendamos a leitura da obra: “ Introdução ao pensamento complexoIntrodução ao pensamento complexo”” em que o autor aborda aqueles que cem que o autor aborda aqueles que consideram os atos inibidores do conhecimento em nossaonsideram os atos inibidores do conhecimento em nossa sociedade. Para ele, “o pensamento complexo é animado por um saber não parcelar, nãosociedade. Para ele, “o pensamento complexo é animado por um saber não parcelar, não fechado, não redutor e pelo reconhecimento do inacabado, do incompleto, que isola todosfechado, não redutor e pelo reconhecimento do inacabado, do incompleto, que isola todos os objetos daquilo que os objetos daquilo que os envolve” (MORIN, 2001, p.os envolve” (MORIN, 2001, p.18)18). O autor . O autor propõe distinguir ideias propõe distinguir ideias semsem separar, associar, identificar ou reduzir.separar, associar, identificar ou reduzir. Todas essas modificações deslocam o professor do papel de transmissor do saber pronto eTodas essas modificações deslocam o professor do papel de transmissor do saber pronto e acabado para um professor mediador entre o aluno e a produção do próprio conhecimento queacabado para um professor mediador entre o aluno e a produção do próprio conhecimento que este aluno efetua, atuando como sujeito de suas operações mentais que o levam a recuperareste aluno efetua, atuando como sujeito de suas operações mentais que o levam a recuperar a historicidade e apreender conceitos que levem às sínteses visadas como o ponto mais altoa historicidade e apreender conceitos que levem às sínteses visadas como o ponto mais alto da escalada do cda escalada do conhecimento.onhecimento. Aliás, desde que a Revolução da Informática (1970), quando os computadores se uniram àsAliás, desde que a Revolução da Informática (1970), quando os computadores se uniram às telecomunicações (Internet)telecomunicações (Internet), a informação está ao , a informação está ao alcance de todos e alcance de todos e fica claro que fica claro que o professoro professor não tem mais o monopólio da informação. A flexibilidade necessária à docência inclui entãonão tem mais o monopólio da informação. A flexibilidade necessária à docência inclui então ser além de um informante: um formador de consciências críticas e criativas, capazes deser além de um informante: um formador de consciências críticas e criativas, capazes de pensarem por si mesmas.pensarem por si mesmas. A avaliação passa, a partir daí, por um processo de revisão que inclui a eliminação daA avaliação passa, a partir daí, por um processo de revisão que inclui a eliminação da F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 6262 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância “avaliação bancária” apontada por Paulo Freire e sua substituição por “avaliação bancária” apontada por Paulo Freire e sua substituição por outra avaliação. Esta seoutra avaliação. Esta se define agora como diagnóstica, processual e formativa e, segundo Schmidit e Cainelli, buscadefine agora como diagnóstica, processual e formativa e, segundo Schmidit e Cainelli, busca “o crescimento do aluno “o crescimento do aluno e não e não sua classificação sua classificação e exclusão” (2004, p.e exclusão” (2004, p.17)17).. Hobsbawm, na sua obra “Hobsbawm, na sua obra “Era dos ExtremosEra dos Extremos”, lembra que a destruição do passado é um dos”, lembra que a destruição do passado é um dos fenômenos mais “lúgubres” enfrentados pefenômenos mais “lúgubres” enfrentados pelo historiador hoje lo historiador hoje (1(1995, p.995, p.1313) e rec) e recoloca a oloca a históriahistória no verdadeiro papel que também vem enfatizado por autores nacionais como José Murilono verdadeiro papel que também vem enfatizado por autores nacionais como José Murilo Carvalho:Carvalho: Nada do que é humano será agora alheNada do que é humano será agora alheio ao historiador. Daí a multiplicação de estuio ao historiador. Daí a multiplicação de estudosdos sobre a cultura, os sentimentos, as idéias, as mentalidades, o imaginário, o cotidiano.sobre a cultura, os sentimentos, as idéias, as mentalidades, o imaginário, o cotidiano. E também sobre instituições e fenômenos sociais antes considerados de pequenaE também sobre instituições e fenômenos sociais antes considerados de pequena importância, se não irrelevantes, como o casamento, a família, organizações políticasimportância, se não irrelevantes, como o casamento, a família, organizações políticas e profissionais, igreja, etnias, a doença, a velhice, a infância, a educação, as festas ee profissionais, igreja, etnias, a doença, a velhice, a infância, a educação, as festas e rituais, os movimentos populares (1998, p.454).rituais, os movimentos populares (1998, p.454). Portanto, a construção de uma memória social exclusivamente nacional cederá lugar aPortanto, a construção de uma memória social exclusivamente nacional cederá lugar a uma memória que fale da identidade humana e considere a simetria entre as culturas parauma memória que fale da identidade humana e considere a simetria entre as culturas para erradicar os preconceitos que fortalecem os inimigos da democracia, como acontece com oserradicar os preconceitos que fortalecem os inimigos da democracia, como acontece com os totalitarismos de toda espécie.totalitarismos de toda espécie. CARDOSO, Ciro Flamarion.CARDOSO, Ciro Flamarion. Um historiador fala de teoria e metodologiaUm historiador fala de teoria e metodologia. Ensaios. Bauru: Edusc,. Ensaios. Bauru: Edusc, 2005. (Coletânea deensaios em que o autor discute questões pertinentes ao ofício do historiador).2005. (Coletânea de ensaios em que o autor discute questões pertinentes ao ofício do historiador). CONCEPÇÕES DE CONTEÚDOS ESCOLARES E CONCEPÇÕES DE CONTEÚDOS ESCOLARES E DE APRENDIZAGEMDE APRENDIZAGEM Quando nos anos 80 do século XIX houve uma tentativa oficial, no campo da legislação, deQuando nos anos 80 do século XIX houve uma tentativa oficial, no campo da legislação, de descaracterizar a História e a Geografia e uni-las pelo nome comum de Estudos Sociais, adescaracterizar a História e a Geografia e uni-las pelo nome comum de Estudos Sociais, a 6363METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância questão do conteúdo da questão do conteúdo da disciplina histórica se fez mais aguda.disciplina histórica se fez mais aguda. Além disso, ao longo de muitas décadas do século passado e mesmo deste que se inicia, aAlém disso, ao longo de muitas décadas do século passado e mesmo deste que se inicia, a questão do conteúdo programático tem-se apresentado como um problema para a maioriaquestão do conteúdo programático tem-se apresentado como um problema para a maioria dos professores. Muitos deles sentem dificuldades de contemplar todos os itens a seremdos professores. Muitos deles sentem dificuldades de contemplar todos os itens a serem ministrados em suas aulas e, quase sempre, os fatos mais atuais ficam por serem vistos, emministrados em suas aulas e, quase sempre, os fatos mais atuais ficam por serem vistos, em detrimento do passado que é sempre estudado quase sem ligação com o presente.detrimento do passado que é sempre estudado quase sem ligação com o presente. Nélio Bizzo, professor da USPNélio Bizzo, professor da USP, nos adverte , nos adverte que professores polivalentes, ou seja, que que professores polivalentes, ou seja, que ministramministram todas as disciplinas como é o todas as disciplinas como é o caso dos professores dos caso dos professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental,anos iniciais do Ensino Fundamental, carecem de domínio dos conteúdos específicos como os de História. Isto porque a disciplinacarecem de domínio dos conteúdos específicos como os de História. Isto porque a disciplina que ora discutimos possui complexidades que vão além de “saber” os conteúdos, é precisoque ora discutimos possui complexidades que vão além de “saber” os conteúdos, é preciso dominar os eixos estruturantes da disciplina que transpassam todos os conteúdos como odominar os eixos estruturantes da disciplina que transpassam todos os conteúdos como o domínio da temporalidade.domínio da temporalidade. Há professores que ainda hoje consideram o aprender como equivalente a memorizar,Há professores que ainda hoje consideram o aprender como equivalente a memorizar, dominar muitas informações de acontecimentos de uma história nacional, datas, episódios,dominar muitas informações de acontecimentos de uma história nacional, datas, episódios, heróis e seu desempenho, a chamada História factual de curta duração que Braudel (1965),heróis e seu desempenho, a chamada História factual de curta duração que Braudel (1965), da segunda geração de neo-historiadores franceses, criticou e propôs substituir pela longada segunda geração de neo-historiadores franceses, criticou e propôs substituir pela longa duração.duração. Ainda que admitisse que a ideia de tempo estivesse ligada ao pensamento do historiador comoAinda que admitisse que a ideia de tempo estivesse ligada ao pensamento do historiador como a terra adere à pá do jardineiro, Braudel (1965) pensava em estruturas que duravam por uma terra adere à pá do jardineiro, Braudel (1965) pensava em estruturas que duravam por um tempo bem mais longo do que aquela ocupada por uma simples batalha.tempo bem mais longo do que aquela ocupada por uma simples batalha. Nas diferentes formas de produzir currículos escolares, os conteúdos são fundamentais aindaNas diferentes formas de produzir currículos escolares, os conteúdos são fundamentais ainda que permitam a comparação entre os currículos ideais, os da teoria e o currículo real. Tudoque permitam a comparação entre os currículos ideais, os da teoria e o currículo real. Tudo envolveenvolve, ainda, o currículo oculto ou aquele que está , ainda, o currículo oculto ou aquele que está implícito nas formulações oficiais e que éimplícito nas formulações oficiais e que é o resultado da orientação pedagógica, da ideologia que se pretende contemplar.o resultado da orientação pedagógica, da ideologia que se pretende contemplar. Como escreve Circe Bittencourt (2004), um debate que então se possa instalar é benéfico naComo escreve Circe Bittencourt (2004), um debate que então se possa instalar é benéfico na 6464 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância medida em que permite avanços para a seleção de conteúdos como fruto de uma concepçãomedida em que permite avanços para a seleção de conteúdos como fruto de uma concepção que orienta o processo de ensino-aprendizagem.que orienta o processo de ensino-aprendizagem. Portanto, a se julgar pelos currículos mais recentes, os conteúdos escolares correspondemPortanto, a se julgar pelos currículos mais recentes, os conteúdos escolares correspondem à integração dos vários conhecimentos adquiridos na escola. “Destarte, concebem-seà integração dos vários conhecimentos adquiridos na escola. “Destarte, concebem-se como conteúdo escolar tanto os conteúdos explícitos de cada uma das disciplinas como acomo conteúdo escolar tanto os conteúdos explícitos de cada uma das disciplinas como a aquisição de valores, habilidades e competências que fazem parte das práticas escolares”aquisição de valores, habilidades e competências que fazem parte das práticas escolares” (BITTENCOURT, 2004, p.106).(BITTENCOURT, 2004, p.106). Para a História, todos os autores são unânimes em afirmar que a apreensão do conteúdoPara a História, todos os autores são unânimes em afirmar que a apreensão do conteúdo envolve não apenas a capacidade dos alunos de dominar informações e conceitos de umenvolve não apenas a capacidade dos alunos de dominar informações e conceitos de um determinado período, mas principalmente a capacidade analítica que permitirá determinado período, mas principalmente a capacidade analítica que permitirá a síntesea síntese. Sendo. Sendo assim, se faz necessária à habilidade interpretativa do texto, a leitura de tabelas, gráficos eassim, se faz necessária à habilidade interpretativa do texto, a leitura de tabelas, gráficos e mapas e esses conteúdos são o “lugar” do saber histórico mais privilegiado.mapas e esses conteúdos são o “lugar” do saber histórico mais privilegiado. Convém destacar que informação não Convém destacar que informação não é conhecimento. Informação é “matériaé conhecimento. Informação é “matéria-prima”, mas só-prima”, mas só se torna conhecimento se for transformada pse torna conhecimento se for transformada pelo sujeito cognoscente, se fizer sentido para esteelo sujeito cognoscente, se fizer sentido para este e se relacionar com outros conhecimentos já construídos e incorporados.e se relacionar com outros conhecimentos já construídos e incorporados. Seguindo orientações dos PCN’s, mesmo que esses sofram críticas desde sua elaboraçãoSeguindo orientações dos PCN’s, mesmo que esses sofram críticas desde sua elaboração F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 6565METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância explicitamos seus objetivos gerais para o Ensino de História (BRASIL, 1997, p.41). Assim,explicitamos seus objetivos gerais para o Ensino de História (BRASIL, 1997, p.41). Assim, espera-se que, aolongo do Ensino Fundamental, os alunos gradativamente possam ler eespera-se que, ao longo do Ensino Fundamental, os alunos gradativamente possam ler e compreender sua realidade, posicionar-se, fazer escolhas e agir criteriosamente. Nessecompreender sua realidade, posicionar-se, fazer escolhas e agir criteriosamente. Nesse sentido, os alunos deverão ser csentido, os alunos deverão ser capazes de:apazes de: • • Identificar o Identificar o próprio grupo próprio grupo de convde convívio ívio e ae as s relações que relações que estabelecem com estabelecem com outrosoutros tempos e espaços;tempos e espaços; • • Organizar alguns Organizar alguns repertórios histórico-repertórios histórico-culturais que culturais que lhes permita lhes permita localizarlocalizar acontecimentos numa multiplicidade de tempo, de modo a formular explicaçõesacontecimentos numa multiplicidade de tempo, de modo a formular explicações para algumas questões do presente e do passado;para algumas questões do presente e do passado; • • Conhecer e Conhecer e respeitar o respeitar o modo de modo de vida de vida de diferentes diferentes grupos sociais, grupos sociais, em divem diversosersos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas etempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles;sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles; • • Reconhecer mudanças Reconhecer mudanças e e permanências nas permanências nas vivências vivências humanas, humanas, presentes presentes na na suasua realidade e em outras comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço;realidade e em outras comunidades, próximas ou distantes no tempo e no espaço; • • Questionar Questionar sua sua realidade, realidade, identificando alguns identificando alguns de de seus seus problemas problemas e e refletindo refletindo sobresobre algumas de suas possíveis soluções, reconhecendo formas de atuação políticaalgumas de suas possíveis soluções, reconhecendo formas de atuação política institucionais e organizações coletivas da sociedade civil;institucionais e organizações coletivas da sociedade civil; • • Utilizar métodos Utilizar métodos de pesquisa de pesquisa e de e de produção de produção de textos textos de conteúdo de conteúdo histórico,histórico, aprendendo a ler diferentes registros escritos, iconográficos, sonoros;aprendendo a ler diferentes registros escritos, iconográficos, sonoros; • • Valorizar Valorizar o o patrimônio sociocultural patrimônio sociocultural e e respeitar a respeitar a diversidade, diversidade, reconhecendoreconhecendo-a-a como um direito dos povos e indivíduos e como um elemento de fortalecimento dacomo um direito dos povos e indivíduos e como um elemento de fortalecimento da democracia.democracia. Para saber mais sobre o assunto, acesse <http:Para saber mais sobre o assunto, acesse <http://www.zinder//www.zinder.com.br/legislacao/pcn-fund.htm#Hist2> e.com.br/legislacao/pcn-fund.htm#Hist2> e conheça os parâmetros que permeiam os conheça os parâmetros que permeiam os caminhos do Ensino de História em caminhos do Ensino de História em nossas escolas.nossas escolas. Se analisarmos a metodologia adotada em nossas escolas hoje, quanto aos objetivos doSe analisarmos a metodologia adotada em nossas escolas hoje, quanto aos objetivos do ensino da História, teremos especificado para os anos iniciais do Ensino Fundamental itensensino da História, teremos especificado para os anos iniciais do Ensino Fundamental itens 6666 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância envolvidos em um conteúdo que permita, sobretudo, identificar o seu grupo de convívio eenvolvidos em um conteúdo que permita, sobretudo, identificar o seu grupo de convívio e as relações que entre eles se estabelecem com outros tempos e espaços. Como lemos noas relações que entre eles se estabelecem com outros tempos e espaços. Como lemos no próprio documento emanado do MEC, é necessário “organizar alguns repertórios histórico-próprio documento emanado do MEC, é necessário “organizar alguns repertórios histórico- culturais que lhes perculturais que lhes permitam (aos estudantesmitam (aos estudantes) localizar ac) localizar acontecimentos numa multiplicidade deontecimentos numa multiplicidade de tempo, de modo a formular explicações para algumas questões do presente e do passado”tempo, de modo a formular explicações para algumas questões do presente e do passado” (BRASIL, PCN’s de História (BRASIL, PCN’s de História e Geogre Geografia, 1997afia, 1997, p. 50)., p. 50). A superação do preconceito aparece A superação do preconceito aparece em outros itens quando se pretende formar uma base deem outros itens quando se pretende formar uma base de tolerância para a convivência entre os membros de uma mesma sociedade regional, nacionaltolerância para a convivência entre os membros de uma mesma sociedade regional, nacional e ampliando para a sociedade humana como querem Morin (2001) e outros.e ampliando para a sociedade humana como querem Morin (2001) e outros. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental é importante identificar as relações sociais noNos anos iniciais do Ensino Fundamental é importante identificar as relações sociais no seu grupo de convívio, situar acontecimentos históricos na multiplicidade dos tempos, fazerseu grupo de convívio, situar acontecimentos históricos na multiplicidade dos tempos, fazer a relação com outras disciplinas aprendidas como a Geografia, por exemplo, e novamente,a relação com outras disciplinas aprendidas como a Geografia, por exemplo, e novamente, conhecer e respeitar o modo de vida dos outros, nacionais ou não.conhecer e respeitar o modo de vida dos outros, nacionais ou não. A grande intenção é estabelecer a harmonia, do micro ao macro, visando nossa humanidadeA grande intenção é estabelecer a harmonia, do micro ao macro, visando nossa humanidade tão atingida pelo fenômeno do “estranhamento” entre culturas, hostilidade motivada pelatão atingida pelo fenômeno do “estranhamento” entre culturas, hostilidade motivada pela F F o o n n t t e e : : < < h h t t t t p p : : / / / / w w w w w w . . l l i i v v r r a a r r i i a a s s a a r r a a i i v v a a . . c c o o m m . . b b r r / / p p r r o o d d u u t t o o / / 1 1 0 0 6 6 5 5 4 4 3 3 > > 6767METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância diferença que brota da especificidade de cada grupo.diferença que brota da especificidade de cada grupo. A valorização do patrimônio sociocultural não escapou aos que pensaram em termos deA valorização do patrimônio sociocultural não escapou aos que pensaram em termos de PCN’s conforme a orientação vinda da Europa e que foi aplicada à nossa realidade e a buscaPCN’s conforme a orientação vinda da Europa e que foi aplicada à nossa realidade e a busca da verdadeira cidadania e democracia da verdadeira cidadania e democracia finalizando, como a síntese do documento.finalizando, como a síntese do documento. Muito interessante é o texto anotado por Schmidt e Cainelli que mostram uma menina anônimaMuito interessante é o texto anotado por Schmidt e Cainelli que mostram uma menina anônima de quatro anos se perguntando, como fez o fde quatro anos se perguntando, como fez o filho de Marc Bloch (197ilho de Marc Bloch (1976) ao pai em outra época,6) ao pai em outra época, “Como era isso antes de eu estar aqui?” (2004, p.25).“Como era isso antes de eu estar aqui?” (2004, p.25). Eis aqui um bom ponto de partida para uma aula e situação da História como um centro deEis aqui um bom ponto de partida para umaaula e situação da História como um centro de interesse para nossos alunos, pois reflete a profundidade necessária e permite que se parta dinteresse para nossos alunos, pois reflete a profundidade necessária e permite que se parta doo interesse e da curiosidade e interesse e da curiosidade e construa um conhecconstrua um conhecimento verdadeiramente histórico.imento verdadeiramente histórico. Quando trata do ensino da História, no que diz respeito aos conteúdos em sua ligação comQuando trata do ensino da História, no que diz respeito aos conteúdos em sua ligação com conceitos, Holien Gonçalves Bezerra (conceitos, Holien Gonçalves Bezerra (apud apud KARNAL, 2004) não só estuda a nossa lei de KARNAL, 2004) não só estuda a nossa lei de diretrizes e bases de 1996, como também se diretrizes e bases de 1996, como também se preocupa com a maneira preocupa com a maneira como os conteúdos vãocomo os conteúdos vão capacitar ao que se pretende, em termos de articulação de conhecimentos e valores.capacitar ao que se pretende, em termos de articulação de conhecimentos e valores. Uma das grandes preocupações desse autor é como tudo o que vem no bojo dos conteúdosUma das grandes preocupações desse autor é como tudo o que vem no bojo dos conteúdos poderá contribuir de poderá contribuir de uma maneira “efetiva” na sempre invocada “transformação da sociedade”uma maneira “efetiva” na sempre invocada “transformação da sociedade” (BEZERRA(BEZERRA apud apud KARNAL, 2004, p. 37). KARNAL, 2004, p. 37). É bastante explícito com relação à seleção e organização dos conteúdos e na orientaçãoÉ bastante explícito com relação à seleção e organização dos conteúdos e na orientação primeira de não atender a uma única metodologia.primeira de não atender a uma única metodologia. Senão, vejamos: “A necessária seleção de conteúdos faz parte de um conjunto formado pelaSenão, vejamos: “A necessária seleção de conteúdos faz parte de um conjunto formado pela preocupação com o saber preocupação com o saber escolar, com as capacidades e com as habilidades, e não pode serescolar, com as capacidades e com as habilidades, e não pode ser trabalhada independentemente” (BEZERRAtrabalhada independentemente” (BEZERRA apud apud KARNAL, 2004, p. 38). KARNAL, 2004, p. 38). Além de enfatizar que os conteúdos são um meio e não um fim em si mesmos, recomenda aAlém de enfatizar que os conteúdos são um meio e não um fim em si mesmos, recomenda a 6868 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância diversidade na apresentação dos conteúdos, não obstante se imponha sempre a linearidade ediversidade na apresentação dos conteúdos, não obstante se imponha sempre a linearidade e a sequência cronológica, básicas à apreensão do fato histórico.a sequência cronológica, básicas à apreensão do fato histórico. EXEMPLIFICANDO:EXEMPLIFICANDO: Faça a leitura das imagens abaixo e os Faça a leitura das imagens abaixo e os fatos relatados:fatos relatados: a)a) Fonte: <http://www.jornallivre.com.br/175827/quem-foi-o-imperador-nero.html>Fonte: <http://www.jornallivre.com.br/175827/quem-foi-o-imperador-nero.html> b)b) Fonte: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/03/10/000.htm>Fonte: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/03/10/000.htm> 6969METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância c)c) Fonte: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/03/10/000.htm>Fonte: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/03/10/000.htm> a) a) “Remorso “Remorso de de Nero”.Nero”. Nero Cláudio César Augusto GermânicoNero Cláudio César Augusto Germânico ou ou Nero Claudius CæsarNero Claudius Cæsar Augustus GermanicusAugustus Germanicus (15 de dezembro 37 - 9 de junho (15 de dezembro 37 - 9 de junho 68) foi o quinto Imperador Roma-68) foi o quinto Imperador Roma- no entre 54 e 68 d.C.no entre 54 e 68 d.C. b) b) Lágrimas de um camponês georgiano por Lágrimas de um camponês georgiano por Stalin (foto S. Stalin (foto S. Aizarov/AP).Aizarov/AP). c) Pôster anti-stalinista.c) Pôster anti-stalinista. 1. Faça uma comparação estabelecendo diferenças e semelhanças entre a imagem de Nero1. Faça uma comparação estabelecendo diferenças e semelhanças entre a imagem de Nero e a de um camponês da Geórgia (ex-República Soviética) que chora pela morte de Josephe a de um camponês da Geórgia (ex-República Soviética) que chora pela morte de Joseph Stalin (1924 -1953), que assim como o imperador romano incendiou Roma e matou milharesStalin (1924 -1953), que assim como o imperador romano incendiou Roma e matou milhares de cristãos, se tornou um símbolo de crueldade, contribuindo para a morde cristãos, se tornou um símbolo de crueldade, contribuindo para a morte de mais de 500 milte de mais de 500 mil pessoas e prisão e tortura de 5 milhões de cidadãos, numa das mais sangrentas ditaduras dapessoas e prisão e tortura de 5 milhões de cidadãos, numa das mais sangrentas ditaduras da história.história. 7070 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância 2. Examine a gravura que tenta representar a crueldade de 2. Examine a gravura que tenta representar a crueldade de Stalin. Depois, compare-a à fStalin. Depois, compare-a à figuraigura igualmente sanguinária de Nero César que fez tantas vítimas em Roma (lembre-se de quantosigualmente sanguinária de Nero César que fez tantas vítimas em Roma (lembre-se de quantos cristãos foram martirizados - queimados vivos como tochas humanas, jogados às feras nocristãos foram martirizados - queimados vivos como tochas humanas, jogados às feras no Coliseu e outros marColiseu e outros martírios que a maldade humana engendra).tírios que a maldade humana engendra). 3. Coloque as gravuras de Stalin na 3. Coloque as gravuras de Stalin na ordem cronológica, coloordem cronológica, colocando o início da ditadura stalinistacando o início da ditadura stalinista e seu fim. Para isso, pesquise na Internet as datas para dar os limites cronológicos dessee seu fim. Para isso, pesquise na Internet as datas para dar os limites cronológicos desse período sangrento que custou muitas vidas humanas. Pesquise também outras informaçõesperíodo sangrento que custou muitas vidas humanas. Pesquise também outras informações relevantes e acrescente na sua linha do tempo.relevantes e acrescente na sua linha do tempo. Na Unidade V, pensaremos em termos deNa Unidade V, pensaremos em termos de Linha do Tempo e detalharemos o assunto para seu melhor entendimentoLinha do Tempo e detalharemos o assunto para seu melhor entendimento.. Essas imagens obtidas pela indicação dos nomes (Nero, Stalin) no site da Google são muitoEssas imagens obtidas pela indicação dos nomes (Nero, Stalin) no site da Google são muito eloquentes e permitem uma reflexão em termos Históricos a envolver mentalidades e datas--eloquentes e permitem uma reflexão em termos Históricos a envolver mentalidades e datas-- -limite que são sempre nec-limite que são sempre necessárias para o bessárias para o bom entendimento da disciplina.om entendimento da disciplina. A temporalidade cronológica ao lado da temática são importantes componentes daquela aA temporalidade cronológica ao lado da temática são importantes componentes daquela a qual chamamos hoje de História integrada que atende não só ao conteúdo como fim, masqual chamamos hoje de História integrada que atende não só ao conteúdo como fim, mas também à necessidade de capacitação envolvida na apreensão desses conteúdos.também à necessidade de capacitação envolvida na apreensão desses conteúdos. Bezerra (Bezerra (apud apud KARNAL, 2004, p. 40) lembra, ainda, alguns cuidados especiais com relação KARNAL, 2004, p. 40) lembra, ainda, alguns cuidados especiais com relação aos conteúdos: “o primeiro se refere ao envolvimento do aluno com o objeto de estudo que estáaos conteúdos: “o primeiro se refere aoenvolvimento do aluno com o objeto de estudo que está sendo trabalhado” e, em seguida, jamais descuidar da preocupação com o desenvolvimentosendo trabalhado” e, em seguida, jamais descuidar da preocupação com o desenvolvimento das habilidades cognitivas que fazem parte dos horizontes dessas propostas pedagógicas.das habilidades cognitivas que fazem parte dos horizontes dessas propostas pedagógicas. Trabalhar historicamente os temas e objetos em pauta parece ser a prioridade que se impõeTrabalhar historicamente os temas e objetos em pauta parece ser a prioridade que se impõequanto aos conteúdos de História. Neste sentido, passamos a apresentar resumidamente asquanto aos conteúdos de História. Neste sentido, passamos a apresentar resumidamente as transformações do ensino de História no Brasil.transformações do ensino de História no Brasil. 7171METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância ENSINOENSINO TRADICIONALTRADICIONAL ENSINO DE ESTUDOSENSINO DE ESTUDOS SOCIAISSOCIAIS TENDÊNCIAS ATUAISTENDÊNCIAS ATUAIS VISÃO DAVISÃO DA CIÊNCIACIÊNCIA Preocupação com oPreocupação com o estudo dos fatos,estudo dos fatos, neutralidade doneutralidade do historiador e dahistoriador e da explicação histórica.explicação histórica. Enfase na históriaEnfase na história dos fatos políticos edos fatos políticos e na história comona história como produto da ação deproduto da ação de indivíduos, de heróis.indivíduos, de heróis. História consideradaHistória considerada como ciência quecomo ciência que estudaestuda exclusivamente oexclusivamente o passado.passado. Interdisciplinaridade dasInterdisciplinaridade das ciências sociaisciências sociais (História, Geografia,(História, Geografia, Antropologia e Antropologia e Sociologia). PredomínioSociologia). Predomínio do ensino de estudosdo ensino de estudos sociais. Estudo dassociais. Estudo das sociedades nosociedades no transcorrer do tempotranscorrer do tempo como objetivo do ensino.como objetivo do ensino. História como história deHistória como história de todos os homens e nãotodos os homens e não somente de heróis. Inclusãosomente de heróis. Inclusão de novas contribuiçõesde novas contribuições historiográficas: históriahistoriográficas: história economica, cultural e social.economica, cultural e social. Análise do fato histórico Análise do fato histórico substituída por outrassubstituída por outras possibilidades, como análisepossibilidades, como análise do processo histórico e dado processo histórico e da experiência dos sujeitos daexperiência dos sujeitos da história. Incporporação doshistória. Incporporação dos novos temas e objetos danovos temas e objetos da História, como a história dasHistória, como a história das mulheres, a das crianças e amulheres, a das crianças e a dos movimentos sociais.dos movimentos sociais. FUNÇÃO DOFUNÇÃO DO ENSINOENSINO Estudo das origensEstudo das origens das nações. Objetivodas nações. Objetivo de formar o cidadãode formar o cidadão para a pátria epara a pátria e construir identidadesconstruir identidades nacionais. Estudo dosnacionais. Estudo dos legados,legados, principalmenteprincipalmente daqueles dadaqueles da civilização européia.civilização européia. Compreensão daCompreensão da nação brasileira comonação brasileira como fruto da integraçãofruto da integração entre três raças:entre três raças: branca, índia e negra.branca, índia e negra. Integração do educandoIntegração do educando em um meio cada vezem um meio cada vez mais amplo. Estudo damais amplo. Estudo da história do presente,história do presente, evitando o estudo doevitando o estudo do passado pelo passado.passado pelo passado. Formação de cidadãosFormação de cidadãos para a sociedade empara a sociedade em desenvolvimento,desenvolvimento, democrática e industrial.democrática e industrial. Contribuição para aContribuição para a construção da cidadania.construção da cidadania. Desenvolvimento deDesenvolvimento de raciocínios historicamenteraciocínios historicamente corretos. Aquisição dacorretos. Aquisição da capacidade de análise dacapacidade de análise da relação presente-passado.relação presente-passado. Apreensão da pluralidade de Apreensão da pluralidade de memórias, e não somente damemórias, e não somente da memória nacional.memória nacional. Preocupação com asPreocupação com as finalidades do ensino definalidades do ensino de História no mundoHistória no mundo contemporâneo.contemporâneo. 7272 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância 7373METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância MÉTODOMÉTODO Formal e abstrato,Formal e abstrato, sem relação com asem relação com a vida do aluno.vida do aluno. Conteúdos e métodosConteúdos e métodos sem objetivo desem objetivo de desenvolver adesenvolver a criticidade.criticidade. Predomínio doPredomínio do “ponto” (texto sobre“ponto” (texto sobre determinadodeterminado conteúdo),conteúdo), questionário, testes equestionário, testes e múltipla escolha emúltipla escolha e exercícios comexercícios com lacunas a seremlacunas a serem completadas.completadas. Baseado no ensino porBaseado no ensino por atividades. Ênfase naatividades. Ênfase na pesquisa e no trabalhopesquisa e no trabalho em grupos.em grupos. Tem como referência aTem como referência a própria ciência. Recuperaçãoprópria ciência. Recuperação do método da História emdo método da História em sala de aula. Preocupaçãosala de aula. Preocupação com a transposição didática:com a transposição didática: relação entre saberrelação entre saber científico, saber a sercientífico, saber a ser ensinado, saber ensinado,ensinado, saber ensinado, saber aprendido e práticasaber aprendido e prática social. Valorização do uso desocial. Valorização do uso de documento histórico em saladocumento histórico em sala de aula. Incorporação dede aula. Incorporação de novas linguagens enovas linguagens e tecnologias no ensino datecnologias no ensino da História, como análise deHistória, como análise de filmes e uso da informática.filmes e uso da informática. AVALIAÇÃOAVALIAÇÃO Avaliação centrada noAvaliação centrada no professor. Avaliaçãoprofessor. Avaliação de resultados, dode resultados, do produto daproduto da aprendizagem,aprendizagem, baseada nabaseada na memorização dememorização de informaçõesinformações transmitidas pelotransmitidas pelo professor. Avaliaçãoprofessor. Avaliação classificatória.classificatória. Baseada em objetivosBaseada em objetivos previamente propostos.previamente propostos. Avaliação do processo,Avaliação do processo, e não do conteúdo.e não do conteúdo. Diagnóstica, processual,Diagnóstica, processual, formativa. Busca oformativa. Busca o crescimento do aluno e nãocrescimento do aluno e não sua classificação e exclusão.sua classificação e exclusão. Retirado da obra:Retirado da obra: Ensinar História,Ensinar História, de Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli. São Paulo: de Maria Auxiliadora Schmidt e Marlene Cainelli. São Paulo: Scipione, 200Scipione, 2004. (Pensamento e ação no 4. (Pensamento e ação no magistério). (pp. 15, 16 e 17)magistério). (pp. 15, 16 e 17).. 7474 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância A FORMAÇÃO DE CONCEITOSA FORMAÇÃO DE CONCEITOS O conhecimento histórico que aqui nos propomos a analisar não se limita a apresentar o fatoO conhecimento histórico que aqui nos propomos a analisar não se limita a apresentar o fato no tempo e no espaço acompanhado de no tempo e no espaço acompanhado de documentos que comprovem e dão legitimidade a suadocumentos que comprovem e dão legitimidade a sua existência. É preciso considerar os sujeitos que os produziram para buscar uma explicaçãoexistência. É precisoconsiderar os sujeitos que os produziram para buscar uma explicação plausível. “E para explicar e interpretar os fatos, é preciso uma análise, que deve obedecer aplausível. “E para explicar e interpretar os fatos, é preciso uma análise, que deve obedecer a determinados princípios. Nesse procedimento são utilizados conceitos e noções que ordeterminados princípios. Nesse procedimento são utilizados conceitos e noções que organizamganizam os fatos, tornandoos fatos, tornando-os -os inteligívinteligíveis” (BITTENCOURTeis” (BITTENCOURT, 20, 2004, p. 04, p. 183)183).. Pensando sobre a formação de conceitos, podemos nos interrogar: como nossas criançasPensando sobre a formação de conceitos, podemos nos interrogar: como nossas crianças aprendem conceitos? É possível a crianças de qualquer faixa etáraprendem conceitos? É possível a crianças de qualquer faixa etária dominar conceitos?ia dominar conceitos? Tomando como referência os pensamentos do pesquisador russo L. S. Vygotsky (1896 –Tomando como referência os pensamentos do pesquisador russo L. S. Vygotsky (1896 – 1934), acreditamos que há uma proximidade entre os conceitos espontâneo e o científico.1934), acreditamos que há uma proximidade entre os conceitos espontâneo e o científico. Na passagem do conhecimento espontêno para o científico não há necessariamente oNa passagem do conhecimento espontêno para o científico não há necessariamente o desaparecimento do primeiro, mas modificações de esquemas intelectuais anteriormentedesaparecimento do primeiro, mas modificações de esquemas intelectuais anteriormente adquiridos. Tadquiridos. Tal teoria recal teoria recai sobre a aquisição social ai sobre a aquisição social dos conceitos.dos conceitos. Observando a dinâmica do processo de formação de conceitos, Vygotsky chegou a algumasObservando a dinâmica do processo de formação de conceitos, Vygotsky chegou a algumas conclusões que passamos a destacar:conclusões que passamos a destacar: • • A A percepção e percepção e a a linguagem são linguagem são indispensáveis indispensáveis à à formação de formação de conceitos;conceitos; • • A A percepção das percepção das diferenças ocorre diferenças ocorre mais mais cedo do cedo do que que as as semelhanças porque semelhanças porque existeexiste uma estrutura de generalizações e de conceituação mais avançada;uma estrutura de generalizações e de conceituação mais avançada; • • O O desenvolvimento desenvolvimento dos dos processos qprocessos que ue resultam resultam na na formação de formação de conceitos começaconceitos começa na infância, mas as funções intelectuais que formam a base psicológicna infância, mas as funções intelectuais que formam a base psicológica do processoa do processode formação de conceitos amadurecem e se desenvolve somente na adolescência;de formação de conceitos amadurecem e se desenvolve somente na adolescência; • • A fA formação de ormação de conceitos é conceitos é o resultado o resultado de uma de uma atividade complexa, atividade complexa, em que em que todastodas as funções intelectuais básicas (atenção deliberada, memória lógica, abstração,as funções intelectuais básicas (atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade para comparar e diferenciar) tomam parte;capacidade para comparar e diferenciar) tomam parte; • • Os conceitos Os conceitos novos novos e mais e mais elevados elevados transformam o transformam o significado dos conceitossignificado dos conceitos inferiores inferiores (VYGOTSKY, 1991)(VYGOTSKY, 1991).. 7575METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Neste sentido, o conhecimento prévio dos alunos é a condição necessária para a construçãoNeste sentido, o conhecimento prévio dos alunos é a condição necessária para a construção de novos significados e esquemas.de novos significados e esquemas. Outro aspecto bastante relevante sobre a Outro aspecto bastante relevante sobre a formação de formação de conceitos, tratado por conceitos, tratado por Vygotsky (1Vygotsky (1991)991),, diz respeito aos processos cotidianos, à experiência pessoal da criança e a instrução formal,diz respeito aos processos cotidianos, à experiência pessoal da criança e a instrução formal, à aprendizagem em sala de aula, que em seu entender, desenvolvem dois tipos de conceitosà aprendizagem em sala de aula, que em seu entender, desenvolvem dois tipos de conceitos que se relacionam e que se relacionam e se influenciam constantemente.se influenciam constantemente. Nesse aspecto, contesta Piaget, por ter sobre esse assunto um ponto fraco na sua teoria,Nesse aspecto, contesta Piaget, por ter sobre esse assunto um ponto fraco na sua teoria, uma vez que para Piaget os conceitos “espontâneos” que constituem as ideias da criançauma vez que para Piaget os conceitos “espontâneos” que constituem as ideias da criança acerca da realidade são acerca da realidade são independentes dos conceitos científicos, decisivamente influenciadosindependentes dos conceitos científicos, decisivamente influenciados pelos adultos e que vão gradativamente substituindo os primeiros. Vygotsky acredita quepelos adultos e que vão gradativamente substituindo os primeiros. Vygotsky acredita que os conceitos espontâneos e os científicos não estão em conflitos, pois fazem parte de umos conceitos espontâneos e os científicos não estão em conflitos, pois fazem parte de um mesmo processo, ainda que se formem e se desenvolvam sob condições externas e internasmesmo processo, ainda que se formem e se desenvolvam sob condições externas e internas diferentes e motivadas por problemas diferentes e motivadas por problemas diferentes.diferentes. Segundo ele, nas experiências cotidianas, a criança centra-se Segundo ele, nas experiências cotidianas, a criança centra-se nos objetos e não tem consciêncianos objetos e não tem consciência de seus conceitos (por de seus conceitos (por exemploexemplo, usa corr, usa corretamente o conceito de município, mas não é cetamente o conceito de município, mas não é capazapaz de fazê-lo numa situação experimental), ao passo que nos conceitos aprendidos na escola,de fazê-lo numa situação experimental), ao passo que nos conceitos aprendidos na escola, em colaboração com o adulto, consegue resolver melhor problemas que envolvem o usoem colaboração com o adulto, consegue resolver melhor problemas que envolvem o uso consciente do conceito. No entanto, seus estconsciente do conceito. No entanto, seus estudos confirmaram a hipótese de que udos confirmaram a hipótese de que os conceitosos conceitos espontâneos e os conceitos científicos, inicialmente afastados porque se desenvolvem emespontâneos e os conceitos científicos, inicialmente afastados porque se desenvolvem em direções contrárias, terminam direções contrárias, terminam por se por se encontrar [..encontrar [...].].. Pode-se dizer que o desenvolvimento dos conceitos espontâneos da criança é ascendentePode-se dizer que o desenvolvimento dos conceitos espontâneos da criança é ascendente (indutivo(indutivo), enquanto o ), enquanto o desenvolvimendesenvolvimento dos to dos seus conceitos seus conceitos científicos é científicos é descendente (dedutivodescendente (dedutivo)) (VYGOTSKY, 1991, p.93).(VYGOTSKY, 1991, p.93). Contudo, VygotsContudo, Vygotsky afirma que é necessárky afirma que é necessário que o conceito espontâneo tenha alcançado cerio que o conceito espontâneo tenha alcançado certoto nível para que o conceito científico correspondente seja internalizado. Eles dependem e senível para que o conceito científico correspondente seja internalizado. Eles dependem e se 7676 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância constroem a partir dos conceitos cotidianos.constroem a partir dos conceitos cotidianos. VygotskyVygotsky Antes do ingresso na escola, a criança já construiu um conjunto de conhecimento informal,Antes do ingresso na escola, a criança já construiu um conjuntode conhecimento informal, produto do desenvolvimento ontogenético a partir de suas experiências e que constitui o seuproduto do desenvolvimento ontogenético a partir de suas experiências e que constitui o seu sistema de crenças sobre o mundo, a influenciar profundamente a sistema de crenças sobre o mundo, a influenciar profundamente a obtenção do conhecimentoobtenção do conhecimento formal, que se dará de formal, que se dará de forma planejada pela forma planejada pela aprendizagem escolar.aprendizagem escolar. Considerando então que o aluno traz uma riqueza de conhecimentos sobre o mundo e seuConsiderando então que o aluno traz uma riqueza de conhecimentos sobre o mundo e seu funcionamento que, na maioria das vezes, entram em conflito com o que é funcionamento que, na maioria das vezes, entram em conflito com o que é imposto pela escolaimposto pela escola e tem de ser aprendido, como o professor pode agir para que os estudantes não rejeiteme tem de ser aprendido, como o professor pode agir para que os estudantes não rejeitem esses conhecimentos, não tenham dificuldades em assimilá-los ou, ainda e principalmente,esses conhecimentos, não tenham dificuldades em assimilá-los ou, ainda e principalmente, não deem “repostas cornão deem “repostas corretas” apenas para cumprir tretas” apenas para cumprir tarefas escolares sem sentido e inúteis?arefas escolares sem sentido e inúteis? F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 7777METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Para os professores, esta tarefa não é fácil, porque implica uma revisão tanto de conteúdosPara os professores, esta tarefa não é fácil, porque implica uma revisão tanto de conteúdos quanto de metodologias. Para que as práticas pedagógicas sejam mais adequadas à quanto de metodologias. Para que as práticas pedagógicas sejam mais adequadas à formaçãoformação de conceitos científicos, algumas sugestões são apontadas com o intuito de primar pela de conceitos científicos, algumas sugestões são apontadas com o intuito de primar pela buscabusca do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade:do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade: • • As idéias As idéias que o que o aluno traz aluno traz para a para a escola são escola são necessárias para a necessárias para a construção deconstrução de significados. Suas experiêncisignificados. Suas experiências culturais e familiares não podem ser negadas. Essasas culturais e familiares não podem ser negadas. Essas idéias devem ser aceitas para progressivamente evoluírem, serem substituídas ouidéias devem ser aceitas para progressivamente evoluírem, serem substituídas outransformadas;transformadas; • • A A resistência paresistência para subsra substituir alguns tituir alguns conceitos só conceitos só é sé superada se uperada se o o conceito científicoconceito científico trouxer maior satisfação: for significativo, fizer sentido e for útil. Os conceitostrouxer maior satisfação: for significativo, fizer sentido e for útil. Os conceitos científicos com maior grau de aplicabilidade, que explicam um maior número decientíficos com maior grau de aplicabilidade, que explicam um maior número de situações e resolve um maior número de problemas, facilitam a mudança;situações e resolve um maior número de problemas, facilitam a mudança; • • O O diálogo com diálogo com os os alunos alunos possibilita o possibilita o diagnóstico de diagnóstico de suas suas ideais ideais em em vários vários momentosmomentos da aprendizagem. Da mesma forma, a interação entre parceiros e a observação dosda aprendizagem. Da mesma forma, a interação entre parceiros e a observação dos diálogos travados entre eles;diálogos travados entre eles; • • Provocar Provocar conflito com conflito com contra-exemplos pode contra-exemplos pode gerar gerar dúvidas dúvidas e e insatisfação, insatisfação, levandolevando os alunos a testarem suas concepções;os alunos a testarem suas concepções; • • Resolver Resolver problemas com problemas com um plano um plano de de atividades cognitivas atividades cognitivas deve deve ser ser estimulado,estimulado, uma vez que a simples nomeação das características essenciais e a repetiçãouma vez que a simples nomeação das características essenciais e a repetição de definições não garantem a formação de conceito. Deve-se estimular o aluno ade definições não garantem a formação de conceito. Deve-se estimular o aluno a considerar soluções alternativas para um mesmo problema;considerar soluções alternativas para um mesmo problema; • • Deve-se possibilitar Deve-se possibilitar ao ao aluno aluno retomar retomar seu seu processo de processo de trabalho, trabalho, explicando suasexplicando suas idéias e analisando a evolução das mesmas;idéias e analisando a evolução das mesmas; • • No No processo de processo de formação de formação de conceitos, é conceitos, é desejável desejável desenvolver desenvolver ações de ações de inclusãoinclusão – – estabelecer estabelecer se se um um objeto objeto dado dado refere-se refere-se ao ao conceito conceito indicado, indicado, e e de de dedução dedução –– reconhecer as características necessárias ou suficientes para incluir ou não osreconhecer as características necessárias ou suficientes para incluir ou não os objetos em um conceito dado;objetos em um conceito dado; • • Nem todo Nem todo conceito é conceito é passível passível de ede experimentação, daí xperimentação, daí o vo valor de alor de meios variados:meios variados: filmes, explorações de campo, vestimentas do passado, entrevista, etc.filmes, explorações de campo, vestimentas do passado, entrevista, etc. FORMAÇÃO DOS CONCEITOS CIENTÍFIFORMAÇÃO DOS CONCEITOS CIENTÍFICOS E PRÁTICAS PEDAGÓGICASCOS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS Por Cleide Nébias (Trabalho apresentado em mesa-redonda no IX Endipe – EncontroPor Cleide Nébias (Trabalho apresentado em mesa-redonda no IX Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. Águas de Lindóia, 1998).Nacional de Didática e Prática de Ensino. Águas de Lindóia, 1998). 7878 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância É importante lembrar que o ensino sistemático e explícito na escola deve levar o aluno àÉ importante lembrar que o ensino sistemático e explícito na escola deve levar o aluno à reconceitualizações e, principalmente, desenvolver formas de pensar que se estendam parareconceitualizações e, principalmente, desenvolver formas de pensar que se estendam para outras áreas e para situações que transcendam a sala de aula.outras áreas e para situações que transcendam a sala de aula. Em seu estudo sobre o livro didático, Maria Carolina Bovério Galzerani chegou à conclusãoEm seu estudo sobre o livro didático, Maria Carolina Bovério Galzerani chegou à conclusão que já aparece no título do artigo produzido: “belas mentiras” comentando a ideologia nosque já aparece no título do artigo produzido: “belas mentiras” comentando a ideologia nos estudos sobre o livro didático.estudos sobre o livro didático. Comentando, assim, a ideologia com o sentido que Marilena Chauí tão bem explica, nossaComentando, assim, a ideologia com o sentido que Marilena Chauí tão bem explica, nossa autora trata dos conceitos ainda que de maneira indireta, mas de forma a fazer a ligação comautora trata dos conceitos ainda que de maneira indireta, mas de forma a fazer a ligação com tudo o mais que os tudo o mais que os autores têm nos apresentado.autores têm nos apresentado. Suas conclusões nos levam a inferir que o livro Suas conclusões nos levam a inferir que o livro didático, em sua relação dialética (afirmaçõesdidático, em sua relação dialética (afirmações X contradições) com a sociedade, ainda tem muito a contribuir, pois contém ainda elementosX contradições)com a sociedade, ainda tem muito a contribuir, pois contém ainda elementos que permitem manter a ambiguidade em aspectos vitais que dizem respeito a essa própriaque permitem manter a ambiguidade em aspectos vitais que dizem respeito a essa própria sociedade. É a tentativa de manter a ordem antes do progresso, como ocorre na nossasociedade. É a tentativa de manter a ordem antes do progresso, como ocorre na nossa bandeira de lema positivista. Em seu títulbandeira de lema positivista. Em seu título ela se apropria co ela se apropria com autorização das ideias de Mariaom autorização das ideias de Maria de Lourdes D. Nosella, que se preocupa com as “belas mentiras” permitidas pela ideologiade Lourdes D. Nosella, que se preocupa com as “belas mentiras” permitidas pela ideologia subjacente aos livros didáticos.subjacente aos livros didáticos. Um ranço de autoritarismo em prejuízo da ciência como conhecimento é o que ela procuraUm ranço de autoritarismo em prejuízo da ciência como conhecimento é o que ela procura diagnosticar, bem como a “sobrevalorização do conhecimento dito científico” como maisdiagnosticar, bem como a “sobrevalorização do conhecimento dito científico” como mais importante do que importante do que “outros tipos de conhecimento possíveis de serem adquiridos e “outros tipos de conhecimento possíveis de serem adquiridos e vivenciadosvivenciados no cotidiano da vida no cotidiano da vida social ou mesmo da social ou mesmo da vida escolar” vida escolar” (PINSKY(PINSKY, 2004, p.1, 2004, p.109).09). Os fatos são “senhores de Os fatos são “senhores de segredos que se segredos que se deixam revelar com lentidão” (AQUINO; FRANCO;deixam revelar com lentidão” (AQUINO; FRANCO; LOPES, 198LOPES, 1980, p.41)0, p.41).. Pensando desta forma, temos de nos render ao fato de que as apreensões do conteúdo e suaPensando desta forma, temos de nos render ao fato de que as apreensões do conteúdo e sua consequente elaboração em conceitos ou partes do entendimento em que se definem palavrasconsequente elaboração em conceitos ou partes do entendimento em que se definem palavras e ideias envolvem não só ae ideias envolvem não só a epistemeepisteme ou ciência em si ou ciência em si mesma, mas também uma determinadamesma, mas também uma determinada 7979METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância forma de tratar o objeto.forma de tratar o objeto. Assim, a elaboração de conceitos exige um planejamento de ação e depois um método (doAssim, a elaboração de conceitos exige um planejamento de ação e depois um método (do gregogrego methodomethodo = caminho) para chegar ao = caminho) para chegar ao que se pretende.que se pretende. Nesta perspectiva, numa primeira fase teríamos a observação e a análise, e estas se fariamNesta perspectiva, numa primeira fase teríamos a observação e a análise, e estas se fariam seguir da formulação de conceitos. Por isso é importante lembrar que “o pseguir da formulação de conceitos. Por isso é importante lembrar que “o ponto mais importanteonto mais importante de qualquer processo compreensivo está justamente aí: esta ou aquela forma de tratar o de qualquer processo compreensivo está justamente aí: esta ou aquela forma de tratar o objetoobjeto está intimamente ligada à própria estrutura mental da sociedade em determinada época, ouestá intimamente ligada à própria estrutura mental da sociedade em determinada época, ou seja, à própria visão de mundo, à forma como o objeto é percebido pelo ser que compreende”seja, à própria visão de mundo, à forma como o objeto é percebido pelo ser que compreende” (AQUINO; FRANCO; LOPES, 1980, p.23).(AQUINO; FRANCO; LOPES, 1980, p.23). Um conceito, para ser totalmente apreendido, necessita levar em conta a concepção que seUm conceito, para ser totalmente apreendido, necessita levar em conta a concepção que se tem da relação entre o ser que compreende e tem da relação entre o ser que compreende e os seres compreendidos sem nunca esquecer aos seres compreendidos sem nunca esquecer a outra parte importante que é a realidade apresentada.outra parte importante que é a realidade apresentada. É essa realidade que vai determinar a fixação dos conceitos teóricos, seguida a ação deÉ essa realidade que vai determinar a fixação dos conceitos teóricos, seguida a ação de fixação dos mesmos conceitos.fixação dos mesmos conceitos. Assim, como apresentam nossos autores citados com muita propriedade, é fundamentalAssim, como apresentam nossos autores citados com muita propriedade, é fundamental diferenciar história e teoria. Pois “a teoria é a visão geral do que se apresenta e, portanto, é adiferenciar história e teoria. Pois “a teoria é a visão geral do que se apresenta e, portanto, é a priori priori , o que vai pre, o que vai presidir e condicionar a sidir e condicionar a apreensão da realidade” (AQUINO; FRANCO; LOPES,apreensão da realidade” (AQUINO; FRANCO; LOPES, 1980, p.24).1980, p.24). Fernand Braudel, responsável por Fernand Braudel, responsável por tantas colocaçõetantas colocações interessantes ao nosso s interessantes ao nosso “ofício”“ofício”, escreveu, escreveu que “a realidade do social, a realidade fundamental do Homem revela-se inteiramente novaque “a realidade do social, a realidade fundamental do Homem revela-se inteiramente nova aos nossos olhos e, queiramos ou não, nosso velho ofício de historiador não cessa de brotaraos nossos olhos e, queiramos ou não, nosso velho ofício de historiador não cessa de brotar e de reflore de reflorir em nossas mãos”.ir em nossas mãos”. É essa a verdade que tem de informar a nossa prática, só será importante quando a tarefa deÉ essa a verdade que tem de informar a nossa prática, só será importante quando a tarefa de construir um novo homem à altura do passado e construir um novo homem à altura do passado e do presente, com vistas às mudanças futurasdo presente, com vistas às mudanças futuras 8080 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância for assumida por nós.for assumida por nós. Da história engajada a uma Da história engajada a uma história que vise mesmo à história que vise mesmo à integração do cidadão, existem algunsintegração do cidadão, existem alguns conceitos fundamentais.conceitos fundamentais. Holien Bezerra (Holien Bezerra (apud apud KARNAL, 2004), por exemplo, menciona quais seriam esses conceitos KARNAL, 2004), por exemplo, menciona quais seriam esses conceitos quando fala de escolaridade básica. Em primeiro lugar, cita a cidadania ou a formação históricaquando fala de escolaridade básica. Em primeiro lugar, cita a cidadania ou a formação histórica que contribuem para a vivência do cidadão. Considera ainda o conhecimento histórico como que contribuem para a vivência do cidadão. Considera ainda o conhecimento histórico como aa compreensão dos processos compreensão dos processos e dos sujeitos históricos, o desvendamento das relações que see dos sujeitos históricos, o desvendamento das relações que se estabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços. A problematizaçãoestabelecem entre os grupos humanos em diferentes tempos e espaços. A problematização pode ser um bopode ser um bom método, bem como a m método, bem como a prática interdisciplinarprática interdisciplinar.. A ampliação das fontes históricas e a percepção da complexidade das relações sociaisA ampliação das fontes históricas e a percepção da complexidade das relações sociais presentes no testemunho individual ou dos fatos é próprpresentes no testemunho individual ou dos fatos é própria da trama histórica.ia da trama histórica. Enfim, a historicidade dos conceitos históricos envolve um senso muito próprio. “Os cEnfim, a historicidade dos conceitos históricos envolve um senso muito próprio. “Os conceitosonceitos históricos somente podem ser entendidos na sua historicidade” escreve Bezerra (históricos somente podem ser entendidos na sua historicidade”escreve Bezerra (apud apud KARNAL, KARNAL, 2004, p.46). “Isto quer dizer que os conceitos criados para explicar cer2004, p.46). “Isto quer dizer que os conceitos criados para explicar certas realidadestas realidadeshistóricas têm seu significado voltado para essas realidades, não sendo possível empregá-históricas têm seu significado voltado para essas realidades, não sendo possível empregá- los indistintamente para toda e qualquer situação semelhante”. Mais que isso, “os conceitos,los indistintamente para toda e qualquer situação semelhante”. Mais que isso, “os conceitos, quando tomados em sua acepção mais ampla, não podem ser utilizados como modelos, masquando tomados em sua acepção mais ampla, não podem ser utilizados como modelos, mas apenas como indicadores de apenas como indicadores de expectativas analexpectativas analíticas” e por isso mesmo quando períticas” e por isso mesmo quando permitem umamitem uma compreensão geral podem receber o nome de “categoria” (BEZERRAcompreensão geral podem receber o nome de “categoria” (BEZERRA apud apud KARNAL, 200 KARNAL, 2004, p.4, p. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 8181METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância 47)47). E o . E o autor exemplifica: a categoria autor exemplifica: a categoria trabalho, continente, homem, revolução.trabalho, continente, homem, revolução. O conceito de cidadania, por exemplo, envolve o conjunto de preocupações que informamO conceito de cidadania, por exemplo, envolve o conjunto de preocupações que informam o conhecimento histórico e suas relações com o ensino vivenciado na escola e que leva aoo conhecimento histórico e suas relações com o ensino vivenciado na escola e que leva ao aprimoramento de atitudes e aprimoramento de atitudes e valores imprescindívvalores imprescindíveis para o eis para o exercexercício da cidadania dício da cidadania dotando deotando de recursos para atuar e dispor dos instrumentos que a cultura põe à nossa disposição.recursos para atuar e dispor dos instrumentos que a cultura põe à nossa disposição. Depois que Braudel (1965) demoliu o factual e a ênfase ao político, temos de novo a voltaDepois que Braudel (1965) demoliu o factual e a ênfase ao político, temos de novo a volta do político, mas desta vez ao lado do social, do ideológico, do econômico, num todo, comodo político, mas desta vez ao lado do social, do ideológico, do econômico, num todo, como esferas. Em relação a esta nova visão, temos, sobretudo, o conceito esferas. Em relação a esta nova visão, temos, sobretudo, o conceito que permite a que permite a historicidade,historicidade, mas evita o historicismo, como escreve Jaime Pinsky (2004) quando comenta a ciência quemas evita o historicismo, como escreve Jaime Pinsky (2004) quando comenta a ciência que Aristóteles considerava apenas a ciência do parAristóteles considerava apenas a ciência do particularticular.. “Esmagado duplamente, de um lado pelo herói, do outro pelo ‘processo’ do qual era vítima“Esmagado duplamente, de um lado pelo herói, do outro pelo ‘processo’ do qual era vítima passiva, o homem começa a ser descoberto como agente real da história, como aquele quepassiva, o homem começa a ser descoberto como agente real da história, como aquele que atua para que ela possa ocorrer”, resgata de uma forma mais “nobre” a sua “particularidadeatua para que ela possa ocorrer”, resgata de uma forma mais “nobre” a sua “particularidade mas sem abandonar mas sem abandonar a sua universalidade enquanto ser a sua universalidade enquanto ser humano” (PINSKYhumano” (PINSKY, 200, 2004, p.214, p.21).). Essas são as principais diretrizes de nosso tempo para tal abordagem.Essas são as principais diretrizes de nosso tempo para tal abordagem. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 8282 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA E O COTIDIANO DE SALAA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE HISTÓRIA E O COTIDIANO DE SALA DE AULADE AULA Munido de conhecimento, baseado em seu próprio meio subjetivo de encarar a História emMunido de conhecimento, baseado em seu próprio meio subjetivo de encarar a História em suas individualidades, fatos, processos e visão geral possível, o professor tem perante a si osuas individualidades, fatos, processos e visão geral possível, o professor tem perante a si o encargo de transportar tudo isto para a prática.encargo de transportar tudo isto para a prática. Isto porque é ele quem transforma o saber a ser ensinado em saber apreendido, açãoIsto porque é ele quem transforma o saber a ser ensinado em saber apreendido, ação fundamental no processo fundamental no processo de produção do de produção do conhecimento (BITTENCOURTconhecimento (BITTENCOURT, 2004)., 2004). E o cotidiano da sala de aula é, ao mesmo tempo, laboratório e palco de sua capacidadeE o cotidiano da sala de aula é, ao mesmo tempo, laboratório e palco de sua capacidade de levar aos seus alunos a historicidade, em conceitos e fatos, a permitir-lhes a apropriaçãode levar aos seus alunos a historicidade, em conceitos e fatos, a permitir-lhes a apropriação pessoal de um verdadeiro conhecimento histórico em seu sentido e propriedades.pessoal de um verdadeiro conhecimento histórico em seu sentido e propriedades. Circe Bittencout (2004) organizou um precioso volume sobre “Circe Bittencout (2004) organizou um precioso volume sobre “O saber histórico na salaO saber histórico na sala de aulade aula” com a colaboração de vários professores aqui já citados, como Maria Auxiliadora” com a colaboração de vários professores aqui já citados, como Maria Auxiliadora Schmidt.Schmidt. Nesse livro que trata dos saberes práticos necessários ao historiador, a professora doutoraNesse livro que trata dos saberes práticos necessários ao historiador, a professora doutora Maria de Lourdes Monaco Janotti expressa suas preocupações a respeito do papel queMaria de Lourdes Monaco Janotti expressa suas preocupações a respeito do papel que a história pode – ou não pode – representar a partir do cotidiano de nossas salas de aulaa história pode – ou não pode – representar a partir do cotidiano de nossas salas de aula nacionais, amparada nas reflexões de Hobsbawm em obras como a “nacionais, amparada nas reflexões de Hobsbawm em obras como a “Era dos ExtremosEra dos Extremos”” F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 8383METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância (1995).(1995). O fenômeno indesejável a que ela se refere é “uma inimaginável alienação coletiva deO fenômeno indesejável a que ela se refere é “uma inimaginável alienação coletiva de resultados resultados imprevisíimprevisíveis” (JANOTTIveis” (JANOTTI apud apud BITENCOURT BITENCOURT, 200, 2004, p.424, p.42) que p) que pode ocorode ocorrer agora,rer agora, em plena sociedade dita do conhecimento prescedida pela globalização.em plena sociedade dita do conhecimento prescedida pela globalização. O esquecimento é uma arma poderosa nesse movimento que, não ingenuamente,O esquecimento é uma arma poderosa nesse movimento que, não ingenuamente, promove pela mídia internacional espetáculos regionais – originalmente fruto depromove pela mídia internacional espetáculos regionais – originalmente fruto dereações à cultura dominante – tornando-os produtos consumíveis pelo público dosreações à cultura dominante – tornando-osprodutos consumíveis pelo público dos talk-talk- showsshows (JANOTTI (JANOTTI apud apud BITTENCOURT, 2004, p.43). BITTENCOURT, 2004, p.43). Essa é uma importante indicação para um professor fazer sua escolha dentre os temas queEssa é uma importante indicação para um professor fazer sua escolha dentre os temas que considera relevantes para levar à sala de aula.considera relevantes para levar à sala de aula. Prestigiar temas apenas do passado ou as irrelevâncias do presente são igualmente perPrestigiar temas apenas do passado ou as irrelevâncias do presente são igualmente perigosos,igosos, pois o passado visto em si mesmo não ilustra nem informa o presente. Nem, como escreve apois o passado visto em si mesmo não ilustra nem informa o presente. Nem, como escreve a professora, o presente se explica a partir de si mesmo.professora, o presente se explica a partir de si mesmo. Do passado devem ser destacados fatos que permitam a conexão com o presente e nenhumDo passado devem ser destacados fatos que permitam a conexão com o presente e nenhum aspecto ou esfera deve ser desprezado, da política ao easpecto ou esfera deve ser desprezado, da política ao econômico, do social ao conômico, do social ao ideológico.ideológico. Isto tudo tem de ser lembrado, pois se “a História não é o terreno do ‘interessante’ e doIsto tudo tem de ser lembrado, pois se “a História não é o terreno do ‘interessante’ e do mundo privado enquanto tal”, ao mesmo tempo, “o perigo de ignorar o passado público podemundo privado enquanto tal”, ao mesmo tempo, “o perigo de ignorar o passado público pode acarretar a perda da visão dialética da História”. Afinal, conclui a professora Janotti (acarretar a perda da visão dialética da História”. Afinal, conclui a professora Janotti (apud apud BITTENCOURT, 2004, p.43), é “a vontade política que leva à crítica e à construção deBITTENCOURT, 2004, p.43), é “a vontade política que leva à crítica e à construção de projetos futuros”. Para operar a transformação a partir da consciência individual de nossosprojetos futuros”. Para operar a transformação a partir da consciência individual de nossos alunos, cuja reflexão tem de ser convenientemente suscitada, temos de partir de suasalunos, cuja reflexão tem de ser convenientemente suscitada, temos de partir de suas próprias experiências cotidianas e encaminhá-los à linguagem culta própria da ciência e aospróprias experiências cotidianas e encaminhá-los à linguagem culta própria da ciência e aos conhecimentos sistemáticos característicos da ciência, de forma planejada, paulatina, ondeconhecimentos sistemáticos característicos da ciência, de forma planejada, paulatina, onde os problemas sejam apresentados em forma crescente mas cuidadosa para não assustar ouos problemas sejam apresentados em forma crescente mas cuidadosa para não assustar ou fazer desinteressar pela incapacidade de apreender.fazer desinteressar pela incapacidade de apreender. Janotti cita Durmeval Trigueiro Mendes (Janotti cita Durmeval Trigueiro Mendes (apud apud BITTENCOURT BITTENCOURT, 2004, , 2004, p.44) quando alerta p.44) quando alerta aosaos 8484 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância líderes educacionais da necessidade que vem imposta pela compreensão de que “toda açãolíderes educacionais da necessidade que vem imposta pela compreensão de que “toda ação eficaz, sobretudo no mundo de hoje, é antes de tudo a ação que muda a consciência – aeficaz, sobretudo no mundo de hoje, é antes de tudo a ação que muda a consciência – a própria e a dos outros”. Eis aí um momento de relevância, pois a professora da USP nosprópria e a dos outros”. Eis aí um momento de relevância, pois a professora da USP nos alerta para a necessidade de revisarmos bem o nosso papel de intelectuais “orgânicos” comoalerta para a necessidade de revisarmos bem o nosso papel de intelectuais “orgânicos” como pensava Gramsci, quando o intelectual italiano ressaltava que os professores estão sempre,pensava Gramsci, quando o intelectual italiano ressaltava que os professores estão sempre, ainda que inconscientemente, engajados num processo de construção de um Estado... que oainda que inconscientemente, engajados num processo de construção de um Estado... que o Estado quer.Estado quer. O que Janotti pretende, afinal, é que ao professor não passem desapercebidos aquelesO que Janotti pretende, afinal, é que ao professor não passem desapercebidos aqueles “segredos” que existem nas sociedades, ou que não caiam nas armadilhas postas em seu“segredos” que existem nas sociedades, ou que não caiam nas armadilhas postas em seu caminho intelectual pelas ideologias vigentes.caminho intelectual pelas ideologias vigentes. Refletindo sobre o tema, examine o que se diz sobre o quadro-negro.Refletindo sobre o tema, examine o que se diz sobre o quadro-negro. O quadro-negro fez e faz O quadro-negro fez e faz parte do cotidiano de nossas salas parte do cotidiano de nossas salas de aula e, desde de aula e, desde o advento dao advento da tecnologia, tem sido preterido tecnologia, tem sido preterido e substituído por máquinas, tais como o e substituído por máquinas, tais como o retroprojetorretroprojetor, o multimídia,, o multimídia, oo data-show data-show . Aliás, é sobre a tecnologia que podemos falar agora. Os novos recursos postos. Aliás, é sobre a tecnologia que podemos falar agora. Os novos recursos postos a nosso sera nosso serviço em sala de aula viço em sala de aula podem nos induzir a um outro podem nos induzir a um outro excesso, tão prejudicial quantoexcesso, tão prejudicial quanto contar só com a lousa tradicional ou as aulas expositivas que se alongam por horas a fio.contar só com a lousa tradicional ou as aulas expositivas que se alongam por horas a fio. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 8585METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância QuadroQuadro,, Quadro-NegroQuadro-Negro ou ou LousaLousa é uma superfície reutilizável onde se escreve textos ou desenhos é uma superfície reutilizável onde se escreve textos ou desenhos que são feitos com giz ou outros marcadores apagáveis. Eram feitos originalmente lisos, folhas nasque são feitos com giz ou outros marcadores apagáveis. Eram feitos originalmente lisos, folhas nas de Ardósia preta ou cinza de Ardósia preta ou cinza escuro.escuro. Um quadro pode ser uma “placa” pintada em cores escuras com lustro (Geralmente Negro ou VerdeUm quadro pode ser uma “placa” pintada em cores escuras com lustro (Geralmente Negro ou Verde Escuro).Escuro). Os quadros são usados geralmente para ensinar como o Os quadros são usados geralmente para ensinar como o uso da escrita, dúvidas, cálculos, atividadesuso da escrita, dúvidas, cálculos, atividades e anotações diversas, pertinentes ao assunto estudado no momento. As marcas do giz podem limpare anotações diversas, pertinentes ao assunto estudado no momento. As marcas do giz podem limpar rapidamente com um pano úmido ou um Apagador, para escrever neles é altamente recomendavel orapidamente com um pano úmido ou um Apagador, para escrever neles é altamente recomendavel o uso de “uso de “Giz processadoGiz processado” feito de uso ” feito de uso especial para quadros negros, com várias cores como: Branco,especial para quadros negros, com várias cores como: Branco, azul, verde etc. Estes não são feitos realmente de rocha de giz, mas de Gesso.azul, verde etc. Estes não são feitos realmente de rocha de giz, mas de Gesso. Como Desvantagem, o Quadro-Negro produz uma grande quantidade de poeira, Como Desvantagem, o Quadro-Negro produz uma grande quantidade de poeira, dependendo da qua-dependendo da qua- lidade do giz usado. Algumas pessoas encontram incômodo, ou podem ser alérgicas, e houve boatoslidadedo giz usado. Algumas pessoas encontram incômodo, ou podem ser alérgicas, e houve boatos sobre a poeira do giz ligado a problemas respiratórios. Estas desvantagens podem conduzir a umasobre a poeira do giz ligado a problemas respiratórios. Estas desvantagens podem conduzir a uma adaptação do Quadro-Branco, que usa Canetas de Tinta adaptação do Quadro-Branco, que usa Canetas de Tinta e não produzem nenhuma poeira.e não produzem nenhuma poeira. Ao riscar um quadro com as unhas o som pode ser extremamente irritante tanto para o professorAo riscar um quadro com as unhas o som pode ser extremamente irritante tanto para o professor como para os alunos, mas isto não invalida seu papel primordial que continua inalterado entre nós:como para os alunos, mas isto não invalida seu papel primordial que continua inalterado entre nós: apresentar os dados e a data da aula, os temas principais na abertura dos trabalhos e encerramentoapresentar os dados e a data da aula, os temas principais na abertura dos trabalhos e encerramento dos mesmos em sala de dos mesmos em sala de aula, anotações necessárias e organização dos trabalhos.aula, anotações necessárias e organização dos trabalhos. Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quadro_negro>. Acesso em: 01 jun. Fonte: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Quadro_negro>. Acesso em: 01 jun. 2012011.1. A esse respeito Karnal faz uma importante observação sobre o cotidiano de nossa práticaA esse respeito Karnal faz uma importante observação sobre o cotidiano de nossa prática pedagógica. “Há algumas décadas houve um equívoco expressivo na modernização dopedagógica. “Há algumas décadas houve um equívoco expressivo na modernização do ensino. Julgou-se que era necessário introduzir máquinas para se ter uma aula dinâmica”. E,ensino. Julgou-se que era necessário introduzir máquinas para se ter uma aula dinâmica”. E, nesse intuito, “multiplicaram-se os retroprojetores, os projetores denesse intuito, “multiplicaram-se os retroprojetores, os projetores de slidesslides e, posteriormente, os e, posteriormente, os filmes em sala de aula” (KARNAL, 2004, p.9).filmes em sala de aula” (KARNAL, 2004, p.9). O autor não se insurge contra O autor não se insurge contra o acréscimo de recursos em o acréscimo de recursos em prol da aprendizagem, mas quantoprol da aprendizagem, mas quanto 8686 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância a uma nova hipertrofia que demonstra um excesso.a uma nova hipertrofia que demonstra um excesso. A Revista Nova Escola apresenta uma possibilidade de A Revista Nova Escola apresenta uma possibilidade de usar a tecnologia, mais preusar a tecnologia, mais precisamentecisamente a internet, a nosso favor. Ta internet, a nosso favor. Traduzindo-se em um rraduzindo-se em um recurso que favorece a pesquisa de ecurso que favorece a pesquisa de conteúdosconteúdos de História. Leia trechos desta reportagem.de História. Leia trechos desta reportagem. Que tal registrar histórias locais usando Que tal registrar histórias locais usando tecnologia?tecnologia? Saiba como é possível pesquisar conteúdoSaiba como é possível pesquisar conteúdos de História, utilizando recursos tecnológicoss de História, utilizando recursos tecnológicos Amanda PolatoAmanda Polato A internet apresenta leitura quase inesgotável de fontes de pesquisa. Para que se faça bom proveitoA internet apresenta leitura quase inesgotável de fontes de pesquisa. Para que se faça bom proveito de tanta riqueza, a classe precisa ter claros os objetivos da investigação. Em seguida, é importantede tanta riqueza, a classe precisa ter claros os objetivos da investigação. Em seguida, é importante discutir onde encontrar informação conável. Nesse ponto, seu trabalho é ensinar que, diferentementediscutir onde encontrar informação conável. Nesse ponto, seu trabalho é ensinar que, diferentemente do que a garotada costuma acreditar, fatos históricos não são contados de maneira neutra. Qualquerdo que a garotada costuma acreditar, fatos históricos não são contados de maneira neutra. Qualquer relato traz embutido certa dose de opinião do autor (se isso já é verdade mesmo para os verbetes en-relato traz embutido certa dose de opinião do autor (se isso já é verdade mesmo para os verbetes en- ciclopédicos, imagine o risco de um aluno conar cegamente, ao pesquisar sobre a Segunda Guerraciclopédicos, imagine o risco de um aluno conar cegamente, ao pesquisar sobre a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, em um site que defende o revisionismo do Holocausto, argumentando que oMundial, por exemplo, em um site que defende o revisionismo do Holocausto, argumentando que o extermínio de judeus não ocorreu).extermínio de judeus não ocorreu). As tecnologias também permitem que os estudantes produzam e compartilhem com facilidade re-As tecnologias também permitem que os estudantes produzam e compartilhem com facilidade re- gistros da história local. Um exemplo é a parceria do Museu da Pessoa (www.museudapessoa.net),gistros da história local. Um exemplo é a parceria do Museu da Pessoa (www.museudapessoa.net), uma instituição que mantém um site sobre histórias de vida, com escolas municipais de São Paulo.uma instituição que mantém um site sobre histórias de vida, com escolas municipais de São Paulo. Professores, estudantes e funcionários contam relatos pessoais em vídeo, áudio Professores, estudantes e funcionários contam relatos pessoais em vídeo, áudio e texto e os colocame texto e os colocam em uma comunidade virtual. Narrando suas experiências e contemplando outras, os alunos aprendemem uma comunidade virtual. Narrando suas experiências e contemplando outras, os alunos aprendem que os testemunhos são um importante ponto de partida para conhecer melhor uma realidade ouque os testemunhos são um importante ponto de partida para conhecer melhor uma realidade ou determinada cultura. “A história de cada um importa”, explica Marcia Elias Trezza, coordenadora dodeterminada cultura. “A história de cada um importa”, explica Marcia Elias Trezza, coordenadora do projeto.projeto. Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/tal-registrar-historias-locais-usan-Fonte: <http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/tal-registrar-historias-locais-usan- do-tecnologia-476004.shtml>. Acesso em: 01 jun. do-tecnologia-476004.shtml>. Acesso em: 01 jun. 2012011.1. 8787METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Karnal (2004) adverte que a tecnologia não é um fim em si mesma, mas sim um meio para seKarnal (2004) adverte que a tecnologia não é um fim em si mesma, mas sim um meio para se atingir uma finalidade. O caso de Barra do Chapéu comentado na Folha de São Paulo do diaatingir uma finalidade. O caso de Barra do Chapéu comentado na Folha de São Paulo do dia 29 de abril de 2007 por Gilberto Dimenstein ilustra esse problema.29 de abril de 2007 por Gilberto Dimenstein ilustra esse problema. “Ninguém poderia imaginar que aquela cidade, perdida no Vale do Ribeira, iria surpreender a“Ninguém poderia imaginar que aquela cidade, perdida no Vale do Ribeira, iria surpreender a todo o país”, escreve Dimenstein (FOLHA DE SÃO PAULO, C 10 cotidiano, domingo, 29 detodo o país”, escreve Dimenstein (FOLHA DE SÃO PAULO, C 10 cotidiano, domingo, 29 de abril de 2007).abril de 2007). Como esse documento será reproduzido para leitura em nComo esse documento será reproduzido para leitura em nosso momento de escolher um textoosso momento de escolher um texto para reflexão, antecipamos apenas que esse caso anotado pelo para reflexão, antecipamos apenas que esse caso anotado pelo articulista da Folha comprovaarticulista da Folha comprova o que vem afirmado a seguir por Karnal (2004) e outros autores.o que vem afirmado a seguir por Karnal (2004) e outros autores. A respeito da possibilidade de dialogar com intelectuais como Dimenstein, aconselhamosA respeito da possibilidadede dialogar com intelectuais como Dimenstein, aconselhamos a ocasião em que jornais como a Folha de São Paulo abrem “chats” onde são vinculadasa ocasião em que jornais como a Folha de São Paulo abrem “chats” onde são vinculadas muitas ideias proveitosas. Um destes momentos aconteceu no dia 25 de janeiro (2007), datamuitas ideias proveitosas. Um destes momentos aconteceu no dia 25 de janeiro (2007), data da fundação da cda fundação da cidade de São Paulo, como mostramos idade de São Paulo, como mostramos abaixo:abaixo: Folha OnlineFolha Online Conra abaixo parte do bate-papo com o jornalista Gilberto Dimenstein, colunista daConra abaixo parte do bate-papo com o jornalista Gilberto Dimenstein, colunista da FolhaFolha, sobre o, sobre o aniversário de São Paulo (...). O texto reete a forma como os participantes digitaram. Participaramaniversário de São Paulo (...). O texto reete a forma como os participantes digitaram. Participaram do chat 207 internautas.do chat 207 internautas. Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Gilberto Dimenstein sobre oBem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Gilberto Dimenstein sobre o 453º aniversário da cidade de São Paulo. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado453º aniversário da cidade de São Paulo. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.no menu de participantes. É o primeiro da lista. Andre Porto/Folha ImagemAndre Porto/Folha Imagem O jornalista Gilberto DimensteinO jornalista Gilberto Dimenstein 8888 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância (03:01:50) Gilberto Dimenstein: podemos começar(03:01:50) Gilberto Dimenstein: podemos começar (03:02:37) Gilberto Dimenstein: boa tarde, é um prazer estar aqui com vocês para falar sobre nossa(03:02:37) Gilberto Dimenstein: boa tarde, é um prazer estar aqui com vocês para falar sobre nossa cidade.cidade. (03:03:45) Luisa fala para Gilberto Dimenstein: Gil(03:03:45) Luisa fala para Gilberto Dimenstein: Gilberto, vc acha que com tanta desgraça acontecendoberto, vc acha que com tanta desgraça acontecendo em SP temos o que comemorar?em SP temos o que comemorar? (03:05:17) Gilberto Dimenstein: Não é mesmo fácil comemorar. Mas, ao mesmo tempo em que vive-(03:05:17) Gilberto Dimenstein: Não é mesmo fácil comemorar. Mas, ao mesmo tempo em que vive- mos nesse caos, também estamos numa cidade efervescente, cheia de possibilidades. Não existe, emmos nesse caos, também estamos numa cidade efervescente, cheia de possibilidades. Não existe, em termos de possibilidade, nada igual no Brasil, apesar de todos os nossos problemas.termos de possibilidade, nada igual no Brasil, apesar de todos os nossos problemas. Acesse: <http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/comportamento/gilberto-dimenstein-fala-Acesse: <http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/comportamento/gilberto-dimenstein-fala- -sobre-os-desaos-de-sao-paulo-no-seu-453-aniversario.jhtm-sobre-os-desaos-de-sao-paulo-no-seu-453-aniversario.jhtm> para ler o bate-papo na íntegra.> para ler o bate-papo na íntegra. Esse “chat”, por si só, nos demonstra o que deve ser uma Esse “chat”, por si só, nos demonstra o que deve ser uma aula moderna, atual, que considere aula moderna, atual, que considere oo conhecimento prévio dos alunos, mas a ele acrescente algo conhecimento prévio dos alunos, mas a ele acrescente algo que seja novo e capaz de que seja novo e capaz de suscitarsuscitar uma nova reflexão.uma nova reflexão. Com a Internet em “aula virtual” ou com o giz e a lousa, em qualquer dos casos,Com a Internet em “aula virtual” ou com o giz e a lousa, em qualquer dos casos, independentemente da tecnologia, o que vale é a interindependentemente da tecnologia, o que vale é a intervenção do mediador, no caso o professorvenção do mediador, no caso o professor ou o intelectual que responde ou o intelectual que responde a questionamentos.a questionamentos. A produção do conhecimento se faz de maneira formal, mas também a partir do informal, doA produção do conhecimento se faz de maneira formal, mas também a partir do informal, do cotidiano, da experiência do aluno.cotidiano, da experiência do aluno. Le Goff, por exemplo, quando discute esse tema do que é importante em História ou como aLe Goff, por exemplo, quando discute esse tema do que é importante em História ou como a disciplina deve ser ensinada, nos remete a uma reflexão sobre o seguinte: o que se discutedisciplina deve ser ensinada, nos remete a uma reflexão sobre o seguinte: o que se discute não é o ensino, mas sim a produção do conhecimento histórico no seu sentido mais restrito enão é o ensino, mas sim a produção do conhecimento histórico no seu sentido mais restrito e específico.específico. Ainda no interesse de organizar o pensamento para o docente da disciplina ele aponta “paraAinda no interesse de organizar o pensamento para o docente da disciplina ele aponta “para os imprescindíveis elementos de ordenação do conhecimento histórico”, tais como: “o queos imprescindíveis elementos de ordenação do conhecimento histórico”, tais como: “o que aconteceu? Como aconteceu? Quando, em que ritmo aconteceu?” Pois sem tais questões nãoaconteceu? Como aconteceu? Quando, em que ritmo aconteceu?” Pois sem tais questões não 8989METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância se constroem os processos e as explicações gerais. E mais “que isso não se faz uma ciênciase constroem os processos e as explicações gerais. E mais “que isso não se faz uma ciência da história” (NEVES, 20da história” (NEVES, 2003, p. 163).03, p. 163). Os detalhes introduzidos em nossa prática didática em sala de aula podem parecerOs detalhes introduzidos em nossa prática didática em sala de aula podem parecer insignificantes à primeira vista, mas são os responsáveis pela nossa eficaz docência.insignificantes à primeira vista, mas são os responsáveis pela nossa eficaz docência. O que e como ensinar é O que e como ensinar é algo que passa muito além dos temas, que envolve nossa invesalgo que passa muito além dos temas, que envolve nossa investigaçãotigação e tratamento metodológico, mas, sobretudo põe à prova a nossa verdadeira capacidade dee tratamento metodológico, mas, sobretudo põe à prova a nossa verdadeira capacidade de comunicação do que sabemos. “A produção historiográfica busca estabelecer diálogos com ocomunicação do que sabemos. “A produção historiográfica busca estabelecer diálogos com o seu tempo, reafirmando o adágio que ‘toda a história é filha do seu tempo’, mas sem ignorarseu tempo, reafirmando o adágio que ‘toda a história é filha do seu tempo’, mas sem ignorar o fruto de muitas tradições de pensamento”. Assim, da mesma forma que não podemoso fruto de muitas tradições de pensamento”. Assim, da mesma forma que não podemos descartar as boas heranças do passado ou só confiar nas necessidades do presente, temosdescartar as boas heranças do passado ou só confiar nas necessidades do presente, temos de entender o que de entender o que existe de verdade na dinâmica da inovação. Continuando com Karexiste de verdade na dinâmica da inovação. Continuando com Karnal: “Quenal: “Que seja dito e repetido à exaustão: uma aula pode ser extremamente conservadora e seja dito e repetido à exaustão: uma aula pode ser extremamente conservadora e ultrapassadaultrapassada contando com todos os contando com todos os mais modernos meios audiovisuais. Uma aula pode ser muito dinâmicamais modernos meios audiovisuais. Uma aula pode ser muito dinâmica e inovadora utilizando giz, professor e aluno” (2004, p.9).e inovadora utilizando giz, professor e aluno” (2004, p.9). Isto significa que o importante é a nossa concepção de História nas opções que fazemos eIsto significa que o importante é a nossa concepção de História nas opções que fazemos e que devem semprelevar em conta o aluno, suas necessidades, sua que devem sempre levar em conta o aluno, suas necessidades, sua curiosidade, indagações ecuriosidade, indagações e pré-requisitos ou recurpré-requisitos ou recursos intelectuais prévios que variam de um para osos intelectuais prévios que variam de um para outro, sempre.utro, sempre. Le Goff, pelos comentários de Joana Neves (2002, p.166), nos permite uma conclusão: aLe Goff, pelos comentários de Joana Neves (2002, p.166), nos permite uma conclusão: a história como disciplina escolar não deixa nunca de ser história ciência, mas necessita partirhistória como disciplina escolar não deixa nunca de ser história ciência, mas necessita partir “de um conjunto de provocações” que enc“de um conjunto de provocações” que encaminhem para o verdadeiro saber aminhem para o verdadeiro saber histórico.histórico. O educador Frances Edgar Morin, em entrevista a Revista Nova Escola (dez. de 2003, Ed. n.O educador Frances Edgar Morin, em entrevista a Revista Nova Escola (dez. de 2003, Ed. n. 168, pp. 36-37), acredita que instigar a 168, pp. 36-37), acredita que instigar a curiosidade da criança é a melhor forma de despertácuriosidade da criança é a melhor forma de despertá-la-la para o saber. No nosso caso, o saber para o saber. No nosso caso, o saber histórico.histórico. Para Morin, “se vivemos em um mundo complexo e interligado, e novas informações nosPara Morin, “se vivemos em um mundo complexo e interligado, e novas informações nos fazem, a toda hora, mudar de planos, por que a escola ainda teima em ensinar certezas efazem, a toda hora, mudar de planos, por que a escola ainda teima em ensinar certezas e 9090 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância conhecimentos que parecem únicos e absolutos?” Diante de suas inquietações pela formaconhecimentos que parecem únicos e absolutos?” Diante de suas inquietações pela forma como a educação caminha, fez um estudo sobre quais seriam os temas que não poderiamcomo a educação caminha, fez um estudo sobre quais seriam os temas que não poderiam faltar para formar o cidadão do século XXI. Assim nasceu “faltar para formar o cidadão do século XXI. Assim nasceu “Os Sete Saberes NecessáriosOs Sete Saberes Necessários à Educação do Futuroà Educação do Futuro”, texto que serviu de base para a elaboração de nossos Parâmetros”, texto que serviu de base para a elaboração de nossos Parâmetros Curriculares Nacionais entre outros documentos.Curriculares Nacionais entre outros documentos. Resenha: Os Sete Saberes Necessários À Educação Do Futuro (Edgar Morin)Resenha: Os Sete Saberes Necessários À Educação Do Futuro (Edgar Morin) Morin, Edgar -Morin, Edgar - Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro.Os sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3. ed. - São Paulo - Cortez; 3. ed. - São Paulo - Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2001.Brasília, DF: UNESCO, 2001. Em 1999, a UNESCO solicitou ao lósofo Edgar Morin - nascido na França, em 1921 e um dos maio-Em 1999, a UNESCO solicitou ao lósofo Edgar Morin - nascido na França, em 1921 e um dos maio- res expoentes da cultura francesa no século XX - a sistematização de um conjunto de reexões queres expoentes da cultura francesa no século XX - a sistematização de um conjunto de reexões que servissem como ponto de partida servissem como ponto de partida para se repensar a educação do século XXI.para se repensar a educação do século XXI. Os sete saberes indispensáveis enunciados por Morin, objeto do presente livro:Os sete saberes indispensáveis enunciados por Morin, objeto do presente livro: - as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão;- as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; - os princípios do conhecimento pertinente;- os princípios do conhecimento pertinente; - ensinar a condição humana;- ensinar a condição humana; - ensinar a identidade terrena;- ensinar a identidade terrena; - enfrentar as incertezas;- enfrentar as incertezas; - ensinar a compreensão;- ensinar a compreensão; - a ética do gênero humano,- a ética do gênero humano, são eixos e, ao mesmo tempo, caminhos que se abrem a todos os que pensam e fazem educação esão eixos e, ao mesmo tempo, caminhos que se abrem a todos os que pensam e fazem educação e que estão preocupados com o fque estão preocupados com o futuro das crianças e adolescentes.uturo das crianças e adolescentes. O texto de Edgar Morin tem o mérito de introduzir uma nova e criativa reexão no contexto das discus-O texto de Edgar Morin tem o mérito de introduzir uma nova e criativa reexão no contexto das discus- sões que estão sendo feitas sões que estão sendo feitas sobre a educação para o Século XXI.sobre a educação para o Século XXI. Aborda temas fundamentais para a educação contemporânea, por vezes ignorados ou deixados àAborda temas fundamentais para a educação contemporânea, por vezes ignorados ou deixados à margem dos debates sobre a política educacional.margem dos debates sobre a política educacional. Sua leitura levará à revisão das práticas pedagógicas da atualidade, Sua leitura levará à revisão das práticas pedagógicas da atualidade, tendo em vista a necessidade detendo em vista a necessidade de situar a importância da educação na totalidade dos situar a importância da educação na totalidade dos desaos e incertezas dos tempos atuais.desaos e incertezas dos tempos atuais. Seus capítulos - ou eixos - expõem a genialidade, clareza e simplicidade do lósofo Morin, num textoSeus capítulos - ou eixos - expõem a genialidade, clareza e simplicidade do lósofo Morin, num texto 9191METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância dedicado aos educadores, em particular, mas acessível a todos que se interessam pelos caminhos adedicado aos educadores, em particular, mas acessível a todos que se interessam pelos caminhos a trilhar em busca de um futuro mais humano, solidário e marcado pela construção do conhecimento.trilhar em busca de um futuro mais humano, solidário e marcado pela construção do conhecimento. Fonte:<http://www.conteudoescola.com.br/resenhas/89-resenha-os-sete-saberes-necessarios-a-edu-Fonte:<http://www.conteudoescola.com.br/resenhas/89-resenha-os-sete-saberes-necessarios-a-edu- cacao-do-futuro-edgar-morin>. Acesso em: 01 cacao-do-futuro-edgar-morin>. Acesso em: 01 jun. 2011.jun. 2011. Mas, o que tem essa proposta de Mas, o que tem essa proposta de diferentediferente? Ela coloca o ? Ela coloca o ser humano e o planeta no ser humano e o planeta no centro docentro doensino. “É preciso aprender sobre a condição humana, a compreensão e a ética, entender aensino. “É preciso aprender sobre a condição humana, a compreensão e a ética, entender a era planetária em que vivemos e saber que o cera planetária em que vivemos e saber que o conhecimento, qualquer que seja ele, está sujeitoonhecimento, qualquer que seja ele, está sujeito ao erro e ao erro e à ilusão”à ilusão”, adverte Mor, adverte Morin.in. Ainda acrescenta que é no cotidiano da sala de aula que tudo acontece. Por isto a nossaAinda acrescenta que é no cotidiano da sala de aula que tudo acontece. Por isto a nossa responsabilidade, enquanto professores aumenta. Precisamos ser mais que prresponsabilidade, enquanto professores aumenta. Precisamos ser mais que professores comoofessores como nos lembra Rubem Alves, é preciso ser nos lembra Rubem Alves, é preciso ser EDUCADORES.EDUCADORES. São Paulo, domingo, 29 de abril de 2007 - Folha de S.Paulo - CotidianoSão Paulo, domingo, 29 de abril de 2007 - Folha de S.Paulo - Cotidiano GILBERTO DIMENSTEINGILBERTO DIMENSTEIN O milagre de Barra do ChapéuO milagre de Barra do Chapéu Ninguém poderia imaginar que aquela cidade, Ninguém poderia imaginar que aquela cidade, perdida no Vale do Ribeira, iria surpreender todo o paísperdida no Vale do Ribeira, iria surpreender todo o país EM 2005, a Faap decidiu adotar um município para ensinar-lhe técnicas de gestão, oque, além deEM 2005, a Faap decidiu adotar um município para ensinar-lhe técnicas de gestão, o que, além de ajudá-lo a se desenvolver, serviria de laboratório acadêmico.ajudá-lo a se desenvolver, serviria de laboratório acadêmico. Procurou-se o que havia de mais pobre em São Paulo para que o desao fosse maior. EncontraramProcurou-se o que havia de mais pobre em São Paulo para que o desao fosse maior. Encontraram um lugar em que a maioria das casas não tinha banheiro, o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvi-um lugar em que a maioria das casas não tinha banheiro, o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvi- mento Humano) paulista.mento Humano) paulista. Ninguém poderia imaginar, rigorosamente ninguém, que aquela cidade, perdida no Vale do Ribeira,Ninguém poderia imaginar, rigorosamente ninguém, que aquela cidade, perdida no Vale do Ribeira, iria, na semana passada, surpreender todo o iria, na semana passada, surpreender todo o país. Entre várias tarefas, como mpaís. Entre várias tarefas, como melhorar o saneamentoelhorar o saneamento básico, criar um plano diretor e básico, criar um plano diretor e estimular a vocação econômica, os universitários introduziram o estimular a vocação econômica, os universitários introduziram o xadrezxadrez 9292 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância no currículo, ensinaram informática para professores e alunos, distribuíram computno currículo, ensinaram informática para professores e alunos, distribuíram computadores conectadosadores conectados à internet.à internet. Nesta semana, a escola está recebendo lousas digitais; o giz, portanto, está prestes a ser aposenta-Nesta semana, a escola está recebendo lousas digitais; o giz, portanto, está prestes a ser aposenta- do. Com pouco mais de 4.000 habitantes, Barra do Chapéu entrou, na semana passada, na história,do. Com pouco mais de 4.000 habitantes, Barra do Chapéu entrou, na semana passada, na história, por ser o campeão da quarta série no ranking de qualidade de ensino, elaborado pelo Ministério dapor ser o campeão da quarta série no ranking de qualidade de ensino, elaborado pelo Ministério da Educação.Educação. Para chegar à nota média deles, o Brasil terá de aguardar pelo menos mais 20 anos. Isso se tudoPara chegar à nota média deles, o Brasil terá de aguardar pelo menos mais 20 anos. Isso se tudo o que foi proposto pelo plano educacional do governo federal der certo. Os alunos e professores dao que foi proposto pelo plano educacional do governo federal der certo. Os alunos e professores da Faap foram para lá ensinar, mas aprenderam uma lição -assim como todo o país.Faap foram para lá ensinar, mas aprenderam uma lição -assim como todo o país. Como a primeira ação da Faap ocorreu em 2005, não se pode atribuir-lhe a maior responsabilidadeComo a primeira ação da Faap ocorreu em 2005, não se pode atribuir-lhe a maior responsabilidade pelos resultados de Barra do Chapéu. Mas a receptividade com que aceitaram a colaboração externapelos resultados de Barra do Chapéu. Mas a receptividade com que aceitaram a colaboração externa e o empenho de implementar mudanças dão as pistas do sucesso da cidade.e o empenho de implementar mudanças dão as pistas do sucesso da cidade. A disposição da comunidade para o estudo está simbolizada no vice-prefeito de Barra do Chapéu,A disposição da comunidade para o estudo está simbolizada no vice-prefeito de Barra do Chapéu, Gentil Alves, que, neste momento, está cursando a sétima série do ensino fundamental. Ele tem 67Gentil Alves, que, neste momento, está cursando a sétima série do ensino fundamental. Ele tem 67 anos e, orgulhoso, vai à escola todas as noites.anos e, orgulhoso, vai à escola todas as noites. A receita deles é infalível em qualquer canto A receita deles é infalível em qualquer canto do planeta.do planeta. Se o aluno falta, a Se o aluno falta, a diretora manda chamar os pais; se diretora manda chamar os pais; se eles não comparecerem, aciona-se o Conselhoeles não comparecerem, aciona-se o Conselho TutelarTutelar. Considera-se a família . Considera-se a família um elemento essencial no processo de um elemento essencial no processo de aprendizagem.aprendizagem. Os estudantes não são números numa sala superlotada, mas indivíduos. São 25 alunos por classe.Os estudantes não são números numa sala superlotada, mas indivíduos. São 25 alunos por classe. São feitas avaliações de cada estudante a cada 15 dias.São feitas avaliações de cada estudante a cada 15 dias. Para os que não aprendem, são oferecidos reforço fora do Para os que não aprendem, são oferecidos reforço fora do horário regular e um serviço diário para tirarhorário regular e um serviço diário para tirar dúvidas. Com isso, as repetições de dúvidas. Com isso, as repetições de série ocorrem apenas em casos excepcionais.série ocorrem apenas em casos excepcionais. Há investimento especial em leitura e Há investimento especial em leitura e escrita, base para os demais aprendizados. Impede-se, assim, escrita, base para os demais aprendizados. Impede-se, assim, aa bola de neve. Como não bola de neve. Como não se aprende a ler direito, se aprende a ler direito, as carências se avolumam sem parar.as carências se avolumam sem parar. Os professores não são papagaios de apostilas escolares, mas produtores de conteúdo. Sentem-seOs professores não são papagaios de apostilas escolares, mas produtores de conteúdo. Sentem-se valorizados, inclusive no bolso.valorizados, inclusive no bolso. Eles recebem em média R$ 980 por mês; mais que o dobro do que ganham os trabalhadores locais.Eles recebem em média R$ 980 por mês; mais que o dobro do que ganham os trabalhadores locais. Com essas ações, cria-se um círculo virtuoso. Os governantes valorizam as escolas, os professoresCom essas ações, cria-se um círculo virtuoso. Os governantes valorizam as escolas, os professores se sentem estimulados e são respeitados pela comunidade. Compreensível que, neste ambiente,se sentem estimulados e são respeitados pela comunidade. Compreensível que, neste ambiente, um professor local não se considere ameaçado - pelo contrário-, com a interferência de forasteirosum professor local não se considere ameaçado - pelo contrário-, com a interferência de forasteiros 9393METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância universitários.universitários. E até se disponha a jogar fora o giz e usar um smartboard, permitindo a ampliação da tela do compu-E até se disponha a jogar fora o giz e usar um smartboard, permitindo a ampliação da tela do compu- tador para que os alunos possam juntos navegar na internet -isso numa cidade em que quase todastador para que os alunos possam juntos navegar na internet -isso numa cidade em que quase todas as ruas são de terra.as ruas são de terra. PS- Vê-se, nesse exemplo, como universitários conseguem ajudar concretamente o país. Já que pare-PS- Vê-se, nesse exemplo, como universitários conseguem ajudar concretamente o país. Já que pare- ce impossível cobrar mensalidade no ensino superior público, deveria ser obrigatório que os estudan-ce impossível cobrar mensalidade no ensino superior público, deveria ser obrigatório que os estudan- tes pagassem de volta com serviços comunitários. O que ajudaria também em sua empregabilidade.tes pagassem de volta com serviços comunitários. O que ajudaria também em sua empregabilidade. VVale a pena conhecer a experiência de Male a pena conhecer a experiência de Minas Gerais, onde alunos de dez universidades estão inas Gerais, onde alunos de dez universidades estão dandodando aulas, fora do horário regular, para estudantes da rede pública; usam-se jogos e brincadeiras, muitasaulas, fora do horário regular, para estudantes da rede pública; usam-se jogos e brincadeiras, muitas vezes em parques.vezes em parques. O projeto começou neste ano e, apesar do pouco tempo, já se percebem resultados. Coloquei noO projeto começou nesteano e, apesar do pouco tempo, já se percebem resultados. Coloquei no meu site (www.dimenstein.com.br) as experiências dos alunos da Faap e meu site (www.dimenstein.com.br) as experiências dos alunos da Faap e das universidades mineiras.das universidades mineiras. gdimen@uol.com.br gdimen@uol.com.br Fonte:Fonte: Folha de S. PauloFolha de S. Paulo, 29/04/07, Seção: Cotidiano, Página C 12., 29/04/07, Seção: Cotidiano, Página C 12. Disponível em: <http://www.faap.br/destaques/barra_chapeu/milagre_barra_chapeu.html>. AcessoDisponível em: <http://www.faap.br/destaques/barra_chapeu/milagre_barra_chapeu.html>. Acessoem: 01 jem: 01 jun. 2011.un. 2011. CONSIDERAÇÕCONSIDERAÇÕES ES FINAISFINAIS Nesta segunda unidade, passamos a estudar as mudanças e permanências dos métodos doNesta segunda unidade, passamos a estudar as mudanças e permanências dos métodos do ensino de História e, assim como devemos fazer com nossos alunos, nos prensino de História e, assim como devemos fazer com nossos alunos, nos propomos a destacaropomos a destacar o que mudou e o que permaneceu como concepção de História ao longo do último século eo que mudou e o que permaneceu como concepção de História ao longo do último século e início deste século XXI. O que merece destaque é o entendimento de que hoje todos somosinício deste século XXI. O que merece destaque é o entendimento de que hoje todos somos sujeitos da História e não mais somente os heróis como queriam osujeitos da História e não mais somente os heróis como queriam os filhos da escola metódica.s filhos da escola metódica. Também estudamos que o espaço e o tempo de aprendizado é extremamente infinitoTambém estudamos que o espaço e o tempo de aprendizado é extremamente infinito se considerarmos o ambiente virtual, e mais, que a relação entre o objeto e o sujeito dose considerarmos o ambiente virtual, e mais, que a relação entre o objeto e o sujeito do conhecimento é fundamental para a compreensão do pensamento de determinada época econhecimento é fundamental para a compreensão do pensamento de determinada época e o mediador desse pro mediador desse processo, na escola, é ocesso, na escola, é sempre o professor. Portanto, tarefa complexa, massempre o professor. Portanto, tarefa complexa, mas apaixonante. Vocês não acham?apaixonante. Vocês não acham? Na próxima unidade nos restringiremos ao Na próxima unidade nos restringiremos ao estudo dos documentos históricos e às estudo dos documentos históricos e às possibilidadespossibilidades dos seus usos em sala de dos seus usos em sala de aula.aula. 9494 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância AATIVITIVIDADE DE DADE DE AUTOESTUDOAUTOESTUDO 1.1. Faça a conexão entre o pensamFaça a conexão entre o pensamento de Braudel e a denição que Marc ento de Braudel e a denição que Marc Bloch dá paraBloch dá para a história, pensando em seu objeto de estudoa história, pensando em seu objeto de estudo. Tudo o que você precisa para responder. Tudo o que você precisa para responder se encontra na Unidade II que acabamos de estudar.se encontra na Unidade II que acabamos de estudar. 2. 2. Analise os objetivos Analise os objetivos apresentados pelos Parâmetros Curriculares apresentados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ENacionais para o Ensinonsino de História (1997), ede História (1997), e discorra sobre o assunto relacionando-o com o que estudamosdiscorra sobre o assunto relacionando-o com o que estudamos nesta unidadenesta unidade.. 3. 3. Leia novamente o subtítulo “A Leia novamente o subtítulo “A formação do professor de História e o formação do professor de História e o cotidiano de sala decotidiano de sala de aula”.aula”. a)a) Caracterize o papel do professor de História e suas responsabilidades.Caracterize o papel do professor de História e suas responsabilidades. b)b) Apresente uma estratégia didática a ser utilizada pelo professor que contem-Apresente uma estratégia didática a ser utilizada pelo professor que contem- ple as exigências da sociedade atual.ple as exigências da sociedade atual. LivroLivro: Sobre História- Ensaios: Sobre História- Ensaios Autor Autor : HOBSBAWM, ERIC J.: HOBSBAWM, ERIC J. Tradutor Tradutor : MOREIRA, CID KNIPEL: MOREIRA, CID KNIPEL EditoraEditora: COMPANHIA DAS LETRAS: COMPANHIA DAS LETRAS AssuntoAssunto: HISTÓRIA GERAL: HISTÓRIA GERAL SinopseSinopse Nesta coleção de ensaios, muitos ainda inéditos, Eric Hobsbawm reete sobre Nesta coleção de ensaios, muitos ainda inéditos, Eric Hobsbawm reete sobre prática e teoria da disci-prática e teoria da disci- plina que fez sua justa fama plina que fez sua justa fama como um dos maiores como um dos maiores historiadores contemporâneos. Em suas reexõeshistoriadores contemporâneos. Em suas reexões 9595METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância sobre o papel do historiador, Hobsbawm analisa problemas da ordem do dia, como a identicaçãosobre o papel do historiador, Hobsbawm analisa problemas da ordem do dia, como a identicação das identidades nacionais na Europa e o uso ideológico do discurso histórico naquele contexto; umdas identidades nacionais na Europa e o uso ideológico do discurso histórico naquele contexto; um balanço dos 150 anos do Manifesto Comunista; as relações entre história e economia; o signicadobalanço dos 150 anos do Manifesto Comunista; as relações entre história e economia; o signicado da redução da narrativa histórica a da redução da narrativa histórica a mera variante da narrativa; as modas mera variante da narrativa; as modas e vertentes da historiograae vertentes da historiograa contemporânea; a noção de progresso no contemporânea; a noção de progresso no conhecimento histórico.conhecimento histórico. Fonte:<http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha>. Acesso em: 01 jFonte:<http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha>. Acesso em: 01 jun. 2011.un. 2011. UNIDADE IIIUNIDADE III A UTILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOSA UTILIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS HISTÓRICOS EM SALHISTÓRICOS EM SALA DE A DE AULAAULA Professora Me. Priscilla Campiolo Manesco PaixãoProfessora Me. Priscilla Campiolo Manesco Paixão Objetivos de AprendizagemObjetivos de Aprendizagem • • Aguçar o Aguçar o interesse pinteresse pelas várias elas várias formas de formas de acesso ao acesso ao conhecimento conhecimento histórico ehistórico e diferentes fontes e linguagens: fotograa, vídeo, pintura, textos e documentos dediferentes fontes e linguagens: fotograa, vídeo, pintura, textos e documentos de época.época. • • Desenvolver hDesenvolver habilidades abilidades de observaçãode observação, identi, identicação e cação e compreensão, acompreensão, além dalém da própria linguagem (forma, estética, composição do própria linguagem (forma, estética, composição do todo), para estabelecer relaçãotodo), para estabelecer relação entre forma e conteúdo das fontes históricas.entre forma e conteúdo das fontes históricas. • • Identicar e Identicar e diferenciar diferenciar um documento um documento escrito de escrito de um não um não escrito, bem escrito, bem como suacomo sua utilização por parte dos professores.utilização por parte dos professores. Plano de EstudoPlano de Estudo A seguirA seguir, apresentam-se os , apresentam-se os tópicos que você tópicos que você estudará nesta unidade:estudará nesta unidade: • • Historiadores Historiadores e e professores: professores: diferentes diferentes usos usos das das fontes fontes históricashistóricas • • A A análise análise didática didática de de uma uma fonte fonte históricahistórica • • Documentos Documentos escritos escritos e e não não escritosescritos • • A A construção construção do codo conhecimento nhecimento por mpor meio daeio das fons fontes hites históricasstóricas 9999METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a DistânciaINTRODUÇÃOINTRODUÇÃO Desde que o concDesde que o conceito de documento foi ampliado, da posição eito de documento foi ampliado, da posição de um positivista (ou metódico)de um positivista (ou metódico) para um neo-historiador, houve um enriquecimento quanto às fontes possíveis para umpara um neo-historiador, houve um enriquecimento quanto às fontes possíveis para um historiador. O uso das fontes históricas passou a incluir não só o documento escrito em seuhistoriador. O uso das fontes históricas passou a incluir não só o documento escrito em seu sentido restrito como foi ampliado sentido restrito como foi ampliado para outros materiais disponíveis.para outros materiais disponíveis. Contrariamente ao que Charles Langlois ou Seignobos (positivistas) defendiam, Marc BlochContrariamente ao que Charles Langlois ou Seignobos (positivistas) defendiam, Marc Bloch (1886 -1944) afirmava que:(1886 -1944) afirmava que: O stock de documentos de que a história dispõe não é limitado: sugere não utilizarO stock de documentos de que a história dispõe não é limitado: sugere não utilizar exclusivamente os documentos escritos e recorrer a outros materiais, arqueológicos,exclusivamente os documentos escritos e recorrer a outros materiais, arqueológicos, artísticos, numismáticos (considerada uma ciência auxiliar da História e como ciênciaartísticos, numismáticos (considerada uma ciência auxiliar da História e como ciência trata da descrição e da história das moedas e medalhas) etc. (BOURDÉ; MARTIN,trata da descrição e da história das moedas e medalhas) etc. (BOURDÉ; MARTIN, 1990, pp. 125 -126).1990, pp. 125 -126). Portanto, aventava a hipótese de se consultar certidões de batismo e outros documentosPortanto, aventava a hipótese de se consultar certidões de batismo e outros documentos pessoais e oficiais que pessoais e oficiais que constavam nos arquivos municipais, estaduais e até nacionais, observarconstavam nos arquivos municipais, estaduais e até nacionais, observar imagens pintadas ou esculpidas, o mobiliário dos túmulos e inscrições das lápides, crônicas,imagens pintadas ou esculpidas, o mobiliário dos túmulos e inscrições das lápides, crônicas, cartas do passado, objetos retirados de escavações arqueológicas entre outros.cartas do passado, objetos retirados de escavações arqueológicas entre outros. O diferente uso das fontes históricas inclui a análise didática de uma fonte histórica e aO diferente uso das fontes históricas inclui a análise didática de uma fonte histórica e a construção do conhecimento por meio dessas fontes, por isso Bloch insistia muito em queconstrução do conhecimento por meio dessas fontes, por isso Bloch insistia muito em que a formação de um historiador deveria obedecer a um cuidadoso processo que o preparassea formação de um historiador deveria obedecer a um cuidadoso processo que o preparasse corretamente para aquele que corretamente para aquele que chamava de “ofício” de historiarchamava de “ofício” de historiar.. Por isso, caro estudante de Pedagogia, nesta nova unidade você cPor isso, caro estudante de Pedagogia, nesta nova unidade você compreenderá os diferentesompreenderá os diferentes usos das fontes históricas pelos historiadores e professores. Também conheceremos osusos das fontes históricas pelos historiadores e professores. Também conheceremos os processos de análise didática de processos de análise didática de uma fonte histórica, isto porque a fonte em si não uma fonte histórica, isto porque a fonte em si não é produzidaé produzida com fins didáticos. É preciso fazê-la “falar” para ser como um recurso didático e desenvolvercom fins didáticos. É preciso fazê-la “falar” para ser como um recurso didático e desenvolver a aprendizagem em nossos alunos.a aprendizagem em nossos alunos. Ainda, faremos a distinção entre os documentos escritos e não escritos e para isto utilizaremosAinda, faremos a distinção entre os documentos escritos e não escritos e para isto utilizaremos 100100METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância como referência os estudos da nossa historiadora Circe Bittencourt.como referência os estudos da nossa historiadora Circe Bittencourt. Tudo isto, você terá a oportunidade de estudar a partir de agora.Tudo isto, você terá a oportunidade de estudar a partir de agora. HISTORIADORES E PROFESSORES: DIFERENTES USOS DAS FONTESHISTORIADORES E PROFESSORES: DIFERENTES USOS DAS FONTES HISTÓRICASHISTÓRICAS Marc Bloch (1976) insistia não apenas em explorar novos documentos, mas também emMarc Bloch (1976) insistia não apenas em explorar novos documentos, mas também em descobrir novos “domínios” para a História, ou seja, tentava alargar o campo da História paradescobrir novos “domínios” para a História, ou seja, tentava alargar o campo da História para outras direções.outras direções. Orientava seus estudos, por exemplo, para a análise dos fatos econômicos e nesse pontoOrientava seus estudos, por exemplo, para a análise dos fatos econômicos e nesse ponto foi influenciado “sem o reconhecer explicitamente, pela obra de Karl Marx, que o incita afoi influenciado “sem o reconhecer explicitamente, pela obra de Karl Marx, que o incita a relacionar as estruturas econômicas e as classes sociais”. Ou, ainda, foi inspirado por outrosrelacionar as estruturas econômicas e as classes sociais”. Ou, ainda, foi inspirado por outros historiadores como Henry Hauser com relação a estudos em que se ocupava da apreciaçãohistoriadores como Henry Hauser com relação a estudos em que se ocupava da apreciação das flutuações econômicas cdas flutuações econômicas com base em séries de om base em séries de preços (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 226).preços (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 226). Aquilo que ele preconizava para todo aquele que aspirasse à ciência histórica, ele aplicou aosAquilo que ele preconizava para todo aquele que aspirasse à ciência histórica, ele aplicou aos seus próprios trabalhos, dos quais um dos maiores foi: “Os caracteres originais da históriaseus próprios trabalhos, dos quais um dos maiores foi: “Os caracteres originais da história rural francesa, do século XI ao século XVIII” de 1931, além do culto às origens e do corretorural francesa, do século XI ao século XVIII” de 1931, além do culto às origens e do correto enquadramento no tempo que se exige de toda obra histórica, Bloch observou as formas deenquadramento no tempo que se exige de toda obra histórica, Bloch observou as formas de ocupação do solo (espaço e produção), as técnicas produtivas e os modos de povoamentoocupação do solo (espaço e produção), as técnicas produtivas e os modos de povoamento (demografia), as práticas comunitárias (realidade/imaginário), tudo contextualizado na longa(demografia), as práticas comunitárias (realidade/imaginário), tudo contextualizado na longa duração e em relação ao conjunto do território nacional. Com isso deu o modeduração e em relação ao conjunto do território nacional. Com isso deu o modelo básico para aslo básico para as vias que levaram os neo-historiadores as suas pesquisas e resultados das mesmas ao longovias que levaram os neo-historiadores as suas pesquisas e resultados das mesmas ao longo de todos os tempos até a de todos os tempos até a atualidade.atualidade. “É bom que o historiador possua pelo menos uns laivos das principais técnicas do seu ofício”,“É bom que o historiador possua pelo menos uns laivos das principais técnicas do seu ofício”, escreve Bloch. Saber epigrafia, paleografia, diplomática, arqueologia, estatística, históriaescreve Bloch. Saber epigrafia, paleografia, diplomática, arqueologia, estatística, história da arte é algo necessário a “um autêntico profissional da história” que, além disso, precisada arte é algo necessário a “um autêntico profissional da história” que, além disso, precisa 101101METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância conhecer “as ciências vizinhas” tais como “ageografia, a etnografia, a demografia, a economia,conhecer “as ciências vizinhas” tais como “a geografia, a etnografia, a demografia, a economia, a sociologia, a lingüística” (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 227).a sociologia, a lingüística” (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 227). • • A A epigraa é epigraa é outra ciência outra ciência auxiliar da auxiliar da História, que História, que estuda as estuda as inscrições feitainscrições feitas em s em material durável,material durável, tais como a pedra e o metal. É particularmente útil para o conhecimento da história das civilizaçõestais como a pedra e o metal. É particularmente útil para o conhecimento da história das civilizações antigas, cujos documentos perecíveis em antigas, cujos documentos perecíveis em sua maioria desapareceram.sua maioria desapareceram. • • A A etnograa se etnograa se refere ao refere ao estudo descritivo estudo descritivo das atividades das atividades de um grde um grupo humano detupo humano determinadoerminado (técnicas materiais, crenças religiosas, modos de transmissão do conhecimento, instrumentos de(técnicas materiais, crenças religiosas, modos de transmissão do conhecimento, instrumentos de trabalho, organização social, exploração do solo, trabalho, organização social, exploração do solo, estrutura de parentesco).estrutura de parentesco). • • A A paleograa é paleograa é a ciência a ciência que se que se dedica à dedica à decifração dos decifração dos escritos anescritos antigos e tigos e quanto à quanto à arqueologia, searqueologia, se trata de outra ciência que estuda os monumentos e vestígios de civilizações antigas.trata de outra ciência que estuda os monumentos e vestígios de civilizações antigas. Fonte: <http://pt.wikipedia.org>. Acesso em: 01 Fonte: <http://pt.wikipedia.org>. Acesso em: 01 jun. 2011.jun. 2011. Bloch sentindo a dificuldade Bloch sentindo a dificuldade de preencher tais rde preencher tais requisitos, então, sugereequisitos, então, sugere:: Se não for possível conseguir a multiplicidade das competências num mesmo homemSe não for possível conseguir a multiplicidade das competências num mesmo homem (o historiador) pode-se encarar uma aliança das técnicas praticadas diferentes eruditos,(o historiador) pode-se encarar uma aliança das técnicas praticadas diferentes eruditos, sendo que isto supõe a organização de um trabalho por equipes, o que reagrupasendo que isto supõe a organização de um trabalho por equipes, o que reagrupa especialistas de diversas disciplinas (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 127).especialistas de diversas disciplinas (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 127). Em sua obra “Em sua obra “Introdução à HistóriaIntrodução à História” (1986), Bloch inicia com uma pergunta feita a um pai” (1986), Bloch inicia com uma pergunta feita a um pai historiador por seu filho: “Para que serve a História?” e esclarece que todo este trabalho sehistoriador por seu filho: “Para que serve a História?” e esclarece que todo este trabalho se destinará a responder esta pergunta.destinará a responder esta pergunta. A História, como um “profeta com A História, como um “profeta com o olhar voltado para o o olhar voltado para o passado”passado”, segundo Eduardo Galeano,, segundo Eduardo Galeano, é para Bloch “uma ciência dos homens no tempo, que, sem cessar, precisa unir o estudo dosé para Bloch “uma ciência dos homens no tempo, que, sem cessar, precisa unir o estudo dos mortos ao estudo dos vivos” (1976, p. 15).mortos ao estudo dos vivos” (1976, p. 15). 102102METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância O historiador deve ter a “paixão de compreender, o que implica que renuncie, tanto quantoO historiador deve ter a “paixão de compreender, o que implica que renuncie, tanto quanto possívelpossível, ao juízo de valor” ou , ao juízo de valor” ou àquilo que é dominado pelo àquilo que é dominado pelo antropocentrismo do bem e antropocentrismo do bem e do mal.do mal. Para ele, o parecer do historiador é o do sábio, que examina sempre os dois lados de umaPara ele, o parecer do historiador é o do sábio, que examina sempre os dois lados de uma questão, com isenção de ânimo.questão, com isenção de ânimo. Para nos livrar da mania de colocar sempre uma superioridade humana (dondePara nos livrar da mania de colocar sempre uma superioridade humana (donde antroposantropos em em grego= homem, sediar o grego= homem, sediar o núcleo da concepçnúcleo da concepção)ão), Bloch (19, Bloch (1976, p. 70) lembra que, para penetrar76, p. 70) lembra que, para penetrar numa consciência alheia, é preciso numa consciência alheia, é preciso que nos despojemos “de nosso que nos despojemos “de nosso próprio eu”.próprio eu”. O saber objetivo, ainda que não absoluto, entra no rol O saber objetivo, ainda que não absoluto, entra no rol de metas de um historiador de metas de um historiador que procuraque procura “compreender o passado a partir do presente” (1976, p. 11) ou, numa via de duas mãos,“compreender o passado a partir do presente” (1976, p. 11) ou, numa via de duas mãos, “compreender o presente à luz do passado” (1976, p. 13). Aliás, enfatiza sempre que é o“compreender o presente à luz do passado” (1976, p. 13). Aliás, enfatiza sempre que é o perpétuo “vaivém entre passado e presente” que permite “enriquecer o conhecimento dasperpétuo “vaivém entre passado e presente” que permite “enriquecer o conhecimento das sociedades antigas e esclarecer sobre ela mesma e a sociedades antigas e esclarecer sobre ela mesma e a sociedade actual” (BOURDÉ; MARTIN,sociedade actual” (BOURDÉ; MARTIN, 1990, p. 128).1990, p. 128). Logo, perante manuscritos, escritos gráficos, epigráficos, materiais de toda sorLogo, perante manuscritos, escritos gráficos, epigráficos, materiais de toda sorte, desde moedaste, desde moedas até selos, o historiador tem de saber “conversaraté selos, o historiador tem de saber “conversar””, o que equivale a “dialogar atentamente” com, o que equivale a “dialogar atentamente” com suas fontes como recomenda, em acréscimo, Marc Bloch.suas fontes como recomenda, em acréscimo, Marc Bloch. A metodologia do Ensino de História inclui em seus capítulos mais importantes o uso dasA metodologia do Ensino de História inclui em seus capítulos mais importantes o uso das fontes históricas e de suas análises didáticas.fontes históricas e de suas análises didáticas. Na perspectiva histórica da Escola dos Annales, fundada por Frebvre e Marc Bloch, propõem-Na perspectiva histórica da Escola dos Annales, fundada por Frebvre e Marc Bloch, propõem- -se a utilização de diversos tipos de -se a utilização de diversos tipos de fontes, não se restringindo apenas à utilização da históriafontes, não se restringindo apenas à utilização da históriapolítica, dos grandes feitos, como propunham os ppolítica, dos grandes feitos, como propunham os positivistas. Istositivistas. Isto porque,o porque, Diante dessas considerações configura-se a necessidade da utilização de diversasDiante dessas considerações configura-se a necessidade da utilização de diversas metodologias, fontes e linguagens para a constrmetodologias, fontes e linguagens para a construção de uma História mais atrativa paraução de uma História mais atrativa para os jovens desinteressados e desmotivados diante de repetições, decos jovens desinteressados e desmotivados diante de repetições, decorações e nulidadeorações e nulidade analítica. Dentre as linguagens que podem ser abordadas no estudo da Hianalítica. Dentre as linguagens que podem ser abordadas no estudo da História estão astória estão a literatura, a música, a cultura material e imaterial, o teatro, as artes plásticas e o cinemaliteratura, a música, a cultura material e imaterial, o teatro, as artes plásticas e o cinema (FERRA(FERRAZ e CAVALCANTI, 2006, Z e CAVALCANTI, 2006, p.p.159).159). 103103METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Mas, é importante frisar que Mas, é importante frisarque os historiadores utilizam-se das fontes históricas para desvendaros historiadores utilizam-se das fontes históricas para desvendar a História dos povos, em particular, ou da sociedade, em geral, e para isto utilizam-se dea História dos povos, em particular, ou da sociedade, em geral, e para isto utilizam-se de métodos científicos. No entanto, os professores transformam essas fontes em recursosmétodos científicos. No entanto, os professores transformam essas fontes em recursos didáticos, mas para isto é preciso dominá-los.didáticos, mas para isto é preciso dominá-los. Isto é o mesmo que dizer que todos os documentos têm uma linguagem que lhe é própriaIsto é o mesmo que dizer que todos os documentos têm uma linguagem que lhe é própria e, para poder utilizá-la como instrumento pedagógico para a construção do conhecimentoe, para poder utilizá-la como instrumento pedagógico para a construção do conhecimento histórico, é necessário dominar histórico, é necessário dominar as suas especificidades enquanto produto cultural e as suas especificidades enquanto produto cultural e histórico.histórico. A ANÁLISE DIDÁTICA DE UMA FONTE HISTÓRICAA ANÁLISE DIDÁTICA DE UMA FONTE HISTÓRICA Ensinar História representa um desafio para os professores, como já se demonstrou acima,Ensinar História representa um desafio para os professores, como já se demonstrou acima, pois há uma permanente necessidade de unir o papel de docente ao ofício de historiador, opois há uma permanente necessidade de unir o papel de docente ao ofício de historiador, o que nem sempre é que nem sempre é viável. Além disto, por outro lado, existe um público estudantil nem sempreviável. Além disto, por outro lado, existe um público estudantil nem sempre disposto a estudar a disciplina histórica que, de forma preconceituosa e inadequada, tem sidodisposto a estudar a disciplina histórica que, de forma preconceituosa e inadequada, tem sido conotada ao caráter de matéria meramente decorativa, pouco digna doconotada ao caráter de matéria meramente decorativa, pouco digna do statusstatus de ciência. de ciência. TTudo isto nos udo isto nos leva a privilegiar, num momento inicial, conteúdos leva a privilegiar, num momento inicial, conteúdos realmente significativos e querealmente significativos e que permitam todo o suporpermitam todo o suporte didático à tarefa de um professor que ministra aulas de História, comte didático à tarefa de um professor que ministra aulas de História, com todos os quesitos que todos os quesitos que tem de preencher, muitas vezes sem ajuda.tem de preencher, muitas vezes sem ajuda. Os materiais didáticos são instrumentos do trabalho docente, se apresentam como suportesOs materiais didáticos são instrumentos do trabalho docente, se apresentam como suportes fundamentais na mediação entre o ensino e fundamentais na mediação entre o ensino e a aprendizagem. Por isso mesmo, por meio do a aprendizagem. Por isso mesmo, por meio do usouso de documentos oficiais e não oficiais (reportagem de de documentos oficiais e não oficiais (reportagem de jornal, fotografia, filme, monumento, artejornal, fotografia, filme, monumento, arte rupestre, carta, música, testemunhos de personagens que viveram na época) encontramosrupestre, carta, música, testemunhos de personagens que viveram na época) encontramos muitos tipos de documentos históricos que podem facilitar nossa tmuitos tipos de documentos históricos que podem facilitar nossa tarefa de mediadores entre oarefa de mediadores entre o aluno e sua aprendizagem do método indutivo que caracteriza a História.aluno e sua aprendizagem do método indutivo que caracteriza a História. Inovar quanto ao ensino de HisInovar quanto ao ensino de História, por meio de recursos prétória, por meio de recursos pré-selecionados que proporcionem-selecionados que proporcionem aulas mais interessantes e atrativas, viabilizando assim a melhor aprendizagem é algoaulas mais interessantes e atrativas, viabilizando assim a melhor aprendizagem é algo 104104METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância necessário para que o aluno compreenda a História enquanto uma área do conhecimento emnecessário para que o aluno compreenda a História enquanto uma área do conhecimento em construção e não apenas um rol de informações quase sem valor sobre o passado.construção e não apenas um rol de informações quase sem valor sobre o passado. “O processo de conhecimento é a grande aventura e o grande desafio que o educador “O processo de conhecimento é a grande aventura e o grande desafio que o educador enfrentaenfrenta quando prepara suas aulas e quando quando prepara suas aulas e quando as envolve com os seus alunos” (RUIZ, 2004, p.75)as envolve com os seus alunos” (RUIZ, 2004, p.75).. Ultimamente, generalizou-se entre nós o uso de livros didáticos, paradidáticos, filmes, excertosUltimamente, generalizou-se entre nós o uso de livros didáticos, paradidáticos, filmes, excertos de jornais e revistas, mapas, dados estatísticos e tabelas, CDs, DVDs, e outros suportesde jornais e revistas, mapas, dados estatísticos e tabelas, CDs, DVDs, e outros suportes informativos que, produzidos (ou não) especialmente para a escola, exigem dos professores umainformativos que, produzidos (ou não) especialmente para a escola, exigem dos professores uma análise de sua viabilidade quanto à promoção da verdadeira ciência a serviço da aprendizagem.análise de sua viabilidade quanto à promoção da verdadeira ciência a serviço da aprendizagem. Bittencourt (200Bittencourt (2004) explica como fazer a análise destes suportes informativos, e pesquisadores4) explica como fazer a análise destes suportes informativos, e pesquisadores do ensino de História e Geografia dodo ensino de História e Geografia do Institut National de Recherche PédagogiqueInstitut National de Recherche Pédagogique (INRP) da (INRP) da França nos indicam alguns meios para tal raciocínio que decompõe em partes o que vemFrança nos indicam alguns meios para tal raciocínio que decompõe em partes o que vem apresentado em tantos instrumentos novos a nossa disposição.apresentado em tantos instrumentos novos a nossa disposição. Nossa sociedade atual chamada de Sociedade ou Economia do Conhecimento, aindaNossa sociedade atual chamada de Sociedade ou Economia do Conhecimento, ainda Sociedade Pedagógica, segundo pensadores como Peter Drucker (1993) ou Michel SerresSociedade Pedagógica, segundo pensadores como Peter Drucker (1993) ou Michel Serres (1(1999), assinala ascensão do conhecimento como 999), assinala ascensão do conhecimento como um componente nuclear do um componente nuclear do capital.capital. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 105105METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Visto como um bem que gera outro bem, renda ou produção, o capital, com todos seusVisto como um bem que gera outro bem, renda ou produção, o capital, com todos seus componentes (equipamento, patrimônios, títulos, propriedades...) ainda tem por centro decomponentes (equipamento, patrimônios, títulos, propriedades...) ainda tem por centro de convergência o dinheiro. Ainda, afirmamos porque cada vez mais se tem por máxima queconvergência o dinheiro. Ainda, afirmamos porque cada vez mais se tem por máxima que a socialização da renda se fará por meio do conhecimento. Isto fica fácil de entender sea socialização da renda se fará por meio do conhecimento. Isto fica fácil de entender se pensarmos que sem dinheiro no bolso poucos adquirem conhecimento (donde o papel daspensarmos que sem dinheiro no bolso poucos adquirem conhecimento (donde o papel das escolas públicas ser cada vez mais enfatizado), mas sem conhecimento o dinheiro no bolsoescolas públicas ser cada vez mais enfatizado),mas sem conhecimento o dinheiro no bolso escasseia na mesma medida em que o conhecimento o faz recheado.escasseia na mesma medida em que o conhecimento o faz recheado. Além disso, estamos em um tempo em que as novas tecnologias propiciam o conhecimento,Além disso, estamos em um tempo em que as novas tecnologias propiciam o conhecimento, tornam seu acesso possível a um grande número de pessoas e não só aos professores comotornam seu acesso possível a um grande número de pessoas e não só aos professores como antigamente ocorria.antigamente ocorria. A informação transpôs os limites da sala de aula e após a Revolução da Informática, quandoA informação transpôs os limites da sala de aula e após a Revolução da Informática, quando em 1993 a Internet permitiu a “globalização” criando um ciberespaço, pôde-se falar em umaem 1993 a Internet permitiu a “globalização” criando um ciberespaço, pôde-se falar em uma cibercultura.cibercultura. Se a cibernética signica o controle através das tecnologias, das máquinas, com o surgimento das re-Se a cibernética signica o controle através das tecnologias, das máquinas, com o surgimento das re- des de computadores (BBS’s e Internet), a cibernética ganha des de computadores (BBS’s e Internet), a cibernética ganha outra conotação, principalmente a partiroutra conotação, principalmente a partir do início dos anos 1990 com a expansão da área multimídia da Internet (WEB) que traz consigo umado início dos anos 1990 com a expansão da área multimídia da Internet (WEB) que traz consigo uma liberdade de geração e de difusão de informações pelo cidadão comum através da criação de sites eliberdade de geração e de difusão de informações pelo cidadão comum através da criação de sites e outros meios de difusão de idéias. É nesse contexto que surge a Cibercultura, denida por Lévy emoutros meios de difusão de idéias. É nesse contexto que surge a Cibercultura, denida por Lévy em seu livro sobre a Cibercultura (1999, p. 17) como “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), deseu livro sobre a Cibercultura (1999, p. 17) como “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com opráticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. Nesta obra o autor nos explica o que é cibercultura, o que se encontracrescimento do ciberespaço”. Nesta obra o autor nos explica o que é cibercultura, o que se encontra de social e cultural por trás desse fenômeno técnico implicando em uma nova relação com o saber.de social e cultural por trás desse fenômeno técnico implicando em uma nova relação com o saber. Isto signica explicar algo sobre as implicações culturais das novas tecnologias, da digitalização àIsto signica explicar algo sobre as implicações culturais das novas tecnologias, da digitalização à navegação, memória, realidade virtual, multimídia e interatividade característicos dos nossos tempos.navegação, memória, realidade virtual, multimídia e interatividade característicos dos nossos tempos. Fonte: <http://elearning20.net/2010/07/Fonte: <http://elearning20.net/2010/07/15/cibercultura/>. Acesso em: 01 jun. 2011.15/cibercultura/>. Acesso em: 01 jun. 2011. 106106METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Segundo Pierry Lévy, em seu livro “Segundo Pierry Lévy, em seu livro “CiberculturaCibercultura” (1999), ciberespaço é o novo meio de” (1999), ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores, especificando não só acomunicação que surge da interconexão mundial dos computadores, especificando não só a infraestrutura, mas o universo de informações e os próprinfraestrutura, mas o universo de informações e os próprios seres humanos que o movimentam.ios seres humanos que o movimentam. LivroLivro: Cibercultura: Cibercultura Autor Autor : Pierry Lévy: Pierry Lévy EditoraEditora: editora 34: editora 34 FonteFonte:<http://www.4shared.com/document/1E7olM7D/Cibercultura_-_Pierre_Levy.html>.:<http://www.4shared.com/document/1E7olM7D/Cibercultura_-_Pierre_Levy.html>. A partir do acesso A partir do acesso às novas tecnologias, portanto, criaram-se novos espaços do conhecimento,às novas tecnologias, portanto, criaram-se novos espaços do conhecimento, tanto nas empresas, domicílios, espaços sociais quanto nas escolas. E tal conhecimento setanto nas empresas, domicílios, espaços sociais quanto nas escolas. E tal conhecimento se reflete nas múltiplas oportunidades de aprendizagem que, agora, cabe à escola selecionar ereflete nas múltiplas oportunidades de aprendizagem que, agora, cabe à escola selecionar e rever criticamente sempre no sentido de melhorar, inovar e conservar o melhor drever criticamente sempre no sentido de melhorar, inovar e conservar o melhor do tradicional,o tradicional, dos “clássicos” autores e saberes do dos “clássicos” autores e saberes do passado.passado. Nesta perspectiva de inovar que enfocamos o Nesta perspectiva de inovar que enfocamos o ensino de História. Nosso objetivo centra-se ensino de História. Nosso objetivo centra-se emem propiciar à sociedade uma nova forma de propiciar à sociedade uma nova forma de pensar este ensino, voltada para uma aprendizagempensar este ensino, voltada para uma aprendizagem por excelência, oportunizando compreender o homem como um todo, dentro de uma visãopor excelência, oportunizando compreender o homem como um todo, dentro de uma visão holísticaholística11 , por meio de uma abordagem mais próxima da realidade cotidiana do educando e, , por meio de uma abordagem mais próxima da realidade cotidiana do educando e, 11 Por holístico, da palavra gregaPor holístico, da palavra grega holosholos, entendemos a conc, entendemos a concepção pela qual o epção pela qual o homem é um todo. Tal pensamento nos informahomem é um todo. Tal pensamento nos informa que o ser humano é que o ser humano é um todo onde o um todo onde o espírito move a mente e esta move o corpespírito move a mente e esta move o corpo, ou seja, “somos aquilo que pensamos”.o, ou seja, “somos aquilo que pensamos”. 107107METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância portanto, significativa.portanto, significativa. A abordagem holística nos permite ver o aluno como um ser anímico total e não apenas comoA abordagem holística nos permite ver o aluno como um ser anímico total e não apenas como uma máquina de uma máquina de aprender.aprender. Segundo Antunes (2001, p. 30), “a aprendizagem significativa é o processo pela qual umaSegundo Antunes (2001, p. 30), “a aprendizagem significativa é o processo pela qual uma nova informação se relaciona de maneira não arbitrária e substantiva (não literal) à estruturanova informação se relaciona de maneira não arbitrária e substantiva (não literal) à estrutura cognitiva do aprendiz”, ou seja, é uma aprendizagem que tem significado para o aluno,cognitiva do aprendiz”, ou seja, é uma aprendizagem que tem significado para o aluno, dirigindo-o à construção do conhecimento.dirigindo-o à construção do conhecimento. Bittencourt se serve dos ensinamentos de Paulo Freire para lembrar que: Bittencourt se serve dos ensinamentos de Paulo Freire para lembrar que: Cabe ao professor, [...], reconhecer e estabelecer um diálogo com esse conhecimento,Cabe ao professor, [...], reconhecer e estabelecer um diálogo com esse conhecimento, porque os alunos estão sempre em procporque os alunos estão sempre em processo de aprender mais e não são absolutamesso de aprender mais e não são absolutamenteente sujeitos acomodados; ademais, adverte-nos o grande educador, o conhecimento nãosujeitos acomodados; ademais, adverte-nos o grande educador, o conhecimento não é um dado imobilizado apenas transferido de um especialista para outra pessoa queé um dado imobilizado apenas transferido de um especialistapara outra pessoa que ainda não o possui (2004, p. 190).ainda não o possui (2004, p. 190). Portanto, a tarefa de estabelecer significados é estabelecer Portanto, a tarefa de estabelecer significados é estabelecer a ponte entre a leitura, interpretaçãoa ponte entre a leitura, interpretação e correta assimilação das informações com vistas ao pensamento autônomo. É uma tarefae correta assimilação das informações com vistas ao pensamento autônomo. É uma tarefa nada fácil que envolve sempre levar da memorização pura e simples às análises críticas enada fácil que envolve sempre levar da memorização pura e simples às análises críticas e ao pensamento crítico, que se expressa nas conclusões ou sínteses que elaboramos por nósao pensamento crítico, que se expressa nas conclusões ou sínteses que elaboramos por nós mesmos com base nas informações recebidas.mesmos com base nas informações recebidas. É nesse sentido que a seleção de materiais, seguida de uma análise que dará o diagnósticoÉ nesse sentido que a seleção de materiais, seguida de uma análise que dará o diagnóstico sobre sua viabilidade com vistas ao melhor aproveitamento do aluno, sempre se faz necessária.sobre sua viabilidade com vistas ao melhor aproveitamento do aluno, sempre se faz necessária. DOCUMENTOS ESCRITOS E NÃO ESCRITOSDOCUMENTOS ESCRITOS E NÃO ESCRITOS Muitos autores contemporâneos como BittencourMuitos autores contemporâneos como Bittencourt (2004) ou Cardoso (1t (2004) ou Cardoso (1997) defendem a ideia997) defendem a ideia de utilizar documentos históricos como um recurso inovador adequado ao ensino de História.de utilizar documentos históricos como um recurso inovador adequado ao ensino de História. E Bittencourt também recorre aoE Bittencourt também recorre ao Institut Nacional de Recherche PédagogiqueInstitut Nacional de Recherche Pédagogique francês para francês para 108108METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância explicar o que tal pesquisa pedagógica significa em conexão com o conceito de documentoexplicar o que tal pesquisa pedagógica significa em conexão com o conceito de documento bem de acordo ao que foi estabelecido conforme nossa visão de neo-historiadora:bem de acordo ao que foi estabelecido conforme nossa visão de neo-historiadora: todo conjunto de signos, visuais ou textuais, que são produzidos em uma perspectivatodo conjunto de signos, visuais ou textuais, que são produzidos em uma perspectiva diferente dos saberes das disciplinas escolares e posteriormente passam a serdiferente dos saberes das disciplinas escolares e posteriormente passam a ser utilizados com finalidautilizados com finalidade didática. [..de didática. [...] Contos, lendas, filmes de ficção ou documentários.] Contos, lendas, filmes de ficção ou documentários televisivos, músicas, poemas, cartas, romances são documentos produzidos para umtelevisivos, músicas, poemas, cartas, romances são documentos produzidos para um público bastante amplo que, por intermédio do professor e seu método, se transformapúblico bastante amplo que, por intermédio do professor e seu método, se transforma em materiais didáticos (2004, p.296).em materiais didáticos (2004, p.296). Dentro de tal categoria, portanto, podemos inserir documentos escritos e não escritos, queDentro de tal categoria, portanto, podemos inserir documentos escritos e não escritos, que podem ser utilizados pelos educadores em sala de aula desde os anos iniciais do Ensinopodem ser utilizados pelos educadores em sala de aula desde os anos iniciais do Ensino Fundamental. Sua finalidade, já assinalada, será a de desenvolver habilidades cognitivas,Fundamental. Sua finalidade, já assinalada, será a de desenvolver habilidades cognitivas, como a capacidade de observar, interpretar e extrair informações dessa “fonte”, sempre emcomo a capacidade de observar, interpretar e extrair informações dessa “fonte”, sempre em conexão com a realidade vivida. É, portanto, uma maneira de possibilitar o contato com oconexão com a realidade vivida. É, portanto, uma maneira de possibilitar o contato com o “real”, por meio das situações concretas de um passado abstrato, tornando as aulas mais“real”, por meio das situações concretas de um passado abstrato, tornando as aulas mais atrativas e dinâmicas.atrativas e dinâmicas. Para Napolitano (200Para Napolitano (2004, p.4, p.149)149), “nos últimos , “nos últimos anos tem sido canos tem sido cada vez mais freqüentes o ada vez mais freqüentes o uso deuso de ‘novas linguagens’ não só para motivar os alunos, mas para tentar ‘atualizar’ a concepção de‘novas linguagens’ não só para motivar os alunos, mas para tentar ‘atualizar’ a concepção de documento documento histórico”histórico”.. Bittencourt aponta o principal objetivo,Bittencourt aponta o principal objetivo, [...] favorecer sua exploração pelos alunos de maneira prazerosa e inteligível, sem[...] favorecer sua exploração pelos alunos de maneira prazerosa e inteligível, sem causar muitos obstáculos iniciais. É preciso cuidado para que os documentos forneçamcausar muitos obstáculos iniciais. É preciso cuidado para que os documentos forneçam informações claras, de acordo com os conceitos explorados, e não tornem difícil ainformações claras, de acordo com os conceitos explorados, e não tornem difícil a compreensão das informações (2004, p.330).compreensão das informações (2004, p.330). Isto e mais a possibilidade de ampliar o leque e a utilização de documentos aberta pela NovaIsto e mais a possibilidade de ampliar o leque e a utilização de documentos aberta pela Nova História facilita e moderniza o trabalho de um professor de História.História facilita e moderniza o trabalho de um professor de História. É preciso, agora, diferenciar os documentos escritos e não É preciso, agora, diferenciar os documentos escritos e não escritos que se apresentam para aescritos que se apresentam para a utilização em sala de aula, portanto, à disposição do professor que pretende dinamizar a suautilização em sala de aula, portanto, à disposição do professor que pretende dinamizar a sua didática.didática. 109109METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Entre os documentos mais comuns estão os escritos, aqueles que tradicionalmente são osEntre os documentos mais comuns estão os escritos, aqueles que tradicionalmente são os mais empregados em aulas de História e que se utilizam do registro escrito para expressarmais empregados em aulas de História e que se utilizam do registro escrito para expressar sentimentos, ideias e impressões do mundo. Entre eles, temos os documentos não oficiaissentimentos, ideias e impressões do mundo. Entre eles, temos os documentos não oficiais como jornais, literatura, revistas, poemas, letras de música.como jornais, literatura, revistas, poemas, letras de música. A utilização de tais documentos emanados da imprensa escrita A utilização de tais documentos emanados da imprensa escrita é um dos muitos instrumentosé um dos muitos instrumentos que podem enriquecer o processo de ensinoque podem enriquecer o processo de ensino-aprendizagem. Especificamente a respeito do uso-aprendizagem. Especificamente a respeito do uso de textos jornalísticos, Bittencourt ressalta que é importante considerar tais notícias como umde textos jornalísticos, Bittencourt ressalta que é importante considerar tais notícias como um discurso que jamais é neutro ou imparcial. É isto que nos permite uma crítica mais cuidadosadiscurso que jamais é neutro ou imparcial. É isto que nos permite uma crítica mais cuidadosa “referente aos limites do texto e aos interesses de poder “referente aos limites do texto e aos interesses de poder implícitos nele” (2004, p. 337).implícitos nele” (2004, p. 337). Um discurso que não seja neutro pode ser visto como um produto de uma empresa capitalistaUm discurso que não seja neutro pode ser visto como um produto de uma empresa capitalista queentão oculta estratégias tendentes a facilitar a recepção da mensagem por parte dosque então oculta estratégias tendentes a facilitar a recepção da mensagem por parte dos leitores, ainda que as ideias veiculadas não expressem a realidade em suas faces possíveis.leitores, ainda que as ideias veiculadas não expressem a realidade em suas faces possíveis. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 111010 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância É o que Marilena Chauí (2000) nos ensina quando afirma que esse tipo de ideologia é “a arteÉ o que Marilena Chauí (2000) nos ensina quando afirma que esse tipo de ideologia é “a arte de dizer meias-verdades” porque se a verdade for dita inteira, a intenção de mascará-la nãode dizer meias-verdades” porque se a verdade for dita inteira, a intenção de mascará-la não se completa.se completa. Marilena Chauí: livre-docente da USPMarilena Chauí: livre-docente da USP Fonte:<http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/marilena-chaui-tritura-midia-golpista.html>.Fonte:<http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/marilena-chaui-tritura-midia-golpista.html>. O jornal, portanto, é um material didático de fácil acesso, com conteúdos atualizados ou queO jornal, portanto, é um material didático de fácil acesso, com conteúdos atualizados ou que permitem retrospecto histórico, mas tudo que envolve o ato de educar pressupõe tambémpermitem retrospecto histórico, mas tudo que envolve o ato de educar pressupõe também cuidados que resguardam a responsabilidade com a verdade.cuidados que resguardam a responsabilidade com a verdade. O JORNAL COMO PROPOSTA PEDAGÓGICAO JORNAL COMO PROPOSTA PEDAGÓGICA Por Priscilla Campiolo Manesco PaixãoPor Priscilla Campiolo Manesco Paixão 1. PASSEIO PELA HISTÓRIA1. PASSEIO PELA HISTÓRIA A comunicação maciça e instantânea do mundo em que vivemos atualmente torna difícil imaginar umA comunicação maciça e instantânea do mundo em que vivemos atualmente torna difícil imaginar um tempo e um lugar em que as coisas não eram assim. Por isso, causa espanto deparar com a informa-tempo e um lugar em que as coisas não eram assim. Por isso, causa espanto deparar com a informa- ção de que, embora o homem tenha surgido na face da Terra por volta de 2 milhões de anos atrás, ação de que, embora o homem tenha surgido na face da Terra por volta de 2 milhões de anos atrás, a escrita só foi aparecer por volta de 6 mil anos atrás.escrita só foi aparecer por volta de 6 mil anos atrás. Acredita-se que tenha transcorrido toda uma história antes que o Acredita-se que tenha transcorrido toda uma história antes que o homem fosse capaz de se expressarhomem fosse capaz de se expressar por meio de símbolos combinados de maneira a transmitir fatos, pensamentos, emoções. O que nãopor meio de símbolos combinados de maneira a transmitir fatos, pensamentos, emoções. O que não se coloca em dúvida é o avanço que a escrita representou para a humanidade.se coloca em dúvida é o avanço que a escrita representou para a humanidade. 111111METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância O homem precisou lidar por 2 mil anos com símbolos e desenhos até perceber que eles poderiamO homem precisou lidar por 2 mil anos com símbolos e desenhos até perceber que eles poderiam representar, também, o som das palavras. Foi assim que surgiu o alfabeto fonético, cujo desenvolvi-representar, também, o som das palavras. Foi assim que surgiu o alfabeto fonético, cujo desenvolvi- mento é creditado aos fenícios.mento é creditado aos fenícios. Os egípcios desenharam seus hieróglifos no papiro, espécie de folha exível feita com hastes deOs egípcios desenharam seus hieróglifos no papiro, espécie de folha exível feita com hastes de uma planta de mesmo nome. Depois surgiu o pergaminho, feito com couro curtido de animais, o queuma planta de mesmo nome. Depois surgiu o pergaminho, feito com couro curtido de animais, o que propiciou o aparecimento dos códices (feixes de propiciou o aparecimento dos códices (feixes de páginas encadernadas).páginas encadernadas). Foi só no século XII que o papel foi introduzido na Europa, assemelhando-se aos livros de hoje. NaFoi só no século XII que o papel foi introduzido na Europa, assemelhando-se aos livros de hoje. Na Idade Média, a produção escrita era restrita aos monastérios, Idade Média, a produção escrita era restrita aos monastérios, onde clérigos copistas encarregavam-seonde clérigos copistas encarregavam-se de copiar e ilustrar livros manuscritos.de copiar e ilustrar livros manuscritos. Quanto ao jornal, é difícil imaginar que ele tenha precedido o advento da tipograa, mas foi exataQuanto ao jornal, é difícil imaginar que ele tenha precedido o advento da tipograa, mas foi exata -- mente isso que aconteceu. Antes do alemão mente isso que aconteceu. Antes do alemão Johannes Genseisch Gutenberg (1400 – Johannes Genseisch Gutenberg (1400 – 1468) inventar1468) inventar uma máquina que permitia a utilização de letras de metal móveis para compor as páginas, já existiamuma máquina que permitia a utilização de letras de metal móveis para compor as páginas, já existiam as gazetas manuscritas. Surgidas na Itália, continham uma espécie de crônica dos acontecimentos,as gazetas manuscritas. Surgidas na Itália, continham uma espécie de crônica dos acontecimentos, críticas e fofocas.críticas e fofocas. Gutenberg representou um avanço notável na época, pois não era mais necessário entalhar as cha-Gutenberg representou um avanço notável na época, pois não era mais necessário entalhar as cha- pas, bastava montar as páginas com letrinhas de metal e imprimir diversas cópias de uma só vez.pas, bastava montar as páginas com letrinhas de metal e imprimir diversas cópias de uma só vez. Foi só em 1597, na Tchecoslovávia, que surgiu o primeiro jornal impresso. Mas, como se tratava deFoi só em 1597, na Tchecoslovávia, que surgiu o primeiro jornal impresso. Mas, como se tratava de uma publicação mensal, há quem prera conceder o posto de primeiro jornal impresso aouma publicação mensal, há quem prera conceder o posto de primeiro jornal impresso ao Daily Cou-Daily Cou- rant rant , uma publicação diária, editada por Elizabeth Mallet, , uma publicação diária, editada por Elizabeth Mallet, na Inglaterra, em 1702. Neste mesmo séculona Inglaterra, em 1702. Neste mesmo século dois fatores contribuíram para o desenvolvimento da imprensa: o Iluminismo e a Revolução Industrial.dois fatores contribuíram para o desenvolvimento da imprensa: o Iluminismo e a Revolução Industrial. Hoje em dia existem métodos de iHoje em dia existem métodos de impressão muito mais sosticados e que oferecem qualidades muitompressão muito mais sosticados e que oferecem qualidades muito maiores, permitindo a impressão de milhares de exemplares em apenas algumas horas.maiores, permitindo a impressão de milhares de exemplares em apenas algumas horas. 2. PLANEJAMENTO E PRÁTICA PEDAGÓGICA2. PLANEJAMENTO E PRÁTICA PEDAGÓGICA Acreditando no jornal como uma das formas mais acessíveis de acompanharmos as mudanças verti-Acreditando no jornal como uma das formas mais acessíveis de acompanharmos as mudanças verti- ginosas dos fatos e aqui nos remetemos ginosas dos fatos e aqui nos remetemos às aulas de História, é fundamental às aulas de História, é fundamental que professores e alunosque professores e alunos desenvolvam habilidades e o hábito de ler e descubram na leitura formas de ingressar no mundo dodesenvolvam habilidades e o hábito de ler e descubram na leitura formas de ingressar no mundodo saber e da cultura.saber e da cultura. É importante que os educadores atentem a fatores básicos para o planejamento de atividades com oÉ importante que os educadores atentem a fatores básicos para o planejamento de atividades com o jornal em sala de aula: jornal em sala de aula: 1. O tempo que se pretende dedicar ao jornal, no conjunto de atividades de seu programa anual.1. O tempo que se pretende dedicar ao jornal, no conjunto de atividades de seu programa anual. 2. Trabalho prévio com a criança sobre a dimensão social da escrita e da leitura (escolha das ativida-2. Trabalho prévio com a criança sobre a dimensão social da escrita e da leitura (escolha das ativida- des que se pretende desenvolver para que o aluno manifeste sobre qual seção prefere, enumerando-des que se pretende desenvolver para que o aluno manifeste sobre qual seção prefere, enumerando- -as em ordem crescente de escolha e justicando-a; opine sobre o texto lido, recortando uma notícia-as em ordem crescente de escolha e justicando-a; opine sobre o texto lido, recortando uma notícia e identicando-a).e identicando-a). 111212 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância 3. Trabalho com o jornal na sua totalidade e não desmembrando letras e palavras que só possuem3. Trabalho com o jornal na sua totalidade e não desmembrando letras e palavras que só possuem signicado no contexto (dentro de um contexto e não signicado no contexto (dentro de um contexto e não como pretexto).como pretexto). 4. O uso do jornal não deve 4. O uso do jornal não deve car restrito às aulas de Língua Portuguesa, pelo contrário, nas aulas decar restrito às aulas de Língua Portuguesa, pelo contrário, nas aulas de História, por exemplo, servem como importante recurso didático para estudar fatos vividos por gruposHistória, por exemplo, servem como importante recurso didático para estudar fatos vividos por grupos sociais distintos.sociais distintos. Determinados esses pontos, vem o principal: estabelecer asDeterminados esses pontos, vem o principal: estabelecer as estratégias pedagógicas a serem uti-estratégias pedagógicas a serem uti- lizadaslizadas, atentando-se aos pontos:, atentando-se aos pontos: 1. Os objetivos que se pretende atingir com as atividades escolhidas.1. Os objetivos que se pretende atingir com as atividades escolhidas. 2. O estabelecimento de uma progressão equilibrada entre uma atividade e outra.2. O estabelecimento de uma progressão equilibrada entre uma atividade e outra. 3. Finalmente, estabelecidos estes pontos, será preciso ainda, reunir o material necessário à execu-3. Finalmente, estabelecidos estes pontos, será preciso ainda, reunir o material necessário à execu- ção do trabalho e determinar previamente os locais em que as ção do trabalho e determinar previamente os locais em que as atividades serão desenvolvidas: na salaatividades serão desenvolvidas: na sala de aula, em casa, na biblioteca...de aula, em casa, na biblioteca... 3. REFÊRENCIAS:3. REFÊRENCIAS: FARIA, Maria Alice de Oliveria.FARIA, Maria Alice de Oliveria. Como usar o jornal na sala de aula.Como usar o jornal na sala de aula. 4. ed. São Paulo: Contexto, 4. ed. São Paulo: Contexto, 19991999 (Repensando o ensino).(Repensando o ensino). FOUCAMBERT. Jean.FOUCAMBERT. Jean. A leitura em questãoA leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. MAGIO, Elisabeth; SGROI, Fábio.MAGIO, Elisabeth; SGROI, Fábio. Vamos fazer um jornal?Vamos fazer um jornal? São Paulo: Moderna, 1998 (Coleção São Paulo: Moderna, 1998 (Coleçãodesaos).desaos). MURTMURTA, Antonio A, Antonio Marcos.Marcos. InIn:: Revista do Professor Revista do Professor , Porto Alegre, out/dez. 1996., Porto Alegre, out/dez. 1996. Outro tipo de documento escrito não Outro tipo de documento escrito não oficial que pode ser oficial que pode ser trabalhado de maneira interdisciplinartrabalhado de maneira interdisciplinar é a literatura, como romances, poemas ou contos. Tais textos cabem como consulta nãoé a literatura, como romances, poemas ou contos. Tais textos cabem como consulta não apenas nas aulas de Língua Portuguesa, mas também contribuem para o ensino de Históriaapenas nas aulas de Língua Portuguesa, mas também contribuem para o ensino de História e outras disciplinas.e outras disciplinas. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 111313METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Os estudos de textos literários têm como objetivo não apenas desenvolver o gosto pelaOs estudos de textos literários têm como objetivo não apenas desenvolver o gosto pela leitura, mas também fornecer condições de análises mais profundas para o estabelecimentoleitura, mas também fornecer condições de análises mais profundas para o estabelecimento de relações entre conteúdo e forma. Para analisar uma literatura, é necessário tambémde relações entre conteúdo e forma. Para analisar uma literatura, é necessário também oferecer outros textos de apoio como informações sobre o autor e a obra, dicionários, enfim,oferecer outros textos de apoio como informações sobre o autor e a obra, dicionários, enfim, complementos para a compreensão do texto literário.complementos para a compreensão do texto literário. Para o ensino de História, a literatura torna-se um referencial possível de ser analisado ePara o ensino de História, a literatura torna-se um referencial possível de ser analisado e estudado como documento da época, cujos autores pertencem a um contexto histórico eestudado como documento da época, cujos autores pertencem a um contexto histórico e fazem parte de fazem parte de uma cultura. Fonseca traz palavras bastante esclarecedoras:uma cultura. Fonseca traz palavras bastante esclarecedoras: A leitura de textos literários, reservando as especificidades artísticas, pode nos oferecerA leitura de textos literários, reservando as especificidades artísticas, pode nos oferecer pistas, referências do mpistas, referências do modo de ser, viver e agir das pessoas, dos valores e coodo de ser, viver e agir das pessoas, dos valores e costumes destumes de uma determinada época. É uma fonte/documento/evidência que auxilia o desvendar dauma determinada época. É uma fonte/documento/evidência que auxilia o desvendar da realidade, as mudanças menos perceptíveis, os detalhes sobre lugares e paisagens, asrealidade, as mudanças menos perceptíveis, os detalhes sobre lugares e paisagens, as mudanças naturais, os modos de o homem relacionar-se com a natureza em diferentesmudanças naturais, os modos de o homem relacionar-se com a natureza em diferentes épocas épocas (2003, (2003, pp.pp.165-166)165-166).. Cabe aos professores uma escolha que permita não confundir história com ficção ou Cabe aos professores uma escolha que permita não confundir história com ficção ou aventura,aventura, ainda artigos e ainda artigos e textos que contenham mais opiniões do que análises e sínteses cienttextos que contenham mais opiniões do que análises e sínteses científicas queíficas que não permitam que no enão permitam que no educando se instalem concepções fantasiosas a respeito do ducando se instalem concepções fantasiosas a respeito do assunto emassunto em discussão.discussão. Entre os documentos oficiais, produzidos pelo poder institucional, tem-se a recordar que noEntre os documentos oficiais, produzidos pelo poder institucional, tem-se a recordar que no século XIX, época dos domínios da corrente metódica, era o preferido pelos “positivistas”século XIX, época dos domínios da corrente metódica, era o preferido pelos “positivistas” como os mais importantes dentre os documentos escritos. Nessa época de crítica interna ecomo os mais importantes dentre os documentos escritos. Nessa épocade crítica interna e externa minuciosa e detalhista só se consideravam fidedignos os documentos que passavamexterna minuciosa e detalhista só se consideravam fidedignos os documentos que passavam por rigoroso exame e provinham de instituições governamentais, refletissem a atuação depor rigoroso exame e provinham de instituições governamentais, refletissem a atuação de grandes personalidades, tratassem de questões de política internacional. Mas, Certidões degrandes personalidades, tratassem de questões de política internacional. Mas, Certidões de NascimentoNascimento, RG’s, CIC’, RG’s, CIC’s e outros s e outros documentos pessoais podem emprestar documentos pessoais podem emprestar autenticidade a umautenticidade a um outro documento, respeitadas as condições do fato e entram como matéria-prima de debatesoutro documento, respeitadas as condições do fato e entram como matéria-prima de debates acerca do que significa a cidadania nas sociedades contemporâneas.acerca do que significa a cidadania nas sociedades contemporâneas. 111414 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Entre os documentos não escritos, fotografias e imagens ocupam um lugar de destaque eEntre os documentos não escritos, fotografias e imagens ocupam um lugar de destaque e tendem a sensibilizar quem as observa com seu impacto real e multifacetado em sensaçõestendem a sensibilizar quem as observa com seu impacto real e multifacetado em sensações e informações. São denominados documentos iconográficos por utilizar-se de imagens parae informações. São denominados documentos iconográficos por utilizar-se de imagens para imprimir o mundo.imprimir o mundo. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M A iconografia (do grego “A iconografia (do grego “EikonEikon”, imagem, e “”, imagem, e “graphiagraphia””, descrição, escrita) é, por, descrição, escrita) é, portanto, uma formatanto, uma forma de linguagem visual que utiliza imagens para representar determinado tema. A iconografiade linguagem visual que utiliza imagens para representar determinado tema. A iconografia estuda a origem e a formação das imagens. Muito usada na indústria editorial, a iconografiaestuda a origem e a formação das imagens. Muito usada na indústria editorial, a iconografia serve para pesquisar e selecionar imagens que serão publicadas em um livro, seja como temaserve para pesquisar e selecionar imagens que serão publicadas em um livro, seja como tema principal da obra ou como complemento de um texto.principal da obra ou como complemento de um texto. F F o o n n t t e e : : P P H H O O T T O O S S . . C C O O M M 111515METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Cabe lembrar que a pesquisa iconográfica pode enriquecer e muito um estudo sobreCabe lembrar que a pesquisa iconográfica pode enriquecer e muito um estudo sobre determinado período histórico com imagens de esculturas, obras arquitetônicas, quadros oudeterminado período histórico com imagens de esculturas, obras arquitetônicas, quadros ou fotografias de pessoas. Isto dentro de uma perspectiva da Nova História que dá o fotografias de pessoas. Isto dentro de uma perspectiva da Nova História que dá o devido valordevido valor aos diferentes tipos de fontes e não exclusivamente aos documentos escritos como a escolaaos diferentes tipos de fontes e não exclusivamente aos documentos escritos como a escola metódica fazia.metódica fazia. Fotografias, quadros, “charges”, ou filmes, vídeos, DVD’s se enquadram nessa categoria eFotografias, quadros, “charges”, ou filmes, vídeos, DVD’s se enquadram nessa categoria e para todos eles existem métodos de análise que permitem avaliar as características de suaspara todos eles existem métodos de análise que permitem avaliar as características de suas linguagens ou a forma específica pela qual veiculam suas informações. Celso Antunes (2005,linguagens ou a forma específica pela qual veiculam suas informações. Celso Antunes (2005, p. 120) lembra como a “ausência da palavra aguça a imaginação e sensibiliza a mente”,p. 120) lembra como a “ausência da palavra aguça a imaginação e sensibiliza a mente”, permitindo uma leitura não permitindo uma leitura não verbal que “dá asas à imaginação”.verbal que “dá asas à imaginação”. É o mesmo que Leite quer É o mesmo que Leite quer nos dizer quando explica:nos dizer quando explica: Os contextos em que estão inseridas as imagens que se deseja ler reservam ouOs contextos em que estão inseridas as imagens que se deseja ler reservam ou exprimem sentidos que podem ser transformados em novas mensagens, que por suaexprimem sentidos que podem ser transformados em novas mensagens, que por sua vez podem atingir os diferentes sentidos. Assim, [...] é necessário um conhecimentovez podem atingir os diferentes sentidos. Assim, [...] é necessário um conhecimento prévio e direto da realidade que a imagem representa, simboliza ou indicprévio e direto da realidade que a imagem representa, simboliza ou indica para não ficara para não ficar desorientado desorientado [...[...] (1993, p. 158).] (1993, p. 158). Antunes (2005, p. 122) acrescenta que é preciso selecionar documentos que estimulem “osAntunes (2005, p. 122) acrescenta que é preciso selecionar documentos que estimulem “os alunos a enxergar as entrelinhas das fotos, os detalhes da ilustração” para aprimorar suaalunos a enxergar as entrelinhas das fotos, os detalhes da ilustração” para aprimorar sua acuidade visual e espacial acuidade visual e espacial “em aprendizagens mais estruturadas “em aprendizagens mais estruturadas e mais significativas”e mais significativas”.. Além disso, qual o conhecimento histórico que Além disso, qual o conhecimento histórico que a fotografia permite? Bittencourt a fotografia permite? Bittencourt explica:explica: A fotografia registra fatos, acontecimentos, situações vividas em um tempo presenteA fotografia registra fatos, acontecimentos, situações vividas em um tempo presente que logo se torna passado. Os álbuns de famílique logo se torna passado. Os álbuns de família são um exemplo de como esse suporta são um exemplo de como esse suportee material de imagem serve de registro da memória. Rever fotos significa relembrar,material de imagem serve de registro da memória. Rever fotos significa relembrar, rememorar ou mesmo “ver” um passado desconhecido (2004, p.366).rememorar ou mesmo “ver” um passado desconhecido (2004, p.366). Portanto, a imagem fotográfica pode revelar aspectos da vida material de um determinadoPortanto, a imagem fotográfica pode revelar aspectos da vida material de um determinado tempo com muita facilidade e bem menos esforço que uma descrição verbal permitiria.tempo com muita facilidade e bem menos esforço que uma descrição verbal permitiria. A fotografia, por fim, inclui significados, permite uma comunicação instantânea que a qualificaA fotografia, por fim, inclui significados, permite uma comunicação instantânea que a qualifica 111616 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância como um meio para aprimorar nossos conhecimentos.como um meio para aprimorar nossos conhecimentos. O cinema pode ser visto como outra forma de registro que amplia o foco de um professorO cinema pode ser visto como outra forma de registro que amplia o foco de um professor interessado em utilizar o dinamismo de suas imagens, pois um programa de televisão ouinteressado em utilizar o dinamismo de suas imagens, pois um programa de televisão ou um filme nos despertam sensações e o conhecimento ocorre com profundidade quanto àsum filme nosdespertam sensações e o conhecimento ocorre com profundidade quanto às emoções e percepções provocadas.emoções e percepções provocadas. Bittencourt (2004) recomenda ao professor identificar as preferências dos alunos e conciliá-lasBittencourt (2004) recomenda ao professor identificar as preferências dos alunos e conciliá-las com o tipo de imagens que permitirão o levantamento de questões e incentivarão a curiosida-com o tipo de imagens que permitirão o levantamento de questões e incentivarão a curiosida- de. O fundamentalismo tal como acontece no Irã, as sempre retomadas cenas da 2ª Guerrade. O fundamentalismo tal como acontece no Irã, as sempre retomadas cenas da 2ª Guerra Mundial, o julgamento de Joana d’Arc, a história de Abelardo e Heloísa são excelentes paraMundial, o julgamento de Joana d’Arc, a história de Abelardo e Heloísa são excelentes para remeterem nossos alunos a uma realidade em seu contexto, com cores e remeterem nossos alunos a uma realidade em seu contexto, com cores e impressões duradou-impressões duradou- ras. Eles são instituras. Eles são instituições abertições abertas ao público que conservam e exibem evidências do passado eas ao público que conservam e exibem evidências do passado e têm a finalidade de promover a pesquisa e a têm a finalidade de promover a pesquisa e a educação, valendo-se de um reducação, valendo-se de um recurso prazeroso,ecurso prazeroso, de lazer.de lazer. Ainda, entre os documentos não escritos podemos citar as peças musicais. Assim como aAinda, entre os documentos não escritos podemos citar as peças musicais. Assim como a literatura é comum afirmar que elas são espelhos da sociedade que as produziu.literatura é comum afirmar que elas são espelhos da sociedade que as produziu. Há mais de dois mil anos, filósofos como Platão e Aristóteles já exaltavam a sonoridadeHá mais de dois mil anos, filósofos como Platão e Aristóteles já exaltavam a sonoridade como veículo da educação. Era comum entre os jovens gregos declamarem seus poemascomo veículo da educação. Era comum entre os jovens gregos declamarem seus poemas acompanhados de suas cítaras ou liras.acompanhados de suas cítaras ou liras. Anchieta, enquanto catequista dos curumins do Brasil, associava música e dança, ensinandoAnchieta, enquanto catequista dos curumins do Brasil, associava música e dança, ensinando a esses indiozinhos com sons e a esses indiozinhos com sons e passos de cateretê.passos de cateretê. Fonseca dá seu testemunho a esse respeito lembrando Fonseca dá seu testemunho a esse respeito lembrando que:que: Ensinar história por meio de canções foi meu maior desafio e minha grande paixãoEnsinar história por meio de canções foi meu maior desafio e minha grande paixão desde o início da minha carreira docente. Nos primeiros anos de magistério, procuravadesde o início da minha carreira docente. Nos primeiros anos de magistério, procurava 111717METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância auscultar os interesses dos adolescentes e, sempre que possível – muitas vezes porauscultar os interesses dos adolescentes e, sempre que possível – muitas vezes por sugestões deles -, incorporava uma ou mais canções históricas, especialmente nassugestões deles -, incorporava uma ou mais canções históricas, especialmente nas temáticas ligadas à história do Brasil (2003, p. 187).temáticas ligadas à história do Brasil (2003, p. 187). Com ela concorda Bittencourt (2004) quando afirma que a música, erudita ou popular, integraCom ela concorda Bittencourt (2004) quando afirma que a música, erudita ou popular, integra nossa cultura tão fortemente que pode nossa cultura tão fortemente que pode ser classificada entre os mais atuantes dos documentosser classificada entre os mais atuantes dos documentos não escritos que temos à disposição em nossa docência.não escritos que temos à disposição em nossa docência. Porém, fazer uso da música como mera ilustração do conteúdo não conduz à reflexão e tãoPorém, fazer uso da música como mera ilustração do conteúdo não conduz à reflexão e tão pouco ao conhecimento histórico tão ppouco ao conhecimento histórico tão privilegiado atualmente como apresentamos até aqui, poisrivilegiado atualmente como apresentamos até aqui, pois não promove o pensamento crítico do aluno nem o leva a se interronão promove o pensamento crítico do aluno nem o leva a se interrogar sobre sua historicidade,gar sobre sua historicidade, já que já que o mesmo o mesmo está condicionado está condicionado a olhar a olhar as canções as canções como alegorias como alegorias ilustrativas ilustrativas e ae até mesté mesmomo desprezá-las, escutá-la desprezá-las, escutá-la e, na maioria das vezes, desvinculada de seu período histórico.e, na maioria das vezes, desvinculada de seu período histórico. Para Bittencourt (2004, p. 379), “o uso da música é importante por situar os jovens diantePara Bittencourt (2004, p. 379), “o uso da música é importante por situar os jovens diante de um meio de comunicação próximo de sua vivência, mediante o qual o professor podede um meio de comunicação próximo de sua vivência, mediante o qual o professor pode identificar o identificar o gosto, a estética da gosto, a estética da nova geração”nova geração”.. Bittencourt não foi a única historiadora a estudar o “poder” que a música exerce sob asBittencourt não foi a única historiadora a estudar o “poder” que a música exerce sob as pessoas. Pelo contrário, o historiador britânico Erick Hobsbawm foi um dos pioneiros no pessoas. Pelo contrário, o historiador britânico Erick Hobsbawm foi um dos pioneiros no estudoestudo das canções, fazendo um estudo aprofundado sobre o jazz norte-americano e observandodas canções, fazendo um estudo aprofundado sobre o jazz norte-americano e observando suas influências no mundo ocidental. Por ser materialista histórico, ele analisou as condiçõessuas influências no mundo ocidental. Por ser materialista histórico, ele analisou as condições sociais e também o csociais e também o contexto no qual este gênero estava inserido.ontexto no qual este gênero estava inserido. Podemos destacar, então, que a música é um importante instrumento de transmissão dePodemos destacar, então, que a música é um importante instrumento de transmissão de mensagem que consegue abranger uma gama de pessoas por todo mundo. Devido a isso,mensagem que consegue abranger uma gama de pessoas por todo mundo. Devido a isso, não utilizá-la em sala de aula é o mesmo que o professor não oferecer aos alunos materiaisnão utilizá-la em sala de aula é o mesmo que o professor não oferecer aos alunos materiais suficientes para seu desenvolvimento intsuficientes para seu desenvolvimento intelectual e social, pois a música é electual e social, pois a música é presença constantepresença constante na vida das pessoas.na vida das pessoas. 111818 METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR INTERMÉDIO DAS FONTESA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR INTERMÉDIO DAS FONTES HISTÓRICASHISTÓRICAS Está ficando cada vez mais óbvio o sentido que pretendemos dar à construção do conhecimentoEstá ficando cada vez mais óbvio o sentido que pretendemos dar à construção do conhecimento por meio das fontes históricas, sem desprezar nenhuma delas, das manuscritas tais comopor meio das fontes históricas, sem desprezar nenhuma delas, das manuscritas tais como encontramos em arquivos antigos, mais encontramos em arquivos antigos, mais difíceis de manusear, mas sempre interessantes comodifíceis de manusear, mas sempre interessantes como testemunho, às escritas impressas, e não escritas de vários tipos e, ainda, os documentostestemunho, às escritas impressas, e não escritas de vários tipos e, ainda, os documentos virtuais que a informática e a Internet nos proporcionam.virtuais que a informática e a Internet nos proporcionam. O uso de documentos em sala de aula, qualquerque seja o seu teor e forma, permite queO uso de documentos em sala de aula, qualquer que seja o seu teor e forma, permite que operemos a construção e reconstrução do conhecimento histórico.operemos a construção e reconstrução do conhecimento histórico. Na visão positivista da História, o documento era encarado como prova do real. A aplicaçãoNa visão positivista da História, o documento era encarado como prova do real. A aplicação dessa visão ao livro escolar assumia um cardessa visão ao livro escolar assumia um caráter teleológicoáter teleológico22 – o documento cumpria a função – o documento cumpria a função de ressaltar, exemplificar e, sobretudo, dar credibilidade à argumentação desenvolvida pelode ressaltar, exemplificar e, sobretudo, dar credibilidade à argumentação desenvolvida pelo autorautor. Na sala de aula, isso se r. Na sala de aula, isso se reproduzia: o documento servia para ampliar e, preproduzia: o documento servia para ampliar e, principalmente,incipalmente, confirmar o que o professor disse durante sua exposição.confirmar o que o professor disse durante sua exposição. Todos nós sabemos que o passado não pode ser recuperado tal como aconteceu, e que suaTodos nós sabemos que o passado não pode ser recuperado tal como aconteceu, e que sua retomada só pode ser realizada a parretomada só pode ser realizada a partir de problemas coloctir de problemas colocados pelo presente. Paralelamenteados pelo presente. Paralelamente a isso, uma nova concepção de documento se formou, ganhando uma nova dimensão nosa isso, uma nova concepção de documento se formou, ganhando uma nova dimensão nos estudos da História. O começo da utilização desse rico acervo à nossa disposição ainda estáestudos da História. O começo da utilização desse rico acervo à nossa disposição ainda está começando, mas já se revela um meio começando, mas já se revela um meio útil para suscitar o interesse do útil para suscitar o interesse do alunado.alunado. O trabalho com o documento histórico, independente da sua natureza, deve ser pautado naO trabalho com o documento histórico, independente da sua natureza, deve ser pautado na interpretação. É evidente que as interpretações são relacionadas a todo o conhecimentointerpretação. É evidente que as interpretações são relacionadas a todo o conhecimento histórico acumulado, ou seja, às interpretações de historiadores chistórico acumulado, ou seja, às interpretações de historiadores consagrados. Nesse sentido,onsagrados. Nesse sentido, docentes e alunos devem atuar não apenas como consumidores, mas como docentes e alunos devem atuar não apenas como consumidores, mas como cocriadores destecocriadores deste conhecimento.conhecimento. 22 A teleologia é a doutrina que trata das causas fA teleologia é a doutrina que trata das causas f inais; é um conjunto de especulações que se aplica à noção de finalidade.inais; é um conjunto de especulações que se aplica à noção de finalidade. 111919METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância Vale ressaltar o cuidado que Vale ressaltar o cuidado que devemos ter ao analisarmos um documento devemos ter ao analisarmos um documento histórico, isto porque,histórico, isto porque, segundo Mauad (1996), ele pode “mentir”, isto é o mesmo que dizer que o documento em sisegundo Mauad (1996), ele pode “mentir”, isto é o mesmo que dizer que o documento em si foi produzido com uma intenção, aliás, todas as ações são resultados de intenções, assimfoi produzido com uma intenção, aliás, todas as ações são resultados de intenções, assim requer por parte de professores e alunos, no caso do Ensino de História, uma apreensão darequer por parte de professores e alunos, no caso do Ensino de História, uma apreensão da totalidade, buscando as razões pelas quais esses foram produzidos. Vejamos um trecho datotalidade, buscando as razões pelas quais esses foram produzidos. Vejamos um trecho da obra da autora e o exercício que se possa verificar a partir dele.obra da autora e o exercício que se possa verificar a partir dele. ATRAVÉS DA IMAGEM: FOTOGRAFIA E IMAGEMATRAVÉS DA IMAGEM: FOTOGRAFIA E IMAGEM “Nunca camos passivos diante de uma fotograa: ela incita nossa “Nunca camos passivos diante de uma fotograa: ela incita nossa imaginação, nos faz pensar sobreimaginação, nos faz pensar sobre o passado a partir do dado de materialidade que persiste na imagem. Um o passado a partir do dado de materialidade que persiste na imagem. Um indício, um fantasma, talvezindício, um fantasma, talvez uma ilusão que, em certo momento da história, deixou sua marca registrada, numa uma ilusão que, em certo momento da história, deixou sua marca registrada, numa superfície sensível,superfície sensível, da mesma forma que as marcas do sol no corpo bronzeado. Num determinado momento o sol existiuda mesma forma que as marcas do sol no corpo bronzeado. Num determinado momento o sol existiu sobre aquela pele, num determinado momento um certo aquilo existiu diante da objetiva fotográca,sobre aquela pele, num determinado momento um certo aquilo existiu diante da objetiva fotográca, diante do olhar do fdiante do olhar do fotógrafo, e isso é otógrafo, e isso é impossível negar.impossível negar. Discute-se a possibilidade do mentir da imagem Discute-se a possibilidade do mentir da imagem fotográca. fotográca. A revolução digital provocada pelos avan-A revolução digital provocada pelos avan- ços da informática torna cada vez maior esta possibilidade. Permitindo até que os mortos ressurjamços da informática torna cada vez maior esta possibilidade. Permitindo até que os mortos ressurjam para tomar mais um chope, tal qual a publicidade já mostrou. Não importa se a imagem mente; opara tomar mais um chope, tal qual a publicidade já mostrou. Não importa se a imagem mente; o importante é saber por que mentiu e como mentiu. O desenvolvimento dos recursos tecnológicosimportante é saber por que mentiu e como mentiu. O desenvolvimento dos recursos tecnológicos demandará do historiador uma nova crítica que envolva o conhecimento das tecnologias feitas parademandará do historiador uma nova crítica que envolva o conhecimento das tecnologias feitas para mentir.mentir. TToda imagem é histórica. oda imagem é histórica. O marco de sua O marco de sua produção e o momento produção e o momento da sua execução estão calcados nasda sua execução estão calcados nas superfícies da foto, do quadro, da escultura, da fachada do edifício. A história embrenha as imagens,superfícies da foto, do quadro, da escultura, da fachada do edifício. A história embrenha as imagens, nas opções realizadas por quem escolhe uma expressão e um conteúdo, nas opções realizadas por quem escolhe uma expressão e um conteúdo, compondo através de signoscompondo através de signos de natureza não verbal, objetos de civilização, signicados de cultura.”de natureza não verbal, objetos de civilização, signicados de cultura.” Fonte: MAUAD, Ana Maira.Fonte: MAUAD, Ana Maira. Através da imagem:Através da imagem: fotograa e história – interfaces. Tempo, Rio de fotograa e história – interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, pp. 73 – 98, dez. 1996.Janeiro, v. 1, n. 2, pp. 73 – 98, dez. 1996. Exercitando a História a partir da leitura do texto apresentado, procure analisar: a posiçãoExercitando a História a partir da leitura do texto apresentado, procure analisar: a posição 120120METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância da autora em relação aos métodos de análise das imagens tecnológicas; os diferentes tiposda autora em relação aos métodos de análise das imagens tecnológicas; os diferentes tipos de imagem que podem ser utilizados no ensino de História; o papel do professor de Históriade imagem que podem ser utilizados no ensino de História; o papel do professor de História consciente de sua responsabilidade social e consciente de sua responsabilidade social e o alunoenquanto sujeito histórico.o aluno enquanto sujeito histórico. O que mais se impõe é a percepção do explícito em conjunto com o implícito, os chamadosO que mais se impõe é a percepção do explícito em conjunto com o implícito, os chamados testemunhos involuntários que se revelam quando conseguimos ler um documento nas suastestemunhos involuntários que se revelam quando conseguimos ler um documento nas suas entrelinhas, naquilo que escapou ao autor e revela algo de sua percepção a respeito do seuentrelinhas, naquilo que escapou ao autor e revela algo de sua percepção a respeito do seu tempo ou algo que quer ocultar daqueles que estão lendo o documento.tempo ou algo que quer ocultar daqueles que estão lendo o documento. A sala de aula pode ser vista como um ambiente ideal para a reconstrução A sala de aula pode ser vista como um ambiente ideal para a reconstrução de tais conhecimentosde tais conhecimentos por intermédio de fontes históricas, e aqui nos referimos às que se encontram no sistemapor intermédio de fontes históricas, e aqui nos referimos às que se encontram no sistema presencial ou que caracterizam a realidade virtual de um ensino a distância.presencial ou que caracterizam a realidade virtual de um ensino a distância. Neste último caso, as telecomunicações unidas à informática proporcionam um veículo rápidoNeste último caso, as telecomunicações unidas à informática proporcionam um veículo rápido e que encurta distâncias para o conhecimento.e que encurta distâncias para o conhecimento. Em sua obra em que aborda os novos modelos que podem se estabelecer para o ensinoEm sua obra em que aborda os novos modelos que podem se estabelecer para o ensino da História, Karnal (2004) parte do princípio de que a História linear está condenada aoda História, Karnal (2004) parte do princípio de que a História linear está condenada ao desaparecimento e que depois do advento do fenômeno da globalização – marcadamentedesaparecimento e que depois do advento do fenômeno da globalização – marcadamente na década de na década de 1990 – temos de 1990 – temos de olhar em múltiplas direções, atender a divergentes contextos.olhar em múltiplas direções, atender a divergentes contextos. “At“Até agora”, escreveé agora”, escreve, “a história er, “a história era ensinada como a ensinada como se tratasse de se tratasse de quadros já acabados”. Hojequadros já acabados”. Hoje já não é suficiente explicar como se chegou ao Renascimento ou à Segunda Guerra Mundial, já não é suficiente explicar como se chegou ao Renascimento ou à Segunda Guerra Mundial, à construção do capitalismo ou ao desprestígio do socialismo que levou à hegemonia doà construção do capitalismo ou ao desprestígio do socialismo que levou à hegemonia do neoliberalismo como política econômica. “Ensinar a edificar o próprio ponto de vista históriconeoliberalismo como política econômica. “Ensinar a edificar o próprio ponto de vista históricosignifica ensinar a construir concsignifica ensinar a construir conceitos e aplicá-los diante das variadas situações e problemas”.eitos e aplicá-los diante das variadas situações e problemas”. Isto equivale a “interpretar dados e informações de maneira a ter uma maior compreensão daIsto equivale a “interpretar dados e informações de maneira a ter uma maior compreensão da realidade que estiver sendo estudada” (Krealidade que estiver sendo estudada” (KARNAL, 200ARNAL, 2004, pp. 77-4, pp. 77-78).78). O autor parece preocupado com a retomada do humanismo em tempos dominados pelaO autor parece preocupado com a retomada do humanismo em tempos dominados pela tecnologia e, para valorizar o homem, nada melhor tecnologia e, para valorizar o homem, nada melhor do que o pensamento autônomo, construídodo que o pensamento autônomo, construído 121121METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância pelo próprio indivíduo, produto de “uma percepção o mais abrangente possível da condiçãopelo próprio indivíduo, produto de “uma percepção o mais abrangente possível da condição humana, nas mais diferentes culturas e diante dos mais variados problemas” (KARNAL, 20humana, nas mais diferentes culturas e diante dos mais variados problemas” (KARNAL, 2004,04, p. 78).p. 78). “O nosso desaf“O nosso desafio”io”, finaliza, “consiste não em , finaliza, “consiste não em saber se é saber se é possível fazer isso ensinando História,possível fazer isso ensinando História, mas em responder positivamente, com um método adequado, à pergunta sobre como émas em responder positivamente, com um método adequado, à pergunta sobre como é possívpossível fazer isso, ensinando História” (KAel fazer isso, ensinando História” (KARNAL, 200RNAL, 2004, p. 78)4, p. 78).. E é aí que os documentos citados assumem seu lugar como uma alternativa viável e atual aE é aí que os documentos citados assumem seu lugar como uma alternativa viável e atual a nossa disposição, com todas as tecnologias de nossa disposição, com todas as tecnologias de que dispomos.que dispomos. Os documentos não têm intenção didática e por isso são produzidos em diferentes linguagens, porOs documentos não têm intenção didática e por isso são produzidos em diferentes linguagens, por diversas formas de comunicação. Portanto, devem ser analisados com antecedência para serem uti-diversas formas de comunicação. Portanto, devem ser analisados com antecedência para serem uti- lizados com ns didáticos. Como recurso didático enfocaremos dois tipos de lizados com ns didáticos. Como recurso didático enfocaremos dois tipos de documentos: os escritosdocumentos: os escritos e não escritos.e não escritos. A escrita é utilizada pelos homens a milhares de anos para expressarem suas idéias, sentimentos eA escrita é utilizada pelos homens a milhares de anos para expressarem suas idéias, sentimentos e impressões do mundo. Os documentos escritos são subdivididos em ociais e não impressões do mundo. Os documentos escritos são subdivididos em ociais e não ociais. O primeiroociais. O primeiro tem a nalidade de registrar um fato. São exemplos os registros de instituições como Secretarias etem a nalidade de registrar um fato. São exemplos os registros de instituições como Secretarias e Prefeituras. Os documentos não ociais são diários, cartas, anotações pessoais, entre outros.Prefeituras. Os documentos não ociais são diários, cartas, anotações pessoais, entre outros. Quanto aos documentos não-escritos, estes podem ser subdivididos em:Quanto aos documentos não-escritos, estes podem ser subdivididos em: •• IconográcosIconográcos: As imagens também são utilizadas pelos homens para registrar a história de deter-: As imagens também são utilizadas pelos homens para registrar a história de deter- minado período histórico. Nelas podemos representar as idéias, os objetos, minado período histórico. Nelas podemos representar as idéias, os objetos, as pessoas, as vestimen-as pessoas, as vestimen- tas, os acontecimentos por meio de esculturas, desenhos, pinturas e fotograas.tas, os acontecimentos por meio de esculturas, desenhos, pinturas e fotograas. •• OraisOrais: Recentemente os historiadores reconheceram os depoimentos orais como : Recentemente os historiadores reconheceram os depoimentos orais como sendo fontes his-sendo fontes his- tóricas. O historiador tem a possibilidade de entrevistar uma pessoa que conta sua versão da história.tóricas. O historiador tem a possibilidade de entrevistar uma pessoa que conta sua versão da história. •• SonorosSonoros: São as músicas e os ritmos em geral que também informam sobre como pensavam os: São as músicas e os ritmos em geral que também informam sobre como pensavam os homens de determinada época.homens de determinada época. •• De cultura material: De cultura material: Os historiadores reconhecem, ainda, os Os historiadores reconhecem, ainda, os objetos, as roupas, os brinquedos, osobjetos, as roupas, os brinquedos, os monumentos, ferramentas, móveis, entre outros, como sendo fontesvaliosas principalmente em semonumentos, ferramentas, móveis, entre outros, como sendo fontes valiosas principalmente em se 122122METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância tratando de sociedades que não deixaram registros escritos. Para estudá-los, os pesquisadores in-tratando de sociedades que não deixaram registros escritos. Para estudá-los, os pesquisadores in- vestigam com que materiais foram feitos, quem os construiu, quem vestigam com que materiais foram feitos, quem os construiu, quem nanciou e com quais interesses.nanciou e com quais interesses. Fonte: Fonte: CABRINI; CATELLI; MONTELLATO.CABRINI; CATELLI; MONTELLATO. História temática História temática: tempos e culturas. 6. ano. Ensino Fun-: tempos e culturas. 6. ano. Ensino Fun- damental. 4. ed. reform. São Paulo: Scipione, 2009.damental. 4. ed. reform. São Paulo: Scipione, 2009. CONSIDERAÇÕCONSIDERAÇÕES ES FINAISFINAIS Ao longo desta unidade, verificamos que, para compreendermos as sociedades nos seusAo longo desta unidade, verificamos que, para compreendermos as sociedades nos seus aspectos mais amplos, devemos considerar todas as informações, desde as vestimentas, asaspectos mais amplos, devemos considerar todas as informações, desde as vestimentas, as grandes construções passando pgrandes construções passando por textos escritos, imagens, objetos do cotidiano entre outros.or textos escritos, imagens, objetos do cotidiano entre outros. E que é possível adquirir conhecimento histórico por meio das fontes, contudo, constatamosE que é possível adquirir conhecimento histórico por meio das fontes, contudo, constatamos que os historiadores e professores fazem uso de maneira diferente destes documentosque os historiadores e professores fazem uso de maneira diferente destes documentos históricos.históricos. É interessante ressaltar também que os documentos e as fontes históricas, por nós, foramÉ interessante ressaltar também que os documentos e as fontes históricas, por nós, foram tomados como sinônimos. E que, hoje houve uma mudança quanto ao entendimento do quetomados como sinônimos. E que, hoje houve uma mudança quanto ao entendimento do que seja um documento. Tseja um documento. Tal ênfase deve-se a herança al ênfase deve-se a herança deixada pelos historiadores da Escola dosdeixada pelos historiadores da Escola dos Annales Annales que lançaram um que lançaram um novo olhar aos documentos.novo olhar aos documentos. Nesta perspectiva, podemos destacar os objetivos que podemos Nesta perspectiva, podemos destacar os objetivos que podemos alcançar fazendo uso dessesalcançar fazendo uso desses documentos no processo ensino-aprendizagem:documentos no processo ensino-aprendizagem: • • Fazer o Fazer o aluno conhecer aluno conhecer uma grande uma grande variedade de variedade de fontes e fontes e adquirir experiência na adquirir experiência na suasua leitura.leitura. • • Desenvolver no Desenvolver no aluno a aluno a capacidade de capacidade de análise e análise e avaliação crítica avaliação crítica das fontes, das fontes, distinguindodistinguindo o que são dados de informação e o que são opiniões.o que são dados de informação e o que são opiniões. • • Ensinar Ensinar a a “olhar “olhar historicamenhistoricamente” te” um um fenômenofenômeno.. • • Desenvolver no Desenvolver no aluno aluno a a capacidade capacidade de de síntese síntese interpretinterpretativa ativa e e narrativa.narrativa. • • Aprender a Aprender a recolher informações recolher informações sobre sobre o o passado passado distante distante e e próximo.próximo. • • Desenvolver habilidades Desenvolver habilidades de de pesquisar em pesquisar em arquivos e arquivos e constituir os constituir os seus seus próprios.próprios. Por fim, consideramos o educador como responsável pela intermediação entre o aluno e oPor fim, consideramos o educador como responsável pela intermediação entre o aluno e o percurso do conhecimento histórico e que as fontes são recursos didáticos inesgotáveis depercurso do conhecimento histórico e que as fontes são recursos didáticos inesgotáveis de 123123METODOLMETODOLOGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | OGIA DO ENSINO DE HISTÓRIA | Educação a DistânciaEducação a Distância conhecimento, basta, para isto, dominar suas especificidades e ser um eterno conhecimento, basta, para isto, dominar suas especificidades e ser um eterno pesquisadorpesquisador.. Na unidade seguinte, daremos continuidade as nossas discussões refletindo sobre a práticaNa unidade seguinte, daremos continuidade as nossas discussões refletindo sobre a prática pedagógica e as possibilidades que o professor tem para ministrar uma boa aula de História.pedagógica e as possibilidades que o professor tem para ministrar uma boa aula de História. AATIVIDADE TIVIDADE DE AUTOESTUDODE AUTOESTUDO 1. 1. Vimos, nesta unidade, que Vimos, nesta unidade, que as pessoas fazem Hisas pessoas fazem História participando de diferentes grupostória participando de diferentes grupos sociais. Esses grupos produzem documentos que nos ajudam a reconstruir e representarsociais. Esses grupos produzem documentos que nos ajudam a reconstruir e representar essas histórias. Nesta perspectiva, a sugestão de atividade pedagógica é a constituiçãoessas histórias. Nesta perspectiva, a sugestão de atividade pedagógica é a constituição de um DOSSIÊ TEMÁTICO, ou seja, selecionar documentos dos mais variados sobre umde um DOSSIÊ TEMÁTICO, ou seja, selecionar documentos dos mais variados sobre um mesmo tema. O tema proposto é FAMÍLIA.mesmo tema. O tema proposto é FAMÍLIA. Procure pesquisar, encontrar documentosProcure pesquisar, encontrar documentos que dizem respeito à sua família: objetos que pertenceram a familiares; fotograas,que dizem respeito à sua família: objetos que pertenceram a familiares; fotograas, vídeos, músicas prediletas que representem algo para seus avídeos, músicas prediletas que representem algo para seus antepassados; registrosntepassados; registros de diversos momentos da vida ou documentos pessoais de pais, avós, bisavós etc.de diversos momentos da vida ou documentos pessoais de pais, avós, bisavós etc. De posse destes documentos,De posse destes documentos, você deverá produzir um dossiê contando a HISTÓRIAvocê deverá produzir um dossiê contando a HISTÓRIA DA SUA FAMÍLIA.DA SUA FAMÍLIA. 2. 2. Ainda, nesta unidade, vericamos que o Ainda, nesta unidade, vericamos que o historiador deve ter a “paixão de historiador deve ter a “paixão de compreender,compreender, o que implica que renuncie, tanto quanto possível ao juízo de valor” ou àquilo que é do-o que implica que renuncie, tanto quanto possível ao juízo de valor” ou àquilo que é do- minado pelo antropocentrismo do bem e do mal. Para Bloch, o parecer do historiador éminado pelo antropocentrismo do bem e do mal. Para Bloch, o parecer do historiador é o do sábio, que examina sempre os dois lados de uma questão, com isenção de ânimoo do sábio, que examina sempre os dois lados de uma questão, com isenção de ânimo e lembra que para penetrar numa consciência alheia, é preciso que nos despojemos “dee lembra que para penetrar numa consciência alheia, é preciso que nos despojemos “de nosso próprio eu”.nosso próprio eu”. Reetindo sobre suas colocações, faça uma análise sobre o trechoReetindo sobre suas colocações, faça uma análise sobre o trecho sublinhado destacando a relação com as fontes históricas.sublinhado destacando a relação com as fontes históricas. 3.3. Procure analisar os documentos iconográcosProcure analisar os documentos iconográcos que seguem para fazer o que se pede: que seguem para fazer o que se pede: TRABALHO INFANTILTRABALHO INFANTIL a) a) Descreva as imagens, observando todos os detalhes Descreva as imagens, observando todos os detalhes que envolvem cada cena: o que osque envolvem cada cena: o que os personagens estão fazendo, sua expressão (se estão tristes, alegres, irritados etc.), suaspersonagens estão fazendo, sua expressão (se estão