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2 7 9CAPÍTULO 14 Em 2017, os alimentos saudáveis tinham preço médio de R$ 4,69 por quilograma e os não saudáveis, de R$ 6,62 por quilo. Em 2026, o custo de ambos se tornaria igual, prevê a pesquisa. Em 2030, os cientistas calculam que a comida saudável teria valor de R$ 5,24 por quilo, enquanto a comida “porcaria” teria custo de R$ 4,34 por quilo. [...] A carne, por exemplo, é um alimento que, segundo o estudo, tornou-se mais caro em relação à salsicha, considerada um substituto para proteínas de origem animal. No período entre 1995 e 2002, o embutido tinha um preço médio de R$ 10,30 por quilo, enquanto a carne, de R$ 9,08. No intervalo entre 2003 e 2010, o valor do quilo dos dois alimentos se aproxima. R$ 11,81 para as salsichas e R$ 11,28 para a carne. A pesquisa mostra que no período se- guinte a posição dos dois itens se inverte. As salsichas passam a custar R$ 11,33 por quilo e as carnes, R$ 13,10 por quilo. [...] Os valores encontrados foram corrigidos de acordo com a inflação acumulada até 2017, último ano com dados disponíveis no estudo. Na sequência, os pesquisadores dividiram e agruparam os 102 itens de maior consumo conforme a classificação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Trata-se de um documento do Ministério da Saúde que oferece orientações sobre comer de forma adequada e saudável. O Guia Alimentar divide os alimentos em quatro grupos. Primeiro, in natura e/ou mini- mamente processados, como arroz, feijão, carnes frescas, frutas e verduras. Em segun- do, os ingredientes culinários, como sal, açúcar e óleos usados para cozinhar. Depois, os processados, como pães frescos, massas, enlatados e geleias, que são tradicional- mente consumidos no Brasil e em outros países. Finalmente, há os ultraprocessados, como salsichas, salgadinhos, macarrões instan- tâneos e outras guloseimas também conhecidas como “porcaria”. São itens obtidos a partir de fragmentos de outros alimentos, aditivos químicos e preparados com com- plexas técnicas industriais. Na prateleira, geralmente, são aqueles produtos com cinco ou mais ingredientes de nomes pouco familiares (maltodextrina, p. ex.) no rótulo. O documento do governo federal recomenda dar preferência aos alimentos in natura e/ ou minimamente processados e diz para evitar os ultraprocessados. No estudo, essa foi a orientação que os pesquisadores utilizaram para dividir a comida entre saudável e não saudável. Eles também se fundamentaram em evidências cien- tíficas que associam o consumo de ultraprocessados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão, problemas cardio- vasculares etc. [...] G o o d S tu d io /S h u tt e rs to c k VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 279VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 279 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 0 CAPÍTULO 14 Motivos desconhecidos Apesar do achado inédito, o estudo sobre a tendência de preços tem limitações, como ao não revelar os motivos que estão fomentando essas mudanças. Para explicar a ten- dência constatada, os pesquisadores fazem suposições. Os subsídios concedidos às empresas de refrigerantes em Manaus, segundo eles, podem ser uma das razões. Outra, o apoio que o governo federal oferece às produções de monoculturas como soja, milho e cana-de-açúcar, que servem de matéria-prima para os itens ultraprocessados. Os cientistas afirmam que a assistência governamental ao agronegócio é muito mais generosa do que a oferecida a agricultores familiares que produzem frutas e verduras. Uma última hipótese para explicar a variação dos preços tem relação com a otimização dos processos de fabricação de alimentos. O estudo começa em 1995, e de lá para cá, os avanços tecnológicos devem ter facilitado a produção de ultraprocessados. “A expansão das grandes redes de supermercado e da indústria tem colaborado para o acesso das pessoas aos ultraprocessados. A ausência de políticas públicas, também, permite o acesso sem qualquer tipo de regulação. São alimentos práticos, e no cotidia- no as pessoas evitam gastar tempo na cozinha”, declara Camila [Passos, professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV) que conduziu a pesquisa durante o doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)]. [...] O objetivo [dos pesquisadores] é ajudar a formular políticas públicas que possam re- verter a tendência de preços e, assim, dar prioridade à comida saudável. ZOCCHIO, Guilherme. Alimentação saudável será mais cara do que a não saudável a partir de 2026. Viva Bem. UOL, 29 jan. 2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/ redacao/2020/01/29/alimentacao-saudavel-sera-mais-cara-do-que-a-nao-saudavel-a-partir- de-2026.htm. Acesso em: 4 ago. 2020. a) Explique por que a primeira frase do texto diz que o prognóstico anunciado no título assusta quem se preocupa com uma alimentação saudável. b) A pesquisa brasileira citada na notícia usa quais critérios para dividir os alimen- tos em saudáveis e não saudáveis? Que documento serviu como fonte de orientação para os pesquisadores na adoção desses critérios? c) Em seu dia a dia, você procura consumir alimentos mais saudáveis? Que crité- rios você utiliza para diferenciá-los dos não saudáveis? São os mesmos usados na pesquisa? d) Na sua casa, quem é(são) a(s) pessoa(s) responsável(eis) pela compra de alimentos? Pergunte a ela(s) se foi possível perceber, nos últimos anos, uma tendência de aumento ou redução no preço dos alimentos consumidos em sua casa. A resposta confirma a análise da pesquisa ou se opõe a ela? e) O trecho final da notícia indica que os pesquisadores levantaram algumas hi- póteses para explicar o que pode ter ocasionado a inversão entre os preços dos alimentos menos processados e os dos ultraprocessados. Quais são elas? Quais outros aspectos você acredita que podem influir no preço dos alimen- tos processados e menos processados? 2 Proponha ao menos dois exemplos de atuação social que poderiam encorajar o consumo de alimentos saudáveis. O título anuncia que a partir de 2026 a alimentação saudável será mais cara que a não saudável, ou seja, é algo que prejudica direta- mente aqueles que se preocupam em manter uma alimentação sau- dável. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. O nível de processamento. Quanto mais processados os alimentos, menos saudáveis eles são. O documento que serviu como fonte de orientação para o estabe- lecimento desses critérios foi o Guia alimentar para a população brasileira, do Ministério da Saúde. Respostas pessoais. Respostas pessoais. Discuta com a turma todas as suposições, certificando-se de que eles compreenderam todas elas. Contribua para que os estudantes levantem suposições a esse respeito. S h u tt e rs to ck / G o o d S tu d io VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 280VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 280 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 1CAPÍTULO 14 NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. 3 Leia o texto informativo e responda às questões a seguir no caderno. O que são alimentos processados? Os alimentos processados podem ser definidos como: “Alimentos modificados do seu estado original por meio de uma grande variedade de tipos de processamento, com diversas finalidades”. Nos lares Nos serviços de alimentação Em indústrias Em geral, para consumo próprio. Para fins comerciais ou institucionais. Para fins comerciais ou institucionais. Nota: Existem pessoas que processam alimentos no lar para fins comerciais. Nota: Existem serviços de alimentação que utilizam alimentos previamente processados em indústrias. Nota: Os alimentos industrializados são processados por micro, pequenas, médias e grandes empresas. A maioria dos alimentos consumidos passa por algum tipo de processamento nos lares, nos serviços de alimentação ou na indústria. O alimento pode ser processado... As características de cada produto que se desejaprocessar é que vão definir que método ou quais métodos de processamento utilizar. ALIMENTOS carnes ovos pescados laticínios grãos frutas e vegetais açúcares e mel sal e temperos chá e café outros TIPOS/ETAPAS DE PROCESSAMENTO FINALIDADES Aquecimento Armazenamento Centrifugação Concentração Congelamento Defumação Desidratação Embalagem Emulsificação Extração Extrusão Fatiamento Fermentação Filtragem Fritura Lavagem Maceração Mistura Moagem Pasteurização Padronização Pressurização Resfriamento Separação mecânica Separação por membranas Com diversas... Tornar o alimento disponível para consumo na forma desejada Evitar a deterioração do alimento durante transporte e armazenamento Maior aproveitamento das partes comestíveis Tornar o alimento disponível para preparações culinárias Manter o sabor, a cor e a textura característicos do alimento Manter o frescor dos alimentos Reduzir perdas e resíduos, com aproveitamento de resíduos Garantir a segurança do alimento Manter o padrão de qualidade ao longo do tempo Maior eficiência no uso de energia, água e emissões de carbono São modificados do seu estado original, por meio de uma grande variedade de... B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 281VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 281 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 2 CAPÍTULO 14 [...] O QUE são alimentos processados. Alimentos processados. Disponível em: https://alimentosprocessados.com.br/alimentos- processados-o-que-sao.php. Acesso em: 5 ago. 2020. Diferenças entre processados e industrializados O alimento industrializado é o alimento processado por meio da atividade industrial, que é a transformação de gê- neros alimentícios em produtos comercializáveis, por processamento que utiliza máquinas, equipamentos e força de trabalho contratada. Os alimentos industrializados não são exclusividade das grandes empresas. Eles podem ser produzidos em pequena e grande escala. a) Cite exemplos de tipos de processamento de alimentos feitos nos lares, para consumo próprio. Qual é a finalidade desses processamentos? b) Os alimentos preparados em casa tendem a ser mais saudáveis? Explique. c) Ainda que existam diferenças entre alimento processado e alimento industria- lizado, é possível inferir que alimentos industrializados tendem a ser mais pro- cessados? Justifique. 4 Imagine que você e os colegas sejam donos de um restaurante que pretende ofe- recer ao público um cardápio virtual de alimentos mais saudáveis. Em grupo, mon- tem esse cardápio. Para isso, sigam as orientações: Estimule a discussão solicitando que os estudantes se lembrem de processamentos (e de suas fi nalidades) que podem ser realizados em casa. Espera-se que os estudantes res- pondam que os alimentos prepa- rados em casa tendem a ser mais saudáveis, porque passam por menos processamento. Quanto mais processados, menos saudá- veis são os alimentos. COMO FAZER 1. Criação de um cardápio atraente Organizem a turma em grupos de cinco participantes. Cada componente do grupo deve fi car responsável por um aspecto do cardápio: escolha das imagens; diagramação; criação de uma frase de efeito que re- lacione alimentação saudável com sabor; criação dos pratos; escolha dos nomes dos pratos; etc. Considerem que um cardápio deve ser atraente: as imagens dos pratos devem ser sedutoras para o cliente. Pensem em preços acessíveis, que despertem o in- teresse do consumidor. Ele precisa perceber uma boa relação custo/benefício. 2. Apresentação dos cardápios Utilizando um software de edição de textos e ima- gens, organizem o cardápio. O cardápio deve apresentar: I. Todos os pratos indicados. II. Alimentos o mais saudáveis possível. III. Imagens atraentes dos produtos. IV. Preços acessíveis. V. Nomes sugestivos para os pratos. R e p ro d u ç ã o /h tt p s :/ /a lim e n to s p ro c e s s a d o s .c o m .b r R e p ro d u ç ã o h tt p s :/ /a lim e n to s p ro c e s s a d o s .c o m .b r/ Sim, existe uma tendência de que alimentos industrializados sejam mais processados, pois as indústrias possuem maquinários e equipamentos para processar os alimentos, o que pressupõe mais processamento. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 282VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 282 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 3CAPÍTULO 14 2ª PARADA FIQUE DE OLHO! 1 Na seção Embarque, você visitou o site da Anvisa e se informou sobre o que é obrigatório constar nos rótulos dos alimentos. Você já parou para pensar na impor- tância que essas informações têm para o consumidor? Você costuma ler os rótulos dos alimentos que consome? Se sim, com qual finalidade você os lê? 2 Qual é a relação entre as informações presentes nos rótulos dos alimentos e o con- sumo consciente? 3 Agora, você vai conhecer um importante gênero do campo da vida pública, relaciona- do ao ordenamento jurídico brasileiro: o decreto. Leia os trechos do decreto a seguir. Respostas pessoais. Essas informações permitem que o consumidor tenha consciência do que está consumindo. Estando bem informado, poderá fazer escolhas seguras sobre valor nutricional, ingredientes, origem dos alimentos, etc. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO No 4.680, DE 24 DE ABRIL DE 2003 Regulamenta o direito à informação, assegurado pela Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, quanto aos alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, sem prejuízo do cumprimento das demais normas aplicáveis. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição. DECRETA: Art. 1o Este Decreto regulamenta o direito à informação, assegurado pela Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, quanto aos alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consu- mo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos genetica- mente modificados, sem prejuízo do cumprimento das demais normas aplicáveis. Art. 2o Na comercialização de alimentos e ingredientes alimentares destinados ao con- sumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos ge- neticamente modificados, com presença acima do limite de um por cento do produto, o consumidor deverá ser informado da natureza transgênica desse produto. § 1o Tanto nos produtos embalados como nos vendidos a granel ou in natura, no rótulo da embalagem ou do recipiente em que estão contidos deverá constar, em destaque, no painel principal e em conjunto com o símbolo a ser definido mediante ato do Ministério da Justiça, uma das seguintes expressões, dependendo do caso: “(nome do produto) transgêni- co”, “contém (nome do ingrediente ou ingredientes) transgênico(s)” ou “produto produzido a partir de (nome do produto) transgênico”. § 2o O consumidor deverá ser informado sobre a espécie doadora do gene no local reser- vado para a identificação dos ingredientes. § 3o A informação determinada no § 1o deste artigo também deverá constar do documen- to fiscal, de modo que essa informação acompanhe o produto ou ingrediente em todas as etapas da cadeia produtiva. § 4o O percentual referido no caput poderá ser reduzido por decisão da Comissão Téc- nica Nacional de Biossegurança – CTNBio. Art. 3o Os alimentos e ingredientes produzidos a partir de animais alimentados com ra- ção contendo ingredientes transgênicos deverão trazer no painel principal, em tamanho e destaque previstos no art. 2o, a seguinte expressão: “(nome do animal) alimentado com ração contendo ingrediente transgênico” ou “(nome do ingrediente) produzido a partir de animal alimentado com ração contendo ingrediente transgênico”. Art. 4o Aos alimentos e ingredientes alimentares que não contenham nem sejam produ- zidos a partir de organismosgeneticamente modificados será facultada a rotulagem “(nome do produto ou ingrediente) livre de transgênicos”, desde que tenham similares transgênicos no mercado brasileiro. NA BNCC Competências gerais: 1, 2, 4, 5, 7 Competências específicas de Linguagens: 1, 2, 3, 4, 7 Habilidades de Linguagens: EM13LGG101, EM13LGG102, EM13LGG103, EM13LGG104, EM13LGG201, EM13LGG202, EM13LGG301, EM13LGG302, EM13LGG303, EM13LGG304, EM13LGG401, EM13LGG402, EM13LGG704 Habilidades de Língua Portuguesa: • Todos os campos de atuação: EM13LP01, EM13LP03, EM13LP04, EM13LP05, EM13LP11, EM13LP12, EM13LP15 • Campo da vida pública: EM13LP23, EM13LP26, EM13LP27 • Campo das práticas de estudo e pesquisa: EM13LP32 • Campo jornalístico-midiático: EM13LP45 NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. G o o d S tu d io /S h u tt e rs to ck Consulte respostas esperadas e mais informa- ções para o trabalho com as atividades desta pa- rada nas Orientações específicas deste Manual. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 283VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 283 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 4 CAPÍTULO 14 Decreto é o ato administrativo que pode ser feito exclusivamente pelos chefes do poder executivo federal, estadual ou municipal (presidente, governador ou prefeito). Ele é utilizado para tratar de situações em que a lei não deixa clara a ação a ser tomada, que podem ser gerais (aquelas que dizem respeito a toda a população) ou individuais (as que dizem respeito a um ou mais indivíduos específicos). BAGAGEM 4 O Decreto n. 4.860/2003 foi instituído pelo poder executivo federal, estadual ou municipal? Identifique o trecho que comprova sua resposta. 5 Qual é o objetivo desse decreto? Onde essa informação aparece no decreto? 6 Qual informação nova aparece no Art. 2o em relação ao Art. 1o? 7 Releia o § 1o do Art. 2o. a) Qual é a diferença entre produtos embalados, produtos a granel e produtos in natura? b) Você acredita que, em feiras livres e mercados de cidades do interior, ou mesmo em bairros das grandes cida- des, essa regra prevista no § 1o do Art. 2o é cumprida? Justifique sua resposta. 8 De acordo com o § 3o do Art. 2o, por que as informações sobre a origem dos produtos devem constar no documen- to fiscal (nota fiscal)? 9 No Brasil, uma lei nova tem o poder de revogar (anular) uma lei mais antiga que disponha sobre o mesmo tema. a) Por que isso acontece? Levante hipóteses. b) O Art. 8o do Decreto n. 4.680 revogou o Decreto n. 3.871. Acesse o texto do decreto revogado (disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/D3871.htm, acesso em: 5 ago. 2020) e leia o Art. 1o. Identifique um motivo que justifique ele ter sido revogado pelo Decreto n. 4.680. Foi instituído pelo poder executivo federal. “O Presidente da República, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição [...]”. Regulamentar o direito à informação assegurado pela Lei n. 8.078, quanto aos alimentos e ingredientes destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados. Na ementa e no Art. 1o. O Art. 2o institui que, se a presença de organismos geneticamente modificados for superior a 1%, o consumidor deve ser informado. Espera-se que os estudantes respondam que não, pois não existe uma fiscalização efetiva em relação à comercialização desses produtos em feiras livres, sobretudo nas do interior do país. Para que a informação não se perca nas etapas posteriores da cadeia produtiva. Para que não tenhamos leis conflitantes. Se houve necessidade de uma lei nova versando sobre um tema para o qual já existia uma lei, provavelmente é porque a que já existia precisava de alguma alteração. O percentual de tolerância à presença de organismos geneticamente modificados era de 4% no Decreto n. 3.871. O Decreto n. 4.680, mais recente, diminuiu esse percentual para 1%. Logo, não poderíamos ter duas leis sobre o mesmo tema com regras diferentes. Art. 5o As disposições dos §§ 1o, 2o e 3o do art. 2o e do art. 3o deste Decreto não se aplicam à comercialização de alimentos destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou tenham sido produzidos a partir de soja da safra colhida em 2003. § 1o As expressões “pode conter soja transgênica” e “pode conter ingrediente produzido a partir de soja transgênica” deverão, conforme o caso, constar do rótulo, bem como da documentação fiscal, dos produtos a que se refere o caput, in- dependentemente do percentual da presença de soja transgênica, exceto se: [...] § 2o A informação referida no § 1o pode ser inserida por meio de adesivos ou qualquer forma de impressão. [...] Art. 6o À infração ao disposto neste Decreto aplicam-se as penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor e demais normas aplicáveis. Art. 7o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 8o Revoga-se o Decreto n. 3.871, de 18 de julho de 2001. Brasília, 24 de abril de 2003; 182o da Independência e 115o da República. [...] BRASIL. Decreto n. 4.680, de 24 de abril de 2003. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/decreto/2003/d4680.htm. Acesso em: 5 ago. 2020. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 284VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 284 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 5CAPÍTULO 14 10 Leia uma notícia publicada em janeiro de 2019, no portal Senado Notícias, e responda às questões. Sob polêmica, avança projeto que flexibiliza rotulagem de transgênicos Avançou a tramitação do projeto que retira dos rótulos de alimentos o símbolo indicativo da presença de componen- tes transgênicos. A proposição originada na Câmara dos Deputados (PLC 34/2015) foi rejeitada em duas comissões do Senado e aprovada em duas, sob críticas do primeiro vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), e de várias entidades. Hoje está em exame na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC). O texto, de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), determina a retirada do triângulo amarelo com a letra “T”, que hoje é colocado obrigatoriamente nas embalagens de alimentos que contenham qualquer percentual de or- ganismos geneticamente modificados (OGMs). O projeto restringe a necessidade de alerta para produtos em que a substância transgênica supere 1% da composição. Nesse caso, o símbolo atual deve ser substituído apenas pelos dize- res: “contém transgênico”. Da mesma forma, não serão rotulados alimentos de origem animal derivados de criações alimentadas com ração transgênica, com exclusão do símbolo que hoje facilita a identificação desses produtos, e não será obrigatória a informação quanto à espécie doadora do gene. A matéria foi tema de audiências públicas reunindo especialistas e representantes da sociedade civil, que defenderam a manutenção do selo nos termos vigentes. Os debates foram promovidos inicialmente em resposta a objeções do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que considerou o projeto ofensivo aos princípios da precaução e da defesa do consumidor. O instituto ainda temeu retrocesso em relação ao direito garantido pelo Decreto de Rotulagem de Transgênicos, que instituiu a rastreabilidade da cadeia de produção para assegurar a informação e a qualidade do produto. A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) rejeitou o projeto nos termos do re- latório do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Na sequência da tramitação, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou relatório favorável do senador Cidinho Santos (PR-MT), sob o argumento de que os OGMs são realidade em todo o mundo há mais de uma década e não há evidências de que causem danos à saúde. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) acompanhou o parecer contrário da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e a Comissão de Meio Ambiente (CMA) votou positivamenterelatório também oferecido por Cidinho Santos. Cássio Cunha Lima, que se reuniu com representantes de entidades contrárias à aprovação do projeto, também defi- niu a alteração da lei de rotulagem como um retrocesso. Para ele, o consumidor tem direito de saber o que consome. — Não creio que o Senado possa aprovar esse retrocesso. Seria um acinte ao consumidor brasileiro, que tem todo o direito de ser bem informado com clareza para que possa fazer suas escolhas pessoais e ter o direito de seleção daquilo que come — argumentou. Depois da votação na CTFC, onde aguarda escolha do relator, o projeto passará pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) antes de ser submetido ao Plenário. AGÊNCIA Senado. Sob polêmica, avança projeto que flexibiliza rotulagem de transgênicos. Senado Notícias, 11 jan. 2019. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/01/11/sob-polemica- avanca-projeto-que-flexibiliza-rotulagem-de-transgenicos. Acesso em: 5 ago. 2020. Rótulo de produto alimentício com símbolo indicativo da presença de componentes transgênicos. R e p ro d u ç ã o /C ic lo V iv o /F o n te : A g ê n c ia S e n a d o VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 285VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 285 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 6 CAPÍTULO 14 Consulte fontes confiáveis, como sites de universidades ou institutos de pesquisa, e peça a ajuda dos professores da área de Ciências da Natureza para entender melhor essas informações. a) Qual é o objetivo do projeto do qual trata a notícia? b) O título da notícia menciona uma polêmica. Que informações presentes no texto permitem entender que há polêmica em torno do projeto? c) Você sabe o que são organismos geneticamente modificados ou trans- gênicos? Procure informações a esse respeito e descubra o que são e o que a ciência revela sobre os impactos desses produtos na saúde huma- na, no meio ambiente e na agricultura. Houve debates e audiências públicas sobre o tema, envolvendo especialistas e representantes da sociedade civil que são contrários ao projeto e defendem a manutenção do selo nos termos vigentes até então. Além disso, houve comissões que votaram favoravelmente ao projeto e outras que votaram contra. Procure ainda conhecer o posicionamento dos órgãos representativos dos setores envolvidos (agricultores, consumidores, cientistas, am- bientalistas, etc.) sobre a necessidade da indicação do selo “T” nos rótulos de produtos que contêm transgênicos. Quais são os argumen- tos contrários e os argumentos favoráveis? 11 Esse projeto foi proposto por um deputado, ou seja, um membro do po- der legislativo. Antes de ir para votação no Congresso Nacional, a propos- ta tem de passar por várias comissões, compostas por outros deputados. O objetivo dessas comissões é discutir o projeto antes que ele seja posto em votação. a) De acordo com o texto, por quais comissões esse projeto já havia passa- do até o momento de publicação da notícia? b) Como cada comissão se posicionou até o momento? c) Identifique os argumentos utilizados por quem foi contra e por quem foi a favor do projeto. d) Acesse o site do Senado Federal (disponível em: https://www25.senado. leg.br/web/atividade/materias/-/materia/120996, acesso em: 6 ago. 2020) para saber qual é a situação atual desse projeto. No site, você também pode verificar os resultados da consulta públi- ca e acompanhar o posicionamento da sociedade civil a respeito da proposta. Caso a consulta ainda esteja aberta para votação, participe desse debate político colaborando com sua opinião de modo cons- ciente e fundamentado. 12 Pensando no que você descobriu sobre alimentos transgênicos e sobre os argumentos dos setores envolvidos no projeto, redija um texto dissertati- vo-argumentativo em modalidade formal da língua sobre o tema “Os pro- dutos que utilizam organismos geneticamente modificados devem ou não conter o símbolo que os identifica?”. Apresente uma proposta de interven- ção que respeite os Direitos Humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista. Seu texto deve ter no mínimo oito e no máximo 30 linhas. 11. a) CRA (Comissão de Agricultura e Reforma Agrária), CMA (Comissão de Meio Ambiente), CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática), CAS (Comissão de Assuntos Sociais). 11. b) Favoráveis ao projeto: CRA (Comissão de Agricultura e Reforma Agrária), CMA (Comissão de Meio Ambiente). Contrárias ao projeto: CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática), CAS (Comissão de Assuntos Sociais). 11. c) Argumento favorável: Os OGMs são realidade em todo o mundo há mais de uma década e não há evidências de que causem danos à saúde. Argumento contrá- rio: A população tem o direito de ser bem informada sobre aquilo que come, para fazer escolhas conscientes. 11. d) O objetivo é fazer com que os estudantes, além de acompa- nhar e conhecer a tramitação de um projeto de lei, participem do debate político posicionando-se de modo consciente e fundamen- tado. Peça a eles que investiguem se o projeto já foi a votação na Câ- mara e, caso tenha sido votado, qual foi o resultado. Você sabia que existem órgãos e canais de comunicação destinados a defender os direitos do consumidor? Um dele é o portal Consumidor.gov.br (disponível em: https:// consumidor.gov.br/, acesso em: 7 ago. 2020). Por meio dele, você pode se comunicar com algumas empresas para resolver problemas e reivindicar seus direitos de consumidor. Outra possibilidade é procurar o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de sua cidade ou estado. VALE VISITAR NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. Determinar a retirada do triângulo amarelo com a letra “T”, colocado nas embalagens de alimen- tos que contenham qualquer percentual de organismos geneticamente modificados. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 286VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 286 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 7CAPÍTULO 14 3ª PARADA BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. p. 51. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_ populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 4 ago. 2020. a) No topo do bloco retangular mais alto, está qual produto? Em que estado ele se apresenta? E qual está no topo do bloco mais baixo e em que estado se apresenta? b) Qual é o produto mais saudável e qual é o menos saudável? c) Pensando nas respostas anteriores, o que os blocos retangulares estão repre- sentando nessa imagem? d) Considerando o caráter argumentativo da imagem, você diria que o Guia ali- mentar para a população brasileira defende o consumo de qual tipo de produto? 2 Releia os infográficos a seguir, retirados do texto informativo “O que são alimentos processados?”, analisado na 1a parada. O mais saudável é o milho, o menos saudável é o salgadinho. Os blocos estão representando um pódio, em que o 1o lugar coube ao produto in natura, o 2o lugar coube ao produto processado, e o 3o lugar coube ao produto ultraprocessado. A imagem dá ao produto in natura o lugar de campeão e ao salgadinho de milho o último lugar. Ao construir essa argumentação, o Guia indica qual é o melhor produto a ser consumido e qual é o pior. NA BNCC Competências gerais: 1, 2, 4 Competências específicas de Linguagens: 1, 2 Habilidades de Linguagens: EM13LGG101, EM13LGG102, EM13LGG103, EM13LGG104, EM13LGG202 Habilidades de Língua Portuguesa: • Todos os campos de atuação: EM13LP01, EM13LP06, EM13LP07, EM13LP14 NOSSO LABORATÓRIO DE ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA 1 Analise novamente uma das imagens apresentadas na seção Embarque. O QUE são alimentos processados. Alimentos processados. Disponível em: https:// alimentosprocessados.com.br/alimentos-processados-o-que-sao.php.Acesso em: 5 ago. 2020. Reprodução/https://bvsms.saude.gov.br R e p ro d u ç ã o /h tt p s :/ /a lim e n to s p ro c e s s a d o s .c o m .b r R e p ro d u ç ã o h tt p s :/ /a lim e n to s p ro c e s s a d o s .c o m .b r/ NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. GoodStudio/Shutterstock Consulte respostas esperadas e mais informações para o trabalho com as atividades desta parada nas Orientações específi cas deste Manual. No topo do bloco mais alto está o milho in natura; no topo do bloco mais baixo está o salgadinho de milho de pacote, ultraprocessado. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 287VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 287 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM 2 8 8 CAPÍTULO 14 a) Segundo os infográficos, qual é a diferença entre esses alimentos, em relação ao modo de produção? b) Qual estratégia foi utilizada no texto verbal do infográfico que acompanha as imagens para mostrar essa di- ferença? c) Por que no infográfico de alimentos produzidos em pequena escala aparece uma pessoa, mas no de alimentos em grande escala não aparece ninguém? Levante hipóteses. d) Quais outros elementos visuais dos infográficos reforçam a diferença entre os dois tipos de produção? e) Com base na análise dos elementos visuais dos infográficos, quais tipos de produto parecem mais saudáveis: os produzidos em grande escala ou os produzidos em pequena escala? f) Analisando a escolha e a composição das imagens presentes nos dois infográficos, qual delas tem potencial para gerar um efeito de sentido mais positivo no leitor? Você diria que a escolha e a composição dos elementos nesses infográficos expressam uma posição do enunciador do texto com relação aos tipos de produção de alimento? Explique. 3 Observe, mais uma vez, a imagem presente na notícia “Sob polêmica, avança projeto que flexibiliza rotulagem de transgênicos”, lida na 2a parada. Estimule os estudantes a observar as imagens e discutir seus efeitos de sentido. Mais uma vez, é essencial que os estudantes consigam ler as imagens, observando atentamente cada elemento composicional delas. A imagem do infográfico que retrata a produção em pequena escala. a) Informar o consumidor de que esse produto tem 0% de gordura trans torna-o mais ou menos atraente? Justifique. b) O que indica a letra “T” dentro do triângulo amarelo? c) Observe outros símbolos semelhantes a esse que podem aparecer em rótulos ou placas. Rótulo de produto alimentício com símbolo indicativo da presença de componentes transgênicos. AGÊNCIA Senado. Sob polêmica, avança projeto que flexibiliza rotulagem de transgênicos. Senado Not’cias, 11 jan. 2019. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/01/11/sob- polemica-avanca-projeto-que-flexibiliza-rotulagem-de-transgenicos. Acesso em: 5 ago. 2020. R e p ro d u ç ã o /C ic lo V iv o /F o n te : A g ê n c ia S e n a d o O que esses símbolos têm em comum? O que cada um representa? d) Você acredita que as cores e o formato do símbolo com a letra “T” geram um efeito de sentido positivo ou negativo para os consumidores? Justifique. Espera-se que os estudantes respondam que negativo, já que esse símbolo é um sinal de alerta ou perigo. C re at io n /S h u tt e rs to ck T- fl ex /S h u tt e rs to ck Ju lie n _N /S h u tt e rs to ck Atenção: sinaliza um problema, risco ou alerta. Alta-tensão: sinaliza a presença de eletricidade de alta-voltagem. Radiação: sinaliza o perigo de radiação ou um elemento radioativo. VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 288VU_LP_Faccioli_AtO2g21_Cap14_275-292_LE.indd 288 9/11/20 10:40 AM9/11/20 10:40 AM