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INVENTARIAMENTO DE FLORA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Dayane May 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Manejo e conservação 
Estratégias de manejo e conservação da flora 
Um dos aspectos mais importantes da conservação ambiental é o 
conhecimento da estrutura da vegetação, que reflete a diversidade e a 
funcionalidade dos ecossistemas. A estrutura da vegetação pode ser analisada 
em diferentes escalas, desde a composição florística e a fitossociologia até a 
dinâmica e a sucessão das comunidades vegetais. 
Dentro desse contexto, é fundamental identificar as espécies da flora de 
interesse econômico, ameaçadas e exóticas, que podem afetar a 
sustentabilidade dos recursos naturais. Para isso, é necessário utilizar 
tecnologias para estudos de cobertura vegetal, como sensoriamento remoto, 
geoprocessamento, inventário florestal e análise de imagens. Essas tecnologias 
permitem obter informações sobre a distribuição espacial, a biomassa, o carbono 
e os serviços ecossistêmicos da vegetação. 
Além disso, é preciso promover ações de restauração ecológica, que 
envolvem a produção de mudas, o plantio e o manejo das áreas degradadas. A 
produção de mudas deve considerar a qualidade genética, fisiológica e sanitária 
do material vegetal, bem como as condições edafoclimáticas da região de 
plantio. O plantio e o manejo devem seguir critérios técnicos e socioambientais, 
buscando a recuperação da biodiversidade e dos processos ecológicos. 
Os objetivos desta etapa são: 
• Compreender a classificação de vegetação primária e secundária; 
• Identificar, caracterizar e delimitar áreas de potencial ecológico, turístico, 
econômico e de interesse para educação ambiental a partir da 
identificação de espécies da flora de interesse econômico, raras e 
ameaçadas de extinção, exóticas, invasoras e bioindicadoras; 
• Conhecer a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento 
para estudos e mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo; 
• Conhecer estratégias para a produção de mudas da flora nativa e exótica, 
na coleta de sementes e seleção de matrizes; em procedimentos de 
viabilidade, dormência, germinação e armazenamento de sementes; 
 
 
3 
• Conhecer critérios para a execução e monitoramento do plantio e manejo 
de espécies da flora nativa e exótica. 
TEMA 1 – ESTRUTURA DA VEGETAÇÃO E ESTÁGIOS SUCESSIONAIS 
A estrutura da vegetação é o conjunto de características que define a 
forma, a composição e a distribuição das plantas em um ecossistema, incluindo 
variáveis como altura, densidade, diversidade de espécies e a distribuição das 
plantas no espaço. Pode ser influenciada por fatores bióticos, como a 
competição, a predação e a dispersão, e por fatores abióticos, como o clima, o 
solo e o fogo. Também pode ser alterada ao longo do tempo em resposta a 
distúrbios naturais ou antrópicos, que modificam as condições ambientais e as 
interações entre as espécies. Esse processo de mudança é chamado de 
sucessão ecológica (Sothe et al., 2017). 
A sucessão ecológica é a sequência de alterações na composição e na 
estrutura da vegetação após um distúrbio. Pode ser classificada em primária ou 
secundária, dependendo do grau de destruição da vegetação anterior. A 
sucessão primária ocorre em áreas onde não havia vegetação antes do distúrbio, 
como em rochas vulcânicas, dunas de areia ou lagos recém-formados. A 
sucessão secundária ocorre em áreas onde a vegetação foi parcial ou totalmente 
removida pelo distúrbio, mas o solo permaneceu intacto, como em áreas 
queimadas, desmatadas ou abandonadas (Brehm; Refosco, 2016). 
A sucessão ecológica envolve diferentes estágios sucessionais, que são 
caracterizados por diferentes tipos de plantas, com diferentes formas de vida, 
estratégias adaptativas e graus de diversidade. Referem-se às mudanças na 
composição e estrutura da vegetação ao longo do tempo após uma perturbação 
(como um incêndio ou corte raso). Os estágios sucessionais de uma formação 
florestal são classificados como vegetação primária e secundária (Instituto Água 
e Terra, 2023). 
• Vegetação primária: é a floresta nativa onde o homem não promoveu 
nenhuma alteração em seu meio natural. Possui características originais 
de estrutura e espécie, formando uma grande diversidade e 
heterogeneidade biológica; 
• Vegetação secundária: também conhecida como de regeneração, é 
resultante dos processos naturais de recuperação após 
 
 
4 
degradação/supressão total ou parcial da vegetação por ações humanas 
e/ou causas naturais. Seu estágio de regeneração pode ser classificado 
como inicial, médio e avançado: 
o Estágio inicial: ocorre logo após a degradação, caracteriza-se pelo 
solo exposto e a presença de espécies rasteiras e trepadeiras, que 
são adaptadas para crescer rapidamente em condições de sol pleno, 
com baixa diversidade, crescimento rápido e algumas dominantes. 
As espécies gramíneas são abundantes, as epífitas são raras, as 
lianas herbáceas abundantes, e as lianas lenhosas apresentam-se 
ausentes (Figura 1). 
Figura 1 – Exemplo de vegetação secundária em estágio inicial de sucessão 
 
Foto: Dayane May. 
o Estágio médio: ainda há predominância de espécies pioneiras, mas 
a fisionomia se torna arbustivo-arbórea com cobertura fechada, 
iniciando uma paisagem de sub-bosque. Essas plantas crescem 
mais lentamente, mas vivem mais tempo do que as espécies do 
estágio inicial. A diversidade de espécies é mais expressiva neste 
estágio. Com o tempo, elas começam a sombrear e, eventualmente, 
 
 
5 
substituem as espécies do estágio inicial. As espécies epífitas são 
poucas, as lianas herbáceas são poucas e as lianas lenhosas raras 
(Figura 2). 
Figura 2 – Exemplo de vegetação secundária em estágio médio de sucessão 
 
Foto: Dayane May. 
o Estágio avançado: forma um dossel fechado que sombreia o sub-
bosque, limitando o crescimento das espécies do estágio inicial e 
médio. As árvores encontradas são predominantemente de maior 
porte, crescimento lento e longevas. As epífitas são abundantes, as 
lianas herbáceas raras e as lianas lenhosas encontram-se 
presentes. As gramíneas são raras. Quanto à quantidade de 
espécies, esse tipo de regeneração possui alta variedade (Figura 3). 
 
 
 
6 
Figura 3 – Exemplo de vegetação secundária em estágio avançado de sucessão 
 
Foto: Dayane May. 
Cada estágio tem uma composição de espécies únicas e desempenha um 
papel importante na recuperação do ecossistema após uma perturbação. 
Quando é realizada uma análise de estágios sucessionais são avaliados 
parâmetros biométricos das parcelas amostrais, como altura e diâmetro médio 
dos indivíduos, para mapeamento dos estágios de sucessão secundária inicial, 
média e avançada. 
Um exemplo, a classificação dos estágios sucessionais da vegetação 
nativa do Estado do Paraná, segundo a Resolução Conama n. 002, de 18 de 
março de 1994 (Brrasil, 1994) que segue padrões estabelecidos, mostrados na 
Tabela 1. 
Tabela 1 – Classificação dos estágios sucessionais da vegetação nativa do 
Estado do Paraná, segundo Brasil (1994) 
Estágio Sucessional Altura Média (m) Diâmetro Médio (cm) 
Inicial Até 10 10 
Médio 8 a 17 25 
 
 
7 
Avançado Superior a 15 40 
O conhecimento da composição florística juntamente aos processos 
sucessionais não só contribuem para o entendimento da vegetação como pode 
vir a elucidar alguns aspectos relativos às estratégias naturais de sucessão, 
algumas com possibilidades de serem reproduzidas na recuperação de áreas 
degradadas. Também, é essencial às atividades de manejo sustentado dos 
recursos florestais, no monitoramento de áreas de preservação permanente e na 
implantação de espécies nativas para recuperação dessas áreas (Brehm; 
Refosco, 2016). 
TEMA 2 – ESPÉCIES DA FLORA DE INTERESSE ECONÔMICO, RARAS E 
AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO, EXÓTICAS, INVASORAS E BIOINDICADORAS 
Um dos objetivos da botânica é estudar as espécies da flora de interesseeconômico, raras e ameaçadas de extinção, exóticas, invasoras e 
bioindicadoras. Essas espécies podem ser usadas para identificar, caracterizar 
e delimitar áreas de potencial ecológico, turístico, econômico e de interesse para 
a educação ambiental. Por exemplo, as espécies bioindicadoras podem revelar 
o grau de poluição ou de conservação de um ambiente. As espécies exóticas e 
invasoras podem afetar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos de uma 
região. As espécies raras e ameaçadas de extinção podem exigir medidas de 
proteção e recuperação. As espécies de interesse econômico podem gerar 
renda e desenvolvimento para as comunidades locais (CNCflora, 2023). 
Nesse contexto, serão apresentados as principais características e 
exemplos dessas categorias, bem como os desafios e as oportunidades que elas 
representam. 
2.1 Espécies de interesse econômico 
Algumas espécies de plantas são de grande interesse econômico devido 
ao seu uso na indústria, medicina, alimentação, entre outros. Existem várias 
espécies nativas da flora brasileira que têm valor econômico atual ou potencial. 
O uso sustentável dessas espécies é essencial para a conservação da 
biodiversidade brasileira (Serviço Florestal Brasileiro, 2020). Exemplos: 
 
 
8 
• Seringueira (Hevea brasiliensis): nativa da Amazônia, economicamente 
importante por produzir látex, que é usado para fazer borracha; 
• Açaí (Euterpe oleracea): palmeira nativa da região amazônica, é 
conhecida por seus frutos, que são usados para fazer sucos, sorvetes e 
outros alimentos. O açaí também tem propriedades antioxidantes e é 
considerado um superalimento; 
• Castanha-do-pará (Bertholletia excelsa): nativa da Amazônia e é 
conhecida por suas nozes, que são ricas em proteínas, gorduras 
saudáveis e selênio. As nozes são consumidas tanto no Brasil quanto 
internacionalmente; 
• Carnaúba (Copernicia prunifera): palmeira nativa do nordeste do Brasil e 
é conhecida por sua cera, que é usada em uma variedade de produtos, 
incluindo cosméticos, alimentos e produtos de limpeza; 
• Erva-mate (Ilex paraguariensis): nativa do sul do Brasil, é conhecida por 
suas folhas, que são usadas para fazer o chimarrão, uma bebida 
tradicionalmente consumida no sul do Brasil. 
A Figura 4 apresenta exemplos das espécies de interesse econômico. 
Figura 4 – Espécies de interesse econômico: seringueira e erva-mate 
 
 
Crédito: Yatra4289/Shutterstock. Crédito: Yana Bo/Shutterstock. 
2.2 Espécies raras e ameaçadas de extinção 
As espécies da flora raras e ameaçadas de extinção são aquelas que 
possuem uma população muito reduzida ou que enfrentam sérios riscos de 
desaparecerem completamente do planeta. Essas espécies são importantes 
para a manutenção da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e da 
 
 
9 
qualidade de vida humana. Algumas das principais causas da perda de espécies 
da flora são o desmatamento, a poluição, as mudanças climáticas, a invasão de 
espécies exóticas e a exploração ilegal. Para conservar as espécies da flora 
raras e ameaçadas de extinção, é preciso adotar medidas como a criação de 
áreas protegidas, o manejo sustentável dos recursos naturais, a educação 
ambiental, a pesquisa científica e a fiscalização (CNCflora, 2023). 
A lista oficial traz 472 espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção 
(Brasil, 2014). Os biomas com maior número de espécies ameaçadas são a Mata 
Atlântica, o Cerrado e a Caatinga. Exemplos: 
• Andiroba (Carapa guianensis): reconhecida oficialmente pelo Ministério 
da Saúde como tendo propriedades fitoterápicas; 
• Astromélia (Alstroemeria caryophyllea): nativa da Mata Atlântica, pode ser 
encontrada nos estados do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e São 
Paulo; 
• Capim-rabo-de-raposa (Setaria parviflora): uma erva forrageira do 
Cerrado, criticamente ameaçada de extinção; 
• Gravatá (Dyckia distachya): bromélia que ocorre apenas na Mata 
Atlântica, criticamente ameaçada de extinção; 
• Araucária (Araucaria angustifolia): conífera nativa das regiões sul e 
sudeste do Brasil; 
• Imbuia (Ocotea porosa): nativa da Mata Atlântica, conhecida por sua 
madeira de alta qualidade; 
• Sassafrás (Ocotea odorifera): árvore perenifólia, heliófita e aromática 
originária da Mata Atlântica e endêmica do Brasil; 
• Cedro-rosa (Cedrela fissilis): árvore de vida longa, com altura de até 35 
metros e tronco de até 90 cm de diâmetro, aromática, madeira de cor 
rosada; 
• Xaxim-bugio (Dicksonia sellowiana): nativa da Mata Atlântica, conhecida 
popularmente como Samambaiaçu, seu tronco era muito utilizado para a 
produção de vasos e substratos; 
• Sempre-viva nativa (Xyris platystachya): ocorrente no Cerrado, 
criticamente ameaçada de extinção; 
• Pau-Brasil (Paubrasilia echinata): conhecida como árvore nacional do 
Brasil, possui madeira de alta qualidade de coloração avermelhada. É 
 
 
10 
usada para a fabricação de móveis, instrumentos musicais e como 
corante têxtil. 
A Figura 5 apresenta exemplos das espécies ameaçadas de extinção. 
Figura 5 – Espécies ameaçadas de extinção: araucária e sassafrás 
 
Crédito: Dayane May. Crédito: Dayane May. 
2.3 Espécies exóticas 
São aquelas que foram introduzidas em um novo ambiente onde não 
ocorrem naturalmente. Algumas das espécies da flora exóticas mais comuns são 
as plantas ornamentais, que foram introduzidas no país por motivos estéticos, 
comerciais ou religiosos. Algumas dessas espécies podem se tornar invasoras 
e causar danos aos ecossistemas locais. Podem causar impactos negativos na 
biodiversidade nativa, como competir por recursos, alterar o hábitat, facilitar a 
invasão de outras espécies exóticas ou transmitir doenças (Rufino et al., 2019). 
Exemplos: 
• Mamona (Ricinus communis): originária da África, é uma planta que se 
adaptou bem ao clima brasileiro. É conhecida por suas sementes, que são 
usadas para produzir óleo de rícino; 
• Braquiária (Brachiaria decumbens): originária da África, é uma gramínea 
muito usada na alimentação de gado. É uma gramínea invasora que pode 
prejudicar a biodiversidade nativa; 
• Limoeiro (Citrus limon): originário da Ásia, é uma árvore frutífera muito 
cultivada no Brasil; 
• Dente-de-leão (Taraxacum officinale): originário da Europa, é uma planta 
medicinal conhecida por suas propriedades diuréticas; 
 
 
11 
• Eucalipto (Eucalyptus spp.): originário da Austrália, é uma árvore muito 
cultivada no Brasil para a produção de papel e celulose; 
• Pinheiros (Pinus spp.): originários do hemisfério norte, são árvores muito 
cultivadas no Brasil para a produção de madeira; 
• Lírio-do-brejo (Hedychium coronarium): originário da Ásia, é uma planta 
ornamental conhecida por suas flores brancas e perfumadas; 
• Bambu (Bambusa spp.): originário da Ásia, é uma planta muito versátil 
que pode ser usada na construção civil, na produção de móveis e na 
alimentação; 
• Dendezeiro (Elaeis guineensis): originário da África, é uma palmeira cujos 
frutos são usados para produzir óleo de dendê; 
• Leucena (Leucaena leucocephala): originária da América Central, é uma 
árvore muito usada na alimentação de gado e na recuperação de solos 
degradados. 
A Figura 6 apresenta exemplos de espécies exóticas. 
Figura 6 – Espécies exóticas: pinheiros e lírio-do-brejo 
 
Crédito: Dayane May. Crédito: Tamu1500/Shutterstock. 
2.4 Espécies bioindicadoras 
São aquelas que podem ser usadas para monitorar a saúde de um 
ecossistema e as condições ambientais de uma determinada região, podendo 
indicar a presença de poluentes, alterações climáticas, degradação do solo ou 
da água, entre outros fatores (Ecycle, 2023). Exemplos: 
• Líquens: são organismos que resultam da simbiose entre um fungo e uma 
alga. Eles são extremamente sensíveis à qualidade do ar e podem indicar 
 
 
12 
a presença de poluentes atmosféricos. A presença de líquens pode indicar 
que o ar é limpo, enquanto a ausência de líquens pode indicar poluição 
do ar; 
•Samambaia-azul (Phlebodium aureum): conhecida por acumular metais 
pesados em suas folhas, tornando-a um bom bioindicador de poluição do 
solo; 
• Elódea (Egeria densa): planta aquática usada como bioindicador da 
qualidade da água, pois é sensível a alterações na concentração de 
nutrientes e poluentes na água; 
• Castanheira (Bertholletia excelsa): nativa da Amazônia, conhecida por 
suas nozes ricas em proteínas, gorduras saudáveis e selênio. A condição 
dessa espécie pode indicar a saúde geral do ecossistema em que vive; 
• Mogno (Swietenia macrophylla): nativa da Amazônia, conhecida por sua 
madeira de alta qualidade. A condição dessa espécie pode indicar a 
saúde geral do ecossistema em que vive. 
A Figura 7 apresenta exemplos das espécies bioindicadoras. 
Figura 7 – Espécies bioindicadoras: líquens avermelhados e elódea 
 
Crédito: Dayane May. Crédito: Saijai Boonmak/Shutterstock. 
TEMA 3 – TECNOLOGIAS PARA ESTUDOS E MAPEAMENTO DA COBERTURA 
VEGETAL E USO DO SOLO 
As tecnologias para estudos e mapeamento da cobertura vegetal e uso 
do solo são ferramentas essenciais para o planejamento e gestão ambiental, 
 
 
13 
bem como para o monitoramento das mudanças globais e regionais que afetam 
a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos (Sothe et al., 2017). 
A partir de imagens da superfície terrestre com diferentes resoluções 
espaciais, espectrais e temporais, é possível identificar e classificar os diferentes 
tipos de cobertura vegetal e uso do solo, bem como suas mudanças ao longo do 
tempo. Essas informações são essenciais para compreender os processos 
ecológicos, as interações entre os seres vivos e o ambiente, os impactos das 
atividades humanas e as políticas públicas voltadas para a conservação e o 
desenvolvimento sustentável (Souza et al., 2020). 
Existem várias tecnologias e métodos para estudos e mapeamento da 
cobertura vegetal e uso do solo. Os mais utilizados são: 
• Sensoriamento remoto: é uma técnica que utiliza imagens capturadas por 
satélites, aviões ou drones para obter informações sobre a superfície 
terrestre. Essas imagens são processadas e analisadas para identificar e 
classificar as diferentes categorias de uso e cobertura do solo. Podem ser 
usadas para analisar a cobertura vegetal e o uso do solo em uma escala 
grande ou pequena; 
• Sistemas de Informação Geográfica (SIG): são ferramentas que permitem 
a coleta, armazenamento, análise e visualização de dados geográficos. 
Eles são amplamente utilizados no mapeamento de uso e cobertura do 
solo, pois permitem a integração de diferentes tipos de dados, como 
imagens de satélite, dados topográficos e informações socioeconômicas; 
• Modelagem e análise espacial: envolvem o uso de algoritmos e técnicas 
estatísticas para identificar padrões e tendências nas categorias de uso e 
cobertura do solo. Essas análises ajudam a entender as relações entre 
diferentes fatores, como a proximidade de áreas urbanas e a ocorrência 
de desmatamento; 
• MapBiomas: o Projeto MapBiomas é uma iniciativa que utiliza a 
plataforma Google Earth Engine para produzir mapas anuais de cobertura 
e uso do solo no Brasil. O projeto utiliza imagens históricas produzidas 
pelos satélites Landsat, dos EUA, para atribuir uma classificação de uso 
da terra (floresta, campo, pastagem, plantação, água, cidade, entre 
outras) para cada área de 30 m por 30 m do Brasil (Souza et al., 2020; 
MAPbiomas, 2023). 
 
 
14 
A Figura 8 mostra diferentes tecnologias usadas para estudos de 
mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo. 
Figura 8 – Tecnologias em mapeamentos da cobertura vegetal e uso do solo 
 
Crédito: Zapp2Photo/Shutterstock. Crédito: Kaspars Grinvalds/Shutterstock. 
TEMA 4 – PRODUÇÃO DE MUDAS DA FLORA NATIVA E EXÓTICA 
A produção de mudas da flora nativa e exótica é uma atividade importante 
para a conservação da biodiversidade, a recuperação de áreas degradadas, a 
criação de novos hábitats para a fauna e o paisagismo. As mudas são plantas 
jovens cultivadas em viveiros até atingirem o tamanho adequado para o plantio 
definitivo (IBF, 2023). 
Existem diferentes estratégias e cuidados para a produção de mudas, 
dependendo da espécie, do clima, do solo e do objetivo do plantio. Algumas 
etapas comuns são: a coleta e o armazenamento de sementes, a germinação, a 
formação de mudas em recipientes, a irrigação, a adubação, o controle de 
pragas e doenças, o sombreamento e a aclimatação. 
As etapas mais comuns para a produção de mudas nativas e exóticas são 
seleção de matrizes, coleta e tratamento de sementes; plantio, manejo e 
produção em viveiros; e uso das mudas: 
• Seleção de matrizes: processo crucial na produção de sementes. Para as 
espécies pioneiras utilizadas em projetos de recuperação ambiental, é 
recomendado colher sementes em 3 a 4 populações, escolhendo ao 
acaso 3 a 4 matrizes por população. Para espécies secundárias, é 
recomendado selecionar 1 a 2 populações e escolher de 10 a 20 árvores 
matrizes ao acaso em cada população (Garcia et al., 2011); 
• Coleta de sementes: é feita em áreas naturais ou em matrizes 
selecionadas. É importante que o produtor saiba que o local mais simples 
 
 
15 
de coleta de sementes é a mata nativa, conhecida como área de coleta 
de sementes. Uma boa dica é que ele selecione a matriz nesse local, pois, 
a partir daí, é possível avaliar com melhor precisão o seu vigor e a sua 
capacidade de competição; 
• Tratamento de sementes: após a coleta, as sementes passam por 
procedimentos de viabilidade, dormência, germinação e armazenamento: 
o Viabilidade das sementes: refere-se à sua capacidade para germinar 
sob condições adequadas. A viabilidade pode ser afetada por vários 
fatores, incluindo as condições durante a colheita e o 
armazenamento; 
o Dormência das sementes: estado no qual as sementes não são 
capazes de germinar mesmo quando as condições são favoráveis. 
Algumas sementes precisam superar o estado de dormência antes 
da germinação; 
o Germinação das sementes: ocorre quando as condições ambientais 
são favoráveis para o crescimento da planta. O processo de 
germinação pode ser influenciado por vários fatores, incluindo a 
qualidade da semente e as condições ambientais; 
o Armazenamento das sementes: deve ocorrer de forma adequada 
para preservar a viabilidade e prevenir sua deterioração. As 
condições ideais para o armazenamento variam dependendo da 
espécie da semente. 
• Plantio e manejo: as sementes são então semeadas e cuidadas até se 
tornarem mudas prontas para o plantio. Durante esse estágio, as mudas 
são monitoradas e manejadas para garantir seu crescimento saudável 
(Embrapa, 2023): 
o Produção em viveiros: a estrutura operária dos viveiros para a 
produção de mudas é composta por profissionais especializados. 
Alguns viveiros têm capacidade para produzir centenas de milhares 
de mudas de várias espécies diferentes por ano (Oliveira et al., 
2016). 
• Uso das mudas: as mudas produzidas podem ser usadas para uma 
variedade de propósitos, incluindo a recuperação de áreas degradadas, a 
criação de novos hábitats para a fauna, o enriquecimento da 
 
 
16 
biodiversidade em áreas urbanas e rurais, entre outros (Oliveira et al., 
2016). 
Essas estratégias e métodos são fundamentais para garantir a produção 
eficaz e sustentável de mudas da flora nativa e exótica. 
TEMA 5 – EXECUÇÃO E MONITORAMENTO DO PLANTIO E MANEJO DE 
ESPÉCIES DA FLORA NATIVA E EXÓTICA 
A execução e o monitoramento do plantio e manejo de espécies da flora 
nativa e exótica são uma atividade que requer planejamento, conhecimento 
técnico e responsabilidade ambiental. Se o objetivo é restaurar, conservar ou 
enriquecer áreas degradadas ou de interesse ecológico, o plantio e o manejo 
devem seguir as normas técnicas e legais vigentes, respeitando os princípios da 
sustentabilidade e da biodiversidade (Brasil, 2021). 
O uso de espécies nativas adaptadas às condições locais podeser 
estratégico, pois essas espécies podem oferecer benefícios ambientais, sociais 
e econômicos, como contribuir para a recuperação da biodiversidade, da 
fertilidade do solo, da ciclagem de nutrientes e da proteção contra erosão. Além 
disso, as espécies nativas podem fornecer benefícios socioeconômicos, como a 
produção de alimentos, madeira, fibras, óleos essenciais, medicinais e 
ornamentais promovendo a geração de renda, a valorização da cultura local e a 
educação ambiental. 
5.1 Execução 
Para a execução do plantio e manejo de espécies da flora nativa e exótica, 
alguns critérios devem ser considerados: a seleção das espécies, o preparo do 
solo, a época e o método de plantio, a adubação, a irrigação, o controle de 
pragas e doenças, a poda, o desbaste e o monitoramento. Deve considerar as 
características ecológicas, climáticas e edáficas da região, bem como os 
objetivos e as expectativas dos envolvidos no processo (Embrapa, 2023). 
No plantio existem diferentes técnicas, como o uso de mudas, sementes, 
estacas ou propágulos vegetativos. Pode ser feito de forma planejada, seguindo 
critérios técnicos e científicos, ou de forma participativa, envolvendo a 
comunidade local na escolha das espécies, na coleta de sementes, no preparo 
 
 
17 
das mudas e na implantação e manutenção das áreas. A Figura 9 mostra a 
comunidade envolvida em ações de plantio. 
Figura 9 – Ações de plantio de mudas com envolvimento da comunidade 
 
Crédito: Robert Kneschke/Shutterstock. Crédito: Tapui/Shutterstock. 
O plantio e o manejo de espécies da flora nativa e exótica podem ser 
manuais ou mecanizados (Figura 10). O primeiro método consiste inicialmente 
pela marcação e alinhamento, abertura de covas, distribuição de mudas e plantio 
propriamente dito; o segundo método envolve um trator que transporta as mudas 
e abre a cova com um disco sulcador enquanto um operário distribui as mudas. 
Ainda, o plantio em área total, que as mudas são plantadas de forma aleatória 
ou sistemática (em linhas), com variação nos espaçamentos (Embrapa, 2023). 
Figura 10 – Plantio manual e mecanizado 
 
Crédito: A3pfamily/Shutterstock. Crédito: Deyan Georgiev/Shutterstock. 
Os plantios podem ser feitos em várias formas de arranjo de espécies em 
função da ecologia e da disponibilidade de mudas, como: apenas espécies de 
rápido crescimento, alternando linhas de cobertura intensa (por exemplo: 
 
 
18 
espécies fixadoras de nitrogênio) e linhas com espécies de maior diversidade, 
incluindo diferentes grupos sucessionais e outras formas possíveis de 
composição de grupos funcionais de espécies (Brasil, 2021). 
Os espaçamentos entre as mudas podem variar dependendo de diversos 
fatores como o relevo, o tipo de vegetação a ser restaurado e a velocidade com 
que se deseja recobrir o solo. Os espaçamentos mais usuais são 2m x 2m (o 
que resulta em 2.500 plantas por hectare) e 3m x 2m (resultando em 1.667 
plantas por hectare) (Embrapa, 2023). Algumas estratégias para o plantio com o 
objetivo de restaurar, conservar ou enriquecer áreas degradadas são: 
• Recuperação ambiental: seleção e introdução de leguminosas arbóreas e 
arbustivas capazes de crescer sob condições adversas. O êxito dessa 
tecnologia está na associação entre planta, rizóbios e fungos micorrízicos; 
• Restauração ecológica: criação de comunidades ecologicamente viáveis, 
protegendo e promovendo a capacidade natural de mudança dos 
ecossistemas. Necessária quando um ecossistema sofre distúrbios de 
grandes proporções (em grande escala, intensidade e frequência) e não 
consegue se recuperar; 
• Semeadura direta: técnica com espécies nativas promissora para 
recomposição da vegetação nativa, devido ao baixo custo de implantação 
e possibilidade de recuperação rápida; 
• Sistema agroflorestal (SAF): este sistema pode ser usado para a 
recuperação de áreas, onde as mudas são distribuídas na área da forma 
mais próxima possível à observada na natureza. Para a recuperação 
combinada com o plantio de grãos, as árvores devem ser distribuídas em 
linhas espaçadas o suficiente para que, quando estiverem adultas, o 
sombreamento não seja excessivo. 
5.2 Monitoramento 
O monitoramento é uma etapa importante para avaliar o sucesso e os 
impactos das ações de recuperação ambiental. Consiste em coletar dados sobre 
as espécies plantadas, o estado de saúde, o crescimento e o desenvolvimento, 
a sobrevivência e a diversidade das mudas, bem como as condições do solo, da 
água e da fauna associada. Esses dados permitem acompanhar a evolução do 
plantio, identificar problemas e soluções, verificar o cumprimento das metas e 
 
 
19 
normas legais, e gerar informações para o planejamento e a gestão das áreas 
recuperadas. O monitoramento e a avaliação dos resultados são fundamentais 
para garantir a efetividade e a sustentabilidade da estratégia de plantio (Serviço 
Florestal Brasileiro, 2020). 
NA PRÁTICA 
Atividade: Explorando a Vegetação e a Flora 
Objetivo: Proporcionar uma experiência prática de aprendizado sobre a estrutura 
da vegetação e as espécies da flora. 
Instruções: 
1) Estrutura da vegetação: visite um parque ou uma área natural perto de 
você. Observe a vegetação ao seu redor e tente identificar os diferentes 
componentes da estrutura da vegetação (por exemplo: dossel, sub-
bosque, estágios sucessionais, presença de epífitas, gramíneas, lianas, 
serrapilheira). Faça um esboço ou tire fotos para documentar suas 
observações. 
2) Espécies da flora: escolha uma região geográfica de seu interesse e 
pesquise sobre as espécies de flora nativas dessa região. Faça uma lista 
das espécies encontradas e descreva suas características principais. 
FINALIZANDO 
• A estrutura da vegetação é o conjunto de características físicas e 
biológicas que definem a forma, a altura, a densidade e a diversidade das 
plantas em um ecossistema. Os estágios sucessionais são as fases de 
desenvolvimento da vegetação ao longo do tempo; 
• A botânica estuda espécies da flora por seu valor econômico, raridade, 
ameaça de extinção, exotismo, invasão e bioindicação. Essas espécies 
ajudam a identificar e delimitar áreas de potencial ecológico, turístico, 
econômico e educacional. Elas revelam a saúde ambiental, impactam a 
biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, exigem proteção e podem 
gerar renda para as comunidades locais; 
• Tecnologias de mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo são 
cruciais para o planejamento e gestão ambiental, e para monitorar 
mudanças que afetam a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos; 
 
 
20 
• As etapas são mais comuns para a produção de mudas nativas e exóticas 
são seleção de matrizes, coleta e tratamento de sementes; plantio, 
manejo e produção em viveiros; e uso das mudas; 
• Para a execução do plantio e manejo de espécies da flora nativa e exótica 
alguns critérios devem ser considerados: a seleção das espécies, o 
preparo do solo, a época e o método de plantio, o espaçamento, a 
adubação, a irrigação, o controle de pragas e doenças, a poda, o desbaste 
e o monitoramento. 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
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Resolução n. 002, de 18 de março de 1994. Disponível em: 
<https://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0002-180394.PDF>. 
Acesso em: 4 out. 2023. 
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br/assuntos/ecossistemas-1/conservacao-1/politica-nacional-de-recuperacao-
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Disponível em: <https://www.gov.br/ibama/pt-br/assuntos/biodiversidade/flora-e-
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