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[Orgs.]
José Reinaldo F. Martins Filho
Gustavo Augusto da Silva
Bianca Soares Magalhães
Caderno de Resumos
2
3
Comissão Organizadora
Corpo Docente
José Reinaldo Felipe Martins Filho – PUC Goiás (Presidente)
Clóvis Ecco – PUC Goiás
Lorenzo Lago – PUC Goiás
Rosemary Francisca Neves – PUC Goiás
Valmor da Silva – PUC Goiás
Secretaria Geral
Bianca Soares Magalhães – PUC Goiás (Secretária)
Gustavo Augusto da Silva – PUC Goiás
Curadoria Artístico-Cultural
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso – PUC Goiás/IFITEG (Curador)
Ana Kelly Ferreira Souto Pinto – PUC Goiás
Elisabeth de Barros – PUC Goiás
Natã Silva Nazareno – PUC Goiás
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás
Certificados
Natã Silva Nazareno – PUC Goiás
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás
Ruan Fillipe da Silva Gomes – PUC Goiás
Administração Financeira
Daniel Carvalho da Silva – PUC Goiás
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso – PUC Goiás/IFITEG
Pedro Vinícius Dias Alcântara – PUC Goiás
Coordenação de Apoio (Monitores e Tecnologia)
André Valva – PUC Goiás
Helton Thyers Melo de Oliveira – PUC Goiás
Phelipe Augusto Silva Santos – PUC Goiás
Equipe Editorial
José Reinaldo Felipe Martins Filho – PUC Goiás
Bianca Soares Magalhães – PUC Goiás
Daniel Carvalho da Silva – PUC Goiás
Gustavo Augusto da Silva – PUC Goiás
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Comitê Científico
Dra. Carolina Teles Lemos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás
– Brasil) (Presidente da Comissão Científica)
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro – Brasil)
Dra. Angela Ales Bello (Universtità Lateranense di Roma – Itália)
Dr. Celso Gabatz (Faculdades EST)
Dra. Clélia Peretti (Pontifícia Universidade Católica do Paraná –
Brasil)
Dr. Daniel Rodrigues Ramos (Universidade Federal do Tocantins –
Brasil)
Dra. Daniela Cordovil Corrêa dos Santos (Universidade Estadual do
Pará – Brasil)
Dr. Eurico Bacelar Satumbo (Universidade Católica de Angola –
Angola)
Dr. Flávio Augusto Senra Ribeiro (Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais – Brasil)
Dr. Friedrich-Wilhelm von Herrmann (Albert-Ludwigs-Universität
Freiburg – Alemanha – in memoriam)
Dr. Jaime Laurence Bonilla Morales (Universidad San Buenaventura –
Colômbia)
Dr. José João Neves Barbosa Vicente (Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia – Brasil)
Dra. Márcia Maria de Oliveira (Universidade Federal de Roraima –
Brasil)
Dra. Marta Luzie de Oliveira Frecheiras (Universidade Federal de
Ouro Preto – Brasil)
Dr. Paulo Sérgio Lopes Gonçalves (Pontifícia Universidade Católica
de Campinas – Brasil)
5
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
XI Congresso Internacional em Ciências da Religião da PUC Goiás /
Caderno de Resumos. Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
– Goiânia, Goiás, 2023. 310 p.
DOI: 10.13140/RG.2.2.12762.21447
v. 5. n. 1 (jan./jun. – 2022)
Semestral
Disponível em:
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-
congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/
Diagramação: Gustavo Augusto da Silva; Bianca Soares Magalhães;
José Reinaldo F. Martins Filho.
1. Pesquisa científica. 2. Ciências da Religião. 3. Teologia. 4.
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC
Goiás.
http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.2.12762.21447
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/caderno-de-resumos-congresso-internacional-em-ciencias-da-religiao/
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PROGRAMAÇÃO
17 de Abril de 2023
19h30 – Conferência (Local: Paróquia Universitária | Link da transmissão:
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E)
Título: O traço sacramental da arte cristã
Conferencista: Dom João Justino de Medeiros Silva (Presidente da
Comissão Episcopal de Educação e Cultura da CNBB)
Moderador: Dr. Wolmir Therezio Amado
20h30 – Concerto de Música Sacra (Local: Paróquia Universitária | Link
da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E)
Orquestra Sinfônica de Goiânia, Coro Sinfônico e Coro Sinfônico Juvenil
Regência: Maestro Vinícius Guimarães
Programa do Concerto:
- Anônimo Goiano (séc. XIX) - Te Deum (do Acervo Balthasar de Freitas,
com edição de Marshal Gaioso)
- Anônimo Goiano (séc. XIX) - Te Deum Festivo (do Acervo Balthasar de
Freitas, com edição de Marshal Gaioso)
- Fernando Cupertino - Missa Regina Coeli: Kyrie - Gloria - Sanctus -
Benedictus - Agnus Dei
- Jean Douliez - Missa in Honorem Beata Maria Virginis: Kyrie - Gloria -
Credo - Sanctus - Benedictus - Agnus Dei
18 de Abril de 2023
19h30 – Cerimônia de Abertura do Congresso (Auditório da EFPH | Link
da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4)
20h – Conferência Internacional 1
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4)
Título: Che cosa ci fa conoscere la bellezza?
Conferencista: Dr. Costantino Esposito (Università degli Studi di Bari)
Moderador: Dr. José Reinaldo Felipe Martins Filho
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E
https://www.youtube.com/watch?v=3sldmjBo32E
https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4
https://www.youtube.com/watch?v=u7GZ-V8ncv4
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19 de Abril de 2023
8h15 – Apresentação Cultural (Transmissão Virtual | Ver programação
das mesas-redondas)
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 1: Expressões do princípio criativo
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=X7D-DEHWITQ)
Dra. Suelma de Souza Moraes (PPG em Ciências das Religiões UFPB)
– Criatividade e espiritualidade em diálogo com os arquétipos do
feminino na Teologia, na Psicanalítica junguiana e na Literatura
suassuniana para os desafios contemporâneos
Dr. José Reinaldo Felipe Martins Filho (PPG em Ciências da Religião PUC
Goiás) – Espiritualidade, autotranscendência e potência criativa: o
singular exemplo da música
Dr. Samuel Mendonça (PPG em Educação PUC Campinas) – Paradoxos
e alargamento da concepção de educação católica
Moderador: Dr. Clóvis Ecco
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 2: Tessituras do sagrado na literatura e nas
tradições orais
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=pmThNQ7zwMI)
Dra. Ceci Maria Costa Baptista Mariani (PPG em Ciências da Religião
PUC Campinas) – Mística, Teologia e Literatura: aproximação
teopoética à obra de Paulina Chiziane
Dra. Luana Martins Golin (UMESP e UNIFAI) – Tessituras do sagrado: “Se
o grão de trigo, caindo na Terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer,
produz muito fruto” (Jo 12,24) – A epígrafe de “Os Irmãos Karamázov” e
a literatura joanina.
Dra. Rosemary Francisca Neves Silva (PPG em Ciências da Religião PUC
Goiás) – Isaías 52,13-53,12: Brasil colonial e tessituras do cotidiano das
mulheres negras
Moderador: Dr. Mariosan de Sousa Marques
10h15 – Conferência Nacional
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=T4enSDJ_ytg)
Título: Teopoética: uma conexão entre Teologia, mística e estética
Conferencista: Dra. Maria Clara Lucchetti Bingemer (PPG em Teologia
PUC Rio)
Moderadora: Dra. Ivoni Richter Reimer
13h30 às 17h30 - Programação das ST (Atividade Remota – ACESSO)
https://www.youtube.com/watch?v=X7D-DEHWITQ
https://www.youtube.com/watch?v=pmThNQ7zwMI
https://www.youtube.com/watch?v=T4enSDJ_ytg
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/sessoes-tematicas-st-xi-religiao-internacional/
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19h às 21h – Instalações culturais (Visitação Pública - Local: Escola de
Formação de Professores e Humanidades PUC Goiás)
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso
20 de Abril de 20238h15 – Apresentação Cultural (Transmissão Virtual | Ver programação
das mesas-redondas)
Responsáveis: Curadoria Artístico-cultural do XI Congresso
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 3: Religião, arte e cultura material
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=IdG07fku6N8)
Dr. João Damásio da Silva Neto (UFU) – Imagem, mídia e arte mediúnica
no espiritualismo contemporâneo: reflexões a partir do caso dos Museus
Espíritas
Dra. Paola Lins de Oliveira (PPG em Sociologia e Antropologia UFRJ)
– Criação da arte e do artista na Capela de Matisse
Dr. Eduardo Gusmão de Quadros (PPG em Ciências da Religião PUC
Goiás) – O duplo discurso teológico dos ex-votos do Pai Eterno
Moderador: Dr. Luiz Antônio Signates Freitas
8h30 às 10h – Mesa-Redonda 4: O religioso e o artístico nos saberes
tradicionais
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=A4UHvEdNvdA)
Dr. Valmor da Silva (PPG em Ciências da Religião PUC Goiás)
– Provérbios: saber artístico, religioso e popular
Dra. Taissa Tavernard de Luca (PPG em Ciências da Religião UEPA)
– Entre a Mediunidade e a Técnica: a Arte dos Ferros Sagrados nos
Terreiros de Belém
Dr. Clodomir Barros de Andrade (PPG em Ciências da Religião UFJF)
– Teologia, imanência e estética nas espiritualidades gregas antigas: por
uma semiótica do rastro divino no mundo
Moderadora: Dra. Thaís Alves Marinho
10h15 – Conferência Internacional 2
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=Pt-D8_5ZBDo)
Título: – La reaparición de la imagen de Cristo en la Posmodernidad
Conferencista: Dr. Pablo López Raso (Universidad Francisco de Vitoria –
Madrid – Espanha)
Moderadora: Dra. Carolina Teles Lemos
13h30 às 17h30 - Programação das ST (Atividade Remota - ACESSO)
https://www.youtube.com/watch?v=IdG07fku6N8
https://www.youtube.com/watch?v=A4UHvEdNvdA
https://www.youtube.com/watch?v=Pt-D8_5ZBDo
https://www.pucgoias.edu.br/eventos/xicicr/sessoes-tematicas-st-xi-religiao-internacional/
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19h – Cerimônia de Encerramento do Congresso (Auditório da EFPH |
Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-
c)
19h30 – Conferência Internacional 3
(Link: https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c)
Título: Resonancia: naturaleza y sensibilidad en el daoísmo
Conferencista: Dra. Claudia Lira Latuz (Pontificia Universidad Catolica de
Chile)
Moderador: Dr. Alberto da Silva Moreira
21h – Apresentação Cultural (show) (Auditório da EFPH)
Artista: Xexéu
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
https://www.youtube.com/watch?v=NwrOWbzOM-c
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SUMÁRIO
ST 01 – RELIGIÃO E CONSTRUÇÕES DE SENTIDO NAS ARTES E NA CULTURA ....... 12
ST 02 – LO MÍTICO E LO SAGRADO: EN TORNO A LO TRASCENDENTE EN EL ARTE
ACTUAL .................................................................................................................... 29
ST 03 – ESPIRITUALIDADES PAGÃS E DA TERRA: ARTE, CULTURA, IDENTIDADE E
MATERIALIDADE ...................................................................................................... 35
ST 04 – “E O VERBO SE FEZ BELEZA E HABITA NO MEIO DE NÓS”: AS
MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS COMO DIVULGAÇÃO DOS VALORES SAGRADOS
................................................................................................................................. 44
ST 05 – ARTE, ARQUITETURA E CONTEMPORANEIDADE: RELIGIÃO, CULTURA E
EXPERIÊNCIA DO SAGRADO .................................................................................. 56
ST 06 – NAZARENO CONFALONI: TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA
PINTURA E ARTE ....................................................................................................... 62
ST 07 – CULTURA VISUAL E RELIGIÃO ..................................................................... 71
ST 08 – ESTÉTICA, CAPITALISMO E RELIGIÃO ......................................................... 80
ST 09 – JESUS NAS ARTES E NAS CULTURAS ............................................................ 89
ST 10 – FILOSOFIA DA RELIGIÃO .......................................................................... 107
ST 11 – CULTO E LITURGIA ..................................................................................... 127
ST 12 – NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS E ESPIRITUALIDADES LAICAS ......... 140
ST 13 – JUVENTUDES E RELIGIOSIDADES: INTERFACES, CENÁRIOS E TENDÊNCIAS
............................................................................................................................... 154
ST 14 – RELIGIÃO, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE: A BUSCA DE SENTIDOS QUANDO A
VIDA ESTÁ EM RISCO ............................................................................................ 163
ST 15 – ESPIRITUALIDADES NO CONTEXTO EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO 180
ST 16 – ESPIRITISMOS, ESPIRITUALISMOS E ESPIRITUALIDADES ............................ 194
ST 17 – LINGUAGEM RELIGIOSA: ACONTECIMENTO, NARRATIVA E
REPRESENTAÇÃO ................................................................................................... 207
ST 18 – DA EUROPA PARA AS AMÉRICAS: O ESPIRITISMO EM PERSPECTIVA ..... 218
ST 19 – DIREITO, JUSTIÇA SOCIAL E SOCIEDADE ................................................. 234
ST 20 – MULHERES NEGRAS RELIGIOSIDADES E FEMINISMOS ............................. 247
11
ST 22 – RELIGIÃO E GÊNERO ................................................................................. 260
ST 23 – CULTURA POP E RELIGIÃO ........................................................................ 283
ST 24 – DIÁLOGOS COM A INICIAÇÃO CIENTÍFICA ........................................... 295
ST 25 – NARRATIVAS VISUAIS, LINGUAGENS ARTÍSTICAS E RELIGIÃO ............... 304
12
ST 01 – RELIGIÃO E CONSTRUÇÕES DE SENTIDO NAS
ARTES E NA CULTURA
Dr. José Reinaldo F. Martins Filho (PUC Goiás)
jreinaldomartins@gmail.com
Dr. Edson Matias Dias (IFITEG)
ed.matias@gmail.com
Me. Marcelo Gabriel de Freitas Veloso (PUC Goiás; IFITEG)
yosihing@gmail.com
Embora a relação entre “religião” e “sentido” tenha sido realçada ao
longo das últimas décadas por áreas como a Psicologia e/ou a
Antropologia Cultural, muito pouco desse enlace pôde destacar-se a
partir da articulação entre o campo religioso e as diferentes expressões
artístico-culturais. Trata-se de um esforço ainda mais tímido caso se
considere a produção na área de Ciências da Religião a esse respeito,
mesmo que historicamente se tenha cogitado uma espécie de fronteira
alargada para o acesso ao sagrado para além dos limites da
racionalidade ou da descritividade. A essa dimensão de contato com
um sentido radical, que não se mostra completamente disponível aos
mecanismos operadores do discurso racional, chamou-se “apofática”,
“negativa” ou “inefável”. Justamente essa parece ser a condição da
arte em sua capacidade de tradução dos sentidos por vias ainda não
totalmente exploradas, mas que, em geral, consideram o ser humano
desde um ponto de vista da integração entre corpo – e, por isso, os
sentidos exteriores – e espírito – o nível da potência criativa. Por um lado,
chega-se ao que há de referencial transcendente nas expressões
artísticas. Por outro, e sobretudo em meio ao crescimento do fenômeno
da desinstitucionalização religiosa, fala-se da “arte como religião”, ou,
quem sabe, como veículo expressivo e de (re)significação para
mailto:jreinaldomartins@gmail.com
mailto:ed.matias@gmail.com
mailto:yosihing@gmail.com
13
indivíduos e grupos, permitindo-lhes a constituição da totalidade
ordenada (mundo) em que experienciam a vida. A presente ST busca
aglutinar investigações que toquem esse horizonte, congregando-as
num espaço qualificado de discussão, de crítica e de troca de
experiências, com possibilidadede crescimento para todas as partes
envolvidas.
A ETNICIDADE DO POVO GOIANO NA OBRA DO FREI CONFALONI:
COLONIZADOR OU DECOLONIZADOR?
Ana Kelly Ferreira Souto Pinto
PUC Goiás
souto-ana@hotmail.com
RESUMO: Constata-se a partir dos documentos e relatos como foi o
impacto da pintura do Frei Nazareno Confaloni nas paredes da igreja
do Rosário na Cidade de Goiás. O artista, frei dominicano católico e
europeu, chega à antiga capital de Goiás e representa nos mistérios do
Rosário as cenas bíblicas, porém colocando como personagens o
próprio povo da cidade. Utilizando traços largos para expressar nariz,
pés, e cores como o vermelho e o marrom para mostrar a simplicidade
e o matiz da pele. A comunidade local não recebeu bem essa
representação. Neste estudo investiga-se qual é a identidade que o
povo local tinha de si mesmo, como ele se via, como o frei italiano o
enxergou e o retratou. Haveria nessa expressão um choque entre como
as pessoas locais se viam e como foram vistas? Residiria aí uma tensão
entre a visão do europeu colonizador e o povo refém de um processo
colonizador? Teria o frei, por meio de sua arte, promovido uma
decolonização? Ou, à luz da teoria da etnicidade de Barth, cometido
um ato de supressão da identidade ao colocar a sua visão sobre a
comunidade? O presente artigo objetiva refletir sobre tais questões. A
partir das leituras realizadas mais especificamente, quatro artigos, em
um primeiro momento o de Diego Villar (2004) - Uma abordagem crítica
do conceito de Etnicidade na obra de Frederick Barth, e o de Thais
Marinho (2015), que mantém como referência o conceito de etnicidade
de Barth, essas duas leituras têm o potencial de deslocar o olhar para
um modo de compreender a etnicidade não como uma categoria que
o estudioso/pesquisador chega e cataloga dizendo quem é o que.
Barth apresenta uma abordagem mais terna e gentil com o “objeto”
estudado, permitindo que a categorização da identidade seja dita pela
própria pessoa que é estuda pelo antropólogo. Num segundo
momento, o texto de Aníbal Quijano (2005) Colonialidade do poder,
mailto:souto-ana@hotmail.com
14
eurocentrismo e América Latina, assim como o texto de Rita Segato
Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um
vocabulário estratégico decolonial, nos amplia a compreensão de que
devido ao processo de colonização que teve como referência o modo
de vida e o estereótipo europeu, faz-se necessário libertarmo-nos desses
paradigmas num processo de decolonização. Dessarte, tais leituras nos
levaram a pensar o objeto da tese – a arte de Frei Nazareno Confaloni
em Goiás – à luz dessas teorias, culminando em algumas questões que
refletimos neste trabalho, tais como: seria a arte de Confaloni, em Goiás,
um meio para o processo de decolonialismo? Ou, à luz da teoria de
Barth, ela infringiria a construção da etnicidade goiana?
Palavras-chave: Etnicidade; Decolonialismo; Povo goiano; Arte de
Confaloni.
A MULTISSENSORIALIDADE NA AÇÃO RITUAL E SUAS PERFORMANCES
Daniela Oliveira dos Santos
UFG
daniela.oliveira@discente.ufg.br
RESUMO: Esta comunicação pretende discutir a multissensorialdade na
experiência religiosa durante a ação ritual a partir de um estudo em
andamento no campo das Performances Culturais. A investigação tem
por propósito compreender as performances que ocorrem nas
celebrações do Ofício Divino das Comunidades em suas ações,
símbolos, corpos, cheiros, sons, com destaque aos aspectos culturais
presentes. Para tanto, as memórias, os corpos, os cheiros, os sons e seus
entrelaçamentos com o rito adentram a investigação proporcionando
reflexões sobre as performances reveladas na ação celebrativa. Esta
comunicação tem por objetivo apresentar reverberações sobre os
aspectos voltados à multissensorialidade e à sinestesia vislumbrados
durante a celebração do Ofício Divino das Comunidades realizada em
Goiânia no ano de 2022. Na ocasião, realizei a observação participante
da celebração realizando o seu registro fotográfico e anotações em um
diário de campo. O pensamento de estudiosos, tal como, Langdon
(2006), Ingold (2012), Bonaccorso (2015), Pallasmaa (2011) adentram as
reflexões descortinando os elementos percebidos nas performances dos
celebrantes. As performances despontam no Ofício Divino das
Comunidades desde o seu início, nisto, corpos, gestos e ações dos
revelam-se simultaneamente no e pelo rito. Entrelaçados às palavras, ao
canto, à dança e ao silêncio imersos pela penumbra e envoltos pelo
mailto:daniela.oliveira@discente.ufg.br
15
cheiro do incenso que invadia o espaço, os celebrantes vivenciaram
experiências significativas e afloraram seus sentidos. Os gestos e corpos
são citados por Bonnacorso (2015) na tentativa de se compreender
como o ritual recorre às linguagens não verbais que são formas de
comunicação mais antigas que a linguagem verbal. O acúmulo de
atividades e o tempo, cada vez mais escasso, tem prejudicado a busca
pela inteireza de nosso ser durante a celebração religiosa. Para além
disso, Pallasma (2011) chama a atenção para a separação dos sentidos
humanos em nosso cotidiano e como isso tem afetado as nossas vidas
e nossas experiências estéticas. Seria, então, a celebração religiosa
capaz de despertar em nós a multissensorialidade e a experiência
estética?
Palavras-chave: Multissensorialidade; Performances; Ação Ritual; Ofício
Divino das Comunidades.
MÃOS QUE NARRAM MUNDOS: A QUIROPRÁXIS NAS PARTEIRAS DA
FLORESTA AMAZÔNICA
Helton Thyers Melo Oliveira
PUC Goiás
thyerscssr@gmail.com
RESUMO: Separadas e distantes geopoliticamente do mundo hospitalar
citadino, imersas no útero da floresta, as parteiras da floresta amazônica
são as testemunhas de um saber ancestral que as tornam as “mães da
pegação” ou as “mães pelo umbigo”. O objetivo deste trabalho é
apresentar e discutir um tipo específico de tradição e de prática
memorial na incursão da oralidade atravessada pela quiropráxis do
partejar. Mantivemos uma abordagem fenomenológica de nosso
objeto em questão, qual seja, as mãos das mães de parto representadas
como guardiães de cultura, na tentativa de compreender e interpretar
a reportagem de imersão na “Floresta das parteiras”, tal qual a
descreveu e registrou a jornalista Eliane Brum (2017). Como balizadores
conceituais do nosso trabalho, articulou-se como lente teórica sobre
nosso objeto de estudo conceitos provindos da sociologia da religião –
memória, tradição, rito e identidade narrativa – a partir dos estudos
realizados por Sukaranaho (2011), Urbaniak (2015) e Duque (2018). Nesse
percurso realizado, concebemos as parteiras e suas mãos na prática de
seu ofício artesanal como encadeadoras de memória cultural,
tratando-se de mãos que visibilizam um mundo, demarcam um tempo
de acontecimento (o nascimento), definem outro corpo identitário,
mailto:thyerscssr@gmail.com
16
guardam uma história. A tradição das parteiras abriga não só a
narrativa do início das vidas que suas mãos amparam, mas seus corpos
conjugam com o verbo partejar todo um modo cosmogônico de se
situar na vida, na existência e em seus laços. Os corpos de uma “mãe
de umbigo”, aparadora de menino, partejam uma relação da própria
floresta como corpo, como ambiência receptiva onde se inscreve a
comunidade e suas identidades.
Palavras-chave: Parteiras; Floresta amazônica; Eliane Brum; Narrativa.
A MÚSICA COMO VIA PARA A INTERIORIDADE – UM ESTUDO A PARTIR DE
AGOSTINHO DE HIPONA
Gustavo Augusto da Silva
NOVA de Lisboa
gustavo85031342@gmail.com
RESUMO: Na ótica agostiniana, o canto não é propriamente/somente
um ato linguístico, visto que existe a possibilidade de cantar sem
palavras. O mesmo acontece com a oração, há a contingência de
cumpri-la a sós, em silêncio. Com as palavras, aprende-se apenas
signos, isto é, sinaissonoros, que, deliberadamente, foram carregados
de sentido ao longo do desenvolvimento da humanidade. Deste modo,
as palavras da oração ou do canto, como ato interior, funcionam como
lembretes para as operações do pensamento. Por esse silêncio, o fazer
musical se aproxima bastante da oração, e, como ato litúrgico, o canto
também era utilizado como modalidade de reza. Agostinho desenvolve
que o canto na liturgia é um ato de interiorização e conexão com a
comunidade. A experiência que os crentes fazem do Sagrado parte
sempre de uma linguagem. Mesmo na oração silenciosa a linguagem
aparece como fruto da consciência de si. Em Agostinho esta
consciência é conhecida como interioridade. Agostinho declarou que
Deus se encontra no mais íntimo do homem e que para encontrá-lo é
preciso tecer um caminho interior rumo ao Sumo Bem. Este trabalho tem
como proposta prescrutar o conceito de interioridade agostiniano e
estudar a música como uma via privilegiada para tal.
Palavras-chave: Música; Interioridade; Filosofia; Agostinho de Hipona.
mailto:gustavo85031342@gmail.com
17
UMA PROPOSTA POÉTICA/ESTÉTICA COMO EXERCÍCIO ESPIRITUAL A
PARTIR DO LIVRO O VÉU DE ÍSIS NO PENSAMENTO DE PIERRE HADOT
Marcelo Gabriel de Freitas Veloso
PUC Goiás
yosihing@gmail.com
RESUMO: A comunicação presente tem como proposta em apresentar
a possibilidade de uma percepção estética da natureza pelo
intermédio da atitude órfica como exercício espiritual a partir da obra O
véu de Ísis, do filósofo francês Pierre Hadot (1922-2010). De acordo com
Hadot, a natureza sofreu um processo de mecanização que, de certa
maneira, corroborou o distanciamento do próprio homem. Tal processo,
o filósofo francês denomina de atitude prometeica. Esta atitude – mas
não somente ela – parece estender-se e ganhar fôlego na
contemporaneidade, reforçada pelo avanço intensificador do
processo tecnológico mercadológico/capitalista. Nesse sentido, em
resposta a essa mecanização e exploração mercadológica frente à
natureza, propomos neste artigo, a partir do pensamento de Hadot,
discutir e compreender o que ele denomina por atitude órfica,
problematizando a seguinte questão: será possível pelo intermédio da
percepção estética da natureza, a “renaturalização” do homem? Seria
a atitude órfica uma proposta de nos entendermos como sujeitos
perceptíveis, enquanto também participantes da natureza? Partindo
deste pressuposto, recorremos ao pensamento de Hadot arriscando-nos
a uma aproximação sobre o despertar de uma percepção espiritual de
filosofia na senda da perspectiva estética em relação à natureza.
Palavras-chave: Natureza; Percepção Estética; Pierre Hadot; Exercícios
Espirituais.
LEODEGÁRIA BRAZÍLIA DE JESUS: A POESIA COMO CHAMA E
PROCEDIMENTO
Cristiano Santos Araujo
PUC Goiás
umcristiano@gmail.com
RESUMO: Esta comunicação científica tem por objeto a obra da poeta
goiana Leodegária Brazília de Jesus (1889-1978) nos seus dois livros:
Corôa de Lyrios (1906) e Orchideas (1928). Objetiva-se realizar uma
metacrítica literária a partir de três críticos: um inglês, um francês e um
mailto:yosihing@gmail.com
mailto:umcristiano@gmail.com
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russo. Terry Eagleton (2006) no conceito sobre O que é literatura; Viktor
Chklovski (1984) no texto A Arte como procedimento; Gaston Bachelard
(1989), na obra A chama de uma vela. Metodologicamente, propõe-se
uma revisão bibliográfica, e de narrativa, no esforço conjunto de co-
labor-ação conceitual através do eixo epistemológico da arte poética
e construções de sentido na religião e cultura goiana. Dessa forma,
sendo Leodegária de Jesus uma matrinarrativa cerradesca há
pertinências sociais, acadêmicas e científicas no olhar mais atento sobre
a obra da pioneira da poesia em Goiás, com a perspectiva de auscutar
a visibilidade da chama e do procedimento de uma escrita das
imagens simbólicas e de uma particular poesia do mundo na tentativa
autoral de explicar o desconhecido pelo conhecido naquilo que há
entre a chama e o pavio.
Palavras-chave: Leodegária de Jesus; Poesia; Chama; Procedimento.
COMICIDADE E SIMBOLISMO: RELAÇÕES ENTRE O HUMOR DA
CARICATURA E NARRATIVAS RELIGIOSAS
Natã Silva Nazareno
PUC Goiás
lapiseborracha@gmail.com
RESUMO: Este trabalho pretende abordar o aspecto do humor
propositalmente elaborado na construção da caricatura e equiparar os
fundamentos simbólicos criados, apropriados ou reinventados pelo
específico estilo de arte e os mecanismos não menos importantes para
a impetração da memória e linguagens adotadas pela religião. De tal
feito, apresentamos em três capítulos nos quais são distribuídos a
questão relacional entre dois horizontes, do cômico e da religião, em
seguida os elementos são reconectados com novas perspectivas e
interpretações, sutis jogos de linguagem, releituras de questões
populares e religiosas convertidos pela arte da caricatura, em
armadilhas risíveis, o que iremos ilustrar com recurso gráfico/imagético.
Rir é próprio e exclusivamente dos humanos e, constatações ou
afirmações como essas nos acompanham desde a antiga Grécia, no
entanto os valores atribuídos ao riso oscilam na história. Elementos do
cômico são ajuizados ou valorados, mas estão caminhando com a
evolução humana e no ethos da sociedade. Assim como os mitos são
constituídos, elementos que fundamentam, atendem um propósito e
replicam uma história para um povo, a experiência vivenciada através
do humor, pode estar no mesmo patamar de elaboração racional e se
mailto:lapiseborracha@gmail.com
19
valer dos mesmos elementos, em perspectivas peculiares, para
organizar mecanismos cômicos e, imortalizar memórias através do riso
na cultura. Acreditamos, levantar um questionamento de suma
relevância para os tempos hodiernos em que a sensibilidade da arte,
filosofia, religião e do humor são desconsideradas do cerne da
formação social. Autores de grande relevância serão elencados para o
debate e nos anseia provocações substanciais para novos saberes em
futuros próximos.
Palavras-chave: Caricatura; Humor; Riso; Cômico; Religião.
RELIGIÃO, ARTE E CULTURA: A CAPACIDADE HUMANA DE REINVENTAR
Claudio Antonio Delfino
PUC São Paulo
claudiodelfino72@yahoo.com.br
RESUMO: A tradição judaico-cristã tem de comum em suas raízes a
doutrina da Criação. O verbo barah é um indicativo que somente a
Deus compete criar. Mas isto não implica que ao homem, mesmo que
analogamente, seja concedido a tarefa de, mediante a arte, de um
tipo de criação aparente, inventiva. E essa realidade cultivada é
verdadeira. Ela entra no mundo dos homens, isto é, na história,
possuindo uma gama de significados, que por vezes, expressa o
inefável, o apofático, o indizível conceitualmente. Desta maneira,
utilizando o método explorativo bibliográfico, objetiva-se com esta
reflexão mostrar que a fertilidade da interface entre religião, arte e
cultura são capazes de produzir sentidos que alarguem o horizonte da
experiência humana com o sagrado, em meio as alegrias e sofrimentos
da sua existência. Os elementos desta interface são como três vias que,
interagindo-se através da atividade humana, convergem na mesma
direção, visando alcançar o mesmo fim. Ademais, sendo o homem um
mistério para si e para os outros, ele é desafiado constantemente a se
descobrir e se manifestar. Sendo assim, no cultivo de si, da sociedade e
da natureza, e aberto ao Totalmente Outro, o homem é chamado a
emitir significado a tudo isso que o rodeia. E, se por vezes, lhe faltam
palavras para exprimir tudo o que o envolve. Mediante a sensibilidade
estética que lhe é própria, ele é naturalmente vocacionado a encontrar
condições de possibilidades para realizar esta sua missão. Com isso, os
elementos religiosos, culturais e artísticos funcionam também, como um
fundamento comum, onde erguer este edifício.A construção se dá no
seu quotidiano. Para se realizar tal empresa, se deve buscar o apoio da
mailto:claudiodelfino72@yahoo.com.br
20
iniciativa pública, privada e do terceiro setor e da comunidade local
com o objetivo de obter recursos para a realização de tais projetos.
Além disso, se deve valorizar as expressões artísticas e culturais de cada
povo, consciente de que cada um tem algo a oferecer. Por fim nada
impede de utilizar tais atividades como inclusivas no meio social. Sendo
assim, o sagrado, o humano, a arte e a cultura como expressões deste
podem coabitarem num universo paradoxal, isto é, multifacetado e
simultaneamente, com o rosto belo.
Palavras-chave: Sagrado; Humano; Arte; Cultura.
A INFLUÊNCIA DE SÃO JOÃO DA CRUZ PARA A CATEGORIA DO NOTURNO
NA FILOSOFIA DE VLADIMIR JANKÉLÉVITCH: O ENCONTRO ENTRE A
TEOLOGIA APOFÁTICA E A FILOSOFIA NEGATIVA DO SÉCULO 20
Felipe Marçal Anunciação
PUC Minas
felipeanunciacao@outlook.com
RESUMO: Vladimir Jankélévitch, filósofo francês do século 20, foi deveras
influenciado pela mística cristã para a concepção de sua filosofia, esta
não sistemática, antibabélica e simpática ao inefável, concebendo às
verdadeiras respostas como o fruto do encontro com a experiência do
inexprimível. Sua filosofia se afasta do positivismo e cientificismo
contemporâneos, convidando os seus leitores para uma espécie de
experiência mística, mas sem religião dogmática, com predileção para
às experiências inexplicáveis que podem ser vivenciadas através da
música, o amor e a abertura do ser para a vida como mistério infinito
em possibilidades. Independente do não pertencimento a uma filiação
religiosa, Jankélévitch nos aponta para experiências transbordantes. Por
isso, visando uma investigação sobre à grandeza que às experiências
religiosas promovem, por ser à constatação do transbordamento para
além da racionalidade instrumental, esta comunicação tem o objetivo
de apresentar às influências da mística de São João da Cruz para à
categoria do Noturno na filosofia jankélévitchiana. Para tal intento,
apresentaremos â categoria do Noturno para o filósofo a partir do seu
livro A música e o inefável e os dois primeiros volumes da obra Le je ne
sais quoi et le présque rien, com o apoio do livro Ressonâncias Noturnas:
do indizível ao inefável do intérprete do autor prof. Dr. Clóvis Salgado
Gontijo, relacionando e demonstrando como a teologia noturna de São
João da Cruz foi a principal influência para o pensador francês quanto
ao tema. Utilizaremos os livros Subida ao Monte Carmelo e Obras
mailto:felipeanunciacao@outlook.com
21
Completas do místico João da Cruz, como também de citações de
místicos como Pseudo-Dionisio Areopagita do seu livro Teologia Mística.
Palavras-chave: Noturno; Mística; Religião; Jankélévitch; São João da
Cruz.
A SIMBÓLICA DO DIONISÍACO NO CINEMA CONTEMPORÂNEO
Camila Cavalcanti Pordeus
UFPE
camilapordeus@gmail.com
RESUMO: Uma palavra como "dionisíaco" pode parecer ao leitor tão
familiar quanto estranha. Pode fazê-lo lembrar do dionisíaco tal qual
Nietzsche elaborou em seu "O nascimento da Tragédia". Pode também
lhe parecer familiar como adjetivo, sinônimo de algo carnavalesco.
Nesta proposta, quando falamos de "dionisíaco", nos valemos desse
lugar-comum, mas pretendemos ir além dele. Entendemos que apesar
da religião e mitologia greco-romana terem existido enquanto fato
religioso na antiguidade clássica, não é desta mesma maneira que ele
se apresenta na contemporaneidade. Isto pois o fato religioso é um fato
histórico, e portanto depende de sua historicidade para existir enquanto
religião, que proporciona sentido e verdade para aqueles que neles
crêem. Defendemos aqui a possibilidade de sobrevivência daquilo que
chamamos "simbólica do dionisíaco", um conjunto de elementos visuais
que se relacionam com o imaginário construído a partir dos mistérios
dionisíacos. Este imaginário, palavra que utilizamos para nos referir a um
certo repertório cultural, aponta para sentidos que se relacionam com
temas recorrentes no estudo da religião que seguia o deus do vinho: a
presença do bestial, o rompimento das barreiras sociais, o erotismo, e,
principalmente, a dissolução do indivíduo. Como principal objeto deste
estudo, escolhemos o cinema contemporâneo, filmes como "Clímax"
(Noé, 2018), "Os demônios" (Russel, 1971) e "Suspiria" (Guadagnino, 2018)
que possuem cenas em que enxergamos que este arcabouço foi
reportado, cujo sentido aproxima-se de valores partilhados por tal
religião. Compreendemos que o imaginário acerca de algo não
reporta-se necessariamente apenas a realidades históricas.Estas cenas
não buscavam retratar fielmente esta religião, mas ainda assim
conectam-se com a ideia que o ocidente formou acerca deste deus e
seu culto. Para este trabalho, utilizo autores como Paul Ricoeur, Mircea
Eliade e Georges Bataille, buscando na recorrência da produção destas
imagens compreender o sentido do dionisíaco no modo como o
mailto:camilapordeus@gmail.com
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homem contemporâneo do mundo secular vivencia sua existência. A
partir deles, foi possível compreender a religiosidade para além da
religião, a busca pelo sentido e pela verdade que norteia a existência
humana, e como esses valores não se dissiparam pós-secularização.
Interligamos a noção de dionisíaco com a experiência erótica tal qual
descrita por Bataille, uma experiência que busca simbolicamente
derrotar o abismo entre os seres descontínuos que somos,
descontinuidade esta que pode ser bem representada pela morte (pois
quando "eu" morro, estou sozinha, "você" não morre também). As cenas
as quais nos reportamos buscam transmitir visualmente a quebra da
barreira dessa descontinuidade, um momento que, por mais que dure
apenas alguns minutos para o espectador, transmitem que para o
participante algo de eterno ali ocorreu - a morte foi esquecida, o mundo
e suas regras também. Ali formou-se uma esfera, no sentido de Peter
Sloterdijk, onde o desconhecido - a morte- não os alcança. Ao negar as
regras e a ordem do mundo, simbolicamente cria-se um outro espaço,
que, como na religião dionisíaca, é preciso estar iniciado para adentrar
-aqueles que morrem e renascem simbolicamente. É nessa mesma
lógica em que categorizo essas produções visuais: a negação da morte
e a celebração extática da vida.
Palavras-chave: Dionisíaco; Símbolo; Cinema.
CONSTRUÇÃO DE SENTIDO NA POESIA DE ADÉLIA PRADO: UMA ANÁLISE
FENOMENOLÓGICA DO POEMA BENDITO
Edson Matias Dias
FAJE
ed.matias@gmail.com
RESUMO:A vida não precisa ser explicada para se manifestar. Nas
modalidades dos poderes que nosso corpo comporta, a vida se
expressa em tudo que ela é: suas alegrias, dores, contentamentos e
dessabores. Os contraditórios no nosso viver só são considerados assim
pois esbarram em nossa mentalidade idealista de tudo querer objetivar.
Tudo aponta para a compreensão que a construção de sentido
somente se produz quando há um espaço de interação entre os
opostos. O caminho da poesia, desde os textos sagrados antigos à
poesia contemporânea, revela um ‘fundo’ articulador que escapa
sempre a qualquer racionalização. Refletir a partir da poesia, num
caminho que passa pela fenomenologia e pela psicologia profunda,
parece ser um trajeto possível de aclaramento do valor poético para a
mailto:ed.matias@gmail.com
23
construção de sentido da vida humana. Para que a investigação seja
possível, opta-se pela análise do poema Bendito da poetisa mineira
Adélia Prado. Toma-se como auxílio para investigação a fenomenologia
de Michel Henry, em sua crítica à cultura e à tradição filosófica. Como
também a psicologia de Carl Gustav Jung em seus pressupostos sobre a
constituição psíquica do indivíduo e seu processo de desenvolvimento,
deixando emergir outra concepção de cultura e de arte.A partir das
categorias da fenomenologia e da psicologia foi possível perceber que
o ser humano, na busca de encontrar um chão que pertença, pela
poesia encontra um mar que pode navegar ao fragor dos ‘ventos da
vida’. O que fica patente é a necessidade urgente de viver a vida num
fluxo mais poético e menos objetivista, abrindo espaço assim para todos
os poderes da vida em suas mais variadas manifestações artísticas e
culturais.
Palavras-Chave: Poesia; Psicologia; Fenomenologia; Sentido.
O PERDÃO E O “AUTOPERDÃO” COMO VIOLÊNCIA
Bianca Soares Magalhães
PUC Goiás
biancasoaresmagalhães@gmail.com
RESUMO: O narrar, literário ou de qualquer outra espécie, evidencia, em
especial a olhares mais profundos, a máxima/norma, como conduta,
daquilo que deve ser considerado e protegido. O fato é que, por vezes,
a violência e a revitimização se transverte da boa virtude do perdoa e
“autoperdoar-se”. Soa como um processo de superação da dor, e
talvez seja em alguma medida. Mas, para além da experiência pessoal,
o espaço público adoecido não protege nem considera o bem da vida
e a própria vida. Por via literária, narraremos um conto, que apesar de
fictício sabe-se fatível, para conduzirmos a reflexão de como o perdão
e o “autoperdão” nem sempre representa uma virtude, mas sim
processos de legitimação da violência. A vítima ou a pessoa ofendida
toma para si a culpa do dano que lhe fora causado. Deste modo,
somasse o dano, a dor e o sofrimento a culpa de ter sido ofendida e
vitimada. Resultando em nova modalidade de violência, aquela que
faz calar os efeitos da ação ofensora sem necessariamente findar os
efeitos práticos da ofensa. Silenciar e romantizar a dor que não pode ser
sentida/reclamada, já que não se pretende findar/punir o que de fato
gerou a ofensa. Sequer há promessa ou acordo mútuo de evitar
mailto:biancasoaresmagalhães@gmail.com
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conduta danosa posterior e, caso ocorra, basta levantar novamente a
sinalização de virtude da vítima, que deve ser sempre boa vítima.
Palavras-chave: Perdão; “autoperdão”; violência.
O SENTIDO RESSENTIDO DO OURO NAS PEÇAS SACRAS
Daniel Carvalho da Silva
PUC Goiás
dancarvalho90@gmail.com
RESUMO: O emprego dos metais nobres, sobretudo do ouro, para a
confecção de objetos em função do culto e dos sacramentos cristãos
remonta a um passado longínquo. Cálices e alianças são peças
remanescentes na contemporaneidade, mas, são conhecidas, por
exemplo, as talhas de ouro que, por influência da arte sacra portuguesa,
adornavam presbitérios barrocos no Brasil Colônia. O uso de ouro em
tais peças resguarda o sentido da nobreza: predicado do metal e
desígnio dos objetos litúrgicos. No entanto, com o advento da
mineração em larga escala e dos recorrentes crimes ambientais
atrelados a ela – como os rompimentos das barragens de rejeitos de
minérios e a contaminação de populações indígenas e ribeirinhas por
mercúrio –, e considerando os apelos do Papa Francisco na Laudato Si’
por uma conversão ecológica, a nobreza do ouro e seu emprego em
peças sagradas tem sido questionada. Em lugar de metal, sugere-se
para os cálices o uso de madeira ou cerâmica. Em substituição às
alianças, desde a ordenação do prelado de São Félix do Araguaia – MT,
Pedro Casaldáliga, em 1971, paira, sobre a Igreja Católica latino-
americana, a sugestão do uso do anel de tucum. A presente
comunicação quer trazer à baila os sentidos – teológico, sobretudo
bíblico, e antropológico – que sustentam o emprego do ouro a tais
peças, bem como os ressentimentos que a mineração suscita em suas
vítimas de modo que assimilem o ouro como uma causa mortis. A
pesquisa, de cunho bibliográfico, baseia-se nos documentos da Igreja
que orientam o emprego de metais preciosos e dos questionamentos
que tanto a Igreja quanto os movimentos populares impõem à
mineração e ao resultado dela. Os resultados sugerem que os sentidos,
as nuanças sublinhadas quando da opção por um ou por outro tipo de
material, enraízam-se na experiência pessoal ou comunitária com os
diferentes elementos da natureza e, ainda, com a relação que cada
sujeito estabelece entre eles e as peças finais utilizadas nos cultos
cristãos.
mailto:dancarvalho90@gmail.com
25
Palavras-chave: Arte Sacra; Mineração; Conversão Ecológica.
CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E ESPIRITUALIDADE VIVENCIAL EM CORA
CORALINA
José Reinaldo F. Martins Filho
PUC Goiás
jreinaldomartins@pucgoias.edu.br
Resumo: A religião está estreitamente ligada à possibilidade de
construção de um sentido radical, profundo e determinante sobre a
mundividência de indivíduos e suas comunidades. Nisso tem sintonia
com as artes e, entre elas, especialmente com a literatura. Pretende-se,
aqui, dar destaque para o “artesanato de sentidos” articulado a partir
da produção literária, sobretudo poética, de Cora Coralina, uma das
principais escritoras goianas do último século, realçando dois tipos de
influências sobre a sua produção: a) uma religiosidade herdeira do
catolicismo institucionalizado (oficial e popular) na Cidade de Goiás de
sua época de infância e b) uma espiritualidade – ou mística – que
chamaremos “vivencial”, pois ancora-se nas experiências pessoais da
literata, sobretudo na possibilidade sempre disponível de significação
dos acontecimentos cotidianos, revestidos de novo sentido e, por isso,
com influência sobre a autopercepção da autora e das gerações que
estabeleceram contato com seu texto. A literatura, como fonte de
sentido e expressão de uma espiritualidade vivencial, seria, por isso,
reflexo das vivências, refratadas e devolvidas ao contexto social de que
se originaram, determinando-o em muitos de seus aspectos
fundamentais. Esse é o lugar a partir do qual se procurará perceber a
correlação entre religião, arte e cultura.
Palavras-chave: Sentido; Espiritualidade vivencial; Literatura goiana;
Cora Coralina.
ENTRE O PROFANO E O SAGRADO: ANÁLISE DE DOIS COMERCIAIS
PROTAGONIZADOS PELO PADRE FÁBIO DE MELO
Paulo Afonso Tavares
UFG
jor.pauloafonso@gmail.com
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RESUMO: A religião, enquanto instituição social, vem progressivamente
experienciando um processo de “midiatização”, termo cunhado para
compreender as amplas consequências da mídia para a vida cotidiana
e organização prática (social, política, cultural, econômica) e, mais
particularmente, da disseminação generalizada de conteúdos e
plataformas de mídia através de todos os tipos de contexto e prática.
Hodiernamente, é patente a inserção das mais diversas instituições e
sujeitos religiosos no tecido de uma sociedade mediatizada: as práticas
sociais, pautadas na lógica midiática, tornam o fenômeno religioso mais
complexo, sobretudo no meio digital. Novas modalidades de
percepção e expressão do sagrado são formadas em novos ambientes
sociais: o fenômeno religioso, gradualmente, transfere-se para
ambientes públicos, como as redes sociais (Facebook, Twitter,
Instagram, etc.). A mediatização da religião vê-se com mais clareza, por
exemplo, no caso católico, com inúmeros marcos comunicacionais da
Igreja Católica: em 1896, registrou-se, em um filme, a primeira imagem
de um papa, Leão XIII; em 1931, houve a primeira transmissão da voz
papal na rádio, quando se fundou a Rádio Vaticana por Pio XI; em 1949,
ocorreu a primeira transmissão de imagens papais na televisão, também
de Pio XII, entre outros casos. Nesse contexto, em 1963, o Concílio
Vaticano II emite um documento, o Decreto Inter Mirifica, que trata da
comunicação social da Igreja Católica. O objetivo do documento é
afirmar a importância dos meios de comunicação de massa na
sociedade moderna e encorajar a Igreja a usá-los para espalhar a
mensagem cristã. Entre os principais pontos do Decreto Inter Mirifica,
estão a necessidadede formação de pessoas capacitadas para
trabalhar com a comunicação dentro da Igreja, a promoção do uso
dos meios de comunicação para fins educacionais e evangelizadores,
e a necessidade de garantir a liberdade de imprensa, desde que esta
esteja em conformidade com os princípios cristãos. O documento
aborda, ainda, a responsabilidade dos meios de comunicação de
massa em relação à verdade e à justiça, e a necessidade de proteger
a privacidade das pessoas e evitar a difamação. Nessa conjuntura,
produzem-se fenômenos como o dos “padres popstar”, a exemplo de
Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Como o avanço do pentecostalismo,
produziu-se uma “reação católica” no campo midiático,
paradoxalmente, valendo-se de estratégias características do
televangelismo, mais comum entre evangélicos neopentecostais. A
partir dos anos 90, sobretudo com o Pe. Marcelo Rossi, elabora-se uma
estratégia de difusão da fé católica adaptada à lógica das mídias
(algumas celebrações eram até mesmo chamadas de “showmissas”
pela imprensa). O Pe. Fábio de Melo, com uma estratégia semelhante,
27
passou a ganhar espaços da mídia na metade da década de 2000. Em
ambos os casos, ocorre a exposição em programas de televisão e rádio
laicos, o lançamento regular de CDs, DVDs e de livros de autoajuda, a
apresentação própria de programas de rádio e televisão – Fábio de
Melo, por exemplo, apresenta o programa Direção Espiritual, transmitido
pela TV Canção Nova. Em face dessas considerações, neste artigo,
objetiva-se analisar dois vídeos publicitários, protagonizados pelo Pe.
Fábio de Melo e divulgados nas redes sociais. No primeiro, o presbítero
divulga um produto da indústria de vitaminas e suplementos Ekobé. No
segundo, ele divulga o produto emagrecedor 100Peso. Assim, este
trabalho adota uma abordagem qualitativa e faz-se mediante análise
documental. A abordagem qualitativa é uma das principais
abordagens utilizadas em pesquisa, em que o foco é a compreensão
aprofundada e detalhada de um fenômeno social. Essa abordagem é
usada para coletar e analisar dados não estruturados, como entrevistas,
observações e documentos. A análise documental é uma técnica
comum dentro da abordagem qualitativa e envolve a coleta e análise
de documentos relevantes para a pesquisa. Os documentos podem
incluir artigos, relatórios, leis, regulamentos, atas de reuniões, diários,
vídeos, entre outros. A análise documental envolve uma leitura
cuidadosa dos documentos para identificar temas, padrões, conceitos
e outras informações relevantes para a pesquisa.
Palavras-chave: Padre Fábio de Melo; Comercial; Evangelização;
Catolicismo Midiático; Midiatização da Religião.
O MITO COMO MODO DE EXPRESSÃO DO SENTIDO RELIGIOSO
Luciano Silva Reis
PUC Goiás
lucianoreisoficial@gmail.com
RESUMO: O mito evidencia a origem. Em toda construção ideológica do
Oriente e do Ocidente, há elementos simbólicos relativos à construção
mitológica, feitos presentes dentro do tempo e do espaço em forma de
registro e oralidade. Em razão disso, essa comunicação tem como
objetivo possibilitar uma visão atemporal do mito, que está
intrinsicamente vinculado ao conhecimento religioso de localidades
distintas. A metodologia adotada é bibliográfica. O texto se constrói a
partir da revisão da discussão de autores especializados no tema e
consagrados pela sua trajetória investigativa. É apresentada uma
ênfase nas noções preliminares de mito e sua articulação com rito, que
mailto:lucianoreisoficial@gmail.com
28
com destaque para sua origem e utilização. Refere-se também a uma
análise tipológica, que segmenta a forma estrutural que o mito reproduz.
Os resultados esperados são a compreensão das relações internas e
consequentes acerca das construções ideológicas do saber religioso de
várias temporalidades. Não obstante, a comunicação também quer
contribuir para uma nova tradição do uso do mito como forma de
decodificação de determinada identidade desde suas origens, com
pauta na desconstrução de eventuais incompreensões sobre o papel
do mito e das mitologias na história humana, no passado e no presente.
Palavras-chave: Mito; Religião; Sentido; Origem; História.
ENTRE A SAUDADE E O SONHO: DUAS CANÇÕES DE TOM JOBIM NUMA
PROSA COM RUBEM ALVES
Arnaldo Érico Huff Júnior
UFJF
huffjr_@hotmail.com
RESUMO: O artigo pretende interpretar duas canções de Antônio Carlos
Jobim, “Garota de Ipanema” (em parceria com Vinícius de Moraes) e
“Sabiá” (em parceria com Chico Buarque), pensadas em diálogo com
a teopoética de Rubem Alves. Aspectos melódicos, harmônicos,
históricos e estético-poéticos da canção são, nesse sentido,
interpretados e discutidos sob inspiração das noções alvesianas de
beleza, saudade e sonho.
Palavras-chave: Tom Jobim; Rubem Alves; Canção popular brasileira;
Religião.
mailto:huffjr_@hotmail.com
29
ST 02 – LO MÍTICO E LO SAGRADO: EN TORNO A LO
TRASCENDENTE EN EL ARTE ACTUAL
Paloma Rodera Martinéz
UFV Madrid
paloma.rodera@ufv.es
Pablo López Raso
UFV Madrid
p.lopez@ufv.es
Desde principios de este siglo XXI podemos observar en el arte
contemporáneo ciertas manifestaciones vinculadas a lo sagrado y lo
sobrenatural. Frente al tradicional inmanentismo que caracterizó a la
revolución moderna, se detecta en la cultura posmoderna una mirada
hacia narrativas que van de lo mitológico a lo trascendente.
Ciertamente no es una manifestación nueva si sondeamos la historia de
la humanidad, pero en el ámbito de la escena de la creación más
actual es algo novedoso. La secularización de la cultura del siglo XX
liderada por una modernidad que rechazaba el fenómeno religioso
apartó de la escena artística a toda propuesta que se relacionara con
la expresión de lo divino.
PRESENCIA DE LO SAGRADO EN LA OBRA ELOGIO DEL HORIZONTE DE
EDUARDO CHILLIDA
Cristina López de Corral
UFV Madrid
cristina.lopez@ufv.es
mailto:paloma.rodera@ufv.es
mailto:p.lopez@ufv.es
mailto:cristina.lopez@ufv.es
30
RESUMO: El panorama artístico español de posguerra cuenta con una
de las mejores y más fructíferas generaciones de artistas del siglo XX. Tras
la Guerra Civil, este grupo de artistas silenciados y aislados por la
situación política logra acceder y apropiarse de una modernidad
totalmente ajena y de difícil acceso, impulsando la apertura al mundo,
no sólo del aspecto cultural, sino del país entero. Sus obras conquistan la
escena internacional tras abordar el nuevo aspecto moderno desde un
carácter único y propio español. Se trata de un estilo sobrio, austero,
heredero de Velázquez y de Goya con tendencia expresionista y toque
surreal que materializa una generalizada búsqueda existencial que en
ciertos casos va a revelar una profunda carga espiritual. Eduardo
Chillida, figura referente de este periodo, representa uno de estos casos.
Chillida, y por consiguiente su escultura, se pregunta por lo inalcanzable,
lo absoluto, lo verdadero desde la sencillez, la humanidad, la belleza y
la dignidad cualidades no siempre fáciles de ejercitar y poco comunes
en un mundo dominado por el rechazo a todo lo relacionado con lo
artístico-espiritual. Como escultor profundamente apasionado y
volcado en su trabajo, entiende su obra como mediadora entre el
hombre y el misterio. Preocupado por el mundo que rodea y conforma
sus esculturas, más que en la pieza en sí, traduce todos sus intereses a
conceptos duales y complementarios como el espacio-vacío, materia-
espíritu, peso-gravedad. A través del diálogo y la alternancia de dichos
conceptos consigue generar en sus obras un ritmo propio que logra
desprender al observador del orden frenético de la vida cotidiana,
invitándolo a la contemplación y el recogimiento al crear «lugares
sagrados» en los queda manifiesto de fondo el catolicismo de
búsqueda,propio del autor. El artista entabla un diálogo con lo mistérico
y nos proporciona con sus esculturas los materiales que cree necesarios
para semejantes enfrentamientos, siendo capaz de producir una
experiencia tanto estética como religiosa. Su Elogio del Horizonte
abarca toda esta intención de mediación, en este caso entre el
horizonte símbolo de lo inmenso, lo inconmensurable, patria y lugar de
toda la humanidad, y el espectador. Chillida consigue a través de esta
escultura hacer presente lo sagrado, al abrirnos una ventana a lo
esencial, desde lo material.
Palavras-chave: Arte contemporáneo; Arte y trascendencia; Eduardo
Chillida; Escultura abstracta monumental; Elogio del Horizonte.
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BUSCANDO LO TRASCENDENTE: INSTALACIONES DE ARTE
CONTEMPORÁNEO EN ESPACIOS SAGRADOS
Maribel Castro Díaz
UFV Madrid
mi.castro.prof@ufv.es
RESUMO: Mientras que en el siglo XX se dio un proceso de secularización
en la sociedad (generando una separación entre arte contemporáneo
y cristianismo), hoy en día encontramos que los artistas vuelven a
retomar en sus obras la tradición del diálogo entre la creación visual y
los lugares de culto. Este compromiso de los artistas con lo espiritual y lo
religioso ofrece nuevas posibilidades para los espacios sagrados. Esta
investigación plantea explorar el potencial de la instalación artística
dentro del diálogo entre arte contemporáneo y espiritualidad,
señalando el giro conceptual e interpretativo de un foco casi exclusivo
en el contenido y la imagen (que definió el enfoque artístico anterior al
siglo XX) a las dimensiones experienciales e inmersivas para el
espectador. Propone exponer algunas de las características y utilidades
más relevantes de un tipo de arte que puede ser descrito como espiritual
en virtud de sus capacidades reveladoras, revitalizadoras y
contemplativas, así como analizar el papel mediador de la instalación
en la experiencia estética de lo sublime. La metodología para este
estudio se basará, por un lado, en una revisión bibliográfica y la
elaboración de un marco conceptual a partir de textos y publicaciones
como On the Strange Place of Religion in Contemporary Art (1994), de
James Elkin, Art & Religion in the 21st century (2015), de Aaron Ronsen, o
The Sublime: Documents of Contemporary Art (2010), editado por Simon
Morley, además de artículos académicos y catálogos razonados.
Seleccionaremos un conjunto propuestas artísticas recientes creadas
para espacios religiosos, y estructuraremos su análisis a partir de las
nuevas formas de encuentro que permite la utilización de lo multimedia.
Así, realizaremos un estudio comparado de la utilización de la palabra
en las instalaciones de Jenny Holzer en la Iglesia de San Juan el Divino,
Nueva York (2004) y de Tracey Emin en la Catedral Anglicana de
Liverpool (2008), el empleo de la luz y el color en las instalaciones de Dan
Flavin en la Chiesa di Santa Maria Annunciata en Milán (1996) y de
James Turrell en la capilla del Cementerio de Dorotheenstädtischer, en
Berlín (2016), o la revisión de iconografía simbólica en obras de Bill Viola
para la Catedral de San Pablo en Londres o Alison Watt en la Old St.
Paul´s Church, en Edimburgo (2004). El resultado pone en relación una
serie de enfoques, intenciones y el impacto de una creación artística
mailto:mi.castro.prof@ufv.es
32
actual que no elude la complejidad y diversidad de maneras de
acercarse a lo sagrado y a lo trascendente. Los espacios intervenidos se
convierten en destinos de peregrinación no solo para creyentes o para
amantes del arte, sino también para personas de diferentes contextos
que buscan algún tipo de vía para buscar la verdad y lo espiritual.
Finalmente, se constata cómo las propuestas estudiadas aprovechan el
potencial estético de diferentes medios, formulan nuevas opciones de
percepción y de interacción con el espacio sagrado, y subrayan la
presencia renovada de lo espiritual en el arte del siglo XXI.
Palavras-chave: Experiencia estética; Espacio sagrado; Instalación
artística; Espiritualidad; Intermedialidad.
PRESENCIA AUSENTE. TRASCENDENCIA EN TORNO AL
CONCEPTO INFRALEVE EN MARCEL DUCHAMP Y OTROS ARTISTAS
CONTEMPORÁNEOS.
Elisa de la Torre
UVF Madrid
elisa.delatorre@ufv.es
RESUMO: Marcel Duchamp propone el concepto infraleve en 1014
como una apreciación por realidades cotidianas que escapan a la
percepción. El análisis formal que he trabajado en los últimos años sobre
este concepto esconde una tensión constante hacia la desaparición de
bien por ser de naturaleza fugaz, como una presencia leve, o por estar,
de facto, no presente, calificándolo presencia ausente. La presencia
ausente manifiesta una realidad oculta que se palpa a partir de una
huella o señal que lo delata. El uso de estos indicios en arte
contemporáneo para dirigir la mirada del espectador a una realidad
superior o externa de manera poética es una herramienta de alto poder
persuasivo pero que requiere una sensibilidad y atención por parte de
un espectador moderno que no siempre está dispuesto. En el presente
trabajo se estudiará el uso y pretensión trascendente de la presencia
ausente en diversas propuestas artísticas contemporáneas en relación
con el espectador actual.
Palavras-chave: Infraleve; Presencia; Ausencia; Arte.
mailto:elisa.delatorre@ufv.es
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LO TRASCENDENTAL EN LA OBRA DE ESCULTORAS ESPAÑOLAS ACTUALES:
ESTUDIOS DE CASO
Paloma Rodera Martínez
UFV Madrid
paloma.rodera@ufv.es
RESUMO: En la siguiente comunicación hacemos un recorrido por la obra
de las escultoras españolas más influyentes del arte actual. Buscamos el
concepto de trascendencia en piezas de tres dimensiones que
conjugan un diálogo con el espacio e interpelan al espectador que es
parte de la experiencia artística como un elemento más. No sólo, como
elemento fundamental del eje vertebrador que da sentido a la obra en
sí misma. Analizamos los casos de artistas como Dora García, Cristina
Iglesias, Lara Almarcegui y Naia del Castillo, entre otras.
EL CRISTO BIZANTINO TATUADO EN LA ESPALDA DE PARKER: UNA
EXPERINENCIA CATÁRTICA PARA EL PERSONAJE DE FLANNERY O’CONNOR
Susana Miró López
UFV Madrid
s.miro@ufv.es
RESUMO: En el contexto actual secularizado las manifestaciones
religiosas quedan circunscritas al ámbito personal. Este ocultamiento
provoca una dificultad a la hora de encontrar un sentido a la existencia
humana más allá del inmanente. Con esta comunicación pretendemos,
a través del relato Parker’s Back de la autora sureña Flannery O’Connor,
mostrar el valor de la literatura y del arte contemporáneo como agentes
catárticos de la sociedad. Ejemplificar la relación entre la estética y la
experiencia religiosa. Analizar si la mística y la estética son las dos
grandes vías para el encuentro de dos seres trascendentes: Dios y el ser
humano, partícipe de la divinidad por la salvación de un Dios
encarnado. Metodológicamente se estudian las fuentes primarias del
relato y las cartas de la autora donde se explicita el sentido del relato
en cuestión y otras fuentes secundarias en las que se interpreta el uso
del cuerpo humano como lienzo y como camino en la búsqueda de
sentido en el personaje de Parker. Como resultado de la investigación
se podrá probar que el anhelo de un sentido en la vida acompaña a
toda persona y es irrenunciable el dar una respuesta a esta cuestión. En
un mundo que pretende apartar a Dios de la cotidianeidad, surgen con
fuerza manifestaciones artísticas, a veces en formatos que sorprenden
mailto:paloma.rodera@ufv.es
mailto:s.miro@ufv.es
34
como la técnica del tatuaje, donde se materializa la experiencia
religiosa del ser humano. Esta visión estética, permite elevar los ojos
hacia arriba y encontrar una respuesta que da plenitud a la persona.
Belleza y Verdadse vinculan para desde las maneras tocar el misterio,
expresión utilizada por Flannery O’Connor con la que pretende lanzar un
mensaje de esperanza a la sociedad. A lo largo de la historia, el ser
humano se siente incompleto si no es capaz de responder a quién es,
qué sentido tiene este mundo y si hay algo, alguien o Alguien más allá
de lo que captan nuestros sentidos. Pues bien, desde la misma
contemplación sensorial de lo que nos rodea, el arte surge como vínculo
con esa otra realidad trascendente que parece ofrecer una respuesta
a la inquietud del corazón humano. Parker no encontraba sentido en su
vida por mucho que se tatuara su cuerpo hasta que se encontró con los
ojos de un Cristo bizantino que replicó en su espalda. La pieza que
faltaba le permite encajar, completar y reconstruir su vida. Parker se
entendió a la luz de unos ojos que le miran a la cara y que le
acompañan no solamente como tinta impresa grabada en su espalda
sino como una presencia que le abraza y sostiene.
Palavras-chave: O’Connor; Cristo Bizantino; Estética; Catarsis; Mística.
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ST 03 – ESPIRITUALIDADES PAGÃS E DA TERRA: ARTE,
CULTURA, IDENTIDADE E MATERIALIDADE
Dartagnan Abdias Silva
NGCR/UFS
dartagnan.abdias@academico.ufs.br
Rodrigo Nogueira Martins
PUC Minas
rodrygovirtual@hotmail.com
Esta ST tem por objetivo acolher pesquisas que abordem temáticas em
torno das espiritualidades pagãs e de sacralidade da terra como um
todo. Tendo como objetivo principal a análise religiosa a partir das lentes
da Ciência da Religião, esta ST propõe trabalhar as diferentes formas
religiosas e espirituais de sacralidade na terra independente de sua
vertente e atuação na atualidade, encontrando na pluralidade
religiosa os pontos de encontro entre suas agendas na arte, cultura,
materialidades, militâncias e reflexões sócio-antropo-filosóficas e
religiosas. Desse modo, pretende-se costurar diálogos entre essas
tradições ao observar seus pontos comuns e sua relevância no cenário
pluralista da modernidade. Helmut Renders observa que as diferentes
linguagens experimentadas e imaginadas promovem uma
sistematização humana da Religião. E Brigth Meyer aponta para a
construção das identidades, grupos, crenças ou comunidades religiosas
nas quais podemos encontrar vestígios de sua cultura através de sua
dimensão material. Logo, Helmut e Meyer também ajudam a
pavimentar a abordagem das religiões pagãs através de sua arte e
cultura, sentidos e identidades. Sendo justamente este contexto a mola
propulsora para a articulação de diferentes configurações religiosas
abrangidas por esta ST. Destarte, também se intenciona que esta ST seja
a reunião possível de pesquisadores que terão a oportunidade de
mailto:dartagnan.abdias@academico.ufs.br
mailto:rodrygovirtual@hotmail.com
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apresentarem seus estudos e realizarem conexões entre a Ciência da
Religião e as espiritualidades pagãs e da terra em suas múltiplas formas,
trabalhando a cultura como forma indissociável da religião.
ARQUEOLOGIA E RELIGIÃO: POSSIBILIDADES PARA UMA INTERPRETAÇÃO
DAS MATERIALIDADES RELIGIOSAS ATRAVÉS DE DAVID MORGAN E ALFRED
GELL
Rodrigo Nogueira Martins
UFRJ-MUSEU NACIONAL
rodrygovirtual@hotmail.com
RESUMO: Esta comunicação pauta-se nas premissas da Ciência da
Religião aplicada ao Patrimônio Cultural (Passos e Usarski, 2013), através
dos conceitos da Religião Material (Morgan, 2009, 2010; Vasques, 2011
e Meyer, 2012). Mediante a isto, alço mão da possibilidade
multidisciplinar ofertada por este campo de estudos que oportuniza a
possibilidade de uma abordagem do Patrimônio Cultural Religioso,
também chamado de Religião Material, a partir de suas materialidades.
Apresentarei o entrelaçamento de questões conceituais utilizadas
durante o desenvolvimento de minha dissertação, defendida em 2023,
no PPG-CR da PUC-Minas, que tinha como foco identificar possíveis
heranças do Islã no Terreiro do Bogum, em Salvador. A pesquisa teve
como ponto de partida o histórico e reconhecido entrelaçamento
ocorrido entre os Malês e os negros adeptos aos cultos nativos africanos,
que culminou da Revolta dos Malês e a partir de então localizar possíveis
heranças dialógicas através dos vestígios materiais. Para que tenhamos
um entendimento mais amplo sobre essas questões teremos como
autores de referência David Morgan através de sua teoria do “Olhar
Sagrado”, Sacrad Gaze (2005) e de sua tríade interpretativa sobre a
materialidade através dos artefatos, dos corpos e da espacialidade
(2009, 2010). Aliado a estes pressupostos realizarei uma associação do
pensamento de Morgan com o de Alfred Gell (1998) e suas importantes
contribuições sobre “Arte e Agência”, indissociáveis para a Arqueologia.
Com vistas a uma possibilidade de engendramentos futuros,
apresentarei como vias de apoio, o emergente conceito de
“Materialismo não Reducionista” de Manuel Vásquez (2011), que o
aproxima dos conceitos da Arqueologia Sensorial e a Tese de uma
“Antropologia Fenomenológica” de Birgit Meyer (2012), sendo essas
duas últimas possibilidades oriundas da Religião Material. Esta
comunicação terá como foco a apresentação de uma possibilidade
epistemológica real entre a Ciência da Religião e a Arqueologia, com
mailto:rodrygovirtual@hotmail.com
37
vistas a semear futuras possibilidades de análises e compreensões das
“materialidades religiosas”, a partir dos autores citados. Com isso
evidenciarei a importância das diversas formas de classificação das
materialidades a partir de Morgan, organizadas através dos artefatos,
das emoções e dos sentimentos e até mesmo da orientação espacial,
bem como suas possíveis produções de sentido (2009, 2010). Contudo,
esta comunicação pretende participar da cena dos estudos sobre
Religião Material e materialidade demonstrando a viabilidade de
realizar uma análise a partir de um discurso polifônico oriundo de uma
interface multifacetada entre conceitos solidificados na Arqueologia e
os conceitos emergentes da Ciência da Religião, como forma de
encurtar caminhos para os demais pesquisadores que possam se
interessar pelos estudos pautados na Religião Material.
Palavras-chave: Arqueologia; Materialidade; Religião Material; David
Morgan; Alfred Gell.
IDENTIDADES DE GÊNERO NO PAGANISMO: PROBLEMATIZAÇÕES NA
WICCA E NO CELTISMO IRLANDÊS
Dartagnan Abdias Silva
UFS
dartagnanabdias@gmail.com
Dra. Sanny Caldas Araujo
UFPA
veronyka_sanny16@hotmail.com
RESUMO: O (Neo)Paganismo como uma corrente religiosa revivida ou
de inspirações nas vivências dos antigos povos pagãos, sobretudo da
Europa, hoje precisam dar conta de agendas e problemáticas
contemporânea que não necessariamente eram pautas em suas
épocas culturais ancestrais. A realidade moderna condiciona os
(neo)pagãos a responderem às demandas e agendas, mas algumas
críticas ainda apontam no horizonte recorrente, face às agendas de
identidade e gênero. Uma visão reconstruída ou inspirada das culturas
e povos pagãos da antiguidade dá base às teorias e aplicações
mitologicorreligiosa para as condutas morais e as conceituações de
identidade e gênero do passado, mas o pertencimento ou
enquadramento da comunidade LGBTQIAP+ ainda permanece difusa
e desorientada nesse campo. Em alguns casos, como na Wicca, a
questão parece ainda mais delicada se compararmos o binarismo da
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mailto:veronyka_sanny16@hotmail.com
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oposição feminino x masculino encenados pelas duodeidades: A Deusa
e o Deus. Em outros, como na mitologia irlandesa, alguns pontos podem
estar discretamente condensados em seus textos mitológicos, mas
passíveis de pluri-interpretação. A definição da identidade parte da
compreensão da atuação ou da vinculação do ser humano no mundo,
e com isso se articula tanto na direçãodo sentido e interpretação de
mundo e identidade fornecida pela religião, quanto na relação entre o
humano e seu ambiente político-sócio-cultural. Através da revisão das
pesquisas de campo sobre a Wicca realizada de 2017 a 2022, revisão
bibliográfica e análise mitológica, este trabalho busca problematizar as
questões de reconhecimento e identidade no (Neo)Paganismo a partir
da contraposição da wiccanologia (SILVA, 2022) com as possibilidades
interpretativas em alguns mitos e passagens míticas da Irlanda, a fim de
iluminar a questão que se coloca de forma difusa e velada sobre a
comunidade (neo)pagã sobre a identidade de gênero e sua
interpretação pela religião / sagrado. Desse modo, espera-se
compreender ou problematizar como se articulam hoje as polêmicas e
compreensões acerca das identidades e dos gêneros modernos numa
religiosidade que recria e busca sua inspiração em um mundo antigo.
Palavras-chave: Paganismo; Identidade; Gênero; Mitos.
A ESPIRITUALIDADE COMO BUSCA DE SENTIDO: DO ATEÍSMO À
LIBERTAÇÃO
José Flávio Mamede
PUC Minas
mamedej38@gmail.com
RESUMO: A presente pesquisa pretende abordar a espiritualidade como
busca de sentido, fazendo uma interface entre o ateísmo de Comte-
Sponville (1952) e a teologia da libertação em Jon Sobrino (1938).
Objetivamos encontrar uma interface não suprimindo as diferenças
entre as correntes espirituais ateias e libertadoras. Os ateus são
portadores de espiritualidade, praticando-a como vida espiritual laica,
material e com espírito. Os ateus têm espírito como todo ser humano. O
que é espírito? É algo que pensa, gosta e não gosta, que quer e não
quer, imagina e sente. Por isso, o espírito engloba tudo ou quase tudo
da vida humana, isto é, o mental e o psíquico. A corrente da teologia
da libertação apresenta a espiritualidade como dimensão da pessoa
humana que é portador de espírito. Todo ser humano é espírito como
sua corporeidade, socialidade e praxicidade. Esse espírito está referido
mailto:mamedej38@gmail.com
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ao material e ao histórico dando-lhe criatividade não mecanicamente,
mas proporcionando-lhe direção, ministrando conteúdo, valores para
alimentar o projeto de libertação. A espiritualidade é uma dimensão
que pode nomear o humano como ser-com-espírito. Essa dimensão
responde ao que na teologia da libertação se chama de uma
libertação integral ou libertação com espírito. Por isso, não há
separação entre material e espiritual de tal maneira que a libertação
acontece na vida material e histórica em sintonia com sua
espiritualidade. Para a teologia da libertação, a espiritualidade é o
exercício da prática libertadora que acontece na materialidade da
vida histórica. Percorremos as obras destes dois autores para elucidar
que a espiritualidade está para além da religião ou da transcendência.
A espiritualidade é uma busca de sentido que tem um potencial
libertador tocando toda expressão do humano, possibilitando uma
abertura para a diversidade, abrangendo arte, cultura, identidade e
materialidade.
Palavras-chaves: Espiritualidade; Ateísmo; Libertação.
ASPECTOS FUNERÁRIOS DO ANTIGO EGITO: AS REPRESENTAÇÕES DE ÍSIS
DE ACORDO COM O LIVRO PARA SAIR À LUZ DO DIA
Helinny Laurrany Machado da Silva
PUC Goiás
helinnymachado@gmail.com
RESUMO: Ísis foi uma das deusas mais cultuadas durante os períodos
monárquicos do Egito. O seu culto se difundiu e se perpetuou pelos
séculos, transformado e reestruturado em diferentes lugares do mundo
antigo. Sua prática sofreu mudanças dentro do próprio Egito e foi
adaptada em outros territórios da bacia do Mediterrâneo. Durante o
Reino Antigo, de acordo com os Textos das Pirâmides, Ísis
desempenhava uma função auxiliar na religião egípcia, lamentando o
destino de Osíris ou assistindo na proteção de Hórus. Já no Reino Médio,
conforme Os Textos dos Sarcofagos, Ísis ganha protagonismo na religião,
sendo creditada pela prática de mumificação e chegando no Reino
Novo como uma divindade protetora do faraó e não somente como
esposa e mãe. Conforme podemos perceber na longa duração,
entendemos que Ísis sempre esteve presente dentro da cultura egípcia,
porém nunca foi cultuada e representada pelas mesmas
características, principalmente nas produções textuais e imagéticas. Por
isso, nosso objetivo nesta comunicação é investigar os aspectos
mailto:helinnymachado@gmail.com
40
funerários e as representações da deusa no Reino Novo. Para essa
investigação, utilizaremos o Livro para Sair à Luz do Dia ou como
popularmente conhecido Livro dos Mortos para identificar essas
representações, assim como aspectos da religião e as próprias funções
da deusa nestes textos.
Palavras-Chave: Representação; Imaginário; Religião Funerária; Ísis.
HENRY DAVID THOREAU E O PAGANISMO GRECO-ROMANO
Letícia Ferreira Lamha
UFJF
leticialamha.phoenix@gmail.com
RESUMO: Poeta, naturalista, crítico da civilização industrial e,
primordialmente, um amante das aparições cósmicas e seus
encantamentos, Henry David Thoreau (1817-1862) legou notáveis
contribuições para a compreensão da atualmente denominada era do
Antropoceno. Pressentindo as consequências calamitosas, para a
totalidade do cosmo, dos agenciamentos humanos autorreferenciados,
ele buscou transmitir, pela via literária, seu vislumbre individual da
sacralidade da Natureza e suas inúmeras moradas. O escritor norte-
americano construiu as bases de seu pensamento a partir, sobretudo,
de duas correntes intelectuais: (i) o Transcendentalismo da Nova
Inglaterra e (ii) o estudo empírico dos fenômenos naturais ao modo dos
cientistas da época, então denominados “naturalistas”. Por um lado, do
ambiente transcendentalista ele herdou tanto os pressupostos da
relação filosófico-estética, anteriormente tecida pelos românticos
europeus, entre o divino e os fenômenos naturais, quanto o mote do
estudo comparado das mitologias sob os prismas histórico e poético. Por
outro lado, do contato com a metodologia dos naturalistas o intelectual
de Massachusetts desenvolveu suas habilidades para a observação do
comportamento de plantas e animais autóctones e para a coleta e
registro de espécimes. Constituída a partir de um alicerce
multidisciplinar, sua obra, em meio à diversidade de interesses, tinha a
Natureza como eixo centralizador. Nesse sentido, também nas reflexões
por ele delineadas acerca dos mitos de diferentes tradições religiosas
percebe-se que um de seus principais intuitos era examinar o lugar das
manifestações terrenas no horizonte espiritual em questão. Não por
acaso, o autor afirmou sua simpatia e sua própria pertença às
perspectivas panteístas e pagãs dos povos arcaicos. Tendo em vista o
panorama mais amplo da conexão espiritualidade-Natureza, a
mailto:leticialamha.phoenix@gmail.com
41
presente comunicação objetiva versar a respeito da reverberação da
tradição mitológica greco-romana no pensamento thoreauviano.
Pautando-nos em passagens dos livros A Week on the Concord and
Merrimack Rivers (1849) e Walden (1854), buscaremos demonstrar (i)
como o erudito emprega alguns dos mitos da Grécia e Roma antigas
para tecer sua concepção quanto à presença divina nas
movimentações da terra e (ii) em que sentido essas narrativas
mitológicas fundamentam sua crítica à secularização do universo
natural operada pela sociedade de seu contexto. Veremos que é
valendo-se desses cenários míticos nos quais as divindades são
inseparáveis das dinâmicas telúricas que H. D. Thoreau expressa seu
posicionamento frente à cultura estadunidense contemporânea, e que
suas ponderações em torno dessa temática mostram-se relevantes
também para o tempo presente.
Palavras-chave: Thoreau; Natureza; Paganismo greco-romano.
ESPIRITUALIDADE PURI: EXTINÇÃO, SINCRETISMOS E RETOMADA
Kigéw Puri (André da Silva Muniz)
UFABC
andre.muniz@ufabc.edu.brRESUMO: O povo Puri passou por um longo processo de genocídio,
etnocídio e apagamento institucional que levou à declaração de sua
extinção. Neste processo, também sua espiritualidade tradicional foi
silenciada, não apenas deixando poucos registros documentais para a
atualidade, como suprimindo a continuidade das crenças e práticas
através das gerações de famílias puris. Contudo, na resistência histórica
deste povo e no seu atual processo de ressurgência étnica perante o
Estado, os mitos tradicionais e práticas de espiritualidade que resistiram
também têm sido retomados, principalmente a partir do que sobreviveu
na tradição oral e no sincretismo com outras religiões. Neste trabalho,
pretendemos analisar o cenário religioso atual entre indígenas da etnia
Puri, buscando indícios que apontem para sua cosmologia tradicional e
como esta tem sido revivida na contemporaneidade. Para tanto,
propomos uma etnografia religiosa deste povo, combinada a uma
análise documental da literatura antiga e contemporânea escrita sobre
e pelos puris. A partir dessa pesquisa, é possível perceber uma
construção cosmológica organizada em Dokora, Ñawera e Taheantah,
compreendidos e/ou sincretizados pelos puris atualmente com
conceitos semelhantes a Deus, Espíritos e Ancestrais. Os puris ainda
mailto:andre.muniz@ufabc.edu.br
42
mantêm uma forte conexão com a terra e com a água, em especial a
dos rios; usam ervas medicinais, atribuem espíritos à fauna e à flora e
reúnem-se em rodas de canto e dança, tocam maracá e cantam
músicas em seu idioma nativo, tanto antigas, preservadas pela
oralidade; quanto contemporâneas, as quais não se diz que foram
compostas, mas “apresentadas”. O principal rito tradicional a resistir ao
paradigma da extinção foi a Dança dos Caboclos, preservada pelos
anciãos Jurandir Puri e Karaí Mirin. Devido ao sincretismo, muitos puris
hoje somam às suas espiritualidades e devoção pessoal ritos e práticas
de outras religiões, como orações, reiki, tarô etc. e frequentam igrejas e
terreiros. Todos esses dados apontam para uma sobrevivência e uma
reconstrução criativa da espiritualidade na atualidade, bem como uma
diversidade de aproximações religiosas e trânsitos diversos que
aparentam ser tanto consequência do etnocídio, quanto resultado de
uma cosmologia tradicional pautada no nomadismo como identidade
étnica.
Palavras-chave: Povos indígenas; Povo Puri; Ressurgência Étnica;
Espiritualidades Indígenas; Reconstrucionismo Religioso.
DO POLO CERÂMICO AO TEMPLO PAGÃO – O CAMINHO DOS OBJETOS
QUE FAZEM A EXPERIÊNCIA DO PAGANISMO PIAGA NA VILA PAGÃ (PI)
Milena dos Reis Rabelo
UFSC
milenarrabelo@gmail.com.
RESUMO: O Paganismo Piaga é um movimento religioso de
reavivamento de práticas pagãs e politeístas no Piauí. Originado e
localizado em terras piauienses, o piaganismo – como também
conhecido, é fundamentado em cultos de sacralização da natureza,
onde elementos do mundo biofísico local são compreendidos enquanto
manifestação de seres de outros mundos, como deuses e deusas,
espíritos e elementais, almas e fadas, que têm morada em flores e folhas,
em chuvas e ventos, no dia e na noite. Materializado na Vila Pagã,
santuário politeísta construído em meio a mata de cocais da zona rural
do município de José de Freitas (PI), o piaganismo mobiliza relações
entre humanos – como os membros do Círculo Piaga, grupo de iniciados
na religião e entre seres outros que humanos – como plantas, animais e
objetos. Os objetos serão aqui elevados à qualidade de conceito a
partir das imagens e estátuas dispostas nos altares dos quinze panteões
da corrente colona ou dos cinco panteões da corrente da terra no
mailto:milenarrabelo@gmail.com
43
Templo Piaga (local onde ocorrem a maioria dos rituais e celebrações
da Roda do Ano Piaga) que, como agentes que mobilizam práticas
específicas, criam um vínculo de acesso ao sagrado. Assim, há de se
perguntar de quais modos esculturas, imagens e estátuas fazem a
experiência do paganismo piaga. A partir da observação e
participação em dias de véspera e nos dias próprios das celebrações
da Roda Piaga, proponho fazer pensar os arranjos e rearranjos
envolvidos no processo de materialidade da relação desses seres
envolvidos na religião. Direciono essa escrita desde a feitura das
esculturas, imagens e estátuas no Polo Cerâmico de Teresina – onde são
passadas informações ao artesão responsável sobre estilo, cores e
posturas de como se quer a imagem esculpida em barro e/ou argila até
a ida e chegada desses objetos na Vila Pagã e a transformação pela
qual passam quando chegam no Templo Piaga: a consagração
realizada sobre eles em rituais específicos e os seus rearranjos nos dias
de celebração. Orientada pelo campo dos estudos da materialidade
(MEYER, 2012; MORBERG, 2016; MORGAN, 2010) e dos Pagan Studies
(BEZERRA, 2019) proponho a análise da dimensão material da religião
num contexto em que há a criação de um vínculo com o sagrado a
partir da relação entre objetos e humanos. Trata-se, então, de uma
questão empírica numa prática específica que conduz esse trabalho a
uma análise sobre como as coisas importam (GIUMBELLY; RICKLI; TONIOL,
2019) na experiência do piaganismo na Vila Pagã.
Palavras-chave: Paganismo Piaga; Vila Pagã; Materialidades; Pagan
Studies.
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ST 04 – “E O VERBO SE FEZ BELEZA E HABITA NO MEIO
DE NÓS”: AS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS COMO
DIVULGAÇÃO DOS VALORES SAGRADOS
Ana Maria de Sousa
PUC SP
anamariadesousa@yahoo.com.br
Felipe Sardinha Bueno
Accademia Alfonsiana de Roma
felipeteologia10@hotmail.com
Gustav Von Fürstenberg
Universidade de Edimburgo
gvfu@hotmail.com
As interfaces entre religião, música, arte, literatura e cultura visual
norteiam o ser humano desde a Antiguidade. A proposta deste grupo é
socializar estudos que contemplem as diversas abordagens da palavra
(literatura e música), do repertório imagético (pinturas e esculturas) na
sua relação com o Sagrado. Parte-se das matrizes da religião e de seus
simbolismos para se interpretar o dinamismo artístico, num perene
diálogo com o movimento canalizador entre a estética e a beleza. As
interações da arte com a história, historiografia, produção cultural e suas
trajetórias também se firmam como um campo a ser interpretado no
contexto social, pela revisitação de obras de artistas famosos. O
cinema, o teatro e as denominadas séries das plataformas Streaming
deslumbram-se como uma outra possibilidade de aprofundamento em
tal investigação. Dali, se poderá verificar os conectivos com o sacro,
através dos valores religiosos presentes, mesmo por meio de instrumentos
seculares. Alguns autores, tais quais: Aristóteles, Bachelard, Benjamin,
mailto:anamariadesousa@yahoo.com.br
mailto:felipeteologia10@hotmail.com
mailto:gvfu@hotmail.com
45
Chartier, Panosfky, Gombrich, Ratzinger, Humberto Eco, Le Goff,
Kandinsky, Rubem Alves, Drummond, Bandeira, Fernando Pessoa, Padre
Vieira; na filmografia: Pasolini, Avel, Bresson, Luchino Visconti, Fred
Zinnemann, Gabriel Axel e outros referenciais teóricos serão apreciados
para integrar, dialogar e enriquecer o arcabouço artístico e analítico.
No aparentemente profano, permeado de beleza, estrutura-se o
essencial daquilo que as religiões transmitem, indicando o caráter de
articulação de todo este complexo processo. Assim, esta ST acolherá
estudos com os mais variados recortes epistemológicos das ciências
humanas, que tratem da importância de se aproximar o ser humano
desta sua multidimensionalidade cultural e espiritual existente.
AS PASTORINHAS QUE HABITAM EM NÓS: CULTURA, TEATRO E
RELIGIOSIDADES EM PIRENÓPOLIS/GOIÁS
Aline Santana Lôbo
Seduc/GO
alinesantanalobo@gmail.com
Tereza Caroline Lôbo
Seduc/GO
terezacarolinelobo@gmail.com
JoãoGuilherme da Trindade Curado
Seduc/GO
joaojgguilherme@gmail.com
RESUMO: A revista e bailado folclórico “As Pastorinhas” foi encenada
pela primeira vez em Pirenópolis no ano de 1922, seu enredo narra a
visita dos pastores ao menino Deus, mas sua apresentação ocorre em
Pentecostes. O tempo costurou esta manifestação folclórica de origem
colonial no tecido cultural local e desde então vem alimentando e
contribuindo para manter viva as tradições conhecidas e reconhecidas
pelos pirenopolinos, trilhando uma perspectiva durkheimiana de
ordenamento social. Cantando e bailando 46 canções diferentes e mais
12 árias solos, a opereta adentrou o sertão goiano vinda do nordeste e
se ambientou nos arranjos produzidos para a banda por Mestre Propício
de Pina, sendo acompanhada por uma orquestra própria e encenada
dentro do Theatro Pyrenópolis. Com uma plateia bem peculiar formada
por familiares, quase sempre ex-pastoras, a encenação evidencia várias
linguagens que entrelaçadas denotam um campo fértil de
investigações, são linguagens - textual, musical, estética, religiosa etc. -
mailto:alinesantanalobo@gmail.com
mailto:terezacarolinelobo@gmail.com
mailto:joaojgguilherme@gmail.com
46
que permitem compreensões diversas e vivências plurais, revigoradas a
cada nova apresentação. Percebida como “fato social total” no
horizonte de Marcel Mauss, por implicar e envolver parte representativa
da sociedade e seguir na dimensão do comportamento dos homens e
dos sentidos que estes atribuem à sua realidade, “As Pastorinhas”,
possibilitam ainda a análise da cultura que, aportada em Roger
Chartier, suscita pensar sua atuação na contemporaneidade. Na
esteira das dimensões que envolvem o entrecho, cuja manifestação
artística fita o sagrado, o foco deste trabalho está nas influências que
“As Pastorinhas” exerce(ra)m em obras de artistas locais que inspirados
pelo enredo reproduziram suas compreensões, que vão do primitivismo
de Pérsio Ribeiro Forzani, ao surrealismo do artista José Inácio do
Nascimento, passando por representações variadas do artesanato
local, com destaque para elementos como as cores, as texturas e as
formas presentes nos trabalhos. “As Pastorinhas que habitam em nós” é
resultado de nossas percepções enquanto partícipes e pesquisadores
de uma das manifestações culturais que, ao completar um século, tem
sido objeto de investigações sobre a sociedade e a cultura
pirenopolina, e de celebração daquilo que nos tornamos ao estar
envolvido neste espaço e tempo de Pirenópolis.
Palavras-chave: As Pastorinhas; Pirenópolis; Cultura; Teatro;
Religiosidades.
NO PRINCÍPIO ERA O VERBO QUE DESCIA DO MORRO: ORAÇÕES
SAGRADAS ENTRE SAMBAS E ENREDOS
Simone Maria Zanotto
FTSA
simone.zanotto@ufjf.estudante.br
RESUMO: Nas giras e nas saias dos ancestrais, os corpos sagrados -
imagens do profano no imaginário popular - respondem aos tambores
construindo um imenso palco, um paraíso vermelho guardião do
sagrado que se faz presente nos enredos de samba do carnaval
brasileiro. Assim, em uma grande celebração plural, um ritual de
pertencimento fortalece redes espirituais, mesmo quando o imaginário
quer relacioná-lo ao pecado, à impureza e à transgressão. Esta pesquisa
tem como objetivo analisar elementos intertextuais do campo entre
religião e samba presentes nos enredos, nos prólogos e nas sinopses do
Grupo Especial das escolas do Rio de Janeiro em 2023. O interesse dessa
investigação justifica-se pelas observações fatuais que apontam a
mailto:simone.zanotto@ufjf.estudante.br
47
formação de uma caricatura, a qual, desvincula as manifestações
carnavalescas de uma produção cultural que dialoga com o Sagrado.
Questiona-se de que maneira é possível pensar sobre os enredos de
samba, enquanto uma dimensão reflexiva, espiritual e social, e não
apenas artística? A metodologia utilizada neste estudo é exploratória e
permeou fontes de revisão e de reflexão bibliográfica, a respeito da
temática abordada. Com base no exposto, essa comunicação na
sessão temática: “E o verbo se fez beleza e habita no meio de nós”: as
manifestações artísticas como divulgação dos valores sagrados” traz
como resultado o fomento do debate sobre o tema em questão, em
relação a um gênero musical tipicamente brasileiro construído em várias
décadas que foi depreciado por ser deturpador da fé por trabalhar
elementos da realidade humana.
Palavras-chave: Religião e arte; Samba-Enredo; Escola de samba;
Valores Sagrados.
OS MANTOS COMO ESTRATÉGIA VISUAL EM “A ÚLTIMA CEIA”, DE
LEONARDO DA VINCI E “A CRIAÇÃO DE ADÃO”, DE MICHELANGELO
Ana Maria de Sousa
PUC São Paulo
anamariadesousa27@yahoo.com.br
RESUMO: Partindo da análise dos afrescos “A Última Ceia”, de Leonardo
da Vinci e “A Criação de Adão”, de Michelangelo”, o objetivo desse
estudo é interpretar os mantos de Jesus e de Deus, aplicando o conceito
de mantologia, de nossa autoria, e o modelo iconográfico de Panofsky,
a fim de estabelecer discrepâncias e verossimilhanças. Trabalhamos
com uma hipótese de que as vestimentas usadas pelas personagens na
“Última Ceia”, de Da Vinci, além de se referirem metaforicamente à
divindade, trazem em seu bojo possíveis confluências em relação às
classes sociais dos apóstolos e uma suposta categorização subjetiva da
predileção de Jesus. Em relação à “A Criação de Adão”, de
Michelangelo, vislumbramos que a retratação de Deus pode estar
envolta num manto, que denominaria um sentido figurado de proteção
do sagrado. A mantologia é um termo inédito criado por nós para
abranger os estudos do manto como representação da cultura popular.
Esta capa carrega consigo a configuração do imaginário de um povo
revelando seus ritos, símbolos, crenças, mitos, cores, designs, costumes,
tradições, carismas e elementos místicos. Em sua “costura” dardeja os
mailto:anamariadesousa27@yahoo.com.br
48
aspectos devocionais no encontro do homem e sua divindade. Nessa
dobradura, atrelaremos à seguinte trajetória: na primeira parte,
adentraremos à origem dos mantos, encetando os biografemas dos
artistas. No segundo mote, extrataremos o caminho panofskyano, em
relação à iconografia e iconologia adequando aos fundamentos de
ambas as pinturas. Na última etapa, traçaremos as considerações finais
em relação às indumentárias usadas nas retratações. No âmbito da
cultura visual é importante ressaltar que as obras desses dois gênios
serão consideradas como um conceito aberto de significados, onde
ressaltaremos nossa impressão pessoal, centrando no impacto estético
que despertam ao longo dos tempos.
Palavras-chave: Mantologia; Iconografia; Iconologia; Cultura visual;
Método panofskyano.
E A LITERATURA SE FEZ SACRAMENTO: A DIMENSÃO SACRAMENTAL DA
POESIA EM FERNANDO PESSOA
Meque Augusto Macumo
PUC Rio
meqmacumo@gmail.com
RESUMO: A literatura apresenta-se muitas vezes como uma
manifestação do Sagrado, o espaço onde o mesmo fala, se
experiencia. Como o sacramento, entendido como um sinal que indica
algo que se encontra para além de si ou nalgumas vezes dentro de si, e
também como um instrumento para a união com o sagrado (cf. Lumen
Gentium, 1), a literatura apresenta-se também como sinal e instrumento
para a experiência do sagrado e a sua compreensão. Assim, ela
comporta esta dimensão sacramental. Este resumo pretende
apresentar a dimensão sacramental da literatura na obra poética de
Fernando Pessoa, tendo como especial destaque o poema “O quê?
Valho mais que uma flor”, e para isso usa-se o método bibliográfico,
principalmente a análise da Obra Poética de Pessoa (vol. I e II, 2016).
Olhando para a inteira obra poética de Fernando Pessoa, nos
deparamos com o modo como o sagrado perpassa, se manifesta e se
divulga através da sua escrita. Por entre o realismo notório que
caracteriza a sua produção poéticae toda a sua obra literária,
percebe-se a experiência de Deus, por vezes soando a um Deus
imanente, por vezes transcendente. Podemos destacar neste sentido o
poema “O quê? Valho mais que uma flor” (s.d.), cuja obra à qual
pertence este poema é na sua maioria de conteúdo bucólico e ligado
mailto:meqmacumo@gmail.com
49
à natureza. Neste poema, Pessoa ao desconstruir a ideia de que o valor
da criatura se encontra pura e simplesmente no seu carácter racional,
leva-nos a olhar as criaturas como tendo um valor imensurável, mesmo
não possuindo a razão, pois para ele a racionalidade é um aspeto
humano. Leva-nos, deste modo, ao pensamento ecológico do cuidado
da casa comum, tema tão caro e tão urgente hoje na Igreja, nas
religiões e na sociedade; e, porque as criaturas dão glória e manifestam
a beleza de Deus, este poema leva-nos a aprofundarmos - pela
contemplação da natureza - a natureza, bondade e beleza de Deus.
Dá, assim, jus à nossa ideia central, de que a literatura, neste caso a
poesia de Pessoa, tem dimensão sacramental. Num tempo como o
nosso, onde se vai perdendo a dimensão do sagrado e dos valores daí
decorrentes, a poesia de Fernando Pessoa pode ajudar-nos a: entrar em
contacto com o sagrado – de cuja experiência todo o ser humano tem
sede por natureza; chegar ou retornar a professar este sagrado, já com
uma fé amadurecida pela experiência do sagrado e não apenas pelo
“testemunho de terceiros”, ou seja, de uma fé recebida a uma fé
vivida”, vivência permeada de valores sagrados; refletir sobre este
sagrado e seus valores, dando assim um grande contributo à teologia,
que hoje busca cada vez mais encarnar-se e se servir das contribuições
de vários ramos do saber, uma teologia caracterizada pela “virada
antropológica”, em que o fazer teológico e a reflexão sobre Deus são
marcados pelas questões humanas, onde não é honestamente possível
compreender o Sagrado sem levar a sério o aspeto encarnatório do
Verbo e as consequências disso decorrentes.
Palavras-chave: Fernando Pessoa; Literatura; Sacramento; Valores
sagrados.
PAPA FRANCISCO E A CRISTOLOGIA DA ENCARNAÇÃO
Alex da Silva Mendes
PUC São Paulo
professoralex.educacao@gmail.com
RESUMO: Um dos pontos mais importantes da cristologia de Francisco é,
indubitavelmente, a encarnação, essa verdade tão central na fé cristã
e, ao mesmo tempo, tão esquecida ou maltratada. Pensar a realidade
da encarnação não é, necessariamente, fazer uma cristologia do alto,
como aquele de Bento XVI nos três volumes que compõem sua obra
Jesus de Nazaré. Como ele, muitos pensadores, na história da Igreja,
elaboraram uma reflexão sobre a encarnação a partir da realidade do
mailto:professoralex.educacao@gmail.com
50
Verbo de Deus e, por isso, trabalham mais as condições de possibilidade
de sua real encarnação do que os desdobramentos que tal afirmação
poderia significar na vida da Igreja e dos fiéis. Diferente disso, Francisco
faz uma cristologia de baixo, privilegiando a humanidade e a
historicidade de Jesus de Nazaré, reconhecendo como o Verbo de
Deus encarnado. Pensar a realidade da encarnação como referência
para influenciar o modo de ser Igreja e viver o cristianismo, na
atualidade, a fim de apresentá-la como exigência à maneira de a Igreja
se posicionar no mundo e os cristãos viverem a própria vocação. A
importância da encarnação já aparece quando se pensa a relação
entre a cristologia e as diversas formas de vivência cristã, sejam as de
espiritualidade, sejam as de práticas pastorais, pois se critica a vontade
de proclamar a fé em um Cristo meramente espiritual, desprovido da
realidade da encarnação, como se essa fosse quase uma mácula ou
um defeito na realidade do Filho de Deus que precisaria ser evitada.
Quem pensa o Cristo desprovido de humanidade, pensa o
comportamento cristão da mesma maneira.
Palavras-chave: Papa Francisco; Cristologia da encarnação; Teologia
latino-americana.
QUANDO O VAZIO SE TORNA PLENO: A ICONOGRAFIA DA CAPELA DA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
Paula Carlos de Souza
UCP
paula.2020601053@unicap.br
RESUMO: Referência para Arte Sacra no Brasil e em vários países, Cláudio
Pastro, dedicou-se inteiramente em revelar a beleza de Deus a partir e
através da arte. Sua vasta produção iconográfica escreveu a história
da salvação de Deus que se revelou e continua a se revelar no meio de
seu povo através da arte em todos os tempos e lugares. Entre as suas
muitas obras, nosso olhar se volta para os painéis de azulejos da Capela
da Universidade Católica de Pernambuco, desenhados por Cláudio
Pastro em 2012. Em um vazio, quase absurdo, o artista revela no rosto de
Cristo o rosto da comunidade que o procura e o encontra no silêncio
da própria existência, permitindo ainda compreender os inícios da
missão jesuíta no Brasil e no mundo. Nosso objetivo é identificar, de forma
breve, o caminho percorrido por Cláudio até chegar nesta obra
específica, compreendendo a espiritualidade que envolve sua obra e
mailto:paula.2020601053@unicap.br
51
a síntese que se constrói entre a vida e a obra do autor. Propomo-nos a
tecer uma análise sistemática e teológica da obra que, inserida num
contexto universitário, desperta encanto e tensão, aceitação e
rejeição, acolhendo reações e experiências da parte de quem a
frequenta. Neste itinerário nos encontramos na relação entre fé, vida e
obra do artista que caminham numa única direção, ou seja, que se
representam na medida que revelam num processo espiritual que se
confunde com a própria realidade de vida. Se as linhas dos painéis da
Capela da Universidade Católica de Pernambuco revelam Cristo, eles
também revelam uma vida, que parte da própria experiência espiritual
do artista. Por fim, ir ao encontro da obra de Cláudio Pastro é
aprofundar-se em toda riqueza espiritual e artística que permaneceu
como um legado de fé e beleza após sua morte, legado esse, que nos
é dado para que, com ele, também nós façamos a experiência do
encontro com a “beleza que salvará o mundo.”
Palavras-chaves: Iconografia; Vazio; Arte sacra.
POÉTICA E EXPERIÊNCIA DO SAGRADO: A NOÇÃO DE “DEUS VIVO” NA
OBRA DE CARLOS NEJAR
Victor Breno Farias Barrozo
UFP
victorbrenofb@gmail.com
RESUMO: O poeta gaúcho Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira
de Letras, é um dos escritores brasileiros em vida que tem relacionado
de modo relevante, em sua obra, uma poética no diálogo com a
experiência do sagrado. Na presente comunicação, nos propomos a
buscar compreender as relações entre sagrado e poesia na obra de
Carlos Nejar a partir da sua experiência com a noção de “Deus vivo”. O
Deus vivo nejariano não se constitui como um conceito ou ideia
metafísica, mas a experiência mística, íntima e energética de um
sagrado que se revela profundamente ao homem. O Deus de Nejar não
é uma divindade indiferente ou uma força impessoal, mas, uma
presença viva e sensível à condição humana. Este sagrado irrompe na
profanidade da vida, sacralizando a existência. Para o poeta, este Deus
vivo se manifesta como uma potência (re)criadora e criativa do mundo
pela palavra. A tessitura poética do sagrado na obra nejariana é a do
Deus vivo que vivifica o mundo pela palavra, reconstruindo a realidade
pelo espessamento do mistério divino na existência. Os rastros do
sagrado nejariano se espalham por todo o solo da existência humana,
mailto:victorbrenofb@gmail.com
52
trazendo vida ao real. Tomando como base seus escritos entre as
décadas de 60 e 80 (sem nenhuma pretensão exaustiva),
consideraremos o contexto histórico e cultural sobre a questão religiosa,
no qual, a poética nejariana se apresenta como uma forma de
(re)sacralização do mundo no horizonte da sociedade moderno-secular
ocidental. A partir da contribuição de autores da fenomenologia da
religião, teologia, literaturae ciências sociais, apresentamos o sagrado
como uma dimensão mística e teleúrica fundamental em Nejar,
tornando-o assim, um “poeta da condição religiosa do humano”.
Palavras-chave: Carlos Nejar; Poesia; Sagrado.
HISTÓRIA, ARTE E TEOLOGIA: EXPRESSÕES ARTÍSTICAS DO SAGRADO NOS
VITRAIS DA CATEDRAL DE OURINHOS-SP
Maurício de Aquino
UNESP
mauriaquino12@uenp.edu.br
RESUMO: O trabalho apresenta uma reflexão sobre a expressão artística
do sagrado nos vitrais, confeccionados pelo histórico ateliê de vitrais
Casa Conrado, presentes na Catedral de Ourinhos, interior do Estado de
São Paulo, como parte do estudo da história e do simbolismo dessa
Catedral que é referência arquitetônica da cidade e região em seu
estilo neogótico. Abordam-se as característica definidoras da arte vitral
revisitando a história da Casa Conrado, sobretudo na confecção de
vitrais para templos cristãos. Construída entre os anos 1940 a 1960, a
igreja do Senhor Bom Jesus de Ourinhos, tornada Catedral com a
ereção da Diocese de Ourinhos em 30 de dezembro de 1998, foi erguida
em estilo neogótico, em lugar central do município, expressando na
arquitetura e na arte vitral a presença de Deus junto às pessoas no
mundo urbano moderno. Arquitetura da transcendência, a Catedral de
Ourinhos é referência regional de patrimônio artístico-cultural. Pretende-
se, portanto, expor, a partir do estudo da Catedral de Ourinhos, uma
reflexão sobre a presença dos vitrais na arquitetura neogótica do interior
paulista em meados do século XX, revisitando o caso da história Casa
Conrado e propondo uma reflexão sobre os significados associados e
divulgados por essas manifestações artísticas nas relações entre história,
arte e teologia.
Palavras-chave: Expressões artísticas do sagrado; Vitrais; Catedral de
Ourinhos.
mailto:mauriaquino12@uenp.edu.br
53
“LEMBRAR, LOUVAR E LUTAR”: CONTRIBUIÇÕES DA MUSICALIDADE DE
MILTON NASCIMENTO PARA TEOLOGIA AFRO-AMERICANA
Lúcia Eliza Ferreira da Silva Albuquerque
PUC São Paulo
lucia.elizaazile@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho reflete teologicamente a partir da e a
pessoa negra, tendo como dado inspirador a obra musical de Milton
Nascimento. O tema escolhido tem por prisma a discussão de práticas
religioso-sociais mais humanizantes e integradoras, frente a
comportamentos que estigmatizam e perpetuam narrativas
segregacionistas. À vista disso, permitindo-se interpelar pelo negro –
sujeito submetido à complexas realidades - se propõe a interação entre
a comunidade afrodescendente - com suas raízes e identidade própria
- e a reflexão ético-teológica, a fim de promover uma pedagogia da
descoberta de si. A relevância da temática pode ser indicada pela não
restrição à aspectos e questões de cunho religioso, mas por pretender
refletir e endossar uma questão social, relativa às políticas públicas, aos
direitos humanos e do desrespeito à dignidade da pessoa humana.
“Lembrar, louvar e gritar” são palavras da canção “A de Ó – Estamos
chegando”, composta por Milton Nascimento em parceria com Dom
Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra. Essa música - que norteará o estudo -
compõe a construção musical da Missa dos Quilombos, celebrada em
Recife, nos anos 80, ato litúrgico que promoveu advertência do então
Papa João Paulo II. Nascimento (1942-), negro, compositor, cantor e
multi-instrumentista brasileiro, com 80 anos de vida e 60 de carreira,
celebrou sua despedida dos palcos – mas não da música- em 2022.
Com inúmeros discos e composições, é pulsante e atual sua arte para a
causa negra. Em conjunto, há a construção de discurso e pastoral com
emergência do pensar teológico negro, decolonial e libertário, que tem
a experiência negra como fonte e ponto de partida. Essa proposta
teológica entende que a herança social e religiosa transmitida é
predominantemente branca e europeia, sendo preciso o
fortalecimento de consciência histórica e de negritude para uma
memória/presente/futuro diferentes. Para isso, a reflexão percorrerá três
momento: o primeiro, apresentando características da musicalidade e
composição de Milton Nascimento como fator de narrativa histórica e
contextual da população negra; em seguida, salientando a atividade
argumentativa, profética e religiosa da Teologia Afro-Americana, como
forma de exaltação da cultura e abertura ao Sagrado dos
afrodescentes; e, por fim, ao refletir de forma propositiva delinear
possíveis caminhos para a prevenção da violência racial e de uma
mailto:lucia.elizaazile@gmail.com
54
religiosidade cristã mais diversa de rostos, com o presente de resistência
frente a insistentes estruturas colonizadoras. Assim, tratando-se de uma
questão desafiadora sobre a superação do preconceito que gera
violência e morte, reconhece que a dignidade do negro, como pessoa
humana, é um valor irrenunciável.
Palavras-chave: Milton Nascimento; Teologia Afro-Americana; Negros;
Racismo.
SALMOS E BOSSA NOVA: CONTEMPLAÇÃO A SERVIÇO DA VIDA
Felipe Sardinha Bueno
Pontifícia Accademia Alfonsiana di Roma
felipeteologia10@hotmail.com
RESUMO: A construção literária dos salmos, enquanto formação hínica
no contexto bíblico veterotestamentário expressa o canto sagrado
como manifestação cultural e cultual de um povo que deseja se
conectar com a realidade transcendente por excelência, que é seu
próprio Deus. Este conjunto de 150 preces poeticamente erigidas está
repleto de exultações de alegria, louvores, lamentos, e pedidos
profundos de proteção e de transformação do mundo, sempre
permeadas pela beleza criativa em honra ao Criador de todas as coisas.
Do outro lado, encontra-se o estilo rítmico da Bossa Nova, este modo
leve com um balanço musical tal quais as ondas do mar, que exprime a
contemplação da vida e de seus dilemas com o amor sempre no centro
de cada estrofe expressada. Pretende-se neste trabalho a articulação
de ambos os estilos citados (salmos e bossa nova) no direcionamento
da percepção da Transcendência existente e do consequente valorizar
da vida como princípio de que esta merece ser bem saboreada já nesta
realidade terrena. O Deus Transcendente dos salmos não anula a
experiência terrena, não obstante a plenifica, e a bossa nova com sua
suavidade melódica encaminha os audientes à exaltação da beleza
da criação, de onde um religioso pode facilmente vinculá-la ao seu
Deus, o qual tudo isto criou. O principal objetivo deste trabalho é o
estabelecimento de pontes entre a teologia e a música, e demonstrar
que através da estética, aparentemente “profana”, se pode chegar a
propostas de evangelização e de conhecimento das riquezas culturais
do Brasil artístico. Nossa metodologia se dará por meio da análise
hermenêutica de alguns salmos e cânticos de bossa nova selecionados,
indicando as similitudes dos mesmos objetivos de êxtase diante do Belo,
que transcende por si mesmo. Verificar-se-á uma proposição de
mailto:felipeteologia10@hotmail.com
55
teologia em diálogo com a cultua, passível de ser aprofundada em
outros trabalhos semelhantes.
Palavras-chave: Salmos; Bossa nova; Teologia em diálogo; Estética;
Espiritualidade.
56
ST 05 – ARTE, ARQUITETURA E CONTEMPORANEIDADE:
RELIGIÃO, CULTURA E EXPERIÊNCIA DO SAGRADO
Everaldo dos Santos Mendes
UFS
ies.istein@gmail.com
Hilda Souto PUC PR
hildasouto.arte@gmail.com
Esteban Fernández-Cobián
UDC
efcobian@gmail.com
Partindo de uma perspectiva antropológica, acolhe-se nesta ST
investigações a respeito de arte, arquitetura e contemporaneidade,
imbricadas em religião, cultura e experiência do sagrado. Temas de
interesse: experiências originárias de arte e interlocuções com a
contemporaneidade; a questão da crise do sagrado na
contemporaneidade; arte religiosa e paisagemcontemporânea
(marcos, cruzes e imagens monumentais); arte religiosa e cultura de
massa (quadrinhos, vídeos, performances, flash mobs etc.); arte religiosa
e novos carismas eclesiais; espaços virtuais de adoração e arte religiosa
digital; arte-arquitetura e turismo religioso.
ARQUITETURA LITÚRGICA, AGENTE ATIVA DA EXPERIÊNCIA DO SAGRADO?
Fábio da Costa Sotero
PUC RS
soteroarquitetura@gmail.com
mailto:ies.istein@gmail.com
mailto:hildasouto.arte@gmail.com
mailto:efcobian@gmail.com
mailto:soteroarquitetura@gmail.com
57
RESUMO: A arquitetura de igrejas cristãs católicas é como retrato das
comunidades a que pertence. Independentemente do quanto
propriedades culturais e simbólicas do edifício-igreja foram
efetivamente aplicadas por aqueles que planejaram e construíram tais
espaços arquitetônicos, o ambiente celebrativo registra o modo como
o grupo de crentes frequentador pensa e se relaciona com o divino, em
lugar e tempo específicos. Por outro lado, a revisão histórica dos
espaços celebrativos atesta eles mesmos serem sujeitos ativos da
sensibilização dos frequentadores em prol da relação com o
transcendente. É cediço que a arquitetura, por si, não é essencial para
a realização do diálogo do ser humano ou grupos de crentes com o
divino, mas, na igreja, a Verdade e a graça não são apenas ouvidas
porque proclamadas por alguém, mas também vistas, tateadas e até
mesmo degustadas por meio da materialidade do (e no) espaço
litúrgico. Ou seja, há um caminho relacional entre o edifício-igreja e a
sociedade no qual são estabelecidos critérios, meios e bases para a
formação e consolidação recíproca de um para com o outro. Esta é
uma chave de leitura, vivência e compreensão de templos, bem como
do compromisso da edificação frente aos sentidos simbólico, teológico
e litúrgico patentes. Este trabalho, por meio de uma análise moderada
do tema a partir de referências bibliográficas diversificadas, faz
considerações sobre a relevância e alinhamento dos elementos
arquitetônicos, materiais e simbólicos, do espaço litúrgico frente à
crença professada e ao rito celebrado. É possível compreender
elementos da cultura e da fé das comunidades participantes por meio
das soluções arquitetônicas e artísticas implementadas nos edifícios?
Observa-se que espaços litúrgicos contemporâneos, de modo geral,
apresentam certo desalinhamento com a dimensão simbólica e
experiência mistagógica bem como relativa disruptura entre o que se
crê com aquilo que é edificado. Reflexo da crise do sagrado?
Considerando a abrangência do estudo, limitada à arquitetura e
simbologia, é pertinente observar que a arquitetura litúrgica
contemporânea apresenta, de modo latente e geral, maior
compromisso e atenção para com questões materiais, financeiras e
apuro estético. Este foco destoa das descrições e argumentos
teológicos e ritualísticos com os quais a patrística e documentos
históricos utilizaram para caracterizar o lugar onde os cristãos se
encontram para celebrar sua fé. Ainda que se faça necessário o
distanciamento temporal para plena análise da produção da
arquitetura contemporânea, o trabalho considera exemplos de
projetos, igrejas edificadas e arquitetos que alcançam a harmonia entre
fé professada e arquitetura litúrgica, garantindo a esta última o status
histórico de agente ativa da experiência do sagrado.
58
Palavras-chave: Arquitetura litúrgica; Igreja; Simbologia; Mistagogia.
A PRESENÇA FEMININA NO PROJETO ICONOGRÁFICO DE CLÁUDIO
PASTRO NO SANTUÁRIO DE APARECIDA
Hilda Souto
PUC PR
hildasouto.arte@gmail.com
Márcio Luiz Fernandes
USP
marciovisconde@yahoo.com.br
RESUMO: Cláudio Pastro (1948-2016), artista plástico, brasileiro, que se
dedicou à arte sacra por 40 anos, foi responsável pelo projeto
iconográfico interno do Santuário Nacional de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida, no estado de São Paulo. Nesse edifício de
grandes proporções, considerado o maior templo do mundo dedicado
à Mãe de Deus, o artista concebeu uma arte mistagógica e didática a
partir da aplicação da ideia da Biblia Pauperum. No espaço celebrativo
as imagens cumprem a função não só de embelezar, mas fazem ressoar
a voz de Deus, segundo a Bíblia, que o artista transcreveu em traços,
cores e formas. No edifício basilical Pastro inseriu com grande destaque
a imagem da Mãe de Deus, na tipologia da Virgem do Sinal, na nave
Oeste. Ela é a Mulher vestida de sol do livro do Apocalipse (12,1). Essa
tipologia da Theotókos é a variação a meio-busto da antiga “Orante”
presente nas catacumbas, representada frontalmente e com as mãos
elevadas em gesto de oração, de súplica, e mostra no peito a efígie de
Cristo-Emanuel, isto é, o Logos preexistente no tempo e na história,
anunciado pelo profeta Isaías (7,14). Na Nave Sul, circundando o nicho
de Nossa Senhora Aparecida, estão as mulheres do Antigo Testamento,
como prefiguração da Virgem Maria, e na Nave Norte, acima da Porta
Santa, está o “Painel das Mulheres na História da Igreja” com 71
personagens do primeiro ao terceiro milênio que dedicaram suas vidas
à edificação da fé, ao cultivo da esperança e ao testemunho da
caridade no empenho por causas sociais. A última a compor o painel
foi Irmã Dorothy Stang (1931-2005). A religiosa tinha forte atuação no
estado do Pará, onde lutava por reformas agrárias na região, quando
foi assassinada. Assim que soube da notícia, o artista tratou de inserí-la
como primeira e única representante do 3º Milênio. No centro do painel
está a figura do Pantocrator e para Ele se dirigem o cortejo das 71
mailto:hildasouto.arte@gmail.com
mailto:marciovisconde@yahoo.com.br
59
mulheres. Pastro colocou as figuras de tal modo que se tem a impressão
de um corpo coeso, sem lacunas, é um fio contínuo. O dinamismo
dessas personagens, em uma composição que traduz um movimento
de caminho a um determinado centro, o Pantocrator, expressa, por sua
vez, a abertura em escutar o testemunho eclesial das mulheres como luz
para os povos. A Igreja é comunhão de diversidade e isso exige a
convivência e o diálogo dos membros entre si para que se possa
vivenciar o mistério da unidade, praticar o mandamento da caridade e
exercer a função pastoral. A forte presença feminina em um espaço tão
importante para a fé do povo brasileiro alimenta as esperanças na
construção de um mundo mais humano, que respeite as diferenças de
gênero e classe. Enquanto alguns lutam a favor de uma causa com seu
testemunho e palavras, o artista se vale de seu talento e da matéria
para traduzir em imagens a tradição cristã que traz a mensagem do
Evangelho: todos somos iguais, temos os mesmos direitos que devem
estar acima de qualquer doutrina.
Palavras-chave: Cláudio Pastro; Aparecida; Feminino; Mãe de Deus;
Theotókos.
CRISTO EVANGELIZADOR DO ADVENTO DO TERCEIRO MILÊNIO DE
CLÁUDIO PASTRO
Christiane Meier
cmeier@uol.com.br
RESUMO: A comunicação tem por finalidade apresentar e discutir a
importância e a relevância iconográfica da obra ‘Cristo Evangelizador
do Advento do Terceiro Milênio’ do artista sacro Cláudio Pastro,
realizada em 1997 para o Vaticano. Dado que o Papa Francisco iniciou
os preparativos para o Jubileu do ano de 2025, gostaríamos de resgatar
o Cristo Evangelizador para recordar o espírito cristocêntrico incutido por
João Paulo II à Igreja no novo milênio e observar sua recepção.
Verificaremos em que circunstâncias Pastro foi contratado pela Santa
Sé e para qual ocasião específica ele desenvolveu o presente trabalho.
Da Carta Apostólica Tertio Millennio Adveniente de João Paulo II
depreenderemos informações sobre a preparação para o Jubileu do
Terceiro Milênio e como a obra apresentada se inseriu nas
comemorações. Ouviremos do próprio Pastro, em entrevista à Torres
Lima, sobre as especificações da encomenda e seus desafios.
Investigaremos,a seguir, as escolhas feitas, as opções descartadas e o
porquê da iconografia e do suporte selecionados. Observaremos ainda
mailto:cmeier@uol.com.br
60
a origem da tipologia empregada, a do Pantocrator, e sua recepção
pelo clero católico no limiar do terceiro milênio. Veremos que a obra
final apresentada à Santa Sé atende às determinações da Carta
Apostólica e à solicitação de ser um trabalho ecumênico. Faremos uma
análise iconográfica da obra com base na metodologia de Erwin
Panofsky a fim de apreciar a profundidade simbólica do Cristo
Evangelizador. Lembramos que a obra se encontra, atualmente, no
Vaticano, em uma passagem entre as Capelas Paulina e Sistina.
Palavras-chave: Arte sacra; Jubileu do Ano 2000; Cristo Evangelizador;
Cláudio Pastro.
A “BRASILIDADE” NO PROGRAMA ICONOGRÁFICO DO PRESBITÉRIO DA
IGREJA NOSSA SENHORA DO BRASIL
Christian Mascarenhas
UNICAMP
christian.mascarenhas@usp.br
RESUMO: A comunicação visará apresentar estudo sobre a iconografia
da pintura mural realizada na abóbada e paredes do presbitério da
Igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo. A referida igreja se
encontra em praça homônima, na região central de São Paulo. Famosa
por sua longa lista de espera para a cerimônia do matrimônio, a
paróquia possui um templo que, apesar de novo, é muito rico em história
– foi exaltada por Leonardo Arroyo como uma das mais belas igrejas de
São Paulo. Neste ponto, faz-se necessário contextualizar a obra junto ao
ambiente no qual se encontra: o teto da principal igreja da elite paulista.
O teto da principal abóbada da igreja é revestido por uma grande
pintura que estabelece diálogo com o resto do templo e relaciona a
imagem de sua padroeira e a história de sua devoção com o território
brasileiro e seu povo, bem como sua fauna e flora. Constituindo parte
do programa iconográfico da igreja, que abrange também painéis
executados em cerâmica em suas paredes internas e externas, a
grandiosa pintura no teto do presbitério é a parte principal de um
discurso de “brasilidade” e religiosidade local elaborado por Antônio
Paim Vieira especialmente para aquele templo. A partir da análise
iconográfica das pinturas selecionadas, é possível compreender a
retórica pretendida pelo artista e pelos encomendantes. Numa grande
construção imagética, Paim soube aproveitar a abóbada da Igreja
para construir o discurso sobre a o orago daquela igreja, trazendo não
apenas sua história, mas dando ênfase à riqueza da religiosidade
mailto:christian.mascarenhas@usp.br
61
popular brasileira através do seu extenso território. Vê-se aí uma clara
tentativa de afirmar aquela devoção mariana ainda nascente no país
e, ao mesmo tempo, aplicar uma estética modernista ao templo mais
“rico” da capital paulista.
Palavras-chave: Arte; Brasilidade; Religiosidade; Retórica, Igreja Nossa
Senhora do Brasil.
O HOMEM-MULHER, UM SER SIMBÓLICO, RELIGIOSO, MICROCOSMO, E A
MISTAGOGIA DO ESPAÇO CELEBRATIVO CRISTÃO
Raquel Tonini Rosenberg Schneider
FAJE
raqueltoninischneider@gmail.com
RESUMO: Aberto à manifestação do sagrado e, por conseguinte,
testemunha de sua existência humana e também cósmica, o homem-
mulher entende-se um ser simbólico. Cônscio de que o princípio gerador
de todas as coisas visíveis e invisíveis é Aquele que está para além de
tudo, tem sua própria vida orientada segundo a descoberta desse
Centro primordial – o Transcendente, Imutável, Inominável Senhor da
Vida –, em torno do qual tudo está ordenado, para o qual tudo se dirige
e no qual o ser humano encontra sentido e razão de viver. Esse ser
religioso, portanto, compreende-se um microcosmo, vivenciando em si
mesmo a repetição estrutural do cosmo. Desse modo, torna-se evidente
que a qualidade do espaço edificado para a realização das atividades
cotidianas do homem-mulher e, particularmente, para a celebração da
sua fé, depende da forma como nele se apresenta essa realidade
simbólico-religiosa existencial que lhe é intrínseca. Trata-se, à vista disso,
de um espaço que, por si mesmo, introduz e conduz o ser humano ao
mistério. Particularmente no que tange ao cristianismo, o edifício que
identifica a construção do Senhor e casa da Igreja deve ser por isso, de
modo singular, simbólico, belo e adequado à liturgia e, por ela moldado
é, assim, um espaço mistagógico. Isto posto, a pesquisa desenvolve
inicialmente o conteúdo relativo à linguagem simbólica redescoberta
nas últimas décadas, abordando ainda a necessidade urgente de que
seja vivenciada pelo homem-mulher, pois, pela sua natureza
interdisciplinar, alcança todas as dimensões e aspectos da existência
humana. De modo específico para a vivência da fé cristã, apresenta,
os princípios basilares da concepção do edifício cristão - uma única
estrutura constituída de dois espaços fundamentais, segundo a
linguagem simbólica e a mistagogia do espaço celebrativo cristão -, e
mailto:raqueltoninischneider@gmail.com
62
a consequente necessidade de formação específica. Dessa maneira,
demonstra que, ao tratar dessa linguagem existencial e seus
fundamentos, o percurso é instigante e provocador, seja pelos
resultados do seu rompimento presenciado nos últimos séculos, seja pela
exigência de que homem-mulher assuma o desafio do símbolo. No
âmbito cristão, envolve a assembleia celebrante e a humanidade
inteira pelo anúncio da salvação que Deus realiza por meio de Jesus
Cristo e revela-se, consequentemente, no espaço celebrativo da Igreja,
a igreja de pedra. O encontro com o Sagrado e a relação de amizade
dele decorrente é a experiência vital que dá sentido à vida do ser
humano e realiza seu desejo de felicidade, enquanto um peregrino
rumo à eternidade. Esse encontro, que se dá particularmente na liturgia
que a assembleia celebrante realiza e que o espaço litúrgico revela por
si mesmo, revoluciona a vida, transfigura o homem-mulher e vivifica-o
em sua caminhada terrena rumo ao céu.
Palavras-chave: Homem-mulher; Símbolo; Linguagem Simbólica;
Mistagogia; Espaço Litúrgico.
ST 06 – NAZARENO CONFALONI: TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA
PINTURA E ARTE
Joel Antônio Ferreira
PUC Goiás
joelantonioferreira@hotmail.com
Jackeline Siqueira Vigário
UFG
vigario.jacqueline@gmail.com
Não se pode definir o teólogo da libertação na concepção clássica da
Academia que quer, num primeiro momento, saber quais foram as suas
obras escritas ou como é o seu engajamento pastoral e popular.
Confaloni, nesses aspectos, não o foi. Não escreveu, não teorizou, não
teve uma práxis com grupos organizados. É preciso, entretanto, olhar o
Frei Pintor, dentro do seu universo. A esfera dele era a arte. Ele se
comunicava, na Evangelização, pela fala, anunciando a Palavra de
Deus. Porém, o seu maior instrumento para levar o conhecimento era a
pintura. Frei Confaloni, pelas imagens, elaborou obras de artes visuais,
onde ele fez a defesa da “justiça” e denunciou as desigualdades sociais.
Procurou “atualizar” Jesus Cristo nos fracos camponeses e nos
marginalizados das periferias das cidades. Suas obras retratam a
mailto:joelantonioferreira@hotmail.com
mailto:vigario.jacqueline@gmail.com
63
realidade “nua e crua”, sempre na perspectiva do encontro com o
Verbo Encarnado. Deus enviou seu Filho, preferencialmente, para os
excluídos da sociedade. Várias pinturas mostram Jesus e, também,
Maria, não só juntos aos vis e desprezados, mas, em diversas vezes, com
o rosto dos renegados da sociedade, ou seja, os roceiros sem-terra, os
desempregados, as mulheres sem espaço, os trabalhadores em
situação análoga à escravidão, os torturados pela ditadura, a opressão
aos negros/as. Os pincéis de Confaloni procuraram “falar”, exatamente,
a teologia concreta, isto é, Jesus Cristo continua crucificado nos que
não tem voz e vez e, ao mesmo tempo,é conforto e força para os que
têm esperança no Reino de Deus. Os seus quadros mostram que esses
são queridos por Deus.
UMA ANALOGIA ENTRE A ARTE DE CONFALONI E AS CHAVES DE MT 16,19
COMO PROPOSTAS LIBERTADORAS
José Geraldo de Gouveia
PUC Goiás
josegeraldodegouveia@gmail.com
RESUMO: quando se contempla a arte desenvolvida por Frei Giuseppe
Nazareno Confaloni percebe-se um forte apelo de cunho social onde o
cristianismo se apresenta como instrumento de libertação dos mais
oprimidos. O presente estudo traz como proposta demonstrar que entre
as pinturas de Confaloni e as chaves mateana existe um fator comum,
pois ambas as situações apresentam analogamente proposições
libertadoras. Para tanto, será demonstrado a partir de uma análise
literária, dentro de uma leitura conflitual que, etimologicamente, o
significado das chaves de Mt 16,19 implica necessariamente abertura e
inclusão. Isto porque, embora o texto mateano tenha sido redigido em
caracteres gregos, a língua falada por Jesus não era essa, mas sim o
aramaico. E dentro do contexto linguístico semita, o vocábulo ‘chave’
é um instrumento que serve para abrir, consequentemente para libertar.
Analogamente as pinturas de Confaloni também expressam uma
proposta inclusiva e libertadora. A partir dessa analogia entre a arte
confaloniana e o texto bíblico de Mt 16,19 estabelece-se um elo
unificador no que diz respeito ao anúncio do evangelho. Essa pesquisa
demonstra que a arte desenvolvida por Frei Confaloni faz eco e
expressa a mais genuína proposta libertadora anunciada por Jesus, que
nasceu marginalizado, viveu pobre e morreu como malfeitor. Esse é
exatamente o foco da arte confaloniana que fez da pintura uma
‘hermenêutica’ e uma atualização contextualizada do evangelho
mailto:josegeraldodegouveia@gmail.com
64
através dos personagens de seu meio, especialmente daqueles e
daquelas que como o Cristo viveram à margem social. De modo que, a
proposta contida em Mt 16,19 é uma chave libertadora, assim como a
arte de Confaloni é uma chave que abre mentes e corações para
acolher o Cristo pobre, presente em cada pessoa marginalizada.
Palavras-chave: Confaloni; Arte; Chaves; Libertação; Analogia.
A ARTE NA EXPRESSÃO DO BELO NO CANTO DO HINO BATISMAL EM
GÁLATAS 3,28
José Frederico Sardinha Franco
PUC Goiás
fredericofranco@hotmail.com
RESUMO: A arte como expressão do belo pode ser encontrada no canto
do Hino batismal utilizado pela comunidade crista paulina, que fazia uso
deste Hino como uma arte capaz de denunciar a opressão vivida pelas
minorias no período dos cristianismos originários. O objetivo desta
pesquisa, se pauta na possibilidade de poder entender como um Hino
antigo podia fazer frente ao processo de desigualdade social existente
entre a comunidade crista paulina. Será utilizado como metodologia de
estudo, a pesquisa bibliográfica, desenvolvida com base em materiais
já publicados. Provavelmente, este Hino era bem mais antigo do que o
próprio apóstolo Paulo, e que passou a ser cantado por diversas
comunidades durante suas reuniões litúrgicas, bem como, pela
comunidade crista Paulina. Era um Hino batismal ou um fragmento de
um credo bem conhecido pelas primeiras comunidades cristãs, e que
passou a ser cantado durante seus rituais de batismo. Nestas
comunidades, judeus e gentios, escravos e livres, homens e mulheres,
cantavam junto o Hino batismal em suas cerimônias religiosas. Paulo ao
ouvir este Hino, passou a fazer uso dele. Ele deu dignidade às mulheres,
aos gentios e aos escravos, ao inseri-los em sua carta aos Gálatas 3,28.
O Hino batismal serviu de parâmetro para manter o equilíbrio de uma
sociedade amplamente desigual e que buscava manter seus privilégios.
Ao conhecer este belo e significativo cântico, Paulo disponibiliza este
Hino para que ele pudesse fazer parte da sua liturgia. Nas comunidades
cristãs, a mulher, o gentio e o escravo, não estão mais à margem de sua
sociedade. São apóstolos, profetas e mestres. Marta e Pedro estão no
mailto:fredericofranco@hotmail.com
65
mesmo patamar de igualdade, pois ambos confessam que Jesus é o
Cristo (Jo 11,27; Mt 16,16).
CONFALONI O TEÓLOGO DA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DA PINTURA E ARTE
Joel Antônio Ferreira
PUC Goiás
joelantonioferreira@hotmail.com
RESUMO: Frei Nazareno Confaloni, italiano de Viterbo, era um pintor
clássico quando morava na Itália. Vindo ao Brasil para um rápido projeto
artístico, acabou ficando aqui até a sua morte. Convivendo com o povo
simples (camponeses/as, negros/as e indígenas) mudou,
completamente, o modo de pintar (no estilo, nas cores e na forma).
Além disso, os seus novos quadros retrataram um artista com os pés no
chão identificado com o jeito do roceiro do campo e das periferias que
tinha as experiências religiosas populares e com os perseguidos e
torturados pela ditadura militar brasileira. Nessa descrição, percebe-se
um mesmo homem com duas visões artísticas. Esse resumo e o texto
para os Anais objetivam mostrar o pintor Confaloni identificado com a
teologia da libertação. Os seus quadros, no Brasil, são identificados com
os desvalidos. Este trabalho, em nível metodológico, quer buscar, além
da bibliografia em torno do Frei pintor, as descrições captadas das suas
obras de arte. A metodologia usufruirá da Leitura Sociológica pelo
modelo Conflitual/Dialético. As descrições definem um homem
identificado com os pobres, porque soube ler Jesus Cristo presente
naqueles desvalidos. Os resultados fazem parte de todo um projeto que
será iniciado, proximamente, pelas “horas de pesquisa” recebidas pela
PUC Goiás. Como conclusão, os pincéis de Confaloni procuraram
“falar”, exatamente, a teologia concreta, isto é, Jesus Cristo continua
crucificado nos que não tem voz e vez e, ao mesmo tempo, é o conforto
e força para os que tem esperança no reino de Deus. Os seus quadros
mostram que esses são queridos por Deus.
Palavras-chave: Confaloni; Teólogo Pintor; Arte; Libertação.
A ARTE DO BELO NO EVANGELHO DE MATEUS (Mt 25, 35-40)
Felipe Beltrão Dias
PUC Goiás
felipebeltraodf@gmail.com
mailto:joelantonioferreira@hotmail.com
mailto:felipebeltraodf@gmail.com
66
RESUMO: A proposta de comunicação descrita como a A Arte do Belo
no Evangelho de Mateus (Mt 25, 35-40), está vinculada ao ST 06
Nazareno Confaloni: Teólogo da Libertação Através da Pintura e da
Arte. Como se sabe, Nazareno Confaloni se comunicava, na
Evangelização, anunciando a Palavra de Deus, através da fala e da
Arte, defendendo a justiça e denunciando as desigualdades sociais,
enfatizando a dimensão ética e social do cristianismo. Partiremos do
pressuposto de que o Evangelho Mateano é um texto vivo, que pode
ser interpretado de diferentes formas de acordo com o contexto
histórico e social em que é lido. Sua leitura busca resgatar a dimensão
profética e libertadora do cristianismo. Desta forma, apresentamos
nesta comunicação a Arte do Belo no Evangelho de Mateus (Mt 25, 35-
40), demonstrando que o Reino de Deus só existe onde a Justiça existe
na comunidade, concretamente. Todo evangelho mateano tem a
Justiça como tema central. Jesus se colocou, absolutamente,
identificado com os famintos, com os sedentos, com os nus, com os sem
moradia, com os presos. Demonstraremos a mensagem central do
Evangelho Mateano, que é a prática da justiça e do amor ao próximo,
destacando importância da ética das relações interpessoais e do
compromisso com a transformação social em um mundo marcado pela
desigualdade e pela injustiça. Esta abordagem de comunicação busca
inspirar as pessoas a se engajarem em ações concretas em prol da
justiça e da solidariedade, em consonância com os valores do
Evangelho, capaz de mobilizar as pessoas para a transformação social
e a construção de um mundo mais justo e solidário. Por esse motivo,
correlacionamosa expressão de Nazareno Confaloni com o Evengelho
Mateano, como proposta de comunicação.
Palavras-Chave: Arte; Justiça; Libertação.
CONCEITO DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO TESTAMENTO
Messias José dos Santos
UNOPAR
pr.messiassantos@gmail.com
RESUMO: No Antigo Testamento temos uma dificuldade maior de
identificar a ação do Espírito Santo, como conhecemos pelas páginas
do Novo Testamento, especialmente pelo fato de que o monoteísmo
judaico teria uma enorme dificuldade de aceitar um Deus em três
pessoas, o que levaria a natural acusação de politeísmo. A tarefa a ser
empreendida nestas visam mostrar o conceito Vetero-testamentário do
mailto:pr.messiassantos@gmail.com
67
Espírito Santo e sua atuação. A pessoalidade do Espírito de Deus nunca
foi aceita pelos judeus como uma interpretação legítima dos textos
bíblicos, e quando Jesus ensinou aos discípulos sobre a vinda do Espírito
Santo, ele não o identificou explicitamente com o Espírito de Deus do
Antigo Testamento. O conceito de Espírito Santo no Antigo Testamento
ainda não está completo, algumas lacunas só são preenchidas com a
revelação progressiva através das lentes do Novo Testamento.
Naturalmente que o material que temos escrito na Palavra de Deus no
Velho Testamento, nos deixaria tal como os judeus e os cristãos do
primeiro século sem uma doutrina formada sobre o Espírito Santo. Espero
assim, de alguma forma, contribuir para esse assunto que se faz
necessário no presente tempo. Especialmente pelo parco o material
teológico, em face a tamanha relevância, sobre o assunto em língua
portuguesa. Quando fazemos uma pesquisa simples sobre a “teologia
do Espírito Santo” sobressalta os livros e artigos pentecostais que
raramente tem alguma ênfase teológica e na sua maioria uma ênfase
experiencialista. A vida e a espiritualidade cristã só pode ser vivida na
sua integralidade conhecendo àquele que da o sopro da vida.
PAULO APÓSTOLO: LITERATURA E RETÓRICA NA EPÍSTOLA AOS GÁLATAS
Lusvaldo de Paula e Silva
PUC Goiás
lusvaldopsilva@gmail.com
RESUMO: A literatura, enquanto arte, pode e deve expressar o belo em
sua composição. Para isso, a depender do gênero, é fundamental que
se valha de tão vetusto quão valioso recurso: a retórica. Empregada
consciente ou intuitivamente, deve-se buscar não apenas convencer,
mas persuadir com elegância e autoridade. Para além disso, em sua
Carta aos Gálatas Paulo tinha uma preocupação central, em meio às
várias que lhe assolavam a mente no momento marcante da redação:
o compromisso com a verdade do Cristo. Incumbido de levar a
mensagem de Jesus aos gentios, não poderia permitir que Sua
semeadura de amor, liberdade e igualdade fosse atacada
impunemente pelo joio do fanatismo, da escravidão e dos interesses
mesquinhos. Portanto, foi nesse contexto que este trabalho perseguiu o
objetivo de analisar cada passo do caminho percorrido, investigando a
presença de recursos literários na missiva, a formação intelectual do
“remetente” e o sitz im leben dos “destinatários”. Para tanto, a literatura
especializada foi de inestimável valor, propiciando concluir que a “arte”
mailto:lusvaldopsilva@gmail.com
68
do missivista era quase “instintiva”, brotando espontaneamente de seu
espírito, agora renovado pelo sublime encontro de Damasco. A
revelação possuía engendrado em si o “belo do divino”, que na descida
do “alto” percorreu a mente do “humano” para finalmente exteriorizar-
se no mundo através das mais sublimes páginas do Evangelho redentor.
Ave, Cristo! Ave, Paulo!
Palavras-chave: Arte; Literatura; Retórica; Apóstolo Paulo; Epístola aos
Gálatas.
CONSCIÊNCIA HISTÓRICA DA ESPERANÇA: A MEDIAÇÃO CRÍSTICA NA
CARTA AOS COLOSSENSES
Alexandre de Siqueira Campos Coelho
UNIEURO
prof.alexandrecoelho@gmail.com
RESUMO: Cada época alcança um horizonte de expectativa na
propagação de informações. Os sentidos humanos são instigados por
um espaço de experiência regido por um tempo, ao mesmo tempo,
imanente e transcendente. As palavras transformam-se em histórias que
preenchem a totalidade do ser humano ao ponto de moldar suas
interpretações. A vida torna-se uma aventura em busca da
compreensão de si, do próximo, do todo, do divino. Tendo a carta aos
Colossenses como caminho, é perceptível que o texto gravita em torno
dos mesmos temas, que são tratados do primeiro ao quarto capítulos
repetidas vezes, num movimento que convencionamos denominar de
“movimento de rotação textual”; por outro lado, também gira em torno
de temas próprios dos textos paulinos e joaninos, o que intitularemos
neste trabalho como “movimento de translação textual”. Esses seus dois
movimentos distinguem-se, entre si, quanto ao número de repetição de
mesmos temas. O seu traço mais interessante é a “constelação de
sentidos”, de possibilidades de interpretação, surgidas a partir da junção
dessas duas teologias, nomeadamente, a paulina e a joanina. A
contemplação força uma ação: tornar um mediador crístico. A
dimensão cognitiva da carta perpassa o saber no âmbito da “ciência”
e da “consciência”. Os movimentos de “rotação” (em torno de seus
temas) e “translação textual” (em torno dos temas dos textos paulinos e
joaninos) atestam a ciência dos seus ouvintes sobre os fundamentos do
cristianismo. Reforçam o passado daqueles que creram (hino
cristológico 1,13-20) e amplia a compreensão do presente a partir da
obra salvífica de Cristo. A carta revela plena ciência dos colossenses a
mailto:prof.alexandrecoelho@gmail.com
69
respeito da sua fé, do seu amor e da sua esperança. O alvo do autor de
Colossenses é desafiar um saber que vá além da ciência. Um saber
capaz de interpretar o passado, compreender o presente e projetar o
futuro. A consciência é o sentido que torna possível a orientação do
cristão quanto ao seu significado de existência e proposito de vida. O
desvelar do “mistério escondido por séculos e gerações” fruto da
vontade de Deus Pai e da obra de mediação de Cristo tornou possível
a ação missional dos cristãos como mediadores da reconciliação
crística. O objetivo da carta é a conscientização da mediação. A
hermenêutica da consciência histórica da carta aos Colossenses
perpassa o tempo, a experiência e a referência. A mediação crística é
a chave do texto – Paulo, Epafras, cristãos. O tempo refere-se ao
passado, presente e futuro. A experiência, à tríade paulina – amor,
esperança e fé. A ordem dos termos acompanha o tempo. As
respectivas referências são identidade-consciência-reconhecimento. A
premissa é que todos estão interligados, mas a “pedra angular” está na
esperança. Ela potencializa o “espaço de experiência” da identidade
(de fé) – a persistência do passado no presente – e impulsiona o
“horizonte de expectativa” do reconhecimento crístico (do amor).
Dessa forma, a consciência histórica do cristão torna-se a de um
mediador crístico do passado, do presente e do futuro a partir de
Colossenses, torna-se a consciência histórica da esperança.
Palavras-chave: Hermenêutica; Consciência Histórica; Esperança;
Cristologia; História dos Conceitos.
NAZARENO CONFALONI: ENTRE O MODERNO E A TRADIÇÃO
Jacqueline Siqueira Vigário
UFG
vigario.jacqueline@gmail.com
RESUMO: Na história das artes plásticas do Centro-Oeste brasileiro, Frei
Nazareno Confaloni (1917-1977) é considerado como um dos pioneiros
da arte moderna. Em sua obra, a temática social teria sido a inspiração
que, entretanto, não o desvinculou de sua vocação religiosa
dominicana. Desde que conheceu Primo Conti (1900-1988), seu estilo
"ousado" teria enriquecido e assimilado o movimento cultural da época,
o noveccento italiano. Mesmo tendo como trabalho principal pinturas
sacras, Confaloni aprendeu rapidamente os fundamentos da arte
moderna, em um diálogo constante com movimentos que eclodiram
durante o começo do séculoXX. Sabe-se que no campo da arte sacra
mailto:vigario.jacqueline@gmail.com
70
os modernistas representaram um mundo secular em sua arte, tornando
as representações de madonas e santos humanizados e Frei Confaloni
não ficou alheio às transformações artísticas ocorridas no Brasil e no
mundo. Um breve percurso por suas obras desde que chegou ao Brasil
permite observar que o Frei artista sinaliza em suas incursões pelo
moderno um diálogo profundo com o contexto sociocultural latino-
americano, sobretudo no que se refere à visão progressista voltada para
ideia da Teologia da Libertação. Como agente missionário europeu,
conheceu uma teologia diferente do modelo sociopolítico libertador da
Teologia Latino-Americana. Se há conexões de peso que se pode
apontar entre a Teologia Progressista Europeia e a Teologia da
Libertação Latino- Americana é o de colocar os pobres como sujeitos
da história, por ambas se apropriarem da linha pastoral social do
Concílio do Vaticano II e no uso da sociologia de inspiração marxista,
que no caso europeu, tem como base o socialismo utópico. Como um
Frei europeu, Confaloni trouxe o modelo progressista e o revisou a partir
de categorias trabalhadas na Teologia da Libertação Latino-Americana
com fundo marxista em um contexto etnográfico oposto ao do
europeu. Aqui o missionário se deparou com um campo empírico,
diferente da sociologia teórica e burocratizada da Europa. Confaloni
mergulhou no interior de terras goianas, conheceu núcleos onde
ocorreram conflitos, se deparou com uma realidade que é
caracterizada socialmente por uma estrutura de exclusão humana e
social. A situação dramática da terra, as desigualdades sociais, os
conflitos entre trabalhadores e empregados, a miséria em que vivem as
comunidades ribeirinhas da região do Rio Araguaia, as populações
indígenas, os quilombolas da região do norte de Goiás, atual região do
Tocantins, foram realidades que se confrontaram e ressurgiram em seus
afrescos, ou mesmo em seus quadros de pintura de Madonnas. São
Marias silenciosas, sofridas, Marias do povo, cheias de bondade e
dignidade. As obras de Confaloni tem um caráter profético profundo,
aspecto que interferiu de maneira contundente em suas ousadas
incursões pelo moderno, em um diálogo intenso com uma crítica que
recepcionou positivamente suas obras, em função da dimensão política
e social sob as quais se apresentavam.
Palavras-Chave: Nazareno Confaloni; Arte Moderna; Modernismo
goiano; Tradição; Arte Sacra.
71
ST 07 – CULTURA VISUAL E RELIGIÃO
Luís Américo Silva Bonfim
UFS
americobonfim@gmail.com
Frederico Pieper Pires
UFJF
fredericopieper@gmail.com
Helmut Renders
UMESP
helmut.renders@metodista.br
Suzana Ramos Coutinho
PUC SP
srcoutinho@pucsp.br
Esta ST tem por objetivo reunir pesquisas que explorem a mútua relação
entre cultura visual e religião. Para tanto, acolhe trabalhos que tratem
expressões (ícones, fotografia, gravura, escultura, artes plásticas,
cinema etc.) dos mais diversos períodos históricos, tradições religiosas e
culturas. Considera-se a força performativa de imagens, sob a
metodologia da interpretação da cultura visual contemporânea. A ST
parte do pressuposto de que a atenção, “visualização” e “estetização”
da cultura contemporânea, com a expansão dos mundos imagéticos
para todas as áreas da vida, desde o cotidiano até a religião, participa
desse fenômeno, bem como das implicações que este tem para se
pensar a religião na cultura contemporânea. Essa abordagem
científica, desenvolvida desde a década 90 do século passado, dá
continuidade às intuições de Wittgenstein, Merleau Ponty, Panofsky,
Warburg, dentre outros, representando sagrados e história da religião,
mailto:americobonfim@gmail.com
mailto:fredericopieper@gmail.com
mailto:helmut.renders@metodista.br
mailto:srcoutinho@pucsp.br
72
bem como da relação entre cultura e religião a partir de diferentes
formas de produção do olhar e da imagem, por exemplo, pictóricos de
metáforas, inclusive cinematográficas.
FOTOGRAFIA E RELIGIÃO: IMAGENS PARA SE PENSAR A EXPERIÊNCIA
RELIGIOSA EM PIERRE FATUMBI VERGER
Phelipe Augusto Silva Santos
PUC GOIÁS
pha.philos@gmail.com
RESUMO: O trabalho intitulado "Fotografia e Religião: Imagens para se
Pensar a Experiência Religiosa em Pierre Fatumbi Verger" aborda a
relação entre fotografia e religião através do estudo da obra do
fotógrafo e pesquisador Pierre Fatumbi Verger. O objetivo principal do
estudo é investigar como as fotografias de Verger podem ser utilizadas
como meio para se pensar a experiência religiosa. Para tanto, utilizamos
as mesmas como exemplo de um olhar sensível e respeitoso para com
a experiência religiosa da cultura iorubá, que Verger encontrou ao
longo de sua vida e de suas viagens pelo mundo. A partir da análise de
algumas fotografias de Verger, discutiremos como a fotografia pode ser
utilizada para registrar e transmitir a experiência religiosa, bem como
para criar um diálogo intercultural entre diferentes tradições religiosas.
O estudo também aborda a questão da representação das religiões em
imagens fotográficas e como esta representação pode ser influenciada
por fatores culturais e históricos. Por fim, o trabalho conclui que as
imagens fotográficas podem ser um meio poderoso para se pensar a
experiência religiosa em diferentes culturas e tradições religiosas, bem
como para criar um diálogo intercultural entre elas. A obra de Pierre
Fatumbi Verger é um exemplo inspirador deste uso da fotografia como
meio de aproximação entre culturas e tradições religiosas distintas.
Palavras-chave: Religião; Fotografia; Experiência religiosa; Verger.
O NEXO ENTRE RELIGIÃO E ARTE MINIATURA NO SUL DO LEVANTE ANTIGO
Silas Klein Cardoso
Universidade de Zurique
silasklein@gmail.com
mailto:pha.philos@gmail.com
mailto:silasklein@gmail.com
73
RESUMO: Este ensaio discute a relação entre religião e arte em miniatura
no sul do Levante antigo. Com relação ao conceito de “religião”,
enquanto as Ciências da Religião experimentaram uma “virada
reflexiva” nas últimas décadas, pouco foi refletido na história da religião
sul levantina antiga. A despeito da adição de fontes “extrabíblicas”
diversas e do intercâmbio com outras disciplinas, projeções anacrônicas
baseadas num conceito subteorizado de “religião” continuam a ser
utilizadas para atribuir “religiosidade” a artefatos, carecendo de novos
quadros conceituais e metodologias. Com relação à ideia de arte,
questões históricas e metodológicas ainda se interpõem à discussão. Na
história da pesquisa, a arte sul levantina foi considerada secundária e
inferior à arte dos grandes impérios antigo orientais por sua escala e
suposta qualidade menor. Tal ideia foi, durante décadas, reforçada
pela ideia errônea que não haveria representações figurativas na
região e período. Metodologicamente, a interpretação de arte em
miniatura ainda é operacionalizada via analogias, haja vista os métodos
vigentes serem criados para matérias artísticas de outros períodos e
formatos. Deste panorama, este estudo analisa alguns objetos artísticos
datados do Período do Ferro (c. 1130-520 aEC) e encontrados na região
dos territórios modernos da Palestina, Israel e Jordânia, para refletir sobre
os limites e problemáticas das abordagens atuais e sugerir novos
conceitos para o desenvolvimento do campo.
Palavras-chave: Cultura visual religiosa; Arte em miniatura; Artefatos
religiosos; Sul do Levante; Período do Ferro (c. 1130-520).
A PRESENÇA DA FALTA: UM OLHAR PSICANALÍTICO DO FILME O VAZIO DO
DOMINGO E DA BUSCA DE MARIA MADALENA NO SEPULCRO VAZIO,
SEGUNDO JO 20,1-18
Sergio Esteban González Martínez
PUC Goiás
sergioestebangonza@gmail.com
RESUMO: Este artigo pretende refletir, segundo o pensamento
psicanalítico,a presença da falta nas relações humanas, a partir do
filme O vazio do domingo e da experiência de Maria Madalena no
sepulcro vazio, no Evangelho segundo João 20,1-18. As mulheres Chiara
e Anabel abrem horizontes no filme na compreensão da importância do
olhar da mãe com relação à criança, por sua parte Maria Madalena
acrescenta a necessidade do olhar de Jesus, a presença do Amado nos
momentos de choro. Assim, a finalidade deste trabalho consiste em
mailto:sergioestebangonza@gmail.com
74
ressaltar o vazio e a falta como elementos necessários para colocar no
sujeito um caminho de movimentação com relação ao objeto de
desejo. Por meio de estudos bibliográficos e de análise do filme
pretende-se colocar como evidência o sujeito que é tomado pelo
desejo de um Outro e, ao mesmo tempo, mediado por um terceiro,
dentro de uma estrutura de linguagem que o atravessa. Chiara, Anabel
e Maria Madalena colocam na contemporaneidade interrogantes: o
que passaria se faltasse a falta? Como o sujeito de desejo lida com o
confronto produzido pela falta? Definitivamente torna-se necessário
refletir no ambiente social e eclesial a urgência de repensar a noção de
sujeito de desejo apresentado pela psicanálise, para movimentar o
sujeito na busca do objeto amado, desejo que corresponderia no social
à edificação de relações humanas mais fraternas e toleráveis e no
ambiente eclesial à busca constante do encontro com o Amado, Jesus
Cristo, que no momento do olhar, símbolo de presença, exorta ao
reconhecimento da singularidade de cada membro da comunidade
de fé.
Palavras-chave: Psicanálise; Teologia; Cinema; Sujeito de desejo;
Relações sociais
MODÉSTIA E COMPORTAMENTO: COMO O VESTIR-SE E A RELIGIOSIDADE
IMPACTAM O MODO DE VIDA DE MULHERES DA RCC
Ellen Cristina dos Santos Oliveira
PUC São Paulo
ellencristinasoliveira@gmail.com
RESUMO: No presente trabalho é notado que, ao realizar uma pequena
observação da religiosidade brasileira, há uma institucionalização a
qual é incorporada pela sociedade de forma que toda historicidade a
qual o indivíduo está inserido o influencia, principalmente através do
aprendizado. A partir da indagação dentre as diversas instituições
existentes e presentes na sociedade brasileira, aquela a ser analisada
seria a instituição religiosa cristã católica, pois essa religião participa de
boa parte da ascendência brasileira, principalmente por todo seu
histórico enraizado na nossa cultura. O objetivo da pesquisa é fazer uma
leitura religiosa por meio da cultura visual e a vestimenta de um grupo
de mulheres, lembrando que aqui não cabe qualquer julgamento sobre
a fé e a religiosidade, mas a análise histórica sobre a qual a sociedade
construiu valores e seus resultados. A partir da escolha da religiosidade,
mailto:ellencristinasoliveira@gmail.com
75
o grande recorte social apresentado aqui seria a questão do “ser mulher
religiosa” dentro do catolicismo, que teria como finalidade pesquisar a
relação entre pequenas escolhas feitas por membros da sociedade e a
construção histórica do ser humano como ser social, mais
especificamente, de mulheres católicas e conservadoras. O objeto
material são as mulheres de grupos da RCC – Renovação Carismática
Católica da Diocese de Guarulhos, mais especificamente suas
vestimentas e comportamentos, colocando como objeto formal a
chamada por essas de Modéstia Feminina. Ressaltamos que tal pesquisa
em momento nenhum deve ser considerada conclusiva ou estática, já
que historicamente a verdade pode apresentar diversas visões, opiniões
e maneiras de se contar, pois novas temáticas, informações e pesquisas
podem acrescentar em seus diferentes períodos enriquecendo ou
atualizando o atual embasamento, pois a principal análise será
construída através do conhecimento histórico, da história religiosa e da
Ciência da Religião, lembrando que aqui a história não será apenas
narrada, mas contada por seus próprios agentes sócio-históricos,
levando em consideração toda vivência daqueles que são analisados.
Tal comportamento não carrega puramente a escolha consciente, ou
a simples necessidade de expressão religiosa como demonstra. O
comportamento existente por traz do vestir-se, oferta consigo toda uma
realidade vivida por aquelas que escolhem usa -lá, assim como a forma
que é utilizada. Deve-se levar em conta que, além dos trajes, há histórias
de vida, ideologias, religiosidades e corpos que trazem aparências
modificadas pela época, culturas, costumes, lugar, vivência e a própria
influência de escolha por determinada roupa. Será aqui utilizado
estudos direcionados ao feminino e a costumes quotidianos, levando
em análise também material acessado e apresentado por essas
mulheres, como livros, vídeos, fotos e ambientes por elas frequentados,
tendo como referencial teórico, autores de referência histórica,
sociológicas. Por fim, tal produção se justifica inabitual da maneira
apresentada, alegando dessa maneira sua criação. principal análise
será construída através do conhecimento histórico, da história religiosa
e da Ciência da Religião, lembrando que aqui a história não será
apenas narrada, mas contada por seus próprios agentes sócio-históricos
através da pesquisa netnografica, levando em consideração toda
vivência daqueles que são analisados.
Palavras-chave: RCC; Modéstia; Catolicismo.
76
O EMBLEMA OMNIA VINCIT AMOR (1601): UMA COLABORAÇÃO
INTRACALVINISTA ANTES DO SÍNODO DE DORTE (1618)
Helmut Renders
Umesp
helmut.renders@metodista.br
RESUMO: Em 1601 publicou Daniël Heinsius (1580-1655) o livro com
emblemas Emblemata amatória (Emblemas do amor). O emblema de
abertura, Omnia vincit amor, O amor vence todo, contém uma poesia
de Hugo Grotius (1583-1645): Vidi ego qui durum poßit fraenare leonem:
Vidi qui solus corda domaet Amor (Eu vi aquele que poderia dominar
até mesmo um leão feroz, Eu vi aquele que sozinho poderia domar
corações: o amor). 17 anos depois, Daniel Heinsius e Hugo Grotius se
encontrariam em campos opostos: No Sínodo de Dorte (1618-1619),
Grotius foi condenado como remonstrante ou seguidor de Jacob
Arminius e Heinsius, quem pertencia ao grupo dos gomaristas, foi o
relator do sínodo e da condenação. 1621 Grotius fugiu da prisão para a
França Católica. Com isso, o emblema acaba sendo um importante
documento para um momento de um diálogo ainda aberta antes da
radicalização das posições dentro do calvinismo. Por um lado, o
emblema acaba articulando o que o sínodo depois não mais permitiu:
a crença num amor que vence todos os obstáculos causados por
diferenças, inclusive, diferenças religiosas dentro de própria confissão
religiosa. Interessantemente, apareceu em 1632 uma gravura de Willem
Jacobsz (1580-1638) de Delft o retrato de Grotius com uma subscriptio
latina de Daniël Heinsius do ano 1614, ou seja, criada antes do desfecho
final da controvérsia (Depositum caeli, quod iure Batavia mater / Horret,
et haud credit se peperisse sibi, / Talem oculis, talem ore tulit se maximus
Hugo. / Instar crede hominis, cetera crede Dei). Nesta época, Grotius
tinha tentado retornar para os países Baixos, mas, sem sucesso. Depois
entrou no serviço diplomático da Suécia, que durante a Guerra dos
Trinta Anos (1618-1648) manteve uma Aliança com a França,
basicamente, contra a Espanha. Finalmente demonstramos que o
emblema Omnia vincit amor, sem seu subscriptio, foi visualmente citado
como parte de uma moldura de uma série de emblema das bem-
aventuranças, no pátio do monastério de Santa Carla em Coimbra,
Portugal, da virada do século 17 para o século 18. A análise dos
emblemas segue os passos da análise iconológica de Erwin Panofsky
(1892-1968) e a visão do conjunto de emblemas azulejos parte da teoria
de Bilderfahrzeuge (Imagens-veículos) de Aby M. Warburg (1866-1925).
Como resultado pretende sedemostrar em termos gerais, a importância
da análise da cultura visual nos estudos da religião e em especial, como
mailto:helmut.renders@metodista.br
77
elas preservam, pontualmente, intercâmbios e proximidades intra- e
interconfessionais não sempre registrados na historiografia religiosa.
ENTRE PAISAGENS E CERVEJAS: CAMINHO DA FÉ E CONEXÃO DA
RELIGIÃO E A BEBIDA
Orlando Caldeira de Farias Junior
PUC São Paulo
orlandocfjunior@yahoo.com.br
RESUMO: A comunicação visa problematizar como bebidas alcoólicas
permeiam o Caminho da Fé, importante rota de peregrinação ao
Santuário Nacional de Aparecida. A partir da leitura semiológica,
estudar o encadeamento entre a religiosidade dos peregrinos, a
paisagem predominantemente do relevo dos mares de morros que
rasgam cidades de Minas Gerais e São Paulo e a fabricação de cervejas
artesanais que trazem a temática do trajeto dos fiéis, fazendo a escolha
de imagens, identificando seus elementos e os níveis de significação
mais altos nelas encontrados. A submissão tem como objetivo
compreender esse fenômeno com a leitura da Geografia da Religião,
utilizando-se do referencial teórico dessa subárea da Ciência da
Religião trabalhando conceitos como o de paisagem religiosa e
paisagem de memória, atrelando o mosaico paisagístico do roteiro à
Geografia das Emoções, área geográfica que visa compreender como
lugares e paisagens influenciam nos sentimentos das pessoas,
conectando a sensibilidade da fé do peregrino com o itinerário e os
rótulos das cervejas. Para isso, se faz necessário uma pesquisa
netnográfica para um aprofundamento na história, tanto da rota
peregrina como dos fabricantes e compreender esse nexo entre os
mestres cervejeiros e o Caminho da Fé, cruzando esses dados com
observação participante e o arcabouço teórico, para dessa
triangulação, formular a hipótese de que a confluência da cerveja, seus
rótulos e a rota peregrina estão conexas pelo complexo paisagístico
criado pelo relevo da Serra da Mantiqueira, e que os códigos visuais e
objetos que ilustram o caminho configurando a paisagem, adentram no
imaginário do fiel e ilustram as cervejas que são encontradas em
algumas cidades traçadas pelo Caminho da Fé, ou seja, analisar a
aglutinação das emoções, paisagem e a bebida.
Palavras-chave: Cerveja; Caminho da Fé; Geografia da Religião;
Geografia das Emoções.
mailto:orlandocfjunior@yahoo.com.br
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A PRETENSA HEGEMONIA DA DIMENSÃO SIMBÓLICA NO VITRAL
RELIGIOSO EVANGÉLICO
Ed Marcos Sarro
UTFPR
edsarro@utfpr.edu.br
RESUMO: A proposta desta comunicação é apresentar uma possível
distinção entre o vitral religioso protestante e o seu congênere
evangélico, tendo como principal evidência a recorrência do signo
visual simbólico no segundo. Surgido como arte eminentemente
católica, durante a Alta Idade Média, tendo seu apogeu no período
gótico (por meio do trabalho do Abade Sugér na Basílica de Saint-Denis,
França), a partir do século XVI o vitral religioso passará por uma fase de
forte contestação, sendo alvo de ações de iconoclastia movidas por
alguns segmentos dentro da Reforma Protestante. Apesar de danos
sofridos durante os conflitos religiosos que se seguiram na Europa, o vitral
sobreviverá e se transformará dentro do mundo protestante -
principalmente nos contextos da Igreja Luterana e da Igreja da
Inglaterra - de certa forma dando continuidade à tradição artística
desenvolvida pela Igreja Católica - mas ao seu modo - mantendo as
soluções estéticas que primam pelo figurativo narrativo. Já no universo
reformado (e evangélico propriamente dito), especificamente pelo viés
calvinista e de grupos ascéticos e não conformistas surgidos no seio da
Igreja Anglicana (principalmente anabatistas) o vitral religioso, quando
tolerado, parece ostentar soluções estéticas que enfatizam o abstrato,
o figurativo alegórico e os dísticos textuais, todos de forte caráter
simbólico. A hegemonia do simbolismo no vitral evangélico (aqui
desvinculado do vitral protestante) pode estar relacionado à influência
do código verbal (escrito) e sua prevalência na cultura religiosa de raiz
reformada, uma vez que a primazia das Escrituras Sagradas é a base da
religião construída a partir da Reforma. Segundo Morris (interpretando o
pensamento semiótico de Peirce) o símbolo é signo cuja significação se
dá por associação arbitrária entre significante e significado. O código
verbal (representado pelo texto escrito) e sua decifração são
estabelecidos de forma arbitrária, logo simbólica. Daí se depreende
uma possível explicação para a hegemonia do símbolo visual no vitral
religioso evangélico. O fato de a música (instrumental ou cantada) ter
se consolidado como um gênero artístico essencialmente associado ao
universo protestante (e evangélico) corrobora esse argumento quanto
aos vitrais, posto que se expressa por meio de notas, que, a rigor,
também são signos simbólicos (estabelecidos do mesmo modo de
forma arbitrária). Longe de ser uma afirmativa absoluta sobre o tema,
mailto:edsarro@utfpr.edu.br
79
esta comunicação se propõe a tentar demonstrar a pertinência do
argumento apresentado, por meio de comparação entre exemplares
de vitrais protestantes e evangélicos e de sua leitura visual. Para tanto,
se lançará mão tanto da observação direta simples, quanto de recursos
teóricos extraídos das teorias da percepção, da Semiótica e de
metodologias visuais.
Palavras-chave: Vitral; Protestantismo; Evangelicalismo; Simbolismo.
80
ST 08 – ESTÉTICA, CAPITALISMO E RELIGIÃO
Alberto da Silva Moreira
PUC Goiás
alberto-moreira@uol.com.br
Lauri Wirth
UMESP
lauri.wirth@metodista.br
Oneide Bobsin EST
obobsin@est.edu.br
Esta ST leva em conta que “o mercado global contém duas qualidades
associadas à herança religiosa: transcendência e onipresença. Sua
globalidade transcende os indivíduos, as classes sociais e as nações...
Seu domínio não conhece fronteiras, abarca o planeta por inteiro; a
universalidade do mercado confere-lhe a dimensão de totalidade...
Entretanto... falta-lhe um fundamento ontológico, sagrado, por isso o
mercado se apresenta como uma “falsa religião”, e sua adoração, uma
“idolatria” (R. Ortiz, RBCS, v. 16, n. 47, 2001, p. 72). Há muito tempo o
mercado não apenas mercantilizou a arte e a produção artística,
tornando-se o novo patrão dos artistas, mas ele incorporou e assimilou
de forma sistemática a estética aos seus produtos e procedimentos,
através da publicidade e do design, da estilística e da emoção
programada, da colonização do prazer e da comoção estética que o
consumo deve proporcionar. O capitalismo atual não funciona sem
colocar a seu serviço a criatividade artística, a estética e a estilística.
Segundo C. Türcke a sociedade capitalista é sobretudo uma
“sociedade das sensações”, ou seja, da estética (Aisthesis), da
manipulação das sensações, dos desejos e da economia libidinal. Não
mailto:alberto-moreira@uol.com.br
mailto:lauri.wirth@metodista.br
mailto:obobsin@est.edu.br
81
deveria, então, o capitalismo atual ser pensado e analisado como uma
religião, conforme Walter Benjamin afirmou em 1921? Se sim, que tipo de
religião seria essa, que desafios teóricos coloca às ciências da religião,
que desafios práticos propõe à política e à cidadania, que desafios
pastorais e doutrinais apresenta às religiões e às teologias? Se não, onde
estariam as fronteiras, os limites, as pertinências de cada um? Esta ST
acolhe contribuições que discutam e analisem as pretensões estéticas
e religiosas do capitalismo, sua produção mercadológica da beleza, seu
uso dos símbolos de poder, sua estetização da política e da religião, a
fusão de horizontes da economia com as expectativas defelicidade e
realização humana, as experiências de transcendência ligadas à
estética e ao consumo. Também são bem-vindas contribuições que,
desde abordagens teóricas diversas, analisem aspectos da
transformação.
A TEOLOGIA NEOLIBERAL DAS EDIÇÕES VIDA NOVA
Geraldo Witeze Junior
IFG
geraldo.junior@ifg.edu.br
RESUMO: O presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) apresenta seu governo
como liberal e conservador. Sua atuação governamental durante a
pandemia pode ser definida como negacionista: negou a gravidade
da pandemia, recomendou medicamentos sabidamente ineficazes e
lutou contra a vacinação. Os cristãos conservadores, tanto católicos
quanto evangélicos, foram parte importante da base política desse
governo, com muitos deputados e ministros sendo eleitos e nomeados
por serem religiosos. Gostaríamos de apresentar a influência
conservadora cristã sobre o governo destacando um conjunto de livros
publicados entre 2014 e 2016 por uma editora evangélica chamada
Edições Vida Nova. Esses livros foram vendidos juntos como um kit
político que defende uma Teologia neoliberal e conservadora que
influenciou o governo. Esses livros não eram destinados aos membros
comuns das igrejas, mas aos líderes. Muitos desses líderes ocuparam
cargos no governo Bolsonaro e propagaram a Teologia neoliberal e
conservadora das Edições Vida Nova. O trabalho segue as seguintes
etapas: 1) uma introdução dos livros; 2) uma análise de seu conteúdo;
3) uma avaliação de sua influência. Cabe ressaltar que a estética de
argumentação segue o princípio do espantalho: cria-se uma caricatura
das ideias às quais se opõe e debate com essa caricatura, não com a
ideias conforme expostas por seus proponentes. Queremos demonstrar
mailto:geraldo.junior@ifg.edu.br
82
que antes da eleição de Bolsonaro, os evangélicos conservadores
trabalhavam para difundir suas ideias teológicas por meio desses livros,
principalmente entre os líderes das igrejas, que atuavam como
influenciadores das congregações, direcionando-as para o lado da
política que consideram correto.
Palavras-chave: Teologia; Neoliberalismo; Governo Bolsonaro; Edições
Vida Nova.
DIGITALIZAÇÃO DA ROMARIA DO MUQUÉM: IMPACTOS,
TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS
Aldemir Franzin
PUC Goiás
pe.aldemirfranzin@hotmail.com
RESUMO: O objetivo desta comunicação é analisar e compreender o
processo de digitalização da Romaria do Muquém, uma expressão do
catolicismo tradicional e popular de quase trezentos anos para o meio
digital e suas consequências. A digitalização da romaria deve-se a um
fato extraordinário ocorrido ano de 2020, jamais vivido por uma geração
de romeiros, a pandemia COVID-19. A crise pandêmica atingiu o
Santuário do Muquém entre os anos 2020-2021. Devido ao grande risco
de transmissão do vírus SARS-CoV-2, a direção eclesiástica do santuário
decidiu que a romaria presencial deveria ser cancelada. Essa nova
realidade confrontou os dirigentes do santuário a um desafio inusitado
de realizar uma romaria virtual à distância. A única forma de manter a
continuidade da romaria e de manter contato com os romeiros seria
realizar a romaria através da plataforma digital. As perguntas básicas
que orientam esta compreensão podem ser formuladas assim: o que
aconteceu com a romaria quando ela se tornou uma romaria
digitalizada? Em que sentido a digitalização a transformou e como esse
processo impactou a expressão de romaria tradicional e popular? A
mudança da realidade “física” para realidade “digital”, o que fez
permanecer e que experiências de fé fizeram os romeiros? A romaria do
Muquém, conhecida também como romaria Nossa Senhora d´Abadia,
acontece na região rural do Muquém, município de Niquelândia, Goiás,
entre os dias 05 de agosto. Neste espaço geográfico e temporal, denso
de fé e devoção, existe também um complexo campo simbólico, onde
se manifestam tradições, crenças, cultura, economia e outras tantas
representações populares. As tecnologias de mídia utilizadas pela
mailto:pe.aldemirfranzin@hotmail.com
83
plataforma digital produziram e reproduziram o capital de bens
simbólicos religioso e cultural da romaria. A hipótese desta
comunicação é que a digitalização causou mudanças na expressão
religiosa da romaria e na própria realidade dos romeiros. O caminho
metodológico adotado consistiu em analisar os autores especializados
na relação entre religião e digital, como Campbell (2020), Sbardoletto
(2019) e Hoover (2014) também, na análise crítica, qualitativa e
quantitativa de narrativas dos romeiros. Esta comunicação apresenta
também relevantes pontuações da tese de doutorado “Romaria Virtual
do Muquém: religião tradicional na plataforma digital” (PUC-GO, 2022).
Palavras-chave: Romaria do Muquém; Religião; Digitalização.
TEOLOGIA E ECONOMIA: A FACE ESCATOLÓGICA DO MITO DO PROGRESSO
José Roberto de Oliveira Chagas
FTSA
prjrchagas@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho visa a propor um diálogo criterioso entre
teologia e economia, mormente acerca da face escatológica no mito
do progresso moderno. A discussão é pertinente no âmbito acadêmico,
pois, entre outros fatores, alega-se que o sistema capitalista tem
inclinações messiânicas; centrado no tripé mercado, espírito de luta e
capital, visa a atingir o ápice da evolução humana. A pretensão, além
de dimensão econômica, exterioriza sutil caráter mítico-religioso,
transparecendo a encarnação do reino de Deus na história, substituindo
o paraíso escatológico da tradição cristã por um mito do progresso. A
análise crítica teológica a qualquer modo de produção com
inclinações messiânicas também tem relevância no âmbito social. Com
a ascensão do capitalismo antigo, o mito do progresso prometeu
deslocar o paraíso divino futuro para o presente, formando sociedades
e culturas de consumo, com alto padrão de aquisição e descarte. Havia
a expectativa de que a razão, a ciência e a tecnologia construiriam o
paraíso terreno trazendo progresso; o céu bíblico-teológico, visto como
mera projeção dos anseios humanos, seria deslocado para o anterior da
história; o desencantamento do mundo seria inevitável; a morte de Deus
estaria decretada. Por último, a aproximação entre teologia e
economia também deixa sua parcela de contribuição no âmbito
eclesiológico; o distanciamento entre teologia e economia dificulta o
desmascaramento da economicização do sagrado incrustado em
segmentos cristãos; as sociedades capitalistas forneceram o cenário
mailto:prjrchagas@gmail.com
84
ideal para o surgimento e o crescimento das igrejas de mercado,
impulsionadas pelos pressupostos da teologia da prosperidade; o mito
do progresso recebeu nova roupagem; o suposto messianismo do
sistema fixou seus tentáculos também nas comunidades de fé; a
sacralização da riqueza terrena e a demonização da pobreza,
presentes nos discursos e nas práxis cristãs de muitas instituições
religiosas, externam uma leitura superficial da realidade alheia às
numerosas possibilidades da vida: ter sem ser, ser sem ter, não ter e nem
ser, não ser e nem ter, ter e ser, ser e ter. Esta pesquisa respaldou-se em
análise bibliográfica de publicações, teses, dissertações, artigos
científicos e documentos. Os referenciais teóricos elencados para este
trabalho são: Walter Benjamin e Giorgio Agambem (capitalismo e
religião), Luiz Rossi (messianismo e modernidade) e Jung Mo Sung
(teologia e economia).
Palavras-Chave: Capitalismo; Religião; Consumo; Exclusão;
Solidariedade.
DANÇA GOSPEL: ARTE E MERCADO NO CONTEXTO RELIGIOSO
EVANGÉLICO
Zelia Priscila Nogueira Rodrigues dosSantos
UFBA
zeliarteducacao@gmail.com
RESUMO: A dança na igreja evangélica pode ser percebida como um
fenômeno que está em expansão se ampliando para além do âmbito
religioso, como cursos, academias, festivais e etc. Mas afinal qual seria
o papel que a dança cumpre na igreja? Os modos de ocorrência dessa
dança podem ser percebidos a partir das dimensões de criação,
sacralização no ritual (culto), evangelização e ensino dentro de grupos
da própria igreja e espaços de formação. Há indícios de que a dança
tem cumprido um papel litúrgico, atendendo também uma lógica
mercantil, que está presente até mesmo nas igrejas evangélicas. A
cultura gospel (CUNHA,2004) colaborou com o processo de inserção
social dos evangélicos e das igrejas, no âmbito da aceitação social,
além de representar um modo de vida religioso, legitimado, mas não
isolado. Propõe a vivência das práticas nas comunidades religiosas
associada com a interação no mundo externo a elas, pela via
principalmente do consumo. De um modo geral, este termo gera uma
espécie de permissão para acessar entretenimento e Arte,
principalmente a Dança (manifestação corporal) que durante muito
mailto:zeliarteducacao@gmail.com
85
tempo foi vista de um modo preterido em relação a outras
manifestações artísticas. A Dança Gospel, portanto, pode ser uma
estratégia de sobrevivência de algumas igrejas no sentido de atrair e
manter os fiéis, e também promover uma reserva de mercado para os
profissionais que são convertidos à essa fé. Dança, religião e corpo de
modo imbricados e (co)afetados, se configuram dentro de uma lógica
de consumo e atende tanto a demanda litúrgica quanto a
mercadológica. Há, portanto, uma associação entre arte, mercado e
religião, remetendo a noção de um prazer e satisfação imediato e
temporário, considerando as demandas trazidas pelos consumidores, e
gerando lucro para os produtores. Assim a coimplicação dessas
dimensões constituídas mutuamente, atendem ao que Gilles Lipovetsky
e Jean Serroy (2015) apresentam como capitalismo artista, e, portanto,
a dança se torna mercadoria. Há uma sacralização do profano e uma
profanação do sagrado, trazendo uma possibilidade de consumo e
pertencimento pela arte.
Palavras-chave: Dança gospel; Religião; Capitalismo artista.
A RELIGIÃO ESPETACULAR
Alberto da Silva Moreira
PUC Goiás
alberto-moreira@uol.com.br
RESUMO: A sociedade do mercado mercantilizou também a arte e a
produção artística; as empresas, e não mais a igreja ou os velhos
mecenas aristocráticos, tornaram-se os patrões dos artistas. Mas o
mercado capitalista foi muito além disso, ele incorporou de forma
sistemática a estética também aos seus produtos e aos seus procedi-
mentos, através do emprego das técnicas de simulação
computacional, de modelagem virtual, além do uso corriqueiro da
publicidade e do design, da estilística e da emoção programada.
Impossível pensar a sociedade do consumo sem pensar ao mesmo
tempo na colonização do prazer e no sequestro da comoção estética
que cada ato de consumo deve proporcionar. Segundo C. Türcke a
sociedade capitalista é sobretudo uma sociedade das sensações, ou
seja, da estética (Aisthesis), da manipulação das sensações e da
economia libidinal. A presente comunicação, que é parte de uma
pesquisa mais ampla, aplica tais conclusões ao funcionamento das
instituições religiosas. O objetivo é analisar de que forma e em quais
momentos a prática religiosa de algumas igrejas cristãs é capturada
mailto:alberto-moreira@uol.com.br
86
pela necessidade mercadológica de produzir sensações, imagens e
emoções fortes para compor seu “diferencial qualitativo” frente à
concorrência existente no campo religioso. O método utilizado foi a
observação participante, com o registro visual e imagético de técnicas
e situações voltadas de forma planejada a provocar êxtase religioso e
transbordamento emotivo nos fiéis. Três igrejas em momentos distintos de
suas atividades compuseram o núcleo da investigação in loco. Os
resultados alcançados pela pesquisa indicam positivamente a hipótese
de um contágio crescente da espetacularização mercadológica por
parte de diversas instituições religiosas, sobretudo aquelas que se
especializam em atender um público mais jovem.
Palavras-chave: Estetização; Religião; Religião e estética; Brasil.
HIPERCAPITALISMO E POSITIVIDADE TÓXICA NA MODERNIDADE TARDIA
Flávia Ribeiro Amaro
UMESP
flavia.ramaro@gmail.com
RESUMO: A presente comunicação visa acionar alguns aportes teóricos
do pensamento do filósofo sul-coreano radicado na Alemanha – Byung-
Chul Han, para refletir sobre as configurações da religião na
modernidade tardia. Embora, o autor não tenha tratado,
especificamente, do tema da religião em suas obras, pode-se abstrair
delas alguns direcionamentos para tal diligência. Han, contextualiza as
consequências nefastas de um hipercapitalismo, inscrito em uma
sociedade da transparência, hipercultural, pautada pela
hipercomunicação e pela autoexposição e ligada irrefletidamente à
uma hipervigilância. Identifica a eminência de um forte apego à uma
positividade tóxica, caracterizada por rechaçar a negatividade do
outro, infringindo, em contrapartida, um tipo de violência que parte do
sujeito contra ele mesmo. O autor aponta para o estabelecimento de
uma infocracia, na qual as fake News, os negacionismos e a
desinformação correspondem às suas principais características.
Percebe-se assim, que o espaço da religião foi deslocado, que o tempo
mítico, histórico, das narrativas e das conclusões desapareceu e que,
em seu lugar instaurou-se um hiperespaço, amplo e difuso, sem fronteiras
ou limites, onde o tempo foi fragmentado e se corrompeu em
aceleração. Nesse ínterim, o sujeito encontra-se desorientado e
esgotado pela demanda por desempenho. Diante da conectividade
digital global da hipercultura de rede, testemunha-se um esgarçamento
mailto:flavia.ramaro@gmail.com
87
das relações sociais, que foram transferidas da situação face a face
para os meios virtuais. No neoliberalismo, a economia libidinal foi
transferida do outro para o eu- narcisístico, que imbuído de uma ilusão
libertária se autoexplora e se autoaniquila. Síndromes neurais
conformam o quadro das patologias prevalecentes entre a população
mundial. Assim, o capitalismo se insinua como religião, cujo deus é o
mercado e o sagrado foi privatizado. Contudo, à despeito do processo
de deslocamento da religião e de sua pulverização transnacional, e
ainda que, reconheçamos a totalidade de abrangência do capitalismo
tardio, de sua onipresença e transcendência, falta a ele um
reconhecimento ontológico, uma aura sagrada. Nesse sentido, a
religião ainda pode ser considerada como uma instância capaz de
promover sentidos e sentimentos, que se esboçam na contracorrente
da positividade impositiva. O diálogo inter-religioso pode ser acionado
como uma estratégia para a efetivação de trocas simbólicas e
significativas, que vão além da sobreposição de alteridades como
mercadorias.
Palavras-chave: Hipercapitalismo; Modernidade tardia; Positividade
tóxica; Religião; Outro.
ESTETIZAÇÃO DA POLÍTICA E POLITIZAÇÃO DA ARTE: DESDOBRAMENTOS
ATUAIS SOBRE RELIGIÕES E CAPITALISMO NO PENSAMENTO DE WALTER
BENJAMIN
Valdicley Eufrausino da Silva
UFRN
valdicley_bambucha@yahoo.com.br
Paulo Cavalcante de Albuquerque Melo
UFPB
paulomelocr@gmail.com
RESUMO: Observamos, com base no pensamento crítico do filósofo
judeu-alemão Walter Benjamin, que os lugares da experiência estética
sofreram alterações na modernidade. As antigas percepções se
encontram desalojadas no cenário hodierno. No famoso ensaio A obra
de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, Benjamin apresenta
algumas críticas que envolvem tanto a ideia de experiência quanto a
de recepção da arte ligadas à culturamassificada. De certo modo, tais
noções representam o caráter reprodutivo que a arte tomou – ou foi
levada a tomar – a partir do final do século XIX e início do século XX
mailto:valdicley_bambucha@yahoo.com.br
mailto:paulomelocr@gmail.com
88
diante dos avanços tecnológicos, principalmente ligados ao
capitalismo. Assim sendo, os lugares da experiência tradicional da arte,
a saber: o museu e o teatro, ganharam uma outra dimensão diante da
destruição da aura. Reside aqui o fato de, por exemplo, estátuas,
pinturas, esculturas e livros perderem seu valor único, autêntico. As
noções benjaminianas discorrem acerca da saída da arte de seus limites
institucionais tradicionais para a noção de reprodutibilidade técnica. Ao
final do referido ensaio o filósofo apresenta a famosa tese da politização
da arte em oposição a estetização política. Enquanto esta alude a
produção fascista da arte, aquela se configura como resposta por parte
dos comunistas ao perfil autoritário de dominação da época. Esse
processo gerou, concretamente, mudanças não somente na dimensão
estética, mas também na política e na religião em consequência do
desenvolvimento das sociedades burguesas. Não obstante, as religiões
aparecem sob uma nova compreensão aburguesada. Sendo assim,
nosso objetivo é suscitar reflexões acerca da noção de estetização da
política no redimensionamento das experiências e das recepções
religiosas promovidas pelas religiões no sistema capitalista hodierno.
Palavras-Chave: Estetização da política; Politização da arte;
Capitalismo; Religiões; Benjamin.
89
ST 09 – JESUS NAS ARTES E NAS CULTURAS
Valmor da Silva
PUC Goiás
lesil@terra.com.br
João Luiz Correia Júnior
UNICAP
joao.correia@unicap.br
Angela Lano
UFBA
angela.lano@libero.it
A ST se alinha com o tema geral do Congresso, “Religião, Arte e Cultura:
Multiplicidades Convergentes” e propõe como temática específica
aglutinadora, “Jesus nas artes e nas culturas”. Propõe-se, com isso, reunir
comunicações sobre as representações da figura central do
Cristianismo, Jesus de Nazaré, nas diversas manifestações artísticas e
culturais. As análises podem ser feitas a partir das diversas áreas do
conhecimento, principalmente nas artes e nas culturas, com recorte
histórico ou atual, pelo Cristianismo ou por outras Religiões, pelos
variados grupos religiosos ou sociais. Tem-se como objetivo demonstrar
a riqueza de representações do Jesus histórico e do Cristo da fé, nas
mais variadas manifestações artísticas e culturais. Espera-se, como
resultado, manifestações ricas e diversificadas, num diálogo múltiplo e
convergente, em torno à pessoa de Jesus Cristo.
mailto:lesil@terra.com.br
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90
NEEMIAS 5,1-5: CRISE SOCIOECONÔMICA EM JUDÁ NO PÓS-EXÍLIO
Nayara do Vale Moreira
PUC Goiás
nayaramoreiras2@gmail.com
RESUMO: As trajetórias de conquista do Império Persa, e
consequentemente a liberdade, retorno do povo judeu exilado do
cativeiro babilônico, em conjunto a missão e posição Neemias trouxe
um extenso processo de constituição da comunidade no pós-exílio e da
reconstrução do muro de Jerusalém. Diante a esse cenário designamos
como objetivos através do livro de Ne 5,1-5 levantar as tensões sociais
que se colocam como empecilho no processo de missão de Neemias
recebida do rei persa. Seriam problemas decorrentes da própria
província de Judá e de sua população. Para a condução da pesquisa,
utilizaremos como método investigativo a análise bibliográfica, com o
manuseio de livros, artigos científicos e a contribuição de diversos
autores. Temos diante desse cenário, com o processo de missão de
Neemias a situação social perversa e desumana entre a comunidade
judaica, que deixa claro o processo de opressão interna nas
comunidades menos favorecidas, além da formação de ideologias de
oposição, e suas reformas não teriam mudado as diversas formas de
opressão, pois os mais desfavorecidos eram sujeitos a se dividir e
deslocar na busca de melhorias. Em contraste temos o relacionamento
de Jesus com os marginalizados de seu tempo, os acolhendo e
abrigando, já o Império e a elite judaica teriam implantado um sistema
de exploração e fomentado a desigualdade nas comunidades mais
necessitadas.
Palavras-chave: Povo Judeu; Livro de Neemias; Autóctone; Pós-exílio.
UMA RELEITURA DO SALMO 137 NO EVANGELHO DE JESUS SEGUNDO
MATEUS 23.37
Gilmar Tavares Reis
Estácio de Sá
contatogilmartavares@gmail.com
RESUMO: O Salmo 137 é uma das composições mais conhecidas do livro
de Salmos e tem sido objeto de muitas interpretações. É um salmo de
lamento que mostra a dor e a saudade do povo de Israel no contexto
do exílio babilônico. No Evangelho de Jesus segundo Mateus 23.37,
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mailto:contatogilmartavares@gmail.com
91
encontramos uma releitura desse Salmo, na qual Jesus lamenta sobre
Jerusalém, desejando reunir seus filhos como a galinha ajunta seus
pintinhos. Para comparar esses dois textos, a análise se baseia em uma
leitura cuidadosa dos textos bíblicos, considerando o contexto histórico
e cultural em que foram escritos. Além disso, realiza-se uma pesquisa
bibliográfica para examinar as diversas interpretações do Salmo 137 e
da passagem de Mateus 23.37. Observa-se que, embora os dois textos
sejam diferentes em sua forma e contexto, ambos fazem referência a
Jerusalém e Sião, e expressam a dor da perda e da saudade. No Salmo
137, a dor é causada pelo exílio babilônico e pela impossibilidade de
adorar a Deus em sua cidade santa. Em Mateus 23.37, a dor é causada
pelo fato de Jerusalém rejeitar a mensagem de Jesus e enfrentar a
iminente destruição. Em ambos os casos, há um desejo de restauração
e reconciliação. A figura de Jesus em Mateus 23.37 é apresentada
como uma mãe galinha que deseja reunir seus filhos debaixo de suas
asas, mas que é impedida pela resistência de Jerusalém. Essa imagem
de ternura e proteção é um contraste com a imagem de Deus como
juiz vingativo que aparece no Salmo 137. A análise sugere que a releitura
do Salmo 137 em Mateus 23.37 apresenta Jesus como uma figura
maternal e paternal ao mesmo tempo. Embora os contextos sejam
diferentes, ambos os textos expressam a dor da perda e da saudade e
um desejo de restauração e reconciliação. A figura de Jesus, portanto,
pode ser vista como o marco teórico de ambos os textos.
Palavras-chave: Salmo 137; Mateus 23.37; Lamentação; Jerusalém.
JESUS CAMPONÊS NOS EVANGELHOS, NAS ARTES E NAS CULTURAS
Valmor da Silva
PUC Goiás
lesil@terra.com.br
RESUMO: Jesus Cristo tem sido interpretado de maneiras diversas, nas
artes e nas culturas, conforme o aspecto que se privilegia, a partir dos
dados dos Evangelhos. Essas interpretações variam entre Filho de Deus
e filho de José, entre Cristo rei e servo sofredor, entre morto na cruz e
ressuscitado dos mortos, entre diversas outras imagens. A presente
comunicação privilegia o Jesus histórico, o artesão camponês que viveu
na Galileia, num ambiente tipicamente rural. Através da análise da
linguagem dos Evangelhos, que envolve atividade agrícola, desde a
semeadura até a colheita, projeta-se um homem que domina a vida do
campo e suas diversas nuances. A partir dessa constatação, enfoca-se
mailto:lesil@terra.com.br
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algumas representações de Jesus agricultor, no continente latino-
americano. Esse Jesus agricultor é representado a partir da
interpretação da Bíblia, mas, principalmente, a partir da realidade
camponesa dos países, tais como México, Peru, Nicarágua e Brasil. As
representações estão presentes em algumas músicas e, sobretudo, em
pinturas e esculturas. Representam, em geral, um crucificado, com
traços mestiços, negros e indígenas. As representaçõesenvolvem
elementos típicos da vida agrícola, tais como madeiras e plantações,
enxadas e foices, cordas e pregos. Espera-se demonstrar, além da
fidelidade aos Evangelhos, retratada nessas representações, o seu valor
artístico, cultural e religioso. Pretende-se assim, através dessa leitura na
ótica camponesa, ilustrar as figuras típicas de Jesus camponês, em
coerência entre os Evangelhos e as devoções atuais.
Palavras-chave: Campesinato; Jesus camponês; Jesus Cristo
O REINO DE DEUS (Lc 6,20-26) PARA UMA IGREJA LIBERTADORA
Cirone Rodrigues de Almeida
PUC Goiás.
cirone2008@hotmail.com
RESUMO: Esta comunicação é sobre o conceito de Reino de Deus (Lc
6,20-26) na Teologia da Libertação e nas Comunidades Eclesiais de
Base. A motivação da pesquisa é compreender o conceito do Reino de
Deus vivenciado pelas primeiras comunidades cristãs no contexto
político, religioso e social e como a Teologia da Libertação e as
Comunidades Eclesiais de Base interpretam e atualizam esse conceito
na realidade dos povos latino-americanos e no Brasil. O objetivo consiste
em analisar exegeticamente para compreender este conceito de Reino
de Deus, no Sermão da Planície em Lucas 6,20-26, entender como
Teologia da Libertação interpreta no continente onde ela surgiu como
defensora do direito dos pobres, famintos e perseguidos; finalmente,
explicar como as CEBs atualizam esse mesmo conceito em sua ação
missionária nas realidades periféricas em que se encontram. A hipótese
dessa pesquisa equivale saber se existe ou não uma possibilidade das
Bem-aventuranças lucanas (6,20-26) serem a fundamentação principal
do existir e agir da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais
de Base. A metodologia é o histórico-crítico de interpretação da Bíblia
e hermenêutica bíblica analisando e destacando o conteúdo dos
autores bíblicos referente ao conceito de Reino de Deus. Por fim, o
resultado esperado incide no entendimento do conceito de Reino de
mailto:cirone2008@hotmail.com
93
Deus como possibilidade na superação da lamentável causa
responsável pela desigualdade social, eliminando o abismo existente
entre pobres e ricos. Os pesquisadores do conceito de Reino de Deus
explicam que a desigualdade social só poderá acontecer de fato
quando todos (as) que se afirmam ser cristãos de fato colocarem em
prática os ensinamentos de Jesus entendendo que o Reino de Deus já
se faz presente entre nós.
Palavra-chave: Reino de Deus; Desigualdade Socia; Teologia da
Libertação e CEBs.
UM OLHAR PARA JESUS LIBERTADOR A PARTIR DA CRIAÇÃO
Zélia Cristina Pedrosa do Nascimento
UNICAP
zelia.2020801116@unicap.br
RESUMO: Trazemos para reflexão neste Congresso a mística presente na
obra da artista plástica e religiosa Adélia Carvalho da Congregação
das Filhas de Maria Auxiliadora. FMA, especialmente a forma como
retrata Jesus Cristo. Irmã Adélia sempre atuou junto às comunidades
populares seja no Recife-PE ou em Moçambique na África e se
identificava com o Cristianismo da Libertação. Era animadora de
Comunidades de Base e fazia parte do Centro de Estudos bíblicos (CEBI)
e do grupo de artistas da caminhada, dentre outros vínculos e parcerias
que manteve ao longo da vida. Suas obras mais divulgadas são painéis,
cartões e ilustrações elaboradas para o Centro de Estudos de História
da Igreja (CEHILA), e grandes painéis que serviam de quadro de fundo
em Cursos de Verão promovidos pelo Centro Ecumênico de Serviços à
Evangelização e Educação Popular (CESEEP). Com as cores e as formas
ela revelava sua visão do mundo e do divino que sempre deviam estar
em comunhão. Em seus trabalhos a figura de Jesus não era a principal,
mas inspiração e presença junto às lutas por um mundo mais pleno de
vida. A partir da análise de alguns de seus quadros buscaremos
demonstrar como Adélia percebia e retratava a presença de Jesus na
realidade e o apelo de sua arte para nós hoje. Se ao longo dos anos as
características de suas pinturas mudaram revelando as influências das
experiências que viveu na missão, os traços que permanecem, como os
grandes olhos das figuras, a profusão de cores, a valorização da cultura
popular a riqueza de detalhes e o simbolismo de cada imagem
demonstram a riqueza da sua espiritualidade, a força de sua esperança
e o compromisso com os valores que acreditava e vivia.
mailto:zelia.2020801116@unicap.br
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Palavras chave: Artista da caminhada; Arte; Mística.
SEPULTAMENTO E RESSURREIÇÃO DE CRISTO - FRAGMENTOS DE
AFLUÊNCIAS E DE CRÍTICAS.
Raimundo Alves Martins
PUC Goiás
r.vencedor@gmail.com
RESUMO: O presente estudo tem a pretensão de tecer uma condensada
análise das fortes influências no modo de pensar, sentir e acreditar,
exercidas entre os adeptos no cristianismo, especificamente, nesse
caso, pelas circunstâncias contidas no sepultamento e na ressurreição
de Jesus Cristo. Muitos aspectos alusivos ao sepultamento e à
ressurreição tornaram-se constitutivos na formação de paradigmas
culturais e teológicos dentro da cultura cristã. Pois, tais eventos
originaram importantes teorias que se tornaram fundantes na
identidade religiosa dos cristãos, ao longo dos séculos. Muito embora,
com o passar do tempo, o cristianismo tenha sido modificado em muitos
aspectos e se dividido em várias vertentes, no entanto, para a maioria
dos cristãos, a reflexão sobre o sepultamento e a ressurreição de Cristo
evoca pontos significativos dentro do seu imaginário religioso fazendo
com que, por exemplo, se deseje que, após a própria morte, os seus
corpos passem pelo mesmo ritual de sepultamento, e assim, entendem,
imitarão o seu Mestre tanto em vida quanto após a morte. O trabalho
se divide em duas partes, sendo que, na primeira, o estudo apresenta
alguns fragmentos que mostram as afluências significativas contidas no
sepultamento e na ressurreição de Cristo para a cultura cristã, surgidas
sob o prisma de importantes teóricos. Na segunda, evoca-se, por outro
lado, fragmentos críticos que foram elaborados por intelectuais sobre a
ressurreição do corpo de Cristo. Uma das constatações a que se chegou
em nosso percurso é a de que, para o cristianismo, há uma convicção
irrestrita no que tange haver uma continuidade em se ter na vida de
Cristo o único modelo ideal de vida social e religiosa. Por fim, mediante
o que foi discorrido no artigo, conclui-se que, embora sendo alvo de
objeções e de aprofundadas críticas, há, no entanto, fortes indícios para
uma possível continuidade dessas representações dentro da cultura
cristã.
Palavras-chave: Sepultamento; Ressurreição;. Cultura cristã.
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ESTUDOS COMPARATIVOS SOBRE A FIGURA DE JESUS NAS TRADIÇÕES
ESSÊNIO-JUDAICA, CRISTÃ, ISLÂMICA E INDO-TIBETANA
Angela Lano
UFBa
angela.lano@libero.it
RESUMO: O trabalho apresenta uma análise introdutória sobre a figura
de Jesus em um estudo comparativo entre as literaturas de diferentes
civilizações e tradições - essênio-judaica, cristã, islâmica, indo-tibetana -
, na perspectiva de uma busca de confluências entre textos e
ressaltando raízes culturais e filosóficas comuns. O objetivo, a partir da
análise das suras (capítulos) do Alcorão sobre a vida, a missão e a
“paixão” de Jesus-ʿĪsā, é a comparação com fontes externas ao Islã
pertencentes a várias tradições filosóficas e literárias do Mediterrâneo,
Oriente Próximo e Extremo, estimulando hipóteses sobre a existência de
convergências culturais que podem chegar a um “ponto de partida”
compartilhado: uma fonte ou tradição que pode ter-se tornado parte
da redação final do Alcorão, por meio de histórias orais disseminadas na
área siro-árabe graças ao intenso comércio e trocas entre caravanas
na época do profeta Muhammad ou através do acesso dos primeiros
muçulmanos a textos gnósticos ou de outras tradições. O método
utilizadoé o comparativo e, quando possível, da análise sinóptica entre
as abundantes fontes canônica e apócrifa, muçulmana, budista
tibetana e hindu, e secular - incluída a pós-colonial e as várias “leituras
alternativas” -, desde o primeiro século d.C. até os dias atuais, que
contribuem para o debate entre diferentes visões e interpretações sobre
a figura histórica de Jesus. O principal desafio científico é, precisamente,
encontrar as fontes exógenas ao Islã na tradição de Jesus,
documentando as contaminações e confluências culturais e religiosas
na narração do Alcorão. A análise comparativa entre a tradição
islâmica e evangelhos gnósticos e apócrifos (em particular, Tomé, Maria,
Verdade e Filipe) e canônicos, e de algumas tradições indianas
interessantes, pode levar a encontrar as fontes externas no Alcorão na
sua narração sobre Jesus-ʿĪsā e talvez uma origem muito mais próxima e
mais comum do que se acredita há século, porque todas as culturas são
relacionadas entre si ou têm ancestrais comuns. É também possível que
o pensamento filosófico-espiritual da antiga tradição essênia e gnóstica
tenha sido preservado através do Islã...
Palavras-chaves: Jesus; Islã; Alcorão; Oriente; Apócrifos.
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UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS REPRESENTAÇÕES DE JESUS NA PINTURA
DO RENASCIMENTO E BARROCO ITALIANOS
Fabiana Câmara Furtado
UFPE
fabiacf2@gmail.com
RESUMO: Com o advento do Cristianismo, encontramos ao longo da
história várias representações imagéticas de Jesus. Como todo texto,
seja ele verbal ou não verbal, é produzido por um sujeito inserido em um
determinado tempo e espaço, ele vai estar impregnado do contexto
histórico e social que faz parte de uma determinada realidade. A partir
dessa constatação, o presente trabalho tem como objetivo fazer uma
análise comparativa das representações imagéticas de Jesus nas
pinturas do Renascimento e do Barroco na Itália com a intenção de
mostrar como o contexto histórico de cada um dos movimentos citados
vai interferir na reprodução da figura de Cristo. O método utilizado será
a pesquisa bibliográfica do contexto histórico tanto do movimento
renascentista quanto do barroco e também a pesquisa bibliográfica
das escolas artísticas citadas para que, dentro desse cotejamento, seja
possível vir à tona as diferenças dessas concepções artísticas que, por
serem fruto de um momento histórico, vão enfatizar os elementos mais
importantes de cada estilo de época. Também será pontuado a
importância de entendermos a diferença entre estilo de época e estilo
individual, ou seja, a poética de cada artista, pois mesmo dentro de um
movimento teremos trabalhos com concepções artísticas diferentes.
Esperamos contribuir para que o estudo de Jesus nessas tendências
artísticas seja o ponto de partida para outras análises de textos não
verbais dos movimentos citados a fim de que seja possível reafirmar a
importância dos estudos da história da arte para uma melhor
compreensão de uma determinada sociedade, pois como foi dito
anteriormente estudar as imbricações de um texto com sua época é
também estudar as relações de um texto com outros textos.
Palavras-chave: Renascimento; Barroco; pintura; Jesus Cristo.
A REPRESENTAÇÃO DO SAGRADO E DO PROFANO NOS AFRESCOS
MEDIEVAIS ITALIANOS: UMA ANÁLISE ICONOGRÁFICA
Jefferson Vieira
Facuminas
jeffersonvieiraoficial321@gmail.com
mailto:fabiacf2@gmail.com
mailto:jeffersonvieiraoficial321@gmail.com
97
RESUMO: A palavra afresco deriva de "buona fresco” em italiano, e
significa "boa nova". Esta técnica foi amplamente utilizada na arte
medieval, renascentista e barroca. Trata-se de uma obra pictórica que
consiste na pintura diretamente no revestimento, geralmente de gesso
ou argamassa ainda frescos. De modo que os pigmentos solúveis em
água penetram e se fundem ao revestimento, durante a sua secagem.
Como exemplo, podemos citar a abóbada da Capela Sistina,
localizada na cidade do atual Vaticano, pintada entre 1508 e 1512 pelo
artista renascentista Michelangelo Buonarroti a pedido do papa Júlio II.
A Itália foi berço do movimento renascentista e teve importante papel
nesse período histórico, que foi marcado por manifestações artísticas e
científicas que revolucionaram o pensamento da época. A
compreensão acerca do sagrado e do profano construída na Idade
Média se estende até nossos dias, e continua a ser estudada. O sagrado
refere-se a uma estrutura da religiosidade. Espaços, objetos e símbolos
que possuem significado especial para uma determinada religião e
expressão da fé. Estão presentes na ritualística e são representados na
escrita e nas artes. Já o profano é tudo que não é sagrado, a vida
comum, os fatos e atos rotineiros. Pode representar também tudo o que
transgride as regras sagradas e se torna contrário às coisas divinas. O
renascimento surge como um movimento de renovação na cultura
europeia. A pintura e a escultura deixam de estar a serviço do sagrado,
adquirindo autonomia, distanciando-se dos temas religiosos e
mesclando-se com aspectos profanos. Com este estudo pretende-se
analisar as representações artísticas do sagrado e do profano nos
afrescos renascentistas italianos por meio do método iconográfico de
Erwin Panofsky.
Palavras-chave: Iconografia; Renascimento; Afrescos.
JOÃO BOSCO ARTISTA AOS ONZE ANOS DE IDADE
Kenia Magalhães Gonçalves
PUC Goiás
keniamagg@hotmail.com
RESUMO: A comunicação visa apresentar o menino João Bosco, aos
onze anos de idade, com suas atividades artísticas, para atrair outras
crianças ao Evangelho. O referencial teórico principal é a obra de
Ferreira (2018), Memórias do Oratório de São Francisco de Sales. Nesse
sentido, ainda na infância, Dom Bosco começou seus trabalhos para
mailto:keniamagg@hotmail.com
98
promover a evangelização da comunidade na qual estava inserido, em
que baseando-se nos dogmas católicos, pregava para a salvação das
almas. Sua metodologia central era pautada na evangelização por
meio das brincadeiras de saltimbancos que realizava, em que, na busca
pela aproximação com os jovens, intercalava a diversão e a alegria
com a realização das práticas religiosas (rezar o terço, cantar). Nas
atividades artísticas de João Bosco, o espetáculo consistia em andar,
saltar, dançar sobre a corda, imitar andorinhas, andar sobre as mãos de
pernas para o ar, engolir moedas e depois recobrá-las na ponta do nariz
de um dos expectadores, enfim, a diversão era repleta e se despedia
com o convite para rezar a Ave-Maria. Entretanto, os que não
participavam desses momentos religiosos, consequentemente, também
eram excluídos das atividades recreativas. Dessa forma, através da
associação de brincadeiras e o Evangelho de Jesus Cristo, Dom Bosco
atraiu as pessoas para seguirem o catolicismo e a palavra de Deus.
Segundo o Evangelho de Mateus 19:14, Jesus disse: “deixai as crianças
e não as impeçais de vir a mim, pois delas é o Reino dos Céus”. Portanto,
a vontade de servir a Deus, fazia com que Dom Bosco, ainda criança,
seguisse o ensinamento de Jesus e procurasse aprender coisas
fantásticas, utilizando-as para tentar despertar nas pessoas a vontade e
o desejo de ouvir a palavra de Deus, de maneira didática ao camponês
com sua arte e a sua cultura local. Até podia haver apresentações de
vários outros artistas nas feiras e nas praças, mas o Joãozinho Bosco
apresentou algo a mais para as pessoas, a Bíblia de maneira teatral,
culminando no laço afetivo entre a comunidade e a Igreja, tornando-
se assim, pelo Papa João Paulo II, o Pai e Mestre da Juventude.
Palavras-chave: Dom Bosco; Criança; Teatro bíblico.
AS IMAGENS NA CRUZ: UMA ANÁLISE DAS IMAGENS DO CRUCIFICADO
DO CONVENTO E IGREJA DE SANTO ANTÔNIO DA PARAÍBA
Cristiano Amarante da Silva
UFPB
RESUMO: Os conventos franciscanos construídos no Brasiltêm uma
imensurável riqueza no tocante à produção de arte e da cultura. São
talhas, cantaria, pinturas, imagens de terracota, pedra e madeira, e não
podemos esquecer o rico acervo de azulejo existentes em seus muros e
nas paredes internas. Entre tantas casas construídas desde 1585 pela
Ordem dos Frades Menores da Província de Santo Antônio do Brasil,
voltamos nosso olhar e análise para as imagens do crucificado existentes
99
no Convento e Igreja de Santo Antônio da Paraíba. Partiremos do
contexto histórico, passando pelos aspectos devocionais, bem como
uma abordagem voltada para compreensão e contexto artístico
existente em cada imagem. Em tempos de tanta penúria e desespero
de muitos, o Cristo da Cruz toca ainda a vida das pessoas que se
identificam com as suas expressões de sofrimento, por muitas vezes
estarem passando por situações semelhantes, as que expressam as
imagens. Inspirados pela teoria do imaginário de Gilbert Durant,
realizaremos nossas análises possibilitando assim uma compreensão das
contribuições das respectivas obras na vida das pessoas que as
contemplam ao visitar o monumento onde elas se encontram.
Utilizando-se de autores a exemplo de Germain Bazin, Frei Willeke,
Alexandre Carvalho, Manuel da Ilha, Frei Antônio de Santa Maria
Jaboatão e o livro dos Guardiães do Convento de Santo Antônio da
Paraíba, tentaremos expor o contexto em que surgiram as obras e seus
impactos na fé das pessoas que as produziram. Não podemos esquecer
de trazer o sentido cristológico, por se tratar de um artigo que além da
arte, busca ligar o Cristo da história com o Cristo da Fé, tão presente na
vida do povo.
Palavras-chave: Arte; Cultura; Pinturas; Estilo; Imaginário.
A PAIXÃO DE CRISTO DE NOVA JERUSALÉM: UMA MANIFESTAÇÃO
ARTÍSTICA E CULTURAL SOBRE JESUS DE NAZARÉ
Lucas Costa Monteiro
UNICAP
lcmveritate@gmail.com
RESUMO: Há mais dois milênios a pessoa de Jesus de Nazaré influencia e
apaixona pessoas que conhecem sua história e fazem a experiência
religiosa buscando imitá-lo seguindo seus ensinamentos. Não obstante,
a arte cênica, utilizada no Ocidente pela cultura grega foi e ainda é
uma ferramenta fundamental adotada no decorrer da história pela
cultura cristã. O desejo de difundir o evento dramático de Jesus, iniciado
na Europa, foi trazido ao Brasil no período da colonização. Passando-se
os anos, a encenação dos dramas do Calvário, na região da Baviera foi
inspiração para que fosse iniciado no Nordeste brasileiro pela família
Mendonça desde a década de 1950 com o intuito de atrair turistas e
movimentar o comércio do lugar. Esta encenação, considerada o maior
teatro ao ar livre do mundo, é realizada anualmente no período da
Semana Santa com atores famosos e atrai milhares de turistas de
mailto:lcmveritate@gmail.com
100
diversos lugares do Brasil e do mundo na cidade-teatro Nova Jerusalém,
numa área de 100 mil metros quadrados, localizada na cidade de Brejo
da Madre de Deus, a 202 km do Recife, Pernambuco. São mais de 45
apresentações teatrais que ocorreram. O presente trabalho tem como
objetivos mostrar o cenário construído e a paisagem geográfica do
local, bem como a manifestação artística religiosa sobre a pessoa de
Jesus, especificamente sua paixão, morte e ressurreição iniciado no
Agreste Pernambucano e que hoje é reconhecida mundialmente. Em
seguida é pretendido explicitar os efeitos religiosos e socioeconômicos
(investimentos, comércio, artesanato, turismo, transporte) desta difusão
artística na cultura local do povo pernambucano.
Palavras-chave: Encenação; Nova Jerusalém; Artes; Religião.
UMA IMAGEM CERTA DE JESUS PARA AS HORAS INCERTAS: O USO DO
HUMOR COMO CRÍTICA SOCIAL E RELIGIOSA
Luciene Lima Gonçalves
UNICAP
lucienelima324@gmail.com
RESUMO: A figura de Jesus sempre foi representada nas artes em geral.
A igreja cristã oriental e ocidental tem explorado em diversas áreas as
representações de sua figura central, Jesus Cristo. No Oriente, a
iconografia representa Jesus sozinho, inserido no seio da Trindade, junto
com sua mãe Maria e em sua relação com a igreja. No Ocidente, a
tradição cristã possui uma variedade enorme de representações de
Jesus em esculturas e pinturas nas catedrais. O cinema também não
ficou de fora do uso da imagem de Jesus. Alguns filmes utilizaram sua
história para suas grandes produções visuais. Cada uma dessas
representações da figura de Jesus reflete um tempo específico e seus
condicionamentos sociais. No Brasil a crítica social por meio do humor
remonta ao período do império. Nos jornais da época havia sátiras ao
clero e aos políticos. O uso da imagem de Jesus e a crítica ao
comportamento de seus fieis religiosos também foi bastante difundida
nesse período. O uso da imagem de Jesus depende em grande medida
da denominação cristã, na qual a imagem de Jesus se molda às
necessidades de seus fiéis. A proposta desta comunicação é analisar
um esquete de um canal de humor do youtube e como ele apresenta
várias figuras de Jesus de acordo com a utilização de algumas
denominações. Pretende-se observar o humor como critério
hermenêutico dentro das Ciências da Religião.
mailto:lucienelima324@gmail.com
101
Palavras-chave: Figura; Arte; Humor; Religião; Sociedade.
O JESUS DA GENTE: O SAGRADO NOS DESFILES DAS ESCOLAS DE SAMBA E
A CULPABILIZAÇÃO PELA PANDEMIA DE COVID-19
Rafael Otávio Dias Rezende
UFJF
rafaelodr@yahoo.com.br
Rosiléa Archanjo de Almeida
UFJF
rosileaarchanjo@yahoo.com.br
RESUMO: Em fevereiro de 2021, com o cancelamento oficial do carnaval
brasileiro devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19), circulou
na internet uma série de ataques às escolas de samba do Rio de Janeiro
e de São Paulo. Nessas mensagens, essas instituições eram
culpabilizadas pelo panorama nacional, por terem supostamente
zombado da fé cristã e ofendido a Deus em apresentações recentes,
em especial, na comissão de frente da Gaviões da Fiel, em 2019, e no
enredo da Estação Primeira de Mangueira, em 2020. Amplamente
difundidas por grupos conservadores, tais críticas retomam a polêmica
do uso de imagens religiosas em desfiles, assunto que teve como marco
a escultura do Cristo Mendigo censurado no desfile da Beija-Flor de
Nilópolis em 1989. Diante da repercussão que essas imagens e textos
obtiveram, o artigo se propõe investigar quais os argumentos utilizados
para a acusação do carnaval como causador não apenas da
pandemia, mas também de outros “problemas” brasileiros e quais
representações de Jesus foram elaboradas pelas escolas de samba nos
desfiles analisados. Através do Estudo de Caso (YIN, 2001), pretende-se
observar como essas imagens e textos foram inseridos em um conflituoso
cenário de disputas ideológicas e de narrativas sobre a fé cristã. A
hipótese é que tal ação tem o intuito de atender a interesses de poder,
visando mobilizar fiéis e eleitores a partir da distorção dos enredos
propostos pelas agremiações. Por se tratar da relação entre religião,
redes sociais e o espetáculo midiático carnavalesco, a pesquisa se
mostra oportuna ao ST “Jesus nas artes e nas culturas” proposto neste
congresso “Religião, Arte e Cultura: Multiplicidades Convergentes”.
Palavras-chave: Carnaval; Escolas de samba; Jesus Cristo;
conservadorismo; Espetáculo artístico.
mailto:rafaelodr@yahoo.com.br
mailto:rosileaarchanjo@yahoo.com.br
102
DOM HELDER CAMARA E O CARNAVAL: ENTRE FOLIÕES E FARISEUS
Filipe Francisco Neves Domingues da Silva
UNICAP
filipendomingues@gmail.com
RESUMO: “O Carnaval é a alegria popular” afirmou Dom Helder Camara
(1909 – 1999) em 01 de fevereiro de 1975 em famosa e ainda hoje citada
crônica radiofônica “Um olhar sobre a cidade” na Rádio Olinda AM
orientando como Bom Pastor seu rebanho: “Carnaval é a alegria
popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias queainda sobram para a
minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa
mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou
farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais
santo por não brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha
gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça,
mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!”
Estas palavras do Dom como era carinhosamente chamado pelos mais
próximos, passado quase meio século, surpreendem muitos cristãos por
sua coragem de não apenas liberar seu rebanho para brincar o
Carnaval mas convocar a brincar: “Brinque, meu povo querido!”. O
Carnaval é um fenômeno complexo, como afirma o compositor André
Mussalem: “Carnaval é um existir coletivo. É o fim dos ritos de
normalidade para deixar acontecer quem deveríamos ter sido e não
fomos.”. Neste existir na coletividade este povo tão sofrido no olhar de
Dom Helder nestes poucos instantes eram tomados por alguma fantasia
para tudo recomeçar na “quarta-feira ingrata que chega tão depressa
só pra contrariar” como diz o frevo de Luiz Bandeira É de fazer chorar.
Em tempos de mídias digitais a imagem de Dom Helder com os braços
abertos com os dizeres de defesa do Carnaval virou meme largamente
compartilhado por cristão e não cristãos amantes do curto reinado de
Momo para fúria de grupos cristãos mais ortodoxos que associam o
Carnaval ao demônio, ao pecado e consequentemente ao inferno,
talvez por se julgarem mais santos por não participarem da alegria do
povo. Para o Dom a música popular tem um poder incomensurável, na
sua obra O Deserto é fértil ele afirma: “a música popular tem mais
penetração do que tratados científicos, fortemente documentados. O
que o povo canta se grava na inteligência e na imaginação de quem
canta e de quem ouve.”. Bem sabemos que as músicas carnavalescas
servem para esbanjamento de alegria, mas também para fortes sátiras
de ordem político-social.
Palavras-chave: História; Cultura; Igreja; Política.
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103
JESUS NA ARTE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA
João Luiz Correia Júnior
UNICAP
joao.correia@unicap.br
RESUMO: Dom Helder Camara (1909 – 1999) tinha um excelente veio
poético, o que é constatado em inúmeros de seus escritos, elaborados
com requintes estéticos por meio de palavras bem escolhidas, em prosa
(expressão natural da linguagem) ou em verso (poema). Seus textos
exalam o suave perfume de profunda experiência mística cristã na qual
ele vivia imerso. O objetivo desta comunicação é apresentar alguns
desses textos que ressaltam a experiência mística de Dom Helder com
Jesus, o Cristo dos Evangelhos e da tradição teológica da Igreja
Católica. Os escritos destacados são amostras colhidas, em sua grande
parte, das páginas da Coleção Obras Completas de Dom Helder
Camara, que contêm as suas famosas Cartas Circulares, publicadas
pelo CEPE – Companhia Editora de Pernambuco. Esses textos são
analisados em seus aspectos literários e teológicos, situando-os no
contexto em que surgiram. Os resultados apontam para a beleza
poética dos escritos em referência a Jesus, bem como para a
constatação de que a arte literária é uma excelente forma de
expressão da experiência mística. Os textos de Dom Helder, escritos
durante suas vigílias de oração no silêncio da noite, oportunizam singela
aproximação de sua experiência com o Cristo da fé. Revelam um Jesus
compassivo e solidário, que “carrega nos olhos” e “guarda nos ouvidos”
as cenas e lamentações e o clamor de quem não tem o que comer,
conforme os relatos dos Evangelhos. Interpelado pelo contexto de
miséria e fome do povo da Arquidiocese de Olinda e Recife, o pastor
Dom Helder se sente impulsionado a recomeçar os milagres de Jesus,
movido de compaixão pelas pessoas empobrecidas, numa referência
ao sentimento de Jesus ao ver as multidões: “Assim que desembarcou,
viu uma grande multidão e ficou tomado de compaixão por eles, pois
estavam como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34a). Ainda hoje, os escritos
poéticos do Dom (como era carinhosamente chamado pelas pessoas
mais próximas do seu convívio), fruto de sua experiência mística com
Jesus, diante do Deus de Jesus, questionam a inércia do discipulado
cristão diante do drama humano da miséria e da fome de milhões de
seres humanos. Como bem ressaltou Dom Helder: “Cristo, no
Julgamento Final, disse e continuará dizendo: Eu tive sede... Eu estava
nu... Eu estava doente... Eu estava preso... Eu era estrangeiro. Cada uma
dessas afirmações do Mestre cria para nós obrigações sagradas: nossa
mailto:joao.correia@unicap.br
104
sorte vai depender de nossa atitude diante do estrangeiro, do preso, do
doente, do maltrapilho, do faminto”.
Palavras-chave: Evangelho; Teologia; Mística; Espiritualidade; Cultura.
JESUS E SUA RELAÇÃO MULTICULTURAL - UMA ABORDAGEM REFLEXIVA DA
INFLUÊNCIA DE JESUS NO CASAMENTO
Aleandro Correia da Silva Lira
UNICAP
Aleandro2022601016@unicap.br
RESUMO: O conjunto de saberes, valores, tradições, costumes, danças,
folclore e tantas outras coisas que passadas de geração para geração
consolida a cultura de um povo também fazia parte da vida de Jesus. É
fato que depois dele, muita coisa em sua cultura mudou, e sabemos
que ele foi um dos agentes dessa mudança. Jesus era uma figura
envolvida com a arte, e com a cultura, não apenas aquela relacionada
com seu próprio povo, mas da cultura romana e grega que se cruzavam
em seu recorte histórico. Jesus era um personagem que estava envolto
no multiculturalismo, e isso não o afastava da religião, o que
proporcionava para ele uma socialização e empatia com o povo, a
ponto de sua vida ser objeto de estudo, desde os seus dias, até os
nossos, além de se expandir para fronteiras fora do judaísmo, sendo
levada para os lugares mais longínquos do nosso planeta. Os objetivos
desse artigo, serão de compreender como Jesus transitava na cultural
de sua época, em especial o casamento que inclui a religião. Observar
sua capacidade marcante de influenciar para o mantenimento da
cultura do casamento em seu contexto, apresentando um caso
específico em que o homem Jesus, interagiu diretamente com a arte e
a cultura de sua época e região mantendo firme sua religiosidade. O
Método utilizado, será uma revisão sistemática e biográfica de Jesus, em
um momento cultural extremamente importante de seu povo, e de
todos os povos do mundo: “O casamento”, encontrado no evangelho
de João 2:1-11, e sendo referenciado em outros lugares nos evangelhos
de Mateus, Marcos e Lucas como o aspecto transcendental de relação
entre as pessoas (humano) e a divindade. O resultado que queremos
alcançar, é a manifestação do aspecto cultural, artístico e sacramental
do casamento abordado por Jesus, trazendo visibilidade do seu papel
histórico vivido pelas pessoas do seu tempo. Em paralelo ao contexto
social, cultural e religioso de Jesus, havia outros povos que tratavam o
casamento como uma prática vivida de expressão milenar de
mailto:Aleandro2022601016@unicap.br
105
consolidação da sociedade. Ver o Jesus cultural se relacionando com
algo tão comum, mostra sua real empatia em tornar público seu papel
sociointeracionista. Sua voz e legado no cristianismo, tornou impactante
o significado de ser e estar casado. A Conclusão desse trabalho se dá
em perceber as implicações sociais que o casamento tem, e que foi
ensinado e partilhado por Jesus em uma cultura que caminhava ao
lado da religião.
Palavras-chave: Casamento; Religiosidade; Religião; Sociedade.
RAFAEL E A TRANSFIGURAÇÃO: MORTE E VIDA DUELAM ENTRE SI
Mariosan de Sousa Marques
PUC Goiás
mariosansousa@hotmail.com
RESUMO: O grande pintor Rafael, nos últimos dois anos de sua vida,
registrou numa única tela duas cenas do Evangelho de Marcosem seu
capítulo 9: a transfiguração de Jesus com três apóstolos no monte e a
tentativa falida dos outros nove apóstolos em curar um
epilético/endemoniado. Essa junção imagética de dois episódios num
só revela uma intuição teológica do pintor: vida e morte, transfiguração
e desfiguração fazem parte da experiência do fé cotidiana dos crentes.
O rapaz, enfermo, desfigurado, traz os braços em forma de cruz e é o
único com o olhar dirigido para o alto, na direção do Transfigurado. A
Vida em plenitude é figurada no alto, onde está o centro da luz.
Embaixo, permeia a sombra que deve ser dissipada. Mas há um
caminho ascendente: há um livro (livro da Escritura, Evangelho?), sob o
qual jaz?? uma cruz, na mão de um personagem, atrás do qual há
outros dois com as mãos que se erguem até apontar na direção do
Transfigurado. Todavia, no centro da cena em baixo, há uma mulher, a
personagem mais iluminada, com a mesma luz da Transfiguração. Nossa
hipótese é que se trata de Madalena, a mulher que experimentou o
encontro com o Ressuscitado e se torna símbolo da Fé, cujo olhar
contrasta diretamente ao personagem de vermelho que aponta para
o Transfigurado. Ela traz a duas mãos apontadas para o rapaz enfermo:
não basta só apontar e anunciar a Ressurreição. É preciso lidar com as
sombras da morte. Metodologicamente, a análise dos personagens da
cena do quadro consolida um empasto de vida e morte experimentada
pelo próprio pintor nos últimos anos de sua vida, o qual teve diante dos
seus olhos, no leito de morte, o quadro que pintou. A conclusão é que a
fé na ressurreição e na vida eterna (transcendência) não pode se tornar
mailto:mariosansousa@hotmail.com
106
um subterfúgio para não combater as realidades de morte (imanência),
mas é um dinamismo catalizador da transformação do mundo.
Palavras-chaves: Rafael; Transfiguração de Jesus; Vida e morte.
107
ST 10 – FILOSOFIA DA RELIGIÃO
Felipe de Queiroz Souto
UFJF
felipeqsouto@gmail.com
Luís Gabriel Provinciatto
PUC-Campinas
luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br
Presley Henrique Martins
UFJFd
presley.hmartins@gmail.com
Renato Kirchner
PUC Campinas
renatokirchner@puc-campinas.edu.br
A filosofia da religião, como disciplina do cânone filosófico, é, histórica
e sistematicamente, um produto da modernidade, o que não significa
que a Antiguidade Clássica e o pensamento cristão, antigo e medieval,
não tenham dirigido perguntas e produzido reflexões sobre a “religião”
e àquilo que com ela está vinculado. A filosofia da religião, no entanto,
não pode ser entendida como a mera identificação e explicação das
características “racionais” do fenômeno religioso, como se ela buscasse
reduzi-lo a um fator não-religioso, negando sua originariedade;
tampouco ela pode ser vista como uma disciplina única e
exclusivamente a serviço da fé religiosa. A filosofia da religião deve
assumir uma posição crítica, demonstrada pela não redução de seu
tema de investigação a modelos previamente fixados conceitual e/ou
metodologicamente. A abordagem filosófica da religião pretende
recolher aquilo que tal fenômeno é de maneira propriamente dita,
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mailto:luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br
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108
perguntando pelo que ele é, por como se manifesta, quais suas
características, com o que está vinculado etc. A partir disso, é possível
chegar a um conjunto de problemas, tais como a concepção de Deus,
a relação fé-razão, o futuro da religião, sua relação com a política e
abordá-los a partir de diferentes chaves de leitura – histórico-crítica,
fenomenológica, hermenêutica, analítica, psicológica, dentre outras.
Por isso, a ST “Filosofia da Religião” abre espaço para acolher
investigações de cunho filosófico sobre as questões relativas à religião;
investigações que, porventura, podem ser provenientes de diferentes
áreas do conhecimento, tais como a Filosofia, as Ciências da Religião e
a Teologia.
A APROPRIAÇÃO DE VAN DER LEEUW DAS IDEIAS E CONCEITOS DE
WILHELM DILTHEY E MARTIN HEIDEGGER EM SUA FENOMENOLOGIA DA
RELIGIÃO
Renato Kirchner
PUC Campinas
renatokirchner00@gmail.com
O propósito da comunicação sob este título procura evidenciar de que
maneira Gerardus van der Leeuw (1890-1950) cita e se apropria das
ideias e conceitos de Wilhelm Dilthey (1833-1911) e de Martin Heidegger
(1889-1976). Embora o conjunto literário do fenomenólogo holandês seja
ampla e diversa, nossa atenção volta-se para o livro Fenomenologia da
religião, obra que conheceu quatro diferentes elaborações em
holandês, alemão e francês. E, de forma ainda mais precisa, tendo
como ponto de partida e de chegada o “§ 109. Fenômeno e
fenomenologia” da obra mencionada, onde o autor desenvolve seu
modo de proceder investigativo enquanto fenomenólogo da religião,
nosso objetivo será duplo: a) de um lado, identificar os diferentes e
diversos autores e respectivas obras que dão sustentação à sua
abordagem metodológica e epistemológica; b) de outro lado,
conforme já indicado, demonstrar que o autor volta sua atenção para
passagens específicas do livro A construção do mundo histórico nas
ciências humanas (Der Aufbau der geschichtlichen Welt in den
Geisteswissenschaften), de W. Dilthey e, também, do tratado Ser e
tempo (Sein und Zeit), de M. Heidegger. Como seria de se esperar, sendo
uma parte muito específica e mesmo decisiva do livro Fenomenologia
da religião denominada Epilegômenos – onde o autor elabora seu
modo próprio de entender e operar fenomenologicamente – trata-se
de apresentar e explicitar particularmente os conceitos de “vivência” e
mailto:renatokirchner00@gmail.com
109
“compreensão”, de Dilthey, e de “fenômeno” e “fenomenologia”, de
Heidegger.
Palavras-chave: Vivência; Compreensão; Fenomenologia; Dilthey;
Heidegger.
O QUÊ FOUCAULT SABIA SOBRE O PASTORADO HEBREU?
CONTRIBUIÇÕES DA TEOLOGIA BÍBLICA PARA UMA ARTICULAÇÃO
FILOSÓFICA
Pedro Lucas Dulci
UFG
pedrolucas.dulci@gmail.com
RESUMO: A partir de 1970 as leituras a respeito do cristianismo feitas pelo
filósofo francês Michel Foucault cumpriam o papel de lhe auxiliá-lo no
desenvolvimento de instrumentos analíticos para explicar como as
condutas individuais e coletivas foram conduzidas no Ocidente
moderno. A sua interpretação do moderno homem de desejo e
afetividade passa, incontornavelmente, por uma compreensão das
raízes da racionalidade de governo — ou o que ele chamou de
governamentalidade. Paulatinamente o cristianismo foi assumindo
lugares cada vez maiores no horizonte foucaultiano para explicar quais
poderes, saberes e tecnologias de si, ainda que antigos, estavam em
operação no contemporâneo. Justamente no interior dessas práticas de
poder e seus dispositivos, Foucault sugere a possibilidade de analisar
uma mecânica do poder que, apensar de menos discutida, ele acredita
ser fundamental para compreender os processos de aprofundamento
das identidades individuais nas sociedades modernas. Trata-se do poder
pastoral. A temática do pastorado foi objeto do filósofo francês em
algumas aulas do curso Segurança, Território e População (1977-1978),
bem como de duas conferências que ele proferiu em 10 e 16 de outubro
de 1979 em Vermont, intitulada Omnes et Singulatim: uma crítica da
razão política. Para Foucault, era possível sistematizar o contraste entre
o ofício pastoral no pensamento hebreu e a compreensão da política
grega por meio de quatro marcas fundamentais. A quais sejam: no
pensamento hebreu, (1) o pastor exerce o poder sobre um rebanho,
não sobre uma terra; (2) o pastor reúne, guia e conduz seu rebanho; (3)
o pastor garante a salvação de seu rebanho;e (4) o pastor faz tudo
voltado para o bem de seu rebanho. Entender cada uma dessas
marcas é fundamental para, em seguida, tomarmos consciência das
modificações que o cristianismo operou nesse ofício pastoral. Mais do
mailto:pedrolucas.dulci@gmail.com
110
que isso, a presente comunicação procura saber se Foucault realmente
nos apresentou uma imagem coerente do poder pastoral entre os
hebreus. Para empreendermos essa leitura crítica dos pressupostos
foucaultianos sobre o poder pastoral hebreu, vamos nos valer de um
diálogo com a obra de Kenneth E. Bailey. Além de ter se debruçado em
construir uma minuciosa investigação sobre a imagem do “bom pastor”
ao longo do Antigo e do Novo Testamento, Bailey tem a a vantagem
adicional de ter passado mais de quarenta anos vivendo e ensinando
em seminários teológicos no Egito, Líbano, Jerusalém e Chipre. Tal
especificidade fez com que o autor dispusesse de amplo acesso à
fontes e comentários do texto bíblico em idiomas pouco convencionais
para os estudiosos ocidentais — fazendo com que ele se destacasse
como um conhecedor privilegiado das nuances do Antigo Oriente
Próximo.
Palavras-chave: Poder pastoral; Bíblica hebraica; Teologia bíblica;
Foucault;
UMA TENTATIVA DE COMPREENSÃO DA ABORDAGEM AGOSTINIANA
SOBRE A MORAL E O PROBLEMA DO MAL
James Vasconcellos Mesquita
PUC Goiás
jamesmsqt@gmail.com
RESUMO: A relação entre a condição moral e a origem do mal é
extremamente íntima. Os filósofos gregos pré-socráticos e, mormente, os
clássicos se detiveram longamente na reflexão desse tema polêmico a
ponto de produzirem uma literatura vastíssima. Essa problemática
aparentemente insolúvel atravessou os séculos desde então sem ter
encontrado uma resposta que solucionasse os debates e desse um
ponto final nesse assunto. O Cristianismo entrou na discussão para
apresentar uma versão alternativa a partir de uma percepção
interpretativa diferente. O porta-voz oficial do problema “moral versus
mal” foi Santo Agostinho, o qual se apropriou de alguns pontos
platônicos para o desenvolvimento da sua visão. Esta pesquisa tem por
objetivo retomar a contribuição da filosofia metafísica agostiniana,
valendo-se das interpretações de alguns comentadores as quais serão
compiladas para melhor absorção e melhor averiguação por parte do
espectador. Com isso, pretende-se trazer ao conhecimento dos atuais
interessados na questão moral, os quais se incomodam com o mal que
grassa nas plagas sociais em todos os níveis, a proposta do pensamento
mailto:jamesmsqt@gmail.com
111
filosófico-cristão que, por sua vez, exime-se, propositadamente, da
ingenuidade costumeiramente constatada na religião, mas que não
exclui o elemento da esperança da hegemonia do Bem sobre o Mal.
Palavras-chave: Agostinho; Bem; Cristianismo; Mal; Moral.
A CRENÇA CRISTÃ E O PROBLEMA DO AVAL EM ALVIN PLANTINGA
Wellington Carvalho de Macedo
PUC RS
wellingtoncmacedo@hotmail.com
RESUMO: O presente artigo aborda o tema do aval em relação a crença
cristã na filosofia de Alvin Plantinga. O objetivo do texto é apresentar a
relevância do tema para a epistemologia da religião e descrever como
o filósofo apresenta seu modelo de aval como condição de
possibilidade para que os conteúdos universais da crença cristã possam
ser tomados como conhecimento. No primeiro capítulo, apresentamos
os dois conjuntos de objeções à crença cristã tratados por Plantinga dos
quais as críticas feitas por Freud e Marx se destacam com maior grau de
relevância. No segundo capítulo, descrevemos os elementos
fundamentais do Modelo A/C, apresentado por Plantinga como
condição de possibilidade para que uma crença tenha aval e, por
conseguinte, possa ser conhecimento. Por fim, no terceiro capítulo,
tratamos sobre como Plantinga estende seu modelo avalizador aos
conteúdos universais da crença cristã e em que medida o filósofo
defende que esses mesmos conteúdos são epistemicamente
avalizados. Ao estudarmos a relação entre crença cristã e aval,
desejamos evitar uma visão superficial e fundamentalista do cristianismo
na contemporaneidade. É inegável o impacto da cosmovisão cristã na
formação da humanidade ocidental, inclusive no seu desenvolvimento
filosófico e científico. Diante de um cenário atual de crise, é importante
saber se tal humanidade foi se desenvolvendo a partir de um autêntico
e sincero conhecimento da fé, ou a partir de uma superstição religiosa.
Nesse contexto, com Plantinga, buscamos um conjunto argumentativo
filosófico que evidencie a credibilidade da crença cristã como um tipo
especial de conhecimento. Ao ser avalizada, a crença cristã dispõe de
autoridade epistêmica, e não meramente ‘doutrinal’, ao propor suas
utopias, antropológicas e sociais, como caminhos eficientes para a
felicidade, como por exemplo, a vida moral reta, a fraternidade, a
cooperação, a conversão, o sacrifício, a caridade, etc. Não se trata de
propor o cristianismo como a forma suprema do conhecimento pela fé,
mailto:wellingtoncmacedo@hotmail.com
112
mas de assegurar-lhe sua credibilidade própria. Acreditamos que as
análises propostas por Plantinga colaboram no aprofundamento da
compreensão da crença cristã de tal modo a se resgatar inclusive a
essência do cristianismo que a é a busca sincera pela verdade.
Palavras-chaves: Plantinga; Aval; Justificação; Modelo A/C.
LEVINAS E A RECUSA À TEODICEIA
Fabiano Victor Campos
PUC Minas
fvocampos@pucminas.br
Luiz Fernando Pires Dias
PUC Minas
l.ferna2805@gmail.com
RESUMO: O escândalo do mal nunca cessou de inquietar a consciência
humana, constituindo um relevante obstáculo à crença em Deus e à
sua representação. Diversos sentidos foram conferidos a esse problema
no transcurso histórico, sobretudo através das teodiceias, das quais
temos exemplos já no Antigo Testamento, com as explicações dos
percalços sofridos pelo povo judeu no exílio, embora a criação do
vocábulo seja atribuída a Leibniz, em obra de 1710. Trata-se de uma
questão que ainda hoje provoca debates e um dos consideráveis
desafios a essa temática diz respeito ao fato de o mal ser indissociável
do sofrimento por ele causado e das ações humanas que, de forma
irresponsável ou criminosa, estejam a ele, porventura, entrelaçadas. A
presente comunicação pretende abordar esse tema no pensamento
de Emmanuel Levinas, filósofo lituano-francês que ajuizou como
inadmissíveis as justificações racionais frente aos terríveis
acontecimentos do Século XX, marcados por duas Guerras Mundiais e,
sobretudo, por genocídios sem precedentes, dentre os quais Auschwitz
se destaca como o símbolo maior da barbárie humana. Certa reflexão
sobre o mal está presente, mesmo que de forma implícita, em toda obra
levinasiana, no entanto, analisaremos a questão priorizando os textos
que Levinas consagrou diretamente ao tema, que são: Transcendance
et mal e La souffrance inutile. Nesses artigos, Levinas, na contracorrente
da lógica das teodiceias, posicionou o mal no campo da ação
humana, em relação ao qual a oposição é eticamente obrigatória,
pensando a subjetividade em um horizonte ético assimétrico, no qual o
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113
homem é responsável não só por si próprio, mas também, de forma
absoluta e irremissível pelo seu semelhante.
Palavras-chave: Deus; Ética; Mal; Levinas; Teodiceia.
TEOLOGIA, LINGUAGEM E POESIA: UMA LEITURA A PARTIR DE MARTIN
HEIDEGGER
Luís Gabriel Provinciatto
PUC Campinas
luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br
RESUMO: O presente trabalho parte da relação entre teologia e
linguagem explicitada na proposta de um pensar e dizer não-
objetivantes na teologia que se encontra indicado no Apêndice (1964)
da conferência Fenomenologia e teologia (1927) do filósofo alemão
Martin Heidegger (1889-1976). Assumindo tal Apêndicecomo ponto de
partida teórico-bibliográfico, objetiva-se compreender como aí está
articulada a relação entre teologia e linguagem, como é possível
sustentá-la e caracterizá-la, uma vez que, ao comparar o texto da
conferência propriamente dita com o de seu apêndice, não se nota
uma univocidade a respeito do sentido do que é teologia,
consequentemente, também não se nota uma univocidade em sua
relação com a linguagem. Isso permitirá que se levante e se argumente
a favor da hipótese de que “teologia”, em 1927, diz respeito à ciência
positiva da fé, ao passo que, em 1964, ela estaria mais próxima de um
dizer o sagrado, anunciado especificamente pela voz e pela letra do
poeta, que “nomeia o sagrado”, como propõe Heidegger em seu
Posfácio a “O que é metafísica?” (1943). De tal forma, uma adequada
compreensão da relação entre teologia e linguagem, a partir do
recorte epistemológico indicado, reivindica que se entenda o porquê
de o poeta, logo, de a linguagem poética ser convocada para dizer o
sagrado, o que já pode ser entendido a partir da segunda parte das
preleções Os hinos de Hölderlin: “Germânia” e “O Reno” (1934/1935),
que, por isso, encontra-se implicada no supracitado Apêndice. Por fim,
após entender essa relação entre teologia, linguagem e poesia, poder-
se-á aventar a possibilidade de afirmar, a partir de Heidegger, uma teo-
poética como superação de uma pensar e dizer teo-lógico.
Palavras-chave: Teologia; Teopoética; Sagrado; Heidegger; Hölderlin.
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114
A POSSIBILIDADE DO ESCÂNDALO: A COMPREENSÃO DO “SER” E DO
“TORNAR-SE” CRISTÃO NO LIMIAR DE DUAS REALIDADES, A IGREJA
TRIUNFANTE E A IGREJA MILITANTE
Adenilton Moisés da Silva
UNICAP
adenilton.silva80@gmail.com
A análise filosófico-existencialista kierkegaardiana do fenômeno
religioso, parte da interrogação que surge no interior do próprio
cristianismo. Pode o cristianismo como está dado, na Dinamarca do
século XIX, converte-se, isto é, tornar-se autêntico conforme o proposto
pelo Cristianismo do Novo Testamento? Entre o “ser” e o “tornar-se”
cristão há uma real diferença? O que está estabelecido pela
autoridade é fruto de uma razão obediente, mas é possível uma razão
reflexiva, para não aceitar as coisas como dadas e inquestionáveis? O
pensamento filosófico kierkegaardiano ajuda a compreender que o
cristianismo é uma escolha e não uma imposição dogmática autoritária,
não pode ser o cristianismo um dado da razão movida pela obediência
aos critérios institucionais, senão, um tornar-se crístico, isto é, um outro
Cristo. Para discorrer sobre esses questionamentos, propomos neste
texto, a partir da obra Ejercitación del cristianismo (2009), investigando
duas ideias centrais da obra, os conceitos de igreja triunfante e igreja
militante, trabalhar a possibilidade do escândalo: a compreensão do
“ser” e do “tornar-se” cristão no limiar de duas realidades: a igreja
triunfante a e a igreja militante. Para análise da realidade do cristianismo
estabelecido, faz-se pertinente, no momento, dá uma olhadela em
duas outras obras kierkegaardianas, que são: El libro sobre Adler (2021)
e O Instante (2019), porque são obras que compõem uma contundente
crítica à sociedade cristã dinamarquesa. Nessas obras o filósofo aborda,
por exemplo, questões de autoridade e obediência, na cristandade
dinamarquesa, além de questionamentos e denúncias ao clero
luterano. Com isso, inferimos que a igreja triunfante é o modelo de uma
sociedade que se fundamente no estruturalismo sociocultural, onde as
classes socias permanecem em seus devidos lugares, sendo sustentada
pela subserviência da coletividade religiosa. A igreja triunfante é o
questionamento e recusa a esse estruturalismo das instituições, é a
desalienação sociorreligiosa e o engajamento de cada indivíduo no
mundo que o cerca. Esse trabalho se propõe a ser uma contribuição
para o campo da Filosofia da Religião, bem como, das Ciências da
Religião, tendo em vista, a contínua necessidade de se pensar o
fenômeno religioso, isto é, “o cristianismo nos cristianismos”.
mailto:adenilton.silva80@gmail.com
115
Palavras-chave: Cristianismo; Igreja Triunfante; Igreja Militante; Ser;
Tornar-se.
CONCEITO PRIMITIVO DE TELEOLOGIA E AS TESES DA PESSOALIDADE E DA
IMPESSOALIDADE
Rogério Regis de Azevedo
PUC Goiás
rbemelekazevedo@gmail.com
RESUMO: Este trabalho foi realizado na tentativa de identificar e explorar
a teleologia como uma tese que procura explicar se a criação,
organização e os respectivos fenômenos naturais do universo existem
propositadamente, bem como se a natureza foi conformada para uma
finalidade desde a sua origem. A terminologia filosófica utilizada para
designar a finalidade das coisas são os vocábulos: finalismo e teleologia.
Ambos (finalis; télos) têm o mesmo sentido: alvo, finalidade ou destino.
Finalismo é, pois, uma doutrina que admite a causalidade do fim, no
sentido de que o fim é a causa total da organização do mundo e a
causa dos acontecimentos isolados. Essa doutrina implica duas teses:
primeira, o mundo está organizado com vistas a um fim; segunda, a
explicação de qualquer evento do mundo consiste em aduzir o fim para
o qual esse evento se dirige. Essas duas teses frequentemente estão
unidas ou confundidas, mas às vezes elas são diferentes e procura-se
uma sem admitir a outra. E teleologia, por sua vez, é um termo criado
por Christian Von Wolff (1679-1754) para indicar a parte da filosofia
natural que explica os fins das coisas. A teologia natural procura
combinar as duas perspectivas para explicar os fenômenos do mundo,
atribuindo-os a um Deus beneficente. A teleologia foi apresentada,
neste trabalho, na sua dupla percepção: teleologia pessoal (que se faz
com base nos poderes, crenças e propósito de uma pessoa) e
teleologia impessoal. (que remete à função própria de um ente, à
função da natureza de um ente). Para tanto, recorremos à Filosofia
Antiga para entender o significado e o uso das terminologias
teleológicas daquela época e depois os seus usos e significados nos
tempos posteriores. Na natureza todos os seres existem com uma
finalidade, ou então serão acontecimentos vinculados a entes que
existem com uma finalidade, como diz Aristóteles (Sobre a Alma). Por
conseguinte, todos os seres estão circundados pelo conceito da
teleologia. Contudo, a questão do por que os seres da natureza são
conformados para uma finalidade parece incerta, conforme Teofrasto,
tendo em vista que muitas coisas (movimento das ondas do mar, chifres
mailto:rbemelekazevedo@gmail.com
116
em certos animais etc) não são causas de agentes anteriores e que
parecem não ter finalidade que as beneficie, ou que pelo menos sejam
prioritárias. De qualquer forma, admitida qualquer que seja uma
funcionalidade interativa dos acontecimentos naturais ou dos órgãos
dos animais, isso não deixa de se referir à teleologia impessoal.
Palavras-chave: Teleologia; Teleologia pessoal; Teleologia impessoal.
SIMBOLISMO E ADORAÇÃO: O DESAFIO DA FÉ BÍBLICA EM ABRAHAM
HESCHEL
Narcélio Ferreira de Lima
PUC Goiás
fraternascelius@gmail.com
RESUMO: O filósofo e rabino Abraham Joshua Heschel (1907-1972)
defende existir certa dificuldade na contemporaneidade em assimilar a
experiência religiosa com as categorias que a Bíblia vê o mundo, tais
como sublime, maravilhoso, mistério, temor e glória. Nas recentes
pesquisas sobre cultura e religião o conceito de símbolo tem ganhado
relevância, apresentado-o como qualquer coisa que serve como
vínculo a uma concepção. No entanto, na perspectiva hescheliana, o
simbolismo religioso não é um fim, mas apenas um meio pelo qual o ser
humano se dirige ao transcendente, vez que a religião não serve
apenas para se comunicar, mas sobretudo para ajudar o ser humano a
se aproximar de Deuse/ou adorá-lo, o que não é mero produto do
esforço humano ou simples forma de expressão, já que a capacidade
de se comunicar também pode ser identificada nos animais. O que é
decisivo na experiência religiosa não é a expressão ou simbolização,
mas o sentido do inefável e das demais categorias a ele relacionadas,
que são umas das raízes do pensamento criativo. Objetiva-se nesta
pesquisa, em uma leitura bibliográfica e hermenêutica da doutrina de
Heschel demonstrar que, mesmo no contexto secular e pluralista é
possível pensar religião além dos estereótipos de mana, tabu, totem,
símbolo etc., apresentando o inefável como importante categoria
bíblica que pode ajudar a dialogar com a experiência religiosa na fé
moderna. Considera-se, assim, que a experiência com o Deus de Israel
apela a uma dimensão não-simbólica, pois os indivíduos não são
capazes de fixar significados de forma definitiva, ainda mais sem uma
relação de semelhança e diferença, e que os símbolos religiosos não
necessitam ser por regra geral substitutos de uma entidade superior que
se relaciona com o ser humano de forma imediata.
mailto:fraternascelius@gmail.com
117
Palavras-chave: Símbolo (religião); Experiência religiosa; Inefável;
Abraham Heschel.
A MÍSTICA NA DOUTRINA DO SANTO DAIME: UMA SIMPATIA COM A
FILOSOFIA DE HENRI BERGSON
Paulo Jorge Barreira Leandro
UFC
pjleandro2019@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho fruto parcial da pesquisa em
desenvolvimento realizado no doutorado possui o intuito de apresentar
o conceito de mística na filosofia contemporânea francesa de Henri
Bergson, mais precisamente, em sua última obra As Duas Fontes da
Moral e da Religião. Ao apresentar este conceito, busca-se simpatizar
com a doutrina cristã do Santo Daime a fim de saber se a experiência
religiosa na mesma pode ser compreendida como uma experiência
mística. Fundamento de toda moral e religião, a mística em Henri
Bergson revoluciona as concepções do sec XX quando delineia um
campo dinâmico, transcendental, impressivo-expressivo, como núcleo
central da experiência religiosa, ou seja, da experiência com Deus.
Neste sentido busca-se realizar um voo de ligação sobre uma das
religiões ayahuasqueiras no Brasil, de matriz indígena-africana: O Santo
Daime. À guia do tema da mística em Bergson e da experiência dos
estados psicológicos profundos em expansão sob a força do chá do
Santo Daime objetiva-se saber se esta experiência pode ser
compreendida como uma experiência mística. Para a realização deste
esforço singular aborda-se, inicialmente, a relação consciência-tempo;
bem como, sentimento estético e moral a partir da obra Ensaio sobre os
dados imediatos da consciência; seguindo-se para a relação entre
mística cristã e a experiência mística do fundador da religião do Santo
Daime, o Sr. Irineu Serra também chamado de Mestre Juramidan, a
partir da obra As duas fontes da moral e da religião. Realizado os
sobrevoos, pode-se ao final concluir distintamente que o tema da
experiência mística no Santo Daime possui simpatias profundas com o
conceito de mística do filósofo Henri Bergson.
Palavras-chaves: Mística; Bergson; Santo Daime.
mailto:pjleandro2019@gmail.com
118
CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIFERENCIAÇÃO ENTRE FILOSOFIA DA
RELIGIÃO E CIÊNCIA DA RELIGIÃO A PARTIR DE JOAQUIM WACH
Leandro Evangelista Silva Castro
PUC Minas
castroleandro40@yahoo.com.br
RESUMO: Joachim Ernst Adolphe Felix Wach (1898-1955), filósofo,
sociólogo e cientista da religião é considerado um dos principais
sistematizadores do debate teórico-metodológico da Ciência da
Religião. O autor dá seguimento a empreitada iniciada por Max Müller
ao buscar os fundamentos que garantem a cientificidade e a
autonomia da disciplina. Em seu texto de 1924, embora dialogue e
mantenha alguns dos pressupostos apontados por seus antecessores,
Wach também assume uma postura crítica diante de algumas premissas
que caracterizavam a disciplina no final do século XIX. Sua obra
contribui para a consolidação da divisão interna da Ciência da Religião
em dois ramos: o empírico e o sistemático. A partir do esforço de
articular as bases teórico-metodológicas da disciplina, assegurando a
autonomia e sua validade acadêmica, o autor estabelece os limites
entre a Ciência da Religião e outras disciplinas que também se
ocupavam da religião, a saber, a Filosofia da Religião e a Teologia. O
objetivo dessa comunicação é investigar, a partir da obra de Joachim
Wach, os distanciamentos entre a Filosofia da Religião e a Ciência da
Religião. A metodologia utilizada consiste em uma pesquisa
bibliográfica a fim de identificar as principais contribuições do autor a
respeito do tema. A partir da obra de Joachim Wach, observa-se que
sua proposta estabelece a teoria e método da Ciência da Religião a
partir de uma acentuação da empiria. De acordo com o autor, o que
diferencia a Ciência da Religião da Filosofia da Religião é, enquanto a
primeira tem o os dados empíricos como realidade imprescindível para
a produção de conhecimento de nível científico sobre as religiões, a
segunda, opera a partir da primazia das ideias e da especulação.
Apoiado nos limites da ciência moderna, e operando a partir de um
horizonte pós-evolucionista, Wach propõe uma disciplina pautada pelas
particularidades. Sendo assim, o caráter empírico da investigação
impossibilita, no âmbito da Ciência da Religião, discursos que se
aproximem de qualquer tendência metafísica, substancialista ou
essencialista. Por fim, a obra de Wach contribui significativamente para
os debates atuais da Ciência da Religião, visto que ainda tem potencial
de fomentar a discussão sobre particularidades e limites de cada
disciplina.
mailto:castroleandro40@yahoo.com.br
119
Palavras-chave: Ciência da Religião; Filosofia da Religião; Joaquim
Wach.
HERMENÊUTICA E CARIDADE: A VEIA CRISTÃ DO PENSAMENTO DE GIANNI
VATTIMO
Felipe de Queiroz Souto
UFJF/ UPF
felipeqsouto@gmail.com
RESUMO: A filosofia de Gianni Vattimo é uma filosofia hermenêutica que
possui um interesse de enfraquecimento das estruturas metafísica do
pensamento ocidental. Vattimo elabora sua hermenêutica a partir do
que ele cunhou como pensiero debole, isto é, a atitude filosófica que se
põe como intérprete da realidade sem a aceitação de fatos objetivos.
Neste sentido, a única filosofia possível é a hermenêutica, já que ela não
trabalha com a descrição objetiva da realidade, mas com a
interpretação que o sujeito localizado num horizonte histórico produz
acerca de suas vivências. Pela interpretação do sujeito como ser-no-
mundo dá se o acesso ao ser, principal objeto da metafísica tradicional
e que a hermenêutica se esforça por enfraquecê-lo. Partindo deste
pensamento hermenêutico, Vattimo propõe que a interpretação é
como um vírus capaz de enfraquecer todas as estruturas que toca,
assim, ela possui uma atividade estritamente prática, o que o leva à
conclusão de que a hermenêutica é uma filosofia da prática. Com isso,
ele constrói uma crítica que busca enfraquecer a ética, a política e a
religião. Aqui nos interessa tratar do aspecto da religião. Ao aplicar a
hermenêutica à religião, ele entende que o cristianismo é um fio
condutor secularizante (enfraquecedor) de todo o pensamento
metafísico, já que anuncia um Deus kenótico. Assim, o princípio da
hermenêutica está na raiz do cristianismo. O que resta de não metafísico
da interpretação é o princípio cristão da caritas. Com este conceito,
Vattimo vai ler sua hermenêutica como um pensamento cristão, já que
a caritas aparece como o horizonte no qual o conflito de interpretações
está disposto. Definir o conceito de caritas na obra de Vattimo não é
uma tarefa simples, portanto, o objetivo desta comunicação é
apresentar uma interpretação do conceito de caritas relacionado
diretamente coma hermenêutica, de modo que possamos vê-lo como
parte essencial da hermenêutica de Gianni Vattimo.
Palavras-chave: Hermenêutica; Caritas; Enfraquecimento; Cristianismo.
mailto:felipeqsouto@gmail.com
120
PARA UMA FILOSOFIA DA RELIGIÃO DENTRO DO CULTURA ÁRABE E
ISLÂMICA, O CASO DO IBN TAYMĪYAH
Julio césar Cárdenas Arenas
UCM
prof.abuismail@gmail.com
RESUMO: A comunicação apresenta as definições de religião (dīn) a
partir de três fontes epistêmicas da cultura islâmica: a língua árabe, o
Alcorão e o trabalho do jurista e teólogo Ibn Taymīyah e mostra suas
contribuições à filosofia da religião, em uma correlação terminológica
com a tradição ocidental, não como uma aproximação ao Islã, mas
como uma descrição filosófica e fenomenológica da religião que não
é nem eurocêntrica nem orientalista do hic et nunc islâmico. A análise
dessas fontes é feita nos léxicos clássicos árabes, nas ocorrências do
termo religião no texto árabe do Alcorão e nos extratos das obras
teológicas, legais, apologéticas e contemplativas do Ibn Taymīyah, os
fundamentos do estudo das religiões na esfera islâmica. As definições
de religião apresentadas estão divididas em duas, uma geral e inclusiva
que fornece tipologias descritivas, históricas e teológicas das religiões, e
uma específica e exclusivista que apresenta a idéia do Ibn Taymīyah da
realidade da religião (ḥaqīqah al-dīn), comparável à suspensão do
julgamento (epoché) nos estudos ocidentais e definida em três
momentos correlativos: rendição (istislām), submissão (islām) e
submissão total (ṭā'ah) antes do transcendente (al-ilah, Deus
absconditus), esta idéia permite descrever o fato religioso e suspender
internamente o conhecimento e os julgamentos perante o Sagrado (al-
rabb, mysterium tremens et fascinans), externamente suspender a
vontade de alguém cumprindo a vontade divina (Qadr Al-lah) de
realizar atos de adoração ('ibādah, latreia) perante a soberania divina
(uluhīah, majestas), assim como a aplicação das regras legais e éticas
(aḥkām e akhlāq, religio) da revelação (ūaḥī, Deus revelatus) contendo
os atributos divinos (ṣiffat) como exemplo de ação. A realidade da
religião é definida como a submissão total do homo religiosus (muslim,
mu'min e muḥsin) e é uma experiência (Erlebnis) do Sagrado (das
Heilige) em três momentos não seqüenciais: submissão à divindade e
aos dogmas (taūḥīd al-rububiah), a prática da lei e dos ritos (taūḥīd al-
uluḥia), assim como o seguimento da ética baseada em nomes e
atributos divinos (taūḥīd al-āsmā' wal-ṣifāṭ); esta idéia de religião como
submissão total deixa de ser específica, exclusivista e universalista e
passa a explicar o fato religioso em uma definição eidética,
comparativa e inclusiva de outras tradições religiosas. A comunicação
também apresenta os conflitos para uma definição filosofica de religião
mailto:prof.abuismail@gmail.com
121
a partir dessas fontes devido à identificação do Islã com a religião (al-
dīn) e com a mensagem dos profetas, pois a partir de sua definição
específica e exclusivista limita-se a descrever as religiões proféticas,
reveladas e monoteístas, não toma as outras como objetos de estudo
fenomenológico e circunscreve seu estudo aos objetivos teológicos e à
polêmica religiosa. O documento conclui que a definição específica de
religião na cultura islâmica é limitada por seu caráter confessional,
teológico ou apologético, enquanto a idéia do Ibn Taymīyah traz para
os estudos filosóficos y fenomenológicos conceitos não ocidentais da
cultura islâmica.
Palavras-chave: Islã; Estudos Religiosos; Língua árabe; Fenomenologia
da religião.
“NÃO À VIOLÊNCIA E À RESIGNAÇÃO. SIM À RECONCILIAÇÃO E À
ESPERANÇA”: O DISCURSO DO PAPA FRANCISCO DIANTE DOS RELATOS
DAS ATROCIDADES SOFRIDAS PELAS VÍTIMAS DO LESTE DO CONGO
Arlindo José Vicente Junior
PUC Campinas
arlindovicentejr@hotmail.com
RESUMO: No dia 1º de fevereiro de 2023, Francisco estava na
quadragésima viagem apostólica de seu Pontificado, realizada na
República Democrática do Congo. Entre outros compromissos,
encontrou-se na Nunciatura Apostólica em Kinshasa, com as vítimas do
leste do país e estava diante das narrativas das atrocidades vividas
pelos meninos e meninas vítimas de grupos armados da região. Depois
de ouvir as mais atrozes narrativas que continham morte de familiares,
estupro, amputação, canibalismo forçado e escravidão sexual;
Francisco acompanhou em silêncio, tanto os testemunhos quanto uma
narrativa transformada em gestos, quando os jovens depositaram
diante de uma imagem do Crucificado, objetos que traduziam ou que
causaram os seus sofrimentos: a violência transformada num fenômeno
que provoca, questiona, silencia e faz chorar. Nosso objetivo é
apresentar a narrativa da Igreja Católica diante do sofrimento humano
no discurso proferido pelo Papa Francisco, com as vítimas do leste da
República Democrática do Congo. E propormos um diálogo do discurso
papal com o pensamento do filósofo Paul Ricoeur (1913-2005), que
numa das suas obras, expõem que as vidas humanas merecem e
precisam ser contadas, principalmente, a história dos vencidos e
perdedores que merecem uma narração que clama por vingança.
mailto:arlindovicentejr@hotmail.com
122
Diante da coragem destes jovens que deram estes testemunhos ao
Papa, qual deve ser a proposta da fé? O discurso, o silêncio ou a
vingança: qual é a proposta plausível diante da dor do outro? Como
despertar naqueles que acreditam em Deus (e num Deus crucificado,
igualmente vítima da violência humana) o perdão para os seus algozes?
São perguntas que deverão ser respondidas com essa comunicação e
que estão sendo estudados nesta pesquisa em andamento no
Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. E para responder
essas questões levantadas nessa comunicação, trata-se de uma
pesquisa qualitativa apresentando os resultados que foram encontrados
nas leituras bibliográficas das inúmeras narrativas da Igreja Católica,
diante do sofrimento humano. Francisco, visivelmente comovido com as
histórias das atrocidades, acolhe, acaricia e abençoa a cada um
daqueles e daquelas que corajosamente narraram os seus sofrimentos,
se faz próximo dos que padecem: sua viagem apostólica a uma região
tão assolada pela arbitrariedade do mais forte e que não atrai tanta
atenção dos meios de comunicação internacionais, é um despertar
para a solidariedade e para a compaixão. Corajosamente, Francisco
(que escolheu esse nome como um programa de um Pontificado,
olhando para o Santo de Assis, portador da paz) pede um basta! Que
parem de enriquecer na pele dos mais frágeis, que parem de
enriquecer com recursos e dinheiros manchados de sangue! E,
propõem-lhes em seu discurso, dois “nãos” e dois “sins”: não à violência,
não à resignação; sim à reconciliação e à esperança, diante do Deus
da esperança.
Palavras-chave: Francisco; Narrativa; Sofrimento humano; Ricoeur.
RECONSTRUINDO O RELIGIOSO: UMA LEITURA DOS PRIMEIROS DISCURSOS
EDIFICANTES DE SØREN KIERKEGAARD
Presley Henrique Martins
PUC Campinas
presley.hmartins@gmail.com
RESUMO: no que concerne às discussões contemporâneas da Filosofia
da Religião, o século XIX foi um período profícuo e crucial no que diz
respeito a autores que buscaram pensar a religião em seus diversos
sentidos num contexto de transformações estruturais. O dinamarquês
Søren Kierkegaard foi um desses autores e, além disso, a religião foi tema
central de sua obra, sendo que o próprio autor considerava a si mesmo
um pensador religioso. Embora em Copenhague, no sec. XIX, fosse
mailto:presley.hmartins@gmail.com
123
comum autores publicarem sob pseudônimos, Kierkegaard se utilizou
metodologicamente da pseudonímia em articulação com o objetivo
de sua comunicação indireta: o religioso. Essa parte de sua obra é
conhecida como obras estéticas,ou seja, sob pseudônimos Kierkegaard
destituía-se de sua autoridade, atribuindo ao pseudônimo o conteúdo
de sua obra. Entretanto, as obras estéticas correspondem a uma parte
da autoria de Kierkegaard, a outra parte são os Discursos Edificantes,
obras em que ele assinou com o próprio nome, sendo consideradas, em
seu método, textos de comunicação direta. As obras de comunicação
direta e indireta se complementam, tendo como objetivo comunicar o
religioso, ou seja, reconstruir o religioso que foi esquecido em seu tempo.
No entanto, para entender o processo dessa reconstrução é necessária
uma chave de leitura que nos aproxime desse enigma religioso
pressuposto por Kierkegaard. A proposta desse trabalho é fazer uma
leitura dos primeiros discursos edificantes, as obras de comunicação
direta, visando extrair do conteúdo dos discursos os problemas com os
quais Kierkegaard está lidando, de tal modo que esses problemas
forneçam ao religioso seu sentido. Assim, espera-se que essa leitura não
apenas proporcione uma chave para compreensão do religioso em
Kierkegaard, mas também esclareça as razões pelas quais a
reconstrução do religioso só pode ser realizada em vias da dialética
entre a comunicação direta e indireta.
Palavras-chave: Kierkegaard; Religioso; Discurso Edificantes.
RICŒUR LENDO KIERKEGAARD: O PROBLEMA DO MAL E DO SOFRIMENTO
NA EXISTÊNCIA RELIGIOSA
Carlos Eduardo Cavalcanti Alves
c.eduardocavalcanti@gmail.com
RESUMO: A presente comunicação pretende fazer uma análise crítica
da leitura que o filósofo francês Paul Ricœur faz da obra do teólogo
dinamarquês Søren Kierkegaard, especificamente a respeito do mal e
do sofrimento. Para aquele, tal questão é crucial para a filosofia e a
teologia, e de fundamental importância para a compreensão da
oposição de Kierkegaard ao sistema filosófico hegeliano, que percorre
toda a sua obra. O tema do mal não aparece de forma significativa na
curta e fragmentada biografia do dinamarquês, o que impossibilita
identificar uma amplo escopo de seu pensamento a respeito. Um
tratamento exegético dos seus textos, segundo Ricœur, é o método
mailto:c.eduardocavalcanti@gmail.com
124
mais apropriado para se chegar a categorias existenciais que
estruturem a concepção kierkegaardiana sobre este tema, quais sejam,
a angústia e o desespero. Assim, o objetivo é investigar sua
interpretação do pensamento kierkegaardiano a propósito e a tipologia
que elabora do personagem bíblico Jó, fundamental no pensamento
de Kierkegaard, a fim de delinear a resposta ricœuriana à questão. Para
tanto, serão primeiramente abordados os conceitos kierkegaardianos
de angústia e desespero sob a ótica de Ricœur. Em seguida, terá lugar
o confronto entre a concepção dos dois pensadores da tipologia
bíblica presente na epopeia de Jó, quanto à experiência que leva à
aporia que se coloca diante do drama humano, a saber, como conciliar
a crença no divino com a realidade permeada pelo mal e pelo
sofrimento. À guisa de conclusão, a hipótese é que, para Ricœur, o
problema relaciona-se ao mal moral e ao sofrimento individual
enquanto questão existencial-religiosa que aponta para uma “aporia
produtiva”, derivada dos conceitos kierkegaardianos de paradoxo,
repetição e fé.
Palavras-chave: Mal; Sofrimento; Angústia; Desespero; Jó.
O CONHECIMENTO POR MEIO DO RITO: UMA EPISTEMOLOGIA
SACRAMENTAL
Pedro Vinícius Dias Alcantara
PUC Goiás
pedroibef@gmail.com
RESUMO: Existe algo anterior à racionalidade na fundamentação da
religião? O que há de pré-teórico na experiência religiosa? A tradição
moderna da religião ocidental, sobretudo a perspectiva cristã, legou
uma herança cartesiana de primazia da razão como elemento
fundante da transmissão e recepção do conteúdo religioso. Apesar da
crença religiosa recorrer à racionalidade como epistemologia
necessária, o presente trabalho tem como objetivo repensar o local da
razão como ponto paradigmático da experiência religiosa. O ponto de
partida para tal empreitada é situar na ideia de corporeidade na
fenomenologia da percepção como um locus para uma epistemologia
da religião. Há aqui a necessidade de repensar a herança cartesiana
de uma crença religiosa meramente informativa e racionalista. Em tal
cenário, o ser humano não apenas é reduzido a uma coisa pensante,
como também é visto como uma coisa cujo corpo é um recipiente não
essencial da mente. Porém, e se o centro da identidade do sujeito
mailto:pedroibef@gmail.com
125
estiver localizado mais no corpo do que na mente? Neste sentido, o
conceito de ritual conforme visto nas Escrituras proporciona um papel
fundamental em moldar nosso pensamento. A partir da perspectiva dos
filósofos Maurice Merleau-Ponty e Dru Johnson, nossa proposta é
apresentar a estrutura e a função do rito e dos sacramentos como
instrumento epistemológico no processo de formação e transformação
do sujeito em uma dimensão que abarca toda a existência humana.
Palavras-Chave: Rito; Religião; Sabedoria; Corporeidade
THE POETICS OF PHILOSOPHY IN RAMON LLULL’S METHOD OF
CONTEMPLATION
Sergi Castella-Martinez
Universitat Pompeu Fabra
serge.castella@upf.edu
RESUMO: The 14th-century philosopher and theologian Raimundus Lullus
developed a combinatorial system of thought, an Ars inveniendi
veritatem, consisting in the intertwinement of absolute principles, namely
divine attributes, with logical categories, questions, subjects, virtues and
vices. Devised as a contemplative and evangelical Ars, Llull stressed the
importance of 1) learning how to produce questions and answers in
accordance to its rules and principles, and of 2) imaginatively translating
the process and product of the Ars into examples and metaphors
accessible to the broadest audience. The Ars' spiritual logic pursued the
coordinated movement of intellect, memory and will toward God's
presence in the Creation, and can be understood as a paradigmatic
religious form of artificial habit. The aim of this presentation is twofold: first,
to describe the Ars inveniendi veritatem as a technological medium of
relationship with the sacred focused on the active, practical
actualization of the finite, humane essence through combinatorial,
imaginative "poiesis". Second, to reassess religion primarily as a social,
embodied practice and exercise in connection with similar
contemporary poetic and philosophical proposals. The Poetics of
Philosophy may provide crucial elements to such an interpretation of
medieval religious thought, for the radical union between theory and
practice points towards a valuable reassessment of the creative and
performative dimensions of the philosophers’ endeavour in relation with
their religious scope. The Ars, as a technological innovation in its historical
context, serves to reorient the manner in which philosophical and
theological thought is approached and organised: its principles stem
mailto:serge.castella@upf.edu
126
from Islamic logic and dialectic, and from combinatorial devices of
intermediation between the divine and the humane, such as the za’irjah,
a divination instrument attributed to 13th-century Sufi Abu Al-Abbas Al-
Sabti from Maghreb. A dynamic, practical and processual
understanding of contemplation shines in Lullus' method, for the Ars is a
process of homificatio that results from reading and applying its
principles, to which the artist must habituate in order to disseminate them
in word and deed. I will address Llull’s methodological concerns and their
conceptual premises to argue that the philosopher requires an active,
poietic involvement with the Ars so that it mirrors divine ceaseless activity
and fulfils its contemplative goal.
Keywords: Llull (Lullus); Ars; Poetics; Philosophy; Homificatio127
ST 11 – CULTO E LITURGIA
Jacqueline Ziroldo
FTSA
mestrado@ftsa.edu.br
Breno Martins Campos
PUC Campinas
brenomartinscampos@gmail.com
Dentro do recorte evangélico brasileiro atual, parece-nos que os
estudos de culto e liturgia estão cada vez mais voltados para a
influência das mídias digitais no fenômeno religioso e confirmam
mudanças anunciadas há algum tempo. Situação que nos leva a refletir
sobre quanto o culto e a liturgia dialogam diretamente com a cultura e
as formas de comunicação dos grupos sociais, de acordo com as
especificidades de cada período na história. Longe de ser algo
hermético, o culto expressa a relação entre a identidade teológica de
uma igreja, denominação ou grupo autônomo e as possibilidades de
adaptações a ajustes dos seus ritos. Assim, entendemos que, para uma
análise das atuais influências socioculturais sobre a liturgia, é mister
conhecer a história do culto evangélico no Brasil, sua trajetória e relação
com a cultura nacional, seus elementos e simbologias. De igual modo,
julgamos ser de grande importância o estabelecimento de conexões
das liturgias e cultos praticados no campo evangélico brasileiro com as
teologias específicas da diversidade evangélica que caracteriza nosso
país. Fazendo coro com a convocatória deste congresso, queremos
refletir a respeito das multiplicidades convergentes e divergentes do
diverso campo evangélico no país. Por conseguinte, esta ST tem por
objetivo criar um espaço de debate sobre a temática da liturgia e do
culto, nas suas mais variadas possibilidades de combinação, segundo
metodologias tanto da Teologia como das Ciências da Religião. São
mailto:mestrado@ftsa.edu.br
mailto:brenomartinscampos@gmail.com
128
bem-vindas comunicações que discutam culto e liturgia no campo
evangélico brasileiro nos aspectos histórico, antropológico, sociológico,
teológico, artístico e cultural.
AS METAMORFOSES LITÚRGICAS DA IMPD
Ricardo Bitun
PUC São Paulo
ricardo.bitun@mackenzie.br
RESUMO: Nossa proposta nesta breve comunicação é analisar as várias
transformações litúrgicas ocorridas na Igreja Mundial do Poder de Deus,
fundada em 1998, pelo então pastor Valdemiro Santiago (ex-Bispo da
Igreja Univers al do reino de Deus). A IMPD encontra assento entre as
igrejas chamadas neopentecostais. Sua liturgia, assim como
característico em todo movimento religioso, transforma-se e conforma-
se de acordo com as necessidades que se apresentam. Desde o início
de minhas pesquisas deste movimento tenho confirmado a precisa
constatação de Droogers afirmando que o neopentecostalismo é um
fenômeno complexo, “uma religião paradoxal e ambivalente”
(Droogers , 1991). Sua liturgia acompanha esta complexidade. A cada
oscilação em sua audiência televisiva ou participação presencial
rapidamente Valdemiro reage com uma liturgia mais atraente ou até
mesmo austera, utilizando seus recursos midiáticos e carismáticos para
mais uma vez “resgatar” sua audiência. O tripé: cura divina, exorcismo
e testemunho, como um camaleão, altera suas cores sempre que se
sente ameaçado, ou quando necessita alçar voos mais altos. A liturgia
se adapta facilmente às necessidades momentâneas. Procuramos
acompanhar estas variâncias litúrgicas a fim de compreendê-las,
averiguando a intencionalidade de seu líder. Percebe-se nestas
mudanças a constante “batalha” na manutenção e concentração de
seus fiéis e a busca pelo crescimento. A disputa no campo religioso
brasileiro toma uma dimensão cada vez maior impactando de alguma
forma este mesmo campo, assim como a subcultura que a circunda.
Palavras-chave: Neopentecostalismo; Transformações litúrgicas; IMPD.
“SOU FORASTEIRO AQUI, EM TERRA ESTRANHA ESTOU”:
A PRESENÇA PURITANA NOS HINOS DO PROTESTANTISMO NO BRASIL
Breno Martins Campos
mailto:ricardo.bitun@mackenzie.br
129
PUC São Paulo
brenomartinscampos@gmail.com
RESUMO: Segundo Antonio Gouvêa Mendonça, definir puritanismo é
uma tarefa muito difícil e, por conseguinte, talvez seja mais acertado
enxergar como vivem as pessoas sob o prisma da fé puritana. Para se
compreender a atmosfera peculiar do puritanismo em seus primórdios
ingleses – e, por exportação, também nos EUA –, segundo Max Weber,
basta que se leia o livro O progresso do Peregrino (de John Bunyan).
Como o objetivo desta comunicação não é tratar de literatura puritana,
mas de hinos cantados pelos puritanos, registra-se que os protestantes
históricos ou tradicionais de matriz puritana sempre transmitiram seus
discursos teológicos e doutrinários por meio das letras de suas canções.
Mendonça propõe a hipótese de que no hinário Salmos e Hinos, cuja
matriz chegou ao Brasil com os primeiros missionários, o ideário puritano
se faz presente nas letras que foram traduzidas, com a manutenção das
melodias e arranjos para piano ou órgão e para o canto
congregacional. Portanto, o “Cristão” (personagem principal do
romance alegórico de Bunyan) ingressou no imaginário protestante
brasileiro de forma indireta, mas muito sutil e competente, pela letra dos
hinos cantados dominicalmente nos cultos, bem como nas reuniões
durante a semana nas casas dos fiéis. De tal modo que o protestantismo
no Brasil reforçou, ao longo de décadas, o caráter individualista e
conversionista da religião trazida para o país pelos missionários
estadunidenses de diferentes denominações. Como o hinário Salmos e
Hinos não é somente um ícone, mas serve ainda de base para muitos
dos hinários para o culto protestante no Brasil, o cancioneiro oficial da
Igreja Presbiteriana do Brasil – o hinário Novo Cântico –, é tomado, aqui,
como modelo típico-exemplar do legado do Salmos e Hinos. Corolário:
o puritanismo de O Peregrino está presente nas mentes e nos corpos dos
presbiterianos e de fiéis de outras igrejas pela música. Por meio de
pesquisa documental e bibliográfica, destaca-se a compreensão do
conteúdo de trechos de algumas das letras, notadamente, daquelas
que fazem parte de seções temáticas do Novo Cântico mais ligadas ao
puritanismo. A hinódia protestante adotada evidencia no cotidiano das
congregações que o protestantismo é (e continua a ser) puritano no
Brasil, na maioria das vertentes. A exceção talvez sejam as
denominações que para cá vieram pelos caminhos da imigração e não
pelas missões. A presença de hinos puritanos no cotidiano das igrejas
protestantes brasileiras serve como indício de que todo o conjunto do
puritanismo veio, principalmente, dos EUA para cá. Ademais, o
puritanismo sempre se enxerga como artigo de exportação, haja vista
seu caráer de universalização.
mailto:brenomartinscampos@gmail.com
130
Palavras-chave: Protestantismo; Puritanismo; John Bunyan; Hinários;
Brasil.
POTENCIAL FORMATIVO DO CULTO PENTECOSTAL
Cezar Augusto Flora
FTSA
cezar.flora@ftsa.edu.br
RESUMO: Se, por um lado, as crenças pentecostais são importantes para
a contextualização da experiência do dom o Espírito, por outro lado, a
natureza das práticas constituídas a partir da articulação dos quatro
temas cristológicos – Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e
breve voltará – precisa ser encarada de forma mais significativa, a fim
de que sejam reconhecidos os aspectos irredutíveis dessa dimensão da
espiritualidade. Uma concepção intelectualista de espiritualidade, que
conceba o ser humano primeiramente como uma coisa que pensa, não
dá conta de abarcar o significado irredutível dessas práticas, pois não
encaram profundamente o sentido da corporeidade no contexto da
espiritualidade pentecostal. Nesse sentido, James Smith, filósofo
pentecostal norte americano, ao resgatar a dimensão da
corporeidade, fornece uma concepção de espiritualidade mais
holística, que permite avaliar a irredutibilidade das práticas para a
constituição da espiritualidade em geral, e, em particular, dapentecostal. A partir desse resgate, Smith reconhece um outro tipo de
saber, o saber afetivo, que não tem a ver com as ideias que alimentam
a cabeça, mas com o saber transmitido através das práticas e narrativas
que constituem a nossa navegação pré-teórica pelo mundo. Dessa
forma, “a espiritualidade pentecostal possui uma cosmovisão latente
dentro de si”, um “imaginário social pentecostal”, transmitido pelas
práticas pentecostais. Essas duas dimensões são imprescindíveis para
uma melhor compreensão da espiritualidade do culto pentecostal e seu
potencial de promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Assim, a partir da análise de alguns elementos da liturgia pentecostal,
buscaremos pontuar as possibilidades presentes nessas práticas que, se
exploradas de forma intencional, podem se tornar instrumentos
pedagógicos de formação.
Palavras-chave: Culto; Práticas; Justiça social.
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131
O PASTOR EVANGÉLICO BRASILEIRO: O CONTEXTO ECLESIÁSTICO, O
MOVIMENTO DE CRESCIMENTO DA IGREJA E A FORMAÇÃO DE SUA
SUBJETIVIDADE
JESUS APARECIDO DOS SANTOS SILVA
PUC Goiás
jesusaparecido@hotmail.com
RESUMO: A eleição para a presidência da República no Brasil em 2022
teve uma participação efetiva dos evangélicos, muitos estudiosos já
haviam concluído que o voto dessa camada da população brasileira
tinha sido decisivo nas eleições de 2018. A figura do pastor ficou em
evidência não apenas pelas aparições públicas na televisão e mídias
sociais, mas também pelo uso do nome de Deus em favor de suas
preferências políticas. A mensagem muitas vezes apocalíptica,
baseada no milenarismo teológico, criava pavor em face de uma
destruição iminente. Essa visibilidade no cenário político nacional
suscitou uma série de questionamentos sobre quem é o pastor
evangélico e qual o seu papel perante o seu rebanho e a sociedade
brasileira. Assim como não existe um protestantismo brasileiro, mas
vários, também não é possível falar do pastor evangélico sem levar em
conta a polissemia do termo. Não há uma identidade homogênea para
essa figura religiosa, pois essa identidade está muito relacionada ao
momento histórico brasileiro, bem como à denominação à qual o pastor
está vinculado. Essa identidade outorgada ou autocriada depende do
contexto eclesial de cada pastor. Entendendo como forma de governo
a maneira como as denominações e cada Igreja resolvem seus
problemas temporais e espirituais. Usando o conceito de tipos ideais, nos
limitaremos a três formas de governo eclesiástico: Congregacional (
Democracia Direta), Episcopal ( Da palavra grega epíscopos, supervisor,
que dará origem a uma forma de governo centralizada no Bispo, Papa
ou Presidente ), Presbitério e Concílio ( Democracia Representativa ).
Esse contexto eclesial, contribui de forma significativa para a formação
da subjetividade pastoral. Fará parte dessa análise na formação
identitária do pastor o impacto que teve sobre a Igreja Evangélica
Brasileira, e consequentemente sobre os pastores, o movimento
americano de Crescimento de Igrejas. Esse movimento baseado no
pragmatismo norte americano apresenta a gestão empresarial como
forma eficiente de gerir a Igreja. A racionalidade empresarial capitalista
é trazida e aplicada na mentalidade e na forma de condução da
Igreja, transformando-a numa empresa da fé.
Palavras-chave: Pastores; Profetas; Subjetividade; Igreja; Movimento.
mailto:jesusaparecido@hotmail.com
132
DO ‘TOMAR E COMER’ AO ‘VER’: A PERDA DO REAL SENTIDO EUCARÍSTICO
Tiago Cosmo da Silva Dias
PUC São Paulo
pe.tiagocosmo@gmail.com
RESUMO: A Igreja Católica Apostólica Romana crê e prega que no pão
e no vinho, frutos da terra e do trabalho humano, acontece o milagre
da transubstanciação, ou seja, a partir do momento da consagração,
na qual quem preside atualiza o sacrifício de Cristo, a essência da
matéria – pão e vinho – muda: já não se tem mais pão e vinho, e sim
Cristo, presente real e verdadeiramente tal qual está no céu. Quando o
fiel o recebe, esgota-se o princípio de alteridade, uma vez que aquele
que comunga passa a ser um só com Cristo. Esta é, em linhas gerais, a
essência do dogma eucarístico. Todavia, como resquício de uma
sociedade puramente imagética, este, que é o coração da Igreja, tem
perdido o seu caráter primordial de refeição [=tomar e comer] para se
transformar em mera contemplação [=ver]. De fato, para alguns,
parece ser mais importante ver a hóstia consagrada (e quem ela
contém!), do que propriamente tomar e comer. Esta tendência, por sua
vez, tende a criar dificuldades ainda maiores, porque, por exemplo, já
não importa o culto em si, mas sim quem o presidirá e com que
finalidade (bênçãos, curas, libertações). Além do mais, cria uma fé
totalmente descompromissada com a vida, visto que o “tomar e comer”
traz sérias implicações para a ética cristã, ao passo que o “ver” pode
trazer, tão somente, uma espécie de “alívio instantâneo”, a ponto de,
dali não muito tempo, o fiel necessitar outra vez “olhar”. Esse tipo de
prática, além de não favorecer formação religiosa adequada,
incentiva o comércio religioso: volta-se à época dos ostensórios, das
pompas e do culto à personalidade dos presbíteros. O objetivo,
portanto, é demonstrar o quanto esta perda de sentido, por mais que
consiga reunir as massas, prejudica diretamente a ação pastoral da
Igreja, porque induz a uma fé infantil.
Palavras-chave: Eucaristia; Culto; Refeição.
O HINÁRIO EVANGÉLICO COMO REFERÊNCIA DO CULTO REFORMADO NO
BRASIL (1960-2000)
Daniel Gonçalves do Amaral Filho
Faculdade Teológica Sul-Americana
mailto:pe.tiagocosmo@gmail.com
133
danieldoamaral60@gmail.com
RESUMO: Em 1962 a Confederação Evangélica do Brasil – entidade que
na época reunia várias denominações evangélicas históricas – lançou
a edição definitiva do Hinário Evangélico (HE), uma coletânea de 500
hinos e canções que constituíam um patrimônio musical comum às
diversas igrejas, que por alguns anos o adotaram como hinário oficial.
Em 1977 a Imprensa Metodista adquiriu os direitos sobre o HE, a passou
a publicá-lo com dois suplementos. Além dos hinos, o hinário ganhou
uma coleção de antífonas (leituras responsivas temáticas de textos
bíblicos) e roteiros litúrgicos elaborados pela Igreja Metodista. Esses
roteiros contemplavam diversos modelos de celebração, como: culto
com pregação da Palavra; culto com celebração da Ceia do Senhor;
culto com celebração de batismo de crianças; etc. O objetivo deste
trabalho é compor um quadro comparativo das práticas litúrgicas das
igrejas históricas do campo reformado (presbiterianas, metodistas e
algumas de tradição batista), tomando-se como referência os modelos
propostos pelo Hinário Evangélico em suas edições das décadas de
1970 a 1990. A pesquisa tomou como ponto de partida o livro História
do Culto Protestante no Brasil, de Carl Joseph Hahn, escrito em 1970,
obra que analisa o modelo de culto trazido pelos primeiros missionários
protestantes enviados no século XIX. A estrutura desse culto trazido ao
Brasil tinha, com um esquema Reformado: Adoração – Confissão –
Louvor – Palavra – Envio – Bênção. O ponto alto dos cultos era a
pregação da Palavra, algo normal para igrejas protestantes, com uma
acentuada ênfase individual e emocional. Esse modelo persistiu na
maioria das igrejas evangélicas históricas do Brasil ao longo do século
XX. Nas décadas de 1970 e 1980 os boletins dominicais de diversas
igrejas atestam essa prática. Todavia, nota-se a incorporação de novos
elementos litúrgicos, identificados com os roteiros constantes das
edições do HE, conforme fac-símile de edições do arquivo pessoal deste
autor. Mostraremos que houve uma modificação da ordem do culto de
diversas igrejas, em direção ao modelo Reformado. Algumas partes
foram ou suprimidas ou instrumentalizadaspara outras finalidades,
conforme discutiremos. Apesar das simplificações dos modelos
propostos no HE em relação ao Culto Reformado, seu suplemento
litúrgico cumpriu um papel pedagógico junto a algumas gerações de
pastores e dirigentes de milhares de igrejas evangélicas e protestantes
no Brasil, que dele se utilizaram para a preparação de cultos dominicais
e celebrações diversas em suas comunidades locais. Atualmente, o HE
vem sendo utilizado oficialmente na Igreja Metodista (detentora dos
direitos de publicação) e na Igreja Presbiteriana Unida. A partir de 1990,
diante da ausência de novas edições, as demais igrejas que adotavam
mailto:danieldoamaral60@gmail.com
134
o HE decidiram produzir coleções próprias de hinos e cânticos,
atualizadas com a revisão das letras dos hinos e a inserção de
composições mais recentes, inclusive de autores brasileiros.
Palavras-chave: Culto; Hinário; Liturgia; Metodismo.
O CULTO NAS MÍDIAS DIGITAIS: ESPETACULARIZAÇÃO E MIDIATIZAÇÃO
DA EXPERIÊNCIA SAGRADA
Helen Teixeira Sousa de Abreu
PUC Campinas
htsabreu@gmail.com
RESUMO: O estilo musical chamado de worship é uma importação mais
recente do mundo anglófono, que tem características sonoras
específicas e um forte apelo emocional e espontâneo, que cria uma
atmosfera intimista e emocional durante sua reprodução e é muito
utilizado em cultos evangélicos de todo o país. Esses cultos têm como
características a ênfase na música, na emoção, na condução
carismática e no lúdico e na estetização como formas de expressão
religiosa. Se os cultos já são espetacularizados por causa de seu formato
e emocionalismo, com o processo de midiatização uma nova camada
é adicionada: câmeras e gravadores estão a postos para registrar,
publicar e transmitir as imagens da experiência vivida pelos fiéis ali. Essas
imagens são publicadas e mostradas com uma aura de autenticidade,
como se os dispositivos que as produziram fossem transparentes e não
estivessem ali concretamente, alterando e fazendo parte das dinâmicas
do momento. Ao olhar para elas, tem-se a impressão de estar fazendo
parte de um momento de intimidade que aquela pessoa estava
vivendo. Mas quais são os limites da representação da experiência
religiosa e mística? A consciência da presença da câmera ali, no
momento sagrado, altera a forma com que as pessoas, tanto no palco
quanto fora dele, se mostram e performam as emoções suscitadas pelo
momento de louvor? Buscando incitar essa reflexão, esta comunicação
pretende apresentar conteúdos publicados pela cantora e
influenciadora digital Raphaela Gonçalves, da organização
paraeclesiástica Dunamis Movement, durante o período de janeiro a
março de 2022, e analisar criticamente o papel da música worship nos
cultos-show e nas suas publicações em mídias digitais. Conclui-se que
há uma relação estética com o sagrado tanto nas liturgias dos cultos
quanto na sua representação nas mídias digitais.
mailto:htsabreu@gmail.com
135
Palavras-chave: Worship; Espetacularização do culto; Midiatização;
Dunamis Movement; Influenciadores digitais.
OS AGENTES LITÚRGICOS DO PROTESTANTISMO BRASILEIRO:
ACOMODAÇÕES E TENSÕES
Jacqueline Ziroldo
Faculdade Teológica Sul Americana
jacqueline.ziroldo@ftsa.edu.br
RESUMO: O culto protestante brasileiro pode ser classificado em duas
vertentes, já apontadas por Prócoro Velasquez na década de 1970, mas
que ainda se mantêm atuais: é possível falar em um modelo de culto
litúrgico e em outro não-litúrgico. No primeiro caso as tradições
anglicanas e luteranas, são as maiores representantes, lançando mão
de uma série de símbolos e ritos na celebrações comunitárias. O
segundo grupo é praticamente representado pelas demais
denominações protestantes e pode se encontrar na sua forma mais
típica sob a característica de um esvaziamento litúrgico, notado pela
ausência dos símbolos e ritos. Não é possível afirmar, categoricamente,
que se tenha, sempre, uma distância muito grande entre os dois tipos
puros aqui citados, uma vez que as possibilidades de composição de
elementos e ritos litúrgicos sofre influência direta da demandas locais,
havendo possibilidade de variações dentro de uma mesma
denominação. A par dessas possiblidades e, mesmo as considerando, o
culto que analisamos no presente trabalho é o do tipo não-litúrgico, que
de forma geral se apresenta com elementos cúlticos básicos, como
orações, prédica e música. Esse formato de culto conta com presença
do leigo de forma quase que sistemática. Diante desse contexto, o
objetivo dessa proposta é analisar a presença marcante do leigo nos
cultos protestantes não-litúrgicos, como um fator de aumento na tensão
e conflito dele com o corpo clerical, na luta pela legitimidade de
produção litúrgica. Além desse objetivo geral buscamos, também,
analisar o tipo de trabalho religioso desempenhado por esse leigo no
tocante às suas habilidades, disponibilidade institucional e
reconhecimento comunitário. Para tal nos valemos de análise
bibliográfica - principalmente dos estudos de Pierre Bourdieu sobre o
monopólio da produção religiosa - e de vasto trabalho de campo, já
realizado em inúmeras denominações protestantes do estado de São
Paulo. A partir da análise de campo concluímos que os músicos são os
maiores representantes do trabalho leigo no culto protestante e cada
vez mais têm se destacado no culto, em concorrência direta com o
mailto:jacqueline.ziroldo@ftsa.edu.br
136
exercício pastoral, recortado, de forma quase que total, ao momento
da prédica.
Palavras-chave: Protestantismo; Culto; Produção religiosa; Leigo;
Músico.
O DISCURSO EUCARÍSTICO AO LONGO DO TEMPO: RECORTES DE UMA
PESQUISA
Éder Wilton Gustavo Felix Calado
Faculdade Teológica Sul Americana
eder.calado@ftsa.edu.br
RESUMO: As discussões sobre a Eucaristia permearam os longos anos do
cristianismo até os dias atuais. Durante a antiguidade e a Idade Média,
até a Reforma Protestante, as contendas foram muito sérias, pois tocar
em doutrinas da Igreja Católica poderia significar excomunhão e, em
alguns momentos, morte por heresia. No início da era cristã, os
seguidores de Jesus se baseavam nos relatos que ouviam de outros
cristãos de que Jesus ceou com seus discípulos na noite em que foi
traído e preso, relatos transcritos nas passagens bíblicas de Mateus 26:26-
28; Marcos 14:22-24; Lucas 22:19-20; 1 Coríntios 11:23-25, as quais são a
base para instituição da ceia como ordenança a ser repetida. Esses
textos, juntamente com João 6:51, para alguns, são as bases bíblicas
para as formulações teológicas desde então. Nos primeiros quatro
séculos de cristianismo já é possível observar muitos embates teológicos,
principalmente sobre o pão e o vinho representarem ou se
transformarem em corpo e sangue de Jesus à mesa, com a
consagração pelo sacerdote. Essas discussões perpassaram os séculos,
prevalecendo a compreensão de que os elementos se transformavam
em corpo e sangue, o que resultou na doutrina da transubstanciação,
posteriormente. Apesar disso, interpretações simbólicas da Eucaristia
continuavam aparecendo, de teólogos influentes, bispos da igreja, mas
não foram aceitas pela igreja oficial, pois contrariavam a vontade de
verdade de quem estabelecia as relações de poder. Na Reforma
Protestante, com outras conjunturas políticas (condições de
possibilidade), posições contrárias à transubstanciação apareceram e
não foram derrubadas pela Igreja Católica, afinal, era outro momento,
um período de ruptura política e eclesiástica. Este é o corpus deste
trabalho, o qual tem como objetivo analisar a Eucaristia a partir da
noção foucaultiana de genealogia e de sua teoria sobre o
ordenamento do discurso. Por meio disso, é possível observar que o
mailto:eder.calado@ftsa.edu.br
137
discurso oficial, devido às relações de poder, prevaleceuenquanto as
condições de possibilidade permitiam. Contudo, quando as condições
de possibilidade se modificaram, outro discurso pode ocupar um lugar
impossível até aquele momento.
Palavras-chave: Eucaristia; Discurso; Michel Foucault.
AS GERAÇÕES HUMANAS E SUAS CARACTERÍSTICAS: FACILIDADES E
DESAFIOS NA PRÁTICA DA ESPIRITUALIDADE A PARTIR DO CULTO ONLINE
Francys Resstel Del Hoiyo
EST
francysdelhoiyo@gmail.com
RESUMO: A pandemia da COVID-19 alterou a dinâmica de culto das
comunidades cristãs desde 2020. A utilização das mídias digitais para a
proclamação da fé cristã já ganhava lugar de destaque nas últimas
duas décadas, no entanto, houve uma aceleração neste processo de
virtualização da prática da fé, em especial, a partir de uma
espiritualidade vivenciada em um novo meio, o ambiente on-line. As
mudanças na sociedade e nos perfis das gerações ao longo dos anos
que vem afetando o mercado de trabalho, o processo ensino-
aprendizagem, a convivência social, entre outras dinâmicas; é,
também, realidade nas comunidades cristãs que tem praticado sua fé
em ambiente on-line e com novos desafios, a saber, conseguir ser igreja,
vivenciar os valores da fé cristã, desenvolver a espiritualidade, não mais
em templos que contam com presencialidade, espaço geográfico,
temporalidade, mas neste novo ambiente, que conecta todos e todas
em qualquer tempo e em qualquer lugar. Este estudo tem como
objetivo abordar as características das gerações humanas e suas
facilidades e desafios para a prática da espiritualidade cristã através do
culto on-line, a partir de pesquisa bibliográfica. Neste contexto,
abordaremos desde os baby boomers até a geração Alpha, e cada
geração com suas peculiaridades. Para os Baby Boomers; pessoas que
nasceram pós-guerra mundial, a televisão tornou-se disponível para
uma comunicação em tempo real, mostrou um mundo alternativo com
som e imagens, propiciando outras possibilidades além do rádio. A
Geração X; viu surgir o computador pessoal, a internet, o celular, a
impressora, o Email etc. A Geração Y; tem em média de 20 a 35 anos. A
internet abriu as possibilidades do mundo para que essa geração tenha
mais acesso à informação, comunicação e conhecimento. A Geração
Z; na era digital está totalmente pronta para uma relação com qualquer
mailto:francysdelhoiyo@gmail.com
http://fgv-eaesp.blogspot.com/2011/03/jovens-e-o-mercado-de-trabalho.html?utm_source=redessociais&utm_medium=blog&utm_campaign=fgv-eaesp
138
componente eletrônico e tecnológico. A geração Alpha nasceu
totalmente inserida em uma rotina cercada pela tecnologia, os “alpha”
já nascem conectados em rede, diante de seus olhos está a tela do
tablet, do smartphone. As suas características indicam que sejam muito
mais independentes, e adaptados às novas tecnologias. Os cultos on-
line, com sua liturgia condizente com o mundo digital e sua linguagem,
oferecem mais desafios as primeiras gerações abordadas em relação
as gerações mais contemporâneas. Isto se dá pela naturalidade com
que os “nativos digitais” tratam, compreendem e transitam em
ambiente on-line, em comparação ao esforço empregado pelas
gerações que vieram do analógico e estão sendo impelidas a vida na
virtualidade, especialmente no campo da fé cristã, e no
desenvolvimento da espiritualidade. A proposta deste trabalho é trazer
à reflexão as facilidades e os desafios encontrados na prática da
espiritualidade cristã a partir do culto on-line, levando em consideração
as gerações humanas e suas características.
Palavras-chave: Gerações; Espiritualidade; Culto; Liturgia; Fé.
TEOLOGIA COACHING – OBSERVAÇÕES LITÚRGICAS E TEOLÓGICAS
Samuel Pereira Valério
Faculdade Evangélica de São Paulo
samuelpvalerio@gmail.com
RESUMO: A teologia cristã trata de sistematizar as principais doutrinas cristãs
desde os primeiros séculos do Cristianismo. Diversos expoentes dedicaram
suas vidas à esta tarefa, alguns com grande capilaridade, outros, com
menor influência. Esta dinâmica teológica sempre foi percebida e, diante
disto, deseja-se aqui, apresentar um fenômeno entre os cristãos
evangélicos nos últimos anos, a Teologia Coaching. Este modo de se fazer
teologia, absorve modelos e métodos importados de outras áreas do
conhecimento, sobretudo a psicologia, a economia e o marketing. É
sabido que, em uma era pós-moderna, as ciências contemporâneas
apresentam metodologias cada vez mais diversificadas. No caso da
Teologia Coaching, o método é esta incorporação do estímulo, da
centralidade do indivíduo, utilizando suas potencialidades como forma de
atingir uma vida financeira prospera. Ainda, o marketing, é uma
ferramenta importante neste processo, uma vez que a pessoa necessita
expor suas ideias em um mundo cada vez mais digital. O resultado desta
mescla de conteúdos, é um tipo singular de modelo eclesiástico
evangélico que tem emergido no século 21. Igrejas que o enfoque está no
mailto:samuelpvalerio@gmail.com
139
ser humano, remodelando o que conhecíamos como igreja, que
enfatizava a coletividade. Apresentar-se-á dois expoentes deste modelo,
o pastor e coaching Tiago Brunet e o pastor Carlito Paes. Brunet promove
eventos com o enfoque do coaching, sendo mentor de diversas pessoas,
entre elas, algumas celebridades. Paes, por sua vez, desenvolveu a Rede
Inspire, angariando pastores e líderes das mais diversas denominações e, a
rede tem se tornado uma espécie de denominação interdenominacional,
onde apresenta modelos de uma igreja influente para o nosso tempo.
Como fruto dessas influências, muitas igrejas rompem teológica e
liturgicamente com suas denominações, promovendo seus trabalhos de
forma autônoma, na comunidade local, suas mensagens sempre são
motivacionais e as liturgias cúlticas, antropocêntricas.
Palavras chaves: Teologia Coaching; Pós-modernidade; Igreja; Teologia;
Liturgia.
140
ST 12 – NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS E
ESPIRITUALIDADES LAICAS
Clóvis Ecco
PUC Goiás
clovisecco@uol.com.br
Claudia Danielle de Andrade Ritz
PUC Minas
claudiaritz7@gmail.com
Fábio L. Stern PUC SP
omarperrout@yahoo.com.br
Omar Lucas Fortes de Sales
Faculdade Alfa Unipac
omarperrout@yahoo.com.br
Esta ST objetiva acolher trabalhos que visam compreender as
características assumidas pela religião na sociedade contemporânea,
a partir de diferentes perspectivas teóricas no âmbito das ciências
sociais e da religião. Almeja lançar luzes sobre as bricolagens e
interlocuções feitas pelos novos modos de lidar com os novos modos de
expressão/vivência da espiritualidade, as denominadas espiritualidades
laicas– entre as quais o advento dos sem religião, nova era e dos novos
movimentos religiosos – e os processos de privatização da religião.
Pretende-se reunir tanto trabalhos que lidam com dados empíricos,
como também aqueles que levantam questões teóricas pertinentes,
suscitando o diálogo com outras ciências. Serão aceitas comunicações
frutos de pesquisa sobre as novas formas de espiritualidade, os “novos
movimentos religiosos” e as transformações, arranjos, rearranjos,
mailto:clovisecco@uol.com.br
mailto:claudiaritz7@gmail.com
mailto:omarperrout@yahoo.com.br
mailto:omarperrout@yahoo.com.br
141
diálogos e interlocuções feitas no âmbito das espiritualidades não
religiosas com vistas à constituição de sentido.
A LITERATURA DA MULHER E A CONTINUIDADE DO SER
Marta Bonach Gomes
PUC Goiás
marthabonach@gmail.com
Clóvis Ecco
PUC Goiás
clovisecco@uol.com.br
RESUMO: A partir de uma interpretação integrada entre a literatura,
religião e arte estabeleceu-se uma análise do Poema ‘Todas as Vidas’
da escritora goiana Cora Coralina. A autora lírica goiana dá voz ao
corpo feminino de maneira a afastar-se do jugo patriarcal. O textode
abertura trata-se da poética de uma mulher da terra, empoderada de
si e de uma linguagem a uma nova possibilidade de articulação
feminina universal e expressa linhas de força numa imersão na vida de
seu ser cotidiano-comum ‘mulher do povo’. Ela vem lá do sertão com o
vislumbre da interpretação do interior e com narrativas literária, espiritual
e artística, tem-se assomado em considerável influência até os dias
atuais na literatura feminina no Brasil contemporâneo. Ao examinar
diferentes dimensões a partir de uma interpretação integrada entre
memória e literatura, privilegia-se o percurso da autora sobre o
imaginário e sobrepõe mundos diversos, caminha entre passado e
futuro. Embora a atuação pública de Cora Coralina se localiza em
campo artístico-cultural o texto evolui na perspectiva que transfigura a
totalidade de sua existência. Esta via teoriza grupos sociais em sua
concepção percorrendo por lugares na/da poesia da autora,
clareando impasses e tendências do interior goiano. A provocação a
ser desenvolvida na última parte do texto levanta hipóteses e pista nas
perspectivas: de que a voz feminina literária enriquece a ação
científica e de que historicamente, fomenta uma nova possibilidade de
articulação da mulher do povo e suas facetas, segundo uma relação
de presença na busca de suas raízes na tradição, cultura e
espiritualidades, cuja obra reflete sua leitura de mundo e de si mesma.
Palavras-Chave: Memória; Teorias Religiosas; Classe Social; Escrita
feminina.
mailto:marthabonach@gmail.com
mailto:clovisecco@uol.com.br
142
PESSOAS SEM RELIGIÃO: AGNÓSTICOS, ATEUS E SEM RELIGIÃO COM
CRENÇA A AUSÊNCIA DA RELIGIÃO E A ARTE COMO ASPECTOS
IDENTITÁRIOS
Claudia Danielle de Andrade Ritz
PUC Minas
claudiaritz7@gmail.com
RESUMO: Esta comunicação é parte integrante da pesquisa de
doutorado que versa sobre o fenômeno dos sem religião. Neste estudo
apresentamos dados referentes aos agnósticos, ateus e sem religião
com crença, por meio das contribuições destes participantes sobre as
preferências pessoais de lazer, indicando alguns aspectos da
identidade desses indivíduos. Consideramos a identidade como um
processo dinâmico e parte integrante da (re)composição da memória
do indivíduo. As preferências de lazer nos permitem conhecer traços da
identidade pessoal. A metodologia utilizada foi mista, composta pelos
referenciais teóricos de Danièle Hervieu-Léger (2015) e Stuart Hall (2019),
além da pesquisa de campo realizada por questionário estruturado
digital com discentes da PUC Minas. A partir das contribuições dos
agnósticos, ateus e sem religião com crença, notamos que as atividades
compreendidas no escopo da arte são privilegiadas por estes indivíduos.
Outrossim, verificamos que não houve menção à religião, tampouco às
práticas religiosas e/ou espirituais como preferência pessoal. De acordo
com os dados, concluímos que há um sugestivo esvaziamento da
religião nas preferências pessoais dos indivíduos sem religião,
confirmando a fragilização da herança religiosa nesses indivíduos e
significativo processo de desinstitucionalização e recomposição da
memória religiosa.
Palavras-chave: Agnósticos; Ateus e sem religião com crença;
identidade; Arte; Religião; Desinstitucionalização.
NOVAS RELIGIÕES E PRÁTICAS ALIMENTARES: CONSIDERAÇÕES SOBRE A
SEICHO-NO-IE DO BRASIL
João Paulo P. Silveira
UEG
joao.paulo@ueg.br
RESUMO: Esta comunicação discute alguns resultados de pesquisa
dedicada à compreensão das coordenadas alimentares propostas
mailto:claudiaritz7@gmail.com
mailto:joao.paulo@ueg.br
143
pela Seicho-no-ie, nova religião de origem japonesa fundada no Japão,
em 1930, por Masaharu Taniguchi. A partir do diálogo entre os estudos
das religiões e aqueles a respeito da alimentação, compreende-se que
as inovações religiosas contemporâneas podem responder às
interpelações produzidas pela crise do aparelho normativo que
estruturava as práticas alimentares nas sociedades tradicionais, isto é,
inovações religiosas como a Seicho-no-ie podem ofertar a sensação de
segurança no contexto das ansiedades e discursos diversos e
contraditórias que caracterizam o que os sociólogos chamam de
“modernidade alimentar”. Assim como outras novas religiões e
espiritualidades menos institucionais que advogam uma cosmologia
holística, a Seicho-no-ie propõe o abandono da dieta carnívora. Sua
doutrina insiste na relação harmoniosa entre a humanidade e o restante
da natureza a partir da mesa. Ao vincular a realização espiritual às
práticas alimentares, a Seicho-no-ie testemunha a presença da religião
em aspectos da experiência contemporânea que, usualmente, são
negligenciadas por abordagens habituadas às configurações e
instituições religiosas majoritárias.
Palavras-chave: Seicho-no-ie; Novas Religiões Japonesas; Alimentação.
TEOLOGIA PÚBLICA: O AVANÇO DOS EVANGÉLICOS NA BAIXADA
FLUMINENSE E OS IMPACTOS CULTURAIS E SOCIAIS
Carlos Alberto da Silva Barreto
Estácio de Sá
casbseguros@hotmail.com
RESUMO: Os últimos trinta anos percebe-se notoriamente o avanço
demográfico e espacial urbano por parte dos evangélicos na Baixada
Fluminense segundo o IBGE 2010, impactando o cenário cultural e as
questões sociais a partir de uma pluralidade denominacional com
teologia, doutrina e uso e costumes diversos, que vem ocupando
espaço religioso de forma protagônica em relação as outras crenças.
Mesmo que o censo realizado pelo IBGE indique a majoração de
católicos, em alguns municípios da Baixada Fluminense no Rio de
Janeiro observa-se muito mais templos evangélicos do que igrejas
católicas, também as religiões de matrizes africanas deu uma reduzida
nos últimos vinte anos, contribuindo para uma inserção cultural e social
de âmbito evangélico, como por exemplo, o dia da Bíblia comemorado
por muitas igrejas evangélicas nas praças dos bairros, o dia dos santos
católicos Cosme e Damião que povoavam as ruas de crianças atrás dos
mailto:casbseguros@hotmail.com
144
doces e hodiernamente, a maioria das crianças passam o dia nas igrejas
evangélicas neste dia por entender que os doces distribuídos nestes dias
são oferecidos a demônios. O objetivo desta breve comunicação visa
compreender as mudanças em diversas esferas e como a teologia
pública pode intermediar e dialogar dentro dos espaços evangélicos e
demais religiões entendendo a laicidade em prol de uma sociedade
mais saudável nas relações interpessoais e intrapessoais. A metodologia
trata-se de uma pesquisa exploratória de caráter bibliográfico com
informações sobre crescimento demográfico evangélico na Baixada
Fluminense e suas transformações nas relações com outras religiões,e
também as esferas, culturais e sociais com o diálogo de autores da
teologia pública. Quanto aos resultados, acredita-se que nesta
comunicação observa-se, a importância do diálogo das igrejas
evangélicas com a teologia pública em detrimento ao avanço
pluralizado das denominações sem uma identidade cristã,
possibilitando uma relação ecumênica saudável na região, efetivando
uma respeitabilidade mútua nas relações religiosas e demais esferas.
Contudo, nesta comunicação procura observar a intermediação entre
teologia pública para a quebra de paradigmas expondo a importância
bíblica nas relações interpessoais e intrapessoais, resultando em bons
frutos de amor ao próximo independente do credo religioso. Conclui-se
que, o diálogo e praticidade da teologia pública contribua nas relações
religiosas de forma ecumênica em prol de uma relação salutar
mediante ao avanço significativo dos evangélicos na região da
Baixada Fluminense.
Palavras-chave: Teologia Pública; Igreja; Evangélicos.
A RELIGIÃO E O PROCESSO DA INCLUSÃO OU DE EXCLUSÃO DA
DIVERSIDADE AUDITIVA NA PASTORAL DO SURDO NO BRASIL
Érica Nelcina da Silva
PUC Goiás
ericanellcin@gmail.comRESUMO: A inclusão dos surdos nas ações cotidianas da vida religiosa é
um dos grandes desafios para das comunidades religiosas no Brasil. O
objetivo deste trabalho é analisar o processo de inclusão (ou de
exclusão) dos surdos na Igreja Católica, a partir da atuação da Pastoral
do Surdo no Brasil. Queremos identificar as propostas político-religiosas
de inclusão adotadas por lideranças religiosas católicas e investigar a
participação efetiva dos surdos nas Igrejas, bem como as estratégias
mailto:ericanellcin@gmail.com
145
adotadas pelos movimentos católicos para promover a ligação dos
surdos com o sagrado. Questionamos se a participação nas atividades
da pastoral dos surdos colabora para que o surdo se sinta mais incluído
socialmente, de modo a reforçar sua dignidade. A metodologia
utilizada foi uma pesquisa online, com entrevistas semiestruturadas com
um recorte temporal no ano de 2022, juntamente com uma pesquisa
bibliográfica em estudos publicados sobre a tema. Seguimos quatro
etapas nessa investigação, aprofundando em cada uma os conceitos
e aplicando-os à pesquisa empírica: religião, exclusão, inclusão e
Pastoral do Surdo. Os conceitos foram debatidos a partir das
contribuições de Emile Durkheim, Max Weber, Otto Marques da Silva,
Romeu Kazumi, Maria Teresa Eglér Mantoan, César Augusto de Assis
Silva, Luiz Carlos Dutra, Karin Lillian, Strobel, Campanha da Fraternidade
2006, Serge Paugam, Simon Schwartzman, além da legislação inclusiva
que é referência nesse tema. Para melhor conhecer a realidade vivida
pelos surdos foi realizado um estudo empírico através da aplicação de
um questionário contendo doze perguntas abertas e fechadas. O
questionário foi submetido a três grupos diferentes de pessoas
envolvidas na problemática: os agentes da Pastoral dos Surdos, os
surdos que frequentam a Pastoral dos Surdos do Brasil e lideranças
religiosas católicas responsáveis por atividades de inclusão dos surdos. A
pesquisa de campo foi realizada de forma não presencial, online via
WhatsApp, nas 19 regionais da Pastoral do Surdo da Igreja Católica no
Brasil. Foram realizadas 162 entrevistas com representantes dos três
grupos mencionados. Além disso, foi realizada uma pesquisa com
perguntas em Libras gravadas em vídeo e enviadas aos participantes.
Os dados colhidos e analisados permitiram afirmar que, para os surdos,
a Pastoral do Surdo constitui uma modalidade de inclusão na
comunidade religiosa e, por meio dela, no restante da sociedade
brasileira.
Palavras-chave: Religião; Exclusão; Inclusão; Pastoral do Surdo.
A IDENTIDADE RELIGIOSA E POÉTICA NA POETISA GOIANA LEODEGÁRIA
DE JESUS
Cosme Juares Moreira Streglio
PUC Goiás
cosmefilosofia@gmail.com
RESUMO: Leodegária Brazilian de Jesus é considerada uma das primeiras
mulheres goiana e negra a ter um livro de poesia publicado em Goiás.
mailto:cosmefilosofia@gmail.com
146
Filha de ex-seminarista, a jovem poetisa recebeu uma educação
religiosa de qualidade e que ela desenvolvesse a habilidade para a
contemplação e o gosto pela poesia. O objetivo da presente
comunicação é apresentar uma análise de um poema que chama
“Semana Santa” dividido em quatro partes: Horto, Pretório, Carregando
a Cruz e Calvário. Tal poema se encontra no livro ‘Orquídea” produzido
em 1928. A poetisa Leodegária, segundo Basileu França foi uma mulher
que expressava a espiritualidade e que diante das dificuldades da vida
nunca murmurou e se colocou em postura de escuta. Diante destas
informações iremos apresentar a biografia da poetisa, traçando
aspectos importantes entre a trajetória da jovem poetisa, sendo uma
das primeiras mulheres goiana/negra a publicar um livro de poesia em
Goiás, superando barreiras do coronelismo goiano. Ela foi fundadora e
coordenadora de semanários e eventos culturais em Goiás, época em
que cabia somente aos homens se manifestarem no espaço público.
Sua opção por escrever poemas numa perspectiva religiosa ao abordar
os sofrimentos de Cristo e como esta temática poética pode influenciar
na vida da poetisa. Conclui-se que a poetisa ao escrever o poema
“Semana Santa” passou por momento de maturidade pessoal e
espiritual e que sua crença se consolida quando diante das
dificuldades, a poetisa passa a vivenciar o sagrado no martírio e
também na ressurreição.
Palavras-chave: Leodegária; Poema; Semana-Santa; Sagrado.
DEFESA E PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS COMO FONTE DE
ESPIRITUALIDADE
Moésio Pereira de Souza
PUC Goiás
pmoesio@gmail.com
RESUMO: Uma das marcas do cenário pós-moderno pode ser
identificada pela plasticidade de formas e expressões por meio das
quais o sujeito vai se constituindo enquanto tal. Dessa forma se chega a
recuperar um espaço propício para compreendermos a espiritualidade
enquanto dimensão humana, antes que religiosa. O que não significa
negar o estreito vínculo que une religião e espiritualidade. Por isso, o que
se postula em nossa pesquisa emerge da suspeita de que a
espiritualidade pode e deve ser um verdadeiro canal humanizador até
mesmo para pessoas que não professam uma fé religiosa, mas
encontram algo que lhes fornece um sentido para suas vidas. A partir
mailto:pmoesio@gmail.com
147
daí propomos que a defesa e a promoção dos direitos humanos sejam
compreendidas como uma verdadeira espiritualidade humana e, para
muitos, também religiosa. A pesquisa bibliográfica empreendida, tanto
nas fontes diretamente ligadas ao tema da espiritualidade quanto ao
dos direitos humanos, nos permitem propor essa estrada. Não faltam
pessoas no mundo todo, de diferentes raças e religiões que encontram
na defesa e promoção dos direitos humanos fundamentais uma razão
de viver. Muitas são as pessoas religiosas que também se dedicam a
esse fim impulsionadas pela sua fé que afirma que todos os seres
humanos são criados por Deus e por isso possuem uma dignidade
inalienável.
Palavras-chave: Direitos Humanos; Espiritualidade; Religião.
RELIGIÃO: UMA ENGENHARIA AXIOLÓGICA REFINADA À LUZ DA
EPISTEMOLOGIA AXIOLÓGICA DE MARIÀ CORBÍ
Milene Costa dos Santos
PUC Minas
santosmc@hotmail.com
RESUMO: No espectro das relações entre religião e a cultura indaga-se:
Por que a mudança cultural nas sociedades dinâmicas –
tecnocientificas – transformam o valor da religião como orientadora da
vida cotidiana? Com este objetivo assume-se que a religião carregava
consigo um programa de valor que interpretava a realidade e orientava
o pensar, o sentir, o agir e se engendrava como organizadora social por
meio das narrativas mítico-simbólicas. Assume-se, também, que as
mudanças que engendraram as sociedades tecnocientificas estão
relacionadas a alterações na epistemologia, isto é, na maneira
contemporânea de se conceber e manejar a realidade. Daí, faz-se
importante refletir sobre a base da transformação do valor religioso e
sua relação com esta mudança epistemológica. Para fazer
aproximações possíveis e viáveis que desvelem a questão, propõem-se
quatro reflexões, à luz da epistemologia axiológica de Marià Corbí como
metodologia. A primeira contempla o conceito de religião nas
sociedades pré-industriais como programa axiológico coletivo. A
segunda desenvolve a ideia de que a religião cultiva uma
epistemologia inadequada para as sociedades de inovação contínua,
isto é, a epistemologia mítica. A terceira analisa que as sociedades que
são regidas pela ciência e tecnologia exigem uma epistemologia não
mítica e a construção de novos programas axiológicos coletivos. E, por
mailto:santosmc@hotmail.com
148
fim, conclui-se que a transformação do valor religioso como engenharia
axiológica refinada abre espaço para aprender a ler os textos religiosos
como patrimônio de sabedoria da humanidade e não como
pertencentes ao domínio institucional religioso.
Palavras-chave: Epistemologia axiológica;Marià Corbí; Transformação;
Religião e cultura;
OS PERFUMES DE HERMES: AS DIFERENTES APARIÇÕES DO DEUS NOS HINOS
E CULTOS ÓRFICOS.
Jaqueline da silva
RESUMO: Durante a antiguidade Hermes era uma das divindades mais
difundidas no imaginário grego. Isso se deve graças ao deus ser uma
das divindades olimpianas benévolas e veneradas por todos. As fontes
clássicas contêm a presença de Hermes de diversas formas e efetuando
diversos tipos de aparições utilizando seus domínios em prol da narrativa
apresentada. Porém uma fonte peculiar e pouco trabalhada em
relação ao deus seria os Hinos Órficos atribuídos a figura de Orfeu, onde
Hermes é o único deus que possui dois Hinos atribuídos a ele. A figura de
Hermes é apresentada de duas maneiras completamente diferentes,
em um ele é uma divindade benévola e Olimpiana, que abençoa e
ajuda os homens mortais sendo também hermeneuta e trazendo a paz
aos homens. No segundo hino, o deus é perverso e ctônico,
encarregado de guiar Perséfone e as almas imortais dos homens. Neste
trabalho buscaremos trabalhar a presença do deus nos Hinos Órficos,
onde faremos um estudo comparado da divindade em suas duas
aparições em “perfume de Hermes” e “perfume de Hermes ctônico”,
com o objetivo de entender sua representação no imaginário grego do
mundo antigo.
Palavras-Chave: Imaginário; Representação; Símbolos; Comparação;
Hermes.
POLÍTICA NA PÁGINA HUMOR NEW AGE
Fábio L. Stern
PUC São Paulo
caoihim@gmail.com
mailto:caoihim@gmail.com
149
RESUMO: As religiões também possuem marcadores sociológicos de
ideologia política. Como a Nova Era é multifacetada e descentralizada,
nem todos os praticantes têm opiniões políticas alinhadas a uma
ideologia em particular, não sendo incomuns discursos êmicos entre os
esotéricos de que eles não são nem de direita, nem de esquerda.
Porém, certos aspectos do esoterismo novaerista têm sido cooptados
por movimentos políticos, particularmente os da extrema-direita. Em
artigo publicado na Caminhos em 2022, foi demonstrado como Luiz
Antonio Gaspareto, um dos principais expoentes da Nova Era brasileira,
difundia ideias do anarcocapitalismo, vertente política alinhada à
extrema-direita. A obra de Goodrick-Clark demonstra como o nazismo
abraçou elemento do hermetismo e outras tradições esotéricas como
parte de uma ideologia maior que promovia o tradicionalismo, o
nacionalismo e o autoritarismo. Do mesmo modo, Hanegraaff explica
que enquanto um movimento de massas com capacidade de adotar
diversas formas para se adaptar a necessidades de cada sociedade
local, o fascismo também encontrou ressonância na Nova Era, em
especial pelo discurso de “poder do povo”. Entretanto, a página Humor
New Age demonstra um alinhamento político de esquerda, com piadas
que claramente se opõem a movimentos políticos da direta. No
presente estudo, apresentamos um estudo das piadas sobre política
num período analisado que correspondeu de 1º de junho de 2020 a 27
de março de 2022. 72 memes com a temática política foram
identificados no período analisado, com 50.070 engajamentos. Ao se
comparar o engajamento das piadas sobre política de viés esquerdista
com os outros tipos de piadas da página, notou-se que memes sobre
política com viés de esquerda gerava engajamentos negativos, que
criticavam o teor antibolsonarista das piadas, dizendo que críticas ao
Bolsonaro nada tinham a ver com a Nova Era. Em outras palavras, ainda
que os donos dessa página em específico sejam de esquerda, o público
novaerista que consumia seu conteúdo não gostava do teor das piadas
que zombavam da direita brasileira, criticando o site a cada meme
postado nesse sentido. Embora esse tenha sido um estudo pontual,
pesquisas futuras seriam interessante para corroborar a hipótese que
havia sido já apresentado na publicação do artigo na Caminhos, que
apontava certa predileção do movimento da Nova Era brasileiro a
pautas da direita política.
Palavras-chave: Religião e política; Movimento da Nova Era; Religião e
humor; Religião e Internet.
150
DO IDEAL AO REAL: A COLUNA DE SALVAÇÃO – AGRICULTURA E
ALIMENTAÇÃO ORGÂNICA NATURAL NO JOHREI CENTER NA CIDADE DE
GOIÂNIA
Janaina Josias de Castro
PUC Goiás
janainajosiascastro@gmail.com
RESUMO: Este estudo busca apresentar as relações entre Alimentação e
Religião, na Igreja Messiânica Mundial (IMM), em particular no Brasil na
unidade religiosa da cidade de Goiânia – Go, conhecida como Johrei
Center Extensão Goiânia. A pesquisa busca interpretar e compreender
os ensinamentos deixados pelo fundador da Igreja Messiânica Mundial
(IMM), Meishu Sama, em relação à segunda coluna de salvação que é
a Agricultura e Alimentação Orgânica Natural, a fim de problematizar
as diferenças de concepções alimentares entre os brasileiros e o que é
valorizado pela Igreja Messiânica. Logo, partimos para uma
compreensão da trajetória de como a alimentação se constitui
historicamente no Brasil, e mais especificamente em Goiás, o que
chamamos de habitus alimentar, a fim de esclarecer as afinidades
eletivas entre a motivação dos adeptos da IMMB em levar a cabo (ou
não) a coluna de salvação voltada para a alimentação saudável.
Como percurso metodológico, foram construídos tipos ideais dos
sentidos possíveis atribuídos à alimentação no contexto goiano, a partir
da história local, a fim de comparar com os sentidos atribuídos pelos
messiânicos, a partir da reconstrução da trajetória de vida e observação
participante dos membros do Johrei Center Extensão Goiânia. Para a
análise utilizou-se cinco tipos ideais do ethos goiano fundado no habitus
caipira: ligado ao consumo de alimento natural; ligado ao sustento;
ligado ao status; pouco habituado a alto investimento em alimentação;
espiritualialista e ecológico.
Palavras-chave: Religião; Alimentação; Agricultura orgânica natural;
Messiânicos.
A CIDADE E A MEMÓRIA COLETIVA COMO FOMENTADORAS DA
SOCIABILIDADE ENTRE OS/AS ROQUEIROS/AS SEM RELIGIÃO NAS TRIBOS
URBANAS HEADBANGERS EM BELO HORIZONTE
Flávio Lages Rodrigues
PUC Minas
flavioposttrevor@yahoo.com.br
mailto:janainajosiascastro@gmail.com
mailto:flavioposttrevor@yahoo.com.br
151
RESUMO: Nesta comunicação apresentamos um fragmento do capítulo
2 da tese de doutorado, com as possibilidades que a cidade e a
memória coletiva podem fomentar na sociabilidade dos diversos grupos
sociais e das tribos urbanas. No recorte proposto, analisamos como a
cidade com seus diversos locais, aparelhos públicos e seus limites
geográficos, podem de alguma forma potencializar a socialidade dos
diversos grupos sociais que compõem o tecido urbano, no qual, o
contexto citadino se apresenta como espaço fértil para a construção e
vivência de uma memória coletiva com as diversas agremiações
sociais. Nossa hipótese procurou identificar se há algum tipo de
espiritualidade não religiosa na sociabilidade que é gerada na
solidariedade dos/as roqueiros/as sem religião que estão nas tribos
urbanas headbangers em Belo Horizonte. A metodologia utilizada nesta
parte da pesquisa ocorreu com a revisão bibliográfica e teve como
principal teórico o sociólogo francês Michel Maffesoli. Quanto à
ocorrência da espiritualidade não religiosa na solidariedade gerada
pela música rock, com o heavy metal e seus subgêneros entre os/as
roqueiros/as sem religião, nossa hipótese foi comprovada pela maioria
dos participantes da pesquisa, o que também foi verificado com a
cidade como geradora desse tipo de espiritualidade não religiosa. No
entanto, salientamos que isso não ocorreu de forma unânime. A
pesquisa também contribui para as Ciências da Religião, ao ver o grupo
dos/as roqueiros/as sem religião não mais com uma prática individual
no contexto de uma grande cidade, mas aponta neste caso, para
contornos que tomam forma coletiva com a criaçãode uma memória
que é própria desse grupo.
Palavras-chave: Cidade e memória coletiva; Roqueiros/as sem religião;
Espiritualidade não religiosa e solidariedade.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS: ASPECTOS DA
ESPIRITUALIDADE NO ENEAGRAMA
Paulo Sérgio de Souza
PUC Goiás
freipaulosergio@gmail.com
RESUMO: Este breve estudo tem como escopo apresentar o Eneagrama,
uma tradição oral antiquíssima que, atravessando os séculos e a história,
chegou até nós de maneira a expandir conhecimento e colaborar com
o desenvolvimento da humanidade. A metodologia aplicada será a
revisão de literatura, apresentando aspectos históricos e a construção
mailto:freipaulosergio@gmail.com
152
desta ferramenta, denominada por muitos como um mapa
psicoespiritual, devido sua grande abrangência. O objetivo do estudo é
apresentar como a Espiritualidade é percebida nos estágios mais
avançados do Eneagrama, justamente quando se faz necessário ao
indivíduo romper com a personalidade (Tipos), estabelecendo uma
abertura à consciência. Algumas práticas espirituais como a meditação
e respiração consciente favorecem esta comunhão com o
Transcendente. Dessa maneira, o Eneagrama capacita o indivíduo a
romper com as crenças limitantes e a desconstrução da falsa imagem
de Deus enquanto projeção do seu próprio Tipo.
Palavras-chaves: Eneagrama; Espiritualidade e Eneagrama;
Desenvolvimento humano.
AS NOVAS IDENTIDADES RELIGIOSAS - COMPREENSÃO DO FENÔMENO
DAS PESSOAS SEM RELIGIÃO NA CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES FLUÍDAS
Angela Trombetta
Graduanda em Direito – PUC Goiás
angelatrombetta.tr.at@gmail.com
RESUMO: O objeto aqui estudado reside no fenômeno de manifestação
das identidades religiosas que chamou atenção de pesquisadores de
todo o Brasil, desde o Censo do IBGE em 2010. Conhecido
academicamente como fenômeno dos “sem religião”, trata da
crescente construção fluída das identidades religiosas, no qual as
pessoas não mais se identificam com as instituições religiosas
tradicionais, entretanto, buscam ainda sentido religioso para a vida,
sentido esse que não é mais passado de forma tradicional, mas sim
construído segundo a trajetória do sujeito que se enxerga como “sem
religião”, ainda que possui religiosidade. A proposta desta pesquisa é
observar o fenômeno sob a perspectiva sociológica e das ciências da
religião, que estudam a configuração e construções de identidades
fluídas em face às consequências da modernidade, objetivando
entender as razões pelas quais o grupo de pessoas que tem fé e rompe
com as instituições religiosas cresce continuamente no Brasil e no
mundo. A metodologia empregada localiza-se na contribuição
científica do método crítico de teste dedutivo, produzindo contribuições
que não pretendem ser cristalizadas e irrefutáveis, mas sim, fazer parte
de constante acúmulo no fazer científico. Busca também os significados
sociológicos e religiosos desses eventos em grupos sociais que se
fundamentam nas próprias características da modernidade e
mailto:angelatrombetta.tr.at@gmail.com
153
construção de identidades, baseando-se método qualitativo de
observação do fenômeno e das falas dos sujeitos que vivificam o
mesmo. Foi observado que a sociedade moderna tem sido
caracterizada por mudanças significativas nas tradições religiosas, o
que tem resultado em um crescente movimento de crítica, e, por vezes,
até mesmo a quebra do elo com as instituições religiosas tradicionais,
criando novas formas de expressar sua fé. Uma das importantes
características da modernidade que ecoam nas identidades religiosas
é a reflexividade, detalhada por Giddens (1991), explica como na
modernidade as pessoas têm mais poder para moldar suas próprias
vidas, criando novas formas de expressão de religiosidade que se
adequam aos seus pensamentos e experiências pessoais ao invés de se
basearem às regras das instituições religiosas tradicionais.
Palavras-chave: Identidades fluídas; Sem religião; Identidades religiosas.
154
ST 13 – JUVENTUDES E RELIGIOSIDADES: INTERFACES,
CENÁRIOS E TENDÊNCIAS
Igor Adolfo Assaf Mendes
Centro Universitário UMA
assaf.igor@gmail.com
Flávio Munhoz Sofiati
UFG
sofiati@gmail.com
Joilson de Souza Toledo
PUC Goiás
mistagogo@yahoo.com.br
As juventudes são nas sociedades contemporâneas como um espelho
que permite ver de forma ampliada tendências e perspectivas
presentes. Também são significativas produtoras de expressões artísticas
onde manifestam várias maneiras de ser jovem e, em algumas situações,
de vivenciar o sagrado. Nas juventudes, igualmente, residem forças
sociais que grupos, tendências e movimentos disputam buscando
acioná-las para suas causas e agendas. Desta forma, a investigação
sobre a interface juventudes e religiosidades é instrumento importante
para a ampliação da compreensão a respeito da sociedade
contemporânea ao apresentar tendências e perspectivas para os
fenômenos sociais. O Programa de Pós-graduação em Ciências da
Religião da PUC Goiás tem o legado de promotor dessas perspectivas
ao longo de mais de duas décadas de existência e contribuiu
significativamente para as pesquisas sobre a interface juventudes e
religiosidades, em especial no campo do Cristianismo da Libertação.
Atualmente é um dos PPG com maior concentração de pesquisas nesse
tema na área de Ciências da Religião e Teologia. Sendo assim, este
mailto:assaf.igor@gmail.com
mailto:sofiati@gmail.com
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
155
simpósio temático se propõe a acolher pesquisas que versem sobre a
interface juventudes e religiosidades, em especial as que tratem sobre
as produções artístico-culturais, nos vários campos do saber.
A JUVENTUDE E O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO: O RETROCESSO DE UMA
POLÍTICA DESUMANIZADORA
Tiago Sant’Ana Cezar
PUC RIO
tiagosantanacezar@gmail.com
RESUMO: Nos últimos cinco anos temos presenciado um engajamento
político por parte da juventude que assombra os progressos adquiridos
nos tempos de esperança democrática. Jovens que não apenas
flertaram, mas absorveram e proclamaram em alto e bom som, os
discursos fundamentalistas, acentuando os retrocessos de uma
metafisica violenta, unilateral, antidemocrática, que carrega sobre si, a
alcunha de protetora da verdade absoluta, mas que
contraditoriamente, endossa os corredores das fake News. Os seus
discursos herméticos anulam o saber dialogal, como é próprio do
fundamentalista, pois a verdade é apenas a sua, não há o que acrescer
com as diferenças. O engajamento da práxis cristã, por sua vez, é
mantida com suspeita e denunciada como mera atitude a
propagandear uma política partidária. Inclinar-se diante da causa do
necessitado é, para esses, uma bandeira assistencialista. A aporofobia
segue resoluta nas conversadas eivadas de meritocracia. O reino de
Deus e a esperança que este anuncia ao mundo é reduzida a um
conjunto de dogmas e ritos repetidos ao comando da classe
dominante. Saímos de um tempo de descrença em Deus, para a pós-
modernidade que se abre a experiência do Sagrado no conjunto de
suas percepções e, por fim, numa anacronia existencial, vemos diante
de nossos olhos os bastiões da Idade Média construindo a imagem de
Deus à semelhança dos seus famigerados e violentos Imperadores que
subjugavam religiosa, econômica e socialmente, homens e mulheres
das terras conquistadas. Portanto, qual seria algumas justificativas para
o retorno de um movimento religioso autocentrado nas demandas
exclusivamente religiosas e não humanizadas? Por que o
fundamentalismo religioso ainda inflama e conclama novas vozes?
Qual a ligação do Bolsonarismo e as juventudes cristãs? A presente
comunicação parte de uma pesquisa em andamento que intenta
investigar a juventude cristã, apartir da das expressões da violência
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
156
discursiva e prática. Apresenta objeto, hipóteses iniciais, ferramentas,
análise e inquietações advindas dos primeiros passos da pesquisa.
Palavras-chave: Fundamentalismo; Juventude; Bolsonarismo; Violência;
Reino de Deus.
“É PRECISO ORGANIZAR A ESPERANÇA”: UMA FERRAMENTA CONCEITUAL
PARA A INVESTIGAÇÃO SOBRE A PASTORAL DA JUVENTUDE
Joilson de Souza Toledo
PUC RIO
mistagogo@yahoo.com.br
RESUMO: Em 2023, a Pastoral da Juventude (PJ) celebra 50 anos das
primeiras tentativas de articulação nacional. Nestas décadas, a referida
pastoral tem possibilitado aos jovens dos mais diversos recantos deste
país espaços para a vivência do seguimento de Jesus no compromisso
com os empobrecidos. A partir da herança da Ação Católica e em
profunda sintonia com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a PJ
desenvolveu uma metodologia e uma práxis que bebe e expressa a
Teologia da Libertação e nos últimos anos o pontificado do Papa
Francisco. As trajetórias de vida iniciadas a partir desta experiência
pastoral têm contribuído com inúmeras lideranças para o campo
popular democrático brasileiro e na vivência de uma Igreja pobre e
serva. Quais esperanças mobilizam os jovens contemporâneos de
periferias urbanas a aderirem a proposta da PJ? Quais esperanças estes
trazem e de que forma elas dialogam a grande esperança cristã, o
Reino de Deus? Em tempos em que o Brasil mostra-se mais conservador
do ponto de vista acadêmico e pastoral urge perguntar sobre o que
mobiliza os jovens que atualmente estão na PJ. A academia, os
movimentos populares, a igreja e todas as pessoas democráticas veem-
se desafiados a todos os campos organizar a esperança. Nossa pesquisa
dedica-se mais especificamente a investigação sobre as esperanças
que mobilizam os jovens da PJ num contexto metropolitano, na
interface, na sociologia das juventudes, da sociologia da religião e da
eclesiologia. A presente comunicação parte de uma pesquisa em
andamento que intenta investigar a PJ a partir da categoria esperança.
Apresenta objeto, hipóteses iniciais, ferramentas, análise e inquietações
advindas dos primeiros passos da pesquisa.
Palavras-chave: Reino de Deus; Pastoral da Juventude; Esperança;
Pesquisa; Engajamento.
mailto:mistagogo@yahoo.com.br
157
JUVENTUDE E FOLIAS DE REIS: A REALIDADE DAS PERIFERIAS E O
CRESCIMENTO DA DEVOÇÃO NO PÓS LIBERAÇÃO SANITÁRIA DA
PANDEMIA DA COVID-19
Verônica Inaciola costa Farias da Cruz
UNICAP
Inaciola.cederj@gmail.com
RESUMO:Os grupos de devoção populares, principalmente os que foram
fundados no catolicismo, como as Folias dos Santos Reis, e que por
contingências eclesiásticas sofreram um afastamento das suas
origens, resistem nas suas práticas rituais. Os que migraram do território
rural para o território urbano, tiveram, mais ainda, que reinventar a
tradição por conta das diferenças culturais, agravadas pelos conflitos
sociais existentes e a mudança no campo religioso, principalmente a
disputa por hegemonia religiosa dos neopentecostais. O
deslocamento desses grupos aconteceu para a periferia das cidades
há mais de sessenta anos e embora tenham recriado a tradição e
estabelecido sua cultura em um entre -lugar, um lugar imaginário
onde as metáforas garantem a ambivalência dos discursos e da
preservação da memória, os apelos de uma cultura de massa e o
descaso atribuído a essa religiosidade popular, e também o status
oferecido pela teologia da prosperidade, colocam em ameaça a
continuidade dessa tradição, pois os jovens, herdeiros dessa tradição
religiosa não encontram atrativos e incentivos para continuá-la. Os
modelos de empoderamento que lhes são apresentados não
valoriza a sua raiz cultural. Neste contexto de resistência e
renovação desses devotos dos Santos Reis, pois é essa devoção que
faz com que as Folias de Reis sejam mantidas com seus rituais que
não se desvincularam do mito que a concebeu, é que
pretendemos com esse trabalho expor um fenômeno que vem
ocorrendo nos festejos desses grupos, que é a participação de um
grande numero de jovens, tanto como foliões- devotos, como
espectadores, pois há muitos anos isso não acontecia. Em pesquisa
de campo que estamos realizando, podemos perceber um aumento
considerável de participação desses jovens, principalmente após as
impingências, causadas pela pandemia da Covid-19. Neste sentido é
que estamos buscando diagnosticar como se deu essa adesão.
Palavras- chave: Juventude; Devoção; Folia de reis; Continuidade.
mailto:Inaciola.cederj@gmail.com
158
ESPIRITUALIDADE MARIANA SOB A ÓTICA DAS PJS: UMA LEITURA
SOCIORRELIGIOSA
Denny Junior Cabral Ferreira
UFPA
denny.ferreira@ifch.ufpa.br
Luísa de Lucas
PUCRS
marialuisa@notredame.org.br
RESUMO: Na Exortação pós-sinodal Christus Vivit, o Papa Francisco
dedica parágrafos significativos à jovem de Nazaré, salientando seu
modelo de santidade, sua importância na História da Salvação e como
os jovens podem ter nela uma fonte inesgotável de inspiração. Maria é
o protótipo para uma Igreja jovem, que deseja seguir Cristo com alegria,
coragem e fé. Ela era muito jovem quando recebeu o anúncio do anjo
(entre 14 e 16 anos), não se coibindo de fazer perguntas (cf. Lc 1, 34).
Mas tinha uma alma disponível e disse: “Eis a serva do Senhor” (Lc 1, 38)
(cf. ChV 43). Maria é inspiração para as juventudes, como se percebe
em tantos grupos de evangelização como as Pastorais da Juventude na
Igreja Católica no Brasil e América Latina (PJ’s). Ao tratar da
espiritualidade mariana, é impossível não lembrar de Maria como a
Negra Mariama, como um exemplo singular de jovem, modelo de
seguimento, inspiração de uma juventude comprometida e
revolucionária, que entrega sua existência para a humanidade, com
ousadia de sair e transpor montanhas. Esta comunicação objetiva
apresentar parte da investigação realizada nos estudos sobre a
Mariologia da Juventude, tendo como corpus de pesquisa documentos
eclesiais, materiais elaborados pelos jovens das PJ’s sobre a
espiritualidade mariana, bem como registros de experiências
vivenciadas em romarias a santuários marianos, além de observação
analítica por parte da assessoria que possibilitará investigar a
experiência dos jovens e suas devoções a partir da categoria do
sagrado feminino. Como resultado, observa-se o resgate da figura de
Maria como “influencer” no discipulado, a relação dela com os
arquetipos de mãe, discípula e companheira, bem como a valorização
das figuras femininas que alimentaram e alimentam a história humana.
Conclui-se que reconhecer, em tantas Marias, mulheres autoras da
transformação social e construtoras de ousados horizontes com o rosto
jovem e marial, torna-se uma inspiração para construir uma nova cultura
pautada por relações justas e igualitárias. Dessa forma, favorece-se uma
espiritualidade proposta pelos e aos jovens das PJ’s numa chave
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mailto:marialuisa@notredame.org.br
159
hermenêutica, pois evidencia uma dinâmica sociorreligiosa pujante
salvo às críticas de alas conservadores e tradicionalistas da Igreja
Católica.
Palavras-chaves: Espiritualidade juvenil; Mariologia; Pastorais da
Juventude; Sagrado feminino.
JUVENTUDE TERESIANA: A IDENTIDADE EXPRESSA NO VERBO TERESIANAR
Alecsandra Pina de Oliveira
PUC Goiás
alecsandrastj@yahoo.com.br
RESUMO: Das muitas características que marcam as juventudes, destaco
sua capacidade criativa de reiventar-se e provocar mudanças nos
espaços que vão ocupando. A pesquisa, em andamento, apresenta a
trajetória de dez anos do grupo juvenil Juventude Teresiana(JT) que, em
seu projeto inicial, “Escola de Formação para Adolescentes e Jovens”,
nasceu em resposta a uma demanda vocacional da Instituição
Religiosa católica: Companhia de Santa Teresa de Jesus no Brasil, com
o objetivo de ter ingresso de jovens para a congregação e lideranças
para fortalecer o Movimento Teresiano de Apostolado. Buscarei
identificar, a partir da leitura e análise dos registros internos do grupo e
da Instituição, escuta dos jovens e irmãs que compõe atualmente a
equipe de coordenação nacional da JT, elementos que compõe a
identidade do grupo: o que permaneceu e se solidificou nesta trajetória,
bem como o que foi sendo necessário agregar para que o grupo se
mantivesse diante da rotatividade dos jovens e irmãs que os
acompanha. A hipótese é de que, nestes dez anos da JT, houve um
impacto direto na forma como a congregação conduziu seu trabalho
de acompanhamento aos jovens no Brasil, uma vez que estes não
corresponderam às expectativas contidas no projeto inicial, formando
assim uma nova identidade, um novo grupo. Atualmente a JT se
identifica como “grupos de jovens de diferentes realidades, que
mantendo suas características locais, culturais e estilos próprios de ser,
somam a sua prática elementos do Carisma Teresiano”. Ao final deste
percurso será verificado a hipótese e apresentado os principais
elementos que compõe a identidade do grupo.
Palavras-chave: Juventudes; Identidade; Ressignificar
mailto:alecsandrastj@yahoo.com.br
160
JUVENTUDES CRISTÃS: LOUCOS/AS POR JESUS
Gislene Rangel Evangelista
UFMG
gislenerangel@gmail.com
RESUMO: Neste texto compreende-se que os espaços religiosos são
formativos e atuam nos modos como os sujeitos se conduzem frente aos
ensinamentos ali disseminados. Esses espaços são formados por
currículos diversos que buscam evangelizar os indivíduos. Compreende-
se, também. que um currículo é composto por saberes e conhecimentos
intencionalmente selecionados e que essa seleção atua na produção
daquilo que somos e nos tornamos (SILVA, 2005). Desse modo, nesse
texto, que é um recorte de uma pesquisa mais ampla, buscou-se
analisar que tipo de sujeito jovem é produzido no Currículo da Célula
evangelizadora. Ao indagar como os/as jovens se produzem em um
espaço religioso, busquei nos estudos da ética foucaultiana, sobretudo
no cristianismo, compreender como se fabrica um sujeito. Considerando
isso, mantive o olhar atento às práticas produzidas e ensinadas no
Currículo da Célula evangelizadora para identificar e analisar que tipo
de jovem elas produzem. Assim sendo, busquei analisar as
características que compõem o/a jovem produzido/a no currículo
investigado e como ele/a deve se conduzir. Tendo isso em vista, procurei
compreender nesse currículo quais são as marcas constitutivas do sujeito
jovem nele produzido. Faz-se necessário esclarecer que a perspectiva
de currículo aqui adotada faz-nos entender currículo como um discurso
e, como tal, desdobra-se em múltiplos espaços e em diferentes
pedagogias (PARAISO, 2010). Para realização da pesquisa, investiguei
um grupo de célula protestante, onde semanalmente jovens se reuniam
para estudar a bíblia e desenvolver práticas de evangelização.
Considerando a relação dos/as jovens com as tecnologias digitais e o
modo com as instituições religiosas se apropriaram do ciberespaço para
a evangelização juvenil, uma página do Instagram utilizada pelo
mesmo grupo também foi investigada. O arranjo entre as práticas
exercidas nas reuniões presenciais e as interações que ocorreram no
ciberespaço nomeei de Currículo da Célula evangelizadora. Desse
modo, elementos da pesquisa narrativa, da netnografia e da análise do
discurso de inspiração foucaultiana foram acionados para a
composição da metodologia utilizada. O argumento desenvolvido é
que no Currículo da Célula evangelizadora produz-se o/a jovem
cristão/ã que deve ser louco/a por Jesus. Um/a jovem que irá se
distinguir dos/as demais porque seu estilo de vida renunciará aos
mailto:gislenerangel@gmail.com
161
padrões do mundo em que vive. Que deve se conduzir de modo a se
preparar para experimentar a vida eterna, algo que só será possível à
medida em que ele/a morrer para as próprias vontades. Para a
produção dessa posição de sujeito, torna-se necessário ensinar duas
premissas fundamentais que a constituirão: a santidade e a obediência
a Deus. O/a jovem cristão/ã acredita que a santidade é o caminho
para aceder à Deus. Ele/a deve se santificar, e para se conduzir desse
modo será necessário que ele/a se torne obediente a Deus. A partir
desse estudo, conclui-se que, objetivando a produção do/a Jovem
cristão/ã que se sanifica e obedece, práticas de governo e
autogoverno entram em funcionamento no currículo prescrevendo a
conduta juvenil.
Palavras-chave: Juventude; Currículo; Ciberespaço; Evangelização.
CATOLICISMO EM GOIÂNIA: NOTAS SOBRE EDUCAÇÃO RELIGIOSA A
PARTIR DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA
Flávio Munhoz Sofiati
UFG
sofiati@gmail.com
RESUMO: Nesta comunicação analisa-se a catequese desenvolvida
com jovens na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, situada na cidade
de Goiânia/GO. Através da etnografia, busca-se compreender a
catequese como um espaço produtor de processos educativos não
formais na instituição católica, vislumbrando identificar as
representações sociais e identidades construídas desde a educação
religiosa, especialmente no contexto de intensificação do pluralismo e
do trânsito religioso. A proposta é mapear as estratégias acionadas pelo
catolicismo goianiense para ressignificar práticas e se apropriar de
múltiplos signos visando manter a pertença, difundir tradições e evitar a
perda de fiéis. Portanto, a comunicação empreende uma tentativa de
analisar a catequese desenvolvida com jovens em uma paróquia local.
O principal objetivo aqui é compreender analiticamente a catequese
enquanto um espaço fundamental da instituição católica na
elaboração de um complexo sistema de ensino-aprendizagem que
pode ser situado no interior de processos educativos não formais.
Processos esses cujo objetivo é constituir comportamentos
caracterizados por múltiplos aspectos. Com isso, o que se vislumbra é
perceber e identificar como representações sociais e identidades se
constroem através da educação religiosa, bem como o lugar que esta
mailto:sofiati@gmail.com
162
última assume no contexto de intensificação do pluralismo e do trânsito
religioso. Por esse caminho, a proposta é, também, mapear as
estratégias adotadas pela Igreja Católica no sentido de (re)significar
suas práticas e acionar outros signos, inclusive aqueles considerados
seculares, como táticas para envolver, difundir suas tradições e
assegurar o compromisso religioso ante a crescente tendência de
desinstitucionalização de fiéis, especialmente os mais jovens. A partir
disso, a intenção da comunicação é de colaborar com a compreensão
da realidade do catolicismo na cidade de Goiânia/GO, e assim refletir
sobre o demasiado interesse da IC em fortalecer a educação religiosa
desde a base e a sua entrada no jogo de negociações com os
interesses juvenis como caminho para frear a adesão às múltiplas
pertenças. Por fim, constatou-se que, por meio da catequese, a
instituição aposta na negociação com os interesses juvenis e na
realização de concessões que operam de modo a enfrentar a
desinstitucionalização.
Palavras-chave: Religião; Catolicismo; Juventude; Educação não
formal.
163
ST 14 – RELIGIÃO, ESPIRITUALIDADE E SAÚDE: A BUSCA
DE SENTIDOS QUANDO A VIDA ESTÁ EM RISCO
Carolina Teles Lemos
PUC Goiás
cetelemos@uol.com.br
Gilson Xavier de Azevedo
UEG
gilsoneduc@yahoo.com.br
Rosana Maria Ferreira Borges
PUC Goiás
rosanamfborges@gmail.com
GustavoCortez Fernandez
PUC Goiás
gustavo.cortezf@hotmail.com
Inúmeras pesquisas têm demonstrado que desde os primórdios da
humanidade a relação entre religião, espiritualidade e saúde é muito
estreita. Muitas civilizações antigas desenvolveram seu serviço de saúde
na figura de um sacerdote médico, como, por exemplo, o poder divino
de cura nas figuras dos xamãs, dos pajés das tribos indígenas, dos
druidas das antigas civilizações europeias e dos curandeiros e feiticeiros
das tribos africanas e da Oceania. Do ponto de vista da experiência
religiosa e de saúde das pessoas, nos momentos limites da existência,
ocorre uma busca intensa pela espiritualidade, visando reestabelecer o
significado profundo da vida. A constituição desta ST vem da
consciência e da oportunidade de se promover novos saberes e trocas
entre o âmbito das Ciências da Religião e pesquisas em
espiritualidade/religiosidade (E/R) e saúde. Apesar do grande número
mailto:cetelemos@uol.com.br
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mailto:rosanamfborges@gmail.com
mailto:gustavo.cortezf@hotmail.com
164
de estudos apontarem a relevância da E/R na saúde, a integração
dessa dimensão nas práticas do cuidado permanece um desafio e, por
isso, o objetivo desta ST é fomentar a troca de conhecimento, diálogo e
reflexão teórica e empírica entre pesquisadores e pesquisadoras que
investigam a interface entre E/R e saúde. Assim, a ST acolherá estudos
empíricos e teóricos que avancem na intersecção entre
espiritualidade/religiosidade e saúde em diversos contextos e enfoques,
tais como: Saúde Mental, espiritualidade em Cuidados Paliativos,
modelos de cuidado espiritual, coping espiritual/religioso, resiliência,
sentido da vida, qualidade de vida e bem-estar, vitalidade subjetiva,
afetos, concepções de morte, processo de cura, enfrentamento da
ideação suicida e outros temas afins.
A IMPORTÂNCIA DOS RITUAIS DIANTE DA MORTE
Sergio Lucas Camara
PUC-SP
sergiolucascamera@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho apresenta dados da literatura científica
que evidenciam a importância do binômio religião e espiritualidade no
cuidado com a saúde, colocando em relevo a estreita relação entre o
campo da religião e o da saúde, na dimensão psíquica. Se por um lado,
as ciências, principalmente, a medicina, psicologia e enfermagem tem
apontado para essa dimensão constitutiva do ser humano; por outro
lado, o campo do saber religioso, incluindo a teologia, necessita
compreender melhor esse “retorno ao transcendente” para que se
estabeleça um produtivo diálogo de interface, com respeito aos limites
de cada área específica. A partir desse pressuposto, são apresentados
dados de uma pesquisa realizada com pessoas viúvas, que
encontraram nos rituais do cristianismo católico um suporte de grande
relevância no enfrentamento da situação de perda, antes mesmo que
a morte se consumasse. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, realizada pelo
Programa de Estudos Pós-Graduado em Psicologia Clínica, no Núcleo
Configurações Contemporâneas da Clínica Psicológica. A investigação
se propôs a compreender a relação entre as práticas religiosas e o
enfrentamento da morte de um ente querido. Tratou-se de uma
pesquisa qualitativa, cujos participantes foram selecionados de acordo
com os seguintes critérios: homens heterossexuais viúvos, que haviam
perdido a esposa no período superior a um ano e inferior a cinco anos,
até o momento da entrevista, e que tivessem recorrido às práticas
mailto:sergiolucascamera@gmail.com
165
religiosas da Unção dos Enfermos, Exéquias e Missa de Sétimo Dia. Foi
realizada uma entrevista semiestruturada, após a assinatura do Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido. Os resultados apontaram que são
atribuídos significados positivos às práticas religiosas, inclusive na
perspectiva de completar os demais cuidados oferecidos à pessoa
gravemente enferma, cuja morte já está anunciada. Do ponto de vista
da religião, tais práticas se configuram num cuidado espiritual de
grande importância para as pessoas que as buscam, o que implica em
considerar zelo constante e crescente da parte daqueles que
conduzem os rituais. A pesquisa apontou a necessidade de mais estudos
sobre o assunto, no sentido de ampliar o conhecimento a respeito
dessas práticas religiosas que podem beneficiar os sobreviventes,
possivelmente, evitando complicações no processo de luto. Além disso,
o trabalho sinaliza aos profissionais de saúde, especialmente psicólogos,
e também aos clérigos a relevância das práticas religiosas na situação
de morte que devem ser tratadas com a delicadeza e o respeito que a
situação exige. A pesquisa foi realizada com apoio financeiro do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq).
Palavras-chave: Religião; Morte; Luto.
O ADOECIMENTO COMO ALEGORIA DA FUNÇÃO TRANSCENDENTE: UM
OLHAR A PARTIR DA ABORDAGEM JUNGUIANA
Leandro da Costa Alhadas Cavalcanti
USCS
leandro.konekta@gmail.com
Andréa Olimpio de Oliveira
UFJF
andrea.olimpiodeoliveira@gmail.com
RESUMO: Este estudo analisa o adoecimento e sintomas percebidos
como uma forma de manifestação alegórica da psique e sua relação
com o conceito de função transcendente da Psicologia Analítica.
Objetiva-se através dele, ampliar a compreensão acerca do adoecer,
adotando como referência ilustrativa a narrativa mítica da "Lenda das
Duas Árvores", cujo nascimento remonta ao povo originário brasileiro, a
saber, os Bororo. Trata-se de uma revisão bibliográfica, de caráter
integrativo, tendo como aporte teórico a Psicologia Analítica
Junguiana, e se baseia em fontes como as Obras Completas do Jung, o
mailto:leandro.konekta@gmail.com
mailto:andrea.olimpiodeoliveira@gmail.com
166
Dicionário Junguiano e artigos do portal da PePsic (Periódicos
Eletrônicos em Psicologia). Entende-se que o adoecimento não é
despertado somente em momentos de crise. Ele consiste em um
fenômeno que se desenvolve como parte de um processo de
maturação em nível individual e coletivo, e que faz emergir à
consciência conteúdos inconscientes da psique, configurando-se como
uma espécie de solução para comunicar algo que transcenda ao ego.
O texto faz uma relação dos sintomas com a imagem arquetípica de
um oráculo do inconsciente, na medida em que se revelam através de
alegorias “materializadas” no corpo. Através da análise de um conto de
povos originários do Brasil, espera-se contribuir para o entendimento do
adoecimento como uma das múltiplas formas do inconsciente trazer
conteúdos à consciência e que o sintoma (do grego, sin = junção, tomo
= pedaços) é justamente isto: algo que junta os pedaços e que anuncia
e denuncia algo que ainda não encontra expressão a partir do ego.
Para tanto, parte-se do conceito grego de allegoria, (allos - “outro”;
agora - “fala” ou “assembléia”), portanto, é compreendida como uma
forma de anunciação e re-apresentação de algo e não a coisa em si;
mas como uma “operação psíquica de tipo expressivo”, que “funda a
relação entre dois mundos”. Ela é possuidora de intencionalidade pois
traz imagens que remetem a “significados coletivos precisos”, sendo que
estes últimos podem ter roupagens distintas a depender da cultura em
que se localiza. Quanto à função transcendente, traz referências do
Jung que em termos gerais a define como a "união de conteúdos
conscientes e inconscientes" e "a reconciliação" dos pares de opostos.
A partir desta reconciliação algo novo surge. Algo que tem sua própria
essência e que não é nem uma coisa nem outra; mas que tampouco
pode se considerar uma fusão, pois se realiza a partir do tensionamento
das partes. Desse modo, em suas considerações finais, este estudo
propõe uma reflexão sobre o adoecimento como um fenômeno que
ainda não conseguiu ser elaborado e codificado pelo ego,contemplando sua simbologia e características arquetípicas. Portanto,
é um convite para pensar o “adoe-(s)cer” enquanto imago do vir-a-ser,
e da possibilidade de transgressão (transformar a agressão) e equilíbrio
da psique com conteúdo e objetos do mundo interno e externo do ser
humano.
Palavras chaves: Saúde; Adoecimento; Psicologia Analítica.
CURAS FÍSICAS ATRIBUÍDAS A TRATAMENTOS ESPIRITUAIS: RELATO DE CASO
Carolina Roberta Ohara Barros e Jorge da Cunha
167
USP
carolinaohara@usp.br
Fabio Scorsolini-Comin
USP
fabio.scorsolini@usp.br
RESUMO: A literatura científica tem cada vez mais reportado casos de
pacientes que tiveram melhora de sintomas de saúde física e mental a
partir de intervenções espirituais, como as chamadas terapias espíritas.
Estudos com diferentes níveis de evidência tem dado suporte a essa
consideração. A partir desse panorama, o objetivo desta apresentação
é relatar um caso de cura física de um nódulo de mama com
características malignas atribuída, pela entrevistada, a um tratamento
espiritual. Trata-se de um estudo de caso. A entrevista foi realizada em
um centro espírita na cidade de Cuiabá/MT, no contexto de uma
pesquisa sobre os efeitos do tratamento espiritual na saúde física e
mental dos adeptos. Ana (nome fictício), mulher, 55 anos, parda,
trabalhadora voluntária do centro espírita, narrou que em um exame de
rotina de cuidados com sua saúde, o ultrassom de mama detectou um
nódulo na mama direita medindo 0,4 x 0,39 x 0,36 centímetros, da
categoria BI-RADS* 4, sugerindo possível malignidade. Para a conclusão
do diagnóstico foi orientada a realizar a biópsia para confirmar o tipo
de células do nódulo em questão. Antes de realizar o procedimento,
Ana relata ter passado por tratamento espiritual com o objetivo de
melhorar ou, ao menos, preparar-se espiritualmente para a biópsia. Em
uma atividade na casa espírita, durante seu tratamento espiritual, sentiu
dores em sua mama direita, mas, naquele momento, não imaginou que
se tratava de um possível efeito do tratamento espiritual. Passado um
mês, no momento da biópsia o nódulo não foi encontrado, tendo como
conclusão do exame a ausência de formações nodulares. A
participante atribuiu essa condição ao tratamento espiritual. Casos
como esse podem ter diversas perspectivas de análise: podem sugerir
um erro de visualização do nódulo no primeiro exame, seu
desaparecimento espontâneo ou, ainda, um desfecho a partir do
tratamento espiritual. Considerando que a prática religiosa-espiritual
está fortemente marcada na cultura brasileira, é necessário valorizar a
fala do sujeito entrevistado, compreendendo que
religiosidade/espiritualidade é uma dimensão que pode estar
associada a sistemas explicativos no campo da saúde. A partir deste
caso, discute-se que não se trata de buscar comprovações para as
afirmações desse sujeito, mas sim de acolhimento da sua experiência e
acompanhamento de seu itinerário em relação aos processos de
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168
saúde-doença-cuidado. O relato de caso, portanto, deve contribuir
para expandir a visão para situações pouco conhecidas pela pesquisa
científica, permitindo a integração de diferentes inteligibilidades.
Palavras-chave: Psicologia; Terapia; Cura.
DOENÇA MENTAL: UMA PERSPECTIVA BÍBLICA
Jean-Luc Fobe
PUC-SP
jeanfobe@yahoo.com
RESUMO: As doenças mentais são consideradas atualmente um
problema de saúde pública, afetando cerca de 12% da população,
menos prevalente apenas que as doenças cardiovasculares e câncer.
A relação entre doenças mentais, espiritualidade e cristianismo é alvo
de conflito histórico, mitos e tabus. A premissa estigmatizada da
associação de doença mental com poderes demoníacos, forças
espirituais ou desagregação moral é patente para a maioria das
pessoas, e promove um afastamento social que agrava o tratamento
do enfermo. A associação da religião e doença mental é considerada
positiva no tratamento das doenças mentais, desde que exista
aceitação e apoio da comunidade, principalmente em se
considerando o aumento da sua incidência, e particularmente em
jovens no nosso contexto social atual. As comunidades cristãs devem ser
adequadamente instruídas no acolhimento deste grupo, e uma
hermenêutica apropriada dos textos bíblicos pode ter uma influência
propositiva positiva na comunidade cristã. A análise das narrativas
bíblicas permite identificar doenças mentais como por exemplo,
manifestações esquizo-afetivas (Dn 4,31-31), depressão reativa
monopolar (1Rs 19,4, Sl 6,6-7), transtorno de ansiedade (Lc 10,40-42), que
são as doenças mentais mais frequentes. A identificação que a doença
mental é uma física, desencadeada por fatores externos, é ressaltada
no livro da sabedoria no Novo Testamento, abordando o personagem
do profeta Elias (Tg 5,15-18). Mesmo considerando a essência religiosa
das escrituras sagradas, encontramos nas tradições bíblicas princípios
básicos de acolhimento e manuseio dos portadores de doença mental
como diálogo, aceitação, paciência e suporte (1 Rs 19,9-19), proposta
de restauração para o futuro (Fl 3,13-14), e o autocontrole (1 Pd 5,7). A
correta hermenêutica dos textos bíblicos sobre este tema considerado
tabu é essencial para o acolhimento do doente mental nas nossas
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169
comunidades. O combate ao estigma da doença mental no ambiente
cristão é essencial com a aplicação de uma teologia positiva de
aceitação. A comunidade religiosa pode contribuir no tratamento
médico e psicológico da doença mental com uma teologia inclusiva
do doente mental no processo de integração psicossocial.
Palavras chave: Teologia; Hermenêutica Bíblica; Doença Mental.
EXPERIÊNCIA RELIGIOSA/ESPIRITUAL E SAÚDE MENTAL: UM PANORAMA DA
LITERATURA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEA
Everton de Oliveira Maraldi
PUC-SP
eomaraldi@pucsp.br
RESUMO: O termo experiência religiosa/espiritual é comumente
empregado para se referir a uma vivência direta (que pode ser
individual ou coletiva) do objeto da crença religiosa. Alguns exemplos
incluem visões da Virgem Maria no Catolicismo popular, experiências de
dons do Espírito Santo em contextos carismáticos e evangélicos,
experiências de mediunidade em religiões como o Espiritismo e a
Umbanda e toda uma série de vivências místicas narradas por membros
de diferentes tradições religiosas e espirituais, quer espontâneas ou
induzidas por práticas contemplativas e substâncias enteógenas.
Apesar de seu vínculo histórico com a teologia e com o ramo tradicional
da fenomenologia da religião, o estudo das experiências
religiosas/espirituais abrange, na verdade, uma ampla gama de
perspectivas e áreas do conhecimento, da antropologia à psicologia e
às neurociências, variando de leituras universalistas até abordagens
mais sensíveis aos aspectos socioculturais dessas experiências. Mais
recentemente, as pesquisas a que se teve acesso, têm se voltado para
uma compreensão dos processos cognitivos e neurofisiológicos dessas
experiências, buscando meios de estabelecer um diagnóstico
diferencial entre vivências patológicas e saudáveis e os fatores que as
desencadeiam ou perpetuam sua ocorrência. Neste trabalho,
apresentamos um panorama da literatura científica sobre as relações
entre experiência religiosa/espiritual e saúde mental. São exploradas as
principais áreas de investigação e abordagens teóricas nesse campo,
revisando-se variáveis cognitivas, emocionais e sociais relevantes na
compreensão da relação entre experiências religiosas/espirituais,
qualidade de vida e saúde mental. São também discutidos relatos de
experiências espirituais de indivíduos ateus e agnósticos, considerando-
mailto:eomaraldi@pucsp.br
170
se suas implicações para a pesquisa em espiritualidade/religiosidade e
saúde. Conclui-sea apresentação com uma discussão dos principais
desafios metodológicos e epistemológicos nesse campo e sugestões de
temáticas para pesquisas futuras.
Palavras-chave: Experiência religiosa/espiritual; Saúde mental;
Espiritualidade.
A SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE OS PADRES: UMA LEITURA DOS
TRANSTORNOS PSÍQUICOS NO CLERO À LUZ DA VONTADE DE SENTIDO NA
PÓS-MODERNIDADE
Gustavo Cortez Fernandez
PUC Goiás
gustavo.cortezf@hotmail.com
RESUMO: A síndrome de burnout, também chamada síndrome do
queimar-se pelo trabalho, esgotamento profissional, síndrome de
cansaço emocional e outros, sendo um desgaste emocional gerado
pelo excesso de trabalho e geralmente ocorrida em profissionais que
lidam diretamente com pessoas, é um dos diagnósticos mais frequentes
no clero, sobretudo entre os padres diocesanos. O objetivo deste artigo
é investigar se as causas desse tipo de transtorno psíquico entre os
padres têm relação (e como se dão essas relações) com a vontade de
sentido do ser padre no contexto da secularização. Para tal, recorremos
a fontes bibliográficas sobre o panorama da religião e da vontade de
sentido na pós-modernidade, bem como a estudos de caso e pesquisas
sobre o adoecimento no clero. Constatou-se que: 1) a causa motriz da
síndrome de Burnout entre os padres relaciona-se com a vontade de
sentido do sacerdote; 2) uma melhor integração do sacerdote à sua
vontade de sentido e ao contexto secular tende a levar a melhores
condições de saúde; 3) os adoecimentos psíquicos do clero apontam
para sinais de uma evangelização desgastada e com pouco sentido
nos dias atuais. Esses resultados abrem caminhos de pesquisa para o
campo da religião, espiritualidade e saúde, sobretudo para se
perscrutarem os sentidos de ser padre hoje e as possibilidades de se
contemplar, nesse ofício, um ministério que faça sentido para o padre e
para os fiéis no contexto da sociedade pós-moderna, além de
elucidarem que as fraquezas e vulnerabilidades, mais que
adoecimento, são terrenos significativos para a formação de relações e
espiritualidades mais humanizadoras.
mailto:gustavo.cortezf@hotmail.com
171
Palavras-chave: Pós-modernidade; Síndrome de Burnout; Padres.
A EFICÁCIA DOS TRATAMENTOS ESPIRITUAIS DA UMBANDA NO PROCESSO
SAÚDE-DOENCA: UMA REVISÃO DE ESCOPO
Luciana Macedo Ferreira Silva
UFTM
macedo.luciana@outlook.com
RESUMO: As relações entre religiosidade/espiritualidade e saúde sempre
estiveram fortemente marcadas em contextos culturais, sendo
reconhecida nos meios científicos a necessidade de que um cuidado
integral também inclua a dimensão religiosa/espiritual de
pacientes/clientes e profissionais de saúde. A umbanda é uma religião
genuinamente brasileira e fortemente associada aos processos de
saúde-doença. Nota-se que terreiros e centros espíritas compõem
espaços culturais de promoção do cuidado e de assistência no que
tange às questões de saúde. Em específico infere-se que a umbanda
acolhe um número considerável de consulentes que procuram os
terreiros almejando a cura, tratamentos de saúde, orientações ou
conselhos para diversas problemáticas. Sendo assim, o objetivo deste
estudo foi analisar as evidências científicas acerca da eficácia dos
tratamentos espirituais para o restabelecimento da saúde no contexto
umbandista. Foi realizada uma revisão de escopo baseada na
metodologia do Instituto Joanna Briggs. Foram consultadas as
evidências disponíveis nas bases/bibliotecas LILACS, PubMed, EMBASE,
CINAHL, PsycINFO, Scopus, Google Scholar, Core e Web of Science
publicadas entre 2012 e 2022. A partir dos critérios de elegibilidade
foram recuperados 19 estudos. Foi possível identificar que a maioria dos
estudos encontrados referiu inúmeros benefícios acerca do tratamento
espiritual, dentre eles a remissão de sintomas patológicos, evolução da
qualidade de vida, aumento dos níveis de resiliência e das condições
gerais de saúde. Observa-se, assim, a existência de uma ligação entre
as crenças espirituais e as práticas de cura alopáticas, estando essas
questões intimamente relacionadas à crença na eficácia e às
expectativas de ajuda e de cura proporcionadas pelo tratamento
espiritual. Destaca-se a possibilidade de esses estudos também
adotarem medidas objetivas para a avaliação da eficácia dos
tratamentos, contribuindo para a produção de evidências para a
prática.
Palavras-chave: Medicina; Espiritualidade; Cura.
mailto:macedo.luciana@outlook.com
172
NO LIMITE - TRAÇANDO NOVAS ROTAS DE VIDA: UM ESTUDO SOBRE A
ESPIRITUALIDADE COMO FORMA DE PREVENÇÃO DE SUICÍDIOS
Rosana Maria Ferreira Borges
PUC GO
rosanamfborges@gmail.com
Carolina Teles Lemos
PUC São Paulo
cetelmos@uol.com.br
RESUMO: O Brasil vive uma forte pandemia, desta vez de saúde mental.
Na contramão das estimativas globais, as pesquisas indicam tendência
de aumento de suicídio em adolescentes nos últimos vinte anos. A taxa
de mortalidade por cem mil relacionada a essa causa aumentou 45%
na faixa de 10 a 14 anos (de 0,92 para 1,33) e 49,3% de 15 a 19 anos (de
4,40 para 6,56). A pandemia exacerbou os fatores de risco associados
ao comportamento suicida. O medo, o isolamento, a perda de
familiares e amigos, a instabilidade financeira e as barreias de acesso à
saúde aumentaram o sofrimento psíquico dos brasileiros com impactos
no número de casos. O suicídio é um problema complexo, multifatorial
e exige uma perspectiva transdisciplinar para sua compreensão e
enfrentamento. Nesse contesto, objetivou-se pesquisar em que medida
a dimensão espiritual possibilita a superação da crise suicida. Abordar
esta temática sob a ótica da espiritualidade exige uma compreensão
multidimensional do ser humano, para além dos limites das dimensões
biopsíquico- social. Este estudo é uma revisão bibliográfica do tipo
exploratória centrada na pessoa, em suas potencias humanas. No
conjunto de forças que constroem o humano em nós, a espiritualidade
aparece com vigorosa força. A dimensão noética se apresenta como
uma possibilidade de equilíbrio psíquico do indivíduo e da coletividade,
seja expressa na experiencia religiosa ou de espiritualidade, constitui
possibilidade de centralidade e ordenamento da identidade do sujeito
ressignificando a dor e o sofrimento, traçando novas rotas e
possibilidades de vida. O sujeito da sociedade contemporânea
investiga e constrói novas rotas em busca do sagrado. Um novo
paradigma que, apesar de ser interno e pessoal, não está longe do
coletivo e interage com as pessoas, inclui a construção de uma
consciência social e ecológica, a superação da violência e da
intolerância religiosa. Pesquisas indicam a experiência de
espiritualidade como fator importante para o enfrentamento da crise
de autoextermínio. Os resultados desta pesquisa apontam para fortes
indícios de que o envolvimento com a espiritualidade está relacionado
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mailto:cetelmos@uol.com.br
173
à melhoria da saúde mental, à maior satisfação pessoal e à sensação
de saúde e bem-estar.
Palavras-chave: Religião; Espiritualidade; Suicídio.
ESPIRITUALIDADE E SENTIDO DE VIDA EM PACIENTES COM DOR CRÔNICA
NO CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS
Roberto Ribeiro de Moura
PUC GO
tccgyn@gmail.com
RESUMO: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) no
ano de 2018, os cuidados paliativos se conceituam em uma abordagem
que previne e alivia a Dor e outros sintomas que causam sofrimento nas
diversas esferas físicas, psicossociais e espirituais. Já a Associação
Internacional para o Estudo da Dor (IASP), diz que a dor é uma
experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou
relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo
aprende de acordo com a sua subjetividade e história de vida. Diante
disso, Cicely Saunders propôs o conceito de Dor Total, trazendouma
visão holística para o fenômeno da dor vivenciada pelo paciente em
cuidados paliativos. Neste conceito, a dimensão espiritual da dor
contempla propósitos, valores e sentidos de vida quando há um conflito
existencial causando dor e sofrimento. Considerada o sexto sinal vital no
contexto dos cuidados paliativos, a espiritualidade deve ser abordada
como qualquer outra sintoma médico bem como fundamental o seu
acréscimo no plano de cuidados do paciente. O objetivo da presente
comunicação é correlacionar a espiritualidade/religiosidade e sentido
de vida em pacientes acometidos por dores crônicas no contexto de
cuidados paliativos. Diante desta informação, utilizaremos a seguinte
metodologia: apresentar estudos que mostrem a espiritualidade e
sentido de vida sendo inserida no contexto de cuidados paliativos
apresentando melhoras nos pacientes em seu quadro de dor crônica.
Alguns estudos apontam que pessoas com maior índice de sentido de
vida apresentam menores escores de ansiedade e depressão e maiores
índices de auto-eficácia e bem-estar influenciando assim, em seu
comportamento doloroso e em seu estado de dor crônica.
Palavras Chave: Religião; Espiritualidade; Cuidados paliativos.
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174
CIDADANIA ATIVA MULTICULTURAL NA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
MÉDICOS: CAMINHOS PARA PROBLEMATIZAR A
RELIGIOSIDADE/ESPIRITUALIDADE E A SAÚDE
Lorenzo Lago
PUC GO
lorenzo@pucgoias.edu.br
RESUMO: Nos últimos 30 anos aumentou significativamente o número das
pesquisas e das publicações sobre os impactos da religiosidade e da
espiritualidade na saúde, nas estratégias de enfrentamento das
doenças e na relação entre o profissional e o paciente. Boa parte dessas
pesquisas provêm do campo das ciências da saúde, especialmente das
áreas da medicina, da psiquiatria, da psicologia e da enfermagem. O
volume da produção acadêmica e científica sobre o tema começa a
ter efeitos nos projetos pedagógicos e nos currículos dos cursos de
graduação, responsáveis pela formação dos profissionais da área, em
vários países. Os cursos de medicina, especialmente, parecem abrir
espaços para a discussão do tema em várias formas, curriculares ou não
curriculares. O contexto brasileiro tem aparentemente todas as
credenciais para o desenvolvimento de práticas e competências
avançadas no campo da interseção entre os temas da religiosidade,
da espiritualidade, da diversidade e da cidadania ativa multicultural na
atenção à saúde. As experiências religiosas e espirituais, típicas da
cultura brasileira, apresentam uma densidade e diversidade ímpar. A
diversidade cultural é um dos traços marcantes da sociedade brasileira
e com certeza se reflete na atenção à saúde e deveria refletir na gestão
e na educação em saúde. O sistema de saúde poderia efetivamente
cooperar com as práticas populares e culturais em saúde, muitas vezes
incorporadas em sistemas de significado religiosos ou espirituais,
melhorando a qualidade de seu desempenho global. As Diretrizes
Curriculares Nacionais para os cursos de medicina no Brasil, publicadas
em 2014, abrem possibilidades, nomeando algumas diversidades e
insinuando sua interseccionalidade pela transversalidade curricular. A
timidez das referências, porém, contrasta com a riqueza da produção
acadêmica não só das ciências humanas e sociais sobre estas
interseções, como também com a produção das próprias ciências da
saúde. Questiona-se quais resistências políticas, cognitivas e
emocionais, historicamente consolidadas, podem estar alimentando
filtros e precauções, impedindo que os resultados das discussões e
pesquisas sejam levados na devida consideração nos projetos
pedagógicos e na elaboração das DCN? A recepção da proposta de
formação médica inscrita nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014
mailto:lorenzo@pucgoias.edu.br
175
está sendo objeto de pesquisas com professores e estudantes, que
apontam algumas tendências significativas. Nesse estudo são
analisadas essas tendências, apontando alguns elementos explicativos,
que contribuem a identificar e problematizar as resistências para a
efetiva inclusão desses temas nos projetos de formação.
Palavras-chave: Cidadania; Multiculturalidade; Formação médica.
O ADOECIMENTO DE LÍDERES RELIGIOSOS: UM ESTUDO DE POSSÍVEIS
PATOLOGIAS E SEUS REFLEXOS NA ATUAÇÃO MINISTERIAL
Marlon Ferreira Figueiredo
FTSA
pr.marlonfigueiredo@hotmail.com
RESUMO: Desenvolver uma temática que aponte abuso espiritual por
indivíduos patológicos é um grande desafio. Falamos de ambientes
considerados sacros. Quantas não são as vítimas desfavorecidas de
uma égide e quantos não são os que praticam tamanha atrocidade
sem ao menos entender razões dessa realidade devastadora. Os relatos
descrevem personalidades fragmentadas, almas que se sentem
ameaçadas por persecutórios fantasiosos, que resultam em ministérios
defensivos, manipulativos e abusivos. A contemporaneidade trouxe um
novo ainda não compreendido na totalidade, indivíduos cindidos,
perdidos em si, que encontraram na profissão, e não na vocação, um
meio de vida. No entanto, essa opção, não contempla o chamado de
Deus, sendo assim, passamos a perceber um enorme descompasso na
atuação daqueles que se denominam líderes religiosos. Este artigo
aponta para desordens, conflitos, incongruências não tratadas nessas
pessoas, e tais conteúdos são geradores de comportamentos
totalmente incoerentes com o propósito de um vocacionado. O
resultado dessa demanda é um aglomerado de enfermiços, homens e
mulheres que sucumbem, constituídos de patologias danosas, muitas
não tratadas, que só adoecem cada vez mais o indivíduo e as pessoas
que são por ele lideradas. O presente artigo visa analisar o fenômeno
do adoecimento emocional em líderes religiosos e identificar as possíveis
patologias mais presentes no universo pastoril, bem como seus danos às
pessoas. É uma pesquisa descritiva pautando-se em levantamento e
coleta de dados, buscando interpretar e compreender conceitos,
estruturas, comportamentos e sentimentos presentes nos aspectos
apontados. As fontes utilizadas na pesquisa bibliográfica são de
materiais e métodos bibliográficos encontrados em diversas fontes, ou
mailto:pr.marlonfigueiredo@hotmail.com
176
seja, literaturas, artigos científicos, revistas científicas dentre outros.
Como a pesquisa se encontra em elaboração no curso atual do
mestrado, os resultados não podem ser objetivados, contudo, é possível
idear que tal pesquisa apontará dados alarmantes, além de sinalizar a
importância de ações preventivas e intervencionistas. Compreender a
importância desta pesquisa frente ao que o futuro nos reserva é
primordial, haja vista o que atualmente estamos enfrentando no
contexto religioso do nosso país.
Palavras-chave: Religião; Psicopatologias; Líderes Religiosos.
AS COMUNIDADES DE FÉ COMO CONTEXTOS RELIGIOSOS MARCADOS
PELA AMBIVALÊNCIA EXISTENCIAL: ENTRE CURA E ADOECIMENTO
Roney Ricardo Cozzer
PUC Rio
roneyricardoteologia@gmail.com
RESUMO: A comunicação a ser apresentada visa considerar a relação
entre a espiritualidade/religiosidade e a saúde, com foco na saúde
mental e bem-estar do indivíduo, levando em conta a influência das
comunidades de fé nessa relação, tanto para a cura e aporte
emocional, quanto para o seu adoecimento. O pressuposto básico é
que comunidades de fé evangélicas constituem-se como contextos
ambivalentes, uma vez que tanto contribuem para o bem-estar
emocional e mental dos indivíduos que as formam, como também
operam com discursos, categorias e procedimentos que fazem as
pessoas adoecerem emocionalmente. Isso pode ser notado tanto por
quem possui lugar de vivência e de fala no interior dessas instituições,
como também pelo fato de que cresce o número de egressos dessas
instituições que não buscam outras instituições eclesiais,contribuindo
assim para aumentar o número de pessoas que formam um movimento
em curso no Brasil, amorfo, mas real, popularmente designado de
“movimento dos desigrejados”. Conquanto o movimento evangélico
seja muito diverso, apresenta tendências comuns, como a que é
destacada aqui. Esse movimento pode ser identificado como reflexo
dessa ambivalência que marca a realidade eclesial evangélica. Essa
ambivalência religiosa se coloca como um desafio para a noção que a
própria igreja evangélica assume do que deve ser uma igreja local, na
condição de uma extensão da igreja universal, que é, justamente, a
comunidade de todos os cristãos, em todos os lugares. Note-se que o
conceito de “comunidade” está intimamente ligado à concepção
mailto:roneyricardoteologia@gmail.com
177
teológica de igreja. E comunidade pressupõe unidade e fraternidade, e
demanda elos reais entre seus membros, o que, por vezes, não se
observa mais no interior dessas igrejas. Com efeito, no movimento
evangélico, o fator comunitário esvaziou-se para dar lugar à valorização
da subjetividade. Conquanto a vivência comunitária da fé no interior de
uma igreja evangélica represente a melhora da própria subjetividade,
é observável também que há fatores que são altamente destrutivos no
aspecto psicológico. Identificar esses fatores e oferecer respostas
possíveis coloca-se como caminho possível para a humanização dessas
comunidades de fé. Esta comunicação pretende contribuir por meio de
indicações e diálogo com autores de referência com a questão
abordada.
Palavras-chave: Religião; Espiritualidade; Ambivalência existencial.
OFICINA DE MÚSICA PARA PESSOAS COM AUTISMO: CUIDADO, ÉTICA E
ESPIRITUALIDADE
Stephan Malta Oliveira
UERJ
stephanmoliveira@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo apresentar um Projeto de
Extensão Universitária, denominado Oficina de Música no Autismo e em
outras vulnerabilidades. O Projeto inclui duas oficinas de música, uma
voltada para crianças e outra para adolescentes com transtorno do
espectro autista ou outras vulnerabilidades. Os objetivos do Projeto,
além de buscar possibilitar ao/à estagiário/a participante a aquisição
teórico-prática de habilidades relacionais bem como o
desenvolvimento de um pensamento crítico acerca do autismo e das
deficiências em geral, da importância do combate ao capacitismo e
da valorização da diferença humana, consistem em promover a
qualidade de vida, o bem-estar e possibilitar a manifestação da
espiritualidade das crianças, adolescentes e familiares participantes. As
oficinas fundamentam-se no uso livre e improvisado dos instrumentos
musicais – na livre expressão - e os referenciais teóricos adotados são: a
ética da alteridade radical, de Emmanuel Lévinas; a fenomenologia do
dom, de Jean-Luc Marion; e a mística em Edith Stein. Os resultados
observados têm mostrado que é possível a construção de uma clínica
no autismo e em outras deficiências/vulnerabilidades não pautada pela
busca de performance e normalização; ao contrário, têm mostrado que
é possível e necessário enxergar a criança ou adolescente autista para
além da identidade diagnóstica, enquanto pessoa única, incomparável
mailto:stephanmoliveira@gmail.com
178
e irrepetível. Além disto, trata-se de uma clínica a partir da qual os
técnicos/as participantes - coordenador, estagiários/as, voluntários/as
– assumem a responsabilidade pela alteridade, em sua diferença
radical; responsabilidade que antecede a própria liberdade, eu mais
responsável que todos/as; clínica em que se privilegia o acolhimento de
outrem, por meio do cuidado, da sensibilidade – aquém de qualquer
representação – e da hospitalidade, havendo o reconhecimento do
Rosto de outrem, em sua abertura e nudez, em sua indigência e
vulnerabilidade, como um vestígio do Infinito, um rastro da
transcendência; outrem que vem das alturas. Trata-se de uma
espiritualidade enquanto ética, que se materializa no encontros face-a-
face, na trans-ascendência da responsabilidade do um-para-o-outro.
Ao mesmo tempo, nos encontros que acontecem nas oficinas,
marcados pela abertura e doação mútuas (ainda que assimétrica), em
que todos/as as/os participantes envolvidos/as são simultaneamente
doadores e donatários - doam-se tempo, afeto, atenção, - há a
possibilidade de que tanto os/as técnicos/as quanto os/as
pacientes/familiares tomem posição a partir do núcleo pessoal ou do
Reino da Graça, experienciando a transcendência - ainda que
transitoriamente - no mais íntimo da alma, a fonte inesgotável de amor
que habita em cada um/a. Trata-se de uma espiritualidade enquanto
mística. Parece que a música e a livre expressão de cada participante
- que, desde sempre, é livre doação - funcionam como
potencializadores do despertar espiritual humano, no qual há a
manifestação da pessoa em sua unicidade e incomparabilidade, para
além de qualquer representação/classificação ou identidade
diagnóstica. Este despertar da espiritualidade - seja em sua dimensão
ética, seja em sua dimensão mística – ocorre fora da consciência
reflexiva, de qualquer representação conceitual, na dimensão da
consciência não intencional Levinasiana - pré-reflexiva – ou da
contemplação mística Steiniana, ou seja, pela via da
sensibilidade/afetividade, e está diretamente relacionado ao sentido
da existência.
Palavras-chave: Música; Oficinas; Autismo.
LUTO: UM ESTUDO SOBRE A (RE)SIGNIFICAÇÃO DA DOR ESPIRITUAL DA
PERDA
Raíssa de Almeida Pereira
UFCE
raissalmeida9@hotmail.com
mailto:raissalmeida9@hotmail.com
179
RESUMO: O texto em questão propõe a elaboração de um dispositivo
formativo-terapêutico que (re)signifique a Dor Espiritual da Perda por
meio da produção de novos sentidos para se viver, de modo a auxiliar
enlutados a lidarem com perdas provocadas por figuras de afeto. No
tracejar das linhas mestras que compõem esse trabalho, que é parte
significativa de minha tese de doutorado, trago como elementos
discursivos no campo da temática morte, a necessidade de
compreendê-la como parte da vida, ampliando a discussão sobre seu
silenciamento como fala interdita na modernidade, em paralelo com
um sentido de (re)humanização da mesma, em que aspectos como
emoção e espírito são contemplados na experiência de morrer como
parte da condição humana. E, sendo o ser humano compreendido
nesse trabalho como unidade biopsicossocial e espiritual, considerei a
influência da dimensão espiritual não somente nas demais dimensões
que constituem o indivíduo, como também, na ampliação do seu
sentido de existência, sua percepção acerca da morte, seus medos e
anseios, suas relações sociais, seus padrões de comportamento, dentre
outros fatores. Considerando o luto um processo psicológico reativo e
de adaptação a um rompimento de vínculos e, também, tendo em vista
o importante papel do enlutado como sujeito ativo nos seus processos
de refazimento ante rupturas e perdas através da realização das tarefas
de luto, elegi como caminho metodológico nessa pesquisa a História de
Vida e Formação e a Intervenção RIME (Relaxamento Mental, Imagens
Mentais e Espiritualidade). Na primeira, a partir da atividade de
biografização envolvendo a arte como mediadora das narrativas
pessoais, delineia-se um projeto de si, oportunizando aos enlutados
possibilidades de autorias nas quais eles próprios descortinam uma
abrangência de significados que trazem o mundo simbólico, realizando
assim, seus caminhos significantes. Na segunda, a Intervenção RIME
cumpre o papel de eliciadora da função transcendente, na medida em
que, ao integrar a consciência ao inconsciente através da indução de
visualizações de possíveis imagens arquetípicas - referentes a natureza
espiritual do self (sede da identidade subjetiva) – auxilia o experiente a
modificar a forma de lidar com suas vivências atuais, (re)significando-ase promovendo, consequentemente, uma maior qualidade de vida
atrelada a memória do bem estar psíquico e espiritual. A integração
dessas duas vias de acesso ao autoconhecimento formador e
transformador produz resultados bastantes profícuos, demonstrando
que ainda que a ruptura de vínculos por morte provoque dores
inevitáveis, essas podem ser (re)significadas, adquirindo um sentido
nutridor de novas formas de se viver, amar e lidar com a finitude.
Palavras chaves: Religião; Morte; Luto.
180
ST 15 – ESPIRITUALIDADES NO CONTEXTO
EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO
Vanessa Raquel Meira
UNASP
vanessarmeira@gmail.com
Laude Erandi Brandenburg
EST
laude@est.edu.br
A proposta da ST é abordar estudos e pesquisas que relacionem religião,
arte, educação e as espiritualidades diversas na contemporaneidade,
entendendo a religião e a espiritualidade como parte fundamental da
formação humana, a educação como processo contínuo e a arte
como ferramenta indispensável na construção e na organização do
entendimento do mundo em que pertencemos. São campos que se
abrem a pesquisadores de teologia, ciências das religiões, educação e
áreas relacionadas. A ST possui uma perspectiva interdisciplinar
abrangente, visando compreender a diversidade de processos de
ensino e aprendizagem nos espaços escolarizados, religiosos e
comunitários, discutindo temas como: o ensino religioso, a capelania
educacional, a diversidade cultural e religiosa, a formação inicial e
continuada de professores, a laicidade do Estado, a educação popular,
a intolerância religiosa, a história da educação tendo como pano de
fundo questões religiosas, educação em diversos espaços de
confessionalidade e a forma como as artes, sejam elas literárias, visuais,
performáticas e correlatas, podem auxiliar o sujeito na compreensão do
mundo em sua complexidade e multiplicidade de perspectivas, e a sua
própria interioridade frente o sagrado.
mailto:vanessarmeira@gmail.com
mailto:laude@est.edu.br
181
A CULTURA DAS REDES SOCIAIS E SEUS IMPACTOS NA EDUCAÇÃO CRISTÃ
Marinesia Lemos Souto
EST
marinesialemossouto@gmail.com
RESUMO: Segundo dados do Digital 2022: relatório de visão geral global,
dos 7,91 bilhões de pessoa hoje, 4,62 bilhões estão nas redes sociais. Isso
representa 58,4% da população mundial. O tempo médio gasto nas
principais redes sociais, Youtube, Facebook, WhatsApp, Instagram e
TikTok é de, no mínimo, 11.2 horas por mês. A Igreja como instituição
educadora, que deve ser, deve estar atualizada com todas as formas
que impactam e definem a sociedade: a arte, a literatura e
certamente a cultura criada pelas redes sociais. Nenhuma teologia se
faz divorciada do contexto social em que é pensada ou sem auxiliar a
pessoa na compreensão do mundo e de si mesmo a luz do sagrado. A
questão que se apresenta é como a cultura das redes sociais pode ser
olhada como uma oportunidade nessa missão educadora. A pesquisa
analisa o impacto, as características da cultura das redes sociais, a
mudança de paradigmas e a aplicabilidade desses parâmetros à
educação cristã. Para tal serão analisados artigos, pesquisas realizadas
por grupos reconhecidos sobre o fenômeno das redes sociais e as
principais redes sociais. Alguns pontos se destacam na análise: a
facilidade de acesso ao conhecimento bíblico combinado com a
exposição a pontos de vista divergentes possibilita uma ampla
variedade de pontos de vista e interpretações da Bíblia e da fé cristã.
Isso pode ser positivo, incentivando a reflexão crítica e a construção de
uma fé mais fundamentada. Estimulando o pensar teológico que faz
de cada pessoa cristã um teólogo. No entanto, também pode ser
negativo, levando a confusão e incerteza sobre o que é verdadeiro ou
correto. Essa possibilidade de incertezas é real e se apresenta como um
desafio de pertinência para a Igreja. Falta efetividade e relevância à
educação cristã realizada na igreja para as questões atuais, sociai,
culturais e espirituais. Em resumo, não ensina, não comunica e não
transforma. As redes sociais podem contribuir para levar o ensino cristão
para a vida e para a rua de onde nunca deveria ter saído.
Palavras-chaves: Educação Cristã; Redes sociais; Espiritualidade.
mailto:marinesialemossouto@gmail.com
182
DA LUTA E RESISTÊNCIA ÀS VIVÊNCIAS E CONQUISTAS: ENSINO RELIGIOSO
NAS ESCOLAS INDÍGENAS EM PERNAMBUCO
Wellcherline Miranda Lima
UNICAP
wellcherline@gmail.com
Sergio Sezino Douets Vasconcelos
UNICAP
sergio.douets@unicap.br
Evanilson Alves de Sá
UNICAP
evanilsonadv@gmail.com
RESUMO: O estudo tem a finalidade de conhecer as lutas e as
resistências dos territórios e suas tradições religiosas dos povos indígenas
em Pernambuco contra a herança colonial, em particular na
educação, e as vivências e conquistas de natureza pedagógica nas
escolas indígenas na promoção da educação específica, diferenciada
e intercultural, considerando na perspectiva do Ensino Religioso.
Atualmente, em Pernambuco habitam na região do Agreste e no Semi-
Árido os povos indígenas de Atikum, Entre Serras Pankararu, Fulni-ô,
Kambiwá, Kapinawá, Pankarará, Pankararu, Parankarau Opará,
Pankaiwka, Pipipã de Kambixuru, Pipipã Terra e Água, Tuxí, Tuxá, Truká,
Xukuru de Cimbres e Xukuru do Ororubá. O processo das lutas e
resistências desses povos ocorreu desde a chegada dos colonizadores,
entretanto com muito provento a partir da Constituição Federal de 1988,
na garantia, promoção e defesa do território, dos costumes e das suas
tradições religiosas, logo proporcionou “a viagem da volta” (OLIVEIRA,
1999) de muitos indígenas para seu território sagrado e a necessidade
da escolarização especifica e diferenciada com as concepções da
cultura do seu povo articulada com a interculturalidade. A metodologia
será revisão bibliográfica com autores que dialogam com a temática
proposta. A abordagem do estudo será direcionada sobre o
componente curricular do Ensino Religioso nas escolas indígenas a luz
do Currículo de Pernambuco (2019) sendo documento referendado
pela legislação educacional e como Currículo de Pernambuco vem
apresentando resultados durante as atividades pedagógicas
vivenciadas nas escolas indígenas articulado com os Eixos temáticos da
Educação Escolar Indígena de Pernambuco considerando o ensino
diferenciado e específico dentro do princípio, no eixo temático e na
metodologia da interculturalidade. E por fim, será analisado
mailto:wellcherline@gmail.com
mailto:sergio.douets@unicap.br
mailto:evanilsonadv@gmail.com
183
apresentando a relevância da tradição religiosa indígena e
espiritualidade dentro do espaço escolar prezando pelo fortalecimento
identitário e articulado com os projetos societários do seu povo.
Palavras-chave: Povos indígenas; Educação; Ensino religioso;
Espiritualidade; Interculturalidade.
INTOLERANCIA RELIGIOSA NO CONTEXTO ESCOLAR: DESAFIOS DO
ENSINO RELIGIOSO PARA UMA ESPIRITUALIDADE DA DIVERSIDADE
Maria Valdeziana Furtado Ribeiro Santana
EST
valsantana1403@gmail.com
RESUMO: Um dos maiores problemas encontrado em nossa sociedade
nos dias atuais é a intolerância religiosa. Muitas pessoas têm uma grande
resistência em respeitar as escolhas religiosas do outro, algo que se
manifesta no âmbito político, midiático, no trabalho, nas relações de
vizinhança e até mesmo nas relações familiares. Esta realidade de
desrespeito e intolerância irá se refletir consequentemente também no
ambiente escolar. Por outro lado, é preciso fazer entender que a escola
é o lugar mais propício para promover a reflexão sobre diversidade
cultural, de gênero, classe, étnica, artística e religiosa, pois a diversidade
possibilita que a criança aprenda desde cedo os valores, o respeito e a
empatia e duplique esse aprendizado na sociedade onde está inserida.
A partir dessa realidade