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R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 299 C a p ít u lo 9 • C a ra ct e rí st ic a s g e ra is d o s a n im a is Outro tipo de simetria é a bilateral, em que um único plano — denominado plano sagital — di- vide o objeto em metades simétricas. O corpo humano, por exemplo, apresenta simetria bilateral; o único plano de simetria possível é o plano sagital, que divide o corpo nas metades esquerda e direita. (Fig. 9.13) I Figura 9.13 Exemplos de simetria. A. Simetria esférica. B a F. Simetria radial. G a I. Simetria bilateral. A B C D G H E I F CNiDÁRiO ANELíDEO MOLUSCO PLATELMiNTO ARTRÓPODE MAMíFERO Rede nervosa difusa Gânglios cerebrais Cordão nervoso Gânglio cerebral Cordão nervoso ganglionar ventral Nervos Gânglios cerebrais (cérebro) Encéfalo Medula espinal Cordão nervoso ganglionar ventral Gânglios cerebrais R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 300 U n id a d e D • A d iv e rs id a d e d o s a n im a is Figura 9.14 Representações esquemáticas da organização do sistema nervoso (em roxo) em diversos grupos animais. Cnidários têm sistema nervoso difuso; nos platelmintos, as células nervosas concentram-se na região anterior do corpo, formando gânglios cerebrais dos quais partem dois cordões nervosos. Animais mais complexos possuem gânglios cerebrais bem desenvolvidos ou um encéfalo na região da cabeça, ao qual se conectam os principais órgãos dos sentidos. (Imagens sem escala, cores-fantasia.) Não há animais com simetria esférica. A simetria radial ocorre em poucas esponjas (a maioria possui corpo assimétrico), em cnidários (águas-vivas, anêmonas-do-mar e corais) e também nas formas adultas de equinodermos (ouriços-do-mar, estrelas-do-mar etc.). Animais com simetria radial não têm cabeça nem cauda; não têm lado direito nem lado esquerdo; não têm dorso nem ventre. Seu eixo corporal vai da região da boca, chamada região oral, à região oposta, chamada região aboral. Muitos dos animais radialmente simétricos são sésseis, isto é, vivem fixados a objetos, e costumam ter movimentos lentos. Todos os outros animais têm simetria bilateral, que define um tipo de organização corporal bem mais complexo. Animais bilateralmente simétricos têm região anterior e posterior, lado es- querdo e lado direito, região ventral e região dorsal. Por estar associada à movimentação ativa e direcionada, a simetria bilateral é característica de animais que nadam, cavam, rastejam, voam ou andam ativamente. Os equinodermos, apesar de apresentarem simetria radial na fase adulta, têm formas jovens, as larvas, bilateralmente simétricas. Essa e outras características sugerem que os ancestrais dos equinodermos eram animais bilaterais e que a simetria radial das espécies atuais é secundária, tendo evoluído como resultado de uma adaptação ao modo de vida de se arrastar pelo fundo dos mares (bentônico). 3 Cefalização Animais dotados de simetria bilateral movimentam-se com uma das extremidades do corpo voltada para a frente. Essa parte, definida como região anterior, é a primeira a entrar em contato com o alimento, com fatores estimulantes e também com o perigo. Ao longo da evolução dos animais, os principais órgãos sensoriais e as células nervosas respon- sáveis pelo processamento da informação captada por esses órgãos tenderam a se concentrar na região anterior do corpo. Esse processo, conhecido como cefalização, levou à diferenciação da cabeça. Filos com representantes dotados de cabeça bem diferenciada são os dos moluscos, dos anelídeos (poliquetos), dos artrópodes e dos cordados. (Fig. 9.14) R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 301 C a p ít u lo 9 • C a ra ct e rí st ic a s g e ra is d o s a n im a is 4 Cavidades corporais Relembre que, com exceção dos poríferos e dos cnidários, os animais podem ser acelomados (platelmintos), pseudocelomados (nematódeos) e celomados (moluscos, artrópodes, equinoder- mos e cordados). Os cientistas admitem que a presença de uma cavidade corporal interna traz diversas vantagens ao animal, como facilitar a distribuição de substâncias para as células e a eliminação das excreções, entre outras. Por exemplo, os nutrientes absorvidos pela parede da cavidade digestória de uma lombriga distribuem-se no líquido pseudocelômico, por onde chegam às diversas células do corpo. As substâncias excretadas pelas células da lombriga, por sua vez, difundem-se no líquido pseudocelômico e daí são eliminadas. Em animais mais complexos, essas funções geralmente são realizadas pelo sistema circulatório. Outro papel importante desempenhado pelo celoma em muitos animais é a acomodação e a proteção de órgãos internos. No interior da cavidade celômica, os órgãos podem crescer e movimentar-se com maior facilidade. Nosso coração, por exemplo, localiza-se no interior da câ- mara pericárdica, que nada mais é que uma cavidade celômica; o pericárdio é uma membrana de origem mesodérmica. Dentro da cavidade pericárdica a movimentação do coração ocorre mais livremente, sem interferência de outros órgãos. Além dessas funções, a presença de uma cavidade corporal cheia de líquido dá sustentação ao animal e pode funcionar como esqueleto, como veremos mais adiante no item referente a sistemas esqueléticos. 5 Segmentação corporal ou metameria A metameria, ou segmentação corporal, está presente em anelídeos, artrópodes e cordados e consiste na organização do corpo em segmentos iguais ou semelhantes, os metâmeros, que se repetem ao longo do comprimento. Na minhoca, com exceção do segmento cefálico, onde se localiza a boca, todos os segmentos do corpo são muito semelhantes entre si. Cada metâmero contém musculatura e compartimentos celômicos independentes, com um par de órgãos excre- tores (nefrídios) e centro de controle nervoso (gânglio nervoso) próprios. Além dos anelídeos, a metameria também é encontrada em artrópodes e cordados, incluindo nossa própria espécie. A segmentação corporal pode ser vantajosa; por exemplo, uma muscula- tura organizada em pacotes musculares capazes de se contrair independentemente garante ao corpo maior flexibilidade e variedade de movimentos. (Fig. 9.15) Gânglio cerebral Gânglio ventral Vaso ventral Nefrídio Tubo digestório Vaso dorsal Metâmero Figura 9.15 Representação esquemática da organização metamérica do corpo de um anelídeo. (Imagem sem escala, cores-fantasia.)