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147Os segredos do corpo Educação Física Estamos vivendo numa sociedade cada vez mais excludente, e is- to acaba refletindo no estilo de vida que levamos. Com este modo de vida tão atribulado, sobra pouco tempo para o lazer e outras ati- vidades. Desse modo, não é de se estranhar quando você escuta os seguintes comentários: “vivemos uma vida muito corrida”, “não te- mos tempo para fazer nada”. A vida é repleta de obrigações e com- promissos, deixando-nos pouco tempo para valorizar “coisas” sim- ples do nosso cotidiano. Com este novo estilo de vida, cresce também os problemas relacio- nados ao corpo e à saúde. Nesse sentido, as doenças relacionadas à contemporaneidade da sociedade capitalista, como stress, depressão e tantas outras, são decorrentes do excesso de horas de trabalho, o qual se constitui como a única alternativa de sobrevivência das pessoas. Fa- zendo com que essas não tenham tempo e espaço para fazer outras “coisas”, como o lazer. Dessa forma, como fica a saúde das pessoas? Analisando o terceiro segredo: o corpo na história da arte O corpo, como já anunciamos, foi objeto de preocupação ao longo da história, diferenciando-se, em determinados momentos, de acordo com os objetivos e parâmetros estabelecidos histórica e socialmente. Será que um corpo belo significa necessariamente um corpo sau- dável? A busca pelo corpo belo é sinônimo de saúde? Como inserir as discussões sobre a saúde nesta busca? Os gregos acreditavam que os exercícios físicos eram uma forma de expressão da imortalidade, tornando o homem um herói, um semideus “(...) em pleno equilíbrio e harmonia, dentro da mais perfeita compre- ensão do ser humano. O adestramento do corpo constituía um meio para a formação do espírito e da moral” (RAMOS, 1982, p.101). A partir da citação anterior, você pode deduzir que os exercícios físicos constituíam-se em prática significativa na cultura grega. Esses eram praticados pelos gregos ao longo da vida, desde a mais ten- ra idade até a velhice, por ambos os sexos. Por isso os gregos foram considerados modelos de beleza humana. Aristóteles, escritor de mé- rito, assim descreve o grego: “Espáduas largas, coxas grossas, peito aberto e porte harmonioso, sem predominância do abdômen, capaz de romper o equilíbrio do corpo e prejudicar o desenvolvimento do espírito”. (RAMOS, 1982, p.102) z Para melhor compreender algumas das discussões so- bre a saúde, ver Folhas: “Saú- de é o que interessa? O resto não tem pressa!” 148 Ginástica Ensino Médio No período clássico (segunda metade do século II a.C.) da história grega, surge a estátua da mulher nua (nem sempre se teve como mulher padrão aquela de corpo esguio). Antes desse pe- ríodo, as mulheres eram esculpidas vestidas. Assim, “(...) na Grécia Antiga, na Antiguidade Clássica, mais ou me- nos no século V, a arte que lá se fazia pretendia expressar um ideal de beleza e vida através de composições nas quais predominassem a si- metria, o equilíbrio e a proporcionalidade.” (COSTA, 1999, p.25) A harmonia e o equilíbrio corporal eram materializados nas escultu- ras, as quais procuravam retratar o corpo belo e atlético. Essas obras re- fletem o conceito de beleza corporal predominante naquele momento. É possível constatar essas questões nas esculturas desse período, por exemplo, o “Discóbolo”, século V a.C., do escultor Miron, procu- rava retratar as formas humanas com equilíbrio e perfeição nas for- mas corporais. As figuras esculpidas pareciam reais, tamanha a busca pelo perfeito equilíbrio entre expressão, proporção e “movimento”. Este era obtido por meio do princípio em que o apoio do peso do corpo se dá numa das penas e o restante do corpo segue este mes- mo alinhamento, dando a ilusão de uma figura surpreendida no mo- vimento (STRICKLAND, 2003). Os padrões de beleza foram representados pelos artistas dessa épo- ca, como Policleto (escultor grego), que criou uma representação geo- métrica (cânone: teoria das proporções) de equilíbrio nas estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da cabeça. Na Grécia antiga, a pessoa que tivesse conhecimento sobre a hi- giene e a medicina, chamado de “ginasta”, era o médico desportivo que cuidava da saúde e orientava a educação corporal daquele que praticava os exercícios. Ele tinha um auxiliar denominado de pedó- triba, que seguia à risca todas as suas orientações e ensinava os exer- cícios às pessoas. “Os exercícios gímnicos compreendiam as práticas feitas em estado de nudez, geralmente de caráter desportivo, a fim de dar ao indivíduo saúde, harmonia de formas, força, resistência e be- leza.” (RAMOS, 1982, p.109) Que semelhanças existem entre a forma de cultuar o corpo no pe- ríodo grego com os dias atuais? Como você pode interpretar a busca pelo corpo belo? Espelho, vaidade, beleza, malhação, dieta, e tantas outras palavras definem a necessidade e/ou vontade de estar bem, de procurar uma pseudo-saúde. Discóbolo de Míron, c. 450 a.C., cópia roma- na em marmore da origi- nal de bronze do escultor de Myron, altura 155cm, Museo Nazionale Romano, Roma, Itália. Uma das principais es- culturas gregas é o Dis- cóbolo (homem arre- messando disco 405 a. C.) que reflete o dinamis- mo dos atletas nas es- tátuas. n Vênus de Milo, c. 200 a. C. mármore, altura 202 cm; Museu do Louvre, Paris, França.n