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O reforço teórico
Teoria literária e comparativismo
As reflexões sobre a natureza e o funcionamento dos textos, sobre as 
funções que exercem no sistema que integram e sobre as relações que a 
literatura mantém com outros sistemas semióticos (legado formalista que os 
estruturalistas do Círculo de Praga se encarregaram de levar adiante) 
abriram caminho para a reformulação de alguns conceitos básicos da 
literatura comparada tradicional.
Entre as diferentes contribuições, foram utilíssimas as noções de Iuri 
Tynianov sobre a evolução literária25, de Jan Mukarovsky sobre a função 
estética e sobre a arte como fato semiológico26 e de M. Bakhtin sobre o 
dialogismo no discurso literário27.
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I. Tynianov pertenceu ao Círculo Linguístico de Moscou, 
constituindo com B. Eikenbaun, V. Chklovski, R. Jakobson, O. Brik, B. 
Tomachevski e outros do grupo que, por um recurso didático, reunimos sob 
a mesma etiqueta de "formalistas russos", ainda que alguns tenham 
orientações teóricas bem diversas. Esses estudiosos, como foi referido, 
romperam com a análise concebida em termos de causalidade mecânica, de 
25 TYNIANOV , Iuri. Da evolução literária. In: —, et al. Teoria da literatura (Formalistas russos). 
Porto Alegre, Globo, 1971.
26 MUKAROVSKY , Jan. La junzione, la norma e il valore estetico come fatti sociali (Semiologia e 
sociologia dell'arte). Torino, G. Einaudi, 1971.
27 BAKHTIN, Mikhaïl. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro, Forense, 1981.
larga difusão no século anterior, que fazia intervir na investigação do 
literário o biografismo, o psicologismo, a história literária e a sociologia. 
Amparavam seus estudos sobre a poética na teoria linguística de Ferdinand 
de Saussure, tentando definir a língua poética por oposição à língua prática, 
a função expressiva da linguagem por oposição à função comunicativa.
Foram eles que estabeleceram a noção geral da linguagem poética 
como um sistema, isto é, um conjunto de relações entre o todo e suas 
partes. Ao rejeitarem o estudo da gênese, que se apoiava na sociologia e na 
biografia, postularam o princípio da imanência da obra: esta é um produto 
que deve ser estudado em si mesmo e do qual é necessário analisar a 
construção. Consideravam o texto um sistema fechado, de que cabia efetuar 
a análise interna.
Privilegiando a imanência, os formalistas não evitaram o risco de 
uma análise estática, que favorecia o conhecimento e a consequente 
descrição do texto literário mas deixava de examinar as relações que ele 
estabelecia com elementos extratextuais, limitando o alcance interpretativo 
dos estudos.
Contra o fechamento que os estruturalistas iriam acentuar se 
insurgem dois representantes do grupo formalista: R. Jakobson e I. 
Tynianov. Ambos propõem o abandono do "formalismo" escolástico que 
privilegia a catalogação
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dos fenômenos em detrimento da análise dos mesmos. No ensaio "Da 
evolução literária", Tynianov questiona:
É possível o estudo chamado "imanente" da obra enquanto 
sistema, ignorando suas correlações com o sistema literário? [...] 
Entretanto, mesmo a literatura contemporânea não pode ser 
estudada isoladamente. A existência de um fato como fato 
literário depende de sua qualidade diferencial (isto é, de sua 
correlação seja com a série literária, seja com uma série 
extraliterária), em outros termos, de sua função (p. 109).
Tynianov alerta que "um mesmo elemento tem funções diferentes em