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106 LÍNGUA PORTUGUESA GRAMÁTICA – UNIDADE 2 – SINTAXE Por Mário Victor Maciel Ferreira SUMÁRIO 1.1. ORAÇÃO, FRASE E PERÍODO 4 Verbo 11 1.1 Funções 13 A vida, 13 Ao indiscreto, 13 1.2. ORAÇÃO COORDENADAS E SUBORDINADAS 20 1.3. SINTAXE DA PONTUAÇÃO 27 ATUALIZADO EM 14/02/2020[footnoteRef:1] [1: As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente citados. ] 1. SINTAXE 1.1. ORAÇÃO, FRASE E PERÍODO 1.1.1. TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO A análise sintática constitui-se no estudo da estrutura do período, dividindo e classificando as orações que o compõem e reconhecendo as funções sintáticas dos termos na oração. Apresenta, portanto, duas funções distintas: · Divisão de um todo em suas partes componentes; · Explicação da função de cada uma dessas partes. A análise sintática tem seu campo de ação assim delimitado: período, oração e termos da oração. ORAÇÃO PERÍODO FRASE A) FRASE Frase é qualquer enunciado dotado de significação. A frase pode ser constituída de: · uma só palavra. Exemplo: Socorro! · várias palavras (com verbo ou não). Exemplos: O tempo está nublado. / Que calor! Frase nominal – exprime uma visão estática. Aparece sem verbo ou com verbo de ligação. Exemplo: VITÓRIA JUSTA DO CORITIBA. Frase verbal – indica um processo dinâmico. Exemplo: O ATLÉTICO VENCEU. B) ORAÇÃO Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal. Exemplos: A fanfarra desfilou na avenida. / As festas juninas estão chegando. Tanto na frase quanto na oração, as palavras obedecem a uma ordem, a uma disposição, para que haja uma clara transmissão da mensagem. Observe: · Quadrinhos aluno em o sala na lê revista uma. O entendimento da mensagem fica impossível, porque as palavras estão dispostas numa ordem anormal. Se colocadas numa ordem linguística compatível com a nossa língua, entende-se facilmente a mensagem: · O aluno lê uma revista em quadrinhos na sala. Existe, portanto, uma ordem linguística que devemos seguir na elaboração de uma frase ou oração. A essa ordem dá-se o nome de sintaxe. Quanto à ordem, as orações podem ser diretas ou indiretas. Orações diretas – são as que apresentam os termos em sua ordem natural (sujeito, verbo, complementos). Exemplo: A comitiva presidencial chegou a Curitiba às duas horas. Orações indiretas – são as que apresentam os termos em ordem inversa, não-natural. Exemplo: Às duas horas, chegou a Curitiba a comitiva presidencial. C) PERÍODO Período é a frase estruturada em oração ou orações. Termina sempre por um ponto final, ponto de exclamação, ponto de interrogação, reticências e, às vezes, dois pontos. O período classifica-se em: · Simples – constituído por uma só oração, chamada absoluta. Fui à livraria ontem. · Composto – constituído por mais de uma oração. Fui à livraria ontem e comprei vários livros. A maneira prática de saber quantas orações existem num período é contar os verbos ou expressões verbais. TERMOS DA ORAÇÃO I. Essenciais Sujeito Predicado Objeto direto Objeto indireto II. Integrantes Complemento verbal Complemento nominal Agente da passiva III. Acessórios Adjunto adnominal Adjunto adverbial Aposto IV. Vocativo Não pertence à estrutura da oração TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO I. Sujeito simples composto indeterminado inexistente ou oração sem sujeito II. Predicado nominal verbal verbo-nominal – Predicativo do sujeito – PS – Predicativo do objeto – PO As orações são constituídas, quase sempre, de dois termos que expressam, respectivamente: · o ser (de quem se diz algo) – sujeito; · aquilo que se diz (do ser) – predicado. Veja: Sujeito Predicado O aluno estudou a matéria. (Nós) Sabemos toda a matéria. Faz muito tempo. 1.1.2. SUJEITO É o ser de quem se diz alguma coisa. Como termo da maior hierarquia dentro da oração, jamais vem regido por preposição. MODO DE ENCONTRÁ-LO: fazem-se as perguntas: O que é que + verbo? Quem é que Exemplo: O aluno saiu. (Quem é que saiu?) Resposta: O aluno. (sujeito) Núcleo do Sujeito: O núcleo de um termo é a palavra mais importante que dele participa. Em geral, o núcleo do sujeito pode ser: · um substantivo: · O lápis é novo. · um pronome substantivo (pessoal, indefinido etc.): · Ele está aqui. · uma palavra ou expressão substantivada: · Viver é lutar. · uma oração substantiva: · Convém que você venha à reunião. A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) considera somente estes tipos de sujeito: A) SUJEITO SIMPLES Possui um só núcleo (no singular ou no plural / claro ou subentendido). · Os sinos silenciaram. · Ninguém ousou levantar a voz. · Os nossos guarda-chuvas foram roubados. · Esse quê está bem empregado. #OBS.: Em frases como: Somos os melhores (núcleo: nós, implícito na desinência verbal), dizia-se antigamente que era um caso de sujeito oculto. Esse termo foi abolido pala NGB, apesar de ser ainda encontrado, inclusive em questões vestibulares. Seria mais próprio chamá-lo de sujeito desinencial ou implícito. B) SUJEITO COMPOSTO Possui dois ou mais núcleos (no singular ou no plural). · Eu e ela somos adversários. · Redação e provas coexistem nas preocupações dos que se preparam bem. C) SUJEITO INDETERMINADO Aquele que, embora existindo, não se pode determinar. Ocorre em dois casos: 1. Quando um verbo está na 3.ª pessoa do plural, sem que o contexto permita identificar o sujeito. Exemplo: Roubaram-me a carteira. (Quem roubou?!) A resposta pode ser eles e/ou elas, ou os ladrões. Há um agente da ação, mas subentendido, não escrito e não dedutível no contexto. 2. Quando um verbo (VI, VTI ou VL) está na 3.ª pessoa do singular acompanhado do pronome SE (partícula ou índice de indeterminação do sujeito). Exemplo: Hoje, lê-se (VI) mais nos tecidos do que nos livros. (Quem lê?!) A resposta é alguém, ou a gente, ou as pessoas... Da mesma forma que o caso anterior, há um agente da ação, mas subentendido, não escrito, não dedutível. Falava-se (VTI) de cobras e índios. Era-se (VL) feliz naqueles tempos. #OBS.: A indeterminação do sujeito também pode ocorrer com VTD + SE, desde que o OD esteja preposicionado. Exemplo: Admira-se a Machado de Assis. TD OD prep. #ATENÇÃO: Não se confunda o SE (índice de indeterminação do sujeito / IIS), com o pronome SE (pronome apassivador) PA (com verbos TD). Ouviram-se tiros espaçados. Sujeito: tiros espaçados (Tiros espaçados foram ouvidos.) O se é pronome apassivador.(PA) D) SUJEITO INEXISTENTE OU ORAÇÃO SEM SUJEITO Ocorre quando o fato enunciado não se refere a elemento algum. Essas orações se constroem com os verbos impessoais, isto é, usados apenas na 3.ª pessoa do singular. · Há programas para todas as idades nas estações de férias. Alguns casos de verbos impessoais: · os que exprimem fenômenos da natureza. · haver ( = existir) ou indicando tempo decorrido. · ser, fazer, estar: indicando tempo passado, clima, horas... · Faz um calor insuportável. · Hoje são 15 de setembro. · Trovejou muito ontem. · Deve haver boas notícias no jornal de amanhã. #OBS.: 1. Além dos casos anteriores, há outras construções que ocorrem sem sujeito: Onde lhe dói? 2. Com sentido figurado, os verbos impessoais tornam-se pessoais, portanto, com sujeito: Choveram piadas sobre a atuação do presidente. (sujeito: piadas) Amanheci mal-humorado. (sujeito: eu – implícito)1.1.3. PREDICADO Predicado é o que se declara do sujeito. Portanto, retirado o sujeito, o que restar será o predicado. Pode ser: nominal, verbal e verbo-nominal. A) PREDICADO NOMINAL Apresenta as seguintes características: · É formado por um verbo de ligação mais o predicativo do sujeito VL + PS; · Tem um nome (subst. ou adjetivo) como núcleo; · Indica estado ou qualidade. Exemplo: O aluno está confiante. B) PREDICADO VERBAL É aquele que se constitui de verbo intransitivo ou transitivo. Apresenta as características: · O núcleo do PV é um verbo (VI ou VT); · Indica ação. Exemplo: O aluno fez as provas calmamente. Sujeito VTD (núcleo=fez) C) PREDICADO VERBO-NOMINAL O turista voltou para casa maravilhado. Apresenta as seguintes características: · Tem dois núcleos: um verbo e um nome; · Tem predicativo do sujeito ou do objeto – PS ou PO; · Indica ação e qualidade/estado. É constituído de: VI + PS (verbo intransitivo mais predicativo do sujeito) Exemplo: Os atletas chegaram cansados. Sujeito VI + PS PVN VT + PO (verbo transitivo mais predicativo do objeto) Exemplo: O chefe julgou o funcionário culpado. Sujeito TD + OD + PO PVN VT + PS (verbo transitivo mais predicativo do sujeito) Exemplo: Eu assisti ao jogo confiante. Sujeito TI + OI + PS PVN #OBS.: O predicado da voz passiva é analisado como o da ativa. 1.1.4. TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO Completam o sentido de verbos e nomes e, por isso, são indispensáveis à compreensão do enunciado. Complementos verbais Objeto direto Objeto indireto Complemento nominal Agente da passiva A) OBJETO DIRETO É o termo da oração que completa o sentido do verbo transitivo direto (VTD). MODO DE ENCONTRÁ-LO: fazem-se perguntas, após o verbo: Verbo o quê? quem? Exemplo: O aluno fez excelente redação. (O aluno fez o quê?) Resposta – Excelente redação. (OD) Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo. Quanto à forma: liga-se ao verbo sem preposição. Quanto ao valor: indica o paciente, o alvo ou o elemento sobre o qual recai a ação verbal. Os políticos pressionaram o governo. Sujeito verbo objeto direto transitivo (VTD) (alvo) B) OBJETO DIREITO PREPOSICIONADO Excepcionalmente, o objeto direto vem precedido de preposição (a, de, com...). Tal preposição, porém, ocorre por razões várias e não pela exigência obrigatória do verbo. Exemplo: Os revoltosos tomaram das armas. Sujeito VTD OD prepos. Nesse exemplo, a preposição de não é exigida pelo verbo – até poderia ser excluída. Outros exemplos de objeto direto preposicionado: · Amemos a Deus. · Castigaram a José. · Beberam do vinho. · Puxaram da arma. · Estimamos a V. Exª. C) OBJETO INDIRETO É o termo da oração que completa o sentido do verbo transitivo indireto (VTI), e que vem precedido de uma preposição exigida pelo verbo. O Brasil dá crédito ao pequeno produtor rural. MODO DE ENCONTRÁ-LO: fazem-se as perguntas, após o verbo: Verbo a quê (m)? de quê(m)? em quê(m)? para quê(m)? Outras Exemplo: Obedecemos aos nossos pais. (Obedecemos a quem?) Resposta – Aos nossos pais. (OI) Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo. Quanto à forma: liga-se ao verbo através de preposição obrigatória exigida por ele. Quanto ao valor: indica o paciente ou o destinatário da ação verbal. As preposições Como o objeto indireto costuma vir regido de preposição, convém não esquecê-las. As preposições simples são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por (pelo), sem, sob, sobre, trás. D) OBJETO DIRETO E INDIRETO PLEONÁSTICO Costuma-se repetir o objeto, quando se quer chamar a atenção para ele; são os objetos pleonásticos, que aparecem sob a forma de pronome átono. Exemplos: Funções Objeto direto Objeto indireto Adjunto adnominal Objeto direto Objeto indireto Adjunto adnominal Singular 1.ª me – – 2.ª te – – 3.ª se o, a (lo, la, no, na) lhe = a ele(a) – OI = seu, sua(s) – Adjunto adnominal Plural 1.ª nos – – 2.ª vos – – 3.ª se os, as (los, las, nos, nas) lhes = a eles(as) – OI A vida, o vento a levou. Objeto direto objeto. direto pleonástico Ao indiscreto, não lhe confio nada. Objeto indireto objeto. indireto pleonástico 1.1.5. FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES OBLÍQUOS Como você já estudou tal função, eis apenas uma síntese: A) PREDICATIVO DO OBJETO VTD + OD + PO Vimos que o predicativo do sujeito ocorre no predicado nominal ou no predicado verbo-nominal. O predicativo do objeto só ocorre no predicado verbo-nominal. Exemplos: “Teresa encontrou a rapariga transtornada.” (J. Amado) Sujeito verbo transitivo direto Objeto direto Predicativo do objeto Observe que “a rapariga” é que está “transtornada”. Julgo ilusória esta interpretação.” (Carlos Drummond de Andrade) Observe que podemos desdobrar a oração em duas: “(Eu) julgo esta interpretação” + “esta interpretação é ilusória”. O predicativo “ilusória” refere-se ao objeto “interpretação”. Observações: 1. Apenas o verbo chamar pode ter predicativo do objeto indireto. Exemplo: “Eu lhe chamo estado de espírito.” (C. D. A.) 2. Na passagem para a voz passiva, o predicativo do objeto (PO) se transforma em predicativo do sujeito OBS.: Este é um bom artifício para reconhecer o predicativo do objeto. Exemplos: O júri considerou péssimo o candidato. Sujeito VTD pred. do objeto objeto. direto O candidato foi considerado péssimo pelo júri Sujeito loc. verbal de voz passiva pred. sujeito. ag. pass. · PO (voz ativa) = PS (voz passiva) · Verbos que costumam exigir Predicativo do Objeto: Chamar, julgar, considerar, eleger, encontrar, ver, nomear... B) COMPLEMENTO NOMINAL Assim como os verbos transitivos precisam de um termo que lhes complete o sentido, existem alguns nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) que também necessitam de um complemento. Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de um nome com o auxílio de uma preposição. “O ódio ao mal é amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.” (Rui Barbosa) MODO DE ENCONTRÁ-LO: fazem-se as perguntas, após o nome: Nome a quê(m)? de quê(m)? por quê(m)? outras quem? o quê? de quê? O vestiba tem necessidade de ajuda. Sujeito VTD OD Complemento nominal. (CN) Quanto à relação: vem sempre associado a um nome de significação transitiva. Quanto à forma: liga-se ao nome sempre através de preposição. Quanto ao valor: indica o alvo ou o ponto sobre o qual recai a ação do nome. Exemplos: Protestaram contra a queima da floresta. nome de significação transitiva (substantivo) complemento nominal (indica sobre quem recaiu a queima) Jamais seria capaz de uma atitude assim. nome (adjetivo) CN O júri agiu favoravelmente ao réu. nome (adv.) CN Observação: Muitas vezes, o nome transitivo é cognato de verbo transitivo. Amar o trabalho. Amor ao trabalho. VTD OD subst. CN Assistir ao julgamento. Assistência ao julgamento. VTI OI subst. CN Observação: Não se deve confundir o CN com o OI. A ovelha resiste ao frio. A ovelha é resistente ao frio. Sujeito VTI OI Sujeito VL PS(adjetivo) CN C) AGENTE DA PASSIVA É o termo da oração que pratica a ação do verbo na voz passiva, auxiliado de preposição por ou de. A mãe é amada pelo filho Sujeito Locução verbal passiva Agente da passiva (AP) A forma verbal está na voz passiva, pois o sujeito (A mãe) é paciente (sofre a ação verbal). O termopelo filho pratica a ação verbal (ama a mãe). Na voz passiva, o termo que pratica a ação verbal é o agente da passiva – AP ( = pelo filho). Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo na voz passiva. Quanto à forma: liga-se ao verbo sempre através de preposição (por, per, de) Quanto ao valor: indica o elemento que executa a ação verbal. Outros exemplos: As matas são destruídas pelo homem. A palestra foi dada por especialista. A atriz foi cercada de fãs fanáticos. (por...) A usina é movida a vapor. (por...) 1.1.6. TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO São os termos que desempenham uma função secundária na oração. Acrescentam informações secundárias aos nomes e aos verbos. Adjunto adnominal Adjunto adverbial Aposto A) ADJUNTO ADNOMINAL É o termo da oração que qualifica ou determina o núcleo substantivo de uma função sintática. O meu colega de turma descobriu um livro raro. AA AA núcleo AA AA núcleo AA Sujeito VTD OD Quanto à relação: vem sempre associado a um nome. Quanto à forma: liga-se ao nome com ou sem preposição – sem a mediação de um verbo. Quanto ao valor: é um atributo (qualificador – caracterizador) do nome a que se refere. O adjunto adnominal pode ser representado por: – Adjetivo Pessoa bondosa. – Locução adjetiva Relógio de ouro. – Pronome possessivo Teus pais. – Pronome indefinido Alguns amigos. – Pronome demonstrativo Aquela fazenda. – Artigo O automóvel. – Numeral Três orquestras. – Pron. oblíquo com Quebro-te a cara. = valor de possessivo Quebro a tua cara. B) ADJUNTO ADVERBIAL É o termo, representado por advérbio ou equivalente, que acrescenta uma circunstância ao verbo, ou intensifica ou gradua a ideia expressa por adjetivo, verbo ou advérbio. · Quanto à relação: vem associado a verbo, adjetivo ou advérbio e pode também se referir a todo o conjunto da oração. · Quanto à forma: liga-se a esses elementos com ou sem preposição. · Quanto ao valor: indica circunstâncias (de tempo, de lugar, de modo, de intensidade etc.) aos elementos a que se refere. Não é o agente nem o alvo do processo verbal. Exemplos: A empreiteira entregou a obra na semana passada. Sujeito VTD OD adjetivo adv. TEMPO Os adjuntos adverbiais podem expressar várias circunstâncias: · de tempo: “Agora desligue isso e vá dormir.” (F. S.) · de lugar: “Passou na rua lateral uma carroça.” (A. Meyer) · de causa: “Emília empalideceu de susto.” (M. Lobato) · de modo: “O pobre estudante ergueu-se com ligeireza.” (J. M. M.) · de fim: “Pedrinho dispôs tudo para o ataque.” (M. Lobato) · de dúvida: “Talvez pedisse água.” (C. D. A.) · de negação: “Não te entregues à mágoa vã.” (M.B.) · de intensidade: “Macunaíma estava muito contrariado.” (M. de Andrade) · de meio: “Deixe; amanhã hei de acordá-lo a pau de vassoura.” (M. de Andrade) · de afirmação: Conheço, de fato, seus motivos. C) APOSTO É a palavra ou expressão que serve para explicar (desenvolver ou resumir) um substantivo ou equivalente por meio de palavras que, geralmente, vêm entre vírgulas, depois de uma vírgula, dois pontos ou travessão: Exemplo: ”Não sabia ela, Ernestina, que o pai dessa lastimável rapariga, Pedro Torresmo, jurara invadir a casa.” (J. Amado) · Quanto à relação: vem sempre associado a um nome. · Quanto à forma: liga-se ao nome sem preposição, exceto em casos raros. Identifica-se, normalmente, pela pontuação. · Quanto ao valor: identifica ou esclarece o nome a que se associa, estabelecendo uma relação de equivalência. Costuma-se classificar o aposto como: · Enumerativo: “É assim Lenine: esquivo, irascível, exigente.” (M. Bandeira) · Recapitulativo: (representado por tudo, nada, ninguém, qualquer etc.) “... seringa, termômetro, tesoura, gaze, esparadrapo, boneca, tudo se derrama pelo chão.” (P. M. C) · Distributivo: “Não se confunda economia com avareza: a primeira é virtude sábia, a segunda, miséria sórdida.” (C. Neto) · Especificativo: Cidade do Rio de Janeiro; Rua do Ouvidor; Marechal Deodoro; Mês de setembro. D) VOCATIVO É o termo que serve apenas para chamar, invocar ou nomear um ser, podendo vir precedido de interjeição e caracterizando-se pela entoação exclamativa. (= ó...) CHAMAMENTO! É um termo à parte, não mantendo qualquer relação sintática com outro termo da oração. Exemplo: “Não quero ser preso, Jesus, ó meu santo.” (C. D. A.) · Quanto à relação: vem sempre isolado, isto é, não se liga sintaticamente a outro elemento da frase. · Quanto à forma: vem sempre marcado por pausa (na escrita, vírgula). · Quanto ao valor: indica, na frase, a pessoa ou a coisa com que(m) falamos, ou a que(m) nos referimos, fazendo um chamado. E) ANÁLISE DO PRONOME RELATIVO Pronome relativo é a palavra que substitui o termo de uma oração anterior e estabelece relação entre duas orações. Exemplo: Repreendeu os amigos. Os amigos falharam. Repreendeu os amigos que falharam. ↓ antecedente pronome relativo Chama-se de antecedente o termo a que o pronome relativo substitui. Artifício para analisar o pronome relativo · Substitui-se o pronome por seu antecedente; · A análise que couber ao termo substituto caberá ao pronome relativo. Assim: Repreendeu os amigos que falharam Substituindo o que por seu antecedente, ficará: Os amigos falharam. Sujeito predicado Daí se conclui que, na frase em questão, o pronome relativo que: · está substituindo o termo amigos; · funciona como sujeito de falharam. Funções sintáticas do pronome relativo Funções sintáticas Exemplo Sujeito As mulheres são carinhosas com os homens que as amam. ( = os homens as amam ) Objeto direto As cartas que escrevi foram devolvidas. ( = escrevi as cartas) Objeto indireto O jogo a que assisti foi excelente. ( = assisti ao jogo) Predicativo Eu sou o que sou. ( = sou aquilo) Complemento nominal Este é o fóssil mais antigo de que se tem notícia. ( = tem-se notícia do fóssil) Agente da passiva O cachorro por que fui mordido sempre foi manso. ( = fui mordido pelo cachorro) Adjunto adverbial A cidade onde (em que) moro possui fama de Primeiro Mundo. ( = moro na cidade) Adjunto adnominal O rio, cujas águas são límpidas, vem de região serrana. ( = as águas do rio) 1.2. ORAÇÃO COORDENADAS E SUBORDINADAS 1.2.1. TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO As orações coordenadas vêm ligadas por conjunções coordenativas, claras ou subentendidas. Assindéticas (conjunção subentendida): · Cheguei, vi, venci. · Não fale alto: estou pensando. · Chore, pois lágrimas lavam a alma. Sindéticas (conjunção clara). A) ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS 1. ADITIVAS: Indicam soma, acrescentamento. · Conjunções: e, nem, mas também, que, mas ainda, como também, bem como... · Fui a São Paulo e assisti aos jogos. · Ignorei os fatos, nem quis conhecê-los. · Fala que fala... · Vivo na roça, mas ainda estudo na cidade. 2. ADVERSATIVAS: Indicam contraste. · Conjunções: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, e... · O som não era alto, mas ouvia-se bem. · Há vagas, contudo poucos são os alunos. 3. ALTERNATIVAS · Indicam exclusão, alternância. · Conjunções: ou, ou... ou, ora... ora, quer... quer... seja... seja · Irei à praia, ou viajarei para as montanhas. · Ora pesava demais, ora não tinha peso. · Iremos, quer chova, quer faça sol. · Seja domingo, seja segunda, cá estou. 4. CONCLUSIVAS: Indicam conclusão de uma ideia. · Conjunções: portanto, logo, por isso, por conseguinte, pois (depois do verbo)...· O carro está ruim, portanto não viaje nele. · Vives mentido, logo não mereces crédito. · Ele é forte; tem, pois, condição de vencer. 5. EXPLICATIVAS: Indicam explicação, argumentação. · Conjunções: porque, que, porquanto, pois (antes do verbo)... · Não a abandone, porque te arrependerás. · Você está pálido, porque o susto foi grande. · Vai, Maria; pois só tenho rancor e mágoas. 1.2.2. ORAÇÕES SUBORDINADAS A) SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS São introduzidas pelas conjunções subordinativas integrantes que e se; e, também, por pronomes e advérbios interrogativos: · Posso afirmar que a estória é verdadeira. · Os fiscais viram se a nota estava correta. · Não posso dizer quem é o mais rico. · Só ela sabia onde se escondera o marido. Método prático para identificar e analisar orações subordinadas substantivas: 1) Toda oração que possa ser substituída por pronome é substantiva (pode-se usar o pronome isso). 2) O tipo da oração subordinada substantiva corresponde à função sintática do pronome. · Não sabia que chegara sua hora. · Não sabia isso (objeto direto). - Portanto: Não sabia que chegara sua hora (or. subord. subst. objetiva direta) Classificação das orações subordinadas substantivas · Subjetivas · É possível que o livro valha muito. · Seria mais correto se todos votassem. · Não se sabe como chegou até aqui. · Predicativas · Meu objetivo é que me deixem estudar. · A Pátria era onde me sentia bem. · Objetivas diretas · O técnico exige que todos treinem muito. · Não posso dizer se amanhã poderei vir. · Perguntei aos alunos quando ela chegou. · Objetivas indiretas · Nunca te esqueças de que a vida é breve. · O filme convida para que o vejas de novo. · A escola abriu vagas a quem as quisesse. · Completivas nominais · Tenho certeza de que há vagas para todos. · Passar só é fácil para quem estuda muito. · Sou favorável a que decidam logo. · Apositivas · Imponho uma condição: que seja à vista. · Confesso uma verdade: ainda sou virgem. · A notícia veio de supetão: iria para casa. #OBS.: A Norma Gramatical Brasileira não faz menção às orações que exercem a função de agente da passiva: · A obra foi comprada por quem a fez. · O prefeito está rodeado de quem não o apoia. B) SUBORDINADAS ADVERBIAIS Introduzidas pelas conjunções subordinativas, exceto as integrantes (das or. subord. substantivas). As orações subordinadas adverbiais ligam-se ao verbo da or. principal, como um adjetivo adverbial, para indicar a circunstância em que ocorre a ação verbal. Classificação das orações subordinadas adverbiais · Causais (a causa pela qual ocorre a ação verbal da oração principal). · Conjunções: porque, visto que, que, como... · O prisioneiro morreu porque tomou veneno. · Faltou às aulas, visto que andava doente. · Comparativas (o segundo termo de uma comparação iniciada na oração principal). · Conjunções: como, (mais) que, (menos) que, assim como, tal qual... · A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro. · A cidade está tal qual você a deixou. · A luz é mais veloz que o som. · Concessivas (concedem ou aceitam ação contrária à oração principal). · Conjunções: embora, ainda que, se bem que, conquanto, mesmo que... · Sairei agora embora ainda seja cedo. · Ainda que viva cem anos, não lhe perdoarei a traição. · Condicionais (condição, hipótese sob a qual se realizará ou não a oração principal). · Conjunções: se, caso, desde que, salvo se, sem que, a menos que, contanto que... · Seria diferente se tivessem chegado antes. · Caso saibas a causa, aceitarás a falta. · Passará na prova, desde que estude mais. · Conformativas (adequação, equivalência com a oração principal). · Conjunções: conforme, segundo, consoante, como... · Relatei a ocorrência conforme a presenciei. · Como diz o ditado, a História se repete. · Devemos escrever segundo as normas da linguagem culta. · Consecutivas (consequência ou resultado do que se prolata na oração principal). · Conjunções: (tão) que, (tal) que, (tanto) que, de modo que, de forma que... · A chuva era tão forte que não se via a rua. · Já estudei de modo que agora posso sair. · Finais (finalidade, objetivo da ação verbal constante da oração principal). · Conjunções: para que, a fim de que, de sorte que, de modo que, porque... · Fiz um sinal para que o táxi parasse. · Saí da sala a fim de que ficassem a sós. · Ora muito porque não caia em tentação. · Proporcionais (ações simultâneas ou proporcionais à oração principal). · Conjunções: à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos... · À medida que andava pelas veredas, via a natureza preservada. · Quanto mais se vive, mais se aprende. · Temporais (o tempo em que se realiza a oração principal) · Conjunções: quando, mal, enquanto, logo que, assim que, sempre que, depois que... · A gente vive enquanto ama de verdade. · Todos, mal soou o sinal, saíram correndo. · Quando o dólar cai, o turismo se levanta. · Locativas (equivalentes a um adjunto adverbial de lugar) · Introduzidas pelo advérbio onde. · Não há consenso onde todos são radicais. · Modais (equivalentes a um adjunto adverbial de modo) · Introduzidas pela locução sem que. · Todos saíram da sala sem que o anfitrião visse. C) SUBORDINADAS ADJETIVAS São as orações introduzidas pelos pronomes relativos que, quem, o(a) qual, os(as) quais, onde, quanto, cujo(a), cujos(as). Método prático para identificar e analisar orações subordinadas adjetivas: 1) Toda oração introduzida por pronome relativo (que, quem, o qual, onde, quanto, cujo) é adjetiva; 2) Estando separada por vírgula, é adjetiva explicativa; caso contrário, restritiva. Não analisamos a proposta com que concordaste. or. subord. adjetivo restritiva Os jogadores do Grêmio, que são pernas-de-pau, só pensam em dinheiro. or. subord. adjetivo explicativa Classificação das orações subordinadas adjetivas · Restritivas · Oração subordinada adjetiva restritiva não vem separada por vírgula. · Os técnicos preferem jogadores que obedecem a esquemas. · Nem todos os jogadores obedecem a esquemas. · A oração está restringindo um subconjunto. · Explicativas · A oração explicativa vem separada por vírgula(s). · Vozes d’África, que é um poema épico, é um raro momento da poesia. · A oração explicativa traz uma qualidade ou característica inerente ao ser ou ao conjunto a que se refere. · A oração explicativa vem separada por vírgula(s). D) FUNÇÕES SINTÁTICAS DO QUE Método prático para analisar o pronome relativo: · Li a proposta com que concordaram. 1) Desenvolver a oração adjetiva a partir do verbo; · Eles concordaram com... 2) Substituir o pronome relativo por seu antecedente; · Eles concordaram com a proposta. 3) Analisar o termo que substituiu o pronome; · Eles concordaram com a proposta. (objeto indireto) 4) Aplicar esse resultado ao pronome relativo. · Li a proposta com que concordaram. (“que”: objeto indireto) E) ORAÇÕES REDUZIDAS São aquelas que não se iniciam por conjunção e apresentam seus verbos em formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio. · Eles dizem acreditar na sorte. · Estudando, conseguirei boas notas. · Terminado o jogo, fomos para a piscina. Método prático para analisar orações reduzidas: 1) Desenvolve-se a oração reduzida: · Eles dizem acreditar na sorte. · Eles dizem que acreditam na sorte. 2) analisa-se a oração desenvolvida: · Eles dizem que acreditam na sorte. (oração subordinada substantiva objetiva direta) 3) aplica-se esse resultado, acrescentando-se “reduzida de...” · Eles dizem acreditar na sorte. (oração subordinada substantiva objetiva, reduzida de infinitivo) Tipos de orações reduzidas: · de Infinitivo · É necessário terem paciência. (oração subordinada substantiva subjetiva, reduzida de infinitivo) (= que tenham paciência) · O essencial é salvar tua alma. (oração subordinada substantiva predicativa, reduzidade infinitivo) (= que salves tua alma) · de Particípio · Abertas as portas, entramos. (oração subordinada adverbial temporal, reduzida de particípio) (= quando as portas foram abertas) · Atingidos pela chuva, fugimos rápido. (oração subordinada adverbial causal, reduzida de particípio) (= porque fomos atingidos) · de Gerúndio · Havia ali crianças pedindo esmolas. (oração subordinada adjetiva restritiva, reduzida de gerúndio) (= que pediam esmolas) · O vaso caiu da mesa, despedaçando-se. (Oração coordenada assindética, reduzida de gerúndio) (= e despedaçou-se) · Estando doente, não saiu de casa. (oração subordinada adverbial causal, reduzida de gerúndio) (= porque estava doente) 1.3. SINTAXE DA PONTUAÇÃO 1.3.1. VÍRGULA Emprega-se a vírgula nos seguintes casos: 1) Separando termos assindéticos compostos: · Era uma rapariga bonita, corada, forte. · Dispensava festas, visitas, passeios e bailes. · Ana, Andrea e Adriana foram estudar. #OBS.: Normalmente, não se separam palavras ligadas com as conjunções e, nem e ou: · Tragam cadernos, lápis e borracha. · Não trouxeram caderno nem borracha. · Tragam lápis ou caneta. 2) Separando aposto explicativo: · Nós, brasileiros, consideramo-nos espertos. 3) Separando vocativo: · Roda, meu carro, que é curto o caminho. 4) Separando palavras ou expressões explicativas, conclusivas, retificativas, repetidas... · Joguei futebol, isto é, completei o time. · As meninas, aliás, não gostavam de sair. · Portanto, tudo tem seus limites. · O mar estava calmo, calmo. 5) Separando locuções adverbiais antepostas ao verbo: · No aeroporto, esperavam-se as autoridades. · O povo, no ano passado, elegeu seus deputados. #OBS.: A vírgula será facultativa: - Se a locução estiver posposta ao verbo: · O povo elegeu(,) no ano passado(,) seus deputados. - Em relação aos advérbios: · Amanhã(,) visitaremos várias comunidades. · Visitaremos(,) amanhã(,) várias comunidades. 6) Separando termos antepostos desde que repetidos (pleonásticos): · Os alunos, elogio-os sempre que mereçam. · Aos amigos, ofereci-lhes meu endereço. · Poderoso, há muito já não o é mais. 7) Separando conjunções deslocadas: · Aluguei o carro; viajei, todavia, de ônibus. · Ele é o chefe; obedeça, pois, suas ordens. 8) separando o predicativo do sujeito: · Carlos, entusiasmado, corria e gritava... 9) Separando datas: · Brasília, 31 de maio de 2003. · A Lei 314, de 18 de maio de 1987. 10) Indicando zeugma (do verbo): · A vida é efêmera; o amor, fugaz. 11) Separando as antíteses dos provérbios: · Pai ganhador, filho gastador. 12) Separando orações coordenadas assindéticas e sindéticas, exceto as aditivas ligadas pela conjunção “e”: · Estudas muito, logo tua aprovação é certa. · Estava perplexo, ora mexia-se na cadeira, ora olhava para a janela. · O dia estava quente e fora muito cansativo. #OBS.: Usa-se a vírgula com a conjunção e: a) Em orações com sujeitos diferentes: · Chegaram os livros, e me senti melhor. · Veio o verão, e as chuvas minguaram. b) Com conjunção adversativa (e = mas): · Comprou passagens, e desistiu da viagem. c) No polissíndeto: · Passaram os anos, e os amores, e a vida, e a felicidade... d) Para dar realce estilístico: · Procurou emprego, trabalho, e o achou. 13) Separando orações adverbiais a) Obrigatoriamente, quando deslocadas: · Quando os tiranos caem, os povos se levantam. · Os povos, quando os tiranos caem, se levantam. b) Facultativamente, para dar ênfase, quando pospostas: · Farei meu trabalho(,) conforme prometi. 14) Separando orações interferentes: · Ideias, como dizia Silveira Martins, não são metais que se fundem. 15) Separando orações adjetivas explicativas: · Os Lusíadas, que é um poema épico, narra as grandes navegações portuguesas. 16) Separando orações adverbiais reduzidas: · Pegados pela chuva, corremos para casa. 1.3.2. ERROS DE COLOCAÇÃO DE VÍRGULA 1) Separar sujeito e verbo: · Os deputados amanhã votarão o projeto. · Convém que se confie nas pessoas de bem. #OBS.: · Uma vírgula separa; vírgulas intercalam: · Os deputados, amanhã, votarão o projeto. 2) Separar verbo e objeto direto: · Alguns analistas não conferiram todos os dados. · Os brasileiros esperam que a vida melhore. 3) Separar verbo e objeto indireto: · Os eleitores já desconfiam de tantas promessas. · Eles desconfiam de que foram enganados. 4) Separar verbo e agente da passiva: · Os animais foram afugentados pelo vento. · A ópera fora composta por quem já esteve inspirado. 5) Separar verbo de ligação e predicativo: · Ninguém mais parece entusiasmado com o jogo. · O essencial é que as pessoas tenham emprego. 6) Separar nome e adjunto adnominal: · A economia brasileira é muito vulnerável. · Pedra que muito rola não cria limo. 7) Separar nome e complemento nominal: · Há os alunos que têm aversão aos estudos. · Tenho esperança de que tudo volte ao normal. 1.3.3. PONTO-E-VÍRGULA Assinala uma pausa maior que a da vírgula. O seu emprego varia muito de autor para autor. Emprega-se ponto-e-vírgula nos seguintes casos: 1) separar as partes principais de um período, cujas secundárias já tenham vírgula(s): · À noite, após o jantar, saímos ambos a caminhar; a lua, quase cheia, iluminava nossos passos. 2) Separando os termos de uma enumeração: · A gramática da língua portuguesa estuda: a) fonética; b) morfologia; c) sintaxe. 3) Separando orações com conjunção deslocada: · O jogo terminou; vamos, portanto, sair logo. 4) Separando orações com conjunções adversativas subentendida: · Há muitos modos de afirmar; há um só de negar. 1.3.4. DOIS-PONTOS Assinalam uma pausa suspensiva para indicar que a frase não está concluída. Empregam-se os dois-pontos nos seguintes casos: 1) Antes de citações: · Diz um velho provérbio: “A agulha veste os outros, e anda nua”. 2) Antes do aposto enumerativo: · O homem, para ver a si mesmo, precisa de três coisas: olhos, luz e espelho. 3) Explicações com a conjunção subentendida: · Você fez tudo errado: gritou quando não podia e calou quando não devia. 4) Nas orações apositivas: · Só te peço uma coisa: honra tua palavra. image1.jpg