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ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA 
CURSO DE BACHARELADO EM TEOLOGIA - EAD
Disciplina:
Antropologia Teológica – Prof. Dr. Pe. Helción Ribeiro
Vivo e moro em Curitiba. Tenho três amores: sou professor, padre e escritor. 
Dou aulas de teologia. Sistemática. Lecionei em Florianópolis, São Paulo e 
Curitiba. Como padre, trabalhei em Lages (SC), Florianópolis e atualmente em 
Curitiba (Paróquia Sagrados Corações de Jesus e Maria). Como autor, publiquei 
vários livros quase todos de Antropologia Teológica. Os principais são: Ensaio 
de antropologia cristã (Vozes); Condição humana e solidariedade cristã (Vozes); 
Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos (Vozes); A realização de nosso 
Deus e a do homem (Loyola); Teologia da religiosidade popular latino-americana 
(Paulus). Também tenho escrito muitos artigos de teologia. No momento estou 
escrevendo outro livro versando sobre o tema Antropologia Teológica. Como 
estudo, fiz graduação de filosofia, pedagogia e teologia. Fiz também mestrado 
e doutorado em missiologia, e pós-doutorado em Antropologia Teológica. Hoje 
sou professor de cristologia, escatologia e, lógico, Antropologia Teológica, no 
Studium Theologicum (Curitiba).
e-mail: helcionribeiro@hotmail.com
ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA 
Guia de Disciplina
Caderno de Referência de Conteúdo
Prof. Dr. Pe. Hélcion Ribeiro.
© Ação Educacional Claretiana, 2010 – Batatais (SP)
Trabalho realizado pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP)
Curso: Bacharelado em Teologia
Disciplina: Antropologia Teológia
Versão: abr./2010
Reitor: Prof. Dr. Pe. Sérgio Ibanor Piva
Vice-Reitor: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Administrativo: Pe. Luiz Claudemir Botteon
Pró-Reitor de Extensão e Ação Comunitária: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Ms. Luís Cláudio de Almeida
Coordenador Geral de EAD: Prof. Artieres Estevão Romeiro
Coordenador do Curso de Bacharelado em Teologia: Prof. Ms. Pe. Vitor Pedro Calixto dos Santos
Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves
Preparação
Aletéia Patrícia de Figueiredo
Aline de Fátima Guedes
Camila Maria Nardi Matos
Carolina Nascimento Raymundini
Dandara Louise Vieira Matavelli
Elaine Aparecida de Lima Moraes
Elaine Cristina de Sousa Goulart
Lidiane Maria Magalini
Luciana A. Mani Adami
Luis Henrique de Souza
Luiz Fernando Trentin
Patrícia Alves Veronez Montera
Rosemeire Cristina Astolphi Buzelli
Simone Rodrigues de Oliveira
Revisão
Felipe Aleixo
Isadora de Castro Penholato
Maiara Andréa Alves
Rodrigo Ferreira Daverni
Vanessa Vergani Machado
Projeto gráfico, diagramação e capa 
Eduardo de Oliveira Azevedo
Joice Cristina Micai 
Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Luis Antônio Guimarães Toloi 
Raphael Fantacini de Oliveira
Renato de Oliveira Violin
Tamires Botta Murakami
Wagner Segato dos Santos
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial 
por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, 
gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco 
de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana.
Centro Universitário Claretiano 
Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo
Batatais SP – CEP 14.300-000
cead@claretiano.edu.br
Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006
www.claretiano.edu.br
SUMÁRIO
GUIA DE DISCIPLINA
1 APRESENTAÇÃO ................................................................................................VII
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA ..........................................................................VII
3 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................ IX
4 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................. IX
5 REFERÊNCIA COMPLEMENTAR ............................................................................. X
CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................... 1
INTRODUÇÃO À DISCIPLINA
AULA PRESENCIAL ............................................................................................ 2
UNIDADE 1 – ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA, QUESTÕES INTRODUTÓRIAS
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 4
2 DIVERSIDADE DA ANTROPOLOGIA E CONCEPÇÕES DE “HOMEM” ............................ 4
3 HISTÓRIA DA ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA .......................................................... 6 
4 IDENTIDADE DA ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA ...................................................... 6
5 ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA OU CRISTÃ? ............................................................ 8
6 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................ 8
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 9
8 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 9
UNIDADE 2 – O SER HUMANO ENTRE CONCEITO, DESCRIÇÕES E 
 COMPARAÇÕES
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 12
2 DESCRIÇÃO CONCEITUAL DE ”HOMEM” ............................................................... 12
3 “A PESSOA” OU O “SER HUMANO” ....................................................................... 13
4 O SER HUMANO ENTRE COMPARAÇÕES ............................................................... 14
5 ANTROPOCENTRISMO ........................................................................................ 15
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 16
7 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 16
UNIDADE 3 – IDENTIFICAÇÃO DO SER HUMANO À LUZ DA REVELAÇÃO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 18
2 IDENTIFICAÇÃO CRISTOLÓGICA DO SER HUMANO ................................................ 18
3 SOMOS “NOVAS” CRIATURAS EM CRISTO ............................................................. 19
3 SOMOS FILHOS DE DEUS EM CRISTO ................................................................. 22
4 FRATERNIDADE UNIVERSAL EM CRISTO .............................................................. 23
5 ANTROPOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO ........................................................... 24
6 A PESSOA HUMANA ........................................................................................... 29
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 30
8 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 31
UNIDADE 4 – DESTINAÇÃO FINAL
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 34
2 DESTINAÇÃO FINAL, VOCAÇÃO HUMANA ............................................................. 34
3 NOSSA VOCAÇÃO TRANSCENDENTE: FILHOS, IRMÃOS E SENHORES ...................... 37
4 NOSSAS VOCAÇÕES HISTÓRICAS ....................................................................... 39
5 CONSIDERAÇÕES ........................................................................................... 41
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 42
7 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 42
UNIDADE 5 – COMPREENSÃO DA ORIGEM HUMANA
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 44
2 CONCEITOS E SIGNIFICADOS DA ORIGEM HUMANA .............................................. 44
2 CRIAÇÃO NA BÍBLIA ..........................................................................................45
4 EXPLICAÇÕES DAS CIÊNCIAS NATURAIS (A EVOLUÇÃO) ........................................ 51
5 LUGAR DE DEUS CRIADOR-SALVADOR NA EVOLUÇÃO ............................................ 52
6 DIGNIDADE DO SER HUMANO ............................................................................ 53
7 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................ 56
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMPLEMENTARES .............................................. 56
9 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 57
UNIDADE 6 – O SER HUMANO E SUA “AUTONOMIA”
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 60
2 QUESTÃO DA UNIDADE E DIMENSÕES DA PESSOA HUMANA .................................. 60
3 O SER HUMANO DIANTE DE DEUS ....................................................................... 61
4 O SER HUMANO “CONTRA” DEUS ....................................................................... 68
5 O SER HUMANO EM SUA AUTONOMIA .................................................................. 74
6 CONSIDERAÇÕES ............................................................................................ 79
7 CONSIDERAÇÕES FINAL .................................................................................... 80
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 81
9 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................... 81
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1 APRESENTAÇÃO
É um prazer encontrar você nesta disciplina Antropologia Teológica, que 
compõe seu curso Bacharelado em Teologia, na modalidade EAD. Seja bem-vindo!
Com esta disciplina, queremos ajudá-lo a criar o hábito de pensar o ser humano 
na sua totalidade, como um ser amado por Deus, feito irmão de todos os outros por meio 
de Jesus Cristo e com uma destinação certa: viver em Deus. 
À medida que você compreender-se a si e aos outros (isto é antropologia), com 
os olhos de Deus (isto é teologia), então será capaz de perceber o valor humano na sua 
real situação, ou seja: qual o significado de cada vida humana, vista por Deus e pelos 
cristãos. Isso lhe dará um referencial muito grande para você sentir-se pessoalmente e 
aos outros, como Deus os quer conhecer e amar. 
A Antropologia Teológica é realmente algo empolgante, sobretudo, se você não 
se limitar à leitura do Caderno de referência de conteúdo. Para valer à pena, convido-o a 
ler as indicações dos outros textos citadas, observar as pessoas (o outro) como Deus as 
observa, e estabelecer critérios de viver e agir, a partir de Jesus Cristo.
Aproveite, pois esta é uma disciplina muito empolgante. Aproveite bem seus 
estudos.
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA
Ementa
Antropologia cristã sobre o ser humano à luz de Cristo. Cotidiano humano: 
construído na grandeza e na fragilidade, entre alegrias, esperanças, pecado e graça. 
Identificação da vida humana só é real (para quem crê) quando lida à luz da revelação, 
a qual percebe a pessoa humana como imagem de Deus, feita nova criatura, em Cristo, 
por sua elevação à filiação divina. De sua vocação última, decorrem os significados da 
liberdade, esperança, graça, história, cultura, pecado, mal etc. Compreensão da origem 
(criação) em Deus na qual fica estabelecida a dignidade e a proeminência humana sobre 
toda a realidade histórica e que a distingue dos outros seres criados, sejam cósmicos, 
espirituais ou do sócio-ambiente. A Antropologia Teológica: como um proprium que nenhum 
outro conhecimento (mesmo nas mais diversas antropologias) pode proporcionar.
Objetivo geral
Os alunos de Antropologia Teológica do curso de Bacharelado em Teologia, 
na modalidade EAD do Claretiano, dado o Sistema Gerenciador de Aprendizagem e suas 
ferramentas, serão capazes de usar critérios teológicos para identificar o ser humano, 
desde suas origens (criação/evolução) até sua destinação final em Deus, ao aprofundar 
questões de sua identidade (filho, irmão e senhor) e a historicidade humana (ser de 
esperança e livre, capaz do bem e do mal e da construção da cultura pelo trabalho). 
Com esse intuito, os alunos contarão com recursos técnico-pedagógicos 
facilitadores de aprendizagem, como Material Didático Mediacional, bibliotecas físicas e 
virtuais, ambiente virtual e acompanhamento do tutor complementado por debates no 
Fórum e na Lista. 
GUIA DE DISCIPLINA
CRC • • • © Antropologia Teológica
Claretiano – BatataisVIII
Bacharelado em Teologia
Versão para impressão econômica
Ao final desta disciplina, de acordo com a proposta orientada pelo tutor, os 
alunos terão condições de interagir com argumentos contundentes, além de dissertar 
com comparações e demonstrações sobre o tema estudado nesta disciplina, elaborar um 
resumo, ou uma síntese, entre outras atividades. Para esse fim, levarão em consideração 
as ideias debatidas na Sala de Aula Virtual, por meio de suas ferramentas, bem como o 
que produziram durante o estudo. 
Objetivos específicos
Precisar o significado da antropóloga teológica.• 
Considerar as verdades da fé sobre o ser humano a partir de novos problemas • 
e novas categorias teológicas.
Identificar o significado teológico do ser humano na criação. • 
Identificar, à luz da fé cristã, o ser humano como filho, irmão e senhor. • 
Estabelecer critérios para compreender questões relativas à criação, a evolução • 
e destinação humana.
Analisar teologicamente a identidade humana, desde a história a cultura e o • 
trabalho.
Elaborar razões teológicas sobre a dignidade humana.• 
Interpretar o significado teológico do “homem novo” em Cristo. • 
Competências, habilidades e atitudes
Ao final deste estudo, os alunos do curso de Bacharelado em Teologia contarão 
com uma sólida base teórica para fundamentar criticamente sua prática profissional. Além 
disso, adquirirão não somente habilidades para cumprir seu papel nesta área do saber, mas 
também para agir com ética e com responsabilidade social, duas atitudes que contribuirão 
para sua formação integral. 
Modalidade
( ) Presencial ( X ) A distância
Duração e carga horária
A carga horária da disciplina Antropologia Teológica é de 60 horas. O 
conteúdo programático para o estudo das seis unidades que a compõe está desenvolvido 
no Caderno de referência de conteúdo, anexo a este Guia de disciplina, e os exercícios 
propostos constam do Caderno de atividades e interatividades (CAI). 
ATENÇÃO! 
É importante que você releia no Guia Acadêmico do seu curso as informações 
referentes à Metodologia e à Forma de Avaliação da disciplina Antropologia 
Teológica, descritas pelo tutor na ferramenta “cronograma” na Sala de Aula 
Virtual – SAV.
 
ATENÇÃO!
O segredo do sucesso em um 
curso na modalidade Educação 
a Distância é PARTICIPAR, ou 
seja, INTERAGIR, procurando 
sempre cooperar e colaborar 
com seus colegas e tutores.
GUIA DE DISCIPLINA
Bacharelado em Teologia
© Antropologia Teológica • • • CRC
Batatais – Claretiano
IX
Versão para impressão econômica
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Neste Guia de disciplina, você teve a possibilidade de encontrar informações 
práticas e orientações para a sua trajetória acadêmica em relação à disciplina Antropologia 
Teológica. Para obter maiores informações sobre a metodologia de ensino e sobre o 
método de avaliação, você poderá consultar o Guia acadêmico.
O próximo passo será conhecer o Caderno de referência do conteúdo. Nele, 
estarão os conteúdos da disciplina em questão, divididos em unidades. Serão conteúdos 
referenciais, que se oferecem com a intenção de facilitar a compreensão da Teologia. 
Sugiro que você leia e estude as indicações complementares. Escreva os textos 
sugeridos remetendo-os no portfólio. Participe dos fóruns e observe-se a si mesmo, aos 
outros para ir identificando a antropologia subjacente que estáem cada um. Comece a 
pensar no outro como alguém à imagem de Deus e seu irmão. 
Aproveite a oportunidade para crescer e ampliar seu conhecimento e sua fé, 
pois disso depende inclusive sua própria realização pessoal.
Por fim, estude, participe e comece a “fazer teologia” também. 
Felicidades!
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA
COMBLIN: Antropologia Cristã. Col. Teologia e Libertação. Petrópolis: Vozes, 1985.
FEINER, Johanner; LOEHRER, Magnus. Mysterium Salutis. Compêndio de Dogmática 
História 
Salvífica. II/3. A história salvífica antes de Cristo 3. Antropologia Teológica. Petrópolis: 
Vozes, 1980.
GARCIA RUBIO, Alfonso. Unidade na pluralidade. O ser humano à luz da fé e da reflexão 
cristã. São Paulo: Paulus, 2001.
GESCHE, Adolphe. O ser humano. São Paulo: Paulinas, 2003.
LADARIA, Luis A. Introdução à antropologia. São Paulo: Loyola, 1998.
RIBEIRO, H. Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos. Antropologia Teológica. 
Petrópolis: Vozes, 2007.
_______. Ensaio de antropologia cristã. Da imagem à semelhança com Deus. Petrópolis: 
Vozes, 1995.
RUIZ DE LA PEÑA, Juan L. O dom de Deus. Antropologia Teológica. Petrópolis: Vozes, 
1995.
 ______. Imagem de Dios. Antropologia Teológica fundamental. Santander: Sal Terrae, 
1988.
GUIA DE DISCIPLINA
CRC • • • © Antropologia Teológica
Claretiano – BatataisX
Bacharelado em Teologia
Versão para impressão econômica
5 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
BRAKEMEYER, Gottfried. O ser humano em busca de identidade. Contribuições para uma 
antropóloga teológica. São Leopoldo: Sinodal. São Paulo: Paulus, 2002.
GRELOT, P. Homem, quem és. São Paulo: Edições Paulinas, 1982.
RIBEIRO, H. Condição humana e solidariedade cristã. Petrópolis: Vozes, 1998.
SEGUNDO, Juan Luis. Que mundo? que homem? que Deus? Aproximações entre ciência, 
filosofia e teologia. São Paulo: Paulinas, 1995.
TENACE, Michelina. Para uma antropologia de comunhão. Da imagem à semelhança. A 
salvação e a divinização. Bauru: São Paulo: Edusc, 2005.
SUSIN, Luiz Carlos. A criação de Deus. São Paulo: Paulinas, Valência/Esp. Siquem, 2003.
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Muito bem-vindo ao estudo da Antropologia Teológica. Nossa disciplina está 
disponível em seu ambiente virtual (SGA-SAV). No Guia da disciplina foi indicado que você 
encontraria neste Caderno de Referência de Conteúdo o referencial teórico, dividido em 
seis unidades de nosso estudo.
O roteiro proposto oportuniza a você construir seus conhecimentos, 
primeiramente, sobre o contexto da própria Antropologia Teológica. Em seguida, ao 
introduzir e aprofundar o conceito de pessoa humana, você se encontrará com ela no 
cotidiano e à luz da revelação cristã. Um problema fundamental hoje, diante das ciências, 
que necessita aprofundamento, é a questão das origens (criação ou evolução). 
A Antropologia Teológica também se preocupa com o sentido de nossa vida 
e destinação final. Por fim, você estudará ainda três grupos de três questões: diante 
de Deus (esperança, liberdade e graça), contra Deus (o mal, o pecado e a morte), e na 
vida (história, cultura e trabalho). Este estudo quer auxiliá-lo a pensar outras questões 
humanas.
Recursos e apoio logístico, além do tutor, estão à sua disposição, a fim de que 
seu estudo seja mais proveitoso e aprofundado. Espero satisfazer suas expectativas e, no 
decorrer do estudo, eu lhe apresentarei algumas provocações.
Participe e estude. Eu lhe desejo boa caminhada!
APRESENTAÇÃO
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AULA PRESENCIAL
Objetivos 
Estabelecer interação com os participantes do curso e • 
com o tutor, tendo em vista o necessário fortalecimento 
do vínculo inicial para a construção do processo de 
aprendizagem na modalidade EAD.
Analisar e discutir os temas explicitados na disciplina • 
Antropologia Teológica.
Conteúdo 
Programa para o desenvolvimento da disciplina.• 
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 1ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA, 
QUESTÕES INTRODUTÓRIAS
Objetivos
Identifi car o “proprium” da Antropologia Teológica.• 
Identifi car as grandes etapas históricas da antropologia.• 
Relacionar Antropologia Teológica e antropologia • 
cristológica.
Conteúdos
Diversidade das antropologias e das concepções de • 
“homem”.
Desenvolvimento da Antropologia Teológica.• 
Identidade da antropologia.• 
Signifi cado da Antropologia Teológica ou cristã. • 
CRC • • • © Antropologia Teológica
Claretiano – Batatais4
Bacharelado em Teologia
Versão para impressão econômica
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO 
Antes de iniciar seu estudo sobre a Antropologia Teológica, você está 
desafiado a responder-me algumas questões:
O quea) você entende por “homem”? Seria melhor perguntar: quem é o 
homem? 
Homem pessoa e ser humano são sinônimos? Ou assinalam alguma b) 
diferença.
Você conhece alguns tipos de estudo de antropologia? De que tipo ou c) 
enfoque? Seria igual à antropologia de um biólogo e de um filósofo? 
A Antropologia cristã é a mesma que a Antropologia Teológica? d) 
 Jesus Cristo foi (é) e) verdadeiro homem, como nós?
Estas questões são importantes para você perceber em que campo esta disciplina 
se move dentro da teologia geral. E, ao mesmo tempo, prepara você para se encontrar 
com o ser humano real, que é também imagem de Deus. 
Nesta unidade, você terá oportunidade de reconhecer a história deste tema, 
delimitá-lo a fim de poder compreender a pessoa humana como ser histórico e como ser 
único, porque é assim que Deus nos vê, através de seu Filho. 
Gostaria de ressaltar um segundo ponto: certamente, você já se deu conta de 
que o ser humano, na verdade, é você, seus pais, seus familiares, seus amigos. São Maria, 
Pedro, José, Ana e outros mais. Cada um com sua história. Porém, para compreendê-los 
melhor, é necessário enquadrá-los num referencial teórico – no caso teológico. E é isto 
que faremos a partir de agora. 
Gostaria que sua atitude permanente fosse à do salmista extasiado: “Senhor, 
quem é o homem, para que dele vos lembreis?” (Sl 8).
 Bom trabalho!
2 DIVERSIDADE DA ANTROPOLOGIA E CONCEPÇÕES DE 
“HOMEM”
RUIZ DE LA PEÑA, Juan L. (1988, p. 9) faz a seguinte descrição do homem:
Mamífero terrestre bípede. Animal racional. Mono desnudo. Carnívoro agressivo. 
Máquina genética programada para a preservação de seus genes. Mecanismo 
homeostático equipado com um ordenador loquaz. Centro auto-programado 
de atividade consciente. Microcosmo alquímico. Paixão inútil. Deus vindouro. 
Modo finito de ser Deus. Imagem de Deus. Há aqui um variado mostruário das 
respostas à questão que o homem é para si mesmo.
Desculpe dizer que sua enumeração poderá alongar-se interminavelmente: tal é 
a fragmentação de paradigmas do ser humano atualmente constatável. Das aqui aduzidas 
se dará cumprida razão neste livro; todas interessam à teologia, à margem de seu maior 
ou menor grau de plausibilidade.
Bacharelado em Teologia
© Antropologia Teológica • • • CRC
Batatais – Claretiano
5
Versão para impressão econômica
UNIDADE 1
Para a fé cristã, a pergunta sobre o ser humano é fundamental. As repostas 
são ainda mais. E quem tem a resposta exata e final? São muitas as pessoas que 
intentam responder. 
Foram as religiões e as filosofias que produziram os primeiros conhecimentos 
para dar uma resposta. Hoje, várias ciências definem o ser humano. Cada uma delas deve 
ter consciência de que sua definição não é uma resposta global, mas, apenas, o seu ponto 
de vista, tendo como referencial o campo de seu conhecimento. 
Assim, para a antropologia cultural, o humano é aquele que produz saberes, 
objetos e comportamentos socioculturais; a antropologia filosófica propõe uma exposição 
sistemática do que o homem deve ser em face do que é. A física ou a biologia o considera 
do ponto de vista biológico, na estrutura somática, nas suas relações com o ambiente, nas 
suas classificações raciais etc. A física, em geral, divide-se em paleontologia (tratando da 
origem e evolução da espécie,a partir de fósseis e da morfologia) e somatologia (trata 
dos aspectos físicos do homem). A arqueologia e a etnologia estudam as duas anteriores, 
desde a cultura antiga. 
A antropologia tem relações com o antropomorfismo (que consiste em 
apresentar-se em forma humana outros seres não-humanos considerados superiores: 
deuses, anjos, animais etc.) e a antroposofia (que indica a doutrina natural do 
conhecimento humano e do destino humano). 
A descrição do ser humano, como você viu, se modifica conforme é usado por 
uma ou outra ciência. Mas, não só. Na história, ele também varia. Veja, por exemplo, 
algo até chocante para nós hoje:
No apogeu do império grego, não se considerava como seres humanos os a) 
escravos e, em certo sentido, também as mulheres e crianças. Estes não 
eram cidadãos.
Entre os romanos, eram considerados bárbaros todos os que não eram b) 
cidadãos do império. 
Durante o império no Brasil, os negros não eram considerados humanos, só c) 
por causa da cor da pele.
No século 15, Paulo III escreveu um documento importante declarando que d) 
os índios também tinham alma. O papa exigiu que espanhóis e portugueses 
os considerassem como seres humanos. 
Certos cientistas, ainda hoje, não querem tratar um embrião humano apenas e) 
como um feixe de moléculas. 
Alguns querem negar a realidade humana de alguns que nascem com grandes f) 
deformações genéticas ou biológicas. 
Algo mais complexo é a questão da dignidade humana – questão que abordaremos 
oportunamente. Veja como são considerados os pobres e os ricos, os das cidades e os do 
meio rural, os analfabetos e os estudados.
A questão do ser humano é importante, pois se trata de uma realidade tão 
rica quanto complexa. Sua compreensão ora avança, ora retrocede conforme 
circunstâncias históricas, culturais ou biográficas. E isso produz uma variedade 
de antropologias diferentes, com visões muito díspares entre si. ATENÇÃO!
Para conhecer mais este tema, 
confira no Documento de 
Puebla os n. 305-315 (2880/8) 
que tratam das diferentes visões 
sobre o homem. 
CRC • • • © Antropologia Teológica
Claretiano – Batatais6
Bacharelado em Teologia
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UNIDADE 1
3 HISTÓRIA DA ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA
A teologia ajudou o cristianismo a compreender o ser humano como pessoa. 
Porém, é necessário compreender a evolução da Antropologia Teológica. 
Breve histórico
O primeiro teólogo a propor uma reflexão sistemática da antropologia foi 
Gregório de Nissa, que em 379 d.C. escreveu o livro do De hominis opificio, baseado 
na história bíblica da criação do homem. Ele aprofundou nesta obra posições bíblicas, 
platônica, neo-platônica e estóica. Introduziu uma série de termos, como: criação, corpo 
e alma, liberdade, mal, inteligência, pensamento e sobrenatural, questões de fisiologia, 
ressurreição, distinção entre homem e mulher, além de outros. 
Muitos Santos Padres abordaram temas isolados e diversificados que hoje 
poderiam estar agrupados na Antropologia Teológica. Entre eles: Orígenes, Irineu, 
Ambrosio, Agostinho. Eles fizeram exegese bíblica da criação, abordaram também o 
pecado (original), a graça e a origem da alma. 
Um esboço importante do esquema da Antropologia Teológica só surgiu na 
Idade Média com Hugo de São Victor. Ele descreve, no De sacramentis christianae fidei, a 
criação do homem (por que e como) e seu pecado, a graça e a redenção humanas. Esta 
obra influenciou muito o estudo de Pedro Lombardo (Sentenças). 
Mais tarde, Santo Tomás de Aquino aprofundou a antropologia na Suma teológica. 
Após ter tratado da criação da alma, do corpo humano, comenta a criação do homem e 
da mulher. Em seguida aborda o “estado original”, a felicidade para a qual fomos feitos e 
os “habitus” bons e maus; inclui antes o pecado dos primeiros pais. A partir daí mistura 
problemas dogmáticos e morais. 
São Boaventura, no Breviloquium, estuda a criação do homem (corpo e espírito), 
em seguida comenta o pecado dos pais e por fim a graça. 
Depois do Concílio de Trento, os estudos antropológicos enfatizam a criação, o 
pecado, a graça (justificação e mérito). Daí ao século 19 estudou-se, sob vários aspectos, 
a unidade de corpo e alma, a natureza e a sobrenatural. 
No século 19, a antropologia apresentava em Manuais escolares (manualística), 
o esquema: criação, pecado e graça. Ao lado disso, começavam a surgir novas idéias que 
abrem um leque teológico maior.
No século 20, a Antropologia Teológica tem-se direcionado crescentemente para 
uma antropologia cristológica e assume novos temas. Passa a ressaltar a história e a 
destinação humana, mais que as questões das origens. 
K. Rahner1, além de outros, consegue dar uma nova direção à antropologia: o 
fundamento cristológico – aprofundado no Concílio Vaticano II.
4 IDENTIDADE DA ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA 
O ser humano é um mistério paradoxal para si mesmo. As diversas antropologias 
científicas são sempre limitadas aos seus campos de estudo. O próprio cristianismo não tem 
(1) “Karl Rahner (1904-1984) 
foi um dos mais importantes e 
dos mais originais teólogos do 
século passado. Influenciou 
decisivamente nos rumos da 
teologia católica, dialogou 
em profundidade com o 
pensamento contemporâneo 
e atuou no Vaticano II desde 
o início, de maneira profunda, 
embora nem sempre bem 
compreendida. A importância 
excessiva que se deu, então, 
às questões eclesiológicas e 
eclesiais o alijou relativamente 
da liderança do movimento 
teológico. Morreu entristecido 
com esse afastamento sutil. 
Mas seu pensamento revive 
hoje de maneira vigorosa, 
pois está centrado em Deus, 
na experiência de Deus. Esta 
sobrevive a todas as modas e 
tendências, mesmo teológicas e 
eclesiais” 
ATENÇÃO!
Você pode aprofundar este 
tema em: LACORTE. Jean. 
Yver. Dicionário critico de 
teologia, verbete “antropologia”, 
p. 149-158; LADARIA, Luiz. F. 
Introdução à AT. p. 16 a 36
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UNIDADE 1
uma única antropologia. E mesmo as antropologias teológicas têm enfoques diferentes, 
apesar de certos temas permanentes. Apesar disso, todas conservam sempre o patrimônio 
da fé; tais como a gratuita criaturidade humana à imagem de Deus, a dignidade humana 
e a escatológica. A diferença se dá conforme os teólogos e suas circunstâncias. Todos têm 
como referência normativa a Bíblia Sagrada e o ensino do Magistério. 
Na Antropologia Teológica, historicamente, predominaram elementos do 
helenismo. Hoje, para responder questões histórico-existenciais, propõem-se novos 
enfoques, que não se atêm exclusivamente aos problemas que a cultura contemporânea 
propõe. As questões fundamentais do ser humano também estão ligadas à vinculação 
profunda e indispensável de Deus encarnado na história. 
A Antropologia Teológica é uma reflexão bíblico-sistemática sobre o ser humano, 
conjugando fé, história e escatologia, à luz da revelação e das exigências atuais do ser 
humano. Ela tem um caráter dialógico e ao mesmo tempo transdisciplinar. Por isso, é feita 
em consonância com outros estudos teológicos, como a liturgia, a teologia dos sacramentos, 
a escatologia, a cristologia etc. Certos temas só podem ser concebidos transversalmente 
na teologia e em outras ciências, como os pertinentes à bioética (clonagem, embriologia), 
à psicologia, à sociologia.
A antropologia para ser teologia deve respeitar sua especificidade. Ela é feita:
partir da fé, da hermenêutica da féa) . Está baseada no logos (conhecimento, 
ciência) e na fé – que implica o modo de agir (no ethos). Por isso ela faz 
um discurso (logos) a partir de Deus (fé). A busca da identidade humana, a 
partir da Antropologia Teológica cristã, transcende a história: Deus é a prova 
do homem e ele foi criado para a felicidade plena - que consiste em viver 
em Deus. 
Nenhuma outra ciência pode discursar sobre estas dimensões, sob pena de 
extrapolarem seu objeto de estudo. A Antropologia Teológica torna-se uma 
palavra (logos)de fé, que a humanidade tem o direito de ouvir e se a teologia 
não o fizer tal discurso quem o fará? Se a Antropologia Teológica não disser 
sua palavra de fé, não ficará empobrecido o próprio ser humano? 
Adolphe Gesché2 aponta três articulações que afirmam o necessário caráter 
peculiar da antropologia: 
há em cada ser humano um caráter inviolável que provém só de Deus; 1) 
nada é inexorável; a fatalidade não é a ultima palavra; a fé considera 2) 
possível o impossível; 
a realidade que se vê não é a realidade toda. Há algo que há de vir. Algo 3) 
no ser humano só se realiza no misterioso horizonte de Deus. 
O específico (proprium) do discurso teológico sobre o ser humano baseia-
se na fé. Quem crê, passa a agir (ethos) em consonância com a fé – que 
fala sobre Deus, sobre o ser humano, sobre o cosmo todo;
mas a disciplina baseia-se, também, na realidade do ser humano: em sua b) 
historicidade e em seu cotidiano. O ser humano, já dissemos, na verdade só 
existe enquanto é João, Maria, Pedro, Ana e outros...
A fé tem sua razoabilidade e deve ser apresentada de modo “sábio” (lógico e c) 
racional. É um “logos” (ciência), mas também fundada em. 
nasceu em 1928 em Bruxelas 
(Bélgica) e aí faleceu em 
2003. Era doutor em Teologia 
e graduado em Filosofia e 
Letras. Além do ministério 
presbiterial, lecionava na 
Faculdade de Teologia da 
Universidade Católica de Louvain 
e foi presidente da Sociedade 
Teológica de Louvain. Dentre 
as associações das quais foi 
membro, estão: a Comissão 
Religião e Teologia no Fundo 
Nacional da Pesquisa Científica 
da Bélgica, a Academia de 
Ciências Religiosas (Bruxelas), 
a Associação Européia de 
Teologia Católica (Tübingen) e a 
Comissão Teológica Internacional 
(Roma)” (http://www.paulinas.
org.br/loja/DetalheAutor.
aspx?idAutor=7162. Acesso: 
mar. 2008).
ATENÇÃO!
Você pode completar este tema 
no livro de Adolphe GESCHÉ: 
O ser humano. São Paulo: 
Paulinas, 2007, p. 29-52. 
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UNIDADE 1
5 ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA OU CRISTÃ?
A disciplina Antropologia Teológica é um discurso lógico (logos), capaz de 
dar as razões da fé. Há uma corrente antiga que fundamenta seus estudos nos textos da 
criação, sobretudo no livro do Gênesis. Surge daí a tradição: Deus o criador é o fundamento 
do ser humano, criado a sua imagem e semelhança. É uma antropóloga descendente.
A expressão Antropologia Teológica foi cunhada por Karl Rahner, em 1957, 
mesmo que no passado os temas desta disciplina estivessem já presentes em outros 
estudos. Depois do Vaticano II, com os textos de M. FLICK; Z. ALZEGHY (Fundamentos 
de uma Antropologia Teológica, 1970) tem-se tentado novas apresentações unitárias e 
sistemáticas de Antropológico Teológica. 
Muitos teólogos – católicos e/ou protestantes – preferem chamá-lo de 
“antropologia cristã” ou até “Antropologia Teológica cristã” por concebê-la a partir de uma 
estruturação cristocêntrica. O Vaticano II deu este princípio: só Jesus verdadeiramente 
revela o ser humano ao próprio ser humano. 
ASPECTOS BÍBLICOS DA Antropologia Teológica
Afi rmações antropológicas da Sagrada 
Escritura
Aspectos antropológicos
1. Defi nições fundamentais sobre o 
homem;
Imagem e semelhança de Deus;
Condição pecadora, chamada à salvação etc.;
2. A Sagrada Escritura como palavra de 
Deus ao homem;
O homem como ser interpelado e como sócio 
em diálogo com Deus; 
3. A Sagrada Escritura como testemunho 
da Palavra de Deus em linguagem humana 
e sobre a base de experiências históricas.
Aprofundamento e transformação da idéia 
que o homem tem de si mesmo através da 
revelação divina. 
ASPECTOS SISTEMÁTICOS DA ANTROPOLOGÍA TEOLÓGICA
Defi nição teológica de homem Afi rmação antropológica
Condição criatural de homem Criatura
Defi nição hamartiológica Pecador
Defi nição sotereológica Redimido por Cristo
Defi nição eclesiológica Membro da Igreja de Cristo
Defi nição escatológica Chamado à vida eterna
6 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade você se debruçou sobre o problema teórico da disciplina 
Antropologia Teológica. Por certo, terá compreendido que o estudo sobre o ser humano e 
Antropologia Teológica são mais complexos que parece à primeira vista. Isso tudo construiu 
uma história intelectual desde Gregório de Nissa e continua hoje. Para fazer Antropologia 
Teológica é necessário um fundamento bíblico-sistemático, a partir da fé e da história. 
Alguns questionam o subtítulo “teológica”, por preferirem uma qualificação mais 
própria do cristianismo. Você concorda com esta última afirmação? Por quê?
ATENÇÃO! 
Você poderá discutir a 
adequação de uma ou outra 
proposta, sobretudo na Unidade 
3. E, para aprofundar este tema, 
confira: LACORTE. Jean. Yver. 
Dicionário crítico de teologia. 
São Paulo: Paulinas/Loyola, 
2004. Verbete “antropologia”, 
p. 149-158; LADARIA, Luiz. 
F. Introdução à Antropologia 
Teológica. p. 16 a 36
Não há, como foi dito acima, uma 
seqüência rígida para abordar 
o tema. Veja quadro de Georg 
LANGEMEYR in BEINERT, 
Wolfgang. Diccionário de teologia 
dogmática. Barcelona: Herder, 
1990, p. 58 e 59. 
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UNIDADE 1
Lembre-se também de que nossa disciplina pode ser enfocada de diferentes 
formas. Aqui você vai fazer um caminho onde todos os elementos da antropologia 
aparecem. A diferença estará na distribuição e ênfase dos temas. 
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GESCHÈ, Adolphe. O ser humano. São Paulo: Paulinas, 2003.
LADARIA, Luiz. A. Introdução à Antropologia Teológica. São Paulo: Loyola, 1998. 
LACORTE. Jean. Yves. Dicionário crítico de teologia. Verbete “antropologia”. São Paulo: 
Paulinas – Loyola, 2004. 
MYSTERIUM SALUTIS. Compêndio de dogmática histórico-salvífica. A história salvífica 
antes de Cristo. II/3. FEINER, J.; LOEHRER, M. Antropologia Teológica. Petrópolis: Vozes, 
1980.
8 E-REFERÊNCIAS
Chamadas numéricas
(1) “Karl Rahner - Disponível em: <http://www.paulinas.org.br>.
(2) Adolphe Gesché - Disponível em: <http://www.editionsducerf.fr/html/auteur/
photos/auteur349.jpg>.
Anotações
Objetivos
Identifi car os limites do conceito grego de “homem”.• 
Elaborar uma descrição sobre a pessoa humana.• 
Situar o ser humano, para além do antropocentrismo.• 
Conteúdos
Descrição conceitual sobre o “homem”.• 
Pessoa ou ser humano.• 
Ser humano entre comparações.• 
Antropocentrismo.• 
O SER HUMANO ENTRE 
CONCEITO, DESCRIÇÕES E 
COMPARAÇÕES
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UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Você deve ter percebido que, na Unidade 1, muitas vezes usamos, quase como 
sinônimas as palavras: homem, ser, eu, pessoa humana. E no início daquela unidade, 
perguntamos se você via diferenças. Voltamos agora à pergunta: há diferenças? Responda 
outra vez, antes de iniciar esta unidade.
Logo de início devemos dizer que vamos preferir, nesta Antropologia Teológica, 
as expressões: “ser” ou “pessoa humana”. A opção não é só uma questão sexista ou de 
linguagem politicamente correta. Há outras implicações, como logo poderemos ver.
Nesta unidade, particularmente, vamos procurar entender melhor a pessoa 
humana, a partir de suas relações com os animais, com os outros e com Deus. Mas, devemos, 
nesses tempos de tanto interesse pelo ecossistema, evitar todo antropocentrismo. É um 
tema interessante! Aproveite!
2 DESCRIÇÃO CONCEITUAL DE ”HOMEM”
Concepção grega de “homem”
Na cultura contemporânea, a palavra “homem” é a mais usual. Ela tem origem 
na tradução do termo grego “anthropos”, que é diferente de “andros” (ser do sexo 
masculino, contraposto a “gineo” - ser do sexo feminino). Atrás da palavra “homem” vem 
uma pesada carga cultural do helenismo, que denota o individuo, um “ser autocentrado”, 
um “microcosmo” onde vale a idéia de natureza concentrada e suas qualidadesde 
imutabilidade, universalidade, intemporalidade. 
A idéia do homem é algo ontologicamente relevante. Não o é a sua realização 
num ser concreto, singular, histórico. A terminologia grega privilegia categorias de 
essência, substancia e natureza, e não reconhece o valor do ser humano como realidade 
única e irrepetível, capaz de se relacionar com outros também únicos e irrepetíveis.
Também no mundo intelectual grego foi fortificada a reflexão do homem como um 
ser composto de corpo e alma. A alma é uma presença do divino que transcende o tempo 
e é imortal, capaz – segundo alguns – de espiritualizar a matéria (o corpo). Tal microcosmo 
não tem um caráter pessoal, mas, um ser em si, que constrói em si mesmo sua dimensão 
divina, falta-lhe o valor da alteridade (do outro). Por fim, a concepção grega se concentrou 
na racionalidade e define o homem como um ser essencialmente racional e reforça a idéia 
de que tudo fora do sujeito se torna objeto a ser usado e manipulado.
Sugiro que agora você, saindo à rua faça um exercício: olhe par cada pessoa 
que passa por você e a imagine como um ser em si mesmo (fechada e 
completa em seu mundo), imagine a com uma alma ligada a seu corpo, e seu 
valor sentido na racionalidade. Depois pense de modo diferente: aquele que 
vai ali tem pai e mãe, talvez irmãos, esposa, filhos, trabalho, em tal ou qual 
lugar, ama, sofre e depende dos outros. Na verdade, você estará construindo 
um conceito de pessoa como relação. 
ATENÇÃO!
Talvez você tenha se espantado 
com a “violenta” crítica ao 
conceito grego de homem 
e imaginado que tal palavra 
“simples” pudesse conter tantos 
outras idéias. 
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UNIDADE 2
3 “A PESSOA” OU O “SER HUMANO”
 Você percebeu que um conceito pode determinar seu modo de ser e de se 
relacionar com as pessoas. Estas são reais. Elas têm um nome, uma historia pessoal. 
E você – porque crê – sabe que Deus tem uma relação profunda com ela. A estas 
alturas você sabe que não se deveria perguntar: “o que é o homem?”, nem “quem é o 
homem?”. 
No primeiro caso, você transformaria o “homem” num objeto (o quê?); mas, no 
segundo, você o isola para falar dele em si mesmo. Então, a pessoa ou o ser humano são 
expressões que você deveria atribuir a todos os humanos. Nós somos seres relacionais. 
Temos uma subjetividade própria, uma história pessoal, somos filhos a imagem de Deus 
criador, irmãos de Jesus Cristo etc. 
Você poderia identificar, agora, outras características das pessoas, lembrando 
que um Pedro tal ama sua Maria, com quem tem dois filhos, mora naquele bairro, trabalha 
em tal empresa, estudou isto ou aquilo, freqüenta tal religião e é um filho de Deus, irmão 
de Jesus Cristo, destinado um dia a ver Deus face a face. O tal Pedro é único e irrepetível, 
e Deus olha por ele com um carinho particular.
Nenhum ser humano é uma ilha, algo isolado. Sempre tem relação com outros. 
Cada um tem sua história pessoal, que só faz sentido se explicada dentro da história 
de todos os outros seres humanos. E na história da vida dos humanos é fácil perceber 
imensas diferenças e semelhanças por idade, sexo, cultura, nacionalidade etc. 
Toda pessoa é um ser em construção. Santo Irineu dizia que Deus não criou o ser 
humano perfeito, nem imperfeito, mas perfectível. Isto é, em processo de aperfeiçoamento. 
A vida humana não é um contínuo crescimento ascendente. Ela é feita de altos e baixos. 
Mas, na soma final nós todos somos mais perfeitos do que quando nascemos. 
A vida humana em processo implica grandeza e fragilidade. Faz parte do 
processo a crise (lembre-se de que crise não é apenas algo negativo; ela é uma estrutura 
fundamental da vida). De sua raiz surgem as palavras acrisolar (purificar, limpar) e crisol 
(elemento químico).
Ela é um processo de ruptura, divisão e descontinuidade. Significa a decisão 
num juízo; ou seja, dado uma situação importante é preciso tomar novas decisões. 
A perfectibilidade ou o processo de aperfeiçoamento humano é cheio de contradições 
internas que fazem da pessoa, ao mesmo tempo, sujeito e vítima. 
Paulo VI1 afirmava que “este sujeito” imenso e infinito, por si só não sabe 
quem ele é; muitas vezes se imagina um super humano, mas ora é frágil como só. É um 
ser inventivo, mas outras vezes parece um inapto. Às vezes se apresenta com a conduta 
de uma criança e, em outras, porta-se como um animal violento. Ora é um sonhador, 
ora um pessimista. Por vezes, procura, estuda, pensa, pesquisa, constrói sua grandeza. 
Por vezes duvida de si mesmo, considera-se ou torna-se um vilão. Busca o infinito, mas 
defronta-se com seus limites. 
O ser humano é um paradoxo e um mistério para si mesmo. A sua grandeza 
é complexa e, ao mesmo tempo, vulnerável. É capaz de atos de grandeza 
inimaginável, mas também de baixeza extrema. No ser humano se encontram 
a nobreza e a vilania, o heroísmo e a traição, a busca de perfeição, de 
felicidade, e a ilusão, o pessimismo, a capacidade de transcendência e a falta 
de consciência de si, de sua vida e seu destino. Nele se entremisturam o divino 
e o diabólico. 
(1) Papa Paulo VI (1897-1978) 
teve um papel importante na 
condução da Igreja durante à 
luz das diretrizes do Concílio 
Vaticano II.
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UNIDADE 2
Grandes contradições tecem o processo de aperfeiçoamento da pessoa humana. 
Mas, ela pode ser vista de modo mais simples no seu cotidiano. Hermilo PRETTO construiu 
uma identidade humana assim: o ser humano é alguém que pensa, que trabalha, que 
contempla, que está à mesa, que ora, que ama, sabe que deve morrer, alguém a ser 
educado, que perdoa e pede perdão, que experimenta a alegria.
4 O SER HUMANO ENTRE COMPARAÇÕES
Afinal, quem é a pessoa humana?
Esta pergunta – indecifrável?! – sempre “atormentou o próprio ser humano. 
As respostas dadas sempre estão condicionadas pelo tempo, cultura, religião; enfim, ao 
contexto histórico de quem a responde. Ela se torna difícil, inclusive, por falta de parâmetros 
de comparação. Jürgen Moltmann2 disse que a pergunta surge na comparação do ser 
humano com o animal, com os outros homens e com o divino.
A pergunta surgida em comparação com os animais nos leva, contudo, a uma 
antropologia biológica e/ou à das espécies. Veja: o que vai qualificar a “antropológico” 
será o adjetivo “biológico” - e no caso a vida animal. Do ponto de vista biológico, somos 
muito parecidos com os primatas (pandas, chimpanzés, bonobos, orangotangos etc.).
Com eles temos entre 97 ou 98% de DNA idênticos. Nós nascemos como 
todos os outros mamíferos. Mas, nas questões socioculturais encontram-se hoje muitos 
comportamentos bem similares. Em muitos estudos há uma identificação quase completa 
de comportamentos humanos e animais. Até em comportamentos religiosos, afirmam 
alguns cientistas.
Há dois livros importantes muito usados no estudo comparativo entre o ser 
humano e animais: O macaco nu, de Desmond MORRIS e O gene egoísta, de Richard 
DAWKINS. 
Ao se comparar com outros seres humanos, a pessoa não tem muitos 
referenciais. E os poucos, na verdade, são mais pré-conceitos para distinguir a 
superioridade/interioridade de uns e outros. Por exemplo: homem/mulher, branco/negro, 
brasileiro/estrangeiro, rico/pobre. 
O filosofo Kant, em 1798, chamou a isso de “antropologia de orientação 
pragmática”, distinguindo a condição do homem ou a hominidade (hominitas) e a 
humanidade (humanitas). Para ele isso é mais como uma dissipação ética e messiânica do 
insatisfeito cumprimento de sua tarefa e esperança. 
Quem somos em comparação com o divino? Os cristãos crêem que “na 
plenitude dos tempos” (cf. Gl 11,11), Deus se fez humano, em Jesus filho de Maria – 
mesmo sem deixar a condição de Deus. Algumas religiões fazem o caminho contrário: 
seres humanos são transformados em semideuses ou deuses propriamente ditos. Mas tais 
comparaçõessão insuficientes, pois não há uma comparação propriamente dita. Antes, 
fala-se da transformação de uns nos outros. Na verdade, a comparação só poderá realçar 
as diferenças eterno/provisórias, perfeito/perfectível, criador/criatura etc. Algumas 
experiências do divino só nos asseguram as diferenças entre o que somos e o que não 
somos.
Para a filósofa brasileira Marilena Chauí, os cristãos fizeram do homem Jesus um 
deus. Pobre ser humano! Na verdade, parece que estamos sós, apesar de tantas vidas ao 
nosso redor.
(2) Jürgen Moltmann tem 
marcado a história da teologia 
depois da Segunda Guerra 
Mundial na Europa e na América 
do Norte como nenhum outro. 
Ele é o teólogo mais lido, citado 
e traduzido nosso tempo. 
“Jürgen Moltmann nasceu 
em 1926 em Hamburgo. Com 
dezesseis (1943) foi convocado 
pelo exército alemão onde teve, 
segundo as suas palavras, “uma 
carreira breve e sem glória”. 
Após seis meses na guerra, 
esteve preso no campo de 
concentração de Northon-Camp, 
em Inglaterra. Ali se encontravam 
também alguns professores de 
teologia que ministravam lições 
aos seus companheiros; dentre 
eles, Jürgen Moltmann. Em 1948, 
regressou à Alemanha onde deu 
continuidade nos seus estudos 
na Universidade de Göttingen 
até 1952. De 1953 a 1958 
exerceu actividades pastorais 
em Bremen”. http://protagonistas.
blog.com/2694880/. Acesso em: 
mar. 2008
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UNIDADE 2
5 ANTROPOCENTRISMO
Aqui surge uma questão que necessita ser ultrapassada: o antropocentrismo. 
É verdade que o ser humano distingue-se de todos os outros seres vivos. Na história, ele 
sempre se sentiu, não apenas diferente, mas superior a tudo. Todas as coisas existiam 
em função dele. 
Você já ouviu dizer: “o ser humano é o rei da criação”. Na verdade não é bem 
assim. No conjunto de todas as coisas, nossa espécie é apenas mais uma vida. 
A influência cultural que trazemos da Grécia, da Europa e do próprio judeu-
cristianismo, fez-nos pensar como centro do universo. Hoje, por causa da questão meio 
ambiental, surgem outros valores e modos de pensar sobre nosso lugar no mundo 
cósmico.
Em uma de suas obras Sigmund Freud3 constatou três humilhações a que foi 
submetida à humanidade com seu antropocentrismo. 
A primeira foi infligida por Copérnico ao afirmar que nem o ser humano nem a 
terra eram o centro do mundo. Mas o sol, ao redor do qual girava a terra. 
A segunda tem origem no darwinismo. Todos os seres vivos têm uma longa 
história de evolução. A vida tem surgido há uns 800 milhões de anos, na chamada “sopa de 
Oparin”4. Na grande caminhada da evolução, nós só aparecemos nos últimos tempos (uns 
150.000 anos). Somos da família dos primatas, que pertencem a espécie dos mamíferos 
e assim retroativamente. Não deixa de ser verdadeira a afirmação de Karl Sagan: somos 
feitos da poeira do universo.
 A terceira humilhação foi infringida pelo próprio Freud, ao descrever o 
quanto dependemos de forças inconscientes e subconscientes que não dominamos. 
Conseqüentemente, nossa liberdade não depende tanto de nós próprios. Há outros fatores 
que também determinam nosso modo de viver e de ser pessoa humana. 
Poder-se-ia acrescentar uma quarta humilhação: a presença dos pobres que 
chegam a ser 2/3 da humanidade toda. Nosso planeta tem condições e recursos para dar 
condições dignas de vida para todos. Todavia, questões de economia e política, ciência e 
tecnologia, criaram uma divisão tão radical: são milhões os que morrem anualmente por 
fome, doenças primárias e falta de recursos básicos. 
Os pobres no mundo clamam por justiça e dignidade; afinal eles não são filhos 
de Deus também?
Nesta unidade, você pôde refletir e desenvolver seus estudos a respeito de 
questões fundamentais:
o significado do conceito “homem”;a) 
o ser humano em sua complexa misteriosidade;b) 
a necessidade de entendê-lo contextuadamente e no seu processo de c) 
desenvolvimento;
por último, critérios para a superação do antropocentrismo. d) 
Gostaria que como conclusão, você lesse e meditasse, no Livro de Jó, os capítulos 
40-42. Depois, relacionasse-os com o que leu nesta unidade. 
(3) Sigmund Freud 1856-1939) 
foi um médico neurologista 
judeu-austríaco, fundador da 
Psicanálise. Além de ter sido um 
grande cientista e escritor tornou-
se famoso por ter realizado uma 
revolução no âmbito humano: a 
idéia de que somos movidos pelo 
inconsciente (http://pt.wikipedia.
org/wiki/Sigmund_Freud. Acesso: 
mar. 2008)
(4) Aleksandr Ivanovich Oparin 
(1894-1980) foi um biólogo e 
bioquímico soviético considerado 
uma das maiores autoridades 
sobre a teoria da origem da 
vida. 
De acordo com sua teoria, 
determinadas formas de 
organização molecular, através 
de competição e seleção natural, 
tornaram-se dominantes e 
caracterizam as moléculas vivas 
de hoje.
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UNIDADE 2
Vale a pena pensar (e rezar) nisso! É a resposta de Deus ao ser humano (Jó) por 
suas muitas e desafiadores perguntas diante de Deus.
No próximo tema, você vai se deter sobre a identidade de todo Pedro, João, 
Maria, diante de Deus feito humano no seu Cristo. 
Vamos estudar algumas idéias muito interessantes.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DAWKINS, R. O gene egoísta. São Paulo: Cia. de Letras, 2007.
FERNANDEZ. Então você pensa que humano. Uma breve história de humanidade. São 
Paulo: Cia. das Letras, 2007. 
FOLEY, Robert. Os humanos antes da humanidade. Uma perspectiva evolucionista. São 
Paulo: Unesp, 2003.
MORRIS, Desmond. O macaco nu. 13 ed. São Paulo-Rio de Janeiro: Record, 1998.
PRETTO, Hemilo. A teologia tem algo a dizer a respeito do ser humano? São Paulo: Paulus: 
2003.
RIBEIRO H. A condição humana e a solidariedade cristã. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 28-
56. 
_____. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Antropologia Teológica. 
Petrópolis: 
Vozes, 2007. p 15-28. 
WAAL, Fram de. Eu primata. Por que somos como somos. São Paulo: Cia. das Letras, 
2007. 
7 E-REFERÊNCIAS
Chamadas numéricas
(1) Papa Paulo VI - Disponível em: <http://blog.cancaonova.com/dominusvobiscum
/2007/12/27/papa-paulo-vi-nos-fala-sobre-a-existencia-do-demonio/^>.
(2) Jürgen Moltmann - Disponível em: <http://www.trinitywallstreet.org/
welcome/?press-photos>.
(3) Sigmund Freud - Disponível em: <http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&
q=freud&btnG=Pesquisar+imagens.&gbv=2>.
(4) Aleksandr Ivanovich Oparin - Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/
Aleksandr_Oparin>.
Objetivos 
Entender e analisar o sentido cristológico dos conceitos • 
“nova criatura, fi lho e irmão.
Relacionar conceitos de antropologia • 
véterotestamentária.
Descrever o ser humano como imagem e semelhança • 
com Deus.
Caracterizar teologicamente a pessoa humana.• 
Conteúdos
Identifi cação cristológica do ser humano.• 
Somos “novas” criaturas em Cristo.• 
Nossa fi liação em Cristo.• 
Fraternidade universal em Cristo.• 
Antropologia do Antigo Testamento.• 
Linguagem do Antigo Testamento. • 
Quem é “adão”?• 
Imagem e semelhança com Deus.• 
Pessoa humana.• 
IDENTIFICAÇÃO DO SER 
HUMANO À LUZ DA REVELAÇÃO
U
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ID
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UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 1 você aprendeu que a Antropologia Teológica relaciona-se 
com várias outras ciências, inclusive teológicas. Por exemplo, com a teologia da criação 
(teologia da criação é também conhecida como Protologia), com a Escatologia (teologia da 
consumação do mundo e do ser humano), com a Cristologia (sobretudo ao enfocar Cristo 
como modelo e salvador do ser humano e da humanidade toda). 
Na Unidade 2, procuramos identificar os limites do conceito grego de “homem”, 
elaboramos uma descrição sobre a pessoa humana, situando o ser humano para além do 
antropocentrismo. Nesta unidade,vamos discutir o sentido cristológico dos conceitos “nova 
criatura, filho e irmão, relacionando-os com as antropologias vétero e neotestamentárias. 
Serão objetos de nosso estudo a idéia de “novas criaturas” e a “fraternidade universal” 
em Cristo. 
Muitos que escrevem sobre “Antropologia Teológica” sentem-se devedores da 
tradição manualística, em que esta temática aparecia nos tratados De Deo creante e De 
Deo elevante. A catequese também sofre (ainda) esta influência. Então, ao se identificar 
teologicamente o ser humano, temos – entre as primeiras idéias que nos vêm –, temos: 
fomos criados por Deus (na origem do universo), à sua imagem e semelhança; em Adão 
e Eva, tornamo-nos pecadores (pecado original) e Deus nos concede graças para nos tirar 
do pecado e nos salvar (por isso a grande graça salvadora é Jesus, homem-Deus). 
Assim, a partir da Bíblia – e mais especificamente desde o Antigo Testamento 
–, a criação teve um enfoque teológico. A antropologia atual torna-se mais cristológica. O 
ser humano, sem dúvida, é contemplado decididamente a partir de Cristo que o remete 
ao mistério trinitário. 
A criação é abordada teologicamente porque: 
a origem de tudo está em Deus; a) 
a razão da criação é sua glória; b) 
tudo converge para Deus. c) 
2 IDENTIFICAÇÃO CRISTOLÓGICA DO SER HUMANO
A antropologia cristã é bem mais um estudo a partir do ser humano, que jamais 
pode estar desvinculado da Trindade e, mais precisamente, de Cristo. Pois tudo foi criado 
por ele, nele e para ele (cf. 1Cor 8,5-6; Cl 1,15-20). A antropologia cristã estuda, por 
um lado, o ser humano criado e consumado em Cristo; por outro, analisa as questões 
de autonomia do ser humano, dentro da história da salvação. O mistério do ser humano 
explica-se em Cristo, em sua totalidade. Isso quer dizer: leva-se em conta o Cristo pascal, 
contemplado como salvador preexistente, encarnado na humanidade, Senhor da história, 
Filho de Deus, sentido profundo e último da história e da realização cósmica. 
Cada vez mais, ao produzirem Antropologia Teológica, os teólogos preferem 
identificar a pessoa humana a partir de Jesus Cristo. Foi assim que procederam o Concílio 
Vaticano II, na Gaudium et spes (GS 22), e João Paulo II, na Redemptoris hominis (RH 
11): “Só Jesus Cristo explica verdadeiramente quem é o ser humano e sua altíssima 
vocação”. 
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UNIDADE 3
São Paulo1 afirma: Cristo faz nova a sua criatura. 
Ainda mais: São Paulo aproveitou um hino de sua época e fez uma adaptação 
belíssima (Ef 1,3-13). Entre outras afirmações, Paulo diz: “Fomos criados em Cristo, por 
ele e para ele. É o plano de Deus, já desde antes criar tudo quanto existe” (cf. Ef 1,3ss). 
Sugerimos que você releia agora todo o texto de GS 22. Então você compreenderá 
por que só Cristo revela quem é realmente o ser humano (independentemente de ser 
católico, budista, muçulmano ou espírita). Lembre que Deus amou tanto o mundo (a 
humanidade inteira) que nos deu seu Filho único. Veja que isso não depende de religião 
ou crença. É um ato de amor de Deus, acima e antes de qualquer outra coisa. Deus não 
faz distinção de pessoa; faz chover sobre bons e maus e faz o sol brilhar sobre justos e 
injustos (cf. Mt 5,45).
São Paulo ajuda a compreender o significado cristocêntrico tanto da criação 
quanto do ser humano. 
“E nós todos que com a face descoberta, refletimos como num espelho a 
glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais 
resplandecente pela ação do Senhor, que é o Espírito” (2Cor 3,18). 
Em Cristo feito carne e ressuscitado, conhecemos a imagem de quem somos e 
de quem seremos. O Filho de Deus, que preside a criação, intervém nela para comunicar 
a nós o reflexo do rosto do Pai. Cada ser humano participa do dinamismo da criação, 
em pessoa pelo Filho, como imagem do Pai. E tudo isso revela-se em plenitude pela 
ressurreição de Cristo. A criação nossa em Cristo só se completará de modo definitivo 
quando ressuscitados. Seremos configurados a Cristo. Por ele seremos apresentados ao 
Pai, como glória do Pai. A chave da criação, por Cristo e nele, só tem seu sentido na 
participação da glória do Pai. Levamos a imagem de Cristo impressa em nós – desde 
antes da criação. Santo Irineu dizia que o Filho preparou (criou) nossa carne (nossa 
humanidade) de tal modo que pudesse conter sua divindade. Com isso visava levar-nos a 
sua estatura de Filho de Deus. 
A antropologia cristã amplia a antropologia (teológica) do Antigo Testamento 
e revela todo o significado cristológico de pessoa humana. Daí pode-se afirmar que toda 
pessoa é crística, por origem e destinação. Toda pessoa é feita por ele e por ele elevada 
a glória do Pai. 
E daí decorre o dever moral de nos assemelharmos a Deus e a seu Cristo, como 
“homens novos”, por meio de nossas atitudes e pela graça do Espírito. 
3 SOMOS “NOVAS” CRIATURAS EM CRISTO
 
Antropologicamente, o amor de Deus pelo ser humano possui três faces: a 
criação, a conservação e a consumação. Desde a criação levamos o sinal de Cristo; por 
ele somos feitos filhos do Pai Eterno; e por ele haveremos de ver a Deus. Esta relação do 
amor trinitário de Deus tem sentido nitidamente cristocêntrico (cf. Lumen gentium – LG 
38). O Pai nos predestinou a sermos imagem de seu Filho primogênito, em quem todos 
somos irmãos (cf. Rm 8,29).
(1) São Paulo: o Apóstolo 
Paulo (Tarso c. 3 – Roma c. 66, ) 
juntamente com o apóstolo Pedro 
é considerado uma das colunas 
da Igreja nascente. Suas cartas 
continuam sendo estudadas e 
comentadas como importantes 
fontes de ensinamento doutrinal.
ATENÇÃO!
Para fundamentar nossa 
identidade e origem em Cristo, 
você pode ler os seguintes 
textos: Cl 1,15-17; 1,18-20; Rm 
8,28-30; Cl 3,10-15; Rm 6,3-11; 
2Cl 5,17; Gl 6,15.
ATENÇÃO! 
Sugerimos que você veja as 
notas da Bíblia de Jerusalém 
sobre este versículo.
ATENÇÃO!
Você poderia pesquisar em 
dicionários de teologia ou de 
cristologia a diferença entre os 
conceitos: cristológico, cristão, 
cristocêntrico e crístico.
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UNIDADE 3
Nele, nós todos nos tornamos também cooperadores de Deus(ver GS 34) co-
criadores com ele. Estabelecemos uma relação de irmãos com todos os filhos de Deus.
Por que somos novos?
“Nova” porque se contrapõe à “velha criatura”. A “velha criatura” é o ser humano 
em seu pecado. O velho Adão é o ser humano em pecado. Mas, em Cristo, está o verdadeiro 
ser humano, sem pecado. Nele está o ser original e novo. Não o envelhecido pelo pecado. 
E isso faz uma diferença muito grande. Evidentemente quem é cristão (consciente) sabe 
que viver em Cristo é viver como “nova” criatura. Isso é um mistério que nos foi revelado 
exatamente em Jesus de Nazaré. Então, além de Cristo nos revelar quem somos, faz-nos 
também seres humanos novos. Viver em Cristo é uma dimensão moral. Mas, ser nova 
criatura, é o princípio antropológico.
Hoje em dia, quando os cristãos – católicos e outros – usam a expressão 
“nova criatura”, eles o fazem quase só em sentido moral (e moralista). Isso é correto, 
porque quem recebe o batismo quando criança – por meio dos pais e padrinhos – sabe 
pessoalmente que assumiu explicitamente a condição de cristão. E como tal deve viver 
esta “nova” condição de vida. 
A(s) Igreja(s) usa(m) esta linguagem (“novo” e “velho homem”) também 
em referência aos sacramentos (batismo, penitência, unção dos enfermos), moral (e 
moralismo) e membresia religiosa. Também se usa ao falar de pecado original. 
Ao professar que todos os homens e mulheres nascem sob o signo do pecado 
original, a Igreja Católica não afirma que todos os seres humanos, por natureza, nascem 
pecadores. Sabe-se que o pecado original só é pecado analogicamente. Ninguém é 
pessoalmente responsável por ele. Só se o é por solidariedade moral. Por natureza, nós 
não somos pecadores. Sóo somos por participação. Sem dúvida, pelo ensino da Igreja se 
sabe que “o pecado das origens” “debilita” o ser humano, em sua liberdade. Contudo, ao 
menos de Jesus e Maria, a Igreja fala de modo claro que eles foram isentos do pecado. 
Lembre que Jesus só foi perfeito porque não pecou. 
Na Carta aos Romanos (5,1ss), Paulo, para realçar a grandeza de Cristo, 
compara-o ao “velho Adão”, “o homem em pecado”. O “homem velho” é o que está sob 
o jugo do pecado, do que não pode libertar-se sem a graça de Cristo. Ou seja: o pecador 
perdeu a liberdade de sair por si só de seu pecado. E aí só Cristo pode libertá-lo. Assim, 
fica realçada a função redentora de Cristo. Só ele e por ele se reconquista a liberdade 
sempre comprometida pela concupiscência, mas também sempre amparada pela graça.
Deve-se dizer, pois, que só Cristo faz “nova” a criatura; só ele nos liberta de 
nossos pecados, porque restitui a nossa dignidade. 
Agora estamos em condições de aprofundar duas questões, antropologicamente 
pouco estudada. 
A primeira está muito presente em nosso cotidiano, mas quase só sob o prisma 
da moral. Aqui é necessário ter presente que não vamos considerar os pecados morais e 
nem afirmar a historicidade de Adão que, com sua esposa Eva, cometeu o pecado original. 
Também para Paulo, “Adão” é: 
em geral o símbolo da humanidade (homem natural); a) 
às vezes, símbolo da humanidade pecadora; b) 
também símbolo do ser humano sem Cristo, ou melhor, do que o nega.c) 
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UNIDADE 3
A segunda questão: Cristo foi constituído por Deus como o salvador da 
humanidade já antes da criação. Recorde-se que salvar/salvação tem dois sentido: salvar 
do pecado (sentido negativo) salvar para a vida eterna (sentido positivo).
A salvação do homem “pecador” se fez historicamente necessária, pois quando 
o Verbo se encarnou encontrou o ser humano ferido pelo pecado e “impotente” diante 
da liberdade. Cristo restituiu-nos, pela graça, a vida nova. Desse modo, ele fez “novas 
criaturas” todos os que viviam sob o domínio do pecado. Ele continua salvando do 
pecado todo homem e toda mulher, que abusam de sua liberdade e se escravizam no reino 
do pecado. 
Jesus mostra a possibilidade, com a graça de Deus, de se evitar o pecado. Mais 
ainda: ele quer nos salvar para a vida com Deus. Salvar aqui quer dizer, sob a força do 
Espírito, ele quer nos levar à realização plena. Quer nos colocar diante de Deus face-a-
face. É ele que, com auxílio do Espírito Santo, nos leva à realização plena. Isso significa: 
ele nos salva.
Todo ser humano foi criado para ser salvo. Ele é livre e pode pecar – e de fato, 
muitas vezes peca – não por ser obrigado, mas porque faz esta escolha. Então Cristo nos 
“re-nova” com sua graça. À medida que nos voltamos para ele, ele nos ”re-nova” (faz 
novos, de novo). Restitui-nos nossa “originalidade”.
Mesmo tendo o dom da liberdade e sofrendo impactos da tentação – como 
Jesus – ninguém está obrigado a cometer pecado(s) e nem a ser pecador. Dizem que Sta. 
Terezinha do Menino Jesus afirmava que desde os 4 anos de idade, nunca cometeu um 
pecado. 
Sem nos ocupar do aspecto moral da nova criatura, podemos concluir: 
o ser humano é nova criatura porque nascido em Cristo, dele e por ele. 
Originalmente, ele é o modelo. Ele é a imagem visível do Deus invisível. Santo 
Irineu ajuda-nos outra vez: o modelo só apareceu recentemente. O primeiro 
Adão (o ser histórico, natural) apareceu antes do Adão original. O primeiro 
Adão é a humanidade histórica que o Antigo Testamento conheceu e chamou 
“imagem de Deus”. “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu 
próprio Filho, nascido de mulher” (da humanidade em geral e de Maria, em 
particular). No homem Jesus, encontramos Deus mesmo. No mistério do Verbo 
encarnado viu-se um homem tão humano que era Deus. Aquele que existia 
desde toda eternidade – o Verbo – uniu-se profundamente à humanidade e foi 
um de seus filhos. Após a morte, Deus o ressuscitou e revelou que aquele seu 
Filho amado era (é) o homem original, sua imagem visível e pensado desde 
toda a eternidade para que um dia se manifestasse entre nós, como um de 
nós. Era o primeiro e o verdadeiro Adão, mesmo que só aparecido depois, 
como Cristo. Ele o primogênito de toda criatura, era o “novo” (original, o 
modelo) mesmo que só tenha aparecido recentemente (há 2000 anos).
Esse Cristo – que nos revela em si e por sim quem somos verdadeiramente – é 
o protótipo do ser humano. Porque somos de sua origem e de sua vida, também somos 
“novas” criaturas (as pensadas por Deus, desde a origem). O que nos envelhece é a 
idolatria e o pecado; não a idade, nem o tempo. A graça é dom de Deus que pode nos 
manter sempre novos, como Cristo, mesmo vivendo na história. 
INFORMAÇÃO:
Lembre-se Jesus foi um homem 
livre. Usou a liberdade dele para 
dedicar-se totalmente a Deus. 
Por esta razão não pecou.
ATENÇÃO! 
Lembre-se que o homo sapiens 
tem uns 150.000 anos. A palavra 
portuguesa não traduz todo o 
significado da palavra “novo”, 
original. O “novo” é o original, o 
primeiro, o autêntico. Aqui não é 
a questão de tempo (chronos); 
mas de perfeição (kairós). 
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UNIDADE 3
Antropologicamente (antes que no aspecto moral), somos novas criaturas em 
Cristo, porque feitos nele, por ele e para ele. Com a graça de Deus, podemos 
nos manter nesta história de salvação como “criatura nova”. Os cristãos têm a 
consciência desse mistério que só agora foi-nos revelado, e que estava oculto 
aos próprios anjos.
Lembre-se que o mistério da “nova criatura” em Cristo vem desde antes da 
criação. Foi-nos revelado em Jesus de Nazaré.
 
Lembre-se que a Igreja ensina que Deus salva misteriosamente, de um modo só 
conhecido dele, também aqueles que fazendo o bem e seguem reta consciência.
 
3 SOMOS FILHOS DE DEUS EM CRISTO 
Vamos aprofundar agora o tema de nossa filiação divina. Nossa identificação vai além 
da criaturidade nova. Por meio de Cristo tornamo-nos filhos de Deus. Esta categoria – 
Filho de Deus – é fundamental e é afirmada no batismo. Mas, não podemos confundir: por 
causa de Cristo – desde toda a eternidade e pelo simples fato de nascermos, somos filhos 
de Deus. Jesus é o Filho Unigênito de Deus. Por meio dele todo homem e toda mulher 
também o são. O batismo torna consciente em cada pessoa sua filiação divina. 
A noção de “filho” indica a especial relação nossa com Deus. Foi Cristo quem repartiu 
– desde toda a eternidade (cf. Ez 1,3ss) esta filiação adotiva, assumida pelo Pai. Desse modo, 
afirma a GS que “somos as únicas criaturas que Deus quis por si mesmas” (cf. GS).
Alguns teólogos seguem um raciocínio diverso: porque nos comportamos 
dignamente diante de Deus é que vivemos esta filiação divina. Nós afirmamos aqui: a 
causa da filiação está no tão grande amor de Deus por nós. Ele nos fez filhos no Filho. Isso 
é antropológico. A outra questão é moral: viver com dignidade o que somos. 
Você, Cristo, eu e todos os homens e mulheres. Somos filhos de Deus por meio 
de Cristo. Aliás, dizer que os homens são filhos de Deus (ou dos deuses) é uma atitude 
também freqüente nas outras religiões. Os cristãos, porém, dão a esta identificação um 
sentido peculiar. 
Nos evangelhos, Jesus revela um sentido novo da paternidade de Deus e de nossa 
filiação. Há uma diferença fundamental entre ele e nós (cf. Mt 5.45; 25,34; Lc 24,49). Mas 
nem por isso deixamos de ser filhos. Isto é dado exatamente por ele, o Filho. 
Paulo elabora teologicamente melhor nossa condição de filhos. O fundamento da 
filiação não é a criação, mas a adoção. O Filho eterno – que se encarnou – é o único filho de 
Deus, mesmo que se fale dele como unigênito ou primogênito. Nós o somos porque Deus se 
torna nosso Pai, através do seu Filho. Desde toda a eternidade “fomos criados nele...” 
Não é uma questãojurídica. Antes o é de amor divino. E por isso, novamente 
antropológica e pneumatológica. É claro, haverá também uma dimensão moral na filiação. 
Somos elevados à condição de filhos, porque pelo seu Filho, Deus nos infunde 
uma vida nova, guiados pelo Espírito de Jesus, chegaremos ao Pai. 
O texto mais importante desse tema, no entanto, está em Efésios 1,3-14. O 
texto sagrado faz uma grande e majestosa síntese da filiação divina, fundada na gratuita 
ATENÇÃO!
Não esqueça: nosso tema é a 
identificação do ser humano à 
luz da revelação (cristã). Somos 
criados, em Cristo, por Cristo e 
para Cristo. Nele somos “novas 
criaturas”. 
ATENÇÃO!
Se você voltar à Unidade 
2, sobretudo ao item 4.1 da 
disciplina Teologia da Revelação, 
entenderá esta questão, desde o 
modo humano da revelação.
ATENÇÃO!
Aconselhamos que você leia 
agora: Rm 8,15-23; Gl 4,1-7; Ef 
1,5; sobre a vida nova: Gl 1,4-5; 
Ef. 5,20; 2Ts 2,15-16.
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UNIDADE 3
eleição do Pai, que nos adota por meio de seu Filho, concede-nos como dom o Santo 
Espírito, como garantia da herança a ser recebida.
Vejamos, por outro lado, o que São João afirma sobre a filiação divina:
João acentua, não tanto o aspecto moral (fazer-ser filho), mas a realidade a) 
antropológica (ser filho). A filiação é um dom que vem do alto (Jo 3,7). 
Não somos chamados a ser filhos. Nós o somos realmente – por meio de 
Cristo. Mesmo que isso ainda não se tenha manifestado plenamente (cf. 1Jo 
3,1-2). Não nos tornamos filhos pelo nascimento, nem pelo agir (vontade 
da carne ou do homem). É a gratuita bondade de Deus que nos elege (Jo 
1,13).
Segundo João, somos b) filhos de Deus Pai, não da Trindade, por sermos 
irmãos de Jesus (Jo 20,16-17) e nascidos do Espírito (Jo 3,8). Deus é 
considerado Pai de todos os seres humanos sempre e só enquanto o é de 
Jesus Cristo (cf. 1Tes 1,1; 3,11-13; 2Ts 2,1; 2,16; 2Cor 2,1; Gl 1,2 etc.).
Ser filho implica de modo inseparável c) ser herdeiros, “fomos feitos sua 
herança” (Ef 1,13): “Se nós somos filhos, logo somos também herdeiros, 
herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, se é certo que com ele padecemos, 
para que também com ele seremos glorificados” (Rm 8,17). Esta herança 
vem ligada a herança/bênção de Abraão (Gl 11,7). E culmina na fortificação 
da herança dos santos na luz (Cl 3,24; 1Pd 1,4).
4 FRATERNIDADE UNIVERSAL EM CRISTO 
Da nossa criaturidade em Cristo, pelo fato de ele nos fazer “criaturas novas” 
e tornar-nos filhos adotivos de seu Pai, surge quase naturalmente a questão da nossa 
fraternidade em Cristo e com Cristo. Se todos somos criados nele, então, todos os 
homens e mulheres são irmãos uns dos outros. Se todos têm a filiação comum, então 
também têm a fraternidade em comum. Todo homem e toda mulher são irmãos entre si, 
independentemente do tempo, do lugar, da situação socioeconômica. 
Somos filhos de Deusa) . Nele está a raiz da fraternidade humana universal. 
Ela é um dom do alto, porque Deus se fez o Pai comum no Verbo eterno. E ele 
no-la concede, antropologicamente, como um dom e, eticamente, como uma 
tarefa. Esta fraternidade não está circunscrita à comunidade dos crentes. 
A filiação divina institui um estatuto universal entre todas as pessoas e se 
manifesta de modo concreto no amor ao próximo (Mt 5,44ss; 2Pd 1,7). Para 
os seguidores de Cristo se impõe inclusive como amor aos inimigos. 
Além da paternidade universal, o b) fundamento da fraternidade humana 
está em Cristo Jesus. Ele é quem une e unifica todos os homens e 
mulheres da história. Ao assumir a carne humana, Deus se fez nosso irmão. 
Jesus mesmo afirma isso inúmeras vezes (cf. Mt 12,50; Mc 3,34; Hbr 2,11; 
Lc 8,21; Hbr 2,11-17). Toda diferença deve moralmente ser superada nas 
questões raciais, nacionais, sexuais etc. porque dos povos divididos Jesus 
Cristo fez um só povo: o povo de Deus.
Ao assumir a natureza humana, o Verbo se fez em tudo igual a nós. Isso quer 
dizer: ele se tornou membro da família humana.
 
A expressão de Gálatas 4,4 “nascido de mulher” implica afirmá-lo como “filho 
da humanidade”. Portanto, o irmão universal. E Deus o constitui primogênito. Ele é o 
ATENÇÃO!
Sugerimos que você veja as 
genealogias de Jesus (Mt 1,1-17; 
Lc 3,23-28).
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UNIDADE 3
irmão maior com os direitos e deveres de primogênito (cf. Ex 13,2; 34,19; Lv 27,26; Nm 
3,13: Dt 21,17; Ne 10,36). Somos irmãos de Deus; Deus é nosso irmão, porque ele quis 
pertencer à nossa família, a fim de nos fazer participar também de sua família: a Trindade. 
Esta irmandade em Cristo não é conseqüência de nossos atos, mas um dom prévio de 
Deus e que nem por isso nos converte em Deus ou deuses. A fraternidade, intimamente 
relacionada à filiação, indica a igual dignidade e a solidariedade universal. Ela é um 
processo. Pois não somos nem perfeitos, tão pouco imperfeitos, mas processualmente em 
construção, em aperfeiçoamento. 
A fraternidade universal – fundada em Cristo, nosso irmão e na filiação de Deus 
– cria entre os irmãos a consciência e a responsabilidade ética de todos por todos. E da 
experiência judeu-cristã, surge uma indicação especial: os pobres. São milhões e milhões 
os pobres da terra, irmãos de todos. No Antigo Testamento, Deus se voltava em primeiro 
lugar para os pobres. Jesus, também, legou-nos este princípio. Nossa fraternidade exige 
a opção pelos pobres, acima de qualquer discussão (teórica). 
5 ANTROPOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO
Você deve ter percebido que na identificação do ser humano (criados em Cristo, 
“nova criatura”, filhos do Pai de Jesus e irmãos universais em Cristo e por ele), a teologia 
baseou-se, sobretudo, na Bíblia neotestamentária. Por outro lado, deve ter percebido 
que também o Novo Testamento não tem uma linguagem conceitual, filosófica. Ela é, 
sobretudo descritiva. Em terceiro lugar, a antropologia cristã não se esgota nestas grandes 
idéias. 
Linguagem do Antigo Testamento
E você deve estar se perguntando sobre ensino bíblico a respeito da alma 
e do corpo. 
Pois é! O que você quer descobrir deve ser buscado mais na filosofia que na 
Bíblia – apesar do que a Igreja também freqüentemente tenha se deixado influenciar pelo 
helenismo. São Paulo até fala sobre o corpo e alma do ser humano. Ele, porém, não usa 
os conceitos gregos. E, inclusive, chega a falar de corpo, alma e espírito humanos. A 
tricotomia paulina é uma descrição do ser humano e não uma definição. São Paulo faz uma 
teologia eminentemente cristológica, sotereológica. É daí que decorre sua antropologia. O 
mesmo fez a Igreja no Vaticano II (cf. GS 19).
 Ao falar do ser humano, na verdade, discorre sobre Cristo. Isso quer dizer: 
não faz antropologia em si. Antes tem, nesse sentido, intenções cristológicas pastorais 
e, inclusive, morais. Por isso, predominam as dicotomias em Paulo: velha/nova criatura, 
segundo a carne/segundo o Espírito, homem carnal/homem espiritual, desde o pecado/
desde a justificação etc. No mais, como a Bíblia, ele sempre vê o ser humano à luz de Deus 
(à luz de Cristo no Novo Testamento). É por isso que utiliza a linguagem da antropologia 
bíblica. 
Tal linguagem é sempre descritiva. E com freqüência fala de um aspecto do 
ser humano para indicar o todo. Assim, palavras como “rim”, “coração”, “corpo”, “alma”, 
“espírito”, “mão”, “sangue”, “ossos”, “vísceras” etc., sempre têm mais o sentido de indicar 
o todo pela parte. Por exemplo, no Antigo Testamento, quando Deus manda “cingir os 
rins” para a batalha, está querendo dizer: “prepara-te, ó homem, para a luta entre Deus 
e os ídolos”.
ATENÇÃO!
Sugerimos que você releia o item 
6, da Unidade 6 da disciplina 
Introdução à Teologia, que 
fala desse tema. É aconselhável 
que você consulte o meu 
livro: Condição humana e 
solidariedade cristã. 
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UNIDADE 3
Por outro lado, a linguagem antropológica do Antigo Testamento não tem o 
mesmo sentido semântico atual. Ela muitas vezes é polissêmica. Tem vários significados 
para expressar as realidades humanas. É sinonímica. Utiliza diversos termos para 
expressar a mesma realidade. É simbólica. Muitas vezes um simples órgão representa 
o homem inteiro. É representativa. Os termos não têm a rigorosa função que hoje nós 
lhe atribuímos, mas expressam diferentes atividades humanas. Por fim, deve-se também 
fazer menção às questões de tradução. Nem sempre a palavra traduzida tem o significado 
real da língua original. 
Assim a tricotomia paulina (diferente da dicotomia grega) é a ocasião de 
entender a realidade sob um aspecto ou tal palavra servia para ressaltar um aspecto da 
totalidade.
 O ser humano é uma totalidade complexa, pluridimensional, aberta às relações 
com Deus (principalmente), com os outros e com o mundo. É uma realidade relacional 
dialógica. Não é uma constituição ontológica (como os gregos). As categorias corpo-alma-
espírito (“nephes”, “bazar” e “ruah”) exprimem relações constitutivas da experiência 
humana. 
O humano é a) um ser vivente (“nephes”). O tema “nephes” indica a vida 
no seu sentido mais geral, inclusive aplicada aos animais. No caso do ser 
humano, a “nephes” é o sentir vital da pessoa na sua individualidade, o eu 
como subjetividade aberto às relações com tudo que o circunda e transcende. 
O termo não pode ser entendido de modo unívoco, pois muitas vezes se 
justapõe ou sobrepõe a outros. “Nephes”, que indica vida concreta, é parte 
do corpo que une a cabeça ao tronco (pescoço, a garganta). Por ali passa a 
respiração, sem o que o ser humano morre. 
Você pode ver o emprego diferenciado do termo bíblico em Sl 69,2; Sl 124,4-5; 
Nm 21,5; nos seguintes conjuntos “nephes”, pode ser entendido como respiração (Jr 15,9; 
Jo 11,20; 41,13); como princípio vital, a vida em si (Ex 4,19ª; 1Sm 19,11b; Jo 30,16; Lm 
2,12); como impulso vital (Pr 10,3; Dt 12,15,20-21; Sl 35,9; 1Sm 1,10; Ex 15,9); como 
indivíduo concreto (Jos 11,11; Nm 6,6; Lev 19,28); como pronome pessoal (Gn 12,13; 
1Pd 20,32). 
Este termo hebreu “nephes” foi traduzido em 600 casos para o grego dos LXX 
como “psyche”, e daí ao latim e outras línguas ocidentais como “alma” ou “anima”.
Você pode perceber que não foi nem uma boa tradução nem boa interpretação. 
Para a Bíblia significa que o homem é um ser vivente; ele é “nephes” e não 
tem “nephes”. Já para os gregos e latinos, a alma é um componente do homem: o 
homem tem alma.
O humano é um ser terrestre, frágil, mortal (corpo). b) “Basar” indicava esta 
realidade sob o aspecto de fragilidade e caducidade; a finitude estrutural do 
ser humano. Indica também, em sentido negativo, a carne, o egoísmo, o 
pecado, a posição a Deus e ao espírito; em sentido positivo indica o corpo. 
Veja os conjuntos, que preparamos para você identificar “basar”: como corpo 
físico (2Rs 5,10; Ez 37,6; Ex 28,42; Jó 6,12; Sl 109,24; Nm 19,7); como sede dos 
sentimento (Jó 14, 22; 21,6; Sl 16,9; Sl 84,3; Sl 63,2); como pessoa inteira ou sinônimo 
do homem (Jr 17,5; Gn 6,3); como debilidade física ou moral (Jó 34; 14-15; Is 40,6-7; 
Pr 5,11; Gn 6,12). 
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UNIDADE 3
Na versão grega dos LXX, “basar” foi traduzido, de modo indistinto, por “sarx” e 
“kreas” que significam “carne”, “corpo biológico”. E este sentido passou para o latim e as 
demais línguas ocidentais.
Veja a dificuldade de entender Jo 1,14: O Verbo se fez “carne”. Se você entender 
como corpo no sentido grego então Jesus não teria alma e não seria verdadeiro homem.
É claro que o significado não pode ser algo externo, biológico ou físico; pois Deus 
se fez humano. O corpo – no sentido bíblico – pode ser carnal ou espiritual, instrumento 
do Espírito ou do egoísmo. Pode ser corpo espiritual ou corpo de pecado. Ele é sinônimo 
de pessoa na sua concretude. A relação do ser humano com os outros e com o mundo se 
faz pelo corpo (“basar”). Neste sentido, é o ser humano que demonstra sua solidariedade 
(ou egoísmo). É o ser humano que necessita da salvação de Deus e expressa sua condição 
humana, no ecossistema e cosmo. 
 “Basar” é o único termo hebraico para designar o “corpo” do homem (aparece 
umas 50 vezes). Também é aplicado ao corpo morto, ao cadáver (2Rs 4,3; Ez 32-5; Sl 
79,2).
Como imagem de Deus, o ser humano recebeu o “sopro divino”, a” ruah”. c) 
“Ruah” qualifica a interioridade (“nephes”) e as relações sociais 
(“basar”) do ser humano. É o principio da vida religiosa e moral (Ez 11,19-
20; Zc 12,10). Significando originalmente ar, vento, hálito vital, força vital, 
o termo exprime a convicção de que a força que mantém vivo o ser humano 
vem só de Deus. Sem ele, o homem volta a ser pó e morre (Jó 34,14-15). O 
fundamento da vida humana com Deus está na “ruah”. Por ela, Deus faz as 
pessoas virem à vida (criação) e se ele a retira, o homem não o verá (não 
se salvará).
Você pode perceber à plurissemia também desse termo, ao analisar as variações 
bíblicas: como “vitalidade” ou “potencia vital” (1Sm 30,12b; Gn 7,105; Gn 6,3; Jó 34,14-
15; Sl 104,2a), sede das paixões ou “aflitos do homem” (Gn 26,35; 1Rs 21,5; Is 54,6; Ex 
21,22); sede de projetos e decisões (Is 29,24; Ez 11,5; Ex 35,21; Nm 14,24; Sl 77,7), em 
sentido escatológico (Ez 11,19).
 “Ruah” foi traduzido na versão dos LXX por “pneuma”. Daí para as demais 
línguas ocidentais como “espírito” – palavra que indica um conceito particular. Ele por não 
ter correspondente em nossas línguas se presta a confusões.
Além desses três conceitos bíblicos fundamentais que São Paulo usou, na 
mentalidade bíblica, há inúmeros outros que aludem à realidade humana. Identificá-los, 
compreendê-los também é importante num estudo aprofundado sobre a antropologia 
bíblica. Apenas vamos citá-los para que se você quiser ampliar seus conhecimentos tenha 
uma indicação. 
O primeiro é o “leb”/”lebad” (centro da atividade sentimental e espiritual; ele 
foi traduzido como “kardia” – coração). Outros mais são: “dam” (sangues), “neshamah” 
(respiração), “me’im” (vísceras), “janim” (rosto), “ro’sh” (cabeça). 
Você percebe que a antropologia bíblica é muito rica. Mas sua linguagem não 
tem a precisão técnica de certas outras línguas e/ou conceitos, como o grego ao falar 
da constituição do homem em corpo e alma. Certamente, você já teve ocasião de ver o 
significado desses termos (corpo, alma, homem), noutros estudos.
Quem é “adão”?
ATENÇÃO!
Sugerimos que você retorne 
aos conteúdos da disciplina 
Antropologia Filosófica ou 
pesquise em algum dicionário 
de filosofia para encontrar as 
diferenças fundamentais. 
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UNIDADE 3
Provavelmente você fará a si mesmo ao menos duas coisas: 
Mas a Bíblia não usa a expressão “homem”? – O que se deve entender 1) 
então? 
Por que então na Igreja e no cristianismo se usa a palavra “homem” e até as 2) 
categorias de corpo e alma?
 
Vamos por passos. No primeiro, sugeri que você recorra a algum dicionário bíblico-
teológico para aprofundar o tema. Mas, comecemos por aqui uma introdução ao tema. 
Você deve ter percebido que no texto desta apostila quase todas as vezes a 
palavra “adão” está escrita em letra minúscula. Nós o temos como um substantivo genérico 
e coletivo. Não como nome próprio de uma pessoa. Na Bíblia, “adão” é usado 562 vezes. A 
etimologia não é muito segura. Porém, aceita-se que ou deriva da raiz “adamah” (terra), 
em referência ao elemento material, do qual havia sido feito. Ou se relaciona com “adam” 
(vermelho, escuro, moreno) aludindo a cor escura da pele, da gente médio-oriental. Note 
que algumas vezes é usado para designar nominalmente um ser humano – o primeiro dos 
viventes (cf. Gn 40,25; 5,1-5; 1Cr 1,1). 
C. Spicq dizque na Bíblia “adão” significa a natureza adamítica. Ela vincula os 
seres humano entre si, nas suas qualidades, história e destino. Este seria o sentido do II 
Henoc 30,13: “Eu lhe dei um nome composto dos quatro pontos cardeais: Leste, Oeste, 
Norte e Sul: “A” para Anatalé, “D” para Dúsis, “A” para Arhos e “M” para MesemBria” (C. 
SPICQ. Dio e l’uomo secondo il Nuovo Testamento. Roma: Paoline, 1969, p. 183). Veja 
também meu livro Da imagem à semelhança..., p. 53ss). Alguns dizem que “adão” foi feito 
com um punhado de terra tirado dos quatro cantos do mundo)
Já a palavra “ish” significa varão, marido, ser humano. O feminino correspondente 
é “ishãh” e designa a mulher, a fêmea. São usados no plural e no singular 2.160 e 775 
vezes respectivamente. Também, os israelitas usaram a palavra “enõsh” (45 vezes) por 
indicar o homem, para significar “ser débil” ou ”ser social”; outras vezes tem o sentido de 
os homens (todos ou só alguns), humanidade, de “ser forte”. 
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR
Já se afirmou que a Bíblia não tem a moderna concepção semiótica das 
palavras. Ela as usa como significados, não como definições ou conceitos. 
Por outro lado, também não é um livro de teologia, mas narra a história da 
salvação. Por isso, sua preocupação é com o ser humano real e a humanidade 
toda no processo salvífico. Ela se ocupa do ser humano a partir da história 
que Deus faz com ele. Bem pelo contrário. O único interlocutor de Deus é o 
ser humano. E a Bíblia só o descreve situado na história, marcado pelo seu 
passado e projetado para o futuro, a partir de uma concepção teológica. 
A vida dramática do homem sobre a terra é contada e recontada muitas vezes 
na Bíblia. Ela adquire um caráter mítico, um caráter simbólico e/ou exemplar, que permite 
narrar fatos com significado universal – sobretudo os 11 primeiros capítulos do Gênesis. O 
ser humano, em síntese, é um ser vivente – por obra de Deus – capaz de relacionar-se com 
ele. De receber uma missão na administração da criação toda. De ser marcado, mesmo na 
diferença do homem e mulher, por uma igualdade fundamental. Além da missão sobre a 
terra e da parceria com Deus, ele tem um destino divino.
 
Muitas vezes, o ser humano é um homem frágil, ambíguo. Torna-se idólatra, 
abandonando o único Deus, verdadeiro e fiel na aliança comum. Mesmo assim, ele é um ser 
de cuidados divinos. Deus tem por ele particular solicitude. Apesar das aparências em contrário e da 
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UNIDADE 3
insatisfação diante das respostas tradicionais, ele se convence de que Deus lhe prepara um destino 
ultraterreno feliz. 
Imagem e semelhança com Deus
Lembre-se de que nesta unidade, você deve fazer a identificação do ser humano 
à luz da revelação. Então é importante retornar a um tema (quase o único, talvez) que você 
trouxe da catequese: o ser humano foi criado por Deus a sua imagem e semelhança. 
Esta afirmação você a encontra em Gn 1,26-27. E ela se tornou clássica em 
nossas igrejas: o ser humano é imagem e semelhança com Deus. 
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR
Na Unidade 2, já antecipamos que Jesus é a imagem visível do Deus invisível, 
que ele é o modelo original, “novo” e que só apareceu na encarnação do Verbo. 
Recomendamos que você retorne ao tema do ser humano como imagem e 
semelhança.
De modo geral, a Bíblia usa “quase” como sinônimas estas duas palavras (“selem” 
e “demut”, em hebraico). Na patrística, vários Santos Padres, entre eles Santo Irineu, 
deram um sentido diferente: feita à imagem de Deus, o ser humano vai se tornando – pela 
ação do Espírito Santo – semelhante a ele, até podê-lo ver face a face.
Compreender o ser humano como imagem de Deus é uma tradição bíblico-
histórica. Enunciaremos aqui esquematicamente algumas idéias, que depois você pode 
aprofundar num bom comentário de bíblia.
“Selem” aparece na Bíblia 17 vezes e “demut” 25 vezes. Significam estátua de 
um ser divino, de deus ou representação de Deus. Como imagem, o ser humano tem sua 
autonomia, mas é representante de Deus. 
Para alguns Santos Padres, “imagem e semelhança” teriam dois sentidos: 
Sentido funcionala) : é imagem e semelhança porque o Senhor confiou ao 
ser humano uma missão/bênção. A pessoa humana será o representante 
de Deus diante da criação toda. É o lugar-tenente de Deus. Assim, o que o 
caracteriza é o agir humano no lugar de Deus e como Deus age.
Sentido relacionalb) : é imagem porque está relacionado a Deus. Daí 
derivaria a dignidade do ser humano. Só ele pode fazer companhia a Deus. 
Ele responde e fala com Deus. É seu interlocutor. O “tu” de Deus.
Alguns se perguntaram, na história da fé, se a imagem que o ser humano é, 
está no corpo, na alma, no espírito. As respostas foram as mais diversas. Mas, se você 
entendeu bem o item anterior, deve ter percebido que a discussão hoje não faz sentido. 
Como não o fez na Bíblia. 
O que importa é afirmar e crer: 
todos, homens e mulheres – independente de qualquer situação – são a) 
imagens de Deus; 
por isso, têm confirmado sua dignidade. b) 
Por outro lado, é preciso compreender: 
INFORMAÇÃO 
COMPLEMENTAR
Sugerimos uma leitura 
interessante: O homem bíblico. 
Leituras do Primeiro Testamento. 
André WÉNIN, Loyola, 2006. 
ATENÇÃO!
Se você quiser ler mais sobre 
isto, veja o cap. IV do meu livro: 
Ensaio de Antropologia cristã: 
da imagem a semelhança com 
Deus, p. 159-215. 
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UNIDADE 3
o ser humano não é Deus, mas sua imagem; a) 
porque foi criado assim;b) 
ele é interlocutor de Deus; c) 
é naturalmente bom, mas ainda não perfeito (nem imperfeito); deve crescer d) 
e se aperfeiçoar; 
a imagem de Deus está em todos e em cada um em particular. e) 
Por ser imagem de Deus, o ser humano não se esgota dentro do universo 
cósmico. Ele é chamado a transcender-se. O pecado pode até machucar, mas nunca 
eliminar a imagem de Deus, que cada um traz em si. No ser humano ferido, machucado e 
empobrecido, também permanece a imagem de Deus – mesmo que mais próximo do Deus 
crucificado. A imagem de Deus está no todo do nosso ser. Ela se manifesta aí de modo 
claro e límpido, nobre e santo; ou ferido e empobrecido, idolátrico e pecador em cada 
um de nós. É claro que homem e mulher, rico ou pobre, branco ou negro, todos somos 
imagem de Deus. 
Por ser imagem de Deus, sempre refletimos – mesmo estando em pecado – a 
nossa origem. Em outras palavras, somos abertos (a Deus). Somos feitos para a comunhão 
inter-humana. Somos dotados de liberdade, responsabilidade e comprometidos com o 
meio ambiente e o cosmo todo. 
Você poderá perguntar-se como podemos “carregar” em nós – seres humanos 
concretos, corporais – a realidade espiritual que é Deus.
Alguns teólogos afirmam que a plenitude da imagem e semelhança com Deus se 
evidenciará na consumação do mundo. O Verbo se fez humano para nos levar à plenitude. 
Para nos divinizar. Divinização significa também: deificação ou santificação. A partir da 
teologia, pode-se falar da realização plena como ser humano ou da humanização completa 
em Deus. De qualquer forma – além da contribuição humana –, é uma radical ação do 
Espírito de Cristo. E isso é motivo de louvar a Deus. 
6 A PESSOA HUMANA
Todas estas identificações são fundamentalmente reveladas e decorrem da Bíblia 
Sagrada. É oportuno, porém, acenar a duas questões. 
a Bíblia revela quem é o ser humano (diante de Deus e dos outros). Mas de 1º 
modo algum tem-se uma teorização sobre o tema. Não se encontra nela um 
estudo sistemático, nem uma tratação uniforme e localizada. A identificação 
da pessoa humana está nos milhares de versículos escritos em tempos, 
linguagens e perspectivas diferentes. 
Trata-se de uma questão mais complexa. E decorre da reflexão cristã. Pode ser percebida 2º 
como uma construção ou elaboração da teologia. Estamos falando do conceito pessoa. 
O texto bíblico nãosistematiza este tema. O conceito grego de “homem” não satisfaz. 
A Igreja elaborou o cenceito de “pessoa”. Isto é uma das maiores contribuições dadas 
pela Igreja à humanidade. Tal compreensão é fruto de muita observação e reflexão, que 
evolui ao longo dos séculos. 
mpmpmp
O esquema, a seguir, poderá ajudá-lo a desenvolver melhor seus estudos. Ser 
pessoa significa:
ATENÇÃO!
Se retornar às afirmações das 
unidades anteriores, poderá 
compreender facilmente a 
resposta. Experimente. 
O Vaticano II faz uma belíssima 
reflexão teológica sobre o ser 
humano como imagem de Deus. 
Elabore uma síntese do n. 12 
da Gaudium et Spes e depois 
compare com os n. 17,34 e 68, 
além de confrontar com o n. 5 de 
Nostra aetate (NA). 
INFORMAÇÃO 
COMPLEMENTAR 
É importante você pesquisar, em 
dicionários de religião, teologia 
e filosofia – sem esquecer os 
temas estudados na disciplina 
Introdução à antropologia 
filosófica – o conceito ou a 
descrição de pessoa (homem, 
ser humano), no budismo, 
islamismo, filosofia grega, 
moderna e contemporânea. 
Você pode elaborar uma síntese 
sobre o tema, estudando a 
palavra pessoa humana nos 
documentos do Vaticano II. Para 
isso, consulte o índice analítico. 
Como são muitas as descrições 
existentes, você deve ter bem 
presente ao mesmo tempo o que 
afirmam a GS 3,10,12-22,26-27 
e a DH 1.
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UNIDADE 3
é uma relação única, singular e irrepetível (ninguém é “clonável”);a) 
subsiste em si e para si – é um sujeito que se auto-possui. Mas não se fecha b) 
sobre si mesma; 
é aberta ou se transcende para o mundo, para o outro e para Deus (é c) 
“socium”);
é uma relação radicada na liberdade;d) 
tem um duplo movimento (de dom e de tarefa) no processo de aperfeiçoamento e) 
rumo a Deus.
é um mistério paradoxal que não se esgota em si. f) 
SÍNTESE
Nesta unidade você estudou alguns elementos capazes de construir 
cristologicamente a identidade cristã do ser humano. Nesta identificação são 
importantes teologicamente as afirmações do ser humano como nova criatura 
(nova quer dizer: original, primeira, por se assemelhar a Cristo, o homem 
novo), filho de Deus em Cristo (desde o início somos adotados por Deus por 
meio de seu Filho Unigênito), irmãos universais em Cristo e de Cristo.
Depois você aprofundou os temas da antropologia veterotestamentária. Aí deve 
ter percebido que a Bíblia não é sistemática, mas descritiva e simbólica. Pela 
parte, descreve o todo ou ao valorizar um aspecto não divide a totalidade do 
ser humano. Ao citar “adão”, você não entende mais uma pessoa determinada, 
mas o ser humano, a humanidade em geral – que por sua vez é imagem de 
Deus. E é imagem porque age no lugar de Deus ou é o interlocutor de Deus. 
Finalmente, você encontrou alguns elementos sistemáticos para entender este 
conceito tão fundamental de pessoa humana – que supera o conceito grego 
de “homem”.
A esta altura de seu estudo, você já adquiriu muitas idéias importantes de 
Antropologia Teológica cristã. Todavia, é preciso esclarecer algumas questões 
candentes, sobretudo no mundo atual, onde as ciências parecem ditar (até 
dogmaticamente) algumas afirmações – onde a fé não teria espaço. A próxima 
unidade é atualíssima. Aproveite para entender bem sua reflexão cristã.
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GARCIA RUBIO, Alfonso. Unidade na pluralidade. São Paulo: Paulus, 2004. 
GRELOT,P. Homem quem és?. S. Paulo: Paulinas, 1982.
KRAUS, H.; KÜRCHLER, M. As origens. Um estudo do gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 
2007.
RESMOND, René. As grandes descobertas do cristianismo. Especialmente p. 43-63. São 
Paulo: Loyola, 2005. 
REY, Bernard. Nova criação em Cristo, no pensamento de São Paulo. São Paulo: Academia 
Cristã, 2005.
RIBEIRO, Helcion. Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos. Antropologia Teológica. 
Petrópolis: Vozes, 2007.
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UNIDADE 3
RUIZ DE LA PEÑA, Juan Luiz. Teologia da criação. São Paulo: Loyola, 1989.
SUZIN, Luis Carlos. A criação em Deus. São Paulo: Paulinas – Valencia (Esp.): Siquem, 
2003.
8 E-REFERÊNCIA
Chamada numérica
(1) São Paulo: o Apóstolo - Disponível em: <http://www.parceria.nl/images/
assets/12532381>.
Anotações
Objetivos
Identifi car o• sentido na vida humana a partir de sua 
destinação fi nal.
Justifi car teologicamente o sentido da vocação humana • 
da fi liação divina, da fraternidade humana e do senhorio 
em relação ao ecossistema.
Produzir razões teológicas que caracterizem o signifi cado • 
das vocações humanas históricas.
Conteúdo
Destinação fi nal, vocação humana.• 
DESTINAÇÃO FINAL
U
N
ID
A
D
E
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UNIDADE 4
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 3 você teve oportunidade de aprofundar alguns temas importantes, 
tais como a identificação cristológica do ser humano, a fraternidade universal em Cristo, 
bem como a antropologia veterotestamentária. Além disso, discutimos sobre a imagem e 
semelhança de Deus e a pessoa humana. Esta unidade que agora iniciamos pode parecer 
um pouco estranha. A lógica é começar com as coisas do início e terminar com as do 
fim. Porém, nesta unidade pretendemos desafiar a você a compreender a origem do 
ser humano pelo seu destino final. Por isso, você estudará primeiro a razão de nossa 
existência – a plenitude em Deus. E daí poderá ficar mais claro por que Deus nos criou. 
Somos chamados à glória de Deus, por isso é que existimos. Em outras palavras: 
nossa vida tem um sentido. Não existimos por acaso. É nosso destino final, todavia, que 
explica por que nossa vida tem sentido. Daí que dividimos esta unidade em três grandes 
temas: a destinação final, a origem (ou criação) nossa e a dignidade humana.
Seu estudo descortinará nossa vocação fundamental (diante de Deus) e as 
diversas vocações complementares (o que somos durante a vida: filhos, irmãos e senhores 
no universo; homens e mulheres; casados e solteiros; profissionais etc.).
Você há de convir que este tema é bem interessante e útil. Bom proveito, 
então!
2 DESTINAÇÃO FINAL, VOCAÇÃO HUMANA
Ao iniciar esta unidade, gostaria que você escrevesse um texto, em seu caderno, 
respondendo as seguintes questões: 
por que• você e os seres humanos existem?
para que• você e eles todos existem?
Alguns crêem que o ser humano desaparece totalmente na morte. Hindus e 
espíritas falam de um ciclo evolutivo que culminaria na perfeição humana. Budistas crêem 
que, na morte, o ser humano se reintegrará à matéria. Uma resposta, sem sentido, seria: 
estamos aqui para morrer e desaparecer. 
Esta primeira parte – que é muito importante – questiona o porquê e o para quê 
de nossa vida. 
É um tema importante. Ele ajuda a determinar nosso modo de viver e de nos 
realizarmos como seres humanos. A partir daí podemos entender o significado de nossas 
múltiplas vocações históricas e, inclusive, nossa origem.
Nem você, nem ninguém pediu para nascer. O fato é que “estamos aí” (“dasein”, 
diz Heidegger). Aí jogados ou aí postos com um sentido? Os antigos gregos afirmavam 
que os seres humanos foram criados para servirem os deuses. Pode parecer, mas, não só 
filósofos, também gente bem perto de você não sabe das razões de sua existência. 
Chamados a viver em Deus: nossa destinação última
Na unidade anterior, você aprendeu que nossa origem está em Cristo. Ele nos 
fez (faz) criaturas novas. Nele somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Por ele, 
ATENÇÃO!
Você deve lembrar que nosso 
enfoque é antropológico. Mas, 
mantém boa ligação com a 
escatologia. 
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UNIDADE 4
somos imagem e semelhança de Deus. Enfim, ele como arquétipo, constitui-nos pessoas, 
isto é, seres relacionais.Mas, e daí: por que e para que tudo isso? A começar da Bíblia e da teologia, esta 
resposta está ligada ao nosso presente e ao nosso futuro: nós existimos como a glória de 
Deus. E só nele chegaremos à plenitude de nossa realização. A idéia de que estamos aqui 
para cuidar e cultivar o mundo por meio do trabalho, da política, da cultura etc., é tão 
somente parte de uma verdade utilitarista e funcional. Ao realizar estas atividades, não 
colocamos nelas o sentido ou significado último de nossa vida. Isso seria muito horizontal 
(terrenal). Nossa vida tem também um significado transcendente. 
Existimos para a glória de Deus. Deus nos chamou à vida histórica para 
participarmos de sua vida plena (cf. Jo 10.10). Como disse Santo Agostinho: somos 
cidadãos de duas pátrias. A primeira é provisória, incompleta. Só na segunda seremos 
definitivamente completos e felizes. “Fizeste-nos para ti, Senhor”, diz Agostinho. Existimos 
para viver em Deus. Este é o sentido de nossa vida.
Os Santos Padres não se cansaram de afirmar que Deus se fez humano, para 
que os humanos fossem divinizados. Estamos, pois, a caminho de perfeição – somos 
seres de aperfeiçoamento. Em Deus chegaremos à plenitude da vida. 
Sugerimos que você reflita agora sobre esta afirmação: Em Deus, cada homem 
e cada mulher verá o rosto definitivo de Deus e entenderá por que somos imagem e 
semelhança dele. Lá se manifestará totalmente nosso ser como “criaturas novas”, 
“originais”. Lá entenderemos Jesus Cristo como ser humano perfeito e nosso modelo. Lá 
todas as aspirações humanas terão o sentido definitivo. 
A função do Espírito Santo é conduzir-nos a Deus. E ele a realiza porque trabalha 
e aperfeiçoa o nosso coração. Sem dúvida, nossa colaboração é imprescindível. Deus nos 
fez sem nós, mas não nos salva sem nossa livre colaboração. 
Ao afirmar que “só Jesus Cristo revela definitivamente quem é o ser humano”, 
estamos pensando na realidade total e definitiva dele, que vive no Pai. Então a afirmação de 
que ele se fez um de nós para nos “divinizar” ou “deificar” ganha uma força maior.
 
Origines, comentando Gn 1,27, onde só aparece a palavra “imagem” (e não a 
“semelhante” – isto está em Gn 1,26) –, diz: 
“O fato de que tenha dito ‘o fez à imagem de Deus’ e calado sobre a semelhança, 
indica que o ser humano, desde a criação, recebeu a dignidade da imagem, 
enquanto a perfeição da semelhança ser-lhe-ia reservada para o fim, no sentido 
de que ele deveria conquistá-la, ao imitar a Deus, através de sua operosidade. 
Assim, era-lhe concedida no início a possibilidade da perfeição por meio da 
dignidade da imagem: ele pôde, por meio das obras atingir no termino da vida 
a perfeita semelhança” (De principiis III, 1).
Ser perfeito em semelhança não é ser igual. Ser semelhante é poder ver e 
conviver com Deus face a face, de modo irreversível. É manter-se em comunhão eterna 
com ele e participar da vida com ele. Desse modo, atingiremos nossa perfeição, isto 
é, tornar-nos plenamente humanos. Divinizados, humanizados, mas não deuses. Ser 
perfeito em semelhança com Deus não é perder a humanidade. Antes é elevá-la à estatura 
de Deus, como ressuscitados – como Cristo. A semelhança não é em natureza, mas em 
virtude, como diz São João Crisóstomo (De fide orth. II, 12). E a virtude aqui é o amor. 
“Quem permanecer no amor é semelhante a Deus” (1Jo 4,8). 
ATENÇÃO!
Divinizar ou deificar significa 
realizar-se plenamente como 
ser humano, sendo semelhante 
a Deus (sem deixar de ser 
humano).
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UNIDADE 4
Respeitadas as diferenças (Deus e homem), podemos perguntar:
Por que existe quem poderia não existir? 
Formaremos uma unidade derradeira de amor, semelhante à que existe entre 
a Segunda Pessoa da Trindade (Cristo) e a própria Trindade. Lembre-se: “Deus nos 
escolheu antes da criação do mundo, para sermos santos e perfeitos, diante dele no 
amor” (Ef 1,4).
Para que Deus fez isto?
O Concílio Vaticano II afirma que somos “as únicas criaturas que Deus quis por 
si mesmas” (GS 24). Ele nos escolheu e nos chamou para participarmos gratuitamente 
de sua vida, “para o louvor e a glória de sua graça” (Ef 1,4). Para participarmos de sua 
vida (LG 2). 
Todo ser humano e os seres humanos todos foram (são) criados por livre 
iniciativa e amorosa bondade de Deus. Deus não necessitava de ninguém. Mas chamou-
nos à vida para participarmos de seu amor e de sua glória. É fundamental ressaltar esta 
afirmação doutrinária da Igreja: Deus nos criou livre e gratuitamente. Por amor.
Aqui está uma idéia importante. Talvez até mais importante que você tenha 
pensado:
A criação do ser humano adquire valor por causa da destinação, da vocação 
que Deus lhe confere. Existimos para participar da vida de Deus. Esta é a 
nossa vocação fundamental. Nosso destino. Existimos para viver a glória de 
Deus (DS 3025) e a beatitude nossa, acrescenta o Vaticano II no Decreto 
sobre a atividade missionária da Igreja (AG 2). 
Deste modo, ser salvo e participar da glória de Deus coincidem. A glória de 
Deus consiste em nos salvar, em nos fazer participar de sua vida. 
Nossa dignidade, autonomia e liberdade histórica já são causas da glorificação 
de Deus. E fora dele, elas não fazem sentido. Então, a glória do homem vai coincidir 
com a de Deus. 
Isso não significa que Deus precise de nós para ser glorificado. Não fomos criados 
para dar glória, mas, porque criados, damos glória a Deus. Só assim Deus é glorificado. 
Ao mesmo tempo e exatamente por isso é que Deus se gloria em nós. A soberana vontade 
de Deus em nos chamar à vida leva-o a nos salvar, a nos fazer participar de sua.
Guimarães Rosa, em Grandes Sertões e Veredas, afirma: “É melhor existir 
que não existir”. Se assim é, e sabendo que foi Deus quem nos chamou a existência, e 
existimos para viver de modo semelhante a ele, então só nos resta concluir: existimos 
para ele. E existir para ele é nossa vocação última, nossa destinação. Fora da vida de 
Deus, nada faria sentido para o ser humano. Ele não necessitava nos criar. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Embora você esteja estudando 
antropologia cristã, mesmo assim 
não pode perder de vista que 
este “para quê” pertence a toda 
a humanidade. Deus é Deus de 
todos. A encarnação do Verbo 
evidencia que todos os povos 
foram constituídos um só (cf. Is 
60,4-7; 1Cor 11,25; Jo 3,5-6; Ap 
21,24 e Lc 9,2; 13b). 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Santo Irineu já afirmava: “A glória 
de Deus é a pessoa humana 
vivente; e a vida do ser humano 
é a visão de Deus” (Ad. H. IV, 
20,2). Santo Tomás lembra: “ 
Deus não procura para si sua 
glória, mas para nós” (S. Th. II, 
q. 132 a.1).
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UNIDADE 4
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR:
O físico Marcelo Gleiser 1 comentou que, cientificamente, nós somos seres 
improváveis. Isto é, cientificamente, existimos por um acaso, sem explicações. 
Porém à luz da fé, sabemos que Deus quis que existíssemos para participar 
de sua glória. Ao mesmo tempo, ao existirmos somos sua glória de Deus – 
exatamente e apesar da improbabi
Deus quer, livre e gratuitamente, que nós existamos. a) 
Existimos para ser sua glória e participarmos dela.b) 
Nosso destino último é também nossa vocação última: chamados para a c) 
glória de Deus. 
Tudo quanto existe também é chamado a participar da vida de Deus (cf. Rm 
8,5). 
Agora convidamos você a confrontar tudo o que você estudou com o texto que 
você escreveu no seu caderno, no início desta unidade. Que tal o resultado?
 
3 NOSSA VOCAÇÃO TRANSCENDENTE: FILHOS, IRMÃOS E 
SENHORES 
No item anterior, você conheceu o significado de nossa vocação ou destinação 
última. Porém, nós não vivemos sozinhos na espera do além. Aqui, no aquém, temos 
vários chamados a responder. Se nossa primeira vocação é transcendental, escatológica e 
definitiva, lembramos que a segunda é a vocação histórica, terrena.Esta está subordinada 
àquela.
Filhos de Deus 
Na Unidade 3, refletimos sobre a identificação da pessoa humana e sua 
origem em Cristo. Todo ser humano é filho de Deus, irmão universal em Cristo e “poeira do 
universo”. Somos filhos de Deus e feitos da matéria cósmica. No cosmo, temos um papel 
importante: perscrutar e dirigir a criação. Nossa vocação terrestre fundamental consiste 
em sermos filhos, irmãos e senhores. 
Também na Unidade 3, estudamos o tema Somos filhos de Deus, como 
identificação antropológica descendente. Isto é: Deus é quem vem nos fazer filhos adotivos 
por seu Filho. E constitutivamente somos assim. Agora, devemos fazer o caminho inverso 
partindo da antropologia. Este caminho, entretanto, não está desligado da ética e da moral 
e nele deve ser priorizada a questão antropológica. De fato, se somos filhos reconhecemos 
a Deus como Pai. 
A vocação de filho indica antes de tudo que não somos seres sem referência. 
Deus olha por nós. É nosso Pai. Contudo, criou-nos para nossa autonomia histórica. 
Afasta-se de verdade aquele que se crê independente de Deus e auto-suficiente de modo 
absoluto. 
Cremos que a ação paterna de Deus nos acompanha sempre. Não nos abandona. 
Ao mesmo tempo, sabemos que os filhos também caminham com suas pernas. A relação 
(1) Marcelo Gleiser (1959-) 
é um físico, astrônomo, 
professor, escritor, roteirista 
e colunista da Folha de S. 
Paulo. É membro convidado da 
Academia Brasileira de Filosofia. 
Escreveu dois livros e publicou 
uma coletânea de artigos. 
É conhecido no Brasil e no 
exterior por seu lecionamentos e 
pesquisas científicas. 
ATENÇÃO!
Você poderia escrever umas 
linhas no seu caderno sobre 
sua vocação nesta vida. Seria 
bem interessante para fazer um 
confronto ao final deste item. 
Pare, pois, e redija seu texto.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Pai é pai, e filho é filho. Se na 
história filhos podem-se tornar 
pais, na relação com Deus isso 
não acontece. 
Permanecer como filhos poderia, 
então, ser humilhante para nós? 
Deus sempre nos manterá à sua 
sombra? 
Seremos eternos dependentes? 
É claro que os critérios de análise 
não são estes. 
INFORMAÇÃO:
Alguns povos crêem que Deus 
criou os seres humanos e, 
depois, os abandonou. Deus 
teria se recolhido nos distantes 
céus. Contudo, nós, cristãos, 
sabemos que Deus sempre nos 
acompanha.
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UNIDADE 4
filial que mantemos com Deus é a de filho para o Pai. Nós o temos em conta. Sabemos 
que ele é o nosso garante. Mantemo-nos em feliz comunhão com ele. Tornamo-nos 
responsáveis pelo mundo dele colocado em nossas mãos. 
Somos filhos enquanto o consideramos e nos responsabilizamos, de modo 
maduro, pela sua obra criada e assistida permanentemente. A paternidade não é uma 
escravidão. E a filiação é a oportunidade de integralidade de vida, de maturação, de 
personificação e de gratidão por existirmos e sermos co-criadores com ele.
Todavia as presunções de muitos os têm levado a uma auto-suficiência que 
pretenderia repetir o “gesto etiológico” de Adão e Eva: quer ser Deus (cf. Gn 3,1-24).
Somos irmãos
Sermos irmãos também é nossa vocação: chamados a ser irmãos. 
 
Somos irmãos – como disseram os sofistas – por que baseados na natureza 
comum. Os sofistas ainda acrescentaram: porque fazemos parte da comunidade dos seres 
humanos. 
Somos irmãos e irmãs porque:
somos companheiros no grande processo que começou nos últimos 150.000 a) 
anos de história, surgido na África e daí se espalhando pelo planeta todo;
somos constituídos da mesma natureza humana de “homo sapiens”;b) 
vivemos as mesmas inquietações e partilhamos as mesmas conquistas; c) 
estamos todos caminhando para Deus, como seus filhos.d) 
Somos irmãos e irmãs embora diferenciados por questões culturais e econômicas, 
políticas, raciais etc. Estas diferenças, entretanto, não pertencem à estrutura antropológica 
do nosso ser. Antes, a diferenciação pode até ser uma riqueza diversificada. 
Somos irmãos porque em Jesus Cristo reconhecemos a fraternidade universal. Porque 
só em Deus resolvemos nossas inquietações profundas. E só por meio de princípios éticos, 
morais, podemos estabelecer a convivência fraterna de todos, sem discriminações. 
Somos senhores, dentro da obra criada
Somos irmãos da mesma obra criada. Somos senhores e parte dela. Isso 
por si só já é um fator altamente delimitador de qualquer presunção sobre o criado 
(antropocentrismo). 
Somos senhores enquanto analisarmos tudo quanto existe e reconhecermos 
que tudo vem de Deus. Podemos dar sentido às coisas, criar e organizar o espaço 
cósmico, representar o grande Senhor. Somos senhores enquanto responsáveis maiores 
pelo equilíbrio do ecossistema, pela superação de acidentes naturais, pela preservação 
das bio-espécies. Somos senhores à medida que, nós – “imago Dei” (imagem de Deus) 
– fazemos do espaço a “imago hominis” (imagem do homem). Ao imprimir, a “imago 
hominis” no universo, nós imprimimos o Espírito Santo de Deus, para que nos processos 
de transformações da natureza, do ecossistema e do cosmo, criemos a solidariedade 
universal com todas as formas de vida existentes.
Filho do próprio universo, o ser humano é uma das espécies de vida mais 
recentes no planeta. Todavia, por sua capacidade de raciocínio, articulação da cultura e 
relações, a pessoa humana é capaz de influir no seu meio ambiente, no ecossistema todo 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Todo outro ser humano é meu 
irmão, minha irmã. Não basta ser 
um “tu” ou o “outro”.
INFORMAÇÃO:
Os romanos e os gregos 
afirmavam a fraternidade 
humana, só entre os iguais e 
superiores. Os semitas e cristãos 
afirmam que a fraternidade é 
universal e deve ser buscada 
na igual dignidade, de origem e 
destino, assegurados por Deus. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
No sentido ético e moral, temos 
a tarefa e o compromisso de 
construir responsavelmente um 
mundo fraterno para todos. 
INFORMAÇÃO:
Entre os irmãos não deve 
haver lugar para excluídos e 
marginalizados. Somos irmãos 
mesmo que haja, entre os seres 
humanos, gestos anti-fraternais 
que empurram tantos irmãos à 
fome, à miséria e à exclusão. 
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UNIDADE 4
e, quem sabe, no próprio cosmo. Na pessoa humana, a evolução concentrou inúmeros 
benesses cósmicos, capazes de fazer de si um agente privilegiado no assenhoramento do 
universo, sem deixar a condição de filho desse mesmo universo.
À luz da fé e do re-conhecimento do lugar de Deus, o cristão (e assim deveria ser 
toda pessoa humana) sabe que seu senhorio sobre o universo decorre do fato de Deus ser o 
Senhor dos senhores e do cosmo todo. A pessoa humana não é um autônomo em si, mas um 
colaborador de Deus – sua imagem – diante da obra da criação: por isso, senhor. 
4 NOSSAS VOCAÇÕES HISTÓRICAS
 
Vivemos localizados no espaço e no tempo. É aí que vivemos nossa vocação, 
que, por sua vez, adquire contornos históricos.
Somos homens ou mulheres
Na vocação humana há outro aspecto fundamental. Deus nos chama à vida 
terrena sempre como seres sexuados. Somos homens ou mulheres. Nossa identidade está 
marcada profundamente pela sexualidade. A diferença não é acidental. É constitutiva. Só 
se é pessoa humana de modo masculino ou feminino. 
A masculinidade e a feminilidade criam nas pessoas um modo de se auto-
conceberem e se posicionarem diante de si, do mundo, dos outros e de Deus. Assumir-
se como homem ou como mulher significa desenvolver em si e fazer maturar a própria 
masculinidade ou feminilidade. O importante é a integração madura de si para manter a 
capacidade da reciprocidade e alteridade nas relações do gênero. 
 
As categorias masculino e feminino produzem uma rede de relações de troca, 
reciprocidade, diferenciação, nupcialidade, paternidade/maternidade etc. Isso torna os 
homens e as mulheres capazes de criar uma dimensão de ternura, respeito e amizadesuficientes para nos fazer compreender melhor a nós mesmos e a Deus. 
Vocação ao matrimônio e/ou ao estado célibe 
A categoria homem/mulher leva-nos à vocação do matrimônio e/ou do estado 
célibe. “O destino da humanidade passa pela família”, dizia João Paulo II. É certo que nas 
últimas décadas, cada vez mais se vê a diversidade ou modelos de família. Para além dos 
modelos de constituição familiar, o elemento permanente é a conjugalidade. 
Mesmo que na concepção de Jesus o matrimônio seja uma realidade terrenal (cf. 
Mt 19ss), ele não estará desligado da vocação última ou de destinação de cada pessoa. Na 
antropologia do matrimônio – desde o Antigo Testamento – afirma-se que o casal deixa 
pai e mãe e se constitui uma só carne. Esta imagem é conservada no Novo Testamento, a 
ponto de comparar o matrimônio à relação entre Cristo e a Igreja. 
Do matrimônio deduz-se uma antropologia de comunhão. Entrementes, este 
tema é mais desenvolvido nos estudos teológicos de moral e nos do direito canônico.
Para a Igreja Católica, ao lado desta antropologia do matrimônio, também se 
estabelece uma antropologia do celibato – vivido por leigos, clérigos e/ou religiosos. 
Esta vocação antropologicamente celibatária é também uma missão e um serviço 
à comunidade humana, exatamente pela possibilidade de se estar mais livre a serviço das 
ATENÇÃO!
Mesmo que este senhorio 
capacite-o a grandes feitos, 
ele pode levar à destruição do 
próprio universo. O ser humano 
pode produzir nele a degradação 
imediata e a longo prazo. 
Hoje somos testemunhas do 
aquecimento global, por exemplo. 
INFORMAÇÃO:
Na cultura ocidental dos 
últimos 50 anos vem sendo 
colocado insistentemente 
a questão do 
homossexualismo. É um fato 
novo, seja em sua dimensão 
cultural, seja moral e/
ou psicológica. Diante da 
questão, as pessoas tomam 
novas posições. Esta não 
é tanto uma questão de 
Antropologia Teológica 
ou cristológica. Por isso, 
passaremos ao largo deste 
tema, mesmo consciente da 
necessidade de refletir sobre 
o tema. 
ATENÇÃO!
Há uma literatura muito rica 
sobre este tema. Ela começou 
discutindo o lugar do feminismo 
na sociedade. Transformou-se 
em movimento feminino e/ou 
feminista. Atualmente se equilibra 
nas chamadas “questões do 
gênero”. Há inclusive uma 
teologia do gênero. Entretanto, 
muitos acreditam que se hoje 
está claro o espaço da mulher, 
não se pode afirmar com certeza 
o do homem. 
INFORMAÇÃO:
Para o cristianismo católico, a 
vocação ao matrimônio tem como 
primeiro objetivo a realização 
dos cônjuges. Depois vem a 
questão da paternidade ou da 
fecundidade responsável. 
INFORMAÇÃO:
Por principio, a Igreja Católica 
Latina consagra como sacerdotes 
os que têm a vocação primeira 
ao celibato. Esta tradição é 
histórica e disciplinar e não 
se opõe ao matrimonio em si. 
Todavia, o celibato é uma opção 
ou estado de vida de muitas 
pessoas. 
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causas humanas. Ser célibe é viver uma vocação também dada por Deus a homens e 
mulheres – que nem por isso vão se dedicar a vida como religiosos consagrados.
Vocação religiosa 
Ainda relacionadas à vocação última do ser humano, devem ser consideradas 
duas espécies de vocação. São também vocações penúltimas os chamados de Deus a 
viver como crente numa comunidade de fé (numa igreja ou religião) e numa profissão. 
Ser religioso (viver a religião): todo ser humano é naturalmente aberto a 
Deus. Qualquer pessoa é atraída por Deus. Só nele encontra sua razão de ser. As religiões, 
por um lado, não deixam de ser fatores culturais e geográficos. Mas, não só! Todavia, 
é geralmente através de uma comunidade de fé, que a pessoa humana manifesta sua 
religiosidade. Pode ser que em algum contexto sociocultural a comunidade de fé seja 
maior ou menor que a comunidade política. Ou pode ser ainda que, numa comunidade 
política, se manifestem diversas comunidades de fé. 
Os cristãos – mesmo sabendo que são muitos os homens e mulheres que não 
crêem na revelação cristã - crêem que Deus é Deus único, universal e de todos. Todos os 
seres humanos sentem-se atraídos pelo “sagrado”, pelo transcendente. Isso manifesta-se 
de forma bem elementar nas questões de origem da vida, de sofrimento e especialmente, 
da morte. Daí em diante, as questões tornam-se complexas e, por isso, aflora uma 
tendência humana natural, dos que crêem de modo similar se agruparem. 
Crer é uma categoria profundamente antropológica. E os cristãos sabem que 
sua fé é resposta a uma manifestação que vem de fora do universo humano. Deus mesmo 
veio “de muitos modos, no passado” e “nos últimos tempos revelou-se por seu filho Jesus 
Cristo”, encarnado entre nós. 
Os cristãos põem sua razão religiosa nas respostas à provocação que veio do 
alto e que se densificou “na plenitude dos tempos” (Gl 4,4), com a encarnação de Deus. 
Reconhecem os cristãos que Deus se fez um de nós, para mostrar-nos a todos nossa 
filiação divina, nossa origem comum e nossa destinação salvífica também comum. 
Vocação ao trabalho
Também a vida profissional de todas as pessoas está relacionada, penultimamente, 
à destinação salvífica do plano de Deus. Cada um torna-se co-criador com Deus, além 
de dignificar-se pelo trabalho. A vocação ao trabalho e/ou a uma profissão é inerente 
à pessoa humana. Pelo trabalho ou profissão, todos são chamados à realização no 
mundo, à responsabilidade sobre o universo criado, à administração dos bens comuns da 
humanidade. 
Por ser carente (não auto-suficiente), o ser humano é chamado a produzir 
sua cultura, liberto das escravidões do mundo físico. Assume com suas mãos, com sua 
inteligência e vontade, a transformação da natureza “bruta”, para fazer do mundo a casa 
sua e a dos irmãos. Assume, de forma libertadora e redentora, a modificação do espaço 
para satisfazer suas necessidades e contribuir para o bem comum. Pelo trabalho, ele 
espiritualiza o mundo.
As distintas profissões que se multiplicam são dons de Deus, respostas à 
realização pessoal e ao bem comum. Deus chama todos os seres humanos a colaborarem, 
com o empenho pessoal, na construção de um mundo crescentemente fraterno. Tal 
mundo, pela diversidade vocacional do trabalho e do serviço, é uma antecipação gozosa 
da participação em Deus. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
A densificação cristã na Igreja é 
uma resposta humana católica 
exatamente porque ela quer ser 
interlocutora com todos os seres 
humanos e com cada um em 
particular. Ser católico implica 
antropologicamente ser universal, 
universalista e ser capaz de 
envolver-se com toda e qualquer 
situação humana. 
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UNIDADE 4
Desse modo, a vocação ao trabalho e à profissão torna-se fonte de humanização 
e realização do ser humano e espiritualização da matéria. Além de capacitá-lo a ser senhor 
de si e colaborador solidário com os irmãos e irmãs. 
Tanto mais se realiza a pessoa pela vocação profissional e pelo trabalho quanto 
mais vence os desafios naturais, micro e macroscópicos. A vocação à profissão e ao trabalho 
são fontes de maior justiça, mais ampla fraternidade e melhor organização humana. Por 
isso, ela é uma vocação a serviço do ser humano.
A vocação à profissão e ao trabalho nos assemelham a Deus que, com seu Filho, 
continua trabalhando e providenciando a vida do mundo até sua consumação definitiva. 
5 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade, você refletiu sobre o significado de nossa destinação humana. 
Somos chamados a viver em Deus, para vê-lo face a face. Esta vocação tem dois sentidos: 
sermos a glória de Deus e glorificarmos a Deus. Deus, que nos chamou à vida, não precisa 
de nós e nem de nossa glorificação a ele. Mas, nosso viver já é sua glória. Por outro lado, 
glorificá-lo significa, para nós, termos vida nele e fazer desta glorificação o sentido de 
nosso viver. 
De outro modo, a nossa destinação finalé preparada pelas vocações terrenas e 
históricas. Assim, se a vocação última é a salvação em Cristo, nossa destinação penúltima 
se densifica pelo chamado a sermos filhos, irmãos e “senhores” (cuidadores) da criação. 
Somos filhos. Temos uma referência. Não somos uns perdidos no cosmo. Somos irmãos. 
Temos uma natureza comum. Nós nos irmanamos em Jesus, o Filho Unigênito do Pai. 
Somos “senhores” porque os únicos capazes de cultivar e cuidar da obra da criação.
Nossa destinação final comporta uma distinção histórica básica: masculinidade 
e a feminilidade. Esta categoria constrói nossa identidade, segundo a vontade de Deus, 
para sermos capazes de, pela diferença, apresentarmos melhor as facetas de Deus e a 
nossa riqueza humana. Da questão do gênero, surgem as vocações ao matrimônio e a 
vida célibe como forma de realização histórica na família e na construção da sociedade.
Para melhor compreender e alcançar a realização final como assemelhados a 
Deus, somos feitos abertos e atraídos ao transcendente, pela manifestação do sagrado, 
expresso nas religiões. Enquanto cristãos, cremos na revelação de Deus que se fez um de 
nós para indicar o caminho para Deus.
Por fim, nesta unidade, você estudou que tanto a vocação profissional quanto o 
trabalho fazem parte da construção do mundo fraterno para todos.
Conhecemos o significado de nossa destinação final. Convém agora voltarmo-
nos a nossa origem. Temos um começo, uma origem, comum. 
Refletir sobre nosso futuro, primeiramente, torna mais fácil descobrir o porquê 
de nossa origem, do chamado à vida. Esta questão antropológica é importante, sobretudo, 
hoje quando surgem tantos dogmatismos que até põem em risco a dignidade humana.
 A reflexão sobre estas questões leva você à unidade seguinte: “A compreensão 
da origem humana”. É um tema apaixonante também.
ATENÇÃO!
Você pode aprofundar este tema, 
além de outra literatura teológica, 
lendo e refletindo os belíssimos 
textos de GS, do n. 33 a 39.
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UNIDADE 4
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
GAUDIUM ET SPES, especialmente n.11-52.
BOFF, Leonardo. O destino do homem e do mundo. Petrópolis: Vozes, 1973.
GESCHÉ, Adolphe. Destinação. São Paulo: Paulinas, 2004.
LACOSTE, Jean Yves. Dicionário crítico de teologia. Especialmente verbetes: vida eterna, 
salvação homem-mulher, matrimônio, trabalho. São Paulo: Paulina e Loyola, 2004. 
LUMEN GENTIUM, 39-42.
TENACE, Michelina. Por uma antropologia de comunhão: da imagem à semelhança. A 
salvação como divinização. Bauru: Edusc, 2005.
RIBEIRO, Helcion A condição humana e a solidariedade cristã. Especialmente cap. II, 1 e 
5; cap. III. 4 e cap. V, 3. Petrópolis: Vozes, 1998. 
_______ Ensaio de antropologia cristã. Da imagem à semelhança com Deus. Especialmente 
cap. IV. Petrópolis.
7 E-REFERÊNCIAS
Chamada numérica
(1) Marcelo Gleiser - Disponível em :<http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelo_Gleiser>.
Objetivos
Comparar os critérios científi cos e bíblicos sobre a questão • 
da origem do ser humano.
Estabelecer critérios sobre o signifi cado da criação do ser • 
humana, segundo a Bíblia.
Argumentar sobre o signifi cado plausível da evolução • 
natural, para os cristãos.
Identifi car a ação criadora de Deus, na história.• 
Propor razões teológicas sobre a dignidade do ser • 
humano.
Conteúdos
Conceitos e signifi cados da origem humana.• 
O sentido teológico da criação.• 
 A criação na Bíblia.• 
A questão da exegese.• 
A criação no Gênesis.• 
A criação em outros textos bíblicos.• 
Compreensão da origem humana na História da Igreja.• 
Explicação das ciências naturais (a evolução).• 
Lugar de Deus criador-salvador na evolução.• 
Dignidade humana.• 
ignidade humana natural.• 
Dignidade humana vista pelo cristianismo.• 
COMPREENSÃO 
DA ORIGEM HUMANA
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UNIDADE 5
1 INTRODUÇÃO
Na última unidade você teve oportunidade de refletir sobre temas como 
a destinação final e a vocação humana. Na Unidade 5 vamos tratar de um assunto 
interessante que é os significados da origem humana e o sentido teológico da criação.
Nos últimos 150 anos, a história das origens do ser humano (e do cosmo em 
geral) tem sido ideologizada numa desnecessária, mas real polêmica entre fé e ciência. 
Importa ter bem claro, desde o início algumas palavras: criacionismo, design inteligente, 
evolucionismo etc. Alguns teólogos (protestantes, inclusive) falam de “teologia da 
natureza”. A fé católica não necessariamente se envolve na questão, pois ela propõe - 
sobre este assunto - uma “teologia da criação”, uma quarta palavra bem importante.
Você deve recordar que, na unidade 2, afirmamos a origem do ser humano 
em Cristo. Isto pareceria escapar da polemica, como proposta alternativa. Todavia não é 
fugindo que se resolve a questão. Antes, pelo contrário. Deve-se enfrentá-la. 
2 CONCEITOS E SIGNIFICADOS DA ORIGEM HUMANA
Seria bom que você compreendesse logo o que dizer: criacionismo, desing 
inteligente, evolucionismo e teologia da criação (da natureza). No Quadro a seguir 
apresentamos uma síntese dos vários conceitos.
 
Criacionismo 
Em síntese, o criacionismo afirma a historicidade da criação tal qual narra a 
Bíblia judeu-cristã. É uma afirmação que pretende ser uma teoria científica. É 
adotada, sobretudo, por cristãos fundamentalistas, especialmente dos Estados 
Unidos (aliás, deve-se falar em criacionismos),
Design 
inteligente 
Argumenta-se que algumas formas de vida são complexas demais para terem 
evoluído ao acaso. Só uma inteligência maior (pode ser ou não de Deus) deve ter 
feito isso. Tal teoria é aceita em certas comunidades científicas e crentes, que não 
se contentam em afirmar a pura e natural evolução.
Evolucionismo 
Na verdade existem muitas teorias da evolução. A mais famosa é a de Darwin 
(1859). Em síntese, tudo quanto existe é resultado de um longo processo de 
desenvolvimento (e crescimento) do cosmo, da vida e do ser humano. Uma 
“realidade” procede da outra, numa cadeia enovelada. Ou seja, a vida se 
diversificou, ao largo do tempo, em várias direções. Mas, tudo tem uma origem 
comum. É a teoria que predomina nos meios científicos (fala-se de “Zeitgeist” 
darwinismo, isto é, uma mentalidade evolucionista de tudo versus uma criação 
pronta e acabada de tudo quanto existe).
Teologia da 
criação (da 
natureza) 
E a posição de muitos cristãos (sobretudo católicos, a partir de 1950 e como 
era no início do cristianismo). Ela não quer explicar como os fatos da origem 
ocorreram. Mas pretende afirmar a ativa atuação de Deus como fonte de tudo 
quanto existe. Os “famosos” textos bíblicos da criação não são uma reportagem 
“cientifica” do como tudo começou. A teologia e a fé cristã na criação aceitam a 
evolução. Mas vê nos evolucionismos muitos limites e “vazios” de explicações.
Conceito de origem
Dois outros conceitos devem ficar claros aqui também: criação e origem. A 
ciência trabalha com o conceito de origem. Como e quando isto ou aquilo começou. A 
teoria mais comum da origem do universo e, conseqüentemente, do ser humano, é a do 
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UNIDADE 5
Big Bang. Mas também existem outras que são muitos aceitas na comunidade científica, 
como por exemplo, a teoria das cordas. 
Conceito de criação 
Já o conceito de criação refere-se ao ato de um criador e ao resultado, o 
ser criado. E o conceito faz referência a um ser criador superior ao ser criado. É muito 
comum – em toda a história humana – atribuir-se a Deus(es) a ação criadora. No caso 
cristão, dizemos, Deus é o autor de tudo quanto existe. Só ele existe antes do tempo. Ele 
é eterno e incriado. Foi da sua vontade que tudo começasse a existir. A intenção é sua e 
ela pertence ao seumistério insondável.
 
“Criacionismos” e “evolucionismos”. Estes dois conceitos indicam também 
uma diversidade – até oposição – de interpretações. Não são conceitos unívocos, nem 
bíblica nem cientificamente. São dois modelos válidos, enquanto mantiverem uma 
interação crítico-construtivo até de complementariedade. 
Sobre este assunto temos a considerar quatro pontos importantes:
Na verdade, diante das ciências e da fé católica, é consensual a perspectiva a) 
evolucionista. Mas há muitas divergências e lacunas entre as teorias. De 
modo similar, entre os cristãos que aceitam o criacionismo, também há 
muitas diferenças. A partir da encíclica Humani Generis, de Pio XII (1950), 
a Igreja Católica passou a aceitar progressivamente o evolucionismo – sem 
se fixar numa teoria especial. E, ao mesmo tempo, mantém uma teologia da 
criação (inclusive do ser humano). 
A criação, na Bíblia, é contada em muitos textos. Porém, na pregação e na b) 
catequese foi priorizada uma narração não tanto literalmente bíblica, mas 
como síntese bíblica. Esta “sincretização” passou à Igreja e se estabeleceu 
“acriticamente” sem se preocupar com os desafios da ciência, da modernidade, 
até 1950. Entretanto, por causa da atual exegese bíblica, tem-se encontrado 
o sentido (não a literalidade) do texto. O que oportuniza uma reflexão livre e 
independente da Igreja frente às ciências, mas não sem relação com elas.
Na Bíblia, a reflexão sobre a criação é uma idéia secundária. Ela só aparece c) 
à medida que o povo judeu conseguiu conciliar a idéia de Deus Salvador e 
criador. O Deus que fazia alianças e salvava seu povo era o mesmo que criara 
o universo e os seres humanos. 
Além disso, muitas vezes deu-se maior importância à teologia da salvação que d) 
à da criação. Muitos teólogos, hoje, tentam um equilíbrio. Outros enfatizam 
– como alguns Santos Padres – o fim último para explicar a criação. Fomos 
criados para a glória de Deus, como já vimos na unidade anterior. 
Hoje também podemos afirmar: o Deus da salvação não só é o mesmo da 
criação, mas também o mesmo e único Deus da evolução. A criação (também da pessoa 
humana) é um ato de criação contínua onde Deus se faz presente. 
2 CRIAÇÃO NA BÍBLIA
 
Questão da exegese
Convém agora você recordar alguns princípios de exegese bíblica para entender 
melhor o significado da criação: 
ATENÇÃO!
Os dois conceitos não se opõem 
necessariamente nem são 
conseqüência um do outro. São 
duas considerações diferentes 
que levam a resultados 
diferentes. O que não quer 
dizer opostos (salvo quando 
ideologizados). Antes, são 
diversos por suas abordagens. 
De modo objetivo: falar da origem 
do ser humano (da humanidade) 
é usar a ciência. Ao falar da 
criação do ser humano (da 
humanidade) se está no campo 
da fé. 
ATENÇÃO!
Há estudos recentes sobre o 
evolucionismo e a criação. Vários 
deles enfatizam a distância 
entre ambos. Outros tentam 
estabelecer uma concordância. 
Porém, a posição mais correta é 
a que cria pontes entre ciência e 
fé, sem perder a peculiaridade de 
cada uma. 
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UNIDADE 5
Todo texto bíblico tem um contexto sociocultural, literário e religioso.a) 
Todo o texto bíblico é uma narração humana inspirada para falar das “coisas” b) 
de Deus. Ele quer falar do agir salvífico de Deus, mais do que falar do homem 
a ser salvo. É, pois, um texto teológico antes que antropológico. 
O texto sagrado pode sofrer influência cultural de outros povos. Seu c) 
significado é sempre próprio da fé judeu-cristã.
A linguagem bíblica da criação não utiliza uma linguagem histórica (científica d) 
ou jornalística). A sua é uma linguagem meta-histórica. Utiliza-se inclusive 
do mito para expressar a verdade salvífica. 
A criação na Bíblia supõe relações assimétricas: Deus e o ser humano (Deus e) 
cria, o ser humano é criado. O ser humano não é causa de si mesmo), 
eternidade e contingência (enquanto o criado tem início e fim, o criador 
é eterno e autônomo). Falar da criação para a Bíblia significa: dispor de 
sentido (a criação é um chamado para a glória de Deus) e a possibilidade 
de superação do não sentido (a criação é destinada à salvação. Não o é a 
morte).
Criação no Gênesis
Sobre este tópico sugerimos que você leia e compare os textos:
Com lápis e papel à mão, leia agora Gn 2,4b-25. E responda: qual o primeiro a) 
ser criado? O que havia antes dele? O que Deus disse antes de criá-lo? O que 
fez para criar o ser humano? O que Deus fez depois? Após ter sido criado, o 
que fez o ser humano?
Leia agora Gn 1,1-2,4ª. E responda: quais os primeiros seres criados? O b) 
que havia antes da criação do ser humano? O que Deus fez para criar o ser 
humano? Ou Deus apenas falou? 
Agora, compare os dois textos. c) 
Se você puder, leia agora o poema d) Enuma Elish, do povo mesopotâmico. 
Faça comparação. Acentue o diferente. E marque o que é específico da fé 
judaica. 
O fundamental da fé bíblica da criação pode ser resumido assim:
Deus é o criador e o ser humano, a criatura. Por que feito à sua imagem, é o 1. 
interlocutor de Deus e tem uma dignidade especial. 
O ser humano foi criado bom. Todavia, porque dotado de liberdade, pode 2. 
pecar e ofender o criador.
É um ser total, integrado. Entrementes, porque criado para se aperfeiçoar, 3. 
sua realização plena só se dará na consumação do universo. 
Criação em outros textos bíblicos 
Antigo Testamento
No Antigo Testamento, você pode encontrar ainda outros textos sobre a criação, 
mesmo que não sejam tão conhecidos. Veja por exemplo:
Nos Salmos:a) 
Sl 136: suscita sentimentos de ação de graças;• 
Sl 148: leva-nos ao louvor e a adoração;• 
INFORMAÇÃO:
Você deve recordar que Gn 
2,4bss é o texto mais antigo. 
Foi escrito séculos X e VIII a.C., 
pertence à fonte sacerdotal e 
entende Deus num contexto de 
aliança. É um poema para ser 
usado na liturgia (cf. As origens, 
de Henrich KRAUSSI, sobretudo 
p. 141.
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UNIDADE 5
Sl 33: infunde confiança;• 
Sl 8 e 104: produzem surpresa e extasiamento. • 
Na literatura sapiencial b) 
Pr 3,19-21 e 8,22-23: Javé fundou a terra com sabedoria.• 
Pr 8,30ss: a dimensão lúdica da criação. • 
Jó 28, Eclo 3: Deus realiza sua obra do princípio ao fim. • 
Eclo 1,1-6; 3,21-24: a incompreensibilidade do criador e sua obra. • 
16,26-30; 42,15-43,26: a confiança na bondade e sabedoria do criador.
43,27-33: suas obras são maiores do que as que vemos.
Sb 1,14;9,1.2.9: Deus criou tudo.• 
19: Deus providente acompanha sua obra.
2Mac 7,28: a fé da mãe macabéia na criação etc.• 
Novo Testamento
No Novo Testamento, você já encontra inúmeros textos que recolhem a doutrina 
do Antigo Testamento. Veja por exemplo: Hbr 11,3; At 4,24-30; 1Pd 4,19; Ap 21,1-8.23; 
2Pd 3.
Col 1,15-20 – acentua o papel de Cristo como princípio, centro e fim da a) 
criação; 
Hbr 1,1-11: Cristo é o autor do mundo, além de fazê-lo sustentá-lo e purificá-b) 
lo;
Jo 1,1-17: o Pai, pelo Verbo criador e encarnado, produz e dirige toda a c) 
criação à plena participação em Cristo;
1Cor 8,5-6: Cristo, mediador da criação do Pai;d) 
Ef 1,3-14: a criação toda tem uma origem e um fim cristológicos.e) 
SÍNTESE
A transição do Antigo Testamento ao Novo Testamento tem algumas 
características, aqui colocadas em forma de síntese sobre a criação da pessoa humana e 
da humanidade:
Não há nenhum conteúdo novo e especial que se acrescente à teologia do 1. 
Antigo Testamento.
O elemento novo é o hermenêutica: 2. 
 a) o ser humano tem origem é visto à luz de Cristo.
O Deus criador é o Pai de Jesus;b) 
Jesus é o ser humano por antonomásia (o verdadeiro Adão);c) 
Pela ressurreição, Cristo se torna o primogênito e Senhor de toda a d) 
criação
Apesar do pecado, Deus continua amando e salvando por Cristo – todos e) 
os seus filhos adotivos. 
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UNIDADE 5
Compreensão da origem humana na História da Igreja
Para compreender melhor a realidade atual, torna-se útil o recurso à história da 
compreensão das origens humanas, tanto do ponto de vista religioso quanto cultural (aqui 
incluído o científico). 
ig
Na questão da origem da pessoa humana, a Bíblia afirma de modo geral que o 
ser humano foi criado livremente por Deus à sua imagem. Este é o princípio fundante da Antropologia 
Teológica e cristã. 
Há uma intervenção divina na origem da vida e de cada vida humana. Contudo, 
estas são afirmações genéricas não suficientes para determinar o grau de intervenção, 
quer na origem, quer na continuidade da vida. Apesar de as afirmações bíblicas terem 
um caráter de história de algo que se desenvolve (espírito dinâmico), a mentalidade 
metafísica, introduzida entre os cristãos para interpretar a Bíblia, fez aparecer uma 
perspectiva fixista.
Antiguidade patrística
Da antigüidade patrística, a Igreja herdou e professou a fé no Deus criador 
sem ter necessidade de estabelecer uma doutrina própria. O importante era reconhecer e 
professar a fé na presença dinâmica de Deus que cria, sustenta. Ele é o Senhor e leva a 
termo a criação. 
É bem verdade que houve necessidade de algumas explicações para evitar:
o a) panteísmo: era necessário distinguir o criador e a criatura;
a b) compreensão do criado como emanação de Deus: era necessário 
afirmar “a criação desde o nada” (“ex nihilo”); 
os c) dualismos gnósticos e maniqueus: era importante enfatizar a origem 
boa da criação e necessidade de salvação do criado;
ad) interpretação de emanação ou graça eterna: afirma-se a criação - não 
no tempo, mas com o tempo. A criação tem um início, que se inicia com o 
próprio tempo. 
Século III 
A partir do século 3o, por causa das discussões sobre a salvação e por influência 
do platonismo, começa-se a discutir a unidade do composto humano (corpo-alma) e o 
livre arbítrio. A alma é o próprio da pessoa humana. Cada alma é criada diretamente por 
Deus e é infundida no corpo. Evitava-se, assim, idéias como preexistente da alma.
Também se começa a separar criação e salvação. E o significado salvífico da 
atuação de Cristo reduz-se à redenção, ao resgate do pecado. 
Agostinho
Marcantes, ainda na compreensão criatural do ser humano, foram as idéias de 
Agostinho1 (contra Pelágio). Elas podem ser resumidas assim:
que pode fazer o homem pecador (enfatizado desde Tertuliano) para sua a) 
salvação diante de Deus? 
há um confronto entre liberdade humana (esforço e conquista) e a força b) 
salvífica de Deus (a graça). Nasce a teologia da graça, sem o que o ser 
humano jamais poderá salvar-se; 
a idéia de liberdade, na Bíblia (só em Deus, a pessoa humana é livre), c) 
contrapõe-se à idéia grega (“eleutheria”: livre é o homem que pode dispor 
de si, independentemente dos outros). 
PARA VOCÊ REFLETIR: 
 “Será tarefa do teólogo 
pensar nas origens da vida 
em conformidade com seu 
saber e na fidelidade à sua fé, 
elaborando deste modo aquelas 
categorias que podem utilizar-
se também na explicação da 
maneira como o homem, ‘por 
Cristo’, é movido para a perfeição 
escatológica e sobrenatural” 
(ALZEGHI; FLYCK).
INFORMAÇÃO:
Na defesa das verdades bíblicas, 
progressivamente foram sendo 
introduzidos critérios metafísicos 
para a compreensão de Deus, da 
criação, do universo e do próprio 
ser humano. 
INFORMAÇÃO:
Progressivamente, implanta-se 
no cristianismo uma perspectiva 
amartocêntrica, que, com Santo 
Anselmo (1100) chega-se a 
pensar na encarnação do Verbo 
como necessidade salvífica, 
única e absoluta via para a 
reconciliação de Deus para o 
homem.
(1) Agostinho de Hipona (354-
430) foi filósofo, teólogo e doutor 
da Igreja. 
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UNIDADE 5
INFORMAÇÃO COMPLEMENTAR:
O debate de Agostinho com os pelagianos determinou até mesmo o significado 
da criação. À luz da fé cristã, a autonomia fundamenta-se na teonomia. 
Enquanto no helenismo cristão enfatiza-se a vontade humana, no Ocidente, 
o pensamento agostiniano – sob influência de São Paulo, na Carta aos 
Romanos – introduz uma série de questões que priorizam o psicológico, como 
a concupiscência, a relação liberdade/graça, o pecado e o pecado original, 
necessidade absoluta de Cristo para a libertação do pecado. E deixa de lado o 
primado de Cristo sobre a criação. 
Santo Tomás
Santo Tomás introduz novas questões – a partir do aristotelismo. Insistiu no 
primado do existir (esse) sobre a essência (essentia), ou o primado do indivíduo concreto. 
A questão da essência só vem depois da existência. É a forma que articula a matéria 
em substância concreta, individualizada. Deus é o horizonte do ser e por meio de seu 
Filho – doado por amor – estabelece uma relação entre o infinito e o finito. Mantém a 
transcendência de Deus e afirma a possibilidade de a pessoa existir nele e por ele. 
 
A ausência da idéia de conservação (enfatizada por Santo Tomás) estabelece 
uma perspectiva criacional relegada aos gestos iniciais das origens. Transforma-se em 
mera protologia, enquanto a pessoa humana fica abandonada, desterrada no vale de 
lágrimas. 
Renascimento
O renascimento estabelece uma nova compreensão da vida, que começa a 
ser pensada antropocentricamente. O estudo da natureza separa-se da teologia. Torna-
se autônomo. O acesso a Deus é só um ato de fé na Causa Primeira. Ele está à parte 
ou num passado remoto ou num futuro longínquo. Criador e criatura se dissociam e 
se independentizam. A nova perspectiva produz uma ruptura aparente com as antigas 
linguagens para expressar a fé na criação. Quer manter uma identidade crítica sobre 
a afirmação da fé (fundamentalista) da Bíblia. Todavia, quer reconhecer, à luz da fé, 
novas possibilidades (que não são definitivas também) apresentadas pelo conhecimento 
da natureza. 
Reforma
Por outro lado, do interno do cristianismo surge, ligada à questão da criação um 
novo enfoque, filho da Reforma. Lutero estabelece a formula: “Homem justo e, ao mesmo 
tempo, pecador”. Segundo Lutero, só Deus transforma o homem, que desde a origem é 
pecador. Só Deus o justifica. Assim como o ser humano procede do nada e é nada tudo o 
que a criatura pode ser, a pessoa humana só pode existir em Cristo. Só ele a justifica e a 
mantém. Na verdade, Lutero confronta-se bem mais com idéias contemporâneas de um 
novo panteísmo emanacionista (de Giordano Bruno, por exemplo). Para ressaltar Cristo, a 
pessoa humana torna-se quase desprezível e sem valor. Por seu pecado, ela é responsável 
pela sua situação. Só Deus pode libertá-la. 
Contra Reforma
A antropologia da Contra-reforma reafirma sua fé na criação. Ao mesmo 
tempo defende-se do gnosticismo, maniqueísmo e panteísmo vigentes. Esta tendência é 
enfatizada no Vaticano I, ao antepor a fé à razão. Reafirma o valor da revelação. Ensina 
que na criação toda, especialmente no ser humano, Deus revela sua bondade e perfeição, 
sua liberdade e independência do criado, seu cuidado para com tudo o que existe a partir 
do nada. 
PARA VOCÊ REFLETIR: 
Santo Tomás ensina que nenhum 
ser possui seu ser, seu existir, 
em si. Só de Deus vem toda 
e qualquer possibilidade da 
existência do ser. Deus é criador 
porque dá consistência a cada 
ser. Ele é quem mantém. Por 
isso a alma humana só pode ser 
produzida por Ele. Não pode ser 
transmitida pelo sêmen humano. 
Deus é livre para criar. Por 
causa de sua bondade chama 
à existência o que não pode ser 
produzida por nenhuma outra 
substância ou ser criado. Desse 
modo, a pessoa humana só pode 
existir em relação ao seu criador. 
Ele se mantém como ser vivente, 
porque a ação de Deus inclui 
uma atenção constante sempre 
referida a Deus.
INFORMAÇÃO:
A partir do século 17, a questão 
da criação parece pertencer 
ao domínio da filosofia e das 
ciências. 
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UNIDADE 5
A partir de 1909
A distância entre a fé e a cultura só aumentou nos tempos seguintes. A partir 
de 1909, a Pontifícia Comissão Bíblica começa a buscar novas saídas. Sugere que os 
textos de Gênesis 1 e 2 são simbólicos. Eles não têm necessariamente o sentido literal. Os 
autores sagrados não se propõem a um rigor científico ao escrever os “fatos” da fé. Seus 
textos são escritos sobre o prisma da fé. 
A partir daí, começa-se progressivamente a abandonar, na Igreja Católica, a 
interpretação literal segundo a qual os relatos bíblicos teriam o valor histórico. De modo 
idêntico, também se rejeita o concordismo (busca de orientações bíblicas adaptadas às 
novas teorias científicas). Começa a evidenciar-se que o fixismo (baseado na concepção 
helenística das essências) não é um patrimônio da fé, senão uma possível explicação que 
a própria fé utilizou. 
Divino afflante (1943) e Humani generis (1950) 
Sobretudo a partir dos entornos das encíclicas Divino afflante (1943) e Humani 
Generis (1950), abre-se à Igreja a possibilidade de compreensão da “história das origens” 
mediante esquemas culturais dos novos tempo. 
Contudo, isso não condiciona a revelação a conhecimentos científicos e/ou 
similares. Permanecem abertas, a partir da fé, muitas questões que as ciências (ainda) 
não respondem. Nem é da competência científica responder algumas delas. 
Os textos bíblicos da criação – afirma-se hoje – têm um “caráter etiológico 
sapiencial”. Isto é, trata-se de um gênero misto que reúne diversos aspectos dos gêneros 
literários míticos, sapienciais e históricos. 
Predominou na Igreja um distanciamento do caráter histórico-salvífico a) 
revelado na Bíblia. Ele cedeu lugar a concepções fixistas de cunho filosófico 
e dogmático.
Nas últimas décadas, por causa dos estudos exegéticos, há uma progressiva b) 
abertura da Igreja a idéias atuais do evolucionismo, sem se fixar em uma ou 
outra teoria. 
A mudança de atitude da hierarquia da Igreja deve-se a alguns fatores c) 
importantes:
O trabalho intenso preparado por teólogos e biblistas;1) 
a possibilidade de compreensão do evolucionismo no contexto da 2) 
revelação e da fé;
a compreensão da inenerrância da Bíblia, no gênero literário de Gn 3) 
1-11;
a percepção de que a ciência não é incompatível com a fé e que a fé, por 4) 
outro lado, independe da ciência;
a doutrina revelada pode ser concebida numa perspectiva evolucionista;5) 
por fim, ao aceitar a explicação científica atual não significa assumi-la 6) 
dogmaticamente. O que a ciência apresenta hoje como convincente, 
amanhã poderá deixar de ser. A fé não depende do aval científico. 
Você poderá aprofundar esta discussão teológica a partir de inúmeras obras 
atuais. Citemos algumas de fácil acesso e, em português: Hans KÜNG. O principio de 
todas as coisas; Jürgen MOLTMANN. Ciência e sabedoria; Denis EDWARD. O sopro de vida; 
Helcion RIBEIRO: Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos??
INFORMAÇÕES:
a) A etiologia sapiencial explica 
a condição humana atual 
pela reflexão que se reporta 
às suas causas. No caso das 
narrativas bíblicas da criação, 
os sábios de Israel, no exílio 
e diante da cosmogênese e 
antropogênese mesopotâmias, 
expressam o fruto de sua fé 
refletida e não conhecimentos 
históricos – pois estes são 
simbolizados.
 
b) Nos séculos19 e 20, 
foram adotadas medidas 
disciplinares contra alguns 
teólogos favoráveis ao 
evolucionismo. Tais medidas 
não se opunham ao 
evolucionismo como tal, mas a 
algumas idéias consideradas, 
por muitos teólogos, como 
perigosas a fé.
INFORMAÇÃO:
Você pode estar tranqüilo 
– diante de sua fé – com 
os conhecimentos sobre o 
evolucionismo adquiridos em 
estudos anteriores. Todavia, 
também, não precisa dogmatizá-
los. Procure entendê-los à luz da 
fé e da revelação. 
ATENÇÃO!
Confira na Bibliografia no final da 
unidade os dados completos das 
obras acima citadas.
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UNIDADE 5
4 EXPLICAÇÕES DAS CIÊNCIAS NATURAIS (A EVOLUÇÃO)
Deus é o salvador e criador em Cristo
A reflexão teológica e cristã sobre a pessoa humana remonta às causas da sua 
origem: Deus é o salvador e criador em Cristo, por ele e para ele. Esta afirmação 
bíblica é a intuição sapiencial. Tudo o mais é instrumento noético. Quer dizer: os redatores 
da Bíblia não se preocuparam em esclarecer como se processou a criação. As especificações 
sobre o modo como se originaram as coisas não são senão narrações dramáticas, 
holísticas, simbólicas da verdade. E elas não se preocupam sequer em harmonizar os 
diversos dados.
Certamente você não crê que a serpente fale, apesar de isto estar escrito ma Bíblia.
Pode-se afirmar – hoje e a partir da fé – que o ser humano é filho da evolução? 
Por que não? Nada há que impeça você de entender todo o processo da hominização à luz da 
ciência, sem rejeitar a fé. É claro que você jamais afirmará que somos descendentes só de 
macaco, pois o macaco descende dos primatas e, retrospectivamente, este provém de outros 
seres, cuja origem está na primeira forma de vida – provavelmente nascida nas águas. 
Isto que você sabe cientificamente, o homem bíblico não sabia e nem podia 
imaginar. A Bíblia foi escrita entre 3.800 e 200 anos atrás. As teorias da evolução têm uns 
150 anos. A Bíblia só poderia usar a “etiologia sapiencial”. E você deve usá-la, mesmo que 
utilize a atual sabedoria racional ou científica.
Processo de hominização
O processo de hominização é longo. Não é nem retilíneo nem uniforme. Não 
vamos buscar, pois a origem da vida, que remonta há uns 3,5 milhões de anos depois 
da formação da terra (ou seja, há uns 4,5 ou 5 milhões de anos), que é filha do sistema 
solar, nascido há cerca de 9 bilhões. Este sistema, por sua vez, origina-se na galáxia da 
Via Láctea – nascida há cerca de 13,200 bilhões de anos, fruto da explosão inicial (Big 
Bang) por volta de 14,3 bilhões de anos. 
Dos primeiros mamíferos pertencentes ao período triássico (251 milhões de 
anos atrás), originaram-se os primatas (há 65 milhões de anos). Daí surgem, há 2,3–1,6 
milhões de anos, os primeiros hominídeos. Deles até os primeiros homens passaram-se 
mais de 1 milhão de anos. Os hominídeos deram origem aos antropóides (entre outros: 
chimpanzés, gorilas, gibões e os humanos). Nossos últimos ancestrais e parentes vivos 
são os chimpanzés – que surgiram entre 6 e 8 milhões de anos. São eles que têm uma 
carga genética (DNA) igual a nossa em torno de 98%. Enquanto o “homo habilis” terá 
surgido há cerca de 2,5 milhões de anos, o “homo sapiens” (homem moderno) surgiu há 
menos de 200.000 anos. Saído da África em direção a Europa, aí eles conviveram com o 
enigmático “neanderthalense”, até uns 25 milhões de anos. 
Anatomicamente o homem moderno está pronto desde uns 195 mil anos. 
Geneticamente, a chamada “Eva mitocondrial” também tem uns 250 mil anos. 
Entretanto, o que mais caracteriza como humana nossa vida são a aquisição: 
do cérebro e da versatilidade da inteligência; a) 
da consciência; b) 
da linguagem; c) 
ATENÇÃO: 
Sugerimos que você releia o 
conceito de “etiologia sapiencial” 
apresentado no item anterior 
(INFORMAÇÃO).
INFORMAÇÃO:
Os neandertalenses eram seres 
tão semelhantes a nós que 
poderiam até ser confundidos 
com um de nós. Eles tiveram 
muitos costumes iguais aos 
nossos: fabricação de flechas, 
pedras para cortar, pintura, 
sepultamento de morte. Tiveram 
uma inteligência corresponde 
a uma pessoa de uns 12 anos. 
Provavelmente falavam. Teriam 
desaparecido ou por uma doença 
ou por extermínio provocado pelo 
homo sapiens. 
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UNIDADE 5
da capacidade para a arte simbólica e previsão. d) 
Estes sinais estão claramente expressos nas evidências arqueológicas, indicadas 
pela transformação radical háuns 40.000 anos, desde a evolução do Paleolítico superior na 
Europa. Desde então as manifestações do propriamente humano se agigantam, passando 
pela domesticação do fogo, da agricultura e dos animais domésticos. A cidade mais antiga, 
Jericó tem uns 8.000 anos. Depois foram feitas as pirâmides do Egito. Dominaram-se áreas 
pantanosas. Descobriram “o novo Mundo”. E, hoje, constroem estas coisas admiráveis de 
nosso mundo. 
Até onde vai a evolução?
Poder-se-ia perguntar: a evolução parou aqui? Ou continua? Quem pode 
responder? 
5 LUGAR DE DEUS CRIADOR-SALVADOR NA EVOLUÇÃO
Você deve ter percebido o quanto esta unidade é importante. Deve ter percebido, 
também, como a Antropologia Teológica/cristológica abre novos horizontes para a questão 
evolução. Todavia, e com razão, você deve estar se perguntando sobre a atuação de Deus 
criador neste processo de evolução. 
Para entender isso, não esqueça o que se repete muitas vezes, nesta disciplina: 
o ser humano (e a humanidade, por extensão) não foi criado nem perfeito, nem imperfeito. 
Mas, a criação é um processo de aperfeiçoamento (é perfectível).
Criação: ato contínuo de Deus
O Catecismo da Igreja Católica – que tem uma interessante abordagem teológica 
sobre Deus criador entre os números 279 e 314 – afirma:
A criação tem a sua bondade e a sua perfeição próprias, mas ela não saiu 
completamente acabada das mãos do Criador. Ela é criada ‘em estado de caminhada’ para 
uma perfeição última a ser atingida para o qual Deus destinou (n. 302). 
Cremos que a criação é um ato contínuo de Deus até o fim dos tempo. Isso 
quer dizer: 
Deus acompanha como pai zeloso a sua obra.a) 
Ao mesmo tempo, ele faz sua obra desdobrar-se criativamente.b) 
A criação é uma ação aberta, em que o encantamento está na surpresa. As c) 
improbabilidades não se tornam possíveis.
Das improbabilidades surgem novidades insuspeitas e inauditas. Diante dos d) 
cientistas que afirmam a não-direcionalidade e nem a seqüência consentânea, 
os cristãos constatam a surpresa ou o mistério. 
Algum cientista afirmou serem três os grandes mistérios da evolução: o 
surgimento do universo, da vida e do ser humano. Sabe-se que neste caso um subsegue ao 
outro. Todavia, se em alguns casos a evolução criou a necessidade, na grande maioria dos 
casos, ela explodiu em probabilidades tanto de surgimento quanto de desaparecimento. 
Daí você poderá perguntar: onde está(va) o Deus criador? Primeiramente, o que temos a 
observar é que, consciente ou inconscientemente, muitos pensam que Deus está(va) fazendo 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Existe uma pretensão de 
alterar e/ou comandar o destino 
histórico da espécie humana e do 
planeta. Os inventos tecnológicos 
(dentre eles a nanotecnologia), 
o domínio genético (com as 
possibilidades de clonagem), as 
conquistas espaciais (inclusive 
com a possibilidade de encontros 
com novos seres inteligentes), 
a violência e produção de 
epidemias, a fome, o usufruto 
frenético do planeta etc., são 
fatores que podem alterar não só 
nossa forma de viver, mas a nós 
próprios. Experimentos incríveis 
são feitos por aí...
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UNIDADE 5
física e materialmente cada coisa, inclusive nas inovações. Na verdade, nossa primeira 
afirmação é: Deus cria de modo contínuo e aberto, para levar à salvação (realização 
plena) tudo e todos por meio de seu Cristo. 
Depois, a ação criadora de Deus é concebida de modo processual e perfectível, até 
mesmo sem uma aparente lógica, ou melhor parecendo um acaso dentro de um caos. 
Deus, que transcende a criação, é ativo nela. Ele, desde sempre, capacitou 
a natureza para o novo, sem necessitar sua interferência física. A própria natureza em 
evolução está dotada de forças múltiplas que podem ou não gerar o novo. Isso depende 
ou independe de sua anterioridade ou lógica. 
Deus conduz com sabedoria a criação. Porém, “confere-lhe uma liberdade” para 
o possível e para o i-necessário. Desse modo, afirmar a improbabilidade ou o acaso é 
atestar tão-somente o desconhecimento da criação aberta, da ação e do propósito de 
Deus – que ultrapassam o tempo e a matéria. 
A criação de Deus ultrapassa a história e o cosmo. Os cristãos professam que 
Deus é o criador de coisas visíveis e invisíveis. Por outro lado, o que parece – sobretudo, 
no caso humano – uma misteriosa solidão, na verdade é um diálogo possível entre o 
transcendente e o histórico, entre o eterno e sua criação. 
Da mesma forma, é misterioso o significado do sofrimento de milhares de seres 
na criação. Para que uns nasçam, supõe-se a morte e até o extermínio de outras espécies. 
Algumas simplesmente desaparecem sem sucedâneos. As causas do desaparecimento 
são múltiplas e, em geral, sem significado. Aliás, o significado só será dado em Deus, na 
consumação da criação. Só então tudo será revelado e tornado claro, pois Cristo entregará 
ao Pai sua obra completa. Só aí se compreenderá a “lógica de Deus” em sua história 
salvífica começada no início da criação – quer se diga com o Big Bang, Teoria das cordas 
ou outras que as ciências haverão de contar ainda. 
Da revelação e da fé surge uma teologia da criação e do Deus criador, que 
só deveria ser concluída ao se recorrer a alguns textos bíblicos, capazes de sugerir sua 
leitura, contemplação e louvor. 
Da teologia da criação decorrem algumas questões muito importantes como 
a da teologia do ambiente, o problema do mal e a constituição da pessoa – que serão 
abordadas oportunamente na próxima unidade. 
6 DIGNIDADE DO SER HUMANO
Dignidade humana natural
Eis aí o ser humano: é feito da poeira das estrelas e fruto da evolução do cosmo, 
capaz de cultivar a natureza (ou destruí-la) e amar-se a si mesmo (ou odiar-se a si).
Todavia, quem é ele? Quem é esta síntese, este microcosmo? Quem é este ser 
solitário na imensidade do universo, mesmo rodeado de milhares de vidas? Por que ele 
existe? Sua missão é apenas nascer viver e desaparecer pela morte? É um ser existente 
sem sentido? Fruto do acaso improvável? Qual o significado de cada indivíduo no conjunto 
da espécie? É indiferente ao ecossistema existir esta pessoa e não aquela? 
IMPORTANTE:
O questionamento de Deus a Jó 
10,1-41,3) pode nos ensinar aqui 
muitas coisas.
ATENÇÃO!
Veja, por exemplo, 2Mac 7,22-28; 
Dn 3,57-88.56; Sl 8 e Mt 11,27.
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UNIDADE 5
Sem um sentido indicado pelo próprio ser humano, nada de tudo quanto existe 
teria sentido. É a pessoa humana que dá sentido a todas as coisas. É ela, entre os seres 
existentes, a única capaz de transcender-se a si mesmo; e, a partir do conjunto da vida, 
explicar o que existe. 
 
A história da humanidade não começa mais num eventual e concreto “homo 
sapiens” histórico. Ela perde-se na história do sistema solar, que se perde nas origens do 
cosmo. E as respostas não satisfazem significativamente. Salvo quando enquadrada em 
certos parâmetros (ciência, por exemplo) e cuja resposta é válida só dentro desses e com 
esses parâmetros. 
Os cristãos reconhecem a validade da história da vida em evolução. Aceitam o 
modo de contar das ciências naturais. Entretanto, pela revelação e pela fé, só conseguem 
aceitar esse modo complementado pela perspectiva da transcendência. A horizontalidade 
da vida exige a transcendência para ser significativa. 
Todo o processo relativo à hominização (o tornar-se humano) só se explica 
quando se busca o sentido em Deus criador. E aí a teologia (da criação) tem sua contribuição 
particular, a partir do que se afirmou acima (cf. Unidade 2). A evolução a partir das ciências 
naturais é uma explicação válida (dentro dos seus critérios), mas insuficiente por ter em 
conta apenas os fatos reais ou, no caso da evolução, em geral deduzidos.
 
 
Antes, porém de voltar à dimensão teológica, convém ressaltar a dignidade 
humana, tendo como ponto de partida o próprioconjunto da história natural.
O ser humano (visto aos olhos da evolução, mas não de Deus) foi um improvável 
que se concretizou. Foi, após milhões de anos, no processo evolutivo, que ele apareceu. 
Só com sua racionalidade e compreensão é que as “coisas” passaram a ter significado e 
sentido. É a pessoa humana quem confere o sentido a tudo quanto existe. É ela quem 
explica o existente. Para isso, se serve, inclusive, até das ciências. 
Não conhecemos nenhum outro ser ou forma de vida, no horizonte das coisas 
que existem, capaz de produzir explicações e cultura. Somos os únicos. O fato real – que é 
descrito pelo ser humano (cientista ou não) – precisa também ter um sentido. É certo que 
algumas pessoas negam a possibilidade de sentido, de finalidade de tudo quanto existe. 
Afirmar o acaso, a necessidade ou probabilidade, significa penas ignorar razões maiores 
sobre os fatos dados ou existentes. 
PARA APROFUNDAR:
Não só a metafísica se pergunta: “o que eu posso saber?”, ou a ética: “o que 
devo fazer?”, ou a religião “o que devo esperar?” O próprio ser humano pode 
criar significado e sentido para além do fato real, medido, comprovado ou 
experimentado. 
Assim é correto o próprio ser humano perceber-se diferente de todos os outros 
seres (não se afirma que ele é superior ou inferior). Na natureza se descobrem razões e 
atribuem-se significados. E o ser humano faz disso uma auto-compreensão e estabelece 
distinções. Daí, o perceber-se distinto, peculiar e único, por sua linguagem, cultura, 
religiosidade e operosidade. Ele é capaz de explorar os fatos e a realidade, modificá-los, 
aceitá-los ou refutá-los. 
A peculiaridade humana não é só questão da espécie. Também o é do indivíduo. 
E a identidade, tanto da espécie, quanto do indivíduo, já aponta, desde a natureza, à 
dignidade humana em vista da consciência de si, da consciência moral, da liberdade, da 
sociabilidade, das razões e finalidade da própria vida.
PARA VOCÊ REFLETIR:
É sabido, porém, que a 
explicação humana não é 
arrancada do próprio ser 
humano. Dito de outra forma: 
toda explicação (humanista, 
científica) que tenha um universo 
apenas horizontal – e não 
transcendente – é incapaz de 
responder muitas questões 
profundamente existenciais. Isso 
porque – inclusive cientificamente 
– é difícil definir a vida.
INFORMAÇÃO:
A própria evolução necessita de 
explicações mais profundas, sob 
pena de nos vermos reduzidos 
tudo e todos a meros objetos. 
As ciências naturais, enquanto 
explicações parciais do logos 
universal (volte a este tema na 
Unidade 2, item 3) necessitam de 
referências complexivas que a 
teologia pode e deve apresentar. 
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UNIDADE 5
A dignidade é inerente à espécie e ao indivíduo. Ela cresce porque os seres 
humanos, uns frente aos outros, são capazes de reconhecerem sua igualdade e sua 
diferença, suas relações e suas peculiaridades. O co-envolvimento de uns com os 
outros estabelece, entre os humanos, o diálogo, a partilha e a comunhão, muito além 
do compromisso natural de amamentação e sexo. Da hominização à humanização se 
percorre também o caminho natural da dignificação humana.
Na raiz da dignidade natural da pessoa humana estão fatores como: humanização 
dos hominóides, individualização, irrepetibilidade, autonomia, subjetividade. 
A humanização vem da capacidade de decidir e de agir por si mesmo, o que 
quer dizer: autonomia e independência e a qualidade de imagem que se transmite de si 
para o outro – seu similar. Por outro lado, a sociedade produz leis e as faz respeitar no 
sentido de preservar os direitos básicos, contra as exclusões mútuas e a eliminação dos 
mais fracos. É o processo de busca e reconhecimento que produz a dignidade comum. 
A convivência humana digna de todos tem como ponto de partida o reconhecimento da 
dignidade social de todos. 
A dignidade torna-se uma questão de estima subjetiva, que cresce pelo decoro, 
decência, honra e bem-estar. Sem dúvida, mesmo quando ainda não se manifestam todas 
as potencialidade da subjetividade – ou que elas tenham sido perdidas –, a dignidade não 
pode ser declinada como indignidade humana. O fato de ela não estar já caracterizada – 
ou de ter sido perdido em sua consciência – não cria uma não-humanidade. A questão de 
dignidade nasce em primeiro lugar da própria existência. Por isso analogicamente deve-se 
(isto é questão moral) ter em conta a dignidade dos animais. A dignidade humana sob o 
ponto de vista moral é uma questão de auto e hetero-construção. Ela implica em deveres, 
direitos e valores. 
Dignidade humana, vista pelo cristianismo
 A dignidade humana tem, porém, segundo os cristãos dois outros fundamentos. 
O primeiro está na realidade da filiação divina. Todo ser humano procede de Deus e foi 
elevado à categoria de filho por meio do Filho unigênito. Igualmente o aspecto teológico 
está ligado à questão da criação, seja manifesta na evolução da espécie humana, seja 
na origem do indivíduo como pessoa. A filiação faz, não manda faça-se. 
A filiação e a criaturidade remetem, na questão teológica da dignidade, à 
realidade de a pessoa humana ser também imagem de Deus. A pessoa encontra, em si, 
a presença de Deus e o representa como co-criador. Ao olhar o ser humano, a fé convida 
todos a perceberem em todos a transparência do divino. 
Não por último, a concepção teológica da dignidade humana aponta ao 
parentesco e à relação humano/divino. Somos parentes de Deus. Somos os seus mais 
próximos interlocutores. Somos pessoas da espécie humana na família dos hominóides, 
que procedem retroativamente na escala da evolução às amebas e à poeira do cosmo – 
porém, nossa origem também está em Deus, de quem procedemos e para quem iremos. 
O segundo fundamento da dignidade humana é encontrado na cristologia. 
O Verbo se fez carne, entre nós, conosco e para nós (cf. Jo 1.1-14). Em tudo fez-se 
igual a nós ao assumir nossa carne. Aliás, como diz Santo Irineu, ele preparou nossa 
carne de modo tal que, sem alterá-la, pudesse ser sua também. Assumindo a natureza 
humana, foram cristificados todos os homens e mulheres de todos os temos e lugares. 
Independentemente de crerem ou não em Deus. Aquele que é a origem fez-se, no tempo, 
originado para mostrar-nos realmente quem somos. 
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UNIDADE 5
Nossa dignidade está, pois, no fato de Deus ter experimentado nossas dores 
e alegrias, angústias e esperança (cf. GS 1). A Bíblia afirma negativamente a mesma 
realidade: “Ele se fez pecado por nós”. Nascido na carne virginal da humanidade (cf. Gl 
4,4); viveu fazendo o bem (At 10,38). Morto, foi ressuscitado pelo Pai e constituído à sua 
direita, como Senhor e Juiz. A volta à sua glória – que tinha antes de sua kenosis – não 
obnubila nem despreza a fraternidade aqui vivida. Ele deu-nos a dignidade de filhos de seu 
Pai. Confirmou nossa irmandade consigo. Espera-nos para – como seu corpo – entregar-
nos ao Pai. E nos fará viver diante dele face a face. À luz de Cristo, todo ser humano 
encontra sua real dignidade. 
A dignidade humana é antropológica, por natureza, antes de ser questão moral. 
Todavia, nem sempre os comportamentos humanos confirmam esta realidade. Por isso, ela 
que é um dom é também uma tarefa. E em muitas partes do mundo está comprometida. 
Aí, o ser humano continua sendo humilhado e é impedido de viver tal dignidade. E quando 
a dignidade humana é/ou está ferida, toda a criação é atingida também. Mas, não só. Pois, 
o próprio Deus criador também é atingido. 
Construir a dignidade é uma tarefa a que todos são chamados. 
7 CONSIDERAÇÕES 
Nesta unidade, você leu e aprofundou elementos da teologia da criação. 
Inicialmente indicamos alguns conceitos importantes (criacionismo, design inteligente, 
evolucionismo e teologia da criação) e suas co-relações. 
Depois situamos os significados:da criação na Bíblia e na história; a) 
da evolução, como lugar de compreensão atual do ser humano. b) 
A partir destes elementos, pode-se inferir o sentido da dignidade humana, como 
elemento diferencial sobre o todo da criação e o papel de Deus agindo continuamente e 
de modo aberto no universo visível (e invisível).
 Espero que você possa concluir esta unidade não só como estudo (racional) 
teológico, mas possa extasiar-se pelas maravilhas que Deus fez, a fim de que sentir e 
extasiar-se de sua glória. 
Em nossa próxima e última unidade, você estudará temas bem mais próximos 
de sua vida cotidiana. Mas que podem ser entendidos desde a Antropologia Teológica. 
Coragem e ânimo! 
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COMPLEMENTARES
EDWARDS, Denis. O sopro do Espírito. Uma teologia do Espírito Criador. S. Paulo: Loyola, 
2007.
________ Ensaio de antropologia cristã. Da imagem à semelhança com Deus. Petrópolis: 
Vozes, 1995, p. 29 a 157, especialmente.
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UNIDADE 5
KRAUS, H; KUCHLER, M. As origens, um estudo de Gênesis, 1-11. São Paulo: Paulinas, 
2007.
KÜNG, Hans. O principio de todas as coisas. Ciências naturais e religião. Petrópolis: Vozes, 
2007.
MOLTMANN, Jürgen. Ciência e sabedoria. Um diálogo entre ciência natural e teologia. S. 
Paulo: Loyola, 2007.
RIBEIRO, Helcion. Quem somos? Donde viemos? Para onde vamos? Petrópolis: Vozes, 
2007.
RUIZ de la Peña. Juan L. Teologia da criação. São Paulo: Loyola, 1989.
SCIENTIFIC AMERICAN. História 7. O homem em busca das origens. São Paulo: Diretto. 
Edição especial.
_________. Como nos tornamos humanos. A evolução da inteligência. S. Paulo: editora 
Diretto. Edição especial.
SUSIN, Luis Carlos. Teologia da criação. São Paulo: Paulinas; Valência (Esp): Siquem, 
2003.
9 E-REFERÊNCIA
Chamada numérica
(1) Agostinho de Hipona - Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Tiffany_
Window_of_St_Augustine_-Lightner_Museum.jpg>.
Anotações
Objetivos
Avaliar as razões teológicas sobre a unidade e • 
pluridimensionalidade da pessoa humana.
Identifi car as razões teológicas da pessoa humana como • 
ser constitutivo de esperança, de liberdade e agraciamento 
de Deus.
Produzir argumentos sobre o mal, o pecado e a morte.• 
Justifi car a “autonomia” da pessoa humana situada na • 
história.
Conteúdos
A questão da unidade e as dimensões da pessoa • 
humana.
O ser humano “diante” de Deus.• 
O ser humano como ser de esperança.• 
O ser humano como ser agraciado e a teologia da graça.• 
O ser humano como ser livre e a questão da liberdade.• 
O ser humano “contra” Deus.• 
O ser humano e o mal.• 
O ser humano e o pecado. • 
 O ser humano e a morte.• 
O ser humano em sua autonomia.• 
O ser humano, o que faz história. • 
O ser humano, que produz cultura.• 
O ser humano, o que trabalha.• 
O SER HUMANO E SUA 
“AUTONOMIA”
U
N
ID
A
D
E
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UNIDADE 6
1 INTRODUÇÃO
Como você pôde ver, na Unidade 5 tratamos da compreensão da origem 
humana. Vimos particularmente o sentido teológico da criação, a compreensão da origem 
humana na história da Igreja, bem como a explicação das ciências naturais, terminando 
com uma discussão sobre a dignidade humana vista do ponto de vista natural e cristã 
respectivamente.
Nesta unidade, que encerra nossos estudos, você vai refletir e aprofundar alguns 
temas de antropologia, que são marcantes na vida concreta da pessoa humana. Dividimos 
a unidade em três blocos de três questões cada um, além da introdução. 
No primeiro bloco, você encontrará questões que estão diretamente relacionadas 
a Deus: a esperança, a graça e a liberdade. No segundo, as questões são “contra” Deus: 
a morte, o pecado (inclusive o pecado original) e o mal. No último bloco, você deverá 
aprofundar o significado antropológico do ser humano em sua autonomia (história, a 
cultura e o trabalho). 
Sei que os temas são bem interessantes para seu estudo e sua vida. Espero que você 
pense o mesmo e, ao final, perceba que realmente valeu a pena. Mãos à obra, pois! 
2 QUESTÃO DA UNIDADE E DIMENSÕES DA PESSOA HUMANA
A antropologia, praticamente apresentada até aqui, fez uma teologização do ser 
humano na sua relação transcendente com Deus: ele é criatura filial, imagem de Deus e 
destinado a ele. Esta é uma antropologia descendente. 
Agora você deve se voltar teologicamente mais para a pessoa na história. É 
uma antropologia mais horizontal, à luz de Deus. É claro todas as questões anteriores vão 
servir de base para sua nova teologização. 
A pessoa humana é um ser de relações situadas. Ela é: 
é sempre concreta e real. Quer dizer: a pessoa é João, Maria, Pedro, Ana e a) 
outros;
existe sempre e tão-somente na relação com outros, com Deus e com o b) 
mundo. 
A pessoa humana é filha do cosmo, parente de Deus e irmã dos outros (esposo, 
filho, parente, vizinhos...), que são individualidades com ela e como ela. 
Como individualidade ela se confirma diante dos outros. O outro é quem confirma 
seu sentido. Ao situar-me na vida, percebo minhas dimensões humanas, conforme as 
circunstâncias. 
Corpo e alma
A teologia cristã e a Igreja foram herdeiras – até a exaustão – de uma concepção 
dualista sobre o ser humano: a questão “corpo e alma”. 
O a) pitagorismo a introduziu na cultura helênica. Ressaltou o dualismo ético 
e ontológico: o corpo é perecível e extremamente limitado pela matéria. Só 
a alma é forte e significativa, real e imortal. 
INFORMAÇÃO:
Antes de introduzir os três 
blocos, você deverá ter bem 
presentes os conceitos já 
estudados: (“nephes”, “ruah”, 
“basar”) e afirmações anteriores: 
- o ser humano é perfectível (não 
nasceu perfeito nem imperfeito);
- é portador de uma dignidade 
especial; 
- existe como relação com Deus, 
consigo, com os outros e com o 
universo; 
- é filho da terra e imagem de 
Deus; 
- mesmo quando se usa a 
expressão “homem” quer se 
entender a pessoa ou o ser 
humano a partir da Bíblia, das 
filosofias atuais e da concepção 
da Igreja.
 
O conceito e a ideologia grega 
sobre o homem não são 
suficientes para o cristão. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
O outro – humano e/ou divino 
– faz-me ser mais eu mesmo. 
No outro, vejo a face de Deus 
historicizada e localizada. No 
outro, eu me situo no tempo e 
no mundo (contexto sociocultural 
e religioso). No outro, vejo a 
face de Deus historicizada e 
localizada. Por causa do outro, 
sou chamado a presencializar, 
para mim mesmo, quem sou 
eu! Ao mesmo tempo, o outro 
me obriga a localizar-me no 
tempo e no espaço. Ao situar-
me na vida, percebo minhas 
dimensões humanas, conforme 
as circunstâncias. 
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UNIDADE 6
O gnosticismo (século 2º–4º d.C.), desqualificou o corpo e sua existência 
histórica. Valorizou a alma por ser capaz de transcendência.
 
O cristianismo primitivo, ao se inculturar fora do pensamento semita, aceitou b) 
o dualismo helênico–neoplatônico. Porém, valorizou o corpo, a carne, por 
dois motivos: a encarnação do Verbo e o mistério da ressurreição, mesmo 
que a ressurreição da carne, do corpo, ocorra só no final dos tempos. 
Na escolástica (séculos 10º–19), Santo Tomás (1227–1279) superou o c) 
dualismo anterior e usou a antropologia aristotélica (Aristóteles 348-322 
a.C.). Acentuou a unidade do homem: corpo e alma são dois aspectos de 
um só homem indivisível. Só através do corpo é que a alma pode existir e se 
expressar. Após a morte, a alma aguarda – numa feliz contemplação de Deus 
– a ressurreição do corpo para restabelecer sua unidade originária. 
Pela dificuldade de compreender a questão da ressurreição, o modelo dualista 
parecia melhor. Todavia, as novas compreensões facilitam estabelecer novos paradigmas 
sobre as dimensões do ser humano. 
 
Todavia, omodelo dualista vem sendo superado, já há uns 40 anos. E a 
Antropologia Teológica e a escatologia atuais o consideram, no mínimo, insuficiente. A 
nova concepção explora mais o conceito de pessoa, como ser de relações. 
Compreender, pois, a pessoa é percebê-la na totalidade de sua existência. Toda 
pessoa cresce. Cresce sempre rumo à perfeição definitiva (destinação final). Este processo 
é uma construção, um enovelamento ou uma rede tecida na vida. Cada experiência produz 
conseqüências históricas. Só em Deus, passada a morte, é que se terá conhecimento total 
de quem se é, de quem se foi e se há de ser. 
Diferentes dimensões humanas 
Para formular uma compreensão atual da pessoa humana, agora voltam a ser 
importantes as idéias bíblicas (“nephes”, “ruah” e “basar”), somadas às novas descobertas 
científicas e filosóficas. Assim, o ser humano é compreendido de forma multidimensional 
ou global. Ele possui dimensões psíquica, física (corpórea), emocional, pessoal, social, 
histórica, cósmica etc. Por essas dimensões múltiplas é que situamos a pessoa no mundo 
(presente e futuro). 
É a partir das diferentes dimensões humanas que você poderá aprofundar as 
questões dos 3 blocos propostas no início desta unidade.
 
Comecemos com o primeiro bloco, que contém elementos transcendentes, mas 
se tornam muito reais na vida de cada um.
3 O SER HUMANO DIANTE DE DEUS
 Neste tópico, você deverá compreender três dimensões humanas que são – 
positivamente – constitutivas da pessoa humana. Elas têm uma grande ligação entre si. A 
ordem proposta não é fixa. Poderia ser estudada primeira a dimensão da graça, depois a 
da esperança etc. Não é isso o mais importante.
A partir da antropologia, não se pode compreender o ser humana na sua 
concretude sem estes três aspectos: como um ser de esperança, agraciado por Deus e 
INFORMAÇÃO:
Pitágoras viveu entre 580.500 
a.C. 
INFORMAÇÃO:
As atuais concepções 
antropológicas são mais globais. 
Por exemplo, o Vaticano II, 
na Gaudium et spes superou 
o modelo dualista; em 1994, 
a Conferência dos Bispos da 
Alemanha afirmou: “A alma 
não é uma parte do homem ao 
lado do corpo, mas o centro da 
pessoa. É a pessoa humana 
inteira que entra na vida junto 
com Deus. Mas também o corpo 
não é simplesmente uma parte 
do homem. Ele é pessoa na 
sua relação completa com o 
mundo...”
PARA VOCÊ REFLETIR:
Você pode perceber inúmeras 
conseqüências dessas idéias, 
ainda presentes na Igreja e 
na sociedade. Este modelo 
de interpretação se impôs de 
maneira hegemônica.
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UNIDADE 6
livre. Estas três questões estão profundamente relacionadas a Deus, por isso a ênfase: 
“diante de Deus”. 
O ser humano como ser de esperança
Na unidade anterior afirmamos: mais importante que a origem, importa o fim 
(destinação) a que fomos chamados. A bondade divina revelou-nos isso. 
E mais: porque conhecemos, esperamos este fim. Faz parte de nossa 
estrutura humana o desejo da plenitude nossa em Deus. Esta esperança marca o 
nosso modo de viver. 
ejejejejej
Por natureza, o ser humano é um ser de esperança. É um ser aberto que se 
transcende a si mesmo. Ninguém vive fechado sobre si. 
Thomas Merton dizia: “Ninguém é uma ilha”. 
Ninguém é humano sozinho. Todos somos seres relacionais. Este fato remete-
nos à conseqüente idéia de somos seres de esperança. Ninguém vive sem ela. É verdade 
que são muitos os níveis da esperança que se vive. Quanto maior a consciência de si e de 
percepção do outro eu, maior será a esperança antropológica que se vive. Este constitutivo 
humano está presente desde a vida intra-uterina até a morte. 
qu
Nascer, crescer, casar-se, formar-se, aposentar-se etc. são situações que não 
existiriam sem este desejo de ver as esperanças se realizarem. A esperança é sempre 
um olhar para frente, ao mesmo tempo é dadora de sentido ao viver presente. Esta 
abertura para... é na realidade um constitutivo humano que não indica simplesmente uma 
insatisfação como presente ou uma revolta contra a vida. É, antes e sobretudo, o desejo 
de ser mais, de crescer, de ser feliz. 
Somos limitados por natureza. Mas, nossa constituição humana quer e almeja 
o mais sempre, o infinito. Até diante da morte, que parece ser o fim histórico de tudo, o 
coração humano põe a esperança de vencê-la e ultrapassá-la. 
O próprio da esperança
Santo Tomás diz que é próprio da esperança “tender para um bem, para um 
bem de difícil acesso, para um bem futuro, enfim para um bem possível”. Esta espera afeta 
nosso modo de ser e do nosso processo de aperfeiçoamento. A não-posse do esperado é 
um estímulo ao empenho de vida, tanto na ordem histórico-natural quanto escatológica. 
Abertos ao futuro 
O ato de esperar faz de nós seres abertos ao futuro histórico e escatológico. 
No futuro histórico, certamente, por melhores que sejam nossas esperanças, não 
conseguiremos tudo. É certo que Deus é nossa garantia do futuro escatológico. A fé 
e a história revelam que os que esperam são capazes de crescer. O desespero, dizia 
Kierkegaard1, é um segredo da experiência pagã. Aquele que se fecha no presente 
mediato ou imediato parece perder a esperança. Todavia, na verdade, é um ser des-
esperante. Por isso, espera ter razões para não colaborar no aperfeiçoamento de si, dos 
outros e do cosmo. E muito menos buscar sua realização histórica e a definitiva em 
Deus. 
Esperança como direito humano
Parece a muitas pessoas e povos “emancipados”, “adultos”, que a esperança está 
restrita ao conservar o bem-estar conquistado. Todavia, há no mundo contemporâneo, 
milhares de pobres e excluídos – os irmãos comuns – que olham à mesa dos “ricos 
INFORMAÇÃO:
Aliás, poderia ser bem 
interessante se você antes de 
começar este importante estudo, 
escrevesse em seu caderno 
alguma coisa sobre cada um 
dos temas, para comparar seu 
conhecimento e o possível “novo” 
a ser adquirido agora. 
- Por que Deus dá graças ao ser 
humano?
- Por que somos livres?
- Por que somos seres de 
esperança?
Mãos à obra. Escreva!
PARA VOCÊ REFLETIR:
Talvez seus avós possam dizer 
que, “no tempo deles”, vivia-se 
pensando na vida eterna, quase 
desprezando a vida presente. 
Não é assim nossa esperança 
hoje. Esperamos, é certo, uma 
garantida promessa de nosso 
futuro feliz. Porém, vamos 
vivendo de esperança em 
esperança. Damos passos e 
esperamos. Cremos esperando. 
De passo em passo vamos 
construindo nossa vida presente. 
Buscamos sempre algo melhor 
e superior. Lutamos com esta 
certeza. Queremos ser felizes, 
por isso nossos atos são 
movidos pela esperança de 
conseguir tal felicidade. Isso é 
um constitutivo antropológico da 
pessoa humana. Somos seres da 
esperança que esperam e, por 
isso, agem.
ATENÇÃO:
Certamente você já ouviu 
falar das reações de um feto 
cujos pais tentaram abortá-lo! 
Essas reações estão ligadas 
à imperiosa necessidade de 
sobreviver. Elas são regidas pela 
esperança de poder viver. 
ATENÇÃO:
 Ser esperançoso não é um 
modo de ser só do indivíduo. As 
comunidades e as nações, os 
grupos científicos e religiosos 
também se constituem de 
esperança.
(1) Søren Aabye Kierkegaard 
(1813 −1855): teólogo 
e filósofo dinamarquês 
conhecido por ser o “pai do 
existencialismo”.
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epulões” como “Lázaros” (cf. Lc 16,19-31) e esperam a justiça e a libertação. Para estes, a 
esperança é algo não só mais desejado, mas de direito humano. No grito da esperança e de 
libertação dos pobres, pode-se medir mais significativamente o quanto é profundamente 
antropológica a questão da esperança como realidade constitutiva da pessoa humana.
Esperança fechada em si mesma
A ciência, a economia e a política vivem de esperanças também. Porém é uma 
esperança encerrada em si, controlada e auto-suficiente. O ateísmo, o nada existencial 
e a angústia são, previamente, círculos fechadossobre si mesmos, incapazes de dar 
sustentabilidade ao significado de ser-se humano. Pois o ser humano não se encerra em 
si – nem sequer no processo natural da vida. Se todo ser humano evolui é porque lhe é 
possível (em esperança e na vida) continuar, crescer, aperfeiçoar-se.
A revelação afirma que não existimos somente para a vida natural. Nós a 
transcenderemos. Por isso é esperança escatológica. E esta não é nem indefinida muito 
menos cíclica. 
De esperança em esperança 
O compromisso com a vida move a pessoa de esperança em esperança e 
a transforma em um ser de decisões, de projetos. Todo ato humano mesmo movido pela 
penúria ou necessidade, inquietação ou busca pelo desejo ou pela vontade, é uma certeza 
de que algo melhor há de vir (inclusive o próprio suicídio). De fato, se é ser de esperança, 
todos os desafios incitam o ser humano ao compromisso solidário (às vezes para o mal) de 
desenvolvimento. As situações pessoais (nascer, casar, trabalhar, curar-se do sofrimento 
etc.) e as sociais (a política, o desenvolvimento, combate às pandemias, construções de 
moradias, pesquisa científica, voluntariado etc.) são sempre movidas por esse modo de 
ser da pessoa humana.
Dom gratuito
A história é construída de modo marcante e radical pela esperança humana. 
Isso implica uma abertura permanente a uma plenitude que não se pode conquistar. 
A plenitude da esperança é um dom gratuito que transcende o próprio humano. Ao 
mesmo tempo é um dom escatológico da eternidade no amor de Deus – como os cristãos 
crêem e esperam para todos. A esperança manifesta-se como solidariedade, libertação 
e justiça. 
Ela é também uma virtude teologal que, ao invés de alienar, exige o compromisso 
radical, na história, de todos os homens e mulheres. Ela implica liberdade. Quer dizer: a 
esperança exige antropologicamente a liberdade (item 3 desta unidade). 
Irmãos do Verbo
 A esperança escatológica está fundada na certeza de que já somos 
criaturas e Filhos de Deus, irmãos do Verbo, herdeiros da eternidade; mas ainda-não 
recebemos a plenitude do que seremos. A estrutura ôntica da esperança humana indica 
que a realidade é maior do que vemos e percebemos. A realidade é processual, onde nada 
já está decidido, previamente destinado (como a “moira” grega ou o “maktub” árabe). 
Na patência da realidade está embutida a latência da própria realidade. E está aí a da 
esperança que um dia se evidenciará como nova realidade humana em Deus.
Ser de esperança
É em Deus que a vida realiza a esperança última. É nele que ela se concretiza. 
Mas afirmar isso não é confirmar que em Deus tudo se acaba, tudo morre. A realidade 
INFORMAÇÃO:
Bento XVI, no ano de 2007, 
lançou sua segunda encíclica 
sobre a esperança: Spes salvi, 
fundamentado em Rm 8,24.
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escatológica em Deus é dinâmica e eterna. Deus, que é amor, é eterno. E quem vive em 
Deus vive a eternidade. Não necessita mais da esperança; vive na realidade dinâmica do 
amor. E isso é vida eterna em Deus. A estrutura ôntico-histórica do ser humano, como ser 
de esperança, – transforma-se em estrutura eterna de amor (cf. 1Cor 13,1-15).
EM RESUMO
A pessoa humana é um ser de esperança que – inclusive – espera. A esperança, 
por um lado, é uma virtude; por outro, é modo de ser da pessoa humana. 
O ser humano como ser agraciado e a teologia da graça
Você lembra: 
Somos seres em processo. Nós nos aperfeiçoamos tanto como indivíduo a) 
quanto como espécie. 
A evolução é um processo aberto (que muitos dizem ser casual e até cheio b) 
de improbabilidades). 
A criação é um ato contínuo de Deus, também aberto e multidirecional. c) 
Se você relacionar essas lembranças, poderá perceber:
A processualidade do aperfeiçoamento que envolve o ser humano não nasce a) 
dele mesmo. O improvável que se tornou real – nós o sabemos pela fé – é 
obra de Deus. Ele o chama à vida, o mantém e o leva à plenitude. Essa ação 
de Deus é graça. 
A graça é algo que vem de fora do ser humano, de Deus. Deus – enquanto 
Criador, Pai e Providência – acompanha-nos imediatamente com suas graças. 
Somos livres para recebê-las ou recusá-las. 
Se Deus nos faz seres em processo, também nos faz capazes de receber seu b) 
acompanhamento (graça) para nos levar à destinação/salvação plena (graça 
última). 
Na verdade, tudo é graça, dom de Deus. 
Na teologia – sobretudo desde Santo Agostinho passando por vários sínodos 
e teólogos como Santo Tomas de Aquino, Lutero, Bayo, Jansênio, Quesnel e 
outros, além do Concílio de Trento, – foram feitas grandes discussões sobre 
a graça como algo necessário ao ser “humano pecador”. 
O ser humano – independente da fé (que é uma graça) – está marcado pela c) 
graça, desde a criação/origem pessoal até a visão/salvação de Deus. Para 
aperfeiçoar-se e, inclusive, superar o mal, ele é agraciado por Deus. Só se 
é humano por se ser agraciado por Deus. Isto é: só se vive por graça de 
Deus.
Este modo de Deus agir conosco não fere nossa liberdade nem quer ser um 
“remédio” à sua obra criada. Ao estabelecer a presença da pessoa humana 
no seu plano de salvação, Deus a chamou, elegeu-a para ser santa e perfeita 
a seus olhos (cf. Ef 1,3), por Cristo, em Cristo e para ele, por ação do Espírito 
Santo. 
Faz parte do ser humano receber e viver (mesmo de forma não consciente) 
da graça de Deus. Deus vive em nós e nós vivemos nele e dele. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Entre graça e liberdade (o dom 
de Deus e a aceitação humana) 
parece haver uma tensão. 
Se Deus nos agracia, estaria 
privando-nos da liberdade? 
Seríamos obrigados a aceitar 
a graça, inclusive a de viver? 
Não seria a graça uma violência 
contra o ser humano? Pode 
a graça ser causa de nossa 
libertação?
INFORMAÇÃO:
Este tema, em muitos cursos 
de teologia, aparece como uma 
disciplina autônoma. Aqui, você 
verá apenas alguns conceitos 
imediatamente pertinentes à 
questão antropológica. 
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- Nos tradicionais Tratados da Graça parte-se (quase sempre) do 
pressuposto de que a graça é algo complementar, dado por Deus por 
causa do pecado. Isso seria a forma de Deus corrigir o ser humano – 
pecador desde o início. A graça seria um remédio ou um auxílio para vencer 
o pecado. 
- Nesta Antropologia Teológica, nós partimos de outro pressuposto. Deus 
nos agracia, concede-nos sua graça, porque somente podemos viver nele 
e para ele – mesmo com nossa autonomia ou independência até mesmo 
quando nos voltamos contra ele. Quando se fala em criação contínua, está-se 
falando também da graça do viver, que anterior e independente (ou acima) 
do pecado. Ninguém vive (mesmo que esteja em pecado) sem a graça de 
Deus. 
Aqui temos como pressuposto que a graça é o dom permanente de Deus 
para que o ser humano viva. Ela se torna graça especial nesta ou aquela 
circunstância. Seria inimaginável um ser humano viver sem a constante graça 
de Deus. Ela é a permanente forma de Deus estar conosco.
Por ser dom de Deus,d) ela não depende da pessoa humana, que – isto 
sim – pode rejeitá-la. Pela graça, todo homem e mulher são envolvidos 
amorosamente por Deus. A partir desta experiência é possível viver sempre 
diante de Deus – apesar dos males. 
LEMBRETE:
Viver sempre diante de Deus foi o que Jesus viveu – “passou pelo mundo 
fazendo o bem (At 10,32). Assim viveu Maria, “a cheia de graça” (cf. Lc 1,28). 
Deus os acompanhou e eles – por força da própria graça – responderam à 
graça de Deus. “Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus” (1Jo 
5,19). 
A e) graça cria em nós, não só o gosto, mas também o otimismo e a alegria 
de viver, de crer e esperar a realização plena. Ela nos abre a uma relação 
de comum-união (comunhão) entre Deus e nós, e entre nós mesmos. Isso 
confirma o ser de relações que somos enquanto pessoas. Ela é o garante da 
vitória final de Deussobre todo o mal. É também a garantia divina em nós 
para vencermos os males que nos assolam ou que provocamos. 
Por não sermos perfeitos (carecemos ainda da perfeição), a presença de 
Deus, em nós, vai-nos agraciando para a perfeição. Ele nos auxilia com novas 
graças a fim de não abusarmos da liberdade pelo pecado. Ele nos dá graças 
para vivermos em santidade, para evitarmos o pecado e o mal. Contudo, ele 
não se permite impedir-nos pecar e praticar o mal. 
Por sermos seres agraciados por Deus, somos co-criadores com ele. Não f) 
somos meros participantes ou espectadores do mundo em que nos situamos. 
Nossa missão é colaborar na obra criacional toda. Para isso, recebemos a 
graça de Deus. O que somos adquire existência por esta gratuita expressão 
do amor de Deus. A atuação no mundo, a colaboração na construção do 
mundo melhor, a recepção da conquista humana e o empenho por legar uma 
herança maior: tudo isso vem impulsionado por esta amorosa e gratuita 
relação de Deus em nós e conosco. 
Diante dos revezes das pessoas, sociedades, países e do meio ambiente, g) 
Deus oferece, de muitos modos, sua bênção (graça) para a re-novação de 
INFORMAÇÃO:
Esta perspectiva tem uma longa 
história e está muito difundida. 
Ela caracterizou boa parte das 
discussões teológicas de Idade 
Média.
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tudo. Os próprios cristãos tornam-se portadores e mediadores privilegiados 
da graça de Deus em prol do bem comum – mesmo quando Deus se utiliza 
de outros crentes e religiosos para este fim. 
Ser agraciado por Deus é algo co-natural ao ser humano, independente h) 
de sua vontade e de sua ação. Fomos escolhidos por ele desde antes da 
criação do mundo para ser santos e perfeitos, como diz São Paulo. Somos 
chamados, por ele, para completar em nós, graciosamente, todo o processo 
de humanização a ser realizado. Sem prejuízo da liberdade, a pessoa humana 
pode acolher estes favores divinos, exatamente para seu amadurecimento 
e plenificação. 
A graça não é oferecida só ao indivíduo. Também o é à coletividade humana, i) 
quer no conjunto, quer nos grupos derivados. Nesse último sentido, ela se 
apresenta também como iluminação da atividade humana, nos laboratórios 
de pesquisa, na organização social, no processo da educação e da cidadania, 
no trabalho e no lazer, na vida em fim. 
Há, porém, um aspecto especial da graça: é dada aos homens e às mulheres j) 
uma consciência libertária para produzir a libertação dos pobres, dos 
oprimidos e dos marginalizados. Essa situação de pobreza – normalmente 
produto intencionado por grupos humanos – exige a atenção de todos 
(especialmente dos cristãos) para a graça da fraternidade à mesa comum 
dos filhos e filhas de Deus. Se a pessoa humana foi criada para viver da graça, 
então a ação libertária de Deus e dos seres humanos (graça), em prol dos 
mais necessitados (questão antropológica), torna-se um dever empenhativo 
(questão moral) de todos.
 
O ser humano é permanentemente agraciado por Deus: por isso ele vive. Ele 
vive da graça constante da Providência Divina não porque é pecador, mas 
porque Deus o ama desde toda a eternidade. Viver a vida de agraciado é, 
constitutivamente, o modo do viver humano. O ser humano pode até dizer 
que rejeita a graça e agir contrariamente a Deus – mas isso não impede a 
Deus de agraciá-lo até mesmo nestes casos. Do contrário a pessoa humana 
não viveria.
Viver a graça é viver na alegria, na solidariedade e na comunhão com todos; 
na construção de um mundo melhor. É ser imagem do ser humano, como filho 
e irmão de Deus.
O ser humano como ser livre e a questão da liberdade 
Certamente as suas experiências de liberdade já o convenceram de que você a) 
não é livre para fazer o que quer. Ninguém consegue isto. 
Às vezes, alguns acham que ser livre é poder o que se deve. Mas, se deve 
seria obrigação! Isso não contrariaria a fazer liberdade? 
Responda: Ela está certa?! Numa roda de amigos falava-se sobre fidelidade b) 
conjugal. Bem que poderiam ser outro tema. Uma esposa de meia idade diz: 
“Sempre confiei no meu marido. Ele viaja muito. Tem toda a liberdade. Ele pode 
fazer tudo o que quiser. Por isso, sei que ele jamais me trairá”.
 
Só o ser humano pode ser livre, pois é o único chamado a sê-lo.c) 
 - Você pode entender melhor por que a pessoa humana é chamada a ser 
livre quando a compara com os animais. Na liberdade, há componentes 
de consciência, relação, vontade, possibilidade de decisão, memória, 
responsabilidade, adesão e até renúncia. 
INFORMAÇÃO!
Você pode comparar as idéias 
teológicas sobre a liberdade 
com as filosóficas, expostas 
na disciplina Antropologia 
Filosófica, Unidade 4, item 2. Ao 
estudar procure ver as diferenças 
e as aproximações.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Como você diferencia as duas 
concepções de liberdade acima 
(“a” e “b”)? 
INFORMAÇÃO:
A concepção de liberdade, 
em sentido antropológico, é 
diferente da do sentido moral. Na 
base deste (moral) está aquele 
(antropológico). Também é 
diferente a concepção grega da 
atual concepção personalista de 
liberdade.
ATENÇÃO: 
As concepções filosóficas – 
porque são filhas da própria 
razão – não são conceitos 
exaustivos para a teologia. Isso 
porque naquelas o ser humano 
se basta a si; nesta, o ser 
humano é um ser de relações 
com Deus e com os irmãos.
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A consciência de liberdade tem uma história. Para os gregos em geral, era d) 
condição de ser cidadão e não escravo. Para Sócrates era a capacidade de fazer 
o melhor. Para Aristóteles, a capacidade de escolher. Para Santo Agostinho, a 
capacidade de decidir. Para Kant, a capacidade de agir autonomamente. 
Convém diferenciar: a) liberdade de Deus; b) liberdade do ser humano. Deus e) 
é libertador, o ser humano é libertado.
Deus é quem liberta e capacita as pessoas a entrarem em comunhão 1. 
com ele e com os outros. Para São Paulo, a liberdade é um bem salvífico 
universal, gratuito, que liberta o ser humano de todos os poderes, inclusive 
o da morte (cf. Rm 8,2-9.21). É também um dom escatológico.
O ser humano é livre porque recebeu a liberdade Deus – o único capaz de 2. 
libertá-lo de todos os condicionamentos; b) o ser humano é livre quando 
opta por Deus e se integra em obediência à ordem criada por Deus; c) 
ser livre é ter a capacidade de se auto-determinar, dentro do plano de 
Deus; d) o fundamento das liberdade está na comunhão com Deus; e) ela 
é uma atitude diante do pecado e da lei.
Ser livre é um modo humano de existir. É a liberdade de Deus que torna o f) 
ser humano livre. Isso implica uma vocação, um chamado de Deus. Por outro 
lado, é uma conquista que, pela graça de Deus, faz-se ao longo da vida. 
José COMBLIN (1998, 238) afirma:
“Ninguém ‘é’ livre. A liberdade está no agir para se libertar. Esta é a nossa 
vocação humana: tornar-se alguém, uma pessoa, fazer-se uma personalidade 
mediante uma luta, um trabalho, uma atividade que consiste em libertar-
se. A libertação tem uma finalidade: tornar-se livre, dar-se a si próprio uma 
personalidade realmente mais livre. A liberdade é seu fim próprio, e ela se 
constrói no decorrer da vida, no meio das oportunidades, dentro das vicissitudes 
de uma existência humana terrestre”. 
O ser humano não tem um destino cego (“moira”, como diziam os gregos) g) 
nem sua vida está selada (“maktub”, como dizem os árabes). Não tem uma 
meta histórica e escatológica irrecusável de antemão. 
Vocação para a liberdade é um chamado e uma graça de Deus. Ela se torna h) 
uma experiência fundante e fundamental para o ser humano. Ela deve fazer 
o ser humano superar a si, seus desejos e medos, temores e egoísmos, 
traumas e subserviências, “posses” e sua história.
Livre é aquele que pode pôr-se a serviço dos outros. Pôr-se a serviço dos i) 
outros é não ser escravo; antes, o contrário.É claro que não é livre aquele 
que é obrigado a estar a serviço dos outros, pois aí ele pode estar des-
humanizado até.
Só no serviço voluntário de amor é que se conquista a liberdade. Aí o exemplo j) 
de Jesus Cristo – que passou pelo mundo fazendo o bem (At 10,38) – é impar. 
Ele tornou-se livre exatamente porque se esvaziou totalmente de si (cf. Fl 
2,6), para servir a Deus e a seus irmãos, especialmente aos marginalizados 
e aos pobres. Ele foi um homem livre. 
 k) No processo de libertação surge uma aparente contradição: Cristo nos libertou 
para a liberdade, diz São Paulo. Só ele nos fez livres para a liberdade. 
- Ser livre é um processo a ser construído. Nada está previamente 
determinado. O nosso futuro está aberto. Quanto mais nos libertamos, mais 
livres nos tornamos. 
INFORMAÇÃO
Na Bíblia há outras concepções. 
Consulte um dicionário teológico 
o verbete “liberdade”.
INFORMAÇÃO:
O livro Vocação para a liberdade 
de José COMBLIN é muito 
interessante, sobretudo na 
reflexão que ele faz sobre os 
processos libertários.
PARA VOCÊ REFLETIR:
Nem sempre homens públicos 
(presidentes, governantes e 
outros mais) são homens livres. 
Nem pública nem privadamente. 
Procure, por outro lado, analisar 
sob o prisma de liberdade a vida 
de alguns homens e mulheres 
livres como: Gandhi, Mandela, 
Tereza de Calcutá, Helder 
Câmara, Luther King.
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UNIDADE 6
- Porém, a libertação nossa é um colocar-nos sob o senhorio de Cristo. Eis 
aqui a questão! Ao nos colocarmos sob o senhorio dele, não nos tornamos 
escravos dele? 
– Sim! Mas, só nos colocando a serviço dele é que conquistamos nossa 
liberdade. Só nele, nos tornamos verdadeiramente livres. 
- Então, podemos dizer: somos escravos de Cristo (afirmação negativa), por 
isso somos livres (afirmação positiva). A liberdade é um dom de Deus. 
- Ou em outras palavras: somos criados, em Cristo, como imagens e filhos de 
Deus para realizar-nos em plenitude nele, vendo-o face a face – em função 
disso é que somos livres. 
Somos livres à medida que vivemos este processo. Fora dele, que futuro l) 
se pode ter? Não é, por acaso, em Deus que conquistamos nossa plenitude 
(apesar de sermos livres para recusá-la?). Se só aí estará nossa humanização 
completa, então, só sob o seu senhorio é que atingiremos a razão de nosso 
viver. Ele é o Senhor que, na força do espírito, liberta-nos para a liberdade. 
Desse modo, concluímos: m) 
Ser livre, na verdade, é colocar-se sob a vontade de Deus, em vista da 1) 
realização de seu plano salvífico. Seremos livres à medida que realizamos 
aquilo que Deus quis para nós.
A libertação última é poder viver em Deus. Só aí seremos plenamente 1) 
humanos. E então não mais precisaremos da própria liberdade, nem mais 
da esperança. Viveremos na eterna graça como salvos, isto é: plenificados 
e realizados. 
Para situar o ser humano afirmamos que sua vida tem várias dimensões sem 
dicotomias. Deus o fez como um ser de esperança, para que ele tomasse 
em suas mãos o próprio crescimento. Também o fez capaz de receber suas 
graças, a fim de que crescesse. E, finalmente, o fez livre, para que crescesse 
e assumisse seu destino final, construído num processo de libertação. Este 
processo de aperfeiçoamento envolve tanto a espécie humana quanto cada 
um pessoalmente. 
4 O SER HUMANO “CONTRA” DEUS 
Já vimos anteriormente que Deus nos criou como imagem sua, em Cristo. 
Somos seus filhos e irmãos de Cristo Jesus. No uso abusivo da liberdade, o ser humano e 
a humanidade se alienaram de si próprios e de Deus. Perderam a capacidade de dialogar 
com ele. Perverteram a própria vida. E se desviaram da história da salvação, pondo-se 
contra Deus. 
Da alienação dialogal com Deus degenera-se também o diálogo com os irmãos. 
O mal, o pecado (o pecado original) e a morte (espiritual e eterna) excluem a pessoa da 
comunhão universal com Deus e da comunhão próxima com os irmãos. 
Esta infeliz condição humana cria um aparente fracasso nos desígnios amorosos 
e gratuitos de Deus, que só pode ser “remediado”, sanado por Cristo. Deus nos criou para 
nos salvar; isto é, para realizar-nos plenamente nele. Porém, necessita, também, no 
processo de aperfeiçoamento, redimir-nos (salvar-nos) de nossos pecados.
INFORMAÇÃO:
Só o ser humano é um ser livre, 
porque Deus o liberta para a 
liberdade. E a liberdade consiste 
em fazer a vontade de Deus.
INFORMAÇÃO:
Neste item 4, você vai aprofundar 
algumas questões que não 
são marginais na Antropologia 
Teológica. Não se pode ignorar 
seu peso sem falsificar a 
realidade humana. Embora não 
sejam o centro da fé, têm forte 
incidência sobre ela.
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UNIDADE 6
O ser humano e o mal
O mistério do mal
Experimentamos cotidianamente o mal. E o experimentamos no sofrimento, 
na angústia, na morte – em nossas atitudes e na consciência moral. Diante dele somos 
vítimas e/ou vitimadores. De modo ativo, podemos ser causadores. De modo passivo, 
podemos ser vítimas. 
O mal tem uma misteriosidade de muitas faces, a ponto de não se conseguir 
nem conhecê-lo nem erradicá-lo definitivamente. Antes mesmo de uma coisa ser boa ou 
má (questão moral), o mal está aí e atinge profundamente a vida humana, o próprio ser 
humano. Por esta sua negatividade, torna-se uma questão antropológica também. 
As discussões sobre o tema privilegiam as abordagens sobre o mal físico, moral 
e metafísico. O tema foi particularmente estudado na teodicéia. 
A grande discussão pode ser sintetizada no dilema de Epicuro: 
Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, porém não quer; 
ou pode e quer. Se quer e não pode, é impotente; se pode e não quer, não nos 
ama; se não pode e não quer, não é Deus e além disso é impotente; se pode e 
não quer – e isto é o mais seguro –, então de onde vem o mal real e por que 
ele não o elimina?
 
Você pode perceber que, posto dessa maneira, o problema do mal é uma 
questão de Deus, de seu querer e poder ou do seu não querer e não poder. Todavia, se a 
questão fosse do querer e do poder de Deus, dever-se-ia perguntar: por que ele ainda não 
resolveu a questão? Entretanto, a discussão não se resolve assim. 
O fato é que o mal e as coisas más estão aí. E eles tomam nomes e rostos 
diversos, segundo o tempo, as circunstâncias e as culturas. 
Origem do mal
 Em nenhum lugar da história humana, você encontra as razões da origem do 
mal. Donde ele vem? Ou por que ele existe?
Se você lembra, temos afirmado sempre a questão da perfectibilidade 
(aperfeiçoamento) do cosmo e do ser humano. Dizer aperfeiçoamento implica aceitar 
um crescimento ou uma parada ou até uma frustração de crescimento. E isso pode 
ser identificado como limitação ou finitude da criação. Deus não disse querer fazer um 
mundo perfeito. 
Num primeiro sentido, o mal que conhecemos se apresenta como inevitável no 
mundo e na humanidade. Nada e ninguém existem pronto e acabado, sem necessidade 
de evoluir (deixar de ser algo, alguém, para transformar-se em maior ou em novo). Na 
finitude e na limitação estão contidos as imperfeições, falhas, desajustes, carências 
etc. Elas se manifestam em preocupações, dor e sofrimento. No processo de libertação 
aparece o mal porque a liberdade é uma construção e uma conquista, cujo resultado 
também pode aparecer como fracasso ou derrota.
Todavia, se a finitude revela crescimento e limitação, poder-se-ia perguntar: por 
que não abreviá-los ou buscar logo a perfeição? Por duas razões simples: a) a história não 
dá saltos; b) como tal, a finitude não é má. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Mesmo que se revolte contra 
o mal, a pessoa humana o 
sente por toda a parte. Muito se 
discutiu (e se discute) sobre ele. 
É fácil encontrar tais discussões 
em dicionários de teologia, nos 
livros de teologia moral etc. 
Atualmente um teólogo que 
discute muito este assuntoé 
Andrés Torres QUEIRUGA, em 
suas diversas obras.
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UNIDADE 6
O ser humano e o pecado
Experiência do pecado
Outra questão referente à origem do mal é a atitude humana. O mal também 
provém do coração humano. A liberdade cria a “infeliz” possibilidade de fazer o mal. 
E o ser humano também é produtor de males. Basta pensar na fome, no desemprego, 
na escravidão e em toda sorte de opressões e injustiças, violações da dignidade e dos 
direitos humanos etc. Tais atitudes tanto são individuais quanto sociais. Isto não depende 
da finitude, mas da vontade do ser humano. 
Neste aspecto, o mal toma forma de pecado. Ele vitimiza tanto o ser humano 
quanto o próprio Deus. No primeiro caso, o ser humano sofre conseqüências pessoalmente 
ou como vítima ou como vitimador (a causa). No segundo caso, Deus é ofendido na ofensa 
aos seus filhos.
O pecado é inerente à pessoa humana
O pecado/mal está tão misteriosamente arraigado na espécie humana, que ele 
surge em quaisquer indivíduos, grupos, povos e culturas. Daí que os pecados pessoais 
não estão isolados uns dos outros. Eles procedem de contextos socioculturais – o que 
não isenta a ninguém de responsabilidades individuais. Querendo ou não, todos estamos 
implicados nestas situações de pecado – mesmo que ninguém individualmente seja 
obrigado a pecar (cf. Sl 50).
Solidariedade no bem e no mal
Não se pode afirmar que o ser humano é pecador por natureza. É verdade: há 
uma solidariedade no pecado e “parece” que este mal é inseparável do ser humano desde 
a origem. Em contrapartida, há também uma solidariedade para o bem, cuja origem é 
Cristo. Mas, não se pode (não se deve) criar uma tensão dualista entre pecado e graça 
(bem ou mal), tampouco aceitar a inevitabilidade (“moira”) do pecado. 
Centralidade do pecado 
Na história da Igreja existiram – e continuam existindo – certas correntes que 
enfatizam a centralidade do pecado (amartiocentrismo). Daí decorreriam as razões da 
encarnação do Verbo. 
No início do século 12, Santo Anselmo afirmou com todas as letras: o motivo da 
necessidade da encarnação do Verbo era o perdão de nosso pecados. 
Outros teólogos tentaram amenizar esta afirmação falando do amor de Deus, 
que nos perdoou pela encarnação de seu Filho. Todavia, o amartiocentrismo se impôs no 
cristianismo, sobretudo a partir da Idade Média. 
Hoje mantém-se em muitos programas de televisão, sejam católicos sejam 
evangélicos (pentencostais). Quanto menos se conhece e se ama a Deus, mais se apela 
ao pecado e ao demônio.
Ênfase amartiocêntrica
A ênfase amartiocêntrica é perversa no cristianismo porque tanto esconde o 
amor de Deus e do próximo, quanto esconde o amor a Deus e ao próximo – que estão no 
centro da revelação e da própria encarnação. Sem dúvida, o Verbo encarnado encontrou 
o ser humano e a humanidade em estado de pecado. Por ser nosso Salvador desde antes 
da criação, torna-se também nosso Redentor. “Ele se fez pecado, para a nossa salvação” 
(cf. 2Cor 5,21; Gl 3,13; Rm 8,32). Por outro lado, convém ressaltar que Jesus é “em tudo 
igual a nós” (Hbr 4,15). 
INFORMAÇÃO:
Foi Tertuliano o primeiro a 
teologizar sobre a centralidade 
do pecado, nas grandes 
discussões cristológicas. Queria 
assim justificar o papel redentor 
de Cristo. Entretanto, razões da 
encarnação por causa do pecado 
(amartiocentrismo) ficaram 
“sacramentados no famoso livro
Cur Deus homo?, de Santo 
Anselmo.
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UNIDADE 6
O texto paulino, porém, acrescenta a expressão: “menos no pecado” (cf. 
também Jo 14,30). Deve-se prestar atenção ao significado do texto. Paulo não quer e 
nem poderia dizer: “Nós somos pecadores e Cristo não o foi”. Antes Paulo – e esta é a 
exegese do texto, enfatizada na cristologia – ensina que Jesus não pecou porque em tudo 
fez a vontade do Pai – colocando-o em primeiro lugar. Por isso não pecou. Aqueles que 
negam a “possibilidade” de Jesus pecar estariam negando na verdade sua humanidade, 
igual à nossa. 
A constatação da “impecabilidade de Jesus” só se pode fazer após sua morte. 
“Aquele que passou pela vida fazendo o bem” (At 10,38) não pecou. A afirmação que 
alguns fizeram no passado de que Jesus não podia pecar porque era Deus anulariam sua 
igual condição à nossa natureza. Ele não seria, então, verdadeiro homem. 
Uma pessoa tem a liberdade, a possibilidade de pecar, sem ser obrigado a pecar. 
Sem dúvida, não pecar só é possível quando se coloca a vida na vontade de Deus, como 
Jesus o fez. Assim, Jesus é em tudo igual a nós e não pecou porque nós, como ele, 
também não somos obrigados a pecar.
Vencedor do pecado
Ainda outro aspecto: do fato de Jesus não ter pecado é que decorre nossa 
redenção (perdão de nossos pecados). Aquele – igual a nós – venceu o pecado e o destruiu. 
Assim é, inclusive, realçada a própria vida humana de Jesus que se torna salvação e 
exemplo para nós: nosso irmão maior não pecou.
O pecado original
Ensinamento da Igreja
A Igreja, em relação ao pecado original, fez afirmações dogmatizadas para 
indicar sua propagação desde as origens da humanidade. Convém lembrar: 
O pecado original não é um pecado pessoal, meu. Mas ele atinge a todos. a) 
No ensino da Igreja, afirma-se que todos se tornam mais im-potentes na 
vontade e no discernimento humanos. E todos ficam privados da graça divina – sem ela o 
ser humano traz a morte dentro de si. 
A doutrina do pecado original foi elaborada em paradigmas diferentes dos b) 
atuais. A partir de interpretações bíblicas de Santo Agostinho sobre a Carta 
aos Romanos, cresceu um ensino não baseado na histórica evolução da 
humanidade, mas nos princípios da criação perfeita de Deus. 
Deus fez o homem perfeito e, logo, “Adão e Eva” pecaram por desobediência 
(cf. Gn 3), por perversão em relação ao outro (Caim x Abel – cf. Gn 4), nas relações 
familiares (causa do dilúvio – Gn 6), nas relações sociais (torre de Babel – Gn 11).
Também aqui deve ser aplicado o princípio etiológico sapiencial já citado. A 
experiência do pecado original – na Bíblia – não é um relato histórico; antes, é um relato 
etiológico.
Nos últimos 50 anos, tem-se discutido muito sobre o significado do pecado c) 
original. Inclusive, tenta recuperar-se aspectos esquecidos no decorrer dos 
tempos. O pecado original, cujo texto básico é Rm 5,12-21, não é objeto 
primeiro da fé. O fundamento da fé cristã é a esperança, não a desgraça, 
nem a maldade.
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UNIDADE 6
Outro aspecto importante, nesta questão é a redenção realizada em d) 
Cristo. “Deus inclui todos os homens na desobediência para dar a todos 
a misericórdia” (Rm 11,23). Só a restituição do amor torna a humanidade 
capaz de ser livre outra vez.
Muitos teólogos relacionam este pecado com o pecado estrutural, cuja origem 
está nos primórdios da humanidade, está presente hoje e continua ferir o ser humano em 
um amor desordenado e egoísta. Também o Vaticano II assinalou dessa forma as questões 
contrárias ao reino de Deus (cf. LG 16; NA 2; GS 8, 13,37).
Todavia, a histórica “invencibilidade” do pecado/mal – seja das origens, seja na 
própria história – precisa ser compreendido à luz da relação profunda da pessoa humana 
com Cristo. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, n. 386:
Fora desta relação, o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira 
identidade de recusa e oposição face a Deus, embora continue a pesar sobre a 
vida do homem e sobre a história. 
A realidade do pecado das origens não é um fato objetivo, datado ou e) 
testemunhado documentalmente. Mas sua memória perdida não pode ser 
ignorada, mesmo que se lhe dêem nomes diversos (a natural agressividade 
dos machos, a ambição pecaminosa, pecado estrutural etc.). Só em Cristo 
é que ele pode ser compreendidoe explicado. Seu significado transcende 
fatos históricos, apesar das conseqüências históricas. E suas explicações 
podem ser ancoradas na encarnação, morte e ressurreição de Jesus. E por 
conseqüência, na nossa ressurreição.
Do prisma da fé, o mal humano recebe o nome de pecado (e de pecado f) 
original), por causa da redenção salvífica de Cristo. Influências negativas 
do mal/pecado atuam sobre situações pessoais, comunitárias e estruturas 
sociais. Estes frutos do pecado humano são identificados no evangelho de 
São João como “pecado do mundo” (Jo 1.29).
A vitória de Cristo sobre o pecado, o mal e a morte, é também nossa herança g) 
escatológica. Deus é o vencedor final. E o ser humano é salvo nele, por ele 
e para ele. A justiça de Deus é maior que tudo. Paulo afirma de outro modo: 
“onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20).
No sentido antropológico, o mal/pecado é uma relação perversa com Deus, h) 
que divide o ser humano por querer ocupar o lugar dele, confiar só em si, 
usar a liberdade contra Deus, buscar ídolos e prestar-lhes cultos. O pecado 
se agrava, aqui, porque na verdade, des-potencia-liza o ser humano que se 
faz escravo de si mesmo, além de prejudicar os irmãos.
Aqui volta a questão candente na relação com as Igrejas da Reforma sobre a i) 
justificação e a graça. Esta tensão histórica tem sido superada nos diálogos 
ecumênicos bilaterais da Igreja de Roma e Luterana, ao se compreender 
que só Jesus torna justo o ser humano, mas também – agraciado por Deus 
mesmo – a pessoa age ao responder positivamente a Deus.
 Significado da morte 
Ainda, na questão do ser humana “contra” Deus, deve-se uma palavra sobre 
a morte. Na Bíblia, mais que a caducidade da vida, ela tem uma conotação de “morte 
espiritual” e “morte eterna” - por causa do pecado. Fora de Deus, o ser humano morre 
e só Deus pode restituir-lhe a vida. A própria morte natural, freqüentemente na Bíblia, 
também é o preço do pecado. 
INFORMAÇÃO:
Antes de começar este tema, 
sugerimos que você refletisse 
sobre os significado “cultural” 
e religiosidade popular sobre 
a morte. Convém recordar que 
outros grupos (religiosos ou não) 
podem ter idéias bem diferentes 
das cristãs, como reencarnação, 
desintegração do ser, volta à 
energia cósmica etc).
PARA VOCÊ REFLETIR:
Leia nos texto de exegese o 
significado da morte em Rm 
5,12-21).
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UNIDADE 6
A morte cria uma radical separação entre os que morrem e os vivos. Diz-se 
muitas vezes que ela é a única realidade certa. Mas, inexoravelmente escandalosa, faz 
terminar a vida sem razões. Ela é produtora de angústia, solidão e tristeza.
Passagem para a vida
 Para os cristãos, porém, ela torna-se uma passagem para a vida. Ou melhor, o lado 
contrário da morte é a ressurreição para a vida eterna – onde a vida não mais depende de tempo e 
espaço. Os cristãos crêem que a vida continua, apesar da morte. Somos cidadãos de duas pátrias: 
a histórica e a escatológica. A morte é a passagem certa e requerida para entrar na vida eterna. Tem 
aspecto de trágico e de saudoso para os que ficam. Mas para os que partem, ela é a possibilidade de 
atingir à plenificação na glória de Deus. 
Pode-se dizer: só por ela, antropologicamente, se atinge a mais radical e 
irreversível humanização. Ela conduz à vida em Deus. A ressurreição de Jesus 
é a garantia da vitória sobre a morte: “aquele que estava morto... Deus o 
ressuscitou” (cf. At 2,23)... “e disto somos testemunhas” (At 2,32). “Deus, que 
ressuscitou Jesus da morte, ressuscitará também a nós, pelo seu poder (1Cor 
6,14). “Cristo ressuscitou como primícias dos que morrem (1Cor 15,20).
Se em Cristo, a morte não é a última palavra, se Deus vivo é o Deus dos vivos 
e não dos mortos, então nossa esperança se convalida na ressurreição. Por um lado, é 
o acabamento do ser humano como pessoal espiritual (a conquista plena de sua livre 
realidade espiritual), e, por outro, a interrupção de sua vida biológica (o mais radical 
desapossamento de si, como diz Rahner, e ser todo possuído pelo Salvador). Só pela 
morte, nós nos tornaremos totalmente de Deus, em Deus e para Deus.
Ressurreição da carne
A morte, porém, deixa entre os vivos um saldo: o corpo biológico. É exatamente 
isto: enquanto a pessoa é chamada à imortalidade, parte de si – o corpo biológico – morre 
e se decompõe, até desaparecer. Segundo a fé cristã, a transformação sofrida na morte é 
como a semente que morre para adquirir uma vida maior. A vida nova se transforme em 
vida do espírito. Vida pneumatificada, no dizer de São Paulo.
Novamente aqui a antropologia deve relacionar-se com a escatologia e relembrar a 
ressurreição da “carne” (do corpo) ou dos mortos. Aqui os conceitos não podem trair a fé. 
Você deve lembrar que muito da antropologia cristã foi afirmado sobre 
conceitos gregos do homem como uma unidade dual, de corpo e alma. Então seguia 
o seguinte pensar: na morte, separam-se as duas realidades. A alma, na eternidade, 
aguardaria a ressurreição de seu corpo (biológico), no fim dos tempos, para readquirir 
sua completude. 
Todavia a Sagrada Escritura e a teologia contemporânea não convalidam mais esta 
posição. O ser humano, na morte, é transformado. Torna-se pleno, pneumatificado. 
A ressurreição é um fato escatológico. Fora do tempo. Para a pessoa ressuscitada 
o fim dos tempos já chegou. Sua vida agora é em Deus, onde não existe tempo. Não 
há um “tempo” de espera na felicidade com Deus. Caso contrário não seria uma visão 
beatífica e feliz de Deus. 
O ser humano ressuscitado é identificado pelo “ruah”, por isto pode-se falar em 
pneumatizado. É a pessoa em sua dimensão espiritual. É algo mais que apenas a “alma” 
grega. 
 INFORMAÇÃO:
A palavra pneuma, você lembra, 
significa: sopro, espírito. Você se 
lembra da idéia de “ruah”? 
ATENÇÃO!
Releia 1Cor 15, especialmente 
35-53.
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UNIDADE 6
Mas, e o corpo? O cadáver de uma pessoa (não a pessoa) é sepultado, posto na 
terra ou cremado, onde se transforma materialmente.
Desde os povos primitivos se cultiva o respeito pelos cadáveres e os sepultam. 
Os cristãos também o fazem, porque crêem que, enquanto vivo, naquele ser habitava o 
Espírito de Deus, Deus mesmo.
No processo de aperfeiçoamento humano, a corporeidade é uma dimensão 
fundamental, jamais desprezível. Porém, a partir da morte perde o valor – não o respeito 
– porque a pessoa humana passa a ter uma dimensão maior.
Daí a morte não tem mais poder sobre ela. E, para os cristãos, ela evidencia uma 
feliz e inaudita libertação – a que nenhum outro ser humano é dado o direito de antecipar. 
Desse modo, como São Francisco de Assis, pode-se até bendizer a “irmã morte”, pois ela 
assinala o início da vida em Deus. 
O alienante diálogo humano com Deus des-constrói a comunhão por causa 
do mal, do pecado e da morte. Hoje, por um lado, enfatiza-se o mal como 
finitude cósmica e humana. Por outro, sabe-se que ele está presente, por toda 
parte, em múltiplas faces. Desde o ponto de vista da fé, é identificado como 
pecado. Ela tem dimensões tanto antropológicas quanto morais (estas a serem 
estudadas na teologia moral). 
O pecado, com sua misteriosidade, está em toda parte da vida humana. Ele 
atinge a todos. A memória cristã o localiza desde as nossas origens. Nele nos 
movemos. Mas, por outro lado, ele não é tudo nem o critério humano e cristão 
para a explicação do mistério da vida. A graça de Cristo nos “resgata” dele e 
nos salva para a vida eterna. 
A graça é maior que ele.
Os cristãos olham para além do mal, do pecado e da morte. Na ressurreição 
de Cristo aguardam a própria ressurreição, ao se tornarem pessoas espirituais 
que atingem sua perfeição plena: ver e viver em Deus, o que é motivo de 
imensa gratidão. Então, a morte – que deixa angústia e saudade – torna-se 
fonte de libertação,segundo a fé cristã. 
No item a seguir, você estudará questões pertinentes ao significado cotidiano da 
vida: O ser humano em sua autonomia (a histórias, a cultura e o trabalho). 
Sem dúvida, na antropologia cristã há muitos outros temas interessantes. 
Escolhemos estes porque são “ferramentas” para você continuar sua própria 
reflexão ou seu fazer teologia depois do nosso estudo.
Termine, com alegria, os temas deste tópico 4 e prepare-se para os cativantes 
itens que seguem.
5 O SER HUMANO EM SUA AUTONOMIA
Vamos enfocar este tema de modo holístico, para permitir que você treine seus 
“vôos teológicos pessoais”. Ou seja, depois desse estudo, você terá “chave teológica” 
para abordar outras questões do ponto de vista da Antropologia Teológica. Você fará 
um estudo, agora, que aborda teologicamente a dimensão antropológica da história, da 
cultura e do trabalho. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
As idéias teológicas sobre a 
morte, certamente, vão de 
encontro às lágrimas, tristeza 
e cultura da morte. O cristão 
maduro deve perceber que se a 
tristeza da morte cria a saudade, 
a certeza da ressurreição nos 
leva ao coração de Deus.
Você poderia procurar no Missal, 
especialmente nos prefácios para 
os fiéis defuntos, a concepção da 
Igreja sobre a morte.
ATENÇÃO!
Seria interessante, outra vez, 
você comparar as diferenças 
e as aproximações com a 
Antropologia Filosófica.
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UNIDADE 6
O ser humano, o que faz a história 
Nossa perspectiva, sem dúvida, é a da Antropologia Teológica. Não é uma 
simples leitura da vida. 
História 
é o contexto significativo e operativo, em que 
se impõe a salvação revelada por Deus e crida 
pelos seres humanos.
Historicidade
é o modo humano de agir no presente, aberto 
para o futuro, condicionado pelo passado, dentro 
da tensão e dos condicionamentos, do sentido 
e da liberdade. Dentro da história da salvação, 
nós sabemos de nossa origem coletiva e pessoal, 
sabemos do nosso presente e de nosso futuro no 
plano de Deus. 
Daí é um passo para afirmar: o sentido radical, último, da história está no 
fim, na glória de Deus. A vida é construída de etapas, que mudam de acordo com as 
circunstâncias. A história é, então, o campo onde a pessoa humana atua na passagem do 
tempo para a eternidade. 
Deus, que tudo criou, mantém sua obra e a leva à plenitude. Atua na história 
agraciando e salvando o ser humano e o cosmo. Assim agindo, Deus não tira a autonomia 
da história cósmica e humana, pois, só na história o ser humano: 
pode ser livre; a) 
encontra o sentido da própria vida; b) 
entra em comunhão com Deus e com os irmãos; c) 
encontra Deus encarnado; d) 
estabelece comunhão concreta com a comunidade humana (e com sua e) 
Igreja);
pode aperfeiçoar-se.f) 
A história é, então, o tempo salvífico, onde a humanidade e a pessoa se 
humanizam, vivem a liberdade e tornam-se co-criadoras com Deus.
Por outro lado, há uma história desde a hominização até a humanização do homo 
sapiens. Esta história tem milhares de anos, quando se pensa na coletividade humana (o 
que você já estudou na Unidade 5). Contudo, a historicidade dos indivíduos é também 
comunitária. Tem um significado pessoal e social. Cada pessoa sintetiza em si o cosmo 
e a humanidade, sem se fechar em si mesma, pois são suas relações que o confirmam 
exatamente como pessoa. 
Como histórico, o ser humano pode localizar-se em tempos e espaços diversos. 
Todavia, esteja onde estiver, ele é alguém que ama e é amado, que sofre e participa de 
sofrimentos. Está vinculado a grupos sociais diversos. E aí que Deus o alcança e confirma 
sua filiação divina e sua destinação eterna. É aí que Deus o agracia para que ele possa 
crescer e evoluir. É na história, por sua vez, que ele se manifesta como ser livre – por 
aceitar ou rejeitar a Deus.
ATENÇÃO!
Usamos, aqui, as palavras 
“historia” e “historicidade” para 
indicar, não a ciência histórica ou 
a historiografia. Nosso interesse 
deve voltar-se para a vida real do 
ser humano, situada espácio-
temporalmente e seu sentido. 
Lembre-se de que como pessoa 
humana, você é um ser em 
construção e um construtor de 
sentidos.
INFORMAÇÃO:
Convém, aqui, recordar algumas 
idéias já dadas: processualidade, 
perfectibilidade, destinação, 
esperança, liberdade e outras. 
INFORMAÇÃO:
O cristão transforma sua vida 
em um tempo de peregrinação, 
marcado por três idéias 
determinantes: a) o tempo está 
assinalado pelas ações de 
Deus (por exemplo: Sl 104;27; 
Ecl 3,1-8); b) é um tempo de 
salvação (cf. Dt 26,5-10; Js 24,2-
13); c) adquire uma dimensão 
escatológica.
PARA VOCÊ REFLETIR:
A história de cada um tem um 
horizonte remoto, mas também 
próximo. Aí se incluem pais/
avós, irmãos/filhos, e parentes, 
co-habitantes da localidade/
cidade. Nesta história se incluem 
as situações socioeconômicas 
e culturais, as religiosas e 
educacionais, as laboriais e 
políticas etc. A historicidade de 
cada pessoa está marcada pelo 
presente, condicionada pelo 
passado e aberta para o futuro.
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UNIDADE 6
O seu dia-a-dia é um processo de libertação em pequenas e grandes atitudes. 
Ao concretizar sua história, ele se torna (ou não) construtor de um mundo fraterno, 
comprometido com Deus e com a autonomia das realidades terrestres.
O ser humano é um peregrino e um construtor do mundo. Seu empenho histórico 
está em colaborar no crescimento cósmico e humano, de modo autônomo, sem esquecer 
que sua contribuição é sempre algo que soma ao plano de salvação.
Tanto a história pessoal quanto a da humanidade toda, deve ser lida à luz da 
história da salvação, onde Cristo é o centro.
O ser humano, o que produz cultura
A historicidade humana concretiza-se na cultura. Deus chama o ser humano a 
participar de sua obra criacional. E a pessoa “cultiva” o mundo à sua imagem. O mundo é 
o jardim do ser humano, onde ele emprega suas forças para cultivá-lo. Cultivo e cultura 
têm a mesma raiz semântica. E é exatamente nelas que Deus mostra – pela ação humana 
– a riqueza de seus dons. Assim, a(s) cultura(s) – obra humana – é (são) também obra 
e dons de Deus.
O modo de viver e agir, de pensar e trabalhar, é que identifica a cultura 
humana por toda a parte, a ponto de dever falar-se de culturas locais. Ela é 
fruto da humanização e espiritualização da natureza, no processo da evolução. 
É uma das características básicas do despertar da consciência na natureza 
biológica. Ela foi–se construindo no domínio da fabricação de pedras polidas, 
de instrumentos de caça, culto aos mortos, pinturas rupestres, domesticação 
de animais, controle da fala, drenagem dos pântanos, construção de aquedutos 
e pirâmides etc. Isso manifesta a vitória do humano sobre a animalidade. A 
salvação de Deus permeia a cultura e a ação humana não deixa de pertencer 
à história de sai salvação. 
Todo o comportamento humano está enquadrado nas culturas. A partir da 
crescente expansão do cérebro, da elaboração do pensamento abstrato, do incentivo à 
memória e à criatividade, o ser humano atingiu os maiores patamares da evolução das 
espécies. Ele produziu culturas que hoje exprimem a essência dos povos. O inesperado 
passo evolutivo criou para a espécie humana, a possibilidade de interpretar (dar) o sentido 
do cosmo e de si mesmo de modo crescente até chegarmos à tecnologia de ponta na 
bioética, na nanotecnologia etc. 
A tecnologia – filha do processo cultural – distancia-se da cultura. Na primeira, 
expande-se o processo inteligente para fora do ser humano. No segundo busca-se a 
interiorização pelos valores. As grandes culturas fundam-se em valores fundamentais, 
onde vale o ser humano – primeiro dador de sentido ao cosmo. As culturas estão grávidas 
dos bens e dons divinos, como prenúncio da vida “nos novos céus e nova terra” (Ap 21,1). 
É nas culturas que nascem as religiões, desde as primitivasaté as reveladas.
Os inúmeros vínculos das pessoas entre si e com o cosmo, com as ciências e 
tecnologias, constituem-se em culturas que, de novo, incentivam a interdependência, abrem 
novos desafios. A cultura é a humanização do universo real e organizado pela coletividade 
humana. O ser humano torna-se um ser cultural a partir de sua integração comunitária, 
onde recebe e oferece sua contribuição ao bem comum. Assim, a cultura (que não se 
confunde com intelectualização nem com estudo) é algo pessoal e universal. Tanto num 
nível quanto no outro, torna-se instrumento de libertação e crescimento humanos. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
A cultura não está isenta de 
ambigüidades. A inautenticidade 
dela está nos sinais de morte 
quando se torna uma fonte de 
dominação e exploração. Podem 
estar em risco pessoas, grupos 
e até comunidades, quando 
os valores culturais de uma 
ou várias comunidades são 
desviados do bem comum. Isso 
pode ser resultado de opressões 
econômicas, políticas, religiosas 
etc. O caráter escravizante de 
uma cultura aparece quando 
está em risco a própria dignidade 
humana – de uma ou de várias 
pessoas.
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No sentido positivo, a cultura expressa-se em formas concretas no modo de 
organizar a sociedade e a família, de construir a ciência e o trabalho, de oportunizar a 
tranqüilidade, o lazer e o lúdico, de gerir conflitos e satisfazer anseios. No fundo, a cultura, 
que humaniza a pessoa e as comunidades, leva-as aos encontros dos bens e dons de 
Deus, colocados na história e orientados para a perfeição definitiva do ser humano.
Pela cultura, o ser humano humaniza-se e constrói, com a graça de Deus, seu 
processo de aperfeiçoamento – que culmina em Deus.
Normalmente percebe-se a cultura apenas em sua dimensão humana. Você 
poderia fazer um exercício teológico e perceber a presença ativa de Deus nas 
culturas. Para facilitar e iniciar este exercício, comece imaginando os elementos 
que trazem sinais de vida e de morte ao seu contexto familiar e de lazer.
O ser humano, o que trabalha
Como você se posiciona diante do trabalho? É um castigo? Uma benção? Nada 
a ver? Qual os conceitos sobre o trabalho, que as pessoas a seu redor têm sobre ele? Que 
tal você escrever um texto teológico antes de iniciar seu estudo? 
O trabalho e o trabalhador.
O trabalho é filho da cultura, da necessidade e do prazer (realização pessoal). 
Ele é a forma mais básica, mais radical, nos tempos presentes, de identificação social de 
uma pessoa. Pelo trabalho, o ser humano apresenta-se socialmente em tudo quanto ele é. 
No trabalho transparece sua identidade, como ser de relações, como criador de sentido, 
com ser de esperança e livre, como portador das graças de Deus – das quais a ênfase 
fundamental está em ser chamado à vida como imagem e filho de Deus, destinado à glória 
divina. 
A existência humana realiza-se mediante o trabalho – que depende da cultura e, 
ao mesmo tempo, é sua base. Ele é a raiz da satisfação básica das necessidades humanas 
e, ao mesmo tempo, a fonte da integração psicossocial. 
O trabalho – manual ou intelectual – torna-se a fonte mediadora na construção 
de uma sociedade fraterna, de justiça e de dignificação. E o é porque é capaz de investir 
espiritualmente na natureza e na sociedade. Ao mesmo tempo, ele é o instrumento 
de espiritualização da natureza e da sociedade, onde o ser humano evidencia seu ser 
semelhante a Deus.
O próprio espírito se desenvolve por meio deste investimento, porquanto 
descobre cada vez mais ampla e conscientemente sua capacidade de conhecer, 
querer, planejar e realizar. Também a matéria se desenvolve pelo investimento 
do espírito não só porque sua utilidade em relação ao homem se torna 
mais qualificada. Mas também por que ela mesma se espiritualiza, cada vez 
mais por este investimento, se humaniza, desenvolve racionalmente suas 
potencialidades, é inserida ao domínio humano e com isto mais se assemelha 
ao espírito (Jakob DAVID. A força criadora do homem: teologia do trabalho e da 
técnica, in Mysterium Salutis II/3. 3. Antropologia Teológica. Petrópolis: Vozes, 
1980, p. 213.)
A sociedade torna-se mais justa e fraterna pelo trabalho, cujo resultado se 
transforma em bem comum como auto-sustentação, subsidiariedade e aperfeiçoamento 
coletivo. O espírito laborial mesmo desenvolve-se porque exige a interação, obriga à união 
e à colaboração, incentiva a sociabilidade e produz um patrimônio comum.
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UNIDADE 6
Trabalhar para si, para os outros e com os outros, é desenvolver-se, é aperfeiçoar-
se a si mesmo e a coletividade humana. Por ele, se conquista a autonomia e 
a independência da natureza. Ao mesmo tempo, se dá historicidade ao plano 
divino. Ele comporta um sentido escatológico, pois como diz o apocalipse 14,13: 
“suas obras o seguem”. 
O trabalho santifica tanto ao que trabalha como a quem recebe seus frutos. 
Ele nos faz participar da obra do Filho, que trabalha também como Pai (cf. Jo 
8,17).
Por fim, é preciso lembrar que o trabalho, em muitas situações, é ocasião 
de pecado, de escravidão e de morte. A exploração do trabalhador, o subemprego, os 
baixos salários, o desenvolvimento predatório da natureza e seus desperdícios são a 
“dia-bolização” dele. Tanto o dano à natureza quanto a exploração humana são ações 
anti-humanas, que destroem e negam o significado último do trabalho. A coisificação do 
trabalhador e as injustiças a que ele é submetido indicam o grau de des-humanização do 
dador de trabalho, que por sua vez é fruidor do trabalho dos outros.
 
O trabalho exige solidariedade e compromisso na construção da sociedade 
humana, no presente e no futuro. É graças à espiritualização da matéria e à 
humanização pelo trabalho que a pessoa humana se torna mais semelhante a 
Deus e poderá participar de sua glória, em Cristo Jesus – aquele que trabalhou 
com mãos humanas.
 A questão ambiental.
A Antropologia Teológica tem uma palavra a dizer sobre a responsabilidade 
humana diante do mundo e da questão ambiental. Ela é uma criação e um dom de Deus. 
Não só em São Francisco de Assis, mas no livro de Daniel 3,36ss, encontramos um 
belíssimo louvor das criaturas todas ao Senhor, que denota o compromisso humano com 
a criação/natureza. 
O cosmo todo, em sua longa história e evolução, é um presente que as gerações 
têm em suas mãos. Moralmente, devem entregá-lo melhor e mais espiritualizado às 
gerações vindouras. O cuidado pelo meio ambiente e pela terra toda exige o empenho 
antropológico e ético.
 A criação é uma obra de Deus que também aguarda sua redenção (cf. Rm 8,20-
21) e sua renovação (cf. 1Pd 3,13; Ap 21,1). Nela o ser humano, além de filho e irmão, 
não pode exercer seu senhorio senão como servo da criação – que inclui os animais, as 
águas e os ares.
Em 1991, vários organismos internacionais projetaram 9 princípios para 
a sustentabilidade do planeta, que merecem a consideração e apreço da antropologia 
ecológica:
construir uma sociedade sustentável;1. 
respeitar e cuidar das comunidades dos seres vivos;2. 
melhorar a qualidade de vida humana; 3. 
conservar a vitalidade e a diversidade do planeta terra; 4. 
permanecer nos limites da capacidade de suporte do planeta terra; 5. 
modificar atitudes e práticas pessoais; 6. 
permitir que as comunidades cuidem de seu próprio meio-ambiente; 7. 
PARA VOCÊ REFLETIR:
Procure ler GS 33 a 39. E faça 
sua síntese pessoal. 
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UNIDADE 6
gerar uma estrutura nacional para integrar desenvolvimento e conservação; 8. 
constituir uma aliança global (L. BOFF. 9. Saber cuidar. Ética do humano – 
compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1988, p. 134).
O ser humano só tem uma casa: seu planeta. Ele próprioé um ser cósmico; 
é “poeira do universo”. É o responsável histórico por sua casa, tendo o compromisso de 
entregá-la mais aperfeiçoada às gerações vindouras. O dever de empenho pela vida do 
planeta encontra-se dentro si mesmo. E deve ter em conta também a ternura e o cuidado, 
compaixão e responsabilidade pelo ecossistema.
Neste último item, você se debruçou sobre três questões: a história, a 
cultura e o trabalho. Nossa intenção é situar o ser humano a partir destes 
elementos globalizantes, onde ele pode colocar toda a sua capacidade e co-
responsabilidade na história em que vive. Nela, ele descobre e produz pela(s) 
cultura(s) o modo de viver e agir para humanizar-se crescentemente. Pelo 
trabalho – filho da cultura e da necessidade – é capaz de aprofundar seu ser 
humano, de espiritualizar a matéria ao modificá-la em prol da coletividade 
e colaborar, escatologicamente, pelo progresso da criação rumo à perfeição 
final. Um tema particular chama a atenção nestes tempos: o respeito e o 
cuidado pelo meio-ambiente – donde, inclusive, somos filhos.
6 CONSIDERAÇÕES 
Esta última e longa unidade teve em conta algumas situações humanas diante 
de Deus e abordou questões fundamentais do ser humano: 
 a) como ser de esperança, agraciado por Deus e livre;
 b) problemas do mal, do pecado e da morte; 
 c) questões da história, cultura e trabalho.
Deus, em seu plano da salvação, pensou, desde a eternidade, no ser humano, 
como ser de esperança; isto é, voltado para realizar-se plenamente em Deus. Para 
poder sê-lo, a pessoa constitutivamente é um ser agraciado desde o seu nascimento 
até sua morte. Todavia, sem autonomia, o ser humano não pode ser livre e responsável. 
Cristo o liberta para que ele seja livre.
Situações há que afastam o ser humano de Deus e o atingem profundamente. 
Por todos os lados, ele se vê frente ao mal e aos males – frutos da contingência e finitude 
da criação, mas também da vontade e auto-suficiência humanas. Sem ser naturalmente 
pecador, o ser humano vive num contexto de pecado desde as origens e o encontra 
dentro de si e das estruturas sociais. Im-potente, só lhe resta Deus para salvá-lo destes 
pecados e reafirmar o processo de aperfeiçoamento (salvação para). A morte que por um 
lado é o sem-sentido, por outro é a possibilidade mais radical de nos colocar nos braços 
de Deus. Ela é o passo decisivo que separa a caminhada histórica do ser humano e sua 
definitividade em Deus.
O processo de aperfeiçoamento humano só acontece na história da salvação 
– que é ação de Deus. Mas, a pessoa humana o vive no seu modo de agir e decidir, de 
esperar e realizar suas obras. Ao historicizar sua vida, o ser humano cria a cultura como 
imagem de si mesmo, composta de bens e dons divinos. 
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A cultura humana revela o apreço humano por si, pelo cosmo e pelo próprio 
Deus. O trabalho, como mais básico filho da cultura, assemelha mais ainda o ser humano 
a Deus. Não é ele a imagem de Deus? 
Pelo trabalho, o ser humano se humaniza, constrói a fraternidade e espiritualiza 
a matéria. Um empenho particular do trabalho humano está no cuidado com o meio 
ambiente. Esta nossa única casa é um bem precioso que legaremos aos nossos filhos. 
Nossa responsabilidade é cuidar dela.
7 CONSIDERAÇÕES FINAL
Chegamos ao fim de nossa caminhada instrucional. Por um lado, o dever está 
cumprido. Foi um prazer ter trabalhado com você. Por outro lado, fica uma ponta de 
insatisfação por não poder enfocar muitos outros temas – não só relevantes, mas também 
existenciais desde a Antropologia Teológica ou Cristológica. 
Espero que, com certos critérios aqui estabelecidos, você possa ter a oportunidade 
de continuar estudando e fazer um caminho teológico próprio, inclusive de antropologia. 
Por isso, não esqueça os grandes pressupostos antropológicos sugeridos como essenciais 
a um conhecedor desta disciplina. Eles podem ser resumidos em 13 teses:
A Antropologia Teológica ou cristológica é a reflexão cristã bíblico-sistemática 1. 
sobre o ser humano, que leva em conta a revelação (normativamente 
dada na Bíblia Sagrada), contribuições filosóficas, experiências de vida e a 
perspectiva escatológica da destinação final. Ela tem uma palavra particular, 
à luz da fé, diante de todos os outros “logos”.
O Concílio Vaticano II, sobretudo pela GS, renovou os estudos da Antropologia 2. 
Teológica, imprimindo neles uma direção cristológica.
Só Jesus Cristo revela verdadeiramente o ser humano ao próprio ser 3. 
humano.
Todo ser humano é criado em Cristo e, nele, feito irmão e filho de Deus.4. 
Todo ser humano é imagem e semelhança de Deus, a exemplo do Verbo 5. 
encarnado.
Por Cristo e por ele, fomos feitos “criaturas novas”.6. 
Temos uma vocação transcendente: realizar-nos em Deus como sua glória.7. 
Desde dentro da história da salvação, somos chamados a realizar a 8. 
fraternidade comum.
Fomos criados livre, gratuita e pessoalmente por Deus – mesmo tendo 9. 
consciência do grande processo da evolução contada pelas ciências 
naturais.
A dignidade ímpar do ser humano provém da própria natureza humana, mas 10. 
principalmente de Deus.
O ser humano vive porque Deus o agracia constitutivamente com a vida e em 11. 
todas as fases de sua vida.
Ele é um ser de esperança e livre, porque Deus o fez para a liberdade, 12. 
inclusive de pôr-se “contra” Deus, pelo pecado – o que o marca desde o 
início.
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 No mundo, o ser humano tem uma realidade e uma autonomia próprias.13. 
Por fim, espero que esta reflexão de antropologia cristológica tenha entusiasmado 
e ajudado você a prestar mais atenção (teológica) sobre o ser humano – esta criatura tão 
especial e única que pode dizer e crer com certeza: 
“Deus, tu me amas desde toda e a eternidade e sempre me amarás”.
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Bárbara. Pecado original... ou graça do perdão? São Paulo: Paulus, 2007.
BINGEMER, M. Clara; FELLER, Vitor Galdino. Deus-Amor: a graça que habita em nós. São 
Paulo: Paulinas; Valencia (Esp): Siquém, 2003.
BUR, Jacques. O pecado original. O que a Igreja disse de fato. São Paulo: Loyola, 1991.
COMBLIN, José. Vocação para a liberdade. São Paulo: Paulus, 1998.
FRANÇA MIRANDA, Mario de. A salvação de Jesus Cristo. A doutrina da graça. São Paulo: 
Loyola, 2004.
GESCHÉ, Adolphe. O mal. São Paulo: Paulinas, 2003.
MOSER, Antonio. O pecado, do descrédito ao aprofundamento. Petrópolis: Vozes, várias 
edições.
PRETTO, Hermilo. A teologia tem algo a dizer a respeito do ser humano? São Paulo: 
Paulus, 2003.
QUEIRUGA, Andrés Torres. Recuperar a salvação. Por uma interpretação libertadora da 
experiência cristã. São Paulo: Paulus, 1999.
THEVENOT, Xavier. O pecado. O que é? Como se faz? São Paulo: Loyola, 2003.
9 E-REFERÊNCIA
Chamada numérica
(1) Søren Aabye Kierkegaard - Disponível em<http://pt.wikipedia.org/wiki
S%C3%B8ren_Kierkegaard>.
Anotações