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Recursos, vantagem comparativa e distribuição de renda: o Modelo de Heckscher-Ohlin. ▪ Entender como as diferenças de recursos geram um padrão específico de comércio. ▪ Discutir por que os ganhos do comércio não se estendem igualmente em longo prazo e identificar os prováveis ganhadores e perdedores. ▪ Compreender as possíveis ligações entre o aumento das trocas comerciais e a crescente desigualdade de salários no mundo desenvolvido. ▪ Ver como os padrões de comércio empíricos e os preços dos fatores apoiam algumas (mas não todas) predições da teoria das proporções dos fatores. • Embora o comércio seja em parte explicado pelas diferenças na produtividade do trabalho, também pode ser explicado pelas diferenças nos recursos entre os países. • Segundo a teoria de Heckscher-Ohlin, as diferenças em: i. força de trabalho, ii. qualificações, iii. capital físico, iv. capital e outros fatores de produção entre os países geram diferenças produtivas que explicam por que o comércio ocorre. •Os países possuem uma abundância relativa de fatores de produção. •Os processos produtivos usam fatores de produção com intensidade relativa. Modelo de dois fatores de Heckscher-Ohlin Premissas i. O trabalho e capital constituem recursos importantes para a produção. ii. A quantidade de trabalho e capital varia entre os países e essa variação afeta a produtividade. iii. A oferta de trabalho e capital em cada país é constante. iv. Somente dois bens são importantes para produção e consumo: tecidos e alimentos. v. A concorrência permite que: • os fatores de produção sejam remunerados com um salário ‘competitivo’, em função de suas produtividades e do preço do bem que produzem; • e que os fatores sejam utilizados na indústria que pagar melhor. vi. Somente dois países são modelados: a) o Local; b) e o Estrangeiro. Possibilidades de produção • Quando há mais de um fator de produção: i. o custo de oportunidade da produção não é mais constante; ii. e a Fronteira de Possibilidade de Produção não se configura mais como uma linha reta. iii. Por quê? • Tanto tecidos quanto alimentos são produzidos usando o capital e a mão de obra. Logo: • Definimos as seguintes expressões que estão relacionadas com as duas tecnologias de produção: ▪ aKT = capital usado para produzir uma jarda de tecido; ▪ aLT = mão de obra usada para produzir uma jarda de tecido; ▪ aKA = capital usado para produzir uma caloria de alimento; ▪ aLA = mão de obra usada para produzir uma caloria de alimento • As possibilidades de produção são influenciadas por ambos, capital e trabalho (necessidades): akAQA + akTQT ≤ K aLAQA + aLTQT ≤ L Quantidade total de recursos de CapitalCapital necessário para cada unidade de produção de alimento Total de unidades de produção de alimento Capital necessário para cada unidade de fabricação de tecido Total de unidades de fabricação de tecido Quantidade total de recursos do trabalho Trabalho necessário para cada unidade de produção de alimento Trabalho necessário para cada unidade de fabricação de tecido Total de unidades de produção de alimento Total de unidades de fabricação de tecido •Vamos admitir que: • cada unidade de produção de tecido usa intensivamente o trabalho; • e cada unidade de produção de alimento usa intensivamente capital: • aLT /akT > aLA/akA ou aLT /aLA > akT/akA Considerando os recursos totais usados em cada indústria podemos afirmar que: i. a produção de tecido é intensiva em trabalho; ii. enquanto a de alimento é intensiva em capital, se: LT /TT > LA /TA. •Essa premissa influencia à inclinação da fronteira de possibilidades de produção: • Em geral, essas escolhas dependem dos preços dos fatores para mão de obra e capital. • Vamos primeiro examinar um caso especial em que há apenas uma maneira de produzir cada mercadoria. • Considere o seguinte exemplo numérico: i. a produção de uma jarda do tecido requer uma combinação de duas trabalho-horas e duas máquina-horas. ii. A produção de alimentos é mais automatizada. • Então, a produção de uma caloria de alimento requer apenas uma trabalho-hora junto com três máquina-horas. • Assim, todos os requisitos de entrada unitários são fixos no: akT = 2; aLT = 2; akA = 3; aLA = 1; • e não há nenhuma possibilidade de substituição da mão de obra pelo capital, ou vice-versa. • Suponha que uma economia seja dotada de: • 3.000 unidades de máquina-horas; • e 2.000 unidades de trabalho-horas. • Neste caso especial, sem substituição dos fatores de produção, a fronteira de possibilidade de produção da economia pode ser derivada usando essas contenções de dois recursos para o capital e a mão de obra. • A produção de QT jardas de tecido requer: a. 2QT = aKT × QT máquina-horas; b. 2QT = aLT × QT trabalho-horas. • Da mesma forma, a produção de QA calorias de alimentos requer: a. 3QA = akA × QA máquina-horas; b. 1QA = aLA× QA trabalho-horas. • O total de máquina-horas utilizadas para a produção de tecido e alimentos não pode exceder a oferta total de capital: akT × QT + akA × QA ≤ 3.000 • Essa é a restrição de recursos para o capital. • Da mesma forma, a restrição de recursos para a mão de obra afirma que as trabalho-horas totais utilizadas na produção não podem exceder a oferta total de mão de obra: aLT × QT + aLA× QA ≤ 2.000 A Figura mostra as implicações das equações e para as possibilidades de produção em nosso exemplo numérico. Cada restrição de recurso é desenhada da mesma forma que traçamos a linha de possibilidade de produção para o caso ricardiano. Neste caso, no entanto, a economia deve produzir ambos os fatores restritivos, então a fronteira. • Se o capital não pode ser substituído pela mão de obra, ou vice-versa, a fronteira de possibilidade de produção no modelo fator-proporções seria definida por duas restrições de recursos: a economia não pode usar mais do que a oferta de mão de obra (2.000 horas de mão de obra) ou capital (3.000 maquinas horas) disponíveis. • Então, a fronteira de possibilidade de produção e definida pela linha pontilhada nesta figura. • No ponto 1, a economia é especializada na produção de alimentos, e nem todas as horas de mão de obra disponíveis são empregadas. • No ponto 2, a economia e especializada na produção de tecidos, e nem todas as horas de mão de obra disponíveis são empregadas. • No ponto 3 de produção, a economia emprega toda a sua mão de obra e recursos de capital. • A característica importante nesta fronteira de possibilidade de produção e que o custo de oportunidade de tecidos em termos de alimentos não é constante. • Ele sobe de 2/3 para 2 quando o mix de produção da economia desloca -se em direção ao tecido. • O custo de oportunidade de produção tecido em relação a alimento não é constante nesse modelo: i. é baixo quando a economia produz uma baixa quantidade de tecido e uma alta quantidade de alimento ii. é alto quando a economia produz uma alta quantidade de tecido e uma baixa quantidade de alimento • Por quê? • Porque, quando a economia dedica todos os recursos à produção de um único bem, a produtividade marginal desses recursos tende a ser baixa de modo que o custo (de oportunidade) de produção tende a ser alto. • Nesse caso, alguns dos recursos poderiam ser usados de forma mais eficaz na produção de outro bem. • Nas equações anteriores de FP não permitem a substituição de capital por trabalho na produção ou vice-versa, assim: • as necessidades unitárias de fator são constantes ao longo de cada segmento de linha da PF. • Se os produtores podem substituir um insumo por outro no processo de produção, a FP torna-se curva. • Por exemplo, muitos trabalhadores poderiam produzir com uma pequena porção de capital ou poucos trabalhadores poderiam cultivar uma grande porção de capital para produzir a mesma quantidade de produção. • As necessidades unitárias de fator podem variar a cada quantidade de tecido e alimento que possa ser produzida. A fronteira de possibilidade de produção com substituição dos fatores • Se o capitalpode ser substituído pela mão de obra, e vice -versa, a fronteira de possibilidade de produção já não tem uma torção. • Mas continua a ser verdade que o custo de oportunidade de tecido em termos de alimentos aumenta conforme o mix de produção da economia se desvia em direção ao tecido e afasta -se de alimentos. // Combinações de insumos que produzem uma caloria de alimento Insumo capital por unidade, aKA , em capital por caloria Insumo trabalho por unidade, aLA , em horas por caloria Possibilidades de insumos na produção de alimentos O modelo de uma economia com dois fatores Um agricultor pode produzir uma caloria de alimento com menos capital e usar mais trabalho Produção e preços • A fronteira de possibilidades de produção descreve o que uma economia pode produzir, mas para determinar o que a economia realmente produz devemos determinar o preço dos bens. • Em geral, a economia deve produzir no ponto que maximize o valor da produção, V: V = PTQT + PAQA • onde PT é o preço do tecido e PA, o preço do alimento. •Defina uma linha de isovalor como uma linha que representa um valor constante de produção, V. •V = PTQT + PAQA •PTQT = V – PAQA •QA = V/PA – (PT /PA)QT •A inclinação de uma linha de isovalor é – (PT /PA). •Dados os preços de produção, um ponto em uma linha de isovalor representa o valor máximo de produção, digamos em um ponto Q. •Nesse ponto, a inclinação da PF equivale a – (PT /PA), portanto o custo de oportunidade de tecido em termos de aliemnto equivale ao preço relativo de tecido. •Em outras palavras, a compensação na produção equivale à compensação de acordo com os preços de mercado. Preços de fatores, preços de produção e níveis de fatores de produção • Os produtores podem escolher diferentes quantidades de fatores de produção usados para fabricar tecido ou produzir alimento. • A escolha depende; • do índice salarial, w, • e do custo (de oportunidade) de utilização de capital, que é: • o índice r (o qual a capital pode ser alugado a outros ou de outros). • À medida que o índice salarial (w) aumenta em relação à taxa r de renda de capital, os produtores passam a desejar: • usar menos trabalho e mais capital na produção de alimento ou fabricação de tecido. • Lembre-se que a produção de alimento é intensiva em capital enquanto a fabricação de tecido é intensiva em trabalho. • Intensidade de fatores • Em um mundo de dois bens (roupas e alimentos); • e dois fatores (trabalho e capital); • a produção de alimentos é Capital-intensivo se: • em qualquer razão dada salário–renda do capital, a relação capital-trabalho usada na produção de alimentos é maior que a usada na produção de tecidos: KA/LA > KT/ LT • Exemplo: • se a produção de alimentos usa 80 trabalhadores e 200 unidades de capital, • enquanto a produção de tecidos emprega 20 trabalhadores e 20 unidades de capital, então: • a produção de alimentos é capital-intensiva; • e a produção de tecidos é trabalho-intensiva. •Em mercados competitivos: i. o preço de um bem deve ser reduzido ao custo de produção; ii. e o custo de produção depende do salário (w) e da taxa de renda do capital (r), logo: a. O efeito das variações no salário depende da intensidade do trabalho na produção. b. O efeito das variações na taxa de renda da capital depende da intensidade do uso das capital na produção. •Um aumento na taxa de renda da capital deve afetar o preço do alimento mais do que o do tecido, já que o alimento é uma atividade intensiva em capital. •Sob forte concorrência, as variações em w/r estão, diretamente relacionadas com as variações em PT /PA. • Em cada setor, a proporção de mão de obra para capital utilizado na produção depende do custo da mão de obra em relação ao custo do capital, w /r. • A curva AA mostra as opções de proporção trablho-capital na produção de alimentos, enquanto a curva TT mostra as escolhas correspondentes na produção de tecido. • Em qualquer proporção de salario-aluguel determinada, a produção de tecido usa uma maior taxa de trabalho-capital. • Quando este for o caso, dizemos que: i. a produção de tecido é trabalho-intensiva; ii. e que a produção de alimentos é capital -intensiva. Preços dos fatores e opções de entrada SS Preço relativo de tecidos, PT / PA Razão salário–renda da capital, w / r Preço de fatores e preços de bens capital-intensiva • Temos uma relação entre os preços de insumos (fatores) e os preços de produção e os níveis de fatores usados na produção: • Teorema de Stolper-Samuelson: se o preço relativo de um bem aumenta, o salário real ou a taxa de renda da capital do fator usado intensivamente na produção desse bem aumenta, enquanto o salário real ou a taxa de de renda da capital do outro fator diminui. • Sob forte concorrência, o salário real/taxa de capital (w/r) é igual à produtividade marginal do fator. • A produtividade marginal de um fator caracteriza-se por diminuir à medida que esse fator usado na produção aumenta. AA TT SS Proporção Mão de obra-capital (L/K) Preço relativo do tecido, PT/PA Razão Salário-aluguel, w/r (PT/PA)1 (LA/KA)1(LA/KA)2 (LT/KT)1 (LT/KT)2 (w/r)2 (w/r)1 Crescente Crescente Dos preços dos fatores às escolhas de insumos (PT/PA)2 • Dado o preço relativo do tecido (PT /PA )1, a proporção entre a taxa salarial e a taxa de aluguel de capital deve ser igual (w /r)1. • Essa proporção de salario -aluguel então implica que as relações de mão de obra para o capital empregado na produção de tecido e alimentos devem ser, respectivamente, (LT /KT )1 e (LA /KA )1 • Se o preço relativo do tecido sobe para (PT /PA)2, a proporção de salario -aluguel deve crescer para (w /r)2. • Isso fara com que a proporção mão de obra -capital utilizada na produção de ambas as mercadorias caia. • Temos uma teoria que prevê mudanças na distribuição de renda, quando o preço relativo de bens varia, digamos, devido ao comércio, onde: •Prevê-se que um aumento no preço relativo de tecido, PT /PA: i. aumenta a renda dos trabalhadores em relação à dos proprietários de capital, w/r. ii. aumenta a razão capital/trabalho (K/L), usada em ambas as atividades, iii. aumenta a produtividade marginal do trabalho em ambas as atividades iv. e reduz a produtividade marginal do capital em ambas as atividades. •Aumenta a renda real dos trabalhadores e reduz a renda real dos proprietários de capital. Preços de fatores, preços de produção, níveis de fatores e níveis de produção LA KA LT KT Mão-de-obra usada na produção de alimentos Mão-de-obra utilizada na produção de tecido OA Crescente Crescente C a p it a l u ti li z a d o n a p ro d u ç ã o d e t e c id o s C a p ita l u tiliz a d a n a p ro d u ç ã o d e a lim e n to s 1 A T OT A alocação de recurso •A alocação de fatores usados na produção determina o nível máximo de produção (na PF). •Representamos a quantidade de fatores utilizados na produção de diferentes bens com o seguinte diagrama: • Os lados da caixa medem as ofertas de trabalho e capital da economia. • Os insumos na produção de tecidos são medidos a partir do canto inferior esquerdo, • e o da produção de alimentos, a partir do canto superior direito. • Dada a razão capital- trabalho na produção de tecidos KT/LT, o emprego de recursos no setor de tecidos deve estar sobre a linha 0T/T, que é desenhada a partir da origem com declividade KT/LT. • Da mesma forma, o emprego de recursos no setor de alimentos deve estar sobre a linha 0AA. • A alocação de recursos pode, portanto, ser lida a partir do ponto 1, onde as linha se interceptam. •Como os níveis de produção mudam quando os recursos da economia mudam? • Se mantivermos constantes os preços de produção enquanto a quantidade de um fator de produção aumenta, a oferta do bem que usa esse fator de forma intensiva aumenta e a oferta do outro diminui. • Essa proposição é denominada de teorema de Rybczynski. • Teorema (efeito) de Rybczynski: • Se um fator de produção (K ou L) aumenta,a oferta do bem que usa esse fator intensivamente aumenta e a oferta do outro bem diminui para quaisquer preços dados. • O inverso também é verdadeiro. T LA2 LT 2 KA 1KT 1 A1 LA1 LT 1 KA 2KT2 1 Um aumento na oferta de capital Mão-de-obra utilizada na produção de alimentos Mão-de-obra utilizada na produção de tecido Crescente Crescente C a p it a l u ti li z a d a n a p ro d u ç ã o d e t e c id o s C a p ita l u tiliz a d a n a p ro d u ç ã o d e a lim e n to A2 OA1 OA2 2 OT Uma oferta maior de capital torna a caixa que representa os recursos mais alta; os recurso alocados na produção de alimentos agora devem ser medidos a partir de 0𝐴 2. Se os preços dos bens permanecem inalterados e devido a isso os preços dos fatores também, a alocação de recursos muda do Ponto 1 para o Ponto 2, com mais capital e mais trabalho destinado a produção de alimentos. A fabricação de tecidos cai, enquanto a produção de alimentos aumenta mais que proporcionalmente ao aumento da oferta de capital. PP1 PP2 Produção de alimentos, QA Produçãode tecidos, QT Inclinação = -PT/PA Inclinação = -PT/PA 2 QA2 QT 2 1 QA1 QT1 Recursos e possibilidades de produção • Prevê-se que uma economia com alta razão capital/trabalho tenha alta produção de alimento em relação ao tecido e baixo preço de alimento em relação ao tecido. • Será relativamente eficiente (terá vantagem comparativa) na produção de alimento. • Será relativamente ineficiente na fabricação de tecido. • Pressupõe-se que uma economia seja relativamente eficiente na produção de bens que são intensivos nos fatores de produção em que o país é relativamente bem dotado. • Uma oferta maior de capital desloca a Fronteira de Possibilidade de Produção 𝑃𝑃1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑃𝑃2 , mas faz isso de forma desproporcional na direção dos alimentos. • O resultado é que, a um preço relativo dos tecidos inalterado (indicado pela declividade ൗ−𝑃𝑇 𝑃𝐴 , a produção de tecidos declina de 𝑄𝑇 1 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑄𝑇 2. O comércio no Modelo de Heckscher-Ohlin • Suponhamos que o país Local tenha uma quantidade abundante de trabalho em relação às capital. • O país Local é abundante em trabalho; • e o Estrangeiro é abundante em capital: L/T > L*/ T* • De modo análogo: • o país Local é escasso em capital; • e o Estrangeiro é escasso em trabalho. • Entretanto, admite-se que os países detenham a mesma tecnologia e as mesmas preferências de consumo. • Como o país Local é abundante em trabalho, será relativamente eficiente na fabricação de tecido porque este é intensivo em trabalho. RD RS RS* 1 2 3 O comércio leva a uma convergência dos preços relativos Preço relativo dos tecidos, PT/PA Quantidade relativa, QT + Q*T QA + Q*A •Como o tecido é um bem intensivo em trabalho, a FP do país permitirá uma razão tecido/alimento mais elevada em relação à FP do país Estrangeiro. •A cada preço relativo, o país Local produzirá uma razão tecido/alimento mais elevada do que o Estrangeiro. •O país Local terá uma oferta relativa de tecido mais alta do que o Estrangeiro. • Na ausência de comércio, o equilíbrio do Local ocorreria no Ponto 1, onde: • a curva de oferta relativa doméstica OR intercepta a curva de demanda relativa DR. • Da mesma forma, o equilíbrio do Estrangeiro ocorrerá no Ponto 3. • O comércio leva a um preço relativo mundial que se situa entre os preços antes do comércio, como no Ponto 2. • Como no modelo ricardiano: • o de Heckscher-Ohlin prevê uma convergência de preços relativos com o comércio. • Com o comércio, considera-se que: • o preço relativo de tecido aumente no país abundante em trabalho (o Local); • e diminua no país escasso em trabalho (o Estrangeiro). • No comércio Local, o aumento no preço relativo de tecido leva a um aumento na produção relativa de tecido e a uma queda no consumo relativo de tecido, então: i. o país Local torna-se exportador de tecido e importador de alimento; ii. o declínio no preço relativo de tecido no país Estrangeiro leva-o a se tornar importador de tecido e exportador de alimento. • Pressupõe-se que uma economia seja relativamente eficiente (possua vantagem comparativa) na produção de bens que são intensivos em seus fatores abundantes de produção. • Pressupõe-se que uma economia exporte bens que sejam intensivos em seus fatores abundantes de produção e importe bens que sejam intensivos em seus fatores escassos de produção. • Essa proposição é denominada Teorema de Heckscher-Ohlin. • Ao longo do tempo, o valor dos bens consumidos é restringido de modo a se igualar ao valor dos bens produzidos por cada país. PT X DT + PA X DA = PT X QT + PA X QA onde DT representa a demanda Local de consumo de tecido e DA representa a demanda Local de consumo de alimento. (DA – QA) = (PT /PA)(QT – DT) Quantidade de exportações Preço das exportações em relação às importações Quantidade de importações (DA – QA) = (PT /PA)(QT – DT) •Esta equação é a restrição orçamentária de uma economia e possui inclinação de – (PT /PA). (DA – QA) – (PT /PA)(QT – DT) = 0 A restrição orçamentária para uma economia que faz comércio Restrição orçamentária (declividade = –PT / PA) Consumo de Tecidos, DT Produção de Tecidos, QT Consumo de alimentos, DA Produção de alimentos, QA Fronteira de possibilidade de produção Q 1T 1 Q 1A • O ponto 1 expressa a produção da economia. • O consumo da economia deve estar ao longo de uma linha que passa pelo ponto 1 e possui uma declividade igual ao negativo do preço relativo de tecido –PT / PA •Note-se que a restrição orçamentária toca a PF: um país pode sempre consumir o que produz. • Entretanto, um país não necessita consumir somente os bens e serviços que produz com comércio. • Exportações e importações podem ser maiores do que zero. •Além disso, um país pode consumir mais de ambos os bens com comércio. Equilíbrio com comércio Q LA Q EA D EAD LA Q ET D ETDL T Importações de alimentos pelo Local Exportações de alimentos pelos Estrangeiro Exportações de tecidos pelo Local Importações de tecidos pelos Estrangeiro QL T Quantidade de tecidos Quantidade de tecidos Quantidade de alimentos Quantidade de alimentos Restrição orçamentária Local Restrição orçamentária Estrangeiro (a) LOCAL (b) ESTRANGEIRO • As importações de alimentos do Local são exatamente igual às exportações do Estrangeiro. • E as importações de tecido do Estrangeiro são exatamente iguais às exportações do Local. O comércio expande as possibilidades de consumo da economia Restrição orçamentária (declividade = – PM / PA) PP Consumo de Tecidos, DT Produção de Tecidos, QT Consumo de alimentos, DA Produção de alimentos, QA Q1 T Q1 A 1 2 • Antes do comércio, a produção e o consumo da economia estavam no ponto 2. • Depois do comércio, a economia pode consumir em qualquer ponto sobre sua restrição orçamentária. • A porção da restrição orçamentária na região azul consiste em escolhas de consumo factíveis depois do comércio, onde; • o consumo de ambos os bens maior que o ponto 2. •Como uma economia poderá consumir mais com comércio, o país como um todo vai se beneficiar. •Mas alguns não ganham com o comércio, a menos que o modelo propicie uma redistribuição de renda. •O comércio altera os preços relativos dos bens, o que afeta as ganhos relativos de trabalhadores e proprietários de capital. i. Um aumento no preço do tecido aumenta o poder de compra dos trabalhadores locais, mas: • reduz o dos proprietários de capital locais. ii. O modelo pressupõe que os detentores de fatores abundantes ganhem com o comércio, mas: • os detentores de fatores escassos perdem. Equalização dos preços de fatores • Como o modelo ricardiano, o de Heckscher-Ohlin prevê que os preços de insumos (fatores) serão equalizados entre os países que fazem comércio, logo: a. Como os preços de produção relativos são equalizados e devido à relação direta entre os preços de produção e os preços de fatores,estes também serão equalizados. b. O comércio aumenta a demanda por bens produzidos por fatores abundantes, indiretamente aumentando a demanda pelos próprios fatores abundantes e elevando seus preços entre os países. • Os preços de fatores não são realmente iguais entre os países? Por quê? i. O modelo pressupõe que os países que fazem comércio produzem os mesmos bens, de modo que os preços desses bens vão se equalizar, mas eles podem produzir bens diferentes. ii. O modelo também pressupõe que os países que fazem comércio detêm a mesma tecnologia, mas diferentes tecnologias podem afetar as produtividades dos fatores e, por conseguinte, os salários/as taxas pagas a esses fatores. iii. O modelo também ignora as barreiras comerciais e os custos de transporte, que podem impedir a equalização dos preços de produção e de fatores. iv. O modelo pressupõe resultados de longo prazo, mas, após uma economia liberalizar o comércio, os fatores de produção podem não se transferir rapidamente aos setores que usam de forma intensiva os fatores abundantes. • No curto prazo, a produtividade dos fatores serão determinados pelo uso em sua atividade corrente, de modo que salários/taxas podem variar entre os países. O comércio intensifica a desigualdade de renda? • Nos últimos 40 anos, países como Coreia do Sul, México e China exportaram para os Estados Unidos bens intensivos em trabalho não qualificado (como vestuário, calçados, brinquedos, bens montados). • Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda aumentou no país, visto que os salários dos trabalhadores não qualificados crescem lentamente em relação aos dos qualificados. • A tendência anterior provocou a posterior? • O modelo de Heckscher-Ohlin pressupõe que os detentores de fatores abundantes ganham com o comércio enquanto os de fatores escassos perdem. • Mas há poucas evidências que sustentem essa pressuposição. 1. De acordo com o modelo, uma mudança na distribuição de renda ocorre em decorrência de variações nos preços de produção, mas: • não há evidência de uma variação nos preços de bens intensivos em qualificação em relação aos preços dos bens não intensivos em qualificação. 2. De acordo com o modelo, os salários dos trabalhadores não qualificados deve aumentar nos países abundantes em trabalho em relação aos salários do trabalho qualificado, mas em alguns casos o inverso ocorre: • Os salários do trabalho qualificado aumentam mais rapidamente no México do que os do trabalho não qualificado. • Mas em comparação com os Estados Unidos e o Canadá, supõe-se que o México tenha abundância de trabalhadores não qualificados. 3. Mesmo que o modelo esteja estritamente correto, o comércio representa uma pequena parcela da economia norte-americana; portanto, seus efeitos sobre os preços e salários nos Estados Unidos devem ser reduzidos. O comércio e a distribuição de renda • Mudanças na distribuição de renda ocorrem com cada mudança econômica, não só com o comércio internacional, como: i. Mudanças tecnológicas; ii. alterações nas preferências de consumo; iii. esgotamento de recursos e descoberta de novos recursos. • Tudo isso afeta a distribuição de renda. • Os economistas colocam a maior parte da culpa na mudança tecnológica e no ágio resultante pago na educação como a principal causa da crescente desigualdade de renda. • Seria melhor compensar os que perdem com o comércio (ou qualquer mudança econômica) do que proibir o comércio. • A economia como um todo beneficia-se do comércio. • Há um viés político na política comercial: perdedores em potencial do comércio são politicamente mais bem organizados do que os que ganham com o comércio. • Em geral, as perdas concentram-se entre poucos, mas os ganhos costumam dispersar-se entre muitos. • Exemplo: • Cada cidadão norte-americano paga cerca de $8/ano para restringir as importações de açúcar, e o custo total dessa política é de cerca de $2 bilhões/ano. • Os benefícios desse programa totalizam cerca de $1bilhão, mas essa quantia vai para relativamente poucos produtores de açúcar. Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin