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3 DIREITO CIVIL DIREITOS DA PERSONALIDADE. DOMICÍLIO. SUMÁRIO 1. CONCEITO E COLISÃO 4 2. ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE DIREITOS DA PERSONALIDADE 6 2.1 ARTIGO 11 6 2.2 ARTIGO 12 9 2.3 ARTIGO 13 11 2.4 ARTIGO 14 13 2.5 ARTIGO 15 14 2.6 ARTIGO 16 15 2.7 ARTIGOS 17 E 18 17 2.8 ARTIGO 20 18 2.9 ARTIGO 21 19 3. DANO MORAL E PESSOA JURÍDICA 22 4. DOMICÍLIO CIVIL 22 4.1 DA PESSOA NATURAL 23 4.2 DA PESSOA JURÍDICA 25 5. JURISPRUDÊNCIA EM TESE- STJ 26 6. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO 26 7. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA 26 ATUALIZADO EM 29/04/2024[footnoteRef:1] [1: ] DIREITOS DA PERSONALIDADE 1. CONCEITO E COLISÃO Personalidade é o conjunto dos caracteres da pessoa humana. Os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, bem como em regra ilimitados por ato voluntário. Os direitos da personalidade são os direitos inerentes à pessoa humana e a sua dignidade. Essa é a chamada corrente jusnaturalista dos direitos da personalidade (direitos inatos, isto é, direitos originários, inerentes à pessoa humana). Para essa corrente, a pessoa jurídica tem direitos da personalidade por equiparação (art. 52, CC). A pessoa jurídica titulariza apenas alguns direitos, mas não tem direito à vida, à integridade física, ao corpo. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, entendimento guiado pela aplicação do art. 52, CC. É a corrente que prevalece para fins de concurso público. Já para uma corrente minoritária, os direitos da personalidade são aqueles ditados pela lei de forma expressa ou implícita como tal. É a corrente positivista, que tem em Capelo de Souza o maior defensor no direito luso-brasileiro. Não foi adotada pelo direito brasileiro, em sua maioria. Consistem em direitos da personalidade, dentre outros: o direito à vida, ao próprio corpo, à liberdade de pensamento e de expressão, à liberdade, à honra, ao recato, à imagem e à identidade. A doutrina classifica os direitos da personalidade em três grupos não exaustivos: o de direitos à integridade física, o de direitos à integridade intelectual e o de direitos à integridade moral. Enunciado 274 da IV Jornada de Direito Civil (2006): Art. 11: Os direitos da personalidade, regulados de maneira não-exaustiva pelo Código Civil, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art. 1º, inc. III, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação. Essa cláusula geral traz a conclusão de que os direitos da personalidade estão em rol meramente ilustrativo. A Constituição Brasileira adota a partir dessa cláusula geral de tutela da pessoa humana a visão de Kant que dizia que dignidade humana é um imperativo categórico (conceito que não admite declinação e não permite debates de conceituação). Em outras palavras, a pessoa é sempre fim e nunca meio. Por exemplo, coisificação do ser humano (prostituição). Se a pessoa for usada como instrumento de alguma coisa, haverá lesão à dignidade humana. Técnica da Ponderação Foi desenvolvida na Alemanha por Robert Alexy no livro “Teoria dos Direitos Fundamentais” e tem como premissas os entendimentos de que princípios são normas, mandamentos de otimização porque servem para resolver casos concretos. É comum a colisão entre princípios ou entre direitos. Em casos tais, o julgador deve fazer uso do juízo de razoabilidade, apontando qual princípio ou direito prevalece naquele caso específico, o que não importa em derrogação ou em se concluir que determinado princípio sempre vai prevalecer. Com a mudança de determinados fatores fáticos, outro princípio prevaleça. A fórmula da ponderação, segundo Alexy, afirma, por exemplo, que P¹ e P² são os princípios em colisão e que T¹, T², T³ e Tn são os fatores fáticos que influenciam a ponderação, e C é a conclusão. Exemplo 01: Um paciente chega baleado em um hospital público. O médico de plantão ordena a cirurgia, pois há risco de morte. O paciente diz, então, que não aceita a cirurgia, pois a sua religião impede que ele receba transfusão de sangue. Seguindo o art. 41 do Código de Ética Médica, o médico realiza a cirurgia e salva o paciente. O paciente ingressa com ação de danos morais contra o médico e o hospital. A ação deve ser julgada procedente ou improcedente? Nesse caso, P¹ envolve o direito à vida e à dignidade humana. Se prevalecer esse direito, a ação será improcedente. P² é o direito à liberdade religiosa e de crença e envolve também a dignidade humana, nesse sentido a ação será procedente. Pelo senso comum jurídico, a vida prevalece. Contudo, muitos doutrinadores, entendem pela prevalência da liberdade de crença (Gustavo Tepedino, Anderson Schreiber, Nelson Nery, Villaça). Segundo o Enunciado nº 403 da V Jornada de Direito Civil (2011), a liberdade de crença prevalece: O Direito à inviolabilidade de consciência e de crença, previsto no art. 5º, VI, da Constituição Federal, aplica-se também à pessoa que se nega a tratamento médico, inclusive transfusão de sangue, com ou sem risco de morte, em razão do tratamento ou da falta dele, desde que observados os seguintes critérios: a) capacidade civil plena, excluído o suprimento pelo representante ou assistente; b) manifestação de vontade livre, consciente e informada; e c) oposição que diga respeito exclusivamente à própria pessoa do declarante. #PROVAOBJETIVA Assertiva considerada CORRETA: “Nenhuma pessoa pode ser constrangida a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou intervenção cirúrgica”. Exemplo 02: Um suposto pai pode ser obrigado judicialmente a fazer o exame de DNA, cabendo condução coercitiva em casos tais? A questão foi analisada em emblemático julgamento do STF no HC 71373/RS, do ano de 1994. O P¹ é o direito à verdade biológica que envolve a dignidade do suposto filho, cabendo, portanto, a condução coercitiva. O P² é o direito à intimidade biológica (integridade física), envolvendo a dignidade do suposto pai, não cabendo a condução coercitiva. No entendimento do STF, o P² prevaleceu. Porém, a negativa ao exame geraria presunção de paternidade. Influenciou a elaboração do Código Civil nos arts. 231 e 232. A ponderação ou sopesamento traz a conclusão de que não existe direito ou princípio que seja absoluto, nem mesmo a vida, a exemplo da distanásia (prolongamento da vida), prevalece o direito de morrer com dignidade. São exemplos os casos de julgamentos do STF sobre o uso de células troncas embrionárias e aborto de anencéfalos, ou também a relativização da coisa julgada. *#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ Não há exigência de formalidade específica acerca da manifestação de última vontade do indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo possível a submissão do cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade manifestada em vida. A criogenia (ou criopreservação) é a técnica de congelamento do corpo humano após a morte, em baixíssima temperatura, a fim de conservá-lo, com o intuito de reanimação futura da pessoa caso sobrevenha alguma importante descoberta científica que possibilite o seu retorno à vida. Em outras palavras, a criogenia consiste no congelamento de cadáveres a baixas temperaturas, com a finalidade de que, com os possíveis avanços da ciência, sejam, um dia, ressuscitados. STJ. 3ª Turma. REsp 1.693.718-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/03/2019 (Info 645). 2. ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE DIREITOS DA PERSONALIDADE 2.1 ARTIGO 11 Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Enunciado 4 da I Jornada de Direito Civil: O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. #ATENÇÃO: “Contratos escritos que objetivem a limitação, a transmissão e(ou) a renúncia de direitos da personalidade serão considerados nulos”. A CESPE considerou essa assertiva INCORRETA, em razãoda parte inicial do artigo 11, que fala “com exceção dos casos previstos em lei...” “Os direitos da personalidade são intransferíveis com exceção dos casos previstos em lei”. Assertiva CORRETA. Art. 27. Os direitos morais do autor são inalienáveis e irrenunciáveis (regra). Art. 24. São direitos morais do autor: VI - o de retirar de circulação a obra ou de suspender qualquer forma de utilização já autorizada, quando a circulação ou utilização implicarem afronta à sua reputação e imagem (flexibilização); Os direitos da personalidade, em regra, são indisponíveis e imprescritíveis. Há, na verdade, uma indisponibilidade relativa. Os direitos da personalidade são indisponíveis e irrenunciáveis. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Contudo, existe uma fatia dos direitos da personalidade que revelam ASPECTOS PATRIMONIAIS e são disponíveis e renunciáveis, como, por exemplo, os direitos morais do autor. De acordo com o art. 24, da Lei n.º 9.610/98, por exemplo, o autor pode retirar sua obra do mercado. Enunciado nº 04 da I Jornada de Direito Civil. Art. 11: O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. Assim, é cabível o uso de imagem de atleta profissional com fins econômicos, porém é nulo o contrato que estabeleça o uso vitalício de imagem (Ronaldo x Nike). Há nulidade por ilicitude do objeto e fraude à lei imperativa (art. 166, II e VI, do CC). Além disso, há infração ao princípio da função social do contrato (Enunciado nº 23 da I Jornada de Direito Civil): A função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana. O contrato que lesiona direitos da personalidade afronta a função social do contrato (eficácia interna da função social do contrato). Enunciado nº 139 da III Jornada de Direito Civil (2004): Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Exemplo: exercício do direito de informar e da liberdade de impressa. Não cabe exceção da verdade quando fere direito da personalidade (REsp 613374/MG). DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: *(Atualizado em 19/10/20): Caso concreto: Paulo e Letícia eram namorados. Paulo tirou fotografias de Letícia em que ela aparece de biquini, em poses sensuais, mas sem aparecer seu rosto. Após o fim do relacionamento, Paulo, como forma de vingança, publicou tais imagens em um perfil criado no Facebook. Letícia denunciou as publicações por meio dos canais disponibilizados pelo Facebook, no entanto, a plataforma não aceitou retirar as fotografias alegando que não são fotografias pornográficas (considerando que não há nudez), além do fato de não estar sendo exposto de forma evidente. O STJ não concordou com os argumentos do Facebook e o condenou a pagar indenização por danos morais em favor da autora. A “exposição pornográfica não consentida”, da qual a “pornografia de vingança” é uma espécie, constituiu uma grave lesão aos direitos de personalidade da pessoa exposta indevidamente, além de configurar uma grave forma de violência de gênero que deve ser combatida de forma contundente pelos meios jurídicos disponíveis. Não há como descaracterizar um material pornográfico apenas pela ausência de nudez total. Neste caso concreto, a autora encontra-se sumariamente vestida, em posições com forte apelo sexual. O fato de o rosto da vítima não estar evidenciado nas fotos de maneira flagrante é irrelevante para a configuração dos danos morais na hipótese, uma vez que a mulher vítima da pornografia de vingança sabe que sua intimidade foi indevidamente desrespeitada e, igualmente, sua exposição não autorizada lhe é humilhante e viola flagrantemente seus direitos de personalidade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.735.712-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/05/2020 (Info 672). *A simples reprodução, por empresa jornalística, de informações constantes na denúncia feita pelo Ministério Público ou no boletim policial de ocorrência consiste em exercício do direito de informar. Na espécie, contudo, a empresa jornalística, ao reproduzir na manchete do jornal o cognome – "apelido" – do autor, com manifesto proveito econômico, feriu o direito dele ao segredo da vida privada, e atuou com abuso de direito, motivo pelo qual deve reparar os consequentes danos morais. Recurso especial provido. (STJ - REsp: 613374 MG 2003/0217163-0, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 17/05/2005, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 12/09/2005 p. 321). *#IMPORTANTE: #INFORMATIVOS: *DIREITO AUTORAL. Inaplicabilidade de proteção do direito autoral a modelo fotografado. Imagine que determinada modelo é fotografada para uma revista. O titular dos direitos autorais sobre essas fotos será o fotógrafo (e não a modelo). Em se tratando de fotografia, para efeitos de proteção do direito autoral, o autor – e, portanto, o titular do direito autoral – é o fotógrafo (e não o fotografado). O fotógrafo, detentor da técnica e da inspiração, é quem coordena os demais elementos complementares ao retrato do objeto – como iluminação – e capta a oportunidade do momento e o transforma em criação intelectual, digna, portanto, de tutela como manifestação de cunho artístico. A pessoa fotografada terá proteção jurídica, mas com base no direito de imagem (e não no direito autoral). Desse modo, a proteção do fotografado é feita com fundamento no art. 20 do Código Civil (e não com base na Lei 9.610/98). STJ. 4ª Turma. REsp 1.322.704-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/10/2014 (Info 554). * Imagem da fachada do imóvel utilizada em propaganda comercial com permissão do proprietário, mas sem autorização do autor do projeto. O autor de projeto de obra arquitetônica, ainda que situada permanentemente em logradouros públicos, integrando de modo indissociável o meio ambiente, a compor a paisagem como um todo, faz jus ao ressarcimento por danos de ordem material e moral em virtude da representação por terceiros de sua obra, com fins comerciais, sem a devida autorização e indicação de autoria, ainda que tenha havido aquiescência do proprietário da obra. STJ. 3ª Turma. REsp 1.562.617-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/11/2016 (Info 594). * DIREITOS AUTORAIS. Possibilidade de a pessoa jurídica ser titular dos direitos autorais. Nos contratos sob encomenda de obras intelectuais, a pessoa jurídica que figura como encomendada na relação contratual pode ser titular dos direitos autorais, conforme interpretação do art. 11, parágrafo único, da Lei n.º 9.610/98. Assim, ocorrendo a utilização indevida da obra encomendada, sem a devida autorização, caberá à pessoa jurídica contratada pleitear a reparação dos danos sofridos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.473.392-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/10/2016 (Info 594). *As ideias que servem de base e a bibliografia de que se vale autor de texto de dissertação de mestrado não estão abarcadas pela proteção aos direitos de autor. Ex: determinada pessoa fez uma dissertação de mestrado envolvendo literatura de vampiros; algum tempo depois, a Faculdade criou uma disciplina na pós-graduação envolvendo esta temática e utilizando parte da bibliografia mencionada na dissertação. Embora o texto de sua dissertação e das suas conferências realizadas em eventos acadêmicos esteja protegido pela Lei de Direitos Autorais, as ideias que lhe serviram de base, bem como a bibliografia de que se valeu para a realização da pesquisa não estão abrangidas pela proteção aos direitos de autor. STJ. 3ªTurma. REsp 1.528.627-SC, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 7/3/2017 (Info 600) *O termo inicial da pretensão de ressarcimento nas hipóteses de plágio se dá quando o autor originário tem comprovada ciência da lesão a seu direito subjetivo e de sua extensão, não servindo a data da publicação da obra plagiária, por si só, como presunção de conhecimento do dano. STJ. 3ª Turma.REsp 1.645.746-BA, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 6/6/2017 (Info 609). *#DEOLHONAJURIS #STJ A paródia é uma das limitações do direito de autor, com previsão no art. 47 da Lei 9.610/98, que prevê serem livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito. Respeitadas essas condições, é desnecessária a autorização do titular da obra parodiada. A finalidade da paródia, se comercial, eleitoral, educativa, puramente artística ou qualquer outra, é indiferente para a caracterização de sua licitude e liberdade assegurada pela Lei nº 9.610/98. Caso concreto: durante sua campanha de reeleição para Deputado Federal em 2014, o humorista Tiririca fez uma paródia da música “O Portão”, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na qual pedia votos. O STJ entendeu que não era devida indenização para o titular dos direitos autorais porque, em regra, não é necessária prévia autorização para a realização de paródias. STJ. 3ª Turma. REsp 1.810.440-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). Ainda que a intérprete tenha autorizado a gravação e produção de um fonograma, a reprodução e comercialização do material obtido, em CD, precisa de sua nova anuência, não se podendo dizer que estava abrangida pela primeira autorização A fixação de uma interpretação em fonograma não é suficiente para absorver o direito prévio do intérprete, tampouco deriva em anuência para sua reprodução sucessiva ou em cessão definitiva de todos os direitos titularizados pelo intérprete e demais titulares de direitos de autor ou conexos. Os direitos do artista intérprete estão elencados nos incisos do art. 90 da Lei nº 9.610/98, e a disposição de cada um deles não presume a cessão dos demais, devendo-se interpretar restritivamente os contratos de cessão de direitos autorais. Caso concreto: Juliana, cantora, foi contratada pela “VAM Ltda” (empresa produtora de mídias) para gravar a canção “La vem Emília”. Ao ser contratada, Juliana foi informada de que a música seria utilizada como tema da personagem Emília, no programa de TV “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Posteriormente, esse fonograma foi incluído em um CD intitulado Sítio do Pica-Pau Amarelo produzido pela “VAM Ltda”. Ocorre que Juliana não foi comunicada de que a música seria inserida no CD, além de a produtora não ter inserido o nome da intérprete nos créditos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.400.463-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/11/2019 (Info 661). *(Atualizado em 30/01/2021) #DEOLHONAJURIS A utilização do trecho de maior sucesso de uma música como título de programa televisivo, em conjunto com o fonograma, sem autorização do titular do direito, viola os direitos do autor. Caso concreto: a música de maior sucesso do cantor de funk MC Leozinho é intitulada “Ela só pensa em beijar”. No refrão da música existe a seguinte frase: “Se ela dança, eu danço”. Alguns anos depois da música ser lançada, a produtora do cantor recebeu um e-mail no qual o SBT pediu para usar a obra na abertura de um programa, mas, em virtude do baixo valor oferecido e dos interesses comerciais que mantinha com outra emissora, o cantor não concedeu a autorização. A despeito disso, alguns meses depois, o programa estreou, tendo se apropriado do refrão, como nome, e do fonograma, como fundo musical. Em sua defesa, o SBT sustentou que o envio do e-mail para a produtora do cantor, no qual solicitou autorização para utilizar a música, foi feito nos termos previstos em ajuste existente entre as partes, e que a falta de resposta significaria autorização tácita. O STJ não concordou com o argumento porque considera que o uso de obra literária, artística ou científica depende de autorização expressa e prévia do autor, nos termos do art. 29 da Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.618/98). A escolha do trecho de maior sucesso da obra musical como título de programa televisivo e seu uso em conjunto com o fonograma, gerou uma associação inadequada do autor da obra musical com a emissora, que utilizou o sucesso da música como título em sua programação semanal também como forma de atrair audiência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.189-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 13/10/2020 (Info 681). 2.2 ARTIGO 12 Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. O art. 944 consagra o princípio da reparação integral dos danos. O STJ editou a Súmula 37 sobre a chamada cumulação dupla de danos reparáveis, morais e materiais: “são cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato”. Na súmula 387, o STJ concretizou que o dano estético não se encontra abarcado pelo dano moral, havendo uma cumulação tripla: “É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral”. Em alguns casos, a lesão aos direitos da personalidade gerará um dano moral presumido (in re ipsa). Ex.: A súmula 403 do STJ trata do uso indevido de imagem, sem autorização: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. * #OLHAOGANCHO #IMPORTANTE #SELIGANAEXCEÇÃO: A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão social. Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. Caso concreto: a TV Record exibiu reportagem sobre o assassinato da atriz Daniela Perez, tendo realizado, inclusive, uma entrevista com Guilherme de Pádua, condenado pelo homicídio. Foram exibidas, sem prévia autorização da família, fotos da vítima Daniela. O STJ entendeu que, como havia relevância nacional na reportagem, não se aplica a Súmula 403 do STJ, não havendo direito à indenização. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/10/2017 (Info 614). O artigo 12, parágrafo único, reconhece o dano ao morto. A personalidade termina com a morte, mas alguns direitos permanecem: Trata-se de exceção à regra segundo a qual a personalidade termina com a morte. A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura. Enunciado nº 400 da V Jornada de Direito Civil sustenta que os lesados indiretos agem em nome próprio (dano em ricochete): Os parágrafos únicos dos arts. 12 e 20 asseguram legitimidade, por direito próprio, aos parentes, cônjuge ou companheiro para a tutela contra lesão perpetrada post mortem. Enunciado nº 398 da V Jornada de Direito Civil fala da legitimidade concorrente e autônoma dos familiares do morto. Art. 12, parágrafo único: As medidas previstas no art. 12, parágrafo único, do Código Civil podem ser invocadas por qualquer uma das pessoas ali mencionadas de forma concorrente e autônoma. Art. 12, parágrafo único. Art. 20, parágrafo único. Tutela os direitos da personalidade em geral Tutela o direito à imagem (regra especial) Reconhece legitimidade para o cônjuge, ascendentes, descendentes e colaterais até 4º grau. A doutrina inclui o companheiro – Enunciado nº 275 da IV Jornada de Direito Civil. Reconhece legitimidade para o cônjuge, descendentes e ascendentes. A doutrina inclui o companheiro – Enunciado nº 275 da IV Jornada de DireitoCivil. Enunciado nº 275 da IV Jornada de Direito Civil. Arts. 12 e 20: O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo único, do Código Civil também compreende o companheiro. Casos de jurisprudência que envolvem a violação dos direitos da personalidade do morto: Livro do Garrincha – REsp 521.697/RJ; Livro “Lampião, o mata sete”. 2.3 ARTIGO 13 Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso [PROIBIDO] o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial. Há a tutela da integridade físico-psíquica, proibindo os atos de disposição do próprio corpo que impliquem diminuição permanente da integridade física ou que contrariem os bons costumes, salvo por exigência médica. A expressão "exigência médica" contida no art. 13 refere-se tanto ao bem-estar físico quanto ao bem-estar psíquico do disponente. #SAINDODOFORNO: Divulgada no dia 18 de junho de 2018, a nova versão da CID (Classificação Internacional de Doenças), CID-11, retirou a transexualidade da lista de doenças mentais. Importante observar, contudo, que a transexualidade continua na CID como incongruência de gênero, dentro da categoria de condições relativas à saúde sexual. A jurisprudência do STJ entende que, realizada a cirurgia deve ocorrer a alteração do sexo e do nome no registro civil, para todos os fins (Informativos 411 e 409). O transexual, nova mulher, pode se casar com homem. Porém, para parte da doutrina, caberá a anulação do casamento por erro quanto à pessoa se não revelar sua situação anterior e isso tornar insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado (Carlos Roberto Gonçalves). *#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O direito dos transexuais à retificação do prenome e do sexo/gênero no registro civil não é condicionado à exigência de realização da cirurgia de transgenitalização. STJ. 4ª Turma. REsp 1.626.739-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 9/5/2017 (Info 608). Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e do gênero (sexo) diretamente no registro civil. STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892). *#DIZERODIREITO: O STF entendeu que exigir do transgênero a via jurisdicional para realizar essa alteração representaria limitante incompatível com a proteção que se deve dar à identidade de gênero. O pedido de retificação é baseado unicamente no consentimento livre e informado do solicitante, sem a necessidade de comprovar nada. *Premissas da decisão do STF: 1) O direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou a expressão de gênero. O respeito à identidade de gênero é uma decorrência do princípio da igualdade. 2) A identidade de gênero é uma manifestação da própria personalidade da pessoa humana. Logo, cabe ao Estado apenas o papel de reconhecê-la, nunca de constituí-la. Isso significa que o Estado não diz o gênero da pessoa, ele deve apenas reconhecer o gênero que a pessoa se enxerga. 3) A pessoa não deve provar o que é, e o Estado não deve condicionar a expressão da identidade a qualquer tipo de modelo, ainda que meramente procedimental. Assim, se cabe ao Estado apenas o reconhecimento dessa identidade, ele não pode exigir ou condicionar a livre expressão da personalidade a um procedimento médico ou laudo psicológico. A alteração dos assentos no registro público depende apenas da livre manifestação de vontade da pessoa que visa expressar sua identidade de gênero. #QUESTÃODEPROVA #VUNESP De acordo com o Código Civil, toda pessoa tem direito ao nome, nele, compreendidos o prenome e o sobrenome. A lei de registros públicos e a atual jurisprudência do STJ admitem alteração de prenome e do sexo/gênero dos transexuais mesmo sem a realização da cirurgia de transgenitalização. Assertiva CORRETA. *#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STJ: É admissível o restabelecimento do nome de solteiro na hipótese de dissolução do vínculo conjugal pelo falecimento do cônjuge. Ex: Maria Pimentel da Costa casou-se com João Ferreira. Com o casamento, ela incorporou o patronímico do marido e passou a chamar-se Maria da Costa Ferreira. Alguns anos mais tarde, João faleceu. Maria poderá voltar a usar o nome de solteira (Maria Pimentel da Costa), excluindo o patronímico do falecido marido? Sim. Vale ressaltar que não há previsão legal para a retomada do nome de solteira em caso de morte do marido. A lei somente prevê a possibilidade de o homem ou a mulher voltarem a usar o nome de solteiro (a) em caso de divórcio (art. 1.571, § 2º, do CC). Apesar disso, o STJ entende que isso deve ser permitido. STJ. 3ª Turma. REsp 1724718-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/05/2018 (Info 627). *#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do Brasil, desde que isso não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da cidadania por força da apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome imposto por lei estrangeira e diferente do que consta em seus documentos brasileiros. STJ. 3ª Turma. REsp 1.310.088-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 17/5/2016 (Info 588). 2.4 ARTIGO 14 Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo. O art. 14 trata da tutela post mortem do corpo. As disposições post mortem de partes do corpo somente são possíveis com fins científicos ou de doação de órgãos, com fins gratuitos, SENDO TAL DISPOSIÇÃO REVOGÁVEL. É vedada a venda de órgãos, sob pena de “resivificação” (pessoa transformada em coisa – res) da pessoa. Órgão é coisa fora do comércio. Desde que gratuita e realizada por pessoa capaz, é lícita a doação de tecidos, de órgãos e de partes do corpo vivo para transplante em qualquer pessoa, desde que mediante autorização judicial, ressalvado se o beneficiário for cônjuge ou qualquer parente consanguíneo até o quarto grau, quando, então, basta autorização, preferencialmente por escrito e diante de testemunhas, indicando especificamente o objeto de retirada, prescindindo de intervenção judicial. E se no documento tem “não”, mas a família autoriza? Prevalece a vontade do doador, ficando a aplicação do art. 4º da Lei n.º 9434/97 restrita às hipóteses de silêncio do doador. Enunciado 277 da IV da Jornada. Enunciado 403 da V jornada: o adolescente para doar medula óssea precisa de autorização de ambos os pais e do juiz se houver risco. Adolescente deve consentir também. *#ATENÇÃO #NOVIDADELEGISLATIVA: DECRETO Nº 9.175, DE 18 DE OUTUBRO DE 2017 Regulamenta a Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, para tratar da disposição de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Art. 20. A retirada de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano, após a morte, somente poderá ser realizada com o consentimento livre e esclarecido da família do falecido, consignado de forma expressa em termo específico de autorização. § 1º A autorização deverá ser do cônjuge, do companheiro ou de parente consanguíneo, de maior idade e juridicamente capaz, na linha reta ou colateral, até o segundo grau, e firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte. § 2º Caso seja utilizada autorização de parente de segundo grau, deverão estar circunstanciadas, no termo de autorização, as razões de impedimento dos familiares de primeiro grau. § 3º A retirada de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano de falecidos incapazes, nos termos da lei civil, dependerá de autorizaçãoexpressa de ambos os pais, se vivos, ou de quem lhes detinha, ao tempo da morte, o poder familiar exclusivo, a tutela ou a curatela. § 4º Os casos que não se enquadrem nas hipóteses previstas no § 1º ao §3º dependerão de prévia autorização judicial. Art. 21. Fica proibida a doação de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano em casos de não identificação do potencial doador falecido. Parágrafo único. Não supre as exigências do caput o simples reconhecimento de familiares se nenhum dos documentos de identificação do falecido for encontrado, exceto nas hipóteses em que autoridade oficial que detenha fé pública certifique a identidade. O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição gratuita do próprio corpo, com objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, determinou que a manifestação expressa do doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portanto, a aplicação do art. 4º da Lei n. 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador. 2.5 ARTIGO 15 Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. Trata da tutela da integridade físico-psíquica e da vida. Esse dispositivo consagra dois princípios médicos que passaram a ser dois princípios jurídicos: princípio da beneficência + princípio da não-maleficência. O profissional da área da saúde deve fazer o bem e não deve fazer o mal ao paciente. Princípio da autonomia do paciente e princípio do consentimento informado (o paciente deve conhecer riscos e possibilidades antes de dar sua opinião): A regra é a responsabilidade subjetiva dos profissionais de saúde, por assumirem obrigação de meio. Testemunha de Jeová – se houver risco de morte, prevalece a vontade do médico. Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho. Enunciado 533 da VI Jornada de Direito Civil: O paciente plenamente capaz poderá deliberar sobre todos os aspectos concernentes a tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou mediato, salvo as situações de emergência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos que não possam ser interrompidos. Artigo: 15 do Código Civil #QUESTÃODEPROVA De acordo com o Código Civil, salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes; o ato de disposição será admitido para fins de transplante, na forma prevista em lei especial. Assertiva CORRETA. 2.6 ARTIGO 16 Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades LÍCITAS goza da proteção que se dá ao nome. Tutela do nome: é o sinal que representa a pessoa perante o meio social. Todos os elementos do nome estão protegidos. Prenome (simples ou composto), sobrenome ou patronímico ou nome de família, partícula (do, de) e agnome (Jr, Filho, Neto, Sobrinho). O CC/2002 protege também o pseudônimo, que é o nome fictício do autor de uma obra intelectual ou cultural (art. 19 e art. 24, II, da Lei n.º 9610/98). Parte da doutrina inclui o nome artístico, mesmo não sendo incorporado ao nome civil. Ex.: Silvio Santos, Tiririca, Zezé. O nome, em regra, é imutável (art. 58 da LRP 6015/73). Exceções: a) Nome que expõe a pessoa ao ridículo, inclusive e caso de homonímias (nomes iguais). Ex. Jacinto Aquino Rego; b) Erro crasso de grafia. Ex. Cráudio; c) Tradução de nomes estrangeiros. Ex. John – João; d) Cirurgia de adequação de sexo; e) Introdução de alcunhas, apelidos sociais ou cognome. Ex.: Xuxa, Lula; f) Introdução de nome do cônjuge ou companheiro. Quando alguém incorpora o nome do outro passa a ser um direito da personalidade do incorporador. Não pode ser obrigado a retirar no divórcio; g) Reconhecimento de filho ou adoção; h) Proteção de testemunha Lei 9807/99; i) Inclusão do nome de familiar remoto (debate na jurisprudência). Há divergência. Escolher sobrenome mais antigo; e j) Inclusão de sobrenome por enteado por padrasto ou madrasto, havendo motivo ponderável e desde que haja concordância do último. #QUESTÃODE PROVA #FCC Pedro de Oliveira, maior e capaz, quer acrescer a seu nome o pseudônimo “Marisco”, pois é pescador e deseja candidatar-se a vereador usando o nome pelo qual é conhecido em Cananeia, o que é notório na cidade, passando a chamar-se Pedro Marisco de Oliveira. Sua pretensão poderá ser deferida, gozando o pseudônimo, adotado para atividades lícitas, da mesma proteção que se dá ao nome. Assertiva CORRETA. “De nossa parte, lembramos ainda a já afirmada função identificadora do pseudônimo, relativamente à esfera de ação em que é usado, o que, sem dúvida, é um traço distintivo do falso nome, que, evidentemente, embora, em certas circunstâncias, possa vir também a exercer papel semelhante, não é usado com essa finalidade, senão com a de frustrar qualquer possibilidade de identificação.” (R. Limongi França. Do Nome Civil das Pessoas Naturais. p. 542. 3. ed. São Paulo. RT, 1975). Essa afirmação é compatível com o direito brasileiro, porque o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. Assertiva CORRETA. O pseudônimo adotado para atividades reputadas como lícitas encontra estofo na legislação. Assertiva CORRETA. Contudo, é importante destacar que a Lei nº 6.015 (Lei dos Registros Públicos) foi alterada pela Lei nº 14.382/22, prevendo em seu art. 56 a possibilidade de a pessoa, após atingida sua maioridade civil, requerer pessoalmente e imotivadamente a alteração de seu prenome, independentemente de decisão judicial. O referido artigo, antes, previa o prazo de 01 ano, a contar da maioridade civil, para que o nome fosse alterado. Porém, esse prazo foi REVOGADO. Ademais, a jurisprudência do STJ já vinha entendendo que a ação de retificação do registro civil é imprescritível, especialmente nos casos em que o nome viole a dignidade humana (REsp 538.187/RJ e REsp 439.636/SP). #AJUDAMARCINHO ANTES DA MP 1.085/2021 ATUALMENTE (LEI 14.382/2022, FRUTO DA MP 1.085/2021) Art. 55. Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial lançará adiante do prenome escolhido o nome do pai, e na falta, o da mãe, se forem conhecidos e não o impedir a condição de ilegitimidade, salvo reconhecimento no ato. Art. 55. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome, observado que ao prenome serão acrescidos os sobrenomes dos genitores ou de seus ascendentes, em qualquer ordem e, na hipótese de acréscimo de sobrenome de ascendente que não conste das certidões apresentadas, deverão ser apresentadas as certidões necessárias para comprovar a linha ascendente. Parágrafo único. Os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz competente. § 1º O oficial de registro civil não registrará prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores, observado que, quando os genitores não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso à decisão do juiz competente, independentemente da cobrança de quaisquer emolumentos. Não havia § 2º do art. 55. § 2º Quando o declarante não indicar o nome completo, o oficial de registro lançará adiante do prenome escolhido ao menos um sobrenome de cada um dos genitores, na ordem que julgar mais conveniente para evitar homonímias. Não havia § 3º do art. 55. § 3º O oficial de registro orientará os pais acerca da conveniência de acrescer sobrenomes, a fim de se evitar prejuízos à pessoa em razão da homonímia. Não havia § 4º do art. 55. § 4º Em até 15(quinze) dias após o registro, qualquer dos genitores poderá apresentar, perante o registro civil onde foi lavrado o assento de nascimento, oposição fundamentada ao prenome e sobrenomes indicados pelo declarante, observado que, se houver manifestação consensual dos genitores, será realizado o procedimento de retificação administrativa do registro, mas, se não houver consenso, a oposição será encaminhada ao juiz competente para decisão. Art. 56. O interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, poderá, pessoalmente ou por procurador bastante, alterar o nome, desde que não prejudique os apelidos de família, averbando-se a alteração que será publicada pela imprensa. • podia alterar o nome (não apenas o prenome). • não precisava declarar qualquer motivo (troca imotivada). • só podia ocorrer no primeiro ano após a pessoa ter atingido a maioridade civil (depois de 18 e antes de completar 19 anos). Art. 56. A pessoa registrada poderá, após ter atingido a maioridade civil, requerer pessoalmente e imotivadamente a alteração de seu prenome, independentemente de decisão judicial, e a alteração será averbada e publicada em meio eletrônico. • agora, o art. 56 só trata de alteração de prenome (o art. 57 disciplina mudança de sobrenome). • não precisa declarar qualquer motivo (continua sendo uma troca imotivada). • pode ocorrer a qualquer tempo depois de atingida a maioridade civil (depois de 18 anos até a morte da pessoa). Não havia § 1º do art. 56. § 1º A alteração imotivada de prenome poderá ser feita na via extrajudicial apenas 1 (uma) vez, e sua desconstituição dependerá de sentença judicial. • para alterar imotivadamente (caput do art. 56), não precisa pedido judicial (é feito no próprio cartório). • se pretender desconstituir a mudança feita, será necessária decisão judicial. • a alteração imotivada só pode ocorrer uma vez. Não havia § 2º do art. 56. § 2º A averbação de alteração de prenome conterá, obrigatoriamente, o prenome anterior, os números de documento de identidade, de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, de passaporte e de título de eleitor do registrado, dados esses que deverão constar expressamente de todas as certidões solicitadas. Não havia § 3º do art. 56. § 3º Finalizado o procedimento de alteração no assento, o ofício de registro civil de pessoas naturais no qual se processou a alteração, a expensas do requerente, comunicará o ato oficialmente aos órgãos expedidores do documento de identidade, do CPF e do passaporte, bem como ao Tribunal Superior Eleitoral, preferencialmente por meio eletrônico. Não havia § 4º do art. 56. § 4º Se suspeitar de fraude, falsidade, má-fé, vício de vontade ou simulação quanto à real intenção da pessoa requerente, o oficial de registro civil fundamentadamente recusará a retificação. Art. 57. A alteração posterior de nome, somente por exceção e motivadamente, após audiência do Ministério Público, será permitida por sentença do juiz a que estiver sujeito o registro, arquivando-se o mandado e publicando-se a alteração pela imprensa, ressalvada a hipótese do art. 110 desta Lei. Art. 57. A alteração posterior de sobrenomes poderá ser requerida pessoalmente perante o oficial de registro civil, com a apresentação de certidões e de documentos necessários, e será averbada nos assentos de nascimento e casamento, independentemente de autorização judicial, a fim de: I - inclusão de sobrenomes familiares; II - inclusão ou exclusão de sobrenome do cônjuge, na constância do casamento; III - exclusão de sobrenome do ex-cônjuge, após a dissolução da sociedade conjugal, por qualquer de suas causas; IV - inclusão e exclusão de sobrenomes em razão de alteração das relações de filiação, inclusive para os descendentes, cônjuge ou companheiro da pessoa que teve seu estado alterado. § 2º A mulher solteira, desquitada ou viúva, que viva com homem solteiro, desquitado ou viúvo, excepcionalmente e havendo motivo ponderável, poderá requerer ao juiz competente que, no registro de nascimento, seja averbado o patronímico de seu companheiro, sem prejuízo dos apelidos próprios, de família, desde que haja impedimento legal para o casamento, decorrente do estado civil de qualquer das partes ou de ambas. § 2º Os conviventes em união estável devidamente registrada no registro civil de pessoas naturais poderão requerer a inclusão de sobrenome de seu companheiro, a qualquer tempo, bem como alterar seus sobrenomes nas mesmas hipóteses previstas para as pessoas casadas. § 3º O juiz competente somente processará o pedido, se tiver expressa concordância do companheiro, e se da vida em comum houverem decorrido, no mínimo, 5 (cinco) anos ou existirem filhos da união. § 3º (Revogado). Não havia § 3º-A do art. 57. § 3º-A O retorno ao nome de solteiro ou de solteira do companheiro ou da companheira será realizado por meio da averbação da extinção de união estável em seu registro. § 4º O pedido de averbação só terá curso, quando desquitado o companheiro, se a ex-esposa houver sido condenada ou tiver renunciado ao uso dos apelidos do marido, ainda que dele receba pensão alimentícia. § 4º (Revogado). § 5º O aditamento regulado nesta Lei será cancelado a requerimento de uma das partes, ouvida a outra. § 5º (Revogado). § 6º Tanto o aditamento quanto o cancelamento da averbação previstos neste artigo serão processados em segredo de justiça. § 6º (Revogado). #SUPERGANCHO #VAICAIR *(Atualizado em 28/02/2024) #DEOLHONAJURIS #ATENÇÃO É possível a inclusão do sobrenome do padrinho para constituição de prenome composto, com amparo na regra do art. 56 da Lei n. 6.015/1973 (redação original), independentemente de motivação. Informativo 801 – STJ Esp 1.951.170-DF, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, por unanimidade, Terceira Turma, julgado em 20/2/2024, DJe 23/2/2024 #APROFUNDANDO INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR No que toca à mudança de nome, antes mesmo da alteração implementada pela Lei n. 14.382/2022 à Lei de Registros Públicos (LRP), este Tribunal já vinha evoluindo sua interpretação sobre o assunto, passando a entender que o tema está inserido no âmbito da autonomia privada, apesar de não perder seu aspecto público, haja vista que somente será admissível a retificação quando não se verificar riscos a terceiros e à segurança jurídica. O nome de família tem como escopo identificar a qual família pertence a pessoa, isto é, faz com que a pessoa sinta-se pertencente a determinada família, como membro integrante dela. Já o sobrenome não tem a função de estreitar vínculos afetivos com os membros da família ou pessoas próximas, pois sua função primordial é revelar a estirpe familiar no meio social e reduzir as possibilidades de homonímia, haja vista que, nos termos do art. 54 da LRP, o registro de nascimento contém os nomes dos pais e dos avós. O art. 56 da LRP previa que o interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, poderia alterar o nome, desde que não prejudicasse os apelidos de família, sendo essa a redação vigente ao tempo da propositura da presente ação. Todavia, a Lei n. 14.382/2022 alterou a redação original do aludido dispositivo, passando a dispor que a pessoa registrada poderá, após ter atingido a maioridade civil, requerer pessoalmente e imotivadamente a alteração de seu prenome, independentemente de decisão judicial, sem a limitação temporal anteriormente prevista. Na espécie, deve-se acolher a pretensão autoral, pois, ao contrário do que entenderam as instâncias ordinárias, postula-se a inclusão de vocábulo ao prenome, tornando-o composto, com fundamento no art. 56 da LRP. Se a pretensão do autor fosse a de incluir o sobrenome de seu padrinho, com amparo no art. 57 da LRP, não seria viável o acolhimento da pretensão ante a ausência de justo motivo para tanto, sobretudo porque a simples pretensão de homenagear parente ou pessoa próxima não constitui fundamento bastante, já que não há previsão de que sentimentos íntimos sejam suficientes para alterar a qualidade imutáveldo nome, não sendo essa a função exercida pelo sobrenome. Ademais, o requerente completou a maioridade civil em 25/12/2017, tendo proposto a presente ação em 18/12/2018, ou seja, dentro do prazo decadencial de 1 (um) ano. Ao autorizar a alteração do prenome, a norma de regência não exige a apresentação de justo motivo, de maneira que, se lhe é permitida a modificação do prenome por um outro, não se mostraria plausível vedar a inclusão de determinada partícula para torná-lo duplo ou composto, como ocorre na espécie. Dessa maneira, deve-se admitir o pleito de alteração do prenome, relegando essa matéria ao âmbito da autonomia privada, pois ausente qualquer risco à segurança jurídica e a terceiros, já que foram juntadas inúmeras certidões negativas em relação ao nome do autor, bem como há declaração expressa do padrinho no sentido de não se opor ao fato de que o afilhado faça a inclusão postulada. Assim, não se mostraria razoável admitir a inclusão de qualquer outro nome ou até mesmo a adoção de prenome totalmente diverso do originário, mas, vedar a inclusão do sobrenome de seu padrinho ao seu prenome por esse simples motivo. *#DEOLHONAJURIS #STJ O cônjuge pode acrescentar sobrenome do outro (§ 1º do art. 1.565, do Código Civil). Em regra, o sobrenome do marido/esposa é acrescido no momento do matrimônio, sendo essa providência requerida no processo de habilitação do casamento. A despeito disso, não existe uma vedação legal expressa para que, posteriormente, no curso do relacionamento, um dos cônjuges requeira o acréscimo do outro patronímico do seu cônjuge por meio de ação de retificação de registro civil, especialmente se o cônjuge apresenta uma justificativa. Vale ressaltar que o art. 1.565, §1º do CC não estabelece prazo para que o cônjuge adote o apelido de família do outro, em se tratando, no caso, de mera complementação, e não alteração do nome. Assim, é possível a retificação do registro civil para acréscimo do segundo patronímico do marido ao nome da mulher durante a convivência matrimonial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.648.858-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/08/2019 (Info 655). *(Atualizado em 27/03/21) É admissível o retorno ao nome de solteiro do cônjuge ainda na constância do vínculo conjugal. Exemplo hipotético: Regina Andrade Medina casou-se com João da Costa Teixeira. Com o casamento, ela passou a ser chamada de Regina Medina Teixeira. Ocorre que, após anos de casada, Regina arrependeu-se da troca e deseja retornar ao nome de solteira. Ela apresentou justas razões de ordem sentimental e existencial. O pedido deve ser acolhido a fim de ser preservada a intimidade, a autonomia da vontade, a vida privada, os valores e as crenças das pessoas, bem como a manutenção e perpetuação da herança familiar. STJ. 3ª Turma. REsp 1.873.918-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/03/2021 (Info 687). 2.7 ARTIGOS 17 E 18 Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial (publicidade). Cabem as medidas de proteção ao nome mesmo que sua utilização não seja com conteúdo de desprezo público. Súmula 403 do STJ: independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. IN RE IPSA No art. 18 há uma interminologia. O certo seria publicidade e não propaganda comercial. Publicidade tem intuito comercial, lucro. Conforme o Enunciado 278, da IV Jornada, o art. 18 do CC tem aplicação mesmo que não haja menção ao nome da pessoa, sendo possível identificá-la e, além disso, o benefício comercial não precisa ser direto. *(Atualizado em 19/11/2020): Em regra, a autorização para uso da imagem deve ser expressa; no entanto, a depender das circunstâncias, especialmente quando se trata de imagem de multidão, de pessoa famosa ou ocupante de cargo público, há julgados do STJ em que se admite o consentimento presumível, o qual deve ser analisado com extrema cautela e interpretado de forma restrita e excepcional. De um lado, o uso da imagem da torcida - em que aparecem vários dos seus integrantes - associada à partida de futebol, é ato plenamente esperado pelos torcedores, porque costumeiro nesse tipo de evento; de outro lado, quem comparece a um jogo esportivo não tem a expectativa de que sua imagem seja explorada comercialmente, associada à propaganda de um produto ou serviço, porque, nesse caso, o uso não decorre diretamente da existência do espetáculo. A imagem é a emanação de uma pessoa, a forma com a qual ela se projeta, se identifica e se individualiza no meio social. Não há violação ao direito à imagem se a divulgação ocorrida não configura projeção, identificação e individualização da pessoa nela representada. No caso concreto, o autor não autorizou ainda que tacitamente a divulgação de sua imagem em campanha publicitária de automóvel. Ocorre que, pelas circunstâncias, não há que se falar em utilização abusiva da imagem, tampouco em dano moral porque o vídeo divulgado não destaca a sua imagem, mostrando o autor durante poucos segundos inserido na torcida, juntamente com vários outros torcedores. STJ. 3ª Turma. REsp 1.772.593-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 16/06/2020 (Info 674). #QUESTÃODEPROVA #VUNESP Cláudia, apresentadora de um telejornal na televisão aberta, teve sua foto na praia divulgada em revista de circulação nacional. Além da foto divulgada, a revista fez uma matéria afirmando que Cláudia estaria usufruindo suas férias com dinheiro ilícito. Um escritório de contabilidade aproveitou a foto e a notoriedade do fato para fazer propaganda dos serviços oferecidos pelo escritório. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. Assertiva CORRETA. 2017 – CONSULPLAN – TRE-RJ – Analista Judiciário - Área Administrativa. Uma empresa, com o intuito de promover uma campanha comercial, divulgou, sem autorização, o nome de alguns funcionários em peças publicitárias de rádio e televisão. Nos termos do Código Civil brasileiro: B) a conduta da empresa, em relação aos funcionários, feriu o direito da personalidade. 2.8 ARTIGO 20 Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes (DANO EM RICOCHETE OU DANO INDIRETO). O art. 20 protege tanto a imagem retrato (fisionomia) quanto a imagem atributo (reputação; repercussão social da imagem). Imagem voz. Para a utilização da imagem alheia, há necessidade de autorização do seu titular, com duas exceções: (1) se a pessoa ou o fato interessar à manutenção da ordem pública; (2) Se a pessoa ou o fato interessar à administração da Justiça. Ex. solução de crimes. Enunciado 279 da IV Jornada: A proteção à imagem deve ser ponderada com outros interesses constitucionalmente tutelados, especialmente em face do direito de amplo acesso à informação e da liberdade de imprensa. Em caso de colisão, levar-se-á em conta a notoriedade do retratado e dos fatos abordados, bem como a veracidade destes e, ainda, as características de sua utilização (comercial, informativa, biográfica), privilegiando-se medidas que não restrinjam a divulgação de informações. O enunciado trata da técnica da ponderação. In dubio pro liberdade, informação. Art. 5 º, IV, IX, XIV. Súmula 221 STJ: São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de dano, decorrente de publicação pela imprensa,tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação. #OLHAOGANCHO DIREITO À IMAGEM, IDENTIFICAÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS OFICIAIS *(Atualizado em 29/04/2024) #DEOLHONAJURIS #STF “É constitucional a utilização de vestimentas ou acessórios relacionados a crença ou religião nas fotos de documentos oficiais, desde que não impeçam a adequada identificação individual, com rosto visível.” Desde que viável a adequada identificação individual, é assegurada, nas fotografias de documentos oficiais, a utilização de vestimentas ou acessórios que representem manifestação da fé, à luz do direito à liberdade de crença e religião (CF/1988, art. 5º, VI) e com amparo no princípio da proporcionalidade, de modo a excepcionar uma obrigação a todos imposta mediante adaptações razoáveis. A restrição ao uso dessas vestimentas ou acessórios sacrifica excessivamente a liberdade religiosa, com elevado custo para esse direito individual e com benefício de relevância pouco significativa em matéria de segurança pública, de modo que não há razoabilidade na medida, por ausência de proporcionalidade em sentido estrito. Nesse contexto, é necessário alcançar uma ponderação de valores entre o interesse estatal de garantir a segurança para a coletividade e o direito individual de exercer a sua liberdade religiosa. Portanto, se o acessório religioso não cobrir o rosto nem impedir documentos oficiais, pois possível a adequada visualização das características pessoais. Na espécie, o acórdão impugnado confirmou decisão do juízo de primeiro grau que reconheceu o direito de uma freira em utilizar o seu hábito religioso na fotografia para a renovação de sua carteira nacional de habilitação, afastando norma administrativa do Departamento de Trânsito local que proibia, para esse fim, o uso de qualquer tipo de adereço que cobrisse parte do rosto ou da cabeça. Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por unanimidade, ao apreciar o Tema 953 da repercussão geral, negou provimento ao recurso extraordinário e fixou a tese anteriormente citada. (Info 1133 – STF) Casos polêmicos (ponderação): (1) Daniela Cicarelli filmada fazendo sexo com o namorado na praia – fato verdadeiro, pessoa notória. Abriu mão da intimidade. (2) Troca de e-mails entre Ministros do STF durante sessão. (3) Livro proibido do Roberto Carlos #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não sendo compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. Caso o biografado ou qualquer outra pessoa retratada na biografia entenda que seus direitos foram violados pela publicação, ele terá direito à reparação, que poderá ser feita não apenas por meio de indenização pecuniária, como também por outras formas, tais como a publicação de ressalva, de nova edição com correção, de direito de resposta etc. STF. Plenário. ADI 4815, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/06/2015. Para haver indenização não precisa comprovar o prejuízo. *(Atualizado em 09/02/2023): A divulgação científica não autorizada de imagem de paciente viola direitos de intimidade e a ética médica, gerando responsabilização solidária entre os médicos autores do artigo e a editora. Processo sob segredo de justiça, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16/8/2022, DJe 31/8/2022. (Info Ed. Esp. 8 - STJ) *(Atualizado em 09/10/2022) #DEOLHONAJURIS - A divulgação de notícia ou crítica acerca de atos ou decisões do Poder Público, ou de comportamento de seus agentes, não configuram, a princípio, abuso no exercício da liberdade de imprensa, desde que não se refiram a núcleo essencial de intimidade e de vida privada da pessoa. Esta Corte Superior estabeleceu, para situações de conflito entre a liberdade de expressão e os direitos da personalidade, entre outros, os seguintes elementos de ponderação: "(I) o compromisso ético com a informação verossímil; (II) a preservação dos chamados direitos da personalidade, entre os quais incluem-se os direitos à honra, à imagem, à privacidade e à intimidade; e (III) a vedação de veiculação de crítica jornalística com intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (animus injuriandi vel diffamandi)" (REsp 801.109/DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 12/03/2013). Em princípio, a publicação de matéria jornalística que narra fatos verídicos ou verossímeis não caracteriza hipótese de responsabilidade civil, ainda que apresentando opiniões severas, irônicas ou impiedosas, sobretudo quando se tratar de figura pública que exerça atividade tipicamente estatal, gerindo interesses da coletividade, e que se refira a fatos de interesse geral relacionados à atividade pública desenvolvida pela pessoa noticiada. A liberdade de expressão, nessas hipóteses, é prevalente, atraindo verdadeira excludente anímica, a afastar o intuito doloso de ofender a honra da pessoa a que se refere a reportagem. Contudo, a análise acerca da ocorrência de abuso no exercício da liberdade de expressão, a ensejar reparação por dano moral, deve ser feita em cada caso concreto, mormente quando a pessoa envolvida for investida de autoridade pública, pois, em tese, sopesados os valores em conflito, é recomendável que se dê primazia à liberdade de informação e de crítica, como decorrência da vida em um Estado Democrático. Em observância à situação fática do processo em epígrafe, a reportagem baseou-se em relatos do superintendente da Polícia Civil do Estado, acerca da deflagração de operação que investigava pessoas envolvidas com o jogo do bicho em determinado Estado, citando a atuação da autora no exercício de seu cargo público (magistrada), tendo o Tribunal local consignado expressamente que "a intenção de narrar o ocorrido esteve presente durante toda a redação do texto". Nesse prisma, tem-se que a matéria jornalística relacionou-se a fatos de interesse da coletividade, os quais dizem respeito diretamente com atos da magistrada enquanto autoridade pública. Assim, verifica-se que, em que pese o tom ácido da referida reportagem, com o emprego de expressões como "aberração jurídica" e "descalabro", as críticas estão inseridas no âmbito da matéria jornalística de cunho informativo, baseada em levantamentos de fatos de interesse público, sem adentrar a intimidade e a vida privada da recorrida, o que significa que não extrapola claramente o direito de crítica, principalmente porque exercida em relação a caso que ostenta gravidade e ampla repercussão e interesse social. Desse modo, quando não ficar caracterizado o abuso ofensivo na crítica exercida pela parte no exercício da liberdade de expressão jornalística, deve-se afastar o dever de indenização, por força da "imperiosa cláusula de modicidade" subjacente a que alude a eg. Suprema Corte no julgamento da ADPF 130/DF (STJ, REsp 1.325.938-SE, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022, Info. 749). 2.9 ARTIGO 21 Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. Tutela da vida privada, intimidade, segredo – em ordem decrescente. Teoria dos círculos concêntricos superada. Hoje se fala em teoria das camadas – direito alemão. Informações genéticas são parte da vida privada e não podem ser utilizadas para outros fins quando armazenadas. Essa proteção não é absoluta. Ex: Raio X em aeroportos. Não existe direto que seja absoluto na era da ponderação. Os direitos da personalidade devem ser sopesados com outros direitos, valores e princípios. Ex.: julgados do TST sobre fiscalização de e-mail de empregado (tudo depende do caso concreto). Se o e-mail é do empregador e ele usa somente no ambiente de trabalho, pode, desde que avisado anteriormente. O rol dos direitos da personalidade previsto no CC é exemplificativo, pois existem direitos dapersonalidade previstos na CF/88 como direitos fundamentais – cláusula geral da dignidade da pessoa humana (Ex.: direito à opção religiosa e à liberdade de crença). Esse rol é aberto, numerus apertus. Há quem fale em direito ao esquecimento, direito ao amor, etc. Além disso, existem direitos da personalidade que sequer estão previstos na legislação, como o direito à orientação sexual (Villaça e Berenice), o direito ao amor (Adriana Caldas Maluf – PE mais polêmico) e o direito ao esquecimento (TEMA DA MODA: enunciado 531 da VI Jornada de Direito Civil[footnoteRef:2]). [2: Foi o que houve com Xuxa, que pediu a proibição da veiculação do seu filme erótico, pois ela tem o direito ao esquecimento deste passado. ] ENUNCIADO 531: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento. Artigo: 11 do Código Civil. Justificativa: Os danos provocados pelas novas tecnologias de informação vêm se acumulando nos dias atuais. O direito ao esquecimento tem sua origem histórica no campo das condenações criminais. Surge como parcela importante do direito do ex-detento à ressocialização. Não atribui a ninguém o direito de apagar fatos ou reescrever a própria história, mas apenas assegura a possibilidade de discutir o uso que é dado aos fatos pretéritos, mais especificamente o modo e a finalidade com que são lembrados. Contudo, esse enunciado não foi acolhido pelo Supremo Tribunal Federal. *#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: *(Atualizado em 14/09/2020): Existindo evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de delito notório, incabível o acolhimento da tese do direito ao esquecimento para proibir qualquer veiculação futura de matérias jornalísticas relacionadas ao fato criminoso cuja pena já se encontra cumprida. O chamado direito ao esquecimento, apesar de ser reconhecido pela jurisprudência, não possui caráter absoluto. Em caso de evidente interesse social no cultivo à memória histórica e coletiva de delito notório, não se pode proibir a veiculação de matérias jornalísticas relacionados com o fato criminoso, sob pena de configuração de censura prévia, vedada pelo ordenamento jurídico pátrio. Em tal situação, não se aplica o direito ao esquecimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/04/2020 (Info 670). *(Atualizado em 21/03/21) #IMPORTANTE O ordenamento jurídico brasileiro não consagra o denominado direito ao esquecimento (Atualize os Infos 527 e 670 do STJ) É incompatível com a Constituição a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais – especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da privacidade e da personalidade em geral – e as expressas e específicas previsões legais nos âmbitos penal e cível. STF. Plenário. RE 1010606/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2021 (Repercussão Geral – Tema 786) (Info 1005). *#OUSESABER: O direito ao esquecimento teve seu efeito reconhecido com a edição do Enunciado 531 da VI Jornada de Direito Civil do CJF, que afirma que a “tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento”. Traduz-se no direito de a pessoa não ser lembrada eternamente pelo equívoco pretérito ou por situações constrangedoras ou vexatórias. É uma forma de proteção à dignidade humana. Trata-se de uma orientação doutrinária que inclui entre os direitos da personalidade previstos no CC, o direito de ser esquecido. A origem teórica do direito ao esquecimento, consagradora do "right to be let alone", ou seja, do direito de permanecer sozinho, esquecido, deixado em paz, como um direito personalíssimo a ser protegido, tem origem na esfera penal, sendo estendido a outras áreas, notadamente no que envolve as tecnologias de informação. Ele tem sido invocado na defesa dos cidadãos frente às agressões à privacidade pelas mídias sociais, provedores de conteúdo, e outros. A teoria do direito ao esquecimento surgiu da ideia de que, mesmo quem comete um crime, depois de determinado tempo, vê apagadas as consequências penais do seu ato. Assim, com maior razão, o mesmo deve ocorrer com os atos da vida privada. Para sua aplicação é necessário que haja uma grave ofensa à dignidade da pessoa humana, que a pessoa seja exposta de maneira ofensiva. O direito ao esquecimento não é absoluto, ele é excepcional. Garante apenas a possibilidade de discutir o uso que é dado aos eventos pretéritos nos meios de comunicação social, sobretudo os meios eletrônicos. O enunciado informa a interpretação/aplicação do art. 11 do CC, fundando-se nos direitos contidos no art. 5º da CF, como direito inerente à pessoa e à sua dignidade, entre eles a vida, a honra, a imagem, o nome e a intimidade. Os parâmetros de aplicação serão fixados e orientados pela ponderação de valores constitucionais implícitos nos direitos fundamentais e nas normas civis de proteção à intimidade e à imagem, de um lado, e, de outro, as normas constitucionais de vedação à censura e da garantia à livre manifestação do pensamento. *#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: Determinada pessoa se envolveu em uma suspeita de fraude há mais muitos anos, tendo sido inocentada das acusações. Ocorre que todas as vezes que digita seu nome completo no Google e demais provedores de busca, os primeiros resultados que aparecem até hoje são de páginas na internet que trazem reportagens sobre seu suposto envolvimento com a fraude. Diante disso, ela ingressou com ação de obrigação de fazer contra o Google pedindo a desindexação, nos resultados das aplicações de busca mantida pela empresa, de notícias relacionadas às suspeitas de fraude no referido concurso. Invocou, como fundamento, o direito ao esquecimento. O STJ afirmou o seguinte: em regra, os provedores de busca da internet (ex: Google) não têm responsabilidade pelos resultados de busca apresentados. Em outras palavras, não se pode atribuir a eles a função de censor, obrigando que eles filtrem os resultados das buscas, considerado que eles apenas espelham o conteúdo que existe na internet. A pessoa prejudicada deverá direcionar sua pretensão contra os provedores de conteúdo (ex: sites de notícia), responsáveis pela disponibilização do conteúdo indevido na internet. Há, todavia, circunstâncias excepcionalíssimas em que é necessária a intervenção pontual do Poder Judiciário para fazer cessar o vínculo criado, nos bancos de dados dos provedores de busca, entre dados pessoais e resultados da busca, que não guardam relevância para interesse público à informação, seja pelo conteúdo eminentemente privado, seja pelo decurso do tempo. Nessas situações excepcionais, o direito à intimidade e ao esquecimento, bem como a proteção aos dados pessoais deverá preponderar, a fim de permitir que as pessoas envolvidas sigam suas vidas com razoável anonimato, não sendo o fato desabonador corriqueiramente rememorado e perenizado por sistemas automatizados de busca. No caso concreto, o STJ determinou que deveria haver a desvinculação da pesquisa com base no nome completo da autora com resultados que levassem às notícias sobre a fraude. Em outras palavras, o STJ afirmou o seguinte: o Google não precisa retirar de seus resultados as notícias da autora relacionadas com a suposta fraude no concurso. Mas para que esses resultados apareçam será necessário que o usuário faça uma pesquisa específica com palavras-chaves que remetam à fraude. Por outro lado, se a pessoa digitar unicamente o nome completo da autora, sem qualquer outro termo de pesquisa que remete à suspeita de fraude, não se deve mais aparecer os resultados relacionados com este fato desabonador. Assim, podemos dizer que é possível determinar o rompimento do vínculo estabelecido porprovedores de aplicação de busca na internet entre o nome de prejudicado, utilizado como critério exclusivo de busca, e a notícia apontada nos resultados. O rompimento do referido vínculo sem a exclusão da notícia compatibiliza também os interesses individual do titular dos dados pessoais e coletivo de acesso à informação, na medida em que viabiliza a localização das notícias àqueles que direcionem sua pesquisa fornecendo argumentos de pesquisa relacionados ao fato noticiado, mas não àqueles que buscam exclusivamente pelos dados pessoais do indivíduo protegido. STJ. 3ª Turma. REsp 1.660.168-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 08/05/2018 (Info 628). *(Atualizado em 25/09/2022) A determinação para que os provedores de busca na internet procedam a desvinculação do nome de determinada pessoa, sem qualquer outro termo empregado, com fato desabonador a seu respeito dos resultados de pesquisa não se confunde com o direito ao esquecimento, objeto da tese de repercussão geral 786/STF. (...) A Terceira Turma, portanto, não permitiu que a autora impedisse, em razão da passagem do tempo, a divulgação dos fatos relacionados à suposta fraude no concurso público, o que seria, na linha do acórdão proferido no recurso extraordinário supracitado, acolher o direito ao esquecimento. Na verdade, a questão foi decidida sob o prisma dos direitos fundamentais à intimidade e à privacidade, bem como à proteção de dados pessoais, não sendo determinada a exclusão da pesquisa no banco de dados pertencentes às rés, havendo apenas a determinação da desvinculação do nome da autora, sem qualquer outro termo, com a matéria desabonadora referente à fraude no concurso. O conteúdo, portanto, foi preservado. STJ, Processo em segredo judicial, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por maioria, julgado em 21/06/2022, DJe 30/06/2022. Info 743. 3. DANO MORAL E PESSOA JURÍDICA #SELIGANASÚMULA: súmula 227 do STJ - “A pessoa jurídica pode sofrer dano moral” Não podemos afirmar que pessoa jurídica sofre danos morais se conceituarmos danos morais como lesão à dignidade humana. Dano moral deve ser conceituado como lesão aos direitos da personalidade, e, por isso, podem as pessoas jurídicas sofrer danos morais, pois são titulares de direitos da personalidade por equiparação (súmula 227 do STJ e art. 52 do CC). Há quem entenda que os danos morais são lesões à dignidade humana, como a escola (carioca) do direito civil constitucional de Gustavo Tepedino, Mária Celina Bodin de Moraes e Heloisa Helena Barbosa. Assim, as PJs não sofreriam danos morais, mas danos institucionais. Essa corrente é minoritária, mas deve ser respeitada, especialmente se esses autores estiverem na banca. É verdade que dano moral está ligado a prejuízos patrimoniais. Contudo, tem notícia de uma ação em que a empresa Dolly fez contrapropaganda da Coca-Cola, respondendo a processo em que se fixou indenização em R$ 1.000.000,00, mesmo não havendo prejuízo financeiro. Enunciado 189 da III jornada de Direito Civil: Na responsabilidade civil por dano moral causado à pessoa jurídica, o fato lesivo, como dano eventual, deve ser devidamente demonstrado. A Pessoa Jurídica possui honra objetiva. Pessoa jurídica tem também direito ao nome, à imagem (ambas), e segredo (não tem vida privada nem intimidade). É justamente a honra objetiva que é atingida pelo dano moral. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral (súmula 227 do STJ) quanto à sua honra objetiva e não em relação à honra subjetiva, pois essa nem mesmo possui. *JURISPRUDÊNCIA EM TESE- STJ [footnoteRef:3] [3: Edição nº 137: Os entendimentos foram extraídos de julgados publicados até 18/10/2019. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp] Edição 137 1) O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. (Enunciado n. 4 da I Jornada de Direito Civil do CJF). 2) A pretensão de reconhecimento de ofensa a direito da personalidade é imprescritível. 3) A ampla liberdade de informação, opinião e crítica jornalística reconhecida constitucionalmente à imprensa não é um direito absoluto, encontrando limitações, tais como a preservação dos direitos da personalidade. 4) No tocante às pessoas públicas, apesar de o grau de resguardo e de tutela da imagem não ter a mesma extensão daquela conferida aos particulares, já que comprometidos com a publicidade, restará configurado o abuso do direito de uso da imagem quando se constatar a vulneração da intimidade ou da vida privada. 5) Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. (Súmula n. 403/STJ) 6) A divulgação de fotografia em periódico (impresso ou digital) para ilustrar matéria acerca de manifestação popular de cunho político-ideológico ocorrida em local público não tem intuito econômico ou comercial, mas tão-somente informativo, ainda que se trate de sociedade empresária, não sendo o caso de aplicação da Súmula n. 403/STJ. 7) A publicidade que divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a determinada pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a direito da personalidade. (Enunciado n. 278 da IV Jornada de Direito Civil do CJF). 8) O uso e a divulgação, por sociedade empresária, de imagem de pessoa física fotografada isoladamente em local público, em meio a cenário destacado, sem nenhuma conotação ofensiva ou vexaminosa, configura dano moral decorrente de violação do direito à imagem por ausência de autorização do titular. 9) O uso não autorizado da imagem de menores de idade gera dano moral in re ipsa. 10) A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento, ou seja, o direito de não ser lembrado contra sua vontade, especificamente no tocante a fatos desabonadores à honra. (Vide Enunciado n. 531 da IV Jornada de Direito Civil do CJF) 11) Quando os registros da folha de antecedentes do réu são muito antigos, admite-se o afastamento de sua análise desfavorável, em aplicação à teoria do direito ao esquecimento. *#Edição 138 1) O dano moral extrapatrimonial atinge direitos de personalidade do grupo ou da coletividade como realidade massificada, não sendo necessária a demonstração de da dor, da repulsa, da indignação, tal qual fosse um indivíduo isolado. 2) A imunidade conferida ao advogado para o pleno exercício de suas funções não possui caráter absoluto, devendo observar os parâmetros da legalidade e da razoabilidade, não abarcando violações de direitos da personalidade, notadamente da honra e da imagem de outras partes ou de profissionais que atuem no processo. 3) A voz humana encontra proteção nos direitos da personalidade, seja como direito autônomo ou como parte integrante do direito à imagem ou do direito à identidade pessoal. 4) O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, assentado no princípio da dignidade da pessoa humana. 5) A regra no ordenamento jurídico é a imutabilidade do prenome, um direito da personalidade que designa o indivíduo e o identifica perante a sociedade, cuja modificação revela-se possível, no entanto, nas hipóteses previstas em lei, bem como em determinados casos admitidos pela jurisprudência. 6) O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de gênero no registro civil, exigindo-se, para tanto, nada além da manifestação de vontade do indivíduo, em respeito aos princípios da identidade e da dignidade da pessoa humana, inerentes à personalidade. 7) É possível a modificação do nome civil em decorrência do direito à dupla cidadania, de forma a unificar os registros à luz dos princípios da verdade real e da simetria. Acórdãos 8) A continuidade do uso do sobrenome do ex-cônjuge, à exceção dos impedimentos elencados pela legislação civil, afirma-se como direito inerente à personalidade, integrando-se à identidade civil da pessoae identificando-a em seu entorno social e familiar. 9) O direito ao nome, enquanto atributo dos direitos da personalidade, torna possível o restabelecimento do nome de solteiro após a dissolução do vínculo conjugal em decorrência da morte. 10) Em caso de uso indevido do nome da pessoa com intuito comercial, o dano moral é in re ipsa. 11) Não se exige a prova inequívoca da má-fé da publicação (actual malice), para ensejar a indenização pela ofensa ao nome ou à imagem de alguém. 12) Os pedidos de remoção de conteúdo de natureza ofensiva a direitos da personalidade das páginas de internet, seja por meio de notificação do particular ou de ordem judicial, dependem da localização inequívoca da publicação (Universal Resource Locator - URL), correspondente ao material que se pretende remover. 4. DOMICÍLIO CIVIL 4.1 DA PESSOA NATURAL Domicílio civil é o local para ser sujeito de relação civil. De acordo com o art. 70, CC, o local de domicílio é o local de residência, ou seja, onde o sujeito se estabelece com ânimo definitivo. O sujeito, por sua vez, pode ter mais de uma residência, ou seja, ter mais de um domicílio. O art. 71, CC, consagra o princípio da pluralidade domiciliar. Por sua vez, o art. 72, CC, criou a figura do domicílio profissional ou laboral, que é o local de exercício da profissão. Não exclui o domicílio residencial. Também para o domicílio profissional vale a regra da pluralidade domiciliar. Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. O art. 73 consagra a morada eventual ou habitação. Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada. Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar. Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem. OBS.: o art. 74, CC, traz a modalidade de domicílio voluntário. Frise-se, porém, que as declarações na prática não são apenas às municipalidades. O domicílio legal (necessário) está previsto no art. 76, CC. O domicílio legal não exclui o domicílio residencial e profissional. Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante (absolutamente incapaz) ou assistente (relativamente incapaz); o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir (quartel), e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença. OBS.: se é força terrestre (exército, polícia militar), o local é o quartel. Se é força não terrestre (marinha ou aeronáutica) é a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado. Por fim, temos o domicílio contratual, que é aquele fixado para cumprimento das obrigações a ele concernentes. Vejamos: Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. O dispositivo acima causa uma consequência direta para a cláusula de eleição de foro, em que o contrato fixa o foro competente para o julgamento de determinada relação. Cuidado com a questão da eleição de foro nos contratos de adesão. Nem sempre os contratos de adesão são de consumo. São, na verdade, quaisquer contratos cujo conteúdo é imposto por uma das partes. De acordo com o art. 112, parágrafo único, do CPC/73, a nulidade da cláusula de eleição de foro em contrato de adesão pode ser declarada de ofício pelo juiz que declinará de competência para domicilio do réu. Essa clausula será nula quando de qualquer forma prejudicar o aderente. *#ATENÇÃO: O CPC/15, por sua vez, trouxe no art. 63, caput, a cláusula de eleição de foro. A mudança veio no §3º: o caso passou a ser de ineficácia (escala pontiana) e não de nulidade, bem como se é usado o termo “abusiva” em sentido amplo, que vale então para contrato tanto de adesão como de consumo (lembrando que eles não se confundem). Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico. § 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. § 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. § 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. 4.2 DA PESSOA JURÍDICA Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I - da União, o Distrito Federal; II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; IV - das demais pessoas jurídicas (de direito privado, inclusive), o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados (pluralidade de domicílio). § 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder (Domicílio da sucursal). 5. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO DIPLOMA DISPOSITIVOS Código Civil Art. 11 ao art. 21; art. 50; art. 70 ao art. 78 Código de Processo Civil Art. 133 ao art. 137 6. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA Anotações de aula. Anotações pessoais. Manual de Direito Civil do Tartuce. Jurisprudência do Dizer o Direito Código Civil para concursos. image1.jpeg image2.jpeg