Prévia do material em texto
Prova NP1 de Psicometria · Livro: ‘’Psicometria – Pasquali’’ Capítulo 1 – ‘’Origem e Histórico da Psicometria’’ As origens da Psicometria se encontram no enfoque empirista das psicologias na época. De um lado a Psicometria é ainda guiada pela concepção positivista empirista de Francis Bacon, ou seja, uma ciência universal que se faz através do conhecimento singular (indução), enfoque demonstrado como logicamente inviável, tanto pelo empirista Hume, quanto por Popper. De outro lado predomina na Psicometria a concepção estatística sobre a psicologia. Os precursores e os que desenvolveram a Psicometria eram estatísticos de formação, tanto que ainda se define Psicometria como um ramo da estatística, quando na verdade deve ser concebida como um ramo da psicologia que faz interface com a estatística. ORIGEM DA PSICOMETRIA – APANHADO HISTÓRICO Sua origem deve ser procurada nos trabalhos estatísticos de Sperman, que seguiu os procedimentos de Galton. Não deve estranhar que a Psicometria surgisse no campo das aptidões humanas (mentais, físicas e psicofísicas), pois, além de ser a temática psicológica da época, se ligava melhor a um estudo quantitativo, pois se pode ali contabilizar o comportamento em termos de acertos e erros. Existem duas tendências que antes eram independentes, porém mais tarde se unificaram para se tornar a Psicometria Clássica. A primeira tendência era preocupada com o caráter psicopedagógico e clínico, seus profissionais utilizavam as provas psicológicas para detectar o retardo mental e o potencial dos sujeitos, por exemplo, para fins de previsão na área acadêmica. A segunda tendência visava mais o desenvolvimento da própria teoria psicométrica e era perseguida por psicólogos de orientação estatística. DÉCADAS / ERAS DEFINIÇÃO Década de Galton (1880) Seus trabalhos visavam a avaliação das aptidões humanas através da medida sensorial. O trabalho de Galton terá enorme impacto tanto na orientação mais prática da Psicometria (Cattell e outros psicometristas americanos), quanto na teórica (Pearson e Spearman). Década de Cattel (1890) Sob a influência de Galton, Cattell desenvolveu suas medidas das diferenças individuais e recolheu sua experiência no Mental Tests and Measurements, de 1890, inaugurando, inclusive, a terminologia de mental test (teste mental). Década de Binet (1900) Nessa década predominaram os interesses da avaliação das aptidões humanas visando à predição na área acadêmica e na área da saúde. Embora Binet se destaque, outros expoentes aparecem neste período, como Spearman na Inglaterra. Na verdade, no que se refere propriamente à teoria psicométrica, a década de 1900 deve ser considerada a era de Spearman, o qual lançou os fundamentos da teoria da Psicometria clássica. Era dos Testes de Inteligência (1910-1930) Vários fatores que influenciaram para o desenvolvimento dessa era, a saber, o teste de inteligência de Binet-Simon (1905), o artigo de Spearman sobre o fator G (1904b), a revisão do teste de Binet para os Estados Unidos (Terman, 1916) e o impacto da Primeira Guerra Mundial com a imposição da necessidade de seleção rápida, eficiente e universal de recrutas para o exército (os testes Army Alpha с Beta). Década da Análise Fatorial (1930) Por volta de 1920, o entusiasmo com os testes de inteligência vinha caindo muito, sobretudo quando se mostrou que eram demasiadamente dependentes da cultura onde eram criados, não apoiando a ideia de um fator geral universal, como proposto por Spearman. Tais eventos fizeram com que os psicólogos estatísticos começassem a repensar as ideias de Spearman. Kelley quebrou com a tradição de Spearman em 1928. Esta tendência foi seguida na Inglaterra, por Thomson e Burt e nos Estados Unidos da América, por Thurstone, que se tornou especialmente relevante nesta época, pois além de desenvolver a análise fatorial múltipla, atuou no desenvolvimento da escalonagem psicológica bem como por ter fundado, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana, juntamente com a revista Psychometrika, ambas dedicadas ao estudo e avanço da Psicometria. Era da Sistematização (1940) Duas tendências opostas marcam esta época: os trabalhos de síntese e os de crítica. Nas obras de síntese, temos Guilford, tentando sistematizar os avanços em Psicometria até então conseguidos; Gulliksen, sistematizando a teoria clássica dos testes psicológicos e Torgerson, sistematizando a teoria sobre a medida escalar. Além disso, Thurstone e Harman recolheram os avanços na área da análise fatorial; Cattell sintetizou os dados da medida em personalidade e Guilford sistematizou uma teoria sobre a inteligência. Por outro lado, Buros (1938) iniciou uma coletânea de todos os testes existentes no mercado, a qual vem sendo refeita periodicamente (mais ou menos a cada cinco anos). No lado da crítica, temos Stevens questionando o uso das escalas de medida que deu/dá muita polêmica na área e sobretudo, surge a primeira grande crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord e Novick, que iniciou o desenvolvimento de uma teoria alternativa, a teoria do traço latente, que vai desembocar na teoria moderna da Psicometria, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), mais tarde sintetizada por Lord. Outra tendência de crítica para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia Cognitiva de Sternberg com seu modelo, procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência. Era da Psicometria Moderna (1980) Teoria de Resposta ao Item - TRI. Chamar a era atual de era da TRI talvez seja inadequado, porque esta teoria, embora esteja sendo o modelo no dito primeiro mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais para se tornar o modelo moderno definitivo de Psicometria e ela não veio para substituir toda a Psicometria clássica, mas apenas partes dela. De qualquer forma é o que há de mais novo no campo. Aliás. poderíamos melhor sintetizar o que está ocorrendo hoje no mundo da Psicometria, arrolando as principais linhas genéricas nas quais os psicometristas vem atuando: - Sistematização da Psicometria Clássica: Anastasi, Crocker e Algina, Thorndike. - Pesquisa na TRI: Lord, Hambleton e Swaminathan, Hambleton, Swaminathan e Rogers sistematizam esta área e mostram a quantidade de pesquisa que nela está sendo realizada. - Pesquisa em uma série de áreas paralelas da Psicometria: testes com referência a critério (Berk, 1984); testes sob medida (computer adaptive testing - Wainer, 1990); banco de itens - Applied Psychological Measurement (1987), Millman & Arter (1984), Wright & Bell (1984); equiparação dos escores: Angoff (1984), Holland & Rubin (1982), Skaggs & Lissitz (1986); validade dos testes: Wainer & Braun (1988); vieses dos testes: Berk (1982), Reynolds & Brown (1984), Osterlind (1983); e funcionamento diferencial dos itens (Dorans & Holland. 1992: Green, 1994; Holland & Thayer, 1988; Holland & Wainer, 1994; Swaminathan, 1994); construção de itens: Brown (1983), Gronlund (1988), Mehrens & Lemann (1984), Osterlind (1989), Roid (1984), Roid & Haladyna (1980, 1982); impacto dos trabalhos da Psicologia Cognitiva (Sternberg. 1977, 1982. 1985; Stemberg & Detterman, 1979: Sternberg & Weil, 1980; Carpenter, Just, & Shell, 1990) com suas pesquisas na área das aptidões, através do estudo dos componentes cognitivos; principais revistas onde estão sendo hoje publicados os trabalhos de Psicometria: - Psychometrika (1936); - Educational and Psychological Measurement (1941); - The British Journal of Mathematical and Statistical Psychology; - Journal of Educational Measurement (1964); Journal of Educational Statistics (1976); Applied Psychological Measurement (1977); - Psychological Bulletin (1903); - Behavior Research Methods, Instruments & Computers (1969) OS TESTES PSICOLÓGICOS Havia dois tipos de preocupações na área de avaliação do psicológico: - Preocupação psicopedagógica e psiquiátrica na França (Esquirol, Seguin, Binet): se preocupava com o tratamento mais humano a ser dado aos doentes mentais que eram definidospor retardos mentais mais ou menos graves, havendo, portanto, lugar para se distinguir diferentes níveis de doença mental ou retardo mental. E o trabalho do médico francês Esquirol é sua preocupação com a questão de como identificar o nível de retardo mental. Concluiu que é na área da linguagem onde estaria o critério para tal decisão. Seu colega Seguin também se preocupou com o retardo mental, mas sua atuação foi mais no sentido de tratar esses deficientes através de treinamento fisiológico. Na mesma linha de ação se encontra outro francês, o psicólogo Binet, que desenvolveu um teste mental para avaliar o retardo mental. - Preocupação experimentalista (Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos): sua preocupação era a descoberta de uniformidades no comportamento dos indivíduos, não tanto as diferenças individuais. Aliás, as diferenças eram concebidas como desvios ou erros. Seus temas versavam sobre o comportamento sensorial, preocupação que espelha a origem destes psicólogos como físicos e fisiologistas. Um outro elemento importante para a futura psicometria foi a preocupação com o controle das condições em que se faziam as observações. Um enfoque mais individual neste grupo de psicólogos foi o de Cattell, que se interessou sobretudo precisamente pelas diferenças individuais dos sujeitos. Capítulo 2 – “Teoria da Medida” CIÊNCIA E MATEMÁTICA De qualquer forma, a Psicometria se insere dentro da teoria da medida em geral que, por sua vez, desenvolve uma discussão epistemológica em torno da utilização do símbolo matemático (o número) no estudo científico dos fenômenos naturais. Trata-se, portanto, de uma sobreposição, ou melhor, de uma interface, entre sistemas teóricos de saber diferentes, tendo a teoria da medida a função de justificar e explicar o sentido que tal interface possui. NATUREZA DA MEDIDA A natureza da medida implica em alguns problemas básicos, na qual três devem ser destacados: - Problema da representação ou isorfismo: consiste em justificar a legitimidade de se passar de procedimentos e operações empíricas para uma representação numérica destes procedimentos. Trata-se do teorema da representação, ou seja, representar com númer200509os as propriedades dos fenômenos naturais. - Problema da unicidade da representação: será que o número é a única ou a melhor representação das propriedades dos objetos naturais para fins de conhecê-los pelo homem? Esta problemática da unicidade da representação e de seus níveis gera os níveis da escala de medida, ou seja, define se a escala obtida será ordinal, intervalar, etc. - Problema do erro: toda e qualquer medida vem acompanhada de erros e, por consequência, o número que descreve um fenômeno empírico deve vir acompanhado de algum indicador do erro provável, o qual será analisado dentro de teorias estatísticas para determinar se o valor encontrado e que descreve o atributo empírico está dentro dos limites de aceitabilidade de medida. Em matemática o número está sempre solitário, inconfundível, enquanto na medida ele vem sempre acompanhado de um “cão de guarda”, a variância, que indica o erro. De forma geral, o uso do número na descrição dos fenômenos naturais somente se justifica se puder responder afirmativamente às duas questões seguintes: - É legítimo utilizar o número para descrever os fenômenos da ciência?; - É útil, vantajoso, utilizar o número para descrever os fenômenos da ciência? A BASE AXIOMÁTICA DA MEDIDA Essa parte visa fundamentar a legitimidade epistemológica da medida em ciências, isto é, a legitimidade do uso do número como descritor de fenômenos naturais. As propriedades básicas do sistema numérico são a identidade, a ordem e a aditividade. A medida deve resguardar, pelo menos, as duas primeiras destas propriedades, mas de preferência as três. Identidade: define o conceito de igualdade, isto é, que um número é idêntico a si mesmo e somente a si mesmo. Ela apresenta três axiomas (postulados aceitos e não aprovados) que expressam a relação IGUAL A (=): - Reflexividade: a = a ou a ≠ b. Números são idênticos ou são diferentes; - Simetria: se a = b, então b = a; - Transitividade: se = b e b = c, então a = c. Duas coisas iguais a uma terceira são iguais entre si. Ordem: se baseia na desigualdade dos números. Todo número é diferente do outro, essa desigualdade não é somente de qualidade, mas ela se caracteriza em termos de magnitude, isto é, um número não é somente diferente do outro, mas um é maior que o outro. Assim, executando o caso de igualdade, os números podem ser colocados numa sequência invariável ao longo de uma escala linear: sequência monotônica crescente. Também apresenta três axiomas, que expressão NÃO IGUAL ou MAIOR QUE (>): - Assimetria: se a > b, então ≠ a. A ordem dos termos não pode ser invertida; - Transitividade: se a > b e b > c, então a > c; - Conectividade: ou a > b ou b > a; - Um quarto axioma é o de ordem-denso: números racionais são tais que entre dois números inteiros quaisquer há sempre um número racional; o intervalo entre dois inteiros não é vazio. Aditividade: os números podem ser somados, ou seja, podem ser conectados de modo que a soma de dois números, menos o zero, produz um outro número diferente deles próprios, isto é, as quatro operações. Dois axiomas se destacam: - Comutatividade: a + b = b +a. A ordem dos termos não altera o resultado da adição; - Associatividade: (a+b) + c é igual a a + (b+c). A ordem de associação ou combinação dos termos não afeta o resultado. AXIOMAS DA MEDIDA Demonstração empírica dos axiomas de ordem: afirmam que, na medida, a ordem dada pelos números atribuídos aos objetos (transitividade e conectividade) deve ser a mesma obtida pela ordenação empírica destes mesmos objetos. Existe ordem (“maior que”) nas propriedades das coisas. Pode-se estabelecer uma escala de inteligência. As inversões que ocorrem são consideradas “erros de medida” ou de observação, que devem ser tratados dentro da teoria da consistência, a qual visa mostrar que, apesar desses erros, há consistência na medida. Demonstração empírica dos axiomas de aditividade: parece ser possível somente no caso dos atributos extensivos, como massa, comprimento e duração temporal, assim como a probabilidade. Ela se baseia na ideia de relação: a combinação (relação) de dois objetos ou eventos produz um terceiro objeto ou evento com as mesmas propriedades dois, mas em grau maior. Assim, tomando-se um objeto de comprimento 'x', encontrar um outro objeto com o mesmo comprimento 'x', juntando (relacionando) os dois objetos obtêm-se um objeto maior 'z' com comprimento duas vezes os comprimentos dos objetos individuais. O conceito de concatenação implica que A com B (A concatenando B) = A + B. NÍVEIS DA MEDIDA (ESCALA DE MEDIDA) Dependendo da quantidade de axiomas do número que a medida salva, resultam vários níveis de medida, conhecidos como escalas de medida. Podemos considerar cinco elementos numéricos para definir o nível da medida: identidade, ordem, intervalo, origem, e unidade de medida. Destes cinco elementos, os mais discriminativos dos níveis são a origem e o intervalo, dado que a ordem é uma condição necessária para que realmente haja medida. Neste caso (escala nominal), os números não são atribuídos a atributos dos objetos, mas o próprio objeto é identificado por rótulo numérico. FORMAS DE MEDIDA Existem três formas diferentes de mensuração: - Medida Fundamental: medida de atributos de objetos empíricos para os quais, além de se pode estabelecer uma unidade-base natural específica, existe uma representação extensiva. - Medida Derivada: uma medida é derivada se finalmente ela pode ser expressa em termos de medidas fundamentais. Por exemplo, sabe-se que a massa varia em função de volume e de densidade: massa = volume x densidade. Como a massa permite medida fundamental (peso expresso por quilos) e o volume também (o cubo do comprimento = m³), então a densidade, que não possui medida fundamental, pode ser medida indiretamente em função de massa e volume. - Medida por teoria:tais atributos são mensuráveis somente com base em leis e em teorias científicas: - medida por lei: quando uma lei for empiricamente estabelecida entre duas ou mais variáveis, as constantes típicas do sistema podem ser medidas indiretamente através da relação estabelecida entre estas variáveis; - medida por teoria: teorias que hipotetizam entre atributos da realidade, permitindo assim a medida indireta de um atributo através de fenômenos a ele relacionados via teoria O PROBLEMA DO ERRO · Tipos de erro Os erros podem ser obtidos ou à própria observação ou a amostragem dos objetos ou eventos na qual a medida foi realizada. - Erros de observação: Há quatro fontes principais de erros de observação: erros instrumentais devidos a inadequação do instrumento de observação, erros pessoais devidos às diferentes maneiras de cada pessoa reagir, erros sistemáticos devidos a algum fator sistemático não controlado, como por exemplo medir a temperatura em nível diferente da do mar e erros aleatórios, que não têm causa conhecida ou cognoscível. - Erros de amostragem: Como a pesquisa empírica normalmente não pode ser feita sobre todos os membros de uma população de eventos ou objetos, tipicamente se seleciona uma amostra destes eventos ou objetos. O erro de amostragem é desastroso, dado que poderia ocasionar inferências errôneas, considerando a presença de vieses da amostra com respeito a esta população. - Erros de medida (fonte e controle): O erro na medida é considerado um evento aleatório pela teoria do erro. Feita esta suposição, então é possível tratar o erro dentro da teoria da probabilidade, do teorema de Bernoulli, que baseia a lei dos grandes números c da curva normal, que determina a probabilidade de ocorrência dos vários elementos da série, no nosso caso, da série aleatória composta dos vários tamanhos de erros cometidos na medida. - A teoria do erro: Todos os esforços para controlar o erro através de procedimentos experimentais são necessários, mas nem por isso o erro vai desaparecer, dado que a ocorrência dele é imprevisível, isto é, não é nunca possível se determinarem as causas de todos os erros possíveis na medida. Para enfrentar esta situação foi desenvolvida a teoria do erro, baseada na teoria da probabilidade e dos eventos casualizados. · Livro: “Psicometria – Claudio Simon Hutz” Capítulo 1 – “O que é avaliação psicológica – métodos, técnicas e testes” A avaliação psicológica é um processo complexo, que tem como objetivo produzir hipóteses ou diagnósticos sobre uma pessoa ou um grupo sobre o funcionamento intelectual, sobre as características da personalidade, sobre a aptidão para desempenhar um ou um conjunto de tarefas. É uma área complexa com interfaces e aplicações em todas as áreas da psicologia. TESTE PSICOLÓGICO É um instrumento que avalia (mede ou faz uma estimativa) construtos (variáveis latentes) que não podem ser observados diretamente, essas variáveis latentes seriam altruísmo, inteligência, otimismo, ansiedade, entre muitos outros. Urbina diz que o teste psicológico é um “... procedimento sistemático para coletar amostras de comportamento relevantes para o funcionamento cognitivo, afetivo ou interpessoal e para pontuar e avaliar essas amostras de acordo com normas” OUTROS MÉTODOS E TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA · Entrevista É um procedimento complexo que requer treinamento especializado, podem ser estruturadas, semiestruturadas ou informais. As primeiras seguem um roteiro muito preciso, em que o entrevistador dispõe de um conjunto de perguntas que devem ser feitas. Esse roteiro é organizado com o objetivo de colher dados específicos que permitam gerar hipóteses diagnósticas ou produzir comparações entre todas as pessoas entrevistadas. Entrevistas semiestruturadas, também têm um roteiro e um conjunto básico de questões, mas o entrevistador não fica totalmente preso a esse roteiro e, pode conduzir a entrevista para outros rumos e explorar com mais profundidade informações que o entrevistado traz, esse tipo de entrevista deve ser gravado. Entrevistas informais, ou não estruturadas, não têm um roteiro preestabelecido, embora o entrevistador geralmente tenha algumas questões que deseje explorar, Ele ouve o entrevistado e, em função do conteúdo de sua fala, faz perguntas ou observações. · Observação É um método que gera muitas informações, em maior ou menor escala, está quase sempre presente nos processos de avaliação psicológica, especialmente quando essa avaliação é individual. A observação é muito importante nas entrevistas, há toda uma comunicação não verbal que precisa ser anotada e levada em consideração. É utilizada em ambientes escolares, hospitais e clínicas e também em residências ou mesmo em laboratórios, para examinar comportamentos de crianças e interações de pais com seus filhos. Em algumas situações, a observação não pode ser substituída e deve necessariamente ser empregada. A observação pode envolver muitas técnicas e, como todas as práticas de avaliação psicológica, requer treinamento e preparação. Ela apenas visa introduzir a questão, e a chamar a atenção para importância e para complexidade dos procedimentos de observação. · Livro: “Fundamentos da Testagem Psicológica – Susana Urbina” Capítulo 2 – “Estatística básica para testagem” A MENSURAÇÃO É uma atividade científica voltada para o estudo do comportamento humano. A testagem psicológica é amplamente coextensiva ao campo da psicometria, ou mensuração psicológica, e é uma das ferramentas primárias para ciência e a prática da psicologia. VARIÁVEIS E CONSTANTES Uma variável é qualquer coisa que varia, enquanto que uma constante é qualquer coisa que não varia. Nosso mundo tem muitas variáveis e poucas constantes. Um exemplo de constante e o p (pi). As variáveis, por outro lado, estão em toda parte e podem ser classificadas de várias formas. Algumas variáveis são visíveis (p. Ex., sexo, cor dos olhos) e outras invisíveis (p. Ex., personalidade, inteligência); algumas são definidas de tal modo que dizem respeito a conjuntos muito pequenos, e outras a conjuntos muito grandes (p. Ex., o número de filhos de uma família ou a renda média dos indivíduos de um país); algumas são contínuas, e outras discretas. Variáveis discretas são aquelas com uma gama finita de valores, porém contável. As variáveis dicotômicas são variáveis discretas que podem assumir apenas dois valores, como o sexo ou o resultado de um lance de cara ou coroa. As variáveis politômicas são variáveis discretas que podem assumir mais de dois valores, como estado civil, raça, etc. Outras variáveis discretas podem assumir uma gama mais ampla de valores, mas ainda assim podem ser contadas como unidades separadas. Variáveis contínuas como tempo, distância e temperatura, por outro lado, têm variações infinitas e não podem realmente ser contadas. São medidas com escalas que teoricamente podem ser subdivididas até o infinito e não têm interrupções entre seus pontos. Como nossos instrumentos de mensuração podem ser calibrados com precisão suficiente para medir variáveis contínuas com absoluta exatidão, as mensurações que fazemos delas são aproximações mais ou menos precisas. A mensuração discreta de variáveis contínuas apresenta algumas limitações quanto à precisão. Quando examinamos os resultados de qualquer processo de mensuração, precisamos ter muito claro o fato de que eles são inexatos. ESCALAS NOMINAIS Nestas escalas os números são usados somente como rótulos para identificar um indivíduo ou classe. Além da identidade, existe a propriedade da ordem de classificação, o que significa que os elementos de um conjunto podem ser organizados em uma série a partir de uma única variável, não informam a respeito da distância entre posições. Na testagem psicológica, o uso de números ordinais para comunicar resultados de testes é generalizado. Escores ordenados por classificação são relatados como escores de postos de percentil (PP) - que não devem ser confundidas com os escores percentuais amplamente usados em notas escolares, sãosimplesmente números ordinais dispostos em uma escala de 100 de tal modo que suas posições indicam a percentagem de indivíduos de um grupo que se enquadram em um determinado nível de desempenho ou abaixo dele. Os escores de posto de percentil, muitas vezes denominados simplesmente percentis, são o principal veículo pelo qual os usuários de testes transmitem as informações normativas derivadas dos testes. ESCALAS INTERVALARES Conhecidas como escalas de unidade iguais, os números adquirem outra importante propriedade. A diferença entre quaisquer dois números consecutivos reflete uma diferença empírica ou demonstrável igual entre os objetos ou eventos que os números representam. Nas escalas intervalares, as distâncias entre os números são significativas. Por isso podemos aplicar a maioria das operações aritméticas a estes números e obter resultados que fazem sentido. No entanto, devido à arbitrariedade dos pontos-zero, os números de uma escala intervalar não podem ser interpretados em termos de razões. ESCALAS DE RAZÃO Os números adquirem a propriedade de aditividade, podem ser somados, subtraídos, multiplicados e divididos e o resultado pode ser expresso como uma razão, com resultados significativos. As escalas de razão têm um ponto-zero verdadeiro ou absoluto que representa “nenhuma quantidade” do que está sendo medido. Na psicologia, as escalas de razão são usadas primariamente quando tomamos medidas em termos de contagens de frequência ou intervalo de tempo e ambos permitem a existência de zeros verdadeiros. Dados categóricos ou discretos podem ser medidos somente com escalas nominais, ou com escalas ordinais se os dados se encaixam em uma sequência de algum tipo. Dados contínuos ou métricos podem ser medidos com escalas intervalares, ou escalas de razão se houver um ponto-zero verdadeiro. Dados contínuos podem ser convertidos em classes ou categorias e manipulados com escalas nominais ou ordinais. Quando passamos das escalas nominais para as escalas de razão, vamos de números que transmitem menos informações a números que transmitem mais informações, passar de um nível de mensuração para outro requer que nos certifiquemos de que as informações que os números contêm sejam preservadas ao longo de todas as transformações ou manipulações que lhes forem aplicadas. Capítulo 3 – “Fundamentos em interpretação de escores” ESCORES BRUTOS Um escore bruto é um número (X) que resume e representa alguns aspectos do desempenho de uma pessoa nas amostras de comportamento cuidadosamente selecionadas e observadas que configuram os testes psicológicos. Por si só, um escore bruto não transmite qualquer significado: escores altos podem ser um resultado favorável em teste de habilidade, mas desfavorável em testes que avaliam algum aspecto de psicopatologia. REFERÊNCIAS PARA INTERPRETAÇÃO DE ESCORES Normas: A interpretação de testes referenciada em normas usa padrões baseados no desempenho de grupos específicos de pessoas para fornecer informações para a interpretação de escores. Esse tipo de interpretação de teste é útil primariamente quando precisamos comparar indivíduos ou uns com os outros, ou com um grupo de referência, para avaliar diferenças entre eles nas características medidas pelo teste. O termo normas se refere ao desempenho no teste ou ao comportamento típico de um ou mais grupos de referência. As normas geralmente são apresentadas na forma de tabelas com estatísticas descritivas - como médias, desvios padrões e distribuições de frequência - que resumem o desempenho do grupo ou grupos em questão. Critérios de desempenho: Quando a relação entre os itens ou tarefas de um teste e os padrões de desempenho é demonstrável e bem definida, os escores podem ser avaliados através de uma interpretação referenciada em critérios. Esse tipo de interpretação faz uso de procedimentos, como amostragem de domínios de conteúdo ou comportamentos relacionados ao trabalho, delineados para avaliar se e em que grau os níveis desejados de competência ou os critérios de desempenho foram satisfeitos. INTERPRETAÇÃO DE TESTES REFERENCIADA EM NORMAS As normas são, sem dúvida, o referencial mais amplamente usado para a interpretação de escores de teste. Quando as normas são o referencial, a pergunta que elas tipicamente respondem é: como o desempenho deste testando se compara ao de outros? NORMAS DESENVOLVIMENTAIS - escalas ordinais baseados em sequências comportamentais: O desenvolvimento humano se caracteriza por processos sequenciais em uma série de campos do comportamento. Sempre que uma sequência universal de desenvolvimento envolve uma progressão ordenada de um estágio comportamental para outro mais avançado, a sequência em si pode ser convertida em uma escala ordinal que é usada normativamente. O pioneiro no desenvolvimento desse tipo de escalas foi Arnold Gesell, um psicólogo e pediatra que publicou as Escalas de Desenvolvimento de Gesell (Gesell Developmental Schedules) em 1940, baseado em uma série de estudos longitudinais conduzidos por ele e seus colegas em Yale ao longo de várias décadas (Ames, 1989). - escalas ordinais baseadas em teorias: As escalas ordinais podem basear-se em fatores outros que não os da idade cronológica. Algumas destas teorias geraram escalas ordinais delineadas para avaliar o nível atingido por um indivíduo dentro da sequência proposta, mas estas ferramentas são usadas primariamente para fins de pesquisa c não de avaliação individual. - escores de idade mental: Os escores de idade mental derivados destas escalas eram calculados a partir do desempenho da criança, que obtinha créditos em termos de anos e meses dependendo do número de testes dispostos em ordem cronológica que completasse satisfatoriamente. Diversos testes atuais ainda oferecem normas que são apresentadas como escores equivalentes a idade e se baseiam na média dos escores brutos de desempenho de crianças de diferentes faixas etárias em amostras de padronização. Os escores equivalentes a idades, também conhecidos como idades de reste, simplesmente representam uma forma de equacionar o desempenho do testando com o desempenho médio da faixa etária normativa à qual corresponde. - escores equivalentes a séries escolares: O desempenho em testes de realização no contexto escolar muitas vezes é descrito com base nas séries escolares. Estes escores equivalentes a séries são derivados da localização do desempenho dos testandos dentro das normas dos estudantes de cada série na amostra de padronização. ESCORES USADOS PARA EXPRESSAR NORMAS INTRAGRUPO Percentis Os escores de postos de percentil são o método mais direto e disseminado para transmitir resultados de testes referenciados em normas. Suas principais vantagens são a facilidade de compreensão pelos testandos e a aplicabilidade à maioria dos testes e populações. Um escore e percentil indica a posição relativa de um testando comparada a um grupo de referência, como a amostra de padronização; especificamente, representa a porcentagem de pessoas no grupo de referência que teve escore igual ou inferior a um determinado escore bruto. Uma forma de contornar o problema da desigualdade das unidades de percentil, e ainda assim transmitir o sentido dos escores de teste em relação a um grupo normativo ou de referência, é transformar os escores brutos em escalas que expressam a posição dos escores em relação à média em unidades de desvio padrão. · Minhas anotações MEDIADAS DE TENDÊNCIA CENTRAL Média: soma dos valores da distribuição, dividido pelo total dos números de casos de distribuição 🡪 3 + 12 + 23 + 15 + 2 = 55 ÷ 5 = 11 Moda: que mais ocorre em uma distribuição 🡪 12, 4, 4, 23, 49, 12, 3, 20, 26, 25, 4, 30, 4. Mediana: valor que divide em duas metades a distribuição, é o ponto central 🡪 6, 7, 15, 39, 40, 41, 42, 43, 47, 49. * se o total de casos da distribuição for um número par, a mediana é a média dos valores centrais. MEDIDAS DE VARIABILIDADE OU DISPERSÃO Dispersão existente no conjunto de dados: os parâmetros estatísticos são usados para determinar o grau de variabilidade dosdados de um conjunto de valores, tornando a análise de uma amostra mais confiável, pois a média, moderada e mediana podem esconder a homogeneidade ou não dos dados. Amplitude: é a distância entre dois pontos extremos. Diferença entre o valor mais alto e o mais baixo 🡪 3, 4, 4, 4, 4, 4, 12, 12, 20, 25, 25, 26, 30, 49 49 -3 = 46 – amplitude Quartil: três valores que dividem o conjunto de dados em quatro partes iguais, corresponde a ¼ da amostra 🡪 10, 12 | 13, 16, 1|7, 19, 20 | 23, 25A distância entre Q1 e Q3 é chamada de distância interquartíca 25% 50% 75% Q1 Q2 Q3 Variância: variação dos valores em relação ao valor médio, é a soma dos quadrados das diferenças entre os desvios: Competidor A: 7 – 5 – 4 Competidor B: 5 – 4 - 6 Competidor C: 4 – 4 – 7 VA = (7-5) x 2 + (5-5) x 2 + (3-5) x 2 ÷ 3 = 2,667 VB = 0,667 VC = 2 CURVA NORMAL Também conhecida como curva do sino. Curva normal perfeita: tem a maior frequência, a média, moda e mediana são "iguais" e estão exatamente no centro. ASSIMETRIA POSITIVA Os valores baixos são os mais frequentes, a cauda direita puxa a média em sua direção. ASSIMETRIA NEGATIVA Os valores altos são os mais frequentes, a média é puxada para direção oposta. * em ambos os casos, a média fica além da mediana. image2.png image3.png image5.png image7.png image1.png image4.png image6.png