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Administração de Finanças I Faculdades Senac - RS 
 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
1 
ADMINISTRAÇÃO DE FINANÇAS I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
2 
 
ÍNDICE 
 
I – Administração de Finanças............................................ 03 
II – Fluxo de Caixa ............................................................. 09 
III – Exercícios Fluxo de Caixa.......................................... 15 
IV– Administração do Capital de Giro............................... 22 
V– Exercícios Capital de Giro............................................. 41 
VIII – Fluxo de Caixa Descontado...................................... 45 
IX – Exercícios Fluxo de Caixa Descontado....................... 51 
X – Taxa de Câmbio ........................................................... 53 
XI – Intermediação Financeira e Mercado Financeiro........ 58 
XII – Análise de Balanços................................................... 74 
XIII – Exercícios de Análise de Balanços........................... 91 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
PADOVEZE, Clovis Luis Introdução à Administração Financeira. São Paulo: Thomson 
Pioneira, 2005. 
HOJI, M. Administração Financeira: uma abordagem prática.2ed. São Paulo: Atlas, 2006. 
ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JORDAN, B. D. Princípios de Administração 
Financeira. 2ed. São Paulo: Atlas, 2002. 
Complementar: 
BRIGHAM, E. F; GAPENSKI, L. C.; EHRHARDT, M.C. Administração Financeira: teoria e 
prática. São Paulo: Atlas, 2005. 
GITMAN, L. J. Princípios de Administração Financeira. 10 ed. São Paulo: Harbra, 2004. 
HERRMANN JR, F. Analise De Balanços Para A Administração Financeira. 3ed. São 
Paulo: Atlas, 2003. 
NIKBAKHT, E; GROPPELLI, A.A. Administração Financeira – Série Essencial. 3ª Ed.São 
Paulo: Saraiva, 2010. 
MEGLIORINI, E.; VALLIM, M.A., Administração Financeira – Uma abordagem 
Brasileira. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. 
 
DIVERSOS ARTIGOS NA INTERNET 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
3 
 
 
 
 
 
 
I - ADMINISTRAÇÃO DE FINANÇAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
4 
A Administração Financeira e o Papel do Administrador 
Financeiro 
 
1. Conceitos – Finanças 
 
É a arte e a ciência de se administrar fundos, isto é, aplicar princípios econômicos, 
contábeis e conceitos do valor do dinheiro no tempo às tomadas de decisões em negócios. A 
palavra “arte” implica que existem algumas oportunidades para ser criativo na administração de 
dinheiro. E a palavra “ciência” implica que existem alguns fatos comprovados subjacentes às 
decisões financeiras. 
De uma forma mais ampla, dizemos que ela trata do processo, instituições, mercados e 
instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos. 
Praticamente todos os indivíduos e organizações obtêm receitas ou levantam fundos, gastam ou 
investem. Em última análise, Finanças é a arte e a ciência de administrar fundos. 
 
2. Principais Áreas em Finanças 
 
Existe uma tendência cada vez maior de executivos oriundos da área financeira 
ocupando os cargos mais altos nas organizações.Nesse contexto, algumas áreas vêm se 
destacando e atraindo a atenção de estudantes e profissionais por serem excelentes 
oportunidades de carreira. São elas: Finanças Corporativas (ou Empresariais), Investimentos, 
Instituições Financeiras, Finanças Internacionais e, por último, Consultoria em Finanças 
Pessoais. 
Finanças Empresariais requer do profissional financeiro conhecimento para decisões 
vitais no âmbito empresarial, que podem envolver a estrutura de ativos, a estrutura financeira ou 
planejamento e controle da gestão e obtenção de resultado de empresas e órgãos 
governamentais. 
A área de Investimentos lida com ativos financeiros, tais como ações, debêntures, títulos 
públicos e privados, derivativos e outras obrigações. E sua atividade o profissional financeiro 
calcula preços desses ativos, determina os riscos envolvidos e o retorno possível, analisa o 
contexto para definição da melhor composição de carteiras para cada tipo de investidor. Esse 
profissional pode atuar como Operador de Bolsa de Valores, Administrador de Carteiras de 
Fundos ou ainda como Analista de títulos. 
As Instituições Financeiras são aquelas que lidam primeiramente com assuntos 
financeiros, como Bancos, Associações de Poupança e Empréstimo e Seguradoras. Essas 
instituições necessitam profissionais para uma grande variedade de tarefas relacionadas a 
finanças. Pode atuar na área de empréstimos, captação de recursos, seguros, previdência privada 
e capitalização entre outras. 
Finanças Internacionaispodem ser definidas como uma especialização que requer 
conhecimento em todas as áreas citadas, sua atuação envolve aspectos internacionais como taxa 
de câmbio e risco político, empréstimos internacionais, administração de carteira e análise de 
títulos de empresas sediadas em vários países. 
Consultoria em Finanças Pessoais é uma atividade com certa tradição nos Estados 
Unidos. No Brasil vem se desenvolvendo de forma crescente. O Consultor de Finanças Pessoais 
(CFP), conhecido também como Planejador de Finanças Pessoais, tem um foco de atuação 
muito forte no planejamento financeiro. Sua atividade básica consiste em gerir as finanças 
pessoais para facilitar o alcance de objetivos econômico-financeiros pretendidos pelos clientes. 
Administração de Fina
 
Pode auxiliar na administração
para endividamentos elevados,
adequados para cada perfil de
aposentadoria. 
 
3. O Administrador F
 
Em empresas de pequen
um setor ou um departamento 
administrador financeiro. À me
organizacional e, com isso, e
denominações, como diretor fin
exemplo de seu posicionament
no organograma abaixo: 
 
Conforme ilustrado, o
controladoria. A controladoria 
impostos e sistemas de inform
do caixa e dos créditos da empr
 
4. Áreas da Administr
 
4.1. ORÇAMENTO DE
Diz respeito aos inve
planejamento e gerência deste
financeiro procura identificar o
nanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gusta
ção do orçamento doméstico, na análise e na b
os, orientações sobre aplicação de recursos na
de investidor. Orienta ainda, na escolha de s
r Financeiro 
ueno porte, a estrutura organizacional, muitas v
to financeiro, e o próprio proprietário desemp
medida que a empresa cresce, passa a ser nece
, emerge a figura desse administrador, que 
 financeiro, vice-presidente de finanças, gerente
ento na estrutura organizacional de uma empres
 o diretor financeiro coordena as atividade
ria lida com contabilidade de custos e finance
rmações gerenciais. A tesouraria é responsável
presa, pelo planejamento financeiro e pelas des
istração de Finanças Empresariais 
 DE CAPITAL ou ANÁLISE DE INVESTIM
vestimentos a longoprazoda empresa, mais
estes investimentos a longoprazo.Nesta funçã
r oportunidades deinvestimentos que possuem 
avo da Cunha Raupp 
5 
a busca de alternativas 
nas modalidades mais 
e seguros e planos de 
s vezes, não comporta 
mpenha a atividade de 
cessária uma estrutura 
e pode ter diferentes 
nte financeiro etc. Um 
resa está representado 
 
ades de tesouraria e 
nceira, pagamentos de 
vel pela administração 
despesas de capital. 
IMENTOS 
isespecificamente, ao 
nção, o administrador 
m valor superior a seu 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
6 
custo de aquisição. Emtermos gerais, isso significa que o valor dos fluxos de caixa gerados 
peloativo excede o custo de tal ativo.Independentemente do investimento em consideração, o 
administradorfinanceiro precisa preocupar-secom o montante de fluxo de caixa que 
esperareceber, quando irá recebê-loe qual a probabilidade de recebê-lo.A avaliaçãodamagnitude, da distribuição no tempo e do risco dos fluxos de caixa futurosé a essência do 
orçamento de capital. 
4.2. ESTRUTURA DE CAPITAL 
Refere-seà combinação específica entre capital de terceiros a longoprazoecapital próprio 
que a empresa utiliza para financiar suas operações. Oadministrador financeiro possui duas 
preocupações nessa área. Primeiro, qualo montante que a empresa deve tomar emprestado? 
Segundo, qual a fontemais barata de fundos para a empresa? 
Adicionalmente à combinação de recursos, o administrador financeiro devedecidir 
exatamentesobre como e onde levantará os recursos. Cabe a ele entãoa tarefa de escolher as 
fontes e os tipos de empréstimos. 
4.3. ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO 
Refere-seà administração dos ativos de curtoprazoda empresa, tais comoestoques, e aos 
passivosde curtoprazo,tais como pagamentos devidos afornecedores. É uma atividade cotidiana 
que assegura que os recursossejam suficientes para continuar a operação.As questões seguintes 
devem ser respondidas sobre o capital de giro: 
1. Quais devem ser os volumes disponíveis de caixa e estoque? 
2. Devemos vender a crédito para os nossos clientes? 
3. Como obteremos os recursos financeiros a curto-prazoquevenham ser necessários? 
As três áreas que acabamos de descrever – orçamento de capital, estrutura decapital 
eadministração de capital de giro – são categorias amplas. Cada uma incluiuma variedade de 
tópicos. 
 
5. Forma Jurídica de Organização das Empresas 
 
Quanto ao aspecto jurídico, as empresas podem ser classificadas de duas maneiras: 
individuais ou societárias. 
As empresas individuais são aquela que possuem umúnico dono. Geralmente, essa 
forma jurídica se aplica às pequenas empresas, cujos donos respondem sozinhos pela empresa e 
de forma ilimitada. A razão social de uma empresa individual é constituída pelo nome do 
proprietário, por extenso ou abreviado, e pode ser complementado com o ramo de atividade ao 
qual ela pertence. 
Já as empresas societárias são constituídas por duas ou mais pessoas. No Brasil, os tipos 
mais comuns dessas empresas são: 
•Sociedades por cotas de responsabilidade limitada. Nesse tipo de sociedade, o 
capital, estabelecido em contrato social, é representado por cotas. Cada sócio é diretamente 
responsável pela integralização das suas e, indiretamente, pela integralização das cotas dos 
outros sócios. Cada umdeles é denominado 'cotista', e o nome ou a razão social dessas 
sociedades é seguido da palavra 'limitada', por extenso ou abreviada na forma “LTDA”. 
•Sociedade anônima.Nesse tipo de sociedade, o capital, estabelecido em contrato 
social, é dividido em parcelas, denominadas 'ações'. Os sócios ou os 'acionistas' têm a 
responsabilidade limitada ao valor de suas ações subscritas ou adquiridas. O nome ou a 
razão social dessas sociedades é seguido pela expressão 'sociedade anônima' ou da forma 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
7 
abreviada 'S.A.'. A sociedade anônima pode ser classificada de duas maneiras: ABERTA, 
cujas ações e/ou debêntures são negociadas na bolsa de valores - e as empresas captam 
recursos junto ao público, via subscrição de novas ações ou lançamento de debêntures; 
FECHADA, cujas ações não são negociadas na bolsa de valores e a captação de recursos 
provém dos próprios acionistas. 
 
6. O Papel do Administrador Financeiro 
 
As funções financeiras podem ser de curto e longo prazo. As de curto prazo envolvem a 
administração de caixa, do crédito, das contas a receber e a pagar, estoques e financiamentos de 
curto prazo. 
A administração financeira de curto prazo também é chamada de administração do 
capital circulante. O administrador financeiro no curto prazo também se preocupa com o 
planejamento financeiro e tributário. 
No longo prazo o administrador financeiro envolve-se com as decisões financeiras 
estratégicas, tais como orçamento de capital, estrutura de capital, custo de capital, 
relacionamento com investidores etc. 
As decisões financeiras no longo prazo envolvem a obtenção de recursos para projetos e 
investimentos e a definição dos critérios a serem adotados para a escolha entre investimentos 
alternativos. 
Os objetivos e as funções do Administrador Financeiro: 
O objetivo da empresa é maximizar o valor de mercado do capital dos proprietários 
existentes. Atendendo a um desejo específico dos acionistas: a remuneração de seu capital, sob 
a forma de distribuição de dividendos. 
O administrador financeiro procura conciliar a manutenção da liquidez e do capital de 
giro da empresa, para que a empresa possa honrar com as obrigações assumidas perante 
terceiros na data do vencimento, bem como a maximização dos lucros sobre os investimentos 
realizados pelos acionistas. 
Resumindo as funções do administrador financeiro: 
- manter a empresa em permanente situação de liquidez; 
- maximizar o retorno sobre o investimento realizado; 
- administrar o capital de giro da empresa; 
- avaliar os investimentos realizados em itens do ativo permanente; 
- estimar o provável custo dos recursos de terceiros a serem captados; 
- analisar as aplicações financeiras mais interessantes para a empresa; 
- informar sobre as condições econômico-financeiras atuais e futuras da empresa; 
- interpretar as demonstrações financeiras; 
- manter-se atualizado em relação ao mercado e às linhas de crédito oferecidas palas 
instituições financeiras. 
 
7. Responsabilidade Social da Empresa 
Aumentar a riqueza dos acionistas não quer dizer que a administração deva relegar para 
segundo plano as responsabilidades sociais, apesar de que o conflito entre “maior riqueza” e 
“responsabilidade social” seja normalmente uma constante. 
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8 
Esta responsabilidade social poder ser resumidas em: proteção ao consumidor, 
segurança no trabalho, apoio à educação, participação ativa na comunidade, processos 
sustentáveis, inclusão social, dentre tantos outras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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II - FLUXO DE CAIXA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
10 
A administração da liquidez e da solvência é uma das 
atividades mais importantes do administrador financeiro. Para 
desempenhar esta função, o profissional de finanças utiliza um 
dos principais instrumentos de análise e controle financeiro: o 
FLUXO DE CAIXA. 
 
“O caixa é importante porque representa poder de compra que 
pode ser transferido facilmente, em uma economia de troca, a 
qualquer indivíduo ou organização para satisfação de suas 
necessidades específicas por bens e serviços desejados e disponíveis na 
economia. Informações sobre fluxo de caixa são relevantes, à medida que 
permitem a investidores e credores projetar a capacidade que a empresa terá de 
distribuir dividendos, pagar juros e amortizar dívidas. Além desses pontos, a 
informação sobre o fluxo de caixa destaca-se, também, por auxiliar na 
determinação da liquidez e solvência empresarial (HENDRIKSEN E BREDA, 
1999, p.177).” 
Para Hendriksen e Breda (1999, p.177) “liquidez é a capacidade relativa de conversão 
de ativos em caixa e solvência é a capacidade de pagamento das obrigações de uma empresa no 
momento de seus vencimentos. O conceito de solvência é mais amplo que o de liquidez”. A 
capacidade de solvência da empresa é importante, pois indica a possibilidade de continuidade. 
Inicialmente destaca-se que a compreensão do termo caixa deve abranger não somente a 
conta contábil caixa, e sim todos os recursos disponíveis da empresa dos quais se possa fazer 
uso como se dinheiro fosse. Correspondem ao caixa, desta forma, as disponibilidades imediatas 
da empresa, ou seja, caixa, propriamente dito, depósitos bancários à vista, numerários em 
transito e aplicaçõesde liquidez imediata. 
Denomina-se fluxo de caixa o conjunto de entradas e saídas de dinheiro ao longo do 
tempo, podendo ser calculado mediante a construção de um mapa de fluxos de tesouraria. É um 
instrumento de controle que tem por objetivo auxiliar o empresário a tomar decisões sobre a 
situação financeira da empresa. 
Pelo fato de proporcionar uma medida da capacidade da empresa em liberar meios 
monetários, o cash-flow torna-se um excelente indicador da capacidade de autofinanciamento 
da empresa, isto é, da sua capacidade para efetuar novos investimentos sem necessidade de 
recorrer a fontes de financiamento externas. 
 
 
1. Fluxo de Caixa
1.1. Conceitos e Convenções Básicas
� A representação do fluxo de caixa é feita por 
meio de tabelas e quadros, ou 
esquematicamente, conforme abaixo:
0 1 2 3 n
Tempo
- + - +
FLUXO 
DE 
CAIXA 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
11 
• A escala horizontal representa o tempo, divididos em períodos descontínuos. O ponto 
zero representa a data inicial, o ponto 1 indica o final do 1º período e assim por diante; 
• Os intervalos de tempo de todos os períodos são iguais. 
• Saídas de caixa correspondem aos pagamentos, tem sinais negativos e são representadas 
por setas apontadas para baixo. 
• Entradas de caixa correspondem aos recebimentos, tem sinais positivos e são 
representados por setas apontadas para cima. 
Então para que servem os relatórios de fluxo de caixa? 
• Planejar e controlar as entradas e saídas de caixa num período de tempo determinado. 
• Auxiliar o empresário a tomar decisões antecipadas sobre a falta ou sobra de dinheiro na 
empresa. 
• Verificar se a empresa está trabalhando com aperto ou folga financeira no período 
avaliado. 
• Verificar se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado 
período ou se há necessidade de obtenção de capital de giro. 
• Planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos. 
• Avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos. 
• Conhecer previamente (planejamento estratégico) os grandes números do negócio e sua 
real importância no período considerado. 
• Avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e 
previstos no período considerado. 
• Avaliar o melhor momento para efetuar as reposições de estoque em função dos prazos 
de pagamento e da disponibilidade de caixa. 
• Avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas visando melhorar 
o caixa do negócio. 
 
 
Fatores que afetam o Fluxo de Caixa: 
 
O fluxo de caixa de uma empresa é impactado por uma série de fatores, tanto internos 
como externos. O Administrador financeiro deve estar preparado através das indicações 
observadas no fluxo de caixa para tomar as medidas corretivas em tempo hábil, de forma a 
minimizar o impacto nas empresas. 
 
Fatores Internos: 
 
• Expansão descontrolada das vendas, implicando em um volume maior de compras e 
custos operacionais; 
• Aumento concedido no prazo de vendas como forma de aumentar o grau de 
competitividade da empresa e aumentar a sua participação no mercado; 
• Capitalização inadequada com a conseqüente utilização de capital de terceiros de forma 
excessiva, aumentando o seu nível de endividamento; 
• Compra em volume incompatível com as projeções de vendas; 
• Diferenças acentuadas entre giro de contas a pagar e a receber em decorrência dos 
prazos médios de recebimento e pagamento; 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
12 
• Ciclo de produção extremamente longo e incompatível com o prazo médio concedido 
pelos fornecedores; 
• Giro do estoque muito lento, significando o carregamento de produtos obsoletos ou de 
difícil venda, imobilizando recursos da empresa neste item; 
• Baixa ocupação do ativo fixo; 
• Distribuição de lucros incompatíveis com a capacidade de geração de caixa; 
• Custos financeiros elevados em decorrência de um nível de endividamento incompatível 
com a estrutura de capital da empresa; 
• Política salarial totalmente incompatível com o nível de receitas e demais despesas 
operacionais. 
 
Fatores Externos: 
 
• Redução das vendas causadas por uma retração do mercado; 
• Aumento da concorrência em decorrência da entrada de novos concorrentes no 
mercado; 
• Alteração nas alíquotas de impostos, sejam tributos sobre a venda interna como sobre a 
importação de produtos concorrentes; 
• Aumento geral do nível de inadimplência causada por fatores como, por exemplo, o 
aumento da taxa de juros. 
 
Desequilíbrio Financeiro: 
 
A análise do fluxo de caixa permite determinar com precisão, uma empresa que se 
apresente em uma situação de desequilíbrio financeiro. 
 
Sintomas: 
 
• Insuficiência crônica de caixa; 
• Captação sistemática de recursos através de empréstimos. 
 
 
Causas Básicas: 
 
• Excesso de investimento em estoque; 
• Prazo médio de recebimento maior do que o prazo médio de pagamentos; 
• Excesso de investimento em ativos fixos (imobilização); 
• Alto giro de estoque e ciclo de produção elevado. 
• Inflação; 
• Recessão; 
 
Conseqüências: 
 
• Maior grau de vulnerabilidade ante as flutuações nas condições do mercado em que a 
empresa atua; 
• Atrasos nos pagamentos, aumentando as perspectivas de concordata e falência. 
 
 
 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
13 
Medidas de Saneamento: 
 
• Aumento do capital próprio através de aporte de novos recursos dos proprietários atuais 
ou através de novos sócios, ou emissão de papeis (SAs); 
• Redução ou adequação do nível das atividades aos volumes de recursos disponíveis para 
o financiamento das operações; 
• Controle rígido de custos e despesas operacionais; 
• Desmobilização de ativos ociosos; 
• Redução do ritmo das atividades operacionais; 
• Adequação do nível de operações ao nível de recursos disponíveis. 
 
MODELO FLUXO DE CAIXA – PREVISTO E REALIZADO 
 
No relatório anterior foi adotado como modelo o período semanal, apenas como 
demonstração, sendo usual e recomendado o período diário. 
Saldo Inicial: é o valor constante no caixa no início do período considerado para a 
elaboração do Fluxo. É composto pelo dinheiro na “gaveta” mais os saldos bancários 
disponíveis para saque. 
Entradas de Caixa: correspondem às vendas realizadas à vista, bem como a outros 
recebimentos, tais como duplicatas, cheques pré-datados, faturas de cartão de crédito etc., 
disponíveis como “dinheiro” na respectiva data. 
Saídas de Caixa: correspondem a pagamentos de fornecedores, pró labore (retiradas dos 
sócios), aluguéis, impostos, folha de pagamento, água, luz, telefone e outros, entre eles alguns 
descritos em nosso modelo. 
Saldo Operacional:representam o valor obtido de entradas menos as saídas de caixa na 
respectiva data. Possibilita avaliar como se comportam seus recebimentos e gastos 
periodicamente, sem a influência dos saldos de caixa anteriores. 
Saldo Final de Caixa: representa o valor obtido da soma do Saldo Inicialcom o Saldo 
Operacional. Permite constatar a real sobra ou falta de dinheiro em seu negócio no período 
considerado e passa a ser o Saldo Inicial do próximo período. 
Um dos fatores mais importantes para o sucesso na gestão de uma empresa é o adequado 
PLANEJAMENTO. Portanto, a gestão financeira deve ser cuidadosamente planejada, 
executada, acompanhada e avaliada. 
Isso só é possível se estabelecermos metas (objetivos, previsões) que nos orientem a fim 
de evitar “surpresas inesperadas”. 
Se passarmos a projetar recebimentos e pagamentos com base em nossos conhecimentos 
anteriores e expectativas futuras quanto ao que esperamos do mercado, poderemos nos preparar 
para enfrentar dificuldades antes que elas ocorram. 
Assim, trabalhar com valores previstos e compará-los com o realizado (acontecido na 
data), além de mostrar futuras faltas ou sobras de caixa, permite tomar decisões antecipadassobre aumento de compras, liquidações, racionalizações de custos, hora certa para fazer 
investimentos e até mesmo sobre a possibilidade de retirar mais pró-labore sem “sangrar” a 
empresa. 
 
 
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15 
 
III - EXERCÍCIOS FLUXO DE CAIXA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE FLUXO DE CAIXA 
 
 
EXERCÍCIO 1: 
 
A sapataria do Sapatu´s abriu recentemente sua primeira sapataria (em junho) em uma 
das ruas mais exclusivas de Porto Alegre. Apesar de os negócios estarem indo muito bem, os 
sócios têm estado preocupados com possíveis falta de recursos no caixa. Para resolver este 
problema, resolveram montar o seu fluxo de caixa: 
1) Na única loja da empresa, todas as vendas são feitas a vista; 
2) No entanto a Sapatu´s resolveu conceder um prazo de trinta dias para uma 
loja em Salvador que se interessou em distribuir seus sapatos. Hoje é 
responsável por 20% da receita; 
3) O prazo para pagamento aos fornecedores de matéria-prima é de 30 dias para 
pagamento; 
4) O valor do aluguel da loja é de R$ 2.100,00 mensais; 
5) Os 2 sócios da empresas fazem retiradas mensais de R$ 2.000,00 cada um; 
6) Está previsto o pagamento de uma parcela de luvas da loja, para o próximo 
mês de R$ 8.000,00; 
7) As vendas do mês em curso foram de R$ 90.000,00. As vendas projetadas 
para o próximo trimestre são de R$ 90.000,00, R$ 110.000,00 e R$ 
110.000,00; 
8) As compras neste mês são de R$ 45.000,00, sendo projetadas para o 
trimestre seguinte, R$ 45.000,00, R$ 55.000,00 e R$ 55.000,00, nesta ordem; 
9) As despesas comerciais equivalem a 5% da receitado mês; 
10) Os impostos representam 20% das vendas, e são pagos no mesmo mês de sua 
competência; 
11) As despesas administrativas e de pessoal são de R$ 7.000,00 mensais (fixas); 
12) O saldo de caixa no início do período é de R$ 500,00; 
 
Com base nas informações acima elabore o fluxo de caixa da empresa Sapatu´s. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PROJEÇÕES VENDAS - FLUXO DE CAIXA 1 
Conta jun/10 jul/10 ago/10 set/10 out/10 
Vendas Recebidas 
 
Total 
Conta jun/10 jul/10 ago/10 set/10 out/10 
Saldo Anterior 
 Vendas Recebidas 
Total Créditos 
 Fornecedores 
Aluguel 
Prólabore 
Luvas 
Custos Fixos 
Total de Débitos 
 a - Receita Bruta para Impostos 
 b - Impostos 
c - Receita Líquida 
 d - Desp Comerciais 
e - Total dos Débitos 
f - Saldo Caixa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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18 
EXERCÍCIO 2: 
 
A empresa Perfume de Mulher é uma empresa líder no mercado de perfumes e 
fragrâncias, sendo considerada uma empresa modelo em termos de planejamento financeiro. 
Neste momento, os executivos da empresa estão revisando o fluxo de caixa da empresa para os 
próximos 9 meses de forma a detectar quaisquer problemas para os quais eles possam, de 
imediato, pró-agir. No processo de revisão foram projetadas as despesas e as receitas para o 
período, conforme segue: 
 
Meses
Vendas de 
Mercadorias
Despesas 
com 
Pessoal
Aluguéis
Compra 
de MP
Venda de 
Veículos 
Usados
Despesas 
Adminis-
trativas
Despesas 
com 
Impostos
Compra 
de 
MatErial 
de 
Consumo
Compra 
de Equipa-
mento
IGPM
Outubro 10.000,00 2.000,00 500,00 3.000,00 - 700,00 1.700,00 1.000,00 - 0,96%
Novembro 12.000,00 2.500,00 500,00 5.000,00 - 750,00 2.040,00 1.100,00 - 1,23%
Dezembro 15.000,00 3.000,00 500,00 4.000,00 3.000,00 800,00 2.550,00 1.200,00 - -0,41%
Janeiro 8.000,00 3.000,00 875,00 3.600,00 3.000,00 900,00 1.360,00 1.000,00 5.000,00 0,48%
Fevereiro 7.000,00 2.500,00 875,00 2.000,00 3.000,00 1.000,00 1.190,00 1.200,00 5.000,00 1,98%
Março 10.000,00 3.000,00 875,00 3.000,00 3.000,00 1.000,00 1.700,00 1.100,00 - 2,63%
Abril 15.000,00 3.500,00 875,00 4.000,00 3.000,00 1.200,00 2.550,00 1.050,00 - 1,98%
Maio 20.000,00 4.000,00 875,00 5.000,00 - 1.100,00 3.400,00 1.250,00 - 0,56%
Junho 25.000,00 4.000,00 875,00 5.000,00 - 1.300,00 4.250,00 1.300,00 - -0,12%
MP – Matéria Prima 
INFORMAÇÕES ADICIONAIS: 
 
1) A política de vendas da empresa, para os próximos meses foi definida da 
seguinte forma: 20% a vista, sendo o saldo devedor pago da seguinte forma 
(fora o mês): 
� 50% com prazo de recebimento de 30 dias; 
� 20% com prazo de recebimento de 60 dias; 
� 30% com prazo de recebimento de 90 dias; 
2) Os salários e os respectivos encargos sociais são pagos no primeiro dia do 
mês subseqüente; 
3) As despesas com vendas correspondem a 10% das vendas ocorridas no mês, 
sendo pagas no mês seguinte; 
4) As compras de matéria-prima são pagas da seguinte forma: 10% no mês da 
aquisição e o saldo restante em 4 parcelas iguais e mensais, fora o mês da 
compra; 
5) Todas as demais contas serão pagas e recebidas no respectivo mês de 
competência; 
6) O saldo inicial do caixa é de R$ 1.000,00; 
7) Em assembléia geral extraordinária, ficou homologado o aumento de capital 
no valor de R$ 6.000,00, a ser integralizado no mês de março; 
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19 
8) A empresa possui um imóvel alugado, estando previsto um fluxo de 
recebimentos a partir do mês de janeiro, no valor de R$ 400,00. O reajuste 
contratual foi previsto em 50% a partir de abril; 
9) Está previsto, para o mês de fevereiro, a assinatura de um contrato de leasing 
de um prédio para a instalação de futura sede da empresa. A prestação 
mensal será de R$ 1.500,00, corrigida pela variação do IGPM do mesmo 
mês, sendo a 1ª parcela paga em 30 dias; 
Com base nas informações acima elabore o fluxo de caixa. 
Pergunta-se: A integralização de capital efetuada pelos sócios resolveu eventual deficiência de 
caixa da empresa? 
 
 
PROJEÇÕES DAS VENDAS - FLUXO DE CAIXA 2 
Conta outubro novembro dezembro janeiro fevereiro março abril maio junho 
Vendas Recebidas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Total Das Vendas 
 
 
 
 
 
PROJEÇÕES DE COMPRAS - FLUXO DE CAIXA 2 
Conta outubro novembro dezembro janeiro fevereiro março abril maio junho 
Fornecedores 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Total Dass 
Compras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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20 
FLUXO DE CAIXA 2 
Conta outubro novembro dezembro janeiro fevereiro março abril maio junho 
Saldo Anterior 
 
Vendas Recebidas 
 
Integralização 
 
Cred Aluguel 
 
Vendas Veículos 
 
Total de Crédito 
 
Fornecedores 
 
Salários 
 
Despesas com Vendas 
 
Alugueis 
 
Desp Administ 
 
Desp Impostos 
 
Compra MC 
 
Compra equipamento 
 
Leasing 
Total de Débitos 
Saldo de Caixa 
 
 
EXERCÍCIO 3: 
Dois empresários planejam abrir a empresa SCS Ltda e estão preparando em maio o 
orçamento de caixa para os meses de junho a outubro. Farão um aporte no caixa de R$ 
100.000,00. Em setembro novo sócio fará aporte de capital de R$ 50.000,00. 
1) São projetadas vendas: 
 R$ 340.000,00 junho 
R$ 360.000,00 julho 
R$ 380.000,00 agosto 
R$ 400.000,00 setembro 
R$ 300.000,00 outubro 
2) As vendas são recebidas 30% à vista e o restante em duas parcelasiguais; 
3) As compras são projetadas da seguinte forma: 
R$ 200.000,00 junho 
R$ 220.000,00 julho 
R$ 250.000,00 agosto 
R$ 240.000,00 setembro 
R$ 300.000,00 outubro 
4) O pagamento aos fornecedores são efetuados em 0, 30 e 60 dias, em parcelas iguais; 
5) Os salários são pagos no mês seguinte, no valor de R$ 50.000,00 por mês; 
6) A empresa paga o aluguel no mês de competência, projetado em R$ 15.000,00. Em 
setembro haverá reajuste passando para R$ 25.000,00 
7) Os impostos sobre vendas representam 20%, pagos no mês seguinte; 
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21 
8) Em janeiro do mesmo ano, a empresa havia buscado em uma instituição financeira 
recurso de capital de giro, com pagamento da primeira parcela em 30 dias, sendo 7 
parcelas iguais e consecutivas no valor de R$ 25.000,00; 
9) Por política da empresa, deve o gestor financeiro manter o saldo ideal de caixa de R$ 
30.000,00. Eventual sobra deve aplicar em títulos de alta liquidez e havendo 
necessidade de caixa deve comunicar ao gerente do banco, para aprovar as linhas de 
crédito necessárias. O gerente do banco pediu à empresa que orçasse eventual 
necessidade de recursos, pois o mercado estava recessivo e possivelmente 
necessitaria de maior prazo para aprovar as linhas de crédito. 
10) Monte o orçamento de caixa, apontando os meses e o valor que será feitas aplicações 
e comunicar o gerente do banco da eventual necessidade de crédito, desconsiderando 
os juros remuneratórios, em ambos os casos. 
PROJEÇÕES DAS VENDAS - FLUXO DE CAIXA 3 
Conta Junho Julho Agosto Setembro Outubro 
Vendas Recebidas 
 
 
 
 
Total Das Vendas 
200.000,00 220.000,00 250.000,00 240.000,00 300000 
PROJEÇÕES DE COMPRAS - FLUXO DE CAIXA 3 
Conta Junho Julho Agosto Setembro Outubro 
Fornecedores 
 
 
 
 
Total Das Compras 
 
 
FLUXO DE CAIXA 3 
Conta Junho Julho Agosto Setembro Outubro 
Saldo Anterior 
 Vendas Recebidas 
Aporte de Capital 
Total de Crédito 
Fornecedores 
Salários 
Despesas com Vendas 
Alugueis 
Empréstimos 
Desp Impostos 
Total de Débitos 
Saldo de Caixa 
 Saldo Mínimo de Caixa 
Valor à Investir 
 Valor à Financiar 
 
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22 
 
IV - ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL 
DE GIRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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23 
ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO 
 
As empresas, para realizarem suas atividades, precisam de recursos financeiros. Dessa 
forma, é essencial que toda empresa, independentemente do seu ramo de negócio, procure 
controlar os seus ciclos operacional e financeiro, para que possam honrar seus compromissos, 
diminuir sua dependência financeira e aumentar o seu lucro. 
A gestão do capital de giro é extremamente dinâmica exigindo a atenção diária dos 
executivos financeiros, pois qualquer falha nesta área de atuação poderá comprometer a 
capacidade de solvência da empresa e prejudicar a sua rentabilidade. 
Dolabella (1995, p. 102), oferece a seguinte definição de capital de giro: “são os 
recursos financeiros aplicados pela empresa na execução do ciclo operacional de seus produtos, 
recursos estes que serão recuperados financeiramente ao final deste ciclo”. 
Os ciclos dividem-se em Ciclo Econômico, Ciclo Financeiro e o Ciclo Operacional que 
compõe todo o sistema. 
CICLO ECONÔMICO 
É o período em que a mercadoria permanece nas dependências da empresa, ou seja, 
inicia-se com a compra da mercadoria e encerra-se com a venda da mesma. Este ciclo é o giro 
de estoques, ele nos diz quanto tempo à empresa está demorando para girar o seu estoque. 
Quanto maior for o estoque, mais lento será o giro do mesmo, ocasionando, inclusive, numa 
possível insuficiência crônica de caixa, forçando-a a captação sistemática de recursos de 
terceiros comprometendo a saúde financeira da empresa. 
CICLO FINANCEIRO 
Tem início com o desembolso de numerários para a aquisição da mercadoria que será 
revendida pela empresa e encerra-se com o recebimento relativo à venda da mesma. Este é o 
ciclo de caixa. O reflexo do Ciclo Econômico se dará neste ciclo. Se o giro do estoque é lento, 
primeiro a empresa pagará para após receber, ocasionando em desembolso desnecessário. Cabe 
salientar que além de compromissos com fornecedores a empresa também deve honrar outros 
compromissos mensais, que são os Custos Fixos ou Despesas Operacionais. São gastos 
necessários para que a empresa possa operar. 
CICLO OPERACIONAL 
Representa os dois ciclos juntos, iniciando-se quando da compra da mercadoria e 
encerrando-se quando da venda ou do recebimento dos recursos da venda. Segundo Hoji, o 
Ciclo Operacional inicia-se junto com o Ciclo Econômico ou Ciclo Financeiro, o que ocorrer 
primeiro, e encerra-se junto com o encerramento do Ciclo Econômico ou Financeiro, o que 
ocorrer por último. 
 
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24 
 
 
Para se chegar ao ciclo financeiro e operacional é necessário o cálculo dos prazos 
médios, representados em dias. Uma boa administração do capital de giro passa pela correta 
interpretação dos prazos médios e na forma de reduzi-los ou aumentá-los de acordo com as 
necessidades de gestão dos recursos. 
A análise dos recursos investidos no giro das operações de uma empresa envolve o 
cálculo dos prazos médios de renovação de estoques, de cobrança de duplicatas a receber e de 
pagamento das compras de mercadorias para revenda. “A análise dos prazos médios só é útil 
quando os três prazos são analisados conjuntamente”. (MATARAZZO,2003, p.318) 
A conjugação dos três índices de prazos médios leva a análise dos ciclos operacional e 
de caixa, elementos fundamentais para a determinação de estratégias empresariais, tanto 
comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a determinação do fracasso ou sucesso de 
uma empresa. (MATARAZZO,2003, p.311) 
 
PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DOS ESTOQUES (PME) 
 
O Prazo Médio de Renovação de Estoque - PMRE representa, na empresa comercial, o 
tempo médio de estocagem de mercadorias; na empresa industrial, o tempo de produção e 
estocagem. (MATARAZZO, 2003, p.318). 
Esse indicador mostra a velocidade com que o estoque se transforma em produção 
vendida, ou seja, é um indicador da produtividade operacional e da eficiência dos valores 
empatados em estocagem de materiais e produtos. (PADOVEZE, 1997, p.149). A fórmula 
Ciclo Operacional
Compra da Mercadoria ou MP
0 dias 30 dias 45 dias 60 dias
Ciclo Econômico Ciclo Financeiro
Ciclo Operacional
Prazo Médio de Recebimento
Prazo Médio de Pagamento
Prazo Médio de Estoque
Venda Pgto Fornecedor Rbto Duplicata
CF = PME + PMR - PMP
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25 
utilizada para cálculo do Prazo Médio de Renovação de Estoque, conforme Matarazzo (2003, 
p.317), é a seguinte: 
PME = ���������
���
���
� 
 
PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS (PMR) 
 
É o tempo médio que a empresa demora para receber suas vendas a prazo. 
(AUGUSTINI, 1999, p.42). O Prazo Médio de Recebimento de Vendas – PMR expressa o 
tempo decorrido entre a venda e o recebimento. (MATARAZZO, 2003, p. 318). 
Tem por objetivo dar um parâmetro de quanto tempo em média a empresa demora para 
receber suas vendas, Depende da política de crédito que a empresa consegue ou pode atribuir a 
seus clientes. (PADOVEZE, 1997, p.147). Conforme Matarazzo (2003, p.312), a fórmula final 
do Prazo Médio de Recebimento de Vendas fica: 
PMR = ���	
 � ��
���	
� 
.
.
���
� 
 
PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS (PMP) 
 
É o tempo médio que a empresa demora para pagar as suas compras de insumos a prazo. 
(AUGUSTINI,1999, p.42). Se o prazo médio de pagamento de compras – PMP for superior ao 
prazo médio de renovação de estoques – PMR, então os fornecedores financiarão uma parte dasvendas da empresa. (MATARAZZO, 2003, p.319). A finalidade desse indicador é mostrar o 
prazo médio que a empresa consegue para pagar seus fornecedores de materiais e serviços. 
Neste caso, a empresa é dependente da política de crédito que os fornecedores conseguem 
adotar. (PADOVEZE, 1997, p.148). A fórmula utilizada para calcular o Prazo Médio de 
Pagamento de Compras, conforme Matarazzo (2003, p.317), é a seguinte: 
PMP = ���	
 � �����
��
��
� 
.
.
���
� 
 
Apesar de ser calculado de modo similar ao cálculo do índice do período médio de 
cobrança, neste caso, é necessário estimar o montante de compras anuais a prazo, o que não é 
informado nas demonstrações contábeis. Para isso, consideram-se as compras a prazo como 
uma porcentagem do custo dos produtos vendidos (compras anuais a prazo = custos de produtos 
vendidos x percentual estimado de compras a prazo) Alternativamente, esse valor pode ser 
obtido pela equação: compras anuais = custos de produtos vendidos – estoque inicial + estoque 
final. 
 
 
 
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26 
O CICLO FINANCEIRO (CF) 
Para Ramos (2008), o ciclo financeiro ou conversão de caixa, começa com o pagamento 
do produto/matéria prima, que será revendida ou transformada em produto acabado, e termina 
com o recebimento do pagamento desse produto. 
Gitman (2004) demonstra que a conversão de caixa está dentro do ciclo operacional, que 
começa com a entrada da matéria prima no estoque e que envolve basicamente duas categorias 
de ativos, o estoque e o contas e receber. Porém para a fabricação e venda do produto são 
necessários vários gastos como a compra de matéria prima e a mão de obra, que resulta em 
passivos que são as contas a pagar. As administrações desses ativos e passivos resultaram em 
uma empresa forte e competitiva, ou em uma empresa fraca e endividada. 
Para Liz (2008), um bom gestor financeiro deverá analisar os resultados e planejar ações 
para sua melhoria. Também deverá negociar junto aos fornecedores os melhores prazos de 
pagamentos e os menores juros cobrados, como também estabelecer uma boa política de crédito 
para seus clientes. A empresa precisa organizar todos os registros e documentos de forma a 
preservar um histórico de suas finanças pra consultas posteriores. Como também deverá 
controlar o movimento de caixa, classificar as despesas fixas e variáveis e estabelecer regras 
para a retirada de pró-labore dos sócios, nesse caso um dos principais motivos de fracassos 
administrativos. O cálculo do ciclo financeiro: 
CF = PME + PMR – PMP 
Se o resultado do ciclo financeiro for positivo, significa que a empresa primeiro paga os 
fornecedores e depois recebe de seus clientes.Implica em necessidade de recursos para capital 
de giro. Se o resultado do ciclo financeiro for negativo, significa que primeiro recebe de 
clientes e depois paga seus fornecedores, não necessitando de capital de giro. 
 
ADMINISTRAÇÃO DE DUPLICATAS A RECEBER 
 
As duplicatas a receber surgem das vendas de serviços, mercadorias e produtos rea-
lizadas a crédito. Nessa transação, a empresa vendedora financia o cliente pelo prazo estipulado 
para que ele efetue a quitação. Ao oferecer crédito aos clientes, a empresa aumenta suas vendas, 
otimiza o uso dos recursos produtivos e aumenta seu lucro. Ao mesmo tempo em que a DRE 
apresenta lucros maiores a decisão de vender a crédito originará custos adicionais relacionado 
ao incremento da estrutura da área de crédito e cobrança, ao custo de oportunidade do 
investimento marginal em duplicatas a receber e a perdas com inadimplências de clientes maus 
pagadores. 
 
Política de crédito 
 
Vender a crédito sujeita a empresa a riscos que não existem nas vendas à vista, asso-
ciados à possibilidade de não-recebimento. Desse modo a disposição de uma empresa trabalhar 
com esse tipo de venda não significa que todos os potenciais clientes serão beneficiados. É 
necessário que a empresa vendedora tenha uma política de crédito eficiente que, além de fixar 
prazo para a quitação das dívidas, estabeleça critérios para a seleção de clientes, a fim de tentar 
distinguir os mais confiáveis, que receberão crédito, daqueles menos confiáveis, o qual o 
crédito será negado. 
 
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27 
 
Modelos de seleção de clientes e concessão de crédito 
 
Como parte da política de crédito e para minimizar seus riscos, empresas vendedoras 
empregam como parâmetro alguns modelos de análise que permitem averiguar a com-
patibilidade do crédito com a capacidade do potencial do cliente em honrar seus compromissos 
em dia. Entre esses modelos, destacam-se o cinco Cs do crédito. 
 
Os cinco Cs do crédito 
O cinco Cs do crédito é um modelo com alto grau de subjetividade, uma vez que 
depende do julgamento do analista de crédito da empresa sobre o cliente. Por meio desse 
modelo, o analista avalia o perfil do potencial cliente e, em seguida pondera, subjetivamente, e 
conclui sobre a concessão ou não do crédito. O cinco Cs são: caráter, condições, capacidade, 
capital e colateral. 
1) Caráter:Busca-se avaliar a idoneidade do cliente e, com isso, sua intenção em honrar 
seus compromissos. Nessa avaliação, procura-se conhecer o 'caráter' do cliente por meio 
da avaliação de seus hábitos de pagamento, dos históricos de liquidação de obrigações 
junto a outros ofertantes de crédito, das informações obtidas em bancos, cartório de 
títulos e protesto, SPC - Serviço de Proteção ao Crédito, Serasa etc. 
2) Condições:Relaciona-se a fatores externos à empresa que, de alguma forma, possam 
prejudicar seu fluxo de caixa e conseqüentemente sua capacidade de honrar os 
pagamentos. São fatores relacionados ao ramo de atividade do cliente, como sazonal 
idade e hábitos de consumo de seus clientes; fatores ecológicos, como a reação de 
grupos de pressão; fatores econômicos, como a maneira pela qual a taxa de juros ou o 
índice de inflação interfere na procura pelo produto; e fatores relacionados à 
concorrência, que podem afetar o volume de venda do cliente. 
3) Capacidade:Diz respeito à habilidade do cliente em relação a seus conhecimentos em 
proporcionar renda para seu negócio, o que cria capacidade de honrar os pagamentos. 
Análises das demonstrações contábeis, especialmente dos índices de liquidez e endivi-
damento, permitem identificar o potencial do cliente em satisfazer suas obrigações. 
4) Capital:Refere-se à situação financeira do cliente e sua capacidade de pagamentos. Por 
meio de demonstrações contábeis, avaliam-se sua evolução patrimonial, a maneira como 
são efetuados os investimentos em ativos etc. 
5) Colateral:Diz respeito às garantias oferecidas pelo cliente para se candidatar à obtenção 
de crédito. Incluem ativos, avais, fianças etc. 
 
Prazo de crédito 
O prazo de crédito corresponde ao período que a empresa concede aos clientes para 
quitarem seus compromissos. Em geral, esse prazo é definido com base em uma combinação de 
diferentes fatores, como a prática adotada pela concorrência e o desempenho da economia. Esse 
prazo interfere diretamente no volume de vendas: quanto mais tempo é oferecido, maior é o 
volume de vendas e vice-versa. Essas situações afetam o lucro da empresa. 
 
Política ideal de crédito 
A carteira de clientes de uma empresa depende da adoção de uma política de crédito 
mais rígida ou mais liberal. Por um lado, políticas mais liberais atraem um número maior de 
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28 
clientes, mas incluem aqueles de maior risco: os que podem deixar de pagar. Além disso, é 
necessário maiores investimentos em duplicatas a receber. Por outro lado, políticas mais rígidas 
tendem a provocar efeito contrário, isto é, reduzem o número de clientes devido à seleção mais 
criteriosa. Essa situação minimiza os problemas decorrentes de maus pagadores e exige 
investimentos menoresem duplicatas a receber. 
A análise dessas variáveis em conjunto determina a política de crédito ideal. À medida 
que a empresa torna a política de crédito mais liberal, aumentam os custos decorrentes da 
concessão de crédito em relação ao investimento em duplicatas a receber e as perdas com maus 
pagadores. Já a política mais rígida, ao negar crédito a potenciais clientes, além de provocar 
efeito contrário, tem um custo de oportunidade correspondente à margem de contribuição das 
vendas não realizadas. 
 
ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES 
 
Os estoques correspondem às quantidades de matérias-primas, produtos ou mercadorias 
que são mantidos em situação de disponibilidade, com certa freqüência de renovação, para 
serem empregados de acordo com as necessidades de produção ou de acordo com os pedidos 
dos clientes. 
Uma vez que estoques representam uma parcela importante da composição do capital de 
giro da maioria das empresas industriais e comerciais, a administração deles deve otimizar o 
investimento nesse ativo, mantendo-o em níveis adequados ao atendimento da produção e dos 
pedidos dos clientes e minimizando, desse modo, a necessidade de capital investido, ao mesmo 
tempo em que reduz os custos operacionais relacionados aos estoques. 
A gestão dos estoques não fica a cargo do administrador financeiro, mas cabe a ele, 
geralmente, estabelecer um montante de recursos adequado para o investimento nesse ativo. 
Tipos de estoque 
A terminologia empregada nos estoque varia conforme o tipo de empresa. 
Em empresas comerciais, há o estoque de mercadorias, que corresponde às mercadorias 
adquiridas prontas de seus fornecedores e que ainda não foram vendidas em determinada data. 
Em empresas industriais, há, basicamente, três tipos de estoques: 
1) Estoque de matérias-primas.Os materiais que ainda não foram aplicados no processo de 
transformação em produtos em determinada data. 
2) Estoque de produtos em elaboração.Os produtos parcialmente acabados, que se 
encontram, portanto, ainda em fase de fabricação em determinada data. 
3) Estoque de produtos acabados.Os produtos que já estão prontos, mas que ainda não 
foram vendidos em determinada data. 
 
Necessidade de estoques 
Os estoques existem para que o curso das atividades das empresas seja normal. Por 
exemplo, em empresas industriais, a produção é realizada conforme programação feita 
antecipadamente. Em diferentes pontos da produção, são introduzidas matérias-primas até que o 
produto fique pronto e, para que isso ocorra, as matérias-primas são adquiridas com antecipação 
de diferentes fornecedores. Nesse processo de aquisição, o departamento de compras seleciona 
fornecedores, negociam preços, prazos e outras condições favoráveis à empresa, e isso 
determina diferentes momentos e quantidades de entrega, levando à formação do estoque. 
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29 
Ainda em empresas industriais, dado o comportamento de compras de seus clientes, há a 
necessidade de manter estoques de produtos acabado, o que, em certas situações, pode se 
revelar interessante para a empresa. Por exemplo, a certo volume de produção, os custos de 
fabricação dos produtos serão menores em decorrência da economia de escala que pode ser 
obtida. Entende-se que há economia de escala quando o aumento do volume de produção for 
maior que o custo desse aumento de produção. Considere, por exemplo, que a produção 
aumente em 20% e o custo total de produção cresça em 10%. Nessa situação, o custo médio por 
unidade decresce, o que faz aumentar o lucro da empresa. 
Em empresas comerciais, a existência de estoques representa um bom argumento de 
vendas, além de evitar a perda de vendas por falta de itens em estoque. 
Custos associados a estoques 
A manutenção de estoques implica a ocorrência de certos custos, ao mesmo tempo em 
que propicia certo benefício. Os custos associados aos estoques podem ser classificados em dois 
grupos: (1) os custos de reposição; e (2) os custos de manutenção. 
Entre os custos de reposição, encontram-se: 
• Custos de preparação e emissão do pedido 
• Custos de acompanhamento do pedido 
• Custos de recebimento e inspeção dos pedidos 
• Custos de processamento das contas a pagar 
Já entre os custos de manutenção, estão: 
• Custos de armazenagem 
• Custos de movimentação do estoque 
• Custos de seguros do estoque 
• Custos relativos à perda por obsolescência, deterioração, furtos, quebras, validade limitada 
etc. 
• Custos de oportunidade do capital investido no estoque. 
Além desses custos, há outra categoria: a dos custos relacionados à venda perdidas por 
não haver estoque disponível. Para que isso não ocorra, é interessante que a empresa mantenha 
estoque de segurança. 
Técnicas para administrar estoques 
Em uma situação hipotética e ideal, uma empresa não deveria manter estoques. Isso 
somente seria possível se a demandas de matérias-prima, produtos e mercadorias fossem 
conhecidas com exatidão e se tais itens pudessem ser fornecidos instantaneamente. 
Contudo, isso não acontece na prática. 
Assim, as empresas procuram reduzir sensivelmente os estoques de matéria-prima, mer-
cadoria e produtos, a fim de liberar recursos que serão destinados a aplicações alternativas mais 
rentáveis. Para mantê-los em níveis economicamente satisfatórios, as empresas podem 
empregar diferentes técnicas, entre elas a classificação ABC: 
Classificação ABC 
O princípio da classificação ABC é atribuído a Vilfredo Paretto, que, em um estudo de 
renda e riqueza, na Itália, no final do século XIX, observou que havia uma grande concentração 
de riqueza nas mãos de uma pequena parcela da população, na proporção de 80% e 20%, 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
30 
respectivamente. Tal princípio tem sido empregado largamente na administração das empresas. 
Especificamente em relação à administração de estoque, pode-se elaborar uma clas-
sificação ABC separando os itens estocados em classes. 
• Classe A.Inclui os itens de maior valor que devem ser gerenciados com atenção especial. 
Em geral, 20% desses itens representam 80% do valor do estoque. 
• Classe B.Inclui os itens de valor intermediário. Em geral, 30% desses itens representam 
10% do valor do estoque. 
• Classe C. Inclui os itens de valor mais baixo e que, muitas vezes, justificam menor atenção 
no gerenciamento. Em geral, 50% desses itens representam 10% do valor do estoque. 
É importante salientar que esses percentuais são apenas orientadores e podem variar de 
empresa para empresa. Porém, isso não altera o fato de que uma pequena percentagem dos itens 
representa uma grande percentagem dos valores financeiros do estoque. 
 
ADMINISTRAÇÃO DE CONTAS A PAGAR 
 
 Contas a pagar podem ser vistas como empréstimos sem juros dos fornecedores. Na 
ausência de contas a pagar, a empresa precisa tomar emprestado ou usar seu próprio capital de 
giro para pagar as faturas de seus fornecedores. Portanto, o benefício das contas a pagar está na 
economia de despesas de juros que precisariam ser pagas se não houvesse o crédito dado pelo 
fornecedor. Entretanto, a aceitação do crédito e a utilização das contas a pagar nem sempre são 
interessantes para a empresa compradora. Os fornecedores geralmente oferecem generosos 
descontos em dinheiro se as faturas forem pagas na entrega ou poucos dias após o seu 
recebimento. Nesse caso, a opção crucial é aproveitar o desconto à vista e pagar imediatamente, 
ou comprar a prazo e usar as contas a pagar. Se o desconto à vista for utilizado, a vantagem é o 
desconto por si só e as desvantagens são o custo de tomar emprestado para pagar à vista e a 
perda de um empréstimo sem juro. A oferta do desconto à vista deve ser aceita se o benefício 
exceder o custo. 
 
CAPITAL DE GIRO 
 
Alguns conceitos de capital de giro: 
Para Martins e Assaf : 
“o conceito de capital de giro (ou capital circulante)identifica os recursos que giram (ou 
circulam) várias vezes em determinado período. Ou seja, corresponde a uma parcela de capital 
aplicada pela empresa em seu ciclo operacional, caracteristicamente de curto prazo, a qual 
assume diferentes formas ao longo de seu processo produtivo e de venda.” 
Para Marin: 
“capital de giro são os ativos que normalmente devem circular e ser transformados em 
dinheiro (pelo menos em parte) durante o ciclo operacional da empresa.” 
Martins e Assaf identificam portanto, capital de giro como capital circulante, 
conceituando dessa forma: 
“em sentido amplo, o capital de giro representa o valor total dos recursos demandados 
pela empresa, para financiar seu ciclo operacional, o qual engloba, conforme comentado, as 
necessidades circulantes identificadas desde a aquisição de matérias-primas até a venda e o 
recebimento dos produtos elaborados.” 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
31 
Capital de giro, portanto, é o ativo circulante que sustenta as operações do dia-a-dia da 
empresa e representa à parcela do investimento que circula de uma forma a outra, durante a 
condução normal dos negócios. Assim, 
 
CAPITAL DE GIRO = ATIVO CIRCULANTE 
 
Uma administração ineficiente do capital de giro poderá afetar de forma dramática o 
fluxo de caixa da empresa. O volume de capital de giro utilizado por uma empresa depende de 
seu volume de vendas, de sua política de crédito comercial e do nível de estoques que ela 
precisa manter. Duas considerações muito importantes na administração do capital de giro são 
os ciclos econômicos e a sazonalidade específica de determinados negócios. 
O capital de giro necessita de recursos para seu financiamento, como acontece com o 
capital permanente. Assim, quanto maior for o capital de giro, maior será a necessidade de 
financiamento, seja com recursos próprios, seja com recursos de terceiros. 
 
Análise de Liquidez 
 
A liquidez de uma empresa é medida pela capacidade que ela possui para satisfazer suas 
obrigações de curto prazo, nas datas dos vencimentos. A liquidez refere-se à solvência da 
situação financeira global da empresa – a facilidade com a qual ela pode pagar suas contas. 
Existem três motivos importantes para se ter caixa (liquidez), de acordo com John 
Keynes citado por (ROSS, et al.,2000): 
a) Motivo Especulação 
A necessidade de manter caixa para tirar proveito de oportunidades de investimento, 
como por exemplo, desconto em compras, taxas de juros atraentes, flutuações favoráveis de 
câmbio. 
b) Motivo Transação: 
Precisa-se manter caixa para pagamento de despesas e movimentação financeira da 
empresa. Como as entradas de caixa não são perfeitamente sincronizadas, existe um 
espaçamento ou descasamento entre receitas e despesas que é preciso ser coberto pelo caixa. 
c) Motivo Precaução: 
O saldo de caixa por precaução é uma reserva de liquidez suficiente para arcar com 
eventuais desembolsos não-previstos, trazendo assim, certa margem de segurança das operações 
da empresa. 
Os principais indicadores para análise de liquidez são: 
1) capital de giro líquido (CGL); 
2) participação das disponibilidades (PD); 
3) participação de contas a receber (PCR); 
4) participação dos estoques (PE); 
5) índice de financiamento (IF). 
A interpretação desses índices pode ser feita comparando-os com os de outras empresas 
do mesmo ramo, e/ou analisando sua evolução ao longo do tempo na própria empresa. 
1) CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO (CGL); 
 
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32 
Também chamado de capital circulante líquido, corresponde à diferença aritmética entre 
o ativo circulante e o passivo circulante e representa a medida da liquidez da empresa, 
refletindo sua capacidade de gerenciar as relações com fornecedores e clientes. Logo: 
 
CGL = ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE 
 
2.1. Capital de Giro Líquido
PC-AC CCL =
ATIVO PASSIVO
CCL
Ativo 
não 
corrente
Ativo 
corrente
Passivo 
corrente
Passivo 
não 
corrente
ATIVO PASSIVO
CCL
Ativo 
não 
corrente
Ativo 
corrente
Passivo 
corrente
Passivo 
não 
corrente
ATIVO PASSIVO
Ativo 
não 
corrente
Ativo 
corrente
Passivo 
corrente
Passivo 
não 
corrente
CCL Positivo CCL Negativo CCL Nulo
15 
 
 
O passivo circulante representa os financiamentos (fontes de recursos) a curto prazo da 
empresa, pois inclui todas as dívidas que terão seu vencimento (e deverão ser pagas) em um ano 
ou menos. 
O objetivo da administração financeira a curto prazo é gerir cada um dos itens do ativo 
circulante (caixa, bancos, aplicações financeiras, contas a receber, estoques etc) e do passivo 
circulante (fornecedores, contas a pagar, empréstimos etc.), a fim de alcançar um equilíbrio 
entre lucratividade e risco que contribua positivamente para aumentar o valor da empresa. Um 
investimento alto demais em ativos circulantes reduz a lucratividade, enquanto um investimento 
baixo demais aumenta o risco de a empresa não poder honrar suas obrigações nos prazos 
pactuados. Ambas as situações conduzem à redução do valor da empresa. 
Quando o valor do ativo circulante supera o do passivo circulante, significa que a 
empresa possui CGL positivo. Nessa situação mais comum, o CGL representa a parcela dos 
ativos circulantes da empresa financiada com recursos a longo prazo (soma do exigível a longo 
prazo com patrimônio líquido), os quais excedem as necessidades de financiamento dos ativos 
permanentes. 
Quando o valor do ativo circulante é menor que o do passivo circulante, significa que a 
empresa possui CGL negativo. Nessa situação menos usual, o CGL é a parcela dos ativos 
permanentes da empresa que está sendo financiada com passivos circulantes, ou seja, com 
capitais de curto prazo, o que denota um quadro de risco. 
De forma geral, a maioria das empresas não consegue conciliar com precisão as entradas 
(principalmente) e as saídas de caixa. Por isso, os ativos circulantes precisam exceder os 
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33 
passivos circulantes, ou seja, uma parcela dos ativos circulantes é freqüentemente financiada 
com fundos de longo prazo. 
Geralmente, entende-se que quanto maior for o CGL de uma empresa, menor será o seu 
risco, porque sua liquidez reduz a probabilidade de que ela se torne tecnicamente insolvente. 
Tal premissa, entretanto, pode ser equivocada, pois um CGL muito alto significa que 
expressivos fundos de longo prazo estão financiando parte dos ativos circulantes. Como os 
custos desses recursos a longo prazo são sempre mais elevados que os de curto prazo, a 
empresa poderá vir a enfrentar problemas financeiros. 
 
2) PARTICIPAÇÃO DAS DISPONIBILIDADES (PD); 
 
Indica a representatividade das disponibilidades financeiras (caixa, bancos, aplicações 
financeiras de curto prazo) na estrutura do capital de giro. Nas empresas que recebem os valores 
correspondentes às suas vendas antes do pagamento das compras, como normalmente acontece 
no setor varejista, esse índice tende a ser elevado. 
 
PD = DISPONIBILIDADES ÷ ATIVO CIRCULANTE 
 
 
 
3) PARTICIPAÇÃO DE CONTAS A RECEBER (PCR); 
 
Mostra a participação da carteira de duplicatas a receber da empresa sobre o total do 
capital de giro. Quando é muito alto, pode significar que a empresa está adotando uma política 
agressiva de concessão de crédito comercial ou, por outro lado, que ela enfrenta problemas de 
altos índices de inadimplência por parte dos clientes. 
 
 
PCR = CONTAS A RECEBER ÷ ATIVO CIRCULANTE 
 
 
4) PARTICIPAÇÃO DOS ESTOQUES (PE); 
 
Representa o peso dos estoques em relação ao capital de giro. Um índice elevado pode 
significar excessivo investimento em estoques, o que nem sempre é sinônimo de boa 
administração desse importantíssimo item do capital de giro, ou vendas em queda. 
 
 
PE = ESTOQUES ÷ ATIVO CIRCULANTE 
 
 
 
5) ÍNDICEDE FINANCIAMENTO (IF) 
 
Esse parâmetro informa qual é o percentual do capital de giro que está suportado por 
empréstimos bancários e financiamentos. Um índice baixo pode indicar que a empresa está 
utilizando, principalmente, financiamento dos fornecedores em lugar de linhas de crédito 
bancário. Também pode refletir uso normal de financiamento de fornecedores ao lado de uma 
boa situação de caixa que lhe permite dispensar os financiamentos bancários. 
 
 
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34 
IF = (EMPRÉSTIMOS + FINANCIAMENTOS + ENCARGOS FINANCEIROS ) ÷ A. CIRCULANTE 
 
 
 
NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO 
 
Há que recorrer-se aos motivos pelos quais as empresas necessitam de capital de giro. 
Cherry aponta três origens, que justificam as exigências de capital de giro: “Mutações 
no Nível de Operações, Mutações de Política e Mutações na Tecnologia.”, sobre as quais 
alinharemos suas justificativas: 
a) Mutações no Nível de Operações 
Justificam-se quando a empresa é propulsionada a um maior volume de vendas, e 
conseqüentemente precisará de mais estoques, e suas disponibilidades estarão na dependência 
da reação das próprias vendas. 
Essas mutações poderão ocorrer: por vendas sazonais, esperadas pela normalidade nas 
operações da empresa, ou até por excepcionalidade; por mudanças cíclicas decorrentes talvez 
do próprio mercado; em decorrência do próprio crescimento da empresa, ao qual toda 
organização está sujeita. 
Podemos acrescentar uma quarta ocorrência, que seria a dependência governamental, 
que através de sua política econômica poderia levar as empresas à maior produção, conforme 
ocorreu em tantas oportunidades no Brasil. 
 
 
b) Mudanças de Política 
Trata-se de alterações internas ocorridas na própria empresa, que poderá a título de 
exemplo, ampliar o prazo de pagamento nas suas vendas a prazo, ou diferenciar sua forma de 
produção diminuindo o prazo médio de rotação de seus estoques, em dado momento. 
 
c) Mutações na Tecnologia 
Essa variável coloca as empresas modernas constantemente em sujeição. 
O processo da humanidade principalmente na área de processamento de dados, tem 
justificado a presença de equipamentos alterando o processo produtivo. 
Poderão ocorrer, pelas mudanças de implantação, necessidades de capital de giro de 
forma ampla: não só no ativo circulante como no ativo permanente. 
.’. 
O correto dimensionamento da necessidade de capital de giro é um dos maiores desafios 
do administrador financeiro. Elevado volume de capital de giro irá desviar recursos financeiros 
que poderiam ser aplicados nos ativos permanentes da empresa. Todavia, capital de giro muito 
reduzido restringirá a capacidade de operação e de vendas da empresa. A necessidade de capital 
de giro pode ser estimada de dois modos: 
• com base no ciclo financeiro ou 
• com utilização dos demonstrativos contábeis (balanço patrimonial) 
 
CÁLCULO COM BASE NO CICLO FINANCEIRO 
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35 
 
Esse método é aplicável a uma empresa em fase de implantação, por ainda não dispor de 
demonstrações contábeis. A necessidade de capital de giro corresponde ao caixa operacional, 
ou seja, ao montante mínimo de recursos financeiros necessários para garantir a 
operacionalidade da empresa. Trata-se de uma forma simples de se efetuarem os cálculos, pois 
o método pressupõe que as despesas projetadas anuais são uniformemente distribuídas ao longo 
do ano. 
Para determinar a medição da necessidade de capital de giro, iremos analisar o método 
do Prof. Matarazzo que estabeleceu um sistema através dos prazos médios. 
 
O método é baseado na fórmula: 
 
 NCG = CF X Vd + A 
Onde: 
 
NCG = Necessidade de Capital de Giro, no momento da análise 
CF = Ciclo Financeiro, em dias, obtido pela soma do prazo médio de 
recebimento das vendas e do prazo médio de renovação dos estoques, diminuído 
do prazo médio de pagamento das compras 
Vd = Vendas Diárias, no momento da análise. 
A = Ajustes, obtido pela dedução de outros ativos circulantes dos 
outros passivos circulantes 
 
Partiremos da publicação da empresa Ocrim S.A Produtos Alimentícios, nos exercícios 
sociais de 2005 e 2004, para estudá-las sob a ótica da fórmula apresentada. 
A obtenção do ciclo financeiro dar-se-ia da seguinte forma, nos dois exercícios sociais, 
supondo-se os seguintes dados faltantes: 
 2005 2004 
Consumo de matérias-primas 70.858 95.945 
Compra de matérias-primas 70.949 96.660 
Estoques 12.706 12.615 
Duplicatas a Receber 11.631 13.379 
 Fornecedores 1.885 1.056 
 Vendas Total 172.481 200.910 
Prazo Médio de Renovação dos Estoques 
 
Fórmula = 360 d x Estoques_____ 
 Custo das Vendas 
 
Em 2004 360 x 12.615 = 47 dias 
 95.945 
Em 2005 360 x 12.706 = 64 dias 
70.858 
 
Prazo Médio de Recebimento das Vendas 
10 
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36 
 
Fórmula = 360 d x Duplicatas a Receber 
 Vendas 
 
Em 2004 360 x 13.379 = 23 dias 
 200.910 
 
Em 2005 360 x 11.631 = 27 dias 
 150.657 
 
Prazo Médio de Pagamento das Compras 
 
 Fórmula = 360 d x Fornecedores 
 Compras 
 
Em 2004 360 x 1.056 = 4 dias 
 96.660 
 
Em 2005 360 x 1.885 = 9 dias 
 70.949 
Ciclo Financeiro ( sem a equivalência dos prazos médios) 
 
Em 2004 ( 47d + 23d - 4d) = 66d 
Em 2005 ( 64d + 27d - 9d) = 82d 
 
As vendas diárias seriam obtidas da seguinte forma, nos dois exercícios sociais: 
 
Em 2004: Venda Total = 200.910 = $ 558 
 360 d 360 d 
Em 2005 : Venda Total = 172.481 = $ 479 
 360 d 360 d 
 
Os ajustes são obtidos pela diferença dos outros ativos circulantes de outros passivos 
circulantes, que não os envolvidos nos grupos clientes, estoques, fornecedores já devidamente 
considerados no ciclo financeiro. 
 
Assim, temos: 
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37 
(Disponível + Outras Contas) - (Salários, Contribuições e Tributos + Outras Contas) 
Em 2004: (34.834 - 4.864) = 29.970 
Em 2005 : (36.048 - 6.834) = 29.214 
 
Portanto, a necessidade capital de giro dessa empresa, estaria assim calculada: 
Em 2004 : 66d x $558 + 29.970 = 66.798 
Em 2005 : 82d x $ 418 + 29.214 = 65.162 
 
CÁLCULO COM BASE NO BALANÇO PATRIMONIAL 
 
O capital de giro líquido (CGL) é definido como a diferença entre o ativo circulante e o 
passivo circulante. Porém, nem todo o valor do CGL assim calculado representa efetiva 
necessidade de investimento. O ativo circulante contém contas transitórias (caixa, bancos, 
aplicações financeiras de curto prazo) e no passivo circulante também são transitórios os 
empréstimos e financiamentos de curto prazo, bem como os seus respectivos encargos 
financeiros. Essas contas transitórias (ativo e passivo flutuantes) não estão relacionadas à 
necessidade de investimento em capital de giro. 
Para se calcular a necessidade de capital de giro de uma empresa com base em seu 
balanço patrimonial é necessário que se reclassifiquem algumas contas tanto do ativo como do 
passivo – com a finalidade específica de se proceder a esses cálculos. Passa-se a considerar o 
balanço patrimonial da seguinte maneira: 
Ativo Permanente (AP) – formado pelos itens de longo prazo do ativo. Seu valor é igual à 
soma dos seguintes itens: realizável a longo prazo, investimento, imobilizado e diferido. 
Ativo Operacional (AO) – representa os recursos utilizados nas operações da empresa que 
dependem das características de seuciclo operacional. É composto por: duplicatas a receber, 
estoques e outros valores a receber que possuem natureza permanente. 
Ativo Flutuante (AF) – corresponde aos itens de curtíssimo prazo do ativo circulante que 
possuem natureza transitória como caixa, bancos e aplicações financeiras de curto prazo. 
Passivo Permanente (PP) – é formado pelas contas de longo prazo do passivo e representa a 
fonte permanente de recursos financeiros da empresa. É igual à soma do exigível a longo prazo 
com o patrimônio líquido. 
Passivo Operacional (PO) – representa as contas do passivo vinculadas ao ciclo operacional 
da empresa, tais como fornecedores, salários, encargos, impostos, taxas e outras contas a pagar. 
Passivo Flutuante (PF) – corresponde aos itens de curtíssimo prazo do passivo circulante que 
não têm vinculação direta com as operações da empresa. São eles: empréstimos, financiamentos 
e outras obrigações financeiras de curto prazo. 
A fórmula de cálculo da necessidade de capital de giro (NCG) é: 
 
NCG = ATIVO OPERACIONAL – PASSIVO OPERACIONAL 
O capital de giro líquido (CGL) calculado com base nessa reclassificação de contas será: 
 
CGL = PASSIVO PERMANENTE – ATIVO PERMANENTE 
 
O resultado será o mesmo se for usada a fórmula: 
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38 
 
 CGL = ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE 
 
MEDIDAS PARA SOLUCIONAR OS PROBLEMAS DE CAPITAL DE GIRO 
As dificuldades de capital de giro numa empresa são devidas, principalmente, à 
ocorrência dos seguintes fatores: 
- Redução de vendas 
- Crescimento da inadimplência 
- Aumento das despesas financeiras 
- Aumento de custos 
- Alguma combinação dos quatro fatores anteriores 
Na situação mais freqüente, os problemas de capital de giro surgem como conseqüência 
de uma redução de vendas. Neste caso, o administrador financeiro se defronta com as seguintes 
questões: como manter o capital de giro sob controle diante de um quadro de redução das 
vendas? O que pode ser feito para evitar uma crise maior de capital de giro? 
Os tópicos seguintes apresentam algumas alternativas de solução para essas questões. 
1. Formação de reserva financeira 
Como acontece no trato de muitos outros problemas, a ação preventiva tem um papel 
importante para a solução dos problemas de capital de giro. 
A principal ação consiste na formação de reserva financeira para enfrentar as mudanças 
inesperadas no quadro financeiro da empresa. 
A determinação do volume dessa reserva financeira levará em conta o grau de proteção 
que se deseja para o capital de giro. 
Também uma análise do tipo "o que aconteceria ao capital de giro se...." poderia ser 
bastante útil para se formular a estimativa do volume da reserva financeira. 
À primeira vista, poderia soar antieconômico a formação de uma reserva financeira, já 
que esta decisão tiraria recursos financeiros que de outra forma deveriam ser aplicados no 
investimento em ativos fixos de modo a permitir a expansão da empresa. 
Dada a alta volatilidade da economia brasileira, a formação de reserva financeira para o 
capital de giro deveria ser a prioridade econômica fundamental da empresa. Além disso, os 
recursos destinados e essa reserva seriam aplicados no mercado financeiro, onde as taxas de 
juros têm sido maiores do que a taxa de rentabilidade do capital fixo. 
2. Encurtamento do ciclo econômico 
Quando a empresa encurta seu ciclo econômico - este pode ser definido como o tempo 
necessário à transformação dos insumos adquiridos em produtos ou serviços - suas necessidades 
de capital de giro se reduzem drasticamente. 
Numa indústria, a redução do ciclo econômico significa um menor tempo para produzir 
e vender. No comércio, esta redução significa um giro mais rápido dos estoques. Na atividade 
de serviços, a redução do ciclo econômico significa basicamente trabalhar com um cronograma 
mais curto para a execução dos serviços. 
A redução do ciclo econômico não é uma função tipicamente financeira. Ela requer o 
apoio de funções como produção, operação e logística. 
3. Controle da inadimplência 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
39 
A inadimplência dos clientes de uma empresa pode decorrer do quadro econômico geral 
do país ou de fatores no âmbito da própria empresa. 
No primeiro caso, a contração geral da atividade econômica e a conseqüente diminuição 
da renda das pessoas, tende a aumentar a inadimplência. Nesta situação, a empresa tem pouco 
controle sobre o problema. 
Quando a inadimplência é decorrente de práticas de crédito inadequadas, estabelecidas 
pela própria empresa, existe uma solução viável para o problema. Neste caso, é preciso dar mais 
atenção à qualidade das vendas (tanto as vendas a crédito como as vendas faturadas) do que ao 
volume dessas vendas. No caso das vendas a crédito, também será recomendável uma redução 
do prazo de pagamento concedido aos clientes. 
4. Não se endividar a qualquer custo 
Na tentativa de suprir a insuficiência de capital de giro, muitas empresas utilizam 
empréstimos de custo elevado. Como regra, qualquer dinheiro captado a um custo maior do que 
1,17% ao mês (ou 15% ao ano) em termos reais, são incompatíveis com a rentabilidade normal 
da empresa que gira em torno de 15 % ao ano, também em termos reais. Assim, uma linha de 
crédito de curto prazo que custe mais de 1,17% ao mês em termos reais, é claramente 
antieconômica. 
O financiamento de capital de giro a uma taxa real maior do que 1,17% ao mês, pode 
resolver o problema imediato de caixa da empresa, mas cria um novo problema - seu 
pagamento. 
Obs: taxas ilustrativas, podendo variar de acordo com o montante econômico 
O administrador tem consciência da inviabilidade do custo financeiro dos 
financiamentos de capital de giro. Ele tenta ganhar tempo, esperando que uma melhora 
posterior nas condições de mercado da empresa permitam pagar o capital de terceiros. 
Todavia, quando a recuperação das vendas acontece, a empresa já acumulou um estoque 
de dívidas cujo pagamento será impraticável. 
5. Alongar o perfil do endividamento 
Quando a empresa consegue negociar um prazo maior para o pagamento de suas 
dívidas, ela adia as saídas de caixa correspondentes e, portanto, melhora seu capital de giro. 
Embora essa melhora seja provisória, ajudará bastante até que a empresa se ajuste 
financeiramente. 
Também neste caso, é importante uma atenção especial para o custo do alongamento de 
prazo. Ele precisa ser suportado pela rentabilidade da empresa. 
6. Reduzir custos 
A implantação de um programa de redução de custos tem um efeito positivo sobre o 
capital de giro da empresa desde que não traga restrições às suas vendas ou à execução de suas 
operações. 
Uma vez que a empresa com problema de capital de giro também estará com sua 
capacidade de investimento comprometida, a redução de custos em atividades como 
modernização, automação ou informatização não será possível. 
Diante de uma crise de capital de giro, o programa de redução de custos tem natureza 
compulsória e seu grande desafio é identificar aqueles itens de gastos que possam ser cortados 
sem grandes prejuízos para as atividades da empresa. Dificilmente serão encontrados gastos 
supérfluos ou desperdícios, pois a crise de capital de giro naturalmente já os deve ter eliminado. 
7. Substituição de passivos 
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40 
A política de substituição de passivos consiste em trocar uma dívida por outra de menor 
custo financeiro. Por exemplo, uma empresa de grande porte poderia adotar esta solução, 
através do lançamento de títulos no exterior ou mesmo fazendo um lançamento de ações. 
Entretanto, as empresas de pequeno e médio porte não têm essa opção. Um programa 
tradicional de substituição de passivos para essas empresas quase sempre significaria trocar seis 
por meia dúzia. 
Numa situação extrema, as pequenas e médias empresaspoderiam trocar passivo 
exigível por passivo não exigível (capital), através da admissão de novos sócios. Sem dúvida, 
esta seria uma solução a ser adotada em último caso. 
SOLUÇÃO DEFINITIVA 
É evidente que existe um forte entrelaçamento entre a administração do capital de giro 
da empresa e sua administração estratégica. 
Por isso, a solução definitiva para o problema do capital de giro consiste na recuperação 
da lucratividade da empresa e a conseqüente recomposição de seu fluxo de caixa. 
Esta solução exige a adoção de medidas estratégicas de grande alcance que vão desde o 
lançamento de novos produtos ou serviços e a eliminação de outros, adoção de novos canais de 
venda ou até mesmo a reconfiguração do negócio como um todo. 
Desse modo, a solução dos problemas de capital de giro de uma empresa requer muito 
mais do que medidas financeiras. 
Estratégias, operações e práticas gerenciais, entre outras, precisarão ser repensadas para 
que o capital de giro volte ao estado de normalidade. 
 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
41 
 
V - EXERCÍCIOS CAPITAL DE GIRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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42 
 
1) Supondo uma empresa com resultados em 3 exercícios (20X1 / 20X2 / 20X3) 
Ativo 2001 2002 2003 
 Valores $ Valores $ Valores $ 
01 Disponibilidade 178.917 53.705 19.639 
02 Duplicatas a Receber 96.398 104.186 92.912 
03 Estoques 55.848 67.087 73.659 
04 Outros valores a receber 4.513 21.065 33.978 
05 Ativo Circulante 335.676 246.043 220.188 
06 Realizável a longo prazo 82.303 104.362 119.045 
07 Ativo permanente 210.622 293.329 338.486 
08 TOTAL DO ATIVO 628.601 643.734 677.719 
Passivo 2001 2002 2003 
 Valores $ Valores $ Valores $ 
09 Duplicatas descontadas 29.144 29.978 14.190 
10 Instituições financeiras 102.003 54.934 52.783 
11 Fornecedores 30.776 44.292 53.199 
12 Impostos e taxas 14.161 25.933 33.078 
13 Outros valores a pagar 87.608 100.811 138.603 
14 Passivo Circulante 263.692 255.948 291.853 
15 Exigível a Longo Prazo 77.166 95.317 84.892 
16 Resultado exercício futuro 0 0 0 
17 Patrimônio Líquido 287.743 292.469 300.974 
18 TOTAL DO PASSIVO 628.601 643.734 677.719 
Demonstrativo do Resultado do Exercício: 
Rubrica 2001 2002 2003 
 Valores $ Valores $ Valores 
$ 
 
21 Receita Líquida 649.191 735.804 744.088 
22 CPV -504.580 -541.982 -520.360 
23 Lucro Bruto 144.611 193.822 223.728 
24 Despesas comerciais -75.810 -75.820 -83.880 
25 Despesas Administrativas -35.607 -47.251 -45.114 
26 Lucro operacional I 33.194 70.751 94.734 
27 Receitas Financeiras 28.901 9.845 0 
28 Despesas Financeiras 0 -2.133 -3.557 
29 Lucro Operacional II 62.095 78.463 91.177 
30 Resultado de equivalência patrimonial 2.352 17.460 27.381 
31 Lucro Operacional III 64.447 95.923 118.558 
32 Resultado não operacional -962 309 -282 
33 Lucro Líquido antes do IR 63.485 96.232 118.276 
34 Provisão IR e CS -2.450 -18.106 -16.127 
35 Lucro Líquido 61.035 78.126 102.149 
 
Calcule o Ciclo Financeiro, considerando os Demonstrativos Financeiros acima, do ano de 
2001, 2002 e 2003, relacionando-os entre si. Considere Compras como sendo o valor de 80% 
do Custo dos Produtos Vendidos.Analise o resultado. 
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43 
2) De acordo com o balanço de pagamento abaixo, calcule o NCG pela técnica do CF: 
Contas 31/12/2001 31/12/2002
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE 83.300,00R$ 117.600,00R$ 
Caixa e Bancos 14.000,00R$ 14.400,00R$ 
Aplicações Financeiras 800,00R$ 1.200,00R$ 
Duplicatas a Receber 37.000,00R$ 42.000,00R$ 
Estoques 31.500,00R$ 60.000,00R$ 
Ativo RLP -R$ -R$ 
ATIVO PERMANENTE 125.700,00R$ 143.400,00R$ 
Investimentos 15.700,00R$ 15.700,00R$ 
Imobilizado 94.350,00R$ 112.700,00R$ 
Diferido 15.650,00R$ 15.000,00R$ 
Total do ATIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
Contas 31/12/01 31/12/02
PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE 61.000,00R$ 78.000,00R$ 
Empréstimos Bancários 8.000,00R$ 15.000,00R$ 
Duplicatas Descontadas 5.000,00R$ 3.000,00R$ 
Duplicatas a Pagar 21.200,00R$ 25.000,00R$ 
Outras Obrigações 26.800,00R$ 35.000,00R$ 
Passivo Exig Longo Prazo 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
Financiamentos 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 112.300,00R$ 138.000,00R$ 
Capital 69.000,00R$ 69.350,00R$ 
Reservas de Lucros 43.300,00R$ 68.650,00R$ 
Total do PASSIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
 
31/12/01
330.000,00R$ 
(210.000,00)R$ 
(210.000,00)R$ 
120.000,00R$ 
(57.000,00)R$ 
(33.000,00)R$ 
(24.000,00)R$ 
63.000,00R$ 
(6.555,00)R$ 
-R$ 
56.445,00R$ 
(19.756,00)R$ 
36.689,00R$ 
-R$ 
36.689,00R$ (=) LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 25.350,00R$ 
(-) PREVISÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR (13.650,00)R$ 
(=) LUCRO APÓS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR 25.350,00R$ 
(-) PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES -R$ 
(-) Despesas Financeiras Líquidas (9.000,00)R$ 
(+/-) Resultados não Operacionais -R$ 
(=) LUCRO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E DO IR 39.00 0,00R$ 
Despesas Administrativas (35.000,00)R$ 
Despesas de Vendas (32.000,00)R$ 
(=) LUCRO OPERACIONAL OU LAJIR 48.000,00R$ 
(-) DESPESAS OPERACIONAIS (67.000,00)R$ 
Dados do DRE 31/12/02
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 365.000,00R$ 
(-) CUSTO OPERACIONAL (250.000,00)R$ 
Custo dos Produtos Vendidos - CPV (250.000,00)R$ 
(=) LUCRO BRUTO 115.000,00R$ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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44 
4) Calcular a necessidade de capital de giro, e o capital de giro líquido com base no 
balanço patrimonial da empresa hipotética abaixo (Valores em Milhares de Reais) 
. 
ATIVO 
 
PASSIVO 
 
Caixa 100 Fornecedores 1.000 
Bancos 900 Salários a Pagar 2.000 
Aplic. Financeiras 2.000 Encargos a Pagar 1.000 
Contas a Receber 3.000 Impostos e Taxas 1.000 
Estoques 3.900 Empréstimos 2.000 
Outros Valores a Rec. 100 Exigível a Longo Prazo 4.000 
Realizável a Longo Prazo 2.000 Capital 7.500 
Investimentos 2.000 Reservas 1.000 
Imobilizado 5.500 Lucros Acumulados 500 
Diferido 500 
TOTAL DO ATIVO 20.000 TOTAL DO PASSIVO 20.000 
Reclassificando-se o balanço, tem-se: 
ATIVO PASSIVO 
Caixa 100 Fornecedores 1.000 
Bancos 900 Salários à Pagar 2.000 
Aplic. Financeira 2.000 Encargos à Pagar 1.000 
Ativo Flutuante 3.000 Impostos e Taxas 1.000 
Contas a Receber 3.000 Passivo Operacional 5.000 
Estoques 3.900 Empréstimos 2.000 
Outros Valores a Rec 100 Passivo Flutuante 2.000 
Ativo Operacional 7.000 Exigível a LP 4.000 
Realizável a LP 2.000 Capital 7.500 
Investimentos 2.000 Reservas 1.000 
Imobilizado 5.500 Lucros Acumulados 500 
Diferido 500 Passivo Permanente 13.000 
Ativo Permanente 10.000 
TOTAL DO ATIVO 20.000 TOTAL DO PASSIVO 20.000 
 
 
 
 
 
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45 
 
VIII - FLUXO DE CAIXA 
DESCONTADOAdministração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
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46 
 
POR QUE O VALOR DO DINHEIRO MUDA COM O PASSAR DO TE MPO 
O velho ditado que diz "mais vale um pássaro na mão do que dois voando" adquire uma 
grande importância quando aplicado às finanças. Em termos monetários, ele significa que o 
dinheiro em caixa hoje vale mais do que no futuro. Em outras palavras, o valor do dinheiro 
muda ao longo do tempo. Os investidores têm uma preferência natural por dinheiro agora em 
vez de depois, pois assim eles podem aumentar o seu valor. Essa naturalmente é a principal 
meta do administrador financeiro. Além dessa razão básica de o dinheiro valer mais agora do 
que no futuro, deve-se estar atento aos fatores que diminuemo valor do dinheiro ao longo do 
tempo. As três razões mais importantes pelo que o valor do dinheiro decresce progressivamente 
ao longo do tempo são as seguintes: 
1. inflação; 
2. risco; 
3. preferência pela liquidez. 
 
INFLAÇÃO 
Inflação refere-se ao aumento geral de preços na economia. Quando os preço aumentam 
o valor do real diminui, e já que se espera que o preços subam no futuro, o valor do real nos 
anos futuros será menor do que o atual. Em outras palavras, o poder de compra do real hoje é 
maior do que será amanhã, por causa do aumento do preço que diminuirá o valor desse real. Por 
isso, é possível comprar maior quantidade de bens com um real daqui a um ano do que daqui a 
dois anos assim por diante. 
 
EXEMPLO: Inflação 
Se o nível geral de preços aumenta 5% anualmente, o poder de compra de um real hoje 
será 5% menor daqui a um ano. Em outra palavras, 1,00 hoje depreciaria o valor para 0,95 
daqui a um ano. Se os consumidores compram 100 alfinetes com um real hoje, ele serão 
capazes de comprar apenas 95 alfinetes daqui a um ano. Portanto, quanto maior a taxa de 
inflação e quanto maior o período envolvido, menor será o valor de uma quantia de dinheiro no 
futuro. 
 
RISCO 
Risco, ou incerteza acerca do futuro, também causa um declínio no valor do dinheiro. 
Como o futuro é incerto, o risco aumenta com o passar do tempo. A maioria das pessoas deseja 
evitar o risco, assim, valorizam mais o dinheiro agora do que a promessa de dinheiro no futuro. 
Elas se dispõem a entregar seu dinheiro pela promessa de recebê-lo no futuro apenas se forem 
adequadamente recompensadas pelo risco a ser assumido. 
Ninguém pode prever, com certeza o futuro da economia brasileira ou as tendências 
econômicas financeiras em outras partes do mundo. É impossível prever com precisão se o 
dinheiro investido hoje estará disponível amanhã. Não existe nenhuma garantia de que uma 
empresa sólida financeiramente permanecerá assim nos anos vindouros. Os investidores não 
têm garantias de que receberão dividendos e de que o preço das ações que adquiriram será 
valorizado, nem podem estar completamente certos de que os juros e o principal dos títulos de 
renda fixa serão pagos pelo emissor conforme foi combinado. Os analistas financeiros ou 
investidores sofisticados, a despeito do quão competentes sejam, não podem assegurar que os 
retornos que projetam para um dado investimento resultem ser o previstos originalmente. 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
47 
Assim como a incerteza aumenta à medida que se olha para um futuro mais distante, o 
risco também aumenta - e o valor do dinheiro prometido no futuro diminui proporcionalmente. 
 
PREFERÊNCIA PELA LIQUIDEZ 
Liquidez é importante tanto para um investidor quanto para uma empresa. Liquidez 
refere-se ao grau de facilidade com que os ativos podem ser convertidos em caixa. Caixa, 
obrigações do governo e outros títulos negociáveis (ativos da empresa dados como garantia aos 
credores para assegurar o pagamento de um empréstimo) aumentam a liquidez de uma empresa. 
De igual forma, o ativo imobilizados, tais como a fábrica e o equipamento, não são 
considerados muito líquidos. Os investidores têm preferência pela liquidez, isto é, preferem 
manter dinheiro em caixa para em emergência inesperadas e exigências financeiras a 
comprometer fundo em ativos de rendimento futuro. Se desistirem da liquidez atual, adquirindo 
ativo que prometem retornos futuros, estarão trocando um ativo de caixa seguro por um ativo 
futuro arriscado. A troca será feita apenas se as recompensas prometidas para os futuros ativos 
forem suficientemente altas para justificar o risco assumido. 
Quando credores ou investidores desistem do caixa por retornos futuros muito 
arriscados, eles requerem ágios ou retornos elevados sobre o seu caixa investido para 
compensá-los pela falta de liquidez. Ao contrário, quando eles investem em ativos de baixo 
risco, os ágios que esperam pelo retorno são relativamente baixos. 
 
EXEMPLO: Liquidez versus retornos futuros 
Nos Estado Unidos, e uma pessoa deposita dinheiro num banco assegurado pelo FOIC 
(Órgão do governo dos Estados Unidos que garante os depositantes), ela se dispõe a aceitar 5% 
de juros, enquanto se adquirir uma obrigação de longo prazo de uma companhia desconhecida 
vai exigir, certamente, uma taxa de juros bem maior, digamos, 15%. Em ambos os casos, a 
opção pela perda de liquidez supõe um retorno que compense o risco. 
Para emprestadores ou investidores, é logicamente essencial saber quanto seus 
investimentos em dinheiro irão crescer, pois assim poderão determinar se seus investimentos 
são vantajosos. Quem toma empréstimos também deseja saber quanto deverá pagar aos 
credores, em quanto tempo liquidar, e se os retornos do fundo captados serão maiores que os 
custos. Tudo isso se resume ao conceito de valor futuro, como é determinado pela taxa de juros 
compostos, e de valor presente dos retornos futuros, uma vez que eles foram ajustados para o 
risco. 
Além do fato de que o dinheiro investido sabiamente hoje renderá um retorno no futuro 
(um fato que cria um desejo natural no investidor pela liquidez), o dinheiro perde valor com o 
tempo devido à inflação, ao risco e à preferência pela liquidez. O conceito de que $1,00 hoje 
vale mais que $1,00 amanhã é fundamental na teoria das finanças. 
 
VALOR PRESENTE E TAXAS DE DESCONTO 
Por que o valor presente é de interesse vital para o pessoal da área financeira? 
Porque ele fornece uma base para comparar a lucratividade de vários projetos ou 
investimentos diferentes durante um período de vários anos. O valor presente, então, o valor do 
dinheiro dos retornos ou rendas futuros, descontada a taxa de capitalização. A taxa de desconto 
ou de capitalização é uma taxa de juros aplicada a uma série de futuros pagamentos ou 
recebimentos ajustados ao risco e à incerteza do fator tempo. 
 
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48 
AJUSTANDO AO RISCO 
Para calcular o valor presente a taxa de desconto deve ser determinada considerando 
quanto risco está associado a cada projeto ou investimento. Os níveis de risco seguem uma 
regra simples: 
 
RISCO ELEVADO SIGNIFICA ALTA TAXA DE DESCONTO, 
E RISCO BAIXO SIGNIFICA TAXA DE DESCONTO BAIXA. 
 
Por exemplo: se um investidor decidir que a taxa de desconto a ser aplicada a uma ação 
é 5%, outra ação com o dobro do risco terá uma taxa de desconto de 10%. 
Determinado o nível de risco o próximo passo é ajustar o retorno ou rendas futuros à 
incerteza do prazo. De modo geral, os seguintes princípios são aplicados para avaliar as taxas 
de desconto. 
Avaliação das taxas de descontos: 
1. entre duas rendas futuras, aquela que tiver a data de resgate posterior deve ter a 
maior taxa de desconto; 
2. quanto menor for o risco percebido, menor deverá ser a taxa de desconto; 
3. se a taxas de juros gerais do mercado subirem, a taxa de desconto deverá subir 
também. 
O risco pode declinar devido a perspectiva mais favorável dos negócios, à previsão da 
queda das taxas de inflação e de juros, ou por condições econômica mais estáveis. Quando o 
risco sereduz, o valor presente das rendas futura aumenta, como se nota na Tabela 1. 
 
Tabela 1 – Relação Inversa entre Valor Presente e Risco 
Renda Futura 
(daqui a três anos) (R$) 
Taxa de desconto 
(%) 
VP de R$ 1,00 em 
3 anos 
VP da renda futura 
(R$) 
 
1.000,00 15 (risco alto) 0,658 658,00 
1.000,00 10 (risco médio) 0,751 751,00 
1.000,00 5 (risco baixo) 0,864 864,00 
 
AJUSTANDO AO PRAZO 
O valor presente de qualquer retorno futuro declina quanto mais distante for o futuro. 
Obviamente esse procedimento emprega um ajuste matemático para o valor do dinheiro no 
tempo. O princípio envolvido não é difícil de captar - o valor presente dos retornos futuros é 
meramente o reverso do valor futuro composto. 
Uma ilustração aritmética fornecerá uma melhor compreensão desse princípio. Suponha 
que você deseje encontrar o valor presente de R$ 1.000,00 daqui a três anos, e espera que o 
nível de risco do projeto seja de 10% ao ano. Portanto, se 
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49 
 
Então: 
 
VP = � ��
(���)�
� 
 
Onde: ou Utilizando HP12C 
VF = valor futuro VF = FV CHS 
VP = valor presente VP = PV = ? 
R = taxa de desconto R = i 
N = o número de anos N = n 
 
Você pode observar que, se esses fatores forem colocados no denominador da última 
equação, o valor presente de R$ 1.000,00 daqui a três anos será 
 
VP = � �.���
(���,��)�
� = R$ 751,31 ou HP12C => 1.000,00 CHS FV, 10 i, 3 n => PV = R$ 751,31 
 
É evidente que, se você tivesse dois projetos com os mesmos custos e a mesma vida 
econômica, porém com fatores de risco diferentes, seria possível encontrar seus valores 
presentes e, então, determinar qual é o mais favorável. 
A avaliação do orçamento de capital, que é projetada para determinar os méritos 
relativos do projeto ou do investimentos, emprega o conceito de valor presente como 
orientação. A idéia, como um todo, é descontar os retornos futuros pelo nível de risco acrescido 
da incerteza decorrente do prazo. O método do valor presente cumpre esse objetivo. 
 
VALOR PRESENTE DE ANUIDADE 
Quando os administradores financeiros deparam com uma série constante e fixa 
de futuros pagamentos ou recebimentos e desejam avaliar o valor presente dessas quantias, 
devem calcular o valor presente de cada ano futuro descontando cada pagamento ou 
recebimento pelo seu fator de valor presente apropriado e, depois, somar todos os valores 
presentes para encontrar o total. 
 
Podemos concluir então, como vimos anteriormente, se o cálculo de um valor presente 
é: 
 
VP = � ��
(���)�
� 
 
Então, o valor presente de uma anuidade é: 
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50 
 
VPa = 
�
(���)�
 + 
�
(���)�
 + 
�
(���)�
 + ... + 
�
(���)�
 
 
Sendo: ou utilizando HP12C 
VPa = valor presente de uma anuidade VPa= PV = ? 
P = valor da parcela (pagamento) P = PMT CHS 
R = taxa de juros R = i 
N = número de períodos N = n 
 
Calculando o exemplo: 
 
Um fluxo de pagamentos de três prestações de R$ 1.000,00, anuais e consecutivas, com 
uma taxa de juros de 5% a.a., calcular o valor presente da anuidade. 
 
VPa = 
�.���,��
(���,��)�
 + 
�.���,��
(���,��)�
 + 
�.���,��
(���,��)�
 
 
VPa = 
�.���,��
(�,��)�
 + 
�.���,��
(�,��)�
 + 
�.���,��
(�,��)�
 
 
VPa = 
�.���,��
�,�� + 
�.���,��
�,�� + 
�.���,��
�,�� 
 
VPa = 952,38+ 909,09 +863,84 
 
VPa = 2.725,31 
Ou HP12C 
f FIN, f REG, 1.000,00 CHS PMT, 5 i, 3 n => PV = 2.723,25 
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51 
 
IX – EXERCÍCIOS FLUXO DE CAIXA 
DESCONTADO 
 
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52 
1) Uma obrigação do governo pode ser convertida em R$ 25.000,00 na data do resgate, 
daqui a dez anos. Qual é o valor dessa obrigação se a taxa de desconto no mercado desse 
título é 9% a.a? (ignore os pagamentos de juro sobre o título) 
 
2) Considerando a ótica de quem recebe, qual a alternativa você prefere: R$ 4.500,00 em 
dinheiro ou R$ 1.200,00 ao ano por um período de quatro anos.Considere uma taxa de 
desconto de 10% ao ano. 
 
3) Você está planejando arrendar uma BMV e tenta fazer uma escolha entre duas 
alternativas: arrendar o carro por $ 3.100,00 de entrada e $ 900,00 mensais durante 4 
meses, ou por U$ 4.100,00 de entrada e U$ 750,00 mensais durante 4 meses. Suponha 
que a taxa de desconto seja de 2% ao mês e composta mensalmente. 
a. Calcule o valor presente da primeira opção; 
b. Calcule o valor presente da segunda opção; 
c. Após os cálculos do valor presente, qual alternativa você escolheria? Porque? 
 
 
 
 
 
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53 
 
X - TAXA DE CÂMBIO 
 
 
 
 
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54 
POLÍTICA CAMBIAL 
 
O mercado de câmbio (divisas) é formado pelos diversos agenteseconômicos que 
compram e vendem moeda estrangeira, conforme suasnecessidades. Empresas que vendem 
mercadorias ou ações no exterior estãoaumentando a oferta de moeda estrangeira, em particular 
o Dólar, pois suareceita ocorre em moeda estrangeira. Empresas que compram bens ou açõesdo 
exterior estão demandando moeda estrangeira (Dólar), pois seus gastosocorrem em dólares. 
Neste sentido, o preço da moeda estrangeira em relaçãoà moeda nacional é determinado neste 
mercado. Este preço é chamado detaxa de câmbio (R$/US$). 
Cabe explicar que as relações econômicas, comerciais e financeirasdos agentes de 
determinado sistema econômico, com os agentes de outrosistema econômico (normalmente 
país), são registradas na Balança dePagamentos. Eventuais déficits no Balanço de Pagamentos 
são decorrentesdo fato de a entrada de divisas (dólares) ser inferior a saída de divisas. Estefato é 
resultado de dois desequilíbrios. O primeiro é que se exportam bens eserviços menos do que se 
conseguem importar, resultando em uma saída dedivisas maior do que a entrada. O segundo 
desequilíbrio é causado pelo ladofinanceiro, onde não se conseguem atrair recursos (dólares) 
em quantidadesuficiente para pagar as contas em dólar. 
As empresas brasileiras queparticipam do comércio internacionaldependem 
substancialmente da taxade câmbio. Entender o funcionamentodesse mercado é fundamental. 
Caso o câmbio esteja a R$ 2,50, significa que são necessários R$ 2,50reais para comprar 
um dólar. Se este subir para R$ 3,00 por dólar, ocorreu umadesvalorização da moeda local em 
relação à moeda estrangeira. O preço damoeda estrangeira elevou-se. 
Se o preço sobe devido a umaumento da demanda por dólares, dizemosque ocorreu uma 
desvalorização do Real frente ao Dólar. Precisa-se de maisreais para comprar a mesma 
quantidade de dólares. 
Se o preço desce devido a um aumento da oferta de dólares, dizemosque ocorreu uma 
valorização do Real frente ao Dólar. Menos reais serãonecessários para comprar a mesma 
quantidade de dólares. 
As empresas brasileiras que participam do comércio internacionaldependem 
substancialmente da taxa de câmbio. Entender o funcionamento dessemercado é fundamental. 
Ele pode agir de três maneiras. 
 
A) REGIME DE CÂMBIO FLUTUANTE 
 
Neste caso não há intervenção do Banco Central no mercado. Opreço da moeda 
estrangeira, ou a taxa de câmbio, é determinadoexclusivamente pela interação entre oferta e 
demanda. O BACENnão compra e não vende dólares. Esse procedimento é adotado 
nosprincipais países desenvolvidos. 
Após a desvalorização do Real frente ao Dólar em 1999, o Paísadotou um regime 
híbrido de câmbio, que mais se aproxima docambio flutuante. 
 
B) REGIME DE CÂMBIO FIXO 
Este regime representa um caso extremo de controle do mercado.O Banco Central deve 
estar constantemente regulando o mercado.Caso haja um excesso de procura/demanda por 
dólares, este devevender dólares aomercado para que o câmbio não se desvalorize. 
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55 
Caso ocorra um excesso de oferta de dólares no mercado, o BancoCentral deve comprar 
o excesso para que o câmbio não se valorize.A Argentina adotou esse regime durante a década 
de 1990. Algunspaíses da América Latina, tais como, Equador e Uruguai, tambémadotam ou 
adotaram esse sistema. Eles buscavam uma alternativapara controlar o nível de preços internos, 
fortalecendo a moedanacional, pois esta estava fixada a uma taxa determinada de câmbio. 
Controlar o mercado de câmbio exige do Banco Central um certonível de reservas 
internacionais (cambiais). Se esse regime sofreruma fuga significativa de capitais (dólares), o 
BACEN ira perdermuitas reservas e conseqüentemente pode desvalorizar a moeda local. 
 
C) FORMAS HÍBRIDAS DE CÂMBIO 
 
Formas híbridas de câmbio são maneiras de atuar sobre este; é umamistura entre o 
câmbio fixo e o câmbio livre ou flutuante.Existem inúmeras maneiras intermediárias entre o 
câmbio fixo e ocâmbio livre de se atuar sobre o câmbio. Este texto se concentra emduas delas, 
pelo fato destas terem sido utilizadas na economiabrasileira desde o período de 1994 até 2002. 
Regime de BandasCambiais e Dirty Float (flutuação suja). 
ORegime de Bandas Cambiais, que foi utilizado na economia brasileirapara o período 
de 1994 a 1999, adota uma flutuação para a taxa de câmbiodentro de determinados limites, ou 
seja, estabelece um teto e um piso. Estaforma de câmbio é considerada híbrida, porque entre os 
parâmetros, superiore inferior, o câmbio flutua livremente, aproximando-se dessa forma do 
câmbiolivre. Todavia, quando a taxa de câmbio aproxima-se ou ultrapassa as bandas,as 
autoridades intervêm no mercado comprando ou vendendo divisas (dólares)até que a taxa 
retorne aos patamares estabelecidos. Sendo assim, podemosconsiderar essa taxa fixa dentro de 
determinados valores. 
A amplitude de variação da taxa de câmbio depende dos interesses dasautoridades 
econômicas, com vista aos objetivos de política econômica,podendo ter uma flexibilidade maior 
(limites mais amplos), ou ter uma maiorrestrição fazendo com que o teto e o piso desta 
flutuação se aproximem, sendoque neste segundo caso o regime também é chamado de Mini 
Bandas Cambiais. 
A flutuação suja, que passou a ser utilizada no Brasil pós 1999,distancia-se do Regime 
de Bandas Cambiais, porque a princípio o câmbio élivre e pode flutuar livremente. No entanto, 
quando as oscilações ocorridasno mercado cambial podem vir a comprometer determinados 
objetivos depolítica econômica, o governo atua sobre o mercado até que a situação venhaa 
estabilizar-se. A idéia é que, com a adoção do câmbio flutuante, o mercadopasse a ter uma 
completa liberdade. Desta maneira, as intervenções não sãodesejadas e só ocorrem em situações 
específicas. 
(O texto Política Cambial é uma 
reprodução parcial do texto Políticas 
Econômicas de Carlos Ilton Cleto e Lucas 
Dezordi) 
 
 
 
 
 
 
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56 
 
 
TAXAS DE CÂMBIO 
 
1. O que é taxa de câmbio? 
Taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centavos) 
da moeda nacional. No Brasil, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar dos Estados 
Unidos, fazendo com que a cotação comumente utilizada seja a dessa moeda. Dessa forma, 
quando dizemos, por exemplo, que a taxa de câmbio é 2,00, significa que um dólar dos Estados 
Unidos custa R$ 2,00. A taxa de câmbio reflete, assim, o custo de uma moeda em relação à 
outra. As cotações apresentam taxas para a compra e para a venda da moeda, as quais são 
referenciadas do ponto de vista do agente autorizado a operar no mercado de câmbio pelo 
Banco Central. 
2. Como ter acesso às taxas de câmbio praticadas? 
As taxas de câmbio praticadas no mercado de câmbio brasileiro são livremente negociadas 
entre os agentes e seus clientes e são amplamente divulgadas pela imprensa. O Banco Central 
do Brasil divulga, em sua página na internet, cotações diárias para as diferentes moedas. 
3. Existe alguma taxa de câmbio fixada pelo Banco Central? 
Não. As taxas de câmbio são livremente pactuadas entre as partes contratantes, ou seja, entre o 
comprador ou vendedor da moeda estrangeira e o agente autorizado pelo Banco Central a 
operar no mercado de câmbio. 
O Banco Central coleta e divulga as taxas médias praticadas no mercado interbancário, isto é, a 
taxa média do dia apurada com base nas operações realizadas naquele mercado, conhecida por 
"taxa PTAX", a qual serve como referência e não como taxa obrigatória. 
4. Onde posso consultar as taxas divulgadas pelo Banco Central? 
As taxas de câmbio divulgadas pelo Banco Central podem ser consultadas em Câmbio e 
capitais estrangeiros > Taxas de câmbio > Cotações e boletins. Também está disponível opção 
que permite verificar valores de conversão de moedas, em Câmbio e capitais estrangeiros > 
Taxas de câmbio > Conversão de moedas. 
Caso seja de seu interesse consultar as séries históricas relativas às taxas de câmbio, pesquise 
em: Economia e finanças > Séries temporais > Setor Externo - Taxas de Câmbio. 
5. Fiz compra em moeda estrangeira pelo cartão de crédito e o banco está me cobrando 
um valor diferente do publicado na página do Banco Central. Ele pode fazer isso? 
Sim. Conforme esclarecido anteriormente, a taxa de câmbio divulgada pelo Banco Central serve 
como uma referência para um cálculo aproximado dos valores, e não como uma taxa 
obrigatória. O pagamento da fatura deve ser realizado pelo equivalente em reais, devendo ser 
utilizada, para efeito de conversão do valor devido em moeda estrangeira para moeda nacional, 
a taxa aplicável às operações de câmbio no dia. 
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57 
 
 
6. As taxas podem ser diferentes para moeda em espécie e cheque de viagem? 
Sim. As taxas de câmbio são livremente pactuadas entre as partes, podendo ser diferentes de 
acordo com a natureza da operação e/ou a forma de entrega da moeda estrangeira (crédito, 
cheque, espécie, etc.). 
7. O que significam as taxas de "câmbio comercial", "câmbio turismo" e "paralelo"? 
Inicialmente destacamos que, desde 2005, quando a Resolução CMN 3.265 unificou o Mercado 
de Câmbio de Taxas Livres (conhecido como "câmbio comercial") e o Mercado de Câmbio de 
Taxas Flutuantes (conhecido como "câmbio turismo"), existe um único mercado de câmbio 
legal no País. 
A terminologia "câmbio comercial" ou "dólar comercial" e "câmbio turismo" ou "dólar 
turismo", no entanto, continua a ser utilizada pelo mercado para indicar as diferentes taxas que 
pratica de acordo com a natureza da operação. 
Assim, a terminologia "câmbio turismo" ou "dólar turismo" é utilizada vulgarmente para 
classificar as operações relativas a compra e venda de moeda para viagens ao exterior, enquanto 
a terminologia "câmbio comercial" ou "dólar comercial" é utilizada para as demais operações 
realizadas no mercado de câmbio, tais como: exportação, importação, transferências 
financeiras, etc. Essas expressões são utilizadas mesmo quando as operações são realizadas em 
outras moedas estrangeiras, como o euro, iene, etc. 
As operações de câmbio têm diferentes características, de acordo com a natureza de cada uma, 
com custos administrativos e financeiros também diversos. Assim, a taxa de câmbio pode variar 
de acordo com a natureza da operação, da forma de entrega da moeda estrangeira e de outros 
componentes tais como valor da operação, cliente, prazo de liquidação, etc. As taxas de câmbio 
divulgadas normalmente são médias apuradas para simples referência. 
Quanto ao mercado paralelo, trata-se de um mercado ilegal. O mercado paralelo, por estar à 
margem da legislação e regulamentação vigentes, sujeita seus participantes às sanções cabíveis. 
8. Onde obter informações sobre a taxa SML? 
Para informaçõessobre a taxa SML e sobre o Sistema de Pagamentos em Moedas Locais, 
consulte: Câmbio e capitais estrangeiros >SML - Sistema de Pagamentos em Moedas Locais. 
Fonte: 
http://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/taxCam.asp?idpai=portalbcb 
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58 
 
XI - INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 
E MERCADO FINANCEIRO 
 
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59 
 
1. INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA E O MERCADO FINANCEIRO 
 
Em um sistema econômico, as unidades familiares, as empresas, o governo e o setor 
externo interagem por meio de fluxos reais (fatores de produção, produtos e serviços) e dos 
fluxos monetários (pagamento pelos produtos e serviços adquiridos, pagamento de impostos e 
remuneração dos fatores de produção). 
Nesse sistema, o mercado financeiro desempenha um papel importante ao promover a 
intermediação de recursos entre agentes superavitários e os deficitários de uma sociedade. 
Agentes superavitários são aqueles cujos gastos são inferiores às respectivas rendas. Esses 
agentes recebem juros pelo capital aplicado, ou seja, são remunerados por adiar o consumo. 
Já os agentes deficitários são aqueles cujos gastos superam as respectivas rendas. Na 
condição de deficitários, esses se dispõem a pagar juros pelo capital obtido sob a forma de 
empréstimo – em outras palavras, pagam o preço por usufruírem antecipadamente de suas 
receitas. 
De um modo geral, as empresas apresentam períodos que se alteram entre deficitários e 
superavitários cabendo aos administradores financeiros conhecer as possibilidades de aplicação 
e obtenção de recursos oferecidos por cada segmento de mercado. 
 
4
2. Intermediação 
Financeira
Agentes
Econômicos
Superavitá-
rios
Poupadores
de Recursos
Agentes
Econômicos
Deficitários
Tomadores 
de Recursos
Intermediários
Financeiros
Mercado de Capitais - Sem Intermediação
Remuneração do Investimento
Custo do Capital
 
 
O mercado financeiro é o mercado onde os recursos excedentes da economia (poupança) 
são direcionados para o financiamento de empresas e de novos projetos (investimentos). No 
mercado financeiro tradicional, o dinheiro depositado em bancos por poupadores é utilizado 
pelas instituições financeiras para financiar alguns setores da economia que precisam de 
recursos. Por essa intermediação, os bancos cobram do tomador do empréstimo (no caso as 
empresas) uma taxa - spread, a título de remuneração, para cobrir seus custos operacionais e o 
risco da operação. Quanto maior for o risco de o banco não receber de volta o dinheiro, maior 
será a spread. 
O mercado de capitais faz parte do mercado financeiro. Nele, os recursos dos 
poupadores são destinados à promoção do desenvolvimento econômico de forma direta, isto é, 
de projetos e empresas. É no mercado de capitais que empresas que precisam de recursos 
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60 
conseguem financiamento, por meio da emissão de títulos, vendidos diretamente aos 
poupadores/investidores, sem intermediação bancária. Dessa forma, os investidores acabam 
emprestando o dinheiro de sua poupança às empresas, também sem a intermediação bancária. 
O repasse dos recursos de poupadores/investidores às empresas pode ser feito de duas 
formas : 
1. Dívida: Os investidores compram títulos (obrigações, ou no inglês, bonds) emitidos 
pelas empresas que precisam de dinheiro. Esses títulos dão aos investidores o direito de receber 
a quantia emprestada, mais juros previamente determinados. Os títulos são chamados de títulos 
de dívida e esse mercado é conhecido como mercado de renda fixa. 
2. Ações: Também aqui os investidores compram títulos emitidos por empresas. Mas os 
títulos não garantem remuneração fixa aos investidores. A remuneração dos títulos são os 
dividendos - parte do lucro que uma empresa de capital aberto distribui entre seus acionistas. Os 
investidores tornam-se sócios da empresa. Esses títulos são chamados ações e o mercado é 
conhecido como mercado de renda variável. 
Entre o mercado de capitais e o mercado financeiro tradicional existem duas diferenças 
básicas, que tornam o primeiro mais eficiente do que o segundo: 
• No mercado de capitais a captação de recursos por empresas é mais barata, pois não há 
necessidade do pagamento da spread aos bancos. 
• Para o investidor é vantajoso, pois ele pode desfazer-se do título a qualquer momento, 
o que não seria possível num empréstimo tradicional. Ou seja, se o investidor mudar de opinião 
quanto ao risco de investir em determinada empresa, pode vender os títulos no mercado. Essa 
liquidez (facilidade de compra e de venda) reduz o seu risco de perda. Assim, o mercado de 
capitais faz com que o repasse de recursos dos poupadores às empresas seja mais interessante 
para ambas as partes . 
O mercado de capitais é fundamental para o crescimento de um país, pois sem ele 
muitos projetos não conseguiriam sair do papel por falta de capital e financiamento. Muitas 
empresas perderiam sua competitividade e dificilmente conseguiriam desenvolver-se. Poucas 
sobreviveriam num ambiente sem a injeção de capital de investidores. 
O conhecimento dos segmentos do mercado é de fundamental importância para o 
administrador financeiro, pois lhe permite realizar uma gestão eficiente do fluxo de caixa, fazer 
proteção para diversos ativos financeiros e, além disso, fornece subsídios para captação de 
recursos de longo prazo para a empresa. 
As empresas brasileiras, em geral, podem utilizar quatros segmentos do mercado 
financeiro: o monetário, o de crédito, o de capital, o de derivativos e o cambial. 
1) Mercado monetário.É nesse segmento que são realizadas as operações de curto e de 
curtíssimo prazos. Os papéis mais negociados nesse mercado são aqueles emitidos pelo Banco 
Central do Brasil, que servem para a execução da política monetária do Governo Federal, e pelo 
Tesouro Nacional, cujo propósito é o financiamento do déficit público. Além desses papéis, 
também são negociados os CDIs (certificados de depósitos interfinanceiros), exclusivamente 
entre instituições financeiras, e os títulos de emissão privada, como o CDB (certificado de 
depósito bancário) e as debêntures. 
Os papéis negociados no mercado monetário servem como parâmetro para a formação da taxa 
de juros básica da economia. 
Administração de Fina
 
2) Mercado de crédito. Esse s
prazos dos agentes económicos,
pêlos consumidores e de capital d
3) Mercado de capitais. O m
necessidades de crédito de m
investimentos em ativos imobi
debêntures. 
4) Mercado de derivativos: É
agentes econômicos contra oscil
5) Mercado cambial. O merc
estrangeiras conversíveis. Atu
comércio internacional, e as op
autorizadas, bancárias e não-ba
 
RESUMINDO: 
 
O Sistema Financeiro
intermediação. O primeiro tem
e normas. O segundo realiza as
Estrutura 
S
NORMATIVO
CMN
BACEN
CVM
SUSEP
SECR PREV COM
nanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gusta
e segmento atende às necessidades de crédito d
os, principalmente, as solicitações de financiame
tal de giro pelas empresas. 
 mercado de capitais atende aos agentes eco
 médio e de longo prazos, em especial aqu
obilizados. São operações realizadas, principal
É onde se realizam operações especulativas 
scilações futuras dos preços dos ativos. 
ercado cambial realiza operações de compra e
tuam nesse mercado, principalmente, os a
 operações são feitas sob a intermediação de ins
bancárias. 
iro Nacional possui dois subsistemas: o n
tem como finalidade normatizar o sistema finan
 as operações financeiras. 
ra do Sistema Financeiro 
Brasileiro
SISTEMA FINANCEIRO
INTERMEDIAÇÃO
OMPLEM
AGENTES ESPECIAIS
INST BANCÁ R
NÃO BANC Á
BB E CEF
BNDES
avo da Cunha Raupp 
61 
to de curto e de médio 
mento de bens duráveis 
econômicos quanto às 
quelas relacionadas a 
palmente, com ações e 
as ou de proteção dos 
a e venda de moedas 
 agentes voltadosao 
instituições financeiras 
 
 normativo e o de 
anceiro, com suas leis 
 
RIA E 
ÁRIA
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62 
CMN – Conselho Monetário Nacional: 
Responsável pela fixação das diretrizes das políticas monetária, de crédito e cambial do 
País. Pelo envolvimento destas políticas no cenário econômico nacional, o CMN acaba 
transformando-se num conselho de política econômica. 
BACEN – Banco Central do Brasil: 
Entidade criada para atuar como órgão executivo central do sistema financeiro, cabendo-
lhe a responsabilidade de cumprir e fazer cumprir as disposições que regulam o funcionamento 
do sistema e as normas expedidas pelo CMN. Responsável pela emissão de moeda, receber os 
depósitos compulsórios, regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros 
papeis, fiscalizar as instituições financeiras, entre outros. 
CVM – Comissão de Valores Mobiliários: 
Órgão normativo do sistema financeiro, especificamente voltado para o 
desenvolvimento, a disciplina e a fiscalização do mercado de valores mobiliários não emitidos 
pelo sistema financeiro e pelo Tesouro Nacional. São valores mobiliários: ações, debêntures, 
bônus de subscrição, contratos futuros, de opções, de derivativos, dentre outros. 
SUSEP – Superintendência de Seguros Privados: 
Órgão responsável pelo controle e fiscalização do mercado de seguros, previdência 
privada aberta e capitalização. 
Secretaria de Previdência Complementar: 
Órgão Executivo do Ministério da Previdência e Assistência Social, responsável pelo 
controle e fiscalização dos planos e benefícios e das atividades das entidades de previdência 
privada fechada. Considera-se entidade de previdência privada fechada, sendo complementares 
ao sistema oficial, sem fins lucrativos. 
BB – Banco do Brasil: 
Banco múltiplo tradicional, atuando como agente financeiro do Governo Federal. 
Principal executor da política oficial de crédito rural. Ainda administra a Câmara de 
Compensação de cheques e outros papéis, efetua os pagamentos e suprimentos necessários à 
execução do Orçamento Geral da União, principal executor de serviços bancários de interesse 
do Governo Federal. 
CEF – Caixa Econômica Federal: 
Responsável pela operacionalização das políticas do Governo Federal para a habitação 
popular e saneamento básico. Administra recursos do FGTS, fundos de apoio as 
desenvolvimento social, PIS. Administra ainda as lotéricas. 
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico: 
Instituição responsável pela política de investimento de longo prazo do Governo 
Federal. Tem como principal objetivos: impulsionar o desenvolvimento econômico e social do 
País; fortalecer o setor empresarial nacional; atenuar os desequilíbrios regionais, criando novos 
pólos de produção; promover o desenvolvimento integrado das atividades agrícolas, industriais 
e de serviços. 
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63 
Instituições Bancárias e não Bancárias: 
O que diferencia Instituições Bancárias e não Bancárias, são que as primeiras possuem 
depósito a vista, portanto, multiplicam a moeda. As segundas captam através da emissão de 
títulos para emprestar e, portanto, intermediam a moeda. São Instituições Bancárias os bancos 
comerciais, as caixas econômicas, os bancos cooperativos. As Instituições não Bancárias, entre 
outros, banco de desenvolvimentos, banco de investimentos, sociedades de crédito, 
financiamento e investimento – financeiras, sociedades de crédito imobiliários. 
 
2. TAXA DE JUROS PRÉ E PÓS FIXADA 
 
A diferença básica entre ambas se concentra na forma de compor a taxa: enquanto a taxa 
de juros prefixado opera com juros estáveis, fixos, que considera a inflação, o ganho do 
tomador ou investidor, e mais uma margem de garantia para qualquer eventualidade, o pós-
fixado conta com taxas de juros menores, que equivalem apenas aos juros (ou lucro) cobrados 
por quem concedeu o crédito. Os outros dois componentes (risco da economia e inflação) 
ficam por conta do devedor, que, além do juro, arca com a correção por um indicador de 
inflação ou correlação, como TR ou variação cambial. 
Nota-se que, dependendo da situação uma pode ser mais vantajosa que a outra. Veja o 
exemplo de um tomador de recursos. Considerando, por exemplo, que o tomador deva optar 
pela taxa de juros de um empréstimo tendo como opção taxa de juros pré-fixada de 4,5% AM, 
ou pós fixada de 2,5% acrescidas da variação da TR (diz-se: 2,5% + TR). Qual a premissa para 
optar por uma ou por outra? 
Ao optar pela taxa de juros pré fixada, irá pagar 4,5% ao mês, independentemente da 
política monetária do governo, subindo ou descendo a taxa de juros básicas da economia, o 
tomador irá pagar 4,5%. Ora, subindo a taxa de juros básica, percebe-se que o tomador do 
recurso manteria a taxa de juros pactuadas (4,5%), não sendo onerado pela alta nas taxa de juros 
do mercado, e sendo assim, seria vantajosa a opção pela taxa prefixada. Se tivesse optado pela 
taxa de juros pós fixada, subindo a taxa de juro básica, por conseqüência subiria a TR, tendo o 
tomador um aumento no custo do capital emprestado. 
Veja que a situação inversa pode ocorrer. Supondo que a taxa de juros básicas diminuiu, 
e sendo a opção pela taxa de juros pré fixada, o tomador pagaria um custo pelo empréstimo 
mais elevado do que o praticado no mercado no momento, pela contratação da taxa pré fixada. 
Já neste cenário, sendo a opção pela taxa pós fixada, baixando a taxa de juros básicas, baixaria a 
TR, e o custo pago pelo capital emprestado também diminuiria. 
O mesmo raciocínio vale para o investidor no mercado financeiro (poupador). Portanto 
RESUMINDO: 
1. ÓTICA TOMADOR DE RECURSOS 
a. CENÁRIO: EXPECTATIVA DE AUMENTO DE TAXA DE JUROS 
BÁSICAS DA ECONOMIA 
OPÇÃO: P r é F i x a d a 
b. CENÁRIO: EXPECTATIVA DE QUEDA NA TAXA DE JUROS 
BÁSICAS DA ECONOMIA 
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64 
OPÇÃO: P ó s F i x a d a 
2. ÓTICA POUPADOR DE RECURSOS 
a. CENÁRIO: EXPECTATIVA DE AUMENTO DE TAXA DE JUROS 
BÁSICAS DA ECONOMIA 
OPÇÃO:P ó s F i x a d a 
b. CENÁRIO: EXPECTATIVA DE QUEDA NA TAXA DE JUROS 
BÁSICAS DA ECONOMIA 
OPÇÃO: P r é F i x a d o 
 
 
3. MERCADO BANCÁRIO 
 
O segmento do mercado bancário possui em sua amplitude três produtos: 
• Produtos de Serviço; 
• Produtos de Captação; 
• Produtos de Empréstimos. 
Veremos os dois últimos: 
 
3.1. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO 
 
Em economia, investimento significa a aplicação de capital em meios de produção, 
visando o aumento da capacidade produtiva (instalações, máquinas, transporte, infraestrutura) 
ou seja, em bens de capital. O investimento produtivo se realiza quando a taxa de lucro sobre o 
capital supera ou é pelo menos igual à taxa de juros. 
Já o mercado financeiro entende por investimento as operações de compra e venda de 
títulos financeiros como letras de câmbio, ações, etc. Passaremos a estudar este conceito. 
Os títulos de renda variável (Ações) não garantem ao investidor rendimento definido, 
não pagam juros sobre o capital, mas, dependendo do desempenho da empresa, o rendimento 
pode ficar muito acima dos títulos de renda fixa. Além disso, tem-se ainda a vantagem de 
conseguir dividendos quando uma empresa tem lucro em determinado período. 
Os títulos de renda fixa garantem ao investidor rendimentos predeterminados, como, por 
exemplo, a taxa de juros prefixada ou pós-fixada. Esses títulos são seguros para os investidores, 
uma vez que a possibilidade de perda de patrimônio é tendente a zero, isto é, dificilmente o 
valor na data de resgate será inferior ao valor investido. Os títulos são chamados de privados 
quando emitidos por instituições privadas e públicos quando emitidos pelo governo municipal, 
estadual ou federal. 
As instituições financeira tem em suas prateleira uma enorme variedade de 
investimentos. Iremos abordar tão somente os produtos deinvestimentos considerados 
principais, sendo que são diversos os secundários. 
 
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65 
3.1.1. CADERNETA DE POUPANÇA 
 
Os recursos das cadernetas de poupança devem ser aplicados de acordo com regras 
preestabelecidas pelo Banco Central e que, conforme as variáveis econômicas do momento 
podem ser alteradas. Atualmente 65% dos recursos das cadernetas tem a obrigatoriedade de 
serem alocado ao SFH (Sistema Financeiro de Habitação) sob forma de financiamento 
imobiliário. 
A caderneta de poupança é remunerada pela TR da data de aniversário mais os 
tradicionais 0,5% a.m. Assim, a caderneta passou a ter uma correção diferenciada para os vários 
dias do mês, funcionando como um CDB pós-fixado. 
Os valores de remuneração da caderneta são conhecidos quando do cálculo da TR é 
divulgado nos principais jornais do País. 
Assim, a poupança é um ativo que rende de acordo com a quantidade de dias úteis no 
mês e a variação da TR do período. 
Ela recebe depósito de pessoas físicas e jurídicas. A abertura pode ser feita em qualquer 
dia do mês, sendo que as contas abertas nos dias 29, 30 e 31 começam a contar rendimento a 
partir do dia primeiro do mês seguinte. 
A remuneração é mensal para as pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos. Para 
pessoas jurídicas com fins lucrativos (empresas), o rendimento é trimestral. 
Atualmente, as aplicações em caderneta de poupança de pessoas físicas e jurídicas não 
tributadas com base no lucro real estão totalmente isentas de impostos. 
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real serão tributadas apenas na decla-
ração de rendimentos. Além disso, as cadernetas oferecem seguro sobre valores depositados em 
caso de morte ou invalidez por acidente do titular. 
 
3.1.2. CERTIFICADOS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – CDB 
 
O Certificado de Depósito Bancário, o famoso CDB e o Recibo de Depósito Bancário, o 
RDB, são os mais antigos e utilizados títulos de captação de recursos pelos bancos comerciais, 
bancos de investimento, bancos de desenvolvimento e bancos múltiplos que tenham uma destas 
carteiras, sendo oficialmente conhecidos como depósitos a prazo. 
Os recursos captados através desses instrumentos são repassados aos clientes na forma 
de empréstimos. 
A partir de 02/08/99, os títulos pré ou com taxa flutuante (taxa de juros pré e pós 
fixados) deixaram de ter prazo mínimo, mas ficaram sujeitos a uma tabela regressiva de IOF 
em função do prazo de aplicação. A taxa flutuante deve ser regularmente calculada e de 
conhecimento público, tendo como base taxas de mercado prefixadas, podendo inclusive incluir 
a taxa DI over calculada pela Cetip. 
A liberdade de prazo dos CDB permite que os bancos emitam CDB com taxa pré ou 
flutuante, remunerados pela taxa do DI de qualquer número de dias de acordo com o interesse 
da instituição emissora e do cliente, reduzindo, assim, os custos de operações acessórias. 
O CDB é transferível (resgatado, a critério da instituição financeira, antes do 
vencimento) por endosso nominativo (endosso em preto), desde que respeitados os prazos 
mínimos. O endossante responde pela existência do crédito, mas não pelo seu pagamento. 
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66 
Além disso, não podem ser prorrogados, mas renovados de comum acordo, por nova 
contratação. 
Os RDB podem ser rescindidos em caráter excepcional, desde que com o acordo da 
instituição depositária. Neste caso só pode ser devolvido o principal. 
Mesmo no caso dos CDB existirá, na venda antes do prazo final, uma perda de 
rentabilidade, já que o comprador no caso a instituição financeira, exigirá um spread ou 
deságio para gerar liquidez. 
Para calcular a rentabilidade líquida de um CDB, não levando em conta a CPMF e o 
IOF, será necessário calcular o imposto de renda (IR) incidente sobre o ganho de capital, 
conforme tabela abaixo: 
 
 
Alíquota 
Prazo de 
Permanência 
 
22,5% até 180 dias 
20,0% 
entre 181 dias e 360 
dias 
 
17,5% 
entre 361 dias e 720 
dias 
 
15,0% acima de 720 dias 
Fonte: Investshop Unibanco 
OBS: Tabela para todo investimento tributável 
 
3.1.3. FUNDO DE INVESTIMENTOS 
 
Fundos de Investimento são condomínios constituídos com o objetivo de promover a 
aplicação coletiva dos recursos de seus participantes. São regidos por um regulamento e têm na 
Assembléia Geral seu principal fórum de decisões. 
Os Fundos de Investimento constituem-se num mecanismo organizado com a finalidade 
de captar e investir recursos no mercado financeiro, transformando- se numa forma coletiva de 
investimento, com vantagens, sobretudo, para o pequeno investidor individual. 
Tais Fundos de Investimentos, através da emissão de cotas, reúnem aplicações de vários 
indivíduos para investimento em carteiras de ativos disponíveis no mercado financeiro e de 
capitais. 
Ao Administrador do Fundocompete a realização de uma série de atividades gerenciais e 
operacionais relacionadas com os cotistas e seus investimentos, dentre as quais a gestão da 
carteira de títulos e valores mobiliários. 
As informações relevantes de um Fundo de Investimento constam de seuProspectoe de 
seu Regulamento, que devem, obrigatoriamente, ser entregues ao cotista por ocasião de seu 
ingresso no Fundo. 
O Regulamento é o documento onde estão estabelecidas as regras básicas de 
funcionamento do Fundo. Dentre essas regras, merecem destaque aquelas que se referem aos 
ativos que serão adquiridos e as estratégias de investimento adotadas, uma vez que estão 
diretamente relacionadas com o risco do investimento. 
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67 
O Prospecto é o documento que apresenta as informações relevantes para o investidor 
relativas à política de investimento do Fundo e dos riscos envolvidos, bem como dos principais 
direitos e responsabilidades dos cotistas e administradores. 
A taxa de administração é um encargo cobrado pelo Administrador do Fundo como 
remuneração pela prestação dos serviços de administração do Fundo e gestão da sua carteira. 
Sendo o Fundo um condomínio, cada um de seus participantes detém um certo número 
de cotas, determinado pela proporção do valor aplicado em relação ao patrimônio do Fundo. 
O valor total dos recursos do Fundo varia a cada dia, dependendo da atualização do 
valor de seus ativos no mercado e da entrada e/ou saída de cotistas. 
Os Fundos de Investimento classificam-se, conforme a composição de suas carteiras, 
em: 
I – Fundo de Curto Prazo; 
II – Fundo Referenciado; 
III – Fundo de Renda Fixa; 
IV – Fundo de Ações; 
V – Fundo Cambial; 
VI – Fundo de Dívida Externa; e 
VII – Fundo Multimercado. 
 
COMPOSIÇÃO DA CARTEIRA – SOMENTE PARA CONHECIMENTO 
A classificação dos Fundos de Investimento depende da composição de sua carteira de forma a 
permitir a fácil identificação dos objetivos definidos na política de investimento e facilitando a 
compreensão pelo investidor de suas características e riscos envolvidos. 
Assim são definidas a partir do principal fator de risco associado à sua carteira, 
que pode ser o índice de preço, a taxa de juros, o índice de ações ou o preço do 
ativo cuja variação produza, potencialmente, maiores efeitos sobre o valor de mercado da 
carteira do fundo. 
1) Fundos Curto Prazo 
Devem aplicar seus recursos exclusivamente em títulos públicos federais ou privados pré-
fixados ou indexados à taxa SELIC ou a outra taxa de juros, ou títulos indexados a índices de 
preços, com prazo máximo a decorrer de 375 (trezentos e setenta e cinco) dias, e prazo médio 
da carteira do Fundo inferior a 60 (sessenta) dias, sendo permitida a utilização de derivativos 
somente para proteção da carteira e a realização de operações compromissadas lastreadas em 
títulos públicos federais. 
2) Fundos Referenciados 
Esses Fundos devem identificar em sua denominação o seu indicador de desempenho, emfunção da estrutura dos ativos financeiros integrantes das respectivas carteiras, desde que 
atendidas, cumulativamente, às seguintes condições: 
I – tenham 80% (oitenta por cento), no mínimo, de seu patrimônio líquido representado, isolada 
ou cumulativamente, por: 
a) títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco Central do Brasil; 
b) títulos e valores mobiliários de renda fixa cujo emissor esteja classificado na categoria baixo 
risco de crédito ou equivalente, com certificação por agência de classificação de risco 
localizada no País; 
II – estipulem que 95% (noventa e cinco por cento), no mínimo, da carteira seja composta por 
ativos financeiros de forma a acompanhar, direta ou indiretamente, a variação do indicador de 
desempenho (“benchmark”) escolhido; 
III – restrinjam a respectiva atuação nos mercados de derivativos a realização de 
operações com o objetivo de proteger posições detidas à vista, até o limite dessas. 
3) Fundos Renda Fixa 
Devem possuir, no mínimo 80% (oitenta por cento) da carteira em ativos relacionados 
diretamente, ou sintetizados, via derivativos, aos principais fatores 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
68 
de risco da carteira, que são a variação da taxa de juros doméstica ou de índice 
de inflação, ou ambos. 
4) Fundos Ações 
Devem possuir, no mínimo, 67% (sessenta e sete por cento) da carteira em ações 
admitidas à negociação no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade do 
mercado de balcão organizado ou em outros ativos autorizados na legislação. 
5) Fundos Cambiais 
Devem possuir, no mínimo 80% (oitenta por cento) da carteira em ativos relacionados 
diretamente, ou sintetizados, via derivativos, ao fator de risco do fundo que é a variação de 
preços de moeda estrangeira ou a variação do cupom cambial. 
6) Fundos Dívida Externa 
Devem aplicar no mínimo 80% (oitenta por cento) de seu patrimônio líquido em títulos 
representativos da dívida externa de responsabilidade da União, sendo permitida a aplicação de 
até 20% (vinte por cento) do patrimônio líquido em outros títulos de créditos transacionados no 
mercado internacional. 
7) Fundos Multimercado 
Estes Fundos possuem políticas de investimento que envolvem vários fatores de risco, sem o 
compromisso de concentração em nenhum fator especial ou em fatores diferentes das demais 
classes de fundos. Os fundos classificados como “Referenciado”, “Renda Fixa”, “Cambial”, 
“Dívida Externa” e “Multimercado” poderão ser adicionalmente classificados como “Longo 
Prazo”, devendo tal expressão constar, também, de sua denominação, quando estiver previsto, 
em seu regulamento ou no prospecto, que têm o compromisso de obter o tratamento fiscal 
destinado a fundos de longo prazo previsto na regulamentação fiscal vigente. 
 
3.1.4. TÍTULOS PÚBLICOS – TESOURO DIRETO 
 
Os títulos públicos são ativos de renda fixa que se constituem em boa opção de 
investimento para a sociedade. Os títulos públicos possuem a finalidade primordial de captar 
recursos para o financiamento da dívida pública, bem como para financiar atividades do 
Governo Federal, como educação, saúde e infra-estrutura. 
O Tesouro Direto tem como objetivo disponibilizar às pessoas físicas os mesmos títulos 
públicos ofertados às instituições financeiras nos leilões tradicionais do Tesouro Nacional. 
Desta forma, são ofertados os seguintes títulos: 
 
LTN - Letras do Tesouro Nacional: títulos com rentabilidade definida (taxa fixa) no 
momento da compra. 
 
LFT - Letras Financeiras do Tesouro: títulos com rentabilidade diária vinculada à taxa 
de juros básica da economia (taxa média das operações diárias com títulos públicos 
registrados no sistema SELIC, ou, simplesmente, taxa Selic). 
 
NTN-B – Nota do Tesouro Nacional – série B: título com rentabilidade vinculada à 
variação do IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra. 
 
NTN-B Principal – Nota do Tesouro Nacional – série B: título com rentabilidade 
vinculada à variação do IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra. Não há 
pagamento de cupom de juros semestral. 
 
NTN-F – Notas do Tesouro Nacional – série F: títulos com rentabilidade prefixada, 
acrescida de juros definidos no momento da compra. 
O preço de compra dos títulos públicos é calculado com base nas taxas praticadas pelo 
mercado, apuradas para a data de liquidação da compra. O preço de venda pelo investidor ao 
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69 
Tesouro Direto é calculado pelo Tesouro Nacional com a aplicação de um spread sobre o preço 
de compra. 
O limite mínimo de compra por investidor é a fração de 0,2 título (aproximadamente R$ 
200,00) e o máximo de R$ 400.000,00 por mês. Não há limites quanto à manutenção de estoque 
de títulos públicos, ou seja, o investidor pode acumular o valor referente à aquisição do limite 
máximo de R$ 400.000 todos os meses. 
Os títulos públicos são ofertados no Tesouro Direto em frações de 0,2 título, ou seja, o 
investidor pode comprar 0,2 título, 0,4 título, 0,6 título, 0,8 título, 1,0 título, 1,2 título e assim 
por diante. Não é possível comprar, por exemplo, 0,1 título ou 4,3 títulos. 
Ao comprar os títulos públicos o investidor tem a opção de definir o valor da compra 
que deseja efetuar ou a quantidade de títulos que deseja adquirir. 
Os títulos adquiridos no Tesouro Direto estarão disponíveis na conta de custódia do 
investidor dois dias úteis após o pagamento (D + 2). Entre a data de compra e a data em que os 
títulos tornam-se disponíveis, o investidor poderá consultar o estágio do processo de liquidação 
da compra nas consultas de protocolos no Tesouro Direto. 
Os recursos financeiros referentes ao pagamento de resgate, recompra ou juros são 
repassados pelo Tesouro Nacional, pelo valor bruto, ao Agente de Custódia um dia útil após a 
ocorrência de um destes eventos. O Agente de Custódia deverá proceder as deduções de IR e 
creditar, posteriormente, o valor líquido na conta investimento do investidor. 
As compras de títulos realizadas no Tesouro Direto estão sujeitas ao pagamento de taxas 
de serviços. São 3 as taxas cobradas no Tesouro Direto. No momento da compra do título, é 
cobrada uma taxa de negociação de 0,10% sobre o valor da operação. Há também uma taxa de 
custódia da BM&F-BOVESPA de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos. 
A tributação é de acordo com a tabela apresentada no item 3.1.2. 
3.2. PRODUTOS DE EMPRÉSTIMOS 
 
3.2.1. HOT MONEY 
 
São empréstimos de curtíssimos prazos que os bancos fazem às empresas. Estas 
recorrem a essa fonte de recursos para ajustar seus fluxos de caixa. 
A taxa de juros do HOT MONEY apresenta-se “linearizada”, pois é apresentada na 
forma de taxa mensal ao dia útil ou taxa de OVER, ou seja, a taxa efetiva de um dia útil 
multiplicada por 30 dias (convenção de mercado) 
Para financiamentos de valores elevados, geralmente a operação é contratada por um dia 
e renovada no dia seguinte, caso haja necessidade. Tal procedimento evita riscos para as partes 
em períodos de grandes oscilações nas taxas de juros. 
É comum, de forma a simplificar os procedimentos operacionais, para os clientes 
tradicionais da mesa neste produto, criar-se um contrato fixo de hot, estabelecendo as regras 
deste empréstimo e permitindo a transferência de recursos ao cliente a partir de um simples 
telefonema ou fax, garantidos por uma NP já previamente assinada, evitando-se assim o fluxo 
corrido de papéis para cada operação. 
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70 
Por ser uma operação de curto prazo, o hot money tem a vantagem de permitir uma 
rápida mudança de posição no caso de uma mudança brusca para baixo nas taxas de juros. 
 
3.2.2. CHEQUE ESPECIAL / CONTA GARANTIDA 
 
Abre-se uma conta de crédito (conta garantida) com um valor-limite que normalmente é 
movimentada diretamente pelos cheques emitidos pelo cliente, desde que não hajasaldo dispo-
nível na conta corrente de movimentação. À medida que, nessa última, existam valores dispo-
níveis, estes são transferidos de volta, para cobrir o saldo devedor da conta garantida. 
Para o cliente, o produto garante uma liquidez imediata para suas emergências. Para o 
banco, é um instrumento mercadol6gico forte, mas que, se mal administrado, pode representar 
uma perda significativa, tendo em vista seu impacto sobre a administração de reservas bancá-
rias, já que é necessário deixar recursos de suas reservas de livre movimentação em stand by 
para atender à eventual demanda e, portanto, sem aplicação. 
Algumas contas garantidas têm caráter apenas de conta devedora, funcionam separadas 
da conta corrente e, normalmente, exigem do cliente o aviso com antecedência dos valores a 
serem sacados, razão pela qual trabalham com taxas de juros menores. 
Os juros sobre esse produto são calculados diariamente sobre o saldo devedor e cobra-
dos normalmente, no primeiro dia útil do mês seguinte ao de movimentação. 
 
3.2.3. DESCONTO DE RECEBÍVEIS 
 
 Ao contrair uma dívida para pagamento futuro, o devedor normalmente oferece um 
título que comprova tal obrigação. De posse desse título, o credor poderá negociar o seu resgate 
antecipado, junto às Instituições Financeiras. 
É uma operação de adiantamento de recursos para antecipar o fluxo de caixa e garantir o 
capital de giro. Com essa modalidade de crédito, o cliente recebe à vista o pagamento do 
serviço prestado ou do produto vendido e assegura o recebimento imediato de recursos que só 
teria disponíveis no futuro. 
Títulos de Crédito normalmente negociados em operações de desconto junto a 
Instituições Financeiras: 
1. Notas Promissórias; 
2. Duplicatas; 
3. Letras de Câmbio; 
4. Cheques pré-datados; 
5. Cartão de Crédito; 
6. Cobrança; 
7. Contratos. 
As operações de desconto bancário, uma das formas mais tradicionais de financiamento 
do capital de giro das empresas. Conforme apresentado, a operação de desconto envolve 
basicamente a negociação de um título representativo de um crédito em algum momento 
anterior à data de seu vencimento. É interpretado, em outras palavras, como uma cessão de 
direitos existentes sobre um título em troca de alguma compensação financeira. 
 As operações de desconto praticadas pelos bancos comerciais costumam 
apresentar os seguintes encargos financeiros, os quais são geralmente cobrados sobre o valor 
nominal do título (valor de resgate) e pagos a vista (descontados no momento da liberação dos 
recursos). 
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71 
a. TAXA DE DESCONTO (Nominal) – Basicamente, representa a relação entre os 
juros e o valor nominal do título. Esta taxa costuma ser definida em bases mensais e empregada 
de forma linear nas operações de desconto. 
b. IOF – IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS – Identicamente à taxa de 
desconto, este percentual é calculado linearmente sobre o valor nominal do título e cobrado no 
ato da liberação dos recursos. 
c. TAXA ADMINISTRATIVA – Cobrada muitas vezes pelas instituições financeiras 
visando cobrir certas despesas de abertura, concessão e controle do crédito. É calculada 
geralmente de uma única vez sobre o valor do título e descontada na liberação dos recursos. 
Esses encargos financeiros de desconto bancário são referenciados, para o cálculo de 
seus valores monetários, pelo critério de juros simples. 
 
3.2.4. EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS 
 
Empréstimo é um contrato entre o cliente e a instituição financeira pelo qual ele recebe 
uma quantia que deverá ser devolvida ao banco em prazo determinado, acrescida dos juros 
acertados. Os recursos obtidos no empréstimo não têm destinação específica. 
Financiamento é também um contrato entre o cliente e a instituição financeira, mas com 
destinação específica, como, por exemplo, a aquisição de veículo ou de bem imóvel. 
No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão 
de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia 
e adequadamente sobre: 
I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; 
II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros; 
III - acréscimos legalmente previstos; 
IV - número e periodicidade das prestações; 
V - soma total a pagar, com e sem financiamento. 
Normalmente os empréstimos e financiamentos são contratados em prestações mensais, 
iguais e sucessivas. Além de juros, é cobrado IOF – Imposto de operações Financeiras. 
 
3.2.5. LEASING 
 
O leasing não se enquadra na modalidade de financiamento pois trata-se do aluguel de 
um bem com a opção de compra no decorrer do contrato ou então, a sua a devolução. 
Além da correção monetária, o leasing sofre a incidência de 0,5% (podendo variar por 
regiões) de Imposto sobre Serviços (ISS) e 0,75% para o Programa de Integração Social (PIS). 
Seus contratos apresentam o chamado Valor Residual Garantido (VRG), que 
corresponde a um percentual variável do valor da mercadoria que não é amortizado no prazo do 
contrato. 
Numa operação típica de leasing, um resíduo em relação ao valor do bem aparece ao 
final do contrato. Cabe ao locatário a escolha de pagar o resíduo previsto no início do contrato, 
diluído nas prestações (ou contraprestações) ou então quitar saldo ao final. 
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72 
É necessário salientar que nas operações de leasing o produto ficará em nome da 
financeira (trata-se de aluguel) até o final do contrato, sendo que o cliente não poderá devolver 
o bem nem vendê-lo, sob pena de ser acionado judicialmente por quebra de contrato. 
A legislação que rege os procedimentos das operações de leasing, não permite a 
antecipação das prestações ou a liquidação antecipada do contrato, algo que não ocorre nos 
financiamentos. Apesar desta situação existe uma saída: a empresa de leasing recebe o valor 
referente às prestações que serão pagas antecipadamente, quita as parcelas referentes ao saldo 
devedor e transforma o contrato de arrendamento mercantil em uma operação de financiamento 
tradicional, que como tal sofre a incidência de IOF. 
O cliente do leasing ainda poderá trocar o bem, desde que a empresa dê prévia anuência. 
Nessa situação é necessário negociar a compra do novo produto e a venda do usado. O 
arrendatário tem de pagar no ato a diferença. A nova mercadoria é faturada em nome da 
empresa de arrendamento. 
As empresas optantes pelo lucro real, as despesas do leasing (parcelas pagas sem o valor 
residual) são itens totalmente dedutíveis no lucro tributável para efeito de cálculo do imposto de 
renda, ocasionando, conseqüentemente, redução substancial no custo final da operação. Desta 
forma, parte do aluguel é recuperada indiretamente pela empresa sob a forma de economia do 
imposto de renda. 
 
 3.3. PRODUTOS DE CAPTAÇÃO E EMPRÉSTIMOS 
3.3.1 AÇÕES 
 
Ações são a menor parcela do capital de uma empresa. As ações são títulos que não 
garantem remuneração predeterminada aos investidores. Como parte do capital de uma 
empresa, têm sua remuneração determinada pela capacidade da empresa em gerar lucro. 
Os detentores de ações são sócios da empresa e, como tal, correm o risco de sucesso ou 
fracasso das estratégias adotadas pela mesma. Se o investidor mudar de opinião quanto à 
capacidade da empresa em conseguir lucro no mercado, pode comprar ou vender os papéis. 
Essa negociação é feita nas bolsas de valores, um mercado livre e aberto. O funcionamento 
desse mercado é regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cujo objetivo é 
garantir transparência nos negócios realizados em bolsa e das informações fornecidas pelas 
empresas. 
 
TIPOS DE AÇÃO 
 
ORDINÁRIAS (ON) - Conferem a seu detentor, chamado de acionista, o direito de voto 
nas assembléias de acionistas da empresa. Na assembléia são definidas as estratégias de 
negócios, são escolhidosos conselheiros e os diretores da empresa. Os dividendos – parte do 
lucro que a empresa distribui entre seus acionistas - podem não ser prioritários para esse tipo de 
ação. 
PREFERENCIAIS (PN) - O acionista não participa das decisões estratégicas da 
empresa, mas por outro lado tem prioridade no recebimento de dividendos. Também em 
situações em que a empresa entra em processo de falência ou de dissolução, esse acionista tem 
prioridade no recebimento dos recursos oriundos da venda dos ativos da companhia. As ações 
preferenciais são as mais procuradas por investidores, apresentando maior liquidez (facilidade 
de compra e de venda no mercado). Por isso, é comum as ações preferenciais terem preço 
superior ao das ordinárias. 
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73 
 
FORMAÇÃO DE PREÇO 
 
O preço das ações está diretamente relacionado à oferta e à procura. Quando as 
perspectivas de crescimento dos lucros de uma empresa aumentam, ampliando suas chances de 
valorização no mercado, a procura pelas ações da empresa também cresce e, conseqüentemente, 
seu preço. 
As perspectivas envolvem fatores como a política econômica, estratégias da empresa, 
lançamentos, inovações tecnológicas e aumento da competitividade dentro de seu setor. Fusões, 
aquisições ou a possibilidade de fechamento de capital (recompra de todas as ações em 
circulação no mercado) também influenciam no preço das ações. 
 
BOLSA DE VALORES 
 
A bolsa de valores é um local, físico ou eletrônico, onde são negociados títulos e valores 
mobiliários emitidos por empresas. As ações são os títulos mais comprados e vendidos nas 
bolsas. 
 
BOVESPA 
 
A BOVESPA é a Bolsa de Valores de São Paulo, fundada em agosto de 1890. 
Atualmente, a Bovespa é a instituição com maior destaque no mercado acionário 
brasileiro por abrigar o maior centro de negociação dentre as nove bolsas de valores do País. A 
Bovespa é uma instituição formada por associações civis sem fins lucrativos, com autonomia 
administrativa, financeira e patrimonial. Toda regulamentação é supervisionada pela Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM). 
 
3.3.2. DEBÊNTURES 
 
Debênture é um título privado. Títulos privados são títulos emitidos por empresas para a 
captação de recursos sob a forma de dívida. Esses títulos garantem a seu detentor remuneração 
preestabelecida, que varia em função do prazo da operação e do risco de crédito de cada 
empresa. Os principais títulos privados são: 
• Certificados de Depósito Bancário (CDB); 
• Letras de Câmbio (LC); 
• Letras Hipotecárias (LH); 
• Nota Promissória (NP); 
• Debêntures: títulos de médio e longo prazo emitidos por sociedades anônimas para 
financiar projetos e capital de giro junto a investidores. As debêntures são negociáveis e 
garantem a seu detentor pagamento de juros periódicos. Apesar de serem classificadas como 
títulos de renda fixa, as debêntures podem ter características de renda variável, como prêmios, 
participação no lucro da empresa ou até mesmo conversibilidade em ações da companhia. As 
debêntures são regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários. As características das 
debêntures são: Nome da Empresa, Número da Emissão, Data da Emissão, Vencimento, 
Garantias, Tipo (simples, conversível em ações ou permutável), Valor, Cronograma de 
Pagamento de Juros e Datas de Repactuação de Juros, Banco responsável pela emissão e o 
Agente Fiduciário. Possui imposto de renda sobre a rentabilidade sobre tanto para pessoas 
físicas como pessoas jurídicas. 
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XII - ANÁLISE DE BALANÇOS 
 
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75 
 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS – MATÉRIA DE CONTABILIDADE 
Balanço Patrimonial 
Ativo 
� Ativo Circulante 
 Contas que representam bens e direitos. Possuem liquidez imediata, ou que 
possam ser convertidas em dinheiro no curto prazo. 
� Contas do Ativo 
� Caixa: dinheiro disponível para uso imediato. 
� Bancos: dinheiro depositado em c.c. para livre movimentação. 
� Aplicações financeiras: aplicação dos excedentes momentâneos de 
caixa em investimentos de liquidez imediata. 
� Duplicatas a receber: valores a receber de clientes resultantes de 
vendas a prazo. 
� Estoques: valor monetário das matérias prima que serão 
consumidos na produção (indústria) e mercadorias (comércio) 
� Despesas antecipadas: pagamento antecipado das despesas 
relativas ao exercício seguinte (seguro, assinatura de jornais, etc). 
� Ativo Realizável a Longo Prazo 
 Direitos cujos vencimentos ocorrem após o término do próximo exercício fiscal. 
Com o passar do tempo essas contas são transferidas para o AC, tais como adiantamentos ou 
empréstimos a sociedade coligadas, a diretores, acionistas, etc. 
� Ativo Permanente 
 Aplicação de recursos que tem caráter permanente na empresa, que não pretende 
vender. 
� Contas do AP 
� Contas do Ativo Permanente 
� Investimentos: aplicações que não se destinam à manutenção da 
atividade da empresa, como participação permanente em sociedades coligadas 
ou controladas, investimento em obras de arte e imóveis não destinados a uso 
próprio. 
� Imobilizado: bens corpóreos destinados a manutenção das 
atividades da empresa, ou exercidos com esta finalidade. 
� Diferido: despesas pré-operacionais e os gastos de reestruturação 
que contribuirão, efetivamente, para o aumento do resultado de mais de um 
exercício social. 
� Intangível: os direitos que tenham por objetivos bens incorpóreos 
destinados à manutenção da empresa ou exercidos com esta finalidade, inclusive 
o fundo de comércio adquirido. 
 
Balanço Patrimonial 
Passivo 
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76 
� Passivo Circulante 
 São as obrigações a pagar no curto prazo, ou seja, obrigações cujo vencimento 
ocorrerá até o termino do próximo exercício social. 
� Contas do PC 
� Duplicatas a pagar: compras efetuadas a prazo de fornecedores 
(cp) 
� Impostos a pagar ou a recolher: obrigações fiscais, como taxas, 
contribuições, ICMS, IPI, ISS, IR, etc. 
� Salários a pagar: salários de meses encerrados que são pagos nos 
meses seguintes. 
� Encargos Sociais: obrigação junto a agentes arrecadadores, como 
INSS e o FGTS. 
� Outras obrigações: demais obrigações, como dividendos a 
distribuir, energia elétrica, telefone, aluguéis, etc. 
� Exigível a Longo Prazo 
 São as obrigações a pagar cujo vencimento ocorrerá após o encerramento do 
próximo exercício social. São contas destes grupos: debêntures a resgatar, financiamentos junto 
a instituições financeiras, etc. 
� Resultado dos Exercícios Futuros 
 Compreendem as receitas relativas a exercícios futuros que já foram recebidas, 
deduzidas dos respectivos custos e despesas incorridas ou a incorrer. 
� Patrimônio Líquido 
 Representa os recursos pertencentes aos proprietários da empresa. 
� Contas do PL 
� Capital Social: recursos integralizados pelos sócios ou acionistas 
da empresa somado os aportes posteriores em conjunto com os valores 
transferidos das contas de reservas. 
� Reservas de Capital: acréscimos patrimoniais que não constituem 
receitas para a empresa, como ágio na emissão de ações, quando vendidas acima 
do valor patrimonial. 
� Reservas de lucros: lucros líquidos retidos, com intuito de manter 
a integralidade do capital social, expansão da empresa, compensação de redução 
dos lucros futuros, lucros contábeis, porém, não se realizaram financeiramente. 
� Ajustes de avaliação patrimonial: aumentos ou diminuições a 
valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência do valor de 
mercado, enquanto não computados no resultado do exercício. 
� Prejuízos acumulados: prejuízos do último exercício. No futuro ao 
apresentar lucro, primeiro deverão ser compensados os prejuízos acumulados, e 
o saldo remanescente será destinado a reservas de lucros.� Ações em tesouraria: ações adquiridas da própria empresa cujo 
valor deve ser deduzido do PL. 
Balanço Patrimonial 
Demonstrativo do Resultado do Exercício 
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77 
� É o relatório contábil que evidencia a formação do resultado líquido do 
exercício pelo confronto das receitas com os custos e as despesas apuradas em 
obediência ao regime de competência 
Contem as seguintes contas: 
� Receita operacional bruta 
 Compreende o valor das vendas de mercadorias, produtos ou serviços, nas 
condições a vista ou a prazo. 
� Deduções e abatimentos 
 Compreende as reduções da receita operacional bruta relativas a impostos sobre 
vendas (IPI, ICMS e ISS) e as deduções e abatimentos (vendas canceladas, descontos 
concedidos, etc). Não inclui descontos financeiros concedidos a clientes para pagamento 
antecipado, o que é despesa financeira. 
� Custo operacional 
 Corresponde aos gastos incorridos pela empresa na obtenção do item objeto da 
venda realizada. 
� Custos de mercadorias vendidas 
 Em empresas comerciais, que tem por características revenderem as mercadorias 
no mesmo estado que as adquiriu dos fabricantes. Engloba os valores pagos a seus 
fornecedores, os fretes e seguros, quando de sua responsabilidade 
� Custos de produtos vendidos 
 Em empresas industriais, que tem por característica transformar matéria-prima 
em produto. Os custos dos produtos correspondem aos gastos relativos à fabricação, composto 
pelo custo de matéria-prima, de mão-de-obra e por todos os demais custos do processo. 
� Custos de serviços prestados 
 Em empresas prestadoras de serviço, tendo como custos, basicamente, 
compostos de mão-de-obra e de custos relacionados à estrutura de que a empresa dispõe para 
realizar os serviços. 
� Despesas operacionais 
 Correspondem aos gastos decorrentes do funcionamento normal da empresa, 
exceto aquelas classificadas como custos operacionais. 
� Despesas administrativas 
Gastos com a administração da empresa, incluindo salários dos funcionários, honorários 
da diretoria administrativa, aluguéis de escritório, gastos com auditoria e consultoria 
contratadas, etc. 
� Despesas de vendas 
Gastos incorridos com a geração de receitas, incluindo aqueles relativos a promoções, 
vendas e distribuição de produtos, mercadorias e serviços, salários e comissões de vendedores, 
honorários da diretoria comercial, aluguéis de escritório de vendas e representações, etc. 
� Despesas financeiras líquidas 
Diferença entre as receitas e as despesas financeiras. As despesas financeiras englobam 
os juros pagos a instituições financeiras relativo a empréstimos, as comissões bancárias, os 
impostos sobre operações financeiras, os descontos concedidos a clientes quando da 
antecipação dos pagamentos, etc. As receitas financeiras compreendem os juros obtidos pelas 
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78 
aplicações de saldo de caixa, os descontos obtidos de fornecedores, os juros cobrados por atraso 
de pagamento de clientes, etc. 
� Outras despesas operacionais 
É a diferença entre as receitas operacionais e as despesas operacionais que não integram 
os itens anteriores. Incluem receitas de aluguéis, de transações eventuais (venda de sucatas), de 
participação de sociedades coligadas ou controladas, etc. 
� Resultados não operacionais 
 Correspondem os ganhos e as perdas de capital, sendo resultantes de operações 
relacionadas à baixa por obsolescência ou à venda de bens ou direito do ativo permanente. 
� Provisão para a contribuição social e IR 
 A contribuição social e o IR tem como base o lucro real, no caso de empresas 
que fizeram opção por esse modo de tributação. 
� Participações e contribuições 
 Compreendem as parcelas do resultado distribuídas aos empregados, 
administradores, debenturistas e outros interessados que tenham direito de participação no lucro 
da empresa. Já as contribuições compreendem as parcelas do resultado destinadas a instituições, 
como fundos de assistência ou previdência dos funcionários. 
� Lucro ou prejuízo líquido do exercício 
 O lucro líquido é a parcela do lucro remanescente do exercício social. Todo ele, 
ou parte dele, será transferido para a conta reservas de lucro, e em eventual prejuízo, para 
prejuízos acumulados, constante do PL no Balanço de Pagamento. A parcela não retida pela 
empresa é distribuída a seus acionistas ou proprietários. 
Notas Explicativas 
� As demonstrações contábeis serão complementadas por notas explicativas 
necessárias aos esclarecimentos da situação patrimonial e dos resultados do exercício. 
Devem indicar: 
a) Os principais critérios de avaliação de elementos patrimoniais, especialmente os 
estoques, depreciação, amortização e exaustão, dentre outros. 
b) Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes. 
c) O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações. 
d) Os ônus reais constituídos sobre os elementos do ativo, as garantias prestadas a 
terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes 
e) As taxas de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo 
f) A quantidade, as espécies e as classes das ações do capital social 
g) As opções de compra de ações outorgadas e exercidas n exercícios 
h) Os ajustes dos exercícios anteriores 
i) Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam 
vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. 
 
 
 
Administração de Fina
 
 
ESTR
nanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gusta
RUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENT
avo da Cunha Raupp 
79 
NTO 
 
Administração de Fina
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
nanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustaavo da Cunha Raupp 
80 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
81 
 
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
CONTAS DO BALANÇO PATRIMONIAL 
Ativo 
� Ativo Circulante 
 Contas que representam bens e direitos. Possuem liquidez imediata, ou que possam ser 
convertidas em dinheiro no curto prazo. 
� Ativo Realizável a Longo Prazo 
 Direitos cujos vencimentos ocorrem após o término do próximo exercício fiscal. Com o 
passar do tempo essas contas são transferidas para o AC, tais como adiantamentos ou 
empréstimos a sociedade coligadas, a diretores, acionistas, etc. 
� Ativo Permanente 
 Aplicação de recursos que tem caráter permanente na empresa, que não pretende vender. 
Passivo 
� Passivo Circulante 
 São as obrigações a pagar no curto prazo, ou seja, obrigações cujo vencimento ocorrerá 
até o termino do próximo exercício social. 
� Exigível a Longo Prazo 
 São as obrigações a pagar cujo vencimento ocorrerá após o encerramento do próximo 
exercício social. São contas destes grupos: debêntures a resgatar, financiamentos junto a 
instituições financeiras, etc. 
� Resultado dos Exercícios Futuros 
 Compreendem as receitas relativas a exercícios futuros que já foram recebidas, 
deduzidas dos respectivos custos e despesas incorridas ou a incorrer. 
� Patrimônio Líquido 
 Representa os recursos pertencentes aos proprietários da empresa. 
Balanço Patrimonial 
Demonstrativo do Resultado do Exercício 
É o relatório contábil que evidencia a formação do resultado líquido do exercício pelo 
confronto das receitas com os custos e as despesas apuradas em obediência ao regime de 
competência 
Notas Explicativas 
As demonstrações contábeis serão complementadas por notas explicativas necessárias 
aos esclarecimentos da situação patrimonial e dos resultados do exercício. 
 
PRINCIPAIS PRINCÍPIOS 
� Princípio do registro pelo valor original: 
 Estabelece que todos os registros de movimentações e transações são efetuados pelo seu 
valor de entrada, ou seja, o seu valor original. 
� Princípio da competência: 
Administração de Finanças IFaculdades Senac- RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
82 
 As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do exercício em 
que ocorrem, independentemente do seu recebimento ou de seu pagamento. 
� Convenção da consistência: 
 Uma vez adotado determinado procedimento (entre todos os possíveis), ele não deverá 
ser alterado com freqüência, sob pena de prejudicar a comparação dos dados contábeis no 
tempo. 
 
PRINCIPAIS USUÁRIOS 
� Fornecedores 
 Interessam-se em conhecer a liquidez da empresa, ou seja, sua capacidade de quitar as 
obrigações em dia visando manter o fornecimento de bens e serviços. 
� Clientes 
 Interessam-se em conhecer, por exemplo, a situação de liquidez no curto prazo do 
fornecedor. Inclui compradores de bens que demandem longo prazo de execução ou 
compradores que têm forte dependência de um mesmo fornecedor. 
� Instituições Financeiras 
 Buscam conhecer as condições financeiras da empresa em relação à sua capacidade de 
gerar caixa para pagamento de juros e amortização do principal de dívidas. 
� Concorrentes 
 Buscam conhecer a empresa em seus pontos fortes e fracos. As demonstrações 
contábeis de um concorrente contribuem para a auto-avaliação de uma empresa levando-a a 
aproveitar oportunidades e se precaver de ameaças. 
� Acionistas atuais e potenciais 
 Buscam identificar a capacidade que as empresas nas quais pretendem aplicar seus 
recursos têm de remunerá-los adequadamente. São importantes para eles, por exemplo, os 
indicadores relacionados a dividendos, rentabilidade sobre o capital próprio e lucro por ação. 
� Os próprios administradores 
 Buscam monitorar o desempenho da empresa reflexo de sua gestão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
83 
 
ALGUNS CONCEITOS DO BALANÇO PATRIMONIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATIVO 
TOTAL 
100% 
PASSIVO 
CIRCULANTE 
30 % 
PASSIVO 
REALIZÁVEL A L. P. 
- 20% 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO 
50% 
 
ATIVO 
TOTAL 
100% 
CAPITAL DE 
TERCEIROS 
PC + PRLP 
50 % 
CAPITAL 
PRÓPRIO 
50% 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
84 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS OU ANÁLISE DE B ALANÇOS 
 
 
A análise de balanços, também chamada das demonstrações contábeis, proporciona um 
exame a respeito da posição atual e da evolução da situação econômica e financeira da empresa, 
bem como a comparação dela com outras. 
PASSIVO 
CIRCULANTE 
 
PASSIVO 
REALIZÁVEL A 
LONGO PRAZO 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO 
 
ATIVO 
CIRCULANTE 
 
PASSIVO 
REALIZÁVEL A 
LONGO PRAZO 
ATIVO 
PERMANENTE 
CONTAS DE 
CURTO PRAZO 
 
CONTAS DE 
LONGO PRAZO 
PATRIMÔNIO 
LÍQUIDO 
 
CONTAS DE 
CURTO PRAZO 
 
CONTAS DE LONGO 
PRAZO 
 
CONTAS DE LONGO 
PRAZO 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
85 
A finalidade da análise de balanços é auxiliar os usuários a otimizarem suas decisões em 
relação à empresa. Para tanto, eles combinam um conjunto de indicadores obtido a partir das 
demonstrações contábeis de uma empresa e as comparam com seus períodos anteriores, com 
indicadores de outras empresas do mesmo setor, bem como com os indicadores do próprio 
setor. Isso lhes permite tirar conclusões a respeito da empresa e, assim, estar suficientemente 
informados para tomar decisões. 
As técnicas mais simples utilizadas para análise de balanços são a análise vertical, e a 
horizontal. Outra medida tradicional de avaliação é a realizada por meio de índices econômico-
financeiros. 
 
Análise Vertical: 
 
A análise vertical consiste em uma comparação da representatividade, em percentual, da 
conta com o grupo de contas a que pertence. Para o Balanço de Pagamento, o cálculo da 
participação relativa das contas do ativo é feito por meio da divisão do valor de cada conta pelo 
valor total do ativo, multiplicando por cem, aplicando-se o mesmo procedimento para as contas 
do passivo. Obrigatoriamente o total do ativo e o total do passivo terão um total de 100%. 
Normalmente não usamos casas depois da vírgula, arredondando os valores percentuais. Para o 
DRE o cálculo é feito por meio da divisão do valor de cada conta pelo valor da receita 
operacional líquida, que, nesse caso, tem o percentual igual a 100. 
 
Análise Horizontal: 
 
A análise horizontal evidencia a evolução das contas das demonstrações contábeis ao 
longo dos anos. Para isso, o número-índice-base é igual a 100 e é estabelecido para os valores 
de cada conta das demonstrações mais antigas. Nos números índices dos mais recentes são 
calculados de acordo com a seguinte equação: 
 
 Valor da conta na data mais recente 
Número Índice =
 x 100 
Valor da conta na data mais antiga 
 
É preciso ter cuidado com o cálculo e com a análise por meio de números-índices em 
situações em que, por exemplo, a empresa tenha apresentado prejuízo e, nos anos seguintes, 
tenha apresentado lucros, ou seja, na demonstração antiga, uma conta estiver sem valor (neste 
caso, deve-se analisar a conta em números absolutos, ema vez que não é possível a divisão por 
zero). 
 
Índices Econômicos Financeiros 
 
A análise de índices ajuda a revelar a condição global de uma empresa. Auxiliam 
analistas e investidores a determinar se a empresa está sujeita ao risco d insolvência e se está 
indo bem em relação ao seu setor de atividade ou aos seus concorrentes. Os investidores 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
86 
consultam os índices para avaliar melhor o desempenho e o crescimento da empresa. 
Conseqüentemente, índices financeiros medíocres geralmente levam a custos mais elevados de 
financiamento, enquanto bons índices muitas vezes significam que os investidores estarão 
dispostos a colocar recursos à disposição da companhia com custos mais razoáveis. Os bancos 
usam os índices para determinar se concedem crédito e, em caso positivo, qual o seu valor. 
Os credores preocupam-se quando uma empresa não gera lucros suficientes para fazer 
os pagamentos periódicos de juros sobre as dívidas existentes. Também ficam apreensivos em 
relação às empresas que têm os mais altos índices de endividamento, já que uma tendência ao 
dec1ínio nos negócios pode levar a empresa à insolvência. Os analistas de títulos 
constantemente monitoram os diferentes índices financeiros das companhias por meio de 
planilhas eletrônicas computadorizadas. Por meio dessa análise, podem detectar os pomos 
fortes e fracos de diferentes empresas. 
Os dirigentes utilizam os índices financeiros para monitorar as operações, a segurando-
se de que suas empresas estão usando os recursos disponíveis de forma eficaz, e para evitar a 
insolvência. A idéia édescobrir se a posição financeira e operacional da empresa está 
melhorando com o passar do tempo e se seus índices globais estão melhores ou piores que os 
índices dos concorrentes. 
Quando esses índices ficam abaixo de certos padrões, é responsabilidade do dirigente 
retomar o controle antes que surjam problemas sérios. 
A análise do índice permite-nos um melhor entendimento das relações entre o balanço 
patrimonial e o demonstrativo de resultado. Por exemplo, para calcular o retorno do 
investimento da empresa, precisamos do valor do ativo total do balanço patrimonial e do lucro 
líquido do demonstrativo de resultado. Além disso, alguns indicadores podem indicar o grau de 
eficácia com que os ativos estão sendo usados e se a estrutura de financiamento é das melhores. 
Sem dúvida, o uso dos índices financeiros é um instrumento importante no planejamento 
financeiro moderno. 
Os índices econômico-financeiros são obtidos por meio da relação entre as contas ou 
grupos de contas das demonstrações contábeis e podem ser agrupadas de diferentes maneiras.As mais comuns são: 
1) Índices de Liquidez; 
Ograu de liquidez de um ativo depende da rapidez com que ele é transformado em caixa 
sem incorrer em perda substancial. A administração da liquidez consiste em equiparar os prazos 
das dívidas com os prazos dos ativos e outros fluxos de caixa a fim de evitar a insolvência 
técnica. A mensuração da liquidez é importante. A questão central, entretanto, é a da 
capacidade de a empresa gerar caixa suficiente para pagar seu: fornecedores e credores. 
Em essência, os índices de liquidez testam o grau de solvência da empresa. Medem a 
capacidade de pagamento das dívidas de empresa. Assim, servem para evidenciar a capacidade 
da empresa em pagar suas obrigações de acordo com seus bens e direitos. Mede a existência ou 
não de solidez financeira para pagar os compromissos com terceiros. Mede em unidades 
monetárias a quantidade de recursos que a empresa possui para pagar suas dívidas. 
2) Índices de atividades; 
Os índices de atividade determinam a rapidez com que uma empresa pode gerar caixa se 
houver necessidade. Evidentemente, quanto mais rápido uma empresa puder converter os 
estoques e contas a receber em caixa, melhor para ela. Os seguintes índices e cálculos 
consideram o ano tendo 360 dias. 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
87 
Mede a velocidade dos elementos patrimoniais, o tempo que uma empresa demora, em 
média, para receber duplicatas de clientes, pagar fornecedores e renovar estoque, além de medir 
os giros destas contas. 
3) Índices de Endividamento; 
Uma Empresa pode tomar dinheiro emprestado a curto prazo, principalmente para 
financiar se capital de giro, ou a longo prazo, sobretudo para comprar instalações ou 
equipamentos. Quando a empresa se endivida a longo prazo, compromete-se a efetuar 
pagamentos periódicos de juros – e liquidar o principal na data do vencimento. Para fazer isso, 
deve gerar lucro suficiente para cobrir os pagamentos das dívidas. Uma forma para descobrir o 
grau de endividamento de uma empresa é analisar vários índices de endividamento. 
4) Índices de Lucratividade. 
Os investidores, acionistas e administradores financeiros prestam bastante atenção à 
rentabilidade das empresas. A análise da lucratividade começa pelo exame da maneira pela qual 
os ativos foram empregados. Os bons dirigentes usam com eficiência seus ativos. Por meio do 
aumento da produtividade, eles são capazes de reduzir ou controlar as despesas. As taxas de 
retorno alcançadas por qualquer empresa são importantes se seus dirigentes pretendem atrair 
capitais e contratar financiamentos bem sucedidos para o crescimento da empresa. 
Se as taxas de retorno para uma dada empresa ficarem abaixo do nível aceitável, o seu 
índice P/L (índice de mercado) e o valor de sua ação despencarão – eis por que a mensuração 
do desempenho do lucro é crucial para qualquer empresa. 
Vejamos os índices: 
 
1) ÍNDICES DE LIQUIDEZ 
 
ÍNDICE DE LIQUIDEZ CORRENTE =� ������� !"#$%�&
�$''����� !"#$%�&� 
 
Evidencia quanto à empresa tem de bens e direitos de curto prazo para cada unidade 
monetária de obrigações de curto prazo. Nem sempre mede a verdadeira liquidez de uma 
empresa. Obviamente, uma empresa com grandes reservas de caixa e de títulos 
negociáveis é mais líquida que outra que possua grandes estoques e tenha títulos a 
receber com prazos muitos variáveis. 
 
ÍNDICE DE LIQUIDEZ SECA = ������ �� !"#$%�&()'��*"&'
�$''��� �� !"#$%�& � 
 
Evidencia quanto à empresa tem de bens e direitos mais rapidamente conversíveis em 
dinheiro para cada unidade monetária de obrigações de curto prazo. Eliminando a 
categoria de circulantes menos líquidos, os estoques, e concentrando-se em ativos mais 
facilmente conversíveis em caixa, o índice de liquidez seca determina se uma empresa 
pode cumprir suas obrigações com credores, se as vendas caíres drasticamente. 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
88 
 
2) ÍNDICES DE ATIVIDADE 
 
PERÍODO MÉDIO DE COBRANÇA =�+",#�!$�$' $ �&!&-& 
.������ ������
��� ����
/
� 
 
Evidencia, em média, quanto tempo a empresa leva para receber o montante de vendas, 
em dias. Encontrando o PMC de uma empresa ficamos sabendo quantos dias ela deverá 
esperar antes que suas contas a receber se transformem em caixa. Assim como outros 
índices, o período médio de cobrança deve ser examinado em conjunto com outras 
informações. Se a política da empresa é conceder crédito aos clientes por 38 dias, então 
um período (PMC) de 45,8 dias, por exemplo, implica que a empresa tem problemas 
para cobrar no prazo e deve rever sua política de crédito. Ao contrário, se a política atual 
da empresa é conceder 55 dias de prazo aos seus clientes, então, os 45,8 dias de média 
indicam que a política de cobrança da empresa é eficiente. 
 
PERÍODO MÉDIO DE PAGAMENTOS =�+",#�!$�$' $ �$0$ 
.���� �� ������
��� !���
/
� 
 
Indica quanto tempo, em média, a empresa demora a pagar os fornecedores. Apesar de 
ser calculado de modo similar ao cálculo do índice do período médio de cobrança, neste 
caso, é necessário estimar o montante de compras anuais a prazo, o que não é informado 
nas demonstrações contábeis. Para isso, consideram-se as compras a prazo como uma 
porcentagem do custo dos produtos vendidos (compras anuais a prazo = custos de 
produtos vendidos x percentual estimado de compras a prazo) Alternativamente, esse 
valor pode ser obtido pela equação: compras anuais = custos de produtos vendidos – 
estoque inicial + estoque final. Índice é indicado em dias. 
 
PERÍODO MÉDIO DE ESTOCAGEM =�)'��*"&'
. �"�
��� !���
/
� 
 
Indica o número de dias, em média, que os estoques levam para serem renovados. 
Informam quantos dias a empresa, em média, leva para converter seus estoques em 
caixa. O giro do estoque é importante para uma empresa porque os estoques são os 
ativos circulantes menos líquidos. Como a empresa tem fundos (CG) imobilizados nos 
estoques, é vantajoso para ela vender o mais rápido possível para liberar o caixa para 
outros usos. Geralmente um alto giro de estoque é considerado um uso eficaz desses 
ativos. Estes índices devem ser comparados com a média do setor antes de qualquer 
interpretação a ser feita, porque os índices podem variar bastante de setor para setor. 
Companhias que vendem bens perecíveis, geralmente têm um baixo índice de conversão 
(do estoque em caixa) enquanto que um fabricante de escavadeiras o seu período de 
conversão é bem maior. 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
89 
 
3) ÍNDICES DE ENDIVIDAMENTO 
 
ENDIVIDAMENTO GERAL =��$''��� �� !"#$%�&�)1�0í�&# $ 2�
����� 3��$# �x 100 
 
 
Indica a relação percentual entre o capital de terceiros de curto e longo prazos e o Ativo 
Total. Demonstra em outras palavras, quanto do Ativo Total é financiado por recursos 
de terceiros. Quanto maior este índice, maior a dependência de capital de terceiros. 
 
IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO =� ����� �& 4$%&%�&
�$� �4ô%�� 2í*"�5�� x 100 
 
Indica quanto do Ativo Permanente é financiado pelo Patrimônio Líquido, evidenciando 
maior ou menor dependência de capital de terceiros. Maior ou menor imobilização do 
Patrimônio Líquido. 
 
4) ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE 
 
MARGEM BRUTA =� 2"! � 6 "��
�&!&��$ 7,& $!��%$# 2í*"�5$�x 100 
 
Indica a relação entre o lucro bruto e a receita operacional líquida. As margens de lucro 
bruto mostram o grau de eficiência da administração de uma empresa para usar 
materiais e mão de obra no processo de produção. Quando os custos de materiais e de 
mão de obra sobrem rapidamente, é possível que a margem de lucro bruto se reduza, a 
menos que a empresa possa transferir esses custos aos clientes aumentando o preço. 
 
MARGEM OPERACIONAL =� 2"! � 7,& $!��%$#
�&!&��$ 7,& $!��%$# 2í*"�5$� x 100 
 
Indica a relação entre o lucro operacional e receita operacional líquida. Mostra o grau de 
sucesso daadministração da empresa nos negócios, gerando seu lucro operacional. 
 
MARGEM LÍQUIDA =� 2"! � 2í*"�5�
�&!&��$ 7,& $!��%$# 2í*"�5$�x 100 
 
Indica a relação entre o lucro operacional e receita operacional líquida. A margem de 
lucro líquida é aquela oriunda de todas as fases de um negócio. Em outras palavras, esse 
índice compara o lucro líquido com as vendas. Algumas empresas têm margens líquidas 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
90 
acima de 20%, e outras, margens líquidas baixas, em torno de 3% a 5%. O nível dessas 
margens varia de setor para setor. Em geral, as companhias mais bem administradas 
registram maiores margens relativas de lucro porque seus recursos são administrados 
com mais eficiência. Do ponto de vista do investidor, é vantajoso para uma empresa 
manter as margens de lucro acima da média do setor e, se possível, demonstrar uma 
tendência de melhora. Quanto mais uma empresa mantiver baixas as suas despesas – 
qualquer que seja seu nível de vendas -, maior será seu índice da margem de lucro 
líquido. 
 
 
TAXA DE RETORNO SOBRE O PL (ROE) =� 2"! � 2í*"�5�
�2(2"! � �&��5� %� )1& !í!��� x 100 
 
O índice de retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) mede a taxa de retorno dos 
acionistas. Os analistas de mercado de capiatais, tanto quanto os acionistas, se 
interessam muito por este índice. Em geral quanto maior o retorno, mais atraente é a 
ação. Esse índice é uma forma de avaliar a rentabilidade e a taxa de retorno da empresa, 
que podem também ser comparadas às outras ações. 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
91 
 
XIII - EXERCÍCIOS DE ANÁLISE DE 
BALANÇO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
92 
 
1) Usando a informação financeira da tabela A, calcule os índices relacionados para 1992 e 
1993, indicando o que cada um deles implica, inclusive entre si: 
a) Análise Vertical; 
b) Índice de Liquidez Corrente e Seca; 
Contas 31/12/1992 31/12/1993 AV1 AV2
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE 2.500,00R$ 2.500,00R$ 
Caixa e Bancos 200,00R$ 300,00R$ 
Titulos Negociáveis 300,00R$ 200,00R$ 
Duplicatas a Receber 800,00R$ 1.000,00R$ 
Estoques 1.200,00R$ 1.000,00R$ 
Ativo RLP -R$ -R$ 
ATIVO PERMANENTE 3.300,00R$ 3.700,00R$ 
Imobilizado 3.300,00R$ 3.700,00R$ 
Total do ATIVO 5.800,00R$ 6.200,00R$ 
Contas 31/12/92 31/12/93 AV1 AV2
PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE 1.500,00R$ 1.300,00R$ 
Duplicatas a Pagar 300,00R$ 200,00R$ 
Notas a Pagar 200,00R$ 300,00R$ 
Outras Obrigações 1.000,00R$ 800,00R$ 
Passivo Exig Longo Prazo 1.000,00R$ 1.200,00R$ 
Financiamentos 1.000,00R$ 1.200,00R$ 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 3.300,00R$ 3.700,00R$ 
Capital 3.300,00R$ 3.700,00R$ 
Total do PASSIVO 5.800,00R$ 6.200,00R$ 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
93 
 
Liquidez
Liquidez Corrente
Liquidez Seca 
Análise: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Administração de Finanças IFaculdades Senac - RS 
Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
94 
2) Abaixo os dados da Cia São Bernardo S.A. 
 
BALANÇO PATRIMNONIAL 
Contas 31/12/2001 31/12/2002 AH AH 2/1
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE 83.300,00R$ 117.600,00R$ 
Caixa e Bancos 14.000,00R$ 14.400,00R$ 
Aplicações Financeiras 800,00R$ 1.200,00R$ 
Duplicatas a Receber 37.000,00R$ 42.000,00R$ 
Estoques 31.500,00R$ 60.000,00R$ 
Ativo RLP -R$ -R$ 
ATIVO PERMANENTE 125.700,00R$ 143.400,00R$ 
Investimentos 15.700,00R$ 15.700,00R$ 
Imobilizado 94.350,00R$ 112.700,00R$ 
Diferido 15.650,00R$ 15.000,00R$ 
Total do ATIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
Contas 31/12/01 31/12/02 AH 1/0 AH 2/1
PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE 61.000,00R$ 78.000,00R$ 
Empréstimos Bancários 8.000,00R$ 15.000,00R$ 
Duplicatas Descontadas 5.000,00R$ 3.000,00R$ 
Duplicatas a Pagar 21.200,00R$ 25.000,00R$ 
Outras Obrigações 26.800,00R$ 35.000,00R$ 
Passivo Exig Longo Prazo 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
Financiamentos 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 112.300,00R$ 138.000,00R$ 
Capital 69.000,00R$ 69.350,00R$ 
Reservas de Lucros 43.300,00R$ 68.650,00R$ 
Total do PASSIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
DEMONSTRATIVO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO 
31/12/01 AV1 AV2 AH AH 2/1
330.000,00R$ 
(210.000,00)R$ 
(210.000,00)R$ 
120.000,00R$ 
(57.000,00)R$ 
(33.000,00)R$ 
(24.000,00)R$ 
63.000,00R$ 
(6.555,00)R$ 
-R$ 
56.445,00R$ 
(19.756,00)R$ 
36.689,00R$ 
-R$ 
36.689,00R$ (=) LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 25.350,00R$ 
(-) PREVISÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR (13.650,00)R$ 
(=) LUCRO APÓS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR 25.350,00R$ 
(-) PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES -R$ 
(-) Despesas Financeiras Líquidas (9.000,00)R$ 
(+/-) Resultados não Operacionais -R$ 
(=) LUCRO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E DO IR 39.00 0,00R$ 
Despesas Administrativas (35.000,00)R$ 
Despesas de Vendas (32.000,00)R$ 
(=) LUCRO OPERACIONAL OU LAJIR 48.000,00R$ 
(-) DESPESAS OPERACIONAIS (67.000,00)R$ 
Dados do DRE 31/12/02
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 365.000,00R$ 
(-) CUSTO OPERACIONAL (250.000,00)R$ 
Custo dos Produtos Vendidos - CPV (250.000,00)R$ 
(=) LUCRO BRUTO 115.000,00R$ 
 
a) Calcule a análise horizontal da empresa, fazendo a análise do DRE. Após analise 
os índices de atividade – PMC (PMR), PMP e PME (CF e CG). 
 
 
 
 
 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
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Atividade 2001 2002
Período Médio de Cobranças
Período Médio de Pagamentos
Período Médio de Es tocagem 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3) Abaixo os dados da Cia São Bernardo S.A. 
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Contas 31/12/2001 31/12/2002 AV1 AV2 AH 1/0 AH 2/1
ATIVO
ATIVO CIRCULANTE 83.300,00R$ 117.600,00R$ 
Caixa e Bancos 14.000,00R$ 14.400,00R$ 
Aplicações Financeiras 800,00R$ 1.200,00R$ 
Duplicatas a Receber 37.000,00R$ 42.000,00R$ 
Estoques 31.500,00R$ 60.000,00R$ 
Ativo RLP -R$ -R$ 
ATIVO PERMANENTE 125.700,00R$ 143.400,00R$ 
Investimentos 15.700,00R$ 15.700,00R$ 
Imobilizado 94.350,00R$ 112.700,00R$ 
Diferido 15.650,00R$ 15.000,00R$ 
Total do ATIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
Contas 31/12/01 31/12/02 AV1 AV2 AH 1/0 AH 2/1
PASSIVO
PASSIVO CIRCULANTE 61.000,00R$ 78.000,00R$ 
Empréstimos Bancários 8.000,00R$ 15.000,00R$ 
Duplicatas Descontadas 5.000,00R$ 3.000,00R$ 
Duplicatas a Pagar21.200,00R$ 25.000,00R$ 
Outras Obrigações 26.800,00R$ 35.000,00R$ 
Passivo Exig Longo Prazo 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
Financiamentos 35.700,00R$ 45.000,00R$ 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 112.300,00R$ 138.000,00R$ 
Capital 69.000,00R$ 69.350,00R$ 
Reservas de Lucros 43.300,00R$ 68.650,00R$ 
Total do PASSIVO 209.000,00R$ 261.000,00R$ 
Balanço Patrimonial
 
 
31/12/01 AV1 AV2 AH 1/0 AH 2/1
330.000,00R$ 
(210.000,00)R$ 
(210.000,00)R$ 
120.000,00R$ 
(57.000,00)R$ 
(33.000,00)R$ 
(24.000,00)R$ 
63.000,00R$ 
(6.555,00)R$ 
-R$ 
56.445,00R$ 
(19.756,00)R$ 
36.689,00R$ 
-R$ 
36.689,00R$ (=) LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 25.350,00R$ 
(-) PREVISÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR (13.650,00)R$ 
(=) LUCRO APÓS CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IR 25.350,00R$ 
(-) PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES -R$ 
(-) Despesas Financeiras Líquidas (9.000,00)R$ 
(+/-) Resultados não Operacionais -R$ 
(=) LUCRO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E DO IR 39.000,00R$ 
Despesas Administrativas (35.000,00)R$ 
Despesas de Vendas (32.000,00)R$ 
(=) LUCRO OPERACIONAL OU LAJIR 48.000,00R$ 
(-) DESPESAS OPERACIONAIS (67.000,00)R$ 
Demonstrações do Resultado
Dados do DRE 31/12/02
RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 365.000,00R$ 
(-) CUSTO OPERACIONAL (250.000,00)R$ 
Custo dos Produtos Vendidos - CPV (250.000,00)R$ 
(=) LUCRO BRUTO 115.000,00R$ 
 
b) No exercício anterior analisamos o DRE em sua AH e os índices de atividade. Neste 
momento, analise os índices de endividamento e de lucratividade. Para efeito de parâmetros, a 
taxa SELIC acumulada em 2001 foi de 19% e de 2002 foi de 23%. 
 
 
 
 
 
 
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Professor Gustavo da Cunha Raupp 
 
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Análise 31/12/01 31/12/02
Lucratividade
Margem Bruta
Margem Operacional
Margem Líquida
ROI - Retorno sobre Investimento
Endividamento
Endividamento Geral
Imobilização do PL

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