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Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) Autor: Celso Natale 23 de Janeiro de 2024 Celso Natale Aula 05 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Gastos Públicos - Conceito e Classificação 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Financiamento dos gastos públicos - Contas Nacionais 7 ..............................................................................................................................................................................................3) Déficit e Dívida Pública 10 ..............................................................................................................................................................................................4) Déficit Primário, Operacional e Nominal 13 ..............................................................................................................................................................................................5) Acima e Abaixo da Linha 15 ..............................................................................................................................................................................................6) Regimes de contabilização 22 ..............................................................................................................................................................................................7) Conceitos Adicionais 25 ..............................................................................................................................................................................................8) Inflação e Arrecadação Fiscal 29 ..............................................................................................................................................................................................9) Sustentabilidade do endividamento público 32 ..............................................................................................................................................................................................10) Resumo 34 ..............................................................................................................................................................................................11) Questões Certo-Errado 36 ..............................................................................................................................................................................................12) Questões Alternativas 65 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 2 100 GASTOS PÚBLICOS: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO Os gastos públicos podem ser considerados, com segurança, o principal elemento da política fiscal e, consequentemente, uma das questões mais importantes da economia do setor público. É por meio dos gastos públicos que o governo cumpre suas funções relacionadas à produção ou regulação do fornecimento de bens públicos e à correção de externalidades, além da prestação de serviços básicos como saúde, educação e seguridade social. Por isso, os gastos públicos também nos informam como o Estado está escolhendo utilizar seus recursos, ou seja, quais bens e serviços e em quais quantidades o governo está fornecendo à sociedade, e qual está sendo o custo. Embora sejam tratados como sinônimos de gastos governamentais, Flávio Riani1, autor em cujo trabalho baseou-se esta parte da aula, explica que: A interpretação mais usual dos gastos públicos considera o custo da provisão dos bens e serviços executados pelo setor público que aparece nas contas orçamentárias do governo. No estudo das finanças públicas, tem que estar bastante claro qual o conceito de gastos com o qual se está trabalhando. Existe uma diferença básica entre os chamados gastos governamentais e os gastos públicos. De maneira geral, consideram-se gastos governamentais apenas as despesas realizadas pelas unidades que compõem a administração governamental direta e indireta. Dessa forma, seriam englobados neste conceito apenas os gastos realizados pelas esferas de governo mais suas autarquias e fundações. Por outro lado, considera-se gasto público a totalidade dos gastos governamentais mais as despesas do governo com suas atividades econômicas produtivas, incluindo-se aí as empresas estatais. Agora que sabemos o que são os gastos, sua importância e o desdobramento em gastos governamentais e gastos com atividades econômicas produtivas (financiados pela própria atividade), vamos conhecer mais algumas as classificações. Os gastos governamentais, portanto, são aqueles financiados pela tributação ou endividamento público, e podem ser apresentados em diversos graus de desdobramentos, desde a despesa total, até o gasto mais detalhado possível. 1 Economia do Setor Público - Uma Abordagem Introdutória. LTC. Edição do Kindle Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 3 100 Nos interessam 3 graus diferentes de detalhamento, do menos detalhado para o mais detalhado, destacados por Riani, que são as despesas: 1) AGREGADAS 2) POR CATEGORIA ECONÔMICA 3) POR FUNÇÃO As despesas agregadas proporcionam avaliação, como o nome indica, no nível macroeconômico dos gastos da administração pública direta e indireta e, dessa forma, ter um panorama de seus principais componentes. As agregações, no Brasil, são feitas para cada esfera que compõe a administração, como: Nível Federal Agregado de Estados Agregado de municípios Nesse nível, portanto, pode-se dizer que o nível agregado permite uma análise superficial dos gastos – distribuídos por componentes tais como pessoal e encargos, transferências, juros e amortizações da dívida etc. –, evidenciando sua participação na renda total do país, sem detalhamento que permita avaliar a real eficácia ou finalidade específica dos gastos. O detalhamento dos gastos governamentais por categorias econômicas permite análise detalhada de sua qualidade, apresentando por meio de balanços gerais das unidades federativas (União, Estados Distrito Federal e Municípios) da estrutura governamental. Novamente citando Riani, por meio dos gastos por categoria econômica, é possível avaliar ou apurar: a situação financeira do governo, quando analisada conjuntamente com a receita; o peso relativo de cada componente na estrutura de gastos; a capacidade de poupança do governo; a capacidade de investimentos do governo; como a rigidez da composição dos gastos restringe a margem de flexibilidade do governo, interferindo diretamente na sua política de gastos. As categorias econômicas são: despesas correntes e despesas de capital. As despesas correntes são os gastos necessários ao funcionamento da administração pública, como despesas com pagamento de pagamento de pessoal, com manutenção da estrutura funcional e com consumo de bens e serviços. Em outras palavras, os gastos correntes são aqueles gastos de custeio com as atividades corriqueiras do governo (compra de materiais de escritório, aluguéis, pagamento de servidores públicos, pagamento de juros da dívida pública etc.). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 4 100 Esses gastos diminuem as disponibilidades financeiras do Estado, em geral com efeito negativo sobre o Patrimônio Líquido, e constituem instrumento para financiar os objetivos definidos nos programas e ações correspondentes às políticaspúblicas. É importante observar que os juros da dívida pública pagos entram nessa categoria, assim como as transferências constitucionais realizadas entre as esferas do governo. As despesas de capital, por outro lado, apesar de também diminuírem as disponibilidades financeiras do Estado, não têm efeito sobre o Patrimônio Líquido, pois têm uma contrapartida a redução de uma obrigação ou a constituição de um bem ou direito. Elas são, por exemplo, gastos com investimentos em capital, como obras e edificações, que caracterizam a constituição de ativos, ou gastos com amortização do valor principal da dívida pública, que reduzem o passivo do governo. Exemplos mais práticos de gastos de capital: construção de estradas, pontes, edifícios, hospitais, escolas, amortização da dívida pública etc. Dessa forma, podemos dizer que os gastos de capital são o conceito de investimento do setor governamental, são despesas orçamentárias realizadas com a intenção de adquirir ou construir bens de capital que irão contribuir para a produção de novos bens ou serviços e que, ao contrário dos gastos correntes, geram aumento patrimonial. DÍVIDA PÚBLICA E TIPOS DE GASTOS Em relação à dívida pública, o pagamento de juros é considerado gasto corrente, enquanto a amortização da dívida é considerada gasto de capital. Ainda aprofundaremos muito este assunto, mas quando falamos em dívida pública, falamos tanto da dívida interna (os credores fazem parte do mercado interno) como da dívida externa (os credores fazem parte do resto do mundo). Por fim, a classificação dos gastos públicos por funções apresenta a distribuição dos gastos entre as diversas funções do Estado, que são: Legislativo Judiciário Administração e planejamento Defesa nacional e segurança pública Educação e cultura Habitação e urbanismo Indústria, comércio e serviços Saúde e saneamento Trabalho Assistência e previdência Transportes Agricultura Energia e recursos minerais Desenvolvimento regional Comunicações Outros Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 5 100 Cada uma dessas funções se desdobra em diversos programas governamentais, evidenciando, de forma mais detalhada, as prioridades elegidas pelo governo para os recursos públicos arrecadados. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 6 100 Financiamento dos gastos públicos (Contas Nacionais) Neste ponto, visitaremos alguns conceitos vistos com o tema “Contas Nacionais”. Numa economia fechada, temos que Poupança = Investimento Isso decorre da definição de poupança como Poupança = Renda – Consumo ou Renda = Consumo + Poupança (1) Ou seja, a poupança é a parte da renda que não é destinada ao consumo. Vimos também que uma das identidades macroeconômicas fundamentais implica em Renda = Despesa = Consumo + Investimento (2) Portanto, igualando 1 e 2, podemos concluir que Consumo + Poupança = Consumo + Investimento Investimento = Poupança Em uma economia aberta, ou seja, quando incluímos o resto do mundo, temos que Investimento = Poupança Interna + Poupança Externa Tornando mais completa nossa equação, chegamos a I = Investimento Público (Ipub) + Investimento Privado (Ipriv) S = Poupança Privada (Spriv) + Poupança Pública (Spub) + Poupança Externa (Sext) Então Ipub + Ipriv = Spriv + Spub + Sext Isolando os termos “públicos” Ipub - Spub = Spriv - Ipriv + Sext Como Ipub-Spub é o Déficit Público (DP), concluímos que Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 7 100 DP = Spriv - Ipriv + Sext Portanto, o DP é financiado pelas poupanças privada e externa. A cada ano que o governo apresenta déficit público (variável fluxo), aumenta a dívida pública (variável estoque). O superávit, por outro lado, reduz a dívida pública. E assim, a dívida pública é o acúmulo de sucessivos déficits ou superávits. Agora vamos aprofundar um pouco o assunto. Já vimos que o déficit público é a situação na qual os gastos do setor público (governo) superam suas receitas. Contudo, a partir daqui é necessário delimitarmos melhor o que é o setor público para fins de mensuração de seus déficits. O setor público é o setor público não-financeiro mais o Banco Central (conforme definido no manual de finanças públicas da autarquia). O setor público não-financeiro inclui: as administrações diretas federal, estaduais e municipais; as administrações indiretas, o sistema público de previdência social e as empresas estatais não- financeiras federais, estaduais e municipais, além da Itaipu Binacional. Setor público não-financeiro → + Banco Central = Setor Público administrações diretas administrações indiretas sistema público de previdência social estatais não-financeiras Itaipu Binacional fundos públicos1 O déficit público é apurado anualmente, ou seja, mensura-se o resultado naquele ano específico e, por isso, é uma variável do tipo fluxo. Os sucessivos déficits (ou superávits) vão se acumulando à dívida pública, que é uma variável do tipo estoque. Portanto, quando o governo apresenta déficit em suas contas, precisará recorrer ao endividamento para honrar seus compromissos, e pode fazer isso pela venda de títulos públicos ou pela emissão de moeda. 1 Somente fundos não-intermediários, ou seja, constituídos com contribuições fiscais ou parafiscais. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 8 100 Quando vende títulos públicos, os compradores tradicionais são os bancos, que, por terem adquirido os títulos do governo, deixam de emprestar esses recursos ao público, diminuindo dessa forma os investimentos e a poupança privada. A emissão de moeda, por outro lado, é feita por meio da venda de títulos públicos ao Banco Central, que emite a moeda e recebe, em troca, os títulos. Na prática, esse tipo de operação não é realizado no Brasil por limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal. O ponto crucial é que ao incorrer em déficit o governo não tem alternativa senão aumentar o endividamento, ou seja, aumentar a dívida pública. Dessa forma, surge a necessidade de pagar o valor principal da dívida e os juros, tornando mais difícil obter superávits. Contudo, existem três mensurações diferentes do déficit público, que visam apurar com maior precisão onde estão as despesas públicas que vêm causando a situação deficitária. A gente já vai falar sobre essas mensurações. Agora, ainda precisamos detalhar mais o resultado fiscal. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 9 100 DÉFICIT E DÍVIDA PÚBLICA A arrecadação total de impostos no país corresponde à chamada carga tributária bruta. A diferença entre a carga tributária bruta e as transferências governamentais é a carga tributária líquida do governo. Dentro destas transferências governamentais, estão enquadrados os gastos com programas de transferência de renda, subsídios, assistência e previdência social e os juros da dívida interna. É com base nesta carga tributária líquida que o governo pode financiar seus gastos correntes (o chamado consumo do governo). A diferença entre a carga tributária líquida e os gastos correntes determina a poupança do governo em conta corrente. Carga tributária bruta (CTB) = Total de impostos arrecadados Carga tributária líquida (CTL) = (CTB) – Transferências do governo Poupança do governo = (CTL) – Gastos correntes A poupança do governo não é o resultado do orçamento público, nem se constitui em uma medida do déficit público, pois não consideras as despesas de capital.O que ela mostra é a capacidade de investimento do governo, sem pressionar outras fontes de financiamento. Deixe-me explicar: quando o governo apresenta poupança positiva (excesso de carga tributária líquida sobre os gastos correntes) é sinal que sobrou um dinheiro que poderá ser usado para as despesas de capital, que são os investimentos públicos (gastos de capital), como construção de escolas, estradas, portos etc. A diferença entre a poupança do governo (ou poupança pública) e o investimento público fornece o valor do superávit público, ou déficit, se o resultado for negativo. Se a poupança do governo for maior que o investimento público, haverá superávit público. Se o investimento for maior que a poupança, haverá déficit público. Note que a diferença entre poupança do governo e investimento público significa a diferença entre a arrecadação total e o gasto total. Assim: SUPERÁVIT PÚBLICO = poupança do governo – gastos de capital ou = poupança do governo – investimentos do governo ou =total de impostos – transferências do governo – gastos correntes – gastos de capital Se o resultado for negativo, há DÉFICIT PÚBLICO Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 10 100 Quando há superávit público, isto significa que o governo está arrecadando mais do que está gastando, logo, está fazendo política fiscal contracionista (restringindo a demanda agregada). Quando há déficit público, isto significa que o governo está gastando mais do que está arrecadando, logo, está fazendo política fiscal expansiva (aumentando a demanda agregada). Devemos nos concentrar agora na situação em que há déficit público (os investimentos superam a poupança, ou os gastos totais superam a arrecadação total). Caso o governo incorra em déficit, o gasto que supera a receita deverá ser financiado de alguma maneira, ou seja, o governo deverá, ou “tirar” dinheiro de algum lugar para cobrir este déficit, ou ainda, poderá “fabricar” dinheiro. O ato de “fabricar” dinheiro consiste na emissão de moeda pelo Banco Central. O ato de “tirar” dinheiro de algum lugar consiste na venda de títulos públicos ao setor privado (interno e externo). Funciona dessa maneira: o governo, prometendo uma determinada remuneração (juros), vende títulos ao setor privado. Assim, ocorre uma troca: o setor privado entrega dinheiro ao governo, que, por sua vez, entrega o título (público) ao setor privado. Esta operação consiste em uma transferência de poupança do setor privado para o setor público, onde o setor privado utiliza o seu excedente (poupança) para comprar os títulos do governo. Assim, o setor privado entrega a sua poupança, ou melhor, o excesso dela após descontar o investimento privado, ao setor público. Resumimos assim as duas principais maneiras de se obter recursos para financiar o déficit público: Emitir moeda : o Banco Central (instituição emissora de moeda) emite moeda e a entrega ao Tesouro Nacional (União). Esta operação também pode ser conceituada como uma venda de títulos públicos ao Banco Central. Assim, o BC recebe títulos (emitidos pelo Tesouro Nacional) e entrega moeda ao Tesouro Nacional, e este utiliza esta moeda para financiar o seu déficit (pagar os credores) elevando a base monetária da economia. Venda de títulos públicos ao setor privado (interno e externo). A primeira forma de financiamento do déficit (emissão de moeda) tem a inconveniente consequência de provocar inflação, conforme apregoa a teoria quantitativa da moeda, sendo que, neste caso, a emissão de moeda representaria política monetária expansiva. Entretanto, ela tem a vantagem de não implicar endividamento do governo, pois ele simplesmente “imprime” o dinheiro de que necessita. A segunda forma tem a inconveniente consequência de aumentar o endividamento público. Este, por sua vez, traz uma nova categoria de gastos que é a rolagem e o pagamento dos serviços (juros, custas, emolumentos etc.) dessa dívida. Contudo, ela tem a vantagem de não provocar pressões inflacionárias adicionais, além daquelas que foram provocadas em momento anterior pelo excesso de gastos públicos, uma vez que, vendendo títulos, o governo não estará criando mais moeda para satisfazer o seu déficit. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 11 100 Os conceitos de déficit e dívida pública não se confundem. Déficit é o excesso de gastos sobre a arrecadação, enquanto dívida é o acumulado de déficits, ou seja, é uma espécie de passivo do Estado. Dizemos que o déficit é uma variável “fluxo” e a dívida é uma variável “estoque”. Este método de apuração do déficit público explicado acima é o método tradicional, no entanto, ele apresenta algumas incorreções, porquanto considera o conceito de governo levando em conta apenas a administração direta (União, Estados, Municípios e DF). Todavia, sabemos que existem outras instituições públicas não enquadradas na administração direta que auferem receitas e realizam gastos. Temos, por exemplo, as empresas estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista), as autarquias e as fundações públicas. A fim de solucionar este problema, o Brasil passou a utilizar a partir do início da década de 1980 um método mais abrangente utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse método é o de Necessidade de Financiamento do Setor Público Não Financeiro (NFSP). Não se assuste com o nome, pois ele próprio sugere o seu significado: necessidade de financiamento (ou seja, é igual a déficit, pois quando há déficit, há também a necessidade de financiá-lo, daí o nome “necessidade de financiamento...”). No entanto, antes de definir as NFSP, devemos saber o que a diferença entre os critérios “acima” e “abaixo” da linha, bem como entre os conceitos primário, operacional e nominal. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 12 100 Déficit Primário, Operacional e Nominal O déficit primário, como o nome sugere, é a mensuração mais básica, pois considera apenas a diferença entre as despesas não-financeiras e as receitas não-financeiras. Se o resultado for positivo, temos um déficit primário. O termo “receitas não-financeiras” pode aparecer como “receitas primárias”, que dá no mesmo, ok? Os outros dois conceitos irão agregar alguns elementos ao cálculo do déficit. Foi por isso que partimos do primário. Déficit Primário (DP) = Despesas não financeiras – Receitas não financeiras O Brasil tem buscado obter superávits primários mensurados como uma porcentagem do PIB, para assim poder reduzir a dívida pública. O déficit operacional leva em consideração o pagamento dos juros reais. Ou seja, são consideradas as despesas financeiras: Déficit Operacional (DO) = DP + juros reais da dívida pública Por fim, o déficit nominal nada mais é que o déficit operacional corrigido pela inflação. Ele também pode ser calculado somando as despesas financeiras e não-financeiras e subtraindo as receitas financeiras e não financeiras. Déficit nominal = DO + inflação ou (Despesas não-financeiras+despesas financeiras) – (Receitas não-financeiras+receitas financeiras) = Déficit nominal Como as mensurações do déficit estão relacionadas entre si, surgem diversas formas de obter uma delas, partindo-se de outra. A figura a seguir ilustra algumas dessas formas: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 13 100 A mensuração que vimos até agora, na qual são observadas as diferenças entre as despesas e receitas, é chamada de apuração do resultado fiscal “acima da linha”, em contraposição à mensuração “abaixo da linha”, que considera a variação da dívida líquida total.Explicando melhor: segundo o critério “abaixo da linha”, quando a dívida líquida total aumenta, interpreta-se que houve resultado fiscal negativo (déficit), do contrário, quando a dívida líquida total diminui, sabe-se que houve superávit. Agora, nos concentraremos na apuração do resultado “abaixo da linha”: as necessidades de financiamento do Setor Público. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 14 100 Mensuração acima da linha ou abaixo da linha Verifique, apenas como exemplo, a estrutura de gastos de “José” no mês de março de 2020: Despesas Receitas Aluguel 700 Salário 2300 Luz, água, internet 300 Alimentação 600 Outros 1000 Total 2600 Total 2300 Acima da linha ↑ Abaixo da linha ↓ Necessidade de Financiamento do José : 2600 – 2300 = 300 Fazendo um paralelo entre o orçamento de José, representado acima, e o orçamento do governo, temos o seguinte acerca dos métodos de mensuração do déficit público: Acima da linha: ocorre quando se mede o déficit com base na execução orçamentária das entidades que o geram, isto é, diretamente das receitas e das despesas. No caso de José, pelo método acima da linha, mediríamos o déficit por meio da medição do que foi auferido como receita e do que foi gasto como despesa (pela verificação dos dados que estão acima da linha, como o próprio nome sugere). No caso do governo, verificamos quais foram os gastos com, por exemplo, educação, saúde, custeio etc. (enfim, todos os gastos das entidades) e quais foram as receitas, para, então, verificarmos o déficit ou superávit público. Abaixo da linha: por este método, mede-se o tamanho do déficit pelo lado do financiamento. Em vez de se preocupar com as receitas e gastos, simplesmente, faz-se a seguinte pergunta: quanto eu tenho que pagar (quanto eu tenho que financiar)? A resposta será o próprio déficit público . No caso de José, pelo método abaixo da linha, mediríamos o seu déficit pela quantia que ele precisa financiar para fechar as contas do mês (ele precisa financiar 300, logo, 300 é o seu déficit ou sua necessidade de financiamento). Os dados oficiais das necessidades de financiamento do Brasil são gerados pelo Banco Central e o método utilizado é o “abaixo da linha”, ou seja, a partir das alterações no valor da necessidade de financiamento (ou na variação do endividamento). A razão da escolha desse critério é que, se a conferência de receitas e despesas é diferente da variação do endividamento, o mais provável é que os dados acima da linha, muito mais trabalhosos e complicados de contabilizar, estejam errados (algum item talvez não tenha sido corretamente apurado, gerando, porém, na prática, uma variação na necessidade de financiamento). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 15 100 Conquanto os dados oficiais sejam mensurados por meio do método “abaixo da linha”, outras entidades governamentais (geralmente as unidades orçamentárias de menor escalão) fazem levantamentos “acima da linha”, pois, apesar de mais imprecisos, eles permitem saber de forma mais apropriada o que exatamente se passa com a receita e a despesa das unidades orçamentárias (com o que está se gastando mais, por exemplo). Assim, perceba que nós podemos conceituar as NFSP utilizando qualquer um dos dois critérios, ainda que o cálculo oficial realizado pelo BC utilize somente o critério abaixo da linha. Assim, se você vir uma questão de prova com este formato: “pelo critério acima da linha, conceituam-se as NFSP...”; não estranhe, pois o critério acima da linha está sendo usado apenas como meio de conceituação e isto não significa que o BC utilize o critério acima da linha para apurar as NFSP. Agora, nós veremos os diversos conceitos das NFSP, pelos dois critérios. As NFSP segundo o critério “acima” da linha Neste ponto, devemos distinguir três conceitos de necessidade de financiamento do setor público (NFSP): Déficit nominal ou total (Necessidade de Financiamento do Setor Público – Conceito nominal): engloba qualquer necessidade de novos financiamentos para fazer frente a qualquer despesa. Podemos então concluir que o déficit nominal significa: gastos totais menos receitas totais. Déficit primário ou fiscal (Necessidade de Financiamento do Setor Público – Conceito primário): é medido pelo déficit total, excluindo a correção monetária e cambial da dívida e os pagamentos de juros de dívidas contraídas anteriormente. De fato, é a diferença entre os gastos públicos e a arrecadação tributária no exercício, independente de juros e correções da dívida passada. Podemos então concluir que o déficit primário significa: gastos não financeiros menos receitas não financeiras. Pode ser conceituado também como: déficit primário = déficit nominal – pagamento de juros nominais. Consequentemente, temos: déficit nominal = déficit primário + pagamento de juros nominais. Déficit operacional (Necessidade de Financiamento do Setor Público – Conceito operacional): é medido pelo déficit primário acrescido dos pagamentos de juros da dívida passada. Em outras palavras, é o déficit nominal, excluindo a correção monetária e cambial. Este é o conceito considerado mais adequado para refletir as necessidades reais de financiamento do setor público, uma vez que o conceito nominal se apresenta inconveniente, já que é muito suscetível às variações nas taxas de inflação (elas causam correção monetária) e às variações na taxa de câmbio (causam correção cambial). Assim, as cláusulas de correção monetária (devido à inflação) fazem com que qualquer aumento da inflação eleve as NFSP, sem que isso signifique maiores gastos. Nos períodos de inflação elevada, era o conceito para se medir o déficit público. Podemos, então, concluir que o déficit operacional significa: déficit operacional = déficit primário + pagamentos de juros reais. Hoje, no entanto, com a inflação e câmbio Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 16 100 relativamente estáveis, o déficit nominal é o mais adequado, pois é o mais amplo (receitas totais – gastos totais). JUROS NOMINAIS X JUROS REAIS A taxa de juros nominal corresponde ao ganho monetário obtido por determinada aplicação, independente do comportamento do valor da moeda (independente da inflação). Por exemplo, se eu aplico hoje R$ 100,00 e resgato daqui a 01 mês R$ 130,00, a taxa de juros nominal foi de 30% a.m., ou seja, os R$ 30,00 que eu ganhei em relação aos R$ 100,00 que apliquei. Se eu tivesse resgatasse R$ 300,00, a taxa de juros nominal teria sido de 200% a.m. A taxa de juros real corresponde ao ganho que se obtém em termos de poder de compra. Ou seja, ela corresponde à taxa de juros nominal recebida, descontada a perda de valor da moeda, isto é, descontada a inflação no período da aplicação. Ou seja, a taxa de juros real é igual à taxa de juros nominal menos a taxa de inflação. Suponha que eu tenha aplicado R$ 100,00 e resgatado R$ 130,00; mas a inflação no período tenha sido de 30%. Neste caso, percebemos claramente que os 30% que eu ganhei nominalmente foram totalmente corroídos pela inflação. Do ponto de vista real, descontada a inflação, o ganho da aplicação foi de 0%. Assim, podemos definir que a taxa de juros nominal corresponde à soma entre a taxa de juros real e a taxa de inflação: juros reais = juros nominais - inflação ou juros nominais = juros reais + inflação Veja que o conceito de juros nominais é bem mais amplo, e inclui a inflação (correção dos preços). Esta correção dos preços pode ser resumida nas correções monetária e cambial, pois tais correções são decorrentes de variações no valor da moeda (correção monetária e cambial). Assim, quando somamos os juros nominais ao déficit primário,estamos somando não somente as taxas de juros sobre a dívida, mas também a correção monetária e cambial. Por isso: déficit nominal = déficit primário + juros nominais. Os juros reais não incluem a correção de preços (correção monetária e cambial). Por isso: déficit operacional = déficit primário + juros reais Desta forma, observe que o déficit operacional analisa o déficit do ponto de vista “real” (descontando a inflação). Fique atento quando a questão fala em juros nominais ou reais. Neste caso, apenas se a questão fizer esta distinção entre "nominais" e "reais", os conceitos que você deve decorar são os que estão acima. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 17 100 Esta diferenciação é importante, pois muita gente não entende por que o déficit nominal é igual ao déficit primário (e não o déficit operacional) mais os juros nominais. A chave está no entendimento da diferença entre juros nominais e juros reais. Se for falado apenas “juros”, sem especificar se são “nominais” ou “reais”, você pode adotar o seguinte: déficit nominal = déficit primário + juros + correção monetária e/ou cambial déficit operacional = déficit primário + juros Nota: quando se fala em NFSP, sem especificar se é o conceito nominal, operacional ou primário, a intenção é tratar do conceito nominal, que é o mais amplo dos três (receitas totais – gastos totais). O quadro a seguir resume as principais diferenças entre os conceitos de déficit público: Os mesmos conceitos se aplicam quando falamos de superávits, assim, temos: Superávit primário: excesso de arrecadação sobre os gastos totais, excluindo os gastos (ou receitas) com pagamentos de juros sobre a dívida e correção monetária e cambial. Superávit operacional: resultado primário levando-se em conta, adicionalmente, os gastos (ou receitas) com pagamentos de juros reais. Superávit nominal: resultado operacional levando-se em conta, adicionalmente, os gastos (ou receitas) com correção monetária e cambial da dívida passada. Pode ser também igual ao superávit primário mais os pagamentos de juros nominais. Ressaltamos também que, quando temos superávits, em qualquer conceito, não temos Necessidades de Financiamento, ou podemos dizer também que as Necessidades de Financiamento, neste caso, são negativas. Quando as NFSP são positivas, há déficit (uma vez que há “necessidade” de financiamento). O conceito que apresenta maior destaque na mídia é o conceito primário, pois é ele que mostra efetivamente como está a condução da política fiscal do governo (apesar do conceito primário ser o mais “badalado”, ele não é o mais relevante; o mais importante e relevante é o conceito nominal, que é o mais amplo), ao apurar somente a arrecadação de impostos e os gastos correntes e de investimento, independentes da dívida pública (que provoca gastos/receitas com pagamentos de juros e correção monetária). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 18 100 A relevância desse conceito está no fato de separar o esforço fiscal do impacto das variações nas taxas de juros, o que, dependendo do tamanho da dívida pública, tem grande influência sobre as necessidades de financiamento do governo. As NFSP “abaixo” da linha (Manual de Finanças Públicas do BCB) Em primeiro lugar, veja que, seguindo o método abaixo da linha, nós temos que a NFSP será igual à variação da dívida em um determinado período. Por exemplo, suponha que José (aquele mesmo do quadro que montamos no quadro), antes do mês de março, não tenha qualquer dívida com quem quer que seja (ou seja, dívida de José antes de janeiro igual a 0). Em março, entretanto, José teve NFSP de 300 (déficit de 300). A variação de sua dívida, portanto, foi no valor de 300. Você observa que a dívida variou exatamente no valor da necessidade de financiamento (NFSP). Por este exemplo, é fácil constatar, de um modo geral, que a NFSP será sempre igual à variação da dívida. Com o governo, ocorre o mesmo: a NFSP corresponde à variação da dívida pública. Se o governo, em um período, apresentar necessidade de financiamento, digamos, no valor de 100, então, isso é sinal que a sua dívida aumentou em 100 (NFSP=variação da dívida). A partir desta ideia, podemos verificar mais a fundo como conceituamos as NFSP por meio do critério abaixo da linha. Ressalto que este é o critério utilizado pelo BC, e que consta no seu Manual de Finanças Públicas. Seguem os conceitos que foram retirados quase que literalmente do Manual do BC. Portanto, fique atento, pois o examinador pode fazer um “copiar”/”colar”, apenas mudando palavras para te confundir: Resultado nominal sem desvalorização cambial: corresponde à variação nominal dos saldos da dívida líquida do setor público (DLSP), deduzidos os ajustes patrimoniais efetuados no período (receitas de privatizações e os reconhecimentos de dívida). Exclui, ainda, o impacto da variação cambial sobre a dívida externa e sobre a dívida mobiliária interna indexada à moeda estrangeira (este ajuste levando-se em conta a indexação à moeda estrangeira é chamado de “ajuste metodológico”). Abrange o componente de atualização monetária da dívida, os juros reais e o resultado fiscal primário. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 19 100 A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) é dada pela soma das dívidas interna e externa do setor público (governo central, Estados e municípios e empresas estatais) junto ao setor privado, incluindo a base monetária e excluindo-se ativos do setor público, tais como reservas internacionais, créditos com o setor privado e os valores das privatizações. Ou seja, estes últimos (os ativos), por serem excluídos, reduzem a dívida líquida do setor público. Ajuste patrimonial corresponde a variações nos saldos da dívida líquida não consideradas no cálculo do déficit público. Inclui as receitas de privatização e a incorporação de passivos contingentes (esqueletos), que correspondem a dívidas juridicamente reconhecidas pelo governo, de valor certo, e representativas de déficits passados não contabilizados (o efeito econômico já ocorreu no passado). Resultado nominal com desvalorização cambial: corresponde à variação nominal dos saldos da dívida líquida, deduzidos os ajustes patrimoniais efetuados no período (privatizações e reconhecimento de dívidas). Exclui, ainda, o impacto da variação cambial sobre a dívida externa (ajuste metodológico). Abrange o componente de atualização monetária da dívida, os juros reais, a apropriação da variação cambial sobre a dívida mobiliária interna – que consiste na dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central, Estados e Municípios – e o resultado fiscal primário. o Nota 1: veja que, mesmo considerando “com desvalorização cambial”, não se considera (é excluído) o impacto da variação cambial sobre a dívida externa. Para a dívida interna, contudo, considera-se a variação cambial. o Nota 2: Segundo Fernando Rezende, ainda podemos conceituar a NFSP nominal como: a variação da dívida fiscal líquida (DFL - A Dívida Fiscal Líquida, dada pela diferença entre a DLSP e o ajuste patrimonial) entre dois períodos de tempo. Resultado primário: os juros incidentes sobre a dívida líquida dependem do nível de taxa de juros nominal e do estoque de dívida, que, por sua vez, é determinado pelo acúmulo de déficits nominais passados. Assim, a inclusão dos juros no cálculo do déficit dificulta a mensuração do efeito da política fiscal executada pelo governo, motivo pelo qual se calcula o resultado primário do setor público, que corresponde ao déficit nominal (NFSP) menos os juros nominais apropriados por competência,incidentes sobre a dívida pública. A parcela dos juros externos e incidentes sobre a dívida mobiliária vinculada à moeda estrangeira é convertida pela taxa média de câmbio de compra. o Nota 3: o Manual do BC realmente “pula” o conceito de resultado operacional. Isto se deve à atual conjuntura econômica do Brasil, onde, em virtude dos baixos índices inflacionários, o déficit operacional perdeu sua relevância. A própria LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), em diversas passagens, faz referência somente aos resultados nominai e primário, ignorando o resultado operacional. No entanto, para provas de concursos, é claro, você deve saber os três conceitos. Dos conceitos acima, extraídos principalmente do Manual de Finanças Públicas do Banco Central do Brasil, pode-se depreender, de forma esquematizada, que: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 20 100 Resultado nominal s/ desvalorização cambial variação da DLSP – Ajustes patrimoniais – impacto da variação cambial sobre as dívidas interna e externa Resultado nominal c/ desvalorização cambial variação da DLSP – Ajustes patrimoniais – impacto da variação cambial sobre dívida externa Resultado nominal variação da DFL entre dois períodos (ver nota ) Resultado operacional variação da DFL – correção monetária da dívida* Resultado primário variação da DFL – correção monetária da dívida – Juros reais DFL = DLSP – ajuste patrimonial *Essa correção monetária da dívida também é chamada de imposto inflacionário, tendo em vista representar exatamente o impacto negativo que a inflação tem sobre a moeda. Assim, Resultado operacional = variação da DFL – imposto inflacionário. Portanto, perceba que a variação da DFL entre dois períodos corresponde ao resultado nominal, de forma que as NFSP correspondem ao déficit nominal apurado no período considerado. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 21 100 Regime de contabilização Existem dois tipos de regimes para contabilização do déficit público: Regime de competência: os fatos contábeis são registrados de acordo com o período em que ocorreu o fato gerador (despesa ou receita). Por exemplo, imagine que o governo brasileiro faça a compra de 10 aviões caça da França, no valor de US$ 150 bilhões. No regime de competência, a despesa será contabilizada no momento do fato gerador (momento da compra) e não quando o governo brasileiro efetua o pagamento ao governo francês. Regime de caixa: os fatos são registrados quando se dá o pagamento ou o recebimento. No exemplo acima, segundo o regime de caixa, a compra dos aviões só seria contabilizada quando houvesse o pagamento ao governo francês. De acordo com o regime utilizado, pode-se chegar a diferentes valores de déficit/superávit. No Brasil, As NFSP são apuradas pelo regime de caixa, à exceção dos resultados de juros, que são apurados pelo regime de competência. Isso significa que as despesas públicas (exceto os juros) são consideradas como deficit no momento em que são pagas, e não quando são geradas. Isso vale para as receitas, que são computadas quando entram no caixa do governo, e não quando ocorre o fato gerador. Assim, o regime de competência neste caso torna a despesa de juros mais regular ao longo do tempo, sendo, portanto, mais consistente com a apuração da dívida do setor público junto ao sistema financeiro. Vamos praticar um pouco, antes de prosseguir com a aula. (COFECON/Economista) Seja a restrição orçamentária do governo expressa por Bt - Bt-1 = rBt-1 + (Gt - Tt) , onde Bt é a dívida do governo no final do ano “t’, “r” é a taxa real de juros, Gt são os gastos do governo no ano “t”, e Tt é a receita do governo menos as transferências no ano “t”. Todas as variáveis estão expressas em termos reais. A respeito do setor governo, déficit orçamentário, dívida pública, assinale a alternativa correta. a) O deficit é uma variável de estoque, enquanto a dívida é uma variável de fluxo. b) A restrição orçamentária do governo acima indica que, caso o governo deseje estabilizar a dívida a partir do ano “t”, então terá de ter um superavit primário igual ao pagamento de juros reais sobre a dívida existente. c) O deficit operacional é a soma do deficit primário com os juros nominais do estoque da dívida pública. d) Deficit nominal é igual ao deficit operacional menos a correção monetária e cambial do estoque da dívida pública. e) O deficit primário é a diferença entre a despesa do governo, incluindo o pagamento de juros real sobre a dívida, menos a receita total. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 22 100 Comentários: À primeira vista, a expressão do enunciado pode assustar, mas isso não precisa acontecer. Basta ter calma e analisar. A expressão nos mostra que o déficit público é igual ao pagamento dos juros reais sobre a dívida do ano anterior, mais o excesso de gastos públicos sobre as receitas líquidas das transferências. Vamos ver por quê: Bt é a dívida pública em t. Bt–1 é a dívida no período t-1. A diferença entre as dívidas de dois períodos expressa exatamente o déficit público. Por exemplo, se a dívida de um país em um ano é igual a 100 e, no ano seguinte, é igual a 110, nós temos a certeza de que o déficit ocorrido foi igual a 10, donde concluímos que o déficit representa a variação da dívida. Daí, podemos concluir que (Bt - Bt-1) representa o déficit público no período t. Quanto o governo possui um estoque de dívida, ele deve pagar os juros sobre essa dívida. Esses juros entram somando, ou aumentando o déficit. Por isso, o termo rBt-1 (juros multiplicados pela dívida) está na fórmula do déficit, fazendo-o aumentar. Neste caso, no período t, o governo pagará os juros referentes à dívida acumulada em t-1. Complementando a expressão do déficit, nós temos os gastos do governo em t, Gt, fazendo o déficit aumentar. A receita do governo menos as transferências, Tt, faz o déficit diminuir, então, ela é colocada na fórmula com sinal negativo. Veja então que a fórmula não é nenhum bicho de sete cabeças. Ali, não há nada que não tenhamos apendido. Agora, vamos à análise das alternativas: a) Incorreta. É exatamente o contrário, o déficit é uma variável fluxo, enquanto a dívida é uma variável estoque. b) Correta. Para que a dívida fique estável (não aumente, nem diminua), o déficit tem que ser igual a zero. Para isso, o termo (Gt - Tt) tem que igualar, com sinal contrário, o termo rBt-1. Se multiplicarmos (Gt - Tt) por -1, teremos (Tt - Gt), que representa o superávit primário (receitas de tributos menos transferências e menos gastos do governo). Assim, se superávit primário, que é igual a -(Gt - Tt)=(Tt - Gt), igualar rBt-1, então, o déficit (Bt - Bt-1) será igual a zero, e a dívida será estabilizada. c) Incorreta. O deficit operacional NOMINAL é a soma do deficit primário com os juros nominais do estoque da dívida pública. d) Incorreta. Deficit nominal é igual ao deficit operacional menos MAIS a correção monetária e cambial do estoque da dívida pública. e) Incorreta. O deficit primário NOMINAL é a diferença entre a despesa do governo, incluindo o pagamento de juros real NOMINAIS sobre a dívida, menos a receita total. Gabarito: “b” (SEPLAG-DF/Auditor de Finanças e Controle) O cálculo da Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) tem como objetivo medir a pressão que os gastos públicos geram sobre os recursos financeiros da economia. A NFSP é definida como a diferença entre as receitas e despesas totais do governo. Pelo critério “abaixo da linha”, o resultado operacional pode ser definido como Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br23 100 a) a variação total da dívida líquida no período. b) o resultado nominal, excluída a parcela referente à atualização monetária da dívida líquida. c) o resultado nominal, excluída a parcela referente aos juros nominais sobre a dívida líquida. d) o resultado primário menos a amortização da dívida pública. e) a variação monetária da dívida, corrigida pela variação cambial do período. Comentários: A única correta é a alternativa “b”. A alternativa “a” trata do resultado nominal (variação total) da dívida. A alternativa “c” trata do resultado primário (resultado primário = resultado nominal – juros nominais). A alternativa “d” não trata de nenhum dos resultados, pois a amortização da dívida não serve para diferenciar nenhum dos conceitos (o que diferencia é o pagamento de juros, e não a amortização). A alternativa “e” trata do resultado nominal. Gabarito: “b” Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 24 100 1 Conceitos Adicionais Neste item, coloco alguns conceitos adicionais retirados das publicações da “Diretoria” de Política Econômica do Banco Central, especialmente as Normas Relacionadas à Política Econômico-financeira, extraídas do Manual de Finanças Públicas daquela entidade. As bancas, às vezes, gostam de cobrar estes conceitos de forma literal, exatamente como eles constam nas publicações do Banco Central. Assim, sugiro a leitura (e memorização) do que está abaixo. Além da transcrição literal dos conceitos, também procurei sistematizar o texto original, a fim de facilitar o entendimento. Conceito de setor público e governo geral O conceito de setor público utilizado para mensuração da dívida pública da dívida pública e do déficit público é o do setor público não-financeiro mais Banco Central. Consideram setor público não-financeiro as administrações diretas federal, estaduais e municipais, as administrações indiretas, o sistema público de previdência social e as empresas estatais não-financeiras federais, estaduais e municipais. Nessa relação de empresas estatais não financeiras, devemos excluir a Petrobrás e a Eletrobrás. Apesar de serem empresas estatais não financeira, seus resultados não são levados em conta na mensuração da dívida pública e do déficit público. Incluem-se também no conceito de setor público não-financeiro os fundos públicos que não possuem característica de intermediários financeiros, isto é, aqueles cuja fonte de recursos é constituída de contribuições fiscais e parafiscais. Assim, você deve guardar os integrantes do setor público não-financeiro: Administrações diretas federal, estaduais e municipais; Administrações indiretas; Sistema público de previdência social; Empresas estatais não-financeiras federais, estaduais e municipais (excluindo a Petrobrás); Fundos públicos cuja fonte de recursos é constituída de contribuições fiscais e parafiscais. Como a mensuração da dívida pública líquida e do déficit público engloba o “setor público não financeiro mais Banco Central”, então, esta mensuração vai englobar todo o pessoal aí de cima (setor público não financeiro) mais o Banco Central. Fique ligado! Veja que o BC não faz parte do setor público não-financeiro. Apenas afirmamos que a mensuração da dívida líquida e do déficit leva em conta o setor público não-financeiro mais o BC. Repetindo para fixar: não estamos dizendo que o BC faz parte do setor público não- financeiro, mas apenas que seu resultado faz parte da mensuração da dívida e do déficit. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 25 100 2 O BC é incluído na apuração da dívida líquida pois o seu resultado é transferido imediatamente para o Tesouro Nacional para o “caixa” do governo, que é aquilo que está depositado no Tesouro Nacional, e não o que temos no BC. No Brasil, o caixa do BC é sempre igual a zero. Assim, todos os recursos disponíveis para o governo gastar estão no Tesouro Nacional, e não no BC, como muitos pensam. Assim, qualquer operação do BC que implique lucro ou prejuízo impactará imediatamente as disponibilidades em caixa do Tesouro Nacional, o que impactará, por conseguinte, a dívida pública. Por exemplo, suponha que o BC tenha feito algumas operações de open market (compra e venda de títulos públicos) e tenha auferido alguma receita decorrente de tais operações. Esta receita irá imediatamente para o Tesouro Nacional. Neste caso, a dívida líquida do governo será diminuída. Então, veja que, realmente, as operações do BC devem fazer parte do cômputo da variação da dívida líquida do governo. Ademais, segundo o manual de Finanças Públicas do BC, outro motivo que leva este a ser incluído na mensuração da dívida líquida e do déficit é o fato de que o BC é o agente arrecadador do imposto inflacionário. Este se refere à perda de valor da moeda decorrente das emissões monetárias realizadas pela autoridade monetária. Quando o BC emite moeda, coeteris paribus, surge a inflação e a perda de valor da moeda. Assim, os agentes possuidores de moeda têm sua riqueza diminuída, mas o BC tem sua riqueza aumentada, pois ele emitiu a moeda que fez os agentes perderem riqueza (imposto inflacionário). Essa moeda emitida segue para o Tesouro Nacional, devendo, portanto, impactar a dívida pública líquida. Assim, veja que o fato de o BC ser o arrecadador do imposto inflacionário também faz com que ele seja considerado no cômputo da variação da dívida pública líquida e do déficit público. Ainda em relação ao BC, deve-se notar que o conceito de dívida líquida leva em conta os ativos e passivos financeiros do BC, incluindo, dessa forma, a base monetária (Decore o seguinte: a base monetária compõe o passivo financeiro do Banco Central). Setor público não-financeiro → + Banco Central = Setor Público administrações diretas administrações indiretas sistema público de previdência social estatais não-financeiras Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 26 100 3 Itaipu Binacional fundos públicos1 Por fim, devemos conceituar “governo geral”: abrange as administrações diretas e indiretas federal, estaduais, municipais, bem como o sistema público de previdência social. Essa conceituação de governo geral tem o objetivo de aproximar os indicadores brasileiros dos padrões internacionais adotados, excluindo, em relação ao conceito de setor público, o Banco Central e as estatais. Governo Geral → administrações diretas administrações indiretas sistema público de previdência social Vejamos agora a diferenciação entre dívida líquida e pública. Dívida líquida do setor público Corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não-financeiro e do BC frente ao sistema financeiro (público e privado), ao setor privado não-financeiro e ao resto do mundo. Ou seja, é o que setor público não-financeiro “deve” (débitos ou dívidas) em contrapartida ao que ele tem de crédito (créditos). Enfim, a dívida líquida é o balanceamento entre dívidas e créditos. Estes créditos de que trata o conceito são créditos financeiros do setor público não financeiro e do BC. Assim, não entram como fatores de desconto para o cálculo da dívida líquida do setor público ativos reais como imóveis, ações de empresas etc. Dívida bruta do governo geral A dívida bruta do governo geral abrange o total dos débitos de responsabilidade do governo federal, estaduais e municipais, junto ao setor privado, ao setor público financeiro, ao BC e ao resto do mundo. 1 Somente fundos não-intermediários, ou seja, constituídos com contribuições fiscais ou parafiscais. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br27 100 4 Portanto, o termo “bruta” surge do fato de não serem considerados os ativos do governo geral, ou seja, não são abatidas as dívidas nas quais o governo geral é credor. Além disso, a diferença entre “setor público” e “governo geral” é que este não inclui o Banco Central e das empresas estatais. Os débitos de responsabilidade das empresas estatais das três esferas de governo não são abrangidos pelo conceito. Os débitos são considerados pelos valores brutos, sendo as obrigações vinculadas à área externa convertidas para reais pela taxa de câmbio de final de período (compra). Os valores da dívida mobiliária do Governo Federal (que abrange dívidas securitizadas e carteira de títulos públicos federais no BC) são calculados com base na posição de carteira, que não leva em consideração as operações compromissadas2 pelo BC. Portanto, é preciso agregar as operações compromissadas Dívida Bruta do Governo Geral: a) Dívida mobiliária do Governo Federal, em mercado (-) Aplicações da previdência em títulos públicos (-) Aplicações de fundos federais em títulos públicos (-) Aplicações dos estados e municípios em títulos públicos b) Operações compromissadas c) Dívida bancária do governo federal e dos governos estaduais e municipais d) Dívida assumida pela União Lei 8.727/1993 e) Dívida mobiliária dos governos estaduais e municipais (-) Títulos dos estados e municípios, em tesouraria f) Dívida externa bruta do governo federal, dos estados e dos municípios São deduzidos da dívida bruta do governo federal os créditos representados por títulos públicos que se encontram em poder de seus órgãos da administração direta e indireta, de fundos públicos federais, dos estados e dos municípios, a saber: aplicações da previdência social em títulos públicos, aplicações do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e outros fundos em títulos públicos e aplicações dos estados em títulos públicos federais. Analogamente, são deduzidas da dívida dos governos estaduais e dos municipais as parcelas correspondentes aos títulos em tesouraria. 2 As operações denominadas “compromissadas” no sistema financeiro são assim chamadas quando há, por uma das partes, o compromisso de realizar uma operação contrária àquela que realizou. Isto é, se o banco vendeu, ele se compromete a comprar de volta e, se comprou, ele se compromete a vender. Traduzindo: vamos supor que o banco tenha um título (um documento que represente uma dívida). Pode ser um título público, um certificado de depósito bancário ou uma debênture. Recapitulando, o banco tem este título. Aí, ele propõe vender para você com o compromisso de recomprá-lo em 30 dias, por exemplo. Nesse caso, o banco está agindo como se estivesse pedindo dinheiro emprestado a você e dando como garantia de que irá pagar, este título. Veja que ele não quer se “desfazer” do título ou, por outro lado, você não quer “adquirir” esse título. Caso contrário, a negociação seria “definitiva” (ele vende, você compra, e pronto). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 28 100 Inflação e Arrecadação Fiscal Um dos efeitos maléficos da inflação é o distúrbio sobre a distribuição de renda, uma vez que, com a inflação, a média dos preços sobe. No entanto, os preços dos produtos, geralmente, sobem mais rapidamente que os preços dos salários. Assim, a inflação provoca uma redistribuição de renda em favor do setor produtivo, em detrimento da classe assalariada. Vale a penar citar uma frase do ex-presidente José Sarney, responsável por meia dúzia de planos de combate à inflação que não deram certo: "A inflação é o pior inimigo da sociedade. Ela castiga os mais pobres, os que não têm instrumento de defesa contra seus terríveis efeitos. Ela não confisca apenas o salário: confisca o pão." Então, este é o principal ponto que se deve ter em mente quando relacionamos inflação com distribuição de renda. Ela certamente prejudica ou piora a distribuição de renda na economia. O governo também perde poder aquisitivo com a inflação, pois esta corrói o valor da arrecadação fiscal pela defasagem entre o fato gerador dos impostos, o recolhimento dos mesmos e a efetiva utilização da receita fiscal pelo governo. Este fenômeno é conhecido como efeito Oliveira-Tanzi. Ao mesmo tempo, o governo tem dificuldades para obter financiamento, já que os agentes do mercado, em ambientes inflacionários, fogem do mercado financeiro , preferindo ativos reais. Ainda em relação à arrecadação do governo, destacamos o efeito inverso ao destacado por Oliveira e Tanzi. A contração de despesas em um momento e o seu pagamento em momento posterior provoca uma relevante redução real dos gastos públicos. Esse é o efeito Patinkin, ou efeito Tanzi de despesa, ou ainda efeito Bacha. A inflação funciona também como um imposto sobre as pessoas que detêm moeda, reduzindo o poder aquisitivo das pessoas e aumentando a arrecadação do governo. Deixe-me explicar melhor: em regimes inflacionários, o governo deve a todo o momento emitir mais moeda (senhoriagem ) a fim de que os agentes possam realizar as suas transações. Imagine uma situação em que a inflação mensal de um país tenha sido, por exemplo, de 30% ao mês. Se a autoridade monetária deste país não emitir mais moeda, com certeza, faltará dinheiro na economia, devido ao fato de que os mesmos bens e serviços exigem, para o seu consumo, 30% a mais de moeda. Acontece que, quando o governo emite moeda, tal emissão, por si só, provoca inflação . Por sua vez, quando o governo emite a moeda, o dinheiro “fabricado”, obviamente, não é distribuído aos cidadãos, ele fica sob a posse do governo para ele gastar com o quiser (receita de senhoriagem). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 29 100 Desta forma, nós temos o seguinte: em virtude da inflação, o governo emite moeda, e tal emissão de moeda provoca duas coisas: perda de poder aquisitivo da população (via aumento da inflação) e aumento de recursos à disposição do governo (em virtude da emissão monetária). A esse mecanismo de transferência de renda da população para o governo, os economistas dão o nome de imposto inflacionário. Milton Friedman, o principal estudioso do “monetarismo”, prêmio Nobel de Economia em 1976, disse de forma bastante apropriada: "Inflação é a única forma de taxação que pode ser imposta sem legislação" Veja que, sob o ponto de vista das contas públicas, a inflação, por um lado, corrói o poder aquisitivo do Estado via efeito Oliveira-Tanzi; por outro lado, aumento o poder aquisitivo via imposto inflacionário e, por fim, reduz os gastos públicos via efeito Patinkin. Alguns estudos empíricos afirmam que períodos inflacionários tornam mais fáceis o “fechamento” das contas públicas. Isto tem o lado negativo de incentivar o desajuste das contas públicas, pois o governo se acostuma a gastar um dinheiro que só é gerado graças às distorções provocadas pela inflação. Assim, percebemos que a inflação serve como um incentivo ao descontrole das contas públicas. Por fim, depois dessa análise, não é difícil perceber por que é tão difícil encerrar longos períodos de regimes inflacionários. Para que qualquer plano de controle da inflação dê certo, o governo deve se acostumar rapidamente a gastar muito menos recursos. Do ponto de vista institucional, isto é bastante complicado de ser operacionalizado em regimes democráticos. Adendo: as NFSP e a variação da base monetária Nós vimos que a inflação faz com que o governo tenha que emitir moeda a fim de recompor a quantidade de moeda suficiente para que os agentes econômicos consigam realizar suas transações econômicas. Esta emissão de moeda gera o imposto inflacionárioe faz com que a base monetária da economia seja aumentada. Ou seja, o aumento da base monetária da economia gera o imposto inflacionário (receita de senhoriagem) e isto faz parte do cálculo das NFSP. Afinal, a emissão de moeda aumentará a receita do governo, alterando as necessidades de financiamento do setor público. Ao mesmo tempo, já sabemos que as NFSP correspondem à variação das dívidas (interna e externa). Seguindo estes entendimentos, podemos também conceituar as NFSP da seguinte maneira: NFSP = ∆BM + ∆(dívida interna + externa) Isso é, as necessidades de financiamento do setor público equivalem à variação da base monetária com as variações das dívidas interna e externa. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 30 100 A única novidade para nós é a inclusão da variação da base monetária. Decidimos colocar esta conceituação apenas agora, pois seria necessário algum conhecimento sobre a questão do imposto inflacionário para que vocês conseguissem pegar a “ideia” da expressão acima. É uma expressão mais difícil de aparecer em prova quando a questão é sobre NFSP. No entanto, é bom estar ligado! Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 31 100 Sustentabilidade do endividamento público Neste tópico, vamos falar da sustentabilidade do endividamento. De um modo geral, a noção que devemos ter se uma dívida é grande ou não vai depender muito do devedor de que estamos tratando. Por exemplo, suponha que uma empresa de pequeno porte (uma loja) deva uns R$ 300.000 a um banco. Se a empresa é pequena, e fatura pouco, isto representa uma grande dívida. A empresa pode até decretar falência por causa disso. Agora, por outro lado, se um conglomerado financeiro ou industrial tem uma dívida de R$ 300.000, isto não representa NADA. É “troco de pão”! Isso porque o faturamento do conglomerado é altíssimo, de tal forma que essa dívida não impacta as atividades do conglomerado. Quando vamos fazer um financiamento em um banco (vamos assumir uma dívida), o primeiro item levado em conta é a nossa renda. Dependendo da renda que comprovamos possuir, podemos assumir grandes dívidas. No entanto, se nossa renda é baixa, o banco não nos emprestará uma quantia razoável (não nos deixará assumir uma dívida grande). Com um país (em vez de uma empresa ou pessoa), a situação é semelhante em alguns aspectos. A diferença está no fato de que um país não precisa de “autorização” para se endividar. Basta ele emitir (e vender) títulos no mercado e, pronto, a dívida aumenta. Nesta situação, é diferente de uma pessoa normal, para a qual é necessário um agente credor (um banco, geralmente) interessado em emprestar algum dinheiro. A semelhança acontece no que se refere à análise se uma dívida vai ser grande ou não. O item levado em conta para avaliarmos se uma dívida é grande ou não é a relação da dívida com o “faturamento” ou a “renda” do país. Só que um país não possui faturamento, mas sim um “PIB”. Assim, nós avaliamos a sustentabilidade do endividamento público a partir da relação dívida/PIB. Se esta relação for baixa, o endividamento é sustentável. Na medida em que a relação aumenta, o endividamento perde sustentabilidade. Assim, uma dívida pública de R$ 1,5 trilhão para um país com PIB de R$ 4,5 trilhões não é tão grave. Ou seja, a relação dívida/PIB seria de 30%, o que é considerado uma relação muito boa. RELAÇÃO DÍVIDA PIB Dívida / PIB Já a mesma dívida (R$ 1,5 trilhão) para um país com PIB bem menor (por exemplo, que possui um PIB de R$ 1,5 bilhão...) seria muito, muito preocupante. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 32 100 Mas é claro que apena isso não nos diz muito. Também é preciso avaliar se esse país é um bom pagador, ou seja, se tem capacidade de honrar com suas obrigações e o grau de facilidade com que pode obter novos financiamentos. Portanto, um país de moeda e economias fortes com uma relação dívida PIB de 100% não é preocupante como um país instável política e economicamente com a mesma relação, por exemplo. Sendo assim, ainda em relação ao endividamento público, apresento abaixo alguns conceitos que podem cair em prova (retirado do trabalho “Sustentabilidade e limites de endividamento público: o caso brasileiro”, publicado no site do Tesouro Nacional): Solvência; Liquidez; Sustentabilidade; e Vulnerabilidade Um primeiro conceito relacionado à discussão da dinâmica da dívida pública é o de solvência. Uma entidade qualquer é dita solvente se o valor presente descontado de seus gastos primários (isto é, exclusive encargos financeiros) correntes e futuros não é maior que o valor presente descontado de sua renda corrente e futura, líquida de qualquer endividamento inicial. Ou seja, na análise da dívida pública, de modo simplificado, podemos entender que a condição de solvência requer que a previsão de receitas (presentes e futuras) seja maior que a previsão de despesas (presentes e futuras). Outro conceito é o de liquidez. Uma entidade é dita líquida se seus ativos líquidos e o financiamento disponibilizado pelo mercado são suficientes para honrar o pagamento e/ou a rolagem do serviço e das amortizações de suas dívidas. O terceiro conceito é o de sustentabilidade. A posição de endividamento de uma entidade é dita sustentável se ela satisfaz a condição de solvência sem que sejam necessárias maiores correções em suas receitas e/ou gastos dados os custos de financiamento que ela encara no mercado. Portanto, o conceito de sustentabilidade engloba conjuntamente os conceitos de solvência e liquidez, sem fazer uma delimitação clara entre eles. Dentro desta ideia de sustentabilidade, existem (existiram) vários estudos sobre o que seria uma dívida sustentável. Conforme dissemos, hoje, pelo menos para fins de prova, o que interessa é nós focarmos na relação dívida/PIB. No entanto, ainda vale a pena expor aqui na aula o argumento de Bohn (o mais relevante, para concursos): Caso o resultado primário responda positivamente a acréscimos na dívida pública, então, esta pode ser vista como sustentável (mesmo em ambiente de incerteza econômica). Por fim, o conceito de vulnerabilidade é simplesmente o risco de que as condições de solvência e/ou liquidez sejam violadas e a entidade devedora entre em crise. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 33 100 RESUMO Do ponto de vista das Contas Nacionais: • Carga tributária bruta (CTB) = total de impostos arrecadados • Carga tributária líquida (CTL) = CTB – transferências do governo • Spub = CTL – Gastos correntes • Ipub – Spub = Spriv - Ipriv + Sext • DP = Spriv - Ipriv + Sext A diferença entre a poupança do governo e o investimento público fornece o valor do superávit público, ou déficit, se o resultado for negativo: • Quando há superávit público, isto significa que o governo está arrecadando mais do que está gastando, logo, está fazendo política fiscal contracionista (restringindo a demanda agregada); • Quando há déficit público, isto significa que o governo está gastando mais do que está arrecadando, logo, está fazendo política fiscal expansiva (aumentando a demanda agregada). O déficit pode ser financiado por: • Tributação • Emissão monetária • Endividamento Mensurações do déficit são: • Déficit primário: despesas não financeiras – receitas não financeiras • Déficit operacional: déficit primário + juros reais da dívida • Déficit nominal: déficit operacional + inflação O quadro a seguir resume as principais diferenças entre os conceitos de déficit público: Os mesmos conceitos se aplicam quandofalamos de superávits, assim, temos: • Superávit primário: excesso de arrecadação sobre os gastos totais, excluindo os gastos (ou receitas) com pagamentos de juros sobre a dívida e correção monetária e cambial. • Superávit operacional: resultado primário levando-se em conta, adicionalmente, os gastos (ou receitas) com pagamentos de juros reais. • Superávit nominal: resultado operacional levando-se em conta, adicionalmente, os gastos (ou receitas) com correção monetária e cambial da dívida passada. Pode ser também igual ao superávit primário mais os pagamentos de juros nominais. Métodos de apuração do déficit: • Acima da linha: resultado de receitas e despesas • Abaixo da linha: variação da dívida pública No Brasil, As NFSP são apuradas pelo regime de caixa, à exceção dos resultados de juros, que são apurados pelo regime de competência. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 34 100 O conceito de Setor Público abrange: • Setor público não financeiro ▪ Administração direta e indireta ▪ Sistema de previdência social pública ▪ Estatais não financeiras ▪ Itaipu binacional ▪ Fundos públicos • Banco Central O Governo Geral, em relação ao Setor público, não inclui o Banco Central e as estatais. A diferença entre dívida bruta e líquida é que esta considera os ativos. Sustentabilidade do Endividamento: • A sustentabilidade do endividamento público é avaliada a partir da relação dívida/PIB. Quanto menor esta relação, mais sustentável o endividamento. À medida que esta relação aumenta, o endividamento perde sustentabilidade. • ATENÇÃO ► Caso o resultado primário responda positivamente a acréscimos na dívida pública, então, esta pode ser vista como sustentável. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 35 100 1 QUESTÕES COMENTADAS 1. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. Os resultados primários, deficitários em 2014 e 2015, foram impactados pelo aumento da despesa com os juros incidentes sobre a dívida pública, que se elevaram por força de uma política monetária contracionista. Comentários: O déficit primário significa: gastos não financeiros menos receitas não financeiras, ou seja, o resultado primário não considera a despesa com juros. Dessa forma, os resultados primários não foram impactados pelo aumento dos juros. Gabarito: Errado Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 36 100 2 2. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. A evolução das NFSP mostra como o efeito combinado dos juros nominais e do resultado primário foram relevantes para explicar o aumento da dívida líquida do setor público verificado em 2015. Comentários: O resultado primário não considera a despesa com juros, a despesa de juros não entra no resultado primário. Observando os gráficos apresentados, percebemos que em 2015, houve deterioração do resultado primário, ou seja, o saldo das receitas do governo deduzido das despesas (sem contar juros) piorou. Paralelo à piora do resultado primário, a despesa com juros aumentou no período. Os dois efeitos combinados elevaram a dívida pública no período. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 37 100 3 3. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. As dívidas dos estados e dos municípios não são consideradas no cálculo da dívida bruta do governo geral (DBGG), razão pela qual o indicador não é adequado para comparar a dívida do Brasil com a de outros países, por subestimá-la. Comentários: O conceito de governo geral abrange as administrações diretas federal, estaduais, municipais, bem como o sistema público de previdência social. Esta conceituação de governo geral tem o objetivo de aproximar os indicadores brasileiros dos padrões internacionais adotados. Assim, as dívidas dos estados e dos municípios são consideradas no cálculo da dívida bruta do governo geral (DBGG), razão pela qual o indicador é adequado para comparar a dívida do Brasil com a de outros países. Gabarito: Errado Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 38 100 4 4. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU-DF/Analista de Gestão – Economia) A respeito da evolução do déficit público e da dívida pública, julgue o item a seguir. A ocorrência de déficit primário em um ano prejudica o pagamento dos juros da dívida pública nesse mesmo ano, mas não aumenta o saldo devedor principal da dívida. Comentários: Se houve déficit primário, é sinal de que o governo sequer conseguiu pagar suas despesas principais com a arrecadação corrente. Portanto, a questão está incorreta, porque aumentará o saldo devedor principal da dívida. Gabarito: Errado 5. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) No que se refere ao financiamento do déficit público no Brasil a partir da década de 80 do século passado e de sua relação com a inflação e o crescimento econômico, julgue o próximo item. As receitas de senhoriagem, entre meados da década de 80 e da de 90 do século passado, contribuíram para o financiamento do déficit público, permitindo, em determinados períodos, a redução da dívida líquida como proporção do PIB. Comentários: Senhoriagem é a receita do governo auferida por meio da emissão de moeda. Em regimes inflacionários, o governo deve a todo o momento emitir mais moeda (senhoriagem) a fim de que os agentes possam realizar as suas transações. Quando o governo emite a moeda, o dinheiro “fabricado”, obviamente, não é distribuído aos cidadãos, ele fica sob a posse do governo para ele gastar com quiser (receita de senhoriagem). Desta forma, nós temos o seguinte: em virtude da inflação, o governo emite moeda, e tal emissão de moeda provoca duas coisas: perda de poder aquisitivo da população (via aumento da inflação) e aumento de recursos à disposição dogoverno (em virtude da emissão monetária). Esse mecanismo foi fartamente utilizado nos anos 80, período em que o país sofreu com a hiperinflação, reduzindo a dívida pública em alguns momentos. Mas a questão tem uma malícia: atualmente, os passivos do Banco Central são considerados na dívida líquida, e, portanto, a base monetária é uma dívida do Setor Público. Nos anos 1980 e 1990, não era dessa forma. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 39 100 5 6. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista - Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. O resultado operacional é o conceito fiscal mais amplo e representa a diferença, em determinado período, entre o fluxo agregado de receitas totais (inclusive de aplicações financeiras) e de despesas totais (inclusive despesas com juros). Comentários: O resultado operacional é medido pelo déficit primário acrescido dos pagamentos de juros da dívida passada. Em outras palavras, é o déficit nominal, excluindo a correção monetária e cambial. O conceito fiscal mais amplo é o resultado nominal que engloba qualquer necessidade de novos financiamentos para fazer frente a qualquer despesa. Podemos então concluir que o déficit nominal significa: gastos totais menos receitas totais. Gabarito: Errado 7. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista - Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. O déficit do governo pode ser medido pela variação da dívida pública. Comentários: Este é exatamente o conceito “abaixo da linha”. Se o país apresenta déficit, ou seja, gasta mais que arrecada, seu endividamento aumentará no mesmo montante. Assim, o déficit do governo pode ser medido pela variação da dívida pública. Gabarito: Certo 8. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista - Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 40 100 6 As necessidades de financiamento do setor público são influenciadas pelo resultado fiscal da União, dos estados e dos municípios no período de 1.º de janeiro a 31 de dezembro de cada exercício. Comentários: Todos os entes da Federação compõem o “setor público”, para fins de se verificar as necessidades de financiamento. Gabarito: Certo 9. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando o gráfico Resultado primário do setor público, em que são apresentados os resultados primários do setor público a partir de 2002, e os conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item subsequente. A necessidade de financiamento do setor público (NFSP), quando positiva, corresponde ao aumento da dívida líquida do setor público. Comentários: Se há necessidade de financiamento do setor público (NFSP), o governo apresentou déficit, ou seja, os gastos superaram a receita. Esta situação leva ao endividamento do setor público. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 41 100 7 10. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando o gráfico Resultado primário do setor público, em que são apresentados os resultados primários do setor público a partir de 2002, e os conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item subsequente. A piora nos resultados primários em 2012 e 2013 impactou o resultado fiscal e levou ao déficit primário de 2014, decorrente, entre outros aspectos, do resultado da dívida pública acumulada no passado. Comentários: O resultado primário não leva em conta os juros da dívida. Dessa forma, o déficit primário de 2014 não é decorrente do resultado da dívida pública acumulada no passado. Gabarito: Errado 11. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere às relações entre déficit público e inflação, julgue o item subsecutivo. As receitas de senhoriagem foram exemplos importantes de fontes de financiamento do déficit público na primeira metade da década de 80 do século passado, permitindo a manutenção da relação dívida–PIB estável mesmo em conjuntura de elevado déficit nominal. Comentários: Vimos que senhoriagem é a receita do governo auferida por meio da emissão de moeda. Em regimes inflacionários, o governo deve a todo o momento emitir mais moeda (senhoriagem) a fim de que os agentes possam realizar as suas transações. Quando o governo emite a moeda, o dinheiro “fabricado”, obviamente, não é distribuído aos cidadãos, ele fica sob a posse do governo para ele gastar com o quiser (receita de senhoriagem). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 42 100 8 Dessa forma, nós temos o seguinte: em virtude da inflação, o governo emite moeda, e tal emissão de moeda provoca duas coisas: perda de poder aquisitivo da população (via aumento da inflação) e aumento de recursos à disposição do governo (em virtude da emissão monetária). O erro da assertiva é afirmar que a relação dívida-PIB se manteve estável na década de 80, pois o indicador aumentou consideravelmente no período. Gabarito: Errado 12. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere aos conceitos de déficit público e de dívida pública, julgue o seguinte item. O resultado primário do setor público corresponde ao déficit nominal deduzido dos juros nominais incidentes sobre a dívida pública. Comentários: O conceito de juros nominais é bem mais amplo, e inclui a inflação (correção dos preços). Esta correção dos preços pode ser resumida nas correções monetária e cambial, pois tais correções são decorrentes de variações no valor da moeda (correção monetária e cambial). Assim, quando somamos os juros nominais ao déficit primário, estamos somando não somente as taxas de juros sobre a dívida, mas também a correção monetária e cambial. Por isso: déficit nominal = déficit primário + juros nominais Gabarito: Certo 13. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) A propósito da sustentabilidade do endividamento público e das formas de financiamento dos déficits do governo adotadas pelo Brasil em sua história econômica, julgue o item que se segue. A presença de superávits primários recorrentes é condição insuficiente para garantir a sustentabilidade do endividamento público. Comentários: O conceito de resultado primário exclui os juros, a correção monetária e cambial. Dessa forma, é perfeitamente possível que um país apresente superávits primários, mas, devido a grandes despesas como juros, apresente uma dívida não sustentável. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 43 100 9 14. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Com respeitoà estrutura orçamentária e à evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item que se segue. A evolução da dívida externa líquida negativa no final da primeira década deste século ajudou a reduzir a dívida total líquida do setor público, ainda que a dívida interna líquida tenha crescido. Comentários: A dívida externa líquida brasileira tornou-se negativa no final da década passada. A dívida interna, entretanto, aumentou no período. Tendo em vista a queda da dívida líquida total do setor público entre 2002 e 2010, concluímos que a evolução da dívida externa líquida negativa no final da primeira década deste século ajudou a reduzir a dívida total líquida do setor público. Gabarito: Certo 15. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Com respeito à estrutura orçamentária e à evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item que se segue. Na primeira metade da década de 80 do século XX, o déficit fiscal e a estagnação econômica reduziram a relação dívida pública/produto interno bruto. Comentários: O déficit fiscal tende a elevar a dívida pública. A estagnação econômica significa que não há crescimento do PIB. Se o denominador da fração dívida pública/produto interno bruto se mantém constante e o numerador é elevado, concluímos que a relação dívida pública/produto interno bruto aumentou no período. Gabarito: Errado 16. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Acerca de macroeconomia, julgue o item subsequente. O conceito de dívida bruta do governo geral abrange o total de débitos do governo federal e os débitos de responsabilidade das empresas estatais da esfera federal. Comentários: O conceito de governo geral abrange as administrações diretas federal, estaduais, municipais, bem como o sistema público de previdência social. Contudo, não inclui as estatais da esfera federal. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 44 100 10 Gabarito: Errado 17. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Discriminação 2013 2015 R$ milhões % PIB R$ milhões % PIB I receita total 1.178.983 22,2% 1.247.789 21,0% II transferência a estados e municípios 183.395 3,4% 204.684 3,4% III receita líquida (I!II) 995.588 18,8% 1.043.105 17,6% IV despesas 918.595 17,3% 1.158.700 19,5% V fundo soberano do Brasil 0 0,0% 855 0,0% VI primário governo central 76.993 1,5% -114.741 -1,9% VII ajuste metodológico 11/ 858 0,0% 3.888 0,0% VIII discrepância estatística -2.561 0,0% -5.803 -0,1% IX resultado primário do governo central (VI + VII + VIII) 12/ 75.290 1,5% -116.656 -2,0% X juros nominais 12/ -185.845 -3,5% -397.240 -6,7% XI resultado nominal do governo central (IX + X) 12/ -110.555 -2,0% -513.896 -8,7% Com base nos resultados primários do governo central nos anos de 2013 e 2015, conforme apresentado nessa tabela, cujos dados foram obtidos pelo Tesouro Nacional, julgue o item a seguir, referente a conceitos de contabilidade fiscal. A piora do resultado primário do governo central em 2015 justifica-se, parcialmente, pelo aumento de despesas com os juros da dívida pública, devido à política monetária restritiva adotada nesse período. Comentários: O conceito de resultado primário não considera os juros, logo o aumento da despesa de juros não justifica qualquer piora no resultado primário. Gabarito: Errado 18. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. Uma política fiscal expansionista tende a reduzir as NFSP. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 45 100 11 Comentários: A política fiscal expansionista se dá pela redução da poupança pública, ou seja, pelo aumento dos gastos do governo ou pela redução da tributação. Sendo assim, o resultado esperado é aumento, e não redução do déficit e das NFSP. Gabarito: Errado 19. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. As estatísticas fiscais calculadas pelo critério “acima da linha” correspondem às medidas de receitas e despesas relacionadas. Comentários: Exatamente. O critério acima da linha consiste no encontro entre receitas e despesas, em contraste com o critério abaixo da linha, que significa a variação da dívida. Gabarito: Certo 20. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. As necessidades de financiamento do setor público (NFSP) correspondem ao deficit público nominal apurado ano a ano. Comentários: Resultado nominal = variação da DFL entre dois períodos. A variação da DFL entre dois períodos corresponde ao resultado nominal, de forma que as NFSP correspondem ao déficit nominal apurado no período considerado. O conceito é nominal porque precisa incluir tudo aquilo que o governo precisa pagar, como juros e a correção monetária da dívida (inflação). Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 46 100 12 21. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. O deficit público nominal é igual à variação da dívida líquida do setor público apurada no ano. Comentários: Vamos tornar a questão certa: O deficit público nominal é igual à variação da dívida líquida do setor público dívida fiscal líquida apurada no ano. Portanto, o correto seria falar em variação da dívida fiscal líquida (DFL), e não da dívida líquida do setor público (DLSP). Lembrando: DFL = DLSP – ajuste patrimonial Ou: DLSP = DFL + ajuste patrimonial Gabarito: Errado 22. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Discriminação 2013 2015 R$ milhões % PIB R$ milhões % PIB I receita total 1.178.983 22,2% 1.247.789 21,0% II transferência a estados e municípios 183.395 3,4% 204.684 3,4% III receita líquida (I!II) 995.588 18,8% 1.043.105 17,6% IV despesas 918.595 17,3% 1.158.700 19,5% V fundo soberano do Brasil 0 0,0% 855 0,0% VI primário governo central 76.993 1,5% -114.741 -1,9% VII ajuste metodológico 11/ 858 0,0% 3.888 0,0% VIII discrepância estatística -2.561 0,0% -5.803 -0,1% IX resultado primário do governo central (VI + VII + VIII) 12/ 75.290 1,5% -116.656 -2,0% X juros nominais 12/ -185.845 -3,5% -397.240 -6,7% XI resultado nominal do governo central (IX + X) 12/ -110.555 -2,0% -513.896 -8,7% Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 47 100 13 Com base nos resultados primários do governo central nos anos de 2013 e 2015, conforme apresentado nessa tabela, cujos dados foram obtidos pelo Tesouro Nacional, julgue o item a seguir, referente a conceitos de contabilidade fiscal. O resultado nominal negativo em 8,7% do PIB foi apurado pelo Tesouro Nacional a partir da metodologia de apuração conhecida como “acima da linha”. Comentários: A tabela apresenta o resultado fiscal pelo método “acima da linha”, confrontando receitas e despesas e obtendo o resultado. Já o método utilizado pelo Banco Central é o “abaixo da linha”, ou seja, a partir das alterações no valor da necessidade de financiamento (ou na variação do endividamento). Gabarito: Certo 23. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere à sustentabilidade doendividamento público e ao financiamento do déficit público a partir da década de 80 do século XX, julgue o item subsequente. Uma situação de insustentabilidade do endividamento público pode ser instaurada caso o mercado considere insuficientes os superávits primários obtidos pelo governo para estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB. Comentários: Mesmo que o governo obtenha superávits primários, a dívida pode apresentar crescimento de maneira não sustentável. É o caso de um país que possua uma grande despesa com juros. Gabarito: Certo 24. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução da dívida pública brasileira, julgue o item subsequente. O déficit da previdência oficial faz parte do cálculo do superávit primário. Comentários: Todas as despesas, exceto as despesas de juros, correção monetária e cambial, fazem parte do resultado primário, portanto, déficit da previdência oficial faz parte do cálculo do superávit primário. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 48 100 14 25. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item seguinte, referente à contabilidade fiscal e à sustentabilidade do endividamento público. A contabilidade fiscal contribui para a transparência das contas públicas. Comentários: A Contabilidade Fiscal disponibiliza as informações das contas públicas para os agentes econômicos, dessa forma contribui bastante para a transparência das contas públicas. Gabarito: Certo 26. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item seguinte, referente à contabilidade fiscal e à sustentabilidade do endividamento público. Os indicadores fiscais incluem as medidas de fluxos, como receitas e despesas, e de estoques, como o endividamento. Comentários: Déficit é o excesso de gastos sobre a arrecadação, enquanto dívida é o acumulado de déficits, ou seja, é uma espécie de passivo do Estado. Dizemos que o déficit é uma variável “fluxo” e a dívida é uma variável “estoque”. Gabarito: Certo 27. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item subsequente, relativo às finanças do setor público. A razão da dívida pública pelo PIB, também conhecida como coeficiente de endividamento, mede a dinâmica do nível da dívida de determinado país em relação à evolução da economia dos países fronteiriços. Comentários: O início da assertiva está correto, pois a razão da dívida pública pelo PIB, também conhecida como coeficiente de endividamento, mede a dinâmica do nível da dívida de determinado país. A segunda parte, entretanto, está completamente errada. A razão dívida PIB de um país pode ser comparada à razão dívida PIB de outros países, mas não faz sentido comparar a razão dívida PIB com a evolução da economia de outros países, ainda mais apenas países fronteiriços, conforme traz a assertiva. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 49 100 15 Gabarito: Errado 28. (2015/CEBRASPE-CESPE/CGE PI/Auditor Governamental - Geral) Com referência à teoria econômica do setor público, julgue o próximo item à luz dos principais conceitos de contabilidade fiscal. Se eventual elevação da taxa básica de juros por parte do Banco Central acarretar a entrada líquida de capitais no país, haverá expansão das reservas internacionais e contração da dívida líquida do setor público. Comentários: A elevação da taxa básica de juros acarreta a entrada líquida de capitais no país, pois os capitais, buscando uma maior remuneração, ingressam no país. Isto levará a um aumento das reservas internacionais. O aumento das reservas internacionais tende a diminuir a dívida externa do setor público, diminuindo a dívida líquida total do setor público. Gabarito: Certo 29. (2015/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) A respeito do financiamento do setor público no Brasil, julgue o item a seguir. Para que a condição de equilíbrio da relação dívida pública/PIB ocorra, a expectativa de um menor crescimento econômico do Brasil, nos próximos anos, ceteris paribus, exige uma geração de superávits primários maiores no período. Comentários: O resultado primário não considera a despesa com juros. Portanto, se o governo obtiver superávits primários, a evolução da dívida vai depender do montante de juros a serem pagos. Se os juros forem maiores que o superávit, a dívida crescerá. Para manter constante a relação dívida/PIB, dívida e PIB devem crescer na mesma proporção. Se o PIB apresentar baixo crescimento, a dívida deverá crescer a taxas pequenas também. Se a dívida deve crescer a taxas pequenas, existe a necessidade de geração de superávits primários maiores no período, para conseguir pagar uma parte considerável da despesa com juros. Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 50 100 16 30. (2015/CEBRASPE-CESPE/TCE-RN/Auditor do Tribunal de Contas) Tendo em vista que o resultado fiscal do governo avalia o desempenho fiscal da administração pública em um determinado período de tempo, geralmente dentro de um exercício financeiro, ou seja, de 1.º de janeiro a 31 de dezembro, julgue o item que se segue, relacionado a necessidades de financiamento do setor público (NFSP). O critério de apuração do resultado “abaixo da linha” leva em consideração o desempenho fiscal do governo mediante a apuração dos fluxos de receitas e despesas orçamentárias em determinado período. Comentários: O critério “abaixo linha” mede o resultado pela evolução de seu endividamento. A apuração dos fluxos de receitas e despesas orçamentárias em determinado período é levado em consideração no critério “acima da linha”. Gabarito: Errado 31. (2015/CEBRASPE-CESPE/PGCE/Economista) No que se refere a teoria keynesiana, demanda agregada, governo e crescimento econômico, julgue o item subsequente. Entre os conceitos utilizados para mensurar o endividamento do setor público, que representa uma categoria dos gastos do governo, inclui-se o conceito denominado necessidade de financiamento do setor público. Comentários: Existem vários métodos de apuração do endividamento público. Como vimos, o Brasil passou a utilizar a partir do início da década de 1980 um método mais abrangente utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Este método é o de Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP). Gabarito: Certo 32. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Com relação ao déficit e à necessidade de financiamento do setor público (NFSP), julgue o item a seguir, desconsiderando qualquer efeito tributário. As necessidades de financiamento são apuradas nos governos federal e estaduais. No caso dos municípios, essa exigência deve ser atendida para aqueles que têm tribunais de contas. Comentários: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 51 100 17 Absurda a assertiva. Não existe esse tipo de distinção entre os municípios, todos devem apurar as necessidades de financiamento. Gabarito: Errado 33. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) No que se refere a inflação, crescimento e suas relações com a dívida pública, julgue o seguinte item. Para que seja mantida a dívida constante como proporção do PIB, quanto maior é o crescimento da economia, menor será a necessidade de gerar superávits primários. Comentários: Para manter constante a relação dívida/PIB, dívida e PIB devem crescer na mesma proporção. Se o PIB apresentar forte crescimento, a dívidapoderá crescer a taxas elevadas também. Se a dívida pode crescer a taxas elevadas, é menor a necessidade de gerar superávits primários. Gabarito: Certo 34. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item subsecutivo. Os pagamentos feitos pelo INSS a aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social provocam impacto negativo sobre a dívida bruta interna do governo, mas não sobre o resultado primário. Comentários: Todas as despesas, exceto as despesas de juros, correção monetária e cambial, fazem parte do resultado primário, portanto, os pagamentos feitos pelo INSS a aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social impactam não só dívida bruta interna do governo, mas também o resultado primário. Gabarito: Errado 35. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item subsecutivo. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 52 100 18 Os valores de depósitos judiciais referentes a ações judiciais de tributos federais compõem o cálculo do superávit primário. Comentários: Todas as despesas, exceto as despesas de juros, correção monetária e cambial, fazem parte do resultado primário, portanto, os valores de depósitos judiciais referentes a ações judiciais de tributos federais fazem parte do cálculo do superávit primário. Gabarito: Certo 36. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Economista) O déficit operacional reflete adequadamente as necessidades reais de financiamento do setor público. Comentários: Em macroeconomia, as variáveis reais geralmente indicam que estamos descontando o índice de preços de variáveis nominais (exemplos: PIB real = PIB nominal/índice de preços; salários reais (W/P) = salários nominais (W) / índice de preços (P)). Nos conceitos de déficits, ocorre o mesmo. O déficit nominal leva em conta as necessidades nominais de financiamento, incluindo a diferença de receitas e gastos (conceito primário), juros pagos e recebidos (conceito operacional) e correção monetária devido à inflação (conceito nominal). As necessidades reais são calculadas descontando-se o índice de preços, ou seja, não levam em conta a correção de preços provocada pela inflação. Assim, as necessidades reais de financiamento são refletidas pelo conceito de déficit operacional (desconta-se o índice de preços, ou correção monetária, do conceito de déficit nominal), ao passo que as necessidades nominais são refletidas pelo conceito de déficit nominal. É uma abordagem conceitual um pouco diferente e que raramente aparece em provas. Achei interessante colocar na aula! Gabarito: Certo Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 53 100 19 LISTA DE QUESTÕES 1. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. Os resultados primários, deficitários em 2014 e 2015, foram impactados pelo aumento da despesa com os juros incidentes sobre a dívida pública, que se elevaram por força de uma política monetária contracionista. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 54 100 20 2. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. A evolução das NFSP mostra como o efeito combinado dos juros nominais e do resultado primário foram relevantes para explicar o aumento da dívida líquida do setor público verificado em 2015. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 55 100 21 3. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) necessidade de financiamento do setor público (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). evolução recente do resultado primário e de juros nominais (%PIB) Fonte: BCB. Elaboração: STN (com adaptações). Os gráficos precedentes apresentam, como percentual do produto interno bruto (PIB), a evolução das necessidades de financiamento do setor público (NFSP), do resultado primário e da despesa com juros, conforme apuração do Banco Central do Brasil. A partir dessas informações e dos conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item seguinte. As dívidas dos estados e dos municípios não são consideradas no cálculo da dívida bruta do governo geral (DBGG), razão pela qual o indicador não é adequado para comparar a dívida do Brasil com a de outros países, por subestimá-la. 4. (2019/CEBRASPE-CESPE/SLU-DF/Analista de Gestão – Economia) A respeito da evolução do déficit público e da dívida pública, julgue o item a seguir. A ocorrência de déficit primário em um ano prejudica o pagamento dos juros da dívida pública nesse mesmo ano, mas não aumenta o saldo devedor principal da dívida. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 56 100 22 5. (2017/CEBRASPE-CESPE/SEDF/Analista de Gestão Educacional - Economia) No que se refere ao financiamento do déficit público no Brasil a partir da década de 80 do século passado e de sua relação com a inflação e o crescimento econômico, julgue o próximo item. As receitas de senhoriagem, entre meados da década de 80 e da de 90 do século passado, contribuíram para o financiamento do déficit público, permitindo, em determinados períodos, a redução da dívida líquida como proporção do PIB. 6. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista - Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. O resultado operacional é o conceito fiscal mais amplo e representa a diferença, em determinado período, entre o fluxo agregado de receitas totais (inclusive de aplicações financeiras) e de despesas totais (inclusive despesas com juros). 7. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista - Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. O déficit do governo pode ser medido pela variação da dívida pública. 8. (2016/CEBRASPE-CESPE/FUNPRESP/Analista -Investimentos) Conforme números divulgados pelo Banco Central, nos últimos dois anos o resultado fiscal do setor público foi deficitário, o que resultou no aumento da dívida pública em termos de percentual do PIB. Julgue o item a seguir, com relação à dívida pública e à necessidade de financiamento do governo. As necessidades de financiamento do setor público são influenciadas pelo resultado fiscal da União, dos estados e dos municípios no período de 1.º de janeiro a 31 de dezembro de cada exercício. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 57 100 23 9. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando o gráfico Resultado primário do setor público, em que são apresentados os resultados primários do setor público a partir de 2002, e os conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item subsequente. A necessidade de financiamento do setor público (NFSP), quando positiva, corresponde ao aumento da dívida líquida do setor público. 10. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando o gráfico Resultado primário do setor público, em que são apresentados os resultados primários do setor público a partir de 2002, e os conceitos de contabilidade fiscal, julgue o item subsequente. A piora nos resultados primários em 2012 e 2013 impactou o resultado fiscal e levou ao déficit primário de 2014, decorrente, entre outros aspectos, do resultado da dívida pública acumulada no passado. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 58 100 24 11. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-SC/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere às relações entre déficit público e inflação, julgue o item subsecutivo. As receitas de senhoriagem foram exemplos importantes de fontes de financiamento do déficit público na primeira metade da década de 80 do século passado, permitindo a manutenção da relação dívida–PIB estável mesmo em conjuntura de elevado déficit nominal. 12. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere aos conceitos de déficit público e de dívida pública, julgue o seguinte item. O resultado primário do setor público corresponde ao déficit nominal deduzido dos juros nominais incidentes sobre a dívida pública. 13. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) A propósito da sustentabilidade do endividamento público e das formas de financiamento dos déficits do governo adotadas pelo Brasil em sua história econômica, julgue o item que se segue. A presença de superávits primários recorrentes é condição insuficiente para garantir a sustentabilidade do endividamento público. 14. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Com respeito à estrutura orçamentária e à evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item que se segue. A evolução da dívida externa líquida negativa no final da primeira década deste século ajudou a reduzir a dívida total líquida do setor público, ainda que a dívida interna líquida tenha crescido. 15. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Com respeito à estrutura orçamentária e à evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item que se segue. Na primeira metade da década de 80 do século XX, o déficit fiscal e a estagnação econômica reduziram a relação dívida pública/produto interno bruto. 16. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Acerca de macroeconomia, julgue o item subsequente. O conceito de dívida bruta do governo geral abrange o total de débitos do governo federal e os débitos de responsabilidade das empresas estatais da esfera federal. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 59 100 25 17. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Discriminação 2013 2015 R$ milhões % PIB R$ milhões % PIB I receita total 1.178.983 22,2% 1.247.789 21,0% II transferência a estados e municípios 183.395 3,4% 204.684 3,4% III receita líquida (I!II) 995.588 18,8% 1.043.105 17,6% IV despesas 918.595 17,3% 1.158.700 19,5% V fundo soberano do Brasil 0 0,0% 855 0,0% VI primário governo central 76.993 1,5% -114.741 -1,9% VII ajuste metodológico 11/ 858 0,0% 3.888 0,0% VIII discrepância estatística -2.561 0,0% -5.803 -0,1% IX resultado primário do governo central (VI + VII + VIII) 12/ 75.290 1,5% -116.656 -2,0% X juros nominais 12/ -185.845 -3,5% -397.240 -6,7% XI resultado nominal do governo central (IX + X) 12/ -110.555 -2,0% -513.896 -8,7% Com base nos resultados primários do governo central nos anos de 2013 e 2015, conforme apresentado nessa tabela, cujos dados foram obtidos pelo Tesouro Nacional, julgue o item a seguir, referente a conceitos de contabilidade fiscal. A piora do resultado primário do governo central em 2015 justifica-se, parcialmente, pelo aumento de despesas com os juros da dívida pública, devido à política monetária restritiva adotada nesse período. 18. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. Uma política fiscal expansionista tende a reduzir as NFSP. 19. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. As estatísticas fiscais calculadas pelo critério “acima da linha” correspondem às medidas de receitas e despesas relacionadas. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 60 100 26 20. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. As necessidades de financiamento do setor público (NFSP) correspondem ao deficit público nominal apurado ano a ano. 21. (2019/IADES/CACD/Diplomata) No que se refere a endividamento, superavit e deficit público e a sua relação com a política fiscal, julgue o item a seguir. O deficit público nominal é igual à variação da dívida líquida do setor público apurada no ano. 22. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Discriminação 2013 2015 R$ milhões % PIB R$ milhões % PIB I receita total 1.178.983 22,2% 1.247.789 21,0% II transferência a estados e municípios 183.395 3,4% 204.684 3,4% III receita líquida (I!II) 995.588 18,8% 1.043.105 17,6% IV despesas 918.595 17,3% 1.158.700 19,5% V fundo soberano do Brasil 0 0,0% 855 0,0% VI primário governo central 76.993 1,5% -114.741 -1,9% VII ajuste metodológico 11/ 858 0,0% 3.888 0,0% VIII discrepância estatística -2.561 0,0% -5.803 -0,1% IX resultado primário do governo central (VI + VII + VIII) 12/ 75.290 1,5% -116.656 -2,0% X juros nominais 12/ -185.845 -3,5% -397.240 -6,7% XI resultado nominal do governo central (IX + X) 12/ -110.555 -2,0% -513.896 -8,7% Com base nos resultados primários do governo central nos anos de 2013 e 2015, conforme apresentado nessa tabela, cujos dados foram obtidos pelo Tesouro Nacional, julgue o item a seguir, referente a conceitos de contabilidade fiscal. O resultado nominal negativo em 8,7% do PIB foi apurado pelo Tesouro Nacional a partir da metodologia de apuração conhecida como “acima da linha”. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 61 100 27 23. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/AuditorFiscal de Controle Externo - Economia) No que se refere à sustentabilidade do endividamento público e ao financiamento do déficit público a partir da década de 80 do século XX, julgue o item subsequente. Uma situação de insustentabilidade do endividamento público pode ser instaurada caso o mercado considere insuficientes os superávits primários obtidos pelo governo para estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB. 24. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução da dívida pública brasileira, julgue o item subsequente. O déficit da previdência oficial faz parte do cálculo do superávit primário. 25. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item seguinte, referente à contabilidade fiscal e à sustentabilidade do endividamento público. A contabilidade fiscal contribui para a transparência das contas públicas. 26. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item seguinte, referente à contabilidade fiscal e à sustentabilidade do endividamento público. Os indicadores fiscais incluem as medidas de fluxos, como receitas e despesas, e de estoques, como o endividamento. 27. (2016/CEBRASPE-CESPE/TCE-PA/Auditor Fiscal de Controle Externo - Economia) Julgue o item subsequente, relativo às finanças do setor público. A razão da dívida pública pelo PIB, também conhecida como coeficiente de endividamento, mede a dinâmica do nível da dívida de determinado país em relação à evolução da economia dos países fronteiriços. 28. (2015/CEBRASPE-CESPE/CGE PI/Auditor Governamental - Geral) Com referência à teoria econômica do setor público, julgue o próximo item à luz dos principais conceitos de contabilidade fiscal. Se eventual elevação da taxa básica de juros por parte do Banco Central acarretar a entrada líquida de capitais no país, haverá expansão das reservas internacionais e contração da dívida líquida do setor público. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 62 100 28 29. (2015/CEBRASPE-CESPE/TCU/Auditor Federal de Controle Externo) A respeito do financiamento do setor público no Brasil, julgue o item a seguir. Para que a condição de equilíbrio da relação dívida pública/PIB ocorra, a expectativa de um menor crescimento econômico do Brasil, nos próximos anos, ceteris paribus, exige uma geração de superávits primários maiores no período. 30. (2015/CEBRASPE-CESPE/TCE-RN/Auditor do Tribunal de Contas) Tendo em vista que o resultado fiscal do governo avalia o desempenho fiscal da administração pública em um determinado período de tempo, geralmente dentro de um exercício financeiro, ou seja, de 1.º de janeiro a 31 de dezembro, julgue o item que se segue, relacionado a necessidades de financiamento do setor público (NFSP). O critério de apuração do resultado “abaixo da linha” leva em consideração o desempenho fiscal do governo mediante a apuração dos fluxos de receitas e despesas orçamentárias em determinado período. 31. (2015/CEBRASPE-CESPE/PGCE/Economista) No que se refere a teoria keynesiana, demanda agregada, governo e crescimento econômico, julgue o item subsequente. Entre os conceitos utilizados para mensurar o endividamento do setor público, que representa uma categoria dos gastos do governo, inclui-se o conceito denominado necessidade de financiamento do setor público. 32. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Com relação ao déficit e à necessidade de financiamento do setor público (NFSP), julgue o item a seguir, desconsiderando qualquer efeito tributário. As necessidades de financiamento são apuradas nos governos federal e estaduais. No caso dos municípios, essa exigência deve ser atendida para aqueles que têm tribunais de contas. 33. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) No que se refere a inflação, crescimento e suas relações com a dívida pública, julgue o seguinte item. Para que seja mantida a dívida constante como proporção do PIB, quanto maior é o crescimento da economia, menor será a necessidade de gerar superávits primários. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 63 100 29 34. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item subsecutivo. Os pagamentos feitos pelo INSS a aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social provocam impacto negativo sobre a dívida bruta interna do governo, mas não sobre o resultado primário. 35. (2015/CEBRASPE-CESPE/MPOG/Economista) Considerando a estrutura orçamentária e a evolução do déficit e da dívida pública brasileira, julgue o item subsecutivo. Os valores de depósitos judiciais referentes a ações judiciais de tributos federais compõem o cálculo do superávit primário. 36. (2010/CEBRASPE-CESPE/MPU/Economista) O déficit operacional reflete adequadamente as necessidades reais de financiamento do setor público. GABARITO 1. E 2. C 3. E 4. E 5. C 6. E 7. C 8. C 9. C 10. E 11. E 12. C 13. C 14. C 15. E 16. E 17. E 18. E 19. C 20. C 21. E 22. C 23. C 24. C 25. C 26. C 27. E 28. C 29. C 30. E 31. C 32. E 33. C 34. E 35. C 36. C Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 64 100 1 QUESTÕES COMENTADAS 1. (2016/VUNESP/GRU/Economista) Quando os gastos do governo são superiores à sua arrecadação, ocorre o fenômeno a) da Deflação. b) do Déficit Público. c) da Curva de Phillips. d) do Custo de oportunidade. e) do Custo explícito. Comentários: Quando os gastos são superiores à arrecadação, temos o resultado negativo, também conhecido como déficit público. Por isso, “b” é nosso gabarito. As demais alternativas fogem ao escopo desta aula, mas comento brevemente: a) da Deflação. É o fenômeno de queda generalizada nos preços (o oposto de inflação). c) da Curva de Phillips. É um modelo que demonstra a relação negativa (tradeoff) entre inflação e desemprego. d) do Custo de oportunidade. É o conceito de custo implícito, quando o custo de uma decisão não é somente os recursos dispendidos nela, mas sim as alternativas deixadas de lado ao tomar essa decisão. e) do Custo explícito. São, basicamente, os chamados custos contábeis. Gabarito: “b” 2. (2019/FGV/DPE RJ/Técnico Superior Especializado - Economia) [adaptada] Dois dos principais agregados macroeconômicos são a renda e a despesa agregadas. Em equilíbrio, a renda e a despesa agregadas devem se igualar. Portanto, sempre que houver déficit público, deverá ocorrer: a) excesso de poupança dos setores privado e externo; a) excesso de investimento público; Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 65 100 2 a) inflação e taxa crescente de juros; a) depreciação do capital; a) aumento do multiplicador do consumo. Comentários: Essa questão é sobre aquele assunto no início da aula. Vamos revisar. Em uma economia aberta, ou seja, quando incluímos o resto do mundo, temos que Investimento = Poupança Interna + Poupança Externa Tornando mais completa nossa equação, chegamos a I = Investimento Público (Ipub) + Investimento Privado (Ipriv) S = Poupança Privada (Spriv) + Poupança Pública (Spub) + Poupança Externa (Sext) Então Ipub + Ipriv = Spriv + Spub + Sext Isolando os termos “públicos” Ipub - Spub = Spriv - Ipriv + Sext Como Ipub-Spub é o Déficit Público (DP), concluímos que DP = Spriv - Ipriv + Sext Portanto, o DP é financiado pelas poupanças privadae externa. Gabarito: “a” 3. (2019/FGV/DPE-RJ/Técnico Superior Especializado - Economia) Um analista emitiu a seguinte opinião: “Quando houver déficit público, o governo terá poupança negativa”. Considerando uma economia com inflação nula, a opinião acima é: a) recorrente, pois a arrecadação é insuficiente para cobrir os gastos com consumo e juros do governo; b) correta, sempre que a soma de juros da dívida e investimento público for inferior à receita tributária; c) imprecisa, pois a poupança pública pode ser positiva mas insuficiente para financiar o investimento do governo; Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 66 100 3 d) errada, pois a diferença entre arrecadação e a soma de consumo do governo e juros da dívida será necessariamente negativa; e) errada, pois os conceitos de déficit e poupança públicos não se relacionam. Comentários: Vimos que o déficit público é igual ao investimento público menos a poupança pública: Ipub – Spub = DP Portanto, a letra “e” está errada. Correta é a letra “c”, e um exemplo número pode ajudar. Suponha que a poupança pública é positiva em 100, mas o investimento é de 150: 150 – 100 = 50 Viu? Temos déficit público de 50, mesmo com a poupança pública positiva, justamente porque ela foi insuficiente para financiando o investimento do governo. Gabarito: “c” 4. (2014/VUNESP/TJ PA/Analista Judiciário - Economia) O déficit primário se verifica quando a) as receitas do governo são iguais às despesas, não incluindo pagamento dos juros da dívida. b) as receitas do governo são inferiores às despesas, incluindo o pagamento dos juros totais da dívida. c) as receitas do governo são inferiores às despesas, incluindo o pagamento dos juros da dívida descontados da inflação. d) as receitas do governo são inferiores às despesas, não incluindo o pagamento de juros da dívida. e) as receitas do governo são superiores às despesas, não incluindo o pagamento de juros da dívida. Comentários: O déficit primário (DP) é definido assim: DP = Despesas não financeiras – Receitas não financeiras Receitas e despesas financeiras não incluem pagamento dos juros da dívida e, portanto, o DP ocorre quando as despesas são superiores às receitas, ou seja, quando as receitas são inferiores às despesas, sem incluir pagamentos de juros da dívida. Gabarito: “d” Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 67 100 4 5. (2014/VUNESP/SJRP/Auditor Fiscal Tributário Municipal) A diferença entre os conceitos de déficit público nominal e operacional é que o primeiro a) é obtido incluindo-se os gastos com os juros nominais cobrados sobre as dívidas interna e externa, enquanto no segundo somente são incluídos os juros reais. b) representa a diferença entre as receitas e despesas correntes de todas as esferas de Governo, enquanto no segundo é representada a diferença entre as receitas e despesas de capital. c) representa a diferença entre as receitas e despesas financeiras dos entes públicos, enquanto o segundo representa a diferença entre as receitas e despesas não financeiras. d) corresponde ao aumento da dívida bruta do setor público, enquanto o segundo corresponde ao aumento da dívida líquida. e) não inclui os investimentos realizados pelos entes públicos, enquanto o segundo inclui. Comentários: Vejamos como são definidos os déficits nominal e operacional: Déficit Operacional (DO) = DP + juros reais da dívida pública Déficit Nominal (DN) = DP + juros reais da dívida pública + inflação = DP + juros nominais Sendo assim, realmente o resultado nominal é aquele que considera os juros nominais, enquanto no operacional apenas os juros reais são levados em consideração, na forma como consta na alternativa “a”. Comentemos o que for relevante na demais alternativas: b) representa a diferença entre as receitas e despesas correntes de todas as esferas de Governo, enquanto no segundo é representada a diferença entre as receitas e despesas de capital. Não podemos confundir contabilidade fiscal (estudada nesta aula) com contabilidade pública ou AFO. Os resultados corrente e de capital são assuntos para essas disciplinas, e a classificação entre receitas e despesas entre correntes e de capital não define os resultados primários, operacional ou nominal. c) representa a diferença entre as receitas e despesas financeiras dos entes públicos, enquanto o segundo representa a diferença entre as receitas e despesas não financeiras. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 68 100 5 A diferença entre receitas e despesas financeiras é a diferença entre resultado primário e nominal, enquanto a diferença entre receitas e despesas não financeiras é o próprio resultado primário. d) corresponde ao aumento da dívida bruta do setor público, enquanto o segundo corresponde ao aumento da dívida líquida. É o resultado nominal que corresponde à variação da dívida líquida do setor público. Dívida bruta é um conceito que, até onde sei, nunca foi cobrado, e por isso não será aprofundado. e) não inclui os investimentos realizados pelos entes públicos, enquanto o segundo inclui. Ambos consideram os investimentos feitos pelos entes públicos. A propósito, o resultado nominal considera tudo que o resultado primário considera, e mais. Gabarito: “a” 6. (2019/FCC/AFAP/Analista de Fomento - Economista) Conforme dados do Banco Central do Brasil, as necessidades de financiamento do setor público, em fluxo de 12 meses na posição de abril de 2018, apresentaram resultado nominal de R$ 499.255 milhões e resultado primário de R$ 118.397 milhões. Com isso, a) a diferença entre os resultados nominal e primário corresponde aos juros reais. b) os juros reais superaram os juros nominais. c) o resultado operacional foi superior ao resultado nominal. d) no resultado primário estão adicionados os juros nominais. e) no período o setor público apresentou déficit Comentários: Se o Brasil necessidade de financiamento, significa que houve déficit nominal. Sendo assim, letra “e” é nosso gabarito. Simples assim. Quanto às demais alternativas, vejamos os erros: a) a diferença entre os resultados nominal e primário corresponde aos juros reais. Essa é conceitual, e independe do enunciado. E o correto é: a diferença entre os resultados operacional e primário são os juros reais. b) os juros reais superaram os juros nominais. Para isso ocorrer, seria preciso deflação. Além de muito improvável do ponto de vista empírico, não temos como afirmar isso, já que nada sabemos a respeito do resultado operacional. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 69 100 6 c) o resultado operacional foi superior ao resultado nominal. Isso é o mesmo que foi afirmado na alternativa anterior, uma vez que a diferença entre resultado operacional e nominal é a diferença entre juros reais e nominais. Portanto, cabe a mesma argumentação de não termos informações sobre o resultado operacional (ou sobre os juros reais). d) no resultado primário estão adicionados os juros nominais. Também é conceitual: no resultado primário não estão incluídos juros. Gabarito: “e” 7. (2019/VUNESP/MPE SP/Analista Técnico Científico - Economista) Leia o texto para responder à questão. Num determinado ano, um governo arrecada $ 800 e tem gastos (sem contar juros) de $ 700. O total da dívida é $ 2 000, a taxa de juros básica 10% ao ano e a taxa de inflação 5% naquele ano. O resultado nominal desse governo foi: a) superavitário em $ 100. b) equilibrado. c) deficitário de $ 100. d) deficitário de $ 200. e) deficitáriode $ 300. Comentários: O resultado nominal não faz distinção entre receitas e despesas financeiras ou não-financeiras, ou seja, ele é o resultado mais abrangente, que considera todo tipo de despesa, e não expurga a inflação. Portanto, subtraímos os gastos das receitas, e depois tiramos as despesas com juros, que foram de 10% de $2000, ou seja: $200. RN = 800 – 700 – 200 RN = -100 Gabarito: “c” Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 70 100 7 8. (2019/VUNESP/MPE SP/Analista Técnico Científico - Economista) Leia o texto para responder à questão. Num determinado ano, um governo arrecada $ 800 e tem gastos (sem contar juros) de $ 700. O total da dívida é $ 2 000, a taxa de juros básica 10% ao ano e a taxa de inflação 5% naquele ano. O resultado operacional desse governo foi: a) superávit de $ 100. b) equilíbrio. c) déficit de $ 100. d) déficit de $ 200. e) déficit de $ 300. Comentários: Desta vez, a questão que o resultado operacional. Para isso, precisamos do resultado primário e das despesas com juros reais: RP = Receitas não-financeiras (arrecadação) – despesas não-financeiras RP = 800 – 700 RP = 100 As despesas com juros reais (Dr), por sua vez, pode ser definido como: Dr = Dívida . r Dr = 2000 . r Os juros reais, por sua vez, são definimos como: r = juros nominais – inflação r = 0,10 – 0,05 r = 0,05 E, portanto: Dr = 2000 . 0,05 Dr = 100 Por fim: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 71 100 8 RO = RP – Dr RO = 100 – 100 RO = 0 O resultado zero equivale ao que chamamos de equilíbrio. Gabarito: “b” 9. (2019/VUNESP/CAMPINAS/Economista) Ocorre um déficit primário do setor público quando a) o total das receitas do Governo for inferior ao total de suas despesas, independentemente da natureza das mesmas. b) o Governo consegue reduzir de forma permanente sua dívida pública interna para com o setor privado. c) as receitas financeiras do Governo são inferiores às suas despesas financeiras. d) o Governo não necessita emitir papel-moeda para financiar os seus gastos. e) as despesas não financeiras do Governo são maiores que suas receitas não financeiras. Comentários: A alternativa “e” conceitua corretamente o déficit primário: o excesso de despesas não financeiras sobre as receitas não financeiras, e por isso é nosso gabarito. A alternativa “a” traz o conceito de resultado nominal, e não pode ser nosso gabarito. O fato de o governo conseguir reduzir sua dívida indica um resultado superavitário... não tem como “b” ser nossa resposta. Em “c”, estamos falando do resultado financeiro, que entra no cômputo do resultado operacional, logo após ser apurado o resultado primário. A alternativa “d” fala de uma forma que o governo tem de financiar seus gastos, e se o governo não tem essa necessidade, é sinal de resultado positivo (superávit). Gabarito: ”e” 10. (2018/FGV/ALERO/Analista Legislativo - Economia) O déficit primário mostra de que forma a política fiscal do governo está sendo conduzida, ao apurar a arrecadação tributária, os gastos correntes e o investimento público. As opções a seguir listam características do déficit primário, à exceção de uma. Assinale-a. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 72 100 9 a) Representa o esforço fiscal do governo, separando-o do efeito da variação nas taxas de juros. b) Deduz do déficit operacional as receitas e despesas financeiras. c) Mede a diferença entre receitas e despesas não financeiras. d) Engloba todas demandas de recursos pelo setor público. e) Independe do estoque da dívida pública. Comentários: O déficit primário representa o esforço fiscal do governo (arrecadação e tributação), sem efeito das taxas de juros, de forma que “a” está correta, e não é nosso gabarito. De fato, se partirmos do déficit operacional e retirarmos as receitas e despesas financeiras, determos o déficit primária. Correta a letra “b”. Em “c”, temos a precisa definição do resultado primário. O déficit primário seria o inverso: diferença entre despesas e receitas não financeiras. Mas talvez estejamos sendo excessivamente rigorosos e tenha uma alternativa “mais errada”. Em “d”, de forma mais clara, está nosso gabarito. O déficit primário não engloba todas as demandas, pois ignora juros e inflação. A medida mais abrangente é a nominal, sendo a primária a mais restrita. Aqui está a alternativa “mais errada”. Na ausência de “d”, eu marcaria “c”. Por fim, “e” está correta, pois o estoque da dívida sensibiliza apenas os resultados operacional e nominal. Gabarito: “d” 11. (2015/VUNESP/SP/Auditor Municipal de Controle Interno) Considere um governo deficitário que tenha uma dívida de R$ 1 bilhão, pela qual paga uma taxa de juros. Suponha que a taxa de inflação aumente e o governo decida aumentar a taxa de juros nominal de modo que a taxa de juros real não se altere. Pode-se dizer que, na situação descrita, os deficit primário, operacional e nominal, respectivamente, a) aumenta, aumenta e aumenta. b) aumenta, não se altera e aumenta. c) não se altera, não se altera e aumenta. d) não se altera, aumenta e não se altera. e) não se altera, aumenta e aumenta. Comentários: Na prática, a única coisa que está mudando é a taxa de juros nominal. Sendo assim, apenas o resultado nominal será afetado, e apenas a alternativa “c” é uma candidata a gabarito. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 73 100 10 Veja só: despesas não financeiras – receitas não financeiras = déficit primário se não muda... ...e não muda... ...então não muda déficit primário + juros reais = déficit operacional não muda não muda não muda déficit primário + juros nominais = déficit nominal não muda aumenta aumenta Gabarito: “c” 12. (2015/VUNESP/SP/Analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental) Em um determinado ano, a dívida total do governo era R$ 1 bilhão, sobre a qual se pagavam juros de 10%, e a inflação foi de 2%. Se, no ano seguinte, o resultado primário permaneceu o mesmo, mas a inflação aumentou para 3% e a taxa de juros para 12%, o deficit operacional, aproximadamente, a) aumentou R$ 10 milhões. b) aumentou R$ 20 milhões. c) diminuiu R$ 20 milhões. d) diminuiu R$ 10 milhões. e) permaneceu o mesmo. Comentários: Vejamos o que aconteceu, lembrando que “juros nominais = juros reais + inflação” e que o resultado com juros reais é igual à dívida total multiplicada pelos juros reais: Os juros reais eram de 8% (10% – 2%) e passaram a ser de 9% (12% - 3%). Sendo assim: déficit primário + Resultado com juros reais = déficit operacional não mudou aumentou de R$80 milhões (1 bi vezes 0,08) para R$90 milhões (1 bi vezes 0,09). Aumento de R$10 milhões aumenta em R$10 milhões Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 74 100 11 E com isso temos o gabarito. Gabarito: ”a” 13. (2014/VUNESP/DESENVOLVE/Economista) Se o governo arrecada $1 000 e gasta $900, tem uma dívida de $2 000 e a taxa de inflação é 5%, um déficit operacional de $100 indica que a taxa de juros paga pela dívida é, aproximadamente: a) zero. b) 5%. c) 10%. d) 15%. e) 20%. Comentários: A primeira coisa a saber é que quando a questão falar apenas “juros”, devemos entender tratar- se dos juros nominais, Sendo assim, primeiro descobrimos o resultado primário: despesas não financeiras – receitas não financeiras = déficit primário 900 1000 -100 Lembrando que déficit primárionegativo significa superávit primário, ou seja, déficit de -100 significa superávit de 100. Sendo assim, prosseguirmos para descobrir os juros reais, já que temos o déficit primário e o déficit operacional foi fornecido: déficit primário + juros reais = déficit operacional -100 r 100 Portanto, os juros reais (r) são de 200 (-100 + 200 = 100). Isso equivale a 10% da dívida em juros reais (200/2000=0,1). A inflação foi definida como 5%, e os juros nominais (n) são iguais a soma entre juros reais (r) e inflação (i): n = r + i n = 0,1 + 0,05 Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 75 100 12 n= 0,15 Portanto, o governo paga 15% de juros pela dívida. Gabarito: “d” 14. (2002/VUNESP/BNDES/Profissional Básico - Economia) Os termos "acima da linha" e "abaixo da linha", aplicados em relação ao déficit público no Brasil, correspondem a a) duas definições distintas de déficit público, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não dos pagamentos de juros pelo governo. b) dois conceitos distintos de déficits, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não da correção monetária paga pelo governo. c) conceitos distintos de déficit, calculados a partir da mesma fonte de informações. d) duas formas de medir o déficit, respectivamente, a partir de sua geração e de seu financiamento. e) duas definições distintas de déficit público, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não das despesas de capital do governo. Comentários: Temos duas formas de mensuração do déficit público: Acima da linha: ocorre quando se mede o déficit com base na execução orçamentária das entidades que o geram, isto é, diretamente das receitas e das despesas. No caso do governo, verificamos quais foram os gastos com, por exemplo, educação, saúde, custeio etc. (enfim, todos os gastos das entidades) e quais foram as receitas, para, então, verificarmos o déficit ou superávit público. Abaixo da linha: por este método, mede-se o tamanho do déficit pelo lado do financiamento. Em vez de se preocupar com as receitas e gastos, simplesmente, faz-se a seguinte pergunta: quanto eu tenho que pagar (quanto eu tenho que financiar)? A resposta será o próprio déficit público – no conceito nominal. Portanto, está correta a letra “d”, e necessariamente incorretas todas as demais, que falam que são conceitos ou definições distintas. Gabarito: “d” 15. (2021/FGV/TJ-RO/Analista Judiciário - Economista) O cálculo do resultado primário no conceito acima da linha pode ser obtido através: a) do déficit público abaixo da linha; Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 76 100 13 b) do déficit público acima da linha descontada a despesa de juros nominais; c) das necessidades de financiamento do setor público; d) do resultado da variação da dívida fiscal líquida; e) da necessidade de financiamento do setor público nominal descontada a inflação. Comentários: Essa questão está aqui para deixar claro que quando a banca fala apenas “déficit público”, ela quer dizer “déficit público nominal”. O mesmo que vale para as NFSP, lembra? Sendo assim, o déficit primário pode ser obtido do déficit nominal, subtraindo-se as despesas de juros nominais (e somando as receitas, embora a questão omita esse fato). Gabarito: “b” 16. (2002/ESAF/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Na teoria econômica, muitas vezes é oportuno classificar as variáveis como sendo do tipo “estoque” ou “fluxo”. Tomando como caso os conceitos de dívida e déficit público, pode-se dizer que: a) A dívida pública pode ser considerada como um a variável do tipo “fluxo” enquanto o déficit público pode ser considerado uma variável do tipo “estoque”. b) A dívida pública pode ser considerada como uma variável do tipo “estoque” enquanto o déficit público pode ser considerado como uma variável do tipo “fluxo”. c) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “fluxo”. d) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “estoque”. e) Dependendo do enfoque, tanto o déficit quanto a dívida pública podem ser considerados variáveis “estoque” ou variáveis “fluxo”. Comentários: A cada ano que o governo apresenta déficit público (variável fluxo), aumenta a dívida pública (variável estoque). O superávit, por outro lado, reduz a dívida pública. Portanto, a dívida pública é o acúmulo de sucessivos déficits ou superávits. Gabarito: “b” 17. (2014/FCC/TCE-GO/Analista de Controle Externo) Para o cálculo do superávit primário NÃO são levados em consideração, a) a contribuição para o financiamento da seguridade social. b) o imposto de renda de pessoas físicas. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 77 100 14 c) o imposto sobre operações financeiras. d) os juros e correção monetária da dívida pública. e) os cortes na folha de pagamento dos funcionários públicos. Comentários: O resultado primário leva em consideração todas as receitas e despesas não-financeiras. Os tributos são receitas não-financeiras, e por isso as alternativas “a”, “b” e “c” não podem ser o gabarito. A alternativa “e” traz um exemplo de redução de despesas não-financeiras (corte de pagamentos de funcionários públicos), e por isso compõe o superávit primário. Os juros e correção monetária, por fim, não entram no conceito primário; juros reais fazem parte do conceito operacional, e correção monetária do conceito nominal. Gabarito: “d” 18. (2010/FCC/SEFAZ-SP/Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas) É correto afirmar: a) O que diferencia os bens públicos dos bens privados é a natureza jurídica da entidade que os produz. b) No conceito de déficit público nominal também são contabilizados os juros e a correção monetária da dívida pública. c) Impostos indiretos são aqueles cujo responsável pelo recolhimento é o agente que fez sua retenção. d) Um imposto é dito progressivo se com o passar do tempo é ampliada sua base de contribuintes. e) A existência de um superávit primário é suficiente para garantir a redução da dívida pública. Comentários: O conceito nominal é o mais abrangente, por isso no déficit nominal são contabilizados os juros e a correção monetária da dívida, exatamente como consta na letra “b”, além das receitas e despesas não financeiras. O erro na alternativa “e” está no fato de que se houver déficit operacional, significa que o setor público não teve capacidade de suportar os juros reais da dívida sem se endividar, ou seja, sem elevar seu nível de endividamento. As alternativas “a”, “c” e “d” fogem ao escopo desta aula. Mas, rapidamente: o que diferencia bens públicos de bens privados são as características de rivalidade e exclusividade; impostos indiretos são aqueles que incidem sobre transações (e não sobre patrimônio); imposto progressivo é aquele cuja alíquota aumenta conforme aumenta a base tributária (normalmente a renda). Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 78 100 15 Gabarito: “b” 19. (2008/FCC/TCE-CE/Analista de Controle Externo) É uma medida que reduz o déficit primário do setor público: a) empréstimo tomado por antecipação da receita orçamentária. b) aumento da base monetária. c) construção de pontes e viadutos. d) redução da taxa de juros incidente sobre a dívida pública. e) alienação de bens imóveis do setor público. Comentários: O déficit primário leva em consideração apenas as despesas e receitas não-financeiras. Por isso, as alternativas A, B e D podem ser eliminadas. A alternativa C traz uma situação que aumentaria o déficit primário,pois trata de um gasto do governo. A venda (alienação) de bens imóveis do setor público, por outro lado, implicaria em aumento das receitas do governo. Gabarito: “e” 20. (2015/FCC/TCE-CE/Analista de Controle Externo) As Necessidades de Financiamento do Setor Público − NFSP NÃO a) dependem, dentre outros fatores, do déficit fiscal do governo. b) podem ser financiadas por emissão de títulos públicos. c) denotam a variação da dívida líquida do setor público somada ao saldo líquido dos ajustes patrimoniais do setor público. d) representam o estoque total da dívida pública de um país. e) dependem da diferença entre o serviço de juros da dívida pública e o superávit primário. Comentários: As NFSP são, tal como os déficits ou superávits, variáveis do tipo fluxo. Portanto, medem a variação do endividamento em determinado período. A dívida pública, por outro lado, é uma variável do tipo estoque, que aumenta ou diminui conforme o governo registra déficits ou superávits, respectivamente. Basta pensarmos nos Déficits/Superávits e nas NFSP como a água que cai de uma torneira, e na dívida pública como a água que acumula embaixo. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 79 100 16 Gabarito: ”d” 21. (2002/ESAF/MDIC/Analista de Comércio Exterior) Com relação aos conceitos de déficit e dívida pública, é incorreto afirmar que: a) o fato de os impostos serem maiores do que os gastos públicos não financeiros não garante uma redução na proporção dívida pública/ PIB b) o déficit público pode ser considerado como "variável fluxo" c) a dívida pública pode ser considerada como "variável estoque" d) a proporção dívida pública/PIB não pode ser maior do que 1 e) quanto maiores forem as taxas nominais dos títulos públicos, maior deverá ser a necessidade de financiamento do setor público em seu conceito nominal Comentários: Vamos à análise das alternativas: a) o fato de os impostos serem maiores do que os gastos públicos não financeiros não garante uma redução na proporção dívida pública/ PIB Essa afirmação está correta. Perceba que o fato de os impostos serem superiores aos gastos públicos não financeiros implicam em superávit primário. Contudo, caso o resultado financeiro (receitas financeiras menos despesas financeiras) seja negativo, superando o superávit primário, o governo incidirá em déficit operacional e aumento da dívida. b) o déficit público pode ser considerado como "variável fluxo" Correto. O governo pode incorrer em déficit em determinado mês, trimestre, ano etc. A mensuração em determinado período de tempo é a principal característica das variáveis do tipo “fluxo”. c) a dívida pública pode ser considerada como "variável estoque" Novamente correto. Os sucessivos déficits e superávits aumentam ou diminuem, respectivamente, o saldo da dívida. Saldos acumulados são a principal característica das variáveis do tipo “estoque”. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 80 100 17 d) a proporção dívida pública/PIB não pode ser maior do que 1 Besteira! A proporção dívida pública/PIB é um importante termômetro do endividamento de um país, mas ela pode sim ser superior a 1, indicando que o país tem um saldo de dívida superior ao seu PIB anual. O índice dos EUA é superior a 1 (enquanto escrevo esta aula), enquanto o do Japão é maior do que 2! Claro que isso não é um problema para eles, pois esses países têm fama de bons pagadores e pagam juros ínfimos. Para nós, índices tão altos seriam um grande problema. e) quanto maiores forem as taxas nominais dos títulos públicos, maior deverá ser a necessidade de financiamento do setor público em seu conceito nominal Isso está correto, pois taxas maiores implicarão em maiores atualizações monetárias da dívida pública. Gabarito: “d” 22. (2014/FEPESE/ISS-FLORIPA/Auditor Fiscal de Tributos Municipais) Sobre o conceito de déficit público e suas alternativas de financiamento, é correto afirmar: a) O conceito de déficit público nominal inclui o pagamento de juros reais da dívida pública e exclui o pagamento de correção monetária. b) A venda de ativos através de um programa de privatização tem como efeito de curto prazo o aumento do déficit público. c) Um aumento do déficit público pode ser financiado pelo aumento da dívida pública. d) O conceito de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) operacional exclui do cálculo o pagamento de juros reais e o pagamento de correção monetária sobre a dívida pública. e) A definição de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) primário é a mais relevante do ponto de vista da medida do esforço fiscal, pois inclui todas as despesas do governo em gastos correntes, investimentos e pagamentos de juros e correção monetária. Comentários: O déficit público pode ser financiado, basicamente, de três formas: • Aumento da tributação • Emissão de moeda • Endividamento Por isso, a letra “c” é nosso gabarito. Vejamos o erro, enquanto consertamos, as demais alternativas. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 81 100 18 a) O conceito de déficit público nominal inclui o pagamento de juros reais da dívida pública e exclui o pagamento de correção monetária. b) A venda de ativos através de um programa de privatização tem como efeito de curto prazo o aumento a redução do déficit público. d) O conceito de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) operacional exclui inclui do cálculo o pagamento de juros reais e exclui o pagamento de correção monetária sobre a dívida pública. e) A definição de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) primário nominal é a mais relevante do ponto de vista da medida do esforço fiscal, pois inclui todas as despesas do governo em gastos correntes, investimentos e pagamentos de juros e correção monetária. Gabarito: “c” 23. (2014/CETRO/ISS-SP/Auditor Fiscal Tributário Municipal) Sobre necessidades de financiamento do setor público, assinale a alternativa incorreta. a) O déficit nominal é obtido pela diferença entre os gastos públicos e as receitas públicas. b) A necessidade de financiamento do setor público no conceito operacional não considera a correção monetária incidente sobre a dívida fiscal líquida. c) O critério “abaixo da linha” observa o déficit público com base na variação da dívida pública, pela ótica de seu financiamento. d) No Brasil, as necessidades de financiamento do setor público, bem como a dívida líquida do setor público são apuradas pelo regime de caixa. e) As necessidades de financiamento do setor público no conceito primário exclui das necessidades de financiamento nominais o pagamento de juros que incide sobre a dívida fiscal líquida. Comentários: Todas, exceto “d”, estão erradas, e por isso não vou aprofundar os comentários nas alternativas corretas. Mesmo “d” não está de todo errada, já que as NFSP são apuradas pelo regime de caixa, com exceção dos juros, que seguem o regime de competência. Mas é suficiente para ser o gabarito diante das demais alternativas perfeitas. Gabarito: “d” Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 82 100 19 24. (2018/FGV/ALERO/Analista Legislativo - Economia) Suponha que a inflação de um país seja nula. Considerando os conceitos de necessidades públicas de financiamento e suas derivações, a poupança do governo desse país é negativa quando, necessariamente, a) há déficit público. b) a soma do consumo do governo e dos juros da dívida é positiva. c) a arrecadação dos impostos supera o investimento público. d) a necessidade de financiamento do setorpúblico supera a arrecadação com privatizações. e) a necessidade de financiamento do governo supera o investimento do governo. Comentários: Perceba que as alternativas abordam conceitos como déficit, NFSP, consumo do governo, juros da dívida, arrecadação e investimento público. Portanto, devemos resgatar as expressões que envolvem esses conceitos. Faremos isso ao analisar cada alternativa. a) há déficit público. Errado, porque: RESULTADO PÚBLICO = poupança do governo – gastos de capital Sendo assim, mesmo se houve déficit público, é possível que a poupança do governo seja positiva, desde que o investimento do governo (gastos de capital) supere essa poupança. Exemplo: -100 = 500– 600 Acima, a poupança do governo foi de 500, mas com investimentos de 600, houve resultado negativo (déficit) de 100. b) a soma do consumo do governo e dos juros da dívida é positiva. Errado. Qualquer que seja o resultado da soma do consumo do governo com os juros da dívida forem positivos, só podemos concluir algo sobre a poupança pública se soubermos a arrecadação: poupança pública = arrecadação – consumo do governo (gastos correntes) E só podemos concluir algo sobre o resultado se soubermos o investimento público (além da poupança pública e arrecadação): resultado público = poupança do governo – gastos de capital Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 83 100 20 c) a arrecadação dos impostos supera o investimento público. Seria verdade se falasse que a poupança pública é positiva quando a arrecadação supera o consumo do governo. Afinal: poupança pública = arrecadação – consumo do governo (gastos correntes) d) a necessidade de financiamento do setor público supera a arrecadação com privatizações. Errado, e não nos diz nada. Mas vamos aproveitar para desenvolver o raciocínio (pode pular se estiver com pressa). A arrecadação com privatizações é uma fonte de receitas não financeiras. Não são a única, mas assumindo que fossem, e se as receitas não financeiras forem superadas pelas NFSP, e considerando que: NFSP = despesas totais – receitas totais Desdobrando as receitas: NFSP = despesas totais – receitas financeiras + receitas não financeiras Sendo assim, sabendo que: NFSP > receitas não financeiras Só podemos concluir que as despesas totais superam as receitas financeiras, o que não nos diz nada em termos dos conceitos aprendidos. e) a necessidade de financiamento do governo supera o investimento do governo. Só pode ser o gabarito. E a resposta está aqui: NFSP = investimento do governo – poupança do governo Reorganizando os termos: poupança do governo = investimento do governo – NFSP Note, portanto, que a poupança do governo negativa implica, necessariamente, em um resultado negativa do lado direito da equação, ou seja: NFSP > Investimento do governo. Exemplo numérico para ilustrar: se o investimento do governo é de 400, superado por uma NFSP de 600, teremos: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 84 100 21 poupança do governo = 400 – 600 poupança do governo = –200 Gabarito: “e” 25. (2009/FUNDATEC/SEFAZ-RS/Auditor-Fiscal da Receita Estadual) A disciplina de Finanças Públicas utiliza vários conceitos para o termo Déficit, podendo, assim, lidar com essa grandeza em diferentes circunstâncias. Assinale V (verdadeiro) ou F (Falso) para as afirmações seguintes, relacionadas a esse tema. ( ) Déficit Primário é a diferença, a maior, entre gastos não financeiros e receitas não financeiras. ( ) As Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) podem ser apuradas pelo Déficit Operacional, acrescido de juros da dívida. ( ) Déficit Operacional é medido pelo Déficit Primário mais os juros reais da dívida. ( ) Em uma execução orçamentária, o montante de Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) é bastante próximo do montante que resulta da variação da Dívida Fiscal Líquida (DFL). A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima-para baixo, é a) F - F - F - V. b) V - F- V - V. c) V - F- V - F. d) V - V - V -V. e) F - V - F - F. Comentários: (V) Déficit Primário é a diferença, a maior, entre gastos não financeiros e receitas não financeiras. Realmente o déficit primário é dado como a diferença entre gastos e receitas não financeiras, a maior, pois é o valor positivo que significará déficit. (F) As Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) podem ser apuradas pelo Déficit Operacional, acrescido de juros da dívida. Errado. O Déficit Operacional já contempla os juros reais da dívida, faltando apenas a correção monetária para chegar às NFSP. (V) Déficit Operacional é medido pelo Déficit Primário mais os juros reais da dívida. Agora sim. A diferença entre os dois é dada exatamente pelos juros reais sobre a dívida pública. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 85 100 22 (V) Em uma execução orçamentária, o montante de Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) é bastante próximo do montante que resulta da variação da Dívida Fiscal Líquida (DFL). De fato: Resultado nominal s/ desvalorização cambial variação da DLSP – Ajustes patrimoniais – impacto da variação cambial sobre as dívidas interna e externa Resultado nominal c/ desvalorização cambial variação da DLSP – Ajustes patrimoniais – impacto da variação cambial sobre dívida externa Resultado nominal variação da DFL entre dois períodos Resultado operacional variação da DFL – correção monetária da dívida* Resultado primário variação da DFL – correção monetária da dívida – Juros reais DFL = DLSP – ajuste patrimonial Acredito que o “bastante próximo” usado pela banca seja devido às imprecisões que ocorrem na apuração “na prática”, apesar de teoricamente serem idênticos. Gabarito: “b” 26. (2017/FGV/PREF SALVADOR/Nível Superior - Economia ou Gestão Financeira) O governo pode obter o conceito nominal das Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) a partir a) da dedução da NFSP primário os juros reais da dívida. b) do resultado da variação da dívida fiscal líquida. c) da diferença entre a dívida líquida do setor público e o ajuste patrimonial. d) da dedução do NFSP operacional dos juros reais da dívida. e) da soma das reservas internacionais e da receita de juros pelo regime de caixa. Comentários: Aqui, mais uma vez, note que obtemos o resultado nominal das NFSP pela variação da DFL: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 86 100 23 Resultado nominal variação da DFL entre dois períodos As demais alternativas simplesmente não levam a qualquer mensuração relevante, mas a letra “c” estaria correta se escrita assim: c) da diferença entre a variação da dívida líquida do setor público e deduzido o ajuste patrimonial. Gabarito: “b” 27. (2010/CESGRANRIO/EPE/Analista de Gestão Corporativa - Finanças e Orçamento) Acerca das necessidades de financiamento do setor público, analise as afirmativas a seguir. I - Na apuração do resultado nominal, devem ser acrescentados ao resultado primário os valores pagos e recebidos de juros nominais junto ao sistema financeiro, ao setor privado não financeiro e ao resto do mundo. II - A necessidade de financiamento do setor público, no conceito primário, exclui das necessidades de financiamentos nominais o pagamento de juros nominais que incide sobre a dívida fiscal líquida. III - A principal diferença entre o resultado primário e o resultado operacional do governo consiste no fato de que, no primeiro, são computados os juros sobre a dívida pública e no segundo, não.Está correto o que se afirma em a) I, apenas. d) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I,II e III. Comentários: Vamos analisar cada uma das alternativas, sempre com atenção à estratégia para este tipo de questão: I - Na apuração do resultado nominal, devem ser acrescentados ao resultado primário os valores pagos e recebidos de juros nominais junto ao sistema financeiro, ao setor privado não financeiro e ao resto do mundo. Isso está correto: partindo-se do resultado primário, soma-se os juros (e quando falar apenas “juros”, entenda como “juros nominais”) para chegar ao resultado nominal. Observe que isso elimina duas alternativas: “b” e “d”. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 87 100 24 II - A necessidade de financiamento do setor público, no conceito primário, exclui das necessidades de financiamentos nominais o pagamento de juros nominais que incide sobre a dívida fiscal líquida. Correto também. Na verdade, é a mesma coisa, mas em sentido inverso: partindo do resultado nominal, retira-se os juros para chegar ao resultado primário. Está eliminada a letra “a”, III - A principal diferença entre o resultado primário e o resultado operacional do governo consiste no fato de que, no primeiro, são computados os juros sobre a dívida pública e no segundo, não. Errado! O resultado primário não computa os juros. Temos nosso gabarito. Gabarito: “c” 28. (2021/FGV/TJ-RO/Analista Judiciário - Economista) Um aumento da necessidade de financiamento do setor público no conceito operacional: a) reduz o déficit nominal, quando a inflação se mantém constante; b) eleva o déficit primário, quando receitas e despesas financeiras se mantêm constantes; c) pode decorrer de um aumento da arrecadação não financeira, ceteris paribus; d) pode decorrer de uma expansão da base monetária compensada por redução da dívida ública nas mãos do setor privado; e) pode decorrer de uma redução dos investimentos governamentais, mantida a poupança do governo constante. Comentários: Vamos lembrar que: NFSP Operacional (abaixo da linha) = Déficit Operacional (acima da linha). Sendo assim: NFSPOPER = Déficit Primário + Despesas Financeiras – Receitas Financeiras Portanto, se houve aumento em NFSPOPER sem mudança nas despesas e receitas financeiras, só pode ter havido elevação do déficit primário: NFSPOPER ▲= Déficit Primário ▲ + (Despesas Financeiras – Receitas Financeiras) ■ Sendo assim, a alternativa “b” é o gabarito, embora a insinuação de causa e efeito não seja tão apropriada. Vejamos as demais alternativas: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 88 100 25 a) reduz o déficit nominal, quando a inflação se mantém constante; Pelo contrário: elevar o déficit operacional, mantendo constante a inflação, elevará, no mesmo montante, o déficit nominal. c) pode decorrer de um aumento da arrecadação não financeira, ceteris paribus; Errado. O aumento da arrecadação não financeira reduziria as NFSP em todos os conceitos (primário, operacional ou nominal). d) pode decorrer de uma expansão da base monetária compensada por redução da dívida pública nas mãos do setor privado; Errado. A expansão da base monetária é assunto extra aula, mas a redução da dívida com o setor privado pode reduzir ou manter a NFSP, a depender do motivo da redução: se foi amortização, haverá redução, se for assunção pelo setor externo, não haverá alteração. e) pode decorrer de uma redução dos investimentos governamentais, mantida a poupança do governo constante. Errado. A redução dos investimentos governamentais reduz as NFSP, novamente, em todos os critérios, pois é uma despesa não financeira. Gabarito: “b” Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 89 100 26 LISTA DE QUESTÕES 1. (2016/VUNESP/GRU/Economista) Quando os gastos do governo são superiores à sua arrecadação, ocorre o fenômeno a) da Deflação. b) do Déficit Público. c) da Curva de Phillips. d) do Custo de oportunidade. e) do Custo explícito. 2. (2019/FGV/DPE RJ/Técnico Superior Especializado - Economia) [adaptada] Dois dos principais agregados macroeconômicos são a renda e a despesa agregadas. Em equilíbrio, a renda e a despesa agregadas devem se igualar. Portanto, sempre que houver déficit público, deverá ocorrer: a) excesso de poupança dos setores privado e externo; a) excesso de investimento público; a) inflação e taxa crescente de juros; a) depreciação do capital; a) aumento do multiplicador do consumo. 3. (2019/FGV/DPE-RJ/Técnico Superior Especializado - Economia) Um analista emitiu a seguinte opinião: “Quando houver déficit público, o governo terá poupança negativa”. Considerando uma economia com inflação nula, a opinião acima é: a) recorrente, pois a arrecadação é insuficiente para cobrir os gastos com consumo e juros do governo; b) correta, sempre que a soma de juros da dívida e investimento público for inferior à receita tributária; c) imprecisa, pois a poupança pública pode ser positiva mas insuficiente para financiar o investimento do governo; d) errada, pois a diferença entre arrecadação e a soma de consumo do governo e juros da dívida será necessariamente negativa; e) errada, pois os conceitos de déficit e poupança públicos não se relacionam. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 90 100 27 4. (2014/VUNESP/TJ PA/Analista Judiciário - Economia) O déficit primário se verifica quando a) as receitas do governo são iguais às despesas, não incluindo pagamento dos juros da dívida. b) as receitas do governo são inferiores às despesas, incluindo o pagamento dos juros totais da dívida. c) as receitas do governo são inferiores às despesas, incluindo o pagamento dos juros da dívida descontados da inflação. d) as receitas do governo são inferiores às despesas, não incluindo o pagamento de juros da dívida. e) as receitas do governo são superiores às despesas, não incluindo o pagamento de juros da dívida. 5. (2014/VUNESP/SJRP/Auditor Fiscal Tributário Municipal) A diferença entre os conceitos de déficit público nominal e operacional é que o primeiro a) é obtido incluindo-se os gastos com os juros nominais cobrados sobre as dívidas interna e externa, enquanto no segundo somente são incluídos os juros reais. b) representa a diferença entre as receitas e despesas correntes de todas as esferas de Governo, enquanto no segundo é representada a diferença entre as receitas e despesas de capital. c) representa a diferença entre as receitas e despesas financeiras dos entes públicos, enquanto o segundo representa a diferença entre as receitas e despesas não financeiras. d) corresponde ao aumento da dívida bruta do setor público, enquanto o segundo corresponde ao aumento da dívida líquida. e) não inclui os investimentos realizados pelos entes públicos, enquanto o segundo inclui. 6. (2019/FCC/AFAP/Analista de Fomento - Economista) Conforme dados do Banco Central do Brasil, as necessidades de financiamento do setor público, em fluxo de 12 meses na posição de abril de 2018, apresentaram resultado nominal de R$ 499.255 milhões e resultado primário de R$ 118.397 milhões. Com isso, a) a diferença entre os resultados nominal e primário corresponde aos juros reais. b) os juros reais superaram os juros nominais. c) o resultado operacional foi superior ao resultado nominal. d) no resultado primário estão adicionados os juros nominais. e) no período o setor público apresentou déficit Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economiae Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 91 100 28 7. (2019/VUNESP/MPE SP/Analista Técnico Científico - Economista) Leia o texto para responder à questão. Num determinado ano, um governo arrecada $ 800 e tem gastos (sem contar juros) de $ 700. O total da dívida é $ 2 000, a taxa de juros básica 10% ao ano e a taxa de inflação 5% naquele ano. O resultado nominal desse governo foi: a) superavitário em $ 100. b) equilibrado. c) deficitário de $ 100. d) deficitário de $ 200. e) deficitário de $ 300. 8. (2019/VUNESP/MPE SP/Analista Técnico Científico - Economista) Leia o texto para responder à questão. Num determinado ano, um governo arrecada $ 800 e tem gastos (sem contar juros) de $ 700. O total da dívida é $ 2 000, a taxa de juros básica 10% ao ano e a taxa de inflação 5% naquele ano. O resultado operacional desse governo foi: a) superávit de $ 100. b) equilíbrio. c) déficit de $ 100. d) déficit de $ 200. e) déficit de $ 300. 9. (2019/VUNESP/CAMPINAS/Economista) Ocorre um déficit primário do setor público quando a) o total das receitas do Governo for inferior ao total de suas despesas, independentemente da natureza das mesmas. b) o Governo consegue reduzir de forma permanente sua dívida pública interna para com o setor privado. c) as receitas financeiras do Governo são inferiores às suas despesas financeiras. d) o Governo não necessita emitir papel-moeda para financiar os seus gastos. e) as despesas não financeiras do Governo são maiores que suas receitas não financeiras. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 92 100 29 10. (2018/FGV/ALERO/Analista Legislativo - Economia) O déficit primário mostra de que forma a política fiscal do governo está sendo conduzida, ao apurar a arrecadação tributária, os gastos correntes e o investimento público. As opções a seguir listam características do déficit primário, à exceção de uma. Assinale-a. a) Representa o esforço fiscal do governo, separando-o do efeito da variação nas taxas de juros. b) Deduz do déficit operacional as receitas e despesas financeiras. c) Mede a diferença entre receitas e despesas não financeiras. d) Engloba todas demandas de recursos pelo setor público. e) Independe do estoque da dívida pública. 11. (2015/VUNESP/SP/Auditor Municipal de Controle Interno) Considere um governo deficitário que tenha uma dívida de R$ 1 bilhão, pela qual paga uma taxa de juros. Suponha que a taxa de inflação aumente e o governo decida aumentar a taxa de juros nominal de modo que a taxa de juros real não se altere. Pode-se dizer que, na situação descrita, os deficit primário, operacional e nominal, respectivamente, a) aumenta, aumenta e aumenta. b) aumenta, não se altera e aumenta. c) não se altera, não se altera e aumenta. d) não se altera, aumenta e não se altera. e) não se altera, aumenta e aumenta. 12. (2015/VUNESP/SP/Analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental) Em um determinado ano, a dívida total do governo era R$ 1 bilhão, sobre a qual se pagavam juros de 10%, e a inflação foi de 2%. Se, no ano seguinte, o resultado primário permaneceu o mesmo, mas a inflação aumentou para 3% e a taxa de juros para 12%, o deficit operacional, aproximadamente, a) aumentou R$ 10 milhões. b) aumentou R$ 20 milhões. c) diminuiu R$ 20 milhões. d) diminuiu R$ 10 milhões. e) permaneceu o mesmo. 13. (2014/VUNESP/DESENVOLVE/Economista) Se o governo arrecada $1 000 e gasta $900, tem uma dívida de $2 000 e a taxa de inflação é 5%, um déficit operacional de $100 indica que a taxa de juros paga pela dívida é, aproximadamente: Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 93 100 30 a) zero. b) 5%. c) 10%. d) 15%. e) 20%. 14. (2002/VUNESP/BNDES/Profissional Básico - Economia) Os termos "acima da linha" e "abaixo da linha", aplicados em relação ao déficit público no Brasil, correspondem a a) duas definições distintas de déficit público, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não dos pagamentos de juros pelo governo. b) dois conceitos distintos de déficits, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não da correção monetária paga pelo governo. c) conceitos distintos de déficit, calculados a partir da mesma fonte de informações. d) duas formas de medir o déficit, respectivamente, a partir de sua geração e de seu financiamento. e) duas definições distintas de déficit público, que se diferenciam, respectivamente, pela inclusão ou não das despesas de capital do governo. 15. (2021/FGV/TJ-RO/Analista Judiciário - Economista) O cálculo do resultado primário no conceito acima da linha pode ser obtido através: a) do déficit público abaixo da linha; b) do déficit público acima da linha descontada a despesa de juros nominais; c) das necessidades de financiamento do setor público; d) do resultado da variação da dívida fiscal líquida; e) da necessidade de financiamento do setor público nominal descontada a inflação. 16. (2002/ESAF/BANCO CENTRAL DO BRASIL/Analista) Na teoria econômica, muitas vezes é oportuno classificar as variáveis como sendo do tipo “estoque” ou “fluxo”. Tomando como caso os conceitos de dívida e déficit público, pode-se dizer que: a) A dívida pública pode ser considerada como um a variável do tipo “fluxo” enquanto o déficit público pode ser considerado uma variável do tipo “estoque”. b) A dívida pública pode ser considerada como uma variável do tipo “estoque” enquanto o déficit público pode ser considerado como uma variável do tipo “fluxo”. c) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “fluxo”. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 94 100 31 d) Tanto a dívida pública quanto o déficit público são variáveis “estoque”. e) Dependendo do enfoque, tanto o déficit quanto a dívida pública podem ser considerados variáveis “estoque” ou variáveis “fluxo”. 17. (2014/FCC/TCE-GO/Analista de Controle Externo) Para o cálculo do superávit primário NÃO são levados em consideração, a) a contribuição para o financiamento da seguridade social. b) o imposto de renda de pessoas físicas. c) o imposto sobre operações financeiras. d) os juros e correção monetária da dívida pública. e) os cortes na folha de pagamento dos funcionários públicos. 18. (2010/FCC/SEFAZ-SP/Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas) É correto afirmar: a) O que diferencia os bens públicos dos bens privados é a natureza jurídica da entidade que os produz. b) No conceito de déficit público nominal também são contabilizados os juros e a correção monetária da dívida pública. c) Impostos indiretos são aqueles cujo responsável pelo recolhimento é o agente que fez sua retenção. d) Um imposto é dito progressivo se com o passar do tempo é ampliada sua base de contribuintes. e) A existência de um superávit primário é suficiente para garantir a redução da dívida pública. 19. (2008/FCC/TCE-CE/Analista de Controle Externo) É uma medida que reduz o déficit primário do setor público: a) empréstimo tomado por antecipação da receita orçamentária. b) aumento da base monetária. c) construção de pontes e viadutos. d) redução da taxa de juros incidente sobre a dívida pública. e) alienação de bens imóveis do setor público. 20. (2015/FCC/TCE-CE/Analista de Controle Externo) As Necessidades de Financiamento do Setor Público − NFSP NÃO a) dependem, dentre outros fatores, do déficit fiscal do governo. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 95 100 32b) podem ser financiadas por emissão de títulos públicos. c) denotam a variação da dívida líquida do setor público somada ao saldo líquido dos ajustes patrimoniais do setor público. d) representam o estoque total da dívida pública de um país. e) dependem da diferença entre o serviço de juros da dívida pública e o superávit primário. 21. (2002/ESAF/MDIC/Analista de Comércio Exterior) Com relação aos conceitos de déficit e dívida pública, é incorreto afirmar que: a) o fato de os impostos serem maiores do que os gastos públicos não financeiros não garante uma redução na proporção dívida pública/ PIB b) o déficit público pode ser considerado como "variável fluxo" c) a dívida pública pode ser considerada como "variável estoque" d) a proporção dívida pública/PIB não pode ser maior do que 1 e) quanto maiores forem as taxas nominais dos títulos públicos, maior deverá ser a necessidade de financiamento do setor público em seu conceito nominal 22. (2014/FEPESE/ISS-FLORIPA/Auditor Fiscal de Tributos Municipais) Sobre o conceito de déficit público e suas alternativas de financiamento, é correto afirmar: a) O conceito de déficit público nominal inclui o pagamento de juros reais da dívida pública e exclui o pagamento de correção monetária. b) A venda de ativos através de um programa de privatização tem como efeito de curto prazo o aumento do déficit público. c) Um aumento do déficit público pode ser financiado pelo aumento da dívida pública. d) O conceito de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) operacional exclui do cálculo o pagamento de juros reais e o pagamento de correção monetária sobre a dívida pública. e) A definição de necessidade de financiamento do setor público (NFSP) primário é a mais relevante do ponto de vista da medida do esforço fiscal, pois inclui todas as despesas do governo em gastos correntes, investimentos e pagamentos de juros e correção monetária. 23. (2014/CETRO/ISS-SP/Auditor Fiscal Tributário Municipal) Sobre necessidades de financiamento do setor público, assinale a alternativa incorreta. a) O déficit nominal é obtido pela diferença entre os gastos públicos e as receitas públicas. b) A necessidade de financiamento do setor público no conceito operacional não considera a correção monetária incidente sobre a dívida fiscal líquida. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 96 100 33 c) O critério “abaixo da linha” observa o déficit público com base na variação da dívida pública, pela ótica de seu financiamento. d) No Brasil, as necessidades de financiamento do setor público, bem como a dívida líquida do setor público são apuradas pelo regime de caixa. e) As necessidades de financiamento do setor público no conceito primário exclui das necessidades de financiamento nominais o pagamento de juros que incide sobre a dívida fiscal líquida. 24. (2018/FGV/ALERO/Analista Legislativo - Economia) Suponha que a inflação de um país seja nula. Considerando os conceitos de necessidades públicas de financiamento e suas derivações, a poupança do governo desse país é negativa quando, necessariamente, a) há déficit público. b) a soma do consumo do governo e dos juros da dívida é positiva. c) a arrecadação dos impostos supera o investimento público. d) a necessidade de financiamento do setor público supera a arrecadação com privatizações. e) a necessidade de financiamento do governo supera o investimento do governo. 25. (2009/FUNDATEC/SEFAZ-RS/Auditor-Fiscal da Receita Estadual) A disciplina de Finanças Públicas utiliza vários conceitos para o termo Déficit, podendo, assim, lidar com essa grandeza em diferentes circunstâncias. Assinale V (verdadeiro) ou F (Falso) para as afirmações seguintes, relacionadas a esse tema. ( ) Déficit Primário é a diferença, a maior, entre gastos não financeiros e receitas não financeiras. ( ) As Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) podem ser apuradas pelo Déficit Operacional, acrescido de juros da dívida. ( ) Déficit Operacional é medido pelo Déficit Primário mais os juros reais da dívida. ( ) Em uma execução orçamentária, o montante de Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) é bastante próximo do montante que resulta da variação da Dívida Fiscal Líquida (DFL). A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima-para baixo, é a) F - F - F - V. b) V - F- V - V. c) V - F- V - F. d) V - V - V -V. e) F - V - F - F. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 97 100 34 26. (2017/FGV/PREF SALVADOR/Nível Superior - Economia ou Gestão Financeira) O governo pode obter o conceito nominal das Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP) a partir a) da dedução da NFSP primário os juros reais da dívida. b) do resultado da variação da dívida fiscal líquida. c) da diferença entre a dívida líquida do setor público e o ajuste patrimonial. d) da dedução do NFSP operacional dos juros reais da dívida. e) da soma das reservas internacionais e da receita de juros pelo regime de caixa. 27. (2010/CESGRANRIO/EPE/Analista de Gestão Corporativa - Finanças e Orçamento) Acerca das necessidades de financiamento do setor público, analise as afirmativas a seguir. I - Na apuração do resultado nominal, devem ser acrescentados ao resultado primário os valores pagos e recebidos de juros nominais junto ao sistema financeiro, ao setor privado não financeiro e ao resto do mundo. II - A necessidade de financiamento do setor público, no conceito primário, exclui das necessidades de financiamentos nominais o pagamento de juros nominais que incide sobre a dívida fiscal líquida. III - A principal diferença entre o resultado primário e o resultado operacional do governo consiste no fato de que, no primeiro, são computados os juros sobre a dívida pública e no segundo, não. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. d) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I,II e III. 28. (2021/FGV/TJ-RO/Analista Judiciário - Economista) Um aumento da necessidade de financiamento do setor público no conceito operacional: a) reduz o déficit nominal, quando a inflação se mantém constante; b) eleva o déficit primário, quando receitas e despesas financeiras se mantêm constantes; c) pode decorrer de um aumento da arrecadação não financeira, ceteris paribus; d) pode decorrer de uma expansão da base monetária compensada por redução da dívida ública nas mãos do setor privado; e) pode decorrer de uma redução dos investimentos governamentais, mantida a poupança do governo constante. Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 98 100 35 GABARITO 1. B 2. A 3. C 4. D 5. A 6. E 7. C 8. B 9. E 10. D 11. C 12. A 13. D 14. D 15. B 16. B 17. D 18. B 19. E 20. D 21. D 22. C 23. D 24. E 25. B 26. B 27. C 28. B Celso Natale Aula 05 BACEN (Analista - Área 2 - Economia e Finanças) Macroeconomia - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 99 100