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Pré-projeto do Curso Técnico em Enfermagem sobre caracterização e práticas de autocuidado de idosos com Diabetes Mellitus tipo 2 em Unidades Básicas de Saúde. Contém resumo, revisão bibliográfica, metodologia, cronograma e referências; propõe acompanhamento domiciliar para promover autocuidado e qualidade de vida.

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INSTITUTO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE DA AMAZÔNIA
CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM
Caracterização e Práticas de Autocuidado de Idosos Com Diabetes Mellitus Tipo 2 em Unidades Básicas de Saúde
BARCARENA
2023
JACKSON DE SOUZA LOPES
JAMILLY VITORIA DA SILVA GOMES
JULIANA LESLY BAIA PAIXÃO
LUZA KARINA PEREIRA RIBEIRO
RAQUEL ANGELICA SANTOS HAMON
THAMIRES MAYARA RODRIGUES ANGELIM
Caracterização e Práticas de Autocuidado de Idosos Com Diabetes Mellitus Tipo 2 em Unidades Básicas de Saúde
Pré-Projeto apresentado ao Instituto de Educação Permanente da Amazônia, como requisito para aprovação no Curso Técnico em Enfermagem.
Orientadora: Enf.ª Karolyne D’Paula Silva Araújo.
BARCARENA
2023
JACKSON DE SOUZA LOPES
JAMILLY VITORIA DA SILVA GOMES
JULIANA LESLY BAIA PAIXÃO
LUZA KARINA PEREIRA RIBEIRO
RAQUEL ANGELICA SANTOS HAMON
THAMIRES MAYARA RODRIGUES ANGELIM
Caracterização e Práticas de Autocuidado de Idosos Com Diabetes Mellitus Tipo 2 em Unidades Básicas de Saúde
Pré-Projeto apresentado como requisito para aprovação no Curso Técnico em ENFERMAGEM do Instituto de Educação Permanente da Amazônia - IEPAM.
APROVADO EM: ____/_____/____
BANCA EXAMINADORA
 __________________________________ 
Avaliador Técnico 
__________________________________ 
Avaliador Metodológico
 __________________________________ 
Diretor (a)
RESUMO
O referido projeto tem por finalidade o acompanhamento de pacientes portadores da Diabetes Mellitus tipo 2, incorporando ao tratamento do mesmo, o autocuidado através de variadas atividades alternativas, propondo assim uma melhora na qualidade de vida dos atendidos em visitas domiciliares.
Palavras-chave: autocuidado, tratamento, diabetes.
ABSTRACT
The purpose of this project is to monitor patients with type 2 Diabetes Mellitus, incorporating self-care into their treatment through various alternative activities, thus proposing an improvement in the quality of life of those treated during home visits.
Keywords: self-care, treatment, diabetes.
SUMÁRIO
1.	INTRODUÇÃO	7
2.	PROBLEMA	8
3.	JUTIFICATIVA	9
4.	OBJETIVOS	10
4.1	GERAL	10
4.2	ESPECÍFICOS	10
5.	REVISÃO BIBLIOGRÁFICA	11
5.1. A VELHICE E SUAS CONSEQUÊNCIAS	11
5.2. CARACTERIZAÇÃO DO DIABETES MELLITUS TIPO II	13
5.2.1. Os idosos e o diabetes mellitus tipo II	16
5.3. A PRÁTICA DO AUTOCUIDADO AOS IDOSOS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2	17
6.	METODOLOGIA	20
6.1. TIPO DE PESQUISA	20
6.2. CENÁRIO DA PESQUISA	20
6.3. COLETA DE DADOS	21
7.	RESULTADOS ESPERADOS	23
8.	CRONOGRAMA	24
REFERÊNCIAS	25
	
1. INTRODUÇÃO
A diabetes mellitus é uma doença crônica que afeta 171 milhões adultos globalmente (2,8%); estima-se que aumente para 366 milhões (4,4%) até 2030 (WILD et al., 2004). Entre 90 e 95% dos pacientes têm diabetes tipo 2, a forma da doença anteriormente conhecido como 'diabetes de início adulto' ou 'não insulino dependente (CDC, 2020).
De acordo com as estatísticas da International Diabetes Federation (IDF), o DM2, afeta cerca de 250 milhões de indivíduos, sendo que, até 2025, a tendência é que acometa cerca de 380 milhões de saudáveis. Isto se deve, principalmente, ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, considerada a maior causa de mortalidade no diabetes, respondendo por 50% dos óbitos (SBD, 2010).
Neste sentido, a população idosa necessita de uma atenção especial, pois, além de apresentarem uma saúde frágil, o acometimento por esta condição prejudica a autonomia, funcionalidade e o ritmo de vida destes (OLIVEIRA, 2010). 
No processo de envelhecimento ocorre a instalação de síndromes e fragilidades que tem como principais consequências à imobilidade no leito e a diminuição das capacidades visuais, auditivas, cognitivas e físicas, o que muitas vezes comprometem a autonomia e a independência do idoso (NUNES, MENEZES E ALCHIERI, 2010).
O autocuidado pelos portadores de DM é visto como necessário e envolve mudanças comportamentais como nutrição adequada, medicações diárias, exercícios físicos programados, automonitorização da glicemia, cuidados com o próprio corpo e educação permanente, além da perda ou manutenção de peso, não fumar, controle das dislipidemias e da pressão arterial (NAGAI; CHUBACI; NERI, 2012).
Nesse sentido, o autocuidado também é responsabilidade do profissional de saúde e não deve ser entendido como exclusiva responsabilidade do indivíduo e de sua família, mesmo que estes tenham que compreender e aprender a desenvolver atividades de incentivo do autocuidado. Os idosos diabéticos podem se beneficiar significativamente no desenvolvimento do autocuidado, e há várias pessoas e profissionais que podem auxiliá-los nesse processo. Dentre essas, estão os profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e etc., todos estes profissionais estão aptos a orientar sobre o tratamento adequado, o manuseio de medicações, a monitoração da saúde e na promoção do autocuidado. 
2. PROBLEMA
No Brasil, temos uma população de aproximadamente 20 milhões de pessoas idosas, com 60 anos ou mais. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estima-se que em 2025 este número de idosos ganhe proporções maiores, podendo chegar a 32 milhões de brasileiros com esta faixa etária, atingindo a 6ª posição no mundo em números significativos de idosos (BRASIL, 2019). 
É comum que indivíduos dessa faixa etária apresentem agravos de saúde, inclusive de forma simultânea, o que chamamos de multimorbidade, visto que mais de 10% dos idosos apresentam cinco ou mais patologias crônicas, evidenciando particularidades na assistência à saúde do idoso e novos desafios para os sistemas de saúde, buscando oferecer a atenção diferenciada que o público exige (OLIVEIRA et al., 2016).
Por ser uma população cada vez mais crescente com o passar dos anos, e reconhecendo as limitações decorrentes do envelhecimento natural a que a maior parte da população idosa é submetida, fica evidente que a prática do autocuidado pode ser uma ferramenta fundamental para o controle efetivo de doenças crônicas, como a diabetes. Isso inclui a adesão rigorosa à medicação prescrita, a monitorização regular da glicose, a adoção de uma dieta saudável e balanceada, a prática regular de atividade física e a atenção aos sinais de complicações. Além disso, a educação contínua sobre a condição e a promoção de mudanças no estilo de vida são essenciais para capacitar os idosos a gerenciar sua saúde de maneira autônoma.
Em virtude do que foi mencionado, certos questionamentos foram levantados a respeito do assunto, se a capacitação dos profissionais de saúde, que atuam na Atenção Primária (AT), é suficiente para desenvolver, junto aos idosos, práticas de autocuidado, tão importantes para a recuperação e prevenção de agravos decorrentes da diabetes tipo 2, e se os profissionais buscam se atualizar diante dos novos conhecimentos da sociedade científica, pois o meio está sempre se atualizando de novos métodos e técnicas comprovadas. 
Dessa maneira, ficou evidente a necessidade de se falar sobre o tema de uma maneira mais ampla e aprofundada, uma vez que é um tema de bastante relevância, visto o aumento da população idosa nos últimos anos. 
3. JUTIFICATIVA
Para prevenir e minimizar as complicações associadas ao diabetes tipo 2, é crucial incentivar mudanças no modo de vida dos indivíduos afetados, principalmente aqueles com elevada idade. Isso implica encorajar hábitos alimentares saudáveis, a prática regular de exercícios físicos, o controle dos níveis de glicose e pressão arterial, além da redução do peso corporal e dos níveis de lipídeos. Diante desse cenário, é essencial que as abordagens para pessoas com diabetes vão além do tratamento clínico da doença, priorizando a implementação de iniciativas educativas focadas no autocuidado como uma estratégia de intervenção. Identificar se o diabético segue as recomendações do tratamento é ponto fundamental para garantir o entendimento sobre a gravidade da doença e acesso devido às informações (CALIXTOet al., 2021).
A realização deste estudo encontra justificativa nos elevados índices de morbimortalidade associados ao diabetes tipo 2 (DM2), na redução da qualidade de vida e nos custos elevados dos tratamentos relacionados às complicações da doença. Acreditamos que esse contexto pode ser mitigado ou revertido por meio de iniciativas educativas em saúde, que se fundamentem na detecção precoce dos fatores que impactam a não adesão ao tratamento proposto. Assim, almejamos que este estudo possa oferecer contribuições valiosas aos profissionais de saúde, auxiliando na identificação dos elementos que afetam a adesão ao tratamento em suas práticas diárias. Dessa maneira, esperamos promover intervenções mais precoces e eficazes.
Diante do exposto, ficou claro que há a necessidade de se evidenciar o tema em questão, uma vez que é um tema pouco explorado e que merece um estudo bem mais aprofundado. Nesse sentido, o grupo decidiu abordar esse tema, que pode ser justificado pela sua grande relevância com o público alvo. 
4. OBJETIVOS
4.1 . GERAL
Avaliar o autocuidado frente ao tratamento e as práticas relativas à dieta, cuidados de saúde e atividade física dos idosos diabéticos cadastrados em Unidade Básica de Saúde.
4.2 . ESPECÍFICOS
· Caracterizar e identificar as práticas de autocuidado ofertadas aos idosos portadores de diabetes mellitus tipo 2;
· Analisar e destacar o papel do profissional de enfermagem no desenvolvimento do autocuidado pelos idosos diabéticos.
· Identificar os fatores que interferem no autocuidado dos idosos.
5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
5.1. A VELHICE E SUAS CONSEQUÊNCIAS 
O envelhecimento populacional é uma realidade na maioria das sociedades atuais, e esse fenômeno é decorrente de mudanças ocorridas em alguns indicadores de saúde (SILVA et al, 2013).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, as estimativas indicam que a população idosa poderá exceder os 30 milhões de pessoas no ano de 2020, o que representará em torno de 13% do total da população (FRANCISCO et al., 2010). A redução da fecundidade e da mortalidade, associados aos avanços tecnológicos e científicos tem possibilitado um aumento na expectativa de vida (OLIVEIRA & NOVAES, 2013).
O envelhecimento populacional é um dos grandes fatos da sociedade atual. Em função da diminuição da fecundidade e da mortalidade, e em decorrência do aumento da expectativa de vida, praticamente, em todo o mundo, incluindo o Brasil, tem-se vivenciado o crescimento gradativo da população de idosos. Projeções mostram que a população mundial com 65 anos ou mais poderá chegar a 1,5 bilhão em 2050, visto que em 2019 havia 703 milhões de pessoas nessa fase da vida (CARNEIRO; AYRES 2021).
Nos últimos anos, o Brasil vem passando por constantes modificações em suas características populacionais. O país tem deixado de ser considerado um país maior incidência de jovens e passado por um processo de envelhecimento populacional, decorrente da queda nas taxas de fecundidade e natalidade, e ainda pela melhora nutricional dos indivíduos, além da mudança de hábitos, incluindo dietas mais saudáveis e nutritivas no cardápio e a prática constante de exercícios físicos, o que diminui, consideravelmente, o risco da população que está envelhecendo, de desenvolver doenças.
Contudo, o envelhecimento natural, que é inerente aos indivíduos representa consequências negativas ou positivas, decorrentes da passagem do tempo. É importante ressaltar, que o envelhecimento natural do ser humano, atinge as diversas dimensões, como as atividades biológicas realizadas pelo organismo e as atividades psíquicas desencadeada pelo cérebro e que controlam os comportamentos, pensamentos e emoções, ambas são fundamentais para a manutenção da autonomia, independência e controle das ações dos indivíduos. Portando, quando há certas alterações biológicas e/ou psíquicas, decorrentes do envelhecimento dos indivíduos e dos maus hábitos, esses se encontram mais suscetíveis a desenvolver doenças. 
Envelhecimento pode ser definido como um conjunto de mudanças fisiológicas, morfológicas, bioquímicas e emocionais, ocasionadas concomitantemente, e que se desenvolvem paralelamente de forma progressiva, perdas motoras e sensoriais durante o passar da vida do indivíduo, tornando-o passível de adquirir doenças que impactem sua funcionalidade (CAMARGOS; GONZAGA, 2015).
Este processo pode ser classificado de duas formas, a primeira delas é a senescência, onde este processo acontece de forma natural e as transformações biológicas são as esperadas para aquela idade. Enquanto a senilidade se caracteriza por apresentar modificações causadas por patologias ou mesmo distúrbios que estão geralmente ligados ao idoso (SANTOS et. al, 2014). Para entender melhor esta etapa da vida é necessário que o enfermeiro aprofunde os seus conhecimentos sobre o processo de envelhecimento e as necessidades dos idosos, e consequentemente o enfermeiro prestará uma assistência com melhor embasamento científico e, portanto, mais eficaz (PAIVA et. al 2016).
Para Nunes, Menezes e Alchieri (2010), no processo de envelhecimento ocorre a instalação de síndromes e fragilidades que tem como principais consequências à imobilidade no leito e a diminuição das capacidades visuais, auditivas, cognitivas e físicas, o que muitas vezes comprometem a autonomia e a independência do idoso. 
As doenças decorrentes do processo de envelhecimento geralmente cursam de forma crônica e com crescente dependência, podendo acarretar no indivíduo vários prejuízos como amputações, um número relevante de internações, perdas de mobilidade e perdas irreparáveis na Qualidade de Vida (QV) (QUEIROZ; LEMOS; RAMOS, 2010; BRASIL, 2013).
 Estudos mostram que o diabetes acomete 18% dos idosos e que 50% das pessoas com DM tipo 2 apresenta mais de 60 anos de idade, além disso, o diabetes nesta população está relacionado a um maior risco de morte prematura por conta da associação com outras comorbidades e grandes síndromes geriátricas (PEREIRA et al., 2012). 
Assim, é necessário priorizar ações relacionadas à promoção da saúde e à prevenção de complicações, tornando as intervenções educativas essenciais nesse contexto de atendimento, favorecendo o empoderamento das pessoas em condição crônica e, consequentemente, potencializando a capacidade funcional (OLIVEIRA et al., 2011).
É fundamental ressaltar que, envelhecer nem sempre significa o desenvolvimento de doenças, contudo, o que se pode observar nos serviços de saúde, é que a procura dos idosos por atendimento é recorrente, uma vez que esse público é mais propício a desenvolver doenças crônicas e/ou incapacidades, o que leva ao aumento da demanda por atenção à saúde. Sendo que a maioria desses idosos não possuem acesso ao atendimento privativo de saúde, e acabam recorrendo ao Sistema Único de Saúde como principal alternativa de cuidados à saúde.
5.2. CARACTERIZAÇÃO DO DIABETES MELLITUS TIPO II
O Diabetes Mellitus (DM) é um conjunto de desordens metabólicas, cuja a principal característica é a hiperglicemia, que é o excesso de glicose no sangue. O Diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade da mesma de exercer adequadamente seus efeitos, resultando em resistência insulínica. Caracteriza-se pela presença de hiperglicemia crônica, frequentemente, acompanhada de dislipidemia, hipertensão arterial e disfunção endotelial (MCLELLAN et al., 2007).
Antes de discutir sobre o conceito de DM e seus principais sinais e sintomas é fundamental, entender como o organismo humano consegue realizar o equilíbrio glicêmico, e quais são os hormônios responsáveis por essa ação. Um dos principais hormônios responsáveis pelo controle da glicemia no organismo é a insulina, produzida em células específicas do pâncreas, conhecidas como células Beta-pancreáticas. Quando os níveis de glicose estão elevados no sangue, depois da ingestão de algum tipo de carboidrato, a produção da insulina também aumenta. Esse processo é importante,pois a insulina permite que as partículas de glicose entrem nas células, afim de serem usadas como fontes de energia (ATP). 
A insulina, portanto, funciona como uma espécie de “chave” que abre as “portas” das células, para que as moléculas de glicose possam entrar e ser usadas como energia. Quando esse processo ocorre, consequentemente, os níveis de glicose no sangue diminuem, mantendo o equilíbrio glicêmico ideal para o organismo. Esse hormônio, então, é fundamental para a diminuição das taxas glicêmicas em casos onde ela se faz necessária. É importante ressaltar que, quando a taxa de glicose está baixa, depois de longos períodos de jejum, a produção de insulina diminui e consequentemente há a produção de um outro hormônio, também produzido pelo pâncreas, o glucagon. O glucagon é responsável por garantir que o organismo não entre em hipoglicemia, fazendo com que não ocorra a diminuição acentuada da glicose no sangue. 
Existem vários tipos de diabetes, contudo os mais frequentes e conhecidos são o Diabetes Mellitus Tipo I e o Diabetes Mellitus Tipo II. Essa classificação acontece de acordo com a etiologia da doença, ou seja, a classificação destas é feita mediante a identificação da causa da doença. No Diabetes Mellitus Tipo I, tem-se a destruição das células Beta-pancreáticas, desencadeando na não produção de insulina e a glicemia, consequentemente, aumenta. Essa destruição pode ser causada por processos autoimunes ou idiopáticos (causas desconhecidas), não importando a causa, esses processos desencadeiam no aumento considerável de partículas de glicose no sangue, causando a hiperglicemia. Nesse tipo de diabetes o diagnóstico, geralmente, é mais precoce, ocorrendo na infância ou na adolescência onde os sintomas são mais evidentes. Indivíduos que possuem diabetes tipo I são considerados como insulinodependentes, pois dependem de administrações exógenas da insulina para conseguir exercer o controle glicêmico adequado. 
Sabe-se, que há tipos distintos de DM. A classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Americana de Diabetes (ADA) inclui quatro classes clínicas: DM1, DM2, DM gestacional e DM associado a outras condições. A DM2 é a forma presente em 90% a 95% dos casos e caracteriza-se por defeitos das células beta do pâncreas na qual repercute na ação e secreção da insulina (SOCIEDADE BRASILEIRA DEDIABETES [SBD], 2014; SBD, 2015).
O Diabetes Mellitus Tipo II, é o mais comum e acontece em cerca de 90% dos casos. Os mecanismos envolvidos para que a doença se desenvolva, são mais complexos e nem todos são bem esclarecidos. O que pode ser afirmado hoje, é que existe uma interação entre fatores genéticos, ambientais e comportamentais que são responsáveis para que esse tipo de diabetes se desenvolva. Esses mecanismos ambientais ou comportamentais, como o sedentarismo, o sobrepeso e a obesidade, e o envelhecimento são importantes fatores de riso para essa doença, pois auxiliam no desenvolvimento de uma resistência à insulina.
Os pacientes com DMT2 normalmente produzem insulina, mas suas células não conseguem utilizá-la adequadamente devido à diminuição da sua ação, quadro caracterizado como resistência à insulina. Dessa forma, não há efetiva ação hipoglicêmica da insulina e a diminuição da captação de glicose pelas células resulta no aumento da produção de glicose hepática, o que colabora ainda mais com o aumento da glicemia e se associa com altos níveis de insulina no sangue (FIGUEIREDO; RABELO, 2009).
Esse tipo de diabetes é diagnosticado mais tardiamente na maioria dos casos, pois geralmente os indivíduos acumulam vários anos de maus hábitos, como má alimentação e sedentarismo até desenvolver essa doença. A DMT2 não costuma gerar sintomas, o que tardia ainda mais o seu diagnóstico e o início do tratamento. Ademais, como nesse caso há a produção normal de insulina, os indivíduos acometidos por esse tipo de diabetes não precisam fazer a administração exógena desse hormônio, o que não o torna insulinodependente. 
Diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada por hiperglicemia e o desenvolvimento tardio de complicações vasculares e neuropáticas. Independentemente de sua causa, a doença está associada a um defeito hormonal comum - ou seja, deficiência de insulina - que pode ser absoluta ou relativa no contexto de resistência à insulina coexistente. O efeito da insulina insuficiente desempenha um papel principal (WILD et al., 2004). 
A epidemia de diabetes mellitus e suas complicações representa uma grande ameaça à saúde global. A Internacional Diabetes Federation (IDF) estimou que 1 em cada 11 adultos com idade entre 20-79 anos (415 milhões de adultos) tinham diabetes mellitus em 2015 (ZHENG et al., 2018). 
Nos registros literários de Coiado (2018), o diabetes pode ser definido como:
[...] tipo I, insulinodependente é responsável por 5% a 10% dos casos, e caracterizada por deficiência na produção de insulina. Sua causa exata e desconhecida, podendo resultar de um processo autoimune, possivelmente ativado por vírus, tem participação de fatores genéticos. O diabetes mellitus tipo II, não insulinodependente e responsável por 90% dos casos, e caracterizado por defeitos na liberação e no uso da insulina, além da resistência ao hormônio. Afeta pessoas com idade superior a 40 anos, e os fatores predisponentes incluem obesidade, vida sedentária e suscetibilidade genética.
Outras patologias, como obesidade, doenças cardiovasculares, doenças vasculares periféricas, nefropatias, alterações que podem levar a deficiência em decorrência do excesso de peso, os homens são os que mais apresentam pré-disposições e fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes (KASTORINI, 2010; DURRUTY et al., 2019). A fisiopatologia da doença pode ser desencadeada em ambas a extremidade da cascata de sinalização desde problemas envolvendo mutações de ponto, com valores evolutivos prejudica, até a maquinaria de produção e secreção da insulina.
A sintomatologia deste quadro metabólico extremamente delicado envolve polidpsia, polifagia e poliúria, em casos extremos o paciente pode evoluir para condições como: Coma hiperglicêmico hiperosmolar não cetótico e cetoacidose diabética (COIADO, 2018).
5.2.1. Os idosos e o diabetes mellitus tipo II
A crescente demanda de pessoas portadoras de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), representa, atualmente, um importante desafio para os sistemas de saúde de todos os países (FARIA, 2011). Pertence a um grupo de doenças metabólicas, cujo aumento da incidência e prevalência está relacionada com o envelhecimento da população, urbanização crescente e adoção de um estilo de vida inadequado (BRASIL, 2013).
Atualmente, a prevalência de DM2 atinge dimensões epidêmicas, uma vez que esta apresenta uma taxa de morbimortalidade que aumenta gradativamente. O Brasil possui mais de 14 milhões de diabéticos. Dados do Ministério da Saúde apontam que as mortes causadas pelo diabetes estão aumentando, passaram de 24,1 a cada 100 mil habitantes, em2006, para 28,7, em 2010, ano em que a doença foi relacionada a 54 mil mortes (COSEMS/SP,2011).
Sabe-se que muitas pessoas, quando chegam na idade senil, adquirem determinadas patologias que podem fazer com que elas se sintam fragilizadas e que sua rotina de vida diária seja modificada por determinados hábitos que tiveram na sua juventude e na fase adulta como, por exemplo, o sedentarismo, obesidade, hábitos alimentares inadequados, mudanças sociais, entre outros, e tais hábitos acabam favorecendo o desenvolvimento de várias doenças crônicas, dentre elas, o Diabetes Mellitus (DM) (CARNEIRO et al., 2016).
Destaca-se que o DM é uma doença crônica que se refere a um aspecto de síndrome de distúrbio metabólico, sendo classificada como tipos 1 e 2, e este último tem uma maior prevalência entre os idosos, pois é caracterizado como graus de deficiência e resistência à ação da insulina, que é um hormônio secretado pelo pâncreas com importante função no metabolismo dos carboidratos no sangue (BATISTA etal., 2014).
Neste sentido, a população idosa necessita de uma atenção especial, pois, além de apresentarem uma saúde frágil, o acometimento por esta condição prejudica a autonomia, funcionalidade e o ritmo de vida destes (OLIVEIRA, 2010).
Precisa-se assistir, cuidadosamente, o idoso com DM pela família e também pela equipe de saúde pela qual ele é atendido, sendo essa assistência, na maioria das vezes, realizada pela Estratégia Saúde da Família (ESF). Devem-se a equipe multiprofissional e, principalmente, o enfermeiro, ter uma série de cuidados com os idosos para garantir uma vida de qualidade e de prazer diário, sem sofrimento e sem a sua saúde desequilibrada (CARVALHO FILHA; NOGUEIRA; VIANA, 2011).
A fim de prevenir e/ou atenuar as complicações decorrentes do DM 2, é necessário que se promovam mudanças no estilo de vida das pessoas idosas com diabetes, com o incentivo à prática de hábitos alimentares saudáveis, prática de exercícios físicos, controle dos níveis glicêmicos, pressão arterial, redução do peso corporal e dos níveis de lipídeos. Diante disso, torna-se imprescindível que as intervenções voltadas às pessoas idosas com diabetes sejam estabelecidas para além do cuidado clínico da doença, devendo se investir nas ações educativas direcionadas para o autocuidado como uma ferramenta de intervenção (OTERO; ZANETTI; TEIXEIRA, 2007).
5.3. A PRÁTICA DO AUTOCUIDADO AOS IDOSOS COM DIABETES MELLITUS TIPO 2
A enfermagem, ao desenvolver as atividades educativas, pode fundamentar suas ações na Teoria de Autocuidado de Dorothea E. Orem, uma vez que esta teoria direciona as estratégias educativas de saúde aos indivíduos adultos acometidos com DM2 a fim de se prevenir complicações. Segundo a autora, “o autocuidado por desvio de saúde é exigido em condições de doença, ferimento ou moléstia, ou pode ser consequência de medidas médicas, exigidas para diagnosticar e corrigir a condição”. Nesse sentido, para Orem, o autocuidado é definido como “a prática de atividades que os indivíduos realizam para manter a própria vida, saúde e bem estar” (FOSTER & JANSSENS, 1993).
Complementando o conceito de Orem, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2006) afirma que: 
“Autocuidado é cuidar de si mesmo, perceber quais são as necessidades do corpo e da mente, adotar hábitos saudáveis, conhecer e controlar os fatores de risco que levam a agravos à saúde, adotando medidas de promoção, prevenção e recuperação da saúde, melhorando a qualidade de vida”.
 A teoria de Orem é importante para o planejamento das estratégias de autocuidado aos indivíduos com DM2 uma vez que contempla os pressupostos adotados pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Diabetes, na abordagem de pessoas com diabetes (MILHOMEM et al., 2008).
O autocuidado pelos portadores de DM é visto como necessário e envolve mudanças comportamentais como nutrição adequada, medicações diárias, exercícios físicos programados, automonitorização da glicemia, cuidados com o próprio corpo e educação permanente, além da perda ou manutenção de peso, não fumar, controle das dislipidemias e da pressão arterial (NAGAI; CHUBACI; NERI, 2012).
Nesse sentido, o autocuidado também é responsabilidade do profissional de saúde e não deve ser entendido como exclusiva responsabilidade do indivíduo e de sua família, mesmo que estes tenham que compreender e aprender a desenvolver atividades incentivo do autocuidado. Assim, deve ser centrado no indivíduo, utilizando sempre do diálogo para construir conjuntamente o plano de cuidados, levando em consideração as vulnerabilidades da pessoa tendo em vista estabelecer um horizonte comum de cuidados entre todos os atores envolvidos no processo (BRASIL, 2014).
Nesta perspectiva, o paciente idoso portador da DM2, deve ser informado sobre a importância do autocuidado para um tratamento efetivo. Neste sentido, é necessário trabalhar com os idosos portadores dessa condição, orientando-os, afim de que tomem consciência de sua enfermidade e juntamente com sua família e a equipe de saúde, desenvolvam um trabalho com melhor eficiência no controle da hiperglicemia e prevenção dos agravos, adotando desta forma, estilo de vida adequado, quanto ao uso de fármacos corretos, hábitos saudáveis e cuidados com os pés (SBD, 2014).
Ademais, a equipe multiprofissional de saúde deve promover o desenvolvimento de habilidades de autocuidado com o objetivo de corresponsabilizar os idosos com DM com o seu tratamento, por meio da modificação ou da manutenção de hábitos saudáveis e do fortalecimento da autoconfiança (BAQUEDANO et al., 2010). Logo, o autocuidado deve ser entendido como um comportamento aprendido e realizado pelo indivíduo em seu próprio benefício (DENYES; OREM; BEKEL, 2001). A avaliação das ações de autocuidado dos pacientes com DM deve ser integrada aos cuidados fornecidos pelos profissionais de saúde. A utilização de instrumentos de mensuração de ações de autocuidado constitui uma ferramenta metodológica que colabora na avaliação das respostas dos pacientes ao tratamento, além de permitir a compreensão e o estudo dos problemas observados (CURCIO; LIMA; ALEXANDRE, 2011).
6. METODOLOGIA
6.1. TIPO DE PESQUISA
Este estudo busca apresentar uma análise bibliográfica sobre “A prática do autocuidado a pacientes idosos portadores de diabetes mellitus tipo 2”. Considerando o objeto de pesquisa do projeto, serão realizadas pesquisas bibliográficas com o intuito de aprofundar conhecimentos acerca do tema. Será um estudo descritivo de abordagem qualitativa, que se fundamenta na identificação, síntese e realização de análise ampla disponível na literatura acerca do tema específico.
Para o desenvolvimento deste estudo serão utilizadas e cumpridas as 5 etapas seguintes: 
· 1) Identificação do tema
· 2) Seleção da questão de pesquisa e coleta de dados pela busca na literatura, utilizando-se as bases de dados eletrônicas, com estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão para selecionar a amostra;
· 3) Avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa
· 4) Interpretação dos resultados
· 5) Apresentação dos resultados evidenciados.
6.2. CENÁRIO DA PESQUISA
Para atingir ao objetivo principal deste trabalho, que é avaliar o autocuidado frente ao tratamento e as práticas relativas à dieta, cuidados de saúde e atividade física dos idosos diabéticos cadastrados em Unidade Básica de Saúde, foram construídas as seguintes perguntas norteadoras do estudo: 1. Quais práticas de autocuidado devem ser ofertadas pelos profissionais de saúde à pessoa idosa, portadora de diabetes mellitus tipo 2, em uma UBS? 2. Qual o papel do profissional de enfermagem no desenvolvimento do autocuidado pelos idosos com diabetes mellitus tipo 2?
A fim de obter respostas a essa questão será realizada uma busca em bibliotecas virtuais, mais especificamente nas bases de dados eletrônicas: National Library of Medicine and National Institutes of Health (PubMed) e nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS, que podem ser encontradas dispostas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). 
Além disso, serão adotados critérios de exclusão e inclusão de artigos. Desse modo, serão desconsiderados monografias, dissertações, teses, relatos de casos, comentários, cartas ao leitor, artigos duplicados nas bases de dados e temas fora do objetivo proposto para esta pesquisa. Como critérios de inclusão serão utilizados estudos publicados nos últimos 5 anos, entre 2019 e 2023, disponibilizados na íntegra, gratuitos, artigos originais e revisões que atendiam a temática abordada de forma específica. 
Para a análise do material será realizada a leitura exploratória dos artigos, com o intuito de verificar a sua relevância dos artigos para este estudo. Logo após, será realizada a leitura seletiva, onde ocorrera a seleção do material, a leitura analítica com base nos textos selecionados e a leitura interpretativa relacionando o conteúdo dos dados analisados com os objetivos dapesquisa.
Posteriormente, serão selecionadas publicações para compor a amostra deste estudo. Após a leitura e análise dos dados, os artigos serão categorizados pela semelhança das abordagens e discutidos, comparados e descritos em articulação com informações centrais de autores revisados neste estudo. Essa etapa é importante pois determina a confiabilidade dos resultados e fortalece as conclusões sobre o estado atual do tema proposto investigado, promovendo discussões a partir de embasamento teórico e científico válidos, para que, posteriormente, os resultados destes estudos fossem descritos e discutidos.
6.3. COLETA DE DADOS
A coleta de dados para a realização deste estudo será realizada no período de fevereiro a março de 2024. 
Para a realização do levantamento bibliográfico em bases de dados, são utilizados os operadores booleanos AND, OR e NOT e outras técnicas como a truncagem de palavras com a finalidade de facilitar o processo de busca e seleção da informação desejada podem ser combinadas duas ou mais palavras/assuntos no(s) campo(s) de busca, os operadores booleanos permitem o aprimoramento da pesquisa alterando os operadores ou, acrescentando descritores (PIZZANI, 2012).
Para extração das informações dos artigos, será utilizado um instrumento validado e adaptado, contendo: título do periódico, autor, ano de publicação, país do estudo, instituição sede do estudo, tipo de publicação, foco/objetivo do estudo e características metodológicas (tipo de publicação, tratamento de dados e implicações, dentre outras) (URSI, 2005).
Para a análise dos dados coletados será utilizado a técnica de análise dos resultados elaborado através da proposta de análise de Bardin. A análise de conteúdo consiste em três fases: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados (Bardin, 2011). 
Esse conjunto de técnicas de análise das comunicações visa obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (FERREIRA, 2018). 
Após coleta de dados dos artigos, estes serão analisados e categorizados pela semelhança das abordagens dos artigos e construído categorias diferentes. Os dados serão compilados no programa computacional Microsoft Office Excel e analisados por meio de comparação de informações centrais dos autores.
7. RESULTADOS ESPERADOS
Mediante a relevância do assunto abordado, e a evidência da temática em questão, é esperado que se consiga desenvolver a prática do autocuidado de saúde com a pessoa idosa com diabetes mellitus tipo 2, contribuindo significativamente para o manejo adequado da condição e a promoção da saúde.
Desse modo, espera-se que este estudo consiga:
· Incentivar a realização regular de testes de glicose conforme as orientações médicas para monitorar os níveis de açúcar no sangue;
· Educar sobre a importância de tomar os medicamentos prescritos corretamente, seguindo rigorosamente as orientações do profissional de saúde;
· Fornecer orientações nutricionais específicas para a idade, destacando a importância de uma dieta equilibrada, rica em fibras, frutas, vegetais e com controle adequado de porções;
· Estimular a prática de atividades físicas adequadas à condição física do idoso, como caminhadas, exercícios leves e alongamentos, contribuindo para o controle glicêmico e a saúde cardiovascular;
· Enfatizar a importância da inspeção regular dos pés para prevenir lesões e infecções, com atenção especial à hidratação e à escolha adequada de calçados.
1. CRONOGRAMA
	ETAPAS/PERÍODO
	NOV
	DEZ
	Escolha do tema
	x
	
	Levantamento bibliográfico
	x
	
	Apresentação do Pré-projeto
	
	x
	Revisão e projeto final
	
	
	Entrega do projeto final
	
	
REFERÊNCIAS
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