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1www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA SUJEITO III Em relação ao sujeito, é importante dominar: a identificação, os tipos e a concordância. Os tipos de sujeito são: Os sujeitos expressos (simples e composto), assim como os não expressos (elíptico e indeterminado), já foram estudados. No sujeito expresso, na estrutura sujeito + verbo + complemento (SVC), o sujeito está verbalmente representado. No sujeito não expresso, também há sujeito, verbo e comple- mento, mas o sujeito está elidido, não aparece. Já na oração sem sujeito, na estrutura SVC, o sujeito não existe. Não é à toa que a oração sem sujeito é também conhecida como sujeito inexistente. Nesse caso, a oração é dotada de um verbo especial que não admite a presença do sujeito: verbos impessoais. A posição do sujeito fica simplesmente apagada. Não se deve confundir com o infinitivo impessoal, que é um verbo terminado em -ar, -er ou -ir cujo sujeito não pode ser identificado. O verbo impessoal, independentemente da con- jugação, não admite sujeito. Portanto, não tem com quem concordar. Sujeito é o termo com o qual o verbo estabelece concordância. Como o verbo impessoal não admite sujeito, não tem com quem concordar, com quem se flexionar, ficando sempre no singular. É como se fosse um verbo neutro, sem flexão. www.grancursosonline.com.br 2www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA Existem alguns verbos especiais que podem ser impessoais. Por exemplo: VERBOS QUE INDICAM FENÔMENOS DA NATUREZA. Exemplos: chover, nevar, amanhecer. 11. Choveu durante a cerimônia. Quem choveu? O que choveu? Não se sabe. O verbo chover é impessoal. Não admite sujeito, portanto só pode ficar no singular. É um caso de oração sem sujeito. Seria incorreto “Choveram durante a cerimônia”. ATENÇÃO Existem contextos na língua portuguesa em que o verbo chover não será usado de manei- ra denotativa, mas conotativa. Veja-se o exemplo abaixo: 12. Choveu confete durante a cerimônia. Nesse caso, o verbo chover não indica um fenômeno da natureza. Por uma relação metafó- rica e simbólica, associa-se o verbo chover com a queda de confetes durante a cerimônia. Como verbo figurado, não é um verbo impessoal. Ao perguntar ao verbo “O que choveu?”, a resposta é “confete”, que é o sujeito simples. Se fosse “confetes”, seria “Choveram con- fetes” e, nesse caso, como admite sujeito, é pessoal. 13. Choveu granizo durante a cerimônia. Se compararmos as frases 12 e 13, a única diferença é “confete” e “granizo”, dois subs- tantivos. Em 11, se se pergunta “O que choveu?”, não há resposta – verbo impessoal não admite sujeito. Em 12, choveu confete; em 13, choveu granizo. Então, se nesse último caso, pergunta-se “O que choveu?” e a resposta é granizo, o sujeito é simples,e o verbo chover é pessoal, não é mais um caso de oração sem sujeito. Se fosse “granizos”, ficaria “Granizos choveram”. Por que em 11 é um fenômeno da natu- reza e em 13 não? Segundo Evanildo Bechara, o verbo considerado fenômeno da natureza é aquele que, sozinho, indica fenômeno. Cada língua registra fenômenos da natureza de maneira diferente. Na língua inglesa, por exemplo, não existe oração sem sujeito, não se podendo registrar o verbo chover sem sujeito, mesmo que este seja de valor neutro, vazio (“It rains.”). Voltando ao exemplo 13, o fenômeno não é indicado somente pelo verbo, mas pelo verbo e granizo, não sendo considerado um verbo de fenômeno da natureza. 5m 10m www.grancursosonline.com.br 3www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA Nas línguas indígenas brasileiras, há redundâncias relacionadas aos verbos que indicam fenômenos da natureza. No Brasil, hoje, existem mais de 150 idiomas indígenas vivos e, para essas culturas, fenômenos da natureza operam como entidades. Assim, é comum haver estruturas como “choveu a chuva”, “amanheceu a manhã”, “entardeceu a tarde”. No portu- guês do Brasil, essas seriam redundâncias, bastando “choveu”, “amanheceu”, “entardeceu”. VERBO HAVER QUANDO IMPESSOAL: no sentido de existir, ocorrer, acontecer e de tempo transcorrido. 14. Havia plantas na varanda. O verbo haver neste caso tem o sentido de existir. Registrada com esse sentido, seria “Existiam plantas na varanda”. Com o verbo existir, “plantas” é o sujeito, e com ele o verbo deve concordar. Impessoal não é o verbo existir, mas o verbo haver no sentido de existir. Este é impessoal, não admite sujeito, formando uma oração sem sujeito. Nesse caso, se a banca troca por “haviam”, essa troca é considerada gramaticalmente incorreta. 15. Houve acidentes durante o feriado. É como dizer:“Aconteceram/ocorreram acidentes durante o feriado”. O que aconteceram ou o que ocorreram? “Acidentes”, que é o sujeito, com o qual os verbos concordam, pois são pessoais, admitem sujeito. Impessoal é o verbo haver nos sentidos especificados, formando oração sem sujeito, podendo ficar apenas no singular. Se a banca propusesse a troca de “houve” por “houveram”, estaria errado. 16. Deve haver plantas na varanda. 17. Pode haver acidentes durante o feriado. Nos itens 16 e 17, não há uma estrutura apenas com o verbo haver, mas com “deve haver” e “pode haver”, que são locuções verbais. A locução verbal é marcada pela ocorrência de um verbo auxiliar, seguida de um verbo principal. O verbo auxiliar tem o papel de carre- gar a concordância da locução; já o verbo principal tem a missão de carregar o significado, o sentido da locução. Entre os principais verbos auxiliares, estão os verbos ser, estar, ter, haver, ir, dever e poder. O verbo principal aparece nas formas nominais do verbo (infinitivo, particípio e gerúndio). Voltando aos itens, quem carrega o sentido da locução é o verbo haver. Dever e poder estão apenas auxiliando, tendo o papel de estabelecer a concordância. Se quem carrega o sentido é o verbo haver, para saber se a locução é pessoal ou impessoal, deve-se observar o verbo principal. 15m www.grancursosonline.com.br 4www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA “Deve haver plantas na varanda” é o mesmo que “Devem existir plantas na varanda”. “Pode haver acidentes durante o feriado” é o mesmo que “Podem acontecer acidentes durante o feriado”. Em outras palavras, plantas e acidentes são sujeitos plurais, que, no caso dos verbos existir e acontecer, como são pessoais, estabelecem a concordância com o verbo. Com o verbo haver, impessoal, o auxiliar também só pode ficar no singular. Assim, quando o verbo principal for impessoal em uma locução verbal, o auxiliar só pode ficar no singular. Se a banca sugerisse “Devem haver plantas” ou “Podem haver acidentes”, estaria errado. ATENÇÃO Se plantas e acidentes são sujeitos dos verbos existir e acontecer, o que será plantas e acidentes nas locuções com o verbo haver impessoal? A convenção gramatical afirma que, quando o verbo haver é impessoal, o termo que vem depois (plantas e acidentes) é objeto direto. O verbo haver é considerado verbo transitivo direto. Nos demais exemplos, os ver- bos existir, acontecer e ocorrer são intransitivos. Aquilo que é sujeito para os verbos existir, ocorrer e acontecer para o verbo haver é objeto direto. 18. Há oito meses, eles esperam a criança. Nesse caso, o verbo haver indica tempo transcorrido. Oito meses se passaram. ATENÇÃO Não confundir tempo transcorrido com verbo no pretérito. Quando há tempo transcorrido, o tempo (oito anos) vem expresso. Observe-se que o verbo “haver” está no presente do indicativo, mas, mesmo assim, há indicação de tempo transcorrido. O verbo “haver” nessa frase também é considerado impessoal. Representauma oração sem sujeito, portanto só pode ficar no singular. VERBO FAZER NO SENTIDO DE TEMPO TRANSCORRIDO OU CLIMA (PERCEPÇÃO CLIMÁTICA) 19. Faz oito meses que eles esperam a criança. O verbo fazer indica tempo transcorrido (oito meses). É tido como verbo impessoal, por- tanto só pode ficar no singular. É oração sem sujeito. Seria um erro trocar “faz” por “fazem” nesse caso. 20m 25m www.grancursosonline.com.br 5www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA 20. Faz frio na Holanda. Aqui há a indicação de percepção climática. O verbo é impessoal, não admite sujeito e só pode ficar no singular. Isso também vale para locução verbal. Qual seria a forma correta: “Vai fazer oito meses que eles esperam a criança” ou “Vão fazer oito meses que eles esperam a criança”? Se há tempo transcorrido, o verbo é impessoal. Em uma locução verbal, quando o verbo principal é impessoal, o auxiliar fica no singular. Então, o correto é “Vai fazer oito meses que eles espe- ram a criança”. Em “Havia plantas na varanda”, pode-se trocar o verbo haver por ter – tinha? Ou em “Pode haver acidentes durante o feriado” por ter – teve? No uso coloquial, informal, quoti- diano da língua portuguesa, é muito recorrente o uso do verbo ter no lugar de haver com o sentido de existir. Quando alguém diz “Tem gente no banheiro”, na verdade se quer dizer “Existe gente no banheiro”. O uso do verbo ter com o sentido de existir é considerado gra- maticalmente incorreto. O verbo ter não pode ser usado para indicar existência, ocorrência ou acontecimento, tampouco para indicar tempo transcorrido. Esses usos impessoais não servem para o verbo ter. Assim, ao invés de “Tem gente no banheiro”, o correto seria “Existe gente no banheiro” ou “Há gente no banheiro”. Quando se vai a uma padaria e se pergunta ao balconista “Tem pão?”, o correto seria “Há pão?” ou “Existe pão?” Parece bastante estranho, mas assim seria na norma culta. Não se usam essas construções no cotidiano, mas, para a prova, é preciso saber que o verbo ter não pode ser usado com o sentido de existência, ocor- rência, acontecimento ou tempo transcorrido. Poderia ser no plural – “Tinham plantas na varanda” ou “Tiveram acidentes durante o feriado”? Não, esse uso é considerado gramaticalmente incorreto. Quando se usa o verbo ter? Para indicar posse: “Elias tem uma caneta em suas mãos”. Ele possui uma caneta. Ou como verbo auxiliar em uma locução verbal. Ter e haver estão entre os principais verbos auxiliares da língua portuguesa. Exemplo: “Minha mãe tinha traba- lhado muito”. Há uma locução verbal, em que o verbo auxiliar é ter e o verbo principal é tra- balhar. Nesse caso, em que o verbo ter é auxiliar, o examinador pergunta: pode-se trocar ter por haver – “Minha mãe havia trabalhado muito”? Sim, pois “ter” e “haver” têm o mesmo sig- nificado quando funcionam como verbo auxiliar em uma locução verbal. Poderia ser “Minhas mães tinham trabalhado muito”. Se o ter fosse trocado por haver, ficaria “Minhas mães haviam trabalhado muito”, pois o verbo auxiliar carrega o papel de concordância. Desse modo, nem sempre o verbo haver fica no singular, apenas quando é impessoal (com o sentido de exis- 30m 35m www.grancursosonline.com.br 6www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br A N O TA ÇÕ E S Sujeito III LÍNGUA PORTUGUESA tir, ocorrer, acontecer ou tempo transcorrido). Quando é auxiliar em uma locução verbal, a missão dele é estabelecer concordância. Nesse caso, ter e haver são sinônimos. Essa estru- tura é muito cobrada em provas. Em “Minha mãe tinha trabalhado muito” e em “Minha mãe havia trabalhado muito”, está-se diante de uma estrutura chamada tempo composto – ter ou haver seguidos de verbo no particípio – ou pretérito mais que perfeito composto do indicativo, cambiável por “Minha mãe trabalhara muito” ou “Minhas mães trabalharam muito”. Concluindo, não se pode trocar ter por haver indiscriminadamente. Nos usos impessoais, não se pode usar o verbo ter. O único caso em que é possível trocar ter por haver é quando ele é auxiliar em uma locução verbal. Quando isso acontece, o verbo haver deixa de ser impessoal, até porque quem carrega o significado da locução é o verbo principal. Não se classifica como pessoal ou impessoal o verbo auxiliar, mas a locução verbal inteira. Assim, só se pode classificar a locução como pessoal ou impessoal olhando para o verbo principal, já que ele é que carrega o significado da locução. ��Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Elias Gomes Santana. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu- siva deste material. www.grancursosonline.com.br