Prévia do material em texto
QUÍMICA INDUSTRIAL QUÍM ICA INDUSTRIAL MARCELO GAUTO GILBER ROSA GAUTO // ROSA Artigos elaborados por profissionais atuantes no mercado Casos que introduzem o assunto a ser discutido no capítulo Noções básicas da corrosão e das operações unitárias que envolvem os processos estudados Projeto gráfico e pedagógico especialmente desenvolvido Exercícios para fixação do conteúdo Esta obra chega para preencher uma lacuna: a de inserir os alunos nos processos mais importantes da indústria química. Dirigido especialmente para as áreas de química, meio ambiente, plásticos e petroquímica e aos estudantes da química em geral, aborda de forma qualitativa conteúdos como tratamento de água, petróleo, polímeros, siderurgia, óleos vegetais, sabões, bebidas fermentadas, entre outros. O objetivo dos autores é oferecer uma visão geral da indústria química para quem busca qualificação técnica na área. O livro conta com os seguintes recursos para promover a aprendizagem: QUÍMICA INDUSTRIAL MARCELO GAUTO GILBER ROSA Estudante: visite www. grupoa.com.br/tekne para ter acesso a materiais complementares. Professor: visite a Área do Professor em www. grupoa.com.br para acessar PowerPoints® com aulas estruturadas e outros materiais. www.grupoa.com.br QUÍMICA Conheça também: Química Analítica Rosa, Gauto & Gonçalves 39230_Quimica_Industrial.indd 1 14/09/12 15:28 G278q Gauto, Marcelo. Química industrial [recurso eletrônico] / Marcelo Gauto, Gilber Rosa. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2013. Editado também como livro impresso em 2013. ISBN 978-85-65837-61-3 1. Química. 2. Indústria química. 3. Tecnologia química. I. Rosa, Gilber. II. Título. CDU 66 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 capítulo 6 Fabricação do cimento A palavra cimento é originada do latim caementu, que designava, na Roma antiga, uma espécie de pedra natural de rochedos. A origem do cimento data de aproximadamente 4.500 anos atrás. Diversas misturas de substâncias foram usadas desde a Antiguidade nas construções de templos e palácios. As grandes obras gregas e romanas, como o Panteão e o Coliseu, foram construídas com o uso de solos de origem vulcânica (pozolânico), que possuíam propriedades de endurecimento sob a ação da água. Neste capítulo, vamos estudar o desgaste corrosivo do concreto, bem como os principais tipos de cimento e as reações químicas que estão na gênese do seu preparo. Objetivos Indicar as principais matérias-primas utilizadas na fabricação de cimento. Entender como ocorre o processo de fabricação de cimento Portland. Conhecer as reações químicas envolvidas no preparo do cimento. Saber quais são os principais tipos de cimento. Aprender sobre coprocessamento. Entender como estruturas de concreto sofrem desgaste corrosivo. Compreender a operação unitária de transporte de sólidos. Gauto - Quimica Industrial.indd 173 15/10/2012 12:58:14 174 Q uí m ic a in du st ri al Para iniciar... A extração de minérios no Brasil Semelhante ao que ocorre na indústria siderúrgica, a produção de cimento consome de forma intensiva di- versos minérios. O processo de obtenção dos diversos minérios, tais como minério de ferro, calcário e argila, por exemplo, tem como base o extrativismo mineral. A extração desses minerais de suas jazidas provoca sérias alterações na região onde estão localizadas suas reservas. Além das mudanças físicas da região, associadas à retirada do minério, há questões socio- ambientais envolvidas, como o gerenciamento de re- síduos decorrentes da extração, poluição da água, ga- rimpos ilegais, utilização de mão de obra escrava, por vezes, e o que fazer com a área após a sua exaustão. Hoje, as grandes mineradoras conseguem reduzir parte do impacto da atividade, além de tomarem me- didas compensatórias para as comunidades afetadas. A reconstituição da área afetada pode exigir repor a terra extraída do “buraco”, além do reflorestamento de milhares de hectares em alguns casos. A reconsti- tuição, porém, é lenta, podendo levar décadas, e cus- ta caro, mas é possível e está sendo feita na maioria das grandes jazidas. Graças a essa nova fase da mineração industrial, hoje o garimpeiro artesanal passou a ser um problema maior que as grandes mineradoras, já que o garimpei- ro solitário age sem fiscalização e pautado pelo ins- tinto de sobrevivência. Por isso, usa elementos como o mercúrio para a extração do ouro, por exemplo, po- luindo os rios da região e expondo sua própria saúde. Além disso, muitas vezes, invade terras indígenas e ribeirinhas, levando consigo prostituição, jogo, alco- olismo e drogas para o entorno do garimpo. Pautar o garimpo de forma legal, é um grande desafio a ser superado no Brasil ainda hoje. Introdução O grande passo no desenvolvimento do cimento foi dado em 1756 pelo inglês John Smeaton, que conseguiu obter um produto de alta resistência por meio de calcinação de calcários moles e argilosos. Em 1818, o francês Vicat obteve resultados semelhantes aos de Smeaton pela mistura de componentes argilosos e calcários. Ele é considerado o inventor do cimento artificial. Em 1824, o construtor inglês Joseph Aspdin queimou conjuntamente pedras calcárias e argila, transformando-as em um pó fino. Percebeu que obtinha uma mistura que, após secar, tornava-se tão dura quanto as pedras empregadas nas construções. A mistura não se dissolvia em água e foi patenteada pelo construtor no mesmo ano e batizada de cimento Portland, que recebeu esse nome por apresentar cor e propriedades de durabilidade e solidez semelhantes às rochas da ilha britânica de Portland. Gauto - Quimica Industrial.indd 174 15/10/2012 12:58:16 175 ca pí tu lo 6 Fa br ic aç ão d o ci m en to Matérias-primas As principais matérias‑primas que compõem o cimento são calcário, argila e gesso. O calcá‑ rio é constituído basicamente de carbonato de cálcio (CaCO3) que, dependendo da sua origem geológica, pode conter várias impurezas, tais como magnésio, silício, alumínio ou ferro. A argila é constituída por silicatos complexos contendo alumínio e ferro como cátions principais, além de potássio, magnésio, sódio, cálcio, titânio, entre outros. A argila fornece óxidos de alumínio, ferro e silício à pasta do cimento, de modo que se pode utilizar bauxita, minério de ferro e areia, respectivamente, para corrigir os teores dos componentes neces- sários. O gesso é o produto de adição final no processo de fabricação do cimento a fim de regular o tempo de pega (endurecimento) por ocasião das reações de hidratação que ocorrem nessa fase. Constituído basicamente por sulfato de cálcio (CaSO4), o gesso pode ser anidro, di-hidratado ou penta-hidratado. Também é utilizado o gesso proveniente da indústria de ácido fosfórico a partir da apatita Ca5(PO4)3(OH, F, Cl). Processo de fabricação Dois métodos ainda são utilizados para a fabricação de cimento: processo seco e processo úmido; este último, todavia, em menor número. Nos dois métodos, as matérias-primas anteriormente cita- das são extraídas das jazidas e britadas para adquirirem dimensões trabalháveis. Os dois métodos originam um produto intermediário chamado clínquer, e o cimento final é idêntico nos dois casos. O processo úmido foi originalmente utilizado no início da fabricação industrial de cimento e é caracterizado pela simplicidade da instalação e da operação dos moinhos e fornos. Além disso, consegue-se uma excelente mistura com menor emissão de pó, necessitando de sistemas bem primitivos de despoeiramento. No processo úmido, uma mistura das matérias-primas é moída com a adição de aproximadamente 40% de água e entra no forno rotativo sob a forma de polpa. É um processo pouco utilizado por- que eliminar a água utilizada consome muita energia. As suas principais vantagens são melhores manuseio e transporte das matéria-primas e o menor desgaste dos moinhos. Já o processoseco tem a vantagem determinante de economizar combustível, uma vez que não há água para eva- porar no forno. Comparativamente, um forno de via úmida consome cerca de 1250 kcal por kg de clínquer contra 750 kcal de um forno de via seca. No processo seco, a mistura de matérias-primas é moída a seco e alimenta o forno em forma de pó. A umidade da mistura do moinho é retirada pelo aproveitamento dos gases quentes do forno. O forno de um processo por via seca é mais curto do que um por via úmida, a homogeneização é mais Gauto - Quimica Industrial.indd 175 15/10/2012 12:58:17 176 Q uí m ic a in du st ri al difícil e, como produzem muita poeira, as instalações requerem equipamentos de despoeiramento muito mais complexos. A seguir, apresentamos uma descrição mais detalhada do processo a seco. Produção do cimento por via seca Industrialmente, o cimento é fabricado por via seca, tendo calcário e argila como principais insu- mos e uma pequena quantidade de compostos contendo ferro. As matérias-primas são extraídas das minas, britadas e misturadas em determinadas proporções. A mistura contendo 90% de calcá- rio e 10% de argila, aproximadamente, chamada de farinha crua, passa por moagem em moinho de bolas, rolos ou barras, onde se processa o início da mistura das matérias-primas e, ao mesmo tempo, a sua pulverização. A mistura crua é homogeneizada em silos verticais de grande porte através de processos pneumá- ticos e por gravidade. Dos silos de homogeneização, a farinha é introduzida em um forno, passan- do antes por pré-aquecedores – equipamentos que aproveitam o calor dos gases provenientes do forno e promovem o aquecimento do material. O forno é rotativo, apresenta uma ligeira inclinação (5º a 10º) e tem dimensões de 60 a 200 m de comprimento e 2 a 6 m de diâmetro (Figura 6.1). No forno rotativo, a mistura é calcinada à tempe- ratura de 1450 ºC, resultando o clínquer, que, ao sair do forno, é resfriado e armazenado em silos. Finalmente, o clínquer é reduzido a pó por meio da moagem (moinho de cimento), juntamente com gesso e outros aditivos. O gesso, como já dissemos, tem a função de retardar o endurecimento do clínquer, pois esse processo seria muito rápido quando a água fosse adicionada ao clínquer puro. Junto com o clínquer, adições de gesso, escória de ferro, pozolana e o próprio calcário compõem os diversos tipos de cimento. Essas substâncias são estocadas separadamente antes de entrarem Figura 6.1 Forno rotativo para produção do clínquer. Gauto - Quimica Industrial.indd 176 15/10/2012 12:58:17 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Capítulo 6 - Fabricação do cimento