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PROCESSO DE CONFORMAÇÃO Marcelo Quadros Revisão técnica: Delmonte N. Friedrich Engenheiro Mecânico Especialista em Gestão Empresarial Mestre em Fabricação Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147 S194p Santos, Bruna Karine dos. Processo de conformação / Bruna Karine dos Santos, Marcelo Luiz de Quadros; [revisão técnica : Delmonte N. Friedrich]. – Porto Alegre: SAGAH, 2018. 254 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-486-1 1. Engenharia mecânica. I. Quadros, Marcelo Luiz de. II.Título. CDU 62-5 1_Iniciais.indd 2 12/07/2018 09:18:59 Usinagem Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar o processo de usinagem. Definir as variáveis presentes na usinagem. Identificar os processos especiais de usinagem. Introdução O processo de usinagem consiste em dar forma aos materiais por meio da remoção de cavaco, conferindo ao produto final as formas, as dimensões e os acabamentos especificados em desenhos técnicos mecânicos. Para que isso seja possível, alguns fatores precisam ser considerados, como o tipo do material a ser usinado, as ferramentas de corte e, principalmente, as operações a serem realizadas. A usinagem pode ser efetuada por meio de processos convencionais, como o torneamento e o fresamento, por máquinas de comando numérico computadorizado (CNC) ou, ainda, por processos especiais de acabamento, de cortes e de perfis complexos. Conhecer esses processos e as suas aplicações é de grande impor- tância para o profissional da área, pois só assim poderá determinar qual é o melhor processo a ser empregado para a manufatura de um deter- minado produto, de acordo com a sua aplicabilidade, viabilidade técnica- -econômica e eficiência produtiva. Para tanto, devem ser levados em consideração fatores econômicos, técnicos, operacionais, dimensionais e tecnológicos. Neste capítulo, você vai aprender a identificar as variáveis e particu- laridades de cada método de usinagem, como as operações a serem efetuadas, o material da peça a ser usinada, as ferramentas utilizadas nessas operações e os parâmetros de corte. Por fim, você vai explorar a aplicabilidade das peças usinadas em diversos segmentos. Processo_Conrformacao_Book.indb 177 11/07/2018 15:32:56 Processo de usinagem Na usinagem de componentes, podemos utilizar diversos tipos de processos de fabricação. Entre eles, temos dois grandes grupos, os mais conhecidos e utilizados: a usinagem convencional e a usinagem com CNC, que ganha cada vez mais mercados. A escolha do processo varia conforme a operação em que este será utilizado e depende das tolerâncias dimensionais, geométricas e de acabamento, bem como do material e da quantidade de peças a serem usinadas. A seguir, vamos conhecer os processos de fabricação com usinagem convencional e usinagem CNC, bem como as suas máquinas, ferramentas e operações (FITZPATRICK, 2013). As máquinas mais empregadas na usinagem são os tornos e as fresadoras, utilizadas tanto pelas oficinas mais simples quanto pelas grandes empresas multinacionais. Elas correspondem à usinagem convencional. A Figura 1 mostra uma máquina de usinagem convencional e outra de usinagem CNC. Figura 1. Máquinas de usinagem convencional e de CNC. Fonte: Vereshchagin Dmitry/Shutterstock.com. Usinagem178 Processo_Conrformacao_Book.indb 178 11/07/2018 15:32:56 Torneamento convencional A ideia do torno foi evoluindo ao longo do tempo. As primeiras máquinas- -ferramenta que surgiram foram os tornos de vara, que consistiam em uma corda amarrada a um galho em uma ponta e a uma peça na outra — quando o galho subia e descia, puxava a corda, realizando o movimento de rotação da peça. Os primeiros tornos automáticos surgiram na década de 1960, em razão da grande demanda pela sua aplicação. O torno mecânico universal (Figura 2), por sua vez, é o mais utilizado entre os vários tipos e modelos de tornos, devido à sua versatilidade. Além de efetuar todas as operações de torneamento, o torno universal pode executar operações que normalmente são feitas por outras máquinas, como a furadeira, a fresadora e a retifi cadora, com adaptações relativamente simples. Figura 2. Torno mecânico universal. Fonte: Andrey Eremin/Shutterstock.com. A operação de torneamento, por se tratar de um processo de usinagem, consiste em remover material de determinada peça para adequá-la a um formato estabelecido. Esse processo de remoção de cavaco se baseia no movimento de rotação da peça, que é fixada em placas. O movimento de corte da peça 179Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 179 11/07/2018 15:32:56 (a rotação) é efetuado junto com os movimentos de avanço e de penetração da ferramenta. No torneamento, são usinadas peças cilíndricas por meio de ferramentas com movimentos uniformes (Figura 3). Figura 3. Processo de torneamento. Fonte: Dovzhykov Andriy/Shutterstock.com. Como vimos, o torno possui basicamente três eixos de movimento: o de rotação da peça, responsável pelo corte, que consiste na quanti- dade de rotações por minuto adequadas para a remoção do excesso de material da peça; o de translação ou avanço da ferramenta, que consiste na direção e velocidade que a ferramenta vai avançar para remover o material da peça; o transversal ou de penetração da ferramenta, que consiste na profun- didade que a ferramenta vai entrar na peça para remover o material. Para cada operação a ser executada, existem ferramentas apropriadas, com medidas preestabelecidas. As operações e ferramentas de torneamento se dife- renciam em relação ao formato, à aplicação, ao material da sua estrutura e às suas dimensões. Veremos, a seguir, algumas operações relacionadas ao torneamento. Desbaste externo, interno e faceamento São operações apropriadas para a remoção grosseira do cavaco, por possuir maior resistência mecânica. As operações de desbaste externo (Figura 4) ou Usinagem180 Processo_Conrformacao_Book.indb 180 11/07/2018 15:32:56 interno (Figura 5) e de faceamento (Figura 6) podem ser feitas por pastilhas de metal duro sinterizado ou por ferramentas de aço rápido (bits). Figura 4. Desbaste externo. Fonte: Pixel B/Shutterstock.com. Figura 5. Desbaste interno. Fonte: Vadim Ratnikov/Shutterstock.com. 181Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 181 11/07/2018 15:32:57 Figura 6. Faceamento. Fonte: Red ivory/Shutterstock.com. Acabamento externo e interno Essa operação, posterior ao desbaste, é realizada com ferramentas alisadoras, deixando as peças nas dimensões exatas (Figura 7). Nesse caso, a peça não pas- sará pelo processo de acabamento em máquinas especiais, como a retifi cadora, pois já sai pronta — não há necessidade de um melhor acabamento superfi cial. Figura 7. Medindo a peça na operação de acabamento. Fonte: Ikonoklast Fotografie/Shutterstock.com. Usinagem182 Processo_Conrformacao_Book.indb 182 11/07/2018 15:32:57 Rosqueamento Operação de usinagem de diferentes tipos de roscas, que podem ser métricas, whitworth, NPT, BSPP, entre outras (Figura 8). Podem ser fabricadas roscas com perfi s triangulares, quadrados, redondos ou trapezoidais. Figura 8. Operação de rosqueamento. Fonte: Dmitry Kalinovsky/Shutterstock.com. Sangragem São utilizadas para tornear cavidades ou fazer o corte das peças torneadas (Figura 9). É considerada uma das operações mais perigosas do torno con- vencional, pois pode acarretar na quebra da ferramenta ou da peça que, se deslocada na direção do operador, pode ocasionar lesões. 183Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 183 11/07/2018 15:32:57 Figura 9. Operação de sangramento. Fonte: fotografos/Shutterstock.com. Perfilamento Essa operação envolve ferramentas confeccionadas no formato do perfi l de- sejado para a peça; ou seja, é o perfi l da ferramenta que determina o formato fi nal da peça. Dessa maneira, podem ser perfi ladas peças com formas variadas (Figura 10). Figura 10. Peça perfilada. Fonte: DmitryKalinovsky/Shutterstock.com. Usinagem184 Processo_Conrformacao_Book.indb 184 11/07/2018 15:32:58 Recartilhamento Operação utilizada para formar estrias ou sulcos paralelos e cruzados nas superfícies das peças cilíndricas para o melhor manuseio em aplicações em geral (Figura 11). Figura 11. Peças recartilhadas no torno. Fonte: OSABEE/Shutterstock.com. Furação no torno Operações bastante utilizadas nos processos de torneamento, as furações são realizadas por meio de brocas fi xadas em mandris (Figura 12). A furação é utilizada para formar o furo de centro das peças, para que ali posteriormente se posicione o contraponto para centralizar a peça no torno. Também é uma operação necessária para as demais furações a serem realizadas em peças. 185Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 185 11/07/2018 15:32:58 Figura 12. Operação de furação. Fonte: worawit_j/Shutterstock.com. O torno mecânico é uma importante máquina para usinar peças, mas também uma das mais perigosas em relação a acidentes de trabalho. Muitos operadores perderam mãos, braços e até mesmo a vida trabalhando nessas máquinas. Para evitar acidentes, é obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs): óculos de proteção, sapatos de segurança, protetor auricular e, no caso de o operador ter cabelos longos, rede de proteção. Fresamento convencional Nesse processo de fabricação, podemos usinar quase todos os tipos e formatos de superfícies de peças. As máquinas fresadoras podem realizar operações de desbaste, acabamento, faceamento, aberturas de canais e furações e, além disso, podem substituir algumas máquinas, como furadeiras e plainas. Caracterizado como um processo de usinagem, o fresamento consiste na remoção de excesso de material por meio das máquinas fresadoras e das suas ferramentas específi cas, com o objetivo de dar a forma desejada à peça (FITZPATRICK, 2013). Usinagem186 Processo_Conrformacao_Book.indb 186 11/07/2018 15:32:58 As fresadoras são classificadas em função da sua aplicação. Para aplica- ções simples, utiliza-se uma fresadora universal, com menos recursos e de menor valor; quando precisamos usinar peças mais complexas, utilizamos uma fresadora ferramenteira, com vários recursos e, consequentemente, de maior custo. A retirada de sobremetal das peças é feita com dois movimentos realizados em concordância: o movimento de rotação da ferramenta e o movimento linear da mesa da fresadora em que a peça está fixada. Nesse caso, a mesa da máquina se desloca no sentido longitudinal ou transversal por meio de um avanço calculado, levando a peça até a ferramenta que, com seu movimento giratório, remove o material excedente da peça até deixá-la nas dimensões especificadas no desenho técnico mecânico. As operações que uma máquina fresadora tem capacidade de realizar dependem da limitação da máquina, dos acessórios, das características, das ferramentas e das configurações. As operações realizadas na fresagem são o fresamento de superfícies planas (Figura 13), inclinadas (Figura 14), côncavas e convexas, o fresamento de alojamentos circulares e retangulares e de canais, a furação (Figura 15), o escariamento, o rebaixamento e o rosqueamento de furos. Figura 13. Fresagem de superfícies planas. Fonte: Pixel B/Shutterstock.com. 187Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 187 11/07/2018 15:32:58 Figura 14. Fresagem de superfícies inclinadas. Fonte: Vadim Gavrilov/Shutterstock.com. Figura 15. Operação de furação. Fonte: wavebreakmedia/Shutterstock.com. Existem diversos modelos de máquinas fresadoras com componentes diferentes, mas seguindo o mesmo conceito. Existe também uma grande variedade de ferramentas para operações distintas, como: as fresas de faceamento, utilizadas para fresamento plano frontal e lateral; as fresas de perfis constantes, que possuem diferentes formas para aberturas de canais específicos; Usinagem188 Processo_Conrformacao_Book.indb 188 11/07/2018 15:32:59 as fresas angulares, utilizadas na fabricações de rasgos que contenham retas angulares; as fresas de disco, para fabricação de canais; as fresas de dentes postiços, que possuem insertos montáveis e desmon- táveis para a usinagem das peças — os seus insertos também podem ser das mais variadas formas. A Figura 16 mostra uma variedade de ferramentas utilizadas na fresagem. Figura 16. Ferramentas utilizadas na fresagem. Fonte: Thomas Soellner/Shutterstock.com. Usinagem com máquinas CNC No decorrer dos anos, em função do aumento da demanda por produtos indus- trializados, as máquinas de usinagem convencionais tiveram que ser automati- zadas. Essa automatização foi denominada CNC, sigla do termo que se refere a máquinas que executam várias operações por meio de uma programação. A máquina CNC surgiu nos Estados Unidos, e o seu desenvolvimento foi motivado pela força aérea americana. Em 1949, a força aérea americana estava certa de que as máquinas-ferramentas convencionais manuais não estavam aptas a acompanhar as mudanças da época e prover adequada pro- dução de componentes de aviões. Com essa certeza, investiu em pesquisa, apoiando as experiências da Parsons Corporation. Em 1947, essa empresa colocou uma forma rudimentar de controle por números em uma máquina de usinagem convencional, ligando essa máquina a um computador que era alimentado por informações via cartões perfurados. Muitos formatos de 189Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 189 11/07/2018 15:32:59 dispositivos de informação foram criados a partir dessa época, como a fita magnética, o cabo serial 232, os disquetes e, atualmente, os pen drives e os sistemas de dados por wireless. Primeiramente, foram desenvolvidas as máquinas automatizadas, ou máqui- nas CN. Com o surgimento dos controladores programáveis, essas máquinas passaram a ser computadorizadas, passando a se chamar, então, máquinas CNC. Atualmente, todos os processos de fabricação trabalham com máquinas CNC, incluindo a usinagem em tornos, fresadoras, retificadoras, dobradeiras, furadeiras, máquinas de soldagem, puncionadeiras, a usinagem com corte a laser e inúmeros outros processos. A implementação das máquinas CNC em uma empresa possui inúmeras vantagens, como o aumento da produtividade, a facilidade de programa- ção, o controle da produção, a troca automática de velocidade, a redução de custos em processos de qualidade, as ferramentas intercambiáveis, o aumento da versatilidade de operações, a possibilidade de simulação de usinagem, a redução da quantidade de máquinas, o aumento da vida útil das máquinas e ferramentas, a maior segurança do operador e a produção mais rápida. A Figura 17 mostra uma célula de manufatura que utiliza máquinas CNC. Figura 17. Célula de manufatura com máquinas CNC. Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com. Usinagem190 Processo_Conrformacao_Book.indb 190 11/07/2018 15:32:59 Um centro de usinagem CNC produz em torno de 10 vezes mais que uma máquina convencional, com maior qualidade e segurança. As máquinas CNC com tecnologia HSM (High Speed Machine) alcançam produções ainda maiores. As máquinas CNC utilizam basicamente os eixos principais X, Y e Z; porém, estes mudam de uma máquina para a outra, e os sentidos desses eixos são especificados conforme a sua movimentação. Nas fresadoras, os eixos X e Y correspondem ao avanço longitudinal e transversal da mesa, e o eixo Z, ao deslocamento da ferramenta. Já nos tornos, o eixo X corresponde ao deslo- camento da ferramenta transversal, e o eixo Z, ao deslocamento longitudinal. As máquinas CNC em geral possuem dois grupos de programação, sendo as mais conhecidas a linguagem EIA/ISO, ou de códigos G, e a linguagem interativa, ou por blocos parametrizados. A linguagem ISO, conhecida como códigos G, é a mais utilizada mundialmente. Entre os fabricantes que a utilizam, estão Fanuc, Siemens, Fagor e Romi. Essa linguagem é normalizada conforme as Normas ISO 6983 e DIN 66025, que descrevemo formato das instruções do programa para máquinas de CN. Há um formato geral de programação, e não um formato específico para cada máquina. A flexibilidade dessas normas não garante intercambialidade de programas entre máquinas. Indiferentemente do tipo de programação ou da norma utilizada, os programas CNC possuem uma estrutura básica para qualquer processo executado, independentemente do tipo de máquina. As variáveis presentes na usinagem Em todo processo de usinagem, é necessário conhecer muito bem as variáveis envolvidas. Entre elas, as principais são: o material a ser usinado; a escolha da ferramenta de corte; os parâmetros de usinagem. 191Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 191 11/07/2018 15:32:59 Material a ser usinado Os materiais possuem diferentes características. A escolha do material adequado para cada serviço a ser realizado é um problema frequentemente enfrentado pelos projetistas nas indústrias. Alguns fatores podem ser deter- minantes para essa seleção e outros, confl itantes, por exemplo: um material com elevada resistência à corrosão pode ter o seu valor muito elevado e ser difícil de encontrar, levando o projetista a optar por um material semelhante e mais fácil de encontrar, mas não possuindo a mesma qualidade. No Quadro 1, são apresentados os principais materiais utilizados nas indústrias. Fonte: Adaptado de Fitzpatrick (2013). Material Características Ferro fundido branco Devido à elevada dureza, o ferro fundido branco é muito frágil, difícil de usinar e não temperável. Apresenta baixa ductilidade, resistência à corrosão, excelente resistência à abrasão, baixa absorção de vibrações, baixa resistência à tração, ao impacto e à compressão. Ferro fundido cinzento Ideal para aplicações que exijam solicitações mecânicas reduzidas e oscilações de temperatura. Apresenta baixa dureza, boa resistência à abrasão e à compressão, boa absorção de vibrações. Aço carbono Possui altas tenacidade, conformabiIidade, soldabiIidade, temperabilidade, ótimo comportamento em altas temperaturas e resistência ao desgaste. Alumínio Tem baixa densidade, elevada condutibilidade elétrica, elevada condutibilidade térmica, não magnético, baixo ponto de fusão, boa elasticidade, resistência à tração de média à fraca, alta refletividade de luz e calor. Bronze Possui de boas a excelentes propriedades mecânicas, como dureza, tenacidade, resistência ao desgaste e à fadiga superficial e resistência à corrosão. Cobre Possui excelente condutibilidade elétrica (apenas inferior à da prata), elevadas condutibilidade térmica, ductilidade e flexibilidade. Titânio Tem baixo peso, boa maleabilidade, baixa toxidade. Quadro 1. Características dos materiais de usinagem Usinagem192 Processo_Conrformacao_Book.indb 192 11/07/2018 15:32:59 Escolha das ferramentas de corte Na usinagem em máquinas convencionais e máquinas CNC, devido à alter- nância de peças com materiais diferentes a serem usinadas, as ferramentas ou insertos variam quanto à sua geometria e ao seu material de fabricação. Para os processos de torneamento e fresamento, devemos selecionar o inserto adequado conforme cada operação a ser executada, de acordo com os aspectos apresentados no Quadro 2. Quanto à geometria do inserto Inserto para desbaste: combinações de faixa de avanço e profundidade de corte maiores. Utilizado em operações que necessitem de maior segurança da aresta. Inserto para usinagem média: operações de usinagem para desbaste leve. Possui grande variação em relação à profundidade de corte e à faixa de avanço. Inserto para acabamento: operações com profundidades de corte leves e baixas faixas de avanço, nas quais os insertos possuam baixas forças de corte. Quanto ao raio da ponta da ferramenta Raio da ponta pequeno: é ideal para profundidades de corte pequenas, reduzindo a vibração; porém, o inserto possui menor resistência. Raio da ponta grande: é ideal para faixas de avanço pesadas e para grandes profundidades de corte; possui aresta robusta e tem forças radiais maiores. Quadro 2. Características dos insertos (Continua) 193Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 193 11/07/2018 15:33:00 Quanto à sua forma, os insertos de usinagem podem ser triangulares, redondos, quadrados e em forma de losango. As propriedades de cada inserto correspondem a diferentes aplicações e características; algumas características visam a uma maior resistência ao desgaste, enquanto outras se devem à neces- sidade de melhor acessibilidade para operações com precisão. As Figuras 18 e 19 apresentam ferramentas de corte do torno e da fresadora, respectivamente. Figura 18. Ferramentas de corte do torno. Fonte: Uhryn Larysa/Shutterstock.com. Quanto ao tamanho do inserto Insertos com largura de até 25 mm: são utilizados para usinagem mais leve, pois têm menor estabilidade. Insertos com largura acima de 25 mm: por possuírem melhor estabilidade, são utilizados para usinagem mais pesada. Quadro 2. Características dos insertos (Continuação) Usinagem194 Processo_Conrformacao_Book.indb 194 11/07/2018 15:33:00 Figura 19. Ferramentas de corte da fresadora. Fonte: Thomas Soellner/Shutterstock.com. Parâmetros de usinagem Os processos de usinagem com produção de cavacos são aqueles em que a ferramenta remove o material excedente da peça. Para esses processos serem realizados, temos que conhecer algumas técnicas, como os movimentos de usinagem, o cálculo dos parâmetros de corte, as rotações por minuto (RPM), os golpes por minuto (GPM) e, principalmente, a escolha da ferramenta mais adequada para a operação. É importante que os movimentos da usinagem sejam compreendidos, pois consistem nos caminhos que as ferramentas e as peças percorrerão durante a execução do processo. Nas diferentes máquinas de usinagem, temos movimentos circulares (giratórios) e lineares (longitudinais e transversais). Para esses movimentos serem realizados, devemos conhecer alguns conceitos e efetuar cálculos técnicos, mediante o uso de fórmulas. Velocidade de corte Consiste no resultado de deslocamento da peça em relação à ferramenta. As operações podem consistir no movimento giratório da ferramenta, como nas fresadoras, retifi cadoras e furadeiras, ou da peça, como no torno. Por meio da velocidade de corte, podemos calcular as rotações e os golpes por minuto que a ferramenta ou a peça efetuarão. Os movimentos de corte e avanço devem estar sincronizados. Alguns fatores relevantes em relação à velocidade de corte são o material da ferramenta, o material a ser usinado, a operação a ser realizada, as condições da refrigeração e as condições da máquina. 195Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 195 11/07/2018 15:33:00 Apesar de termos uma fórmula específica para o cálculo da velocidade de corte, essas informações são fornecidas em tabelas de manuais e catálogos técnicos, conforme as Tabelas 1 e 2. A fórmula para cálculo da velocidade de corte é a seguinte: onde: Vc = velocidade de corte (m/min); d = diâmetro da ferramenta ou da peça (mm); n = rotações por minuto (RPM); π = 3,14. Tabela de velocidade de corte para torno (m/min) Materiais Ferramenta de aço rápido Ferramenta de metal duro Desbaste Acabamento Roscar e recartilhar Desbaste Acabamento Aço SAE 1020 25 30 10 200 300 Aço SAE 1045 20 25 8 120 160 Aço SAE 1060 25 20 6 40 60 Ferro fundido 20 25 8 70 85 Bronze 30 40 25 300 380 Latão e cobre 40 50 25 350 400 Alumínio 60 90 25 500 700 Tabela 1. Velocidade de corte para alguns materiais usinados nos tornos Usinagem196 Processo_Conrformacao_Book.indb 196 11/07/2018 15:33:01 Tabela de velocidade de corte para fresadora (m/min) Nota: para fresamentos com pastilhas de metal duro, utilizar velocidade de corte três vezes maior. Materiais Desbaste Acabamento De Até De Até Fresas cilindricas aço rápido Aço baixo teor de carbono 12 14 18 22 Aço médio teor de carbono 10 12 14 18 Aço alto teor de carbono 8 1010 14 Ferro fundido 10 12 14 18 Metais leves 150 200 200 300 Fresas com haste Aço baixo teor de carbono 16 18 20 24 Aço médio teor de carbono 14 16 18 20 Aço alto teor de carbono 12 14 16 18 Ferro fundido 14 16 18 20 Metais leves 140 180 150 180 Fresas cilíndricas frontais Aço baixo teor de carbono 12 14 20 22 Aço médio teor de carbono 10 12 16 18 Aço alto teor de carbono 8 10 12 40 Ferro fundido 10 12 16 18 Metais leves 150 250 200 300 Tabela 2. Velocidade de corte para alguns materiais usinados nas fresadoras 197Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 197 11/07/2018 15:33:01 A tabela completa de velocidades de corte pode ser conferida nos fabricantes de ferramentas, como Sandvik, Seco Tools, Iscar, Kennametal e Taegutec. Velocidade de avanço Corresponde à velocidade do movimento de avanço da ferramenta ou da peça durante o processo de usinagem, podendo ser calculada pela seguinte fórmula: onde: Vf = velocidade de avanço (mm/min); Vc = velocidade de corte (m/min); f = avanço (mm/volta); d = diâmetro da peça ou ferramenta (mm); π = 3,14. Tempo de corte É o tempo que os movimentos de corte e avanço levam para usinar uma peça durante cada passe da ferramenta. Pode ser calculado com a seguinte fórmula: onde: If = percurso de avanço (mm); Vf = velocidade de avanço (mm/min); Vc = velocidade de corte (m/min); f = avanço (mm/volta); d = diâmetro da ferramenta (mm); n = rotações por minuto(RPM); tc = tempo de corte (min); π = 3,14. Usinagem198 Processo_Conrformacao_Book.indb 198 11/07/2018 15:33:01 Rotações por minuto (RPM) É uma informação de extrema importância para a usinagem, pois tem como fi nalidade indicar quantas voltas a cada minuto a ferramenta ou a peça vai girar. Uma peça ou ferramenta deve ter o seu RPM de acordo com o especi- fi cado para obter uma usinagem segura e efi ciente. A fórmula para obtenção da RPM é a seguinte: onde: n = rotações por minuto (RPM); Vc = velocidade de corte (m/min); d = diâmetro da ferramenta ou da peça (mm); π = 3,14. Na maioria dos casos, quando calculamos a RPM, verificamos que não existem esses valores nas regulagens das máquinas convencionais. Por esse motivo, selecionamos os valores mais próximos disponíveis nas máquinas em relação aos encontrados nos cálculos. Processos especiais de usinagem Além dos processos de usinagem convencional e usinagem CNC, temos os diversos processos especiais de acabamento, de formas e de corte. A partir dessas usinagens, desenvolvemos as mais variadas peças, dos mais variados formatos, com grande precisão e acabamentos superfi ciais adequados. Processos de usinagem de acabamento Entre os processos especiais, um dos mais utilizados são as operações de acabamento superfi cial, que têm a fi nalidade de eliminar as irregularidades, deixando as superfícies com dimensões exatas e com excelente acabamento. Podem ser realizadas por meio de retifi cação, brunimento ou lapidação. 199Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 199 11/07/2018 15:33:01 Retificação Para executar tarefas que exigem maior exatidão e acabamento superfi cial na produção de peças, a retifi cação é um dos processos mais sofi sticados dentro da indústria mecânica. As primeiras máquinas retifi cadoras foram construídas por volta de 1860, nos Estados Unidos. Com o avanço tecnológico, as retifi cadoras convencionais estão sendo substituídas por máquinas retifi cadoras CNC. A retifi cação possibilita um acabamento preciso às superfícies das peças e con- siste na utilização de máquinas para remover materiais em até 0,001 mm. O processo da retifi cação acontece por meio de uma peça geralmente fi xada em placas e um eixo rotacional em que é colocada a ferramenta abrasiva (rebolo). A retificação ocorre de duas formas: retificação plana — corresponde ao movimento longitudinal e trans- versal da mesa e vertical do rebolo; retificação cilíndrica — corresponde ao movimento rotativo da peça em sentido horário e rotativo do rebolo no sentido inverso. Os objetivos principais do processo de retificação são os seguintes: reduzir rugosidades ou saliências e rebaixos de superfícies usinadas com máquinas-ferramenta, como furadeira, torno, plaina e fresadora; dar à superfície da peça uma exatidão de medidas que permita obter peças semelhantes, capazes de serem substituídas umas pelas outras; retificar peças que tenham sido deformadas ligeiramente durante um processo de tratamento térmico; remover camadas finas de material endurecido por têmpera, cementação ou nitretação. A Figura 20 ilustra o processo de retificação. Usinagem200 Processo_Conrformacao_Book.indb 200 11/07/2018 15:33:01 Figura 20. Processo de retificação. Fonte: Khrushchev Georgy/Shutterstock.com. O processo de retificação tem por objetivo corrigir problemas oriundos de outros processos de usinagem. Em muitas máquinas, mesmo que bem instaladas e precisas, é praticamente impossível deixar as peças com todos os seus padrões estabelecidos. Brunimento O processo de usinagem por brunimento tem como função dar acabamento às peças por meio da abrasão, utilizando grãos ativos do brunidor, que durante o giro e avanço é guiado pela peça e deslocado ao longo da sua superfície, geralmente cilíndrica, em movimentos alternativos de baixa rotação. A grande diferença entre os processos de brunimento e de retifi cação é a velocidade de rotação da ferramenta, que é menor no brunimento. Nas operações de retifi ca- ção, podem surgir queimas e alteração da estrutura do material devido à alta rotação do rebolo. Com o processo de brunimento, devido à baixa velocidade de trabalho, evitamos esses defeitos. Além da correção dimensional das peças, uma aplicação desse processo é a formação de sulcos em que se retém óleo, diminuindo o atrito, melhorando 201Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 201 11/07/2018 15:33:01 o deslizamento das peças e garantindo que os diâmetros internos estejam cilíndricos e na dimensão correta, como em cilindro de motores, canos de armas, cilindros de freios, cilindros de embreagem, cilindros hidráulicos, entre outros. O brunimento é recomendado também para a correção de defeitos provenientes de outras operações, como erros de circularidade, cilindricidade, concentricidade, coaxialidade, conicidade, ondulação e marcas provenientes de operações anteriores. Lapidação O processo de usinagem especial de acabamento por lapidação, como o nome sugere, consiste em lapidar as peças por meio de um pó abrasivo, deixando a superfície da peça com elevado grau de acabamento. Assim como ocorre com as pedras preciosas, a lapidação é realizada nas superfícies de vários metais para dar o acabamento desejado. No processo de lapidação, é colocado um líquido sobre a placa metálica e, depois, um pó abrasivo sobre o líquido, efetuando-se movimentos circulares até chegar ao acabamento superfi cial desejado (Figura 21). Como exemplo desse processo temos os blocos-padrão, as faces de contato de instrumentos de medição, os pinos e os furos em geral. Figura 21. Processo de lapidação. Fonte: maradon 333/Shuttertstock.com. Usinagem202 Processo_Conrformacao_Book.indb 202 11/07/2018 15:33:02 Processos especiais de usinagem de formas Quando queremos dar formatos às peças que passaram por processos conven- cionais, como torneamento e fresamento, utilizamos os processos especiais, que podem ser realizadas por meio de mandrilamento, brochamento e eletroerosão por fi o ou por penetração. Mandrilamento O processo de usinagem por mandrilamento é considerado uma operação especial de fresagem. Para peças mais complexas, como colunas de máquinas e grandes blocos de motores, bem como peças de grande porte, é utilizada uma máquina especial denominada mandriladora. Nessa operação, a ferramenta de corte é fi xada a uma barra de mandrilar em um ângulo determinado pela operação a ser realizada; a máquina usina superfícies cilíndricas ou cônicasinternas com eixos perfeitamente paralelos (Figura 22). O mandrilamento pode ser cilíndrico, cônico, radial ou esférico. Nesses casos, a superfície mandrilada é cilíndrica, esférica, cônica ou radial e seu eixo de rotação coincide com o eixo em torno do qual a ferramenta gira. Figura 22. Processo de mandrilamento. Fonte: Moreno Soppelsa/Shutterstock.com. 203Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 203 11/07/2018 15:33:02 Brochamento O processo especial de usinagem por brochamento, também conhecido como brochagem, apresenta como característica a remoção de material da super- fície de peças de maneira progressiva, utilizando ferramentas multicortantes que retiram o material em pequenas quantidades ao longo do eixo. Essas remoções podem variar entre 0,06 e 0,15 mm, até a peça alcançar a forma e o perfi l fi nal desejado. Caso haja necessidade de remover grandes quantidades de material, será necessário um número elevado de dentes e uma máquina com um curso maior. A ferramenta progressiva multicortante que realiza o trabalho de brochar a peça é denominada brocha, e o equipamento que realiza essa operação é a brochadeira. As máquinas brochadeiras são geralmente hidráulicas, devido ao grande esforço realizado no brochamento, e seu mecanismo produz o mo- vimento progressivo linear entre a ferramenta e a peça. Elas dividem-se em máquinas verticais e horizontais, e seu movimento é unidirecional e retilíneo. Admite-se a realização de dois tipos de brochamento: o brochamento interno e o externo. A brocha é feita de aço com propriedades mecânicas específicas para tal processo, e o seu material deve ser submetido à têmpera e ao revenido, já queos seus dentes cortantes executam grandes esforços de trabalho. A brocha apresenta dentes que formam uma série de elementos cortantes, utilizados para dar forma redonda, quadrada, hexagonal, octogonal, de oblongo, estriada, de rasgos de chaveta e de ranhuras múltiplas, em superfícies internas ou externas; por exemplo, encaixes de peças automotivas, como pontas de eixos, homo- cinéticas, cardans, bielas, engrenagens, e ferramentas como chaves estrela, chaves combinadas, soquetes, entre outras. Eletroerosão A usinagem especial por eletroerosão é um processo de alta precisão que utiliza métodos complexos — descargas elétricas — na destruição progressiva e lenta das partículas de peças metálicas limitadas. Os materiais precisam ser condutores de eletricidade. A eletroerosão geralmente é utilizada para a fabricação de ferramentas e peças com geometrias complexas de grande dureza, para as quais os processos convencionais não são aplicáveis. Esse processo é dividido em eletroerosão por penetração e eletroerosão por fi o. Usinagem204 Processo_Conrformacao_Book.indb 204 11/07/2018 15:33:02 Eletroerosão por penetração A eletroerosão por penetração consiste em um processo em que a peça perma- nece submersa em um líquido dielétrico, ou seja, um líquido não condutor de eletricidade, que possui alta resistência ao fl uxo da corrente elétrica. Ocorre a descarga de um eletrodo, que dará o formato desejado à peça a ser eletroerodida; a dissipação do calor gerado no processo é rápida. A peça geralmente é de cobre ou latão, ou de grafi ta, em alguns casos. Com o uso da descarga elétrica não existe esforço de corte, evitando assim que se formem as tensões comuns aos processos convencionais de usinagem. A eletroerosão por penetração tem como característica o fato de a imagem do eletrodo ser transferida à peça, sendo ambos mergulhados num recipiente que contém o fl uido dielétrico para que ocorra o processo. Peça e eletrodo são conectados a uma fonte CC por meio de cabos ligados a um interruptor: o eletrodo tem polaridade positiva e a peça tem polaridade negativa, gerando a descarga necessária para o desenvolvimento da usinagem especial (Figura 23). Figura 23. Processo de eletroerosão por penetração. Fonte: DuxX/Shutterstock.com. Eletroerosão a fio Os princípios da usinagem especial de eletroerosão a fi o são em geral seme- lhantes aos da eletroerosão por penetração. Contudo, nesse processo, o corte é programado eletronicamente, ou seja, por CNC, o que permite o corte de perfi s complexos e de grande exatidão. Nesse processo, a ferramenta de corte 205Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 205 11/07/2018 15:33:02 é um fi o de latão (eletrodo) eletricamente carregado que transpassa a peça. Para permitir a passagem do fi o, é feito um pequeno orifício no material, que é submerso em fl uido dielétrico em movimentos constantes, provocando descargas elétricas entre o fi o e a peça e possibilitando o corte do material. O fi o de latão tracionado, preso entre dois polos (corrente contínua), recebe uma tensão dos eletrodos de contato que se encontram nos bicos da máquina. Por esse fi o, passam alta corrente e baixa tensão. Ao ser ligado o interruptor, forma-se uma tensão elétrica entre o fi o e a peça, criando-se um arco voltaico entre os polos; esse arco voltaico é responsável pelo corte. A distância mínima entre o fi o e a peça denomina-se GAP. Esse processo de usinagem especial é utilizado em peças de perfis com- plexos, que necessitam de exatidão de medidas e acabamento superficial. É bastante utilizada na indústria para a confecção de placas de guia, porta- -punções e matrizes, como ferramentas de corte, dobra e repuxo. Processos especiais de usinagem de corte No caso de termos necessidade de cortar peças dos mais variados formatos, com precisão de corte e em grande produção, utilizamos os processos especiais de usinagem de corte, como o corte a laser, o corte plasma e o corte a jato d’água. Esses processos especiais geralmente utilizam a tecnologia CNC em suas modernas máquinas. Corte a laser Esse processo de usinagem especial para corte é um dos mais utilizados nas indústrias. O corte é defi nido com base na potência do laser empregado, em watts/cm2. O termo laser é a sigla para light amplifi cation by stimulated emission of radiation, que em português quer dizer: amplifi cação da luz por emissão estimulada da radiação. O laser produz um feixe de luz concentrado baseado na excitação dos elétrons, que provoca intensa energia em forma de calor. Assim, é possível furar e cortar praticamente qualquer material, pois se trata de um processo térmico que provoca mudanças na estrutura do material, mais especifi camente na região de corte. A utilização de máquinas de corte a laser é recomendada quando as peças requerem formas complexas, exigindo melhor acabamento superficial, prati- camente livre de rebarbas na região do corte. No corte a laser, a zona afetada pelo calor é mínima, e o corte ocorre com pouca distorção no material, mesmo em peças de desenho complexo. Usinagem206 Processo_Conrformacao_Book.indb 206 11/07/2018 15:33:02 A velocidade de corte deve ser determinada em conjunto com a potência, a pressão e a vazão do gás de assistência. Valores muitos elevados de velocidade tendem a produzir estrias na superfície de corte — rebarbas —, que podem até mesmo impossibilitar o corte. Já as baixas velocidades produzem um aumento da zona térmica afetada, e pode haver baixa qualidade no corte. As vantagens de se utilizar o corte a laser são diversas: minimiza a largura de corte aproximadamente em 0,12 mm, havendo pouca perda de corte; o corte pode ser iniciado em qualquer posição; a zona afetada pelo calor é reduzida, em comparação a outros processos de corte; minimiza o tempo de posicionamento da peça, em função de a chapa ser colocada inteira na máquina; reduz ou elimina perdas de corte em cortes de perfis variados, por utilizar software especiais, como o nesting, utilizado para dispor os padrões de corte de forma a minimizar a perda da matéria prima e o tempo de fabricação; efetua contornos simples, geralmente lisos, em altas velocidades; efetua cortes paralelos precisos, facilitando a fixação nos processos posteriores; ausência dedistorção por contato; pode cortar perfis de contornos complexos, utilizando a tecnologia CNC; possui altas velocidades de corte. Corte plasma Esse processo de usinagem especial utiliza a tecnologia do plasma, conhecido como o quarto estado da matéria. O plasma é aplicado no mesmo estado em que foi descoberto. É utilizado para realizar cortes de vários metais com espes- suras diferentes, em materiais como aço inoxidável, aço-carbono e alumínio. As características necessárias para um perfeito corte a plasma variam de acordo com o tipo de gás de corte, a quantidade de vazão do gás, o diâmetro do bocal (bico de corte), a tensão do arco elétrico e as propriedades do metal a ser cortado. Essas características, por sua vez, precisam ser controladas e utilizadas segundo princípios técnicos, bem como calculadas para se obter bom rendimento de trabalho. Uma vez que a vazão de gás é aumentada, a velocidade do jato de plasma é tão grande que empurra o metal fundido através da peça de trabalho, provocando o corte do material (Figura 24). 207Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 207 11/07/2018 15:33:02 Figura 24. Processo de corte a plasma. Fonte: ProSha/Shutterstock.com. Corte a jato d’água Esse processo utiliza a tecnologia de jato d’água com abrasivo. É menos utilizado nas indústrias, se comparado aos demais processos de corte, pois exige um nível avançado de automação. O corte a jato d’água é capaz de cortar quase todos os materiais com efi ciência. Ele se inicia pela coleta de água por meio de uma bomba de altíssima pressão. Em um tubo de alimen- tação, a água é misturada a um material abrasivo, e essa mistura é então liberada por um orifício de diamante e um tubo de focalização, produzindo um jato preciso de água e abrasivo, com uma pressão de aproximadamente 4.000 Kgf\cm2 (Figura 25). Esse processo desenvolve cortes com bordas bem-acabadas; assim, o corte a jato d’água pode ser aplicado a produtos praticamente fi nalizados. Usinagem208 Processo_Conrformacao_Book.indb 208 11/07/2018 15:33:03 Figura 25. Processo de corte a jato d’água. Fonte: Red ivory/Shutterstock.com. 209Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 209 11/07/2018 15:33:03 FITZPATRICK, M. Introdução aos processos de usinagem. Porto Alegre: AMGH, 2013. (Série Tekne). Referência Leituras recomendadas CENTRO DE INFORMAÇÃO METAL MECÂNICA. 2018. Disponível em: <https://www. cimm.com.br>. Acesso em: 27 maio 2018. CHIAVERINI, V. Tecnologia mecânica: processos de fabricação e tratamento. São Paulo: Pearson, 1995. v. 2. FITZPATRICK, M. Introdução à usinagem com CNC. Porto Alegre: AMGH, 2013. (Série Tekne.) SECCO, A. R. et al. Processos de fabricação: Telecurso 2000. São Paulo: Telecurso 2000, 2006. Disponível em: <http://bmalbert.yolasite.com/resources/Telecurso%202000%20- -%20Processos%20de%20Fabricacao%201.pdf>. Acesso em: 27 maio 2018. SMITH, W. F.; HASHEMI, J. Ciências dos materiais: fundamentos da engenharia e ciência dos materiais. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. 211Usinagem Processo_Conrformacao_Book.indb 211 11/07/2018 15:33:04 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.