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Matriz Conflitualista
Clara Almeida Xavier
Introdução às Ciências Sociais
Professora Juliane
2024/1
Introdução
Matriz conflitualista: discute o capitalismo e a estratificação social na perspectiva macro-histórica.
→ O anseio pelo poder e a escassez de recursos levam a constantes e inevitáveis conflitos;
→ As negociações ocorrem por influências, coerção, promessas e consenso;
→ Qualquer recurso com valor agregado pode ser explorado e servir como base para exercício de 
poderes;
→ A contestação dos desprivilegiados é uma ameaça constante à dominação dos detentores do poder.
Karl Marx (1818-1883): 
→ Contexto: consolidação do capitalismo industrial na Europa (século XIX) → trabalhadores 
assalariados, exploração trabalhista, alienação;
→ Unidade entre teoria e práxis;
→ Filósofos limitaram-se a explicar o mundo → cabe transformá-lo (ideário iluminista);
- Acreditava que a razão era não só um instrumento de apreensão da realidade, mas, também, de 
construção de uma sociedade mais justa (poder transformador). 
→ A transformação via ação política poderia extinguir a alienação dos trabalhadores.
Dialética e Materialismo
Idealismo: o mundo real, tal qual o conhecemos, existe em ao menos dois planos: um material (pode ser 
percebido, visto e sentido) e um imaterial (só existe no campo das ideias). É no plano imaterial que os 
conceitos, as formas e a própria realidade são estabelecidas de forma ideal. 
Filosofia idealista hegeliana: “tudo o que é real é racional, e tudo o que é racional é real”
→ Unidade dialética: o fenômeno torna-se inteligível ao ser articulado à totalidade em que se insere.
- Base: sujeito (responsável por transcender a simples observação dos fatos, estruturando-os 
em um sistema totalizante);
- Aponta as contradições constitutivas da vida social que resultam na negação e superação de 
uma determinada ordem. 
→ Consciência alienada: perda de autocontrole por parte dos seres humanos, subjugados pela sua 
própria criação. 
→ “Ser livre significa recuperar a autoconsciência.”;
→ O idealismo hegeliano é uma maneira de explicar que as coisas reais são determinadas por uma ideia 
universal anterior.
- Ex.: Para que seja construída uma casa, é necessário que exista antes uma ideia do que é uma 
casa. 
Ludwig Feuerbach: passagem do idealismo para o materialismo dialético.
Clara Almeida Xavier - 2024/1
→ A alienação fundamental tem suas raízes na religião (projeção fantástica da mente humana);
→ Marx e Engels questionam o materialismo feuerbachiano que se limitava a captar o mundo como 
objeto de contemplação e não como resultado da ação humana. 
- Não fora capaz de vê-lo como passível de transformação através da atividade revolucionária ou 
crítico-prática
Ruptura:
→ A teoria marxista articula dialética e materialismo em uma perspectiva histórica. 
Materialismo histórico: as relações materiais que os homens estabelecem e o modo como produzem 
seus meios de vida formam a base de todas as suas relações. 
→ “Aquilo que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais de sua produção”;
→ Todo fenômeno social ou cultural é transitório/efêmero.
- As relações burguesas de produção não são naturais/imutáveis/leis eternas.
→ Método de análise da vida econômica, social, política e intelectual. 
Produção e Reprodução 
Premissa da análise marxista da sociedade: a existência de seres humanos que, por meio da interação 
com a natureza e com outros indivíduos, dão origem à sua vida material. 
→ “O animal produz unicamente segundo a necessidade e a medida da espécie a que pertence, enquanto 
o homem sabe produzir segundo a medida de qualquer espécie.”
- Ao produzir para prover-se do que precisam, os seres humanos procuram dominar as 
circunstâncias naturais → Para isso, organizam-se socialmente.
Produção: “atividade vital do trabalhador, a manifestação de sua própria vida” → através dela o homem 
se humaniza. 
→ A produção cria o consumidor;
→ “A fome é a fome, mas a fome que se satisfaz com carne cozinhada, comida com faca e garfo, não é a 
mesma fome que come a carne crua, servindo-se das mãos, das unhas, dos dentes.”
→ O ato de produzir gera também novas necessidades, produtos da existência social.
Forças produtivas:
→ Forças produtivas: resultado da energia prática dos homens, o qual possibilita o controle das 
condições naturais para a produção;
- Seu desenvolvimento é, em geral, cumulativo.
- Força adquirida
→ A estrutura da sociedade depende do estado de desenvolvimento de suas forças produtivas e das 
relações sociais de produção que lhes são correspondentes;
Clara Almeida Xavier - 2024/1
→ Forças interdependentes: conformam a estrutura de uma sociedade. 
Relações sociais de produção: diferentes formas de organização da produção e distribuição, de posse e 
tipos de propriedade dos meios de produção. 
- Divisão social do trabalho (expressa desigualdades);
- Cooperação: pode se dar tendo em vista interesses particulares. 
Estrutura e Superestrutura
Estrutura: fundamento sobre o qual se constituem as instituições políticas e sociais. 
Superestrutura: na produção da vida, os homens geram também outra espécie de produtos que não têm 
forma material: as ideologias políticas, concepções religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas legais 
(de ensino, de comunicação, etc), conhecimentos filosóficos e científicos, representações coletivas de 
sentimentos, ilusões, modos de pensar, concepções de vida, entre outros. 
→ “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência”;
- A consciência nunca pode Ser mais que o Ser consciente. 
→ A situação econômica é a base, mas os diversos fatores da superestrutura exercem, igualmente, a sua 
ação sobre o curso das lutas históricas e, em muitos casos, determinam predominantemente sua forma. 
Leituras economicistas do pensamento de Marx: enfatizam o determinismo da vida econômica sobre as 
formas superestruturais. 
→ Utilizada com a finalidade de impor concepções políticas autoritárias. 
Classes sociais e estrutura social
Divisão social do trabalho: possibilitada pelo surgimento de um excedente de produção. 
Classes sociais: vincula-se a circunstâncias históricas específicas. 
→ Marx não deixou uma teoria sistematizada sobre as classes sociais;
→ O materialismo histórico descarta as interpretações que atribuem um caráter natural, inexorável, a 
esse tipo particular de desigualdade;
→ Marx acredita que a tendência do modo capitalista de produção é separar cada vez mais o trabalho e 
os meios de produção, concentrando e transformando estes últimos em capital e àquele em trabalho 
assalariado e, com isso, eliminar as demais divisões intermediárias de classe;
→ Classes intermediárias: frutos da organização econômica particular de cada sociedade. 
Estrutura social:
Clara Almeida Xavier - 2024/1
→ A classe que detém o poder material numa dada sociedade é também a potência política e espiritual 
dominante. 
Consequências da propriedade privada dos meios de produção:
● Exploração da classe do proletariado;
● Limitação à liberdade e às potencialidades do proletariado;
● Desumanização
Lutas de classes
→ Conduz, necessariamente, à ditadura do proletariado, a qual possibilita a transição para a abolição de 
todas as classes e para uma sociedade sem classes (“motor da história”);
→ É motivada pelo antagonismo de interesses entre as classes
A Economia Capitalista
Economia capitalista:
● Unidade analítica: mercadoria;
● Força de trabalho;
● Cálculo do valor de troca: segundo o tempo de trabalho gasto na produção. 
Mercadoria: forma assumida pelos produtos e pela própria força de trabalho.
→ Possui a propriedade de satisfazer as necessidades humanas (de estômago ou de fantasia).
→ A existência de produtores que realizam trabalhos distintos e que, por isso, precisam obter o produto 
da atividade de outros para seu próprio consumo, é resultado da divisão do trabalho.
● Valor de uso: determinado de acordo com a utilidaderelacionada às suas propriedades físicas.
- Realiza-se ou efetiva-se no consumo;
- Nada tem a ver de imediato com o trabalho humano que pode ter custado, nem com a 
relação social de produção 
● Valor de troca: medido através do tempo de trabalho socialmente necessário (“todo trabalho 
executado com grau médio de habilidade e intensidade em condições normais relativas ao meio 
social dado”).
- Varia no tempo e no espaço;
- A força de trabalho é a única que pode produzir mais riqueza que seu valor de troca. 
- A ideia de equivalência na troca é crucial para a estabilidade da sociedade capitalista. 
Valor da força de trabalho: determinada através do “valor dos meios de subsistência requeridos para 
produzir, desenvolver, manter e perpetuar a força de trabalho”
Clara Almeida Xavier - 2024/1
Capital: forma histórica de distribuição das condições de produção, resultante de um processo de 
expropriação e concentração da propriedade. 
Conceitos “O Capital”
Força de trabalho: capacidade dos trabalhadores de produzirem riqueza material ou aptidões e 
habilidades humanas submetidas à condição de compra e venda. 
→ Determinada pelo tempo de trabalho necessário à produção de um bem.
Jornada de trabalho: 
→ Não é constante, mas uma grandeza variável;
→ É determinável, mas em si e para si, indeterminada, podendo ser longa ou curta;
→ Pode variar somente dentro de certos limites (seu limite mínimo é, entretanto, indeterminável e 
possui um limite máximo, a partir do qual não pode ser mais prolongável).
- Limitada por limites físicos e morais/sociais;
- Ambas as barreiras são de natureza muito elásticas e permitem as maiores variações
Mais-trabalho: conceito que designa o trabalho excedente, medido por sua duração, que ultrapassa o 
trabalho necessário para a produção dos bens requeridos, mantendo a existência do trabalhador.
→ Base para a mais-valia;
→ O capital não inventou o mais-trabalho (sempre existiu, mesmo nas sociedades mais antigas).
Mais-valia: valor (margem de lucro) gerado pelo trabalho excedente (trabalho não pago).
→ Representa a disparidade entre o salário pago e o valor produzido pelo trabalho;
→ A alienação exerce um papel fundamental na exploração da mais-valia
- Mais-valia absoluta: quando aumenta-se a jornada de trabalho sem que o salário tenha um 
aumento proporcional;
- Mais-valia relativa: quando ocorrem melhorias nos processos técnicos, aumentando-se a 
produtividade, aumenta-se a exploração da mais-valia sem alterar o número de horas 
trabalhadas.
Alienação: associa-se às condições materiais de vida e somente a transformação do processo de vida 
real, por meio da ação política, poderia extingui-la. São aspectos da alienação:
1) O trabalhador relaciona-se com o produto do seu trabalho como com algo alheio a ele;
2) A atividade do trabalhador tampouco está sob seu domínio (alienado em relação a si mesmo);
3) O trabalho do proletariado deixa de ser livre e passa a ser um meio para que sobreviva 
(“trabalha para viver”). 
Clara Almeida Xavier - 2024/1
Capitalismo para Marx: “trabalho morto” que apenas se reanima “chupando” trabalho vivo e que vive 
tanto mais quanto mais trabalho vivo chupa.
→ Relação de compra e venda de força de trabalho, a qual é transformada em mercadoria;
→ Possui como único impulso vital o valorizar-se, de criar mais-valia, de absorver com sua parte 
constante os meios de produção, a maior massa possível de mais-trabalho;
→ “O trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz”;
→ Dispõe de uma necessidade permanente de renovação e de avanço técnico.
Lei do intercâmbio de mercadorias: Mercadoria - Dinheiro - Mercadoria (M-D-M”) → representação 
privada do valor - representação social do valor - representação privada do valor
→ “O processo de intercâmbio da mercadoria opera-se, portanto, por meio de duas metamorfoses 
opostas e reciprocamente complementares - transformação da mercadoria em dinheiro e sua 
retransformação de dinheiro em mercadoria”;
→ “O dinheiro não desaparece ao sair, finalmente, do circuito de metamorfose de uma mercadoria. Ele 
sempre se deposita em algum ponto de circulação abandonado pelas mercadorias”
● M-D é o salto mortal da mercadoria na circulação;
● D-M” é o pulo da mercadoria para fora da circulação
Salário: conserva o trabalhador como qualquer outro instrumento produtivo. 
→ O malandro, o sem-vergonha, o mendigo, o faminto, o miserável e o delinquente não existem para a 
economia política, já que ela leva somente em conta as necessidades do trabalhador cujo atendimento 
permite manter vivo a ele e a categoria dos trabalhadores. 
Revolução: quando uma classe consegue impor-se sobre outras classes debilitadas ou historicamente 
ultrapassadas, ela destrói as formas econômicas, as relações sociais, civis e jurídicas, as visões de 
mundo e o regime político, substituindo-os por outros, condizentes com seus interesses e seu domínio. 
→ “De todos os instrumentos de produção, a maior força produtiva é a própria classe revolucionária” 
→ é ela que faz evoluir mais rápida e eficientemente toda a sociedade. 
Comunismo: resultaria de um processo revolucionário, “uma etapa na qual desaparecerão a coerção e a 
monopolização, por uma fração da sociedade em detrimento da outra, do progresso social”.
→ Possibilita submeter a criação dos homens “ao poder dos indivíduos associados” e que a divisão do 
trabalho passe a obedecer aos interesses de toda a sociedade;
→ A sociedade comunista seria o resultado de uma “reconstrução consciente da sociedade humana”. 
Clara Almeida Xavier - 2024/1

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