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DIREITO DE FAMÍLIA E SUCESSÕES Módulo: INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS SUCESSÕES E HERANÇA JACENTE TEMA 05 – Herdeiros Necessários – Conceito; Características Efeitos; Aspectos relevantes e polêmicos. 1. CONCEITO Os herdeiros necessários são aqueles que estão estipulados no Código Civil, portanto, advém de determinação legislativa. Em primeiro lugar, o art. 1.845: “São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge”. Além disso, temos, ainda o art. Art. 1829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares; II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; III - ao cônjuge sobrevivente; IV - aos colaterais. Como nos ensina Carlos Roberto Gonçalves (2021): Herdeiro necessário (legitimário ou reservatário) é o descendente (filho, neto, bisneto etc.) ou ascendente (pai, avô, bisavô etc.) sucessível, ou seja, é todo parente em linha reta não excluído da Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 sucessão por indignidade ou deserdação, bem como o cônjuge (CC, art.1.845).(GONÇALVES, 2012)1 Assim, o artigo 1.845 do Código Civil enumera expressamente quem são os herdeiros necessários. Carlos Roberto Gonçalves acrescenta ainda que: A expressão “herdeiro necessário” difere da expressão “herdeiro legítimo”, indicada no art. 1.829 do Código Civil. Todo herdeiro necessário é legítimo, mas nem todo herdeiro legítimo é necessário, também designado como legitimário, reservatário, obrigatório ou forçado. Entendem-se por herdeiros necessários aqueles que não podem ser afastados da sucessão pela simples vontade do sucedido, senão apenas na hipótese de praticarem, comprovadamente, ato de ingratidão contra o autor da herança. Mesmo assim, só poderão ser deserdados se tal fato estiver previsto em lei como autorizador de tão drástica consequência. (GONÇALVES, 2012 2 Assim é preciso prestar atenção ao classificar os herdeiros em legítimos e necessários. A revista Jurídica JUS nos explica de forma detalhada sobre a temática: Resumidamente, se o de cujus não tiver deixado testamento, a sucessão será exclusivamente legítima e os herdeiros serão aqueles descritos na lei, mais precisamente, no artigo 1829 do Código Civil. Essencialmente, são os descendentes, ascendentes, cônjuges/companheiros e colaterais até o 4º grau. Herdeiros legítimos decorrem de determinação legal e dividem-se em herdeiros necessários (descendentes, ascendentes, cônjuge/companheiro) e facultativos (colaterais até 4º grau). Em relação aos colaterais (herdeiros facultativos), apenas aqueles até o quarto grau são chamados para suceder, sendo que os mais próximos excluem os mais remotos. (AGUIAR, 2020)3 2. RESTRIÇÃO À LIBERDADE DE TESTAR 1 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. Pag. 81. 2 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. Pag. 81. 3 AGUIAR, Cibele. Herdeiros legítimos, Herdeiros necessários e herdeiros testamentários. Revista Jus. Publicado em: 2020. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/78862/herdeiros-legitimos-x- herdeiros-necessarios-x-herdeiros-testamentarios> Acesso em: 18.ago.22 Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 O artigo 1.846 do Código Civil dispõe: “Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, constituindo a legítima.” Portanto, juntamente com a expressão herdeiro necessário, os conceitos de legítima e de porção disponível, todos intimamente ligados. Ensina Carlos Roberto Gonçalves: Aos herdeiros necessários a lei assegura o direito à legítima, que corresponde à metade dos bens do testador, ou à metade da sua meação, nos casos em que o regime do casamento a instituir. A outra, denominada porção ou quota disponível, pode ser deixada livremente. (GONÇALVES, 2012)4 Portanto, se não existe descendente, ascendente ou cônjuge, o testador desfruta de plena liberdade, podendo transmitir todo o seu patrimônio a quem desejar, exceto às pessoas não legitimadas a adquirir por testamento por previsão legal (arts.1.798 e 1.801). Assim como menciona o art. 1.798 e 1.801: Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão. Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II - as testemunhas do testamento; III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento. Art. 1.802. São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa. 4 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. Pág. 82 Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder. Mas havendo herdeiros necessários, a meação do falecido é dividida em legítima e metade disponível. A primeira corresponde, a um quarto do patrimônio do casal, ou à metade da meação do testador. Dela o herdeiro necessário não pode ser privado, pois é herdeiro forçado, imposto pela lei. Se o falecido tiver herdeiros necessários e for casado no regime da separação total de bens poderá testar metade do seu patrimônio. Mas se ele for casado no regime da comunhão de bens poderá testar metade do patrimônio individual e metade da sua meação dos bens comuns. Portanto, a legítima vem a ser a porção de bens que a lei assegura a ele, e por outro lado a porção disponível constituirá a parte dos bens que o testador pode dispor livremente, ainda que tenha herdeiros necessários. E, ainda, o direito a legítima não impede que o herdeiro ainda seja beneficiado por herança testamentária ou legado, conforme dispõe o Artigo 1.849 do Código Civil. 2.1. Cláusulas Restritivas Mesmo a legítima seja intocável não podendo ser prejudicados os herdeiros necessários, admite-se que o testador indique os bens que comporão a legítima, conforme expressa autorização legal do Artigo 2.014 do Código Civil: Art. 2.014. Pode o testador indicar os bens e valores que devem compor os quinhões hereditários, deliberando ele próprio a partilha, que prevalecerá, salvo se o valor dos bens não corresponder às quotas estabelecidas. . Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Desse modo, não havendo ofensa à legítima, pode o autor da herança realizar a partilha dos bens em vida, ou estipulá-la por disposição de última vontade. Há ainda a possibilidade de o patrimônio estar restrito com as cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade. Elas são admitidas somente em casos excepcionais, de justa causa declarada no testamento, e uma vez aceita a justificação, as cláusulas deverão ser obedecidas. Na cláusula de inalienabilidade não será possível que se exceda a duração à vida do herdeiro, portanto não podendo ultrapassar uma geração. Conforme nos ensina Carlos Roberto Gonçalves: Nessa consonância, proclamou o Superior Tribunal de Justiça: “A cláusula de inalienabilidadee impenhorabilidade, disposta no testamento em favor da herdeira necessária, desaparece com o seu falecimento. A cláusula pode apenas atingir os bens integrantes da legítima enquanto estiver vivo o herdeiro, passando livres e desembaraçados aos herdeiros deste. Com a morte do herdeiro necessário (CC/1916, art. 1.721; CC/2002, arts. 1.846 e 1.829), que recebeu bens clausulados em testamento, os bens passam aos herdeiros deste, livres e desembaraçados (CC/1916, art. 1.723; CC/2002, art. 1.848)”.(GONÇALVES, 2012)5 A inalienabilidade pode ser, ainda, absoluta ou relativa, no primeiro caso prevalecerá em qualquer caso e com relação a qualquer pessoa, e no segundo se facultada a alienação em determinadas circunstâncias ou a determinada pessoa, indicada pelo testador. Na cláusula de incomunicabilidade o testador estabelece que a legítima do herdeiro necessário, qualquer que seja o regime de bens convencionado, não entrará na comunhão, em virtude de casamento. E nos termos do Artigo 1.911 do Código Civil: “A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade.” 5 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. Pag. 84. Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Portanto, ambas as cláusulas coexistem, e não seria diferente, caso contrário um casamento contraído sob o regime da comunhão universal de bens o beneficiário transmitiria metade dos seus bens inalienáveis ao seu cônjuge. Mas é possível que os bens gravados somente com a primeira cláusula não se tornam inalienáveis, uma cláusula não decorre necessariamente do outro, coexistem de forma individual. Isso porque a impenhorabilidade dos bens decorre do fato de a penhora representar começo de venda, forçada ou judicial, mas incomunicabilidade constitui uma eficiente proteção ao herdeiro, sem que, por outro lado, colida com qualquer interesse geral. Apesar dessas restrições, é possível haja a sub-rogação do vínculo, por expressa autorização legal do § 2º do Artigo 1.848 do Código Civil que assim dispõe: “Mediante autorização judicial e havendo justa causa, podem ser alienados os bens gravados, convertendo-se o produto em outros bens, que ficarão sub-rogados nos ônus dos primeiros.” Portanto, é possível que através de autorização e apresentando justa causa seja possível a alienação do bem gravado, convertendo-se o produto em outros bens, que ficarão sub-rogados nos ônus dos primeiros. Os juízes, em geral, determinam a avaliação do bem clausurado e do que se sub-rogará em seu lugar; e sendo este de igual ou maior valor, autoriza-se a sub-rogação, em operação simultânea, convencendo-se o juiz da necessidade. O pedido de autorização de sub-rogação se processará nos molde do Artigo. 725, II, do Código de Processo Civil, e, portanto se processará na forma estabelecida para os procedimentos especiais de jurisdição voluntária. 3. CÁLCULO DA LEGÍTIMA Preceitua o Artigo 1.847 do Código Civil: “Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos a colação.” Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Assim, é preciso que as dívidas, que constituem o passivo do de cujus, sejam abatidas do monte, assim como as despesas do funeral (Artigo 1.998, CC), para que se apure o patrimônio líquido e real transmitido aos herdeiros. Com esse abatimento, restará o patrimônio líquido, que será dividido em duas metades, uma delas será a legítima, e a outra, à quota disponível. Conforme nos ensina Carlos Roberto Gonçalves sobre o cálculo da legítima: Em resumo, falecido o autor da herança, pagas as suas dívidas e as despesas de funeral, divide-se o patrimônio em duas partes iguais. Uma delas constitui a quota disponível. À outra adicionam-se o valor das doações recebidas do de cujus pelos seus descendentes, e que estes não tenham sido dispensados de conferir, e ter-se-á a legítima dos herdeiros necessários.(GONÇALVES, 2012)6 Portanto, os bens que integram o patrimônio deixado pelo de cujus serão avaliados com base nos preços de mercado vigentes à época da abertura da sucessão, deduzindo-se do total o valor da dívida existente e acrescentando-se o valor dos bens colacionados. Assim temos no cálculo da legítima: ✓ 50 % do patrimônio, nos termos do Artigo 1.847 do Código Civil. + ✓ Bens à colação. - ✓ Dedução das dívidas e despesas de funeral. = Patrimônio Líquido – 50% da legítima + 50% do patrimônio disponível. 6 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. Pag. 82. Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Portanto, em regra, temos o mesmo valor da legítima e da parte disponível; salvo quando a parte disponível superar a parte da legítima, em virtude de doações realizadas aos descendentes, que deverão vir a colação; com exceção do disposto no Artigo 2.005 do Código Civil. 4. COLAÇÃO Dispõe o artigo 2.002 do Código Civil: Art. 2.002. Os descendentes que concorrerem à sucessão do ascendente comum são obrigados, para igualar as legítimas, a conferir o valor das doações que dele em vida receberam, sob pena de sonegação. Parágrafo único. Para cálculo da legítima, o valor dos bens conferidos será computado na parte indisponível, sem aumentar a disponível. Assim, a colação é instituto de direito material pelo qual o descendente pode trazer à partilha discussão sobre doações feitas em vida pelo ascendente comum a outro descendente. De tal modo, impõe-se o dever de levar em conta os valores doados no momento da partilha. Contudo nem tudo será objeto da colação. O artigo 2.010 do Código Civil elenca as situações em que não é necessário que haja a colação: Art. 2.010. Não virão à colação os gastos ordinários do ascendente com o descendente, enquanto menor, na sua educação, estudos, sustento, vestuário, tratamento nas enfermidades, enxoval, assim como as despesas de casamento, ou as feitas no interesse de sua defesa em processo-crime. Portanto, não são necessários ir à colação: a) Os gastos ordinários do ascendente com o descendente, enquanto menor, na sua educação (até os 24 anos); estudos; sustento; vestuário; tratamento nas enfermidades; e enxoval; Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 b) As despesas de casamento; c) As despesas feitas no interesse de sua defesa em processo-crime; d) As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente (doação remuneratória é aquela feita como forma de pagar algo que o filho fez de graça) Não entrará, ainda, na colação a doação que tiver previsão expressa que o bem faz parte do acervo patrimonial disponível, dispensando a colação (cláusula de dispensa da colação). Se o herdeiro beneficiado não trouxer o bem à colação terá como consequência a pena de sonegação, que se destina a punir o descendente beneficiado pela doação que, instado à colação, resistir ou agir de má-fé a fim de se beneficiar na partilha; conforme determina o Artigo 1.992 do Código Civil: Art. 1.992. O herdeiro que sonegar bens da herança, não os descrevendo no inventário quando estejam em seu poder, ou, com o seu conhecimento, no de outrem, ou que os omitir na colação, a que os deva levar, ou que deixar de restituí-los, perderá o direito que sobre eles lhe cabia. Assim, a punição será a perda do direito ao bem sonegado, portanto, a pena de sonegação é financeira, mas para isso haver a procedência do pedido de colação. 5. DEIXA TESTAMENTÁRIA O artigo 1.849 do Código Civil dispõe: “O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou algumlegado, não perderá o direito à legítima.” Portanto, o herdeiro necessário não está impedido de ser herdeiro necessário e testamentário ou legatário, por expressa disposição legal. Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 É, ainda, possível que o testador faça um planejamento sucessório, através da elaboração de testamento, conforme permite o artigo 2.014 do Código Civil: Art. 2.014. Pode o testador indicar os bens e valores que devem compor os quinhões hereditários, deliberando ele próprio a partilha, que prevalecerá, salvo se o valor dos bens não corresponder às quotas estabelecidas. Assim, o testador já deixará de forma individualizada a fração ideal de cada herdeiro; contudo não poderá deixar de observar as cláusulas comuns e restritivas previstas no Artigo 1.848, caput e § 1º do Código Civil: 6. ORDEM DE VOCAÇÃO HEREDITÁRIA O artigo 1.829 do Código Civil estabelece a ordem de vocação hereditária: Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares; II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; III - ao cônjuge sobrevivente; IV - aos colaterais. Trouxe o Código Civil uma nova ordem de vocação hereditária, qual seja, prevê a concorrência dos descendentes e dos ascendentes com o cônjuge. Assim temos as seguintes regras: 1. Na sucessão dos descendentes existem duas regras a serem observadas, quais sejam: a) a igualdade entre os descendentes (até 1988 o filho adotivo não herdava e o filho tido fora do casamento tinha direito à metade dos bem que os demais filhos herdavam), e b) o mais próximo sempre afasta o mais remoto. 2. Na sucessão dos ascendentes aplicam-se as mesmas regras do item 1, e ainda uma terceira regra, qual seja, no caso de herdarem um avô paterno e dois avôs maternos, o avô paterno receberá metade da herança, sendo a outra metade Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 dividida entre os avôs maternos. Não havendo avô paterno, mas apenas dois avôs maternos estes recebem a totalidade da herança, ainda que haja bisavôs. 3. Na sucessão do cônjuge há que se observar que além de meeiro é também herdeiro, concorrendo nesta hipótese com descendentes e ascendentes. E, ainda, quando o cônjuge concorre com o descendente, esta sucessão depende do regime de bens adotado, sendo possível que não haja direito de sucessão do cônjuge em três hipóteses: a) Regime da comunhão universal de bens: o cônjuge não herda, pois tem direito à meação da universalidade do patrimônio; b) Regime da comunhão parcial de bens, sem a existência de bens particulares: cônjuge não herda, porque também haverá meação; c) Regime da separação obrigatória: há exclusão legal ao direito de herdar. Importante lembrar que a concorrência entre o cônjuge e os descendentes incide somente sobre os bens particulares, sobre os bens comuns o cônjuge já tem direito à meação, observando-se a regra do Artigo 1.832 do Código Civil. Quando se tratar da concorrência com ascendentes é preciso observar o disposto no Artigo 1.837 do Código Civil: “Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.” Portanto, na sucessão do cônjuge em concorrência com ascendentes independe a opção feita no regime de bens. Aqui qualquer que seja o regime adotado o cônjuge tem direito à meação e à herança. Assim temos quanto a concorrência: Os descendentes não concorrem com os ascendentes em circunstâncias nenhuma Os descendentes concorrem com o cônjuge nas seguintes circunstâncias: Autor da herança casado, ou vivendo em união estável, e regime da separação convencional; Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Autor da herança casado, ou vivendo em união estável. Na sucessão do companheiro há algumas regras específicas, já que este terá direito sucessório somente sobre os bens adquiridos a título oneroso na constância da união estável, devendo se observar o Artigo 1.790 do Código Civil. Devendo, ainda, se observar o Recurso Extraordinário - RE 646.721 Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663 Bibliografia DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Sucessões. 7. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 7: direito das sucessões . — 10. ed. — São Paulo : Saraiva, 2012. TARTUCE, Flávio Direito Civil, v. 6: direito das sucessões– 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2017. . Camila Lopes Anacleto Miranda - 10514954663