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RESUMOS
HISTÓRIA
ENEM
PARA O
CONTEÚDOS BÁSICOS PARA SABER ANTES DA PROVA
JOÃOGUI.STUDIES
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SUMÁRIO
HISTÓRIA GERAL
JOÃOGUI.STUDIES
ROMA ANTIGA
FEUDALISMO
REVOLUÇÃO FRANCESA
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
HISTÓRIA AFRICANA
FASCISMO
NAZISMO
COMUNISMO
ANARQUISMO
SOCIALISMO
HISTÓRIA DO BRASIL
BRASIL COLÔNIA
ECONOMIA AÇUCAREIRA
INVASÃO HOLANDESA
CICLO DO OURO
ESCAVIDÃO INDÍGENA
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
REBELIÕES NATIVISTAS
BRASIL IMPÉRIO
GUERRA DA CISPLATINA
SEGUNDO REINADO
PERÍODO REPUBLICANO
GUERRA DE CANUDOS
REVOLTA DA VACINA
GUERRA DO CONTESTADO
SEMANA DE ARTE MODERNA
ERA VARGAS
DITADURA MILITAR
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O comércio romano entrou em uma terrível
crise econômica. Ocorreu ainda a escassez
da mão de obra escrava e forte crise da
produção agrícola. De modo geral, os
problemas geraram o desabastecimento e,
consequentemente, as arrecadações
tributárias caíram drasticamente.
O exército também entrou em colapso
porque não tinha recursos para manutenção.
Já as cidades ficaram à mercê de
saqueadores e de frequentes ataques. Diante
de tantos problemas econômicos e sociais
aconteceu o processo de ruralização da
economia romana.
As populações deixaram as cidades em
busca de alimento e proteção. A maioria
partiu em direção as áreas rurais no
chamado êxodo urbano. É justamente esse
fenômeno histórico que dá origem ao
feudalismo.
O Império Romano
Império Romano foi uma grande civilização
antiga dividida em Alto império (27 a.C. - 305
d.C.) e em Baixo Império (305-476 d. C.). A sua
capital, de onde partiam as decisões
imperiais, era a Roma Antiga.
O chamado Alto império foi um período de
muitas riquezas e expansão territorial,
abrangendo os governos de Otávio Augusto
até Diocleciano. Já o Baixo Império, que
começa nos anos finais do governo de
Diocleciano até o fim do Império Romano no
Ocidente, foi o momento em que a política
interna entrou em colapso e as invasões dos
povos bárbaros disseminaram o poder
romano.
ROMA ANTIGA
3
As riquezas imperiais romanas proporcionam
o desenvolvimento da arquitetura. Esta é
marcada pelo arco de volta plena ou perfeita
e as cúpulas dos tetos são construídas em
forma de abóbada, semelhante a uma meia
bola. Outra característica foi a funcionalidade.
Assim, os grandes espaços do poder público
eram amplos e propícios para circulação de
pessoas.
As grandes estátuas e esculturas da arte
romana também são do Alto Império. A
famosa Coluna de Trajano, um monumento
vertical bastante alto, buscava demonstrar as
qualidades cívicas e morais dos grandes
nomes da política.
O que foi?
Expansões Territoriais
Um dos principais destaques do Império
Romano no momento de auge foram as
expansões territoriais, uma vez que após as
Guerras Púnicas, de 264 a 241 a. C, os
soldados conseguiram destruir a civilização
de Cartago, região de origem fenícia, e
conquistar toda rota marítima do mar
Mediterrâneo.
O Império alcançou uma imensidão territorial
de aproximadamente sete milhões de metros
quadrados. Entre os territórios conquistados
destacam-se a Grécia, o Egito, a Macedônia,
a Gália, a Germânia, a Trácia, a Síria e a
Palestina. Foi justamente pensando na
administração que Otávio Augusto criou a
política da Pax Romana.
Literatura
No universo das letras latinas surgiu o maior
poeta romano – Virgílio Marão. Nas suas
obras poéticas “Eneida”, “Geórgicas” e
“Bucólicas” buscou a valorização da
expansão romana. É na narrativa poética da
Eneida que encontra-se a mitologia sobre o
grande herói “Eneida”, que deixa a cidade de
Tróia, segue para a Península Itálica e seus
descendentes fundaram a cidade de Roma.
Arquitetura
Crise Econômica e Social
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https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/arte-romana
A arte romana foi produzida pelo povo
pertencente à Roma Antiga e perdurou
aproximadamente do século VIII a.C. ao
século IV d.C.
Foi fortemente influenciada pelos etruscos e
gregos, sendo que as manifestações
artísticas mais significativas remontam ao
estabelecimento da República no ano de 509
a.C.
A arte desse período é dividida em arte da
Roma Republicana (antes de 27 a.C.) e a da
Roma Imperial (do ano 27 a.C. em diante).
Alguns imperadores tentaram salvar o
Império Romano, como Teodósio,
Diocleciano e Constantino. Em 395 d. C., a
primeira iniciativa do imperador Teodósio foi
dividir o império em duas regiões - Império
Romano do Ocidente e Império Romano do
Oriente.
Outra iniciativa foi de Diocleciano. Ele propôs
a separação do Império em quatro partes
chamadas de Tetrarquia, que seriam de
domínio militar. Entretanto, as disputas
internas entre os quatros comandantes
provocaram uma crise ainda maior.
Em seguida, Constantino aprovou a Lei do
Colonato, que substituiu a mão de obra
escrava pela mão de obra servil. Os romanos
que não possuíam terras ofereciam sua força
de trabalho aos grandes latifundiários e, em
troca, ganhavam um pedaço de terra para
sua subsistência e proteção.
A partir desse tipo de relação trabalhista
surgiu o colonato romano, que constituiu-se
como base da servidão feudal na Idade
Média.
Roma, a nova capital do Império Romano do
Ocidente, foi a região que mais sofreu com as
invasões dos povos bárbaros e a decadência
econômica. Já a Constantinopla, capital do
Império Romano do Oriente, manteve uma
atividade comercial forte e com estrutura
escravista.
Em 476 d. C, depois de muitos ataques, a
capital romana foi tomada por Odoacro, o rei
dos Eros.
É dessa forma que termina o glorioso Império
Romano do Ocidente. O então sobrevivente,
o Império Romano do Oriente, se transforma
em Império Bizantino.
ROMA ANTIGA
4
Fim do Império Romano Arte Romana
Características da Arte Romana
Influência da arte etrusca: expressão
realista;
Influência da arte grega: expressão de
ideal de beleza;
Uso de arcos e abóbodas na arquitetura;
Representação realista na escultura;
Colorido, delicadeza e precisão nos
detalhes da pintura.
Quando os romanos conquistaram a Grécia,
ficaram fascinados com a sua arte e
começaram a imitar os gregos. Daí resulta
que muitas das características da arte grega
são encontradas na arte romana. Como é o
caso também da mitologia.
A arquitetura foi a maior de todas as
expressões artísticas dos romanos. Nela, a
característica que mais se destaca é o uso
dos arcos.
As esculturas romanas, por sua vez, são
essencialmente cópias das originais gregas.
Nelas, o realismo é uma característica
marcante.
A pintura romana, classificada em quatro
estilos, caracteriza-se ora pelo colorido das
paredes, ora pelo ilusionismo ou pela riqueza
de detalhes.
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Sociedade feudal
Uma das causas da queda do Império
Romano do Ocidente foi a invasão
bárbara. Os povos que estavam fora dos
limites do grande império atravessaram
as suas fronteiras e adentraram no
território, alcançando Roma. A capital do
império foi saqueada pelos bárbaros.
Essa ação violenta e a desestruturação
do Império Romano fizeram com que os
moradores das cidades fugissem para o
campo em busca de proteção e trabalho.
FEUDALISMO
5
A origem do feudalismo está na crise
que provocou a queda do Império
Romano do Ocidente. No século III, por
conta da crise econômica provocada
pela falta de escravizados e das invasões
germânicas, os romanos abandonaram
as cidades e migraram para o campo
com o objetivo de encontrar proteção e
trabalho. Dessa forma, surgiam os
colonatos, nos quais aqueles que
encontravam abrigos no campo
trabalhavam para o seu senhor.
O surgimento dos reinos germânicos,no
século V, contribuiu para aprofundar o
processo de ruralização europeia. Além
desse movimento de saída das cidades
para o campo, o enfraquecimento do
poder político contribuiu para o
surgimento do feudalismo.
O feudalismo foi a forma de organização
social e econômica instituída na Europa
Ocidental entre os séculos V a XV,
durante a Idade Média. Baseava-se em
grandes propriedades de terra,
chamadas de feudos, que pertenciam
aos senhores feudais, e a mão de obra
era servil.
Com a queda do Império Romano do
Ocidente e a invasão dos povos bárbaros
entre os séculos IV e V, a Europa
atravessou um período de ruralização,
isto é, os moradores da cidade se
deslocaram para o campo, fugindo da
instabilidade provocada pela
movimentação dos bárbaros.
A partir do século XV, o feudalismo
entrou em crise por conta das mudanças
ocorridas na Europa, como os
renascimentos cultural, urbano e
comercial.
O que é Feudalismo?
De acordo com Jacques Le Goff, um dos
principais estudiosos da Idade Média, o
feudalismo é “um sistema de
organização econômica, social e política
baseado nos vínculos de homem a
homem, no qual uma classe de
guerreiros especializados — os senhores
—, subordinados uns aos outros por uma
hierarquia de vínculos de dependência,
domina uma massa campesina que
explora a terra e lhes fornece com que
viver”.
O feudalismo foi um modelo social e
econômico que vigorou dos séculos V ao
XV, na Europa Ocidental, e que marcou
profundamente a Idade Média. Esse
modelo era baseado na terra e, por meio
dela, constituíam-se a atividade
econômica e a estrutura social.
A Origem do Feudalismo
Características do Feudalismo
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https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/idade-media.htm
A prática agrícola exigia cuidado com a
terra. Para isso, os servos que
trabalhavam nela utilizavam
instrumentos como o arado e a força dos
animais domesticados. Uma técnica para
manter a fertilidade do solo era a rotação
das terras. Enquanto uma porção do
terreno era utilizada, a outra porção
ficava de repouso e era utilizada na
plantação seguinte, enquanto a utilizada
anteriormente ficava de repouso. Com
isso, aumentou-se a produção e,
consequentemente, a população.
Política feudal
No início do período medieval, os reis
germânicos tentaram manter a unidade
territorial do Império Romano. Os reis
germânicos eram chefes políticos e
militares, pois atuavam à frente dos seus
soldados em momentos de guerra. O
poder secular estava ligado ao poder
religioso, por isso a Igreja Católica tinha
grande influência na política medieval.
Com a queda do império carolíngio, a
unidade territorial se desfez e o poder se
descentralizou entre os senhores
feudais. Cada feudo se autogoverna,
estabelecendo sua própria política.
Concessão de terras
Com a ruralização da Europa, as terras se
valorizaram e se tornaram moedas de
troca. O rei carolíngio, Pepino, o Breve,
cedeu grande quantidade de terras para
a Igreja Católica, mais especificamente
na região central da Península Itálica.
FEUDALISMO
6
Nessa transição entre a queda do
Império Romano, ocorrida no século IV
d.C., e o início da Idade Média, observa-
se a ruralização da Europa, ou seja, as
cidades perderam suas forças para o
campo. Os senhores feudais, os donos
dos feudos, tornaram-se poderosos por
conta da valorização das terras.
Enquanto os imperadores concentravam
poderes nos tempos de domínio
romano, no feudalismo, o poder foi
descentralizado nas mãos desses
senhores donos das terras.
A Igreja Católica se fortaleceu nesse
período ao fazer alianças com os reis
bárbaros que instalaram seus domínios
na Europa. Dessa forma, os povos
pertencentes a esses reinos foram
convertidos ao cristianismo, e o papa se
tornou poderoso não somente nos
assuntos celestiais, mas também
políticos. Iniciava-se a tradição, que se
estendeu até o século XIX, dos papas
coroarem os novos reis, uma cerimônia
que marcava a aproximação da Igreja
com o poder político.
A sociedade feudal era rural, estruturada
nos feudos, e a minoria que estava no
topo da pirâmide social (nobres e clero)
era sustentada pela classe de maior
tamanho e a única que trabalhava, a dos
servos. Era uma sociedade estamental,
que não permitia a mobilidade social,
conforme um ditado da época: “Existem
aqueles que lutam (nobres), aqueles que
rezam (clero) e aqueles que trabalham
(servos)”.
Economia Feudal
A economia durante a Idade Média era
basicamente agrária, o que não significa
afirmar que o comércio tenha
desaparecido. Durante a Antiguidade
Clássica, o mar Mediterrâneo foi o
principal local do comércio marítimo.
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Com o aumento demográfico, a
produção agrícola também se expandiu,
exigindo maior trabalho dos servos e o
uso de técnicas mais avançadas para
atender a demanda.
Outro fator que transformou a sociedade
europeia foram as Cruzadas. Inicialmente
eram expedições religiosas que se
dirigiam até o Oriente para resgatar os
locais sagrados para os cristãos e que
estavam nas mãos dos islâmicos. No
entanto, essas expedições ganharam
outras dimensões ao trazerem para a
Europa Ocidental produtos orientais,
como as especiarias.
A crise do feudalismo não foi apenas
pela retomada dos valores greco-
romanos. A peste negra foi uma doença
altamente infecciosa e que se alastrou
por toda a Europa, matando 1/3 da
população. Com o excesso de trabalho e
desejosos por sair dos feudos e mudar
de vida nas cidades, os servos de
revoltaram contra os seus senhores,
encerrando um período de mais de um
milênio de obrigações e apego à terra.
FEUDALISMO
7
Surgiam assim os Estados Pontifícios,
que eram territórios pertencentes ao
papa e que vigoraram até a Unificação
Italiana, em meados do século XIX. O
atual território do Vaticano, em Roma, é
o que restou desses Estados e só foi
reconhecido pelo governo italiano após
a assinatura do Tratado de Latrão, na
década de 1920.
A doação de terras não se restringiu
apenas aos monarcas da Alta Idade
Média. Quem obtivesse algum terreno
fazia questão de doá-lo ao clero no
intuito de que tal ação seria retribuída na
eternidade. Dessa forma, de doação em
doação, a Igreja se tornou dona de uma
grande quantidade de terras durante o
período medieval. Se ela já detinha o
poder espiritual, também exercia
enorme poder sobre a terra.
Outra forma de concessão de terras era
mediante acordos de fidelidade. As
relações sociais na Idade Média eram
caracterizadas dessa forma. O suserano
era o proprietário de terra que a cedia
para um vassalo em troca da sua
fidelidade. Essa concessão era feita
mediante contrato celebrado em evento
público, com toda pompa e a presença
de um bispo para assegurar a sua
validade e a sua execução.
Crise do feudalismo
A crise do feudalismo começou a partir
do século XII, quando mudanças na
sociedade europeia colocaram em
xeque as estruturas do feudalismo. As
cidades voltaram a surgir após séculos
de abandono, desde os tempos das
invasões bárbaras. Houve o aumento
populacional ocorrido no ano 1000,
também chamado de “ano da paz de
Deus”, por conta da queda significativa
nas guerras medievais.
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https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/alta-idade-media.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/crise-feudalismo.htmConceito
A Revolução Francesa ocorreu entre
1789 e 1799, foi um dos maiores
movimentos revolucionários marcados
pela luta por direitos sociais e políticos
da burguesia.
Os ideias defendidos pelos
revolucionários, como liberdade e
igualdade, buscavam romper com o
regime político vigente na França: o
absolutismo monárquico.
O Antigo Regime, como era chamada a
antiga organização social francesa,
dividia-se em: 1º estado: clero; 2º estado:
nobres; 3º estado: camponeses,
operários, burgueses.
Tal divisão impedia a ascensão social da
classe trabalhadora, uma vez que as
classes aristocratas possuíam todo o
poder e privilégios.
REVOLUÇÃO FRANCESA
7
Inspiração Iluminista
Os revolucionários franceses (burgueses)
insatisfeitos com os privilégios da aristocracia
francesa e com suas vidas de marcadas pela
pobreza e fome alinharam-se aos ideias
iluministas, movimento intelectual que surgiu
na Europa no século XVIII, conhecido por
críticas ao absolutismo.
Processo da Revolução Francesa
Crise no Antigo Regime
Os fatores que levaram a crise do
absolutismo na França podem ser divididos
em: sociais, econômicos e políticos.
Esse é o período inicial da Revolução
Francesa e corresponde aos anos em que os
constituintes redigiram uma Constituição
para a França e ao período da Assembleia
Legislativa.
Entre julho e agosto de 1789 aconteceu uma
investida dos burgueses contra os
aristocratas, período chamado de O Grande
Medo, que foi marcado por ataques e
saqueamentos contra propriedades de
aristocratas e, muitas vezes, pelo assassinato
dos donos desses locais.
A partir dessa radicalização os privilégios
feudais foram abolidos no começo de agosto
e, no fim desse mês, foi anunciada a
Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão, documento determinava,
teoricamente, que todos os homens eram
iguais perante a lei.
Fatos sobre a Revolução
Assembleia Nacional Constituinte e
Assembleia Legislativa (1789-1792);
Convenção Nacional (1792-1795);
Diretório (1795-1799).
·A Revolução Francesa pode ser dividida em
relação às três instituições políticas que
atuaram no país:
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No texto da Constituição, determinava-se o
fim da monarquia absoluta e estipulava-se
que a França era transformada em uma
monarquia constitucional. Isso decepcionou
uma ala mais popular da revolução que
almejava que o país fosse transformado em
uma república democrática.
·Economicamente as perspectivas da
Assembleia Constituinte eram inteiramente
liberais.
Com a Constituição de 1791, a Assembleia
Constituinte encerrou seu período de
funcionamento e foi substituída pela
Assembleia Legislativa.
Nessa assembleia, consolidaram-se dois
grupos políticos que possuíam visões
bastante diferentes a respeito dos rumos da
revolução: girondinos e jacobinos.
Os girondinos eram parte da burguesia que
possuíam uma visão mais conservadora.
Já os jacobinos eram membros da burguesia
que acreditavam que as mudanças deveriam
ser ainda mais radicais do que as que
estavam em curso.
A primeira reunião da Assembleia Legislativa
iniciou-se em 8 de outubro de 1791, e a
atuação dessa instituição durou até 7 de
setembro de 1792.
A ação de Áustria e Prússia contra a França
deveu-se pelo fato de que o processo
revolucionário francês era visto como grande
ameaça por todas as nações absolutistas da
Europa. Com a guerra, os jacobinos
declararam “pátria em perigo”, uma vez que
as tropas estrangeiras aproximavam-se de
Paris, e a população francesa começava a se
armar para resistir.
A guerra também contribuiu para a
radicalização da revolução e deu início a uma
fase conhecida como Terror.
Esse clima de guerra fez com que os
jacobinos e os sans-culottes tomassem a
frente da revolução, e, com isso, a monarquia
francesa acabou sendo derrubada pelos
sans-culottes, instaurando-se a República
em 1792.
Assembleia Constituinte e Assembleia
Legislativa
No início da revolução, mais precisamente
após a Queda da Bastilha, muitos
camponeses, no interior do país, temendo
ficar sem alimentos e muito endividados,
partiram para o ataque.
Esse foi o período do Grande Medo, que
ocorreu entre julho e agosto de 1789, e
durante o qual camponeses começaram a
atacar aristocratas e suas propriedades,
exigindo o fim de alguns impostos e maior
acesso aos alimentos.
Em 4 de agosto de 1789, os privilégios
oriundos do Antigo Regime da França foram
abolidos e foi decretada a abolição dos
direitos feudais que existiam na França.
Nesse período foi anunciada a Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão, um
dos documentos mais importantes da
Revolução Francesa, que decretava que
todos os seres humanos eram iguais perante
a lei.
REVOLUÇÃO FRANCESA
9
Monarquia Constitucional
Nesse contexto de radicalização popular, a
classe média e a burguesia francesa
assumiram posições conservadoras para
controlar a ação do povo.
·Até mesmo o rei francês, sentindo-se
ameaçado, organizou sua fuga da França, em
1791, com sua esposa, Maria Antonieta.
Além de atacar os privilégios da nobreza, a
burguesia francesa também se voltou contra
o clero. Isso aconteceu por meio da
Constituição Civil do Clero, aprovada em
1790. Essa medida legal promoveu a
separação do Estado e da Igreja e tentou
colocar a segunda sob a autoridade do
primeiro, uma vez que os padres tinham de
jurar obediência ao Estado.
Os trabalhos da Assembleia Nacional
Constituinte estenderam-se até 1791, quando,
finalmente, foi promulgada a Constituição da
França.
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Convenção Nacional
Teve início em 20 de setembro de 1792 e
substituiu a Assembleia Legislativa.
A partir da convenção nacional se instaurou a
República na França.
Com o endurecimento da guerra, a França
ficou sob o controle dos jacobinos, que
contavam com o apoio popular. Os jacobinos
criaram o Comitê de Salvação Pública,
instituição em que eles tomavam as decisões
mais importantes da França. Iniciou-se uma
intensa perseguição a todos aqueles que, aos
olhos jacobinos, representavam uma ameaça
à revolução.
Os jacobinos conseguiram colocar as massas
populares sob seu controle, mas a situação
da guerra agravou-se com a execução de
Luís XVI. As nações absolutistas europeias
ficaram indignadas com a execução do rei e
reagiram formando uma coalizão para
derrubar a revolução na França.
·O período em que os jacobinos, sob a
liderança de Maximilien Robespierre,
estiveram à frente da revolução ficou
conhecido como Terror. O nome faz menção
à perseguição dos opositores por meio da Lei
dos Suspeitos, que julgava e condenava
aqueles considerados traidores com morte
na guilhotina.
·Os radicais jacobinos conseguiram resolver
problemas imediatos da França, pois
estabilizaram o valor da moeda francesa,
aumentaram o exército francês gastando
menos, conseguiram derrotar as tropas que
tinham invadido a França e conseguiram
estabilizar a situação das rebeliões pelo país.
·Em 1794grupos conservadores da França
conhecidos como girondinos conspiraram e
articularam, com o apoio da alta burguesia da
França, um golpe contra os jacobinos
conhecido como Reação Termidoriana. Com
esse golpe contra os jacobinos, muitas
medidas tomadas por eles foram revertidas,
e a liderança jacobina chegou ao fim.
REVOLUÇÃO FRANCESA
10
Diretório
O Diretório substituiu a Convenção em 1795
durante um período em que a revolução
esteve nas mãos dos girondinos e da alta
burguesia francesa.
As medidas mais radicais tomadas pelos
jacobinos foram revogadas, inclusive retorno
do voto censitário. Nesse momento, os
girondinos usaram frequentemente da força
para conter o povo e resistiram a inúmeras
tentativas de golpes.
A situação da França permaneceu instável e
a população estava insatisfeita, a economia
estava ruim, e a guerra continuava a ameaçar
o país, então a ditadura foi vista como
solução.
Em 1799 o general do exército francês
Napoleão Bonaparte organizou um golpe e
tomou o poder em um evento conhecido
comoGolpe do 18 de Brumário.
Consequências da Revolução Francesa
Fim dos privilégios da aristocracia na
França.
Consolidação do capitalismo;
Queda do absolutismo na Europa.
Inspirou os movimentos de
independência na América.
Popularizou a república como forma de
governo.
Popularizou a ideia de separação dos
poderes.
Garantiu a aplicação dos ideais liberais.
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A Revolução Industrial refere-se a um período
repleto de importantes transformações urbanas,
culturais, econômicas e sociais. Teve início na
Inglaterra, em fins do século XVIII, e caracteriza-se
pela introdução da energia produzida pela máquina
a vapor e da mudança do modo de produção da
manufatura para a maquinofatura.
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
11
O que foi?
Começou no final do século XVIII, na Inglaterra,
introduzindo a chamada fábrica moderna no
continente europeu.
Inicialmente, o impacto maior foi sobre a
produção e beneficiamento do algodão, ou seja,
atingiu o setor têxtil da economia. No século
XIX, as inovações tecnológicas também
passaram a englobar outros ramos agrícolas.
Foi nesse mesmo século que a industrialização
se espalhou para outros países europeus, como
Alemanha, Bélgica, Holanda e França. O Japão e
os Estados Unidos também começaram a fazer
parte desse grupo de nações industrializadas.
Na segunda metade do século XIX, deu-se
início a uma fase chamada de Segunda
Revolução Industrial, com maior expansão dos
segmentos industriais, bem como da utilização
de novas fontes de energia (eletricidade e
petróleo).
Contexto Histórico
Aspectos Positivos x Negativos
transformação da sociedade rural em
industrial;
desenvolvimento do sistema fabril;
utilização de novas energias;
mecanização da agricultura e da indústria;
desenvolvimento das comunicações;
novos meios de transporte;
avanços na medicina.
crescimento desordenado das cidades;
poluição ambiental;
aumento do desemprego;
surgimento do consumismo;
problemas sociais;
condições de subsistência da classe
trabalhadora;
jornada de trabalho muito intensa;
alta concentração populacional.
Aspectos positivos da Revolução Industrial
Aspectos negativos da Revolução Industrial
Durante a Idade Medieval europeia, o sistema
de produção que predominou foi o artesanato.
Nesta forma de produzir não havia divisão das
etapas de produção. Isso ocorria porque era o
mesmo trabalhador que executava todas as
etapas de produção.
Cada artesão construía o objeto do início ao fim.
Além disso, o dono da oficina de artesanato
também trabalha na produção. Portanto, não
existe separação entre capital e trabalho.
Em seguida, o processo de produção que
predominou na Idade Moderna foi a manufatura.
Esse modo de produção já tem uma pequena
divisão das etapas de produção e o dono da
empresa não trabalha na produção, existindo
uma separação entre capital e trabalho. É nesse
período que o capitalismo começa a se
desenvolver.
A partir da Revolução Industrial é inaugurado
um novo sistema de produção: a maquinofatura.
É nessa época que se inicia o uso da máquina a
vapor (uso de energia mecânica) e ocorre uma
divisão ainda maior do trabalho. Cada operário é
responsável por uma única tarefa na linha de
produção.
Isso porque máquinas especializadas passaram
a desempenhar etapas cada vez mais
específicas da produção. Além disso, ocorre a
separação definitiva entre capital e trabalho,
pois o burguês (dono da produção) passa a
apenas administrar sua empresa.
Sistemas de Produção
Principais Características
Além da chegada da maquinofatura como novo
sistema de produção e da utilização do carvão e
do ferro como principais matérias-primas,
existem outras importantes características da
Revolução Industrial. Em seguida, vamos ver um
pouco mais sobre a utilização da máquina a
vapor e do surgimento de novas classes sociais.
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REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
12
Máquina à Vapor
Durante o século XVII, vários cientistas
estudaram a propriedade da água entrar em
ebulição. Mas foi em 1769 que o inglês James
Watt desenvolveu um equipamento que
utilizava a energia do vapor da água para
impulsionar
máquinas. Com a invenção da máquina a vapor,
a substituição da força de trabalho humana pela
energia mecânica ficou cada vez mais rápida.
Então, nos anos seguintes, a máquina a vapor
de Watt passou por vários aperfeiçoamentos, o
que possibilitou o desenvolvimento da indústria
em várias áreas. As maiores mudanças
ocorreram na siderurgia, na metalurgia e no
aparecimento dos primeiros trens de ferro a
vapor, inventados em 1808.SegundaRevolução Industrial
Alguns pesquisadores defendem também a
existência de uma Terceira Revolução Industrial,
que teve início na segunda metade do século
XX, e passou para um ritmo mais intenso a partir
das décadas de 1980 e 1990.
Os processos que caracterizam essa nova etapa
da produção industrial são a substituição do
antigo modelo fordista, que já dava sinais de
esgotamento após sucessivas crises, por
modelos inspirados no toyotismo. Essa nova
forma de produção teve origem nas fábricas da
Toyota, no Japão, em que a antiga
especialização do trabalho foi substituída por
equipes menores, dominando todas as etapas
de produção, capazes de produzir para atender
a demanda imediata.
Para reduzir ainda mais os custos, houve uma
intensificação do investimento em alta
tecnologia nos países desenvolvidos, enquanto
grandes empresas instalaram unidades de
produção em países subdesenvolvidos, onde a
força de trabalho é relativamente barata.
As transformações significativas na esfera da
produção podem ser consideradas para a
classificação que acabamos de ver. Alguns
estudiosos, no entanto, acreditam se tratar do
mesmo processo de desenvolvimento histórico
do capitalismo, iniciado no século XVIII, na
Inglaterra, que mantém, embora com
diferenças, as estruturas sociais criadas pela
Revolução Industrial.
Terceira Revolução Industrial
A partir da segunda metade do século XIX, novas
transformações ocorridas nos processos de
produção dos países industrializados deram início ao
que é denominada Segunda Revolução Industrial.
Entre as mudanças introduzidas, estava a
substituição do carvão mineral por novas fontes de
energia, como o petróleo e a eletricidade.
Os segmentos industriais também se expandiram, e
houve um incremento da chamada indústria de
base, como a siderúrgica (produção de aço) e
petroquímica (produtos derivados do petróleo).
Essa etapa da industrialização também foi marcada,
nas fábricas, pela adoção dos processos de
produção em série, como o fordismo (introdução de
procedimentos e normas de divisão do trabalho nas
fábricas visando expandir ao máximo a produção).
Na esfera do capital, houve a substituição da livre
concorrência pelo grande capital monopolista, que
dominou setores produtivos inteiros, fundiu indústria
e finanças, e passou a ter um controle muito maior
sobre os mercados.
Esse período também é lembrado pela revolução
pela qual passaram os meios de transporte, como a
adoção dos navios e trens a vapor, e posteriormente
pela invenção do automóvel e do avião, que
encurtaram distâncias e transformaram a maneira
com que os homens viam e se relacionavam com o
mundo.
Foi também a época de novos avanços
tecnológicos, puxados pela invenção do telégrafo,
do telefone, da fotografia, entre outros.
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HISTÓRIA AFRICANA
13
O Imperialismo na África determinou a
repartição do continente entre as potências
européias do final do século XIX e início do
século XX. Durante vários séculos o
continente foi explorado por colonizadores
estrangeiros e até hoje sofre as
consequências das intervenções de outrora.
Os povos europeus tinhamgrande
supremacia no processo de conquista
imperialista no continente africano. A
capacidade de tais países, pelo crescimento
conquistado ao longo dos séculos com base
na exploração, era inegável e oferecia
condições de enfrentamento com grande
poderio. As comunidades africanas, contudo,
não deixaram de enfrentar os europeus, é
bem verdade que a derrota era quase
inevitável, mas o processo de dominação
imperialista na África não foi tão fácil quanto
se pode parecer.
Além de original, a África Pré-colonial é
também curiosa e muito rica. As primeiras
evidências da existência do ser humano
foram encontradas no continente.
Considerada uma sociedade organizada e
curiosa, que construiu cidades desenvolvidas
e economia sustentável, a África Pré-colonial
já fluía muito bem e ordenada antes da
colonização dos europeus.
Inicialmente, o comércio era feito entre a
África do Norte e a África Subsaariana. A
comercialização do minério que era um dos
pilares da economia, acontecia por
intermédio das caravanas criadas pelo povo
que habitava o Sul do Deserto do Saara.
Por volta do século XIV, os europeus
invadiram o continente e passaram a
promover as caravanas, escravizando
pessoas e levando matérias primas para
Europa.
África Pré-Colonial
Partilha do Território Africano
Países como Portugal já se encontravam no
continente desde o século XVI. Utilizavam a
África como fornecedor de mão de obra
escrava, num comércio lucrativo em que
participavam Inglaterra, Espanha, França e
Dinamarca.
A expansão europeia para o continente
africano, no século XIX, foi justificada para a
opinião pública como a necessidade de
“civilizar” este território.
No século XIX, existia a crença na
superioridade de raças e de civilizações.
Teorias como o Positivismo, de Auguste
Comte e o Darwinismo Social, corroboravam
esta ideia.
A partilha da África, ocorrida a partir da
Conferência de Berlim de 1885, deve ser
entendida no contexto histórico do
Imperialismo e Neocolonialismo do final do
século XIX. Foi neste sentido que as
potências imperialistas europeias, em busca
de mercados consumidores e matérias-
primas, dividiram entre si o território africano.
A divisão não levou em conta as diferencias
étnicas e culturais existentes no continente
africano, gerando assim graves problemas no
futuro.
Imperialismo na África
Cultura Afro-brasileira
A cultura afro-brasileira remonta ao período
colonial, quando o tráfico transatlântico de
escravos forçou milhões africanos a virem
para o Brasil. Assim, foi formada a maior
população de origem africana fora da África.
Esta cultura está marcada por sua relação
com outras referências culturais, sobretudo
indígena e europeia a qual está em
constante desenvolvimento no Brasil.
Uma das principais características da cultura
afro-brasileira é que não há homogeneidade
cultural em todo território nacional.
A origem distinta dos africanos trazidos ao
Brasil forçou-os a apropriações e
adaptações para que suas práticas e
representações culturais sobrevivessem.
Assim, é comum encontrarmos a herança
cultural africana representada em novas
práticas culturais.
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FASCISMO
14
Fascismo foi uma ideologia iniciada na
década de 1920, é marcada pelo
autoritarismo, nacionalismo e militarismo.
Essa ideologia foi a base do governo de
Benito Mussolini na Itália, que governou
esse país de 1922 até 1943, quando foi
deposto. A ideologia fascista aproxima-
se da ideologia nazista, por isso a
proximidade de Mussolini com Adolf
Hitler, líder do partido nazista na
Alemanha.
Essa ideologia se fortaleceu durante a
crise que assolou a Europa após o final
da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e
se aprofundou por conta da quebra da
Bolsa de Valores de Nova Iorque. O
fascismo prezava pelos valores da nação
em sobreposição aos indivíduos. O líder
era o chefe máximo e o guia
inquestionável da sociedade.
O que foi?
Características do Fascismo
O fascismo é marcado por governos
ditatoriais liderados por governantes
autoritários e que exigem do seu povo
total lealdade. Benito Mussolini era
chamado de “dulce”, que significa líder
em italiano. As massas eram convocadas
a manifestar publicamente lealdade ao
seu líder e ouvir os vários discursos
proferidos por ele.
No campo político, o fascismo só admitia
apenas um partido, aquele que dava
apoio ao líder. Na Itália, enquanto
Mussolini esteve no poder, o partido
fascista foi o único a ter suas atividades
legalizadas, enquanto outros partidos
foram extintos, e seus integrantes,
presos.
Origem do Fascismo
O fascismo surgiu na Itália, no começo
dos anos 1920, quando Benito Mussolini
se tornou chefe do partido fascista
italiano. O nome é originário do latim
“fascio”, que era um feixe de varas
utilizado pelos soldados romanos para
punir seus inimigos.
Fascismo Italiano
A Itália enfrentou uma grave crise após o
fim da Primeira Guerra Mundial. A crise
econômica e social aumentava a
pobreza no país, e as greves tornaram-se
constantes. Os fascistas trataram essas
greves como desordem social e se
aliaram aos industriais para reprimi-las. O
partido de Mussolini se fortaleceu e suas
manifestações nas ruas tornaram-se
constantes, pois pretendiam mostrar sua
força e seu poder de organização.
Na guerra, com o avanço dos Aliados em
território italiano, Mussolini tentou
estabelecer uma nova república no
norte, mas foi morto em 28 de abril de
1945. Seu corpo, da sua amante Clara
Petacci e dos seus últimos aliados foram
expostos em uma praça de Milão, onde
foram desfigurados pela população
enfurecida contra a violência fascista.
Outra característica do fascismo é um
Estado controlador da sociedade, não
admitindo qualquer atitude individual
diferente da preconizada por ele.
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FASCISMO
15
O termo “neofascismo” está ligado a
grupos extremistas da atualidade que
pretendem retomar as características do
fascismo italiano do começo dos anos
1920. Defendem um Estado forte,
utilizam a violência contra aqueles que,
na visão desses grupos, são inimigos e
exaltam a sua cor de pele ou origem.
Esses grupos não utilizam meios
golpistas para chegar ao poder, mas as
próprias eleições, aproveitando-se de
momentos de crise para divulgar suas
ideias extremistas.
Desde a morte de Mussolini e Hitler,
tem-se consciência do perigo do
surgimento de grupos, mesmo que em
pequeno número, que tentassem
resgatar os ideais defendidos pelos dois
e propagar isso para os mais jovens,
camuflando a violência e o autoritarismo
com um discurso fácil e convincente. Por
isso, a Itália e a Alemanha trataram de
criminalizar tudo o que fosse ligado ao
nazifascismo, como símbolos, músicas e
filmes. Além disso, há uma grande
preocupação com a história e a forma
como ela é contada. Os valores
democráticos e as liberdades são
ensinadas para se evitar que ideologias
iguais ao fascismo e nazismo voltem ao
poder. Porém, com a internet e a
ascensão das redes sociais, o perigo
ficou ainda maior, pois os grupos
extremistas neofascistas utilizam esses
meios para divulgar suas ideias e
conseguir mais adeptos.
Fascismo no Brasil
Integrantes do Integralismo reunidos em um
congresso em 1935.
A ideologia fascista não ficou restrita apenas
ao território italiano. O fascismo espalhou-se
pela Europa, alcançando outros países, como
na Espanha, durante o governo de Francisco
Franco. No Brasil, o fascismo se fez presente
por meio da Ação Integralista Brasileira,
liderada por Plínio Salgado, que defendia um
Estado forte e a ordem social garantida pela
força. Os integralistas utilizavam práticas
semelhantes aosfascistas italianos, como os
desfiles pelas ruas.
Se, na década de 1930, a Europa assistia a
confrontos violentos entre integrantes do
nazifascismo contra os comunistas, no Brasil
não foi diferente. Integralistas e
comunistastambém entraram em confronto.
Um dos motivos utilizados por Getúlio
Vargas para decretar o golpe do Estado
Novo foi a instabilidade política vivida pelo
Brasil durante o período. O preâmbulo da
Constituição de 1937, que vigorou durante a
ditadura varguista, tratava dos embates
ideológicos entre integralistas e comunistas.
Neofascismo
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NAZISMO
O Nazismo foi um movimento político
totalitário que vigorou na Alemanha, no
século XX (1933-1945) junto aos
problemas deixados pela Primeira
Guerra Mundial. O movimento teve
como principal líder Adolf Hitler, que
espalhou uma política extremista,
militarista e preconceituosa.
A palavra que deu origem ao movimento
foi retirada da abreviatura “nazi”, que
sintetiza o nome do Partido Nacional-
Socialista dos Trabalhadores Alemães,
fundado com a finalidade de reunir os
ideais pregados pelo regime.
O grande objetivo do movimento nazista
era construir uma nação consolidada
sob uma “única e verdadeira raça”, a raça
dos “arianos”, que segundo os nazistas,
era considerada a mais pura da Europa
tanto intelectual quanto fisicamente em
relação a todas as outras.
16
Além disso, a população estava
desacreditada com a democracia, já que
grande parte dos países democratas
participaram dos conflitos causados pela
Primeira Guerra Mundial.
Aliado a esses fatores, a Alemanha vivia
um série de restrições impostas pelo
Tratado de Versalhes, que foi um acordo
entre países vencedores e derrotados do
conflito, no qual o país foi acusado de ser
o principal causador da Primeira Guerra.
O país perdeu uma parte do seu
território, o exército foi reduzido e ainda
teve que pagar indenizações. Ou seja,
todo esse desconforto político propagou
um sentimento de revolta entre a
população alemã, que desenvolveu uma
aversão à pátria.
O nazismo nasceu em um período
classificado como “Entre Guerras”, entre
o fim da Primeira e início da Segunda
Guerra Mundial. Nesse período, a
população dos países da Europa e
principalmente a Alemanha havia
perdido as esperanças com o contexto
político do país.
Nesse momento, a população vivia a
crise do Liberalismo tanto econômico
quanto político. O povo acreditava que o
regime não havia dado certo,
principalmente após a crise de 1929,
quando a bolsa de valores caiu em Nova
Iorque, repercutindo na economia de
vários países, dentre eles a Alemanha.
Nazismo no Poder
O que foi?
Contexto Histórico
O cenário foi um momento favorável
para que o Nazismo se instaurasse no
país. Em 1919, Adolf Hitler, que já havia
participado da Primeira Guerra, aliou-se a
um grupo de ex-combatentes da classe
média, conhecido como “Partido
Trabalhista Alemão". O partido planejava
uma ideologia para reacender a política
e economia da Alemanha.
Com o tempo, Hitler se destacou como
bom orador do grupo e propôs a troca
do nome do partido para "Partido
Nacional Socialista dos Trabalhadores
Alemães". Assim, em 1920, ele se tornou
a figura mais importante do partido.
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NAZISMO
Ainda na cadeia, o líder nazista começou
a escrever os primeiros trechos do seu
livro "Mein Kampf", que significa “Minha
Luta”, obra que futuramente seria a
bíblia do movimento nazista. Após
cumprir oito meses de pena, Hitler foi
solto e reorganizou o partido.
Após a crise de 1929, a sociedade
pressionou o presidente alemão Von
Hinderburg, forçando-o a conceder o
cargo de chanceler para Hitler. Na
época, essa posição era considerada a
segunda mais importante do poder na
Alemanha, ficando abaixo apenas do
presidente.
Em 1933, com a morte de Hinderburg, o
líder do Nazismo finalmente chegou ao
poder. Ele se autodeclarou “Führer”, que
quer dizer líder em alemão. Dessa forma,
instaurou o chamado Terceiro Reich
("Terceiro Reino").
17
O Nazismo, por outro lado, pretendia unir
os germânicos e acabar com os povos
judeus, marxistas, socialistas, ciganos,
negros, entre outros. Para ajudar nessa
tarefa, Hitler criou três principais forças
de poder: as Seções de Assalto (S.A), as
Seções de Segurança (S.S) e a Gestapo
(polícia secreta alemã).
A Segunda Guerra Mundial teve início
quando o Nazismo estava no auge do
governo alemão. O conflito aconteceu
entre países que estavam diante de uma
grande crise econômica, política e social
e isso gerou a divisão de dois grupos.
De uma lado, o grupo dos “Aliados”, com
a Inglaterra, França, Estados Unidos e
União Soviética, e do outro a Alemanha,
Itália e Japão, formavam o “Eixo”. Ambos
com pretensões imperialistas, na luta
pelo poder e conquista de territórios.
Características do Governo Nazista
Segunda Guerra Mundial
O principal símbolo do Nazismo é a cruz
suástica. Entre os nazistas, ela significava
sorte e sucesso. Porém, atualmente, o
símbolo tem um significado bastante
negativo, sendo proibido, inclusive, de
ser incentivado ou replicado em locais
públicos.
Como principais características, o
Nazismo defendia:
• Totalitarismo: sistema político baseado
em uma ideologia que coloca o líder de
uma nação como controlador absoluto
dos direitos dos cidadãos Assim como o
Fascismo, o nazismo era antiparlamentar,
antiliberal e antidemocrático;
• Nacionalismo: para os nazistas, as
humilhações surgidas com o Tratado de
Versalhes deveriam sumir. Eles
pretendiam desenvolver a Grande
Alemanha, que consistia no
agrupamento das comunidades
germânicas da Europa (Áustria, os
Sudetos e Dantzig);
• Antimarxismo e Anticapitalismo: Hitler
acreditava que o marxismo refletia um
produto do pensamento de judeus, uma
vez que Marx era judeu e propunha a
luta de classes. Já o Capitalismo iria
agravar as desigualdades, pois ambos
atentavam contra a unidade do Estado.
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NAZISMO
Por fim, os nazistas ficaram
mundialmente conhecidos pelos ideais
antissemitas que disseminavam contra
os judeus, além do preconceito exercido
sobre as outras classes, fazendo com
que o regime perseguisse negros,
homossexuais, comunistas ou outra
classe que não fosse de arianos.
18
Sob o comando de Adolf Hitler, a
Alemanha presenciou a tragédia
causada pelo Holocausto, que foi um
processo de genocídio contra a
população judaica e demais etnias que,
para os nazistas, não merecia povoar o
território alemão.
Pesquisas relatam que
aproximadamente 6 milhões de judeus
tenham morrido em campos de
concentração durante Holocausto. O
extermínio cometido contra grupos
minoritários e sobretudo contra os
judeus, só terminou em 1945, com o fim
da Segunda Guerra Mundial.
Influências no Brasil
Holocausto
O Nazismo começou a ter influência em
território brasileiro antes da Segunda
Guerra Mundial, graças a propaganda
política do chamado Terceiro Reich. A
intenção desta propagando política era
alcançar os mais de 100 mil imigrantes
alemães que viviam na regiãoSul e na
região Sudeste do Brasil.
Além disso, de acordo com estudiosos, o
Brasil era o país que tinha mais adeptos
do Nazismo fora da Europa. Contudo,
com o início do Estado Novo, o partido
nazista no Brasil foi considerado ilegal.
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A análise econômica e política do
comunismo sob a visão de um dos
fundadores filosóficos da doutrina, Karl
Marx, detalhou essa evolução entre as
classes sociais. Marx fez comparações
com o sistema capitalista, distinguindo os
recursos entre cada um deles e
explicando a evolução da sociedade. O
filósofo conseguiu abordar a ideologia
comunista de forma mais clara, diferente
dos teóricos que o antecederam, em
relação ao acúmulo de capital através da
mais-valia.
Apesar de todos verem o comunismo
apenas como uma ideologia, Marx ia
além. Ele via algo diferente, pois
acreditava que se tratava de um
movimento real, que se manifestava nos
movimentos dos trabalhadores. Marx
propunha que a classe operária acabasse
com a burguesia, interrompesse o poder
do estado e conseguisse estatizar os
meios de produção. O filósofo acreditava
que para o comunismo ter progresso
seria necessário acabar com o Estado.
COMUNISMO
O comunismo é uma doutrina política e
socioeconômica que tem como
finalidade a existência de uma
sociedade igualitária e, além disso, que
consiste nos meios de produção como
propriedade de todos os indivíduos. A
ideologia principal do comunismo é uma
sociedade que não esteja sob a regência
do Estado (sociedade apátrida). Pode-se
dizer que a doutrina comunista é o
oposto do capitalismo, pois considera
que a propriedade privada do capital
consiste na individualidade e por isso é
destoante, pois não atende a maioria da
população.
19
Objetivos
O que é?
O comunismo é uma doutrina que tem
como objetivo principal reconstituir o
que se conhece por “estado natural”, isto
é, uma sociedade em que todos teriam
direito a tudo. O modo de produção
estaria livre da alienação do trabalho,
pois iria beneficiar a todos de maneira
igual. Outra característica fundamental
da doutrina comunista é a luta de
classes. Para se conseguir alcançar o
ideal de uma sociedade igualitária, seria
essencial que as elites dominantes
fossem desafiadas. Dessa forma, o
trabalho que é visto como uma
mercadoria, como acontece no
capitalismo, na doutrina comunista as
pessoas trabalham de forma livre.
Karl Marx
Manifesto Comunista
Publicado em 21 de fevereiro de 1848, o
Manifesto Comunista foi uma obra que
ficou muito conhecida na história por ser
um dos tratados políticos de grande
influência no mundo. O documento foi
elaborado pela Liga dos Comunistas e
produzido pelos pensadores, que são
considerados os pais do Socialismo
Científico: Karl Marx e Friedrich Engels. O
Manifesto Comunista apresenta toda a
organização da doutrina, propósitos,
além dos objetivos da Liga dos
Comunistas.
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O comunismo brasileiro surgiu em 1922,
no Rio de Janeiro, com a fundação do
Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Sem dúvidas, a doutrina foi essencial
para o contexto político do país. Foi a
partir do comunismo que muitos outros
partidos surgiram e isso fez com que se
intensificasse a participação política da
sociedade brasileira. O Partido Comunista
do Brasil precisou agir na “ilegalidade”,
no decorrer de sua história,
especialmente nos períodos de
repressão que ocorreu no governo de
um dos presidentes do Brasil, Getúlio
Vargas, durante a Era Vargas, e durante a
Ditadura Militar no Brasil.
COMUNISMO
O documento foi produzido em um
momento que ocorriam muitas lutas, em
especial as Revoluções de 1848. Elas
ficaram conhecidas como Primavera dos
Povos. Esse combate teve duração de
aproximadamente um ano e chegou a
alcançar alguns países da Europa. Entre
as reivindicações exigidas pela Liga dos
Comunistas constituem as reformas
sociais. Essas mudanças buscavam a
redução da jornada de trabalho de 12
para 10 horas diárias, além do voto
universal, que competia apenas aos
homens, inicialmente
Marx e Engels pontuaram no documento
todo o contexto histórico e as formas de
opressão social causadas pela
burguesia. Além disso, também
mostraram a importância de existir uma
revolução para acabar com o poder da
monarquia (o poder concentrado na
mão de um governante por anos) com a
igreja e extinguir a exploração do
operário como mercadoria.
O documento traz uma crítica severa em
relação ao modo de produção do
capitalismo, além da maneira como a
sociedade foi pensada e organizada no
seu contexto. O Manifesto Comunista foi
um documento que tentou organizar
uma revolução dos operários, com a
finalidade de que existisse uma
sociedade igualitária.
20
Comunismo no Brasil
Países Comunistas
Alguns países são considerados e
categorizados como comunistas, embora
a natureza da doutrina comunista tenha
sequer sido adotada. Por essa razão, os
historiadores preferem dizer que se trata
de países socialistas. Entre esses países
que se consideram comunistas hoje
estão a República Popular da China,
Cuba, Coreia do Norte, Laos, Transnístria
e Vietnã. Na verdade, definir esses países
como nações comunistas seria um erro,
visto que nenhuma delas alcançou esse
tipo de organização.
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https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/ditadura-militar-no-brasil
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/geografia/cuba
O anarcossindicalismo é uma corrente
sindicalista que nasceu em Haia, Países
Baixos, em 1872, durante a quinta edição do
congresso da Primeira Internacional dos
Trabalhadores.
Nessa doutrina, o trabalhador é considerado
a célula mais importante da sociedade.
Então, a transformação da sociedade
capitalista e sua posterior eliminação, se dará
através dos sindicatos e daí seu nome.
O anarquismo surge no século XIX, proposto
pelo filósofo e político inglês William Godwin
(1756-1836), que sugere um novo sistema
político e econômico distinto do capitalista
liberal que imperava desde a Revolução
Industrial.
Para os anarquistas, a regulação da
sociedade iria ocorrer através de assembleias
ou talvez, essas nem seriam necessárias.
Afinal, o indivíduo seria consciente daquilo
que prejudica a vida em comum e do que a
favorece.
ANARQUISMO
21
O anarquismo é uma corrente do socialismo
e entre as características comuns entre
ambos os sistemas estão a extinção da
propriedade privada e o fim das classes
sociais.
A principal diferença entre uma e outra
ideologia tem a ver com os métodos
empregados para conquistar seus objetivos.
Os socialistas defendem que é preciso
organizar o proletariado em partidos políticos
para conquistarem o poder através das
eleições.
O que foi?
Características Principais
Liberdade e autonomia dos indivíduos
Propriedade coletiva
Autogestão como forma de governo
Autodisciplina e responsabilidade
Educação libertária
Harmonia e solidariedade
Anarquismo no Brasil
As ideias anarquistas chegaram ao Brasil no
século XX trazidas pelos imigrantes
europeus, especialmente de italianos.
Os anarquistas favoreceram o
desenvolvimento de movimentos sociais,
organizaram os primeiros sindicados nas
fábricas e também promoveram greves de
operários em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Anarquismo x Socialismo
Anarcossindicalismo
Anarquismo x Comunismo
Embora sejam anticapitalistas e antiliberais, o
anarquismo e o comunismo são sistemas
bastante diferentes.O anarquismo prega ausência do Estado, a
eliminação de qualquer ordem hierárquica e
defende organizações libertárias.
Já o comunismo é um sistema econômico no
qual não há classes, a propriedade é comum,
mas administrada por um governo formado
pelos trabalhadores. No anarquismo, porém,
a ausência do governo é total.
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SOCIALISMO
limite de jornada de trabalho;
um dia de descanso semanal;
equipamento de proteção no ambiente
de trabalho;
um salário mínimo como piso para
estipular remuneração;
progressão salarial;
aposentadoria;
indenização em caso de acidentes;
vedação de trabalho infantil, entre outros
direitos.
Era o “capitalismo selvagem” em sua
expressão exata, bem diferente do que
conhecemos hoje depois de inúmeras lutas
civis que garantiram:
22
Socialismo é uma doutrina econômica e
política que nasceu no final do século XVIII,
na Europa, em contraposição às iniquidades
sociais produzidas em larga escala pelo
fenômeno da Revolução Industrial. Defende
a reformulação da sociedade capitalista,
transformando-a numa sociedade justa e
igualitária.
Para os socialistas utópicos, isso seria
possível sem a destruição do capitalismo.
Para os socialistas científicos, isso só seria
possível com a destruição do capitalismo. A
primeira corrente era reformista; a segunda,
revolucionária. Porém, as experiências reais
de sociedades socialistas são diferentes das
idealizações de ambas.
O que é?
Características do Socialismo
graves violações ao operariado;
insalubridade e precariedade nos
ambientes fabris, que adoeciam muitos
operários ou os tornavam vulneráveis a
acidentes de trabalho, inclusive fatais;
jornadas de trabalho de até 18 horas;
baixos salários;
emprego de crianças e adolescentes,
que, devido às jornadas exaustivas,
exposição a doenças e acidentes, além
da má alimentação, sequer se
desenvolviam plenamente para a vida
adulta, tendo sua expectativa de vida
diminuída.
O socialismo é um ideário político e
econômico concebido no contexto da
Revolução Industrial, em fins do século XVIII
e meados do século XIX. Tendo por princípio
basilar a igualdade, o socialismo foi
construído em contestação ao capitalismo,
que naquele período operava sem nenhuma
forma de regulação ou legislação trabalhista
que conferisse aos trabalhadores proteção e
condições dignas de trabalho.
A Revolução Industrial, embora seja um
marco de modernização da produção de
riqueza, foi marcada por:
Tipos de Socialismo
limite de jornada de trabalho;
um dia de descanso semanal;
equipamento de proteção no ambiente
de trabalho;
um salário mínimo como piso para
estipular remuneração;
progressão salarial;
aposentadoria;
indenização em caso de acidentes;
vedação de trabalho infantil, entre outros
direitos.
Socialismo utópico
A primeira corrente do pensamento socialista
foi denominada socialismo utópico e
desenvolvida na Primeira Revolução
Industrial. O filósofo e economista francês
Saint-Simon foi seu principal intelectual. Ele
não era defensor de uma revolução e da
abolição da propriedade privada, mas de
uma tecnocracia governamental e uma base
econômica industrial em que não houvesse
ociosos e explorados, mas compartilhamento
na produção e usufruto da riqueza.
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https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/revolucao-industrial-2.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/socialismo-utopico.htm
SOCIALISMO
a redução da jornada de trabalho;
fixação de salário mínimo para
trabalhadores;
ensino gratuito para todos;
autogestão nas fábricas;
separação entre Igreja e Estado.
Armênia;
Azerbaijão;
Bielorússia (Belarus);
Estônia;
Geórgia;
Cazaquistão;
Kirgiziya (Quirguistão);
Letônia;
Lituânia;
Moldávia (Moldova);
Rússia;
Tadjiquistão;
Turcomenistão;
Ucrânia;
Uzbequistão.
As principais mudanças realizadas por esse
governo foram:
O governo operário durou 72 dias. Apoiado
pelo exército prussiano, o governo francês
derrubou a comuna e recuperou o poder.
União Soviética
A adoção do ideário socialista por um país
inteiro ocorreu pela primeira vez no século
XX, na Rússia, que, em 1922, unificada a
outros países, formou a União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas, que foi
agregando países do Leste Europeu. Em 1917
a monarquia czarista foi derrubada por uma
revolução que resultou em guerra civil. O
Partido Bolchevique alçou ao poder Vladimir
Lenin, sucedido por Joseph Stalin.
O último líder da União Soviética foi Mikhail
Gorbachev, que renunciou em 1991, ano em
que a URSS foi dissolvida. Em seus anos
finais, a URSS era composta por 15 países:
23
combate à desigualdade por meio da
extinção do capitalismo;
uma sociedade sem classes;
abolição da propriedade privada e
socialização dos meios de produção.
Socialismo científico
Socialismo científico é a corrente de
pensamento protagonizada por Marx e
Engels. No século XIX, esses teóricos
debruçaram-se na construção e divulgação
de uma análise econômica da história. O
socialismo científico, também conhecido
como marxismo, propõe a compreensão
científica de como o capitalismo funciona
para poder substituí-lo por um regime
econômico igualitário. Para seus autores,
todos os períodos da História e todos os
modelos econômicos foram estruturados
sobre a luta de classes.
Experiências do Socialismo
Comunidade de Robert Owen
O autor socialista Robert Owen logrou
construir uma comunidade baseada no seu
ideal de sociedade. Nela, os salários dos
trabalhadores eram altos, e os lucros dos
sócios, limitados. Parte do lucro era investida
em melhorias para a coletividade, o tempo
de trabalho era menor que em outros
lugares e, durante crises econômicas, os
funcionários não eram demitidos ou
desamparados. Todavia, a comunidade só
funcionava harmonicamente sob sua
liderança e, por fim, foi desfeita após brigas
internas.
Comuna de Paris
A Comuna de Paris foi uma tentativa de
implementação de um governo socialista.
Em 1871, a classe operária revoltou-se contra
o governo francês e, com o apoio da Guarda
Nacional, tomou o poder em Paris. Seu
governo era composto por 90
representantes de diferentes correntes
socialistas eleitos por sufrágio universal
masculino — mulheres não puderam votar.
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https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/poder.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/politica/conceito-monarquia.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/socialismo-cientifico.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/marxismo.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/luta-classes.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/comuna-paris.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/sufragio-universal.htm
SOCIALISMO
Na teoria marxista, o socialismo seria uma
etapa para a construção do comunismo e um
período de transição gradativa. O comunismo
seria uma organização social onde não
haveria divisão de classes nem Estado. Para
desenvolvê-la, era necessário um período
em que a sociedade controlasse a produção
e distribuição de riqueza, promovendo a
cooperação nas relações de trabalho e a
igualdade
24
Essa experiência é denominada “socialismo
real” e foi precursora de regimes de
economia planificada em outros lugares do
mundo. É importante observar que, embora
se baseie no socialismo científico em sua
fundação sob a liderança de Lenin, não
correspondeu ao que é preconizado nos
escritos de Marx e Engels a partir do
governo de Stalin. A hegemonia do Partido
Bolchevique foi conquistada pela expulsão,
exílio e execução de socialistas de vertentes
distintas e mesmo de correligionários do
partido. Stalin não seguiu o ideáriode
abolição de classes e do Estado, mas
fortaleceu este sob o seu comando e
cometeu incontáveis violações dos Direitos
Humanos. Para saber mais sobre como se
deu essa experiência socialista, leia: União
Soviética.
Alemanha Oriental
A Alemanha, após a Segunda Guerra
Mundial, dividiu-se em duas: a Alemanha
Ocidental e a Alemanha Oriental. Esta,
apoiada pela União Soviética, desenvolveu
um governo socialista de 1949 até 1990,
caracterizado por uma economia planificada.
A alta emigração, principalmente de jovens,
para a Alemanha Ocidental, foi o motivo para
que se construísse um muro em 1961, que
ficou conhecido como Muro de Berlim. Em
1989, o muro foi derrubado, e o governo
alemão, reunificado. A queda do Muro de
Berlim é um marco no enfraquecimento do
socialismo como modelo de governo.
Autores Socialistas
Claude-Henri de Rouvroy, conhecido
como Conde de Saint-Simon (1760-1825);
Charles Fourier (1772-1837);
Louis Blanc (1811-1882);
Robert Owen (1771-1858).
Karl Marx (1818-1883);
Friedrich Engels (1820-1895).
Os primeiros pensadores socialistas, do
chamado socialismo utópico, foram:
Os principais autores do chamado socialismo
científico são:
Comunismo x Socialismo
Comunismo x Socialismo
na propriedade privada;
no mercado regulado pela relação
oferta-demanda;
na produção de riqueza orientada pelo
lucro e pela acumulação.
na propriedade coletiva;
no Estado forte que recebe da sociedade
a procuração para gerir o processo de
produção de riqueza e distribuí-la de
maneira igualitária entre os membros da
sociedade.
O capitalismo é um modelo econômico
baseado:
O socialismo é um modelo econômico
baseado:
Na vertente utópica, o socialismo seria um
reformador do capitalismo que o regula e o
equaliza de modo a diminuir as
desigualdades sociais. Na vertente
revolucionária, o socialismo seria um
caminho de transição do capitalismo para o
comunismo, operando politicamente para
modificar as bases econômicas da
sociedade.
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https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/vladimir-lenin.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/josef-stalin.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/direitos-humanos.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/uniao-sovietica.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/segunda-guerra-mundial.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/muro-berlim.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/queda-muro-berlim.htm
BRASIL COLÔNIA
O que foi?
Organização social, escravização indígena e negra e economia.
O Brasil Colônia foi o período
compreendido entre os anos de
1500 até 1822, quando Portugal
colonizou as terras brasileiras.
Essa colonização começou de
fato em 1530, logo após a crise do
comércio com as especiarias, que
era a atividade econômica
preferida dos portugueses. Com
isso, não restou alternativa a não
ser iniciar a colonização da
América portuguesa, efetivando a
presença de Portugal e evitando
qualquer ataque pirata de outras
nações europeias. Portugal
instalou no Brasil duas formas de
governo:
Centralizou o governo colonial em
Salvador, primeira capital brasileira.
Cuja administração foi
descentralizada em cada província.
Capitanias Gerais
Governo Geral
25
Com a crise do comércio das
especiarias, em meados do século
XVI, os portugueses decidiram
investir na ocupação e exploração
do Brasil. As tentativas de invasão
vindas da França e da Inglaterra
também fizeram com que
Portugal ocupasse em definitivo o
território brasileiro. Por três
séculos, os portugueses
dominaram o Brasil, explorando
suas riquezas, como a cana-de-
açúcar e o ouro, cobrando
impostos e abafando revoltas
coloniais, até 7 de setembro de
1822, data da proclamação da
independência brasileira.
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O açúcar era um produto muito
apreciado pelos europeus e também um
dos mais caros. Até o final do século XIV
era utilizado na Europa como remédio ou
tempero exótico. A partir do final do
século XV o açúcar se tornará um
produto de consumo da nobreza e da
burguesia europeias. Era chegado o
tempo da Economia Açucareira no Brasil.
O açúcar era um dos produtos mais
requisitados pelo “Velho Mundo” no
início da modernidade e, por isso, a
cana-de-açúcar foi a cultura (no sentido
de cultura agrícola) empregada no solo
brasileiro.
Qual era a capitania mais rica?
ECONOMIA AÇUCAREIRA
O que foi?
A economia açucareira no Brasil
corresponde ao período colonial do
século XVI. O açúcar representou a
primeira riqueza produzida no país,
acompanhada da ocupação do mesmo.
Deu origem às três primeiras capitanias:
Pernambuco, Bahia e São Vicente.
Localizadas nas costas litorâneas do
território, fizeram com que o Brasil se
tornasse o maior produtor e exportador
de açúcar da época.
Pernambuco era a capitania mais rica,
tinha as maiores fazendas e era a mais
poderosa. Desse estado saiu a maior
produção de açúcar do mundo. Essas
plantações ficaram conhecidas como
“plantation”, pois eram grandes fazendas
que produziam apenas uma cultura
(monocultura) e sua produção era
totalmente voltada ao comércio exterior.
O pacto colonial assegurava que tudo
que fosse produzido no Brasil seria
comercializado com a metrópole
portuguesa e assim foi estabelecido um
monopólio comercial dos portugueses
que pudessem comercializar com outros
países europeus e ficar com a maior
parte dos lucros. Ou seja, a colônia
produzia, entregava sua produção a
preços baixos e comprava os escravos a
preços altos. Portugal sempre ficava
ganhando em qualquer negociação.
26
O açúcar
O comércio de açúcar era um dos mais
internacionalizados, movimentando
vários outros setores da economia
mercantilista da época. O açúcar que
passou a ser plantado no Nordeste do
Brasil, por exemplo, era enviado pelos
portugueses para a Holanda, em acordo
com a Companhia das Índias Ocidentais,
a fim de lá ser refinado.
O Comércio do Açúcar
O que foi preciso para a Economia
Entre esses fatores, estava a
autoridade que os donatários das
Capitanias Hereditárias tinham de
conceder sesmarias (posse sobre
grandes porções de terras dentro da
Capitania) a determinados indivíduos
para que pudessem tornar a região
produtiva.
Foi necessária a conjunção de alguns
fatores.
do Açúcar dar certo no Brasil?
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ECONOMIA AÇUCAREIRA
Os latifúndios concedidos pelas
sesmarias, na região Nordeste do Brasil,
tornaram-se centros de plantação e
moagem de cana-de-açúcar.
Em cada um desses centros havia o principal
sistema de moagem da cana, o Engenho. O
responsável pela administração geral do
Engenho, das lavouras e de tudo o que
ocorria no latifúndio era o senhor de
engenho, um aristocrata rural que mantinha
um rígido sistema de organização social
centrado em sua figura.
27
Toda engrenagem era feita na moenda que
era movimentada por força humana escrava.
Esta espremia a cana e o caldo que saía
escorrendo por calhas até às caldeiras, o
lugar mais perigoso da produção, pois era
quente e o risco de queimadura era grande
uma vez que o caldo era todo fervido. Depois
que o caldo era cozido, ficava na casa de
purgar por vários dias até saírem todas as
impurezas e se transformar em açúcar.
Os Escravos
Os escravos eram trazidos da África através
de navios negreiros, chegando em péssimas
condições, doentes ou resultando na morte
de alguns. As condições climáticas
favoreceram o cultivo de cana e as regiões
em que essa cultura se desenvolveu
proporcionaram praticidade para o
transporte desses seres humanos.
Para produzir o açúcar através da cana era
necessária a casa da moenda, um cômodo
construído mais baixo que a casa grande,
normalmente próximo a um rio para que
assim a água conseguisse passar pela casa.
Havia duas portas, uma para entrada da
carroça e outra para a saída.
Toda engrenagemera feita na moenda que
era movimentada por força humana escrava.
Esta espremia a cana e o caldo que saía
escorrendo por calhas até às caldeiras, o
lugar mais perigoso da produção, pois era
quente e o risco de queimadura era grande
uma vez que o caldo era todo fervido.
Depois que o caldo era cozido, ficava na
casa de purgar por vários dias até saírem
todas as impurezas e se transformar em
açúcar.
O que era necessário para produzir o
Os trabalhadores tinham salário?
Nesse sistema também havia trabalhadores
livres que tinham salários. Eles eram
especialistas na produção do açúcar. Outro
assalariado era o feitor-mor que era um
empregado de confiança do senhor de
engenho e cumpria a função de delegar
tarefas aos outros trabalhadores e
administrar a produção do açúcar.
Os donos das pequenas terras também
podiam plantar cana e vender para os
grandes proprietários de engenho.
Acabavam sempre ficando dependentes de
quem possuía grandes posses, uma vez que
não tinham o mecanismo para produzir o
açúcar em si, nem a mão de obra. Alguns
senhores eram apenas proprietários de
escravos e também vendiam aos grandes
senhores, ou os deixavam plantar em sua
propriedade e como forma de pagamento
ficava com uma porcentagem dos lucros.
O que aconteceu depois do século XVII?
A partir do século XVII a economia açucareira
entra em declínio devido à expulsão dos
holandeses no norte do Brasil e à tomada de
posse novamente do lugar que eles
ocuparam. Os holandeses começaram a
plantar e comercializar cana de açúcar em
suas colônias nas Antilhas, fato que
contribuiu para uma forte concorrência com
os europeus deixando a preferência do
açúcar brasileiro de lado. Embora a produção
não tenha parado, ela diminuiu bastante e os
colonos começaram a se voltar a outras
culturas e posteriormente para o ouro.
açúcar através da cana? JO
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Os holandeses procuraram construir sua
própria colônia na América ao se apropriar
de uma das principais praças produtoras de
açúcar da América Portuguesa.
INVASÃO HOLANDESA
O que foi e como ocorreram?
As invasões holandesas no Brasil ocorreram
quando os holandeses ocuparam territórios
no Nordeste brasileiro no século XVII. Essa
invasão estava diretamente relacionada com
as questões diplomáticas envolvendo
Portugal, Espanha e a própria Holanda
naquele período.
O que os holandeses queriam?
28
Por quanto tempo
Os holandeses permaneceram no Brasil de
1630 a 1654, e sua presença aqui ficou
profundamente marcada pela administração
de Maurício de Nassau, militar alemão
enviado pela Companhia das Índias
Ocidentais para governar a colônia
holandesa.
A expulsão dos holandeses
A expulsão dos holandeses aconteceu por
meio da mobilização popular contra os
holandeses motivada pela Guerra de
Restauração, que teve início em 1640.
Por que os holandeses
A invasão do Nordeste brasileiro pelos
holandeses resultou diretamente das relações
diplomáticas entre Portugal, Espanha e Holanda
no final do século XVI. Até 1580, a Holanda tinha
um envolvimento direto com o negócio do açúcar
produzido no Brasil, pois foram eles que
financiaram o desenvolvimento do negócio aqui e
eles também participavam do refino e da
comercialização do açúcar na Europa.
A atividade açucareira rendeu bastante lucro para
Portugal e Holanda. No entanto, essa situação
sofreu profundas modificações com a crise da
dinastia de Avis em Portugal, no final do século
XVI. Essa crise de sucessão deflagrou-se quando
d. Henrique, rei de Portugal, morreu e não deixou
herdeiros diretos.
Assim sendo, uma disputa aconteceu e resultou
na coroação de Filipe II, da Espanha, como rei de
Portugal. Como desdobramento, as coroas de
Espanha e Portugal foram unificadas sob o
domínio do mesmo rei. Isso ficou conhecido como
União Ibérica e representava, naturalmente, que
mudanças drásticas aconteceriam nas relações
diplomáticas entre Holanda e Portugal, pois a
Holanda estava em guerra contra a Espanha
desde 1568.
Essa guerra entre Espanha e Holanda tinha
relação com a luta dos holandeses por sua
independência (até 1581, a Holanda estava sob o
domínio dos Habsburgo, a dinastia que reinava na
Espanha). Por conta desse contexto, os inimigos
da Espanha tornaram-se os inimigos de Portugal,
já que os dois países passaram a ser governados
pelo mesmo rei.
permaneceram no Brasil?
invadiram o Brasil?
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A guerra entre holandeses e portugueses
estourou a partir de 1645 e estendeu-se até 1654.
Esse período de batalhas ficou conhecido como
Guerras Brasílicas e contou com lideranças locais
importantes na luta contra os holandeses, tais
como André Vidal de Negreiros e João Fernandes
Vieira. A mobilização contra os holandeses teve a
participação de donos de engenhos, negros e
indígenas.
Os holandeses enfraqueceram-se
consideravelmente com as duas derrotas sofridas
na Batalha de Guararapes, em 1648 e 1649. Os
recursos holandeses, que já eram escassos,
diminuíram mais ainda a partir de 1652, quando
Holanda e Inglaterra entraram em guerra. Nesse
cenário, ficou impossível manter a colônia no
Nordeste.
Por fim, em 1654, uma esquadra portuguesa
cercou Recife e acabou retomando a região
depois de 24 anos de domínio dos holandeses. A
reconquista de territórios pelos portugueses
também aconteceu na África, com a expulsão dos
holandeses de regiões que eles haviam tomado
dos portugueses na década de 1630."
A trégua da Holanda com a Espanha encerrou-se
em 1621 e, no mesmo ano, a Companhia das
Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie, em
holandês) foi fundada. Esses acontecimentos
fizeram com que a guerra fosse retomada. A WIC
(sigla da companhia no holandês) tinha como
objetivo tomar o controle dos locais produtores
de açúcar de Portugal, bem como dos postos de
comércios de escravos na África.
Em 1624, veio o primeiro grande ataque dos
holandeses contra a capital do Brasil, a cidade de
Salvador, e eles a conquistaram após 24 horas de
batalha. O domínio dos holandeses concentrou-se
nos limites da cidade, uma vez que a resistência
dos colonos e dos portugueses não permitiu que
os holandeses se expandissem pelo Recôncavo
Baiano.
Depois de um ano, a resistência portuguesa
conseguiu expulsar os holandeses de Salvador.
Isso foi possível, em grande parte, graças à
chegada de aproximadamente 12 mil homens
para lutar contra os holandeses. Depois de
expulsos, em 1625, os holandeses retornaram dois
anos depois, em 1627, para saquear a capital do
Brasil.
INVASÃO HOLANDESA
29
A expulsão dos holandeses
Assim, os holandeses acabaram sendo excluídos
do negócio do açúcar e isso resultou em uma
ação dos holandeses contra Portugal. Em 1595, os
holandeses saquearam portos portugueses no
continente africano e, em 1604, atacaram a cidade
de Salvador, na Bahia, mas o ataque dos
holandeses acabou fracassando. Depois disso, os
holandeses permaneceram em trégua com os
espanhóis até 1621.
Invasão do Nordeste
Invasão de Pernambuco
Depois de terem sido expulsos de Salvador, os
holandeses voltaram-se contra Pernambuco,
outra capitania brasileira que prosperava com a
produção de açúcar. Em 1630, uma expedição
holandesa formada por 65 embarcações e 7280
homens atacou Olinda. Com essa força, os
holandeses conseguiram conquistar Olinda em 14
de fevereiro de 1630.
Com a invasão holandesa, Maurício de Nassau foi
indicado para administrar a colônia holandesa no
Nordeste.
Entre 1630 e 1637, os holandeses estenderam o
seu domínio pelo Nordeste brasileiro e
conquistaram regiões como a Paraíba e o Rio
Grande do Norte. Para isso, contaram com a
preciosa ajuda de um colono chamado Domingo
Fernandes Calabar. O conhecimento que ele tinha
da terra foi crucial para o sucesso dos holandeses.
Holandeses x Portugueses
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O ciclo do ouro é a época em que a extraçãoe exportação do ouro figurava como
principal atividade econômica no período
colonial.
Teve seu inicio no final do século XVII,
momento em que as exportações do açúcar
nordestino caíam pela concorrência exercida
pela produção açucareira de ingleses e
holandeses no Caribe.
CICLO DO OURO
30
O que foi?
A extração do ouro provocou mudanças na
ocupação do território.
Houve um grande fluxo de pessoas que
vieram de Portugal e do litoral nordestino
para a região das minas. Também ocorreu o
incremento da escravização de indígenas e
de africanos.
A fim de garantir o controle sobre a extração
e envio do metal, a Coroa instituiu vários
impostos e transferiu a capital do Brasil de
Salvador para o Rio de Janeiro.
Por fim, entre 1750 e 1770, Portugal
atravessava dificuldades econômicas
decorrentes de má administração e
desastres naturais. Além disso, sofria
pressão da Inglaterra, a qual, ao se
industrializar, buscava consolidar seu
mercado consumidor, bem como sua
hegemonia mundial.
Assim, a descoberta de grandes
quantidades de ouro no Brasil, tornava-se
um motivo de esperanças de
enriquecimento e estabilidade econômica
para os portugueses.
Ciclo do ouro em Minas Gerais
As jazidas de ouro descobertas em Minas
Gerais, Goiás e Mato Grosso foram divididas
em lavras (lotes auríferos para exploração).
Breve Resumo
Durante o auge deste ciclo, no século XVIII,
milhares de pessoas foram para estas
regiões e estima-se que a população tenha
dobrado em um século.
O enriquecimento fez surgir uma elite
letrada. Vários filhos de exploradores de ouro
puderam ser mandados para a Universidade
de Coimbra onde entrariam em contato com
as ideias iluministas.
Também a economia se mostra mais
dinâmica, pois em torno às minas se constitui
o comércio agrícola para alimentar aqueles
que ali trabalhavam e o surgimento de
pequenas manufaturas. No entanto, estas
seriam proibidas em 1785.
A exploração aurífera passou a ser a mais
lucrativa na colônia. Por isso, aconteceu a
transferência da capital colonial de Salvador
para o Rio de Janeiro, de modo a assegurar a
fiscalização nas regiões de mineração.
Oficialmente foram extraídos 35 toneladas do
metal, mas acredita-se que deve ter sido
muito mais, pois uma parte era sonegada.
Por fim, o ciclo do ouro durou até o fim do
século XVIII, quando se esgotaram as minas,
em pleno desenrolar da Revolução Industrial
na Inglaterra.
Exploração e Administração do Ouro
Esse período representou o maior momento
de controle do Brasil por Portugal, pois a
Coroa cobrava altos impostos sobre o
minério extraído.
Estes eram fundidos e taxados nas Casas de
Fundição, onde recebiam um selo que
atestavam que o imposto já tinha sido pago.
No entanto, haviam desvios e, quando
descobertos, eram penalizados duramente.
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A corrida pelo ouro, as cobranças e os
abusos de poder político português
provocou choques como a Guerra dos
Emboabas (1707 a 1709).
Entre estes conflitos, contudo, o mais
notável foi a Inconfidência Mineira, também
conhecida como Conjuração Mineira.
Quinto: 20% de toda a produção do ouro
caberiam ao rei de Portugal;
Derrama: uma quota de
aproximadamente 1.500 kg de ouro por
ano que deveria ser atingida pela
colônia, caso contrário, penhoravam-se
os bens dos senhores de lavras;
Capitação: imposto pago pelo senhor de
lavras por cada pessoa escravizada que
trabalhava em seus lotes.
Percebemos que os altos impostos, as taxas,
as punições e os abusos de poder político
exercido pelos portugueses sobre o povo
que vivia na região gerava conflitos que
culminariam em várias revoltas.
Ao mesmo tempo que essa economia trouxe
crescimento demográfico, também gerou
em pobreza e desigualdade, pois os lucros
da exploração de minérios não foram
reinvestidos em atividades produtivas.
Após este período, o Brasil permaneceria
como simples exportador de produtos
primários, estancado neste ciclo vicioso e
sem conseguir envergadura técnica capaz
de promover o seu desenvolvimento
econômico.
CICLO DO OURO
31
Mecanismos de Controle do Ouro
O Ciclo do Ouro teve repercussões tanto no
Brasil como em Portugal e na Inglaterra. No
dizer do escritor Eduardo Galeano:
O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil,
templos em Portugal e fábricas na Inglaterra.
Para o Brasil representou a mudança do eixo
econômico do litoral nordestino para o
interior e a mudança da capital de Salvador
para o Rio de Janeiro.
Com o enriquecimento da elite, mais jovens
puderam estudar na Europa, no momento
em que o Iluminismo se espalhava pelo
continente. Ao voltar, livros sobre este
movimento eram trazidos e lidos por várias
pessoas.
Para os escravizados, o ouro trouxe a
esperança da liberdade e o surgimento de
uma camada de libertos.
Em Portugal, o ouro possibilitou construções
como o Palácio de Mafra, um complexo que
reúne uma igreja, moradia, convento, hortas
e terrenos destinados à caça.
Na Inglaterra, ligada a Portugal pelo Tratado
de Methuen, o ouro garantiu o pagamento
dos produtos manufaturados ingleses
Inconfidência Mineira
Consequências do Ciclo do Ouro
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A escravidão indígena foi a primeira tentativa
da Coroa portuguesa de explorar a mão de
obra no Brasil. Os portugueses encontraram
inúmeras dificuldades em capturar indígenas
para esse fim. Além destes conhecerem
muito bem o território, os padres jesuítas
tornaram-se empecilhos para a escravidão,
porque defendiam os índios para serem
catequizados.
A Coroa só autorizava a escravidão indígena
por meio da guerra justa. Com a vinda dos
negros africanos para o trabalho escravo, e
tendo-se em vista a lucratividade do tráfico
negreiro, a escravidão indígena foi sendo
deixada de lado.
O modo de vida dos índios não se adaptou
ao trabalho escravo exigido pelos
portugueses nos primeiros anos de
colonização brasileira.
ESCRAVIDÃO INDÍGENA
32
O que foi?
Contexto Histórico
Quando os portugueses desembarcaram no
Brasil em 1500, buscou-se o primeiro contato
com os nativos para conhecer-se melhor a
região e suas riquezas.
O primeiro ciclo econômico da colônia foi o
pau-brasil. Os índios retiravam as árvores das
florestas próximas ao litoral e colocavam-nas
nas caravelas portuguesas em troca de
espelhos e bugigangas que não tinham valor
comercial para os portugueses, mas
chamavam a atenção dos nativos. Essa troca
chamava-se escambo.
Enquanto Portugal lucrava com o comércio
de especiarias das Índias, as novas terras na
América serviam de entreposto, de parada
das navegações vindas de Portugal para, em
seguida, continuarem a viagem em direção
às Índias. Enquanto isso, o comércio do pau-
brasil era mantido.
A crise do comércio de especiarias e a
ameaça de invasão por parte de piratas
ingleses e franceses fizeram com que
Portugal investisse definitivamente na posse
e na exploração do Brasil. Ao contrário dos
espanhóis, que encontraram ouro nos
primeiros anos de colonização da América,
os portugueses não tiveram a mesma sorte.
O comércio do pau-brasil gerava algum
lucro, mas não o suficiente para a Coroa
portuguesa. Os colonizadores tentaram
aproximar-se dos índios, para que estes se
tornassem seus aliados e, logo depois,
escravizados. Os índios colaboraram com os
portugueses na expulsão de estrangeiros
que tentaram invadir o Brasil.
No mesmo período que a Coroa portuguesa
decidiu investir na exploração do Brasil, a
Companhia de Jesus também participou
dessa empreitada e enviou diversos padres
para catequizar os habitantes das regiões
distantes da Europa. No século XVI, a Igreja
sofria os reveses da Reforma Protestante, e a
criação da Companhia de Jesus foi uma das
respostas ao avanço protestante na América.
Os padres jesuítas tiveram papel importante
na cristianização dos colonos e na
catequização dos índios. O Padre José de
Anchieta aprendeu a língua tupi-guarani e foi
o primeiro a fazer um dicionário sobre ela.
Ele se utilizava de poesias e apresentações
teatraispara evangelizar os índios.
As causas da escravidão indígena estão
ligadas principalmente ao propósito dos
portugueses em colonizar o Brasil. Ao
contrário do que houve na América do Norte,
os colonizadores portugueses não deixaram
seus reinos para morar aqui. Eles vinham
apenas para explorar as riquezas do Brasil. A
única mão de obra disponível era a indígena,
no entanto, o trabalho escravo e em grande
escala não era comum para os índios.
Causas da Escravidão Indígena
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Os colonizadores utilizaram-se de ameaças, da
força física e da propagação de doenças para
forçar os índios a trabalharem para a Coroa. Várias
tribos foram dizimadas por conta do conflito com
os portugueses ao recusarem o trabalho escravo.
Muitos índios fugiram para o interior do Brasil,
evitando ser escravizados. O fracasso da
escravidão indígena fez com que os portugueses
optassem pela escravidão negra oriunda da África.
Escravidão entre os indígenas
A escravidão entre os índios acontecia logo após
uma tribo vencer a outra em um combate. Os
derrotados eram transformados em mão de obra
escrava, mas o trabalho exigido não se comparava
com o que os portugueses esperavam que os
índios fizessem.
A escravidão entre os índios era o trabalho na
tribo. Além disso, havia tribos canibais que
comiam a carne dos adversários, pois acreditavam
que, dessa forma, teriam as mesmas qualidades
daqueles que morreram no combate. Por
exemplo, se um inimigo capturado era um bom
corredor, suas pernas eram comidas para que a
velocidade delas fosse agregada a quem as
comesse.
ESCRAVIDÃO INDÍGENA
33
Igreja e Escravidão Indígena
Os primeiros anos da colonização efetiva do Brasil,
a partir de 1530, expuseram conflitos entre a Igreja
e os colonos portugueses. Os colonos queriam
escravizar os índios para trabalharem nas
plantações de cana-de-açúcar, enquanto os
religiosos aproximavam-se deles para catequizá-
los. Os índios eram vistos como seres inferiores,
que necessitavam da conversão ao catolicismo
para que suas almas não fossem condenadas. Por
isso, as práticas religiosas realizadas pelas tribos
antes da chegada dos portugueses foram
abolidas pelos padres jesuítas.
Percebendo que os colonos não cessaram de
persegui-los até conseguir capturá-los para o
trabalho nas lavouras de açúcar, os padres
jesuítas fugiram com os índios para o interior do
Brasil, principalmente para as terras mais ao sul e
ao norte da colônia. Surgiam assim as missões
jesuítas, que protegiam os índios da perseguição
dos portugueses e nas quais eram ensinados a
doutrina católica e o preparo da terra para a
plantação dos alimentos a serem consumidos
nelas.
Esse avanço jesuíta foi o primeiro movimento de
interiorização do Brasil. Os jesuítas alcançaram o
norte da colônia, principalmente a região próxima
da Floresta Amazônica. Essas expedições
religiosas ao norte descobriram as drogas do
sertão, produtos oriundos da floresta.
Padre José de Anchieta trabalhou na
catequização dos índios e produziu o primeiro
dicionário da língua tupi-guarani.
Para evitar o conflito entre os colonos e os
jesuítas, a Coroa portuguesa determinou a guerra
justa — os portugueses só poderiam escravizar os
índios que tivessem entrado em conflito com os
colonos, um confronto gratuito, sem provocação
dos portugueses.
Abolição da escravidão indígena
A Coroa portuguesa teve mais prejuízo do que
benefício com a escravidão indígena. A fuga para
regiões mais distantes, a indisponibilidade para o
trabalho intensivo exigido pela Coroa e a presença
jesuíta na defesa dos índios fizeram com que os
portugueses repensassem formas de mão de
obra para a lavoura de cana-de-açúcar. A
escravidão africana mostrou-se lucrativa e mais
vantajosa do que a indígena.
Coroa e Escravidão Indígena
Escravidão Indígena e Africana
O negro africano veio trabalhar como escravo no
Brasil para atender aos anseios da Coroa de
iniciar-se rapidamente a produção açucareira de
forma intensiva. Com o trabalho escravo vindo da
África sendo vantajoso financeiramente e atraente
para os senhores de engenho do Nordeste, o
tráfico negreiro intensificou-se para essa região, e,
dessa forma, a escravidão indígena foi sendo
substituída pela mão de obra negra.
O trabalho indígena na colônia foi a primeira
tentativa de escravizar os índios para que
trabalhassem de forma intensiva nas lavouras de
cana-de-açúcar no Nordeste.
Conflitos entre colonos e jesuítas pela posse dos
índios.
Guerra justa: a Coroa só admitia a mão de obra
indígena se houvesse conflito entre os colonos e
as tribos indígenas.
O tráfico negreiro mostrou-se mais lucrativo e
atraente para os senhores de engenho."
Resumo sobre a Escravidão Indígena
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A independência do Brasil foi anunciada por d.
Pedro às margens do riacho Ipiranga, em São
Paulo, no dia 7 de setembro de 1822. Esse foi o
resultado do distanciamento entre brasileiros e
portugueses a partir de 1820. As tentativas de
recolonização do Brasil pelas Cortes fizeram com
que as ideias de independência ganhassem força
na colônia.
D. Pedro foi quem encabeçou esse processo,
sendo aconselhado por José Bonifácio, defensor
da transformação do Brasil em uma monarquia
constitucional não liberal. A independência do
Brasil foi seguida das Guerras de Independência,
que se estenderam até o ano de 1824. Os
portugueses só reconheceram nossa
independência em 1825.
INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
34
Causas
As causas da independência do Brasil estão
exatamente nesse processo do começo do
século XIX. O ponto de partida é a vinda da família
real portuguesa para o Brasil, em 1808. Esse
acontecimento permitiu que melhorias fossem
possíveis no Brasil. A fuga da família real de
Portugal aconteceu porque os portugueses não
aderiram ao bloqueio continental imposto pela
França.
D. João, regente de Portugal, decidiu mudar-se
para o Brasil, instalando-se no Rio de Janeiro e
realizando medidas que trouxeram melhores
condições para a colônia. O regente português
abriu o comércio brasileiro para as nações
amigas, aprovou incentivos à indústria e
economia brasileira e incentivou o
desenvolvimento das artes e das ciências.
A grande transformação desse período foi a
elevação da condição do Brasil, em 1815. O Brasil
deixou de ser considerado uma colônia
portuguesa e tornou-se parte integrante de
Portugal. Até o nome do território mudou para
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Esse
cenário incentivou o desenvolvimento da cidade
do Rio de Janeiro, fazendo com que sua
população dobrasse.
Podemos perceber então que as relações entre
Brasil e Portugal estavam insustentáveis. Em
setembro de 1822, d. Pedro estava em São Paulo,
em uma viagem para resolver uma pequena
revolta que havia acontecido por lá.
Em 7 de setembro, d. Pedro e sua comitiva
retornavam para São Paulo de uma visita a Santos.
Durante o trajeto, d. Pedro foi alcançado por um
mensageiro que trazia cartas urgentes de d. Maria
Leopoldina e José Bonifácio. A correspondência
trazia novas ordens de Portugal: as Cortes
anunciavam a suspensão dos decretos de d.
Pedro, ordenavam seu retorno e acusavam seus
conselheiros de traição.
A carta de d. Leopoldina ainda continha um
decreto assinado por ela que declarava a
independência do Brasil. Essa assinatura
aconteceu em uma reunião emergencial no Rio
de Janeiro, no dia 2 de setembro de 1822, logo
após a chegada das novas ordens. Além disso, a
correspondência também continha um conselho
de José Bonifácio para que d. Pedro declarasse a
independência.
D. Pedro leu as mensagens, e então proclamou a
independência do Brasil no local onde estava, às
margens do riacho Ipiranga. O regente foi
recebido como herói quando retornou ao Rio de
Janeiro, dias depois. Em 12 de outubro, ele foi
aclamado imperador do Brasil e, no dia 1º de
dezembro de 1822, foi coroado como imperador
do Brasil, tornando-se d. Pedro I.
Quem proclamou a Independênciado Brasil?
Após proclamar a independência, em 7 de
setembro de 1822, d. Pedro foi aclamado
imperador em outubro e coroado em dezembro.
A independência do Brasil foi anunciada por d. Pedro às
margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, no dia 7 de
setembro de 1822. Esse foi o resultado do
distanciamento entre brasileiros e portugueses a partir
de 1820. As tentativas de recolonização do Brasil pelas
Cortes fizeram com que as ideias de independência
ganhassem força na colônia.
D. Pedro foi quem encabeçou esse processo, sendo
aconselhado por José Bonifácio, defensor da
transformação do Brasil em uma monarquia
constitucional não liberal. A independência do Brasil foi
seguida das Guerras de Independência, que se
estenderam até o ano de 1824. Os portugueses só
reconheceram nossa independência em 1825.
Após Independência do Brasil
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"Durante a colonização do Brasil, muitos
problemas foram se apresentando. Tais
problemas abrangiam situações como a
forma de concessão de terrenos para
colonos e aventureiros que vinham de
Portugal para aqui se estabelecer, a extração
de recursos naturais, como o pau-brasil, o
apresamento e o tráfico de indígenas, entre
outras coisas. Essas situações acabaram
promovendo as chamadas contradições da
colonização. De tais contradições, as
Rebeliões Nativistas acabariam por se tornar
emblemáticas.
A expressão “Rebeliões Nativistas” refere-se
às revoltas e tentativas de revoluções
políticas que se desenrolaram em solo
brasileiro entre os séculos XVII e XVIII. Essas
rebeliões aconteceram nesse período
especialmente porque o sistema colonial
(começado efetivamente em 1530) já estava
consolidado no Brasil e a Corte Portuguesa já
conseguia exercer sua autoridade na maior
parte do território que dominava, sobretudo
naqueles que se tornaram os grandes polos
de atividade econômica: a Capitania de
Pernambuco e a Capitania de Minas Gerais.
Contudo, o estabelecimento pela Coroa de
regras e de exigências para os colonos,
como a cobrança de impostos sobre o que
se produzia, chocava-se com as perspectivas
dos próprios nativos, que aqui passaram a
fazer suas próprias regras, inclusive, em
alguns momentos, articulando-se com
outros povos europeus, como os holandeses
e os espanhóis. Esse choque de perspectivas
gerou situações extremas, provocando
confrontos e tentativas de instituição de
governos paralelos com autonomia política.
REBELIÕES NATIVISTAS
35
Ocorreu na Capitania de São Paulo, por
exemplo, consistiu em uma tentativa dos
bandeirantes paulistas de elegerem o
fazendeiro e também bandeirante, Amador
Bueno, governador da referida Capitania à
revelia da Coroa. As razões para tanto
vinham das restrições que a Coroa
Portuguesa, após o fim da União Ibérica,
passou a impor ao tráfico de índios na
colônia (uma das atividades mais lucrativas
para os bandeirantes) e, sobretudo, à
comercialização com os espanhóis por meio
das fronteiras na região Sul.
Aclamação de Amador BuenoO que foram?
Ocorrida em 1684, na cidade de São Luís do
Maranhão. Essa revolta teve como motivo
central as exigências de melhorias nas
relações entre Maranhão e a Coroa
Portuguesa, que, segundo os revoltosos, não
garantia o devido amparo à região. Os líderes
da revolta eram irmãos (Tomás e Manuel)
Beckman e deram nome ao evento. A
rebelião durou cerca de um ano e foi
debelada por tropas portuguesas em 1685.
Nas primeiras décadas do século XVIII,
alguns confrontos tornaram-se notórios e
todos estavam direta ou indiretamente
associados à administração da Coroa
Portuguesa no Brasil. Três deles são notórios
e seguem abaixo:
Revolta de Beckman
Esse conflito ocorreu em meio à situação em
que a Capitania de Pernambuco encontrava-
se nas décadas que se seguiram após a
expulsão dos holandeses em 1654. A
situação financeira dos senhores de
engenho, cujo centro político estava na
cidade de Olinda, agrava-se, haja vista que
os bancos da Holanda que os financiavam no
passado não mais o faziam.
Guerra dos Mascates
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REBELIÕES NATIVISTAS
36
Essa revolta, conhecida também como
Revolta Felipe dos Santos, também ocorreu
na Capitania de Minas Gerais, porém não
entre mineiros ou prospectores de metais,
mas entre líderes políticos locais e a
autoridade real da Coroa Portuguesa.
A situação era tão tensa nas Minas que a
região chegou a ser descrita da seguinte
maneira:
“(...) a terra parece que evapora tumultos; a
água exalta motins; o ouro troca desaforos;
destilam liberdade os ares; vomitam
insolências as nuvens; influem desordem os
astros; o clima é tumba da paz e berço da
rebelião; a natureza anda inquieta consigo, e
amotinada lá por dentro, é como no inferno”.
Os motivos da Revolta de Vila Rica (lugar
onde o conflito estourou) eram semelhantes
às das outras: a imposição de alta carga
tributária (impostos) aos nativos pela Coroa.
O conflito se deu no ano de 1720, e o seu
nome secundário remete a um dos
revoltosos, o tropeiro Felipe dos Santos.
A Revolta de Vila Rica, em especial, tornou-
se um preâmbulo para as chamadas
Rebeliões Separatistas, como a Inconfidência
Mineira.
A Revolta de Vila Rica
Guerra dos Emboabas
Como tinham controle sobre a autoridade
local, a Câmara de Olinda, esses senhores de
engenho induziram o governo a aumentar os
impostos que os comerciantes tributavam. A
maior parte desses comerciantes estava em
Recife e, em protesto, entre os anos de 1710
e 1711, rebelou-se contra Olinda. Esses
comerciantes eram chamados de mascates,
por isso o nome da revolta.
Essa guerra ocorreu dois anos antes da
Guerra dos Mascates, porém na Capitania de
Minas de Gerais. Assim como o termo
“mascate” era atribuído pejorativamente aos
comerciantes recifenses pelos senhores de
Engenho de Pernambuco, o termo
“emboaba” era usado pelos mineiros, em
geral bandeirantes paulistas estabelecidos
na Capitania de Minas Gerais, em referência
aos estrangeiros que vinham a essa Capitania
à procura de metais preciosos. A Guerra
aconteceu, portanto, entre paulistas e os
“emboabas”, tendo solução apenas no ano
de 1709.
O conflito no início do século XVIII trouxe
mudanças para o Brasil Colônia. O sertão
brasileiro começou a ser povoado, pois o
litoral não trazia mais lucro com o açúcar. A
coroa portuguesa fez-se presente, dividiu as
capitanias de São Paulo e Rio de Janeiro e
criou a Capitania das Minas de Ouro. Além
disso, a cobrança de impostos passou a ser
uma rotina para os exploradores da região.
Era possível explorar os metais preciosos
desde que se pagassem os impostos à
coroa.
Após a derrota dos emboabas, os paulistas
foram para a região onde hoje é Goiás e Mato
Grosso, descobrindo novas minas de metais
preciosos e expandindo o ciclo do ouro para
o oeste brasileiro.
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BRASIL IMPÉRIO
37
Principais episódios que ocorreram
na história do Brasil império:
O que foi?
Foi um período que se estende de
1822, data da Independência, até
1889, quando aconteceu a
Proclamação da República.
O período imperial foi uma fase da
história brasileira iniciada em 1822,
quando o Brasil tornou-se
independente, e finalizada em 1889,
quando houve a Proclamação da
República. Nesse período, o Brasil
organizou-se politicamente como
uma monarquia, sendo governado
por um imperador, cujo poder era
transmitido de maneira hereditária.
O período joanino influenciou
diretamente no processo da
independência brasileira. A família
real portuguesa se mudou para o
Brasil, na virada de 1807 para 1808,
no momento que Portugal foi
invadido pelas tropas napoleônicas.
Periodização
Primeiro Reinado (1822-1831)
Período Regencial (1831-1840)
Segundo Reinado (1840-1889)"
O período imperial do Brasil é
dividido em três fases:
Primeiro Reinado (1822 – 1831)
• 1822 – Em 07 de setembro, nas
margens do rio Ipiranga em SãoPaulo, houve a Proclamação da
Independência do Brasil pelo então
príncipe regente D. Pedro I. Dá-se
início ao Brasil monárquico.
• 1822 – Em 12 de outubro, D. Pedro I
é proclamado imperador do Brasil na
cidade do Rio de Janeiro.• 1823 –
Reunião da Assembleia Geral
Constituinte e Legislativa do Brasil,
com intuito de criar a primeira
constituição brasileira. Depois de um
tempo, a Assembleia foi dissolvida
pelo imperador D. Pedro I, que criou o
Conselho de Estado.
• 1824 – Em 25 de março, a Primeira
Constituição Brasileira é outorgada
por D. Pedro I.
• 1824 – O nome oficial do país muda
de Brasil para Império do Brasil.
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BRASIL IMPÉRIO
38
O período das regências teve fim com o
Golpe da Maioridade, no qual os
políticos brasileiros anteciparam a
maioridade de Pedro de Alcântara para
que ele pudesse ser coroado imperador
do Brasil com 14 anos de idade. Esse
golpe parlamentar aconteceu em 1840,
dando início ao Segundo Reinado.
• Período em que o Brasil é governado
por regentes: Regência Trina Provisória
(1831), Regência Trina Permanente (1831
– 1835), Regência Una de Feijó (1835 –
1837) e Regência Una de Araújo Lima
(1837 – 1840).
• 1832 a 1835 – Cabanada, uma das
primeiras rebeliões ocorridas no Brasil.
• 1834 – Morte de Dom Pedro I.
• 1835 a 1840 – Cabanagem, revolta
popular que aconteceu na Província do
Grão-Pará.
• 1835 – Revolta dos Malês, movimento
que aconteceu na Província da Bahia.
• 1835 a 1845 – Guerra dos Farrapos,
revolução que aconteceu no estado do
Rio Grande do Sul.
• 1837 a 1838 – Sabinada, revolta
regencial que aconteceu na Província da
Bahia.
• 1838 a 1841 – Balaiada, revolta popular
que aconteceu no interior da Província
do Maranhão.
• 1840 – Em 23 de julho, ocorreu o Golpe
da Maioridade, com apoio do Partido
Liberal, um dos primeiros partidos do
Brasil. A maioridade de D. Pedro II foi
declarada e ele assumiu o trono do
Brasil, com 14 anos de idade.
1824 – Confederação do Equador,
movimento revolucionário e
emancipacionista que aconteceu na
região Nordeste do Brasil.
• 1825 – Início da Guerra da Cisplatina,
conflito que aconteceu entre o Brasil
e o Uruguai.
• 1825 – A Independência do Brasil é
reconhecida por Portugal.
• 1825 a 1828 – Guerra da Cisplatina,
movimento tornou a região do
Uruguai independente do Brasil.
• 1831 – Em 13 de março, aconteceu a
Noite das Garrafadas - conflitos de
rua na cidade do Rio de Janeiro. Entre
os opositores e simpatizantes
estavam os partidários de D. Pedro I.
• 1831 – Depois de várias pressões e
de muitos protestos populares, com a
oposição de alguns setores da
sociedade, D. Pedro I abdicou do
trono do Brasil em favor de seu filho.
Período Regencial (1831 – 1840)
Regentes eleitos governaram o Brasil
durante o Período Regencial, fase
que ficou marcada pelas disputas
entre os parlamentares brasileiros e
por rebeliões provinciais. Ao longo
desse período, aconteceram
rebeliões como a Cabanagem,
Balaiada, Sabinada, Revolta dos
Malês e a Revolução Farroupilha.
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BRASIL IMPÉRIO
39
• 1871 – Foi promulgada a Lei do Ventre
Livre, que dava liberdade aos filhos das
escravas nascidos a partir daquela data.
• 1872 – Ocorreu a fundação do Partido
Republicano.
• 1872 a 1875 – Houve um conflito pelo
poder entre a igreja católica e a
monarquia brasileira.
• 1874 – Os primeiros imigrantes italianos
chegam ao estado de São Paulo. Foi o
início da fase de imigração.
• 1875 – Começou a época de imigração.
Alemães, espanhóis, italianos e
japoneses chegam ao Brasil para
trabalhar nas lavouras de café e nas
indústrias.
• 1880 – Aconteceu a Revolta do Vintém,
Rio de Janeiro.
• 1882 – Começo do Ciclo da Borracha. O
Brasil se tornou um dos principais
produtores e exportadores do mundo. O
produto ganhou importância no
mercado internacional.
• 1884 a 1887 – Houve crises e conflitos
entre a monarquia brasileira e o exército.
• 1885 – Foi promulgada a Lei dos
Sexagenários, que dava liberdade aos
escravos que tinham mais de 60 anos.
• 1888 – Em 13 de maio foi decretada a
Lei Áurea pela Princesa Isabel (1846 –
1921), momento da abolição da
escravatura no Brasil.
• 1889 – Em 15 novembro aconteceu na
cidade Rio de Janeiro, sob o comando
do Marechal Deodoro da Fonseca (1827
– 1892), a Proclamação da República. Foi
o fim do Brasil Império e início do Brasil
República.
"O Segundo Reinado, período em que
Dom Pedro II foi o imperador do Brasil,
estendeu-se de 1840 a 1889. O reinado
de D. Pedro II pode ser dividido em
diversas fases: um período inicial de
consolidação, seguido por uma fase de
auge e, por fim, um estágio de
decadência."
• 1841 – Dom Pedro II foi coroado
imperador do Brasil.
• 1842 – Aconteceu a Revolução Liberal
nas províncias de Minas Gerais e São
Paulo.
• 1844 – Houve a Decretação da Tarifa
Alves Branco que protege as
manufaturas brasileiras.
• 1847 – Foi instituído o Parlamentarismo
no Brasil.
• 1848 a 1850 – Aconteceu a Revolução
Praieira, de caráter liberal e federalista,
na província de Pernambuco.
• 1850 – Foi decretada a Lei Eusébio de
Queiróz que proibia o tráfico de escravos.
• 1854 – Em 30 de abril foi inaugurada a
primeira ferrovia brasileira, pelo
empresário Barão de Mauá (1813 – 1889).
• 1864 a 1865 – Houve Questão Christie, o
rompimento das relações diplomáticas
entre o Brasil e a Grã-Bretanha.
• 1864 a 1870 – Ocorreu a Guerra do
Paraguai, conflito militar na América do
Sul entre o Paraguai e a Tríplice Aliança –
Brasil, Argentina e Uruguai, com apoio do
Reino Unido. No ano de 1870, o Paraguai
foi declarado derrotado.
• 1870 – Ocorreu o lançamento do
Manifesto Republicano.
Segundo Reinado (1840 – 1889)
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GUERRA DA CISPLATINA
40
Há, no entanto, que se considerar que os
argentinos também não alcançaram os
seus objetivos, uma vez que no início do
conflito os uruguaios haviam anunciado
a sua vinculação com as Províncias
Unidas. Nesse acordo, argentinos e
brasileiros concordaram pelo fim de
suas pretensões na Cisplatina e pela
independência da região. Surgiu, assim,
a República Oriental do Uruguai.
Foi um conflito travado pelo Império do
Brasil contra as Províncias Unidas do Rio
da Prata (atual Argentina) pelo controle
da Cisplatina, região que atualmente
conhecemos como Uruguai. Essa foi a
primeira guerra de que o Brasil
participou como nação independente e
estendeu-se de 1825 a 1828. O resultado
do confronto foi desastroso para o Brasil,
que, além de perder a Cisplatina, teve de
amargar uma intensa crise econômica.
Quais eram os objetivos?
Brasil: colocar fim à rebelião na
Cisplatina e retomar o controle da região.
Uruguai: do movimento liderado por
Lavalleja, o objetivo principal era anexar-
se às Províncias Unidas, mas havia
uruguaios que defendiam a
independência.
Províncias Unidas: garantir a anexação
da Cisplatinaao seu território.
Quem ganhou a guerra?
A derrota sofrida na Batalha de Ituzaingó
foi duríssima para as tropas brasileiras,
uma vez que cerca de 1.200 brasileiros
morreram nela. Logo após, o Brasil
concordou em iniciar negociações para
tratar da cessão definitiva da Cisplatina
para os uruguaios.
O resultado dessa negociação foi a
assinatura da Convenção Preliminar de
Paz em 27 de agosto de 1828. Nesse
momento, o Brasil assinou o fim das suas
pretensões territoriais sobre a Cisplatina
e aceitou a derrota militar.
Quais foram as consequências?
As consequências dessa guerra para o
Brasil foram gravíssimas. Primeiramente,
a guerra ampliou a crise econômica que
atingia o país. Os gastos com o conflito
foram gigantescos e quebraram a
economia brasileira. Além disso, essa
situação foi agravada pelo fato de que,
durante os anos da guerra, a Casa da
Moeda emitiu grande volume de moeda,
o que causou a sua desvalorização.
A guerra também contribuiu para
desgastar a imagem de D. Pedro I. O
imperador vinha sofrendo um desgaste
contínuo desde 1822 por causa de seu
autoritarismo. Ao final da guerra, a
derrota e a crise econômica fizeram a
sua popularidade despencar.
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SEGUNDO REINADO
41
Política
Na política, o Segundo Reinado foi
marcado pelo retorno do Poder
Moderador. Logo após a abdicação de
Dom Pedro I e na impossibilidade de
Dom Pedro II assumir o trono por conta
da sua pouca idade, o Poder Moderador
foi suspenso durante o Período
Regencial, pois, de acordo com a
Constituição de 1824, apenas o
imperador poderia exercê-lo. Com o
Golpe da Maioridade e a coroação de
Dom Pedro II, o Poder Moderador voltou
a ser exercido até a Proclamação da
República em 1889. Dessa forma,
consolidavam-se a centralização política
e o fortalecimento da figura do
imperador.
O Parlamento foi o grande local de
debates durante o Segundo Reinado.
Dois partidos políticos dominavam a
cena política: conservadores e liberais.
Seus representantes não tinham
diferenças ideológicas. Assim, não
importava se o Parlamento fosse
dominado por conservadores ou liberais,
pois havia disputas apenas por prestígio
e vantagens políticas.
As consequências dessa guerra para
o Brasil foram gravíssimas.
Primeiramente, a guerra ampliou a
crise econômica que atingia o país.
Os gastos com o conflito foram
gigantescos e quebraram a economia
brasileira. Além disso, essa situação
foi agravada pelo fato de que,
durante os anos da guerra, a Casa da
Moeda emitiu grande volume de
moeda, o que causou a sua
desvalorização.
A guerra também contribuiu para
desgastar a imagem de D. Pedro I. O
imperador vinha sofrendo um
desgaste contínuo desde 1822 por
causa de seu autoritarismo. Ao final
da guerra, a derrota e a crise
econômica fizeram a sua
popularidade despencar.
O que foi?
O Segundo Reinado é o período em
que o Brasil foi governado pelo
imperador Dom Pedro II, entre os
anos de 1840 a 1889. Pedro II foi o
governante que mais tempo ficou no
poder no Brasil. Ele assumiu o trono
brasileiro com apenas 13 anos de
idade – logo após o Golpe da
Maioridade, que encerrou o Período
Regencial – e foi deposto em 15 de
novembro de 1889, quando militares
proclamaram a República.
Características do Segundo Reinado
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SEGUNDO REINADO
42
Porém, Dom Pedro II impediu tais
manifestações políticas vindas dos
quartéis. Isso fez com que o Exército
começasse a conspirar contra o
imperador.
Desde o Primeiro Reinado, havia a união
entre Estado e Igreja. De acordo com a
Constituição de 1824, a religião oficial do
Império brasileiro era a católica.
Segundo o professor Boris Fausto:
“Chegar ao poder significava obter
prestígio e benefícios para si próprio e
sua gente. Nas eleições, não se esperava
que o candidato cumprisse bandeiras
programáticas, mas as promessas feitas
a seus partidários. (...) A divisão entre
liberais e conservadores tinha assim
muito de disputa entre clientelas opostas
em busca das vantagens ou das
migalhas do poder.”
O político pernambucano Holanda
Cavalcanti dizia: “Nada se assemelha
mais a um ‘saquarema’ do que um ‘luzia’
no poder”. “Saquarema” era o apelido dos
conservadores, em uma referência ao
Visconde de Itaboraí, que era uma das
principais lideranças do partido
conservador e tinha uma fazenda em
Saquarema (RJ). “Luzia” referia-se ao
partido liberal por conta da vila de Santa
Luzia, em Minas Geais, onde aconteceu
uma revolta de cunho liberal.
O Parlamento brasileiro buscava
inspiração na Inglaterra. Todavia, o Poder
Moderador concedia a Dom Pedro II
interferir no Conselho de Estado e
também dissolver o Parlamento. Isso era
o oposto do Parlamento britânico, no
qual o rei não interferia nas atividades
parlamentares. Por essa razão, essa
forma de governo no Brasil ficou
conhecida como “parlamentarismo às
avessas”.
Logo após o final da Guerra do Paraguai,
em 1865, os militares do Exército
ganharam força e não se contentaram
apenas com as atividades nos quartéis.
Inspirados nos ideais positivistas, eles
decidiriam que tinham o dever de
participar da política brasileira.
Economia
A independência em 1822 trouxe mais
transformações políticas do que sociais
e econômicas para o Brasil. A economia
permaneceu durante o período imperial
como agroexportadora, ou seja,
atendendo às necessidades do mercado
europeu. Em meados do século XIX, um
produto começou a ser exportado de
forma mais intensa: o café.
Plantado primeiramente na região do
Vale do Paraíba (entre as províncias de
São Paulo e Rio de Janeiro), a
exportação do café ocupou espaço na
economia brasileira do Segundo
Reinado, gerando lucros para os
cafeicultores. A mão de obra utilizada
era a escrava. Com o êxito das lavouras
de café, aumentou a movimentação de
escravos da região Nordeste e das
minas de ouro para a região do Vale do
Paraíba.
A partir de 1850, o café expandiu-se
para a região do Oeste Paulista,
tornando-se o maior produtor de café
do Império. Ao contrário das lavouras do
Vale do Paraíba, o café plantado no
Oeste Paulista contou com a mão de
obra imigrante.
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SEGUNDO REINADO
43
Lei Eusébio de Queiros (1850): aboliu o
tráfico negreiro no Brasil. Buscava
impedir a chegada de navios vindos da
África com negros para o trabalho
escravo. Os que estavam no Nordeste
eram vendidos para os senhores do Vale
do Paraíba que estavam investindo na
lavoura de café.
Lei do Ventre Livre (1871): o recém-
nascido de escrava era liberto, mas,
enquanto não completasse 21 anos de
idade, estava sob tutela e trabalhando
para o seu senhor.
Lei do Sexagenário (1885): dava liberdade
aos escravos com mais de 65 anos.
Porém, o número de escravos que
chegavam a tal idade era bastante
reduzido.
Lei Áurea (1888): aboliu definitivamente a
escravidão no Brasil, mas sem diretrizes
para inserir o escravo liberto na
sociedade.
Mesmo com a independência em 1822, a
liberdade tão defendida na época não atingiu
as senzalas. Durante quase todo o período
imperial, a mão de obra no Brasil era escrava.
Somente em meados do século XIX, com a
chegada dos imigrantes, a mão de obra, aos
poucos, foi substituindo o trabalho dos
escravos. Aqueles que saíram das fazendas
procuravam trabalho nas cidades.
Foi no Segundo Reinado que a abolição da
escravidão teve ampla discussão e sua
concretização. Intelectuais, jornalistas e
políticos, como Joaquim Nabuco|2|, Rui
Barbosa, José do Patrocínio, André
Rebouças, discutiam o fim da escravidão em
jornais, discursos no Parlamento e em praça
pública.
O Parlamento brasileiroaprovou várias leis
que, gradativamente, acabaram com a
escravidão. Porém, elas tinham suas
limitações, como se observa a seguir:
O café, ao longo do século XIX, tornou-se a
principal atividade econômica do Brasil, mas
não era a única. Mesmo em menor número,
ainda havia a produção de açúcar,
exploração do ouro e outras atividades
econômicas secundárias.
Além disso, havia projetos de investimento
em outros ramos econômicos, como a
indústria. Irineu Evangelista de Sousa, o
Barão de Mauá, procurou meios para
desenvolver a indústria no Brasil, mas não
conseguiu superar o domínio do café. Mauá
foi pioneiro na indústria e também na
construção de ferrovias, que foram utilizadas
no transporte do café até o Porto de Santos,
onde o produto era exportado para a Europa.
Sociedade
A sociedade brasileira do Segundo Império
passava por transformações. A maioria da
população ainda vivia no campo, mas as
cidades começavam a receber maior
número de habitantes. Os donos de lavouras
de café ganhavam prestígio social e
aproximavam-se do imperador, que os
agraciava com títulos de nobreza.
A vinda de imigrantes trouxe também
mudanças para a sociedade brasileira, como
a influência cultural e política, aumentando
consideravelmente a presença europeia em
nosso território. Além disso, a chegada do
imigrante foi substituindo gradativamente a
mão de obra escrava. O Parlamento
brasileiro, ao longo da segunda metade do
século XIX, aprovou leis que proibiam o
tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz) e
libertou o escravo recém-nascido (Lei do
Ventre Livre).
Abolição da Escravidão
A escravidão no Brasil começou desde a
chegada dos portugueses em 1500.
Primeiramente, tentou-se escravizar os
índios, mas foi a escravidão negra que
vigorou em nosso território.
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SEGUNDO REINADO
44
Questão da Igreja
Questão escravista
A Constituição de 1824, que vigorou durante
todo o período imperial, dizia que a religião
oficial do Brasil era a católica. Porém, era
comum haver conflito entre “o trono e o
altar”. Decretos eclesiásticos só entravam em
vigor no território brasileiro desde que o
imperador autorizasse.
O Papa Pio IX emitiu um decreto reafirmando
o poder da Igreja e do papa sobre o mundo.
Esse decreto chegou ao Brasil, e os católicos
buscaram atitudes mais rígidas que
reforçassem a disciplina religiosa. Dom Vital,
bispo de Olinda, na província de Pernambuco,
decidiu proibir a entrada de maçons nas
irmandades religiosas. Alguns ocupantes de
cargos de destaque do Império eram
maçons, como o Visconde de Rio Branco,
que presidia o Conselho de Ministros. Dom
Vidal foi preso, acusado de “rebeldia”, mas foi
solto dias depois. Essa crise abalou o apoio
eclesiástico a Dom Pedro II.
A abolição da escravidão no Brasil ocorreu
em 13 de maio de 1888, com a assinatura da
Lei Áurea. Porém, os escravos foram libertos
sem que os donos de fazenda de café
fossem indenizados por causa da abolição.
Isso fez com que os cafeicultores|
abandonassem Dom Pedro II e apoiassem a
causa republicana. Esses cafeicultores que
abandonaram o apoio a Dom Pedro II nos
últimos momentos do Segundo Reinado
foram apelidados na época de “republicanos
de última hora”.
A República no Brasil foi proclamada em 15
de novembro de 1889. Tropas do Exército
lideradas pelo Marechal Deodoro da Fonseca
depuseram Dom Pedro II, e a família imperial
foi exilada na Europa. Segundo relatos da
época, muitos viram a movimentação das
tropas como um mero desfile militar. Já o
jornalista Aristides Lobo conseguiu resumir
muito bem o que foi o 15 de novembro de
1889: “O povo assistiu bestializado”.
A Guerra do Paraguai foi um confronto
envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e
Paraguai. A região da Bacia do Prata era
muito disputada pelos países envolvidos no
conflito, a fim de dominar o comércio da
região. Solano Lopez, ditador paraguaio,
desejava abrir um caminho que ligasse o
Paraguai até o Oceano Atlântico, facilitando o
comércio do país com as nações europeias
sem depender de nenhum país vizinho.
Brasil, Argentina e Uruguai uniram-se por
meio da Tríplice Aliança para lutar contra o
Paraguai. O conflito durou seis anos, entre
1864 e 1870. Dom Pedro II, decidido a todo
custo a derrotar Solano Lopes, enviou para o
front escravos mediante a promessa de
liberdade caso voltassem da guerra. A
Tríplice Aliança venceu o Paraguai, que saiu
devastado do confronto.
Guerra do Paraguai
Fim do Segundo Reinado
Questão militar
O Segundo Reinado começou a entrar em
crise principalmente após a Guerra do
Paraguai. Foram vários fatores que levaram à
queda de Dom Pedro II em 1889.
Após a vitória na Guerra do Paraguai e
influenciados pelos ideais do positivismo, os
militares, em especial os do Exército,
decidiram participar ativamente da política
brasileira. Foram criados Clubes Militares,
que discutiam a crise vivida pelo Segundo
Reinado, os ideais republicanos e as ideias
positivistas.
Dom Pedro II, utilizando as prerrogativas do
Poder Moderador, mandou fechar esses
clubes. Essa censura imperial fez com que os
militares se organizassem para derrubar Dom
Pedro II do poder.
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PERÍODO REPUBLICANO
45
No caso do Exército, essa
insatisfação vinha desde a Guerra do
Paraguai. Os militares consideravam-
se humilhados pela monarquia e
exigiam melhorias salariais e no
sistema de promoção de carreira.
Além disso, não pode ser esquecida
a influência dos ideais positivistas,
que difundiam o republicanismo no
seio do exército.
Já no caso da elite cafeeira paulista,
é importante mencionar que essa
classe havia aderido há tempos os
ideais republicanos. Uma prova disso
foi a criação do Partido Republicano
Paulista na década de 1870. Quando
a conspiração contra a monarquia
tomou força, a elite cafeeira não
colocou nenhuma resistência para a
mudança de regime.
O período Republicano no Brasil
iniciou em 1889 com o declínio da
monarquia e o começo da chamada
República Velha. O marco inicial
desse período foi a posse do
Marechal Deodoro da Fonseca, como
primeiro presidente Republicano da
história do Brasil. O período foi
marcado por crise econômica, pouca
participação popular e insatisfação
por parte da maioria dessa
população, especialmente os mais
pobres. O apoio veio pela maioria
elitista, que via no novo governo um
meio de recuperar parte das perdas
que teve com a abolição da
escravidão. Saiba mais na primeira
reportagem da série sobre a história
da República no Brasil.
A Proclamação da República foi
resultado de um golpe militar que
derrubou a monarquia brasileira, que
se enfraqueceu a partir do momento
em que esse regime perdeu o apoio
das elites econômicas do país. Isso
aconteceu, principalmente, pela
insatisfação de dois grupos muito
importantes naquele momento: o
Exército e a elite cafeeira paulista.
O que foi?
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Por volta de 1893, reuniu-se no arraial de
Canudos, às margens do rio Vaza-Barris,
na Bahia, um grupo de fiéis, seguidores
de Antônio Conselheiro. Este era um
beato, nascido no Ceará, que pregava a
salvação da alma para quem o seguisse.
Os beatos ou conselheiros caminhavam
pelo sertão, pregando uma forma de
catolicismo popular e eram seguidos por
dezenas de fiéis. Por isso, também eram
vistos como ameaça pela Igreja Católica.
Depois de peregrinar pelos sertões de
Pernambuco e Sergipe, Conselheiroandou pelo interior da Bahia e, se
instalou em Canudos. Neste lugar
ergueram a “cidade santa de Belo
Monte”, que se transformou num refúgio
para os miseráveis da região.
Canudos era uma comunidade onde
inexistiam diferenças sociais, onde os
rebanhos e as lavouras pertenciam a
todos. Esse modelo sócio econômico
atraía milhares de sertanejos.
Em 1896, ano em que começou a guerra,
Belo Monte tinha mais de 5 mil famílias. A
defesa do reduto era mantida por ex-
jagunços, homens que trabalhavam
como seguranças para fazendeiros ou
ex-cangaceiros, pessoas que viviam em
bandos do sertão e atacavam as
propriedades rurais.
GUERRA DE CANUDOS
55
A Guerra de Canudos ocorreu no arraial
de Canudos, sertão da Bahia, entre 1896
e 1897. O local era liderado por Antônio
Conselheiro e havia se transformado num
polo de atração para as populações
marginalizadas do Nordeste.Desta
maneira, o governo da Bahia e o governo
central resolveram acabar com suas
instalações.
O conflito é considerado o maior
movimento de resistência à opressão dos
grandes proprietários rurais realizado no
Brasil.
Causas
O arraial de Canudos era formado por
moradores que fugiam da extrema
miséria em que viviam do sertão
nordestino.
Em pouco tempo, o lugar reuniu 25.000
pessoas constituindo, segundo os
latifundiários, em foco de monarquistas
que desejavam derrubar a recém-
instaurada república. No entanto, os
sertanejos apenas se dirigiam ao local
em busca de melhores condições de
vida.
É preciso lembrar que a mudança de
regime político não significou mudanças
significativas na economia do País. A
estrutura econômica do Brasil
funcionava com base no latifúndio, onde
predominava a monocultura e a
exploração da mão de obra que vivia na
miséria.
A comunidade de Canudos
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GUERRA DE CANUDOS
47
Consequências
A principal consequência desse
movimento sem dúvida foi o elevado
número de mortos e o agravamento da
pobreza local, os combates entre tropas
republicanas e sertanejos de Canudos
desencadearam cerca de 25 mil mortos,
sendo a grande maioria da população do
povoado de Conselheiro.
As tropas oficiais não fizeram prisioneiros
e ainda chegaram ao ponto de
desenterrar o corpo de Antônio
Conselheiro para fotografá-lo. Sua
cabeça foi cortada e levada como troféu,
repetindo uma prática que vinha do
tempo da colônia.
O governo central ainda enfrentaria
várias revolta no campo e na cidade
como a Guerra do Contestado e a
Revolta da Vacina.
A Destruição
Para os sertanejos, o arraial era a “terra
prometida”. Porém, para os padres que
perdiam fiéis, e os proprietários de terra
que perdiam seus trabalhadores, era um
“reduto de fanáticos” que devia ser
eliminado.
Padres e coronéis pressionaram o
governador da Bahia para destruir o
Arraial. Este enviou duas expedições
militares que foram vencidas pelos
homens de Conselheiro.
O vice-presidente Manuel Vitorino, que
ocupava a presidência como substituto
de Prudente de Moraes, enviou a terceira
expedição, comandada pelo coronel
Moreira César. Para o governo era uma
questão de honra militar e nacional
aniquilar os “fanáticos”. Contudo essa
expedição foi derrotada e Moreira César
morto em combate.
As sucessivas derrotas militares se
explicavam pelo fato da grande maioria
dos soldados desconhecerem a região
da caatinga, tão familiar ao povo de
Canudos. Além disso, os homens do
Conselheiro lutavam pela sobrevivência
e pela salvação da alma, acreditando
que travavam uma guerra santa.
No Rio de Janeiro, acusava-se o
presidente de fraqueza na repressão ao
movimento, considerado por muitos
como monarquista.
Prudente de Moraes ordenou ao ministro
da Guerra, marechal Bitencourt, que
embarcasse para a Bahia e assumisse o
controle direto das operações. Foi então
organizada nova expedição, com mais de
5000 homens sob o comando do general
Artur Oscar, com a ordem de destruir
Canudos.
Após intenso bombardeio de canhão, a
missão foi cumprida. Canudos foi
totalmente destruído em 5 de outubro
de 1897.
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Os motivos para a revolta foram vários. O
governo em nenhum momento realizou
uma campanha de informação sobre a
necessidade da vacinação, apenas
obrigaria as pessoas a se vacinarem. As
preocupações iam desde preceitos
morais, como a suposta necessidade das
pessoas se despirem para serem
vacinadas, quanto sofrerem mutações
por receberem no corpo a vacina. Porém,
o principal problema era que a
campanha sanitária foi utilizada como
argumento para retirar do centro da
capital a população pobre, expulsando-
as para as áreas periféricas e morros,
com o objetivo de “embelezar” a capital.
De forma autoritária, o governo utilizava
de um discurso de melhoria da saúde da
população para moldar o espaço urbano
de acordo com o interesse das classes
dominantes, segregando o restante da
população.
Os resultados na saúde foram positivos.
As doenças foram controladas ou
erradicadas, como é o caso da varíola,
em que não há mais registros de sua
ocorrência no mundo. Criou-se ainda o
Instituto Oswaldo Cruz, referência na
área de saúde no Brasil. Mas também
intensificou a favelização no Rio de
Janeiro e a exclusão da população pobre
e explorada de amplos espaços urbanos,
o que durante todo o século XX
dificultou o acesso às mínimas
condições de saneamento básico.
REVOLTA DA VACINA
Foi uma rebelião popular contra a
campanha de vacinação obrigatória para
todo brasileiro maior que seis meses de
vida. Trata-se de um protesto popular
que ocorreu no começo do século XX,
na cidade do Rio de Janeiro. Foi o
sanitarista Oswaldo Cruz (1872 – 1917)
que colocou o projeto em prática.
48
Quando e onde aconteceu?
A Revolta da Vacina aconteceu no Rio
de Janeiro, quando ainda era capital do
Brasil, entre os dias 10 e 16 de novembro
de 1904. O povo insatisfeito protestou
contra a Lei da Vacinação Obrigatória e
também contra os serviços públicos
prestados. A anti-varíola foi a vacina
responsável por essa revolta.
A reação popular à política do “general
mata-mosquito” se faria sentir com mais
fúria durante a campanha de vacinação
contra a varíola. A vacina havia sido
descoberta há quase duzentos anos. A
intenção de Oswaldo Cruz era criar a Lei da
Vacinação Obrigatória. Ele enviou ao
Congresso Nacional uma proposta de lei
que foi aprovada em 31 de outubro de 1904.
O Jornal A Noite publicou sem autorização
formal a notícia no dia 9 de outubro de 1910.
O resultado foi uma campanha contrária à
lei, realizada por diversos grupos e por
diversos motivos.
Os militares florianistas jacobinos e os
positivistas utilizaram a informação para
fazer uma campanha contra Rodrigues Alves
e, com isso, tentarem mais um golpe militar
para a deposição do presidente, bem ao
gosto das forças armadas brasileiras na
história da República.
Causas e ConsequênciasO que foi?
Contexto da Revolta
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https://www.preparaenem.com/biologia/vacinas.htm
https://www.preparaenem.com/filosofia/positivismo.htm
Foi um conflito armado que aconteceu entre
1912 a 1916 nos estados de Santa Catarina e
Paraná. Os impasses foram causados por
disputas de terra entre os dois estados e
devido a isso ficou conhecido como
Contestado. O movimento teve como líder
principal o monge peregrino José Maria de
Santo Agostinho, personalidade que enfrentou
o governo e passou a ser perseguido pelo
Estado. Também foi um dos primeiros
movimentos político-sociais do Brasil
República que teve como objetivo lutar pelos
direitos da população pobre e menos
favorecida.
GUERRA DO CONTESTADO
49
O que foi?
A comunidade de Quadrante Santo levou para a
região um grandenúmero de pessoas pobres e
relegadas. Isso causou uma grande inquietação
entre os coronéis que começaram a acreditar
que tal movimento criaria uma intensa revolta. A
situação se alarmou por causa dos ideais
monarquistas da comunidade.
Assim, em setembro de 1912, os grandes
fazendeiros chamaram a força pública para
atacar e expulsar os posseiros. De um lado
estava os soldados armados e forças do
governo, do outro um grande número de
pessoas humildes armadas somente de
machados, espingardas e facões.
Alguns sertanejos fugiram para cidades vizinhas
e outros morreram durante o conflito. Entre
eles, o messias João Maria que foi enterrado
pelos seguidores apenas com pedaços de
madeiras, pois acreditavam que o líder
ressuscitaria.
Depois da morte de José Maia, surge Maria
Rosa (a Joana D'Arc do Sertão) outra
personalidade importante para a Guerra do
Contestado. A menina de apenas 15 anos
afirmava receber ordens diretas de José Maria
para que organizasse os revoltosos para um
contra-ataque. Assim, outros conflitos passaram
a se desenrolar em 1914, mas nenhum foi bem
sucedido para a população de Quadrante Santo.
Em março do mesmo ano, os revoltosos
conseguiram uma grande vitória que encheu de
esperança os contestantes.
Para conter a Guerra do Contestado o
governo envia para a região 90 mil homens
do exército, uma pesada artilharia e alguns
aviões que tinham o objetivo de observar a
movimentação dos rebeldes. Após diversos
conflitos e perseguições, a guerra chega ao
fim em agosto de 1916.
Assim, as terras habitadas pela população
do Quadrante Santo voltam a pertencer aos
grandes fazendeiros e coronéis. A população
pobre, entretanto, voltou para a situação de
miséria em que se encontrava
anteriormente.
A Guerra do Contestado durou quatro anos e
deixou um resultado de 10 a 15 mil pessoas
mortas, e 8 mil casas incendiadas. Além
disso, em outubro de 1916 foi assinado, no
Rio de Janeiro, o Acordo de Limites Paraná-
Santa Catarina e a partir daí surgem novas
cidades como Mafra, Joaçaba, Chapecó e de
Porto União.
Consequências
Contexto
Várias medidas começaram a ser tomadas
pela comunidade para continuarem em
vantagem. Passaram então a usar técnicas
de guerrilha, criaram um Manifesto
Monarquista e invadiram fazendas de
coronéis para aquisição de recursos. O fato
repercute diretamente no governo e este
resolve designar o general Carlos Frederico
de Mesquita, que participou da Guerra de
Canudos, para comandar a ação contra os
revoltosos.
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SEMANA DE ARTE MODERNA
50
A Semana de Arte Moderna foi
uma manifestação artístico-
cultural que ocorreu no Theatro
Municipal de São Paulo entre os
dias 13 a 18 de fevereiro de 1922.
O evento reuniu diversas
apresentações de dança, música,
recital de poesias, exposição de
obras - pintura e escultura - e
palestras.
Os artistas envolvidos propunham
uma nova visão de arte, a partir
de uma estética inovadora
inspirada nas vanguardas
europeias.
Juntos, eles buscavam uma
renovação social e artística no
país, evidenciada na "Semana de
22".
O evento chocou parte da
população e trouxe à tona uma
nova visão sobre os processos
artísticos, bem como a
apresentação de uma arte “mais
brasileira”.
Mário de Andrade foi uma das
figuras centrais e principal
articulador da Semana de Arte
Moderna de 22. Ele esteve ao
lado de outros organizadores: o
escritor Oswald de Andrade e o
artista plástico Di Cavalcanti.
Houve um rompimento com a
arte acadêmica, contribuindo para
uma mudança estética e para o
Movimento Modernista no Brasil.
O que foi?
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ERA VARGAS
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Capacidade de negociação
política A capacidade política de
Vargas não surgiu do nada, mas
foi sendo construída e
aprimorada ao longo de sua vida
política. Vargas tinha uma grande
capacidade de conciliar grupos
opostos em seus governos,
como aconteceu em 1930,
quando oligarquias dissidentes e
tenentistas estavam no mesmo
grupo apoiando-lhe.
A postura de Vargas no poder do
Brasil durante esse período pode ser
também relacionada com o
populismo, principalmente pelos
seguintes aspectos:
- Relação direta e não
institucionalizada do líder com as
massas;
- Defesa da união das massas;
- Liderança baseada no carisma;
- Sistema partidário frágil.
A Era Vargas foi o período de quinze
anos da história brasileira que se
estendeu de 1930 a 1945 e no qual
Getúlio Vargas era o presidente do
país. A ascensão de Vargas ao poder
foi resultado direto da Revolução de
1930, que destituiu Washington Luís e
impediu a posse de Júlio Prestes
(presidente eleito que assumiria o
país).
Características
Centralização do poder → Ao
longo de seus quinze anos no
poder, Vargas tomou medidas
para enfraquecer o Legislativo e
reforçar os poderes do Executivo.
Essa característica ficou evidente
durante o Estado Novo.
Política Trabalhista → Vargas
atuou de maneira consistente no
sentido de ampliar os benefícios
trabalhistas. Para isso, criou o
Ministério do Trabalho e
concedeu direitos aos
trabalhadores. Era uma forma de
reforçar seu poder aproximando-
se das massas.
Propaganda Política → O uso da
propaganda como forma de
ressaltar as qualidades de seu
governo foi uma marca forte de
Vargas e que também ficou
evidente durante o Estado Novo a
partir do Departamento de
Imprensa e Propaganda (DIP.)
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DITADURA MILITAR
52
Do ponto de vista jurídico, a ditadura
procurou justificar o golpe de 1964 e
os abusos cometidos nesse período
por meio de mecanismos legais.
Alguns desses mecanismos foram os
Atos Institucionais, decretos com
poderes como se fossem da
Constituição.
A Ditadura Militar foi um período da
história brasileira que ocorreu de
1964 a 1985, sendo um dos mais
autoritários da nossa república.
Nesses anos, o Brasil foi governado
por “presidentes” militares que
detinham uma centralização muito
alta do poder. Durante os 21 anos de
ditadura, tivemos cinco mandantes
diferentes.
A Ditadura Militar, foi um regime de
exceção. Houve censura
institucionalizada, não havia liberdade
de expressão, os presidentes
detinham poderes autocráticos, e
houve perseguição sistemática de
cidadãos brasileiros, marcada por
ações como sequestro, tortura e
desaparecimento de cadáveres.
Houve também cidadãos que tiveram
seus direitos políticos cassados, que
perderam seus empregos e outros
que foram expulsos do país ou
precisaram fugir para garantir sua
segurança. Durante a ditadura, ainda
aconteceram casos de atentados à
bomba organizados por militares
como iniciativa para acusar os grupos
que faziam oposição a eles. Um dos
casos mais conhecidos foi o Atentado
do Riocentro, que aconteceu em
1981.
O que foi? Como a Ditadura foi vista do
ponto de Vista Jurídico?
Atos Inconstitucionais
Assim, os Atos Institucionais
permitiram a cassação de direitos de
civis e parlamentares, as prisões
arbitrárias e outras medidas
autoritárias. Entre eles, o mais
conhecido é o AI-5, decretado em
dezembro de 1968. Considera-se
que esse ato inaugurou o momento
mais autoritário de toda a ditadura.
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https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/brasil-republica.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/o-ai5-intensificacao-repressao-no-brasil.htm
DITADURA MILITAR
53
A ditadura encerrou-se de maneira
negociada na década de 1980. A
pressão da população pela abertura
democrática fez com que os
militares aceitassem sair do poder
por meio de uma eleição indireta em
1985. Essa eleição determinou a
escolha de Tancredo Neves para
presidente, mas o políticomineiro
faleceu antes de ser empossado.
Quem assumiu então foi seu vice,
José Sarney, e assim iniciou-se o
processo de reconstrução da
democracia no Brasil conhecido
como nova república.
Na política, a ditadura ficou marcada
por um bipartidarismo que foi
estabelecido a partir do AI-2,
decretado em outubro de 1965. Esse
ato determinou o fechamento de
todos os partidos que surgiram no
Brasil durante o período da Quarta
República e estabeleceu o
bipartidarismo, com a Aliança
Renovadora Nacional (Arena)
representando os militares e o
Movimento Democrático Brasileiro
(MDB) representando uma oposição
consentida.
Ditadura na Política Como a Ditadura foi encerrada?
Ditadura na Economia
Na economia, o grande destaque é o
período do Milagre Econômico, que
aconteceu entre 1969 e 1973. Esse
milagre foi resultado de uma política
desenvolvimentista aplicada a partir
do governo de Castello Branco e
resultou em altas taxas de
crescimento anual. Entretanto, o
crescimento econômico não
representou melhoria significativa na
vida do brasileiro, uma vez que a
desigualdade social disparou durante
esse período. Isso se deu por meio de
políticas que contiveram os ajustes
salariais, fazendo com que o
trabalhador perdesse poder de
compra.
Golpe Militar de 1964
O golpe de 1964 pode ser entendido
como uma forma de promover a
derrubada do trabalhismo no Brasil,
um projeto político que atuava pelo
bem-estar social com a utilização de
políticas pró-povo. O trabalhismo
também era uma plataforma política
nacionalista e que defendia o
desenvolvimentismo para a
economia.
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https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/o-governo-sarney.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/regime-democratico.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/ai2-fortalecimento-linha-dura.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/democracia-entre-as-ditaduras.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/milagre-economico-brasileiro.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/governo-castello-branco-inicio-ditadura.htm
https://www.preparaenem.com/sociologia/desigualdade-social.htm
https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/golpe-militar-31-marco-1964.htm
A pauta não avançou no Legislativo e
implodiu a base de apoio do presidente,
formada pelo Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB) e pelo Partido Social
Democrático (PSD). Enquanto isso
acontecia, um golpe estava em fase de
conspiração.
Em março a tensão aumentou,
sobretudo quando João Goulart
reafirmou o seu compromisso com as
reformas em discurso na Central do
Brasil, no Rio de Janeiro. No mesmo mês,
milhares de pessoas realizaram, em São
Paulo, uma marcha conservadora contra
o seu governo, a Marcha da Família com
Deus pela Liberdade.
O golpe iniciou-se quando um
grupamento militar em Juiz de Fora
rebelou-se e marchou na direção do Rio
de Janeiro a partir de 31 de março de
1964. Outras forças militares
mobilizaram-se, não houve reação por
parte de Jango, e, no dia 2 de abril, os
parlamentares brasileiros declararam
que o cargo de presidente estava vago.
DITADURA MILITAR
54
João Goulart
Foi um dos grandes símbolos dessa
política trabalhista, e sua posse em 1961
foi tensa justamente porque militares e
grupos conservadores não aceitavam
que ele assumisse a presidência. Houve
intensa campanha pela posse de Jango,
e chegou-se a um acordo para que ele
assumisse sob um regime
parlamentarista, o que o deixava sem
poderes.
Em 1963, o Brasil retornou ao
presidencialismo e Jango apresentou um
programa de reformas bastante extenso
— as Reformas de Base, que mexiam
com áreas e problemas estruturais do
país. Houve uma articulação política
muito grande entre militares, liberais e
conservadores para impedir o avanço
desse programa.
Em 1962, houve uma grande
coordenação de interesses norte-
americanos com grupos internos,
sobretudo o grande empresariado, a
imprensa e os militares, contra João
Goulart. Houve financiamento ilegal de
campanhas de políticos conservadores e
uma instituição foi criada para
desestabilizar seu governo. Essa
instituição chamava-se Instituto de
Pesquisa e Estudos Sociais, o Ipes.
Politicamente houve um intenso debate
acerca de uma das medidas propostas
nas Reformas de Base: a reforma agrária.
Constituição de 1967
A Constituição de 1967 foi a 4º Carta
Magna brasileira e a terceira do período
republicano.A Constituição, elaborada
durante o regime militar, entrou em vigor
em 15 de março de 1967.
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https://www.preparaenem.com/historia-do-brasil/reformas-base-jango.htm
https://www.preparaenem.com/geografia/reforma-agraria.htm
Aumentava a Justiça militar,
estendendo o foro especial a civis.
O fechamento do Congresso por
parte do Poder Executivo,
A censura prévia aos meios de
comunicação,
Intervenção militar em estados e
municípios,
Suspensão de direitos civis e
políticos dos cidadãos, que
cometiam crimes contra a Segurança
Nacional.
Mais tarde, em 1968, foi incorporado o
AI-5 que determinava:
Fim da Constituição de 1967
A Constituição de 1967 foi revogada
quando o governo militar terminou.Em
1986 foram eleitos os deputados que
formaram a Assembléia Constituinte e
formularam a nova Carta Magna de
acordo com o novo regime democrático
restaurado.
DITADURA MILITAR
55
O presidente era eleito de forma
indireta, por um Colégio Eleitoral, em
sessão pública, para um mandato de
quatro anos.
Cassação e suspensão de direitos
políticos pelo Poder Executivo,
Estabelecia o bipartidarismo,
Determinava eleições indiretas para
governadores e prefeitos,
Instituía a pena de morte para crimes
contra a segurança nacional,
Restringia o direito de greve,
Elaboração da Constituição de 1967
Em 1966, o governo publicou um projeto
de Constituição escrito pelo ministro da
Justiça, Carlos Medeiros Silva, e pelos
juristas Francisco Campos, Levi Carneiro,
Temístocles Cavalcanti e Orozimbo
Nonato.
No entanto, diante do protesto feito pelo
MDB (oposição) e pela Arena, o governo
reabre e convoca o Congresso para
discutir e votar a nova Magna Carta,
entre 12 de dezembro de 1966 e 24 de
janeiro de 1967.
O texto final seria aprovado sem muitas
modificações pelos deputados e
senadores. Como esta Constituição não
foi elaborada por uma Assembleia
Constituinte, muitos autores afirmam que
ela foi outorgada. Porém, outros
estudiosos afirmam que a aprovação por
parte do Congresso Nacional já bastaria
para caracterizá-la como promulgada.
Características da Constituição de 1967 Redemocratização do Brasil
No contexto de disputas internas que
perdurou toda a ditadura, a transição
para o regime democrático começou a
dar sinais no governo de Ernesto Geisel –
penúltimo presidente militar e
representante da ala moderada.
Essa situação aconteceu por iniciativa do
próprio governo que viu nas eleições
legislativas de 1974 a perda da
legitimidade do regime. Isso porque o
resultado das eleições foi favorável ao
MDB – único partido da oposição
permitido pelo regime militar.
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A lei considera crimes conexos aqueles
que se relacionam com crimes políticos
ou que são cometidos por uma
motivação política. Contudo, a lei exclui
do benefício aqueles que cometeram
crimes de terrorismo, assalto, sequestro
e atentado pessoal.
Desse modo, a lei perdoou os crimes
cometidos pelos militares durante o
regime militar, não promovendo,
portanto, um julgamento e nem uma
eventual condenação desses crimes.
No entanto, ao mesmo tempo, a lei
trouxe benefícios para a sociedade civil.
Já que concede anistia àqueles que
tiveramseus direitos políticos
restringidos por conta dos Atos
Institucionais e Complementares. Além
disso, ela prevê o retorno à vida político-
partidária dos anistiados, desde que seja
em partidos legalmente constituídos.
Assim, percebemos que a Lei da Anistia
trouxe contribuições para a sociedade
civil, mas, ao mesmo tempo, promoveu o
perdão para os crimes cometidos pelos
militares, além de permitir que estes
voltassem para a vida política.
Vemos, então, que não foi feito um
debate político sobre o regime entre a
oposição e o governo, ou seja, não foram
discutidas as políticas adotadas pelos
militares – desde questões econômicas
e sociais até os crimes de tortura. A falta
dessa discussão gerou impactos na
nossa política e sociedade que se
estendem até hoje.
DITADURA MILITAR
56
Além disso, na mesma época, ocorreu a
rearticulação dos movimentos sociais.
Dessa maneira, o governo queria ter, e
teve, o controle sobre a transição, pois
encontrou nela uma forma de negociar
algumas questões com a oposição em
troca da abertura do regime. Um
exemplo disso foi a decisão de não julgar
os crimes contra os Direitos Humanos,
especialmente os de tortura, cometidos
durante a ditadura. Além disso, ao
controlar a transição, o governo
conseguiu se inserir no novo regime e,
portanto, se manteve no poder.
Assim, ocorreu no Brasil a chamada
transição negociada, a qual é marcada
pelo controle do processo feito pelo
governo militar através de constantes
mudanças nas regras políticas. Vale
lembrar que uma transição negociada
significa que a redemocratização
brasileira aconteceu por meio de um
acordo feito entre os moderados da
oposição e do regime: a abertura política
ocorre e em troca os interesses militares
não são feridos.
Lei da Anistia
Um exemplo claro da transição
negociada é a Lei da Anistia, promulgada
em agosto de 1979 pelo presidente João
Batista Figueiredo. De acordo com o
primeiro artigo desta lei,
é concedida a anistia a todos quantos, no
período compreendido entre 02 de
setembro de 1961 e 15 de agosto de
1979, cometeram crimes políticos ou
conexo com estes.
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