Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO 
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL – INPI 
 
Processo nº 926364081 de 25/04/2022 
Indeferimento: RPI 2734 de 30/05/2023 
Marca: MISTA: “QS QUESOL ENERGIA 
LIMPA E RENOVÁVEL” 
CLASSE: NCL(11) 42 
 
 
CAVION & FRACARO - SOLUÇÕES RENOVÁVEIS LTDA., nome 
fantasia “QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL” pessoa 
jurídica de direito privado, CNPJ nº 42.976.156/0001-52, já 
qualificada, não se conformando com o indeferimento do 
pedido de registro de marcas, publicado na RPI 2734 de 30 
de maio de 2023, vem perante Vossa Excelência, por meio 
de seu procurador signatário interpor o presente RECURSO, 
pelo que passa a expor e ao final requerer o quanto segue: 
 
I - DA DECISÃO RECORRIDA 
 
Da digressão da decisão recorrida, depura-se que o registro proposta 
fora indeferido com base no inciso XIX do Art. 124 da LPI, considerando-se, para 
tanto, o processo n. 914601377, na qual a empresa QSOL ENERGIA SOLAR possui 
registro na mesma categoria (NCL 11 – 42), a qual entendeu o julgador que: 
 
“A marca reproduz ou imita os seguintes registros de terceiros, sendo, 
portanto, irregistrável(...)” 
 
O dispositivo legal apontado pelo examinar apresenta a seguinte 
redação: 
Art. 124 - Não são registráveis como marca: XIX - reprodução ou 
imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca 
alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço 
idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou 
associação com marca alheia; 
 
 
Sem menoscabo aos argumentos trazidos na decisão recorrida, 
entende a recorrente que marca proposta apresenta TODOS os requisitos de 
registrabilidade, senão vejamos: 
 
II – DOS FATOS 
 
II.I - DOS PARADIGMAS E DA SEGURANÇA JURÍDICA 
Todo depósito de pedido de registro de marca é precedido de uma 
criteriosa análise, que objetiva identificar se o signo pretendido preenche ou 
não os requisitos de registrabilidade. São vários filtros, que vão desde a direta e 
objetiva análise de liceidade e veracidade da marca, quanto a análise, mais 
subjetiva, do grau de distintividade e disponibilidade. Além da legislação 
aplicável a espécie, os precedentes do próprio INPI são fundamentais para 
conferir segurança jurídica ao crivo de registrabilidade de um signo marcário, 
validando e servindo de regra e guia aos depósitos de marcas. 
 
II.II – DA REQUERENTE E ÀS RAZÕES DE INDEFERIMENTO 
A requerente QS Quesol Energia Limpa e Renovável 
é uma empresa especializada em geração de energia solar 
fotovoltaica, oferecendo soluções para todas as etapas do 
processo, desde o projeto até a manutenção e limpeza dos 
painéis. Desenvolve soluções personalizadas de sistemas 
fotovoltaicos para clientes de diversos segmentos, 
atendendo em Ijuí/RS, Palmeira das Missões/RS e região. 
Como diferencial, tem a preocupação em 
acompanhar cada cliente, atendendo suas necessidades 
próprias e oferecendo também serviços de pós-venda. 
Além disso, disponibilizamos um aplicativo próprio para 
monitoramento da produção de energia, com relatórios 
detalhados e atualizados. 
Com sede na Rua 25 de Julho, n. 08, Centro, em Ijuí/RS, possui outra filial 
na cidade de Palmeira das Missões/RS, na Rua Delfino Ignácio Gehlen, n. 152, 
no Bairro Solar da Missões; tem site com domínio próprio e perfis em redes sociais 
para assinalar e apresentar seus serviços: 
 
 
 
• Portais eletrônicos: 
 
Disponível em: https://quesol.com.br/a-quesol/; Acesso em 20/07/2023. 
 
 
Disponível em: https://www.instagram.com/quesol.energialimpa/; acesso em 20/07/2023. 
 
 
Nesse sentido, pretendendo garantir o direito de exercer a titularidade 
de seu registro marcário, ingressou com os seguintes pedidos de registro: 
 
Pelo exposto, verifica-se que os pedidos protocolados no dia 25/04/2022 
foram deferidos nas seguintes classes: NCL (11) 35 e NCL (11) 37, tendo a 
concessão deferida na RPI 2738 de 27/06/2023. 
Porém, a recorrente QS Quesol Energia Limpa e Renovável teve seu 
pedido indeferido na NCL 11 classe 42, a qual possui especificação nos 
seguintes serviços: 
 
• Consultoria na área de economia de energia; Projeto de distribuição de energia 
elétrica; Projeto de engenharia elétrica; Projeto de geração de energia elétrica; 
Realização de estudos para projetos técnicos; Serviços de sinalização [projetos 
arquitetônicos e engenharia].” 
 
Neste interim, o presente pedido de registro da marca foi publicado na 
Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2680, em 17/05/2022. 
 
NESSE PEDIDO NÃO HOUVE OPOSIÇÕES POR PARTE DE TERCEIROS. 
 
No entanto, em 18/05/2023, na decisão nº 662316 o INPI proferiu decisão 
indeferindo o pedido de registro da marca neste processo, esta que foi 
publicada na RPI nº 2734 de 30/05/2023. 
 
 
 
 
 
II.II – DA ANTERIORIDADE APONTADA PELO JULGADOR 
A marca QSOL ENERGIA SOLAR pertence à empresa QSOL ENERGIA 
SOLAR LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 
25.200.224/0001-78, com sede na Av. Izoraida Marques Peres, N. 256, Bairro 
Campolim, em Sorocaba/SP, CEP n. 18048-110: 
 
 
 
A marca QSOL ENERGIA SOLAR foi registrada na 
classe 42, com especificação nos seguintes serviços: 
 
• “Auditoria de energia - [Informação em]; Auditoria de 
energia - [Consultoria em]; Auditoria de energia - [Assessoria 
em]; Auditoria de energia; Consultoria na área de 
economia de energia - [Informação em]; Consultoria na 
área de economia de energia - [Consultoria em]; Consultoria na área de economia de 
energia - [Assessoria em]; Consultoria na área de economia de energia; Projeto de 
 
 
engenharia elétrica - [Informação em]; Projeto de engenharia elétrica - [Consultoria 
em]; Projeto de engenharia elétrica - [Assessoria em]; Projeto de engenharia elétrica; 
Heliografia [estudo do sol] [estudo e pesquisa] - [Informação em]; Heliografia [estudo do 
sol] [estudo e pesquisa] - [Consultoria em]; Heliografia [estudo do sol] [estudo e pesquisa] 
- [Assessoria em]; Heliografia [estudo do sol] [estudo e pesquisa]; Projeto de distribuição 
de energia elétrica - [Informação em]; Projeto de distribuição de energia elétrica - 
[Consultoria em]; Projeto de distribuição de energia elétrica - [Assessoria em]; Projeto de 
distribuição de energia elétrica; Projeto de geração de energia elétrica - [Informação 
em]; Projeto de geração de energia elétrica - [Consultoria em]; Projeto de geração de 
energia elétrica - [Assessoria em]; Projeto de geração de energia elétrica.” 
 
Inconformado com a decisão do INPI, o recorrente interpõe o presente 
recurso, com base nos argumentos jurídicos e fáticos que passa a expor. 
 
III - DAS RAZÕES DE REFORMA 
 
III.I - DOS PARADIGMAS E DA SEGURANÇA JURÍDICA 
Todo depósito de pedido de registro de marca é precedido de uma 
criteriosa análise, que objetiva identificar se o signo pretendido preenche ou 
não os requisitos de registrabilidade. São vários filtros, que vão desde a direta e 
objetiva análise de liceidade e veracidade da marca, quanto a análise, mais 
subjetiva, do grau de distintividade e disponibilidade. Além da legislação 
aplicável a espécie, os precedentes do próprio INPI são fundamentais para 
conferir segurança jurídica ao crivo de registrabilidade de um signo marcário, 
validando e servindo de regra e guia aos depósitos de marcas. 
 
 
IV – NO MÉRITO 
 
IV.I ANÁLISE DOS CONJUNTOS DE MARCAS COMO UMA TOTALIDADE 
INDIVISÍVEL E COM DISTINÇÃO SUFICIENTE ENTRE ELES. 
 
O próprio Manual de Marcas desse Instituto, em seu item 5.9.1, 
estabelece que a apreciação de uma possível colidência “leva em conta a 
capacidade distintiva do conjunto em exame, inibindo a apropriação a título 
exclusivo de sinais genéricos, necessários, de uso comum ou carentes de 
distintividade em virtude da sua própria constituição” (grifou-se). 
 
 
Trata-se de uma análise do conjunto marcário como um todo, o tout 
indivisible, do direito francês.Isso quer dizer que os elementos das marcas não 
devem ser analisados em sua individualidade, mas sim o conjunto marcário 
como um todo. Clóvis da COSTA RODRIGUES, citando as decisões do CPI/45, 
ensinava o seguinte: 
 
“b) De mais a mais, em se tratando de examinar se uma marca imita a 
outra, devem as duas ser apreciadas conforme a impressão de 
conjunto deixada no observador. Um ou outro elemento isolado da 
marca não influi, se se encontra basicamente diferenciada a impressão 
do conjunto. c) A marca dessa recorrente nº 25.545, de 1928, cuja cópia 
se anexa, é complexa, formada pelos vários elementos ali descritos, 
constituindo um conjunto, do qual não pode sua propriedade destacar 
qualquer dos elementos que o constituem, e elegê-lo, a seu critério, 
comosendo elemento essencial e característico de sua marca; 
quando, em verdade, o que a deve caracterizar é a fisionomia do 
conjunto, o seu aspecto geral, jamais esse ou aquele dos seus 
elementos componentes considerados isoladamente.”1 
 
No mesmo sentido, na percepção quase poética de MERLEAU-PONTY, 
na análise entre dois objetos: 
 
“não percebemos de início as folhas, depois a árvore; não ouvimos 
inicialmente as notas, depois a melodia; é o conjunto da árvore ou da 
melodia que é inicialmente percebida; e é nele [o conjunto] que 
aprendemos a distinguir as folhas ou as notas”2. 
 
Feitas tais considerações, a análise da distintividade entre as marcas 
aqui em exame não deve ser feita em suas minúcias, em seus detalhes 
separadamente considerados, mas sim analisando-se o seu todo, toda a 
impressão do conjunto perante o consumidor. 
É que, ao deferir o registro de uma marca, o que o INPI faz não é 
conceder a exclusividade de utilização de cada um de seus elementos 
individualmente considerados, mas sim a exclusividade de utilização de todo 
aquele conjunto, como um todo, incluídos os elementos nominativos, 
figurativos, disposição espacial, jogo de cores, tipografia utilizada etc. 
O próprio Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de 
enfrentar o tema, deixando claro que a análise de distintividade não pode 
ignorar o conjunto marcário como um todo: 
 
 
1 RODRIGUES, Clóvis da Costa. Concorrência Desleal, Rio de Janeiro: Peixoto, 1945, p. 201 
2 MERLEAU-PONTY, Phénomélogie de la Perception. Paris: Gallimard, 1945, p. 46 
 
 
“(...) 4. A marca mista é aquela constituída pela combinação de elementos 
nominativos e figurativos ou de elementos nominativos, cuja grafia se 
apresente de forma estilizada. Embora, em principio, seja admissível o 
registro de uma mesma marca nominativa para produtos de classes 
diversas, o mesmo já não se dá com as marcas mistas, pois nessas a imagem 
de um produto passa necessariamente para o outro na percepção visual 
do consumidor, ou seja, no caso de marca mista, a parte figurativa e 
estilizada não pode coincidir com a do produto/serviço em confronto. 4.1 
A proteção que o registro marcário visa a conferir ao titular da marca 
comercial é quanto ao seu conjunto. A despeito de o aproveitamento 
parasitário ser repelido pelo ordenamento jurídico pátrio, 
independentemente de registro, tal circunstância é de ser aferida a partir 
do cotejo, pelo conjunto, das marcas comerciais, sendo desimportante o 
elemento nominativo, individualmente considerado, sobretudo nas marcas 
de configuração mista, como é a que foi registrada pela autora. (...)” (REsp 
1237752/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ Acórdão Ministro 
MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 27/05/2015) 
 
Dito isso, apesar do termo em comum “Q”, a utilização de “SOL” por 
cada uma das marcas diferencia-se no elemento fonético, bem como na 
especialização dos serviços, auxiliando a individualização de cada uma delas. 
Sobre esse último aspecto, sabe-se que o que a LPI veda não é a 
identidade ou semelhança pura e simples das marcas, mas sim aquela que seja 
“suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia”, conforme 
claramente estabelecido no inciso XIX do art. 124. Sobre esse detalhe, confira-
se os dizeres da doutrina: 
 
“A parte final do inciso é de suma importância e concretiza a 
preocupação do legislador em evitar excessos ou injustiças na 
aplicação da proibição legal. Com efeito, o dispositivo obriga o 
examinador a analisar, no caso concreto, a possibilidade de confusão 
ou associação entre as marcas, uma vez que, dependendo das 
circunstâncias fáticas, duas marcas idênticas ou semelhantes, 
identificando produtos ou serviços da mesma natureza, podem 
conviver pacificamente, sem induzir consumidores a erro.” 
 
Em um aparente conflito de marcas, além da análise do conjunto 
marcário como um todo, é fundamental identificar a possibilidade ou não de 
confusão do público consumidor. Mesmo existindo uma semelhança entre os 
sinais (o que não acontece no presente caso), acaso ela não seja apta a causar 
confusão ou associação entre as marcas no mercado consumidor, não há que 
se falar na impossibilidade de convivência entre elas. 
Isto posto uma vez afastada qualquer semelhança entre os conjuntos 
marcários de cada um dos sinais aqui em análise, não há que se falar em 
infringência ao disposto no art. 124, XIX, da LPI. 
 
 
Nesse sentido, a QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL e QSOL 
ENERGIA SOLAR não são idênticas e/ou colidentes, considerando os critérios 
estabelecidos pela Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), que regula o 
direito marcário no Brasil. 
Segundo o disposto, uma marca é considerada idêntica a outra 
quando reproduz, integralmente, um sinal anteriormente registrado para 
distinguir produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim (art. 124, XIX). Já uma 
marca é considerada colidente com outra quando reproduz ou imita, no todo 
ou em parte, um sinal distintivo anteriormente registrado para distinguir produto 
ou serviço idêntico, semelhante ou afim, de modo a causar confusão ou 
associação com a marca alheia (art. 124, XIX e XXIII). 
Pelo exposto, no caso em questão, as marcas QS QUESOL ENERGIA 
LIMPA E RENOVÁVEL e QSOL ENERGIA SOLAR não são idênticas, pois possuem 
elementos gráficos e nominativos distintos. 
A primeira marca apresenta as letras QS em destaque, seguidas do 
termo QUESOL, que é uma combinação de QUE + SOL, sugerindo uma ideia de 
qualidade e sol. Além disso, a marca possui o complemento ENERGIA LIMPA E 
RENOVÁVEL, que indica o tipo de serviço prestado pela empresa. 
Já a marca apresentada como sinal impeditivo - QSOL ENERGIA SOLAR 
-, indica apenas uma abreviação da fusão da leta “Q”, a qual possui 
apresentação principal da marca, que a fonética quando desacompanhada 
da vogal “U”, com o mesmo som da letra “K”, ou seja a QSOL pode ser lida 
como “QUESOL” ou “KSOL”, sendo indistinguível. 
Para além a palavra “SOL”, é expressão de uso comum para assinalar o 
complemento “ENERGIA SOLAR”, não dando à QSOL ENERGIA SOLAR termos de 
apresentação de indistinguíveis à título marcário, pois se utiliza apenas de sinais 
genéricos para assinalar a marca. 
Sinála-se, mesmo que ambas as marcas se refiram ao serviço de energia 
solar, elas possuem elementos distintivos suficientes para evitar qualquer dúvida 
ou equívoco por parte dos consumidores. 
Para sinalizar, a QS QUESOL ENERGIA LIMPA se apresenta utilizando 
apenas a logomarca em suas redes socias, conforme colacionado: 
 
 
 
Disponível em: https://www.instagram.com/quesol.energialimpa/ ; Acesso em 25/07/2023. 
 
Disponível em https://www.instagram.com/p/Ct85mbBurLY/?img_index=1 ; Acesso em 25/07/2023. 
Enquanto a QSOL ENERGIA SOLAR utiliza do seu, completamente distinto 
do simbolo pretendido pela recorrente: 
 
Disponível em https://www.instagram.com/qsolenergiasolar/ ; Acesso em 25/07/2023. 
https://www.instagram.com/quesol.energialimpa/
 
 
 
Disponível em https://www.instagram.com/p/CuO5j6fNj_a/?img_index=3; Acesso em 25/07/2023. 
 
Enfrentados os símbolos, evidencia-seas apresentações divergentes, 
sendo a recorrente apresentada pelos símbolos figurativos acima expostos, e a 
QSOL ENERGIA SOLAR apresentada com enfaze no “Q” seguido de “SOL” e 
como subtitulo a “ENERGIA SOLAR”. 
Além disso, as marcas atuam em áreas geográficas diferentes, sendo a 
QS QUESOL localizada no Rio Grande do Sul e a QSOL em São Paulo. Isso reduz 
ainda mais o risco de confusão ou associação entre as marcas, pois os 
consumidores tendem a levar em conta o local de origem das empresas na 
hora de contratar seus serviços, conforme será abordado minuciosamente no 
tópico que segue. 
 
IV.II – DA TEORIA DA DISTÂNCIA E DA ESPECIALIDADE – IMPOSSIBILIDADE DE 
RISCO DE CONFUSÃO ENTRE O PÚBLICO CONSUMIDOR 
A recorrente encontra-se amparada pela Teoria da Distância, cuja 
doutrina dominante entende que não pode o titular de uma marca, como o 
caso das marcas apontadas como supostas anterioridade impeditivas, que já 
convivem com o uso e/ou registro de marcas semelhantes, tanto no mesmo 
 
 
segmento, quanto segmentos distintos, exigir maior distância de suas marcas 
que aquela existente com as marcas já registradas e usadas por terceiros. 
O fundamento da Teoria da Distância se dá pelo PRINCÍPIO DA 
ISONOMIA E EQUIDADE, em face, da flagrante constatação fática de menor 
potencial de risco ou da impossibilidade de confusão do consumidor, que já 
acostumado com a convivência de marcas semelhantes para o mercado e 
serviços objeto deste recurso. 
Para corroborar essa posição, a recorrente socorre-se, ainda, dos 
ensinamentos do ilustre Professor CARLOS ALBERTO BITTAR, lecionados em sua 
obra intitulada “A CONCORRÊNCIA DESLEAL E A CONFUSÃO ENTRE PRODUTOS”, 
RT 550 (agosto/1981 – pág.31), in verbis: 
 
“Com efeito, a possibilidade de confusão deve existir à primeira vista; isto é, 
deve ser suscetível de estabelecer-se de imediato, induzindo o homem 
comum a inclinar-se para o produto (ou estabelecimento) concorrente. Fora 
dos limites expostos inexistirá a figura em tela, mesmo que presentes 
pequenos pontos de coincidência possíveis de ocorrência dentro do infinito 
universo de ideações e de realizações que forma o acervo cultural comum 
da humanidade.” 
 
E a situação enfrentada pela Recorrente no presente caso atenua-se 
ainda mais quando se considera que as empresas titulares das marcas em 
confronto estão sediadas em ESTADOS completamente diferentes, fato esse que 
afasta, por completo, qualquer possibilidade de confusão e/ou associação por 
parte do público consumidor daqueles serviços. 
QSOL ENERGIA SOLAR: Bauru/SP 
QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL: Ijuí/RS 
 
 
 
 
 
 
 
 
Isto porque, jamais alguém irá até OUTRO ESTADO, localizados a mais de 
836KM de distância, para procurar a empresa QS QUESOL ENERGIA LIMPA E 
RENOVÁVEL, imaginando estar encontrando a empresa titular da marca 
apontada como impedimento para a pretensão do presente caso, 
considerando os seguintes pontos: 
Distância geográfica: A QSOL ENERGIA SOLAR está sediada em 
Sorocaba/SP, enquanto a QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL está 
localizada em Ijuí/RS. Essas duas localidades possuem uma distância 
considerável entre si. É improvável que um consumidor percorra uma distância 
significativa, atravessando estados, para adquirir produtos da QSOL ENERGIA 
SOLAR quando existem opções mais convenientes e acessíveis em sua região. 
Conhecimento local: Os consumidores tendem a estar mais 
familiarizados com as empresas e fornecedores locais em suas regiões. Dessa 
forma, é mais provável que os consumidores na região de Ijuí/RS estejam cientes 
da QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL e optem por ela como 
fornecedora de soluções em energia solar, em vez de buscar produtos em 
localidades mais distantes, como Sorocaba/SP. 
 
 
Opções de mercado: Os consumidores têm uma variedade de opções 
disponíveis no mercado local para atender às suas necessidades. Existem outros 
fornecedores e empresas que oferecem produtos similares aos da QSOL 
ENERGIA SOLAR na região onde a QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL está 
localizada. Portanto, os consumidores têm alternativas mais convenientes e 
acessíveis em sua localidade, reduzindo a probabilidade de buscarem produtos 
fora de sua região. 
Com base nessas razões, é improvável que os consumidores se 
desloquem até o Paraná para comprar os produtos da QSOL ENERGIA SOLAR, 
pensando que são da QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL. 
Assim, como amplamente pontuado nos tópicos anteriores, as 
empresas possuem atividades relacionadas, porém com modelos de negócio 
completamente distintos. 
Sendo assim, as empresas mesmo que possuam nomes e atividades 
similares, destinam-se à públicos completamente distintos, e não devendo servir 
para impedir o registro da RECORRENTE, que realiza seus serviços com 
especialidade/finalidade distintos da empresa utilizada para razões de 
indeferimento do presente registro. 
 
V – DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 
Por fim, importante destacar que a única anterioridade trazida, que está 
registrada na mesma classe da marca proposta, não apresentou oposição ao 
pedido em epígrafe, certamente entendo pela impossibilidade de confusão 
junto ao mercado consumidor, que é totalmente diferente. 
E para além, as marcas possuem elementos figurativos completamente 
distintos, estão localizadas em regiões distantes, sendo que a recorrente 
apresenta modelo de negócio diverso da QSOL, conforme novamente disposto: 
 
 
REGISTROS DA RECORRENTE: 
 
 
 
 
 
 
 
REGISTROS DA QS ELERGIA SOLAR 
 
ESPECIFICAÇÕES COLIDENTES NA CLASSE INDEFERIDA: 
 
Consultoria na área de economia de 
energia; Projeto de distribuição de 
energia elétrica; Projeto de engenharia 
elétrica; Projeto de geração de energia 
elétrica; Realização de estudos para 
projetos técnicos; Serviços de sinalização 
[projetos arquitetônicos e engenharia] 
Auditoria de energia - [Informação em]; Auditoria de energia - 
[Consultoria em]; Auditoria de energia - [Assessoria em]; 
Auditoria de energia; Consultoria na área de economia de 
energia - [Informação em]; Consultoria na área de economia 
de energia - [Consultoria em]; Consultoria na área de economia 
de energia - [Assessoria em]; Consultoria na área de economia 
de energia; Projeto de engenharia elétrica - [Informação em]; 
Projeto de engenharia elétrica - [Consultoria em]; Projeto de 
engenharia elétrica - [Assessoria em]; Projeto de engenharia 
elétrica; Heliografia [estudo do sol] [estudo e pesquisa] - 
[Informação em]; Heliografia [estudo do sol] [estudo e pesquisa] 
- [Consultoria em]; Heliografia [estudo do sol] [estudo e 
pesquisa] - [Assessoria em]; Heliografia [estudo do sol] [estudo e 
pesquisa]; Projeto de distribuição de energia elétrica - 
[Informação em]; Projeto de distribuição de energia elétrica - 
[Consultoria em]; Projeto de distribuição de energia elétrica - 
[Assessoria em]; Projeto de distribuição de energia elétrica; 
Projeto de geração de energia elétrica - [Informação em]; 
Projeto de geração de energia elétrica - [Consultoria em]; 
Projeto de geração de energia elétrica - [Assessoria em]; Projeto 
de geração de energia elétrica.” 
 
Pelo exposto, S.M.J, caso seja de entendimento do julgador, requer a 
exclusão das especificações colidentes e o deferimento em: 
• Realização de estudos para projetos técnicos; 
• Serviços de sinalização [projetos arquitetônicos e engenharia] 
 
 
 
VI - DO PEDIDO 
 
À VISTA DO EXPOSTO, protesta o recorrente pelo recebimento e 
provimento do presente recurso para, reformada a decisão recorrida, DEFERIR o 
pedido de registro da marca “QS QUESOL ENERGIA LIMPA E RENOVÁVEL”, na 
NCL (11) 42, modalidade mista, processo n. 926420437; ou 
Seja realizada exclusão das especificações colidentes e o deferimento 
da recorrente, considerando o critério dos modelos de negócios diversos 
apresentados entre as marcas, em: 
• Realização de estudos para projetos técnicos;• Serviços de sinalização [projetos arquitetônicos e engenharia] 
 
 
Ijuí/RS, 27 de julho de 2023. 
 
 
LUIZ FERNANDO SOARES COSTA 
OAB/RS nº 66.379 
 
 
Ricardo De Luca Rossetto 
Assessor de Marcas

Mais conteúdos dessa disciplina