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Fonte [3] Félix Sigá, "cantor do bulício e da quietude", tal como ele próprio se intitula, nasceu a 16 de maio de 1954 em Bissorã. Poeta, jornalista, músico e compositor. Tem trabalhos estampados em publicações coletivas, e seu primeiro livro é Arqueólogo da calçada (Bissau: INEP, 1996). Seus poemas tratam de: amor, paixão, apego ao País, às belezas da terra, da sua gente e do seu estar no mundo. Sigá suspira de amor e também prolonga nos versos que nos são dados sua experiência no presídio, do mesmo modo como critica o adepto da época ki sabi el ba (o tempo que já se foi e deixa saudade), porque o poeta deseja viver num país livre do atraso, da miséria, da submissão, que ocupe lugar ao lado das grandes nações. A arqueologia buscada na calçada é metáfora do procedimento seguido pelo autor ao flagrar, no cotidiano do País sinais de mudança e modernização causadores de choque e ruptura com os valores e padrões tradicionais da cultura guineense. Este é outro poeta que faz questão de usar o crioulo ao lado do português. [Bib. FS à p. 297] Jorge Cabral, ou Rui Jorge Dias Cabral, nasceu em Canchungo a 30 de dezembro de 1952 e faleceu na Croácia em 17 de setembro de 1994. Estudou na Iugoslávia, licenciando- se em Relações Políticas Internacionais pela Faculdade de Ciências Políticas de Belgrado e tornou-se um dos mais expressivos diplomatas da Guiné-Bissau. Era também pintor, compunha canções em crioulo e foi excelente guitarrista. Sua obra de poeta ficou inacabada, mas é significativa. Os marinheiros da solidão (Bissau: INEP, 1998), único livro de poemas de Jorge Cabral, se originou de uma coletânea datilografada entregue a Moema Augel pouco antes do desastre aéreo que vitimou o poeta. Os textos, em sua maior parte são em francês, escritos os demais em português. Jorge Cabral, sobrinho de Amílcar Cabral, envereda por "espaço poético diferente" ao dar-se o direito de fazer vibrar seu estro lírico, em vez de pôr em verso a poesia insubmissa. Registrando a importante iniciativa do INEP ao editar Os marinheiros da solidão, Moema Augel acrescenta: "A obra de Jorge Cabral, juntamente com as de Pascoal D'Artagnan Aurigemma (1938-1991) e de José Carlos Scwartz (1949-1977) constitui uma riqueza para o patrimônio cultural guineense." [Bib. JC à p. 313] Passando da poesia à ficção, o primeiro nome a surgir nesta última é o de Domingas Barbosa Mendes Samy, cujo nome literário é Domingas Samy. Nascida em Bula, 1955, já havia publicado cinco poemas na Antologia poética da Guiné-Bissau e outros em russo, tártaro e português enquanto estudava no Curso de Filologia Românica , na então União 63