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1 QUALIDADE: CONCEITOS, PRÁXIS E REFLEXÕES NA GESTÃO PÚBLICA I Z A B E L A L I N N E A L V E S D E P A U L A 2 QUALIDADE: CONCEITOS, PRÁXIS E REFLEXÕES NA GESTÃO PÚBLICA IZABEL AL INNE ALVES DE PAULA Publicado por EDIFSP - Editora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Reitor Eduardo Antonio Modena Coordenador da Editora Rubens Lacerda de Sá Revisão Larissa Silva Costa e Nathalia Rafaella Marcondes Camargo Diagramação Larissa Silva Costa e Nathalia Rafaella Marcondes Camargo ISBN 978-65-5823-077-9 Publicado por EDIFSP - Editora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo Reitor Eduardo Antonio Modena Coordenador da Editora Rubens Lacerda de Sá Revisão Larissa Silva Costa e Nathalia Rafaella Marcondes Camargo Diagramação Larissa Silva Costa e Nathalia Rafaella Marcondes Camargo ISBN 978-65-5823-082-3 i Dados Internacionais de Catalogação na publicação (CIP) P324q Paula, Izabel Alinne Alves de Qualidade : conceitos, práxis e reflexões na gestão pública / Izabel Alinne Alves de Paula. – São Paulo : EDIFSP, 2021. 138 p. – (Selo Teses & Dissertações) E-book Inclui bibliografia ISBN 978-65-5823-077-9 1. Gestão pública. 2. Qualidade na gestão pública. 3. Controle na gestão pública. 4. Gestão pública - Brasil. I. Título. II. Coleção. CDD 351 Elaborada por Michele Cristina dos Santos - CRB8/9153 “Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito” Aristóteles AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a Deus pela vida, pelos conhecimentos, pelas oportunidades, eu entendo que sem Ele nada é possível. A minha mãe, Darcy, ao meu pai, Manuel, por serem meus eternos professores e ao meu irmão, Johnny. Minha mãe me alfabetizou e foi minha professora na escola quando eu estava na antiga quarta série; meu pai durante grande parte da vida me presenteava com listas de exercícios e também estudamos juntos algumas matérias na faculdade; meu irmão sempre incentivou e apoiou os meus estudos, lembro que foi ele quem me ensinou a contar de 1 a 100, também estudamos juntos na faculdade e em alguns cursinhos. Eu tenho consciência que cada um desses atos, entre tantos outros, me ajudaram a ir longe e que sem o apoio deles teria sido um caminho mais difícil ou impossível. Infinitas vezes: Obrigada! Ao IFAM, pela permissão concedida para a realização da pesquisa empírica. Ao IFSP, pela oportunidade de publicação da minha tese de doutorado em formato de livro, em especial ao professor Rubens Lacerda pela dedicação colocada na realização desse projeto. E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização e publicação desta obra. APRESENTAÇÃO O mundo experimenta a era das mudanças, isso desponta novos desafios para os governos contemporâneos e para as suas administrações, pois as transformações contínuas tornam a sociedade mais exigente. Assim, as organizações são impulsionadas a se movimentarem em busca de uma maior eficiência. Há pesquisadores políticos que observam que é no período de turbulência que ocorrem as mudanças de valores, modificações de procedimentos, trocas de políticas e apostam-se em novas estratégias. Por isso, após crises e mudanças, os conceitos transmudam- se e, por conseguinte, também mudam os modos de percebê-los, como foi o caso do entendimento sobre qualidade. Nesse viés, o governo federal brasileiro ciente que a gestão pública tem problemas arraigados na sua estrutura gerencial, de tempos em tempos propõe ações, programas de qualidade, reformas administrativas, leis de desburocratização, entre outros modos para reformar a gestão pública. Dentre essas propostas, menciona-se o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização (Gespública), concebido no ano de 2005, usado como referência para a pesquisa deste livro. O Gespública vigorou até meados de 2017, sendo rescindido pelo Decreto no 9.094/2017, que também já sofreu alterações. O Gespública tinha por visão que a excelência em gestão pública seria um valor salvaguardado pelas organizações e entidades públicas, o qual seria reivindicado pelos cidadãos até o ano de 2015. Todavia, o Programa não era utilizado ostensivamente pelas organizações por inexperiência com programas de qualidade, cultura organizacional resistente a mudanças, adesão voluntária, entre outros pontos. Ainda assim, houveram instituições que compactuaram com o propósito de implantar excelência nos seus serviços, aderindo ao Gespública ou ainda buscando se alinhar com as suas orientações. Com base neste cenário, questionou-se: Qual o nível de interferência de um programa de melhoria da qualidade, proposto pelo governo federal, sob as práticas de uma entidade pública? Para averiguar a resposta de tal questionamento, foram realizadas pesquisas do tipo documental, de materiais do governo, e bibliográfica, de dados primários em obras literárias de administração, como também foi feito um estudo de caso, para comparar a teoria com a prática executada. Considerando que as organizações públicas de educação não devem ficar à margem da busca de melhorias, especialmente no Brasil, pois, ainda que haja uma constante pretensão por oferecer uma educação com qualidade, continua tendo muitos problemas e, por esse motivo, carece de contínua evolução, melhorias, investimentos e pesquisas. Então, por essa razão, estudou-se a relação entre o que foi proposto pelo governo e o que estava sendo executado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM). Por ter servido de palco para a pesquisa, é relevante elucidar que o IFAM surgiu mediante a integração do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas, das suas Unidades de Ensino Descentralizadas e das Escolas Agrotécnica Federais que haviam no estado, instituída pela Lei no 11.892/2018. Todavia, dentro de um processo de constante alteração, a Rede Federal de Educação Profissional se expandiu e, nos dias atuais, no estado do Amazonas tem quinze campi em efetivo funcionamento, a Reitoria e um Centro de Referência em processo de estruturação. Na pesquisa empírica, citada nos capítulos de práticas, os elementos de informação foram coletados por questionários endereçados aos ocupantes de cargo de direção-geral de cada unidade e, também, ao ocupante do cargo de reitor do instituto. Considerando que, em pesquisas com o uso de questionário, não há como impedir a negação de respostas ou a não-resposta dos participantes da pesquisa, essa pesquisa foi realizada pela amostra respondente. Ademais, examinando a estrutura organizacional da instituição pesquisada, foram identificados setores relevantes de planejamento e controle - Auditoria Geral e Coordenação de Governança e Controle Interno -, para os quais a pesquisa foi realizada por entrevistas semiestruturadas. Essa coletânea de conceitos e práticas visa fornecer subsídios aos entusiasmados com a qualidade, visto que a autora retoma parte de sua história profissional em diferentes entidades públicas. Percebe que, entre tantas outras prioridades, as ações para melhoria ou inovação dos processos que produzem serviços são, por vezes, esquecidas ainda que contemporaneamente muito se fale em qualidade e excelência na gestão. Mas também, sabe-se que esta pesquisa serve de apoio para a elaboração conceitual da sociedade e de entidades públicas, por meio de uma reflexão sobre qualidade nos atos administrativos e dada a relevância de difundir a aplicação de políticas públicas e instrumentos que podem ser aplicados com o objetivo de melhorar os processos e a prestação de serviço públicos. No mais, a avaliação pode facilitar o planejamento de intervenções, acompanhamento de implementações, assim como apontar para a reorientação de algum programa ou ainda o seu abandono. Isto posto que todos façam uma excelente leitura! 11 SUMÁRIO PARTE 1: GESTÃOPÚBLICA E A IMPLANTAÇÃO DE AÇÕES DE MELHORIA 12 Balanço Histórico das Principais Condutas de Aperfeiçoamento da Gestão Pública 13 Desafiose e Benefícios da Acerca dos Programas de Melhoria para a Gestão Pública 25 Reflexões sobre o Caminhar da Gestão Pública e a Implantação de Ações de Melhoria 32 PARTE 2: QUALIDADE NA GESTÃO PÚBLICA 37 Qualidade Nos Serviços Públicos 38 Práxis De Qualidade Na Gestão Administrativa 56 Reflexões Sobre A Caçada Da Qualidade No Serviço Público Brasileiro 79 PARTE 3: CONTROLE NA GESTÃO PÚBLICA BRASILEIRA 89 Gestão Administrativa, pelo Enfoque da Função Controle 90 Reflexões sobre a Função Controle na Gestão Pública Brasileira 112 PARTE 4: INSTRUMENTOS DE PESQUISA EMPÍRICA 118 Questionário 119 Roteiro de Entrevista Semiestruturada 124 Glossário 129 Relatório de Pesquisa: Conclusões 131 12 PARTE 1 GESTÃO PÚBLICA E A IMPLANTAÇÃO DE AÇÕES DE MELHORIA 13 BALANÇO HISTÓRICO DAS PRINCIPAIS CONDUTAS DE APERFEIÇOAMENTO DA GESTÃO PÚBLICA Analisando as condutas de melhorias empregadas na gestão pública brasileira, reconhece-se que desde o período do regime militar houve a preocupação em valorizar a gestão recorrendo a reestruturação administrativa do Estado brasileiro, como a constituição do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), formulado no governo de ditadura de Getúlio Vargas, durou de 1930 a 1945. O Decreto-lei no 200/1967, expedido no governo militar de Humberto Castelo Branco, de 1964 a 1967, que buscava organizar a Administração Federal, minimizando a forte disfunção da burocracia e o Programa Nacional de Desburocratização (PrND), instaurado no governo militar de João Figueiredo, perdurou de 1979 a 1985. Após o término do autoritarismo militar no Brasil, em 1985, no comando da Nova República, outros projetos de melhorias foram aplicados. Quando José Sarney assumiu a Presidência da República do Brasil, entre 1985 a 1990, o governo tinha consciência de que era necessário reformar a administração pública, de maneira que fosse construído um forte modelo de Estado, apto a enfrentar as dificuldades que um novo modo de 14 governo iria apresentar. Todavia, as demandas passadas sufocaram as estratégias traçadas para as melhorias do futuro, e logo esse governo trabalhou contendo os equívocos cometidos durante os governos passados. As mais significativas mudanças ocorreram após a implementação da Constituição Federal de 1998, isto é, ocorreu um revigoramento da democratização, oportunizando a participação popular. Tal como também buscou-se fortalecer o controle externo e a independência entre os poderes, todavia, a profunda cultura ao patrimonialismo, entre outros problemas de gestão, implicou na não concretização de muitas ideias, da maneira como se era esperado. Adiciona-se que o governo, na década de 1990, passava por uma crise na previdência, situação que sobrevém até a atualidade e que a maior vontade dos servidores públicos, em fim de carreira, era de se aposentar, o que implicou no fracasso de intentar um Estado desenvolvimentista que usaria a economia como peça chave e implementaria uma reforma de forma autoritária. Balizado por convicções neoliberais e pela redução do Estado, o Brasil teve como presidente, entre 1990 e 1992, Fernando Collor de Mello. Neste curto espaço de tempo, a administração pública brasileira vivenciou alguns marcos, como a caça aos marajás, referindo-se aos funcionários públicos que recebiam altos salários e foram apontados como responsáveis pelos problemas econômicos do Estado brasileiro, situação esta que, também, é vivenciada na atualidade. Houve, ainda, cortes de pessoal e extinções de órgãos e, acrescenta-se a 15 esse rol de marcos, as privatizações de muitas empresas estatais e o confisco de ativos bancários de parte da população brasileira. Mesmo assim, antagonicamente, nesse mesmo governo, foi gerado o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais, pela Lei no 8.112/1990. Collor ainda chegou a propor audaciosos planos para a economia, que passava por um desequilíbrio com o decrescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do descontrole da taxa de inflação. Entretanto, devido a denúncias de corrupção, somado ao descontentamento popular escancarado pelo movimento chamado de caras-pintadas, antes mesmo da finalização do processo de impeachment, Collor renunciou ao cargo. Itamar Franco governou o Brasil do final do ano de 1992 ao início do ano de 1995, nesse intervalo foi realizada uma importante análise da gestão pública brasileira, contudo não foram propostas relevantes ações de melhorias. Ao contrário do que sucedeu no governo de Fernando Henrique Cardoso, que durou de 1995 a 2003. Fernando Henrique criou o Ministério da Administração e Reforma do Estado (MARE) e o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), ambos dirigidos por Luiz Carlos Bresser-Pereira, pois percebendo a influência positiva da Nova Gestão Pública (NGP) na administração pública mundial, entendeu que o Brasil também deveria vivenciar esse movimento. A propositura era ampliar a governança do Estado, restringir a ação