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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Abordagens integradas no tratamento da Síndrome de Tourette: perspectivas farmacológicas e terapias comportamentais e psicológicas Integrated approaches in the treatment of Tourette Syndrome: pharmacological perspectives and behavioral and psychological therapies Enfoques integrados en el tratamiento del Síndrome de Tourette: perspectivas farmacológicas y terapias conductuales y psicológicas DOI: 10.55905/revconv.17n.6-146 Originals received: 05/10/2024 Acceptance for publication: 05/31/2024 Vítor Gabriel Marques Souza Graduando em Medicina Instituição: Universidade de Rio Verde (UNIRV) Endereço: Formosa - Goiás, Brasil E-mail: vitorgabriel277@hotmail.com Jessica Thaynna Resende Figueiredo Graduada em Medicina Instituição: Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) Endereço: Mineiros – Goiás, Brasil E-mail: j.thaynna@hotmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3216-200X Carlos Nei Coquemala Júnior Graduado em Medicina Instituição: Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES) Endereço: Mineiros – Goiás, Brasil E-mail: cncoquemala@gmail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0001-5211-2109 Dhiogo Ramos da Silva Graduando em Medicina Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Endereço: Cuiabá - Mato Grosso, Brasil E-mail: dhiogo.drs@gmail.com Ingrid Vidal Pereira Graduada em Medicina Instituição: Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP) Endereço: Petrópolis - Rio de Janeiro, Brasil E-mail: ingridyndy@hotmail.com 2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Samela da Silva Oliveira Graduanda em Medicina Instituição: Pontificia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Endereço: Curitiba - Paraná, Brasil E-mail: samela.sso@gmail.com Maurício Samartino Graduado em Medicina Instituição: Centro Universitário de Votuporanga (UNIFEV) Endereço: Votuporanga - São Paulo, Brasil E-mail: mausamartino@yahoo.com.br Pedro Henrique Rodrigues Brito Graduado em Medicina Instituição: Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (FCMPB) Endereço: João Pessoa – Paraíba, Brasil E-mail: pedrohenriquebrito@hotmail.com Bruna Victoria Alves Teixeira Furtado Graduada em Medicina Instituição: Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIT) Endereço: Itajubá – Minas Gerais, Brasil E-mail: brunatfurtado@gmail.com Karen Pinheiro Borges Freitas Graduanda em Medicina Instituição: Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) Endereço: Macapá - Amapá, Brasil E-mail: karenborg3ss@gmail.com Yohan Cristhian de Jesus Farias Graduando em Medicina Instituição: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Endereço: Sinop - Mato Grosso, Brasil E-mail: yohanfarias5@gmail.com Gabrielle Cavalcante Rangel Oliveira Graduada em Medicina Instituição: Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPAR) Endereço: Parnaíba – Piauí, Brasil E-mail: gabriellecro98@gmail.com Edvaldo Fagundes da Silva Júnior Graduando em Medicina Instituição: Universidade Federal do Cariri (UFCA) Endereço: Barbalha - Ceará, Brasil E-mail: edvaldofagundes04@gmail.com 3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Paloma de Sousa Sá Graduada em Medicina Instituição: Faculdade Presidente Antônio Carlos (FAPAC) Endereço: Porto Nacional – Tocantins, Brasil E-mail: palominhasousasa@gmail.com Blaude Gabriel Jacobina da Cruz Araujo Graduado em Medicina Instituição: Universidade de Cuiabá (UNIC) Endereço: Cuiabá - Mato Grosso - Brasil E-mail: blaude@bol.com.br RESUMO A Síndrome de Gilles de la Tourette (ST) é um distúrbio neurológico crônico de notável complexidade, marcado pela manifestação de tiques motores e vocais que começam principalmente na infância. A presença concomitante de condições psiquiátricas como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), transtornos de controle de impulsos e depressão adiciona uma camada de complexidade aos desafios clínicos e terapêuticos enfrentados por esses pacientes. A etiologia da ST é reconhecida como multifatorial, envolvendo uma interação de predisposições genéticas e fatores ambientais, com alterações no circuito cortico-estriado-tálamo-cortical, identificadas através de técnicas avançadas de neuroimagem, sugeridas como contribuintes para a patogênese dos tiques. Apesar da ausência de marcadores genéticos de significância estatística em estudos genômicos amplos, a pesquisa sobre o papel das respostas autoimunes pós-infecções estreptocócicas continua sendo uma área de investigação ativa, embora ainda inconclusiva. Epidemiologicamente, a ST afeta aproximadamente 0,5% da população mundial, com uma predominância masculina e os sintomas típicos surgindo geralmente entre os 5 e 6 anos de idade. A severidade dos tiques normalmente atinge um pico durante a pré-adolescência e frequentemente diminui significativamente na transição para a idade adulta. O objetivo deste estudo é revisar a literatura existente sobre a Síndrome de Gilles de la Tourette, com foco nos desafios persistentes e nos avanços recentes no tratamento. Este artigo enfatiza a importância de abordagens terapêuticas integradas que combinam intervenções farmacológicas, terapias comportamentais e psicológicas. A implementação de estratégias holísticas e personalizadas é crucial para o manejo eficaz da complexidade dos sintomas e para a melhoria substancial da qualidade de vida dos indivíduos afetados. Essa revisão busca destacar os conhecimentos atuais e identificar lacunas na compreensão e tratamento da ST, visando informar práticas clínicas futuras e incentivar a continuidade da pesquisa nesta área. Palavras-chave: abordagem terapêutica, Síndrome de Tourette, tratemento, práticas clínicas. ABSTRACT Gilles de la Tourette Syndrome (TS) is a chronic neurological disorder of notable complexity, characterized by the manifestation of motor and vocal tics that primarily begin in childhood. The concurrent presence of psychiatric conditions such as Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), Obsessive-Compulsive Disorder (OCD), impulse control disorders, and depression adds a layer of complexity to the clinical and therapeutic challenges faced by these patients. The etiology of TS is recognized as multifactorial, involving an interaction of genetic predispositions 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 and environmental factors, with alterations in the cortico-striato-thalamo-cortical circuit, identified through advanced neuroimaging techniques, suggested as contributors to the pathogenesis of tics. Despite the absence of genetic markers of statistical significance in large- scale genomic studies, research into the role of autoimmune responses post-streptococcal infections remains an active area of investigation, although still inconclusive. Epidemiologically, TS affects approximately 0.5% of the global population, with a male predominance and typical symptoms usually emerging between the ages of 5 and 6. The severity of tics typically peaks during pre-adolescence and often significantly decreases during the transition to adulthood. The aim of this study is to review the existing literature on Gilles de la Tourette Syndrome, focusing on the persistent challenges and recent advances in treatment. This article emphasizes the importance of integrated therapeutic approaches that combine pharmacological interventions, behavioral therapies, and psychological support. The implementation of holistic and personalized strategies is crucial for effectively managing the complexity of symptoms and substantially improving thequality of life of affected individuals. This review seeks to highlight current knowledge and identify gaps in the understanding and treatment of TS, aiming to inform future clinical practices and encourage continued research in this area. Keywords: therapeutic approach, Tourette Syndrome, treatment, clinical practices. RESUMEN El Síndrome de Gilles de la Tourette (ST) es un trastorno neurológico crónico de notable complejidad, caracterizado por la manifestación de tics motores y vocales que comienzan principalmente en la infancia. La presencia concurrente de condiciones psiquiátricas como el Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH), el Trastorno Obsesivo-Compulsivo (TOC), trastornos de control de impulsos y depresión añade una capa de complejidad a los desafíos clínicos y terapéuticos que enfrentan estos pacientes. La etiología del ST se reconoce como multifactorial, involucrando una interacción de predisposiciones genéticas y factores ambientales, con alteraciones en el circuito corticoestriado-talámico-cortical, identificadas a través de técnicas avanzadas de neuroimagen, sugeridas como contribuyentes a la patogénesis de los tics. A pesar de la ausencia de marcadores genéticos de significancia estadística en estudios genómicos a gran escala, la investigación sobre el papel de las respuestas autoinmunes post- infecciones estreptocócicas sigue siendo un área de investigación activa, aunque aún inconclusa. Epidemiológicamente, el ST afecta aproximadamente al 0,5% de la población mundial, con una predominancia masculina y los síntomas típicos que generalmente surgen entre los 5 y 6 años de edad. La severidad de los tics normalmente alcanza su pico durante la preadolescencia y a menudo disminuye significativamente durante la transición a la adultez. El objetivo de este estudio es revisar la literatura existente sobre el Síndrome de Gilles de la Tourette, enfocándose en los desafíos persistentes y los avances recientes en el tratamiento. Este artículo enfatiza la importancia de enfoques terapéuticos integrados que combinan intervenciones farmacológicas, terapias conductuales y apoyo psicológico. La implementación de estrategias holísticas y personalizadas es crucial para manejar de manera efectiva la complejidad de los síntomas y mejorar sustancialmente la calidad de vida de los individuos afectados. Esta revisión busca destacar el conocimiento actual e identificar lagunas en la comprensión y tratamiento del ST, con el objetivo de informar prácticas clínicas futuras y fomentar la continuidad de la investigación en esta área. Palabras clave: abordaje terapéutico, Síndrome de Tourette, tratamiento, prácticas clínicas. 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 1 INTRODUÇÃO A Síndrome de Gilles de la Tourette, comumente referida como Síndrome de Tourette (ST), é caracterizada por um distúrbio neurológico crônico de notável complexidade, manifestando-se primordialmente na infância através de tiques motores e vocais recorrentes (Cavanna; Seri, 2013). Esses sintomas tendem a exacerbar-se durante a adolescência, atingindo um ápice de intensidade, para então, em muitos casos, apresentarem uma atenuação significativa ao adentrar a fase adulta inicial. Além dos tiques, que se destacam como sinais distintivos desta síndrome, a coocorrência de patologias psiquiátricas é prevalente, incluindo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), transtornos de controle de impulsos e depressão, os quais conferem uma complexidade adicional ao panorama clínico e terapêutico da ST (Freeman et al., 2000). Do ponto de vista etiológico e fisiopatológico, considera-se a ST como consequência de um intrincado entrelaçamento entre fatores genéticos e ambientais. A disfunção central parece emergir de um desequilíbrio no circuito cortico-estriado-tálamo-cortical, essencial na regulação de movimentos e comportamentos. Este desbalance contribui para uma desinibição sistêmica, tanto motora quanto límbica, resultando na emergência dos tiques (Singer; Augustine, 2019). Revelações proporcionadas por estudos de neuroimagem avançada, incluindo tomografia por emissão de pósitrons (PET) e ressonância magnética funcional (MRI), demonstram alterações estruturais e metabólicas cerebrais, exemplificadas por modificações no volume do caudado e padrões atípicos de utilização de glicose nos gânglios da base (Kleimaker et al., 2020). Embora a contribuição genética exata permaneça indefinida, os padrões de herança associados à Síndrome de Tourette (ST) são reconhecidamente heterogêneos e complexos, manifestando-se por meio de uma transmissão poligênica e bilineal, sem que loci genéticos precisos tenham sido definitivamente estabelecidos. Investigações realizadas por meio de estudos de associação genômica ampla, que incluíram casos de ST e controles de ascendência europeia, não lograram identificar marcadores de significância estatística, ainda que tenham notado indícios promissores no cromossomo 9q32, especificamente no gene COL27A1 (Müller‐Vahl; Roessner; European Society For The Study Of Tourette Syndrome, 2011). Paralelamente, a hipótese de que respostas autoimunes induzidas por infecções estreptocócicas possam influenciar o desenvolvimento da ST foi meticulosamente examinada, 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 especialmente no contexto da Síndrome PANDAS; contudo, essa relação permanece polêmica e desprovida de suporte empírico derivado de estudos de coorte prospectivos. A ausência de evidências conclusivas tem conduzido a uma postura prudente em relação à realização de exames rotineiros para Streptococcus do grupo A e ao emprego de antibióticos ou terapias imunomoduladoras em crianças com manifestações neuropsiquiátricas, refletindo as persistentes incertezas que envolvem a etiologia da ST (Singer, 2017). Epidemiologicamente, a Síndrome de Tourette (ST) exibe uma prevalência estimada em 0,5% da população mundial, demonstrando uma marcada predominância no sexo masculino com uma razão de gênero de aproximadamente 4:1. Este distúrbio neuropsiquiátrico revela uma uniformidade relativa na incidência entre diferentes grupos étnicos, embora seja notavelmente menos comum entre indivíduos de ascendência africana. Os estudos epidemiológicos destacam que a manifestação inicial dos sintomas ocorre predominantemente entre os 5 e 6 anos de idade (Jafari et al., 2022; Garcia-Delgar et al., 2022). Em termos de progressão, observa-se que a intensidade dos tiques tende a alcançar seu ápice na pré-adolescência e frequentemente diminui significativamente durante a transição para a idade adulta. Estima-se que aproximadamente 18% dos afetados experimentam a resolução completa dos tiques por volta dos 18 anos, enquanto em outros, a severidade pode reduzir substancialmente, contribuindo para uma melhora na qualidade de vida (American Psychiatric Association et al., 2013). Deste modo, o objetivo central deste artigo é profundamente esclarecer os desafios persistentes e os avanços significativos recentes no tratamento da Síndrome de Tourette. Enfatiza-se a importância crítica de adotar estratégias terapêuticas integradas que abordem não apenas os tiques característicos, mas também as comorbidades frequentemente associadas a essa condição. Uma gestão eficaz da Síndrome de Tourette requer uma abordagem holística e profundamente personalizada, que considere a complexidade dos sintomas e o impacto substancial que estes podem ter na qualidade de vida dos pacientes. Assim, é vital que os profissionais de saúde envolvidos no tratamento estejam equipados com um amplo leque de ferramentas terapêuticas e um entendimento profundo das nuances dessa síndrome para melhorar de forma significativao bem-estar dos indivíduos afetados. 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 2 MATERIAL E MÉTODOS Este estudo constitui uma revisão sistemática da literatura, focada nos avanços recentes nas abordagens integradas para o tratamento da Síndrome de Tourette. O objetivo desta revisão é consolidar o conhecimento atual sobre terapias farmacológicas e comportamentais/psicológicas, identificar lacunas existentes e fornecer uma visão abrangente que possa orientar profissionais de saúde e pesquisadores na otimização dessas intervenções. Uma busca sistemática foi realizada nas principais bases de dados científicas, como PubMed, Scopus, Web of Science e Google Acadêmico, utilizando palavras-chave como "Síndrome de Tourette", "tratamento farmacológico", "terapias comportamentais", "intervenções psicológicas" e "abordagens integradas". Os critérios de inclusão foram artigos publicados em inglês e português que relatavam desenvolvimentos recentes em tratamentos integrados, incluindo estudos sobre novas terapias, eficácia em diferentes subgrupos e estratégias para melhorar a adesão ao tratamento. A análise dos dados seguiu uma abordagem narrativa, organizando as informações em quatro categorias principais: eficácia das intervenções farmacológicas, inovações em terapias comportamentais e psicológicas, estratégias para aumentar a adesão e o impacto desses avanços na qualidade de vida dos pacientes. Este esquema não apenas proporciona um entendimento profundo dos avanços críticos no tratamento da Síndrome de Tourette, mas também avalia os resultados promissores e as possíveis adversidades dessas intervenções no contexto da saúde mental e comportamental. Este método de revisão sistemática e a subsequente síntese narrativa visam fornecer informações detalhadas e atualizadas sobre os progressos no tratamento integrado da Síndrome de Tourette, estabelecendo-se como um recurso valioso para o aprimoramento das práticas terapêuticas e estratégias de tratamento nesta área complexa. 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS A abordagem terapêutica farmacológica para a Síndrome de Tourette (ST) requer uma consideração cuidadosa das opções disponíveis, equilibrando eficácia e segurança para atender 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 às necessidades individuais dos pacientes. Os agonistas alfa-2 adrenérgicos, como clonidina e guanfacina, são frequentemente recomendados para pacientes com ST e TDAH comórbido, devido à sua capacidade de mitigar tanto os tiques quanto os sintomas do TDAH. Embora esses medicamentos ofereçam benefícios significativos, eles requerem monitoramento rigoroso de possíveis efeitos colaterais, como sedação, alterações na frequência cardíaca e pressão arterial, e precauções específicas em pacientes com histórico de doenças cardíacas ou predisposição a arritmias, como a síndrome do QT longo (Murphy et al., 2017; Weisman et al., 2013). Medicamentos antipsicóticos, incluindo haloperidol, risperidona, aripiprazol, e outros, representam outra linha de tratamento para os tiques associados à ST. Embora eficazes, estes agentes vêm com um perfil significativo de possíveis efeitos adversos, como distúrbios metabólicos, hormonais e extrapiramidais, o que exige uma discussão transparente com os pacientes sobre os riscos e benefícios, além de um monitoramento contínuo de efeitos colaterais potenciais. É crucial realizar um eletrocardiograma para monitorar o intervalo QT antes e durante o tratamento com certos antipsicóticos, especialmente a pimozida e a ziprasidona, para prevenir complicações cardíacas (Roessner et al., 2022). Além disso, intervenções menos comuns, como injeções de toxina botulínica, são consideradas para tiques motores simples e vocais gravemente incapacitantes em adolescentes e adultos, quando outros tratamentos falham ou não são bem tolerados (Roessnet et al., 2022). O topiramato também é considerado para casos de tiques refratários a outras terapias, com monitoramento dos efeitos colaterais cognitivos e de linguagem (Yang et al., 2013). Tratamentos à base de cannabis podem ser explorados em adultos que já utilizam cannabis como automedicação, sempre sob supervisão médica rigorosa para monitorar eficácia e segurança (Anis et al., 2022). É essencial que o tratamento farmacológico para ST seja acompanhado de uma reavaliação periódica das necessidades do paciente, ajustando as terapias conforme necessário para otimizar os resultados e minimizar os riscos. A educação do paciente e da família sobre o curso da doença e as opções de tratamento é fundamental para garantir uma gestão eficaz dos tiques e suas comorbidades, proporcionando não apenas alívio sintomático, mas também uma melhor qualidade de vida para os pacientes com Síndrome de Tourette (Pringsheim et al., 2019). 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 3.2 TERAPIAS COMPORTAMENTAIS E PSICOLÓGICAS No tratamento da Síndrome de Tourette (ST), adota-se frequentemente uma abordagem que integra terapias comportamentais e psicológicas, com o intuito de aliviar os sintomas e elevar a qualidade funcional diária dos indivíduos afetados. A psicoeducação, personalizada para cada paciente, constitui o alicerce inicial dessa intervenção terapêutica. Esta estratégia educacional não apenas ilumina pacientes e seus cuidadores acerca da natureza e manejo da ST, mas também os capacita a tomar decisões informadas a respeito das opções terapêuticas disponíveis (Hollis et al., 2021). De acordo com Pringsheim et al (2019), quando a psicoeducação isolada não se mostra suficiente para gerenciar os sintomas, recomenda-se adotar estratégias de terapia comportamental como linha de frente, destacando-se o Treinamento de Reversão de Hábitos (TRH) e a Terapia Comportamental de Intervenção Cognitiva (CBIT). O TRH é uma metodologia que envolve inicialmente um treinamento de conscientização, auxiliando os pacientes a reconhecer os prelúdios de um tique, seguido de um treinamento de resposta competitiva, onde os indivíduos aprendem a executar movimentos voluntários fisicamente incompatíveis com o tique em questão. Esta técnica não apenas se concentra em um tique específico por vez, mas também está estruturada para abordar progressivamente outros tiques de acordo com a hierarquia de severidade estabelecida. Por sua vez, o CBIT amplia os fundamentos do TRH ao incorporar elementos adicionais como técnicas de relaxamento e estratégias de manejo, bem como análises funcionais destinadas a identificar e mitigar fatores que intensificam os tiques (McGruire et al., 2014). Adicionalmente, a Exposição e Prevenção de Resposta (ERP) é empregada primordialmente em casos onde os pacientes apresentam múltiplos tiques ou são simultaneamente afetados por transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Este procedimento consiste na exposição gradual a impulsos premonitórios e contextos desencadeadores, visando aumentar a tolerância aos impulsos e, consequentemente, reduzir ou eliminar a manifestação dos tiques. A ERP é particularmente vantajosa para pacientes com um amplo espectro de tiques ou para aqueles com TOC, devido à sua abordagem holística que transcende a limitação ao tratamento individualizado por tique (Hollis et al., 2021). A eficácia dessas intervenções comportamentais, sustentada por evidências científicas, demonstra que tanto o TRH quanto o CBIT produzem resultados moderados, porém 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 significativos, na gestão de tiques. Os pacientes frequentemente exibem uma resposta terapêutica favorável em comparação com intervenções controle. Em situações mais complexas,onde as terapias comportamentais primárias não oferecem alívio suficiente, considera-se apropriado recorrer a estratégias de segunda linha, como o treinamento metacognitivo e técnicas de atenção plena, embora as evidências de sua eficácia sejam ainda limitadas (Andrén et al., 2022). Essa diversidade de abordagens terapêuticas, customizadas às necessidades individuais dos pacientes, é essencial não apenas para um manejo eficaz da ST, mas também para a melhoria substancial na qualidade de vida, fornecendo estratégias duradouras para o controle dos sintomas ST (Frey; Malaty, 2022). 3.3 PERSPECTIVAS FUTURAS Recentes descobertas na genética da ST abriram novos caminhos para tratamentos mais personalizados e direcionados. Estudos genômicos associativos têm identificado várias variantes genéticas que contribuem para o risco de ST, sugerindo que terapias direcionadas podem ser desenvolvidas para modificar a expressão gênica ou a função das proteínas associadas a essas variantes. A terapia genética, em particular, oferece potencial para corrigir ou modificar geneticamente as células nervosas de maneira a prevenir ou reduzir a severidade dos tiques (Lin; Tsai; Chou, 2022). A neuromodulação, incluindo a estimulação cerebral profunda (DBS), tem mostrado promessa para pacientes com ST que não respondem a terapias convencionais. Futuras investigações focarão na otimização dos parâmetros de estimulação e na identificação dos alvos neurais mais eficazes para o tratamento dos tiques. Além disso, técnicas menos invasivas, como a estimulação magnética transcraniana (TMS) e a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), estão sendo exploradas para seu potencial terapêutico na ST, oferecendo alternativas mais seguras e acessíveis à DBS (Wehmeyer et al., 2021). A investigação das bases imunológicas da ST também é uma área de intenso interesse. Estudos têm sugerido que em alguns pacientes, os tiques podem ser exacerbados por processos inflamatórios ou autoimunes. Intervenções que modulam a resposta imune, como o uso de imunoglobulinas ou terapias anti-inflamatórias, podem oferecer novos caminhos para o tratamento. Pesquisas futuras precisarão elucidar os mecanismos subjacentes e validar a eficácia 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 dessas abordagens em ensaios clínicos controlados (Chi et al., 2023). Em suma, enquanto o tratamento atual da Síndrome de Tourette oferece alívio significativo para muitos pacientes, as perspectivas futuras prometem abordagens mais personalizadas e eficazes que abordam tanto os sintomas quanto as causas subjacentes da doença. A integração de terapias genéticas, avanços em neuromodulação, intervenções imunológicas, e a expansão das terapias comportamentais, juntamente com a exploração de novas tecnologias, representam fronteiras promissoras na pesquisa e no tratamento da ST (Frey; Malaty, 2022). Na literatura científica, vários especialistas enfatizam a importância da eficácia e adesão às abordagens integradas no tratamento da Síndrome de Tourette, cobrindo tanto terapias farmacológicas quanto intervenções comportamentais e psicológicas. Estes estudos exploram detalhadamente os tratamentos utilizados e as estratégias implementadas para maximizar a adesão dos pacientes, elementos essenciais para a eficácia terapêutica. As metodologias utilizadas e os resultados alcançados são sistematicamente apresentados e avaliados, conforme ilustrado na Tabela 1. Esta compilação de pesquisas fornece uma visão completa das práticas atuais e dos avanços no tratamento da Síndrome de Tourette, destacando a importância de estratégias bem fundamentadas e baseadas em evidências para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Tabela 1. Estudos sobre a Comparação de Abordagens Integradas no Tratamento da Síndrome de Tourette. Título Autores Ano de Publicação Principais Achados “European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders: summary statement”. Müller-Vahl et al. 2022 A avaliação dos tiques, conforme as diretrizes da ESSTS, incorpora critérios do DSM-5 e CID-11, focando em diagnósticos precisos e avaliações complementares para comorbidades psiquiátricas. Intervenções psicológicas evoluíram significativamente, com a terapia de reversão de hábitos emergindo como tratamento de escolha, fortalecida por módulos de tratamento comportamental via internet. Em termos de tratamento farmacológico, o aripiprazol destaca-se pela eficácia comprovada, enquanto novos tratamentos como a deutetrabenazina e Lu AG06466 mostraram resultados preliminares desapontadores. A estimulação cerebral profunda, embora promissora, ainda carece de dados robustos e é considerada apenas para casos selecionados e refratários. “Pharmacological treatment of Tourette's syndrome: from the past to the future” Gong et al. 2024 O tratamento medicamentoso da Síndrome de Tourette inclui uma variedade de medicamentos, como antipsicóticos (haloperidol, pimozida, flufenazina, risperidona, olanzapina, ziprasidona, quetiapina, aripiprazol) que bloqueiam receptores de dopamina, reduzindo tiques. Agentes norepinefrinérgicos como clonidina e guanfacina ajustam a atividade noradrenérgica, enquanto antidepressivos tricíclicos como a desipramina são usados para sintomas de TDAH. Medicamentos antiepilépticos (topiramato, levetiracetam), agonistas dos receptores de dopamina (pergolida), antagonistas de dopamina (metoclopramida, 12 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 tiaprida) e 5HT3 (ondansetron), além de baclofeno (agonista GABA) e inibidores VMAT2 (tetrabenazina, deutetrabenazina), oferecem controle neuroinibitório. Canabinóides e agentes acetilcolinérgicos como nicotina também são explorados por seus potenciais terapêuticos. Estes medicamentos são fundamentais para manejar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com Síndrome de Tourette. “The role of atypical antipsychotics for treatment of Tourette's syndrome: an overview” Budman 2014 As evidências atuais sobre o uso de antipsicóticos atípicos no tratamento da Síndrome de Tourette (ST) são escassas e baseiam-se em poucos ensaios clínicos randomizados com medicamentos como risperidona, aripiprazol e ziprasidona, que apresentam metodologias diversas e limitam comparações diretas entre estudos. É necessária uma colaboração futura entre centros especializados em ST, utilizando metodologias rigorosas, para explorar de forma mais detalhada o potencial terapêutico dos antipsicóticos atípicos nesta condição. “Treatment of Tourette's syndrome with Delta 9- tetrahydrocannabinol (THC): a randomized crossover trial” Müller-Vahl et al. 2002 Relatos anedóticos indicam que a cannabis e seu componente delta-9- tetrahidrocanabinol (Δ9-THC) podem reduzir tiques e comportamentos disruptivos na Síndrome de Tourette (ST). Um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com doses únicas de Δ9-THC mostrou melhorias significativas em tiques e comportamentos obsessivo-compulsivos, com correlação positiva entre a eficácia e os níveis plasmáticos de 11-OH-THC, um metabólito do THC. Não houve reações adversas graves, apenas efeitos colaterais leves e transitórios. Sugere-se a necessidade de estudos mais longos para confirmar esses achados promissores. Fonte: Do autor, 2024. 4 CONCLUSÕES Em conclusão, a análise compreensiva das abordagens integradas para o tratamento da Síndrome de Tourette revela uma fusão promissora de intervenções farmacológicas com terapias comportamentais e psicológicas. Esta sinergia não apenas amplia o espectro terapêutico disponível, mas também personaliza o tratamento, aumentando significativamente a eficácia e a adesão do paciente. A utilizaçãoconjunta dessas modalidades terapêuticas permite uma abordagem mais holística, que é crucial para tratar uma condição tão complexa e multifacetada quanto a Síndrome de Tourette. Os dados analisados indicam que, enquanto as intervenções farmacológicas podem aliviar rapidamente alguns sintomas mais disruptivos, as terapias comportamentais e psicológicas oferecem ganhos duradouros no controle dos tiques e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Essa abordagem combinada é especialmente valiosa, pois atende às necessidades individuais dos pacientes, considerando as variabilidades nos sintomas e na resposta ao tratamento. Além disso, a integração de suporte psicológico e estratégias comportamentais ajuda 13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 a mitigar os efeitos colaterais das medicações e a fortalecer a autonomia do paciente no manejo de seus sintomas. A cooperação entre profissionais de diversas áreas da saúde, incluindo neurologistas, psiquiatras, psicólogos e terapeutas comportamentais, é fundamental para o sucesso desta abordagem integrada. Este modelo colaborativo não só enriquece o plano de tratamento mas também garante uma rede de suporte mais robusta para os pacientes e suas famílias. É importante que essa equipe esteja alinhada com os mais recentes avanços científicos e melhores práticas, para proporcionar um tratamento que seja ao mesmo tempo eficaz e compassivo. Do ponto de vista da pesquisa, é essencial continuar a explorar e documentar os efeitos combinados das terapias farmacológicas e comportamentais. Estudos longitudinais e meta- análises podem oferecer insights mais profundos sobre as interações entre diferentes modalidades terapêuticas e como essas podem ser otimizadas para maximizar benefícios e minimizar riscos. A inclusão de medidas de resultado que avaliem a satisfação do paciente e o impacto na vida diária será crucial para avaliar o verdadeiro sucesso das intervenções integradas. Humanisticamente, o tratamento da Síndrome de Tourette com uma abordagem integrada reflete um respeito mais profundo pelas experiências vividas pelos pacientes. Reconhecendo a pessoa por completo, e não apenas os sintomas, esta abordagem promove uma maior empatia e uma conexão mais genuína entre o paciente e os profissionais de saúde. É uma prática que não apenas trata, mas também valida o indivíduo, enfatizando a importância de abordar a saúde mental e física de maneira holística. Em suma, enquanto enfrentamos os desafios impostos pela Síndrome de Tourette, as abordagens integradas representam uma fronteira promissora na medicina comportamental. A integração de estratégias farmacológicas com terapias comportamentais e psicológicas não apenas melhora a eficácia do tratamento mas também alinha cuidados médicos com a dignidade e o respeito pela complexidade humana. A evolução contínua nesta área não só é esperada como necessária, com o potencial de transformar significativamente a vida daqueles afetados por esta síndrome desafiadora. 14 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, DSMTF et al. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. Washington, DC: American psychiatric association, 2013. ANDRÉN, P. et al. European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders—Version 2.0. Part II: Psychological interventions. European child & adolescent psychiatry, v. 31, n. 3, p. 403-423, 2022. Disponível em: <https://doi.org/10.1007/s00787-021- 01845-z>. Acesso em 13 mar. 2024. ANIS, S. et al. Medical cannabis for Gilles de la Tourette syndrome: an open-label prospective study. Behavioural Neurology, v. 2022, 2022. Disponível em: <https://doi.org/10.1155/2022/5141773>. Acesso em 20 mai. 2024. BUDMAN, C. L. 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