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MÓDULO
3
AS POLÍTICAS DE DROGAS NO BRASIL 
E AS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA 
M I N I S T É R I O D A
J U S T I Ç A E
S E G U R A N Ç A P Ú B L I C A
MÓDULO 3
AS POLÍTICAS DE DROGAS NO BRASIL 
E AS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA 
Fernanda Novaes Cruz 
 
Frederico Policarpo de Mendonça Filho 
 
Marcos Alexandre Veríssimo da Silva 
 
Roberto Kant de Lima 
EXPEDIENTE
Todo o conteúdo do COMPASSO – Curso sobre Políticas de Drogas e Sociedade: 
perspectivas e discussões atuais, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas 
e Gestão de Ativos (SENAD), Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do 
Governo Federal - 2024, está licenciado sob a Licença Pública Creative Commons 
Atribuição - Não Comercial- Sem Derivações 4.0 Internacional. 
BY NC ND
GOVERNO FEDERAL 
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 
Luís Inácio Lula da Silva 
MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA 
Ricardo Lewandowski 
SECRETÁRIA NACIONAL DE POLÍTICAS SOBRE DROGAS E GESTÃO 
DE ATIVOS 
Marta Rodriguez de Assis Machado 
DIRETOR DE PESQUISA, AVALIAÇÃO E GESTÃO DE INFORMAÇÕES 
Mauricio Fiore 
COORDENADORA-GERAL DE ENSINO E PESQUISA 
Natália Neris da Silva Santos 
COORDENADORA DE ARTICULAÇÃO DO OBSERVATÓRIO 
BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS 
Geórgia Belisário Mota 
CONTEUDISTAS 
Fernanda Novaes Cruz 
Frederico Policarpo de Mendonça Filho 
Marcos Alexandre Veríssimo da Silva 
Mauricio Fiore 
Roberto Kant de Lima 
REVISÃO DE CONTEÚDO 
Jessica Santos Figueiredo 
Grazielle Teles de Araújo 
APOIO 
Brenda Juliana Silva 
Laudilina Quintanilha Mendes Pedretti de Andrade 
Luana Rodrigues Meneses de Sá 
Maria Aparecida Alves Dias
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA 
COORDENAÇÃO GERAL
Luciano Patrício Souza de Castro
FINANCEIRO
Fernando Machado Wolf
SUPERVISÃO TÉCNICA EAD
Giovana Schuelter 
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO DE MATERIAL
Francielli Schuelter 
SUPERVISÃO DE MOODLE
Andreia Mara Fiala 
SECRETARIA ADMINISTRATIVA
Elson Rodrigues Natario Junior 
DESIGN INSTRUCIONAL
Supervisão: Milene Silva de Castro 
Larissa Usanovich de Menezes
Sofia Santos Stahelin
DESIGN GRÁFICO
Supervisão: Sonia Trois
Eduardo Celestino
Giovana Aparecida dos Santos
Luana Pillmann de Barros
Vanessa de Oliveira Vieira
REVISÃO TEXTUAL
Cleusa Iracema Pereira Raimundo 
PROGRAMAÇÃO
Supervisão: Alexandre Dal Fabbro 
Luan Rodrigo Silva Costa 
Luiz Eduardo Pizzinato
 
AUDIOVISUAL
Supervisão: Rafael Poletto Dutra 
Andrei Krepsky de Melo
Julia Britos
Luiz Felipe Moreira Silva Oliveira
Robner Domenici Esprocati
SUPERVISÃO TUTORIA 
João Batista de Oliveira Júnior 
Thaynara Gilli Tonolli
TÉCNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Alexandre Gava Menezes
André Fabiano Dyck
MÓDULO
3
AS POLÍTICAS DE DROGAS NO BRASIL 
E AS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA 
GUIA DE AMBIENTAÇÃO 
COMO LER O E-BOOK
MÓDULOS
Este curso está dividido 
em módulos. O módulo 
correspondente e o conteúdo 
principal estão localizados na 
capa do e-book, logo abaixo do 
nome do curso.
GUIA DE AMBIENTAÇÃO 
COMO LER O E-BOOK
PÁGINAS INTERNAS
As páginas internas do e-book 
estão estruturadas em 
duas colunas.
A coluna mais estreita 
e externa (à esquerda) 
é utilizada para enquadrar 
ícones criados com a finalidade 
de destacar os recursos e 
elementos instrucionais, 
como o “VÍDEO”. 
VÍDEO
Os vídeos contemplam 
conteúdos complementares para 
enriquecimento do aprendizado 
e seus links estão representados 
pelo recurso QR Code.
GUIA DE AMBIENTAÇÃO 
COMO LER O E-BOOK
ÍCONES
Ajudam a localizar, focalizar 
e ressaltar respectivos textos 
informativos. Cada ícone apresenta 
uma função:
SAIBA MAIS 
Ao clicar no link, você é direcionado 
para documentos disponibilizados na 
internet, como leis e normas técnicas. 
É preciso estar conectado à internet 
para acessar o conteúdo.
PARA PENSAR 
Frase ou parágrafo que incentiva 
o cursista à reflexão, trazendo 
perguntas retóricas, reflexões ou 
questões que são respondidas logo 
depois do recurso.
PODCAST 
Este recurso apresenta de maneira 
transcrita o trecho do conteúdo que 
foi narrado e apresentado em formato 
áudio na versão on-line do curso.
CITAÇÃO 
Transcrições exatas de partes dos 
conteúdos dos autores utilizados nos 
materiais didáticos.
OUTRA PERSPECTIVA 
Trecho de conteúdo que traz outras 
perspectivas em relação às questões 
enraizadas no senso comum.
SÍNTESE DO MÓDULO
Trecho de conteúdo que contempla 
uma síntese dos pontos mais 
importantes vistos no módulo.
DESTAQUE
Trechos de conteúdos importantes 
para contribuir no aprendizado 
do cursista.
VERBETE
Recurso utilizado para 
explicar termos que 
podem ser desconhecidos 
ao cursista. 
E
SIGLAS
CV – Comando Vermelho 
DEPEN – Departamento Penitenciário Nacional 
FBSP – Fórum Brasileiro de Segurança Pública 
IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 
JECRIM – Juizado Especial Criminal 
LEP – Lei de Execução Penal 
MJSP – Ministério da Justiça e Segurança Pública 
MVI – Mortes Violentas Intencionais 
PCC – Primeiro Comando da Capital 
PNPS – Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social 
SAP/CE – Secretaria da Administração Penitenciária 
e Ressocialização do Ceará 
SAP/SC – Secretaria de Estado da Administração Prisional 
e Socioeducativa de Santa Catarina 
SAP/SP – Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo 
SEAP/BA – Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização 
do Estado da Bahia 
SEAPE/DF – Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do 
Distrito Federal 
SENAPPEN – Secretaria Nacional de Políticas Penais 
SISDEPEN – Sistema de Informações do Departamento 
Penitenciário Nacional 
SISNAD – Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas 
SPF – Sistema Penitenciário Federal 
SUSP – Sistema Único de Segurança Pública 
TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência 
UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO 12
UNIDADE 1 | A ATUAL LEI DE DROGAS BRASILEIRA 14
UNIDADE 2 | O FUNCIONAMENTO DO 
SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA 
CRIMINAL NO BRASIL 18
UNIDADE 3 | OS DESAFIOS DO SISTEMA 
DE SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA 
CRIMINAL NO BRASIL 27
3.1 Superposição de esforços e conflitos entre as 
instituições policiais e judiciais 27
3.2 Altos índices de violência, homicídios 
e letalidade policial 29
3.3 Superlotação das prisões x sentimento de impunidade 31
3.4 Ascensão dos grupos criminosos organizados 34
UNIDADE 4 | OS IMPACTOS DA LEI DE DROGAS 
NO BRASIL SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA 38
REFERÊNCIAS 43
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
10
Frederico Policarpo de Mendonça Filho
CONTEUDISTAS DO MÓDULO 
Marcos Alexandre Veríssimo da Silva
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de 
Janeiro (IFCS/UFRJ-2003), mestrado em Antropologia pela Universidade 
Federal Fluminense (PPGA/UFF-2007), doutorado em Antropologia pela 
mesma universidade (PPGA/UFF-2013), com bolsa-sanduíche na Univer-
sity of California, Hastings College of the Law/EUA (CAPES/2011-2012). 
É professor adjunto de Antropologia no Departamento de Segurança 
Pública do Programa de Pós-Graduação em Justiça e Segurança e do 
Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito, na Universidade 
Federal Fluminense. É pesquisador vinculado ao Instituto Nacional de 
Ciência e Tecnologia – Instituto de Estudos Comparados em Admi-
nistração de Conflitos (INCT-InEAC/UFF). Tem experiência na área de 
Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: consumo 
de drogas e sistema de justiça criminal. 
Possui graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) 
pela Universidade Federal Fluminense, mestrado em Antropologia 
pelo mesmo programa, especialização em Políticas Públicas de Justiça 
Criminal e Segurança Pública pela Universidade Federal Fluminense 
e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da 
Universidade Federal Fluminense. Pesquisador associado ao Instituto 
de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos(INCT-InEAC), onde coordena o subprojeto Laboratório de Iniciação 
Acadêmica em Administração de Conflitos (LABIAC). Áreas de in-
teresse: conflitos relacionados às “drogas” (lícitas e ilícitas) e seus 
usos, mercados, produção e repressão; antropologia visual; e estudos 
de manifestações artísticas e culturais construídas por grupos sociais 
mais ou menos definidos. 
Pesquisadora no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São 
Paulo - NEV/USP. Fez estágio de pós-doutorado no NEV/USP (2019-
2024). Doutora em Sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos 
(IESP-UERJ). Mestre em Ciências Sociais pelo PPCIS- UERJ. Graduada 
em Ciências Sociais (UERJ) e Comunicação Social (UFRJ). Pesquisa-
dora Associada do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Sui-
cídio (IPPES) e do Núcleo de Pesquisas em Direito e Ciências Sociais 
(DECISO-IESP-UERJ). Realizou Doutorado Sanduíche pela CAPES no 
Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Oxford e Bolsa 
de Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE-FAPESP) na Universidade de 
Bradford. Tem experiência com pesquisas quantitativas e qualitativas, 
especialmente com ênfase em violência e segurança pública, atuando 
principalmente nos seguintes temas: qualidade de vida do trabalho 
policial, suicídio policial, política de drogas e funcionamento das ins-
tituições policiais e judiciais.
Fernanda Novaes Cruz
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
11
Possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul (1968), mestrado em Antropologia Social 
pelo Museu Nacional UFRJ (1978), doutorado em Antropologia pela Har-
vard University (1986), pós-doutorado na University of Alabama at Bir-
mingham (1990). É coordenador do Instituto de Estudos Comparados em 
Administração de Conflitos, professor emérito da Universidade Federal 
Fluminense (INCT-InEAC/ UFF), professor permanente do Programa 
de Pós-Graduação em Direito da Universidade Veiga de Almeida (UVA), 
professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Antropologia 
e professor colaborador do Mestrado em Justiça e Segurança da Universi-
dade Federal Fluminense (UFF). Membro titular da Academia Brasileira 
de Ciências e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico do 
Governo do Brasil. Tem experiência na área de Teoria Antropológica, 
com ênfase em Método Comparativo, Antropologia do Direito e da Po-
lítica, Processos de Administração de Conflitos e Produção de Verdades.
Roberto Kant de Lima
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
12
APRESENTAÇÃO
Olá, cursista! 
Bem-vindo(a) ao terceiro módulo do COMPASSO - Curso sobre Polí-
ticas de Drogas e Sociedade: perspectivas e discussões atuais. 
Neste módulo, apresentaremos a atual Lei de Drogas brasileira – 
promulgada em 2006 – e explicaremos as semelhanças e diferenças 
dessa lei em comparação com as anteriores. Em seguida, apresenta-
remos brevemente o funcionamento do sistema de segurança pública 
e justiça criminal brasileiro. 
Compreender o funcionamento desse sistema é fundamental para 
refletir sobre como o controle sobre as drogas vem sendo exercido 
no país. Apresentaremos, então, os principais desafios identificados 
na área da segurança pública e da justiça criminal e, finalmente, 
analisaremos os impactos que a atual Lei de Drogas tem gerado na 
segurança pública e no sistema de justiça brasileiro. 
Ao final do módulo, esperamos que você, cursista, tenha compreendido 
melhor o funcionamento do sistema de segurança pública e de justiça 
criminal e o papel da atual Lei de Drogas nesse sistema. 
OBJETIVOS DO MÓDULO
 z Possibilitar a compreensão em perspectiva histórica e 
sociológica da Lei n° 11.343/2006. 
 z Apresentar brevemente o sistema de segurança pública e 
justiça criminal brasileiro e os seus principais desafios. 
 z Analisar os impactos da atual Lei de Drogas no sistema de 
segurança pública brasileiro. 
MÓDULO 3
Aponte a 
câmera do seu 
dispositivo móvel 
(smartphone ou 
tablet) para o QR 
Code ao lado e 
assista ao vídeo 
de apresentação 
do módulo!
VÍDEO
https://youtu.be/gdUBtNSkRSA
MÓDULO 3
UNIDADE 1
A ATUAL LEI DE DROGAS BRASILEIRA
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
14
UNIDADE 1 
A ATUAL LEI DE DROGAS BRASILEIRA
Em 2006, 30 anos após a vigência da Lei n° 6.368/1976, foi promulgada 
a atual Lei de Drogas, a Lei n° 11.343/2006. A lei trata de basicamente 
quatro aspectos, apresentados a seguir. 
Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre 
Drogas (SISNAS).
Prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção 
e reinserção social de usuários e dependentes de drogas.
Estabelece normas para repressão à produção não autorizada 
e ao tráfico ilícito de drogas.
Define os crimes relacionados às drogas ilícitas.
Neste módulo, exploraremos especialmente a repressão e os crimes 
relacionados às drogas. O SISNAD e as medidas de prevenção, atenção 
e reinserção serão discutidos no próximo módulo. 
Assim como na Lei nº 6.368/1976, que vimos no módulo anterior, 
a nova Lei de Drogas continua a diferenciar os usuários dos trafi-
cantes. No entanto, a lei atual retira a pena de prisão para quem porta 
drogas para uso pessoal e, ao mesmo tempo, aumenta o tempo de 
encarceramento para quem porta drogas com o objetivo de vendê-las 
ou distribuí-las. A definição sobre quem será considerado usuário e 
que tipo de medida poderá ser aplicada cabe ao sistema de justiça, 
conforme este trecho da Lei nº 11.343/2006:
Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização 
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será 
submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
15
Marcelo Campos.
Foto: © [Carolina de Paula] / UFJF.
II - prestação de serviços à comunidade. 
 
III - medida educativa de comparecimento a programa 
ou curso educativo. 
 
§ 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo 
pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à 
preparação de pequena quantidade de substância ou produto 
capaz de causar dependência física ou psíquica. 
 
§ 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo 
pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da 
substância apreendida, ao local e às condições em que se 
desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, 
bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
Brasil, 2006, art. 28 
O sociólogo Marcelo Campos (2019) descreveu os debates em torno da 
lei durante a sua tramitação no Legislativo. Ele observou que houve 
uma tentativa de deslocar a figura do usuário de drogas do sistema 
de justiça criminal para o sistema de saúde. Nesse sentido, o usuário 
passou a ser representado mais como um “doente”, com base no saber 
médico, e a pena de prisão deixou de ser prescrita. Por outro lado, 
aos que praticam as condutas caracterizadoras do crime de tráfico 
coube a representação de “criminosos organizados”, e, por sua vez, 
a dimensão mais punitiva e criminalizadora da lei. 
Assim, ao usuário deveria ser fornecido um tratamento 
de saúde e, ao traficante, medidas mais duras de prisão, 
aumentando-se a pena mínima de três para cinco anos de 
reclusão para aquele que praticar uma das ações previstas 
no artigo 33 da nova lei, tornando essa prática uma das 
mais rigorosamente punidas no Código Penal brasileiro. 
Ao mesmo tempo, uma das controvérsias da lei atual, apontada por 
diversos pesquisadores, é a não definição de critérios objetivos para 
classificar as pessoas entre usuários ou traficantes. Como vimos, a lei 
afirma que tal decisão caberá ao juiz a partir da análise de aspectos 
relativos: “à natureza e à quantidade da substância apreendida, 
ao local e àscondições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias 
sociais e pessoais, bem como à conduta e os antecedentes do agente 
(Brasil, 2006, art. 28). 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
16
A ausência de critérios mais objetivos é apontada por muitos es-
pecialistas como uma fonte de distorções na aplicação da Lei de 
Drogas Além disso, conforme a professora e pesquisadora de Direito 
Penal Luciana Boiteux e colaboradores (2009), a Lei n° 11.343/2006 
também estabeleceu uma distinção entre o “traficante profissional” 
e o “traficante ocasional”, diante da previsão do § 4º do art. 33, indi-
cando que poderá haver uma redução da pena desde que o agente seja 
“[...] primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades 
criminosas nem integre organização criminosa” (Brasil, 2006). Tra-
ta-se do que ficou conhecido como “tráfico privilegiado”. 
Neste módulo, apresentaremos as principais mudanças que a lei teve 
na prática, ou seja, quais foram os seus impactos no sistema de justiça 
criminal brasileiro e como ela tem sido aplicada. Isso é importante 
porque, por mais que o debate inicial tenha sido centrado no trata-
mento dado ao “usuário”, foi em relação ao “traficante” que essa lei 
teve um maior impacto para o país, especialmente para o sistema pe-
nitenciário, como veremos no decorrer do módulo. Para compreender 
esses impactos, na unidade a seguir explicaremos brevemente como 
é organizado o sistema de justiça e segurança pública brasileiro.
Luciana Boiteux.
Foto: © [Marcelo Freixo] / Wikipédia.
MÓDULO 3
UNIDADE 2
O FUNCIONAMENTO DO 
SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA E 
JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
18
UNIDADE 2 
O FUNCIONAMENTO DO 
SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA E 
JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL 
Você sabia que o sistema de segurança pública e justiça criminal 
brasileiro envolve uma série de instituições? 
Desde 2018, as instituições policiais brasileiras são definidas pela lei 
que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O SUSP 
tem como órgão central o Ministério da Justiça e Segurança Pública 
(MJSP) e é integrado pelas seguintes polícias, além dos demais inte-
grantes estratégicos e operacionais do segmento da segurança pública. 
Força Nacional de Segurança Pública
Polícia Federal Polícias Militares
Polícias CivisPolícia Rodoviária Federal
Corpos de Bombeiros Militares
Polícias Penais Guardas Municipais
Cada uma dessas instituições possui competências e abrangências 
distintas. No quadro a seguir, você poderá conhecer um pouco sobre 
cada uma das principais instituições policiais brasileiras.
Instituição Abrangência Competências 
Número 
de instituições 
no país
Polícia Federal Federal 
Prevenir e investigar 
infrações federais, 
o que inclui crimes 
contra a ordem política 
e social, e violações 
com repercussão 
interestadual ou 
internacional. 
1
Polícia 
Rodoviária 
Federal 
Federal 
Patrulhar as rodovias e 
estradas federais. 1
Corpo de 
Bombeiros 
Militar 
Estadual Executar atividades de 
defesa civil. 
27
 | PRINCIPAIS INSTITUIÇÕES POLICIAIS BRASILEIRAS 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
19
Instituição Abrangência Competências 
Número 
de instituições 
no país
Polícia Civil Estadual Investigar crimes. 27
Polícia Militar Estadual
Realizar policiamento 
ostensivo e manter a 
ordem pública.
27
Polícia Penal Estadual 
Realizar a segurança 
e vigilância das 
penitenciárias estaduais. 
27
Polícia Penal 
Federal
Federal
Realizar a segurança 
e vigilância das 
penitenciárias federais.
1 
Guarda 
Municipal
Municipal
Proteger bens, serviços 
e instalações existentes 
localmente e executar 
políticas preventivas.
220
Fonte: Adaptado de Ribeiro et al. (2023). 
As Polícias Militares são aquelas que estão mais presentes em nosso 
cotidiano, uma vez que são responsáveis pelo policiamento preven-
tivo-ostensivo. São elas que usualmente atendem as ocorrências 
registradas via 190, realizam abordagens policiais e fazem o patrulha-
mento das ruas. A Polícia Militar não possui capacidade investigativa 
e, portanto, quando ocorre um delito, por exemplo um flagrante com 
drogas, as pessoas envolvidas devem ser encaminhadas para uma 
delegacia de Polícia Civil. Confira nos próximos infográficos um passo 
a passo com os procedimentos. 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
20
BOLETIM OU REGISTRO DE OCORRÊNCIA
CLASSIFICAÇÃO DOS CASOS E 
AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA
Ao chegarem à Delegacia de Polícia, o andamento da 
ocorrência passa a ser uma atribuição da Polícia Civil.
Em casos envolvendo drogas, cabe ao delegado 
classificar inicialmente se o caso se trata de porte 
para uso pessoal ou para tráfico. Em caso de uso, 
a pessoa não é presa em flagrante, e o caso é 
encaminhado ao Juizado Especial Criminal (JECRIM).
Caso haja o entendimento, por parte do delegado 
de Polícia, de que a ocorrência em questão se trata 
de um ilícito penal, ela será registrada em um 
boletim (ou registro) de ocorrência. 
Nesses casos, não é instaurado um inquérito policial, 
e o delegado encaminha para o JECRIM um 
documento chamado Termo Circunstanciado de 
Ocorrência (TCO), que contém um resumo do ocorrido.
O boletim de ocorrência registra os fatos ocorridos a partir da narrativa 
dos envolvidos, com foco, no caso do flagrante, no depoimento dos 
agentes que efetuaram a prisão (usualmente, os policiais militares). 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
21
No JECRIM, o caso será julgado por meio de 
audiências de conciliação. Esses casos, como prevê 
a lei, não serão punidos com pena de prisão, mas 
com as medidas previstas, já descritas na Unidade 1 
deste módulo. 
Nos casos em que o delegado considerar que o 
flagrante se trata de crime de tráfico de drogas, todo 
o procedimento burocrático realizado na delegacia 
deve ser encaminhado para um(a) juiz(a) de direito, 
que definirá, em até 24 horas, a legalidade da prisão. 
A partir de 2015, essa apresentação da prisão para 
o Poder Judiciário passou a ocorrer por meio das 
audiências de custódia.
As audiências consistem em uma rápida apresentação 
dos presos em flagrante a um(a) magistrado(a), 
que analisa a legalidade e a necessidade da prisão, 
e verifica eventuais irregularidades no decorrer da 
prisão, como, por exemplo, se houve abuso no uso da 
força utilizada pelos agentes policiais.
As audiências de custódia não são o julgamento do caso, apenas 
uma primeira decisão sobre a situação da pessoa presa em flagrante, 
que pode ser colocada em liberdade, usualmente com a aplicação de 
medidas cautelares, tais como: restrição de horário para estar fora 
de casa, restrição de sair do município, comparecimento periódico 
ao tribunal, entre outras.
INQUÉRITO POLICIAL
Em paralelo a isso, com o registro de ocorrência, 
os policiais civis darão início ao processo de 
investigação, com a elaboração do inquérito policial.
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
22
No inquérito policial, a partir de uma investigação, 
os policiais civis analisam os fatos que comprovem, 
ou não, o que foi relatado no boletim de ocorrência. 
O inquérito policial deve reunir elementos mínimos que demonstrem 
que uma conduta criminal foi cometida por uma determinada pessoa. 
APRECIAÇÃO DO CASO PELO 
MINISTÉRIO PÚBLICO E PODER JUDICIÁRIO
Uma vez concluído o inquérito policial, o caso passa a 
ser apreciado pelas instituições que atuam no âmbito 
do sistema de justiça criminal (Ministério Público e 
Poder Judiciário).
• Ministério Público: fiscaliza e faz cumprir as 
leis que defendem o patrimônio nacional e os 
interesses da sociedade e dos cidadãos.
• Poder Judiciário: é o poder que o Estado detém 
para aplicar o direitoa um determinado caso, com 
o objetivo de solucionar conflitos de interesses 
e com isso resguardar a ordem jurídica e a 
autoridade da lei.
• Defensoria Pública: presta serviço jurídico 
gratuito para as pessoas que não têm condições 
de pagar um advogado particular.
Inicialmente, compete ao Ministério Público analisar o 
inquérito policial e decidir se oferecerá a denúncia para 
o Tribunal de Justiça ou se realizará o arquivamento 
do inquérito. Essa decisão dependerá da avaliação 
do promotor de Justiça a respeito de elementos 
suficientes, no documento do inquérito, para indicar a 
materialidade e a autoria do crime. Em caso positivo, 
o promotor encaminha a denúncia para o Judiciário.
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
23
Se a denúncia for aceita pelo Judiciário, abre-se um 
processo judicial e o indivíduo investigado passa 
a ser réu. Nesse momento, o réu é notificado para 
apresentar sua defesa. A defesa do réu caberá a 
um advogado particular ou a um defensor público. 
No Brasil, todo indivíduo acusado de um ilícito possui 
o direito de ser defendido independentemente 
do crime cometido e da sua condição econômica; 
portanto, nos casos em que o réu não possui 
condições financeiras de contratar um advogado, 
ele será atendido por defensores públicos.
A partir desse momento, o caso será analisado por um 
juiz de direito, que considerará a denúncia e a defesa do 
réu para decidir sobre a condenação ou a absolvição. 
Em casos de condenação, compete ao sistema 
penitenciário efetivar as sentenças ou decisões criminais 
e proporcionar condições para que a pena seja uma 
forma de reintegração social do condenado. 
O Poder Judiciário também fiscaliza o cumprimento de pena por meio 
da figura do juiz de execução de pena; mas a administração das pri-
sões possui um órgão estatal próprio em cada unidade da Federação. 
Veja alguns exemplos:
 z Distrito Federal – Secretaria de Estado de Administração 
Penitenciária (SEAPE/DF) 
 z São Paulo – Secretaria da Administração Penitenciária (SAP/SP) 
 z Santa Catarina – Secretaria de Estado da Administração 
Prisional e Socioeducativa (SAP/SC) 
 z Ceará – Secretaria da Administração Penitenciária e Resso-
cialização (SAP/CE) 
 z Bahia – A Secretaria de Administração Penitenciária e 
Ressocialização do Estado (SEAP/BA) 
Na esfera federal, desde janeiro de 2023, temos a Secretaria Nacional 
de Políticas Penais (SENAPPEN), que substituiu o antigo Departamento 
Penitenciário Nacional (DEPEN), que, além das prerrogativas dispostas 
na Lei de Execução Penal (LEP), é a responsável pela custódia das 
pessoas presas nas cinco penitenciárias federais que existem hoje no 
Brasil, geridas pelo Sistema Penitenciário Federal (SPF). 
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
24
A partir de 2019, por meio de uma mudança na Constituição Federal, 
a categoria profissional responsável pela segurança dos estabeleci-
mentos penais e pela custódia das pessoas presas foi equiparada às 
outras polícias brasileiras. Com isso, os agentes penitenciários se 
tornaram policiais penais federais, estaduais ou distritais. 
A descrição que realizamos anteriormente é uma apresentação 
sucinta e resumida do funcionamento do sistema de segurança 
pública e justiça criminal brasileiro; a compreensão de cada uma 
dessas etapas demandaria um aprofundamento maior nesse assunto, 
o que tem sido realizado por diversas pesquisas na área das ciências 
sociais e do direito. Por exemplo, o sociólogo Michel Misse (1999) 
sintetiza esses procedimentos e sanções a partir do processo de 
“criminação-incriminação”.
Michel Misse.
Foto: Sociedade Brasileira de Sociologia.
Catanduvas (PR)
Campo Grande (MS)
Porto Velho (RO)
Mossoró (RN)
Brasília (DF)
Penitenciárias federais do Brasil geridas 
pelo Sistema Penitenciário Federal (SPF)
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
25
Grosso modo, o processo pode ser reduzido a três etapas: 
a policial, que interpreta ou reinterpreta e registra um evento 
como crime (ou contravenção) e indicia seus possíveis autores; 
a etapa judicial inicial, que mantém o registro do evento 
como crime (ou o anula ou arquiva) e acusa formalmente os 
indiciados (ou os libera, quando anulados ou arquivados os 
inquéritos policiais que os acusava); e a etapa judicial final, 
o julgamento, que estabelece a criminação efetiva (para a qual 
haverá possibilidade de recurso e revisão) e estabelece uma 
sentença para o sujeito acusado da ação, o réu (sentença que 
também pode absolvê-lo da acusação e anular a incriminação).
Misse, 1999, p. 136 
Para finalizar a unidade, assista ao vídeo sobre o inquérito policial 
e o processo judicial.
Aponte a 
câmera do seu 
dispositivo móvel 
(smartphone ou 
tablet) para o QR 
Code ao lado e 
assista ao vídeo 
sobre inquérito 
policial e 
processo judicial.
VÍDEO
https://youtu.be/qphPLAbYDCk
MÓDULO 3
UNIDADE 3
OS DESAFIOS DO 
SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA E 
JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
27
UNIDADE 3 
OS DESAFIOS DO 
SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA E 
JUSTIÇA CRIMINAL NO BRASIL 
Como vimos na unidade anterior, o funcionamento do sistema de 
segurança pública e justiça criminal brasileiro envolve uma série de 
instituições, com distintas abrangências e competências. Esse quadro, 
somado a uma série de questões históricas, sociais e culturais do país, 
culmina em uma série de desafios a serem enfrentados nesta área. 
Nesta unidade apresentaremos alguns deles.
3.1 Superposição de esforços e conflitos 
entre as instituições policiais e judiciais
Na unidade anterior, vimos de maneira sintética que o sistema de 
segurança pública e justiça criminal brasileiro envolve uma série 
de atores e instituições, com distintas atribuições e abrangências. 
Parte considerável da estrutura das polícias é regida pelo artigo 144 
da Constituição, que advém do Código Penal de 1940. Essa estru-
tura não teve alterações significativas desde então, mesmo após a 
Constituição de 1988, promulgada após a redemocratização do país. 
Um dos problemas do sistema de segurança pública e justiça criminal 
do Brasil apontado por especialistas é a superposição de esforços ou, 
até mesmo, um conflito de competência entre as instituições policiais 
e judiciais. Um exemplo é a divisão entre o trabalho preventivo-os-
tensivo da Polícia Militar e o trabalho investigativo da Polícia Civil. 
Esse modelo é criticado por autores como Luiz Eduardo Soares (2019). 
Para ele, ao impedir que a maior força policial e a que está mais próxima 
das ruas seja capaz de investigar, acabamos dificultando a investigação 
de crimes e fazendo com que a maior parte das prisões ocorra em fla-
grante. Esse modo de controle faz com que alguns crimes ingressem mais 
no fluxo do sistema de justiça do que outros. Portanto, torna-se mais 
difícil resolver crimes que demandam maiores esforços investigativos, 
o que contribui para alimentar a sensação de impunidade na sociedade. 
A existência de culturas organizacionais distintas também é outra 
fonte de conflitos entre as polícias. Enquanto a Polícia Civil segue 
uma estrutura mais semelhante à das instituições civis, as Polícias 
Militares têm um vínculo institucional com as Forças Armadas no que 
se refere à estrutura das carreiras, dos regulamentos, dos regimentos 
disciplinares e dos manuais de treinamento. 
Luiz Eduardo Soares.
Foto: Brasil de Fato.
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
28
Para Kant de Lima (2013), um dos grandes desafios das polícias 
brasileiras é a convivência entre saberes tradicionais e éticas cor-
porativas com a carência de protocolos explícitos que regulem o uso 
da força. Esse quadro pode conduzir a uma falta de transparência 
e universalização dos controlesutilizados pelos policiais em suas 
rotinas de trabalho. 
Ainda sobre questões estruturais, as Polícias Civis e as Polícias Mi-
litares são organizadas e possuem competência estadual, o que gera 
disparidades orçamentárias e formativas, além de disparidade no 
controle e na avaliação das atividades das duas polícias. A cooperação 
entre ambas, portanto, se coloca como um grande desafio. 
A Lei nº 13.675/2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança 
Pública (SUSP), mencionada na primeira unidade deste módulo, 
tem como um de seus principais objetivos, a partir de uma arquite-
tura uniforme, a aproximação e o funcionamento harmônico dessas 
instituições (Brasil, 2018). Com o SUSP, a competência de promoção 
e garantia da segurança pública continua a ser dos estados, mas a 
União cria as diretrizes para todo o país. Além de instituir o SUSP, 
a lei instituiu o Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social 
(PNSP), que traz metas como a redução dos índices de mortes vio-
lentas e da violência contra a mulher e a atenção aos profissionais 
de segurança pública.
Kant de Lima.
Foto: Academia Brasileira de Ciências.
SAIBA MAIS
O Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social 2021-
2030 está disponível em: https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-
a-informacao/acoes-e-programas/susp/PNSP%202021-2030. 
Os desafios que ocorrem entre as instituições policiais também são 
observados na relação entre essas e as do sistema de justiça. 
Cruz e Jesus (2022) apontaram que, entre tais instituições, ocorre 
um uma percepção de incompreensão mútua. De um lado, existe a 
desconfiança dos atores do Judiciário na habilidade das instituições 
policiais de conduzirem seus trabalhos dentro dos parâmetros pre-
vistos pela lei. Por outro, policiais argumentam que o Judiciário seria 
distante e insensível às complexidades do trabalho policial, seja a 
atuação ostensiva das Polícias Militares, seja o trabalho investigativo 
das Polícias Civis. 
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/susp/PNSP%202021-2030
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/susp/PNSP%202021-2030
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
29
3.2 Altos índices de violência, homicídios 
e letalidade policial
A segurança pública está entre as principais preocupações dos cida-
dãos brasileiros. 
PODCAST TRANSCRITO
O medo de ser vítima de um crime orienta várias das nossas 
atitudes, como os espaços, os horários e as formas de nossa 
circulação pelas cidades. É fato que parte importante dessas 
percepções é moldada pela cobertura dos veículos midiáticos, 
que, muitas vezes, tende a atribuir atenção especial a esse tema. 
Ao mesmo tempo, as estatísticas e, sobretudo, as experiências 
de vitimização de um indivíduo ou de terceiros colaboram na 
manutenção do medo de ser vítima de violência. 
O Brasil, como muitos outros países da América Latina, possui altos 
índices de violência. De acordo com o “Estudo Global Sobre Homicí-
dios” do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, 
2023), a América Latina concentra a maior taxa de homicídios do 
mundo, e o Brasil, uma das maiores da região (21,3 homicídios por 
100.000 habitantes). 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
30
Fonte: Adaptado de UNODC (2023).
As altas taxas de homicídio da região podem ser explicadas por uma 
série de fatores, entre eles, a grande desigualdade que assola os países 
latino-americanos. Para alguns autores, as origens de tal desigualdade 
estariam associadas ao processo de colonização da região, marcado 
por forte exploração e populações escravizadas. 
Há muitos outros fatores apontados por especialistas que se rela-
cionam aos altos índices de violência em países latino-americanos, 
inclusive a insuficiência dos serviços públicos destinados aos mais 
pobres, resquício dos problemas econômicos herdados de governo 
ditatoriais (Leeds, 1998). O tráfico de drogas ilícitas, notadamente a 
cocaína, produzida na América Latina e distribuída para todo o pla-
neta, contribuiu significativamente para o fortalecimento de grupos 
criminosos organizados, tema que será apresentado na próxima seção.
Vítimas de homicídio
a cada 100.000 pessoas
Taxas de homicídio por país ou território em 2021
ou no último ano disponível desde 2016
20 - 52.1
10 - 25
3 – 10
1 – 3
< 1
Sem dado
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
31
É preciso destacar as desigualdades sociais e raciais entre as vítimas 
de violência letal no Brasil. Recorrentes estudos realizados no país 
demonstram como negros (pretos e pardos) são as principais vítimas 
de mortes intencionais, inclusive aquelas perpetradas por policiais. 
O viés racial na atuação das forças policiais é apontado por diversos 
outros estudos, como um publicado recentemente pelo Núcleo de 
Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), 
que concluiu que adolescentes pretos chegam a ser duas vezes mais 
abordados pela polícia do que os adolescentes brancos ou pardos 
(Núcleo de Estudos da Violência, 2023).
3.3 Superlotação das prisões x sentimento 
de impunidade
Outro fenômeno importante no âmbito da segurança pública e da 
justiça criminal é o crescente número de pessoas encarceradas no 
Brasil. Não se trata de um fenômeno isolado, haja vista que, na maior 
parte dos países ocidentais, ainda que em dimensões distintas, 
são observados processos de aumento do encarceramento e o recru-
descimento das penas. Para o teórico David Garland (2008), esse au-
mento foi um reflexo do crescimento da criminalidade e do sentimento 
de insegurança da população das últimas décadas. O uso da pena de 
prisão – e o consequente isolamento de pessoas condenadas – passou 
a ser uma resposta cada vez mais comum para esses problemas. 
Os Estados Unidos se tornaram um símbolo nesse processo conhecido 
por alguns autores como “encarceramento em massa”.
No Brasil, ainda que em dimensões menores do que nos Estados 
Unidos, também houve crescimento expressivo do encarceramento 
nas últimas décadas. Em 1993, de cada 100.000 habitantes, 79 estavam 
privados de liberdade. Em 2023, 30 anos depois, o número de encar-
cerados alcançou 319 para cada 100.000 habitantes (SISDEPEN, 2023).
Fonte: Fórum Brasileiro de 
Segurança Pública (2023).
David Garland.
Foto: The British Academy.
Verbete
Encarceramento em massa: refere-se 
à atual experiência estadunidense de 
encarceramento, que é definida por 
taxas de encarceramento comparativas 
e historicamente extremas e pela 
concentração desproporcional de 
homens negros, jovens e pobres entre 
aqueles que permanecem encarcerados. 
Fonte: Wildeman (2012). 
Mortes associadas à polícia em 2022 no Brasil
6.429 mortes por intervenção policial
13,5% das Mortes Violentas Intencionais (MVI)
161 policiais civis e militares assassinados, em serviço ou de folga
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 | POPULAÇÃO PRISIONAL NO BRASIL EM 2023
POPULAÇÃO PRISIONAL 30/JUNHO 2023 TOTAL
Presos em celas físicas 
Estadual 644.305
649.592
Federal 489
Presos em carceragens de Polícia Civil, Polícia Militar, 
Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Federal
4.798
Pessoas em prisão 
domiciliar
Com monitoramento 
eletrônico
92.894
190.080
Sem monitoramento 
eletrônico
97.186
Fonte: Adaptado de SISDEPEN (2023). Apesar da criação de diversas unidades prisionais nos últimos anos, 
as vagas existentes não são suficientes para atender a toda essa po-
pulação prisional. Somente em 2023, o déficit de vagas foi de 166.7 
mil vagas (SISDEPEN, 2023). Em consequência disso, a maioria das 
prisões brasileiras está superlotada e em condições inadequadas. 
Ao mesmo tempo que o país encarcera um número cada vez maior 
de pessoas, existe na sociedade brasileira um forte sentimento de 
impunidade, sustentado por percepçõesamplamente compartilhadas, 
tais como: “a polícia prende, a Justiça solta”, “no Brasil o crime 
compensa”, entre outras. 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
33
Para pensar
O que os estudos realizados no país têm demonstrado é que 
as taxas de impunidade são mais elevadas para os crimes 
violentos, que são os que demandam maiores esforços de 
investigação. Nesse sentido, os crimes que são registrados 
em flagrante possuem maiores chances de seguirem o fluxo 
processual até a condenação. 
É possível identificar esse padrão quando se observam os tipos penais 
que mais encarceram no Brasil, que são os crimes contra o patrimônio 
ou os associados à Lei de Drogas, especialmente o tráfico.
 | PRINCIPAIS INCIDÊNCIAS IDENTIFICADAS ENTRE A POPULAÇÃO PRESA EM 2023 
Total de incidências registradas
682.265
Contra o 
patrimônio
272.437
Lei de Drogas
193.001
Contra a pessoa
110.258
Contra a dignidade 
sexual
41.314
Contra a fé 
 pública 
4.412
Lei Código de 
Trânsito Brasileiro 
3.156
Contra o meio 
ambiente 
326
Genocídio 
24 
Estatuto do 
Desarmamento
31.392
Contra a paz 
pública
12.038
Lei Estatuto 
da Criança e do 
Adolescente
11.081
% do total de 
incidências
39,93%
% do total de 
incidências
28,29%
% do total de 
incidências
16,16%
% do total de 
incidências
6,06%
% do total de 
incidências
0,65%
% do total de 
incidências
0,46%
% do total de 
incidências
0,05%
% do total de 
incidências
0,00%
% do total de 
incidências
4,60%
% do total de 
incidências
1,76%
% do total de 
incidências
1,62%
Fonte: Adaptado de SISDEPEN (2023).
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
34
3.4 Ascensão dos grupos criminosos 
organizados
A partir das décadas de 1970 e 1980 novos desafios começam a surgir 
no campo da segurança pública, com o crescimento de facções cri-
minosas que se articulam principalmente em torno do narcotráfico. 
A explicação para o surgimento e as dinâmicas de funcionamento 
dessas facções é complexa e já há uma ampla literatura sobre esse 
tema que você pode consultar, como Zaluar (1994), Fraga (2010), 
Feltran (2018), Misse (2023), entre outros. 
Um ponto em comum de todas as pesquisas é a 
observação de que a origem dessas facções, pelo menos 
das duas mais conhecidas, foi o sistema prisional. 
O Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando 
da Capital (PCC), em São Paulo, se constituíram a partir dos presídios, 
tanto como uma maneira de gerir de maneira mais eficaz a convi-
vência entre os encarcerados quanto como uma forma de reivindicar 
melhores condições nas prisões. 
Ao mesmo tempo, essa percepção de impunidade tem sido bastante 
danosa para nossa sociedade. Ela tem como reflexo o descrédito na 
legitimidade e na eficácia das instituições em lidarem com o crime, 
o que pode gerar não apenas falta de cooperação com as instituições 
policiais e judiciais mas também o incremento de mecanismos pri-
vados de segurança ou de gestão de conflitos.
SAIBA MAIS
A percepção de impunidade penal na população e a sua 
relação com o funcionamento do fluxo do sistema de 
segurança pública e justiça criminal tem sido objeto de 
pesquisa na área da segurança pública. Na matéria intitulada 
“A justiça da impunidade”, publicada pela Revista FAPESP, 
você poderá conhecer de forma sintética alguns dos resultados 
de pesquisa sobre esse tema, disponível em: 
https://revistapesquisa.fapesp.br/a-justica-da-impunidade/. 
https://revistapesquisa.fapesp.br/a-justica-da-impunidade/
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
35
Foto: © [Gláucio Dettmar] | Ag. CNJ/ 
Senado Notícias.
Os encarcerados, oriundos predominantemente dos estratos mais 
pobres, encontram, nos presídios, uma condição de vida extremamente 
precária. Entretanto, o crescente recrutamento, desde os anos 1970, 
de jovens pobres pelo lucrativo mercado do narcotráfico está relacio-
nado às poucas oportunidades para um contingente pobre, com baixa 
escolaridade e socialmente discriminado. O sociólogo Michel Misse 
denominou esse processo social de “acumulação social da violência”.
Aponte a câmera 
do seu dispositivo 
móvel (smartphone 
ou tablet) para o 
QR Code ao lado 
e assista ao vídeo 
sobre a acumulação 
social da violência.
VÍDEO
É como se alguns fatores sociais se alimentassem 
reciprocamente em uma causação circular acumulativa, 
gerando, de um lado, acumulação de desvantagens para um 
segmento da população e, de outro, estratégias aquisitivas 
partilhadas tanto por agentes criminais quanto por agentes 
encarregados de reprimi-los, de um modo que ganhou 
diferentes graus de legitimação em importantes camadas da 
sociedade mais abrangente.
Misse, 2010, p. 18 
https://youtu.be/HDuJbz0gj44
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Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
36
Os grupos criminosos organizados exploram a venda de merca-
dorias ilegais, tais como jogos de azar, armas, drogas e proteção. 
Para comercializar essas mercadorias ilegalmente, é necessária uma 
complexa rede de divisão de tarefas, conhecimento das estruturas 
de poder, amplo emprego de mão de obra e acordos ilegais com 
agentes públicos, entre outros. Além disso, conforme apontam 
Jacqueline Muniz e Camila Dias (2022), por vezes a regulação desse 
mercado envolve a construção violenta de monopólios, como uma 
tentativa de eliminar disputas e concorrências. Essa violência recai 
principalmente nos moradores das áreas que estão diariamente 
sujeitos ao exercício desses poderes e suas consequentes disputas, 
inclusive com as forças policiais. 
Em um país no qual os grupos criminosos se proliferam e diver-
sificam sua atuação, adotando novas práticas, comercializando 
novas mercadorias ilegais e complexificando suas redes de poder, 
encontrar formas de desestruturá-los é uma tarefa urgente para 
as políticas de segurança pública e justiça criminal.
Jaqueline Muniz.
Foto: © [Analice Paron] | Agência O Globo.
Camila Dias.
Foto: NEV/USP.
Aponte a 
câmera do seu 
dispositivo móvel 
(smartphone ou 
tablet) para o QR 
Code ao lado e 
assista ao vídeo 
de animação a 
respeito desses 
grupos!
VÍDEO
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre as facções criminosas, confira 
a edição especial do Anuário Brasileiro de Segurança 
Pública de 2022, que apresenta um mapeamento das 
facções ligadas ao narcotráfico com uma lista de 53 delas 
espalhadas por todo o país. Confira o mapa na página 11, 
disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/
uploads/2022/07/anuario-2022-ed-especial.pdf. 
https://youtu.be/JslvoSq74h4
https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/07/anuario-2022-ed-especial.pdf
https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/07/anuario-2022-ed-especial.pdf
MÓDULO 3
UNIDADE 4
OS IMPACTOS DA LEI DE DROGAS NO BRASIL 
SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
38
UNIDADE 4 
OS IMPACTOS DA LEI DE DROGAS NO 
BRASIL SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA 
Quando analisamos os impactos da Lei de Drogas sobre a segurança 
pública brasileira, percebemos a reprodução de diversos desafios 
apontados na unidade anterior. 
Uma pesquisa realizada em 2023 pelo IPEA e pela SENAD demons-
trou que, nos tribunais estaduais, 84% dos processos por tráfico 
de drogas não tiveram origem em investigações anteriores ao fla-
grante, diferente do que ocorre nos tribunais federais, onde cerca de 
44% dos inquéritos mencionam atividades investigativas pretéritas. 
Esses resultados reforçam o ponto que debatemos nas unidades an-
teriores, que é a preponderância da prisão em flagrante nos crimes 
associados ao tráfico de drogas. 
A mesma pesquisa também demonstrou que as Polícias Militares 
foram as forças que realizaram o maior número de flagrantes. Embora 
prisões em flagrante também possam ser realizadas pela Polícia Civilpor meio de processos investigativos, para os autores, esse resultado 
aponta como o modelo de policiamento ostensivo realizado pela Polícia 
Militar é o que predomina no enfrentamento ao tráfico de drogas. 
 | CONDIÇÃO PROFISSIONAL DOS AGENTES RESPONSÁVEIS PELA ABORDAGEM 
OU PELO FLAGRANTE DOS RÉUS – TJS
Registro Número de processos 
individuais (%)
Policial militar 26.885 76,8
Policial civil 6.673 19,1
Agente penitenciário 1.202 3,4
Policial rodoviário federal 657 1,9
Guarda municipal 556 1,6
Verbete
Prisão em flagrante: prisão 
realizada quando o ilícito penal está 
sendo praticado ou logo depois. 
Por ser a única hipótese de prisão 
realizada sem mandado judicial, 
toda a documentação é produzida na 
delegacia de polícia (IDDD, 2013). 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
39
Registro Número de processos 
individuais (%)
Policial federal 325 0,9
Outros 137 0,4
Militar (outras forças) 36 0,1
Segurança privado 29 0,1
Agente socioeducativo 13 0,0
Fonte: Adaptado de IPEA (2023).
Outras pesquisas também têm demonstrado não apenas a centralidade 
do trabalho dos policiais militares nos flagrantes de drogas, mas ainda a 
preponderância da narrativa policial nesses processos. Um desses traba-
lhos foi realizado pela socióloga Maria Gorete Marques de Jesus (2018), 
que analisou os indícios considerados pelos policiais para categorizar 
um caso como tráfico. 
Ela apontou que, diferente de outros crimes, como roubos ou furtos, 
no caso do tráfico de drogas não existe uma pessoa vítima e, portanto, 
as principais testemunhas são os próprios policiais que participaram 
da prisão. Para a autora:
Maria Gorete Marques de Jesus.
Foto: Foto: NEV / USP.
A definição do flagrante vai depender da descrição 
e da classificação realizada pelos policiais. Os fatos 
serão concebidos como um flagrante tendo como base 
aquilo que será narrado pelos policiais. São eles que 
vão dizer se a droga pertencia ou não à pessoa suspeita, 
se a viram vendendo, se houve ‘confissão informal’, 
se viram a pessoa descartando a droga, entre outras 
narrativas consideradas relevantes para o caso ser 
recepcionado como um flagrante de drogas.
Jesus, 2018, p. 81 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
40
A partir de entrevistas, a autora destacou elementos que os policiais 
consideram relevantes para classificar os casos como uso ou tráfico. 
Veja alguns a seguir.
Tipos de drogas apreendidas
Presença/ausência de dinheiro
Antecedentes criminais
Local do flagrante
Quantidade da droga apreendida
A forma como a droga está dividida
 | ELEMENTOS UTILIZADOS PELOS POLICIAIS PARA 
CLASSIFICAÇÃO DE UM CASO COMO TRÁFICO 
Fonte: Adaptado de Jesus (2018).
A pesquisa da autora demonstra ainda como os fatos apontados pela 
Polícia Militar no momento do flagrante e reproduzidos pela Polícia 
Civil na elaboração do inquérito policial costumam ser as únicas ou 
as principais provas utilizadas tanto na fase investigativa quanto na 
fase judicial dos processos de tráfico de drogas. 
Outro tema recorrentemente associado à Lei de Drogas é o seu papel 
no aumento do encarceramento no país. Apesar de a mudança na 
lei, em 2006, ter como foco a retirada da pena de prisão para os 
usuários, ela também redundou no aumento das prisões por trá-
fico de drogas. Conforme aponta Rodrigues (2012) com dados da 
época advindos do Ministério da Justiça, em junho de 2007, no pri-
meiro ano de aplicação da lei, havia 63.269 pessoas cumprindo pena 
por crimes relacionados ao tráfico de drogas. Quatro anos depois, 
em junho de 2011, esse número saltou para 117.143. Outro levantamento 
realizado pelo G1, em 2017, apontou uma trajetória de crescimento 
das prisões por tráfico de drogas.
Aponte a câmera 
do seu dispositivo 
móvel (smartphone 
ou tablet) para o 
QR Code ao lado e 
assista ao vídeo de 
animação sobre a 
relação da polícia 
e a classificação de 
casos como tráfico.
VÍDEO
https://youtu.be/lEmUen3qnFk
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
41
Fonte: Adaptado de Portal G1 (2017).
Presos por tráfico de drogas
2005 2006
45.133
62.494
100.648
138.366
182.779*
2007 2010 2013 2017
Entrada em vigor
da Lei de Drogas
out.2006
representam
32,6%
dos presos
no país
31.520
representam
8,7% 
dos presos
no país
*Sem dados de AL, BA, PE, PI e RJ
Apesar do aumento das prisões por tráfico de drogas, o que as pesquisas 
realizadas em distintos contextos brasileiros têm demonstrado é que 
as prisões em flagrante têm atingido mais os pequenos traficantes.
PODCAST TRANSCRITO
Esses pequenos traficantes portavam quantidade relativamente 
pequena de drogas e não estavam armados (Boiteux et al., 
2009; Jesus et al., 2011). Ou seja, a maior parte das penas 
de prisão por tráfico de drogas não atinge diretamente o 
funcionamento desse mercado, nem a disponibilidade de drogas 
ilegais, haja vista a substituição imediata dessas pessoas na 
cadeia de distribuição. 
 
Além disso, essas pesquisas apontam que determinadas 
características podem aumentar a chance de os indivíduos serem 
categorizados como traficantes, entre elas, se o local onde 
foi realizado o flagrante é considerado uma área de venda de 
drogas, a cor da pele do suspeito e o nível de escolaridade, entre 
outras. Esse resultado sugere a reprodução de uma seletividade 
específica nos processos por tráfico de drogas, composto 
principalmente por jovens, pobres, negros e moradores de áreas 
periféricas (Jesus, 2018). 
Curso COMPASSO 
Módulo 3 - As políticas de drogas no Brasil e as políticas de segurança pública 
42
Outro reflexo da lei apontado por pesquisadores está relacionado à 
atuação dos policiais no decorrer de um flagrante, especialmente 
em casos de uso de drogas. Se, por um lado, os operadores do Judi-
ciário recuaram sua atuação em relação ao “uso e posse” de drogas; 
por outro, os de segurança pública, em seu trabalho cotidiano de 
abordagens na rua, tornaram-se os principais atores na administração 
dessas infrações. Nesse sentido, se intensificaram as negociações 
informais dos encaminhamentos ou não de usuários e usuárias para 
as delegacias (Grillo; Policarpo; Verissimo, 2011).
Em síntese, podemos concluir que o tráfico de drogas, não obstante 
responda por parte considerável do crescente encarceramento, con-
tinua sendo um dos principais problemas de segurança pública no 
Brasil, inclusive pelo fato de reproduzir, ou mesmo agravar, condições 
estruturalmente desiguais de nossa sociedade. 
Veja a seguir os principais pontos abordados neste módulo.
Aponte a câmera 
do seu dispositivo 
móvel (smartphone 
ou tablet) para 
o QR Code ao 
lado e assista ao 
vídeo sobre as 
consequências da Lei 
de Drogas na prática.
VÍDEO
SÍNTESE DO MÓDULO
Ao longo deste módulo, pudemos perceber como o 
funcionamento do sistema de segurança pública e 
justiça criminal do país está diretamente relacionado 
à aplicação da lei nos crimes relacionados às drogas. 
Vimos, ainda, como as disputas em torno do mercado 
ilegal de drogas no país têm gerado ou agravado uma 
série de desafios. 
Em relação à atual Lei de Drogas, verificamos como a 
distinção absoluta entre a conduta de “uso e posse” 
e a do “tráfico” de drogas – a primeira sem pena 
de prisão, e a segunda com penas entre as mais 
graves previstas no Código Penal – aprofundou um 
viés desigual na aplicação da lei. Houve redução no 
número de pessoas “enquadradas” como “usuários”, 
mas, ao mesmo tempo, houve aumento do percentual 
do crime de “tráfico” em relação ao total da 
população carcerária, com grande impacto na política 
penitenciária brasileira. Entre os fatores que explicam 
a desigualdade na aplicação da Lei de Drogas, deve-
se considerar o importante viés racial do sistema de 
segurança pública e justiça criminal brasileiro, 
já apontado por diversos estudos. 
Você finalizou o Módulo 3! 
No próximo módulo apresentaremosa estrutura governamental 
responsável pela coordenação das políticas sobre drogas no Brasil.
https://youtu.be/9lTzZ7RxmcM
43
REFERÊNCIAS
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M I N I S T É R I O D A
J U S T I Ç A E
S E G U R A N Ç A P Ú B L I C A
REALIZAÇÃO
	aPRESENTAÇÃO
	unidade 1
A atual Lei de Drogas brasileira
	unidade 2
O funcionamento do sistema de segurança pública e justiça criminal no Brasil 
	unidade 3
Os desafios do sistema de segurança pública e justiça criminal no Brasil 
	3.1 Superposição de esforços e conflitos entre as instituições policiais e judiciais
	3.2 Altos índices de violência, homicídios 
e letalidade policial
	3.3 Superlotação das prisões x sentimento de impunidade
	3.4 Ascensão dos grupos criminosos organizados
	unidade 4
Os impactos da Lei de Drogas no Brasil sobre a segurança pública 
	Referências

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