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Fundações Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Dr. Ernesto Silva Fortes Revisão Textual: Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo • Fundações Profundas: Estacas e Tubulões; • Métodos Racionais – Fórmulas Teóricas; • Método Empíricos; • Métodos Dinâmicos; • Prova de Carga Estática; • Prova de Carga Dinâmica em Estacas e Tubulões (NBR 13208/2017). • Apresentar ao aluno os principais procedimentos de cálculo para determinação da capaci- dade de carga de estacas e tubulões; • Fornecer informações técnicas sobre os principais ensaios geotécnicos que podem ser realizados em elementos de fundações profundas. OBJETIVOS DE APRENDIZADO Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Fundações Profundas: Estacas e Tubulões De acordo com a NBR 6122 (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2010), a fundação profunda é definida como um “elemento de fundação que transmite a carga ao terreno ou pela base (resistência de ponta), ou por superfície lateral (resis- tência de fuste), ou por uma combinação das duas, devendo sua ponta ou base estar assente em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta e no mínimo 3,00. Esse tipo de fundação recebe a denominação de estacas ou tubulões. Elementos de fundações profundas são submetidos a uma ação solicitante, oriun- das dos blocos e pilares e a interação entre estaca/tubulão e solo devem apresentar condições de suporte para estrutura. A figura 1 traz uma representação esquemáti- ca de uma estaca submetida a esforços de compressão. Nessa estrutura estão repre- sentadas a carga de ruptura (Qr), resistência de ponta Qp (Rp) e resistência de fuste Qf (RL). A resistência de fuste também é denominada de resistência de atrito lateral. Figura 1 – Estacas – Resistência Qp (Rp) e Qf (RL) Fonte: ABNT NBR 6122:2010 Importante! No meio técnico, outras nomenclaturas são utilizadas para denominação da carga de ruptura, sendo elas: capacidade de carga, capacidade de suporte, carga de ruptura, carga última, capacidade de carga última, capacidade de carga na ruptura. Essas denomina- ções são representadas pelos símbolos: PR, Pu, Qu, Pult, Qult, R. Você Sabia? Capacidade de carga do sistema estaca-solo necessita verificar a resis- tência da estaca como elemento estrutural. 8 9 Classificação das estacas No mercado existe uma grande variedade de estacas, que dependendo do ponto de vista executivo recebem duas classificações: • Pré-moldadas: são as estacas previamente fabricadas e cravadas nos pontos de aplicação. São exemplos: estacas de aço, concreto armado ou protendido e estacas de madeira. Nesse tipo de estaca ocorre o deslocamento do solo de- vido ao amolgamento maior na zona adjacente à estaca, aumento das tensões laterais no solo. • Moldados in loco: são as estacas mais conhecidas. Determinado o diâmetro do fuste, este é perfurado até sua cota de assentamento e posteriormente con- cretadas in loco. Nesse processo construtivo ocorre o amolgamento ao longo do fuste da estaca em zona relativamente estreita, porém com alívio de tensões laterais e pequenos deslocamentos de terra. Para determinação da capacidade de carga da interação entre estaca e solo, podem-se utilizar três métodos: métodos estatísticos, métodos dinâmicos e prova de carga. Os métodos estatísticos são divididos em métodos racionais, baseados na teoria da capacidade de carga e métodos empíricos, baseados em correlações com os ensaios de penetração CPT e SPT. Os métodos dinâmicos são baseados na resposta da estaca aos esforços de cravação e a prova de carga está baseada na análise final da estaca, depois que ela já está assentada. Métodos Racionais – Fórmulas Teóricas A capacidade de carga de uma estaca é determinada pela soma de duas parce- las, a resistência lateral (Qf) mais a resistência de ponta (Qp). Esta última possui seu procedimento de cálculo semelhante a carga de ruptura de sapatas em profundida- de, sendo calculada pela equação 1. Q cN N Ap c vo q p� �� �� Eq. 1 • Nc e Nq são fatores de capacidade de carga que dependem do ângulo de atrito do solo (φ). • σvo= tensão vertical de peso próprio do terreno na cota da ponta da estaca. • Ap= área da base da estaca. A resistência lateral (Qf) decorre da resistência ao cisalhamento que se desenvolve na interface solo/estaca. Essa resistência pode ser calculada com a multiplicação da tensão cisalhante (Eq. 2 e 3) pelo perímetro da estaca. 9 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Cálculos da tensão cisalhante: � � �� �C tga h' Eq. 2 • Ca = adesão entre o solo e a estaca. • δ = ângulo de atrito solo/estaca. • σ’h = tensão efetiva horizontal. Repare que a Eq.2 não leva em consideração a tensão efetiva vertical, conforme Figura 2, que depende do método construtivo utilizado, necessitando assim de um ajuste no processo de cálculo. Para isso, é inserido na equação um fator K, depen- dente do método construtivo utilizado. A Eq. 3 apresenta a nova situação: � � �� �C K tga v' Eq. 3 Sendo: • k h v � � � ' ' Figura 2 – Representação das tensões efetivas Fonte: PEREIRA, 2012 Determinada a tensão atuante, para calcular a resistência lateral (Qf), basta mul- tiplicar a tensão pelo perímetro da estaca (U) – Eq. 4. Q Udz U zf � � � �� � �� Eq. 4 Sendo: • U – perímetro da estaca. • K – depende do método construtivo utilizado, equação 3. • Ca e δ – dependem da natureza das superfícies em contato. Estacas em solos granulares Tratando-se de solos granulares (arenosos) com estacas de seção uniforme, deve- -se fazer uso da tensão efetiva média no cálculo da resistência lateral, nesse caso o cálculo do Qf passa a ser feito conforme a eq. 5. 10 11 Q Udz Uk ' médiof L L v� �� � 0 0 � � Eq. 5 Sendo: • K e δ constante relativas a profundidade da estaca. Fazendo-se uso das constantes k e δ e desenvolvendo a integral, encontra-se a eq. 6. Essa equação pode ser utilizada nos procedimentos de cálculo da resistên- cia lateral. Q k tg UL k tg U zf vmédio v� �� �� � � � � � ��� � � � � Eq. 6 O procedimento de cálculo para determinação da resistência de ponta para solos granulares leva em consideração a capacidade de carga do solo, a tensão vertical efetiva do terreno na cota de assentamento e a área basal da estaca. A Eq. 7 apre- senta a fórmula para o cálculo do Qp: Q A Np p vo q� � ' Eq. 7 Sendo: • A = área basal da estaca. • σ 'vo = tensão vertical efetiva de peso próprio do terreno no nível da base da estaca. • Nq = fator da capacidade de carga. Apresentados os procedimentos de cálculo, faz-se necessário a determinação dos parâmetros utilizados nas equações: Avaliação K No caso de areais, siltes e argilas normalmente adensadas, verifica-se que o va- lor de K, conforme quadro 1 e 2, de fato, varia de forma aproximadamente linear com a profundidade, mas apenas próximo a superfície, na região controlada do comportamento da estaca. Quadro 1 – Determinação do valor K Forma de execução K Cravada tg 2 45 2 �� � � � � � � Pequeno deslocamento 1-senφ Escavada tg 2 45 2 �� � � � � � � Fonte: ARAÚJO (1999) 11 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Quadro 2 – Estimativas para o valor de K segundo – Broms (1965) Tipo de estaca Solo granular fofo Solo granular compacto Cravadas Aço 0,5 1,0 Concreto 1,0 2,0 Madeira 1,5 4,0 Escavada 0,5 1,0 Fonte: SIMONS & MENZIES (1981, p. 154) Avaliação de δ – ângulo de atrito solo-estaca A determinação do ângulo de atrito entre solo e estaca influencia diretamen- te no valor da resistência lateral. Esse ângulo de atrito está relacionado com o tipo de material utilizado para execução das estacas (concreto, aço ou madeira). O Quadro 3 apresenta valores determinados para o ângulo δ em relação ao ângulo de atrito do solo. Quadro 3 – Determinação do ângulo de atrito solo-estaca (δ) Tipo de estaca δ Estaca de aço � � �20 Estaca de concreto � �� 3 4 Estaca de madeira � �� 2 3 Fonte: AAS (1966) apud SIMONS; MENZIES (1981) Determinação de Nq A determinação do fator capacidade de carga está relacionado com a profun- didade de assentamento das estacas. A profundida de assentamento da estaca deve ser comparada com o diâmetro (B) da estaca. Se a penetração da estaca em solo granular acontece em uma camada de até 5.B, devem ser empregados os fatores de capacidade de carga determinados por Terzagui. Caso a penetra- ção da estaca aconteça em uma profundidade maior que 5.B, devem ser empre- gados os fatores de capacidade de carga determinados por Berezantsev (1961), conforme Figura 3. Para determinações empíricas de Qp e Qf, podem ser adotadas as relações abaixo: • D < 15B � � �� �vo D • D ≥ 15B � � � �� �vo B15 constante 12 13 F igura 3– Relação de Nq e φ Fonte: SIMONS; MENZIES, 1981 Avaliação do ângulo de atrito Φ A determinação do ângulo de atrito é obtida através de correlações com o SPT. Após a implantação da estaca, esses valores sofrem alterações e necessitam de correções devido as alterações provocadas em seu processo executivo. O Quadro 4 apresenta as correções para o ângulo após implantação da estaca. Quadro 4 – Correção do φ após a implantação da estaca Resistência de Ponta – Qp Estaca Cravada � �ad � � � 1 2 20 Estaca Escavada φad= φ – 3° Resistência Lateral – Qf Estaca Cravada � �ad � � � 3 4 10 Estaca Escavada φad= φ – 3° Fonte: SIMONS; MENZIES (1981) Estacas em solos coesivos As estacas de solos coesivos (ex.: solos argilosos) possuem procedimentos se- melhantes de cálculo, porém com fatores diferenciados devido a estrutura do solo. Sua resistência de ponta é determinada pela relação direta entre a área da base da estaca, um fator de capacidade e da resistência ao cisalhamento do solo base. A Eq. 8 apresenta a formulação para o cálculo da resistência de ponta das estacas em solos coesivos. 13 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Q A N Sp p c u= Eq. 8 Sendo: • Su – resistência ao cisalhamento (não drenada) do solo da base. • Nc – fator de capacidade de carga de Skempton N B m B m B m c 9 0 5 7 0 5 1 0 6 1 0 , , , , , , , � � � � � � � � � O procedimento de cálculo da resistência lateral é o mesmo apresentado pela Eq. 5, porém com variações nos fatores devido a alteração do tipo de solo as ser considerado. Neste caso, a tensão de cisalhamento na interface solo-estaca deve ser considerada a resistência não drenada da argila, conforme Eq. 9. � �� �C Sa u Eq. 9 Aplicando essa consideração, o cálculo da resistência lateral ocorre de acordo com a Eq. 10. Q S U zf u� �� �� Eq. 10 Sendo: • α – coeficiente de adesão. As considerações adotadas para o coeficiente de adesão (α) são aproximadas, devido a sua difícil determinação em face das perturbações causadas pelo processo de cravação das estacas ou de escavação e concretagem das estacas moldadas in loco. O quadro 5 apresenta variações de valores para o coeficiente de adesão e seu processo executivo. Quadro 5 – Valores de α Valores de α – Coeficiente de adesão Estacas cravadas Estacas escavadas 0,4 ≤ α ≤ 0,7 0,4 ≤ α ≤ 0,5 Fonte: AAS (1966) A rigor, o método racional de cálculo da capacidade de carga de estacas só pode ser usado para solos granulares ou solos coesivos, não pode ser usado para solos mistos (ou intermediários). Carga admissível das estacas (método das tensões admissíveis) Q Q capacidadedecarga doelementoestrutural r� � � � �� 1 2 14 15 Observação: Carga admissível x carga resistente de projeto NBR6122/2010 item 6.2.1.2.1 – “o fator de segurança a ser utilizado para determinação da carga admissível é 2,0 e para carga resistente de projeto é de 1,4”. Os fatores de segurança podem ser reduzidos dependendo no número de sondagens e outros ensaios. Método Empíricos Conforme descrito na fase inicial da unidade, os métodos empíricos são basea- dos em correlações com os ensaios de penetração CPT e SPT. No Brasil, o ensaio mais utilizado é o SPT, sendo necessária a determinação da capacidade de carga com o número de golpes obtidos no ensaio SPT. Método de Aoki-Veloso O método desenvolvido por Aoki-Veloso (1975) corresponde a uma expressão para determinação da capacidade de carga em estacas. Inicialmente o método correlaciona as formulações com ensaios de penetração estática CPT por meio dos valores da resis- tência de ponta de cone (qc) e do atrito lateral unitário na luva (qf) – Equações 11 e 12. Resistência de ponta – Qp = Ap . qr q q Fr c= 1 Eq. 11 Resistência Lateral – Qf = UτΔZ � � q F f 2 Eq. 12 Baseado nas formulações, os parâmetros F1 e F2 são fatores de correção que levam em conta o efeito escala, a diferença de comportamento entre a estaca (pro- tótipo), o cone do CPT (modelo) e também o método executivo de cada tipo de estaca. O Quadro 6 apresenta os valores de F1 e F2. Quadro 6 – Valores de F1 e F2 (Aoki-Veloso, 1975) Valores de F1 e F2 Tipo de estaca F1 F2 Franki 2,50 2xF1 Metálica 1,75 2xF1 Pré-moldada 1 + D/0,80 2xF1 Escavada 3,00 2xF1 Raiz, Hélice Contínua e ômega 2,0 2xF1 Fonte: (Aoki-Veloso, 1975) 15 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo No caso de estaca Franki, admite-se que o bulbo da base seja esférico: R=(3v/4π)(1⁄3) e A_p=πR² Sendo: R= raio do bulbo, v = volume do bulbo. No Brasil, como o ensaio de penetração CPT não é muito utilizado, os valores de qc e qf podem ser substituídos por uma correlação com o índice de resistência à penetração (Nspt). A partir de agora, q KNc = e q kNf �� � , onde α e k são tabela- dos em função do tipo de solo. Lembrando que razão de atrito do cone (resistência lateral/resistência de ponta) é α=Rf=fs⁄qc. Portanto, têm-se Q Q Qr p f� � com as par- celas do somatório representados pelas equações 13 e 14. Q A kN Fp p= 1 � � Eq. 13 Q KN F U Zf � � � 2 � Eq. 14 Para os cálculos das resistências, o Quadro 7 apresenta os valores dos coeficien- tes K e α propostos por Aoki – Veloso (1975). Quadro 7 – Valores doscoeficientes K e α propostos por Aoki – Veloso (1975) Tipo de terreno K – MN/m² α % Areia 1,00 1,4 Areia siltosa 0,80 2,0 Areia silto-argilosa 0,70 2,4 Areia argilosa 0,60 3,0 Areia argilo-siltosa 0,50 2,8 Silte 0,40 3,0 Silte arenoso 0,55 2,2 Silte areno-argiloso 0,45 2,8 Silte argiloso 0,23 3,4 Silte argilo-arenoso 0,25 3,0 Argila 0,20 6,0 Argila arenosa 0,35 2,4 Argila areno-siltosa 0,30 2,8 Argila siltosa 0,22 4,0 Argila silto-arenosa 0,33 3,0 Observações: 1 – Para estacas pré-moldadas de pequeno diâmetro, o valor F1 adotado em 1975 mostrou-se muito conservador. Aoki (1985) propôs, nesse caso, o uso de F1 descrito na tabela e F2 igual a 2 vezes F1. Utilizar φestaca = diâmetro da estaca em metros. (Cintra et al. 1999 p. 19). 2 – a relação entre F1 e F2 variar entre F F F 1 2 1 2� � � . De acordo com Cintra e Aoki, 2010 p.26, se os dados do solo se referem ao cone elétrico e piezocone, pode-se usar F1=F2. Fonte: Aoki – Veloso (1975) 16 17 Para determinação da carga admissível, devem ser comparados os resultados ob- tidos através da NBR 6122/2010 com os resultados propostos pelos autores, sendo: • Carga admissível estabelecida mediante os seguintes critérios: Estaca Franki, Pré-moldada Q Q capacidadedecarga doelementoestrutural carga caracterís r � 1 2 ttica� � � � � � � � � Estaca escavada Q Q Q ou Q capacidadedecarga doelementoestrutural c r f f� � 1 2 0 8 1 25 , , aarga característica� � � � � � � � � � � No máximo, a ponta da estaca pode suportar 20% da carga admissível, ou seja, a capacidade de carga lateral deve ser 80% da carga admissível Q QouQ Qf f� � � �0 8 1 25, , , NBR6122/2010 item 8.2.1.2. Método de Décourt – Quaresma As parcelas de resistência Qp e Qf da capacidade de carga de um elemento de fundação por estacas são expressas pelas Equações 15 e 16: Q A N kp p p= Eq. 15 Sendo: Np – média do SPT medido na cota da ponta da estaca, 1 m acima e 1 m abaixo desta. k – valor que depende do tipo do solo onde a ponta da estaca está apoiada (ver Quadro 7). Ap – área basal da estaca. Q A qf f� � 1 Eq. 16 Sendo: q Nf tf m tf m 1 2 2 3 1 6� � � � � � � �� / Eq. 17 Nf – média do SPT ao longo do fuste da estaca, não considerando os valores utilizados no cálculo da resistência de ponta da estaca. 17 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Considerações importantes: • quando N<3 usar N=3 (ver Lopes & Velloso, 2010, p. 121). • em estacas escavadas, quando N>15 usar N=15. • em estacas de deslocamento e estacas escavadas com uso de lama bentonítica quando N>50 usar N=50. Quadro 8 – Valores de k Tipo de solo k (tf / m² ) Argila 12 Silte argiloso 20 Silte arenoso 25 Areia 40 Fonte: Lopes & Velloso, 2010 Esse método foi estabelecido inicialmente para estacas pré-moldadas de con- creto. Entretanto, os próprios autores afirmavam que ele poderia ser aplicado às estacas Franki, Strauss, escavadas em geral. Em 1996, Decourt propôs uma tabela de correção, quadro 9, para as parcelas de resistência de ponta e atrito para alguns tipos de estacas. Para estacas pré-moldadas e Franki, os coeficientes permanecem igual a 1. Quadro 9 – Tabela de correção para as parcelas de resistência de ponta e atrito para alguns tipos de estacas Tipo de solo Tipo de estaca Escavadas em geral Escavada (bentonita) Hélice contínua Raiz Injetadas (sob alta pressão) Coeficiente multiplica a resistência de ponta (βp) argilas 0,85 0,85 0,30 0,85 1 Solos intermediários 0,60 0,60 0,30 0,60 1 Areias 0,50 0,50 0,30 0,50 1 Coeficiente multiplica a resistência lateral (βf) argilas 0,80 0,90 1 1,5 3 Solos intermediários 0,65 0,75 1 1,5 3 Areias 0,50 0,60 1 1,5 3 Fonte: Lopes & Velloso, 2010 Portanto, para determinação da resistência, têm-se as equações 15 e 16 multipli- cadas pelos coeficientes βp e βf respectivamente, originando a Eq. 18. . . Qr p Qp f Qfb b= + Eq. 18 Os autores sugerem ainda que a carga admissível da estaca (Q) pode ser calcu- lada pela expressão (que considera fatores de segurança diferenciados para ponta e lateral): Q Q Qp f� � 4 1 3, Eq. 19 18 19 Para determinação da carga admissível, devem ser comparados os resultados ob- tidos através da NBR 6122/2010 com os resultados propostos pelos autores, sendo: 1 – estacas pré-moldadas: Q Q capacidadedecarga doelementoestrutural carga caracterís r � 1 2 ttica� � � � � � � � � 2 – estacas escavadas Q£ 1 2 Q Q 0,8 ou 1,25×Q capacidade decarga doelementoestrutural c r f f aarga característica� � � � � � � � � � � Apresenta-se a seguir figuras de tabelas para diferentes tipos de estacas com suas características comerciais: Figura 4 – Diferentes tipos de estacas com suas características Fonte: CINTRA e AOKI, 2010 19 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Figura 5 – Diferentes tipos de estacas com suas características Fonte: CINTRA e AOKI, 2010 Métodos Dinâmicos A previsão da capacidade de carga através de métodos dinâmicos ocorre de duas maneiras, uma por meio de fórmulas dinâmicas e outra por meio de fórmulas base- adas nas equações de onda. A primeira leva em conta as leis de choque de Newton (princípio de conservação de energia) e a segunda leva em conta a propagação de uma onda de tensão gerada por um golpe ao longo da estaca. Pelo processo de cálculo através das fórmulas dinâmicas, durante a cravação da estaca é possível determinar a relação entre a resistência dinâmica da estaca durante a cravação e sua capacidade de carga. Esse procedimento funciona muito bem para solos granulares e para solos argilosos saturados em que a relação é de- pendente do tempo. 20 21 O princípio básico de cálculo está representado na Figura 4. Na literatura existe uma grande variedade de fórmulas dinâmicas, aqui serão apresentadas duas. Princípio Básico Energia Aplicada = Energia de penetração + perdas Sendo: Energia aplicada – energia potencial do pilão (W.H); Energia de penetração – é dada pelo produto da resistência à penetração oferecida pelo solo e pela penetração da estaca (R.s); Perdas – devida ao choque do pilão (martelo) com a estaca (gera calor); por deformação elástica do solo; por deformação elástica da estaca e capacete Figura 6 – Princípio Básico de Cálculo Fonte: ABNT NBR 13208/2017 Fórmula de Janbu (1953) (FS = 3,0) Também denominada de fator de correção para relacionar com a capacidade estática (Eq. 20). Q Ku nWH sr � � 1 Eq. 20 Sendo: Q – carga de ruptura da estaca. W – peso do pilão do bate-estaca. H – percurso do pilão (altura de queda). n – coeficiente de eficiência do equipamento de cravação (influência do tipo de solo e tipo de estaca também). n= 0,70 boas condições de cravação; n= 0,55 condi- ções regulares; n= 0,40 condições insatisfatórias (difíceis) s = nega (penetração permanente por golpe do pilão). K c C C W W nW H L A E su d c d d p c� � � � � �� � � �� � � � � � � � 1 1 0 75 0 15 � �, , , ² L = comprimento da estaca. A = área da seção transversal da estaca. E = módulo de elasticidade do material da estaca. Wp = peso da estaca (incluindo os pesos do capacete e do coxim). 21 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Fórmula de Hiley (1930) (FS = 2,7 ou FC) Neste equacionamento, os termos que fazem parte da equação 21 possuem os mesmos significados do item anterior, tendo os valores de k, n e c definidos nos Quadros 10, 11 e 12. Q k W H s c W n Wp W Wpr � � � � � � � �1 2 2 Eq. 21 Sendo: k – coeficiente de rendimento do pilão do bate-estacas (perda de energia relacio- nada ao martelo). n – coeficiente de restituição do choque. c – compressão elástica temporária da estaca (c2), do capacete (c1) e do solo(c3) c= c1+c2+c3. Quadro 10 – Valores do Coeficiente K (Simons & Menzies, 1981) Pilão do bate-estaca K Martelo da queda livre, operado a guincho 0,8 Martelo de queda livre, operado a gatilho 1,0 Martelo de efeito simples0,9 Martelo BSP de efeito duplo 1,0 Martelo diesel McKleernan-Terry 1,0 Fonte: Simons & Menzies, 1981 Quadro 11 – Valores do coeficiente de restituição (n) (Simons & Menzies, 1981) Tipo de estaca Condições da cabeça da estaca Martelo de efeito simples ou de queda livre ou martelo diesel Martelo de efeito duplo Concreto armado Capacete com coxim plástico composto ou similar 0,4 0,5 Capacete com coxim de madeira 0,25 0,4 Martelo diretamente sobre a estaca – 0,5 Aço Capacete de cravação com coxim plástico composto ou similar 0,5 0,5 Capacete de cravação com coxim de madeira 0,3 0,3 Martelo diretamente sobre a estaca – 0,5 Madeira Martelo diretamente sobre estaca 0,25 0,4 Fonte: (Simons & Menzies, 1981 Quadro 12 – termo c1 (capacete) (adaptada de Bowles, 1990) Material da estaca e tipo de capacete Tensão aplicada na cabeça da estaca ou no capacete em MPa 3,5 7,0 10,5 14 Valor de c1: compressão elástica do capacete (mm) Concreto pré-moldado e capacete sem coxim 3 6 9 12,5 Capacete com coxim de madeira 1,0 2,0 3,0 4,0 Capacete com coxim de plástico 0,5 1,0 1,5 2,0 Fonte: Adaptada de Bowles, (1990) 22 23 • parcela c2 (estaca): pode ser avaliada pela equação: C2 =(Qr L)/AE. • parcela c3 (solo): arbitrada mediante o critério: c paraocasode rocha areia densa ecascalho a mm paraos d3 0 2 5 5 0 � , , ; , , eemais casos. � � � • as parcelas c1, c2, c3 e o termo s: podem ser obtidos a partir das medições realizadas na obra. As parcelas s, C2 + C3 podem ser determinadas a partir de um registro em uma folha através do deslocamento, a velocidade constante, de um lápis apoiado sobre o bordo de uma régua. Como a estaca se move para baixo pelo golpe do martelo e, depois, para cima (repique da estaca), obtém-se, sobre uma folha de pa- pel fixada à estaca, um diagrama que permite determinar s e C2 + C3. A Figura 5 e Figura 6 apresenta um modelo esquemático do processo de obtenção dos valores. F igura 7 – Processo de obtenção de s, C2 e C3 – Registro do requinte (Aoki, 1986) Fonte: Adaptado de ALONSO, 2010 Fi gura 8 – Medição da nega e repique Fonte: Adaptado de AOKI, 1986 23 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Prova de Carga Estática A realização de provas de cargas estáticas nos elementos de fundações forne- cem valores reais na determinação dos recalques sobre cargas de serviço, na de- terminação da carga de ruptura e na prova de aceitabilidade. Com a realização do ensaio e com a obtenção de valores confiáveis, engenheiros projetistas podem re- duzir fatores de segurança, trabalhando com estruturas mais enxutas e econômicas. De acordo com a NBR 6122 (2010), os fatores de segurança podem ser reduzidos dependendo do número de provas de cargas realizadas. A NBR 12131 (2006) preconiza sobre os métodos a serem utilizados para re- alização dos ensaios. O início do carregamento do elemento de fundação deve ocorrer após três dias quando submetidos a solos com comportamento não coesivo (relaxação) ou dez dias em solos coesivos, tempo necessário para que haja o setup ou cicatrização. Exceção: Quando se deseja estudar a recuperação ou perda de resistência ao longo do tempo, atrito negativo, define-se um novo período de tempo. Para realização do ensaio é necessário garantir que o elemento estrutural possua resistência mínima compatível com a carga máxima de ensaio. A aplicação de carga é realizada por um ou mais macacos hidráulicos alimen- tados por bombas elétricas ou manuais, com suas medidas de carga feitas por manômetros ou células de carga. A reação para o macaco hidráulico é oriunda de cargueira ou estacas de tração, sendo necessária a verificação por norma da carga máxima, segurança e distâncias mínimas a serem respeitadas para não influenciar na estaca ensaiada. A Figura 7 apresenta a seção transversal de um procedimento de ensaio. Figura 9 – Representação esquemática de uma prova de carga sobre estaca Fonte: Adaptado de Almada, 2016 O procedimento de aplicação de carga pode ser feito de maneira lenta ou rápi- da. Para o carregamento lento, as cargas devem ser aplicadas em estágios iguais e sucessivos, cada estágio de carga não pode ultrapassar 20% da carga de traba- lho prevista. Os recalques observados devem ser anotados em intervalos de tempo (0, 2, 4, 8, 15 e 30 min.) e posteriormente a cada trinta minutos até a estabilização 24 25 dos recalques. Alcançada a carga máxima, esta deve ser mantida por pelo menos 12 horas quando não houver a ruptura. O processo de descarga deve ocorrer em pelo menos quatro estágios (25% da carga total aplicada) até a estabilização dos desloca- mentos e no mínimo 15 minutos. Após o descarregamento total, é feita a leitura e verificado o recalque residual. No carregamento rápido, as cargas são incrementadas em estágios iguais e suces- sivos, com cada estágio possuindo carga não superior à 10% da carga de trabalho prevista. Os recalques devem ser verificados em cada estágio, independentemente da estabilização dos recalques. A descarga deve ocorrer em quatro estágios com mínimo de cinco minutos para cada leitura dos deslocamentos. Para verificação dos deslocamentos são utilizados quatro extensômetros mecânicos instalados em dois eixos ortogonais com precisão de 0,01 m. Ainda de acordo com a norma, o sistema de medida deve possuir uma distância mínima, ser protegido contra intempéries, obter medidas de deslocamentos transversais, deslocamento ou deformações ao longo da estaca. Exemplo 1 Prova de carga executada em estaca hélice contínua (comprimento 27m e diâ- metro 60cm) no Aeroporto Salgado Filho (Porto Alegre/RS) extraído do Catálogo Geofix– fundações, Figura 8. Figu ra 10 – Prova de carga executada em estaca hélice contínua Fonte: Araújo, 1999 25 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Considerações sobre o ensaio: • É comum no ensaio a carga de ruptura da estaca não ser atingida ou não se encontrar bem caracterizada na curva carga x recalque obtida; • A NBR 6122 (2010) recomenda que carga admissível da estaca, obtida a partir da prova de carga realizada de acordo com a NBR 12131, seja calculada com uso de um fator de segurança igual a 2; • A carga admissível na estaca não pode ser superior a 1/1,5 daquela que pro- duz o recalque (medido no topo) aceitável para a estrutura; • Se na prova de carga não for possível levantar toda a curva carga x recalque, deve-se extrapolar essa curva e definir a carga de ruptura da estaca através de métodos consagrados; • literatura apresenta várias propostas de autores para a extrapolação do com- portamento carga x recalque da estaca até a ruptura. Obs.: Representado o gráfico de carga x recalque, alguns métodos podem ser utilizados, conforme literatura, para se chegar aos valores da carga de ruptura, po- rém a NBR 6122/2010 já determina um processo. Método de Zeevaert (1972) A representação da curva carga x recalque em escala logarítmica – representada na Figura 9, em geral, obtém-se um ponto bem definido de modificação do com- portamento da estaca: ponto de ruptura. Figura 11 – Gráfico dos resultados da prova de carga em estacas Fonte: Zeevaert (1972) Método de Van der Veen (1953) O método admite que a curva carga (Q) x recalque (δ) obedece a uma equação exponencial do tipo (Eq. 22): Q Q er� � �( )1 �� Eq. 22 26 27 Sendo: • α = coeficiente de forma da curva. • escrita na forma logaritmo: ln .1� � � � � � � � � Q Qr �� • representação num gráfico semi-logarítmico, os valores de 1�� � � � � � Q Qr com o δ obtido na prova para cada valor de Qr. • quando os pontos se alinharem segundo uma reta, considera-se que o valor arbitrado para Qr representa a carga de ruptura, Figura 10. Figura 12 – Determinação da carga de ruptura Fonte: Van der Veen (1953) Método Sugerido pela NBR 6122/2010 – item 8.2.1.1 A determinação da carga de ruptura deve ser feita conforme o item 6.2.1.2.2, de- vendo-se, contudo, considerar que durante a realização do ensaio oatrito lateral deve ser sempre positivo, ainda que ao longo da vida útil da estaca essa situação se altere. A capacidade de carga deve ser considerada definida quando ocorrer a ruptura nítida caracterizada por deformações contínuas sem novos acréscimos de carga, porém, o elemento pode não apresentar ruptura nítida que ocorre em circunstâncias como: • quando a capacidade de carga da estaca ou tubulão é superior à carga que se pretende aplicar – por exemplo: limitação de reação; • quando a estaca ou tubulão é carregado até apresentar recalques elevados, mas que não configurem uma ruptura nítida como descrito. Nessas duas circunstâncias apresentadas, pode-se extrapolar a curva carga-recal- que para avaliar a carga de ruptura, o que deve ser feito com base na Engenharia Ge- otécnica sobre uma curva carga recalque do primeiro carregamento. Nessa situação, a carga de ruptura pode ser convencionada como aquela que corresponde na curva car- ga x deslocamento, conforme ilustrado na Figura 11, ao recalque obtido pela Eq. 23: 27 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Figura 13 – Determinação da carga de ruptura segundo a NBR 6122/2010 Fonte: ABNT NBR 6122:2010 �r P L A E D � � . . 30 Eq. 23 Sendo: • Δr – Recalque de ruptura convencional. • P – Carga de ruptura convencional. • L – Comprimento da estaca. • A – Área da seção transversal da estaca. • E – Módulo de Elasticidade do material da estaca. • D – Diâmetro do círculo circunscrito à estaca ou, no caso de barretes, o diâme- tro do círculo de área equivalente ao da seção transversal desta. Interpretação da prova de carga O desempenho é considerado satisfatório quando forem simultaneamente verifi- cadas as seguintes condições: • Fator de segurança no mínimo igual a 2,0 com relação à carga de ruptura obti- da na prova de carga ou por sua extrapolação. Caso contrário, a interpretação dos resultados deve ser feita pelo projetista. • Recalque na carga de trabalho for admissível pela estrutura. Caso os procedimentos não tenham apresentado resultados satisfatórios, deve- -se elaborar um programa de provas de carga adicionais que permita o reexame dos valores das cargas admissíveis (ou resistentes de projeto), Figura 11 e Figura 12. 28 29 Figura 14 – Procedimento de prova de carga Fonte: Adaptado de Dynamis Techne Figura 15 – Pr ocedimento de prova de carga (cont.) Fonte: Adaptado de Dynamis Techne Quantidade de provas de carga De acordo com a NBR 6122/2010, é obrigatória a execução de provas de car- ga em obras que tiverem um número de estacas superior ao valor especificado na coluna B do Quadro 13, deve ser executado um número de provas de carga igual a no mínimo 1% da quantidade total de estacas, arredondando-se sempre para mais. Caso sejam empregadas tensões médias em termos de valores admissíveis, para qualquer que seja o número de estacas, é necessária a execução da prova de carga. 29 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Quadro 13 – Quantidade de provas de carga Tipo de estaca A Tensão (admissível) máxima abaixo da qual não serão obrigatórias provas de carga, desde que o número de estacas da obra seja inferior à coluna (B), em MPa b,c,d B Número total de estacas da obra a partir do qual serão obrigatórias provas de cargab,c,d Pré-moldadaa 7,0 100 Madeira – 100 Aço 0,5.fyk 100 Hélice e hélice de deslocamento (monitoradas) 5,0 100 Estacas escavadas com ou sem fluido Φ ≥ 70 cm 5,0 75 Raize 15,5 75 Microestacae 15,5 75 Trado segmentado 5,0 50 Franki 7,0 100 Escavadas sem fluídos Φ < 70cm 4,0 100 Strauss 4,0 100 a – Para o cálculo da tensão (admissível) máxima consideram-se estacas vazadas como maciças, desde que a seção vazada não exceda 40 % da seção total. b – Os critérios acima são válidos para as seguintes condições (não necessariamente simultâneas): – Áreas onde haja experiência prévia com o tipo de estaca empregado. – Onde não houver particularidades geológico-geotécnicas. – Quando não houver variação do processo executivo padrão. – Quando não houver dúvida quanto ao desempenho das estacas. c – Quando as condições acima não ocorrerem, devem ser feitas provas de carga em no mínimo 1 % das estacas, observando- se um mínimo de uma prova de carga (conforme ABNT NBR 12131), qualquer que seja o número de estacas. d – As provas de carga executadas exclusivamente para avaliação de desempenho devem ser levadas até que se atinja pelo menos 1,6 vez a carga admissível ou até que se observe um deslocamento que caracterize ruptura. e – Diâmetros nominais. Fonte: ABNT NBR 13208/2017 Prova de Carga Dinâmica em Estacas e Tubulões (NBR 13208/2017) É possível substituir 1 prova de carga estática por 5 provas de carga dinâmica, até 2 x números de estacas, quadro 13, acima desse valor, necessário pelo menos 1 prova de carga estática. A prova de carga dinâmica, conhecida também como ensaio PDA (Pile Driving Analyser), fundamentada na teoria de propagação de ondas de tensão nas barras, representa a cravação de uma estaca não como um fenômeno de impacto Newto- niano entre dois corpos rígidos, mas como um fenômeno de transmissão, através da estaca, de ondas de tensão. Esse ensaio tem por objetivo conhecer a capacidade de carga do sistema estaca-solo de forma rápida e segura. Quando uma estaca é golpeada por um martelo, ondas resultantes do impacto se propagam ao longo dela e quando a estaca é atingida por um golpe, é gerada uma onda de tensão que trafega na estaca com velocidade dependente das características 30 31 do material, sendo possível medir a intensidade das ondas de impacto do martelo, e as alterações que as elas sofrem devido à resistência do sistema estaca-solo. Para realização das medições, é feita a instalação de sensores no fuste da estaca, em uma seção situada abaixo do topo da estaca, a uma distância, pelo menos, duas vezes o diâmetro desta. Os sinais são monitorados e armazenados através do equipa- mento denominado PDA, desenvolvido pela empresa Pile Dynamics Incorporation, USA, sendo possível avaliar a eficiência do sistema de cravação, as tensões máximas ao longo da estaca, a integridade estrutural, as características dinâmicas do solo. Na execução de estacas cravadas encontra-se condições ideais, devido à presença do martelo na obra. Na execução em estacas escavadas, é possível ensaiar desde que se disponha de um sistema que permita aplicar golpes nas estacas e que seu topo seja adequadamente preparado para o ensaio. As grandezas medidas para análise são: aceleração (velocidade por integração), deslocamentos e força (ou tensão). O processamento dos resultados e avaliação da capacidade de carga pode ser feito pelo método simplificado do tipo “CASE” ou pelo método numérico do tipo “ CAPWAP”. No instante da execução do ensaio, o PDA já pode disponibilizar uma sé- rie de informações úteis ao controle de qualidade da estaca e do desempenho do mar- telo, tais como: avaliação da capacidade de carga da estaca, através do método CASE; força máxima do impacto e energia do golpe (utilizada para calcular a eficiência do sistema de cravação); tensões máximas (controle que reduz o risco de quebra da estaca durante a cravação); danos estruturais e sua localização, confirmação do comprimento da estaca, e muito mais. As Figura 14 e Figura 15, apresentam imagens do ensaio. F igura 16 – Ilustração do ensaio PDA Fonte: Rodrigues e Filho, 2012 31 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Figura 17 – Instrumentação do ensaio PDA Fonte: Dynamis Techne Exemplos de Aplicação Resolvidos Exemplo 1: Considerando estacas pré-moldadas de concreto centrifugado, com diâmetro de 0,33m, carga de catalogo de 750 kN e comprimento de 12 m, cravadas em local cuja sondagem com Nspt eh representada na figura abaixo, com a ponta a cota de 13 m, fazer a previsão da capacidade de carga dessa fundação utilizando o método Aoki-Vellosso. Quadro 14 Resolução: Fatores de correção:F1 = 1+D/0,80=1+0,33/0,80=1,41 F2=2F1=2,82 RESISTENCIA LATERAL De –1m a -6m: Areia argilosa com Nmed=16/5=3 K=600kPa e α=3% Rl1=((0,03x600x3)/2,82)xπx0,33x5=99kN De –6m a -11m: Areia argilosa com Nmed=36/5=7 K=600kPa e α=3% Rl2=((0,03x600x7)/2,82)xπx5=232kN De –11m a -13m: Areia argilosa com Nmed=16/2=8 K=600kPa e α=3% Rl3=((0,03x600x8)/2,82)xπx0,33x2=106kN Rl=RL1+RL2+RL3 = 437 RESISTENCIA DE PONTA (COTA-13M) Areia argilosa com Nspt =14 Rp=((600x14)/1,41)x((πx(0,33)2)/4)=510 Capacidade de carga R=RL+Rp=947k aproximadamente 950kN Figura 18 Fonte: Reprodução 32 33 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Fundações: teoria e prática HACHICH, W. Fundações: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: PINI, 1998. Leitura Retroanalise de estacas carregadas lateralmente a partir de um modelo de elementos finitos: Tese https://bit.ly/2JsAKkp Capacidade de Carga de Fundações Profundas https://bit.ly/2JsfpaQ Capacidade de Carga de Fundações e Verificação de Recalques a partir de Parâmetros do Ensaio Panda 2 e de outros Ensaios In Situ https://bit.ly/309gXMM Redimensionamento de Fundação Profunda após Análise da Carga Admissível Obtida em Ensaio de Carregamento Dinâmico (PDA) https://bit.ly/2Jgwk0T Ensaio de Carregamento Dinâmico (Prova de carga dinâmica) https://bit.ly/2DWQiJw 33 UNIDADE Fundações Profundas – Capacidade de Carga do Sistema Estaca-Solo Referências ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2010); NBR 6122 – Projeto e execução de fundações. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas (2001); NBR 6484 – Solo – Sondagens de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio. ABEF/ABMS (1996). Fundações – Teoria e Prática. São Paulo: Pini, 1998. 751 p. ALMADA, J. L. A. Avaliação de capacidade de carga de estacas escavadas com trado mecânico, sem fluido estabilizante, na cidade de Maringá/PR. 2016. 1f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) – Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2016. ALONSO, U. R. Exercícios de fundações. São Paulo: Blucher, 2010. AOKI, N. – Controle in situ da Capacidade de Carga de Estacas Pré-Fabrica- das Via Repique Elástico da Cravação. ABMS, São Paulo, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6122:2010 – Pro- jeto e execução de fundações. Rio de Janeiro, 2010. CINTRA, J. C. A, AOKI N., ALBIERO, J. H. Fundações diretas: projeto geotéc- nico. São Paulo: Oficina de textos, 2011. REBELO, Y. C. P. Fundações – guia prático de projeto, execução e dimensiona- mento. São Paulo: Zigurate, 2008. RODRIGUES B. C.; FILHO J. F. Estudo comparativo entre prova de carga di- nâmica, carga estática de projeto e métodos dinâmicos em estacas de perfis metálicos: estudo de caso. TCC (Graduação em Engenharia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia. Belém-PA. 2012. VELLOSO, D. & LOPES, F. R. Fundações. São Paulo: Oficina de textos, 2010. 568 p. 34