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XI Congresso Internacional em Ciências da Religião

Caderno de resumos do XI Congresso Internacional em Ciências da Religião (PUC Goiás, 2023) com organização e corpo docente, comitê científico, dados de catalogação e programação do evento, incluindo conferências e concerto de música sacra.

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[Orgs.] 
José Reinaldo F. Martins Filho 
Gustavo Augusto da Silva 
Bianca Soares Magalhães 
 
 
Caderno de Resumos 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Comissão Organizadora 
 
Corpo Docente 
José Reinaldo Felipe Martins Filho – PUC Goiás (Presidente) 
Clóvis Ecco – PUC Goiás 
Lorenzo Lago – PUC Goiás 
Rosemary Francisca Neves – PUC Goiás 
Valmor da Silva – PUC Goiás 
 
Secretaria Geral 
Bianca Soares Magalhães – PUC Goiás (Secretária) 
Gustavo Augusto da Silva – PUC Goiás 
 
Curadoria Artístico-Cultural 
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso – PUC Goiás/IFITEG (Curador) 
Ana Kelly Ferreira Souto Pinto – PUC Goiás 
Elisabeth de Barros – PUC Goiás 
Natã Silva Nazareno – PUC Goiás 
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás 
 
Certificados 
Natã Silva Nazareno – PUC Goiás 
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás 
Ruan Fillipe da Silva Gomes – PUC Goiás 
 
Administração Financeira 
Daniel Carvalho da Silva – PUC Goiás 
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso – PUC Goiás/IFITEG 
Pedro Vinícius Dias Alcântara – PUC Goiás 
 
Coordenação de Apoio (Monitores e Tecnologia) 
André Valva – PUC Goiás 
Helton Thyers Melo de Oliveira – PUC Goiás 
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás 
 
Equipe Editorial 
José Reinaldo Felipe Martins Filho – PUC Goiás 
Bianca Soares Magalhães – PUC Goiás 
Daniel Carvalho da Silva – PUC Goiás 
Gustavo Augusto da Silva – PUC Goiás 
 
 
4 
Comitê Científico 
 
Dra. Carolina Teles Lemos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
– Brasil) (Presidente da Comissão Científica) 
 
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (Pontifícia Universidade Católica do 
Rio de Janeiro – Brasil) 
 
Dra. Angela Ales Bello (Universtità Lateranense di Roma – Itália) 
Dr. Celso Gabatz (Faculdades EST) 
 
Dra. Clélia Peretti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná – 
Brasil) 
 
Dr. Daniel Rodrigues Ramos (Universidade Federal do Tocantins – 
Brasil) 
 
Dra. Daniela Cordovil Corrêa dos Santos (Universidade Estadual do 
Pará – Brasil) 
 
Dr. Eurico Bacelar Satumbo (Universidade Católica de Angola – 
Angola) 
 
Dr. Flávio Augusto Senra Ribeiro (Pontifícia Universidade Católica de 
Minas Gerais – Brasil) 
 
Dr. Friedrich-Wilhelm von Herrmann (Albert-Ludwigs-Universität 
Freiburg – Alemanha – in memoriam) 
 
Dr. Jaime Laurence Bonilla Morales (Universidad San Buenaventura – 
Colômbia) 
 
Dr. José João Neves Barbosa Vicente (Universidade Federal do 
Recôncavo da Bahia – Brasil) 
 
Dra. Márcia Maria de Oliveira (Universidade Federal de Roraima – 
Brasil) 
 
Dra. Marta Luzie de Oliveira Frecheiras (Universidade Federal de 
Ouro Preto – Brasil) 
 
Dr. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves (Pontifícia Universidade Católica 
de Campinas – Brasil) 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião 
Pontifícia Universidade Católica de Goiás 
 
 
XI Congresso Internacional em Ciências da Religião da PUC Goiás / 
Caderno de Resumos. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 
– Goiânia, Goiás, 2023. 310 p. 
DOI: 10.13140/RG.2.2.12762.21447 
 v. 5. n. 1 (jan./jun. – 2022) 
 Semestral 
 Disponível em: 
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-
congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/ 
 
Diagramação: Gustavo Augusto da Silva; Bianca Soares Magalhães; 
José Reinaldo F. Martins Filho. 
 
1. Pesquisa científica. 2. Ciências da Religião. 3. Teologia. 4. 
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC 
Goiás. 
 
 
http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.12762.21447
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/
 
6 
PROGRAMAÇÃO 
 
 
17 de Abril de 2023 
 
19h30 – Conferência (Local: Paróquia Universitária | Link da transmissão: 
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E) 
Título: O traço sacramental da arte cristã 
Conferencista: Dom João Justino de Medeiros Silva (Presidente da 
Comissão Episcopal de Educação e Cultura da CNBB) 
Moderador: Dr. Wolmir Therezio Amado 
 
20h30 – Concerto de Música Sacra (Local: Paróquia Universitária | Link 
da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E) 
Orquestra Sinfônica de Goiânia, Coro Sinfônico e Coro Sinfônico Juvenil 
Regência: Maestro Vinícius Guimarães 
 
Programa do Concerto: 
- Anônimo Goiano (séc. XIX) - Te Deum (do Acervo Balthasar de Freitas, 
com edição de Marshal Gaioso) 
- Anônimo Goiano (séc. XIX) - Te Deum Festivo (do Acervo Balthasar de 
Freitas, com edição de Marshal Gaioso) 
- Fernando Cupertino - Missa Regina Coeli: Kyrie - Gloria - Sanctus - 
Benedictus - Agnus Dei 
- Jean Douliez - Missa in Honorem Beata Maria Virginis: Kyrie - Gloria - 
Credo - Sanctus - Benedictus - Agnus Dei 
 
18 de Abril de 2023 
 
19h30 – Cerimônia de Abertura do Congresso (Auditório da EFPH | Link 
da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4) 
 
20h – Conferência Internacional 1 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4) 
Título: Che cosa ci fa conoscere la bellezza? 
Conferencista: Dr. Costantino Esposito (Università degli Studi di Bari) 
Moderador: Dr. José Reinaldo Felipe Martins Filho 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E
https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4
https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4
 
7 
19 de Abril de 2023 
 
8h15 – Apresentação Cultural (Transmissão Virtual | Ver programação 
das mesas-redondas) 
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso 
 
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 1: Expressões do princípio criativo 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=X7D-DEHWITQ) 
Dra. Suelma de Souza Moraes (PPG em Ciências das Religiões UFPB) 
– Criatividade e espiritualidade em diálogo com os arquétipos do 
feminino na Teologia, na Psicanalítica junguiana e na Literatura 
suassuniana para os desafios contemporâneos 
Dr. José Reinaldo Felipe Martins Filho (PPG em Ciências da Religião PUC 
Goiás) – Espiritualidade, autotranscendência e potência criativa: o 
singular exemplo da música 
Dr. Samuel Mendonça (PPG em Educação PUC Campinas) – Paradoxos 
e alargamento da concepção de educação católica 
Moderador: Dr. Clóvis Ecco 
 
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 2: Tessituras do sagrado na literatura e nas 
tradições orais 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=pmThNQ7zwMI) 
Dra. Ceci Maria Costa Baptista Mariani (PPG em Ciências da Religião 
PUC Campinas) – Mística, Teologia e Literatura: aproximação 
teopoética à obra de Paulina Chiziane 
Dra. Luana Martins Golin (UMESP e UNIFAI) – Tessituras do sagrado: “Se 
o grão de trigo, caindo na Terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, 
produz muito fruto” (Jo 12,24) – A epígrafe de “Os Irmãos Karamázov” e 
a literatura joanina. 
Dra. Rosemary Francisca Neves Silva (PPG em Ciências da Religião PUC 
Goiás) – Isaías 52,13-53,12: Brasil colonial e tessituras do cotidiano das 
mulheres negras 
Moderador: Dr. Mariosan de Sousa Marques 
 
10h15 – Conferência Nacional 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=T4enSDJ_ytg) 
Título: Teopoética: uma conexão entre Teologia, mística e estética 
Conferencista: Dra. Maria Clara Lucchetti Bingemer (PPG em Teologia 
PUC Rio) 
Moderadora: Dra. Ivoni Richter Reimer 
 
13h30 às 17h30 - Programação das ST (Atividade Remota – ACESSO) 
 
https://www.youtube.com/watch?v=X7D-DEHWITQ
https://www.youtube.com/watch?v=pmThNQ7zwMI
https://www.youtube.com/watch?v=T4enSDJ_ytg
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/sessoes-tematicas-st-xi-religiao-internacional/
 
8 
19h às 21h – Instalações culturais (Visitação Pública - Local: Escola de 
Formação de Professores e Humanidades PUC Goiás) 
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso 
 
20 de Abril de 20238h15 – Apresentação Cultural (Transmissão Virtual | Ver programação 
das mesas-redondas) 
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso 
 
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 3: Religião, arte e cultura material 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=IdG07fku6N8) 
Dr. João Damásio da Silva Neto (UFU) – Imagem, mídia e arte mediúnica 
no espiritualismo contemporâneo: reflexões a partir do caso dos Museus 
Espíritas 
Dra. Paola Lins de Oliveira (PPG em Sociologia e Antropologia UFRJ) 
– Criação da arte e do artista na Capela de Matisse 
Dr. Eduardo Gusmão de Quadros (PPG em Ciências da Religião PUC 
Goiás) – O duplo discurso teológico dos ex-votos do Pai Eterno 
Moderador: Dr. Luiz Antônio Signates Freitas 
 
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 4: O religioso e o artístico nos saberes 
tradicionais 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=A4UHvEdNvdA) 
Dr. Valmor da Silva (PPG em Ciências da Religião PUC Goiás) 
– Provérbios: saber artístico, religioso e popular 
Dra. Taissa Tavernard de Luca (PPG em Ciências da Religião UEPA) 
– Entre a Mediunidade e a Técnica: a Arte dos Ferros Sagrados nos 
Terreiros de Belém 
Dr. Clodomir Barros de Andrade (PPG em Ciências da Religião UFJF) 
– Teologia, imanência e estética nas espiritualidades gregas antigas: por 
uma semiótica do rastro divino no mundo 
Moderadora: Dra. Thaís Alves Marinho 
 
10h15 – Conferência Internacional 2 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=Pt-D8_5ZBDo) 
Título: – La reaparición de la imagen de Cristo en la Posmodernidad 
Conferencista: Dr. Pablo López Raso (Universidad Francisco de Vitoria – 
Madrid – Espanha) 
Moderadora: Dra. Carolina Teles Lemos 
 
13h30 às 17h30 - Programação das ST (Atividade Remota - ACESSO) 
https://www.youtube.com/watch?v=IdG07fku6N8
https://www.youtube.com/watch?v=A4UHvEdNvdA
https://www.youtube.com/watch?v=Pt-D8_5ZBDo
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/sessoes-tematicas-st-xi-religiao-internacional/
 
9 
 19h – Cerimônia de Encerramento do Congresso (Auditório da EFPH | 
Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-
c) 
 
19h30 – Conferência Internacional 3 
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c) 
Título: Resonancia: naturaleza y sensibilidad en el daoísmo 
Conferencista: Dra. Claudia Lira Latuz (Pontificia Universidad Catolica de 
Chile) 
Moderador: Dr. Alberto da Silva Moreira 
 
21h – Apresentação Cultural (show) (Auditório da EFPH) 
Artista: Xexéu 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
 
10 
SUMÁRIO 
 
 
ST 01 – RELIGIÃO E CONSTRUÇÕES DE SENTIDO NAS ARTES E NA CULTURA ....... 12 
ST 02 – LO MÍTICO E LO SAGRADO: EN TORNO A LO TRASCENDENTE EN EL ARTE 
ACTUAL .................................................................................................................... 29 
ST 03 – ESPIRITUALIDADES PAGÃS E DA TERRA: ARTE, CULTURA, IDENTIDADE E 
MATERIALIDADE ...................................................................................................... 35 
ST 04 – “E O VERBO SE FEZ BELEZA E HABITA NO MEIO DE NÓS”: AS 
MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS COMO DIVULGAÇÃO DOS VALORES SAGRADOS
 ................................................................................................................................. 44 
ST 05 – ARTE, ARQUITETURA E CONTEMPORANEIDADE: RELIGIÃO, CULTURA E 
EXPERIÊNCIA DO SAGRADO .................................................................................. 56 
ST 06 – NAZARENO CONFALONI: TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA 
PINTURA E ARTE ....................................................................................................... 62 
ST 07 – CULTURA VISUAL E RELIGIÃO ..................................................................... 71 
ST 08 – ESTÉTICA, CAPITALISMO E RELIGIÃO ......................................................... 80 
ST 09 – JESUS NAS ARTES E NAS CULTURAS ............................................................ 89 
ST 10 – FILOSOFIA DA RELIGIÃO .......................................................................... 107 
ST 11 – CULTO E LITURGIA ..................................................................................... 127 
ST 12 – NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS E ESPIRITUALIDADES LAICAS ......... 140 
ST 13 – JUVENTUDES E RELIGIOSIDADES: INTERFACES, CENÁRIOS E TENDÊNCIAS
 ............................................................................................................................... 154 
ST 14 – RELIGIÃO, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE: A BUSCA DE SENTIDOS QUANDO A 
VIDA ESTÁ EM RISCO ............................................................................................ 163 
ST 15 – ESPIRITUALIDADES NO CONTEXTO EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO 180 
ST 16 – ESPIRITISMOS, ESPIRITUALISMOS E ESPIRITUALIDADES ............................ 194 
ST 17 – LINGUAGEM RELIGIOSA: ACONTECIMENTO, NARRATIVA E 
REPRESENTAÇÃO ................................................................................................... 207 
ST 18 – DA EUROPA PARA AS AMÉRICAS: O ESPIRITISMO EM PERSPECTIVA ..... 218 
ST 19 – DIREITO, JUSTIÇA SOCIAL E SOCIEDADE ................................................. 234 
ST 20 – MULHERES NEGRAS RELIGIOSIDADES E FEMINISMOS ............................. 247 
 
11 
ST 22 – RELIGIÃO E GÊNERO ................................................................................. 260 
ST 23 – CULTURA POP E RELIGIÃO ........................................................................ 283 
ST 24 – DIÁLOGOS COM A INICIAÇÃO CIENTÍFICA ........................................... 295 
ST 25 – NARRATIVAS VISUAIS, LINGUAGENS ARTÍSTICAS E RELIGIÃO ............... 304 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
ST 01 – RELIGIÃO E CONSTRUÇÕES DE SENTIDO NAS 
ARTES E NA CULTURA 
 
Dr. José Reinaldo F. Martins Filho (PUC Goiás) 
jreinaldomartins@gmail.com 
 
Dr. Edson Matias Dias (IFITEG) 
ed.matias@gmail.com 
 
Me. Marcelo Gabriel de Freitas Veloso (PUC Goiás; IFITEG) 
yosihing@gmail.com 
 
Embora a relação entre “religião” e “sentido” tenha sido realçada ao 
longo das últimas décadas por áreas como a Psicologia e/ou a 
Antropologia Cultural, muito pouco desse enlace pôde destacar-se a 
partir da articulação entre o campo religioso e as diferentes expressões 
artístico-culturais. Trata-se de um esforço ainda mais tímido caso se 
considere a produção na área de Ciências da Religião a esse respeito, 
mesmo que historicamente se tenha cogitado uma espécie de fronteira 
alargada para o acesso ao sagrado para além dos limites da 
racionalidade ou da descritividade. A essa dimensão de contato com 
um sentido radical, que não se mostra completamente disponível aos 
mecanismos operadores do discurso racional, chamou-se “apofática”, 
“negativa” ou “inefável”. Justamente essa parece ser a condição da 
arte em sua capacidade de tradução dos sentidos por vias ainda não 
totalmente exploradas, mas que, em geral, consideram o ser humano 
desde um ponto de vista da integração entre corpo – e, por isso, os 
sentidos exteriores – e espírito – o nível da potência criativa. Por um lado, 
chega-se ao que há de referencial transcendente nas expressões 
artísticas. Por outro, e sobretudo em meio ao crescimento do fenômeno 
da desinstitucionalização religiosa, fala-se da “arte como religião”, ou, 
quem sabe, como veículo expressivo e de (re)significação para 
mailto:jreinaldomartins@gmail.com
mailto:ed.matias@gmail.com
mailto:yosihing@gmail.com
 
13 
indivíduos e grupos, permitindo-lhes a constituição da totalidade 
ordenada (mundo) em que experienciam a vida. A presente ST busca 
aglutinar investigações que toquem esse horizonte, congregando-as 
num espaço qualificado de discussão, de crítica e de troca de 
experiências, com possibilidadede crescimento para todas as partes 
envolvidas. 
 
 
A ETNICIDADE DO POVO GOIANO NA OBRA DO FREI CONFALONI: 
COLONIZADOR OU DECOLONIZADOR? 
 
Ana Kelly Ferreira Souto Pinto 
PUC Goiás 
souto-ana@hotmail.com 
 
RESUMO: Constata-se a partir dos documentos e relatos como foi o 
impacto da pintura do Frei Nazareno Confaloni nas paredes da igreja 
do Rosário na Cidade de Goiás. O artista, frei dominicano católico e 
europeu, chega à antiga capital de Goiás e representa nos mistérios do 
Rosário as cenas bíblicas, porém colocando como personagens o 
próprio povo da cidade. Utilizando traços largos para expressar nariz, 
pés, e cores como o vermelho e o marrom para mostrar a simplicidade 
e o matiz da pele. A comunidade local não recebeu bem essa 
representação. Neste estudo investiga-se qual é a identidade que o 
povo local tinha de si mesmo, como ele se via, como o frei italiano o 
enxergou e o retratou. Haveria nessa expressão um choque entre como 
as pessoas locais se viam e como foram vistas? Residiria aí uma tensão 
entre a visão do europeu colonizador e o povo refém de um processo 
colonizador? Teria o frei, por meio de sua arte, promovido uma 
decolonização? Ou, à luz da teoria da etnicidade de Barth, cometido 
um ato de supressão da identidade ao colocar a sua visão sobre a 
comunidade? O presente artigo objetiva refletir sobre tais questões. A 
partir das leituras realizadas mais especificamente, quatro artigos, em 
um primeiro momento o de Diego Villar (2004) - Uma abordagem crítica 
do conceito de Etnicidade na obra de Frederick Barth, e o de Thais 
Marinho (2015), que mantém como referência o conceito de etnicidade 
de Barth, essas duas leituras têm o potencial de deslocar o olhar para 
um modo de compreender a etnicidade não como uma categoria que 
o estudioso/pesquisador chega e cataloga dizendo quem é o que. 
Barth apresenta uma abordagem mais terna e gentil com o “objeto” 
estudado, permitindo que a categorização da identidade seja dita pela 
própria pessoa que é estuda pelo antropólogo. Num segundo 
momento, o texto de Aníbal Quijano (2005) Colonialidade do poder, 
mailto:souto-ana@hotmail.com
 
14 
eurocentrismo e América Latina, assim como o texto de Rita Segato 
Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um 
vocabulário estratégico decolonial, nos amplia a compreensão de que 
devido ao processo de colonização que teve como referência o modo 
de vida e o estereótipo europeu, faz-se necessário libertarmo-nos desses 
paradigmas num processo de decolonização. Dessarte, tais leituras nos 
levaram a pensar o objeto da tese – a arte de Frei Nazareno Confaloni 
em Goiás – à luz dessas teorias, culminando em algumas questões que 
refletimos neste trabalho, tais como: seria a arte de Confaloni, em Goiás, 
um meio para o processo de decolonialismo? Ou, à luz da teoria de 
Barth, ela infringiria a construção da etnicidade goiana? 
 
Palavras-chave: Etnicidade; Decolonialismo; Povo goiano; Arte de 
Confaloni. 
 
 
A MULTISSENSORIALIDADE NA AÇÃO RITUAL E SUAS PERFORMANCES 
 
Daniela Oliveira dos Santos 
UFG 
daniela.oliveira@discente.ufg.br 
 
RESUMO: Esta comunicação pretende discutir a multissensorialdade na 
experiência religiosa durante a ação ritual a partir de um estudo em 
andamento no campo das Performances Culturais. A investigação tem 
por propósito compreender as performances que ocorrem nas 
celebrações do Ofício Divino das Comunidades em suas ações, 
símbolos, corpos, cheiros, sons, com destaque aos aspectos culturais 
presentes. Para tanto, as memórias, os corpos, os cheiros, os sons e seus 
entrelaçamentos com o rito adentram a investigação proporcionando 
reflexões sobre as performances reveladas na ação celebrativa. Esta 
comunicação tem por objetivo apresentar reverberações sobre os 
aspectos voltados à multissensorialidade e à sinestesia vislumbrados 
durante a celebração do Ofício Divino das Comunidades realizada em 
Goiânia no ano de 2022. Na ocasião, realizei a observação participante 
da celebração realizando o seu registro fotográfico e anotações em um 
diário de campo. O pensamento de estudiosos, tal como, Langdon 
(2006), Ingold (2012), Bonaccorso (2015), Pallasmaa (2011) adentram as 
reflexões descortinando os elementos percebidos nas performances dos 
celebrantes. As performances despontam no Ofício Divino das 
Comunidades desde o seu início, nisto, corpos, gestos e ações dos 
revelam-se simultaneamente no e pelo rito. Entrelaçados às palavras, ao 
canto, à dança e ao silêncio imersos pela penumbra e envoltos pelo 
mailto:daniela.oliveira@discente.ufg.br
 
15 
cheiro do incenso que invadia o espaço, os celebrantes vivenciaram 
experiências significativas e afloraram seus sentidos. Os gestos e corpos 
são citados por Bonnacorso (2015) na tentativa de se compreender 
como o ritual recorre às linguagens não verbais que são formas de 
comunicação mais antigas que a linguagem verbal. O acúmulo de 
atividades e o tempo, cada vez mais escasso, tem prejudicado a busca 
pela inteireza de nosso ser durante a celebração religiosa. Para além 
disso, Pallasma (2011) chama a atenção para a separação dos sentidos 
humanos em nosso cotidiano e como isso tem afetado as nossas vidas 
e nossas experiências estéticas. Seria, então, a celebração religiosa 
capaz de despertar em nós a multissensorialidade e a experiência 
estética? 
 
Palavras-chave: Multissensorialidade; Performances; Ação Ritual; Ofício 
Divino das Comunidades. 
 
 
MÃOS QUE NARRAM MUNDOS: A QUIROPRÁXIS NAS PARTEIRAS DA 
FLORESTA AMAZÔNICA 
 
Helton Thyers Melo Oliveira 
PUC Goiás 
thyerscssr@gmail.com 
 
RESUMO: Separadas e distantes geopoliticamente do mundo hospitalar 
citadino, imersas no útero da floresta, as parteiras da floresta amazônica 
são as testemunhas de um saber ancestral que as tornam as “mães da 
pegação” ou as “mães pelo umbigo”. O objetivo deste trabalho é 
apresentar e discutir um tipo específico de tradição e de prática 
memorial na incursão da oralidade atravessada pela quiropráxis do 
partejar. Mantivemos uma abordagem fenomenológica de nosso 
objeto em questão, qual seja, as mãos das mães de parto representadas 
como guardiães de cultura, na tentativa de compreender e interpretar 
a reportagem de imersão na “Floresta das parteiras”, tal qual a 
descreveu e registrou a jornalista Eliane Brum (2017). Como balizadores 
conceituais do nosso trabalho, articulou-se como lente teórica sobre 
nosso objeto de estudo conceitos provindos da sociologia da religião – 
memória, tradição, rito e identidade narrativa – a partir dos estudos 
realizados por Sukaranaho (2011), Urbaniak (2015) e Duque (2018). Nesse 
percurso realizado, concebemos as parteiras e suas mãos na prática de 
seu ofício artesanal como encadeadoras de memória cultural, 
tratando-se de mãos que visibilizam um mundo, demarcam um tempo 
de acontecimento (o nascimento), definem outro corpo identitário, 
mailto:thyerscssr@gmail.com
 
16 
guardam uma história. A tradição das parteiras abriga não só a 
narrativa do início das vidas que suas mãos amparam, mas seus corpos 
conjugam com o verbo partejar todo um modo cosmogônico de se 
situar na vida, na existência e em seus laços. Os corpos de uma “mãe 
de umbigo”, aparadora de menino, partejam uma relação da própria 
floresta como corpo, como ambiência receptiva onde se inscreve a 
comunidade e suas identidades. 
 
Palavras-chave: Parteiras; Floresta amazônica; Eliane Brum; Narrativa. 
 
 
A MÚSICA COMO VIA PARA A INTERIORIDADE – UM ESTUDO A PARTIR DE 
AGOSTINHO DE HIPONA 
 
Gustavo Augusto da Silva 
NOVA de Lisboa 
gustavo85031342@gmail.com 
 
RESUMO: Na ótica agostiniana, o canto não é propriamente/somente 
um ato linguístico, visto que existe a possibilidade de cantar sem 
palavras. O mesmo acontece com a oração, há a contingência de 
cumpri-la a sós, em silêncio. Com as palavras, aprende-se apenas 
signos, isto é, sinaissonoros, que, deliberadamente, foram carregados 
de sentido ao longo do desenvolvimento da humanidade. Deste modo, 
as palavras da oração ou do canto, como ato interior, funcionam como 
lembretes para as operações do pensamento. Por esse silêncio, o fazer 
musical se aproxima bastante da oração, e, como ato litúrgico, o canto 
também era utilizado como modalidade de reza. Agostinho desenvolve 
que o canto na liturgia é um ato de interiorização e conexão com a 
comunidade. A experiência que os crentes fazem do Sagrado parte 
sempre de uma linguagem. Mesmo na oração silenciosa a linguagem 
aparece como fruto da consciência de si. Em Agostinho esta 
consciência é conhecida como interioridade. Agostinho declarou que 
Deus se encontra no mais íntimo do homem e que para encontrá-lo é 
preciso tecer um caminho interior rumo ao Sumo Bem. Este trabalho tem 
como proposta prescrutar o conceito de interioridade agostiniano e 
estudar a música como uma via privilegiada para tal. 
 
Palavras-chave: Música; Interioridade; Filosofia; Agostinho de Hipona. 
 
 
 
mailto:gustavo85031342@gmail.com
 
17 
UMA PROPOSTA POÉTICA/ESTÉTICA COMO EXERCÍCIO ESPIRITUAL A 
PARTIR DO LIVRO O VÉU DE ÍSIS NO PENSAMENTO DE PIERRE HADOT 
 
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso 
PUC Goiás 
yosihing@gmail.com 
 
RESUMO: A comunicação presente tem como proposta em apresentar 
a possibilidade de uma percepção estética da natureza pelo 
intermédio da atitude órfica como exercício espiritual a partir da obra O 
véu de Ísis, do filósofo francês Pierre Hadot (1922-2010). De acordo com 
Hadot, a natureza sofreu um processo de mecanização que, de certa 
maneira, corroborou o distanciamento do próprio homem. Tal processo, 
o filósofo francês denomina de atitude prometeica. Esta atitude – mas 
não somente ela – parece estender-se e ganhar fôlego na 
contemporaneidade, reforçada pelo avanço intensificador do 
processo tecnológico mercadológico/capitalista. Nesse sentido, em 
resposta a essa mecanização e exploração mercadológica frente à 
natureza, propomos neste artigo, a partir do pensamento de Hadot, 
discutir e compreender o que ele denomina por atitude órfica, 
problematizando a seguinte questão: será possível pelo intermédio da 
percepção estética da natureza, a “renaturalização” do homem? Seria 
a atitude órfica uma proposta de nos entendermos como sujeitos 
perceptíveis, enquanto também participantes da natureza? Partindo 
deste pressuposto, recorremos ao pensamento de Hadot arriscando-nos 
a uma aproximação sobre o despertar de uma percepção espiritual de 
filosofia na senda da perspectiva estética em relação à natureza. 
 
Palavras-chave: Natureza; Percepção Estética; Pierre Hadot; Exercícios 
Espirituais. 
 
 
LEODEGÁRIA BRAZÍLIA DE JESUS: A POESIA COMO CHAMA E 
PROCEDIMENTO 
 
Cristiano Santos Araujo 
PUC Goiás 
umcristiano@gmail.com 
 
RESUMO: Esta comunicação científica tem por objeto a obra da poeta 
goiana Leodegária Brazília de Jesus (1889-1978) nos seus dois livros: 
Corôa de Lyrios (1906) e Orchideas (1928). Objetiva-se realizar uma 
metacrítica literária a partir de três críticos: um inglês, um francês e um 
mailto:yosihing@gmail.com
mailto:umcristiano@gmail.com
 
18 
russo. Terry Eagleton (2006) no conceito sobre O que é literatura; Viktor 
Chklovski (1984) no texto A Arte como procedimento; Gaston Bachelard 
(1989), na obra A chama de uma vela. Metodologicamente, propõe-se 
uma revisão bibliográfica, e de narrativa, no esforço conjunto de co-
labor-ação conceitual através do eixo epistemológico da arte poética 
e construções de sentido na religião e cultura goiana. Dessa forma, 
sendo Leodegária de Jesus uma matrinarrativa cerradesca há 
pertinências sociais, acadêmicas e científicas no olhar mais atento sobre 
a obra da pioneira da poesia em Goiás, com a perspectiva de auscutar 
a visibilidade da chama e do procedimento de uma escrita das 
imagens simbólicas e de uma particular poesia do mundo na tentativa 
autoral de explicar o desconhecido pelo conhecido naquilo que há 
entre a chama e o pavio. 
 
Palavras-chave: Leodegária de Jesus; Poesia; Chama; Procedimento. 
 
 
COMICIDADE E SIMBOLISMO: RELAÇÕES ENTRE O HUMOR DA 
CARICATURA E NARRATIVAS RELIGIOSAS 
 
Natã Silva Nazareno 
PUC Goiás 
lapiseborracha@gmail.com 
 
RESUMO: Este trabalho pretende abordar o aspecto do humor 
propositalmente elaborado na construção da caricatura e equiparar os 
fundamentos simbólicos criados, apropriados ou reinventados pelo 
específico estilo de arte e os mecanismos não menos importantes para 
a impetração da memória e linguagens adotadas pela religião. De tal 
feito, apresentamos em três capítulos nos quais são distribuídos a 
questão relacional entre dois horizontes, do cômico e da religião, em 
seguida os elementos são reconectados com novas perspectivas e 
interpretações, sutis jogos de linguagem, releituras de questões 
populares e religiosas convertidos pela arte da caricatura, em 
armadilhas risíveis, o que iremos ilustrar com recurso gráfico/imagético. 
Rir é próprio e exclusivamente dos humanos e, constatações ou 
afirmações como essas nos acompanham desde a antiga Grécia, no 
entanto os valores atribuídos ao riso oscilam na história. Elementos do 
cômico são ajuizados ou valorados, mas estão caminhando com a 
evolução humana e no ethos da sociedade. Assim como os mitos são 
constituídos, elementos que fundamentam, atendem um propósito e 
replicam uma história para um povo, a experiência vivenciada através 
do humor, pode estar no mesmo patamar de elaboração racional e se 
mailto:lapiseborracha@gmail.com
 
19 
valer dos mesmos elementos, em perspectivas peculiares, para 
organizar mecanismos cômicos e, imortalizar memórias através do riso 
na cultura. Acreditamos, levantar um questionamento de suma 
relevância para os tempos hodiernos em que a sensibilidade da arte, 
filosofia, religião e do humor são desconsideradas do cerne da 
formação social. Autores de grande relevância serão elencados para o 
debate e nos anseia provocações substanciais para novos saberes em 
futuros próximos. 
 
Palavras-chave: Caricatura; Humor; Riso; Cômico; Religião. 
 
 
RELIGIÃO, ARTE E CULTURA: A CAPACIDADE HUMANA DE REINVENTAR 
 
Claudio Antonio Delfino 
PUC São Paulo 
claudiodelfino72@yahoo.com.br 
 
RESUMO: A tradição judaico-cristã tem de comum em suas raízes a 
doutrina da Criação. O verbo barah é um indicativo que somente a 
Deus compete criar. Mas isto não implica que ao homem, mesmo que 
analogamente, seja concedido a tarefa de, mediante a arte, de um 
tipo de criação aparente, inventiva. E essa realidade cultivada é 
verdadeira. Ela entra no mundo dos homens, isto é, na história, 
possuindo uma gama de significados, que por vezes, expressa o 
inefável, o apofático, o indizível conceitualmente. Desta maneira, 
utilizando o método explorativo bibliográfico, objetiva-se com esta 
reflexão mostrar que a fertilidade da interface entre religião, arte e 
cultura são capazes de produzir sentidos que alarguem o horizonte da 
experiência humana com o sagrado, em meio as alegrias e sofrimentos 
da sua existência. Os elementos desta interface são como três vias que, 
interagindo-se através da atividade humana, convergem na mesma 
direção, visando alcançar o mesmo fim. Ademais, sendo o homem um 
mistério para si e para os outros, ele é desafiado constantemente a se 
descobrir e se manifestar. Sendo assim, no cultivo de si, da sociedade e 
da natureza, e aberto ao Totalmente Outro, o homem é chamado a 
emitir significado a tudo isso que o rodeia. E, se por vezes, lhe faltam 
palavras para exprimir tudo o que o envolve. Mediante a sensibilidade 
estética que lhe é própria, ele é naturalmente vocacionado a encontrar 
condições de possibilidades para realizar esta sua missão. Com isso, os 
elementos religiosos, culturais e artísticos funcionam também, como um 
fundamento comum, onde erguer este edifício.A construção se dá no 
seu quotidiano. Para se realizar tal empresa, se deve buscar o apoio da 
mailto:claudiodelfino72@yahoo.com.br
 
20 
iniciativa pública, privada e do terceiro setor e da comunidade local 
com o objetivo de obter recursos para a realização de tais projetos. 
Além disso, se deve valorizar as expressões artísticas e culturais de cada 
povo, consciente de que cada um tem algo a oferecer. Por fim nada 
impede de utilizar tais atividades como inclusivas no meio social. Sendo 
assim, o sagrado, o humano, a arte e a cultura como expressões deste 
podem coabitarem num universo paradoxal, isto é, multifacetado e 
simultaneamente, com o rosto belo. 
 
Palavras-chave: Sagrado; Humano; Arte; Cultura. 
 
 
A INFLUÊNCIA DE SÃO JOÃO DA CRUZ PARA A CATEGORIA DO NOTURNO 
NA FILOSOFIA DE VLADIMIR JANKÉLÉVITCH: O ENCONTRO ENTRE A 
TEOLOGIA APOFÁTICA E A FILOSOFIA NEGATIVA DO SÉCULO 20 
 
Felipe Marçal Anunciação 
PUC Minas 
felipeanunciacao@outlook.com 
 
RESUMO: Vladimir Jankélévitch, filósofo francês do século 20, foi deveras 
influenciado pela mística cristã para a concepção de sua filosofia, esta 
não sistemática, antibabélica e simpática ao inefável, concebendo às 
verdadeiras respostas como o fruto do encontro com a experiência do 
inexprimível. Sua filosofia se afasta do positivismo e cientificismo 
contemporâneos, convidando os seus leitores para uma espécie de 
experiência mística, mas sem religião dogmática, com predileção para 
às experiências inexplicáveis que podem ser vivenciadas através da 
música, o amor e a abertura do ser para a vida como mistério infinito 
em possibilidades. Independente do não pertencimento a uma filiação 
religiosa, Jankélévitch nos aponta para experiências transbordantes. Por 
isso, visando uma investigação sobre à grandeza que às experiências 
religiosas promovem, por ser à constatação do transbordamento para 
além da racionalidade instrumental, esta comunicação tem o objetivo 
de apresentar às influências da mística de São João da Cruz para à 
categoria do Noturno na filosofia jankélévitchiana. Para tal intento, 
apresentaremos â categoria do Noturno para o filósofo a partir do seu 
livro A música e o inefável e os dois primeiros volumes da obra Le je ne 
sais quoi et le présque rien, com o apoio do livro Ressonâncias Noturnas: 
do indizível ao inefável do intérprete do autor prof. Dr. Clóvis Salgado 
Gontijo, relacionando e demonstrando como a teologia noturna de São 
João da Cruz foi a principal influência para o pensador francês quanto 
ao tema. Utilizaremos os livros Subida ao Monte Carmelo e Obras 
mailto:felipeanunciacao@outlook.com
 
21 
Completas do místico João da Cruz, como também de citações de 
místicos como Pseudo-Dionisio Areopagita do seu livro Teologia Mística. 
 
Palavras-chave: Noturno; Mística; Religião; Jankélévitch; São João da 
Cruz. 
 
 
A SIMBÓLICA DO DIONISÍACO NO CINEMA CONTEMPORÂNEO 
 
Camila Cavalcanti Pordeus 
UFPE 
camilapordeus@gmail.com 
 
RESUMO: Uma palavra como "dionisíaco" pode parecer ao leitor tão 
familiar quanto estranha. Pode fazê-lo lembrar do dionisíaco tal qual 
Nietzsche elaborou em seu "O nascimento da Tragédia". Pode também 
lhe parecer familiar como adjetivo, sinônimo de algo carnavalesco. 
Nesta proposta, quando falamos de "dionisíaco", nos valemos desse 
lugar-comum, mas pretendemos ir além dele. Entendemos que apesar 
da religião e mitologia greco-romana terem existido enquanto fato 
religioso na antiguidade clássica, não é desta mesma maneira que ele 
se apresenta na contemporaneidade. Isto pois o fato religioso é um fato 
histórico, e portanto depende de sua historicidade para existir enquanto 
religião, que proporciona sentido e verdade para aqueles que neles 
crêem. Defendemos aqui a possibilidade de sobrevivência daquilo que 
chamamos "simbólica do dionisíaco", um conjunto de elementos visuais 
que se relacionam com o imaginário construído a partir dos mistérios 
dionisíacos. Este imaginário, palavra que utilizamos para nos referir a um 
certo repertório cultural, aponta para sentidos que se relacionam com 
temas recorrentes no estudo da religião que seguia o deus do vinho: a 
presença do bestial, o rompimento das barreiras sociais, o erotismo, e, 
principalmente, a dissolução do indivíduo. Como principal objeto deste 
estudo, escolhemos o cinema contemporâneo, filmes como "Clímax" 
(Noé, 2018), "Os demônios" (Russel, 1971) e "Suspiria" (Guadagnino, 2018) 
que possuem cenas em que enxergamos que este arcabouço foi 
reportado, cujo sentido aproxima-se de valores partilhados por tal 
religião. Compreendemos que o imaginário acerca de algo não 
reporta-se necessariamente apenas a realidades históricas.Estas cenas 
não buscavam retratar fielmente esta religião, mas ainda assim 
conectam-se com a ideia que o ocidente formou acerca deste deus e 
seu culto. Para este trabalho, utilizo autores como Paul Ricoeur, Mircea 
Eliade e Georges Bataille, buscando na recorrência da produção destas 
imagens compreender o sentido do dionisíaco no modo como o 
mailto:camilapordeus@gmail.com
 
22 
homem contemporâneo do mundo secular vivencia sua existência. A 
partir deles, foi possível compreender a religiosidade para além da 
religião, a busca pelo sentido e pela verdade que norteia a existência 
humana, e como esses valores não se dissiparam pós-secularização. 
Interligamos a noção de dionisíaco com a experiência erótica tal qual 
descrita por Bataille, uma experiência que busca simbolicamente 
derrotar o abismo entre os seres descontínuos que somos, 
descontinuidade esta que pode ser bem representada pela morte (pois 
quando "eu" morro, estou sozinha, "você" não morre também). As cenas 
as quais nos reportamos buscam transmitir visualmente a quebra da 
barreira dessa descontinuidade, um momento que, por mais que dure 
apenas alguns minutos para o espectador, transmitem que para o 
participante algo de eterno ali ocorreu - a morte foi esquecida, o mundo 
e suas regras também. Ali formou-se uma esfera, no sentido de Peter 
Sloterdijk, onde o desconhecido - a morte- não os alcança. Ao negar as 
regras e a ordem do mundo, simbolicamente cria-se um outro espaço, 
que, como na religião dionisíaca, é preciso estar iniciado para adentrar 
-aqueles que morrem e renascem simbolicamente. É nessa mesma 
lógica em que categorizo essas produções visuais: a negação da morte 
e a celebração extática da vida. 
 
Palavras-chave: Dionisíaco; Símbolo; Cinema. 
 
 
CONSTRUÇÃO DE SENTIDO NA POESIA DE ADÉLIA PRADO: UMA ANÁLISE 
FENOMENOLÓGICA DO POEMA BENDITO 
 
Edson Matias Dias 
FAJE 
ed.matias@gmail.com 
 
RESUMO:A vida não precisa ser explicada para se manifestar. Nas 
modalidades dos poderes que nosso corpo comporta, a vida se 
expressa em tudo que ela é: suas alegrias, dores, contentamentos e 
dessabores. Os contraditórios no nosso viver só são considerados assim 
pois esbarram em nossa mentalidade idealista de tudo querer objetivar. 
Tudo aponta para a compreensão que a construção de sentido 
somente se produz quando há um espaço de interação entre os 
opostos. O caminho da poesia, desde os textos sagrados antigos à 
poesia contemporânea, revela um ‘fundo’ articulador que escapa 
sempre a qualquer racionalização. Refletir a partir da poesia, num 
caminho que passa pela fenomenologia e pela psicologia profunda, 
parece ser um trajeto possível de aclaramento do valor poético para a 
mailto:ed.matias@gmail.com
 
23 
construção de sentido da vida humana. Para que a investigação seja 
possível, opta-se pela análise do poema Bendito da poetisa mineira 
Adélia Prado. Toma-se como auxílio para investigação a fenomenologia 
de Michel Henry, em sua crítica à cultura e à tradição filosófica. Como 
também a psicologia de Carl Gustav Jung em seus pressupostos sobre a 
constituição psíquica do indivíduo e seu processo de desenvolvimento, 
deixando emergir outra concepção de cultura e de arte.A partir das 
categorias da fenomenologia e da psicologia foi possível perceber que 
o ser humano, na busca de encontrar um chão que pertença, pela 
poesia encontra um mar que pode navegar ao fragor dos ‘ventos da 
vida’. O que fica patente é a necessidade urgente de viver a vida num 
fluxo mais poético e menos objetivista, abrindo espaço assim para todos 
os poderes da vida em suas mais variadas manifestações artísticas e 
culturais. 
 
Palavras-Chave: Poesia; Psicologia; Fenomenologia; Sentido. 
 
 
O PERDÃO E O “AUTOPERDÃO” COMO VIOLÊNCIA 
 
Bianca Soares Magalhães 
PUC Goiás 
biancasoaresmagalhães@gmail.com 
 
RESUMO: O narrar, literário ou de qualquer outra espécie, evidencia, em 
especial a olhares mais profundos, a máxima/norma, como conduta, 
daquilo que deve ser considerado e protegido. O fato é que, por vezes, 
a violência e a revitimização se transverte da boa virtude do perdoa e 
“autoperdoar-se”. Soa como um processo de superação da dor, e 
talvez seja em alguma medida. Mas, para além da experiência pessoal, 
o espaço público adoecido não protege nem considera o bem da vida 
e a própria vida. Por via literária, narraremos um conto, que apesar de 
fictício sabe-se fatível, para conduzirmos a reflexão de como o perdão 
e o “autoperdão” nem sempre representa uma virtude, mas sim 
processos de legitimação da violência. A vítima ou a pessoa ofendida 
toma para si a culpa do dano que lhe fora causado. Deste modo, 
somasse o dano, a dor e o sofrimento a culpa de ter sido ofendida e 
vitimada. Resultando em nova modalidade de violência, aquela que 
faz calar os efeitos da ação ofensora sem necessariamente findar os 
efeitos práticos da ofensa. Silenciar e romantizar a dor que não pode ser 
sentida/reclamada, já que não se pretende findar/punir o que de fato 
gerou a ofensa. Sequer há promessa ou acordo mútuo de evitar 
mailto:biancasoaresmagalhães@gmail.com
 
24 
conduta danosa posterior e, caso ocorra, basta levantar novamente a 
sinalização de virtude da vítima, que deve ser sempre boa vítima. 
 
Palavras-chave: Perdão; “autoperdão”; violência. 
 
 
O SENTIDO RESSENTIDO DO OURO NAS PEÇAS SACRAS 
 
Daniel Carvalho da Silva 
PUC Goiás 
dancarvalho90@gmail.com 
 
RESUMO: O emprego dos metais nobres, sobretudo do ouro, para a 
confecção de objetos em função do culto e dos sacramentos cristãos 
remonta a um passado longínquo. Cálices e alianças são peças 
remanescentes na contemporaneidade, mas, são conhecidas, por 
exemplo, as talhas de ouro que, por influência da arte sacra portuguesa, 
adornavam presbitérios barrocos no Brasil Colônia. O uso de ouro em 
tais peças resguarda o sentido da nobreza: predicado do metal e 
desígnio dos objetos litúrgicos. No entanto, com o advento da 
mineração em larga escala e dos recorrentes crimes ambientais 
atrelados a ela – como os rompimentos das barragens de rejeitos de 
minérios e a contaminação de populações indígenas e ribeirinhas por 
mercúrio –, e considerando os apelos do Papa Francisco na Laudato Si’ 
por uma conversão ecológica, a nobreza do ouro e seu emprego em 
peças sagradas tem sido questionada. Em lugar de metal, sugere-se 
para os cálices o uso de madeira ou cerâmica. Em substituição às 
alianças, desde a ordenação do prelado de São Félix do Araguaia – MT, 
Pedro Casaldáliga, em 1971, paira, sobre a Igreja Católica latino-
americana, a sugestão do uso do anel de tucum. A presente 
comunicação quer trazer à baila os sentidos – teológico, sobretudo 
bíblico, e antropológico – que sustentam o emprego do ouro a tais 
peças, bem como os ressentimentos que a mineração suscita em suas 
vítimas de modo que assimilem o ouro como uma causa mortis. A 
pesquisa, de cunho bibliográfico, baseia-se nos documentos da Igreja 
que orientam o emprego de metais preciosos e dos questionamentos 
que tanto a Igreja quanto os movimentos populares impõem à 
mineração e ao resultado dela. Os resultados sugerem que os sentidos, 
as nuanças sublinhadas quando da opção por um ou por outro tipo de 
material, enraízam-se na experiência pessoal ou comunitária com os 
diferentes elementos da natureza e, ainda, com a relação que cada 
sujeito estabelece entre eles e as peças finais utilizadas nos cultos 
cristãos. 
mailto:dancarvalho90@gmail.com
 
25 
 
Palavras-chave: Arte Sacra; Mineração; Conversão Ecológica. 
 
 
CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E ESPIRITUALIDADE VIVENCIAL EM CORA 
CORALINA 
 
José Reinaldo F. Martins Filho 
PUC Goiás 
jreinaldomartins@pucgoias.edu.br 
 
 
Resumo: A religião está estreitamente ligada à possibilidade de 
construção de um sentido radical, profundo e determinante sobre a 
mundividência de indivíduos e suas comunidades. Nisso tem sintonia 
com as artes e, entre elas, especialmente com a literatura. Pretende-se, 
aqui, dar destaque para o “artesanato de sentidos” articulado a partir 
da produção literária, sobretudo poética, de Cora Coralina, uma das 
principais escritoras goianas do último século, realçando dois tipos de 
influências sobre a sua produção: a) uma religiosidade herdeira do 
catolicismo institucionalizado (oficial e popular) na Cidade de Goiás de 
sua época de infância e b) uma espiritualidade – ou mística – que 
chamaremos “vivencial”, pois ancora-se nas experiências pessoais da 
literata, sobretudo na possibilidade sempre disponível de significação 
dos acontecimentos cotidianos, revestidos de novo sentido e, por isso, 
com influência sobre a autopercepção da autora e das gerações que 
estabeleceram contato com seu texto. A literatura, como fonte de 
sentido e expressão de uma espiritualidade vivencial, seria, por isso, 
reflexo das vivências, refratadas e devolvidas ao contexto social de que 
se originaram, determinando-o em muitos de seus aspectos 
fundamentais. Esse é o lugar a partir do qual se procurará perceber a 
correlação entre religião, arte e cultura. 
 
Palavras-chave: Sentido; Espiritualidade vivencial; Literatura goiana; 
Cora Coralina. 
 
 
ENTRE O PROFANO E O SAGRADO: ANÁLISE DE DOIS COMERCIAIS 
PROTAGONIZADOS PELO PADRE FÁBIO DE MELO 
 
Paulo Afonso Tavares 
UFG 
jor.pauloafonso@gmail.com 
mailto:jreinaldomartins@pucgoias.edu.br
mailto:jor.pauloafonso@gmail.com
 
26 
 
RESUMO: A religião, enquanto instituição social, vem progressivamente 
experienciando um processo de “midiatização”, termo cunhado para 
compreender as amplas consequências da mídia para a vida cotidiana 
e organização prática (social, política, cultural, econômica) e, mais 
particularmente, da disseminação generalizada de conteúdos e 
plataformas de mídia através de todos os tipos de contexto e prática. 
Hodiernamente, é patente a inserção das mais diversas instituições e 
sujeitos religiosos no tecido de uma sociedade mediatizada: as práticas 
sociais, pautadas na lógica midiática, tornam o fenômeno religioso mais 
complexo, sobretudo no meio digital. Novas modalidades de 
percepção e expressão do sagrado são formadas em novos ambientes 
sociais: o fenômeno religioso, gradualmente, transfere-se para 
ambientes públicos, como as redes sociais (Facebook, Twitter, 
Instagram, etc.). A mediatização da religião vê-se com mais clareza, por 
exemplo, no caso católico, com inúmeros marcos comunicacionais da 
Igreja Católica: em 1896, registrou-se, em um filme, a primeira imagem 
de um papa, Leão XIII; em 1931, houve a primeira transmissão da voz 
papal na rádio, quando se fundou a Rádio Vaticana por Pio XI; em 1949, 
ocorreu a primeira transmissão de imagens papais na televisão, também 
de Pio XII, entre outros casos. Nesse contexto, em 1963, o Concílio 
Vaticano II emite um documento, o Decreto Inter Mirifica, que trata da 
comunicação social da Igreja Católica. O objetivo do documento é 
afirmar a importância dos meios de comunicação de massa na 
sociedade moderna e encorajar a Igreja a usá-los para espalhar a 
mensagem cristã. Entre os principais pontos do Decreto Inter Mirifica, 
estão a necessidadede formação de pessoas capacitadas para 
trabalhar com a comunicação dentro da Igreja, a promoção do uso 
dos meios de comunicação para fins educacionais e evangelizadores, 
e a necessidade de garantir a liberdade de imprensa, desde que esta 
esteja em conformidade com os princípios cristãos. O documento 
aborda, ainda, a responsabilidade dos meios de comunicação de 
massa em relação à verdade e à justiça, e a necessidade de proteger 
a privacidade das pessoas e evitar a difamação. Nessa conjuntura, 
produzem-se fenômenos como o dos “padres popstar”, a exemplo de 
Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Como o avanço do pentecostalismo, 
produziu-se uma “reação católica” no campo midiático, 
paradoxalmente, valendo-se de estratégias características do 
televangelismo, mais comum entre evangélicos neopentecostais. A 
partir dos anos 90, sobretudo com o Pe. Marcelo Rossi, elabora-se uma 
estratégia de difusão da fé católica adaptada à lógica das mídias 
(algumas celebrações eram até mesmo chamadas de “showmissas” 
pela imprensa). O Pe. Fábio de Melo, com uma estratégia semelhante, 
 
27 
passou a ganhar espaços da mídia na metade da década de 2000. Em 
ambos os casos, ocorre a exposição em programas de televisão e rádio 
laicos, o lançamento regular de CDs, DVDs e de livros de autoajuda, a 
apresentação própria de programas de rádio e televisão – Fábio de 
Melo, por exemplo, apresenta o programa Direção Espiritual, transmitido 
pela TV Canção Nova. Em face dessas considerações, neste artigo, 
objetiva-se analisar dois vídeos publicitários, protagonizados pelo Pe. 
Fábio de Melo e divulgados nas redes sociais. No primeiro, o presbítero 
divulga um produto da indústria de vitaminas e suplementos Ekobé. No 
segundo, ele divulga o produto emagrecedor 100Peso. Assim, este 
trabalho adota uma abordagem qualitativa e faz-se mediante análise 
documental. A abordagem qualitativa é uma das principais 
abordagens utilizadas em pesquisa, em que o foco é a compreensão 
aprofundada e detalhada de um fenômeno social. Essa abordagem é 
usada para coletar e analisar dados não estruturados, como entrevistas, 
observações e documentos. A análise documental é uma técnica 
comum dentro da abordagem qualitativa e envolve a coleta e análise 
de documentos relevantes para a pesquisa. Os documentos podem 
incluir artigos, relatórios, leis, regulamentos, atas de reuniões, diários, 
vídeos, entre outros. A análise documental envolve uma leitura 
cuidadosa dos documentos para identificar temas, padrões, conceitos 
e outras informações relevantes para a pesquisa. 
 
Palavras-chave: Padre Fábio de Melo; Comercial; Evangelização; 
Catolicismo Midiático; Midiatização da Religião. 
 
 
O MITO COMO MODO DE EXPRESSÃO DO SENTIDO RELIGIOSO 
 
Luciano Silva Reis 
PUC Goiás 
lucianoreisoficial@gmail.com 
 
RESUMO: O mito evidencia a origem. Em toda construção ideológica do 
Oriente e do Ocidente, há elementos simbólicos relativos à construção 
mitológica, feitos presentes dentro do tempo e do espaço em forma de 
registro e oralidade. Em razão disso, essa comunicação tem como 
objetivo possibilitar uma visão atemporal do mito, que está 
intrinsicamente vinculado ao conhecimento religioso de localidades 
distintas. A metodologia adotada é bibliográfica. O texto se constrói a 
partir da revisão da discussão de autores especializados no tema e 
consagrados pela sua trajetória investigativa. É apresentada uma 
ênfase nas noções preliminares de mito e sua articulação com rito, que 
mailto:lucianoreisoficial@gmail.com
 
28 
com destaque para sua origem e utilização. Refere-se também a uma 
análise tipológica, que segmenta a forma estrutural que o mito reproduz. 
Os resultados esperados são a compreensão das relações internas e 
consequentes acerca das construções ideológicas do saber religioso de 
várias temporalidades. Não obstante, a comunicação também quer 
contribuir para uma nova tradição do uso do mito como forma de 
decodificação de determinada identidade desde suas origens, com 
pauta na desconstrução de eventuais incompreensões sobre o papel 
do mito e das mitologias na história humana, no passado e no presente. 
 
Palavras-chave: Mito; Religião; Sentido; Origem; História. 
 
 
ENTRE A SAUDADE E O SONHO: DUAS CANÇÕES DE TOM JOBIM NUMA 
PROSA COM RUBEM ALVES 
Arnaldo Érico Huff Júnior 
UFJF 
huffjr_@hotmail.com 
 
RESUMO: O artigo pretende interpretar duas canções de Antônio Carlos 
Jobim, “Garota de Ipanema” (em parceria com Vinícius de Moraes) e 
“Sabiá” (em parceria com Chico Buarque), pensadas em diálogo com 
a teopoética de Rubem Alves. Aspectos melódicos, harmônicos, 
históricos e estético-poéticos da canção são, nesse sentido, 
interpretados e discutidos sob inspiração das noções alvesianas de 
beleza, saudade e sonho. 
 
Palavras-chave: Tom Jobim; Rubem Alves; Canção popular brasileira; 
Religião. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
mailto:huffjr_@hotmail.com
 
29 
 
ST 02 – LO MÍTICO E LO SAGRADO: EN TORNO A LO 
TRASCENDENTE EN EL ARTE ACTUAL 
 
Paloma Rodera Martinéz 
UFV Madrid 
paloma.rodera@ufv.es 
 
Pablo López Raso 
UFV Madrid 
p.lopez@ufv.es 
 
Desde principios de este siglo XXI podemos observar en el arte 
contemporáneo ciertas manifestaciones vinculadas a lo sagrado y lo 
sobrenatural. Frente al tradicional inmanentismo que caracterizó a la 
revolución moderna, se detecta en la cultura posmoderna una mirada 
hacia narrativas que van de lo mitológico a lo trascendente. 
Ciertamente no es una manifestación nueva si sondeamos la historia de 
la humanidad, pero en el ámbito de la escena de la creación más 
actual es algo novedoso. La secularización de la cultura del siglo XX 
liderada por una modernidad que rechazaba el fenómeno religioso 
apartó de la escena artística a toda propuesta que se relacionara con 
la expresión de lo divino. 
 
 
 
PRESENCIA DE LO SAGRADO EN LA OBRA ELOGIO DEL HORIZONTE DE 
EDUARDO CHILLIDA 
 
Cristina López de Corral 
UFV Madrid 
cristina.lopez@ufv.es 
 
mailto:paloma.rodera@ufv.es
mailto:p.lopez@ufv.es
mailto:cristina.lopez@ufv.es
 
30 
 
RESUMO: El panorama artístico español de posguerra cuenta con una 
de las mejores y más fructíferas generaciones de artistas del siglo XX. Tras 
la Guerra Civil, este grupo de artistas silenciados y aislados por la 
situación política logra acceder y apropiarse de una modernidad 
totalmente ajena y de difícil acceso, impulsando la apertura al mundo, 
no sólo del aspecto cultural, sino del país entero. Sus obras conquistan la 
escena internacional tras abordar el nuevo aspecto moderno desde un 
carácter único y propio español. Se trata de un estilo sobrio, austero, 
heredero de Velázquez y de Goya con tendencia expresionista y toque 
surreal que materializa una generalizada búsqueda existencial que en 
ciertos casos va a revelar una profunda carga espiritual. Eduardo 
Chillida, figura referente de este periodo, representa uno de estos casos. 
Chillida, y por consiguiente su escultura, se pregunta por lo inalcanzable, 
lo absoluto, lo verdadero desde la sencillez, la humanidad, la belleza y 
la dignidad cualidades no siempre fáciles de ejercitar y poco comunes 
en un mundo dominado por el rechazo a todo lo relacionado con lo 
artístico-espiritual. Como escultor profundamente apasionado y 
volcado en su trabajo, entiende su obra como mediadora entre el 
hombre y el misterio. Preocupado por el mundo que rodea y conforma 
sus esculturas, más que en la pieza en sí, traduce todos sus intereses a 
conceptos duales y complementarios como el espacio-vacío, materia-
espíritu, peso-gravedad. A través del diálogo y la alternancia de dichos 
conceptos consigue generar en sus obras un ritmo propio que logra 
desprender al observador del orden frenético de la vida cotidiana, 
invitándolo a la contemplación y el recogimiento al crear «lugares 
sagrados» en los queda manifiesto de fondo el catolicismo de 
búsqueda,propio del autor. El artista entabla un diálogo con lo mistérico 
y nos proporciona con sus esculturas los materiales que cree necesarios 
para semejantes enfrentamientos, siendo capaz de producir una 
experiencia tanto estética como religiosa. Su Elogio del Horizonte 
abarca toda esta intención de mediación, en este caso entre el 
horizonte símbolo de lo inmenso, lo inconmensurable, patria y lugar de 
toda la humanidad, y el espectador. Chillida consigue a través de esta 
escultura hacer presente lo sagrado, al abrirnos una ventana a lo 
esencial, desde lo material. 
 
Palavras-chave: Arte contemporáneo; Arte y trascendencia; Eduardo 
Chillida; Escultura abstracta monumental; Elogio del Horizonte. 
 
 
 
 
31 
BUSCANDO LO TRASCENDENTE: INSTALACIONES DE ARTE 
CONTEMPORÁNEO EN ESPACIOS SAGRADOS 
 
Maribel Castro Díaz 
UFV Madrid 
mi.castro.prof@ufv.es 
 
 
RESUMO: Mientras que en el siglo XX se dio un proceso de secularización 
en la sociedad (generando una separación entre arte contemporáneo 
y cristianismo), hoy en día encontramos que los artistas vuelven a 
retomar en sus obras la tradición del diálogo entre la creación visual y 
los lugares de culto. Este compromiso de los artistas con lo espiritual y lo 
religioso ofrece nuevas posibilidades para los espacios sagrados. Esta 
investigación plantea explorar el potencial de la instalación artística 
dentro del diálogo entre arte contemporáneo y espiritualidad, 
señalando el giro conceptual e interpretativo de un foco casi exclusivo 
en el contenido y la imagen (que definió el enfoque artístico anterior al 
siglo XX) a las dimensiones experienciales e inmersivas para el 
espectador. Propone exponer algunas de las características y utilidades 
más relevantes de un tipo de arte que puede ser descrito como espiritual 
en virtud de sus capacidades reveladoras, revitalizadoras y 
contemplativas, así como analizar el papel mediador de la instalación 
en la experiencia estética de lo sublime. La metodología para este 
estudio se basará, por un lado, en una revisión bibliográfica y la 
elaboración de un marco conceptual a partir de textos y publicaciones 
como On the Strange Place of Religion in Contemporary Art (1994), de 
James Elkin, Art & Religion in the 21st century (2015), de Aaron Ronsen, o 
The Sublime: Documents of Contemporary Art (2010), editado por Simon 
Morley, además de artículos académicos y catálogos razonados. 
Seleccionaremos un conjunto propuestas artísticas recientes creadas 
para espacios religiosos, y estructuraremos su análisis a partir de las 
nuevas formas de encuentro que permite la utilización de lo multimedia. 
Así, realizaremos un estudio comparado de la utilización de la palabra 
en las instalaciones de Jenny Holzer en la Iglesia de San Juan el Divino, 
Nueva York (2004) y de Tracey Emin en la Catedral Anglicana de 
Liverpool (2008), el empleo de la luz y el color en las instalaciones de Dan 
Flavin en la Chiesa di Santa Maria Annunciata en Milán (1996) y de 
James Turrell en la capilla del Cementerio de Dorotheenstädtischer, en 
Berlín (2016), o la revisión de iconografía simbólica en obras de Bill Viola 
para la Catedral de San Pablo en Londres o Alison Watt en la Old St. 
Paul´s Church, en Edimburgo (2004). El resultado pone en relación una 
serie de enfoques, intenciones y el impacto de una creación artística 
mailto:mi.castro.prof@ufv.es
 
32 
actual que no elude la complejidad y diversidad de maneras de 
acercarse a lo sagrado y a lo trascendente. Los espacios intervenidos se 
convierten en destinos de peregrinación no solo para creyentes o para 
amantes del arte, sino también para personas de diferentes contextos 
que buscan algún tipo de vía para buscar la verdad y lo espiritual. 
Finalmente, se constata cómo las propuestas estudiadas aprovechan el 
potencial estético de diferentes medios, formulan nuevas opciones de 
percepción y de interacción con el espacio sagrado, y subrayan la 
presencia renovada de lo espiritual en el arte del siglo XXI. 
 
Palavras-chave: Experiencia estética; Espacio sagrado; Instalación 
artística; Espiritualidad; Intermedialidad. 
 
 
PRESENCIA AUSENTE. TRASCENDENCIA EN TORNO AL 
CONCEPTO INFRALEVE EN MARCEL DUCHAMP Y OTROS ARTISTAS 
CONTEMPORÁNEOS. 
 
Elisa de la Torre 
UVF Madrid 
elisa.delatorre@ufv.es 
 
RESUMO: Marcel Duchamp propone el concepto infraleve en 1014 
como una apreciación por realidades cotidianas que escapan a la 
percepción. El análisis formal que he trabajado en los últimos años sobre 
este concepto esconde una tensión constante hacia la desaparición de 
bien por ser de naturaleza fugaz, como una presencia leve, o por estar, 
de facto, no presente, calificándolo presencia ausente. La presencia 
ausente manifiesta una realidad oculta que se palpa a partir de una 
huella o señal que lo delata. El uso de estos indicios en arte 
contemporáneo para dirigir la mirada del espectador a una realidad 
superior o externa de manera poética es una herramienta de alto poder 
persuasivo pero que requiere una sensibilidad y atención por parte de 
un espectador moderno que no siempre está dispuesto. En el presente 
trabajo se estudiará el uso y pretensión trascendente de la presencia 
ausente en diversas propuestas artísticas contemporáneas en relación 
con el espectador actual. 
 
Palavras-chave: Infraleve; Presencia; Ausencia; Arte. 
 
 
 
 
mailto:elisa.delatorre@ufv.es
 
33 
LO TRASCENDENTAL EN LA OBRA DE ESCULTORAS ESPAÑOLAS ACTUALES: 
ESTUDIOS DE CASO 
 
Paloma Rodera Martínez 
UFV Madrid 
paloma.rodera@ufv.es 
 
RESUMO: En la siguiente comunicación hacemos un recorrido por la obra 
de las escultoras españolas más influyentes del arte actual. Buscamos el 
concepto de trascendencia en piezas de tres dimensiones que 
conjugan un diálogo con el espacio e interpelan al espectador que es 
parte de la experiencia artística como un elemento más. No sólo, como 
elemento fundamental del eje vertebrador que da sentido a la obra en 
sí misma. Analizamos los casos de artistas como Dora García, Cristina 
Iglesias, Lara Almarcegui y Naia del Castillo, entre otras. 
 
 
EL CRISTO BIZANTINO TATUADO EN LA ESPALDA DE PARKER: UNA 
EXPERINENCIA CATÁRTICA PARA EL PERSONAJE DE FLANNERY O’CONNOR 
 
Susana Miró López 
UFV Madrid 
s.miro@ufv.es 
 
RESUMO: En el contexto actual secularizado las manifestaciones 
religiosas quedan circunscritas al ámbito personal. Este ocultamiento 
provoca una dificultad a la hora de encontrar un sentido a la existencia 
humana más allá del inmanente. Con esta comunicación pretendemos, 
a través del relato Parker’s Back de la autora sureña Flannery O’Connor, 
mostrar el valor de la literatura y del arte contemporáneo como agentes 
catárticos de la sociedad. Ejemplificar la relación entre la estética y la 
experiencia religiosa. Analizar si la mística y la estética son las dos 
grandes vías para el encuentro de dos seres trascendentes: Dios y el ser 
humano, partícipe de la divinidad por la salvación de un Dios 
encarnado. Metodológicamente se estudian las fuentes primarias del 
relato y las cartas de la autora donde se explicita el sentido del relato 
en cuestión y otras fuentes secundarias en las que se interpreta el uso 
del cuerpo humano como lienzo y como camino en la búsqueda de 
sentido en el personaje de Parker. Como resultado de la investigación 
se podrá probar que el anhelo de un sentido en la vida acompaña a 
toda persona y es irrenunciable el dar una respuesta a esta cuestión. En 
un mundo que pretende apartar a Dios de la cotidianeidad, surgen con 
fuerza manifestaciones artísticas, a veces en formatos que sorprenden 
mailto:paloma.rodera@ufv.es
mailto:s.miro@ufv.es
 
34 
como la técnica del tatuaje, donde se materializa la experiencia 
religiosa del ser humano. Esta visión estética, permite elevar los ojos 
hacia arriba y encontrar una respuesta que da plenitud a la persona. 
Belleza y Verdadse vinculan para desde las maneras tocar el misterio, 
expresión utilizada por Flannery O’Connor con la que pretende lanzar un 
mensaje de esperanza a la sociedad. A lo largo de la historia, el ser 
humano se siente incompleto si no es capaz de responder a quién es, 
qué sentido tiene este mundo y si hay algo, alguien o Alguien más allá 
de lo que captan nuestros sentidos. Pues bien, desde la misma 
contemplación sensorial de lo que nos rodea, el arte surge como vínculo 
con esa otra realidad trascendente que parece ofrecer una respuesta 
a la inquietud del corazón humano. Parker no encontraba sentido en su 
vida por mucho que se tatuara su cuerpo hasta que se encontró con los 
ojos de un Cristo bizantino que replicó en su espalda. La pieza que 
faltaba le permite encajar, completar y reconstruir su vida. Parker se 
entendió a la luz de unos ojos que le miran a la cara y que le 
acompañan no solamente como tinta impresa grabada en su espalda 
sino como una presencia que le abraza y sostiene. 
 
Palavras-chave: O’Connor; Cristo Bizantino; Estética; Catarsis; Mística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
ST 03 – ESPIRITUALIDADES PAGÃS E DA TERRA: ARTE, 
CULTURA, IDENTIDADE E MATERIALIDADE 
 
Dartagnan Abdias Silva 
NGCR/UFS 
dartagnan.abdias@academico.ufs.br 
 
Rodrigo Nogueira Martins 
PUC Minas 
rodrygovirtual@hotmail.com 
 
Esta ST tem por objetivo acolher pesquisas que abordem temáticas em 
torno das espiritualidades pagãs e de sacralidade da terra como um 
todo. Tendo como objetivo principal a análise religiosa a partir das lentes 
da Ciência da Religião, esta ST propõe trabalhar as diferentes formas 
religiosas e espirituais de sacralidade na terra independente de sua 
vertente e atuação na atualidade, encontrando na pluralidade 
religiosa os pontos de encontro entre suas agendas na arte, cultura, 
materialidades, militâncias e reflexões sócio-antropo-filosóficas e 
religiosas. Desse modo, pretende-se costurar diálogos entre essas 
tradições ao observar seus pontos comuns e sua relevância no cenário 
pluralista da modernidade. Helmut Renders observa que as diferentes 
linguagens experimentadas e imaginadas promovem uma 
sistematização humana da Religião. E Brigth Meyer aponta para a 
construção das identidades, grupos, crenças ou comunidades religiosas 
nas quais podemos encontrar vestígios de sua cultura através de sua 
dimensão material. Logo, Helmut e Meyer também ajudam a 
pavimentar a abordagem das religiões pagãs através de sua arte e 
cultura, sentidos e identidades. Sendo justamente este contexto a mola 
propulsora para a articulação de diferentes configurações religiosas 
abrangidas por esta ST. Destarte, também se intenciona que esta ST seja 
a reunião possível de pesquisadores que terão a oportunidade de 
mailto:dartagnan.abdias@academico.ufs.br
mailto:rodrygovirtual@hotmail.com
 
36 
apresentarem seus estudos e realizarem conexões entre a Ciência da 
Religião e as espiritualidades pagãs e da terra em suas múltiplas formas, 
trabalhando a cultura como forma indissociável da religião. 
 
 
ARQUEOLOGIA E RELIGIÃO: POSSIBILIDADES PARA UMA INTERPRETAÇÃO 
DAS MATERIALIDADES RELIGIOSAS ATRAVÉS DE DAVID MORGAN E ALFRED 
GELL 
 
Rodrigo Nogueira Martins 
UFRJ-MUSEU NACIONAL 
rodrygovirtual@hotmail.com 
 
RESUMO: Esta comunicação pauta-se nas premissas da Ciência da 
Religião aplicada ao Patrimônio Cultural (Passos e Usarski, 2013), através 
dos conceitos da Religião Material (Morgan, 2009, 2010; Vasques, 2011 
e Meyer, 2012). Mediante a isto, alço mão da possibilidade 
multidisciplinar ofertada por este campo de estudos que oportuniza a 
possibilidade de uma abordagem do Patrimônio Cultural Religioso, 
também chamado de Religião Material, a partir de suas materialidades. 
Apresentarei o entrelaçamento de questões conceituais utilizadas 
durante o desenvolvimento de minha dissertação, defendida em 2023, 
no PPG-CR da PUC-Minas, que tinha como foco identificar possíveis 
heranças do Islã no Terreiro do Bogum, em Salvador. A pesquisa teve 
como ponto de partida o histórico e reconhecido entrelaçamento 
ocorrido entre os Malês e os negros adeptos aos cultos nativos africanos, 
que culminou da Revolta dos Malês e a partir de então localizar possíveis 
heranças dialógicas através dos vestígios materiais. Para que tenhamos 
um entendimento mais amplo sobre essas questões teremos como 
autores de referência David Morgan através de sua teoria do “Olhar 
Sagrado”, Sacrad Gaze (2005) e de sua tríade interpretativa sobre a 
materialidade através dos artefatos, dos corpos e da espacialidade 
(2009, 2010). Aliado a estes pressupostos realizarei uma associação do 
pensamento de Morgan com o de Alfred Gell (1998) e suas importantes 
contribuições sobre “Arte e Agência”, indissociáveis para a Arqueologia. 
Com vistas a uma possibilidade de engendramentos futuros, 
apresentarei como vias de apoio, o emergente conceito de 
“Materialismo não Reducionista” de Manuel Vásquez (2011), que o 
aproxima dos conceitos da Arqueologia Sensorial e a Tese de uma 
“Antropologia Fenomenológica” de Birgit Meyer (2012), sendo essas 
duas últimas possibilidades oriundas da Religião Material. Esta 
comunicação terá como foco a apresentação de uma possibilidade 
epistemológica real entre a Ciência da Religião e a Arqueologia, com 
mailto:rodrygovirtual@hotmail.com
 
37 
vistas a semear futuras possibilidades de análises e compreensões das 
“materialidades religiosas”, a partir dos autores citados. Com isso 
evidenciarei a importância das diversas formas de classificação das 
materialidades a partir de Morgan, organizadas através dos artefatos, 
das emoções e dos sentimentos e até mesmo da orientação espacial, 
bem como suas possíveis produções de sentido (2009, 2010). Contudo, 
esta comunicação pretende participar da cena dos estudos sobre 
Religião Material e materialidade demonstrando a viabilidade de 
realizar uma análise a partir de um discurso polifônico oriundo de uma 
interface multifacetada entre conceitos solidificados na Arqueologia e 
os conceitos emergentes da Ciência da Religião, como forma de 
encurtar caminhos para os demais pesquisadores que possam se 
interessar pelos estudos pautados na Religião Material. 
 
Palavras-chave: Arqueologia; Materialidade; Religião Material; David 
Morgan; Alfred Gell. 
 
 
IDENTIDADES DE GÊNERO NO PAGANISMO: PROBLEMATIZAÇÕES NA 
WICCA E NO CELTISMO IRLANDÊS 
 
 Dartagnan Abdias Silva 
UFS 
dartagnanabdias@gmail.com 
 
Dra. Sanny Caldas Araujo 
UFPA 
veronyka_sanny16@hotmail.com 
 
RESUMO: O (Neo)Paganismo como uma corrente religiosa revivida ou 
de inspirações nas vivências dos antigos povos pagãos, sobretudo da 
Europa, hoje precisam dar conta de agendas e problemáticas 
contemporânea que não necessariamente eram pautas em suas 
épocas culturais ancestrais. A realidade moderna condiciona os 
(neo)pagãos a responderem às demandas e agendas, mas algumas 
críticas ainda apontam no horizonte recorrente, face às agendas de 
identidade e gênero. Uma visão reconstruída ou inspirada das culturas 
e povos pagãos da antiguidade dá base às teorias e aplicações 
mitologicorreligiosa para as condutas morais e as conceituações de 
identidade e gênero do passado, mas o pertencimento ou 
enquadramento da comunidade LGBTQIAP+ ainda permanece difusa 
e desorientada nesse campo. Em alguns casos, como na Wicca, a 
questão parece ainda mais delicada se compararmos o binarismo da 
mailto:dartagnanabdias@gmail.com
mailto:veronyka_sanny16@hotmail.com
 
38 
oposição feminino x masculino encenados pelas duodeidades: A Deusa 
e o Deus. Em outros, como na mitologia irlandesa, alguns pontos podem 
estar discretamente condensados em seus textos mitológicos, mas 
passíveis de pluri-interpretação. A definição da identidade parte da 
compreensão da atuação ou da vinculação do ser humano no mundo, 
e com isso se articula tanto na direçãodo sentido e interpretação de 
mundo e identidade fornecida pela religião, quanto na relação entre o 
humano e seu ambiente político-sócio-cultural. Através da revisão das 
pesquisas de campo sobre a Wicca realizada de 2017 a 2022, revisão 
bibliográfica e análise mitológica, este trabalho busca problematizar as 
questões de reconhecimento e identidade no (Neo)Paganismo a partir 
da contraposição da wiccanologia (SILVA, 2022) com as possibilidades 
interpretativas em alguns mitos e passagens míticas da Irlanda, a fim de 
iluminar a questão que se coloca de forma difusa e velada sobre a 
comunidade (neo)pagã sobre a identidade de gênero e sua 
interpretação pela religião / sagrado. Desse modo, espera-se 
compreender ou problematizar como se articulam hoje as polêmicas e 
compreensões acerca das identidades e dos gêneros modernos numa 
religiosidade que recria e busca sua inspiração em um mundo antigo. 
 
Palavras-chave: Paganismo; Identidade; Gênero; Mitos. 
 
 
A ESPIRITUALIDADE COMO BUSCA DE SENTIDO: DO ATEÍSMO À 
LIBERTAÇÃO 
 
José Flávio Mamede 
 PUC Minas 
mamedej38@gmail.com 
 
RESUMO: A presente pesquisa pretende abordar a espiritualidade como 
busca de sentido, fazendo uma interface entre o ateísmo de Comte-
Sponville (1952) e a teologia da libertação em Jon Sobrino (1938). 
Objetivamos encontrar uma interface não suprimindo as diferenças 
entre as correntes espirituais ateias e libertadoras. Os ateus são 
portadores de espiritualidade, praticando-a como vida espiritual laica, 
material e com espírito. Os ateus têm espírito como todo ser humano. O 
que é espírito? É algo que pensa, gosta e não gosta, que quer e não 
quer, imagina e sente. Por isso, o espírito engloba tudo ou quase tudo 
da vida humana, isto é, o mental e o psíquico. A corrente da teologia 
da libertação apresenta a espiritualidade como dimensão da pessoa 
humana que é portador de espírito. Todo ser humano é espírito como 
sua corporeidade, socialidade e praxicidade. Esse espírito está referido 
mailto:mamedej38@gmail.com
 
39 
ao material e ao histórico dando-lhe criatividade não mecanicamente, 
mas proporcionando-lhe direção, ministrando conteúdo, valores para 
alimentar o projeto de libertação. A espiritualidade é uma dimensão 
que pode nomear o humano como ser-com-espírito. Essa dimensão 
responde ao que na teologia da libertação se chama de uma 
libertação integral ou libertação com espírito. Por isso, não há 
separação entre material e espiritual de tal maneira que a libertação 
acontece na vida material e histórica em sintonia com sua 
espiritualidade. Para a teologia da libertação, a espiritualidade é o 
exercício da prática libertadora que acontece na materialidade da 
vida histórica. Percorremos as obras destes dois autores para elucidar 
que a espiritualidade está para além da religião ou da transcendência. 
A espiritualidade é uma busca de sentido que tem um potencial 
libertador tocando toda expressão do humano, possibilitando uma 
abertura para a diversidade, abrangendo arte, cultura, identidade e 
materialidade. 
 
Palavras-chaves: Espiritualidade; Ateísmo; Libertação. 
 
 
ASPECTOS FUNERÁRIOS DO ANTIGO EGITO: AS REPRESENTAÇÕES DE ÍSIS 
DE ACORDO COM O LIVRO PARA SAIR À LUZ DO DIA 
 
Helinny Laurrany Machado da Silva 
PUC Goiás 
helinnymachado@gmail.com 
 
RESUMO: Ísis foi uma das deusas mais cultuadas durante os períodos 
monárquicos do Egito. O seu culto se difundiu e se perpetuou pelos 
séculos, transformado e reestruturado em diferentes lugares do mundo 
antigo. Sua prática sofreu mudanças dentro do próprio Egito e foi 
adaptada em outros territórios da bacia do Mediterrâneo. Durante o 
Reino Antigo, de acordo com os Textos das Pirâmides, Ísis 
desempenhava uma função auxiliar na religião egípcia, lamentando o 
destino de Osíris ou assistindo na proteção de Hórus. Já no Reino Médio, 
conforme Os Textos dos Sarcofagos, Ísis ganha protagonismo na religião, 
sendo creditada pela prática de mumificação e chegando no Reino 
Novo como uma divindade protetora do faraó e não somente como 
esposa e mãe. Conforme podemos perceber na longa duração, 
entendemos que Ísis sempre esteve presente dentro da cultura egípcia, 
porém nunca foi cultuada e representada pelas mesmas 
características, principalmente nas produções textuais e imagéticas. Por 
isso, nosso objetivo nesta comunicação é investigar os aspectos 
mailto:helinnymachado@gmail.com
 
40 
funerários e as representações da deusa no Reino Novo. Para essa 
investigação, utilizaremos o Livro para Sair à Luz do Dia ou como 
popularmente conhecido Livro dos Mortos para identificar essas 
representações, assim como aspectos da religião e as próprias funções 
da deusa nestes textos. 
 
Palavras-Chave: Representação; Imaginário; Religião Funerária; Ísis. 
 
 
HENRY DAVID THOREAU E O PAGANISMO GRECO-ROMANO 
 
Letícia Ferreira Lamha 
UFJF 
leticialamha.phoenix@gmail.com 
 
RESUMO: Poeta, naturalista, crítico da civilização industrial e, 
primordialmente, um amante das aparições cósmicas e seus 
encantamentos, Henry David Thoreau (1817-1862) legou notáveis 
contribuições para a compreensão da atualmente denominada era do 
Antropoceno. Pressentindo as consequências calamitosas, para a 
totalidade do cosmo, dos agenciamentos humanos autorreferenciados, 
ele buscou transmitir, pela via literária, seu vislumbre individual da 
sacralidade da Natureza e suas inúmeras moradas. O escritor norte-
americano construiu as bases de seu pensamento a partir, sobretudo, 
de duas correntes intelectuais: (i) o Transcendentalismo da Nova 
Inglaterra e (ii) o estudo empírico dos fenômenos naturais ao modo dos 
cientistas da época, então denominados “naturalistas”. Por um lado, do 
ambiente transcendentalista ele herdou tanto os pressupostos da 
relação filosófico-estética, anteriormente tecida pelos românticos 
europeus, entre o divino e os fenômenos naturais, quanto o mote do 
estudo comparado das mitologias sob os prismas histórico e poético. Por 
outro lado, do contato com a metodologia dos naturalistas o intelectual 
de Massachusetts desenvolveu suas habilidades para a observação do 
comportamento de plantas e animais autóctones e para a coleta e 
registro de espécimes. Constituída a partir de um alicerce 
multidisciplinar, sua obra, em meio à diversidade de interesses, tinha a 
Natureza como eixo centralizador. Nesse sentido, também nas reflexões 
por ele delineadas acerca dos mitos de diferentes tradições religiosas 
percebe-se que um de seus principais intuitos era examinar o lugar das 
manifestações terrenas no horizonte espiritual em questão. Não por 
acaso, o autor afirmou sua simpatia e sua própria pertença às 
perspectivas panteístas e pagãs dos povos arcaicos. Tendo em vista o 
panorama mais amplo da conexão espiritualidade-Natureza, a 
mailto:leticialamha.phoenix@gmail.com
 
41 
presente comunicação objetiva versar a respeito da reverberação da 
tradição mitológica greco-romana no pensamento thoreauviano. 
Pautando-nos em passagens dos livros A Week on the Concord and 
Merrimack Rivers (1849) e Walden (1854), buscaremos demonstrar (i) 
como o erudito emprega alguns dos mitos da Grécia e Roma antigas 
para tecer sua concepção quanto à presença divina nas 
movimentações da terra e (ii) em que sentido essas narrativas 
mitológicas fundamentam sua crítica à secularização do universo 
natural operada pela sociedade de seu contexto. Veremos que é 
valendo-se desses cenários míticos nos quais as divindades são 
inseparáveis das dinâmicas telúricas que H. D. Thoreau expressa seu 
posicionamento frente à cultura estadunidense contemporânea, e que 
suas ponderações em torno dessa temática mostram-se relevantes 
também para o tempo presente. 
 
Palavras-chave: Thoreau; Natureza; Paganismo greco-romano. 
 
 
ESPIRITUALIDADE PURI: EXTINÇÃO, SINCRETISMOS E RETOMADA 
 
Kigéw Puri (André da Silva Muniz) 
UFABC 
andre.muniz@ufabc.edu.brRESUMO: O povo Puri passou por um longo processo de genocídio, 
etnocídio e apagamento institucional que levou à declaração de sua 
extinção. Neste processo, também sua espiritualidade tradicional foi 
silenciada, não apenas deixando poucos registros documentais para a 
atualidade, como suprimindo a continuidade das crenças e práticas 
através das gerações de famílias puris. Contudo, na resistência histórica 
deste povo e no seu atual processo de ressurgência étnica perante o 
Estado, os mitos tradicionais e práticas de espiritualidade que resistiram 
também têm sido retomados, principalmente a partir do que sobreviveu 
na tradição oral e no sincretismo com outras religiões. Neste trabalho, 
pretendemos analisar o cenário religioso atual entre indígenas da etnia 
Puri, buscando indícios que apontem para sua cosmologia tradicional e 
como esta tem sido revivida na contemporaneidade. Para tanto, 
propomos uma etnografia religiosa deste povo, combinada a uma 
análise documental da literatura antiga e contemporânea escrita sobre 
e pelos puris. A partir dessa pesquisa, é possível perceber uma 
construção cosmológica organizada em Dokora, Ñawera e Taheantah, 
compreendidos e/ou sincretizados pelos puris atualmente com 
conceitos semelhantes a Deus, Espíritos e Ancestrais. Os puris ainda 
mailto:andre.muniz@ufabc.edu.br
 
42 
mantêm uma forte conexão com a terra e com a água, em especial a 
dos rios; usam ervas medicinais, atribuem espíritos à fauna e à flora e 
reúnem-se em rodas de canto e dança, tocam maracá e cantam 
músicas em seu idioma nativo, tanto antigas, preservadas pela 
oralidade; quanto contemporâneas, as quais não se diz que foram 
compostas, mas “apresentadas”. O principal rito tradicional a resistir ao 
paradigma da extinção foi a Dança dos Caboclos, preservada pelos 
anciãos Jurandir Puri e Karaí Mirin. Devido ao sincretismo, muitos puris 
hoje somam às suas espiritualidades e devoção pessoal ritos e práticas 
de outras religiões, como orações, reiki, tarô etc. e frequentam igrejas e 
terreiros. Todos esses dados apontam para uma sobrevivência e uma 
reconstrução criativa da espiritualidade na atualidade, bem como uma 
diversidade de aproximações religiosas e trânsitos diversos que 
aparentam ser tanto consequência do etnocídio, quanto resultado de 
uma cosmologia tradicional pautada no nomadismo como identidade 
étnica. 
 
Palavras-chave: Povos indígenas; Povo Puri; Ressurgência Étnica; 
Espiritualidades Indígenas; Reconstrucionismo Religioso. 
 
 
DO POLO CERÂMICO AO TEMPLO PAGÃO – O CAMINHO DOS OBJETOS 
QUE FAZEM A EXPERIÊNCIA DO PAGANISMO PIAGA NA VILA PAGÃ (PI) 
 
Milena dos Reis Rabelo 
UFSC 
milenarrabelo@gmail.com. 
 
RESUMO: O Paganismo Piaga é um movimento religioso de 
reavivamento de práticas pagãs e politeístas no Piauí. Originado e 
localizado em terras piauienses, o piaganismo – como também 
conhecido, é fundamentado em cultos de sacralização da natureza, 
onde elementos do mundo biofísico local são compreendidos enquanto 
manifestação de seres de outros mundos, como deuses e deusas, 
espíritos e elementais, almas e fadas, que têm morada em flores e folhas, 
em chuvas e ventos, no dia e na noite. Materializado na Vila Pagã, 
santuário politeísta construído em meio a mata de cocais da zona rural 
do município de José de Freitas (PI), o piaganismo mobiliza relações 
entre humanos – como os membros do Círculo Piaga, grupo de iniciados 
na religião e entre seres outros que humanos – como plantas, animais e 
objetos. Os objetos serão aqui elevados à qualidade de conceito a 
partir das imagens e estátuas dispostas nos altares dos quinze panteões 
da corrente colona ou dos cinco panteões da corrente da terra no 
mailto:milenarrabelo@gmail.com
 
43 
Templo Piaga (local onde ocorrem a maioria dos rituais e celebrações 
da Roda do Ano Piaga) que, como agentes que mobilizam práticas 
específicas, criam um vínculo de acesso ao sagrado. Assim, há de se 
perguntar de quais modos esculturas, imagens e estátuas fazem a 
experiência do paganismo piaga. A partir da observação e 
participação em dias de véspera e nos dias próprios das celebrações 
da Roda Piaga, proponho fazer pensar os arranjos e rearranjos 
envolvidos no processo de materialidade da relação desses seres 
envolvidos na religião. Direciono essa escrita desde a feitura das 
esculturas, imagens e estátuas no Polo Cerâmico de Teresina – onde são 
passadas informações ao artesão responsável sobre estilo, cores e 
posturas de como se quer a imagem esculpida em barro e/ou argila até 
a ida e chegada desses objetos na Vila Pagã e a transformação pela 
qual passam quando chegam no Templo Piaga: a consagração 
realizada sobre eles em rituais específicos e os seus rearranjos nos dias 
de celebração. Orientada pelo campo dos estudos da materialidade 
(MEYER, 2012; MORBERG, 2016; MORGAN, 2010) e dos Pagan Studies 
(BEZERRA, 2019) proponho a análise da dimensão material da religião 
num contexto em que há a criação de um vínculo com o sagrado a 
partir da relação entre objetos e humanos. Trata-se, então, de uma 
questão empírica numa prática específica que conduz esse trabalho a 
uma análise sobre como as coisas importam (GIUMBELLY; RICKLI; TONIOL, 
2019) na experiência do piaganismo na Vila Pagã. 
 
Palavras-chave: Paganismo Piaga; Vila Pagã; Materialidades; Pagan 
Studies. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
ST 04 – “E O VERBO SE FEZ BELEZA E HABITA NO MEIO 
DE NÓS”: AS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS COMO 
DIVULGAÇÃO DOS VALORES SAGRADOS 
 
Ana Maria de Sousa 
PUC SP 
anamariadesousa@yahoo.com.br 
 
Felipe Sardinha Bueno 
 Accademia Alfonsiana de Roma 
felipeteologia10@hotmail.com 
 
Gustav Von Fürstenberg 
Universidade de Edimburgo 
gvfu@hotmail.com 
 
As interfaces entre religião, música, arte, literatura e cultura visual 
norteiam o ser humano desde a Antiguidade. A proposta deste grupo é 
socializar estudos que contemplem as diversas abordagens da palavra 
(literatura e música), do repertório imagético (pinturas e esculturas) na 
sua relação com o Sagrado. Parte-se das matrizes da religião e de seus 
simbolismos para se interpretar o dinamismo artístico, num perene 
diálogo com o movimento canalizador entre a estética e a beleza. As 
interações da arte com a história, historiografia, produção cultural e suas 
trajetórias também se firmam como um campo a ser interpretado no 
contexto social, pela revisitação de obras de artistas famosos. O 
cinema, o teatro e as denominadas séries das plataformas Streaming 
deslumbram-se como uma outra possibilidade de aprofundamento em 
tal investigação. Dali, se poderá verificar os conectivos com o sacro, 
através dos valores religiosos presentes, mesmo por meio de instrumentos 
seculares. Alguns autores, tais quais: Aristóteles, Bachelard, Benjamin, 
mailto:anamariadesousa@yahoo.com.br
mailto:felipeteologia10@hotmail.com
mailto:gvfu@hotmail.com
 
45 
Chartier, Panosfky, Gombrich, Ratzinger, Humberto Eco, Le Goff, 
Kandinsky, Rubem Alves, Drummond, Bandeira, Fernando Pessoa, Padre 
Vieira; na filmografia: Pasolini, Avel, Bresson, Luchino Visconti, Fred 
Zinnemann, Gabriel Axel e outros referenciais teóricos serão apreciados 
para integrar, dialogar e enriquecer o arcabouço artístico e analítico. 
No aparentemente profano, permeado de beleza, estrutura-se o 
essencial daquilo que as religiões transmitem, indicando o caráter de 
articulação de todo este complexo processo. Assim, esta ST acolherá 
estudos com os mais variados recortes epistemológicos das ciências 
humanas, que tratem da importância de se aproximar o ser humano 
desta sua multidimensionalidade cultural e espiritual existente. 
 
 
AS PASTORINHAS QUE HABITAM EM NÓS: CULTURA, TEATRO E 
RELIGIOSIDADES EM PIRENÓPOLIS/GOIÁS 
 
Aline Santana Lôbo 
Seduc/GO 
alinesantanalobo@gmail.com 
 
Tereza Caroline Lôbo 
Seduc/GO 
terezacarolinelobo@gmail.com 
 
JoãoGuilherme da Trindade Curado 
Seduc/GO 
joaojgguilherme@gmail.com 
 
RESUMO: A revista e bailado folclórico “As Pastorinhas” foi encenada 
pela primeira vez em Pirenópolis no ano de 1922, seu enredo narra a 
visita dos pastores ao menino Deus, mas sua apresentação ocorre em 
Pentecostes. O tempo costurou esta manifestação folclórica de origem 
colonial no tecido cultural local e desde então vem alimentando e 
contribuindo para manter viva as tradições conhecidas e reconhecidas 
pelos pirenopolinos, trilhando uma perspectiva durkheimiana de 
ordenamento social. Cantando e bailando 46 canções diferentes e mais 
12 árias solos, a opereta adentrou o sertão goiano vinda do nordeste e 
se ambientou nos arranjos produzidos para a banda por Mestre Propício 
de Pina, sendo acompanhada por uma orquestra própria e encenada 
dentro do Theatro Pyrenópolis. Com uma plateia bem peculiar formada 
por familiares, quase sempre ex-pastoras, a encenação evidencia várias 
linguagens que entrelaçadas denotam um campo fértil de 
investigações, são linguagens - textual, musical, estética, religiosa etc. - 
mailto:alinesantanalobo@gmail.com
mailto:terezacarolinelobo@gmail.com
mailto:joaojgguilherme@gmail.com
 
46 
que permitem compreensões diversas e vivências plurais, revigoradas a 
cada nova apresentação. Percebida como “fato social total” no 
horizonte de Marcel Mauss, por implicar e envolver parte representativa 
da sociedade e seguir na dimensão do comportamento dos homens e 
dos sentidos que estes atribuem à sua realidade, “As Pastorinhas”, 
possibilitam ainda a análise da cultura que, aportada em Roger 
Chartier, suscita pensar sua atuação na contemporaneidade. Na 
esteira das dimensões que envolvem o entrecho, cuja manifestação 
artística fita o sagrado, o foco deste trabalho está nas influências que 
“As Pastorinhas” exerce(ra)m em obras de artistas locais que inspirados 
pelo enredo reproduziram suas compreensões, que vão do primitivismo 
de Pérsio Ribeiro Forzani, ao surrealismo do artista José Inácio do 
Nascimento, passando por representações variadas do artesanato 
local, com destaque para elementos como as cores, as texturas e as 
formas presentes nos trabalhos. “As Pastorinhas que habitam em nós” é 
resultado de nossas percepções enquanto partícipes e pesquisadores 
de uma das manifestações culturais que, ao completar um século, tem 
sido objeto de investigações sobre a sociedade e a cultura 
pirenopolina, e de celebração daquilo que nos tornamos ao estar 
envolvido neste espaço e tempo de Pirenópolis. 
 
Palavras-chave: As Pastorinhas; Pirenópolis; Cultura; Teatro; 
Religiosidades. 
 
 
NO PRINCÍPIO ERA O VERBO QUE DESCIA DO MORRO: ORAÇÕES 
SAGRADAS ENTRE SAMBAS E ENREDOS 
 
Simone Maria Zanotto 
 FTSA 
simone.zanotto@ufjf.estudante.br 
 
RESUMO: Nas giras e nas saias dos ancestrais, os corpos sagrados - 
imagens do profano no imaginário popular - respondem aos tambores 
construindo um imenso palco, um paraíso vermelho guardião do 
sagrado que se faz presente nos enredos de samba do carnaval 
brasileiro. Assim, em uma grande celebração plural, um ritual de 
pertencimento fortalece redes espirituais, mesmo quando o imaginário 
quer relacioná-lo ao pecado, à impureza e à transgressão. Esta pesquisa 
tem como objetivo analisar elementos intertextuais do campo entre 
religião e samba presentes nos enredos, nos prólogos e nas sinopses do 
Grupo Especial das escolas do Rio de Janeiro em 2023. O interesse dessa 
investigação justifica-se pelas observações fatuais que apontam a 
mailto:simone.zanotto@ufjf.estudante.br
 
47 
formação de uma caricatura, a qual, desvincula as manifestações 
carnavalescas de uma produção cultural que dialoga com o Sagrado. 
Questiona-se de que maneira é possível pensar sobre os enredos de 
samba, enquanto uma dimensão reflexiva, espiritual e social, e não 
apenas artística? A metodologia utilizada neste estudo é exploratória e 
permeou fontes de revisão e de reflexão bibliográfica, a respeito da 
temática abordada. Com base no exposto, essa comunicação na 
sessão temática: “E o verbo se fez beleza e habita no meio de nós”: as 
manifestações artísticas como divulgação dos valores sagrados” traz 
como resultado o fomento do debate sobre o tema em questão, em 
relação a um gênero musical tipicamente brasileiro construído em várias 
décadas que foi depreciado por ser deturpador da fé por trabalhar 
elementos da realidade humana. 
 
Palavras-chave: Religião e arte; Samba-Enredo; Escola de samba; 
Valores Sagrados. 
 
 
OS MANTOS COMO ESTRATÉGIA VISUAL EM “A ÚLTIMA CEIA”, DE 
LEONARDO DA VINCI E “A CRIAÇÃO DE ADÃO”, DE MICHELANGELO 
 
 
Ana Maria de Sousa 
PUC São Paulo 
anamariadesousa27@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Partindo da análise dos afrescos “A Última Ceia”, de Leonardo 
da Vinci e “A Criação de Adão”, de Michelangelo”, o objetivo desse 
estudo é interpretar os mantos de Jesus e de Deus, aplicando o conceito 
de mantologia, de nossa autoria, e o modelo iconográfico de Panofsky, 
a fim de estabelecer discrepâncias e verossimilhanças. Trabalhamos 
com uma hipótese de que as vestimentas usadas pelas personagens na 
“Última Ceia”, de Da Vinci, além de se referirem metaforicamente à 
divindade, trazem em seu bojo possíveis confluências em relação às 
classes sociais dos apóstolos e uma suposta categorização subjetiva da 
predileção de Jesus. Em relação à “A Criação de Adão”, de 
Michelangelo, vislumbramos que a retratação de Deus pode estar 
envolta num manto, que denominaria um sentido figurado de proteção 
do sagrado. A mantologia é um termo inédito criado por nós para 
abranger os estudos do manto como representação da cultura popular. 
Esta capa carrega consigo a configuração do imaginário de um povo 
revelando seus ritos, símbolos, crenças, mitos, cores, designs, costumes, 
tradições, carismas e elementos místicos. Em sua “costura” dardeja os 
mailto:anamariadesousa27@yahoo.com.br
 
48 
aspectos devocionais no encontro do homem e sua divindade. Nessa 
dobradura, atrelaremos à seguinte trajetória: na primeira parte, 
adentraremos à origem dos mantos, encetando os biografemas dos 
artistas. No segundo mote, extrataremos o caminho panofskyano, em 
relação à iconografia e iconologia adequando aos fundamentos de 
ambas as pinturas. Na última etapa, traçaremos as considerações finais 
em relação às indumentárias usadas nas retratações. No âmbito da 
cultura visual é importante ressaltar que as obras desses dois gênios 
serão consideradas como um conceito aberto de significados, onde 
ressaltaremos nossa impressão pessoal, centrando no impacto estético 
que despertam ao longo dos tempos. 
 
Palavras-chave: Mantologia; Iconografia; Iconologia; Cultura visual; 
Método panofskyano. 
 
 
E A LITERATURA SE FEZ SACRAMENTO: A DIMENSÃO SACRAMENTAL DA 
POESIA EM FERNANDO PESSOA 
 
Meque Augusto Macumo 
PUC Rio 
meqmacumo@gmail.com 
 
RESUMO: A literatura apresenta-se muitas vezes como uma 
manifestação do Sagrado, o espaço onde o mesmo fala, se 
experiencia. Como o sacramento, entendido como um sinal que indica 
algo que se encontra para além de si ou nalgumas vezes dentro de si, e 
também como um instrumento para a união com o sagrado (cf. Lumen 
Gentium, 1), a literatura apresenta-se também como sinal e instrumento 
para a experiência do sagrado e a sua compreensão. Assim, ela 
comporta esta dimensão sacramental. Este resumo pretende 
apresentar a dimensão sacramental da literatura na obra poética de 
Fernando Pessoa, tendo como especial destaque o poema “O quê? 
Valho mais que uma flor”, e para isso usa-se o método bibliográfico, 
principalmente a análise da Obra Poética de Pessoa (vol. I e II, 2016). 
Olhando para a inteira obra poética de Fernando Pessoa, nos 
deparamos com o modo como o sagrado perpassa, se manifesta e se 
divulga através da sua escrita. Por entre o realismo notório que 
caracteriza a sua produção poéticae toda a sua obra literária, 
percebe-se a experiência de Deus, por vezes soando a um Deus 
imanente, por vezes transcendente. Podemos destacar neste sentido o 
poema “O quê? Valho mais que uma flor” (s.d.), cuja obra à qual 
pertence este poema é na sua maioria de conteúdo bucólico e ligado 
mailto:meqmacumo@gmail.com
 
49 
à natureza. Neste poema, Pessoa ao desconstruir a ideia de que o valor 
da criatura se encontra pura e simplesmente no seu carácter racional, 
leva-nos a olhar as criaturas como tendo um valor imensurável, mesmo 
não possuindo a razão, pois para ele a racionalidade é um aspeto 
humano. Leva-nos, deste modo, ao pensamento ecológico do cuidado 
da casa comum, tema tão caro e tão urgente hoje na Igreja, nas 
religiões e na sociedade; e, porque as criaturas dão glória e manifestam 
a beleza de Deus, este poema leva-nos a aprofundarmos - pela 
contemplação da natureza - a natureza, bondade e beleza de Deus. 
Dá, assim, jus à nossa ideia central, de que a literatura, neste caso a 
poesia de Pessoa, tem dimensão sacramental. Num tempo como o 
nosso, onde se vai perdendo a dimensão do sagrado e dos valores daí 
decorrentes, a poesia de Fernando Pessoa pode ajudar-nos a: entrar em 
contacto com o sagrado – de cuja experiência todo o ser humano tem 
sede por natureza; chegar ou retornar a professar este sagrado, já com 
uma fé amadurecida pela experiência do sagrado e não apenas pelo 
“testemunho de terceiros”, ou seja, de uma fé recebida a uma fé 
vivida”, vivência permeada de valores sagrados; refletir sobre este 
sagrado e seus valores, dando assim um grande contributo à teologia, 
que hoje busca cada vez mais encarnar-se e se servir das contribuições 
de vários ramos do saber, uma teologia caracterizada pela “virada 
antropológica”, em que o fazer teológico e a reflexão sobre Deus são 
marcados pelas questões humanas, onde não é honestamente possível 
compreender o Sagrado sem levar a sério o aspeto encarnatório do 
Verbo e as consequências disso decorrentes. 
 
Palavras-chave: Fernando Pessoa; Literatura; Sacramento; Valores 
sagrados. 
 
 
PAPA FRANCISCO E A CRISTOLOGIA DA ENCARNAÇÃO 
 
Alex da Silva Mendes 
PUC São Paulo 
professoralex.educacao@gmail.com 
 
RESUMO: Um dos pontos mais importantes da cristologia de Francisco é, 
indubitavelmente, a encarnação, essa verdade tão central na fé cristã 
e, ao mesmo tempo, tão esquecida ou maltratada. Pensar a realidade 
da encarnação não é, necessariamente, fazer uma cristologia do alto, 
como aquele de Bento XVI nos três volumes que compõem sua obra 
Jesus de Nazaré. Como ele, muitos pensadores, na história da Igreja, 
elaboraram uma reflexão sobre a encarnação a partir da realidade do 
mailto:professoralex.educacao@gmail.com
 
50 
Verbo de Deus e, por isso, trabalham mais as condições de possibilidade 
de sua real encarnação do que os desdobramentos que tal afirmação 
poderia significar na vida da Igreja e dos fiéis. Diferente disso, Francisco 
faz uma cristologia de baixo, privilegiando a humanidade e a 
historicidade de Jesus de Nazaré, reconhecendo como o Verbo de 
Deus encarnado. Pensar a realidade da encarnação como referência 
para influenciar o modo de ser Igreja e viver o cristianismo, na 
atualidade, a fim de apresentá-la como exigência à maneira de a Igreja 
se posicionar no mundo e os cristãos viverem a própria vocação. A 
importância da encarnação já aparece quando se pensa a relação 
entre a cristologia e as diversas formas de vivência cristã, sejam as de 
espiritualidade, sejam as de práticas pastorais, pois se critica a vontade 
de proclamar a fé em um Cristo meramente espiritual, desprovido da 
realidade da encarnação, como se essa fosse quase uma mácula ou 
um defeito na realidade do Filho de Deus que precisaria ser evitada. 
Quem pensa o Cristo desprovido de humanidade, pensa o 
comportamento cristão da mesma maneira. 
 
Palavras-chave: Papa Francisco; Cristologia da encarnação; Teologia 
latino-americana. 
 
 
QUANDO O VAZIO SE TORNA PLENO: A ICONOGRAFIA DA CAPELA DA 
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO 
 
Paula Carlos de Souza 
UCP 
paula.2020601053@unicap.br 
 
 
RESUMO: Referência para Arte Sacra no Brasil e em vários países, Cláudio 
Pastro, dedicou-se inteiramente em revelar a beleza de Deus a partir e 
através da arte. Sua vasta produção iconográfica escreveu a história 
da salvação de Deus que se revelou e continua a se revelar no meio de 
seu povo através da arte em todos os tempos e lugares. Entre as suas 
muitas obras, nosso olhar se volta para os painéis de azulejos da Capela 
da Universidade Católica de Pernambuco, desenhados por Cláudio 
Pastro em 2012. Em um vazio, quase absurdo, o artista revela no rosto de 
Cristo o rosto da comunidade que o procura e o encontra no silêncio 
da própria existência, permitindo ainda compreender os inícios da 
missão jesuíta no Brasil e no mundo. Nosso objetivo é identificar, de forma 
breve, o caminho percorrido por Cláudio até chegar nesta obra 
específica, compreendendo a espiritualidade que envolve sua obra e 
mailto:paula.2020601053@unicap.br
 
51 
a síntese que se constrói entre a vida e a obra do autor. Propomo-nos a 
tecer uma análise sistemática e teológica da obra que, inserida num 
contexto universitário, desperta encanto e tensão, aceitação e 
rejeição, acolhendo reações e experiências da parte de quem a 
frequenta. Neste itinerário nos encontramos na relação entre fé, vida e 
obra do artista que caminham numa única direção, ou seja, que se 
representam na medida que revelam num processo espiritual que se 
confunde com a própria realidade de vida. Se as linhas dos painéis da 
Capela da Universidade Católica de Pernambuco revelam Cristo, eles 
também revelam uma vida, que parte da própria experiência espiritual 
do artista. Por fim, ir ao encontro da obra de Cláudio Pastro é 
aprofundar-se em toda riqueza espiritual e artística que permaneceu 
como um legado de fé e beleza após sua morte, legado esse, que nos 
é dado para que, com ele, também nós façamos a experiência do 
encontro com a “beleza que salvará o mundo.” 
 
Palavras-chaves: Iconografia; Vazio; Arte sacra. 
 
 
POÉTICA E EXPERIÊNCIA DO SAGRADO: A NOÇÃO DE “DEUS VIVO” NA 
OBRA DE CARLOS NEJAR 
 
Victor Breno Farias Barrozo 
UFP 
victorbrenofb@gmail.com 
 
RESUMO: O poeta gaúcho Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira 
de Letras, é um dos escritores brasileiros em vida que tem relacionado 
de modo relevante, em sua obra, uma poética no diálogo com a 
experiência do sagrado. Na presente comunicação, nos propomos a 
buscar compreender as relações entre sagrado e poesia na obra de 
Carlos Nejar a partir da sua experiência com a noção de “Deus vivo”. O 
Deus vivo nejariano não se constitui como um conceito ou ideia 
metafísica, mas a experiência mística, íntima e energética de um 
sagrado que se revela profundamente ao homem. O Deus de Nejar não 
é uma divindade indiferente ou uma força impessoal, mas, uma 
presença viva e sensível à condição humana. Este sagrado irrompe na 
profanidade da vida, sacralizando a existência. Para o poeta, este Deus 
vivo se manifesta como uma potência (re)criadora e criativa do mundo 
pela palavra. A tessitura poética do sagrado na obra nejariana é a do 
Deus vivo que vivifica o mundo pela palavra, reconstruindo a realidade 
pelo espessamento do mistério divino na existência. Os rastros do 
sagrado nejariano se espalham por todo o solo da existência humana, 
mailto:victorbrenofb@gmail.com
 
52 
trazendo vida ao real. Tomando como base seus escritos entre as 
décadas de 60 e 80 (sem nenhuma pretensão exaustiva), 
consideraremos o contexto histórico e cultural sobre a questão religiosa, 
no qual, a poética nejariana se apresenta como uma forma de 
(re)sacralização do mundo no horizonte da sociedade moderno-secular 
ocidental. A partir da contribuição de autores da fenomenologia da 
religião, teologia, literaturae ciências sociais, apresentamos o sagrado 
como uma dimensão mística e teleúrica fundamental em Nejar, 
tornando-o assim, um “poeta da condição religiosa do humano”. 
 
Palavras-chave: Carlos Nejar; Poesia; Sagrado. 
 
 
HISTÓRIA, ARTE E TEOLOGIA: EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DO SAGRADO NOS 
VITRAIS DA CATEDRAL DE OURINHOS-SP 
 
Maurício de Aquino 
UNESP 
mauriaquino12@uenp.edu.br 
 
RESUMO: O trabalho apresenta uma reflexão sobre a expressão artística 
do sagrado nos vitrais, confeccionados pelo histórico ateliê de vitrais 
Casa Conrado, presentes na Catedral de Ourinhos, interior do Estado de 
São Paulo, como parte do estudo da história e do simbolismo dessa 
Catedral que é referência arquitetônica da cidade e região em seu 
estilo neogótico. Abordam-se as característica definidoras da arte vitral 
revisitando a história da Casa Conrado, sobretudo na confecção de 
vitrais para templos cristãos. Construída entre os anos 1940 a 1960, a 
igreja do Senhor Bom Jesus de Ourinhos, tornada Catedral com a 
ereção da Diocese de Ourinhos em 30 de dezembro de 1998, foi erguida 
em estilo neogótico, em lugar central do município, expressando na 
arquitetura e na arte vitral a presença de Deus junto às pessoas no 
mundo urbano moderno. Arquitetura da transcendência, a Catedral de 
Ourinhos é referência regional de patrimônio artístico-cultural. Pretende-
se, portanto, expor, a partir do estudo da Catedral de Ourinhos, uma 
reflexão sobre a presença dos vitrais na arquitetura neogótica do interior 
paulista em meados do século XX, revisitando o caso da história Casa 
Conrado e propondo uma reflexão sobre os significados associados e 
divulgados por essas manifestações artísticas nas relações entre história, 
arte e teologia. 
 
Palavras-chave: Expressões artísticas do sagrado; Vitrais; Catedral de 
Ourinhos. 
mailto:mauriaquino12@uenp.edu.br
 
53 
“LEMBRAR, LOUVAR E LUTAR”: CONTRIBUIÇÕES DA MUSICALIDADE DE 
MILTON NASCIMENTO PARA TEOLOGIA AFRO-AMERICANA 
 
Lúcia Eliza Ferreira da Silva Albuquerque 
PUC São Paulo 
lucia.elizaazile@gmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho reflete teologicamente a partir da e a 
pessoa negra, tendo como dado inspirador a obra musical de Milton 
Nascimento. O tema escolhido tem por prisma a discussão de práticas 
religioso-sociais mais humanizantes e integradoras, frente a 
comportamentos que estigmatizam e perpetuam narrativas 
segregacionistas. À vista disso, permitindo-se interpelar pelo negro – 
sujeito submetido à complexas realidades - se propõe a interação entre 
a comunidade afrodescendente - com suas raízes e identidade própria 
- e a reflexão ético-teológica, a fim de promover uma pedagogia da 
descoberta de si. A relevância da temática pode ser indicada pela não 
restrição à aspectos e questões de cunho religioso, mas por pretender 
refletir e endossar uma questão social, relativa às políticas públicas, aos 
direitos humanos e do desrespeito à dignidade da pessoa humana. 
“Lembrar, louvar e gritar” são palavras da canção “A de Ó – Estamos 
chegando”, composta por Milton Nascimento em parceria com Dom 
Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra. Essa música - que norteará o estudo - 
compõe a construção musical da Missa dos Quilombos, celebrada em 
Recife, nos anos 80, ato litúrgico que promoveu advertência do então 
Papa João Paulo II. Nascimento (1942-), negro, compositor, cantor e 
multi-instrumentista brasileiro, com 80 anos de vida e 60 de carreira, 
celebrou sua despedida dos palcos – mas não da música- em 2022. 
Com inúmeros discos e composições, é pulsante e atual sua arte para a 
causa negra. Em conjunto, há a construção de discurso e pastoral com 
emergência do pensar teológico negro, decolonial e libertário, que tem 
a experiência negra como fonte e ponto de partida. Essa proposta 
teológica entende que a herança social e religiosa transmitida é 
predominantemente branca e europeia, sendo preciso o 
fortalecimento de consciência histórica e de negritude para uma 
memória/presente/futuro diferentes. Para isso, a reflexão percorrerá três 
momento: o primeiro, apresentando características da musicalidade e 
composição de Milton Nascimento como fator de narrativa histórica e 
contextual da população negra; em seguida, salientando a atividade 
argumentativa, profética e religiosa da Teologia Afro-Americana, como 
forma de exaltação da cultura e abertura ao Sagrado dos 
afrodescentes; e, por fim, ao refletir de forma propositiva delinear 
possíveis caminhos para a prevenção da violência racial e de uma 
mailto:lucia.elizaazile@gmail.com
 
54 
religiosidade cristã mais diversa de rostos, com o presente de resistência 
frente a insistentes estruturas colonizadoras. Assim, tratando-se de uma 
questão desafiadora sobre a superação do preconceito que gera 
violência e morte, reconhece que a dignidade do negro, como pessoa 
humana, é um valor irrenunciável. 
 
Palavras-chave: Milton Nascimento; Teologia Afro-Americana; Negros; 
Racismo. 
 
 
SALMOS E BOSSA NOVA: CONTEMPLAÇÃO A SERVIÇO DA VIDA 
 
Felipe Sardinha Bueno 
Pontifícia Accademia Alfonsiana di Roma 
felipeteologia10@hotmail.com 
 
RESUMO: A construção literária dos salmos, enquanto formação hínica 
no contexto bíblico veterotestamentário expressa o canto sagrado 
como manifestação cultural e cultual de um povo que deseja se 
conectar com a realidade transcendente por excelência, que é seu 
próprio Deus. Este conjunto de 150 preces poeticamente erigidas está 
repleto de exultações de alegria, louvores, lamentos, e pedidos 
profundos de proteção e de transformação do mundo, sempre 
permeadas pela beleza criativa em honra ao Criador de todas as coisas. 
Do outro lado, encontra-se o estilo rítmico da Bossa Nova, este modo 
leve com um balanço musical tal quais as ondas do mar, que exprime a 
contemplação da vida e de seus dilemas com o amor sempre no centro 
de cada estrofe expressada. Pretende-se neste trabalho a articulação 
de ambos os estilos citados (salmos e bossa nova) no direcionamento 
da percepção da Transcendência existente e do consequente valorizar 
da vida como princípio de que esta merece ser bem saboreada já nesta 
realidade terrena. O Deus Transcendente dos salmos não anula a 
experiência terrena, não obstante a plenifica, e a bossa nova com sua 
suavidade melódica encaminha os audientes à exaltação da beleza 
da criação, de onde um religioso pode facilmente vinculá-la ao seu 
Deus, o qual tudo isto criou. O principal objetivo deste trabalho é o 
estabelecimento de pontes entre a teologia e a música, e demonstrar 
que através da estética, aparentemente “profana”, se pode chegar a 
propostas de evangelização e de conhecimento das riquezas culturais 
do Brasil artístico. Nossa metodologia se dará por meio da análise 
hermenêutica de alguns salmos e cânticos de bossa nova selecionados, 
indicando as similitudes dos mesmos objetivos de êxtase diante do Belo, 
que transcende por si mesmo. Verificar-se-á uma proposição de 
mailto:felipeteologia10@hotmail.com
 
55 
teologia em diálogo com a cultua, passível de ser aprofundada em 
outros trabalhos semelhantes. 
 
Palavras-chave: Salmos; Bossa nova; Teologia em diálogo; Estética; 
Espiritualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
 
ST 05 – ARTE, ARQUITETURA E CONTEMPORANEIDADE: 
RELIGIÃO, CULTURA E EXPERIÊNCIA DO SAGRADO 
 
Everaldo dos Santos Mendes 
UFS 
ies.istein@gmail.com 
 
Hilda Souto PUC PR 
hildasouto.arte@gmail.com 
 
Esteban Fernández-Cobián 
UDC 
efcobian@gmail.com 
 
Partindo de uma perspectiva antropológica, acolhe-se nesta ST 
investigações a respeito de arte, arquitetura e contemporaneidade, 
imbricadas em religião, cultura e experiência do sagrado. Temas de 
interesse: experiências originárias de arte e interlocuções com a 
contemporaneidade; a questão da crise do sagrado na 
contemporaneidade; arte religiosa e paisagemcontemporânea 
(marcos, cruzes e imagens monumentais); arte religiosa e cultura de 
massa (quadrinhos, vídeos, performances, flash mobs etc.); arte religiosa 
e novos carismas eclesiais; espaços virtuais de adoração e arte religiosa 
digital; arte-arquitetura e turismo religioso. 
 
 
ARQUITETURA LITÚRGICA, AGENTE ATIVA DA EXPERIÊNCIA DO SAGRADO? 
 
Fábio da Costa Sotero 
PUC RS 
soteroarquitetura@gmail.com 
 
mailto:ies.istein@gmail.com
mailto:hildasouto.arte@gmail.com
mailto:efcobian@gmail.com
mailto:soteroarquitetura@gmail.com
 
57 
RESUMO: A arquitetura de igrejas cristãs católicas é como retrato das 
comunidades a que pertence. Independentemente do quanto 
propriedades culturais e simbólicas do edifício-igreja foram 
efetivamente aplicadas por aqueles que planejaram e construíram tais 
espaços arquitetônicos, o ambiente celebrativo registra o modo como 
o grupo de crentes frequentador pensa e se relaciona com o divino, em 
lugar e tempo específicos. Por outro lado, a revisão histórica dos 
espaços celebrativos atesta eles mesmos serem sujeitos ativos da 
sensibilização dos frequentadores em prol da relação com o 
transcendente. É cediço que a arquitetura, por si, não é essencial para 
a realização do diálogo do ser humano ou grupos de crentes com o 
divino, mas, na igreja, a Verdade e a graça não são apenas ouvidas 
porque proclamadas por alguém, mas também vistas, tateadas e até 
mesmo degustadas por meio da materialidade do (e no) espaço 
litúrgico. Ou seja, há um caminho relacional entre o edifício-igreja e a 
sociedade no qual são estabelecidos critérios, meios e bases para a 
formação e consolidação recíproca de um para com o outro. Esta é 
uma chave de leitura, vivência e compreensão de templos, bem como 
do compromisso da edificação frente aos sentidos simbólico, teológico 
e litúrgico patentes. Este trabalho, por meio de uma análise moderada 
do tema a partir de referências bibliográficas diversificadas, faz 
considerações sobre a relevância e alinhamento dos elementos 
arquitetônicos, materiais e simbólicos, do espaço litúrgico frente à 
crença professada e ao rito celebrado. É possível compreender 
elementos da cultura e da fé das comunidades participantes por meio 
das soluções arquitetônicas e artísticas implementadas nos edifícios? 
Observa-se que espaços litúrgicos contemporâneos, de modo geral, 
apresentam certo desalinhamento com a dimensão simbólica e 
experiência mistagógica bem como relativa disruptura entre o que se 
crê com aquilo que é edificado. Reflexo da crise do sagrado? 
Considerando a abrangência do estudo, limitada à arquitetura e 
simbologia, é pertinente observar que a arquitetura litúrgica 
contemporânea apresenta, de modo latente e geral, maior 
compromisso e atenção para com questões materiais, financeiras e 
apuro estético. Este foco destoa das descrições e argumentos 
teológicos e ritualísticos com os quais a patrística e documentos 
históricos utilizaram para caracterizar o lugar onde os cristãos se 
encontram para celebrar sua fé. Ainda que se faça necessário o 
distanciamento temporal para plena análise da produção da 
arquitetura contemporânea, o trabalho considera exemplos de 
projetos, igrejas edificadas e arquitetos que alcançam a harmonia entre 
fé professada e arquitetura litúrgica, garantindo a esta última o status 
histórico de agente ativa da experiência do sagrado. 
 
58 
 
Palavras-chave: Arquitetura litúrgica; Igreja; Simbologia; Mistagogia. 
 
 
A PRESENÇA FEMININA NO PROJETO ICONOGRÁFICO DE CLÁUDIO 
PASTRO NO SANTUÁRIO DE APARECIDA 
 
Hilda Souto 
PUC PR 
hildasouto.arte@gmail.com 
 
Márcio Luiz Fernandes 
USP 
marciovisconde@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Cláudio Pastro (1948-2016), artista plástico, brasileiro, que se 
dedicou à arte sacra por 40 anos, foi responsável pelo projeto 
iconográfico interno do Santuário Nacional de Nossa Senhora da 
Conceição Aparecida, no estado de São Paulo. Nesse edifício de 
grandes proporções, considerado o maior templo do mundo dedicado 
à Mãe de Deus, o artista concebeu uma arte mistagógica e didática a 
partir da aplicação da ideia da Biblia Pauperum. No espaço celebrativo 
as imagens cumprem a função não só de embelezar, mas fazem ressoar 
a voz de Deus, segundo a Bíblia, que o artista transcreveu em traços, 
cores e formas. No edifício basilical Pastro inseriu com grande destaque 
a imagem da Mãe de Deus, na tipologia da Virgem do Sinal, na nave 
Oeste. Ela é a Mulher vestida de sol do livro do Apocalipse (12,1). Essa 
tipologia da Theotókos é a variação a meio-busto da antiga “Orante” 
presente nas catacumbas, representada frontalmente e com as mãos 
elevadas em gesto de oração, de súplica, e mostra no peito a efígie de 
Cristo-Emanuel, isto é, o Logos preexistente no tempo e na história, 
anunciado pelo profeta Isaías (7,14). Na Nave Sul, circundando o nicho 
de Nossa Senhora Aparecida, estão as mulheres do Antigo Testamento, 
como prefiguração da Virgem Maria, e na Nave Norte, acima da Porta 
Santa, está o “Painel das Mulheres na História da Igreja” com 71 
personagens do primeiro ao terceiro milênio que dedicaram suas vidas 
à edificação da fé, ao cultivo da esperança e ao testemunho da 
caridade no empenho por causas sociais. A última a compor o painel 
foi Irmã Dorothy Stang (1931-2005). A religiosa tinha forte atuação no 
estado do Pará, onde lutava por reformas agrárias na região, quando 
foi assassinada. Assim que soube da notícia, o artista tratou de inserí-la 
como primeira e única representante do 3º Milênio. No centro do painel 
está a figura do Pantocrator e para Ele se dirigem o cortejo das 71 
mailto:hildasouto.arte@gmail.com
mailto:marciovisconde@yahoo.com.br
 
59 
mulheres. Pastro colocou as figuras de tal modo que se tem a impressão 
de um corpo coeso, sem lacunas, é um fio contínuo. O dinamismo 
dessas personagens, em uma composição que traduz um movimento 
de caminho a um determinado centro, o Pantocrator, expressa, por sua 
vez, a abertura em escutar o testemunho eclesial das mulheres como luz 
para os povos. A Igreja é comunhão de diversidade e isso exige a 
convivência e o diálogo dos membros entre si para que se possa 
vivenciar o mistério da unidade, praticar o mandamento da caridade e 
exercer a função pastoral. A forte presença feminina em um espaço tão 
importante para a fé do povo brasileiro alimenta as esperanças na 
construção de um mundo mais humano, que respeite as diferenças de 
gênero e classe. Enquanto alguns lutam a favor de uma causa com seu 
testemunho e palavras, o artista se vale de seu talento e da matéria 
para traduzir em imagens a tradição cristã que traz a mensagem do 
Evangelho: todos somos iguais, temos os mesmos direitos que devem 
estar acima de qualquer doutrina. 
 
Palavras-chave: Cláudio Pastro; Aparecida; Feminino; Mãe de Deus; 
Theotókos. 
 
 
CRISTO EVANGELIZADOR DO ADVENTO DO TERCEIRO MILÊNIO DE 
CLÁUDIO PASTRO 
 
Christiane Meier 
cmeier@uol.com.br 
 
RESUMO: A comunicação tem por finalidade apresentar e discutir a 
importância e a relevância iconográfica da obra ‘Cristo Evangelizador 
do Advento do Terceiro Milênio’ do artista sacro Cláudio Pastro, 
realizada em 1997 para o Vaticano. Dado que o Papa Francisco iniciou 
os preparativos para o Jubileu do ano de 2025, gostaríamos de resgatar 
o Cristo Evangelizador para recordar o espírito cristocêntrico incutido por 
João Paulo II à Igreja no novo milênio e observar sua recepção. 
Verificaremos em que circunstâncias Pastro foi contratado pela Santa 
Sé e para qual ocasião específica ele desenvolveu o presente trabalho. 
Da Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente de João Paulo II 
depreenderemos informações sobre a preparação para o Jubileu do 
Terceiro Milênio e como a obra apresentada se inseriu nas 
comemorações. Ouviremos do próprio Pastro, em entrevista à Torres 
Lima, sobre as especificações da encomenda e seus desafios. 
Investigaremos,a seguir, as escolhas feitas, as opções descartadas e o 
porquê da iconografia e do suporte selecionados. Observaremos ainda 
mailto:cmeier@uol.com.br
 
60 
a origem da tipologia empregada, a do Pantocrator, e sua recepção 
pelo clero católico no limiar do terceiro milênio. Veremos que a obra 
final apresentada à Santa Sé atende às determinações da Carta 
Apostólica e à solicitação de ser um trabalho ecumênico. Faremos uma 
análise iconográfica da obra com base na metodologia de Erwin 
Panofsky a fim de apreciar a profundidade simbólica do Cristo 
Evangelizador. Lembramos que a obra se encontra, atualmente, no 
Vaticano, em uma passagem entre as Capelas Paulina e Sistina. 
 
Palavras-chave: Arte sacra; Jubileu do Ano 2000; Cristo Evangelizador; 
Cláudio Pastro. 
 
 
A “BRASILIDADE” NO PROGRAMA ICONOGRÁFICO DO PRESBITÉRIO DA 
IGREJA NOSSA SENHORA DO BRASIL 
 
Christian Mascarenhas 
UNICAMP 
christian.mascarenhas@usp.br 
 
RESUMO: A comunicação visará apresentar estudo sobre a iconografia 
da pintura mural realizada na abóbada e paredes do presbitério da 
Igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo. A referida igreja se 
encontra em praça homônima, na região central de São Paulo. Famosa 
por sua longa lista de espera para a cerimônia do matrimônio, a 
paróquia possui um templo que, apesar de novo, é muito rico em história 
– foi exaltada por Leonardo Arroyo como uma das mais belas igrejas de 
São Paulo. Neste ponto, faz-se necessário contextualizar a obra junto ao 
ambiente no qual se encontra: o teto da principal igreja da elite paulista. 
O teto da principal abóbada da igreja é revestido por uma grande 
pintura que estabelece diálogo com o resto do templo e relaciona a 
imagem de sua padroeira e a história de sua devoção com o território 
brasileiro e seu povo, bem como sua fauna e flora. Constituindo parte 
do programa iconográfico da igreja, que abrange também painéis 
executados em cerâmica em suas paredes internas e externas, a 
grandiosa pintura no teto do presbitério é a parte principal de um 
discurso de “brasilidade” e religiosidade local elaborado por Antônio 
Paim Vieira especialmente para aquele templo. A partir da análise 
iconográfica das pinturas selecionadas, é possível compreender a 
retórica pretendida pelo artista e pelos encomendantes. Numa grande 
construção imagética, Paim soube aproveitar a abóbada da Igreja 
para construir o discurso sobre a o orago daquela igreja, trazendo não 
apenas sua história, mas dando ênfase à riqueza da religiosidade 
mailto:christian.mascarenhas@usp.br
 
61 
popular brasileira através do seu extenso território. Vê-se aí uma clara 
tentativa de afirmar aquela devoção mariana ainda nascente no país 
e, ao mesmo tempo, aplicar uma estética modernista ao templo mais 
“rico” da capital paulista. 
 
Palavras-chave: Arte; Brasilidade; Religiosidade; Retórica, Igreja Nossa 
Senhora do Brasil. 
 
 
O HOMEM-MULHER, UM SER SIMBÓLICO, RELIGIOSO, MICROCOSMO, E A 
MISTAGOGIA DO ESPAÇO CELEBRATIVO CRISTÃO 
 
Raquel Tonini Rosenberg Schneider 
FAJE 
raqueltoninischneider@gmail.com 
 
RESUMO: Aberto à manifestação do sagrado e, por conseguinte, 
testemunha de sua existência humana e também cósmica, o homem-
mulher entende-se um ser simbólico. Cônscio de que o princípio gerador 
de todas as coisas visíveis e invisíveis é Aquele que está para além de 
tudo, tem sua própria vida orientada segundo a descoberta desse 
Centro primordial – o Transcendente, Imutável, Inominável Senhor da 
Vida –, em torno do qual tudo está ordenado, para o qual tudo se dirige 
e no qual o ser humano encontra sentido e razão de viver. Esse ser 
religioso, portanto, compreende-se um microcosmo, vivenciando em si 
mesmo a repetição estrutural do cosmo. Desse modo, torna-se evidente 
que a qualidade do espaço edificado para a realização das atividades 
cotidianas do homem-mulher e, particularmente, para a celebração da 
sua fé, depende da forma como nele se apresenta essa realidade 
simbólico-religiosa existencial que lhe é intrínseca. Trata-se, à vista disso, 
de um espaço que, por si mesmo, introduz e conduz o ser humano ao 
mistério. Particularmente no que tange ao cristianismo, o edifício que 
identifica a construção do Senhor e casa da Igreja deve ser por isso, de 
modo singular, simbólico, belo e adequado à liturgia e, por ela moldado 
é, assim, um espaço mistagógico. Isto posto, a pesquisa desenvolve 
inicialmente o conteúdo relativo à linguagem simbólica redescoberta 
nas últimas décadas, abordando ainda a necessidade urgente de que 
seja vivenciada pelo homem-mulher, pois, pela sua natureza 
interdisciplinar, alcança todas as dimensões e aspectos da existência 
humana. De modo específico para a vivência da fé cristã, apresenta, 
os princípios basilares da concepção do edifício cristão - uma única 
estrutura constituída de dois espaços fundamentais, segundo a 
linguagem simbólica e a mistagogia do espaço celebrativo cristão -, e 
mailto:raqueltoninischneider@gmail.com
 
62 
a consequente necessidade de formação específica. Dessa maneira, 
demonstra que, ao tratar dessa linguagem existencial e seus 
fundamentos, o percurso é instigante e provocador, seja pelos 
resultados do seu rompimento presenciado nos últimos séculos, seja pela 
exigência de que homem-mulher assuma o desafio do símbolo. No 
âmbito cristão, envolve a assembleia celebrante e a humanidade 
inteira pelo anúncio da salvação que Deus realiza por meio de Jesus 
Cristo e revela-se, consequentemente, no espaço celebrativo da Igreja, 
a igreja de pedra. O encontro com o Sagrado e a relação de amizade 
dele decorrente é a experiência vital que dá sentido à vida do ser 
humano e realiza seu desejo de felicidade, enquanto um peregrino 
rumo à eternidade. Esse encontro, que se dá particularmente na liturgia 
que a assembleia celebrante realiza e que o espaço litúrgico revela por 
si mesmo, revoluciona a vida, transfigura o homem-mulher e vivifica-o 
em sua caminhada terrena rumo ao céu. 
 
Palavras-chave: Homem-mulher; Símbolo; Linguagem Simbólica; 
Mistagogia; Espaço Litúrgico. 
 
 
ST 06 – NAZARENO CONFALONI: TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA 
PINTURA E ARTE 
 
Joel Antônio Ferreira 
PUC Goiás 
joelantonioferreira@hotmail.com 
 
 Jackeline Siqueira Vigário 
UFG 
vigario.jacqueline@gmail.com 
 
Não se pode definir o teólogo da libertação na concepção clássica da 
Academia que quer, num primeiro momento, saber quais foram as suas 
obras escritas ou como é o seu engajamento pastoral e popular. 
Confaloni, nesses aspectos, não o foi. Não escreveu, não teorizou, não 
teve uma práxis com grupos organizados. É preciso, entretanto, olhar o 
Frei Pintor, dentro do seu universo. A esfera dele era a arte. Ele se 
comunicava, na Evangelização, pela fala, anunciando a Palavra de 
Deus. Porém, o seu maior instrumento para levar o conhecimento era a 
pintura. Frei Confaloni, pelas imagens, elaborou obras de artes visuais, 
onde ele fez a defesa da “justiça” e denunciou as desigualdades sociais. 
Procurou “atualizar” Jesus Cristo nos fracos camponeses e nos 
marginalizados das periferias das cidades. Suas obras retratam a 
mailto:joelantonioferreira@hotmail.com
mailto:vigario.jacqueline@gmail.com
 
63 
realidade “nua e crua”, sempre na perspectiva do encontro com o 
Verbo Encarnado. Deus enviou seu Filho, preferencialmente, para os 
excluídos da sociedade. Várias pinturas mostram Jesus e, também, 
Maria, não só juntos aos vis e desprezados, mas, em diversas vezes, com 
o rosto dos renegados da sociedade, ou seja, os roceiros sem-terra, os 
desempregados, as mulheres sem espaço, os trabalhadores em 
situação análoga à escravidão, os torturados pela ditadura, a opressão 
aos negros/as. Os pincéis de Confaloni procuraram “falar”, exatamente, 
a teologia concreta, isto é, Jesus Cristo continua crucificado nos que 
não tem voz e vez e, ao mesmo tempo,é conforto e força para os que 
têm esperança no Reino de Deus. Os seus quadros mostram que esses 
são queridos por Deus. 
 
 
UMA ANALOGIA ENTRE A ARTE DE CONFALONI E AS CHAVES DE MT 16,19 
COMO PROPOSTAS LIBERTADORAS 
 
José Geraldo de Gouveia 
PUC Goiás 
josegeraldodegouveia@gmail.com 
 
RESUMO: quando se contempla a arte desenvolvida por Frei Giuseppe 
Nazareno Confaloni percebe-se um forte apelo de cunho social onde o 
cristianismo se apresenta como instrumento de libertação dos mais 
oprimidos. O presente estudo traz como proposta demonstrar que entre 
as pinturas de Confaloni e as chaves mateana existe um fator comum, 
pois ambas as situações apresentam analogamente proposições 
libertadoras. Para tanto, será demonstrado a partir de uma análise 
literária, dentro de uma leitura conflitual que, etimologicamente, o 
significado das chaves de Mt 16,19 implica necessariamente abertura e 
inclusão. Isto porque, embora o texto mateano tenha sido redigido em 
caracteres gregos, a língua falada por Jesus não era essa, mas sim o 
aramaico. E dentro do contexto linguístico semita, o vocábulo ‘chave’ 
é um instrumento que serve para abrir, consequentemente para libertar. 
Analogamente as pinturas de Confaloni também expressam uma 
proposta inclusiva e libertadora. A partir dessa analogia entre a arte 
confaloniana e o texto bíblico de Mt 16,19 estabelece-se um elo 
unificador no que diz respeito ao anúncio do evangelho. Essa pesquisa 
demonstra que a arte desenvolvida por Frei Confaloni faz eco e 
expressa a mais genuína proposta libertadora anunciada por Jesus, que 
nasceu marginalizado, viveu pobre e morreu como malfeitor. Esse é 
exatamente o foco da arte confaloniana que fez da pintura uma 
‘hermenêutica’ e uma atualização contextualizada do evangelho 
mailto:josegeraldodegouveia@gmail.com
 
64 
através dos personagens de seu meio, especialmente daqueles e 
daquelas que como o Cristo viveram à margem social. De modo que, a 
proposta contida em Mt 16,19 é uma chave libertadora, assim como a 
arte de Confaloni é uma chave que abre mentes e corações para 
acolher o Cristo pobre, presente em cada pessoa marginalizada. 
 
Palavras-chave: Confaloni; Arte; Chaves; Libertação; Analogia. 
 
 
A ARTE NA EXPRESSÃO DO BELO NO CANTO DO HINO BATISMAL EM 
GÁLATAS 3,28 
 
 
José Frederico Sardinha Franco 
PUC Goiás 
fredericofranco@hotmail.com 
 
 
RESUMO: A arte como expressão do belo pode ser encontrada no canto 
do Hino batismal utilizado pela comunidade crista paulina, que fazia uso 
deste Hino como uma arte capaz de denunciar a opressão vivida pelas 
minorias no período dos cristianismos originários. O objetivo desta 
pesquisa, se pauta na possibilidade de poder entender como um Hino 
antigo podia fazer frente ao processo de desigualdade social existente 
entre a comunidade crista paulina. Será utilizado como metodologia de 
estudo, a pesquisa bibliográfica, desenvolvida com base em materiais 
já publicados. Provavelmente, este Hino era bem mais antigo do que o 
próprio apóstolo Paulo, e que passou a ser cantado por diversas 
comunidades durante suas reuniões litúrgicas, bem como, pela 
comunidade crista Paulina. Era um Hino batismal ou um fragmento de 
um credo bem conhecido pelas primeiras comunidades cristãs, e que 
passou a ser cantado durante seus rituais de batismo. Nestas 
comunidades, judeus e gentios, escravos e livres, homens e mulheres, 
cantavam junto o Hino batismal em suas cerimônias religiosas. Paulo ao 
ouvir este Hino, passou a fazer uso dele. Ele deu dignidade às mulheres, 
aos gentios e aos escravos, ao inseri-los em sua carta aos Gálatas 3,28. 
O Hino batismal serviu de parâmetro para manter o equilíbrio de uma 
sociedade amplamente desigual e que buscava manter seus privilégios. 
Ao conhecer este belo e significativo cântico, Paulo disponibiliza este 
Hino para que ele pudesse fazer parte da sua liturgia. Nas comunidades 
cristãs, a mulher, o gentio e o escravo, não estão mais à margem de sua 
sociedade. São apóstolos, profetas e mestres. Marta e Pedro estão no 
mailto:fredericofranco@hotmail.com
 
65 
mesmo patamar de igualdade, pois ambos confessam que Jesus é o 
Cristo (Jo 11,27; Mt 16,16). 
 
 
CONFALONI O TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA PINTURA E ARTE 
 
Joel Antônio Ferreira 
PUC Goiás 
joelantonioferreira@hotmail.com 
 
RESUMO: Frei Nazareno Confaloni, italiano de Viterbo, era um pintor 
clássico quando morava na Itália. Vindo ao Brasil para um rápido projeto 
artístico, acabou ficando aqui até a sua morte. Convivendo com o povo 
simples (camponeses/as, negros/as e indígenas) mudou, 
completamente, o modo de pintar (no estilo, nas cores e na forma). 
Além disso, os seus novos quadros retrataram um artista com os pés no 
chão identificado com o jeito do roceiro do campo e das periferias que 
tinha as experiências religiosas populares e com os perseguidos e 
torturados pela ditadura militar brasileira. Nessa descrição, percebe-se 
um mesmo homem com duas visões artísticas. Esse resumo e o texto 
para os Anais objetivam mostrar o pintor Confaloni identificado com a 
teologia da libertação. Os seus quadros, no Brasil, são identificados com 
os desvalidos. Este trabalho, em nível metodológico, quer buscar, além 
da bibliografia em torno do Frei pintor, as descrições captadas das suas 
obras de arte. A metodologia usufruirá da Leitura Sociológica pelo 
modelo Conflitual/Dialético. As descrições definem um homem 
identificado com os pobres, porque soube ler Jesus Cristo presente 
naqueles desvalidos. Os resultados fazem parte de todo um projeto que 
será iniciado, proximamente, pelas “horas de pesquisa” recebidas pela 
PUC Goiás. Como conclusão, os pincéis de Confaloni procuraram 
“falar”, exatamente, a teologia concreta, isto é, Jesus Cristo continua 
crucificado nos que não tem voz e vez e, ao mesmo tempo, é o conforto 
e força para os que tem esperança no reino de Deus. Os seus quadros 
mostram que esses são queridos por Deus. 
 
Palavras-chave: Confaloni; Teólogo Pintor; Arte; Libertação. 
 
 
A ARTE DO BELO NO EVANGELHO DE MATEUS (Mt 25, 35-40) 
 
Felipe Beltrão Dias 
PUC Goiás 
felipebeltraodf@gmail.com 
mailto:joelantonioferreira@hotmail.com
mailto:felipebeltraodf@gmail.com
 
66 
RESUMO: A proposta de comunicação descrita como a A Arte do Belo 
no Evangelho de Mateus (Mt 25, 35-40), está vinculada ao ST 06 
Nazareno Confaloni: Teólogo da Libertação Através da Pintura e da 
Arte. Como se sabe, Nazareno Confaloni se comunicava, na 
Evangelização, anunciando a Palavra de Deus, através da fala e da 
Arte, defendendo a justiça e denunciando as desigualdades sociais, 
enfatizando a dimensão ética e social do cristianismo. Partiremos do 
pressuposto de que o Evangelho Mateano é um texto vivo, que pode 
ser interpretado de diferentes formas de acordo com o contexto 
histórico e social em que é lido. Sua leitura busca resgatar a dimensão 
profética e libertadora do cristianismo. Desta forma, apresentamos 
nesta comunicação a Arte do Belo no Evangelho de Mateus (Mt 25, 35-
40), demonstrando que o Reino de Deus só existe onde a Justiça existe 
na comunidade, concretamente. Todo evangelho mateano tem a 
Justiça como tema central. Jesus se colocou, absolutamente, 
identificado com os famintos, com os sedentos, com os nus, com os sem 
moradia, com os presos. Demonstraremos a mensagem central do 
Evangelho Mateano, que é a prática da justiça e do amor ao próximo, 
destacando importância da ética das relações interpessoais e do 
compromisso com a transformação social em um mundo marcado pela 
desigualdade e pela injustiça. Esta abordagem de comunicação busca 
inspirar as pessoas a se engajarem em ações concretas em prol da 
justiça e da solidariedade, em consonância com os valores do 
Evangelho, capaz de mobilizar as pessoas para a transformação social 
e a construção de um mundo mais justo e solidário. Por esse motivo, 
correlacionamosa expressão de Nazareno Confaloni com o Evengelho 
Mateano, como proposta de comunicação. 
 
Palavras-Chave: Arte; Justiça; Libertação. 
 
 
CONCEITO DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO 
 
Messias José dos Santos 
UNOPAR 
pr.messiassantos@gmail.com 
 
RESUMO: No Antigo Testamento temos uma dificuldade maior de 
identificar a ação do Espírito Santo, como conhecemos pelas páginas 
do Novo Testamento, especialmente pelo fato de que o monoteísmo 
judaico teria uma enorme dificuldade de aceitar um Deus em três 
pessoas, o que levaria a natural acusação de politeísmo. A tarefa a ser 
empreendida nestas visam mostrar o conceito Vetero-testamentário do 
mailto:pr.messiassantos@gmail.com
 
67 
Espírito Santo e sua atuação. A pessoalidade do Espírito de Deus nunca 
foi aceita pelos judeus como uma interpretação legítima dos textos 
bíblicos, e quando Jesus ensinou aos discípulos sobre a vinda do Espírito 
Santo, ele não o identificou explicitamente com o Espírito de Deus do 
Antigo Testamento. O conceito de Espírito Santo no Antigo Testamento 
ainda não está completo, algumas lacunas só são preenchidas com a 
revelação progressiva através das lentes do Novo Testamento. 
Naturalmente que o material que temos escrito na Palavra de Deus no 
Velho Testamento, nos deixaria tal como os judeus e os cristãos do 
primeiro século sem uma doutrina formada sobre o Espírito Santo. Espero 
assim, de alguma forma, contribuir para esse assunto que se faz 
necessário no presente tempo. Especialmente pelo parco o material 
teológico, em face a tamanha relevância, sobre o assunto em língua 
portuguesa. Quando fazemos uma pesquisa simples sobre a “teologia 
do Espírito Santo” sobressalta os livros e artigos pentecostais que 
raramente tem alguma ênfase teológica e na sua maioria uma ênfase 
experiencialista. A vida e a espiritualidade cristã só pode ser vivida na 
sua integralidade conhecendo àquele que da o sopro da vida. 
 
 
PAULO APÓSTOLO: LITERATURA E RETÓRICA NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS 
 
 
Lusvaldo de Paula e Silva 
PUC Goiás 
lusvaldopsilva@gmail.com 
 
RESUMO: A literatura, enquanto arte, pode e deve expressar o belo em 
sua composição. Para isso, a depender do gênero, é fundamental que 
se valha de tão vetusto quão valioso recurso: a retórica. Empregada 
consciente ou intuitivamente, deve-se buscar não apenas convencer, 
mas persuadir com elegância e autoridade. Para além disso, em sua 
Carta aos Gálatas Paulo tinha uma preocupação central, em meio às 
várias que lhe assolavam a mente no momento marcante da redação: 
o compromisso com a verdade do Cristo. Incumbido de levar a 
mensagem de Jesus aos gentios, não poderia permitir que Sua 
semeadura de amor, liberdade e igualdade fosse atacada 
impunemente pelo joio do fanatismo, da escravidão e dos interesses 
mesquinhos. Portanto, foi nesse contexto que este trabalho perseguiu o 
objetivo de analisar cada passo do caminho percorrido, investigando a 
presença de recursos literários na missiva, a formação intelectual do 
“remetente” e o sitz im leben dos “destinatários”. Para tanto, a literatura 
especializada foi de inestimável valor, propiciando concluir que a “arte” 
mailto:lusvaldopsilva@gmail.com
 
68 
do missivista era quase “instintiva”, brotando espontaneamente de seu 
espírito, agora renovado pelo sublime encontro de Damasco. A 
revelação possuía engendrado em si o “belo do divino”, que na descida 
do “alto” percorreu a mente do “humano” para finalmente exteriorizar-
se no mundo através das mais sublimes páginas do Evangelho redentor. 
Ave, Cristo! Ave, Paulo! 
 
Palavras-chave: Arte; Literatura; Retórica; Apóstolo Paulo; Epístola aos 
Gálatas. 
 
 
CONSCIÊNCIA HISTÓRICA DA ESPERANÇA: A MEDIAÇÃO CRÍSTICA NA 
CARTA AOS COLOSSENSES 
 
Alexandre de Siqueira Campos Coelho 
UNIEURO 
prof.alexandrecoelho@gmail.com 
 
RESUMO: Cada época alcança um horizonte de expectativa na 
propagação de informações. Os sentidos humanos são instigados por 
um espaço de experiência regido por um tempo, ao mesmo tempo, 
imanente e transcendente. As palavras transformam-se em histórias que 
preenchem a totalidade do ser humano ao ponto de moldar suas 
interpretações. A vida torna-se uma aventura em busca da 
compreensão de si, do próximo, do todo, do divino. Tendo a carta aos 
Colossenses como caminho, é perceptível que o texto gravita em torno 
dos mesmos temas, que são tratados do primeiro ao quarto capítulos 
repetidas vezes, num movimento que convencionamos denominar de 
“movimento de rotação textual”; por outro lado, também gira em torno 
de temas próprios dos textos paulinos e joaninos, o que intitularemos 
neste trabalho como “movimento de translação textual”. Esses seus dois 
movimentos distinguem-se, entre si, quanto ao número de repetição de 
mesmos temas. O seu traço mais interessante é a “constelação de 
sentidos”, de possibilidades de interpretação, surgidas a partir da junção 
dessas duas teologias, nomeadamente, a paulina e a joanina. A 
contemplação força uma ação: tornar um mediador crístico. A 
dimensão cognitiva da carta perpassa o saber no âmbito da “ciência” 
e da “consciência”. Os movimentos de “rotação” (em torno de seus 
temas) e “translação textual” (em torno dos temas dos textos paulinos e 
joaninos) atestam a ciência dos seus ouvintes sobre os fundamentos do 
cristianismo. Reforçam o passado daqueles que creram (hino 
cristológico 1,13-20) e amplia a compreensão do presente a partir da 
obra salvífica de Cristo. A carta revela plena ciência dos colossenses a 
mailto:prof.alexandrecoelho@gmail.com
 
69 
respeito da sua fé, do seu amor e da sua esperança. O alvo do autor de 
Colossenses é desafiar um saber que vá além da ciência. Um saber 
capaz de interpretar o passado, compreender o presente e projetar o 
futuro. A consciência é o sentido que torna possível a orientação do 
cristão quanto ao seu significado de existência e proposito de vida. O 
desvelar do “mistério escondido por séculos e gerações” fruto da 
vontade de Deus Pai e da obra de mediação de Cristo tornou possível 
a ação missional dos cristãos como mediadores da reconciliação 
crística. O objetivo da carta é a conscientização da mediação. A 
hermenêutica da consciência histórica da carta aos Colossenses 
perpassa o tempo, a experiência e a referência. A mediação crística é 
a chave do texto – Paulo, Epafras, cristãos. O tempo refere-se ao 
passado, presente e futuro. A experiência, à tríade paulina – amor, 
esperança e fé. A ordem dos termos acompanha o tempo. As 
respectivas referências são identidade-consciência-reconhecimento. A 
premissa é que todos estão interligados, mas a “pedra angular” está na 
esperança. Ela potencializa o “espaço de experiência” da identidade 
(de fé) – a persistência do passado no presente – e impulsiona o 
“horizonte de expectativa” do reconhecimento crístico (do amor). 
Dessa forma, a consciência histórica do cristão torna-se a de um 
mediador crístico do passado, do presente e do futuro a partir de 
Colossenses, torna-se a consciência histórica da esperança. 
 
Palavras-chave: Hermenêutica; Consciência Histórica; Esperança; 
Cristologia; História dos Conceitos. 
 
 
NAZARENO CONFALONI: ENTRE O MODERNO E A TRADIÇÃO 
 
Jacqueline Siqueira Vigário 
UFG 
vigario.jacqueline@gmail.com 
 
RESUMO: Na história das artes plásticas do Centro-Oeste brasileiro, Frei 
Nazareno Confaloni (1917-1977) é considerado como um dos pioneiros 
da arte moderna. Em sua obra, a temática social teria sido a inspiração 
que, entretanto, não o desvinculou de sua vocação religiosa 
dominicana. Desde que conheceu Primo Conti (1900-1988), seu estilo 
"ousado" teria enriquecido e assimilado o movimento cultural da época, 
o noveccento italiano. Mesmo tendo como trabalho principal pinturas 
sacras, Confaloni aprendeu rapidamente os fundamentos da arte 
moderna, em um diálogo constante com movimentos que eclodiram 
durante o começo do séculoXX. Sabe-se que no campo da arte sacra 
mailto:vigario.jacqueline@gmail.com
 
70 
os modernistas representaram um mundo secular em sua arte, tornando 
as representações de madonas e santos humanizados e Frei Confaloni 
não ficou alheio às transformações artísticas ocorridas no Brasil e no 
mundo. Um breve percurso por suas obras desde que chegou ao Brasil 
permite observar que o Frei artista sinaliza em suas incursões pelo 
moderno um diálogo profundo com o contexto sociocultural latino-
americano, sobretudo no que se refere à visão progressista voltada para 
ideia da Teologia da Libertação. Como agente missionário europeu, 
conheceu uma teologia diferente do modelo sociopolítico libertador da 
Teologia Latino-Americana. Se há conexões de peso que se pode 
apontar entre a Teologia Progressista Europeia e a Teologia da 
Libertação Latino- Americana é o de colocar os pobres como sujeitos 
da história, por ambas se apropriarem da linha pastoral social do 
Concílio do Vaticano II e no uso da sociologia de inspiração marxista, 
que no caso europeu, tem como base o socialismo utópico. Como um 
Frei europeu, Confaloni trouxe o modelo progressista e o revisou a partir 
de categorias trabalhadas na Teologia da Libertação Latino-Americana 
com fundo marxista em um contexto etnográfico oposto ao do 
europeu. Aqui o missionário se deparou com um campo empírico, 
diferente da sociologia teórica e burocratizada da Europa. Confaloni 
mergulhou no interior de terras goianas, conheceu núcleos onde 
ocorreram conflitos, se deparou com uma realidade que é 
caracterizada socialmente por uma estrutura de exclusão humana e 
social. A situação dramática da terra, as desigualdades sociais, os 
conflitos entre trabalhadores e empregados, a miséria em que vivem as 
comunidades ribeirinhas da região do Rio Araguaia, as populações 
indígenas, os quilombolas da região do norte de Goiás, atual região do 
Tocantins, foram realidades que se confrontaram e ressurgiram em seus 
afrescos, ou mesmo em seus quadros de pintura de Madonnas. São 
Marias silenciosas, sofridas, Marias do povo, cheias de bondade e 
dignidade. As obras de Confaloni tem um caráter profético profundo, 
aspecto que interferiu de maneira contundente em suas ousadas 
incursões pelo moderno, em um diálogo intenso com uma crítica que 
recepcionou positivamente suas obras, em função da dimensão política 
e social sob as quais se apresentavam. 
 
Palavras-Chave: Nazareno Confaloni; Arte Moderna; Modernismo 
goiano; Tradição; Arte Sacra. 
 
 
 
 
 
 
71 
 
ST 07 – CULTURA VISUAL E RELIGIÃO 
 
Luís Américo Silva Bonfim 
UFS 
americobonfim@gmail.com 
 
Frederico Pieper Pires 
UFJF 
fredericopieper@gmail.com 
 
Helmut Renders 
UMESP 
helmut.renders@metodista.br 
 
Suzana Ramos Coutinho 
PUC SP 
srcoutinho@pucsp.br 
 
Esta ST tem por objetivo reunir pesquisas que explorem a mútua relação 
entre cultura visual e religião. Para tanto, acolhe trabalhos que tratem 
expressões (ícones, fotografia, gravura, escultura, artes plásticas, 
cinema etc.) dos mais diversos períodos históricos, tradições religiosas e 
culturas. Considera-se a força performativa de imagens, sob a 
metodologia da interpretação da cultura visual contemporânea. A ST 
parte do pressuposto de que a atenção, “visualização” e “estetização” 
da cultura contemporânea, com a expansão dos mundos imagéticos 
para todas as áreas da vida, desde o cotidiano até a religião, participa 
desse fenômeno, bem como das implicações que este tem para se 
pensar a religião na cultura contemporânea. Essa abordagem 
científica, desenvolvida desde a década 90 do século passado, dá 
continuidade às intuições de Wittgenstein, Merleau Ponty, Panofsky, 
Warburg, dentre outros, representando sagrados e história da religião, 
mailto:americobonfim@gmail.com
mailto:fredericopieper@gmail.com
mailto:helmut.renders@metodista.br
mailto:srcoutinho@pucsp.br
 
72 
bem como da relação entre cultura e religião a partir de diferentes 
formas de produção do olhar e da imagem, por exemplo, pictóricos de 
metáforas, inclusive cinematográficas. 
 
 
FOTOGRAFIA E RELIGIÃO: IMAGENS PARA SE PENSAR A EXPERIÊNCIA 
RELIGIOSA EM PIERRE FATUMBI VERGER 
 
Phelipe Augusto Silva Santos 
PUC GOIÁS 
pha.philos@gmail.com 
 
RESUMO: O trabalho intitulado "Fotografia e Religião: Imagens para se 
Pensar a Experiência Religiosa em Pierre Fatumbi Verger" aborda a 
relação entre fotografia e religião através do estudo da obra do 
fotógrafo e pesquisador Pierre Fatumbi Verger. O objetivo principal do 
estudo é investigar como as fotografias de Verger podem ser utilizadas 
como meio para se pensar a experiência religiosa. Para tanto, utilizamos 
as mesmas como exemplo de um olhar sensível e respeitoso para com 
a experiência religiosa da cultura iorubá, que Verger encontrou ao 
longo de sua vida e de suas viagens pelo mundo. A partir da análise de 
algumas fotografias de Verger, discutiremos como a fotografia pode ser 
utilizada para registrar e transmitir a experiência religiosa, bem como 
para criar um diálogo intercultural entre diferentes tradições religiosas. 
O estudo também aborda a questão da representação das religiões em 
imagens fotográficas e como esta representação pode ser influenciada 
por fatores culturais e históricos. Por fim, o trabalho conclui que as 
imagens fotográficas podem ser um meio poderoso para se pensar a 
experiência religiosa em diferentes culturas e tradições religiosas, bem 
como para criar um diálogo intercultural entre elas. A obra de Pierre 
Fatumbi Verger é um exemplo inspirador deste uso da fotografia como 
meio de aproximação entre culturas e tradições religiosas distintas. 
 
Palavras-chave: Religião; Fotografia; Experiência religiosa; Verger. 
 
 
O NEXO ENTRE RELIGIÃO E ARTE MINIATURA NO SUL DO LEVANTE ANTIGO 
 
Silas Klein Cardoso 
Universidade de Zurique 
silasklein@gmail.com 
 
mailto:pha.philos@gmail.com
mailto:silasklein@gmail.com
 
73 
RESUMO: Este ensaio discute a relação entre religião e arte em miniatura 
no sul do Levante antigo. Com relação ao conceito de “religião”, 
enquanto as Ciências da Religião experimentaram uma “virada 
reflexiva” nas últimas décadas, pouco foi refletido na história da religião 
sul levantina antiga. A despeito da adição de fontes “extrabíblicas” 
diversas e do intercâmbio com outras disciplinas, projeções anacrônicas 
baseadas num conceito subteorizado de “religião” continuam a ser 
utilizadas para atribuir “religiosidade” a artefatos, carecendo de novos 
quadros conceituais e metodologias. Com relação à ideia de arte, 
questões históricas e metodológicas ainda se interpõem à discussão. Na 
história da pesquisa, a arte sul levantina foi considerada secundária e 
inferior à arte dos grandes impérios antigo orientais por sua escala e 
suposta qualidade menor. Tal ideia foi, durante décadas, reforçada 
pela ideia errônea que não haveria representações figurativas na 
região e período. Metodologicamente, a interpretação de arte em 
miniatura ainda é operacionalizada via analogias, haja vista os métodos 
vigentes serem criados para matérias artísticas de outros períodos e 
formatos. Deste panorama, este estudo analisa alguns objetos artísticos 
datados do Período do Ferro (c. 1130-520 aEC) e encontrados na região 
dos territórios modernos da Palestina, Israel e Jordânia, para refletir sobre 
os limites e problemáticas das abordagens atuais e sugerir novos 
conceitos para o desenvolvimento do campo. 
 
Palavras-chave: Cultura visual religiosa; Arte em miniatura; Artefatos 
religiosos; Sul do Levante; Período do Ferro (c. 1130-520). 
 
 
A PRESENÇA DA FALTA: UM OLHAR PSICANALÍTICO DO FILME O VAZIO DO 
DOMINGO E DA BUSCA DE MARIA MADALENA NO SEPULCRO VAZIO, 
SEGUNDO JO 20,1-18 
 
Sergio Esteban González Martínez 
PUC Goiás 
sergioestebangonza@gmail.com 
 
RESUMO: Este artigo pretende refletir, segundo o pensamento 
psicanalítico,a presença da falta nas relações humanas, a partir do 
filme O vazio do domingo e da experiência de Maria Madalena no 
sepulcro vazio, no Evangelho segundo João 20,1-18. As mulheres Chiara 
e Anabel abrem horizontes no filme na compreensão da importância do 
olhar da mãe com relação à criança, por sua parte Maria Madalena 
acrescenta a necessidade do olhar de Jesus, a presença do Amado nos 
momentos de choro. Assim, a finalidade deste trabalho consiste em 
mailto:sergioestebangonza@gmail.com
 
74 
ressaltar o vazio e a falta como elementos necessários para colocar no 
sujeito um caminho de movimentação com relação ao objeto de 
desejo. Por meio de estudos bibliográficos e de análise do filme 
pretende-se colocar como evidência o sujeito que é tomado pelo 
desejo de um Outro e, ao mesmo tempo, mediado por um terceiro, 
dentro de uma estrutura de linguagem que o atravessa. Chiara, Anabel 
e Maria Madalena colocam na contemporaneidade interrogantes: o 
que passaria se faltasse a falta? Como o sujeito de desejo lida com o 
confronto produzido pela falta? Definitivamente torna-se necessário 
refletir no ambiente social e eclesial a urgência de repensar a noção de 
sujeito de desejo apresentado pela psicanálise, para movimentar o 
sujeito na busca do objeto amado, desejo que corresponderia no social 
à edificação de relações humanas mais fraternas e toleráveis e no 
ambiente eclesial à busca constante do encontro com o Amado, Jesus 
Cristo, que no momento do olhar, símbolo de presença, exorta ao 
reconhecimento da singularidade de cada membro da comunidade 
de fé. 
 
Palavras-chave: Psicanálise; Teologia; Cinema; Sujeito de desejo; 
Relações sociais 
 
 
MODÉSTIA E COMPORTAMENTO: COMO O VESTIR-SE E A RELIGIOSIDADE 
IMPACTAM O MODO DE VIDA DE MULHERES DA RCC 
 
Ellen Cristina dos Santos Oliveira 
PUC São Paulo 
ellencristinasoliveira@gmail.com 
 
 
RESUMO: No presente trabalho é notado que, ao realizar uma pequena 
observação da religiosidade brasileira, há uma institucionalização a 
qual é incorporada pela sociedade de forma que toda historicidade a 
qual o indivíduo está inserido o influencia, principalmente através do 
aprendizado. A partir da indagação dentre as diversas instituições 
existentes e presentes na sociedade brasileira, aquela a ser analisada 
seria a instituição religiosa cristã católica, pois essa religião participa de 
boa parte da ascendência brasileira, principalmente por todo seu 
histórico enraizado na nossa cultura. O objetivo da pesquisa é fazer uma 
leitura religiosa por meio da cultura visual e a vestimenta de um grupo 
de mulheres, lembrando que aqui não cabe qualquer julgamento sobre 
a fé e a religiosidade, mas a análise histórica sobre a qual a sociedade 
construiu valores e seus resultados. A partir da escolha da religiosidade, 
mailto:ellencristinasoliveira@gmail.com
 
75 
o grande recorte social apresentado aqui seria a questão do “ser mulher 
religiosa” dentro do catolicismo, que teria como finalidade pesquisar a 
relação entre pequenas escolhas feitas por membros da sociedade e a 
construção histórica do ser humano como ser social, mais 
especificamente, de mulheres católicas e conservadoras. O objeto 
material são as mulheres de grupos da RCC – Renovação Carismática 
Católica da Diocese de Guarulhos, mais especificamente suas 
vestimentas e comportamentos, colocando como objeto formal a 
chamada por essas de Modéstia Feminina. Ressaltamos que tal pesquisa 
em momento nenhum deve ser considerada conclusiva ou estática, já 
que historicamente a verdade pode apresentar diversas visões, opiniões 
e maneiras de se contar, pois novas temáticas, informações e pesquisas 
podem acrescentar em seus diferentes períodos enriquecendo ou 
atualizando o atual embasamento, pois a principal análise será 
construída através do conhecimento histórico, da história religiosa e da 
Ciência da Religião, lembrando que aqui a história não será apenas 
narrada, mas contada por seus próprios agentes sócio-históricos, 
levando em consideração toda vivência daqueles que são analisados. 
Tal comportamento não carrega puramente a escolha consciente, ou 
a simples necessidade de expressão religiosa como demonstra. O 
comportamento existente por traz do vestir-se, oferta consigo toda uma 
realidade vivida por aquelas que escolhem usa -lá, assim como a forma 
que é utilizada. Deve-se levar em conta que, além dos trajes, há histórias 
de vida, ideologias, religiosidades e corpos que trazem aparências 
modificadas pela época, culturas, costumes, lugar, vivência e a própria 
influência de escolha por determinada roupa. Será aqui utilizado 
estudos direcionados ao feminino e a costumes quotidianos, levando 
em análise também material acessado e apresentado por essas 
mulheres, como livros, vídeos, fotos e ambientes por elas frequentados, 
tendo como referencial teórico, autores de referência histórica, 
sociológicas. Por fim, tal produção se justifica inabitual da maneira 
apresentada, alegando dessa maneira sua criação. principal análise 
será construída através do conhecimento histórico, da história religiosa 
e da Ciência da Religião, lembrando que aqui a história não será 
apenas narrada, mas contada por seus próprios agentes sócio-históricos 
através da pesquisa netnografica, levando em consideração toda 
vivência daqueles que são analisados. 
 
Palavras-chave: RCC; Modéstia; Catolicismo. 
 
 
 
 
76 
O EMBLEMA OMNIA VINCIT AMOR (1601): UMA COLABORAÇÃO 
INTRACALVINISTA ANTES DO SÍNODO DE DORTE (1618) 
 
Helmut Renders 
Umesp 
helmut.renders@metodista.br 
 
RESUMO: Em 1601 publicou Daniël Heinsius (1580-1655) o livro com 
emblemas Emblemata amatória (Emblemas do amor). O emblema de 
abertura, Omnia vincit amor, O amor vence todo, contém uma poesia 
de Hugo Grotius (1583-1645): Vidi ego qui durum poßit fraenare leonem: 
Vidi qui solus corda domaet Amor (Eu vi aquele que poderia dominar 
até mesmo um leão feroz, Eu vi aquele que sozinho poderia domar 
corações: o amor). 17 anos depois, Daniel Heinsius e Hugo Grotius se 
encontrariam em campos opostos: No Sínodo de Dorte (1618-1619), 
Grotius foi condenado como remonstrante ou seguidor de Jacob 
Arminius e Heinsius, quem pertencia ao grupo dos gomaristas, foi o 
relator do sínodo e da condenação. 1621 Grotius fugiu da prisão para a 
França Católica. Com isso, o emblema acaba sendo um importante 
documento para um momento de um diálogo ainda aberta antes da 
radicalização das posições dentro do calvinismo. Por um lado, o 
emblema acaba articulando o que o sínodo depois não mais permitiu: 
a crença num amor que vence todos os obstáculos causados por 
diferenças, inclusive, diferenças religiosas dentro de própria confissão 
religiosa. Interessantemente, apareceu em 1632 uma gravura de Willem 
Jacobsz (1580-1638) de Delft o retrato de Grotius com uma subscriptio 
latina de Daniël Heinsius do ano 1614, ou seja, criada antes do desfecho 
final da controvérsia (Depositum caeli, quod iure Batavia mater / Horret, 
et haud credit se peperisse sibi, / Talem oculis, talem ore tulit se maximus 
Hugo. / Instar crede hominis, cetera crede Dei). Nesta época, Grotius 
tinha tentado retornar para os países Baixos, mas, sem sucesso. Depois 
entrou no serviço diplomático da Suécia, que durante a Guerra dos 
Trinta Anos (1618-1648) manteve uma Aliança com a França, 
basicamente, contra a Espanha. Finalmente demonstramos que o 
emblema Omnia vincit amor, sem seu subscriptio, foi visualmente citado 
como parte de uma moldura de uma série de emblema das bem-
aventuranças, no pátio do monastério de Santa Carla em Coimbra, 
Portugal, da virada do século 17 para o século 18. A análise dos 
emblemas segue os passos da análise iconológica de Erwin Panofsky 
(1892-1968) e a visão do conjunto de emblemas azulejos parte da teoria 
de Bilderfahrzeuge (Imagens-veículos) de Aby M. Warburg (1866-1925). 
Como resultado pretende sedemostrar em termos gerais, a importância 
da análise da cultura visual nos estudos da religião e em especial, como 
mailto:helmut.renders@metodista.br
 
77 
elas preservam, pontualmente, intercâmbios e proximidades intra- e 
interconfessionais não sempre registrados na historiografia religiosa. 
 
 
ENTRE PAISAGENS E CERVEJAS: CAMINHO DA FÉ E CONEXÃO DA 
RELIGIÃO E A BEBIDA 
 
Orlando Caldeira de Farias Junior 
PUC São Paulo 
orlandocfjunior@yahoo.com.br 
 
RESUMO: A comunicação visa problematizar como bebidas alcoólicas 
permeiam o Caminho da Fé, importante rota de peregrinação ao 
Santuário Nacional de Aparecida. A partir da leitura semiológica, 
estudar o encadeamento entre a religiosidade dos peregrinos, a 
paisagem predominantemente do relevo dos mares de morros que 
rasgam cidades de Minas Gerais e São Paulo e a fabricação de cervejas 
artesanais que trazem a temática do trajeto dos fiéis, fazendo a escolha 
de imagens, identificando seus elementos e os níveis de significação 
mais altos nelas encontrados. A submissão tem como objetivo 
compreender esse fenômeno com a leitura da Geografia da Religião, 
utilizando-se do referencial teórico dessa subárea da Ciência da 
Religião trabalhando conceitos como o de paisagem religiosa e 
paisagem de memória, atrelando o mosaico paisagístico do roteiro à 
Geografia das Emoções, área geográfica que visa compreender como 
lugares e paisagens influenciam nos sentimentos das pessoas, 
conectando a sensibilidade da fé do peregrino com o itinerário e os 
rótulos das cervejas. Para isso, se faz necessário uma pesquisa 
netnográfica para um aprofundamento na história, tanto da rota 
peregrina como dos fabricantes e compreender esse nexo entre os 
mestres cervejeiros e o Caminho da Fé, cruzando esses dados com 
observação participante e o arcabouço teórico, para dessa 
triangulação, formular a hipótese de que a confluência da cerveja, seus 
rótulos e a rota peregrina estão conexas pelo complexo paisagístico 
criado pelo relevo da Serra da Mantiqueira, e que os códigos visuais e 
objetos que ilustram o caminho configurando a paisagem, adentram no 
imaginário do fiel e ilustram as cervejas que são encontradas em 
algumas cidades traçadas pelo Caminho da Fé, ou seja, analisar a 
aglutinação das emoções, paisagem e a bebida. 
 
Palavras-chave: Cerveja; Caminho da Fé; Geografia da Religião; 
Geografia das Emoções. 
 
mailto:orlandocfjunior@yahoo.com.br
 
78 
A PRETENSA HEGEMONIA DA DIMENSÃO SIMBÓLICA NO VITRAL 
RELIGIOSO EVANGÉLICO 
 
Ed Marcos Sarro 
UTFPR 
edsarro@utfpr.edu.br 
 
RESUMO: A proposta desta comunicação é apresentar uma possível 
distinção entre o vitral religioso protestante e o seu congênere 
evangélico, tendo como principal evidência a recorrência do signo 
visual simbólico no segundo. Surgido como arte eminentemente 
católica, durante a Alta Idade Média, tendo seu apogeu no período 
gótico (por meio do trabalho do Abade Sugér na Basílica de Saint-Denis, 
França), a partir do século XVI o vitral religioso passará por uma fase de 
forte contestação, sendo alvo de ações de iconoclastia movidas por 
alguns segmentos dentro da Reforma Protestante. Apesar de danos 
sofridos durante os conflitos religiosos que se seguiram na Europa, o vitral 
sobreviverá e se transformará dentro do mundo protestante - 
principalmente nos contextos da Igreja Luterana e da Igreja da 
Inglaterra - de certa forma dando continuidade à tradição artística 
desenvolvida pela Igreja Católica - mas ao seu modo - mantendo as 
soluções estéticas que primam pelo figurativo narrativo. Já no universo 
reformado (e evangélico propriamente dito), especificamente pelo viés 
calvinista e de grupos ascéticos e não conformistas surgidos no seio da 
Igreja Anglicana (principalmente anabatistas) o vitral religioso, quando 
tolerado, parece ostentar soluções estéticas que enfatizam o abstrato, 
o figurativo alegórico e os dísticos textuais, todos de forte caráter 
simbólico. A hegemonia do simbolismo no vitral evangélico (aqui 
desvinculado do vitral protestante) pode estar relacionado à influência 
do código verbal (escrito) e sua prevalência na cultura religiosa de raiz 
reformada, uma vez que a primazia das Escrituras Sagradas é a base da 
religião construída a partir da Reforma. Segundo Morris (interpretando o 
pensamento semiótico de Peirce) o símbolo é signo cuja significação se 
dá por associação arbitrária entre significante e significado. O código 
verbal (representado pelo texto escrito) e sua decifração são 
estabelecidos de forma arbitrária, logo simbólica. Daí se depreende 
uma possível explicação para a hegemonia do símbolo visual no vitral 
religioso evangélico. O fato de a música (instrumental ou cantada) ter 
se consolidado como um gênero artístico essencialmente associado ao 
universo protestante (e evangélico) corrobora esse argumento quanto 
aos vitrais, posto que se expressa por meio de notas, que, a rigor, 
também são signos simbólicos (estabelecidos do mesmo modo de 
forma arbitrária). Longe de ser uma afirmativa absoluta sobre o tema, 
mailto:edsarro@utfpr.edu.br
 
79 
esta comunicação se propõe a tentar demonstrar a pertinência do 
argumento apresentado, por meio de comparação entre exemplares 
de vitrais protestantes e evangélicos e de sua leitura visual. Para tanto, 
se lançará mão tanto da observação direta simples, quanto de recursos 
teóricos extraídos das teorias da percepção, da Semiótica e de 
metodologias visuais. 
 
Palavras-chave: Vitral; Protestantismo; Evangelicalismo; Simbolismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
 
ST 08 – ESTÉTICA, CAPITALISMO E RELIGIÃO 
 
Alberto da Silva Moreira 
PUC Goiás 
alberto-moreira@uol.com.br 
 
 Lauri Wirth 
UMESP 
lauri.wirth@metodista.br 
 
Oneide Bobsin EST 
obobsin@est.edu.br 
 
 
Esta ST leva em conta que “o mercado global contém duas qualidades 
associadas à herança religiosa: transcendência e onipresença. Sua 
globalidade transcende os indivíduos, as classes sociais e as nações... 
Seu domínio não conhece fronteiras, abarca o planeta por inteiro; a 
universalidade do mercado confere-lhe a dimensão de totalidade... 
Entretanto... falta-lhe um fundamento ontológico, sagrado, por isso o 
mercado se apresenta como uma “falsa religião”, e sua adoração, uma 
“idolatria” (R. Ortiz, RBCS, v. 16, n. 47, 2001, p. 72). Há muito tempo o 
mercado não apenas mercantilizou a arte e a produção artística, 
tornando-se o novo patrão dos artistas, mas ele incorporou e assimilou 
de forma sistemática a estética aos seus produtos e procedimentos, 
através da publicidade e do design, da estilística e da emoção 
programada, da colonização do prazer e da comoção estética que o 
consumo deve proporcionar. O capitalismo atual não funciona sem 
colocar a seu serviço a criatividade artística, a estética e a estilística. 
Segundo C. Türcke a sociedade capitalista é sobretudo uma 
“sociedade das sensações”, ou seja, da estética (Aisthesis), da 
manipulação das sensações, dos desejos e da economia libidinal. Não 
mailto:alberto-moreira@uol.com.br
mailto:lauri.wirth@metodista.br
mailto:obobsin@est.edu.br
 
81 
deveria, então, o capitalismo atual ser pensado e analisado como uma 
religião, conforme Walter Benjamin afirmou em 1921? Se sim, que tipo de 
religião seria essa, que desafios teóricos coloca às ciências da religião, 
que desafios práticos propõe à política e à cidadania, que desafios 
pastorais e doutrinais apresenta às religiões e às teologias? Se não, onde 
estariam as fronteiras, os limites, as pertinências de cada um? Esta ST 
acolhe contribuições que discutam e analisem as pretensões estéticas 
e religiosas do capitalismo, sua produção mercadológica da beleza, seu 
uso dos símbolos de poder, sua estetização da política e da religião, a 
fusão de horizontes da economia com as expectativas defelicidade e 
realização humana, as experiências de transcendência ligadas à 
estética e ao consumo. Também são bem-vindas contribuições que, 
desde abordagens teóricas diversas, analisem aspectos da 
transformação. 
 
 
A TEOLOGIA NEOLIBERAL DAS EDIÇÕES VIDA NOVA 
 
Geraldo Witeze Junior 
IFG 
geraldo.junior@ifg.edu.br 
 
RESUMO: O presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) apresenta seu governo 
como liberal e conservador. Sua atuação governamental durante a 
pandemia pode ser definida como negacionista: negou a gravidade 
da pandemia, recomendou medicamentos sabidamente ineficazes e 
lutou contra a vacinação. Os cristãos conservadores, tanto católicos 
quanto evangélicos, foram parte importante da base política desse 
governo, com muitos deputados e ministros sendo eleitos e nomeados 
por serem religiosos. Gostaríamos de apresentar a influência 
conservadora cristã sobre o governo destacando um conjunto de livros 
publicados entre 2014 e 2016 por uma editora evangélica chamada 
Edições Vida Nova. Esses livros foram vendidos juntos como um kit 
político que defende uma Teologia neoliberal e conservadora que 
influenciou o governo. Esses livros não eram destinados aos membros 
comuns das igrejas, mas aos líderes. Muitos desses líderes ocuparam 
cargos no governo Bolsonaro e propagaram a Teologia neoliberal e 
conservadora das Edições Vida Nova. O trabalho segue as seguintes 
etapas: 1) uma introdução dos livros; 2) uma análise de seu conteúdo; 
3) uma avaliação de sua influência. Cabe ressaltar que a estética de 
argumentação segue o princípio do espantalho: cria-se uma caricatura 
das ideias às quais se opõe e debate com essa caricatura, não com a 
ideias conforme expostas por seus proponentes. Queremos demonstrar 
mailto:geraldo.junior@ifg.edu.br
 
82 
que antes da eleição de Bolsonaro, os evangélicos conservadores 
trabalhavam para difundir suas ideias teológicas por meio desses livros, 
principalmente entre os líderes das igrejas, que atuavam como 
influenciadores das congregações, direcionando-as para o lado da 
política que consideram correto. 
 
Palavras-chave: Teologia; Neoliberalismo; Governo Bolsonaro; Edições 
Vida Nova. 
 
 
DIGITALIZAÇÃO DA ROMARIA DO MUQUÉM: IMPACTOS, 
TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS 
 
 
 Aldemir Franzin 
PUC Goiás 
pe.aldemirfranzin@hotmail.com 
 
RESUMO: O objetivo desta comunicação é analisar e compreender o 
processo de digitalização da Romaria do Muquém, uma expressão do 
catolicismo tradicional e popular de quase trezentos anos para o meio 
digital e suas consequências. A digitalização da romaria deve-se a um 
fato extraordinário ocorrido ano de 2020, jamais vivido por uma geração 
de romeiros, a pandemia COVID-19. A crise pandêmica atingiu o 
Santuário do Muquém entre os anos 2020-2021. Devido ao grande risco 
de transmissão do vírus SARS-CoV-2, a direção eclesiástica do santuário 
decidiu que a romaria presencial deveria ser cancelada. Essa nova 
realidade confrontou os dirigentes do santuário a um desafio inusitado 
de realizar uma romaria virtual à distância. A única forma de manter a 
continuidade da romaria e de manter contato com os romeiros seria 
realizar a romaria através da plataforma digital. As perguntas básicas 
que orientam esta compreensão podem ser formuladas assim: o que 
aconteceu com a romaria quando ela se tornou uma romaria 
digitalizada? Em que sentido a digitalização a transformou e como esse 
processo impactou a expressão de romaria tradicional e popular? A 
mudança da realidade “física” para realidade “digital”, o que fez 
permanecer e que experiências de fé fizeram os romeiros? A romaria do 
Muquém, conhecida também como romaria Nossa Senhora d´Abadia, 
acontece na região rural do Muquém, município de Niquelândia, Goiás, 
entre os dias 05 de agosto. Neste espaço geográfico e temporal, denso 
de fé e devoção, existe também um complexo campo simbólico, onde 
se manifestam tradições, crenças, cultura, economia e outras tantas 
representações populares. As tecnologias de mídia utilizadas pela 
mailto:pe.aldemirfranzin@hotmail.com
 
83 
plataforma digital produziram e reproduziram o capital de bens 
simbólicos religioso e cultural da romaria. A hipótese desta 
comunicação é que a digitalização causou mudanças na expressão 
religiosa da romaria e na própria realidade dos romeiros. O caminho 
metodológico adotado consistiu em analisar os autores especializados 
na relação entre religião e digital, como Campbell (2020), Sbardoletto 
(2019) e Hoover (2014) também, na análise crítica, qualitativa e 
quantitativa de narrativas dos romeiros. Esta comunicação apresenta 
também relevantes pontuações da tese de doutorado “Romaria Virtual 
do Muquém: religião tradicional na plataforma digital” (PUC-GO, 2022). 
 
Palavras-chave: Romaria do Muquém; Religião; Digitalização. 
 
 
TEOLOGIA E ECONOMIA: A FACE ESCATOLÓGICA DO MITO DO PROGRESSO 
 
José Roberto de Oliveira Chagas 
FTSA 
prjrchagas@gmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho visa a propor um diálogo criterioso entre 
teologia e economia, mormente acerca da face escatológica no mito 
do progresso moderno. A discussão é pertinente no âmbito acadêmico, 
pois, entre outros fatores, alega-se que o sistema capitalista tem 
inclinações messiânicas; centrado no tripé mercado, espírito de luta e 
capital, visa a atingir o ápice da evolução humana. A pretensão, além 
de dimensão econômica, exterioriza sutil caráter mítico-religioso, 
transparecendo a encarnação do reino de Deus na história, substituindo 
o paraíso escatológico da tradição cristã por um mito do progresso. A 
análise crítica teológica a qualquer modo de produção com 
inclinações messiânicas também tem relevância no âmbito social. Com 
a ascensão do capitalismo antigo, o mito do progresso prometeu 
deslocar o paraíso divino futuro para o presente, formando sociedades 
e culturas de consumo, com alto padrão de aquisição e descarte. Havia 
a expectativa de que a razão, a ciência e a tecnologia construiriam o 
paraíso terreno trazendo progresso; o céu bíblico-teológico, visto como 
mera projeção dos anseios humanos, seria deslocado para o anterior da 
história; o desencantamento do mundo seria inevitável; a morte de Deus 
estaria decretada. Por último, a aproximação entre teologia e 
economia também deixa sua parcela de contribuição no âmbito 
eclesiológico; o distanciamento entre teologia e economia dificulta o 
desmascaramento da economicização do sagrado incrustado em 
segmentos cristãos; as sociedades capitalistas forneceram o cenário 
mailto:prjrchagas@gmail.com
 
84 
ideal para o surgimento e o crescimento das igrejas de mercado, 
impulsionadas pelos pressupostos da teologia da prosperidade; o mito 
do progresso recebeu nova roupagem; o suposto messianismo do 
sistema fixou seus tentáculos também nas comunidades de fé; a 
sacralização da riqueza terrena e a demonização da pobreza, 
presentes nos discursos e nas práxis cristãs de muitas instituições 
religiosas, externam uma leitura superficial da realidade alheia às 
numerosas possibilidades da vida: ter sem ser, ser sem ter, não ter e nem 
ser, não ser e nem ter, ter e ser, ser e ter. Esta pesquisa respaldou-se em 
análise bibliográfica de publicações, teses, dissertações, artigos 
científicos e documentos. Os referenciais teóricos elencados para este 
trabalho são: Walter Benjamin e Giorgio Agambem (capitalismo e 
religião), Luiz Rossi (messianismo e modernidade) e Jung Mo Sung 
(teologia e economia). 
 
Palavras-Chave: Capitalismo; Religião; Consumo; Exclusão; 
Solidariedade. 
 
 
DANÇA GOSPEL: ARTE E MERCADO NO CONTEXTO RELIGIOSO 
EVANGÉLICO 
 
Zelia Priscila Nogueira Rodrigues dosSantos 
UFBA 
zeliarteducacao@gmail.com 
 
RESUMO: A dança na igreja evangélica pode ser percebida como um 
fenômeno que está em expansão se ampliando para além do âmbito 
religioso, como cursos, academias, festivais e etc. Mas afinal qual seria 
o papel que a dança cumpre na igreja? Os modos de ocorrência dessa 
dança podem ser percebidos a partir das dimensões de criação, 
sacralização no ritual (culto), evangelização e ensino dentro de grupos 
da própria igreja e espaços de formação. Há indícios de que a dança 
tem cumprido um papel litúrgico, atendendo também uma lógica 
mercantil, que está presente até mesmo nas igrejas evangélicas. A 
cultura gospel (CUNHA,2004) colaborou com o processo de inserção 
social dos evangélicos e das igrejas, no âmbito da aceitação social, 
além de representar um modo de vida religioso, legitimado, mas não 
isolado. Propõe a vivência das práticas nas comunidades religiosas 
associada com a interação no mundo externo a elas, pela via 
principalmente do consumo. De um modo geral, este termo gera uma 
espécie de permissão para acessar entretenimento e Arte, 
principalmente a Dança (manifestação corporal) que durante muito 
mailto:zeliarteducacao@gmail.com
 
85 
tempo foi vista de um modo preterido em relação a outras 
manifestações artísticas. A Dança Gospel, portanto, pode ser uma 
estratégia de sobrevivência de algumas igrejas no sentido de atrair e 
manter os fiéis, e também promover uma reserva de mercado para os 
profissionais que são convertidos à essa fé. Dança, religião e corpo de 
modo imbricados e (co)afetados, se configuram dentro de uma lógica 
de consumo e atende tanto a demanda litúrgica quanto a 
mercadológica. Há, portanto, uma associação entre arte, mercado e 
religião, remetendo a noção de um prazer e satisfação imediato e 
temporário, considerando as demandas trazidas pelos consumidores, e 
gerando lucro para os produtores. Assim a coimplicação dessas 
dimensões constituídas mutuamente, atendem ao que Gilles Lipovetsky 
e Jean Serroy (2015) apresentam como capitalismo artista, e, portanto, 
a dança se torna mercadoria. Há uma sacralização do profano e uma 
profanação do sagrado, trazendo uma possibilidade de consumo e 
pertencimento pela arte. 
 
Palavras-chave: Dança gospel; Religião; Capitalismo artista. 
 
 
A RELIGIÃO ESPETACULAR 
 
Alberto da Silva Moreira 
PUC Goiás 
alberto-moreira@uol.com.br 
 
RESUMO: A sociedade do mercado mercantilizou também a arte e a 
produção artística; as empresas, e não mais a igreja ou os velhos 
mecenas aristocráticos, tornaram-se os patrões dos artistas. Mas o 
mercado capitalista foi muito além disso, ele incorporou de forma 
sistemática a estética também aos seus produtos e aos seus procedi-
mentos, através do emprego das técnicas de simulação 
computacional, de modelagem virtual, além do uso corriqueiro da 
publicidade e do design, da estilística e da emoção programada. 
Impossível pensar a sociedade do consumo sem pensar ao mesmo 
tempo na colonização do prazer e no sequestro da comoção estética 
que cada ato de consumo deve proporcionar. Segundo C. Türcke a 
sociedade capitalista é sobretudo uma sociedade das sensações, ou 
seja, da estética (Aisthesis), da manipulação das sensações e da 
economia libidinal. A presente comunicação, que é parte de uma 
pesquisa mais ampla, aplica tais conclusões ao funcionamento das 
instituições religiosas. O objetivo é analisar de que forma e em quais 
momentos a prática religiosa de algumas igrejas cristãs é capturada 
mailto:alberto-moreira@uol.com.br
 
86 
pela necessidade mercadológica de produzir sensações, imagens e 
emoções fortes para compor seu “diferencial qualitativo” frente à 
concorrência existente no campo religioso. O método utilizado foi a 
observação participante, com o registro visual e imagético de técnicas 
e situações voltadas de forma planejada a provocar êxtase religioso e 
transbordamento emotivo nos fiéis. Três igrejas em momentos distintos de 
suas atividades compuseram o núcleo da investigação in loco. Os 
resultados alcançados pela pesquisa indicam positivamente a hipótese 
de um contágio crescente da espetacularização mercadológica por 
parte de diversas instituições religiosas, sobretudo aquelas que se 
especializam em atender um público mais jovem. 
 
Palavras-chave: Estetização; Religião; Religião e estética; Brasil. 
 
 
HIPERCAPITALISMO E POSITIVIDADE TÓXICA NA MODERNIDADE TARDIA 
 
Flávia Ribeiro Amaro 
UMESP 
flavia.ramaro@gmail.com 
 
RESUMO: A presente comunicação visa acionar alguns aportes teóricos 
do pensamento do filósofo sul-coreano radicado na Alemanha – Byung-
Chul Han, para refletir sobre as configurações da religião na 
modernidade tardia. Embora, o autor não tenha tratado, 
especificamente, do tema da religião em suas obras, pode-se abstrair 
delas alguns direcionamentos para tal diligência. Han, contextualiza as 
consequências nefastas de um hipercapitalismo, inscrito em uma 
sociedade da transparência, hipercultural, pautada pela 
hipercomunicação e pela autoexposição e ligada irrefletidamente à 
uma hipervigilância. Identifica a eminência de um forte apego à uma 
positividade tóxica, caracterizada por rechaçar a negatividade do 
outro, infringindo, em contrapartida, um tipo de violência que parte do 
sujeito contra ele mesmo. O autor aponta para o estabelecimento de 
uma infocracia, na qual as fake News, os negacionismos e a 
desinformação correspondem às suas principais características. 
Percebe-se assim, que o espaço da religião foi deslocado, que o tempo 
mítico, histórico, das narrativas e das conclusões desapareceu e que, 
em seu lugar instaurou-se um hiperespaço, amplo e difuso, sem fronteiras 
ou limites, onde o tempo foi fragmentado e se corrompeu em 
aceleração. Nesse ínterim, o sujeito encontra-se desorientado e 
esgotado pela demanda por desempenho. Diante da conectividade 
digital global da hipercultura de rede, testemunha-se um esgarçamento 
mailto:flavia.ramaro@gmail.com
 
87 
das relações sociais, que foram transferidas da situação face a face 
para os meios virtuais. No neoliberalismo, a economia libidinal foi 
transferida do outro para o eu- narcisístico, que imbuído de uma ilusão 
libertária se autoexplora e se autoaniquila. Síndromes neurais 
conformam o quadro das patologias prevalecentes entre a população 
mundial. Assim, o capitalismo se insinua como religião, cujo deus é o 
mercado e o sagrado foi privatizado. Contudo, à despeito do processo 
de deslocamento da religião e de sua pulverização transnacional, e 
ainda que, reconheçamos a totalidade de abrangência do capitalismo 
tardio, de sua onipresença e transcendência, falta a ele um 
reconhecimento ontológico, uma aura sagrada. Nesse sentido, a 
religião ainda pode ser considerada como uma instância capaz de 
promover sentidos e sentimentos, que se esboçam na contracorrente 
da positividade impositiva. O diálogo inter-religioso pode ser acionado 
como uma estratégia para a efetivação de trocas simbólicas e 
significativas, que vão além da sobreposição de alteridades como 
mercadorias. 
 
Palavras-chave: Hipercapitalismo; Modernidade tardia; Positividade 
tóxica; Religião; Outro. 
 
 
ESTETIZAÇÃO DA POLÍTICA E POLITIZAÇÃO DA ARTE: DESDOBRAMENTOS 
ATUAIS SOBRE RELIGIÕES E CAPITALISMO NO PENSAMENTO DE WALTER 
BENJAMIN 
 
Valdicley Eufrausino da Silva 
UFRN 
valdicley_bambucha@yahoo.com.br 
 
Paulo Cavalcante de Albuquerque Melo 
UFPB 
paulomelocr@gmail.com 
 
RESUMO: Observamos, com base no pensamento crítico do filósofo 
judeu-alemão Walter Benjamin, que os lugares da experiência estética 
sofreram alterações na modernidade. As antigas percepções se 
encontram desalojadas no cenário hodierno. No famoso ensaio A obra 
de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, Benjamin apresenta 
algumas críticas que envolvem tanto a ideia de experiência quanto a 
de recepção da arte ligadas à culturamassificada. De certo modo, tais 
noções representam o caráter reprodutivo que a arte tomou – ou foi 
levada a tomar – a partir do final do século XIX e início do século XX 
mailto:valdicley_bambucha@yahoo.com.br
mailto:paulomelocr@gmail.com
 
88 
diante dos avanços tecnológicos, principalmente ligados ao 
capitalismo. Assim sendo, os lugares da experiência tradicional da arte, 
a saber: o museu e o teatro, ganharam uma outra dimensão diante da 
destruição da aura. Reside aqui o fato de, por exemplo, estátuas, 
pinturas, esculturas e livros perderem seu valor único, autêntico. As 
noções benjaminianas discorrem acerca da saída da arte de seus limites 
institucionais tradicionais para a noção de reprodutibilidade técnica. Ao 
final do referido ensaio o filósofo apresenta a famosa tese da politização 
da arte em oposição a estetização política. Enquanto esta alude a 
produção fascista da arte, aquela se configura como resposta por parte 
dos comunistas ao perfil autoritário de dominação da época. Esse 
processo gerou, concretamente, mudanças não somente na dimensão 
estética, mas também na política e na religião em consequência do 
desenvolvimento das sociedades burguesas. Não obstante, as religiões 
aparecem sob uma nova compreensão aburguesada. Sendo assim, 
nosso objetivo é suscitar reflexões acerca da noção de estetização da 
política no redimensionamento das experiências e das recepções 
religiosas promovidas pelas religiões no sistema capitalista hodierno. 
 
Palavras-Chave: Estetização da política; Politização da arte; 
Capitalismo; Religiões; Benjamin. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
ST 09 – JESUS NAS ARTES E NAS CULTURAS 
 
Valmor da Silva 
PUC Goiás 
lesil@terra.com.br 
 
João Luiz Correia Júnior 
UNICAP 
joao.correia@unicap.br 
 
Angela Lano 
UFBA 
angela.lano@libero.it 
 
A ST se alinha com o tema geral do Congresso, “Religião, Arte e Cultura: 
Multiplicidades Convergentes” e propõe como temática específica 
aglutinadora, “Jesus nas artes e nas culturas”. Propõe-se, com isso, reunir 
comunicações sobre as representações da figura central do 
Cristianismo, Jesus de Nazaré, nas diversas manifestações artísticas e 
culturais. As análises podem ser feitas a partir das diversas áreas do 
conhecimento, principalmente nas artes e nas culturas, com recorte 
histórico ou atual, pelo Cristianismo ou por outras Religiões, pelos 
variados grupos religiosos ou sociais. Tem-se como objetivo demonstrar 
a riqueza de representações do Jesus histórico e do Cristo da fé, nas 
mais variadas manifestações artísticas e culturais. Espera-se, como 
resultado, manifestações ricas e diversificadas, num diálogo múltiplo e 
convergente, em torno à pessoa de Jesus Cristo. 
 
 
 
 
 
mailto:lesil@terra.com.br
mailto:joao.correia@unicap.br
mailto:angela.lano@libero.it
 
90 
NEEMIAS 5,1-5: CRISE SOCIOECONÔMICA EM JUDÁ NO PÓS-EXÍLIO 
 
Nayara do Vale Moreira 
PUC Goiás 
nayaramoreiras2@gmail.com 
 
RESUMO: As trajetórias de conquista do Império Persa, e 
consequentemente a liberdade, retorno do povo judeu exilado do 
cativeiro babilônico, em conjunto a missão e posição Neemias trouxe 
um extenso processo de constituição da comunidade no pós-exílio e da 
reconstrução do muro de Jerusalém. Diante a esse cenário designamos 
como objetivos através do livro de Ne 5,1-5 levantar as tensões sociais 
que se colocam como empecilho no processo de missão de Neemias 
recebida do rei persa. Seriam problemas decorrentes da própria 
província de Judá e de sua população. Para a condução da pesquisa, 
utilizaremos como método investigativo a análise bibliográfica, com o 
manuseio de livros, artigos científicos e a contribuição de diversos 
autores. Temos diante desse cenário, com o processo de missão de 
Neemias a situação social perversa e desumana entre a comunidade 
judaica, que deixa claro o processo de opressão interna nas 
comunidades menos favorecidas, além da formação de ideologias de 
oposição, e suas reformas não teriam mudado as diversas formas de 
opressão, pois os mais desfavorecidos eram sujeitos a se dividir e 
deslocar na busca de melhorias. Em contraste temos o relacionamento 
de Jesus com os marginalizados de seu tempo, os acolhendo e 
abrigando, já o Império e a elite judaica teriam implantado um sistema 
de exploração e fomentado a desigualdade nas comunidades mais 
necessitadas. 
 
Palavras-chave: Povo Judeu; Livro de Neemias; Autóctone; Pós-exílio. 
 
 
UMA RELEITURA DO SALMO 137 NO EVANGELHO DE JESUS SEGUNDO 
MATEUS 23.37 
 
Gilmar Tavares Reis 
Estácio de Sá 
contatogilmartavares@gmail.com 
 
RESUMO: O Salmo 137 é uma das composições mais conhecidas do livro 
de Salmos e tem sido objeto de muitas interpretações. É um salmo de 
lamento que mostra a dor e a saudade do povo de Israel no contexto 
do exílio babilônico. No Evangelho de Jesus segundo Mateus 23.37, 
mailto:nayaramoreiras2@gmail.com
mailto:contatogilmartavares@gmail.com
 
91 
encontramos uma releitura desse Salmo, na qual Jesus lamenta sobre 
Jerusalém, desejando reunir seus filhos como a galinha ajunta seus 
pintinhos. Para comparar esses dois textos, a análise se baseia em uma 
leitura cuidadosa dos textos bíblicos, considerando o contexto histórico 
e cultural em que foram escritos. Além disso, realiza-se uma pesquisa 
bibliográfica para examinar as diversas interpretações do Salmo 137 e 
da passagem de Mateus 23.37. Observa-se que, embora os dois textos 
sejam diferentes em sua forma e contexto, ambos fazem referência a 
Jerusalém e Sião, e expressam a dor da perda e da saudade. No Salmo 
137, a dor é causada pelo exílio babilônico e pela impossibilidade de 
adorar a Deus em sua cidade santa. Em Mateus 23.37, a dor é causada 
pelo fato de Jerusalém rejeitar a mensagem de Jesus e enfrentar a 
iminente destruição. Em ambos os casos, há um desejo de restauração 
e reconciliação. A figura de Jesus em Mateus 23.37 é apresentada 
como uma mãe galinha que deseja reunir seus filhos debaixo de suas 
asas, mas que é impedida pela resistência de Jerusalém. Essa imagem 
de ternura e proteção é um contraste com a imagem de Deus como 
juiz vingativo que aparece no Salmo 137. A análise sugere que a releitura 
do Salmo 137 em Mateus 23.37 apresenta Jesus como uma figura 
maternal e paternal ao mesmo tempo. Embora os contextos sejam 
diferentes, ambos os textos expressam a dor da perda e da saudade e 
um desejo de restauração e reconciliação. A figura de Jesus, portanto, 
pode ser vista como o marco teórico de ambos os textos. 
 
Palavras-chave: Salmo 137; Mateus 23.37; Lamentação; Jerusalém. 
 
 
JESUS CAMPONÊS NOS EVANGELHOS, NAS ARTES E NAS CULTURAS 
 
Valmor da Silva 
PUC Goiás 
lesil@terra.com.br 
 
RESUMO: Jesus Cristo tem sido interpretado de maneiras diversas, nas 
artes e nas culturas, conforme o aspecto que se privilegia, a partir dos 
dados dos Evangelhos. Essas interpretações variam entre Filho de Deus 
e filho de José, entre Cristo rei e servo sofredor, entre morto na cruz e 
ressuscitado dos mortos, entre diversas outras imagens. A presente 
comunicação privilegia o Jesus histórico, o artesão camponês que viveu 
na Galileia, num ambiente tipicamente rural. Através da análise da 
linguagem dos Evangelhos, que envolve atividade agrícola, desde a 
semeadura até a colheita, projeta-se um homem que domina a vida do 
campo e suas diversas nuances. A partir dessa constatação, enfoca-se 
mailto:lesil@terra.com.br
 
92 
algumas representações de Jesus agricultor, no continente latino-
americano. Esse Jesus agricultor é representado a partir da 
interpretação da Bíblia, mas, principalmente, a partir da realidade 
camponesa dos países, tais como México, Peru, Nicarágua e Brasil. As 
representações estão presentes em algumas músicas e, sobretudo, em 
pinturas e esculturas. Representam, em geral, um crucificado, com 
traços mestiços, negros e indígenas. As representaçõesenvolvem 
elementos típicos da vida agrícola, tais como madeiras e plantações, 
enxadas e foices, cordas e pregos. Espera-se demonstrar, além da 
fidelidade aos Evangelhos, retratada nessas representações, o seu valor 
artístico, cultural e religioso. Pretende-se assim, através dessa leitura na 
ótica camponesa, ilustrar as figuras típicas de Jesus camponês, em 
coerência entre os Evangelhos e as devoções atuais. 
 
Palavras-chave: Campesinato; Jesus camponês; Jesus Cristo 
 
 
O REINO DE DEUS (Lc 6,20-26) PARA UMA IGREJA LIBERTADORA 
 
Cirone Rodrigues de Almeida 
PUC Goiás. 
cirone2008@hotmail.com 
 
RESUMO: Esta comunicação é sobre o conceito de Reino de Deus (Lc 
6,20-26) na Teologia da Libertação e nas Comunidades Eclesiais de 
Base. A motivação da pesquisa é compreender o conceito do Reino de 
Deus vivenciado pelas primeiras comunidades cristãs no contexto 
político, religioso e social e como a Teologia da Libertação e as 
Comunidades Eclesiais de Base interpretam e atualizam esse conceito 
na realidade dos povos latino-americanos e no Brasil. O objetivo consiste 
em analisar exegeticamente para compreender este conceito de Reino 
de Deus, no Sermão da Planície em Lucas 6,20-26, entender como 
Teologia da Libertação interpreta no continente onde ela surgiu como 
defensora do direito dos pobres, famintos e perseguidos; finalmente, 
explicar como as CEBs atualizam esse mesmo conceito em sua ação 
missionária nas realidades periféricas em que se encontram. A hipótese 
dessa pesquisa equivale saber se existe ou não uma possibilidade das 
Bem-aventuranças lucanas (6,20-26) serem a fundamentação principal 
do existir e agir da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais 
de Base. A metodologia é o histórico-crítico de interpretação da Bíblia 
e hermenêutica bíblica analisando e destacando o conteúdo dos 
autores bíblicos referente ao conceito de Reino de Deus. Por fim, o 
resultado esperado incide no entendimento do conceito de Reino de 
mailto:cirone2008@hotmail.com
 
93 
Deus como possibilidade na superação da lamentável causa 
responsável pela desigualdade social, eliminando o abismo existente 
entre pobres e ricos. Os pesquisadores do conceito de Reino de Deus 
explicam que a desigualdade social só poderá acontecer de fato 
quando todos (as) que se afirmam ser cristãos de fato colocarem em 
prática os ensinamentos de Jesus entendendo que o Reino de Deus já 
se faz presente entre nós. 
 
Palavra-chave: Reino de Deus; Desigualdade Socia; Teologia da 
Libertação e CEBs. 
 
 
UM OLHAR PARA JESUS LIBERTADOR A PARTIR DA CRIAÇÃO 
 
Zélia Cristina Pedrosa do Nascimento 
UNICAP 
 zelia.2020801116@unicap.br 
 
RESUMO: Trazemos para reflexão neste Congresso a mística presente na 
obra da artista plástica e religiosa Adélia Carvalho da Congregação 
das Filhas de Maria Auxiliadora. FMA, especialmente a forma como 
retrata Jesus Cristo. Irmã Adélia sempre atuou junto às comunidades 
populares seja no Recife-PE ou em Moçambique na África e se 
identificava com o Cristianismo da Libertação. Era animadora de 
Comunidades de Base e fazia parte do Centro de Estudos bíblicos (CEBI) 
e do grupo de artistas da caminhada, dentre outros vínculos e parcerias 
que manteve ao longo da vida. Suas obras mais divulgadas são painéis, 
cartões e ilustrações elaboradas para o Centro de Estudos de História 
da Igreja (CEHILA), e grandes painéis que serviam de quadro de fundo 
em Cursos de Verão promovidos pelo Centro Ecumênico de Serviços à 
Evangelização e Educação Popular (CESEEP). Com as cores e as formas 
ela revelava sua visão do mundo e do divino que sempre deviam estar 
em comunhão. Em seus trabalhos a figura de Jesus não era a principal, 
mas inspiração e presença junto às lutas por um mundo mais pleno de 
vida. A partir da análise de alguns de seus quadros buscaremos 
demonstrar como Adélia percebia e retratava a presença de Jesus na 
realidade e o apelo de sua arte para nós hoje. Se ao longo dos anos as 
características de suas pinturas mudaram revelando as influências das 
experiências que viveu na missão, os traços que permanecem, como os 
grandes olhos das figuras, a profusão de cores, a valorização da cultura 
popular a riqueza de detalhes e o simbolismo de cada imagem 
demonstram a riqueza da sua espiritualidade, a força de sua esperança 
e o compromisso com os valores que acreditava e vivia. 
mailto:zelia.2020801116@unicap.br
 
94 
 
Palavras chave: Artista da caminhada; Arte; Mística. 
 
 
SEPULTAMENTO E RESSURREIÇÃO DE CRISTO - FRAGMENTOS DE 
AFLUÊNCIAS E DE CRÍTICAS. 
 
Raimundo Alves Martins 
PUC Goiás 
r.vencedor@gmail.com 
 
RESUMO: O presente estudo tem a pretensão de tecer uma condensada 
análise das fortes influências no modo de pensar, sentir e acreditar, 
exercidas entre os adeptos no cristianismo, especificamente, nesse 
caso, pelas circunstâncias contidas no sepultamento e na ressurreição 
de Jesus Cristo. Muitos aspectos alusivos ao sepultamento e à 
ressurreição tornaram-se constitutivos na formação de paradigmas 
culturais e teológicos dentro da cultura cristã. Pois, tais eventos 
originaram importantes teorias que se tornaram fundantes na 
identidade religiosa dos cristãos, ao longo dos séculos. Muito embora, 
com o passar do tempo, o cristianismo tenha sido modificado em muitos 
aspectos e se dividido em várias vertentes, no entanto, para a maioria 
dos cristãos, a reflexão sobre o sepultamento e a ressurreição de Cristo 
evoca pontos significativos dentro do seu imaginário religioso fazendo 
com que, por exemplo, se deseje que, após a própria morte, os seus 
corpos passem pelo mesmo ritual de sepultamento, e assim, entendem, 
imitarão o seu Mestre tanto em vida quanto após a morte. O trabalho 
se divide em duas partes, sendo que, na primeira, o estudo apresenta 
alguns fragmentos que mostram as afluências significativas contidas no 
sepultamento e na ressurreição de Cristo para a cultura cristã, surgidas 
sob o prisma de importantes teóricos. Na segunda, evoca-se, por outro 
lado, fragmentos críticos que foram elaborados por intelectuais sobre a 
ressurreição do corpo de Cristo. Uma das constatações a que se chegou 
em nosso percurso é a de que, para o cristianismo, há uma convicção 
irrestrita no que tange haver uma continuidade em se ter na vida de 
Cristo o único modelo ideal de vida social e religiosa. Por fim, mediante 
o que foi discorrido no artigo, conclui-se que, embora sendo alvo de 
objeções e de aprofundadas críticas, há, no entanto, fortes indícios para 
uma possível continuidade dessas representações dentro da cultura 
cristã. 
 
Palavras-chave: Sepultamento; Ressurreição;. Cultura cristã. 
 
mailto:r.vencedor@gmail.com
 
95 
ESTUDOS COMPARATIVOS SOBRE A FIGURA DE JESUS NAS TRADIÇÕES 
ESSÊNIO-JUDAICA, CRISTÃ, ISLÂMICA E INDO-TIBETANA 
 
 
Angela Lano 
UFBa 
angela.lano@libero.it 
 
RESUMO: O trabalho apresenta uma análise introdutória sobre a figura 
de Jesus em um estudo comparativo entre as literaturas de diferentes 
civilizações e tradições - essênio-judaica, cristã, islâmica, indo-tibetana -
, na perspectiva de uma busca de confluências entre textos e 
ressaltando raízes culturais e filosóficas comuns. O objetivo, a partir da 
análise das suras (capítulos) do Alcorão sobre a vida, a missão e a 
“paixão” de Jesus-ʿĪsā, é a comparação com fontes externas ao Islã 
pertencentes a várias tradições filosóficas e literárias do Mediterrâneo, 
Oriente Próximo e Extremo, estimulando hipóteses sobre a existência de 
convergências culturais que podem chegar a um “ponto de partida” 
compartilhado: uma fonte ou tradição que pode ter-se tornado parte 
da redação final do Alcorão, por meio de histórias orais disseminadas na 
área siro-árabe graças ao intenso comércio e trocas entre caravanas 
na época do profeta Muhammad ou através do acesso dos primeiros 
muçulmanos a textos gnósticos ou de outras tradições. O método 
utilizadoé o comparativo e, quando possível, da análise sinóptica entre 
as abundantes fontes canônica e apócrifa, muçulmana, budista 
tibetana e hindu, e secular - incluída a pós-colonial e as várias “leituras 
alternativas” -, desde o primeiro século d.C. até os dias atuais, que 
contribuem para o debate entre diferentes visões e interpretações sobre 
a figura histórica de Jesus. O principal desafio científico é, precisamente, 
encontrar as fontes exógenas ao Islã na tradição de Jesus, 
documentando as contaminações e confluências culturais e religiosas 
na narração do Alcorão. A análise comparativa entre a tradição 
islâmica e evangelhos gnósticos e apócrifos (em particular, Tomé, Maria, 
Verdade e Filipe) e canônicos, e de algumas tradições indianas 
interessantes, pode levar a encontrar as fontes externas no Alcorão na 
sua narração sobre Jesus-ʿĪsā e talvez uma origem muito mais próxima e 
mais comum do que se acredita há século, porque todas as culturas são 
relacionadas entre si ou têm ancestrais comuns. É também possível que 
o pensamento filosófico-espiritual da antiga tradição essênia e gnóstica 
tenha sido preservado através do Islã... 
 
Palavras-chaves: Jesus; Islã; Alcorão; Oriente; Apócrifos. 
 
mailto:angela.lano@libero.it
 
96 
UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS REPRESENTAÇÕES DE JESUS NA PINTURA 
DO RENASCIMENTO E BARROCO ITALIANOS 
 
Fabiana Câmara Furtado 
UFPE 
fabiacf2@gmail.com 
 
RESUMO: Com o advento do Cristianismo, encontramos ao longo da 
história várias representações imagéticas de Jesus. Como todo texto, 
seja ele verbal ou não verbal, é produzido por um sujeito inserido em um 
determinado tempo e espaço, ele vai estar impregnado do contexto 
histórico e social que faz parte de uma determinada realidade. A partir 
dessa constatação, o presente trabalho tem como objetivo fazer uma 
análise comparativa das representações imagéticas de Jesus nas 
pinturas do Renascimento e do Barroco na Itália com a intenção de 
mostrar como o contexto histórico de cada um dos movimentos citados 
vai interferir na reprodução da figura de Cristo. O método utilizado será 
a pesquisa bibliográfica do contexto histórico tanto do movimento 
renascentista quanto do barroco e também a pesquisa bibliográfica 
das escolas artísticas citadas para que, dentro desse cotejamento, seja 
possível vir à tona as diferenças dessas concepções artísticas que, por 
serem fruto de um momento histórico, vão enfatizar os elementos mais 
importantes de cada estilo de época. Também será pontuado a 
importância de entendermos a diferença entre estilo de época e estilo 
individual, ou seja, a poética de cada artista, pois mesmo dentro de um 
movimento teremos trabalhos com concepções artísticas diferentes. 
Esperamos contribuir para que o estudo de Jesus nessas tendências 
artísticas seja o ponto de partida para outras análises de textos não 
verbais dos movimentos citados a fim de que seja possível reafirmar a 
importância dos estudos da história da arte para uma melhor 
compreensão de uma determinada sociedade, pois como foi dito 
anteriormente estudar as imbricações de um texto com sua época é 
também estudar as relações de um texto com outros textos. 
 
Palavras-chave: Renascimento; Barroco; pintura; Jesus Cristo. 
 
 
A REPRESENTAÇÃO DO SAGRADO E DO PROFANO NOS AFRESCOS 
MEDIEVAIS ITALIANOS: UMA ANÁLISE ICONOGRÁFICA 
 
Jefferson Vieira 
Facuminas 
jeffersonvieiraoficial321@gmail.com 
mailto:fabiacf2@gmail.com
mailto:jeffersonvieiraoficial321@gmail.com
 
97 
 
RESUMO: A palavra afresco deriva de "buona fresco” em italiano, e 
significa "boa nova". Esta técnica foi amplamente utilizada na arte 
medieval, renascentista e barroca. Trata-se de uma obra pictórica que 
consiste na pintura diretamente no revestimento, geralmente de gesso 
ou argamassa ainda frescos. De modo que os pigmentos solúveis em 
água penetram e se fundem ao revestimento, durante a sua secagem. 
Como exemplo, podemos citar a abóbada da Capela Sistina, 
localizada na cidade do atual Vaticano, pintada entre 1508 e 1512 pelo 
artista renascentista Michelangelo Buonarroti a pedido do papa Júlio II. 
A Itália foi berço do movimento renascentista e teve importante papel 
nesse período histórico, que foi marcado por manifestações artísticas e 
científicas que revolucionaram o pensamento da época. A 
compreensão acerca do sagrado e do profano construída na Idade 
Média se estende até nossos dias, e continua a ser estudada. O sagrado 
refere-se a uma estrutura da religiosidade. Espaços, objetos e símbolos 
que possuem significado especial para uma determinada religião e 
expressão da fé. Estão presentes na ritualística e são representados na 
escrita e nas artes. Já o profano é tudo que não é sagrado, a vida 
comum, os fatos e atos rotineiros. Pode representar também tudo o que 
transgride as regras sagradas e se torna contrário às coisas divinas. O 
renascimento surge como um movimento de renovação na cultura 
europeia. A pintura e a escultura deixam de estar a serviço do sagrado, 
adquirindo autonomia, distanciando-se dos temas religiosos e 
mesclando-se com aspectos profanos. Com este estudo pretende-se 
analisar as representações artísticas do sagrado e do profano nos 
afrescos renascentistas italianos por meio do método iconográfico de 
Erwin Panofsky. 
 
Palavras-chave: Iconografia; Renascimento; Afrescos. 
 
 
JOÃO BOSCO ARTISTA AOS ONZE ANOS DE IDADE 
 
Kenia Magalhães Gonçalves 
PUC Goiás 
keniamagg@hotmail.com 
 
RESUMO: A comunicação visa apresentar o menino João Bosco, aos 
onze anos de idade, com suas atividades artísticas, para atrair outras 
crianças ao Evangelho. O referencial teórico principal é a obra de 
Ferreira (2018), Memórias do Oratório de São Francisco de Sales. Nesse 
sentido, ainda na infância, Dom Bosco começou seus trabalhos para 
mailto:keniamagg@hotmail.com
 
98 
promover a evangelização da comunidade na qual estava inserido, em 
que baseando-se nos dogmas católicos, pregava para a salvação das 
almas. Sua metodologia central era pautada na evangelização por 
meio das brincadeiras de saltimbancos que realizava, em que, na busca 
pela aproximação com os jovens, intercalava a diversão e a alegria 
com a realização das práticas religiosas (rezar o terço, cantar). Nas 
atividades artísticas de João Bosco, o espetáculo consistia em andar, 
saltar, dançar sobre a corda, imitar andorinhas, andar sobre as mãos de 
pernas para o ar, engolir moedas e depois recobrá-las na ponta do nariz 
de um dos expectadores, enfim, a diversão era repleta e se despedia 
com o convite para rezar a Ave-Maria. Entretanto, os que não 
participavam desses momentos religiosos, consequentemente, também 
eram excluídos das atividades recreativas. Dessa forma, através da 
associação de brincadeiras e o Evangelho de Jesus Cristo, Dom Bosco 
atraiu as pessoas para seguirem o catolicismo e a palavra de Deus. 
Segundo o Evangelho de Mateus 19:14, Jesus disse: “deixai as crianças 
e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus”. Portanto, 
a vontade de servir a Deus, fazia com que Dom Bosco, ainda criança, 
seguisse o ensinamento de Jesus e procurasse aprender coisas 
fantásticas, utilizando-as para tentar despertar nas pessoas a vontade e 
o desejo de ouvir a palavra de Deus, de maneira didática ao camponês 
com sua arte e a sua cultura local. Até podia haver apresentações de 
vários outros artistas nas feiras e nas praças, mas o Joãozinho Bosco 
apresentou algo a mais para as pessoas, a Bíblia de maneira teatral, 
culminando no laço afetivo entre a comunidade e a Igreja, tornando-
se assim, pelo Papa João Paulo II, o Pai e Mestre da Juventude. 
 
Palavras-chave: Dom Bosco; Criança; Teatro bíblico. 
 
 
AS IMAGENS NA CRUZ: UMA ANÁLISE DAS IMAGENS DO CRUCIFICADO 
DO CONVENTO E IGREJA DE SANTO ANTÔNIO DA PARAÍBA 
 
Cristiano Amarante da Silva 
UFPB 
 
RESUMO: Os conventos franciscanos construídos no Brasiltêm uma 
imensurável riqueza no tocante à produção de arte e da cultura. São 
talhas, cantaria, pinturas, imagens de terracota, pedra e madeira, e não 
podemos esquecer o rico acervo de azulejo existentes em seus muros e 
nas paredes internas. Entre tantas casas construídas desde 1585 pela 
Ordem dos Frades Menores da Província de Santo Antônio do Brasil, 
voltamos nosso olhar e análise para as imagens do crucificado existentes 
 
99 
no Convento e Igreja de Santo Antônio da Paraíba. Partiremos do 
contexto histórico, passando pelos aspectos devocionais, bem como 
uma abordagem voltada para compreensão e contexto artístico 
existente em cada imagem. Em tempos de tanta penúria e desespero 
de muitos, o Cristo da Cruz toca ainda a vida das pessoas que se 
identificam com as suas expressões de sofrimento, por muitas vezes 
estarem passando por situações semelhantes, as que expressam as 
imagens. Inspirados pela teoria do imaginário de Gilbert Durant, 
realizaremos nossas análises possibilitando assim uma compreensão das 
contribuições das respectivas obras na vida das pessoas que as 
contemplam ao visitar o monumento onde elas se encontram. 
Utilizando-se de autores a exemplo de Germain Bazin, Frei Willeke, 
Alexandre Carvalho, Manuel da Ilha, Frei Antônio de Santa Maria 
Jaboatão e o livro dos Guardiães do Convento de Santo Antônio da 
Paraíba, tentaremos expor o contexto em que surgiram as obras e seus 
impactos na fé das pessoas que as produziram. Não podemos esquecer 
de trazer o sentido cristológico, por se tratar de um artigo que além da 
arte, busca ligar o Cristo da história com o Cristo da Fé, tão presente na 
vida do povo. 
 
Palavras-chave: Arte; Cultura; Pinturas; Estilo; Imaginário. 
 
 
A PAIXÃO DE CRISTO DE NOVA JERUSALÉM: UMA MANIFESTAÇÃO 
ARTÍSTICA E CULTURAL SOBRE JESUS DE NAZARÉ 
 
Lucas Costa Monteiro 
UNICAP 
lcmveritate@gmail.com 
 
RESUMO: Há mais dois milênios a pessoa de Jesus de Nazaré influencia e 
apaixona pessoas que conhecem sua história e fazem a experiência 
religiosa buscando imitá-lo seguindo seus ensinamentos. Não obstante, 
a arte cênica, utilizada no Ocidente pela cultura grega foi e ainda é 
uma ferramenta fundamental adotada no decorrer da história pela 
cultura cristã. O desejo de difundir o evento dramático de Jesus, iniciado 
na Europa, foi trazido ao Brasil no período da colonização. Passando-se 
os anos, a encenação dos dramas do Calvário, na região da Baviera foi 
inspiração para que fosse iniciado no Nordeste brasileiro pela família 
Mendonça desde a década de 1950 com o intuito de atrair turistas e 
movimentar o comércio do lugar. Esta encenação, considerada o maior 
teatro ao ar livre do mundo, é realizada anualmente no período da 
Semana Santa com atores famosos e atrai milhares de turistas de 
mailto:lcmveritate@gmail.com
 
100 
diversos lugares do Brasil e do mundo na cidade-teatro Nova Jerusalém, 
numa área de 100 mil metros quadrados, localizada na cidade de Brejo 
da Madre de Deus, a 202 km do Recife, Pernambuco. São mais de 45 
apresentações teatrais que ocorreram. O presente trabalho tem como 
objetivos mostrar o cenário construído e a paisagem geográfica do 
local, bem como a manifestação artística religiosa sobre a pessoa de 
Jesus, especificamente sua paixão, morte e ressurreição iniciado no 
Agreste Pernambucano e que hoje é reconhecida mundialmente. Em 
seguida é pretendido explicitar os efeitos religiosos e socioeconômicos 
(investimentos, comércio, artesanato, turismo, transporte) desta difusão 
artística na cultura local do povo pernambucano. 
 
Palavras-chave: Encenação; Nova Jerusalém; Artes; Religião. 
 
 
UMA IMAGEM CERTA DE JESUS PARA AS HORAS INCERTAS: O USO DO 
HUMOR COMO CRÍTICA SOCIAL E RELIGIOSA 
 
Luciene Lima Gonçalves 
UNICAP 
lucienelima324@gmail.com 
 
RESUMO: A figura de Jesus sempre foi representada nas artes em geral. 
A igreja cristã oriental e ocidental tem explorado em diversas áreas as 
representações de sua figura central, Jesus Cristo. No Oriente, a 
iconografia representa Jesus sozinho, inserido no seio da Trindade, junto 
com sua mãe Maria e em sua relação com a igreja. No Ocidente, a 
tradição cristã possui uma variedade enorme de representações de 
Jesus em esculturas e pinturas nas catedrais. O cinema também não 
ficou de fora do uso da imagem de Jesus. Alguns filmes utilizaram sua 
história para suas grandes produções visuais. Cada uma dessas 
representações da figura de Jesus reflete um tempo específico e seus 
condicionamentos sociais. No Brasil a crítica social por meio do humor 
remonta ao período do império. Nos jornais da época havia sátiras ao 
clero e aos políticos. O uso da imagem de Jesus e a crítica ao 
comportamento de seus fieis religiosos também foi bastante difundida 
nesse período. O uso da imagem de Jesus depende em grande medida 
da denominação cristã, na qual a imagem de Jesus se molda às 
necessidades de seus fiéis. A proposta desta comunicação é analisar 
um esquete de um canal de humor do youtube e como ele apresenta 
várias figuras de Jesus de acordo com a utilização de algumas 
denominações. Pretende-se observar o humor como critério 
hermenêutico dentro das Ciências da Religião. 
mailto:lucienelima324@gmail.com
 
101 
 
Palavras-chave: Figura; Arte; Humor; Religião; Sociedade. 
 
 
O JESUS DA GENTE: O SAGRADO NOS DESFILES DAS ESCOLAS DE SAMBA E 
A CULPABILIZAÇÃO PELA PANDEMIA DE COVID-19 
 
Rafael Otávio Dias Rezende 
UFJF 
rafaelodr@yahoo.com.br 
 
Rosiléa Archanjo de Almeida 
UFJF 
rosileaarchanjo@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Em fevereiro de 2021, com o cancelamento oficial do carnaval 
brasileiro devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19), circulou 
na internet uma série de ataques às escolas de samba do Rio de Janeiro 
e de São Paulo. Nessas mensagens, essas instituições eram 
culpabilizadas pelo panorama nacional, por terem supostamente 
zombado da fé cristã e ofendido a Deus em apresentações recentes, 
em especial, na comissão de frente da Gaviões da Fiel, em 2019, e no 
enredo da Estação Primeira de Mangueira, em 2020. Amplamente 
difundidas por grupos conservadores, tais críticas retomam a polêmica 
do uso de imagens religiosas em desfiles, assunto que teve como marco 
a escultura do Cristo Mendigo censurado no desfile da Beija-Flor de 
Nilópolis em 1989. Diante da repercussão que essas imagens e textos 
obtiveram, o artigo se propõe investigar quais os argumentos utilizados 
para a acusação do carnaval como causador não apenas da 
pandemia, mas também de outros “problemas” brasileiros e quais 
representações de Jesus foram elaboradas pelas escolas de samba nos 
desfiles analisados. Através do Estudo de Caso (YIN, 2001), pretende-se 
observar como essas imagens e textos foram inseridos em um conflituoso 
cenário de disputas ideológicas e de narrativas sobre a fé cristã. A 
hipótese é que tal ação tem o intuito de atender a interesses de poder, 
visando mobilizar fiéis e eleitores a partir da distorção dos enredos 
propostos pelas agremiações. Por se tratar da relação entre religião, 
redes sociais e o espetáculo midiático carnavalesco, a pesquisa se 
mostra oportuna ao ST “Jesus nas artes e nas culturas” proposto neste 
congresso “Religião, Arte e Cultura: Multiplicidades Convergentes”. 
 
Palavras-chave: Carnaval; Escolas de samba; Jesus Cristo; 
conservadorismo; Espetáculo artístico. 
mailto:rafaelodr@yahoo.com.br
mailto:rosileaarchanjo@yahoo.com.br
 
102 
DOM HELDER CAMARA E O CARNAVAL: ENTRE FOLIÕES E FARISEUS 
 
Filipe Francisco Neves Domingues da Silva 
UNICAP 
filipendomingues@gmail.com 
 
RESUMO: “O Carnaval é a alegria popular” afirmou Dom Helder Camara 
(1909 – 1999) em 01 de fevereiro de 1975 em famosa e ainda hoje citada 
crônica radiofônica “Um olhar sobre a cidade” na Rádio Olinda AM 
orientando como Bom Pastor seu rebanho: “Carnaval é a alegria 
popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias queainda sobram para a 
minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa 
mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou 
farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais 
santo por não brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha 
gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, 
mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!” 
Estas palavras do Dom como era carinhosamente chamado pelos mais 
próximos, passado quase meio século, surpreendem muitos cristãos por 
sua coragem de não apenas liberar seu rebanho para brincar o 
Carnaval mas convocar a brincar: “Brinque, meu povo querido!”. O 
Carnaval é um fenômeno complexo, como afirma o compositor André 
Mussalem: “Carnaval é um existir coletivo. É o fim dos ritos de 
normalidade para deixar acontecer quem deveríamos ter sido e não 
fomos.”. Neste existir na coletividade este povo tão sofrido no olhar de 
Dom Helder nestes poucos instantes eram tomados por alguma fantasia 
para tudo recomeçar na “quarta-feira ingrata que chega tão depressa 
só pra contrariar” como diz o frevo de Luiz Bandeira É de fazer chorar. 
Em tempos de mídias digitais a imagem de Dom Helder com os braços 
abertos com os dizeres de defesa do Carnaval virou meme largamente 
compartilhado por cristão e não cristãos amantes do curto reinado de 
Momo para fúria de grupos cristãos mais ortodoxos que associam o 
Carnaval ao demônio, ao pecado e consequentemente ao inferno, 
talvez por se julgarem mais santos por não participarem da alegria do 
povo. Para o Dom a música popular tem um poder incomensurável, na 
sua obra O Deserto é fértil ele afirma: “a música popular tem mais 
penetração do que tratados científicos, fortemente documentados. O 
que o povo canta se grava na inteligência e na imaginação de quem 
canta e de quem ouve.”. Bem sabemos que as músicas carnavalescas 
servem para esbanjamento de alegria, mas também para fortes sátiras 
de ordem político-social. 
 
Palavras-chave: História; Cultura; Igreja; Política. 
mailto:filipendomingues@gmail.com
 
103 
JESUS NA ARTE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA 
 
João Luiz Correia Júnior 
UNICAP 
joao.correia@unicap.br 
 
RESUMO: Dom Helder Camara (1909 – 1999) tinha um excelente veio 
poético, o que é constatado em inúmeros de seus escritos, elaborados 
com requintes estéticos por meio de palavras bem escolhidas, em prosa 
(expressão natural da linguagem) ou em verso (poema). Seus textos 
exalam o suave perfume de profunda experiência mística cristã na qual 
ele vivia imerso. O objetivo desta comunicação é apresentar alguns 
desses textos que ressaltam a experiência mística de Dom Helder com 
Jesus, o Cristo dos Evangelhos e da tradição teológica da Igreja 
Católica. Os escritos destacados são amostras colhidas, em sua grande 
parte, das páginas da Coleção Obras Completas de Dom Helder 
Camara, que contêm as suas famosas Cartas Circulares, publicadas 
pelo CEPE – Companhia Editora de Pernambuco. Esses textos são 
analisados em seus aspectos literários e teológicos, situando-os no 
contexto em que surgiram. Os resultados apontam para a beleza 
poética dos escritos em referência a Jesus, bem como para a 
constatação de que a arte literária é uma excelente forma de 
expressão da experiência mística. Os textos de Dom Helder, escritos 
durante suas vigílias de oração no silêncio da noite, oportunizam singela 
aproximação de sua experiência com o Cristo da fé. Revelam um Jesus 
compassivo e solidário, que “carrega nos olhos” e “guarda nos ouvidos” 
as cenas e lamentações e o clamor de quem não tem o que comer, 
conforme os relatos dos Evangelhos. Interpelado pelo contexto de 
miséria e fome do povo da Arquidiocese de Olinda e Recife, o pastor 
Dom Helder se sente impulsionado a recomeçar os milagres de Jesus, 
movido de compaixão pelas pessoas empobrecidas, numa referência 
ao sentimento de Jesus ao ver as multidões: “Assim que desembarcou, 
viu uma grande multidão e ficou tomado de compaixão por eles, pois 
estavam como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34a). Ainda hoje, os escritos 
poéticos do Dom (como era carinhosamente chamado pelas pessoas 
mais próximas do seu convívio), fruto de sua experiência mística com 
Jesus, diante do Deus de Jesus, questionam a inércia do discipulado 
cristão diante do drama humano da miséria e da fome de milhões de 
seres humanos. Como bem ressaltou Dom Helder: “Cristo, no 
Julgamento Final, disse e continuará dizendo: Eu tive sede... Eu estava 
nu... Eu estava doente... Eu estava preso... Eu era estrangeiro. Cada uma 
dessas afirmações do Mestre cria para nós obrigações sagradas: nossa 
mailto:joao.correia@unicap.br
 
104 
sorte vai depender de nossa atitude diante do estrangeiro, do preso, do 
doente, do maltrapilho, do faminto”. 
 
Palavras-chave: Evangelho; Teologia; Mística; Espiritualidade; Cultura. 
 
 
JESUS E SUA RELAÇÃO MULTICULTURAL - UMA ABORDAGEM REFLEXIVA DA 
INFLUÊNCIA DE JESUS NO CASAMENTO 
 
Aleandro Correia da Silva Lira 
UNICAP 
Aleandro2022601016@unicap.br 
 
RESUMO: O conjunto de saberes, valores, tradições, costumes, danças, 
folclore e tantas outras coisas que passadas de geração para geração 
consolida a cultura de um povo também fazia parte da vida de Jesus. É 
fato que depois dele, muita coisa em sua cultura mudou, e sabemos 
que ele foi um dos agentes dessa mudança. Jesus era uma figura 
envolvida com a arte, e com a cultura, não apenas aquela relacionada 
com seu próprio povo, mas da cultura romana e grega que se cruzavam 
em seu recorte histórico. Jesus era um personagem que estava envolto 
no multiculturalismo, e isso não o afastava da religião, o que 
proporcionava para ele uma socialização e empatia com o povo, a 
ponto de sua vida ser objeto de estudo, desde os seus dias, até os 
nossos, além de se expandir para fronteiras fora do judaísmo, sendo 
levada para os lugares mais longínquos do nosso planeta. Os objetivos 
desse artigo, serão de compreender como Jesus transitava na cultural 
de sua época, em especial o casamento que inclui a religião. Observar 
sua capacidade marcante de influenciar para o mantenimento da 
cultura do casamento em seu contexto, apresentando um caso 
específico em que o homem Jesus, interagiu diretamente com a arte e 
a cultura de sua época e região mantendo firme sua religiosidade. O 
Método utilizado, será uma revisão sistemática e biográfica de Jesus, em 
um momento cultural extremamente importante de seu povo, e de 
todos os povos do mundo: “O casamento”, encontrado no evangelho 
de João 2:1-11, e sendo referenciado em outros lugares nos evangelhos 
de Mateus, Marcos e Lucas como o aspecto transcendental de relação 
entre as pessoas (humano) e a divindade. O resultado que queremos 
alcançar, é a manifestação do aspecto cultural, artístico e sacramental 
do casamento abordado por Jesus, trazendo visibilidade do seu papel 
histórico vivido pelas pessoas do seu tempo. Em paralelo ao contexto 
social, cultural e religioso de Jesus, havia outros povos que tratavam o 
casamento como uma prática vivida de expressão milenar de 
mailto:Aleandro2022601016@unicap.br
 
105 
consolidação da sociedade. Ver o Jesus cultural se relacionando com 
algo tão comum, mostra sua real empatia em tornar público seu papel 
sociointeracionista. Sua voz e legado no cristianismo, tornou impactante 
o significado de ser e estar casado. A Conclusão desse trabalho se dá 
em perceber as implicações sociais que o casamento tem, e que foi 
ensinado e partilhado por Jesus em uma cultura que caminhava ao 
lado da religião. 
 
Palavras-chave: Casamento; Religiosidade; Religião; Sociedade. 
 
 
RAFAEL E A TRANSFIGURAÇÃO: MORTE E VIDA DUELAM ENTRE SI 
 
Mariosan de Sousa Marques 
PUC Goiás 
mariosansousa@hotmail.com 
 
RESUMO: O grande pintor Rafael, nos últimos dois anos de sua vida, 
registrou numa única tela duas cenas do Evangelho de Marcosem seu 
capítulo 9: a transfiguração de Jesus com três apóstolos no monte e a 
tentativa falida dos outros nove apóstolos em curar um 
epilético/endemoniado. Essa junção imagética de dois episódios num 
só revela uma intuição teológica do pintor: vida e morte, transfiguração 
e desfiguração fazem parte da experiência do fé cotidiana dos crentes. 
O rapaz, enfermo, desfigurado, traz os braços em forma de cruz e é o 
único com o olhar dirigido para o alto, na direção do Transfigurado. A 
Vida em plenitude é figurada no alto, onde está o centro da luz. 
Embaixo, permeia a sombra que deve ser dissipada. Mas há um 
caminho ascendente: há um livro (livro da Escritura, Evangelho?), sob o 
qual jaz?? uma cruz, na mão de um personagem, atrás do qual há 
outros dois com as mãos que se erguem até apontar na direção do 
Transfigurado. Todavia, no centro da cena em baixo, há uma mulher, a 
personagem mais iluminada, com a mesma luz da Transfiguração. Nossa 
hipótese é que se trata de Madalena, a mulher que experimentou o 
encontro com o Ressuscitado e se torna símbolo da Fé, cujo olhar 
contrasta diretamente ao personagem de vermelho que aponta para 
o Transfigurado. Ela traz a duas mãos apontadas para o rapaz enfermo: 
não basta só apontar e anunciar a Ressurreição. É preciso lidar com as 
sombras da morte. Metodologicamente, a análise dos personagens da 
cena do quadro consolida um empasto de vida e morte experimentada 
pelo próprio pintor nos últimos anos de sua vida, o qual teve diante dos 
seus olhos, no leito de morte, o quadro que pintou. A conclusão é que a 
fé na ressurreição e na vida eterna (transcendência) não pode se tornar 
mailto:mariosansousa@hotmail.com
 
106 
um subterfúgio para não combater as realidades de morte (imanência), 
mas é um dinamismo catalizador da transformação do mundo. 
 
Palavras-chaves: Rafael; Transfiguração de Jesus; Vida e morte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
 
ST 10 – FILOSOFIA DA RELIGIÃO 
 
Felipe de Queiroz Souto 
UFJF 
felipeqsouto@gmail.com 
 
 Luís Gabriel Provinciatto 
PUC-Campinas 
luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br 
 
Presley Henrique Martins 
UFJFd 
presley.hmartins@gmail.com 
 
 Renato Kirchner 
PUC Campinas 
renatokirchner@puc-campinas.edu.br 
 
A filosofia da religião, como disciplina do cânone filosófico, é, histórica 
e sistematicamente, um produto da modernidade, o que não significa 
que a Antiguidade Clássica e o pensamento cristão, antigo e medieval, 
não tenham dirigido perguntas e produzido reflexões sobre a “religião” 
e àquilo que com ela está vinculado. A filosofia da religião, no entanto, 
não pode ser entendida como a mera identificação e explicação das 
características “racionais” do fenômeno religioso, como se ela buscasse 
reduzi-lo a um fator não-religioso, negando sua originariedade; 
tampouco ela pode ser vista como uma disciplina única e 
exclusivamente a serviço da fé religiosa. A filosofia da religião deve 
assumir uma posição crítica, demonstrada pela não redução de seu 
tema de investigação a modelos previamente fixados conceitual e/ou 
metodologicamente. A abordagem filosófica da religião pretende 
recolher aquilo que tal fenômeno é de maneira propriamente dita, 
mailto:felipeqsouto@gmail.com
mailto:luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br
mailto:presley.hmartins@gmail.com
mailto:renatokirchner@puc-campinas.edu.br
 
108 
perguntando pelo que ele é, por como se manifesta, quais suas 
características, com o que está vinculado etc. A partir disso, é possível 
chegar a um conjunto de problemas, tais como a concepção de Deus, 
a relação fé-razão, o futuro da religião, sua relação com a política e 
abordá-los a partir de diferentes chaves de leitura – histórico-crítica, 
fenomenológica, hermenêutica, analítica, psicológica, dentre outras. 
Por isso, a ST “Filosofia da Religião” abre espaço para acolher 
investigações de cunho filosófico sobre as questões relativas à religião; 
investigações que, porventura, podem ser provenientes de diferentes 
áreas do conhecimento, tais como a Filosofia, as Ciências da Religião e 
a Teologia. 
 
 
A APROPRIAÇÃO DE VAN DER LEEUW DAS IDEIAS E CONCEITOS DE 
WILHELM DILTHEY E MARTIN HEIDEGGER EM SUA FENOMENOLOGIA DA 
RELIGIÃO 
 
Renato Kirchner 
PUC Campinas 
renatokirchner00@gmail.com 
 
O propósito da comunicação sob este título procura evidenciar de que 
maneira Gerardus van der Leeuw (1890-1950) cita e se apropria das 
ideias e conceitos de Wilhelm Dilthey (1833-1911) e de Martin Heidegger 
(1889-1976). Embora o conjunto literário do fenomenólogo holandês seja 
ampla e diversa, nossa atenção volta-se para o livro Fenomenologia da 
religião, obra que conheceu quatro diferentes elaborações em 
holandês, alemão e francês. E, de forma ainda mais precisa, tendo 
como ponto de partida e de chegada o “§ 109. Fenômeno e 
fenomenologia” da obra mencionada, onde o autor desenvolve seu 
modo de proceder investigativo enquanto fenomenólogo da religião, 
nosso objetivo será duplo: a) de um lado, identificar os diferentes e 
diversos autores e respectivas obras que dão sustentação à sua 
abordagem metodológica e epistemológica; b) de outro lado, 
conforme já indicado, demonstrar que o autor volta sua atenção para 
passagens específicas do livro A construção do mundo histórico nas 
ciências humanas (Der Aufbau der geschichtlichen Welt in den 
Geisteswissenschaften), de W. Dilthey e, também, do tratado Ser e 
tempo (Sein und Zeit), de M. Heidegger. Como seria de se esperar, sendo 
uma parte muito específica e mesmo decisiva do livro Fenomenologia 
da religião denominada Epilegômenos – onde o autor elabora seu 
modo próprio de entender e operar fenomenologicamente – trata-se 
de apresentar e explicitar particularmente os conceitos de “vivência” e 
mailto:renatokirchner00@gmail.com
 
109 
“compreensão”, de Dilthey, e de “fenômeno” e “fenomenologia”, de 
Heidegger. 
 
Palavras-chave: Vivência; Compreensão; Fenomenologia; Dilthey; 
Heidegger. 
 
 
O QUÊ FOUCAULT SABIA SOBRE O PASTORADO HEBREU? 
CONTRIBUIÇÕES DA TEOLOGIA BÍBLICA PARA UMA ARTICULAÇÃO 
FILOSÓFICA 
 
Pedro Lucas Dulci 
UFG 
pedrolucas.dulci@gmail.com 
 
RESUMO: A partir de 1970 as leituras a respeito do cristianismo feitas pelo 
filósofo francês Michel Foucault cumpriam o papel de lhe auxiliá-lo no 
desenvolvimento de instrumentos analíticos para explicar como as 
condutas individuais e coletivas foram conduzidas no Ocidente 
moderno. A sua interpretação do moderno homem de desejo e 
afetividade passa, incontornavelmente, por uma compreensão das 
raízes da racionalidade de governo — ou o que ele chamou de 
governamentalidade. Paulatinamente o cristianismo foi assumindo 
lugares cada vez maiores no horizonte foucaultiano para explicar quais 
poderes, saberes e tecnologias de si, ainda que antigos, estavam em 
operação no contemporâneo. Justamente no interior dessas práticas de 
poder e seus dispositivos, Foucault sugere a possibilidade de analisar 
uma mecânica do poder que, apensar de menos discutida, ele acredita 
ser fundamental para compreender os processos de aprofundamento 
das identidades individuais nas sociedades modernas. Trata-se do poder 
pastoral. A temática do pastorado foi objeto do filósofo francês em 
algumas aulas do curso Segurança, Território e População (1977-1978), 
bem como de duas conferências que ele proferiu em 10 e 16 de outubro 
de 1979 em Vermont, intitulada Omnes et Singulatim: uma crítica da 
razão política. Para Foucault, era possível sistematizar o contraste entre 
o ofício pastoral no pensamento hebreu e a compreensão da política 
grega por meio de quatro marcas fundamentais. A quais sejam: no 
pensamento hebreu, (1) o pastor exerce o poder sobre um rebanho, 
não sobre uma terra; (2) o pastor reúne, guia e conduz seu rebanho; (3) 
o pastor garante a salvação de seu rebanho;e (4) o pastor faz tudo 
voltado para o bem de seu rebanho. Entender cada uma dessas 
marcas é fundamental para, em seguida, tomarmos consciência das 
modificações que o cristianismo operou nesse ofício pastoral. Mais do 
mailto:pedrolucas.dulci@gmail.com
 
110 
que isso, a presente comunicação procura saber se Foucault realmente 
nos apresentou uma imagem coerente do poder pastoral entre os 
hebreus. Para empreendermos essa leitura crítica dos pressupostos 
foucaultianos sobre o poder pastoral hebreu, vamos nos valer de um 
diálogo com a obra de Kenneth E. Bailey. Além de ter se debruçado em 
construir uma minuciosa investigação sobre a imagem do “bom pastor” 
ao longo do Antigo e do Novo Testamento, Bailey tem a a vantagem 
adicional de ter passado mais de quarenta anos vivendo e ensinando 
em seminários teológicos no Egito, Líbano, Jerusalém e Chipre. Tal 
especificidade fez com que o autor dispusesse de amplo acesso à 
fontes e comentários do texto bíblico em idiomas pouco convencionais 
para os estudiosos ocidentais — fazendo com que ele se destacasse 
como um conhecedor privilegiado das nuances do Antigo Oriente 
Próximo. 
 
Palavras-chave: Poder pastoral; Bíblica hebraica; Teologia bíblica; 
Foucault; 
 
 
UMA TENTATIVA DE COMPREENSÃO DA ABORDAGEM AGOSTINIANA 
SOBRE A MORAL E O PROBLEMA DO MAL 
 
James Vasconcellos Mesquita 
PUC Goiás 
jamesmsqt@gmail.com 
 
RESUMO: A relação entre a condição moral e a origem do mal é 
extremamente íntima. Os filósofos gregos pré-socráticos e, mormente, os 
clássicos se detiveram longamente na reflexão desse tema polêmico a 
ponto de produzirem uma literatura vastíssima. Essa problemática 
aparentemente insolúvel atravessou os séculos desde então sem ter 
encontrado uma resposta que solucionasse os debates e desse um 
ponto final nesse assunto. O Cristianismo entrou na discussão para 
apresentar uma versão alternativa a partir de uma percepção 
interpretativa diferente. O porta-voz oficial do problema “moral versus 
mal” foi Santo Agostinho, o qual se apropriou de alguns pontos 
platônicos para o desenvolvimento da sua visão. Esta pesquisa tem por 
objetivo retomar a contribuição da filosofia metafísica agostiniana, 
valendo-se das interpretações de alguns comentadores as quais serão 
compiladas para melhor absorção e melhor averiguação por parte do 
espectador. Com isso, pretende-se trazer ao conhecimento dos atuais 
interessados na questão moral, os quais se incomodam com o mal que 
grassa nas plagas sociais em todos os níveis, a proposta do pensamento 
mailto:jamesmsqt@gmail.com
 
111 
filosófico-cristão que, por sua vez, exime-se, propositadamente, da 
ingenuidade costumeiramente constatada na religião, mas que não 
exclui o elemento da esperança da hegemonia do Bem sobre o Mal. 
 
Palavras-chave: Agostinho; Bem; Cristianismo; Mal; Moral. 
 
 
A CRENÇA CRISTÃ E O PROBLEMA DO AVAL EM ALVIN PLANTINGA 
 
Wellington Carvalho de Macedo 
PUC RS 
wellingtoncmacedo@hotmail.com 
 
RESUMO: O presente artigo aborda o tema do aval em relação a crença 
cristã na filosofia de Alvin Plantinga. O objetivo do texto é apresentar a 
relevância do tema para a epistemologia da religião e descrever como 
o filósofo apresenta seu modelo de aval como condição de 
possibilidade para que os conteúdos universais da crença cristã possam 
ser tomados como conhecimento. No primeiro capítulo, apresentamos 
os dois conjuntos de objeções à crença cristã tratados por Plantinga dos 
quais as críticas feitas por Freud e Marx se destacam com maior grau de 
relevância. No segundo capítulo, descrevemos os elementos 
fundamentais do Modelo A/C, apresentado por Plantinga como 
condição de possibilidade para que uma crença tenha aval e, por 
conseguinte, possa ser conhecimento. Por fim, no terceiro capítulo, 
tratamos sobre como Plantinga estende seu modelo avalizador aos 
conteúdos universais da crença cristã e em que medida o filósofo 
defende que esses mesmos conteúdos são epistemicamente 
avalizados. Ao estudarmos a relação entre crença cristã e aval, 
desejamos evitar uma visão superficial e fundamentalista do cristianismo 
na contemporaneidade. É inegável o impacto da cosmovisão cristã na 
formação da humanidade ocidental, inclusive no seu desenvolvimento 
filosófico e científico. Diante de um cenário atual de crise, é importante 
saber se tal humanidade foi se desenvolvendo a partir de um autêntico 
e sincero conhecimento da fé, ou a partir de uma superstição religiosa. 
Nesse contexto, com Plantinga, buscamos um conjunto argumentativo 
filosófico que evidencie a credibilidade da crença cristã como um tipo 
especial de conhecimento. Ao ser avalizada, a crença cristã dispõe de 
autoridade epistêmica, e não meramente ‘doutrinal’, ao propor suas 
utopias, antropológicas e sociais, como caminhos eficientes para a 
felicidade, como por exemplo, a vida moral reta, a fraternidade, a 
cooperação, a conversão, o sacrifício, a caridade, etc. Não se trata de 
propor o cristianismo como a forma suprema do conhecimento pela fé, 
mailto:wellingtoncmacedo@hotmail.com
 
112 
mas de assegurar-lhe sua credibilidade própria. Acreditamos que as 
análises propostas por Plantinga colaboram no aprofundamento da 
compreensão da crença cristã de tal modo a se resgatar inclusive a 
essência do cristianismo que a é a busca sincera pela verdade. 
 
Palavras-chaves: Plantinga; Aval; Justificação; Modelo A/C. 
 
 
LEVINAS E A RECUSA À TEODICEIA 
 
Fabiano Victor Campos 
PUC Minas 
fvocampos@pucminas.br 
 
Luiz Fernando Pires Dias 
PUC Minas 
l.ferna2805@gmail.com 
 
RESUMO: O escândalo do mal nunca cessou de inquietar a consciência 
humana, constituindo um relevante obstáculo à crença em Deus e à 
sua representação. Diversos sentidos foram conferidos a esse problema 
no transcurso histórico, sobretudo através das teodiceias, das quais 
temos exemplos já no Antigo Testamento, com as explicações dos 
percalços sofridos pelo povo judeu no exílio, embora a criação do 
vocábulo seja atribuída a Leibniz, em obra de 1710. Trata-se de uma 
questão que ainda hoje provoca debates e um dos consideráveis 
desafios a essa temática diz respeito ao fato de o mal ser indissociável 
do sofrimento por ele causado e das ações humanas que, de forma 
irresponsável ou criminosa, estejam a ele, porventura, entrelaçadas. A 
presente comunicação pretende abordar esse tema no pensamento 
de Emmanuel Levinas, filósofo lituano-francês que ajuizou como 
inadmissíveis as justificações racionais frente aos terríveis 
acontecimentos do Século XX, marcados por duas Guerras Mundiais e, 
sobretudo, por genocídios sem precedentes, dentre os quais Auschwitz 
se destaca como o símbolo maior da barbárie humana. Certa reflexão 
sobre o mal está presente, mesmo que de forma implícita, em toda obra 
levinasiana, no entanto, analisaremos a questão priorizando os textos 
que Levinas consagrou diretamente ao tema, que são: Transcendance 
et mal e La souffrance inutile. Nesses artigos, Levinas, na contracorrente 
da lógica das teodiceias, posicionou o mal no campo da ação 
humana, em relação ao qual a oposição é eticamente obrigatória, 
pensando a subjetividade em um horizonte ético assimétrico, no qual o 
mailto:fvocampos@pucminas.br
mailto:l.ferna2805@gmail.com
 
113 
homem é responsável não só por si próprio, mas também, de forma 
absoluta e irremissível pelo seu semelhante. 
 
Palavras-chave: Deus; Ética; Mal; Levinas; Teodiceia. 
 
 
TEOLOGIA, LINGUAGEM E POESIA: UMA LEITURA A PARTIR DE MARTIN 
HEIDEGGER 
 
Luís Gabriel Provinciatto 
PUC Campinas 
luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br 
 
RESUMO: O presente trabalho parte da relação entre teologia e 
linguagem explicitada na proposta de um pensar e dizer não-
objetivantes na teologia que se encontra indicado no Apêndice (1964) 
da conferência Fenomenologia e teologia (1927) do filósofo alemão 
Martin Heidegger (1889-1976). Assumindo tal Apêndicecomo ponto de 
partida teórico-bibliográfico, objetiva-se compreender como aí está 
articulada a relação entre teologia e linguagem, como é possível 
sustentá-la e caracterizá-la, uma vez que, ao comparar o texto da 
conferência propriamente dita com o de seu apêndice, não se nota 
uma univocidade a respeito do sentido do que é teologia, 
consequentemente, também não se nota uma univocidade em sua 
relação com a linguagem. Isso permitirá que se levante e se argumente 
a favor da hipótese de que “teologia”, em 1927, diz respeito à ciência 
positiva da fé, ao passo que, em 1964, ela estaria mais próxima de um 
dizer o sagrado, anunciado especificamente pela voz e pela letra do 
poeta, que “nomeia o sagrado”, como propõe Heidegger em seu 
Posfácio a “O que é metafísica?” (1943). De tal forma, uma adequada 
compreensão da relação entre teologia e linguagem, a partir do 
recorte epistemológico indicado, reivindica que se entenda o porquê 
de o poeta, logo, de a linguagem poética ser convocada para dizer o 
sagrado, o que já pode ser entendido a partir da segunda parte das 
preleções Os hinos de Hölderlin: “Germânia” e “O Reno” (1934/1935), 
que, por isso, encontra-se implicada no supracitado Apêndice. Por fim, 
após entender essa relação entre teologia, linguagem e poesia, poder-
se-á aventar a possibilidade de afirmar, a partir de Heidegger, uma teo-
poética como superação de uma pensar e dizer teo-lógico. 
 
Palavras-chave: Teologia; Teopoética; Sagrado; Heidegger; Hölderlin. 
 
 
mailto:luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br
 
114 
A POSSIBILIDADE DO ESCÂNDALO: A COMPREENSÃO DO “SER” E DO 
“TORNAR-SE” CRISTÃO NO LIMIAR DE DUAS REALIDADES, A IGREJA 
TRIUNFANTE E A IGREJA MILITANTE 
 
Adenilton Moisés da Silva 
UNICAP 
 adenilton.silva80@gmail.com 
 
A análise filosófico-existencialista kierkegaardiana do fenômeno 
religioso, parte da interrogação que surge no interior do próprio 
cristianismo. Pode o cristianismo como está dado, na Dinamarca do 
século XIX, converte-se, isto é, tornar-se autêntico conforme o proposto 
pelo Cristianismo do Novo Testamento? Entre o “ser” e o “tornar-se” 
cristão há uma real diferença? O que está estabelecido pela 
autoridade é fruto de uma razão obediente, mas é possível uma razão 
reflexiva, para não aceitar as coisas como dadas e inquestionáveis? O 
pensamento filosófico kierkegaardiano ajuda a compreender que o 
cristianismo é uma escolha e não uma imposição dogmática autoritária, 
não pode ser o cristianismo um dado da razão movida pela obediência 
aos critérios institucionais, senão, um tornar-se crístico, isto é, um outro 
Cristo. Para discorrer sobre esses questionamentos, propomos neste 
texto, a partir da obra Ejercitación del cristianismo (2009), investigando 
duas ideias centrais da obra, os conceitos de igreja triunfante e igreja 
militante, trabalhar a possibilidade do escândalo: a compreensão do 
“ser” e do “tornar-se” cristão no limiar de duas realidades: a igreja 
triunfante a e a igreja militante. Para análise da realidade do cristianismo 
estabelecido, faz-se pertinente, no momento, dá uma olhadela em 
duas outras obras kierkegaardianas, que são: El libro sobre Adler (2021) 
e O Instante (2019), porque são obras que compõem uma contundente 
crítica à sociedade cristã dinamarquesa. Nessas obras o filósofo aborda, 
por exemplo, questões de autoridade e obediência, na cristandade 
dinamarquesa, além de questionamentos e denúncias ao clero 
luterano. Com isso, inferimos que a igreja triunfante é o modelo de uma 
sociedade que se fundamente no estruturalismo sociocultural, onde as 
classes socias permanecem em seus devidos lugares, sendo sustentada 
pela subserviência da coletividade religiosa. A igreja triunfante é o 
questionamento e recusa a esse estruturalismo das instituições, é a 
desalienação sociorreligiosa e o engajamento de cada indivíduo no 
mundo que o cerca. Esse trabalho se propõe a ser uma contribuição 
para o campo da Filosofia da Religião, bem como, das Ciências da 
Religião, tendo em vista, a contínua necessidade de se pensar o 
fenômeno religioso, isto é, “o cristianismo nos cristianismos”. 
 
mailto:adenilton.silva80@gmail.com
 
115 
Palavras-chave: Cristianismo; Igreja Triunfante; Igreja Militante; Ser; 
Tornar-se. 
 
 
CONCEITO PRIMITIVO DE TELEOLOGIA E AS TESES DA PESSOALIDADE E DA 
IMPESSOALIDADE 
 
Rogério Regis de Azevedo 
PUC Goiás 
rbemelekazevedo@gmail.com 
 
RESUMO: Este trabalho foi realizado na tentativa de identificar e explorar 
a teleologia como uma tese que procura explicar se a criação, 
organização e os respectivos fenômenos naturais do universo existem 
propositadamente, bem como se a natureza foi conformada para uma 
finalidade desde a sua origem. A terminologia filosófica utilizada para 
designar a finalidade das coisas são os vocábulos: finalismo e teleologia. 
Ambos (finalis; télos) têm o mesmo sentido: alvo, finalidade ou destino. 
Finalismo é, pois, uma doutrina que admite a causalidade do fim, no 
sentido de que o fim é a causa total da organização do mundo e a 
causa dos acontecimentos isolados. Essa doutrina implica duas teses: 
primeira, o mundo está organizado com vistas a um fim; segunda, a 
explicação de qualquer evento do mundo consiste em aduzir o fim para 
o qual esse evento se dirige. Essas duas teses frequentemente estão 
unidas ou confundidas, mas às vezes elas são diferentes e procura-se 
uma sem admitir a outra. E teleologia, por sua vez, é um termo criado 
por Christian Von Wolff (1679-1754) para indicar a parte da filosofia 
natural que explica os fins das coisas. A teologia natural procura 
combinar as duas perspectivas para explicar os fenômenos do mundo, 
atribuindo-os a um Deus beneficente. A teleologia foi apresentada, 
neste trabalho, na sua dupla percepção: teleologia pessoal (que se faz 
com base nos poderes, crenças e propósito de uma pessoa) e 
teleologia impessoal. (que remete à função própria de um ente, à 
função da natureza de um ente). Para tanto, recorremos à Filosofia 
Antiga para entender o significado e o uso das terminologias 
teleológicas daquela época e depois os seus usos e significados nos 
tempos posteriores. Na natureza todos os seres existem com uma 
finalidade, ou então serão acontecimentos vinculados a entes que 
existem com uma finalidade, como diz Aristóteles (Sobre a Alma). Por 
conseguinte, todos os seres estão circundados pelo conceito da 
teleologia. Contudo, a questão do por que os seres da natureza são 
conformados para uma finalidade parece incerta, conforme Teofrasto, 
tendo em vista que muitas coisas (movimento das ondas do mar, chifres 
mailto:rbemelekazevedo@gmail.com
 
116 
em certos animais etc) não são causas de agentes anteriores e que 
parecem não ter finalidade que as beneficie, ou que pelo menos sejam 
prioritárias. De qualquer forma, admitida qualquer que seja uma 
funcionalidade interativa dos acontecimentos naturais ou dos órgãos 
dos animais, isso não deixa de se referir à teleologia impessoal. 
 
Palavras-chave: Teleologia; Teleologia pessoal; Teleologia impessoal. 
 
 
SIMBOLISMO E ADORAÇÃO: O DESAFIO DA FÉ BÍBLICA EM ABRAHAM 
HESCHEL 
 
Narcélio Ferreira de Lima 
PUC Goiás 
fraternascelius@gmail.com 
 
RESUMO: O filósofo e rabino Abraham Joshua Heschel (1907-1972) 
defende existir certa dificuldade na contemporaneidade em assimilar a 
experiência religiosa com as categorias que a Bíblia vê o mundo, tais 
como sublime, maravilhoso, mistério, temor e glória. Nas recentes 
pesquisas sobre cultura e religião o conceito de símbolo tem ganhado 
relevância, apresentado-o como qualquer coisa que serve como 
vínculo a uma concepção. No entanto, na perspectiva hescheliana, o 
simbolismo religioso não é um fim, mas apenas um meio pelo qual o ser 
humano se dirige ao transcendente, vez que a religião não serve 
apenas para se comunicar, mas sobretudo para ajudar o ser humano a 
se aproximar de Deuse/ou adorá-lo, o que não é mero produto do 
esforço humano ou simples forma de expressão, já que a capacidade 
de se comunicar também pode ser identificada nos animais. O que é 
decisivo na experiência religiosa não é a expressão ou simbolização, 
mas o sentido do inefável e das demais categorias a ele relacionadas, 
que são umas das raízes do pensamento criativo. Objetiva-se nesta 
pesquisa, em uma leitura bibliográfica e hermenêutica da doutrina de 
Heschel demonstrar que, mesmo no contexto secular e pluralista é 
possível pensar religião além dos estereótipos de mana, tabu, totem, 
símbolo etc., apresentando o inefável como importante categoria 
bíblica que pode ajudar a dialogar com a experiência religiosa na fé 
moderna. Considera-se, assim, que a experiência com o Deus de Israel 
apela a uma dimensão não-simbólica, pois os indivíduos não são 
capazes de fixar significados de forma definitiva, ainda mais sem uma 
relação de semelhança e diferença, e que os símbolos religiosos não 
necessitam ser por regra geral substitutos de uma entidade superior que 
se relaciona com o ser humano de forma imediata. 
mailto:fraternascelius@gmail.com
 
117 
 
Palavras-chave: Símbolo (religião); Experiência religiosa; Inefável; 
Abraham Heschel. 
 
 
A MÍSTICA NA DOUTRINA DO SANTO DAIME: UMA SIMPATIA COM A 
FILOSOFIA DE HENRI BERGSON 
 
Paulo Jorge Barreira Leandro 
UFC 
pjleandro2019@gmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho fruto parcial da pesquisa em 
desenvolvimento realizado no doutorado possui o intuito de apresentar 
o conceito de mística na filosofia contemporânea francesa de Henri 
Bergson, mais precisamente, em sua última obra As Duas Fontes da 
Moral e da Religião. Ao apresentar este conceito, busca-se simpatizar 
com a doutrina cristã do Santo Daime a fim de saber se a experiência 
religiosa na mesma pode ser compreendida como uma experiência 
mística. Fundamento de toda moral e religião, a mística em Henri 
Bergson revoluciona as concepções do sec XX quando delineia um 
campo dinâmico, transcendental, impressivo-expressivo, como núcleo 
central da experiência religiosa, ou seja, da experiência com Deus. 
Neste sentido busca-se realizar um voo de ligação sobre uma das 
religiões ayahuasqueiras no Brasil, de matriz indígena-africana: O Santo 
Daime. À guia do tema da mística em Bergson e da experiência dos 
estados psicológicos profundos em expansão sob a força do chá do 
Santo Daime objetiva-se saber se esta experiência pode ser 
compreendida como uma experiência mística. Para a realização deste 
esforço singular aborda-se, inicialmente, a relação consciência-tempo; 
bem como, sentimento estético e moral a partir da obra Ensaio sobre os 
dados imediatos da consciência; seguindo-se para a relação entre 
mística cristã e a experiência mística do fundador da religião do Santo 
Daime, o Sr. Irineu Serra também chamado de Mestre Juramidan, a 
partir da obra As duas fontes da moral e da religião. Realizado os 
sobrevoos, pode-se ao final concluir distintamente que o tema da 
experiência mística no Santo Daime possui simpatias profundas com o 
conceito de mística do filósofo Henri Bergson. 
 
Palavras-chaves: Mística; Bergson; Santo Daime. 
 
 
mailto:pjleandro2019@gmail.com
 
118 
CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIFERENCIAÇÃO ENTRE FILOSOFIA DA 
RELIGIÃO E CIÊNCIA DA RELIGIÃO A PARTIR DE JOAQUIM WACH 
 
Leandro Evangelista Silva Castro 
PUC Minas 
 castroleandro40@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Joachim Ernst Adolphe Felix Wach (1898-1955), filósofo, 
sociólogo e cientista da religião é considerado um dos principais 
sistematizadores do debate teórico-metodológico da Ciência da 
Religião. O autor dá seguimento a empreitada iniciada por Max Müller 
ao buscar os fundamentos que garantem a cientificidade e a 
autonomia da disciplina. Em seu texto de 1924, embora dialogue e 
mantenha alguns dos pressupostos apontados por seus antecessores, 
Wach também assume uma postura crítica diante de algumas premissas 
que caracterizavam a disciplina no final do século XIX. Sua obra 
contribui para a consolidação da divisão interna da Ciência da Religião 
em dois ramos: o empírico e o sistemático. A partir do esforço de 
articular as bases teórico-metodológicas da disciplina, assegurando a 
autonomia e sua validade acadêmica, o autor estabelece os limites 
entre a Ciência da Religião e outras disciplinas que também se 
ocupavam da religião, a saber, a Filosofia da Religião e a Teologia. O 
objetivo dessa comunicação é investigar, a partir da obra de Joachim 
Wach, os distanciamentos entre a Filosofia da Religião e a Ciência da 
Religião. A metodologia utilizada consiste em uma pesquisa 
bibliográfica a fim de identificar as principais contribuições do autor a 
respeito do tema. A partir da obra de Joachim Wach, observa-se que 
sua proposta estabelece a teoria e método da Ciência da Religião a 
partir de uma acentuação da empiria. De acordo com o autor, o que 
diferencia a Ciência da Religião da Filosofia da Religião é, enquanto a 
primeira tem o os dados empíricos como realidade imprescindível para 
a produção de conhecimento de nível científico sobre as religiões, a 
segunda, opera a partir da primazia das ideias e da especulação. 
Apoiado nos limites da ciência moderna, e operando a partir de um 
horizonte pós-evolucionista, Wach propõe uma disciplina pautada pelas 
particularidades. Sendo assim, o caráter empírico da investigação 
impossibilita, no âmbito da Ciência da Religião, discursos que se 
aproximem de qualquer tendência metafísica, substancialista ou 
essencialista. Por fim, a obra de Wach contribui significativamente para 
os debates atuais da Ciência da Religião, visto que ainda tem potencial 
de fomentar a discussão sobre particularidades e limites de cada 
disciplina. 
 
mailto:castroleandro40@yahoo.com.br
 
119 
Palavras-chave: Ciência da Religião; Filosofia da Religião; Joaquim 
Wach. 
 
 
HERMENÊUTICA E CARIDADE: A VEIA CRISTÃ DO PENSAMENTO DE GIANNI 
VATTIMO 
 
Felipe de Queiroz Souto 
UFJF/ UPF 
felipeqsouto@gmail.com 
 
RESUMO: A filosofia de Gianni Vattimo é uma filosofia hermenêutica que 
possui um interesse de enfraquecimento das estruturas metafísica do 
pensamento ocidental. Vattimo elabora sua hermenêutica a partir do 
que ele cunhou como pensiero debole, isto é, a atitude filosófica que se 
põe como intérprete da realidade sem a aceitação de fatos objetivos. 
Neste sentido, a única filosofia possível é a hermenêutica, já que ela não 
trabalha com a descrição objetiva da realidade, mas com a 
interpretação que o sujeito localizado num horizonte histórico produz 
acerca de suas vivências. Pela interpretação do sujeito como ser-no-
mundo dá se o acesso ao ser, principal objeto da metafísica tradicional 
e que a hermenêutica se esforça por enfraquecê-lo. Partindo deste 
pensamento hermenêutico, Vattimo propõe que a interpretação é 
como um vírus capaz de enfraquecer todas as estruturas que toca, 
assim, ela possui uma atividade estritamente prática, o que o leva à 
conclusão de que a hermenêutica é uma filosofia da prática. Com isso, 
ele constrói uma crítica que busca enfraquecer a ética, a política e a 
religião. Aqui nos interessa tratar do aspecto da religião. Ao aplicar a 
hermenêutica à religião, ele entende que o cristianismo é um fio 
condutor secularizante (enfraquecedor) de todo o pensamento 
metafísico, já que anuncia um Deus kenótico. Assim, o princípio da 
hermenêutica está na raiz do cristianismo. O que resta de não metafísico 
da interpretação é o princípio cristão da caritas. Com este conceito, 
Vattimo vai ler sua hermenêutica como um pensamento cristão, já que 
a caritas aparece como o horizonte no qual o conflito de interpretações 
está disposto. Definir o conceito de caritas na obra de Vattimo não é 
uma tarefa simples, portanto, o objetivo desta comunicação é 
apresentar uma interpretação do conceito de caritas relacionado 
diretamente coma hermenêutica, de modo que possamos vê-lo como 
parte essencial da hermenêutica de Gianni Vattimo. 
 
Palavras-chave: Hermenêutica; Caritas; Enfraquecimento; Cristianismo. 
 
mailto:felipeqsouto@gmail.com
 
120 
PARA UMA FILOSOFIA DA RELIGIÃO DENTRO DO CULTURA ÁRABE E 
ISLÂMICA, O CASO DO IBN TAYMĪYAH 
 
Julio césar Cárdenas Arenas 
UCM 
prof.abuismail@gmail.com 
 
RESUMO: A comunicação apresenta as definições de religião (dīn) a 
partir de três fontes epistêmicas da cultura islâmica: a língua árabe, o 
Alcorão e o trabalho do jurista e teólogo Ibn Taymīyah e mostra suas 
contribuições à filosofia da religião, em uma correlação terminológica 
com a tradição ocidental, não como uma aproximação ao Islã, mas 
como uma descrição filosófica e fenomenológica da religião que não 
é nem eurocêntrica nem orientalista do hic et nunc islâmico. A análise 
dessas fontes é feita nos léxicos clássicos árabes, nas ocorrências do 
termo religião no texto árabe do Alcorão e nos extratos das obras 
teológicas, legais, apologéticas e contemplativas do Ibn Taymīyah, os 
fundamentos do estudo das religiões na esfera islâmica. As definições 
de religião apresentadas estão divididas em duas, uma geral e inclusiva 
que fornece tipologias descritivas, históricas e teológicas das religiões, e 
uma específica e exclusivista que apresenta a idéia do Ibn Taymīyah da 
realidade da religião (ḥaqīqah al-dīn), comparável à suspensão do 
julgamento (epoché) nos estudos ocidentais e definida em três 
momentos correlativos: rendição (istislām), submissão (islām) e 
submissão total (ṭā'ah) antes do transcendente (al-ilah, Deus 
absconditus), esta idéia permite descrever o fato religioso e suspender 
internamente o conhecimento e os julgamentos perante o Sagrado (al-
rabb, mysterium tremens et fascinans), externamente suspender a 
vontade de alguém cumprindo a vontade divina (Qadr Al-lah) de 
realizar atos de adoração ('ibādah, latreia) perante a soberania divina 
(uluhīah, majestas), assim como a aplicação das regras legais e éticas 
(aḥkām e akhlāq, religio) da revelação (ūaḥī, Deus revelatus) contendo 
os atributos divinos (ṣiffat) como exemplo de ação. A realidade da 
religião é definida como a submissão total do homo religiosus (muslim, 
mu'min e muḥsin) e é uma experiência (Erlebnis) do Sagrado (das 
Heilige) em três momentos não seqüenciais: submissão à divindade e 
aos dogmas (taūḥīd al-rububiah), a prática da lei e dos ritos (taūḥīd al-
uluḥia), assim como o seguimento da ética baseada em nomes e 
atributos divinos (taūḥīd al-āsmā' wal-ṣifāṭ); esta idéia de religião como 
submissão total deixa de ser específica, exclusivista e universalista e 
passa a explicar o fato religioso em uma definição eidética, 
comparativa e inclusiva de outras tradições religiosas. A comunicação 
também apresenta os conflitos para uma definição filosofica de religião 
mailto:prof.abuismail@gmail.com
 
121 
a partir dessas fontes devido à identificação do Islã com a religião (al-
dīn) e com a mensagem dos profetas, pois a partir de sua definição 
específica e exclusivista limita-se a descrever as religiões proféticas, 
reveladas e monoteístas, não toma as outras como objetos de estudo 
fenomenológico e circunscreve seu estudo aos objetivos teológicos e à 
polêmica religiosa. O documento conclui que a definição específica de 
religião na cultura islâmica é limitada por seu caráter confessional, 
teológico ou apologético, enquanto a idéia do Ibn Taymīyah traz para 
os estudos filosóficos y fenomenológicos conceitos não ocidentais da 
cultura islâmica. 
 
Palavras-chave: Islã; Estudos Religiosos; Língua árabe; Fenomenologia 
da religião. 
 
 
“NÃO À VIOLÊNCIA E À RESIGNAÇÃO. SIM À RECONCILIAÇÃO E À 
ESPERANÇA”: O DISCURSO DO PAPA FRANCISCO DIANTE DOS RELATOS 
DAS ATROCIDADES SOFRIDAS PELAS VÍTIMAS DO LESTE DO CONGO 
 
Arlindo José Vicente Junior 
PUC Campinas 
arlindovicentejr@hotmail.com 
 
RESUMO: No dia 1º de fevereiro de 2023, Francisco estava na 
quadragésima viagem apostólica de seu Pontificado, realizada na 
República Democrática do Congo. Entre outros compromissos, 
encontrou-se na Nunciatura Apostólica em Kinshasa, com as vítimas do 
leste do país e estava diante das narrativas das atrocidades vividas 
pelos meninos e meninas vítimas de grupos armados da região. Depois 
de ouvir as mais atrozes narrativas que continham morte de familiares, 
estupro, amputação, canibalismo forçado e escravidão sexual; 
Francisco acompanhou em silêncio, tanto os testemunhos quanto uma 
narrativa transformada em gestos, quando os jovens depositaram 
diante de uma imagem do Crucificado, objetos que traduziam ou que 
causaram os seus sofrimentos: a violência transformada num fenômeno 
que provoca, questiona, silencia e faz chorar. Nosso objetivo é 
apresentar a narrativa da Igreja Católica diante do sofrimento humano 
no discurso proferido pelo Papa Francisco, com as vítimas do leste da 
República Democrática do Congo. E propormos um diálogo do discurso 
papal com o pensamento do filósofo Paul Ricoeur (1913-2005), que 
numa das suas obras, expõem que as vidas humanas merecem e 
precisam ser contadas, principalmente, a história dos vencidos e 
perdedores que merecem uma narração que clama por vingança. 
mailto:arlindovicentejr@hotmail.com
 
122 
Diante da coragem destes jovens que deram estes testemunhos ao 
Papa, qual deve ser a proposta da fé? O discurso, o silêncio ou a 
vingança: qual é a proposta plausível diante da dor do outro? Como 
despertar naqueles que acreditam em Deus (e num Deus crucificado, 
igualmente vítima da violência humana) o perdão para os seus algozes? 
São perguntas que deverão ser respondidas com essa comunicação e 
que estão sendo estudados nesta pesquisa em andamento no 
Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. E para responder 
essas questões levantadas nessa comunicação, trata-se de uma 
pesquisa qualitativa apresentando os resultados que foram encontrados 
nas leituras bibliográficas das inúmeras narrativas da Igreja Católica, 
diante do sofrimento humano. Francisco, visivelmente comovido com as 
histórias das atrocidades, acolhe, acaricia e abençoa a cada um 
daqueles e daquelas que corajosamente narraram os seus sofrimentos, 
se faz próximo dos que padecem: sua viagem apostólica a uma região 
tão assolada pela arbitrariedade do mais forte e que não atrai tanta 
atenção dos meios de comunicação internacionais, é um despertar 
para a solidariedade e para a compaixão. Corajosamente, Francisco 
(que escolheu esse nome como um programa de um Pontificado, 
olhando para o Santo de Assis, portador da paz) pede um basta! Que 
parem de enriquecer na pele dos mais frágeis, que parem de 
enriquecer com recursos e dinheiros manchados de sangue! E, 
propõem-lhes em seu discurso, dois “nãos” e dois “sins”: não à violência, 
não à resignação; sim à reconciliação e à esperança, diante do Deus 
da esperança. 
 
Palavras-chave: Francisco; Narrativa; Sofrimento humano; Ricoeur. 
 
 
RECONSTRUINDO O RELIGIOSO: UMA LEITURA DOS PRIMEIROS DISCURSOS 
EDIFICANTES DE SØREN KIERKEGAARD 
 
Presley Henrique Martins 
PUC Campinas 
presley.hmartins@gmail.com 
 
RESUMO: no que concerne às discussões contemporâneas da Filosofia 
da Religião, o século XIX foi um período profícuo e crucial no que diz 
respeito a autores que buscaram pensar a religião em seus diversos 
sentidos num contexto de transformações estruturais. O dinamarquês 
Søren Kierkegaard foi um desses autores e, além disso, a religião foi tema 
central de sua obra, sendo que o próprio autor considerava a si mesmo 
um pensador religioso. Embora em Copenhague, no sec. XIX, fosse 
mailto:presley.hmartins@gmail.com
 
123 
comum autores publicarem sob pseudônimos, Kierkegaard se utilizou 
metodologicamente da pseudonímia em articulação com o objetivo 
de sua comunicação indireta: o religioso. Essa parte de sua obra é 
conhecida como obras estéticas,ou seja, sob pseudônimos Kierkegaard 
destituía-se de sua autoridade, atribuindo ao pseudônimo o conteúdo 
de sua obra. Entretanto, as obras estéticas correspondem a uma parte 
da autoria de Kierkegaard, a outra parte são os Discursos Edificantes, 
obras em que ele assinou com o próprio nome, sendo consideradas, em 
seu método, textos de comunicação direta. As obras de comunicação 
direta e indireta se complementam, tendo como objetivo comunicar o 
religioso, ou seja, reconstruir o religioso que foi esquecido em seu tempo. 
No entanto, para entender o processo dessa reconstrução é necessária 
uma chave de leitura que nos aproxime desse enigma religioso 
pressuposto por Kierkegaard. A proposta desse trabalho é fazer uma 
leitura dos primeiros discursos edificantes, as obras de comunicação 
direta, visando extrair do conteúdo dos discursos os problemas com os 
quais Kierkegaard está lidando, de tal modo que esses problemas 
forneçam ao religioso seu sentido. Assim, espera-se que essa leitura não 
apenas proporcione uma chave para compreensão do religioso em 
Kierkegaard, mas também esclareça as razões pelas quais a 
reconstrução do religioso só pode ser realizada em vias da dialética 
entre a comunicação direta e indireta. 
 
Palavras-chave: Kierkegaard; Religioso; Discurso Edificantes. 
 
 
RICŒUR LENDO KIERKEGAARD: O PROBLEMA DO MAL E DO SOFRIMENTO 
NA EXISTÊNCIA RELIGIOSA 
 
 
Carlos Eduardo Cavalcanti Alves 
c.eduardocavalcanti@gmail.com 
 
RESUMO: A presente comunicação pretende fazer uma análise crítica 
da leitura que o filósofo francês Paul Ricœur faz da obra do teólogo 
dinamarquês Søren Kierkegaard, especificamente a respeito do mal e 
do sofrimento. Para aquele, tal questão é crucial para a filosofia e a 
teologia, e de fundamental importância para a compreensão da 
oposição de Kierkegaard ao sistema filosófico hegeliano, que percorre 
toda a sua obra. O tema do mal não aparece de forma significativa na 
curta e fragmentada biografia do dinamarquês, o que impossibilita 
identificar uma amplo escopo de seu pensamento a respeito. Um 
tratamento exegético dos seus textos, segundo Ricœur, é o método 
mailto:c.eduardocavalcanti@gmail.com
 
124 
mais apropriado para se chegar a categorias existenciais que 
estruturem a concepção kierkegaardiana sobre este tema, quais sejam, 
a angústia e o desespero. Assim, o objetivo é investigar sua 
interpretação do pensamento kierkegaardiano a propósito e a tipologia 
que elabora do personagem bíblico Jó, fundamental no pensamento 
de Kierkegaard, a fim de delinear a resposta ricœuriana à questão. Para 
tanto, serão primeiramente abordados os conceitos kierkegaardianos 
de angústia e desespero sob a ótica de Ricœur. Em seguida, terá lugar 
o confronto entre a concepção dos dois pensadores da tipologia 
bíblica presente na epopeia de Jó, quanto à experiência que leva à 
aporia que se coloca diante do drama humano, a saber, como conciliar 
a crença no divino com a realidade permeada pelo mal e pelo 
sofrimento. À guisa de conclusão, a hipótese é que, para Ricœur, o 
problema relaciona-se ao mal moral e ao sofrimento individual 
enquanto questão existencial-religiosa que aponta para uma “aporia 
produtiva”, derivada dos conceitos kierkegaardianos de paradoxo, 
repetição e fé. 
 
Palavras-chave: Mal; Sofrimento; Angústia; Desespero; Jó. 
 
 
O CONHECIMENTO POR MEIO DO RITO: UMA EPISTEMOLOGIA 
SACRAMENTAL 
 
Pedro Vinícius Dias Alcantara 
PUC Goiás 
pedroibef@gmail.com 
 
RESUMO: Existe algo anterior à racionalidade na fundamentação da 
religião? O que há de pré-teórico na experiência religiosa? A tradição 
moderna da religião ocidental, sobretudo a perspectiva cristã, legou 
uma herança cartesiana de primazia da razão como elemento 
fundante da transmissão e recepção do conteúdo religioso. Apesar da 
crença religiosa recorrer à racionalidade como epistemologia 
necessária, o presente trabalho tem como objetivo repensar o local da 
razão como ponto paradigmático da experiência religiosa. O ponto de 
partida para tal empreitada é situar na ideia de corporeidade na 
fenomenologia da percepção como um locus para uma epistemologia 
da religião. Há aqui a necessidade de repensar a herança cartesiana 
de uma crença religiosa meramente informativa e racionalista. Em tal 
cenário, o ser humano não apenas é reduzido a uma coisa pensante, 
como também é visto como uma coisa cujo corpo é um recipiente não 
essencial da mente. Porém, e se o centro da identidade do sujeito 
mailto:pedroibef@gmail.com
 
125 
estiver localizado mais no corpo do que na mente? Neste sentido, o 
conceito de ritual conforme visto nas Escrituras proporciona um papel 
fundamental em moldar nosso pensamento. A partir da perspectiva dos 
filósofos Maurice Merleau-Ponty e Dru Johnson, nossa proposta é 
apresentar a estrutura e a função do rito e dos sacramentos como 
instrumento epistemológico no processo de formação e transformação 
do sujeito em uma dimensão que abarca toda a existência humana. 
 
Palavras-Chave: Rito; Religião; Sabedoria; Corporeidade 
 
 
THE POETICS OF PHILOSOPHY IN RAMON LLULL’S METHOD OF 
CONTEMPLATION 
 
Sergi Castella-Martinez 
Universitat Pompeu Fabra 
serge.castella@upf.edu 
 
RESUMO: The 14th-century philosopher and theologian Raimundus Lullus 
developed a combinatorial system of thought, an Ars inveniendi 
veritatem, consisting in the intertwinement of absolute principles, namely 
divine attributes, with logical categories, questions, subjects, virtues and 
vices. Devised as a contemplative and evangelical Ars, Llull stressed the 
importance of 1) learning how to produce questions and answers in 
accordance to its rules and principles, and of 2) imaginatively translating 
the process and product of the Ars into examples and metaphors 
accessible to the broadest audience. The Ars' spiritual logic pursued the 
coordinated movement of intellect, memory and will toward God's 
presence in the Creation, and can be understood as a paradigmatic 
religious form of artificial habit. The aim of this presentation is twofold: first, 
to describe the Ars inveniendi veritatem as a technological medium of 
relationship with the sacred focused on the active, practical 
actualization of the finite, humane essence through combinatorial, 
imaginative "poiesis". Second, to reassess religion primarily as a social, 
embodied practice and exercise in connection with similar 
contemporary poetic and philosophical proposals. The Poetics of 
Philosophy may provide crucial elements to such an interpretation of 
medieval religious thought, for the radical union between theory and 
practice points towards a valuable reassessment of the creative and 
performative dimensions of the philosophers’ endeavour in relation with 
their religious scope. The Ars, as a technological innovation in its historical 
context, serves to reorient the manner in which philosophical and 
theological thought is approached and organised: its principles stem 
mailto:serge.castella@upf.edu
 
126 
from Islamic logic and dialectic, and from combinatorial devices of 
intermediation between the divine and the humane, such as the za’irjah, 
a divination instrument attributed to 13th-century Sufi Abu Al-Abbas Al-
Sabti from Maghreb. A dynamic, practical and processual 
understanding of contemplation shines in Lullus' method, for the Ars is a 
process of homificatio that results from reading and applying its 
principles, to which the artist must habituate in order to disseminate them 
in word and deed. I will address Llull’s methodological concerns and their 
conceptual premises to argue that the philosopher requires an active, 
poietic involvement with the Ars so that it mirrors divine ceaseless activity 
and fulfils its contemplative goal. 
 
Keywords: Llull (Lullus); Ars; Poetics; Philosophy; Homificatio127 
 
ST 11 – CULTO E LITURGIA 
 
Jacqueline Ziroldo 
FTSA 
mestrado@ftsa.edu.br 
 
Breno Martins Campos 
PUC Campinas 
brenomartinscampos@gmail.com 
 
Dentro do recorte evangélico brasileiro atual, parece-nos que os 
estudos de culto e liturgia estão cada vez mais voltados para a 
influência das mídias digitais no fenômeno religioso e confirmam 
mudanças anunciadas há algum tempo. Situação que nos leva a refletir 
sobre quanto o culto e a liturgia dialogam diretamente com a cultura e 
as formas de comunicação dos grupos sociais, de acordo com as 
especificidades de cada período na história. Longe de ser algo 
hermético, o culto expressa a relação entre a identidade teológica de 
uma igreja, denominação ou grupo autônomo e as possibilidades de 
adaptações a ajustes dos seus ritos. Assim, entendemos que, para uma 
análise das atuais influências socioculturais sobre a liturgia, é mister 
conhecer a história do culto evangélico no Brasil, sua trajetória e relação 
com a cultura nacional, seus elementos e simbologias. De igual modo, 
julgamos ser de grande importância o estabelecimento de conexões 
das liturgias e cultos praticados no campo evangélico brasileiro com as 
teologias específicas da diversidade evangélica que caracteriza nosso 
país. Fazendo coro com a convocatória deste congresso, queremos 
refletir a respeito das multiplicidades convergentes e divergentes do 
diverso campo evangélico no país. Por conseguinte, esta ST tem por 
objetivo criar um espaço de debate sobre a temática da liturgia e do 
culto, nas suas mais variadas possibilidades de combinação, segundo 
metodologias tanto da Teologia como das Ciências da Religião. São 
mailto:mestrado@ftsa.edu.br
mailto:brenomartinscampos@gmail.com
 
128 
bem-vindas comunicações que discutam culto e liturgia no campo 
evangélico brasileiro nos aspectos histórico, antropológico, sociológico, 
teológico, artístico e cultural. 
 
 
AS METAMORFOSES LITÚRGICAS DA IMPD 
 
Ricardo Bitun 
PUC São Paulo 
ricardo.bitun@mackenzie.br 
 
RESUMO: Nossa proposta nesta breve comunicação é analisar as várias 
transformações litúrgicas ocorridas na Igreja Mundial do Poder de Deus, 
fundada em 1998, pelo então pastor Valdemiro Santiago (ex-Bispo da 
Igreja Univers al do reino de Deus). A IMPD encontra assento entre as 
igrejas chamadas neopentecostais. Sua liturgia, assim como 
característico em todo movimento religioso, transforma-se e conforma-
se de acordo com as necessidades que se apresentam. Desde o início 
de minhas pesquisas deste movimento tenho confirmado a precisa 
constatação de Droogers afirmando que o neopentecostalismo é um 
fenômeno complexo, “uma religião paradoxal e ambivalente” 
(Droogers , 1991). Sua liturgia acompanha esta complexidade. A cada 
oscilação em sua audiência televisiva ou participação presencial 
rapidamente Valdemiro reage com uma liturgia mais atraente ou até 
mesmo austera, utilizando seus recursos midiáticos e carismáticos para 
mais uma vez “resgatar” sua audiência. O tripé: cura divina, exorcismo 
e testemunho, como um camaleão, altera suas cores sempre que se 
sente ameaçado, ou quando necessita alçar voos mais altos. A liturgia 
se adapta facilmente às necessidades momentâneas. Procuramos 
acompanhar estas variâncias litúrgicas a fim de compreendê-las, 
averiguando a intencionalidade de seu líder. Percebe-se nestas 
mudanças a constante “batalha” na manutenção e concentração de 
seus fiéis e a busca pelo crescimento. A disputa no campo religioso 
brasileiro toma uma dimensão cada vez maior impactando de alguma 
forma este mesmo campo, assim como a subcultura que a circunda. 
 
Palavras-chave: Neopentecostalismo; Transformações litúrgicas; IMPD. 
 
 
“SOU FORASTEIRO AQUI, EM TERRA ESTRANHA ESTOU”: 
A PRESENÇA PURITANA NOS HINOS DO PROTESTANTISMO NO BRASIL 
 
Breno Martins Campos 
mailto:ricardo.bitun@mackenzie.br
 
129 
PUC São Paulo 
brenomartinscampos@gmail.com 
 
RESUMO: Segundo Antonio Gouvêa Mendonça, definir puritanismo é 
uma tarefa muito difícil e, por conseguinte, talvez seja mais acertado 
enxergar como vivem as pessoas sob o prisma da fé puritana. Para se 
compreender a atmosfera peculiar do puritanismo em seus primórdios 
ingleses – e, por exportação, também nos EUA –, segundo Max Weber, 
basta que se leia o livro O progresso do Peregrino (de John Bunyan). 
Como o objetivo desta comunicação não é tratar de literatura puritana, 
mas de hinos cantados pelos puritanos, registra-se que os protestantes 
históricos ou tradicionais de matriz puritana sempre transmitiram seus 
discursos teológicos e doutrinários por meio das letras de suas canções. 
Mendonça propõe a hipótese de que no hinário Salmos e Hinos, cuja 
matriz chegou ao Brasil com os primeiros missionários, o ideário puritano 
se faz presente nas letras que foram traduzidas, com a manutenção das 
melodias e arranjos para piano ou órgão e para o canto 
congregacional. Portanto, o “Cristão” (personagem principal do 
romance alegórico de Bunyan) ingressou no imaginário protestante 
brasileiro de forma indireta, mas muito sutil e competente, pela letra dos 
hinos cantados dominicalmente nos cultos, bem como nas reuniões 
durante a semana nas casas dos fiéis. De tal modo que o protestantismo 
no Brasil reforçou, ao longo de décadas, o caráter individualista e 
conversionista da religião trazida para o país pelos missionários 
estadunidenses de diferentes denominações. Como o hinário Salmos e 
Hinos não é somente um ícone, mas serve ainda de base para muitos 
dos hinários para o culto protestante no Brasil, o cancioneiro oficial da 
Igreja Presbiteriana do Brasil – o hinário Novo Cântico –, é tomado, aqui, 
como modelo típico-exemplar do legado do Salmos e Hinos. Corolário: 
o puritanismo de O Peregrino está presente nas mentes e nos corpos dos 
presbiterianos e de fiéis de outras igrejas pela música. Por meio de 
pesquisa documental e bibliográfica, destaca-se a compreensão do 
conteúdo de trechos de algumas das letras, notadamente, daquelas 
que fazem parte de seções temáticas do Novo Cântico mais ligadas ao 
puritanismo. A hinódia protestante adotada evidencia no cotidiano das 
congregações que o protestantismo é (e continua a ser) puritano no 
Brasil, na maioria das vertentes. A exceção talvez sejam as 
denominações que para cá vieram pelos caminhos da imigração e não 
pelas missões. A presença de hinos puritanos no cotidiano das igrejas 
protestantes brasileiras serve como indício de que todo o conjunto do 
puritanismo veio, principalmente, dos EUA para cá. Ademais, o 
puritanismo sempre se enxerga como artigo de exportação, haja vista 
seu caráer de universalização. 
mailto:brenomartinscampos@gmail.com
 
130 
 
Palavras-chave: Protestantismo; Puritanismo; John Bunyan; Hinários; 
Brasil. 
 
 
POTENCIAL FORMATIVO DO CULTO PENTECOSTAL 
 
Cezar Augusto Flora 
FTSA 
cezar.flora@ftsa.edu.br 
 
RESUMO: Se, por um lado, as crenças pentecostais são importantes para 
a contextualização da experiência do dom o Espírito, por outro lado, a 
natureza das práticas constituídas a partir da articulação dos quatro 
temas cristológicos – Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e 
breve voltará – precisa ser encarada de forma mais significativa, a fim 
de que sejam reconhecidos os aspectos irredutíveis dessa dimensão da 
espiritualidade. Uma concepção intelectualista de espiritualidade, que 
conceba o ser humano primeiramente como uma coisa que pensa, não 
dá conta de abarcar o significado irredutível dessas práticas, pois não 
encaram profundamente o sentido da corporeidade no contexto da 
espiritualidade pentecostal. Nesse sentido, James Smith, filósofo 
pentecostal norte americano, ao resgatar a dimensão da 
corporeidade, fornece uma concepção de espiritualidade mais 
holística, que permite avaliar a irredutibilidade das práticas para a 
constituição da espiritualidade em geral, e, em particular, dapentecostal. A partir desse resgate, Smith reconhece um outro tipo de 
saber, o saber afetivo, que não tem a ver com as ideias que alimentam 
a cabeça, mas com o saber transmitido através das práticas e narrativas 
que constituem a nossa navegação pré-teórica pelo mundo. Dessa 
forma, “a espiritualidade pentecostal possui uma cosmovisão latente 
dentro de si”, um “imaginário social pentecostal”, transmitido pelas 
práticas pentecostais. Essas duas dimensões são imprescindíveis para 
uma melhor compreensão da espiritualidade do culto pentecostal e seu 
potencial de promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. 
Assim, a partir da análise de alguns elementos da liturgia pentecostal, 
buscaremos pontuar as possibilidades presentes nessas práticas que, se 
exploradas de forma intencional, podem se tornar instrumentos 
pedagógicos de formação. 
 
Palavras-chave: Culto; Práticas; Justiça social. 
 
 
mailto:cezar.flora@ftsa.edu.br
 
131 
O PASTOR EVANGÉLICO BRASILEIRO: O CONTEXTO ECLESIÁSTICO, O 
MOVIMENTO DE CRESCIMENTO DA IGREJA E A FORMAÇÃO DE SUA 
SUBJETIVIDADE 
 
JESUS APARECIDO DOS SANTOS SILVA 
PUC Goiás 
jesusaparecido@hotmail.com 
 
RESUMO: A eleição para a presidência da República no Brasil em 2022 
teve uma participação efetiva dos evangélicos, muitos estudiosos já 
haviam concluído que o voto dessa camada da população brasileira 
tinha sido decisivo nas eleições de 2018. A figura do pastor ficou em 
evidência não apenas pelas aparições públicas na televisão e mídias 
sociais, mas também pelo uso do nome de Deus em favor de suas 
preferências políticas. A mensagem muitas vezes apocalíptica, 
baseada no milenarismo teológico, criava pavor em face de uma 
destruição iminente. Essa visibilidade no cenário político nacional 
suscitou uma série de questionamentos sobre quem é o pastor 
evangélico e qual o seu papel perante o seu rebanho e a sociedade 
brasileira. Assim como não existe um protestantismo brasileiro, mas 
vários, também não é possível falar do pastor evangélico sem levar em 
conta a polissemia do termo. Não há uma identidade homogênea para 
essa figura religiosa, pois essa identidade está muito relacionada ao 
momento histórico brasileiro, bem como à denominação à qual o pastor 
está vinculado. Essa identidade outorgada ou autocriada depende do 
contexto eclesial de cada pastor. Entendendo como forma de governo 
a maneira como as denominações e cada Igreja resolvem seus 
problemas temporais e espirituais. Usando o conceito de tipos ideais, nos 
limitaremos a três formas de governo eclesiástico: Congregacional ( 
Democracia Direta), Episcopal ( Da palavra grega epíscopos, supervisor, 
que dará origem a uma forma de governo centralizada no Bispo, Papa 
ou Presidente ), Presbitério e Concílio ( Democracia Representativa ). 
Esse contexto eclesial, contribui de forma significativa para a formação 
da subjetividade pastoral. Fará parte dessa análise na formação 
identitária do pastor o impacto que teve sobre a Igreja Evangélica 
Brasileira, e consequentemente sobre os pastores, o movimento 
americano de Crescimento de Igrejas. Esse movimento baseado no 
pragmatismo norte americano apresenta a gestão empresarial como 
forma eficiente de gerir a Igreja. A racionalidade empresarial capitalista 
é trazida e aplicada na mentalidade e na forma de condução da 
Igreja, transformando-a numa empresa da fé. 
 
Palavras-chave: Pastores; Profetas; Subjetividade; Igreja; Movimento. 
mailto:jesusaparecido@hotmail.com
 
132 
DO ‘TOMAR E COMER’ AO ‘VER’: A PERDA DO REAL SENTIDO EUCARÍSTICO 
 
 
Tiago Cosmo da Silva Dias 
PUC São Paulo 
pe.tiagocosmo@gmail.com 
 
RESUMO: A Igreja Católica Apostólica Romana crê e prega que no pão 
e no vinho, frutos da terra e do trabalho humano, acontece o milagre 
da transubstanciação, ou seja, a partir do momento da consagração, 
na qual quem preside atualiza o sacrifício de Cristo, a essência da 
matéria – pão e vinho – muda: já não se tem mais pão e vinho, e sim 
Cristo, presente real e verdadeiramente tal qual está no céu. Quando o 
fiel o recebe, esgota-se o princípio de alteridade, uma vez que aquele 
que comunga passa a ser um só com Cristo. Esta é, em linhas gerais, a 
essência do dogma eucarístico. Todavia, como resquício de uma 
sociedade puramente imagética, este, que é o coração da Igreja, tem 
perdido o seu caráter primordial de refeição [=tomar e comer] para se 
transformar em mera contemplação [=ver]. De fato, para alguns, 
parece ser mais importante ver a hóstia consagrada (e quem ela 
contém!), do que propriamente tomar e comer. Esta tendência, por sua 
vez, tende a criar dificuldades ainda maiores, porque, por exemplo, já 
não importa o culto em si, mas sim quem o presidirá e com que 
finalidade (bênçãos, curas, libertações). Além do mais, cria uma fé 
totalmente descompromissada com a vida, visto que o “tomar e comer” 
traz sérias implicações para a ética cristã, ao passo que o “ver” pode 
trazer, tão somente, uma espécie de “alívio instantâneo”, a ponto de, 
dali não muito tempo, o fiel necessitar outra vez “olhar”. Esse tipo de 
prática, além de não favorecer formação religiosa adequada, 
incentiva o comércio religioso: volta-se à época dos ostensórios, das 
pompas e do culto à personalidade dos presbíteros. O objetivo, 
portanto, é demonstrar o quanto esta perda de sentido, por mais que 
consiga reunir as massas, prejudica diretamente a ação pastoral da 
Igreja, porque induz a uma fé infantil. 
 
Palavras-chave: Eucaristia; Culto; Refeição. 
 
 
O HINÁRIO EVANGÉLICO COMO REFERÊNCIA DO CULTO REFORMADO NO 
BRASIL (1960-2000) 
 
Daniel Gonçalves do Amaral Filho 
Faculdade Teológica Sul-Americana 
mailto:pe.tiagocosmo@gmail.com
 
133 
danieldoamaral60@gmail.com 
 
RESUMO: Em 1962 a Confederação Evangélica do Brasil – entidade que 
na época reunia várias denominações evangélicas históricas – lançou 
a edição definitiva do Hinário Evangélico (HE), uma coletânea de 500 
hinos e canções que constituíam um patrimônio musical comum às 
diversas igrejas, que por alguns anos o adotaram como hinário oficial. 
Em 1977 a Imprensa Metodista adquiriu os direitos sobre o HE, a passou 
a publicá-lo com dois suplementos. Além dos hinos, o hinário ganhou 
uma coleção de antífonas (leituras responsivas temáticas de textos 
bíblicos) e roteiros litúrgicos elaborados pela Igreja Metodista. Esses 
roteiros contemplavam diversos modelos de celebração, como: culto 
com pregação da Palavra; culto com celebração da Ceia do Senhor; 
culto com celebração de batismo de crianças; etc. O objetivo deste 
trabalho é compor um quadro comparativo das práticas litúrgicas das 
igrejas históricas do campo reformado (presbiterianas, metodistas e 
algumas de tradição batista), tomando-se como referência os modelos 
propostos pelo Hinário Evangélico em suas edições das décadas de 
1970 a 1990. A pesquisa tomou como ponto de partida o livro História 
do Culto Protestante no Brasil, de Carl Joseph Hahn, escrito em 1970, 
obra que analisa o modelo de culto trazido pelos primeiros missionários 
protestantes enviados no século XIX. A estrutura desse culto trazido ao 
Brasil tinha, com um esquema Reformado: Adoração – Confissão – 
Louvor – Palavra – Envio – Bênção. O ponto alto dos cultos era a 
pregação da Palavra, algo normal para igrejas protestantes, com uma 
acentuada ênfase individual e emocional. Esse modelo persistiu na 
maioria das igrejas evangélicas históricas do Brasil ao longo do século 
XX. Nas décadas de 1970 e 1980 os boletins dominicais de diversas 
igrejas atestam essa prática. Todavia, nota-se a incorporação de novos 
elementos litúrgicos, identificados com os roteiros constantes das 
edições do HE, conforme fac-símile de edições do arquivo pessoal deste 
autor. Mostraremos que houve uma modificação da ordem do culto de 
diversas igrejas, em direção ao modelo Reformado. Algumas partes 
foram ou suprimidas ou instrumentalizadaspara outras finalidades, 
conforme discutiremos. Apesar das simplificações dos modelos 
propostos no HE em relação ao Culto Reformado, seu suplemento 
litúrgico cumpriu um papel pedagógico junto a algumas gerações de 
pastores e dirigentes de milhares de igrejas evangélicas e protestantes 
no Brasil, que dele se utilizaram para a preparação de cultos dominicais 
e celebrações diversas em suas comunidades locais. Atualmente, o HE 
vem sendo utilizado oficialmente na Igreja Metodista (detentora dos 
direitos de publicação) e na Igreja Presbiteriana Unida. A partir de 1990, 
diante da ausência de novas edições, as demais igrejas que adotavam 
mailto:danieldoamaral60@gmail.com
 
134 
o HE decidiram produzir coleções próprias de hinos e cânticos, 
atualizadas com a revisão das letras dos hinos e a inserção de 
composições mais recentes, inclusive de autores brasileiros. 
 
Palavras-chave: Culto; Hinário; Liturgia; Metodismo. 
 
 
O CULTO NAS MÍDIAS DIGITAIS: ESPETACULARIZAÇÃO E MIDIATIZAÇÃO 
DA EXPERIÊNCIA SAGRADA 
 
Helen Teixeira Sousa de Abreu 
PUC Campinas 
htsabreu@gmail.com 
 
RESUMO: O estilo musical chamado de worship é uma importação mais 
recente do mundo anglófono, que tem características sonoras 
específicas e um forte apelo emocional e espontâneo, que cria uma 
atmosfera intimista e emocional durante sua reprodução e é muito 
utilizado em cultos evangélicos de todo o país. Esses cultos têm como 
características a ênfase na música, na emoção, na condução 
carismática e no lúdico e na estetização como formas de expressão 
religiosa. Se os cultos já são espetacularizados por causa de seu formato 
e emocionalismo, com o processo de midiatização uma nova camada 
é adicionada: câmeras e gravadores estão a postos para registrar, 
publicar e transmitir as imagens da experiência vivida pelos fiéis ali. Essas 
imagens são publicadas e mostradas com uma aura de autenticidade, 
como se os dispositivos que as produziram fossem transparentes e não 
estivessem ali concretamente, alterando e fazendo parte das dinâmicas 
do momento. Ao olhar para elas, tem-se a impressão de estar fazendo 
parte de um momento de intimidade que aquela pessoa estava 
vivendo. Mas quais são os limites da representação da experiência 
religiosa e mística? A consciência da presença da câmera ali, no 
momento sagrado, altera a forma com que as pessoas, tanto no palco 
quanto fora dele, se mostram e performam as emoções suscitadas pelo 
momento de louvor? Buscando incitar essa reflexão, esta comunicação 
pretende apresentar conteúdos publicados pela cantora e 
influenciadora digital Raphaela Gonçalves, da organização 
paraeclesiástica Dunamis Movement, durante o período de janeiro a 
março de 2022, e analisar criticamente o papel da música worship nos 
cultos-show e nas suas publicações em mídias digitais. Conclui-se que 
há uma relação estética com o sagrado tanto nas liturgias dos cultos 
quanto na sua representação nas mídias digitais. 
 
mailto:htsabreu@gmail.com
 
135 
Palavras-chave: Worship; Espetacularização do culto; Midiatização; 
Dunamis Movement; Influenciadores digitais. 
 
 
OS AGENTES LITÚRGICOS DO PROTESTANTISMO BRASILEIRO: 
ACOMODAÇÕES E TENSÕES 
 
Jacqueline Ziroldo 
Faculdade Teológica Sul Americana 
 jacqueline.ziroldo@ftsa.edu.br 
 
RESUMO: O culto protestante brasileiro pode ser classificado em duas 
vertentes, já apontadas por Prócoro Velasquez na década de 1970, mas 
que ainda se mantêm atuais: é possível falar em um modelo de culto 
litúrgico e em outro não-litúrgico. No primeiro caso as tradições 
anglicanas e luteranas, são as maiores representantes, lançando mão 
de uma série de símbolos e ritos na celebrações comunitárias. O 
segundo grupo é praticamente representado pelas demais 
denominações protestantes e pode se encontrar na sua forma mais 
típica sob a característica de um esvaziamento litúrgico, notado pela 
ausência dos símbolos e ritos. Não é possível afirmar, categoricamente, 
que se tenha, sempre, uma distância muito grande entre os dois tipos 
puros aqui citados, uma vez que as possibilidades de composição de 
elementos e ritos litúrgicos sofre influência direta da demandas locais, 
havendo possibilidade de variações dentro de uma mesma 
denominação. A par dessas possiblidades e, mesmo as considerando, o 
culto que analisamos no presente trabalho é o do tipo não-litúrgico, que 
de forma geral se apresenta com elementos cúlticos básicos, como 
orações, prédica e música. Esse formato de culto conta com presença 
do leigo de forma quase que sistemática. Diante desse contexto, o 
objetivo dessa proposta é analisar a presença marcante do leigo nos 
cultos protestantes não-litúrgicos, como um fator de aumento na tensão 
e conflito dele com o corpo clerical, na luta pela legitimidade de 
produção litúrgica. Além desse objetivo geral buscamos, também, 
analisar o tipo de trabalho religioso desempenhado por esse leigo no 
tocante às suas habilidades, disponibilidade institucional e 
reconhecimento comunitário. Para tal nos valemos de análise 
bibliográfica - principalmente dos estudos de Pierre Bourdieu sobre o 
monopólio da produção religiosa - e de vasto trabalho de campo, já 
realizado em inúmeras denominações protestantes do estado de São 
Paulo. A partir da análise de campo concluímos que os músicos são os 
maiores representantes do trabalho leigo no culto protestante e cada 
vez mais têm se destacado no culto, em concorrência direta com o 
mailto:jacqueline.ziroldo@ftsa.edu.br
 
136 
exercício pastoral, recortado, de forma quase que total, ao momento 
da prédica. 
 
Palavras-chave: Protestantismo; Culto; Produção religiosa; Leigo; 
Músico. 
 
 
O DISCURSO EUCARÍSTICO AO LONGO DO TEMPO: RECORTES DE UMA 
PESQUISA 
 
Éder Wilton Gustavo Felix Calado 
Faculdade Teológica Sul Americana 
eder.calado@ftsa.edu.br 
 
RESUMO: As discussões sobre a Eucaristia permearam os longos anos do 
cristianismo até os dias atuais. Durante a antiguidade e a Idade Média, 
até a Reforma Protestante, as contendas foram muito sérias, pois tocar 
em doutrinas da Igreja Católica poderia significar excomunhão e, em 
alguns momentos, morte por heresia. No início da era cristã, os 
seguidores de Jesus se baseavam nos relatos que ouviam de outros 
cristãos de que Jesus ceou com seus discípulos na noite em que foi 
traído e preso, relatos transcritos nas passagens bíblicas de Mateus 26:26-
28; Marcos 14:22-24; Lucas 22:19-20; 1 Coríntios 11:23-25, as quais são a 
base para instituição da ceia como ordenança a ser repetida. Esses 
textos, juntamente com João 6:51, para alguns, são as bases bíblicas 
para as formulações teológicas desde então. Nos primeiros quatro 
séculos de cristianismo já é possível observar muitos embates teológicos, 
principalmente sobre o pão e o vinho representarem ou se 
transformarem em corpo e sangue de Jesus à mesa, com a 
consagração pelo sacerdote. Essas discussões perpassaram os séculos, 
prevalecendo a compreensão de que os elementos se transformavam 
em corpo e sangue, o que resultou na doutrina da transubstanciação, 
posteriormente. Apesar disso, interpretações simbólicas da Eucaristia 
continuavam aparecendo, de teólogos influentes, bispos da igreja, mas 
não foram aceitas pela igreja oficial, pois contrariavam a vontade de 
verdade de quem estabelecia as relações de poder. Na Reforma 
Protestante, com outras conjunturas políticas (condições de 
possibilidade), posições contrárias à transubstanciação apareceram e 
não foram derrubadas pela Igreja Católica, afinal, era outro momento, 
um período de ruptura política e eclesiástica. Este é o corpus deste 
trabalho, o qual tem como objetivo analisar a Eucaristia a partir da 
noção foucaultiana de genealogia e de sua teoria sobre o 
ordenamento do discurso. Por meio disso, é possível observar que o 
mailto:eder.calado@ftsa.edu.br
 
137 
discurso oficial, devido às relações de poder, prevaleceuenquanto as 
condições de possibilidade permitiam. Contudo, quando as condições 
de possibilidade se modificaram, outro discurso pode ocupar um lugar 
impossível até aquele momento. 
 
Palavras-chave: Eucaristia; Discurso; Michel Foucault. 
 
 
AS GERAÇÕES HUMANAS E SUAS CARACTERÍSTICAS: FACILIDADES E 
DESAFIOS NA PRÁTICA DA ESPIRITUALIDADE A PARTIR DO CULTO ONLINE 
 
Francys Resstel Del Hoiyo 
EST 
francysdelhoiyo@gmail.com 
 
RESUMO: A pandemia da COVID-19 alterou a dinâmica de culto das 
comunidades cristãs desde 2020. A utilização das mídias digitais para a 
proclamação da fé cristã já ganhava lugar de destaque nas últimas 
duas décadas, no entanto, houve uma aceleração neste processo de 
virtualização da prática da fé, em especial, a partir de uma 
espiritualidade vivenciada em um novo meio, o ambiente on-line. As 
mudanças na sociedade e nos perfis das gerações ao longo dos anos 
que vem afetando o mercado de trabalho, o processo ensino-
aprendizagem, a convivência social, entre outras dinâmicas; é, 
também, realidade nas comunidades cristãs que tem praticado sua fé 
em ambiente on-line e com novos desafios, a saber, conseguir ser igreja, 
vivenciar os valores da fé cristã, desenvolver a espiritualidade, não mais 
em templos que contam com presencialidade, espaço geográfico, 
temporalidade, mas neste novo ambiente, que conecta todos e todas 
em qualquer tempo e em qualquer lugar. Este estudo tem como 
objetivo abordar as características das gerações humanas e suas 
facilidades e desafios para a prática da espiritualidade cristã através do 
culto on-line, a partir de pesquisa bibliográfica. Neste contexto, 
abordaremos desde os baby boomers até a geração Alpha, e cada 
geração com suas peculiaridades. Para os Baby Boomers; pessoas que 
nasceram pós-guerra mundial, a televisão tornou-se disponível para 
uma comunicação em tempo real, mostrou um mundo alternativo com 
som e imagens, propiciando outras possibilidades além do rádio. A 
Geração X; viu surgir o computador pessoal, a internet, o celular, a 
impressora, o Email etc. A Geração Y; tem em média de 20 a 35 anos. A 
internet abriu as possibilidades do mundo para que essa geração tenha 
mais acesso à informação, comunicação e conhecimento. A Geração 
Z; na era digital está totalmente pronta para uma relação com qualquer 
mailto:francysdelhoiyo@gmail.com
http://fgv-eaesp.blogspot.com/2011/03/jovens-e-o-mercado-de-trabalho.html?utm_source=redessociais&utm_medium=blog&utm_campaign=fgv-eaesp
 
138 
componente eletrônico e tecnológico. A geração Alpha nasceu 
totalmente inserida em uma rotina cercada pela tecnologia, os “alpha” 
já nascem conectados em rede, diante de seus olhos está a tela do 
tablet, do smartphone. As suas características indicam que sejam muito 
mais independentes, e adaptados às novas tecnologias. Os cultos on-
line, com sua liturgia condizente com o mundo digital e sua linguagem, 
oferecem mais desafios as primeiras gerações abordadas em relação 
as gerações mais contemporâneas. Isto se dá pela naturalidade com 
que os “nativos digitais” tratam, compreendem e transitam em 
ambiente on-line, em comparação ao esforço empregado pelas 
gerações que vieram do analógico e estão sendo impelidas a vida na 
virtualidade, especialmente no campo da fé cristã, e no 
desenvolvimento da espiritualidade. A proposta deste trabalho é trazer 
à reflexão as facilidades e os desafios encontrados na prática da 
espiritualidade cristã a partir do culto on-line, levando em consideração 
as gerações humanas e suas características. 
 
Palavras-chave: Gerações; Espiritualidade; Culto; Liturgia; Fé. 
 
 
TEOLOGIA COACHING – OBSERVAÇÕES LITÚRGICAS E TEOLÓGICAS 
 
Samuel Pereira Valério 
Faculdade Evangélica de São Paulo 
samuelpvalerio@gmail.com 
 
RESUMO: A teologia cristã trata de sistematizar as principais doutrinas cristãs 
desde os primeiros séculos do Cristianismo. Diversos expoentes dedicaram 
suas vidas à esta tarefa, alguns com grande capilaridade, outros, com 
menor influência. Esta dinâmica teológica sempre foi percebida e, diante 
disto, deseja-se aqui, apresentar um fenômeno entre os cristãos 
evangélicos nos últimos anos, a Teologia Coaching. Este modo de se fazer 
teologia, absorve modelos e métodos importados de outras áreas do 
conhecimento, sobretudo a psicologia, a economia e o marketing. É 
sabido que, em uma era pós-moderna, as ciências contemporâneas 
apresentam metodologias cada vez mais diversificadas. No caso da 
Teologia Coaching, o método é esta incorporação do estímulo, da 
centralidade do indivíduo, utilizando suas potencialidades como forma de 
atingir uma vida financeira prospera. Ainda, o marketing, é uma 
ferramenta importante neste processo, uma vez que a pessoa necessita 
expor suas ideias em um mundo cada vez mais digital. O resultado desta 
mescla de conteúdos, é um tipo singular de modelo eclesiástico 
evangélico que tem emergido no século 21. Igrejas que o enfoque está no 
mailto:samuelpvalerio@gmail.com
 
139 
ser humano, remodelando o que conhecíamos como igreja, que 
enfatizava a coletividade. Apresentar-se-á dois expoentes deste modelo, 
o pastor e coaching Tiago Brunet e o pastor Carlito Paes. Brunet promove 
eventos com o enfoque do coaching, sendo mentor de diversas pessoas, 
entre elas, algumas celebridades. Paes, por sua vez, desenvolveu a Rede 
Inspire, angariando pastores e líderes das mais diversas denominações e, a 
rede tem se tornado uma espécie de denominação interdenominacional, 
onde apresenta modelos de uma igreja influente para o nosso tempo. 
Como fruto dessas influências, muitas igrejas rompem teológica e 
liturgicamente com suas denominações, promovendo seus trabalhos de 
forma autônoma, na comunidade local, suas mensagens sempre são 
motivacionais e as liturgias cúlticas, antropocêntricas. 
 
Palavras chaves: Teologia Coaching; Pós-modernidade; Igreja; Teologia; 
Liturgia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
140 
 
 
ST 12 – NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS E 
ESPIRITUALIDADES LAICAS 
 
Clóvis Ecco 
PUC Goiás 
clovisecco@uol.com.br 
 
Claudia Danielle de Andrade Ritz 
PUC Minas 
claudiaritz7@gmail.com 
 
Fábio L. Stern PUC SP 
omarperrout@yahoo.com.br 
 
Omar Lucas Fortes de Sales 
Faculdade Alfa Unipac 
omarperrout@yahoo.com.br 
 
Esta ST objetiva acolher trabalhos que visam compreender as 
características assumidas pela religião na sociedade contemporânea, 
a partir de diferentes perspectivas teóricas no âmbito das ciências 
sociais e da religião. Almeja lançar luzes sobre as bricolagens e 
interlocuções feitas pelos novos modos de lidar com os novos modos de 
expressão/vivência da espiritualidade, as denominadas espiritualidades 
laicas– entre as quais o advento dos sem religião, nova era e dos novos 
movimentos religiosos – e os processos de privatização da religião. 
Pretende-se reunir tanto trabalhos que lidam com dados empíricos, 
como também aqueles que levantam questões teóricas pertinentes, 
suscitando o diálogo com outras ciências. Serão aceitas comunicações 
frutos de pesquisa sobre as novas formas de espiritualidade, os “novos 
movimentos religiosos” e as transformações, arranjos, rearranjos, 
mailto:clovisecco@uol.com.br
mailto:claudiaritz7@gmail.com
mailto:omarperrout@yahoo.com.br
mailto:omarperrout@yahoo.com.br
 
141 
diálogos e interlocuções feitas no âmbito das espiritualidades não 
religiosas com vistas à constituição de sentido. 
 
 
A LITERATURA DA MULHER E A CONTINUIDADE DO SER 
 
Marta Bonach Gomes 
PUC Goiás 
marthabonach@gmail.com 
 
Clóvis Ecco 
PUC Goiás 
clovisecco@uol.com.br 
 
RESUMO: A partir de uma interpretação integrada entre a literatura, 
religião e arte estabeleceu-se uma análise do Poema ‘Todas as Vidas’ 
da escritora goiana Cora Coralina. A autora lírica goiana dá voz ao 
corpo feminino de maneira a afastar-se do jugo patriarcal. O textode 
abertura trata-se da poética de uma mulher da terra, empoderada de 
si e de uma linguagem a uma nova possibilidade de articulação 
feminina universal e expressa linhas de força numa imersão na vida de 
seu ser cotidiano-comum ‘mulher do povo’. Ela vem lá do sertão com o 
vislumbre da interpretação do interior e com narrativas literária, espiritual 
e artística, tem-se assomado em considerável influência até os dias 
atuais na literatura feminina no Brasil contemporâneo. Ao examinar 
diferentes dimensões a partir de uma interpretação integrada entre 
memória e literatura, privilegia-se o percurso da autora sobre o 
imaginário e sobrepõe mundos diversos, caminha entre passado e 
futuro. Embora a atuação pública de Cora Coralina se localiza em 
campo artístico-cultural o texto evolui na perspectiva que transfigura a 
totalidade de sua existência. Esta via teoriza grupos sociais em sua 
concepção percorrendo por lugares na/da poesia da autora, 
clareando impasses e tendências do interior goiano. A provocação a 
ser desenvolvida na última parte do texto levanta hipóteses e pista nas 
perspectivas: de que a voz feminina literária enriquece a ação 
científica e de que historicamente, fomenta uma nova possibilidade de 
articulação da mulher do povo e suas facetas, segundo uma relação 
de presença na busca de suas raízes na tradição, cultura e 
espiritualidades, cuja obra reflete sua leitura de mundo e de si mesma. 
 
Palavras-Chave: Memória; Teorias Religiosas; Classe Social; Escrita 
feminina. 
 
mailto:marthabonach@gmail.com
mailto:clovisecco@uol.com.br
 
142 
PESSOAS SEM RELIGIÃO: AGNÓSTICOS, ATEUS E SEM RELIGIÃO COM 
CRENÇA A AUSÊNCIA DA RELIGIÃO E A ARTE COMO ASPECTOS 
IDENTITÁRIOS 
 
Claudia Danielle de Andrade Ritz 
PUC Minas 
claudiaritz7@gmail.com 
 
RESUMO: Esta comunicação é parte integrante da pesquisa de 
doutorado que versa sobre o fenômeno dos sem religião. Neste estudo 
apresentamos dados referentes aos agnósticos, ateus e sem religião 
com crença, por meio das contribuições destes participantes sobre as 
preferências pessoais de lazer, indicando alguns aspectos da 
identidade desses indivíduos. Consideramos a identidade como um 
processo dinâmico e parte integrante da (re)composição da memória 
do indivíduo. As preferências de lazer nos permitem conhecer traços da 
identidade pessoal. A metodologia utilizada foi mista, composta pelos 
referenciais teóricos de Danièle Hervieu-Léger (2015) e Stuart Hall (2019), 
além da pesquisa de campo realizada por questionário estruturado 
digital com discentes da PUC Minas. A partir das contribuições dos 
agnósticos, ateus e sem religião com crença, notamos que as atividades 
compreendidas no escopo da arte são privilegiadas por estes indivíduos. 
Outrossim, verificamos que não houve menção à religião, tampouco às 
práticas religiosas e/ou espirituais como preferência pessoal. De acordo 
com os dados, concluímos que há um sugestivo esvaziamento da 
religião nas preferências pessoais dos indivíduos sem religião, 
confirmando a fragilização da herança religiosa nesses indivíduos e 
significativo processo de desinstitucionalização e recomposição da 
memória religiosa. 
 
Palavras-chave: Agnósticos; Ateus e sem religião com crença; 
identidade; Arte; Religião; Desinstitucionalização. 
 
 
NOVAS RELIGIÕES E PRÁTICAS ALIMENTARES: CONSIDERAÇÕES SOBRE A 
SEICHO-NO-IE DO BRASIL 
 
João Paulo P. Silveira 
UEG 
joao.paulo@ueg.br 
 
RESUMO: Esta comunicação discute alguns resultados de pesquisa 
dedicada à compreensão das coordenadas alimentares propostas 
mailto:claudiaritz7@gmail.com
mailto:joao.paulo@ueg.br
 
143 
pela Seicho-no-ie, nova religião de origem japonesa fundada no Japão, 
em 1930, por Masaharu Taniguchi. A partir do diálogo entre os estudos 
das religiões e aqueles a respeito da alimentação, compreende-se que 
as inovações religiosas contemporâneas podem responder às 
interpelações produzidas pela crise do aparelho normativo que 
estruturava as práticas alimentares nas sociedades tradicionais, isto é, 
inovações religiosas como a Seicho-no-ie podem ofertar a sensação de 
segurança no contexto das ansiedades e discursos diversos e 
contraditórias que caracterizam o que os sociólogos chamam de 
“modernidade alimentar”. Assim como outras novas religiões e 
espiritualidades menos institucionais que advogam uma cosmologia 
holística, a Seicho-no-ie propõe o abandono da dieta carnívora. Sua 
doutrina insiste na relação harmoniosa entre a humanidade e o restante 
da natureza a partir da mesa. Ao vincular a realização espiritual às 
práticas alimentares, a Seicho-no-ie testemunha a presença da religião 
em aspectos da experiência contemporânea que, usualmente, são 
negligenciadas por abordagens habituadas às configurações e 
instituições religiosas majoritárias. 
 
Palavras-chave: Seicho-no-ie; Novas Religiões Japonesas; Alimentação. 
 
 
TEOLOGIA PÚBLICA: O AVANÇO DOS EVANGÉLICOS NA BAIXADA 
FLUMINENSE E OS IMPACTOS CULTURAIS E SOCIAIS 
 
Carlos Alberto da Silva Barreto 
Estácio de Sá 
casbseguros@hotmail.com 
 
RESUMO: Os últimos trinta anos percebe-se notoriamente o avanço 
demográfico e espacial urbano por parte dos evangélicos na Baixada 
Fluminense segundo o IBGE 2010, impactando o cenário cultural e as 
questões sociais a partir de uma pluralidade denominacional com 
teologia, doutrina e uso e costumes diversos, que vem ocupando 
espaço religioso de forma protagônica em relação as outras crenças. 
Mesmo que o censo realizado pelo IBGE indique a majoração de 
católicos, em alguns municípios da Baixada Fluminense no Rio de 
Janeiro observa-se muito mais templos evangélicos do que igrejas 
católicas, também as religiões de matrizes africanas deu uma reduzida 
nos últimos vinte anos, contribuindo para uma inserção cultural e social 
de âmbito evangélico, como por exemplo, o dia da Bíblia comemorado 
por muitas igrejas evangélicas nas praças dos bairros, o dia dos santos 
católicos Cosme e Damião que povoavam as ruas de crianças atrás dos 
mailto:casbseguros@hotmail.com
 
144 
doces e hodiernamente, a maioria das crianças passam o dia nas igrejas 
evangélicas neste dia por entender que os doces distribuídos nestes dias 
são oferecidos a demônios. O objetivo desta breve comunicação visa 
compreender as mudanças em diversas esferas e como a teologia 
pública pode intermediar e dialogar dentro dos espaços evangélicos e 
demais religiões entendendo a laicidade em prol de uma sociedade 
mais saudável nas relações interpessoais e intrapessoais. A metodologia 
trata-se de uma pesquisa exploratória de caráter bibliográfico com 
informações sobre crescimento demográfico evangélico na Baixada 
Fluminense e suas transformações nas relações com outras religiões,e 
também as esferas, culturais e sociais com o diálogo de autores da 
teologia pública. Quanto aos resultados, acredita-se que nesta 
comunicação observa-se, a importância do diálogo das igrejas 
evangélicas com a teologia pública em detrimento ao avanço 
pluralizado das denominações sem uma identidade cristã, 
possibilitando uma relação ecumênica saudável na região, efetivando 
uma respeitabilidade mútua nas relações religiosas e demais esferas. 
Contudo, nesta comunicação procura observar a intermediação entre 
teologia pública para a quebra de paradigmas expondo a importância 
bíblica nas relações interpessoais e intrapessoais, resultando em bons 
frutos de amor ao próximo independente do credo religioso. Conclui-se 
que, o diálogo e praticidade da teologia pública contribua nas relações 
religiosas de forma ecumênica em prol de uma relação salutar 
mediante ao avanço significativo dos evangélicos na região da 
Baixada Fluminense. 
 
Palavras-chave: Teologia Pública; Igreja; Evangélicos. 
 
 
A RELIGIÃO E O PROCESSO DA INCLUSÃO OU DE EXCLUSÃO DA 
DIVERSIDADE AUDITIVA NA PASTORAL DO SURDO NO BRASIL 
 
 Érica Nelcina da Silva 
PUC Goiás 
 ericanellcin@gmail.comRESUMO: A inclusão dos surdos nas ações cotidianas da vida religiosa é 
um dos grandes desafios para das comunidades religiosas no Brasil. O 
objetivo deste trabalho é analisar o processo de inclusão (ou de 
exclusão) dos surdos na Igreja Católica, a partir da atuação da Pastoral 
do Surdo no Brasil. Queremos identificar as propostas político-religiosas 
de inclusão adotadas por lideranças religiosas católicas e investigar a 
participação efetiva dos surdos nas Igrejas, bem como as estratégias 
mailto:ericanellcin@gmail.com
 
145 
adotadas pelos movimentos católicos para promover a ligação dos 
surdos com o sagrado. Questionamos se a participação nas atividades 
da pastoral dos surdos colabora para que o surdo se sinta mais incluído 
socialmente, de modo a reforçar sua dignidade. A metodologia 
utilizada foi uma pesquisa online, com entrevistas semiestruturadas com 
um recorte temporal no ano de 2022, juntamente com uma pesquisa 
bibliográfica em estudos publicados sobre a tema. Seguimos quatro 
etapas nessa investigação, aprofundando em cada uma os conceitos 
e aplicando-os à pesquisa empírica: religião, exclusão, inclusão e 
Pastoral do Surdo. Os conceitos foram debatidos a partir das 
contribuições de Emile Durkheim, Max Weber, Otto Marques da Silva, 
Romeu Kazumi, Maria Teresa Eglér Mantoan, César Augusto de Assis 
Silva, Luiz Carlos Dutra, Karin Lillian, Strobel, Campanha da Fraternidade 
2006, Serge Paugam, Simon Schwartzman, além da legislação inclusiva 
que é referência nesse tema. Para melhor conhecer a realidade vivida 
pelos surdos foi realizado um estudo empírico através da aplicação de 
um questionário contendo doze perguntas abertas e fechadas. O 
questionário foi submetido a três grupos diferentes de pessoas 
envolvidas na problemática: os agentes da Pastoral dos Surdos, os 
surdos que frequentam a Pastoral dos Surdos do Brasil e lideranças 
religiosas católicas responsáveis por atividades de inclusão dos surdos. A 
pesquisa de campo foi realizada de forma não presencial, online via 
WhatsApp, nas 19 regionais da Pastoral do Surdo da Igreja Católica no 
Brasil. Foram realizadas 162 entrevistas com representantes dos três 
grupos mencionados. Além disso, foi realizada uma pesquisa com 
perguntas em Libras gravadas em vídeo e enviadas aos participantes. 
Os dados colhidos e analisados permitiram afirmar que, para os surdos, 
a Pastoral do Surdo constitui uma modalidade de inclusão na 
comunidade religiosa e, por meio dela, no restante da sociedade 
brasileira. 
 
Palavras-chave: Religião; Exclusão; Inclusão; Pastoral do Surdo. 
 
 
A IDENTIDADE RELIGIOSA E POÉTICA NA POETISA GOIANA LEODEGÁRIA 
DE JESUS 
 
Cosme Juares Moreira Streglio 
PUC Goiás 
cosmefilosofia@gmail.com 
 
RESUMO: Leodegária Brazilian de Jesus é considerada uma das primeiras 
mulheres goiana e negra a ter um livro de poesia publicado em Goiás. 
mailto:cosmefilosofia@gmail.com
 
146 
Filha de ex-seminarista, a jovem poetisa recebeu uma educação 
religiosa de qualidade e que ela desenvolvesse a habilidade para a 
contemplação e o gosto pela poesia. O objetivo da presente 
comunicação é apresentar uma análise de um poema que chama 
“Semana Santa” dividido em quatro partes: Horto, Pretório, Carregando 
a Cruz e Calvário. Tal poema se encontra no livro ‘Orquídea” produzido 
em 1928. A poetisa Leodegária, segundo Basileu França foi uma mulher 
que expressava a espiritualidade e que diante das dificuldades da vida 
nunca murmurou e se colocou em postura de escuta. Diante destas 
informações iremos apresentar a biografia da poetisa, traçando 
aspectos importantes entre a trajetória da jovem poetisa, sendo uma 
das primeiras mulheres goiana/negra a publicar um livro de poesia em 
Goiás, superando barreiras do coronelismo goiano. Ela foi fundadora e 
coordenadora de semanários e eventos culturais em Goiás, época em 
que cabia somente aos homens se manifestarem no espaço público. 
Sua opção por escrever poemas numa perspectiva religiosa ao abordar 
os sofrimentos de Cristo e como esta temática poética pode influenciar 
na vida da poetisa. Conclui-se que a poetisa ao escrever o poema 
“Semana Santa” passou por momento de maturidade pessoal e 
espiritual e que sua crença se consolida quando diante das 
dificuldades, a poetisa passa a vivenciar o sagrado no martírio e 
também na ressurreição. 
 
Palavras-chave: Leodegária; Poema; Semana-Santa; Sagrado. 
 
 
DEFESA E PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS COMO FONTE DE 
ESPIRITUALIDADE 
 
Moésio Pereira de Souza 
PUC Goiás 
pmoesio@gmail.com 
 
RESUMO: Uma das marcas do cenário pós-moderno pode ser 
identificada pela plasticidade de formas e expressões por meio das 
quais o sujeito vai se constituindo enquanto tal. Dessa forma se chega a 
recuperar um espaço propício para compreendermos a espiritualidade 
enquanto dimensão humana, antes que religiosa. O que não significa 
negar o estreito vínculo que une religião e espiritualidade. Por isso, o que 
se postula em nossa pesquisa emerge da suspeita de que a 
espiritualidade pode e deve ser um verdadeiro canal humanizador até 
mesmo para pessoas que não professam uma fé religiosa, mas 
encontram algo que lhes fornece um sentido para suas vidas. A partir 
mailto:pmoesio@gmail.com
 
147 
daí propomos que a defesa e a promoção dos direitos humanos sejam 
compreendidas como uma verdadeira espiritualidade humana e, para 
muitos, também religiosa. A pesquisa bibliográfica empreendida, tanto 
nas fontes diretamente ligadas ao tema da espiritualidade quanto ao 
dos direitos humanos, nos permitem propor essa estrada. Não faltam 
pessoas no mundo todo, de diferentes raças e religiões que encontram 
na defesa e promoção dos direitos humanos fundamentais uma razão 
de viver. Muitas são as pessoas religiosas que também se dedicam a 
esse fim impulsionadas pela sua fé que afirma que todos os seres 
humanos são criados por Deus e por isso possuem uma dignidade 
inalienável. 
 
Palavras-chave: Direitos Humanos; Espiritualidade; Religião. 
 
 
RELIGIÃO: UMA ENGENHARIA AXIOLÓGICA REFINADA À LUZ DA 
EPISTEMOLOGIA AXIOLÓGICA DE MARIÀ CORBÍ 
 
Milene Costa dos Santos 
PUC Minas 
santosmc@hotmail.com 
 
RESUMO: No espectro das relações entre religião e a cultura indaga-se: 
Por que a mudança cultural nas sociedades dinâmicas – 
tecnocientificas – transformam o valor da religião como orientadora da 
vida cotidiana? Com este objetivo assume-se que a religião carregava 
consigo um programa de valor que interpretava a realidade e orientava 
o pensar, o sentir, o agir e se engendrava como organizadora social por 
meio das narrativas mítico-simbólicas. Assume-se, também, que as 
mudanças que engendraram as sociedades tecnocientificas estão 
relacionadas a alterações na epistemologia, isto é, na maneira 
contemporânea de se conceber e manejar a realidade. Daí, faz-se 
importante refletir sobre a base da transformação do valor religioso e 
sua relação com esta mudança epistemológica. Para fazer 
aproximações possíveis e viáveis que desvelem a questão, propõem-se 
quatro reflexões, à luz da epistemologia axiológica de Marià Corbí como 
metodologia. A primeira contempla o conceito de religião nas 
sociedades pré-industriais como programa axiológico coletivo. A 
segunda desenvolve a ideia de que a religião cultiva uma 
epistemologia inadequada para as sociedades de inovação contínua, 
isto é, a epistemologia mítica. A terceira analisa que as sociedades que 
são regidas pela ciência e tecnologia exigem uma epistemologia não 
mítica e a construção de novos programas axiológicos coletivos. E, por 
mailto:santosmc@hotmail.com
 
148 
fim, conclui-se que a transformação do valor religioso como engenharia 
axiológica refinada abre espaço para aprender a ler os textos religiosos 
como patrimônio de sabedoria da humanidade e não como 
pertencentes ao domínio institucional religioso. 
 
Palavras-chave: Epistemologia axiológica;Marià Corbí; Transformação; 
Religião e cultura; 
 
 
OS PERFUMES DE HERMES: AS DIFERENTES APARIÇÕES DO DEUS NOS HINOS 
E CULTOS ÓRFICOS. 
 
Jaqueline da silva 
 
RESUMO: Durante a antiguidade Hermes era uma das divindades mais 
difundidas no imaginário grego. Isso se deve graças ao deus ser uma 
das divindades olimpianas benévolas e veneradas por todos. As fontes 
clássicas contêm a presença de Hermes de diversas formas e efetuando 
diversos tipos de aparições utilizando seus domínios em prol da narrativa 
apresentada. Porém uma fonte peculiar e pouco trabalhada em 
relação ao deus seria os Hinos Órficos atribuídos a figura de Orfeu, onde 
Hermes é o único deus que possui dois Hinos atribuídos a ele. A figura de 
Hermes é apresentada de duas maneiras completamente diferentes, 
em um ele é uma divindade benévola e Olimpiana, que abençoa e 
ajuda os homens mortais sendo também hermeneuta e trazendo a paz 
aos homens. No segundo hino, o deus é perverso e ctônico, 
encarregado de guiar Perséfone e as almas imortais dos homens. Neste 
trabalho buscaremos trabalhar a presença do deus nos Hinos Órficos, 
onde faremos um estudo comparado da divindade em suas duas 
aparições em “perfume de Hermes” e “perfume de Hermes ctônico”, 
com o objetivo de entender sua representação no imaginário grego do 
mundo antigo. 
 
Palavras-Chave: Imaginário; Representação; Símbolos; Comparação; 
Hermes. 
 
 
POLÍTICA NA PÁGINA HUMOR NEW AGE 
 
Fábio L. Stern 
PUC São Paulo 
caoihim@gmail.com 
 
mailto:caoihim@gmail.com
 
149 
RESUMO: As religiões também possuem marcadores sociológicos de 
ideologia política. Como a Nova Era é multifacetada e descentralizada, 
nem todos os praticantes têm opiniões políticas alinhadas a uma 
ideologia em particular, não sendo incomuns discursos êmicos entre os 
esotéricos de que eles não são nem de direita, nem de esquerda. 
Porém, certos aspectos do esoterismo novaerista têm sido cooptados 
por movimentos políticos, particularmente os da extrema-direita. Em 
artigo publicado na Caminhos em 2022, foi demonstrado como Luiz 
Antonio Gaspareto, um dos principais expoentes da Nova Era brasileira, 
difundia ideias do anarcocapitalismo, vertente política alinhada à 
extrema-direita. A obra de Goodrick-Clark demonstra como o nazismo 
abraçou elemento do hermetismo e outras tradições esotéricas como 
parte de uma ideologia maior que promovia o tradicionalismo, o 
nacionalismo e o autoritarismo. Do mesmo modo, Hanegraaff explica 
que enquanto um movimento de massas com capacidade de adotar 
diversas formas para se adaptar a necessidades de cada sociedade 
local, o fascismo também encontrou ressonância na Nova Era, em 
especial pelo discurso de “poder do povo”. Entretanto, a página Humor 
New Age demonstra um alinhamento político de esquerda, com piadas 
que claramente se opõem a movimentos políticos da direta. No 
presente estudo, apresentamos um estudo das piadas sobre política 
num período analisado que correspondeu de 1º de junho de 2020 a 27 
de março de 2022. 72 memes com a temática política foram 
identificados no período analisado, com 50.070 engajamentos. Ao se 
comparar o engajamento das piadas sobre política de viés esquerdista 
com os outros tipos de piadas da página, notou-se que memes sobre 
política com viés de esquerda gerava engajamentos negativos, que 
criticavam o teor antibolsonarista das piadas, dizendo que críticas ao 
Bolsonaro nada tinham a ver com a Nova Era. Em outras palavras, ainda 
que os donos dessa página em específico sejam de esquerda, o público 
novaerista que consumia seu conteúdo não gostava do teor das piadas 
que zombavam da direita brasileira, criticando o site a cada meme 
postado nesse sentido. Embora esse tenha sido um estudo pontual, 
pesquisas futuras seriam interessante para corroborar a hipótese que 
havia sido já apresentado na publicação do artigo na Caminhos, que 
apontava certa predileção do movimento da Nova Era brasileiro a 
pautas da direita política. 
 
Palavras-chave: Religião e política; Movimento da Nova Era; Religião e 
humor; Religião e Internet. 
 
 
 
150 
DO IDEAL AO REAL: A COLUNA DE SALVAÇÃO – AGRICULTURA E 
ALIMENTAÇÃO ORGÂNICA NATURAL NO JOHREI CENTER NA CIDADE DE 
GOIÂNIA 
 
Janaina Josias de Castro 
PUC Goiás 
janainajosiascastro@gmail.com 
 
RESUMO: Este estudo busca apresentar as relações entre Alimentação e 
Religião, na Igreja Messiânica Mundial (IMM), em particular no Brasil na 
unidade religiosa da cidade de Goiânia – Go, conhecida como Johrei 
Center Extensão Goiânia. A pesquisa busca interpretar e compreender 
os ensinamentos deixados pelo fundador da Igreja Messiânica Mundial 
(IMM), Meishu Sama, em relação à segunda coluna de salvação que é 
a Agricultura e Alimentação Orgânica Natural, a fim de problematizar 
as diferenças de concepções alimentares entre os brasileiros e o que é 
valorizado pela Igreja Messiânica. Logo, partimos para uma 
compreensão da trajetória de como a alimentação se constitui 
historicamente no Brasil, e mais especificamente em Goiás, o que 
chamamos de habitus alimentar, a fim de esclarecer as afinidades 
eletivas entre a motivação dos adeptos da IMMB em levar a cabo (ou 
não) a coluna de salvação voltada para a alimentação saudável. 
Como percurso metodológico, foram construídos tipos ideais dos 
sentidos possíveis atribuídos à alimentação no contexto goiano, a partir 
da história local, a fim de comparar com os sentidos atribuídos pelos 
messiânicos, a partir da reconstrução da trajetória de vida e observação 
participante dos membros do Johrei Center Extensão Goiânia. Para a 
análise utilizou-se cinco tipos ideais do ethos goiano fundado no habitus 
caipira: ligado ao consumo de alimento natural; ligado ao sustento; 
ligado ao status; pouco habituado a alto investimento em alimentação; 
espiritualialista e ecológico. 
 
Palavras-chave: Religião; Alimentação; Agricultura orgânica natural; 
Messiânicos. 
 
 
A CIDADE E A MEMÓRIA COLETIVA COMO FOMENTADORAS DA 
SOCIABILIDADE ENTRE OS/AS ROQUEIROS/AS SEM RELIGIÃO NAS TRIBOS 
URBANAS HEADBANGERS EM BELO HORIZONTE 
 
Flávio Lages Rodrigues 
PUC Minas 
flavioposttrevor@yahoo.com.br 
mailto:janainajosiascastro@gmail.com
mailto:flavioposttrevor@yahoo.com.br
 
151 
 
RESUMO: Nesta comunicação apresentamos um fragmento do capítulo 
2 da tese de doutorado, com as possibilidades que a cidade e a 
memória coletiva podem fomentar na sociabilidade dos diversos grupos 
sociais e das tribos urbanas. No recorte proposto, analisamos como a 
cidade com seus diversos locais, aparelhos públicos e seus limites 
geográficos, podem de alguma forma potencializar a socialidade dos 
diversos grupos sociais que compõem o tecido urbano, no qual, o 
contexto citadino se apresenta como espaço fértil para a construção e 
vivência de uma memória coletiva com as diversas agremiações 
sociais. Nossa hipótese procurou identificar se há algum tipo de 
espiritualidade não religiosa na sociabilidade que é gerada na 
solidariedade dos/as roqueiros/as sem religião que estão nas tribos 
urbanas headbangers em Belo Horizonte. A metodologia utilizada nesta 
parte da pesquisa ocorreu com a revisão bibliográfica e teve como 
principal teórico o sociólogo francês Michel Maffesoli. Quanto à 
ocorrência da espiritualidade não religiosa na solidariedade gerada 
pela música rock, com o heavy metal e seus subgêneros entre os/as 
roqueiros/as sem religião, nossa hipótese foi comprovada pela maioria 
dos participantes da pesquisa, o que também foi verificado com a 
cidade como geradora desse tipo de espiritualidade não religiosa. No 
entanto, salientamos que isso não ocorreu de forma unânime. A 
pesquisa também contribui para as Ciências da Religião, ao ver o grupo 
dos/as roqueiros/as sem religião não mais com uma prática individual 
no contexto de uma grande cidade, mas aponta neste caso, para 
contornos que tomam forma coletiva com a criaçãode uma memória 
que é própria desse grupo. 
Palavras-chave: Cidade e memória coletiva; Roqueiros/as sem religião; 
Espiritualidade não religiosa e solidariedade. 
 
 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS: ASPECTOS DA 
ESPIRITUALIDADE NO ENEAGRAMA 
 
Paulo Sérgio de Souza 
PUC Goiás 
freipaulosergio@gmail.com 
 
RESUMO: Este breve estudo tem como escopo apresentar o Eneagrama, 
uma tradição oral antiquíssima que, atravessando os séculos e a história, 
chegou até nós de maneira a expandir conhecimento e colaborar com 
o desenvolvimento da humanidade. A metodologia aplicada será a 
revisão de literatura, apresentando aspectos históricos e a construção 
mailto:freipaulosergio@gmail.com
 
152 
desta ferramenta, denominada por muitos como um mapa 
psicoespiritual, devido sua grande abrangência. O objetivo do estudo é 
apresentar como a Espiritualidade é percebida nos estágios mais 
avançados do Eneagrama, justamente quando se faz necessário ao 
indivíduo romper com a personalidade (Tipos), estabelecendo uma 
abertura à consciência. Algumas práticas espirituais como a meditação 
e respiração consciente favorecem esta comunhão com o 
Transcendente. Dessa maneira, o Eneagrama capacita o indivíduo a 
romper com as crenças limitantes e a desconstrução da falsa imagem 
de Deus enquanto projeção do seu próprio Tipo. 
 
Palavras-chaves: Eneagrama; Espiritualidade e Eneagrama; 
Desenvolvimento humano. 
 
 
AS NOVAS IDENTIDADES RELIGIOSAS - COMPREENSÃO DO FENÔMENO 
DAS PESSOAS SEM RELIGIÃO NA CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES FLUÍDAS 
 
Angela Trombetta 
Graduanda em Direito – PUC Goiás 
angelatrombetta.tr.at@gmail.com 
 
RESUMO: O objeto aqui estudado reside no fenômeno de manifestação 
das identidades religiosas que chamou atenção de pesquisadores de 
todo o Brasil, desde o Censo do IBGE em 2010. Conhecido 
academicamente como fenômeno dos “sem religião”, trata da 
crescente construção fluída das identidades religiosas, no qual as 
pessoas não mais se identificam com as instituições religiosas 
tradicionais, entretanto, buscam ainda sentido religioso para a vida, 
sentido esse que não é mais passado de forma tradicional, mas sim 
construído segundo a trajetória do sujeito que se enxerga como “sem 
religião”, ainda que possui religiosidade. A proposta desta pesquisa é 
observar o fenômeno sob a perspectiva sociológica e das ciências da 
religião, que estudam a configuração e construções de identidades 
fluídas em face às consequências da modernidade, objetivando 
entender as razões pelas quais o grupo de pessoas que tem fé e rompe 
com as instituições religiosas cresce continuamente no Brasil e no 
mundo. A metodologia empregada localiza-se na contribuição 
científica do método crítico de teste dedutivo, produzindo contribuições 
que não pretendem ser cristalizadas e irrefutáveis, mas sim, fazer parte 
de constante acúmulo no fazer científico. Busca também os significados 
sociológicos e religiosos desses eventos em grupos sociais que se 
fundamentam nas próprias características da modernidade e 
mailto:angelatrombetta.tr.at@gmail.com
 
153 
construção de identidades, baseando-se método qualitativo de 
observação do fenômeno e das falas dos sujeitos que vivificam o 
mesmo. Foi observado que a sociedade moderna tem sido 
caracterizada por mudanças significativas nas tradições religiosas, o 
que tem resultado em um crescente movimento de crítica, e, por vezes, 
até mesmo a quebra do elo com as instituições religiosas tradicionais, 
criando novas formas de expressar sua fé. Uma das importantes 
características da modernidade que ecoam nas identidades religiosas 
é a reflexividade, detalhada por Giddens (1991), explica como na 
modernidade as pessoas têm mais poder para moldar suas próprias 
vidas, criando novas formas de expressão de religiosidade que se 
adequam aos seus pensamentos e experiências pessoais ao invés de se 
basearem às regras das instituições religiosas tradicionais. 
 
Palavras-chave: Identidades fluídas; Sem religião; Identidades religiosas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
154 
 
ST 13 – JUVENTUDES E RELIGIOSIDADES: INTERFACES, 
CENÁRIOS E TENDÊNCIAS 
 
Igor Adolfo Assaf Mendes 
Centro Universitário UMA 
assaf.igor@gmail.com 
 
Flávio Munhoz Sofiati 
UFG 
sofiati@gmail.com 
 
Joilson de Souza Toledo 
PUC Goiás 
mistagogo@yahoo.com.br 
 
As juventudes são nas sociedades contemporâneas como um espelho 
que permite ver de forma ampliada tendências e perspectivas 
presentes. Também são significativas produtoras de expressões artísticas 
onde manifestam várias maneiras de ser jovem e, em algumas situações, 
de vivenciar o sagrado. Nas juventudes, igualmente, residem forças 
sociais que grupos, tendências e movimentos disputam buscando 
acioná-las para suas causas e agendas. Desta forma, a investigação 
sobre a interface juventudes e religiosidades é instrumento importante 
para a ampliação da compreensão a respeito da sociedade 
contemporânea ao apresentar tendências e perspectivas para os 
fenômenos sociais. O Programa de Pós-graduação em Ciências da 
Religião da PUC Goiás tem o legado de promotor dessas perspectivas 
ao longo de mais de duas décadas de existência e contribuiu 
significativamente para as pesquisas sobre a interface juventudes e 
religiosidades, em especial no campo do Cristianismo da Libertação. 
Atualmente é um dos PPG com maior concentração de pesquisas nesse 
tema na área de Ciências da Religião e Teologia. Sendo assim, este 
mailto:assaf.igor@gmail.com
mailto:sofiati@gmail.com
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
 
155 
simpósio temático se propõe a acolher pesquisas que versem sobre a 
interface juventudes e religiosidades, em especial as que tratem sobre 
as produções artístico-culturais, nos vários campos do saber. 
 
 
A JUVENTUDE E O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO: O RETROCESSO DE UMA 
POLÍTICA DESUMANIZADORA 
 
Tiago Sant’Ana Cezar 
PUC RIO 
tiagosantanacezar@gmail.com 
 
RESUMO: Nos últimos cinco anos temos presenciado um engajamento 
político por parte da juventude que assombra os progressos adquiridos 
nos tempos de esperança democrática. Jovens que não apenas 
flertaram, mas absorveram e proclamaram em alto e bom som, os 
discursos fundamentalistas, acentuando os retrocessos de uma 
metafisica violenta, unilateral, antidemocrática, que carrega sobre si, a 
alcunha de protetora da verdade absoluta, mas que 
contraditoriamente, endossa os corredores das fake News. Os seus 
discursos herméticos anulam o saber dialogal, como é próprio do 
fundamentalista, pois a verdade é apenas a sua, não há o que acrescer 
com as diferenças. O engajamento da práxis cristã, por sua vez, é 
mantida com suspeita e denunciada como mera atitude a 
propagandear uma política partidária. Inclinar-se diante da causa do 
necessitado é, para esses, uma bandeira assistencialista. A aporofobia 
segue resoluta nas conversadas eivadas de meritocracia. O reino de 
Deus e a esperança que este anuncia ao mundo é reduzida a um 
conjunto de dogmas e ritos repetidos ao comando da classe 
dominante. Saímos de um tempo de descrença em Deus, para a pós-
modernidade que se abre a experiência do Sagrado no conjunto de 
suas percepções e, por fim, numa anacronia existencial, vemos diante 
de nossos olhos os bastiões da Idade Média construindo a imagem de 
Deus à semelhança dos seus famigerados e violentos Imperadores que 
subjugavam religiosa, econômica e socialmente, homens e mulheres 
das terras conquistadas. Portanto, qual seria algumas justificativas para 
o retorno de um movimento religioso autocentrado nas demandas 
exclusivamente religiosas e não humanizadas? Por que o 
fundamentalismo religioso ainda inflama e conclama novas vozes? 
Qual a ligação do Bolsonarismo e as juventudes cristãs? A presente 
comunicação parte de uma pesquisa em andamento que intenta 
investigar a juventude cristã, apartir da das expressões da violência 
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
 
156 
discursiva e prática. Apresenta objeto, hipóteses iniciais, ferramentas, 
análise e inquietações advindas dos primeiros passos da pesquisa. 
 
Palavras-chave: Fundamentalismo; Juventude; Bolsonarismo; Violência; 
Reino de Deus. 
 
 
“É PRECISO ORGANIZAR A ESPERANÇA”: UMA FERRAMENTA CONCEITUAL 
PARA A INVESTIGAÇÃO SOBRE A PASTORAL DA JUVENTUDE 
 
Joilson de Souza Toledo 
PUC RIO 
mistagogo@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Em 2023, a Pastoral da Juventude (PJ) celebra 50 anos das 
primeiras tentativas de articulação nacional. Nestas décadas, a referida 
pastoral tem possibilitado aos jovens dos mais diversos recantos deste 
país espaços para a vivência do seguimento de Jesus no compromisso 
com os empobrecidos. A partir da herança da Ação Católica e em 
profunda sintonia com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a PJ 
desenvolveu uma metodologia e uma práxis que bebe e expressa a 
Teologia da Libertação e nos últimos anos o pontificado do Papa 
Francisco. As trajetórias de vida iniciadas a partir desta experiência 
pastoral têm contribuído com inúmeras lideranças para o campo 
popular democrático brasileiro e na vivência de uma Igreja pobre e 
serva. Quais esperanças mobilizam os jovens contemporâneos de 
periferias urbanas a aderirem a proposta da PJ? Quais esperanças estes 
trazem e de que forma elas dialogam a grande esperança cristã, o 
Reino de Deus? Em tempos em que o Brasil mostra-se mais conservador 
do ponto de vista acadêmico e pastoral urge perguntar sobre o que 
mobiliza os jovens que atualmente estão na PJ. A academia, os 
movimentos populares, a igreja e todas as pessoas democráticas veem-
se desafiados a todos os campos organizar a esperança. Nossa pesquisa 
dedica-se mais especificamente a investigação sobre as esperanças 
que mobilizam os jovens da PJ num contexto metropolitano, na 
interface, na sociologia das juventudes, da sociologia da religião e da 
eclesiologia. A presente comunicação parte de uma pesquisa em 
andamento que intenta investigar a PJ a partir da categoria esperança. 
Apresenta objeto, hipóteses iniciais, ferramentas, análise e inquietações 
advindas dos primeiros passos da pesquisa. 
 
Palavras-chave: Reino de Deus; Pastoral da Juventude; Esperança; 
Pesquisa; Engajamento. 
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
 
157 
JUVENTUDE E FOLIAS DE REIS: A REALIDADE DAS PERIFERIAS E O 
CRESCIMENTO DA DEVOÇÃO NO PÓS LIBERAÇÃO SANITÁRIA DA 
PANDEMIA DA COVID-19 
 
Verônica Inaciola costa Farias da Cruz 
UNICAP 
Inaciola.cederj@gmail.com 
 
RESUMO:Os grupos de devoção populares, principalmente os que foram 
fundados no catolicismo, como as Folias dos Santos Reis, e que por 
contingências eclesiásticas sofreram um afastamento das suas 
origens, resistem nas suas práticas rituais. Os que migraram do território 
rural para o território urbano, tiveram, mais ainda, que reinventar a 
tradição por conta das diferenças culturais, agravadas pelos conflitos 
sociais existentes e a mudança no campo religioso, principalmente a 
disputa por hegemonia religiosa dos neopentecostais. O 
deslocamento desses grupos aconteceu para a periferia das cidades 
há mais de sessenta anos e embora tenham recriado a tradição e 
estabelecido sua cultura em um entre -lugar, um lugar imaginário 
onde as metáforas garantem a ambivalência dos discursos e da 
preservação da memória, os apelos de uma cultura de massa e o 
descaso atribuído a essa religiosidade popular, e também o status 
oferecido pela teologia da prosperidade, colocam em ameaça a 
continuidade dessa tradição, pois os jovens, herdeiros dessa tradição 
religiosa não encontram atrativos e incentivos para continuá-la. Os 
modelos de empoderamento que lhes são apresentados não 
valoriza a sua raiz cultural. Neste contexto de resistência e 
renovação desses devotos dos Santos Reis, pois é essa devoção que 
faz com que as Folias de Reis sejam mantidas com seus rituais que 
não se desvincularam do mito que a concebeu, é que 
pretendemos com esse trabalho expor um fenômeno que vem 
ocorrendo nos festejos desses grupos, que é a participação de um 
grande numero de jovens, tanto como foliões- devotos, como 
espectadores, pois há muitos anos isso não acontecia. Em pesquisa 
de campo que estamos realizando, podemos perceber um aumento 
considerável de participação desses jovens, principalmente após as 
impingências, causadas pela pandemia da Covid-19. Neste sentido é 
que estamos buscando diagnosticar como se deu essa adesão. 
 
Palavras- chave: Juventude; Devoção; Folia de reis; Continuidade. 
 
 
mailto:Inaciola.cederj@gmail.com
 
158 
ESPIRITUALIDADE MARIANA SOB A ÓTICA DAS PJS: UMA LEITURA 
SOCIORRELIGIOSA 
 
Denny Junior Cabral Ferreira 
UFPA 
denny.ferreira@ifch.ufpa.br 
 
Luísa de Lucas 
PUCRS 
marialuisa@notredame.org.br 
 
RESUMO: Na Exortação pós-sinodal Christus Vivit, o Papa Francisco 
dedica parágrafos significativos à jovem de Nazaré, salientando seu 
modelo de santidade, sua importância na História da Salvação e como 
os jovens podem ter nela uma fonte inesgotável de inspiração. Maria é 
o protótipo para uma Igreja jovem, que deseja seguir Cristo com alegria, 
coragem e fé. Ela era muito jovem quando recebeu o anúncio do anjo 
(entre 14 e 16 anos), não se coibindo de fazer perguntas (cf. Lc 1, 34). 
Mas tinha uma alma disponível e disse: “Eis a serva do Senhor” (Lc 1, 38) 
(cf. ChV 43). Maria é inspiração para as juventudes, como se percebe 
em tantos grupos de evangelização como as Pastorais da Juventude na 
Igreja Católica no Brasil e América Latina (PJ’s). Ao tratar da 
espiritualidade mariana, é impossível não lembrar de Maria como a 
Negra Mariama, como um exemplo singular de jovem, modelo de 
seguimento, inspiração de uma juventude comprometida e 
revolucionária, que entrega sua existência para a humanidade, com 
ousadia de sair e transpor montanhas. Esta comunicação objetiva 
apresentar parte da investigação realizada nos estudos sobre a 
Mariologia da Juventude, tendo como corpus de pesquisa documentos 
eclesiais, materiais elaborados pelos jovens das PJ’s sobre a 
espiritualidade mariana, bem como registros de experiências 
vivenciadas em romarias a santuários marianos, além de observação 
analítica por parte da assessoria que possibilitará investigar a 
experiência dos jovens e suas devoções a partir da categoria do 
sagrado feminino. Como resultado, observa-se o resgate da figura de 
Maria como “influencer” no discipulado, a relação dela com os 
arquetipos de mãe, discípula e companheira, bem como a valorização 
das figuras femininas que alimentaram e alimentam a história humana. 
Conclui-se que reconhecer, em tantas Marias, mulheres autoras da 
transformação social e construtoras de ousados horizontes com o rosto 
jovem e marial, torna-se uma inspiração para construir uma nova cultura 
pautada por relações justas e igualitárias. Dessa forma, favorece-se uma 
espiritualidade proposta pelos e aos jovens das PJ’s numa chave 
mailto:denny.ferreira@ifch.ufpa.br
mailto:marialuisa@notredame.org.br
 
159 
hermenêutica, pois evidencia uma dinâmica sociorreligiosa pujante 
salvo às críticas de alas conservadores e tradicionalistas da Igreja 
Católica. 
 
Palavras-chaves: Espiritualidade juvenil; Mariologia; Pastorais da 
Juventude; Sagrado feminino. 
 
 
JUVENTUDE TERESIANA: A IDENTIDADE EXPRESSA NO VERBO TERESIANAR 
 
 
Alecsandra Pina de Oliveira 
PUC Goiás 
alecsandrastj@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Das muitas características que marcam as juventudes, destaco 
sua capacidade criativa de reiventar-se e provocar mudanças nos 
espaços que vão ocupando. A pesquisa, em andamento, apresenta a 
trajetória de dez anos do grupo juvenil Juventude Teresiana(JT) que, em 
seu projeto inicial, “Escola de Formação para Adolescentes e Jovens”, 
nasceu em resposta a uma demanda vocacional da Instituição 
Religiosa católica: Companhia de Santa Teresa de Jesus no Brasil, com 
o objetivo de ter ingresso de jovens para a congregação e lideranças 
para fortalecer o Movimento Teresiano de Apostolado. Buscarei 
identificar, a partir da leitura e análise dos registros internos do grupo e 
da Instituição, escuta dos jovens e irmãs que compõe atualmente a 
equipe de coordenação nacional da JT, elementos que compõe a 
identidade do grupo: o que permaneceu e se solidificou nesta trajetória, 
bem como o que foi sendo necessário agregar para que o grupo se 
mantivesse diante da rotatividade dos jovens e irmãs que os 
acompanha. A hipótese é de que, nestes dez anos da JT, houve um 
impacto direto na forma como a congregação conduziu seu trabalho 
de acompanhamento aos jovens no Brasil, uma vez que estes não 
corresponderam às expectativas contidas no projeto inicial, formando 
assim uma nova identidade, um novo grupo. Atualmente a JT se 
identifica como “grupos de jovens de diferentes realidades, que 
mantendo suas características locais, culturais e estilos próprios de ser, 
somam a sua prática elementos do Carisma Teresiano”. Ao final deste 
percurso será verificado a hipótese e apresentado os principais 
elementos que compõe a identidade do grupo. 
 
Palavras-chave: Juventudes; Identidade; Ressignificar 
 
mailto:alecsandrastj@yahoo.com.br
 
160 
 
JUVENTUDES CRISTÃS: LOUCOS/AS POR JESUS 
 
Gislene Rangel Evangelista 
UFMG 
gislenerangel@gmail.com 
 
RESUMO: Neste texto compreende-se que os espaços religiosos são 
formativos e atuam nos modos como os sujeitos se conduzem frente aos 
ensinamentos ali disseminados. Esses espaços são formados por 
currículos diversos que buscam evangelizar os indivíduos. Compreende-
se, também. que um currículo é composto por saberes e conhecimentos 
intencionalmente selecionados e que essa seleção atua na produção 
daquilo que somos e nos tornamos (SILVA, 2005). Desse modo, nesse 
texto, que é um recorte de uma pesquisa mais ampla, buscou-se 
analisar que tipo de sujeito jovem é produzido no Currículo da Célula 
evangelizadora. Ao indagar como os/as jovens se produzem em um 
espaço religioso, busquei nos estudos da ética foucaultiana, sobretudo 
no cristianismo, compreender como se fabrica um sujeito. Considerando 
isso, mantive o olhar atento às práticas produzidas e ensinadas no 
Currículo da Célula evangelizadora para identificar e analisar que tipo 
de jovem elas produzem. Assim sendo, busquei analisar as 
características que compõem o/a jovem produzido/a no currículo 
investigado e como ele/a deve se conduzir. Tendo isso em vista, procurei 
compreender nesse currículo quais são as marcas constitutivas do sujeito 
jovem nele produzido. Faz-se necessário esclarecer que a perspectiva 
de currículo aqui adotada faz-nos entender currículo como um discurso 
e, como tal, desdobra-se em múltiplos espaços e em diferentes 
pedagogias (PARAISO, 2010). Para realização da pesquisa, investiguei 
um grupo de célula protestante, onde semanalmente jovens se reuniam 
para estudar a bíblia e desenvolver práticas de evangelização. 
Considerando a relação dos/as jovens com as tecnologias digitais e o 
modo com as instituições religiosas se apropriaram do ciberespaço para 
a evangelização juvenil, uma página do Instagram utilizada pelo 
mesmo grupo também foi investigada. O arranjo entre as práticas 
exercidas nas reuniões presenciais e as interações que ocorreram no 
ciberespaço nomeei de Currículo da Célula evangelizadora. Desse 
modo, elementos da pesquisa narrativa, da netnografia e da análise do 
discurso de inspiração foucaultiana foram acionados para a 
composição da metodologia utilizada. O argumento desenvolvido é 
que no Currículo da Célula evangelizadora produz-se o/a jovem 
cristão/ã que deve ser louco/a por Jesus. Um/a jovem que irá se 
distinguir dos/as demais porque seu estilo de vida renunciará aos 
mailto:gislenerangel@gmail.com
 
161 
padrões do mundo em que vive. Que deve se conduzir de modo a se 
preparar para experimentar a vida eterna, algo que só será possível à 
medida em que ele/a morrer para as próprias vontades. Para a 
produção dessa posição de sujeito, torna-se necessário ensinar duas 
premissas fundamentais que a constituirão: a santidade e a obediência 
a Deus. O/a jovem cristão/ã acredita que a santidade é o caminho 
para aceder à Deus. Ele/a deve se santificar, e para se conduzir desse 
modo será necessário que ele/a se torne obediente a Deus. A partir 
desse estudo, conclui-se que, objetivando a produção do/a Jovem 
cristão/ã que se sanifica e obedece, práticas de governo e 
autogoverno entram em funcionamento no currículo prescrevendo a 
conduta juvenil. 
 
Palavras-chave: Juventude; Currículo; Ciberespaço; Evangelização. 
 
 
CATOLICISMO EM GOIÂNIA: NOTAS SOBRE EDUCAÇÃO RELIGIOSA A 
PARTIR DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA 
 
Flávio Munhoz Sofiati 
UFG 
sofiati@gmail.com 
 
RESUMO: Nesta comunicação analisa-se a catequese desenvolvida 
com jovens na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, situada na cidade 
de Goiânia/GO. Através da etnografia, busca-se compreender a 
catequese como um espaço produtor de processos educativos não 
formais na instituição católica, vislumbrando identificar as 
representações sociais e identidades construídas desde a educação 
religiosa, especialmente no contexto de intensificação do pluralismo e 
do trânsito religioso. A proposta é mapear as estratégias acionadas pelo 
catolicismo goianiense para ressignificar práticas e se apropriar de 
múltiplos signos visando manter a pertença, difundir tradições e evitar a 
perda de fiéis. Portanto, a comunicação empreende uma tentativa de 
analisar a catequese desenvolvida com jovens em uma paróquia local. 
O principal objetivo aqui é compreender analiticamente a catequese 
enquanto um espaço fundamental da instituição católica na 
elaboração de um complexo sistema de ensino-aprendizagem que 
pode ser situado no interior de processos educativos não formais. 
Processos esses cujo objetivo é constituir comportamentos 
caracterizados por múltiplos aspectos. Com isso, o que se vislumbra é 
perceber e identificar como representações sociais e identidades se 
constroem através da educação religiosa, bem como o lugar que esta 
mailto:sofiati@gmail.com
 
162 
última assume no contexto de intensificação do pluralismo e do trânsito 
religioso. Por esse caminho, a proposta é, também, mapear as 
estratégias adotadas pela Igreja Católica no sentido de (re)significar 
suas práticas e acionar outros signos, inclusive aqueles considerados 
seculares, como táticas para envolver, difundir suas tradições e 
assegurar o compromisso religioso ante a crescente tendência de 
desinstitucionalização de fiéis, especialmente os mais jovens. A partir 
disso, a intenção da comunicação é de colaborar com a compreensão 
da realidade do catolicismo na cidade de Goiânia/GO, e assim refletir 
sobre o demasiado interesse da IC em fortalecer a educação religiosa 
desde a base e a sua entrada no jogo de negociações com os 
interesses juvenis como caminho para frear a adesão às múltiplas 
pertenças. Por fim, constatou-se que, por meio da catequese, a 
instituição aposta na negociação com os interesses juvenis e na 
realização de concessões que operam de modo a enfrentar a 
desinstitucionalização. 
 
Palavras-chave: Religião; Catolicismo; Juventude; Educação não 
formal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
163 
 
ST 14 – RELIGIÃO, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE: A BUSCA 
DE SENTIDOS QUANDO A VIDA ESTÁ EM RISCO 
 
Carolina Teles Lemos 
PUC Goiás 
cetelemos@uol.com.br 
 
Gilson Xavier de Azevedo 
UEG 
gilsoneduc@yahoo.com.br 
 
Rosana Maria Ferreira Borges 
PUC Goiás 
rosanamfborges@gmail.com 
 
GustavoCortez Fernandez 
PUC Goiás 
gustavo.cortezf@hotmail.com 
 
Inúmeras pesquisas têm demonstrado que desde os primórdios da 
humanidade a relação entre religião, espiritualidade e saúde é muito 
estreita. Muitas civilizações antigas desenvolveram seu serviço de saúde 
na figura de um sacerdote médico, como, por exemplo, o poder divino 
de cura nas figuras dos xamãs, dos pajés das tribos indígenas, dos 
druidas das antigas civilizações europeias e dos curandeiros e feiticeiros 
das tribos africanas e da Oceania. Do ponto de vista da experiência 
religiosa e de saúde das pessoas, nos momentos limites da existência, 
ocorre uma busca intensa pela espiritualidade, visando reestabelecer o 
significado profundo da vida. A constituição desta ST vem da 
consciência e da oportunidade de se promover novos saberes e trocas 
entre o âmbito das Ciências da Religião e pesquisas em 
espiritualidade/religiosidade (E/R) e saúde. Apesar do grande número 
mailto:cetelemos@uol.com.br
mailto:gilsoneduc@yahoo.com.br
mailto:rosanamfborges@gmail.com
mailto:gustavo.cortezf@hotmail.com
 
164 
de estudos apontarem a relevância da E/R na saúde, a integração 
dessa dimensão nas práticas do cuidado permanece um desafio e, por 
isso, o objetivo desta ST é fomentar a troca de conhecimento, diálogo e 
reflexão teórica e empírica entre pesquisadores e pesquisadoras que 
investigam a interface entre E/R e saúde. Assim, a ST acolherá estudos 
empíricos e teóricos que avancem na intersecção entre 
espiritualidade/religiosidade e saúde em diversos contextos e enfoques, 
tais como: Saúde Mental, espiritualidade em Cuidados Paliativos, 
modelos de cuidado espiritual, coping espiritual/religioso, resiliência, 
sentido da vida, qualidade de vida e bem-estar, vitalidade subjetiva, 
afetos, concepções de morte, processo de cura, enfrentamento da 
ideação suicida e outros temas afins. 
 
 
A IMPORTÂNCIA DOS RITUAIS DIANTE DA MORTE 
 
Sergio Lucas Camara 
PUC-SP 
sergiolucascamera@gmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho apresenta dados da literatura científica 
que evidenciam a importância do binômio religião e espiritualidade no 
cuidado com a saúde, colocando em relevo a estreita relação entre o 
campo da religião e o da saúde, na dimensão psíquica. Se por um lado, 
as ciências, principalmente, a medicina, psicologia e enfermagem tem 
apontado para essa dimensão constitutiva do ser humano; por outro 
lado, o campo do saber religioso, incluindo a teologia, necessita 
compreender melhor esse “retorno ao transcendente” para que se 
estabeleça um produtivo diálogo de interface, com respeito aos limites 
de cada área específica. A partir desse pressuposto, são apresentados 
dados de uma pesquisa realizada com pessoas viúvas, que 
encontraram nos rituais do cristianismo católico um suporte de grande 
relevância no enfrentamento da situação de perda, antes mesmo que 
a morte se consumasse. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética 
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, realizada pelo 
Programa de Estudos Pós-Graduado em Psicologia Clínica, no Núcleo 
Configurações Contemporâneas da Clínica Psicológica. A investigação 
se propôs a compreender a relação entre as práticas religiosas e o 
enfrentamento da morte de um ente querido. Tratou-se de uma 
pesquisa qualitativa, cujos participantes foram selecionados de acordo 
com os seguintes critérios: homens heterossexuais viúvos, que haviam 
perdido a esposa no período superior a um ano e inferior a cinco anos, 
até o momento da entrevista, e que tivessem recorrido às práticas 
mailto:sergiolucascamera@gmail.com
 
165 
religiosas da Unção dos Enfermos, Exéquias e Missa de Sétimo Dia. Foi 
realizada uma entrevista semiestruturada, após a assinatura do Termo 
de Consentimento Livre e Esclarecido. Os resultados apontaram que são 
atribuídos significados positivos às práticas religiosas, inclusive na 
perspectiva de completar os demais cuidados oferecidos à pessoa 
gravemente enferma, cuja morte já está anunciada. Do ponto de vista 
da religião, tais práticas se configuram num cuidado espiritual de 
grande importância para as pessoas que as buscam, o que implica em 
considerar zelo constante e crescente da parte daqueles que 
conduzem os rituais. A pesquisa apontou a necessidade de mais estudos 
sobre o assunto, no sentido de ampliar o conhecimento a respeito 
dessas práticas religiosas que podem beneficiar os sobreviventes, 
possivelmente, evitando complicações no processo de luto. Além disso, 
o trabalho sinaliza aos profissionais de saúde, especialmente psicólogos, 
e também aos clérigos a relevância das práticas religiosas na situação 
de morte que devem ser tratadas com a delicadeza e o respeito que a 
situação exige. A pesquisa foi realizada com apoio financeiro do 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(CNPq). 
 
Palavras-chave: Religião; Morte; Luto. 
 
 
O ADOECIMENTO COMO ALEGORIA DA FUNÇÃO TRANSCENDENTE: UM 
OLHAR A PARTIR DA ABORDAGEM JUNGUIANA 
 
Leandro da Costa Alhadas Cavalcanti 
USCS 
leandro.konekta@gmail.com 
 
Andréa Olimpio de Oliveira 
UFJF 
andrea.olimpiodeoliveira@gmail.com 
 
RESUMO: Este estudo analisa o adoecimento e sintomas percebidos 
como uma forma de manifestação alegórica da psique e sua relação 
com o conceito de função transcendente da Psicologia Analítica. 
Objetiva-se através dele, ampliar a compreensão acerca do adoecer, 
adotando como referência ilustrativa a narrativa mítica da "Lenda das 
Duas Árvores", cujo nascimento remonta ao povo originário brasileiro, a 
saber, os Bororo. Trata-se de uma revisão bibliográfica, de caráter 
integrativo, tendo como aporte teórico a Psicologia Analítica 
Junguiana, e se baseia em fontes como as Obras Completas do Jung, o 
mailto:leandro.konekta@gmail.com
mailto:andrea.olimpiodeoliveira@gmail.com
 
166 
Dicionário Junguiano e artigos do portal da PePsic (Periódicos 
Eletrônicos em Psicologia). Entende-se que o adoecimento não é 
despertado somente em momentos de crise. Ele consiste em um 
fenômeno que se desenvolve como parte de um processo de 
maturação em nível individual e coletivo, e que faz emergir à 
consciência conteúdos inconscientes da psique, configurando-se como 
uma espécie de solução para comunicar algo que transcenda ao ego. 
O texto faz uma relação dos sintomas com a imagem arquetípica de 
um oráculo do inconsciente, na medida em que se revelam através de 
alegorias “materializadas” no corpo. Através da análise de um conto de 
povos originários do Brasil, espera-se contribuir para o entendimento do 
adoecimento como uma das múltiplas formas do inconsciente trazer 
conteúdos à consciência e que o sintoma (do grego, sin = junção, tomo 
= pedaços) é justamente isto: algo que junta os pedaços e que anuncia 
e denuncia algo que ainda não encontra expressão a partir do ego. 
Para tanto, parte-se do conceito grego de allegoria, (allos - “outro”; 
agora - “fala” ou “assembléia”), portanto, é compreendida como uma 
forma de anunciação e re-apresentação de algo e não a coisa em si; 
mas como uma “operação psíquica de tipo expressivo”, que “funda a 
relação entre dois mundos”. Ela é possuidora de intencionalidade pois 
traz imagens que remetem a “significados coletivos precisos”, sendo que 
estes últimos podem ter roupagens distintas a depender da cultura em 
que se localiza. Quanto à função transcendente, traz referências do 
Jung que em termos gerais a define como a "união de conteúdos 
conscientes e inconscientes" e "a reconciliação" dos pares de opostos. 
A partir desta reconciliação algo novo surge. Algo que tem sua própria 
essência e que não é nem uma coisa nem outra; mas que tampouco 
pode se considerar uma fusão, pois se realiza a partir do tensionamento 
das partes. Desse modo, em suas considerações finais, este estudo 
propõe uma reflexão sobre o adoecimento como um fenômeno que 
ainda não conseguiu ser elaborado e codificado pelo ego,contemplando sua simbologia e características arquetípicas. Portanto, 
é um convite para pensar o “adoe-(s)cer” enquanto imago do vir-a-ser, 
e da possibilidade de transgressão (transformar a agressão) e equilíbrio 
da psique com conteúdo e objetos do mundo interno e externo do ser 
humano. 
 
Palavras chaves: Saúde; Adoecimento; Psicologia Analítica. 
 
 
CURAS FÍSICAS ATRIBUÍDAS A TRATAMENTOS ESPIRITUAIS: RELATO DE CASO 
 
Carolina Roberta Ohara Barros e Jorge da Cunha 
 
167 
USP 
carolinaohara@usp.br 
 
Fabio Scorsolini-Comin 
USP 
fabio.scorsolini@usp.br 
 
RESUMO: A literatura científica tem cada vez mais reportado casos de 
pacientes que tiveram melhora de sintomas de saúde física e mental a 
partir de intervenções espirituais, como as chamadas terapias espíritas. 
Estudos com diferentes níveis de evidência tem dado suporte a essa 
consideração. A partir desse panorama, o objetivo desta apresentação 
é relatar um caso de cura física de um nódulo de mama com 
características malignas atribuída, pela entrevistada, a um tratamento 
espiritual. Trata-se de um estudo de caso. A entrevista foi realizada em 
um centro espírita na cidade de Cuiabá/MT, no contexto de uma 
pesquisa sobre os efeitos do tratamento espiritual na saúde física e 
mental dos adeptos. Ana (nome fictício), mulher, 55 anos, parda, 
trabalhadora voluntária do centro espírita, narrou que em um exame de 
rotina de cuidados com sua saúde, o ultrassom de mama detectou um 
nódulo na mama direita medindo 0,4 x 0,39 x 0,36 centímetros, da 
categoria BI-RADS* 4, sugerindo possível malignidade. Para a conclusão 
do diagnóstico foi orientada a realizar a biópsia para confirmar o tipo 
de células do nódulo em questão. Antes de realizar o procedimento, 
Ana relata ter passado por tratamento espiritual com o objetivo de 
melhorar ou, ao menos, preparar-se espiritualmente para a biópsia. Em 
uma atividade na casa espírita, durante seu tratamento espiritual, sentiu 
dores em sua mama direita, mas, naquele momento, não imaginou que 
se tratava de um possível efeito do tratamento espiritual. Passado um 
mês, no momento da biópsia o nódulo não foi encontrado, tendo como 
conclusão do exame a ausência de formações nodulares. A 
participante atribuiu essa condição ao tratamento espiritual. Casos 
como esse podem ter diversas perspectivas de análise: podem sugerir 
um erro de visualização do nódulo no primeiro exame, seu 
desaparecimento espontâneo ou, ainda, um desfecho a partir do 
tratamento espiritual. Considerando que a prática religiosa-espiritual 
está fortemente marcada na cultura brasileira, é necessário valorizar a 
fala do sujeito entrevistado, compreendendo que 
religiosidade/espiritualidade é uma dimensão que pode estar 
associada a sistemas explicativos no campo da saúde. A partir deste 
caso, discute-se que não se trata de buscar comprovações para as 
afirmações desse sujeito, mas sim de acolhimento da sua experiência e 
acompanhamento de seu itinerário em relação aos processos de 
mailto:carolinaohara@usp.br
mailto:fabio.scorsolini@usp.br
 
168 
saúde-doença-cuidado. O relato de caso, portanto, deve contribuir 
para expandir a visão para situações pouco conhecidas pela pesquisa 
científica, permitindo a integração de diferentes inteligibilidades. 
 
Palavras-chave: Psicologia; Terapia; Cura. 
 
 
DOENÇA MENTAL: UMA PERSPECTIVA BÍBLICA 
 
Jean-Luc Fobe 
PUC-SP 
jeanfobe@yahoo.com 
 
 
RESUMO: As doenças mentais são consideradas atualmente um 
problema de saúde pública, afetando cerca de 12% da população, 
menos prevalente apenas que as doenças cardiovasculares e câncer. 
A relação entre doenças mentais, espiritualidade e cristianismo é alvo 
de conflito histórico, mitos e tabus. A premissa estigmatizada da 
associação de doença mental com poderes demoníacos, forças 
espirituais ou desagregação moral é patente para a maioria das 
pessoas, e promove um afastamento social que agrava o tratamento 
do enfermo. A associação da religião e doença mental é considerada 
positiva no tratamento das doenças mentais, desde que exista 
aceitação e apoio da comunidade, principalmente em se 
considerando o aumento da sua incidência, e particularmente em 
jovens no nosso contexto social atual. As comunidades cristãs devem ser 
adequadamente instruídas no acolhimento deste grupo, e uma 
hermenêutica apropriada dos textos bíblicos pode ter uma influência 
propositiva positiva na comunidade cristã. A análise das narrativas 
bíblicas permite identificar doenças mentais como por exemplo, 
manifestações esquizo-afetivas (Dn 4,31-31), depressão reativa 
monopolar (1Rs 19,4, Sl 6,6-7), transtorno de ansiedade (Lc 10,40-42), que 
são as doenças mentais mais frequentes. A identificação que a doença 
mental é uma física, desencadeada por fatores externos, é ressaltada 
no livro da sabedoria no Novo Testamento, abordando o personagem 
do profeta Elias (Tg 5,15-18). Mesmo considerando a essência religiosa 
das escrituras sagradas, encontramos nas tradições bíblicas princípios 
básicos de acolhimento e manuseio dos portadores de doença mental 
como diálogo, aceitação, paciência e suporte (1 Rs 19,9-19), proposta 
de restauração para o futuro (Fl 3,13-14), e o autocontrole (1 Pd 5,7). A 
correta hermenêutica dos textos bíblicos sobre este tema considerado 
tabu é essencial para o acolhimento do doente mental nas nossas 
mailto:jeanfobe@yahoo.com
 
169 
comunidades. O combate ao estigma da doença mental no ambiente 
cristão é essencial com a aplicação de uma teologia positiva de 
aceitação. A comunidade religiosa pode contribuir no tratamento 
médico e psicológico da doença mental com uma teologia inclusiva 
do doente mental no processo de integração psicossocial. 
 
Palavras chave: Teologia; Hermenêutica Bíblica; Doença Mental. 
 
 
EXPERIÊNCIA RELIGIOSA/ESPIRITUAL E SAÚDE MENTAL: UM PANORAMA DA 
LITERATURA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEA 
 
Everton de Oliveira Maraldi 
PUC-SP 
eomaraldi@pucsp.br 
 
RESUMO: O termo experiência religiosa/espiritual é comumente 
empregado para se referir a uma vivência direta (que pode ser 
individual ou coletiva) do objeto da crença religiosa. Alguns exemplos 
incluem visões da Virgem Maria no Catolicismo popular, experiências de 
dons do Espírito Santo em contextos carismáticos e evangélicos, 
experiências de mediunidade em religiões como o Espiritismo e a 
Umbanda e toda uma série de vivências místicas narradas por membros 
de diferentes tradições religiosas e espirituais, quer espontâneas ou 
induzidas por práticas contemplativas e substâncias enteógenas. 
Apesar de seu vínculo histórico com a teologia e com o ramo tradicional 
da fenomenologia da religião, o estudo das experiências 
religiosas/espirituais abrange, na verdade, uma ampla gama de 
perspectivas e áreas do conhecimento, da antropologia à psicologia e 
às neurociências, variando de leituras universalistas até abordagens 
mais sensíveis aos aspectos socioculturais dessas experiências. Mais 
recentemente, as pesquisas a que se teve acesso, têm se voltado para 
uma compreensão dos processos cognitivos e neurofisiológicos dessas 
experiências, buscando meios de estabelecer um diagnóstico 
diferencial entre vivências patológicas e saudáveis e os fatores que as 
desencadeiam ou perpetuam sua ocorrência. Neste trabalho, 
apresentamos um panorama da literatura científica sobre as relações 
entre experiência religiosa/espiritual e saúde mental. São exploradas as 
principais áreas de investigação e abordagens teóricas nesse campo, 
revisando-se variáveis cognitivas, emocionais e sociais relevantes na 
compreensão da relação entre experiências religiosas/espirituais, 
qualidade de vida e saúde mental. São também discutidos relatos de 
experiências espirituais de indivíduos ateus e agnósticos, considerando-
mailto:eomaraldi@pucsp.br
 
170 
se suas implicações para a pesquisa em espiritualidade/religiosidade e 
saúde. Conclui-sea apresentação com uma discussão dos principais 
desafios metodológicos e epistemológicos nesse campo e sugestões de 
temáticas para pesquisas futuras. 
 
Palavras-chave: Experiência religiosa/espiritual; Saúde mental; 
Espiritualidade. 
 
 
A SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE OS PADRES: UMA LEITURA DOS 
TRANSTORNOS PSÍQUICOS NO CLERO À LUZ DA VONTADE DE SENTIDO NA 
PÓS-MODERNIDADE 
 
Gustavo Cortez Fernandez 
PUC Goiás 
gustavo.cortezf@hotmail.com 
 
RESUMO: A síndrome de burnout, também chamada síndrome do 
queimar-se pelo trabalho, esgotamento profissional, síndrome de 
cansaço emocional e outros, sendo um desgaste emocional gerado 
pelo excesso de trabalho e geralmente ocorrida em profissionais que 
lidam diretamente com pessoas, é um dos diagnósticos mais frequentes 
no clero, sobretudo entre os padres diocesanos. O objetivo deste artigo 
é investigar se as causas desse tipo de transtorno psíquico entre os 
padres têm relação (e como se dão essas relações) com a vontade de 
sentido do ser padre no contexto da secularização. Para tal, recorremos 
a fontes bibliográficas sobre o panorama da religião e da vontade de 
sentido na pós-modernidade, bem como a estudos de caso e pesquisas 
sobre o adoecimento no clero. Constatou-se que: 1) a causa motriz da 
síndrome de Burnout entre os padres relaciona-se com a vontade de 
sentido do sacerdote; 2) uma melhor integração do sacerdote à sua 
vontade de sentido e ao contexto secular tende a levar a melhores 
condições de saúde; 3) os adoecimentos psíquicos do clero apontam 
para sinais de uma evangelização desgastada e com pouco sentido 
nos dias atuais. Esses resultados abrem caminhos de pesquisa para o 
campo da religião, espiritualidade e saúde, sobretudo para se 
perscrutarem os sentidos de ser padre hoje e as possibilidades de se 
contemplar, nesse ofício, um ministério que faça sentido para o padre e 
para os fiéis no contexto da sociedade pós-moderna, além de 
elucidarem que as fraquezas e vulnerabilidades, mais que 
adoecimento, são terrenos significativos para a formação de relações e 
espiritualidades mais humanizadoras. 
 
mailto:gustavo.cortezf@hotmail.com
 
171 
Palavras-chave: Pós-modernidade; Síndrome de Burnout; Padres. 
 
 
A EFICÁCIA DOS TRATAMENTOS ESPIRITUAIS DA UMBANDA NO PROCESSO 
SAÚDE-DOENCA: UMA REVISÃO DE ESCOPO 
 
Luciana Macedo Ferreira Silva 
UFTM 
macedo.luciana@outlook.com 
 
RESUMO: As relações entre religiosidade/espiritualidade e saúde sempre 
estiveram fortemente marcadas em contextos culturais, sendo 
reconhecida nos meios científicos a necessidade de que um cuidado 
integral também inclua a dimensão religiosa/espiritual de 
pacientes/clientes e profissionais de saúde. A umbanda é uma religião 
genuinamente brasileira e fortemente associada aos processos de 
saúde-doença. Nota-se que terreiros e centros espíritas compõem 
espaços culturais de promoção do cuidado e de assistência no que 
tange às questões de saúde. Em específico infere-se que a umbanda 
acolhe um número considerável de consulentes que procuram os 
terreiros almejando a cura, tratamentos de saúde, orientações ou 
conselhos para diversas problemáticas. Sendo assim, o objetivo deste 
estudo foi analisar as evidências científicas acerca da eficácia dos 
tratamentos espirituais para o restabelecimento da saúde no contexto 
umbandista. Foi realizada uma revisão de escopo baseada na 
metodologia do Instituto Joanna Briggs. Foram consultadas as 
evidências disponíveis nas bases/bibliotecas LILACS, PubMed, EMBASE, 
CINAHL, PsycINFO, Scopus, Google Scholar, Core e Web of Science 
publicadas entre 2012 e 2022. A partir dos critérios de elegibilidade 
foram recuperados 19 estudos. Foi possível identificar que a maioria dos 
estudos encontrados referiu inúmeros benefícios acerca do tratamento 
espiritual, dentre eles a remissão de sintomas patológicos, evolução da 
qualidade de vida, aumento dos níveis de resiliência e das condições 
gerais de saúde. Observa-se, assim, a existência de uma ligação entre 
as crenças espirituais e as práticas de cura alopáticas, estando essas 
questões intimamente relacionadas à crença na eficácia e às 
expectativas de ajuda e de cura proporcionadas pelo tratamento 
espiritual. Destaca-se a possibilidade de esses estudos também 
adotarem medidas objetivas para a avaliação da eficácia dos 
tratamentos, contribuindo para a produção de evidências para a 
prática. 
 
Palavras-chave: Medicina; Espiritualidade; Cura. 
mailto:macedo.luciana@outlook.com
 
172 
NO LIMITE - TRAÇANDO NOVAS ROTAS DE VIDA: UM ESTUDO SOBRE A 
ESPIRITUALIDADE COMO FORMA DE PREVENÇÃO DE SUICÍDIOS 
 
Rosana Maria Ferreira Borges 
PUC GO 
rosanamfborges@gmail.com 
 
Carolina Teles Lemos 
PUC São Paulo 
cetelmos@uol.com.br 
 
RESUMO: O Brasil vive uma forte pandemia, desta vez de saúde mental. 
Na contramão das estimativas globais, as pesquisas indicam tendência 
de aumento de suicídio em adolescentes nos últimos vinte anos. A taxa 
de mortalidade por cem mil relacionada a essa causa aumentou 45% 
na faixa de 10 a 14 anos (de 0,92 para 1,33) e 49,3% de 15 a 19 anos (de 
4,40 para 6,56). A pandemia exacerbou os fatores de risco associados 
ao comportamento suicida. O medo, o isolamento, a perda de 
familiares e amigos, a instabilidade financeira e as barreias de acesso à 
saúde aumentaram o sofrimento psíquico dos brasileiros com impactos 
no número de casos. O suicídio é um problema complexo, multifatorial 
e exige uma perspectiva transdisciplinar para sua compreensão e 
enfrentamento. Nesse contesto, objetivou-se pesquisar em que medida 
a dimensão espiritual possibilita a superação da crise suicida. Abordar 
esta temática sob a ótica da espiritualidade exige uma compreensão 
multidimensional do ser humano, para além dos limites das dimensões 
biopsíquico- social. Este estudo é uma revisão bibliográfica do tipo 
exploratória centrada na pessoa, em suas potencias humanas. No 
conjunto de forças que constroem o humano em nós, a espiritualidade 
aparece com vigorosa força. A dimensão noética se apresenta como 
uma possibilidade de equilíbrio psíquico do indivíduo e da coletividade, 
seja expressa na experiencia religiosa ou de espiritualidade, constitui 
possibilidade de centralidade e ordenamento da identidade do sujeito 
ressignificando a dor e o sofrimento, traçando novas rotas e 
possibilidades de vida. O sujeito da sociedade contemporânea 
investiga e constrói novas rotas em busca do sagrado. Um novo 
paradigma que, apesar de ser interno e pessoal, não está longe do 
coletivo e interage com as pessoas, inclui a construção de uma 
consciência social e ecológica, a superação da violência e da 
intolerância religiosa. Pesquisas indicam a experiência de 
espiritualidade como fator importante para o enfrentamento da crise 
de autoextermínio. Os resultados desta pesquisa apontam para fortes 
indícios de que o envolvimento com a espiritualidade está relacionado 
mailto:rosanamfborges@gmail.com
mailto:cetelmos@uol.com.br
 
173 
à melhoria da saúde mental, à maior satisfação pessoal e à sensação 
de saúde e bem-estar. 
 
Palavras-chave: Religião; Espiritualidade; Suicídio. 
 
 
ESPIRITUALIDADE E SENTIDO DE VIDA EM PACIENTES COM DOR CRÔNICA 
NO CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS 
 
Roberto Ribeiro de Moura 
PUC GO 
tccgyn@gmail.com 
 
RESUMO: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) no 
ano de 2018, os cuidados paliativos se conceituam em uma abordagem 
que previne e alivia a Dor e outros sintomas que causam sofrimento nas 
diversas esferas físicas, psicossociais e espirituais. Já a Associação 
Internacional para o Estudo da Dor (IASP), diz que a dor é uma 
experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou 
relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo 
aprende de acordo com a sua subjetividade e história de vida. Diante 
disso, Cicely Saunders propôs o conceito de Dor Total, trazendouma 
visão holística para o fenômeno da dor vivenciada pelo paciente em 
cuidados paliativos. Neste conceito, a dimensão espiritual da dor 
contempla propósitos, valores e sentidos de vida quando há um conflito 
existencial causando dor e sofrimento. Considerada o sexto sinal vital no 
contexto dos cuidados paliativos, a espiritualidade deve ser abordada 
como qualquer outra sintoma médico bem como fundamental o seu 
acréscimo no plano de cuidados do paciente. O objetivo da presente 
comunicação é correlacionar a espiritualidade/religiosidade e sentido 
de vida em pacientes acometidos por dores crônicas no contexto de 
cuidados paliativos. Diante desta informação, utilizaremos a seguinte 
metodologia: apresentar estudos que mostrem a espiritualidade e 
sentido de vida sendo inserida no contexto de cuidados paliativos 
apresentando melhoras nos pacientes em seu quadro de dor crônica. 
Alguns estudos apontam que pessoas com maior índice de sentido de 
vida apresentam menores escores de ansiedade e depressão e maiores 
índices de auto-eficácia e bem-estar influenciando assim, em seu 
comportamento doloroso e em seu estado de dor crônica. 
 
Palavras Chave: Religião; Espiritualidade; Cuidados paliativos. 
 
 
mailto:tccgyn@gmail.com
 
174 
CIDADANIA ATIVA MULTICULTURAL NA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS 
MÉDICOS: CAMINHOS PARA PROBLEMATIZAR A 
RELIGIOSIDADE/ESPIRITUALIDADE E A SAÚDE 
 
Lorenzo Lago 
PUC GO 
lorenzo@pucgoias.edu.br 
 
RESUMO: Nos últimos 30 anos aumentou significativamente o número das 
pesquisas e das publicações sobre os impactos da religiosidade e da 
espiritualidade na saúde, nas estratégias de enfrentamento das 
doenças e na relação entre o profissional e o paciente. Boa parte dessas 
pesquisas provêm do campo das ciências da saúde, especialmente das 
áreas da medicina, da psiquiatria, da psicologia e da enfermagem. O 
volume da produção acadêmica e científica sobre o tema começa a 
ter efeitos nos projetos pedagógicos e nos currículos dos cursos de 
graduação, responsáveis pela formação dos profissionais da área, em 
vários países. Os cursos de medicina, especialmente, parecem abrir 
espaços para a discussão do tema em várias formas, curriculares ou não 
curriculares. O contexto brasileiro tem aparentemente todas as 
credenciais para o desenvolvimento de práticas e competências 
avançadas no campo da interseção entre os temas da religiosidade, 
da espiritualidade, da diversidade e da cidadania ativa multicultural na 
atenção à saúde. As experiências religiosas e espirituais, típicas da 
cultura brasileira, apresentam uma densidade e diversidade ímpar. A 
diversidade cultural é um dos traços marcantes da sociedade brasileira 
e com certeza se reflete na atenção à saúde e deveria refletir na gestão 
e na educação em saúde. O sistema de saúde poderia efetivamente 
cooperar com as práticas populares e culturais em saúde, muitas vezes 
incorporadas em sistemas de significado religiosos ou espirituais, 
melhorando a qualidade de seu desempenho global. As Diretrizes 
Curriculares Nacionais para os cursos de medicina no Brasil, publicadas 
em 2014, abrem possibilidades, nomeando algumas diversidades e 
insinuando sua interseccionalidade pela transversalidade curricular. A 
timidez das referências, porém, contrasta com a riqueza da produção 
acadêmica não só das ciências humanas e sociais sobre estas 
interseções, como também com a produção das próprias ciências da 
saúde. Questiona-se quais resistências políticas, cognitivas e 
emocionais, historicamente consolidadas, podem estar alimentando 
filtros e precauções, impedindo que os resultados das discussões e 
pesquisas sejam levados na devida consideração nos projetos 
pedagógicos e na elaboração das DCN? A recepção da proposta de 
formação médica inscrita nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014 
mailto:lorenzo@pucgoias.edu.br
 
175 
está sendo objeto de pesquisas com professores e estudantes, que 
apontam algumas tendências significativas. Nesse estudo são 
analisadas essas tendências, apontando alguns elementos explicativos, 
que contribuem a identificar e problematizar as resistências para a 
efetiva inclusão desses temas nos projetos de formação. 
 
Palavras-chave: Cidadania; Multiculturalidade; Formação médica. 
 
 
O ADOECIMENTO DE LÍDERES RELIGIOSOS: UM ESTUDO DE POSSÍVEIS 
PATOLOGIAS E SEUS REFLEXOS NA ATUAÇÃO MINISTERIAL 
 
Marlon Ferreira Figueiredo 
FTSA 
pr.marlonfigueiredo@hotmail.com 
 
RESUMO: Desenvolver uma temática que aponte abuso espiritual por 
indivíduos patológicos é um grande desafio. Falamos de ambientes 
considerados sacros. Quantas não são as vítimas desfavorecidas de 
uma égide e quantos não são os que praticam tamanha atrocidade 
sem ao menos entender razões dessa realidade devastadora. Os relatos 
descrevem personalidades fragmentadas, almas que se sentem 
ameaçadas por persecutórios fantasiosos, que resultam em ministérios 
defensivos, manipulativos e abusivos. A contemporaneidade trouxe um 
novo ainda não compreendido na totalidade, indivíduos cindidos, 
perdidos em si, que encontraram na profissão, e não na vocação, um 
meio de vida. No entanto, essa opção, não contempla o chamado de 
Deus, sendo assim, passamos a perceber um enorme descompasso na 
atuação daqueles que se denominam líderes religiosos. Este artigo 
aponta para desordens, conflitos, incongruências não tratadas nessas 
pessoas, e tais conteúdos são geradores de comportamentos 
totalmente incoerentes com o propósito de um vocacionado. O 
resultado dessa demanda é um aglomerado de enfermiços, homens e 
mulheres que sucumbem, constituídos de patologias danosas, muitas 
não tratadas, que só adoecem cada vez mais o indivíduo e as pessoas 
que são por ele lideradas. O presente artigo visa analisar o fenômeno 
do adoecimento emocional em líderes religiosos e identificar as possíveis 
patologias mais presentes no universo pastoril, bem como seus danos às 
pessoas. É uma pesquisa descritiva pautando-se em levantamento e 
coleta de dados, buscando interpretar e compreender conceitos, 
estruturas, comportamentos e sentimentos presentes nos aspectos 
apontados. As fontes utilizadas na pesquisa bibliográfica são de 
materiais e métodos bibliográficos encontrados em diversas fontes, ou 
mailto:pr.marlonfigueiredo@hotmail.com
 
176 
seja, literaturas, artigos científicos, revistas científicas dentre outros. 
Como a pesquisa se encontra em elaboração no curso atual do 
mestrado, os resultados não podem ser objetivados, contudo, é possível 
idear que tal pesquisa apontará dados alarmantes, além de sinalizar a 
importância de ações preventivas e intervencionistas. Compreender a 
importância desta pesquisa frente ao que o futuro nos reserva é 
primordial, haja vista o que atualmente estamos enfrentando no 
contexto religioso do nosso país. 
 
Palavras-chave: Religião; Psicopatologias; Líderes Religiosos. 
 
 
AS COMUNIDADES DE FÉ COMO CONTEXTOS RELIGIOSOS MARCADOS 
PELA AMBIVALÊNCIA EXISTENCIAL: ENTRE CURA E ADOECIMENTO 
 
Roney Ricardo Cozzer 
PUC Rio 
roneyricardoteologia@gmail.com 
 
RESUMO: A comunicação a ser apresentada visa considerar a relação 
entre a espiritualidade/religiosidade e a saúde, com foco na saúde 
mental e bem-estar do indivíduo, levando em conta a influência das 
comunidades de fé nessa relação, tanto para a cura e aporte 
emocional, quanto para o seu adoecimento. O pressuposto básico é 
que comunidades de fé evangélicas constituem-se como contextos 
ambivalentes, uma vez que tanto contribuem para o bem-estar 
emocional e mental dos indivíduos que as formam, como também 
operam com discursos, categorias e procedimentos que fazem as 
pessoas adoecerem emocionalmente. Isso pode ser notado tanto por 
quem possui lugar de vivência e de fala no interior dessas instituições, 
como também pelo fato de que cresce o número de egressos dessas 
instituições que não buscam outras instituições eclesiais,contribuindo 
assim para aumentar o número de pessoas que formam um movimento 
em curso no Brasil, amorfo, mas real, popularmente designado de 
“movimento dos desigrejados”. Conquanto o movimento evangélico 
seja muito diverso, apresenta tendências comuns, como a que é 
destacada aqui. Esse movimento pode ser identificado como reflexo 
dessa ambivalência que marca a realidade eclesial evangélica. Essa 
ambivalência religiosa se coloca como um desafio para a noção que a 
própria igreja evangélica assume do que deve ser uma igreja local, na 
condição de uma extensão da igreja universal, que é, justamente, a 
comunidade de todos os cristãos, em todos os lugares. Note-se que o 
conceito de “comunidade” está intimamente ligado à concepção 
mailto:roneyricardoteologia@gmail.com
 
177 
teológica de igreja. E comunidade pressupõe unidade e fraternidade, e 
demanda elos reais entre seus membros, o que, por vezes, não se 
observa mais no interior dessas igrejas. Com efeito, no movimento 
evangélico, o fator comunitário esvaziou-se para dar lugar à valorização 
da subjetividade. Conquanto a vivência comunitária da fé no interior de 
uma igreja evangélica represente a melhora da própria subjetividade, 
é observável também que há fatores que são altamente destrutivos no 
aspecto psicológico. Identificar esses fatores e oferecer respostas 
possíveis coloca-se como caminho possível para a humanização dessas 
comunidades de fé. Esta comunicação pretende contribuir por meio de 
indicações e diálogo com autores de referência com a questão 
abordada. 
 
Palavras-chave: Religião; Espiritualidade; Ambivalência existencial. 
 
OFICINA DE MÚSICA PARA PESSOAS COM AUTISMO: CUIDADO, ÉTICA E 
ESPIRITUALIDADE 
 
Stephan Malta Oliveira 
UERJ 
stephanmoliveira@gmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo apresentar um Projeto de 
Extensão Universitária, denominado Oficina de Música no Autismo e em 
outras vulnerabilidades. O Projeto inclui duas oficinas de música, uma 
voltada para crianças e outra para adolescentes com transtorno do 
espectro autista ou outras vulnerabilidades. Os objetivos do Projeto, 
além de buscar possibilitar ao/à estagiário/a participante a aquisição 
teórico-prática de habilidades relacionais bem como o 
desenvolvimento de um pensamento crítico acerca do autismo e das 
deficiências em geral, da importância do combate ao capacitismo e 
da valorização da diferença humana, consistem em promover a 
qualidade de vida, o bem-estar e possibilitar a manifestação da 
espiritualidade das crianças, adolescentes e familiares participantes. As 
oficinas fundamentam-se no uso livre e improvisado dos instrumentos 
musicais – na livre expressão - e os referenciais teóricos adotados são: a 
ética da alteridade radical, de Emmanuel Lévinas; a fenomenologia do 
dom, de Jean-Luc Marion; e a mística em Edith Stein. Os resultados 
observados têm mostrado que é possível a construção de uma clínica 
no autismo e em outras deficiências/vulnerabilidades não pautada pela 
busca de performance e normalização; ao contrário, têm mostrado que 
é possível e necessário enxergar a criança ou adolescente autista para 
além da identidade diagnóstica, enquanto pessoa única, incomparável 
mailto:stephanmoliveira@gmail.com
 
178 
e irrepetível. Além disto, trata-se de uma clínica a partir da qual os 
técnicos/as participantes - coordenador, estagiários/as, voluntários/as 
– assumem a responsabilidade pela alteridade, em sua diferença 
radical; responsabilidade que antecede a própria liberdade, eu mais 
responsável que todos/as; clínica em que se privilegia o acolhimento de 
outrem, por meio do cuidado, da sensibilidade – aquém de qualquer 
representação – e da hospitalidade, havendo o reconhecimento do 
Rosto de outrem, em sua abertura e nudez, em sua indigência e 
vulnerabilidade, como um vestígio do Infinito, um rastro da 
transcendência; outrem que vem das alturas. Trata-se de uma 
espiritualidade enquanto ética, que se materializa no encontros face-a-
face, na trans-ascendência da responsabilidade do um-para-o-outro. 
Ao mesmo tempo, nos encontros que acontecem nas oficinas, 
marcados pela abertura e doação mútuas (ainda que assimétrica), em 
que todos/as as/os participantes envolvidos/as são simultaneamente 
doadores e donatários - doam-se tempo, afeto, atenção, - há a 
possibilidade de que tanto os/as técnicos/as quanto os/as 
pacientes/familiares tomem posição a partir do núcleo pessoal ou do 
Reino da Graça, experienciando a transcendência - ainda que 
transitoriamente - no mais íntimo da alma, a fonte inesgotável de amor 
que habita em cada um/a. Trata-se de uma espiritualidade enquanto 
mística. Parece que a música e a livre expressão de cada participante 
- que, desde sempre, é livre doação - funcionam como 
potencializadores do despertar espiritual humano, no qual há a 
manifestação da pessoa em sua unicidade e incomparabilidade, para 
além de qualquer representação/classificação ou identidade 
diagnóstica. Este despertar da espiritualidade - seja em sua dimensão 
ética, seja em sua dimensão mística – ocorre fora da consciência 
reflexiva, de qualquer representação conceitual, na dimensão da 
consciência não intencional Levinasiana - pré-reflexiva – ou da 
contemplação mística Steiniana, ou seja, pela via da 
sensibilidade/afetividade, e está diretamente relacionado ao sentido 
da existência. 
 
Palavras-chave: Música; Oficinas; Autismo. 
 
LUTO: UM ESTUDO SOBRE A (RE)SIGNIFICAÇÃO DA DOR ESPIRITUAL DA 
PERDA 
 
Raíssa de Almeida Pereira 
UFCE 
raissalmeida9@hotmail.com 
 
mailto:raissalmeida9@hotmail.com
 
179 
RESUMO: O texto em questão propõe a elaboração de um dispositivo 
formativo-terapêutico que (re)signifique a Dor Espiritual da Perda por 
meio da produção de novos sentidos para se viver, de modo a auxiliar 
enlutados a lidarem com perdas provocadas por figuras de afeto. No 
tracejar das linhas mestras que compõem esse trabalho, que é parte 
significativa de minha tese de doutorado, trago como elementos 
discursivos no campo da temática morte, a necessidade de 
compreendê-la como parte da vida, ampliando a discussão sobre seu 
silenciamento como fala interdita na modernidade, em paralelo com 
um sentido de (re)humanização da mesma, em que aspectos como 
emoção e espírito são contemplados na experiência de morrer como 
parte da condição humana. E, sendo o ser humano compreendido 
nesse trabalho como unidade biopsicossocial e espiritual, considerei a 
influência da dimensão espiritual não somente nas demais dimensões 
que constituem o indivíduo, como também, na ampliação do seu 
sentido de existência, sua percepção acerca da morte, seus medos e 
anseios, suas relações sociais, seus padrões de comportamento, dentre 
outros fatores. Considerando o luto um processo psicológico reativo e 
de adaptação a um rompimento de vínculos e, também, tendo em vista 
o importante papel do enlutado como sujeito ativo nos seus processos 
de refazimento ante rupturas e perdas através da realização das tarefas 
de luto, elegi como caminho metodológico nessa pesquisa a História de 
Vida e Formação e a Intervenção RIME (Relaxamento Mental, Imagens 
Mentais e Espiritualidade). Na primeira, a partir da atividade de 
biografização envolvendo a arte como mediadora das narrativas 
pessoais, delineia-se um projeto de si, oportunizando aos enlutados 
possibilidades de autorias nas quais eles próprios descortinam uma 
abrangência de significados que trazem o mundo simbólico, realizando 
assim, seus caminhos significantes. Na segunda, a Intervenção RIME 
cumpre o papel de eliciadora da função transcendente, na medida em 
que, ao integrar a consciência ao inconsciente através da indução de 
visualizações de possíveis imagens arquetípicas - referentes a natureza 
espiritual do self (sede da identidade subjetiva) – auxilia o experiente a 
modificar a forma de lidar com suas vivências atuais, (re)significando-ase promovendo, consequentemente, uma maior qualidade de vida 
atrelada a memória do bem estar psíquico e espiritual. A integração 
dessas duas vias de acesso ao autoconhecimento formador e 
transformador produz resultados bastantes profícuos, demonstrando 
que ainda que a ruptura de vínculos por morte provoque dores 
inevitáveis, essas podem ser (re)significadas, adquirindo um sentido 
nutridor de novas formas de se viver, amar e lidar com a finitude. 
 
Palavras chaves: Religião; Morte; Luto. 
 
180 
 
ST 15 – ESPIRITUALIDADES NO CONTEXTO 
EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO 
 
Vanessa Raquel Meira 
UNASP 
vanessarmeira@gmail.com 
 
Laude Erandi Brandenburg 
EST 
laude@est.edu.br 
 
A proposta da ST é abordar estudos e pesquisas que relacionem religião, 
arte, educação e as espiritualidades diversas na contemporaneidade, 
entendendo a religião e a espiritualidade como parte fundamental da 
formação humana, a educação como processo contínuo e a arte 
como ferramenta indispensável na construção e na organização do 
entendimento do mundo em que pertencemos. São campos que se 
abrem a pesquisadores de teologia, ciências das religiões, educação e 
áreas relacionadas. A ST possui uma perspectiva interdisciplinar 
abrangente, visando compreender a diversidade de processos de 
ensino e aprendizagem nos espaços escolarizados, religiosos e 
comunitários, discutindo temas como: o ensino religioso, a capelania 
educacional, a diversidade cultural e religiosa, a formação inicial e 
continuada de professores, a laicidade do Estado, a educação popular, 
a intolerância religiosa, a história da educação tendo como pano de 
fundo questões religiosas, educação em diversos espaços de 
confessionalidade e a forma como as artes, sejam elas literárias, visuais, 
performáticas e correlatas, podem auxiliar o sujeito na compreensão do 
mundo em sua complexidade e multiplicidade de perspectivas, e a sua 
própria interioridade frente o sagrado. 
 
 
mailto:vanessarmeira@gmail.com
mailto:laude@est.edu.br
 
181 
A CULTURA DAS REDES SOCIAIS E SEUS IMPACTOS NA EDUCAÇÃO CRISTÃ 
 
Marinesia Lemos Souto 
EST 
marinesialemossouto@gmail.com 
 
RESUMO: Segundo dados do Digital 2022: relatório de visão geral global, 
dos 7,91 bilhões de pessoa hoje, 4,62 bilhões estão nas redes sociais. Isso 
representa 58,4% da população mundial. O tempo médio gasto nas 
principais redes sociais, Youtube, Facebook, WhatsApp, Instagram e 
TikTok é de, no mínimo, 11.2 horas por mês. A Igreja como instituição 
educadora, que deve ser, deve estar atualizada com todas as formas 
que impactam e definem a sociedade: a arte, a literatura e 
certamente a cultura criada pelas redes sociais. Nenhuma teologia se 
faz divorciada do contexto social em que é pensada ou sem auxiliar a 
pessoa na compreensão do mundo e de si mesmo a luz do sagrado. A 
questão que se apresenta é como a cultura das redes sociais pode ser 
olhada como uma oportunidade nessa missão educadora. A pesquisa 
analisa o impacto, as características da cultura das redes sociais, a 
mudança de paradigmas e a aplicabilidade desses parâmetros à 
educação cristã. Para tal serão analisados artigos, pesquisas realizadas 
por grupos reconhecidos sobre o fenômeno das redes sociais e as 
principais redes sociais. Alguns pontos se destacam na análise: a 
facilidade de acesso ao conhecimento bíblico combinado com a 
exposição a pontos de vista divergentes possibilita uma ampla 
variedade de pontos de vista e interpretações da Bíblia e da fé cristã. 
Isso pode ser positivo, incentivando a reflexão crítica e a construção de 
uma fé mais fundamentada. Estimulando o pensar teológico que faz 
de cada pessoa cristã um teólogo. No entanto, também pode ser 
negativo, levando a confusão e incerteza sobre o que é verdadeiro ou 
correto. Essa possibilidade de incertezas é real e se apresenta como um 
desafio de pertinência para a Igreja. Falta efetividade e relevância à 
educação cristã realizada na igreja para as questões atuais, sociai, 
culturais e espirituais. Em resumo, não ensina, não comunica e não 
transforma. As redes sociais podem contribuir para levar o ensino cristão 
para a vida e para a rua de onde nunca deveria ter saído. 
 
Palavras-chaves: Educação Cristã; Redes sociais; Espiritualidade. 
 
 
 
 
mailto:marinesialemossouto@gmail.com
 
182 
DA LUTA E RESISTÊNCIA ÀS VIVÊNCIAS E CONQUISTAS: ENSINO RELIGIOSO 
NAS ESCOLAS INDÍGENAS EM PERNAMBUCO 
 
Wellcherline Miranda Lima 
UNICAP 
wellcherline@gmail.com 
 
Sergio Sezino Douets Vasconcelos 
UNICAP 
sergio.douets@unicap.br 
 
Evanilson Alves de Sá 
UNICAP 
evanilsonadv@gmail.com 
 
RESUMO: O estudo tem a finalidade de conhecer as lutas e as 
resistências dos territórios e suas tradições religiosas dos povos indígenas 
em Pernambuco contra a herança colonial, em particular na 
educação, e as vivências e conquistas de natureza pedagógica nas 
escolas indígenas na promoção da educação específica, diferenciada 
e intercultural, considerando na perspectiva do Ensino Religioso. 
Atualmente, em Pernambuco habitam na região do Agreste e no Semi-
Árido os povos indígenas de Atikum, Entre Serras Pankararu, Fulni-ô, 
Kambiwá, Kapinawá, Pankarará, Pankararu, Parankarau Opará, 
Pankaiwka, Pipipã de Kambixuru, Pipipã Terra e Água, Tuxí, Tuxá, Truká, 
Xukuru de Cimbres e Xukuru do Ororubá. O processo das lutas e 
resistências desses povos ocorreu desde a chegada dos colonizadores, 
entretanto com muito provento a partir da Constituição Federal de 1988, 
na garantia, promoção e defesa do território, dos costumes e das suas 
tradições religiosas, logo proporcionou “a viagem da volta” (OLIVEIRA, 
1999) de muitos indígenas para seu território sagrado e a necessidade 
da escolarização especifica e diferenciada com as concepções da 
cultura do seu povo articulada com a interculturalidade. A metodologia 
será revisão bibliográfica com autores que dialogam com a temática 
proposta. A abordagem do estudo será direcionada sobre o 
componente curricular do Ensino Religioso nas escolas indígenas a luz 
do Currículo de Pernambuco (2019) sendo documento referendado 
pela legislação educacional e como Currículo de Pernambuco vem 
apresentando resultados durante as atividades pedagógicas 
vivenciadas nas escolas indígenas articulado com os Eixos temáticos da 
Educação Escolar Indígena de Pernambuco considerando o ensino 
diferenciado e específico dentro do princípio, no eixo temático e na 
metodologia da interculturalidade. E por fim, será analisado 
mailto:wellcherline@gmail.com
mailto:sergio.douets@unicap.br
mailto:evanilsonadv@gmail.com
 
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apresentando a relevância da tradição religiosa indígena e 
espiritualidade dentro do espaço escolar prezando pelo fortalecimento 
identitário e articulado com os projetos societários do seu povo. 
 
Palavras-chave: Povos indígenas; Educação; Ensino religioso; 
Espiritualidade; Interculturalidade. 
 
 
INTOLERANCIA RELIGIOSA NO CONTEXTO ESCOLAR: DESAFIOS DO 
ENSINO RELIGIOSO PARA UMA ESPIRITUALIDADE DA DIVERSIDADE 
 
Maria Valdeziana Furtado Ribeiro Santana 
 EST 
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RESUMO: Um dos maiores problemas encontrado em nossa sociedade 
nos dias atuais é a intolerância religiosa. Muitas pessoas têm uma grande 
resistência em respeitar as escolhas religiosas do outro, algo que se 
manifesta no âmbito político, midiático, no trabalho, nas relações de 
vizinhança e até mesmo nas relações familiares. Esta realidade de 
desrespeito e intolerância irá se refletir consequentemente também no 
ambiente escolar. Por outro lado, é preciso fazer entender que a escola 
é o lugar mais propício para promover a reflexão sobre diversidade 
cultural, de gênero, classe, étnica, artística e religiosa, pois a diversidade 
possibilita que a criança aprenda desde cedo os valores, o respeito e a 
empatia e duplique esse aprendizado na sociedade onde está inserida. 
A partir dessa realidade

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