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Caso 1 – NUTRIÇÃO E FARMÁCIA Em 27 de outubro de 2023, Poddar, um estudante indiano, matou a estudante Tatiana. Ela era apenas sua amiga, mas ele tinha entendido erradamente, devido a questões culturais, que ela estava interessada nele. Ela se afastou, explicando que não tinha qualquer interesse em manter uma relação afetiva com ele. O impacto desta notícia fez com que ele procurasse um apoio psicológico para a sua depressão. Os pais de Tatiana alegaram que dois meses antes de Tatiana ser morta, Poddar confidenciou ao seu médico Dr. Moore, funcionário do Hospital Memorial, da Universidade de Santa Catarina, a sua intenção de matar Tatiana. Eles alegaram também que por solicitação de Moore a polícia do campus deteve, por um curto espaço de tempo, a Poddar, mas liberou-o quando este aparentou estar em pleno gozo de sua racionalidade. O Dr. Moore havia informado à polícia do campus que o paciente, poderia ter momentos de lucidez e outros de confusão. Eles também afirmam que o Dr. Carlos Powelson, superior de Moore, deu ordens para não tomar qualquer ação futura no sentido de deter Poddar. Ninguém alertou Tatiana, ou sua família, do perigo. A segunda causa, alegada pelos pais, intitulada "Falha de notificação de perigo de um paciente perigoso" acrescentou que os policiais negligentemente permitiram a liberação de Poddar da custódia policial sem "notificar os pais de Tatiana que a sua filha estava em situação de grave perigo por Poddar". Poddar persuadiu o irmão de Tatiana a repartir com ele o seu apartamento, próximo a casa de Tatiana. Logo após a vinda de Tatiana do Brasil, Poddar foi à residência dela e a matou. Primeiro deu um tiro, ao qual ela resistiu e ainda conseguiu fugir. Ele a alcançou e a esfaqueou. Logo após ela ter morrido ele chamou a polícia. Ele foi julgado por homicídio em segundo grau e condenado. Houve uma apelação e ele foi libertado e retornou à Índia. O caso foi julgado e os juízes da Suprema Corte dividiram-se: dois votaram pela revelação da situação de risco para a família e um votou pela preservação da privacidade do paciente e pela manutenção das informações apenas no âmbito da relação terapêutica. O primeiro voto, pela revelação, baseou-se no critério de que a defesa da vida é um dever prioritário, que ultrapassa ao da confidencialidade. O segundo, pela preservação, ao contrário, afirmou que a confidencialidade é um direito inalienável do paciente. Embasamento 1. Leiam sobre código de ética da Nutrição e Farmácia; 2. Sigilo das informações profissionais; 3. Dever do nutricionista e farmacêutico; 4. Lei Geral de Proteção dos Dados; 5. Intimação do Médico para participar do julgamento, o que deve ser revelado? Morte e Envelhecimento Prof. José Roberto Goldim O envelhecimento traz consigo a perspectiva da morte. Mesmo com a aumento da sobrevida da população humana, a vida é sempre um período finito. Esta finitude passa a ser mais contundente com a chegada da velhice. A perda de amigos, familiares e de pessoas de referência social reforça esta característica. Quando existe uma doença grave ou outra condição de saúde, incluindo-se aspectos físicos, mentais e sociais, que gera sofrimento a morte passa a ser não só uma probabilidade, mas também uma alternativa. Esta possibilidade passa por um dilema básico: o ser humano é proprietário ou guardião da vida. Caso seja considerado proprietário pode dispor da sua própria vida, caso seja guardião deve zelar pela mesma. Esta última é a perspectiva da maioria das religiões, pois consideram que a vida é um dom divino, sendo o ser humano responsável pela sua preservação. Um ponto fundamental a ser esclarecido é o que diz respeito ao estabelecimento limites de tratamento. Um tratamento pode ser considerado como uma medida ordinária, extraordinária ou fútil. As medidas ordinárias são mandatórias, devem ser propostas e trazem potencial benefício para a pessoa, mesmo com riscos associados. As medidas extraordinárias são procedimentos terapêuticos que não podem ser obtidos sem gastos excessivos, dor ou outro incômodo, ou, se utilizados, não oferecem uma possibilidade razoável de benefício. Entende-se por futilidade a ausência de motivo ou de resultado útil em um procedimento diagnóstico ou intervenção terapêutica. A determinação envolve, frequentemente, juízos de valor, particularmente quando o objetivo é a qualidade de vida. A futilidade pode ser caracterizada como sendo um tratamento sem valor terapêutico. Cabe relembrar que os profissionais de saúde têm a obrigação de cuidar sempre, mas não de tratar sem que haja benefícios. Em muitas reflexões sobre a morte o tema da eutanásia e do suicídio assistido estão presentes. A eutanásia foi muito utilizada em vários países do mundo, nas décadas de 1920 e 1930. Foi utilizada como uma medida eugênica matando doentes mentais, deficientes e muitos velhos, com a justificativa de liberar a sociedade destas pessoas consideradas como um encargo. A partir da década de 1960, a discussão da eutanásia retornou, com outro enfoque, devido aos avanços tecnológicos postos à disposição das equipes de saúde, que mudaram inclusive a própria definição e critérios para o estabelecimento da morte. CASO 2 - FARMÁCIA Uma paciente de 68 anos foi internada em uma UTI, com grave insuficiência respiratória, necessitando de respirador. Ela estava plenamente consciente e era capaz de opinar sobre os procedimentos que estavam sendo realizados. Os seus filhos e esposas estavam junto, dando apoio afetivo. A equipe médica, no dia seguinte, fez o diagnóstico de que ela tinha um quadro irreversível e que o seu prognóstico de sobrevida era não superior a 30 dias. A família foi informada deste diagnóstico, mas a paciente não. Os filhos solicitaram que esta informação não fosse revelada à paciente, pois não sabiam como ela lidaria com esta situação. A equipe médica atendeu a esta solicitação. Da mesma forma, discutiram com a equipe sobre quais medidas poderiam ser tomadas com o objetivo de reduzir o sofrimento da paciente. O médico responsável pelo atendimento, que não tinha vínculo anterior nem com a paciente nem com os familiares, sugeriu sedar a paciente, pois assim o desconforto do respirador seria menor. Os filhos e noras aceitaram a sugestão e a paciente foi sedada sem ser informada desta decisão. Após isto, o filhos vinham receber informações e visitá-la uma vez ao dia. Em horário noturno, quando a paciente já estava sedada sete dias, uma pessoa, apresentando-se como sobrinho da paciente, solicitou ao médico plantonista da UTI, que ela fosse "acordada" para fornecer a senha de uma conta bancária, pois era muito importante para ela movimentar determinado valor. O plantonista, sem consultar outro profissional, nem evoluir no prontuário, ordenou à equipe de enfermagem que descontinuasse a administração de sedativo, atendendo a solicitação do pretenso familiar. Na manhã seguinte, quando a paciente ainda não estava plenamente consciente, o médico assistente foi informado pela equipe de enfermagem que a medicação havia sido alterada. Imediatamente mandou administrar a medicação. Mais tarde, quando os filhos vieram, como de hábito, visitar a paciente e ter informações, souberam, do ocorrido pelo médico assistente. Disseram não conhecer tal familiar nem ter notícia desta conta bancária. A paciente foi mantida sedada por mais cinco dias, quando morreu por insuficiência de múltiplos órgãos. CASO 3 - NUTRIÇÃO Limite Terapêutico e Respeito à Pessoa A paciente Pauline Randall, de 65 anos de idade, casada e com três filhos adultos, tem Esclerose Amiotrófica Lateral desde muitos anos. A sua condição neurológica vem se deteriorando e ela não tem mais controle voluntário de qualquer músculo, exceto das pálpebras. Ela estava internada em uma clínica de uma pequena cidade do meio oeste dos Estados Unidos e respirando por meio de respirador. Ela se comunicava por meio de um dispositivo eletrônico que interpretava os movimentos palpebrais e os transformava em palavras ou pequenas frases. A paciente tinha plena compreensãode que a sua condição de saúde era progressiva, intratável e que causaria inevitavelmente a sua morte. Ela se manteve participante em todo o processo de toamda de decisões sobre as medidas terapêuticas que seriam tomadas. Ela havia solicitado que gostaria de participar tanto quanto possível. O Dr. Samuels, seu médico, com base na deterioração do seu estado nutricional, indicou a colocação de uma sonda nasogástrica. A paciente imediatamente piscou a mensagem "Não mais !". O médico lhe perguntou se ela sabia que ao tomar tal decisão iria morrer lentamente de fome, caso não autorizasse a colocação da sonda. Ela respondeu "Sim, nada mais !" Esta decisão da paciente dividiu as opiniões da família, que estava sempre presente e lhe dava suporte afetivo. O marido e um dos filhos achavam que ela tinha o direito de ter a sua decisão respeitada, enquanto os outros dois filhos propunham que a sua vida deveria ser mantida. A equipe de nutrição tinha um posicionamento unânime em aceitar a decisão da paciente, pois achava que ela não deveria ter o seu sofrimento prolongado. A paciente era considerada, até então, como legalmente capaz.