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ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA SÃO CRISTÓVÃO Emanuely de Morais; Gustavo Henrique de Quadra Sangaletti; Jasmine Masson Alves. Procedimentos estéticos: A ditadura da beleza. Capinzal – SC 2022 Emanuely de Morais; Gustavo Henrique de Quadra Sangaletti; Jasmine Masson Alves. Procedimentos estéticos: A ditadura da beleza. Trabalho apresentado como requisito para obtenção de nota no 2º trimestre na disciplina de Língua Portuguesa e Literatura. Professor orientador: Jussara Biazotto. Capinzal – SC 2022 1. Título Procedimentos estéticos: A ditadura da beleza. 2. Justificativa A necessidade de exibir um corpo perfeito abrange grande parte da população. Para isso, os procedimentos estéticos passaram a ser divulgados pela mídia como operações descomplicadas, rápidas e efetivas para este fim, sendo assim, banalizadas. Diariamente, homens e mulheres colocam suas vidas e saúde em risco para o alcance de padrões irreais. Logo, faz-se necessário um estudo aprofundado sobre o tema para compreender os motivos e promover a conscientização acerca destas intervenções. 3. Problema de pesquisa O que é a ditadura da beleza e como ela induz a modificação de sua aparência por meio de procedimentos estéticos? 4. Objetivo geral Analisar como a busca pelos padrões de beleza estabelecidos socialmente são determinantes na modificação de seu corpo e como este padrão quase não está atrelado à saúde. 4.1. Objetivos específicos • Identificar a relação entre beleza e estética; • Compreender o que é a ditadura da beleza; • Identificar os perigos da obsessão pela beleza; • Identificar os níveis de autoaceitação nos alunos da EEB São Cristóvão; • Conscientizar sobre os pontos positivos e negativos dos procedimentos estéticos. 5. Referencial teórico O conceito de beleza é discutido desde os primórdios da filosofia, por Platão e Aristóteles. Portanto, foi somente no século XVIII que a expressão “estética” teve sua origem, com sua primeira utilização na obra denominada Estética (1750), escrita pelo filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgarten. O termo tratava-se de uma reflexão sobre os aspectos que abrangem a capacidade de julgar algo. Para Platão, estes aspectos não compreendiam a interpretação do observador, mas sim, as qualidades adquiridas por determinados objetos. Em contraste, o filósofo francês Pranchère afirma que o termo está dotado de subjetividade, ou seja, é dependente da reação causada para o observador, não havendo relação com o objeto em questão. Sabemos que a concepção de belo está fortemente ligada com a edificação dos padrões de beleza, tais quais são influenciados por movimentos artísticos, religiosos e políticos que ocorrem dentro de uma cultura, modificando-se constantemente. Logo, a ditadura da beleza representa uma construção social idealizada pela massa ao longo dos séculos, reforçada e divulgada pela mídia. Diante disso, a noção de identidade torna-se notável, visto que abrange o recorrente processo de mudanças dos indivíduos. Essas mudanças exercem determinada influência sobre o sujeito, que se sente pressionado a estar inserido em um contexto social, cultural e político, e por consequência resulta nas diferentes identidades, vítimas de um processo de recontextualização. Para Hall, existem três concepções de identidade. O sujeito do iluminismo caracteriza-se como a primeira delas, relacionando-se com a ideia de que o ser humano é um ser centrado, sendo a identidade uma essência do próprio indivíduo, a qual foi moldada desde seu nascimento. O sujeito sociológico trata-se de um avanço do sujeito do iluminismo, já que é constituído por relações sociais. Enquanto a centralidade do sujeito do iluminismo considera a unificação, a do sujeito sociológico era determinado pela necessidade de pertencimento aos grupos sociais. Nesse sentido, o sujeito pós-moderno possui múltiplas identidades formadas pela interpretação do sistema que o cerca. Uma vez que as relações se distanciam cada vez mais, o olhar avaliativo tornou-se a única extensão do outro, sendo assim, a identidade incorpora-se ao corpo, tornando de ambos um só. Segundo o autor, o corpo passa a ser um objeto transitório e manipulável, expressando sua individualidade e representando sua identidade para o mundo, logo, traduzindo o significado que ele atribui a si. Portanto, a partir disso, gera-se a autocrítica, que em níveis elevados transformam qualquer discrepância com relação ao padrão de beleza em agravamentos emocionais. Na atualidade, o culto à estética vem crescendo cada vez mais. Com os padrões de beleza sendo estimulados pela mídia, a procura por um corpo perfeito aumentou de forma exorbitante por homens e mulheres de todo o mundo, elevando assim a busca de serviços que representam o consumo da beleza. Sendo assim, a imagem do corpo ideal vincula-se a ideia de juventude eterna. Pele perfeita, lábios volumosos, físico malhado, nariz arrebitado e sobrancelhas arqueadas compõem as principais caraterísticas buscadas pela população. A preocupação em exibir uma versão idealizada de si mesmo atinge principalmente mulheres. Segundo a pesquisadora Camila Camacho Bohm, essa versão é representada simbolicamente pelas modelos esquálidas das passarelas e páginas de revistas segmentadas, por vezes longe de representar a saúde, mas que sugerem satisfação e realização pessoal. Ao mencionar inspirações para a aparência ideal a 10 mulheres, a modelo brasileira Gisele Bündchen foi o nome mais comentado nas respostas: “Ela é tida como uma mulher mais bonita e tudo o que se vê como bonito é mais ou menos dentro do que ela tem: que é um corpo magro, perna fina, cabelo liso, pele boa, essas coisas”. Deste modo, é possível visualizar a clara influência midiática na busca pela aparência desejada, seja por redes sociais, televisão e revistas como também por meio de vínculos sociais. O fenômeno, popularmente conhecido como “Ditadura da Beleza”, compreende a imposição e cobrança da sociedade sobre o que vem a ser considerado bonito. Encontrar-se fora desse padrão é estar susceptível a vivenciar distúrbios sociais e desencadear transtornos de imagem, que resultam na adoção de dietas danosas e favorecem a bulimia, anorexia, ortorexia e vigorexia. Essa definição é perpetuada pela indústria da moda, farmacêutica, de cosméticos e de cirurgias, resultando no lucro através da busca desenfreada pela aceitação. Como exemplo disso, podemos citar produtos de emagrecimento, remédios milagrosos, pílulas, comidas e bebidas light e zero. Logo, os procedimentos estéticos se somam a esses serviços, fechando com chave de ouro a lista de uma indústria que se alimenta pela baixa autoestima de suas clientes. Com cada vez mais adeptos, estas operações são amplamente divulgadas com promessas de rápido retorno e entrega de resultados evidentes. A insatisfação com alguma parte do corpo parece ser o ponto de partida para a decisão de realizar o procedimento. O reconhecimento da necessidade se origina a partir da comparação com o corpo atual e o desejado, muitas vezes fruto de baixa autoestima e vergonha. Sendo assim, a cirurgia plástica reforça o sentimento de autoestima e bem- estar, aliviando o sofrimento e insatisfação com si mesmo. No entanto, a maioria das mulheres que realizaram cirurgias estéticas relatam que ainda não se sentem plenamente satisfeitas e pretendem fazer mais cirurgias, estando em permanente busca pela perfeição. Estudos apontam que a maioria dos pacientes começa com um ou dois procedimentos, podendo a vir realizar mais intervenções. De acordo com o censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC), o Brasil é segundopaís do mundo no ranking de cirurgias plásticas, com contagem de 1,7 milhão de intervenções. Contanto, o desejo por uma aparência inalcançável pode causar sérios riscos físicos e psicológicos. O perigo está atrelado a execução durante o processo, descuidos pós-operatórios e realização das sessões sem os intervalos recomendados. Um dos efeitos mais preocupantes, refere-se a má localização da injeção ou o excesso de toxina botulínica, por vezes dita como “botox”, que pode acabar afetando o músculo da pálpebra e deixando-a caída, interferindo até mesmo na capacidade da visão. Diante do crescimento de procedimentos estéticos, algumas pessoas sem capacitação técnica e formação têm oferecido esses serviços com valores atrativos, porém em condições precárias e inadequadas. Por isso, caso esteja interessado, tire todas as dúvidas possíveis, consulte mais de um profissional, verifique as referências e desconfie das vantagens excessivas. Não há problemas em desejar ter um corpo atrativo, visto que traz autoafirmação e eleva a autoconfiança. Para isso, a escolha de profissionais qualificados e com experiência na área, é determinante para uma cirurgia com a diminuição dos efeitos colaterais. Afinal, somente especialistas possuem sua competência realmente comprovada por órgãos reguladores. 6. Metodologia Este trabalho será realizado de acordo com as seguintes etapas: 1º: Elaboração da pesquisa bibliográfica; 2º: Pesquisa de campo; 3º: Tabulação dos dados da pesquisa de campo; 4º: Confecção de cartazes para a apresentação; 5º: Elaboração do relatório final. 7. Cronograma Atividade Julho - semanas Agosto - semanas 1ª 2ª 3ª 4ª 1ª 2ª 3ª 4ª 1. Pesquisa bibliográfica X X 2. Organização do questionário para a pesquisa de campo X X 3. Aplicação da pesquisa de campo X 4. Análise dos resultados das pesquisas X X 5. Confecção dos cartazes e demais trabalhos que serão expostos na banca X X X 6. Apresentação do trabalho em banca na sala de aula X 7. Apresentação do trabalho para o público escolar X 8. Referências bibliográficas ASSIS, P.; SOUSA, C.; BATINGA, G. Ditadura da beleza: corpo, identidade feminina e cirurgias plásticas. Metodista, 2022. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas- metodista/index.php/OC/article/view/10974. Acesso em 05 jul. 2022. BRANCO, Karina. A Ditadura da Beleza. Saúde Naval, s.d. Disponível em: https://www.marinha.mil.br/saudenaval/ditadura-da-beleza. Acesso em: 05 jul. 2022. ENTRE a beleza natural e o exagero: o limite dos procedimentos estéticos. Instituto Odontológico Christian Andrade, s.d. Disponível em: https://www.christianandrade.com.br/2020/09/25/entre-a-beleza-natural-e-o-exagero- o-limite-dos-procedimentos-esteticos/. Acesso em: 06 jul. 2022. LIMITES entre estética e saúde: entenda o conceito e os perigos. Upis, 2019. Disponível em: https://upis.br/blog/estetica-e saude/#:~:text=Sa%C3%BAde%20e%20est%C3%A9tica%20s%C3%A3o%20conceit os,terem%20tamb%C3%A9m%20implica%C3%A7%C3%B5es%20de%20sa%C3%B Ade. Acesso em: 05 jul. 2022. PEPINO, Luciana. Estética. Luciana Pepino, 2022. Disponível em: https://www.lucianapepino.com.br/procedimentos-esteticos/estetica/. Acesso em 07 jul. 2022.