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BIOMEDICINA ESTÉTICA AULA 1 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Pode-se definir estética como aplicação racional da beleza ou, ainda, promoção e prevenção da saúde por meio da beleza, o que leva a estética a se inserir na área da saúde, visto que o profissional da área desenvolve ações para equilíbrio do bem-estar físico, social e emocional dos seus clientes/pacientes. A promoção da saúde é um processo ativo, cujo objetivo é melhorar o estado geral de saúde das pessoas, incentivando a melhora de hábitos e estilo de vida, aumentando o bem-estar de maneira geral, por meio de autorresponsabilidade, consciência nutricional, redução e controle de estresse e boa forma física. Hoje, saúde está diretamente relacionada com o bem-estar e a qualidade de vida e não simplesmente como a ausência de doença. Nesse cenário, a biomedicina estética ganha cada vez mais espaço, pois trabalha a autoestima do indivíduo, o que é sabido que afeta diretamente a sua saúde mental e emocional e, consequentemente, a sua saúde física. E, junto com o ramo da estética, a figura do biomédico esteta ganha muito destaque, pelo fato de o profissional biomédico, com toda a sua competência, adquirida mediante estudos em anatomia, fisiologia, histologia, patologia, microbiologia, farmacologia, entre vários outros campos, ser um profissional que entende dos processos fisiológicos e dos reais efeitos estéticos oriundos dos processos de inflamação controlada e regeneração tecidual e celular. TEMA 1 – INTRODUÇÃO À BIOMEDICINA ESTÉTICA A palavra estética tem sua origem no termo grego aisthetiké e significa aquele que nota, que percebe. Também é conhecida como filosofia da arte ou estudo do que é belo nas manifestações artísticas e naturais. Pode-se dizer ainda que estética é algo que remete à beleza e faz referência ao sentimento de que alguma coisa bela desperta dentro de cada indivíduo. A influência da cultura grega na sociedade moderna ainda é muito forte, observada por meio do julgamento estético praticado por praticamente toda a humanidade, principalmente em uma sociedade que vive o consumo e o culto da imagem e das aparências, em que o corpo adquiriu uma centralidade e se transformou em mercadoria. A estética está presente no Brasil desde a década de 1950. Posteriormente, a profissão de esteticista foi devidamente reconhecida pela Lei 3 n. 13.643/2018 (Brasil, 2018) e seus profissionais fazem parte da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1946, citada por O que, 2020), saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença ou enfermidade. A saúde estética tem como principal objetivo instruir e levar saúde às pessoas por intermédio da beleza, como forma de melhorar condições de bem-estar físico, mental e social, promovendo e proporcionando a prevenção de doenças, o rejuvenescimento fisiológico, melhorando a autoestima e os hábitos de vida. A estética deve ser considerada também uma questão de saúde pública, pois compreende o atendimento das necessidades humanas básicas das pessoas com direcionamento à prevenção e à promoção da saúde, contribuindo com um pensamento, para a sociedade, que mostre a beleza como reflexo de boa saúde física e mental, por compreender hábitos saudáveis e, principalmente, feitos de maneira responsável. Quando se fala em autoestima, observa-se que essa está diretamente ligada ao estado emocional das pessoas e, muitas vezes, uma autoestima baixa interfere e prejudica a saúde emocional do indivíduo. 1.1 Biomedicina estética A habilitação em biomedicina estética foi reconhecida pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) em 10 de outubro de 2010, e da área não médica foi a primeira classe profissional reconhecida e autorizada a atuar com procedimentos minimamente invasivos, incluindo os injetáveis. O profissional só pode atuar na área da saúde estética com a devida titulação de biomédico esteta concedida pelo Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) de sua região. Para isso, esse profissional precisa ter bacharelado em Biomedicina e experiência nos procedimentos estabelecidos pela Resolução CFBM n. 200/2011 (CFBM, 2011c). Essas exigências dizem respeito a cumprimento de período de estágio e de pós-graduação, na área de estética, realizada em instituições reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Quem se especializa nessa área aprofunda- se no conhecimento da derme e de seus anexos (pelos, unhas, glândulas sebáceas e sudoríparas), assim como do tecido adiposo e do metabolismo. Nessa habilitação da biomedicina, o profissional atuará na área da saúde estética promovendo bem-estar físico e estético dos pacientes, realizando procedimentos e tratamentos preventivos do envelhecimento fisiológico do 4 organismo e das disfunções estéticas faciais, corporais, capilares e íntimas. O biomédico esteta pode atuar em clínicas de estética e bem-estar, inclusive respondendo tecnicamente por elas, como seu responsável técnico (RT); de forma autônoma, em parceria com clínicas e estabelecimentos da área; e, para os que o desejam, empreender e ter o seu próprio serviço de estética e bem- estar. O profissional atua em uma zona de trabalho de estética não invasiva, em que geralmente atuam os esteticistas (técnicos ou tecnólogos em Estética) e os profissionais médicos. Quadro 1 – Procedimentos realizados por profissionais médicos (dermatologistas e cirurgiões plásticos), biomédicos estetas e esteticistas e cosmetólogos Profissionais médicos (dermatologistas e cirurgiões plásticos) Biomédicos estetas Esteticistas e cosmetólogos Realizam procedimentos estéticos cirúrgicos, invasivos e minimamente invasivos, injetáveis, prescrição de dermocosméticos, nutracêuticos, medicações controladas, bloqueios anestésicos. Realizam procedimentos estéticos minimamente invasivos, injetáveis, prescrição de dermocosméticos, nutracêuticos. Realizam procedimentos estéticos não invasivos, utilizam terapias térmicas, elétricas, fototerapêuticas, mecânicas, atuam em serviços personalizados de atendimento (SPAs) e salões de beleza, fazem maquiagem profissional, depilação. TEMA 2 – RESOLUÇÕES A biomedicina estética é uma área reconhecida pelo CFBM, cujo profissional pode atuar no desenvolvimento de tratamentos aplicados na estética facial e corporal. A busca acentuada por procedimentos estéticos está ligada diretamente com a autoestima, evidenciando cuidados estéticos fundamentais no cotidiano de um indivíduo, o que torna o mercado da estética cada vez mais promissor, capaz de oferecer a possibilidade de conquista de autonomia a 5 profissionais qualificados, que contribuam para a saúde e o bem-estar das pessoas por meio de tratamentos estéticos. A biomedicina estética teve início, no Brasil, em 2006, por iniciativa da biomédica Ana Carolina Puga. Em 10 de outubro de 2010, a atuação em biomedicina estética foi aprovada pelo CFBM, por unanimidade. A biomedicina abriu novos campos de trabalho para o biomédico, possibilitando a sua saída das bancadas e permitindo-lhe atuar como profissional liberal em clínicas especializadas, empresas da área e indústrias de produtos de beleza. Sua atuação esteta está envolvida com o desenvolvimento de tratamentos estéticos para disfunções faciais e corporais, envelhecimento fisiológico ligado à pele, metabolismo e tecido adiposo, além de pesquisas e procedimentos biomédicos na estética. A Resolução n. 197/2011 do CFBM (2011a) habilita o biomédico a atuar na área da estética como um profissional altamente capacitado a realizar tratamentos de disfunções faciais e corporais, elaborar tratamentos específicos mediante anamnese, cuidar da saúde e do bem-estar das pessoas.Por sua vez, a Resolução n. 200/2011 do CFBM (2011c) determina critérios para a habilitação em biomedicina estética. Já a Resolução n. 214/2012 do CFBM (2012) dispõe sobre os atos do biomédico e discrimina como se deve dar o uso de substâncias em procedimentos estéticos. A Resolução n. 241/2014 do CFBM (2014), de seu lado, classifica tratamentos para fotoenvelhecimento e procedimentos minimamente invasivos, ou seja, procedimentos não cirúrgicos, como aplicação de: • carboxiterapia; • preenchimento cutâneo; • toxina botulínica tipo A; • peeling químico; • microagulhamento; • escleroterapia; • intradermoterapia. Ainda segundo o art. 5º da Resolução n. 241/2014 do CFBM (2014), o biomédico torna-se prescritor das substâncias utilizadas em tais procedimentos. Seus cuidados podem envolver ainda emprego de laser de baixa, média e alta potência, além de outros recursos tecnológicos, para fins estéticos, 6 biotecnológicos, farmacológicos ou procedimentos invasivos não cirúrgicos, para fins estéticos. Com o conhecimento adquirido sobre segurança do paciente, o profissional habilitado e capacitado para atuar como biomédico o faz de forma consciente e cuidadosa, ao realizar seus procedimentos com todas as medidas de biossegurança, evitando a exposição do profissional a qualquer situação que ele não possa controlar. É importante que os procedimentos minimamente invasivos sejam conhecidos cuidadosamente pelo biomédico esteta, pois o domínio técnico, o aperfeiçoamento da aplicação e indicações corretas asseguram um bom resultado àqueles procedimentos. A adequada especialização do profissional biomédico, com conhecimento dos diferentes níveis de agressão à pele para indicação do melhor tratamento para o dano presente, garante a realização do procedimento mais correto e eficaz para cada caso, além da manutenção da saúde e beleza da pele. TEMA 3 – ÉTICA NA ESTÉTICA O profissional biomédico esteta precisa seguir algumas diretrizes para assegurar que seus procedimentos e tratamentos sejam feitos de maneira correta, ética e responsável, independentemente se o profissional é autônomo, trabalha no regime da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT (Brasil, 1943) ou é proprietário de serviço de estética e bem-estar. Algum dos requisitos que precisam atenção e devem ser seguidos são: situação cadastral compatível com área de atuação, registro e habilitação em biomedicina estética no CRBM, vistorias e licenças sanitárias e demais necessárias em conformidade. É importante que o profissional saiba o que é aplicável e recomendado a sua área de atuação e tenha suas atividades regulamentadas. No rol de atividades e atribuições permitidas ao biomédico esteta temos vários procedimentos, como injetáveis (carboxiterapia, aplicação de toxina botulínica e preenchedores, fios de dermossustentação, ozonioterapia, bioestimuladores de colágeno, intradermoterapia etc.), laserterapia, eletroterapia, luz intensa pulsada e peelings químicos e mecânicos, além de outros procedimentos. O profissional pode executar somente atribuições que lhe são permitidas, ou seja, ele precisa saber e respeitar o limite de suas atividades. Por exemplo, o biomédico esteta não pode realizar bloqueio anestésico como o dentista, tampouco utilizar, em seus procedimentos, bisturi e realizar suturas, 7 prescrição de medicamentos controlados como antibióticos, divulgar imagens sem autorização do paciente, valores e/ou formas de pagamento dos procedimentos efetuados, entre outras vedações. Aliás, algo que merece muita atenção por parte dos profissionais é a sua postura ética: mais do que não divulgar imagens de pacientes sem sua autorização, ele deve manter todo o histórico do paciente no prontuário em sigilo, também. Muitas vezes, o paciente chega fragilizado ao consultório e, pela confiança que adquire no profissional, se sente à vontade para se abrir e contar-lhe seus problemas, o que deve ser preservado e não tornado público. A atenção do profissional, como um todo, deve ser centrada no paciente/cliente, que carece ser respeitado, ter consideradas suas preferências individuais, necessidades, assegurando que a tomada de decisões para seu tratamento se guiará pelos melhores valores ético-profissionais. Sendo o biomédico esteta um profissional da saúde, sua assistência deve ser sempre benéfica e nunca maléfica, sempre indicando o procedimento adequado ao caso e esclarecendo o paciente sobre quaisquer contraindicações aos tratamentos. O profissional também deve seguir os princípios de equidade e, assim, prestar o atendimento com a mesma qualidade independentemente de características pessoais, de gênero, etnia, status socioeconômico e localização geográfica, do primeiro paciente do dia ao último. Atualmente, têm ganhado mercado as consultorias realizadas por advogados que atuam no direito médico, alguns especificamente em clínicas de estética. Esses profissionais realizam, nas clínicas, um trabalho de prevenção de problemas, instruindo os demais profissionais sobre códigos de ética, resoluções e normas pertinentes às atividades que eles desenvolvam, para assegurar que elas sejam feitas de maneira correta e legal, evitando erros que poderiam ocasionar danos, atribulações e desgaste para pacientes, proprietários, profissionais e até mesmo resultar em processos judiciais. 3.1 Código de Ética do Profissional Biomédico A Resolução n. 198/2011 do CFBM (2011b) regulamentou o Código de Ética do Profissional Biomédico, o qual regula os direitos e deveres do profissional com inscrição no respectivo CRBM. O descumprimento, a transgressão a esse Código de Ética podem resultar na aplicação de penalidades, sanções, a seu agente, que vão de advertência a cancelamento de 8 registro no CRBM, podendo ainda o caso adentrar outras esferas, tanto cível quanto penal. Posteriormente, o CFBM (2020) instituiu um novo Código de Ética por meio da Resolução n. 330/2020, que impactou de forma bem positiva o trabalho dos biomédicos estetas e reforçou algumas proibições, também. Segundo o novo Código de Ética do Profissional Biomédico: CAPÍTULO V Dos Limites para Propaganda, Publicidade e Anúncio da Atividade Biomédica. Art. 7º A atividade do profissional biomédico é de sua exclusiva responsabilidade Art. 8º Considera-se propaganda, publicidade ou anúncio, qualquer divulgação relativa à atividade profissional oriunda ou promovida pelo profissional biomédico, independentemente do meio de divulgação. I- A participação do profissional biomédico na divulgação de assuntos de seu âmbito profissional deve-se pautar pela prévia condição de conteúdo que apresente evidências científicas, visando primordialmente o esclarecimento e a educação da população, além do interesse público, vedada a autopromoção, a prática enganosa, abusiva ou em desacordo aos direitos do consumidor; II- É obrigação do profissional biomédico observar os princípios éticos de sua profissão na publicidade, propaganda ou anúncio, em especial no campo dos procedimentos assistenciais; III- O profissional biomédico, responsável legal/administrador e/ou Responsável Técnico por estabelecimento, de igual forma torna-se responsável pela publicidade, propaganda e/ou anúncio que a Pessoa Jurídica realizar. Art. 9º Na propaganda, publicidade ou anúncio individual ou coletiva, deverão constar: a) nome do biomédico, da pessoa jurídica e seus respectivos números de inscrições no Conselho; b) habilitações devidamente registradas; c) títulos do profissional; d) endereços e horários de trabalho; Art. 10 O profissional biomédico poderá divulgar os títulos, cursos/capacitações/atualizações que participou, após sua inclusão na área de atuação. § 1º - O biomédico poderá utilizar mídia exterior e/ou mídia eletrônica, obedecendo a legislação pertinente. As mídias deverão obedecer às indicações constantes do artigo9º e alíneas, ainda: I - A divulgação de autorretratos (selfies) de biomédicos, acompanhados de usuário ou não, desde que com autorização prévia do usuário ou de seu representante legal, através de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE; II - Toda atividade passível de autorização do usuário deverá ser obrigatoriamente encaminhada ao respectivo conselho via digital, sob responsabilidade exclusiva do Responsável Técnico – RT; III - Divulgação de imagens por biomédico responsável pela sua execução cientificamente comprovada, com autorização prévia do usuário ou de seu representante legal, através de TCLE; IV - Publicar imagens e resultado final de procedimentos, salvo nos casos onde houver, além do TCLE para esse fim, os seguintes dizeres constantes na descrição ou legenda da peça publicitária: “Esta imagem não representa, em hipótese alguma, garantia de resultado. Cada ser humano tem características anatômicas e fisiológicas únicas”; V - No caso de divulgação de imagens relativas aos procedimentos, conhecidos como “antes” e “depois” deverá constar legenda nas 9 imagens contendo a seguinte informação autorizada em TCLE: divulgação autorizada pelo usuário”. Art. 11 É vedado ao biomédico: a) adulterar dados visando beneficiar-se individualmente ou a instituição/estabelecimento que representa, assessora ou integra. b) usar expressões que caracterizem ou garantam, prometam ou induzam a determinados resultados do procedimento, sem efetiva comprovação, bem como utilizar-se de expressões como “o (a) melhor”, “o (a) mais eficiente”, “o (a) único (a) capacitado (a)”, “resultado garantido” ou outras capazes de induzir o usuário ao erro, sensacionalismo, a autopromoção, a concorrência desleal, a mercantilização da Biomedicina ou a promessa de resultado; Parágrafo Único – São consideradas práticas de mercantilização indevida a divulgação de pacotes de serviços, promoções, ofertas, e/ou benefícios financeiros de qualquer natureza. c) publicar imagens de usuários, salvo com prévia e expressa autorização do usuário ou de seu representante legal; d) expor o usuário como forma de divulgar técnica, método ou resultado não efetivamente comprovado cientificamente. Ressalvando a divulgação de imagens relativas às atividades biomédicas, desde que haja a autorização expressa do usuário ou de seu representante legal. e) utilizar-se de qualquer imagem que possa induzir a um resultado enganoso, levando o usuário em erro. f) divulgação de imagens que permitam a identificação de equipamentos, instrumentais, materiais, substâncias e respectivas marcas visando autopromoção; g) divulgação de vídeos e/ou imagens que demonstrem as técnicas de procedimentos para leigos com conteúdo relativo ao transcurso e/ou à realização das atividades, exceto em publicações científicas. h) promover publicidade enganosa ou abusiva que afete ou prejudique a sociedade. i) ser conivente ou omisso às práticas lesivas ao usuário; j) fazer afirmações e citações ou exibir tabelas e ilustrações relacionadas a informações que não tenham sido extraídas ou baseadas em publicações de órgãos e entidades oficiais, de uso tradicional reconhecido, de valor acadêmico com fundamento em literatura consolidada e/ou baseada em publicações ou evidências científicas; k) adotar práticas contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; l) divulgar preços de serviços ou formas de pagamento para captação de usuário em desacordo aos direitos do consumidor e com o código de ética, evitando assim a mercantilização e a concorrência desleal m) oferecer vantagem, ganho ou benefício financeiro a terceiro em retribuição ou troca de obtenção de serviço; n) negar ao usuário ou seu responsável informação de qualidade, confiável e rastreável cientificamente dos procedimentos; o) anunciar títulos acadêmicos que não possa comprovar ou habilitação e/ou especialidade para a qual não esteja qualificado [...] (CFBM, 2020). TEMA 4 – BIOSSEGURANÇA NA ESTÉTICA Biossegurança pode ser definida como o conjunto de ações voltadas para proteção do trabalhador, minimização de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, manutenção da saúde humana, animal e do meio ambiente e busca de 10 qualidade nos resultados. A biossegurança visa também à segurança do paciente, visto que principalmente a falta dela pode ser a causa de eventos adversos no momento da prestação de serviços ou de assistência em saúde. Em serviços de saúde, em que se enquadram também os serviços de estética, existe a característica de se trabalhar em ambientes em geral com presença de agentes dos cinco grupos de risco: físico, químico, biológico, ergonômico e de acidente ou mecânico. Consistem em exemplos de agentes de risco físico: frio, calor, ruído, vibração, entre outros; de agentes de risco químico: algumas substâncias utilizadas nos procedimentos, como os ácidos em peelings, produtos de limpeza e desinfecção, entre outros; de agentes de risco biológico: pela própria manipulação dos pacientes, a exposição a bactérias, fungos, vírus, contaminação cruzada, entre outros; de agentes de risco ergonômico: postura inadequada, repetitiva, uso de maca e/ou cadeira em altura inadequada, iluminação inadequada, entre outros; de agentes de risco mecânico: fiação elétrica inadequada, piso molhado, realização de atos inseguros, acidentes com perfurocortantes, entre outros. Nesta aula, daremos ênfase aos riscos biológicos. Conhecimento técnico, atendimento personalizado, oferta de produtos de qualidade são alguns dos atributos que fazem um profissional de estética se destacar no mercado. Mas, além deles, há uma outra importante questão que deve ser priorizada: os cuidados básicos de higiene, manipulação e conservação de produtos, materiais e equipamentos existentes no espaço de trabalho. O primeiro cuidado em biossegurança, o mais básico, e de extrema importância, é a higienização correta e constante das mãos. As mãos são a principal ferramenta de trabalho do esteta e elas tocam áreas externas e comuns, tocam produtos e materiais e tocam pacientes. Se as mãos do profissional estão contaminadas, podem ser um veículo de contaminação do próprio profissional, do paciente e também dos produtos e materiais utilizados. Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são materiais de uso individual, muitos deles descartáveis, pois não devem ser utilizados mais de uma vez, mesmo que se trate de procedimento em um mesmo cliente. Consistem em EPIs: • Luvas – devem ser utilizadas em todos os procedimentos e descartadas ao final de cada um deles. Seu emprego, contudo, não dispensa a lavagem (higienização) das mãos. Elas devem ser calçadas de maneira a 11 sobreporem os punhos do jaleco e, uma vez colocadas, não se deve tocar com elas em outros objetos. • Touca – o emprego da touca pelo profissional previne contaminação cruzada, do profissional para o cliente, por micro-organismos que possam estar presentes no cabelo. Também é uma forma de proteção do profissional contra uma possível contaminação dos cabelos por secreções que possam ocorrer conforme o procedimento estético a ser realizado. Protege o cliente, principalmente o de cabelos longos, também de ações indesejadas dos cosméticos utilizados. • Jaleco – o mais adequado é que seja comprido, de mangas longas, tecido fechado (não com rendas) e com botões. Existem aventais descartáveis para profissionais; porém, na rotina diária dos consultórios e clínicas, eles não são muito utilizados. Os jalecos de tecidos devem ser trocados diariamente e somente utilizados nos espaços de atendimento (sala, cabine, consultório...). • Óculos – protegem os olhos dos profissionais. Os olhos são áreas de fácil contaminação. • Máscara – protege a boca e o nariz do profissional, áreas de mucosas que também podem contaminar-se facilmente.A máscara deve ser descartável e/ou trocada com frequência. Em qualquer ambiente, estamos constantemente em contato com poeira e sujeiras em geral, provenientes do ar, do solo e do próprio homem. Juntamente com elas estão vários micro-organismos, como fungos, bactérias, vírus etc. Esses micro-organismos, dependendo do lugar onde se encontram, podem ser benéficos ou não. Por exemplo, na nossa pele existem vários micro-organismos de defesa, cuja retirada pode nos ser prejudicial, causando o enfraquecimento do sistema de defesa da pele. Porém, se esses mesmos elementos entrarem em contato com um cosmético, a água, os extratos e as matérias-primas existentes em sua composição podem servir de fonte de sua proliferação, tornando-os, assim, potencialmente perigosos à saúde humana. O mesmo acontece com os micro-organismos que vivem no ambiente. Quando um produto fica muito exposto, aberto por muito tempo, os micro-organismos entram em contato com esse produto, proliferando-se da mesma maneira como ocorre na pele humana. Com isso, uma pessoa que entra em contato com um produto ou material contaminado pode apresentar diferentes reações alérgicas e, em casos mais 12 graves, até infecções. Além da reação no corpo do paciente, o próprio cosmético ou outro produto pode sofrer alterações de acordo com a bactéria ou fungo que o contaminou. As alterações podem variar desde mudança de cor e cheiro do produto, até alterações em sua viscosidade e eficiência. Em relação aos produtos utilizados, a melhor forma de armazená-los é na sua embalagem original. Deve-se evitar trocá-la, devido ao risco de contaminação, mesmo que seja por uma embalagem do mesmo tipo de produto. Logo, não é aconselhado passar o conteúdo de um produto de uma embalagem para outra. Essas embalagens dos produtos devem ser bem fechadas após o uso, para evitar contaminação por micro-organismos provenientes do ambiente. Além disso, dependendo do produto, se ele permanecer muito tempo aberto, em contato com o ar, pode oxidar, alterando sua cor e odor. Após o uso do produto, as tampas, bem como a boca do frasco, devem ser devidamente limpas e, de preferência, feita a sua assepsia com produtos à base de clorexidina ou outro elemento similar existente no local de trabalho. Quando houver realmente necessidade de se retirar cosméticos e/ou outros produtos dos seus potes ou embalagens originais, deve-se utilizar espátulas, de preferência descartáveis ou, se isso não for possível, espátulas limpas e assépticas. Nunca se deve retirar nenhum produto do frasco diretamente com as mãos, nem que seja para remover apenas o que está na tampa, pois, conforme exposto anteriormente, a nossa flora cutânea possui bactérias que, ao entrarem em contato com o produto, podem vir a contaminá-lo. A aparência do frasco também é muito importante. Embalagens sujas externamente pelo próprio produto ou qualquer outra substância podem não oferecer risco de contaminação do conteúdo, mas deixam um péssimo aspecto. Todos os materiais, equipamentos, bancada de trabalho, macas, cadeiras devem ser higienizados em sua parte externa com produtos para higienização e desinfecção, a cada atendimento. Os lençóis que recobrem a maca e o cliente devem estar sempre limpos e impecáveis e podem ser de tecido ou descartáveis, em qualquer caso sempre trocados a cada atendimento. Todo o ambiente de atendimento deve estar sempre higienizado. Para os procedimentos injetáveis, a assepsia do ambiente é ainda mais importante, bem como a garantia de esterilidade dos produtos e insumos, a fim de evitar contaminações, que possam causar intercorrências sérias. A manutenção preventiva e corretiva dos aparelhos, macas e demais equipamentos do local de trabalho também 13 demanda atenção e é fundamental para a segurança do profissional e do cliente – uma maca que precise de manutenção pode ser a causa de queda de um paciente; um aparelho que utilize laser desregulado, a causa de uma queimadura. Sempre que for possível, deve-se dar preferência ao uso de material descartável. Quando isso não for possível, várias são as substâncias as quais podem ser utilizadas no processo de higienização, desinfecção e esterilização de objetos e ambientes. Realiza-se essa desinfecção com álcool 70% e/ou produtos degermantes ou esterilizados em autoclave. Produtos que não possam ser higienizados dessas duas formas devem ser porcionados em recipientes adequados, para realização da limpeza. Serviços de estética são considerados serviços de saúde e devem se atentar quanto à geração de seus resíduos, que se enquadram na categoria de resíduos sólidos em saúde (RSS) e devem ter seu descarte, acondicionamento e destino final adequados, principalmente os resíduos tipo A (potencialmente infectantes) e os perfurocortantes. Biossegurança em qualquer ambiente é importante, mas em serviços de saúde é algo obrigatório, pois os efeitos da sua falta ou mau uso são muito diretos e podem gerar intercorrências muito graves, tanto para o profissional quanto para o paciente. TEMA 5 – BELEZA, AUTOESTIMA E AUTOIMAGEM Podemos dizer que a aparência externa tem importância na autoestima e bem-estar físico e mental de cada indivíduo. Ela muda a forma de esse indivíduo se relacionar na sua vida pessoal e profissional. Independentemente do sexo, os benefícios proporcionados pela estética se refletem no convívio pessoal e social da humanidade. O seu envolvimento direto com a autoestima e o bem-estar relacionados à beleza requer responsabilidade do profissional da estética no seu papel fundamental de incentivar a aceitação, pelas pessoas, da sua aparência, de fazê-las enxergar sua própria beleza, principalmente quando da necessidade de se utilizar tratamentos na face, pois ela é quem mais nos diferencia externamente uns dos outros. Quando recebemos um elogio, uma atenção, um carinho, a nossa autoestima é trabalhada em nosso interior, pois não nascemos com ela pronta e em alta. A autoestima mantém fortes relações com nosso equilíbrio psicológico 14 e com o convívio no meio social em que vivemos, até mesmo no familiar. A baixa autoestima pode ser exemplificada pela decepção com nossa imagem corporal, quando fora do que acreditamos ser a imagem mais aceitável ou desejável para esse corpo. Já o bem-estar está relacionado ao estado emocional de um indivíduo, a uma autoavaliação positiva, à noção que cada um tem de felicidade, satisfação, o que também recebe influência do ambiente, da cultura, do gênero, da idade. A satisfação de viver é o termômetro do bem-estar. 5.1 Pele e envelhecimento Ao falarmos de pele, podemos caracterizá-la como o maior órgão do corpo humano, que possui diversas funções, entre elas: proteção, controle da temperatura e metabolização. Com o avanço da idade, a pele apresenta seu envelhecimento e, com ele, o aparecimento, nela, de rugas, sulcos, linhas de expressão, hidratação reduzida, flacidez, perda da característica jovem de brilho e vigor. A pele é dividida em quatro camadas: hipoderme, derme e epiderme, sendo as últimas duas camadas as responsáveis pela aparência, além da camada de adipócitos (células de gordura). A estética age naquelas três primeiras camadas, proporcionando satisfação à tentativa de realizar a idealização que cada pessoa tem do seu corpo e da sua aparência refletida não somente no espelho como em seu estado psicológico e em seu convívio social. O envelhecimento é diário e contínuo, embora dependente de vários fatores internos e externos. Fatores intrínsecos estão relacionados com a genética de cada ser; já os extrínsecos sofrem influência do meio em que estamos expostos e dos hábitos que adquirimos. O aparecimento de manchas no rosto, mãos e pescoço, por exemplo, é comum porque são elas as áreas do corpo mais expostas. Tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação desequilibradatambém se refletem em nossa aparência e podem acelerar o nosso processo de envelhecimento. As rugas decorrem não somente do envelhecimento como do movimento muscular constante em nossa face quando expressamos nossas tristezas e alegrias, durante a vida. Essas rugas se formam dinâmicas e, com o passar dos anos, o processo de envelhecimento da pele, a falta de hidratação e a exposição ao ambiente, tornam-se permanentes e são denominadas rugas estáticas, que formam sulcos e não desaparecem quando não demonstramos nenhuma expressão, constituindo assim as marcas da realidade cronológica de cada um. 15 Manter uma boa aparência e não envelhecer fazem parte de uma cultura que vem desde a sociedade antiga, em que também já havia preocupação com a aparência e vaidade de homens e mulheres. Com isso, o aspecto psicológico do indivíduo está diretamente ligado ao seu bem-estar e autoestima. Com o avanço da tecnologia, em por volta dos anos 1930 o desenvolvimento de cosméticos a fim de amenizar as alterações cutâneas provocadas pelo envelhecimento ganha destaque. Mostra-se crescente também a preocupação da população com a saúde e a aparência física individual. A baixa autoestima decorre do que se reflete como negativo, para o indivíduo, quando ele se olha no espelho, o que acaba por se refletir também no seu estado psicológico, resultar em ansiedade, medos etc. Envelhecer é natural e inevitável: ocorre a todos, sem exceção. A satisfação de realizar tratamentos estéticos proporciona melhoria da autoestima e do bem-estar, mudando de forma significativa a relação de cada um com sua aparência, mexendo positivamente com seu estado psicológico e sua forma de ver e viver a vida. 5.2 Corpo, padrões e cultura A definição de imagem corporal representa a construção interna da estrutura corporal e da aparência física em relação a nós mesmos e aos outros. Peso, altura, corpo ideal, padrão de corpo, satisfação corporal e desordem da imagem são alguns componentes dessa construção. Na atualidade, homens e mulheres demonstram maior preocupação e insatisfação com a imagem corporal, modificando seus hábitos e desejos. O processo de imagem corporal também pode ser influenciado por alguns fatores como: idade, sexo, sistema de crenças, influência dos meios de comunicação e da cultura. Quanto mais a mídia expõe corpos belos e exuberantes, maior é a busca por um corpo ideal e mais insatisfeitos os indivíduos se tornam. Na infância, alguns fatores contribuem para que surjam problemas relacionados à imagem corporal da criança. A forma negativa com que algumas crianças se veem; o que ouvem, muitas vezes, da própria família, da mídia, dos amigos sobre serem gordas ou magras, feias ou bonitas condicionam a busca prematura desses indivíduos pelo corpo ideal. Na adolescência, acontecem várias mudanças físicas e psicológicas e as meninas demonstram ser mais insatisfeitas com essas mudanças que os meninos. As meninas apresentam uma tendência a aumentarem o seu 16 percentual de gordura. E os meninos apresentam ganho de massa e de estatura. Essa é uma fase em que episódios de comportamentos compulsivos ocorrem com mais frequência. Quando adultos, esses indivíduos costumam ter de lidar com pressões culturais e valores quase os mesmos: corpo magro para as mulheres e ganho de massa para os homens. Padrões, muitas vezes, inatingíveis, fazendo com que busquem formas não saudáveis de se encaixarem e mesmo assim tornando-se mais insatisfeitos. Já entre os idosos, a busca pelo corpo sarado abre espaço para a insatisfação com a estética facial e a preocupação com os aspectos funcionais do corpo. Fato é que a motivação estética observada em todas as idades é a busca pelo emagrecer, porém as pessoas confundem emagrecer com perder peso. Dietas radicais para emagrecer sofrem efeito rebote: o indivíduo não consegue manter por muito tempo a dieta e acaba recuperando, muitas vezes, seu peso e até o aumentando para além do que havia perdido. Atividade física e hábitos alimentares saudáveis aceleram o metabolismo: ocorre ganho de massa magra, que pode subir o peso na balança, porém reduz medidas, pois massa magra tem menos volume que gordura. A busca pelo padrão de beleza ganha um aliado: a estética. Procedimentos estéticos minimante invasivos, realizados de forma não cirúrgica, com rápida recuperação, apresentam bons resultados e um ótimo custo- benefício. NA PRÁTICA Qual o impacto da autoestima na saúde de um indivíduo? Em que a estética atua na promoção da saúde? Por que o biomédico se destaca na área da estética avançada? FINALIZANDO Ao longo do tempo, a saúde ganhou uma nova perspectiva: os avanços nas áreas humanas e tecnológicas auxiliam a busca de diferentes terapias e tratamentos direcionados à prevenção e promoção da saúde. Esses avanços fazem com que as pessoas mudem seus hábitos e estilos de vida, obtendo vida mais natural e saudável, além da melhora na sua qualidade de vida e autoestima 17 e de um entendimento de que é possível se produzir um envelhecimento físico mais tardio, saudável e esteticamente agradável. Nesse cenário, a biomedicina estética, com a possibilidade de realização de procedimentos não cirúrgicos, ganha destaque e é cada vez mais procurada por todas as classes sociais e gêneros, para correção de assimetrias, de disfunções estéticas, prevenção de envelhecimento precoce, manutenção de boas condições estéticas e, o mais importante, promoção de saúde. Seus procedimentos minimamente invasivos entregam excelentes resultados, com rápida recuperação e ótimo custo-benefício em relação aos procedimentos cirúrgicos invasivos antes tidos como única opção de tratamento estético. 18 REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro, 9 ago. 1943. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Lei n. 13.643, de 3 de abril de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, 4 abr. 2018. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2018/lei/L13643.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021. CFBM – Conselho Federal de Biomedicina. Resolução n. 197, de 21 de fevereiro de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, 22 fev. 2011a. Disponível em: <http://cfbm.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/Res-2011-197.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Resolução n. 198, de 21 de fevereiro de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, 20 abr. 2011b. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucaocfb198_2011.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Resolução n. 200, de 1º de julho de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, 25 jul. 2011c. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/resolucaocfbm200_2011.htm>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Resolução n. 214, de 10 de abril de 2012. Diário Oficial da União, Brasília, 11 abr. 2012. Disponível em: <http://cfbm.gov.br/wp- content/uploads/2016/06/Res-2012-214.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Resolução n. 241, de 29 de maio de 2014. Diário Oficial da União, Brasília, 9 jul. 2014. Disponível em: <http://cfbm.gov.br/wp- content/uploads/2016/06/Res-2014-241.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2021. _____. Resolução n. 330, de 5 de novembro de 2020. Diário Oficial da União, Brasília, 6 nov. 2020. Disponível em: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/- /resolucao-n-330-de-5-de-novembro-de-2020-286734436>. Acesso em: 10 ago. 2021. 19 O QUE significa ter saúde? Saúde Brasil, 7 ago. 2020. Disponível em: <https://saudebrasil.saude.gov.br/eu-quero-me-exercitar-mais/o-que-significa- ter-saude>. Acesso em: 11 ago. 2021. BIOMEDICINA ESTÉTICA AULA 2 Prof.ª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Não há dúvidasde que as mudanças na sociedade culminaram em uma grande transformação na percepção que os indivíduos têm sobre o próprio corpo. A busca do que se julga como corpo ideal ou, ainda, simplesmente, de um aperfeiçoamento da forma física ou de prevenção e/ou manutenção da saúde faz com que a procura por tratamentos estéticos cresça exponencialmente. O Brasil é o terceiro maior mercado da beleza no mundo, movimentando bilhões de reais no segmento. Nesta aula, abordaremos o gerenciamento do envelhecimento e as sete quedas do envelhecimento facial, pelo que observamos que, além de investir em tratamentos para rejuvenescimento, é se importante pensar em prevenção e promoção de efeito estético por sinal de boa saúde. Pele amarelada e sem brilho, manchas marrons e/ou avermelhadas, além da perceptível perda de colágeno que se nota na pele fina e flácida, somados à diminuição da densidade dos ossos faciais, da camada de gordura e do efeito gravitacional, são os responsáveis pelo aspecto de cansaço, perda de harmonia e beleza do contorno da face, pela aparência envelhecida, sem luminosidade e com rugas. Esses danos, percebidos de forma mais precoce devido a irradiações e agressões externas, se mostram justo em locais mais expostos como a face, o pescoço e as mãos. A pele do restante do corpo não está imune por não estar exposta com tanta frequência, mas também sofre os impactos do tempo e da idade. Os sinais do envelhecimento não se tornam perceptíveis para todas as pessoas de forma igual. A idade em que isso ocorre pode variar de acordo com hábitos de vida, fototipo e genética – principalmente os hábitos de vida podem prevenir e retardar os sinais do envelhecimento e das patologias da pele. O aumento da procura, bem como a preferência por tratamentos minimamente invasivos se dá pela entrega de bons resultados. Alguns tratamentos surtem efeito quase que de forma instantânea, natural e duradoura, com fácil e rápida recuperação e não interferem na rotina das pessoas, que não deixam de executar suas atividades diárias por conta do pós-procedimento. Certos procedimentos e associações de várias técnicas hidratam a pele, induzem a síntese de colágeno, devolvem volume, promovem redução de flacidez cutânea, vincos, sulcos e rugas e resgatam o contorno facial perdido. Quando se trata de estética corporal, esses procedimentos conseguem auxiliar 3 na melhora de várias disfunções estéticas como gordura localizada, flacidez de pele e muscular, celulite, estrias, entre tantas outras. TEMA 1 – GERENCIAMENTO DO ENVELHECIMENTO Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o envelhecimento do organismo é algo cronológico, diário e contínuo, que não pode ser parado e que como um todo se relaciona com o fato de as células somáticas do corpo começarem a morrer e não serem substituídas por novas, como acontece na juventude. Isso está ligado, entre outros fenômenos, ao envelhecimento celular. Fisiologicamente, o envelhecimento está associado à perda de tecido fibroso, à taxa mais lenta de renovação celular e à redução da rede vascular e glandular. A função de barreira que mantém a hidratação celular também fica prejudicada [ao se envelhecer]. Dependendo da genética e do estilo de vida, as funções fisiológicas normais da pele podem diminuir em 50% até a meia-idade. Como a pele é o órgão que mais reflete os efeitos da passagem do tempo, sua saúde e sua aparência estão diretamente relacionadas aos hábitos alimentares e ao estilo de vida escolhido. A radiação ultravioleta, o excesso de consumo de álcool, o abuso de tabaco e a poluição ambiental, entre outros, são fatores que “aceleram” o trabalho do relógio biológico provocando o envelhecimento precoce. Além disso, o aumento do peso corporal e dos níveis de açúcar no sangue também colabora[m] para a pele envelhecer antes do tempo. (Envelhecimento, [S.d.]) Podemos classificar o envelhecimento em: Envelhecimento cutâneo intrínseco ou cronológico: é aquele decorrente da passagem do tempo, determinado principalmente por fatores genéticos, estado hormonal e reações metabólicas, como estresse oxidativo. Nele estão presentes os efeitos naturais da gravidade ao longo dos anos, como as linhas de expressão, a diminuição da espessura da pele e o ressecamento cutâneo. [...] Envelhecimento extrínseco da pele: é aquele provocado pela exposição ao sol e a outros fatores ambientais como: o estilo de vida (exercício físico, alimentação) e o estresse fisiológico e físico. Um dos agentes mais importantes é a radiação solar ultravioleta. As toxinas com as quais entramos em contato, como tabaco, álcool e poluição do ar, entre outros, também ajudam no processo de envelhecimento da pele e, dependendo do grau de exposição, podem acelerá-lo [...] (Envelhecimento, [S.d.], grifos do original). Envelhecer é inevitável, mas pode se dar de maneira saudável, minimizando os sinais do tempo e do avanço da idade, sem ocorrer de forma precoce. A ideia é que o principal motivo de um bom efeito estético seja sinal de boa saúde. Então, no que diz respeito a gerenciar esse envelhecimento que irá acontecer de qualquer maneira, deve-se incentivar o indivíduo a manter bons hábitos de vida, sono adequado, boa alimentação, hidratação adequada, não 4 tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas em excesso, praticar atividade física regular, fazer a hidratação e a proteção solar da pele, hábitos recomendados que, em conjunto com procedimentos estéticos indicados, previnem o envelhecimento precoce e atuam retardando esse processo visível. No gerenciamento do envelhecimento no que diz respeito aos procedimentos estéticos, o biomédico esteta deve dominar alguns aspectos como o funcionamento muscular da pele, o impacto do passar dos anos, com a perda de gordura e colágeno, como os tecidos respondem aos tratamentos e intervenções diante de cada produto, a relação da rotina de cada paciente com os resultados obtidos, entre outros elementos, assegurando, dessa forma, menos intervenções futuras e maior satisfação do paciente, a longo prazo. 1.1 As sete quedas do envelhecimento facial Procedimentos estéticos conhecidos como tratamentos de rejuvenescimento nada mais são do que tratamentos de gerenciamento do envelhecimento cutâneo da face. Com o passar dos anos, observamos a perda de volume facial devido à diminuição da produção de ácido hialurônico e de colágeno, à perda de volume dos coxins de gordura da face e à reabsorção óssea, ou seja, ao envelhecimento natural da pele. Esses fatores, somados, provocam uma ptose da face ou derretimento facial, com as chamadas sete quedas do envelhecimento, cujos primeiros sinais são perda de volume das partes moles da face, músculo, gordura e pele, em conjunto com a reabsorção óssea, principalmente na região da maçã do rosto. O gerenciamento do envelhecimento ou a minimização dos seus sinais começa na prevenção e tratamento dessas quedas da face. 5 Figura 1 – Envelhecimento da pele Crédito: Smile Ilustras. A Figura 1 mostra que, com o passar dos anos, ocorre uma mudança nas estruturas e tecidos da face, o que ocasiona, por sua vez, também mudança no seu formato e nos seus contornos. Uma face jovem terá o formato semelhante ao de um triângulo invertido, ao passo que a face envelhecida apresentará um formato semelhante ao de um quadrado. E é esse efeito natural do envelhecimento provoca o que se chama de as sete quedas da face (Figura 2). Figura 2 – As sete quedas da face Crédito: Smile Ilustras. 6 As sete quedas da face consistem em: 1. no complexo frontal, as sobrancelhas caem, abaixo do rebordo orbitário (queda das sobrancelhas); 2. no complexo da pálpebra superior, sobre os cílios, ocorre a queda dos supercílios; 3. no complexo da pálpebra inferior, formam-se olheiras, com queda das pálpebras inferiores; 4. no complexo Bichat, forma-se osulco nasogeniano, conhecido como bigode chinês; 5. no canto da boca, há queda da comissura labial, bem como afinamento dos lábios, no que é conhecido como linha de marionete, o que deixa um aspecto de sorriso triste; 6. no músculo platisma, há o que é conhecido como efeito Joule, a quebra da linha da mandíbula, chamada de linha da juventude (muitas pessoas confundem essa flacidez com gordura); 7. queda da ponta do nariz. No processo de retardar o envelhecimento, muitos procedimentos podem ser utilizados, com tratamentos que entreguem qualidade, firmeza e sustentação da pele com o efeito de bioestimular a produção de colágeno e a hidratação da pele, que previnam manchas, controlem oleosidade, reponham precocemente o ácido hialurônico e apliquem toxina botulínica, por exemplo. E, o mais importante: esses cuidados devem ser realizados principalmente em casa, no home care, pois isso corresponde a 70% do sucesso do resultado final de um tratamento. TEMA 2 – DISFUNÇÕES ESTÉTICAS As disfunções estéticas são alterações orgânicas de diversas causas. Não patológicas, essas disfunções apresentam apenas efeito estético. Contra isso, procedimentos de estética não cirúrgicos, realizados por profissionais biomédicos estetas, são muito procurados atualmente, com possibilidade de se tratar e sanar as mais diferentes disfunções estéticas de forma minimamente invasiva, com rápida recuperação, com boa relação custo-benefício, o que faz aumentar a procura e, consecutivamente, a demanda por esse tipo de tratamento, que, atualmente, independe de gênero e classe social. 7 Os principais tratamentos para disfunções estéticas e manutenção buscados nos serviços de estética hoje são: • Faciais – rejuvenescimento; combate a flacidez, rugas, linhas de expressão, manchas, melasmas, poros dilatados, cicatrizes de acne, pele acneica, oleosidade excessiva; realização de hidratação e revitalização facial; bioestimulação de colágeno; tratamento de olheiras, telangiectasias; preenchimento facial; correção de assimetrias; rinomodelação; epilação (depilação definitiva); harmonização facial; implantação de fios de sustentação para ptoses faciais, entre outros. Alguns tratamentos, como os de rejuvenescimento e combate a manchas, se estendem a pescoço, colo e mãos. • Corporais – contra gordura localizada, estrias, flacidez, celulite, emagrecimento; epilação (depilação definitiva); remoção de tatuagens; eliminação de hiperidrose; combate a varicoses, entre outros. • Capilares – contra alopecia e queda excessiva de cabelos; combate à oleosidade excessiva no couro cabeludo e da dificuldade de crescimento dos fios; fortalecimento dos fios, entre outros. • Íntimos – clareamento de pele da região íntima; combate à flacidez, entre outros. • Para alta performance – por meio de ativos injetados por via intramuscular, visam à recuperação de atletas após treino de alto rendimento, à obtenção de ganho de massa magra, ao auxílio no emagrecimento, mediante ativação do metabolismo, à definição de regiões já com percentual e prega de gordura ideais, entre outros. Os diversos tratamentos estéticos existentes podem ser divididos em: • Procedimentos invasivos – procedimentos que atingem tecidos mais internos. Ex.: procedimentos cirúrgicos como blefaroplastia, bichectomia, rinoplastia, lipoaspiração. • Procedimentos minimamente invasivos – procedimentos invasivos, mas que atingem no máximo a camada da pele chamada derme, considerados procedimentos não cirúrgicos. Ex.: aplicação de fármacos e substâncias, de forma injetável, contra gordura localizada (intradermoterapia), aplicação de toxina botulínica, preenchimento com ácido hialurônico, uso de laser de alta potência, prática de acupuntura. 8 • Procedimentos não invasivos – procedimentos que não utilizam injetáveis, não perfuram nem invadem as camadas internas da pele. Ex.: massagens, emprego de laser de baixa potência, limpeza de pele, aplicação de cosméticos na pele. O biomédico esteta atua de forma não invasiva e minimamente invasiva, nunca invasiva. TEMA 3 – ANAMNESE Quando um paciente/cliente busca uma clínica de estética para sanar sua queixa em relação a uma disfunção estética, é de extrema importância que o primeiro passo do esteta seja a realização de uma correta anamnese, com uma avaliação detalhada do indivíduo de forma holística, ou seja, como um todo, em que se procure saber de seus hábitos, estilo de vida, fototipo, se ele possui alguma doença crônica ou autoimune, alergias, se faz uso contínuo de medicações e muitas outras informações que servem de base para planejamento de protocolos e tratamentos personalizados, que levem em conta todas as características do paciente. Essa análise, se correta, é responsável por uma maior chance de sucesso de um tratamento. Outro ponto é que, se no momento dessa avaliação, for identificada uma possível patologia ou desequilíbrio, é indicado que um tratamento médico ocorra antes do tratamento estético. Sendo assim, o profissional deve orientar o paciente a procurar a assistência médica correspondente ao caso. Essa atitude previne que seja agravado o problema de saúde do paciente e também otimiza o tratamento estético para que não se realize de forma a não resolver a queixa do paciente/cliente. Em resumo, a anamnese, também conhecida como avaliação ou consulta estética, esse primeiro passo do esteta ao receber um paciente, consiste, portanto, de uma coleta do histórico mais detalhado possível do paciente, com busca de informações sobre seus hábitos diários de vida, antecedentes patológicos, psicológicos e hereditários, bem como se houve realização prévia de procedimentos estéticos por parte dele. Como já dito, uma avaliação bem- feita garante maiores chances de sucesso no tratamento, pois se obtém com ela um diagnóstico estético que facilita a indicação do tratamento mais indicado para cada paciente e evita malefícios de uma má recomendação. A anamnese deve contemplar: 9 • Identificação: coleta de dados pessoais do paciente como nome, endereço, telefone, idade, sexo, raça e profissão. • Primeiro diagnóstico: busca-se saber a queixa principal ou o que levou o paciente à consulta. • História clínica: procura-se identificar se há presença de patologias endócrino-metabólicas ou cardíacas como diabetes, hipertensão arterial, neoplasias, hipertireoidismo, asma brônquica, alterações renais, hemofilia, se há uso de marca-passo, de medicações, se houve realização de algum procedimento cirúrgico, se a paciente está gestante etc. • Pesquisa do quadro: o esteta deve saber se há presença de ecmoses ou outras afecções cutâneas, alergias a algum componente de uso sistêmico ou tópico, intolerâncias alimentares; existência de queloides ou distúrbios de cicatrização; descobrir sobre hábitos de vida do paciente – consumo de bebidas, cigarros e drogas, qualidade e quantidade de sono, prática de atividade física, ingesta diária de líquidos; manifestação de sintomas de estresse e ansiedade; realização de dieta alimentar restritiva; uso de hormônios, contraceptivos orais ou suplementação alimentar. • Pesquisa do histórico de cuidados gerais do paciente com a face (skincare): tem o fim de saber se o paciente tem hábitos diários de cuidados gerais com a pele, os tipos de produtos que utiliza para limpeza, higienização, tonificação e hidratação da pele, se se expõe de forma descuidada ao sol, o número de vezes que higieniza a pele por dia, se faz uso de filtro solar, maquiagem etc. • Levantamento do histórico de realização de tratamentos estéticos: busca- se conhecer os tipos de tratamento já feitos, quais produtos foram utilizados, em que duração, com que objetivos e os resultados obtidos; e se o paciente já fez uso de produtos para manutenção em casa (home care). Faz parte também da anamnese o exame físico do paciente.O exame físico da pele da face é feito mediante inspeção, em que se verifica a presença de manchas, sardas, verrugas, poros dilatados, oleosidade, ressecamento, entre outros aspectos gerais; palpação e classificação da pele por tipologia, fototipo e fotoenvelhecimento. 10 Para a classificação de fototipo cutâneo existem várias técnicas. A mais utilizada, por ser mais simples e prática, é a classificação de Fitzpatrick, em que se enumeram de 1 a 6 os tipos de pele, de acordo com a [...] capacidade de cada pessoa em se bronzear, assim como, sensibilidade e vermelhidão quando exposta ao sol, sendo: 1. Pele branca – sempre queima – nunca bronzeia – muito sensível ao sol; 2. Pele branca – sempre queima – bronzeia muito pouco – sensível ao sol; 3. Pele morena clara – queima (moderadamente) – bronzeia (moderadamente) – sensibilidade normal ao sol; 4. Pele morena moderada – queima (pouco) – sempre bronzeia – sensibilidade normal ao Sol; 5. Pele morena escura – queima (raramente) – sempre bronzeia – pouco sensível ao sol; 6. Pele negra – nunca queima – totalmente pigmentada – insensível ao sol. (Classificação, [S.d.]) Quadro 1 – Classificação de Fitzpatrick Fonte: Elaborado com base em Classificação, [S.d.]. Nas anamneses corporais, também no exame físico se faz uma inspeção e, se necessário, apalpação, aferimento de pressão arterial e temperatura, quando se aplica uma dosagem rápida de glicemia por meio de glicosímetro, bem como tomada de medidas como peso, índice de massa corporal (IMC), pregas cutâneas, grau de celulite, além de observação de aparente retenção hídrica e circulação sanguínea, principalmente a dos membros inferiores, entre outros elementos. No momento da avaliação, o profissional biomédico pode julgar necessário ainda solicitar a realização de exames para elucidar algo relacionado à tomada de decisão no planejamento do tratamento estético. A anamnese não é algo padronizado. O profissional pode criar um modelo de acordo com sua rotina, necessidade de informações, tipo de intervenção, entre outros aspectos. Porém, é importante que ela seja o mais detalhada possível, pois o bom resultado dos procedimentos estéticos começa numa 11 correta avaliação, em que será possível traçar o melhor plano de tratamento, feito de forma personalizada, levando em consideração as características individuais fisiológicas de cada paciente. A anamnese garante que o planejamento do tratamento a ser seguido pelo paciente seja, portanto, individualizado, e é isso que se deve buscar e incentivar nos atendimentos de estética: a não padronização dos procedimentos, pois cada organismo é único, com características fisiológicas diferentes, que irão responder de forma variável e diferente aos tratamentos estéticos propostos. A maior propaganda, em se tratando da estética, é o alto grau de satisfação do cliente, é o profissional ser conhecido pelo serviço de excelência que presta, e isso inclui procedimentos que geram resultado, sem infra ou suprautilização dos tratamentos. E o primeiro passo para se alcançar isso é dado quando se traça um protocolo personalizado, com maiores chances de sucesso no resultado. TEMA 4 – TRATAMENTOS ESTÉTICOS FACIAIS MINIMAMENTE INVASIVOS Considerada o maior órgão sensorial humano, a pele constitui o revestimento de toda a superfície do corpo humano, responsável pela proteção contra agressões biológicas, químicas e físicas, formando uma barreira de regulação e defesa. O envelhecimento cutâneo ocorre por intermédio de um processo multifatorial e complexo que tem por consequência alterações funcionais e estéticas. Com a perda de funções ao longo do tempo, a pele diminui sua capacidade de reagir às agressões sofridas intrínseca e extrinsecamente. A pele é composta por três camadas principais, epiderme, derme e hipoderme, cada uma delas composta, por sua vez, por subcamadas, que exercem diferentes funções. O envelhecer varia entre os indivíduos, dependendo dos hábitos e da etnia de cada um. A expectativa de vida aumentou ao longo dos anos, e uma aparência saudável reflete qualidade de vida. O brilho, a rigidez, a coloração da pele são fatores que chamam a atenção quando analisamos a qualidade e o seu nível de envelhecimento, além de serem fatores importantes para o indivíduo e a sociedade. 12 Crédito: Nora Bessarab/Shutterstock. Com a perda de elasticidade, colágeno, gordura tecidual e hidratação, a pele reflete um aspecto mais pálido, seco e fino, contribuindo para o aparecimento de rugas e linhas de expressão. O processo de envelhecimento leva a mudanças na estrutura facial, o que chamamos de triângulo invertido, em que se evidencia o terço inferior médio do rosto, contribuindo para a perda do contorno facial. Uma face mais simétrica entre as bochechas altas, com contorno harmônico e marcado, nos leva a considerar uma face mais atrativa que outra. Assim, a busca pela juventude e pela beleza ganha destaque entre ambos os sexos, e a realização de pesquisas científicas que procuram a prevenção do envelhecimento e o desenvolvimento de cosméticos que contribuam significativamente para retardar esse processo cresce a cada dia. Tratamentos a fim de minimizar os efeitos do envelhecimento facial cutâneo são considerados procedimentos minimamente invasivos, ou seja, procedimentos invasivos não cirúrgicos, que envolvem: • peeling químico; • microagulhamento; • intradermoterapia; • toxina botulínica tipo A; • preenchimento; • bioestimuladores de colágeno; • fios de sustentação; • carboxiterapia facial (contra flacidez, para rejuvenescimento); 13 • ozonoterapia facial (contra flacidez, para rejuvenescimento); • eletroterapia (contra flacidez, para rejuvenescimento); • laser. Como forma de melhorar as estruturas da face e atenuar o processo de envelhecimento, faz-se necessário profundo conhecimento anatômico da face e seus ossos, musculatura, vascularização, estruturas definidas da pele e suas camadas, além da inervação motora e drenagem linfática facial. Técnicas como preenchimento e toxina botulínica contribuíram para o desenvolvimento de novas técnicas, com melhor resultado e menos intercorrências. TEMA 5 – TRATAMENTOS ESTÉTICOS CORPORAIS MINIMAMENTE INVASIVOS A busca pela beleza sempre existiu e, com o passar do tempo, os padrões estéticos foram modificados. Assim que um novo padrão surge, a estética e a noção de beleza vão mudando, para acompanhar o tempo histórico e contribuir para o surgimento de novos cosméticos, tratamentos estéticos e tecnologias. A construção da imagem corporal depende de alguns fatores como: concepções sociais, culturais, psicológicas e fisiológicas. Comumente associada a emoções, formas de interação social e influenciada pela qualidade de vida, a imagem corporal representa como cada indivíduo se imagina, de forma negativa ou positiva. Nos últimos tempos, a imagem corporal alçou um elevado nível de destaque socioeconômico, tecnológico e cultural, relacionada, quando de forma positiva, à autopercepção e à satisfação do indivíduo para consigo e, já de forma negativa, à não aceitação da própria imagem, muitas vezes sob influência dos padrões midiáticos, levando à busca por um padrão corporal predeterminado. Podemos dizer que os tratamentos estéticos oferecem, de certa forma, uma possibilidade de prevenção de patologias ou retardamento do envelhecimento. Em constante desenvolvimento, a área da estética inova sempre seus procedimentos, com uso de aparelhos novos para melhorar os seus tratamentos. Por isso, é necessário que o profissional dessa área esteja sempre atualizado e acompanhe a evolução do mercado. O biomédico esteta realiza procedimentos estéticos minimamente invasivos no corpo a fim de melhorar sua flacidez e combater gordura localizada, celulite, estrias, entre outros objetivos. Tratamentosrealizados para minimizar as 14 disfunções corporais são considerados procedimentos minimamente invasivos, ou seja, procedimentos invasivos não cirúrgicos, tais como: • peeling químico; • microagulhamento; • intradermoterapia; • bioestimuladores de colágeno; • hidrolipoclasia; • carboxiterapia corporal; • ozonoterapia corporal; • eletroterapia; • laser; • escleroterapia. Causas das disfunções estéticas como envelhecimento cronológico, mudanças nas dimensões do corpo, perda de peso e gravidez geram depósito de gordura localizada, celulite e frouxidão tecidual, as queixas mais comuns nas clínicas de estética, que consistem em disfunções que podem causar problemas emocionais e funcionais, abalando a autoestima, o convívio social do indivíduo, com impacto negativo na sua qualidade de vida. O biomédico esteta tem a capacidade de analisar o indivíduo em sua totalidade para identificar se existe alguma distorção em relação à sua imagem corporal. Nesses casos, o profissional deve esclarecer o paciente sobre resultados inatingíveis e selecionar o tratamento adequado para suavizar a sua queixa principal, contribuindo para a melhoria de sua autoestima, bem-estar, qualidade de vida e visando a um processo de evolução de valor na percepção da própria imagem corporal. NA PRÁTICA Qual a importância do gerenciamento do envelhecimento? Por que realizar anamnese? O que seria um tratamento minimamente invasivo? 15 FINALIZANDO O mercado da estética cresce significativamente, procurado e utilizado por todas as classes sociais, com avanços nas suas técnicas, produtos, substâncias, ativos, associação de tratamentos, o que possibilita a atuação de profissionais da área de diversas formas, como em tratamentos faciais, corporais, capilares e de disfunções estéticas, auxiliando na melhoria das condições de saúde do paciente, pois se atua no incentivo à adoção de bons hábitos e estilo de vida, ao aperfeiçoamento e manutenção da saúde e da beleza estética. Entender do funcionamento do corpo humano, com todos os seus complexos sistemas, interações, de como os tecidos respondem a inflamações e intervenções permite que o biomédico esteta atue no mercado da estética avançada e nele se destaque, ao conseguir traçar planos de tratamento pensando e raciocinando de forma a colaborar com a anatomia e a fisiologia do corpo humano, prevenindo futuras disfunções estéticas, bem como se utilizando de inflamações controladas e intervenções a seu favor, para alcançar o efeito estético desejado. 16 REFERÊNCIAS CLASSIFICAÇÃO dos fototipos de pele. SBD, [S.d.]. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/cuidados/classificacao-dos-fototipos- de-pele/>. Acesso em: 4 set. 2021. ENVELHECIMENTO. SBD, [S.d.]. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e- problemas/envelhecimento/4>. Acesso em: 4 set. 2021. BIOMEDICINA ESTÉTICA AULA 3 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Mudanças físicas e psicológicas são os primeiros efeitos do envelhecimento por volta dos 30 anos. A procura pela estética e diversas técnicas capazes de tratar e prevenir o envelhecimento por meio do cuidado facial, corporal e capilar agrada homens e mulheres. Cuidados com a pele do rosto, hidratação, renovação, tratamentos para amenizar o envelhecimento precoce, manchas e rugas, bem como disfunções estéticas corporais e capilares, como gordura localizada, flacidez, celulite, estrias, calvície, queda capilar excessiva, ou a eliminação definitiva de pelos, melhoram não somente a beleza, mas também a autoestima, proporcionando benefícios na forma física e psicológica na maneira como cada pessoa se vê, após o tratamento. TEMA 1 – ESTÉTICA CAPILAR Qualquer ameaça de perda ou dano aos cabelos gera na maioria das pessoas preocupação e abalo na autoestima, justamente por se tratar de um componente fundamental de identidade pessoal. Por isso, cada vez mais a saúde e a estética se voltam para uma ciência conhecida como tricologia. A tricologia, cujo nome vem da junção do termo grego thricos (cabelos) e logos (estudo), é o ramo da ciência que teve início em 1902 com o propósito de estudar cabelos, pelos e os problemas relacionados a eles. A estética relacionada aos cabelos é muito procurada, a queda capilar, calvície e afinamento dos fios afetam a autoestima de homens e mulheres. Os tratamentos estéticos capilares são uma opção com muito resultado antes do transplante capilar, cabe aqui ressaltar que em alguns casos é realmente necessário o transplante e se faz necessária a manutenção com os tratamentos estéticos. Os tratamentos capilares são indicados para: • Retardar a queda; • Restaurar e aumentar a microcirculação local e retardar o processo programado de involução folicular; • Controlar o pH e oleosidade do couro cabeludo, que muitas vezes é o agente causador de maior perda dos fios, visto que o folículo fica “obstruído” pelo sebo e o fio tem dificuldade de sair e se manter preso; • Fortalecer os fios; 3 • Acelerar o crescimento dos fios; • Estimular folículos que estão deficientes, para otimizar o seu funcionamento. Os tratamentos mais utilizados são: • Aplicação de medicamentos de forma intradérmica, por meio de pápulas no couro cabeludo, como vitaminas, minerais, ativos que estimulem o crescimento dos cabelos e medicamentos específicos para o tratamento da alopecia. As substâncias têm o objetivo de acelerar a fase anágena (crescimento) e diminuir a fase telógena (queda) do ciclo de crescimento dos cabelos. Exemplo de substâncias aplicadas (varia de acordo com a necessidade do paciente): finasterida, minoxidil, pantenol, biotina, silício orgânico, N acetil cisteina, entre outras. • Microagulhamento e drug delivery. Neste procedimento, enquanto o couro cabeludo é microagulhado com agulha de no máximo 1,5 mm, os ativos são entregues ao mesmo tempo, ou pode ser microagulhado antes e posteriormente espalhando os ativos. Esta técnica permite o estímulo da microcirculação, regeneração celular devido à injúria do agulhamento e a entrega eficiente dos ativos de forma mais profunda e concentrada. • Infusão de gás carbônico terapêutico para melhora da circulação e oxigenação da região por meio da carboxiterapia. • Infusão de ozônio terapêutico para melhora da circulação e oxigenação da região por meio da ozonioterapia. • Uso de LEDs, o tratamento a laser é umas das técnicas utilizadas na tricologia e que de acordo com estudos inibe a absorção de D.H.T. (dihidrotestosterona) e o desvia para a circulação linfática. A dihidrotestosterona é a responsável pela perda da capacidade dos folículos de produzirem novos fios. A aplicação de laser provoca a bioestimulação das células, o que acarreta alterações bioquímicas dentro delas, aumentando a sua capacidade de produzir novos fios. Aumenta também a produção de ATP (adenosina trifosfato) e síntese de proteínas. • Nutracêuticos e dermocosméticos em forma de tônico capilar e demais soluções, entre outros. Como forma de potencializar os resultados, 4 fornecendo por meio da ingesta e, de forma local, “matéria-prima”, para as reações metabólicas necessárias. Os tratamentos estéticos são indicados também em caso de transplante capilar, pois é necessária uma manutenção das condições ideais do couro cabeludo para permanência do efeito. Nos tratamentos capilares é necessária a devida avaliação do paciente, para melhor resultado no tratamento, muitas vezes as causas da perda de fios estão relacionadas à condição genética, desequilíbrios hormonais, carência de vitaminas, stress e outros, sendo coerente o descarte destas condições antes do tratamento para um resultado efetivamente positivo. TEMA 2 – PEELING Com odesenvolvimento e pesquisas realizadas os peelings já existentes ganham novas formulações e associações, a fim de obter melhores resultados de forma menos agressiva. Considerados uma descamação controlada, os peelings são ótimos no tratamento contra algumas doenças e na abordagem da estética, como: manchas, cicatrizes, rugas e estrias na face e no corpo. Originado do termo em inglês to peel = descamar, pelar, é capaz de provocar a descamação da epiderme em partes ou em sua totalidade, podendo alcançar a derme por meio de um agente químico, levar esfoliação com remoção de lesões seguida pela regeneração de novos tecidos. Os peelings químicos são utilizados há mais de um século e continuam sendo, pela praticidade, baixo custo e agressão controlada. 2.1 Histórico Em 1550 a.C. já havia relatos dos peelings em papiro na medicina Egípcia, assim como a literatura Grega e Romana. Ciganos nos séculos passados transmitiram seus conhecimentos sobre peeling, mas em 1874, em Viena, o dermatologista Ferdinand Von Hebra utilizou da técnica em tratamento para melasma, efélides e doença de Addison. Em 1882, Paul G. Unna, em Hamburgo, descreveu as ações da resorcina, ácido salicílico, fenol e ácido tricloroacético (ATA) sobre a pele. Eller e Wolff apresentam a discrição sistemática sobra a utilização do ácido salicílico, resorcina e fenol. Na década de 1970, três concentrações do ATA chamam atenção nas bases científicas. Van Scott e Yu 5 desenvolvem os alfa-hidroxiácidos (AHA) com objetivo mais superficial. Brody e Hailey, e posteriormente Monheit, desenvolveram peeling com ácido glicólico, uma combinação de duas substâncias a fim de obter efeitos em profundidade média, contribuindo para o progresso no uso dos peelings. 2.2 Critérios Na escolha de qual será o melhor peeling indicado para cada paciente faz-se necessário avaliar a idade, o grau de fotoenvelhecimento, o fototipo, a área a ser tratada, o objetivo a ser alcançado e a rotina de cada paciente, por meio de anamnese. Sua absorção depende de fatores como: espessura epidérmica, fototipo, procedimentos anteriores recentes, uso de isotretinoína, além do preparo prévio. 2.3 Classificação Sua classificação é feita por meio da profundidade que o peeling atua, mudando o percentual de cada substância aplicada e suas combinações. Características físico-químicas, volume, concentração e tempo de exposição determinam o agente químico. São classificados em: • Muito superficiais: removem o extrato córneo; • Superficiais: esfoliação epidérmica da camada granulosa até a basal. Os peelings muito superficiais e os superficiais por atingirem somente a epiderme apresentam melhores resultados quando aplicados de forma seriada entre intervalos curtos. De forma fina e discreta a descamação não traz desconforto, melhora a textura da pele, estimulando a renovação do colágeno. Indicado para suavizar manchas, atenuar rugas finas, ajuda no tratamento de acne e estrias. • Médio: atinge a derme papilar. Com descamação mais espessa e escura, leva entre 7 a 15 dias o retorno da pele nova. Indicado para rugas mais profundas e ceratoses. • Profundo: atinge a derme reticular média. Mais agressivo e forte, o peeling profundo provoca a formação de crostas espessas. Tem recuperação em até três meses e pode haver a necessidade do uso de curativos no pós- peeling. Apresenta resultados significativos para rugas profundas. 6 2.4 Preparo É importante saber a rotina de atividade profissional do paciente, tempo disponível, pessoas com histórico de antecedentes de herpes devem fazer uso profiláctico de antivirais, tendência para queloide, sensibilidade à hiperpigmentação tardia, uso de isotretinoína nos últimos seis meses, exposição ao Sol. Cuidados com o Sol são fundamentais mesmo antes do início do tratamento, o uso de protetor solar com alto fator de proteção e fator hidratante contribui para uma melhor recuperação. Deve-se informar sobre o produto aplicado, cuidados e benefícios esperados. Esses fatores estão ligados diretamente com a efetividade do tratamento. Iniciar o preparo prévio duas semanas antes do procedimento contribui para uma cicatrização mais rápida, uma melhor penetração do agente químico e diminui o risco de hiperpigmentação pós-tardia. Peelings superficiais não necessitam de preparo prévio. 2.5 Cuidados durante a aplicação Evitar aplicar em pele irritada, inflama ou eritematosa. Ficar atento aos sinais visuais como branqueamento (frosting), eritema (ajuda a verificar o grau de profundidade e penetração alcançado pela substância), e avaliar em uma escala de sensibilidade entre 1 a 10. Ter sempre à mão produtos neutralizantes do agente químico em uso. 2.6 Complicações As complicações mais comuns são: hiperpigmentação pós-inflamatória, hipopigmentação (pode ser persistente e de difícil tratamento), infecções bacterianas, virais, fúngicas, cicatrizes são mais frequentes após peelings médios ou profundos. Uma avaliação bem-feita, escolha correta do agente químico, preparo adequado, assim como cuidados pós-tratamento, contribuem de forma significativa para a prevenção de possíveis complicações e um excelente resultado. 7 TEMA 3 – MICROAGULHAMENTO A pele desempenha um importante papel no ponto de vista estético e sensorial, a busca por uma aparência mais saudável, revigorada, menos envelhecida, aumenta a procura por tratamentos estéticos. Uma das causas das rugas é o fotoenvelhecimento, diminuição das fibras elásticas e de colágeno, pouca oxigenação dos tecidos e desidratação. Considerado um tratamento coringa por tratar uma grande variedade de disfunções estéticas da pele, o microagulhamento pode ser utilizado para tratamentos faciais (rugas, manchas, cicatriz de acne e rejuvenescimento), tratamentos corporais (estrias, lipodistrofia ginoide e cicatrizes) e tratamentos capilares (queda capilar, alopecia, calvície, fortalecimento e auxílio no crescimento dos fios). 3.1 Histórico Na década de 1960, na França, surgiu uma técnica conhecida como Nappage, caracterizada por pequenas incisões na pele para a administração de fármacos, cujo objetivo era o rejuvenescimento facial. Orentreich, em 1995, defendeu a técnica de subcisão para tratamentos das rugas periorais. Em 2006, Fernandes elaborou a técnica para indução de colágeno, por meio de um rolo com agulhas de aço com o objetivo de melhorar rugas finas e cicatrizes de acne. O microagulhamento induz a produção de colágeno na pele, por meio de um estímulo mecânico. Feito de polietileno, o rolo é composto por microagulhas de aço inoxidável e estéreis posicionadas em fileiras, totalizando entre 192 e 540 unidades de agulhas no total. Seu comprimento varia de 0,25 mm a 2,5 mm de diâmetro. Por meio das perfurações cutâneas ocorre um processo inflamatório com finalidade de estimular a produção de colágeno, liberando fatores de crescimento, proliferação de células de fibroblastos e estimulando a síntese das proteínas de sustentação, melhorando a textura, coloração e brilho das peles envelhecidas. 3.2 Técnica e forma de ação A técnica consiste em passar o rolo entre 15 e 20 vezes nos sentidos, horizontal, vertical e diagonal, resultando em hiperemia no local até um leve sangramento espontâneo e controlado. Realizado com anestésico local, leva 8 entre 40 minutos a uma hora e meia o procedimento como um todo. Seu mecanismo de ação é dividido em três etapas: indução percutânea de colágeno, cicatrização e maturação. • Indução percutânea de colágeno: perda da barreira cutânea, degradação dos queratinócitos liberando citocinas, interleucinas. As citocinas promovem uma vasodilatação dérmica além da migração dos queratinócitos para restauração do dano epidérmico. • Cicatrização: proliferação celular, troca de neutrófilos por monócitos, proliferação de fibroblastos, produçãode colágeno tipo III, elastina, glicosaminoglicanos e proteoglicanos. Liberação de fatores de crescimento dos fibroblastos, em cinco dias ocorre o depósito de colágeno abaixo da camada basal da epiderme. • Maturação: uma lenta substituição do colágeno tipo III pelo colágeno tipo I mais duradouro. O tecido é regenerado, refletindo na melhora da aparência da pele. O microagulhamento é potencializado com a permeação de ativos, os microcanais facilitam sua absorção de forma eficaz e rápida, permitindo o transporte de moléculas até 80% maiores. Com isso, podemos afirmar que a ação conjunta do microagulhamento a ativos cosméticos potencializa seus resultados. 3.3 Indicações Os diferentes níveis de agulhas promovem processos de injúria tecidual diferentes dentro das indicações necessárias de cada paciente, são elas: • Agulhas de 0,25 a 0,50 mm: injúria leve (rugas finas e brilho excessivo); • Agulhas de 1,0 a 1,5 mm: injúria moderada (envelhecimento, rugas médias, flacidez cutânea, capilar, manchas e melasmas); • Agulhas de 2,0 a 2,5 mm: injúria profunda (estrias e cicatrizes de acne). Apresenta efetividades em tratamentos contra o melasma (disfunção hipercrômica) e envelhecimento, associado ao uso de ativos cosméticos e peelings. A técnica de microagulhamento se mostra eficaz em diversos tratamentos estéticos só estimulando colágeno ou agregando a permeação de ativos, além 9 de ser de fácil associação com outros protocolos, podendo tratar disfunções faciais e/ou corporais sempre em forma de otimizar seus resultados. Vale salientar que deve ser realizado por um profissional habilitado e todo material, como agulhas, deve ser estéril e descartado após seu uso, além do ativo cosmético utilizado em associação ser estéril, dose única, quando há sobra também deve ser descartado. TEMA 4 – INTRADERMOTERAPIA/MESOTERAPIA A intradermoterapia é um excelente complemento para outros procedimentos não cirúrgicos. Atualmente, técnicas minimamente invasivas com objetivo de atenuar os efeitos do envelhecimento cutâneo ganham cada vez mais espaço na estética. Utilizada na maior parte das vezes para tratamentos faciais, a intradermoterapia pode ser utilizada também na estética facial, corporal e capilar. 4.1 Histórico O Dr. Michel Pistor, francês que desenvolveu em 1952 a mesoterapia para tratamentos da dor e de desordens vasculares, fundou em 1964 a French Society of Mesotherapy. Pistor, em 1976, utilizava de uma técnica com injeções intradérmicas de procaína no mastoide para tratamento de surdez, em que ele resumia com uma frase: “Pouco, poucas vezes e no local adequado”. Em 1987, The French Nacional Academy of Medicine reconheceu oficialmente a mesoterapia como uma especialidade médica, estendendo para o uso cosmético e veterinário, tornando-se popular na Europa, Estados Unidos, América do Sul e na Ásia. Em 1993 houve o início da Sociedade Brasileira de Mesoterapia e em 2000 tivemos os primeiros trabalhos indexados. Um método não cirúrgico, minimamente invasivo, procedimento que consiste na aplicação de múltiplas injeções intradérmicas diretamente na região a ser tratada, difunde pela microcirculação procedendo pela ativação dos receptores dérmicos com substâncias farmacológicas em um percentual apropriado para cada tratamento. Uma alternativa para o paciente que não deseja ou não quer submeter-se a procedimento cirúrgico estético. Por exemplo: • Flacidez: melhora o tecido conjuntivo ao utilizar ativos que estimulam a contração dos músculos e melhora a sustentação da pele; promove o 10 rejuvenescimento facial por meio de intensa hidratação e reconstrução das fibras de colágeno; • Gordura localizada: enzimas lipolíticas destroem a célula de gordura e melhoram a circulação sanguínea local superficial e profunda; • Estrias: promove ação pró-inflamatória e anti-inflamatória por meio do estímulo da cicatrização e do recrutamento de fibroblastos. Por meio de substâncias ativas adequadas, estimula a reconstrução do tecido afetado; • Celulite: melhora a microcirculação e drenagem da área edemaciada; aumenta a espessura dérmica; trata o tecido adiposo envolvido no processo de formação da celulite; • Alopecia: restaura e aumenta a microcirculação local, fornece insumo, nutrientes e retarda o processo programado de involução folicular. A intradermoterapia possibilita a combinação de diversas técnicas no tratamento para flacidez, rejuvenescimento, manchas, gordura localizada, estrias, celulite, alopecia e outras desordens estéticas. Além de ser um procedimento rápido, seguro e com bons resultados, é mais acessível financeiramente do que cirurgias. 4.2 Técnica de aplicação • Pápula: intradérmica superficial, na junção entre a epiderme e a derme; com o bisel para cima. Pápula pálida, claramente delimitada aparece no momento da injeção e desaparece nos próximos 30 minutos. Mais utilizada para tratamentos de rugas e imunoestimulação facial. • Nappage: intradérmica superficial, agulha num ângulo de 30° a 60°, aplicado na epiderme, tem contato de 3 a 5 minutos até sua penetração total. • Ponto a ponto: injeção intradérmica profunda ou hipodérmica, injeções separadas entre 4 a 15 mm, mais utilizada em tratamentos para gordura localizada e celulite. 11 Figura 1 – Técnicas de aplicação Créditos: VectorMine/Shutterstock. 4.3 Efeitos adversos • Eritema leve; • Hematomas pequenos; • Possibilidade de reações alérgicas; • Leve sensação de coceira, queimação; • Não apropriado para envelhecimento severo. 4.4 Contraindicações • Alergia a algum ativo da fórmula; • Cicatrização hipertrófica; • Gravidez, amamentação; • Diabetes; • Epilepsia; • Infecções bacterianas; • Herpes; • Doenças inflamatórias na pele; • Procedimentos estéticos recentes (preenchimento, toxina botulínica). A substância ativa utilizada, a técnica aplicada em associação e a escolha adequada da via de administração de acordo com o perfil de tratamento apresentam um resultado melhor e mais duradouro. 12 TEMA 5 – TOXINA BOTULÍNICA Atualmente existe um cenário mais competitivo pela beleza e juventude no mundo contemporâneo, a aparência reflete diretamente no bem-estar e social do indivíduo. Levando cada vez mais a uma busca por procedimentos estéticos não cirúrgicos ou minimamente invasivos, a fim de melhorar sua aparência em frente ao espelho. A toxina botulínica do tipo A (TBA) ganha destaque, pois é um dos métodos mais acessíveis e menos invasivos mundialmente, utilizada como processo de rejuvenescimento facial com objetivo de diminuir e prevenir o aparecimento das rugas. Com o decorrer dos anos, o envelhecimento facial torna-se aparente, ocasionado por fatores intrínsecos (passagem do tempo, perda de colágeno e água, levando às rugas estáticas) ou extrínsecos (fatores externos: raios solares, drogas, poluição, tabagismo, estresse, alimentação desequilibrada, entre outros). As rugas dinâmicas originam da contração intensa dos músculos faciais. 5.1 Histórico Descoberta no final do século XVIII, por meio de relatos de envenenamento alimentar na Alemanha com sintomas de paralisia muscular progressiva, despertou o interesse dos pesquisadores o uso terapêutico da toxina botulínica. No início dos anos 1970, Alan B. Scott (oftalmologista, EUA) observou em pacientes com estrabismo uma melhora nas linhas orbiculares após aplicação de TBA. Na mesma época, um casal que utilizava da técnica para tratar blefaroespasmos observou o mesmo resultado. Após a comprovação dos estudos, a toxina botulínica tipo A foi aprovada como medicamento seguro e eficaz pelo Food and Drug Administration (FDA), nos anos 1990 para uso em estrabismo, espasmos faciais e blefaroespasmo. Com o passar dos anos, ganhou espaço na estética e, em 2003, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa)aprovou para uso clínico. TBA é pioneira em tratamentos não invasivos para o envelhecimento, atenuando e prevenindo as rugas de expressão. Hoje, é um dos procedimentos não cirúrgicos mais realizados no Brasil e Estados Unidos. 13 5.2 Toxina botulínica tipo A (TBA) A toxina botulínica é uma potente neurotoxina, produzida por uma bactéria anaeróbica, bacilo gram-positivo, esporulada, encontrada no solo, em alimentos doces, salgados e na água, sendo conhecida como Clostridium botulinum. Essa bactéria é capaz de ocasionar paralisia muscular associada à intoxicação alimentar. Por meio do processo de fermentação, ela é capaz de produzir sete diferentes tipos de toxinas (A, B, C, D, E, F e G), sua forma usualmente utilizada pela estética e aplicações terapêuticas é o sorotipo A, decorrente de sua potência e efeito prolongado. 5.3 Mecanismo de ação Com diferentes sítios de ação no receptor, a toxina botulínica atua diretamente na placa das terminações nervosas, paralisando-as e impedindo que a acetilcolina seja liberada. Dentro do organismo humano ela apresentará duas ações distintas, entretanto complementares. Liga-se aos receptores terminais encontrados no nervo motor, bloqueando a condução neuromuscular, e entra nos terminais nervosos inibindo a liberação da acetilcolina. Quando injetada via intramuscular no local desejado, o resultado inicia após a ligação da TBA aos receptores do nervo motor, produzindo uma paralisia muscular localizada decorrente de uma degeneração química temporária. Essa degeneração atrofia o músculo, que posteriormente desenvolve novos receptores extrafuncionais para reverter a liberação de acetilcolina. Após 3 a 4 meses, a paralização é revertida pelos terminais nervosos, voltando a funcionar novamente. Como não tem a capacidade de atingir o Sistema Nervoso Central (SNC), não há bloqueio na liberação da acetilcolina em qualquer outro transmissor no SNC, pois a TBA não atinge em situações normais a barreira hematoencefálica. 14 Figura 2 – Mecanismo de ação Créditos: Daria Subkhangulova/Shutterstock. 5.4 Na estética Como forma de amenizar as alterações estéticas provocadas pelo envelhecimento na pele: rugas, elasticidade e tônus. A toxina botulínica tipo A é muito utilizada em procedimentos estéticos, apresentando resultados satisfatórios e benéficos como sorriso gengival, atenuação de rugas e paralisia facial. Apresentada em forma liofilizada em albumina, cristalina e em um frasco estéril, injetada via intramuscular no local desejado, ocorre a paralisação temporária do músculo e após um período de quatro meses ou mais as novas placas formadas voltam às atividades normais. A duração varia de indivíduo para indivíduo, alguns pesquisadores defendem que a durabilidade diminui devido à resistência à TBA decorrentes das aplicações repetidas. Diversos estudos apontam uma diminuição significativa nas linhas de expressão. Um estudo apresentou como forma de tratamento aplicações realizadas ao longo de cinco anos com intervalos de oito meses entre as sessões, confirmando que a toxina botulínica A contribuiu para a diminuição das rugas dinâmicas e estáticas. Além de sua aplicação estética, a TBA também é muito procurada na área médica/terapêutica para diversos tratamentos, contribuindo na melhoria da qualidade de vida. 15 5.5 Indicações na estética A contração dos músculos da face contribui para a formação das rugas e vincos, evidenciando o envelhecimento e as marcações como os sulcos, contribuindo para uma aparência mais marcada. A paralisia por meio da toxina botulínica tipo A diminui ou até elimina a contração muscular, favorecendo a redução das rugas e suas depressões dinâmicas. Figura 3 – Rugas e linhas de expressão Créditos: Irina Bg/Shutterstock. Outras indicações de uso na éstica são: hiperidrose (sudorese nas axilas, mão e pés), tem bons resultados com a TBA, conseguindo um bloqueio por vários meses. 16 5.6 Aplicação e efeito A aplicação é realizada com uma agulha fina na região previamente limpa e demarcada. Não é necessário anestésico, porém o paciente pode sentir uma ardência no local, além da picada da agulha. Após a aplicação, o paciente deve permanecer com a cabeça mais reta, evitando deitar-se, e massagear a região. Pode ocorrer hematoma na região, desaparecendo em poucos dias. O efeito da toxina botulínica A inicia entre 48-72 horas após a aplicação, obtendo um resultado final em 15 dias, com durabilidade média de seis semanas a seis meses. Figura 4 – Pontos de aplicação Créditos: Subbotina Anna/Shutterstock. Entretanto, a toxina botulínica A deve ser utilizada com cautela, pois pode apresentar efeitos colaterais como edema, ptose palpebral, eritema, cefaleia, reação local e infecções. Procedimentos estéticos devem ser realizados com segurança por um profissional capacitado, a fim de diminuir possíveis efeitos adversos. 17 5.7 Contraindicações • Pacientes com coagulopatias; • Uso de bloqueadores do canal de cálcio, as quinolonas (para duas semanas antes da aplicação); • Pacientes que fazem uso de AAS ou anticoagulantes; • Gravidez, amamentação; • Em tratamento com antibióticos; • Com reações inflamatórias ou infecções no local da aplicação. 5.8 Marcas Atualmente encontramos no mercado diversas marcas disponíveis, entre elas, as mais conhecidas são Botox, produzida pela Allergan; Dysport, produzida pela Ipsen; Xeomin, produzida pela Merz-biolab; Prosigne, produzida pela Cristália; Botulift, produzida pela Bergamo. Para as rugas provocadas pelo envelhecimento intrínseco e rugas muito acentuadas é necessária a associação de outras técnicas, pois a toxina botulínica tipo A não age diretamente nesses casos, é um método mais eficaz em rugas dinâmicas, sem excesso de pele. Seguro e bem tolerado, o uso da TBA na estética apresenta sucesso, porém é importante salientar a necessidade de uma anamnese bem-feita e individual. Seguir um protocolo, normas e indicações em suas dosagens nas aplicações, além de ser realizada por um profissional qualificado e habilitado. A toxina botulínica A utilizada sozinha ou em associação a outros procedimentos contribui na qualidade de vida de muitos indivíduos. NA PRÁTICA Em quais regiões pode ser aplicada a toxina botulínica tipo A pelo biomédico esteta? Você consegue observar, quando se fala de procedimentos injetáveis, a particularidade de cada um? De acordo com o método e o efeito que se quer, a intervenção e aplicação serão de forma específica? 18 FINALIZANDO Nesta aula, observamos alguns dos procedimentos estéticos mais procurados e realizados por biomédicos estetas nos serviços de estética. Esses procedimentos são ferramentas valiosíssimas no consultório para diversos tratamentos. Cada vez mais procurados, pois deixaram de ser encarados como futilidade, sendo agora, com a prescrição e a execução corretas e de modo responsável, vistos como uma forma de melhorar a autoestima e, consequentemente, auxiliar na saúde mental e física. 19 REFERÊNCIAS ALBANO, R. P. S.; PEREIRA, L. P.; ASSIS, I. B. Microagulhamento: a terapia que induz a produção de colágeno. Revisão de literatura. Revista Saúde em Foco, n. 10, 2018. BARBOSA, D. B. M.; BRITO, A. de S. A utilização da toxina botulínica Tipo A para alcançar a estética facial. Revista Terra & Cultura: Cadernos de Ensino e Pesquisa, [S.l.], v. 36, n. 70, p. 75-86, jul. 2020. ISSN 2596-2809. BRATZ, P. D. E.; MALLET, E. K. V. Toxina botulínica Tipo A: abordagens em saúde. Artigo de revisão. Revista Saúde Integrada, v. 8, n. 16-16, 2015. ISSN 2447-7079. CHAVES, C. T. M.; PAULA, F. R. A utilização da toxina botulínica tipo A no rejuvenescimento facial. 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A estrutura da pele é constituída por colágeno, elastina e matriz extracelular, o ácido hialurônico ajuda no controle hídrico do tecido e o colágeno é o responsável pela sustentação. A perda de colágeno, de ácido hialurônico, de fibras elásticas e a influência dos radicais livres contribuem para o aparecimento de rugas e linhas de expressão. A expectativa de vida está mais longa, possibilitando a observação mais aparente do envelhecer facial, levando à busca por produtos e técnicas capazes de minimizar a aparência que o tempo traz à pele. A descoberta das causas do envelhecimento possibilitou o desenvolvimento de técnicas capazes de tratar os danos gerados pelo tempo, bem como produtos capazes de tratar linhas de expressão e reposição do volume facial. TEMA 1 – PREENCHEDORES Karl Meyer e seu assistente, John Palmer, em 1934, deram início no laboratório de Bioquímica na Universidade de Columbia a estudos de uma molécula versátil, o ácido hialurônico (AH), a partir do humor vítreo bovino. Na década seguinte, os pesquisadores se dedicaram a isolar o AH presente na pele, cordão umbilical, articulações e crista de galo. Kendall, em 1937, foi o primeiro a isolar o AH de Streptococcus hemolítico. Em 1950, Meyer e seus assistentes identificaram suas propriedades e determinaram a estrutura do AH. A nomenclatura deste biopolímero resultou da junção entre o termo grego hialoide, que significa vítreo, e ácido urônico, que é a denominação de uma das moléculas de monossacarídeo que o compõem. O termo hialoide descreve com precisão a sua aparência transparente relativa a vidro. (Pan et al., 2013; Garbugio; Ferrari, 2010) 3 1.1 Ácido hialurônico (AH) Um polímero formado por ácido glucurônico e a N-acetiglicosamina com função de elasticidade e hidratação, o ácido hialurônico é uma substância nativa do organismo humano que atua como preenchimento nos espaços intracelulares. Considerada a molécula mais higroscopia da natureza, é capaz de se ligar à água em uma quantidade até 1000 vezes o seu volume. Encontrado em todo nosso organismo, apresenta-se em maior parte no tecido tegumentar, ligando-se à água e mantendo a tonicidade e elasticidade dos tecidos. De consistência gelatinosa e espessa, alto grau de hidratação, visco e elasticidade na derme, atua como preenchedor de espaços oferecendo estabilidade, absorvendo choques e elasticidade, formando uma rede de estrutura. Produzida principalmente por fibroblastos e queratinócitos, o AH apresenta uma relação com as fibras de colágeno e as fibras elásticas, podendo influenciar a proliferação celular, diferenciação e reparo dos tecidos. Sua quantidade é inversamente proporcional ao tempo de vida do organismo. Responsável pela hidratação, volume e elasticidade e sustentação da pele, ocorre perda de sua produção ao longo dos anos, tornando assim evidente o aparecimento de rugas e sulcos, refletindo no envelhecimento, perda de volume e formação de manchas. Após anos de pesquisas e desenvolvimento, seu uso sintético biocompatível tem fins de hidratação e preenchedor, sendo utilizado na estética com a finalidade de minimizar os efeitos visíveis do envelhecimento. 1.2 Na estética Pesquisadores estudam há anos uma forma de minimizar os efeitos do envelhecimento facial. A diminuição da produção de colágeno e a desidratação cutânea são fatores responsáveis em sua grande maioria por uma insatisfação pessoal. Com a descoberta dos efeitos fisiológicos do envelhecimento foi possível produzir técnicas e produtos para tratar os danos gerados. Utilizado como preenchimento facial, o AH (sintético e biocompatível) tem ganhado destaque com ação protetora, emoliente e sustentação entre os espaços dérmicos ocasionados com o passar dos anos. Com sua reposição, o equilíbrio hídrico se restabelece, melhora a elasticidade e estrutura da pele, reestruturando o volume facial, removendo e suavizando rugas e linhas de 4 expressão e proporcionando o rejuvenescimento facial. Eficaz e seguro, o AH entra no mercado brasileiro como uma das melhores técnicas para atenuar de forma natural o envelhecimento cutâneo. As principais marcas comercializadas no país são Juvederm, Restylane, Belotero, Princess, Rennova, Hialurox, Perfecta. 1.3 Aplicação O ácido hialurônico pode ser administrado de forma oral, tópica e injetável, sua viscosidade determinará a forma de aplicação. Como forma injetável por meio de uma avaliação bem realizada, podemos determinar sua reticulação e região anatômica depositada, sendo menos viscoso, mais superficial, e mais viscoso, mais profundo. Moléculas ligadas a ele produzem macromoléculas com a mesma biocompatibilidade. A apresentação do AH é geralmente em uma seringa de 1 ml em forma de gel espesso, incolor, hidrofílico e com alto peso molecular. Várias técnicas foram desenvolvidas para evitar a degradação rápida na pele, fornecendo efeitos a longo prazo. O ácidohialurônico aplicado com a finalidade de preenchedor pode ser injetado em bolos, retroinjeção, leque ou puntura. O que vai determinar a forma de injeção é a reticulação do produto e a finalidade do procedimento. Figura 1 – Principais regiões de aplicação do ácido hialurônico Créditos: Solarisys/ Shutterstock. 5 • Olheira: reduz a profundidade das olheiras; • Rinomodelação: suaviza imperfeições e suspende a ponta do nariz; • Malar: define a maçã do rosto; • Lábios: define o contorno labial e dá volume; • Sulco nasogeniano “bigode chinês” e “código de barras”: suaviza os sulcos e linhas nasolabiais; • Linha da marionete (sorriso triste); • Mandíbula: redefine o contorno da face; • Mento (queixo): projeção do queixo auxiliando no contorno da face; • Têmporas; • Lóbulo da orelha; • Linhas e rugas (de acordo com o indicado para a região e reticulação do AH). Como forma de correção das rugas, linhas, contorno e volume, o preenchimento do AH é minimamente invasivo, pode ser aplicado injetável por meio de uma agulha ou cânula. Após a deposição do AH no tecido, a região deve ser moldada com as pontas dos dedos. 1.4 Efeitos adversos e contraindicações Podem ocorrer complicações imediatas e/ou tardias. As mais comuns são: hipersensibilidade, eritema e edema (devido à injuria tecidual), hematomas e equimose (devido à lesão em algum vaso sanguíneo), infecções (contaminação no local aplicado ou manuseio errado do produto), alteração na pigmentação, lesões e necrose (dificilmente ocorre, devido a uma intensa inflamação ou injeção acidental intra-arterial). Reações alérgicas são relatadas em 0,1% dos casos apenas, aparecem em forma de edema/eritema nas três primeiras semanas e podem durar até seis meses. Complicações tardias podem ocorrer em forma de granulomas, podendo aparecer nódulos entre seis meses e dois anos após a aplicação. Isso ocorre pela presença de impurezas no processo de produção do AH e em pacientes com hipersensibilidade ao produto. Com o auxílio da enzima hialuronidase capaz de degradar o AH, realizamos a remoção do produto. A hialuronidase tem a capacidade de diminuir 6 a viscosidade intercelular e aumenta a permeabilidade e absorção dos tecidos. A possibilidade de utilizar a enzima hialuronidase em casos de complicações ocasionadas pela aplicação do AH, torna o preenchimento realizado com ácido hialurônico um padrão ouro na abordagem estética. Sua aplicação é uma opção não cirúrgica viável devido ao menor custo, menor tempo de recuperação e possíveis temores por procedimentos cirúrgicos. O tempo de duração varia de paciente para paciente, dependendo também da concentração, viscosidade e quantidade aplicada. Em média dura entre 10 a 18 meses. O tratamento de preenchimento com ácido hialurônico é contraindicado nas seguintes situações: • Gravidez, lactação; • Doenças autoimunes; • Imunodepressão; • Lesão ou existência de preenchedor definitivo no local a ser aplicado. O preenchimento com ácido hialurônico ajuda na prevenção do envelhecimento facial, hidratando, sustentando, proporcionando elasticidade e volume na pele. É uma nova opção de tratamento contra as indesejáveis rugas e linhas de expressão como forma menos invasiva, menor chances de complicações, inflamações e dores. Além de seguro, versátil e eficaz, atende as necessidades individuais dos pacientes com resultados imediatos, é natural e sofisticado. É importante salientar que suas complicações estão relacionadas à técnica de aplicação e à má higienização da pele, por isso a importância de realizar o procedimento com um profissional habilitado. TEMA 2 – BIOESTIMULADORES DE COLÁGENO Em busca de minimizar os efeitos do envelhecimento, procedimentos minimamente invasivos ganharam cada vez mais espaço no mercado. Os preenchedores dérmicos tratam, além das rugas e sulcos, a correção na perda do volume facial. Os bioestimuladores têm por objetivo melhorar o aspecto cutâneo, estimulando a formação de novas fibras de colágeno dérmico, agem de forma ativa nas camadas mais profundas da pele, contribuindo com o volume facial perdido. 7 Mais colágeno, pele mais firme, menos flácida, melhorando o aspecto da pele de forma sutil e natural. Podemos classificá-los quanto a sua absorção e durabilidade no organismo. Conhecidos como semipermanentes, os bioestimuladores possuem uma duração entre 18 meses e 5 anos, são eles: Ácido Poli-L-láctico (PLLA), Hidroxiapatita de Cálcio (CaHa) e a Policaprolactona (PCL). Existe um bioestimulador não biodegradável que permanece indefinidamente no organismo muito conhecido, é o Polimetilmetacrilato (PMMA). 2.1 Ácido Poli-L-láctico (PLLA) – Sculptra Polímero biodegradável, biocompatível e reabsorvido, tem o objetivo de estimular a neocolagênese. Composto por micropartículas de PLLA, quando injetado forma uma cápsula no entorno de cada microesfera, resultando no estímulo da deposição das fibras de colágenos pelos fibroblastos, levando ao aumento da espessura dérmica. O volume dérmico ganho logo após a aplicação some em poucos dias, pois o PLLA não é um preenchedor, e sim um estimulador de colágeno, com um efeito gradual e progressivo. Pode ser aplicado em três planos: subdérmico (frouxidão da pele), subcutâneo (onde não houver alicerce ósseo) e supra periosteal (área com suporte ósseo), o plano a ser escolhido depende das condições do paciente. A quantidade de aplicações deve ser avaliada de acordo com grau de envelhecimento do paciente. Considerado um bioestimulador semipermanente, seus resultados podem chegar em até 24 meses. O resultado varia entre 4 e 6 meses e, devido a esse tempo, é aconselhável tratar e esperar para reavaliar. • Indicação clínica: perda de volume facial, flacidez, rugas, sulcos. • Locais onde geralmente é aplicado: terço médio da face, mento, pescoço, mãos, nádegas, abdômen, braços, interno de coxas. • Efeitos adversos: eritema, edema e hematomas somem espontaneamente em poucos dias. Nódulos não inflamatórios, infecções, granulomas e necrose são raros e podem ocorrer por erro de técnica ou complicações associadas ao uso de diferentes produtos injetados na face. • Contraindicações: paciente em uso de aspirina, doenças autoimunes, preenchedor permanente, histórico de queloide, gestantes, lactantes, hipersensibilidade aos componentes. 8 2.2 Hidroxiapatita de Cálcio (CaHa) – Radiesse Em 2009, a hidroxiapatita de cálcio recebeu a aprovação do FDA para tratamentos de rugas e sulco nasogeniano. Considerado capaz de reparar áreas que necessitam de volume e preenchimento, por ser biodegradável, não causa reações inflamatórias crônicas ou imune. Por meio de estudos clínicos, comprovou-se sua segurança e eficácia. Para que o estímulo de colágeno seja eficiente, o CaHa deve ser aplicado na derme média ou profunda, quando aplicado mais superficial tem uma enorme chance de apresentar nódulos visíveis na derme. O resultado desejado será alcançado gradualmente, após várias sessões, pois é desaconselhável a injeção excessiva do produto. • Indicação clínica: flacidez cutânea, dar volume no local desejado e preencher região que necessita de reparo dérmico. • Locais onde geralmente é aplicado: malar, mandíbula, região temporal, terço médio da face, mento, pescoço, mãos, nádegas, abdômen, braços, interno de coxas. • Efeitos adversos: os mais comuns são os hematomas, eritema, edema e dor no local aplicado. Em 1 a 5 dias, desaparecem espontaneamente. Nódulos, granulomas, celulite e necrose são raros, porém podem ocorrer geralmente por mau planejamento e técnica inadequada. • Contraindicações: regiões da glabela, periorbicular e lábios, devido à movimentação da musculatura pode ocorrer nódulos não inflamatórios na região. Combinações com preenchedores permanentes são contraindicadas. 2.3 Policaprolactona(PCL) – Elanssé Preenchedor dérmico biocompatível e biodegradável, o PCL teve início no mercado estético em 2009, é um estimulador de colágeno que tem estudos documentados desde 1980, atuando como preenchedor cutâneo. Composto por microesferas sintéticas, o PCL estimula o novo colágeno, que substitui o volume inicial do bioestimulador, criando novas partículas de colágeno ao redor do PCL. A marca apresenta quatro versões, as quais têm como única diferença entre si a longevidade do produto. 9 O plano de aplicação pode ser subcutâneo ou mais profundo, em pequenas quantidades devido à possível necessidade de correções, observar três meses após a aplicação para reavaliar. • Indicações: flacidez cutânea, correção de rugas e dobras, reparar volume e rejuvenescimento das mãos. • Contraindicação: áreas como periorbicular, glabela e lábios, além de pacientes com alergias graves e manifestações de anafilaxia, doenças cutâneas aguda ou crônica, histórico de queloide, uso de corticoides e preenchedor permanente. • Efeitos adversos: os mais comuns são edema e equimose ocorrida pela injeção, sumindo espontaneamente em poucos dias. Granulomas são raros, porém, relatados por erros técnicos, como injeção em bolus e injeção superficial. Os bioestimuladores de colágeno são excelentes em prevenir ou reverter os efeitos do envelhecimento facial, porém é bom salientar que não existe um bioestimulador dérmico perfeito, pois podem ocorrer efeitos adversos, cabe ao profissional escolher o melhor bioestimulador para aplicar de acordo com a necessidade e histórico do paciente. TEMA 3 – FIOS DE SUSTENTAÇÃO O envelhecimento facial ocorre de forma natural e gradual, porém seu resultado em forma de vincos e sulcos na pele não agrada a maioria das pessoas. A busca por procedimentos minimamente invasivos, a fim de tratar o rejuvenescimento facial, é um desafio para a medicina atual. A busca constante por técnicas que amenizam e combatem os danos ocasionados pelo envelhecimento proporciona uma gama de pesquisas e desenvolvimento em tecnologia por produtos cada vez mais eficientes, seguros e minimamente invasivos. Com efeito lifting facial sem a necessidade de uma cirurgia, os fios de sustentação estão ganhando cada vez mais espaço no meio estético. 3.1 PDO – Polidioxanona Considerados bioestimuladores sólidos, os fios de polidioxanona. conhecidos como fios de PDO, estimulam um processo de proliferação das células de colágeno diferente dos fios permanentes. O PDO é liso e absorvível, 10 por meio de uma incisão mínima é fixado nos tecidos moles, possibilitando o reposicionamento dos tecidos faciais. O polidioxanona (PDO) é um polímero monofilamentar sintético, não alergênico e absorvível que se hidrolisa gradativamente. O PDO é o fio absorvível com maior tempo de retenção de força atualmente no mercado, permanecendo no tecido por tempo suficiente para a neocolagênese e indução de cicatrização. Consegue manter 28 dias de tensão no tecido, sendo absorvido em 182 a 238 dias após sua inserção. Os fios absorvíveis são aprovados pelo Food and Drug Administration (FDA). Para aproximação dos tecidos moles, independentemente da técnica utilizada para procedimentos considerados lifting facial, precisam considerar o fato de que os tecidos mais profundos precisam ser reposicionados ou preenchidos antes de se tracionar. Os fios lisos são menos estáveis, menos resistentes, têm mínima capacidade de fixação e sustentação subdérmica. Com um período de recuperação rápida, poucos efeitos adversos e a absorção lenta contribuem significativamente na produção de colágeno. 3.1.1 Fios de PDO O fio de PDO apresenta alguns modelos no mercado: fios lisos, fios espiculados (com garras), fios em cones, fios parafuso etc., com diferentes finalidades. Os fios lisos são os mais simples, atuando de forma mais superficial, estimulando a produção de colágeno e melhorando a aparência da pele; não têm a capacidade de promover “lifting”. Os fios espiculados/cones apresentam um efeito rejuvenescedor, promovem uma tração, suspenção dos tecidos caídos. 3.2 Técnica Quando colocados corretamente, os fios resultam em um efeito lifting mecânico que permanecerá devido ao efeito da formação de colágeno, a associação dos fios lisos com espiculado apresentam um melhor resultado. Importante avaliar a espessura dérmica do paciente para que os fios não fiquem aparentes. A melhor idade de escolha para o procedimento é entre 30 e 60 anos, quando o paciente ainda não apresenta uma queda acentuada do terço inferior. 11 As regiões de aplicação são: • Contorno do rosto para redefinir; • Sulcos faciais; • Pescoço e papada; • Glabela, olhos; • Braço, abdômen, interno de coxa, entre outras áreas corporais. 3.3 Efeitos adversos e contraindicações Pequenas retrações, hematomas e exteriorização dos fios são efeitos transitórios, desaparecendo em cinco a sete dias. O fio de PDO deve ser aplicado na camada subcutânea, quando introduzido superficialmente, além de doloroso ao toque, poderá ser visível. Fora do plano correto não irá estimular a produção de colágeno. Assim como se introduzido no plano mais profundo poderá ocasionar lesão arterial, nas veias e nervo facial, podendo levar à paralisia facial. Tratamento contraindicado em casos de: doenças autoimunes, hepatite B e C, imunodeprimido, gestante e lactante, tratamento com anticoagulantes, histórico de queloide, infecções no local. Seguros e com bons resultados, os bioestimuladores de sustentação de PDO resultam em um “lifting facial” desde que colocados no plano correto. Ainda não há um consenso sobre a quantidade de fios a ser colocado e seu posicionamento, entretanto, com o conhecimento dos vetores musculares novos padrões estão surgindo. Vale lembrar que mesmo conhecido popularmente como “lifting facial” com fios, ele não deve ser apresentado como um lifting cirúrgico, visto apenas como um procedimento estético temporário, apresentando melhores resultados quando associado a outros tratamentos. TEMA 4 – ESCLEROTERAPIA Com a evolução dos tratamentos estéticos a procura pelo procedimento em eliminar os vasos de pequeno calibre em clínicas de estética ganha destaque. Os microvasos são dilatações capilares, veias ou artérias menores que 2 mm de calibre, uma disfunção estética que acomete 6 entre 10 mulheres na maioria dos casos localizados nas pernas, entre a população, 40% das mulheres e 15% dos homens. 12 Procedimento estético injetável de microvasos (PEIM), realizado para secar ou diminuir os microvasos em pacientes que não apresentam comprometimento circulatório. Destacam-se como capilares finos, avermelhados, ramificados, que na maioria das vezes causam distúrbios apenas do ponto de vista estético, sem cunho patológico. Também conhecidos cientificamente como telangiectasias, imagina-se que sua formação seja de predominância hereditária, obesidade, traumas, gravidez, uso de hormônios femininos com estrogênio e pessoas que permanecem muito tempo na mesma posição em pé, sentada ou com as pernas cruzadas. O National Library of Medicine define etimologicamente o termo escleroterapia como a oclusão venosa obtida por meio de injeção intravenosa e substâncias químicas. Com a finalidade de ocluir a luz do vaso, a utilização da sustância esclerosante induz um processo inflamatório que leva à fibrose e faz o vaso perder sua característica de cilindro (colaba), excluindo o caminho da circulação, o que resulta na melhora visual da área aplicada. O PEIM utilizando a glicose é uma forma de tratamento destinado basicamente a fibrosar tecidos, no qual essa substância age dispersando o filme protetor de fibrinogênio da camada íntima e lesando o endotélio venoso, a fibrina é depositada dentro e ao redor da parede venosa, causando uma reação inflamatória, que gradualmentese transforma em fibrose. Essa reação faz a veia colabar e deixar de ser visível. 4.1 Histórico A esclerose química, tão conhecida atualmente, já era utilizada na época de Hipócrates como raspagem e traumatização da veia (efeito mecânico) e por Celso como cauterização (efeito térmico). Elsbolt em 1667 utilizou uma técnica rudimentar para esclerose química de uma veia, nos três casos o objetivo era destruir a veia, cicatrizando uma úlcera varicosa. Foi somente em 1851, com a criação da seringa hipodérmica, que Pravaz descreveu a técnica do processo esclerosante químico com objetivo de ocluir um aneurisma. A partir deste fato a técnica foi aprimorada e com material adequado tornou-se mais eficiente e confortável para o tratamento das varizes, hoje é aceito como tratamento ideal para os microvasos. Kauch, em 1979, na Alemanha, foi o primeiro a utilizar a glicose hipertônica como substância esclerosante, uma solução osmótica de ação lenta, pois leva de 30 minutos a 4 dias seu resultado final. Em geral, as soluções esclerosantes disponíveis são agrupadas em três categorias: osmóticas, detergentes e químicas. As soluções 13 hiperosmóticas promovem a desidratação das células da camada endotelial e, consequentemente, acarretam sua destruição e desintegração. As soluções osmóticas, como a salina hipertônica (SH) e glicose hipertônica (GH), são mais lentas na destruição e consideradas mais leves e menos capazes de produzir grandes descamações endoteliais e inflamações, quando comparadas aos agentes detergentes. A glicose hipertônica tem uma eficácia de 54%. Assim, esses esclerosantes tendem a depositar menos hemácias no endotélio, reduzindo a incidência da pigmentação tecidual. (Miyake, 2006) O biomédico esteta usa como substância esclerosante a glicose 50% ou 75%, que é segura, eficiente, não produz reação alérgica e tem baixo custo. Entretanto, sua alta viscosidade dificulta a injeção em fluxo alto e o refluxo venocapilar. A hipercromia quando ocorre é caracterizada pela técnica de aplicação do profissional, que injeta a solução fora do vaso. Soluções hipertônicas, como é o caso da glicose, são consideradas mais dolorosas, além de seus resultados serem mais lentos, duas desvantagens que contribuem para o não retorno do paciente em alguns casos. Contraindicado nos casos de: gestação, antecedentes de trombose, diabetes descompensado, patologia oncológica ativa, hipercromia pós- inflamatória, sensibilidade à dor. Sabemos que o Peim é um tratamento intermediário. Ele não acaba com a causa em si, seus resultados dependem da resposta de cada paciente, quantidade de sessões realizadas de acordo com a avaliação prévia e informação da expectativa na melhora do resultado esperado. TEMA 5 – FARMACOLOGIA APLICADA À INTRADERMOTERAPIA Farmacologia é a ciência que estuda os mecanismos de ação das substâncias utilizadas para diagnóstico, tratamento ou cura de doenças, bem como seu comportamento no organismo. Fármaco é um agente químico que proporciona efeito terapêutico ou preventivo. As formulações que levam fármacos em sua composição são denominadas medicamentos. Intradermoterapia, ou mesoterapia, consiste na aplicação de medicamentos por meio da injeção na pele ou subcutâneo. • Trata pequenas desordens estéticas. • O melhor tratamento é sempre combinado com associação de técnica. • Cada mescla tem sua concentração de acordo com o local aplicado. 14 Indicado para tratamentos em protocolos para: celulite, flacidez, gordura localizada, estrias, capilar, aceleração metabólica, emagrecimento, ganho de massa, rejuvenescimento, manchas. 5.1 Ativos farmacológicos • Anestésico: disponibilizado em ampolas ou frascos multidose. Uso intradérmico ou subcutâneo. • Venolinfocinéticos: vasodilatadores e estimulantes da circulação periférica. Com efeitos drenantes, podem ser utilizados em tratamentos que visam o melhor funcionamento da microcirculação da pele e áreas edemaciadas. Disponíveis em ampolas. Uso intradérmico ou subcutâneo. • Esclerosante: estimuladores da diferenciação celular e da síntese de proteína. Indicados para recuperação de áreas danificadas da pele (estrias e flacidez). Disponíveis em ampolas ou frascos multidose. Uso intradérmico ou subcutâneo. • Reguladores metabólicos: ativos indicados para o controle do metabolismo de carboidratos e lipídeos. Diminuem as necessidades de ingestão calórica e promovem a utilização eficiente dos metabolitos pelo organismo. Disponíveis em ampolas ou frascos multidose. Uso intramuscular e endovenosa. • Antioxidantes: moléculas protetoras das células em geral. Promovem o equilíbrio químico no organismo, protegendo contra a ação nociva dos radicais livres. Disponíveis em ampolas ou frascos multidose. Uso intramuscular e endovenoso. • Suplementos: vitaminas, aminoácidos e minerais em doses preconizadas para a suplementação parenteral. Disponíveis em ampolas ou frascos multidoses. Uso intramuscular e endovenoso. • Capilar: ativos para o tratamento da alopecia e recuperação da saúde do couro cabeludo. Disponíveis em ampolas ou frascos multidose. Uso intradérmico ou subcutâneo. • Termogênicos: indicados como coadjuvantes em tratamentos para emagrecimento e ganho de massa muscular magra. Disponíveis em ampolas ou frascos multidoses. Uso intramuscular. 15 Os ativos são utilizados em vários tratamentos estéticos, os mais utilizados na estética são: • Anestésico: diminuição do impulso da dor, ação vasoconstritora, aumenta o tempo de ação do ativo no local de aplicação. o Lidocaína: bloqueia canais de sódio, impede a despolarização, interrompendo a transmissão do estímulo da dor. o Procaína: propriedade anestésica, apresenta efeito vasodilatador. • Flacidez: melhora o tecido conjuntivo, estimula a contração do músculo e melhora a sustentação da pele. Promove o rejuvenescimento por meio de intensa hidratação com reconstrução das fibras de colágeno. o Silício: estimula a síntese de fibra de sustentação (colágeno, elastina e proteoglicanas). Auto-hidratação: auxilia na retenção de água sobre a pele; firmeza e tonicidade, auxiliando no tratamento de flacidez e celulite. o DMAE: aumenta a produção de acetilcolina, que se ligam nas células da derme e epiderme, auxiliando na proliferação e migração de células novas, auxilia na flacidez da derme. o Ácido glicólico: estimula a síntese de fibras elásticas e colágeno. Promove biossíntese de glicosaminoglicanos, promove o aumento das fibras e a sua reorganização. • Estrias: inflamar tecido para estimular colágeno (lipocorticoide altera a remodelação do colágeno). o Vitamina C: cofator da síntese de colágeno, reduz radicais livres melhorando o aspecto de tecidos envelhecidos, desidratados e rompidos, auxilia no tratamento de estrias jovens (vermelhas). Nano encapsulada, vetorizada. o Ácido Hialurônico + Condroitin: constituintes fisiológicos, auxiliam na retenção hídrica e formação de células de sustentação (colágeno), melhorando o aspecto de tecidos envelhecidos, desidratados e rompidos. o Glicosaminoglicanos (GAG): incorporam-se à matriz, onde são aplicados, exercendo ação trófica no tecido conjuntivo e conferindo elasticidade, tonicidade e maciez a pele. 16 • Celulite: melhora da microcirculação e drenagem da área edemaciada, tratamento do tecido adiposo envolvido no processo de formação da celulite. o Pentoxifilina: melhora a irrigação e microcirculação nos tecidos, inibe a fosfodiesterase apresentada, efeito lipolítico (semelhante à cafeína), auxilia no tratamento de lipodistrofia e nos distúrbios da microcirculação. o Buflomedil: melhora o aporte de oxigênio e nutrientes, inibe a agregação plaquetária, favorece a drenagem linfática, o edema. o Benzopirona: reduz a resposta inflamatória, o edema local, favorece a permeabilidade dos ativos. • Gorduralocalizada: mobilizar a reserva de gordura armazenada para redução corporal (remodelamento). o Lisado de tireoide: tem ação lipolítica importante ao aumentar os gastos energéticos no organismo. O uso injetável de lisado de tireoide 2,5% permite atingir o tecido adiposo subcutâneo localizado, estimulando a lipólise. o L-Carnitina: é um aminoácido, transfere a gordura do citoplasma para a mitocôndria, geração de energia (formação ATP), auxilia nos tratamentos de obesidade pelo fato de atuar como agente carreador. o Desoxicolato de sódio e lipossoma de girassol: promovem o rompimento das células adiposas com consequente lipólise. Desencadeia reação inflamatória local. • Capilar: restaura e aumenta a microcirculação local, fornece insumos nutricionais, retarda o processo programado de involução folicular. o Minoxidil: aumenta o crescimento do cabelo, prolongando a fase anágena e induz novo crescimento do cabelo na alopecia androgenética. o Finasterida: eficaz na alopécia androgenética. Não deve ser utilizado em mulheres. o Buflomedil: é um antagonista alfa-adrenoceptor e um bloqueador de canal de cálcio fraco. 17 • Emagrecimento, acelerador metabólico (via intramuscular). o Picolinato de cromo: melhora o aparecimento da glicose da ingesta, consequentemente diminuindo o apetite por carboidratos. o Inositol + Colina: quando associado à colina produz lecitina, que reage com lipídios, impedindo seu depósito em parede de vasos e órgão. o L-Fenilalanina: converte-se em dopamina e adrenalina, inibindo (SNC) e estimulando lipólise. o BCAA: aminoácidos de cadeia ramificada: leucina, isoleucina, valina. Contribuem para o ganho de massa celular. o L-Ornitina e L-Arginina: aminoácidos estimuladores de liberação de GH promovendo reparação tissular e hipertrofia. o Taurina: acelerador metabólico. NA PRÁTICA Em quais regiões da face o biomédico esteta pode aplicar os preenchedores? Qual a diferença entre preenchedor e bioestimulador de colágeno? Qual a importância do conhecimento em farmacologia na área da estética? FINALIZANDO O envelhecimento cutâneo tem relação com as várias camadas da pele, principalmente a derme e a hipoderme. As mudanças que elas sofrem refletem na flacidez. A literatura sugere que existem quatro pilares estéticos interligados ao envelhecimento facial: perda de gordura subdérmica, ação muscular, remodelação óssea e envelhecimento da pele. Com isso, uma mudança em um dos tecidos pode influenciar no tecido vizinho, levando a um efeito cascata. Com as proporções das estruturas faciais modificadas decorrentes do processo do envelhecimento, o rosto juvenil que apresentava um terço médio bem definido perde o contorno facial e o volume dérmico. No envelhecimento cronológico, ocorrem mudanças biológicas nas estruturas das fibras de colágeno e elastina. Uma das consequências é a 18 diminuição da derme, a pele fica com uma aparência mais flácida e, ao palpá-la, conseguimos senti-la mais fina e sem consistência. A busca por beleza traz satisfação estética em relação à autoestima e ao bem-estar, sempre em busca de face mais jovial e natural. 19 REFERÊNCIAS ALMEIDA, T. R. A.; SAMPAIO, A. A. G.; QUEIROZ, L. P. N. Ácido hialurônico no rejuvenescimento do terço superior da face: revisão e atualização. Surgical & Cosmetic Dermatology, v. 9, n. 2, p. 113-121, 2017. BORTOLOZO, F.; BIGARELLA, R.L.; Apresentação do uso de fios de polidioxanona com nós no rejuvenescimento facial não cirúrgico. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR, v. 16, n. 3, p. 67-75, set.- nov. 2016. EGEA, R.; TEREZINHA, A. E.; OTA, C. C. C. Mecanismo de ação de injetáveis utilizados na biomedicina estética, 2015. FULCO, O. T.; SOUSA, E. P.; Efeitos da intradermoterapia na lipodistrofia localizada: farmacologia, histórico, análise histológica do tecido adiposo, contraindicações e intercorrências. IX Simpósio de Pesquisa e de Práticas Pedagógicas do UGB: “Desafios pedagógicos durante e pós- pandemia”. LIMA, N. 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Uso de ácido hialurônico injetável na estética facial: uma revisão da literatura. Ijuí–RS, 2018. 20 SANTOS, T. G. et al. Tipos de escleroterapia em telangiectasias e microvarizes em membros inferiores. Id on-line: Rev. Mult. Psic., v. 14, n. 51, p. 993-1007, Julho/2020 - ISSN 1981-1179. TAMURA, B. M. Anatomia da face aplicada aos preenchedores e à toxina botulínica - Parte I. Surgical & Cosmetic Dermatology, v. 2, n. 3, jul.-sept. 2010, p. 195-202. Sociedade Brasileira de Dermatologia. TAVARES, J. P. et al. Rejuvenescimento facial com fios de sustentação. Braz. J. Otorhinolaryngol., v. 83, n. 6. São Paulo, nov./dec. 2017. TONI, T. Z.; PEREIRA, P. P. Procedimento estético injetável de microvasos com glicose 75% e glicose 50%. Revista Iniciare, Campo Mourão, v. 2, n. 1, p. 53- 61, jan./jun. 2017. BIOMEDICINA ESTÉTICA AULA 5 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, vamos estudar uma modalidade de tratamento estético chamada de eletroterapia, com vários procedimentos que surgem a partir desse mecanismo de ação. A eletroterapia aplicada à estética usa correntes elétricas para melhorar o aspecto de determinadas condições de ordem estética. Os equipamentos usam correntes eletromagnéticas conduzidas por eletrodos que são fixados à pele do paciente. Outras formas de tratamento incluem a utilização de agulhas no lugar de eletrodos. Há uma diversidade de correntes em uso na eletroterapia. Cada uma delas apresenta particularidades quanto a indicações e contraindicações, mas todas têm o objetivo comum de produzir um determinado efeito no tecido submetido à terapia, por meio de reações físicas, biológicas e fisiológicas. TEMA 1 – ELETROTERAPIA O termo eletroterapia está associado ao uso de corrente elétrica ou, de forma mais ampliada, ao uso da energia eletromagnética, sempre com finalidade terapêutica. Tais correntes produzem efeitos fisiológicos sobre o metabolismo celular, a circulação, a musculatura, entre outros. A utilização da tecnologia tem se aperfeiçoado muito nas últimas décadas, com o desenvolvimento de novos recursos. Contudo, desde a Antiguidade, seu uso já era comum para os cuidados de saúde. Pessoas como Aristóteles e Plutão já utilizavam enguias elétricas visando, por meio da corrente elétrica, produzir certas reações nos doentes. Energia é a capacidade que um sistema tem de trabalhar. Há várias formas de energia, e ela não é comumente criada ou destruída, mas muitas vezes transformada de uma forma para outra, ou ainda transferida de um local para outro. Os recursos utilizados em eletrotermofototerapia são equipamentos que utilizam energia e a transformam em ondas sonoras (ultrassom),em cargas elétricas (corrente russa, corrente galvânica, microcorrentes, entre outras), em calor (mantas térmicas), em frio (compressas frias), ou em luz (laser, luz intensa pulsada). Vejamos algumas formas de energia utilizadas na eletrotermofototerapia: energia elétrica, energia eletromagnética, energia térmica, energia sonora e energia mecânica (Rosa; Lopes, 2018). 3 1.1 Energia elétrica A energia elétrica é uma forma de energia baseada na geração de diferenças de potencial elétrico entre dois pontos, o que gera uma corrente elétrica entre ambos. Tal energia pode ser transformada para uso na forma de luz ou calor. A energia elétrica está associada à geração de uma corrente elétrica, caracterizada por um movimento ou um fluxo de partículas carregadas, como os elétrons ou os íons, de um local para outro. Essa corrente pode ser conduzida por metais e soluções, sendo transferida para o corpo humano e provocando reações fisiológicas com resultados terapêuticos. A eletroterapia pode ser classificada como baixa, média ou alta frequência, de acordo com a repetição dos impulsos elétricos utilizados em tratamentos diversos. Essa classificação está associada à frequência de ciclos emitidos por segundo (Hertz [Hz]). Dessa forma, a corrente de baixa frequência utilizada em seres humanos não é superior a 1000 Hz (corrente galvânica, microcorrentes, entre outros). Já a média frequência varia de 1000 Hz a 100 KHz (corrente russa e interferencial), enquanto a alta frequência é maior que 300 KHz (ondas curtas e micro-ondas). A intensidade da corrente elétrica, por sua vez (ou seja, a quantidade de carga elétrica por unidade de tempo), é um indicador que se relaciona com o número de elétrons ou íons que passa por um local em um determinado tempo. Sua unidade de medida é o ampère (A), sendo frequente em equipamentos a utilização de miliampere (mA) ou microampere (μA). Com relação à corrente elétrica, existem dois tipos básicos de corrente elétrica com finalidades terapêuticas: a corrente contínua e a corrente alternada. A corrente contínua é polarizada, ou seja, a carga se movimenta sempre na mesma direção. Além disso, apresenta um fluxo constante e unidirecional de eletricidade, e assim os elétrons fluem continuamente em uma única direção. Já a corrente alternada pode se apresentar na forma polar ou apolar. A forma apolar (despolarizada) caracteriza-se por inverter a direção em intervalos regulares de tempo (Rosa; Lopes, 2018). São exemplos de aplicação de corrente elétrica: corrente russa, corrente aussie, corrente galvânica, microcorrentes, eletrolipólise, alta frequência, iontoforese, ozonioterapia, carboxiterapia. 4 As indicações clínicas são: desincrustação na limpeza de pele, eletrolifting, melhora do aspecto geral da pele, regeneração e cicatrização, estimulação da microcirculação (inclusive em couro cabeludo), rejuvenescimento, poros dilatados, manchas, redução de gordura localizada, lipodistrofia ginoide (celulite), flacidez cutânea, estrias, flacidez muscular, fortalecimento muscular, além de auxílio na eliminação de toxinas. Esse tipo de procedimento é contraindicado nos seguintes casos: tumores; lesões na região tratada; gestação; pacientes com marca-passo; problemas cardíacos, respiratórios e renais crônicos; hipertensão; e epilepsia. 1.2 Energia eletromagnética A energia eletromagnética é transmitida por radiação, em diferentes comprimentos de ondas. A radiação é um processo pelo qual a energia se desloca de sua fonte para fora, através do espaço. A luz solar constitui um tipo visível de energia radiante que produz calor. A luz é uma energia radiante que se manifesta através da luz visível, ou seja, da luz que conseguimos perceber com o sentido da visão. Um raio de luz estabelece a trajetória da luz em determinado espaço. Sua representação indica onde a luz é criada (fonte) e para onde ela se dirige. A energia luminosa ou fotônica é definida pelo produto de uma constante, ou seja, a energia de determinado raio luminoso, ou onda eletromagnética, é uma função exclusiva da frequência que o constitui. Com base nisso, a fototerapia compreende recursos que se baseiam no efeito da luz sobre os tecidos biológicos, o que envolve, além de agentes tradicionais (como a luz ultravioleta e o infravermelho), a laserterapia, a emissão de luz por diodo (LED) e a luz intensa pulsada (ILP). O mecanismo de ação da fototerapia requer a absorção de luz por uma molécula fotorreceptora, chamada cromóforo. Os cromóforos são geralmente organelas celulares presentes na derme e na epiderme, como melanina, citocromo, porfirinas, hemoglobina, entre outras. Ao absorver a luz, seu metabolismo é estimulado, induzindo reações químicas e dando origem a uma cascata de respostas celulares. Outro mecanismo que se baseia na utilização da energia eletromagnética está associado ao uso da radiofrequência como técnica de tratamento estético. Esse recurso atua a partir da conversão da energia eletromagnética em efeito 5 térmico sobre os tecidos. A radiofrequência é uma radiação no espectro eletromagnético, compreendida entre 30 KHz e 300 MHz, capaz de alcançar os tecidos mais profundos, gerando energia e forte calor sobre as camadas mais profundas da pele, o que mantém a superfície protegida, provocando a contração das fibras colágenas existentes e estimulando a formação de novas fibras. Elas se tornam, assim, mais eficientes para sustentar a pele. A energia eletromagnética também apresenta efeitos associados a recursos como o Gerador de Alta Frequência, aparelho que trabalha com correntes alternadas (elevada tensão e baixa intensidade). Ao ser usado na superfície da pele, provoca a formação de ozônio (O3). Seus efeitos estão associados à produção de calor, com vasodilatação periférica local e aumento da oxigenação celular. Como efeito terapêutico, destaque para a ação bactericida e antisséptica, associada à formação do ozônio (Rosa; Lopes, 2018). São exemplos da aplicação de energia eletromagnética: ozonioterapia, ultrassom, radiofrequência, laserterapia, luz intensa pulsada, infravermelho, LED. As indicações clínicas são: lipodistrofia ginoide (celulite), estrias, flacidez cutânea, aderências e fibroses, redução de gordura localizada, auxílio na eliminação de toxinas e redução de edemas, melhoria do aspecto geral da pele, rejuvenescimento, eliminação e/ou redução de manchas, poros dilatados, cicatrizes, telangectasias da face, epilação, remoção de pigmentos, favorecimento da regeneração e cicatrização de tecidos e tratamento capilar. São contraindicações a esse tipo de procedimento: tumores; lesões na região a ser tratada (o calor poderá alterar o comportamento da região); hipertensão; gestação; uso de anticoagulantes; marca-passo; diabetes descompensada; DIU (radiofrequência). 1.3 Energia térmica A energia térmica está associada ao aumento ou à diminuição da temperatura tecidual, considerando agentes quentes ou frios. A energia térmica é uma forma de energia relacionada com a movimentação de moléculas a partir de um determinado corpo. Quanto maior o movimento e a velocidade dessas partículas, maior será a temperatura e mais intensa a energia térmica liberada. Há diferentes modos de transferência de energia térmica entre os corpos. A temperatura central permanece constante, sendo mantido um certo equilíbrio entre a produção de calor interno e a perda ou ganho de calor no nível da pele. 6 As modalidades condutoras produzem mudanças de temperatura de forma generalizada nos tecidos superficiais, com uma profundidade de penetração máxima de 1 cm ou menos. As modalidades condutoras podem acarretar aumento na temperatura dos tecidos (termoterapia) ou diminuição na temperatura dos tecidos (crioterapia). As modalidades de transferência de energia térmica, no âmbito dos tecidos,ocorrem principalmente por condução e convecção. A variação da temperatura do tecido depende da quantidade de energia convertida em calor, em uma determinada profundidade do tecido, e da capacidade de condutividade térmica do local. Outro elemento importante na variação da temperatura é a vascularização do local e a técnica de aplicação da modalidade térmica. A técnica de aplicação é estabelecida por meio de tratamento profundo, em que a conversão da energia ocorre à medida que há penetração no tecido (micro-ondas, ultrassom, entre outros). Já o tratamento superficial gera, por meio de condução ou convecção, a transferência de energia pelo contato entre os corpos (bolsas quentes, entre outros). Para que a termoterapia superficial seja capaz de provocar efeitos terapêuticos, a temperatura da pele deve aumentar de 40°C a 45°C em uma área de 2 cm de profundidade na pele (Rosa; Lopes, 2018). São exemplos de aplicação de termoterapia (aplicação de calor): mantas térmicas, compressas e bolsas quentes, sauna, radiação infravermelha, forno de Bohr, ultrassom, radiofrequência, eletrocautério e jato de plasma. Exemplos de crioterapia: criolipólise e criofrequência (nessa aplicação, temos termoterapia associada à crioterapia). As indicações clínicas são: redução de gordura localizada, lipodistrofia ginoide (celulite), flacidez cutânea, auxílio na eliminação de toxinas, melhora do aspecto geral da pele, rejuvenescimento, rugas e sulcos, além de retração de pele nos casos de flacidez facial. São contraindicações desse tipo de procedimento: hipertermia (febre), pois o calor poderá intensificar o aumento da temperatura; tumores, não sendo indicado qualquer tipo de estímulo que acelere o metabolismo; lesões na região a ser tratada, pois o calor poderá alterar o comportamento da região; período menstrual, já que o uso de calor poderá aumentar o fluxo menstrual. 7 1.4 Energia mecânica A energia mecânica, associada ao movimento dos corpos, é produzida a partir do trabalho de um corpo, podendo ser transferida para outro. Qualquer corpo em movimento é capaz de realizar trabalho – portanto, apresenta energia, que nesse caso é chamada de cinética. A energia mecânica está associada ao movimento ou à posição. Pode ser energia cinética (energia de movimento) ou energia potencial (energia armazenada de posição). Os objetos têm energia cinética quando estão em movimento; já a energia potencial é armazenada por um objeto e tem o potencial de ser criada quando esse objeto é alongado, dobrado ou comprimido. São modalidades de energia mecânica: compressão intermitente, técnicas de tração e massagem (Rosa; Lopes, 2018). São exemplos de aplicação de energia mecânica: ultrassom (efeito cavitação), pressoterapia, endermoterapia (vacuoterapia), peeling de diamante, peeling de cristal, peeling ultrassônico e plataforma vibratória. As indicações clínicas são: lipodistrofia ginoide (celulite), estrias, cicatriz de queimaduras, flacidez cutânea e muscular, aderências e fibroses, auxílio em conjunto com outras terapias para redução de gordura localizada, auxílio na eliminação de toxinas e redução de edemas, estimulação da circulação favorecendo o retorno venoso, melhora do aspecto geral da pele, suavização de rugas, e limpeza de pele através de esfoliação física dos peelings. São contraindicações a esse tipo de procedimento: tumores; lesões na região a ser tratada, pois o calor poderá alterar o comportamento da região; hipertensão; hérnia: veias varicosas; flebites e trombos; gestação; uso de anticoagulantes; marca-passo; diabetes descompensada. 1.5 Energia sonora A energia sonora consiste em ondas de pressão, devido à vibração mecânica das partículas. A relação entre velocidade, comprimento de onda e frequência é a mesma para as energias sonora e eletromagnética, mas as velocidades dos dois tipos de onda são diferentes. As ondas acústicas viajam na velocidade do som. O ultrassom utiliza uma forma de energia sonora não audível, produzindo ondas mecânicas que podem ser emitidas de forma contínua, produzindo efeito térmico, ou alternada, com menor elevação de temperatura. 8 TEMA 2 – CARBOXITERAPIA Ao longo dos anos, há um conjunto de alterações que provoca o envelhecimento da pele. De forma intrínseca e natural, pelo envelhecimento das células, e de forma extrínseca, como resultado de hábitos e fatores ambientais. As consequências incluem modificações estéticas na pele, na forma de rugas, sulcos, flacidez, linhas de expressão e ressecamento. O envelhecimento é um processo natural que tem início por volta dos 30 anos, ficando mais evidente na terceira idade. A pele apresenta importantes funções: proteção mecânica, excreção, barreira hídrica, controle de temperatura, defesa contra infecções, além de participação na síntese de vitamina D. A carboxiterapia consiste na permeação de gás carbônico medicinal (dióxido de carbono, ou CO2) medicinal com 99,9% de pureza, administrado em via subcutânea, o que causa vasodilatação periférica e melhora a oxigenação tecidual. Gás inodoro incolor e atóxico, é um endógeno produzido naturalmente das reações oxidativas eliminadas pelos pulmões durante a respiração. Com utilização ampla, a carboxiterapia ganha espaço na estética para tratamentos de flacidez, rugas, cicatrizes e gordura localizada. Na década de 30, teve início o seu uso terapêutico com bons resultados, chegando ao Brasil no início deste século, com foco na área estética. Seus efeitos fisiológicos apresentam vasodilatação e aumento significativo de O2 local. Após a sua administração, há uma resposta inflamatória no local, ocasionando uma série de eventos no tecido conjuntivo vascularizado e nas células circulantes, com o objetivo de restaurar e cicatrizar o tecido lesionado. Vejamos seus efeitos: melhoria da circulação local e da microcirculação da pele; estímulo à formação de fibras de colágeno e elastina, com reorganização estrutural, o que melhora o tônus e a flacidez tecidual; redução de medidas, por conta de seu efeito lipolítico; oxigenação dos tecidos. 2.1 Efeito Bohr Quanto mais gás carbônico disponibilizamos no tecido, mais hemoglobinas carregadas com oxigênio vão chegar através da circulação, porque a hemoglobina apresenta maior afinidade pela molécula de O2 para os 9 tecidos, além de captação da molécula de CO2 que será transportada e eliminada pela respiração. Isso caracteriza o efeito Bohr, que é analisado pela curva de dissociação da oxiemoglobina em resposta às alterações de CO2 e de íons de hidrogênio H+. Com auxílio de um equipamento próprio para carboxiterapia, o gás carbono medicinal será administrado de acordo com o fluxo e o volume adequado. Ligado a um cilindro a aço com regulação de pressão de CO2, alguns equipamentos aquecem o gás durante a trajetória para diminuir o desconforto do paciente. As indicações terapêuticas são: flacidez cutânea, olheiras, sequela de acne, rejuvenescimento facial, celulite, estrias, gordura localizada, tratamento capilar. As contraindicações são: alergia na pele, gravidez, lactantes, herpes ativo. Seus efeitos terapêuticos dependem do local anatômico da aplicação. Importante entender o objetivo do tratamento, pois a técnica envolve diferentes volumes de gás, fluxos e frequências para cada protocolo. Os cuidados com o corpo e a aparência se tornaram prioridades nos últimos anos. Com isso, os tratamentos estéticos ganharam mais visibilidade. A carboxiterapia é considerada um tratamento seguro, pois não apresenta efeitos adversos, como complicações locais ou sistêmicas. Porém, é importante realizar o procedimento com o protocolo adequado para cada paciente. TEMA 3 – OZONIOTERAPIA Ozônio é um gás presente na atmosfera, originado em grandes altitudes ou após uma tempestade no mar. O Brasil ocupa o quinto lugar em pesquisas realizadascom ozônio no mundo. O ozônio medicinal é composto por uma mistura de 95% de oxigênio 5% de ozônio. O ozônio puro é considerado um dos oxidantes mais potentes que conhecemos. Seu odor intenso e característico torna-o facilmente perceptível. É utilizado para vários tratamentos patológicos e estéticos. 3.1 Histórico Mak Van Marumom, químico holandês, registrou pela primeira vez, em 1785, a existência do ozônio O3. Em 1840, o químico alemão Christian Friedrich 10 Shoenbein o sintetizou, e o primeiro gerador foi patenteado em 1896, nos EUA, pelo inventor Nikola Tesla. Utilizado na primeira guerra mundial para desinfectar e tratar infecções, feridas e cicatrizes, posteriormente foi utilizado como tratamentos para hernias lombares e hepatites. A exposição prolongada ao O3 por via respiratória e por via cutânea e/ou radiação ultravioleta leva à formação de uma grande quantidade de compostos tóxicos, que penetram a corrente sanguínea, atingindo órgão vitais e produzindo danos intensos. Por conta disso, durante anos ele foi proibido, porque era visto como algo prejudicial à saúde. Pode ser produzido por radiação ultravioleta do sol, ou por equipamento que utilizam descargas de alta voltagem e frequência. Por ser metaestável, há dificuldades de armazenamento. É explosivo na forma líquida ou sólida. Seu tempo de meia vida depende da temperatura, assim como o processo endotérmico é reversível na velocidade de dissociação do O3, também dependente da temperatura. Em temperatura de 20º C, apresenta tempo de semivida de 40 minutos, porém na temperatura de 0º C a semivida é de 140 minutos. Por conta de sua instabilidade, deve ser produzido apenas no momento de aplicação. 3.2 Mecanismo de ação Apesar de muitos estudos ao longo dos anos, o seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. Acredita-se que produz efeitos terapêuticos, como melhoria da oxigenação corporal, aperfeiçoamento dos mecanismos de defesa imunológica do organismo, regulação do sistema antioxidante, melhoria do metabolismo de O2, melhoria da irradiação dos produtos tóxicos do metabolismo celular, além de atua a nível mitocondrial, diminuindo as citocinas (Lopes, 2020, p. 36): Regulação do Sistema Antioxidante sendo dez vezes mais solúvel do que o O2, o O3 consegue penetrar com maior facilidade nos tecidos dissolvendo-se no plasma sanguíneo e nos fluídos extracelulares, reagindo de imediato com biomoléculas, como proteínas, carboidratos, antioxidantes e ácidos graxos. Logo de seguida desaparece e gera radicais livres, as Espécies Reativas de Oxigénio (ROS/EROS) e Produtos De Oxidação Lipídica (LOP) (Anon, 2007; Bocci, 2007). A molécula ROS é principalmente o peróxido de hidrogénio (H2O2), que é um oxidante não radical capaz de reagir como o O3 responsável por extrair diversos efeitos biológicos e terapêuticos. Para conseguir obter um efeito biológico sem provocar danos é importante a calibração da concentração de O3 (µg/ml de gás por ml de sangue1:1), sendo também importante a medição da capacidade antioxidante do sangue e caso seja necessário, reforçar com suplementos alimentares 11 antioxidantes, antes e durante o tratamento, pois os ROS em quantidades excessivas podem causar danos celulares. Segundo Philippi & Barreira (2018) as ROS apresentam mediadores de defesa e imunidade, ou seja, quando é introduzido O3 existe um aumento na ativação das plaquetas e consequentemente libertação de fatores de crescimento, que contribuem para a cicatrização. A Molécula de Ozono O3 e os LOP podem ser benéficos ou tóxicos, ou seja, quando se pretende ter um efeito terapêutico, as concentrações não devem ser nem muito baixas acabando por não ter eficácia, nem muito altas podendo causar toxicidade (Philippi et al., 2018). Quando o organismo está exposto ao O3 em doses controladas ocorre um stress oxidativo levando ao aumento gradual da produção de enzimas endógenas antioxidantes, que são a primeira linha de defesa na destruição dos radicais livres (RL) (Aydogan & Seda 2012; Oliveira & Wosch 2012). Pode provocar irritação no trata respiratório, quando inalado em doses altas. Contudo, apresenta efeitos benéficos quando aplicado em doses terapêuticas. Nas últimas décadas, tem ganhado destaque por se dissipar sem permanecer nas células. Consegue ainda estimular o organismo a produzir enzimas antioxidantes, além de oxidar os ácidos graxos. Seu poder anti- inflamatório, bactericida e antiviral relaciona0se ao sistema imunológico e à defesa dos antioxidantes. 3.3 Na estética Após a descoberta das vantagens obtidas com a técnica de ozonoterapia, começa a ser utilizada na estética para tratamentos faciais e corporais. Apresenta como principais benefícios na estética: • Liberação de fatores de crescimento que promovem a regeneração dos tecidos • Controle dos processos inflamatórios • Fibroedemageloide (celulite) • Protocolos para gordura localizada • Tratamento de acnes e hipercromias • Rosácea • Rejuvenescimento facial • Combate Flacidez • Uniformiza o tom da pele • Estrias; • Queda capilar e calvície O procedimento pode ser realizado de diversas formas, principalmente: 12 • Aplicações tópicas (na pele) • Banho e sauna • Subcutânea • Via endovenosa • Intramuscular • Retal • Auricular • Intra-articular Contraindicado para: gestante; hipotiroidismo descompensado; diabetes descompensada; portador da G6PD, pois pode levar à hemólise. A estética apresenta diversos protocolos para os tratamentos de ozônio. Apesar dos benefícios, quando aplicada de forma incorreta pode apresentar riscos. Por isso, é muito importante proceder a uma avaliação adequada para determinar o protocolo que vai ser seguido e quantas sessões serão necessárias. TEMA 4 – LASER Desenvolvido na década de 60, o nome raio laser é uma abreviação de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, ou Luz Amplificada pela Emissão Estimulada de Radiação. Em termos práticos, chamamos de laser certos dispositivos que geram radiação eletromagnética (REM) com características próprias. Ao contrário da luz solar e da luz incandescente, que são caóticas, emitindo radiação em todas as direções e de todo o espectro de comprimento de onda, a luz laser tem características diferentes: é coerente, pois as ondas estão em fase no tempo e no espaço, de forma monocromática, com o mesmo comprimento de onda (luz pura, da mesma cor); é colimada, pois as ondas têm a mesma direção, a luz é paralela, não divergente, estreita, concentrada, 1 mm de diâmetro, de alta intensidade. Pelo fato de ser monocromática, pode interagir intensamente com certas substâncias e pouco com outras. Como é emitida na forma de um feixe altamente colimado, pode ser direcionada com grande precisão para distâncias significativas. Habitualmente, os lasers médicos são chamados pelo nome de meio ativo ou meio lasante. Em relação ao estado físico, o meio laser pode ser: gasoso, 13 líquido, sólido ou de elétrons livres. Quanto ao modo de emissão temporal da luz, os lasers podem ser: contínuos, quando emitem radiação de forma contínua, com mais de 1 segundo de duração, como CO2; ou pulsados, quando emitem radiação em pulsos regulares. Esses impulsos podem apresentar maior ou menor duração. Para gerar a luz responsável pelo tratamento, o aparelho de raio laser apresenta diferentes fontes. A alimentação do laser pode variar entre CO2, cobre, rubi e argônio, para citar alguns exemplos. Cada uma proporciona um tipo diferente de luz, que será específico para determinadas finalidades. No caso dos raios utilizados na pele, cada apresenta um comprimento de onda diferente, associado a um tipo de célula ou pigmento. A análise do processo leva à determinação do laser que será usado em cada tratamento estético. 4.1 Interação do laser com os tecidos O laser foi primeiramente aplicado notratamento de doenças de pele e na eliminação de pequenos tumores. Com o avanço da tecnologia, descobriu-se que era possível aproveitar a luz em muitas outras técnicas, com as mais diversas finalidades. A tecnologia de radiação eletromagnética pode ser utilizada com diversas finalidades. Essa forma de energia atinge determinado alvo na pele, promovendo modificação física, química ou biológica. O efeito terapêutico do laser varia em função dos seguintes aspectos: comprimento de onda, duração do impulso, tamanho, tipo e profundidade do alvo, e interação entre a luz emitida pelo laser e o alvo determinado. Os principais alvos do laser médico são: pigmento natural, pigmento externo, água intracelular, aminoácidos e ácidos nucleicos. Os pigmentos naturais e externos são chamados de cromóforos. O cromóforo é um grupo de átomos que dá cor a uma substância e absorve a luz com um comprimento de onda específico no espectro visível. Os cromóforos da pele são: oxi-hemoglobina e desoxi-hemoglobina, melanina, carotenos, água e proteínas. As proteínas e a água não são absorvidas no espectro do visível, e teoricamente não deviam ser chamadas de cromóforos, mas na prática são moléculas orgânicas que absorvem REM. Por isso, falamos em cromóforos de uma forma geral, mesmo que absorvam os UV ou os infravermelhos. 14 Quando a radiação é absorvida pelo tecido biológico, alguns efeitos podem ser provocados: • Efeito fototérmico: a alta energia laser absorvida pelos tecidos pode gerar calor, que causa a destruição do tecido. Exemplo: laser CO2. • Fotodisrupção: uma onda de choque, cuja vibração causa explosão e a fragmentação do tecido alvo. • Efeito mecanoacústico e fotoacústico. Exemplo: laser Q-switched. • Fotoablação: rotura direta das ligações moleculares por fótons ultravioleta de alta energia. Exemplo: laser excímeros (ultravioletas). • Ablação induzida por plasma ablação através da ionização das moléculas e dos átomos quando se obtém a formação de plasma. Exemplo: Nd:YAG. A maioria das moléculas orgânicas absorve UV, por conta da forte absorção de proteínas nessa área do espectro. A oxi-hemoglobina tem um pico de absorção entre 490 nm e 595 nm, correspondente ao verde e ao amarelo. A desoxi-hemoglobina, aos 770 nm. A meta-hemoglobina, que resulta da transformação da hemoglobina após aquecimento sanguíneo, tem uma absorção preferencial a 1.000 nm. A melanina tem uma absorção muito larga no espectro óptico, mas que diminui lentamente dos UV aos infravermelhos. É máxima por volta dos 530 nm. A absorção da água predomina para comprimentos de onda superiores a 1.800 nm. Não há nenhum comprimento de onda que permita atingir um cromóforo de forma completamente específica. A janela óptica escolhida é apenas a mais seletiva possível para o tecido alvo. Daí a importância dos sistemas de arrefecimento que arrefecem a epiderme e a derme superficial, de modo que reforçam a seletividade da ação térmica no nível de um alvo mais profundo. TEMA 5 – CLASSIFICAÇÃO DOS LASERS Podemos classificar os lasers não só de acordo com o meio do laser e o comprimento de onda, mas também a partir das funcionalidades a que se destinam e de sua aplicação clínica. São diferenciados em ablativo e não ablativos. Os lasers ablativos vaporizam e destroem, por fototermólise, a epiderme e a derme superficial. São lasers de infravermelhos que atuam por estimulação da neosíntese de colágeno, sem destruição da epiderme, aspecto que dá nome ao método: subsurfacing. 15 Podem ainda ser fracionados, quando o feixe de laser é separado em vários microfeixes, como se fosse um chuveiro. Isso permite deixar ilhotas de pele sã entre as áreas de pele tratadas, o que facilita a reepitelização das áreas. • Lasers de corte e de vaporização (ablativo): laser CO2 (10.600nm), Erbium: YAG (2.940 nm). • Lasers vasculares: atuam seletivamente nos vasos. Emitem REM com comprimento de onda entre os 500 e os 600 nm. A esclerose dos vasos pode ser induzida por dois processos: fotocoagulação seletiva e ototermólise seletiva. • Lasers pigmentares: destinam-se ao tratamento de manchas pigmentadas por lasers que emitem um comprimento de onda específico, absorvido pela melanina ou pelo pigmento externo. O alvo do laser são: cromóforos da pele, manchas, pigmento externo e tatuagens. • Lasers epilatórios: destinam-se à epilação. O alvo é o pigmento melânico presente nos bulbos pilosos. O objetivo é a destruição do bulbo que leva à epilação permanente. São destruídos apenas os bulbos que se encontram em fase anagénica. Os comprimentos de onda dos lasers estão compreendidos entre 600 e 1.100 nm, que é a janela óptica ótima, pois a competição entre a melanina e os outros cromóforos cutâneos é menor: alexandrite 755 nm, díodo 800 nm, rubis 694 nm, Nd: YAG 1064 nm pulso longo, IPL 500-1.200 nm, combinação alexandrite 755 nm + Nd:YAG 1.064 nm. A explicação para a escolha dos Δ e da duração de pulso está na competição que existe entre a melanina folicular e a melanina da epiderme, para a absorção de energia de determinado comprimento de onda. Quanto maior o Δ, menor a probabilidade de ser absorvido pela melanina da epiderme, pois a radiação penetra mais profundamente na derme. • Fototerapia (LED): os LEDs (Light Emitting Diodes) são diodos de semicondutores submetidos a uma corrente elétrica. Emitem luz e podem ser utilizados para fototerapia. Apresentam comprimento de onda de 405nm (azul) a 940nm (infravermelho), com papel diferente do tratamento ablativo, pois não causam dano tecidual com base em fototermólise. A ação do LED é intracelular, ou seja, ocorre estimulação direta das células. Podemos citar mais especificamente: a estimulação das mitocôndrias, que leva à reorganização das células, inibindo certas ações e estimulando 16 outras; a síntese de ATP e proteínas, como colágeno e a elastina, resultando em um efeito que chamamos de foto bioestimulação ou foto biomodulação. Dependendo do comprimento de onda utilizado, os LEDs também atuam como antimicrobianos e anti-inflamatórios. • Lasers de rejuvenescimento não ablativo: o laser tem que penetrar 100- 400 µm para atingir o pigmento da junção dermoepidérmica, o colágeno e os vasos da derme. A absorção da luz pela água provoca efeito fototérmico e, consequentemente, resposta inflamatória, que estimula a atividade fibroblástica. Os lasers usados no rejuvenescimento não ablativo são: Nd:YAG 1.064 nm e 1.320 nm, Díodo 1.450 nm, Erbium 1.540 nm, Q-switched Nd:YAG 1.064 nm, Crípton/Nd:YAG 532 nm, Laser pulsado de corantes 595 nm, IPL (Luz Intensa pulsada). • Luz intensa pulsada: em meados dos anos 90, surgiu um novo sistema, chamado de luz intensa pulsada (IPL), que não é um laser, mas segue os mesmos princípios. Os sistemas de IPL são fontes pulsadas de alta intensidade. Emitem luz policromática em um espectro largo de comprimentos de onda, que vai dos 515 aos 1.200 nm. À semelhança do laser, o mecanismo de ação é a fototermólise seletiva; ao contrário do laser, os Δ e a duração de pulso podem ser selecionados com a ajuda de filtros. É um sistema muito versátil e flexível, de modo que pode ser usado na vertente vascular, pigmentar e epilatória, e também no fotorrejuvenescimento cutâneo. Figura 1 – Ressurfacing Crédito: Elias Aleixo. 17 As principais indicações para tratamentos com laser são: • Melanoses solares: pode-se utilizar Luz Intensa Pulsada, lasers ablativos ou não ablativos. • Melasma: utilizar apenas alguns tipos de lasers; a melasma tem piora com o calor; laser que emite calor pode induzir efeito rebote. • Pigmentos de tatuagem: lasers pigmentares Q-switched, como: Nd:YAG 1.064 e 532 nm, Alexandrite 755 nm, Rubi 694 nm. • Pelos: são usados lasers pulsados, mas com duração de pulso maior que nos lasers Q-switched. Alexandrite 755 nm, díodo 800nm, rubis 694 nm, Nd: YAG 1064 nm pulso longo, IPL 500-1.200 nm, combinação alexandrite 755 nm + Nd:YAG 1.064 nm. Pode ser utilizado IPL, embora existam diferenças. Tanto os lasers quanto a luz intensa pulsada podem oferecer resultados satisfatórios. • Lesões vasculares: “vasinhos” na face, colo e pernas. Podem ser tratados efetivamente com lasers vasculares ou luz intensa pulsada. São lasers vasculares, lasers iônicos – laser de árgon (emite em vários Δ no visível e UV), laser de crípton (emite em vários Δ no visível), lasers de vapor metálico (quase contínuo) – vapor de cobre (578 nm). • Rejuvenescimento: luz intensa pulsada, lasers ablativos (laser fracionado de CO2, por exemplo) e não ablativos, infravermelho. • Estrias: tanto as estrias “vermelhas” quanto as “brancas”; podem ser usados lasers fracionados ablativos e não ablativos. • Cabelos: o uso dos lasers de baixa energia e LEDs é eficaz para complementar o tratamento de alguns problemas capilares. • Estética íntima e outros tratamentos genitais na mulher: laser fracionado não ablativo, CO2 fracionado, por exemplo. No momento dos procedimentos, é de extrema importância cuidar com a segurança do profissional e do paciente. Além disso, todas as pessoas que estiverem no ambiente em que o laser será usado devem usar óculos de proteção específicos para o Δ e a potência do laser. 18 NA PRÁTICA Qual a importância da anamnese no planejamento de tratamentos com eletroterapia? A eletroterapia tem muitos recursos não injetáveis. Eles seriam menos perigosos? São indicados a todos os pacientes? FINALIZANDO A preocupação com a aparência cresce conforme a expectativa de vida aumenta. No Brasil, os tratamentos estéticos são os mais procurados, com destaque para tratamentos faciais e corporais. Chama a atenção a corrida pela “perfeição”, mas também a procura por procedimentos minimamente invasivos, que auxiliem na recuperação da autoestima. Atualmente, esses tratamentos são muito mais acessíveis. A eletroterapia vem sendo cada vez mais utilizada nos tratamentos estéticos faciais e corporais, inclusive como opção aos pacientes que não querem realizar procedimentos injetáveis. Ela já é considerada como fundamental por muitos profissionais da área. Por conta disso, é imprescindível conhecer em profundidade as melhores técnicas e a sua correta utilização, de modo a evitar lesões. 19 REFERÊNCIAS ROSA, P. V.; LOPES, F. M. Eletroterapia facial e corporal básica. Porto Alegre: Sagah, 2018. LOPES, I. M. C. Ozonoterapia na acne. Dissertação (Mestrado) – Instituto Universitário Egas Moniz, Almada, Portugal, 2020. BIOMEDICINA ESTÉTICA AULA 6 Profª Nathaly Tiare Jimenez da Silva Dziadek 2 CONVERSA INICIAL Biomedicina estética A Estética também é uma forma de busca de equilíbrio e qualidade de vida, em que se tem incentivo a melhores hábitos e estilo de vida mais saudável, pensando em prevenção de disfunções estéticas, o que proporciona um bem- estar e melhora da condição de saúde de maneira geral. Há, ainda, uma melhora da autoestima, impactando diretamente a saúde em todas as dimensões do indivíduo. Nesta aula, veremos algumas áreas diferenciadas e possíveis, como a estética íntima e de alta performance, que atinge um público específico, veremos também a importância de, ao se realizar um procedimento, saber evitar e lidar com as intercorrências possíveis de acontecer em qualquer procedimento injetável ou não, pois o profissional biomédico esteta precisa estar preparado e capacitado para dar assistência ao seu paciente caso aconteça. E como otimizar os resultados fazendo boas associações de procedimentos, um potencializando o outro, o que traz resultados eficientes e duradouros em tempo menor de tratamento. TEMA 1 – HIDROLIPOCLASIA A gordura localizada é definida como um excesso de adipose encontrada de forma desorganizada em certas regiões do corpo. A quantidade de gordura é influída pelo sexo, idade, atividades de vida diária, fatores patogênicos, hormônios e também pelo físico corporal que define o tipo de adiposidade de acordo com o lugar que essa gordura se encontra. O aparelho de ultrassom (US) pode ser utilizado na gordura localizada e respalda-se de um gerador de uma corrente alternada de alta frequência. Para esse fim, transdutores piezoeléctricos são aplicados e resumem-se em um disco de um equipamento natural, tal como o quartzo, ou uma cerâmica sintética realizada de uma combinação de sais complexos, especificamente o zirconato e o titanato, a qual podem se reunir em processos de carga. Esse componente piezoeléctrico converte energia acústica em energia elétrica e seu adverso, energia elétrica em acústica. A corrente alternada que 3 sustenta o componente piezoeléctrico será modulada, gerando diversas modalidades de insonação: contínua ou pulsada. No Brasil, para fins terapêuticos, aplicam mais habitualmente as frequências de 1 ou 3 MHz. A utilização do US em tratamentos clínicos e estéticos é atual e a sua aplicação geralmente se associa ao tratamento da Lipodistrofia Ginoide (LDG) e da Gordura Localizada. A possibilidade para sua aplicação está relacionada aos seus efeitos mecânicos e térmicos. A adipose circunscrita, geralmente renomada como gordura localizada, superpõe-se constantemente à LDG, onde a gordura se conduz no organismo com uma repartição determinada geneticamente e pelo sexo (dimorfismo) e constitui-se num dos distúrbios fundamentais, além da LDG, tratada nos consultórios e clínicas de estética. As áreas tratadas com esse procedimento, geralmente, são abdômen, flancos, quadril, culote, braços e coxas, que apresentem prega cutânea de no mínimo 3cm. 1.1 Mecanismo de ação e forma de aplicação A hidrolipoclasia ultrassônica é a injeção em ângulo de 45° de uma solução hipotônica (soro fisiológico injetável mais/ou água destilada) em quantidade de 0,5 a 2mL por ponto no tecido hipodérmico na região a ser tratada, os pontos devem ter entre si de 2 a 3 cm, logo após, utiliza-se o ultrassom pressionando o cabeçote do US na região, que terá seu efeito potencializado. Para obter um resultado significativo, o ultrassom deve ser de 3MHz, além de estar no modo contínuo, com a intensidade de 2W/cm² a 3W/cm². O efeito é potencializado devido a região após a infiltração da solução estar com uma quantidade bastante aumentada de líquido, no caso a solução hipotônica, no espaço entre as células ou intercelular e, após um período, esse líquido migrar para o interior das células adiposas, fazendo um efeito de tensão na membrana celular, pois esta está expandindo seu tamanho e a tornando mais suscetível ao rompimento. O ultrassom age por modulação de amplitude e frequência, atingindo essa célula que, nesse momento, se encontra como uma bexiga de aniversário, resultando em implosão do adipócito ou rompimento da membrana externa, depositando a gordura que estava dentro da célula na região de tratamento, onde será excretada e metabolizada pelas vias normais do organismo através do 4 sistema linfático e metabolismo, consequentemente, reduzindo a gordura localizada. A relação quantidade de soro x tempo de ultrassom é, para cada 1mL de solução, de 1 minuto de ultrassom a 3mHz, no caso de ter injetado 20mL de solução, são necessários 20 minutos de ultrassom. Esse e qualquer tratamento corporal com objetivo de redução de gordura localizada ou lipodistrofia ginoide (celulite) deve ser sempre acompanhado de dieta e/ou exercícios físicos, para que os ácidos graxos liberados sejam utilizados como fonte de energia. Caso os pacientes não sigam as recomendações necessárias, a gordura mobilizada tende a ser redistribuída no tecido adiposo, porém, de forma mais heterogenia. Sendo assim, é imprescindívela colaboração do paciente em suas atividades de vida diária, mantendo hábitos de vida saudáveis para um bom resultado desses tratamentos e efeito duradouro. Créditos: lev.studio/Shutterstock; Sukanya White/Shutterstock. TEMA 2 – ESTÉTICA DE ALTA PERFORMANCE ESTÉTICA ÍNTIMA 2.1 Estética de alta performance O tratamento estético chamado de tratamento de alta performance é utilizado em pacientes que já estão com o percentual de massa magra e gordura corporal ideais, também muito procurado por atletas. Consiste na aplicação de medicamentos, enzimas, aminoácidos, entre outros, tanto de forma intradérmica (mesoterapia), como intramuscular, com o objetivo do aumento de massa e melhor definição muscular. As aplicações intradérmicas de ativos com ação lipolítica são realizadas de forma local, onde se quer “definir” a musculatura, na realidade o efeito produzido é o de evidenciar a musculatura, aplicando as enzimas em pontos 5 estratégicos, “desenhando” o músculo, o efeito se dá, pois a gordura será degradada somente no local onde foi aplicado a substância. Esse tratamento é indicado para pacientes que já não possuem gordura localizada na região, ou seja, quando a reserva de gordura da região fica com pregueamento cutâneo inferior a 1 cm, caso contrário não serão alcançados resultados satisfatórios e estéticos. Em pacientes que ainda possuem a gordura localizada, é indicado a perda e redução de gordura e, após esse processo, realizar alta performance. As aplicações intramusculares atuam de forma sistêmica, consistem em substâncias, geralmente aminoácidos, que auxiliam no desenvolvimento da musculatura, ou aumento da massa magra. Esse tratamento é indicado para pacientes que realizam atividade física regularmente, ou atletas, devendo se realizar atividade física sempre após a aplicação no prazo máximo de 24 horas. Ainda nessa modalidade, temos ativos que aceleram o metabolismo, auxiliando o emagrecimento e pode ser realizado sempre em paralelo a tratamentos corporais que visam emagrecimento ou perda de gordura localizada. Existem vários tratamentos de alta performance, como recuperação muscular de atletas após o exercício, redução de ansiedade, melhora de concentração, inibidor de apetite entre outros. Nesta modalidade de tratamento, é comum a associação de substâncias para obtenção de melhores resultados, a escolha dessas substâncias deve ser feita por meio de anamnese detalhada e objetivo de cada paciente. Os ativos mais utilizados são: BCAA Aminoácidos como L-arginina, L-ornitina, L-taurina, L-carnitina, L- theanina Cafeína Picolinato de cromo 5-HTP Inositol HMB NADH Vitaminas e antioxidantes 2.2 Estética íntima 6 Não existe um padrão ideal em relação a aparência e anatomia genital externa. Existe, no caso das mulheres, uma série de variações, conforme etnia, peso, idade, entre outros, quanto ao formato, tamanho, textura, pigmentação da pele. Também questões de musculatura da bexiga e assoalho pélvico, que ocasionam em incontinência e perda urinária. Já no caso dos homens, a maior queixa é em relação ao tamanho do pênis, devido a essa condição ser historicamente relacionada com virilidade. A pele das genitálias sofre os mesmos impactos do tempo e idade das demais áreas do corpo. Os principais tratamentos estéticos íntimos procurados são: Rejuvenescimento íntimo – Nas mulheres, nos primeiros 5 anos após a menopausa, é perdido 30% do colágeno cutâneo, em paralelo, devido à queda do hormônio estrogênio, ocorre uma quebra nas fibras de elastina, isso atinge a pele de todas as regiões do corpo, inclusive da região íntima. Essa perda de elasticidade da pele ocasiona enrugamento e flacidez da genitália. A tração constante e excessiva da depilação com cera também contribui para a perda de elasticidade, podendo, ainda, ocasionar hiperpigmentação (manchas). Para essa finalidade, são recomendados: o Tratamentos com radiofrequência e lasers, os quais estimulam síntese de colágeno pelos fibroblastos e melhora da circulação sanguínea da região. o Bioestimuladores de colágeno injetáveis, com o objetivo de induzir síntese de colágeno e melhora na hidratação, o que devolve a elasticidade e firmeza da pele. o Preenchimento com ácido hialurônico, em regiões com perda de volume, por exemplo, grandes lábios da vulva. Clareamento da região íntima – A pele da região íntima é mais escura naturalmente, essa coloração pode ficar mais escura, ou ainda chamado de hiperpigmentação, devido à constante depilação com cera, atrito com as roupas, processos de cicatrização de alguma lesão, condições hormonais, entre outros. Para essa finalidade, podem ser utilizadas técnicas de: o Clareamento com lasers, cremes e peelings com ativos clareadores, além de evitar atrito ou depilação com cera na região. Pode-se utilizar ativos clareadores, como ácido mandélico, ácido 7 tranexâmico, ácido kójico, niacinamida, alfabisabolol, belides, alfa arbutin. Perdas e incontinência urinária – Esta é uma condição que se observa em mulheres de todas as idades e está relacionada com a musculatura do assoalho pélvico e bexiga. O biomédico pode intervir nessa condição desde que descartada a hipótese de desequilíbrios fisiológicos de ordem patológico e desde que se trate de uma questão estética. Para essa finalidade, pode ser indicado o tratamento com equipamentos, como plataforma vibratória, onde, em cima do aparelho em funcionamento, pode ser orientado que a paciente realize exercícios de contrair e relaxar a musculatura, como se estivesse soltando e segurando a urina, na plataforma vibratória, existe um recrutamento muscular muito mais intenso que no exercício em solo, o que exercita de forma mais intensa a musculatura. TEMA 3 – INTERCORRÊNCIAS O aparecimento de rugas, linhas de expressão, flacidez e perda de gordura facial são os sinais mais comuns do envelhecimento. Sabemos da existência e finalidade de cada procedimento para diminuir seu impacto frente ao padrão de beleza estabelecido na sociedade contemporânea. Para o envelhecimento intrínseco, por exemplo, ajudamos a controlar seus danos com formular orais, a fim de amenizar a perda gradual das funções celulares e, para o envelhecimento extrínseco, a reposição de hidratação na textura da pele, estimulação de colágeno por meio de várias técnicas e o relaxamento da musculatura, evitando a demarcação das rugas, são os mais pedidos nas clínicas de estética, entretanto, não podemos deixar de lado um assunto importante, como as possíveis intercorrências que podem ocorrer em cada procedimento. O conhecimento anatômico é de suma importância para diminuir essas ocorrências. Costuma-se dizer que a possível intercorrência inicia assim que o paciente entra em seu consultório, pois uma anamnese mal realizada (falta de atenção) acarretará mais facilmente em um possível erro, seja a escolha errada do tratamento, região anatômica errada, produto não adequado ao tratamento a ser realizado, entre outros. 8 As intercorrências podem ocorrer em procedimentos faciais ou corporais. Com o objetivo de minimizar as possíveis intercorrências, podemos citar alguns cuidados essenciais para a maioria dos procedimentos minimamente invasivos: Anamnese (imunologia comprometida, desordem estética, déficit nutracêutico). Cuidados na assepsia (remover toda maquiagem). Manipulação do produto. Armazenamento/conservação do produto. Diluição correta, quando aplicável. Utilizar material estéril para qualquer injetável. Interação com medicação do paciente. Não criar e alimentar falsas expectativas. Foto antes e depois. Vamos destacar as possíveis intercorrências dos procedimentos mais procurados. Toxina Botulínica: o Ptose – Queda da pálpebra superior em direção a pupila. o Diplopia – Visão dupla. o Lagoftalmia– Incapacidade total ou parcial da pálpebra se fechar. o Xeroftalmia – Olho seco. Preenchimento: o Oclusão vascular localizada (principalmente região de nariz, glabela, têmpora) – limitação do fluxo sanguíneo. o Oclusão vascular extensa (atinge mais de uma região). o Embolismo venoso imediato – Injeção de produto dentro do vaso sanguíneo. o Inchaço e hematoma além do normal, esses sintomas geralmente se apresentam devido à intervenção injetável, porém de forma controlada. o Eritema. o Dor além do normal. o Pápulas e nódulos. o Complicações vasculares como Necrose – Em que a causa é o comprometimento da circulação sanguínea, seja por embolismo, 9 oclusão arterial, compressão externa do vaso, congestão venosa. A área apresenta mudança na coloração da pele, primeiramente, fica esbranquiçada e evolui para violácea com delimitação geográfica, o sintoma de dor é variável. É a intercorrência mais grave. Bioestimulador: o Atenção aos mesmos sintomas do preenchimento. o Branqueamento da região, a não normalização da coloração em 2 horas, suspeitar de necrose. o Inchaço e hematoma além do normal, esses sintomas geralmente se apresentam devido à intervenção injetável, porém de forma controlada. o Eritema. o Dor além do normal. o Pápulas e nódulos. Fios de sustentação: o Ondulações. o Inchaço e descoloração. o Dor além do normal. o Assimetria. o Superficialização de fios e fios fora da pele. o Hematoma e trauma. o Rompimento de estrutura. o Cicatrizes. o Pigmentação. o Infecção. o Migração. o Paralisia facial. o Granulações e fibrose. As principais intercorrências observadas em tratamentos corporais são: Queimaduras – Tanto em procedimentos que utilizam frio, quanto calor. Hipersensibilidade/alergias – A produtos e substâncias utilizados, principalmente ativos utilizados de forma injetável. Necrose por embolismo vascular – Procedimentos injetáveis com substâncias ou fármacos, principalmente por via intramuscular. O ideal é 10 que antes da ejeção, seja realizada a aspiração para visualização de retorno de sangue na agulha. A falta de assepsia correta pode levar a inflamações e/ou infeções. Todo e qualquer procedimento com agulha pode deixar hematoma na região aplicada. É importante ressaltar que, na estética, o paciente tem que estar saudável para realizar qualquer procedimento. TEMA 4 – PRESCRIÇÃO EM ESTÉTICA O profissional biomédico devidamente habilitado em biomedicina estética está autorizado para fins de diagnóstico estético e planejamento de tratamento para o paciente realizar determinadas prescrições. Segundo a Resolução n. 241, de 29 de maio de 2014, do Conselho Federal de Biomedicina: Art. 3º - Na prescrição devem constar: nome da substância ou formulação, forma farmacêutica e potência do fármaco prescrito (a potência do fármaco deve ser solicitada de acordo com abreviações do Sistema Internacional, evitando abreviações e uso de decimais); a quantidade total da substância, de acordo com a dose e a duração do tratamento; a via de administração, o intervalo entre as doses, a dose máxima por dia e a duração do tratamento; nome completo do biomédico prescritor, assinatura e número do registro no Conselho Regional de Biomedicina, local, endereço e telefone do prescritor de forma a possibilitar contato em caso de dúvidas ou ocorrência de problemas relacionados ao uso das substâncias prescritas; data da prescrição. A prescrição deverá seguir as instruções contidas na RDC67 de 08 de outubro de 2007 e demais normas regulamentadoras da ANVISA; Art.5º - O biomédico que possuir habilitação em Biomedicina Estética poderá realizar a prescrição de substâncias e outros produtos para fins estéticos incluindo substâncias biológicas(toxina botulínica tipo A), substâncias utilizadas na Intradermoterapia (incluindo substâncias eutróficas, venotróficas e lipolíticas), substâncias classificadas como correlatos de uso injetável conforme ANVISA, preenchimentos dérmicos, subcutâneos e supraperiostal (excetuando-se o Polimetilmetacrilato/PMMA), fitoterápicos, nutrientes (vitaminas, minerais, aminoácidos, bioflavonoides, enzimas e lactobacilos), seguindo normatizações da ANVISA; Art. 6º – Caberá ao profissional biomédico a prescrição de formulações magistrais ou de referência de cosméticos, cosmecêuticos, dermocosméticos, óleos essenciais e fármacos de administração tópica. Formulações magistrais e de referência de peelings químicos, enzimáticos e biológicos, incluindo a Tretinoína (ácido retinóico de 0,01 a 0,5% de uso domiciliar e até 10% para uso exclusivo em clínica) seguindo instruções da ANVISA. Art.8º – Cabe ainda ao profissional biomédico esteta a prescrição e a realização dos procedimentos que envolvam a utilização de lasers (de baixa, média e alta potência) e outros recursos tecnológicos utilizados para fins estéticos. 11 Art. 9º - O processo de prescrição biomédica deverá seguir as seguintes etapas: I - identificação das necessidades estéticas do paciente; II – definição e prescrição do tratamento para fins estético, seja de natureza farmacológica, biotecnológica ou que envolvam procedimentos invasivos não cirúrgicos para fins estéticos. III - seleção do tratamento ou intervenções relativas aos cuidados à saúde estética e qualidade de vida, com base em sua segurança, eficácia e bases científicas; IV -redação da prescrição; V - orientação ao paciente; VI - avaliação dos resultados; VII - documentação do processo de prescrição e do tratamento adotado. O biomédico pode também prescrever a formulação de nutracêuticos. Os nutracêuticos são indicados por possuírem concentração maior desses nutrientes do que nos alimentos e acabam sendo mais efetivos nos diversos tratamentos onde é indicado. Os chamados compostos bioativos (CB) que eles possuem estão presentes em diversos alimentos, mas neles, são disponibilizados de maneira concentrada, seja em forma de pós, cápsulas ou comprimidos. Ainda são diferentes de suplementos, pois estes são compostos por uma única substância, enquanto os nutracêuticos possuem vários princípios ativos em uma só composto, várias possibilidades de combinações, variando de acordo com a necessidade do paciente. Por possuírem efeito colateral extremamente reduzido, podem ser utilizados em forma de auxílio a tratamentos médicos por causar pouca ou nenhuma reação adversa. São facilmente encontrados em farmácias, como fórmulas prontas, mas podem e, dependendo do caso pontual, devem ser realizados de forma personalizada para cada pessoa em farmácias de manipulação, por exemplo. Esses produtos seguem a forma de preparação medicinal, podendo ser encontrados na forma isolada ou purificada. Vejamos alguns alimentos que já possuem suas propriedades funcionais comprovadas e benefícios de nutracêuticos, inclusive com finalidades estéticas: A cenoura e o betacaroteno – Estimula a pigmentação da pele através da melanina, com a função de prolongar e uniformizar o bronzeado. Peixes e o ômega 3 – Alguns peixes possuem um nutriente chamado Ômega 3, uma gordura saudável que estimula o aumento do bom colesterol e reduz o triglicérides, atuando também nas células do sistema nervoso. E também atua estimulando a produção de colágeno. 12 Licopeno presente no tomate, melancia e goiaba – Excelente antioxidante com a ação de proteger as células dos radicais livres. Essa funcionalidade tem comprovadamente até o potencial de prevenir o câncer. Selênio – Ameniza os danos causados pela radiação ultravioleta (UV). Probióticos presentes nos leites fermentados e iogurtes – Auxiliam no bom funcionamento do intestino e reduzem o risco de câncer na região. Resveratrol presente na casca das uvas – Ajuda a inibir inflamações, coágulos e a formação de células cancerígenas. Também muito utilizado na estética em tratamentos faciais, como compostoclareador. Catequinas presente nos chás verde e preto – Possuem ação antioxidante e inibem a formação de placas de gordura no sangue. Utilizados na estética como termogênicos e diuréticos leves, auxiliando nos tratamentos corporais, também possuem ação antioxidante, podendo ser utilizados em tratamentos faciais. Podemos ainda citar, cafeína, a vitamina C, o colágeno, as vitaminas do complexo B, os compostos diuréticos, os compostos que auxiliam na circulação sanguínea, entre vários outros. Pode-se realizar a prescrição ainda para realização de exames para auxílio no diagnóstico estético, visto que algumas disfunções estéticas são oriundas de desequilíbrios do estado geral de saúde ou patologias. E, em alguns casos, o paciente deve ser direcionado ao atendimento e tratamento médico antes do procedimento ou em paralelo, ou ainda, contraindicar determinado tratamento estético. Em estética, tudo que for indicado como tratamento ao paciente é considerado uma prescrição, o profissional prescreve determinado procedimento e, nesse caso, não está somente ligado a fármacos e substâncias, mas também procedimentos que se utilizam de equipamentos. Para aquisição de produtos controlados, no sentido de uso permitido somente a profissionais com determinada habilitação, no caso biomedicina estética, também é necessária a prescrição no momento da compra com identificação do biomédico, número do CRBM, carimbo e assinatura. Alguns dos produtos que exigem a prescrição para a compra são: Toxina botulínica Preenchedores Bioestimuladores de colágeno 13 Fios de sustentação Substâncias e fármacos usados em Intradermoterapia Formulação de peelings químicos Os biomédicos não estão autorizados a prescrever medicamentos controlados, pois estes têm a função de tratamento terapêutico, bem como substâncias com uso não permitido aos biomédicos, mesmo que estetas. TEMA 5 – ASSOCIAÇÃO DE PROTOCOLOS Muitas são as opções de tratamento em estética, para cada disfunção ou queixa, existe uma variedade muito grande de procedimentos que agem no mesmo objetivo, o que vai diferenciar e determinar a escolha é o que for mais indicado para cada paciente. Os procedimentos, na sua grande maioria, são eficazes desde que bem indicados, e entender dos processos biológicos, processos inflamatórios e patológicos, interações farmacológicas, permite ao profissional combinar dois ou mais procedimentos que sejam correlatos, para que se potencializem e entreguem melhores resultados. Essa associação de procedimentos é o que popularmente se conhece por pacote, combo, protocolo. Vale ressaltar que estes precisam ser personalizados, pois cada indivíduo tem características fisiológicas únicas. Veremos a seguir exemplos de associações. 5.1 Protocolo para rejuvenescimento Combinação de técnicas que estimulem síntese de colágeno para melhora da qualidade, tônus e aspecto da pele de maneira geral, podendo ser injetável, com uso de laser ou eletroterapia ou peelings químicos + aplicação de toxina botulínica para as linhas de expressão + fios de sustentação nos casos em que se observa ptose (queda acentuada) + preenchimento com ácido hialurônico para preencher sulcos e rugas, ou reestruturar, dando projeção em regiões como “maçã do rosto” + home care com dermocosméticos, nutracêuticos e obrigatoriedade de uso de filtro solar. Em casos de rejuvenescimento, avaliar a necessidade da paciente, não existe a necessidade de todos os procedimentos acima citados, pode ser a combinação de dois ou três. 14 Quando o paciente apresenta sinais de envelhecimento no pescoço, no colo e no dorso das mãos, estender o tratamento a essas regiões também. 5.2 Protocolo para clareamento de manchas Laser ou peeling clareador ou microagulhamento com ativo clareador + home care com nutracêutico específico com substâncias clareadoras (clareador via oral) + dermocosméticos com ativos clareadores, anti-inflamatórios, antioxidantes e nutritivos e obrigatoriedade de uso de filtro solar. Em protocolos de tratamento de manchas e melasmas, é fundamental avaliar e evitar as causas externas, evitando principalmente calor, vapor e radiação. Pacientes com melasma devem ser orientados de que essa disfunção estética é uma predisposição do paciente, assim como a calvície, sendo necessário o controle diário dos gatilhos, cuidados home care e tratamentos de manutenção com periodicidade. 5.3 Protocolo para gordura localizada Eletroterapia (criolipólise, criofrequência, correntes, ultrassom, hidrolipoclasia) ou intradermoterapia + massagem modeladora ou drenagem linfática + carboxiterapia, neste caso, a carboxiterapia atua como potencializados, visto que sozinha não traz resultados tão satisfatórios nessa disfunção e/ou radiofrequência + home care com nutracêutico específico com substâncias que promovam efeito de auxílio ao aumento do metabolismo, ativos que facilitem a lipólise e ativos que auxiliem na eliminação de toxinas e retenção de líquidos. Em tratamentos que possam causar hematoma, deve-se usar filtro solar e evitar a exposição ao sol. Pacientes em tratamento corporal, principalmente de gordura localizada, precisam ter a consciência da mudança ou manutenção de estilo de vida saudável, quanto a dieta, atividade física, ingesta de água. O tratamento sozinho e sem a colaboração do restante não traz resultados 100% eficientes e duradouros. 5.4 Protocolo para tratamento capilar 15 Uso de tratamentos injetáveis, como intradermoterapia ou microagulhamento + carboxiterapia ou ozonioterapia + correntes de baixa frequência + LED + home care com nutracêuticos específicos com substâncias antioxidantes, vitaminas, aminoácidos e tônicos tópicos com o mesmo tipo de substâncias, para que potencializem os resultados. As substâncias têm o objetivo de acelerar a fase anágena (crescimento) e diminuir a fase telógena (queda) do ciclo de crescimento dos cabelos. Antes de iniciar o tratamento capilar, o paciente deve descartar qualquer possibilidade de desordem do seu estado geral de saúde, muitas vezes, a causa é o desequilíbrio hormonal e, nesta situação, é preciso intervenção médica junto. Hábitos de vida também interferem, alimentação saudável, atividade física, qualidade de sono, ingesta de água e, para distúrbios capilares, existe um agravante considerável: a saúde mental e emocional. Muitas são as possíveis combinações, nem sempre é preciso combinar técnicas, o importante é pensar no que potencializa o que e não desperdiçar recursos com procedimentos que o resultado principal não é o que é indicado para o paciente, por exemplo, tratar gordura localizada somente com radiofrequência, por isso, a importância da anamnese bem feita e conhecimento do que está sendo provocado com a intervenção, ou ainda anular o resultado de um procedimento com a associação de outro. Não menos importante é observar os resultados obtidos e, se for necessário, mudar o procedimento ao longo do tratamento. NA PRÁTICA Biomédicos estetas podem prescrever medicamentos com o objetivo de tratar patologias? Qual o cuidado que se deve tomar ao associar protocolos? Qual o impacto da autoestima na saúde do indivíduo? Onde a estética atua na promoção da saúde? 16 FINALIZANDO Com os avanços, temos uma série de tratamentos estéticos que auxiliam em diversas disfunções estéticas, ou promovem um envelhecimento, que é um processo natural, de forma saudável. A área da estética é fascinante, muitos desejam entrar nessa área pensando no âmbito financeiro, mas o pensamento ideal adotado na estética é promover saúde aos pacientes por meio da estética. Vimos ao longo das nossas aulas o quanto é importante que o profissional biomédico esteta estude de forma aprofundada e tenha conhecimento e consciência dos processos fisiológicos e patológicos, o organismo e todos os seussistemas, estruturas e tecidos, interações farmacológicas e também noções de bioética e biossegurança, as quais norteiam qualquer profissional da saúde. Tudo isso permite entender qual o efeito fisiológico da intervenção, independente da modalidade adotada, o motivo de se dar o efeito estético e assim tomar decisões assertivas, descartar o que não traz resultado ou é contraindicado, evita intercorrências, e traz resultados eficientes e duradouros aos seus pacientes. O paciente tem muito interesse em ter resultados, mas o maior interessado deve ser o profissional. 17 REFERÊNCIAS CASTRO, M. B.; ALCÂNTRA, G. A. Efeitos adversos no uso do ácido hialurônico injetável em preenchimentos faciais. Braz. J. Hea. Rev., Curitiba, v. 3, n. 2, p.2995-3005 mar.-apr. 2020. CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA. Disponível em: <http://cfbm.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/Res-2014-241.pdf>. Acesso em: 9 set. 2021. SIQUEIRA, A.C. et al. Hidrolipoclasia. Revista Saúde em Foco, n. 10, 2018. VIEIRA, K. K. V.; JUNIOR, W. V. M. Eventos adversos e demais incidentes no cuidado estético realizado pelo Biomédico. Acta Biomédica Brasiliensia, v. 9, n, 1, abr. 2018. ANATOMIA AULA 7 Profª Raphaela Y. M. Mordaski 2 CONVERSA INICIAL Como já sabemos, nosso corpo como um todo é formado por vários sistemas que trabalham de forma coordenada e em equilíbrio para manter sua homeostase, incluindo as estruturas faciais da cabeça e do pescoço. O conhecimento da anatomia facial é essencial para uma variedade de profissionais da saúde que realizam procedimentos e tratamentos que envolvem a face. Portanto, é crucial que esses profissionais tenham um entendimento completo e preciso da anatomia da cabeça e do pescoço para entender e diferenciar as estruturas anatômicas que compõem a face humana. A face é a região do corpo humano mais facilmente reconhecida e identificada pelos outros e é composta por diversas estruturas, incluindo a pele, músculos, ossos, cartilagens, vasos sanguíneos, nervos e órgãos dos sentidos. Por isso, o objetivo desta etapa é ajudá-lo(a) a entender e aprender mais sobre as estruturas faciais. TEMA 1 – SISTEMA ESQUELÉTICO O sistema esquelético ou sistema ósseo é o conjunto de ossos, cartilagens e ligamentos. Possui diversas funções, sendo a principal a proteção para estruturas vitais (como o cérebro). Também é responsável pelo armazenamento de minerais, como o Ca10(PO4)6(OH)2 (hidroxiapatita de cálcio e fosfato), que tem por função a contração muscular, transmissão de impulsos nervosos e coagulação sanguínea. O sistema é constituído por aproximadamente 70% de minerais, 20% de matriz orgânica e 10% de água. O crânio é constituído por 22 ossos, com exceção da mandíbula. Esses ossos são ligados entre si por meio de suturas que os tornam imóveis, e são divididos em duas porções: viscerocrânio (face) e neurocrânio. No Quadro 1, pode-se verificar a quantidade de cada osso e suas divisões. 3 Quadro 1 – Ossos do crânio e suas quantidades Fonte: HIATT, 2011. 1.1 Viscerocrânio A face propriamente dita, ou viscerocrânio, é formada pelos seguintes ossos: nasal, maxilar, mandibular, zigomático, vômer, lacrimal, palatino e concha nasal inferior (Figura 1). 1.1.1 Osso nasal O osso nasal é composto por um par, sendo considerado um osso plano, uma vez que apresenta uma espessura muito fina e pequena. Ele está localizado na parte central da face, na altura da ponte do nariz (região superior). É responsável por formar a parte superior do nariz e contribui para a forma e simetria do nariz. Além disso, ele também protege a cavidade nasal e ajuda a direcionar o fluxo de ar para as vias corretas. 1.1.2 Osso maxilar O osso maxilar é composto por um par, direito e esquerdo. É um osso irregular e pneumático com formato piramidal. Localiza-se na parte média da face, formando a maior parte da cavidade oral (céu da boca), da base do nariz, das paredes laterais da cavidade nasal e inferior da órbita. Sua parte lateralizada se relaciona com os ossos zigomáticos. A principal função do osso maxilar é fornecer suporte para os dentes superiores e dar forma à face humana. Ele também protege as estruturas 4 subjacentes, como os seios maxilares e a cavidade nasal, e fornece uma superfície de ancoragem para os músculos faciais. Além disso, o osso maxilar desempenha um papel importante na articulação da mandíbula durante a mastigação e fala. 1.1.3 Osso mandibular O osso mandibular, também conhecido como mandíbula, é um osso único localizado na região inferior da face, com formato de ferradura. Nele está presente a arcada dentária inferior. É o único osso da parte de viscerocrânio com movimentação, pois não se une com os outros através de suturas, mas através da articulação temporomandibular, sendo essa articulação responsável pelo movimento da boca, permitindo as ações de mastigação, fala e respiração. A mandíbula é composta por várias partes, incluindo o processo coronoide, que é uma projeção em forma de gancho que serve como ponto de ancoragem para os músculos da mastigação, o processo condilar, que é a articulação com o osso temporal na base do crânio, e o mento, que é a protuberância óssea na parte inferior da mandíbula. A principal função da mandíbula é permitir a mastigação, a fala e a respiração adequadas. Ela também protege as estruturas subjacentes, como os dentes e as raízes nervosas, e fornece uma superfície de ancoragem para os músculos faciais. 1.1.4 Osso zigomático O osso zigomático é composto por um par, direito e esquerdo, com forma de quadrilátero. Está localizado na parte lateral da face, formando as proeminências laterais da face, que se unem à têmpora e formam a parte lateral e inferior da órbita. Na parte anterior, une-se ao osso maxilar. É muito conhecido como osso malar ou maçã do rosto. A principal função do osso zigomático é fornecer suporte para as bochechas e a projeção óssea que dá à face humana sua forma característica. Ele também protege as estruturas subjacentes, como o globo ocular e o tecido nervoso, e fornece uma superfície de ancoragem para os músculos faciais. 1.1.5 Osso vômer 5 O osso vômer é um osso único mediano, localizado na parte posterior e inferior da cavidade nasal (abaixo do septo nasal), entre os ossos maxilares e esfenoides. Ele possui uma estrutura delgada e achatada, com uma forma de lâmina, que se estende verticalmente para baixo, dividindo a cavidade nasal em duas passagens. Desempenha um papel importante na respiração e na olfação, pois ajuda a direcionar e controlar o fluxo de ar dentro da cavidade nasal. Além disso, ele também contribui para a formação do septo nasal, que é a parede que separa as duas passagens nasais. É essencial para a estabilidade da estrutura da face, pois ajuda a suportar o peso do crânio e a distribuir a carga durante a mastigação e a fala. Fornece também uma superfície de ancoragem para os músculos faciais e os tecidos moles ao redor do nariz. 1.1.6 Osso lacrimal O osso lacrimal é composto por um par, direito e esquerdo, localizado na parte anterior e medial da cavidade orbital, que forma parte da parede lateral do nariz. Sua função é abrigar a glândula lacrimal, que produz lágrimas para lubrificar e proteger os olhos. Faz parte do sistema de drenagem lacrimal, que ajuda a drenar as lágrimas dos olhos para o nariz. Ele apresenta uma pequena abertura, chamada de ponto lacrimal, que se conecta ao canal lacrimal, que por sua vez desemboca no ducto nasolacrimal, que leva as lágrimas para o nariz. 1.1.7 Osso palatino O osso palatino é composto por um par, localizado na parte posterior da cavidade nasal e na porção anterior da cavidade oral. Ele faz parte da formação do palato duro, que é a parte ósseado céu da boca. Trata-se de uma estrutura plana e delgada, com uma forma de L, que se conecta ao osso esfenoide na sua porção posterior e ao osso maxilar na sua porção anterior. Ele também apresenta uma pequena abertura, chamada de forame palatino maior, que permite a passagem de nervos e vasos sanguíneos para a boca. Desempenha um papel importante na fala e na alimentação, pois ajuda a separar a cavidade nasal da cavidade oral e a direcionar o fluxo de ar e alimentos 6 para as vias corretas. Ele também fornece uma superfície de ancoragem para os músculos da mastigação e da fala. 1.1.8 Concha nasal inferior A concha nasal inferior é composta por um par, possui formato curvado e está localizada na porção lateral da cavidade nasal. É responsável por aumentar a superfície da mucosa nasal, ajudando a filtrar, umidificar e aquecer o ar que entra nas vias respiratórias. Ela também ajuda a direcionar o fluxo de ar para o sentido correto e a evitar que partículas estranhas entrem nos pulmões. Figura 1 – Ossos do viscerocrânio Créditos: Excellent Dream/Shutterstock. 1.2 Neurocrânio Os ossos do neurocrânio englobam o osso temporal, parietal, frontal, esfenoide, etmoide e occipital (Figura 2). 7 1.2.1 Temporal O osso temporal é composto por um par, possui formato irregular e está localizado na porção lateral inferior do crânio. É responsável por proteger e abrigar várias estruturas importantes, incluindo o ouvido interno, o nervo facial e o sistema vestibular. Além disso, ele também desempenha um papel importante na articulação da mandíbula e na mastigação. 1.2.2 Parietal O osso parietal é composto por um par, tem formato plano e está localizado na porção superior e lateral do crânio, sendo um osso muito importante na proteção do cérebro, é ele que forma a maior parte do teto do crânio. É responsável por proteger o cérebro e pela fixação de vários músculos, como o músculo temporal e o músculo occipital. Além disso, ele também é importante na manutenção da temperatura do cérebro, atuando como uma barreira térmica para prevenir a perda de calor. 1.2.3 Frontal O osso frontal é único e tem formato plano, está localizado na parte anterior do crânio, incluindo a testa e a borda superior das órbitas oculares. Ele é um dos ossos mais visíveis e proeminentes do crânio. É responsável por proteger o cérebro e pelos músculos envolvidos na expressão facial, como o músculo frontal que permite a elevação das sobrancelhas. Além disso, ele também abriga os seios frontais, que são cavidades de ar que ajudam a reduzir o peso do crânio. 1.2.4 Esfenoide O osso esfenoide é um osso único, localizado na base do crânio, entre as órbitas oculares e atrás do osso nasal. Ele é um dos ossos mais importantes do crânio, pois ajuda a sustentar o peso do cérebro e protegê-lo de lesões. É responsável por proteger o cérebro e pelas ligações musculares do crânio e da face, permitindo movimentos da cabeça e da mandíbula. Ele também 8 abriga a glândula pituitária, que é responsável por controlar as funções endócrinas do corpo. 1.2.5 Etmoide O osso etmoide é um osso único, que está localizado na base do crânio, na parte medial da cavidade orbital, entre os ossos nasais e esfenoides. Ele é um dos ossos mais complexos e anatomicamente importantes do crânio. Por estar localizado na região central do interior do crânio, ele se encontra em contato com quinze ossos cranianos, como o osso frontal, o esfenoide, o vômer e a concha nasal inferior. É responsável por fornecer suporte para as estruturas nasais, ajudando a moldar a cavidade nasal e a filtrar o ar respirado. Ele também abriga o órgão do olfato, que é responsável pela percepção dos odores. 1.2.6 Occipital O osso occipital é um osso único e grande, que se localiza na parte posterior e inferior do crânio. Ele se articula com outros ossos do crânio e da coluna vertebral, fornecendo suporte e proteção para o cérebro e outras estruturas importantes. É responsável por proteger a medula espinhal e o tronco cerebral, que controlam muitas funções vitais do corpo, como a respiração, a frequência cardíaca e a pressão arterial. Ele também serve como ponto de ancoragem para muitos músculos do pescoço e da cabeça, permitindo movimentos da cabeça e do pescoço. 9 Figura 2 – Ossos do neurocrânio Créditos: VectorMine/Shutterstock. 1.3 Ossos do pescoço Na região do pescoço existem 7 tipos de vértebras cervicais, numerados de C1 a C7, que são os ossos mais superiores da coluna vertebral (Figura 3). As vértebras cervicais são menores e mais delicadas em comparação com as vértebras torácicas e lombares, permitindo maior mobilidade para a cabeça e o pescoço. Elas também protegem a medula espinhal e os nervos cervicais que se ramificam para os braços, ombros e pescoço. Além das vértebras cervicais, o pescoço também contém outros ossos, como o osso hioide, que é um osso em forma de U localizado na base da língua, e os ossos do crânio, como falado anteriormente. Esses ossos fornecem suporte 10 e proteção para as estruturas dentro e fora do pescoço, incluindo a traqueia, esôfago, glândula tireoide e as artérias carótidas. Figura 3 – Vértebras cervicais Créditos: Vinichenko Ihor/Shutterstock. 1.4 Periósteo O periósteo é uma membrana fibrosa densa que cobre a superfície externa dos ossos, com exceção das superfícies articulares. Ele é rico em vasos sanguíneos, nervos e células ósseas que ajudam a nutrir e reparar o osso (Figura 4). Desempenha um papel importante na manutenção da integridade óssea, fornecendo uma fonte de células-tronco e osteoblastos, que são responsáveis pela formação óssea e regeneração. Além disso, ele ajuda a fixar os tendões e ligamentos aos ossos, fornecendo uma superfície de ancoragem para essas estruturas. Também é importante na proteção do osso de lesões externas e na 11 resposta a infecções e inflamações, ajudando a limitar a disseminação de doenças para o interior do osso. Figura 4 – Camadas da face Crédito: Elias Aleixo. 1.5 Sistema cartilaginoso Além dos ossos, o sistema esquelético também inclui as cartilagens, que são compostas de tecido conjuntivo elástico e fibrocartilagem, compostos por várias estruturas de cartilagem que fornecem suporte e forma à face, como por exemplo, a cartilagem nasal que forma a ponta do nariz e o septo nasal (Figura 5), as cartilagens alares que são responsáveis por formar as asas do nariz, as cartilagens do septo lateral que ajudam a separar as cavidades nasais, as cartilagens que formam as orelhas, a cartilagem cricoide que forma a base da laringe, a cartilagem da tireoide que é a maior cartilagem da laringe, formando o conhecido pomo de adão, as cartilagens corniculadas que ajudam a controlar o 12 fluxo de ar através das cordas vocais e as cartilagens cuneiformes que ajudam a manter a forma da laringe. Essas cartilagens trabalham juntas para fornecer suporte e estrutura à face e à laringe, além de ajudar na produção da fala e da respiração. Figura 5 – Cartilagem nasal Créditos: Solar22/Shutterstock. 1.6 Forames Os forames ósseos faciais são aberturas ou “furos” presentes nos ossos da face, através dos quais passam nervos, vasos sanguíneos e outros elementos anatômicos importantes (Figura 6). 1.6.1 Forame supraorbital O forame supraorbital é uma abertura presente na região supraorbital da fronte, acima da órbita ocular. Ele está localizado na porção mais lateral do osso frontal do crânio. Através desse forame passam o nervo supraorbital e as artérias correspondentes, que fornecem a sensibilidade e o suprimento sanguíneo para 13 a testa, couro cabeludo e parte superior das pálpebras. O nervo supraorbital é um ramo do nervo oftálmico, que é um dos três ramos do nervo trigêmeo, responsável pela inervação sensorialda face. 1.6.2 Forame infraorbital O forame infraorbital ou infraorbitário é uma abertura presente na maxila, abaixo da órbita ocular e ao lado do nariz. Esse forame permite a passagem do nervo infraorbitário e dos vasos sanguíneos correspondentes, que fornecem a sensibilidade para a região do lábio superior, das bochechas e das pálpebras inferiores. O nervo infraorbitário é um ramo do nervo maxilar, que faz parte do quinto par craniano (nervo trigêmeo), responsável pela inervação sensorial da face. 1.6.3 Forame mentual O forame mentual ou mentoniano é uma abertura presente na mandíbula, abaixo do mento (proeminência da mandíbula) e na linha média da mandíbula. Esse forame permite a passagem do nervo mentoniano e dos vasos sanguíneos correspondentes, que fornecem a sensibilidade para a região do queixo e dos lábios inferiores. O nervo mentoniano é um ramo do nervo alveolar inferior, que também é um ramo do nervo mandibular, o terceiro ramo do nervo trigêmeo. Existem outros forames ósseos faciais, mas estes são alguns dos mais conhecidos e estudados. 14 Figura 6 – Forames faciais Créditos: ilusmedical/Shutterstock. TEMA 2 – SISTEMA MUSCULAR O sistema muscular facial é composto pelos músculos responsáveis pelos movimentos e expressões faciais. Esses músculos estão conectados à pele e aos ossos do crânio e são controlados pelo sistema nervoso. Eles permitem a realização de ações como sorrir, franzir a testa, piscar os olhos, entre outras expressões faciais. Além disso, o sistema muscular facial também desempenha um papel importante na comunicação não verbal, permitindo que as pessoas expressem emoções e sentimentos de maneira clara e eficaz (Figura 7). 15 2.1 Músculos do terço superior O terço superior da face é composto por diversos músculos que atuam na região da testa, sobrancelhas e pálpebras. 2.1.1 Músculo frontal O músculo frontal é um músculo largo e plano localizado na região frontal do crânio, que se estende da testa até a linha do cabelo. Ele é um músculo importante na região do terço superior da face e é responsável por elevar as sobrancelhas e produzir rugas horizontais na testa quando contraído. A contração do músculo frontal é responsável por expressões faciais como surpresa e preocupação, que são caracterizadas pelo levantamento das sobrancelhas e formação de rugas na testa. Além disso, o músculo frontal também pode estar envolvido na produção de expressões de alegria e felicidade, quando combinado com outros músculos faciais. É controlado pelo nervo facial, que é responsável pela inervação dos músculos da face. 2.1.2 Músculo prócero O músculo prócero está localizado na região da testa, entre as sobrancelhas. É um músculo pequeno e delgado, com forma triangular. Sua principal função é produzir a contração das sobrancelhas e a formação de rugas verticais na testa, dando uma expressão de preocupação ou desaprovação. 2.1.3 Músculo corrugador do supercílio O músculo corrugador está localizado na região da testa, na região medial da sobrancelha. Ele é responsável pela produção de rugas verticais na testa e pelo movimento das sobrancelhas em direção ao centro do rosto, produzindo uma expressão de preocupação ou desaprovação. É controlado pelo nervo facial e pode ser ativado de forma involuntária em resposta ao estresse ou à ansiedade. A atividade excessiva do músculo corrugador pode levar à formação de rugas permanentes na testa ao longo do tempo, especialmente quando combinado com outros músculos faciais envolvidos na formação de expressões faciais. Por isso, alguns tratamentos 16 estéticos como a toxina botulínica podem ser utilizados para reduzir a atividade desse músculo e suavizar as rugas da testa. 2.1.4 Músculo orbicular dos olhos O músculo orbicular dos olhos é um músculo circular que está localizado ao redor dos olhos e é responsável pelo fechamento das pálpebras. Além de fechar as pálpebras, está envolvido na formação de rugas nos cantos dos olhos quando sorrimos, conhecidas como pés de galinha, sendo controlado pelo nervo facial. Trata-se de um músculo facial importante na região do terço superior da face e está envolvido na produção de expressões faciais como o sorriso e o franzir de sobrancelhas. 2.1.5 Músculo elevador das pálpebras O músculo elevador das pálpebras, também conhecido como músculo levantador da pálpebra superior, é um músculo que se origina na região da órbita ocular e se insere na pálpebra superior. Ele é responsável pela elevação da pálpebra superior e pela abertura dos olhos. É controlado pelo nervo oculomotor e é um músculo fundamental para a visão, pois permite que os olhos sejam mantidos abertos. Além disso, ele também contribui para a expressão facial, permitindo a produção de expressões como a surpresa e a curiosidade. A fraqueza ou paralisia desse músculo pode resultar em ptose palpebral, que é a queda da pálpebra superior e pode causar dificuldades na visão, desconforto ou até mesmo visão dupla. 2.1.6 Músculo temporal O músculo temporal está localizado na região temporal da cabeça, acima das orelhas. Ele é um dos músculos responsáveis pela mastigação e ajuda a fechar a mandíbula durante a mastigação. É um músculo grande e plano, com uma forma quadrangular. Ele se origina da linha temporal inferior, que é a borda inferior do osso temporal, e se insere na aponeurose temporal, que é uma camada de tecido conjuntivo denso que cobre o crânio. 17 Quando este músculo se contrai, ele puxa a mandíbula para cima, fechando a boca e auxiliando na mastigação. Ele é controlado pelo nervo trigêmeo e trabalha em conjunto com outros músculos da mastigação, como o músculo masseter e o músculo pterigoideo lateral. 2.2 Músculos do terço médio e inferior Os músculos do terço médio e inferior da face são responsáveis pelos movimentos que afetam a região das bochechas, nariz, lábios superior e inferior, mandíbula e queixo. 2.2.1 Músculo nasal O músculo nasal é um músculo que cobre o dorso do nariz, localizado superficialmente ao osso nasal e à cartilagem nasal lateral. É responsável pela dilatação e compressão das narinas. É controlado pelo ramo bucal do nervo facial e realiza a expressão facial que enruga a pele do dorso do nariz, muito usada como uma expressão de cheiro ruim ou “bichinho”. 2.2.2 Músculo levantador da asa do nariz O músculo levantador da asa do nariz é um músculo pequeno localizado na região lateral do nariz. Ele se origina na maxila e se insere na asa do nariz, sendo responsável por elevar a asa do nariz durante a inspiração. Esse músculo é controlado pelo nervo facial e é importante para a respiração nasal adequada, ajudando a abrir as vias aéreas nasais e permitindo uma respiração mais eficiente. Além disso, ele também contribui para a expressão facial, permitindo a produção de expressões como o sorriso lateral. 2.2.3 Músculo depressor nasal O músculo depressor nasal, também conhecido como depressor da ponta do nariz, é um músculo localizado na parte inferior do nariz, entre as duas narinas. Ele se origina na maxila e se insere na cartilagem alar, que forma a ponta do nariz, sendo controlado pelo nervo facial. A principal função do músculo depressor nasal é abaixar a ponta do nariz, contribuindo para expressões faciais como o franzimento do nariz e a expressão 18 de desgosto ou repulsa. Além disso, é importante para a função respiratória, permitindo a abertura das narinas durante a inspiração. No entanto, em algumas pessoas, sua atividade excessiva pode levar a uma aparência de nariz caído e obstrução nasal. 2.2.4 Músculo levantador do lábio superior O músculo levantador do lábio superior é um músculo da face localizado na região do lábio superior, abaixo do nariz. Ele se origina na parte frontal da maxila e se insere na pele do lábio superior.Sua principal função é levantar o lábio superior e contribuir para a formação do sorriso. Esse músculo é controlado pelo nervo facial e trabalha em conjunto com outros músculos da região do lábio, como o músculo orbicular dos lábios e o músculo elevador do ângulo da boca, para produzir uma variedade de expressões faciais, incluindo sorrisos, risos e expressões de surpresa. Além de sua função na expressão facial, também é importante na função oral, permitindo a elevação do lábio superior durante a fala e a mastigação adequadas. 2.2.5 Músculo orbicular da boca O músculo orbicular da boca é um músculo circular que está localizado ao redor da boca, é controlado pelo nervo facial e é responsável por movimentos relacionados à fala, à mastigação e à expressão facial. Ele é composto por fibras musculares que se originam na linha média do lábio superior e inferior e se inserem na mesma região, permitindo o fechamento da boca. Além disso, também é responsável por muitas das expressões faciais, como o sorriso e o franzimento dos lábios. Quando os lábios se esticam, esse músculo é responsável por manter os lábios juntos e, quando os lábios se abrem, ele é responsável por ajudar a esticá-los. 2.2.6 Músculo depressor do ângulo da boca O músculo depressor do ângulo da boca é um músculo localizado no terço inferior da face, abaixo dos lábios. Ele se estende do osso da mandíbula até o canto da boca e é responsável por baixar os cantos da boca, produzindo expressões faciais de tristeza e desgosto. 19 Quando ele se contrai, puxa o canto da boca para baixo e para o lado, criando a aparência de um rosto triste ou carrancudo. Por outro lado, quando ele se relaxa, os cantos da boca se elevam, produzindo um sorriso. O músculo depressor do ângulo da boca é controlado pelo nervo facial e trabalha em conjunto com outros músculos do terço inferior da face para produzir uma variedade de expressões faciais. Algumas pessoas podem sentir que este músculo está mais desenvolvido ou mais proeminente do que o normal, o que pode afetar a aparência do rosto. Em casos como esses, procedimentos estéticos, como a toxina botulínica, podem ser usados para enfraquecer a atividade deste músculo e suavizar a aparência do rosto. 2.2.7 Músculo mentoniano O músculo mentoniano é um músculo localizado no terço inferior da face, abaixo dos lábios. É controlado pelo nervo facial, se estende do osso da mandíbula até a pele do queixo e é responsável por mover o lábio inferior para baixo e para frente. Quando ele se contrai, puxa o lábio inferior para baixo e para frente, produzindo uma expressão facial de tristeza, frustração ou o chamado aspecto de queixo celulítico. Ele também pode ser ativado durante a fala e a mastigação. 2.2.8 Músculo zigomático maior e menor Os músculos zigomáticos maior e menor se estendem da região zigomática, osso da bochecha, até o canto da boca e ao redor do lábio superior e das narinas. São responsáveis pela elevação do canto da boca e contribuem para a formação do sorriso. São controlados pelo nervo facial e trabalham em conjunto com outros músculos da face para produzir uma variedade de expressões faciais. Além disso, também são importantes na mastigação adequada, ajudando a elevar a mandíbula durante o processo de mastigação e elevação do lábio superior na mastigação e fala. 2.2.9 Músculo risório O músculo risório é um músculo localizado no terço médio da face, abaixo do músculo zigomático maior. Ele se estende da parte lateral da face até o canto 20 da boca e é responsável por puxar a comissura labial para o lado, sendo controlado pelo nervo facial. Quando se contrai, ele produz uma expressão facial que é geralmente interpretada como um sorriso falso ou irônico. 2.2.10 Músculo bucinador O músculo bucinador é um músculo facial que se encontra na parte lateral da face, em cada uma das bochechas. Ele é responsável por auxiliar na mastigação e na fala, além de ajudar a manter os alimentos dentro da boca enquanto se mastiga e de manter o alimento na parte de trás da boca. Ele se origina do processo alveolar do maxilar superior e da mandíbula e se insere na borda da boca e na musculatura ao redor. É inervado pelo nervo facial e recebe suprimento sanguíneo da artéria bucal. Quando se contrai, ele comprime as bochechas contra os dentes e ajuda a mover os alimentos para os dentes posteriores durante a mastigação. Além disso, o músculo bucinador também é importante para a fala, pois ajuda a moldar o som produzido pelos lábios. 2.2.11 Músculo masseter O músculo masseter está localizado na parte lateral da face, estendendo- se do arco zigomático até a mandíbula inferior. Ele é responsável pela mastigação, elevação da mandíbula e projeção da mandíbula para frente. É inervado pelo nervo trigêmeo e recebe suprimento sanguíneo das artérias masseterina e temporal. É o músculo mais forte da mastigação, capaz de exercer uma grande força na mandíbula, permitindo a trituração de alimentos mais duros. Além de sua função na mastigação, o músculo masseter também pode estar envolvido na sustentação da cápsula articular da articulação temporomandibular. 2.3 Músculo platisma O músculo platisma é um músculo superficial do pescoço, localizado logo abaixo da pele. Possui inserções da mandíbula até aproximadamente a altura da segunda costela, cruzando a clavícula. 21 É inervado pelo nervo facial e recebe suprimento sanguíneo da artéria cervical transversa. É responsável por auxiliar na expressão facial, especialmente em expressões de tristeza ou tensão, além de ajudar na mobilidade do pescoço. Figura 7 – Músculos faciais Créditos: TimeLineArtist/Shutterstock. TEMA 3 – SISTEMA CIRCULATÓRIO O sistema circulatório é responsável por transportar nutrientes, oxigênio, hormônios e outras substâncias pelo corpo, além de remover dióxido de carbono e outros resíduos metabólicos. Os vasos sanguíneos são divididos em três tipos: artérias, veias e capilares. As artérias transportam o sangue rico em oxigênio do coração para o 22 resto do corpo, enquanto as veias levam o sangue pobre em oxigênio de volta ao coração. Os capilares são vasos sanguíneos microscópicos que conectam as artérias às veias, permitindo a troca de nutrientes e resíduos metabólicos entre o sangue e as células do corpo. O sangue é composto por células sanguíneas (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) e plasma. Os glóbulos vermelhos transportam oxigênio dos pulmões para as células do corpo, enquanto os glóbulos brancos são responsáveis pela defesa do corpo contra infecções e doenças. As plaquetas ajudam na coagulação sanguínea. O plasma é uma solução aquosa que transporta nutrientes, hormônios e outras substâncias pelo corpo. O sistema circulatório desempenha um papel vital na manutenção da homeostase do corpo, ajudando a regular a temperatura, o pH e o volume sanguíneo do corpo. A face recebe sangue através das artérias faciais e é drenada pelas veias faciais, que são ramos das artérias e veias carótidas externas, respectivamente. O sistema linfático também é importante para a circulação do rosto, pois ajuda a drenar o excesso de fluidos e resíduos metabólicos dos tecidos faciais. O sistema linfático facial inclui vasos linfáticos superficiais e profundos, além de gânglios linfáticos que estão localizados principalmente na área do pescoço. 3.1 Artérias da cabeça e pescoço Essas artérias (Figura 8) são importantes porque fornecem sangue para as estruturas que sustentam as funções vitais do corpo humano, como o cérebro, os olhos, os ouvidos, a face, a garganta e a língua. A artéria carótida comum é a principal artéria que fornece sangue para a cabeça e pescoço. Ela se divide em artéria carótida interna e externa. A artéria vertebral também fornece sangue para a cabeça e pescoço. Ela segue um trajetopelo interior das vértebras cervicais até a base do crânio. A artéria occipital se origina da artéria carótida externa e fornece sangue para a parte posterior da cabeça. A artéria temporal superficial se origina da artéria carótida externa e fornece sangue para a região temporal da cabeça. A artéria maxilar se origina da artéria carótida externa e fornece sangue para a mandíbula e os dentes. A artéria lingual se origina da artéria carótida externa e fornece sangue para a língua. 23 A artéria facial se origina da artéria carótida externa e fornece sangue para a face, tanto para a pele, músculos e outras estruturas do rosto. Segue um trajeto sinuoso ao longo da face, passando através dos músculos faciais e fornecendo sangue para os tecidos circundantes. Ela dá origem a uma série de ramos, incluindo a artéria labial superior, artéria angular do olho, artéria temporal superficial, artéria auricular posterior, artéria submentoniana e outras. A irrigação sanguínea fornecida é importante para a nutrição das células da face, bem como para a manutenção da temperatura e regulação da pressão sanguínea. Figura 8 – Sistema arterial da cabeça e do pescoço Créditos: rob9000/Shutterstock. 3.2 Veias da cabeça e do pescoço As veias fazem parte do sistema venoso (Figura 9) que leva o sangue de volta ao coração. As veias jugulares são as principais veias do pescoço e são 24 responsáveis por drenar o sangue da cabeça e do pescoço para o coração. Existem duas veias jugulares: a jugular interna e a jugular externa. As veias vertebrais são veias que correm ao longo da coluna vertebral e drenam o sangue da medula espinhal e dos músculos do pescoço. As veias temporais drenam o sangue da região temporal (ao lado da cabeça, próximo às orelhas). As veias cerebrais drenam o sangue do cérebro. As veias faciais drenam o sangue da face, da pele dos músculos e tecidos subjacentes e do couro cabeludo. São uma das principais veias da cabeça e do pescoço. Elas se originam na região da ponta do nariz e ao redor da boca, e se estendem ao longo da face em direção às orelhas, onde se conectam com a veia jugular externa. Elas são um componente importante do sistema venoso superficial da cabeça e do pescoço e ajudam a regular a temperatura corporal e a distribuir os nutrientes e remover o dióxido de carbono dos tecidos. É importante lembrar que o sistema venoso é muito interligado, ou seja, as veias da cabeça e do pescoço se conectam com as veias de outras partes do corpo. Figura 9 – Sistema venoso da cabeça e do pescoço Créditos: Draw Man/Shutterstock. 25 3.3 Capilares faciais Os capilares faciais são pequenos vasos sanguíneos que conectam as arteríolas (vasos que levam sangue do coração aos tecidos) e as vênulas (vasos que levam sangue dos tecidos ao coração) na região da face. Eles são responsáveis por transportar sangue rico em oxigênio e nutrientes para as células da pele e dos tecidos subjacentes e ajudam a remover o dióxido de carbono e outros resíduos metabólicos. São essenciais para a saúde e o funcionamento da pele da face, incluindo a regulação da temperatura, a hidratação e a aparência geral. Eles também podem ser afetados por diversas condições, como a rosácea, uma doença inflamatória crônica que causa vermelhidão e erupções cutâneas na face. Além disso, são frequentemente afetados por fatores externos, como a exposição excessiva ao sol, o estresse, o tabagismo e outros hábitos de vida pouco saudáveis. 3.4 Sistema linfático facial O sistema linfático facial (Figura 10) é uma rede complexa de vasos linfáticos, gânglios linfáticos e órgãos linfoides presentes na região da face e do pescoço. Possui diversas funções importantes, incluindo a defesa do corpo contra infecções e doenças, coletar, transportar e remover a linfa (líquido incolor e transparente que contém células imunológicas, líquido intersticial e resíduos metabólicos), líquidos e substâncias que não foram absorvidas pelo sistema circulatório e o transporte de nutrientes da região da face e do pescoço. Os vasos linfáticos faciais começam na região da face e do pescoço e se estendem para os gânglios linfáticos, que são pequenos órgãos linfoides que filtram a linfa e removem bactérias, vírus e outras substâncias estranhas do corpo. Os gânglios linfáticos da região facial e cervical incluem os gânglios submandibulares, pré-auriculares, occipitais e cervicais. 26 Figura 10 – Sistema linfático Créditos: S K Chavan/Shutterstock. TEMA 4 – SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso é responsável por controlar e coordenar as funções do corpo humano. No caso da cabeça e do pescoço, o sistema nervoso é composto por diversas estruturas, como já vistas anteriormente, como o encéfalo, a medula espinhal, o sistema nervoso autônomo, os nervos cranianos e os nervos cervicais. 27 4.2 Nervos cervicais São um grupo de oito pares de nervos que emergem da medula espinhal na região do pescoço (coluna cervical) e se ramificam para fornecer inervação para os músculos, a pele e as estruturas do pescoço e dos ombros. São numerados de C1 a C8, correspondendo ao nível vertebral onde eles emergem da medula espinhal. Cada nervo cervical tem uma área específica de inervação, que pode incluir músculos específicos, pele, articulações e estruturas vasculares. São responsáveis por controlar movimentos e sensações no pescoço e nos ombros, além de desempenhar um papel importante na transmissão de informações sensoriais para o cérebro, como a dor e a temperatura. Eles também controlam a função dos músculos do diafragma, que é importante para a respiração. 4.2 Nervos cranianos Os nervos cranianos são um conjunto de 12 pares de nervos que emergem diretamente do cérebro e passam pelos forames cranianos (orifícios na base do crânio) para fornecer inervação para as diferentes estruturas da cabeça, do pescoço e dos órgãos dos sentidos (Figura 11). Cada nervo craniano tem uma função específica e é numerado de acordo com a sua ordem de emergência no cérebro. São eles: os nervos olfatório, óptico, oculomotor, troclear, trigêmeo, abducente, facial, vestibulococlear, glossofaríngeo, vago, acessório e hipoglosso. Eles são importantes para diversas funções, incluindo visão, audição, paladar, olfato, movimentação dos olhos e dos músculos faciais, deglutição, fala, respiração, controle cardiovascular e outras funções autonômicas. 28 Figura 11 – Nervos cranianos Créditos: VectorMine/Shutterstock. 4.2.1 Nervo trigêmeo O nervo trigêmeo é o quinto dos 12 pares de nervos cranianos e é responsável pela inervação da face, dos dentes, da boca e dos músculos da mastigação. Ele é chamado de trigêmeo porque se divide em três ramos principais: o ramo oftálmico, o ramo maxilar e o ramo mandibular (Figura 12). O ramo oftálmico inerva a testa, o couro cabeludo e a pele da parte superior do nariz. O ramo maxilar inerva a parte média do rosto, incluindo as bochechas, os dentes superiores e as gengivas. O ramo mandibular inerva a mandíbula, os dentes inferiores e a pele da região inferior do rosto e do queixo. É responsável pela sensação de tato, dor e temperatura da face e da boca. Também é responsável pelo controle dos músculos da mastigação, 29 permitindo a abertura e o fechamento da boca, a movimentação da mandíbula e a mastigação dos alimentos. Figura 12 – Nervo trigêmeo Créditos: Masakra/Shutterstock. 4.2.2 Nervo facial O nervo facial (VII) possui uma ampla distribuição na face, pescoço e orelha. Tem origem no tronco cerebral e emerge do crânio através do forame estilo mastoideo (Figura 13). Ele é responsável pela inervação dos músculos da expressão facial, se dividindo em vários ramos que inervam diferentes regiões da face, incluindo as sobrancelhas, pálpebras, nariz, lábios e músculos da mastigação.Além disso, também controla os músculos que controlam a secreção das glândulas lacrimais, salivares e mucosas da boca e do nariz, bem como a sensação tátil e gustativa da região anterior da língua e fornece informações sensoriais do ouvido interno. Também são responsáveis por permitir uma série de funções, como a expressão facial, o movimento dos olhos e lábios, o piscar de olhos, o sorriso, a fala, a mastigação e a deglutição. Também são responsáveis pela sensação de 30 paladar em duas das quatro áreas gustativas da língua e pela sensibilidade de uma pequena região próxima ao ouvido. Figura 13 – Diferença entre o nervo trigêmeo e o nervo facial Créditos: Masakra/Shutterstock. TEMA 5 – SISTEMA TEGUMENTAR E SEUS ANEXOS O sistema tegumentar reveste toda a superfície do corpo, realizando uma barreira e um “escudo” contra atrito, desidratação, entrada de microrganismos e radiação ultravioleta. Possui neurônios sensoriais periféricos com a função de proporcionar sensações como dor, calor, tato e pressão, e mecanismos de regulação da temperatura corporal, função imunológica e hormonal. É composto pela pele, pelos, unhas e glândulas sudoríparas e sebáceas. Na face, a pele é mais fina e sensível do que em outras partes do corpo e está sujeita a uma série de fatores ambientais, como a radiação ultravioleta do sol e a poluição. 31 5.1 Pele A pele é o maior órgão do corpo humano e cobre toda a superfície externa do corpo. É composta por três camadas principais: a epiderme, a derme e a hipoderme ou tecido subcutâneo (Figura 14). 5.1.1 Epiderme A epiderme é a camada mais externa da pele. É composta principalmente por células epiteliais que formam uma barreira protetora contra o meio ambiente. A epiderme também é responsável pela regulação da perda de água do corpo e pela produção de melanina, que ajuda a proteger a pele dos efeitos nocivos da radiação ultravioleta. Além disso, a epiderme contém células especializadas, como os queratinócitos, que produzem a proteína queratina, responsável pela resistência e elasticidade da pele. A camada mais interna da epiderme é chamada de camada basal, que contém células-tronco e é responsável pela renovação contínua da pele. A epiderme é formada principalmente por epitélio pavimentoso estratificado queratinizado. 5.1.2 Derme A derme é a camada intermediária da pele. É composta por tecido conjuntivo originado do mesoderma, possui uma matriz extracelular densa, fibras de colágeno e elastina, vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. Desempenha várias funções importantes, incluindo a regulação da temperatura corporal, fornecimento de nutrientes e oxigênio para as células da pele, além de ser responsável pela sensação de toque, dor, pressão e temperatura. A derme contém vários tipos de células, incluindo fibroblastos, que produzem as fibras de colágeno e elastina, e células imunológicas, que ajudam a combater infecções. Também é o local onde se encontram os folículos pilosos, as glândulas sebáceas e sudoríparas e os receptores sensoriais. 5.1.3 Hipoderme A hipoderme é a camada mais profunda da pele, composta principalmente por tecido adiposo (gordura) de origem mesodérmica e tecido conjuntivo frouxo 32 vascularizado, que ajuda a dar forma ao rosto e a preencher as áreas vazias entre os músculos e ossos. A quantidade de gordura na hipoderme facial pode variar de pessoa para pessoa e pode mudar ao longo do tempo. Por exemplo, à medida que envelhecemos, podemos perder gordura na hipoderme, o que pode levar a uma aparência mais magra e enrugada. Além disso, algumas pessoas podem ter depósitos de gordura excessivos em certas áreas do rosto, como as bochechas ou o queixo, o que pode afetar a aparência geral do rosto. O papel principal da hipoderme é armazenar reservas energéticas para o organismo. Ela serve como conexão entre a derme e as estruturas móveis situadas abaixo dela e também protege o organismo contra choques, constituindo uma manta térmica. Figura 14 – Tecido tegumentar Créditos: solar22/Shutterstock. Os coxins de gordura superficial são depósitos de gordura localizados logo abaixo da pele. Eles são responsáveis por preencher e dar forma às bochechas, lábios e outras áreas faciais, proporcionando uma aparência juvenil 33 e saudável. Esses coxins estão localizados em várias áreas, incluindo as bochechas (bolsas de Bichat), abaixo dos olhos (bolsas infraorbitais), no queixo (papada) e nas laterais da boca (sulcos nasogenianos). Eles também são encontrados em outras áreas do rosto, como as têmporas e a testa. À medida que envelhecemos, podem mudar de posição, perder volume ou tornar-se mais proeminentes, o que pode afetar a aparência do rosto. Os coxins de gordura facial profundos estão localizados abaixo dos coxins de gordura superficial e são responsáveis por preencher as áreas mais profundas do rosto. Eles são encontrados em várias áreas, incluindo as maçãs do rosto, as têmporas, a mandíbula e as laterais da boca (Figura 15). Figura 15 – Coxins de gordura facial Crédito: Elias Aleixo 5.2 Anexos da epiderme Na epiderme, podemos encontrar alguns tipos celulares que ajudam na proteção desse tecido. 34 5.2.1 Queratinócito Os queratinócitos sintetizam a queratina, protegendo a pele contra atritos e a perda de água por evaporação, além de regularem a absorção de cálcio pela ativação de precursores do colesterol pela luz UVB para a formação de vitamina D. 5.2.2 Melanócito Os melanócitos são responsáveis pela formação da melanina, que protege contra os raios ultravioleta e realiza a pigmentação da pele. 5.2.3 Células de Langherans e Células de Merkel As células de Langherans protegem contra a invasão de microrganismos, participando da resposta imune do organismo, enquanto as células de Merkel desempenham papel na função sensorial. 5.3 Anexos da derme Os anexos encontrados na derme são estruturas que se projetam a partir do tecido dérmico da pele. 5.3.1 Pelo Os pelos são filamentos flexíveis de células queratinizadas produzidos por folículos pilosos localizados na derme da pele. Possuem várias funções, como proteger a pele de ferimentos e irritações, regular a temperatura corporal e ajudar a detectar sensações táteis. Na face, os pelos faciais, como barba e bigode, são mais característicos dos homens, embora também possam ser encontrados em mulheres. Na puberdade, os folículos pilosos da face se tornam mais sensíveis aos hormônios masculinos, levando a um aumento no crescimento de pelos faciais nos homens. 35 5.3.2 Glândulas sebáceas As glândulas sebáceas estão ligadas aos folículos dos pelos e liberam sebo, uma substância gordurosa formada por triglicerídeos, ácidos graxos livres, colesterol e ésteres de colesterol, que ajuda a lubrificar e proteger a pele. 5.3.3 Glândulas sudoríparas As glândulas sudoríparas são células que secretam suor para o meio externo para ajudar a regular a temperatura corporal e a remover toxinas do corpo. As glândulas sudoríparas na face são mais numerosas do que em outras partes do corpo. A Figura 16 mostra todas as camadas do tecido epitelial, como epiderme, derme e hipoderme, e seus anexos. Figura 16 – Tecido epitelial com seus anexos Créditos: Net Vector/Shutterstock. 36 NA PRÁTICA Com base nos conteúdos estudados, vamos desenhar na figura abaixo (Figura 17) os principais músculos faciais de um lado e, do outro, os principais coxins de gordura encontrados na face. Para gravar os nomes e onde se encontra cada músculo e como cada coxim se distribui no rosto. Figura 17 – Figura em branco para atividade prática Créditos: first vector trend/Shutterstock. 37 FINALIZANDO Nesta etapa, foram abordadas as principais estruturas anatômicas e funções básicas das estruturas da cabeça e pescoço.Vimos que a anatomia da cabeça e pescoço é complexa e inclui várias estruturas importantes, como ossos, músculos, vasos sanguíneos, nervos e pele. O sistema ósseo, além de realizar a proteção de estruturas vitais, como o cérebro e os olhos, ainda é responsável pelo armazenamento de minerais. Os ossos da cabeça são interligados por articulações que permitem um certo grau de movimento, mas geralmente são imóveis e altamente resistentes para proteger o cérebro e outras estruturas delicadas. Esses ossos também têm aberturas e passagens para permitir a passagem de nervos e vasos sanguíneos para estruturas adjacentes. Os músculos faciais são responsáveis pelos movimentos e expressões faciais que fazemos. Esses músculos são pequenos, mas extremamente importantes para a comunicação e a expressão emocional. O sistema circulatório facial é uma rede complexa de vasos sanguíneos que fornecem sangue e nutrientes para as estruturas da face, incluindo a pele, músculos, ossos e órgãos sensoriais, como os olhos e os ouvidos. As artérias fornecem sangue oxigenado para a face, e as veias faciais drenam o sangue desoxigenado da face e o levam de volta ao coração para ser reabastecido de oxigênio. Os nervos faciais controlam as funções motoras e sensoriais em várias partes da face. A pele é o maior órgão do corpo e é responsável principalmente pela proteção contra agentes externos, a regulação da temperatura corporal, a prevenção da perda excessiva de água, a produção de vitamina D e a percepção de sensações táteis. A pele também desempenha um papel importante na modulação do sistema imunológico, ajudando a proteger o corpo contra infecções e doenças. 38 REFERÊNCIAS ALGHOUL, M., CODNER,M.A.; Retaining ligaments of the face: review of anatomy and clinical applications. Aesthet Surg J., v. 33, n. 6, p. 769-782, 2013. FITZGERALD, R.; CARQUEVILLE J.; YANG P.T. An approach to structural facial rejuvenation with fillers in women. Int J Womens Dermatol., v. 5, n. 1, p. 52-67, 2018. HIATT, J. L.; GARTNER, L. P. Anatomia: cabeça & pescoço. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2011. LAROSA, P. R. R. Anatomia humana: texto e atlas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. _____. NIELSEN, M. T. Princípios de anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. WASCHKE, J.; BÖCKERS, T. M.; PAULSEN F. Sobotta anatomia clínica. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Conversa inicial Na prática FINALIZANDO Conversa inicial Na prática FINALIZANDO Conversa inicial Na prática FINALIZANDO CONVERSA INICIAL TEMA 1 – SISTEMA ESQUELÉTICO 1.1 Viscerocrânio 1.1.1 Osso nasal 1.1.2 Osso maxilar 1.1.3 Osso mandibular 1.1.4 Osso zigomático 1.1.5 Osso vômer 1.1.6 Osso lacrimal 1.1.7 Osso palatino 1.1.8 Concha nasal inferior 1.2 Neurocrânio 1.2.1 Temporal 1.2.2 Parietal 1.2.3 Frontal 1.2.4 Esfenoide 1.2.5 Etmoide 1.2.6 Occipital 1.3 Ossos do pescoço 1.4 Periósteo 1.5 Sistema cartilaginoso 1.6 Forames 1.6.1 Forame supraorbital 1.6.2 Forame infraorbital 1.6.3 Forame mentual TEMA 2 – SISTEMA MUSCULAR 2.1 Músculos do terço superior 2.1.1 Músculo frontal 2.1.2 Músculo prócero 2.1.3 Músculo corrugador do supercílio 2.1.4 Músculo orbicular dos olhos 2.1.5 Músculo elevador das pálpebras 2.1.6 Músculo temporal 2.2 Músculos do terço médio e inferior 2.2.1 Músculo nasal 2.2.2 Músculo levantador da asa do nariz 2.2.3 Músculo depressor nasal 2.2.4 Músculo levantador do lábio superior 2.2.5 Músculo orbicular da boca 2.2.6 Músculo depressor do ângulo da boca 2.2.7 Músculo mentoniano 2.2.8 Músculo zigomático maior e menor 2.2.9 Músculo risório 2.2.10 Músculo bucinador 2.2.11 Músculo masseter 2.3 Músculo platisma TEMA 3 – SISTEMA CIRCULATÓRIO 3.1 Artérias da cabeça e pescoço 3.2 Veias da cabeça e do pescoço 3.3 Capilares faciais 3.4 Sistema linfático facial TEMA 4 – SISTEMA NERVOSO 4.2 Nervos cervicais 4.2 Nervos cranianos 4.2.1 Nervo trigêmeo 4.2.2 Nervo facial TEMA 5 – SISTEMA TEGUMENTAR E SEUS ANEXOS 5.1 Pele 5.1.1 Epiderme 5.1.2 Derme 5.1.3 Hipoderme 5.2 Anexos da epiderme 5.2.1 Queratinócito 5.2.2 Melanócito 5.2.3 Células de Langherans e Células de Merkel 5.3 Anexos da derme 5.3.1 Pelo 5.3.2 Glândulas sebáceas 5.3.3 Glândulas sudoríparas NA PRÁTICA FINALIZANDO REFERÊNCIAS