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T . L . O S B O R N POR QUE? Tragédia Trauma Triunfo POR QUE? Tragédia Trauma Triunfo T. L. OSBORN PORQUÊ? Tragédia Trauma Triunfo In tern atio n al d ist r ibu t o r o f Osborn Books. ACCESS INTERNATIONAL P. O. Box 700143, TULS A, OK 74170-0143 USA FRENCH DISTRIBUTORS Assoe. IMPACT PLEIN EVANGIÍE 32140 Panassac, France □ O Q VIEABONDANTE, B. P. 241 03208 Vichy, Cedex France GERMANPUBLISHER SHALOM— VERLAG Pachlinger Stnasse 10 D-93486 Runding, CHAM, Germany ❖ -$■ SPA NISH PUBLISHER LIBROS DESAFIO, Apdo. 29724 Bogotá, Colombia PORTUGVESE PUBLISHER GRAÇA EDITORIAL Caixa Postal 1815 Rio de Janeiro — RJ — 20001-970, Brasil POR tUE? Tragédia Trauma Triunfo Coleção G RAÇA DE DEUS PORQUÊ? — TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO OUTUBRO, 1998 ORIGINAL: "WHY? — TRAGEDY— TRAUMA — TRIUMPH" OSFO International Box 10 — Tulsa OK 74102 USA EDIÇÃO: GRAÇA EDITORIAL Caixa Postal 1815 Rio de Janeiro— RJ— 20001-970 Tel.: (021) 594-0375 Fax: (021) 591-2344 Tradução: Dra. M aria Eugênia da Silva Fernandes Revisão: Magdalena Bezerra Soares Eber Cocareli Editoração: lim a M arlins de Souza Capa: Almir Pereira Gomes AA4 Digitalização: S am ek O cbnas, 2021 m tiã A $ CITAÇÕ ES BÍBU CA S seguem a Tradução em P ortuguês d e João Ferreira d e A lm eida, E dição R evista e C orrigida (SB B ), salu o algum as exceções m encionadas. Todas a s referên cias estão in clu ídas. À s oezes a s citaçães são person alizadas, parafraseadas ou resum idas, para filc itita r a clareza e en corajar a ap licação in div idu al. Tom am os a lib erd ad e d e adap tar a estru tu ra, na pessoa e no tem po verbal, para fa z er a aplicação. O autor índice D EDICATÓRIA — EM M EM ÓRIA D E D A ISY ...............................6 APÓS O FALECIMENTO DE DAISY..........................................................10 INTRODUÇÃO— DISPONIBILIZANDO NOVOS RECURSOS...........11 POEMA— "SUSTENTA-ME, SENHOR!".................................................15 1. CRÔNICA DE NOVOSSIBIRSK, SIBÉRIA............................................17 2. CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS............................................ 29 3 .0 ADEUS FINAL................................................................................41 4. COMEMORAÇÃO...................................................................................65 5. RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE................................. 117 6. TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEU S...................................... 143 7. MULHER DE CORAGEM.................................................................... 165 8. RETORNO DA RÚSSIA.........................................................................173 9. A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES.......................................... 205 1 0 .0 MONUMENTO— O EPITÁFIO..................................................... 219 1 1 .0 LEGADO DE DAISY.......................................................................... 225 SEÇÃO DE FOTOS................................................................................ 242 12. LIÇÕESPARA VIVER........................................................................... 281 13. DAISY VAI PARA A CA SA .................................................................. 311 14. UMA TOCHA ELEVADA.....................................................................315 15. "MAS MAMÃE O FEZ"!....................................................................... 321 16. NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS.......... 325 £>/í Memória (De: (M in h a esposa m aravilhosa e cheia de am or p or quase cinquenta e quatro anos} M inha paciente com panheira e aliada de equipe na oéra do Senhor, desde a data do nosso casam ento, em S de a t r il de 1942; M inha colega con fiáv ele associada na evangelização em m assa com m ilagres, em setenta e quatro nações do ttptndo; M inha colaíoradora corajosa e in fatigável na obra n 1 de D eus, de m inistrar Amor ao nosso mundo sofredor; M inha confidente e conselheira esp ecia l em todas as fa s e s e em preendim entos dos nossos m inistérios mundiais p ara m ilhões; M inha am iga m ais estim ada e am orosa; M inha am ada íntim a e fie l, e A única e m ais esp ecia l mulher de minha vida, ‘Daisy Marie ‘Washímrn Osôortt APÓS O FALECIMENTO DE DAISY E sta c r ô n ic a f o i c o n c eb id a d u ran te n o ssa s c o n fe r ên c ia s n as rep ú b lic a s d a ex -U n iS o S o v ié tica . ♦ COMECEI ESTES ANAIS EM MURMANSK, RÚSSIA, ACIMA DO ClRCULO POLAR; ♦ CONTINUEI REGISTRANDO ESTES EVENTOS EM MINSK, BELARUS; ♦ PROSSEGUI ANOTANDO AS OCORRÊNCIAS EM ALMA ATA, CAZAQUISTÀO; ♦ ESBOCEI OS EVENTOS DO ANO PASSADO EM BISHKEK, QUIRGUISTÂO; COMECEI A ESCREVER ESTAS MEMÓRIAS EM NO VOSSIB1RSK, SIBÉRIA, RÚSSIA; ♦ CONTINUEI AS CRÔNICAS DOS EVENTOS EM PERM, NOS URAIS, RÚSSIA; ♦ PROSSEGUI COM O DIÁRIO DAS REMINISCÊNCIAS EM KHARKOV, UCRÂNIA; ♦ TERMINEI DE CATALOGAR E REGISTRAR ESTAS LIÇÕES E RECORDAÇÕES EM MOSCOU, RÚSSIA, UPPSALA, SUÉCIA, THIRSK, INGLATERRA, HELSINQUE, FINLÂNDIA, BANCOC, TAILÂNDIA, OSLO, NORUEGA, M EDELIN, COLÔMBIA E NO MEU ESTÚDIO — BIBLIOTECA EM TULSA, OK, ESTADOS UNIDOS. INTRODUÇÃO DISPONIBILIZANDO NOVOS RECURSOS D e c id i COMPARTILHAR algumas experiências signi ficativas que ocorreram desde o falecimento de minha amada esposa, Daisy. Esta crônica é muito pessoal para ser publicada, exceto pelo fato de que a tragédia e a per da são universais, e uma parte significante da vida con siste em se aprender a crescer na adversidade. O maior trauma possível é perder a fé e a esperança. Se essas chamas são extintas, então a pessoa está morta, embora o coração dele ou dela ainda bata. O lado emocional do caos pode aparecer de maneiras inesperadas e em momentos imprevisíveis. Uma perda calamitosa pode resultar de morte, inundação, incên dio, tempestade, divórcio, ou como resultado de muitos outros eventos traumáticos. A angústia e a dor podem oprimir. Tenho lutado com minhas emoções, procurando des cobrir quem é este homem, T.L. Osbom. Eu sei quem são T.L. b Daisy. Mas T.L. — sozinho, sem outra pessoa— estou tendo de me acostumar com ele. i i POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO ASSUMINDO O COMANDO Em meio à dor e à agonia da perda, a memória exerce um papel significativo. A cada ataque furioso da sensa ção de vazio, eu aprendi a assumir o comando de mi nhas emoções, a analisar qual é e onde está a dor e, então, a examinar meus sentimentos e a guardar meu equilíbrio mental. Eu questiono: "Estou sendo indulgente com aauto- piedade? Existe mesmo dor real no meu corpo? Se sim, onde está ela? O que a está provocando?" Então, sempre, volto à premissa: O pesar é induzido pe los próprios pensamentos da pessoa. Temos o poder de alterar nossa maneira de pensar. Não quero que minhas lembranças de Daisy se dissi pem. A reflexão sobre nossas vidas e nosso amor juntos é um tesouro para mim. Mas preciso visualizar minhas lem branças através de uma nova perspectiva — com grati dão e não com remorso. Devo aceitar os fatos da vida e descobrir a beleza do meu cenário alterado. CONFORMANDO-ME COM A MUDANÇA Eu nunca tinha morado sozinho antes. Assim, preci so aprender a valorizar a vida e a exercer atividade — sem Daisy, aceitando o fato que a vida terrena dela ter minou. 12 DISPONIBILIZANDO NOVOS RECURSOS Não posso mais sentir sua presença física. Sua mente brilhante, seu conselho, a sabedoria dela não me são mais acessíveis. Eu preciso me resignar com a vida da maneira que ela é. Minha vida como um homem casado terminou. Preciso encarar isso. DELEITE EM VEZ DE PESAR Devo modificar minha maneira de pensar e reconside rar minhas lembranças de Daisy com deleite, no lugar de remorso. Os anos junto com ela são plenos de recordações inestimáveis que constantemente fazem reacender minha coragem e inspiração. É mais fácil falar do que colocar em prática esta filoso fia de coragem, mas eu estou fazendoisso, porque sou uma das testemunhas vivas de Cristo (At 532). Minha vida tem um propósito. Faço parte de um mundo sofredor. Deus e Sua graça curadora se refletem por meio de mim. Sou vital para o Seu plano de Amor pelas pessoas. Escrevi este livro para compartilhar algumas das lições que aprendi desde o falecimento de Daisy, na esperança de que outros possam descobrir, como eu, o quanto ainda existe de razão para se continuar vivendo. Se este livro curar alguma dor e tomar claras algumas respostas, se ajudar as pessoas a valorizarem a vida — 13 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO mesmo quando o cenário muda — e se ele motivar uma aceitação nova das recordações por intermédio de uma perspectiva positiva, induzindo a uma refocalização no Amor milagroso de Deus, terão valido a pena todas as lá grimas que eu derramei enquanto escrevia estas páginas. 14 Oração de T. L. “SUSTENTA-ME, SENHOR!” S e n h o r , estendo a mão para Te alcançar, Existe mesmo tanto para ser feito. Quando o pesar me sobrevier, Minha força precisará vir de Ti. E u liberei minha querida Daisy, Ela está contigo aí em cima. Ela sempre caminhou ao meu lado, Minha companheira a quem amo. Sinto-m e tão perdido e só, E, contudo, creio, Que preciso de Ti, Senhor, para me segurar, Para me ajudar a não me lamentar. 15 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO P o r favor, dá-me força e coragem, Senhor, para suportar o que preciso suportar. Quando a solidão me assaltar, Eu me lembrarei que Tu estás aí. D á combustível de esperança para os meus amanhãs, Eu sei que a vida precisa continuar. Estou crendo que minha escuridão Será seguida pelo amanhecer de um novo dia. T u nos conduziste por todo o mundo, De praia em praia distante. Sustenta-me, Senhor, até que eu supere isso E esteja forte, mais uma vez. T. L. Osborn— 5 de julho de 1995 CAPÍTULO PRIMEIRO CRÔNICA DE NOVOSSIBIRSK, SIBÉRIA E s TOU AQUI na terceira cidade da ex-União Soviética, Novossibirsk. Esta é a capital cultural e econômica da vas ta região da Sibéria. Estou sozinho no meu pequeno quar to de hotel. Mede 2,3 x 3,7 m e tem um espaço de 1,4 x 1,8 m para uma privada, uma pia e uma banheira minúscula — apenas com água fria. Tenho umas poucas horas antes que nosso avião parta, então decidi começar esta crônica. A NOITE DAS NOITES Foi apenas há um ano que passei pelo evento mais traumático da minha vida. Minha querida esposa e com panheira de equipe, Daisy Marie, dava seu último sus piro, transcendendo a mortalidade terrestre, penetran do no véu que nos separa do mundo invisível, para es tar eternamente com o Senhor. 17 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A filha LaDonna e as netas Daneesa e LaVona estive ram conosco por duas noites. (Nossa querida amiga e assistente, Karen Anaya, ficou com Daisy e eu numa vigília.) AS HORAS FINAIS Uma nossa conhecida especial, a enfermeira chefe do Hospital Oral Roberts, tinha ouvido Daisy pregar no Centro Mabee. Sabedora de nossa crise, ela veio direta mente do hospital para a nossa casa, depois de um dia lotado de trabalho, para nos dar assistência. Ela ficou a noite inteira e voltou ao seu posto de direção sem dor mir. Depois de um outro dia de serviço do hospital e, ainda, sem descansar, ela veio novamente do trabalho para estar conosco. Como uma profissional da área médica, ela estava ciente, mais do que nós, do que esta va acontecendo. Às 2h53 da manhã de 27 de maio de 1995, minha que rida Daisy deu o último suspiro, enquanto eu estava me debruçando sobre ela, meio-ajoelhado, segurando-a, fitan do seu rosto que tinha dado sorrisos tão responsivos e me trazido tanta felicidade por quase cinqüenta e quatro anos. Seu espírito lindo escapou para estar etemamente com ELE, a quem ela tão fielmente serviu. 18 CRÔNICA DE NOVOSIBIRSK, SIBÉRIA NÓS TÍNHAMOS SID O UM. AGORA, EU ERA UMA MEIA-PESSOA Pareceu que uma grande parte de mim morrera com ela. Eu estava atordoado por uma confusão aterradora, emocionalmente arrasado. Como podería continuar a vi ver com o melhor de mim machucado? Foi uma amputa ção chocante de tudo que me era vital. Tínhamo-nos encontrado e casado muito jovens. Prati camente crescemos juntos. Nós nos amávamos. Éramos um. Como eu podería sobreviver sendo metade de uma pessoa? Senti que eu estava sendo aspirado para o vácuo de um vazio assustador. O corpo de Daisy não estava respirando — não tinha movimento. Aquela pessoa linda, dinâmica, que ilumi nou minha vida por quase cinqüenta e quatro anos, esca pou para longe do meu alcance. Ela já não existia mais. Segurei seu corpo inerte até onde podiam os meus braços. Eu não a podia deixar ir. Ela foi a minha vida, minha ale gria, meu mundo. Cenas do começo do nosso relaciona mento apareceram na tela da minha mente. A GAROTA QUE EU ENCONTREI EM ALMO Vi a garota de dezesseis anos de idade que apareceu na pequena igreja de Almo, Califórnia, onde o Rev. Ernest Dillard e eu dirigíamos uma reunião de aviva- 19 CRÔNICA DE NOVOSIBIRSK, SIBÉRIA mento. Lá em Oklahoma, meu pai permitiu que eu fos se com ele quando eu só tinha dezesseis anos, para to car nas reuniões de avivamento. Um amigo nos convi dou para conduzirmos uma série de reuniões especiais na sua pequena igreja de Almo. Trinta e dois quilômetros a oeste de lá ficava Los Banos. Daisy vivia numa fazenda ali perto. Ela e alguns amigos da igreja tinham ouvido falar dos reavivalistas de Oklahoma e vieram para as reuniões. Reparei nela quando entrou no prédio: loira, bonita, serena, ativa, inteligente. E ela ficou impressionada com a minha música, meu testemunho e compromisso com o ministério de evangelização. Eu sabia que precisava encontrar essa jovem crente especial e notável. Um cavalheiro mais velho nos apre sentou. Tudoem mim vibrou com vida, quando eu mirei nos seus olhos e nos cumprimentamos. Essa era a dama — sem sombra de dúvida— com a qual eu desejava com partilhar a minha vida. EU ME DECLAREI A DAISY Devido à nossa programação de avivamento, e não ten do mais dinheiro meu, Daisy e eu conseguimos, com gran de dificuldade, nos ver apenas três ou quatro vezes antes do Rev. Dillard decidir voltar para Oklahoma. 21 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO Durante nossa última breve visita a uma igreja em Turlock, me declarei a ela. Eu compreendia que a minha proposta era abrupta, mas não havia alternativa. Estáva mos indo embora do Estado. Graças a Deus, Daisy aceitou minha proposta impulsiva, acreditando no meu compro misso com ela. Arriscou-se, apaixonando-se por um jovem pregador itinerante, apesar das predições ridículas e ne gativas dos companheiros do colégio. NAMORANDO POR CORRESPONDÊNCIA Nosso namoro de que ser por correspondência. Eu não tinha dinheiro para telefonemas, então escrevíamos car tas. Um ano depois, nos casamos na pequena igreja do Evangelho Quadrangular de Los Banos. Emprestei um temo do meu cunhado e incluí, no orçamento dos meus preciosos e escassos dólares, um buquê branco para Daisy e flores para a minha lapela. Para completar, consegui uma carona de Oklahoma para a Califórnia, com um casal que estava indo para o oeste. Porém, a minha condução pa rou a uns cento e sessenta quilômetros de Los Banos, en tão eu tive que ir pedindo carona na etapa final da minha jornada. Um dia após o nosso casamento, iniciamos nossa via gem de volta para Sand Springs, Oklahoma, onde eu ti 22 CRÔNICA DE NO VOSIBIRSK, SIBÉRIA nha um emprego. Chegamos com sessenta centavos. Eu tinha contado meus dólares com muito cuidado. Eu estava morrendo de vontade de voltar para o mi nistério de evangelização. Troquei minhas únicas posses, uma vaca e um bezerro da fazenda de meu pai, por um Ford cupé modelo 1930. Com vinte dólares do meu irmão, Lonnie, nós revisamos o motor e, com trinta e cinco dóla res do irmão da Daisy, Bud, conseguimos voltar para a Califórnia. Então, vendemos o carro para termos dinhei ro vivo e começamos nossa carreira de pregaçãonuma igreja em Campbell, Califórnia, cujo pastor nos convida ra para conduzir um avivamento. D epois daquela e de outras tantas reuniões na Califórnia, fomos a Portland, Oregon, para estabelecer mos uma nova igreja. De lá, fomos à índia como missio nários, mas retomamos sem sucesso. Após dez meses, es távamos de volta a Portland, onde aprendemos sobre os milagres. Com nossos novos conhecimentos sobre mila gres, e com a fé renovada, fomos ao estrangeiro novamen te — desta vez, com grande sucesso. Aquele sucesso se repetiu em setenta e três nações durante mais de meio século de evangelização em massa com milagres, que afe tou as missões no exterior e as regras da evangelização em todo o mundo. 23 PO RQ UÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO SEU OTIM ISMO INCANSÁVEL Nada daquilo teria acontecido sem a inspiração e o encorajam ento dinâm ico da m aravilhosa Daisy, a galante mulher de Deus, que foi minha esposa. Nunca tivemos nenhuma briga em nossos quase cinqüenta e quatro anos juntos. Eu nunca a ouvi falar ou fazer alu são a uma palavra ou pensamento negativos. Nunca a vi hesitar, em circunstâncias envolvendo risco de vida. Essa dama vivaz me animou, encorajou-me, creu co migo no ministério e foi uma fonte de otimismo cons tante e incansável, de consolo e de tranqüilizadora es perança. Ela era indômita no espírito, incansável na co ragem, dinâmica na atitude, positiva no planejamento, incrivelmente generosa no dar, poderosa no testemu nho e no ministério, inspiradora na vida, dedicada em servir às pessoas, determinada nas cruzadas, fiel no amor. Agora, eu estava segurando nos meus braços os res tos físicos dessa tão amada companheira. Seu espírito se fora. Sua casa mortal de barro estava vazia. Sua exis tência se cumpriu. Não se mexia. Eu não podia com preender a vida sem o companheirismo estimulante de Daisy. 24 CRÔNICA DENOVOSIBIRSK, SIBÉRIA A PERGUNTA ATORMENTADORA— POR QUÊ? Eu sabia que tinha de liberá-la. Ela não estava respi rando. Sua figura não tinha vida. Ela sempre fora tão ati va, radiante com sorrisos, responsiva, encantadora, vigo rosa. Agora, seus lábios estavam estáticos. Eles não sorri riam mais. Seus olhos nunca mais piscariam a sua res posta de amor para mim outra vez. Eu estava paralisado pelo espanto. Como o impacto do trovão na terra, todo o meu ser re- verberava com o clamor uivante de "POR QUÊ? POR QUÊ? POR QUÊ?" "NÃO! Não minha amada Daisy! NÃO! É muito cedo na vida. Ela só tem setenta. NÃO! Por favor, ó Deus! NÃO! Não este anjo de luz, esta mensageira de amor! NÃO! Não pode ser!" Mas o seu templo de barro estava sem vida. Ela se fora. Segurei seu corpo, mas estava vazio. Não respondia. Em minha desconcertante agonia, forcei as respostas. Na minha procura desesperada por equilíbrio mental, racioci nei: "Não posso perguntar POR QUÊ? Perguntar POR QUÊ? não é pedir uma resposta, é querer um raciocínio. Eu não posso fazer isso. Preciso liberar de volta para Deus o tesou ro mais querido que já conhed". 25 POR QUÉ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Mas, no meu esforço de trazer meus pensamentos ca tivos, as reverberações atormentadoras continuavam a m e impactar "POR QUÊ? POR QUE Daisy foi arranca da do meu lado? O que posso fazer? Que direção to m ar?" Eu sabia que a minha sobrevivência dependia de eu me encarregar pessoalmente das minhas emoções. A morta lidade de Daisy era uma realidade. Eu tinha de encarar os fatos. COROAÇÃO FINAL Chorando, eu declarava: "Querido Senhor Jesus, rece be o espírito de Daisy. Ela chega a ti, agora. Obrigado por quase cinqüenta e quatro maravilhosos anos juntos. Ago ra, ela pode descansar para sempre. Suas labutas termi naram. A missão dela está completa. Sem mais trabalho pesado— sem mais lágrimas. Esta é a coroação final pela sua vida preciosa e radiante." Oh! o vácuo que senti sabendo que ela não estava mais naquele templo de barro que tinha abrigado seu lindo es pírito por mais de setenta anos e que tinha me trazido tanto companheirismo e amor. Seu precioso corpo estava imóvel! 26 CRÔNICA DE NOVOSIBIRSK, SIBÉRIA SÓ E APAVORADO Um vazio tal me engolfou que eu nunca soube que exis tisse. Algo em mim pareceu morrer com Daisy. O que eu podia fazer? Que direção tomar? O que era a vida sem minha companheira? Ela significou tudo para mim. Foi a minha alegria, meu amor, minha inspiração. Fui captura do por um medo aterrador. Sabia que enfrentava o maior desafio da minha vida. Pareceu-me que uma grande par te dela e da minha esperança morreram naquela noite. Por causa de nossa filha, LaDonna, e das nossas netas extraordinárias, LaVona e Daneesa, lutei para me recom por. Demorei-me com Daisy tanto quanto consegui. Eu podia sentir o calor de seu corpo temo se desvanecer. Sua linda forma de barro estava lá, mas seu espírito es plêndido se fora. Tudo estava vazio. O espírito que tinha aconselhado, encorajado e me inspirado por mais de meio século fora embora. Fiquei abandonado no vale profundo da devastação emocional— sozinho. 27 CAPÍTULO SEGUNDO CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS M in h a PUBLICAÇÃO DESTAS memórias, incluin do reflexões dolorosas sobre o trauma que experimentei, é uma tentativa de compartilhar algumas das lições apren didas com o falecimento de minha esposa e da conseqüen- te solidão. Tentei examinar, sensatamente, ã crônica de eventos, e registrar para outros algumas das curas emocionais que ocorreram nas minhas horas mais negras, que expandi ram minha alma e alargaram minha vida. A tragédia ou o trauma chegam de muitas formas dife rentes — a morte é só uma delas. No meu caso, atingiu- me na perda da minha namorada e companheira de uma vida, por quase cinqüenta e quatro anos. Foi sentida como o colapso de um enorme dique, permitindo que uma parede brutal de dor me arrastasse além do controle, anu lando tudo que era lindo, deixando-me só e espantado com a paisagem violada. 29 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO Para outros, a desgraça séria pode vir da perda de um negócio,deumlar,deumaposição.Acalamidadeeaaflição podem ser devidos a uma inundação, um incêndio, uma tempestade devastadora, uma revolta, uma insurreição, à açãom ilitaroupolicial— ou à anarquia pública. Desgos to e eventos traumáticos ocorrem. Eles golpeiam sem avi sar. Podem ser assustadores. São universais e dolorosos. Não podemos evitar esses tempos duros na vida, mas podemos controlar nossa reação para com eles. Muito freqüentemente, as pessoas acusam a Deus por permitir que eles aconteçam quando, na realidade, Ele não tinha nada a ver com isso. CULPAR DEUS NÃO É A SOLUÇÃO Podemos gritar com os céus: "POR QUÊ, Deus? POR QUE Tu deixaste isso acontecer? POR QUE Tu nos aban donaste? POR QUE nós precisamos sofrer esta perda? POR QUE não te importas?" Mas esses gritos de dor só exacer bam a agonia. A amargura e o remorso nunca curam feri das nem resolvem dilemas. Porque tantas pessoas feridas estão sofrendo e afun dando nesse pântano emocional, eu intitulei este livro de "PO R QUÊ?". Eu próprio tinha sentido dor tão profunda que eu, também, estava perdido na bruma sufocante de uma frustração ambígua e enigmática. 30 CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS MUDAR O FOCO DA MEMÓRIA PARA SUPERAR A TRAGÉDIA Mas descobri um segredo sereno e bíblico para triunfar sobre a devastação do desespero e da dor. Percebi uma nova perspectiva capaz de me abrir os olhos, que refocaliza a memória, supera a tragédia e elucida o valor de VIVER — mesmo num ambiente não familiar e com uma agenda reescrita. Quero compartilhar esse novo conceito de cura com qualquer pessoa traumatizada ou ferida por algum tipo de perda. Para fazer isso, tentei analisar cada etapa difí cil da minha odisséia por esse vale escuro da devastação. PAISAGEM ALTERADA Ao compartilhar minha perda e algumas das lições que trouxeram renovação e crescimento à minha vida, é mi nha esperança que estas páginas inspirem força em tem pos difíceis, que aliviem a dor em períodosde pesar, que sem eiem coragem para nunca desistir, que impilam para um a estratégia de pensam ento criativo, que motivem a decisão renovada de reagir, que estimulem coragem nova para recomeçar, que coloquem em foco o milagre do po d er do A m or infalível de Deus, que criem a confiança de que vale a pena viver — mesmo quando a mudança fo i im posta e a paisagem, alterada. 31 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A FÉ QUE TRIUNFA. ELE É UM DEUS BOM Existe uma fé em Deus que transcende esses eventos desmoralizadores. Disto podemos estar certos, Deus não é o autor da devastação e do caos. A humanidade é a descendência de Deus. Temos um inimigo que a Bíblia chama de Satanás. Ele é aquele que ntto vem sendo a rou bar, a matar e a destruir (Jo 10.10). DEUS É UM DEUS BOM. Ele nunca manda o mal, ou a calamidade, ou o desastre. Essas são as obras do destrui dor— do Brutal. Deus criou Adão e Eva e então plantou um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha fo r mado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda árvore agra dável à vista e boa para comida... e ...o ouro dessa terra ê bom; ali há o bdêlio e a pedra sardônica [rios e tesouros de todos os tipos] (Gn 2.8-12). Ele criou só bondade e beleza para a humanidade desfrutar. PEGANDO PÓ DA TERRA PARA A BELEZA Quando Adão e Eva foram separados dEle pela desobe diência, suas vidas se tomaram dominadas pelo Maligno — o Assassino— o Destruidor. O resultado: E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda 32 CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continu amente. Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração (Gn 6.5,6). Mas, mesmo na agonia da angústia de Deus por cau sa da desobediência e da escravidão da humanidade a Satanás, Ele não os abandonou. Ele providenciou re denção por meio da dádiva de Seu Filho que assumiu nossa culpa e suportou nosso julgamento para que pu déssemos VIVER. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mun do fosse salvo por ele (Jo 3.16,17). AGONIA E CONFUSÃO Deus não nos manda pestilência, doença, calamidade e destruição. Na agonia da confusão e da perda, as pesso as olham para cima e acusam a Deus: "PÔR QUE Tu fizes te isso? PÔR QUE tu permitiste que esse dilema, essa tragé dia ocorresse?" Mas Ele não é o Destruidor. Ele é o Curador, o Salva dor, o Provedor, o Doador da VIDA. Sua vontade nunca é a de mandar desolação e praga. Ele dá a cura e a recu 33 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO peração. Ele não é o autor da doença e da morte. É ele que perdoa todas as tuas iniqüidades e sara todas as tuas enfermidades (SI 103.3). A BONDADE DE DEUS A benignidade de Deus [que] te leva ao arrependimento (Rm 2.4). Quando a tragédia começa, embora não com preendamos as razões nem as implicações, podemos CON FIAR NELE naquilo que a Sua Palavra nos fala, e deixar nas Suas mãos o que não podemos entender, estando cer tos de que a BONDADE de Deus permanece continuamente (SI 52.1). Não posso compreender por que minha querida Daisy foi tirada do meu lado, mas p osso anunciar abundantemen te a memória da SUA BONDADE, e posso cantar a Sua justi ça (SI 145.7). PROCLAMANDO A SUA BENIGNIDADE Daisy e eu demos cinqüenta e três anos das nossas vidas juntos, proclamando por todo o mundo as benignidades do Senhor mencionarei e os muitos louvores do Senhor, consoante tudo o que o Senhor nos concedeu, e a grande BONDADE... se gundo a multidão das suas benignidades (Is 63.7). Devotamos toda a nossa vida de casados a sermos va sos comprometidos com a Sua BONDADE, intérpretes do 34 CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS Seu AMOR, portadores da Sua MENSAGEM, associados dEle na Sua missão de dar VIDA às pessoas. Nossa proclamação de Cristo foi um nome de alegria, de louvor e de glória, entre todas as nações da terra que ouvirem todo o bem que Ele tem feito por elas; e [milhões] se espantar- se-ão e perturbar-se-ão por causa de todo o BEM e por causa de toda a paz que o Senhor lhes deu (fr 33.9). A despeito da solidão traumática de estar separado de Daisy, meu coração trombeteia com o profeta bíblico Zacarias: Porque quão grande é a sua BONDADE! E quão grande é a sua FORMOSURA! (Zc 9.17). Não foi à toa que Davi exclamou quatro vezes: Louvem ao Senhor pela sua BONDADE e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens! (SI 107.8,15,21,31). Mesmo no meu confuso dilema, ainda posso confiar ple namente na BONDADE incomensurável de Deus, saben do que todas as coisas contribuem juntamente para o bem da queles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto (Rm 8.28). (Eu sou um dos "chamados", envolvi dos no "seu decreto".) O GRANDE LADO FAVORÁVEL DA BALANÇA Quando os "POR QUÊS?" dolorosos avolumam-se dentro de mim, em vez de questionar sobre Daisy não 35 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO ter ressuscitado para continuar comigo pela vida, eu penso novamente, com júbilo, sobre as dezenas de mi lhares de pessoas que foram ressuscitadas em nosso ministério. Eu olho para o lado favorável da balança que está re pleta com multidões de orações respondidas, de triun- fos, de vitórias, de curas, de milagres. O lado aparente mente negativo da balança que eu vejo, com os seus per plexos "POR QUÊS?" causados pelo falecimento de Daisy, podem ser submetidos com dignidade e consolo à SUA FIDELIDADE. Essa oração aparentemente não respondida não pode ser pesada com justiça contra as dezenas de milhares de ora ções respondidas que Daisy e eu experimentamos. Eu pos so CONFIAR na bondade de Deus. Estou certo de que mesmo este único caso de oração aparentemente não respondida, será eventualmente mos trado no grande lado FAVORÁVEL da balança, embora seja doloroso para mim agora. Eu posso descansar em Sua fidelidade. Ele não precisa me explicar os “POR QUÊS?". Estou consolado. Estou satisfeito. Estou no descanso do meu espírito. Meus "POR QUÊS?" têm-se inclinado em reverência profunda diante da BONDADE amorosa de Deus. 36 CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS Sim, tragédias existem, há eventos traumáticos na vida. Podem vir de muitas formas. Mas, por meio da fé em Cris to, sempre existe o TRIUNFO (2 Co 2.14; Rm 8.31,37). A VITÓRIA DO CRER Diante do meu desespero, grito com o apóstolo Paulo: Onde está, 6 morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? ...Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, [eu posso estar] firme, e cons tante, sempre abundante na obra do Senhor, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 1555-58). Q uando dou uma olhada no panorama não fam i liar da minha jornada solitária daqui para a frente, sou diariam ente lembrado de que a terra está cheia da BONDADE de Deus (SI 33.5). No dia em que eu te mer, hei de CONFIAR em ti (SI 56.3). Ele nunca deixa rá que eu seja confundido (SI 71.1). Ele [foi e] é minha ESPERANÇA, [e] minha CONFIANÇA desde a minha m ocidade (SI 71.1-5). Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele CONFIAREI (SI 91.2). E isso me faz como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre (SI 125.1) [porque] a BONDADE de Deus permanece continua mente (SI 52.1). 37 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO MINHA M ISSà O — A BONDADE DE DEUS Apesar de minha tristeza e do sentimento doloroso de perda, a vida deve continuar porque as pessoas precisam da ajuda de Deus e eu, como qualquer crente, sou um “es colhido" como um dos Seus comunicadores. Minha mis são épublicar abundantemente a memória da tua grande BON DADE e cantar a tua JUSTIÇA (SI 145.7). Estou decidido que me fartarei da BONDADE de Deus (Jr 31.14) [que] me fez digno desta vocaçãopara cumprir todo desejo da sua BON DADE e a obra da f é com poder (2 Ts 1.11). Ao continuar minha missão sem Daisy, estou crescendo na consciência da presença dEle comigo. Minha oração con tínua é: Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti CONFIO; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma (SI 143.8). [Tu és] o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem CON FIO; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refu gio (SI 18.2). Eu decidi CONFIAR no Senhor... en ãom e estri- bar no meu próprio entendimento (Pv 35). Mesmo nas minhas horas mais negras, eu tenho tido segurança profunda e falo decidido como fez Jó, sem hesitação: Ainda que ele me mate, nele ESPERAREI (Jó 13.15), porque eu sei e estou convencido de que nenhum dos que nele CONFIAM será [jamais] condenado (SI 34.22). CONFIANDO NA BONDADE DE DEUS LUZ NO VALE Não, eu não estou desolado. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, [como eu andei}, não temería mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam (SI 23.4). Tenho andado em minha sinceridade; te nho CONFIADO também no Senhor... tenho andado na tua verdade... para publicar com voz de louvor e contar todas as tuas maravilhas... andarei em minha sinceridade... meu pé está posto em caminho plano; nas [grandes] congregações [do mun do] LOUVAREI AO SENHOR (SI 26). O Senhor é a minha lu z ea minha salvação... ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria... porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; por-me-á sobre uma rocha... perecería sem dúvida, se não cresse que ve ria os BENS do Senhor na terra dos viventes... [e] ele fortale ceu o meu coração (SI 27). 39 CAPÍTULO TERCEIRO O A D E U S FIN A L N aq u ela noite angustiante em que Daisy partiu desta vida, a funerária foi chamada e logo chegou pela nossa entrada lateral. O casal encarregado esperou silenciosa mente. Seu comportamento foi paciente e gentil. Eles deram à filha LaDonna, às netas LaVona e Daneesa, e a mim tempo para ficar um pouco mais com nossa querida mãe, avó e esposa. FIN AUDADE ASSUSTADORA Eu finalmente me recompus o suficiente para sair da cama numa espécie de pânico confuso. Tudo dentro de mim perguntava: "POR QUÊ, Daisy? POR QUE você teve de me deixar? Tudo no nosso ministério dependia tanto da sua habilidade". Todos os dias, durante a luta física de Daisy, eu esperei que ela aparecesse na porta do quarto com seus braços levantados, anunciando "Querido, estou curada!" No 41 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO meu espírito, eu visualizava aquilo. Ela sempre tinha sido milagrosamente curada todas as vezes em que alguma doença nos assaltava em nossas jomadas. Houve inúme ras vezes no exterior em que experimentamos ataques fí sicos sérios. Sempre confiamos em nosso GRANDE MÉ DICO que prometeu: Se ouvires atento a voz do Senhor, teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, ne nhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor, que te sara (Êx 15.26). E servireis ao Senhor, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de ti as enfermidades (Êx 23.25). Jesus, Ele mesmo, confiava nas Escrituras como o fun damento para a Sua vida e para o Seu ministério de curar pessoas feridas. Nós sempre colocamos nossa fé nas pro messas de Deus. Ele sempre confirmou a Sua Palavra quando nós confiamos nEle. SATANÁS TENTOU MATÁ-LA EM TOGO Daisy quase morreu em Togo, África Ocidental. Nunca ficávamos em hotéis, porque o custo era sempre elevado, 42 O ADEUS FINAL e não podíamos garantir que nosso alimento e a água es tivessem limpos. Nós sempre conseguimos usar uma casa particular. Lá, podíamos ferver nossa água, preparar nos sas próprias frutas e vegetais e manter alguma semelhan ça com a vida no lar. Em Lome, Togo, a casinha que nós adquirimos era pri mitiva . Tinha uma cozinha fora, e pegávamos nossa água de um poço, com a corda e um balde, fervendo-a em se guida. Durante nossas cruzadas, Daisy sempre saía cedo, en contrava os pastores e dirigia as reuniões. Então, assenta va-se com os pastores enquanto eu pregava, exposta a mosquitos por toda a noite. UMA FORMA MORTAL DE MALÁRIA Nós éramos sempre mordidos por mosquitos nas cru zadas ao ar livre mas, em Lome, eles portavam uma for ma mortal de malária. Daisy, pela primeira e única vez, havia sido atingida pela malária e ficou mortalmente doente, de cama, inca paz de freqüentar as reuniões. Foi doloroso deixá-la só na casinha enquanto saíamos a ministrar para a multidão já reunida. 43 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO O TRIUNFO DE DAISY Daisy era uma crente. Embora atingida, ela nunca re cuou. E a presença de Deus a visitava enquanto nós está vamos na cruzada. Quando voltamos, ela estava em pé, vestida, totalmente curada e vibrante outra vez. Ela sempre recebeu cura milagrosa quando foi atingi da . POR QUE NÃO DESTA VEZ? Sua linda figura estava agora sem vida. Nós estivemos confiantes de que ela se levantaria e estaria bem. Mas, por que, desta vez, ela es capou além do nosso alcance? Nós nunca questionamos se ela seria restaurada. Estávamos confiantes. A CRISE P Ó S— JAVA & VITÓ RIA Alguns anos antes, quando retornávamos da Ásia, uma infecção mortal invadiu a garganta e os pulmões de Daisy. O corpo dela ardia de febre. Estava acamada e, às vezes, delirava, mas nunca desistiu. Um dia, eu voltei do escritório para casa. Daisy estava vestida, bem , rejubilando-se, completamente curada. Nós choramos e demos graças a Deus, como sempre fazíamos. Mas desta vez, Daisy não passou pela porta com suas mãos levantadas, anunciando: "Querido, estou curada! Jesus me renovou inteiramente! Estou bem agora!" Para meu desapontamento e confusão, ela foi enfraquecendo 44 OADEÜS FINAL lentamente e escapou além da vida, através do véu da mortalidade, para a presença do nosso Senhor. POR QUE ESTA PERDA? Lembranças das vitórias corriam pela minha mente, en quanto eu larguei seu precioso corpo. Estava vazio ago ra. Eu tinha de encarar a realidade. O corpo de Daisy exigia uma certa preparação. A filha LaDonna e suas filhas, LaVona e Daneesa, fariam o que era necessário. Então, o casal da funerária entrou e, gentilmente, trans feriu aquele físico fragilzinho da nossa cama para o cai xão, cobrindo tudo, exceto sua face, que eles perceptivel- mente deixaram à vista para nós. COMPANHEIROS INSEPARÁVEIS AGORA DESUNIDOS Então, eles tiraram o corpo de Daisy do quarto pela porta de fora. Saímos por aquela porta tantas vezes, com pratos de frutas ou saladas para comer lá fora onde esta va fresco, ou para ler nossas Bíblias e orarmos juntos, ou com cartas de nossos parceiros pelos quais orávamos, ou com mapas, papel e lápis para planejar cruzadas ou se minários. 45 PO RQ U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Essa era a nossa última saída juntos. O espírito lindo e vibrante de Daisy se fora. Nossa unidade foi desfeita. Me tade de mim tinha morrido. Eu abracei aquela forma, mas ela não estava lá. Foi uma amputação brutal de mim mes mo — daquilo que era mais querido para mim. Quando saímos de casa, a cobertura estava gentilmente colocada sobre o rosto bonito de Daisy, por causa da garoa. Eu fiquei próximo do seu corpo, enquanto o empurráva- mos pelo caminho da garagem; então parei por um último momento para estar perto dela. Quando juntei forças para retomar, eles escorregaram o caixão para dentro do carro funerário, fechando a porta com cuidado. O clique da fechadura reverberava nos meus ouvidos como o ressoar alto de uma cadeia. Eu estava trancado, distante da figura física da minha querida. A amputa ção terminara. Eu estava só metade vivo. SEM M A IS CAMARADAGEM Ela nunca mais andaria comigo para embarcarmos em outro avião. Nuncamais passaríamos pelo controle de algum aeroporto estrangeiro. Nunca mais estaria lá com igo para cum prim entar os preciosos nacionais, acrescentando charme, graça e vibração àquelas nos sas recepções. 46 0 ADEUS FINAL Nunca mais ela me precedería em nações estrangeiras, encontrando pastores, oficiais do governo e a imprensa, para levar adiante os detalhes complexos da preparação para uma cruzada nacional de evangelização. ESPIRITUALMENTE SENSIBILIZADA Havia uma unção especial sobre a sua vida. Ela foi agraciada divinamente. Aqueles talentos espirituais sem pre se tomaram ativos quando ela chegava a uma nação para começar a delicada seqüência de trabalho de prepa ração da cruzada. Ela se tomaria espiritualmente sensibilizada por estra tégias, processos, métodos de operação, sistemas, progra mas, táticas, manobras, fórmulas, concepções locais e na cionais. Tinha cinqüenta e três anos de experiência em lutar com a intriga e as complicações de diversos governos, na cionalidades, tradições, culturas e posturas religiosas. Eu a vi subitamente anunciar, sentada à mesa ou tra balhando na escrivaninha: "Os livros estão aqui. Passa ram pela alfândega". Ou: "Nossa autorização foi conce dida. Os papéis estão assinados". Ou: "Eu sei para onde fazer o pedido. Deus me mostrou". Somente pelo poder do Espírito Santo na vida de Daisy ela podería ter esse 47 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO conhecimento e tal direção sobrenatural. Fazia parte dela quando estava no estrangeiro. A EMBAIXADORA EM AÇÃO Numa certa cidade, Daisy foi despertada de manhã cedo com o conhecimento de que um oficial da fronteira esta va obstruindo a entrada do nosso caminhão cheio d e Fer ramentas para Evangelismo que nós iríamos apresentar aos pastores e evangelistas nacionais. Ela simplesmente se vestiu, saiu, tomou um táxi e rodou noventa e seis quilô metros por uma estrada difícil até a fronteira. Havia centenas de enormes veículos de carga aguar dando inspeção. O nosso estava sendo ignorado. O ofi cial da fronteira sabia que se ele conseguisse retê-lo, eventualmente recebería um bom dinheiro para liberar aquela carga especial. No calor extremo e na poeira, Daisy procurou de bar raco em barraco, e de caminhão em caminhão, até que ela encontrou o oficial encarregado, encarou-o, apre sentou-se e prosseguiu, dizendo-lhe exatamente o que fazer. Ele respondeu como um sujeito que se conforma com as ordens da Rainha. O material entrou no país, sem imposto ou gorjeta, e nosso prazo crítico foi cum prido. 48 0 ADEUS FINAL O PLANO MORTAL FOI ABORTADO Às quatro horas da manhã, numa outra nação, Daisy se sentou subitamente na cama num abrigo de viajantes, onde ela encontrara um quarto. Ela ouviu uma voz dizer: "Saia deste lugar sem demora!" Ela estava lá para uma conferência com os pastores na cionais. Eles tinham vindo das províncias na floresta para encontrar Mama Daisy. Seu governo comunista instruiu soldados para encontrá-los e prendê-los, porque eles ti nham de ser eliminados. Eles poderíam evitar a prisão e continuar a ministrar nas regiões florestais onde eles estariam protegidos pelo povo das aldeias e pela densidade da floresta. Mas tinham arriscado a vir para a capital, secretamente, crendo que estariam a salvo com Mama Daisy. Quando Daisy recebeu essa mensagem, imediatamen te alertou seu guarda cristão para informar ao pastor prin cipal e aos pregadores, dizendo que voltassem à floresta sem demora, que suas vidas estavam em perigo, e que ela fora avisada numa visão noturna para deixar o local. Daisy se vestiu e chamou seu anfitrião pregador nacio nal. Com a mala na mão, saíram pela praça do mercado tenuamente iluminada, arranjaram um velho táxi em 49 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO frangalhos e pediram ao motorista que levasse Daisy para a fronteira. O chefe de polícia tinha sido notificado que os prega dores nacionais estavam na cidade para algum evento e tinha programado uma ronda para as oito horas da ma nhã. O fanático governo comunista estava determinado a eliminá-los. Foi passada a informação para o escritório do presidente de que eles estavam na cidade para se en contrarem com uma pregadora americana. Mas Daisy estava a salvo e os pregadores escaparam para continuar seus ministérios nas províncias da flores ta. (Uma nota posterior: Aquele presidente, cuja mente era dirigida pelo maligno, desde então abraçou a Cristo como seu Salvador pessoal e me persuadiu a ir à sua na ção para um seminário nacional e cruzada evàngelística, patrocinados pelo seu governo.) ELA ESCREVEU SEU PRÓPRIO CONTRATO A unção sobre a vida de Daisy surpreendia a todos que estavam perto dela. Numa certa cidade, ela tentou garan tir o uso do terreno de um estádio para uma cruzada evangelística. Várias tentativas de localizar o diretor de esportes e sua comissão falharam. 50 O ADEUS FINAL A situação era delicada, porque três forças armadas estavam se degladiando para o controle do governo. Sob essa anarquia de perigo constante, os oficiais não podiam trabalhar normalmente. Qualquer um que se movesse à noite era geralmente morto no lugar. Não era racional ten tar uma cruzada ali. Contudo, nós tínhamos ficado clara mente impressionados pelo Senhor para irmos daquela vez. Daisy estava na cidade, preparando o evento. Nossas reuniões seriam pela manhã e à tarde, de tal forma que as pessoas pudessem voltar para suas casas ou aldeias antes do anoitecer. Mas ela não tinha sido capaz de encontrar um local que servisse. Uma madrugada, ela acordou com instruções claras. "Le vante-se, coloque seu dinheiro na cesta (a moeda local es tava tão desvalorizada que um monte de dinheiro represen tava apenas umas poucas centenas de dólares) e vá agora para o grande estádio fora da cidade. Leve papel e caneta. Você escreverá seu próprio contrato. Ande rápido." Daisy chamou um motorista, pegou sua cesta de dinhei ro, foi para o estádio, passou pelo portão grande do muro de três metros de altura que circundava o campo, andou pelo vasto terreno sozinha, divisou um estranho barraquinho e sentiu que deveria ir lá. O diretor e três 51 PO RQ UÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO membros do comitê do estádio estavam numa reunião secreta, por causa do perigo existente na área. Daisy entrou na cabana como se fosse a dona do lugar. Ela os cumprimentou, expressando sua gratidão por eles terem vindo tão cedo para se encontrarem com ela. Eles estavam chocados, mas tão impressionados com o seu destemor que a ouviram. Ela simplesmente lhes contou o que ela queria e convenceu-os de que Deus iria abençoar a sua nação. Expôs sua proposta e fez sua oferta. Em princípio, o diretor pôs objeções— e, naturalmen te, ele não tinha contratos disponíveis. Daisy simples mente puxou seu bloco de papel e lhes disse que ela es crevería o contrato ali mesmo. Porque precisavam de dinheiro, e ela estava com o dinheiro, eles concorda ram nos detalhes, e Daisy escreveu o contrato. Ela for malmente o assinou, mostrou onde o Diretor deveria assinar e, então, o passou para os membros do comitê assinarem como testemunhas. Todos eles fizeram exa tamente como ela os instruiu. Aquela cruzada naquele campo tomou-se um dos mai ores triunfos dos nossos cinqüenta e três anos de evange- lização em massa com milagres, por setenta nações. Eu nunca deixei de me maravilhar com a unção de Daisy e de como os dons do Espírito Santo operavam nela e por 52 O ADEUS FINAL meio dela em lugares no exterior onde a necessidade espi ritual das pessoas era sempre tão urgente. A CRIANÇA MORTA FOI RESTAURADA Em outra nação, Daisy estava liderando uma Confe rência Nacional de Mulheres num grande Salão de Con ferências do governo. Após encontrar o Chefe do Esta do, dirigiu-se a todo o gabinete governamental que ti nha vindo recebê-la e falou à nação pela televisão naci onal. Às seis horas da manhã, Daisy foi despertada e ouviu especificamente: "Vá ao Salão de Conferênciasagora". Ela conseguiu um táxi e foi para o salão. Estranhamente, a grande porta de entrada estava entreaberta. Daisy entrou, percorreu o auditório vazio, pensou no que fazer, então decidiu pegar o seu lugar no pódio de preletores e aguar dar instruções. Depois de alguns minutos, uma mulher suja e frustra da entrou pela porta aberta, apertando um embrulho es farrapado em seus braços, gemendo angustiada. Daisy se pôs de pé e a pobre mulher a viu. Ela se arrastou na dire ção da plataforma, resmungando incoerentemente. Agar rou Daisy, murmurando no seu dialeto, então empurrou o embrulho esfarrapado nos braços dela. Era o seu bebê— e a criança estava morta. 53 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO Enquanto a mãe caía no chão angustiada, Daisy abraçou o bebê sem vida contra seu peito, acalentando-o lentamen te para trás e para a frente, imaginando o que fazer, oran do por direção. Então, subitamente, do profundo do seu es pírito, ela comandou: "Ó morte, eu te ordeno, solta esta crian ça. Eu comando que o seu espírito volte para este corpo!" Daisy continuou a se mover por ali, lenta, calmamen te, com confiança, segurando o bebê. De repente, ela sen tiu o corpinho tremer, e sabia que ele tinha revivido. Con tinuou a segurar a criança no seu peito, até que o corpo ficasse quente e macio, então ela chamou a mãe: "M a mãe, aqui está o seu bebê. Está tudo bem agora. Jesus res taurou a sua vidinha". Ela puxou os farrapos sujos descobrindo o rosto dele para a mamãe ver, e, quando ela olhou, ela saltou para trás de susto, gritando. Daisy tentou acalmá-la, mas ela estava admirada. Finalmente, ela foi capaz de contar a Daisy que o bebê tinha nascido só com um olho. Agora, dois lindos olhos estavam mirando para cima daqueles farrapos. O Espírito Santo, ministrando através da serva de Deus, não apenas restaurou a vida à criança, como tam bém realizou um milagre criativo. Daisy era uma ministra com dons. Eu podería recontar inúmeros incidentes nos quais o Espírito Santo se moveu 54 0 ADEUS FINAL em sua vida, promovendo acontecimentos maravilhosos para o bem de pessoas necessitadas. A FILHA DO JUIZ D A SUPREMA CORTE COM DOENÇA TERMINAL— NUM COMA Um outro exemplo: Daisy estava com um grupo de pas tores numa certa cidade, procurando por um lugar po tencial para a nossa cruzada. Um homem, correndo, se intrometeu com um apelo desesperado. A filha de um Juiz da Suprema Corte, que estava no hospital como doente terminal, tinha entrado num coma profundo, em morte iminente. Os pregadores rechaçaram o mensageiro. Eles estavam num importante negócio com a Dra. Daisy, e ela não podia ser interrompida. Daisy fez uma pausa por um momento, pensativa, em oração, então falou calmamente e com autoridade: "Leve- me até ela ". Eles correram pela cidade e levaram Daisy até o quarto de hospital. Ela andou tranquilamente até a cama, impôs suas mãos sobre a mulher, orou silenciosa mente, então levantou a voz com autoridade e disse: "Fi lha, abra seus olhos. Você está curada”. A filha do Juiz foi restaurada naquela mesma hora e freqüentou a cruzada com seu pai, para testemunhar da cura milagrosa de Cristo. 55 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO DAISY CONFRONTA O FEITICEIRO Numa nação primitiva, Daisy estava novamente ten tando arrumar um lugar adequado para a cruzada. Os pastores lhe mostraram vários locais. Então, passando por uma certa área, eles se viraram para visitar o mais repu tado médico feiticeiro da região. Ele governava o povo supersticioso dali, através do seu medo por grandes ser pentes que eles adoravam, e com as quais praticava sua magia pagã. O médico bruxo ficou intrigado pela visita de uma m ulher branca de aparência tão d istin ta. E le veio cumprimentá-la com uma Boa constrictor enorme enrola da no seu corpo. Os pregadores queriam impressionar Daisy com o poder e a influência espiritual desse deter minado feiticeiro, para enfatizar a necessidade de uma demonstração milagrosa do Evangelho. UMA LIÇÃO PARA OS PREGADORES: BRUXARIA NÃO É PÁREO PARA O ESPÍRITO SANTO Daisy aproveitou a ocasião para impressionar os pre gadores com o fato de que nenhum poder pode resistir à presença e à unção do Espírito Santo. Ela lhes ensinava que, como líderes, eles deviam compreender que o poder do Senhor é supremo e que eles deviam ensinar isso ao 56 0 ADEUS FINAL seu povo, para que fosse convertido do paganismo e de bruxaria para a fé em Jesus Cristo. Subitamente, Daisy teve uma inspiração para provar àqueles pregadores que nenhuma mágica daquele bruxo podia prevalecer na presença de crentes no Cristo ressus citado. Ela andou na direção daquele médico feiticeiro e orde nou: “Dê-me essa cobra!". Ele ficou chocado diante da sua audácia, e os pregadores ficaram atônitos. Ele atirou a Boa nas mãos de Daisy e, quando tocou nela, a serpente enrijeceu como um bastão nas suas mãos. Ela a segurou, enquanto advertia aqueles pregadores sobre o poder de Deus e como o Seu Espírito Santo era superior a qualquer magia negra ou feitiçaria. DAISY FEZ O IMPENSÁVEL Então ela fez o impensável: ela foi de pregador em pre gador ordenando que eles pegassem a serpente em suas m ãos e a segurassem como prova de que nenhum vuduísmo poderia governar na presença de um crente cheio do Espírito. Depois que aqueles pregadores empalidecidos tiveram a sua vez, ela pegou a constrictor e, calmamente, a devol veu para o médico bruxo com uma mensagem para ele, 57 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO sobre o amor e o poder de Jesus Cristo. Tão logo a serpen te tocou as mãos do feiticeiro, imediatamente se enrolou de volta ao redor do corpo dele. Isto pode parecer um caso extremo, mas Daisy era uma veterana no ministério do Evangelho. Ela nunca fez uma coisa dessas antes, ou desde então, mas aquele era um momento que pedia por uma prova de que Jesus Cristo está vivo no Seu povo, e de que o poder do Espírito Santo prevalece onde a bruxaria é exuberante. ESTRATÉGIA PARA O SUCESSO NACIONAL O sucesso nacional de todas as cruzadas evangelísticas que conduzíamos era atribuído à diplomacia, percepção, sabedoria e habilidade espirituais de Daisy. Ela percebeu desde o começo que, para as cruzadas evangelísticas de massa afetarem as nações, precisavam ser planejadas com o conhecimento e aprovação do governo nacional. Sempre que possível, Daisy começava por encontrar o Presidente daquela nação. Ela achava que, como visitan te estrangeira, deveria lhe apresentar uma perspectiva geral do nosso propósito em ir àquela nação. Depois, ela negociava com outros oficiais do governo, associações de pastores e os meios de comunicação. Então, ela começava o trabalho de campo de inspirar cristãos nacionais a se 58 0 ADEUS FINAL tomarem mensageiros da esperança de Deus para a sua população não-cristã, espalhando as notícias sobre a cru zada para cidades e aldeias por toda a nação. Mas agora, a experiência e liderança dessa mulher va lorosa no evangelismo mundial tinham terminado. Sua voz vibrante foi silenciada. A sabedoria dela não estava mais disponível. Sua energia espiritual não seria mais sen tida por pastores e ministros do Evangelho. Ela não mais ajudaria e influenciaria presidentes, primeiros-ministros, oficiais de estados e províncias para aprovarem o Evan gelho no meio do seu povo. EU SENTI A ANGÚSTIA DE MILHÕES Fiquei ali em pé, com o som da porta daquele carro fu nerário retinindo nos meus ouvidos. Suas reverberações se misturavam com os gritos de um mundo perdido im plorando por compaixão, misericórdia e compreensão na liderança. Daisy foi esse tipo de líder. Eu podia ouvir os pedidos de milhões necessitando de graça e de uma doçu ra amorosa e curadora. Daisy ministrava com essa espé cie de dinamismo no tato e na sensibilidade. Agora, seu estilo de liderança talentosa e sábia ter minara. POR QUÊ? POR QUE ela havia morrido? Ela foi bastante corajosa, comprometida, desejosa de dar 59 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA—TRIUNFO tudo para ajudar, levantar, abençoar, salvar e curar mi lhões de vidas. ELA SEGURAVA O MUNDO EM SEU CORAÇÃO. ELA ERA UMA VOZ "POR QUÊS" atormentadores me atacaram com suas su gestões demolidoras e destrutivas. O mundo precisava de Daisy. As nações se tomaram melhores pela sua presença e pelo seu competente ministério. Ela segurava o mundo em seu coração. Olhava as pessoas com a compaixão de Cris to. Sua força diplomática, contudo dinâmica, elevava os ne cessitados a novos níveis de dignidade. As mulheres do mundo precisavam de Daisy. Ela lhes dissera: "Eu sou uma voz que anuncia que a sua redenção che gou, que seu redentor está aqui, que a sua emancipação já fo i declarada, que o seu resgate já fo i pago, e eu estou anunciando isso ousadamente para mulheres e homens de todas as cores, raças e nacionalidades". POR QUE seu espírito intrépido e valente desapareceu deste mundo que precisava dela tão desesperadamente? POR QUE esta mensageira das Boas Novas de Deus apa rentemente "terminou seu percurso"? Enquanto eu ficava ali atrás daquele carro preto, sen tia a angústia de milhões que tinham sofrido perda, que 60 O ADEUS FINAL viviam em confusão, apanhados em dor devido a alguma calamidade, dureza, infortúnio ou tragédia, atrapalhados e aturdidos pela selvageria dos POR QUÊS? Agora, eu era um daqueles em pé naquela areia move diça de confusão. Eu tinha perdido o tesouro mais querido da minha vida. Sua figurinha de barro escapou da minha vista, além do meu alcance e toque, para a concha negra daquele carro mórbido. Ela estava só. Eu estava só. A porta se fechou entre nós. Nossa separação era final. Nossa união estava rompida. Nós ainda éramos um, mas minha melhor metade estava morta. O que eu podería fazer? POR QUE aconteceu essa cruel separação? Quando a porta daquele carro fúnebre se fechou, senti a influência gélida da morte. Eu estava entorpecido e ator doado. O CARRO FÚNEBRE SOME NA ESCURIDÃO LEMBRANÇAS DAS DESPEDIDAS Fiquei de pé atentando para o carro enquanto ele saía do nosso caminho e, lentamente, se movia na escuridão, levando minha preciosa companheira de toda a vida. Eu nunca tocaria seu corpo cálido novamente. Sozinho no escuro, permanecí quase transpassado, lá grimas escorrendo pelo meu rosto. Fiquei de pé naquela 61 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO entrada de casa tantas vezes, com orgulho e prazer, aju dando Daisy a entrar no seu carro com livros e papéis que ela manusearia no escritório. Eu lhe acenava com beijos, enquanto ela tirava o carro da nossa garagem, e sempre respondia com um gesto de amor enquanto partia. DAISY NÃO VOLTARIA Mas essa era a última vez que eu a veria partir. Ela nunca mais voltaria para mim, neste mundo. Eu estava com medo, confuso, desconcertado. Minha esperança e minha vida pareceram dissipar enquanto aquele carro preto, carregando minha amada, desaparecia na noite. Como eu podia reentrar na casa? Tentei me recupe rar. Fiquei em pé parado, analisando as árvores, as flo res, os arbustos que Daisy e eu plantamos e desfruta mos juntos. A garoa tinha parado. Lá estava o pátio com as adoráveis cadeiras brancas onde Daisy e eu nos sen- távamos, conversávamos, líamos nossas Bíblias e orá- vamos juntos tantas vezes. Eu olhei para a mesa e as cadeiras do pátio onde tão freqüentemente tomávamos café e almoçávamos. Levou um tempo para eu conseguir entrar. Eu sabia que tinha de me recompor. LaDonna, LaVona e Daneesa esta vam lá. Também sofriam. E a enfermeira-chefe precisa 62 0 ADEUS FINAL va sair. Eu queria lhe expressar minha gratidão. Mas não conseguia falar. Minha garganta estava travada pelo so frimento. Não sairía palavra alguma. 63 CAPÍTULO QUARTO COMEMORAÇÃO D e u s escolhe pessoas que são de boa reputação, cheias do Espírito Santo e de sabedoria (At 6.3). A Bíblia fala que Estêvão era cheio de f é e do Espírito Santo... cheio de f é e de poder, [que] fez prodígios e grandes sinais entre o povo (At 6. 5,8). Após o martírio de Estêvão, varões piedosos foram enterrá-lo e fizeram sobre ele grande pranto (At 8.2), No caso da Dra. Daisy Washbum Osbom, pode ser re gistrado que *mulheres piedosas foram enterrá-la e fizeram sobre ela grande demonstração de regozijo". Houve lágrimas, mas eram lágrimas de gratidão. O LOCAL O culto em memória à vida e ministério de Daisy foi realizado no lindo auditório do prédio que Daisy e eu erigimos há décadas atrás, como a sede internacional dos nossos ministérios globais. 65 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A Pastora Superintendente Sênior, LaDonna Osbom oficiou na cerimônia. O santuário estava lotado. Ami gos e ministros do Evangelho vieram de todos os Estados Unidos e do mundo. DERRAMAMENTO DE AMOR O ataúde de Daisy foi colocado em meio a uma ban cada exuberante de flores. Até os funcionários da fune rária comentaram que nunca tinham visto tal cena co- piosa de esplendor floral. Um arranjo de 1,20 m de altura de cravos brancos e verm elhos, dos M issionários Bud e Fay Sckler de Mombasa, Quênia, foi designado para representar o con tinente africano. Firmado num cavalete ao lado do ataú de de Daisy, demonstrava o amor da África por sua vida e ministério. Ramalhetes maravilhosos, coroas, plantas, ornamen tos, buquês, perfumes e todos os tipos de deslumbrante magnificência floral ornamentavam o largo palco com seu caleidoscópio de cores e fragrâncias em profusão. Vieram de muitos ministérios nacionais tais como os dos Roberts, Hagins, Copelands, Osteens, Schambachs, Freda lindsay, Crouches, Hickeys e de centenas de outros amigos granjeados nos Estados Unidos e por todo o mundo. 66 COMEMORAÇÃO PASTORA LADONNA OFICIA NO MEMORIAL DE SUA MÀE (ROTEIRO PARCIAL DO SERMÃO) N ó S ESTAMOS AQUI não apenas para comemorar a vida de minha amada mãe, Daisy Osbom, mas para celebrar a volta para a casa de uma santa de Deus. E nós estamos aqui para sermos confortados— através das lembranças, das canções, das expressões de amor, e por estarmos junto de amigos valiosos. Também, estamos aqui para comissionar aqueles que foram receptores das sementes que a Dra. Daisy semeou. Além disso, estamos aqui para consagrar nossas vidas como crentes, de maneira que Deus receba a glória atra vés do nosso viver. A Dra Daisy se foi. Nossa jornada não terminou. Refletir hoje sobre o seu exemplo motivará a renovação de nosso compromisso para levarmos a tocha do Evangelho àqueles que ainda estão nas trevas. CARTA DE EVELYN ROBERTS PARA T.L. Nossa família tem tido um relacionamento duradouro e prezado com tantos de nossos amigos hoje aqui. Quan do Oral e Evelyn Roberts receberam a notícia do faleci mento de mamãe, Evelyn escreveu a meu pai esta precio sa carta. 67 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO Ela disse que tinha refletido sobre a sua profunda ami zad e com D aisy e com o suas v idas estiveram entrelaçadas. Disse que o Senhor ministrou para ela, sus surrando, que Daisy estava cansada, que ela nunca aban donaria o trabalho, então agora ela havia entrado no descanso de suas obras no ministério. Eu estava analisando os anos, as viagens de avião, os corredores, as cruzadas, as viagens, as reuniões, os pro blemas, as soluções, as críticas, as tarefas, as longas noi tes, as gravações, os livros, as câmeras e tudo o que faz andar a vida de um ministério. Minha preciosa mãe me rece um descanso! Chorei quando li as palavras de Evelyn porque eu ti nha ajoelhado ao lado da cama de mamãe durante seus últimos momentos. Eu fiquei dizendo: "Descanse; só des canse, mamãe! Você tem trabalhado tanto. Você nos ensi nou como fazer o trabalho. Você nos mostrou o caminho. Você tem sido paciente e amorosa, forte e perseverante. Agora, mamãe, só descanse. É a nossa vez de carregar a tocha, e nós o faremos. Sim, mamãe, nós o faremos". A FORÇA DOS AMIGOS Nós honramos a vocês que vieram para esta cerimô nia. Há tantas pessoas importantes de partes distantes do 68 COMEMORAÇÃOmundo. Nós sentimos a sua força e eu lhes agradeço em nome de meu pai e de nossa família. Vocês são queridos e preciosos para nós. Estes ramalhetes de flores representam apenas uma fração daqueles que nós recebemos. Nossos lares estão repletos. A tumba já está adornada. Obrigada. Todas as flores, cada botão, refletem este amor derramado em profusão. OS ORADORES Hoje, diferentes pessoas falarão para nós. O Arcebis po Silas Owiti, de Kisumu, Quênia, será o primeiro. Ele empreendeu uma longa viagem para homenagear sua amiga especial, a Dra. Daisy, com a qual trabalhou tão próxim o em muitas cruzadas nacionais, servindo como Coordenador da maior parte das Cruzadas Osbom na África Oriental. Então a Dra. Margaret Idahosa, esposa do Arcebispo Benson Idahosa, da Nigéria, falará em nome das mulhe res do mundo cujas vidas foram impactadas pela vida e pelo ministério da Dra. Daisy. O Pastor John Osteen da renomada Lakewood Church, em Houston, Texas, está aqui com sua esposa e compa nheira de equipe, Irmã Dodie. Ele está entre os melhores 69 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO exemplos de liderança na Igreja de hoje, um pastor ver dadeiramente apostólico com uma visão mundial e pai xão por milhões de pessoas desesperadas neste mundo conturbado. O Pastor Osteen compartilhará sua mensa gem conosco. Então meu filho mais velho, o Missionário Evangelista Tommy 0 'D e ll, falará, representando a familia e ele mesmo, dividindo conosco seu próprio tributo à sua avó. Ele é o primeiro neto dela. Depois do tributo de Tommy, minha filha mais velha, LaVona Thomas, lerá um poema que ela compôs depois do falecimento de sua avó. Agora, o Arcebispo Silas Owiti do Quênia. ARCEBISPO SILAS OWITI A DRA. DAISY Osbom revolucionou minha vida e o meu ministério. Conheço T.L. e Daisy Osbom desde 1955. Voei para Tulsa para encontrá-los. Tivemos uma con versa amorosa sobre como alcançar minha nação e con tinente para Cristo. Eu lhes pedi para trazer o Evangelho de milagres para o meu povo e eles aceitaram. 70 COMEMORAÇÃO TRABALHO DE PREPARAÇÃO DA CRUZADA A Dra. Daisy chegou para começar o trabalho de cam po. Ela me designou como Coordenador. Eu nunca encon trei uma mulher que trabalhasse tanto. Ela pregava quase todas as noites durante as semanas das reuniões pré-cruzada, alcançando todas as igrejas da província. Nós escrevíamos cartas, pedimos autori zações, visitamos Comissários Provinciais e dos Distri tos, membros de conselho das cidades, rádio, TV e im prensa. A Irmã Daisy Osbom se comportava com notável sa bedoria, dignidade, amor, humildade. Ela era uma diplo mata feita. Eu a levei ao topo dos líderes, incluindo meu amado Presidente— mais do que uma vez— cujo cora ção os Osbom conquistaram completamente. A S PESSOAS ESPERAVAM MILAGRES Eu estou aqui hoje representando o povo da minha nação. Qualquer hora que anunciávamos uma Cruzada Osbom, as pessoas esperavam grandes milagres trans formadores de vida e irrefutáveis. Elas sabiam que cadeiras de roda voltariam vazias, que muletas, bengalas e coletes seriam atirados no estádio da 71 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO cruzada e ao longo das estradas, por causa da pregação desta mulher e de T.L., e por causa do poder do amor curador de Deus. Nas noites de abertura, 100.000 ou mais pessoas po diam estar presentes. Deve haver mais almas no céu vindas áa África do que de qualquer outra parte do mundo, por causa das cruzadas dos Osborns. Eles dizem às pessoas: "Jesus Cristo morreu e reviveu. Nós não pedimos que você O aceite a menos que você faça as coisas que Ele fez quando Ele estava aqui. Quando você testemunhar que Ele faz o mesmo hoje, então você O re ceberá na fé como seu Salvador. Você vai fazer isso? E a multidão sempre respondia com um ecoante SIM!". MÍRIAM GARE, A LEPROSA Fosse a Dra. Daisy ou o Dr. T.L. pregando, Deus sempre confirmava. Uma noite, eu me recordo de uma mulher, Miriam Gare, que se escondeu debaixo de uma árvore no canto de úma multidão para evitar que fosse vista, por que ela não era somente uma leprosa, mas também para lítica e tinha que se arrastar no chão. Seus pés e mãos quase já tinham ido embora por causa da hanseníase. Naquela noite, os Osborns oraram somente para os sur dos ouvirem. Mas o amor de Deus não podia ser limitado. 72 COMEMORAÇÃO Ele veio até Minam embaixo daquela árvore e Seu gran de poder curador a fez inteira de novo. Na manhã seguinte, as pessoas vieram gritando na mi nha porta: "Silas, Silas. Venha ver !" Eu corri com meu carro até o Mercado do Jubileu. Uma grande multidão cir cundava esta mulher que foi curada de lepra e paralisia. Ela estava andando na rua para mostrar ao povo como ela foi curada. Andou até ficar exausta. Eu corri no meio daquele povaréu e tomei-a nos braços até o meu carro, livrando-a da multidão. Ela estava an dando sem medir limites. Depois do seu milagre, a Irmã Miriam Gare sempre freqüentou nossa igreja e tem sido uma grande testemunha de que Cristo hoje não mudou. OBRIGADO, AMÉRICA! Meus amigos americanos, eu tenho dito muitas ve zes, eu os saúdo porque vocês têm produzido homens e mulheres maravilhosos para compartilhar o Evangelho com todo o mundo. Hoje, nós homenageamos esta mulher excepcional, a Dra. Daisy. Você sabia que ela ministrou para mais pes soas do que qualquer outra mulher na História? Obriga do por enviá-la ao Quênia. Ela e seu marido conquista ram os corações da África. 73 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Milhares de pessoas se acotovelavam nas suas reu niões. Você pode imaginar vinte mil pessoas, ou mais, dando suas vidas para o Senhor em uma reunião? Eu testemunhei isso em minha nação. EU SOU UMA TESTEMUNHA VIVA Vi milagres acontecendo— o cego, o surdo, o mudo e o paralítico foram feitos de novo. Ninguém pode me con fundir, dizendo que Jesus não faz mais milagres. Eu sou um crente em milagres, não só porque testemu nhei tantos deles, como também porque eu, eu mesmo, sou um milagre vivo, ambulante. Eu tive um acidente terrível. Minha amada esposa foi morta. Eu estive paralisado. Deus me levantou e vocês me vêem hoje. Estou bem pelo Seu poder. QUANDO EU ESTAVA MORRENDO... Perdoem-me por chorar. Meu Senhor chorou quando Ele encontrou Seu amigo Lázaro morto (Jo 11.35). Mas o meu choro de hoje são lágrimas de alegria, porque eu es tou achando que foi uma missão de amor, que a Dra. Daisy realizou, que salvou minha vida. Quando minha esposa morreu e fiquei paralítico, as notícias chegaram até a América. A Dra. Daisy voou 74 COMEMORAÇÃO imediatamente para o Quênia para assistir ao funeral da minha esposa, que era sua amiga querida. (Eu não podia estar presente porque eu estava morrendo no hospital.) No dia em que mamãe Daisy aterrisou no Aeroporto In ternacional de Nairobi, depois de voar por mais de vinte horas, ela não se instalou num hotel. Ela sabia no seu es pírito que não havia tempo a perder. Foi impelida a pegar um táxi e ir diretamente com suas malas até o hospital onde eu estava. Eu tinha acabado de voltar da sala de cirurgia. Quan do recobrei a consciência e abri meus olhos, segundo meus amigos, eu estava olhando diretamente nos olhos de mamãe Daisy Osborn. Eles estavam faiscantes, ungi dos e cheios de compaixão. Eu a vi e chorei como um bebê. E ela chorou também. EXPRESSANDO AMOR Eu estava com uma dor terrível. As duas pernas esta vam quebradas. Meus braços se quebraram três vezes. E eu estava paralisado. Mas eu não estava chorando por causa dessas coisas. Eu estava chorando por causa do amor desta mulher expresso através do seu vôo da outra parte do mundo para estar ao meu lado. 75 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Ela se aproximou e perguntou: "Silas, você pode me ouvir?" Eu disse: "Sim, mamãe". Ela falou: "Deus me mandou até você. Ele me disse na América que se eu não viesse, você morrería. Existe alguma coisa no seu tórax que vai matá-lo". No acidente, fui atirado ao longe e batí o peitonuma pedra enorme, quebrando minhas costelas e lesando a coluna. Era terrível para respirar. Os médicos tiraram raio-X, mas eu estava partido em tantos lugares que eles não conseguiram ver que meus pulmões estavam perfu rados. Eu sabia que eu estava morrendo, mas eu estava muito fraco para lhes dizer. ELA TOCOU NO PONTO Deus falou para Daisy na América, ela ouviu Sua voz e veio até mim sem demora. Quando ficou ao lado da minha cama, ela estendeu sua mão e a colocou no ponto preciso onde o estrago era insuportável — nos exatos seis centímetros quadrados. Então ela comandou que a dor desaparecesse no Nome de Jesus. O poder de Deus me percorreu. Eu testemunho para vocês, aqui e agora, que fui instantaneamente cura do e não tive mais dor naquela área do meu corpo, des de aquele momento abençoado. 76 COMEMORAÇÃO Deixe-me compartilhar com vocês que tipo de senhora é esta cuja vida viemos aqui homenagear. Na Cruzada de Mombasa, a Dra. Daisy estava pregando para a multidão. Eu me sentei lá me maravilhando com o poder e unção de Deus que se moviam através desta mulher. Quando ela convidou não-crentes a aceitar a Cristo, li teralmente milhares responderam. Ela orou e depois os ajudou a receber a salvação. Então ela lhes falou que o Único que perdoava pecados também lhes curaria os cor pos doentes. SIN AIS DE MILAGRES E PRODÍGIOS QUANDO DAISY PREGAVA A PALAVRA Daisy ficava lá como um anjo de luz e orava com fé para a cura das pessoas naquela multidão. Eu vigiava enquanto os milagres aconteciam. Paralíticos atiravam suas muletas. Vi cadeiras de roda levantadas como testemunho de que aqueles que senta vam ali estavam andando. Eu vi pessoas atirando coletes, bengalas e bastões. Cegos recuperavam a visão e surdos ouviam. Eu lhes digo, estamos pagando tributo a uma gran de mulher de Deus que terminou sua caminhada terrestre e partiu para receber uma recompensa muito grande. Depois daquela reunião em Mombasa, o poder de Deus era tão forte. Nós passávamos com nosso carro no meio 77 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO de pessoas que estavam cantando e se rejubilando. Vimos uma mulher se mexendo apoiada em suas nádegas, para lisada, incapaz de andar. CURADA NA RUA Alguns crentes lhe perguntaram: "Por que você ainda está se arrastando com seu quadril enquanto muitos es tão andando? Por quê?" E eles estavam tão cheios de fé que começaram a louvar a Deus com aquela mulher. En tão, o poder de Deus veio sobre ela e, para surpresa das pessoas na rua, ela se levantou e começou a andar. Eu tes temunhei esse milagre pessoalmente. A Dra. Daisy tinha pregado tão poderosamente que todos tinham sido afeta dos pela mensagem— e o Senhor Jesus estava confirman do a Sua palavra. Aqui está diante de nós esta grande mulher, esta serva de Deus, esta Embaixadora — uma diplomata, uma missionária, uma pioneira. Se ela estivesse sendo velada na África, havería de cem a duzentas mil pessoas come morando sua vida. Eu lhe digo, Dra. Daisy Osbom, minha querida e ama da amiga "Descanse em paz. Obrigado por sua vida e seu exemplo". 78 c o m e m o r a ç ã o DRA. M ARGARETIDAHOSA E s TOU AQUI hoje para saudar mamãe Daisy, por causa do que ela significa para as vidas de homens e mulheres em minha nação, a Nigéria, e no mundo inteiro. Esta grande mulher é um General, uma legenda do nos so tempo, uma mulher destemida, cheia de amor, digni dade e integridade. Eu a encontrei alguns anos atrás e ela nunca mudou. Eu sou a esposa do Arcebispo Benson Idahosa. Quando encontrei mamãe Daisy pela primeira vez, nós éramos pastores de uma pequena igreja. Mulheres tinham que ser submissas— vistas, mas não ouvidas— no fundo, princi palmente produzindo bebês. MAMÃE DAISY ME ACHOU Quando a Dra. Daisy Osbom e o Dr. T.L. vieram à mi nha cidade para uma grande cruzada, eu geralmente me sentava no fundo da nossa igreja, porque não havia lugar para eu ministrar e, mesmo antes da bênção, eu já ia em bora. Então, esta mulher e seu marido chegaram. Cem mil pessoas vieram para escutá-los. Parece irreal, mas é verdade. Durante a cruzada deles em nossa cidade, a Dra. Daisy disse ao meu marido: "Benson, onde está a sua mulher?" E ele respondeu: "Ela está em algum lugar". 79 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO Não havia cadeiras na cruzada. As pessoas ficavam em pé, ouviam, criam e recebiam seus milagres. As reuniões terminavam muito tarde. Noite após noite, eu corria de volta para casa, depois que as reuniões terminavam. EU ERA UMA NINGUÉM NUNCA SOUBE QUE TINHA DONS Uma noite, depois que a Dra. Daisy terminou de minis trar na cruzada, ela fez com que o motorista a trouxesse até a minha casa, determinada a me encontrar. Ela ficou lá fora e bradou: "Onde está a esposa de Benson?" Eu a ouvi e fiquei com medo, mas saí e disse: "Sim, mãe. Sou eu". Então ela falou: "Quero ver vocl amanhã". E ela foi embora. Meu coração martelava. Por que essa mulher estava tão determinada a me ver? Na manhã seguinte, fui ao seu hotel. Ela se sentou comigo e conversou por um longo tem po. Suas palavras e seu amor transformaram a minha vida. A Dra Daisy era minha mentora. Ela me encontrou quando eu não era ninguém, levou-me bem lá em cima, até o púlpito e como líder mundial entre as mulheres. Eu nunca soube que tivesse dons e talentos. Eu nunca soube que podia pregar e que Deus me confirmaria com milagres da mesma maneira que Ele confirma meu mari COMEMORAÇÃO do. Eu nunca soube que eu tinha algum valor ou fosse bonita. Eu nunca soube que tinha alguma coisa para ofe recer à minha geração. EU TIVE UM NOVO COMEÇO Mas foi esta mulher, a Dra. Daisy, que se sentou e con versou comigo por mais de duas horas. Desde então, se eu tivesse um problem a, se eu ficasse d esap ontad a, desencorajada, tudo que eu tinha a fazer era chamar M a mãe Daisy. Nós a chamamos Mamãe Daisy. Seu nome é um nome familiar em meu pais. Em qualquer lugar, mesmo nas al deias mais remotas, eles sabem sobre a Dra. Daisy e T.L. Mesmo que ela não esteja mais conosco hoje, as semen tes que ela plantou na África — e na minha vida — viverão e continuarão a produzir fruto para sempre. Daisy vive em mim. Ela não se foi para mim. Ela vive em minha casa. Seu ministério continua através de mim — e através de milhares de outras mulheres. ELES ME ORDENARAM PARA O M IN ISTÉRIO A Dra. Daisy e T.L. me ordenaram para o ministério quando fazer isso era tabu na África. Quando eu voltei para casa, com meu lindo Certificado de Ordenação, as pes soas — e alguns líderes— ficaram chocados. 81 PO RQ U Ê?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO Logo depois, meu marido e eu começamos a ordenar mulheres para o ministério. Agora, mulheres africanas estão construindo igrejas, pastoreando, evangelizando e fazendo tudo o que qualquer ministro do Evangelho pode fazer, em pelo menos setenta nações do nosso con tinente. A V ISà O — O ENCORAJAMENTO DE DAISY Há alguns anos, recebi uma visão de Deus para as mulheres da África. Eu compartilhei aquela visão com Mamãe Daisy. Ela disse: "M argaret, corra atrás dela!" Nós todas nos encontramos e ela se tornou nossa conselheira internacional da União Internacional de Mu lheres Cristãs. Temos agora capítulos em setenta nações na África e em outras nações pelo mundo. Hoje Mamãe Daisy não está conosco, mas sua semente viverá para sempre. A Bíblia diz: Fazei sobre isto uma narração a vossos f i lhos, e vossos filhos, a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração (J11.3). NÓS CONTAREMOS PARA N O SSO S FILHOS Eu lhe digo hoje, Mamãe Daisy (porque acho que você está me ouvindo): a semente que você plantou em mim e nas vidas das mulheres e homens na África, continuarão 82 COMEMORAÇÃO a produzir fruto. Nós contaremos isso para nossos filhos, e nossos filhos contarão para seus filhos, e seus filhos con tarão para a próxima geração. Eu a saúdo, Mãe. Você significou tanto para nós — para mim, meu marido, nossos filhos. Você está descan sando do seutrabalho agora. Descanse em paz. Nós le varemos para a frente a mensagem que você nos ensi nou, nós correremos com a visão, nós publicaremos isso para que outros também possam correr com ela — até que Jesus volte. PASTOR JOHN OSTEEN LAKEWOOD CHURCH-HOUSTON, TEXAS O IRMÃO SILAS OWITI e a Irmã Margaret Idahosa fo ram eloqüentes hoje. O que mais posso dizer? Estes dois lí deres poderosos representam a África. Mas muitas nações do mundo poderíam prestar tributos similares. Nós agradecemos a Deus por todas as horas que a Irmã Daisy voou nesses aviões, todas as noites sem descanso que ela passou no exterior, todos os momentos que ela viajou e labutou, com o corpo cansado, quando ela dava de si mesma, a fim de alcançar a humanidade sofredora para nosso Senhor. Só Deus sabe o que ela realizou pelas pessoas do nosso mundo conturbado. 83 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO A INFLUÊNCIA DESTE CASAL Quando nós refletimos na vida frutífera desta dis tinta mulher de Deus, eu represento os muitos minis tros e pregadores que foram influenciados e inspira dos por sua vida e exemplo em compartilhar Cristo com nosso mundo. Centenas de milhares de pregado res por todo o globo foram enriquecidos pela vida des ta mulher ungida e de seu marido. Quando vocês falam de Daisy, vocês falam de T.L. Quando vocês falam de T.L., vocês falam de Daisy. Eles são inseparáveis — sempre foram. Só o céu registrará quantos ministros estão pregando o Evangelho hoje por causa deles. Eu me sinto tão abençoado de ter conhecido ambos. Quando eu ouvi falar dos Osboms, eu li o livro deles "Curai Enfermos e Expulsai Demônios". Eu disse: "Preci so encontrar este casal". Chorei quando vi as fotografias das multidões e dos milagres. Como um ministro batista que tinha acabado de re ceber o batismo do Espírito Santo, eu não acreditava que essas coisas pudessem acontecer em nossos dias. Eu pensava: Esses milagres são reais? Eu fui deixado de fora? 84 COMEMORAÇÃO ELES ME DEIXARAM ENTRAR EM SUAS VIDAS Eu me recusei a desistir até que entrei em contato com os Osboms. Eles deixaram que eu entrasse em suas vidas. Eu estava decidido a fazer alguma coisa pela minha ge ração, contudo não sabia como ir atrás disso. Mas esta mulher e este homem me tomaram nas suas asas e me ensinaram como não pregar sobre Jesus mas como pregar JESUS. Daisy e T.L. terão uma parcela de tudo o que nós fizer mos na Igreja de Lakewood no alcance das nações do mundo para Jesus. O CONVITE— OS MILAGRES Eles m e convidaram para assistir a uma das suas cru zadas. Levaram-me à plataforma para me sentar com eles. Colocaram seus braços à minha volta e me deixa ram olhar bem de frente para os rostos das pessoas que tinham recebido milagres. Eu quero dizer, eles me fize ram ficar bem ali e ver aqueles milagres, um após o outro. T.L. e Daisy viram a fome no meu coração e estavam determinados que eu deveria contemplar a glória do Se nhor em ação — bem ali diante dos meus olhos. Quando eu 85 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO ouvi seus ensinamentos, testemunhei aqueles milagres e observei a simplicidade do seu ministério, eu concluí: "Isto é bíblico. Eu posso fazer isso". Nos oito anos seguintes, fui por todo o mundo, e Deus confirmava a Sua palavra onde quer que eu pregasse. Então, Ele me disse que voltasse a Houston e construísse a Lakewood Church como um grande centro de alcance mundial — uma base para alcançar as nações com a mensagem e o amor de Jesus. O GRANDE FAVOR DE DAISY PARA MIM Não faz muito tempo, Daisy fez algo muito especial para mim. Vocês podem rir quando eu lhes disser o que foi, mas foi uma gentileza que eu jamais esquecerei. Eu tinha ficado envolvido pela Lakewood Church e as responsabilidades do pastorado. Já fazia um longo tem po que eu não ia ao exterior para conduzir uma cruzada. Eu tinha feito isso naqueles oito anos mas, então, quando Deus me levou a construir a Lakewood Church como um "Oásis de Amor para um Mundo Perturbado", fiquei nos Estados Unidos e me dediquei ao ministério pastoral, com exceção de algumas viagens missionárias ocasionais ao estrangeiro. 86 COMEMORAÇÃO CRUZADA E SEMINÁRIO DE LÍDERES NOVA DELHI, ÍNDIA N ós decidim os realizar uma grande cam panha evangelística e um seminário de líderes em Nova Delhi, índia, a capital daquela enorme e histórica nação. Eu estava me preparando para ir. Eu tinha conversado com o Irmão T.L. sobre isso. Eu não tinha pregado em cruzadas no exterior durante anos e, eventualmente, me tomei assustado, imaginando se eu estava à altura da tarefa. Isso pode soar meio bobo, mas é verdade. Eu contei para o T.L. "Eu acho que eu já esqueci como fazer". Inscrevemos 3.200 pastores e pregadores de toda a índia, mais milhares de outros líderes, trabalhadores e estudantes. Embora possa parecer duro de acreditar, eu estava em pânico. Então, telefonei para a Daisy. Eu dis se: "Daisy, eu vou tomar o avião amanhã e estou com medo que eu tenha esquecido como pregar". Falei: "Você poderia me mandar pela FedEx as mensagens de T.L. que ele pregou na sua cruzada de Hyderabad, índia?" Eu disse a ela (com um sorriso por dentro, porque ela e T.L. me conheciam tão bem): "Estou lhe dizendo que se você não me mandar aquelas fitas, eu vou falhar naquela grande cruzada e no seminário em Nova Delhi. Eu não sei o que fazer. Você tem que me ajudar". 87 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO SE FUNCIONA PARA OS OSBORNS FUNCIONARÁ PARA OS OSTEENS Naturalmente, a Irmã Daisy deu risada e disse: "Pas tor John, você sabe como pregar". Eu disse: "Irmã Daisy, mande-me aquelas fitas ou eu estou liquidado!" Ela me garantiu: "Você as terá de manhã, Pastor". E ela me mandou pela Federal Express o jogo completo das fitas de pregação de T.L. da sua Cruzada de Hyderabad, mandando-as durante a noite para Houston. Eu as recebi antes de partir e ouvi enquanto viajava para a índia. E o que funciona para T.L. e Daisy funciona para John Osteen porque é a palavra de Deus! Daisy e T.L. marcaram a mim e a minha esposa Dodie. Mas não apenas nós. Milhares e milhares de pregadores foram abençoados e levantados pela sua influência divi na. Dodie e eu somos gratos de podermos participar desta cerimônia. Daisy foi recebida na sua casa celestial para estar sempre com o seu Senhor. Nosso dia ainda não che gou. Ainda não estamos em casa. BEM-VINDA AO LAR! Esse reconhecimento de mérito que estamos fazendo com Daisy é lindo. Mas eu lhes digo, quando Daisy su 88 COMEMORAÇÃO biu ao céu, milhões que ela ajudou a trazer para Jesus es tavam lá para encontrá-la. Que glorioso "Bem-vinda ao la r !" deve ter sido. Glória a Deus! Ela disse, como Paulo: O tempo da minha partida chegou. Estou pronta. Combati o bom combate, acabei a carreira, guar dei a f é (2T m 4.6,7). Esta é a coisa mais importante para todos nós, acabar a carreira com fé inabalável. Quando Deus termina o que tem conosco, nós podemos voltar para casa para estar mos com Ele! Paulo acrescentou: A coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda (2T m 4.8). Eu saudo você, Daisy Osbom, pelo que você significa para mim e Dodie — e nosso mundo aflito. Nós a honra mos. Sentiremos falta de você. Mas, graças a Deus, um dia nós estaremos todos juntos novamente. SAUDAÇÃO DE TOM M Y O 'DELL PARASUAAVÓ Eu GERALMENTE ME ORGULHO de ser capaz de usar as palavras. Mas toda a eloqüência desapareceu. Uma grande pessoa se foi e sua falta será dolorosamente sentida. 89 PO RQ U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Eu conheci esta preciosa mulher de Deus. Nossa dor pessoal está exposta hoje. Sua pessoa não percorrerá mais a terra outra vez, até que o mundo sofra uma transfor mação. Eu faço voto de continuar em suas pegadas. Pela graça divina, tenho podido pregar o Evangelho para milhões de pessoas. Este favor me foi concedido pelo amor do meu Deus, maseu acho que em grande parte por causa da fé e da influência de minha querida avó. ELA ME FEZ SENTIR GRANDE Eu não a vejo ali naquele caixão com arranjo de flores. Ela está com o Senhor. Só o seu templo de barro está aqui. Ela habitou num templo maravilhoso. Eu não sou alto fisicamente, e vovó era miúda. Mas sua presença era tão forte que ela me fazia sentir alto. Onde ela ia, ela era grande. Você se esquecia de quão baixinha ela era. Vamos hoje renovar nosso compromisso com a missão pela qual minha avó viveu, a evangelização daqueles que foram esquecidos. Meus avós foram ao mundo inteiro, e muitas nações estão hoje aqui representadas. Se houvesse tempo, falari am pessoas da Europa, Ásia, índia, Caribe, Canadá, In glaterra, América Latina e de outras nações. 90 c o m e m o r a ç Ao Há pessoas aqui hoje cujas vidas não estão corretas di ante de Deus. Mas repensar na vida frutífera de minha avó fez com que nós reavaliássemos nossa própria situa ção diante de Deus. Renda-se a Ele, hoje. Do seu próprio jeito, faça paz com Deus. Ele ama você. Ele está querendo alcançar você agora mesmo. EU ACHAVA QUE ELA ERA UM ANJO ENCARNADO Não sei como lhes expressar o que significou para mim esta mulher de Deus. Quando eu era um garoto, eu acha va que ela era um anjo encarnado— um anjo de bonda de. Para mim, a sua casa era onde os anjos moravam. Seu espírito deu luz à minha vida. Ela era preciosa para mim. Na adolescência, envolvi-me profundamente com dro gas e quase me matei. Saí de casa com dezesseis anos e nunca voltei. Abandonei a escola e nunca concluí o estudo. SUA BUSCA CONTINUOU— EU FUI SALVO Mas o espírito de minha avó nunca cessou de lutar por mim. Ela se encontrava lá quando meu cérebro estava torrado e não havia esperança para mim — eu era um zumbi — e ela jejuava e intercedia a meu favor, como minha mãe fazia, e nunca desistiu. Quando eu fui dado como morto, Jesus veio até mim e me curou. 91 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO O legado de minha avó é incalculável. Ela cria que a redenção provida por Jesus na cruz era tanto para as mulheres como para os homens — que todos os filhos de Deus são iguais perante Ele. Vovó, eu ajudarei a espalhar aquela mensagem para um mundo ferido, de que mulheres e homens são igual mente bem-vindos pelo Pai, que a Sua unção é para Suas filhas bem como para os Seus filhos, e que é para o mes mo propósito — sermos Suas testemunhas até aos con fins da terra (At 1.8). SAUDAÇÃO DE TOMMY 0'D E L L E s c r e v í estas palavras para saudar a vida e o ministé rio excepcionais de minha avó. Querida Vovó, Eu amo você. Você sempre fo i um anjo de bondade, um anjo de luz. Você, generosa e boa, é meu padrão de referência confiável. Além das limitações das esquálidas ruas passadas da existência, está o seu próprio modelo. 92 COMEMORAÇÃO Eu me lembro dos anos perdidos da inocência, quando você era pam mim como a deusa da benevolência, a visão da abençoadíssima. Além dos meus desejos mortais, você me deu a paixão pelo eterno. Você fo i o ser mais espiritual no meu universo. Sua voz gentil penetrava nas nuvens enroladas da serpente. Você sabe o que eu sou. E, apesar do que eu sou, Eu sempre favorecerei o feminino por sua causa. Eu estarei sempre lhe devendo. Porque, na minha ignorância, você me mostrou as maravilhas da mulher. P or que você, amada por este homem gentil, sente pena — como Moisés sentiu — pelos seus compatriotas em escravidão odiosa e abominável? Porque você sofreu mesmo essa empatia, outros podem respirar, libertos! Você não está só. 93 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Eu continuarei a servir como seu representante de igualdade neste nosso mundo, através dos anos vindouros, até o final. Não morre aquele que vive para sempre. Descanse, vovó! Nós levaremos a tocha! UM TRIBUTO À AVÓ PELA NETA L AVON A THOMAS E u ESTOU AGRADECIDA por ter podido ficar ao lado da cama de minha avó — com minha mãe, irmã e avô — quando ela partiu para estar com Jesus. Eu nunca esquecerei a paz que ficou no seu rosto até seu último suspiro. Depois que ela faleceu, eu fui para casa e es- crevi este poema em sua honra. Eu tentarei lê-lo para vocês. FILHAS DE NOSSO SENHOR Eu quero escrever sobre você, vovó, Mas não sei por onde começar. As recordações que você me deixou São tesouros no meu coração. 94 COMEMORAÇÃO N ão existe um modo de eu poder algum dia dizer Todas as coisas que eu prezo em voei, Seu amor, sua coragem, sua f é em Deus. Bem — esses só nomeiam alguns. Você marcou as vidas de milhões Com redenção — o comando de Cristo. Você ensinou que Deus ama as mulheres Da mesma forma como Ele ama os homens. Desde a casta mais elevada até os aldeões, Você ajudou-os a compreender Que^les têm valor — são redimidos- Eles são vitais no plano de Deus. Eles receberam dons do Pai, Elas são filhas do nosso Senhor; E com as mãos dadas nós todos podemos compartilhar O amor de Deus em um acorde. Agora você está a í sentada com Jesus, Que é onde deve estar. Mas todas as sementes que você deixou na terra Continuarão a libertar as pessoas. Obrigada, vovó! & 95 PO RQ UÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO TRIBUTO DE T.L. À SUA ESPOSA E COMPANHEIRA DE MINISTÉRIO A VIDA TODA LIDA PELO PASTOR CH ARLES NEIM AN CENTRO DE VIDA ABUNDANTE, EL PASO , TEXAS E u QUERO dizer algumas coisas para honrar a memó ria de minha amada esposa, mas não acho que eu mesmo possa fazê-lo. Pedi ao Pastor Neiman que lesse estas pa lavras para mim. Depois de setenta lindos anos de vida — dnqüenta e três compartilhados comigo— Daisy adormeceu nos meus braços. O seu passamento para os braços de Jesus foi mui to precioso e santo. Esse é o coroamento de tudo o que a vida cristã significa. É a vitória gloriosa da vida sobre a morte. Daisy agora nos precedeu na ida para a glória fi nal dos redimidos que morrem no Senhor. UMA VIDA BEM VIVIDA Ela começou bem jovem e fez cada dia valer para Cris to. Foi salva com doze anos. Nós nos casamos quando ela só tinha dezessete. Éramos pastores quando ela esta va com dezenove anos, e fomos missionários na índia quando ela só tinha vinte. 96 COMEMORAÇÃO Deus nos agradou com quatro filhos lindos. Nós entre gamos três deles de volta para Ele, dois ainda bebês e, en tão, nosso filho Tommy, um evangelista e músico, que foi para o Senhor com a idade de trinta e quatro anos. TRAGÉDIAS QUE RESULTARAM EM TRIUNFO Quatro dias depois da promoção dele— e suportando uma dor profunda — Daisy estava arrumando as malas para ministrar na França e depois na África, onde nós tes temunham os em cruzadas enormes. Quando nós tivemos de dar nossa primeira filha, na semana seguinte, um pastor nos pediu para cantarmos no funeral de um bebê. Embora atingidos por nossa pró pria perda, Daisy decidiu que ela podia ir, e foi. Aconteceu outra vez, aqui em Tulsa, quando nossa úl tima criança nasceu, e então viveu somente por alguns momentos. Depois de duas semanas, nós partimos para as históricas cruzadas de Cuba. Daisy suportava com clas se sua dor. Um dia ela me disse: "Amorzinho, o Senhor me sussurrou que nós encontraremos nossa própria cura continuando a ajudar a curar os outros". Ano após ano, ela saía da sua casa cheia de conforto para trabalhar pesado com suas mãos, tomando nossa vida na estrada a mais funcional possível. Em casinhas, 97 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO apartamentos, ou quartos de hotel de terceira categoria — frequentemente em circunstâncias primitivas e difí ceis — o amor e a fé de Daisy eram consistentes. MEU CONSOLO Eu não entendo por que ela se foi do meu lado. É um consolo entregar tudo nas mãos amorosas dEle; sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daque les que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu de creto (Rm 8.28). Quase quatro dias antes de Daisy passar desta vida, ela disse: "Peça aos nossos amigos para não me reterem mais aqui com suas orações.Eu terminei minha carreira terrena. Minha semente correrá com a mensagem. Man tenha desligada a televisão. Desligue os telefones. Eu que ro o quarto quieto. Eu estou esperando que o meu Jesus apareça para mim. Ele virá muito breve. Eu estou em paz". O TRABALHO PRÉ-CRUZADA DE DAISY Hoje nós celebramos a ida ao lar de uma mulher valen te e heróica. Ela me precedia nas campanhas por todo o mundo— sempre indo adiante para preparar o caminho com o governo, a imprensa, com os pastores, para arran 98 COMEMORAÇÃO jar as publicações, para garantir as instalações da cruza da e do seminário. Na minha chegada, havia sempre uma recepção de toda a cidade para me honrar. Eu não posso deixar de imagi nar a grande recepção que ela arrumará com os anjos para a minha chegada, quando for a minha vez de partir. SUAS CONFERÊNCIAS NO ESTRANGEIRO A Conferência Pan-Africana de Mulheres organizada por Daisy foi freqüentada por milhares de mulheres. Hoje há cen ten as d aquelas m ulheres nos m in istérios, edificando e pastoreando igrejas, Escolas Bíblicas, evangelizando em aldeias e assim por diante. O mesmo poderia ser dito sobre suas grandes conferências no Quênia, na Nigéria, em Gana, na América Latina, na Malásia, na índia e em muitas outras nações. Centenas de mulheres hoje na índia estão no ministé rio de evangelismo, desde que participaram da Confe rência Trans-Indiana de Mulheres em Hy derabad. Foi o maior evento de mulheres cristãs na história da índia. Recentemente, a mesma coisa aconteceu no ginásio de esportes de Bogotá, Colômbia, com 6.000 pessoas senta das. Foi a maior Conferência de Mulheres Cristãs na His tória da América do Sul. 99 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Nós publicamos mais de doze toneladas dos cinco li vros principais de Daisy para as mulheres de lá— em es panhol, e demos um jogo completo para todas as mulhe res que participaram. Fizemos o mesmo na índia e em outras nações. A sua vida e ministério afetaram milhões de mulheres em todo o mundo. Além dos seus cinco livros principais, ela escreveu mais de trinta livretos. Seus cursos de Bíblia distribuídos pelo mundo, tanto em áudio como em videocassetes, estão aju dando as mulheres crentes a descobrir sua identidade, dig nidade, igualdade e destino no plano de redenção de Deus. UMA VERDADEIRA COMPANHEIRA DE EQUIPE Nas nossas cruzadas, Daisy dirigia as reuniões. Ela era aquela que negociava com os governos, com os pastores, enquanto se responsabilizava por todo o peso de nossos escritórios internacionais e da correspondência. Além dis so, ela compartilhava o trabalho de pregação e ensino na cruzada e no seminário. Em quase cinqüenta e quatro anos de vida em comum com ela, enfrentando todas as crises e situações comple xas que se possa imaginar, eu nunca ouvi uma palavra ou um comentário, ou enxerguei um gesto ou um sinal que 100 COMEMORAÇÃO fosse negativo ou hesitante. Daisy viveu a fé, a esperança e o amor que ela pregava e ensinava. TUDO MUDOU PARA M IM Quanto a mim, por um tempo lutarei emocionalmen te, porque tanta coisa mudou agora para mim e o meu ministério. Eu tentarei racionalizar o que é a auto-pie- dade e resistir-lhe, porque a vida precisa continuar. Com a ajuda de Deus, aprenderei a viver e a ministrar sozinho. Há tanto por fazer e tantos com quem comparti lhar o amor e a compaixão de Deus. Confio na Sua fide lidade. Ele não me abandonará. Com a ajuda de Deus, levarei a cabo os projetos que Daisy e eu planejamos juntos — projetos que ela não concluiu comigo. Nós temos bastante para comparti lhar com a geração vindoura, de maneira que ela possa se beneficiar com aquilo que nós aprendemos. Ao entregar minha querida companheira de volta para Ele, receberei uma grande força, sabendo que vocês me sustêm em oração e com o seu amor. Muito obrigado e que Deus os abençoe. S5N 101 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A FILHA LADONNA RENDE TRIBUTO À SUA MÃE Eu ASSUMI o desafio emocional de oficiar esta cerimô nia de minha mãe amada, porque ela continua a viver em mim. Não deixarei passar esta oportunidade sem levantar minha voz de agradecimento pela sua vida, sua influên cia, exemplo, fé, amor, ternura, sabedoria e por tudo o que sua vida representa. MAS MAMÃE FEZ! Dizem que as mulheres não podem pregar. Mas ma mãe o fez. Dizem que as mulheres não podem pastorear. Mas mamãe o fez. Dizem que as mulheres casadas não podem ouvir de Deus, a menos que venha através dos seus maridos. Mas mamãe o fez. Dizem que o único papel da mulher é tomar conta da casa, amar o marido, criar os filhos. Mamãe fez tudo isso, excelentemente, o melhor — e ela se sobrepujou no ministério em volta do mundo. Mamãe adorava a família. Sua mãe morreu num trá gico acidente de vagões de trem quando ela só tinha oito anos de idade. Ela nos ensinou o valor da família. Ela era a pessoa-chave de nossas vidas. 102 COMEMORAÇÃO Meu pai e eu, com nossos filhos e netos, lutaremos para continuar a fazer aquilo que mamãe fazia tão bem. Ela foi uma grande esposa, a melhor mãe, uma avó extraor dinária e uma bisavó que nunca falhou. ELA MINISTRAVA INCONSCIENTE DAS LIMITAÇÕES Por muitos anos, mamãe não falou muito sobre as limitações impostas às mulheres pela tradição religiosa. Ela apenas vivia a vida de Jesus e fazia o que Ele disse para os Seus seguidores fazerem, esquecida do que al guns diziam que ela não podería fazer. Ela vivia e ministrava quase inconsciente das doutri nas limitadoras sobre as mulheres, que proliferavam em nossa própria cultura. Ela apenas fazia o que Deus colo cou no seu coração para fazer, como uma seguidora de Jesus Cristo, como uma serva ungida, como uma pessoa chamada para um destino. Ela simplesmente o fez. A PARTE FEMININA DO CORPO DE CRISTO Mas no meio dos anos setenta, Deus começou a mos trar para minha mãe a condição da parte feminina do Corpo de Cristo. O seu coração começou a bater com as mulheres do mundo que ela vira oprimidas, diminuí das e restringidas. 103 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUM A— TRIUNFO Observou como elas eram sistematicamente restringidas e mantidas na escravidão, amordaçadas e reprimidas por algemas religiosas, as quais paralisam os dons que Deus investiu nas Suas filhas reais. Depois de ministrar sob uma poderosa unção do Espírito Santo— por mais de trinta e cinco anos, ela ouviu a voz de Deus e, como o apóstolo Paulo, não fo i desobediente à visão celestial (At 22.19). Cristo apareceu e a comissionou com as palavras: "Daisy, pregue o Evangelho para as mulheres". ABAFADAS PELA TRADIÇÃO Deus estava levantando uma mulher — cuja fé tinha sido provada, que não conhecia limites — para ser uma voz às Suas filhas ao redor do mundo. As mulheres são freqüentemente abafadas por pre gações e ensinos masculinizados e elas podem ser con fortadas, aconchegando-se no braço de seus maridos, con fiando problemas e questões pessoais a pastores homens, deixando de descobrir os dons e talentos que Deus inves tiu em suas vidas. O PODER DA BOA SEMENTE Daisy nos chacoalhou. Ela não nos deixaria descan sar. Eu tenho que admitir que levei dez anos para escu tar o que ela estava falando. 104 COMEMORAÇÃO Mas, o tempo todo, sua semente poderosa estava pene trando em m im — quando eu até nem mesmo queria. Dia após dia, ano após ano, estavam acontecendo coisas na minha vida que faziam com que eu me tomasse consci ente da situação de muitas mulheres em nossa cultura. Não é fácil para as mulheres. Eu comecei a entender isso. Sim, mamãe viu, através dos olhos de Deus, o mundo de mulheres feridas, pelas quais Jesus tinha morrido. Ele veio para que todos os cativos fossem libertos e para es palhar a redenção, com seu novo começo, para toda a humanidade. Deus quer que homens, mulheres, meninos e meni nas de todas as raças, cores, línguas, culturas e de todos os níveis econômicos, sociais e acadêmicos saibam que Ele os ama, que Ele os criou para o Seu propósito, para serem Seu templo,Sua voz, Seu reflexo neste mundo, para Lhe darem glória, para falarem dEle num mundo ferido. Todas as vozes são necessárias. Todos os crentes são chamados. N Ó S DESCO BRIM O S NOSSAS VOZES Minha mãe ficava de pé neste mesmo púlpito e dizia: "M ulheres, nós descobrimos nossas vozes. Não vamos ficar em silêncio nunca mais". 105 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO E eu digo: "Nós não vam os!" Porque existe um mundo ferido lá fora pelo qual o coração de Deus está batendo— um coração de amor, de compromisso, de promessa, de graça, de perdão, de convite, de autoridade, de unção, de visão, de identidade, de propósito. E esse coração bate nas Suas filhas, bem como em Seus filhos— em todos que cla mam que Cristo é Senhor. Toda pessoa pela qual Cristo morreu é valiosa para Ele, tem um propósito no Seu plano, tem um lugar no Seu rei no. Por conseguinte, nós — todos nós, tanto mulheres como homens— correremos com as boas novas. Nós pro clamaremos isso. Gritaremos isso. Anunciaremos isso. Nenhum de nós ficará calado. Nós temos uma mensagem. Anunciaremos o Evangelho de Jesus Cristo para toda a criatura em todos os lugares. SENHOR, TU NÃO PODES NOS DEIXAR Eu posso imaginar Jesus com seus seguidores reunidos em volta dEle, quando ele avisou de sua partida (Mt 1621; Mc 8.31; Lc 9.22; 24.6,7). As mulheres estavam lá junto com Ele, assim como os homens (Lc 23.49-55). Eu posso imaginar seus seguidores dizendo: "Mas, Senhor, Tu não podes nos deixar. O mundo precisa de Ti. Nunca alguém falou como Tu, ou abriu as Escrituras 106 COMEMORAÇÃO como Tu, dando-nos luz e vida. A obra ainda não termi nou. Muitas cadeias de religiosidade ainda não foram removidas. Paredes de divisão ainda impõem a separa ção. Muitos ainda estão cativos. Não nos deixes ainda. Tu acabaste de alcançar a posição em que o mundo Te ouvirá". E eu escuto as palavras de Jesus— eu as ouço num tom alto, claro e firme. Ele disse: Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá [Eu parafraseio]. Mas, quando vier o Consolador, farás obras maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai (Jo 16.7; 14.12). De maneira similar, nós, como discípulos de Cristo, que temos sido inspirados pelo exemplo de minha querida mãe, choraríamos e gostaríamos de retê-la conosco, por que nós sabemos que a obra ainda não terminou. NÓS IRÍAM OS... SE... Foi conveniente que ela partisse? Se ela não nos dei xasse, nós iríamos? Não seria mais fácil para nós se ela continuasse a subir nos aviões, andar pelos corredores, agüentando alterações de horário, andando quilômetros, cumprimentando os dignatários, penetrando nos mer cados, fazendo os milagres acontecerem de tal forma que o Evangelho chegasse até as pessoas? 107 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Ela fez isso tão bem. Ela sabia como. Era uma perita. N ós precisamos aprender a fazer tudo aquilo? Se ela não tivesse ido, nós aprenderiamos — e iríamos? Esta mulher, cujo templo repousa à nossa frente, cum priu sua missão. Evidentemente, nosso Senhor disse: Bem está, filha, você fez a sua parte. Você fo i fiel. Venha agora e entre no gozo do seu Senhor (Mt 25.21 Parafraseado). N O SSA VEZ DE DARMOS FRUTO E NOS MULTIPLICARMOS Agora que ela partiu, sim! Nós aprenderemos. Nós ire mos. Nós levaremos a mensagem. Faremos a obra. As se mentes do seu exemplo e da sua mensagem foram plan tadas em nossas vidas. É a nossa vez de darmos fruto e nos multiplicarmos (Gn 1.28). Eu desafio cada mulher e cada homem: Agora nós somos a voz desta geração. Agora somos os represen tantes de Deus, Seus associados, Seus mensageiros em cujas mãos Ele confiou Sua mensagem para todo o mundo (1 Tm 1.11). Os discípulos de Cristo continuaram o que Ele começou. Eles O tinham visto. Tinham lidado com Ele. Ouviram Suas palavras e observaram-No com seus próprios olhos (1 Jo 1. 1-3). Estavam com Ele quando Ele deu Sua vida na cruz. Vi 108 COMEMORAÇÃO ram quando Seu corpo foi enrolado e deixado num sepul cro emprestado. Viram-o depois que Ele ressuscitou e fala ram com Ele por quarenta dias, durante os quais Ele Se mos trou vivo no meio deles (At 13). Hoje, vocês ouviram esta mensagem. Vocês viram Sua vida, Sua graça e o Seu poder. Vocês sabem que é efici ente porque opera eficazmente em vocês (1 Ts 2.13). A PRÓXIM A GERAÇÃO Depois que nós deixarmos hoje este lugar para devol vermos o corpo precioso de mamãe à terra, levaremos as sementes de verdade que ela plantou em nossas vidas, através do seu exemplo e ensino, e as passaremos para a nossa geração. Nós as passaremos porque é a verdade que está viva em nós. Continuará a viver e a procriar através de nós pela unção e poder do Espírito Santo. SEJAM A VOZ! Assim, eu insto vocês hoje: Sejam a Voz! Sejam a Voz! Vocês leram a citação na frente do programa deste memorial. A Dra. Daisy disse: "Eu sou uma voz que anuncia que a sua redenção che gou, que o seu redentor está aqui, que a sua emancipação 109 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO já foi declarada, que o seu resgate já foi pago e estou anun ciando isso ousadamente a mulheres e homens de todas as raças e cores". Esta declaração diz tudo para nós agora. Não por cau sa da Dra. Daisy, mas por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo, o redentor, que nos chamou pelo nome e nos de signou Seus embaixadores e embaixadoras para o nosso mundo que está esperando pelo Evangelho de Cristo. Aleluia! Sejam essa voz! (Jo 15.16; At 1.8). O SALMO DE VITÓRIA DE DAISY Eu quero ler para vocês, como um tributo à minha mãe, partes do Salmo 116 que foi uma inspiração espe cial de Deus para ela — ela o chamava de seu Salmo de vitória. Ela escreveu uma data nele: 30 de setembro de 1990. Isso aconteceu logo depois da Conferência de Mulheres para a Igualdade Bíblica, que ela conduziu aqui neste prédio. Eu leio isso para você, mamãe. 1 Amo ao Senhor, porque ele ouviu a minha v o z ea minha súplica. 2 Porque inclinou para mim os seus ouvidos; portan to, invocá-lo-ei enquanto viver. 3 Cordéis da morte me cerca ram... 4 Então, invoquei o nome do Senhor... 110 COMEMORAÇÃO 5 Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem miseri córdia. 6 Estava abatido, mas ele me livrou. 8 Tu, Senhor, livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágri mas e os meus pés da queda. 9 Andarei perante a fa c e do Senhor, na terra dos viventes. 15 Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos. 16 Ó Senhor, deveras sou tua serva, filha da tua serva; soltaste as minhas ataduras. A Bíblia diz: Pela fé , Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fa la (Hb 11.4). Daisy continua a falar em nos so mundo. VO SSAS FILHAS PROFETIZARÃO O profeta Joel disse: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão... (At 2.17) O Espírito do Senhor está sobre as pessoas hoje para profetizar, para proclamar as coisas boas de Deus. Nós as falaremos com intrepidez. Falaremos delas porque nós não podemos ficar calados. Deus está levantando vozes em todo o mundo. u i POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Minha mãe viveu bem sua vida, em obediência ao seu Senhor, fiel ao seu chamado, que ela recebeu dEle. O após tolo João disse: Bem-aventurados os mortos que, desde ago ra, morrem no Senhor... para que descansem dos seus traba lhos, e as suas obras os sigam (Ap 14.13). Nós a seguiremos, mãe. Nós seguiremos você na morte um dia. Mas, enquanto estivermos aqui, faremos a obra — enquanto você repousa. Nossas mãos estão no arado do Evangelho e não olharemos para trás (Lc 9.62). Nós seguiremos você e seu exemplo, como você seguiu a Cris to. Descanse dos seus trabalhos e seja bem-aventurada! PARA A FAMÍLIA Para a nossa família, eu leio estas palavras de Paulo: Não quero, porém,irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os de mais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tomará a trazer com ele... e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com es tas palavras (1 Ts 4.13,14; 17,18). Hoje, nós olhamos para além desta celebração, até o dia em que veremos Nosso Senhor face a face e nos reu niremos com todos que partiram antes de nós para nos rejubilarmos com eles, honrando a Ele, que limpará de nos 112 COMEMORAÇÃO sos olhos toda a lágrima (Ap 7.17; 21.4) e estaremos sempre com o Senhor (1 Ts 4.17). Amém! ILUSTRES TRANSPORTADORAS DO CAIXÃO Seremos agora acompanhados até o Memorial Park para o enterro do corpo de mamãe. Os Pastores John e Dodie Osteen oficiarão. Um dos últimos pedidos de mamãe foi o de que seu corpo fosse levado ao lugar de repouso final por mulhe res cujas vidas ela transformou e que são ordenadas para o ministério do evangelismo. Esta guarda de servas ungidas de várias nações representa a nova geração de portadoras de semente que levarão a mensagem de Cris to ao nosso mundo. Rev. Chyanna Anthony, pastora aqui em Tulsa.Reu Marie Brown, evangelista internacional. Rev. Kim Francen, evangelista internacional. Rev. Deborah Ong, pastora — Malásia. Rev. Christine Groves, pastora— índia. Rev. Winnie Owiti, pastora— Kisumu, Quênia. Rev. Sergine Snanoudj, pastora — França. Rev. Donna Walker — pastora — San Diego, Califórnia. 113 RECONCILIANDO-ME CO M A REALIDADE U m dos fatos mais chocantes, que tive de enfrentar, ocor reu logo após o culto em memória de Daisy. Andei até o nosso pátio oeste e me sentei numa das cadeiras brancas onde Daisy e eu tomávamos frequentemente nosso café matinal. Os pássaros nos recebiam a cada manhã com suas canções. Rosas novas, lindas, abriam-se para nos cumpri mentar com suas cores radiantes e fragrância, adornan do nossas horas de amor juntos. DAISY NÃO RETORNARIA A percepção dessa realidade me deixou em pânico emo cional: Daisy não voltaria mais. Ela não estava fora, con duzindo uma conferência. Ela passou para a imortalidade. Ela nunca sairia outra vez por aquela porta para juntar-se a mim no pátio para uma refeição, um lanche, um tempo de leitura da Bíblia ou oração, uma visita. Ela se fora. CAPÍTULO QUINTO 117 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO O vazio em mim era terrível. Minha mente corria com pensamentos do fim. Ela nunca mais se sentaria aqui co migo para ler as cartas e pedidos de oração de nossos par ceiros, e para orar sobre eles comigo. Ela nunca mais se guraria minhas mãos novamente, quando nós concordá- vamos em oração. A linda pessoa com a qual compartilhei minha vida se foi. Eu estava engolfado num vazio desolador. Sabia que eu tinha que me reconciliar com a realidade. Ao chorar, vislumbrei as árvores e as flores que me circundavam. Sua beleza se fora. Sua razão de ser cessou de existir. LAMENTANDO OS FATOS SABOREANDO AS MEMÓRIAS Eu sabia que precisava tomar conta de meus pensa mentos. Sim, era verdade que Daisy tinha ido embora e que minha vida na terra com ela tinha terminado. Tive mos quase cinquenta e quatro anos juntos concedidos por Deus. Eu raciocinava que tinha de ser grato por aque les anos e tinha de recuperar meu equilíbrio emocional. A fase mais linda da minha vida tinha terminado. Ago ra eu estava encarando a vida só. Eu podería encarar aque le fato ou eu podería renunciar à esperança e me entregar ao desespero. Eu entendi que perguntar por que Daisy ti 118 RECONCILIANDO-MECOM A REALIDADE nha sido levada do meu lado só agravaria a dor que eu estava sofrendo Eu sabia que Daisy e eu tínhamos estado, e eu continu ava a estar, entre aqueles que são chamados por seu decreto (Rm 8.28). A perspectiva de Deus era maior do que a mi nha, então eu sabia que precisava confiar no Senhor de todo o meu coração; en ão m e estríbar no meu próprio entendimen to (Pv 3 5 ). APRENDENDO A CONFIAR Minha irmã, a Rev. Daisy Gillock, que era pastora no Texas por quase quarenta anos, tinha ficado viúva. Ela e seu marido foram companheiros e namorados no minis tério. Depois do falecimento de Cecil, Daisy Gillock estava sentada na sua cadeira, lendo sua Bíblia. Ela sentiu uma suave mão colocada sobre seu ombro esquerdo. Virou-se à esquerda para ver quem era e enxergou sandálias e um manto. Jesus tinha vindo confortá-la. Ele falou estas palavras: "Daisy, lembre-se, a CONFIANÇA é o mais elevado tipo de fé". A CONFIANÇA é ter uma f é inabalável, mesmo quando os eventos ou circunstâncias não são compreendidos. Jó disse, em meio a calamidades, que ele não compreendia, ...con 119 PO RQ UÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO tudo nele esperarei (Jó 13.15). Aprendí a CONFIAR no Se nhor num nível que eu não conhecí antes. Davi disse: O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem CONFIO; o meu escudo, a força da minha salvação e o meu alto refúgio (SI 18.2). No dia em que eu temer, hei de CONFI AR em ti (SI 56.3). Habitarei no teu tabernáculo para sempre; abrigar-me-ei no oculto das tuas asas (SI 61.4). Mas, para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha CONFIANÇA no Senhor Deus, para anunciar todas as tuas obras (Sl 73.28). A palavra "confiança" aparece cento e trinta e quatro ve zes na versão King James da Bíblia inglesa. A CARREIRA DELA TERM INOU A MINHA AINDA NÃO ACABOU Quando minha Daisy partiu desta vida, eu tive de me reconciliar com fatos novos, cenário novo, um novo es tilo de vida. Eu ficava abatido, por ondas de pânico, desorientação, amedrontamento, confusão. Percebia que o único jeito de poder sobreviver era enfrentar a realida de da mudança e aceitar aquela condição imposta, CON FIANDO no meu Senhor. Eu pensava comigo mesmo: "A jornada terrestre de Daisy terminou. A carreira dela se acabou — triunfal 120 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE mente. O dia da sua coroação tinha chegado. Mas a mi nha vida não terminara. Eu não devia permitir que meu futuro fosse saqueado por essa angústia de solidão. Isso não servirá para me curar, e não irá ajudar a mais nin guém. UM SEGREDO SERENO E BÍBU C O Descobri um segredo sereno e bíblico para triunfar sobre a devastação do desespero e dor — uma pers pectiva que abre os olhos. Eu podia refocalizar minha memória — positivamente, em vez de com remorso, e conseguir, com a ajuda e a graça de Deus, superar meu trauma. Este segredo bíblico elucidaria o valor infinito de continuar a VIVER. Em vez de lamentar a ausência de Daisy quando eu observava cada cena de beleza e tranquilidade na nossa residência, eu estabelecí um propósito de desenhar no meu banco de memória, e colocar minha amada em cada cena comigo. Eu podia aliviar a dor e tirar conforto e consolo me lembrando dos nossos bons tempos juntos. Não era melhor do que ficar lamentando a ausência dela? Não era mais revigorante do que o vazio assustador que es tava me assaltando? 121 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO ANALISANDO O POSITIVO LIBERANDO O TRAUMA Eu raciocinei: "Não seria melhor me lembrar da beleza de nossa vida juntos? Eu devo olhar para aquelas cadei ras brancas do pátio e chorar porque Daisy não está lá sentada comigo? Ou no quintal, no jardim com flores, e chorar porque Daisy não está mais lá para desfrutar de les comigo? Ou na calçada onde passeávamos juntos, e lamentar porque ela nunca mais andaria comigo lá outra vez? Ou diante das grandes pedras nativas que tínhamos trazido dos bosques, e lamentar o fato de que ela nunca mais se assentaria comigo naquelas pedras ou se ajoelha ria ao lado delas comigo em oração? Eu coloquei fotografias de Daisy, e de nós juntos, nos quartos do nosso lar. Elas estimulavam lembranças bo nitas em mim. Eu estava agradecido por termos gasto tempo em registrar aquelas fotos. Com ascâmeras, nós preservamos momentos significativos e preciosos de vida em comum. Agora eu podia reviver aqueles momentos em minha memória. Aquelas fotos têm sido uma fonte de grande conforto para mim. GLÓ RIA E VIRTUDE PARA LEM BRAR Pedro disse: Eu procurarei, em toda a ocasião, que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas (2 Pe 1.15). 122 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE Ele estava falando da "graça" e da "paz " de Deus, do "Seu divino poder", de "vida" e "divindade", e de "ser partici pantes da natureza divina" (2 Pe 1.2-4). Mas, no meu caso, a idéia era de me lembrar das bên çãos, das riquezas da vida que Daisy e eu compartilha mos juntos, da "glória e da virtude" (2 Pe 1.3) de tantas coisas que havíamos experimentado. Pedro disse no versículo 12: Pelo que não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas. Então, eu sabia que era bíblico se LEMBRAR do que é bom e agradável. Paulo disse: Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que ê puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e s eh á algum louvor, nisso PENSAI (Fp 4.8). Aquelas fotos preciosas me ajudaram a repensar e a reponderar tanto de nossas vidas juntos, que elas foram verdadeiras e honestas e justas e puras e amáveis e de boa fam a — coisas que tinham virtude e mereciam louvor. Eu resolvi "pensar naquelas coisas", como Paulo acon selhou. E eu ainda faço isso. Pedro se lembrou do que era positivo em sua vida. Ele se recordou. Éramos testemunhas vivas da Sua majesta de. Daisy e eu tínhamos sido testemunhas vivas de muito da glória de Deus. 123 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE O lugar de descanso de Daisy seria um monumento à "lembrança da sua fidelidade", da mesma maneira que o local onde Sara e Raquel foram enterradas. O PODER D O S PENSAMENTOS O MILAGRE DA MEMÓRIA Para mim, este era um profundo segredo para perma necer vivo, para continuar a ministrar. Eu podia extrair consolo do meu rico banco de lembranças. Em lugar de mergulhar na reclusão desmoralizadora da dor, havia uma outra opção. Eu podia fazer como Pedro tinha advertido. Podia escolher me recordar das bênçãos de nossas vidas juntos. Meu banco de memória estava repleto de quase cin- qüenta e quatro anos incom paráveis de prazer, companheirismo, amor, aventura, recompensa, viagem, m inistério , m ilagres, jornadas — provavelm ente de m aior alcance e mais gratificantes do que as de qual quer casal que já pisou nesta terra. Nós tínhamos sido amantes e companheiros de equi pe. Nossas vidas estavam unidas por um amor gentil e uma camaradagem que muitos casais nunca conhece ram. 127 POR QUÊ?- TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO COM A AJUDA DE DAISY EU CONSERTEI O VELHO FORD Quando, como recém-casados, chegamos a Oklahoma e eu troquei minha vaca e o bezerro por um velho Ford coupé que precisava de revisão, Daisy trabalhou comi go sob o calor do dia, e realmente me levou a consertar o motor. Eu podia trabalhar como uma mula, mas não sa bia nada sobre um automóvel. Daisy cresceu com dois sobrinhos que eram mecânicos excepcionais. Ela apren deu com eles a consertar o motor. ELA DISSE: "NÓS PODEMOS FAZÊ-LO! SE QUEBRAR, NÓS PODEMOS CONSERTAR!" Ela sempre foi uma encorajadora. Queríamos ir para a Califórnia. Não tínhamos dinheiro. Ela convenceu seu ir mão a nos emprestar trinta e cinco dólares para poder mos fazer a viagem. Eu estava preocupado, achando que aquele carro ve lho não fosse agüentar. Ela disse: "Separar, nós daremos um jeito de consertá-lo". Eu sabia que nós não tínhamos dinheiro suficiente para ficar em hotéis. Ela disse: "Nós podemos dormir no carro". E fizemos isso. (E logo devol vemos o dinheiro que tomáramos emprestado do seu irmão.) 128 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE Quando fomos desafiados a estabelecer uma igreja nova em Portland, Oregon, eu não me senti qualificado. Daisy disse: "Amor, é uma oportunidade. Vamos fazer isso. Nós po demos aprender". E assim fizemos. O UTROS O FIZERAM! VAMOS! Quando um missionário da índia visitou nossa igre ja e pediu para que fôssemos missionários, fiquei preo cupado com os riscos envolvidos. Daisy disse: "Queri do, outros casais o fizeram . Nós seremos bem-sucedidos. Aprenderemos a língua. Trabalharemos juntos. Vamos!" E nós fomos. Nosso filhinho foi atacado pela cólera, mas Daisy cui dou dele e ele sobreviveu. Por seis semanas, beirei a mor te com febre tifóide. Daisy cuidou de mim, dia e noite, e eu sobreviví. SEM CONDIÇÃO DE CONCORRER COM AS RELIGIÕES ANTIGAS Retornamos da índia e nos tornamos pastores em Portland, outra vez. Daisy e eu estávamos ambos frustra dos pela nossa falta de sucesso na índia. Nós não tínha mos condições de concorrer com as religiões antigas da quela nação histórica. 129 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Jejuamos e oramos muitos dias juntos, pedindo a Deus para nos mostrar como podíamos convencer as nações não-cristãs sobre o Evangelho de Jesus Cristo. Nós nos tomamos pastores de sucesso em nossa orga nização. Tomei-me o presbítero de um grande distrito e o secretário-tesoureiro de nossas igrejas em quatro esta dos. Nós pastoreamos a igreja sede de nosso distrito e es távamos no processo de organizar uma conferência mui to importante. A LÓGICA DE DAISY ESTAVA CORRETA Na mesma semana em que nos reunimos para a nossa conferência, Gordon Lindsay trouxe William Branham para Portland. Diziam que Deus realizava grandes mila gres quando esse homem orava pelo povo. Nós ansiáva- mos por freqüentar aquelas reuniões e testemunhar os mi lagres, mas eu não podia abandonar a nossa conferência. Daisy raciocinou: "Querido, nós fomos para a índia e fomos incapazes de convencê-los sobre Jesus Cristo. Nós precisávamos de milagres. Podemos sempre ter confe rências, mas esta é a nossa oportunidade para ver MI LAGRES. Eu acho que nós devemos ir". M as, nobre homem que eu era, fiquei com a nossa conferência, enquanto Daisy, com uma senhora de oi 130 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE tenta e cinco anos, da nossa igreja, foi à Cruzada de Cura de Branham. Naquela noite, ela me contou tudo sobre a reunião de milagres, compartilhando toda a mensagem do Rev. Branham e recontando cada milagre que ela havia teste munhado. Chorei. Aquilo era o que nós almejávamos. Eu tinha optado por uma conferência que não estava resol vendo o nosso dilema. Daisy optou pela solução para nos sas vidas e nosso ministério. No dia seguinte, encorajado pelo exemplo dela, expli- quei na nossa conferência como nós tínhamos ido para a índia e falhado, e como sentíamos que milagres eram a resposta para o nosso dilema. Eu pedi licença na nossa conferência e fui com Daisy às reuniões de milagre. GRAÇAS À INICIATIVA DE DAISY N O SSO M IN ISTÉRIO MUNDIAL DECOLOU Aquele evento, com o que aprendemos e testemunha mos nas reuniões de Branham, provou ser o catalisador que mudou nossas perspectivas e revolucionou nosso ministério. Pedimos demissão da nossa igreja e começamos nossa saga de evangelismo de milagre de massa que nos levou a setenta e três nações durante cinqüenta e três anos e mu n i PO RQ UÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO dou os conceitos tradicionais de missões mundiais e evangelismo no mundo. M ilhões de almas foram salvas, muitos milhares de novas igrejas foram edificadas e dezenas de milhares de mulheres e homens nacionais, igualmente inspira dos por nossos exemplos e pelo nosso ensino, se tor naram mensageiros do Evangelho de milagres por todo o mundo. Aquilo nunca teria acontecido sem a influência po sitiva e o encorajamento de Daisy. Ela assumiu a lide rança. Comigo ou sem mim, ela estava determinada a desco brir o segredo do ministério apostólico. Sua ação positi va me motivou e nós fizemos descobertas capazes de mudar nossas vidas e o mundo. CONVITE PARA A JAMAICA D esde o p rin cíp io do nosso m in istério com o evangelistas de curas, Daisy dividia comigo o ensino e a oraçãopelos doentes. Recebemos um convite para a ilha de Jamaica. Estabelecemos o propósito de ir, vendemos nossa mobília, hipotecamos nosso carro e ficamos com dinheiro suficiente para a viagem e a cruzada. 132 r e c o n c i l i a n d o -m e c o m a r e a l i d a d e Eu não queria que Daisy fosse. Eu me lembrava daque las experiências traumáticas na índia. Senti que ela e nos sos dois filhos deveríam ficar nos Estados Unidos. Daisy disse simplesmente: "Amor, se você não nos levar com você, você deve ficar no aeroporto na Jamaica, porque nós chegaremos no próximo avião disponível". Daisy nunca hesitou. Ela sempre foi uma encorajadora. Nós fomos juntos para a Jamaica. Aquilo foi antes de nós começarmos a lidar com mul tidões enormes de pessoas. Nós fizemos o que vimos outros fazerem. Quando chegava a hora de ministrar para os doentes, nós os instruíamos a formarem filas compri das e ministrávamos sobre eles, um de cada vez. Geral mente, havia tanta gente que a fila era dividida e Daisy orava por eles de um lado do púlpito, e eu do outro. M ILAGRES, SINAIS E MARAVILHAS Contamos mais de cento e trinta e cinco surdos-mu- dos, mais de noventa pessoas totalmente cegas, e cente nas de aleijados que foram curados durante nossas treze semanas de ministração na Jamaica. Ninguém se im portava se era eu ou Daisy que estava orando por eles. Os mesmos milagres aconteciam, dependendo das ne cessidades das pessoas. 133 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO AS GRANDES CRUZADAS EM TENDAS Retomando aos Estados Unidos, compramos uma gran de tenda com assento para cinco mil pessoas, e organiza m os cruzadas atravessando M aryland, D elaw are, Pennsylvania, New York, Tennessee e Texas. Em muitas daquelas reuniões de milagres, Daisy e eu ministrávamos para filas separadas de pessoas doentes que queriam nos sas orações, e o Senhor nos confirmava igualmente. O FAZENDEIRO AM ISH O ESTRÁBICO E QUASE SURDO Em Reading, Pennsylvania, centenas de pessoas do grupo Amish compareceram. Ficaram chocadas de ver uma mulher que se atrevia a ministrar com tal autorida de e unção espiritual. Numa noite, um ancião Amish ficou de pé na fila de oração. Ele era muito estrábico e quase surdo. Usava dois fones de ouvido antiquados — daquele tipo que saía para fora dos ouvidos como carretéis de linha preta. Ele se encontrava na fila de oração de Daisy e ficou um tanto frustrado por ter que encarar uma mulher. A sua religião o tinha convencido de que as mulheres não eram qualificadas para oficiar no ministério. 134 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE Daisy o recebeu cortesmente, fez-lhe algumas pergun tas e então lhe disse que removesse os fones de ouvido. Os olhos da tenda lotada estavam fixos nela. Orou calma- mente pela compaixão de Deus sobre aquele homem que rido. Então ela levantou um pouco sua voz e falou com au toridade: “Vocês, espíritos de enfermidade, que cruzaram os olhos deste homem querido e que ensurdeceram seus ouvidos, em Nome de Jesus Cristo, saiam dele agora". Ela fez uma pausa por alguns momentos, tocou o rosto dele a fim de alertá-lo a olhar para ela, e seus olhos esta vam perfeitamente em ordem. Ela sussurrou e ele repetiu todas as palavras e então, se rompeu em lágrimas. Daisy era poderosa no ministério por todo o mundo. Os demônios a conheciam como conheciam Paulo, o após tolo (At 19.15). Por mais de meio século, eu desfrutei a vida e o ministério com ela. Mas agora, aqueles eventos maravilhosos eram apenas lembranças. RAZÕES PARA CONTINUAR VIVENDO Em vez de me afogar nos "POR QUÊS?" sobre seu fale cimento, eu sabia que precisava encontrar meios de me desembaraçar da angústia e da dor da solidão. Daisy se foi. Minha vida e ministério com ela eram história agora. 135 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Fomos uma só came. Agora tínhamos sido cortados, de sunidos. Eu não podia fingir que não tinha acontecido. Nós ainda éramos um, mas metade da entidade estava morta. Ela nunca mais seria tocável novamente. Agora, nosso casamento era entre a falecida e o aflito. Eu tinha de descobrir razões e coragem para continuar na vida e no ministério. OPÇÃO DE BUSCAR POSITIVAMENTE DO MEU RICO BANCO DE M EM ÓRIAS Sentado no nosso pátio aquele dia, depois do culto em memória de Daisy, fiz algumas descobertas — dolorosas como elas foram naquela ocasião. Eu pesei a opção cons trutiva que estava diante de mim: Eu podia buscar posi tivamente do meu banco de memórias, em vez de permi tir que a ausência de Daisy me desalentasse. Foi a minha primeira experiência de enfrentar a conti nuação da vida sem Daisy. Nós tínhamos enterrado aquele corpo precioso no Cemitério de Memorial Park, em Tulsa. Vi quando ela baixou a sepultura entre dois lindos pi nheiros que nós tínhamos plantado. SENTINELAS SENTIMENTAIS Pode parecer sentimental para alguém que não ex perim entou este trauma de separação, mas aquelas ár 136 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE vores sempre vivas me trouxeram conforto. Para m im , elas se erguiam como sentinelas orgulhosas e dignas, projetando-se para saudar os restos mortais de Daisy dia e noite. Mesmo nos períodos frios, de inverno seve ro, elas estariam lá e estariam sempre verdes, represen tando nosso amor que nunca tinha sido sazonal, mas sem pre vivo e constante. Eu visitava o túmulo de Daisy freqüentemente, mas en tre as visitas e enquanto eu estivesse em outras nações, aqueles pinheiros permaneceríam como vigias fiéis, guar dando seus preciosos restos físicos. Ele alguma forma, eu não queria que seu corpo fosse deixado sozinho. Aqueles pinheiros que nós plantamos pareciam repre sentar uma presença viva lá com ela, e eles marcavam o lugar de descanso da sua figura delicada que tinha sido tão querida para mim. SARA-RAQUEL-DAISY Daisy e eu imitávamos o exemplo de Abraão e Sara. Eles tinham comprado um campo, por herança de sepultu ra (Gn 50.13). Mais tarde, Abraão sepultou Sara, sua mu lher (Gn 23.19) no campo que eles tinham adquirido. Ele mesmo fo i sepultado lá [mais tarde], com Sara sua mulher (Gn 25.10). E ainda mais tarde, Isaque e Rebeca, sua mulher, foram sepultados ali (Gn 49.31). 137 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO O filho de Isaque, Jacó, tinha uma sensação forte sobre onde ele seria enterrado. Ele disse ao seu filho José: rogo- te que me não enterres no Egito, mas que eu jaza com os meus pais (Gn 47.29,30). Era considerado apropriado que os chefes de família comprassem um jazigo. Daisy e eu tí nhamos feito isso. Jacó era sentimental com relação ao enterro de Raquel. Ela morrera quando eles saíram de Betei numa viagem. Ele disse Morreu Raquel ...no caminho ...e eu a sepultei em Belém (Gn 35.16-19; 48.7) e pôs uma coluna sobre a sua se pultura (Gn 35. 20). Seiscentos e trinta anos mais tarde, seu túmulo ainda era um monumento à caminhada de Jacó e Raquel com Deus (1 Sm 10.2), assim como o de Daisy e o meu serão para as gerações futuras. DESFRUTAR DAS M EM ÓRIAS OU AFOGAR-SE NO DESESPERO Reconciliar-me com a realidade envolveu uma luta dia a dia, hora após hora. Meu banco de memórias se tomou minha zona de conforto quando eu aprendí a repassar as cenas de nossas vidas e ministérios juntos, com deleite em vez de me afogar no desespero. Nossos anos juntos tinham sido anos bons, tempos maravilhosos, com episódios milagrosos e recordações afetuosas. 138 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE Um poema, escrito por uma pessoa que sofria com a morte de um amado, me ajudou: Eu não sei o que virá em seguida No meu caminho de peregrino; Eu não conheço a estrada do amanhã, Nem vejo além do hoje. Mas isso eu sei — meu Salvador conhece O caminho que eu não posso ver; E eu posso confiar em Sua mão ferida Para me guiar e cuidar de mim. CARRETÉIS ESCUROS BEM COMO DOURADOS E PRATEADOS O "Por quê? " do falecimento de Daisy pode sempre fi car em alguma área remota da minha mente, mas diaria mente se toma um pouco mais fácil CONFIAR aquilo que eu nãocompreendo PARA ELE, que realmente compre ende tudo. Outra pessoa que sofreu pela morte de um ama do declarou: "Quando o tear estiver silencioso e as lançadei ras cessarem de voar, então o Tecelão poderá explicar por que os carretéis escuros eram tão vitais para o desenho quanto os dourados e prateados". 13» POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Eu estou aprendendo a recordar a beleza da vida com Daisy, em vez de lamentar o trauma da vida sem ela. É o poder da escolha que dignifica a nossa humanidade e nos capacita a transcender a dor da tragédia e da perda. EM TUDO DANDO GRAÇAS Pedro disse: a prova da vossa f é [é] muito mais preciosa do que o ouro que perece (1 Pe 1.7). Paulo advertiu: em tudo dai graças... (1 Ts 5.18). Não "por" tudo, mas "em" tudo. As palavras da canção exprimem o que vai no meu coração: Muitas coisas sobre o amanhã, Parece que eu não entendo, Mas eu sei quem possui o amanhã, E sei que Ele me segura na mão. A cada manhã, acordo com gratidão por tudo o que Deus É para mim. Eu não calculo minha perda, eu con templo o tanto que resta — tanto que me faz ver que a vida realmente vale a pena ser vivida. O VALOR DO PODER DE ESCOLHA O falecimento de Daisy foi, para mim, uma tragédia, e minha solidão, um trauma. Mas a sua partida para casa 140 RECONCILIANDO-ME COM A REALIDADE foi um triunfo. Através do meu poder de escolha, posso transformar minha angústia e dor em triunfo para a VIDA. A agonia da perda é superada pelo muito que resta. A dor da solidão é transmutada pelas recordações dos tempos que passamos juntos. Eu fui abençoado com mais de meio século de amor, vida e ministério com Daisy. Sou sustentado pelo co nhecimento e poder do Evangelho. Tudo isso me capacita a triunfar sobre a devastação do desespero e dor. Refocalizar minha memória tem-me dado uma perspec tiva esclarecedora, que transcende meu trauma e elucida para mim o valor verdadeiro da VIDA 141 CAPÍTULO SEXTO TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS C oM E C E I a ESCREVER esta crônica durante a missão mais difícil, contudo mais extraordinária que eu já em preendí. Foi uma missão para algumas das principais cidades da ex-União Soviética: Bishkek, a capital do Quirguistão (no contraforte da cadeia montanhosa Tien Chan da Chi na Ocidental), Novossibirsk, capital de negócios da remo ta Sibéria, Perm, principal centro comercial dos Urais, Minsk, capital de Belarus, Murmansk, a maior cidade ao norte do Círculo Polar Ártico, Alma Ata, capital do Casaquistão (somente 240 km da China Ocidental), Kharkov, segunda cidade da Ucrânia, São Petersburgo e Moscou, as capitais antiga e atual da Rússia. Minha filha LaDonna juntou-se a mim para comparti lhar do ensino e da pregação. Setenta anos de comunismo nestas grandes repúblicas engendraram desespero espi ritual nos seus povos. Nós fomos privilegiados em levar 143 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO nova esperança e auto-estima para milhares que passa ram suas vidas sob a influência da doutrina marxista- leninista sem Deus. CURA PARA A RÚ SSIA — E PARA NÓS LaDonna e eu decidimos ministrar juntos nestes cen tros principais e semear as verdades redentoras do Evan gelho nos povos destas cinco ex-Repúblicas Soviéticas. Jesus disse: A semente é a palavra de Deus (Lc 8.11). E Ele nos lembrou de que o campo é o mundo (Mt 13.38). Eu precisava de cura emocional por causa da perda dolorosa de minha esposa amada e pela solidão que eu estava amargando. LaDonna, que era apegada à sua mãe, tinha perdido sua melhor conselheira e confidente. Nós críamos que a cura começaria em nós quando le vássemos cura para os outros. Ambos sabíamos que com partilhar a Vida de Deus com outras pessoas apressaria a Sua Vida dentro de nós. O DINHEIRO D O SEGURO DE DAISY O cheque da apólice de seguro de vida de Daisy, de cin- qüenta mil dólares, tinha chegado. Eu o assinei a favor da gráfica em Minsk, Belarus, dirigida por Gilbert Lindsay (o filho mais velho de Gordon e Freda), para ser usado na TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS tradução e publicação dos cinco principais livros de Daisy na língua russa— mais cinco dos meus livros. Eu queria que o dinheiro do seguro de Daisy fosse usa do para semear nas vidas de milhares de mulheres russas as verdades que ela havia escrito, semeando nelas a dig nidade na família real de Deus. Se elas pudessem conhe cer a verdade redentora e abraçá-la, poderíam se tomar tudo aquilo que Deus as criou para serem. FILHAS DESCOBRINDO A DIGNIDADE As filhas reais de Deus em muitas nações do mundo foram descobrindo uma nova dignidade e um novo pro pósito em suas vidas, através da leitura impulsionadora dos livros de Daisy. Agora, as mulheres da Eurásia po diam ser esclarecidas sobre a sua posição redentiva. A pregação e o ensino de Daisy foram poderosos. Coo perou com ela o Senhor, confirmando com os sinais que se se guiram (Mc 16.20). Milagres e maravilhas sempre forne ceram a prova de seu chamado divino. Nenhum de nós sonhava que o seu ministério de pre gação terminaria tão depressa. Mas suas mensagens gra vadas e escritas estavam circulando o globo, levando luz, vida, esperança e descoberta para mulheres e homens por todo o mundo. 145 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A VERDADE— FALADA OU ESCRITA Daisy e eu aprendemos que a VERDADE é que liberta as pessoas (Jo 8.32,36). Quer escrita ou audível, seu poder é o mesmo. A circulação dos livros e vídeos de Daisy no es trangeiro estava provando que a mesma unção presente no seu ministério de pregação e ensino se manifestava nas vidas das pessoas quando elas assistiam aos seus vídeos ou liam seus livros. Paulo, o apóstolo, escreveu sua revelação da redenção e, como resultado, a mensagem cristã penetrou no mun do. As VERDADES escritas por Paulo têm abençoado mi lhões, com a fé em Deus e a libertação da culpa e da con denação. Daisy escreveu cinco livros poderosos. Eles continua riam a disseminar a Verdade que liberta as mulheres — dei xando-as livres das limitações de restrições antiquadas na parte feminina do Corpo de Cristo. POR QUE NÓS ACREDITAMOS EM MULHERES NO M INISTÉRIO Daisy e eu nunca aprovamos aquelas limitações tradi cionais sobre as mulheres. Eu fui salvo quando uma mu lher pregava .Fui pastoreado por um casal em que ambos eram pregadores e que compartilhavam todos os deveres 146 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS pastorais com igual autoridade. Quando voltamos da ín dia, com o coração arrebentado e desnorteados pela nos sa falta de sucesso no campo missionário, foi uma mulher que pregou a mensagem do acampamento que nos levan tou do desespero e semeou em nós uma razão para conti nuarmos vivendo e prosseguirmos no ministério. Minha irmã foi chamada sobrenaturalmente para pre gar, por intermédio de uma visão que lhe apareceu, como aconteceu com Paulo, o apóstolo. Por uma voz do céu, ela recebeu o comando: "Vá e pregue o Evangelho". Ela esta beleceu três lindas igrejas no Texas. Nossa filha, LaDonna, teve uma visão de Jesus quando estávamos em Concepción, Chile. Ele Se revelou a ela e, mais tarde, chamou-a especificamente para o ministério pastoral. INCLUA AS MULHERES QUANDO PROCLAMAR O EVANGELHO Daisy teve uma visão na qual a parte feminina do Cor po de Cristo lhe foi mostrada na sua forma diminuída e limitada. Então, ela olhou na direção de uma montanha em cujo topo brilhava uma luz intensa. Jesus apareceu-lhe naquela luz, desceu a montanha, e Suas mãos apontavam para ela com a comissão: "Daisy, 147 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO pregue o Evangelho para as mulheres". Ele especificou "para as mulheres", de tal forma que ela sempre INCLUIRÍA MULHERES onde quer que proclamasse a mensagem de Cristo. A incumbência de "INCLUIR mulheres" ao pregar o Evangelho foi para nós um alerta profundo de que a maior parte da pregação do Evangelho é masculinizada, endereçada apenas a homens, geralmente ignorando mulheres. Nós sabíamos que o maior insulto psicológicopossível para alguém é ser ignorado. Acreditamos que a dignidade própria da mulher merecia reconhecimento. REEDITANDO NOSSOS LIVROS PARA ATINGIR AMBOS O S GÊNEROS A visão de Daisy levou-nos a um reexame dos vocabu lários da nossa escrita e fala, resultando numa reedição de todos os nossos livros, para garantir que nossa lingua gem era inclusiva — que sempre se endereçava a ambos os gêneros— isto é, sempre "INCLUÍA mulheres ". Nossos livros estabeleceram um novo padrão entre as publica ções nos mundos evangélico e carismático. Nós estávamos cientes de que os mundos acadêmico, científico, médico, legal, político e jornalístico há muito tempo adotavam o vocabulário de duplo gênero, e de que 148 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS somente os mundos de religiosos fundamentalistas e pentecostais persistiam no vocabulário tradicionalmente masculinizado. IGUALDADE NA REDENÇÃO O estilo de vida e o ministério de Daisy foram exem plares em vários aspectos. É fato que ela pregou o Evan gelho para mais pessoas do que qualquer outra mulher na história. Além da sua experiência administrativa e em organi zação de cruzadas, ela quase sempre compartilhava do ministério de pregação e ensino em nossas cruzadas e con ferências. A audiência nunca expressou uma preferência por quem ministrava— se Daisy ou eu. A mesma unção era óbvia para todos e os mesmos milagres aconteciam. Sempre acreditamos que na redenção não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há MACHO nem FÊMEA; porque todos vós sois UM em Cristo Jesus (G13.28). Nós con sistentemente compartilhamos todos os aspectos da vida, ministério e negócios como iguais. LIMITAÇÕES TRADICIONAIS "G EN TIO S" ANTES— "MULHERES" HOJE As tradições limitando as mulheres no ministério hoje são similares à maneira com que os gentios eram limita- 149 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO dos na Igreja Primitiva. No Dia de Pentecostes, Pedro ci tou o profeta hebreu Joel e proclamou: TODO AQUELE que invocar o nome do Senhor será salvo (At 2.21). Ele pre sumiu que aquelas palavras se aplicavam apenas aos ju deus. TODO AQUELE— contanto que seja JU D EU — que invocar o nome do Senhor será salvo. Não foi senão no déci mo capítulo do livro de Atos que Pedro e a Igreja Primiti va começaram a compreender que as palavras do profe ta eram todas inclusivas. PRESSUPOSTOS ERRADOS ' Hoje se supõe que se aplicam somente aos HOMENS pon tos das Escrituras concernentes à pregação e ao ensino. A tradição faz uma lavagem cerebral na mente das pessoas hoje da mesma maneira que fazia nos tempos da Bíblia. No décimo capítulo de Atos — mais de dez anos de pois que Pedro tinha proclamado aquelas palavras de Joel — os antigos seguidores de Cristo finalmente entenderam o fato de que o Evangelho era para "todo aquele "de qual quer raça, tribo, nacionalidade, cor e gênero. Mas foi ne cessária uma visitação divina para que eles compreen dessem que os gentios podiam invocar o Senhor e serem salvos da mesma forma que os hebreus. Visitações de Deus são requeridas hoje para que as mulheres percebam que Ele não colocou limites nelas ISO TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS como Suas representantes— que só a igreja hierarquizada impôs restrições. A DESCOBERTA CHOCANTE DE PEDRO O QUE ELE PREGOU ERA VERDADEIRO Pedro teve uma visão e foi-lhe dito para que fosse à casa de um gentio (At 10.19-23). Ele ficou tão perturbado com isso que reuniu uma comissão de hebreus com ele como testemunhas (v. 23). Quando entrou na casado gentio, ele falou a Palavra de Deus... anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos) (v. 36). O poder do Espírito Santo caiu sobre aqueles gentios da mesma maneira que tinha caído sobre os judeus no Dia de Pentecostes (vs. 44-47). Isso foi tão chocante que Pedro relatou o evento, em detalhe, para a sua igreja, e eles apaziguaram-se eglorifica ram a Deus, dizendo: Na verdade, até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida (At 11.18). Finalmente, creram nas palavras que Joel tinha profetizado e que Pedro anun ciara tão ousadamente (At 2.21). A MESMA UNÇÃO... SOBRE "GENTIOS" ANTES SOBRE AS "MULHERES" HOJE Líderes na igreja de hoje ficam surpresos, como Pedro e seu grupo ticarám , quando o mesmo Espírito Santo que unge e dá poder aos HOMENS também unge e dá poder às MU- 151 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO LHERES. Está na hora de a "igreja" de hoje ser tão hones ta quanto os líderes em Jerusalém quando, então, decla raram: Até [às MULHERES] deu Deus arrependimento para a VIDA (At 11.18) e, como Pedro disse surpreso: Reconhe ço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; mas QUE LHE É AGRADÁVEL [entre TODAS as raças e em AMBOS os gêneros] aquele que o teme e fa z o que é justo... (At 1034,35). "TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE D EU S" ELAS ERAM MULHERES O relato deste evento continua com detalhes de pro funda significância para as mulheres— detalhes que têm sido quase ignorados pelo clero masculino: Eles o mata ram, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus... e fez que se manifestasse... às TESTEMUNHAS que Deus antes ordenara (At 10.39-41). Quem eram aquelas TESTEMUNHAS para as quais Je sus se manifestou? Elas eram mulheres. Jesus, tendo ressuscitado, apareceu primeiramente a Ma ria Madalena (Mc 16.9). Maria era UMA MULHER. E ou tras mulheres foram nomeadas. De acordo com Mateus, Marcos, Lucas e João, estas mulheres foram as primeiras testemunhas que Cristo levantou e foram as que fielmente 152 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS relataram as notícias aos homens. Mas os homens não cre ram (Mc 16.11). Mais tarde, Jesus lançou-lhes em rosto a sua incredulida de e dureza de coração, por não haverem crido [nas MULHE RES] QUE O TINHAM VISTO JÁ RESSUSCITADO (Mc 16.14). A história continua, sobre o choque de Pedro quando os gentios foram visitados por Deus e receberam o Espíri to Santo da mesma maneira que os judeus. M ULHERES— "TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS" ORDENADAS A "PREGAR" E A "TESTIFICAR" O relato declara que Deus ressuscitou a Jesus, fez com que se manifestasse— para testemunhas escolhidas que antes ordenara [para MULHERES, e depois para os homens], MAN DOU aquelas TESTEMUNHAS escolhidas [incluindo MU LHERES] para PREGAR AO POVO e para TESTIFICAR QUE... todos os profetas dão testemunho de que... TODOS OS QUE NELE CRÊEM receberão o perdão dos pecados (At 10.39- 43). Pedro recebeu uma revelação. Ele finalmente enten deu o fato de que a redenção incluía A TODOS. Não apenas podiam "todos os que" invocassem o Se nhor ser salvos, como também as mulheres, assim como os homens, deviam "PREGAR e TESTIFICAR" que o 153 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Evangelho era para TODOS. Jesus ministrou a todas as raças — igualmente para mulheres e homens. Ele en viou seus seguidores “a todo o mundo" para pregar "a toda a criatura" (Mc 16.15). O Espírito Santo veio so bre mulheres e homens igualmente, e para o mesmo pro pósito (At 1.8). O TRAUMA DA TRADIÇÃO O TRIUNFO DA REVELAÇÃO Daisy acreditava que nós precisamos continuar a apresentar as verdades bíblicas sobre as mulheres na redenção, de que as mulheres devem ser livres para m inistrar sob a unção e confirmação do Espírito Santo. Ela cria que Deus irá revelar a igualdade de mulheres e homens na redenção para líderes na Igreja hoje, assim com o ele revelou a igualdade de gentios e judeus aos líde res na Igreja de então. REGULAMENTO PRIM ITIVO DEMAGOGIA ROMANA Há apenas dois versículos curtos no Novo Testamento que aconselham as mulheres a ficarem em segundo pla no e não serem ouvidas ou notadas (1 Co 14.34; 1 Tm 2.12). Em ambos os casos, Paulo estava lidando com uma situa ção em que as mulheres eram o alvo de escolha para pri 154 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS são, tortura e detenção sob o jugo do Imperador Nero que odiava cristãos, e Paulo estava lidando com culturas nas quais as práticas religiosas pagãs femininas tinham que ser confrontadas e reprimidas.Mulheres deste século não estão mais vivendo com Nero como seu Imperador, nem estão sujeitas a leis, tradições e culturas antiquadas que diminuem o status da feminili dade — que as escravizam como propriedade legal de seus maridos. No mundo moderno, industrializado, as mulheres da Igreja não são convertidas de uma religião pagã que ado ra deusas femininas, e não devem ser subjugadas pelo re gulamento primitivo imposto aos crentes que viviam sob a demagogia do Império Romano. Correções locais feitas por Paulo para as mulheres daquela cultura primitiva não devem ser impostas como regras inter nacionais hoje, mais do que o celibato, lavagem dos pés, ou a prática da escravidão. A sociedade progrediu. A Igreja também progrediu— em todos os pontos, exceto nas suas restrições arcaicas sobre as mulheres no ministério. Daisy e eu nunca sancio namos aquelas restrições, porque elas são contraditórias à revelação paulina de redenção. 155 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO A ELEFANTÍASE CURADA MILAGROSAMENTE Em Papua, Nova Guiné, Daisy dirigia a primeira gran de conferência-cruzada para mulheres naquela nação. As mulheres e seus maridos vieram de todas as partes do país — de barco pelo rio, de caminhão, por transporte público, a pé, com cavalos escarrapachados e com búfalos que atravessavam a água. Milhares deles se reuniram num campo aberto. Os crentes concordaram que os homens deviam cuidar das crianças, fora, na periferia da multi dão, de tal maneira que as mulheres pudessem ter priori dade de assento mais próximo do púlpito. Foi um evento modelo. Aquelas mulheres tribais e seus maridos aprenderam que, na redenção, não existem res trições no testemunho e no ministério das filhas reais de Deus. A partir daquelas reuniões, as mulheres de Papua, Nova Guiné, se tomaram envolvidas em todos os níveis do ministério cristão, estabelecendo igrejas e escolas bíblicas, e ministrando como evangelistas e missionárias em áreas não alcançadas, compartilhando o conhecimen to de Cristo em todas as regiões daquela nação. Uma noite, após a pregação da Dra. Daisy, ela estava ministrando aos doentes. Durante a sua oração coletiva por cura, um homem que tinha elefantíase foi curado milagrosamente. Uma de suas pernas parecia uma me 156 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS lancia. Ele viajou por três dias para assistir às reuniões, porque tinha ouvido falar que uma mulher de Deus esta va ensinando e orando pelas pessoas doentes. A perna dele encolheu como um balão sem ar, deixan do a pele enrugada e caída. Em dois dias, tomou-se nor mal. Os homens ficavam perplexos quando eles testemu nhavam sobre o poder de Deus manifesto através de uma mulher. Era uma evidência para eles de que mulheres e homens são iguais na redenção. Deus sempre confirmou a pregação de Daisy com milagres notáveis de cura. O PODER DE DEUS COMO UM RAIO Certo dia, ela estava pregando na cidade de Kampala, Uganda. Uma mulher foi carregada para lá e deixada no chão. Sua coluna tinha sido tremendamente lesada, de forma que ela não podia andar. Os cirurgiões a operaram, mas ela ficou pior do que antes, e a pobre mulher vivia com uma dor que era um suplício. Ela pediu aos amigos que a ajudassem a morrer. Eles ouviram sobre a nossa cru zada e a trouxeram. Ela berrava de dor quando eles a trou xeram. Enquanto a Dra. Daisy pregava, a mulher experimen tou um milagre fenomenal. O poder de Deus atingiu-a como um raio, e com tal força que a arremessou e literal 157 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO mente a cegou (como aconteceu com Saulo de Tarso quan do o Senhor Jesus lhe apareceu - At 9.8,9). Ela ficou chocada de ser atingida por um raio com tal força que a deixou cega, e estava tão apavorada que nem notou que suas costas tinham sido curadas. Em pânico, ela gritava por ajuda, mas aqueles que estavam perto dela achavam que ela era louca. A MULHER NÃO É LOUCA ESSE É O MILAGRE Sentado na plataforma enquanto Daisy pregava, eu percebi a confusão naquele setor da multidão. Um diácono se aproximou para explicar que era uma mulher louca tendo um ataque. Então, uma sensação estranha me so breveio. O Senhor murmurou: “Aquela não é uma mulher louca. Aquilo é um milagre". Desci rapidamente os degraus e fui pressionando as pessoas, na direção daquele tumulto que atrapalhava. A pobre mulher berrava: “Dra. Daisy! Dra. Daisy! Aju de-me! Eu fu i atingida por um raio! Estou cega!" Ela não percebia que estava de pé e que sua coluna estava bem. Segurei-a para acalmá-la e lhe contei como ela estava. Ela me agarrou, suplicando: "Leve-me até a Dra. Daisy! Eu quero a Dra. Daisy!" 158 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS Eu peguei o meu lenço e tentei tirar a grama suja e morta do seu rosto suado e do seu cabelo. Então, eu a levei atra vés da multidão, subi os degraus e interrompí a mensa gem de Daisy. Murmurei para ela: “Bertzinho, alguma coisa admirável aconteceu. Esta mulherfoi curada. Eu acho que você deve que rer ouvir o que ela tem para dizer". A senhora agarrou Daisy e, tão logo o fez, aconteceu um outro milagre. Sua vista foi restaurada do mesmo jei to que a cegueira de Saulo foi curada quando Ananias o tocou (At 9.17,18). Então, aquela mulher querida explicou para a multi dão que Deus enviara o Seu poder sobre ela, como um raio, e de que maneira Ele curou completamente a sua coluna. Foi uma maravilha que assombrou milhares de pessoas que ali estavam. VÍTIM A DE SOLDADOS BANDIDOS HUMILHADA ATÉ A LOUCURA Outro dia, quando a Dra. Daisy pregava, ouviu-se o latido de um cachorro bravo num lado distante da multi dão. Distúrbios ocorrem freqüentemente durante as reu niões abertas com muita gente; então Daisy continuou a sua mensagem. 159 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Nós descobrimos que o latido vinha de uma mulher lou ca que tinha sido seqüestrada de uma escola de noviças ca tólicas por soldados bandidos. Eles a arrastaram para o acampamento deles na floresta, onde a mantiveram amar rada com cordas, violentando-a à vontade, dia após dia. Depoisdesemanasdeumahumilhaçãobrutal,amulher perdeu o juízo e ficou como um cachorro louco, mordendo e latindo para qualquer coisa que se aproximasse. Ouvindo falar sobre a nossa cruzada, alguns aldeões prenderam os braços e os pés da louca e a levaram para as reuniões. Ela latiu o tempo inteiro em que a Dra. Daisy pregou. Mas, quando chegou o momento da oração, o poder do Espírito Santo veio sobre aquela pobre criatura huma na desonrada, e os espíritos malignos a deixaram. Ela foi restaurada ao juízo perfeito e trazida até a plataforma para testemunhar. Chorando de gratidão, ela abraçava a Dra. Daisy enquanto derramava suas palavras de testemunho sobre a multidão. Ela pedia para as pessoas se amarem e perdoarem umas às outras por qualquer coisa errada que elas tivessem experi mentado. (A nação estava em guerra civil há trinta anos.) Foi uma experiência profundamente comovente tes temunhar o milagre da graça e do amor de Deus naquela vida preciosa. 160 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS O INTRUSO MUÇULMANO Uma noite, enquanto eu estava pregando numa nação muçulmana, Daisy subitamente sentiu-se levada a se le vantar de seu assento e ir até os degraus da plataforma. Ela sabia que um inimigo estava preparando algo. Ficou de pé no degrau inferior inspecionando o em purrar das pessoas. De repente, um hadji muçulmano, usando um fez, se meteu a valente no meio do povo, na direção dos degraus. Daisy tinha sido alertada. Ela esta va pronta. Quando o homem se aproximou dos degraus, Daisy o parou e perguntou o que ele queria. Ele respondeu: "Aquele homem precisa parar. Ele está mentindo. Eu exijo falar a verdade para que nosso povo não seja enganado". Daisy tentou conversar com ele, explicando que o Sr. Osbom não podia ser interrompido daquela maneira. Mas o homem insistiu. Finalmente, para acalmá-lo, ela fez o melhor que podia para convencê-lo. DAISY DESAFIA O HADJI "Senhor, eu vou interrompermeu marido com Uma con dição. O senhor e eu iremos ao microfone. Nós chamare mos alguém que seja cego para vir à frente". 161 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO "Então o senhor vai orar pela cura da pessoa cega, no nome de Maomé. Se a pessoa for curada, nós saberemos que o nome de Maomé é honrado por Deus e que nós de vemos crer na sua mensagem. Mas, se a pessoa cega não for curada, então eu orarei— não meu m arido— mas eu, uma mulher, orarei a Deus no Nome de Jesus Cristo que ressuscitou dos mortos. Se a pessoa for curada, então o senhor saberá que Jesus Cristo é o Salvador que Deus en viou, e o senhor e seu povo saberão depositar a sua confi ança nEle." O hadji m uçulm ano virou-se enfu recid o, esbra vejando em meio à multidão apertada, indignado com as palavras que aquela mulher estrangeira tinha lhe falado. Daisy era esse tipo de mulher. Alerta. Sensível. Corajosa. Compassiva. Sintonizada com as necessida des do povo. Uma verdadeira Embaixadora de Jesus Cristo. A Bíblia fala do testemunho justo de Abel e de como Deus testificou dos seus dons, pelo que DEPOIS DE MORTO AIN DA FALA (Hb 11.4). Nós todos deixamos nosso legado de influência depois que termina nossa vida terrena. Daisy deixou o dela, e ele é rico. Ela continua a falar através do seu exemplo, de seus livros e de suas gravações. 162 TESTEMUNHAS ESCOLHIDAS DE DEUS Nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações tor nam-se as sementes de nossas vidas que plantamos— nos so legado. Daisy era uma encorajadora, edificante, uma fonte de sa bedoria, um exemplo de paciência e determinação na vida e no ministério. Ela era criativa e sempre dinâmica, nunca sucumbindo ao ceticismo, indecisão, inconsistência, desa pontamento, impaciência, dissenção ou vacilação. Embora eu não possa explicar POR QUE ela foi retira da deste mundo de ação, sinto grande conforto ao saber que, como Abel na Bíblia, Daisy, mesmo morta, ainda fala — assim como todos nós continuaremos a fazer depois que nossos dias tiverem terminado. O HOJE É NOSSO Nós realmente deixamos nossa marca naqueles que nos seguem . Estamos esculpindo a imagem de vida na qual acreditam os. Podemos não ter o amanhã para aperfeiçoar aquela imagem, e o ontem já se foi. Mas o HOJE é nosso, e, com nosso direito de escolha, podemos melhorar nosso legado para os outros. Pode ser melhor quando continuamos a aprender. Isso me dá co ragem para encarar cada novo dia com propósito e ale gria pela maravilha da VIDA. 163 CAPÍTULO SÉTIMO MULHER DE CORAGEM B e M POUCAS SEMANAS antes do falecimento de Daisy, estivemos ocupados planejando nossos próximos seminá rios e cruzadas na América do Sul, África, índia e no Ori ente. Os eventos que tínhamos programado na Colômbia estavam se aproximando. TRAUMA NA MALÁSIA Durante nossa missão na Malásia, Daisy levou um tombo em uns degraus de mármore e fraturou a perna. Foi hospitalizada em Kuala Lumpur, onde o médico não viu que o fêmur estava quebrado. Ela ficou hospitaliza da lá por duas semanas, recebendo a certeza do médico atendente de que sua perna melhoraria. A missionária evangelista Marie Brown, uma estima da amiga de Daisy, assistiu à Conferência da Malásia, en tão ficou com ela no hospital, enquanto eu pregava no lugar de Daisy, além das sessões que tinham sido progra madas para mim. 165 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO Em seguida à conferência, nós estávamos escalados para ministrar juntos num acampamento britânico. Eu tive de fazer uma das coisas mais difíceis que eu já fizera: deixar Daisy no hospital e voar de volta para os Estados Unidos, e daí para a Inglaterra onde eu me reuniría com Daisy, que voaria, com Marie, direto da Malásia. VIAGEM TORTURANTE: M ALÁSIA— INGLATERRA— ESTADOS UNIDOS Mas Daisy não melhorou. Tinha mais dor a cada dia. O fêmur estava quebrado. Com remédio para a dor e M arie para assisti-la, ela resistiu às martirizantes ca torze horas de vôo para Londres, depois viajou de car ro mais do que cento e sessenta quilômetros até o local do acampamento. Ela pregou suportando dor intensa. Ficou tão sério que, depois de dois dias torturantes de ministração, eu a forcei a retomar para Tulsa com Marie. Depois do acampamento na Inglaterra, tínhamo-nos comprometido a ministrar por uma semana na Suécia. Assim, novamente encarei o dilema de deixar Daisy para honrar um outro compromisso que tínhamos assumido. Sempre nos esforçamos por evitar cancelar compromis sos. Nós decidimos juntos que, se Marie podia viajar com 166 MULHER DE CORAGEM Daisy, eu deveria ir para a Suécia. Ela fez a difícil viagem de volta a Chicago, depois a Tulsa. REPARO CIRÚRGICO Depois da chegada em Tulsa, Daisy foi hospitalizada para exame. O ortopedista ficou chocado por a terem dei xado sofrer tanto tempo. Devido à tensão muscular e à vibração durante a viagem, a perna na verdade estava se torcendo no ponto da fratura, acrescentando mais descon forto. Ela recusou a cirurgia até que eu pudesse estar com ela, suportando seis dias mais de sofrimento intenso. TRIUNFO EM BOGOTÁ, BRASIL E HAVAÍ Então chegou a hora de viajar para Bogotá, na Colôm bia. Daisy usava uma bengala para andar, mas sua cora gem era imensa. Ela conduziu uma histórica Conferência Pan-Americana de Mulheres, na qual milhares de mulhe res lotaram o lindo ginásio de desportos, e seus cinco li vros principais em espanhol foram presenteados a cada participante. Foi um grande sucesso. Então, veio a Conferência Nacional em Brasília, Brasil, onde ela ministrou para milhares de mulheres e desafiou- as a serem tudo o que Deus as chamou para serem. Depois, ela dirigiu uma Conferência para M ulheres do Pacífico, no Havaí. A maior parte das nações da cos 167 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO ta do Pacífico estava representada. Foi muito significa tiva. Mas os pulmões de Daisy estavam com problema. Ela, no entanto, continuou sem parada, apesar de duas gran des lutas recentes contra a pneumonia — na índia e na Colômbia. Nós estávamos orando e crendo, recusando-nos a apa ziguar o inimigo e não relaxando nas programações do nosso ministério. Antes de Daisy ser ferida na Malásia, ela havia acaba do de voltar de uma missão muito dura na Ásia. M ISSÕ ES DE M ISERICÓ RD IA & FÉ ÍNDIA — AUSTRÁLIA Ela havia voado para o Sul da índia a fim de dirigir um a grande Conferência Nacional de M ulheres em M adras. Seu hotel ficava a quarenta e cinco minutos de carro do local da conferência. O auditório estava abafado. A umidade, excessiva. Daisy transpirava enquanto pregava. Ventiladores oscilantes iam para trás e para a frente ao longo da plataforma e de Daisy. Depois de ensinar por uma hora, molhada com a transpiração e resfriada inter 168 MULHER DE CORAGEM mitentemente com os ventiladores, ela saiu num carro abarrotado para uma corrida de quarenta e cinco minu tos até o seu hotel, durante a qual o ar-condicionado foi deixado na sua temperatura mínima. Isso acontecia duas vezes por dia. Cada jornada com plicava seu problema porque seus pulmões se enchiam de água e seu corpo ardia em febre. Depois da Conferência de Madras, o compromisso se guinte de Daisy foi na Austrália. Fraca, em vez de des cansar e se recuperar, ela viajou para Singapura e daí para a Austrália, para dirigir a Conferência Nacional de Mu lheres em Adelaide, pregando, apesar da febre e da dor em ambos os pulmões. Sua coragem nunca se abateu. Então, quando ela voltou daquelas conferências, os eventos nacionais em Bogotá, Colômbia, Brasil e Havaí estavam próximos. Assim, novamente, em vez de descan sar e se recuperar, ela seguiu em frente para cumprir aque les compromissos. CHUVAS FRIAS PENETRANTES A 2 440 m DE ALTITUDE Durante sua Conferência de Bogotá e nossa Cruzada de Milagres em Massa ali, tivemos que lidar com uma chuva fria extemporânea que varreu a cidade por vários 169 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO dias. Daisy estava enfraquecida por causa dos seus doisepisódios de pneumonia na índia e na Austrália. Dessa vez, ela estava ministrando num estádio enorme de con creto, que era aberto, úmido e frio, numa altitude de 2440m, onde era quase impossível que uma pessoa não aclimatada ficasse aquecidà. Seus pulmões se encheram de líquido outra vez, mas ela continuou a pregar e a mi nistrar para milhares de mulheres, dia após dia, apesar da febre alta. E a partir de lá, seguiram-se suas missões no Brasil e no Havaí. Daisy era uma crente. Ela se recusava a ceder aos sin tomas e continuou a insistir em vez de cancelar os com promissos e descansar. Quando ela voltou do Pacífico, no plano natural, esta va claro que Daisy tinha um problema físico muito sério. Nosso próximo compromisso foi uma das maiores Con ferências de Mulheres e Seminários de Líderes que nós já tínhamos planejado — em Monterrey, México. APELO D O M ÉXICO PARA CONSTRUIR A AUTO-ESTIM A Os pastores, que vieram nos convidar, disseram: "Nós checamos com líderes de outras nações e nos disseram que vocês despertarão a dignidade e auto-estima de nosso povo e de ttos- 170 MULHER DE CORAGEM sos pregadores. Nós cremos que é disso que a nossa nação pre cisa para se levantar num evangelismo apostólico. Acredita mos que isso irá revigorar a Igreja do México na sua missão para a nossa nação e para o mundo". Daisy e eu ficamos profundamente tocados por este apelo e nos propusemos a dar-lhes o melhor de nós nes sas conferências. Mas ela estava demasiado enfraquecida com as lutas com a pneumonia para ir. Foi uma outra ex periência traumática para mim, ter de deixá-la quando ela precisava de mim, para ir cumprir outro compromisso que nós tínhamos assumido. Novamente, Marie Brown estava disponível para qualquer necessidade que ela ti vesse, e Karen Anaya ficou com ela dia e noite. A conferência de Monterrey foi um sucesso histórico. Nós importamos da Colômbia vinte e duas toneladas de nossos livros em espanhol (cinco de Daisy e cinco meus) e presenteamos jogos completos de nossos dez livros prin cipais para todos os pastores, ministros, líderes, professo res e estudantes de escolas bíblicas, obreiros do Evange lho, e crentes que frequentaram a conferência. Eu ministrei, no lugar de Daisy, para as mulheres do México por cinco dias. Milhares de mulheres participa ram daquele Congresso Nacional de Mulheres. Demos os cinco principais livros de Daisy para cada uma das 171 POR QUÊ? — TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO participantes. Todas as lições estavam gravadas e aque las fitas estão proliferando pela América Latina entre as dinâmicas mulheres daquelas nações. ESCAPANDO DO MEU ALCANCE Quando voltei de Monterrey para o lado de Daisy, era óbvio que, sem um milagre, ela estava escapando do meu alcance. Então veio aquela noite terrível e dolorosa quando, às 2h53 da manhã, o precioso espírito de minha amada e com panheira de uma vida abandonou seu corpinho quando eu a segurava nos meus braços. Foi o fim de sua vida terrestre comigo. Sua carreira tinha terminado. Ela estava com o Senhor. 172 CAPÍTULO OITAVO R E T O R N O D A R Ú SSIA M in h a FILHA, a Pastora LaDonna, e eu ministramos pela Eurásia, numa sucessão de estratégicas Conferênci as de Vida de Milagres nas cidades principais de cinco ex-Repúblicas Soviéticas. Todos os dias nós compartilhamos com centenas de jo vens pregadores russos, tanto homens como mulheres, cujas vidas e mentes tinham sido subjugadas pela ideolo gia comunista. A doutrina marxista-leninista tinha reduzido a idéia de Deus como sendo apenas um mito, e a religião como ópio — uma superstição. Em seguida ao colapso do comunismo, ministros do Evangelho começaram a compartilhar a mensagem de redenção de Cristo entre os povos ex-soviéticos. A jovem geração era responsiva, desejosa de abraçar a esperança, a fé, o amor, e a Vida que o Evangelho dá para as pessoas. 173 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO TESOUROS PARA OS EX-SOVIÉTICOS Durante nossas Conferências de Vida de Milagres, aquelas centenas de jovens pregadores e ministros suga ram nosso ensino como esponjas. Voltaram para com partilhar com suas novas igrejas e grupos de verdades novas e transformadoras de vida. Nossos dez livros principais em russo foram tesouros nas suas mãos. As verdades que eles continham formu laria a estrutura para novas escolas bíblicas e institui ções de treinamento cristão. Essa foi uma missão significativa para as áreas principais, com duas ou três reuniões diariamente, envolvendo condi ções de viagem complicadas, para dizer o mínimo. Nós es távamos cansados quando voltamos para Tulsa. LaDonna me precedeu por uns poucos dias, enquanto eu permanecí para mais uma conferência em Moscou. N O VO SSIBIRSK PARATULSA Eu comecei estas memórias em Novosibirsk, Sibéria, e desde então tenho usado todo o momento possível, em hotéis e nos aviões, para registrar detalhes no meu compu tador portátil, à medida que eles vêem na minha mente. Fui capaz de conviver com minha solidão durante as semanas que estivemos ocupados ministrando. De fato, 174 RETORNO DA RÚSSIA eu senti que havia superado o lado emocional da separa ção sofrida desde o falecimento de Daisy, e tinha um sen timento de gratidão incomparável por aquilo que teste munhamos na Eurásia. O TRAUMA DO MEU RETORNO Cheguei em Tulsa no final de uma tarde de domingo. Em vez de atrapalhar a Pastora LaDonna ou um dos nossos membros da equipe no fim de semana, apanhei um táxi no aeroporto para me levar à nossa residência. Depois da chegada, paguei o motorista, então passei minhas malas pelo portão de madeira, para o nosso pátio anexo. Nunca esquecerei a onda de tristeza que me ata cou quando eu fechei o portão e o táxi foi embora. Nunca m e senti tão só na minha vida. Tentei me preparar emocionalmente, racionalizando que Daisy não estaria lá, mas eu não fazia idéia de que o vazio de nossa residência sem ela seria tão assustador e emocionalmente desestabilizante. O VAZIO ME ATORDOAVA Fiquei lá de pé mirando as roseiras e as árvores que Daisy e eu plantamos juntos. Havia luminosos plátanos vermelhos japoneses que ela e eu apreciávamos tanto, e 175 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO os canteiros de zínias brilhantes e de malmequeres — e, naturalmente, de rosas. Eu contemplei os lindos crisântemos em flor. Quando nós estávamos em casa, geralmente mantínhamos três ou quatro plantas florescentes na casa porque gostáva- mos muito de flores. Quando começavam a murchar, eu cortava as hastes e as plantava. Sempre cresciam, exibi am uma beleza deslumbrante durante os meses de outo no e continuavam a florescer até que a temperatura di minuísse abaixo do ponto de congelamento. Andei na calçada, em volta da casa, onde Daisy e eu tão freqüentemente passeamos juntos. Tudo tinha sido tra tado pelo jardineiro para parecer o melhor possível quan do eu voltasse. Rosas espetaculares estavam florescendo. A grama parecia um tapete verde. D A ISY NÃO ESTAVA LÁ Eu considerei tudo aquilo. Daisy não estava lá. Eu sem pre olhava para aquele pátio com Daisy em mente. Era nos so campo de amor, nossa área de recuperação, nosso jar dim de tranqüilidade, nosso espaço de inspiração. Daisy e eu projetamos tudo juntos. Mas ela não estava lá. O que importava agora, que tudo fosse tão lindo? 176 RETORNO DA RÚSSIA PERGUNTAS ENFURECIDAS— POR QUÊ? Senti uma raiva profunda se levantar dentro de mim. Daisy não era mais parte de NADA. Por que ela foi tirada de mim? Sem ela, qual era o propósito deste lar — ou de mi nha vida? Nós criamos uma atmosfera na qual podíamos maximizar nossa produtividade em escrever e gravar. Tudo tinha sido projetado com Daisy em mente— as ro sas, cada árvore e arbusto, as rochas que trouxemos dos bosques. Nós nos sentávamos sobre elas, líamos, oráva- mos e conversávamos. Nós amavamos aquelas pedras. Agora, de que valiam? Sem Daisy, eram como fantasmas me olhando. As lágrimas rolaram. Eu chorei alto. Eu gemi.Solucei. Não podia controlar minha dor. Parecia não haver razão para continuar vivendo ou tentar ser corajoso. Minha perspecti va para o futuro estava completamente desorientada. AFOGANDO NA TRISTEZA Eu subitamente me tomei consciente do trauma psi cológico que estava me destruindo. Estava o meu eu interior apenas agora compreendendo que Daisy tinha ido embora e não voltaria? Tinha que haver uma missão pela Eurásia e um retomo ao vazio para encarar a reali dade devastadora da ausência dela? 177 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO Eu tinha estado em choque psicológico durante a minha ministração no estrangeiro? Mais de um ano se passou desde o falecimento de minha amada. De pro pósito, eu me comprometí com o maior número possí vel de reuniões, cruzadas, conferências e seminários que eu agüentasse, crendo que isso me ajudaria a evitar o trauma subversivo da solidão. SEM BOAS-VINDAS AO LAR Meu eu interior parecia paralisado — chocado sem Daisy ali para me dar as boas-vindas. Eu trabalhei e ministrei em algumas das situações mais delicadas em que já tinha me envolvido. Tinha sido uma missão particular mente dura, mas gratificante, e eu estava fatigado. Ago ra , eu v o ltav a ao nosso p orto seg u ro de am or e tranquilidade. Mas Daisy não estava ali. Senti-me aban donado. Quase sem pre, nós viajamos e ministramos juntos. Às vezes, quando ministrava nos Estados Unidos, eu fui sozinho. Daisy estava sempre no aeroporto para m e encontrar quando eu voltava — pronta para me abraçar com seu amor e sorrisos. Aquelas boas-vindas faziam a vida valer a pena. E eu estava sempre lá para receber Daisy, quando ela voltava da m inistração em algum lugar. 17* RETORNO DA RÚSSIA SEM RECEPÇÃO DESTA VEZ Em nossas missões no estrangeiro, Daisy geralmente me precedia, ministrando durante três a seis semanas, pre parando nossas cruzadas. Quase sempre, ela arrumava grandes recepções para a minha chegada. Ninguém ja mais saberá a alegria que eu sentia ao encontrar Daisy no avião com seus braços abertos para me receber. Éramos eternos namorados. Frequentemente no estrangeiro, os aviões estacionam longe do terminal. Ela sempre conse guia obter permissão para passar e me recepcionar. Então havia uma grande recepção por milhares de cris tãos nacionais que ela reunia. Eles convergiam para o ae roporto em caminhões, peruas e ônibus, em motocicletas e bicicletas, a pé e em carros. Daisy sempre tinha um megafone preparado. Ela cum primentava o povo e, então, me apresentava. Era a vida da festa. As pessoas adoravam o seu charme, fé positiva e liderança inspiradora. CH EGA D A A ENTEBE: A ESTRA D A TIN H A UMA FILA D E VIN TE E D O IS Q U ILÔ M ETRO S Q uando eu cheguei ao aeroporto de Entebe, em Uganda, a vinte e dois quilômetros da capital Kampala, Daisy me encontrou, então me introduziu na sala VIP 179 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO para encontrar os oficiais, e me levou para fora da en trada do aeroporto, que estava lotada com milhares de pessoas alegres. Depois de nossos cumprimentos e uma breve mensa gem para elas, o desfile até a cidade começou. Levamos duas horas para viajar os vinte e dois quilômetros de Entebe a Kampala. A estrada tinha uma fila de dezenas de milhares de pessoas por todo o caminho até a cidade. Nós nos movemos vagarosamente. Daisy e eu ficamos de pé juntos, através do teto solar aberto do carro, cumpri mentando as pessoas, acenando, chamando-as, orando por elas. Daisy planejou tudo aquilo. Ela fez isso na maioria das cidades onde preparava nossas cruzadas de milagres em massa. SOZINHO COM DUAS M ALAS A gora, eu voltava de uma m issão triunfante pela Eurásia. M as não havia recepção. Eu estava sozinho e can sado, com nada além de duas malas. O táxi tinha ido embora. O portão se fechou. Daisy não estava lá — só o vazio. Foi a sensação de solidão mais devastadora que eu já experimentei. O s "POR QUÊS?" me bombardeavam. Eu não podia silenciá-los. Estava sendo devorado por um a sensação 180 RETORNO DA RÚSSIA de pânico. POR QUE voltar para a casa? POR QUE conti nuar a viver? Era a primeira vez que eu experimentava pensamentos como aqueles. Fiquei lá lamentando m i nha dor, sentindo-me tão desolado— tão assustado — tão inseguro. NOSSO JARDIM DO ÉDEN Entendi que devia expulsar aqueles pensamentos desmoralizadores que estavam me envenenando. Movi- me pela calçada para o nosso pátio a leste. Quando vi a linda mobília rosa e branca que Daisy tinha escolhido — que nós desfrutamos tanto juntos, eu me lembrei das horas gloriosas que passamos juntos, co mendo, conversando, orando, lendo nossas Bíblias ou a correspondência, discutindo problemas ou planejando cruzadas, expressando nosso amor. Que lembranças! As cadeiras estavam lá, mas estavam vazias. Daisy não estava lá. Ela nunca estaria lá novamente. Que importavam aquelas cadeiras agora? Será que eu poderia me sentar ali sozinho e não ser ata cado pela tristeza? Parecia que tanta coisa dentro de mim tinha morrido. Senti-me totalmente desestabilizado — aterrorizado. 181 POR QUÊ? — TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO EU QUERIA CONTINUAR VIVENDO? Pela primeira vez desde o falecimento de Daisy, eu não sabia se queria continuar vivendo. O trauma e o sinistro da solidão eram muito profundos. Por que tentar ser cora joso? Para quê? Para quem? Durante os catorze meses após depositar seu precioso corpo no Memorial Park entre dois lindos pinheiros que tínhamos plantado, eu estive ocupado, ministrando, fa zendo campanhas, escrevendo, trabalhando, de manhã cedo até tarde. O trabalho e o ministério foram meu con solo — meu escape — meu escudo. Com o passar das semanas e meses, achei que eu tinha feito um bom progresso me ajustando à vida sem Daisy. M as eu fiquei ocupado. Agora, eu voltava para uma resi dência vazia. Nunca pensei que o vazio pudesse ser tão traumático. NINGUÉM PARA COMPARTILHAR DE M EUS TRIUN FOS Perguntas negativas assaltavam minha mente. Por que trabalhar tão duro na Eurásia? Para quê? Não te nho ninguém com quem compartilhar. Antes, eu podia com partilhar meus problemas ou meus triunfos com Daisy. Eu amava reviver cada detalhe com ela. E quan 182 RETORNO DA RÚSSIA do ela voltava de alguma grande conferência ou semi nário, que prazer era sentar e ouvi-la compartilhar co migo suas vitórias! Mas agora tive tantas experiências, e não havia ninguém para compartilhar desses suces sos comigo — ninguém com quem conversar. Qual era a graça de continuar? Foi a primeira vez em catorze meses de solidão doloro sa que eu senti a vontade de deixar de viver. Ondas de luto desolador me varriam como vagalhões. GRAÇA PARA CRESCER NÃO ME ARRASTAR Eu me virei, andando de volta ao redor da casa para apanhar minhas malas. Ainda não tinha entrado. Preci sava desfazer as malas. Andei vagarosamente, pensan do, chorando e contemplando. Sabia que eu tinha de ter minhas emoções sob controle. Eu tinha de crescer através dessa experiência— não definhar, atrofiar, ou vegetar em meu espírito— não me arrastar— não desistir. Argumentei para mim mesmo que a separação e o luto conseqüente são universais. Mais cedo ou mais tarde, eles se tomam uma parte da vida para todos os casais. Eu es tava ciente que teria de me adaptar a um estilo de vida diferente, que teria de aprender a viver outra vez. Minha 183 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO vida não seria a mesma. O cenário tinha mudado. Minha perspectiva tinha de ser refocalizada. Se eu pudesse reu nir a coragem para me ajustar, eu sabia que a paisagem podia ainda ser bonita — podia ser bonita se eu a procu rasse, embora, com certeza, tudo seria muito diferente. Mas eu não queria uma nova paisagem. Queria manter a vida do jeito que era antes. Euesco/Wser casado. Eu ama va Daisy. Nossas vidas juntos foram harmoniosas e encan tadoras. Agora eu estava só, mas não aceitava essa situa ção. Infelizmente não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso—contudo, eu sabia queeu tinha que fazer algo. LIÇÕES SIGNIFICATIVAS PARA SE APRENDER Apesar da dor que eu estava sofrendo, considerei para mim mesmo que devia haver lições significativas na vida para se ganhar através de uma experiência como essa. Eu queria perceber seja lá o que fosse, que me pudesse ajudar a superar o trauma e o vazio que eu estava expe rimentando. Então, eu poderia ser capaz de ajudar ou tros que sofrem de solidão ou perda dolorosa. Eu achava que talvez esse impacto do vazio ajudas se m eu eu interior a se agarrar à realidade de que minha amada se foi e não retornaria. Eu esperava que talvez não sofresse esse choque outra vez. Talvez alguma coi 184 RETORNO DA RÚSSIA sa seria curada dentro de mim. Decidi recobrar meu equilíbrio emocional e ser forte. Mas POR QUÊ? Para quem ? Para quê7 Eu me lembro de ter-me movido devagar, pensativa- mente de volta para as minhas malas. Raciocinei para mim mesmo: "Você pensou que construiu esta casa para Daisy — que você plantou estes jardins, flores, árvores, rosas e grama para ela. Por que você pensou que estava fazendo tudo isso por Daisy?" FLORES, ROSAS, ÁRVORES— PARA QUEM? Eu me indagava: " VOCÊ não cuidava destas flores, destas rosas, destas árvores, deste pátio? Você pensou que gostava deles com Daisy. Ela foi metade de você — a me lhor metade. Desde que ela entrou na sua vida com a ida de de dezessete anos, você nunca amou nada— sozinho. Nada tinha valor para você sozinho. Só importavam coi sas que davam alegria e tinham significado para você e Daisy". Meus pensamentos continuaram: "Agora você precisa aprender a amar e desfrutar e valorizar seu mundo por VOCÊ MESMO. Você precisa SE descobrir — sem Daisy. Você deve averiguar o que você gosta, em que você se de leita, o que você estima, do que você extrai alegria, o que lhe dá prazer". 185 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO PARECIA NARCISISTA— SACRÍLEGO M as esse tipo de lógica me era repugnante. Parecia egoísta, narcisista, até sacrílego. Pensar ou falar em ter mos de "mim", "eu", "meu" era extrínseco, inaplicável, estranho ao meu estilo de vida e ao meu racional. Eu me ressentia do egocentrismo daqueles termos. Eu te- ria de aprender ihteiramente uma nova maneira de ex pressar a vida e o ministério. Tinha sempre sido "nós" e "nos" e "nosso". Dizer "me" e “meu" parecia egoísta e presunçoso. Eu estava chocado com as implicações que me confrontavam. Tudo estava se deslocando, sendo modificado, alterado, mudado e eu estava completamente desamparado para retomar a vida que eu tinha apreciado por mais de meio século. QUEM É T. L. O SBO RN — SEM DAISY? Isso me fez mergulhar numa busca mais profunda. Quem era T.L. O sbom — sem Daisy? O que há neste mun do que realmente lhe interessa — sozinho? Eu estava desestabilizado pela descoberta de que eu não me conhecia — o meu eu real. Eu sabia que agora devia reavaliar minha própria pessoa e minha vida. Nada era igual. Eu era um estranho para mim mesmo. Minhas pró 186 RETORNO DA RÚSSIA prias coisas que me cercavam me aterrorizavam. Eu nun ca as avaliei — sem Daisy. Perguntei para mim mesmo: "Eu quero flores? Eu gos to de um jardim? E u estou interessado nas notícias do dia? Tem conseqüências para mim estar informado sobre os acontecimentos no meu mundo? Sem Daisy, o que impor tavam as coisas deste mundo?" DESCOBRINDO UM T.L. DIFERENTE Foi um dos maiores impactos psicológicos da minha vida alcançar a idade de setenta e dois anos e, de repente, descobrir que eu não conhecia T.L. O sbom — sem Daisy. Eu conhecia o T.L. que era parte de Daisy. Mas T.L. Osbom — sozinho? Eu nunca conhecí aquela pessoa desde que ela tinha dezessete anos de idade, quando seu mundo in teiro era uma pequena fazenda, com algumas mulas, va cas e colheitas, em Oklahoma. O T.L. Osbom de hoje surgiu através das experiências de meio século, sendo parte de Daisy Marie Washbum. Ela e eu fomos um. Durante nossas vidas, eu só constituía metade dessa união. Juntos, nós éramos um todo. Eu só con cebia a vida com Daisy. Agora ela se foi. Fui inundado por terríveis ondas de insegurança, incerteza e apreensão. Não havia ninguém para dar conselho, ninguém para compar tilhar de triunfos e fracassos, alegrias e tristezas. 187 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO DECISÃO PARA O MEU FUTURO Eu tomei a decisão, naquele mesmo instante, perto da minha garagem, de pé próximo aos degraus: Preciso des cobrir quem eu sou, o que eu quero— o que me interessa. Esta idéia parecia desgraçadamente egoísta. Eu nunca ti nha querido coisas para mim mesmo. Agora eu sabia que precisava me acostumar com minhas próprias emoções, meu estilo de vida e o cenário ao longo do meu caminho. Preciso distinguir novas esperanças e novos sonhos para o futuro. Preciso viver e não morrer. Sei que isso pode soar como se eu estivesse confuso, inseguro ou instável. Supõe-se que ministros do Evange lho tenham respostas, não perguntas. Espera-se que eles sejam firm es— não agitados; estáveis— não flutuantes; confiantes— não confundidos. Tudo o que posso dizer é que Daisy e eu fomos um em quase cinqüenta e quatro anos, e de repente fomos desa tados. Eu era uma meia-pessoa. RECONSTRUINDO MEU RACIONAL Eu sabia que eu precisava revalorizar minha vida, re organizar meus pensamentos, reanalisar meu racional. Sabia que eu tinha valor. Mas eu precisava reassumir meu valor — sem Daisy. Resolvi trazer o T.L. Osbom so 188 RETORNO DA RÚSSIA brevivente para fora, ao aberto, e ver quem ele é, relacio nar-se com ele, energizá-lo e aos seus talentos, motivá-lo a manter a fonte da bondade de Deus fluindo através dele para seu mundo sofredor. Eu decidi, naquela noite, continuar vivendo, por causa dos milhões que precisam do amor e da Vida de Deus. CONVERSANDO COMIGO MESMO Eu falei para mim mesmo: "T.L., está na hora de dar uma nova olhada para a vida — através de seus próprios olhos. Ela só estará aqui nas suas memórias. Você deve encarar esse fato e parar de se entristecer. Você deve aprender a valorizar a sua vida. Seu mundo sofredor pre cisa de você. Você precisa continuar a comunicar seu co nhecimento do Evangelho e suas experiências da fideli dade de Deus". Disse para mim mesmo: "Olhe outra vez para este lar, estas flores, as árvores, o jardim, a grama. Deixe seus olhos se deleitarem neles. Você mora aqui. Abeleza que está aqui agora é para você. Este é o seu Jardim do Éden— um lugar de descanso e tranquilidade, no qual você pode ser reno vado entre as cruzadas— santuário onde você pode estu dar e escrever verdades que abençoarão milhões de pes soas feridas". 189 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Eu raciocinei: "Você tem trabalho para fazer, ministé rio para realizar, nações para alcançar, livros para escre ver, áudio e videocassetes para gravar, milhões de pesso as para alcançar com as Boas Novas". RECONCILIANDO-ME COM A VIDA UMA EXPERIÊNCIA DE APRENDIZADO Eu disse para mim mesmo: "Hoje é uma experiência de aprendizado. Alguma coisa está acontecendo em você bem agora. Você não vai sofrer esse trauma particular outra vez. O verdadeiro T.L. está finalmente compreen dendo que Daisy se foi. Tudo mudou. A vida é diferente. Ainda pode ser linda, mas será diferente". Em tempos de perda, há lições vitais para aprender — se alguém estiver desejoso de crescer pelo processo da dor, em vez de se entristecer. Toma-se um tempo para um novo começo — embora seja a última coisa que a gente queira. Ao encarar a mudança do mundo, pode-se reativar o in ventário de vida, reconsiderar as prioridades, refocalizar a visão do que é importante, e reanalisar as metas. Experimentar a tragédia e a perda faz com que a pes soa formule muitas questões básicas, não apenas sobre seu próprio eu, mas também sobre seus objetivos na vida. 190 RETORNO DA RÚSSIA A MORTALIDADE SE TORNA MAIS CONCRETA Aprendi a refocalizar o momento presente— esta hora, este dia. Aprendi a evitar o desperdíciode energia pen sando na minha perda. A vida que permanece parece mais valiosa do que antes. A mortalidade se toma mais con creta. Todos os dias remanescentes devem contar para Deus — e para o mundo sofredor no qual eu vivo. Eu me lembrei: "Você experimentou o êxtase de quase cinqüenta e quatro anos de companheirismo amoroso. Seja grato por aqueles anos. Ande corajosamente. Resolva con tinuar na vida — produtivamente. Deixe seu semblante lançar bênção para as pessoas. Elas precisam de você". E as Escrituras Sagradas me encorajaram: Portanto, tomai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado... Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe... (Hb 12.12-15). DESTRUINDO OS CONSELHOS Eu sabia que eu estava repudiando alguns dos ferozes ataques invasores e destrutivos de tristeza, depressão e desespero que estavam me assaltando. 191 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Cheguei a compreender, nesse mesmo instante, que se a dor no coração e a emoção não fossem conquista das, elas me desmoralizariam tanto que eu podia mor rer por dentro e, dentro em breve, eu morrería fisica mente. Era uma crise pessoal com a qual eu sabia que precisava lidar. Eu estava destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta Contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo (2 Co 10.5). Resolvi que eu continuaria a VIVER pela graça e pela palavra de Deus, e que continuaria a compartilhar Suas bênçãos com outros. Eu viveria por aqueles que estão vivendo. DAISY TRIUNFOU MINHA M ISSÃO NÃO ESTAVA TERMINADA Eu sabia que as pessoas não podiam encontrar forças em mim se permitisse que ficasse vegetando na tristeza. Daisy encerrou o seu caminho triunfalmente e se foi para receber sua recompensa. Sua coroação aconteceu. Minha missão não tinha acabado. Resolvi endireitar os ombros, levantar minha cabeça, elevar meu espírito e saborear a honra de ser represen tante de Cristo neste mundo. 192 RETORNO DA RÚSSIA Milhões de pessoas estão sofrendo. Eu fui escolhido por Ele para trazer Seu amor e compaixão curadores para a humanidade. Ele padeceu de solidão maior do que a que eu já experi mentei, quando orou no Jardim de Getsêmani posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão (Lc 22.44). SOLITÁRIO — MAS NÃO SÓ Muitas vezes os Evangelhos declaram que Cristo esta va só. Suas palavras em João foram um conforto para mim: Não sou eu só (...) Aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só... (Jo 8.16-29). Quando os discípulos O desampararam, Ele sabia que Seu Pai não O deixaria. Ele lhes disse: Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos (...) e me deixareis só, mas não estou só, porque o Pai está comigo (Jo 16.32). Ele prometeu: Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28.20). Ele disse: Não te dei xarei, nem te desampararei (Hb 13.5). Aquelas promessas significam mais para mim do que antes, e extraio cora gem a partir delas. 193 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO O MOMENTO ERA SIGNIFICATIVO O sol se pôs e estava ficando escuro. Eu tinha que en trar na casa. Juntando minhas forças emocionais, incli- nei-me para pegar minhas malas, decidindo adotar as li ções que tinha observado. Movi-me cautelosamente, porque o momento era sig nificativo para o meu futuro. Eu sabia que, se eu pudesse absorver as lições de imediato, eu ficaria mais forte e isso provaria que aquele era um tempo de cura emocional para mim. Eu estava fatigado depois de ter viajado de M oscou, Rússia, cruzando dez zonas de tempo. Estive dentro dos aviões por mais de vinte e quatro horas. Então, eu disse para mim mesmo: "Ponha as suas malas para dentro. Tire as roupas. Descanse. Troque as recordações dolo rosas pelas lembranças bonitas. Valorize seus anos dou rados com Daisy. Lembre-se de que você foi abençoado com mais felicidade do que a maioria dos maridos já conheceu". AM ANH× COM NOVA CORAGEM O Espírito Santo me reconfortou. Eu disse para mim mesmo: "Amanhã será um novo dia, com esperança nova. 194 RETORNO DA RÚSSIA O sol se levantará para um novo começo que trará nova coragem para viver". Jesus disse: Mas buscai primeiro o Reino de Deus e a s u a justiça, e todas essas coisas nos serio acrescentadas. Não nos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (Mt 6.33,34). E eu me lembrei das Suas palavras: A minha graça te basta (2 Co 12.9). Parecia que alguma coisa me assegurava que eu não sofreria daquele determinado trauma outra vez. Creio que Deus me conferiu naquela noite a graça para crescer através da m inha dor. Sabendo da Sua soberania, eu fu i reassegurado de que ele estava operando. Mas era minha parte ESCOLHER, pois, a vida, para que VIVAS... (Dt 30.19). Deus é maior que nossas feridas. Sua encarnação em Jesus Cristo O trouxe até o nosso nível humano, no qual Ele sentiu o gosto da dor e do sofrimento. Ele acolheu a experiência humana. Viveu no nosso nível, lutando com os ambíguos conflitos e batalhas experimentadas pela nossa humanidade. Foi vítima de abuso, rejeitado e con denado em nosso lugar, para que tenhamos VIDA. JESUS ENTENDEU O SOFRIMENTO O escritor de Hebreus aconselhou-nos a constantemen te olhar para Jesus, autor e consumador da fé, o qual pelo gozo 195 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a afronta e assentou-se à destra do trono de Deus. Ele disse que nós devem os lem brar de considerá-L o... para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos (Hb 12.2,3). Jesus suportou o sofrimento e dor maiores do que nós podemos compreender. Ele desceu mais fundo na soli dão do desespero e tristeza do que nós podemos imagi nar. Ele fez isso por nós, em nosso nome. Deus não é um ser soberano que governa distante. Ele veio até o nosso nível. Experimentou a tristeza e dor que os humanos experimen tam. Entregou Sua vida afim de nos levantar para nos re lacionarmos com Ele mesmo. O QUE A ENCARNAÇÃO SIGNIFICA A maravilha da mensagem cristã é que Deus ressusci tou a Jesus Cristo dos mortos. E Jesus disse: porque eu vivo, e vós vivereis (Jo 14.19). Sua encarnação significa que ELE SE IMPORTA CONOSCO — tanto, de fato, que ele escolheu se tomar humano e sofrer perda mais terrível do que podemos com preender. Independente de quão profunda possa ser nos sa fossa de dor, nós encontrarem os D eus lá, nos reassegurando que Ele sente nossa ferida junto conosco. Ele não está distante nem desligado. Em nosso sofrimen to humano, Ele nos conduz para o seu lado sangrento, 196 RETORNO DA RÚSSIA toca-nos com suas mãos de unhas esfaceladas e cura nos sa ferida com sua amorosa compaixão. RAZÕES PARA VIVER Há razões pelas quais eu choro durante os cultos co munitários . O pão e o vinho, que representam o corpo par tido e o sangue derramado de Cristo, recordam-me da Sua vinda ao meu nível, para suportar a minha dor, para agüentar meu sofrimento e curar minhas feridas. Isso não apenas me conforta na minha tristeza, como também evidencia minha razão para continuar VIVENDO. Sou um dos Seus escolhidos. Ele disse: Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; afim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda (Jo 15.16). Ele disse: E assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos; e em seu nome se pre gasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações (...) E dessas coisas sois vós testemunhas (...) E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai... (Lc 24.46-49).Isso me conforta. Esta é a minha missão. Esta foi nossa missão juntos— a de Daisy e a minha. Agora era a minha missão. Eu ainda era vital para o grande plano de Deus. Ele ainda estava dependendo d e mim. 197 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO MINHA M ISSÃO ESTAVA CLARA Fiquei profundamente comovido pelo fato de que Deus CONFIOU o Evangelho em nossas m ãos— agora em minhas mãos. Daisy não podia mais viajar comigo e compartilhar na proclamação da mensagem de Cristo. Mas eu podia continuar. Eu estava vivo. Conhecia as verdades libertadoras da redenção. Minha missão esta va clara. Quando o Senhor veio até Saulo, revelando-Se a ele, sua mensagem foi: Vai, porque este é para mim um vaso es colhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel (At 9.15). Eu sentia que aquelas pala vras eram agora para mim. VASOS ESCOLHIDOS Daisy e eu fomos vasos "escolhidos" juntos para Ele. Agora, a carreira tinha sido corrida por Daisy (Hb 12.1). Ela combateu o bom combate, acabou a carreira e tinha guardado a f é (2 Tm 4.7). Jesus lhe deu nas boas-vindas a "coroa da justiça" com Suas palavras: Bem está, serva boa e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor (Mt 25.21). Ela, como Davi, serviu con form e a vontade de Deus, dormiu, e fo i posta junto de seus pais... (At 13.36). 19S RETORNO DA RÚSSIA ELE NOS CONFIOU O EVANGELHO Mas a minha carreira não terminou. Eu era necessário para continuar o trabalho que Jesus começou (At 1.1) e que Daisy e eu nos devotamos em levar adiante. Ele nos CON FIOU o Evangelho da glória de Deus... (1 Tm 1.11). Eu era um daqueles que tinham sido aprovados de Deus para que o Evangelho fosse CONFIADO (1 Ts 2.4). Como Paulo, o Evangelho... me estava confiado (G12.7). O fato mais inspirador do cristianismo — a verdade que me infunde com energia e coragem para continuar na vida e no ministério— mesmo sozinho, é que Deus acre dita em nós como seres humanos. O Senhor de fato acredita em nós tão completamente que E le confiou o Seu Evangelho em nossas mãos. Ele con fia em nós para compartilhá-Lo com nosso mundo. Se nós não o fizermos, Ele não enviará anjos para fazê-lo. Deus confiou Suas Boas Novas ao nosso cuidado, escolhendo- nos, dando-nos poder e enviando-nos como intérpretes do Seu Amor. Isso é admirável. Essa é a razão pela qual eu não posso desistir. Ele confia em mim. Com Daisy, eu era melhor. Mas sozinho, eu farei tudo o que eu puder para disseminar Sua verdade e para servi-Lo como Seu embaixador. 199 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO A ALTA POSIÇÃO DE PARCERIA COM DEUS Eu acho que a verdade mais enobrecedora do cristia nismo bíblico é o fato de que Deus nos justificou, pela nos sa fé no sacrifício de Cristo, tão completamente, que so mos elevados a alta posição de ser Suas testemunhas — Seus associados — Seus cooperadores— Seus parceiros. Eu gostaria de fazer o mundo inteiro compreender este fato do trabalho redentor de Cristo. Quando Ele assumiu nossa culpa e suportou nosso julgam ento, Sua intervenção vicária a nosso favor foi tão perfeita e completa que Ele nos reconciliou... para, pe ran te e le , nos apresen tar santos, e irrepreensíveis , e inculpâveis... se, na verdade, permanecerdes fundados e f ir mes na fé .... convencidos das Boas Novas que Jesus morreu por nós, e não nos movermos da esperança do Evangelho (Cl 1.22,23). NÓS AGORA COMPARTILHAMOS DA SUA VIDA Deus vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos to das as ofensas... e, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo (Cl 2.13,15). Esta é a maravilhosa notícia que nos fo i manifestada e eu [T.L. 200 RETORNO DA RÚSSIA Osborn] tenho o alegria de contar a outros... Onde nós vamos falando de Cristo para todos que escutarem... Este é o nosso trabalho, e só podemos fazê-lo por causa da eficácia de Cristo que opera poderosamente em nós (Cl 1.28,29). Estas são ver dades poderosas que dão razão e propósito para viver, dar, e compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo com aque les que precisam dEle. NA AGONIA, NASCEU NOVA ESPERANÇA Aqueles versículos expressam o meu compromisso. É por isso que eu escrevi esta crônica. A odisséia ago nizante da minha negra noite de tristeza foi difícil. Mas, através do conhecimento do sacrifício redentor de Cristo a nosso favor, nasceu uma nova coragem com determinação e propósito revivificados para continuar vivendo. Porque tudo que dantes fo i escrito para nosso ensino fo i escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos ESPERANÇA (Rm 15.4). Sendo iluminado, [eu] sei qual é a ESPERANÇA do Seu chamado e as riquezas da glória da sua herança... (Ef 1.18). A graça de Deus me ou torga a coragem para permanecer na fé , fundado e firm e, e [nunca] me mover da ESPERANÇA do Evangelho (Cl 1.23). 201 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO NOVA ALVORADA DE DESCOBERTA Com a estimulante perspectiva de VIDA de Deus, sou capaz de chegar à alvorada de uma descoberta nova, e contemplar um novo panorama de VIDA que vale a pena viver — mesmo sem a amada Daisy, e em meio a uma paisa gem muito diferente. Sou capaz de permanecer triunfante no topo de uma transição criativa— obscurecido mas não cegado, enfraquecido mas não dissuadido, ferido mas não estragado, contundido mas não quebrado. Retomar da Rússia foi uma experiência ambígua e trau mática. Mas se tornou um marco para mim. Estando di lacerado pela crise, um bálsamo de cura começou a alivi ar minhas feridas. Ganhei em conhecimento. Fiz desco bertas vitais — sobre mim e sobre a vida. UM SEGREDO CONSOLADOR PARA A CURA Minha perspectiva renovada não me deu a resposta dos "POR QUÊS?" do falecimento de Daisy. Não me conven ceu se sua partida, só com setenta anos, foi boa ou corre ta. Não apagou minha tristeza ou solidão. O vácuo ainda me assombra, mas Deus me desvendou um segredo consolador e curador para triunfar sobre a devastação do desespero. Ao refocalizar a m em ória positivamente em vez 202 RETORNO DA RÚSSIA de com culpa, a tragédia podia ser superada, a VIDA po dia continuar a valer a pena— mesmo com transformações — e uma perspectiva renovada podia significar um cres cimento vital e produtivo para a minha vida, ao resolver continuar a viver para o bem dos outros. 203 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES L o g o DEPOIS DE VOLTAR da Rússia, tive que viajar de volta atravessando o Atlântico para ministrar no Acampamento de Ulf Eckman em Uppsala, Suécia. Duas semanas depois, eu ministraria no Acampamento de P eter G am m ons na Inglaterra e v o ltaria p ara a Escandinávia para m inistrar por uma sem ana em Helsinki, Finlândia, onde milhares se congregariam no grande Ginásio de Gelo diariamente. Entre a Suécia e a Finlândia, minha opção era retornar a Tulsa por duas semanas, ou ficar na Europa. Como eu tinha meu computador portátil comigo, eu podia trabalhar nos projetos que eram urgentes, então escolhi passar aquelas duas sem anas na aldeia de Thirsk, Inglaterra. Durante os dois últimos anos da vida de Daisy, traba lhamos juntos — o máximo que podíamos, preparando CAPÍTULO NONO 205 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO uma Antologia e História do nosso Ministério Mundial. Com preende vinte e três volumes enormes, contendo cerca de mil páginas— mais um volume índice de várias centenas de páginas. Nosso plano era colocar esta histórica coleção de 24 volumes nas universidades e em escolas bíblicas lí deres pelo mundo. Imagine que testemunhas esses vinte e quatro enormes volumes vermelhos serão na ex-União Soviética. Nossas vidas se passaram durante os mesmos anos em que a dou trina leninista prevalecia na Rússia. Essa coleção singular será um registro do que Deus esteve fazendo em setenta e quatro nações, durante os mesmos anos em que o comu nismo estava insistindo que Ele não existia. Seções daqueles volumes que Daisye eu escrevêramos estavam no disco rígido do meu computador. Não fomos capazes de finalizá-los, então eu achei que a pacata cida de de Thirsk poderia ser um bom lugar para completar as vária seções da obra. DUAS SEMANAS DE AUTO-DESCOBERIA Eu me instalei no excêntrico, mas pitoresco Hotel Golden Fleece, M arket Place, Thirsk, North Yorkshire. Consegui reservar o quarto 4, onde o sol brilhava através de uma 206 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES janela um tanto ampla, e se contemplava do alto a praça do vilarejo. Pelas manhãs e noites, eu saía para longos passeios a pé. H avia m uitos cam inhos e calçadas nas áreas residenciais. Os britânicos gostam de andar. Eu estava fas cinado pelos jardins caprichados dos seus chalés, e pela beleza das suas rosas e flores. Fui cativado pelas caixas de flores montadas nas pare des, vasos de flores dependurados, cachepôs e todo o tipo de forma e estilo de recipientes com flores meticulosamen- te arranjados em todo o espaço disponível em volta das entradas e nas paredes dos chalés. FLORES EM TULSA— ENA INGLATERRA Refleti sobre o meu trauma, com relação aos nossos canteiros de rosas e flores de Tulsa, após o falecimento de Daisy. Sempre tivemos canteiros de rosas que eu tra tava com grande cuidado, porque Daisy amava as rosas. Tentei sempre manter buquês na nossa cozinha, sala de estar, quarto e até no banheiro, quando estávamos em casa. Eu gostava de sair de manhã para colher as rosas, tra zendo-as para dentro, cortando os galhos e arranjando- as na nossa coleção de vasos. Daisy sempre acrescentava 207 POR QUÊ? — TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO uns toques finais e amorosamente as distribuía pela nos sa casa. Ela cheirava cada rosa que eu tinha cortado, ofe recendo-me beijos e gestos de amor. PARA QUÊ SERVE UMA ROSA — SEM AMOR? Mas depois que Daisy morreu, eu andava pelo nosso pá tio, limitado por um canteiro especial de rosas, e que fica va chocado emocionalmente com o pensamento: Para quê serve uma ROSA sem AMOR? Aquela noção me assaltou durante semanas. Minha vida parecia uma sala de concertos sem mú sica; ...uma canção sem lirismo; ...um arco-íris sem cor; ...uma haste sem uma bandeira; ...uma ópera sem uma voz; ...um céu sem uma estrela; ...um piano sem teclas; ...uma harpa sem cordas; ...um estúdio sem som; ...um rosto sem um sorriso; ...um violino sem arco; 208 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES ...uma lâmpada sem luz; ...uma moldura sem um quadro; ...uma lareira sem fogo; ...uma existência sem vida. Para quê serve uma ROSA sem AMOR... sem Daisy? Eu andei entre aqueles lindos chalezinhos britânicos em Thirsk, Inglaterra, admirando os luxuriantes jardins de flores e de cestas dependuradas que deixavam cair seu arran jo caleidoscóp ico de opulentos botões. Eu freqüentemente dava uma parada, vinham as reminis- cências e eu chorava sozinho naquelas veredas. Lembrei-me das vezes em que Daisy e eu passeá vamos pelos nossos jardins floridos, tirando inspiração da atmos fera tranqüila, sonhando juntos, planejando eventos mi nisteriais, concebendo idéias para os livros e cursos bíbli cos, para as cruzadas e conferências. PROVOCANDO AS PERGUNTAS APRENDENDO SOBRE T.L. Eu comecei a me perguntar "Por que você se sente tão atraído pelas flores e pelo charme desses jardins ingleses? Analisar o seu esplendor está trazendo de volta milhares de lembranças sobre você e Daisy juntos. Isso é bom para você?" 209 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Comecei a observar algo sobre mim — sobre T.L. sem Daisy. Por quinze meses solitários, lutei para ficar acostu mado comigo— sem Daisy. Desde o seu falecimento, não fui capaz de cuidar das nossas rosas. Elas tomavam a au sência dela muito vivida por que falavam de nosso amor enossavidajuntos.Eusentiqueeununcamaispodiacultivar rosas ou dependurar flores nos nossos pátios outra vez. NOSSOS JARDINS SUSPENSOS Em ambos os pátios oriental e ocidental, eu tinha ar ranjado ganchos para os suportes suspensos. A cada pri mavera, eu pendurava uma dúzia de gerânios brilhan tes vermelhos, rosados e cestas de begônias de tal for ma que nossos pátios eram como jardins suspensos. Não tinha sido capaz de pendurar nenhuma cesta de flor des de que minha amada partiu. Repetidamente, quando eu tentava me recuperar da tristeza e desespero, eu me perguntava: "Q uem sou eu? Gosto de flores? As flores ME dão alegria? Ou eu só as pendurava lá por causa de Daisy?” QUEM ERA T .L SEM DAISY? Lá estava eu, andando pelos chalés de uma estranha aldeiazinha inglesa, tirando inspiração de cada botão de 210 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES flor. Eu subitamente compreendí que eu estava descobrin do algo sobre T.L. Osbom, o homem que eu não conhecia — sozinho. Inclinei sobre as pequenas cercas ou as lindas paredes de pedra em Thirsk para tocar os botões. Desfrutei do rico aroma das rosas. Sua fragrância me fez sentir Daisy. Era como uma visita dela. Ela parecia estar comigo. A GRAÇA DE DEUS MANIFESTANDO-SE PARAAÍÈVf Mas eu estava fazendo uma descoberta sobre mim. Eu amava flores. EU! — eu as amava. Extraí força e inspira ção da sua beleza. Elas estavam manifestando as graças e a beleza de D eus— para MIM. Eram o presente de Deus para MIM. Deus estava me alcançando através de cada botão, fa zendo-me lembrar: "Eu amo VOCÊ, T.L. Minha graça é abundante sobre VOCÊ. Estou aqui com a beleza e a fra grância, com forma e glória, para VOCÊ. A vida ao redor de VOCÊ é linda— sempre. Não a perca. Você está apren dendo a caminhar sozinho— sem Daisy. Estou com VOCÊ. Nunca o deixarei nem o desampararei. Não perca a MINHA p resen ça , M IN H A glória , M EU carin ho , M EU companheirismo ". 211 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Entendi que eu estavaM E descobrindo — o verda deiro T .L . E eu estava aceitando a presença de Deus e do Seu amor pormim de uma nova maneira. Eu estava com preendendo o quanto eu amava a beleza e a fragrância e que tudo falava do amor de Deus — por M IM . Senti ondas sublimes de amor curador m epenetrando atra vés daquelas flores .Elas estavam me transm itindo m en sagens do amor — de Deus. "VOU PLANTAR ROSAS NOVAMENTE!" Tomei a decisão lá na aldeia de Thirsk, Inglaterra. Eu disse para mim mesmo: "Na próxima primavera, vou plantar rosas novamente. Vou pendurar gerânios e begônias outra vez. *Vou me cir cundar de flores, e elas expressarão a fragrância e a beleza de quase cinqüenta e quatro anos com a minha amada". E eu me assegurei: "Aquelas flores que eu vou pendurar e plantar não só me lembrarão dos meus anos com Daisy. Elas falarão do amor, do cuidado e da presença de Deus COMIGO, renovada a cada manhã." OS BOTÕES SE ABRIRÃO NOVAMENTE E OS PÁSSAROS CANTARÃO OUTRA VEZ PARA M IM Projetei: vou me levantar cedo a cada dia. As flores me inspirarão novamente enquanto eu faço exercício. Os pás 212 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES saros cantarão suas novas canções para mim. E quando o tempo estiver bom, comerei novamente meu prato de fru tas frescas, ou minha salada do meio-dia, debaixo dos gerânios pendurados e das begônias. Lerei minhas Bíblias em francês e em espanhol em meio à sua beleza. E me ajo elharei, orarei, olhando através dos botões e das cores e serei fortalecido por Ele que nunca me deixará nem me de samparará (Hb 13.5). Descobri na Inglaterra que a vida podia continuar a ser bonita para mim. Não passei minha vida plantando e cul tivando rosas apenas para Daisy. Eu tinha feito aquilo para mim também. E eu decidi que T.L. Osbom era uma boa pes soa — ele mesmo, que eu podia aprender a gostar dele e me divertir vivendo com ele porque é uma pessoa gentil, um crente. Eu sabia que ele podia continuar vivendo, amando e ministrando a um mundo sofredor, porque a fragrância e o amor de Deus continuariam a fluir através dele para as pessoas necessitadas. Meus dias em Thirsk, Inglaterra, foram dias de cura interior, de grande consolo — e de uma nova resolução. Jesus falou dos líriosdo campo (Mt 6.28), para enfatizar o quanto Deus cuida de nós. 213 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO AVARA QUE FLORESCEU Na história hebraica, quando Deus quis reconfirmar seu chamado sobre Seu servo Aarão,ds que a vara de Áarão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores e brotara renovos... (Nm 17.8). A sua cor e beleza reafirmaram a un- ção de Deus sobre aquele que Ele tinha escolhido. Eu sabia que Deus tinha me falado através daqueles botões na Inglaterra. A fragrância e a beleza das novas rosas, gerânios e begônias na minha residência reafirma riam a Sua unçâo e chamado sobre minha vida, também. O Espírito de Deus em Isaías trouxe uma mensagem de nova esperança e nova vida para o deserto e o lugar solitá rio . Eu sentia como se tivesse estado num lugar deserto, solitário, sozinho. O profeta disse que o deserto e os lugares secos se alegra rão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abun dantem ente florescerá e também regorgitará de alegria e exultará... (Is 35.1,2). Senti que o Senhor estava falando comigo. Meu deserto florescería novamente. Eu sabia que se eu fosse abençoado, outros seriam aben çoados. Se eu fosse curado, outros seriam curados. A men sagem de Deus me encorajou. Refocalizou minha vida e me levantou do luto da dor para um novo começo. 214 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES MISSÃO DEFINIDA: M ILAGRES— CANÇÕES— ALEGRIA ETERNA As palavras de Isaías no capítulo 35 foram: Verão a gló ria do Senhor, e a excelência do nosso Deus. Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes. Dizei aos turbados de coração: Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus... virá (...) e vos salvará. Sua mensagem para mim continuou: Os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então, os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará: por que águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo (...) e os resgatados do Senhor voltarão e virão aSião com júbilo: e ale gria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcan çarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido (Is 35). MEU DESERTO FLORESCERÍA ABUNDANTEMENTE Deus estava me revificando e renovando Sua vida em mim com coragem para abraçar um novo estilo de vida, para elevar os meus olhos, endireitar meus ombros, para continuar a alcançar o meu mundo com a mensagem de Seu amor. Minha vida não seria mais um deserto, florescería como a rosa— eflorescería abundantemente... com alegria e cântico e glória. 215 POR Q UÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO CURA PARA OS QUEBRANTADOS DE CORAÇÃO ÓLEO DE GOZO POR TRISTEZA Um propósito novo de viver brotou dentro de mim. Eu sabia que Deus enviou Seu Espírito sobre mim para evangelizar os pobres, a curar os Cjuebrantados do coração (Lc 4.18). Ele estava me ministrando. Eu estive andando por um vale longo e solitário. Meu coração tinha se quebra do. Eu tinha me lamentado. Mas eu sabia que Ele dá... óleo de gozo por tristeza, veste de louvor por espírito angustiado, porque [Ele queria] que eu fosse chamado árvore de justiça, plantação do Senhor, para que Ele seja glorijkado (Is 61.3). Eu sabia que Ele tinha redimido a minha vida da perdi ção [da solidão e da tristeza]; Ele me coroou com benignidade e misericórdia (SI 103.4). No meio do meu vale, ele estava manifestando o Seu amor. A cura estava acontecendo den tro de mim. Uma nova coragem para continuar a viver e ministrar ao meu mundo sofredor estava começando a ser sentida. O Senhor, meu Pastor, estava refrigerando a minha alma... guiando-me mansamente a águas tranqtiilas... Ele estava comigo, Sua vara e Seu cajado estavam me conso lando (SI 23). Senti como Davi quando ele orou: Senhor, venham sobre mim as tuas misericórdias, PARA QUE VIVA... (SI 119.77). 216 A MENSAGEM DE DEUS NAS FLORES Eu sabia que Ele é a rosa de Sarom, o lírio dos vales (Ct 2.1), que Ele é totalmente desejável (Ct 5.16). * Em abril dc 1997 — dois anos após o falecimento dc Daisy, plantei um lindo canteiro de rosas e pendurei gerânios e begônias nos meus pátios. Fiz isso para comemorar nosso casamento cm 5 dc abril de 1942. Aquelas flores inspiram lembranças dc Daisy, c a fragrância delas 6 uma testemunha da presença infalível de Deus na minha vida. 217 CAPÍTULO DEZ O MONUMENTO — O EPITÁFIO PAI DE DAISY e o meu, embora muito pobres, tinham comprado lotes familiares nos cemitérios locais das suas comunidades — a dela em Merced, Califórnia, e o meu em Pawnee, Oklahoma. Ela e eu fomos ensinados que os pais devem fazer preparativos para o seu eventual fa lecimento e enterro, de tal maneira que os amigos e a fa mília não teriam aquelas decisões impostas sobre eles. À medida que avançamos nos anos, nós decidimos fa zer o que nossas famílias tinham feito— como Abraão e Sara tinham feito (Gn 25.10). Por quarenta anos, passamos de carro pelo cemitério de M emorial Park onde nossa filha pequena, M ary Elizabeth, e nosso filho evangelista, T.L. Jr. foram enter rados. Um dia nós selecionamos e compramos o lote 69 da seção 5, Skyview South. 219 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO PLANEJANDO UMA DECLARAÇÃO FINAL Enquanto líamos a Bíblia, observamos que Abraão pôs uma coluna (Gn 35.20) na sepultura que ele e Sara compra ram. Então, novamente, nós seguimos o seu exemplo. En comendamos uma pedra de granito. Nossas vidas foram vividas ordenadamente. Queríamos que nosso falecimen to fosse a mesma coisa. Então, nós precisamos planejar palavras para umEpi- táfio — uma declaração final de nossas vidas. Seria gravado na face da pedra. Escolhemos palavras que lembrassem aos transeuntes da comissão de Cristo e nosso compro misso com ela. Nós esperávamos motivar outros a pensar sobre o propósito de Deus para as suas vidas, também. O projetista do monumento conhecia nosso ministério mundial e sugeriu uma gravação de Daisy e eu, andando de mãos dadas pelo mundo. UM SALM O E PALAVRAS DE CRISTO Nós selecionamos a declaração dos Salmos: PREGA MOS A JUSTIÇA NAS GRANDES CONGREGAÇÕES... APREGOAMOS A TUA SALVAÇÃO... ENTRE AS NA ÇÕES (SL 40.9,10) (acrescentamos as últimas três pala vras). Dois outros versículos bíblicos foram inscritos: A SEMENTE É A PALAVRA DE DEUS (Lc 8.11), O CAMPO 220 0 MONUMENTO— O EPITÁFIO É O MUNDO (Mt 13.38). No lado reverso, escolhemos as palavras de Cristo: IDE POR TODO O MUNDO, PREGAI O EVANGELHO A TODA A CRIATURA (Mc 16.15). DO IS PINHEIROS PARA REPRESENTAR NOSSAS DUAS VIDAS Embora as palavras fossem comemorativas, o monu mento seria frio e falaria de mortalidade. Nós queríamos algo VIVENTE. Ambos amávamos plantar árvores, então decidimos transplantar dois lindos pinheiros para o lo cal, um a leste e outro do lado sudoeste do ponto para dar sombra e vida. Fui ao campo e localizei dois pinheiros inusitados numa fazenda abandonada próxima de um rio. Cobertos por ve getação, tinham passado desapercebidos. Cortei as ervas daninhas e arbustos e descobri que eles eram distintos na forma e ideais para o que nós queríamos. Eu os podei para incrementar seus contornos singu lares, então um amigo os juntou, transportou-os para o parque e os plantou para nós. Eles são lindos. SOM BRA PARA O DIA VERDE PARA TODAS AS ESTAÇÕES A árvore leste tem duas camadas planas de galhos, por que o seu topo foi aparado antes, para impedir o seu cres 221 O MONUMENTO— O EPITÁFIO cimento vertical. Os ramos se espalharam horizontalmen te numa direção. Nós o posicionamos onde os seus galhos provessem eventualmente sombra para o sol da manhã. O pinheiro sudoeste tem galhos curvados (inusitado para a espécie preta japonesa). Nós o posicionamos de tal forma que os ramos se curvassem para baixo na dire ção do ponto, fornecendo sombra à tarde. ALGO BONITO QUE REPRESENTA A VIDA Criamos algo bonito — para representar a Vida em to das as estações. Nós queríamos duas árvores para nos representar, os dois, como companheiros de uma vida toda no ministé rio. Sendo diferentesna forma, eles expressam nossa sin gularidade; sendo da mesma espécie, eles simbolizam nossa unidade; sendo sempre verdes, eles representam a fidelidade de Deus e nosso compromisso a tempo efora de tempo (2 Tm 4.2). 223 CAPÍTULO ONZE O LEGADO DE DAISY D a ISY E EU devotamos nossas vidas a ministrar jun tos para multidões nas nações ao redor do mundo. Ela investiu muito do seu melhor empreendendo viagens longas e árduas ao estrangeiro para preparar e organizar nossas cruzadas de evangelismo em massa. Ela batalha va sem descanso para fazer de cada cruzada um sucesso — nunca reclamando, mas sempre exalando ânimo, fé e coragem. Ela negociava com oficiais de alfândegas nacionais, efe tuando a entrada livre de impostos de grandes carrega mentos de Armas para o Evangelismo e pilhas enormes de literatura na língua dos povos. Agora, Daisy se fo i. Lá na sua sepultura, em Tulsa, eu permanecería e pensaria nos milhões de quilômetros que ela viajou para levar esperança, amor e vida para aque les desesperados. Tinha valido a pena? Alguém se impor tou com a obra enorme que ela executou? 225 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO NOSSO OBJETIVO REGISTRADO Nos idos de 1949, na instituição de nossa organização missionária, nós registramos o objetivo de nossa vida: Anunciar e Propagar o Evangelho de Jesus Cristo a Todos os Povos do Mundo. Investimos nossas vidas para levar a cabo aquela missão. Agora a vida de Daisy se acabara. Fiquei ali de pé sozi nho, lendo as palavras do nosso epitáfio. Será que nossa paixão e motivação encurtaram a vida dela? Ela podia ter permanecido em casa e ter aproveitado tanto da vida. Fui culpado da sua vida linda ter-se aca bado tão cedo? O EPITÁFIO QUE ME ASSOMBRAVA As palavras do nosso epitáfio me assombravam, zom bavam de mim, acusavam-me. Daisy foi corajosa. Demos o nosso melhor para ministrar o amor de Deus a milhões de esquecidos. Enquanto eu ficava ali de pé, meditando nas palavras que tínhamos concebido para nossa declaração final, eu tinha consciência de que havia mais milhões de esque cidos do que quando nós começamos. Nosso compro misso fez alguma diferença? Será que a tenacidade e devoção de Daisy que a conduziram aos detalhes duros 226 0 LEGADO DE DAISY e exigentes deste ministério mundial foram muito exte nuantes para ela? Eu sentia ondas de amargura me varrendo como ca madas horríveis de uma fumaça invasora, tóxica. Agora, minha amada e companheira de equipe se foi. Fui deixado só. Seu precioso corpo repousava ali. De que importavam aquelas palavras grandiosas agora: PREGAMOS A JUSTIÇA NAS GRANDES CONGRE GAÇÕES... APREGOAMOS A TUA SALVAÇÃO... EN TRE AS NAÇÕES. DESENCORAJAMENTO & DESMORALIZAÇÃO: A COLHEITA DO PENSAMENTO NEGATIVO Repetidamente, eu ficava lá sozinho perto do corpo de Daisy e lutava com os assuntos da vida. Eu não queria ser negativo. Eu estava tentando agir contra as realidades impostas que enfrentava. Eu sabia que o desencorajamento estava produzindo pensamentos negativos que podiam ser psicologicamen te fatais para mim. Eu ensinava freqüentemente que nós não podemos fazer nada com o que nos acontece, mas temos absoluto controle sobre nossas reações àqueles eventos. Agora, eu tinha que praticar o que pregava e nada em mim queria reagir ao desafio. 227 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO DERROTANDO OS DEMÔNIOS P ara d erro tar os d em ônios do n e g a tiv ism o paralisante, da solidão e do pânico que repetidamente tentavam solapar a força e a coragem da minha vida, eu decidi estabelecer um limite e repudiar aquela nu vem asfixiante de desespero diabólico, que obscurecia minha visão da nova perspectiva que Deus queria que eu tivesse. Fiquei em pé entre aqueles dois lindos pinheiros que guardavam o corpo de Daisy como sentinelas fiéis. Eu sabia que eu não devia permitir que a depressão de Sa tanás me desmoralizasse mais. Eu tinha que reverter a ordem do meu pensamento. Eu não queria. Não era fácil. Mas eu entendi que eu precisava tomar conta de meus pensamentos. Comecei a formular perguntas MELHORES: Qual pro pósito podia ser mais nobre e mais valoroso do que aque le pelo qual nós demos juntos nossas vidas? Como podía mos ter investido melhor nossos anos? Como podíamos ter sido mais produtivos no Reino de Deus? Que recom pensa maior podíamos ter conquistado do que aquela de trazer pessoas para a justiça, paz e alegria do reino de Deus? (Rm 14.17).. 228 0 LEGADO DE DAISY OBEDECENDO A CRISTO Daisy e eu obedecemos especificamente ao que Cris to disse para os seus seguidores fazerem. Ele falou: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos (Jo 8.31). Nós fizemos isso. Ele per guntou: E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6.46). Então Ele enfatizou que ouvir as Suas palavras e observá-las é como construir sobre a rocha (Lc 6.47,48 Parafraseado). Nós ouvimos a Sua palavra, e agimos com base nela. Nossos alicerces foram sólidos. Nosso ministério juntos deu esperança, fé, coragem, amor e VIDA para milhões. "VO CÊS SALVARAM A MINHA VID A " Eu me lembrei de como milhares de pessoas falaram ou nos escreveram expressando que eles tinham sido salvos e trazidos ao conhecimento de Cristo, através do nosso ministério. Inumeráveis vezes as pessoas disseram ou escreve ram: "Vocês salvaram a minha vida!" "Fui salvo na sua cru zada", "Fui sarado de uma doença incurável quando eu ouvi vocês proclamarem o Evangelho". "Eu não era ninguém quan do vocês vieram; agora, descobri o meu valor. Deus me ama. Ele opera através de mim. Eu sou o Seu representante agora". 229 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Pensei nas transformações milagrosas de centenas de milhares de vidas nas nações por todo o mundo. Não po dia haver dúvida: Os nossos propósitos foram os mais ele vados e mais nobres aos quais qualquer casal pode dedicar suas vidas. Nenhum outro alvo de missão podería ser comparado a esses. Nós, humanos, somos seres sociais. Nossas vidas são uma parte de outras vidas. Se nós formos objetivos na vida, nós nos envolveremos de alguma maneira para ajudar outras pessoas. Daisy e eu fizemos isso — juntos. A MISSÃO DE MISERICÓRDIA DA VIDA Tão freqüentemente nós repetimos o adágio de suces so — e acrescentamos: Encontre uma necessidade e supra-a. Encontre um ferido e cure-o. Encontre alguém caído e levante-o. Encontre desespero e leve a esperança. Encontre a confusão e mude-a por ordem. Encontre falta de esperança e ministre fé. Encontre mediocridade e semeie excelência. 230 O LEGADO DE DAISY Encontre vidas quebradas e motive a renovação. Encontre angústia e dê conforto. Encontre rejeição e comunique AMOR. Estes objetivos nobres constituíram o foco de nossos ministérios por mais de meio século. SUPONHA... APENAS SUPONHA™ De pé ali perto do túmulo de Daisy, contemplei nossos anos juntos e como eles poderíam ter sido. Suponha que nós nos tivéssemos dedicado a construir e permanentemente pastorear uma grande igreja. (Nós pastoreamos três igrejas e desfrutamos de grande sucesso e do crescimento da igreja, a cada vez). Mas eu raciocinei: "O melhor e o máximo que qual quer pastor devotado pode conseguir é dar às pessoas esperança, fé e amor que gerem uma vida divina aqui na terra". Isso é o que Daisy e eu fizem os juntos— e levamos aque las virtudes para inumeráveis famílias, aldeias, vilas, cidades, províncias e nações pelo mundo. Aquela tinha sido a paixão consumidora de nossas vidas. Jesus mor reu pelo mundo. Nossa missão tinha sido anunciar para o mundo. 231 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO MILHÕES DE CRENTES MILHARES DE PREGADORES Hoje, há milhões de crentes no Evangelho e milhares de pregadores que foram salvos e guiados para uma nova esperança, fé e amor, através das nossas cruzadas ou seminários, folhetos ou áudio e videocassetes, pro duzidos e fornecidos para eles, sem custo, em suas lín guas. Fornecemos inúmeros veículosde quatro rodas para a propagação do Evangelho, que facilitaram o anúncio de novos começos e um estilo de vida mais elevado para pes soas preciosas de milhares de aldeias e cidades NÃO alcançadas previamente. Publicamos centenas de toneladas de nossa litera tura evangélica em cento e trinta e duas línguas e a fornecemos de grafa como testemunho cristão por todo o mundo. TRINTA M IL M ISSIO N Á RIO S NACIONAIS Patrocinamos mais de trinta mil pregadores nacionais como missionários de tempo integral para tribos, aldeias e áreas NÃO alcançadas do mundo. Milhares de novas igrejas foram estabelecidas e se tor naram auto-sustentáveis através de seus ministérios. 232 0 LEGADO DE DA1SY Efetuamos mudanças fundamentais no evangelismo mundial e nas normas missionárias mundiais, iniciamos e sustentamos muitos outros vastos empreendimentos em nível mundial. Entre os milhões de novos convertidos resultantes des tes programas globais de evangelismo mundial, há de zenas de milhares que se tornaram evangelistas, pasto res, mestres, pregadores e ministros das Boas Novas para outros milhões. O MELHOR INVESTIMENTO Sim , ali de pé diante da sepultura de Daisy, eu reassegurei para mim mesmo que os propósitos para os quais devotamos quase cinqüenta e quatro anos de ministé rio jun tos indicavam uma VIDA QUE VALE A PENA VIVER! Esta revalorização de nossas vidas juntos me ajudou. Reconfirmou-me que Daisy e eu investimos nossos anos juntos no ministério mais valioso e recompensador possível para os seguidores de Cristo — salvar vidas do desespero, falta de esperança, doença, pecado e morte — a maior p arte de v id as que de outra form a seriam N ÃO alcançadas, NÃO amadas, NÃO atingidas, NÃO cuida das e NÃO produtivas. 233 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO Satanás queria obscurecer estes fatos. Mas, quando eu os considerei ali diante da sepultura de Daisy, eu senti-me mais elevado e mais orgulhoso (ou mais gratificado) sa bendo que minha ministra-associada e companheira de equipe de uma vida inteira não tinha vivido em vão. Sua vida — uma vida boa, vida realizada de quase setenta e um anos— marcou milhões de outras vidas com o Evan gelho do Amor incomensurável de Cristo. DIGNIDADE PARA AQUELES QUE SÃO IGNORADOS Eu pensei na falta de esperança e desgraça das mulhe res ignoradas do mundo, vítimas das religiões (cristãs e pagãs, igualmente) sobre as quais foram impostas dou trinas de cidadania de segunda classe, pontificando que elas não têm valor para proclamar a mensagem de Cris to ou representá-Lo no ministério público. Parecia que eu podia ouvir Daisy falar o que ela anun ciou tantas vezes: "Eu sou uma voz que anuncia que a sua redenção chegou, que o seu redentor está aqui, que a sua eman cipação fo i declarada, que seu resgate fo i pago, e estou anunci ando isso ousadamente para mulheres e homens de todas as cores, classes, raças e nacionalidades". Enquanto eu ficava lá de pé, eu podia ouvir o eco da sua declaração: “Há algumas coisas que estão erradas sobre 234 O LEGADO DE DAISY a religião, que depreciam as mulheres, e eu pretendo ver essas coisas mudadas”. SEM EANDO PARA MUDANÇA Que sensação gratificante cresceu dentro de mim quan do refleti sobre o tanto que ela realizou para mudar algu mas coisas! As sementes da verdade que ela plantou estão se procriando por todo mundo e, como resultado, as mu lheres estão descobrindo a sua identidade, sua igualdade, sua dignidade e o seu destino no plano de redenção de Deus. Daisy dizia freqüentemente: "Nós não podemos realmen te mudar as coisas; nós podemos apenas SEMEAR PARA UMA MUDANÇA". Essa é uma verdade profunda. Chorei de alegria quando considerei as toneladas dos seus cinco principais livros, que estão levando a verda de para as mulheres — e para os homens, ao redor do mundo: A Mulher que Crê, Mulher Sem Limites, Mulheres e Auto-estima, Cinco Escolhas para as Mulheres Que Vencem, e Nova Vida para Mulheres. Eu pensei nos seus notáveis Cur sos Bíblicos sendo usados nas escolas bíblicas e igrejas por todo o mundo. Eu sabia o quanto ela acreditava que nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo fesus (G13.28). 235 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO REDESCOBERTA PARA AS MULTIDÕES Analisei a influência internacional do ministério de Daisy através dos seus Seminários e Conferências Naci onais de Mulheres. Lembrei-me de uma das suas conferências recentes à qual cinco mil mulheres compareceram. Entre elas esta va uma mulher de setenta anos de idade. Seus dentes se foram, e ela não tinha nada, exceto uma Bíblia e uma velha bicicleta. Ela contou para a Dra. Daisy que ela fundou sete igre jas em sete aldeias. Explicou que, se Deus lhe desse mais dias na semana, ela poderia ter mais igrejas. Ela dedica va um dia por semana para ministrar em cada aldeia. Aquela velha senhora freqüentou nossa cruzada dois anos antes — só dois anos antes. Ela nunca soube que o Espírito Santo de Deus podia ungir e abençoar uma mu lher no ministério da mesma forma que um homem. Quando ela viu a Dra. Daisy pregando para a multi dão de pessoas e testemunhou os milagres poderosos de cura que aconteciam quando Daisy pregava para a mul tidão, isso revolucionou a vida daquela mulher. Ela dis se: Se Deus pode usar aquela mulher, Ele podeme usar. Cen 236 0 LEGADO DE DAISY tenas de mulheres, em cidades e aldeias ao redor do glo bo, chegaram às mesmas conclusões. De pé ali diante do túmulo de Daisy, derramando lá grimas, eu me imaginei dizendo a ela: "Querida, suafilha e eu espalhamos seus cinco livros principais em mais de seis centos aldeias e cidades da ex-União Soviética. Mulheres ao longo daquelas repúblicas estão agora se descobrindo em Cris to através do legado dos seus livros". Eu queria lhe dizer: "Aqueles milhares de testemunhas estão continuando a trabalhar na colheita — enquanto você descansa das suas obras". E eu acrescentaria: "Nós os estamos agora traduzindo para o polonês, e iremos em breve semear seus escritos nas conferências pela Polônia e muitas outras nações". O EPITÁFIO NÃO ME ACUSA MAIS Nosso epitáfio não escarnecia mais de mim. Eu venci os demônios da desmoralização. Hoje, quando fico lá de pé entre aqueles pinheiros lin dos, experimento um sentimento de orgulho. Leio o nosso epitáfio e desprezo o diabo que odeia o que Daisy reali zou — e o que sua semente está continuando a produzir nas nações em volta do mundo. 237 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO FAZENDO UM MUNDO MELHOR Sim, Daisy e eu fomos sábios em nossa declaração fi nal juntos: PREGAMOS A JUSTIÇA NAS GRANDES CONGRE GAÇÕES... APREGOAMOS ATUASALVAÇÃO...ENTRE AS NAÇÕES. Nós lançamos a semente da palavra de Deus (Lc 8.11) no campo do mundo (Mt 13.58). Nossas vidas juntos fizeram uma grande diferença. Nosso mundo está melhor. Milhões estão salvos e trans formados, e milhares deles estão levando a mensagem da salvação de Cristo para outros milhões. O LEGADO DE DAISY Que legado Daisy deixou para as mulheres, e para os homens, em tantas nações do mundo! É um legado NA CARNE E NO SANGUE, exibido nas vidas daqueles que abraçaram a Cristo e que, por causa da influência dela, estão comunicando o Seu amor para outros. Eles são os transportadores da semente para esta geração. Quando Jesus voltou para o Pai, Ele não deixou nenhu ma instituição que levasse o Seu Nome, mas Ele deixou HOMENS E MULHERES que se tomaram Seus seguido 238 0 LEGADO DE D AIS Y res comprometidos a ir por todo o mundo e pregar o Evan gelho a toda criatura (Mc 16.15). Seu legado estava NAS PESSOAS. O Pai Se revelou em carne (Jo 1.14). Então, a mensa gem de Cristo foi delegada àqueles que O seguiam. Eles a comunicaram para as gerações subseqüentes. Daisy deu sua vida para transmiti-la a milhões da sua gera ção. Agora eles se tornaram Suas testemunhas, e assim ela continua a ministrar através deles. A sementese procria. Alguma coisa de Daisy continua a viver através daqueles que foram iluminados pelo ministério dela. Esse é o seu Legado — PESSOAS. COROAÇÃO TRIUNFAL Não existe outra maneira da vida de alguém ter uma coroação maior do que influenciar outros a abraçar a Cristo, e então terminar a carreira e descansar em paz. Isso constitui o Triunfo Definitivo. João disse: Bem-aventu rados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor (...) para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam (Ap 14.13). Um dia, de pé diante na sepultura de Daisy, eu pensei: "Suponha que nós tivéssemos passado nossas vidas em casa, num lindo ambiente. Suponha que eu estivesse en 239 POR QUÊ? — TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO volvido num negócio secular e Daisy em alguma carreira própria. Suponha que nós tivéssemos sido cientistas ou profes sores em alguma faculdade ou universidade, ou advoga dos, ou chefes de companhias que oferecessem produtos ou serviços de valor. Qual seria o resultado final daquelas empresas ou vo cações? Não teria sido tornar a vida melhor ou de mais su cesso, ou mais feliz para as pessoas?" É para isso que dedicamos nossas vidas juntos, e toma mos isso possível para milhões que não tinham mais ninguém para lhes oferecer ajuda. Nós devotamos nosso melhor para suprir as necessi dades humanas mais desesperadoras, a necessidade de descobrir paz com Deus e abraçar a Cristo como Salva dor. Nenhuma carreira secular na terra pode oferecer realiza ção mais feliz do que a que nós experimentamos juntos. SUCESSO DEFINITIVO Daisy agora está no céu. Juntos, nós fomos mais do que muitos casais têm o privilégio de ser. Nós nos amamos, namoramos, comemos, planejamos, viajamos, estudamos, descobrimos, servimos e ministramos JUNTOS. 240 O LEGADO DE DAISY Podería qualquer casal, em qualquer carreira profis sional, desfrutar da vida em comum mais do que nós tinhamos saboreado? Muito freqüentemente, Daisy e eu conversamos sobre nos so compromisso com a obra do Evangelismo Mundial. Nós sempre acreditamos que essa era a obra mais próxima do coração de Deus porque Deus amou o MUNDO de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Daisy e eu endossamos a pergunta que o grande esta dista missionário, Oswald J. Smith, colocou: "Por que al guém deve ouvir o Evangelho duas vezes antes que todos ou çam uma vez?" Nós sempre decidimos que, se tivéssemos outras vi das para viver, as viveriamos como vivemos os anos que Deus nos concedeu juntos, ministrando o Seu amor a um mundo sofrido. 241 CAPÍTULO DOZE LIÇÕES PARA VIVER M in h a DECISÃO DE intitular este livro POR QUÊ? foi influenciada não apenas pelo trauma que experimen tei, mas também pelos milhões de pessoas desiludidas e desesperadas que lutam na vida com questões que des- troem sua fé e afundam sua felicidade. A tragédia e o trauma são parte da vida, mas eles não devem ter a última palavra — eles não devem triunfar. Perguntar "PO R Q U E?" só exacerba a confusão e aprofunda a ferida. Quando eu penetrei nas sombras escurecidas do meu trauma, eu tive que rapidamente fechar a tampa dos meus "POR QUÊS?" Eu sabia quão mortais estas perguntas po dem se tomar, quando alguém está sofrendo de tristeza. PERMANECENDO VIVO Nós temos o poder de absorver o caos, administrar a perda, refocalizar nossa visão, e continuar a nossa jorna da objetivamente, se nós quisermos fazer isso. Em vez de 281 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO rejeitar a mudança, nós podemos decidir observar e ana lisar o que há de bonito em nosso cenário, e continuar a viver produtivamente. TORNANDO A PERDA REDENTIVA Escrevi este livro, parcialmente porque eu decidi sobre viver — continuar vivendo e amando. Resolvi que a perda dolorosa da minha querida e fiel companheira de vida precisava se tomar redentiva. Algum bem precisava advir desta experiência dilaceradora de corações. Eu senti que podia expressar a minha calamidade de tal forma que os outros pudessem extrair força e cura a partir das lições que eu aprendi, que conferiría valor a essa experiência redentiva. Primeiramente, resolvi apenas suportar a dor e falar o mínimo possível. Eu não via valor em compartilhar meu próprio dilema. Mas os amigos me disseram que a história da minha própria angústia não era o ponto. Eles acreditavam que minhas reflexões neste vale escuro transcendia de muito a minha própria calamidade e que elas podiam trazer aju da infinita, conforto, consolo e coragem para outros que sofressem algum tipo de perda. 282 LIÇÕES PARA VIVER Aquele ponto de vista me deu um propósito para es crever a minha história. Se as pessoas feridas ou desmo ralizadas por algum tipo de perda ou devastação pudes sem ser inspiradas a não desistir da vida, mas se levantar e andar novamente — se o desejo de continuar vivendo produtivamente pudesse ser engendrado nelas— então, eu podia publicar estas experiências e lições pessoais que eu aprendi, com algum senso de ter contribuído com os outros. OFÇOES NO TRAUMA Quando o trauma ataca, nós temos opções. Pode m os ajustar nosso foco e viver, ou nós podemos fazer de nossas vidas uma miséria para nós mesmos e para os outros que nos rodeiam. Somos encarregados da nossa própria atitude. Nossos pensamentos estão su jeitos a nós. Se nós ficamos deprimidos e desesperados, é por cau sa dos pensamentos que nós mesmos escolhemos para pensar. Nós podemos mudar nossos pensamentos e pintar um novo quadro, se nós quisermos permanecer vivos. Eu aprendi a fazer isso, é uma lição que vale a pena apren der. 283 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO AUTO-DESTRUIÇÃO OU AUTO-RENOVAÇÃO Depois da volta de Daisy para a casa, encontrei-me de batendo num vale escuro de solidão desesperadora. Em bora perplexo e frustrado, concluí que perguntar "POR QUÊ?" era negativo e podia ser muito destrutivo. Não trouxe cura e não resolveu o dilema. Eu estava ciente de que a busca da resposta de porque a tragédia ocorre, frequentemente camufla as emoções m ortais e insidiosas da am argura, ressentim ento, irritação, rancor, hostilidade, animosidade, vingança — todos sentimentos que produzem uma forma de auto- destruição lenta mas segura — e que pode até se tomar suicida. Há uma morte que pode NOS acontecer, que é trági ca. Mas ainda mais desastroso é um outro tipo de morte que acontece DENTRO de nós. A pessoa se toma uma morta viva. DANDO VAZÃO A UM DESESPERO PUNGENTE Na noite do falecimento de Daisy, depois que seu cor po foi enrolado e então encerrado no caixão preto, a por ta se fechou. Eu fiquei lá angustiado, separado da mi 284 LIÇÕES PARA VIVER nha amada de uma vida inteira. Eu não podería nunca mais tocar seu corpo cálido. Os "POR QUÊS?" gritavam dentro de mim. Eles esta vam dando vazão ao desespero pungente da separação. Em pânico, senti-me incoerente. Era o tipo de confusão que só exacerba o sofrimento — o tipo de pergunta que, se autorizada a queimar intemamente, podia se tomar mortal e destrutiva. Já era suficiente perder minha amada esposa. Eu ra ciocinei que eu não devia também perder a mim mesmo. Daisy diria "N à O !" para a minha tristeza. Ela me recor daria que embora sua carreira tivesse terminado, a mi nha não terminou. Havia um propósito divino na continua ção do meu viver. Eu sabia que eu tinha que enfrentar o desafio de me ajustar a um estilo de vida sem minha companheira. Isso era assustador para mim, mas eu ti nha que aceitar a realidade. Minha vida remanescente era vital no plano de Deus. REFOCALIZANDO CONSTRUTIVAMENTE Quando o meu espírito foi acalmado pela presença reconfortante de Deus, eu pude pensar com mais clare za. Pela Sua Graça, eu podia começar a absorver a triste za e a assimilar os fatos construtivamente. Então, eles po diam ser refocalizados à luz da realidade. 285 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Este trauma sempre seria partedoque e d e quem eu sou, mas detenho o direito de escolha de como lidar com isso. Era minha opção colapsar na tristeza, ou crescer através dela. Decidi que eu iria crescer, que meu ser seria expandido pela dor que eu sofria, mas eu seria capaz de ministrar com maior compaixão — talvez com compaixão mais válida. Enquanto as lágrimas embaçavam os meus olhos, eu não podia enxergar o meu caminho. Eu estava entrando num longo e escuro vale onde a paisagem era nova, o cenário não era familiar e a estrada era desconhecida. Mas eu disse para mim mesmo que essa nova vista podia ser bonita, que o novo cenário podia ser agradável — e até revigorante, se eu pudesse absorver minha dor e ver o bem e a beleza na minha nova jornada. Deus esta ria comigo na Sua fidelidade, mas cabia a mim reunir coragem para continuar a viver e aceitar as mudanças impostas. A paisagem do meu passado era familiar. Eu não que ria que ela mudasse. Mas eu tinha que me ajustar. D ESISTIR OU LEVANTAR A TOCHA Eu tinha que querer liberar meu precioso passado e al cançar um novo significado para o meu futuro. Sabia que 286 LIÇÕES PARA VIVER a vida seria muito diferente, mas que podia ser linda e re pleta de propósito se eu desejasse refocalizar minha pers pectiva e revalorizar minhas opções de vida. Eu podia escolher entre desistir e morrer, ou continu ar a levantar a tocha do Evangelho num mundo de trevas e VIVER. Sabia que era para isso que eu devia devotar o resto da minha vida. O profeta bíblico disse: Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos depazenSode mal, para vos dar o fim que esperais (...) E orareis a mim, e e u v o s ouvirei. E me achareis quando me buscardes... (Jr 29.11-13). A VIDA É MUITO PRECIOSA PARA SE DESPERDIÇAR Minha vida era muito valiosa para ser desperdiçada em luto. Daisy e eu vivemos quase cinqüenta e quatro anos juntos, oferecendo-nos para ministrar o Amor de Deus a multidões. As massas da humanidade sofrida ainda esta vam lá. Eu podia optar por continuar ministrando o Amor de Deus para milhões desesperados, na solidão e desola ção espiritual. Podia até ministrar com uma compaixão maior do que antes. Eu tinha experimentado dor pela qual nunca tinha passado. 287 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO No sofrimento, aprende-se a ter paciência. Na dor, a gente aprende a doçura. Talvez meu amor pelas pessoas pudesse ser mais autêntico depois de ter experimentado a agonia da tristeza. "FAMILIARIZADO COM A D O R" Compreendí mais profundamente do que nunca a sen sibilidade de nosso Senhor por aqueles que sofrem. Ele não é um homem de dores, experimentado nos trabalhos? (Is 53.3). Paulo disse: Ele se compadece das nossas fraquezas (Hb 4.15). O Espírito Santo de Deus conhece o gemido daqueles que sentem desespero e tristeza. Para ajudar as nossas fraquezas, o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Deus se importa com as dores dos Seus filhos. O salmista disse: Ele põe as nossas lágrimas no odre (SI 56.8). Ele está consciente dos machucados e quebrantados de coração que O seguem. Ele promete limpar de seus olhos toda lágrima (Ap 7.17). No meu desespero, eu me lembrei de Davi perguntan do: Por que estás abatida, ó minha alma? ...ESPERA em Deus (SI 42.5). 288 LIÇÕES PARA VIVER Nos seus momentos de sofrimento, Paulo disse que nosso Senhor é o Deus de toda consolação (2 Co 1.3). Amou- nos e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança (2 Ts 2.16). Ele fala da consolação das Escrituras (Rm 15.4). Davi disse: A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor ê fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o manda mento do Senhor é puro e alumia os olhos (SI 19.7,8). EU TINHA QUE ENCONTRAR A LUZ NOVAMENTE Enquanto eu extraía força das Escrituras, meus olhos estavam sendo iluminados de várias maneiras. Comecei a pensar e a procurar beleza no meu novo panorama de vida. Daisy não era mais tocável ou aproximável. Eu ti nha que aprender a viver comigo, e essa não era uma ex periência familiar. Eu não me conhecia suficientemente bem para saber que podia aprender a desfrutar da vida sozinho. Eu sabia que tinha de encontrar a Luz novamente. A sombria noite de desespero me engolfava. Daisy sempre estava ali para sorrir, para focalizar no melhor e no mais brilhante de todas as situações. Nunca na minha vida eu a ouvi falar ou sugerir alguma coisa negativa. 289 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO Daisy acreditava em pessoas vencedoras, para cima, de sucesso triunfante. Ela nunca compactuou da dúvida, indecisão, incerteza ou hesitação. Ela foi a luz da minha vida e do nosso ministério. Mas se eu corresse atrás do brilho desvanescente do crepúsculo de Daisy, eu nunca alcançaria a luz. Eu só iria me auto-destruir na minha perseguição ao pôr-do- sol. A luz continuaria, a escapar além do meu alcance. A ROTA PARA UM NOVO NASCER D O SOL A rota mais rápida e mais curta para a Luz de um novo dia foi dar a volta e caminhar reto dentro da escuridão. Embora a obscuridade desértica fosse apavorante, eu a atra vessaria e chegaria até a alvorada de um novo nascer do sol. Eu sabia que precisam atravessar minha noite escura de de sespero, a fim de descobrir a luz dourada do meu novo dia. Eu estava consciente de que m inha vida estava suspensa entre o passado com Daisy, que eu amava, e um futuro de solidão sem ela. Eu não queria aquele fu turo, mas compreendia que eu precisava aceitá-lo, e que cabia a mim fazê-lo vivível e agradável. Minha vida como marido estava encerrada. Agora eu era um viúvo. Eu odiava o termo. Eu me opunha à idéia de que não era mais o marido de Daisy. 290 LIÇÕES PARA VIVER LUTO CONFUSO Enquanto as torturantes semanas se passavam, eu usa va minha aliança. Em outras ocasiões, eu a removia e colocava na gaveta. Então, na vez seguinte que eu mi nistrava, eu a pegava de volta e usava novamente. Res sentia do fato de ser solteiro. Eu ali era só a metade. Às vezes, eu tinha a coragem de ministrar sem a mi nha aliança. Sentia-me tolo, vazio, confuso. Ondas de pânico me sobrevinham. Houve períodos de raiva, de sorientação, depressão, dor e solidão. Mas eu continuei a atravessar a escuridão, na direção de um novo nascer do sol. A VID A TEM A PALAVRA FINAL Eu concluí que a Vida e a Luz são mais poderosas do que o desespero e a escuridão, mais lindas do que o desalento, mais objetivas do que o remorso, mais frutíferas do que a dor. Daisy está no céu porque ela abraçou a Cristo e devo tou sua vida a Compartilhá-Lo com um mundo sofrido. Jesus morreu para que a humanidade sofredora e machucada tenha esperança, cura e paz. Ele ressuscitou dos mortos. Não era possível que fosse retido pela morte (At 2.24). A VIDA teve a palavra final. 291 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO Jesus penetrou na morte e saiu vitoriosopor nós. A VIDA é a vitória final para o crente — não a Morte. A LUZ é o resultado final — não as Trevas. Jesus disse: Porque eu vivo, e vós vivereis (Jo 14.19). A Sua ressurreição é nossa esperança. É a prova de que a Morte e as Trevas não triunfam. Vida e Luz são o nosso quinhão. Je sus prometeu que os que choram serão consolados (Mt 5.4). Paulo deixou claro que Deus nos consola (...) para que também possamos consolar [outros] que estiverem em alguma tributação, com a consolação com que nós mesmos somos con solados de Deus (2 Co 1.4). Ele disse: O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que (...) enviou-me a curar os quebrantados do coração (Lc 4.18). Jesus levantou pessoas caídas, restaurou vidas que bradas, curou os sofrimentos e a dor daqueles que esta vam doentes, confortou os quebrantados de coração, consolou os abatidos, estabilizou os confusos, foi um companheiro e amigo para os solitários. É um grande consolo saber que a Vida e a Luz têm a palavra final para o crente na Bíblia. ENCOLHER OU EXPANDIR Aprendi rapidamenteque a perda de um cônjuge, ou de um amado, ou de um amigo querido, é talvez a perda 292 LIÇÕES PARA VIVER mais traumática que alguém pode experimentar. Ou en colhe a vida da pessoa, ou a expande. Descobrindo a dor terrível de ser separado de minha amada Daisy, decidi que esta experiência seria um catalisador para alargar a minha vida, que não me des truiría. Como um crente cristão, eu sabia que devia cres cer através da tristeza, que eu precisava continuar a viver, amar e ministrar em meu mundo sofrido. DAISY FOI A MINHA MELHOR METADE A mudança abrupta da minha perspectiva de vida foi mais chocante e assustadora do que posso descrever. Vi vemos como enamorados por quase cinqüenta e quatro anos. Casamo-nos com as idades de dezessete e dezoito anos. Daisy foi minha esposa maravilhosa e amável, minha companheira paciente e co-membro da equipe na obra do Senhor, minha colega e associada confiável no ministé rio , m inha colaboradora corajosa e infatigável no evangelism o mundial, minha confidente especial e conselheira nos assuntos da vida, minha amiga estimada e amorosa, minha namorada íntima e a mulher especial da minha vida. 293 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO "SUPERANDO ISSO " A AMPUTAÇÃO MUDA TUDO Agora eu era só uma meia-pessoa. O melhor de mim foi amputado. Eu tinha ouvido as pessoas dizerem que a gente "supera" as tragédias. Sim, eu suponho que, em cer to sentido, deve ser verdade. Mas uma amputação/orça a mudanças traumáticas. O irmão mais velho de Daisy, Bud, é umduplo-amputa- do. Com dezessete anos, seu braço direito levou um tiro. Com cinqüenta anos, o seu braço esquerdo foi removido depois de um acidente de tráfego. Eu suponho que alguém possa dizer que Bud "superou aquilo". Ele se tomou um perito notável, usando duas próteses para se vestir, comer, tomar banho, trabalhar e dirigir. Até restaura os mais delicados objetos antigos, pin turas e porcelanas. Bud é um desafio diário para todos que o conhecem. Ele é positivo e animador, nunca autoconsolador. Eu o vi crescer através da adversidade. A atitude dele tem sido de grande ajuda para mim. O S RESULTADOS SÃO PERMANENTES Assim, poder-se-ia dizer que Bud "superou aquilo". Mas os resultados são permanentes. O impacto foi incal culável. E as conseqüências são cumulativas. 294 LIÇÕES PARA VIVER Tudo o que Bud faz, lembra que ele é um duplo ampu tado. No tomar banho, vestir-se, comer, deitar na cama e seja lá no que for que ele faça, seu estilo de vida mudou. Muitas gratificações, ações e deveres que ele antes apro veitava ou realizava como parte normal da vida, agora estão deixadas de lado. Ele se adaptou a essa nova agenda. Pode-se dizer que Bud "superou aquilo". Sim, mas Bud usará ganchos para o resto da sua vida. MUDANÇAS DRÁSTICAS Dizem-me que eu "superei" o falecimento de Daisy. Sim, à medida que o tempo passa, eu suponho que irei aprender a me relacionar "com muletas". E, quem sabe, eu possa até aprender a conseguir o apoio de "membros artificiais" ...mas a minha vida nunca mais será a mesma. Está drasticamente mudada. Quais são as minhas op ções? Estou determinado a fazer o melhor da vida — mesmo em desvantagem como agora. Meu mundo pre cisa de mim, ainda que eu esteja operando com um certo cons trangimento. Meu panorama agora está alterado. Um dique se que brou. A devastação se espalhou sobre a minha paisagem. Está tudo diferente. Muito daquele belo se foi. 295 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO Eu não tenho mais futuro com Daisy. Daqui para a fren te, sou um viúvo. Eu não quero ser um viúvo. Eu detesto ser um viúvo, mas eu sou um viúvo. Eu não sou mais o marido da Daisy. Não estou mais casado agora. Eu sou solteiro. Eu também detesto esse termo. Estou só. Detesto estar só. Minha solidão é frustrante — amedrontadora para mim. A MÚSICA NA VIDA Tenho um gravador no balcão da minha cozinha. Um grande pianista evangélico veio em casa e tocou piano para mim. Gravei. Eu amo o piano. Eu toco essa fita enquanto preparo e tomo o café da manhã e o almoço. Tenho necessidade da música. Preciso ter música. Não posso permitir que a música morra no meu espírito. A vida deve incluir a maravilha da música. MEU ENORME PIANO Nós sempre tivemos um piano em nossa casa. Mas eu decidi comprar para mim um maior, mais bonito. En tão, pus-me a procurar, e comprei um enorme Baldwin de concerto, quase novo. Gosto muito de tocar piano. Ele me provê uma saída emocional. Libera as minhas tensões. Eu não posso explicar porque, mas a música é um grande consolo para mim. 296 LIÇÕES PARA VIVER Tocar piano me ajuda quando escrevo. Se eu me encon tro sem palavras ou pensamentos, toco piano. Tudo se tor na livre outra vez. Existe libertação na música. Estou aprendendo a ver cada vez mais beleza ao lon go da minha jornada. Espero coisas boas — coisas lin das, embora sejam coisas diferentes. Ondas de ressenti mento me atingem às vezes, porque eu não quero essa vida nova, solitária. Eu quero a vida como ela era antes, com a minha companheira e namorada. Mas aquela parte da minha vida está acabada. DOMINANDO A MUDANÇA Andando às apalpadelas com a minha melhor parte amputada, eu tenho que enfrentar muitas limitações que não experimentava enquanto Daisy esteve comigo. Como um deficiente físico, eu me ressinto das minhas limita ções, mas devo dominá-las. Sim, com o meu poder de escolha e decisão de procurar o que é bom, a vida ainda pode ser bonita, mas é muito diferente. Decidi me adaptar onde é necessário porque a minha vida — mesmo sozinho, tem valor. As verdades que eu sei podem curar um mundo sofre dor. Eu devo continuar a disseminar essa influência curadora. Sou um crente na Bíblia. Deus opera em mim. 297 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO Eu sou o Seu mensageiro. Seu embaixador, Seu represen tante. O que eu sei pode levantar e restaurar seres huma nos sofridos. Assim... eu preciso continuara VIVER. Eu luto para evitar limitar minhas expectativas. Sem Daisy, tanta coisa mudou. Mas eu me recordo que Deus é o mesmo. E a Sua força que me sustenta. Então, eu rejeito a melancolia degradante das expectativas limitadas. As palavras de Paulo me confortam. Ele aconselhou: Uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cris to Jesus (Fp 3.13-14). Isso me ajuda. É o que eu estou fa zendo. LIBERANDO O BEM TANTO QUANTO O MAL Daisy sempre dizia que nós devemos constantemente liberar o passado — os bons tempos assim como os maus. Eu suponho que, chegando ao nosso final, podemos desco brir uma relação nova com Deus. Minha dificuldade maior foi dominar uma nova iden tidade. Tem sido repulsivo para mim. Eu não queria um outro eu. Daisy e eu éramos sempre T.L. & Daisy. Agora eu sou... T.L. — uma meia-pessoa. Minha estabilidade pare 298 LIÇÕES PARA VIVER ce que se foi. Sinto-me desequilibrado. Ondas de amargu ra avolumam-se dentro de mim. Tenho sido tentado a me tomar um recluso. UMA NOVA IDENTIDADE Lutei desesperadamente para aceitar o fato d e eu estar só. A vida sempre tinha sido nós. Agora sou eu. A s coisas se tomaram minhas. Detesto a idéia de alguma coisa ser minha. Daisy e eu fomos parceiros em tudo. Sem ela, a ca maradagem se foi. O pêndulo da minha vida oscilava en tre a aceitação ou rejeição, o ressentimento ou um novo compromisso, a desistência por causa do passado ou o al cance do futuro, a tristeza e amargura pelo que eu perdi, ou a alegria e gratidão por tudo o que resta. CRESCENDO POR MEIO DA MUDANÇA Quero Daisy de volta? Então, algum dia nós enfrenta ríamos a morte e a separação novamente. Será que quero repetir o processo de morte? Eu tive que encarar as tre vas. Uma pessoa não pode manter as coisas como foram. A vida significa mudança. Mudança significa crescimen to. Então, eu compreendí que eu devia crescer por intermé dio dessa mudança. Maseu não queria crescer. Eu queria manter as coisas como elas tinham sido. 299 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO M ILAGRES— SOLUÇÕES TEMPORÁRIAS O inimigo não conquistado é a Morte. Nenhuma ma ravilha sobrenatural pode nos salvar dela. Milagres, tan to como eu creio neles, são soluções temporárias. Algumas das pessoas que receberam os maiores milagres que nós testemunhamos estão mortas agora. Juan Santos se arrastou no chão por dezesseis anos, tendo levado um tiro na coluna e ficado morto da cintura para baixo. Foi curado milagrosamente numa de nossas cruzadas. Ele viajou onde pôde para dar testemunho pú blico do milagre maravilhoso que recebeu. Mas Juan San tos ficou velho e morreu. O MENDIGO MUÇULMANO Karimu, um mendigo muçulmano, arrastou-se no chão durante trinta anos. Ele veio à nossa cruzada e foi curado milagrosamente. A cidade inteira o conhecia e centenas de pessoas deram suas vidas a Cristo por causa da influ ência do seu milagre e mudança de vida. Daisy lhe deu um novo nome cristão, Comélio. Ele viajou por toda a Nigéria testemunhando, porque Jesus Cristo o curou. Mas hoje, Comélio está morto. 300 LIÇÕES PARA VIVER A MULHER LEPROSA Miriam Gare era leprosa. Não tinha mãos nem pés. Ela se arrastou para a nossa reunião e se escondeu debaixo da cobertura de uma árvore para ouvir o Evangelho. Jesus passou por ela e curou-a. Sua carne tornou-se limpa. O Comissário Provincial escreveu para nos contar que toda a Província cria em Deus, por causa da cura mila grosa dessa leprosa conhecida. Ela se tomou um membro fiel da igreja pastoreada pelo Rev. Silas Owiti e seu teste munho fez com que muitas pessoas cressem em Jesus Cris to. Mas, anos depois, Miriam morreu. Hoje ela está no céu. JESUS RESSUSCITOU LÁZARO DOS MORTOS HOJE ELE ESTÁ MORTO OUTRA VEZ Jesus curou os cegos, os surdos, os paralíticos e os insanos. Ele até ressuscitou Lázaro dos mortos. Mas aquelas pessoas lindas estão todas falecidas hoje — in cluindo Lázaro, a quem ele trouxe de volta da corrupção da morte. Os milagres são apenas respostas temporárias. A Bíblia diz: Está ordenado [às pessoas] morrerem uma vez... (Hb 9.27). A hora da minha amada Daisy chegou e ela morreu. Fui deixado sozinho da mesma maneira que milhões de côn juges antes de mim. 301 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO REAVALIANDO A NOVA PAISAGEM Era hora de refocalizar minha vida, de reavaliar o va lor de viver, de reascender o privilégio de estar vivo neste mundo onde tantas pessoas feridas precisam do poder do Amor curador de Deus. Eu comecei recalculando o potencial da Vida com Deus entre as pessoas que sofrem. Fui escolhido por Ele para ser um ministro e uma testemunha de Jesus Cristo e um comunicador da Sua graça e cura. Eu não O escolhí, mas Ele me escolheu, e me nomeou, para que fosse e desse fruto... (Jo 15.16). Aquela era uma missão positiva. Expressava a vida com propósito — com significado. Eu era parte do grande plano de Deus. O destino estava operando em mim. Eu estava envolvido com O Mestre. Eu não estava só. EXISTE PROPÓSITO NA VIDA COM DEUS Eu senti o que Paulo deve ter sentido quando o Senhor Jesus lhe disse: Levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te aparecí por isto, para te por ministro e testemunha... Foi-lhe dito: Eu te envio para os [não cristãos], para lhes abrires os olhos e das trevas os converteres à luz e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela f é em mim (At 26.16-18). 302 LIÇÕES PARA VIVER Jesu s e Seu propósito foram a luz guia, o fator motivador para Daisy e para mim em nosso meio século de ministério juntos. Esta continuaria a ser a minha luz guia. Eu sempre acertarei o foco nos milhões não alcan çados, fazendo tudo o que puder para os alcançar com o Evangelho. SEU PROPÓSITO NÃO MUDOU Nada mudou sobre Jesus e Suas promessas. Nada era diferente com relação às necessidades de nosso mundo sofredor. Somente eu mudei. Sofri uma amputação. Eu es tava lutando com o incômodo de alguma "prótese gros seira" . Mas estava vivo. Podia navegar. Eu tinha uma voz para falar, olhos para ver, ouvidos para ouvir, e braços para abraçar. Meu coração estava cheio. Minha mente, viva. Eu ardia com o Seu amor e compaixão pelos neces sitados — talvez mais do que nunca. Eu estava refocalizando a minha vida, meu cenário, minhas perspectivas. A paisagem era diferente, mas ha via beleza se eu tirasse um tempo para sentir o aroma das rosas. Jesus era o meu centro. Deus era a minha espe rança, minha coragem, minha ajuda, minha torre forte (SI 61.3; Pv 18.10). Embora eu estivesse só, Ele era a fo r ça da minha vida (SI 21.1) — e Ele era suficiente. Eu podia continuar. A vida podia ser bonita e produtiva. Eu po 303 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO dia continuar a fazer o que Ele me chamou e ordenou para fazer: Para que vades e deis frutos (Jo 15.16). Valia a pena viver para isso. SENDO LEVANTADO LEVANTANDO OS OUTROS Eu recebería cura levando cura para os outros. Minha solidão se dissiparia ao apresentar Jesus as pessoas deses peradas como seu novo amigo. A dor da minha perda ces saria à medida que a graça de Deus aliviasse a dor de ou tros através do meu ministério. Eu podia, eu endireitaria meus ombros e seguiría em frente, com uma profundida de talvez maior de fé, amor, esperança e alegria do que eu conheci antes. O M OM ENTO DE DEFINIÇÃO— O REEXAME A perda que eu sofri foi um momento de definição. Trouxe-me a uma total reavaliação da vida. Impulsionou- me a um reexame dos bens qu e ficaram. Forçou-me a for mular questões penetrantes. O que realmente contava? O que importava na análise final? No que eu realmente acreditava? Que tipo de pessoa era T.L. Osbom? Ele real mente se importava com as pessoas feridas? Estava acon tecendo uma reavaliação da minha própria pessoa, dese jo, fé e propósito. 304 LIÇÕES PARA VIVER ESCOLHA PELA SOBREVIVÊNCIA CORES DE UMA NOVA ALVORADA Meu poder de escolha foi meu estabilizador. Em vez de lamentar etemamente a minha perda, decidi estimar a abundância que permaneceu na minha vida. Eu desejava encarar minha noite escura de tristeza devastadora, an dar através dela e atravessar as sombras fantasmagóricas do luto. Por causa da minha escolha pela sobrevivência, estava vislumbrando as cores de esperança de uma nova alvo rada. A luz do sol brilharia novamente. Um novo dia es tava nascendo. Fiz a escolha certa — uma escolha de vi ver e não morrer, expandir e não encolher, caminhar e não recuar, continuar a alcançar meu mundo sofrido e não m e recolher no desperdício do luto. A VIDA estava tendo a última palavra para mim. UM NOVO PANORAMA DE VID A Eu não fui capaz de evitar a ocorrência da tragédia. Mas eu fu i capaz de refocalizar minha atitude, pegar meu pin cel e começar a pintar um novo panorama de vida. O poder de escolha foi meu centro de controle. A n dar nas trevas foi minha rota mais rápida para um novo nascer do sol. Estabeleci que eu iria atingir um a nova 305 POR QUÊ7— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO alvorada. Corri na direção leste, em vez de m e enfra quecer, buscando lembranças do oeste, de um dia que se passou e se foi. A LUZ E A VID A TRIUNFANTES Cresci através do meu trauma. A graça de Deus e Sua Vida triunfaram. Eu acordo a cada manhã para VIVER. Ainda sinto sau dades — meu corpo e a minha pessoa doem — por causa de Daisy. Minha psique ainda está programada para com partilhar a vida e os planos, as idéias, os conceitos e as notícias com ela. Eu ouço coisas e instintivamente quero com partilhá-las com ela, mas ela não está mais aqui. Aquela parte da minha vida se foi. Estou aprendendo a compactuar com o meu novo estilo de vida. É muito dife rente. Contudo, estou determinado a encontrar toda a beleza que eu puder discernir na minha jornada. A NUVEM DE TESTEM UN H AS A herança daqueles que morreram na fé sustenta um m odelo triunfante diante de mim, peloqual posso vi ver. Com o todos os crentes, eu passarei desta vida al gum dia. M as enquanto estiver vivo neste mundo, eu decido — eu escolho — para viver alegre, produtivo triunfalm ente. 306 LIÇÕES PARA VIVER Estou rodeado de uma tão grande nuvem de testemunhas (Hb 12.1) que, como Paulo, o apóstolo e como Daisy, com bateram o bom combate, acabaram a carreira, guardaram a fé , a coroa da justiça lhes está guardada... a qual o Senhor, justo juiz, lhes dará naquele dia (2 Tm 4.7,8). Aqueles homens e mulheres comprometidos viveram nobremente e morreram na fé. Eles eram o tipo de pessoa que eu queria imitar. Paulo disse para sermos imitadores dos que, pela f é e paciência, herdam as promessas (Hb 6.12). Daisy foi uma daquelas mulheres nobres que retiveram f ir memente o princípio da sua confiança até o fim (Hb 3.14). A herança desta “nuvem de testemunhas" me motiva a dar o melhor a serviço da humanidade. O exemplo e a conduta de vida que eles viveram me inspiram a continu ar vivendo e ministrando o amor de Deus em nosso mundo sofredor. O LEGADO DELES M E MOTIVA A sua fo lh a corrida me motiva. Sua poesia m e inspira. A s canções deles elevam o meu espírito. Sua música reno va o meu ser. Suas palavras m e dão fé. Suas obras m e d esafiam . Suas m etáforas e im agen s m e a ju d am a refocalizar meu novo horizonte. Suasconvicções ajudam- m e a lembrar as coisas que realmente importam na vida. 307 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA — TRIUNFO Milhões daqueles que me precederam suportaram per da tão grande e mais atormentadora do que a que eu ex perimentei. Uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição. E outros experi m entaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Fo ram apedrejados, serrados, tentados, mortos a f io de espa da; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, de sam parados, aflitos e maltratados (homens dos quais o m un do não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido teste m unho pela fé , não alcançaram a promessa, provendo Deus algum a coisa melhor... (Hb 11.35-40). N ão foi à toa que o escritor acrescentou: Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nu vem de testemunhas... corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, O LH AN D O PARA JE SU S, au tor e consumador da fé , o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à des tra do trono d e Deus. CO N SID ERAI-O ... para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos (Hb 12.1-3). PASSAN D O A TO CH A PARA O U TRO S Eu estou decidido que a minha vida remanescente será um legado de fé para aqueles que me seguem. Outros me 308 LIÇÕES PARA VIVER influenciaram e me inspiraram— como Daisy, com a sua vida e exemplo cheios de luz. Agora é a minha vez de in fluenciar e inspirar aqueles que possam precisar extrair força do meu exemplo. A tra g éd ia , o trau m a, a d ev astação e a p erd a desm oralizadora ocorrem na vida. Vêm de m uitas for m as. M as nós podem os sobreviver se nós quiserm os v i ver. Nós temos uma escolha. DIGNIFICANDO A EXISTÊNCIA Ninguém é uma ilha, Nossas vidas estão entrelaçadas. Somos parte uns dos outros. Nós marcamos as pessoas pelo nosso exemplo — para melhor ou para... o não tão bom. Paulo disse: Eu sou devedor (Rm 1.14) às pessoas no meu mundo. Não somos de nós mesmos, fom os comprados por bom preço (1 Co 6.20). Nós somos membros de Cristo (1 Co 6.15) e uns dos outros (Ef 4.25). Eu pertenço à família de Deus e sou parte do Seu plano. Eu conto. Isso dá digni dade à vida e nobreza ao viver. Sim, meu poder de escolha é o meu centro de controle. Depois que a tempestade passa, então se percebe a perda trágica. M as um novo inventário é feito. Seja lá o que for que reste, é reavaliado e, com aqueles preciosos remanes centes, a jornada da vida é retomada. É totalmente dife- 309 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO rente, mas é vida, e precisa continuar, e o sol se erguerá novamente. Ninguém tem licença para desistir de viver. UM A ESCOLHA PARA AM AR OUTRA VEZ Fiz um a outra descoberta crucial — não havia outra opção para mim. Era uma escolha para AM AR outra vez. Com a idade de setenta e quatro anos, aquela escolha não era de amar uma outra esposa. Aquela parte da minha vida se encerrou. Daisy me realizou. Eu não poderia pe dir mais. Quase cinqüenta e quatro anos de vida com ela, como enamorados, foi uma porção abundante. Eu podia me dar por satisfeito. Mas eu sabia que eu devia escolher AMAR outra vez— amar as pessoas, amar um mundo sofrido, amar o minis tério, amar fazer cruzadas e conduzir seminários, amar ensinar e pregar, curando os doentes e sofredores. Sim, eu fiz aquela escolha sem hesitação. Eu escolho AMAR outra vez. 310 DAISY VAI PARA A CASA TRIBUTO DE “DIMENSÕES MAIS ELEVADAS” A DRA. DAISY MARIE Washbum Osbom foi rodeada pelo seu marido T.L., a filha LaDonna Osbom Nickerson, e duas netas— as filhas de LaDonna, LaVona e Daneesa, na noite que ela expirou. O Dr. T.L. segurava seus braços quando ela foi para a eternidade às 2h53 da manhã de sábado, 27 de maio de 1995. Daisy reuniu os familiares, solicitando que eles aconse lhassem os amigos para não orarpela sua restauração. Ela estava pronta para ir para a casa. Por três vezes, ela viu um anjo entrar no quarto e se sentar no sofá dourado (que só ela viu), como se estivesse esperando para conduzi-la, através do véu da mortalidade, até a presença de Deus. A Pastora Associada Chyanna Anthony estava visitan do a família, quando Daisy fez este pedido. Ela ficou pro fundamente impressionada, não pelo tom com que Daisy realmente falou, mas porque não havia espírito de morte no quarto. A Pastora LaDonna descreveu a atmosfera ao redor de Daisy, durante sua última semana, como carregada de CAPÍTULO TREZE 311 POR QUÊ?— TRAGÉDIA — TRAUMA— TRIUNFO um sobrepujante espírito de p az— no qual ninguém po dia chorar. A coroação de uma grande mulher de Deus era iminente. Diz-se que, bem conhecida como Primeira Dama do Evangelismo, a Dra. Daisy, juntamente com seu marido, T.L., pregou face a face para mais pessoas não evangelizadas do que qualquer outro casal na história. Três anos antes, eles passaram o seu 50° aniversário de casamento na índia, a nação que motivou o seu ministério de cruzada de cura em massa, e que se expandiu para setenta e três nações, com audiências de 25 mil a 300 mil pessoas por reunião. Daisy, com T.L., foi uma grande filantropa — respon sável por levar carregamentos de suprimentos médicos a lugares como a África Oriental, trabalhando com orfana tos e assistindo países em desenvolvimento de várias for mas. Eles eram recebidos regularmente por Chefes de Es tado e outros altos oficiais de governo. Uma grande batalhadora pela igualdade das mulheres em Cristo, o seu exemplo no ministério e seu ensino foram influência global em elevar o status das mulheres na Igreja. Ela foi a primeira mulher a pregar em algumas nações. A Dra. Margaret Idahosa, da Nigéria, disse: “Onde quer que haja no mundo alguma coisa para as mulheres na obra de Deus, você pode procurar, que encontrará a influência de ma mãe Daisy". 312 DAISY VAI PARA A CASA Mamãe Daisy foi uma conselheira para m uitos líde res na Igreja. Os m inistérios e empreendim entos m un diais dela e de T.L. resultaram em m uitos m ilhares de novas igrejas estabelecidas em áreas previam ente não evangelizadas — centenas das quais pastoreadas por mulheres, em nações que tradicionalmente dim inuem as mulheres e as proíbem de exercer posições de lide rança. A Dra. Daisy nasceu em 23 de setembro de 1924, em Merced, Califórnia — a décima de onze filhos. Ela nasceu de novo com a idade de doze anos. Em 1942, com dezessete anos, casou-se com Tommy Lee (T.L.) Osbom, um jovem evangelista de Oklahoma.(Ele tinha ajudado Oral Roberts nas reuniões de rua nos seus anos iniciais, tocando acordeão com Oral, que tocava violão e cantava). Daisy e T.L. se casaram em um domingo de Páscoa e imediatamente ingressaram no ministério. Eles tiveram quatro filhos. Em 1983, Daisy Washburn Osbom recebeu o grau de D outora H onorária de Letras pela Bethel C hristian College da Califórnia, e o de Doutora Honorária de Teolo gia, grau conferido pelo Zoe College da Flórida. Ela foi listada no Diretório Internacional de Liderança, Registro In ternacional de Perfis, Quem é Quem das Mulheres America 313 POR QUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO nas, Quem é Quem no M inistério de Mulheres, e no Quem é Quem M undial das Mulheres. A filha LaDonna, Pastora-Superintendente Sênior do Centro de Evangelismo Internacional, oficiou na cerimô nia mem orial da ida de sua mãe para a casa. As carregadoras do caixão, a pedido da Dra. Daisy, fo ram oito ministras ordenadas do Evangelho, representan do a M alásia, índia, África, Quênia, França e os Estados Unidos. Elas se recusaram a permitir que o caixão fosse transportado pelo carro funerário na base portátil. Uma das mulheres disse: "Como carregadoras, nós queremos levá- lo o caminho todo". De acordo com o relatório do legista, a morte foi atri buída à infecção respiratória que contribuiu para a falên cia congestiva do coração. A Pastora LaDonna citou seu pai: "A qualquer hora ou em qualquer lugar que Daisy não esteja comigo, eu sempre prego alguma coisa dela, e continuarei a fazer isso". Ele está atualmente trabalhando na sua Biblioteca da Fé e Antolo g ia dos Seus M inistérios Mundiais, com 24 volumes, que se rão colocados em Escola Bíblicas selecionadas e institui ções de ensino superior nas nações do estrangeiro, para servirem como testemunha às gerações vindouras de que Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente (Hb 13.8). 314 CAPÍTULO CATORZE UM A TOCHA ELEVADA Saudação por Sue H yatt— 26 de agosto de 1995 G l 2 .20 — "já estou crucificado com Cristo; e vivo, t ã o m ais eu , m as Cristo vive em mim ; e a vida qu e agora v ivo n a c a m e v ivo- a n a f é do F ilho d e D eus, o qu a l m e am ou e s e en tregou a s i m esm o por mim". D aisy não morreu no sábado, Daisy morreu há muito tempo atrás. D urante anos, como Paulo, Daisy já não vivia, Então Cristo era engrandecido nela. E por isso que nós fomos atraídos por ela. E por isso que nós a amamos tanto. E la nos ajudou a enxergar melhor, Quando o caminho parecia escuro. Ela nos ajudou a nos sentir aquecidos Quando o mundo parecia frio. 315 POR QlIÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO E la foi para nós uma tocha Queimando brilhantemente, Sustentada e elevada Pela Mão Poderosa de Deus. E la foi para nós uma tocha, realmente, Encharcada no Óleo do Espírito de Deus Inflamada com o Fogo daquele que é Santo. M a s ela foi humana como nós, vocês vêem, Então a sua carne foi finalmente consumida, E Daisy morreu Como todos nós um dia vamos. M a s enquanto nós vivermos, Vamos também morrer como Daisy fez, E sermos tochas elevadas, Dando luz e calor. D a isy não passou a tocha em frente, para você e eu; Daisy não tinha tocha para passar! Isso não lhes surpreende? Não, Daisy não tinha tocha para nós agarrarmos. Daisy era, ela mesma, Uma Tocha Elevada! V o cês compreendem agora? Nós também somos tochas Feitas para arder brilhantemente Na noite, no frio. 316 UMA TOCHA ELEVADA E sse é o nosso destino, Nosso sonho, nosso prazer. M a s , de que jeito, eu perguntaria, posso levar Calor e luz como Daisy fazia? E u não entendia. Então, eu perguntei: "Daisy, o que há em você? Eu também desejo obedecer à ordem do Senhor, Mas me sinto inútil, sem ajuda, insignificante! Eu também aspiro a levar cura, esperança e vida, Mas me sinto inadequada, com medo, insegura". E ela respondeu: "Vá e faça o mesmo!" Aquilo foi tudo. E ela saiu. O que ela quis dizer? Certamente, ela me mostraria que, quando, onde e como ? Com certeza, ela me daria cinco passos para seguir, Dez princípios para usar. Uma chave que abriría tudo! Então, eu meditei, observei e compreendí. Daisy era humana como todos nós, Mas uma coisa era diferente: D a isy tinha morrido há muito tempo atrás, Sua vida era do seu Senhor, Sua luz, não era dela mesma. 317 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA — TRAU M A — TRIUNFO S im , Daisy morreu há muito tempo atrás, E ela era uma tocha encharcada no Óleo, Inflamada pelo Fogo, elevada pela Mão Poderosa de Deus. E isso é o que nos atraiu. Mas nós não entendíamos Porque ela não nos dizia o que fazer. E la somente diria: "Ore. Ouça e ore". Ela sabia que não havia um padrão rígido, Nenhuma regra religiosa que valesse a pena. E la falava com Deus, E ouvia da Sua sabedoria. Então, ela nos aconselhava a fazer o mesmo, Isso é o que ela quis dizer quando me disse: "Vá e faça o mesmo". A ss im , Daisy não passou uma tocha para vocês, para mim. Daisy foi ela mesma uma tocha, vocês vêem. Não uma tochazinha, Não uma tocha trêmula, Como nós tão frequentemente parecemos ser! O que fez intensa a sua luz? O que fazia seu calor ser contagiante? Pensei. Orei. 318 UMA TOCHA ELEVADA £ como pintura numa tela vazia, Aparece o retrato dela, Em manchas ousadas e pinceladas gentis De Compaixão, de Compromisso, de Coragem. A COMPAIXÃO a constrangia. O COMPROMISSO a sustentava e A CORAGEM a compelia a nunca desistir. S im , a Compaixão a constrangia A ir de encontro à necessidade humana. D a isy era esperta. Esperta o suficiente para saber Que as necessidades sempre excediam a sua capacidade; Esperta o suficiente para descansar completamente em Deus Que é sempre maior do que a necessidade humana. A ss im , ela se tomou uma tocha de luz e calor para vocês, para mim, para milhões. S im , o Compromisso a sustentava Na dificuldade, na tristeza, na dor. D a isy era esperta, Esperta o suficiente para fazer o que tinha que fazer, Não o que ela queria fazer. Esperta o suficiente para fazer com a compaixão requerida, N ão com o conforto e a conveniência desejados. 319 POR Q U Ê?— TRAG ÉD IA — TRAU M A — TRIUNFO N ã o foi fácil, não foi glamouroso, O compromisso nunca é. S im , a Coragem a compelia Apesar da resistência preconceituosa e iletrada. D a isy era esperta, Esperta o suficiente para crer Que o Deus Que a chamou Era grande o bastante para fazer a semente crescer. S im , nós fomos inspirados por sua coragem. Mas será que nós entendemos que isso nasceu da com paixão? E compreendemos o custo do seu compromisso? A Coragem motivada pela compaixão E sustentada pelo compromisso Confronta toda resistência, E, com a sabedoria divina, Realiza a Sua missão. (Bem está, Daisy! Serva boa e fiel, Entrano gozo do Senhor). E isso o que vimos. É isso o que sentimos. É isso o que nos atraiu. N unca haverá outra Daisy. E nunca haverá um outro Você. 320 “M AS M AM ÃE O FEZ” 1 SAUDAÇÃO, DE 21 VERSOS, DE LADONNA PARA SUA MÃE 1. Dizem: M ulheres não podem publicamente pregar o Evangelho com poder. M as M amãe o fez! 2. Dizem: Mulheres não podem pastorear igrejas. M as M amãe o fez! 3. Dizem: Mulheres não podem batizar novos conver tidos nas águas. M as Mamãe o fez! 4. Dizem: Mulheres não podem ministrar a Santa Ceia para o Corpo de Cristo. M as Mamãe o fez! 5. Dizem: Mulheres não podem unir casais em M atri mônio Santo. M as Mamãe o fez! CAPÍTULO QUINZE 321 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO 6. Dizem: Mulheres não podem autorizar ou ordenar pessoas para o ministério do Evangelho. Mas Mamãe o fez! 7. Dizem: M ulheres não podem exercer cargos de au toridade na Igreja. Mas M amãe o fez! 8. Dizem: Mulheres não podem ter uma liderança autorizada no ministério cristão. M as M amãe o fez! 9. Dizem: Mulheres não podem servir a Igreja no ofí cio de um apóstolo. M as Mamãe o fez! 10. Dizem: Mulheres não podem usar suas vozes para ensinarou pregar na Igreja. M as M amãe o fez! 11. Dizem: Mulheres não podem expulsar demônios e ministrar aos doentes se um homem estiver presente para fazê-lo. M as Mamãe o fez! 12. Dizem: Mulheres casadas não podem ouvir direta mente de Deus sem os seus maridos. Mas Mamãe o fez! 322 "MASMAMAEOFEZ"! 13. Dizem: M ulheres não podem ser boas esposas e mães e ser ativas no ministério público. M as M amãe o fez l 14. Dizem: Mulheres não podem viajar com seus fi lhos e lhes dar uma boa educação. M as M amãe o fez! 15. Dizem: M ulheres não devem usar seus sobreno mes de solteira. M as M amãe o fez! 16. Dizem: Esposas não podem servir no ministério em base igual, com seus maridos. M as M amãe o fez! 17. Dizem: Mulheres na liderança não têm bons rela cionamentos com as filhas e com outras mulheres. M as M amãe o fez! 18. Dizem: Mulheres de sucesso não dividem os refle tores com outras mulheres. M as Mamãe o fez! 19. Dizem: Mulheres não conseguem deixar de ser emocionais, ou não podem evitar de ser enganadas. M as Mamãe o fez! 323 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA— TRAUMA — TRIUNFO 20. Dizem: Mulheres não podem representar totalmente Jesus na vida e no ministério. M as Mamãe o fez! 21. Dizem: Mulheres não deixam sementes como le gado espiritual para o seu mundo! Mas Mamãe o fez! 324 CAPÍTULO DEZESSEIS NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS (SALMO 16.11) RESUMO BIBLIOGRÁFICO D a ISY MARIE WASHBURN Osbom nasceu em 23 de setem bro de 1924. Ela foi um dos onze filhos nascidos de Christopher Columbus Washbum e Clara Irene Oates W ashbum . Sua mãe morreu num acidente de trem em 1932. Daisy esteve sob a tutela do Estado da Califórnia e sua irmã mais velha, Ruby Parsley,+.3 tom ou-se sua guardiã legal e a educou. Em 1942, Daisy se casou com Tommy Lee (T.L.) Osbom, um evangelista de Oklahoma. Eles conduziram reuniões dé avivamento em igrejas até 1944, quando estabelece ram e pastorearam uma nova igreja, O Tabernáculo de Montavilla, em Portland, Oregon. Daisy e T.L. foram designados missionários para a ín dia em 1945 e se tomaram evangelistas missionários mun diais em 1948. 325 POR Q U Ê?— TRAG ÉD IA — TRAU M A — TRIUNFO Em 1949, Daisy co-fundou, com seu marido, uma orga nização de igreja missionária mundial, o M inistério Voz da Fé (mais tarde modificada para Associação Evangélistica O sbom , da íFundação Osbom e, finalmente, OSFO Interna cional). M AE & COMPANHEIRA D E EQUIPE N O EVANGELISMO M UNDIAL Daisy Osbom foi mãe de quatro filhos, M arie LaVon (falecida em 1943), Tommy Lee Jr. (falecido em 1979), LaDonna Carol Osbom, Pastora Superintendente Sênior do C en tro de E van gelism o In tern acion al em T u lsa , Oklahoma, e Mary Elizabeth (falecida em 1951). Ela teve seis netos (quatro meninas e dois meninos) e treze bisnetos (nove meninos e quatro garotas). Daisy foi casada com T.L. por mais de cinqüenta e três anos. Eles compartilharam o ministério de evangelismo mundial de uma maneira singular e prática. Desde o início de seu casamento, ministraram lado a lado como companheiros de equipe. Ela não apenas era a Diretora Executiva Chefe da sua organização mundial, mas dividia igual porção de seus ministérios de escrita, filmagem, gravação, pregação e ensino. Daisy Osbom pro vavelmente ministrou, face a face, para mais milhões de 326 NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS pessoas, em muitas nações, do que qualquer outra mu lher que já viveu. Depois de trinta e cinco anos no mi nistério, o Senhor deu a Daisy uma revelação especial com relação às mulheres na Igreja. VISITAÇÃO DIVIN A Em 1947, o Senhor visitou Daisy e lhe ofereceu a esco lha de ficar em casa criando seus filhos, ou ir para o mun do ensinar e pregar o Evangelho. Ela escolheu ir. Alguns anos mais tarde, Cristo apareceu para ela num a m onta nha de luz, andando na sua direção, enquanto pronun ciava estas palavras: "Daisy, pregue o Evangelho para as mulheres". Como o apóstolo Paulo, ela podia dizer: N ão fu i desobediente à visão celestial (At 26.19). PROFESSORA, PREGADORA, LINGÜISTA E CONFERENCISTA Por mais de nove anos, ela ensinou seus filhos, Tommy e LaDonna, pelo Sistema Escolar Calvert, usado intem aci- onalmente pelo pessoal do Departamento de Estado nor te-americano. Mais tarde, ela escreveu e publicou uma história autobiográfica intitulada "Eu escolhi ir". Ela proclamava o Evangelho em igrejas, auditórios, sa lões, teatros, tendas, em campos de corrida ou de jogos de bola, em estádios, e também em parques ou terrenos aber 327 PORQUÊ?— TRAGÉDIA— TRAUMA— TRIUNFO tos em setenta e quatro nações diferentes. Ela falava e mi nistrava em três línguas, inglês, espanhol e francês. Daisy dirigia Seminários e Conferências de M ulheres ao redor do mundo. Era comum que de cinco a sete mil mulheres assistissem aos seus eventos. AUTORA INTERNACIONAL Ela foi a autora de cinco livros principais: A M ulher que Crê, Cinco Escolhas Para as Mulheres Que Vencem, A M ulher eS ua Auto-Estima, Mulher Sem Limites e Nova Vida Para as Mulheres. Daisy também escreveu quase trinta outros livros menores e dúzias de artigos principais para a revista internacional dos Osboms, o Sumário da Fé, en viado mensalmente para mais de uma centena de nações. CINEGRAFISTA Em 1954, durante a Campanha O sbom em Jacarta, Java, Daisy gravou as maravilhas das reuniões em fil me. Além de dirigir a cruzada, ela fotografou as multi dões e os milagres. Mais tarde, ela e seu marido, com a perícia e nível musical de Lonnie Rex, produziram o documentário, A Colheita de Java. Aquele filme causou tamanha repercussão onde quer que fosse mostrado, que motivou Daisy a gravar as cru 328 NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS zadas subseqüentes. O repertório de documerlários dos O sbom s incluem: A Colheita de Java, Ouro N egro, O Ganense, M aravilha Holandesa, Atenas da Índia, Paixão Filipina, O Ceifeiro de Luzon, O Deus Ilimitado, Operador de Milagres, Curador de Trinidad, Cruzada de Najuru, mais nove vídeos da sua Grande Cruzada na índia. Aqueles filmes documentários foram traduzidos e pro duzidos em setenta e seis línguas principais do mundo. Muitas centenas de cópias (em 16mm e todos os forma tos de vídeo) circulam constantemente pelo mundo. Têm motivado uma reavaliação internacional dos conceitos cristãos para missões mundiais e evangelismo internaci onal. O ensino e a pregação de Daisy, em vídeo e áudio cassetes, estão afetando mulheres, bem como homens ao redor do mundo. Livros e folhetos bíblicos da autoria de T.L. e Daisy são publicados em 132 línguas. M IN ISTRA DE AM OR PARA M ILH ÕES Daisy trouxe esperança e fé para milhões de mulheres pelo mundo. Ela dirigiu o primeiro Congresso de Mulhe res em massa na história da índia, no qual milhares de mulheres congregaram diariamente debaixo de uma shamina (tenda plana) quente, à temperatura de 44°C, 329 PO R Q U Ê?— TRAGÉDIA — TRAUM A— TRIUNFO para ouvir seu ensinamento concernente à identidade, dignidade, destino e igualdade delas no plano redentor de Deus. Centenas daquelas mulheres se tomaram ati vas nos ministérios evangelísticos. CON FERÊN CIA S N ACIONAIS DE M ULHERES Em Uganda, a Arena de Conferências das Nações Uni das da África ficou lotada com milhares de mulheres duas vezes por dia, para participarem do Congresso Pan-Afri cano de Mulheres da Dra. Daisy Osborn. Centenas daque las mulheres se tomaram, em tempo integral, ministras, pastoras, fundadoras de igrejas, evangelistas e pregadoras itinerantes em aldeias. Em Bogotá, Colômbia, a Conferência de Mulheres Pan- Am ericanas de Daisy, realizada na enorme Arena de Es portes, foi assistida por entre três e seis mil m ulheres— a m aior conferência de mulheres cristãs na história da América do Sul. A revelação e o ensino bíblico de Daisy inspiraram as m ulheres em volta do mundo a descobrir seus alcan ces ilim itados de ministração, com o seguidoras de Je sus Cristo. N osseus livros e cursos de áudio, ela revela eis verda des da Bíblia que inspiraram e motivaram dezenas de 330 NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA D E A LEGRIAS milhares de mulheres a encontrar, dentro delas mesmas, aqueles dons e talentos especiais que, quando ligados ao projeto perfeito de Deus, produzem os frutos da rea lização, auto-estima e felicidade verdadeira. ID EN TIDADE NA REDENÇÃO DIPLOMATA INTERNACIONAL A vida e o ministério de Daisy Osbom ajudaram m ul tidões a descobrir que em Cristo existe igualdade, que todo verdadeiro crente compartilha do m esm o relacio nam ento com Ele — a mesma identidade, o m esm o m i nistério, o mesmo chamado, a mesma unção — inde pendentem ente de raça, sexo, cor ou nacionalidade. Como Diretora de Cruzada para as Cruzadas O sbom , Daisy se tomou uma diplomata internacional com en trada nos círculos mais elevados do governo. Ela enu merava entre seus amigos pessoais, reis e presidentes, dignatários estaduais e locais. FILH O S & FILHAS N ACIONAIS DA TERRA Em 1953, Daisy e seu marido conceberam um plano missionário mundial de dar assistência a filhos e filhas- da-terra, nacionais qualificados, que iriam com o m is sionários para as tribos, aldeias, cidades e áreas não alcançadas pelo Evangelho. Desde o com eço, D aisy su 331 PO R Q U Ê?— TRAGÉDIA— TRAU M A — TRIUNFO pervisionou este amplo programa evangelístico, toman do a decisão a respeito de cada m inistro nacional a ser assistido. Eles patrocinaram completamente mais de 30 mil mis sionários nacionais que evangelizaram e estabeleceram novas igrejas pioneiras em mais de 136 mil áreas diferen tes do mundo, através da supervisão de campo de mais de duzentos organizações missionárias estrangeiras e na cionais. Durante muitos anos, diligentemente mantendo seu dedo no pulso do programa, a Dra. Daisy foi capaz de registrar um estabelecimento médio de mais de uma nova igreja auto-sustentada por dia — mais de quatrocentas por ano. GERENCIANDO O TRANSPORTE DE FERRAMENTAS DE EVANGELIZAÇÃO POR TO DO O MUNDO N o d eco rrer das d écad as d os m in is tério s de evangelismo internacional dos Osboms, a Dra. Daisy su pervisionou e negociou inúmeros vôos e carregamentos por terra de centenas de toneladas de literatura, ferramen tas de evangelismo, veículos móveis para evangelizar, e outros equipamentos para as agências missionárias e de igrejas nacionais ao redor do mundo. 332 NA TUA PRESENÇA HÁ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS Um carregamento para a África Oriental requereu o fretamento de um Boeing 747a jato, para transportar mais de uma centena de toneladas de equipamento e literatu ra ao continente, para obreiros das igrejas de sete nações diferentes. Um carga aérea enorme para a Nigéria exigiu negoci ação pessoal de Daisy com o Exército Nacional, a fim de destacar soldados no aeroporto de Lagos para guardar o descarregamento do material e acompanhar seu transpor te por superfície até o local de distribuição. Um a vez, Daisy voou para o lado oposto do mundo, a fim de se encontrar e negociar com um Chefe de Estado, conseguindo o cancelamento da taxa de alfândega supe rior a 125 mil dólares, num carregamento aéreo de equi pamento evangelístico. O Presidente permitiu que ele en trasse na nação livre de impostos. D IRETO RA DE VASTOS M IN ISTÉR IO S G LO BA IS Por décadas, a supervisão e direção diárias dos vas tos ministérios globais dos Osboms recaíram sobre Daisy como Chefe Executiva da Associação. Decisões que comprometiam centenas de milhares de dólares missionários em projetos estratégicos por todo o mundo, afetando milhões de almas para Cristo, foram 333 POR Q U Ê?— TRAGÉDIA — TRAUM A— TRIUNFO tomadas pelo julgamento experimentado e amadurecido deDaisy. DAMA DO EVANGELISMO A intrépida Dama do Evangelismo conduziu pessoalmen te reuniões difíceis, em países de línguas diferentes, em áreas grandes como Vietnã, Papua Nova Guiné, Sri LanKa, além de outras áreas pelo mundo, nas quais as fitas de sermão e os documentários dos Osboms foram traduzi dos em 67 línguas. Seu ministério diário de correspondência m undial com chefes de governo e líderes de igrejas nacionais foi extenso. O conhecimento de francês e espanhol lhe facilitou seu ministério efetivo e o gerenciamento dos programas de evangelismo, não apenas na América Latina, Espanha e França, mas em outras nações onde são faladas essas lín guas principais. QUEM É QUEM INTERNACIONAL Daisy serviu com o consultora internacional e foi patrona a vida inteira da Christian Women 's College. Mem bro do corpo de regentes do Bethel Christian College, está listada no Diretório Internacional de Liderança Distinta, Registro Internacional de Perfis, Quem é Quem das Mulheres 334 NA TUA PRESENÇA HÀ ABUNDÂNCIA DE ALEGRIAS Americanas, Quem é Quem das Mulheres no Ministério, Quem é Quem na Religião e o Quem é Quem Mundial das Mulheres. Ela possuía o título de L.H.D. (honorário) concedido pelo Bethel Christian College, Riverside, Califórnia, e um D.D. (honorário), conferido pelo Zoe College, Jacksonville, Flórida. GANHADORA DE ALMAS, ADM INISTRADORA E EMBAIXADORA DOS NEGÓCIOS DO REINO Suas mais de cinco décadas de ministério ativo em seten ta e quatro nações, como autora, ministra de rádio,pregadora nacional e internacional, conferencista e pregadora de semi nários, empresária, bisavó, avó, mãe, mulher, ganhadora de almas, professora e embaixadora mundial para Cristo — mais os seus papéis administrativo, diplomático e de negó cios nos ministérios mundiais da organização Osbom, dis- tinguiram Daisy Marie Washbum Osbom como uma das mulheres muito especiais de Deus e a posicionam entre as mais notáveis e experimentadas ministras da Igreja de Jesus Cristo em sua geração. TRANSIÇÃO TRIUNFANTE Daisy Marie Washbum Osbom transcendeu sua mor talidade para estar etemamente com seu Senhor em 27 de maio de 1995. 335 PO R Q U Ê ?— TRAGÉDIA— TRAUM A— TRIUNFO Com o o salmista Davi, tendo [Daisy], no seu tempo, ser vido conforme a vontade de Deus, dormiu, e fo i posta junto de seus pais... (At 13.36). 'TEN H O POSTO O SENHOR CONTINUAMENTE DIANTE DE M IM " Seu testemunho era: Tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a minha confiança desde a minha mocidade (SI 71.5). Seu testemunho: Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nun ca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura... na tua presença há abundância de alegrias, à tua mão direita há delícias perpetuamente (Sl 16.8,9,11). Sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna (Tt 3.7). A SEMENTE DE DAISY CORRE COM A MENSAGEM Como sua antepassada Sara, Daisy recebeu a virtude de conceber semente [espiritual]. Pelo que descenderam... tantos [serw s, filhas sobre as quais fo i derramado o Espírito do Se nhor (At 2.17,18)] como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar (Hb 11.11,12). \S>» 336