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Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução ● Depressão é a tristeza patológica. ● Caracteriza-se por humor deprimido e/ou anedonia (perda da satisfação e interesse em realizar as atividades do dia a dia) associados a outros sintomas, como diminuição da energia/fadiga, lentidão psicomotora, pensamentos e sentimentos negativistas, insônia, alterações no peso, sintomas físicos e disfunções sexuais e cognitivas. As emoções são respostas transitórias a um estímulo específico no ambiente, no corpo ou na mente ● Quando uma emoção se torna prolongada e dominante é chamada de humor→ o humor pode ser independente das circunstâncias imediatas, o que torna mais difícil o estudo ● Esse humor pode ser um sinal observado pelo médico → presença de um rosto infeliz, ou pode ser um sintoma exclusivo do paciente → sensação de desesperança Para categorizar os transtornos de humor (diferenciando de transtornos cognitivos), há uma atenção especial para sintomas, história pregressa do transtorno, padrão de transmissão familiar e resposta ao tratamento→ com esses dados, um paciente pode ser diagnosticado com depressão unipolar (em que só há episódios depressivos) e transtorno bipolar (quando há alternância entre episódios depressivos e de mania), além de diferenciar se o transtorno é primário ou secundário (induzido por fármaco, hipotireoidismo, Parkinson em idosos) Embora sejam tratados de forma separada, pode-se considerar que o transtorno bipolar seja, na verdade, uma forma mais grave da depressão maior Tipos de transtornos depressivos ● Transtorno disruptivo de desregulação do humor ● Transtorno Depressivo maior (TDM) ● Transtorno depressivo persistente→ distimia ● Transtorno disfórico pré - menstrual ● Induzido por medicamento/substância ● Induzido por outra condição médica Quais as características em comum desses transtornos? → todos esses transtornos de humor incluem presença de humor triste, vazio ou irritável, que está acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam o funcionamento (social, cognitivo) do indivíduo ● E o que os diferenciam? Aspectos relacionados à duração, momento ou etiologia presumida Classificações da Depressão Distimia→ quadro mais leve e crônico ● Alterações estão presentes na maior parte do dia, todos os dias, por, no mínimo, dois anos. ● Podem ocorrer oscilações, mas prevalecem as queixas de cansaço e desânimo durante a maior parte do tempo ● Pessoas excessivamente preocupadas ● Alterações de apetite, libido e psicomotoras NÃO são frequentes → é mais comum sintomas como letargia e falta de prazer pelas coisas que antes eram prazerosas ● Na maioria dos casos, se inicia na adolescência ou no princípio da idade adulta ● Marcado por uma depressão leve, de intensidade duradoura e início insidioso. ocorre frequentemente em pessoas com história de estresse prolongado ou perdas súbitas. Transtorno depressivo recorrente → se o pct apresentar episódios depressivos que nunca são intercalados por episódios maníacos e dura pelo menos 2 semanas e não mais que 2 anos ( > 1 episódio) 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Depressão endógena ou melancólica → caracteriza-se pela predominância de sintomas como perda de interesse ou prazer em atividades normalmente agradáveis ● Consciência infeliz, mas independente de fatores psicogênicos desencadeantes ● Sintomas típicos → anedonia, culpa excessiva, piora pela manhã, insônia terminal (acorda de madrugada e não consegue mais dormir) e lentificação psicomotora ● Piora pela manhã, falta de reatividade do humor, lentidão psicomotora, queixas de esquecimento, perda de apetite importante e perda de peso, muita desânimo e tristeza ● Sintomas de disforia, perda de interesse, baixa reatividade ao ambiente, insônia, hipofagia, anorexia, retardo motor, sentimento de culpa acentuado, hiperativação noradrenérgica, serotoninérgica e do sistema simpático, baixa imunidade, nível cortisol plasmático elevado e hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Depressão atípica→ apresenta uma inversão dos sintomas ● Aumento de apetite e/ou ganho de peso, dificuldade para conciliar o sono ou sonolência, sensação de corpo pesado, sensibilidade exagerada à rejeição, responde de forma negativa aos estímulos ambientais ● Disforia e perda de interesse, mas reatividade acentuada a fatores ambientais, hipersonia, hiperfagia (principalmente por carboidratos e doces), letargia e fadiga (muitas vezes acompanhada por “paralisia de chumbo” nos membros), atividade simpática, noradrenérgica e serotoninérgica reduzidas, alta imunidade, nível de cortisol plasmático baixo e atividade reduzida do eixo HPA. ● Ficam melhores ao acordar e vão se sentindo piores ao longo do dia. ● Geralmente tem um início mais precoce (antes dos 20 anos), a ser mais frequente em mulheres e tem comorbidades, como distimia, abuso de substâncias e propensão à obesidade e transtorno bipolar II. ● Personalidade → tendência para a expansão, volubilidade, labilidade emocional, irresponsabilidade, egocentrismo, narcisismo, exibicionismo, vaidade, sedução e manipulação. são presas fáceis de galanteios e elogios. quando frustrados ou desapontados, tendem a tornar-se recriminadores, chorosos, abusados, vingativos e é comum recorrerem ao uso de álcool e outras drogas. Depressão sazonal → caracteriza-se pelo início no outono/inverno e pela remissão na primavera, sendo incomum no verão ● Prevalência maior entre jovens que vivem em maiores latitudes ● Os sintomas mais comuns são apatia, diminuição da atividade, isolamento social, diminuição da libido, sonolência, aumento do apetite, “fissura” por carboidratos e ganho de peso ● Diagnóstico → esses episódios devem se repetir por dois anos consecutivamente, sem quaisquer episódios não sazonais durante esse período Depressão psicótica → quadro grave → presença de delírios e alucinações bem marcadas, insônia, indecisão e idaeação suicida ● Tem algumas características da depressão melancólica, mas é fortemente caracterizada por uma depressão não-variável ao longo do dia, com anergia constante, presença de constipação e alterações psicomotoras mais fortes que na depressão melancólica. ● Os delírios são representados por ideias de pecado, doença incurável, pobreza e desastres iminentes ● Pode apresentar alucinações auditivas ● Se os sintomas psicóticos são de conteúdo depressivo, são classificados como humor-congruentes (culpa, doença, morte, negação de órgãos, punição merecida) ● Sintomas psicóticos não sejam de conteúdo negativo, são denominados incongruentes com o humor, como delírios de perseguição, autorreferentes, paranoides. ● Pode estar associada a altos índices de hiperatividade do eixo HPA. ● Dificuldades diagnósticas → decorrem de características psicóticas no transtorno depressivo serem mais sutis do que as encontradas nos pacientes com transtornos psicóticos primários; de os sintomas psicóticos serem sub-relatados pelos pacientes em função de desconforto ou paranoia; e devido à alta taxa de comorbidades apresentadas pelos sujeitos. Depressão secundária → caracterizada por síndromes depressivas associadas ou causadas por doenças médico-sistêmicas e/ou por medicamentos Depressão bipolar → a maioria dos pacientes bipolares inicia a doença com um episódio depressivo ● Quanto mais precoce o início → maior a chance de que o indivíduo seja bipolar ● História familiar de bipolaridade, de depressão maior, de abuso de substâncias, transtorno de ansiedade, são indícios de evolução bipolar 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Depressão como transtorno disfórico pré-menstrual (CID-11 e DSM-5) ● Forma grave relacionada ao período pré menstrual → na semana final antes da menstruação ● 1 ou + dos sintomas → tristeza marcante, nervosismo/ansiedade acentuada, sentimentos de estar “no limite para explodir”, oscilações do humor ao longo do dia ou labilidade afetiva, irritabilidadeou raiva acentuada. ● Interesse diminuído, dificuldade de concentração, falta de energia ou fadiga fácil, alteração do apetite, hipersonia ou insônia, “sentir-se sobrecarregada” ou “fora do controle”, sintomas físicos como inchaço e aumento da sensibilidade nas mamas, dor articular ou muscular e “sensação de inchaço” no corpo. Depressão pós-parto → início dentro de 4 semanas após o parto ● Insônia, instabilidade, fadiga, ideação suicida ● Podem acontecer crenças delirantes e homicidas com relação ao bebê ● Maior frequência em mulheres com transtornos de humor ou outros psiquiátricos! ● Pode ser uma emergência psiquiátrica com risco para a mãe e para o bebê. O mesmo aplica-se a um episódio maníaco ou a um transtorno psicótico breve. Estupor depressivo ou depressão com catatonia ● Paciente permanece dias na cama ou sentado, em estado de catalepsia (imóvel; em geral rígido) → prevalece o negativismo, com ausência de respostas às solicitações ambientais, mutismo, recusa alimentar e permanência no leito por dias, muitas vezes imóvel. ● Também chamado episódio depressivo catatônico! ● Esturpor, afeto embotado, reclusão extrema, negativismo e retardo psicomotor excessivo. são mais observados na esquizofrenia. ● Desidratar e vir a falecer por complicações clínicas (pneumonia, insuficiência pré-renal, desequilíbrios hidroeletrolíticos, sepse, entre outras)! Depressão ansiosa ou agitada ou com sintomas ansiosos proeminentes e transtorno misto de depressão e ansiedade ● Queixa de angústia ou ansiedade acentuada associada aos sintomas depressivos; sente-se nervoso, tenso, não para quieto; apresenta-se insone; irritado; anda de um lado para outro, desesperado. Pode ter, ainda, dificuldade para se concentrar devido a muitas preocupações; tem medo de que algo horrível possa ou irá acontecer→ pode ter forma grave ● Há risco ainda maior de suicídio ● No CID 11→ temos o transtorno misto de depressão e ansiedade → sintomas LEVES de ambas as condições por pelo menos 2 semanas→ a diferença é os sintomas serem LEVES! ● Presença de 2 desses sintomas, que devem persistir na maior parte dos dias no episódio depressivo maior ou persistente: ○ Sensação de tensão ○ Sensação incomum de incapacidade de relaxar ○ Dificuldade em se concentrar devido a preocupações ○ Medo que coisas ruins aconteçam ○ Medo de perder o autocontrole pode ser conceituada como depressão maior com ansiedade, na qual há sintomas ansiosos, e é mais severa que a depressão maior em si. Epidemiologia ● Transtorno psiquiátrico mais comum na população em geral ● Condição de saúde mental mais comum em pacientes atendidos na atenção primária ○ 14% da população acima de 55 anos apresenta episódio depressivo ○ 38% dos idosos com sintomas depressivos→ 5% com diagnóstico de transtorno depressivo maior ○ Subdiagnóstico na população idosa → sintomas psiquiátricos e comportamentais são explicados somente pela demência → subtratamento ● Predomínio em mulheres→ 2:1 ○ Mulheres 3x mais chance (distinções hormonais, estressores e gestação/puerpério) ● Idade de início→ em torno de 30 anos ○ 3x mais comum em indivíduos de 18-29 anos do que > 60 anos ● ⅔ dos pacientes apresentam sintomas somáticos → dificulta detecção! ● Prevalência ao longo da vida varia entre 5-15% → chance do indivíduo desenvolver. ● S/ preferência de classe social. ● Depressão ocorre mais frequentemente em pessoas que não tenham relações pessoais íntimas ou que sejam divorciadas ● Mais comum em pacientes com doenças crônicas (ex: AVC, doença de Parkinson, doenças cardiovasculares, CA, doenças autoimunes) 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Fatores de risco: ● Idade mais jovem ● Episódio depressivo anterior ● Sexo feminino ● Parto (ou seja, depressão pós-parto) ● Trauma de infância ● Menor renda ● Suporte social ruim ● Doença médica grave ou incapacitante ou crônica ● Questões culturais, de gênero ou sexualidade ● Demência ● Transtorno por uso de substâncias ● Transtornos de ansiedade ● Transtorno de personalidade borderline ● Alteração do ritmo biológico (privação de sono); ● Idade→ maior após a puberdade ● Temperamentais→ afetividade negativa ● Ambientais ○ Experiências adversas na infância; ○ Presença de eventos estressantes agudos graves; ○ Exposição crônica a certas formas de estresse; ○ Acúmulo de estressores ao longo do tempo; ● Genéticos e fisiológicos: ○ O risco do transtorno é 2-4 vezes maior em indivíduos que possuem familiares de 1º grau com o transtorno; ○ A herança é de aproximadamente 30-40%; ○ O neuroticismo como traço de personalidade representa uma parte substancial dessa propensão genética; Etiologia As causas podem ser genéticas, biológicas e psicossociais → interagem entre si ● A compreensão atual sugere uma disfunção complexa e multifatorial, envolvendo aspectos neuroanatômicos e neurobiológicos, envolvendo expressão gênica, disfunções em sistemas de neurotransmissores, alterações hormonais e anomalias imunológicas. Quais os fatores genéticos? ● Estima-se que esse componente representa 40% da suscetibilidade para desenvolver depressão ● Mais influentes no transtorno bipolar que no depressivo ● O gene SLC6A4, relacionado à mediação de recaptura de serotonina reforça essa correlação, uma vez que indivíduos com a forma curta do alelo, uma vez expostos a eventos negativos, apresentam maior propensão ao desenvolvimento de TDM, quando comparados aos seus pares portadores do alelo longo. Quais os fatores biológicos? ● Relacionada à NE, serotonina, dopamina e ao GABA ● Alteração dos hormônios tireoidianos podem causar tanto depressão quanto mania→ precisamos investigar função tireoidiana em pacientes com transtorno de humor, mesmo que ele enem tenha queixas tireoidianas ● Alterações no GH e adrenais (cortisol) também se relacionam e podem comprometer o sistema imunológico de pacientes com esses quadros ● Envolve sistema límbico, gânglios basais e hipocampo→ desequilíbrio de aminas biogênicas ● Anormalidades no sono ● Alterações no ciclo circadiano ● Ainda não temos exames de neuroimagem que sejam usados na prática clínica ● Hipótese serotoninérgica → ocorre uma diminuição de serotonina (5-HT) cerebral, subsensibilização dos receptores 5-HT1a, supersensibilização dos receptores 5-HT2 e aumento dos níveis de cortisol. ● Hipótese das citocinas para depressão → ocorre uma inflamação, com citocinas pró-inflamatórias, ativação de células T, TNF-alfa, IFN-gama, aumento da produção de radicais livres Quais os fatores psicossociais? ● Eventos estressantes → desencadear episódios depressivos naqueles que têm uma predisposição genética a desenvolver a doença. ● Capacidade de lidar com estresse ● Abuso ou negligência na infância ● Ausência de figura materna ● Perdas (emprego, entes queridos, separações) Alterações estruturais Alterações estruturais do cérebro: ● Redução do volume do hipocampo que se associa a formas mais graves de depressão ● Redução de área cinzenta em: cíngulo anterior, striatum, ínsula, amígdala e córtex pré-frontal Alterações funcionais do cérebro : ● Alterações em circuitos pré-frontais-límbicos, modulados por serotonina, e circuitos striatum-frontais, modulados por dopamina 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Aumento de atividade em sistemas neurais de base para o processamento de emoções (amígdala e córtex pré-frontal) e redução em sistemas neurais de apoio à regulação de emoções (córtex pré-frontal dorsolateral) ● Anormalidades na ativação destas regiões culminam com um aumento na reatividade a estímulos emocionais negativos e diminuição do impacto de estímulos positivos, além de ruminações, correlacionando-se com a clínica observada neste transtorno do humor. Quadro Clínico Pacientes com síndromes depressivas podem apresentar sintomas de humor, cognitivos, neurovegetativos ou somáticos. As manifestações de humor incluem tristeza, sofrimento emocional, entorpecimento emocionalou, às vezes, ansiedade ou irritabilidade. Os sintomas neurovegetativos incluem perda de energia, alterações no sono, apetite ou peso. ● O sintoma mais comum a persistir após a remissão é a insônia, seguida de humor triste e diminuição da concentração! ● Também podem estar presentes, em formas graves de depressão, sintomas psicóticos (delírios e/ou alucinações), marcante alteração psicomotora (geralmente lentificação ou estupor), assim como fenômenos biológicos (neuronais ou neuroendócrinos) associados. Sintomas afetivos ● Tristeza ● Melancolia ● Choro fácil/frequente ● Apatia ● Incapacidade de sentir prazer ● Tédio ● Aborrecimento crônico ● Irritabilidade ● Angústia ● Sensação constante de desespero Alterações físicas ● Fadiga ● Cansaço constante ● Distúrbios do sono (ou insônia ou hipersônia) ● Perda ou aumento do apetite ● Constipação ● Indigestão ● Diminuição da libido ● Palidez ● Alterações menstruais ● Cefaleia Distúrbios do pensamento ● Ideação suicida ● Pessimismo ● Culpa/arrependimentos ● Ideias de abandono e autopunição ● Tentativas ou planos de suicídio Alterações da autovaloração ● Baixa autoestima ● Vergonha ● Autodepreciação 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Alterações da psicomotricidade ● Aumento do tempo entre pergunta e resposta ● Lentificação psicomotora ● Diminuição do discurso ● Redução do tom de voz ● Ausência de planos e perspectivas ● Fala lentificada → mutismo (negativismo verbal),negativismo (recusa alimentar, recusa à interação pessoal), ausência de planos e perspectivas. Alterações cognitivas ● Dificuldade de concentração ● Esquecimento ● Pseudodemência depressiva Sintomas psicóticos ● Ideias delirantes ● Alucinações auditivas com conteúdo depressivos ● Delírios de ruínas ou miséria Há necessidade de avaliação criteriosa em faixas etárias diferentes, devido à modificação dos sintomas mais frequentemente observados. ● Em pacientes idosos, por exemplo, a manifestação do TDM pode ser confundida com um quadro demencial, com proeminência de prejuízos cognitivos e apatia. ● Em uma população mais jovem, queixas em relação a disfunções sexuais, como diminuição de libido em mulheres e disfunção erétil em homens, podem ser vistas com maior frequência, assim como abuso de substâncias ou dependência digital. Qual o mnemônico? CAAFPPP! C Cognitivas Dificuldade de concentração e esquecimentos, dificuldade para tomar decisões A Afetivas Tristeza, melancolia, choro fácil e/ou frequente, apatia, incapacidade de sentir prazer A Autovalorização Sentimento de baixa autoestima e desvalia, sentimento de vergonha, autodepreciação e autoacusação. F Físicas Fadiga, cansaço fácil e constante, distúrbios do sono, perda ou aumento do apetite/peso, constipação P Pensamento Ideação negativa, pessimismo, ideias de arrependimento e culpa, ideias de abandono e autopunição, P Psicomotricidade Aumento da latência entre as perguntas e as respostas Lentificação psicomotora Diminuição do discurso Redução do tom de voz Fala lentificada P Psicose Ideias delirantes de conteúdo negativo, delírios de ruína ou miséria, alucinações Exame Psíquico ● Paciente se apresenta cansado, preocupado, com pouco ou nenhum contato visual, diminuição do cuidado com a aparência, choro fácil ● Apresenta perda de prazer nas coisas que antes o interessavam ● Em depressão menos acentuada o humor pode variar durante o dia, com piora matutina ou vespertina ● Paciente com fala monossilábica, sem espontaneidade e monótona 🚨 🚨 TODOS os pacientes deprimidos devem ser questionados especificamente sobre ideação e comportamento suicida. Qualquer resposta positiva ou ambígua: ● Pergunte sobre a natureza específica da ideia, intenção, planos, meios disponíveis (por exemplo, armas de fogo) e ações. ● Avalie o paciente quanto a fatores de risco para suicídio, incluindo história prévia de tentativas de suicídio, comorbidades psiquiátricas e doenças médicas gerais e história familiar de comportamento suicida. ● Desenvolva um plano de segurança para avaliação e tratamento adicionais que dependa do nível de risco e pode variar desde o acompanhamento contínuo da atenção primária até a avaliação psiquiátrica ambulatorial ou de emergência. Exame do estado mental ● Retardo psicomotor generalizado (torcer as mãos, arrancar cabelos, postura encurvada, olhar cabisbaixo) ● Paciente hipotenaz (isso, junto com o desinteresse, prejudica a memória) ● Falta de energia, tendência ao isolamento, fala monossilábica e com longas pausas ● Situações que antes davam prazer passam a ser sem graça ● Dobra de Veraguth → dobra peculiar em forma de triângulo no canto nasal da pálpebra superior ● Humor → depressivo (reclusão social e redução generalizada da atividade, mas 50% dos pacientes podem negar esses sintomas) 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Fala → redução da taxa e volume da fala (podem demorar minutos para responder, e respondem de forma monossilábica) ● Distúrbio de percepção → pode haver manifestações psicóticas (delírios, alucinações, evacuação nas roupas, não tomam banho), sensação de culpa, inutilidade, pecado, pobreza, fracasso, perseguição. os delírios são condizentes com o humor ● Pensamento → visão negativa do mundo e de si próprio. ● Sensório e cognição → a maioria dos pacientes está orientado em relação a pessoa, lugar e tempo, contudo, podem apresentar pseudodemência depressiva, pois costumam apresentar dificuldade de concentração e esquecimento. pode apresentar sintomas psicóticos (ideias delirantes de conteúdo negativo) ● Controle dos impulsos → em torno de 10 a 15% dos indivíduos depressivos cometem suicídio e cerca de 2/3 apresentam intenção suicida. é possível o suicídio paradoxal, no qual, ao decorrer do tto, o indivíduo ganha sua energia de volta e torna-se mais disposto para se matar. ● Confiabilidade → pode estar comprometida devido a tendência de pensamentos pessimistas do paciente. Diagnóstico Segundo o DSM-5, o quadro de depressão se caracteriza por, no mínimo, 14 dias, nos quais o paciente deve apresentar pelo menos 5 dos sintomas a seguir, sendo obrigatoriamente um deles o humor deprimido ou a perda do interesse / prazer. ● Perda do interesse / prazer nas atividades na maior parte do tempo; ● Humor deprimido na maior parte do tempo; ● frequentes pensamentos sobre morte e/ou ideação suicida; ● Alterações no peso corporal (sem dieta específica); ● Indecisão, dificuldade de concentração ou pensamento; ● Alteração do sono (insônia ou hipersonia) ● Sentimento de culpa ou de inutilidade; ● Alterações psicomotoras (agitação ou retardo psicomotor); ● Diminuição da energia / fadiga. 🤔O quadro está associado a sofrimento importante ou prejuízo em uma ou mais áreas da vida e não pode ser mais bem explicado pelo uso de alguma substância ou outro transtorno mental (especialmente os transtornos psicóticos) ou doença clínica. Exames de Rotina: ● Hemograma completo →afasta a possibilidade de anemia e infecções; ● Ionograma; ● TSH, T4 livre, T4, T3→ afasta a possibilidade de hipo ou hipertireoidismo; ● Creatinina e ureia → afasta a possibilidade de doenças renais e ajuda a avaliar a necessidade de ajuste de dose de medicações; ● AST, ALT, FA, GGT, TP, KTTP →afasta a possibilidade de hepatopatias; ● Glicemia de jejum –< diabetes está associada a maior risco de depressão; ● Beta-hCG→para mulheres em idade fértil; ● Colesterol total e frações: alguns antidepressivos (como os inibidores da recaptação de serotonina) podem alterar o perfil lipídico; ● VHS ● Ácido fólico e vitamina B12 → se baixos, podem mimetizar sintomas depressivos; ● EAS / urina tipo 1; ● Neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética)→ não comum: ○ Descarta causas secundárias, como AVC ou neoplasias; ○ Indicada na presença de sinais focais, alterações ao exame neurológico; alteração cognitiva persistente e em idosos; ●Eletrocardiograma → alguns antidepressivos podem causar alterações no ECG; ● Avaliação neuropsicológica. Diagnóstico Diferencial Quais medicamentos que podem causar depressão? ● Betabloqueadores ● Isoniazida e etionamida ● Metronidazol ● Corticoides ● Antiparkinsonianos→ levodopa, carbidopa, amantadina, bromocriptina; ● Anticonvulsivantes ● Benzodiazepínicos ● Opióides ● Antipsicóticos ● Hormônios tireoidianos ● Metoclopramida ● Ranitidina, cimetidina ● Abstinência de álcool e cocaína 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Antihipertensivos: diuréticos, hidralazina, alfa metildopa, clonidina; ● Inibidores da colinesterase ● ACOs ● AINEs Quais doenças que podem causar depressão? ● Hiper/hipotireoidismo ● DM ● Hiper/hipoparatireoidismo ● Hipopituitarismo ● IAM, ICC e miocardiopatias ● LES, AR, poliarterite nodosa e sarcoidose ● Doença de Parkinson, demências, hidrocefalia de pressão normal, AVC, hemorragia subaracnóide, esclerose múltipla, epilepsia, trauma; ● Deficiências vitamínicas → beribéri (B1), pelagra (ácido nicotínico), anemia perniciosa (B12); ● Outros: alcoolismo, anormalidades eletrolíticas, envenenamento por metais pesados, hemodiálise Episódio Depressivo Maior Caracterizado por episódios distintos de pelo menos 2 semanas de duração (maioria dura mais que isso) e que envolve alterações nítidas no afeto, na cognição e em funções neurovegetativas com episódios de remissão ● Humor deprimido e/ou perda de interesse em todas as atividades por pelo menos duas semanas ● O diagnóstico baseado em um único episódio é possível (mas ela tem, em geral, característica recorrente) ● Diferenciar episódio depressivo de tristeza ou luto normais ○ O luto pode provocar grande sofrimento, mas não costuma provocar um episódio depressivo maior ⚰ Luto x Transtorno Depressivo Maior (TDM): ● Flutuação → a disforia no luto pode diminuir de intensidade ao longo de dias a semanas →ocorre em ondas →“dores do luto”, tendem a estar associadas a pensamentos ou lembranças do falecido. O humor deprimido de um transtorno depressivo maior é mais persistente e não está ligado a pensamentos ou preocupações específicos ● Conteúdo dos pensamentos→ os pensamentos no luto geralmente apresentam preocupação com lembranças do falecido, em vez das ruminações autocríticas ou pessimistas encontradas no TDM ● Autoestima → no luto, a autoestima costuma estar preservada, ao passo que no TDM os sentimentos de desvalia e aversão a si mesmo são comuns. Se presente no luto, a ideação autodepreciativa costuma envolver a percepção de falhas em relação ao falecido (p. ex., não ter feito visitas com frequência suficiente, não dizer ao falecido o quanto o amava). ● Suicídio → se um indivíduo enlutado pensa em morte e em morrer, tais pensamentos costumam ter o foco no falecido e possivelmente em “se unir” a ele, enquanto no TDM esses pensamentos têm o foco em acabar com a própria vida por causa dos sentimentos de desvalia, de não merecer estar vivo ou da incapacidade de enfrentar a dor da depressão Deve apresentar ao menos 5 dos seguintes critérios: ● Humor deprimido* → na maior parte do dia + surge quase todos os dias ou todos os dias → constante ou quase→ pode ser uma criança muito irritada ○ Irritação no caso de crianças ● Perda do interesse/prazer em fazer atividades* ● Alterações do peso ou apetite → aumento ou redução sem dieta! ○ P. ex.: mais de 5% do peso corporal em um mês ● Insônia ou hipersonia quase todos os dias ● Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias ● Fadiga ● Sentimento de inutilidade ou culpa ● Redução da capacidade de pensar ou concentrar-se ● Pensamentos recorrentes, ideação, plano ou tentativa de suicídio ● Sentimentos de inutilidade, culpa excessiva ou inapropriada Obrigatório um dos dois (*) + duração ≥ 2 semanas ☹O PACIENTE PRECISA TER PREJUÍZO FUNCIONAL 🚨 O paciente apresenta uma maior chance de desenvolver infecções! Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo!→ incapacitantes! Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p. ex.: droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (p. ex.: hipotireoidismo). A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por outra coisa: transtorno esquizoafetivo,esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA esquizofrenia ou outro transtorno psicótico especificado, ou transtorno da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado. Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco! Classificação (DSM-5) ● Leve → NÃO IMPEDE atividades diárias (pouco prejuízo). → os sintomas são poucos, mas manejáveis; há sofrimento, mas este não incapacita; ● Moderada → Intermediária. → afeta parcialmente as funções do indivíduo; ● Grave → Sofrimento grave, não manejável (muito prejuízo funcional). → geralmente está associada a algum grau de incapacidade social e/ou profissional. No registro, seguir a ordem → transtorno depressivo maior, episódio único ou recorrente, especificadores de gravidade/psicótico/remissão, seguidos pelos especificadores sem código que se aplicam ao episódio atual (sintomas ansiosos, características mistas, melancólicas, atípicas, psicóticas congruentes ou incongruentes com o humor, catatonia) Desenvolvimento e Curso ● Curso bastante variável ● O transtorno depressivo maior (TDM) pode aparecer, pela primeira vez, em qualquer idade → a probabilidade de início aumenta com a puberdade ● Alguns pcts raramente têm remissão (período de 2 meses ou mais sem sintomas ou não mais que 1 ou 2 sintomas em grau leve), enquanto outros passam anos com poucos ou nenhum sintoma ● Cronicidade dos sintomas depressivos → aumenta a probabilidade de transtornos de personalidade, ansiedade e abuso de substâncias subjacentes e diminui a probabilidade de que o tratamento seja seguido pela resolução completa dos sintomas ● A recuperação começa dentro de 3 meses ou em 1 ano Fatores de Risco e Prognóstico Fatores de risco ● Temperamentais → a afetividade negativa (neuroticismo) é um fator de risco para o início de 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA transtorno depressivo maior, principalmente em resposta a eventos estressantes na vida ○ O traço de personalidade neuroticismo refere-se ao nível crônico de desajustamento e instabilidade emocional. As pessoas passam a experienciar padrões emocionais associados a um desconforto psicológico causado por aflições, angústias e sofrimentos ● Ambientais → principalmente experiências na infância → eventos estressantes na vida podem ser precipitantes de episódios ● Genéticos e fisiológicos → familiares de 1° grau de indivíduos com transtorno depressivo maior tem risco 2 a 4 vezes maior de desenvolver a doença do que a população geral ● Comorbidades → mais frequentemente os indivíduos com TDM apresentam abuso ou dependência de álcool, transtorno de pânico, TOC e transtorno de ansiedade social ● Modificadores do curso → indivíduos com outros transtornos maiores que não estejam relacionados ao humor apresentam risco aumentado de desenvolver depressão → os fatores mais frequentemente associados ao início do TDM é uso de substâncias, ansiedade e transtorno de personalidade borderline ● Psicossociais → eventos de vida estressantes precedem os primeiros episódios de transtornos do humor (e não os subsequentes), isso porque o estresse que acompanha o primeiro episódio causa mudanças duradouras na biologia cerebral, que alteram sinalizadores e neurotransmissores a longo prazo!! → Pessoa pode desenvolver episódios subsequentes de um transtorno de humor sem que haja um estressor externo. Existem correntes de pensamento que postulam que os eventos de vida tenham papel primário na depressão, enquanto outros postulamque o papel é limitado ao início da depressão ○ O evento de vida mais frequentemente associado ao desenvolvimento da depressão é a perda de um dos genitores antes dos 11 anos de idade ○ O estressor ambiental mais associado ao início de um episódio é a perda de um cônjuge + desemprego Risco de Suicídio Quais os fatores de risco? ● História prévia de tentativas ou ameaças de suicídio ● Sexo masculino, solteiro → risco de tentativa de suicídio é maior em mulheres, mas risco de suicídio completo é menor ● Viver sozinho ● Sentimentos proeminentes de desesperança Diagnóstico 🔪 Além disso, se a história clínica ou a apresentação do paciente sugerirem que o paciente corre risco de violência dirigida a outras pessoas, os médicos devem perguntar sobre ideação e comportamento homicida. Diagnóstico Diferencial ● Episódios maníacos com humor irritável ou episódios mistos ● Transtorno do humor devido a outra condição médica → esclerose múltipla, AVC, hipotireoidismo ● Transtorno depressivo ou bipolar induzido por substância/medicamento → uma substância (p. ex., uma droga de abuso, um medicamento, uma toxina) parece estar etiologicamente relacionada à perturbação do humor → o humor depressivo que ocorre apenas no contexto da abstinência de cocaína ● Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade → a distratibilidade e a baixa tolerância à frustração podem ocorrer tanto em um transtorno de déficit de atenção/hiperatividade quanto em um episódio depressivo maior; caso sejam satisfeitos os critérios para ambos, o TDAH pode ser diagnosticado em conjunto com transtorno de humor. Entretanto, o clínico deve ter cautela para não superdiagnosticar um episódio depressivo maior nas crianças com transtorno 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA de déficit de atenção/hiperatividade cuja perturbação no humor se caracteriza mais por irritabilidade do que por tristeza ou perda de interesse ● Transtorno de adaptação com humor deprimido → resposta a um estressor psicossocial→ é diferenciado do transtorno de adaptação com humor deprimido pelo fato de que no transtorno de adaptação não são satisfeitos todos os critérios para um episódio depressivo maior ● Tristeza → períodos de tristeza são aspectos inerentes à experiência humana → não devem ser diagnosticados como um episódio depressivo maior, a menos que sejam satisfeitos os critérios de gravidade (i.e., cinco dos nove sintomas), duração (i.e., na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas) e sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos Encaminhamento Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento: ● Episódio depressivo refratário→ ausência de resposta ou resposta parcial a pelo menos duas estratégias terapêuticas farmacológicas eficazes por pelo menos 8 semanas cada ● Episódio depressivo associado a sintomas psicóticos ● Episódio depressivo em paciente com episódios prévios graves (sintomas psicóticos, tentativa de suicídio ou hospitalização psiquiátrica) ● Episódio depressivo associado a transtorno por uso de substâncias grave ● Paciente com ideação suicida persistente Conteúdo descritivo mínimo que o encaminhamento deve ter: ● Descrição do quadro psiquiátrico atual (evolução dos sintomas, características que sugerem diagnóstico) ● Presença de sintomas psicóticos atuais ou no passado? (sim ou não). Se sim, descreva ● Presença de ideação suicida/tentativas de suicídio atuais ou no passado? (sim ou não) Se sim, descreva ● Apresenta prejuízo funcional associado à condição? (sim ou não). Se sim, descreva ● Histórico psiquiátrico: ○ Número de episódios depressivos e idade de início ○ Outros transtornos psiquiátricos atuais e/ou passados? (sim ou não) Se sim, descreva 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Internações psiquiátricas anteriores? (sim ou não). Se sim, número de internações e ano da última internação ● Tratamento em uso ou já realizado para a condição (psicoterápico - tipo e duração - ou farmacológico - dose e posologia); Depressão maior grave ● Caracterizada por sete a nove sintomas depressivos que ocorrem quase todos os dias, conforme indicado por uma pontuação ≥20 pontos no PHQ-9 ● Pacientes gravemente enfermos frequentemente relatam ideação e comportamento suicida, geralmente demonstram comprometimento óbvio do funcionamento, são mais propensos a desenvolver complicações, como características psicóticas e características catatônicas ● Geralmente requer internação ● Para o tratamento inicial da depressão maior unipolar grave, usamos inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina ou inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs). Transtorno Depressivo Persistente - Distimia ● Forma mais crônica de depressão ● Pode ser diagnosticada quando as perturbações no humor persistem por mais de 2 anos em adultos e mais de 1 ano em crianças Como é o diagnóstico? ● A → Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas), por período mínimo de 2 anos ○ Em crianças e adolescentes ⇒ período mínimo de 1 ano e o humor pode ser irritável ● B → Presença, enquanto deprimido, de duas ou mais características: ○ Hipersonia ou insônia ○ Hiperfagia ou apetite diminuído ○ Baixa autoestima ○ Baixa energia ou fadiga ○ Concentração pobre ou dificuldade para tomar decisões ○ Sentimentos de desesperança ● C → Durante o período de 2 anos (ou 1 p/ crianças e aborrecentes), o indivíduo jamais esteve sem os sintomas dos critérios A e B por mais de 2 meses ● D → Os critérios para transtorno depressivo maior podem estar continuamente presentes por 2 anos ● E → Jamais houve um episódio maníaco ou hipomaníaco e jamais foram satisfeitos os critérios para transtorno ciclotímico ● F → A perturbação não é mais bem explicada por um transtorno esquizoafetivo persistente, esquizofrenia, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado ou transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado. ● G→Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento) ou a outra condição médica (p. ex., hipotireoidismo) ● H → Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo Transtornos Depressivos devido a outras Condições Como é o diagnóstico? ● A → Um período proeminente e persistente de humor depressivo ou de perda de interesse ou prazer em todas ou em quase todas as atividades ● B → Existem evidências da história clínica, exame físico e análises laboratoriais de que a perturbação é consequência fisiopatológica direta de outra condição médica ● C → Perturbação não é melhor explicada por outro transtorno mental (ex.: transtorno de adaptação com humor depressivo em resposta ao estresse de ter uma condição médica grave) ● D → A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de delirium ● E → A perturbação causa sofrimento clínico significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo Quais as condições médicas capazes de induzir depressão maior? ● Hipotireoidismo ● Síndrome de Cushing ● Doença de Huntington ● AVC ● Doença de Parkinson ● Lesão cerebral traumática 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Esclerose múltipla Marcadores diagnósticos → dizem respeito àqueles associados à condição médica Tratamento O objetivo do tratamento inicial para a depressão é a remissão dos sintomas e a restauração do funcionamento basal. 🚨Depende do nível ● Leve→ psicoterapia ou antidepressivo ● Moderada/grave→ psicoterapia e antidepressivo Baseado em: ● Suporte multidiciplinar ● Psicoterapia ● Psicofarmacoterapia ● ECT ● Neuromodulação Seleção de um medicamento é baseada em: ● Segurança ● Perfil de efeitoscolaterais ● Sintomas depressivos específicos ● Comorbidades ● Medicamentos concomitantes e possíveis interações medicamentosas ● Facilidade de uso (por exemplo, frequência de administração) ● referência ou expectativas do paciente ● Custo ● Resposta do paciente aos antidepressivos durante episódios depressivos anteriores ● História familiar (por exemplo, parente de primeiro grau) de resposta a antidepressivos Forma leve ● Psicoterapia OU antidepressivo. Moderada/grave ● Psicoterapia E antidepressivo. Quando hospitalizar? ● Em casos de risco de suicídio/homicídio e capacidade reduzida de autocuidado básico ● Quando falta ao paciente apoio psicossocial ● Quando há abuso de drogas ● Quando paciente não coopera com o tratamento 🚨Deve-se sempre avaliar o risco de suicídio (perguntar se o paciente tem planos formandos, ideia ou se já tentou se matar→ ser idoso é um fator de risco). ● Ccaso este risco seja evidente, é melhor dar início ao tratamento em regime de internação psiquiátrica, pois a fase inicial de ação terapêutica da maioria dos antidepressivos pode "melhorar" o humor do paciente o bastante para que ele efetivamente tome a iniciativa de cometer suicídio, antes de melhorar de forma mais completa dos sintomas depressivos e deixar de correr esse risco. Antidepressivos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) ● 1ª Escolha (melhor perfil de tolerabilidade) ● Fluoxetina, sertralina (melhor para cardiopatas), escitalopram (+tolerado;↑iQT; menor interação)... ● Efeitos colaterais → Tendem a diminuir com o tempo – tontura, perda de apetite e náuseas (altera TGI), queda da libido, vômito, insônia em idosos ● Escitalopram 10 mg/dia; 10 mg/dia VO. 13 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Progredir dose conforme resposta até a remissão dos sintomas e com tolerância do paciente (dose máxima: 20 mg/dia). ○ Opção de menor interação medicamentosa; ● Fluoxetina 20 mg/dia → o ideal seria iniciar com 10 mg/dia. g ○ Cápsulas de 10 ou 20 mg. ○ Solução de 20 mg/mL: começar com 10 gotas VO pela manhã e, após alguns dias, aumentar para 20 gotas. d ○ Contraindicada em caso de uso de cimetidina (para úlcera gástrica), porque a cimetidina aumenta os níveis séricos de fluoxetina e citalopram. ● Citalopram 20 mg/dia; ● Sertralina 50 mg/dia; (geralmente disponível no SUS) 50 mg/dia VO. ○ Tem a vantagem de menor risco de arritmia (bom em pacientes com alterações cardiovasculares). ● Iniciar essas medicações com metade das doses sugeridas por cerca de 7 dias, chegando à dose sugerida após esse período; ● É importante lembrar que o tratamento não surte efeito imediato e são necessárias algumas semanas (4-8) para avaliar sua eficácia. Inibidores Duplos da receptação de serotonina e noradrenalina (DUAIS) ● Venlafaxina, duloxetina (atua na dor). ● Aumentam nora→ aumento de PA ● Aumentam tônus vascular→ aumentam a PA ● Efeitos colaterais → Semelhantes aos ISRS, ↑PA, tontura, perda do apetite, queda da libido, náuseas, ganho de peso ● Muito utilizadas em neuropatias, fibromialgia, osteoartrite e fibromialgia ○ Age nas vias modulatórias da dor endógena ○ Principalmente a duloxetina Tricíclicos ● Bloqueio na receptação de serotonina e noradrenalina. ● Amitriptilina, nortriptilina, clomipramina (+serotoninérgico). ● Efeitos colaterais → anticolinérgicos (boca seca, constipação, retenção urinária, visão turva, demência), hipotensão, sonolência, alteração da condução cardíaca (arritimias), ganho de peso, maior risco de virada maníaca ● Evitar em pacientes com risco de suicídios → droga suja→MUITO efeito colateral e intoxicação é MUITO grave Tetracíclicos: ● Bloqueio na receptação de serotonina e noradrenalina. ● Ex: maprotilina. ● Efeitos colaterais→Igual tricíclico. Atípicos ● Bupropiona → Inibidor da recaptação de noradrenalina e dopamina. ○ P/ dependência de nicotina,diminui limiar convulsivo, pouco risco de disfunção sexual. ○ Não é tão indicada quando há comorbidade com transtornos ansiosos. ● Agomelatina→Agonista dos receptores da melatonina. ○ Bem tolerada, boa para insônia concomitante. → poucos efeitos colaterais ● Mirtazapina → Bloqueio adrenérgico e serotoninérgico. ○ Dose baixa tem efeito sedativo, aumenta apetite, não causa disfunção sexual. ○ Efeito rápido comparado a outras medicações ○ Pode ser indicada quando se deseja o ganho de peso e deve ser evitada no caso contrário. Moduladores da serotonina ● Estimula alguns receptores e bloqueia outros ● Ex: Trazodona. ● Efeitos colaterais → Bem tolerada, priaprismo, sedativa, boa p/ idoso. IMAO ● Aumentam noradrenalina, serotonina e dopamina. ● Ex: Tranilcipromina, ● Efeitos colaterais → muitos → amento da PA/Crise hipertensiva, evitar TIRAMINA (AA presente em queijo, cerveja, vinho, leite...). Antipsicóticos ● Quetiapina→ iniciar com 50 mg/dia VO. Quais indicações? ● Depressão leve → tentar melhorar só com a psicoterapia ● História familiar/pessoal de melhora com um certo medicamento → usar ele como medicamento de primeira escolha ● Sem história prévia? iniciar com ISRS→ monitorar por 2-3 semanas 14 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Associado à diminuição da libido, anorgasmia, efeitos gastrointestinais ● Tricíclicos→ possui efeito anticolinérgico ○ Contraindicados em casos de pacientes com ideação suicida ○ Contraindicados em pacientes com glaucoma ○ Causa tontura, sedação, boca seca ○ Associados a um desencadeamento de episódios de mania ● Depressão mista→Venlafaxina é a indicada (DUAL) ○ Risco aumentado da síndrome de descontinuação → sintomas que ocorrem após a retirada ou redução da dose de uma medicação ● Depressão atípica → Inibidores das monoaminasoxidases (IMAOS) ○ Causam muitos efeitos colaterais → evita-se usar ○ Podem causar hipertensão se associados a alimentos que contenham tiramina ● Depressão em idosos → usar mirtazapina (poucos efeitos colaterais) ○ Razapina, menelat e remeron ○ Atua na serotonina e NE ● Usar estabilizadores de humor (lítio) em pacientes com depressão derivada de transtorno bipolar ● Tratamento pode ser potencializado se usado em conjunto com L-T3, carbonato de lítio e L-triptofano ● Paciente sem melhora depois de 6 semanas? Aumentar dose ou trocar medicação ● Tratamento deve ser feito por no mínimo 6 meses para evitar recaídas→ deve ser feito o desmame Fase aguda, continuação e manutenção ● Aguda → faz a medicação e espera a resposta ( 8 -12 semanas) ● Continuação → prevenção de recaídas → recomenda-se manter a medicação antidepressiva durante 6 a 12 meses após a remissão (a mesma dose usada na fase aguda) ● Manutenção →prevenção de recorrência → novo episódio após recuperação → 2 anos a vida toda de duração ● Caso não haja resposta adequada após o início do tratamento, deve-se aumentar progressivamente até a dose máxima recomendada de cada medicação; ● Caso não haja resposta ou não se tolere a medicação, pode-se trocar por outra droga dentre as citadas (preferência por outra de 1ª linha); ● Caso a resposta seja parcial, mesmo em dose máxima, é possível potencializar o tratamento com outras medicações, como Lítio, antipsicótico atípico ou doses baixas de hormônio tireoidiano. depois, pode-se tentar a associação entre antidepressivos de classes diferentes; ○ Potencialização: ■ Antidepressivo + antidepressivo ■ Antidepressivo + lítio ■ Antidepressivo + antipsicótico atípico ● Caso não haja resposta, também é possível tentar drogas de 2ª ou 3ª linha, como os inibidores da monoaminoxidase. ● Se depois de todas essas abordagens ainda não houver uma resposta, é possível tentar a **ECT**, caso ainda não tenha sido considerada; Risco de recorrência → episódios anteriores, sintomas residuais, diagnóstico psiquiátrico não-afetivo associado, presença de transtorno médico geral crônico; ● Gravidade do episódio; ● Efeitos colaterais; ● Preferência do paciente. ● ATENÇÃO → a redução da dose ainda não está bem desenvolvidos ●Vida toda → depressões crônicas (duração acima de dois anos), episó-dios graves (com tentativas de suicídio ou sintomas psi-cóticos), resistentes a tratamento, mais de dois episódios em dois anos ou depressões recorrentes ( >/3 episódios ao longo da vida) e depressão no idoso Resposta ao tratamento → a melhora clínica evidenciada por redução maior ou igual a 50% de pontuação em escalas de avaliação padronizadas, como a Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D) ou a Escala de Depressão de Montgomery Asberg (MADRS) Remissão completa dos sintomas → pontuação na escala Hamilton para Depressão com 17 itens é menor ou igual a 7 (HAM-D17 ≤ 7) por mais de 2 ≤ 7, por mais semanas e menos de 6 meses. 15 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Recuperação → apresentação assintomática, isto é HAM-D17 de 6 meses ● Há 50% de recaídas com tratamentos inadequados, e a resistência, na maioria dos casos, deve-se ao uso de subdoses; Os efeitos colaterais são a principal variável relacionada a não adesão dos pacientes, portanto, deve-se estar atento ao perfil de efeitos indesejáveis; Conforme subtipo ● Depressão bipolar → utilizar estabilizador do humor (exemplo: lítio) ● Se existe uma história familiar ou história anterior de resposta positiva a determinada droga → essa deve ser utilizada! ● Trazodona → depressão com insônia, devido às suas propriedades sedativas, sem potencial de dependência. Deve-se ter cautela no uso em homens, devido ao risco de priapismo, apesar de ser um efeito colateral raro; ● A venlafaxina (DUAL) está principalmente indicada nos casos de depressão ansiosa e seu uso está relacionado ao risco aumentado de síndrome de descontinuação; ● Depressão em idosos: mirtazapina → padrão reduzido de efeitos colaterais. Também possui ação sedativa ● Uso de IMAO cada vez mais incomum → antes usado em depressão atípica → risco de crise hipertensiva quando associado a alimentos que contenham tiramina (queijo, leite, cerveja, vinhos, etc.) ➕ contraindicação absoluta de utilização de diversas drogas (ISRS, alfametildopa, meperidina, simpaticomiméticos, entre outros ● O tratamento de manutenção com antidepressivos por pelo menos seis meses auxilia na prevenção de recaídas. ● Tratamento a longo prazo → paciente com transtorno depressivo recorrente→ associação com carbonato de lítio ou outro estabilizador do humor ● Retirada do antidepressivo: gradual ao longo de uma a duas semanas, dependendo da meia-vida do composto; ● ⚡Eletroconvulsoterapia (ECT) fica reservada aos casos de transtorno depressivo grave com sintomas psicóticos e refratário ao uso de antidepressivos! 💊ATENÇÃO: Após seis semanas (4-8 sem), se o antidepressivo não tiver o efeito desejado, uma mudança de classe de antidepressivo e/ou potencialização da terapia podem ser experimentados!! ● Aumento da dose; 16 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Troca para outro antidepressivo, não-IMAO; considerar IMAO em depressões atípicas ● Potencialização com lítio ou tri-iodotironina (T3); ● Associação de antidepressivos; ● Eletroconvulsoterapia (ECT) ○ Indicada em pacientes com TDM com riscos à vida (p. ex, ideação suicida, tentativa de suicídio, psicose severa, desnutrição por má-alimentação) → gera resposta mais rápido do que a farmacoterapia. ○ Outras indicações → pacientes idosos, grávidas, TDM refratário à farmacoterapia, esquizofrenia, síndrome neuroléptica maligna, transtorno esquizoafetiva, transtorno bipolar. ○ Não há contraindicações absolutas Medicamentos naturais Vitamina C → um dos principais sinais da deficiência de vitamina C é a depressão. ● Trabalha em junto com a enzima dopamina-beta-hidroxilase p/ converter dopamina em noradrenalina, que desempenha um papel importante na regulação do nosso humor. Chás→ valeriana, lúpulo, regaliz ajudam a equilibrar o humor. ● Camomila e lavanda ajudam a acalmar e são sedativos naturais. ● Raiz de ouro → inibição da monoamina oxidase A, modulação da transmissão de monoaminas e normalização da transmissão de serotonina. ● Ginseng → modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenais, na transmissão de dopamina e serotonina e como agonista de serotonina. ● Lavanda → modulação do GABA. pode ser usado como chá, óleo essencial (pingue umas gotas no travesseiro antes de dormir ou como difusor). ● Camomila → também atua na modulação do GABA, na transmissão de monoaminas e tem modulação neuroendócrina. Também é bom para acalmar. Hypericum perforatum (Erva de são joão): para depressões leves a moderadas (em que os antidepressivos não são indicados). ● Pode ser usado como monoterapia nesses casos ● Agente de combate a depressão muito conhecido nos EUA. ● Contém hipericina, que é um composto que atua nesse combate pela modulação da transmissão de monoaminas, para ter esse efeito, deve ser usado regularmente (Demora 4-6 semanas para gerar efeito). ● Fazer psicoterapia também! ● Efeitos colaterais (nas primeiras 2 semanas) → alteração do TGI (náuseas, diarreia), pele sensível aos raios do sol (passar hidratante, usar protetor solar pelo menos FPS 30) ● Posologia→ manipulado ○ 600mg (com pelo menos 0,2 a 0,3% de hipericina ou 0,5-0,6% de hipeforina) ○ 1800mg ○ manter por pelo menos 6 meses depois da melhora. ● Não tomar se estiver usando outros remédios! Pode causar interação medicamentosa, aumentando ou inibindo 17 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Antidepressivo → síndrome serotoninérgica (hipertermia, diarreia, vômitos, confusão mental…) ○ Marevan, Clopidogrel → pode aumentar a concentração deles ○ anticoncepcional: o hypericum tira o efeito do ACO! Açafrão → pesquisas indicam que ingerir açafrão ou extrato de açafrão por 6-12 meses ajuda no combate a depressão, combatendo os radicais livres, diminuindo assim a inflamação cerebral. ● Posologia→30mg (do pistilo) ● Pode ser usado em monoterapia ou junto com outros antidepressivos. ● Pode melhorar a energia e diminuir os efeitos dos antidepressivos na disfunção sexual. Lavanda: ● Efeito principalmente serotoninérgico e melhora a ansiedade e insônia. ● Demora 4 semanas para efeito terapêutico, porque atua na neuroplasticidade. ● Pode ser usado junto com outros antidepressivos. Perspectivas futuras ● Inibidores triplos ● Antagonistas de peptídeos no SNC ○ Reduzir a corticotropina e neurocinina 1 ● Moduladores de sinalização de nucleotídeos cíclicos ○ Modulação de receptores sigma 1 e 2 ● Agonistas de receptores de melatonina ● Antagonistas de receptores de glutamato ● Modulação de sinalização endocanabinóides ● Uso de produtos de ocorrência natural → S-adenosilmetionina, N-Acetilcisteína e ácidos graxos ômega 3 Transtornos Depressivos x Doenças Tireoidianas ● Níveis elevados de anticorpos antitireoidianos foram documentados em pacientes com depressão clínica ● Alguns estudos relatam que a prevalência de depressão é maior em pessoas com hipotireoidismo subclínico (HSC) do que em eutireoidianos → outros estudos analisaram que o risco de depressão é comparável entre as duas populações ● Acredita-se que → mudanças nos níveis de hormônio da tireoide, mesmo dentro da faixa normal→ alteração da função cerebral na depressão ○ Por que? distúrbios hormonais → déficit de NE e serotonina no SNC ● Alterações tireoidianas podem causas sintomas depressivos → é uma via de mão duplas, mas nessa ordem é mais comum ● Tratamento anti tireoidiano → redução dos HT → redução dos níveis séricos da serotonina APS A CIAP-2,11 mais voltada para a prática da APS, restringe-se aos sintomas, sem a eleição de requisitos mínimos para definir uma entidade nosológica. Utiliza-se, por exemplo, o código CIAP P-03 para tristeza/sensação de depressão, em quadros mais leves, e o código CIAP P-76, para perturbações depressivas, nos mais graves. Outra diferença se dá em relação ao que se define como transtorno bipolar, do DSM-5,12 que é chamado psicose afetiva, na CIAP-2 Principais causas de sofrimento: ● Desigualdadessociais → sem acesso a condições mínimas de alimentação, moradia, saneamento e higiene, vestuário e transporte ● Violência → exposição indesejada a situações de coerção física ou psicológica ● Luto → perdas ou doenças graves de familiares, pessoas próximas ou animais de estimação ● Família → situações desconfortáveis no relacionamento com parceiro(a), filhos, pais, irmãos ou outros ● Trabalho → condições laborais difíceis, relacionamento ruim com superior ou colegas, iminência de demissão ou fechamento da empresa, sensação de injustiça no reconhecimento de seu desempenho ● Doença → preocupação exacerbada com sintomas ou sinais físicos aparentemente benignos, diagnóstico recente de doença grave ou letal, convivência com doença crônica degenerativa e/ou incapacitante ● Serviços de saúde → dificuldade de acesso, mau atendimento, resposta inadequada às demandas do usuário ● Gravidez e puerpério → as complexas modificações provocadas na vida e no corpo da mulher durante e após a gravidez estão relacionadas com maior possibilidade de sintomas depressivos, quadro que também tem sido chamado de depressão pós-parto 18 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 🤔 Não é necessário solicitar exames laboratoriais para hipotireoidismo para todas as pessoas com sintomas depressivos. A avaliação clínica e a identificação de outros sinais e sintomas, além da lentidão psicomotora, ganho de peso, ressecamento da pele, constipação e eventualmente edema de membros inferiores, auxiliarão nessa decisão. Quadros clínicos que podem levar a sintomas depressivos: ● Hipotireoidismo → Solicitar investigação laboratorial (TSH) apenas se houver alta suspeição clínica: ganho de peso, letargia, ressecamento da pele; constipação ● Transtorno bipolar ou psicose afetiva → Alternância de dois ou mais episódios de incontrolável excitação e euforia com episódios depressivos. O tratamento com antidepressivos pode precipitar uma crise maníaca e aumentar a suspeita ● Esquizofrenia → Quadro inicial pode ter embotamento, isolamento social e sonolência. Sintomas positivos, como delírios, alucinações e surtos psicóticos, ajudam no diagnóstico diferencial ● Demência → Prejuízo da memória, da cognição, da orientação espacial se destacam em relação aos sintomas depressivos, mas um teste terapêutico pode ajudar ● Doença de Parkinson → A doença de Parkinson geralmente coexiste com sintomas depressivos e algumas vezes pode ser a manifestação inicial da doença ● Climatério e menopausa ● Condições clínicas debilitantes O que fazer? A abordagem inicial, ao se fazer uma boa escuta e permitir que a pessoa exponha suas inquietações, é suficiente para lidar com a maioria dos casos. → Estudos demonstram que a qualidade da atenção às pessoas com sintomas depressivos é maior quando elas participam mais ativamente do encontro e quando os médicos exploram e validam suas preocupações. Se há a percepção de que se trata de um sofrimento intenso e a pessoa não verbalizou durante a consulta que tem pensado em suicídio, pode ajudar muito perguntar sobre isso. Como o suicídio é carregado de valores morais e religiosos negativos, as pessoas muitas vezes têm medo de falar sobre esses pensamentos, o que pode ser uma carga a mais. Conversar sobre esse tema, explicar que são pensamentos recorrentes para a maioria das pessoas e mais ainda para aqueles que passam por dificuldades pode ser muito terapêutico. Além do acesso fácil aos serviços de saúde e de uma boa abordagem inicial, o seguimento continuado é fundamental, especialmente para as pessoas com sintomas moderados e graves. As psicoterapias mais utilizadas são as TCC e a terapia de resolução de problemas (TRP). Há modalidades mais recentes de TCC, como as autoguiadas (feitas pelo computador) ou à distância, com a ajuda de psicoterapeuta. Pode usar tbm exercício físico, ajustes na alimentação e fitoterapia (incluindo chás). Quando referenciar? A maioria das situações pode ser manejada na APS, mas algumas podem requerer o apoio de um psicólogo, psiquiatra, assistente social ou de instituições. Naqueles casos em que há sinais de gravidade, os alertas vermelhos, ou quando há dúvidas sobre o quadro clínico, como com a suspeita de psicose afetiva (transtorno bipolar) ou quando há sintomas psicóticos, pode ser interessante contatar precocemente a equipe de saúde mental . Do mesmo modo, em relação àquelas pessoas que não melhoram após alguns meses de seguimento ou cujo estado se agrave muito. Quando encaminhar? 19 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Presença de sintomas de outros transtornos psiquiátricos; ● História de episódios graves com tratamento especializado; ● Sinais de depressão grave, com sintomas psicóticos ou ideação suicida; ● Presença de contraindicações ao uso de antidepressivos; ● Dúvida diagnóstica com transtorno bipolar; ● Pacientes que necessitem de tratamento para abuso de substâncias. Erros mais frequentemente cometidos ● Rotular ou aceitar precocemente o rótulo de depressão sem explorar o contexto de sofrimento. ● Manter e renovar continuadamente prescrições de ansiolíticos e de antidepressivos sem aproveitar para rever a indicação, os sintomas iniciais, os benefícios e malefícios do uso desses medicamentos. ● Atender repetidas vezes pessoas com dores crônicas vagas e mal-estar sem usar o tempo para aprofundar esse sofrimento. ● Iniciar antidepressivos sem haver aprofundado minimamente os sintomas e o contexto de sofrimento. ● Evitar oferecer o antidepressivo como uma das opções terapêuticas. ● Naqueles casos em que o antidepressivo foi introduzido como opção terapêutica, utilizar uma dose inadequada ou insuficiente para a melhora dos sintomas. ● Não solicitar apoio de outros profissionais da APS ou do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) para situações graves ou que não apresentaram a melhora esperada. ● Não conversar sobre suicídio nos casos moderados e graves. Redes de Assistência à Saúde → organizações poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde, que atuam de forma interdependente e cooperativa, tendo a APS como coordenadora da atenção Rede de atenção psicossocial (RAPS)→ mesma lógica da RAS, só que voltada para saúde mental → envolve todos os níveis de atenção → regulados pela APS, cujo objetivo perpassa em promover o acesso e a vinculação das pessoas com transtorno mental aos pontos de atenção ● A APS constitui-se a esfera mais próxima e acessível ao usuário, sendo o local de cuidado para qual ele retorna após atendimentos especializados, e onde será conduzido o seu acompanhamento ao longo de todo seu percurso dentro da rede Quando devo encaminhar paciente com sofrimento mental da APS para serviço especializado de emergência psiquiátrica? ● Risco de suicídio; ● Risco de auto ou heteroagressão (quando não existir suporte sociofamiliar capaz de conter o risco); ● Risco de exposição moral (quando não existir suporte sociofamiliar capaz de conter o risco); ● Sintomas psicóticos agudizados; ● Síndrome de abstinência a substâncias psicoativas avaliada pelo clínico como moderada a grave Atenção: oriente o paciente para que leve, na primeira consulta ao serviço especializado, o documento de referência com as informações clínicas e o motivo do encaminhamento, as receitas dos medicamentos que está utilizando e os exames complementares realizados recentemente! 20