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e-Tec Brasil35 Aula 6 – Avaliação do Calor I Conforme você aprendeu na aula 5, na avaliação do calor devemos levar em consideração os parâmetros que influem na sobrecarga térmica a que estão submetidos os trabalhadores, isso para que a análise realizada expresse as condições reais de exposição. Desta forma, cinco são os fatores que devem ser considerados: temperatura do ar, umidade relativa do ar, velocidade do ar, calor radiante e tipo de atividade exercida pelo trabalhador (BREVIGLIE- RO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). Perceba, no entanto, que os quatro primeiros fatores citados são caracterís- ticos do meio ambiente e podem ser mensurados por meio de instrumentos específicos. Mas, a quantificação do calor produzido pelo tipo de atividade física exercida pelo trabalhador é bem mais complexa, e na prática, só pode ser estimada por tabelas e gráficos, que serão vistos mais adiante (BREVI- GLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). Vamos observar agora, no quadro 6.1, como cada troca térmica se correlacio- na com as variáveis do meio ambiente e com a tarefa exercida (SESI, 2007). Quadro 6.1: Correlação entre as trocas térmicas e as variáveis do ambiente Parâmetro Tempera- tura do ar Velocidade do ar Carga ra- diante do ambiente Umidade relativa do arTroca Convecção xxx xxx ........ ........... Radiação ........... .............. xxx ............ Evaporação xxx xxx ............ xxxx Metabolismo (*) ........... .............. .............. .............. xxx interfere na troca .......... não interfere na troca (*) o metabolismo se relaciona diretamente com a atividade física da tarefa Fonte: SESI (2007) Nesta aula, você vai aprender como deve ser feita a avaliação da exposição ao calor. Vai entender também, quais são os instrumen- tos de medição utilizados, quais são os parâmetros avaliados e, também, as normas aplicáveis. 6.1 Limites de tolerância O Anexo 3 da NR-15, que trata dos limites de tolerância para exposição ao calor, determina que devemos empregar na avaliação da exposição do calor o Índice de Bulbo Úmido – Termômetro de Globo (IBUTG). O IBUTG consiste em um índice de sobrecarga térmica definido por uma equação matemática que correlaciona alguns parâmetros medidos no am- biente de trabalho. A equação varia em função da presença ou não de carga solar no momento da mediação (BREVIGLIERO, POSSEBON, SPINELLI, 2012). Desta forma, de acordo com o Anexo 3 da NR-15, devemos ter para: Ainda, de acordo com o Anexo 3 da NR-15, os aparelhos que devem ser usa- dos nesta avaliação são: termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. As medições devem ser efe- tuadas no local onde permanece o trabalhador à altura da região do corpo mais atingida. • Ambientes internos ou externos sem carga solar: IBUTG = 0,7tbn + 0,3tg • Ambientes externos com carga solar: IBUTG = 0,7tbn + 0,1tbs + 0,2tg Onde: tbn = temperatura de bulbo úmido natural tg = temperatura de globo tbs = temperatura de bulbo seco É muito importante que você leia e estude o Anexo 3 da NR-15 para dominar o que se estabelece sobre os limites de tolerância para exposição ao calor. Este anexo pode ser consultado no site do Ministério do Trabalho e Emprego, disponível em: http://portal. mte.gov.br/legislacao/normas- regulamentadoras-1.htm Higiene no Trabalhoe-Tec Brasil 36 A Norma de Higiene Ocupacional NHO-06 da Fundacentro estabelece procedimentos técnicos para avaliação da exposição ocupacional ao calor. Essa norma, além de preencher as lacunas no Anexo 3 da NR-15, auxilia os profissionais de segurança a interpretar e analisar de maneira científica o índice de avaliação IBUTG, adotado pelo Ministério do Trabalho e Em- prego (MTE) por meio da NR-15 (SALIBA, 2011). Desta forma, sugerimos a você, futuro técnico de segurança do trabalho, que consulte e estude a NHO-06, que se encontra disponível no link: http://www.fundacentro. gov.br/conteudo.asp?D=CTN&C=1191&menuAberto=196 6.2 Instrumentos de medição Vamos, agora, conhecer os instrumentos de medição empregados para de- terminar o IBUTG: • Termômetro de Bulbo Seco: é um termômetro de mercúrio comum, cujo bulbo fica em contato com o ar. Portanto, por meio dele obtemos a temperatura do ar (tbs). • Termômetro de Bulbo Úmido Natural: é um ter- mômetro cujo bulbo é reco- berto por um pavio em for- ma tubular, de cor branca, de tecido de algodão, com alto poder de absorção de água. Esse pavio deve ser mantido úmido em água destilada, no mínimo meia hora antes de fazer a leitu- ra da temperatura (tbn). • Termômetro de Globo: é um aparato que possui um termômetro posi- cionado no centro de uma esfera oca de cobre de diâmetro de seis pole- gadas. A esfera é preenchida naturalmente com ar e a abertura é fecha- da pela rolha do termômetro. A esfera é pintada externamente de preto fosco, um acabamento altamente absorvedor de radiação infravermelha (SESI, 2007). A leitura deste instrumento corresponde à temperatura mé- dia de radiação do ambiente (calor radiante).locais específicos de trabalho. Figura 6.1: Termômetro de Bulbo Úmido Natural Fonte: Fundacentro citado por SESI (2007) e-Tec BrasilAula 6 – Avaliação do Calor I 37 Neste momento, você pode estar se perguntando: estes três instrumentos não medem apenas temperatura? Como os cinco fatores que influenciam as trocas térmicas entre o corpo e o meio estão relacionados nesta avaliação? A resposta para estes questionamentos está no quadro 6.2 que explica como funcionam estes instrumentos e quais parâmetros afetam sua leitura. Quadro 6.2: Princípio de funcionamento dos principais instrumentos (sensores) e pa- râmetros que afetam sua leitura Sensor Princípio Parâmetro do ambiente que afeta sua leitura Peculiaridades e observações Termômetro de Bulbo Seco Estabiliza com a temperatura do ar que circunda o bulbo. Temperatura do ar Termômetro de Bulbo Úmido Natural A evaporação da água destilada presente no pavio refrigera o bulbo. Temperatura do ar Velocidade do ar Umidade relativa do ar A temperatura do Tbn será sem- pre menor ou igual à temperatura do termômetro bulbo seco. Será igual quando a umidade relativa do ar for de 100%, pois o ar saturado não admite mais evaporação de água. Sem evaporação, não há redução da temperatura. Termômetro de Globo A absorção da radiação in- fravermelha aquece o globo, que aquece o ar interno, que aquece o bulbo. Possui um tempo de estabilização de 20 a 30 minutos, por essa razão. Calor radiante no ambien- te (fontes radiantes) Temperatura do ar Velocidade do ar A temperatura de globo será sempre maior que a temperatura de bulbo seco, pois sempre há uma carga radiante no ambiente; quando muito pequena, a dife- rença pode ser mascarada pela precisão dos sensores, podendo ser numericamente igual. A esfera perde calor por convec- ção; portanto seu diâmetro deve ser padronizado. Fonte: SESI (2007) Figura 6.2: Termômetro de Globo Fonte: Fundacentro citado por SESI (2007) Higiene no Trabalhoe-Tec Brasil 38 Nesta aula, você aprendeu que o Anexo 3 da NR-15 estabelece que a expo- sição ao calor deve ser avaliada pelo Índice de Bulbo Úmido – Termômetro de Globo (IBUTG), que considera os cinco principais fatores que influenciam as trocas térmicas do indivíduo com o meio. Resumo Nesta aula vimos: • Os instrumentos de medição: termômetro de bulbo úmido natural, ter- mômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. • Os limites de tolerância e as normas técnicas aplicáveis ao calor. Atividade de aprendizagem • Como futuro técnico em segurança do trabalho, você deve estar familia- rizado com as legislações, normas regulamentadoras e, também, normas técnicas. Neste contexto, a Fundacentro, visando auxiliar profissionais da área de Segurança, publicou algumas normas de higiene ocupacional, dentre elas a NHO-06 que estabelece procedimentos técnicos para ava- liação da exposiçãoao calor. Aproveite este momento de estudo para consultar e estudar esta norma que se encontra disponível em: http:// www.fundacentro.gov.br/conteudo.asp?D=CTN&C=1191&menuA berto=196. Anote no espaço abaixo as principais informações. e-Tec BrasilAula 6 – Avaliação do Calor I 39