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TEMAS2
ENTRE FRASES
Emily Cristina dos Ouros e Murilo de Almeida Gonçalves
Estudo da escrita - Redação
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TEMA V: O JORNALISMO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
Acervo
Texto I 
A imprensa que explora a dor também é violenta
O absurdo caso da criança, é bom frisar, uma menina de 10 anos, que teve a gravidez interrompida após ser estuprada 
pelo tio, de 33 anos, em São Mateus, norte do Espírito Santo, leva à reflexão sobre o papel de jornalistas e da imprensa na 
cobertura do caso.
Até onde veículos de comunicação devem ir, em busca da notícia exclusiva, e será que há uma dosagem necessária ao 
destaque que se dá aos fatos para que, em vez de ajudar a vítima e a promover a Justiça, não se transforme a cobertura em 
um show de mais humilhações?
Ao falar de jornalismo é preciso pensar na responsabilidade social da profissão. Ao falar dos veículos de imprensa, é neces-
sário refletir sobre o alcance e credibilidade que têm, a partir do trabalho jornalístico.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dispõe, em seu Capítulo II – “Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Digni-
dade”:
“Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, 
abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos 
pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desu-
mano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.”
Jornalismo responsável não expõe nome ou sobrenome, nem as iniciais, de crianças e adolescentes vítimas de violência ou 
autores de infrações. Nem sequer de seus familiares. Nem sequer o bairro onde moram, caso essa divulgação vá, de alguma 
forma, identificar esse menor.
O que ocorreu, então, com A Gazeta-ES, que no domingo (16/8) divulgou reportagem em seu site, informando que a criança 
de 10 anos seria levada para Recife (PE) para que o aborto, visando a interromper uma gravidez, fruto de violação de seu 
corpo, fosse realizado? Na reportagem, o veículo cita que:
“Fontes ligadas ao caso informaram que a criança foi transfe-
rida para Pernambuco porque, naquele Estado, há ‘protocolo 
instituído para devida avaliação e cumprimento da decisão 
judicial, uma vez que o Hucam não tem protocolo para inter-
romper gestação com mais de 22 semanas’”.
Qual a relevância jornalística da divulgação da cidade e do es-
tado onde o procedimento seria realizado? Não se imaginou 
que tal informação, assim como a divulgação do nome, sobre-
nome, iniciais, ou qualquer outro dado pessoal pudesse, além 
de ampliar a repercussão do caso, expor ainda mais a criança?
A responsabilidade de Sara Giromini de divulgar dados so-
bre a menina, bem como de demais extremistas na frente do 
hospital, protestando e chamando uma criança de 10 anos de 
“assassina” e, inclusive, de tentar invadir o local devem ser in-
vestigadas. Para extremistas e criminosos, como o estuprador, 
espera-se o rigor da lei.
Tá sabendo? 
O infotenimento é um neologismo, que resulta 
da soma das palavras informação e entretenimento. O 
conceito surgiu durante a década de 80 e ganhou for-
ça no final dos anos de 1990, data que passou a ser 
utilizado por profissionais e acadêmicos da área de 
comunicação. Segundo Mark Deuze “no jornalismo, o 
infotenimento está em duas categorias: no aumento de 
elementos de entretenimento em gêneros de notícias e 
no estabelecimento de gêneros de infotenimento exis-
tentes atualmente”.
INFOTENIMENTO (INFORMAÇÃO E ENTRETENIMENTO) 
NO JORNALISMO. Letícia Limondre, Vânia Braz, Filipe Soriano.
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Para jornalistas e veículos de imprensa, pressupõem-se bom-senso e ética. Espera-se uma urgente autocrítica. E aí, não 
somente para A Gazeta, mas para todos que estão trabalhando na cobertura do caso. Divulgar exaustivamente entrevistas 
com médicos que realizaram o aborto, repetir e repetir a sentença do juiz … até que ponto clique em links e acessos a sites 
e redes sociais valem mais que a dignidade e proteção de uma criança?
Abre-se a oportunidade para cobrar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e Secretaria de Justiça a apuração e responsa-
bilização sobre como dados da menina, sob tutela do Estado, foram vazados de um hospital público.
O Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), que se recusou a fazer o aborto, alegou que não tinha con-
dições técnicas para “conduzir uma antecipação do parto, após 22 semanas” e negou viés ideológico.
Outro ponto a ser observado é sobre a prisão do estuprador, ocorrida nesta terça-feira (18). E aí, lembremos: nem sequer sua 
foto poderá ser divulgada, uma vez que ele é tio da vítima e essa divulgação vai fazer com que ela seja identificada e, mais 
uma vez, violentada psicologicamente.
Aliás, por que o foco desta sociedade tão hipócrita, até a prisão do tio, foi “o aborto”? Por que o estupro, violência que a 
menina sofreu, não teve a mesma ênfase? O “tribunal da internet” já julgou e condenou a vítima diversas vezes. A internet, 
apesar dos avanços na legislação, é conhecida como “terra de ninguém”.
Mas a imprensa, não ! A imprensa não tem o direito de explorar a dor de uma criança de 10 anos, pois isso também é uma 
forma de violência contra ela. “Como está a menina de 10 anos, após o aborto?”, diz uma chamada de telejornal, que repete 
e repete toda a história, contada desde o último dia 14. “Os batimentos do feto foram interrompidos”, continua o telejornal. 
É necessário detalhar um aborto?
Jornalistas são seres humanos e estão sujeitos ao erro. Por isso, têm seu trabalho pautado da Constituição Federal e em um 
Código de Ética. Por isso, é necessária uma autocrítica diária. Melhoremos sempre!
A IMPRENSA QUE EXPLORA A DOR TAMBÉM É VIOLENTA. HTTP://WWW.SINDIJORNALISTASES.ORG.BR/ () 
Texto II 
A morte do jornalismo II
O jornalismo no Brasil está morto e insepulto, mas existe uma figura sinistra que permanece a nos assombrar, fazendo-se 
passar pelo falecido por meio da veiculação a todo o momento de volume extraordinário de material pretensamente infor-
mativo onde parte importante do conteúdo se caracteriza por sua nuança manipulatória. Isto se verifica na quase totalidade 
das editorias em uma vasta gama de assuntos que abrange desde a indigesta área política, com muita ênfase, e se estende 
a outras esferas mais como a economia, cultura, esportes, entretenimento, apenas para citar as mais corriqueiras.
Há algum tempo autores que trabalham com análise, crítica, teoria ou estudos acadêmicos do jornalismo, ao lado da ob-
servação atenta daquilo que a mídia produz e publica, assim como asfrequentes reações negativas do público, nos levam 
a concluir pela paulatina degradação da prática jornalística, quer seja em seus aspectos e fatores de ordem técnica, como 
também de cunho ético e moral.
Títulos como, por exemplo, “O Jornalismo Canalha” dado por Arbex a uma de suas obras, acompanhados do livro de Carlos 
Dorneles intitulado: “Deus é Inocente. A imprensa não.” Ou ainda “Jornalismo e Desinformação”, de Leão Serva, além de 
inúmeros outros, nos mostram as quantas anda o trabalho realizado nas redações de jornais e revistas, nas emissoras de 
rádio e televisão, e agora também na espetaculosa internet com seus sites, portais, blogs, fanpages, e redes sociais diversas.
Em geral os trabalhos bibliográficos, levantamentos e pesquisas sérias, indicam a desventura e indigência que afetam esse 
monstrengo impostor que insiste em se dizer jornalismo. E quem sabe nós também tenhamos uma boa parcela de culpa 
nesse estado de coisas, pois muitos dos que atuam profissionalmente na área jornalística têm formação universitária. O que 
os cursos de jornalismo estão fazendo para cumprir sua finalidade de formar melhores profissionais no sentido de desempe-
nharem suas tarefas com comprometimento efetivo para com a sociedade, produzindo e veiculando material com a qualida-
de necessária para informar bem, fornecendo os subsídios indispensáveis aos cidadãos para pensar, decidir e agir? Será que 
a perda de qualidade verificada nesse pseudojornalismo praticado também não é reflexo direto do que ocorre na academia 
e da queda de qualidade do ensino nos cursos do campo jornalístico? Infelizmente para responder a essas indagações nos 
faltam estudos consistentes e isentos.
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Por outro lado, um dos indicadores da ausência de bons predicados nos materiais tidos como jornalísticos é o abandono 
da reportagem. Em seu livro “A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”, Nilson Lage coloca a 
importância do repórter.
Se perguntarmos às pessoas em geral que figura humana é a mais característica do jornalismo, a maioria responderá, sem 
dúvida: o repórter. Se interrogarmos um jornalista sobre quem é o mais importante na redação, ele – excetuado o caso de 
algum projetista gráfico ou editor egocêntricos – dirá que é o repórter. (LAGE, 2001 p.9).
Na atualidade praticamente não há mais reportagens na exata acepção do termo, e sim amontoados de pressupostos infor-
mativos apenas dispostos de qualquer maneira em um espaço gráfico ou em um período de tempo de transmissão sonora 
ou audiovisual.
Se no jornalismo praticado em décadas passadas a reportagem podia ser vista como algo que mantinha relação com aven-
tura a fim de retratar as diversas feições da realidade, conforme sugere o título da consagrada obra de Kotscho e Dimenstein, 
no presente essa relação não é mais possível de ser estabelecida, muito devido as transformações registradas no próprio 
fazer jornalístico causadas sobretudo pela evolução e emprego de um aparato tecnológico que a cada dia apresenta mais 
e mais novidades e instrumentos empregados na concepção dos produtos de informação. No entanto transformações e 
mudanças, novas técnicas e tecnologias, instrumental, hardwares e softwares sempre com maior sofisticação, não significam 
necessariamente aumento de qualidade. Pelo contrário, o que se tem observado é diminuição de excelência, de credibilidade 
e de mercado.
Esta situação é consequência, também, da perda de contato do jornalista profissional com o ambiente mais próximo dos 
acontecimentos. Já não se entrevistam mais o pipoqueiro que sabe das coisas como Kotscho optou por fazer ao constatar 
que o jornalismo ficava preso às fontes oficiais, às autoridades, e especialistas. E o que é pior, não há mais disposição em 
se ir às ruas buscar informações, pois tudo parece se resumir à repercussão de denúncias, de informações constantes em 
processos e inquéritos, às falas de políticos, ministros, magistrados, delegados, celebridades, ou personagens hegemônicos 
quando é o caso de matérias fora do âmbito da política e da administração pública, e ainda às fofocas de bastidores cuja 
comprovação não é alvo de preocupação.
Aliás, a esse respeito Lage nos alerta de que:
Jornalistas apressados ou preguiçosos adoram ouvir fontes oficiais (dispensam-se de confirmar informações); detestam ler 
textos longos, como os de processos judiciais; exageram na apuração de matérias por telefone, não costumam conversar com 
os entrevistados e desprezam informações que não podem publicar imediatamente. (LAGE, 1998 p. 235).
Poderíamos incluir nesse contexto da apuração incompleta e ineficiente, talvez até superando o já supérfluo telefone, a 
internet que não só facilita a vida dos indolentes como fornece elementos informativos os mais diversificados e funciona 
tal qual uma fonte inesgotável de dados, declarações, opiniões, análises em sua maioria rasas, tudo devidamente replicado 
em materiais aparentemente jornalísticos sem os devidos cuidados e também sem as imprescindíveis contextualizações e 
explicações para as pessoas a que são destinados.
Não à toa fomentam-se amiúde, nisso que se pretende jornalismo, as polêmicas inúteis, destaca-se o ranço de convicções 
superadas, concomitante a conceitos sociopolíticos carcomidos embalados como a salvação do ‘universo’, ao mesmo tempo 
adotando e enaltecendo o chatíssimo politicamente correto, e se engajando de modo claro ou sub-reptício a alguma cor-
rente político-partidária.
Dessa maneira, o falso “jornalismo perde, então, o traço de novidade e se torna um discurso de divulgação das ideias pron-
tas – que não nasceram da consideração dos fatos, mas de ideologias ou crenças que um editor ou pauteiro dissemina, sem 
sair da redação”. (LAGE, 2001 p.41).
Então, procedimentos não adequados ou pelo menos em desacordo com os marcos mínimos de balizamento do oficio 
jornalístico culminam por desvirtuar e deturpar de modo definitivo a visão daqueles receptores dos produtos levados até o 
público, uma vez que corrompem o cerne do jornalismo. A reforçar esse ponto de vista situa-se o conceito segundo o qual 
“a essência do jornalismo, pelo contrário, é partir da observação da realidade (do que ela tem de singular) esteja ou não 
conforme alguma teoria”. (LAGE, 2001 p. 42).
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A deturpação dos aspectos mais significativos da realidade presente nos conteúdos classificados como jornalísticos pode 
trazer prejuízos incalculáveis em termos sociais, inculcar divisionismos infrutíferos, acentuar desavenças e promover o ódio, 
porque parece não interessar nem importar mais aos profissionais da mídia e aos influenciadores dos vieses de conteúdo, a 
questãoda veracidade.
Os manuais clássicos de produção jornalística ainda ensinam que a fórmula mais simplificada estabelece quatro qualidades 
para a boa informação: “deve ser interessante (fugir à banalidade quotidiana), abrangente (interessar ao maior número 
possível de pessoas), ser nova e verdadeira”. (AMARAL, 1997 p. 41).
Este último requisito, a necessidade de a informação ser verdadeira, está cada vez mais distante no falseado jornalismo atual, 
pois deixou de ser preponderante na divulgação de qualquer componente informativo, tanto na chamada grande imprensa 
constituinte da maioria ampla de veículos habitualmente acessados pelo público e até mesmo naqueles que se pretendem 
alternativos da internet, e ainda com mais força nas páginas pessoais e redes sociais.
Contudo o fenômeno chamado agora de fake news não é novo, porquanto vem de longe no tempo. Tanto que o problema 
já era apontado por Luiz Amaral, citando José Julio Gonçalves:
“a falsa notícia é, antes de tudo, uma informação como as outras. Ela desempenha o mesmo papel social. A sua existência é 
possível devido ao fato de que a autenticidade da informação importa pouco à satisfação da necessidade direta de noticias 
e que as relações sociais supõem um mínimo de confiança e de credulidade”. (GONÇALVES, 1962).
O esgarçamento das relações sociais, para o qual contribui de forma relevante o falso jornalismo desenvolvido nos meios 
de comunicação de maior alcance, rompe com aquele mínimo de confiança e de credulidade imprescindível. O conjunto da 
sociedade já não acredita nas informações, nas análises e desconfia muito das opiniões transmitidas pela mídia em seus 
programas e materiais havidos como jornalísticos, e se tornaram comuns as manifestações de insatisfação com o modo de 
agir desses veículos de comunicação, bem como com o que é fornecido por eles. Mas, apesar disso os responsáveis pelo 
jornalismo em óbito parecem não entender.
O panorama é desolador, portanto, e em sua lápide o jornalismo aguarda pela improvável ressurreição, por alguém que 
tenha o poder de vir até ele e dizer: levanta-te.
Referências:
AMARAL, Luiz. Jornalismo: matéria de primeira página. RJ: Tempo Brasileiro, 1997.
ARBEX Jr, José. O Jornalismo Canalha. SP: Casa Amarela, 2003.
DORNELES, Carlos. Deus é Inocente: a imprensa, não. SP: Globo, 2002.
KOTSCHO, Ricardo e DIMENSTEIN, Gilberto. A Aventura da Reportagem. SP. Summus, 1990.
LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística. RJ: Record, 2001.
LAGE, Nilson. Controle da opinião pública: um ensaio sobre a verdade conveniente. RJ: Vozes, 1998.
SERVA, Leão. Jornalismo e desinformação. SP: SENAC, 2001.
JOÃO SOMMA NETO. PROFESSOR DO CURSO DE JORNALISMO DA UFPR E PESQUISADOR ASSOCIADO DO OBJETHOS
Texto III 
Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros
O Congresso Nacional dos Jornalistas Profissionais aprova o presente CÓDIGO DE ÉTICA:
O Código de Ética dos Jornalistas que fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional nas suas relações 
com a comunidade, com as fontes de informação e entre jornalistas. Do Direito à informação
Art. 1° – O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido 
por nenhum tipo de interesse.
Art. 2° – A divulgação da informação, precisa e correta, é dever dos meios de divulgação pública, independente da natureza 
de sua propriedade.
Art. 3° – A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por 
finalidade o interesse social e coletivo.
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Art. 4° – A apresentação de informações pelas instituições públicas, privadas e particulares, cujas atividades produzam 
efeito na vida em sociedade, é uma obrigação social.
Art. 5° – A obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação e a aplicação de censura ou autocensura são um 
delito contra a sociedade.
Da Conduta Profissional do Jornalista
Art. 6° – O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social e de finalidade pública, subordinado ao 
presente Código de Ética.
Art. 7° – O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apura-
ção dos acontecimentos e sua correta divulgação.
Art. 8° – Sempre que considerar correto e necessário, o jornalista resguardará a origem e a identidade de suas fontes de 
informação.
Art. 9° – É dever do jornalista:
– Divulgar todos os fatos que sejam de interesse público;
– Lutar pela liberdade de pensamento e expressão;
– Defender o livre exercício da profissão;
– Valorizar, honrar e dignificar a profissão;
– Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal 
dos Direitos do Homem;
– Combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a infor-
mação;
– Respeitar o direito à privacidade do cidadão;
– Prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria;
Art. 10 – O jornalista não pode:
– Aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com tabela fixada pela sua 
entidade de classe;
– Submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação;
– Frustar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate;
– Concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de 
orientação sexual;
– Exercer cobertura jornalística, pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas onde seja funcionário, as-
sessor ou empregado. Da Responsabilidade Profissional do Jornalista
Art. 11 – O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado 
por terceiros.
Art. 12 – Em todos os seus direitos e responsabilidades, o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da 
categoria.
Art. 13 – O jornalista deve evitar a divulgação dos fatos: – Com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômi-
cas; – De caráter mórbido e contrários aos valores humanos.
Art. 14 – O jornalista deve: – Ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas objeto de acusações não 
comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente demostradas ou verificadas; – Tratar com respeito todas as pessoas 
mencionadas nas informações que divulgar.
Art. 15 – O Jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria, quando 
ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções.
Art. 16 – O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional, em seus aspectos político, econômico e social, e 
pela prevalência da vontade da maioria da sociedade, respeitados os direitos das minorias.
Art. 17 – O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais. Aplicação do Código de Ética
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Art. 18 – As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética.
1° – A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria, por voto secreto, especialmente convocada para 
este fim.
2° – A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato.
Art. 19 – Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalida-
des, a serem aplicadas pela Comissão de Ética:
– Aos associados do Sindicato, de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato;
– Aos não associados, de observação pública, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro 
social do Sindicato.
Parágrafo Único – As penas máximas (exclusão do quadro social, para os sindicalizados, e impedimento definitivo de 
ingresso no quadro social para os não sindicalizados), só poderão ser aplicadas após referendo da Assembléia Geral espe-
cialmente convocada para este fim.
Art. 20 – Por iniciativa de qualquer cidadão, jornalista ou não, ou instituição atingida, poderá ser dirigida representação 
escrita e identificada à Comissão de Ética, para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista.
Art. 21 – Recebida a representação, a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamentada ou, se notadamente incabí-
vel, determinará seu arquivamento, tornando pública sua decisão, se necessário.
Art. 22 – A aplicação da penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista, objeto de representação, sob pena 
de nulidade.
1° – A audiência deve ser convocada por escrito, pela Comissão de Ética, mediante sistema que comprove o recebimento da 
respectiva notificação, e realizar-se-á no prazo de dez dias a contar da data de vencimento do mesmo.
2 ° – O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior ou apresentar suas razões oralmente, 
no ato da audiência.
3° – A não observância, pelo jornalista, dos prazos neste artigo, implicará a aceitação dos termos da representação.
Art. 23 – Havendo ou não resposta, a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas, no prazo mínimo 
de dez dias, contados da data marcada para a audiência.
Art. 24 – Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral, no prazo 
máximo de dez dias corridos, a contar do recebimento da notificação. Parágrafo Único – fica assegurado ao autor da repre-
sentação o direito de recorrer à Assembléia Geral, no prazo de dez dias, a contar do recebimento da notificação, caso não 
concorde com a decisão da Comissão de Ética.
Art. 25 – A notória intenção de prejudicar o jornalista, manifesta no caso de representação sem o necessáriofundamento, 
será objeto de censura pública contra o seu autor.
Art. 26 – O presente Código de Ética entrará em vigor após homologação em Assembléia Geral de jornalistas, especialmen-
te convocada para este fim.
Art. 27 – Qualquer modificação deste Código somente poderá ser feita em Congresso Nacional de Jornalista, mediante 
proposição subscrita no mínimo por 10 delegações representantes de Sindicatos de Jornalistas.
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É IMPORTANTE SABER
I. DADO HISTÓRICO RELEVANTE 
O mais antigo jornal que se tem notícia foi o Acta Diurna, que surgiu por volta de 59 a.C., a partir do desejo de Júlio Cesar 
de informar a população sobre fatos sociais e políticos ocorridos no império, como campanhas militares, julgamentos e 
execuções. As notícias eram colocadas em grandes placas brancas expostas em local de grande acesso ao público. Na China, 
jornais escritos a mão surgiram no século VIII.
A partir da invenção de Gutemberg, em 1447, surgiram os jornais modernos, que tiveram grande circulação entre comer-
ciantes, para a divulgação de notícias mercantis. Havia ainda jornais sensacionalistas escritos a mão, como o que noticiou 
as atrocidades ocorridas na Transilvânia, feitas por Vlad Tsepes Drakul, mais conhecido como Conde Drácula.Em Veneza, o 
governo lançou o Notizie scritte, em 1556, ao custo de uma pequena moeda que ficou conhecida como “gazetta“.
HTTPS://ABIINTER.COM/SALA-DE-IMPRENSA/21-HISTORIA-DO-JORNALISMO
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
A lógica capitalista dominante no negócio jornalismo provoca mudanças nos critérios de noticiabilidade. Os critérios de 
relevância e interesse público cedem lugar para os de interesse do público.
VIRGINIA PRADELINA DA SILVEIRA FONSECA. INDÚSTRIA DE NOTÍCIAS: CAPITALISMO E NOVAS TECNOLO-
GIAS NO JORNALISMO CONTEMPORÂNEO. PORTO ALEGRE: UFRGS, 2008. 310 P.
III. ANALOGIA LITERÁRIA 
A multidão, em frente ao jornal, aumentava sempre. Muitos subiam pedindo informações. A curiosidade era geral; o crime 
impressionara a população. Por essa estranha e misteriosa faculdade das multidões, aquele caso, vulgar um mês antes ou de-
pois, naquele dia tomou a proporção de um acontecimento, de um fato pouco comum. Para atender à impaciência da massa, 
constantemente se telefonava para a polícia. A resposta era a mesma; não havia notícias. O diretor, por detrás da veneziana 
semicerrada, espreitava o poviléu embaixo. Os repórteres chegaram trazendo para a redação a ansiedade das ruas, a emoção 
dos cafés — toda a imprevista vibração da cidade em face daquele fato de polícia quase banal.
LIMA BARRETO. RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA.
IV. CITAÇÃO 
A televisão é a mais espetacular tradução da indústria cultural.
MARIA RITA KEHL, PSICANALISTA BRASILEIRA
V. LEGISLAÇÃO 
Art . 1. É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou ideias, por qualquer meio, e sem 
dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.
HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/LEIS/L5250.HTM
MULTIMÍDIA
I. LER
 Média e Jornalismo – Vários Autores (Conjunto de Artigos)
http://fabricadesites.fcsh.unl.pt/polocicdigital/wp-content/uploads/sites/8/2017/02/mj_2.pdf
II. VER
 Opinião | Desafios do Jornalismo | 15/07/2020
https://www.youtube.com/watch?v=UAc2oeLTyr4
III. OUVIR
 Jornal da USP: Desafios #5 Jornalismo e poder
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PROPOSTA ENEM
Texto I
Ao apreender o papel fundamental que a mídia exerce na sociedade moderna — onde os meios de comunicação, sejam 
eles massivos ou segmentados, assumem o papel da educação informal, contribuindo para a visão de mundodas pessoas 
— os profissionais da imprensa precisam entender melhor a força dos veículos que têm em mãos para usá-los com maior 
responsabilidade. Elucidar o poder da mídia de fazer e desfazer contextos, de montar e desmontar realidades, de destruir e 
construir a temporalidade, de intervir no curso da história.
 MARIA DAS GRAÇAS CONDE CALDAS. ÉTICA E CIDADANIA NA FORMAÇÃO DO JORNALISTA. REVISTA COMUNICAÇÃO E SOCIEDADE. SÃO BERNARDO DO CAMPO, 2005.
Texto II
A grande imprensa, como já está definida pelo nome, é ligada aos interesses daquela classe que pode manter a grande 
imprensa. Na medida em que essa classe está em contradição com a conjuntura nacional, os jornais podem exercer um papel 
de esclarecimento. Mas é preciso não esquecer que esse esclarecimento vai até o nível dos interesses da própria grande 
imprensa. Ela tem interesses peculiares, pertence a pessoas cujos interesses estão ligados a um complexo econômico, político 
e institucional. Mas pode exercer um papel de educação.
CLÁUDIO ABRAMO. A REGRA DO JOGO. O JORNALISMO E A ÉTICA DO MARCENEIRO. COMPANHIA DAS LETRAS. SÃO PAULO.1988.
Texto III
Alguns críticos dizem que as notícias são cada vez mais orientadas para o que interessa à audiência, em vez de para o que 
a audiência precisa de saber. Mas os críticos dessas notícias leves — isto é, centradas em celebridades, escândalos e temas 
de entretenimento — não ficaram sem resposta. Os defensores afirmam que as audiências são o sangue das notícias e que 
sem segurança econômica uma imprensa livre existiria apenas teoricamente. Afirmam que notícias que não sejam vistas ou 
lidas não têm qualquer valor.
THOMAS E. PATTERSON. TENDÊNCIAS DO JORNALISMO CONTEMPORÂNEO. REVISTA DO CENTRO DE INVESTIGAÇÃO MEDIA E JORNALISMO, 2003.
Texto IV
Se no jornalismo praticado em décadas passadas a reportagem podia ser vista como algo que mantinha relação com aventu-
ra a fim de retratar as diversas feições da realidade, no presente, essa relação não é mais possível de ser estabelecida. Muito 
disso deve-se às transformações registradas no próprio fazer jornalístico, causadas sobretudo pela evolução e emprego de 
um aparato tecnológico que a cada dia apresenta mais e mais novidades e instrumentos empregados na concepção dos 
produtos de informação. No entanto, transformações e mudanças, novas técnicas e tecnologias, instrumental, hardwares e 
softwares sempre com maior sofisticação não significam necessariamente aumento de qualidade. Pelo contrário, o que se 
tem observado é a diminuição de excelência, de credibilidade e de mercado.
JOÃO SOMMA NETO. “A MORTE DO JORNALISMO” HTTPS://OBJETHOS.WORDPRESS.COM/ (18.11.2019)
Texto V
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS DESA-
FIOS NA PROMOÇÃO DE UM JORNALISMO RESPONSÁVEL NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que 
respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de 
seu ponto de vista.
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
Há notícias que são de interesse público e há notícias que são de interesse do público. Se a celebridade “x” está saindo com 
o ator “y”, isso não tem nenhum interesse público. Mas, dependendo de quem sejam “x” e “y”, é de enorme interesse do 
público, ou de um certo público (numeroso), pelo menos.
As decisões do Banco Central para conter a inflação têm óbvio interesse público. Mas quase não despertam interesse, a não 
ser dos entendidos.
O jornalismo transita entre essas duas exigências, desafiado a atender as demandas de uma sociedade ao mesmo tempo 
massificada e segmentada, de um leitor que gravita cada vez mais apenas em torno de seus interesses particulares.
FERNANDO DE BARROS E SILVA. “O JORNALISTA E O ASSASSINO” OPINIÃO. HTTPS://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/ (ACESSO EM 20.02.2021)
Texto II
Alguns críticos dizem que as notícias são cada vez mais orientadas para o que interessa à audiência, em vez de para o que 
a audiência precisa de saber. Mas os críticos dessas notícias leves – isto é, centradas em celebridades, escândalos e temas 
de entretenimento – não ficaram sem resposta. Os defensores afirmam que as audiências são o sangue das notícias e que 
sem segurança econômica uma imprensa livre existiria apenas teoricamente. Afirmam que notícias que não sejam vistas ou 
lidas não têm qualquer valor.
THOMAS E. PATTERSON. TENDÊNCIAS DO JORNALISMO CONTEMPORÂNEO. REVISTA DO CENTRO DE INVESTIGAÇÃO MEDIA E JORNALISMO, 2003.
Texto III
A função do jornalismo é informar para formar opiniões. Sejam elas positivas ou negativas, o importante é que essas opiniões 
façam a diferença no dia-a-dia da sociedade. A partir da informação de qualidade, surgirão opiniões divergentes, ou mesmo 
iguais, mas que se complementam e que influenciam nas atividades das pessoas, podendo então resolver problemas que 
pareciam ter efeitos irreversíveis ou até as mais simples dificuldades sociais.
Se uma pessoa quer saber da intimidade de um cantor famoso e ele permite que se divulgue, ou se alguém quer aprender 
certa receita gastronômica, isso pouco deveria importar aos jornais, sejam impressos, televisivos, de rádio ou on-line. Deve-
ria se deixar essa ‘estratégia de marketing’ para os programas de entretenimento, e não ocupar o espaço que deveria ser 
voltado para problemas ‘normais’, que de normais não têm nada, como a miséria, os desabrigados, o abandono de idosos, 
presídios superlotados, entre outros.
RACKEL CARDOSO SANTOS. “JORNALISMO DE QUALIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL” HTTP://WWW.OBSERVATORIODAIMPRENSA.COM.BR/ (ACESSO EM 20.02.2021)
Texto IV
À medida que os jornais se tornaram empresas, a escrita foi despojada de seu valor de uso. O texto e a notícia assumiram 
cada vez mais o caráter de mercadoria. A racionalidade instrumental, predominantemente na produção jornalística, passou 
a privilegiar o pensamento em bloco, que se caracteriza pelo uso de clichês e de fórmulas de expressão apropriadas para 
cozimento rápido e consumo imediato.
JORGE CLÁUDIO RIBEIRO. SEMPRE ALERTA. CONDIÇÕES E CONTRADIÇÕES DO TRABALHO JORNALÍSTICO. BRASILIENSE. SÃO PAULO, 1994
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Texto V
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
JORNALISMO CONTEMPORÂNEO: ENTRE O INTERESSE DO PÚBLICO PELO ENTRETENIMENTO 
E O COMPROMISSO DO JORNALISTA COM A RESPONSABILIDADE SOCIAL
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TEMA VI: A LIBERDADE NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Acervo
Texto I
Liberdade é respeitar as próprias escolhas e o limite dos outros
Embora o conceito tenha se transformado através dos anos, liberdade continua implicando em responsabilidade 
O conceito de liberdade sempre esteve ligado à ideia do livre-arbítrio, ou seja, o poder de decidir sobre o próprio destino. 
Contudo, por mais que a raiz desta concepção permaneça a mesma desde a Grécia Antiga, houve uma grande mudança 
de lá pra cá. “Hoje a liberdade é entendida na esfera individual e não coletiva, ou seja: lança-se o olhar para o indivíduo e 
não mais para o homem inserido na sociedade”, explica a filósofa e professora Adriana Maamari. “Com isso, ao invés de 
liberdade, no singular, passamos a ter liberdades no plural, pois cada indivíduo teria direito a expressá-la”, completa. 
 Hoje, a busca pela liberdade é um caminho para a felicidade, mesmo que fugaz e temporária. “Há uma ideia de que ser livre 
é poder agir para desfrutar de um prazer imediato. Isso se traduz no aparecimento de relações menos estáveis, tanto profis-
sionais quanto pessoais”, acredita a antropóloga e professora Sonia Maria Giacomini. Rogério da Costa Santos, professor 
e doutor em história da filosofia, concorda que ser livre atualmente também significa poder desfrutar dos prazeres da vida 
e do corpo. “Isso era impensável nos primeiros anos do cristianismo, em que a liberdade estava associada à superação das 
tentações da carne e do corpo pecador”, afirma. 
Apesar disso, a liberdade continua restrita à necessidade de se adequar à vida em sociedade. “No contexto social, é livre 
quem exerce sua liberdade até o limite da liberdade alheia”, esclarece Adriana. Quem não se importa com os outros só se 
sentiria mais livre se estivesse vivendo isolado em uma ilha. “Caso contrário, acabaríamos por nos privar da liberdade que 
temos, já que os outros também se sentiriam no direito de exceder os nossos limites”, pondera. 
Considerando que toda ação chama uma reação, fazer o que quer sem pensar nas consequências não torna ninguém mais 
livre nem garante a conquista da felicidade. Exemplo claro disso é o desabafo. “Você pode até falar o que quer para o outro, 
exercitando a sua liberdade de expressão. Porém, desta maneira, estará se tornando um prisioneiro da sua emoção descon-
trolada”, opina o psicólogo e professor Claudio Paixão.
Autoconhecimento é fundamental
Segundo Paixão, só é livre quem conhece a si mesmo e ao mundo em que vive. “Quanto mais conscientes estamos dos 
conflitos internos e, ao mesmo tempo, quanto mais maduros estamos para lidar com a pressão dos outros e da sociedade, 
mais livre seremos. A questão não é não ter limites e restrições, e sim conhecê-los e saber trabalhar dentro deles”, identifica. 
Neste exercício de autoconhecimento não há espaço para o individualismo. “Você precisa do outro para ser você mesmo. O 
mundo de fora proporciona aprendizados e lições, que o fazem tomar consciência dos seus limites e da sua capacidade de 
falhar”, aponta o filósofo e professor Jorge Claudio Ribeiro. Estar bem informado sobre o que acontece de fato no mundo 
também é uma condição essencial para se sentir mais livre. “A informação barata e rasa que algumas mídias transmitem 
mascara o mundo. Com isso, as pessoas enxergam poucas possibilidades para a vida e o futuro, o mundo delas se torna 
pequeno”, justifica. 
A responsabilidade de cada um
Há quem tenha dificuldade para lidar com a liberdade, já que ela traz como consequência a necessidade de se assumir a 
responsabilidade pelos próprios atos. “As pessoas erram mais quando se sentem mais livres. Por outro lado, também apren-
dem com seus erros e, em etapas seguintes, elas acertam mais”, atesta Ribeiro. “A liberdade é um atributo exclusivamente 
humano, que nos lança à condição de incerteza, de capacidade de escolha e de ruptura com um destino predeterminado” 
acrescenta Adriana. 
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A liberdade também é um mau negócio para quem desconhece seus interesses, necessidades e vontades pessoais. Para a 
filósofa, quem não é capaz de decidir sobre os rumos de sua própria vida acaba fazendo escolhas ruins. “Só quando nos tor-
namos senhores da própria consciência e recuperamos a capacidade de raciocínio, discernimento e reflexão sobre as coisas, 
que exercermos positivamente o nosso livre-arbítrio”, finaliza.
MARINA OLIVEIRA E RITA TREVISAN “LIBERDADE É RESPEITAR AS PRÓPRIAS ESCOLHAS E O LIMITE 
DOS OUTROS” HTTPS://WWW.UOL.COM.BR/UNIVERSA (ACESSO EM 22.02.2020)
Texto II
A liberdade
A luta contra o domínio de uns sobre os outros é antiga. Esta é uma batalha pela liberdade, mas também pela igualdade, por 
uma igualdade de liberdades, de oportunidades, de raças, de géneros, de acesso à educação, saúde e justiça.
O que é a liberdade?
Na Wikipédia encontramos a seguinte definição: “liberdade é, em geral, a condição daquele que é livre; a capacidade de 
agir de si mesmo; autodeterminação; independência; autonomia. Pode ser compreendida sob uma perspetiva que denota a 
ausência de submissão e de servidão, própria da liberdade política, mas também se pode relacionar com a questão filosófica 
do livre arbítrio. Liberdade é a revolta do indivíduo contra todo tipo de autoridade, divina, coletiva ou individual”.
Mas será a liberdade realizarmos a nossa vontade a cada momento? Ou será uma conquista repleta de momentos de cons-
trangimento, fundamentais para vivermos outros de plena liberdade? Será que, como disse Léon Tolstoi, a liberdade não é 
um fim, mas uma consequência?
Muitos lutaram e morreram por mais liberdade, por exemplo Che Guevara, crente no seguinte pensamento: “Sonha e serás 
livre de espírito. Luta e serás livre na vida”.
Para Gandhi “a prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua, existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma 
questão de consciência”.
Exercemos a liberdade através das nossas escolhas, mas nos primeiros anos das nossas vidas fazemos muito poucas esco-
lhas. Não escolhemos como vamos nascer ou como vamos ser. Não escolhemos a cor da pele, dos olhos ou do cabelo. Não 
escolhemos a nossa saúde, a nossa força, ou a nossa maneira de andar e de falar. E não escolhemos a família ou o lugar 
onde crescemos, ou tão pouco a escola em que acabamos por inicialmente estudar. Não escolhemos quase nada, e às vezes 
é tão bom não ter de escolher.
Com o passar do tempo começamos a ficar cada vez mais senhores da nossa vida e a ter de escolher. Escolher a roupa, os 
amigos, o clube, o desporto, o partido político, a área de estudo, o primeiro carro, a universidade, o primeiro trabalho, o amor, 
a primeira casa.
Em cada escolha podemos perguntar-nos porquê e se a razão for forte tudo se tornamais claro, mais puro, com mais sentido, 
unindo a nossa consciência às nossas ações.
Mas cada escolha, por mais livre e boa que seja, pode também tornar-se numa prisão. Seja um casamento, um emprego, 
um filho, o dinheiro, a política, um hobby ou um objetivo grandioso. Escolhemos uma casa e ficamos parcialmente presos 
a ela. Escolhemos alguém para casar e ter um filho e esse compromisso impede-nos de fazermos mil coisas. Estará a nossa 
liberdade limitada a escolher as prisões em que queremos viver?
Para Einstein, a liberdade individual não é absoluta porque “todos agem não apenas sob um constrangimento exterior, mas 
também de acordo com uma necessidade interior”.
Se para uns a liberdade poderá ser um sentimento espontâneo, porventura sentido junto ao mar, ao observar as gaivotas a 
voar enquanto os raios do sol aquecem o corpo e o som das ondas acalma o espírito, para outros será uma conceção ideo-
lógica, filosófica e intelectual, apenas vivida em circunstâncias específicas, inerentes a um conjunto de fatores e condições, 
elas próprias quiçá causadoras de falta de liberdade para outros.
O que nos leva a outras perguntas. Quais serão as nuances da liberdade individual e de uma sociedade livre? Como se 
relacionam estas duas realidades? Quanta da nossa liberdade estamos dispostos a conceder para que um Estado defina as 
leis e normas em que devemos viver?
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Muitos, incluindo filósofos, poetas, intelectuais, políticos e economistas já escreveram sobre a liberdade. Para Epicteto para 
termos liberdade devemos desprezar as coisas que não dependem de nós. Ou seja, somos livres quando nos esquecemos 
de todos os condicionalismos. Para Jean Paul Sartre ser livre não é fazer aquilo que se quer, mas querer aquilo que se pode.
Já Simone de Beauvoir considerava que somos indivíduos livres e a nossa liberdade condena-nos a tomarmos decisões du-
rante toda a nossa vida. Mas como não existem valores ou regras eternas, a partir das quais nos podemos guiar, isso torna 
ainda mais importantes as nossas decisões e as nossas escolhas, pois as mesmas têm consequências.
Eu que amo a liberdade tendo a concordar com Simone de Beauvoir, pois para mim a liberdade deve ser sempre associada à 
noção de responsabilidade, porque ser livre implica agir em consciência, assumindo os nossos atos e respondendo por eles.
De certa forma, o ser humano completamente isolado não poderá experienciar a sua liberdade plena, nomeadamente a 
social, precisando da interação com outros para se desenvolver. Por esse motivo, para analisarmos a liberdade temos de a 
pensar num contexto de sociedade, de reciprocidade, e de interação.
A ideia popular de que a nossa liberdade termina onde começa a do outro é elementar e revela a sabedoria típica dos pro-
vérbios. No entanto esta não concretiza esses limites, muito menos os da atuação de um Estado soberano e das implicações 
da lei.
Esses limites e liberdades civis, que protegem o indivíduo do poder do Estado, estabelecendo os limites da sua interferência 
na vida privada dos cidadãos são, entre outros, a liberdade de consciência, a liberdade religiosa e de expressão; a liberdade 
de associação e de reunião, o direito à privacidade, o direito a um processo legal equitativo e a um julgamento justo, o direito 
de possuir propriedade, o direito de se defender a si mesmo, o direito de não ser torturado e de não sofrer um desapareci-
mento forçado, a liberdade de imprensa, a igualdade perante a lei, o direito à vida, o direito à integridade corporal, os direitos 
reprodutivos e o casamento civil.
A Constituição dos EUA consagra alguns desses direitos, iniciando-se da seguinte forma: “Nós, o povo dos Estados Unidos, 
a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a justiça, assegurar a tranquilidade interna, prover a defesa comum, 
promover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os benefícios da Liberdade, promulgamos e 
estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América.”
Na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América considera-se ainda um direito a busca pela felicidade: 
“Consideramos que essas verdades são evidentes, que todos os homens são criados igualmente, que são dotados de certos 
direitos inalienáveis, concedidos pelo Criador, entre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade”.
Também a Constituição da República Portuguesa menciona a liberdade como valor fundamental: Preâmbulo: “A 25 de 
Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus 
sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou 
uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos 
Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do 
povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país. A Assembleia Constituinte afirma 
a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, 
de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir 
caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país 
mais livre, mais justo e mais fraterno. A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova 
e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa: Princípios fundamentais: Artigo 1.º Portugal é uma República 
soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade 
livre, justa e solidária”.
A Constituição da República Portuguesa, tal como a americana, transparece os ideias de liberdade, justiça, bem-estar e igual-
dade. Mas se a segunda fala no direito à busca da felicidade a primeira menciona o caminho para uma sociedade socialista.
Assim, surgem outras questões: Quais os sistemas políticos, ideológicos e econômicos que maximizam a liberdade para 
todos? Será possível ser-se livre numa sociedade pouco livre, sem valores, leis e instituições fortes? Como se relaciona a 
liberdade com os ideais de democracia, igualdade, verdade e justiça?
Historicamente sabemos que a abolição da escravatura e o derrubar das monarquias e ditaduras foram conquistas claras de 
liberdade. Sabemos que o lema da revolução francesa foi liberdade, igualdade e fraternidade, considerado um tripé porque se 
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um dos pés fosse derrubado os outros tambémcairiam. Nesse início da luta pela democracia em França verificamos a junção 
da ideia de liberdade a uma certa igualdade e fraternidade, esta última expressa também no primeiro artigo da Declaração 
Universal dos Direitos do Homem: “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de 
razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
John Locke, considerado por muitos o Pai do liberalismo, defendeu a ideia de um contrato social no qual cada homem tem 
um direito natural à vida, liberdade e propriedade, e que os governos não devem violar tais direitos.
Para Alexis de Tocqueville a “democracia amplia a esfera da liberdade individual, o socialismo limita-a. A democracia atribui 
todo o valor possível de cada homem; o socialismo faz de cada homem um mero agente, um mero número. A democracia e 
o socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualdade. Com uma grande diferença: enquanto a democracia 
procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade no controle e na servidão”.
O socialismo e o comunismo distinguem-se do liberalismo ao se oporem ao capitalismo e ao restringirem o direito à plena 
propriedade privada, pressupondo que os principais recursos da economia devam ser de propriedade coletiva.
Se inicialmente o liberalismo foi uma ideia precursora no combate ao autoritarismo e absolutismo, incluindo monárquico, 
este evoluiu para outros conceitos, nomeadamente o da social democracia ou socialismo liberal, um equilíbrio entre libera-
lismo e socialismo, que pretende conjugar a liberdade individual e o direito à propriedade com os conceitos de justiça social 
e combate às desigualdades.
Efetivamente, a liberdade de mercado absoluta e sem regras, poderá colocar em causa o equilíbrio de poderes, passando a 
aplicar-se a lei do mais forte, o domínio do capital sobre o trabalho, prejudicando a liberdade da maioria das pessoas.
Mas se uma economia puramente capitalista poderá ser criticada por dar aos proprietários dos meios de produção um poder 
abusivo, também uma economia coletivista pressupõe um Estado e um Governo todo poderoso, potencialmente limitador 
das liberdades individuais.
O ponto de equilíbrio será sempre difícil de definir, mas hoje, no nosso mundo europeu, social-democrata, português, acredito 
veementemente que a nossa liberdade está realmente assente em pilares de democracia, justiça, equidade, segurança, paz, 
educação e saúde.
Foi por esses valores intransponíveis que muitos países, em especial na Europa, caminharam para uma realidade mais social, 
com impostos elevados, Estados pesados, serviços públicos assegurados e vários sistemas de proteção sociais garantidos.
A busca de um equilíbrio pressupõe também um sistema judiciário independente, leis, incluindo as laborais, equilibradamen-
te protetoras, uma regulação de mercado eficaz, uma justa redistribuição de rendimentos e claro a liberdade de imprensa e 
de expressão.
Para maximizar a liberdade será também importante assegurar oportunidades iguais para todos, especialmente para os mais 
desfavorecidos, seja física, económica, social ou mentalmente.
Mas que outros fatores serão críticos para uma sociedade ser livre? Que liberdades estão ainda por conquistar? Faz sentido 
limitar a nossa liberdade de nos drogarmos, de termos mais do que um casamento, de decidirmos sobre a nossa morte, de 
nos prostituirmos, de mudarmos de sexo ou de nome?
Como já vimos a luta contra o domínio de uns sobre os outros é antiga. Esta é uma batalha pela liberdade, mas também pela 
igualdade, por uma igualdade de liberdades, de oportunidades, de raças, de géneros, de acesso à educação, saúde e justiça.
Assim a liberdade estará por conquistar na sua plenitude enquanto a democracia, a educação, a saúde, a segurança e a 
justiça não chegar a todos da mesma forma e assim condicionar a vontade humana de muitos.
Da mesma forma haverá liberdade por conquistar enquanto o Estado ocupar um papel demasiado paternalista e interventor 
na sociedade, sendo pouco eficaz e eficiente ou controlado por interesses que não o bem comum.
A luta pela liberdade tem de continuar enquanto não estiver plenamente conquistada a igualdade de género, a igualdade 
racial, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade religiosa.
Também as alterações climáticas, as restrições à mobilidade, o acesso à energia, a garantia da privacidade num mundo digi-
tal são temas muito importantes, sobre os quais nos devemos preocupar quando pensamos na nossa liberdade.
Para além das liberdades individuais estão ainda por conquistar muitas liberdades entre nações, nomeadamente a livre 
circulação de bens, serviços, pessoas e capitais.
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Num mundo global, cada vez mais complexo e dinâmico, as economias mundiais estão em competição direta.
Essa competição leva as nações a uma reação política que pretende evitar a todo o custo o empobrecimento da qualidade 
de vida das pessoas, mas também pretende perpetuar um determinado poder instalado.
Se por um lado a redução do peso do Estado na economia, nomeadamente cortando na administração pública e nas regalias 
sociais, poderá permitir baixar impostos e tornar as economias mais competitivas, essa manobra também poderá colocar em 
causa as premissas da liberdade.
Da mesma forma será crucial investir em educação porque sem um povo educado, trabalhador, cumpridor, ético, e responsá-
vel será difícil manter a liberdade, uma vez que esta só sobreviverá com uma coexistência pacifica entre indivíduos e nações.
Nesse âmbito será importante nunca desistirmos de pensar em novos modelos e programas de educação que libertem mais 
as nossas capacidades, nomeadamente criativas e intelectuais, mas também emocionais e democráticas.
A liberdade também está associada a assuntos polêmicos como a eutanásia, o aborto, a legalização das drogas leves e da 
prostituição. Ao analisarmos estes temas devemos sempre pensar nas consequências que uma escolha individual livre tem 
para a sociedade como um todo, medindo prós e contras num debate profundo.
Termino, citando Fernando Pessoa: “Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a 
liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz 
ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis. Na cadeira, aonde 
me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído”.
NUNO MEDEIROS CARRAPATOSO. “A LIBERDADE” HTTPS://OBSERVADOR.PT/OPINIAO/(16.02.2020)
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É IMPORTANTE SABER 
I. DADO HISTÓRICO RELEVANTEA liberdade passou a ser um importante valor nas sociedades contemporâneas principalmente a partir do surgimento do 
movimento iluminista e da Revolução Francesa, de 1789, inspirada em suas ideias liberais e racionalistas. Os iluministas 
criticavam o absolutismo – regime político em que o(a) rei/rainha tem o poder absoluto dentro do país. Esse regime estava 
vigente na maior parte de seus territórios, na época, e reprimia a voz do povo, proibindo-o, em muitos casos, de se manifestar 
contra o governo.
“LIBERDADE POLÍTICA: TEMOS AUTONOMIA PARA AGIR? ”HTTPS://WWW.POLITIZE.COM.BR/ (14.09.2017)
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
A liberdade também é um mau negócio para quem desconhece seus interesses, necessidades e vontades pessoais. Para a 
filósofa e professora Adriana Maamari, da Universidade Federal de São Carlos, quem não é capaz de decidir sobre os rumos 
de sua própria vida acaba fazendo escolhas ruins. “Só quando nos tornamos senhores da própria consciência e recuperamos 
a capacidade de raciocínio, discernimento e reflexão sobre as coisas, que exercermos positivamente o nosso livre-arbítrio”, 
finaliza.
MARINA OLIVEIRA E RITA TREVISAN “LIBERDADE É RESPEITAR AS PRÓPRIAS ESCOLHAS E O LIMITE DOS OUTROS” 
HTTPS://WWW.UOL.COM.BR/UNIVERSA. ADAPTADO. (ACESSO EM 22.02.2020)
III. ANALOGIA LITERÁRIA 
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
(...)
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. A FLOR E A NÁUSEA.
IV. CITAÇÃO 
A) Não existe caminho fácil para a liberdade. Sabemos que nenhum de nós consegue, sozinho, alcançar o sucesso. Devemos, 
portanto, atuar juntos, como um povo unido, para a reconciliação nacional, para a construção da nação, para o nascimento 
de um novo mundo. Que haja justiça para todos. Que haja paz para todos. Que haja trabalho, pão, água e sal para todos. Que 
cada um de nós saiba que o seu corpo, a sua mente e a sua alma foram libertados para se realizarem. Nunca, nunca, nunca 
mais deixaremos esta bela terra voltar a experimentar a opressão de uns sobre outros. Vamos deixar a liberdade reinar”.
NELSON MANDELA, LÍDER SUL-AFRICANO E EX-PRESIDENTE DO PAÍS. LUTOU CONTRA O REGIME RACISTA E SEGREGACIONISTA DO APARTHEID.
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B) Todos os homens se acham naturalmente em estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes às ações e regular-lhes as 
posses e as pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender 
da vontade de qualquer outro homem.
JOHN LOCKE, FILOSOFO CONTRATUALISTA INGLÊS. 
V. LEGISLAÇÃO 
Art . 1º É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou ideais, por qualquer 
meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.
HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/LEIS/L5250.HTM
VI. DIREITOS HUMANOS
Todos os seres humanos têm direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, 
ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
MULTIMÍDIA
I. LER
 A liberdade de limitar-se: psicanálise e teoria do poder – Christian Dunker 
https://blogdaboitempo.com.br/2017/08/23/a-liberdade-de-limitar-se-psicanalise-e-teoria-do-poder/
 Discurso sobre a servidão voluntária − Étienne De La Boetie. 
 O que é Liberdade − Caio Prado Júnior 
 O direito da liberdade – Axel Honneth
 A liberdade é uma luta constante – Angela Davis
II. VER
 Freud hoje: repensar a liberdade depois do inconsciente – Vladimir Safatle 
(https://www.youtube.com/watch?v=AWzdIDOzCyY)
III. OUVIR
 PODCAST – Christian Dunker: ‘É Limitado nosso uso da liberdade’ (Revista Gama)
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PROPOSTA ENEM
Texto I
Quem diz o que pensa, o que quer e quando quer, precisa saber que, numa sociedade democrática e plural, é essencial ter 
em conta as diferentes moralidades, adotando a prática de deferência à alteridade (colocar-se no lugar do “outro”) ao falar.
À ampla liberdade de expressão corresponde absoluta responsabilização pelas opiniões emitidas. Todavia, muita gente, 
equivocadamente, só entende a liberdade de expressão em sua face do direito de dizer, falar e agir como bem lhe aprouver, 
fazendo de conta que a responsabilidade por palavras e atos significa sempre censura descabida.
FATIMA OLIVEIRA. “SOBRE O CONTROLE SOCIAL E ÉTICO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO” HTTPS://WWW.OTEMPO.COM.BR/ (11.10.2011)
Texto II
Kant dizia que um bom critério para saber se nossos atos são verdadeiramente éticos é perguntarmos se poderíamos contar 
aquilo para qualquer um. A liberdade de expressão não deveria ser apenas um direito, juridicamente defendido, cujo único 
oposto é a censura e a restrição da palavra, mas antes disso a uma conjectura ética e política. Por isso é por meio da liber-
dade de expressão que criamos novas formas de dizer e de pensar, que ampliam o que entendemos e praticamos como 
liberdade. Quando a democracia se expande, tornando-se mais e mais inclusiva, a liberdade de expressão é positiva. 
Quando a democracia se torna restritiva, alcançando menos pessoas, a liberdade de expressão torna-se pretexto para ofen-
der outros e legitimar violência. É nesta paisagem que a restrição da liberdade é feita para manter a autoridade constituída e 
não para criar novas formas de autoridade. Nesse mesmo cenário vamos nos acostumando a tratar a liberdade de expressão 
como direito, adquirido e possuído, a ser defendido e preservado, e menos como uma experiência ética.
CHRISTIAN DUNKER “A ÉTICA POR TRÁS DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO”. HTTPS://EPOCA.GLOBO.COM/ (22/04/2019)
Texto III
Você sabe a diferença entre liberdade de expressão e 
discurso de ódio? Não tem problema, a gente explica! 
A liberdade de expressão, segundo a Constituição Fede-
ral (art. 5°, inciso IV) é o direito de livre manifestação do 
pensamento, desde que não seja de forma anônima. Ela 
está intimamente ligada à autonomia do cidadão perante 
a sociedade e o Estado. Já o discurso de ódio é a promoção 
e a manifestação de discriminação, hostilidade e violência. 
Na maioria dos casos, édirigido a determinada pessoa ou 
grupo por suas características étnicas, raciais, sexuais, reli-
giosas e culturais. 
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. 
WWW.FACEBOOK.COM.BR (04.06.2018)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com 
base nos conhecimentos construídos ao longo de sua for-
mação, redija um texto dissertativo-argumentativo em mo-
dalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema 
O USO ÉTICO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO 
BRASIL, apresentando proposta de intervenção que res-
peite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, 
de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa 
de seu ponto de vista.
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
A contemporaneidade promove e incentiva cada vez mais a liberdade individual. Contudo a autêntica e legítima liberdade 
pode ser muito prejudicial aos projetos neoliberais de controle e dominação. Diante desse dilema, nota-se que a liberdade 
se perdeu ou se transformou e vive sob a influência direta da ideologia dominante que delibera sobre o futuro econômico 
e social do mundo.
Nesse cenário, surgem os novos indivíduos, ou simplesmente os neoindivíduos que, por se fecharem acriticamente na sua 
hiperindividualidade egoísta, são parte das engrenagens dessa ideologia totalitária e, assim, colaboram com a opressão, 
distanciando-se de se libertarem pela razão e pela crítica reflexiva.
A LIBERDADE NA MODERNIDADE LÍQUIDA. WWW.JUSBRASIL.COM.BR (ACESSADO EM 20.02.2021)
Texto II
Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
“Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?”
(...)
Ó vitórias, festas, flores
das lutas da Independência!
Liberdade – essa palavra,
que o sonho humano alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!
ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA. CECÍLIA MEIRELES.
Texto III
JOHN HOLCROFT. HTTP://WWW.JOHNHOLCROFT.COM 
(ACESSADO EM 20.02.2021)
Texto IV
Há mais de meio século, as Nações Unidas (ONU) aprovaram a Declaração Universal dos Direitos do Homem. E, até hoje, 
não há documento internacional mais citado e elogiado.
No entanto, nessa altura, parece-me evidente que a Declaração falta muito mais do que aquilo que tem. Nos trinta artigos 
da Declaração, a palavra liberdade é a que mais se repete. A liberdade de trabalhar, receber salários justos e fundar sindica-
tos. Mas são cada vez mais numerosos os trabalhadores que, hoje em dia, não têm sequer a liberdade de escolher o tempero 
com que serão devorados. 
A Declaração proclama, a realidade trai. Ninguém poderá suprimir nenhum destes direitos, assegura o artigo 30, mas há 
alguém que bem poderia comentar: ‘Não vê que eu posso?’. Alguém, ou seja: o sistema universal de poder, sempre acom-
panhado pelo medo que infunde e pela resignação que impõe.
EDUARDO GALEANO. “NEM DIREITOS NEM HUMANOS” IN: O TEATRO DO BEM E DO MAL. SÃO PAULO. LPM POCKET, 2003. ADAPTADO.
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Texto V
Não há de se aceitar como destino o que a liberdade promete e não realiza. Esse infortúnio tem de ser combatido com 
resistência. Para isso, deve-se pensar o existente em suas possibilidades traídas e esquecidas e refletir sobre a liberdade e 
a felicidade como negação determinada. Resistir significa enfrentar aquilo que leva à impotência, reconhecer e combater 
as causas do sofrimento e do medo. A resistência inclui o desvelamento das contradições que inviabilizam a liberdade e 
a felicidade. A maquiagem da realidade ou a ideia de um homem ideal não garantem a concretização dessas dimensões 
humanas. O reconhecimento da realidade, mesmo que esta seja cruel, e o fortalecimento do indivíduo para lidar com as 
forças contrárias são as condições necessárias para levá-lo à autodeterminação, prerrogativa fundamental para a conquista 
da liberdade e da felicidade.
JULIANA DE CASTRO CHAVES “ A LIBERDADE E A FELICIDADE DO INDIVÍDUO NA RACIONALIDADE DO TRABALHO NO CA-
PITALISMO TARDIO: A (IM)POSSIBILIDADE ADMINISTRADA” TESE DE DOUTORADO. PUC-SP, 2001.
Texto VI
Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio. São, pois, os 
povos que se deixam oprimir, que tudo fazem para serem esmagados, pois deixariam de ser no dia em que deixassem de 
servir. É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de 
liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios. Se fosse difícil recuperar a liberdade 
perdida, eu não insistiria mais; haverá coisa que o homem deva desejar com mais ardor do que o retorno à sua condição 
natural, deixar, digamos, a condição de alimária e voltar a ser homem? Mas não é essa ousadia o que eu exijo dele; limito-me 
a não lhe permitir que ele prefira não sei que segurança a uma vida livre. (...)
Muitas vezes perdem a liberdade porque são levados ao engano, não são seduzidos por outrem, mas sim enganados por si 
próprios.
ÉTIENNE DE LA BOÉTIE. DISCURSO SOBRE A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA. SÃO PAULO: EDIPRO
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
É POSSÍVEL SER LIVRE NO MUNDO CONTEMPORÂNEO?
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TEMA VII: O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO NO BRASIL
Acervo
Texto I
Brasil: os gigantescos desafios na indústria e tecnologia
Investimentos públicos podem ser três vezes menores que os de 2014. Pólos de inovação são sucateados; pesquisas cruciais 
à Indústria 4.0, descontinuadas. Danos do ataque à infraestrutura produtiva tendem a se prolongar por muitos anos
O enfrentamento dos desafios da Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0) pressupõe investimentos crescentes em ciência 
e tecnologia. Para se sair bem no processo o Brasil precisaria estarinvestindo, permanentemente, bilhões de reais em pes-
quisa e inovação industrial. No entanto, o orçamento disponível para investimentos do Ministério da Ciência, Tecnologia e 
Inovações (MCTI) para o ano passado foi de apenas R$ 3,7 bilhões, e a proposta do governo para 2021 é reduzir ainda mais 
esse valor, chegando a R$ 2,7 bilhões. Em 2014, o mesmo orçamento, sem correção monetária, foi de 8,4 bilhões, mais do 
que o triplo.
Os danos que os cortes do orçamento em ciência e tecnologia causam para o país permanecerão por muitos e muitos 
anos. Na pesquisa, por exemplo, com os cortes orçamentários a partir de 2016, equipes se desmontaram e aprofundou-se 
a chamada “fuga de cérebros”, cientistas e pesquisadores que vão morar em outros países em busca de oportunidades de 
trabalho e de continuidade em seus estudos. A evasão de cientistas ocorre por motivos financeiros, falta de oportunidades, 
e até políticos, em função do fechamento dos poucos espaços democráticos na sociedade, fenômeno que o golpe de 2016 
acelerou. É bom lembrar que ciência séria não convive bem com obscurantismos e semelhantes.
O corte de orçamento em ciência e tecnologia desde 2016 afetou pesquisas da indústria de nanotecnologia e os estudos 
de genética, que vinham recebendo apoio das fundações estaduais de pesquisa, especialmente na área de commodities 
agrícolas, e desenvolvidos pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A política dos golpistas, de des-
truição da ciência e tecnologia não está sendo cometida apenas por estupidez (que, inegavelmente, é muito grande). É um 
plano. É uma política deliberada, que está destruindo o que o Brasil construiu nessas áreas, sempre à duríssimas penas. Uma 
das primeiras ações do golpe de Estado foi a interrupção do programa de enriquecimento de urânio e de todas as demais 
etapas do ciclo do combustível nuclear. O Brasil estava desenvolvendo uma das mais bem-sucedidas experiências mundiais 
na viabilização, com tecnologia nacional, do desenvolvimento e instalação nuclear para submarinos, incluindo a fabricação, 
no Brasil, de todos os equipamentos e componentes. O Brasil vinha também desenvolvendo o mais moderno programa de 
construção de centrais nucleares e armazenamento de rejeitos. Desmontaram todos esses projetos, e de caso pensado. A 
operação Lava Jato, que à altura todos sabem que foi criminosa, prendeu, inclusive, o vice-almirante Othon Silva, cientista 
e o grande cérebro brasileiro na área de tecnologia nuclear. Foi a primeira prisão da Lava Jato, pelo menos de pessoa tão 
importante, logo no início, ainda em julho de 2015.
Desde 2016 estão cortando criminosamente o orçamento das universidades públicas. O Brasil precisaria formar profissionais, 
na Engenharia de Computação, nas Ciências da Computação, e outras áreas, profissionais que são formados em número 
insuficiente. Nesse processo as universidades têm papel fundamental. A principal função da universidade é formar pessoas 
bem preparadas do ponto de vista básico. Outra função essencial das universidades é a pesquisa, que estão matando à 
míngua. O país precisa muito de ciência e pesquisa acadêmica, agora mais do que nunca. Desenvolvimento conectado, é 
claro, com o processo produtivo, de forma que se transforme em conquistas concretas na indústria e no processo produtivo 
de uma forma geral.
Em função da destruição da indústria nacional, que já vem em um processo de encolhimento há décadas, (hoje representa 
menos de 10% do PIB) o grande capital internacional aprofundou a apropriação desse vazio em nosso mercado interno. 
Grandes empresas internacionais dominam setores estratégicos de bens industrializados com tecnologia de ponta, com 
grandes lucros. Um simples estudo das quinhentas maiores empresas que atuam no Brasil revela o dramático nível de inter-
nacionalização da economia brasileira.
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Segundo a revista Forbes, das 500 maiores empresas do mundo em 2019, 62% se originam em quatro países (EUA, China, 
Japão e França). Só os EUA é o país-sede de 128 grupos, representando mais de ¼ do total. O país de origem das grandes 
empresas mundiais é sempre uma boa referência para saber a posição do país do aspecto do desenvolvimento. Das 500 
maiores empresas do mundo apenas oito são brasileiras, de acordo com o ranking Fortune 500, o que diz muita coisa sobre 
o nosso (sub) desenvolvimento.
Isto significa que, apesar de o Brasil ser a 10ª economia do mundo, sedia apenas 1,6% das 500 maiores empresas do mun-
do. Não por coincidência, a primeira empresa brasileira, com a 74ª colocação no mundo, a Petrobrás, foi a empresa-alvo da 
operação Lava Jato. Observe-se que das oito empresas brasileiras que constam da lista da Forbes três são estatais, na mira 
da privatização. É uma situação desesperadora.
Por conta da internacionalização da economia, e da pouca expressão das empresas brasileiras no ranking global, o grosso 
da indústria não tem os centros decisórios e tecnológicos localizados no Brasil. O país é importador de tecnologias de fora. 
Quando ocorre uma mudança tecnológica, como agora com a 4ª Revolução Industrial, o Brasil fica para trás. Foi assim com 
a eletrônica, pois o país não conseguiu entrar com força no desenvolvimento de produtos nessa área. O fato de não haver 
centros de desenvolvimento de tecnologias no Brasil implica que o grau de inovação é mais baixo e, se o grau de inovação 
é mais baixo, a produtividade é menor, a dinâmica da indústria é menor e assim por diante. (...)
JOSÉ ÁLVARO DE LIMA CARDOSO“ BRASIL: OS GIGANTESCOS DESAFIOS NA INDÚSTRIA E TECNOLOGIA” HTTPS://OUTRASPALAVRAS.NET/ (22.02.2021)
Texto II
ONU alerta que América Latina não está preparada para tecnologia do futuro 
Os Estados Unidos, Suíça e Reino Unido são, nesta ordem, os países mais bem preparados para novas e emergentes tecno-
logias, como inteligência artificial (IA) ou big data, de acordo com um índice apresentado nesta quinta-feira pelas Nações 
Unidas onde a América Latina, com Brasil e Chile na liderança, ocupa posições discretas. O Brasil ocupa a 41ª posição em 
uma classificação de 158 economias elaborada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento 
(Unctad), onde o Chile ocupa a 49ª posição, o México (57ª), Costa Rica (61ª), Argentina (65ª) e Panamá (678), sendo os 
países latino-americanos mais bem colocados. 
Na parte inferior da região estão a Nicarágua (que ocupa o 125° lugar no índice global), Honduras (122°), Bolívia (116°) e 
El Salvador (106°), enquanto a Colômbia está em 78°, o Peru está em 89° e a Venezuela em 99°. 
Nos primeiros lugares, destacam-se economias como Coreia do Sul (7°), Alemanha (9°), França (13°), Japão (18°) ou Es-
panha (21°), enquanto China e Índia, apesar de liderarem em pesquisa e desenvolvimento, estão na 258 e 438 posições, 
respectivamente, devido a deficiências em telecomunicações. 
A classificação foi feita medindo cinco variáveis: pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias, situação da indústria 
local de telecomunicações, capacitação para novos setores, facilidades de financiamento dos mesmos e implantação geral 
dessas indústrias no país. 
O índice faz parte de um relatório em que a Unctad analisou não apenas o futuro da IA e o gerenciamento de grandes 
bancos de dados, mas também de setores como internet das coisas, blockchain, redes 5G, impressão 3D,robótica, drones, 
edição de genes, nanotecnologia e fotovoltaica. 
A Unctad estima que esses setores constituíam um mercado de US$ 350 bilhões em 2018 que em meados desta década 
quase poderia se multiplicar por US$ 10 a US$ 3,2 trilhões (dos quais, 1,5 trilhão na internet das coisas e 500 bilhões na 
robótica). 
A organização quer sublinhar com seu estudo que as novas tecnologias estão aumentando o fosso econômico entre os 
países desenvolvidos e em desenvolvimento, como vem acontecendo desde que sucessivas revoluções industriais mudaram 
periodicamente os fundamentos da economia durante 250 anos. 
“É fundamental que os países em desenvolvimento não percam a onda de tecnologias de ponta, senão as desigualdades 
se aprofundarão ainda mais”, disse a secretária-geral da Unctad, Isabelle Durant, que pediu às sociedades e empresas um 
melhor preparo para reduzir a lacuna. 
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O relatório também destaca que, ao lado das enormes oportunidades nesses setores nascentes, surgem grandes desafios, 
como o risco da automatização assumir empregos em grande escala e, ao mesmo tempo, reduzir os direitos trabalhistas. 
O estudo enfatiza que os governos têm um papel fundamental a desempenhar na preparação do caminho para as tec-
nologias, especialmente na criação de um ambiente propício e “garantindo que os benefícios dessas tecnologias sejam 
compartilhados por todos”. 
ONU ALERTA QUE AMÉRICA LATINA NÃO ESTÁ PREPARADA PARA TECNOLOGIA DO FUTURO. HTTPS://ECONOMIA.UOL.COM.BR (25.02.2021)
Texto III
Cinco fatores que distanciam o Brasil da fronteira tecnológica
Brasil toca a fronteira tecnológica em alguns setores, mas o país ainda se caracteriza pelo baixo investimento em ciência, 
tecnologia e inovação.
Até mesmo os setores econômicos mais destacados do Brasil em pesquisa e desenvolvimento passam longe de alcançar 
a fronteira traçada pelos países mais avançados em tecnologia e inovação. A conclusão é de um levantamento elaborado 
por pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e do Núcleo de Economia Regional e Urbana da 
Universidade de São Paulo (Nereus-USP). O trabalho é de Milene Tessarin e Paulo Morceiro e toma por base uma classifica-
ção elaborada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para avaliar o nível de pesquisa e 
desenvolvimento tecnológico.
A distância se impõe e para delinear esse panorama, a pesquisadora relaciona os segmentos que aparecem no topo da P&D 
brasileira. Segundo Milene Tessarin, equipamentos de transporte (setor que inclui a aviação regional) recebe investimentos 
de 10,7% no Brasil, o mais alto entre os setores produtivos nacionais, mas que representa apenas a metade da fatia in-
vestida na OCDE, de 20,4%. Em equipamentos de informática e produtos eletrônicos, o Brasil investe cerca de 10% contra 
24,1% na média dos países da organização.
Descendo na tabela, há gaps ainda maiores: em desenvolvimento de softwares, a OCDE injeta perto de 29% do PIB do 
setor em P&D e o Brasil apenas 4,5%; a indústria farmacêutica da OCDE tem média de quase 28% de investimentos contra 
módicos 5% no Brasil e “até a indústria automobilística que sempre foi incentivada pela política industrial no Brasil investe 
6% do PIB em P&D” pontua Tessarin; na OCDE o investimento é de 15,4%.
Apesar do recorte feito para a pesquisa, Tessarin enfatiza que a restrição de investimento não fica restrita a P&D e tem 
“custo alto a longo prazo”. A avaliação da pesquisadora é de que sem investimento “as estruturas se tornam defasadas 
e, consequentemente, aumenta o custo de produção (desde logística até com manutenção de máquinas e equipamentos 
tecnologicamente defasados), o que reduz a competitividade”.
Cenário traçado, Mirele Tessarin listou para a Gazeta do Povo cinco fatores que ajudam a explicar o baixo investimento 
brasileiro em ciência, tecnologia e inovação:
1. Características da economia local
Mais de 80% da P&D realizada no mundo fica concentrada em alguns poucos setores produtivos, com maior relevância de 
equipamentos de informática e produtos eletrônicos, farmacêutico, automobilístico e desenvolvimento de softwares. Junto 
deles, mas caracterizados por investimentos mais moderados, aparecem os segmentos de equipamentos de transporte (in-
clusive aviação), máquinas e equipamentos, material elétrico, química e serviços de informação.
Segundo a pesquisadora, “no Brasil, esses setores tem um baixo peso no PIB do país, o qual é composto predominantemente 
por setores de baixa e média-baixa tecnologia que são pouco intensivos em pesquisa e desenvolvimento e em investimento 
em tecnologia de modo geral. Nas economias da OCDE [que caracterizam a fronteira tecnológica], esses setores têm um 
peso maior no PIB”, destaca.
2. Tropicalização
Além de terem peso menor na economia brasileira, os setores mencionados anteriormente não têm empresas de capital 
nacional forte, o que também puxa para baixo as chances de investimento brasileiro, segundo Tessarin. “Em geral, as fi-
liais de empresas multinacionais estrangeiras costumam investir menos em P&D no Brasil do que elas investem nos seus 
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países de origem, onde desenvolvem a tecnologia. No Brasil, essas filiais copiam a tecnologia desenvolvida no exterior e 
fazem adaptações pontuais à realidade brasileira”, explica a pesquisadora. “Geralmente, essa cópia e adaptação exige 
menor esforço tecnológico e gastos com tecnologia. Nesse sentido, as multinacionais realizam adaptações da inovação 
realizada no exterior para o contexto brasileiro, o que chamamos de “tropicalização”. Então, enquanto a fatia relevante do 
desenvolvimento tecnológico é realizada no exterior por outra empresa do grupo multinacional, no Brasil, é feito uma cópia 
e adaptação tecnológica que exige desenvolvimento tecnológico pontual, menos custoso e de menor risco”, conclui.
3. Serviços em alta
Em décadas mais recentes, especialmente a partir dos anos 1980, o Brasil tem observado uma mudança expressiva dos 
setores com mais representatividade no Produto Interno Bruto, com consequente impacto na inovação. Na avaliação da 
pesquisadora Milene Tessarin, essa modificação da economia demonstra “um processo de desindustrialização prematura e 
regressão tecnológica, na qual os setores manufatureiros de média-alta e alta tecnologia perderam bastante peso no PIB 
para os setores de serviços que realizam pouca inovação”.
4. Educação em baixa
Outra desvantagem competitiva enfrentada pelo país passa pelos bancos escolares. Na avaliação da especialista, “a qualida-
de da educação brasileira é baixa comparativamente aos principais países que concorrem com o Brasil no comércio interna-
cional”,e destaca que ”o país precisa melhorar a qualidade da educação de forma a estimular a criatividade e a inovação” 
como estratégia para estimular a pesquisa e o desenvolvimento econômico.
5. Incentivo inexistente
A ausência de uma política industrial moderna e focada em setores estratégicos em termos de desenvolvimento tecnológico 
“certamente explica o desempenho modesto do Brasil em ciência, tecnologia e inovação”, aponta Tessarin. “O Brasil rea-
lizou poucas políticas industriais focalizadas na inovação tecnológica e na transformação da estrutura produtiva rumo aos 
setores da indústria 3.0 e 4.0” critica ela, ao destacar que foi esse o caminho seguido pelos países líderes em tecnologia 
para chegar aos patamares atuais.
Os pontos fora da curva
Apesar de o país aparecer, de modo geral, distante da fronteira tecnológica, cabem nos dedos de uma mão setores brasileiros 
que registram índices de investimento superiores à média da OCDE, ou seja, nos quais o Brasil está à frente dos parâmetros 
de inovação.
“O setor químico é o único de média-alta intensidade tecnológica em que o Brasil está à frente da média da OCDE”, afirma 
a pesquisadora, mas “em grande medida devido ao desempenho do segmento limpeza, perfumaria e higiene pessoal que 
investiu 10,1% do PIB em P&D”. Dentre setores de menor intensidade tecnológica, o Brasil está à frente da OCDE em 4 
deles: eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana; indústria extrativa; agropecuária; e metalurgia. Para esses, avalia-se 
que a ampla importância na economia nacional explica os investimentos, ainda assim eles são considerados de médio-baixo 
ou baixo impacto para o desenvolvimento e a inovação
“CINCO FATORES QUE DISTANCIAM O BRASIL DA FRONTEIRA TECNOLÓGICA” //WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/ECONOMIA/ (04.07.2019)
Texto IV
A asfixia financeira imposta à Ciência sabota o desenvolvimento do País 
Célebre personagem da mitologia grega, Sísifo era descrito por Homero como o mais sábio e prudente dos mortais, embora 
afeito a trapaças. Depois de enganar a morte em duas ocasiões e perecer de velhice, recebeu uma exemplar punição dos 
deuses por sua rebeldia. Por toda a eternidade, teria de rolar incessantemente enorme rochedo até o cimo de uma mon-
tanha, de onde a pedra despencaria novamente pela irresistível força de seu peso. Em ensaio publicado em 1941, Albert 
Camus apresenta o mito como metáfora do trabalho inútil e sem esperança da vida moderna.
“O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas e esse destino não é menos absurdo. Mas ele só 
é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda 
a extensão de sua condição miserável: é nela que ele pensa enquanto desce”, observa o escritor franco-argelino.
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Recentemente, a alegoria tem sido revisitada pela comunidade científica para ilustrar o descomunal esforço de manter de pé 
as atividades de pesquisa no Brasil em meio à asfixia financeira imposta pelo governo federal.
A situação realmente beira o absurdo. Após três anos seguidos de cortes e contingenciamentos, o orçamento total do Minis-
tério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) passou de 15,6 bilhões de reais, no ano passado, para 12,7 
bilhões em 2018, uma redução de 18,6%.
Quando se analisam apenas os recursos disponíveis para investimento e custeio da área científica, o cenário é ainda mais 
desalentador, observa Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Dos 4,6 
bilhões de reais previstos, cerca de 10% foram contingenciados pela equipe econômica do governo no início do ano. “Os 
recursos disponíveis são 25% menores do que o orçamento reservado para 2017 e correspondem a menos da metade do 
que chegou a ser aplicado cinco anos atrás”, diz.
Há tempos, os gastos brasileiros em Pesquisa e Desenvolvimento têm se mantido no mesmo patamar, em torno de 1,2% do 
PIB, muito abaixo dos países desenvolvidos e até mesmo de nações emergentes, como China e Coreia do Sul, que aplicam 
2,1% e 4,2%, respectivamente.
“Quando a economia passou a crescer em ritmo menor, os chineses aumentaram os investimentos em Ciência e Tecnologia, 
exatamente para dar suporte ao desenvolvimento local. O Brasil faz o inverso. Em meio à crise, promove um desmonte sem 
precedentes na área”, lamenta Moreira. “Com a Emenda Constitucional 95, que congelou as despesas públicas por 20 anos, 
vivemos uma verdadeira tragédia. O País pode ficar aprisionado em um patamar de investimentos baixíssimo até 2037.”
O governo está ciente da ameaça. “Para o orçamento de 2018 foi encaminhado algo que será impossível de atender”, quei-
xou-se o ministro Gilberto Kassab no fim do ano passado, quando ainda negociava um repasse maior à sua pasta.
“O Ministério vem sofrendo uma redução orçamentária bastante grande e a perspectiva para os próximos anos é que a 
situação piore, devido à PEC do Teto”, disse aos deputados.
A armadilha foi criada, porém, pela equipe econômica de Michel Temer, que vendeu o congelamento dos gastos públicos 
como solução mágica para a crise fiscal.
Os resultados dessa política de desmonte ficam cada vez mais evidentes. No fim de 2017, Ricardo Galvão, diretor do Instituto 
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alertava para a ameaça de suspensão das atividades de controle do desmatamento 
na Amazônia, que dependem da compra de imagens de satélites estrangeiros, após ver o orçamento da instituição despencar 
40%.
No fim de março, cientistas do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), criado em 1982 para desenvolver pesquisas nas 
áreas de oceanografia, biologia, glaciologia e meteorologia, alertaram ao ministro Kassab que a nova estação brasileira no 
continente, erguida a um custo de 330 milhões de reais, corria risco de ser inaugurada sem equipamentos e pesquisadores. 
O último edital federal, no valor de 14 milhões de reais, foi lançado em 2013 e financiou 19 projetos por três anos, mas o 
dinheiro acabou.
Com o fim do programa Ciência Sem Fronteiras, o número de beneficiários de bolsas no exterior financiadas pelo Conselho 
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) despencou de 18,4 mil, em 2014, para 1,9 mil no ano pas-
sado.
No mesmo período, o investimento em “apoio à pesquisa”, relacionado aos editais para financiar projetos específicos, caiu 
de 631,6 milhões de reais para pouco mais de 1 milhão. Somente as despesas com bolsas no Brasil tiveram uma queda 
menor, passando de 1,34 bilhão de reais para 1,12 bilhão.
“Fizemos um grande esforço para não cortar bolsas para a pós-graduação, mas a demanda segue reprimida. Atualmente, 
atendemos perto de 15% dos pedidos de bolsa no País e menos de 5% para estudos no exterior”, lamenta Marcelo Marcos 
Moraes, diretor do CNPq. Além do orçamento exíguo, ele se queixa do contingenciamento de recursos do Fundo Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), abastecido com tributos e contribuições de empresas.
“Da arrecadação de 4,5 bilhões de reais prevista para este ano, teremos pouco mais de 1 bilhão para trabalhar, um valor a 
ser repartido entre o CNPq e a Finep (financiadora de projetos ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia). O restante está 
bloqueado pelo governo e, se não for utilizado até o fim do ano, será apropriado pelo Tesouro.”Para crescer, a China ampliou o investimento em Ciência. ‘O Brasil faz o inverso’, lamenta Moreira, da SBPC.
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Em meio a uma das mais graves crises fiscais de sua história, o estado do Rio de Janeiro deixou de repassar, em quatro anos, 
667 milhões de reais para a Faperj, segundo Jerson Lima Silva, diretor científico da entidade. A falta de recursos gerou atraso 
no pagamento de bolsistas por quatro meses, além do sucateamento de laboratórios.
De acordo com o reitor da UFRJ, Roberto Leher, a crise das agências de fomento causa um duplo prejuízo às universidades 
públicas. “Muitos projetos têm sido reduzidos em seu escopo ou mesmo suspensos. Além de prejudicar o avanço do conheci-
mento científico, isso também compromete a formação de nossos graduandos, mestrandos e doutorandos, pois estão sendo 
privados da vivência em um ambiente de pesquisa”, explica. “Infelizmente, não temos condições de complementar esses 
recursos. A UFRJ deve fechar o ano com um déficit de 160 milhões de reais.”
Vice-diretor do Instituto de Bio-química Médica da universidade, Fábio Almeida oferece um exemplo didático de como a 
interrupção de investimentos gera desperdícios. Em 2013, a universidade adquiriu um espectrômetro de 900 megahertz para 
equipar o Centro Nacional de Ressonância Magnética Nuclear. Instalado no ano passado, o equipamento de 15 milhões de 
reais, o maior da América Latina, pode reduzir pela metade o tempo de pesquisas básicas que dão suporte ao desenvolvi-
mento de novos remédios e terapias.
“Esse aparelho é muito utilizado, mas poderia amparar pesquisas mais complexas e ousadas, a exemplo de um projeto 
aprovado pela Faperj em 2014, ao custo total de 1,3 milhão de reais, que tinha por objetivo estudar as estruturas de prote-
ínas dos vírus da zika, da dengue e do bacilo da tuberculose, além de criar uma plataforma de triagem de fármacos, capaz 
de aproximar a indústria farmacêutica nacional da universidade”, afirma. “A Faperj não conseguiu honrar o compromisso. 
Tivemos de adaptar o projeto e nos contentar com metas menos ambiciosas.”
“Além de manter a pressão sobre o Congresso e o governo, vamos realizar oito seminários temáticos pelo País até junho para 
propor políticas públicas aos candidatos do Executivo e do Legislativo”, diz Moreira da SBPC.
Uma das propostas que unem boa parte da comunidade científica é um projeto de lei para transformar o FNDCT em um 
fundo financeiro, de forma a impedir que tenha recursos contingenciados pelo governo ou apropriados pelo Tesouro. “Já 
existe uma proposta nessa linha em tramitação no Senado. Somente com essa mudança, seriam liberados cerca de 3 bilhões 
de reais para pesquisas”, emenda Moraes, do CNPq.
ANA CAROLINA PINHEIRO. ”A ASFIXIA FINANCEIRA IMPOSTA À CIÊNCIA SABOTA O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS.” 
HTTPS://WWW.CARTACAPITAL.COM.BR/ECONOMIA (25.07.2018)
Texto V
A ciência e a tecnologia como estratégia de desenvolvimento
Um dos principais motores do avanço da ciência é a curiosidade humana, descompromissada de resultados concretos e livre 
de qualquer tipo de tutela ou orientação. A produção científica movida simplesmente por essa curiosidade tem sido capaz 
de abrir novas fronteiras do conhecimento, de nos tornar mais sábios e de, no longo prazo, gerar valor e mais qualidade de 
vida para o ser humano.
Por meio dos seus métodos e instrumentos, a ciência nos permite analisar o mundo ao redor e ver além do que os olhos 
podem enxergar. O empreendimento científico e tecnológico do ser humano ao longo de sua história é, sem dúvida alguma, 
o principal responsável por tudo que a humanidade construiu até aqui. Suas realizações estão presentes desde o domínio do 
fogo até às imensas potencialidades derivadas da moderna ciência da informação, passando pela domesticação dos animais, 
pelo surgimento da agricultura e indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da qualidade de vida de toda a 
humanidade no último século.
Além da curiosidade humana, outro motor importantíssimo do avanço científico é a solução de problemas que afligem a 
humanidade. Viver mais tempo e com mais saúde, trabalhar menos e ter mais tempo disponível para o lazer, reduzir as dis-
tâncias que nos separam de outros seres humanos – seja por meio de mais canais de comunicação ou de melhores meios 
de transporte – são alguns dos desafios e aspirações humanas para os quais, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm 
contribuído.
Uma pessoa nascida no final do século 18, muito provavelmente morreria antes de completar 40 anos de idade. Alguém 
nascido hoje num país desenvolvido deverá viver mais de 80 anos e, embora a desigualdade seja muita, mesmo nos países 
mais pobres da África subsaariana, a expectativa de vida, atualmente, é de mais de 50 anos. A ciência e a tecnologia são 
os fatores chave para explicar a redução da mortalidade por várias doenças, como as doenças infecciosas, por exemplo, e o 
consequente aumento da longevidade dos seres humanos[1].
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Apesar dos seus feitos extraordinários, a ciência e, principalmente, os investimentos públicos em ciência e tecnologia pa-
recem enfrentar uma crise de legitimação social no mundo todo. Recentemente, Tim Nichols, um reconhecido pesquisador 
norte-americano, chegou a anunciar a “morte da expertise”, título de seu livro sobre o conhecimento na sociedade atual. O 
que ele descreve no livro é uma descrença do cidadão comum no conhecimento técnico e científico e, mais do que isso, um 
certo orgulho da própria ignorância sobre vários temas complexos, especialmente sobre qualquer coisa relativa às políticas 
públicas. Vários fenômenos sociais recentes, como o movimento anti-vacinas ou mesmo a desconfiança sobre a fatalidade 
do aquecimento global, apesar de todas as evidências científicas em contrário, parecem corroborar a análise de Nichols.
Viver mais tempo e com mais saúde, trabalhar menos e ter mais tempo disponível para o lazer, reduzir as distâncias que nos 
separam de outros seres humanos - seja por meio de mais canais de comunicação ou de melhores meios de transporte - são 
alguns exemplos dos desafios e aspirações humanas para os quais, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm contribuído.
Esses fenômenos têm perpassado nacionalidades. No Brasil, no ano passado, o debate sobre a chamada “pílula do câncer” 
evidenciou como o conhecimento científico estabelecido foi negligenciado pelos representantes eleitos pelo povo brasileiro. 
A crise de financiamento recente também é um sintoma da baixa estima da ciência na sociedade ou, pelo menos, da baixa 
capacidade de mobilização e de pressão por uma fatia maior dos recursos orçamentários.
Em editorial recente[2],a Nature faz uma afirmação forte, mas que pode estar na raiz desses fenômenos: “the needs of 
millions of people in the United States (and billions of people around the world) are not well enough served by the agen-
das and interests that drive much of modern science”. Para a revista, portanto, os cientistas e as organizações científicas 
deveriam sair de suas bolhas, olhar com mais empenho para as oportunidades e problemas sociais e procurar meios pelos 
quais a ciência possa ajudar a resolvê-los. A revista citou como exemplo o Projeto Genoma, cujos impactos positivos já foram 
fartamente documentados. Mesmo assim, a revista questiona até que ponto as descobertas do projeto – e os medicamentos 
e tratamentos médicos dali derivados – beneficiam toda a sociedade ou apenas alguns poucos que possuem renda suficiente 
para pagar por essas inovações.
Esse questionamento da Nature remete a um outro problema relevante e que afeta a relação entre ciência e sociedade. A 
despeito da qualidade de vida de todos ter melhorado nos últimos séculos, em grande medida graças ao avanço científico e 
tecnológico, a desigualdade vem aumentando no período mais recente. Thomas Piketty evidenciou um crescimento da desi-
gualdade de renda nas últimas décadas em todo o mundo, além de mostrar que, no início desse século, éramos tão desiguais 
quanto no início do século passado[3]. Esse é um problema mundial, mas é mais agudo em países em desenvolvimento, 
como o Brasil, onde ainda abundam problemas crônicos do subdesenvolvimento que vão desde o acesso à saúde e à edu-
cação de qualidade até questões ambientais e urbanas. É, portanto, nesta sociedade desigual, repleta de problemas e onde 
boa parte da população não compreende o que é um átomo, que a atividade científica e tecnológica precisa se desenvolver 
e se legitimar. Também é esta sociedade que decidirá, por meio dos seus representantes, o quanto dos seus recursos deverá 
ser alocado para a empreitada científica e tecnológica.
Portanto, a relação entre ciência, tecnologia e sociedade é muito mais complexa do que a pergunta simplória sobre qual 
seria a utilidade prática da produção científica. Ela passa por uma série de questões, tais como de que forma a ciência e as 
novas tecnologias afetam a qualidade de vida das pessoas e como fazer com que seus efeitos sejam os melhores possíveis? 
Quais são as condições sociais que limitam ou impulsionam a atividade científica? Como ampliar o acesso da população aos 
benefícios gerados pelo conhecimento científico e tecnológico? Em que medida o progresso científico e tecnológico contribui 
para mitigar ou aprofundar as desigualdades socioeconômicas? Em face das novas tecnologias, cada vez mais capazes de 
substituir o ser humano nas suas atividades repetitivas, como será o trabalho no futuro? Essas são questões cruciais para a 
ciência e a tecnologia nos dias de hoje.
[1] CUTLER, DEATON, E LLERAS-MUNEY (2006)
[2] HTTP://WWW.NATURE.COM/NEWS/RESEARCHERS-SHOULD-REACH-BEYOND-THE-SCIENCE-BUBBLE-1.21514
[3] PIKETTY (2014)
“A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA COMO ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO” HTTPS://WWW.IPEA.GOV.BR/ (11.07.2019)
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É IMPORTANTE SABER
I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE 
Segundo Milene Tessarin – pesquisadora do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Ne-
reus-USP) – o setor de equipamentos de transporte recebe investimentos de 10,7% no Brasil, o mais alto entre os setores 
produtivos nacionais, mas que representa apenas a metade da fatia investida na OCDE, de 20,4%. Em equipamentos de 
informática e produtos eletrônicos, o Brasil investe cerca de 10% contra 24,1% na média dos países da organização.
Descendo na tabela, há gaps ainda maiores: em desenvolvimento de softwares, a OCDE injeta perto de 29% do PIB do 
setor em P&D e o Brasil apenas 4,5%; a indústria farmacêutica da OCDE tem média de quase 28% de investimentos contra 
módicos 5% no Brasil e “até a indústria automobilística que sempre foi incentivada pela política industrial no Brasil investe 
6% do PIB em P&D” pontua Tessarin; na OCDE o investimento é de 15,4%.
“CINCO FATORES QUE DISTANCIAM O BRASIL DA FRONTEIRA TECNOLÓGICA” //WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/ECONOMIA/ (04.07.2019)
II. DADO HISTÓRICO RELEVANTE 
Até a década de 1930, o Brasil importava praticamente toda tecnologia dos países industrialmente desenvolvidos, como os 
Estados Unidos e alguns países europeus. A pesquisa em Ciência e Tecnologia e sua produção organizada começa ainda na 
década de 1930, com a criação de Universidades – como a USP, em 1934 – e o incentivo à pesquisa docente. Como a noção 
de modernidade está relacionada com o avanço tecnológico, consequentemente o Brasil era visto como país atrasado em re-
lação aos países que já possuíam consolidação em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Muito embora diversos avanços 
tenham sido observados no Brasil nas últimas décadas em relação ao investimento no desenvolvimento de tecnologias, o 
país continua na 69ª posição no ranking do relatório global de tecnologia da informação, conforme informações divulgadas 
em abril de 2014. Enquanto a Finlândia permanece em 1º lugar no ranking, segundo o Fórum Econômico Mundial.
PAULO HENRIQUE HEITOR POLON E LUANA CAROLINE KÜNAST POLON. “SOBRE TECNOLOGIA NO BRASIL” HTTPS://WWW20.OPOVO.COM.BR/ (27.01.2015)
III. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
A ausência de uma política industrial moderna e focada em setores estratégicos em termos de desenvolvimento tecnológico 
“certamente explica o desempenho modesto do Brasil em ciência, tecnologia e inovação”, aponta Milene Tessarin, pesqui-
sadora do Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus-USP). “O Brasil realizou poucas 
políticas industriais focalizadas na inovação tecnológica e na transformação da estrutura produtiva rumo aos setores da 
indústria 3.0 e 4.0” critica ela, ao destacar que foi esse o caminho seguido pelos países líderes em tecnologia para chegar 
aos patamares atuais.
“CINCO FATORES QUE DISTANCIAM O BRASIL DA FRONTEIRA TECNOLÓGICA” //WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/ECONOMIA/ (04.07.2019)
IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA (PROPOSTA ENEM)
Criação e investimento em núcleos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico
O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico foi criado em 2014, a partir do reconhecimento da necessidade de 
oferecer soluções tecnológias inovadoras para a Universidade Federal de Juiz de Fora. Originalmente o grupo era composto 
de profissionais com o perfil técnico-científico envolvido justamente na pesquisa e desenvolvimento de tais soluções e, com o 
passar do tempo, passou a abrigar também bolsistas de Treinamento Profissional interessados em soluções inovadoras para 
os problemas cotidianos no meio acadêmico.
HTTPS://WWW.UFJF.BR/NPDT/INSTITUCIONAL/
V. CITAÇÃO 
Se a situação política e administrativa do país, simples colônia de uma metrópole ciosa de seus privilégios e de vistas muito 
pouco largas, constituiu óbice muito sério imposto ao desenvolvimento industrial dele, muito mais contribuiu para isto o seu 
regime econômico. (..) E tanto é assim que, libertado embora da dominação portuguesa e de suas leis opressivas, mas não 
tendo reformado sensivelmente as bases em que assentava sua estrutura, o Brasil continua neste terreno a marcar passo. 
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Se progressos houve, eles são tão particulares e de pequena monta que se perdem no conjunto da vida nacional, domi-
nada ainda inteiramente por outras atividades… ou antes semiatividades. Anulam-se sobretudo num momento em que o 
progresso industrial do mundo marcha a passos de gigante, e a ciência põe a serviço dela, cada dia, mais um invento, uma 
técnica, uma possibilidade. Se tomadas as devidas proporções, a nossa minúscula indústria colonial não representaria para 
sua época mais que esses simulacros de atividades manufatureiras que tivemos no século XIX.” 
CAIO PRADO JUNIOR, SOCIÓLOGO BRASILEIRO. IN: ”FORMAÇÃO DO BRASIL CONTEMPORÂNEO”
VI. LEGISLAÇÃO 
Art. 5º Os eixos para a implementação da Política Nacional de Inovação são:
I - a ampliação da qualificação profissional por meio da formação tecnológica de recursos humanos de empresas, de ICT e 
de entidades privadas sem fins lucrativos, a fim de estimular a busca de novas estratégias e alternativas de soluções tecno-
lógicas;
II - o alinhamento entre os programas e as ações de fomento à inovação promovidas pelos órgãos e pelas entidades públicas 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e o estímulo a investimentos privados, de acordo com as priori-
dades definidas pela Câmara de Inovação;
III - o estímulo da base de conhecimento tecnológico para a inovação que gere soluções tecnológicas;
IV - a proteção do conhecimento adquirido pela inovação, de modo a proporcionar ao titular da criação intelectual:
a) os meios de defesa do direito de propriedade contra a apropriação indevida do conhecimento por parte de terceiros; e
b) o direito de uso ou de exploração de sua criação;
V - a disseminação da cultura de inovação empreendedora, correspondente a um conjunto de práticas baseadas em valores 
e em princípios que visem à inovação a fim de gerar mudanças de paradigmas na economia; e
VI - o estímulo ao desenvolvimento de mercados para produtos e serviços inovadores brasileiros, que se constituam como 
ambientes em que os entes federativos, as empresas, as ICT, as entidades privadas sem fins lucrativos, as agências de fomen-
to, as organizações da sociedade civil e os consumidores se articulem, com vistas a incentivar o desenvolvimento tecnológico, 
o aumento da competitividade e a interação.
POLÍTICA NACIONAL DE INOVAÇÃO, HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/_ATO2019-2022/2020/ 
DECRETO/D10534.HTM DECRETO Nº 10.534, DE 28 DE OUTUBRO DE 2020
MULTIMÍDIA
I. LER
 Desenvolvimento tecnológico no Brasil : autonomia e dependência num país industrializado periférico – Carlos Eduar-
do Fernandez da Silveira 
http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/285548/1/Silveira_CarlosEduardoFernandezda_D.pdf
 Conceito de tecnologia – Volumes 01 e 02 – Álvaro Vieira Pinto
II. VER
 Opinião | O papel da Ciência, Tecnologia e Inovação 
https://www.youtube.com/watch?v=93uYxTKuQhg
III. OUVIR
 Podcast – Momento Tecnologia – Jornal da USP
O Momento Tecnologia pretende apresentar novas tecnologias desenvolvidas na Universidade de São Paulo e que são 
 aplicadas na solução de problemas identificados nos vários segmentos da sociedade.
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PROPOSTA ENEM
Texto I
O desenvolvimento tecnológico é a resposta da humanidade para as necessidades e problemas encontrados pela sociedade. 
Com a pandemia, a tecnologia teve que, mais do que nunca, acelerar seus passos a fim de criar novas soluções para proteger 
as pessoas e preencher as lacunas do distanciamento social.
Mudanças que antes pareciam lentas, como a adoção do home office, tiveram que acontecer quase que de um dia para o 
outro. Em poucas semanas, o governo precisou criar uma maneira de ampliar o acesso a serviços bancários a milhões de 
brasileiros para fazer chegar às famílias o auxílio emergencial. E grande parte das empresas teve que entrar de vez no mundo 
digital para não fechar as portas.
“CONFIRA ALGUMAS TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS QUE GANHAM FORÇA NO CENÁRIO PÓS-PANDEMIA” HTTPS://WWW.SERPRO.GOV.BR/ (10.08.2020)
Texto II
CORTES E MAIS CORTES: O QUE SERÁ DA CIÊNCIA E DA PESQUISA NO BRASIL? HTTPS://VOCESA.ABRIL.COM.BR/ (09.03.2020) 
Texto III
A construção industrial brasileira se fez com a presença determinante de fontes externas de tecnologia e financiamento, sem 
que se fosse capaz de controlá-las ou administrá-las, de modo a que aquela dependência se reduzisse de forma mais subs-
tantiva no longo prazo. Quando se esgotam os mecanismos de expansão que promoveram a industrialização e o crescimen-
to, e o ambiente externo muda, tanto pela nova intensidade da mudança tecnológica, quanto pelas mudanças no padrão 
de financiamento internacionais pelos caminhos da “globalização”, o Brasil se enfraquece e não consegue mais determinar 
seus rumos. Entre hesitações e resistências, segue, então, no caminho “dos outros”, com desastrosos resultados, que não se 
apresentam somente na deterioração da condição social dos brasileiros, mas também na incapacidade de se estabelecerem 
outras alternativas para uma produção tecnológica criativa.
CARLOS EDUARDO FERNANDEZ DA SILVEIRA. DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO NO BRASIL: AUTONOMIA E DEPENDÊNCIA NUM PAÍS PERIFÉRICO INDUSTRIALIZADO. TESE 
SUBMETIDA AO INSTITUTO DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE DOUTOR EM ECONOMIA APLICADA, CAMPINAS, 2001.
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Texto IV
Os investimentos industriais em vacinas para pestes como Ebola e Sars foram reduzidos por não trazerem boas perspectivas 
de lucro. No Brasil, a maior parte das ações de imunizações está sob a responsabilidade de dois laboratórios públicos, que 
dependem de tecnologias de fabricantes internacionais. “Muito pouco desenvolvimento de tecnologia original autóctone 
tem sido observado até hoje”, afirma ao blog do CEE-Fiocruz, o pesquisador Reinaldo Guimarães, professor do Núcleo de 
Bioética e Ética Aplicada da UFRJ (Nubea) e vice-presidente da Abrasco. “O problema reside no fato de que, cada vez mais, 
as vacinas modernas, com antígenosconjugados e outras tecnologias de ponta, não terão possibilidades de ser compradas 
e transferidas. Talvez esse seja o nosso principal gargalo no campo das vacinas”, observa.
“MUITO POUCO DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA ORIGINAL AUTÓCTONE (DE VACINA) TEM SIDO OBSERVADO ATÉ HOJE” HTTP://CEBES.ORG.BR/ (16.04.2020)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema O DESEN-
VOLVIMENTO DA ÁREA DE TECNOLOGIA NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos 
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
O Homem tem apostado suas fichas no desenvolvimento científico e tecnológico para tentar resolver os problemas gerados 
pelo crescimento, inclusive para resolver os problemas que são fruto da própria tecnologia. É o caso das pesquisas atuais 
buscando fontes alternativas de energia. Busca-se, por exemplo, a geração de energia a partir do hidrogênio não apenas pela 
exaustão das fontes tradicionais, porém entre outros motivos porque a poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis 
atinge níveis insuportáveis. (Novas descobertas de reservas de petróleo parecem mais recentemente ter feito arrefecer a busca 
por energias alternativas).
Mas parece ingenuidade acreditar que – caso se atinja viabilidade econômica para a inclusão do hidrogênio, ou de outras 
fon tes de energia, na matriz energética – isto apresente resultados tão somente positivos, sem nenhum fator desfavorável. É 
mais razoável supor que a cada novo passo no desenvolvimento tecnológico novos problemas sejam também gerados. Assim, 
a humanidade depende da tecnologia para resolver os problemas de hoje e continuará dependendo no futuro para resolver os 
novos problemas que o desenvolvimento tecnológico criará. Neste cenário, uma das principais questões é saber se podemos 
confiar indefinidamente no desenvolvimento tecnológico.
LUIZ FERRI DE BARROS. “OS LIMITES DA TECNOLOGIA” HTTPS://EMPORIODODIREITO.COM.BR/ (27.10.2015)
Texto II
No alvorecer do século XXI, o paradoxo está em toda parte. A capacidade de produzir mais e melhor não cessa de crescer e 
é assumida pelo discurso hegemônico como sinônimo do progresso trazido pela globalização. Mas esse progresso, discurso 
dominante das elites globais, traz também consigo exclusão, concentração de renda, subdesenvolvimento e graves danos 
ambientais, agredindo e restringindo direitos humanos essenciais.
Um olhar sobre o século XX, com os imensos saltos da tecnologia e do conhecimento, mas com seus imensos passivos de 
guerras trágicas, miséria e danos ambientais, faz brotar com força a pergunta central: somos, por conta desse tipo de desen-
volvimento, mais sensatos e mais felizes? Ou podemos atribuir parte de nossa infelicidade precisamente à maneira como utili-
zamos os conhecimentos que possuímos? As consequências negativas do progresso, transformado em discurso hegemônico, 
acumulam um passivo crescente de riscos graves que podem levar de roldão o imenso esforço de séculos da aventura humana 
para estruturar um futuro viável e mais justo para as gerações futuras. 
O que significa, afinal, a palavra progresso no imaginário da sociedade global que vive o início do século XXI? Quais suas 
raízes arquetípicas e que projeção para o futuro pode ser imaginada sobre o conceito atual de progresso?
Seria uma insensatez negar os benefícios que a vertiginosa evolução das tecnologias propiciou ao ser humano no deslocar-se 
mais rápido, viver mais tempo, comunicar-se instantaneamente e outras proezas que tais. Trata-se aqui de analisar a quem 
dominantemente esse progresso serve e quais os riscos e custos de natureza social, ambiental e de sobrevivência da espécie 
que ele está provocando; e que catástrofes futuras ele pode ocasionar. Mas, principalmente, é preciso determinar quem esco-
lhe a direção desse progresso e com que objetivos.”
GILBERTO DUPAS, CIENTISTA SOCIAL E ECONOMISTA BRASILEIRO. IN: O MITO DO PROGRESSO.
Texto III
José Roberto Goldim, professor da Faculdade de Medicina da PUC e chefe do Serviço de Bioética do Hospital das Clínicas 
de Porto Alegre, critica a limitação na ciência: “Quando você se propõe a coibir um estudo, você cria uma reação em cadeia. 
Se hoje a ideia era restringir apenas um detalhe daquele determinado estudo, amanhã se estará censurando uma linha de 
pesquisa completa.” 
“Nenhum tipo de conhecimento, mesmo aqueles cujos resultados foram negativos, deve ser banido”, diz Goldim. De acordo 
com o especialista, a Biblioteca Nacional de Medicina (PUBMed) que pertence ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados 
Unidos, um dos principais bancos de dados em pesquisa médica do mundo, tem o hábito de manter estudos com resultados 
‘negativos’ no ar. “Esse material, retratado como inadequado, permanece disponível para análise e estudo de especialistas”, 
diz. Assim, em vez de banir ou censurar a publicação dos artigos, a comunidade científica garante que o mesmo erro não seja 
cometido duas vezes - e acelera o processo de pesquisa.
“EXISTE LIMITE PARA A PESQUISA CIENTÍFICA?” HTTPS://VEJA.ABRIL.COM.BR/ (06.05.2016)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
DEVEM EXISTIR LIMITES PARA O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO?
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TEMA VIII: A LITERATURA INFANTO-JUVENIL E A FORMAÇÃO DE LEITORES NO BRASIL
Acervo
Texto I
Racismo de Euclides da Cunha ganha holofotes durante a Flip
Autor que denunciou genocídio em ‘Os Sertões’ seguia intelectuais da época que viam mestiços como degenerados
“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, tem o trecho “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”. Logo depois, há outra frase, 
quase nunca lembrada. “Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.”
Autor de obra canônica da literatura brasileira, o gênio Euclides era um homem racista, como se percebe em diversos trechos 
do livro.
E não é de hoje que o adjetivo acompanha o escritor, jornalista e engenheiro fluminense.
Em “A Terra, o Homem, a Luta”, texto que foi publicado pela primeira vez em 2002 e que acaba de ganhar uma nova edição 
pela Três Estrelas, selo editorial do Grupo Folha, o professor e ensaísta Roberto Ventura escreveu que Euclides seguia “as 
teorias racistas e evolucionistas de sua época”.
Note-se que o livro de Ventura não é um petardo contra a obra —pelocontrário, é um guia que convida, com entusiasmo, 
à leitura de “Os Sertões”, publicado em 1902.
Ao homenagear Euclides, a 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, chama a atenção para o autor res-
ponsável por um “estilo sonoro” e capaz, como poucos, de interpretar “as duas faces contraditórias e complementares do 
país”, como ressaltou Roberto Ventura. 
Mas é inevitável, por outro lado, que o evento jogue luz sobre o homem influenciado pelas teorias deterministas, que hoje 
seriam consideradas ultrapassadas. 
Na primeira noite desta Flip, o jornalista Dodô Azevedo postou em seu perfil numa rede social: “Ah, esse texto racistaço 
de Euclides da Cunha, homenageado da Flip 2019. Alguém vai falar sobre?”. No trecho a que se refere, há frases de “Os 
Sertões” como “a raça superior torna-se o objetivo remoto para onde tendem os mestiços deprimidos”.
A psicóloga e ativista pela igualdade racial Cida Bento enfatiza a relevância do livro de Euclides, mas critica a existência de 
alguns trechos que “ensinam os lugares de inferioridade” na sociedade. 
Ela participa de debate na Casa Folha nesta sexta (12), às 18h30, falando das repercussões da escravidão na dinâmica da 
economia brasileira. 
Como grande parte dos intelectuais brasileiros da virada do século 19 para o 20, Euclides leu estudos do biólogo alemão 
Ernst Haeckel. Como lembra a antropóloga Lilia Schwarcz, autora de “O Espetáculo das Raças”, Haeckel escreveu que a 
civilização não poderia prosperar em um território como o brasileiro.
A leitura desse naturalista alemão é fundamental para guiar Euclides pelo determinismo geográfico. Sem a influência de 
Haeckel, aliás, “A Terra”, a primeira parte de “Os Sertões”, não seria a mesma.
O escritor brasileiro também se aproximou das teorias do sociólogo austríaco Ludwig Gumplowicz e do naturalista francês 
Hippolyte Adolphe Taine. Vem dos conceitos formulados por esses dois e por outros da mesma época a convicção de Euclides 
sobre os malefícios da mestiçagem. 
A partir de autores como Gumplowicz e Taine, o determinismo racial faz a cabeça do autor, o que fica bastante claro em “O 
Homem”, a segunda das três partes do livro.
“Nossa leitura precisa ser crítica. Escolher um autor homenageado não significa endeusá-lo”, diz Fernanda Diamant, cura-
dora da Flip. “Os problemas são evidentes em ‘Os Sertões’. Com intenção científica, Euclides comprou o pacote todo, o 
evolucionismo, o determinismo. Trouxemos ao festival autores que tratam desses temas com atualidade. Vamos discutir, por 
exemplo, o que é a ciência hoje.”
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Diamant acrescenta que “as qualidades em ‘Os Sertões’ superam os problemas”. “A denúncia da violência que Euclides faz 
continua tendo muita força. Antes era um Canudos, hoje há milhares espalhados pelo país. Essa característica de atempora-
lidade faz dele um grande nome da nossa literatura de não ficção”, diz ela.
Segundo Schwarcz, “Os Sertões” é um livro do seu tempo e também contra o seu tempo. 
É do seu tempo porque apresenta as ferramentas teóricas que o autor tinha na época, que eram esses determinismos”, diz. 
Essas referências são mais nítidas nas duas primeiras partes do livro, “A Terra” e “O Homem”.
Mas a obra se opõe ao seu tempo, principalmente em “A Luta”, a terceira e última parte de “Os Sertões”. 
“É contra porque Euclides vai denunciar a República. Antes de ir a Canudos, ele trabalhava com o contraste entre a barbárie, 
representada pelos sertanejos, e a civilização, que eram os republicanos, os habitantes da capital. No final do livro, ao falar 
da chacina, ele já não sabe mais quem é a civilização e quem é a barbárie.”
Ainda segundo a antropóloga, se os determinismos racial e geográfico não são mais considerados teorias científicas, como 
naquela época, eles acabaram sendo incorporados ao senso comum. 
“Não foram poucas as vezes que li e ouvi dizerem que as pessoas do Nordeste são mais lentas porque o calor é um obstá-
culo. E há ainda o nosso atual revisionismo histórico, que tenta discutir coisas que não são discutíveis, como o fato de que o 
Brasil foi o país que mais recebeu escravos africanos”, afirma Schwarcz.
Como se vê, o determinismo não morreu. Também nisso a obra de Euclides da Cunha se mantém atual. 
Quem fez a cabeça do escritor
Hippolyte Adolphe Taine (1828-1893)
Para o historiador positivista francês, o homem só pode ser compreendido à luz de três fatores: a raça, o meio e o momento 
histórico.
Ernst Haeckel (1834-1919)
Biólogo alemão, acreditava que a vida daria sucessão a formas cada vez mais ‘evoluídas’. Defendia a ideia de superioridade 
intelectual dos europeus.
Cesare Lombroso (1835-1909)
Psiquiatra e cirurgião italiano. Buscava demonstrar que algumas alterações estruturais do cérebro produzem comportamento 
violento.
Ludwig Gumplowicz (1838-1909)
Advogado e professor polonês de origem judia, acreditava em um Estado baseado na luta de raças e na supremacia de uma 
classe dominante.
“RACISMO DE EUCLIDES DA CUNHA GANHA HOLOFOTES DURANTE A FLIP” WWW. HTTPS://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/ (12.07.2019)
Texto II
Cancelar autores racistas ou editar livros polêmicos
Nenhum livro de Agatha Christie (1890-1976) fez tanto sucesso quanto “O caso dos dez negrinhos”. Publicado em 6 de 
novembro de 1939, o maior êxito comercial da Rainha do Crime vendeu, segundo estimativas, 100 milhões de exemplares. 
A trama, ambientada na fictícia Ilha do Negro, na costa de Devon, na Inglaterra, é, volta e meia, lembrada por outro motivo. 
Por causa de seu título (“Ten little niggers”, no original), inspirado numa cantiga de roda do século 19, o livro já foi tachado 
de racista e causou polémica em países como a Alemanha. “Um insulto aos cidadãos de origem africana”, protestaram os 
habitantes de Hanôver, distante 286 km de Berlim, em 2002.
Por essas e outras, “O caso dos dez negrinhos” acaba de ser relançado na França com título novo: “Eram dez” (“Ils étaient 
dix”, no original). Antes de ser lançado em livro, pela editora britânica Collins Crime Club, “O caso dos dez negrinhos” foi 
publicado, em sete edições, pela The Saturday Evening Post, em 20 de maio de 1939. Na ocasião, os editores da revista, 
encorajados pelo movimento dos direitos civis, que começava a ganhar força nos EUA, optaram por rebatizá-lo de “E não 
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sobrou nenhum” (“And then there were nane”), como explica o escritor e biógrafo Tito Prates, autor de “Agatha Christie 
from my heart - Uma biografia de verdades” (2016).
No Brasil, “O caso dos dez negrinhos” foi lançado pela primeira vez em 1942, com seu título original. Só em 2008, ganhou 
o nome de “E não sobrou nenhum”. Desde então, a Ilha do Negro virou A Ilhado Soldado e os dez negrinhos, as estatuetas 
de porcelana da sala de jantar, os dez soldadinhos. Em outros países de língua portuguesa, ganhou diferentes títulos como: 
“Convite para a morte”, “As dez figuras negras” e “O vingador invisível”.
“Houve quem considerasse o título ‘E não sobrou nenhum’ um spoiler. Mas, a essa altura, quem pega o livro para ler já sabe, 
ou fica sabendo logo nas primeiras páginas, que vai morrer todo mundo na história”, revela Prates, em conversa com o TAB.
Huck e Jim: polêmicas no Mississipi
A escritora britânica Agatha Christie não foi a única a ter dor de cabeça com a palavra “nigger” (“crioulo”, em livre tra-
dução). Do outro lado do Atlântico, o romancista americano Mark Twain (1835-1910), pseudônimo de Samuel Langhorne 
Clemens, chegou a ter “As aventuras de Huckleberry Finn” (1884) proibido em escolas e bibliotecas públicas. Motivo? A 
palavra “nigger” aparece 219 vezes! Reza a lenda que, ao saber da proibição de seus livros, Twain teria dado de ombros: 
“Fizeram bem. Não são para crianças”.
Em 2011, a editora New South Books, do Alabama, tomou uma medida, para dizer o mínimo, controversa: relançou tanto 
“As aventuras de Huckleberry Finn” quanto “As aventuras de Tom Sawyer” (1876) com um texto diferente do original. Poli-
ticamente corretas, as novas versões suprimiram termos racistas, como “nigger” e “injun”, usadas para se referir, de modo 
depreciativo, a negros e índios. Em vez de “nigger”, preferiram “slave” (“escravo”).
Mas, seria mesmo Huckleberry Finn racista? Quem se propôs a responder essa pergunta foi a tradutora Vera Lúcia Ramos, 
em sua tese de doutorado pela USP (Universidade de São Paulo), em 2018. A que conclusão ela chegou? Não, não é. “A 
obra ataca o racismo. E como isso se dá? Na caracterização positiva do negro”, explica. “O termo ‘nigger’ cumpre o papel 
de denúncia. Twain explicita a maneira desrespeitosa de como os negros eram tratados”.
Ainda hoje, 110 anos depois de sua morte, há controvérsias se Twain seria, de fato, racista. Seus detratores gostam de lem-
brar que, quando tinha 20 e poucos anos, ele se alistou como voluntário no Exército Confederado, do Sul do pais, favorável 
à escravidão. Três semanas depois, porém, desertou. Já seus defensores argumentam que, já com 50 anos, se ofereceu para 
pagar os estudos de Warner McGuinn (1859-1937), o primeiro estudante negro a cursar a Universidade de Yale, em Con-
necticut.
“Mark Twain continua sendo um dos autores mais amados dos EUA e ‘Huckleberry Finn’ uma das obras mais polémicas. 
Twain foi duro com uma sociedade que se mostrava religiosa na superfície e cruel nas atitudes”, analisa Ramos. “Quanto à 
proibição, não concordo. Toda obra deve ser entendida à luz de seu contexto histórico”, diz ao TAB.
Lovecraft, entre o terror e a segregação
O caso de Howard Phillips Lovercraft (1890-1957) é diferente do de Mark Twain. É consenso entre especialistas que o 
autor de “O chamado de Cthulhu” (1928) era racista, xenófobo e eugenista. Em sua vasta correspondência, H.P. Lovecraft 
manifestou simpatia por Hitler, pregou a superioridade da raça ariana e chegou a se referir a negros como “chimpanzés 
gordurentos”. “A velha desculpa de que Lovecraft era ‘um homem de seu tempo’ não convence”, afirma o historiador Luís 
Otávio Canevazzi de Freitas, da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). “Ele sabia que era racista, defendia a eugenia e, 
até seu leito de morte, se manteve firme em suas convicções”.
Autor de “Miscigenação, racismo e fim do mundo na literatura fantástica de H.P. Lovecraft” (2019), Canevazzi explica que 
o ódio racial do escritor, nascido em Rhode Island, na Nova Inglaterra, se acentuou em 1924, quando ele se casou com a 
escritora Sônia Greene (1885-1972) e foram morar em Nova Iorque. “Sempre que andávamos em meio à multidão e nos 
deparávamos com pessoas das mais diferentes etnias”, relatou sua mulher, certa vez, “ele ficava lívido de raiva e quase 
perdia a cabeça”.
No ano do 130° aniversário do autor, sua obra, tanto aqui quanto lá fora, continua a ser relançada. Na maioria das vezes, 
as novas edições trazem notas críticas sobre o conteúdo ofensivo de contos, como “O caso de Charles Dexter Ward” (1943), 
“A sombra de Innsmouth” (1956) e “O horror em Red Hook” (1927).
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Para além do mercado editorial, o Mestre do Terror acaba de ser revisitado em “Lovecraft Country”, da HBO, baseada no 
livro “Território Lovecraft” (2016), de Matt Ruff. “A série subverteu a obra lovecraftiana, ao colocar protagonistas negros em 
cena e problematizar a segregação racial dos EUA. Se estivesse vivo, duvido que Lovecraft permitiria que a HBO utilizasse 
seu nome em algo com conteúdo antirracista”, especula o historiador. 
Tintim e Milu no banco dos réus
Nem o quadrinista belga Georges Remi (1907-1985), o Hergé, escapou de acusações de racismo. Em 2007, a CRE (Comissão 
para Igualdade Racial) do Reino Unido pediu às livrarias britânicas que, por causa de seu conteúdo racista, retirassem a HQ 
“Tintim na África” (1931) — o segundo dos 24 livros lançados entre 1930 e 1986 — das prateleiras. Três anos depois, um 
cidadão congolês moveu uma ação e pediu á Justiça belga que proibisse sua venda. Passados dois anos de processo, Hergé 
foi “absolvido”.
Segundo o historiador Fábio Cornagliotti de Moraes, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), os nativos 
africanos são retratados em ‘Tintim no Congo” como “subservientes”, “supersticiosos” e “ignorantes”. “Todas as opiniões 
são livres, incluindo aquelas em que sou chamado de racista. A única coisa que eu sabia sobre aquelas pessoas era o que me 
diziam na época: ‘Os negros são crianças grandes...-, declarou Hergé, em 1976.
Autor de “As aventuras de Tintim na África: representando o outro nas HQs As Aventuras de Tintim: Tintim no Congo” (2015), 
Cornagliotti pondera que a obra não foi um caso isolado. “Perdidos no mar” (1958) apresenta teor racista já no subtítulo: 
Coke on stock (“carvão no porão”, em livre tradução) — carvão, no caso, seria uma alusão à cor de pele dos escravos. “Em 
um mundo onde, felizmente, o racismo é cada vez menos aceito, se torna fundamental olhar para trás, até mesmo para nos 
ridicularizarmos por termos pensado de maneira tão violenta e absurda e não esquecermos que, um dia, essa irracionalidade 
desumana foi aceita”, afirma em sua dissertação de mestrado.
Monteiro Lobato, a “bola da vez”
No Brasil, quem já esteve na berlinda, acusado de racismo, foi Monteiro Lobato (1882-1948). Há exatos dez anos, o Conse-
lho Nacional de Educação (CNE) recomendou que a obra “Caçadas de Pedrinho” (1933) fosse recolhida das escolas públi-
cas. Para justificar a medida, o órgão do Ministério da Educação (MEC) destacou trechos do livro: num deles, o autor diz que, 
para fugir de uma onça, Tia Nastácia, a cozinheira do sitio, escalou um mastro “que nem macaca de carvão”. Noutro, Emília 
avisa que, diante de outro ataque do bicho, não vai escapar ninguém. “Nem Tia Nastácia, que tem carne preta”, completou 
a boneca de pano. O caso foi parar no STF. “Sou contrária a ‘cancelar’ autores, proibir sua circulação, desestimular sua leitura, 
por piores moral, ética ou literariamente que sejam”, observa a pesquisadora Marisa Lajolo, doutora em Teoria Literária e 
Literatura Comparada pela USP.
Autora de “Monteiro Lobato, livro a livro: obra infantil”(2009), em parceria com João Luís Ceccantini, e de “Reinações de 
Monteiro Lobato” (2019), com Lilia Moritz Schwarcz, Lajolo afirma que, quando o assunto é preconceito racial, Lobato não 
é exceção, mas regra na literatura brasileira. “Acho que praticamente todos — sim, todos — os escritores brasileiros, até 
meados do século passado, de uma forma ou de outra, refletem o caráter preconceituoso e racista de nossa cultura. Lobato 
não é exceção. Mas, é a bola da vez”.
Desde que a obra de Lobato entrou em domínio público, em janeiro de 2019, grandes nomes da nossa literatura infanta-ju-
venil, como Pedro Bandeira, Mauricio de Sousa e Walcyr Carrasco, adaptaram alguns de seus clássicos. No caso de Carrasco, 
os títulos revisitados foram “Reinações de Narizinho” (1931) e “A reforma da natureza” (1941). Expressões racistas, como 
“negra de estimação”, cederam lugar a outras, como “descendente de africanos”. “O que sentiria uma menina preta, sen-
tada na classe, ouvindo a professora ler esses termos? E, depois, sofrendo bullying dos colegas? Tirei, sim. Hoje em dia, o 
negro ocupa um lugar na sociedade muito diferente daquela época. É preciso respeitar suas conquistas”, afirma Carrasco.
Tal e qual Lovecraft, Lobato também era um entusiasta da eugenia. Não bastasse, era ainda um defensor da Ku Klux Klan. 
“País de mestiços, onde o branco não tem força para organizar uma Ku Klux Klan, é país perdido para os altos destinos”, 
revelou em carta escrita ao amigo, o cientista Arthur Neiva (1880-1945), de 10 de abril de 1928. “Um dia se fará justiça a 
Ku Klux Klan”.
Não é de hoje que Lobato é alvo de criticas. Em 1997, quando foi lançada a biografia “Monteiro Lobato: Furacão na Bo-
tocúndia”, escrito a seis mãos por Carmen Lúcia de Azevedo, Márcia Camargos e Vladimir Sacchetta, o criador do Sitio do 
pica-pau amarelo começou a sofrer as primeiras represálias. Doutora em História pela USP, Márcia Camargos afirma que, 
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mais do que reforçar estereótipos, a obra lobatiana pode instigar crianças, jovens e adultos a refletir sobre o tema do racismo 
e da negritude. “Se estivesse vivo hoje, em pleno século 21, com toda certeza Lobato não teria usado aqueles termos, nem 
defendido tais ideias. A história muda, os valores e a percepção da realidade também. Ele nunca se recusou a admitir seus 
erros e mudar de rota”, opina a historiadora.
“CANCELAR AUTORES RACISTAS OU EDITAR LIVROS POLÊMICOS? ESPECIALISTAS OPINAM” HTTPS://TAB.UOL.COM.BR/ (08.10.2020)
Texto III
Iniciativas diversas procuram criar hábito de leitura em um país que lê pouco
Uma pesquisa Ibope de 2016 apontou que 44% dos brasileiros não têm hábito de ler e 30% nunca compraram um livro. 
Além disso, na comparação com a média de 4,96 livros lidos por pessoa ao ano, 2,53 não são terminados. Nesse cenário 
desolador, surgem iniciativas de incentivo à leitura como redes sociais de leitores, clubes de assinatura de livros, youtubers 
especializados em literatura, minibibliotecas comunitárias e a atuação em escolas públicas de educadores responsáveis 
exclusivamente pela sala de leitura e por contar histórias.
Uma iniciativa de incentivo à leitura que pode atingir públicos mais carentes é a das Gelotecas, minibibliotecas comunitárias 
em geladeiras espalhadas em espaços públicos de diversas cidades. O projeto está presente em estados como Ceará, Mato 
Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Em São Paulo destaca-se João Belmonte, artista plástico e 
professor de artes conhecido como Tody One, que espalha geladeiras velhas que grafita e enche de livros em bom estado 
em bairros periféricos da Zona Leste de São Paulo [leia entrevista abaixo]. “Quando eu vi essa ideia das geladeiras em uma 
reportagem, elas tinham um cadeado; eu fiz uma intervenção artística, coloquei na calçada e sem cadeado e acreditei no 
retorno dos livros”, conta. “O que me motiva é saber que com pouco mudamos a rotina do meu bairro, e isso é política 
pública”, acrescenta o artista plástico.
Nas escolas públicas também há iniciativas que incentivam a leitura, como professores responsáveis pela Sala de Leitura 
nas escolas estaduais de São Paulo (ensino fundamental II – 6º ao 9º ano e ensino médio), projeto que conta com mais de 
2,3 milhões de alunos atendidos, atingindo 3.143 escolas em 604 municípios. Roseli Campos, professora responsável pela 
Sala de Leitura da Escola Américo Virgínio dos Santos em Botucatu (SP), comenta as estratégias para incentivar a leitura 
nesse espaço: “Os alunos recebem uma carteirinha no sexto ano para retirada dos livros, podendo levar os livros para casa 
e ficando um determinado tempo. Trabalhamos temas mensais, como, por exemplo, prevenção do suicídio. Também fazemos 
roda de leitura na sala de aula e em outros ambientes da escola.”
Ainda no contexto escolar, a prefeitura de Botucatu foi a primeira do Brasil a contratar um profissional exclusivamente para 
os projetos de leitura nas escolas da rede municipal. “A visita dos alunos à sala de leitura para retirada de livros é sempre 
acompanhada de alguma atividade, como contação de histórias, vídeos, leitura individual ou coletiva, músicas ou ainda 
alguma atividade específica solicitada pelo professor. Isso torna a vinda à sala de leitura sempre estimulante e aguardada 
pelas turmas”, explica Rogério Moraes, profissional contador de histórias da rede municipal.
O incentivo à leitura de livros também pode estar na própria forma de comercializá-los, como os clubes online de assinaturas 
de livros que podem atingir públicos de todo o Brasil. Os assinantes pagam um valor mensal para receberem livros e materiais 
relacionados (revista sobre autor e obra, box literário etc.) diretamente em suas casas. São livros “surpresa” dentro do perfil 
e das preferências literárias dos assinantes. A Tag Experiências Literárias segue esse perfil e tem mais de 50 mil assinantes. 
“A Tag atinge diversos públicos em termos de faixa etária e orientação literária. Estamos em quase 3 mil cidades de todos os 
estados brasileiros”, diz Arthur Dambros, cofundador da empresa. Essa iniciativa privada foi inspirada no Círculo do Livro, que 
vendia obras disponibilizadas em catálogo em um modelo de assinatura e foi um sucesso nas décadas de 1970 e 80. Arthur 
ainda destaca o aplicativo Cabeceira, desenvolvido e recém-lançado pela Tag. “É um assistente pessoal de leitura, em que 
você poderá organizar sua biblioteca, acompanhar seu desempenho como leitor, colocar metas de leitura, calcular o tempo 
de conclusão de leitura de cada livro etc. Serve tanto para leitores quanto para quem está tentando fazer o hábito vingar.”
A maior plataforma de vídeos da internet – YouTube – também tem se mostrado um importante meio de incentivo à lei-
tura com o sucesso dos booktubers, produtores de conteúdo que comentam sobre livros. Eles recebem financiamentos de 
editoras e usam uma linguagem coloquial, oferecendo dicas de leitura e de escrita a um público jovem. Embora não queiram 
roubar o espaço da crítica tradicional, muitas vezes são condenados por usarem abordagem supostamente superficial de 
temas literários e por receberem dinheiro para comentar determinada obra. Apesar disso, os booktubers chegam a ter mi-
lhões de visualizações e milhares de inscritos.
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Dentre os booktubers mais conhecidos destacam-se Tatiana Feltrin, Eduardo Cilto, Pam Gonçalves e Melina Souza. Feltrin 
comenta livros e resenhas, e seu canal tem cerca de 383 mil inscritos e mais de 10 milhões de visualizações. Cilto comenta 
sobre o mundo da literatura em geral e tem cerca de 356 mil inscritos em seu canal, enquanto o foco do canal de Melina 
Souza são dicas literárias, com aproximadamente 156 mil inscritos. O canal de Pam Gonçalves não é focado só em livros, mas 
também em séries e filmes, atingindo mais de 4 milhões de visualizações e quase 300 mil inscritos.
O Skoob é a maior rede social de leitores do Brasil, com mais de 5 milhões de pessoas compartilhando experiências literárias, 
e foi lançada em 2009 pelo desenvolvedor Lindenberg Moreira. Essa rede gratuita funciona como uma estante virtual, na 
qual as pessoas podem colocar os livros que já leram e aqueles que ainda desejam ler, compartilhar resenhas e opiniões com 
amigos, trocar livros e até participar de sorteios. Também permite interatividade com outras redes sociais, como o Twitter e o 
Facebook, bem como com lojas de comércio eletrônico. Além disso, o Skoob oferece ferramentas para os skoobers – como 
são chamados os leitores nessa rede social – criarem hábitos de leitura. Marcar livros favoritos, os que desejam ter ou que 
já têm, aqueles que são meta de leitura, ou trocar ideias sobre as atualizações de usuários com os mesmos gostos literários, 
são exemplos dessas ferramentas.
Entrevista com Tody One
João Belmonte é formado em artes plásticas pela Universidade Brazcubas, pós-graduando em psicopedagogia pela FMU, 
professor de artes, artista visual, poeta e grafiteiro. Também já foi dançarino e trabalhou em projetos sociais. “Tody já era 
um nome que eu usava em graffiti, depois quando comecei a dançar breaking eu adotei Tody One, então ficou como nome 
artístico.”
Os livros sempre fizeram parte da sua vida? Quais características resumem um bom livro?
Os livros não faziam parte da minha vida, foi um construção de anos, pois na periferia o estudo vem depois do trabalho. Eu 
tive que trabalhar muito cedo e colocar comida em casa, hoje eu leio muita filosofia e política, antes eu lia muita poesia e 
romance, acredito que são fases, mas hoje eu procuro mais a literatura preta que me faz bem. 
O que levou você a ser um dos criadores da Geloteca e ainda estar à frente desse projeto até hoje?
Na real ela já existia, eu só sou criador de um conceito diferente. Quando vi em uma reportagem, a geladeira tinha um cade-
ado. Eu fiz uma intervenção artística, coloquei na calçada e sem cadeado e acreditei no retorno dos livros, nunca aconteceu 
de eles não voltarem. Então por isso se tornou essa loucura, acreditar na sociedade e que ela pode mudar através de bons 
exemplos. O que motiva até hoje é saber que com pouco, mudamos a rotina do meu bairro, e isso é política pública, logo eu 
vi que existia uma vácuo na cultura e educação que era a educação popular, e que era eu que tinha que puxar, pois ninguém 
mais queria fazer. E eu não ia esperar um branco de classe média fazer algo por nós.
Num mundo acelerado e com excesso de informações, você observa dificuldade nas pessoas para desen-
volver paciência, concentração e compreensão de leitura?
Eu sugiro cuidar da saúde mental, ter um espaço em casa que aguça a pensar e a descansar, com plantas ao redor, isso faz 
ter uma sensação de relaxamento. Ter livros por perto faz com que a leitura se torne prazerosa, ler por obrigação para estudo 
acaba sendo automático, ler rápido e sintetizar só o que interessa para a questão de prova não contribui para o conhecimen-
to. É necessário esvaziar a mente da aceleração da cidade.
Os livros digitais estão substituindo os impressos ou apenas vêm para somar?
Vêm pra somar. Mas existem comunidades que ainda não tiveram nem acesso à internet. Acredito que os digitais possam 
contribuir com o acesso de ter na palma da mão livros difíceis de achar. Estão sendo usados muito pouco ainda.
Além da geloteca, quais iniciativas, sobretudo públicas, de incentivo à leitura você destacaria?
Além das gelotecas, uma boa iniciativa pública para mim é saraus. A melhor coisa do mundo é você conhecer pessoas que 
comungam a palavra e fazem da poesia um grito de liberdade. O sarau aguça a vontade de ler, quando você vê e ouve 
um poeta declamando uma poesia e encaixando palavras que soam como música aos ouvidos, faz você procurar quais 
referências ele usou para fazer aquilo, logo faz você exercitar o hábito de escrever e para escrever é necessário ler mais.
HTTP://WWW.COMCIENCIA.BR/INICIATIVAS-DIVERSAS-PROCURAM-CRIAR-HABITO-DE-LEITURA-EM-UM-PAIS-QUE-LE-POUCO/ (05.12.2019)
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É IMPORTANTE SABER
I. DADO HISTÓRICO RELEVANTE 
No início do século XX, após a abolição da escravatura no Brasil, algumas representações do negro começam a aparecer 
na literatura, a princípio não relacionadas à importante contribuição cultural dos afrodescendentes para a história de nosso 
país, mas sim, com suas trajetórias de sofrimento e dor. A figura do negro era praticamente inexistente nos livros antes disso 
e, obviamente, não havia qualquer tipo de preocupação com a criança negra. Esta não tinha visibilidade alguma no cenário 
burguês, supostamente moderno e civilizado que aqui se procurava instaurar.
JESSICA OLIVEIRA FARIAS “A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA LITERATURA INFANTIL BRASILEIRA” 
PERIFERIA, VOL. 10, NÚM. 1, 2018 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
Para a escritora Sonia Travasso, doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em 
literatura infantil e juvenil, existe um grupo que não admite que a obra seja modificada em nada e outros grupos que consi-
deram que é interessante mudar uma ou outra palavra, especialmente aquelas que trazem uma ideia de racismo, o que, para 
a educadora, não significa que Lobato era racista, pois utilizava termos que eram naturalizados naquela época. 
“Uma das editoras optou por colocar, quando há termos considerados estranhos ou termos de antigamente, como nota de 
rodapé, a Emília e a Narizinho conversando e comentando aquele termo, foi uma saída bem inteligente da Companhia das 
Letrinhas”, afirmou a educadora. 
Sonia Travasso explica que, desde que a obra de Lobato caiu em domínio público, diversos escritores e editoras vêm fazendo 
alterações. “Muitos acham que vale a pena tirar estas palavras, para deixar o texto mais de acordo com debates e questiona-
mentos muito presentes na sociedade de hoje. Essas questões esbarram muito na questão educacional, na mediação desta 
leitura que se faz na escola”, diz. 
A educadora defende, entretanto, a importância em manter a essência da obrae dos personagens. “Eu acredito que é impor-
tante a gente escrever o texto como o autor escreve, na mediação da leitura na escola, e colocar em debate essas questões 
que por vezes aparecem na obra de Monteiro Lobato. Mas, não vejo problema em trocar alguns termos. Só acho que tem 
que tomar cuidado para não adulterar a obra”.
“BISNETA DE MONTEIRO LOBATO EXCLUI PASSAGENS RACISTAS EM ADAPTAÇÃO DE CLÁSSICO” HTTPS://WWW.CNNBRASIL.COM.BR/ (02.12.2020)
III. EXEMPLOS DO COTIDIANO 
Nem o quadrinista belga Georges Remi (1907-1985), o Hergé, escapou de acusações de racismo. Em 2007, a CRE (Comissão 
para Igualdade Racial) do Reino Unido pediu às livrarias britânicas que, por causa de seu conteúdo racista, retirassem a HQ 
“Tintim na África” (1931) — o segundo dos 24 livros lançados entre 1930 e 1986 — das prateleiras. Três anos depois, um 
cidadão congolês moveu uma ação e pediu á Justiça belga que proibisse sua venda. Passados dois anos de processo, Hergé 
foi “absolvido”.
 “CANCELAR AUTORES RACISTAS OU EDITAR LIVROS POLÊMICOS? ESPECIALISTAS OPINAM” HTTPS://TAB.UOL.COM.BR/ (08.10.2020)
IV. CITAÇÃO 
A) A importância de estudar autores negros não se baseia numa visão essencialista, ou seja, na crença de que devem ser 
lidos apenas por serem negros. A questão é que é irrealista que numa sociedade como a nossa, de maioria negra, somente 
um grupo domine a formulação do saber. É possível acreditar que pessoas negras não elaborem o mundo? É sobre isso que 
a escritora Chimamanda Ngozi Adichie alerta ao falar do perigo da história única. O privilégio social resulta no privilégio 
epistêmico, que deve ser confrontado para que a história não seja contada apenas pelo ponto de vista do poder. É danoso 
que, numa sociedade, as pessoas não conheçam a história dos povos que a construíram. 
DJAMILA RIBEIRO. IN: PEQUENO MANUAL ANTIRRACISTA
B) As criações ficcionais e poéticas podem atuar de modo subconsciente e inconsciente, operando uma espécie de inculca-
mento que não percebemos. Quero dizer que as camadas profundas da nossa personalidade podem sofrer um bombardeio 
poderoso das obras que lemos e que atuam de maneira que não podemos avaliar.
ANTONIO CANDIDO. IN: A LITERATURA E A FORMAÇÃO DO HOMEM
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V. LEGISLAÇÃO 
O Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL – foi instituído por meio da Portaria Interministerial Nº 1.442, de 10 de agosto de 
2006, pelos ministros da Cultura e da Educação. E, em 1º de setembro de 2011, foi instituído por meio do decreto Nº 7.559.
As diretrizes para uma política pública voltada à leitura e ao livro no Brasil (e, em particular, à biblioteca e à formação de 
mediadores), apresentadas neste Plano, levam em conta o papel de destaque que essas instâncias assumem no desenvol-
vimento social e da cidadania e nas transformações necessárias da sociedade para a construção de um projeto de nação 
com uma organização social mais justa. Elas têm por base a necessidade de formar uma sociedade leitora como condição 
essencial e decisiva para promover a inclusão social de milhões de brasileiros no que diz respeito a bens, serviços e cultura, 
garantindo-lhes uma vida digna e a estruturação de um país economicamente viável.
Quatro eixos orientam a organização do Plano:
 EIXO 1 – Democratização do acesso
 EIXO 2 – Fomento à leitura e à formação de mediadores
 EIXO 3 – Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico
 EIXO 4 – Desenvolvimento da economia do livro
Pretende-se conferir a este Plano a dimensão de uma Política de Estado, de natureza abrangente, que possa nortear, de 
forma orgânica, políticas, programas, projetos e ações continuadas desenvolvidos no âmbito de ministérios – em particular 
os da Cultura e da Educação –, governos estaduais e municipais, empresas públicas e privadas, organizações da sociedade 
e, em especial, todos os setores interessados no tema.
HTTP://WWW.CULTURA.GOV.BR/PNLL
MULTIMÍDIA
I. LER
 Questões de herança: Do amor à literatura (e ao escravo) – Marcos P. Natali (Universidade de São Paulo) 
http://www.letras.ufmg.br/literafro/artigos/artigos-teorico-criticos/141-marcos-
-p-natali-questoes-de-heranca-do-amor-a-literatura-e-ao-escravo
 Literatura e racismo: uma análise sobre Monteiro Lobato e sua obra - Rodrigo de Oliveira Ribeiro
https://www.conjur.com.br/2015-dez-12/literatura-racismo-analise-monteiro-lobato-obra
 A representação do negro na literatura infantil brasileira – Jessica Oliveira Farias 
https://www.redalyc.org/jatsRepo/5521/552157593002/html/index.html
 Devemos editar os termos racistas nas obras de Monteiro Lobato?
https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/01/29/devemos-editar-os-termos-racACistas-nas-obras-de-montei-
ro-lobato.htm
II. VER
 Dentro da Minha Pele – Direção de Val Gomes, Toni Venturi (2020)
Nove pessoas comuns, com diferentes tons de pele negra, apresentam seu cotidiano na cidade de São Paulo e compar-
tilham situações de racismo, dos velados aos mais explícitos.
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PROPOSTA ENEM
Texto I
Ao longo da história e atualmente, em que nos deparamos com um mundo das tecnologias, de informações instantâneas e 
do conhecimento das múltiplas linguagens, a leitura nos possibilita aprimorar a habilidade comunicativa, dinamizar o racio-
cínio e a compreensão textual, ampliar o contato com a norma culta da língua, praticar a gramática e o enriquecimento do 
vocabulário, evidenciando que ela está intimamente associada ao saber, ao desenvolvimento intelectual e pessoal. Os con-
teúdos trabalhados na escola, por exemplo, poderiam ser muito mais significativos e dificilmente esquecidos pelas pessoas, 
se a leitura rotineira fosse um hábito na vida das mesmas. As dúvidas, muitas vezes, frequentes durante a escrita, deixariam 
de existir, pois a leitura transforma nosso conhecimento, tornando-o mais amplo e diversificado.
"MUITO ALÉM DOS LIVROS" HTTPS://WWW.TERRA.COM.BR/ (11.03.2019)
Texto II
Aumentou o número de leitores no Brasil. Essa é uma das conclusões da quarta pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 
divulgada em maio de 2016, em São Paulo. Estima-se que 104,7 milhões de brasileiros (ou 56% da população acima dos 5 
anos de idade) leram pelo menos partes de um livro nos últimos três meses. Em 2011, quando foi realizada a última edição 
da pesquisa, esse índice era de 50%. A pesquisa revela ainda que houve aumento nos índices de leitura per capita. Se em 
2011, um brasileiro lia quatro livros por ano, em 2015, o índice chegou a 4,96. Os aumentos – tanto da população leitora 
quanto dos índices de leitura – foram sentidos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Norte. No Nordeste, a população 
leitora se manteve estável (51% de leitores) e os índicesde leitura per capita caíram de 4,3 livros por ano em 2011 para 
3,93 em 2015.
 
 “RETRATOS DA LEITURA MOSTRA MELHORIA NO PERFIL DO LEITOR BRASILEIRO” HTTPS://WWW.PUBLISHNEWS.COM.BR (19.05.2016)
Texto III
O anuário da Educação Básica 2019, elaborado pela ONG Todos pela Educação, mostra que apenas 45% das escolas pú-
blicas brasileiras possuem biblioteca ou sala de leitura. Além disso, menos da metade (45,3%) dos estudantes do 3º ano do 
ensino fundamental tem nível de proficiência considerado suficiente em leitura.
Para o ilustrador Roger Mello, único brasileiro a vencer o Hans Christian Andersen – o prêmio de literatura infantil mais 
prestigioso do mundo –, a biblioteca deveria ser o coração (ou o cérebro) da escola.
“A biblioteca leva ao aluno a possibilidade e a capacidade de descobrir suas zonas de interesse. Não existe aprendizagem 
sem ficção, sem fantasia”, diz Mello.
"DESMONTE DO PNLL DIFICULTA ACESSO À LITERATURA NA ESCOLA" HTTPS://DESAFIOSDAEDUCACAO.GRUPOA.COM.BR/ (16.09.2019)
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Texto IV
A pesquisadora Ângela Kleiman (1993) evidenciou claramente como a leitura foi aplicada pelos educadores em sala de aula, 
e como foi vista pelos educandos do ensino fundamental: “A leitura é vista pelo corpo discente como algo “massacrante”, 
imposta pelos mestres. ” Isso aconteceu porque ela foi aplicada de um modo incorreto desde as séries iniciais. As escolas 
usaram excessivamente os livros didáticos, em que o texto era apenas um grupo de componentes gramaticais, os quais foram 
trabalhados separadamente, de forma desconexa. 
“DIFICULDADES NA FORMAÇÃO DO HÁBITO DE LER”HTTPS://WWW.AMIGOSDOLIVRO.COM.BR (15.05.2019)
 A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema A PROMO-
ÇÃO DOS HÁBITOS DE LEITURA NA FORMAÇÃO EDUCACIONAL NO BRASIL, apresentando proposta de interven-
ção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para 
defesa de seu ponto de vista.
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PROPOSTA VESTIBULAR
Texto I
A notícia de que Cleo Monteiro Lobato, bisneta de Monteiro Lobato, pretende reeditar livros do autor suprimindo trechos 
considerados racistas por alguns críticos gerou reação entre integrantes do governo federal. O secretário de Cultura, Mário 
Frias, e o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, criticaram nas redes sociais a notícia.
“Eu acho que há passagens problemáticas para quem lê os livros hoje em dia. A gente queria uma versão atualizada, cujo 
teor fosse compatível com os valores sociais contemporâneos, mas que mantivesse o estilo do Lobato”, disse Cleo à Folha 
de S. Paulo quando o projeto foi anunciado.
Mário Frias reagiu nas redes sociais classificando como uma “vergonha” a edição da obra de Lobato. “Quantos livros e 
histórias maravilhosas que embalaram minha infância. Que vergonha! ”. Já Camargo utilizou como exemplo o pai, o poeta 
Oswaldo de Camargo, para criticar a bisneta de Lobato. “Meu pai é escritor. Alterar uma única palavra de sua obra, após sua 
morte, seria como esfaqueá-lo pelas costas.” 
Há alguns anos a obra de Monteiro Lobato vem passando por uma reavaliação crítica. De um lado, há quem defenda a 
edição do texto original para que haja uma readequação aos valores mais contemporâneos. No entanto, há também quem 
prefira a preservação do texto original como forma de não mutilar a obra do autor.
"SECRETÁRIO DE CULTURA CHAMA DE VERGONHA REEDIÇÃO DE MONTEIRO LOBATO SEM TRECHOS RACISTAS" HTTPS://RASCUNHO.COM.BR/ (23.12.2020)
Texto II
O historiador mineiro Juvenal Lima Gomes vê com bons olhos a reedição feita por Cleo Monteiro Lobato. “É preciso entender 
esse autor em seu contexto. Discutir esse contexto é tão importante quanto se deliciar com a sua trama. Esse exercício de 
questionar é o que a Cleo faz. Ela chama a atenção para esses elementos, que, para muitas pessoas, passa despercebido. 
Essa é a função da arte, provocar a mudança de pensamento em relação a algo que está posto”, defende.
Gomes acredita que é preciso olhar o conteúdo de Monteiro Lobato sob a perspectiva da época em que foi escrito e lançado. 
“Não estudamos história para julgar e tentar avaliar, com os valores de hoje, as posições do passado. Nós somos seres em 
transformação e esse é o maior brilhantismo”, afirma. Mesmo assim, ele reforça que atualizações são necessárias para que 
reflitam as mudanças ocorridas na sociedade. “Esse é um tema muito caro para nós, negros, porque deixou marcas na so-
ciedade. As pessoas falam ‘agora tudo virou racismo’. Não, as pessoas é que passaram a ter mais consciência e sensibilidade 
sobre um tema que sempre as machucou. Hoje, minha filha terá a oportunidade de ler Lobato se deparando com persona-
gens que não serão caracterizados pela pele, mas pelo papel no enredo. Isso é valioso”, completa.
“BISNETA SUPRIME TERMOS RACISTAS EM REEDIÇÃO DA OBRA DE MONTEIRO LOBATO” HTTPS://WWW.CORREIOBRAZILIENSE.COM.BR/ (19.12.2020)
Texto III
Mário Augusto Medeiros da Silva – professor de ciências sociais da Unicamp e que se debruça sobre a área da literatura – 
não concorda com a edição das obras: “Eu entendo a decisão tomada pela família, mas a minha posição seria de que vale a 
pena fazer, no máximo, alterações ortográficas, em relação à língua, e manter a obra em si tal qual ela está”, diz.
“Que o leitor seja beneficiado com uma nota prévia, um prefácio, um texto analítico para que faça suas próprias ponde-
rações, embora eu entenda que a adaptação é uma saída que ela [Cleo Monteiro Lobato] encontrou para se adequar aos 
novos tempos.”
Segundo o acadêmico, é importante compreender Monteiro Lobato inserido no contexto em que viveu, também enquanto 
cidadão e não só como escritor. Segundo ele, limpar esse aspecto de sua vida e obra é uma opção da família, mas que ofusca 
a trajetória e as contradições do autor.
“Isso não apaga o editor, o homem preso pelo Estado Novo, o nacionalista que lutou pela Campanha do Petróleo, o criador 
de uma literatura infantil no Brasil. Mas também faz parte dele ser pensado como um autor que não foi tão além de seu 
tempo, um tempo racista. Nenhum artista deve ser tratado de maneira sagrada, todos estão envolvidos com questões de seu 
tempo, e é saudável que os leitores saibam disso.”
“BISNETA DE MONTEIRO LOBATO QUER APAGAR RACISMO DE SUA OBRA” HTTPS://WWW.FOLHAPE.COM.BR/ (02.12.2020)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
OSTERMOS DE CUNHO RACISTA DAS OBRAS INFANTOJUVENIS DEVEM SER EDITADOS?
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PROPOSTAS EXTRAS ENEM
Proposta I
Texto I
Em consonância com o Comentário Geral do Comitê dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da Organização das Nações 
Unidas – ONU, moradia adequada não é aquela que apenas oferece guarida contra as variações climáticas. Não é apenas um 
teto e quatro paredes. É muito mais: É aquela com condição de salubridade, de segurança e com um tamanho mínimo para 
que possa ser considerada habitável. Deve ser dotada das instalações sanitárias adequadas, atendida pelos serviços públicos 
essenciais, entre os quais água, esgoto, energia elétrica, iluminação pública, coleta de lixo, pavimentação e transporte coleti-
vo, e com acesso aos equipamentos sociais e comunitários básicos (postos de saúde, praças de lazer, escolas públicas, etc.). 
“DIREITO À MORADIA” HTTP://WWW.URBANISMO.MPPR.MP.BR/MODULES/CONTEUDO/CONTEUDO.PHP?CONTEUDO=9 (ACESSO EM 06.07.2020)
Texto II
Segundo dados do IBGE, pelo menos 8,3 milhões de brasileiros e brasileiras moram em áreas com riscos de desastres 
naturais. São quase 2,5 milhões de moradias, em todas as regiões do país, sujeitas a serem levadas por deslizamentos e 
enxurradas, entre outras ocorrências geológicas, hidrológicas e similares.
Os números fazem parte da publicação “População em áreas de risco no Brasil”, estudo feito em conjunto com o Centro 
Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), instituição pública federal vinculada ao Ministério 
da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Os dados se referem a 2010; no entanto, apesar de certa defasagem, 
continuam a retratar a calamidade da área de habitação do país.
Vale lembrar que, além dessas 2,5 milhões de moradias em condições de risco, o Brasil tem um déficit habitacional de mais 
de 6 milhões de unidades, segundo levantamento mais recente da Fundação João Pinheiro, com informações de 2014.
Tanto o estudo do IBGE/Cemaden como o da João Pinheiro mostram que garantir que sua gente more com dignidade está 
entre os desafios urgentes do país.
“O DESAFIO DE O BRASIL DAR MORADIA DIGNA A SUA GENTE” HTTPS://WWW.CARTAMAIOR.COM.BR (18.07.2018)
Texto III
Historicamente, a falta de alternativas habitacionais, gerada por fatores como o intenso processo de urbanização, baixa 
renda das famílias, apropriação especulativa de terra urbanizada e inadequação das políticas de habitação, levou um contin-
gente significativo da população a viver em assentamentos precários. O déficit habitacional, acumulado ao longo de décadas 
e a demanda habitacional futura representam um desafio de cerca de 31 milhões de novos atendimentos habitacionais até 
2023. Diante da complexidade e da escala dos desafios postos nesse setor, é preciso garantir a continuidade dos recursos e 
dos principais programas habitacionais. Programas de urbanização de assentamentos precários e de produção habitacional 
demandam modelos mais efetivos e sustentáveis de recursos e subsídios para as famílias de baixa renda que ainda não 
conseguem acessar financiamento pelos meios tradicionais do mercado.
PLANO NACIONAL DE HABITAÇÃO. MINISTÉRIO DAS CIDADES. 2010.
Texto IV
De acordo com um novo estudo do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, 330 milhões de famílias em todo o mundo, 
o equivalente a 1,2 bilhão de pessoas, não têm acesso a habitação segura e de qualidade. Sem ações imediatas, o problema 
se tornará ainda mais crítico, uma vez que o déficit habitacional deve ter um aumento de 30% até 2025, chegando a 1,6 
bilhão de pessoas. 
Segundo Robin King - principal autora do estudo e diretora de Captura de Conhecimento e Colaboração do WRI Ross Centro 
- a questão habitacional é difícil de ser compreendida, pois usualmente é vista de modo superficial: “A habitação é um tópico 
frequentemente dividido em categorias opostas: público ou privado, formal ou informal”. Por isso, neste estudo, nós avalia-
mos as opções de habitação em um espectro que combina diferentes perspectivas de posse, espaço, serviços e financiamento.
HTTPS://WRIBRASIL.ORG.BR/PT/BLOG/2017/07/12-BILH%C3%A3O-DE-PESSOAS-VIVEM-SEM-ACESSO-%-
C3%A0-HABITA%C3%A7%C3%A3O-DE-QUALIDADE-NAS-CIDADES (12.07.2017)
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema A GARANTIA 
DO ACESSO À MORADIA DIGNA NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. 
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 
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Proposta II
Texto I
Em vigor há 28 anos, a Lei de Cotas para Deficientes apresenta resultados aquém do esperado, tanto pelo governo como por 
entidades que atuam na defesa dos direitos de pessoas com deficiência.
A legislação prevê que empresas com 100 ou mais funcionários tenham entre 2% e 5% de trabalhadores portadores de 
deficiência. No entanto, segundo dados da Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, este percentual nunca passou 
de 1%.
“LEI DE COTAS PARA DEFICIENTES COMPLETA HOJE 28 ANOS” HTTPS://AGENCIABRASIL.EBC.COM.BR (24.07.2019)
Texto II
O assistente de conteúdo web da empresa Catho, Alvaro Zermiani, é cego e relata que já sofreu preconceito em processos 
seletivos. Para ele, quando a deficiência é mais extrema – como pessoas que não enxergam ou não escutam nada — as 
dificuldades aumentam ainda mais. “Às vezes me ligavam e falavam sobre só ter escadas na empresa. Se não tem elevador, 
eu subo escada. As pessoas têm medo e pouca informação sobre a nossa condição”, afirma. Segundo Zermiani, no seu caso, 
é possível trabalhar de forma bastante autônoma se for disponibilizado um computador com leitor de tela programa gratuito.
“METADE DAS VAGAS PARA DEFICIENTES NAS EMPRESAS ESTÁ DESOCUPADA ”HTTPS://NOTICIAS.R7.COM/ECONOMIA (04.11.2019)
Texto III
FONTE: MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO
Texto IV
HTTPS://WWW.CAMARAINCLUSAO.COM.BR/SEM-CATEGORIA/RAIS-2018-PROFISSIONAIS-COM-DEFICIENCIA-SEGUEM-A-MARGEM-NO-ACESSO-AO-TRABALHO/
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema COMBATE AO 
PRECONCEITO CONTRA DEFICIENTES NO MERCADO DE TRABALHO, apresentando proposta de intervenção que 
respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de 
seu ponto de vista. 
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Proposta III
Texto I
Texto II
Art. 1º Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional. § 1º No 
contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, 
intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, 
com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre 
as partes envolvidas. § 2º O Programa instituído no caput poderá fundamentar as ações do Ministério da Educação e das 
Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como de outros órgãos, aos quais a matéria diz respeito. 
LEI Nº 13.185, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2015. HTTP://WWW.PLANALTO.GOV.BR/CCIVIL_03/_ATO2015-2018/2015/LEI/L13185.HTM
Texto III
A escola é o segundo grupo mais relevante na jornada à vida adulta da criança, é o espaço onde ela experimen-tará as 
primeiras tensões, dificuldades, desafios que a convivência coletiva acarretará. Por esse motivo, embora saibamos que o 
bullying não esteja circunscrito a um lugar, por estarmos trabalhando com crianças em processo de formação, será na escola 
que as crianças, provavelmente, conhecerão o significado desta ação. Por isso, quanto mais a escola estiver preparada para 
enfrentá-la, mais eficiente será no seu combate. 
BULLYING NÃO É BRINCADEIRA DE CRIANÇA! - ESTADÃO - 17/09/2015 HTTP://EDUCACAO.ESTADAO.COM.BR/ 
BLOGS/COLEGIO-PLAYPEN/BULLYING-NAO-E-BRINCADEIRA-DE-CRIANCA 
Texto IV
A prevenção ao suicídio se assemelha de certa forma com o combate ao bullying: não é suficiente falar nesses dois fenôme-
nos sem que as motivações e causas por trás dos mesmos sejam analisadas com seriedade e combatidas. Em muitos casos, 
o bullying é também uma manifestação de racismo, homofobia e machismo. E quando o assunto é suicídio, o sofrimento 
agudo também é efervescido pelos preconceitos da sociedade. Suicídios induzidos pelo preconceito.
JARID ARRAES - 11/09/2015 HTTP://WWW.REVISTAFORUM.COM.BR/QUESTAODEGENERO/2015/09/11/SUICIDIOS-INDUZIDOS-PELO-PRECONCEITO/ 
Texto V
O bullying parece ser uma forma de violência mais indiferenciada do que a presente no preconceito mais arraigado, que tem 
alvos definidos e justificativa para sua existência, e corresponder a uma maior fragilidade do indivíduo que o pratica; nesse 
sentido, o preconceito menos delineado pode ser a atitude que pode levar à ação do bullying; esse também parece expressar 
melhor uma cultura homogênea, que, pela (falsa) formação, constitui indivíduos frios, insensíveis e com dificuldades de for-
mular seus desejos e os reconhecer o que pode direcioná-los a uma forma de violência difusa, ao contrário do preconceito, 
que se fixa em necessidades mais bem delimitadas. Isso não significa que ambas as formas de violência não possam, por 
vezes, ocorrer conjuntamente – uma vítima do bullying o ser devido ao preconceito –, mas que, se podem corresponder a 
diversas necessidades psíquicas, devem ser combatidas de modos distintos.
CROCHÍK, JOSÉ LEON. “FORMAS DE VIOLÊNCIA ESCOLAR: PRECONCEITO E BULLYING”. REVISTA MOVIMENTO N. 3. 
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, RIO DE JANEIRO, 2015.
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija 
texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema CAMINHOS PARA 
COMBATER O BULLYING NAS ESCOLAS BRASILEIRAS, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos 
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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Proposta IV
Texto I
O ativismo digital, de acordo com Oscar Howell-Fernández, é uma forma poderosa de expressão e de ação social. “É uma re-
presentação mais ou menos exata de nossas preferências e de nossa atividade social que se desenvolve de maneira constante 
e diária online, diante de instituições públicas ou privadas, governamentais ou comerciais”, afirma em seu livro. Cada clique, 
cada comentários, cada like é um tipo de voto. Às vezes, esse magma de opiniões eclode em forma de protesto; no resto do 
tempo é uma fonte incrível de informação para os cientistas de dados. 
OSCAR HOWELL-FERNÁNDEZ, EM ENTREVISTA AO EL PAÍS. “A SILENCIOSA TOMADA DE PODER DO ATIVISMO DIGITAL” HTTPS://BRASIL.ELPAIS.COM/BRASIL/ (08.12.2017)
Texto II
As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não 
para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que 
escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito 
úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.
ZIGMUNT BAUMAN, EM ENTREVISTA AO EL PAÍS. “ZYGMUNT BAUMAN: “AS REDES SOCIAIS SÃO UMA ARMADILHA” 
” HTTPS://BRASIL.ELPAIS.COM/BRASIL/2015/12/30/CULTURA/1451504427_675885.HTML (30.12.2015)
Texto III
Rede Mobilizadores – Alguns especialistas chamam o ciberativismo de ativismo de sofá, num certo tom pejorativo e dizem 
temer o enfraquecimento das formas tradicionais de protesto. O que pensa a respeito?
R. Gustavo – De fato, é plenamente possível que, a partir de um sofá, uma pessoa acabe se envolvendo em uma série de 
iniciativas virtuais. Essa conduta pode ser boa ou ruim. Se houver a ilusão de que tais iniciativas substituem a articulação e o 
engajamento no mundo “real”, então não há dúvidas de que teremos sérios problemas. Por outro lado, esse ativismo virtual 
pode ser um importante elemento para se somar à militância no mundo “real”. Imaginemos, por exemplo, uma iniciativa con-
trária à construção de uma hidrelétrica que vai inundar uma área indígena. O uso das redes sociais pode ser importante fer-
ramenta de mobilização, tanto para ampliar o alcance da luta quanto para constranger os tomadores de decisão. No entanto, 
as iniciativas na internet jamais poderão substituir a luta concreta, no mundo real, dos povos atingidos por essa barragem.
ENTREVISTA A GUSTAVO GINDRE, JORNALISTA, PROFESSOR E INTEGRANTE DO COLETIVO INTERVOZES. HTTP://WWW.MOBILIZADORES.ORG.BR/ 
ENTREVISTAS/ATIVISMO-VIRTUAL-SO-E-EFICAZ-SE-HOUVER-ENGAJAMENTO-NO-MUNDO-REAL/ 
Texto IV
ESTUDO ESPECIAL MOBILE, DIVULGADO PELO IBOPE NIELSEN (PESQUISA REALIZADA ENTRE 25 DE ABRIL A 2 DE MAIO DE 2012) 
HTTP://WWW.NUVEMLAB.COM.BR/BLOG/HABITOS-DOS-INTERNAUTAS-DE-INTERNET-MOVEL/
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de suaformação, 
redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema DESAFIOS 
PARA TRANSFORMAR O CYBERATIVISMO EM MUDANÇAS SOCIAIS, apresentando proposta de intervenção que 
respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de 
seu ponto de vista., de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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PROPOSTAS EXTRAS - OUTROS VESTIBULARES
Proposta I
Texto I
Qual é a maneira mais apropriada para dar à luz? A pergunta tem gerado uma verdadeira queda de braço entre médicos e 
políticos em São Paulo.
A discussão começou com um projeto de lei (PL) sobre o parto cesáreo, assinado pela deputada estadual Janaina Paschoal. 
No texto, Janaina defende que a gestante pode optar pela cesárea até a 39a semana de gestação na rede pública de São 
Paulo — mesmo que o médico tenha diagnosticado condições favoráveis ao parto normal. Entidades médicas, que repre-
sentam os profissionais da saúde em São Paulo, divergem sobre o tema.
O Coren (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) afirma que o PL “não apresenta amparo e embasamento científi-
co” e “estimula perigosamente o aumento de partos cesarianos no Brasil”. Já o Cremesp (Conselho Regional de Medicina de 
São Paulo) divulgou uma nota em que diz apurar processos de complicações médicas devido a uma insistência ao parto nor-
mal. “Somos contra projetos que queiram parametrizar qualidade em saúde obstétrica baseados meramente em números e 
em taxas de cesarianas, desconsiderando as indicações médicas e/ou a vontade materna livremente expressa, caso a caso”.
Para Janaina, existe uma insistência pelo parto normal na rede pública que resulta em dores e complicações para mãe e 
bebê. Para ela, o projeto sobre acesso às cesáreas dá autonomia para a mulher. Em contrapartida, a parlamentar paulista 
Beth Sahão argumenta que o projeto vai na contramão de uma lei de parto humanizado, aprovada no Estado em 2015, 
que estabelece que o parto na rede pública siga as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre elas, a 
“preferência pela utilização dos métodos menos invasivos e mais naturais”.
Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), de 2016, mostram que enquanto na rede privada 84% dos 
partos ocorrem via cesariana, no SUS, a taxa é de 40%. 
(MARCOS CANDIDO. “JANAINA PASCHOAL DIVIDE DEPUTADOS: ‘LUTO CONTRA A RELIGIÃO DO PARTO NORMAL’”. 
HTTPS://UNIVERSA.UOL.COM.BR, 19.06.2019. ADAPTADO.)
Texto II
Durante o expediente na ALESP, Janaina Paschoal defendeu sua proposta sobre parto, reiterando que seu foco é nas pa-
cientes do SUS. “Eu não estou fazendo um PL para as mulheres que têm condições de utilizar as redes privadas, que têm 
seu convênio médico. Eu estou falando daquelas que pegam o ônibus e vão para a maternidade e gritam por horas. Casos 
concretos que eu acompanhei de mulheres que imploram por uma cesariana”, disse.
Para a educadora, ativista pela maternidade e infância e autora do blog Mamatraca, Anne Rammi, o projeto é problemático, 
pois oferece uma “falsa escolha”. “O mesmo sistema violento e negligente que atende a mulher num parto normal cercado 
de violência é o sistema que vai atendê-la em uma possível cesárea. E a gente sabe que mal atendimento médico, violência 
e negligência dentro de um processo cirúrgico são igualmente graves”, aponta.
Além disso, considerando os números de partos no Brasil, segundo Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos 
(Sinasc) de 2016, as cesáreas são realizadas em mais da metade (55,6%) dos partos com nascidos vivos. A nível mundial, a 
taxa de cesárea brasileira só perde para a República Dominicana (56%). Lembrando que a recomendação da Organização 
Mundial da Saúde (OMS) é que o número de cesarianas não ultrapasse 15% dos partos.
(SABRINA ONGARATTO. “POLÊMICA: PL PROPÕE QUE GESTANTES DO SUS POSSAM OPTAR POR CESÁREA, MESMO SEM INDICAÇÃO MÉDICA”. 
HTTPS://REVISTACRESCER.GLOBO.COM, 12.06.2019. ADAPTADO.)
Texto III
Os médicos são unânimes em afirmar que o parto normal, a princípio, é muito mais saudável para mãe e bebê. A autonomia 
da mulher no parto normal é o primeiro diferencial. Aqui, ela se levanta e segue com a rotina mais precocemente, enquanto 
na cesárea há uma recuperação cirúrgica, sem contar a parte anestésica. Além disso, a cirurgia deixa cicatriz, que pode levar 
até dois meses para completar a cicatrização. No entanto, os médicos alertam que, quando a cesárea é necessária, o parto 
normal pode ser mais arriscado. 
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O maior benefício da cesárea para a mulher é o planejamento. Ela pode fazer a cirurgia eletiva, desde que a partir da 39a se-
mana de gestação. Segundo a ginecologista Carolina Burgarelli, o momento ideal é perto da 40a semana, pois quantomais 
tempo a gestação durar, melhor é a evolução do bebê.
Quando a paciente deseja cesárea, os médicos precisam entender por que ela a deseja. “Se for algo plausível para esclare-
cer, ajudar e tentar evoluir para o normal”, diz Carolina. Independentemente do tipo de parto, tudo deve ser devidamente 
conversado entre gestante e médico. Os riscos e os benefícios existem, e a via escolhida deve priorizar o bem-estar de mãe 
e bebê. Junto a isso, a mulher é a protagonista desse momento e quanto mais ouvida e respeitada ela for, melhor será a 
experiência.
(LUDIMILA HONORATO. “PARTO NORMAL OU CESÁREA? ENTENDA AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA CADA UM”. WWW.ESTADAO.COM.BR, 16.04.2019. ADAPTADO.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O PARTO CESÁREO NO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE DEVE SER UMA POSSIBILIDADE 
DE ESCOLHA DA GESTANTE?
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Proposta II
Texto I
Ángel Hernández e María José Carrasco estavam decididos. No dia em que ela assim quisesse, ele a ajudaria a tirar a pró-
pria vida. Carrasco sofria de esclerosemúltipla havia 30 anos. “Quero o final o quanto antes”, dizia Carrasco, de 61 anos. 
Secretária judicial, tinha sido uma mulher ativa, inquieta. Mas já fazia anos que o piano que tocava havia emudecido, que os 
pincéis com os quais pintava se cegaram. Praticamente paralisada e com problemas de visão e audição, o televisor da sala 
havia crescido para que os dois pudessem assistir a filmes antigos, porque não gostavam dos que passavam na televisão. 
Ninguém sabe o que ocorreu naquela casa nestes últimos seis meses, mas, na quarta-feira, Hernández lhe preparou a medi-
cação definitiva. Ela tomou. Ele foi preso.
(EMÍLIO DE BENITO CAÑIZARES E CECILIA JAN. “IDOSO É PRESO POR AJUDAR ESPOSA A FAZER EUTANÁSIA APÓS 30 ANOS 
DE LUTA CONTRA ESCLEROSE MÚLTIPLA”. HTTPS://BRASIL.ELPAIS.COM, 04.04.2019. ADAPTADO.)
Texto II
A eutanásia é um assunto que envolve a polêmica questão: somos nós quem devemos decidir sobre quando alguém nasce 
ou morre? Temos esse direito? A resposta parece óbvia, mas por conta das constantes investidas pela legalização da eu-
tanásia na França (e em vários outros países do mundo), mais de 175 associações especializadas em cuidados paliativos 
assinaram um manifesto em que resumem sua posição a favor de cuidar das pessoas que estão na fase final da vida.
Toda pessoa, independentemente de seu estado de saúde, possui uma dignidade única e particular. Mesmo nas situações 
mais difíceis e menos desejáveis, as equipes de cuidados paliativos colocam toda a sua experiência para proteger a dignidade 
dos pacientes. Ao contrário disso, a opção pela morte não garante essa dignidade e implica uma renúncia à condição hu-
mana. Mesmo nessas situações difíceis, muitos pacientes vivem momentos importantes. Alguns descobrem nessa fase que a 
bondade existe, outros passam a valorizar seus entes queridos, há aqueles que se reconciliam com algum amigo ou familiar, 
etc. Acelerar a morte privaria essas pessoas desses últimos e imprevisíveis momentos da condição humana.
(EQUIPE SEMPRE FAMÍLIA. “12 MOTIVOS PARA DIZER NÃO À EUTANÁSIA E SIM AOS CUIDADOS PALIATIVOS”. WWW.SEMPREFAMILIA.COM.BR, 11.01.2019. ADAPTADO.)
Texto III
De início, ao citar a eutanásia, surge na memória das pessoas a definição popular de ser o ato de antecipar a morte de 
alguém, algumas vezes por compaixão por quem está em sofrimento em decorrência de alguma enfermidade. O ato de 
dispor da vida cria discussões em todas as classes sociais e em todos os ramos de pesquisas e estudos, pois existem muitas 
posições conflitantes. No âmbito religioso, surgem os argumentos contrários, alega-se que a vida é um dom divino e, dessa 
forma, ninguém tem o direito de tirá-la. Surge também a discussão sobre o direito sucessório, argumenta-se que tal prática 
pode ser levada a termo apenas em benefício do profissional que a possibilita e dos herdeiros, desprezando-se por completo 
a vontade e as crenças do enfermo.
Entretanto, ainda que a maioria das pessoas trate o direito à vida como irrenunciável e absoluto, deve-se pensar na vontade 
de uma pequena parcela de indivíduos que acreditam no direito de morrer dignamente. A morte deve ser encarada como 
uma fase da vida humana, como uma etapa a ser vivenciada por todos nós, devendo ser preservada a dignidade humana até 
o final, tendo como objetivo o bem morrer, ou também a boa morte. O direito à morte digna pode ser considerado derivado 
do direito à vida digna, tendo em vista que se trata de realizar uma vontade do ser humano de forma natural, humanizada, 
sem prolongamento do sofrimento e da dor.
(MARIA ANTONIA SILVA GENEROSO. “EUTANÁSIA: O DIREITO DE VIVER E MORRER COM DIGNIDADE”. WWW.JUSTIFICANDO.COM, 10.05.2019. ADAPTADO.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
EUTANÁSIA: É DIREITO DO PACIENTE DECIDIR A HORA DE MORRER?
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Proposta III
Texto I
(CARLOS LATUFF. WWW.BRASIL247.COM, 05.09.2013.)
Texto II
A importância do agronegócio no Brasil:
 Grande participação no Produto Interno Bruto;
 Cria aproximadamente 37% de todos os empregos do país;
 Responde por aproximadamente 39% das exportações;
 Saldo comercial de aproximadamente 79 bilhões de dólares em 2012;
 Aproximadamente 30% das terras brasileiras são utilizadas para agropecuária;
 Aproximadamente 61% do território ainda é coberto por matas originais.
(“O AGRONEGÓCIO NO BRASIL”. WWW.ECOAGRO.AGR.BR, 21.03.2019. ADAPTADO.)
Texto III
As terras indígenas tornaram-se grandes alvos da pressão econômica, que pretende a exploração dessas áreas a qualquer 
preço. Diante dos conflitos, o que se vê é justamente uma colisão de direitos indígenas em face do estímulo da ordem 
econômica ao crescimento do agronegócio. A Constituição Federal de 1988 assegurou aos povos indígenas a demarcação 
de terras com intuito de garantir o direito ao índio do uso das terras brasileiras para sua sobrevivência, assegurando a pro-
teção dos limites demarcados e impedindo a ocupação por terceiros. Os direitos indígenas, pois, acabam colidindo com os 
interesses dos produtores rurais que buscam a exploração de terras já demarcadas (ou passíveis de demarcação) aos povos 
indígenas, tornando tal problemática uma questão a ser resolvida.
O território tem um significado muito maior para os povos indígenas do que o simples espaço geográfico. Tem ligação com 
sua própria identidade, noção de pertencimento, práticas, tradições e cultura. Para uma sociedade capitalista, a terra é ape-
nas uma forma de produção, uma mercadoria. Para os índios, é muito mais que isso. Para os Guarani-kaiowá, por exemplo, 
é inconcebível não viver na terra de seus antepassados, de seus ancestrais. Nos últimos 50 anos, o agronegócio avançou 
sobre as suas terras de forma muito agressiva, e hoje eles estão confinados em oito reservas com áreas entre 2,4 mil e 3,5 
mil hectares. Estima-se que 40 mil guaranis-kaiowá vivam em acampamentos espalhados pelo país.
(BRENDA F. D. OLIVEIRA ET AL. “O AGRONEGÓCIO E AS TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL”.
WWW.WEBARTIGOS.COM, 30.11.2014. ADAPTADO.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS: ENTRE O DIREITO DOS POVOS INDÍGENAS 
E O DESENVOLVIMENTO DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL
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Proposta IV 
Texto I
A luta contra o HIV na América Latina sofreu um revés. A taxa de contágio do vírus na região cresceu 7% entre 2010 e 
2018, segundo o último relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/AIDS. O documento indicaque a 
diminuição de casos desacelerou em nível global, algo que a Organização das Nações Unidas (ONU) qualificou como “pre-
ocupante”. Os dados apontam que cerca de 100 000 pessoas contraem o vírus a cada ano no continente americano, onde 
o Brasil se consolidou como coluna vertebral da expansão do vírus ao responder por mais da metade dos casos. O aumento 
implica um duro golpe para uma região que, entre 2005 e 2013, tinha registrado uma redução de 3% nos novos casos. As 
cifras mais recentes agora situaram a América Latina entre as zonas a vigiar nos próximos anos. O Brasil, país mais populoso 
do continente, registrou 21%de aumento e arrastou a região para os números vermelhos.
(GEORGINA ZEREGA. “BRASIL PUXA EXPANSÃO DO HIV NA AMÉRICA LATINA”. HTTPS://BRASIL.ELPAIS.COM, 17.07.2019. ADAPTADO.)
Texto II
Com relação aos registros de pessoas com o vírus HIV no Brasil, é necessário estar atento ao comportamento sexual de 
jovens. “Há uma grande preocupação com as novas gerações”, afirma o sociólogo Alexandre Grangeiro, especializado em 
Saúde Pública. As gerações nascidas após a década de 1990 estão apresentando taxas de incidência de infecção maiores 
do que aquelas dos nascidos no período pré-epidemia, nas décadas de 1950 e 1960, de acordo com o sociólogo. À época, 
as pessoas estavam menos preparadas para lidar com a doença por ser desconhecida, demonstrando, portanto, um cenário 
paradoxal.
A tendência das últimas décadas de diminuição desses índices a cada geração se reverteu. Sobre os motivos que podem 
ter levado a essa situação, Grangeiro, que também faz parte do núcleo de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina 
da USP, levanta algumas hipóteses. Para ele, há uma mudança significativa de comportamento dos jovens quanto à saúde 
sexual e quanto ao modo como se relacionam com seus parceiros. Entre a faixa etária de 18 a 24 anos, 34% dos diagnos-
ticados não realizam tratamento com antirretrovirais, segundo o Relatório de Monitoramento Clínico do HIV, do Ministério 
da Saúde. Também há negligência quanto ao uso do preservativo, o método mais indicado para a prevenção de infecções 
sexualmente transmissíveis (ISTs). De acordo com uma pesquisa de 2015, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), dos 27,5% dos estudantes do nono ano do ensino fundamental sexualmente ativos, apenas 66,2% tinham usado 
preservativo na última relação sexual.
Diante desse cenário, é importante que jovens sejam orientados em relação às suas práticas sexuais. Para além do estudo 
sobre anatomia, a educação sexual proporciona o acesso a informações sobre diferentes aspectos da sexualidade. Em uma 
pesquisa realizada pela Federação Internacional de Planejamento Familiar, o Brasil obteve o menor resultado em relação 
aos ensinamentos sobre educação sexual. Ainda que seja sugerida a abordagem do tema, no país não há qualquer obriga-
toriedade para que isso de fato ocorra. “Eu diria que um dos pontos centrais, hoje, para a epidemia é esse retrocesso que 
há em relação à inserção das ações sobre sexualidade e prevenção de HIV e ISTs dentro das escolas”, reflete Grangeiro, 
que complementa: “as pessoas precisam ser hábeis para lidar com a epidemia, precisam saber que ela existe, e isso se faz 
fundamentalmente nas escolas”.
(LARISSA FERNANDES. “MUDANÇA NO COMPORTAMENTO SEXUAL DE JOVENS CAUSA AUMENTO DE INFECÇÕES SE-
XUALMENTE TRANSMISSÍVEIS”. HTTPS://PAINEIRA.USP.BR, 07.02.2018. ADAPTADO.)
Texto III
Há mais de 30 anos a psicóloga e doutora em educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Mary Neide Figueiró 
pesquisa e estuda o tema da educação sexual no Brasil.De acordo com sua experiência, ela acredita que, atualmente, menos 
de 20% das escolas públicas do país têm projetos amplos e contínuos voltados para crianças e adolescentes do Ensino 
Fundamental. “Algumas escolas podem fazer um trabalho no Ensino Fundamental porque uma ou outra professora resolve 
fazê-lo. Mas dificilmente há educação sexual como projeto amplo, completo, desenvolvido ano a ano”, explica. A pesquisa-
dora destaca, ainda, que, desde o começo dos anos 2000, têm surgido programas voltados para a formação de professores e 
professoras “que atendem a importantes objetivos da educação sexual”. “Contudo, há indícios de que têm faltado iniciativas 
substanciais e continuadas, que partam de secretarias estaduais e municipais, bem como do MEC, com o objetivo de formar 
educadores para dar conta da educação sexual como um todo, envolvendo as variadas temáticas que lhe são pertinentes”.
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Esse é um dos inúmeros entraves para uma efetiva implementação da educação sexual no sistema de ensino brasileiro, mas, 
para Figueiró, existe um que está na base da maioria deles: “é achar que, se falar sobre sexo com as crianças e adolescentes, 
eles vão querer fazer sexo. Esse é um tabu, é um mito muito grande, diz a especialista, enfatizando que “estudos feitos no 
Brasil e no exterior comprovam que crianças e adolescentes que têm uma boa educação sexual em casa e, sobretudo, na 
escola vão deixar para iniciar sua vida sexual mais tarde em comparação aos que não têm, e isso ocorre porque eles passam 
a entender a seriedade que é iniciar a vida sexual”.
É um tema que divide opiniões, principalmente quando se fala em abordá-lo nas escolas. Há setores da sociedade brasileira 
que defendem que o assunto só deva ser tratado em casa, por pais e mães. Outra parte da população é a favor da educa-
ção sexual nas escolas. Uma pesquisa interna do MEC, tornada pública no começo de fevereiro, revelou que a maioria dos 
brasileiros concorda que questões de sexualidade façam parte do currículo escolar. Levantamento do instituto Datafolha, 
divulgado no começo deste ano, também mostrou que a maioria da sociedade apoia a educação sexual em sala de aula.
A polêmica evidencia que a educação sexual é uma questão cercada por desconhecimento e ideias equivocadas. Figueiró 
esclarece: “A educação sexual é ter acesso ao conhecimento sobre o corpo humano e a todas as questões ligadas ao relacio-
namento sexual. Também é um espaço para que crianças e adolescentes expressem suas dúvidas, angústias e sentimentos 
em relação ao corpo e ao sexo, podendo desfazer mitos, preconceitos e tabus. Por isso, essa educação sexual é importante 
para que a criança e o adolescente sejam sujeitos do seu corpo e da sua sexualidade, com liberdade e responsabilidade”.
(FABIANA MARANHÃO. “EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS É MENOR DO QUE IMAGINAMOS”. WWW.NOVAESCOLA.ORG.BR, 13.02.2019. ADAPTADO.)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, e pre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
A RELAÇÃO ENTRE O AUMENTO DOS CASOS DE AIDS E A EDUCAÇÃO SEXUAL DE JOVENS NO BRASIL
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Proposta V
Texto I
(WWWW.UOL.COM.BR/, 07.09.2015)
Texto II
A mentira nasceu junto com a sociedade. O ser humano começou a mentir assim que se juntou em grupos, e nunca mais 
parou. Uma experiência da Universidade de Massachusetts mostrou que, quando duas pessoas se conhecem, cada uma 
conta em média três mentiras – nos primeiros dez minutos de conversa. E pessoas que compartilham a vida toda (cônjuges, 
parentes, amigos) também mentem entre si, às vezes de forma terrível. Todo mundo mente. Tem gente que mente para levar 
vantagem, conseguir o que quer. Alguns mentem para não contrariar ou magoar outras pessoas. Tem quem minta para 
parecer mais legal e ser aceito socialmente. Existem infinitas maneiras de mentir, e elas nos acompanham o tempo todo.
(SUPERINTERESSANTE, AGOSTO DE 2015. ADAPTADO)
Texto III
A cena é comum entre os casais que vão a lojas de roupas: a mulher, apertando a cintura, sai do provador e pergunta se está 
gorda. É uma questão simples ao cérebro masculino: caso queira manter a relação, a única resposta possível é um elogio que 
pareça natural. Mas em um shopping de Munique, ano passado, o jornalista alemão Jürgen Schmieder, 31 anos, contrariou 
as convenções. “Sua bunda parece muito grande”, respondeu para a esposa. Grosseria? Pode ser, mas com fundo científico.
Schmieder participava do desafio de ficar 40 dias sem contar mentiras para escrever uma grande reportagem sobre sua 
experiência para o jornal Suddeutsche Zeitung. O jornalista comprovou um estudo de 1997 da Universidade da Califórnia do 
Sul, que afirmava que o ser humano mente, em média, 200 vezes ao dia.
Galileu: Qual foi a parte mais difícil no projeto?
Schmieder: A parte mais difícil foi ser honesto com minha mulher em cada aspecto da nossa vida diária. Quando ela veio 
até em casa do cabeleireiro, por exemplo, eu disse: “Não gostei do seu corte de cabelo!” Coisas como essa a machucaram 
e fizeram com que eu dormisse 7 noites no sofá durante o projeto. Mas minha esposa e eu aprendemos que, sendo muito 
sinceros, não queremos ferir um ao outro e sim ajudar um ao outro. Agora estamos sendo completamente honestos e dize-
mos tudo. Às vezes, outras pessoas pensam que somos malucos porque somos muito honestos um com o outro. Mas nós 
estamos mais felizes e eu posso aconselhar todos os casais: sejam sinceros. Isso pode ser difícil no começo, mas, em longo 
prazo, os ajudará muito.
(HTTP://REVISTAGALILEU.GLOBO.COM. ADAPTADO)
Texto IV
Para Nietzsche, algumas mentiras possuem um papel importante na nossa sociedade, por contribuírem para a melhoria da 
convivência social, afirmando inclusive que, muitas vezes, o homem gosta de ser enganado. Por isso, afirmou com tanta 
veemência que o homem não foge da mentira, mas das consequências que ela pode trazer, portanto, quando a verdade traz 
consequências nefastas, o homem também irá fugir dela.
[...]
A ideia lógica de haver Ética em mentir pode ser muito bem sintetizada a partir do pensamento de Platão quando ele diz 
que a verdade deve ser apreciada acima de todas as coisas, enquanto a mentira não passa de algo útil em determinadas 
circunstâncias, exatamente como um remédio de gosto amargo, mas de efeito benéfico. A sensatez pode ser a medida da 
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linha de pensamento que compreende ser a mentira a substituição de um mal maior por um menor, quando dizer a verdade 
acarreta maiores prejuízos. É prudente mentir numa situação em que dizer a verdade não é possível, por ferir o sentimento 
de outras pessoas, por ser desnecessária a colocação e não prejudicar a ninguém a omissão, ou por qualquer motivo diverso 
que tenha como sustentáculo a ideia de “menos ruim” (mentira) quando o melhor (dizer a verdade) não se torna possível.
Benjamin Constant, em um artigo intitulado “As reações políticas”, dita que se adotássemos o dever de dizer a verdade 
como um dever absoluto, incondicional, a sociedade humana tornar-se-ia simplesmente impossível.
(PÁBULA NOVAIS DE OLIVEIRA; PRISCILA LINS DE AMORIM. ÉTICA DA MENTIRA. FILOSOFANDO – 
REVISTA DE FILOSOFIA DA UESB, JULHO-DEZEMBRO DE 2013. ADAPTADO)
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação 
em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema:
É CORRETO MENTIR PARA EVITAR PROBLEMAS DE CONVIVÊNCIA SOCIAL?
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Proposta VI
Texto I
O capitalismo e sua representação imagética move montanhas para atingir seus objetivos, sendo o maior deles o lucro, e o 
público é o seu alvo. Em outras palavras, o capital estimula e alimenta a economia de um país ou de grande parte do mundo, 
por meio da alienação desse público, fazendo com que ele deseje aquilo que é lançado no mercado via teatralidade, enfim, 
uma espécie de ilusão como se fosse a realidade. A mercadoria, quando levada para o mercado, desperta o fetiche (como 
técnica de indução do espectador), embasando-se naquilo que, supostamente, é bom; pois, para fisgar o consumidor pela 
propaganda, esta tem que demonstrar aquilo que é positivo e não o que é negativo, fazendo não apenas com que o consu-
midor a aceite, como também acredite que realmente o produto funciona. 
EDNEY FIRMINO ABRANTES. “O PODER SIMBÓLICO E A REPRESENTAÇÃO IMAGÉTICA DO CAPITAL NA SOCIEDADE 
OCIDENTAL CONTEMPORÂNEA.” HTTPS://AESCOLALEGAL.COM.BR (23.04.2020) 
Texto II
A própria expressão “sociedade do espetáculo” pode dar margem a interpretações equivocadas, se for entendida como o 
poder que as imagens exercem na sociedade contemporânea. É certo que Guy Debord, o criador do conceito de “sociedade 
do espetáculo”, definiu o espetáculo como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. Mas ele também deixou 
claro que é impossível a separação entre essas relações sociais e as relações de produção e consumo de mercadorias. A so-
ciedade do espetáculo corresponde a uma fase específica da sociedade capitalista, quando há uma interdependência entre 
o processo de acúmulo de capital e o processo de acúmulo de imagens. 
CLÁUDIO NOVAES PINTO COELHO. “MÍDIA E PODER NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO” HTTPS://REVISTACULT.UOL.COM.BR/ (ACESSO EM 20.11.2020) 
Texto III
Se algo como um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade for uma patologia, então é uma patologia do capitalismo 
tardio. Isto é, trata-se de uma consequência de se estar conectado aos circuitos de entretenimento-controle de uma cultura 
de consumo hipermediada. De modo semelhante, o que chamamos de dislexia pode em muitos casos consistir em uma 
pós-lexia: os adolescentes processam os dadosimageticamente densos do capital com grande efetividade sem nenhuma 
necessidade de leitura. Para eles, o reconhecimento de slogans é o bastante para navegar no plano informacional de in-
ternet-celular-publicação. “A escrita nunca foi o forte do capitalismo. O capitalismo é profundamente iletrado”, afirmaram 
Deleuze e Guattari no Anti-Édipo. “A linguagem eletrônica não passa pela voz ou pela escrita: o processamento de dados se 
dá perfeitamente sem ambas”. Daí a razão pela qual tantos empresários de sucesso são disléxicos (mas seria sua eficiência 
pós-lexical a causa ou o efeito de seu sucesso?). 
MARK FISHER. REALISMO CAPITALISTA: É MAIS FÁCIL IMAGINAR O FIM DO MUNDO DO QUE O FIM DO CAPITALISMO? AUTONOMIA LITERÁRIA, 2020. 
Texto IV
E sem dúvida o nosso tempo… Prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência 
ao ser. Ele considera que a ilusão é sagrada e a verdade profana, e mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a 
verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado. 
FEUERBACH. A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO (1841)
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação 
em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema:
O PAPEL DAS IMAGENS NA SOCIEDADE CAPITALISTA CONTEMPORÂNEA
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Proposta VII
Texto I
Até o fim do século XIX, o significado mais generalizado da palavra intelectual designava um grupo ou camada social 
específica que se diferenciava das demais pelo elevado grau de instrução e erudição.Trata-se de um significado de caráter 
apenas descritivo porque serve tão somente para diferenciar a classe culta ou a categoria social de indivíduos instruídos 
que exercem, dentro do sistema produtivo da sociedade, trabalhos considerados “não manuais”. Podem ser incluídos nesta 
categoria os profissionais da área do direito, engenharia, medicina e áreas afins, os professores, os artistas, entre outros; e 
todos aqueles indivíduos que exercem atividades relacionadas à produção e/ou transmissão de conhecimentos ou valores
No entanto, no início do século 20, o termo assume um novo significado. A distinção entre trabalhadores não manuais per-
manece uma referência importante, entretanto, o intelectual por excelência é aquele indivíduo que tem um posicionamento 
ideológico definido, o qual torna público a partir do engajamento em atividades políticas. Ou seja, o intelectual é aquele 
indivíduo que adquiriu formação profissional (geralmente associada à formação de nível superior) e realiza um trabalho não 
manual, mas também é dotado de um elevado senso crítico adquirido mediante o contato com o conhecimento, participação 
em reuniões, debates e discussão política que o predispõe a assumir um posicionamento crítico diante da realidade social.
INTELECTUAIS - O PAPEL SOCIAL DOS PENSADORES HTTPS://EDUCACAO.UOL.COM.BR/(ACESSO EM 13.08.2020)
Texto II
BBC News Mundo – E qual o senhor acha que é o papel dos intelectuais neste cenário de crise e no cenário pós-crise?
Boaventura de Sousa Santos – Os intelectuais precisam acompanhar as aspirações das pessoas, e trabalhar não apenas 
no ambiente universitário, mas nas comunidades. Eu trabalho muito nos bairros mais pobres da Colômbia, México, Argentina, 
Brasil etc., com as pessoas que vivem ali, para aprender com elas. Não podemos seguir teorias de vanguarda dizendo que 
vamos mudar tudo de um dia para o outro, porque isso não me parece possível. Eu acho que temos que ir devagar e teremos 
que ser instrutores dessa alternativa. Aprendo mais com os povos indígenas do que com os outros. Em termos ecológicos, 
aqueles que me ensinaram foram os indígenas e os camponeses. São eles que sabem cuidar da Mãe Terra e ser o porta-voz 
dela. Penso que os intelectuais devem ser porta-vozes de muitas vozes silenciadas no mundo e que são vozes voltadas para 
o futuro e não para o passado.
“’O CORONAVÍRUS É UM PROFESSOR CRUEL PORQUE ENSINA MATANDO’, DIZ O SOCIÓLOGO BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS” 
HTTPS://EPOCANEGOCIOS.GLOBO.COM/ (04.07.2020)
Texto III
Intelectual é um cientista que influencia na mudança da sociedade humana. Você pode ser um cientista que passa a vida no 
laboratório, mas não se incomoda com os rumos da sociedade. É cientista sim, mas não é intelectual.
KABENGUELÊ MUNANGA, ANTROPÓLOGO, EM ENTREVISTA AO UOL. 
“INTELECTUAL DEVE INFLUENCIAR NA MUDANÇA”, DIZ ANTROPÓLOGO” HTTPS://WWW.UOL.COM.BR/ECOA (17.05.2020)
Texto IV
Produto de sociedades despedaçadas, o intelectual é sua testemunha porque interiorizou seu despedaçamento. É, portanto, 
um produto histórico. Nesse sentido, nenhuma sociedade pode se queixar de seus intelectuais sem acusar a si mesma, pois 
ela só tem os que faz. 
JEAN-PAUL SARTRE. EM DEFESA DOS INTELECTUAIS
Texto V
Ora, o que os intelectuais descobriram recentemente é que as massas não necessitam deles para saber; elas sabem per-
feitamente, claramente, muito melhor do que eles; e elas o dizem muito bem. Mas existe um sistema de poder que barra, 
proíbe, invalida esse discurso e esse saber. Poder que não se encontra somente nas instâncias superiores da censura, mas 
que penetra muito profundamente, muito sutilmente em toda a trama da sociedade. Os próprios intelectuais fazem parte 
deste sistema de poder, a ideia de que eles são agentes da “consciência” e do discurso também faz parte desse sistema. 
MICHEL FOUCAULT. MICROFÍSICA DO PODER.
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empre-
gando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O PAPEL DO INTELECTUAL DIANTE DOS PROBLEMAS SOCIAIS
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Proposta VIII
Texto I
De acordo com José Moromizato, médico que hoje é considerado um dos grandes incentivadores da medicina psicossomática, 
o corpo reflete o que as pessoas pensam e sentem. ”Quando reprimimos nossas emoções, elas vão se acumulando até o 
ponto que nos machucam profundamente. Só que a represa cheia extravasa por algum lado, e explode em algum órgão mais 
sensível. Exigimos tanto do organismo, que num determinado momento, ele pede socorro. Se não observarmos os sintomas in-
ternos, eles podem agravar-se e nos afastar do trabalho, da família, dos amigos e até mesmo das pessoas que mais amamos”.
HTTPS://WWW.REVISTAFATORBRASIL.COM.BR/IMPRIMIR.PHP?NOT=4137 (ACESSO EM 05.04.2020)
Texto II
Algo que deve estar claro para todos é que pais que não dominam suas próprias emoções serão incapazes de ensinar e 
acompanhar seus filhos no longo e difícil caminho do gerenciamento saudável das emoções. Pense neste exemplo simples:você seria capaz de ensinar japonês aos seus filhos sem saber uma única palavra desse idioma? Impossível, certo? A mesma 
coisa acontece com as emoções: precisamos saber administrá-las para ensinar nossos filhos a fazer o mesmo.
SETE PASSOS PARA AJUDAR AS CRIANÇAS A ENFRENTAR DIFICULDADES EMOCIONAIS. RAFAEL GUERRERO, PSICÓLOGO E DOUTOR EM EDUCAÇÃO. 
HTTPS://BRASIL.ELPAIS.COM/BRASIL/2018/04/17/ACTUALIDAD/1523962653_529164.HTML (17.04.2018)
Texto III
HTTPS://LABORO.EDU.BR/SAUDE-MENTAL-E-A-COBRANCA-DA-SOCIEDADE/ ACESSO EM 28.09.2019
Texto IV
A inteligência emocional é um tipo de inteligência social que envolve a capacidade de monitorar as próprias emoções e as 
dos outros, discriminá-las entre si e usar essas informações para nortear o pensamento e os atos”. No entanto, assim como 
Q.I. serviu para classificar as pessoas nas Forças Armadas e no trabalho, a fim de aumentar sua produtividade, inteligência 
emocional transformou-se rapidamente num modo de classificar os trabalhadores produtivos e menos produtivos, dessa 
vez por meio de aptidões afetivas, em vez de cognitivas. Essa habilidade converteu-se num instrumento de classificação no 
trabalho e foi usada para controlar, prever e incentivar o desempenho. 
EVA ILLOUZ. IN: O AMOR NOS TEMPOS DO CAPITALISMO. ADAPTADO
Texto V
A razão pode não ser tão pura quanto a maioria de nós pensa que é ou desejaria que fosse, e que as emoções e os sentimen-
tos podem não ser de todo uns intrusos no bastião da razão, podendo encontrar-se, pelo contrário, enredados nas suas teias, 
para o melhor e para o pior. É provável que as estratégias da razão humana não se tenham desenvolvido, quer em termos 
evolutivos, quer em termos de cada indivíduo particular, sem a força orientadora dos mecanismos de regulação biológica, 
dos quais a emoção e o sentimento são expressões notáveis.
ANTONIO DAMÁSIO. IN: O ERRO DE DESCARTES
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija uma dissertação 
em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema:
DE QUE MANEIRA A SOCIEDADE ATUAL LIDA COM AS EMOÇÕES?
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LINGUAGENS, CÓDIGOS
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