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Ametropias Oculares Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Esp. Natalí Eve Revisão Textual: Prof.ª M.ª Sandra Regina Fonseca Moreira Distúrbios Acomodativos Distúrbios Acomodativos • Compreender os distúrbios acomodativos, estudando sobre insuficiência de acomodação, fadiga acomodativa, paralisia de acomodação, excesso de acomodação, espasmos e inflexi- bilidade de acomodação. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Introdução; • Insuficiência de Acomodação; • Fadiga de Acomodação; • Paralisia de Acomodação; • Excesso de Acomodação; • Espasmos Acomodativos; • Inflexibilidade de Acomodação. UNIDADE Distúrbios Acomodativos Introdução Para falar sobre os distúrbios acomodativos, vamos recordar o que é acomodação? A acomodação é a capacidade do olho de variar seu poder refrativo, a fim de obter uma imagem na retina, o mais nítida possível, dos objetos dos quais queremos ter infor- mações visuais e que eles podem estar localizados em distâncias diferentes. Figura 1 – Acomodação Fonte: Adaptado de Getty Images A acomodação é um mecanismo complexo que envolve muitos fatores, não apenas ópticos, mas também fisiológicos e neuronais, portanto, há muitos fatores que podem afetar à resposta acomodativa. Nesta unidade, conheceremos as diversas alterações aco- modativas (distúrbios acomodativos), as quais podem ser classificadas em geral por: Hipofunção, Hiperfunção e Inflexibilidade. Tabela 1 – Alterações Acomodativas Categorias Distúrbios de Acomodação Classificação Hipofunção Insuficiência Não estimula a acomodação (reversível). Cansaço (Fadiga) Subclassificação da insuficiência de acomodação. Tem resposta acomodativa, mas não a mantém. Paralisias Terceiro par de nervos cranianos afetados por causa do fator patológico ou farmacológico. Não há acomodação. Hiperfunção Excesso A resposta é maior do que a necessária ao ser estimulado. Espasmo Quando há maior deterioração em relação ao excesso. Inflexibilidade Resposta e velocidade (acomodação) são bem diferen- tes do padrão. Fonte: Adaptada de SCHEIMAN; WICK, 2014 8 9 Você Sabia? Disfunções acomodativas ocorrem em uma pequena porcentagem da população, entre 2 e 3%, representando um desconforto significativo para os pacientes, e que pode afetar seu desempenho acadêmico ou de trabalho, reduzindo sua qualidade de vida. Insuficiência de Acomodação A insuficiência acomodativa é uma condição na qual o paciente tem dificuldade de estimular sua acomodação. É caracterizada por apresentar uma amplitude de acomo- dação inferior ao valor esperado, dependendo da idade do paciente. Outro critério uti- lizado para classificar o caso como insuficiência acomodativa é encontrar um valor de amplitude de acomodação de 5,00 a 6,00 D menor que o valor esperado com base na idade do paciente. É importante diferenciar a presbiopia e a insuficiência acomodativa, já que os sinto- mas de ambas são semelhantes, mas, no caso da presbiopia, a acomodação é reduzida com relação à faixa etária da pessoa, já na insuficiência acomodativa, a acomodação não reage, pois não há estímulo. Sinais e Sintomas Embora a insuficiência acomodativa possa ser assintomática, as queixas mais comuns sempre se referem a tarefas realizadas em visão de perto, que geralmente aparecem após alguns minutos de leitura, em torno de 10 a 15 minutos. Nesse caso, o paciente tem dificuldade em realizar qualquer teste que requeira estimulação da acomodação. Figura 2 – Cansaço ao ler Fonte: Getty Images 9 UNIDADE Distúrbios Acomodativos Vejamos os principais sintomas: Tabela 2 – Sintomas da insuficiência acomodativa Sintomas Explicação Visão embaçada Pela falta do estímulo na leitura Cefaleia Frontal – acima das sobrancelhas Ardência nos olhos Pelo esforço visual Problemas de Leitura Geralmente tenta afastar para ler Cansaço e sono na leitura Pelo esforço ao ler Perda de compreensão na leitura Todos os sintomas vão contribuir para atrapalhar a atenção na leitura Movimento involuntário no texto Algumas vezes é confundido com sintomas de astigmatismo Lacrimejamento e hiperemia Pelo esforço visual Contração pupilar Muito esforço para acomodar Fonte: Adaptada de ONDATEGUI et al., 2004 A insuficiência acomodativa pode estar associada a um problema de visão binocular, frequentemente associado à insuficiência de convergência, estrabismo divergente cons- tante e, mais frequentemente, intermitente. Em sua associação com exotropia, pode ser impossível identificar qual é a causa primária. Também é possível encontrar insuficiência de acomodação associada à endoforia, geralmente com erros refrativos baixos, pequeno des- vio na visão à distância, grande endoforia em visão de perto e um ponto próximo distante. A falta de acomodação costuma afetar jovens de 10 a 25 anos. Depois, após os 35 ou 40 anos, a insuficiência acomodativa é chamada de presbiopia. Pode estar as- sociada a várias condições, síndromes ou doenças sistêmicas (diabetes) ou situações de fadiga, estresse emocional ou situações de fraqueza em geral. A insuficiência de acomodação é a disfunção mais comum, que aparece com mais frequên- cia, representando entre 55% e 85% dos casos. Correção A correção, em caso de insuficiência acomodativa, pode ser feita de quatro maneiras: • Correção do erro refrativo à distância; • Tratamento da causa de fraqueza ou fadiga; • Acréscimos positivos para visão de perto; • Tratamentos de treinamento visual ou ortóptico. O treinamento visual tem resultado efetivo no tratamento da insuficiência acomoda- tiva, alcançando um aumento na amplitude de acomodação de 1,00 D por semana até atingir o valor esperado para a idade. Os valores de estereopsia e vergências também melhoram com o treinamento visual, tendo em vista que são necessários pelo menos 4 emanas de duração no programa de treinamento. 10 11 Fadiga de Acomodação Fadiga de acomodação é a impossibilidade de manter visão confortável para os traba- lhos de perto, assim, o paciente não consegue manter acomodação por um período de leitura muito longo. O diagnóstico de fadiga acomodativa é feito com base nos sintomas do paciente, referido ao trabalho em visão de perto e distanciamento do ponto próximo acomodativo, em repetidas medidas (diminuição da amplitude de acomodação). Seu diagnóstico é geralmente difícil dado que seus sintomas não são muito graves. Deve-se testar o ponto próximo pelo menos por 3 vezes, pois pode se apresentar o ponto próxi- mo de acomodação normal no primeiro teste e se afastar nos subsequentes. Sinais e Sintomas Seu sinal clínico é uma amplitude diminuída de acomodação. Os sintomas de fadiga acomodativa são semelhantes aos da insuficiência acomodativa, porém, na fadiga, eles de- moram mais para aparecer. Pode-se destacar o embaçamento e astenopia, que aparecem após um período de trabalho na visão próxima relativamente curto (15 minutos aproxima- damente), embora esses sintomas geralmente não sejam fortes. Sendo as principais queixas: • Desconforto visual; • Cefaleia; • Incapacidade de manter a focalização para perto. Importante! Ao conversar com o seu paciente (anamnese), deve-se perguntar se ele percebe o mo- mento em que começa a sentir os sintomas, se ocorrem após a leitura, com uso do com- putador, qual a intensidade, se associa os sintomas a atividades para perto. Sua intensi- dade ajudará a entender se o problema é visual ou ocular. Correção O tratamento é semelhante ao da insuficiência acomodativa, que consiste no exame de refração cuidadoso, melhorar a iluminação para perto e cuidados gerais da saúde. Sendo necessário analisar a causa para agir diretamente sobre ela. Em caso de não identificação da causa, programas de treinamento visual trazem resultados positivos. Tanto a insuficiência quanto o cansaço (fadiga) acomodativos podem ter origem em proble- mas sistêmicos, neurológicos, por fármacos ou substâncias (álcool e maconha) e também em algumas patologias oculares. 11 UNIDADE Distúrbios Acomodativos Paralisia de Acomodação A paralisia(ou paresia) da acomodação é a perda da capacidade de acomodação total ou parcial, secundária à uma causa orgânica. Geralmente é acompanhada por altera- ções pupilares. Não há uma diferenciação clara entre insuficiência e paresia acomodativa. Uma in- suficiência considerada acomodativa pode ser chamada de paresia, e, se for uma in- suficiência completa (amplitude acomodação igual a zero), seria chamada de paralisia. Os termos paresia e paralisia se aplicam em situações onde aparece uma lesão tóxica ou orgânica que afeta o sistema nervoso (IlI par) e causa a disfunção acomodativa. A paralisia acomodativa ocorre para perto, sendo rara para longe, geralmente é mais frequência em um olho, enquanto a insuficiência e o cansaço são binoculares. Com isso, avaliar a pupila ajudará a identificá-la, pois a reação será em apenas um olho. Avaliar a acomodação na paralisia torna-se difícil, se pensarmos que não há acomodação (diferen- temente da insuficiência, que ainda pode ocorrer no processo) (ONDATEGUI et al.,2004; ELDER’S, 1997). As causas podem ser de origem patológica: infecciosa, glaucoma, trauma, degeneração do sistema nervoso central, diabetes, afecção do III par de nervos cranianos. Sinais e Sintomas Pacientes com paralisia de acomodação geralmente relatam desfoque, especialmente de perto, fotofobia (midríase pupilar), diplopia (devido ao envolvimento do ilíaco, e do reto mediano), micropsia (diminuição do tamanho relativo das imagens) e cefaleia. Esses sinto- mas geralmente são agudos, de início súbitos, e afetam apenas um olho, ou seja, unilateral. Os sinais característicos de paralisia de acomodação são a presença de diminuição da amplitude de acomodação, associada a distúrbios pupilares (midríase pupilar pouco ou não reativa à luz) e motilidade ocular (estrabismo divergente). Por ser uma alteração potencialmente grave, seu diagnóstico definitivo deve ser feito pelo oftalmologista, neu- rologista, ou ambos. Correção O tratamento da paralisia de acomodação dependerá de sua causa. Em alguns casos (trauma, etiologia vascular e outros), a capacidade de acomodação pode se recuperar em maior ou menor grau após um ou dois meses. Após esse tempo, se a capacidade de acomodação não for recuperada, a redução é considerada permanente. Uma vez descartadas as possíveis causas mais graves e passado o tempo necessário de recuperação, as adições são indicadas para a visão de perto. Este é um dos poucos casos em que as adições de ambos os olhos frequentemente não combinam (paralisia monocular). 12 13 Excesso de Acomodação O excesso acomodativo é uma condição em que o paciente tem dificuldade com todas as tarefas que exigem relaxamento da acomodação. Tradicionalmente, é definido como a presença de uma maior amplitude de acomodação do que o esperado, com base na idade do paciente. Atualmente definido como a incapacidade de relaxar a acomoda- ção, por exemplo, olhando através de lentes positivas em visão de perto, ou olhando em visão de longe após um período de leitura. Segundo Von Graefe (1870), o excesso de acomodação é a falta do relaxamento da acomodação pelo paciente. Antigamente, apenas se falava no excesso de aco- modação porque não se classificava o espasmo acomodativo. Porém, em nossos dias, quando o excesso de acomodação se agrava, é classificado como espasmo acomodativo. O excesso acomodativo representa aproximadamente de 1% a 15% das disfunções acomodativas. Sinais e Sintomas A maioria dos sintomas está associado à leitura ou ao trabalho na visão de perto, sendo característico que apareçam de forma variável e que se agravem no final do dia ou após um período prolongado de trabalho. As principais queixas são: • Visão turva; • Cefaleia; • Coceira nos olhos (após períodos de leitura). Correção O tratamento do excesso de acomodação é semelhante ao do espasmo de acomo- dação, mas com melhor prognóstico, destacando-se o treinamento visual e o uso de complementos na visão de perto. Espasmos Acomodativos O espasmo de acomodação é definido como a situação em que existe uma tendência involuntária para manter a acomodação na ausência de estímulo acomodativo. Tam- bém é uma resposta excessiva, ou maior, à demanda de dioptria necessária para um determinado estímulo. Assim, uma pessoa hipermétrope com espasmo de acomodação parece menos hipermétrope ou emétrope, um emetrópico parecerá míope, e um míope parecerá mais míope. 13 UNIDADE Distúrbios Acomodativos Sua causa ocorre por um aumento da acomodação que, em alguns casos, após o uso prolongado da visão de perto, são incapazes de relaxar sua acomodação de modo completo. O maior número de espasmos encontra-se em pacientes jovens, sejam hi- permétropes ou míopes, mas principalmente em casos de ametropias pequenas e em astigmatas não corrigidos. Pode ser apresentado tanto monocular quanto binocular, constante ou intermitente. O espasmo de acomodação é uma anormalidade acomodativa rara, no entanto, um atraso de acomodação negativo é relativamente comum. Por este motivo, há autores que diferenciam entre espasmo e excesso de acomodação. Sinais e Sintomas Os sintomas relatados pelos sujeitos com espasmo acomodativo são semelhantes aos das outras disfunções acomodativas, destacando-se: • Diminuição da acuidade visual (AV), principalmente na visão distante; • Dor nos olhos; • Cefaleia; • Diplopia; • Visão flutuante; • Desconforto com seus óculos ou visão desconfortável. A apresentação clínica do espasmo acomodativo dificulta sua identificação, só po- dendo ser identificado após um exame prolongado, em que causa fadiga acomodativa e espasmo. O espasmo de acomodação também pode aparecer após períodos não muito longos de trabalho em visão de perto (por volta de 10 min). Importante! Os sintomas do espasmo de acomodação geralmente pioram no final do dia e até desa- parecem em períodos de férias ou descanso. Correção O tratamento mais eficaz é eliminar a causa que o provoca (se identificada) e a pres- crição da refração mais positiva para visão à distância. O uso de treinamento visual ou ortóptico é indicado e visa melhorar a flexibilidade acomodativa, especialmente com lentes positivas. Para reduzir o excesso acomodativo causado pelo trabalho de visão de perto também se pode prescrever bifocais com adições positivas (entre +0,50 e +1,00 D). O uso de adições negativas é contra-indicado. Os resultados do tratamento do espasmo de acomodação não são ótimos, pois, em muitos casos, o espasmo de acomodação persiste mesmo após o tratamento (óptico, treinamento ou farmacológico). 14 15 Inflexibilidade de Acomodação A inflexibilidade acomodativa é uma condição em que o paciente sente dificuldade em encontrar resposta acomodativa de um nível de estimulação para outro. É caracteri- zada por ser a única condição em que a latência e a velocidade da resposta acomodativa são anormais, levando um ou mais segundos para mudar o foco de uma distância para outra. Enquanto a amplitude de acomodação é normal, a capacidade de ser usada ra- pidamente e por longos períodos, o tempo é inadequado. É também conhecida como acomodação tônica ou inércia de acomodação. Sinais e Sintomas A maioria dos sintomas está associada à leitura ou ao trabalho de visão de perto, bem como nas outras disfunções acomodativas, mas, ao contrário dos casos anteriores, nesta disfunção o mais característico é a dificuldade de mudar o foco de uma distância para outra. Não vamos esquecer que essa inflexibilidade acomodativa também pode ser assintomática. Na inflexibilidade acomodativa, o paciente tem dificuldade com todos os testes que requerem estimulação e relaxamento da acomodação. O sinal principal (e às vezes único) é uma diminuição na flexibilidade acomodativa. Dificuldade de foco de longe para perto e vice-versa, astenopia associada à proximi- dade, dificuldade de atenção e concentração de tarefas, desfoque intermitente associado à visão de perto. Correção O tratamento da inflexibilidade acomodativa é realizadocom treinamento visual e, às vezes, acréscimos positivos. Em ocasiões em que o paciente não consegue comple- tar o programa de treinamento, ele pode usar lentes positivas com a potência mínima para permitir uma visão clara de perto e uma mudança na distância focal de conforto, normalmente entre +0,25 e +0,75 D. Podemos resumir o tratamento da inflexibilidade acomodativa em 4 pontos: • Correção do erro refrativo distante; • Tratamento da causa de fadiga ou estresse; • Tratamentos de treinamento visual; • Acréscimos positivos para visão de perto nos casos em que o treinamento não é possível. 15 UNIDADE Distúrbios Acomodativos Figura 3 – Tratamento Fonte: Getty Images Em Síntese Você percebeu que a optometria não deve se preocupar apenas com a refração, mas “focar” na saúde visual por inteiro: a prescrição de óculos e a avaliação de distúrbio visual. São testes simples que você aprenderá e que serão importantes para uma avaliação completa. Há anos grandes nomes da área estudam as alterações refrativas e os distúrbios visuais. A literatura optométrica sugere várias opções para o tratamento dessas disfunções, a partir da compensação adequada das condições refrativas para a prescrição de prismas, acréscimos positivos na terapia próxima ou visual, tanto na consulta quanto em casa. A escolha de qualquer uma dessas opções visa melhorar os sintomas do paciente e os sinais encontrados no diagnóstico de cada anomalia. Antes de tratar uma disfunção aco- modativa, é necessário: • Definir o diagnóstico antes de iniciar o tratamento; • Dar ao paciente a escolha entre as diferentes opções de tratamento, principalmen- te entre o uso de acréscimos positivos (mais confortáveis), aos programas de trei- namento visual; • Explicar claramente os objetivos a serem alcançados e as limitações de cada opção de tratamento; • Não considerar os problemas de acomodação insignificantes, uma vez que seus distúr- bios podem causar desconforto significativo e afetar a qualidade de vida do paciente. A estratégia geral de compensação contempla três opções: antes de mais nada, a correção, se houver ametropias; em segundo lugar, o uso de adições positivas; e, por última, a realização de terapia ou treinamento visual. 16 17 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Dor de cabeça e dor nos olhos? Você pode estar com excesso de acomodação! https://youtu.be/wcvrXnDKVnY Leitura A Acomodação e o Desconforto de Visão https://bit.ly/3cBoqfS Eficácia Visual https://bit.ly/2O8qJNY Estudo da prevalência das disfunções acomodativas numa população de alunos universitários https://bit.ly/3mjqxbz O que é Insuficiência de Acomodação? https://bit.ly/31zv8wz 17 UNIDADE Distúrbios Acomodativos Referências ALVES, A. de A. Refração. 6. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2014. DOME, E. F. Estudo do olho humano aplicado à Optometria. 4. ed. São Paulo: Editora SENAC, 2008. FRIEDMAN, N. J.; PETER, K. K.; TRATTER, W. B. Review of Ophthalmology. 3 ed. USA: Elsevier, 2018. GROSVENOR, T. Optometría de Atención Primaria. Barcelona, España: Masson, 2004. GUYTON, A. C. Tratado da Fisiologia Médica. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora Guana- bara Koogan, 1997. HERRANZ, R. M.; ANTOLÍNEZ, G. V. Manual de optometria. Madrid: Editorial Médica Panamericana, 2010. KANSKI, J. J. Oftalmologia clínica. 5. ed. 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