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LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 INTRODUÇÃO Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (...) § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais; § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legis- lativa plena, para atender a suas peculiaridades. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. DO OBJETO E DA APLICAÇÃO DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado. Aplica-se a: a) sentença penal condenatória: pena privativa de liberdade e restritiva de direitos; b) sentença absolutória imprópria: medida de segurança de tratamento a doentes mentais; c) sentença homologada de transação penal: Lei nº 9.099/95 – lei dos juizados especiais. Segundo a doutrina majoritária: a natureza jurídica da execução penal tem um caráter misto, ou complexo, ou seja, uma combinação entre as fases administrativa e jurisdicional. OBJETIVOS DA LEP: efetivar as disposições da sentença ou decisão criminal: quer dizer que vai ser para cumprir a punição aplicada pelo Estado; proporcionar condições para a harmônica integração do condenado e do internado: a ideia é de ressocializar o preso, proporcionando sua reinserção social. Art. 5º, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; 3 Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal. ͫ esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária; ͫ OBS.: a LEP aplica-se aos presos inclusive eleitorais e militares, mas cuidado: » devem estar presos em estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária, isso quer dizer que os presos de determinado estabelecimento irão ser tratados de acordo com a LEP. STJ – Súmula 192: Compete ao Juízo das Execuções Penais do estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à administração estadual. Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. ͫ Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política. Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança. DO CONDENADO E DO INTERNADO CLASSIFICAÇÃO Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a indivi- dualização da execução penal. CF/88., Art. 5º. XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; Art. 6o A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso provisório. ͫ Obs.: quem realiza a classificação dos presos é uma comissão especializada. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento, será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um) psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade. ͫ Nos demais casos, a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada por fiscais do serviço social. EXAME CRIMINOLÓGICO Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individuali- zação da execução. CF/88, Art. 5º, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; ͫ Objetivo do exame criminológico: » correta aplicação da pena de forma individualizada, como forma de adequar às características pessoais de cada preso; ͫ ao exame poderá ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semiaberto. Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética profis- sional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá: ͫ entrevistar pessoas; ͫ requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado; 3 ͫ realizar outras diligências e exames necessários. COLETA DE PERFIL GENÉTICO Art. 9º-A. O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. ͫ OBS.: OBSERVEM ESSE ROL DE CRIMES: » crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa; » crime contra a vida (Art. 121 a 126 – CP); » crime contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável (art. 217 a 218-C do CP). ͫ a regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da genética forense; ͫ a autoridade policial, federal ou estadual poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético; ͫ deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa. O condenado pelos não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por oca- sião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena. ͫ a amostra biológica coletada só poderá ser utilizada para o único e exclusivo fim de permitir a identificação pelo perfil genético, não estando autorizadas as práticas de fenotipagem genética ou de busca familiar; ͫ uma vez identificado o perfil genético, a amostra biológica recolhida deverá ser correta e imediatamente descartada, de maneira a impedir a sua utilização para qualquer outro fim; ͫ a coleta da amostra biológica e a elaboração do respectivo laudo serão realizadas por perito oficial. Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de iden- tificação do perfil genético. CF/88, Art. 5º. XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipó- teses previstas em lei; LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DA ASSISTÊNCIA DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 10. A assistênciaao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade. ͫ A assistência estende-se ao egresso. Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei: I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do estabelecimento; II - o liberado condicional, durante o período de prova. Art. 11. A assistência será: ͫ I - material; ͫ II - à saúde; ͫ III -jurídica; ͫ IV - educacional; ͫ V - social; ͫ VI - religiosa. DA ASSISTÊNCIA MATERIAL Art. 12. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas. Deve-se fornecer ao preso: ͫ alimentação; ͫ vestuário; ͫ instalações higiênicas. Art. 13. O estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas suas necessidades pes- soais, além de locais destinados à venda de produtos e objetos permitidos e não fornecidos pela Administração. DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico. ͫ quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência méd- ica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do estabelecimento; ͫ será assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no pós-parto, extensivo ao recém-nascido. 3 Art. 5º, L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; Será assegurado tratamento humanitário à mulher grávida durante os atos médico-hos- pitalares preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como à mulher no período de puerpério, cabendo ao poder público promover a assis- tência integral à sua saúde e à do recém-nascido. (Incluído pela Lei nº 14.326, de 2022) DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA CF/88, Art. 5º LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem recursos financeiros para constituir advogado. Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica, integral e gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos estabelecimentos penais. ͫ as Unidades da Federação deverão prestar auxílio estrutural, pessoal e material à Defen- soria Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora dos estabelecimentos penais; ͫ em todos os estabelecimentos penais, haverá local apropriado destinado ao atendimento pelo Defensor Público; ͫ fora dos estabelecimentos penais, serão implementados Núcleos Especializados da Defensoria Pública para a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos réus, sentenciados em liberdade, egressos e seus familiares, sem recursos financeiros para constituir advogado. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DA ASSISTÊNCIA DA ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL Art. 17. A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado. Art. 18. O ensino de 1º grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da Unidade Federativa. ͫ Obs.: o ensino do primeiro grau é obrigatório. Art. 18-A. O ensino médio, regular ou supletivo, com formação geral ou educação profissional de nível médio, será implantado nos presídios, em obediência ao preceito constitucional de sua universalização. ͫ o ensino ministrado aos presos e presas se integrará ao sistema estadual e municipal de ensino e será mantido, administrativa e financeiramente, com o apoio da União, não só com os recursos destinados à educação, mas pelo sistema estadual de justiça ou admin- istração penitenciária; ͫ os sistemas de ensino oferecerão aos presos e às presas cursos supletivos de educação de jovens e adultos; ͫ a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal incluirão em seus programas de educação à distância e de utilização de novas tecnologias de ensino o atendimento aos presos e às presas. Art. 19. O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico. ͫ A mulher condenada terá ensino profissional adequado à sua condição. Art. 20. As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com entidades públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos especializados. Art. 21. Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e didáticos. Art. 21-A. O censo penitenciário deverá apurar: ͫ o nível de escolaridade dos presos e das presas; ͫ a existência de cursos nos níveis fundamental e médio e o número de presos e presas atendidos; ͫ a implementação de cursos profissionais em nível de iniciação ou aperfeiçoamento técnico e o número de presos e presas atendidos; ͫ a existência de bibliotecas e as condições de seu acervo; ͫ outros dados relevantes para o aprimoramento educacional de presos e presas. DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Art. 22. A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e prepará-los para o retorno à liberdade. Art. 23. Incumbe ao serviço de assistência social: 3 ͫ conhecer os resultados dos diagnósticos ou exames; ͫ relatar, por escrito, ao Diretor do estabelecimento, os problemas e as dificuldades enfren- tadas pelo assistido; ͫ acompanhar o resultado das permissões de saídas e das saídas temporárias; ͫ promover, no estabelecimento, pelos meios disponíveis, a recreação; ͫ promover a orientação do assistido, na fase final do cumprimento da pena, e do liberando, de modo a facilitar o seu retorno à liberdade; ͫ providenciar a obtenção de documentos, dos benefícios da Previdência Social e do seguro por acidente no trabalho; ͫ orientar e amparar, quando necessário, a família do preso, do internado e da vítima. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DA ASSISTÊNCIA III DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA CF/88 - Art. 5º. VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; Art. 24. A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos internados, permitindo-se- -lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa. ͫ no estabelecimento haverá local apropriado para os cultos religiosos; ͫ nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade religiosa. DA ASSISTÊNCIA AO EGRESSO Art. 25. A assistência ao egresso consiste: ͫ I - na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade; ͫ II - na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em estabelecimento ade- quado, pelo prazo de 2 (dois) meses. » O prazo estabelecido poderá ser prorrogado uma única vez, comprovado, por decla- ração do assistente social, o empenho na obtenção de emprego. Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei: ͫ I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do estabelecimento; ͫ II - o liberado condicional, durante o período de prova. Art. 27.O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção de trabalho. DO TRABALHO CF/88, Art. 5º. XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; 3 e) cruéis; STJ (HC 264.989) – A pena de trabalho forçado, vedada constitucionalmente no art. 5º,inciso XLVIII, alínea ‘c’, da Constituição Federal, não se confunde com o dever de trabalho imposto ao apenado, consubstanciado no art. 39, inciso V, da LEP, ante o disposto no art. 6º, 3, da Convenção Americana de Direitos Humanos. DISPOSIÇÕES GERAIS ͫ Princípio individualização do tratamento Art. 28. O trabalho do condenado, como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva. ͫ aplicam-se à organização e aos métodos de trabalho as precauções relativas à segurança e à higiene; ͫ o trabalho do preso não está sujeito ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho. » possível demanda entre o Estado e o apenado em relação trabalhista, dar-se-á pelo juízo de execução penal e não pelo juízo trabalhista; » vínculo de direito público, e não trabalhista (tanto para trabalho interno como externo). Preso do regime aberto (doutrina e jurisprudência) possui vínculo pela CLT REMUNERAÇÃO DO PRESO Art. 29. O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 (três quartos) do salário-mínimo. STJ – piso mínimo pelo qual se deve partir e não de um limite máximo. ͫ não pode a mão de obra carcerária ser gratuita; ͫ p produto da remuneração pelo trabalho deverá atender: a) à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e não reparados por outros meios; b) à assistência à família; c) a pequenas despesas pessoais; d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção do condenado, em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação prevista nas letras anteriores. ͫ Ressalvadas outras aplicações legais, será depositada a parte restante para constituição do pecúlio, em Caderneta de Poupança, que será entregue ao condenado quando posto em liberdade. Art. 30. As tarefas executadas como prestação de serviço à comunidade não serão remuneradas. ͫ Exceção ao trabalho remunerado. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 TRABALHO II DO TRABALHO INTERNO Art. 31. O condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao trabalho na medida de suas aptidões e capacidade. ͫ Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado no interior do estabelecimento. Art. 32. Na atribuição do trabalho deverão ser levadas em conta a habilitação, a condição pessoal e as necessida- des futuras do preso, bem como as oportunidades oferecidas pelo mercado. ͫ deverá ser limitado, tanto quanto possível, o artesanato sem expressão econômica, salvo nas regiões de turismo; ͫ os maiores de 60 (sessenta) anos poderão solicitar ocupação adequada à sua idade; ͫ os doentes ou deficientes físicos somente exercerão atividades apropriadas ao seu estado. Art. 33. A jornada normal de trabalho não será inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) horas, com descanso nos domingos e feriados. ͫ Poderá ser atribuído horário especial de trabalho aos presos designados para os serviços de conservação e manutenção do estabelecimento penal. Art. 34. O trabalho poderá ser gerenciado por fundação, ou empresa pública, com autonomia administrativa, e terá por objetivo a formação profissional do condenado. ͫ nessa hipótese, incumbirá à entidade gerenciadora promover e supervisionar a produção, com critérios e métodos empresariais, encarregar-se de sua comercialização, bem como suportar despesas, inclusive pagamento de remuneração adequada; ͫ os governos federal, estadual e municipal poderão celebrar convênio com a iniciativa privada, para implantação de oficinas de trabalho referentes a setores de apoio dos presídios. Art. 35. Os órgãos da Administração Direta ou Indireta da União, Estados, Territórios, Distrito Federal e dos Municí- pios adquirirão, com dispensa de concorrência pública, os bens ou produtos do trabalho prisional, sempre que não for possível ou recomendável realizar-se a venda a particulares. ͫ todas as importâncias arrecadadas com as vendas reverterão em favor da fundação ou empresa pública a que alude o artigo anterior ou, na sua falta, do estabelecimento penal. DO TRABALHO EXTERNO Art. 36. O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina. ͫ o limite máximo do número de presos será de 10% (dez por cento) do total de empregados na obra; ͫ caberá ao órgão da administração, à entidade ou à empresa empreiteira a remuneração desse trabalho; ͫ a prestação de trabalho à entidade privada depende do consentimento expresso do preso. 3 Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena. STJ – O trabalho externo é admissível aos condenados ao regime semiaberto, independentemente do comprimento de 1/6 (um sexto) da pena (HC 184.291/RS). ͫ Revogar-se-á a autorização de trabalho externo ao preso que vier a praticar fato definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo. STJ – Súmula 526: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato. DOS DEVERES, DOS DIREITOS E DA DISCIPLINA DEVERES Art. 38. Cumpre ao condenado, além das obrigações legais inerentes ao seu estado, submeter-se às normas de execução da pena. Art. 39. Constituem deveres do condenado: ͫ I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença; ͫ II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; ͫ III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados; ͫ IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à disciplina; ͫ V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; ͫ VI - submissão à sanção disciplinar imposta; ͫ VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores; ͫ VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho; ͫ IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; ͫ X - conservação dos objetos de uso pessoal. » Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto neste artigo. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS DIREITOS Art. 40 - Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos presos provisórios. Art. 41 - Constituem direitos do preso: III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filo- sófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; alimentação suficiente e vestuário; XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; Rol meramente exemplificativo ͫ alimentação suficiente e vestuário; ͫ atribuição de trabalho e sua remuneração; ͫ Previdência Social; ͫ constituição de pecúlio; ͫ exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; ͫ assistênciamaterial, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; ͫ proteção contra qualquer forma de sensacionalismo (PERP WALK – “desfile do acusado”); Lei nº 13.869/2019. Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência. 3 ͫ entrevista pessoal e reservada com o advogado; Lei nº 13.869/2019. Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu solto ou o investi- gado de entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferência. ͫ chamamento nominal; ͫ igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena; ͫ audiência especial com o diretor do estabelecimento; ͫ representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; ͫ atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autor- idade judiciária competente; ͫ proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; ͫ contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes; ͫ visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados. STJ – No sentido de que o fato de o visitante estar em livramento condicional, por si só, também não pode impedir o acesso ao sistema prisional para visitação. VISITAS ÍNTIMAS De acordo com Renato Brasileiro de Lima: O Regulamento penitenciário Nacional (decreto n. 6049/07) e a Portaria n. 718/17 do Minis- tério da Justiça, a Resolução n. 4, de 29 de junho de 2011, editada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, recomendou aos departamentos Penitenciários Estaduais ou órgãos congêneres seja assegurado o direito à visita íntima à pessoa pressa (sic), recolhida nos estabelecimentos prisionais, no tocante as relações heteroafetivas e homoafetivas. DIREITOS QUE PODEM SER SUSPENSOS Os direitos poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento. O QUE PODE SER SUSPENSO PELO DIREITOR? proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; 4 contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. Art. 42 - Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção. Art. 43 - É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a trata- mento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento. ͫ As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da execução. DA DISCIPLINA DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. A disciplina consiste na colaboração com a ordem, na obediência às determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho. ͫ Estão sujeitos à disciplina o condenado à pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos e o preso provisório. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Art. 45. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou regulamentar. ͫ as sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral do condenado; ͫ é vedado o emprego de cela escura; CF/88. Art. 5º, III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; ͫ são vedadas as sanções coletivas. Art. 46. O condenado ou denunciado, no início da execução da pena ou da prisão, será cientificado das normas disciplinares. Art. 47. O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido pela autoridade administra- tiva conforme as disposições regulamentares. ͫ Autoridade administrativa: Diretor. Art. 48. Na execução das penas restritivas de direitos, o poder disciplinar será exercido pela autoridade adminis- trativa a que estiver sujeito o condenado. ͫ Nas faltas graves, a autoridade representará ao Juiz da execução: se o preso praticar fato definido como crime doloso ou falta grave; o benefício da saída temporária será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender às con- dições impostas na autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso; em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, reco- meçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DAS FALTAS DISCIPLINARES Art. 49. As faltas disciplinares classificam-se em leves, médias e graves. A legislação local especificará as leves e médias, bem assim as respectivas sanções. ͫ Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta consumada. Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que: ͫ I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina; ͫ II - fugir; ͫ III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem; STJ – o reconhecimento de falta grave dispensa a realização de perícia no objeto apreen- dido para verificação da potencialidade lesiva, por falta de previsão legal. ͫ IV - provocar acidente de trabalho; ͫ V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas; ͫ VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei; Art. 39, II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; ͫ VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo; “A conduta consistente na apreensão de bateria de celular, micro cartões de memória e de adaptadores USB, após a regular instauração de Procedimento Administrativo Disci- plinar, no qual a defesa foi plenamente exercida, configura a falta disciplinar de natureza grave prevista no art. 50, VII, da Lei de Execuções Penais” (AgInt no HC 532.846/SC, j. 03/12/2019). (2021) - STJ - Habeas Corpus 619.776/DF, a conduta de ingressar em estabelecimento prisional com chip de celular é atípica. CP - 349-A: “ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabele- cimento prisional. ͫ VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (2019) O disposto aplica-se, no que couber, ao preso provisório. Súmula 535-STJ: a prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou indulto. ͫ Falta grave NÃO interrompe o prazo para LIC: » Livramento Condicional; » Indulto; » Comutação de Pena. Art. 51. Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos que: 3 ͫ I - descumprir, injustificadamente, a restrição imposta; ͫ II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta; ͫ III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. Art. 39, II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; V - execução do trabalho, das tarefase das ordens recebidas; STJ: “A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para fins de saída temporária e trabalho externo. Precedentes” PRESCRIÇÃO DA FALTA DISCIPLINAR STJ - em razão da ausência de legislação específica, a prescrição da pretensão de se apurar falta disciplinar, cometida no curso da execução penal, deve ser regulada, por analo- gia, pelo prazo do art. 109 do Código Penal, com a incidência do menor lapso previsto, atualmente de três anos, conforme dispõe o inciso VI do aludido artigo. HC 527.625/SP, j. 12/11/2019. ͫ começa a contar o prazo, em regra, do dia da consumação da falta disciplinar; ͫ exceção: fuga . STJ - O termo inicial do prazo prescricional, no caso de fuga, é a data da recaptura, por ser uma infração disciplinar de natureza permanente (HC n. 362.895/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 14/2/2017, DJe 22/2/2017). LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 FALTAS II REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características: (2019) I. duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie; II. recolhimento em cela individual; III. visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equi- padas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas) horas; A visita será gravada em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário. Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar diferenciado, o preso que não rece- ber a visita poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos. IV. direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso; V. entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equi- padas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário; VI. fiscalização do conteúdo da correspondência; VII. participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantin- do-se a participação do defensor no mesmo ambiente do preso. O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros: I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade; II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independen- temente da prática de falta grave. ͫ Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Esta- dos da Federação, o regime disciplinar diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal. Nessa hipótese, o regime disciplinar diferenciado deverá contar 3 com alta segurança interna e externa, principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar contato do preso com membros de sua organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais. PRAZO DO RDD O regime disciplinar diferenciado poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 (um) ano, existindo indícios de que o preso: I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal de origem ou da sociedade; II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou milícia pri- vada, considerados também o perfil criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário. ͫ De quem é a competência para decretar o RDD? O Juiz. Através de despacho prévio e fundamentado. ͫ Quem tem poder de requerer o RDD? O diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa, como o secretário de Estado, ou chefe do órgão de execução penal (Juiz não pode decretar de ofício). ͫ Como requerer? Através de requerimento circunstanciado elaborado pelos sujeitos acima mencionados. ͫ Regras para a decretação: a decisão judicial sobre inclusão de preso no RDD será precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de 15 dias. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DAS SANÇÕES E DAS RECOMPENSAS Art. 53. Constituem sanções disciplinares: ͫ I - advertência verbal; ͫ II - repreensão; ͫ III - suspensão ou restrição de direitos (artigo 41, parágrafo único); ͫ IV - isolamento na própria cela, ou em local adequado, nos estabelecimentos que possuam alojamento coletivo, observado o disposto no artigo 88 desta Lei; ͫ V - inclusão no regime disciplinar diferenciado. Art. 54. As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do diretor do estabelecimento e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do juiz competente. ͫ a autorização para a inclusão do preso em regime disciplinar dependerá de requeri- mento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa; ͫ a decisão judicial sobre inclusão de preso em regime disciplinar será precedida de man- ifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de quinze dias. Art. 55. As recompensas têm em vista o bom comportamento reconhecido em favor do condenado, de sua colabo- ração com a disciplina e de sua dedicação ao trabalho. Art. 56. São recompensas: ͫ I - o elogio; ͫ II - a concessão de regalias. A legislação local e os regulamentos estabelecerão a natureza e a forma de concessão de regalias. DA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES Art. 57. Na aplicação das sanções disciplinares, levar-se-ão em conta a natureza, os motivos, as circunstâncias e as consequências do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão. ͫ Nas faltas graves, aplicam-se as sanções: » suspensão ou restrição de direitos; » isolamento na própria cela, ou em local adequado, nos estabelecimentos que pos- suam alojamento coletivo; » inclusão no regime disciplinar diferenciado. Art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a trinta dias, ressalvada a hipó- tese do regime disciplinar diferenciado. ͫ O isolamento será sempre comunicado ao Juiz da execução. 3 DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR Art. 59. Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua apuração, conforme regula- mento, assegurado o direito de defesa. ͫ A decisão será motivada. Art. 60. A autoridade administrativa poderá decretar o isolamento preventivo do faltoso pelo prazo de até dez dias. A inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado, no interesse da disciplina e da averiguação do fato, depen- derá de despacho do juiz competente. ͫ O tempo de isolamento ou inclusão preventiva no regime disciplinar diferenciado será computado no período de cumprimento da sanção disciplinar. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 61. São órgãos da execução penal: I - o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; II - o Juízo da Execução; III - o Ministério Público; IV - o Conselho Penitenciário; V - os Departamentos Penitenciários; VI - o Patronato; VII - o Conselho da Comunidade. VIII - a Defensoria Pública. DO CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA Art.62. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, com sede na Capital da República, é subordi- nado ao Ministério da Justiça. ͫ OBS: Para ficar mais fácil entender, pense que o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária cabe as funções relacionadas à melhoria do ambiente prisional (diretrizes, planos, avaliações, pesquisas criminológicas...) Art. 63. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária será integrado por 13 (treze) membros designa- dos através de ato do Ministério da Justiça, dentre professores e profissionais da área do Direito Penal, Proces- sual Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como por representantes da comunidade e dos Ministérios da área social. ͫ O mandato dos membros do Conselho terá duração de 2 (dois) anos, renovado 1/3 (um terço) em cada ano. Art. 64. Ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, no exercício de suas atividades, em âmbito federal ou estadual, incumbe: ͫ propor diretrizes da política criminal quanto à prevenção do delito, administração da Justiça Criminal e execução das penas e das medidas de segurança; ͫ contribuir na elaboração de planos nacionais de desenvolvimento, sugerindo as metas e prioridades da política criminal e penitenciária; ͫ promover a avaliação periódica do sistema criminal para a sua adequação às necessidades do País; ͫ estimular e promover a pesquisa criminológica; ͫ elaborar programa nacional penitenciário de formação e aperfeiçoamento do servidor; ͫ estabelecer regras sobre a arquitetura e construção de estabelecimentos penais e casas de albergados; 3 ͫ estabelecer os critérios para a elaboração da estatística criminal; ͫ inspecionar e fiscalizar os estabelecimentos penais, bem assim informar-se, mediante relatórios do Conselho Penitenciário, requisições, visitas ou outros meios, acerca do desenvolvimento da execução penal nos Estados, Territórios e Distrito Federal, propondo às autoridades dela incumbida as medidas necessárias ao seu aprimoramento; ͫ representar ao Juiz da execução ou à autoridade administrativa para instauração de sindicância ou procedimento administrativo, em caso de violação das normas referentes à execução penal; ͫ representar à autoridade competente para a interdição, no todo ou em parte, de esta- belecimento penal. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL II DO JUÍZO DA EXECUÇÃO Art. 65. A execução penal competirá ao Juiz indicado na lei local de organização judiciária e, na sua ausência, ao da sentença. Art. 66. Compete ao Juiz da execução: I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado; II - declarar extinta a punibilidade; III - decidir sobre: a) soma ou unificação de penas; b) progressão ou regressão nos regimes; c) Detração e remição da pena; d) suspensão condicional da pena; e) livramento condicional; f) incidentes da execução. IV - autorizar saídas temporárias; V - determinar: g) a forma de cumprimento da pena restritiva de direitos e fiscalizar sua execução; h) a conversão da pena restritiva de direitos e de multa em privativa de liberdade; i) a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos; j) a aplicação da medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança; k) a revogação da medida de segurança; l) a desinternação e o restabelecimento da situação anterior; m) o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca; n) a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º, do artigo 86, desta Lei. Art. 86. § 1o A União Federal poderá construir estabelecimento penal em local distante da condenação para recolher os condenados, quando a medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio condenado. VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança; VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade; VIII - interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta Lei; IX - compor e instalar o Conselho da Comunidade. X – emitir anualmente atestado de pena a cumprir. 3 MINISTÉRIO PÚBLICO Art. 67. O Ministério Público fiscalizará a execução da pena e da medida de segurança, oficiando no processo executivo e nos incidentes da execução. Art. 68. Incumbe, ainda, ao Ministério Público: I - fiscalizar a regularidade formal das guias de recolhimento e de internamento; II - requerer: a) todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo; b) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução; c) a aplicação de medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança; d) a revogação da medida de segurança; e) a conversão de penas, a progressão ou regressão nos regimes e a revogação da sus- pensão condicional da pena e do livramento condicional; f) a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior. III - interpor recursos de decisões proferidas pela autoridade judiciária, durante a execução. O órgão do Ministério Público visitará mensalmente os estabelecimentos penais, regis- trando a sua presença em livro próprio. DO CONSELHO PENITENCIÁRIO Art. 69. O Conselho Penitenciário é órgão consultivo e fiscalizador da execução da pena. ͫ O Conselho será integrado por membros nomeados pelo Governador do Estado, do Dis- trito Federal e dos Territórios, dentre professores e profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como por representantes da comunidade. A legislação federal e estadual regulará o seu funcionamento. ͫ O mandato dos membros do Conselho Penitenciário terá a duração de 4 (quatro) anos. Art. 70. Incumbe ao Conselho Penitenciário: ͫ I - emitir parecer sobre indulto e comutação de pena, excetuada a hipótese de pedido de indulto com base no estado de saúde do preso; ͫ II - inspecionar os estabelecimentos e serviços penais; ͫ III - apresentar, no 1º (primeiro) trimestre de cada ano, ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, relatório dos trabalhos efetuados no exercício anterior; ͫ IV - supervisionar os patronatos, bem como a assistência aos egressos. OBS: para facilitar, pense que o Conselho Penitenciário cabe as funções relacionadas aos que estão DENTRO e FORA da prisão (parecer sobre indulto, inspeção de prisões, apresentação de relatório e supervisão dos egressos e do patronato). LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL III DOS DEPARTAMENTOS PENITENCIÁRIOS DO DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL Art. 71. O Departamento Penitenciário Nacional, subordinado ao Ministério da Justiça, é órgão executivo da Política Penitenciária Nacional e de apoio administrativo e financeiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Art. 72. São atribuições do Departamento Penitenciário Nacional: I. acompanhar a fiel aplicação das normas de execução penal em todo o Território Nacional; II. inspecionar e fiscalizar periodicamente os estabelecimentos e serviços penais; III. assistir tecnicamente as Unidades Federativas na implementação dos princípios e regras estabelecidos nesta Lei; IV. colaborar com as Unidades Federativas mediante convênios, na implantação de estabe- lecimentos e serviços penais; V. colaborar com as Unidades Federativas para a realização de cursos de formação de pessoal penitenciário e de ensino profissionalizante do condenado e do internado. VI. estabelecer, mediante convênios com as unidades federativas, o cadastro nacional das vagas existentes em estabelecimentos locais destinadas ao cumprimento de penas pri- vativas de liberdade aplicadas pela justiça de outra unidade federativa, em especial para presos sujeitos a regime disciplinar. VII. acompanhar a execução da pena das mulheres beneficiadaspela progressão especial de que trata o § 3º do art. 112 desta Lei, monitorando sua integração social e a ocorrência de reincidência, específica ou não, mediante a realização de avaliações periódicas e de estatísticas criminais. Art. 112, § 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: Os resultados obtidos por meio do monitoramento e das avaliações periódicas serão utilizados para, em função da efetividade da progressão especial para a ressocialização das mulheres de que trata o § 3º do art. 112 desta Lei, avaliar eventual desnecessidade do regime fechado de cumprimento de pena para essas mulheres nos casos de crimes cometidos sem violência ou grave ameaça. ͫ Incumbem também ao Departamento a coordenação e supervisão dos estabelecimentos penais e de internamento federais. DO DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO LOCAL Art. 73. A legislação local poderá criar Departamento Penitenciário ou órgão similar, com as atribuições que estabelecer. 3 Art. 74. O Departamento Penitenciário local, ou órgão similar, tem por finalidade supervisionar e coordenar os estabelecimentos penais da Unidade da Federação a que pertencer. ͫ Os órgãos do departamento penitenciário local realizarão o acompanhamento de que trata o inciso VII do caput do art. 72 desta Lei e encaminharão ao Departamento Penitenciário Nacional os resultados obtidos. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL IV DA DIREÇÃO E DO PESSOAL DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS Art. 75. O ocupante do cargo de diretor de estabelecimento deverá satisfazer os seguintes requisitos: ͫ I - ser portador de diploma de nível superior de Direito, ou Psicologia, ou Ciências Sociais, ou Pedagogia, ou Serviços Sociais; ͫ II - possuir experiência administrativa na área; ͫ III - ter idoneidade moral e reconhecida aptidão para o desempenho da função. O diretor deverá residir no estabelecimento, ou nas proximidades, e dedicará tempo integral à sua função. Art. 76. O Quadro do Pessoal Penitenciário será organizado em diferentes categorias funcionais, segundo as necessidades do serviço, com especificação de atribuições relativas às funções de direção, chefia e assessora- mento do estabelecimento e às demais funções. Art. 77. A escolha do pessoal administrativo, especializado, de instrução técnica e de vigilância atenderá a vocação, preparação profissional e antecedentes pessoais do candidato. ͫ O ingresso do pessoal penitenciário, bem como a progressão ou a ascensão funcional dependerão de cursos específicos de formação, procedendo-se à reciclagem periódica dos servidores em exercício. ͫ No estabelecimento para mulheres somente se permitirá o trabalho de pessoal do sexo feminino, salvo quando se tratar de pessoal técnico especializado. DO PATRONATO Art. 78. O Patronato público ou particular destina-se a prestar assistência aos albergados e aos egressos (artigo 26). Art. 79. Incumbe também ao Patronato: I - orientar os condenados à pena restritiva de direitos; II - fiscalizar o cumprimento das penas de prestação de serviço à comunidade e de limitação de fim de semana; III - colaborar na fiscalização do cumprimento das condições da suspensão e do livramento condicional. OBS: pense que o Patronato cabe as funções relacionadas aos que estão FORA da prisão (assistência a albergados, egressos, pena restritiva de direito, serviço à comunidade, livramento condicional) DO CONSELHO DA COMUNIDADE Art. 80. Haverá, em cada comarca, um Conselho da Comunidade composto, no mínimo, por 1 (um) representante de associação comercial ou industrial, 1 (um) advogado indicado pela Seção da Ordem dos Advogados do Brasil, 3 1 (um) Defensor Público indicado pelo Defensor Público Geral e 1 (um) assistente social escolhido pela Delegacia Seccional do Conselho Nacional de Assistentes Sociais. ͫ Na falta da representação prevista neste artigo, ficará a critério do Juiz da execução a escolha dos integrantes do Conselho. Art. 81. Incumbe ao Conselho da Comunidade: I - visitar, pelo menos mensalmente, os estabelecimentos penais existentes na comarca; II - entrevistar presos; III - apresentar relatórios mensais ao Juiz da execução e ao Conselho Penitenciário; IV - diligenciar a obtenção de recursos materiais e humanos para melhor assistência ao preso ou internado, em harmonia com a direção do estabelecimento. OBS: pense que o Conselho da Comunidade cabe as funções relacionadas aos que estão DENTRO da prisão (entrevista presos, visitas mensais, relatórios mensais, obtenção de recursos) DA DEFENSORIA PÚBLICA Art. 81-A. A Defensoria Pública velará pela regular execução da pena e da medida de segurança, oficiando, no processo executivo e nos incidentes da execução, para a defesa dos necessitados em todos os graus e instân- cias, de forma individual e coletiva. Art. 81-B. Incumbe, ainda, à Defensoria Pública: I - requerer: a) todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo; b) a aplicação aos casos julgados de lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado; c) a declaração de extinção da punibilidade; d) a unificação de penas; e) a detração e remição da pena; f) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução; g) a aplicação de medida de segurança e sua revogação, bem como a substituição da pena por medida de segurança; h) a conversão de penas, a progressão nos regimes, a suspensão condicional da pena, o livramento condicional, a comutação de pena e o indulto; i) a autorização de saídas temporárias; j) a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior; k) o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca; l) a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1o do art. 86 desta Lei; II - requerer a emissão anual do atestado de pena a cumprir; 4 III - interpor recursos de decisões proferidas pela autoridade judiciária ou administrativa durante a execução; IV - representar ao Juiz da execução ou à autoridade administrativa para instauração de sindi- cância ou procedimento administrativo em caso de violação das normas referentes à execução penal; V - visitar os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento, e requerer, quando for o caso, a apuração de responsabilidade; VI - requerer à autoridade competente a interdição, no todo ou em parte, de estabelecimento penal. O órgão da Defensoria Pública visitará periodicamente os estabelecimentos penais, registrando a sua presença em livro próprio. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS ͫ Penitenciária (art. 87 a 90.; ͫ Colônia agrícola, industrial ou similar (art. 91 e 32); ͫ Casa do Albergado (art. 93 a 95); ͫ Centro de observação (art. 96 a 98); ͫ Hospital de custódia (art. 99 a 101); ͫ Cadeia pública (art. 102 a 104). DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 82. Os estabelecimentos penais destinam-se ao condenado, ao submetido à medida de segurança, ao preso provisório e ao egresso. ͫ A mulher e o maior de sessenta anos, separadamente, serão recolhidos a estabelecimento próprio e adequado à sua condição pessoal. ͫ O mesmo conjunto arquitetônico poderá abrigar estabelecimentos de destinação diversa desde que devidamente isolados. Art. 83. O estabelecimento penal, conforme a sua natureza, deverá contar em suas dependências com áreas e serviços destinados a dar assistência, educação, trabalho, recreação e prática esportiva. ͫ Haverá instalação destinada a estágio de estudantes universitários. ͫ Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 (seis) meses de idade. ͫ Os estabelecimentos de que trata o § 2o deste artigo deverão possuir, exclusivamente, agentes do sexo feminino na segurança de suas dependências internas. ͫ Serão instaladas salas de aulas destinadas a cursosdo ensino básico e profissionalizante. ͫ Haverá instalação destinada à Defensoria Pública. Art. 83-A. Poderão ser objeto de execução indireta as atividades materiais acessórias, instrumentais ou com- plementares desenvolvidas em estabelecimentos penais, e notadamente: I - serviços de conservação, limpeza, informática, copeiragem, portaria, recepção, reprografia, telecomunicações, lavanderia e manutenção de prédios, instalações e equipamentos internos e externos; II - serviços relacionados à execução de trabalho pelo preso. ͫ A execução indireta será realizada sob supervisão e fiscalização do poder público. ͫ Os serviços relacionados neste artigo poderão compreender o fornecimento de materiais, equipamentos, máquinas e profissionais. Art. 83-B. São indelegáveis as funções de direção, chefia e coordenação no âmbito do sistema penal, bem como todas as atividades que exijam o exercício do poder de polícia, e notadamente: 3 ͫ I - classificação de condenados; ͫ II - aplicação de sanções disciplinares; ͫ III - controle de rebeliões; ͫ IV - transporte de presos para órgãos do Poder Judiciário, hospitais e outros locais exter- nos aos estabelecimentos penais. Art. 84. O preso provisório ficará separado do condenado por sentença transitada em julgado. ͫ Os presos provisórios ficarão separados de acordo com os seguintes critérios: » acusados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; » acusados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; » acusados pela prática de outros crimes ou contravenções diversos dos apontados de hediondos e equiparados e crimes com violência ou grave ameaça a pessoa. ͫ O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada. ͫ Os presos condenados ficarão separados de acordo com os seguintes critérios: » I - condenados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; » II - reincidentes condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; » III - primários condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; » IV - demais condenados pela prática de outros crimes ou contravenções em situação diversa das previstas nos incisos I, II e III. ͫ O preso que tiver sua integridade física, moral ou psicológica ameaçada pela convivência com os demais presos ficará segregado em local próprio. Art. 85. O estabelecimento penal deverá ter lotação compatível com a sua estrutura e finalidade. ͫ O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária determinará o limite máximo de capacidade do estabelecimento, atendendo a sua natureza e peculiaridades. Art. 86. As penas privativas de liberdade aplicadas pela Justiça de uma Unidade Federativa podem ser executa- das em outra unidade, em estabelecimento local ou da União. ͫ A União Federal poderá construir estabelecimento penal em local distante da condenação para recolher os condenados, quando a medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio condenado. ͫ Conforme a natureza do estabelecimento, nele poderão trabalhar os liberados ou egressos que se dediquem a obras públicas ou ao aproveitamento de terras ociosas. ͫ Caberá ao juiz competente, a requerimento da autoridade administrativa definir o estabe- lecimento prisional adequado para abrigar o preso provisório ou condenado, em atenção ao regime e aos requisitos estabelecidos. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS II DA PENITENCIÁRIA Art. 87. A penitenciária destina-se ao condenado à pena de reclusão, em regime fechado. ͫ A União Federal, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios poderão construir Peni- tenciárias destinadas, exclusivamente, aos presos provisórios e condenados que estejam em regime fechado, sujeitos ao regime disciplinar diferenciado, nos termos do art. 52 desta Lei. Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasio- nar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características: Art. 88. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho sanitário e lavatório. ͫ São requisitos básicos da unidade celular: » a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana; » b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados). Art. 89. Além dos requisitos referidos no art. 88, a penitenciária de mulheres será dotada de seção para ges- tante e parturiente e de creche para abrigar crianças maiores de 6 (seis) meses e menores de 7 (sete) anos, com a finalidade de assistir a criança desamparada cuja responsável estiver presa. ͫ São requisitos básicos da seção e da creche referidas neste artigo: » I – atendimento por pessoal qualificado, de acordo com as diretrizes adotadas pela legislação educacional e em unidades autônomas; e » II – horário de funcionamento que garanta a melhor assistência à criança e à sua responsável. Art. 90. A penitenciária de homens será construída, em local afastado do centro urbano, à distância que não restrinja a visitação. DA COLÔNIA AGRÍCOLA, INDUSTRIAL OU SIMILAR Art. 91. A Colônia Agrícola, Industrial ou Similar destina-se ao cumprimento da pena em regime semi-aberto. Art. 92. O condenado poderá ser alojado em compartimento coletivo, observados os requisitos da letra a, do parágrafo único, do artigo 88, desta Lei. ͫ São também requisitos básicos das dependências coletivas: a) a seleção adequada dos presos; b) o limite de capacidade máxima que atenda os objetivos de individualização da pena. 3 DA CASA DO ALBERGADO Art. 93. A Casa do Albergado destina-se ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime aberto, e da pena de limitação de fim de semana. Art. 94. O prédio deverá situar-se em centro urbano, separado dos demais estabelecimentos, e caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga. Art. 95. Em cada região haverá, pelo menos, uma Casa do Albergado, a qual deverá conter, além dos aposentos para acomodar os presos, local adequado para cursos e palestras. ͫ O estabelecimento terá instalações para os serviços de fiscalização e orientação dos condenados. DO CENTRO DE OBSERVAÇÃO Art. 96. No Centro de Observação realizar-se-ão os exames gerais e o criminológico, cujos resultados serão encaminhados à Comissão Técnica de Classificação. ͫ No Centro poderão ser realizadas pesquisas criminológicas. Art. 97. O Centro de Observação será instalado em unidade autônoma ou em anexo a estabelecimento penal. Art. 98. Os exames poderão ser realizados pela Comissão Técnica de Classificação, na falta do Centro de Observação. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS III DO HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO Art. 99. O Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico destina-se aos inimputáveis e semi-imputáveis referi- dos no artigo 26 e seu parágrafo único do Código Penal. ͫ Aplica-se ao hospital, no que couber, o disposto no parágrafo único, do artigo 88, desta Lei. Art. 88. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho sanitário e lavatório. Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular: a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicio- namento térmico adequado à existência humana; b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados). Art. 100. O exame psiquiátrico e os demais exames necessários ao tratamento são obrigatórios para todos os internados. Art. 101. O tratamento ambulatorial, previsto no artigo 97, segunda parte, do Código Penal, será realizado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou em outro local com dependência médica adequada. DA CADEIA PÚBLICA Art. 102. A cadeia pública destina-seao recolhimento de presos provisórios. Art. 103. Cada comarca terá, pelo menos 1 (uma) cadeia pública a fim de resguardar o interesse da Administra- ção da Justiça Criminal e a permanência do preso em local próximo ao seu meio social e familiar. Art. 104. O estabelecimento de que trata este Capítulo será instalado próximo de centro urbano, observando-se na construção as exigências mínimas referidas no artigo 88 e seu parágrafo único desta Lei. DA EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 105. Transitando em julgado a sentença que aplicar pena privativa de liberdade, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de guia de recolhimento para a execução. Art. 106. A guia de recolhimento, extraída pelo escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a assinará com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa incumbida da execução e conterá: ͫ I - o nome do condenado; ͫ II - a sua qualificação civil e o número do registro geral no órgão oficial de identificação; ͫ III - o inteiro teor da denúncia e da sentença condenatória, bem como certidão do trân- sito em julgado; 3 ͫ IV - a informação sobre os antecedentes e o grau de instrução; ͫ V - a data da terminação da pena; ͫ VI - outras peças do processo reputadas indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário. » Ao Ministério Público se dará ciência da guia de recolhimento. » A guia de recolhimento será retificada sempre que sobrevier modificação quanto ao início da execução ou ao tempo de duração da pena. » Se o condenado, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal, far-se-á, na guia, menção dessa circunstância, para fins do disposto no § 2°, do artigo 84, desta Lei. Art. 84, § 2° O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada. Art. 107. Ninguém será recolhido, para cumprimento de pena privativa de liberdade, sem a guia expedida pela autoridade judiciária. ͫ A autoridade administrativa incumbida da execução passará recibo da guia de recolhi- mento para juntá-la aos autos do processo, e dará ciência dos seus termos ao condenado. ͫ As guias de recolhimento serão registradas em livro especial, segundo a ordem cronológica do recebimento, e anexadas ao prontuário do condenado, aditando-se, no curso da execução, o cálculo das remições e de outras retificações posteriores. Art. 108. O condenado a quem sobrevier doença mental será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Art. 109. Cumprida ou extinta a pena, o condenado será posto em liberdade, mediante alvará do Juiz, se por outro motivo não estiver preso. DOS REGIMES Art. 110. O Juiz, na sentença, estabelecerá o regime no qual o condenado iniciará o cumprimento da pena priva- tiva de liberdade, observado o disposto no artigo 33 e seus parágrafos do Código Penal. Art. 111. Quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a detração ou remição. ͫ Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do regime. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE III DAS AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA DA PERMISSÃO DE SAÍDA Art. 120. Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos: ͫ I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; ͫ II - necessidade de tratamento médico. Art. 14.§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistên- cia médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do estabelecimento. ͫ A permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso. Art. 121. A permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração necessária à finalidade da saída. DA SAÍDA TEMPORÁRIA Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semi-aberto poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos: ͫ I - visita à família; ͫ II - frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução; ͫ III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social. A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução. Não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte. STJ - A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para fins de saída temporária e trabalho externo. Precedentes. Art. 123. A autorização será concedida por ato motivado do Juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos: ͫ I - comportamento adequado; ͫ II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente; ͫ III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. 3 Art. 124. A autorização será concedida por prazo não superior a 7 (sete) dias, podendo ser renovada por mais 4 (quatro) vezes durante o ano. ͫ Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do condenado: I. fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser en- contrado durante o gozo do benefício; II. recolhimento à residência visitada, no período noturno; III. proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres. ͫ Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes. ͫ Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma e outra. Art. 125. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso. ͫ A recuperação do direito à saída temporária dependerá da absolvição no processo penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do condenado. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 TEMPO DE CUMPRIMENTO DE PENA Limite das penas Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. § 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. § 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido. Súmula 527-STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado. PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:(2019) I. 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido come- tido sem violência à pessoa ou grave ameaça; II. 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido sem violênciaà pessoa ou grave ameaça; III. 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; IV. 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; V. 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; VI. 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional; b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; VII. 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; VIII. 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. 3 Súmula 716 do STF: “Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória” ͫ A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e prece- dida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. ͫ No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: » não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; » não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; » ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; » ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; » não ter integrado organização criminosa. O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício. ͫ Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Tráfico privilegiado - § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. E como fica a progressão? 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido come- tido sem violência à pessoa ou grave ameaça; 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; ͫ O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade inter- rompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente. ͫ O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. AgRg no HABEAS CORPUS Nº 620883 - SP (2020/0277925-9) STJ - A gravidade abstrata do crime e a longa pena a cumprir não são aspectos relacionados ao comportamento do sentenciado durante a execução penal e não justificam o indeferimento dos benefícios do sistema progressivo das penas. Súmula 562 do STJ: É possível a remição de parte do tempo de execução da pena quan- do o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que extramuros. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE II DOS REGIMES II Art. 113. O ingresso do condenado em regime aberto supõe a aceitação de seu programa e das condições impos- tas pelo Juiz. Súmula Vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a ma- nutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS. Art. 114. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: ͫ estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente; ͫ apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime. ͫ Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei. Art. 117, I - condenado maior de 70 (setenta) anos; II - condenado acometido de doença grave; III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; IV - condenada gestante. Art. 115. O Juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias: ͫ permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga; ͫ sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados; ͫ não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial; ͫ comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado. STF - HC202710 / SP - O direito à remição não prescinde do efetivo e comprovado exercício de atividades laborais pelo reeducando. Art. 116. O Juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias assim o recomendem. Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: ͫ I - condenado maior de 70 (setenta) anos; ͫ II - condenado acometido de doença grave; ͫ III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; ͫ IV - condenada gestante. 3 Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: ͫ I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave; ͫ II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime (artigo 111). » O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta. » Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o condenado. Art. 119. A legislação local poderá estabelecer normas complementares para o cumprimento da pena privativa de liberdade em regime aberto (artigo 36, § 1º, do Código Penal). Art. 36 - O regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado. § 1º - O condenado deverá, fora do estabelecimento e sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade autorizada, permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de folga. LEI Nº 7.210/1984 – LEI 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE IV DA REMIÇÃO Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena. ͫ A contagem de tempo será feita à razão de: I. 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias; II. 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho. ͫ As atividades de estudo poderão ser desenvolvidas de forma presencial ou por metod- ologia de ensino a distânciae deverão ser certificadas pelas autoridades educacionais competentes dos cursos frequentados. ͫ Para fins de cumulação dos casos de remição, as horas diárias de trabalho e de estudo serão definidas de forma a se compatibilizarem. ͫ O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos contin- uará a beneficiar-se com a remição. ͫ O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um terço) no caso de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente do sistema de educação. ͫ O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade condicional poderão remir, pela frequência a curso de ensino regular ou de educação profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova. ͫ O disposto aplica-se às hipóteses de prisão cautelar. ͫ A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa. STF - O art. 126 da LEP não admite a remição de pena ficta ou virtual, devendo-se de- monstrar o efetivo exercício de atividades laborais pelo reeducando. STJ - Súmula 562: é possível a remição de parte do tempo de execução da pena quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que extramuros. ͫ Remissão pela Leitura: Resolução Nº 391 de 10/05/2021 Art. 5o Terão direito à remição de pena pela leitura as pessoas privadas de liberdade que comprovarem a leitura de qualquer obra literária, independentemente de participação em projetos ou de lista prévia de títulos autorizados, considerando-se que: (...) V – para cada obra lida corresponderá a remição de 4 (quatro) dias de pena, limitando- -se, no prazo de 12 (doze) meses, a até 12 (doze) obras efetivamente lidas e avaliadas e 3 assegurando-se a possibilidade de remir até 48 (quarenta e oito) dias a cada período de 12 (doze) meses. Art. 127. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. Súmula 533 - Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. Art. 128. O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos. Art. 129. A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao juízo da execução cópia do registro de todos os condenados que estejam trabalhando ou estudando, com informação dos dias de trabalho ou das horas de frequência escolar ou de atividades de ensino de cada um deles. ͫ O condenado autorizado a estudar fora do estabelecimento penal deverá comprovar mensalmente, por meio de declaração da respectiva unidade de ensino, a frequência e o aproveitamento escolar. ͫ Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias remidos. Art. 130. Constitui o crime do artigo 299 do Código Penal declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição. Falsidade ideológica Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE V LIVRAMENTO CONDICIONAL Art. 131. O livramento condicional poderá ser concedido pelo Juiz da execução, presentes os requisitos do artigo 83, incisos e parágrafo único, do Código Penal, ouvidos o Ministério Público e Conselho Penitenciário. Requisitos do livramento condicional Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; III - comprovado: a) bom comportamento durante a execução da pena; b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terro- rismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir. Art. 132. Deferido o pedido, o Juiz especificará as condições a que fica subordinado o livramento. ͫ Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes: a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho; b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação; c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste. ͫ Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as seguintes: d) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção; e) recolher-se à habitação em hora fixada; f) não freqüentar determinados lugares. 3 Art. 133. Se for permitido ao liberado residir fora da comarca do Juízo da execução, remeter-se-á cópia da sentença do livramento ao Juízo do lugar para onde ele se houver transferido e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção. Art. 134. O liberado será advertido da obrigação de apresentar-se imediatamente às autoridades referidas no artigo anterior. Art. 135. Reformada a sentença denegatória do livramento, os autos baixarão ao Juízo da execução, para as providências cabíveis. Art. 136. Concedido o benefício, será expedida a carta de livramento com a cópia integral da sentença em 2 (duas) vias, remetendo-se uma à autoridade administrativa incumbida da execução e outra ao Conselho Penitenciário. Art. 137. A cerimônia do livramento condicional será realizada solenemente no dia marcado pelo Presidente do Conselho Penitenciário, no estabelecimento onde está sendo cumprida a pena, observando-se o seguinte: I - a sentença será lida ao liberando, na presença dos demais condenados, pelo Presidente do Conselho Penitenciário ou membro por ele designado, ou, na falta, pelo Juiz; II - a autoridade administrativa chamará a atenção do liberando para as condições impostas na sentença de livramento; III - o liberando declarará se aceita as condições. ͫ De tudo em livro próprio, será lavrado termo subscrito por quem presidir a cerimônia e pelo liberando, ou alguém a seu rogo, se não souber ou não puder escrever. ͫ Cópia desse termo deverá ser remetida ao Juiz da execução. Art. 138. Ao sair o liberado do estabelecimento penal, ser-lhe-á entregue, além do saldo de seu pecúlio e do que lhe pertencer, uma caderneta, que exibirá à autoridade judiciária ou administrativa, sempre que lhe for exigida. ͫ A caderneta conterá: g) a identificação do liberado; h) o texto impresso do presente Capítulo; i) as condições impostas. ͫ Na falta de caderneta, será entregue ao liberado um salvo-conduto, em que constem as condições do livramento, podendo substituir-se a ficha de identificação ou o seu retrato pela descrição dos sinais que possam identificá-lo. ͫ Na caderneta e no salvo-conduto deverá haver espaço para consignar-se o cumprimento das condições referidasno artigo 132 desta Lei. VEDAÇÃO AO LIVRAMENTO CONDICIONAL Art. 112,. VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional; VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE VI LIVRAMENTO CONDICIONAL II Art. 139. A observação cautelar e a proteção realizadas por serviço social penitenciário, Patronato ou Conselho da Comunidade terão a finalidade de: I - fazer observar o cumprimento das condições especificadas na sentença concessiva do benefício; II - proteger o beneficiário, orientando-o na execução de suas obrigações e auxiliando-o na obtenção de atividade laborativa. ͫ A entidade encarregada da observação cautelar e da proteção do liberado apresentará relatório ao Conselho Penitenciário, para efeito da representação prevista nos artigos 143 e 144 desta Lei. Art. 140. A revogação do livramento condicional dar-se-á nas hipóteses previstas nos artigos 86 e 87 do Código Penal. Revogação do livramento Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença irrecorrível: I - por crime cometido durante a vigência do benefício; II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. Revogação facultativa Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade. ͫ Mantido o livramento condicional, na hipótese da revogação facultativa, o Juiz deverá advertir o liberado ou agravar as condições. Art. 141. Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência do livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de prova, sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das 2 (duas) penas. Art. 142. No caso de revogação por outro motivo, não se computará na pena o tempo em que esteve solto o liberado, e tampouco se concederá, em relação à mesma pena, novo livramento. Art. 143. A revogação será decretada a requerimento do Ministério Público, mediante representação do Conselho Penitenciário, ou, de ofício, pelo Juiz, ouvido o liberado. Art. 144. O Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou mediante represen- tação do Conselho Penitenciário, e ouvido o liberado, poderá modificar as condições especificadas na sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por uma das autoridades ou funcionários indicados no inciso I do caput do art. 137 desta Lei, observado o disposto nos incisos II e III e §§ 1o e 2o do mesmo artigo. Art. 145. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final. 3 Art. 146. O Juiz, de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público ou mediante representação do Conselho Penitenciário, julgará extinta a pena privativa de liberdade, se expirar o prazo do livramento sem revogação. DA MONITORAÇÃO ELETRÔNICA Art. 146-B. O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica quando: ͫ autorizar a saída temporária no regime semiaberto; ͫ determinar a prisão domiciliar; Art. 146-C. O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o equipamento eletrônico e dos seguintes deveres: ͫ receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica, responder aos seus contatos e cumprir suas orientações; ͫ abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça; » A violação comprovada dos deveres previstos neste artigo poderá acarretar, a critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa: ͫ a regressão do regime; ͫ a revogação da autorização de saída temporária; ͫ a revogação da prisão domiciliar; ͫ advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não aplicar alguma das medidas previstas. Art. 146-D. A monitoração eletrônica poderá ser revogada: ͫ I - quando se tornar desnecessária ou inadequada; ͫ II - se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou cometer falta grave. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE VII DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS ͫ Disposições Gerais Art. 147. Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de direitos, o Juiz da execução, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, promoverá a execução, podendo, para tanto, requisitar, quando necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a particulares. Art. 148. Em qualquer fase da execução, poderá o Juiz, motivadamente, alterar, a forma de cumprimento das penas de prestação de serviços à comunidade e de limitação de fim de semana, ajustando-as às condições pessoais do condenado e às características do estabelecimento, da entidade ou do programa comunitário ou estatal. Súmula 588/STJ - Violência doméstica. Substituição da pena privativa de liberdade pela pena restritiva de direitos. Não cabimento. CP, art. 44, I. Lei 11.340/2006 (Maria da Penha). DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE Art. 149. Caberá ao Juiz da execução: I - designar a entidade ou programa comunitário ou estatal, devidamente credenciado ou convencionado, junto ao qual o condenado deverá trabalhar gratuitamente, de acordo com as suas aptidões; II - determinar a intimação do condenado, cientificando-o da entidade, dias e horário em que deverá cumprir a pena; III - alterar a forma de execução, a fim de ajustá-la às modificações ocorridas na jornada de trabalho. ͫ o trabalho terá a duração de 8 (oito) horas semanais e será realizado aos sábados, domin- gos e feriados, ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho, nos horários estabelecidos pelo Juiz. ͫ A execução terá início a partir da data do primeiro comparecimento. Art. 150. A entidade beneficiada com a prestação de serviços encaminhará mensalmente, ao Juiz da execu- ção, relatório circunstanciado das atividades do condenado, bem como, a qualquer tempo, comunicação sobre ausência ou falta disciplinar. DA LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA Art. 151. Caberá ao Juiz da execução determinar a intimação do condenado, cientificando-o do local, dias e horário em que deverá cumprir a pena. ͫ A execução terá início a partir da data do primeiro comparecimento. Art. 152. Poderão ser ministrados ao condenado, durante o tempo de permanência, cursos e palestras, ou atribuídas atividades educativas. ͫ Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz poderá determinar o compare- cimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação. 3 Art. 153. O estabelecimento designado encaminhará, mensalmente, ao Juiz da execução, relatório, bem assim comunicará, a qualquer tempo, a ausência ou falta disciplinar do condenado. DA INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS Art. 154. Caberá ao Juiz da execução comunicar à autoridade competente a pena aplicada, determinada a intimação do condenado. ͫ Na hipótese de pena de interdição do artigo 47, inciso I, do Código Penal, a autoridade deverá, em 24 (vinte e quatro) horas, contadas do recebimento do ofício, baixar ato, a partir do qual a execução terá seu início. Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; ͫ Nas hipóteses do artigo 47, incisosII e III, do Código Penal, o Juízo da execução deter- minará a apreensão dos documentos, que autorizam o exercício do direito interditado. Art. 47. II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. Art. 155. A autoridade deverá comunicar imediatamente ao Juiz da execução o descumprimento da pena. ͫ A comunicação prevista poderá ser feita por qualquer prejudicado. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 DA SUSPENSÃO CONDICIONAL Art. 156. O Juiz poderá suspender, pelo período de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, a execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, na forma prevista nos artigos 77 a 82 do Código Penal. Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. § 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. § 2o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cum- primento das condições estabelecidas pelo juiz. § 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48). § 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circuns- tâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: a) proibição de freqüentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. Revogação obrigatória Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo jus- tificado, a reparação do dano; III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. Revogação facultativa 3 § 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. Prorrogação do período de prova § 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. § 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se este não foi o fixado. Cumprimento das condições Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. Art. 157. O Juiz ou Tribunal, na sentença que aplicar pena privativa de liberdade, na situação determinada no artigo anterior, deverá pronunciar-se, motivadamente, sobre a suspensão condicional, quer a conceda, quer a denegue. Art. 158. Concedida a suspensão, o Juiz especificará as condições a que fica sujeito o condenado, pelo prazo fixado, começando este a correr da audiência prevista no artigo 160 desta Lei. ͫ As condições serão adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado, devendo ser incluída entre as mesmas a de prestar serviços à comunidade, ou limitação de fim de semana, salvo hipótese do artigo 78, § 2º, do Código Penal. Art. 78, § 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: ͫ O Juiz poderá, a qualquer tempo, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante proposta do Conselho Penitenciário, modificar as condições e regras estabele- cidas na sentença, ouvido o condenado. ͫ A fiscalização do cumprimento das condições, reguladas nos Estados, Territórios e Distrito Federal por normas supletivas, será atribuída a serviço social penitenciário, Patronato, Conselho da Comunidade ou instituição beneficiada com a prestação de serviços, inspe- cionados pelo Conselho Penitenciário, pelo Ministério Público, ou ambos, devendo o Juiz da execução suprir, por ato, a falta das normas supletivas. ͫ O beneficiário, ao comparecer periodicamente à entidade fiscalizadora, para comprovar a observância das condições a que está sujeito, comunicará, também, a sua ocupação e os salários ou proventos de que vive. ͫ A entidade fiscalizadora deverá comunicar imediatamente ao órgão de inspeção, para os fins legais, qualquer fato capaz de acarretar a revogação do benefício, a prorrogação do prazo ou a modificação das condições. ͫ Se for permitido ao beneficiário mudar-se, será feita comunicação ao Juiz e à entidade fiscalizadora do local da nova residência, aos quais o primeiro deverá apresentar-se imediatamente. 4 Art. 159. Quando a suspensão condicional da pena for concedida por Tribunal, a este caberá estabelecer as condições do benefício. ͫ De igual modo proceder-se-á quando o Tribunal modificar as condições estabelecidas na sentença recorrida. ͫ O Tribunal, ao conceder a suspensão condicional da pena, poderá, todavia, conferir ao Juízo da execução a incumbência de estabelecer as condições do benefício, e, em qualquer caso, a de realizar a audiência admonitória. Art. 160. Transitada em julgado a sentença condenatória, o Juiz a lerá ao condenado, em audiência, advertin- do-o das consequências de nova infração penal e do descumprimento das condições impostas. Art. 161. Se, intimado pessoalmente ou por edital com prazo de 20 (vinte) dias, o réu não comparecer injustifica- damente à audiência admonitória, a suspensão ficará sem efeito e será executada imediatamente a pena. Art. 162. A revogação da suspensão condicional da pena e a prorrogação do período de prova dar-se-ão na forma do artigo 81 e respectivos parágrafos do Código Penal. Art. 163. A sentença condenatória será registrada, com a nota de suspensão em livro especial do Juízo a que couber a execução da pena. ͫ Revogada a suspensão ou extinta a pena, será o fato averbado à margem do registro. ͫ O registro e a averbação serão sigilosos, salvo para efeito de informações requisitadas por órgão judiciário ou pelo Ministério Público, para instruir processo penal. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 EXECUÇÃO DAS PENAS DA PENA DE MULTA Art. 164. Extraída certidão da sentença condenatória com trânsito em julgado, que valerá como título executivo judicial, o Ministério Público requererá, em autos apartados, a citação do condenado para, no prazo de 10 (dez) dias, pagar o valor da multa ou nomear bens à penhora. ͫ Decorrido o prazo sem o pagamento da multa, ou o depósito da respectiva importância, proceder-se-á à penhora de tantos bens quantos bastem para garantir a execução. ͫ A nomeação de bens à penhora e a posterior execução seguirão o que dispuser a lei processual civil. Art. 165. Se a penhora recair em bem imóvel,os autos apartados serão remetidos ao Juízo Cível para prosseguimento. Art. 166. Recaindo a penhora em outros bens, dar-se-á prosseguimento nos termos do § 2º do artigo 164, desta Lei. Art. 167. A execução da pena de multa será suspensa quando sobrevier ao condenado doença mental (artigo 52 do Código Penal). Art. 168. O Juiz poderá determinar que a cobrança da multa se efetue mediante desconto no vencimento ou salário do condenado, nas hipóteses do artigo 50, § 1º, do Código Penal, observando-se o seguinte: I - o limite máximo do desconto mensal será o da quarta parte da remuneração e o mínimo o de um décimo; II - o desconto será feito mediante ordem do Juiz a quem de direito; III - o responsável pelo desconto será intimado a recolher mensalmente, até o dia fixado pelo Juiz, a importância determinada. Art. 169. Até o término do prazo a que se refere o artigo 164 desta Lei, poderá o condenado requerer ao Juiz o pagamento da multa em prestações mensais, iguais e sucessivas. ͫ O Juiz, antes de decidir, poderá determinar diligências para verificar a real situação econômica do condenado e, ouvido o Ministério Público, fixará o número de prestações. ͫ Se o condenado for impontual ou se melhorar de situação econômica, o Juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, revogará o benefício executando-se a multa, na forma prevista neste Capítulo, ou prosseguindo-se na execução já iniciada. Art. 170. Quando a pena de multa for aplicada cumulativamente com pena privativa da liberdade, enquanto esta estiver sendo executada, poderá aquela ser cobrada mediante desconto na remuneração do condenado (artigo 168). ͫ Se o condenado cumprir a pena privativa de liberdade ou obtiver livramento condicional, sem haver resgatado a multa, far-se-á a cobrança nos termos deste Capítulo. ͫ Aplicar-se-á o disposto no parágrafo anterior aos casos em que for concedida a suspensão condicional da pena. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 EXECUÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 171. Transitada em julgado a sentença que aplicar medida de segurança, será ordenada a expedição de guia para a execução. Art. 172. Ninguém será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, ou submetido a tratamento ambulatorial, para cumprimento de medida de segurança, sem a guia expedida pela autoridade judiciária. Art. 173. A guia de internamento ou de tratamento ambulatorial, extraída pelo escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a subscreverá com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa incumbida da execução e conterá: I - a qualificação do agente e o número do registro geral do órgão oficial de identificação; II - o inteiro teor da denúncia e da sentença que tiver aplicado a medida de segurança, bem como a certidão do trânsito em julgado; III - a data em que terminará o prazo mínimo de internação, ou do tratamento ambulatorial; IV - outras peças do processo reputadas indispensáveis ao adequado tratamento ou internamento. ͫ Ao Ministério Público será dada ciência da guia de recolhimento e de sujeição a tratamento. ͫ A guia será retificada sempre que sobrevier modificações quanto ao prazo de execução. Art. 174. Aplicar-se-á, na execução da medida de segurança, naquilo que couber, o disposto nos artigos 8° e 9° desta Lei. Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução. Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto. Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do pro- cesso, poderá: I - entrevistar pessoas; II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado; III - realizar outras diligências e exames necessários. STJ - súmula 517 “O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.” CESSAÇÃO DA PERICULOSIDADE Art. 175. A cessação da periculosidade será averiguada no fim do prazo mínimo de duração da medida de segu- rança, pelo exame das condições pessoais do agente, observando-se o seguinte: 3 I - a autoridade administrativa, até 1 (um) mês antes de expirar o prazo de duração mínima da medida, remeterá ao Juiz minucioso relatório que o habilite a resolver sobre a revogação ou permanência da medida; II - o relatório será instruído com o laudo psiquiátrico; III - juntado aos autos o relatório ou realizadas as diligências, serão ouvidos, sucessivamente, o Ministério Público e o curador ou defensor, no prazo de 3 (três) dias para cada um; IV - o Juiz nomeará curador ou defensor para o agente que não o tiver; V - o Juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, poderá determinar novas dili- gências, ainda que expirado o prazo de duração mínima da medida de segurança; VI - ouvidas as partes ou realizadas as diligências a que se refere o inciso anterior, o Juiz pro- ferirá a sua decisão, no prazo de 5 (cinco) dias. Art. 176. Em qualquer tempo, ainda no decorrer do prazo mínimo de duração da medida de segurança, poderá o Juiz da execução, diante de requerimento fundamentado do Ministério Público ou do interessado, seu procurador ou defensor, ordenar o exame para que se verifique a cessação da periculosidade, procedendo-se nos termos do artigo anterior. Código Penal Imposição da medida de segurança para inimputável Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial. Prazo § 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos Art. 177. Nos exames sucessivos para verificar-se a cessação da periculosidade, observar-se-á, no que lhes for aplicável, o disposto no artigo anterior. Art. 178. Nas hipóteses de desinternação ou de liberação (artigo 97, § 3º, do Código Penal), aplicar-se-á o dis- posto nos artigos 132 e 133 desta Lei. Art. 179. Transitada em julgado a sentença, o Juiz expedirá ordem para a desinternação ou a liberação. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 INCIDENTES DE EXECUÇÃO ͫ Incidentes de execução → CEIA: » Conversões (Pena Priv. Liberdade → Pena Restr. Direitos OU PRD → PPL) » Excesso ou desvio » Indulto » Anistia DAS CONVERSÕES Art. 180. A pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser convertida em restritiva de direitos, desde que: I - o condenado a esteja cumprindo em regime aberto; II - tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) da pena; III - os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a conversão recomendável. Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal. ͫ A pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado: a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que deva prestar serviço; c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. ͫ A pena de limitação de fim de semana será convertida quando o condenado não com- parecer ao estabelecimento designado para o cumprimento da pena, recusar-se a exercer a atividade determinada pelo Juizou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras “a”, “d” e “e” do parágrafo anterior. a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. ͫ A pena de interdição temporária de direitos será convertida quando o condenado exercer, injustificadamente, o direito interditado ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras “a” e “e”, do § 1º, deste artigo. a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; 3 e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. Art. 183. Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança. Art. 184. O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar incompatibilidade com a medida. ͫ Nesta hipótese, o prazo mínimo de internação será de 1 (um) ano. DO EXCESSO OU DESVIO Art. 185. Haverá excesso ou desvio de execução sempre que algum ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares. Art. 186. Podem suscitar o incidente de excesso ou desvio de execução: I - o Ministério Público; II - o Conselho Penitenciário; III - o sentenciado; IV - qualquer dos demais órgãos da execução penal. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 INCIDENTES DE EXECUÇÃO II DA ANISTIA E DO INDULTO Art. 187. Concedida a anistia, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado ou do Ministério Público, por pro- posta da autoridade administrativa ou do Conselho Penitenciário, declarará extinta a punibilidade. Art. 188. O indulto individual poderá ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da autoridade administrativa. Art. 189. A petição do indulto, acompanhada dos documentos que a instruírem, será entregue ao Conselho Peni- tenciário, para a elaboração de parecer e posterior encaminhamento ao Ministério da Justiça. Art. 190. O Conselho Penitenciário, à vista dos autos do processo e do prontuário, promoverá as diligências que entender necessárias e fará, em relatório, a narração do ilícito penal e dos fundamentos da sentença conde- natória, a exposição dos antecedentes do condenado e do procedimento deste depois da prisão, emitindo seu parecer sobre o mérito do pedido e esclarecendo qualquer formalidade ou circunstâncias omitidas na petição. Art. 191. Processada no Ministério da Justiça com documentos e o relatório do Conselho Penitenciário, a petição será submetida a despacho do Presidente da República, a quem serão presentes os autos do processo ou a certidão de qualquer de suas peças, se ele o determinar. Art. 192. Concedido o indulto e anexada aos autos cópia do decreto, o Juiz declarará extinta a pena ou ajustará a execução aos termos do decreto, no caso de comutação. Art. 193. Se o sentenciado for beneficiado por indulto coletivo, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público, ou por iniciativa do Conselho Penitenciário ou da autoridade administrativa, providenciará de acordo com o disposto no artigo anterior. DO PROCEDIMENTO JUDICIAL Art. 194. O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial, desenvolvendo-se perante o Juízo da execução. Art. 195. O procedimento judicial iniciar-se-á de ofício, a requerimento do Ministério Público, do interessado, de quem o represente, de seu cônjuge, parente ou descendente, mediante proposta do Conselho Penitenciário, ou, ainda, da autoridade administrativa. Art. 196. A portaria ou petição será autuada ouvindo-se, em 3 (três) dias, o condenado e o Ministério Público, quando não figurem como requerentes da medida. ͫ Sendo desnecessária a produção de prova, o Juiz decidirá de plano, em igual prazo. ͫ Entendendo indispensável a realização de prova pericial ou oral, o Juiz a ordenará, decidindo após a produção daquela ou na audiência designada. Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo. LEI Nº 7.210/1984 – LEI DE EXECUÇÃO PENAL 2 INCIDENTES DE EXECUÇÃO ͫ Incidentes de execução → CEIA: » Conversões (Pena Priv. Liberdade → Pena Restr. Direitos OU PRD → PPL) » Excesso ou desvio » Indulto » Anistia DAS CONVERSÕES Art. 180. A pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser convertida em restritiva de direitos, desde que: I - o condenado a esteja cumprindo em regime aberto; II - tenha sido cumprido pelo menos 1/4 (um quarto) da pena; III - os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a conversão recomendável. Art. 181. A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma do artigo 45 e seus incisos do Código Penal. ͫ A pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado: a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; b) não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programa em que deva prestar serviço; c) recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. ͫ A pena de limitação de fim de semana será convertida quando o condenado não com- parecer ao estabelecimento designado para o cumprimento da pena, recusar-se a exercer a atividade determinada pelo Juiz ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras “a”, “d” e “e” do parágrafo anterior. a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; d) praticar falta grave; e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. ͫ A pena de interdição temporária de direitos será convertida quando o condenado exercer, injustificadamente, o direito interditado ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras “a” e “e”, do § 1º, deste artigo. a) não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; 3 e) sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. Art. 183. Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança. Art. 184. O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar incompatibilidade com a medida. ͫ Nesta hipótese, o prazo mínimo de internação será de 1 (um) ano. DO EXCESSO OU DESVIO Art. 185. Haverá excesso ou desvio de execução sempre que algum ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares. Art. 186. Podem suscitar o incidente de excesso ou desvio de execução: I - o Ministério Público; II - o Conselho Penitenciário; III - o sentenciado; IV - qualquer dos demais órgãos da execução penal. alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO À CRIMINOLOGIA ....................................................................................................................... 2 1.1 APRESENTAÇÃO DO CURSO E DO PROFESSOR .................................................................................. 2 1.2 TERMINOLOGIA ....................................................................................................................................... 2 1.3 CIÊNCIAS CRIMINAIS (DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIAE POLÍTICA CRIMINAL) ..................................... 2 A) DIREITO PENAL .......................................................................................................................................... 4 B) CRIMINOLOGIA .......................................................................................................................................... 4 C) POLÍTICA CRIMINAL ................................................................................................................................... 5 1.4 CRIMINOLOGIA COMO CIÊNCIA: ............................................................................................................. 6 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 INTRODUÇÃO À CRIMINOLOGIA 1.1 APRESENTAÇÃO DO CURSO E DO PROFESSOR Alô, você! Seja bem-vindo à matéria mais top do seu concurso – A Criminologia. Antes de mais nada, sou professor Diogo Medeiros, atualmente Delegado de Polícia do estado de Santa Catarina, já fui delegado, também, no estado de Minas Gerais. Me segue lá no @diogodbm para dicas, dúvidas ou se quiser trocar qualquer ideia comigo. Vamos dividir o material em oito pontos, se liga: • PONTO 1: Introdução à Criminologia: • PONTO 2: Evolução histórica da Criminologia; • PONTO 3: Vertentes Sociológicas • PONTO4: Teorias da pena; • PONTO 5: Prevenção do delito; • PONTO 6: Vitimologia; • PONTO 7: Movimentos de Política Criminal; • PONTO 8: Temas atuais da Criminologia. 1.2 TERMINOLOGIA Etimologicamente, a expressão criminologia decorre da derivação de dois termos: do latim crimen (crime/delito) + o grego logos (tratado/estudo). Portanto, trata do estudo/tratado do crime ou estudo da criminalidade. A expressão criminologia surge, ou seja, foi utilizada pela primeira vez por Paul Topinard (1883), mas difundida no cenário internacional por Raffaele Garofalo (1885 – livro Criminologia). CUIDADO: na prova, é importante lembrar do nome dos autores. Constantemente, relaciona-se o nome do autor com suas principais ideias teóricas ou, tão somente, o nome de sua teoria. 1.3 CIÊNCIAS CRIMINAIS (DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL) A criminologia é uma ciência e integra as ciências criminais. Fazem parte das ciências criminais três ramos do saber: o direito penal, a criminologia e a política criminal. Cai muito em prova as diferenças entre o direito penal, a criminologia e a política criminal. Vamos fazer um quadro para ilustrar, de forma pormenorizada, cada um dos elementos. Direito Penal Criminologia Política Criminal https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 É ciência autônoma. ➢ Ciência do dever-ser; ➢ Ciência normativa; ➢ Ciência axiológica/valorativa; É ciência autônoma. ➢ Ciência do ser; ➢ Ciência empírica; ➢ Ciência naturalística; NÃO É ciência. Está inserida no ramo das Ciências políticas (para a maioria da doutrina). Para saber o que é crime – análise jurídica. Subsunção (enquadramento) do tipo penal (norma penal incriminadora) ao fato da vida. A intervenção estatal tem por imperativo o princípio da legalidade/anterioridade. Olha para a realidade para explicar e compreender o crime/desvio, pretendendo transformá-lo. Reclama do investigador uma análise totalizadora do crime. Estuda as estratégias de prevenção criminal. Constitui a sistematização de estratégias, táticas e meios de controle da criminalidade. Ocupa-se do crime enquanto norma (lei). Ocupa-se do crime enquanto fato. Ocupa-se do crime enquanto valor. Método dedutivo. Método jurídico-dogmático; Método dedutivo-sistemático. Método indutivo. Método indutivo- empírico; Método causal- explicativo; Análise interdisciplinar. É a ponte eficaz entre a criminologia e o direito penal. Análise crítica (metajurídica) do direito posto, no sentido de ajustá-lo aos ideais jurídico-penais. Cunho operativo. Cunho opinativo. Cunho decisório. Momento normativo ou instrumental; Momento explicativo- empírico; Momento decisional ou programacional; Exemplo: É crime a prática do tráfico de drogas – art. 33 da Lei 11.343/06; Exemplo: Quais fatores contribuem para o tráfico de drogas? Razões biológicas? Pobreza? Meio social? Inadaptação dos meios institucionais e necessidade de atingimento de metas sociais? Ânsia por lucro a todo custo? Exemplo: Estuda como diminuir o tráfico de drogas – promulgação de leis incriminadoras, descriminalização das drogas, políticas públicas (iluminação, instalação de câmeras) ou até mesmo https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 tratamento de saúde nos usuários de drogas. A Criminologia e o Direito Penal são disciplinas autônomas e interdependentes e possuem o mesmo objetivo, com métodos diversos. A Criminologia, na atualidade, erige-se em estudos críticos do próprio Direito Penal, o que evita qualquer ideia de subordinação de uma ciência em cotejo com a outra. a) Direito Penal No direito penal, o método é dedutivo: interpretação das leis e a subsunção do fato da vida às leis incriminadoras. Os juristas partem de hipóteses postas pelo Estado (leis) para deduzirem consequências → fato que se enquadra ou não na lei penal. Caso não se enquadre, é um indiferente penal. O direito penal se limita apenas à construção normativa para o ajuste típico, fundamento do princípio da legalidade e anterioridade. O direito penal tem um método jurídico-dogmático e seu proceder é dedutivo sistemático. Tem natureza formal e normativa. Ele isola um fragmento parcial da realidade, com critérios axiológicos, ou seja, valorativos. Resumindo, o direito penal interpreta a norma e aplica ao caso concreto a partir de seu sistema. b) Criminologia A criminologia é ciência factual e não normativa. Não é uma ciência exata. A informação subministrada pela Criminologia não pode ser encarada como definitiva ou absolutamente verdadeira, mas apenas uma probabilidade baseada em informações confiáveis. Os criminólogos, por sua vez, partem de dados para induzirem correspondentes conclusões. Segundo Shecaira, antes de explicar o fenômeno do crime, a criminologia procura conhecê-lo. A criminologia pretende conhecer a realidade para explicá-la, enquanto o direito penal valora, ordena e orienta a realidade com o apoio de uma série de critérios axiológicos. A criminologia aproxima-se do fenômeno delitivo sem prejuízos, sem mediações, procurando obter uma informação direta desse fenômeno. O direito penal procura reconhecer a realidade criminal, de forma fragmentária e seletiva, observando a realidade sob o prisma do modelo típico. A criminologia reclama do investigador uma análise totalizadora do delito, sem mediações formais ou valorativas que limitem o seu diagnóstico. CAI MUITO EM PROVA: O crime é um fenômeno/problema individual e social. OBS.: PEGADINHAS DE PROVA. A CRIMINOLOGIA NÃO É: ➢ NÃO É CIÊNCIA NORMATIVA (é EMPÍRICA) https://www.alfaconcursos.com.br/ https://d.docs.live.net/3b8d78a2cb642bef/%C3%81rea%20de%20Trabalho/MATERIAIS%20DE%20AULA/Aulas%20criminologia/CRIMINOLOGIA%20ALFACON/BLOCO%201%20-%20APRESENTA%C3%87%C3%83O%20DO%20CURSO%20E%20CONCEITO%20DE%20CRIMINOLOGIA.docx#_ftnref2 alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 ➢ NÃO É CIÊNCIA LÓGICA; (é CONCRETA, MUNDO REAL) ➢ NÃO É CIENCIA ABSTRATA/METAFÍSICA/TEORÉTICA; (SEUS OBETOS SÃO VERIFICÁVEIS NO MUNDO REAL) ➢ NÃO É CIENCIA DEDUTIVA; (é INDUTIVA) ➢ NÃO É CIENCIA EXATA; (é HUMANA/SOCIAL) ➢ NÃO É CIÊNCIA AUXILIAR OU CONDICIONANTE E MOLDURA DO DIREITO PENAL; (é AUTÔNOMA) c) Política Criminal A política criminal, enquanto disciplina que oferece aos poderes públicos as opções científicas concretas mais adequadas para o controle do crime, é a ponte eficaz entre o direito penal. Na inter-relação entre o direito penal,a política criminal e a criminologia, compete à POLÍTICA CRIMINAL facilitar a recepção das investigações empíricas e a sua transformação em preceitos normativos, incumbindo-se de converter a experiência criminológica em proposições jurídicas, gerais e obrigatórias. Para finalizar, olha essa questão CESPE para a PC-MA, Delegado, 2018: 1. João nutria grande desejo por sua colega de turma, Estela, mas não era correspondido. Esse desejo transformou-se em ódio e fez que João planejasse o estupro e o homicídio da colega. Para isso, ele passou a observar a rotina de Estela, que trabalhava durante o dia e estudava com João à noite. Determinado dia, após a aula, em uma rua escura no caminho de Estela para casa, João realizou seus intentos criminosos, certo de que ficaria impune, mas acabou sendo descoberto e preso. Com relação à situação hipotética descrita no texto e às funções da criminologia, da política criminal e do direito penal, assinale a opção correta. a) O direito penal tem a função de analisar a forma como o crime foi cometido, bem como estudar os meios que devem ser adotados com relação à pena e à ressocialização de João. b) O direito penal é o responsável pelo diagnóstico do fenômeno dos crimes cometidos contra as mulheres. c) A criminologia deverá analisar a conduta de João, subsidiando o juiz quanto ao arbitramento da pena. d) A política criminal tem a função de propor medidas para a redução das condições que facilitaram o cometimento do crime por João, como a urbanização e a iluminação de ruas. e) A criminologia deverá indicar os trajetos que precisam de rondas policiais ou os locais para se instalarem postos policiais. Gabarito: D https://www.alfaconcursos.com.br/ https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/institutos/pc-ma alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 1.4 CRIMINOLOGIA COMO CIÊNCIA: É fundamental compreender qual foi o marco científico da criminologia, ou seja, em qual momento histórico começou a se tratar a criminologia como ciência própria. A doutrina majoritária entende que o marco científico se deu com o médico italiano Cesare Lombroso, principalmente com a edição da sua obra “O homem delinquente”, em 1876, final do século XIX. E por que Lombroso inaugura o saber científico? Porque começa a utilizar de métodos e objetos próprios, separados da ciência do direito penal. Baseando-se nos métodos empírico (ex.: análise laboratorial) e indutivo (partindo de casos específicos para um exame geral). Veremos adiante que Lombroso – pai da criminologia - compõe a etapa positiva da criminologia. Mas cuidado: alguns doutrinadores – de forma minoritária – entendem que a criminologia, como ciência, se desenvolve em um período anterior, com o filósofo Cesare Beccaria, na obra “Dos delitos e das penas” (1764). Veremos adiante que Beccaria compõe a escola clássica da criminologia, etapa pré-científica da criminologia. Essa doutrina é minoritária. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO A CRIMINOLOGIA ....................................................................................................................... 2 1.3 MÉTODOS DA CRIMINOLOGIA ................................................................................................................. 2 A) CRIMINOLOGIA E MÉTODO EMPÍRICO ...................................................................................................... 2 B) CRIMINOLOGIA E MÉTODO INTERDISCIPLINAR ........................................................................................ 2 C) CRIMINOLOGIA E MÉTODO INDUTIVO ...................................................................................................... 2 1.4 OBJETOS DA CRIMINOLOGIA ................................................................................................................... 3 A) CRIME (DELITO) ................................................................................................................................. 3 B) CRIMINOSO/DELINQUENTE ............................................................................................................... 5 C) VÍTIMA ............................................................................................................................................... 5 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 INTRODUÇÃO A CRIMINOLOGIA 1.3 MÉTODOS DA CRIMINOLOGIA Metodologia é uma análise sistemática dos procedimentos, hipóteses e meios de explicação com o que nos deparamos em uma investigação empírica. A criminologia é uma ciência que se vale de três métodos: empírico, indutivo e interdisciplinar. a) Criminologia e método empírico É uma ciência empírica – Desenvolve-se através de análise e observação da realidade. Exemplo: Há uma grande incidência do crime de estupro em determinado local. O criminólogo vai até o local verifica fatores sociais, culturais, psicológicos do autor e da vítima para entender o problema. Atenção: método empírico nem sempre será necessariamente experimental. b) Criminologia e método interdisciplinar É uma ciência interdisciplinar – diversos ramos do saber vão se dialogar para enfrentar os problemas da criminologia. Utiliza-se da sociologia, biologia, antropologia, medicina, psicologia, estatística e até mesmo a arquitetura. Atenção: a criminologia é interdisciplinar, e não multidisciplinar. (na multidisciplinariedade os ramos do saber são autônomos e não se interconectam ou dialogam). Portanto, a interdisciplinaridade apresenta maior grau de influxo (conexão/diálogo) entre as outras ciências e a multidisciplinariedade menor grau de conexão. OBS.: Falar que a Criminologia utiliza de diversos ramos do saber não significa dizer que ela não tem um conhecimento próprio, pois cria seu conhecimento científico com a contribuição dessas diversas áreas. c) Criminologia e método indutivo A criminologia se vale do método indutivo: análise de casos particulares – mundo dos fatos – para chegar a uma análise geral. O criminólogo parte de dados (verificáveis no mundo real, por isso, uma ciência do ser, para se chegar a um problema). O direito penal parte de análise geral (conhecimento/estudo da norma posta) para depois ir ao particular (verificar que, em um fato da vida, um indivíduo praticou uma conduta que se amolda a um tipo legal previsto em norma penal incriminadora, por exemplo), utilizando-se, portanto, do método dedutivo. A criminologia analisa dados e induz as correspondentes conclusões, porém suas hipóteses se verificam – e se reforçam – sempre por força dos fatos que prevalecem sobre os argumentos puramente subjetivos. Lembrando que o direito penal se utiliza dos métodos jurídico, dedutivo e sistemático. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Olha uma questão da banca VUNESPE sobre o tema, considerada correta: a CRIMINOLOGIA é uma ciência do ser, empírica e experimental, que se utiliza de métodos biológicos e sociológicos. 1.4 OBJETOS DA CRIMINOLOGIA A MODERNA criminologia se vale de quatro objetos: ➢ Crime; ➢ Criminoso; ➢ Vítima; ➢ Controle social; Atenção: na etapa pré-científica da criminologia (Século XVIII), por intermédio da escola clássica, e na etapa científica da criminologia (século XIX e XX), por intermédio da escola positiva, havia a preocupação do estudo apenas do crime e do criminoso. Com o giro sociológico (estudo da sociologia criminal) nos meados do século XX, começou a se estudar também a vítima e controle social. Portanto, os objetos vítima e controle social são relativamente novos, permeiam sua existência pós-século XX. A) CRIME (DELITO) Para a criminologia, crime tem algumas características e que nada tem a ver com crime do direito penal (ideia de ciência autônoma). Para o direito penal, sobaspecto analítico, crime é fato típico, ilícito e culpável. Sob o aspecto formal, é a contradição entre o fato e a norma penal incriminadora. No aspecto material, crime é a lesão ou perigo de lesão bem jurídico protegido. No entanto, para a criminologia, todo o crime deve ter: incidência massiva, incidência aflitiva, persistência espaço-temporal e consciência sobre sua etiologia e técnicas para intervenção eficaz. Vejamos cada um desses elementos do crime para a criminologia: ➢ Incidência massiva (o crime deve acontecer frequentemente na sociedade – reiteração do fato); O exemplo clássico da doutrina (Salomão Shecaira) de crime sem incidência massiva, é a conduta de molestar cetáceo, algo que não ocorre com frequência no País (art. 1° da Lei 7.643.87). ➢ Incidência aflitiva (o crime causa dor, medo, temor, repulsa na sociedade, relevância social); O exemplo clássico da doutrina é a falta de consenso sobre a lesividade do crime de utilização da expressão couro sintético para denominar produtos que não sejam couro de fato, vindo do animal (Lei 4.888/65); https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 ➢ Persistência espaço temporal (a conduta deve distribuir-se por todo o território nacional ao longo de um certo tempo); ➢ Inequívoco consenso a respeito de sua etiologia e técnicas para intervenção mais eficazes para seu combate ou Consciência geral sobre a sua negatividade. É a consciência da sociedade que aquele fato deva ser criminalizado. O exemplo citado por Shecaira é o uso do álcool. Verifica-se que o uso indiscriminado do álcool possui consequências danosas à sociedade: há uma incidência massiva, aflitiva e persistência espaço-temporal. Todavia, será que hoje em dia alguém defenderia a criminalização do uso ou contrabando de álcool? Portanto, a solução do problema do álcool não gira em torno da criminalização para a maioria, de tal forma que não há consenso que a técnica de criminalizar seria a mais adequada para combater o seu mal. CRIME (DIREITO PENAL) CRIME (CRIMINOLOGIA) Tem conceitos diferentes nas perspectivas: ➢ Conceito formal: Contradição entre o fato e a normal penal incriminadora ➢ Conceito analítico: Crime é fato típico, ilícito e culpável. ➢ Conceito material: Crime é lesão ou perigo de lesão a bem jurídico. Crime precisa ter os seguintes elementos: ➢ Incidência massiva; ➢ Incidência aflitiva; ➢ Persistência espaço-temporal; ➢ Inequívoco consenso a respeito de sua etiologia e técnicas para intervenção mais eficazes para seu combate ou Consciência geral sobre a sua negatividade. OBS.: alguns fatos que são penalmente irrelevantes para o direito penal são objetos de preocupação da criminologia. Ex.: suicídio e prostituição. Portanto, o crime tem um objeto muito maior na criminologia do que o direito penal. O crime para as escolas/teorias penais ou escolas/teorias criminológicas apresenta diferentes perspectivas: • Para a escola clássica (etapa pré-científica da criminologia) o crime é um ente jurídico – violação de uma norma (norma do direito natural) (expressão de Francesco Carrara). • Para a escola positiva (etapa científica da criminologia) o crime é algo natural. Nessa escola, há uma preocupação com o criminoso (ser atrasado biologicamente). Garófalo trouxe o conceito natural de crime: conduta que viola os sentimentos de probidade e piedade da sociedade. • Nas teorias sociológicas do consenso, o crime acontece pela desorganização social, perda das raízes, fluxo migratório. Cidades se estruturam de forma desorganizada. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 • Na teoria do etiquetamento (teoria sociológica do conflito): o crime não existe na essência (ontologicamente), é fruto de uma vontade humana. • Na teoria crítica (teoria sociológica do conflito): A criminalização é monopólio dos detentores do pode e que se destina à dominação das classes economicamente desfavorecidas. • Atualmente, não há como verificar uma causa para o crime. Portanto, é um fenômeno multifatorial, real e dinâmico. É um problema individual e social. B) CRIMINOSO/DELINQUENTE A depender da escola criminal, o criminoso apresenta algumas características: ➢ Para a escola clássica, criminoso é um pecador que optou mal. O criminoso para a escola clássica tem livre arbítrio. Optou pelo mal quando podia optar pelo bem e violou o contrato social. Há um indeterminismo, não há nenhuma causa que leva o indivíduo a praticar o crime. ➢ Para a escola positiva (etapa científica da criminologia), criminoso é um ser atávico, um ser biologicamente atrasado. Há um determinismo (causa para o crime), ou seja, de razão genética – biológica - para a prática do crime ou de processos causais alheios. ➢ Para a escola correcionalista, criminoso é um ser débil, inferior. Portanto, merece proteção do Estado, o qual tem função paternalista e possui funções de proteção e orientação. ➢ Para as escolas sociológicas do consenso, há a preocupação inédita com o controle social e com a vítima. O estudo do criminoso é deixado em segundo plano, mas não é esquecido. Cuidado nas provas. ➢ Na teoria do etiquetamento (teoria sociológica do conflito): o criminoso é um indivíduo que foi rotulado pela sociedade como tal e, em razão disso, mergulha no papel social que lhe foi proposto e tende a praticar novos crimes. ➢ Na teoria crítica (teoria sociológica do conflito) – o criminoso é vítima das estruturas econômicas de dominação. ➢ Atualmente, o “criminoso” é examinado como uma unidade biopsicossocial (determinantes biológicos, psicológicos e sociais). Para Schecaira, o criminoso é um ser histórico, real, complexo e enigmático. C) VÍTIMA É importante verificar inicialmente as etapas históricas que se desenvolveu o estudo da vítima: https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 ➢ 1° FASE DO PROTAGONISMO/IDADE DE OURO: Surge na antiguidade até o fim da alta idade média. O crime era um problema particular, resolvido pela vítima. Vingança era privada. Lei de talião: olho por olho, dente por dente. Não havia participação do estado. ➢ 2° FASE DA NEUTRALIZAÇÃO/ ESQUECIMENTO: O Estado se apropria do conflito, assumindo o direito de punir. Inicia-se na baixa idade média, com a Inquisição. A vítima é esquecida. O Código de Processo Penal originário, de 1941, só tinha um artigo para a vítima. ➢ 3° FASE DO REDESCOBRIMENTO/FASE DA REVALORIZAÇÃO: O marco histórico é o pós-segunda guerra mundial. Depois de 1945. Exemplo: Lei 9.099/95 – O instituto da composição civil dos danos é exemplo de redescobrimento da vítima. Outro exemplo é a Lei Maria da penha 11.340/06, que traz mecanismos de proteção à vítima de violência doméstica e familiar contra a mulher. A Lei 9.807/99 protege vítimas e testemunhas ameaçadas. A criminologia tradicional/positiva desconsiderou o estudo da vítima por considerá-la mero objeto neutro e passivo, tendo polarizado em torno do delinquente as investigações sobre o delito, sua etiologia e prevenção. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO A CRIMINOLOGIA ....................................................................................................................... 2 D) CONTROLE SOCIAL ................................................................................................................................ 2 1.5 FUNÇÕES DA CRIMINOLOGIA .................................................................................................................. 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 INTRODUÇÃO A CRIMINOLOGIA D) CONTROLE SOCIAL É estudado na sociologia criminal, principalmente na obra “Controle Social”, de Edward A. Ross (1866-1951). O termo designaa capacidade de uma sociedade de se autorregular socialmente. Conceito de Controle Social (Schecaira): é o conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos e às normas comunitárias. A sociedade possui instrumentos, mecanismos e processos por meio dos quais é possível superar os inevitáveis conflitos decorrentes da convivência social e, com isso, alcançar o comportamento conforme. O controle é múltiplo, exercido por várias agências. O controle social é dividido em duas espécies: Controle social formal/controle regulativo: Controle social informal: Exercido pelo estado: polícia, ministério público, judiciário, administração penitenciária. Exercido por mecanismos da sociedade não estatais: Família, igreja, escola, vizinhança, conselhos de comunidade, associação de moradores. Atua, via de regra, quando há a falha do controle social informal. Existe de forma contínua, a todo momento. Decorre do processo de socialização do indivíduo. Atua de forma coercitiva, estabelecendo, por exemplo, sanções criminais, sanções administrativas (multa). As estratégias são premiações, sanções sociais. Tem menor efetividade, se comparado ao controle social informal. Tem maior efetividade, pois é contínuo/difuso. O controle social informal acompanha o indivíduo desde sua infância até sua vida adulta e transmite, por meio de um processo de socialização, valores morais e éticos sobre determinadas ações, conduzindo-o a um conformismo. Para cada uma dessas normas sociais, há uma sanção: palmada, reprovação, olhar de censura, reclamação. O controle social informal pode constituir excelente barreira à prevenção do comportamento desviante, seja porque atua, em regra, de modo preventivo, seja porque é capaz de impactar sobre a estruturação do controle interno do indivíduo, daí ser extraordinário o papel que podem desempenhar no controle da criminalidade a família, a escola, a educação, por exemplo. É normal que ocorra um controle social meramente situacional, no sentido de prevenir crimes. Ex.: iluminação pública. Conforme se perdem os laços comunitários, fica comprometida a naturalidade e as forças das instâncias de controle social informal. Quando as instâncias informais de controle social falham ou são ausentes, entram em ação as agências de controles formais impondo sanções qualitativamente distintas das reprovações do controle informal, atuam, via de regra, de maneira coercitiva. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 A efetividade do controle social formal é muito menor do que a do informal. A polícia comunitária resulta da articulação entre essas duas esferas. Shecaira traz um alerta que costuma cair em prova: a eficaz prevenção do crime não depende tanto da maior efetividade do controle formal, senão da melhor integração ou sincronização do controle social formal e informal. A efetividade do controle social formal é relativa, a doutrina costuma citar a célebre frase de Jeffery: “Mais leis, mais penas, mais policiais, mais juízes, mais prisões significam mais presos, porém, não necessariamente, menos delitos”. Quando estudarmos a teoria do labelling approach/etiquetamento/rotulação perceberemos uma ênfase crítica no controle social formal, apresentando-se seletivo, discriminatório, além de estigmatizante, desencadeando desviações secundárias e carreiras criminais. 1.5 FUNÇÕES DA CRIMINOLOGIA A criminologia tem as seguintes funções: ➢ Explicar o crime – etiologia do crime; ➢ Prevenir o crime; ➢ Intervir na pessoa do infrator; ➢ Avaliar as diferentes formas de resposta ao crime. Vejamos cada uma delas: Explicar o crime (etiologia do crime): análise diagnóstica do problema criminal por saberes interdisciplinares – sociologia, psicologia, arquitetura, medicina, biologia entre outras. Atenção: Etiologia (buscar as causas e origem de um certo fenômeno) é diferente de etimologia (origem, significado das palavras). Prevenir/controlar o crime: Reduzir o crime e a criminalidade. Vejamos as etapas de prevenção: primária, secundária e terciária. PREVENÇÃO PRIMÁRIA PREVENÇÃO SECUNDÁRIA PREVENÇÃO TERCIÁRIA Atua nas raízes do problema. Medidas indiretas de prevenção Atua onde ocorre o crime. Prevenção situacional. Tem um destinatário específico: o preso/detento. Destina-se a ressocialização. Atua antes que o crime aconteça. Em médio e longo prazo. Atua no momento que o crime está acontecendo. O crime já ocorreu. Atua no âmbito penitenciário. Destina-se a todos os cidadãos. Atuam seletivamente: onde o crime acontece ou acabou Destina-se ao preso, pessoa reclusa, quem https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 Principalmente àqueles que mais precisam de direitos sociais: trabalho, educação, assistência social, moradia. de acontecer. Atuam nas chamadas zonas quentes de criminalidade sofreu uma sanção pelo Estado. Instrumentaliza-se por políticas sociais – art. 6° da Constituição Federal. São exemplos: - Instalação de câmeras de segurança; - operações policiais; - Iluminação pública; - políticas legislativas; Instrumentos de ressocialização: Exemplo: trabalho no presidio ou fora dele, liberdade assistida (já foi questão de prova), A finalidade é neutralizar as causas do crime e da criminalidade. A finalidade é trazer um efeito dissuasório indireto: desvantagens ao cometimento do crime. Ideia de que o “crime não compensa”. A finalidade é evitar a reincidência. Intervir na pessoa do infrator: De acordo com a doutrina, a função de intervir na pessoa do infrator possui três metas. Vejamos: a) Impacto real da pena em quem a cumpre e os seus efeitos; b) Desenhar e avaliar programas de reinserção. Não de forma individualizada, mas de forma funcional; c) Fazer a sociedade perceber que o crime é um problema de todos. Trata o crime como um problema social. Avaliar as diferentes formas de resposta ao crime: Há três modelos de reação ao crime, segundo a doutrina. Atualmente, também podemos falar no modelo consensual ou negocial. I. Modelo clássico, dissuasório ou retributivo: Fundamenta-se na punição do criminoso. A pena possui caráter retributivo, existe para reparar o mal causado pelo criminoso. A vítima e a sociedade não participam do conflito. Os protagonistas: Estado x réu. O modelo dissuasório clássico reconhece o efeito da intimidação ao crime pela pena, pela perfeita perseguição penal dos órgãos responsáveis e pela eficaz aplicação da lei, o que inibe a atuação desviante do indivíduo. II. Modelo ressocializador: Fundamenta-se na reinserção social do delinquente. O protagonista é a sociedade. III. Modelo restaurador, integrador ou de Justiça Restaurativa: Fundamenta-se na reparação do dano à vítima, a qual exerce um papel central. A Lei 9.099/95 é um exemplo de Justiça Restaurativa. Protagonista é a vítima IV. Modelo consensual/negocial: Fundamenta-se na negociação entre Estado e criminoso. Atualmente, é aplicada no direito processual penal com o instituto do acordo de não persecução penal (art. 28-A do CPP) ou até mesmo pelo instituto da delação premiada. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 Olha a questão da VUNESP, considerada correta: Uma das finalidades da Criminologia, no seu atual estágio de desenvolvimento, é questionar a própria existência de alguns tipos de crimes. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO À CRIMINOLOGIA ....................................................................................................................... 2 1.6 CONCEITO DE CRIMINOLOGIA ................................................................................................................. 2 1.7 SISTEMASDA CRIMINOLOGIA ................................................................................................................. 2 1.8 TIPOLOGIAS DA CRIMINOLOGIA .............................................................................................................. 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 INTRODUÇÃO À CRIMINOLOGIA 1.6 CONCEITO DE CRIMINOLOGIA Garófalo definiu a criminologia como a ciência do delito. Afrânio Peixoto define como ciência que estuda o crime e o criminoso, isto é a criminalidade. Depois de analisadas as premissas iniciais, vamos ao conceito de criminologia, segundo Antônio Garcia-Pablos de Molina: “A criminologia é ciência empírica e interdisciplinar (métodos da criminologia), que se ocupa do estudo do crime, da pessoa do infrator, da vítima e do controle social (objetos da criminologia) do comportamento delitivo e que trata de subministrar uma informação válida (cunho opinativo da criminologia), contrastada sob a gênese, dinâmica e variáveis principais do crime – contemplando este como problema individual e como problema social (entendimento do crime atualmente) – assim como sobre os programas de prevenção eficaz do mesmo e técnicas de intervenção positiva no homem delinquente e nos diversos modelos ou sistemas de resposta ao delito (funções)”. A criminologia moderna ocupa-se com a pesquisa científica do fenômeno criminal — suas causas, características, sua prevenção e o controle de sua incidência —sendo uma ciência causal-explicativa do delito como fenômeno social e individual. 1.7 SISTEMAS DA CRIMINOLOGIA As seguintes disciplinas integram a criminologia: ➢ Fenomenologia criminal: análise das formas de surgimento da criminalidade; ➢ Etiologia criminal: Procura estabelecer as causas do crime e da criminalidade. É sinônimo de criminogênese. ➢ Biologia criminal: compreende o crime como produto da personalidade de seu autor; ➢ Geografia criminal: estudo da criminalidade das diferentes regiões geográficas; ➢ Ecologia criminal: influência dos lugares de acordo com a criminalidade OBS.: A criminologia não se confunde com criminalística, esta aplica métodos e técnicas de investigação do fato. Ex.: estudo da balística terminal – verificar se um disparo de arma de fogo se deu por um tiro de longa ou curta distância. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 1.8 TIPOLOGIAS DA CRIMINOLOGIA ➢ Criminologia científica: é uma investigação e se manifesta em ensaios, pesquisas e projetos e raramente em manuais, porquanto não se organiza para fins didáticos; ➢ Criminologia aplicada: é o resultado da criminologia científica com a criação de propostas para a política criminal. ➢ Criminologia acadêmica: é a didática. Dirigida aos estudiosos, faculdades, seminários etc. ➢ Criminologia analítica: Tem por finalidade verificar se a criminologia e política criminal cumprem com seu objetivo. ➢ Criminologia clínica: Refere-se ao estudo do crime de forma individualizada. A criminologia geral, por sua vez, consiste na sistematização, comparação e classificação dos resultados obtidos no âmbito das ciências criminais acerca do crime, criminoso, vítima, controle social e criminalidade. OBS.: A criminologia clínica também é conhecida por microcriminologia: estuda a pessoa do criminoso, em busca de ressocialização. Diferencia-se da criminologia sociológica ou macrocriminologia, que se limita ao estudo sociológico do crime. Obs.: Para Molina, temos métodos e técnicas de investigação da Criminologia ➢ Quantitativa: Estatística (método por excelência), questionário, métodos de medição. Explicam a etiologia, a criminogênese. Por si só são insuficientes. ➢ Qualitativa: ex.: Observação participante e a entrevista. Permite compreender as chaves profundas de um problema. ➢ Transversais: utiliza-se de uma metodologia única do fenômeno examinado. Exemplo: somente estudos estatísticos para analisar um tipo de crime. ➢ Longitudinal: tomam várias medições, em diferentes momentos temporais. É totalizadora. Exemplo: biografias criminais, os estudos sobre carreiras criminais. https://www.alfaconcursos.com.br/ PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA 2 PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA INTRODUÇÃO A partir de agora estudaremos as teorias criminológicas ou escolas penais, ou seja, correntes do pensamento que estudam o problema do crime e da criminalidade. Devemos levar em conta o horizonte epistemológico (Zaffaroni) dos diferentes discursos cri- minológicos, devendo-se levar em consideração, o discurso com as relações de força do momento em que o mesmo surge e durante o qual se mantém vigente. Há uma estreita relação entre saber e poder, assim como o modo que ambos se expressam sob a forma de pensamentos. No decorrer das teorias criminológicas ou escolas penais precisamos saber: ͫ Período; ͫ Contexto histórico; ͫ Principais autores; ͫ Bases filosóficas; ͫ Métodos; ͫ Principais ideias; ͫ Pontos positivos da teoria; ͫ Pontos negativos da teoria; O ESTUDO DOS PRECURSSORES – CIÊNCIAS OCULTAS/PSEUDO- CIÊNCIAS/MITOLOGIA CRIMINAL Entre o final do império romano e o início da idade média, a criminologia existia de uma forma inorgânica (Zaffaroni). Não havia um corpo doutrinário ou de teoria. Vejamos o que a doutrina tratou como ciências ocultas da criminologia. B.1) DEMONOLOGIA Estudo da natureza e qualidade dos demônios. Procura-se explicar o mal por meio da existência dos demônios. B.2) FISIONOMIA Precursor foi Hipócrates. Preocupavam-se com o estudo da aparência externa do indivíduo, ressaltando a relação existente entre o corpo e o psíquico. Um dos mais importantes é Giovanni Della Porta, 1586, fisionomia humana. Della Porta assi- nalou algumas características de índole criminosa: cabeça, orelha, nariz. Lavater estudou craniometria, descreveu o homem de maldade natural. Marquês de Mos- cardi criou o édito de Valério: quando se tem dúvida entre dois presumidos culpados, condena-se sempre o mais feio. ponto 2: EVoLUÇÃo HIStÓRICA DA CRIMInoLoGIA 3 B.3) FRENOLOGIA Desenvolvida por Franz Joseph Gall, por volta de 1800. Mediante medições externas da cabeça poderia se adivinhar a personalidade e o desenvolvi- mento das faculdades mentais e morais, com base na forma externa do crânio. Posteriormente, tais estudos evoluíram para uma análise do interior da mente, o que deu origem a frenologia, precursora da moderna neurofisiologia e neuropsiquiatria. Cada região do cérebro tem uma função. Agressividade, instinto homicida, sentido moral estavam localizadas em áreas cerebrais específicas. Gall trouxe a ideia de que a pena deveria ser estabelecida com base no criminoso e não no crime. OBS: A frenologia influenciou a escola positiva da Criminologia. Lombroso fez estudos na anatomia do cérebro humano e “descobriu” criminosos natos. B.4) PSIQUIATRIA Morel, em 1856, associa a criminalidade a degeneração com alteração do tipo antropológico ou do biotipo humano com a patologia, particularmente com a mental. Era um desvio doentio, hereditariamente transmissível. Philippe Pinel realizou os primeiros diagnósticos clínicos, separando os delinquentes dos enfer- mos mentais. Junto com ele, Esquirol alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA ...................................................................................... 2 C) ESCOLA CLÁSSICA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA PRÉ-CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA .............................. 2 C.1) PERÍODO ILUMINISTA E CONTEXTO HISTÓRICO ........................................................................................ 2 C.2) BASES FILOSÓFICAS .................................................................................................................................... 2 C.3) PRINCIPAIS IDEIAS DA ESCOLA CLÁSSICA ...................................................................................................3 C.4) PRINCIPAIS AUTORES DA ESCOLA CLÁSSICA .............................................................................................. 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA C) ESCOLA CLÁSSICA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA PRÉ- CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA ➢ Período: Século XVIII ao XIX. Chamada de época dos pioneiros. ➢ Contexto Histórico: Iluminismo – busca pela limitação do poder e humanização das penas; ➢ Principais autores: CBF → Carrara, Beccaria e Feubercah + Romagnosi; ➢ Base filosóficas: Jusnaturalismo, contrato social, utilitarismo (ideia de livre arbítrio), limitação do poder e humanização das penas. ➢ Método dedutivo, de lógica abstrata. Partia-se da norma (direito positivo) para o concreto, ou seja, as questões jurídico-penais. ➢ Principais ideias: o indivíduo é um ser livre e racional e opta por praticar o crime, segundo seu livre-arbítrio. Humanização do sistema de justiça criminal. A responsabilidade é moral pelas suas ações, as penas devem ser baseadas na necessidade e utilidade. A pena é retribuição; ➢ Pontos positivos da teoria: Luta contra limitação do poder; ➢ Pontos negativos da teoria: Não cria uma teoria criminológica. É só um aporte crítico ao direito penal da época. C.1) Período Iluminista e contexto histórico Nesse período do séc. XVIII, as normas penais eram caóticas. Havia, inclusive, com a concepção teocêntrica do tempo, uma associação entre delito e pecado. Os procedimentos judiciais eram inseguros e havia a chamada tortura judicial. O sistema era pouco humano e racional. É nesse contexto histórico que surge o Iluminismo, ideias para limitar o poder. As escolas liberais clássicas se situavam como uma instância crítica em face da prática penal e penitenciária do antigo regime e objetivavam substituí-la por uma política criminal inspirada nos princípios da humanidade, legalidade e utilidade. Projetou sobre o problema do crime os ideais filosóficos do humanismo racionalista. Pressuposta a racionalidade do homem deveria se indagar, apenas, a racionalidade da lei. C.2) Bases filosóficas O jusnaturalismo é uma corrente do pensamento no direito em que reconhece direitos naturais. Tais direitos são inerentes ao ser humano e independem de positivação (previsão https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 legal). Como exemplo o direito à vida. São anteriores ao estado, superiores, universais e irrenunciáveis. Por contrato social, em síntese, o cidadão transfere parcela da autonomia para o Estado que vai organizar a sociedade através de um contrato. O homem era livre (LIVRE ARBÍTRIO) e racional, capaz de refletir, tomar decisões e atuar em consequência. Em suas decisões, basicamente, realiza um cálculo racional de vantagens e inconvenientes que pode proporcionar sua ação, e atua ou não, segundo prevaleça umas ou outras (TEORIA ULITIRARISTA). C.3) Principais ideias da escola clássica A escola liberal clássica não considerava o delinquente como um ser diferente dos outros. CUIDADO: essa característica vai ser essencial para diferenciar a escola clássica da escola positiva. O homem era livre (LIVRE ARBÍTRIO) e racional, capaz de refletir, tomar decisões e atuar em consequência. Em suas decisões, basicamente, realiza um cálculo racional de vantagens e inconvenientes que pode proporcionar sua ação, e atua ou não, segundo prevaleça umas ou outras (utilitarismo na ação). Como comportamento, o delito surgia da livre vontade do indivíduo, não de causas patológicas, e, por isso, do ponto de vista da liberdade e da responsabilidade moral pelas próprias ações, o delinquente não era diferente do indivíduo normal. Em consequência, o direito penal e a pena não eram considerados para intervir sob o delinquente, modificando-o, mas, sobretudo, como instrumento legal para defender a sociedade do crime, criando, onde fosse necessário, um dissuasivo, ou seja, uma contramotivação em face do crime (ROMAGNOSI). Os limites da cominação e da aplicação da sanção penal, assim como as modalidades do exercício do poder punitivo do Estado, eram assinalados pela necessidade ou utilidade da pena e pelo princípio da legalidade (BECCARIA). No pensamento criminológico das escolas clássicas, identifica-se uma grande preocupação com os conceitos de crime e pena como entidades jurídicas e abstratas de modo a estabelecer a razão e limite ao poder de punir do Estado. A sua pesquisa focava-se no delito, entendido como conceito jurídico, ou seja, violação da norma (crime como ente jurídico – CARRARA). Essa norma decorria de um direito natural – jusnaturalismo. A pena tem caráter retributivo – retribuir o mal causado do crime pelo mal da pena. C.4) Principais autores da escola clássica Os principais autores são Jeremy Bentham na Inglaterra, Anselm Von Feuerbach, na Alemanha, Beccaria, Filangieri, Carrara e Romagnosi na Itália. Na sua prova costumam cair três autores específicos. Vamos gravá-los com o mnemônico: CBF. Carrara, Beccaria e Feuerbach. O clássico é CBF. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 c.4.1) Cesare Beccaria/Cesare bonesana/Marquês de Beccaria (1738-1794) – Principal autor da escola clássica; Beccaria tinha formação econômica e participava de reunião de intelectuais que acontecia em torno dos irmãos VERRI, na cidade de Bolonha, na Itália. Obra mais importante: Dos delitos e das penas (1764): É uma síntese de toda uma filosofia política do Iluminismo europeu, e, especialmente, o francês. O livro tinha por finalidade promover a reforma do desastroso sistema de direito penal e da administração da justiça de sua época. Foi, portanto, um manifesto (reunião de ideias) contra a indeterminação e crueldade das leis, a crítica a tortura e corrupção e princípios para reformar o direito penal. Não foi criada teoria criminológica sobre o delito, mas uma tentativa de humanizar o sistema penal. A base da justiça humana é a utilidade comum. A ideia de utilidade comum emerge da necessidade de manter unido os interesses particulares, superando a colisão e oposição entre eles, o que caracteriza o hipotético estado de natureza. Ideias principais do autor: ➢ Fundamentação filosófica: Limitação ou humanização do direito de punir. Busca a racionalização das penas. ➢ O crime é uma quebra do pacto social; ➢ As penas devem ser proporcionais; ➢ Prevenção dos crimes é mais útil que a repressão; ➢ A pena deve ser prevista em lei → Princípio da legalidade; ➢ Não admite a tortura como técnica de busca da confissão e da verdade real; ➢ Admite a pena de morte, tão somente, para casos excepcionais, em momentos de instabilidade política ou quando for o único meio para dissuasão; OBS.: A exclusão da pena de morte é contrastada na ideia de contrato social. É impensável que os indivíduos, espontaneamente, coloquem em depósito público não só uma parte da própria liberdade, mas sua própria existência. ➢ Juiz obediente à lei, negação da justiça de gabinete próprio do sistema inquisitório e da tortura. ➢ Acusação deve ser pública e não secreta; ➢ Necessidade de funcionamento de uma justiça livre de corrupção. ➢ As leis e sanções devem ser conhecidas pelo maior número de pessoas. ➢ As sanções devem ser certas, rápidas e severas. ➢ O temor das leis pelo homem é saudável. ➢ O mais seguro meio de prevenir os delitos é aperfeiçoar a educação. ➢ Dano social e defesa social constituem elementos fundamentais, da teoria do delito e da pena, respectivamente. C.4.2) Francesco Carrara – Autor da escola clássica; A principal obra é o Programa do Curso de Direito Criminal, 1859. Delito é um ente jurídico pela violação da norma. Essa norma é universal e será ela que dará lugar a criação da lei penal, tarefa do Estado, que deve ser regida por uma razão absolutapara não ir mais do que a defesa dos direitos naturais. Delito é um ente jurídico, não é um ente de fato, ou seja, o delito é uma violação de uma lei/norma. Sua essência nada mais é que uma relação contraditória entre o fato do homem a lei. Por isso é uma infração. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 “É infração da Lei do Estado, promulgada para proteger a segurança dos cidadãos, resultante de um ato externo de poder, positivo ou negativo, moralmente imputável e politicamente danoso”. Para Carrara, o fim da pena é a eliminação do perigo social. A vingança, correção, reeducação podem ser acessórios, mas nunca razão ou medida do castigo. O fim último da pena é o bem social. C.4.3) GIANDOMENICO ROMAGNOSI O princípio essencial do direito natural é a conservação da espécie humana e a obtenção da máxima utilidade. Desse princípio, derivam três relações ético-jurídicas: ➢ o direito e dever de cada um de conservar a própria existência; ➢ o dever recíproco dos homens de não atentar contra sua própria existência; ➢ o direito de cada um de não ser ofendido por outro. O fim da pena é a defesa social, a conservação da sociedade. A pena constitui em relação ao impulso criminoso um contraestimulo. “se depois do primeiro delito existisse uma certeza moral de que não ocorreria nenhum outro, a sociedade não teria direito algum de puni-lo.” C.4.4) FEUERBACH (1775-1833) Representante tanto do liberalismo penal contratualista e da defesa social. Segundo o autor, não apenas existem direitos prévios ao contrato social e que subsistem a ele e que são inalienáveis da condição humana, mas também é possível saber quais são esses direitos mediante a razão. O Estado só se justifica se não se danifica e, além disso, protege os indivíduos também do desrespeito a seus direitos, produzidos por outros indivíduos. A pena é justificada como uma coação psicológica – as pessoas desistem de cometer delitos pelo temor de serem castigados no futuro. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA ....................................................................................................... 2 RESUMO DA ESCOLA CLÁSSICA: ........................................................................................................................ 2 D) ESCOLA CARTOGRÁFICA (ESCOLA DE TRANSIÇÃO PARA A ESCOLA POSITIVA) ............................................ 2 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA RESUMO DA ESCOLA CLÁSSICA: ➢ Funda-se no jusnaturalismo, contratualismo e livre-arbítrio (utilitarismo); ➢ Humanização do sistema penal (legalidade, anterioridade, proporcionalidade, acusação pública, vedação da tortura); ➢ O crime é uma violação da norma – ente jurídico; ➢ A pena tem caráter retributivo, baseado na culpa e deve ser justa e proporcional; ➢ Método lógico dedutivo; ➢ O indivíduo tem livre arbítrio; ➢ O criminoso é uma pessoa normal. Um pecador. Optou pelo mal quando poderia optar pelo bem. ➢ Autores: Carrara, Beccaria, Feuerbach (CBF)e Romagnosi ➢ Método dedutivo. D) ESCOLA CARTOGRÁFICA (ESCOLA DE TRANSIÇÃO PARA A ESCOLA POSITIVA) O principal autor é o matemático Adolphe Quetelet (1796-1874). A escola cartográfica representa a ponte entre a criminologia clássica e a criminologia positivista. A criminalidade é uma função representável matematicamente em decorrência de estados econômicos e sociais do momento. Método estatístico para investigação do crime. Afirmou que existe uma relação invariável entre os delitos conhecidos e julgados e os delitos desconhecidos que são cometidos – embrião das cifras negras ou ocultas da criminalidade). Percebeu que o número de nascimentos e falecimentos era muito semelhante a cada ano. O mesmo ocorria quanto aos índices de delinquência: as cifras francesas, dos anos de 1826 a 1829, de acusados, condenados, delitos contra a propriedade ou contra as pessoas eram surpreendentemente parecidas. Leis físicas poderiam medir o comportamento do homem médio. Uma série de fatores interfere para a ocorrência dos crimes: clima, pobreza, sexo, situação geográfica, analfabetismo. Criou as leis térmicas, o dado climático interfere nas paixões humanas, nos hábitos e costumes. Por exemplo, no inverno são cometidos mais crimes contra a propriedade do que no verão (pelo fato que a vida é muito mais difícil no inverno). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Leis térmicas: O ambiente físico e social, associado as tendências individuais, hereditárias e adquiridas, e aos impulsos ocasionais, determina, necessariamente, relativo contingente de crimes. QUETELET é firme defensor das estatísticas oficiais para a medição do delito. Junto com GUERRY, são os primeiros autores que tratam a sociologia como método científico. Em síntese, desenvolveu três preceitos importantes: a) o crime é um fenômeno social; b) os crimes são cometidos ano a ano com intensa precisão; c) há várias condicionantes da prática delitiva, como miséria, analfabetismo, clima etc. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA ....................................................................................................... 2 E) ESCOLA POSITIVISTA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA ................................. 2 E.1) CESARE LOMBROSO (1836-1909): FASE ANTROPOLÓGICA ....................................................................... 3 E.2) ENRICO FERRI –FASE SOCIOLÓGICA ........................................................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA E) ESCOLA POSITIVISTA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA ➢ Período: Século XIX e XX; ➢ Contexto histórico: Primazia das ciências naturais. No final do séc. XIX, havia um ambiente que pretendia converter todo o conhecimento científico em saber empírico. Materialismo científico natural. A teoria positivista se coaduna com o momento histórico vivido: imperialismo. Os povos das colônias eram taxados como inferiores. Os tipos criminosos de Lombroso se ligavam ao tipo negroide e mongol. Surgimento de estados totalitários. Superioridade de raça dos nazistas. É um discurso que surge do medo das revoluções populares pretéritas e dirigidas a desqualificação da ideia de igualdade. Surgimento de classificações hierarquizantes. ➢ Principais autores: L.F.G – Escola italiana: • Fase antropobiológica: Lombroso – pai da criminologia – “O homem delinquente” – • Fase sociológica: Ferri – “Sociologia criminal”; • Fase jurídica/psicológica – Garófalo. Difundiu o termo criminologia – “Criminologia”. ➢ Bases filosóficas: Ciências da natureza, darwinismo. Ciências ocultas: fisionomistas e frenólogos e estatístico. ➢ Método: Indutivo (parte do caso concreto para chegar a um problema geral) e experimental (análise e observação). ➢ Ideias: Paradigma etiológico – buscar as causas do crime. Estudo em causas antropológicas individuais – o foco de estudo é o criminoso que é um ser diferenciado. O objeto de estudo desloca-se do crime (escola clássica) para o criminoso/delinquente, o qual possui em si mesmo causas determinantes para o crime; ➢ Pontos positivos da teoria: Criminologia passa a ser estudada como uma ciência autônoma. A criminologia ganha importante contribuição da escola positiva, pois utiliza da interdisciplinaridade, no auxílio de diversas disciplinas, além da contribuição metodológica, adotando-se um posicionamento indutivo, empírico, de constatação da realidade para a obtenção desua efetiva explicação. Chama-se de unidade de método com pluralidade de meios (Roberto Lyra). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 ➢ Pontos negativos da teoria: Patologização do fenômeno delituoso, Lombroso subvalorizou o entorno social como mero fator desencadeante da criminalidade. O parâmetro utilizado também foi incorreto, analisou só os presos que estavam selecionados pelo sistema de justiça criminal. Viés racista e excludente. e.1) Cesare Lombroso (1836-1909): Fase antropológica Médico e antropólogo considerado o fundador da criminologia. Principal obra: O homem delinquente (1876). Alistou-se no exército (os soldados seriam homens normais em contraposição aos delinquentes). Análises empíricas advindas da frenologia, psiquiatria, anatomia, fisiologia. Em 1871, fez uma pesquisa e encontrou uma característica anatômica própria no crânio do famoso criminoso calabrês Vilela referente a hominídeos não desenvolvidos. Fissura occiptal média. Conclui: As características do homem primitivo e dos animais inferiores se reproduzem em nosso tempo. O homem criminoso é uma variável da espécie humana. O delinquente era um salto para trás na evolução humana de Darwin (Origem das espécies – 1859). No manicômio de Pésaro, em 1871, começou a identificar os criminosos. Havia possibilidade de reconhecimento desses criminosos. O criminoso nato tem as seguintes características: ➢ Características físicas identificáveis: fronte fugidia, crânio assimétrico, cara larga e chata, grandes maçãs no rosto, lábios finos, canhotismo (na maioria dos casos), barba rala, olhar errante ou duro, tatuagem. ➢ Características anatômicas identificáveis: particularidades da calota craniana, particularidades no desenvolvimento do cérebro, fissura na fosseta occipital média igual aos vertebrados superiores, mas diferente do homo sapiens. ➢ Características psíquicas identificáveis: anagelsia (sensibilidade dolorosa diminuída), crueldade, aversão ao trabalho, tendência à superstição, hedonismo (jogo, sexo, álcool), vingança e crueldade. A tipologia dos delinquentes surge na terceira edição do livro: ➢ Criminoso nato; ➢ Louco moral; ➢ Epilético; ➢ Ocasional; ➢ Por paixão; Escreveu a mulher delinquente com Ferrero (1895), ideias de inferioridade da mulher, mulher ocupava um lugar inferior na escala evolutiva, não sentem pena e têm uma falta de refinamento típicas do homem atávico, mas todos esses defeitos são neutralizados pela piedade, maternidade, necessidade de paixão, mas ao mesmo tempo pela frieza sexual, frigidez, debilidade, infantilismo e inteligência menos desenvolvida. Traça um paralelo entre prostituição e delinquência. Curiosidade do anjo do crime (Charlotte Cordey). Topinard e Lombroso descreveram o crânio desse famoso criminoso com características diferentes. Anos mais tarde, descobriu-se que o crânio não pertencia a Charlotte. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 Três teses centrais de Lombroso: ➢ Criminoso possui sinais físicos e psíquicos distintos dos não criminosos; ➢ Criminoso é uma variante da espécie humana – ser atávico (degeneração); ➢ Essa variação pode ser transmitida hereditariamente; OBS.: Lombroso não negava fatores exógenos, apenas afirmava que estes só servem como desencadeadores de fatores clínicos. O mundo circundante era motivo desencadeador de uma predisposição inata, própria do sujeito em referência. Posteriormente, influenciado por Ferri, Lombroso também acopla em sua teoria um determinismo social. Pontos positivos da teoria de Lombroso: ➢ Rompe com o dualismo metafísico da escola clássica (individuo-estado) por lentes que compreendem o delito como um fenômeno natural e ancorando-se nas ciências que compreendem o homem a partir da lente sensível; ➢ Marca movimento científico; OBS.: Gabriel Tarde foi opositor as ideias Lombrosianas. O fundamental para desvendar a criminalidade é a imitação; Influências da teoria de Lombroso: ➢ Tem influências político-criminais: penas preventivas à proteção da sociedade através da prisão perpetua ou pena de morte. ➢ Tem influência política às leis raciais de Mussolini, em 1938, que excluíam os judeus das escolas públicas e o privavam de possuir propriedades; ➢ No Brasil, o autor Nina Rodrigues realiza os experimentos de Lombroso na Bahia, e dirige a lógica do crime nato ao negro; ➢ O pensamento de Lombroso já era preconceituoso e, no Brasil, seu preconceito foi reforçado pelo racismo, onde a população negra, predominantemente de pessoas pobres, serão principalmente vitimadas pela visão determinista dessa criminologia positivista, para a qual a descendência, a herança genética ou o ambiente eram determinantes para a formação da mente criminosa. E.2) Enrico Ferri –Fase sociológica Era um socialista de cátedra no começo, mas depois atuou no fascismo italiano de Mussolini. Livre arbítrio era ficção. Foi ele que inventou a terminologia da escola clássica com tom crítico. A pena era necessária para defender o organismo social, contra o estado perigoso de alguns indivíduos. A defesa social é objetivo central da Justiça Criminal. Obra Sociologia criminal, 1892. Princípios do direito criminal, 1928: Sintetizou suas ideias: ➢ Negação do livre arbítrio; ➢ Defesa social é o propósito da justiça criminal, ➢ Três fatores influenciam para o crime (trinômio do delito); https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 ➢ Classificação dos criminosos; ➢ Substitutos penais como meio de defesa indireta: colônias agrícolas substituindo isolamento celular durante o dia, ênfase no uso da indenização pecuniária como sanção a favor da vítima e, por fim, o princípio de que o crime deve ser utilizado a favor do delinquente. Há uma compreensão mais alargada da criminalidade – Fatores sociológicos também influenciam no criminoso nato; Os substitutivos penais eram bem variáveis, mas entre os quais cabe mencionar a prevenção do alcoolismo, melhora das condições econômicas dos cidadãos, multas e escolas profissionais e de reforma para jovens. Fala em reparação dos danos às vítimas. Trinômio do delito: O crime acontece por três fatores: Fatores antropológicos: A constituição orgânica e psíquica do indivíduo (criminoso nato de Lombroso); Fatores sociais: O meio social influencia no crime, meio social, religião, família; Fatores físicos: O clima, as estações do ano influenciam no crime. Lei de saturação criminal: em determinadas condições sociais, acontecem determinados delitos. O nível de criminalidade está determinado a cada ano pelas diferentes condições do meio físico e social, combinadas com tendência congênitas e impulsos ocasionais dos indivíduos. Também fala em sobressaturação criminal, com analogia na química, ocorrendo um excepcional aumento nas taxas de criminalidade. Ferri também classifica os criminosos: ➢ Nato: São as características atávicas de Lombroso. Maior grau de periculosidade e maior chance de reincidir. ➢ Louco: Atrofia do senso moral. Sua periculosidade e reincidência são variáveis. ➢ Habitual: Tem fisionomia biopsíquica própria. Recai obstinadamente no crime. ➢ Ocasional: é influenciado pelo meio social. Periculosidade menor e mais readaptação. ➢ Passional: movido pela paixão social. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA ....................................................................................................... 2 E) ESCOLA POSITIVISTA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA ................................. 2 E.3) RAFFAELE GAROFALO (1852-1934) – FASE JURÍDICA OU PSICOLÓGICA ................................................... 2 CRÍTICAS À ESCOLA POSITIVA: ...........................................................................................................................3 CONTRIBUIÇÕES DA ESCOLA POSITIVA: ............................................................................................................ 3 2.4 DIFERENÇAS ENTRE A ESCOLA CLÁSSICA E ESCOLA POSITIVA ................................................................ 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA E) ESCOLA POSITIVISTA DA CRIMINOLOGIA – ETAPA CIENTÍFICA DA CRIMINOLOGIA E.3) Raffaele Garofalo (1852-1934) – Fase jurídica ou psicológica Aristocrata autoritário, chegou a ser procurador do reino e perseguiu socialistas. Obra Criminologia, publicada em Napoles, 1885. A ausência ou inoperância de sentimentos básicos universais está ligada à explicação do crime → fator psicológico. Concentrou suas atenções na personalidade do criminoso. Delinquentes naturais são aqueles violadores do delito natural. A periculosidade ou temibilidade seria a medida da pena, em que a pena não deveria ser proporcional ao dano, mas a periculosidade ou temibilidade do agente. Defendeu pena de morte e de banimento. ➢ Crime natural: O crime é compreendido como uma lesão daquela parte do sentimento moral que consiste nos sentimentos altruístas fundamentais de piedade e probidade, segundo o padrão em que se encontram as raças humanas superiores, cuja medida é necessária para adaptação do indivíduo à sociedade. ➢ O crime está no indivíduo. É uma revelação de sua natureza degenerativa; ➢ Temibilidade: Perversidade constante e ativa do delinquente e quantidade do mal que se pode temer do indivíduo. A perversidade constante e ativa que será a medida de proporcionalidade de aplicação da pena e não o dano causado. A defesa social era a luta contra seus inimigos naturais carecedores dos sentimentos de piedade e probidade. Garófalo recorrendo à metáfora da guerra contra o delito, sustentou a possibilidade de aplicação das penas de deportação ou expulsão da comunidade para aqueles que carecessem do sentido de justiça ou o tivessem aviltado. Prevenção especial como fim da pena. Pena de morte é meio idôneo para combater o crime, assim como deportação. Falou também de ressarcimento, de modo que o criminoso deveria indenizar o Estado e a vítima lesada com o crime. Também classificou os criminosos: ➢ Assassinos: são instintivos, egoístas, aproximando-se dos seres selvagens e das crianças; ➢ Enérgicos ou violentos: Possuem senso moral, mas falta compaixão; ➢ Ladrões ou neurastênicos: Têm senso moral, mas não têm honestidade, probidade. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Críticas à escola positiva: ➢ patologização do fenômeno delituoso; ➢ subvalorização do entorno social, que era visto como mero fator desencadeante daquilo que já existia na personalidade (apenas desencadearia a criminalidade e não constituiria um fator determinante); ➢ volta suas pesquisas apenas para os indivíduos já encarcerados, ou seja, para os indivíduos já selecionados pelo complexo sistema de filtros sucessivos que é o sistema penal: erro metodológico profundo: a grande falha é a falta de um grupo de controle (grupo de criminosos que não foram presos); ➢ acaba por legitimar a violência e a seletividade racista do sistema penal. Contribuições da escola positiva: ➢ Início da criminologia como ciência; ➢ Utilização de métodos próprios, separados do direito penal. 2.4 DIFERENÇAS ENTRE A ESCOLA CLÁSSICA E ESCOLA POSITIVA Luta de escolas: Foi a denominação dada pela doutrina para relacionar as diferenças teóricas entre as escolas clássica e positiva. OBS.: A diferença decisiva entre as escolas está no método: dedutivo, de lógica abstrata para a escola Clássica e indutivo, de observação dos fatos para a escola Positiva. Para Ferri: os clássicos, só necessitam de papel, caneta e lápis, e o resto sai de um cérebro repleto de leituras de livros. Para os positivistas, a ciência exige que muito tempo seja investido, examinando e avaliando um a um os feitos, reduzindo-os a um denominador comum e extraindo-lhes a ideia nuclear. Escola Clássica Escola positiva Fase pré-científica da criminologia Fase científica da criminologia Método dedutivo, lógico e abstrato Método indutivo/experimental; Crime é um ente jurídico (Carrara). Ênfase no crime como objeto de estudo. O crime é um ente natural. Ênfase no criminoso como objeto de estudo. Garófalo cria o conceito de delito natural. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 O criminoso tem livre arbítrio. Há responsabilidade moral. Criminoso é influenciado pela sua carga genética hereditária (Lombroso) e também por fatores causais alheios (Ferri e Garófalo). Há responsabilidade social. Busca a limitação do poder e a humanização das penas (Beccaria). Fatores etiológicos – busca a causa da criminalidade. Ideias filosóficas: Jusnaturalismo, utilitarismo e contrato social. Ideias interdisciplinares: Darwinismo, antropologia, medicina, frenologia, sociologia (embrionária). Olhar para o fato e para o passado Olhar para o criminoso e para frente – ideia de periculosidade. A pena deve ter nítido caráter de retribuição pela culpa moral do delinquente (maldade), de modo a prevenir o delito com certeza, rapidez e severidade e a restaurar a ordem externa social. A pena também por prevenção, é uma medida de defesa social. A pena pode se dar por tempo indeterminado – para curar/tratar o criminoso. Autores: CBF – CARRARA, BECCARIA E FEUERBACH. CARMIGNANI, BENTHAM. Autores: LFG – LOMBROSO, FERRI E GAROFALO. GABRIEL TARDE, VON LISZT. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA ...................................................................................... 2 OUTRAS ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS ............................................................................................................ 2 A) TERZA SCUOLA/ESCOLA ECLÉTICA/CRÍTICA/POSITIVISMO CRÍTICO ......................................................... 2 B) CORRECIONALISMO ............................................................................................................................... 2 C) DIREÇÃO TÉCNICO-JURÍDICA ..................................................................................................................... 3 D) DIREÇÃO DOGMÁTICA ALEMÃ .................................................................................................................. 3 E) ESCOLA SOCIOLÓGICA ALEMÃ/ESCOLA MODERNA ALEMÃ/PROGRAMA DE MARBURGO/NOVA ESCOLA 3 F) ESCOLA DA DEFESA SOCIAL ........................................................................................................................... 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 PONTO 2: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CRIMINOLOGIA OUTRAS ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS A) Terza scuola/Escola eclética/crítica/positivismo crítico Escola Crítica ou eclética é sinônimo da Terza Scuola Italiana e é oriunda do final do século XIX e começo do XX. Seus principais autores foram: Giuseppe Impallomeni, Manoel Carnevale e Bernardino Alimena. Distingue sujeitos imputáveis de inimputáveis, trazendo medidas de segurança a esses últimos, pois perigosos. Observe as ideias: “acolhe o princípio da responsabilidade moral e a consequente distinção entre imputáveis e inimputáveis, mas não aceita que a responsabilidade moral fundamente-se no livre-arbítrio, substituindo-o pelo determinismo psicológico: o homem é determinado pelo motivo mais forte, sendo imputável quem tiver capacidade de se deixar levar pelos motivos. A quem não tiver tal capacidade deverá ser aplicada medida de segurança e não pena.” Enfim, para Impallomeni a imputabilidade resultada intimidabilidade da pena e, para Alimena, a chamada imputabilidade resulta da dirigibilidade dos atos do homem. B) CORRECIONALISMO Linha de pensamento penal e criminológico na Espanha. Baseia-se na obra do pensador alemão KRAUSE. Pensamentos de SAN DEL RIO e GINER DE LOS RIOS. Para os correcionalistas, a pena não pode consistir na compensação de um mal mediante a aplicação de outro, mas precisamente na correção ou emenda do delinquente, ainda que reconheça outros fins para a pena, prevenção geral ou defesa da ordem social. Consideram que a pena é um bem para o delinquente e até um direito: a pena justa, longe de ser um mal, constitui para o delinquente o primeiro dos bens, pois tende a restabelecer-lhe a plenitude de sua consciência e liberdade racionais, de que decaiu, elevando-o da condição de criminoso a membro útil da humanidade e do Estado; precisamente por ser a pena um bem para o apenado, diz-se com toda a propriedade que é um direito do delinquente. O delinquente não é um sujeito racional, mas é visto como um indivíduo perdido, um ser débil, inferior e desamparado que precisa de ajuda da sociedade. Defendem, por exemplo, a liberdade condicional. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 C) Direção técnico-jurídica O ponto de partida da teoria é o direito positivo. Arturo Rocco (1910) direcionou suas lentes científicas aos estudos da lei penal, a partir do método dogmático, guiada por um espírito realista. Estudo por três etapas: fase de interpretação (exegética) da lei, fase sistemática (coordenação dos princípios extraídos da interpretação da lei) e fase crítica (permitir ao jurista determinar como o direito deve ser). D) Direção dogmática alemã Autores Binding, Merkel e Beling. Vinculação do jurista com a lei. Estudo do direito em si, com a exclusão de qualquer consideração de cunho metajurídico ou valorativo. A norma é tida com valor puramente jurídico e a pena tem finalidade retributiva, pois o único fim que se depreende da lei é a sua execução. E) Escola sociológica alemã/escola moderna alemã/programa de marburgo/Nova Escola Ênfase na investigação sociológica. O principal autor é Franz Von Liszt, 1882, Programa de Marburgo. Ciência global do direito penal – dogmática penal, antropologia, psicologia e estatística criminal. FRANZ VON LISZT, ao desenvolver o Programa, criou um modelo integrado e relativamente harmônico entre dogmática e política criminal, postulando ser tarefa da ciência jurídica estabelecer instrumentos flexíveis e multifuncionais, com escopo de ressocializar e intimidar as mais diversas classes de delinquentes. Como grande dogmático que se revelou, sistematizou o Direito Penal, dando-lhe uma complexa e completa estrutura, admitindo a fusão com outras disciplinas, como a criminologia e a política criminal. Por isso, é possível afirmar que a moderna teoria do delito nasce com Von Liszt. Filiou-se às ideias de Ferri no sentido de que a sociedade não só desenvolve como produz a criminalidade. Lizst cita a política social como forma de combater o crime. Pena como manutenção da ordem jurídica. Proposta de imposição da pena, com caráter intimidativo, para os delinquentes normais e de medida de segurança, para os perigosos (anormais e reincidentes), sendo esta última com o objetivo de assegurar a ordem social, com fim único de justiça. Sistema duplo binário (pena/medida de segurança). Função finalística da pena (prevenção geral / prevenção especial). Eliminação ou substituição das penas de curta duração. F) ESCOLA DA DEFESA SOCIAL A Ideologia da Defesa Social surgiu no século XIX, com a revolução da escola positivista. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 Primeiramente, há uma divergência se a escola de defesa social seria, de fato, uma autêntica escola penal ou um movimento de política criminal. A escola da defesa social divide-se em uma tendência radical, a qual propõe a substituição do Direito Penal e a tendência moderada, pretendendo reconfigurar o Direito Penal como marco de uma política criminal humanista. F.1) Vertente radical (Filippo Gramatica) Foi incorporada na Itália em 1945, por Filippo Gramatica. Recomenda a substituição da responsabilidade penal do fato pela responsabilidade do agente encravada na antissocialidade subjetiva. O Estado deveria agir preventivamente e não repressivamente. Os cárceres são inúteis e prejudiciais, devendo ser abolidos. As penas devem ser substituídas por medidas de defesa social terapêuticas, educativas e curativas. O Estado não tem direito de castigar, mas de socializar. A medida de defesa social deve ser dosada de acordo com a personalidade de cada um. “Não mais uma pena para cada delito, mas uma medida para cada pessoa”. Tem como finalidade a proteção social contra o crime, assim como visa a adaptar o indivíduo a ordem social. F.2) Vertente Moderada (Marc Ancel) Surge no pós-2ª Guerra Mundial. A ideia era de estudo de um direito penal conferindo individualidade a resposta punitiva e potencializando a ressocialização do indivíduo, rejeitando a pena como retribuição. Arquiteta uma política criminal humanista – garantindo direitos do homem e promovendo valores essenciais da humanidade. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO BLOCO 3: VERTENTES SOCIOLÓGICAS DA CRIMINOLOGIA ............................................................................... 2 A) INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 2 B) CONTROLE SOCIAL......................................................................................................................................... 2 C) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONSENSO E DO CONFLITO ............................................................................ 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 BLOCO 3: VERTENTES SOCIOLÓGICAS DA CRIMINOLOGIA a) INTRODUÇÃO O que se entende por giro sociológico (Alessandro Baratta): Principalmente no séc. XX, a criminologia tem uma virada teórica, no Estados Unidos. Começa a deixar de lado (mas não há o abandono por completo) o estudo do crime e do criminoso para se preocupar com o controle social. Inversão do pêndulo da biologia para sociologia. As teorias sociológicas elevam a sociedade ao patamar de fator criminógeno. Como premissa inicial, vamos retornar ao conceito de controle social como um dos objetos da criminologia. B) CONTROLE SOCIAL É estudado na sociologia criminal, principalmente na obra “Controle Social”, de Edward A. Ross (1866-1951). O termo designa a capacidade de uma sociedade de se autorregular socialmente. Conceito de Controle Social (Schecaira): é o conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos e normas comunitárias. A sociedade possui instrumentos, mecanismos e processos por meio dos quais é possível superar os inevitáveis conflitos decorrentes da convivência social e, com isso, alcançar o comportamento conforme. O controle é múltiplo, exercido por várias agências. O controle social é dividido em duas espécies: Controle social formal/controle regulativo: Controle social informal: Exercido pelo estado: polícia, ministério público, judiciário, administração penitenciária. Exercido por mecanismos da sociedade não estatais: Família, igreja, escola, vizinhança, conselhos de comunidade, associação de moradores. Atua, via de regra, quando há a falha do controle social informal. Existe de forma contínua, a todo momento. Decorre do processo de socialização do indivíduo. Atua de forma coercitiva, estabelecendo, por exemplo,sanções criminais, sanções administrativas (multa). As estratégias são premiações, sanções sociais. Tem menor efetividade, se comparado ao controle social informal. Tem maior efetividade, pois é contínuo/difuso. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 C) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONSENSO E DO CONFLITO A sociologia criminal divide-se no estudo das teorias do consenso e do conflito. Cuidado: Essa divisão cai com muita frequência nas provas. Vejamos o quadro: TEORIAS DO CONSENSO TEORIAS DO CONFLITO Tem natureza funcionalista Tem natureza argumentativa A sociedade se estrutura em um consenso entre os indivíduos, através da livre vontade. A sociedade é estruturada na coerção. Há uma relação de dominantes (quem detém o poder) e dominados. Paradigma etiológico: buscar as causas do crime. Busca entender os processos de criminalização. Por que as leis, a polícia (o Estado) seleciona algumas pessoas para serem criminalizadas?! A sociedade é autopoiética; capaz de se autoproduzir por critérios, programas e códigos de seu próprio ambiente. A sociedade está constantemente em processo de mudança. Exibindo dissenso e o conflito social é ubíquo. Teoria conservadora (de direita) Teoria Progressiva (de esquerda) Escolas de Chicago, Anomia, Subcultura delinquente, Associação diferencial. MNEMôNICO: QUEM CASA TEM CONSENSO. Teorias críticas (marxista) Teoria do labelling approach (teoria da rotulação social/etiquetamento). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO VERTENTES SOCIOLÓGICAS ............................................................................................................................... 2 D) ESCOLA DE CHICAGO................................................................................................................................. 2 D.1) PERÍODO E CONTEXTO HISTÓRICO ........................................................................................................ 2 D.2) ELEMENTOS CONCEITUAIS ADOTADOS PELA ESCOLA DE CHICAGO ..................................................... 3 D.3) PROPOSTAS DA ECOLOGIA CRIMINAL ................................................................................................... 4 D.4) PONDERAÇÃO CRÍTICA SOBRE A ECOLOGIA CRIMINAL ......................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 VERTENTES SOCIOLÓGICAS D) ESCOLA DE CHICAGO ➢ Período: Século XX; ➢ Contexto Histórico: Revolução industrial. Imigração de europeus. Êxodo rural. Falta de integração pelo aumento demográfico acelerado e desordenado. ➢ Principais autores: Robert Park (1864-1944), Ernest W. Burguess (1886-1966), Mackenzie, Clifford Shaw (1896-1957), Henry Mckay (1899-1972). Obras: “Introdução a sociologia”, 1920 (Park e Burguess), “A Cidade”, 1916 (Park), Delinquência juvenil e áreas urbanas, 1942 (Shaw e Mckay) ➢ Método Empírico e pragmático. Por estatísticas. São realizados os chamados inquéritos sociais, em que há a investigação da criminalidade nos grandes centros urbanos, como exemplo, em Chicago, no Estados Unidos. ➢ Principais ideias: Aumento demográfico acelerado e desordenado. Perda das raízes (as pessoas moram em lugares novos, falta de identidade com o lugar). O aumento demográfico e as perdas das raízes ocasionam no enfraquecimento do controle social informal. Desorganização social: Pelo aumento demográfico nos grandes centros urbanos. Ocasionam cidades que crescem de forma desorganizada, sem um planejamento urbano. Áreas de criminalidade: “ Teorias das zonas concêntricas” – “Gradient Tendency” – A cidade se expande radialmente – de dentro para fora. ➢ Pontos positivos da teoria: Soluções propostas pela escola de Chicago: Planejamento das cidades; Programas comunitários com a finalidade de aumentar o controle social informal; Melhoria nos aspectos visuais da cidade (Aqui a arquitetura influencia na criminalidade – olhar da criminologia como ciência interdisciplinar). Trouxe a necessidade de se criar programas de política criminal de prevenção a criminalidade; ➢ Pontos negativos da teoria: Limitou-se a investigar só as camadas mais pobres da sociedade “gangland” ( o crime acontece indistintamente em qualquer camada da sociedade – crimes de colarinho branco). D.1) Período e contexto histórico A Escola de Chicago aparece estreitamente unida ao Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago. Recebeu apoio de John Rockefeller, na cifra de 30 milhões de dólares. Chicago tinha um acentuado crescimento urbanístico, econômico e financeiro no final do século XIX e início do século XX. Segundo os dados do professor Gabriel Anitua, em 1840, Chicago, recém-fundada, tinha 2 mil habitantes. Em 1860, 110 mil habitantes. Em 1910, já contaria com 2 milhões de habitantes. A cidade às margens do lago Michigann era um entroncamento de linhas ferroviárias que https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 seguiam para o Oeste, o que fez com que se transformasse em grande centro comercial do Meio- Oeste. O crescimento populacional não foi feito só com o crescimento demográfico, mas também com a chegada de imigrantes estrangeiros: alemães, italianos, poloneses, gregos, holandeses, escandinavos, tchecos, lituanos, judeus etc. Em 1920, metade da população era nascida fora do EUA. Acrescente-se o grande número de negros provenientes de correntes migratórias do sul, onde não houvesse tanta discriminação racial. Resumindo: No início do séc. XX, em Chicago, houve uma imigração interna (êxodo rural) e externa muito grande, o que vai gerar problemas de ordem social. A explosão de crescimento da cidade que se expande em círculos (forma radial) do centro para a periferia cria graves problemas sociais. A inexistência de mecanismos de controle social e cultural permite o surgimento de um meio social desorganizado e criminógeno que se distribui diferencialmente pela cidade. D.2) Elementos conceituais adotados pela escola de Chicago Com o crescimento das cidades, a vizinhança tende a perder muito da identidade que possuía nas pequenas comunidades. Quanto maior a mobilidade (mudança de residência de emprego, ascensão social ou decadência), menor é o controle social informal exercido pelo cidadão em face das relações de vizinhança. Essas áreas de mobilidade são aquelas onde se desenvolvem áreas de promiscuidade. O mundo urbano, com o anonimato, cria uma impessoalidade nas relações humanas, um culto a liberdade exacerbada, traduz uma vida de aparências que conduz a um desenvolvimento de desviações nas normas de condutas éticas e na prática das atitudes sociais (sociabilidade humana). → DESORGANIZAÇÃO SOCIAL (PARK E BURGUESS): A mobilidade das grandes cidades caracteriza-se pela ruptura dos mecanismos tradicionais de controle. O aumento demográfico acarreta uma desorganização social com aumento excessivo de doenças, crimes, prostituição, desordens, insanidades e suicídios. O papel desempenhado pela vizinhança - controle social informal - acaba por se perder em razão dessa heterogeneidade cultural, do anonimato, do individualismo. A família, a igreja, a escola, o local de trabalho (tradicionais meios de controle social informal) não mais conseguem refrear as condutas humanas. Isso debilita os vínculos que mantinham as pessoas nas pequenas cidades, o que dá origem a um fator potencializador da criminalidade. É importante destacar que os imigrantes não possuíam um passado criminoso, comportamento que só vem a existir quando da chegada à cidade. Provavelmente, a ruptura das uniões locais (perda das raízes) e o enfraquecimento das restrições e inibições do grupo primário, sob a influência do meio urbano, é que são grandemente responsáveis peloaumento do crime nas grandes cidades. → ÁREAS DE DELINQUÊNCIA (SHAW): Uma cidade se desenvolve de acordo com círculos concêntricos, por meio de um conjunto de zonas ou anéis a partir de uma área central, observada a “gradient tendency”. (movimento radial). No mais central dessa zona é o LOOP, zona comercial. A segunda zona é a zona de TRANSIÇÃO, como zona intersticial, está sujeita à https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 invasão do crescimento da zona anterior e, por isso, é objeto de degradação constante e também sujeita à mobilidade da população, sempre disposta a abandonar a proximidade com a zona degradada pelo barulho, agitação, mau cheiro das indústrias etc., passando a concentrar pessoas de menor poder aquisitivo. Moradias coletivas com grande concentração de pessoas - slums, tenement houses. A terceira zona Área de moradia de trabalhadores pobres e de imigrantes de segunda geração. Quarta zona é a classe média. A quinta zona (commuters) é habitada pelos estratos mais altos da população. Estudo empírico: Metodologias qualitativas: Utilização de inquéritos sociais (social surveys), observação participante, histórias de vida e estudos biográficos de casos individuais (ex:The Jack Roller, Clifford R. Shaw), técnicas de observação direta, análise de políticas governamentais e de culturas urbanas. D.3) Propostas da ecologia criminal Propostas preventivas. Nenhuma redução de criminalidade é possível se não houver mudanças efetivas das condições econômicas e sociais das crianças. Programas que envolvam recursos humanos junto à comunidade, aumentar o controle social informal. Envidar esforços para reconstituir a solidariedade social. Programas comunitários. Melhorias das residências, conservação física dos prédios e melhoria sanitária. O viés reformista tem como grande produtor o Chicago Area Project, inaugurado por Clifford Shaw e Henry Mckay, em 1934. D.4) Ponderação crítica sobre a ecologia criminal A principal contribuição se deu nos campos metodológicos e político-criminal. Fomentaram a utilização de métodos de pesquisa que propiciam o conhecimento da realidade da cidade antes de estabelecer a política criminal adequada para intervenção estatal. O empirismo criou uma análise estatística dos dados policiais e judiciais vinculados ao delito, chamando a atenção da criminalidade em áreas pobres e deterioradas da cidade (é o que se utiliza hoje nos mapas da violência, zonas quentes de criminalidade). No que concerne à política criminal, o foco é voltado para a comunidade local, com a mobilização das instituições locais para obviar a desorganização social, reconstituir a solidariedade humana e controlar as condutas desviadas. Envolvimento preventivo da comunidade. Criação do: “Chicago Area Project”, projeto que pretendeu atuar não sobre o indivíduo, mas sim como reforço à comunidade na ordem moral e econômica. CRÍTICAS Mudança do paradigma positivista para um determinismo ecológico. Nunca se pode compreender se as áreas delinquentes produziam criminosos ou se estes eram atraídos para elas por uma busca de identidade. Outra limitação da teoria decorreu da perspectiva limitadora na investigação criminal concernente aos cometimentos dos delitos. Estudos atuais comprovam que alguns delitos são cometidos nas áreas de moradia, outros não. A análise estritamente ecológica deve ser substituída pelo estudo da área social e por métodos estatísticos multivariados. A teoria ecológica não tem condição de explicar as condutas desviadas fora das áreas delitivas. Além do mais, os teóricos ignoraram as cifras negras. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO VERTENTES SOCIOLÓGICAS ............................................................................................................................... 2 E) TEORIA DA ANOMIA .................................................................................................................................. 2 E.1 TEORIA DA ANOMIA PARA EMILE DURKHEIM (1858-1917) .................................................................... 2 E.2 TEORIA DA ANOMIA PARA ROBERT MERTON ......................................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 VERTENTES SOCIOLÓGICAS E) TEORIA DA ANOMIA Principais autores: Emille Durkheim e Robert Merton. Também chamada de teoria estrutural funcionalista: bloco de teorias que entendem que o crime é fenômeno normal e funcional de toda estrutura social. Distancia-se do modelo médico e patológico de interpretação do crime, não como uma anomalia. Anomia etimologicamente é a ausência de lei, denotando também a ideia de iniquidade, injustiça e desordem. Para nossa teoria criminológica, o termo anomia significa, basicamente, a desintegração entre sistema de valores e sistema de normas sociais. E.1 TEORIA DA ANOMIA PARA EMILE DURKHEIM (1858-1917) Principal obra: O suicídio. Contexto histórico: França no final do séc. XIX, decorrente da revolução francesa e ascensão da burguesia com a rápida e expansiva industrialização. Principal ideia: Crime é um fenômeno sociocultural. Foi na obra “a divisão do trabalho social”, 1893 e “as regras do método sociológico”, 1895, que trata de dois conceitos: solidariedade social e consciência coletiva, para chegar ao conceito de anomia. Consciência coletiva: Conjunto de valores que são representados pela sociedade. É o conjunto de crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade e que forma um sistema determinado que se tem sua vida própria. Impõe deveres e limites a sociedade. Ex.: é proibido andar pelado na rua. A consciência coletiva é fundamental para preservar uma consistência social gerando um sentimento de solidariedade. O nível de coesão da consciência coletiva depende de cada sociedade, o que vai classificá- las em sociedade primitiva ou sociedade contemporânea. Sociedade Primitiva (Aqui ocorre a solidariedade Mecânica) Sociedade Contemporânea (Aqui ocorre a solidariedade orgânica) É autossuficiente, monolítica, uniforme Não é uniforme. Ideias distintas entre os cidadãos (pessoas pensam diferente) Sociedades antigas, pequenas localidades rurais com baixo número de pessoas Sociedades atuais nos grandes centros urbanos Não há diferença entre os membros que a integram A divisão de trabalho faz com que os membros da sociedade não compartilhem das mesmas ideias, e isso provoca o enfraquecimento da consciência coletiva o que pode levar ao estado de perda de valores tradicionais que, por sua vez, pode o gerar estado de anomia https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 SOLIDARIEDADE ORGÂNICA → PERDA DE VALORES (ENFRAQUECIMENTO DA COSCIÊNCIA COLETIVA) → ESTADO DE ANOMIA. Criminalidade pode ser diagnosticada como consequência da debilitada consciência coletiva Anomia: é a desintegração da consciência coletiva. É ausência da referência das normas sociais ocasionando crise de valores. Na anomia, há a potencialização de atos criminosos. Para Durkheim, o crime é fenômeno normal, útil e necessário na comunidade, mas devendo permanecer dentro dos limites de tolerância. ➢ O crime é normal, pois se apresenta em toda a sociedade, de forma estatística, e, portanto, inevitável. O crime é ubíquo (significa onipresente – a expressão já caiu em prova). Para Durkheim, o delito é um fato social normal sempre e quando não alcança índices exagerados. ➢ O crime é útil na sociedade, pois, muitas das vezes, é uma antecipação da moral futura. O criminoso é um agente regular da vida social. O delito é indispensável para a evolução normal da moral e do direito em uma sociedade. ➢ O crime é necessário, pois provoca e estimula a reaçãosocial e, por isso, reforça o sentimento coletivo em torno dos valores, proporcionando a transformação social. O crime pode ter aspectos favoráveis à estabilidade e à mudança social, bem como do estreitamento entre cidadãos de ideias de adesão ao consenso comunitário. Quanto maior for a consciência coletiva, maior a indignação com o crime e o reforço a essa consciência em torno dos valores que presidem a ordem social. A finalidade da pena é manter intacta a coesão social, reforçar a consciência coletiva. Segundo suas ideias: “não reprovamos porque é um crime, mas é um crime porque reprovamos”. A pena seria, portanto, uma vingança passional graduada quantitativamente e qualitativamente que atingiria espontaneamente o efeito de reforçar a coesão social. Quanto maior a intensidade do castigo, mais primitiva é a sociedade. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 E.2 TEORIA DA ANOMIA PARA ROBERT MERTON O crime está ligado ao modelo de vida cultural de vida norte americano (“american dream”). As pessoas querem “subir na vida”. Ter propriedade, carro, família estruturada, bens etc. Busca pelo sucesso econômico a qualquer custo. OBS.: Em uma sociedade que não atribui aos meios institucionalizados a mesma importância que atribui aos objetivos, o que se torna relevante para o indivíduo não é saber quais meios legítimos existem para alcançar os objetivos (sucesso econômico), mas qual meio (independente de qual for) é mais eficaz para se chegar lá. Contexto histórico: Momento de expansão econômica do EUA, a partir da primeira metade do séc. XX. Capitalismo exacerbado. Analisa como algumas estruturas sociais exercem pressão sobre as pessoas. O comportamento desviado pode ser considerado um sintoma de dissociação entre as aspirações socioculturais (ter casa própria, carro, bens, riqueza) e os meios utilizados para o alcance dessas aspirações. Trabalha com os conceitos de meios institucionais e metas culturais. O que são metas culturais? São interesses, valores, propósitos ou fins propostos aos membros da sociedade. Exemplo: Vencer na vida, ter a roupa da moda, passar no concurso etc. A sociedade é falsamente meritocrática. Para você alçar o sonho americano, você precisa ter os meios institucionais para alcançá-los. Não é qualquer um que pode falar: “eu quero, eu posso”. Você precisa ter os meios institucionais para chegar lá. O que são os meios institucionais: São o aparato cultural, familiar, econômico e social que possibilitam o atingimento das metas culturais. É o conjunto organizado das relações sociais, isto é, a estrutura de oportunidades reais que condiciona, de fato, a possibilidade de os cidadãos se orientarem para alcançar seus objetivos culturais, respeitando as normas legais. O desajuste entre os meios institucionais e as metas culturais propicia o surgimento de condutas que vão desde a indiferença perante as metas culturais até a tentativa de chegar às metas mediante meios diversos daqueles socialmente prescritos. Merton prevê cinco tipos denominados de adaptação individual: conformidade, ritualismo, retraimento, inovação e rebelião. Tipologia do comportamento Metas culturais (metas de sucesso) Meios institucionais (quais meios que o Estado nos oferece para ter os bens da vida) CONFORMISMO + + INOVAÇÃO (AQUI OCORRE O CRIME/DESVIO) + - RITUALISMO - + RETRAIMENTO/EV ASÃO/APATIA - - https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 REBELIÃO + OU - + OU - ➢ Conformista: o tipo mais comum, ele garante a estabilidade da sociedade. Ele absorve as metas culturais e tem os meios institucionais para alcançá-la. ➢ Inovação: aqui, encontra-se a delinquência propriamente dita. A pessoa absorve as metas culturais, ou seja, quer ter prestígio, dinheiro, mas não possui os meios institucionais para alcançá-las. Dessa forma, a pessoa inova, busca meios não institucionais para alcançar rapidamente o que quer. Essa inovação seria o crime. ➢ Ritualista: tem os meios institucionais, mas não absorve as metas culturais. Há um abandono ou redução dos elevados alvos culturais do grande sucesso pecuniário e da rápida mobilidade social. Embora não valorize a obrigação cultural de ascensão social, as normas institucionais são compulsivamente seguidas. O estereótipo do ritualista na cultura brasileira é o tímido funcionário público, que mantém seu ritual diário e burocrático de vinculação às normas e que não pretende dar grandes voos além de seus tímidos horizontes. ➢ Retraimento: Há a renúncia as metas culturais e os meios institucionais. Pertencem a essa categoria os moradores de rua, bêbados crônicos, viciados em drogas. ➢ Rebelião: a pessoa tem parcialmente os meios institucionais e entende que as metas culturais existem, mas não concorda com elas. O indivíduo refuta os padrões vigentes da sociedade, propondo estabelecimento de novas metas e a institucionalização de novos meios. Ex.: hippies, posturas individuais dos “rebeldes sem causa” e nas coletivas de movimentos de revolução social. A anomia para Merton não significa ausência completa de normas, mas que em sociedades anômicas existe pressão para que o indivíduo obedeça às normas, mas também para que se desvie delas. Anomia é caracterizada por uma distribuição seletiva das estruturas sociais e permite que apenas alguns indivíduos possam alcançar as metas culturais. Anomia tem três características: ➢ Desequilíbrio cultural entre fins e meios; ➢ Universalismo na definição dos fins; ➢ Desigualdade no acesso às oportunidades. O crime é produto de uma estrutura social defeituosa. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO VERTENTES SOCIOLÓGICAS ................................................................................................................................ 2 F) TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL ......................................................................................................2 F.1) ANTECEDENTES DA TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL ...................................................................2 F.2) PREMISSAS DA TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL ..........................................................................2 alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 VERTENTES SOCIOLÓGICAS F) TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL A teoria foi desenvolvida por Edwin Sutherland, nos idos de 1924, com base no pensamento originário de Gabriel Tarde. No final dos anos 30, cunha a expressão “white-collar crime”, que passa a identificar os autores de crimes diferenciados que apresentavam pontos acentuados de diferença com os crimes chamados comuns. Gabriel Tarde, em seu livro: “Leis da Imitação”, 1890, cria as leis da imitação. a. A primeira delas é que o ser humano imita o outro na proporção da proximidade do contato. b. A segunda lei é que o indivíduo de posição inferior tende a imitar o de posição superior. c. A terceira lei, quando modas de comportamento coincidem, a mais nova substitui a mais velha. Como outros atos sociais, os delitos, para Gabriel Tarde, se realizam por conta destas regras de imitação. F.1. ANTECEDENTES DA TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL Logo após a 1a guerra, os EUA cresceram economicamente. Além de terem um sólido mercado interno, com um crescimento demográfico significativo, ainda passaram a desfrutar de parte dos mercados anteriormente fechados pelo colonialismo europeu. Há um aumento de renda significativo. No entanto, há um alastramento da corrupção administrativa, bem como dos escândalos financeiros. O jogo na bolsa de valores torna-se infreável. Compra-se uma ação na bolsa de valores e vende-se dias depois muito mais cara. A especulação torna-se avassaladora e enormes fortunas são construídas, algumas vezes só de papéis. A insolvência surge em outubro de 1929, como crack da bolsa de valores. Internamente, o período é marcado pelo crescimento da pobreza e da criminalidade potencializada pela Lei seca, propícia para o surgimento do gangsterismo. Em 1932, vence as eleições Roosevelt e apresenta o New Deal - plano de combate à grave depressão econômica. Com base na intervenção da economia do economista Keynes. F.2. PREMISSAS DA TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL Teoria da associação diferencial ➢ Inicia-se uma quebra do paradigma binário crime x pobreza; ➢ Indivíduos de classe média e alta também podem delinquir; ➢ O comportamento criminoso se aprende através de um processo de comunicação; ➢ O comportamento criminoso é consequência de um processo de aprendizagem que se desenvolve no meio em que o crime é cometido; alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 ➢ A aprendizagem depende da frequência, prioridade, duração e intensidade com que a pessoa está em contato com as definições desfavoráveis ou não à obediência da lei; ➢ Um indivíduo se faz criminoso quando o contato com as interpretações favoráveis à violação da lei supera as desfavoráveis; ➢ Surge a expressão crimes do colarinho branco; Shecaira enumera os FATORES do processo pelo qual o indivíduo seria conduzido a cometer um delito conforme preconizado pela teoria da associação diferencial: a) o comportamento criminoso é um comportamento aprendido, quer dizer, aprende-se a praticar um crime como se aprende a praticar uma boa ação. Reconhece-se que o delito não tem como causa fatores hereditários, mas a influência do meio. b) o comportamento criminoso é aprendido mediante a comunicação com outras pessoas. Tem-se um processo de imitação, com início no seio familiar. c) o grau de aprendizado do comportamento criminoso varia conforme a proximidade existente entre as pessoas. Quanto mais íntimas as relações sociais entre os indivíduos, maior será a influência criminógena. d) o aprendizado do comportamento criminoso contém o aprendizado das técnicas de cometimento do crime, sendo em alguns casos simples e, em outros, complexas; e) a motivação e os impulsos para o cometimento de crimes se aprende com as definições favoráveis ou desfavoráveis da lei; f) a conversão do indivíduo em criminoso ocorre quando as definições favoráveis à violação da norma supera as definições desfavoráveis. Nessa hipótese, os modelos criminais prevalecem sobre os modelos não criminais. As pessoas associam-se por afinidade de valores. No entanto, o conteúdo desses valores é distinto conforme a espécie de associação. Por isso, esta Teoria foi rotulada de ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL. g) as associações diferenciais podem variar em frequência, duração, prioridade e intensidade. Valores aprendidos na infância podem acompanhar a pessoa por toda a sua vida. h) a prevalência das definições favoráveis ou desfavoráveis as normas denotam um conflito cultural responsável pela associação diferencial; i) A desorganização social causada pela perda da origem e raízes pessoais, e a inexistência de controle social informal fomentam a prática de crimes. OBS.: Sutherland explica os crimes de colarinho branco, tais crimes são praticados por homens de negócio que transmitem, de geração para geração, um código valorativo distinto do legal e com excesso de valorações favoráveis a infringir a lei. Explica, inclusive, que a sociedade e as instituições estatais, por vezes, não censuram essas condutas, pelo status dos criminosos ou pelo fato de que da complacência dos tribunais que irão julgá-los. Posteriormente, surgem teorias que são desdobramentos da teoria da associação diferencial: ➢ Teoria da identificação diferencial: Desenvolvida por Daniel Glaser. Em síntese, rechaça que haja uma necessidade de interação direta para aprender o comportamento criminoso. O relevante é a escolha dos modelos criminosos, das pautas de conduta, seja ela real ou fictícia, ao invés de ocorrer, necessariamente, alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 uma interação direta entre pessoas. OBS.: Nesse sentido, por exemplo, determinada pessoa pode simpatizar com alguma narrativa criminosa na mídia. Ex.: afeição pelo maníaco do parque e imitação de sua conduta ou até com um personagem irreal, imaginário. ➢ Teoria do reforço diferencial: Em síntese, o comportamento aprendido decorre de experiências passadas na vida de um indivíduo. ➢ Teoria da neutralização: Proposta por David Matza. Em síntese, propõe que as técnicas aprendidas são capazes de neutralizar, racionalizar e justificar o comportamento criminoso. São cinco técnicas de neutralização: • Negação de responsabilidade: ex.: “não foi culpa minha”, “fui obrigado a praticar o crime”. • Negação da lesão: ex.: “achei que não faria mal a ninguém. • Negação da vítima: ex.: “a vítima mereceu”; • Condenação dos condenadores: ex.: “fiz porque a polícia, juízes, são todos corruptos”; • Apelo a lealdade: ex.: “fiz porque pertenço ao grupo”. alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO VERTENTES SOCIOLÓGICAS ................................................................................................................................ 2 G) TEORIA DA SUBCULTURA ...........................................................................................................................2 alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 VERTENTES SOCIOLÓGICAS G) TEORIA DA SUBCULTURA Teoria desenvolvida como foco na delinquência juvenil. É um aprimoramento das ideias da teoria da anomia. Cultura é toda ação que individualiza um grupo e torna-o singular e inconfundível. Subcultura é um comportamento social diferente daquele dominante (cultura dominante). A subcultura é entendida como ato de rebeldia e reação de minorias desfavorecidas contra os valores oficiais das classes médias. É diferente de contracultura que tenta impor sua cultura sob a atual. A teoria surge em um modelo de sociedade plural e heterogênea; O principal autor é Albert Cohen que se dedicou ao estudo da delinquência juvenil. Obra: “Delinquent boys” (1955). O comportamento criminal é um ato de rebeldia contra normas e valores estabelecidos pela classe média. É uma reação dos jovens mais pobres pela frustração da impossibilidade de ascender ao status da cultura dominante. Características da conduta da subcultura delinquente para Cohen: ➢ Conduta não utilitarista: não possui objetivos de ganho econômico. A conduta criminosa é praticada, por exemplo, pelo prestígio do grupo, e não de necessidade. ➢ Conduta maldosa; ➢ Conduta negativista: simboliza a quebra de regras; ➢ Conduta flexível: não há especialização em alguma modalidade criminosa (patrimonial, por exemplo). ➢ Conduta hedonista; os jovens têm desejo de se divertir. Busca do prazer em curto prazo. ➢ Conduta reforçadora do grupo. Portanto, a “subcultura” é uma espécie de cultura de reação que certas minorias marginalizadas criam dentro da cultura oficial para expressar a ansiedade e frustração que sentem ao não poder participar, por meios legítimos, das expectativas que teoricamente seriam oferecidas a todos pela sociedade (êxito, respeitabilidade, poder – meritocracia). A classe média põe especial ênfase na eficiência e na responsabilidade individual, na racionalidade, no respeito à propriedade, no emprego do tempo livre, na poupança, na condenação do prazer e na ascensão social. As classes baixas concedem maior importância à força física e à coletividade e menor à poupança e à condenação do prazer. Os jovens de classe baixa estão propensos ao conflito e à frustração porque se acham em desvantagem. De algum modo, participam de ambos os sistemas de valores. O delinquent boy resolve sua frustração de status enfrentando de forma aberta os padrões da sociedade oficial e referida rebeldia confere-lhe prestígio. alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONFLITO .............................................................................................................2 1) LABELLING APPROACH/ TEORIA DA ROTULAÇÃO SOCIAL/ETIQUETAMENTO/ETIQUETAGEM/TEORIA INTERACIONISTA OU DA REAÇÃO SOCIAL ..................................................................................................... 2 A) INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................ 2 B) CONTEXTO HISTÓRICO .................................................................................................................................. 2 C) O LABELLING .................................................................................................................................................. 3 d) HOWARD S. BECKER ...................................................................................................................................... 4 2) TEORIA CRÍTICA/RADICAL ...................................................................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONFLITO 1) LABELLING APPROACH/ TEORIA DA ROTULAÇÃO SOCIAL/ETIQUETAMENTO/ETIQUETAGEM/TEORIA INTERACIONISTA OU DA REAÇÃO SOCIAL ➢ Surge na década de 60 no Estados Unidos; ➢ Autores principais: Erving Goffman e Howard Becker; ➢ A prisão não serve para ressocializar o condenado, mas para socializá-lo ao cárcere. O indivíduo fica estigmatizado; ➢ Utiliza o termo desvio; ➢ A criminalidade decorre não como qualidade de uma determinada conduta, mas do processo de estigmatização da conduta; ➢ Procura estudar não as causas do crime, mas a reação da sociedade na criminalização de determinadas pessoas. A) INTRODUÇÃO Surge nos anos 60, Século XX, no EUA, marco da teoria do conflito. A questão central do pensamento criminológico é que deixa de se referir ao crime e ao criminoso, passando a voltar sua base de reflexão ao sistema de controle social e suas consequências, bem como ao papel exercido pela vítima na sua relação delituosa. A consideração inicial é que não se pode compreender a criminalidade se não se estuda a ação do sistema penal que a define e rege contra ela, começando pelas normas abstratas até a ação das instâncias oficiais. Há uma inversão do estudo da criminologia: deixa de se pesquisar as causas do crime (etiologia) para focar nos processos de criminalização. Por que o Estado escolhe alguns crimes e algumas pessoas para serem criminalizadas? B) CONTEXTO HISTÓRICO Nos anos 60, no EUA, há um movimento de contracultura, culto às drogas, psicodelismo do rock and roll, peace and love, resistência pacifista à guerra do Vietnã, luta das minorias negras, fim das discriminações sexuais, despertar da consciência estudantil. Enfim, um momento de ruptura potencializador da sociologia do conflito. O american way of live passa a ser contestado. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 C) O LABELLING Um grande número de criminologistas já havia notado que a prisão, uma das mais graves formas de reprovação penal, contribuía de alguma forma para a criminalização: A expressão INTERAÇÃO SIMBÓLICA foi construída por Herbert Blumer, em 1937. É ramo da sociologia e psicologia social que se concentra no processo de interação. As relações sociais onde as pessoas estão inseridas as condicionam reciprocamente. As relações sociais não surgem como determinadas, de uma vez por todas, mas como abertas e dependendo de constante aprovação em comum. O interacionismo simbólico tem afinidade metodológica com métodos qualitativos, particularmente abordagem de dados biográficos e utilização de observação participante. A interação simbólica parte de um modelo que eleva a categoria de fontes criminógenas as instâncias formais de controle. O labelling desloca o problema criminológico do plano da ação para o da reação (dos bad actors para os powerful reactors). A explicação interacionista cinge-se quase que exclusivamente sobre a delinquência secundária e as carreiras criminais. Nos anos 50, Edwin Lemert traz os conceitos de CRIMINALIZAÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA, este último advindo da adoção do estereótipo pelo agente do delito. ➢ o DESVIO PRIMÁRIO é poligenético, advindo de uma grande variedade social, cultural, econômica ou racial. ➢ o DESVIO SECUNDÁRIO refere a uma especial classe de pessoas cujos problemas são criados pela reação social à desviação. Uma das consequências do processo de desviação é o agente ser capturado pelo papel desviante. Este mergulho interativo será chamado pelos teóricos de ROLE ENGULFMENT. ROLE ENGULFMENT (mergulho no papel desviado): dois pontos de referência: como os outros definem o autor e como ele se define. À medida que o mergulho no papel desviado cresce, há uma tendência para que o autor do delito defina-se como os outros o definem. A personalidade do agente se referenciará no papel desviado ainda que ele se defina como não desviado. CERIMÔNIAS DEGRADANTES: São os processos ritualizados a que se submetem os envolvidos com o processo criminal, em que um indivíduo é condenado e despejado de sua identidade, recebendo uma outra degradada. A pessoa começa a se comportar a partir das expectativas dos gestores da moral. INSTITUIÇÃO TOTAL: Erving Goffman. Simbolizado pela barreira à relação com o mundo externo e proibições de saída. Todos os aspectos da vida do condenado são realizados no mesmo local e sob uma única autoridade. Em segundo lugar, todos os atos da atividade cotidiana são executados diante de um grupo de pessoas razoavelmente grandes, sendo tratadas de uma maneira padrão. Atividades rigorosamente estabelecidas em horário e sequenciadas. As atividades obrigatórias são projetadas para atender os objetivos oficiais da instituição. Gera a mortificação do eu. Processo gradativo de desculturamento. PROFÉCIA AUTOREALIZÁVEL: O estigma molda a pessoa a partir da identidade social virtual. Ex.: esse menino vai ser bandido. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 MODELO EXPLICATIVO DAS CARREIRAS CRIMINAIS Delinquência primária (multifatorial) → Resposta ritualizada e estigmatizante → distância social e redução das oportunidades → surgimento de uma subcultura delinquente com reflexo na autoimagem → estigma decorrente da institucionalização → carreira criminal → Delinquência secundária. d) HOWARD S. BECKER Autor do livro Outsiders. Um outsider é a pessoa que não é aceita como mento de uma sociedade, de um grupo, de um clube. É um fora da lei. Quando uma regra é posta em vigor, aquele que, supõe-se, a tenha quebrado pode começar a ser encarado como um tipo essencial de pessoa não confiável para viver com as regras acordadas pelo grupo. Surgindo a intolerância, haverá uma espécie de estigmatização desse agente. A conduta desviante é gerada pela sociedade. A desviação não é uma qualidade do ato que a pessoa comete, mas uma consequência da aplicação pelos outros das regras e sanções para o ofensor. O desviante é alguém a quem o rótulo social de criminoso foi aplicado com sucesso; as condutas desviantes são aquelas que as pessoas de uma dada comunidade aplicam como um rótulo àquele que comete um ato determinado. Se um ato é desviado ou não, vai depender em parte da natureza do ato (se ele viola ou não uma regra imposta pela sociedade) e em parte como decorrência do que as outras pessoas vao fazer em face daquele ato. 2) TEORIA CRÍTICA/RADICAL Tem sua origem no livro Punição e estrutura social de Georg Rusche e Otto Kirchheimer, 1938. É o resultado mais bem acabado do pensamento da escola de Frankfurt. A prisão é relacionada com o surgimento do capitalismo mercantil. Se a lei é um ato político sua infração e delinquência é política e, em consequência, todo preso é político. Movimento Inglês - A nova criminologia, 1973, e criminologia crítica, 1975, Ian Taylor, Paul Walton e Jock Young. Partem da premissa de que se deve buscar a abolição das desigualdades sociais em riqueza e poder, afirmando que a solução para o problema do crime depende da eliminação da exploração econômica e da opressão política de classe. O direito não é uma ciência, é uma ideologia. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO SÍNTESE DAS ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS: LINHA DO TEMPO .......................................................................... 2 1) PSEUDOCIÊNCIAS: ................................................................................................................................. 2 2) ESCOLA CLÁSSICA .................................................................................................................................. 2 3) ESCOLA CARTOGRÁFICA ........................................................................................................................ 2 4) ESCOLA POSITIVA; ................................................................................................................................. 3 5) OUTRAS ESCOLAS .................................................................................................................................. 3 5.1) TERZA SCUOLA .................................................................................................................................... 3 5.2) CORRECIONALISMO ............................................................................................................................ 3 5.3) DIREÇÃO TÉCNICO-JURÍDICA .............................................................................................................. 3 5.4) DIREÇÃO DOGMÁTICA ALEMÃ ........................................................................................................... 4 5.5) ESCOLA SOCIOLÓGICA ALEMÃ/ESCOLA MODERNA ALEMÃ/PROGRAMA DE MARBURGO/NOVA ESCOLA....................................................................................................................................................... 4 5.6) ESCOLA DE DEFESA SOCIAL ................................................................................................................ 4 6) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONSENSO ............................................................................................... 4 6.1) ESCOLA DE CHICAGO .......................................................................................................................... 4 6.2) TEORIA DA ANOMIA ........................................................................................................................... 5 6.3) ESCOLA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL .............................................................................................. 5 6.4) TEORIA DA SUBCULTURA DELINQUENTE ........................................................................................... 6 7) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONFLITO................................................................................................. 6 7.1) TEORIA DO ETIQUETAMENTO/ROTULAÇÃO/LABELLING APPROACH ................................................ 6 7.2) TEORIA CRÍTICA .................................................................................................................................. 6 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 SÍNTESE DAS ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS: LINHA DO TEMPO Pseudociências → Escola clássica → Escola Positiva → Escola cartográfica → Outras escolas → Giro Sociológico → Escolas Sociológicas do Consenso: Chicago, Anomia, Subcultura delinquente e Associação diferencial → Escolas sociológicas do conflito: Etiquetamento e teoria crítica. 1) PSEUDOCIÊNCIAS: ➢ Demonologia: estudo dos demônios; ➢ Fisionomia: Della Porta assinalou algumas características de índole criminosa: cabeça, orelha, nariz. ➢ Frenologia: Franz Joseph Gall - Cada região do cérebro tem uma função. Agressividade, instinto homicida, sentido moral estavam localizados em áreas cerebrais específicas. ➢ Psiquiatria: Philippe Pinel realizou os primeiros diagnósticos clínicos, separando os delinquentes dos enfermos mentais. 2) ESCOLA CLÁSSICA ➢ Etapa pré-científica da criminologia; ➢ CBF – Carrara, Beccaria e Feuerbach; ➢ Método dedutivo – próprio do direito penal; ➢ Séc. XVIII – Iluminismo, contrato social, utilitarismo, livre arbítrio; ➢ Fundamento moral da responsabilidade – livre arbítrio; ➢ Ênfase no crime; ➢ Humanização do direito penal e das penas; ➢ Indivíduo tem livre arbítrio. Não há determinismo na sua conduta; ➢ Crime é ente jurídico – violação da norma; ➢ Pena como contraestímulo do crime (Romagnosi); ➢ No geral, pena com finalidade retributiva. 3) ESCOLA CARTOGRÁFICA ➢ Escola de transição da clássica para a positiva; ➢ Adolphe Quetelet, séc. XVIII e XIX; ➢ Estudo matemático e estatístico da criminalidade; ➢ Já falava em crimes que são desconhecidos (futura cifra oculta da criminalidade); ➢ Leis térmicas: ambiente físico e social associado às tendências individuais e hereditárias determinam necessariamente relativo contingente de crimes. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 4) ESCOLA POSITIVA; ➢ Etapa científica da criminologia; ➢ LFG – Lombroso (fase bioantropológica), Ferri (fase sociológica) e Garófalo (fase jurídica ou psicológica); ➢ Método empírico e indutivo; ➢ Séc. XIX. Ênfase nas ciências naturais, positivismo, darwinismo, medicina, biologia, antropologia, frenologia; ➢ Ênfase no criminoso como sujeito portador de uma anomalia; ➢ Criminoso nato tem deformidades biológicas que se diferenciam dos demais e poderia ser reconhecido por características físicas distintas; ➢ Classificação dos criminosos; ➢ Ferri critica livre arbítrio. Fala em substitutivos penais, trinômio do delito: fatores antropológicos, sociais e físicos; ➢ Crime natural de Garófalo que fere sentimentos de piedade e probidade segundo padrões médios que se encontram as raças humanas superiores, temibilidade e pena de morte e deportação; ➢ Pena com caráter preventivo por tempo indeterminado. 5) OUTRAS ESCOLAS 5.1) TERZA SCUOLA ➢ Seus principais autores foram: Giuseppe Impallomeni, Manoel Carnevale e Bernardino Alimena. ➢ Mistura de métodos clássico: dedutivo e positivismo: indutivo; ➢ Distinção entre imputáveis e inimputáveis. 5.2) CORRECIONALISMO ➢ Linha de pensamento penal e criminológico na Espanha. ➢ O delinquente não é um sujeito racional, mas é visto como um indivíduo perdido, um ser débil, inferior e desamparado que precisa de ajuda da sociedade ➢ A pena é um bem para o delinquente e até um direito, vai corrigir ou emendar o delinquente. 5.3) DIREÇÃO TÉCNICO-JURÍDICA ➢ O ponto de partida da teoria é o direito positivo. Arturo Rocco (1910); ➢ Estudo por três etapas: fase de interpretação (exegética) da lei, fase sistemática (coordenação dos princípios extraídos da interpretação da lei) e fase crítica (permitir ao jurista determinar como o direito deve ser). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 5.4) DIREÇÃO DOGMÁTICA ALEMÃ ➢ Autores Binding, Merkel e Beling. ➢ Vinculação do jurista com a lei. ➢ A norma é tida com valor puramente jurídico e a pena tem finalidade retributiva. 5.5) ESCOLA SOCIOLÓGICA ALEMÃ/ESCOLA MODERNA ALEMÃ/PROGRAMA DE MARBURGO/NOVA ESCOLA ➢ Ênfase na investigação sociológica. O principal autor é Franz Von Liszt, 1882, Programa de Marburgo. Ciência global do direito penal – dogmática penal, antropologia, psicologia e estatística criminal. ➢ Lizst cita a política social como forma de combater o crime; ➢ Proposta de imposição da pena, com caráter intimidativo, para os delinquentes normais e de medida de segurança, para os perigosos(anormais e reincidentes), sendo esta última com o objetivo de assegurar a ordem social, com fim único de justiça. ➢ Eliminação ou substituição das penas de curta duração. 5.6) ESCOLA DE DEFESA SOCIAL ➢ A escola da defesa social divide-se em uma tendência radical, a qual propõe a substituição do Direito Penal e a tendência moderada, pretendendo reconfigurar o Direito Penal como marco de uma política criminal humanista. ➢ Vertente radical de Filippo Gramatica, a qual pretende substituir a responsabilidade penal do fato pela responsabilidade do agente encravada na antissocialidade subjetiva. O Estado deveria agir preventivamente e não repressivamente. Os cárceres são inúteis e prejudiciais, devendo ser abolidos. Não mais uma pena para cada delito, mas uma medida para cada pessoa”. ➢ Vertente moderada de Marc Ancel, pós segunda guerra mundial. A ideia era de estudo de um direito penal conferindo individualidade a resposta punitiva e potencializando a ressocialização do indivíduo, rejeitando a pena como retribuição. Arquiteta uma política criminal humanista – garantindo direitos do homem e promovendo valores essenciais da humanidade. 6) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONSENSO 6.1) ESCOLA DE CHICAGO ➢ Cidade produz a criminalidade; ➢ Robert Park, Ernest W. Burguess, Mackenzie, Clifford Shaw (1896-1957), Henry Mckay; ➢ Início do Séc. XX. Desorganização social, Crescimento urbano desordenado e explosão demográfica que gera enfraquecimento do controle social informal; ➢ Ênfase no controle social, estatística criminal e utilização de métodos qualitativos de pesquisa (inquéritos sociais, observação participante, estudos biográficos); https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 ➢ Desorganização social pela mobilidade das grandes cidades, perda das raízes, anonimato, déficit de vínculos resultando em baixo controle social informal que é fator potencializador da criminalidade; ➢ Cidade se desenvolve em círculos, de forma radial. Do centro para a periferia. Na zona de transição, mais perto dos grandes certos, ocorre a maior parte dos crimes. ➢ Trouxe programas comunitários e estudo de propostas preventivas para a melhoria da cidade. ➢ A crítica é que sai de um determinismo biológico da escola positiva para um determinismo ecológico. Liga pobreza a criminalidade. 6.2) TEORIA DA ANOMIA 4.3.1) Anomia de Durkheim ➢ Anomia é a desintegração das normas sociais de referência que acarreta uma ruptura do dos padrões sociais de conduta, produzindo uma situação de pouca coesão social; ➢ A consciência coletiva é o conjunto de crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros da comunidade; ➢ Crime é um fenômeno normal, útil e necessário na coletividade; ➢ A finalidade da pena é manter a coesão social; 5.3.2) Anomia para Robert Merton ➢ Comportamento criminoso é sintoma de dissociação entre as aspirações culturalmente previstas (american dream) e os meios institucionais aptos a alcançar as metas; ➢ Do desajuste ou ajuste entre metas culturais e meios institucionais são criados cinco tipos de adaptação individual: conformismo, ritualismo, inovação, retraimento e rebeldia; ➢ A anomia é caracterizada por uma distribuição seletiva das estruturas sociais que permite que apenas alguns indivíduos possam alcançar as metas culturais. 6.3) ESCOLA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL ➢ Quebra do paradigma etiológico binário: crime x pobreza. As camadas sociais mais altas também podem delinquir; ➢ Edwin Sutherland – criador da expressão crimes de colarinho branco; ➢ Séc. XX, Queda da bolsa de valores, 1929. Política americana intervencionista no setor econômico; ➢ O crime decorre de aprendizagem, através de um processo de comunicação quanto maior, mais frequente, intensa, a aprendizagem em grupos sociais maior a possibilidade de cometer crimes; ➢ A conversão do indivíduo em criminoso ocorre quando as definições favoráveis à violação da norma superam as definições desfavoráveis; https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 6.4) TEORIA DA SUBCULTURA DELINQUENTE ➢ Albert Cohen, delinquent boys, 1955; ➢ Subcultura é entendida como ato de rebeldia contra normas e valores estabelecidos pela classe média; ➢ É uma derivação da teoria da anomia para Robert Merton; É uma reação dos jovens mais pobres pela frustração da impossibilidade de se ascender ao status da cultura dominante; ➢ A subcultura revela uma conduta não utilitarista, maldosa, hedonista, negativista, flexível e reforçadora de grupo. 7) TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO CONFLITO 7.1) TEORIA DO ETIQUETAMENTO/ROTULAÇÃO/LABELLING APPROACH ➢ Não se pode compreender a criminalidade se não se estuda a ação do sistema penal que seleciona pessoas para serem criminalizadas; ➢ Mudança de paradigma: não estuda mais as causas do crime (etiologia criminal), mas os processos de criminalização; ➢ Séc. XX, movimento de contracultura nos EUA; ➢ Howard Becker, ➢ A reação estatal produz a delinquência secundária através de cerimônias degradantes que vão gerar uma estigmatização do criminoso e um mergulho nesse papel que lhe foi atribuído. 7.2) TEORIA CRÍTICA ➢ Origem no livro punição e estrutura social de Georg Rusche e Otto Kirchemeier, 1938; ➢ A prisão é relacionada com o surgimento do capitalismo; ➢ Base marxista; ➢ A solução para o problema do crime depende da eliminação da exploração econômica e da opressão política de classe. https://www.alfaconcursos.com.br/ 1.1 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.2 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.3 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.4 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.5 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.6 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.7 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.8 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.9 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.10 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.11 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.12 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.13 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.14 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.15 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.16 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.17 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.18 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.19 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.20 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.21 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.22 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.23 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.24 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.25 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.26 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.27 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.28 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.29 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 1.30 - LEI Nº 7.210+84 - LEI DE EXECUÇÃO PENAL 5.1 - Introdução a criminologia 5.2 - Introdução a criminologia 5.3 - Introdução a criminologia 5.4 - Introdução a criminologia 5.5 - Modelos teóricos da criminologia 5.6 - Modelos teóricos da criminologia 5.7 - Modelos teóricos da criminologia 5.8 - Modelos teóricos da criminologia 5.9 - Modelos teóricos da criminologia 5.10 - Modelos teóricos da criminologia 5.11 - Modelos teóricos da criminologia 5.12 - Modelos teóricos da criminologia 5.13 - Modelos teóricos da criminologia 5.14 - Modelos teóricos da criminologia 5.15 - Modelos teóricos da criminologia 5.16 - Modelos teóricos da criminologia 5.17 - Modelos teóricos da criminologia Home: Página 2: