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DIP 1 DIP PREVALÊNCIA 4 REVISÃO Infecção do trato genital feminino superior, acima do OI do colo uterino, envolvendo útero, tubas e ovários. Pode afetar, também, peritônio e órgãos abdominais adjacentes. A propagação da infecção segue a linha: cervicite → endometrite → salpingite/ooforite/ATQ peritonite. A DIP é uma iIST polimicrobiana causada por agentes que ascenderam pelo colo do útero. Os principais agentes, classicamente, são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. De acordo com o MS, usuárias de DIU têm risco ligeiramente aumentado de DIP em comparação com mulheres que não usam contraceptivos ou que utilizam outros métodos. Esse risco tem relação inversa com o tempo desde a inserção do DIU, sendo mais alto nos primeiros 20 dias da inserção. Esse risco é reduzido para mulheres tratadas para IST antes da inserção do DIU. A endometrite, que pode evoluir com SUA, é frequentemente a primeira manifestação clínica da DIP. Outros sintomas incluem: dor pélvica, dispareunia de profundida, corrimento vaginal purulento com ou sem odor fétido, náuseas e vômitos (geralmente quando há acometimento peritoneal), febre e calafrios (associado à presença de abscessos), SUA, dor à mobilização uterina e à palpação dos anexos, tensão abdominal nos QI do abdome, distensão abdominal e ausência ou diminuição dos ruídos hidroaéreos. Quadros mais graves podem evoluir com uma peri-hepatite, formando pequenos abscessos na superfície do fígado. Esse quadro recebe o nome de síndrome de Fitz-Hugh-Curtis. Na fase aguda pode aparecer um exsudato purulento na superfície hepática. Na fase crônica, aparecem as aderências de “corda de violinoˮ entre o fígado e a parede abdominal anterior. O diagnóstico nem sempre é tão simples, devido à variedade de sinais e sintomas associados a essa condição. Muitas pacientes com DIP têm sintomas sutis, não específicos ou, até mesmo, são assintomáticas. O atraso no DIP 2 diagnóstico e tratamento, porém, contribui com sequelas no trato reprodutivo feminino. Mesmo as pacientes assintomáticas estão em risco de infertilidade. Pelo MS, o diagnóstico clínico de DIP é baseado em critérios maiores, menores e elaborados. Para a confirmação clínica de DIP é necessária a presença de 3 critérios maiores 1 critério menor OU 1 critério elaborado. Critérios maiores: Dor no hipogástrio. Dor à palpação dos anexos. Dor à mobilização de colo uterino. Critérios menores: Temperatura axilar 37,5ºC ou temperatura retal 38,3ºC. Conteúdo vaginal ou secreção endocervical anormal. Massa pélvica. 5 leucócitos por campo de imersão em material de endocérvice. Leucocitose em sangue periférico. PCR ou velocidade de hemossedimentação VHS elevada. Comprovação laboratorial de infecção cervical por gonococo, clamídia ou micoplasmas. Critérios elaborados: Evidência histopatológica de endometrite. Presença de abscesso tubo-ovariano ou de fundo de saco de Douglas em estudo de imagem. Laparoscopia com evidência de DIP. Pelo CDC EUA, o diagnóstico de DIP é confirmado nas pacientes com dor pélvica e se nenhuma outra causa para a dor for encontrada. Deve ter pelo menos um critério mínimo presente no exame físico. Critérios mínimos: Dor à mobilização cervical. Dor à palpação uterina. Dor à palpação anexial. DIP 3 Critérios adicionais: Presença de clamídia ou gonococo cervical. Corrimento mucopurulento cervical ou colo friável. Febre (temperatura oral 38,3ºC. PCR aumentado. VHS aumentado. Aumento de leucócitos em secreção vaginal. Critérios específicos: Biópsia endometrial com evidência histológica de endometrite. Laparoscopia: achados consistentes com DIP, como hiperemia e edema de tubas, fímbrias alteradas e aderências pélvicas. Imagem USG TV/TC/RM espessamento das tubas, líquido nas tubas, abscesso tubo-ovariano ou doppler sugerindo infecção pélvica (hiperemia de tubas). Os diagnósticos diferenciais incluem: gestação ectópica, apendicite aguda, ITU, litíase ureteral, torção anexial, rotura de cisto ovariano, endometriose, mioma degenerado ou torcido, diverticulite e etc. O estadiamento é feito pela classificação de Monif, que não é muito usado na prática. Estágio 1 endometrite e salpingite aguda sem peritonite. Estágio 2 salpingite aguda com peritonite. Estágio 3 salpingite aguda com oclusão tubária ou comprometimento tubo-ovariano (abscesso tubo-ovariano). Estágio 4 abscesso tubo-ovariano roto com secreção purulenta na cavidade ou abscesso 10cm. Em relação ao tratamento, a antibioticoterapia deve ser iniciada o mais rápido possível, pois a prevenção de sequelas depende da administração precoce dos ATB apropriados. O tratamento deve incluir regime de ATB de amplo espectro (flora polimicrobiana) e, obrigatoriamente, ser efetivo contra gonococo e clamídia. DIP 4 Deve-se avaliar, também, se a mulher precisa de internação ou pode fazer tratamento ambulatorial. O tratamento ambulatorial aplica-se a mulheres que apresentam quadro clínico leve e exame abdominal e ginecológico sem sinais de pelviperitonite. A necessidade de hospitalização deve se basear em critérios, como os do MS. Abscesso tubo-ovariano. Gestação. Estado geral grave, com náuseas, vômitos e febre. Paciente que não conseguiu tolerar medicação VO em casa. Ausência de resposta clínica após 72h do início do ATB oral. Dificuldade em exclusão de emergência cirúrgica. O esquema de tratamento pelo MS, consiste em: (Coisa Do Mal). Ambulatorial: Ceftriaxona 500mg IM DU Doxiciclina 100mg 1cp VO 2x/dia por 14 dias Metronidazol 250mg 2cp VO 2x/dia por 14 dias. Hospitalar: Ceftriaxona 1g EV 1x/dia por 14 dias Doxiciclina 100mg 1cp VO 2x/dia por 14 dias Metronidazol 400mg EV 2x/dia. O tratamento cirúrgico é indicado se: Falha do tratamento clínico. Presença de massa pélvica (abscesso) que aumenta, apesar do tratamento clínico. Suspeita de rotura de abscesso tubo-ovariano. Abscesso tubo-ovariano grande. Pacientes com DIU não há necessidade de remoção do dispositivo, porém, caso exista essa indicação, a remoção não deve ser anterior à instituição da antibioticoterapia, devendo ser realizada somente após 2 doses do esquema terapêutico. As pacientes tratadas ambulatorialmente devem ser reavaliadas em 72h. Deve ser mantida a abstinência sexual até o fim do tratamento. Devem ser colhidas sorologias para IST. DIP 5 Parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser avaliados e, preferencialmente, tratados para clamídia e gonococo, sendo sintomáticos ou não. Recomena-se ceftriaxona 500mg IV DU azitromicina 1g VO DU. Em relação às complicações da DIP, temos: Complicações agudas: Abscesso tubo-ovariano: maior probabilidade de ocorrência se o quadro for tratado tardiamente ou de maneira incompleta. A pior complicação do abscesso é o seu rompimento e a ocorrência de um possível choque séptico. Síndrome Fitz-Hugh-Curtis (fase aguda): peri-hepatite que causa dor no hipocôndrio direito e pode resultar de salpingites agudas pelo gonococo ou clamídia. A infecção pode se tornar crônica, caracterizada por exacerbações e remissões intermitentes. Complicações tardias: Infertilidade: as tubas uterinas podem ter comprometimento anatômico e funcional após episódios de DIP. Gestação ectópica: justificada pelo comprometimento tubário. DIP prévia é o principal fator de risco para um primeiro episódio de gestação ectópica. Dor pélvica crônica: em decorrência de aderências determinadas pelo processo infeccioso e inflamatório da DIP. Pode ser acompanhada de dispareunia de profundidade. Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (fase crônica): aderências em “corda de violinoˮ entre a superfície hepática e a parede abdominal anterior. Hidrossalpinge: obstrução das fímbrias e distensão tubária com líquido não purulento, podendo causar pressão pélvica, dor pélvica crônica, dispareunia e/ou infertilidade.