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Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) Autor: Celso Natale 31 de Janeiro de 2024 Celso Natale Aula 07 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Introdução (IS-LM-BP) 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Modelo IS-LM-BP 4 ..............................................................................................................................................................................................3) Curva BP 6 ..............................................................................................................................................................................................4) Políticas econômicas com livre mobilidade de capital 12 ..............................................................................................................................................................................................5) Políticas econômicas sem livre mobilidade de capital 22 ..............................................................................................................................................................................................6) Políticas econômicas com mobilidade imperfeita de capital 26 ..............................................................................................................................................................................................7) Resumo 36 ..............................................................................................................................................................................................8) Questões Certo-Errado 37 ..............................................................................................................................................................................................9) Questões Alternativas 55 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 2 82 INTRODUÇÃO Saudações! Nesta aula veremos mais um modelo de determinação de renda, agora em Economias Abertas: o modelo IS-LM-BP. Assim como ocorre com outros modelos, ele também é conhecido por outro nome: modelo Mundell-Fleming. Para fins de prova, é a mesma coisa. Dessa vez, vamos considerar uma economia aberta, que transaciona bens e capitais com os outros países. Isso tornará as coisas mais complexas, pois teremos de agregar novas variáveis: o regime cambial e a mobilidade de capitais. De qualquer forma, tenho certeza de que você dará conta e conquistará mais um diferencial em relação à concorrência. Caso tenha qualquer dúvida, não hesite em falar comigo, pois não medirei esforços para ajudar. Um abraço! Professor Celso Natale Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 3 82 MODELO IS-LM-BP (MUNDELL FLEMING) O modelo IS-LM-BP, também conhecido como modelo Mundell-Fleming, é a versão do modelo IS-LM para economias abertas. Uma rápida revisão agora. Na economia fechada, consideramos dois mercados: o mercado de bens e serviços (cujo equilíbrio é representado pela curva IS), e o mercado monetário (LM). Agora, adicionamos à análise o mercado externo, que será representado em equilíbrio pela curva BP. A curva BP nos mostrará as combinações de juros e renda que equilibrarão o balanço de pagamentos, o qual, para os fins de nossa análise, é composto pelas exportações e importações (balança comercial) e pelo fluxo de capitais autônomos. Em nosso modelo, as exportações são determinadas pela renda do resto do mundo (Y*), enquanto as importações são determinadas pela renda doméstica (Y). Ambas dependem da taxa de câmbio real (E), posto que ela definirá os termos de troca entre os bens nacionais e importados, tornando-os mais baratos ou mais caros, em termos relativos. O fluxo de capitais autônomos são os recursos que os países aplicam uns nos outros, e serão maiores quanto maior for a diferença entre os juros internos(r) e os juros externos(r*). Podemos resumir a condição de equilíbrio de BP assim: X(Y*,E) - M(Y,E) + CF(r-r*) = 0 Colocando em termos mais simples, podemos dizer que a moeda estrangeira que entra das exportações, menos a moeda estrangeira que sai com as importações, mais a moeda estrangeira que entra como capital autônomo (investimentos estrangeiros na economia em questão), deve ser igual a zero, para que o Balando de Pagamentos fique em equilíbrio, de forma que não há variação nas reservas oficiais do país. BALANÇA COMERCIAL • Se a renda externa aumenta, aumentam as exportações; • Se a renda interna aumenta, aumentam as importações; • Se a taxa de câmbio real desvalorizar, a balança comercial melhora; CAPITAIS AUTÔNOMOS • Se os juros internos forem superiores aos externos (r>r*), os investidores internacionais colocam mais dinheiro no país. Com essas informações, já podemos resolver uma questão. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 4 82 (BNDES/Profissional Básico - Economia) Se a taxa de juros doméstica brasileira aumentasse substancialmente, em relação às taxas de juros no exterior, isso tenderia a a) promover a entrada de capitais financeiros externos no país. b) reduzir as importações brasileiras de bens de consumo. c) desvalorizar a moeda brasileira, no caso de regime cambial flutuante. d) expandir a demanda agregada doméstica brasileira. e) reduzir o deficit em conta corrente do balanço de pagamentos. Comentários: A entrada de capitais financeiros externos será maior quanto maior for a taxa de juros interna em relação às taxas de juros externas [CF=f(r-r*)]. Assim, fica claro que a resposta é a alternativa “a”. Contudo, vale explicarmos o efeito (ou a ausência dele) em cada uma das demais alternativas. Para começar, as importações e a demanda agregada são determinadas pelo nível de renda, e não pela relação entre as taxas de juros, por isso “b” e “d” estão erradas. O efeito que a entrada de capitais externos causa é justamente o contrário do que prevê a alternativa C, posto que teremos mais dólares, por exemplo, disponíveis (oferta), para uma demanda que não sofre alteração. Por isso, o preço dos dólares cai, ocasionando valorização da moeda brasileira sob um regime cambial flutuante. Por fim, o déficit em conta corrente é determinado pela relação entre renda interna e externa X(Y*,E) – M(Y,E), tornando “e” também errada. Gabarito: “a” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 5 82 1 A curva BP: equilíbrio no balanço de pagamentos Agora, para seguir em frente e desenharmos a curva BP, devemos definir o que é a mobilidade de capital, pois seu nível determinará o efeito das políticas econômicas que analisaremos no modelo IS-LM-BP. Bem, mobilidade de capital, de forma ainda preliminar, pode ser definida como a liberdade que existe em determinado país para receber investimentos estrangeiros e também para aplicar dinheiro no exterior. Nesse sentido, essa liberdade pode ser nenhuma, alguma ou total. De forma mais técnica, em determinado país pode haver: ► Perfeita mobilidade de capitais; ► Imperfeita mobilidade de capitais; ► Nenhuma mobilidade de capitais. Como a curva BP representa o equilíbrio no Balanço de Pagamentos,seu formato depende totalmente do nível de mobilidade de capitais. Perfeita mobilidade de capitais Quando há perfeita mobilidade de capital, significa que os capitais fluem livremente para dentro e para fora do país, ou seja, o país tem livre acesso ao mercado internacional de capitais. Isso significa que caso ocorra um déficit em transações correntes (M>X), o país poderá se financiar totalmente com capital externo, e se ocorrer um superávit, a reservas obtidas poderão ser aplicadas no exterior. Portanto, o país não precisa se preocupar com o equilíbrio em Transações Correntes; o que definirá a ocorrência de déficits ou superávits do BP será o diferencial entre as taxas de juros (interna e externa). Quando a taxa interna for superior à externa, haverá superávit, decorrente da entrada de capitais acima do nível necessário ao equilíbrio. Se a taxa interna for inferior à externa, haverá saída de capital do país, levando ao déficit. Somente quando a taxa interna for igual à taxa externa (r=r*) haverá equilíbrio. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 6 82 2 Note que a independência do equilíbrio do Balanço de Pagamentos em relação à renda determina a curva BP horizontal, quando há livre mobilidade de capital. Sem mobilidade de capitais No outro extremo, existe a situação na qual a economia opera sem mobilidade de capital. Nesse caso, um déficit em transações correntes não poderá ser financiado com capitais externos. O equilíbrio no Balanço de Pagamentos dependerá apenas das transações correntes: caso as importações excedam as exportações, haverá déficit no BP. Conclui-se, portanto, que o equilíbrio no BP dependerá da renda interna a qual, como vimos, é positivamente relacionada ao nível de importações. Portanto, a dependência total do equilíbrio em relação ao nível de renda, determina a verticalidade da curva BP. Dessa forma, se a renda crescer, as importações aumentar e, Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 7 82 3 consequentemente, há déficit no BP. Note que, segundo essa definição, a curva BP é totalmente elástica em relação à renda interna. Mobilidade imperfeita de capitais Por fim, temos a situação de mobilidade imperfeita de capitais, que é o “meio termo”. Nesse cenário, o país depende tanto do nível de renda (Y) quanto da diferença entre as taxas de juros interna e externa para manter o equilíbrio de seu BP. Se, por exemplo, a renda interna aumentar, crescerá o nível de importações, acarretando déficit em transações correntes. Esse déficit em transações correntes precisará ser financiado pela entrada de capitais, o que será alcançado pela elevação das taxas de juros internas. A inclinação da curva BP, com mobilidade imperfeita de capital, dependerá de quão sensível são os capitais externos às mudanças de juros. Uma curva mais inclinada (mais vertical) indica que é necessário em um grande aumento nas taxas de juros para manter o BP em equilíbrio, indicando que o país tem menor atratividade ao capital estrangeiro e, portanto, menor mobilidade de capital. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 8 82 4 (PETROBRÁS/Economista) O gráfico abaixo mostra, em linha cheia, a curva BP para um país com regime cambial de taxa fixa. Na curva BP, estão as combinações de renda e de taxa de juros interna que equilibram o balanço de pagamentos do país. Conclui-se, pelo exame do gráfico, que a) os pontos abaixo da curva BP representam combinações de renda e juros nas quais o balanço de pagamentos do país seria deficitário. b) a valorização cambial da moeda doméstica faria a curva BP deslocar-se para uma posição como a da linha tracejada. c) a inclinação da curva BP mostra uma situação na qual não há mobilidade de capitais financeiros internacionais. d) a subida das taxas de juros no exterior faria a curva BP deslocar-se para uma posição como a da linha tracejada. e) a inclinação da curva BP está incorreta, pois deveria ser declinante com o aumento da renda. Comentários: Conforme vemos na figura a seguir, a alternativa “a” está correta. Isso ocorre porque os pontos abaixo da curva BP implicam que a renda é alta demais em relação aos juros, de forma que as importações são altas demais em relação à entrada de capitais autônomos, provocando déficit no Balanço de Pagamentos. Ainda avançaremos na matéria de forma a compreender as demais alternativas. Gabarito: “a” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 9 82 5 (IBGE/Tecnologista - Análise Socioeconômica) Uma economia pequena se encontra imersa numa situação de grande mobilidade financeira internacional. A curva BP, que mostra as combinações de taxas de juros (r) e de renda (y) que levam ao equilíbrio do balanço de pagamentos dessa economia, é adequadamente representada na Figura a) b) c) d) e) Comentários: Resolver essa questão é simples, basta saber qual formato é assumido pela curva BP em cada nível de mobilidade de capital. Vejamos cada um deles a seguir: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 10 82 6 Perfeita mobilidade de capital Sem mobilidade de capital Mobilidade imperfeita de capital Memorizar a imagem a seguir pode ajudar... Gabarito: “a” A partir desse ponto, analisaremos a determinação de renda decorrente da adoção de diferentes políticas econômicas, sob diversas hipóteses de câmbio e mobilidade de capital. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 11 82 POLÍTICAS ECONÔMICAS COM LIVRE MOBILIDADE DE CAPITAL A perfeita mobilidade de capitais implica numa curva BP horizontal, ou seja, perfeitamente inelástica em relação à renda e infinitamente elástica em relação à taxa de juros. Portanto, a aparência do modelo IS-LM-BP, na economia aberta com livre mobilidade de capital, será a seguinte: Vamos compreender o que isso significa. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 12 82 Livre mobilidade de capital com câmbio fixo O câmbio fixo tem por característica a intervenção do Banco Central comprando ou vendendo divisas para manter a taxa de câmbio no patamar desejado. Por exemplo: quando entram dólares aqui no Brasil, há tendência de valorização do real. Caso estejamos em regime de câmbio fixo, o Banco Central do Brasil irá comprar dólares, para reduzir sua oferta na economia e, assim, evitar a valorização do real. Essa atuação do Banco Central equivale a uma política monetária expansionista, pois aumenta a oferta de moeda doméstica (reais) na economia. Sabemos que políticas monetárias expansionistas deslocam a curva LM para a direita. Política Monetária com câmbio fixo e livre mobilidade de capital Vamos convencionar que demonstraremos apenas as políticas expansionistas. Isso significa que, para sabermos o efeito das políticas contracionistas, basta observarmos qual seria o efeito inverso. O efeito de uma política monetária expansionista será o seguinte: o aumento da oferta monetária provoca queda nos juros internos. Como vimos, isso tendea provocar fuga de capitais estrangeiros, que dependem do diferencial entre os juros internos e externos. Uma fuga de capitais provocaria desvalorização da moeda doméstica, mas vimos que, sob o regime de câmbio fixo, o Banco Central irá intervir para evitar que isso aconteça. A intervenção dar-se-á pela venda de divisas internacionais pelo Banco Central, o que retira moeda doméstica da economia, ou seja, será uma política monetária contracionista que garantirá que a taxa de câmbio permaneça fixa. Resultado: a política monetária expansionista é ineficaz em uma economia com livre mobilidade de capital e câmbio fixo. Vamos analisar o modelo IS-LM-BP em etapas: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 13 82 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista, ou seja, o aumento da oferta monetária, provoca deslocamento da curva LM para a direita, levando os juros a patamar inferior, onde r<r*. 3. Como a nova taxa de juros, em patamar inferior, tende a provocar fuga de capitais e a consequente e indesejável desvalorização cambial, o Banco Central intervém ofertando divisas internacionais, que venderá em troca de moeda doméstica, o que caracteriza política monetária contracionista e desloca LM para a esquerda. O resultado? Bem, não tem resultado. Voltamos a um cenário exatamente igual ao inicial, denotando a ineficácia da política monetária em um regime de câmbio fixo com perfeita mobilidade de capitais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 14 82 Perceba que tudo decorre da passividade da política monetária quando o Banco Central precisa perseguir o câmbio fixo. Ou seja, a oferta de moeda passa a ser dependente do câmbio. (TCE-MG/Analista de Controle Externo - Ciências Econômicas) Em relação à política monetária e à fiscal em uma pequena economia aberta, com plena mobilidade de capitais e câmbio fixo, assinale a opção correta. a) Existe a possibilidade de déficit crônico e persistente do balanço de pagamentos. b) Os movimentos das reservas internacionais ficam exógenos. c) Movimentos de elevação das taxas de juros internacionais não podem ser esterilizados por intermédio de operações no mercado aberto. d) Ampliações da carteira de títulos públicos em posse do banco central são compensadas por reduções na base monetária. e) Nesse modelo de economia, o banco central deve abrir mão da política monetária como instrumento de política macroeconômica. Comentários: Quando o câmbio é fixo, o banco central precisa regular a taxa de câmbio, e isso afeta a oferta monetária, sem ser possível conduzir ativamente a política monetária. Gabarito: “e” (SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) Tendo em vista as interações entre câmbio, moeda, balanço de pagamentos e política econômica, julgue o item que se segue. Em uma economia aberta com regime de câmbio fixo e plena mobilidade de capitais, a política monetária é passiva. Comentários: Apenas para reforçar. Gabarito: Certo Política Fiscal com câmbio fixo e livre mobilidade de capital Quando em regime de câmbio fixo, caso o governo decida aumentar seus gastos (política fiscal expansiva), isso provocará um aumento no nível de renda, acompanhado pelo aumento dos juros, dado que a demanda por moeda cresce sem alterações da oferta de moeda. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 15 82 Sabemos que juros maiores provocam entrada de capitais internacionais, causando valorização da moeda nacional. Mas, em câmbio fixo, o Banco Central não permitirá que isso ocorra, e entrará comprando essas divisas internacionais e, dessa forma, promovendo aumento da oferta monetária, e novo aumento no nível de renda. Portanto, a política fiscal expansionista é muito eficaz em uma economia aberta com livre mobilidade de capitais e câmbio fixo. Vejamos o que acontece no modelo IS-LM-BP. 1. Novamente, a economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política fiscal expansionista provoca deslocamento da curva IS para a direita (IS2). Isso causará aumento dos juros domésticos que, ao se tornarem superiores aos juros internacionais, atrairão capital estrangeiro para o país. 3. Para evitar que a entrada de capitais valorize a moeda nacional, o Banco Central entra no mercado comprando as divisas internacionais e, por consequência, entregando moeda doméstica. Isso é uma política monetária expansionista, que deslocará a curva LM para a direita (LM2). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 16 82 O resultado é um nível de renda superior ao anterior (Y2>Y1), sob a mesma taxa de juros. Portanto, a política fiscal expansionista é eficaz em uma economia aberta com livre mobilidade de capitais e câmbio fixo. Livre mobilidade de capital com câmbio flexível O câmbio flexível (ou flutuante), é o regime no qual o Banco Central não persegue qualquer taxa de câmbio, deixando-o variar livremente conforme a oferta e demanda de moeda estrangeira. Esse fato tem importantes implicações na efetividade das políticas monetária e fiscal, conforme veremos a seguir. Política Monetária com câmbio flexível e perfeita mobilidade de capital Agora focamos numa economia em regime cambial flutuante. Caso ocorra uma política monetária expansionista, haverá queda da taxa de juros interna. Com isso, ocorre saída de capitais, desvalorizando a moeda nacional. Com o real desvalorizado, por exemplo, os dólares dos estrangeiros podem comprar mais de nossos produtos, o que significa que as exportações aumentarão e, como consequência, haverá aumento na renda. A conclusão é que a política monetária expansionista é eficaz para aumentar a renda em uma economia com perfeita mobilidade de capital e câmbio flexível. Vamos às etapas no modelo IS-LM-BP. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 17 82 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista promovida pela Banco Central desloca a curva LM para a direita, causando queda nos juros internos que, quando menores que os juros externos, provocam saída de capitais e desvalorização da moeda doméstica (aumento da taxa de câmbio). 3. Com a moeda desvalorizada, há aumento das exportações. Com o resto do mundo comprando mais de nossos produtos, aumenta a renda nacional, deslocando a curva IS para a direita. Assim, concluímos que a política monetária é totalmente eficaz para aumentar a renda em uma economia aberta com livre mobilidade de capital e câmbio flexível. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 18 82 Política Fiscal com câmbio flexível e perfeita mobilidade de capital Imaginemos, inicialmente, uma política fiscal expansionista. O aumento da renda irá resultar em aumento da demanda monetária e, por consequência, no aumento dos juros. Os juros mais altos atraemdivisas internacionais e valorizando a moeda doméstica. Com a moeda doméstica valendo mais, aumentam as importações, reduzindo a renda interna. Com a retração da renda, caem também os juros, retornando a economia ao patamar anterior e denotando a ineficácia da política fiscal em um regime de câmbio flutuante com perfeita mobilidade de capital. Vou mostrar, simplificadamente, o efeito no modelo, dessa vez. Vamos ver um resumo prévio (no final da aula teremos um completão que, sozinho, permitirá resolver a maioria das questões sobre o assunto). Câmbio Fixo Câmbio Flexível Política monetária Ineficaz Eficaz Política fiscal Eficaz Ineficaz Veremos algumas questões antes de adentrar a economia sem mobilidade de capital. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 19 82 (FINEP/Analista de Projetos) No caso de um país com regime cambial flutuante, em uma situação de mobilidade internacional de capitais, se a taxa de juros doméstica aumentar, as demais variáveis relevantes permanecendo constantes, haverá a) valorização cambial da moeda doméstica b) saída de capitais financeiros do país c) aumento das exportações do país d) redução do gasto do governo e) expansão da economia doméstica Comentários: Aqui, o raciocínio é o seguinte: Se a taxa de juros do Brasil aumenta, mais estrangeiros vão mandar seus dólares para cá, querendo receber nossos famosos juros altos. Quanto mais dólares disponíveis, mais baratos, em reais, eles ficam – e isso significa valorização cambial do real (moeda doméstica) em relação ao dólar. Gabarito: “a” (EPE/Analista de Pesquisa) Em um país com regime de taxa cambial fixa, numa situação de grande mobilidade internacional do capital financeiro, a) as variações cambiais contínuas provocariam uma tendência inflacionária. b) a política fiscal seria potente para expandir a demanda agregada. c) o Banco Central do país acumularia quantidades vultosas de divisas internacionais. d) o déficit na conta-corrente do balanço de pagamentos seria inevitável. e) o déficit orçamentário do setor público deveria ser zerado. Comentários: Como eu disse, basta decorar aquele resumo para sabermos que a política fiscal é eficaz para expandir a renda, quando em uma economia aberta, com livre mobilidade de capitais, e taxa cambial fixa – exatamente como essa do enunciado. Gabarito: “b” (TRANSPETRO/Economista Júnior) Considere o modelo IS/LM/BP para uma economia com taxa de câmbio fixa, em uma situação de alta mobilidade do capital financeiro internacional. Nesse caso, a política a) monetária contracionista acarreta fortes perdas de reservas internacionais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 20 82 b) monetária tem capacidade reduzida de alterar a taxa de juros da economia. c) fiscal expansionista acarreta fortes perdas de reservas internacionais. d) fiscal expansionista acarretará superávits orçamentários do governo. e) fiscal tem capacidade reduzida de alterar o produto da economia. Comentários: Mais uma questão que resolvemos pela simples assimilação da eficácia da política monetária em cada regime cambial. Contudo, cabe uma observação: se quando a economia tem total mobilidade de capital a eficácia da política monetária é nula, é natural concluir que, quando a economia tem alta mobilidade, sua eficácia será reduzida. Gabarito: “b” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 21 82 POLÍTICAS ECONÔMICAS SEM MOBILIDADE DE CAPITAL Sem mobilidade de capital, a curva BP é vertical, e o modelo IS-LM-BP toma a seguinte forma: A característica da economia sem mobilidade de capital, é que não há entrada ou saída de capitais autônomos, independentemente de quão atrativa seja a taxa de juros doméstica para os estrangeiros. Economia sem mobilidade de capital com câmbio fixo Como vimos, o câmbio fixo implica na intervenção constante do Banco Central na economia, mantendo a taxa de câmbio no nível desejado. Veremos, agora, a eficácia das políticas monetária e fiscal sob essas condições. Política Monetária com câmbio fixo e sem mobilidade de capital Quando há política monetária expansionista, ocorre deslocamento da curva LM para a direita, implicando em menores níveis de juros e, como consequência do aumento dos investimentos (gastos das empresas), maior nível de renda. O aumento da renda é acompanhado de aumento das importações. Para poder importar, a economia demandará mais divisas internacionais, o que pode aumentar a taxa de câmbio. Contudo, como o regime cambial é fixo, o Banco Central entrará na economia ofertando divisas internacionais para manter a taxa de câmbio e, portanto, o país perde reservas internacionais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 22 82 Em troca desses dólares (por exemplo), o Banco Central receberá reais, retirando moeda doméstica da economia e, portanto, aumentando os juros, o que nos leva ao ponto de partida. Portanto, a política monetária em um regime cambial fixo, sem mobilidade de capital, também é ineficaz. Vejamos, de forma simplificada, o que acontece graficamente no modelo IS-LM-BP. Política Fiscal com câmbio fixo e sem mobilidade de capital Agora é a vez da Política Fiscal de ter sua eficácia avaliada, quando em regime cambial fixo e sem mobilidade de capital. A expansão dos gastos do governo deslocará a curva IS para a direita, denotando o aumento da renda e dos juros. Com o aumento da renda, vem o aumento das importações, e o aumento da demanda por moeda estrangeira para pagar por essas importações. Lembre-se que estamos sob um regime de câmbio fixo, o que significa que o Banco Central ofertará moeda estrangeira para que não ocorra valorização dessa moeda estrangeira. Além de perder divisas internacionais, o Banco Central promoverá uma contração monetária, pois receberá moeda doméstica em troca da moeda externa. Com isso, a curva LM é deslocada para a esquerda, promovendo novo aumento de juros e queda na renda. O efeito no modelo IS-LM-BP pode ser observado abaixo: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 23 82 A conclusão é que a política fiscal expansionista é ineficaz em alterar o nível de renda, além de resultar em aumento dos juros e na queda do nível de reservas internacionais do país. Economia sem mobilidade de capital com câmbio flexível Política Monetária com câmbio flexível e sem mobilidade de capital Uma política monetária expansionista sempre tem por efeito inicial o deslocamento da curva LM para a direita (LM1 para LM2). Com isso, os juros caem (i1 para i2), provocando expansão da renda (Y1 para Y2), via aumento dos investimentos. O aumento da renda provoca aumento das importações e da demanda por moeda estrangeira, desvalorizando a moeda nacional. Essa desvalorização, por fim, gera aumento das exportações, deslocando a curva IS (IS1 para IS2) e, também, a curva BP (BP1 para BP2). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 24 82 Assim, concluímos que a política monetária expansionista num regime cambial flexível sem mobilidade de capital é eficaz para alterar o nível de renda da economia. Política Fiscal com câmbio flexível e sem mobilidade de capitalA política fiscal expansionista começa por deslocar a curva IS para a direita (IS1 para IS2), elevando os juros (r1 para r2) e a renda (Y1 para Y2). Com o maior nível de renda, aumentam as importações, provocando valorização da moeda estrangeira e, portanto, aumentando as exportações, o que provoca novo aumento do nível de renda (Y2 para Y3) e deslocamento da curva BP para a direita (BP1 para BP2). Portanto, a política fiscal expansionista é eficaz para alterar a renda e o produto de equilíbrio, em uma economia aberta sem mobilidade de capitais e câmbio flexível. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 25 82 POLÍTICAS ECONÔMICAS COM MOBILIDADE IMPERFEITA DE CAPITAL A hipótese de mobilidade imperfeita de capital é a mais realista. Quando a mobilidade de capital é imperfeita, a BP fica inclinada para cima, mostrando que seu equilíbrio depende de relação positiva entre renda (Y) e juros (r). Por exemplo: quando a renda aumenta, aumentam as importações e, por isso, ocorre um déficit no BP provocado pelas transações correntes. Para compensar esse déficit, é preciso atrair capital autônomo estrangeiro, o que é feito subindo os juros até o retorno do BP ao equilíbrio. A inclinação da curva BP O que determinará a declividade da curva BP é a elasticidade dos capitais internacionais à taxa de juros interna e a propensão marginal a importar. Vejamos cada uma desses fatores isoladamente, para compreender sua ação conjunta na curva BP. A elasticidade dos capitais internacionais à taxa de juros interna Quanto maior for a sensibilidade dos capitais internacionais à taxa de juros interna, menos inclinada será a curva BP. Em outras palavras, quando um pequeno aumento nas taxas de juros internas causa uma entrada de capitais relativamente grande no país, a BP será menos inclinada. Portanto, com a BP menos inclinada, basta um pequeno aumento dos juros para que os capitais que fluem para o país sejam suficientes para compensar grandes déficits causados em transações correntes pelo aumento das importações que, por sua vez, é consequência do aumento da renda. Vamos evidenciar essa relação graficamente: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 26 82 Capitais sensíveis: Veja só como basta um pequeno ajuste nos juros para compensar uma grande mudança na renda e, dessa forma, manter o BP em equilíbrio. Isso ocorre porque os capitais são muito elásticos em relação à taxa de juros, e um aumento pequeno nos juros atrai muitos capitais para o país. Capitais insensíveis: Essa declividade indica que os capitais são pouco sensíveis às mudanças dos juros, de forma que é preciso um grande aumento na taxa para atrair capitais em montante suficiente para compensar o déficit causado por um pequeno aumento da renda. Portanto, a curva BP será mais inclinada quanto menor for a sensibilidade dos fluxos de capitais às taxas de juros. A propensão marginal a importar Agora, veremos que há outro fator que determina a declividade da curva BP: a propensão marginal a importar, que nada mais é do que o quanto as pessoas tendem a importar quando sua renda aumenta. Vamos supor que você receba um aumento de R$1.000. Se você usar R$500 desse aumento para adquirir produtos importados, dizemos que sua propensão marginal a importar é de 0,5. Propensão marginal a importar= ∆M/∆Y Portanto, quando a propensão marginal a importar (PmgM) é alta, uma pequena mudança na renda causará um grande aumento nas importações e, dessa forma, aumentará substancialmente o déficit em transações correntes, determinando uma curva BP mais inclinada. PmgM alta: uma pequena mudança na renda aumenta tanto as importações, que é preciso PmgM baixa: mesmo uma grande mudança na renda aumenta tão pouco as importações, Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 27 82 um grande aumento nos juros para compensar o déficit em transações correntes. que é basta um pequeno aumento nos juros para compensar o déficit em transações correntes. Dessa forma, pode-se concluir que a curva BP será mais inclinada quanto maior for a PmgM. Quando ela for muito alta, as mudanças na renda causarão um aumento relativamente grande das importações, que precisará ser compensado por grande entrada de capitais internacionais na economia. Economia com mobilidade imperfeita de capital com câmbio fixo Diferentemente do que vimos até aqui, a inclinação da curva BP em relação à inclinação da curva LM assume grande importância. Ela irá determinar o nível de mobilidade do capital e, portanto, o esforço das políticas econômicas necessário para manutenção do equilíbrio da economia. Política Monetária com câmbio fixo e mobilidade imperfeita de capital Uma política monetária expansionista, como sempre, desloca a curva LM para a direita, reduzindo o nível dos juros e aumentando o nível de renda da economia. Veremos o efeito em dois casos: BP mais inclinada que LM e BP menos inclinada que LM: BP mais inclinada que LM: Mobilidade fraca de capitais BP menos inclinada que LM: Mobilidade forte de capitais Note que a situação ao mudarmos do ponto E1 para E2 é, em ambos os casos, de déficit no BP, posto que o ponto E2 está abaixo da linha BP. Entretanto, como estamos em câmbio fixo, haverá um esforço para evitar a desvalorização da moeda doméstica, por meio da oferta de divisas internacionais e restrição monetária. Esse esforço terá de ser maior quanto maior for a inclinação da curva BP. Portanto, a política monetária expansionista, em um regime cambial fixo, com mobilidade imperfeita de capital, também é ineficaz. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 28 82 Política Fiscal com câmbio fixo e mobilidade imperfeita de capital A política fiscal terá efeitos diferentes dependendo da relação entre as inclinações das curvas IS e BP, como veremos a seguir. 1.1.1.1 BP mais inclinada (fraca mobilidade de capitais) Se o governo aumentar seus gastos, reduzir a tributação, ou conceder transferência ou subsídios, caracterizando uma política fiscal expansionista, a curva IS será deslocada para a direita (IS1 para IS2), resultando em maior nível de renda e maior nível de juros: Note que, como BP é mais inclinada que LM, a economia fica em situação de déficit no BP (o ponto 2 está abaixo da linha BP). Isso aconteceu porque o aumento das importações provocado pelo crescimento da renda Y é superior à entrada de capitais causada pela majoração dos juros. A escassez de divisas pressionará a moeda doméstica para uma desvalorização, que será impedida pela autoridade monetária, posto que estamos sob regime de câmbio fixo. Como sempre, o Banco Central entrará no mercado vendendo dólares, por exemplo, e retirando reais da economia, caracterizando uma política monetária contracionista. O resultado é o deslocamento da curva LM para a esquerda (LM1 para LM2), aumentando os juros (r2 para r3) e reduzindo a renda (Y2 para Y3). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 29 82 Dessa forma, concluímos que a política fiscal expansionista é eficaz em aumentar o nível de renda (Y3>Y1), sob um regime de câmbio fixo e uma economia com mobilidade imperfeita de capital – embora seja menos eficiente do que quando a curva BP é menos inclinada, como veremos a seguir. 1.1.1.2 BP menos inclinada (fortemobilidade de capitais) Novamente o resultado inicial de uma política fiscal expansionista é o deslocamento da curva IS para a direita (IS1 para IS2), determinando maior nível de renda e de juros. Contudo, como BP é menos inclinada, o resultado será um superávit no Balanço de Pagamentos, demonstrado pela posição do ponto 2 acima da linha BP. Dessa forma, haverá pressão por valorização da moeda doméstica. Nesse caso, como o câmbio é fixo, o Banco Central irá ofertar mais moeda para evitar essa valorização, ou seja, promoverá uma política monetária expansionista, deslocando LM para a direita, de LM1 para LM2. Isso determinará um maior nível de renda (Y3) e uma menor taxa de juros (r3). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 30 82 Percebemos, então, que a política fiscal expansionista é eficaz em aumentar o nível de renda em uma economia com mobilidade imperfeita de capitais e câmbio fixo, e ainda mais eficaz quando BP é menos inclinada que LM, ou seja, quando há mobilidade de capital relativamente forte. (SABESP/Analista de Gestão - Economia) Considerando um modelo IS-LM-BP com baixa mobilidade de capital e câmbio fixo, uma expansão fiscal a) é eficaz quanto ao objetivo de elevar a renda. b) reduz o nível da taxa de juros. c) provoca deslocamento de LM para a direita. d) movimenta IS para a esquerda. e) gera aumento da base monetária, com o processo de ajuste. Comentários: Se o governo aumentar seus gastos, reduzir a tributação, ou conceder transferência ou subsídios, caracterizando uma política fiscal expansionista, a curva IS será deslocada para a direita (IS1 para IS2), resultando em maior nível de renda e maior nível de juros: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 31 82 Note que, como BP é mais inclinada que LM, a economia fica em situação de déficit no BP (o ponto 2 está abaixo da linha BP). Isso aconteceu porque o aumento das importações provocado pelo crescimento da renda Y é superior à entrada de capitais causada pela majoração dos juros. A escassez de divisas pressionará a moeda doméstica para uma desvalorização, que será impedida pela autoridade monetária, posto que estamos sob regime de câmbio fixo. Como sempre, o Banco Central entrará no mercado vendendo dólares, por exemplo, e retirando reais da economia, caracterizando uma política monetária contracionista. O resultado é o deslocamento da curva LM para a esquerda (LM1 para LM2), aumentando os juros (r2 para r3) e reduzindo a renda (Y2 para Y3). Dessa forma, concluímos que a política fiscal expansionista é eficaz em aumentar o nível de renda (Y3>Y1), sob um regime de câmbio fixo e uma economia com mobilidade imperfeita de capital – embora seja menos eficiente do que quando a curva BP é menos inclinada, ou seja, quando há forte mobilidade de capitais. Gabarito: “a” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 32 82 Economia com mobilidade imperfeita de capital com câmbio flexível Vamos lá! Continue comigo, pois já estamos na reta final da aula de hoje, que de trivial não tem nada mesmo. Agora, veremos o que acontece quando não há intervenção do governo (via Banco Central), no mercado de câmbio, de forma que a taxa flutua livremente conforme a oferta e demanda de moeda estrangeira. Política Monetária com câmbio flexível e mobilidade imperfeita de capital A política monetária expansionista provocará deslocamento da curva LM para a direita (LM1 para LM2), elevando o nível de renda (Y1 para Y2) e diminuindo o nível de juros (r1 para r2). Perceba que o ponto 2 está abaixo da linha BP, denotando déficit no balanço de pagamentos. Como o câmbio é livre, esse déficit irá desvalorizar a moeda nacional – deslocando BP para a direita – e, com isso, aumentar as exportações e a renda, deslocando IS para a direita. Portanto, concluímos que a política monetária é eficaz em determinar o nível de renda em uma economia com mobilidade de capital imperfeita e câmbio flutuante. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 33 82 Política Fiscal com câmbio flexível e mobilidade imperfeita de capital Eis aqui nossa derradeira análise da aula de hoje. Novamente, é preciso identificarmos os diferentes efeitos ocorridos a depender da inclinação relativa entre as curvas BP e LM, como faremos a seguir. BP mais inclinada (fraca mobilidade de capitais) A política fiscal expansionista irá deslocar a curva IS para a direita (IS1 para IS2), resultando em maiores níveis de renda (Y1 para Y2) e de juros (r1 para r2). O ponto 2 está abaixo da linha BP e, portanto, há situação de déficit. Portanto, a moeda doméstica sofrerá desvalorização, deslocando BP (BP1 para BP2) para a direita e, com o aumento das exportações, cresce também a renda, deslocando IS para a direita (IS2 para IS3). A conclusão é que a política fiscal é eficaz em determinar o nível de renda quando em câmbio flexível e mobilidade imperfeita de capitais, quando BP é mais inclinada que LM. Uma política fiscal expansionista, nesse cenário, resulta em maior nível de renda e de juros. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 34 82 BP menos inclinada (forte mobilidade de capitais) Novamente, o efeito inicial da política fiscal expansionista será o deslocamento da curva IS para a direita (IS1 para IS2), e isso significa maiores níveis de renda (Y1 para Y2) e de juros (r1 para r2). Dessa vez, contudo, a situação é de superávit no Balanço de Pagamentos, conforme indicado pela posição do ponto 2. Portanto, haverá valorização da moeda doméstica, deslocando a curva BP para a esquerda (BP1 para BP2), causando redução das exportações e, por consequência, da renda, deslocando a curva IS para a esquerda (IS2 para IS3). A política fiscal é, então, eficaz em determinar o nível de renda em regime cambial flexível, com mobilidade imperfeita de capital, embora não tão eficaz como quando a curva BP é mais inclinada que LM. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 35 82 RESUMO DA EFICÁCIA DE POLÍTICAS MONETÁRIA E FISCAL EM ECONOMIAS FECHADAS E ABERTAS SOB DIFERENTES REGIMES CAMBIAIS. Hipótese Política Variável Câmbio fixo Câmbio Flexível Economia fechada Política monetária expansionista Renda ↑ Juros ↓ Política fiscal expansionista Renda ↑ Juros ↑ Perfeita mobilidade de capital Política monetária expansionista Renda - ↑ Juros - - Política fiscal expansionista Renda ↑ - Juros - - Sem mobilidade de capital Política monetária expansionista Renda - ↑ Juros - - Política fiscal expansionista Renda - ↑ Juros ↑ ↑ Mobilidade imperfeita de capital Política monetária expansionista Renda - ↑ Juros - ↓ Política fiscal expansionista Renda ↑ ↑ Juros ↑ ↑ Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 36 82 1 QUESTÕES COMENTADAS 1. (2012/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Em uma economia aberta, políticas fiscais expansionistas contribuem para a depreciação da moeda e para o aumento do investimento e das exportações líquidas. Comentários: O resultado das políticaseconômica em economias abertas dependerá da mobilidade de capitais e do regime cambial. Portanto, a questão já está errada, ao generalizar dessa forma. Ainda que consideremos o que ocorre no curto prazo, a tendência geral é a elevação dos juros e o desestímulo aos investimentos diante de políticas fiscais expansionistas (crowd out). Gabarito: Errado 2. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) O balanço de pagamento registra, de forma detalhada, a composição da conta-corrente e das várias transações que a financiam. Nesse contexto, julgue o item a seguir. Ceteris paribus, a recessão econômica que está ocorrendo nos EUA, ao contribuir para aumentar as exportações líquidas, tende a reduzir o déficit no balanço comercial norte- americano. Comentários: A queda na renda interna de um país tende a diminuir as importações e, assim, reduzir o déficit no balanço de pagamentos. Gabarito: Certo 3. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) O estudo da demanda e da oferta agregada é crucial para a elaboração de políticas macroeconômicas apropriadas. A esse respeito, julgue o item subsequente. Quando a queda da inflação no Brasil conduz à redução das taxas de juros e à depreciação do real, o aumento das exportações líquidas daí decorrente provoca expansão da demanda agregada. Comentários: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 37 82 2 De fato, as exportações aumentam quando a moeda doméstica sofre desvalorização. Como são um dos componentes da demanda agregada (Y=C+G+I+X-M), seu aumento provoca aumento da demanda agregada. Gabarito: Certo 4. (2019/IADES/CACD/Diplomata) O aumento temporário da oferta de moeda, em regime de câmbio flutuante, resulta em queda da taxa doméstica de juros e depreciação da moeda doméstica. Em curto prazo, haverá redução da demanda agregada e do produto da economia, em razão da queda dos preços relativos dos bens produzidos localmente. Comentários: Para esse tipo de questão, utilizamos o modelo IS-LM-BP, ou Mundell-Fleming. Note que a questão não especificou a mobilidade de capitais ou o tamanho da economia em questão, e qualquer conclusão dependeria dessa informação. Sendo assim, já é uma forte candidata a “errada”. Mas vejamos o que ocorre com livre mobilidade de capitais: 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista promovida pela Banco Central desloca a curva LM para a direita, causando queda nos juros internos que, quando menores que os juros externos, provocam saída de capitais e desvalorização da moeda doméstica (aumento da taxa de câmbio). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 38 82 3 3. Com a moeda desvalorizada, há aumento das exportações. Com o resto do mundo comprando mais de nossos produtos, aumenta a renda nacional, deslocando a curva IS para a direita. Assim, concluímos que a política monetária é totalmente eficaz para aumentar a renda em uma economia aberta com livre mobilidade de capital e câmbio flexível. Portanto, ocorre aumento da demanda agregada por meio de elevação nas exportações e nos investimentos, sendo este causado pela queda na taxa de juros. Gabarito: Errado 5. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) Acerca de uma economia do tipo IS-LM aberta ao exterior e desconsiderando o papel das expectativas sobre a taxa de câmbio, julgue o item abaixo. O multiplicador de gastos é sempre maior em uma economia aberta do que em uma economia fechada. Comentários: Pelo contrário. O multiplicar de gastos é sempre igual ou menor na economia aberta, pois parte do aumento da renda é utilizado pelos residentes para importar, tornando-o menor quanto maior for a propensão marginal a importar. Gabarito: Errado Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39 82 4 6. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) Acerca de uma economia do tipo IS-LM aberta ao exterior e desconsiderando o papel das expectativas sobre a taxa de câmbio, julgue o item abaixo. No regime de câmbio fixo, a política fiscal torna-se inefetiva no controle do nível de atividade, e uma elevação do déficit governamental terá impacto apenas na elevação da taxa de juros. Comentários: Bem, essa hipótese só se aplica se não houver mobilidade de capital. Como a questão generalizou, está errada. Gabarito: Errado 7. (2010/CEBRASPE-CESPE/SEFAZ-ES/Consultor do Executivo - Ciências Econômicas) Acerca dos regimes cambiais, julgue o item a seguir. No regime de câmbio fixo, o BC estabelece o preço internacional da moeda nacional e, para sustentar a paridade, se compromete a comprar ou vender moeda a determinada taxa. Comentários: É isso mesmo, o que explica por que o BC perde a capacidade de conduzir políticas monetárias quando o câmbio é fixo. Gabarito: Certo 8. (2010/CEBRASPE-CESPE/SEFAZ-ES/Consultor do Executivo - Ciências Econômicas) Acerca dos regimes cambiais, julgue o item a seguir. No modelo de Mundell-Fleming com regime de taxas de câmbio fixas, a política monetária não tem efeito sobre a renda porque a oferta de moeda ajusta-se ao nível da taxa de câmbio anunciada. Comentários: Isso mesmo. Como a autoridade monetária compromete-se a manter a taxa de câmbio no nível anunciado, a política monetária torna-se passiva. Gabarito: Certo 9. (2008/CEBRASPE-CESPE/MDIC/Analista de Comércio Exterior) A internacionalização crescente do espaço econômico faz que o estudo da teoria do comércio internacional, incluindo os aspectos macro e microeconômicos das economias abertas, seja Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 40 82 5 fundamental para uma inserção adequada no cenário mundial. Acerca desse assunto, julgue o item. Em presença de taxas de câmbio fixas, a eficácia da política monetária será reduzida porque os deslocamentos iniciais da curva LM serão revertidos em razão dos efeitos monetários sobre o balanço de pagamentos, levando, assim, a um deslocamento compensatório da curva BP. Comentários: O deslocamento compensatório ocorrerá na própria curva LM. Gabarito: Errado 10. (2014/CEBRASPE-CESPE/CADE/Economista) Julgue o item a seguir acerca de câmbio, blocos econômicos, organismos multilaterais e fluxos financeiros internacionais. Os fluxos financeiros são afetados por expectativas e políticas cambiais e monetárias das diferentes economias. Por isso, quando a taxa de juros de um país é superior às taxas de juros dos demais países, espera-se por um fluxo negativo de recursos em direção ao país com taxa de juros mais elevada. Comentários: Pelo contrário! Quando maior for a taxa de juros de um país em relação ao resto do mundo, maior será o fluxo de recursos em direção a esse país. Gabarito: Errado 11. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Perícia Economia) No que concerne a instrumentos de política comercial, balanço de pagamentos, globalização e organismos internacionais, julgue o item seguinte. Com a adoção de uma política cambial de taxas fixas de câmbio perde-se a autonomia da política monetária como instrumento interno. Comentários: Perfeito, não é? Ao comprometer-se em manter a taxa de câmbio fixa, perde-se a capacidade de utilizar política monetária como instrumento interno.Gabarito: Certo Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 41 82 6 12. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Perícia Economia) No que concerne a instrumentos de política comercial, balanço de pagamentos, globalização e organismos internacionais, julgue o item seguinte. Em um mundo globalizado nenhum país pode ter, ao mesmo tempo, taxa de câmbio fixa, política monetária orientada exclusivamente para metas internas e liberdade de movimentos de capitais internacionais. Comentários: Esses três fatores recebem o nome de trindade impossível. Ela foi proposta pelo ganhador do Prêmio Nobel Mundell e outros. Basicamente, significa que uma das três coisas tem de ser modificada - ou se reduz a mobilidade do capital, ou se flexibiliza a taxa cambial, ou se abandona o controle monetário. Escolha duas, e deixe a outra de lado. É uma das conclusões desta aula. Gabarito: Certo 13. (2011/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Julgue (C ou E) o item subsequente, relativo a conceitos da economia internacional. Nos sistemas de câmbio fixo, as políticas monetárias expansionistas são particularmente eficazes para elevar a demanda agregada porque, nesses sistemas, o efeito deslocamento é minimizado. Comentários: A política monetária é ineficaz sob regime cambial fixo, em qualquer modalidade de mobilidade de capitais. Isso porque a política monetária expansionista, com mobilidade de capitais, reduzirá os juros e provocará saída de capitais, desvalorizando a moeda e obrigando o BC a comprar moeda e anular a política monetária anterior. No caso da ausência de mobilidade de capitais, por outro lado, quando há política monetária expansionista, ocorre deslocamento da curva LM para a direita, implicando em menores níveis de juros e, como consequência do aumento dos investimentos (gastos das empresas), maior nível de renda. O aumento da renda é acompanhado de aumento das importações. Para poder importar, a economia demandará mais divisas internacionais, o que pode aumentar a taxa de câmbio. Contudo, como o regime cambial é fixo, o Banco Central entrará na economia ofertando divisas internacionais para manter a taxa de câmbio e, portanto, o país perde reservas internacionais. Em troca desses dólares (por exemplo), o Banco Central receberá reais, retirando moeda doméstica da economia e, portanto, aumentando os juros, o que nos leva ao ponto de partida. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 42 82 7 Portanto, a política monetária em um regime cambial fixo, sem mobilidade de capital, também é ineficaz. Gabarito: Errado 14. (2004/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Na fase atual de globalização do espaço econômico, o estudo da economia internacional é crucial para a inserção adequada no cenário mundial. Considerando as noções básicas da teoria econômica internacional, julgue o item a seguir. Em economias pequenas, cuja taxa de câmbio é flutuante, as políticas fiscais são particularmente eficazes, porque a expansão das despesas públicas, ao reduzir a taxa de câmbio, contrai as importações e aumenta a produção doméstica. Comentários: A política fiscal, sob câmbio flutuante, só se verificará se houver mobilidade de capitais imperfeita ou nula. Em caso de perfeita mobilidade de capitais, a política fiscal não terá efeito. Ao generalizar, a questão se torna errada. Gabarito: Errado 15. (2013/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Em relação à teoria macroeconômica para pequenas economias abertas, julgue o item que se segue. No regime de câmbio fixo, o aumento da tributação proporciona redução das reservas internacionais. Comentários: O aumento da tributação provocará o deslocamento da curva IS para a esquerda, reduzindo renda e taxa de juros. Este último fato provocará saída de capital, obrigando o Banco Central a vender reservas internacionais para evitar a desvalorização da moeda doméstica. Gabarito: Certo 16. (2013/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Em relação à teoria macroeconômica para pequenas economias abertas, julgue o item que se segue. No regime de câmbio flutuante, a expansão dos gastos do governo não é capaz de estimular o produto da economia. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 43 82 8 Comentários: No regime de câmbio flutuante, a política fiscal só será incapaz de estimular o produto da economia se houver perfeita mobilidade de capitais. Por isso, a questão está errada (embora tenha sido considerada certa pela banca). Gabarito: Errado 17. (2013/CEBRASPE-CESPE/MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/Economista) Acerca dos modelos de análise macroeconômica, julgue o item. Para uma economia aberta, com regime de câmbio fixo e mobilidade perfeita de capitais, uma política fiscal contracionista é inócua em termos de produto. Comentários: A política fiscal é eficaz sob câmbio fixo e mobilidade perfeita de capitais, pois o aumento/redução dos gastos públicos é reforçado por movimento na mesma direção das exportações. Gabarito: Errado 18. (2013/CEBRASPE-CESPE/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Julgue o próximo item, relativo aos regimes cambiais e seus efeitos sobre a economia. Em um regime com câmbio fixo, a expansão dos gastos do governo implica o aumento da renda e das reservas internacionais de equilíbrio a retração das exportações líquidas. Comentários: A expansão dos gastos do governo desloca a curva IS para a direita, aumentando renda e juros. Isso divisas internacionais, que terão de ser compradas pelo banco central (aumentando as reservas) para evitar que a taxa de câmbio sofra desvalorização. Como as importações dependem diretamente da renda, que aumentou, e as exportações inversamente da taxa de câmbio, que não mudou, haverá, de fato, retração das exportações líquidas. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 44 82 9 19. (2013/CEBRASPE-CESPE/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Com relação aos modelos de determinação da renda e dos preços, julgue o item subsecutivo. Segundo o modelo Mundell-Fleming-Dornbush, sob taxas de câmbio fixas e perfeita mobilidade de capital, adotar uma política monetária independente do mercado externo é a melhor maneira de estabilizar o sistema econômico. Comentários: A política monetária torna-se passiva no regime de câmbio fixo com perfeita mobilidade de capital. Gabarito: Errado 20. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que concerne a regimes de câmbio e a determinantes da política cambial, julgue o item a seguir. Em uma economia aberta com livre movimentação de capitais, sob uma taxa de câmbio fixa, os instrumentos de política monetária do Banco Central não são eficazes para aumentar a oferta de moeda ou o produto da economia, mas podem afetar o nível das respectivas reservas internacionais. Comentários: Lembre-se sempre que em qualquer tipo de economia aberta, a política monetária não é eficaz se o câmbio for fixo. Relembremos. O efeito de uma política monetária expansionista será o seguinte: o aumento da oferta monetária provoca queda nos juros internos. Como vimos, isso tende a provocar fuga de capitais estrangeiros, que dependem do diferencial entre os juros internos e externos. Uma fuga de capitais provocaria desvalorização da moeda doméstica, mas vimos que, sob o regime de câmbio fixo, o Banco Central irá intervir para evitar que isso aconteça. A intervenção dar-se-á pela venda de divisas internacionaispelo Banco Central (e redução, como consta na questão, portanto), o que retira moeda doméstica da economia, ou seja, será uma política monetária contracionista que garantirá que a taxa de câmbio permaneça fixa. Resultado: a política monetária expansionista é ineficaz em uma economia com livre mobilidade de capital e câmbio fixo. Vamos analisar o modelo IS-LM-BP em etapas: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 45 82 10 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista, ou seja, o aumento da oferta monetária, provoca deslocamento da curva LM para a direita, levando os juros a patamar inferior, onde r<r*. 3. Como a nova taxa de juros, em patamar inferior, tende a provocar fuga de capitais e a consequente e indesejável desvalorização cambial, o Banco Central intervém ofertando divisas internacionais, que venderá em troca de moeda doméstica, o que caracteriza política monetária contracionista e desloca LM para a esquerda. O resultado? Bem, não tem resultado. Voltamos a um cenário exatamente igual ao inicial, denotando a ineficácia da política monetária em um regime de câmbio fixo com perfeita mobilidade de capitais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 46 82 11 Perceba que tudo decorre da passividade da política monetária quando o Banco Central precisa perseguir o câmbio fixo. Ou seja, a oferta de moeda passa a ser dependente do câmbio. Gabarito: Certo 21. (2017/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Virtualmente, todos os grandes países estabeleceram um banco central como “emprestador de última instância” para reduzir a probabilidade de que uma falta de liquidez se torne uma crise de solvência. A prática levou à questão do papel de um “emprestador internacional de última instância” que pudesse auxiliar os países a estabilizar o valor das suas moedas e reduzir a probabilidade de sua forte desvalorização em consequência da falta de liquidez, que, por sua vez, poderia causar um grande número de falências. Charles Kindleberger. Manias, pânicos e crises. 6.ª ed. São Paulo: Saraiva. Tendo como referência inicial esse fragmento de texto, julgue o item a seguir, pertinente às funções e competências de um banco central. Dada a relação existente entre as políticas monetária e cambial, os efeitos da política monetária executada pelo banco central de um país dependem fundamentalmente do tipo de regime cambial adotado. Assim, em um sistema de taxas de câmbio flexíveis com mobilidade internacional de capital, a fixação da taxa de juros básica como instrumento para o objetivo de estabilizar preços é inalcançável. Comentários: Isso seria verdade se o câmbio fosse fixo, ou seja, a política monetária seria ineficaz. Entretanto, no câmbio flutuante, ocorre o seguinte: Caso ocorra uma política monetária expansionista, haverá queda da taxa de juros interna. Com isso, ocorre saída de capitais, desvalorizando a moeda nacional. Com o real desvalorizado, por exemplo, os dólares dos estrangeiros podem comprar mais de nossos produtos, o que significa que as exportações aumentarão e, como consequência, haverá aumento na renda. A conclusão é que a política monetária expansionista é eficaz para aumentar a renda em uma economia com perfeita mobilidade de capital e câmbio flexível. Vamos às etapas no modelo IS-LM-BP. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 47 82 12 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista promovida pela Banco Central desloca a curva LM para a direita, causando queda nos juros internos que, quando menores que os juros externos, provocam saída de capitais e desvalorização da moeda doméstica (aumento da taxa de câmbio). 3. Com a moeda desvalorizada, há aumento das exportações. Com o resto do mundo comprando mais de nossos produtos, aumenta a renda nacional, deslocando a curva IS para a direita. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 48 82 13 Assim, concluímos que a política monetária é totalmente eficaz para aumentar a renda em uma economia aberta com livre mobilidade de capital e câmbio flexível. Gabarito: Errado Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 49 82 14 LISTA DE QUESTÕES 1. (2012/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Em uma economia aberta, políticas fiscais expansionistas contribuem para a depreciação da moeda e para o aumento do investimento e das exportações líquidas. 2. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) O balanço de pagamento registra, de forma detalhada, a composição da conta-corrente e das várias transações que a financiam. Nesse contexto, julgue o item a seguir. Ceteris paribus, a recessão econômica que está ocorrendo nos EUA, ao contribuir para aumentar as exportações líquidas, tende a reduzir o déficit no balanço comercial norte- americano. 3. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) O estudo da demanda e da oferta agregada é crucial para a elaboração de políticas macroeconômicas apropriadas. A esse respeito, julgue o item subsequente. Quando a queda da inflação no Brasil conduz à redução das taxas de juros e à depreciação do real, o aumento das exportações líquidas daí decorrente provoca expansão da demanda agregada. 4. (2019/IADES/CACD/Diplomata) O aumento temporário da oferta de moeda, em regime de câmbio flutuante, resulta em queda da taxa doméstica de juros e depreciação da moeda doméstica. Em curto prazo, haverá redução da demanda agregada e do produto da economia, em razão da queda dos preços relativos dos bens produzidos localmente. 5. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) Acerca de uma economia do tipo IS-LM aberta ao exterior e desconsiderando o papel das expectativas sobre a taxa de câmbio, julgue o item abaixo. O multiplicador de gastos é sempre maior em uma economia aberta do que em uma economia fechada. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 50 82 15 6. (2002/CEBRASPE-CESPE/SENADO FEDERAL/Consultor Legislativo - Economia) Acerca de uma economia do tipo IS-LM aberta ao exterior e desconsiderando o papel das expectativas sobre a taxa de câmbio, julgue o item abaixo. No regime de câmbio fixo, a política fiscal torna-se inefetiva no controle do nível de atividade, e uma elevação do déficit governamental terá impacto apenas na elevação da taxa de juros. 7. (2010/CEBRASPE-CESPE/SEFAZ-ES/Consultor do Executivo - Ciências Econômicas) Acerca dos regimes cambiais, julgue o item a seguir. No regime de câmbio fixo, o BC estabelece o preço internacional da moeda nacional e, para sustentar a paridade, se compromete a comprar ou vender moeda a determinada taxa. 8. (2010/CEBRASPE-CESPE/SEFAZ-ES/Consultor do Executivo - Ciências Econômicas) Acerca dos regimes cambiais, julgue o item a seguir. No modelo de Mundell-Fleming com regime de taxasde câmbio fixas, a política monetária não tem efeito sobre a renda porque a oferta de moeda ajusta-se ao nível da taxa de câmbio anunciada. 9. (2008/CEBRASPE-CESPE/MDIC/Analista de Comércio Exterior) A internacionalização crescente do espaço econômico faz que o estudo da teoria do comércio internacional, incluindo os aspectos macro e microeconômicos das economias abertas, seja fundamental para uma inserção adequada no cenário mundial. Acerca desse assunto, julgue o item. Em presença de taxas de câmbio fixas, a eficácia da política monetária será reduzida porque os deslocamentos iniciais da curva LM serão revertidos em razão dos efeitos monetários sobre o balanço de pagamentos, levando, assim, a um deslocamento compensatório da curva BP. 10. (2014/CEBRASPE-CESPE/CADE/Economista) Julgue o item a seguir acerca de câmbio, blocos econômicos, organismos multilaterais e fluxos financeiros internacionais. Os fluxos financeiros são afetados por expectativas e políticas cambiais e monetárias das diferentes economias. Por isso, quando a taxa de juros de um país é superior às taxas de juros dos demais países, espera-se por um fluxo negativo de recursos em direção ao país com taxa de juros mais elevada. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 51 82 16 11. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Perícia Economia) No que concerne a instrumentos de política comercial, balanço de pagamentos, globalização e organismos internacionais, julgue o item seguinte. Com a adoção de uma política cambial de taxas fixas de câmbio perde-se a autonomia da política monetária como instrumento interno. 12. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Analista - Perícia Economia) No que concerne a instrumentos de política comercial, balanço de pagamentos, globalização e organismos internacionais, julgue o item seguinte. Em um mundo globalizado nenhum país pode ter, ao mesmo tempo, taxa de câmbio fixa, política monetária orientada exclusivamente para metas internas e liberdade de movimentos de capitais internacionais. 13. (2011/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Julgue (C ou E) o item subsequente, relativo a conceitos da economia internacional. Nos sistemas de câmbio fixo, as políticas monetárias expansionistas são particularmente eficazes para elevar a demanda agregada porque, nesses sistemas, o efeito deslocamento é minimizado. 14. (2004/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Na fase atual de globalização do espaço econômico, o estudo da economia internacional é crucial para a inserção adequada no cenário mundial. Considerando as noções básicas da teoria econômica internacional, julgue o item a seguir. Em economias pequenas, cuja taxa de câmbio é flutuante, as políticas fiscais são particularmente eficazes, porque a expansão das despesas públicas, ao reduzir a taxa de câmbio, contrai as importações e aumenta a produção doméstica. 15. (2013/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Em relação à teoria macroeconômica para pequenas economias abertas, julgue o item que se segue. No regime de câmbio fixo, o aumento da tributação proporciona redução das reservas internacionais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 52 82 17 16. (2013/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Em relação à teoria macroeconômica para pequenas economias abertas, julgue o item que se segue. No regime de câmbio flutuante, a expansão dos gastos do governo não é capaz de estimular o produto da economia. 17. (2013/CEBRASPE-CESPE/MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/Economista) Acerca dos modelos de análise macroeconômica, julgue o item. Para uma economia aberta, com regime de câmbio fixo e mobilidade perfeita de capitais, uma política fiscal contracionista é inócua em termos de produto. 18. (2013/CEBRASPE-CESPE/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Julgue o próximo item, relativo aos regimes cambiais e seus efeitos sobre a economia. Em um regime com câmbio fixo, a expansão dos gastos do governo implica o aumento da renda e das reservas internacionais de equilíbrio a retração das exportações líquidas. 19. (2013/CEBRASPE-CESPE/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Com relação aos modelos de determinação da renda e dos preços, julgue o item subsecutivo. Segundo o modelo Mundell-Fleming-Dornbush, sob taxas de câmbio fixas e perfeita mobilidade de capital, adotar uma política monetária independente do mercado externo é a melhor maneira de estabilizar o sistema econômico. 20. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que concerne a regimes de câmbio e a determinantes da política cambial, julgue o item a seguir. Em uma economia aberta com livre movimentação de capitais, sob uma taxa de câmbio fixa, os instrumentos de política monetária do Banco Central não são eficazes para aumentar a oferta de moeda ou o produto da economia, mas podem afetar o nível das respectivas reservas internacionais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 53 82 18 21. (2017/CEBRASPE-CESPE/CACD/Diplomata) Virtualmente, todos os grandes países estabeleceram um banco central como “emprestador de última instância” para reduzir a probabilidade de que uma falta de liquidez se torne uma crise de solvência. A prática levou à questão do papel de um “emprestador internacional de última instância” que pudesse auxiliar os países a estabilizar o valor das suas moedas e reduzir a probabilidade de sua forte desvalorização em consequência da falta de liquidez, que, por sua vez, poderia causar um grande número de falências. Charles Kindleberger. Manias, pânicos e crises. 6.ª ed. São Paulo: Saraiva. Tendo como referência inicial esse fragmento de texto, julgue o item a seguir, pertinente às funções e competências de um banco central. Dada a relação existente entre as políticas monetária e cambial, os efeitos da política monetária executada pelo banco central de um país dependem fundamentalmente do tipo de regime cambial adotado. Assim, em um sistema de taxas de câmbio flexíveis com mobilidade internacional de capital, a fixação da taxa de juros básica como instrumento para o objetivo de estabilizar preços é inalcançável. GABARITO 1. E 2. C 3. C 4. E 5. E 6. E 7. C 8. C 9. E 10. E 11. C 12. C 13. E 14. E 15. C 16. E 17. E 18. C 19. E 20. C 21. E Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 54 82 1 QUESTÕES COMENTADAS 1. (2019/FCC/AFAP/Analista de Fomento - Economista) Uma opção fundamental da economia é o regime de câmbio que será empregado, definido como o preço da moeda estrangeira em unidades da moeda doméstica. Acerca dos regimes de câmbio fixo e flutuante, é correto afirmar que a) um aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. b) um aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. c) uma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. d) uma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. e) independentemente do nível da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, a taxa de câmbio fixo sofrerá pressão para valorização, se for liberada a mobilidade de capitais. Comentários: Se não houver mobilidade e capitais, nãoentrarão divisas atraídas pela taxa de juros alta, e, portanto, a taxa de câmbio não será reduzida. Por isso, e por mencionar que o câmbio é fixo, a alternativa “a” está errada. Note que se não fosse o câmbio e a ausência de mobilidade de capitais, a taxa de câmbio seria reduzida, e não aumentaria, como afirmado na alternativa “b”. A alternativa “c” está perfeita, de forma que a alternativa “d” não pode estar correta. Por fim, o erro da alternativa “e” está errada, pois a pressão exercida na taxa de câmbio depende da relação entre as taxas de juros interna e externa. Gabarito: “c” 2. (2018/FCC/CLDF/Consultor Técnico Legislativo - Economista) Em uma avaliação de alternativas de política econômica para um país com economia aberta e perfeita mobilidade de capitais, sob o modelo Mundell-Fleming, deve-se considerar que a) uma expansão monetária tem como resultado a expansão das reservas internacionais, se o câmbio for fixo. b) uma expansão monetária desloca em caráter permanente e robusto a curva LM, se o câmbio for fixo. c) a curva IS, em uma política monetária expansionista, sofre impacto inicial da queda da taxa de juros e, na sequência, impacto da desvalorização cambial, com câmbio flexível. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 55 82 2 d) uma política monetária expansionista será adequada, se o país estiver com hiato inflacionário e o câmbio for flexível, o que levará a uma contenção interna da despesa agregada, como resultado da combinação dos movimentos da taxa de juros e do câmbio. e) uma ação monetária contracionista, com câmbio flexível, não altera a curva LM, que é vertical, portanto, deixando inalterados a curva IS e o nível do produto. Comentários: O enunciado já determina que a economia tem perfeita mobilidade de capitais, cabe-nos julgar o resultado de cada política sob cada regime cambial. E o gabarito é a letra “c”. Veja os motivos nos pontos 2 e 3: 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista promovida pela Banco Central desloca a curva LM para a direita, causando queda nos juros internos que, quando menores que os juros externos, provocam saída de capitais e desvalorização da moeda doméstica (aumento da taxa de câmbio). 3. Com a moeda desvalorizada, há aumento das exportações. Com o resto do mundo comprando mais de nossos produtos, aumenta a renda nacional, deslocando a curva IS para a direita. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 56 82 3 Assim, concluímos que a política monetária é totalmente eficaz para aumentar a renda em uma economia aberta com livre mobilidade de capital e câmbio flexível. Gabarito: “c” 3. (2009/CESGRANRIO/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Quanto à flexibilidade de taxas, é correto afirmar que no regime cambial de taxa a) flexível, a política monetária torna-se endógena, de modo que a autoridade monetária perde sua capacidade de definir que política monetária adotar. b) flexível, com perfeita mobilidade de capitais, as diferenças entre as taxas de juros internas dos diversos países devem refletir expectativas de desvalorização ou valorização cambial das moedas desses países. c) flexível, a taxa de câmbio varia conforme a demanda e a oferta de moeda estrangeira, mantendo, dessa forma, a paridade entre os preços dos bens importados e os preços dos bens domésticos. d) fixa, uma política fiscal expansionista aumenta o superávit comercial. e) fixa, a autoridade monetária fixa a taxa de câmbio da moeda nacional em relação a uma moeda estrangeira, aceita internacionalmente (US dólar, por exemplo), e com isso mantém o poder de controlar a oferta monetária. Comentários: Vejamos cada uma das alternativas. a) flexível, a política monetária torna-se endógena, de modo que a autoridade monetária perde sua capacidade de definir que política monetária adotar. Errado! A política monetária é, de fato, endógena no regime cambial flexível, mas isso significa exatamente que a autoridade monetária mantém sua capacidade de definir sua política monetária. b) flexível, com perfeita mobilidade de capitais, as diferenças entre as taxas de juros internas dos diversos países devem refletir expectativas de desvalorização ou valorização cambial das moedas desses países. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 57 82 4 Certo. É como vimos: qualquer que seja o diferencial entre as taxas internas e externas de juros, haverá entrada ou saída de capitais do país. c) flexível, a taxa de câmbio varia conforme a demanda e a oferta de moeda estrangeira, mantendo, dessa forma, a paridade entre os preços dos bens importados e os preços dos bens domésticos. Errado. A primeira parte está correta, no regime cambial flexível a taxa de câmbio varia livremente. Entretanto, exatamente por isso a paridade entre os preços dos bens também varia. d) fixa, uma política fiscal expansionista aumenta o superávit comercial. Errado. A política fiscal expansionista provoca aumento da renda e das importações, diminuindo um eventual superávit comercial ou agravando um déficit comercial. e) fixa, a autoridade monetária fixa a taxa de câmbio da moeda nacional em relação a uma moeda estrangeira, aceita internacionalmente (US dólar, por exemplo), e com isso mantém o poder de controlar a oferta monetária. Errado. Ao adotar um regime cambial fixo, a autoridade perde seu poder de controlar a oferta monetária doméstica, posto que terá de intervir para evitar variações da taxa de câmbio. Gabarito: “b” 4. (2011/CESGRANRIO/BNDES/Economista) A figura abaixo mostra a aplicação do modelo IS / LM / BP para uma economia com taxa de câmbio fixa em uma situação de mobilidade internacional imperfeita do capital financeiro. A posição inicial da economia é o ponto I com o balanço de pagamentos em equilíbrio. Nessas condições, a curto prazo uma política fiscal expansiva a) diminuiria a taxa de juros. b) diminuiria o nível de renda. c) desvalorizaria a moeda doméstica no mercado cambial. d) seria certamente inflacionária. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 58 82 5 e) levaria a um superavit no balanço de pagamentos. Comentários: Quando a questão fala em curto prazo, ela quer saber qual o efeito imediato da política fiscal expansionista. Portanto, basta sabermos que, com o deslocamento de IS para a direita, o novo ponto de equilíbrio parcial se dará acima da reta BP, denotando superávit no Balando de Pagamentos, conforme demonstrado abaixo: Gabarito: “e” 5. (2009/CESGRANRIO/BNDES/Economista) O gráfico abaixo representa o modelo IS/LM para uma economia aberta, com mobilidade imperfeita do capital financeiro internacional e regime cambial flutuante. Suponha que uma crise internacional desloque, inicialmente, a IS e a BP para as linhas tracejadas no gráfico. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 59 82 6 Em consequência, a curto prazo, ocorreria a) aumento da demanda por bens e serviços e valorização cambial. b) aumento da inflação e da demanda por bens e serviços. c) queda na demanda por bens e serviços e desvalorização cambial. d) redução da taxa de desemprego e valorização cambial. e) reduçãodo deficit público e maior tendência inflacionária. Comentários: Com o deslocamento de IS e de BP, o novo ponto de intersecção entre IS e LM estará localizado abaixo da nova linha BP’. Dessa forma, haverá déficit no BP e, por consequência, desvalorização cambial. O próprio deslocamento de IS para a esquerda já denota queda na renda e, portando, na demanda por bens e serviços. Gabarito: “c” 6. (2013/CESGRANRIO/BNDES/Economista) A Figura abaixo mostra o modelo IS/LM/BP aplicado a uma economia em pleno emprego e com taxa cambial fixa. O balanço de pagamentos não está equilibrado, e o governo compra divisas internacionais. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 60 82 7 Suponha que ocorra uma queda exógena na demanda externa pelos bens e serviços da economia, juntamente com uma política monetária expansiva. Mesmo sem alteração cambial, poderia haver um novo equilíbrio de pleno emprego e de balanço de pagamentos nessa economia. Esse novo equilíbrio seria em uma posição, na Figura, como o ponto a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 Comentários: A queda exógena nas exportações deslocará a curva IS para a esquerda o que, por si só, já elimina os pontos 1 e 5. A política monetária expansiva, por sua vez, desloca LM para a direita e, portanto, o equilíbrio não poderá se dar em 4. Para concluir, como a taxa de câmbio é fixa, os juros deverão subir, deslocando BP para cima, tornando o ponto 3 inviável. Gabarito: “b” 7. (2014/CESGRANRIO/IBGE/Supervisor de Pesquisas Geral) O regime cambial adotado por certo país é o de câmbio fixo, e sua economia é aberta ao comércio exterior e à movimentação de capitais financeiros externos. Suponha que o país esteja inicialmente em pleno emprego e com o balanço de pagamentos equilibrado. Em uma situação de baixa mobilidade dos capitais financeiros internacionais, a política monetária restritiva tende, a curto prazo, a a) reduzir as reservas internacionais do país. b) reduzir as taxas de juros domésticas. c) aumentar as importações de bens e serviços. d) aumentar a taxa de inflação. e) aumentar a taxa de desemprego. Comentários: A questão que saber o que ocorre a curto prazo, diante de uma política monetária restritiva. Portanto, não importa o regime cambial sob o qual a economia está: haverá deslocamento da curva LM para a esquerda, reduzindo o nível de renda/produto e aumentando o nível de juros. Portanto, a única alternativa possível é “E”. Contudo, para que isso seja verdadeiro, é preciso que a economia esteja em pleno nível de emprego – exatamente como propõe o enunciado. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 61 82 8 Gabarito: “e” 8. (2005/FCC/TCE-PI/Auditor do Tribunal de Contas do Estado) No modelo IS-LM para uma pequena economia aberta com perfeita mobilidade de capitais no curto prazo, a) a política monetária expansiva é eficiente para reduzir o desemprego, qualquer que seja o regime cambial do país. b) a política fiscal expansiva somente é eficiente para reduzir o desemprego se a taxa de câmbio for fixa. c) tanto a política monetária quanto a política fiscal expansiva são eficientes para reduzir o desemprego se as taxas de câmbio forem flexíveis. d) somente o controle de capitais externos poderá lograr aumentar o nível de emprego interno. e) a apreciação da moeda nacional poderá reduzir o desemprego e é o único instrumento possível para atingir esse objetivo. Comentários: Vamos lá. Estamos em uma economia aberta com perfeita mobilidade de capitais. Devemos nos concentrar nesta parte (destacada) do resumo: Hipótese Política Variável Câmbio fixo Câmbio Flexível Perfeita mobilidade de capital Política monetária expansionista Renda - ↑ Juros - - Política fiscal expansionista Renda ↑ - Juros - - Portanto, temos que a política fiscal só será efetiva no câmbio fixo, enquanto a política monetária só funcionará sob regime de câmbio flexível. Concluímos, portanto, que apenas a alternativa B está correta. Gabarito: “b” 9. (2010/ESAF/CVM/Inspetor da Comissão de Valores Mobiliários) Considere o caso de uma economia aberta de um país pequeno em relação ao resto do mundo, com livre mobilidade de capitais: a) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica déficit na conta transações correntes. b) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica a necessidade de entrada de capital externo no país. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 62 82 9 c) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional. d) a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a igualdade entre a poupança interna e o investimento. e) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada de poupança externa. Comentários: a) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica déficit na conta transações correntes. Pelo contrário. O excesso de poupança interna indica que o país poderá enviar capital para o exterior. b) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica a necessidade de entrada de capital externo no país. Está certo. O excesso de investimento sobre a poupança implica que o país precisará financiar esse investimento com capital externo. c) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional. Errado. A economia de um país de pequeno porte não é capaz de influenciar a taxa de juros no mercado internacional. d) a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a igualdade entre a poupança interna e o investimento. Não. A livre mobilidade de capitais torna a curva BP horizontal, e garante, no equilíbrio, a igualdade entre os juros internos e externos. e) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada de poupança externa. Errado. O excesso de poupança interna implica que o país financiará o resto do mundo, ou seja, enviará poupança externa. Gabarito: “b” 10. (2006/FAURGS/SEFAZ-RS/Auditor-Fiscal da Receita Estadual) Suponha uma economia sem mobilidade de capital, com regime de câmbio fixo e que esteja inicialmente no ponto de equilíbrio E, conforme mostra o gráfico abaixo. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 63 82 10 Se o Banco Central expandir a oferta de moeda, espera-se que a) o nível de renda inicialmente caia, mas posteriormente comece a se elevar, retornando ao equilíbrio inicial. b) a taxa de juros inicialmente caia, mas posteriormente comece a se elevar, retornando ao equilíbrio inicial. c) a taxa de juros caia e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um superavit no balanço de pagamentos. d) a taxa de juros caia e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um deficit no balanço de pagamentos. e) a taxa de juros suba e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um superavit no balanço de pagamentos. Comentários: A expansão da oferta monetária deslocará a curva LM para a direita. Inicialmente, isso implica em aumento da renda e queda nos juros. Contudo, como o regime cambial é fixo, e a queda nos juros provoca saída de moeda estrangeira e desvalorização da moeda doméstica, a autoridade monetária terá de implementar política monetária restritiva, provocando deslocamento da curva LM para a esquerda e aumento os juros, retornando à situaçãode equilíbrio original. Gabarito: “b” 11. (2007/FGV/SEFAZ-RJ/Auditor Fiscal da Receita Estadual) Considere uma economia aberta, com câmbio flutuante e sob perfeita mobilidade de capitais. Qual é o impacto de uma política fiscal expansionista sobre a taxa de câmbio e o nível de produção? a) A taxa de câmbio se aprecia, e o nível de produção aumenta. b) A taxa de câmbio se aprecia, e o nível de produção permanece inalterado. c) A taxa de câmbio se deprecia, e o nível de produção permanece inalterado. d) A taxa de câmbio se deprecia, e o nível de produção diminui. e) A taxa de câmbio permanece inalterada, e o nível de produção aumenta. Comentários: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 64 82 11 A política fiscal deslocará a curva IS para a direita, demonstrando o aumento da renda e da taxa de juros interna. Com isso, aumentam as importações e a moeda doméstica valoriza, diminuindo as exportações. O resultado é que a renda volta a cair (queda nas exportações líquidas), mas o câmbio valoriza. Gabarito: “b” 12. (2002/ESAF/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Supondo que haja livre mobilidade de capital, os efeitos de uma política monetária expansionista em um país sobre o nível de renda deste país será: a) nenhum, se houver um regime de câmbio flexível b) nenhum, se houver um regime de câmbio fixo c) positivo, só se houver um regime de câmbio fixo d) positivo, não importando qual regime cambial seja adotado e) negativo, se houver um regime de câmbio flexível Comentários: A política monetária é totalmente ineficaz sob câmbio fixo, pois qualquer movimento terá de ser compensando por movimento contrário para manter o câmbio no mesmo patamar. Gabarito: “b” 13. (2006/FCC/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) No modelo de Mundell-Fleming para uma pequena economia aberta com perfeita mobilidade de capitais e taxas de câmbio flexíveis, onde se observa a existência de desemprego no curto prazo, uma política de expansão da oferta de moeda praticada pelo Banco Central terá como uma de suas consequências a) a diminuição do produto real. b) a valorização da taxa de câmbio. c) o aumento da entrada líquida de capitais externos. d) o aumento das exportações líquidas. e) a permanência da taxa de desemprego nos mesmos níveis anteriores. Comentários: Vamos utilizar o passo-a-passo visto nesta aula (atenção ao passo 3, que nos dará a resposta da questão). Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 65 82 12 1. A economia está em equilíbrio no mercado real, no mercado monetário, e no BP – pois as taxas de juros e nível de renda, neste patamar, têm esse efeito. 2. A política monetária expansionista promovida pela Banco Central desloca a curva LM para a direita, causando queda nos juros internos que, quando menores que os juros externos, provocam saída de capitais e desvalorização da moeda doméstica (aumento da taxa de câmbio). 3. Com a moeda desvalorizada, há aumento das exportações. Com o resto do mundo comprando mais de nossos produtos, aumenta a renda nacional, deslocando a curva IS para a direita. Assim, concluímos que a política monetária é totalmente eficaz para aumentar a renda em uma economia aberta com livre mobilidade de capital e câmbio flexível. Gabarito: “d” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 66 82 13 14. (2009/CESGRANRIO/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) O gráfico abaixo ilustra o modelo IS/LM/BP, representando uma economia em regime de taxa de câmbio fixa. Na situação representada no gráfico, a(o) a) política monetária é impotente. b) política fiscal é impotente. c) taxa de desemprego é elevada. d) mobilidade internacional do capital financeiro é reduzida. e) balanço comercial é superavitário. Comentários: As alternativas C, D e E estão claramente erradas, diante das informações do enunciado e do fato de a economia estar em equilíbrio. Cabe-nos lembrar qual política é eficaz nesse cenário. A política monetária é ineficaz em câmbio fixo, pois qualquer movimento da autoridade monetária irá atrair ou expulsar moeda estrangeira, obrigando-a a adotar, em seguida, o movimento contrário. Já a política fiscal é muito eficaz, quando em regime de câmbio fixo. Caso o governo decida aumentar seus gastos (política fiscal expansiva), isso provocará um aumento no nível de renda, acompanhado pelo aumento dos juros, dado que a demanda por moeda cresce sem alterações da oferta de moeda. Juros maiores provocam entrada de capitais internacionais, causando valorização da moeda nacional. Mas, em câmbio fixo, o Banco Central não permitirá que isso ocorra, e entrará comprando essas divisas internacionais e, dessa forma, promovendo aumento da oferta monetária, e novo aumento no nível de renda. Portanto, a política fiscal expansionista é muito eficaz em uma economia aberta com livre mobilidade de capitais e câmbio fixo. Gabarito: “a” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 67 82 14 15. (2002/ESAF/MDIC/Analista de Comércio Exterior) Considere o modelo IS/LM para uma economia aberta supondo as seguintes hipóteses: pequena economia aberta; livre e perfeita mobilidade de capital; taxa de câmbio flutuante. Com base nestas informações, é correto afirmar que: a) um corte nos impostos tende a elevar não apenas o produto mas também as exportações via os efeitos indiretos deste corte sobre a taxa de câmbio b) qualquer movimento nos gastos autônomos agregados não provoca mudanças nas taxas de câmbio c) qualquer alteração na quantidade de moeda na economia não altera as taxas de juros d) as hipóteses do modelo garantem uma curva LM vertical e) a utilização da política monetária é mais adequada do que a política fiscal se o objetivo da autoridade econômica for a elevação do produto Comentários: As hipóteses elencadas determinam o seguinte modelo: O corte nos impostos desloca a curva IS para a direita, elevando renda e taxa de juros. Com juros maiores, tende a ocorrer entrada de capitais, provocando valorização do câmbio e redução das exportações, deslocando a curva IS para a esquerda. Portanto, a alternativa A está errada. Como há sim, mudanças nas taxas de câmbio, a alternativa B também está errada. A alternativa C também está errada, pois a política monetária provocará, ainda que inicialmente, alterações nas taxas de juros. A alternativa D dispensa comentários, dado que a curva LM só será vertical no caso muito excepcional denominado clássico, como vimos na aula anterior. Por fim, ficamos com a alternativa E como gabarito. A política monetária expansionista, de fato, é muito eficaz em aumentar a renda quando há mobilidade perfeita de capitais e câmbio flexível, pois, a redução dos juros desvaloriza o câmbio, aumentando as exportações: Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 68 82 15 Gabarito: “e” 16. (2005/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) Considere um modelo de regime de câmbio flutuante com livre mobilidade de capitais. Pode ser considerado como fator que tende a provocar uma desvalorização da moeda nacional: a) política fiscal expansionista. b) elevação dos juros externos. c) política monetária contracionista. d) elevação da taxa básica de juros interna. e) elevação dos recolhimentoscompulsórios dos bancos comerciais. Comentários: Inicialmente, perceba que as alternativas C e E falam a mesma coisa: política monetária contracionista. Como não podemos ter duas alternativas corretas, podemos nos concentrar nas outras. A política fiscal expansionista, no regime de câmbio flutuante com livre mobilidade de capitais, é ineficaz, pois a elevação dos gastos públicos será compensada pela queda nas exportações decorrente da valorização da moeda nacional. Portanto, a alternativa A também está errada. Por fim, em B e D, temos efeitos opostos. Se aumenta a taxa de juros interna, há atração de moeda estrangeira e valorização da moeda doméstica. Se a taxa de juros externa que aumenta, o país perde moeda estrangeira, provocando desvalorização da moeda nacional, o que torna B nosso gabarito. Gabarito: “b” 17. (2005/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) O modelo Mundell-Fleming representa o modelo IS/LM aplicado a uma pequena economia aberta. Tal modelo considera o nível de preços fixo e analisa as causas das flutuações da renda Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 69 82 16 e da taxa de câmbio. Com base nesse modelo, e supondo livre mobilidade de capital, é correto afirmar que: a) a política fiscal é mais adequada para estabilizar a renda, independente do regime ser de taxas de câmbio fixas ou flexíveis b) quando as taxas de câmbio são flutuantes, a política monetária não exerce qualquer influência sobre a renda agregada c) quando as taxas de câmbio são fixas, a política fiscal não exerce qualquer influência sobre a renda agregada d) quando as taxas de câmbio são fixas, a política monetária é a única capaz de influenciar a renda agregada e) quando as taxas de câmbio são flutuantes, a política fiscal não exerce qualquer influência sobre a renda agregada Comentários: A política fiscal é ineficaz sob regime de câmbios flutuantes com perfeita mobilidade de capitais. Gabarito: “e” 18. (2011/FCC/TCE-PR/Analista de Controle) No modelo IS-LM para uma economia aberta, em que a taxa de desemprego está acima da taxa natural, as taxas de câmbio são fixas e há mobilidade imperfeita de capitais, a) aumentos da oferta monetária pelo Banco Central somente atingem o objetivo de aumentar o produto real da economia se a inclinação da curva BP for maior que a da curva LM. b) a diminuição da tributação pelo Governo aumenta o nível de produto real da economia, mas em um montante menor do que se a economia fosse fechada, caso a curva BP seja mais inclinada que a curva LM. c) o aumento dos gastos do Governo atingirá o objetivo de aumentar o nível de produto real da economia, mas apenas no caso de a inclinação da curva BP ser menor que a da curva LM. d) tanto a política monetária quanto a política fiscal expansivas são incapazes de aumentar o nível de produto real da economia porque as taxas de câmbio são fixas. e) o resgate de títulos públicos pelo Governo é uma medida eficiente para aumentar o produto real da economia, independentemente da inclinação das curvas BP e LM. Comentários: Atenção! A questão fala em mobilidade imperfeita de capitais e, portanto, numa curva BP positivamente inclinada. Além disso, o regime cambial é fixo. Nesse cenário, somente a política fiscal é eficaz na determinação da renda, e sua eficácia será maior quando a curva BP for menos inclinada que LM. Isso já elimina todas as alternativas, com exceção da letra “b”. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 70 82 17 A redução da tributação, como é política fiscal expansionista que é, aumentará o nível de renda da economia. Como em economia fechadas não há importações, o multiplicador é superior do que em economias aberta, tornando a alternativa correta. Gabarito: “b” 19. (2010/FCC/SEFAZ-SP/APOFP) Um país adota o regime de câmbio fixo, permite livre movimentação de capitais estrangeiros e está enfrentando déficit em seu balanço de pagamentos. Para restabelecer o equilíbrio externo, ele deve promover a a) redução dos gastos do governo. b) elevação da base monetária. c) redução da taxa de reservas compulsórias. d) venda de títulos públicos. e) elevação da tributação. Comentários: Para reestabelecer o equilíbrio, o país deve atrair capital. Para isso, precisa elevar as taxas de juros internas. Isso pode ser feito via política monetária contracionista, algo que só está exposto na alternativa D. Gabarito: “d” 20. (2013/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) De acordo com o modelo IS/LM/BP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo, e admitindo que a economia esteja em equilíbrio (interseção entre as curvas IS, LM e BP), uma elevação do gasto público: a) aumentará a renda, mas sem efeito sobre a taxa de juros de equilíbrio. b) o novo equilíbrio será com déficit no balanço de pagamentos. c) a política fiscal não terá nenhum efeito sobre a renda quando há perfeita mobilidade de capitais. d) reduzirá a renda e a taxa de juros de equilíbrio. e) aumentará a renda e levará, necessariamente, a uma apreciação cambial. Comentários: Vamos ao passo-a-passo. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 71 82 18 1. A política monetária expansionista provoca deslocamento da curva IS para a direita (IS2). Isso causará aumento dos juros domésticos que, ao se tornarem superiores aos juros internacionais, atrairão capital estrangeiro para o país. 3. Como o câmbio é fixo, para evitar que a entrada de capitais valorize a moeda nacional, o Banco Central entra no mercado comprando as divisas internacionais e, por consequência, entregando moeda doméstica. Isso é uma política monetária expansionista, que deslocará a curva LM para a direita (LM2). O resultado é um nível de renda superior ao anterior (Y2>Y1), sob a mesma taxa de juros. Gabarito: “a” Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 72 82 19 LISTA DE QUESTÕES 1. (2019/FCC/AFAP/Analista de Fomento - Economista) Uma opção fundamental da economia é o regime de câmbio que será empregado, definido como o preço da moeda estrangeira em unidades da moeda doméstica. Acerca dos regimes de câmbio fixo e flutuante, é correto afirmar que a) um aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. b) um aumento da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio fixo, se não houver mobilidade de capitais. c) uma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, aumenta a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. d) uma redução da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, reduz a taxa de câmbio flutuante, se houver mobilidade de capitais. e) independentemente do nível da taxa de juros doméstica, coeteris paribus, a taxa de câmbio fixo sofrerá pressão para valorização, se for liberada a mobilidade de capitais. 2. (2018/FCC/CLDF/Consultor Técnico Legislativo - Economista) Em uma avaliação de alternativas de política econômica para um país com economia aberta e perfeita mobilidade de capitais, sob o modelo Mundell-Fleming, deve-se considerar que a) uma expansão monetária tem como resultado a expansão das reservas internacionais, se o câmbio for fixo. b) uma expansão monetária desloca em caráter permanente e robusto a curva LM, se o câmbio for fixo. c) a curva IS, em uma políticamonetária expansionista, sofre impacto inicial da queda da taxa de juros e, na sequência, impacto da desvalorização cambial, com câmbio flexível. d) uma política monetária expansionista será adequada, se o país estiver com hiato inflacionário e o câmbio for flexível, o que levará a uma contenção interna da despesa agregada, como resultado da combinação dos movimentos da taxa de juros e do câmbio. e) uma ação monetária contracionista, com câmbio flexível, não altera a curva LM, que é vertical, portanto, deixando inalterados a curva IS e o nível do produto. 3. (2009/CESGRANRIO/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Quanto à flexibilidade de taxas, é correto afirmar que no regime cambial de taxa a) flexível, a política monetária torna-se endógena, de modo que a autoridade monetária perde sua capacidade de definir que política monetária adotar. b) flexível, com perfeita mobilidade de capitais, as diferenças entre as taxas de juros internas dos diversos países devem refletir expectativas de desvalorização ou valorização cambial das moedas desses países. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 73 82 20 c) flexível, a taxa de câmbio varia conforme a demanda e a oferta de moeda estrangeira, mantendo, dessa forma, a paridade entre os preços dos bens importados e os preços dos bens domésticos. d) fixa, uma política fiscal expansionista aumenta o superávit comercial. e) fixa, a autoridade monetária fixa a taxa de câmbio da moeda nacional em relação a uma moeda estrangeira, aceita internacionalmente (US dólar, por exemplo), e com isso mantém o poder de controlar a oferta monetária. 4. (2011/CESGRANRIO/BNDES/Economista) A figura abaixo mostra a aplicação do modelo IS / LM / BP para uma economia com taxa de câmbio fixa em uma situação de mobilidade internacional imperfeita do capital financeiro. A posição inicial da economia é o ponto I com o balanço de pagamentos em equilíbrio. Nessas condições, a curto prazo uma política fiscal expansiva a) diminuiria a taxa de juros. b) diminuiria o nível de renda. c) desvalorizaria a moeda doméstica no mercado cambial. d) seria certamente inflacionária. e) levaria a um superavit no balanço de pagamentos. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 74 82 21 5. (2009/CESGRANRIO/BNDES/Economista) O gráfico abaixo representa o modelo IS/LM para uma economia aberta, com mobilidade imperfeita do capital financeiro internacional e regime cambial flutuante. Suponha que uma crise internacional desloque, inicialmente, a IS e a BP para as linhas tracejadas no gráfico. Em consequência, a curto prazo, ocorreria a) aumento da demanda por bens e serviços e valorização cambial. b) aumento da inflação e da demanda por bens e serviços. c) queda na demanda por bens e serviços e desvalorização cambial. d) redução da taxa de desemprego e valorização cambial. e) redução do deficit público e maior tendência inflacionária. 6. (2013/CESGRANRIO/BNDES/Economista) A Figura abaixo mostra o modelo IS/LM/BP aplicado a uma economia em pleno emprego e com taxa cambial fixa. O balanço de pagamentos não está equilibrado, e o governo compra divisas internacionais. Suponha que ocorra uma queda exógena na demanda externa pelos bens e serviços da economia, juntamente com uma política monetária expansiva. Mesmo sem alteração cambial, poderia haver um novo equilíbrio de pleno emprego e de balanço de pagamentos nessa economia. Esse novo equilíbrio seria em uma posição, na Figura, como o ponto a) 1 b) 2 Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 75 82 22 c) 3 d) 4 e) 5 7. (2014/CESGRANRIO/IBGE/Supervisor de Pesquisas Geral) O regime cambial adotado por certo país é o de câmbio fixo, e sua economia é aberta ao comércio exterior e à movimentação de capitais financeiros externos. Suponha que o país esteja inicialmente em pleno emprego e com o balanço de pagamentos equilibrado. Em uma situação de baixa mobilidade dos capitais financeiros internacionais, a política monetária restritiva tende, a curto prazo, a a) reduzir as reservas internacionais do país. b) reduzir as taxas de juros domésticas. c) aumentar as importações de bens e serviços. d) aumentar a taxa de inflação. e) aumentar a taxa de desemprego. 8. (2005/FCC/TCE-PI/Auditor do Tribunal de Contas do Estado) No modelo IS-LM para uma pequena economia aberta com perfeita mobilidade de capitais no curto prazo, a) a política monetária expansiva é eficiente para reduzir o desemprego, qualquer que seja o regime cambial do país. b) a política fiscal expansiva somente é eficiente para reduzir o desemprego se a taxa de câmbio for fixa. c) tanto a política monetária quanto a política fiscal expansiva são eficientes para reduzir o desemprego se as taxas de câmbio forem flexíveis. d) somente o controle de capitais externos poderá lograr aumentar o nível de emprego interno. e) a apreciação da moeda nacional poderá reduzir o desemprego e é o único instrumento possível para atingir esse objetivo. 9. (2010/ESAF/CVM/Inspetor da Comissão de Valores Mobiliários) Considere o caso de uma economia aberta de um país pequeno em relação ao resto do mundo, com livre mobilidade de capitais: a) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica déficit na conta transações correntes. b) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica a necessidade de entrada de capital externo no país. c) um excesso de investimento sobre a poupança interna implica aumento da taxa de juros no mercado internacional. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 76 82 23 d) a livre mobilidade de capitais é suficiente para garantir a igualdade entre a poupança interna e o investimento. e) um excesso de poupança interna sobre o investimento implica a entrada de poupança externa. 10. (2006/FAURGS/SEFAZ-RS/Auditor-Fiscal da Receita Estadual) Suponha uma economia sem mobilidade de capital, com regime de câmbio fixo e que esteja inicialmente no ponto de equilíbrio E, conforme mostra o gráfico abaixo. Se o Banco Central expandir a oferta de moeda, espera-se que a) o nível de renda inicialmente caia, mas posteriormente comece a se elevar, retornando ao equilíbrio inicial. b) a taxa de juros inicialmente caia, mas posteriormente comece a se elevar, retornando ao equilíbrio inicial. c) a taxa de juros caia e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um superavit no balanço de pagamentos. d) a taxa de juros caia e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um deficit no balanço de pagamentos. e) a taxa de juros suba e se estabilize em um ponto de equilíbrio abaixo do inicial, levando a um superavit no balanço de pagamentos. 11. (2007/FGV/SEFAZ-RJ/Auditor Fiscal da Receita Estadual) Considere uma economia aberta, com câmbio flutuante e sob perfeita mobilidade de capitais. Qual é o impacto de uma política fiscal expansionista sobre a taxa de câmbio e o nível de produção? a) A taxa de câmbio se aprecia, e o nível de produção aumenta. b) A taxa de câmbio se aprecia, e o nível de produção permanece inalterado. c) A taxa de câmbio se deprecia, e o nível de produção permanece inalterado. d) A taxa de câmbio se deprecia, e o nível de produção diminui. e) A taxa de câmbio permanece inalterada, e o nível de produção aumenta. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia eFinanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 77 82 24 12. (2002/ESAF/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) Supondo que haja livre mobilidade de capital, os efeitos de uma política monetária expansionista em um país sobre o nível de renda deste país será: a) nenhum, se houver um regime de câmbio flexível b) nenhum, se houver um regime de câmbio fixo c) positivo, só se houver um regime de câmbio fixo d) positivo, não importando qual regime cambial seja adotado e) negativo, se houver um regime de câmbio flexível 13. (2006/FCC/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) No modelo de Mundell-Fleming para uma pequena economia aberta com perfeita mobilidade de capitais e taxas de câmbio flexíveis, onde se observa a existência de desemprego no curto prazo, uma política de expansão da oferta de moeda praticada pelo Banco Central terá como uma de suas consequências a) a diminuição do produto real. b) a valorização da taxa de câmbio. c) o aumento da entrada líquida de capitais externos. d) o aumento das exportações líquidas. e) a permanência da taxa de desemprego nos mesmos níveis anteriores. 14. (2009/CESGRANRIO/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) O gráfico abaixo ilustra o modelo IS/LM/BP, representando uma economia em regime de taxa de câmbio fixa. Na situação representada no gráfico, a(o) a) política monetária é impotente. b) política fiscal é impotente. c) taxa de desemprego é elevada. d) mobilidade internacional do capital financeiro é reduzida. e) balanço comercial é superavitário. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 78 82 25 15. (2002/ESAF/MDIC/Analista de Comércio Exterior) Considere o modelo IS/LM para uma economia aberta supondo as seguintes hipóteses: pequena economia aberta; livre e perfeita mobilidade de capital; taxa de câmbio flutuante. Com base nestas informações, é correto afirmar que: a) um corte nos impostos tende a elevar não apenas o produto mas também as exportações via os efeitos indiretos deste corte sobre a taxa de câmbio b) qualquer movimento nos gastos autônomos agregados não provoca mudanças nas taxas de câmbio c) qualquer alteração na quantidade de moeda na economia não altera as taxas de juros d) as hipóteses do modelo garantem uma curva LM vertical e) a utilização da política monetária é mais adequada do que a política fiscal se o objetivo da autoridade econômica for a elevação do produto 16. (2005/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) Considere um modelo de regime de câmbio flutuante com livre mobilidade de capitais. Pode ser considerado como fator que tende a provocar uma desvalorização da moeda nacional: a) política fiscal expansionista. b) elevação dos juros externos. c) política monetária contracionista. d) elevação da taxa básica de juros interna. e) elevação dos recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais. 17. (2005/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) O modelo Mundell-Fleming representa o modelo IS/LM aplicado a uma pequena economia aberta. Tal modelo considera o nível de preços fixo e analisa as causas das flutuações da renda e da taxa de câmbio. Com base nesse modelo, e supondo livre mobilidade de capital, é correto afirmar que: a) a política fiscal é mais adequada para estabilizar a renda, independente do regime ser de taxas de câmbio fixas ou flexíveis b) quando as taxas de câmbio são flutuantes, a política monetária não exerce qualquer influência sobre a renda agregada c) quando as taxas de câmbio são fixas, a política fiscal não exerce qualquer influência sobre a renda agregada d) quando as taxas de câmbio são fixas, a política monetária é a única capaz de influenciar a renda agregada e) quando as taxas de câmbio são flutuantes, a política fiscal não exerce qualquer influência sobre a renda agregada Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 79 82 26 18. (2011/FCC/TCE-PR/Analista de Controle) No modelo IS-LM para uma economia aberta, em que a taxa de desemprego está acima da taxa natural, as taxas de câmbio são fixas e há mobilidade imperfeita de capitais, a) aumentos da oferta monetária pelo Banco Central somente atingem o objetivo de aumentar o produto real da economia se a inclinação da curva BP for maior que a da curva LM. b) a diminuição da tributação pelo Governo aumenta o nível de produto real da economia, mas em um montante menor do que se a economia fosse fechada, caso a curva BP seja mais inclinada que a curva LM. c) o aumento dos gastos do Governo atingirá o objetivo de aumentar o nível de produto real da economia, mas apenas no caso de a inclinação da curva BP ser menor que a da curva LM. d) tanto a política monetária quanto a política fiscal expansivas são incapazes de aumentar o nível de produto real da economia porque as taxas de câmbio são fixas. e) o resgate de títulos públicos pelo Governo é uma medida eficiente para aumentar o produto real da economia, independentemente da inclinação das curvas BP e LM. 19. (2010/FCC/SEFAZ-SP/APOFP) Um país adota o regime de câmbio fixo, permite livre movimentação de capitais estrangeiros e está enfrentando déficit em seu balanço de pagamentos. Para restabelecer o equilíbrio externo, ele deve promover a a) redução dos gastos do governo. b) elevação da base monetária. c) redução da taxa de reservas compulsórias. d) venda de títulos públicos. e) elevação da tributação. 20. (2013/ESAF/STN/Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira) De acordo com o modelo IS/LM/BP com perfeita mobilidade de capitais e regime de câmbio fixo, e admitindo que a economia esteja em equilíbrio (interseção entre as curvas IS, LM e BP), uma elevação do gasto público: a) aumentará a renda, mas sem efeito sobre a taxa de juros de equilíbrio. b) o novo equilíbrio será com déficit no balanço de pagamentos. c) a política fiscal não terá nenhum efeito sobre a renda quando há perfeita mobilidade de capitais. d) reduzirá a renda e a taxa de juros de equilíbrio. e) aumentará a renda e levará, necessariamente, a uma apreciação cambial. Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 80 82 27 GABARITO 1. C 2. C 3. B 4. E 5. C 6. B 7. E 8. B 9. B 10. B 11. B 12. B 13. D 14. A 15. E 16. B 17. E 18. B 19. D 20. A Celso Natale Aula 07 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia (Parte do Conhecimentos Específicos) - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 81 82